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Numero do processo: 19679.010366/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998
EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO.
O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destina-se a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco.
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo (Súmula CARF nº 1)
Numero da decisão: 3202-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, mão se conhecer do recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo (Súmula CARF nº 1) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, mão se conhecer do recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 03 66 /2 00 3- 01 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 127 2 Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ELETRICA NEBLINA LTDA contra Acórdão nº 1631.794, de 26 de maio de 2011 (de fls. 102 a 114), proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação e mantido em parte o crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado “ Proc jud não comprovado” e “Pagto não localizado” da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 02/1998 e 12/1998 e declarados na DCTF. Razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 28 e 29 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros de mora com cálculos válidos até 30/06/2003 perfazendo o total de R$ 997.046,87 (novecentos e noventa e sete mil e quarenta e seis reais e oitenta e sete centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts. 1 a 4 LC 70/91; Art. 1 L 9249/95; Art. 57 L 9069/95; Arts 56 e par Um, 60 e 66 L 9430/96, arts 53 e 69 L 9532/97. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR à fl 76), a contribuinte protocolizou, em 10/09/2003 a impugnação de fls. 1 a 16 acompanhada dos documentos de fls. 1753, na qual alega: 2.1. De plano, há que se esclarecer que o crédito tributário intentado no Auto de Infração está extinto, haja vista ter sido objeto de compensação efetuada com base em decisão judicial favorável à Impugnante, merecendo, assim, que seja feito um breve relato dos fatos para uma melhor elucidação da questão. 2.1.1. Aos 6 de outubro de 1997, a impugnante impetrou Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar sob o nº 97.4311681, que tramitou perante a 3ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, visando, em síntese: (i) a garantia do direito à Impugnante de compensarse dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com base nos DL nº 2445/88 e 2449/88 declarados inconstitucionais; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 128 3 (ii) não sofrer autuações fiscais em razão da compensação a ser efetuada, enquanto não se esgotarem seus créditos e até que sobrevenha decisão transitada em julgado no mandamus: (iii) ver declarada a inexistência de relação jurídica entre a Impugnante e a União Federal no tocante à cobrança do PIS no período compreendido entre outubro de 1998 e novembro de 1995; (iv) ver reconhecido seu direito de crédito relativo ao PIS no valor excedente ao estabelecido pela LC nº 07/70, no mesmo período acima especificado. 2.1.2. Em razão da edição dos DL nº 2.445/88 e 2.449/55, que alteraram a sistemática de apuração do PIS instituída pela LC 07/70, é que se faz necessária a impetração do mandado de segurança, o qual aguarda julgamento dos recursos de Apelação interpostos perante o E. TRF da 3ª Região, estando no gabinete do relatório sorteado, Desembargador Newton de Lucca, desde 18/07/2002. 2.1.3. Pela sistemática então instituída pelos DL, a Impugnante passou a recolher a contribuição ao PIS à alíquota de 0,65%, tendo como base de cálculo a receita operacional bruta e não mais o faturamento bruto do sexto mês anterior àquele devido e calculado sob a alíquota de 0,75%. 2.1.4. Posteriormente, sobreveio a r. sentença de fls. 95 a 104 que julgou PROCEDENTE a ação mantendo a segurança concedida (doc. 08 – fls. 38/47). 2.1.5. Assim, verificase que, em razão da medida liminar concedida nos autos do MS, a exigibilidade da COFINS está suspensa, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN, porquanto a decisão judicial tenha autorizada a compensação do PIS indevidamente recolhido com parcelas vincendas de outras contribuições administradas pela SRF, dentre elas a COFINS. 2.1.6. Ademais, no presente caso, operouse verdadeira extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, donde exsurge o segundo motivo pelo qual a cobrança vertida no presente auto é totalmente indevida. 2.1.7. De se apontar que Autoridade Fazendária pode e deve valerse do direito de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, bem como verificar a integralidade dos tributos recolhidos, mas, em contrapartida, a ela não é defeso lavrar Auto de Infração ou mesmo a ele dar seguimento com base em compensação amparada por declaração de inconstitucionalidade proclamada pela Corte Constitucional, bem como por liminar concedida em sede de MS. 2.1.8. Assim, seja em face do princípio da moralidade pública, que deve nortear a conduta da administração pública, conforme preceitua o art. 37 da CF, seja, em razão do princípio que repudia o enriquecimento sem causa, seja em Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 129 4 função do princípio da isonomia e da jurisprudência do Poder Judiciário, no caso da compensação de valores pagos indevidamente e reconhecidos de forma pacífica pelo STF, é que não se deve admitir a conduta adotada pela Impugnada. 2.1.9.. A convalidar as razões que militam em favor da Impugnante, requerse a juntada da inclusa DCTF referente ao AnoCalendário de 1998 (doc. 09 – fls 48/51), bem como das planilhas elaboradas pela Impugnante que demonstram os tributos compensados (doc; 10 – fls. 52). 2.2. Quanto ao crédito tributário identificado como “Pagamento não localizado” nos Anexos 1 a (pág.007) e Anexo III (pág. 08) do AIIM, cujo valor do principal correspondente ao montante de R% 5.351,46, período de apuração fevereiro de 1998, cumpre esclarecer que referido débito foi devidamente recolhido, inclusive computados os acréscimos legais em razão do pagamento intempestivo, conforme prova o DARF recolhido que ora se junta (doc. 11 – fl. 53). 2.3. SE a Impugnante nada deve à Impugnada, não há que se cogitar em inadimplemento de obrigação e, por conseguinte, incidência de multa, quer de ofício, quer moratória, tampouco juros moratórios. 2.4.. Por fim, requerse seja a presente Defesa Administrativa julgada TOTALMENTE PROCEDENTE, cancelandose, por conseguinte, o Auto de Infração nº 0084424. 2.4.1. Outrossim, caso seja mantida a presente autuação, requerse sejam excluídos tanto a multa de ofício, como de mora e os juros moratórios, nos exatos contornos traçados pelo artigo 63 da Lei 9.430/96. 3. Quanto às Ações Judiciais, a DICAT/EQAMJ lavrou o seguinte despacho (fl. 75). Em resumo: “Inicialmente esclareço que este auto de infração – DCTF cuida de débitos relativos à Cofins de 02 a 12/1998, declarados com a exigibilidade suspensa pelo MS nº 97.00431681” “Excepcionalmente há alegação de pagamento (03 dias de atraso) apenas para o débito referente a 02/1998, com Darf anexado à fl. 53.” “Os demais débitos são relacionados ao referido MS que discute a compensação de PISDecretos, com o próprio PIS e outros tributos.” “ A sentença de fls. 38/47autorizou a compensação.” “O acórdão de fls. 68/71 negou provimento á apelação da União e à remessa oficial e fixou os índices de correção monetária aplicáveis.” “Ainda não houve a subida do Recurso Especial interposto pela União.” Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 130 5 4. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal – DERAT/EQAAR em São Paulo – SP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, exarou o DESPACHO DECISÓRIO Nº 3682/2010 em 13/12/2010(fl. 81), onde consta que: “Em atendimento em fl. 75, foi efetuado o recálculo segundo demonstrativo de consolidação e recálculo (fls. 77 a 80), verificandose que foi encontrado e alocado manualmente recolhimento para o P.A. de 0102/98, extinguindo o mesmo, o saldo remanescente segue para DRJ conforme solicitado”. 4.1. Assim, revisou de ofício o lançamento, na forma do artigo 149 di Código Tributário Nacional (CTN), cancelando o débito de 02/98 no valor de R$ 5.351,46, multa de ofício de R$ 4.013,60 e mantendo os demais débitos lançados no presente Auto de Infração. 5. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente em parte a impugnação em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1998 A 31/12/1998 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA – COMPATIBILIDADE Para que tenha sentido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, fazse necessária sua prévia constituição. Assim, o provimento judicial suspensivo da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL – CONCOMITÂNCIA A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO – RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 131 6 Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “e” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada.” Cientificado do referido acórdão em 22 de fevereiro de 2012 (fl. 116), a interessada apresentou recurso voluntário em 22 de março de 2012 (fls. 117 a 122), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 22 de fevereiro de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 22 de março de 2013. Do Direito ao Contraditório e a Ampla Defesa Depreendendose da análise do recurso voluntário apresentado pela recorrente, temse que o cerne das discussões envolve a ausência de análise das compensações de crédito de PIS com a Cofins devida realizadas pela recorrente no despacho decisório, por conta da alegação da autoridade fazendária de que haveria renúncia às instâncias administrativas. Vêse que a autoridade fazendária considerou que consoante dispõe o art. 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737/1979 e o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.8630/80, a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 132 7 propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Sobre esse tema, insurge a recorrente: 1. Ao dispor o art. 5, inciso LV, da CF/88: "Art. 5o. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes" 2. que entender que a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial implica em renúncia às instâncias administrativas é ferir diretamente a Lex Major; 3. o que, portanto, seria incabível a afirmação de que não poderia a recorrente postular administrativamente pela existência de Mandado de Segurança anterior ao Auto de Infração por estar assim configurado cerceamento de defesa e impedimento ao contraditório; 4. quanto à extinção do crédito tributário, a compensação é forma de extinção do crédito tributário reconhecido no Direito Pátrio – o que não haveria que se falar em inadimplemento tributário por falta de recolhimento da COFINS referente ao anocalendário de 1998, bem como, de seus acréscimos legais, em virtude da suposta não comprovação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por processo judicial; 5. em face do princípio da moralidade pública, que deve nortear a conduta da administração pública, conforme preceito do artigo 37 da Constituição Federal, seja em razão do princípio que repudia o enriquecimento sem causa, seja em função do princípio da isonomia e da jurisprudência do Poder Judiciário, no caso da compensação dos valores pagos indevidamente e reconhecidos de forma pacífica pelo STF, é que não se deve admitir a conduta adotada pela Recorrida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 133 8 6. Que, no Acórdão recorrido em nenhum momento foi analisada a compensação realizada ou até mesmo questionada sua validade; 7. Que tais débitos encontramse com exigibilidade suspensa até o trânsito em julgado do Recurso Especial apresentado pela Recorrida. 8. Desta feita, demonstrada a regularidade da compensação realizada, bem como reconhecido o direito ao crédito nos autos do Mandado de Segurança impetrado, pugnase pelo reconhecimento do crédito intentado. Como se depreende do relato, a contribuinte recorreu ao Poder Judiciário para discutir a mesma matéria. Não obstante, primeiramente, esclarecese que de fato, a autoridade fazendária, deve promover o lançamento mesmo nos casos em que o crédito esteja com a exigibilidade suspensa promovida no âmbito de processo judicial, como bem determina o art. 63 da Lei nº 9.430/96: “Art. 63. Não caberá lançamento da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV ou V do artigo 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.” No mesmo sentido o CARF editou a sumula nº 48, que prescreve: “A suspensão da exigibilidade do crédito por medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.” Determina também a jurisprudência do CARF que resta configurada a renuncia a instância administrativa, quando a recorrente se socorre ao poder judiciário, como vemos na Súmula nº 1 deste Conselho: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo.” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 19679.010366/200301 Acórdão n.º 3202001.096 S3C2T2 Fl. 134 9 Nunca é demais lembrar que ao julgador deste colegiado é obrigatória a aplicação de súmula do CARF, sob pena de afronta ao Regimento Interno do CARF. Isto porque, tendo o presente auto de infração sido lançado para prevenir a decadência, seu destino será selado pela decisão judicial transitada em julgado, e competirá à autoridade administrativa responsável cumprir o que restar decidido no judiciário. Se vencedor o contribuinte serão indevidos os valores lançados, e por outro lado, se derrotado, ai sim deve se promover a cobrança dos créditos. Neste contexto, não conheço do presente recurso voluntário ante a existência da concomitância. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13587.000046/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 87 .0 00 04 6/ 20 10 -1 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a decisão anterior. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Versa este processo sobre restituição/compensação. A DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 190/2010 (fls. 36/37), não reconheceu o direito creditório pleiteado (por ausência de certeza e liquidez) e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. O interessado teve ciência em 30/11/2010 (fl. 46). Em 07/12/2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 82/86. Na referida peça, alega, em síntese, que: as compensações declaradas não foram homologadas em razão da suposta omissão de receita apurada no processo n° 15521.000156/200925; ocorre que, no referido processo, apresentou Impugnação e, posteriormente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual encontrase pendente de julgamento; assim, se por um lado não é possível a homologação da compensação desde logo, tendo em vista a questão prejudicial representada pelo crédito tributário constituído no processo n° 15521.000156/200925, por outro lado e pelo mesmo motivo é certo que a sua exigibilidade está suspensa pelo recurso administrativo apresentado naqueles autos, conforme jurisprudência; com efeito, não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva, o que somente ocorrerá com o julgamento do Recurso Voluntário; em suma, como é evidente que o que for discutido e decidido nos autos do processo administrativo n° 15521.000156/200925 certamente terá reflexo neste processo e encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido naqueles autos, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, impõese a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos; em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança n° 2010.51.03.0018018, concedeu a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 4 3 medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário.” A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 03/05/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2012, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade, e ao fim requer a suspensão do processo até a decisão final do processo nº 15521.000156/200925. Este é o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação onde a DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 189/2010 (fls. 63/64), não reconheceu o direito creditório pleiteado, fundamentandose na ausência de certeza e liquidez do crédito, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. Constou da decisão que: a) o pleito se encontra consubstanciado na circunstância de o interessado ter apurado, na DIPJ/2006, Saldo Negativo (saldo credor) de CSLL; b) a análise da Declaração de Compensação implica, entre outros procedimentos, verificar se houve apuração, e de forma correta (conformidade com a legislação), de saldo negativo de CSLL na correspondente declaração de rendimentos, e que este já não tenha sido objeto de compensação em exercícios futuros; c) constatouse que o interessado fora fiscalizado, no Processo Administrativo 15521.000156/200925, conforme Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos, sendo certo que houve alteração na situação jurídica do mesmo, razão pela qual desconsiderase a apuração efetuada na DIPJ, de saldo negativo de CSLL. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva. Solicita, então, a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos. Alega que, em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário concedeu a medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário. No exame das compensações, a DRF verificou que o Saldo Negativo pleiteado foi revertido em face da ação fiscal objeto do Processo Administrativo 15521.000156/200925, razão pela qual desconsiderou a apuração efetuada na DIPJ, a qual tinha gerado saldo negativo. O processo objeto da ação fiscal que glosou o saldo negativo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no dia 03 de dezembro de 2013, tendo a decisão sido formalizada em 17 de maio do presente ano, cuja a ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 6 5 OMISSÃO DE RECEITAS. REEMBOLSO DE DESPESAS. CARACTERIZAÇÃO. Em razão de sua inoponibilidade ao Fisco, desconsiderase a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), uma vez caracterizada a falta de propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que demonstram a realização de uma única prestação de serviço. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico na prestação de serviços a terceiros de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, descaracteriza a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores indevidamente classificados como reembolso de despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez não se sustentando a acusação de “simulação fraudulenta” que ensejou a qualificação da multa, os documentos apresentados pela Recorrente como justificadores do aumento de capital e reembolso de despesas, não podem ser meramente desconsiderados em sua validade jurídica, a fim de se buscar uma caracterização de suposta receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central. Assim, é de se aceitar como plenamente válidos os documentos que ensejaram o aumento de capital e o reembolso de despesas. PIS E COFINS. AUMENTO DE CAPITAL. AFASTADA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A ESSA REMESSA. Uma vez válida a operação de aumento de capital, por sustentada em documentação hábil e idônea, a justificar tal procedimento, não se pode considerar, a esse título, omissão de receita, que reflete, assim, nas bases de cálculos do PIS e da COFINS, que deve ser expurgada desses valores, por inexistir tal configuração de receita omitida. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. NÃO COMPROVAÇÃO. A contratação de prestação de serviços em condições econômico financeiras desiguais, por si só, não configura simulação, por ausência de comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. DATA DO FATO GERADOR. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 7 6 A contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação obedece à regra do art. 150, §4º, do CTN, iniciandose a contagem da data do fato gerador, quando não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos da jurisprudência firmada em recurso repetitivo do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e do PIS e da Cofins até novembro de 2004, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas originada do aumento de capital, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas originada do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do PIS e da Cofins as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor das matérias em que restou vencida a relatora, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Inicialmente afasto o pleito de suspensão do presente julgamento, por conta da pendência de julgamento do processo nº 15521.000156/200925, eis que no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, não há qualquer hipótese de suspensão ou sobrestamento por conta dos fatos alegados. No caso em exame o mais correto seria que este, assim como os demais processos de compensação que me foram distribuídos referentes a esse mesmo saldo negativo fossem apensados ao processo nº 15521.000156/200925, para que fossem analisados a partir da decisão final, transitada em julgado, proferida naquele feito. Ocorre que essa possibilidade deve ser descartada, eis que aquele processo já encontrase julgado por este Conselho e, embora estes processos estejam intimamente vinculados àquele, a matéria não é a mesma e a decisão não pode ser estendida. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13587.000046/201015 Resolução nº 1802000.516 S1TE02 Fl. 8 7 Com efeito, este processo parte do saldo que for reconhecido naquele, mas tem matéria distinta, eis que um referese a glosa de saldo negativo de IRPJ, enquanto o outro a compensação decorrente do saldo apurado ao fim do período. Sendo assim a apensação neste momento obrigaria àquela turma a realizar novo julgamento deste processo ou iria suprimir uma instância de julgamento, o que cercearia o direito de defesa do contribuinte. Desse modo, considerando as impossibilidades de suspensão, sobrestamento ou apensação ao processo nº 15521.000156/200925, entendo que deve ser julgado este feito no estado em que se encontra. Pelo julgamento do processo nº 15521.000156/200925, vimos que embora não tenha dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, parte do seu direito foi reconhecido, sendo possível que ainda reste saldo a ser compensado naquele exercício. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a delegacia de origem informe se após o julgamento do processo nº 15521.000156/200925, existe saldo negativo a ser aproveitado nos presentes autos. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10640.000549/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
DA AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL.
A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deveria estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2202-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, E Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, E Fabio Brun Goldschmidt
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A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deveria estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, E Fabio Brun Goldschmidt AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 05 49 /2 00 6- 16 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 03.03.2006, o Auto de Infração/anexos de fls. 01/06 e 16, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 14.650,82, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 24.02.2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda da Glória Ltda" (NIRF 2.536.8141), localizado no município de Volta Grande MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2002 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 14/15), iniciouse com a intimação de fls. 09, recepcionada em 29.08.2006 ("AR"/cópia de fls. 10), exigindose a apresentação de: 1 Areas de preservação permanente: Ato Declaratório Ambiental do IBAMA — ADA; 2° Areas de utilização limitada: Áreas de reserva legal: Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel, com averbação da reserva legal; Areas de reserva particular do patrimônio natural: Portaria, expedida pelo IBAMA, de reconhecimento da RPPN (Decreto n° 1922/96, art. 4°), averbada à margem da matricula do imóvel no Cartório de Registro; Areas de interesse ecológico: Ato especifico do órgão federal ou estadual competente. Em atendimento, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 11/12 e 13. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e da documentação apresentada, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, alterando a área total do imóvel de 664,0 ha para 838,1 ha e glosando totalmente as áreas declaradas como de utilização limitada de 150,0 ha, com conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VTN tributável e da aliquota de cálculo, apurando imposto suplementar de R$ 6.198,52, conforme demonstrativo de fls. 05. • A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos As folhas 02, 04 e 06. Cientificada do lançamento, em 21.03.2006 (documento "AR" de fls. 19), a interessada apresentou em 19.04.2006, via postal, fls. 20, a impugnação de fls. 21/31. Apoiada nos documentos/extratos de fls. 32, 33, 34, 35/37, 38, 39/42, 43 e 44/52. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasilia – DRJ/BSB, ao analisar a impugnação negou provimento através do acórdão DRJ/BSB 03 23.213, de 14 de novembro de 2007. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000549/200616 Acórdão n.º 2202002.574 S2C2T2 Fl. 166 3 Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação no que diz respeito a reserva legal. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Tratase de lançamento fiscal de ITR, exercício 2002, derivado de glosa de área de utilização limitada (reserva legal) pelo fato da mesma não ter sido averbada no registro de imóveis. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de de utilização limitada (reserva legal) não poderia ser efetuada no exercício de 2002, uma vez que não houve a averbação no registro de imóveis. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000549/200616 Acórdão n.º 2202002.574 S2C2T2 Fl. 167 5 Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000549/200616 Acórdão n.º 2202002.574 S2C2T2 Fl. 168 7 Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto no que diz respeito a reserva legal ou área de utilização limitada, entendo que a mesma deveria estar devidamente averbada no registro de imóveis, sob pena do contribuinte não poder excluir tal valor da base de cálculo do ITR. Neste sentido, nego provimento ao recurso do contribuinte (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13893.001045/2003-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1993 a 30/11/1993
RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DE COFINS. DECADÊNCIA.-
Decorridos mais de 05 anos desde a data dos fatos geradores, verifica-se a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos moldes do disposto no § 4º, do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1993 a 30/11/1993 RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DE COFINS. DECADÊNCIA.- Decorridos mais de 05 anos desde a data dos fatos geradores, verifica-se a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos moldes do disposto no § 4º, do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1993 a 30/11/1993 RECOLHIMENTO INSUFICIENTE DE COFINS. DECADÊNCIA. Decorridos mais de 05 anos desde a data dos fatos geradores, verificase a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos moldes do disposto no § 4º, do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 10 45 /2 00 3- 97 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de auto de infração do qual a Recorrente teve ciência em 24/06/2003, em face de recolhimento a menor de COFINS no período de setembro a novembro de 1993 e de janeiro a fevereiro de 1994. Em sua Impugnação, alega a Recorrente ser detentora de tutela judicial lhe permitiria extinguir os débitos ora exigidos via compensação, isto com amparo em provimento proferido "nos autos da Ação Cautelar n° 9200489052", o qual versava sobre o FINSOCIAL. E que a fiscalização, não obstante referilos, não teria juntado "documentos relacionados à compensação efetuada pela impugnante", bem como demonstrativos na forma de planilhas. Disto, restaria, daí, prejuízo à sua defesa. No mais, desfia argumentos tendentes a justificar a higidez do crédito que afirma ter contra a Fazenda Pública Nacional — resultante de indébitos da Contribuição ao Finsocial, inclusive de sua forma de correção, via IPC e não pela UFIR. Por fim, dá por ilegal/inconstitucional o cômputo dos juros segundo a variação da taxa Selic, bem como, por idêntico argumento, a imposição da multa de oficio. Analisando a questão, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas entendeu por bem manter o lançamento, nos seguintes termos: DIRPJ. DCTF. Mantémse, quando não justificada, a exigência decorrente da diferença verificada a partir do cotejo entre DIRPJ (a maior) e DCTF (a menor). PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Em primeira vez, compete ao titular de Delegacia, Alfândega ou Inspetoria analisar o pleito de restituição e/ou compensação. LEGALIDADE. Cumpre a toda Administração Pública aplicar a Lei de oficio. Lançamento Procedente Inconformada, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário reforçando as alegações trazidas em sede de sua Impugnação, e argüindo ainda a consumação da decadência, com base no parágrafo 4o.do artigo 150 do CTN. Argüiu ainda que tem o direito de não ter considerados como receitas próprias valores que apenas circulam pelos seus livros fiscais, sem representar, contudo, acréscimos patrimoniais próprios, tal como ocorre com o ICMS. Alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. Dispõe também que o lançamento não poderia ser realizado considerando receitas outras que não o faturamento, assim considerado a receita bruta da venda de bens ou da prestação de serviços. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13893.001045/200397 Acórdão n.º 3801003.307 S3TE01 Fl. 12 3 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Como demonstrado no relatório acima, a ora Recorrente recebeu autuação em 24/06/2003, na qual a Receita Federal do Brasil constituiu créditos tributários, cujos fatos geradores se deram no período de setembro a novembro de 1993 e de janeiro a fevereiro de 1994. Verificase, pois, a decadência prevista pelo Código Tributário Nacional. Como os fatos geradores ocorreram em setembro a novembro de 1993 e de janeiro a fevereiro de 1994 e a constituição do crédito tributário, com a intimação do contribuinte, só se deu em 24/06/2003, não há dúvidas de que houve a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez que decorridos mais de 05 anos desde a data dos fatos geradores. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4°, do CTN, isto é, o prazo para esse efeito será de 05 anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra, supõe, evidentemente, hipótese de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Conforme inferese do relatório fiscal, o Recorrente realizou recolhimento insuficiente do tributo nos períodos mencionados. Ou seja, houve pagamento antecipado, não obstante insuficiente para quitar o débito fiscal Por conseguinte, é de se reconhecer a decadência pela aplicação do disposto no § 4º, do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele deu provimento, para anular, na totalidade, o crédito tributário constituído pela Fazenda Pública, tendo em vista a decadência. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.006643/00-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 66 43 /0 0- 38 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°648/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.5810, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/0017, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.0232244, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/0017 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n° 573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n°1997.33.5810. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n°10580.000290/0017, para indeferilo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010, apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10580.006643/0038 Acórdão n.º 3101001.664 S3C1T1 Fl. 4 3 Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. Os autos foram encaminhados inicialmente a Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, em sessão de julgamento de 9 de julho de 2013, declinou a competência em favor da Terceira Seção. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Tratase de pedido de compensação pelo qual pretende, a recorrente, o reconhecimento de direito creditório a título de pagamento indevido de PIS recolhido com base nos Decretos 2.445 e 2.449, de 1988. Como o alegado direito creditório é proveniente de decisão judicial, importanos examinar o teor da ação ajuizada pela Recorrente e seus efeitos. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária, autos nº 1997.33.5810, junto à 1ª Vara Cível Federal de Salvador objetivando o reconhecimento de seu direito à restituição e posterior compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS. A ação judicial já transitou em julgado e encontrase em fase de liquidação de sentença. Não restam dúvidas que o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo: a restituição e a compensação de valores recolhidos indevidamente da contribuição PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. É ponto pacífico que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Como o contribuinte preferiu prosseguir com a execução, prejudicado ficou seu requerimento administrativo. Isso porque a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por estar caracterizada a coincidência entre a matéria recursal e o objeto da ação judicial.. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10580.720773/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 74 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 148.216,53, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 77 3/ 20 09 -2 2 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720773/200922 Resolução nº 2802000.054 S2TE02 Fl. 125 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto deinfração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720773/200922 Resolução nº 2802000.054 S2TE02 Fl. 126 3 se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 16/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.185, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a) as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720773/200922 Resolução nº 2802000.054 S2TE02 Fl. 127 4 (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 80), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 88/119), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. Assim relatado, verifico, preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada (fls. 72), matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720773/200922 Resolução nº 2802000.054 S2TE02 Fl. 128 5 Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11543.002396/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 23 96 /2 00 6- 11 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 149 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 88.975,39, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2003, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Fonte Pagadora: Caixa Econômica Federal CEF Valor: R$ 303.030,74) e dedução indevida a maior de imposto de renda na fonte (Fonte Pagadora: Prefeitura Municipal de Cachoeiro do Itapemirim – Valor: R$ 834,53). A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ISENÇÃO. FGTS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO, FÉRIAS INDENIZADAS E LICENÇA PRÊMIO INDENIZADA. São isentos os valores recebidos a título de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, aviso prévio indenizado, férias indenizadas e licençaprêmio indenizada. RENDIMENTOS DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RENDIMENTOS ISENTOS. Não estão sujeitos ao ajuste anual os rendimentos de tributação exclusiva na fonte e os isentos. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/06/2011 (AR à fl. 133), o Interessado interpôs, em 04/07/2011, o recurso de fl. 134/141. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A rescisão de seu contrato de trabalho se deu em virtude da adesão ao Programa de Demissão Voluntária PDV da empresa, conforme exposto na petição inicial da reclamatória trabalhista ajuizada. O Superior Tribunal de Justiça – STJ já editou as Súmulas 125, 136 e 215, que versam sobre a não incidência de imposto de renda sobre valores pagos a título de férias não gozadas por necessidade do serviço, licençaprêmio não gozada por necessidade do serviço e indenização recebida pela adesão a PDV. Os valores recebidos em decorrência da reclamatória trabalhista foram compostos de R$ 86.997,38 a título de horas extras, sobre as quais há incidência de imposto de renda, e R$ 55.934,09, sobre os quais não incide o tributo. Tendo havido explícito pronunciamento jurisdicional sobre os cálculos efetuados na reclamatória trabalhista, não há mais necessidade de se provar nada. Caberia à Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 150 3 Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB provar que as parcelas declaradas nos autos como indenizatórias não o são. A adesão ao PDV trazia como contrapartida uma indenização intitulada de “Remuneração Extra”. Os Tribunais já deixaram clara a natureza jurídica das parcelas, como se vê no acórdão do STJ antes citado, que reza que não incide IRPF sobre as conversões de APIP em pecúnia, bem como sobre os incentivos à demissão, caso notório da “Remuneração Extra”. Quaisquer parcelas devidas em virtude de rescisão de contrato de trabalho que não tenham origem comum, ou seja, na própria lei que regula o tema e que, portanto, são aplicáveis indistintamente a todo e qualquer trabalhador, devem ser consideradas especiais, livres da incidência de imposto de renda. O contexto probatório e as próprias decisões judiciais constantes da ação trabalhista deixam cristalino que as parcelas denominadas “APIP” (convertidas em pecúnia) e “remuneração extra” (ou expressão equivalente) somente são devidas em virtude da adesão do recorrente ao plano de demissão incentivada da empresa, tendo, consequentemente, natureza jurídica indenizatória. Juros e multa possuem caráter punitivo e são utilizados pela recusa ao pagamento, que não houve dentro do contexto analisado. Assim, ainda que não seja provido o recurso, é de ser extirpado do cálculo qualquer valor a título de juros e multa, já que o contribuinte não pode ser considerado infrator. Se porventura cometeu algum equívoco, tal se deu por indução da própria União, por meio do Judiciário Federal, que homologou os cálculos utilizados como base para a declaração. Ao final, requer seja recebido e provido o presente recurso, a fim de que seja considerado insubsistente o Auto de Infração equivocadamente lavrado, e efetuado o depósito da restituição de imposto de renda que lhe é devida. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Versa a controvérsia sobre a tributação de valores recebidos, pelo Recorrente, em decorrência de reclamatória trabalhista. O Interessado se insurge contra a tributação das verbas intituladas “Remuneração Extra” e “Conversões de APIP”, bem como contra os juros e multa aplicados em virtude da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Aduz o Recorrente que a rescisão de seu contrato de trabalho, anteriormente ao ajuizamento da reclamatória, se deu em virtude de adesão ao Programa de Demissão Voluntária PDV da Caixa Econômica Federal CEF, conforme exposto na petição inicial da demanda trabalhista (fls. 57/72 deste processo digital), e que a verba denominada de “Remuneração Extra” decorre de sua adesão ao PDV, não devendo, por isso mesmo, ser tributada, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 151 4 Na espécie, embora conste da petição inicial da reclamatória trabalhista que o Reclamante, ora Recorrente, fora “demitido sem justa causa, em virtude de sua adesão ao programa de incentivo às demissões levada a termo pela Reclamada” (fl. 58), o Interessado não juntou aos autos deste processo administrativo nenhum documento que demonstre, de forma inequívoca, que sua demissão se deu no âmbito de um programa de demissão voluntária. O “Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho” acostado aos autos em fl. 73 deste processo digital revela que a rescisão do contrato de trabalho se deu sem justa causa, mas não permite inferir, com precisão, que o afastamento decorreu de um programa de demissão voluntária. Observo, ainda, por oportuno, que não consta do acórdão do Tribunal Regional do Trabalho – TRT da 17ª Região (fls. 79/82), tampouco dos cálculos apresentados pela CEF (fls. 84/97), que foram homologados pela Justiça Trabalhista (fl. 98), qualquer evidência no sentido de que a “Remuneração Extra” originouse de diferenças de valores pagos em programa de demissão voluntária. Nesse cenário, sou pela conversão do julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar, de forma incontroversa, que: a) sua demissão ocorreu em virtude de programa de demissão voluntária; b) a verba batizada de “Remuneração Extra” é decorrente de programa de demissão voluntária. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Com a devida vênia do Ilustre Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, permitome divergir de seu voto em relação à exigência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos em reclamatória trabalhista. Conforme se verifica nos autos , cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 152 5 vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 153 6 EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11543.002396/200611 Acórdão n.º 2801003.547 S2TE01 Fl. 154 7 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Numero do processo: 11516.000912/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2004
REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa é responsável, perante a legislação de regência de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço.
Numero da decisão: 2301-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Luciana Espindola de Souza Reis, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Retenção segurados Recorrente INTEC INSTITUTO TECNOLOGICO E CIENTIFICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2004 REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é responsável, perante a legislação de regência de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Luciana Espindola de Souza Reis, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzales Silvério. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 12 /2 01 0- 78 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.251.7617, no qual a autoridade fiscal exige multa pelo fato de a empresa ter deixado de reter, nos termos da alínea “a”, inciso I, do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, as contribuições previdenciárias dos empregados segurados que lhe prestavam, à época dos fatos, serviços de natureza laborativa. Assim, embasandose nos Demonstrativos I a IV de fls. 8 a 37, que relacionam a realização de pagamento salarial a contribuintes individuais a serviço da ora Recorrente, a D. Autoridade Fiscal aplicou, ao ser constatada a ausência do desconto das contribuições previdenciárias sobre a remuneração, multa no montante de R$ 1.410,79, com base no artigo 283, inciso I, alínea “g”, combinado com artigo 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS). Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou no mérito tãosomente o quanto segue: “Tratase de matéria cujo apreciação decorre da provimento ou não dos demais Autos de Infração relacionados, sendo que, o Impugnante reitera aqui os argumentos já apresentados nos demais Autos de Infrações no sentido de que não existiu de sua parte qualquer prática ilegal que poderia dar ensejo a presente multa.” (s.i.c) Após ser a defesa submetida à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, foi proferida decisão de fls. 65 a 68 que manteve integralmente a multa aplicada por ocasião da lavratura do Auto de Infração em referência, julgando, dessa forma, improcedente a impugnação do Contribuinte, sob o seguinte argumento: “As contribuições previdenciárias dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre a remuneração paga aos mesmos estão inclusas no Auto de Infração nº 37.251.7609, processo Administrativo Fiscal nº 1151.6000911/201023. A empresa apresentou impugnação relativa a este lançamento, a qual foi apreciada por esta Delegacia de Julgamento em sessão datada de 00/00/0000, tendo sido integralmente mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Desta forma, considerando que foi mantida em sede de julgamento a ocorrência do fato gerador, no sentido de que a empresa se utilizou de serviços de contribuintes individuais, com remuneração e deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias inerentes a parte do segurado, resta evidente que o sujeito passivo deixou de cumprir a obrigação acessória de sua responsabilidade, nos termos do art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666, de 08/05/2003, e art. 216, I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99.” Inconformada com a r. decisão acima transcrita, a Recorrente interpôs, dentro do prazo legal, Recurso Voluntário perante este E. Conselho, com objetivo de obter, ao sustentar o mesmo argumento articulado na defesa de fls. 43/44, a reforma do julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, com base no que foi alegado nas impugnações oferecidas contra os Autos de Infração que discutem o cumprimento da obrigação acessória da arrecadação das contribuições previdenciárias em comento. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000912/201078 Acórdão n.º 2301003.903 S2C3T1 Fl. 350 3 Na assentada de 13 de março de 2012 essa E. Turma converteu os autos em diligência para que sejam os autos do processo administrativo nº 11516000911/201023 apensados ao presente processo administrativo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. A autoridade de jurisdição do sujeito passivo anexou aos autos cópia do acórdão proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF nos autos do PAF acima identificado e despacho afirmando o seguinte: “Ocorre, que o PAF nº 11516000911/201023 AI nº 37.251.7609 (que encontrase nesta Equipe de Contencioso Previdenciário – EAC1/SECAT/DRF/FNS/SC aguardando a execução do julgamento), já foi objeto de julgamento, no qual a 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 230201723, anexo às (fls. 340/346) do presente processo, deu provimento parcial ao recurso interposto pela empresa” É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério A 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF ao julgar o PAF 11516000911/201023, entendeu que a Recorrente deveria ter recolhido as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme excerto abaixo: “Não assiste razão à recorrente ao afirmar que seria apenas repassadora dos valores, cujos encargos teriam suportados pelas tomadoras. A remuneração paga aos segurados decorreu do vínculo que esses possuíam com a recorrente, e não com a tomadora. Quem contratou e selecionou as pessoas foi a própria recorrente, desse modo a relação jurídica, segurado empresa, ocorreu com a autuada. Além do mais, os pagamentos foram apurados na contabilidade da autuada em conta de despesa. (...) Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.” Fl. 351DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 E, conforme diligência realizada, o citado acórdão transitou em julgado e está aguardando sua execução perante a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis. Nesse sentido, além de ser contribuinte das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamentos, incluindose os contribuintes individuais, a Recorrente é responsável, perante a legislação (art. 30,1, "a", da Lei 8.21291 e art. 4o . da Lei 10.666, de 08/05/2003, e art. 216,1, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99) de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Pelo exposto, VOTO por CONHECER o recurso, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10805.722059/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E VALORES DA RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte e escrituradas com valores inferiores, com a conseqüente supressão, da base tributável, de significativa parcela da receita auferida.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DOS CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE E OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO. PROVAS ILÍCITAS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário e nem constitui prova ilícita.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO. Não há como acatar alegações de erro na exigência decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, sob argumentos de valores considerados em duplicidade e valores decorrentes de transferência entre contas e de empréstimos de sócios, se desacompanhadas das correspondentes provas documentais, sobretudo se a Fiscalização descreve já ter excluído, dos créditos em contas correntes, valores que não representam ingressos tributáveis, bem como valores das notas fiscais emitidas.
MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. QUALIFICAÇÃO. Constatada pela Fiscalização a prática de, durante o curso de todo o ano calendário, registrar notas fiscais com valores reduzidos, representando apenas 10% ou até 1% de seus valores reais, justificasse a aplicação da multa no percentual de 150% em razão das receitas assim omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO INSS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1202-001.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência, não conhecer do pedido de perícia, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Acordam, por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu argüida pela Recorrente essa matéria.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E VALORES DA RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte e escrituradas com valores inferiores, com a conseqüente supressão, da base tributável, de significativa parcela da receita auferida. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DOS CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE E OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. PROVAS ILÍCITAS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário e nem constitui prova ilícita. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO. Não há como acatar alegações de erro na exigência decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, sob argumentos de valores considerados em duplicidade e valores decorrentes de transferência entre contas e de empréstimos de sócios, se desacompanhadas das correspondentes provas documentais, sobretudo se a Fiscalização descreve já ter excluído, dos créditos em contas correntes, valores que não representam ingressos tributáveis, bem como valores das notas fiscais emitidas. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. QUALIFICAÇÃO. Constatada pela Fiscalização a prática de, durante o curso de todo o ano calendário, registrar notas fiscais com valores reduzidos, representando apenas 10% ou até 1% de seus valores reais, justificasse a aplicação da multa no percentual de 150% em razão das receitas assim omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO INSS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E VALORES DA RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte e escrituradas com valores inferiores, com a conseqüente supressão, da base tributável, de significativa parcela da receita auferida. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DOS CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE E OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. PROVAS ILÍCITAS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário e nem constitui prova ilícita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 20 59 /2 01 1- 10 Fl. 5859DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.860 2 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO. Não há como acatar alegações de erro na exigência decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, sob argumentos de valores considerados em duplicidade e valores decorrentes de transferência entre contas e de empréstimos de sócios, se desacompanhadas das correspondentes provas documentais, sobretudo se a Fiscalização descreve já ter excluído, dos créditos em contas correntes, valores que não representam ingressos tributáveis, bem como valores das notas fiscais emitidas. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. QUALIFICAÇÃO. Constatada pela Fiscalização a prática de, durante o curso de todo o ano calendário, registrar notas fiscais com valores reduzidos, representando apenas 10% ou até 1% de seus valores reais, justificasse a aplicação da multa no percentual de 150% em razão das receitas assim omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO INSS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de diligência, não conhecer do pedido de perícia, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Acordam, por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu argüida pela Recorrente essa matéria. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 5860DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.861 3 Relatório Tratase o presente processo de Autos de Infração relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social – INSS, esta ultima apenas em virtude da verificação do cumprimento das obrigações relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, no primeiro semestre de 2007. Os Autos de Infração foram lavrados em 08/12/2011, abrangendo o ano calendário de 2007, formalizando o crédito tributário no valor total de R$ 957.565,10, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 5567), os fatos que levaram à autuação, em síntese, são os seguintes: (i) O contribuinte não apresentou os documentos requeridos no prazo, tampouco qualquer justificativa ou solicitação para dilação de prazo. Sendo assim, o fiscal solicitou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF às instituições em que o contribuinte mantivera operações no período sob verificação fiscal; (ii) O montante da movimentação financeira do contribuinte, no período de fiscalização, ultrapassava mais de 17 vezes o valor da receita declarada; (iii) Ao apresentar o livro de registro de saídas do ano sob ação fiscal (2007), o fiscal apurou um total de receita bruta de R$ 4.064.655,15, montante este representando mais de 12 vezes a receita bruta declarada, de R$ 336.236,71; (iv) Como se não bastasse a escrituração não contemplar o valor total das receitas auferidas pelo contribuinte, nesta também não se encontra registrada toda a movimentação financeira do contribuinte. (v) Foram detectadas duas espécies distintas de receitas omitidas, uma evidenciada pelo oferecimento à tributação de apenas parte do valor da receita total da atividade auferida, mediante o fraudulento expediente de registro de valores inferiores aos efetivamente percebidos, e outra por força do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que caracteriza como omissão de receita os valores creditados em contas mantidas em instituições financeiras sobre os quais o contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tendo sido cientificada em 14/12/2011 da lavratura dos Autos de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 5691/5703) em 13.01.2012, alegando, em síntese, o seguinte: (i) Preliminarmente arguiu a nulidade do lançamento, tendo em vista a quebra de sigilo bancário, uma vez que o Fiscal obteve as informações um mês antes do pedido da RMF. Fl. 5861DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.862 4 (ii) Como segunda preliminar, questiona a forma de apuração utilizada na fiscalização, alegando erro e a precipitação do fiscal ao utilizar os depósitos realizados como receita omitida. (iii) Ainda em sede preliminar, questiona a aplicação da multa de ofício arbitrada em 150%. (iv) No mérito, reportouse aos princípios da verdade material e do devido processo legal, bem como aos artigos 145 e 149 do CTN. (v) Alegou falha no sistema de software utilizado para abastecer de informações sobre seu faturamento, sendo que em nenhum momento houve dolo da Empresa. (vi) Abordou a constituição do crédito tributário, alegando a inexatidão com que foram lançados nos Autos de Infração, posto que a base de cálculo lançadas nos Autos de Infração de IRPJ, PIS, COFINS, SIMPLES, CSLL vieram de forma bitributada, com os valores referentes aos lançamentos das notas fiscais acrescidos da incorreta informação de omissão de receita sobre a movimentação financeira. (vii) O procedimento do fiscal gerou um débito em cascata, visto que, apesar de já ter tributado os valores lançados pelas notas fiscais, o Auditor ainda lançou os pagamentos referentes a estas notas fiscais, posteriormente como novos créditos sem origem. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que houve por bem julgar improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente (fls. 5691/5703), nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. É incabível a realização de diligência em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E VALORES DA RECEITA ESCRITURADA E DECLARADA. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte e escrituradas com valores inferiores, com a conseqüente supressão, da base tributável, de significativa parcela da receita auferida. Fl. 5862DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.863 5 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DOS CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE E OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. PROVAS ILÍCITAS. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário e nem constitui prova ilícita. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO. Não há como acatar alegações de erro na exigência decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, sob argumentos de valores considerados em duplicidade e valores decorrentes de transferência entre contas e de empréstimos de sócios, se desacompanhadas das correspondentes provas documentais, sobretudo se a Fiscalização descreve já ter excluído, dos créditos em contas correntes, valores que não representam ingressos tributáveis, bem como valores das notas fiscais emitidas. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. QUALIFICAÇÃO. Constatada pela Fiscalização a prática de, durante o curso de todo o anocalendário, registrar notas fiscais com valores reduzidos, representando apenas 10% ou até 1% de seus valores reais, justificasse a aplicação da multa no percentual de 150% em razão das receitas assim omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO INSS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 5820/5834), utilizando, em síntese, os mesmos argumentos da Impugnação. Porém, alega nesse momento processual que a decisão recorrida não teria analisado a preliminar de nulidade da autuação aduzida na Impugnação. Referida arguição de nulidade se apoia no fundamento de que os dispositivos legais elencados pela Fiscalização não podem servir de base legal ao lançamento, ou seja, a fundamentação legal invocada estaria equivocada, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Fl. 5863DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.864 6 É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise das preliminares de nulidade argüidas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente a Recorrente alega (i) que a utilização de informações de movimentação financeira caracterizaria violação ao sigilo bancário e (ii) a forma de apuração utilizada na fiscalização, alegando a duplicidade dos valores utilizados para determinação dos tributos lançados, tomando os depósitos como receita omitida, (iii) que depósitos não são documentos que comprovem a omissão de receita e (iv) questiona a aplicação da multa de ofício, arbitrada em 150%. Incialmente cumpre mencionar que a discussão da legalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/2001 encontrase em repercussão geral no STF, no RE nº 601.314/SP, conforme ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL”. A Portaria MF nº 545 de 2013, revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, permitiu que o CARF passe a analisar assuntos pendentes de julgamento definitivo pelo STF sem a necessidade de sobrestamento dos respectivos processos. O artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não os comprove. Desse modo, com base na Lei n° 9.430 de 1996, a não comprovação dos recursos que foram utilizados para liquidar compras não contabilizadas permite que o Fisco presuma existir omissão de receitas para fins de tributação. Assim, presumese que os recursos Fl. 5864DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.865 7 utilizados para o pagamento das compras que deixaram de ser contabilizadas são provenientes de receitas anteriormente omitidas. Ainda sim, dispõe o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Assim, os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso possa constituir violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei (artigo 6º da Lei Complementar 105/2001). Conforme elucidado no Acórdão recorrido, o STJ já se pronunciou sobre o assunto, uma vez que tal ato do Fisco encontra previsão legal: RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP (2009/00670344) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. (...) 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida Lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). Fl. 5865DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.866 8 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: ‘Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. (...) Conforme demonstrado acima, não há irregularidade do Fisco perante a norma tributária na lavratura do Auto de Infração. Esse é o atual entendimento do CARF. Vejamos: MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (2201002.291 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 20.11.2013) Fl. 5866DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.867 9 Ademais, as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal estão presentes no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Como visto na legislação supracitada, no âmbito do processo administrativo fiscal apenas há nulidade no caso de ato praticado por pessoa incompetente ou no caso de cerceamento do direito de defesa. Sendo assim, rejeito a matéria em sede preliminar. A forma de apuração utilizada na fiscalização, alegando a duplicidade dos valores utilizados para determinação dos tributos lançados, tomando os depósitos como receita omitida, o questionamento de que depósitos não são documentos que comprovem a omissão de receita e a aplicação da multa de ofício, arbitrada em 150%, por entender não ser matéria de preliminar, passarei a analisálas no mérito. II – MÉRITO No mérito, a Recorrente alega que apesar de já ter tributado os valores lançados pelas notas fiscais, o Auditor ainda lançou os pagamentos referentes a estas notas, posteriormente como novos créditos sem origem, resultando assim, em maior onerosidade. Conforme se verifica nos autos (fls. 5.571 e 5.572) dos valores arbitrados pela Fiscalização, foram excluídos os emitidos nas notas fiscais pelo contribuinte. Apenas os valores omitidos foram apurados, não ocorrendo assim a bitributação questionada pela Recorrente. Tal fato fica evidenciado nas tabelas apresentadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.571 e 5.572). A Fiscalização tomou por base para autuação, com fundamento no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, apenas a diferença entre o total mensal dos créditos e o total mensal das notas emitidas. Em sua Impugnação, não trouxe a Recorrente nenhuma prova para comprovar a duplicidade de valor creditado em sua conta corrente em função de uma mesma Nota Fiscal. Conforme já esclarecido em sede preliminar, o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não os houver comprovado. Nesse sentido, cumpre mencionar o trecho do Acórdão recorrido, que muito bem elucida a questão: “No mérito, também apresenta alegações no mesmo sentido, defendendo que apesar de já ter tributado os valores lançados pelas notas fiscais, o Auditor, ainda lançou, os pagamentos referentes a estas notas fiscais, posteriormente Fl. 5867DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.868 10 como novos créditos sem origem, o que não podemos concordar, visto a onerosidade que tal procedimento resultou. Todavia, equivocase a Impugnante. Como explicitado no relatório e reproduzido no início do voto, ã Fiscalização descreve que, dos valores creditados em conta corrente da Impugnante, além dos valores cujo histórico demonstra não se tratar de receita tributável, foram excluídos os valores das notas fiscais emitidas pela contribuinte. Ou seja, do procedimento descrito, depreendese ter a Fiscalização admitido que valores creditados em conta corrente corresponderiam a recursos originados das notas fiscais emitidas pela contribuinte e, desse modo, tomou como base para autuação, com fundamento no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, apenas a diferença entre o total mensal dos créditos e o total mensal das notas fiscais emitidas. E, em sua impugnação, nenhuma prova traz a Impugnante da existência de duplicidade de valor creditado em sua conta corrente em função de uma mesma Nota Fiscal. Instruindo sua defesa, apresenta, às fls. 5718/5751, (i) requerimento ao Unibanco solicitando extrato de cobrança com a origem dos créditos na conta corrente (Francesinha) e relação de cheques depositados no período de janeiro a dezembro de 2007 (fls. 5718), (ii) relação de créditos (fls. 5719/5722) e (iii) Avisos de Movimentação de Título (fls. 5723/5751). Todavia, não esclarece como estes documentos poderiam demonstrar que créditos em contas correntes, dos quais a Fiscalização excluiu os valores das Notas Fiscais, teriam sido considerados em duplicidade na autuação. A alegação de que duplicatas decorrentes das Notas Fiscais não teriam sido pagas no vencimento, não justifica, por si só, a tese de que, na autuação, teriam sido considerados valores em duplicidade, pois, reprisese, dos valores creditados em contas correntes, a Fiscalização excluiu os valores das Notas Fiscais emitidas.” Na realidade, a Recorrente ao invés de tentar provar os fatos alegados na autuação se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento. Em sua defesa, não apresenta provas suficientes para descaracterizar o Auto de Infração. Em relação ao questionamento de que depósitos não são documentos que comprovem a omissão de receita, a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea é estabelecida pela própria legislação de regência, no caso no artigo 42 da Lei 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Fl. 5868DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.869 11 É incontestável, portanto, a possibilidade de a D. Autoridade Fiscal efetuar o lançamento de tributos baseada na presunção de omissão de receitas nos casos em que forem encontrados valores creditados nas contas correntes do contribuinte sem que este tenha conseguido comprovar as respectivas origens. Cumpre ressaltar que em tais casos o ônus de provar a origem dos valores considerados como omissão de receitas é do próprio contribuinte, de forma a que, se não os provar, dará ensejo ao lançamento. Na mesma linha, cumpre destacar julgamento deste C.Conselho: “OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. CONTRIBUINTE. ÔNUS DA PROVA. Presumese ocorrida a infração de omissão de receitas ou de rendimentos quando valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, não tenham sua origem comprovada por seu titular, mediante documentação hábil e idônea, depois de regularmente intimado.”(Acórdão nº 1202001.069, de 03.12.2013) Sobre a aplicação da multa qualificada de 150%, ficou claramente demonstrada a conduta dolosa da Recorrente no Termo de Verificação Fiscal (fls. 5567 a 5573). A autoridade justificou a qualificação da multa nos seguintes termos: “Sobre os valores lançados em decorrência da omissão de rendimentos da atividade será aplicada multa de ofício de natureza qualificada, nos termos do disposto no artigo 44,§1º da Lei nº 9.430/96, tendo em vista a sonegação praticada e o evidente intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Em consequência será formulada Representação Fiscal para Fins Penais, em atendimento ao disposto no artigo 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 51 de dezembro de 2010.” Dispõe o artigo 71, I, Lei nº 4.502: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Uma vez que restou configurada a hipótese prevista no art. 71, I da referida Lei, é aplicável a multa qualificada de 150%, conforme § 1º, I, da Lei 9.430 de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 5869DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.870 12 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A intenção de impedir ou retardar o fisco, presente no art. 71 da Lei 4.502, 1964, ficou claramente demonstrada ao considerarmos que durante todo o anocalendário de 2008 foram registradas notas fiscais com valores reduzidos, representando apenas 10% ou até 1% de seus valores reais. Esse também é o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos do dolo, que impliquem em sonegação ou fraude, aplicase a multa de ofício qualificada, de 150%, prevista o art. 44, da Lei 9.430/1996, por tipificar as ocorrências previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. A conduta reiterada do contribuinte, consistente em omitir deliberadamente informações que deveriam ser prestadas à Administração Tributária, ou inserir elementos inexatos nessas informações quando prestadas ao fisco, justifica a penalidade qualificada. Recurso Especial do Procurador provido.”(Acórdão nº 9101001.843, 1ª Turma, Sessão de 10.12.2013). Sendo assim, deve ser mantida a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430 de 1996. Equivocadamente no mérito, a Recorrente alega cerceamento defesa pelo fato de que a base de informações para lavratura do auto fora a CPMF, que não consta presente no processo. Dispõe o art. 60 do PAF (Decreto 70235/72) que “as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (grifouse). Em nenhum momento tal fato influi na solução do litígio ou cerceia a defesa da Recorrente. A Recorrente requer seja o julgamento convertido em diligência com o objetivo de comprovar que os depósitos bancários não caracterizam omissão de receita operacional, requerendo seja diligenciado junto às instituições financeiras para que apresentem cópias dos cheques, empréstimos, antecipações de recebíveis, desconto de duplicatas, visto que tais receitas foram o motivo da classificação pelo Auditor como sendo sem origem. Contudo, seu pedido deve ser indeferido, por não preencher os requisitos do artigo 16 do Decreto 70235/72, haja vista que cabia à Recorrente trazer aos autos provas hábeis a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas corrente na Impugnação. Na mesma linha, cumpre destacar julgamento deste C. Conselho: “Imposto Sobre A Renda De Pessoa Física IRPF Exercício: 2003. Dedução De Despesas Médicas. Mantémse A Glosa De Despesas Médicas Quando O Fl. 5870DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.722059/201110 Acórdão n.º 1202001.120 S1C2T2 Fl. 5.871 13 Contribuinte Não Comprova A Efetividade Dos Serviços E Nem Dos Pagamentos Alegados. Pedido De Diligência. Indeferido. Descabe Ao Fisco Produzir Provas Em Favor Do Contribuinte, Devendo, Portanto, Ser Indeferido O Pedido De Diligência Que Tem Por Finalidade Obter Provas Que Deveriam E Poderiam Ter Sido Produzidas Pelo Recorrente. Pedido De Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, Relatados E Discutidos Os Presentes Autos. Acordam Os Membros Do Colegiado, Por Unanimidade De Votos, Indeferir O Pedido De Realização De Diligência E, No Mérito, Negar Provimento Ao Recurso, Nos Termos Do Voto Da Relatora” (2ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial, Acórdão n.º 280101580 do Processo 13116001260200641, data 12/05/2011)”. Por fim, também entendo que não há que se falar em Perícia Contábil, pois estas devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, conforme entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes – CC, 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10421533, 26/04/2006. Portanto, tendo em vista todo o acima exposto e posicionamento deste E. CARF e do antigo CC, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade argüida, indeferir o pedido de diligência e não conhecer o pedido de perícia contábil, de forma a negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 5871DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10314.001456/2002-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/03/1997, 25/04/1997, 30/05/1997, 12/06/1997, 09/10/1997, 30/12/1997, 04/06/1998, 16/07/1998, 29/10/1998, 17/11/1998, 02/12/1998
Decadência. Lançamento por Homologação.
O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, como é o caso do II e IPI, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4° do CTN.
Revisão Aduaneira. Possibilidade.
Nos termos do art. 456 do regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/1985) "A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário."
Classificação Fiscal. Solução de Consulta. Mudança do Critério Jurídico. Inocorrência.
A Solução de Consultas não possui o condão de mudar o critério jurídico de determinada posição da TEC, pois esta somente confere a interpretação oficial a um caso concreto.
Multa de Ofício de 75% em Razão de Inexatidão na Declaração da Classificação Fiscal. Cabimento.
A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, insere-se no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto de importação que deixou de ser recolhido.
Multa de Ofício - Art. 80 da Lei N° 4.502/64
O lançamento do IPI em patamares inferiores ao devido autoriza a imposição da multa de 75% do IPI lançado de ofício.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar a ementa e ratificar o Acórdão nº 3102-00458.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar a ementa e ratificar o Acórdão nº 3102-00458. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
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INF. S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/03/1997, 25/04/1997, 30/05/1997, 12/06/1997, 09/10/1997, 30/12/1997, 04/06/1998, 16/07/1998, 29/10/1998, 17/11/1998, 02/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/03/1997, 25/04/1997, 30/05/1997, 12/06/1997, 09/10/1997, 30/12/1997, 04/06/1998, 16/07/1998, 29/10/1998, 17/11/1998, 02/12/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, como é o caso do II e IPI, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4° do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 456 do regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/1985) "A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário." CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A Solução de Consultas não possui o condão de mudar o critério jurídico de determinada posição da TEC, pois esta somente confere a interpretação oficial a um caso concreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 14 56 /2 00 2- 87 Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 398 2 MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto de importação que deixou de ser recolhido. MULTA DE OFÍCIO ART. 80 DA LEI N° 4.502/64 O lançamento do IPI em patamares inferiores ao devido autoriza a imposição da multa de 75% do IPI lançado de ofício. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar a ementa e ratificar o Acórdão nº 310200458. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos por este Presidente da Segunda Turma Ordinária, visando à correção de contradição do Acórdão 310200458, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/03/1997, 24/05/1997, 30/05/1997 12/06/1997,009/10/1997, 30/12/1997, 04/06/1998, 16/07/1998, 29/10/1998, 17/11/1998, 02/12/1998. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, como é o caso do II e IPI, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4° do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 456 do regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/1985) "A revisão poderá ser realizada enquanto não Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 399 3 decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário." CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. INCORRÊNCIA. A Solução de Consultas não possui o condão de mudar o critério jurídico de determinada posição da TEC, pois esta somente confere a interpretação oficial a um caso concreto. MULTA DE OFÍCIO Não havendo caracterização de declaração inexata, decorrente da comprovação do uso de dolo ou máfé, incabível no caso a multa prevista no artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, exvi o principio da tipicidade da norma penal tributária e o Ato Declaratório (Normativo) da Coordenação Geral do Sistema de Tributação n°. 10, de 16 de janeiro de 1997. MULTA DE OFÍCIO ART. 80 DA LEI N° 4.502 DE 30.11.1964 Não ocorrido no caso concreto as hipóteses previstas no dispositivo legal, não é possível sua aplicação. Recurso Voluntário Negado. Confirase, ademais, o dispositivo do acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em declarar a decadência aos fatos geradores anteriores a 25/09/1997 e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli (Relator),que deu provimento parcial para afastar as multas. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Durante a assinatura do acórdão, verificouse que, inobstante o Colegiado, por maioria de votos, tivesse mantido a multa de 75%, constou da ementa do aresto a tese vencida. Ou seja, que a imposição da penalidade demandaria a comprovação de dolo ou máfé e que a multa de 75% sobre o IPI seria inaplicável ao caso concreto. No intuito de sanear o vício apontado, apresentei os presentes embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 400 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, se não se revela omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, não há porque admitir o recurso que, regra geral, não tem o condão de alterar o mérito do decisum, apenas garantirlhe a integração. Não se pode, portanto olvidar dessa finalidade, assim demarcada por Tereza Arruda Alvim Wambier1, para quem os embargos: Prestamse a garantir o direito que tem o jurisdicionado a ver seus conflitos (lato sensu) apreciados pelo Poder Judiciário. As tendências contemporaneamente predominantes só permitiriam entender que este direito estaria satisfeito sendo efetivamente garantida ao jurisdicionado a prestação jurisdicional feita por meio de decisões claras, completas e coerentes interna corporis”. Igualmente útil para o presente exame de admissibilidade é a lição de Candido Rangel Dinamarco2: Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.). Omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de alguma prova, ou de algum pedido etc. (decidir sobre a demanda principal sem se pronunciar sobre a acessória, deixar de indicar o nome de algum dos litisconsortes ativos ou passivos etc.). Tomando tais conceitos como referência, forçoso é concluir que o julgado deve ser corrigido, pois há contradição entre o acórdão, o voto vencedor e a ementa. De fato, como é possível extrair da leitura do voto vencedor e do dispositivo, o colegiado afastou a tese assentada na ementa, considerando que deveriam ser mantidas as multas capituladas no art. 44 da Lei º 9.430, de 1996 e no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964. A decisão "a quo" também entendeu como devida as multas de oficio previstas no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430/96 e art. 80, da Lei 4.502, com redação dada pela Lei n° 9.430/96. Quanto A. primeira multa, a mesma enquadrase a hipótese em exame, na medida em que o Recorrente deixou de recolher tributo, em razão do erro de classificação fiscal supra indicado. 1 Apud Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato de Almeida e Eduardo Talamini Curso Avançado de Processo Civil, volume 1 : teoria geral do processo de conhecimento; coordenação Luiz Rodrigues Wambier. São Paulo. 2007, Revista dos Tribunais, 9ª ed. p. 595 2 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 401 5 Transcrevese o inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, com a redação em vigor a época da autuação, para melhor ilustrar a questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 0 inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 não exige elemento volitivo (dolo ou culpa) para sua aplicação. Desnecessária, portanto, a demonstração de máfé. Nego provimento ao recurso voluntário quanto à multa de oficio. Multa de oficio — art. 80 da Lei no 4.502/1964 Ademais, a fiscalização também entendeu como devida a multa prevista no art. 80, da Lei n° 4.502/1964. Essa norma está assim redigida: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Entendo que a multa se aplica ao caso concreto, na medida em que o tributo deixou de ser lançado integralmente, em face do erro de classificação fiscal ora indicado. Resta clara, portanto a contradição. Igualmente equivocada é a parte dispositiva da ementa, pois o recurso não foi negado, mas parcialmente provido, em face do reconhecimento da decadência relativamente aos fatos geradores anteriores a 25/09/1997. De se eslarecer, entretanto, que não se vislumbra fundamento para a imposição de efeitos infringentes, pois a parte dispotitiva do votovencedor está em perfeita harmonia com a decisão adotada pelo Colegiado. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 402 6 Após o saneamento, portanto, o acórdão passará a apresentar a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/03/1997, 25/04/1997, 30/05/1997, 12/06/1997, 09/10/1997, 30/12/1997, 04/06/1998, 16/07/1998, 29/10/1998, 17/11/1998, 02/12/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de constituição do crédito tributário pertencente à Fazenda Nacional, relativo aos lançamentos por homologação, como é o caso do II e IPI, decai no prazo de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Inteligência do artigo 150, § 4° do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 456 do regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/1985) "A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário." CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A Solução de Consultas não possui o condão de mudar o critério jurídico de determinada posição da TEC, pois esta somente confere a interpretação oficial a um caso concreto. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto de importação que deixou de ser recolhido. MULTA DE OFÍCIO ART. 80 DA LEI N° 4.502/64 O lançamento do IPI em patamares inferiores ao devido autoriza a imposição da multa de 75% do IPI lançado de ofício. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Com essas considerações, acolho os embargos para retificar a ementa e ratificar o Acórdão 310200458. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.001456/200287 Acórdão n.º 3102001.882 S3C1T2 Fl. 403 7 Fl. 862DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 5/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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