Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10805.003554/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10805.003554/2007-31
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436423
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-000.436
nome_arquivo_s : Decisao_10805003554200731.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10805003554200731_5436423.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5842697
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703146987520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.204 1 2.203 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.003554/200731 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.436 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de janeiro de 2015 Assunto REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente GENERAL MOTORS DO BRASIL Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 03 55 4/ 20 07 -3 1 Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.003554/200731 Resolução nº 2401000.436 S2C4T1 Fl. 2.205 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 21.462 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.017.2000. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da empresa haver deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal, os fatos geradores omitidos foram as remunerações pagas a contribuintes individuais à título de campanha de incentivo para aumento de vendas. A exigência das contribuições correlatas foi efetuada na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.017.2019, a qual foi declarada nula em decisão da DRJ, em razão de incorreto enquadramento acerca da declaração dos fatos geradores em GFIP, que resultou em aplicação da multa a menor. Contra essa decisão foi apresentado recurso de ofício, o qual foi provido por essa turma minutos atrás, tendo sido determinado o retorno do processo à DRJ para enfrentamento das razões recursais. Apresentada a defesa, a primeira instância manteve o crédito na integralidade, o que levou o sujeito passivo a interpor recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a decisão recorrida é nula, posto que deveria ter sido feito o julgamento conjunto do presente processo com os outros lavrados na mesma ação fiscal e que com ele guardam conexão; b) a lavratura para exigência da obrigação principal foi declarada nula, esse fato certamente levará à confecção de lançamento substitutivo, do qual depende o destino do AI sob cuidado; c) os créditos lançados na NFLD n.º 37.017.2019 foram alcançados parcialmente pela decadência; d) os segurados citados na lavratura não lhe prestaram serviços, mas as suas concessionárias, por isso, a recorrente não tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação; Ao final requereu a nulidade da decisão da DRJ, o sobrestamento do feito ou a declaração de sua improcedência. Reforça que, caso assim não se entenda, seja declarada a decadência parcial do AI. É o relatório. Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.003554/200731 Resolução nº 2401000.436 S2C4T1 Fl. 2.206 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conversão em Diligência Conforme narrado, a NFLD n.º 37.017.2019 foi declarada nula pela DRJ. Esta notificação referese à exigência das contribuições incidentes sobre os mesmos fatos geradores, cuja omissão deu ensejo ao presente AI. Todavia, a nulidade da NFLD foi afastada por essa turma, tendo o processo retornado à DRJ para enfrentamento das teses recursais. Essa Turma tem entendido que a apreciação das lavraturas efetuadas para aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP, em razão da conexão, deve aguardar o julgamento dos processos de exigência de contribuições incidentes sobre as mesmas remunerações. Assim, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, de modo que o processo em questão passe tramitar em conjunto com aquele relativo à NFLD que lhe é correlata. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.003554/200731 Resolução nº 2401000.436 S2C4T1 Fl. 2.207 4 Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002247/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2006
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS PARCIAIS. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. Em havendo rubricas sobre as quais se verificou a existência de pagamentos parciais, há de ser aplicado a elas o disposto no art. 150 § 4o do CTN. Quanto as demais, para as quais não houve pagamento, há de se aplicar o disposto no art. 173, I, do mesmo diploma legal.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. JULGADO EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62-A DO RICARF. A impossibilidade da retenção de contribuições previdenciárias em casos de prestação de serviços com cessão de mão-de-obra optantes pelo SIMPLES, já fora decidida pelo STJ, em julgamento de recursos repetitivos, sob o pálio do art. 543-C do Código de Processo Civil, inclusive objeto da Súmula 425 do STJ
Recurso de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 2402-003.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenco Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2006 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS PARCIAIS. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. Em havendo rubricas sobre as quais se verificou a existência de pagamentos parciais, há de ser aplicado a elas o disposto no art. 150 § 4o do CTN. Quanto as demais, para as quais não houve pagamento, há de se aplicar o disposto no art. 173, I, do mesmo diploma legal. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. JULGADO EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62-A DO RICARF. A impossibilidade da retenção de contribuições previdenciárias em casos de prestação de serviços com cessão de mão-de-obra optantes pelo SIMPLES, já fora decidida pelo STJ, em julgamento de recursos repetitivos, sob o pálio do art. 543-C do Código de Processo Civil, inclusive objeto da Súmula 425 do STJ Recurso de Ofício e Voluntário Negados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10865.002247/2007-29
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432223
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-003.894
nome_arquivo_s : Decisao_10865002247200729.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10865002247200729_5432223.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado- Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenco Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5828898
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703165861888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.755 1 1.754 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.002247/200729 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402003.894 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria CESSÃO DE MÃODEOBRA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO MARTINHO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/03/2006 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS PARCIAIS. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. Em havendo rubricas sobre as quais se verificou a existência de pagamentos parciais, há de ser aplicado a elas o disposto no art. 150 § 4o do CTN. Quanto as demais, para as quais não houve pagamento, há de se aplicar o disposto no art. 173, I, do mesmo diploma legal. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. JULGADO EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. ART. 62A DO RICARF. A impossibilidade da retenção de contribuições previdenciárias em casos de prestação de serviços com cessão de mãodeobra optantes pelo SIMPLES, já fora decidida pelo STJ, em julgamento de recursos repetitivos, sob o pálio do art. 543C do Código de Processo Civil, inclusive objeto da Súmula 425 do STJ Recurso de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 47 /2 00 7- 29 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenco Ferreira do Prado. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002247/200729 Acórdão n.º 2402003.894 S2C4T2 Fl. 1.756 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela FAZENDA NACIONAL, em face do v. acórdão de primeira instância que manteve parcialmente o lançamento efetuado em desfavor da empresa SÃO MARTINHO S/A, efetuado para a cobrança de contribuições previdenciárias devidas pela em razão da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, correspondentes ao percentual de 11% incidente sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista no art. 31 da Lei 8.212/91. Ainda antes do julgamento de primeira instância, os autos foram encaminhados ao Auditor Fiscal notificante para realização de diligência, o qual manifestouse às fls.1.148/1.173, pugnando pela retificação do débito nos moldes descritos na planilha de fls. 1.170/1.173. Em sua manifestação, entendeu ser necessária a retificação dos lançamentos referentes às empresas Cunha Bueno Prestadora de Serviços Rurais S/C Ltda., JEP Serviços Rurais Ltda., Lucap Serviços Rurais Ltda., Martini Serviços Rurais S/C Ltda., Monte Alegre Prestação de Serviços Rurais LtdaEPP, Tecnocen Manutenções Industriais Ltda., Tibelar Serviços Rurais S/C Ltda., Unidas Serviços Rurais LtdaEPP, W.R. Serviços Rurais LtdaEPP, Consult Agro S/C Ltda. Quando do julgamento em primeira instância, o lançamento fora mantido em parte, tendo sido decidido o seguinte: (i) em relação a todas as empresas prestadoras de serviços indicadas no Auto de Infração, fora declarada a decadência a decadência dos valores lançados no período de 02/1999 a 11/2000 com base no art. 173, I do CNT. E, somente quanto ao levantamento R17, foram declaradas decaídas as competências 11/2000 e de 08 a 10/2001, com base no art. 150, §4o do CTN; (ii) em relação as empresas COLUMBIA SEGURANÇA E VIGILÂNCIA, E PIRES SERVIÇOS DE SEGURANÇA, o lançamento fora retificado, tendo em vista que no período de sua contratação a recorrida possuía medida liminar deferida no sentido de desobrigá la em efetuar a retenção das contribuições previdenciárias lançadas; (iii) em relação às empresas CUNHA BUENO PRESTADORA DE SERVIÇOS, JC PRESTADORA DE SERVIÇOS RURAIS, JEP SERVIÇOS RURAIS, LUCAP SERVIÇOS, MARTINI SERVIÇOS RURAIS, MONTE ALEGRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, TECNOCEN MANUTENÇÕES, TIBELAR SERVIÇOS, UNIDAS SERVIÇOS RURAIS e WR Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 SERVIÇOS RURAIS, o lançamento fora retificado em razão de tais empresas serem optantes pelo SIMPLES no período compreendido entre 01/08/2000 a 31/08/2002, tendo sido mantidos os demais períodos lançados e não alcançados pela decadência; (iv) em relação a empresa CONSULT AGRO, aplicado o redutor de 50% estabelecido no inciso II do §1° do artigo 150 da Instrução Normativa SRP n° 03/05; Ainda em face do v. acórdão de primeira instância, fora interposto o recurso voluntário por parte do contribuinte. Todavia, mediante petição de fls. 1.455, este desistiu de seu recurso somente no que se refere às competências que não foram excluídas no julgamento de primeira instância, as tendo incluído no parcelamento da Lei 11.941/09. Subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002247/200729 Acórdão n.º 2402003.894 S2C4T2 Fl. 1.757 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tendo em vista que o julgamento de primeira instância exonerou o contribuinte de crédito tributário superior ao montante de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais), o recurso de ofício merece conhecimento de acordo com a Portaria MF n. 03/2008. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente no que se refere à decadência declarada, tenho por acertada a conclusão levada a efeito quando do julgamento de primeira instância, sobretudo diante da desistência do recurso voluntário interposto pela contribuinte, no que se refere ao lançamento das competências que não foram excluídas do montante do crédito tributário quando do julgamento de primeira instância. Fato é que da análise das informações trazidas pelo fiscal e dos documentos colacionados aos autos o v. acórdão de primeira instância somente constatou a existência de recolhimentos parciais a título de retenção nas competências 11/2000 e de 08/2001 a 10/2001, e em relação à empresa Consult Agro S/C Ltda (levantamento RI7), sem a existência de outros recolhimentos relativamente às demais empresas indicadas no auto de infração. Dessa forma, diante do disposto na Súmula n. 08 do STF e do entendimento já sedimentado no STJ e sobretudo nesta Turma de Julgamentos, somente há que se aplicar o disposto no art. 150, §4o do CTN, no caso de existir o recolhimento mesmo que parcial das contribuições lançadas, de modo que, em não havendo o pagamento, deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 173, I do CTN. Logo, em se verificando o pagamento somente com relação a uma empresa e inexistindo recurso voluntário interposto, há que se privilegiar aquilo o que decidido quanto a decadência em primeira instância. Ademais, no que se refere às demais retificações levadas a efeito no lançamento, agora sob a égide da impossibilidade de lançamento em face de empresas prestadoras de serviços e optantes pelo SIMPLES, também não vejo como modificar o que já decidido pelo v. a cordão recorrido. É que a impossibilidade de retenção em casos como o presente já fora decidida pelo STJ, em julgamento de recursos repetitivos, sob o pálio do art. 543C do Código de Processo Civil, inclusive objeto da Súmula 425 do STJ, de modo que, em face do disposto no art. 62A do RICARF, tal entendimento deve ser adotado em sede de julgamento administrativo. Confirase a ementa do julgado: Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1112467/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 21/08/2009) No que se refere ao recurso voluntário, conforme já relatado, a contribuinte dele desisitiu parcialmente (fls. 1443) tendo incluído a parte que restou no lançamento e, portanto, única parte por ela recorrida, no parcelamento da Lei 11.941/09, inclusive renunciando ao direito de questionála. Logo, não subiste qualquer matéria a ser analisada quanto ao recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002247/200729 Acórdão n.º 2402003.894 S2C4T2 Fl. 1.758 7 Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723201/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora - Designada
EDITADO EM:08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.723201/2011-15
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445143
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.583
nome_arquivo_s : Decisao_10980723201201115.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 10980723201201115_5445143.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora - Designada EDITADO EM:08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5873126
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703182639104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 21 1 20 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.723201/201115 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.583 – 2ª Turma Sessão de 03 de março de 2015 Matéria IRRF Multa por Falta de Retenção e Recolhimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WDL TÊXTIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros, Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso. Designada a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 32 01 /2 01 1- 15 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora Designada EDITADO EM:08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de WDL Têxtil Ltda. foi lavrado o auto de infração de fls. 02/06 para a exigência de multa isolada em razão da falta de retenção e recolhimento de imposto de renda retido na fonte (“IRRF”) sobre valores considerados como pagamento de prolabore em 2007. Em sessão de 20/11/2012, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão 2201001.896, que se encontra às fls. 681/691 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos aduzidos pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 22 3 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Por ausência de previsão legal, a multa de ofício, prevista no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com redação data pela Lei nº 11.488, de 2007, para os casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora dos rendimentos, não é aplicável de forma isolada, quando o imposto não for mais exigível da fonte pagadora. Preliminar rejeitada. Recurso provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a legislação deixou de prever penalidade para a falta de retenção e recolhimento do IRRF quando este não puder mais ser exigido da fonte pagadora e que tal despenalização deveria ser aplicada de forma retroativa ao caso dos autos, ainda não julgado definitivamente. Intimado do acórdão, o Procurador da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 693/705, requerendo a reforma do acórdão recorrido e o consequente restabelecimento da multa com base na divergência com o acórdão paradigma 210200.465. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 30/08/2013 (fls. 708/713) do Presidente da Câmara a quo. Regularmente intimada da admissão do recurso especial interposto pelo procurador em 17/09/2013 (fls. 716), a interessada apresentou contrarrazões (fls. 718/725), requerendo a improcendência do recurso. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade para seu conhecimento. Sustenta a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma 210200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Sessão deste CARF em processo que, tal como o presente, cuidava de auto de infração lavrado para a cobrança de multa isolada pela falta de retenção e recolhimento de IRRF que não podia mais ser exigido da fonte pagadora. No julgamento do acórdão paradigma, a 2ª Turma da Primeira Câmara concluiu que havia previsão legal para a aplicação da multa isolada sobre a qual se controverte nestes autos. Vejase, neste sentido, a respectiva ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei n" 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). O voto da I. Conselheira Relatora do acórdão paradigma reconhece a aplicabilidade da multa isolada nos casos de falta de retenção e pagamento de imposto de renda na fonte quando o tributo não pode mais ser exigido da fonte pagadora, verbis: “Tratase de lançamento para exigência de multa e juros isolados em razão da falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas. A multa isolada foi exigida no percentual de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/96. O lançamento está fundamentado no art. 9° da Lei n° 10.426/02. Sustenta a Recorrente que esta multa não lhe poderia mais ser exigida, uma vez que o referido art. 44 da Lei n° 9.430/96 fora alterado por meio da Lei nº 11.488/07 (MP 351/2007), tendo sido revogada a exigência isolada da multa. Esta nova norma deveria ser aplicada retroativamente ao caso vertente, nos termos do art. 106 do CTN. (...) Como se vê, a legislação suscitada pela Recorrente não só alterou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, como também alterou a legislação que dá suporte a este lançamento, mantendo a exigência da multa referida no art. 44 nas hipóteses em que a fonte pagadora deixar de reter o tributo devido quando dos pagamentos por ela efetuados. Sendo assim, não há que se falar, aqui, na aplicação retroativa do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pois existe uma norma especifica que prevê a aplicação da multa em comento. (...)” O I. Conselheira Relatora restou vencida apenas quanto à redução da multa aplicada no caso (de 150% para 75%), tal como se depreende do voto vencedor, verbis: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 23 5 “Com a devida vênia a nobre relatora, a quem tenho elevado respeito por seus ponderados posicionamentos jurídicos em votos prolatados no âmbito desta Turma de julgamento, ouso discordar da desqualificação da multa de oficio, como proposto no voto vencido, (...)” (grifei) Se a divergência se instaurou quanto à qualificação da multa, pressuposto que deve ser admitido é que o colegiado concordou sobre ser aplicável a multa de ofício à fonte pagadora, nos casos em que não se lhe pode mais exigir o pagamento do principal de IRRF que não foi retido ou recolhido no prazo devido. Uma vez que a hipótese analisada pelo acórdão paradigma (multa isolada sobre valores de IRRF não retidos ou recolhidos) é comparável com a dos autos e que as conclusões adotadas no acórdão paradigma são suficientes para, se aplicadas ao caso dos autos, determinar a reforma do acórdão recorrido, entendo comprovada a divergência. No mérito, cuidase de controvérsia acerca da revogação da possibilidade legal de aplicação da multa isolada em face da fonte pagadora para hipóteses de falta de retenção ou de falta de recolhimento do IRRF quando o valor principal tributo já não pode mais ser cobrado dela. Nos termos do Parecer Normativo nº 01/2002, a responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto retido na fonte como antecipação do devido pelo beneficiário do pagamento se extingue no prazo fixado para que o beneficiário pessoa física apresente sua declaração de ajuste anual ou no fim do period de apuração do beneficiário pessoa jurídica: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” Caso a falta de retenção ou recolhimento do IRRF seja verificada antes dos prazos acima, devem ser exigidos da fonte pagadora principal, multa de ofício e juros de mora. Caso a falta seja verificada após tais datas, determinada o citado Parecer Normativo que sejam exigidos da fonte pagadora apenas juros de mora e multa de ofício, de forma isolada: “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação.” No que tange à determinação para que seja aplicada multa de ofício isolada, o fundamento legal do Parecer Normativo nº 01/2002 é o art. 9º da Lei 10.426/2002 c/c art. 44 da Lei 9.430/96. Em sua redação original, o art. 9º da Lei 10.426/2002 dispunha que: “Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A redação original do art. 9º acima referido fazia referência ao art. 44, I e II da Lei 9.430/96, cuja redação contemporânea à edição da Lei 10.426/2002 era a seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 24 7 lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...)” O art. 44 da Lei 9.430/96 previa, nos dois incisos de seu caput a que o art. 9º da Lei 10.426/2002 se referia, multas de 75% para a falta de pagamento de tributo ou para os casos de pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora, e de 150%, para casos de evidente intuito de fraude dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O § 1º de referido artigo, por sua vez, estabelecia expressamente que as multas previsas no caput poderiam ser cobradas de forma isolada em determinados casos, especialmente nos casos em que o tributo havia sido pago após o prazo de vencimento, mas sem o acréscimo da multa moratória. Neste contexto é que foi editado o art. 9º da Lei 10.426/2002, para estender a aplicação das multas do art. 44 da Lei 9.430/96 aos casos de falta de retenção ou recolhimento de impostos ou contribuições, e também para os casos de recolhimento após o prazo de vencimento sem o acréscimo da multa de mora. A hipótese de aplicação isolada da multa pela não retenção ou não recolhimento do IRRF sempre esteve relacionada com a possibilidade de cobrança da multa mesmo quando o principal do tributo foi recolhido, mas o foi após o vencimento e sem o acréscimo da multa moratória. Isto é, devido à particularidade do IRRF retido a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário reconhecida no Parecer Normativo 01/2002, após o encerramento do período de apuração pelo beneficiário a obrigação jurídica de pagar o imposto se extingue para a fonte pagadora, tal como se extinguiria tivesse a fonte pagadora feito o recolhimento do IRRF sem o acréscimo da multa de mora. Vejase, neste sentido, os itens 15 e 16 do Parecer Normativo 01/2002: “Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou nãopagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999), conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: Lei nº 10.426, de 2002 ‘Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.’ RIR/1999 ‘Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 1º): I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (...).’ 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. 16.1. Os juros de mora devidos pela fonte pagadora, nas situações descritas nos itens "a" e "b" acima, calculamse tomando como termo inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e, como termo final, a data prevista para a entrega da declaração, no Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 25 9 caso de pessoa física, ou, a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica. 16.2. A pessoa jurídica sujeita à tributação do imposto de renda com base de cálculo estimada, a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, que não tenha submetido à tributação os rendimentos sujeitos à retenção na fonte que devam ser incluídos na base de cálculo estimada, fica sujeita à multa isolada prevista no inciso IV do § 1º do art. 44 da referida Lei, e caso não inclua tais rendimentos na apuração anual, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício.” A Medida Provisória 303/2006 alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430/96 para extinguir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento a destempo e sem o acréscimo da multa moratória devida. Contudo, referida medida provisória não foi convertida em lei e perdeu eficácia. Nova alteração na redação do art. 44 da Lei 9.430/96 sobreveio com a adoção da Medida Provisória 351/2007, posteriormente convertida na Lei 11.488/2007, também com a idéia de suprimir a possibilidade de cobrança de multa por lançamento de ofício nos casos em que o sujeito passivo efetua o recolhimento do tributo depois do vencimento mas a multa de mora. Foi o art. 14 da Lei 11.488/2007 que deu a redação vigente do art. 44 da Lei 9.430/96: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: ‘Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2º. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ’ (NR)” Verificase que a redação dada ao art. 44 da Lei 9.430/96 pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 suprimiu todas as referências a “tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora” e, especialmente, revogou a previsão do inciso II do § 1º da redação anterior, que previa a possibilidade de exigência isolada da multa de ofício nesta hipótese. O art. 16 da Lei 11.488/2007 também deu nova redação ao próprio art. 9º da Lei 10.426/2002: “Art. 16. O art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 9º. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ..................................................... ’ (NR)” Na alteração promovida no art. 9º da Lei 10.426/2002, também se verifica a supressão da expressão “ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória”. Na nova redação conferida ao artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002, a multa aplicável por falta de retenção é aquela prevista no artigo 44, I da Lei n. 9.430, de 1996, sendo esta exigível apenas em conjunto com tributo não recolhido ou declarado nas hipóteses em que isto assim sucede. No caso da falta de retenção na fonte, na hipótese em que o tributo ainda pode ser exigido da fonte pagadora, em que a este se agregará multa de oficio. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 26 11 A única previsão de multa exigida isoladamente é a do inciso II do artigo 44 da Lei n. 9.430, para os casos de falta de antecipação de IRPJ ou IRPF durante o ano, e tal inciso não é referido pelo artigo 9º da Lei n. 10.426, de 2002. O legislador quando refere ou remete algo o faz com sentido e intenção próprias, não cabendo a construção de norma individual e concreto que se utilize de enunciado prescritivo inexistente. Nem se diga que a referência feita pelo artigo 9º da Lei n. 10.426 apenas ao inciso I do artigo 44 é apenas acidental e dirigida ao percentual de 75% a ser aplicado. O enunciado remete ao regime jurídico do artigo 44, inciso I, e não ao percentual nele previsto, ao referir “a multa de que trata o artigo 44, inciso I da Lei n. 10.426”. Ainda que pudesse haver dúvida quanto à melhor capitulação legal, em se tratando de norma que prescreve penalidades (e apenas nesta hipótese) a dúvida se resolve em favor da interpretação mais favorável ao apenado, por expressa direção do comando do artigo 112 do CTN. Pois bem. Tendo em vista que com o advento da Lei n. 11.488 de 2007 não há mais base legal para o lançamento de multa de ofício nos casos em que o IRRF não retido ou não recolhido não pode mais ser exigido da fonte pagadora, mas sim diretamente do beneficiário, devese aplicar tal conclusão de forma retroativa a casos ainda não definitivamente julgados, nos termos do artigo 106 do CTN. Esta 2ª Turma da CSRF já chegou a esta mesma conclusão em julgamentos anteriores, na sessões de 14/02/2012 (acórdão 9202001.938) e 29/11/2011 (acórdão 9202001.886), cujas ementas foram assim redigidas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2001 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de Fl. 747DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.” Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 748DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 27 13 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas, e desde logo declaro que, a despeito de haver, em um primeiro momento, concordado com a tese esposada no acórdão recorrido, melhor refletindo entendo cabível a aplicação da penalidade que ora se discute. Tratase de exigência, formalizada em 2011, de multa por falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da distribuição, aos sócios Wilson Ferro de Lara e Rosângela Gaspar de Lara, de lucros além dos resultados apurados pela empresa Delara Brasil Ltda., sucedida pela autuada. Os pagamentos foram efetuados em novembro e dezembro de 2007. Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. De plano, não há que se falar em suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que a penalidade em tela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Ora, os fatos geradores objeto da autuação ocorreram em novembro e dezembro de 2007, portanto já na vigência da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, de sorte que se a penalidade ora tratada houvesse efetivamente sido extinta – o que aqui não se admite – ela haveria de ser afastada pela simples aplicação direta da citada lei, e não por meio do art. 106, II, “a”, do CTN. Entretanto, tal nuance não merece ser discutida, tendo em vista que a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. Primeiramente, esclareçase que não está sendo exigido o Imposto de Renda devido pelos beneficiários dos rendimentos, que são os sócios da empresa Delara Brasil Ltda. Tampouco está sendo cobrada multa pelo recolhimento do IRRF fora do prazo sem aplicação de multa de mora. O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora, da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo Fl. 749DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 28 15 Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 29 17 art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Redação do art. 44, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Redação original do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 Art. 9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Redação do art. 9º, dada pela MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade u diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, é o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terseia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Em síntese, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após o prazo final para entrega da declaração de pessoa física, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: Fl. 754DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 30 19 “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” Destarte, tendo ou não os rendimentos sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Finalmente, quanto ao Acórdão nº 9202001.938, de 14/02/2012, citado pelo Relator em seu voto, este não trata de multa pela falta de retenção e de recolhimento do IRRF, como no presente caso, mas sim de multa de ofício sobre recolhimento fora do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, penalidade esta que, conforme restou assentado no presente voto, efetivamente foi extinta. Confirase os respectivos trechos da ementa e do voto condutor deste acórdão: Ementa “(...) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA IMPROCEDÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada exigida pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, tinha previsão legal no artigo 44, incisos I e II, § 1°, inciso II e § 2°, da Lei n° 9.430/96. Ocorre, que referido dispositivo legal restou alterado pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, sendo que a penalidade em apreço deixou de existir. Aplicação ao caso do princípio da retroatividade benigna (artigo 106 do CTN). Recurso especial provido.” Voto “É fácil perceber, pois, que a previsão para incidência da multa isolada pelo recolhimento extemporâneo de tributo, desacompanhado da multa de mora, exigida no caso em apreço, foi revogada.” (grifei) Diante do exposto, entende esta Conselheira que a multa de ofício pela falta de retenção ou de recolhimento de IRRF pela fonte pagadora nunca foi extinta, permanecendo vigente no ordenamento jurídico. Tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência do CARF, aqui representada pelos Acórdãos nºs 2201002.676 e 210200.465, cujas ementas a seguir são transcritas: Fl. 755DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. (Relator Eduardo Tadeu Farah) “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 IRRF FALTA DE RETENÇÃO MULTA EXIGIDA DA FONTE PAGADORA Havendo previsão legal expressa para sua exigência, nos termos do art. 9° da Lei nº 10.426/2002, deve ser mantido o lançamento que exige da fonte pagadora a multa incidente sobre a falta de retenção e recolhimento do IRRF. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. EMPRESA DE MARKETING DE INCENTIVO. MANOBRA PARA OCULTAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SONEGAÇÃO. HIGIDEZ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA LANÇADA. Os pagamentos feitos por intermédio do cartão de incentivo, com a utilização de empresa de marketing como intermediária, são, na verdade, uma grosseira manobra diversionista com o fito de ocultar do fisco a tributação que deveria incidir sobre tais pagamentos. Hígida a qualificação da multa de oficio, já que se demonstrou à sociedade a manobra perpetrada pelo fiscalizado para simular situações não existentes, ocultando da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, que é o conhecido legalmente como sonegação (art. 71 da Lei n°4.502/64). (Relatora Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 756DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.723201/201115 Acórdão n.º 9202003.583 CSRFT2 Fl. 31 21 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001743/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
DESPESA. DESNECESSIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Se, por um lado, a Fiscalização reúne argumentos e demonstrativos que indicam a apropriação de dispêndios com pessoa ligada em conta específica, cujos serviços que serviram de fundamento foram contabilizados em rubrica distinta, e, por outro, o contribuinte não aporta aos autos argumentos e documentos capazes de elidir a tese de duplicidade de registros, há de se manter a glosa.
DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, torna-se necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO - INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
Numero da decisão: 1301-001.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação às despesas não necessárias, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às despesas não comprovadas; por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação à amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas; por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurelio Zortea Marques.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator e Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Redator Designado
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado
Declaração de Voto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESA. DESNECESSIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Se, por um lado, a Fiscalização reúne argumentos e demonstrativos que indicam a apropriação de dispêndios com pessoa ligada em conta específica, cujos serviços que serviram de fundamento foram contabilizados em rubrica distinta, e, por outro, o contribuinte não aporta aos autos argumentos e documentos capazes de elidir a tese de duplicidade de registros, há de se manter a glosa. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, torna-se necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO - INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.001743/2010-34
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432164
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.505
nome_arquivo_s : Decisao_16327001743201034.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16327001743201034_5432164.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação às despesas não necessárias, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às despesas não comprovadas; por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação à amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas; por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurelio Zortea Marques. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator e Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator Designado (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5828351
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703217242112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.652 1 3.651 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001743/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.505 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ GLOSA DE DESPESAS Recorrente BANCO CACIQUE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESA. DESNECESSIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Se, por um lado, a Fiscalização reúne argumentos e demonstrativos que indicam a apropriação de dispêndios com pessoa ligada em conta específica, cujos serviços que serviram de fundamento foram contabilizados em rubrica distinta, e, por outro, o contribuinte não aporta aos autos argumentos e documentos capazes de elidir a tese de duplicidade de registros, há de se manter a glosa. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, tornase necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 43 /2 01 0- 34 Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.653 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação às despesas não necessárias, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação às despesas não comprovadas; por maioria de votos, dado provimento ao recurso em relação à amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas; por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marco Aurelio Zortea Marques. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator e Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Redator Designado (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório BANCO CACIQUE S/A, já devidamente qualificado nestes autos, inconformado com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) DESPESAS NÃO COMPROVADAS (R$ 1.116.123,35) – despesas de comissões (R$ 232.601,83) e desconto/convênio público (R$ 883.521,52); Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.654 3 ii) DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (R$ 36.474.165,71) – conta 8176300081 (serviços prestados – PJ Sociedade Ligada) – comissões pagas à CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS (foi considerada desnecessária a despesa com a referida empresa na parte que se referia às comissões calculadas sobre serviços prestados por terceiros (R$ 455.927.071,34 X 8%); iii) AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO (R$ 14.346.070,14 em 31.12.2008 e R$ 57.384.280,45 em 31.12.2009) – abaixo, transcrição do relato feito em primeira instância acerca da referida infração. ... 4.1 Em 16/1/2007 foi constituída a empresa Marigane Participações Ltda. CNPJ 08.631.625/000163), com capital de R$ 1.000,00, tendo como sócios a pessoa física Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho (CPF 050.446.54817) e a pessoa jurídica S&A Serviços Empresariais Ltda. A seguir, em 7/3/2007, a Marigane é passada gratuitamente para o Banco Societê Generale Brasil S/A, com alteração da denominação social para Trancoso Participações Ltda., com registro na Junta Comercial em 12/3/2007 (fls. 124/131 do volume 1). 4.2 Em 25/2/2007 o Banco Societê Generale Brasil S/A firmou contrato de compra da totalidade do capital da empresa CACIPAR Comércio e Participações Ltda., no montante de R$ 850 milhões (fls. 144/189 do volume 1). Posteriormente, em 7/3/2007, o Banco Societê Generale Brasil S/A cedeu para a empresa Trancoso os direitos do contrato de compra da CACIPAR (fls. 191/192 do volume 1). 4.3 Em 30/11/2007, com protocolo e registro na Junta Comercial em 30/1/2008, o Banco Societê Generale Brasil S/A promoveu um aporte de R$ 930.523.599,00 no capital da Trancoso (fls. 555/561 do volume 3). Em seguida, a Trancoso efetua o pagamento pela aquisição da CACIPAR, registrando em sua contabilidade como custo do investimento o valor de R$ 317.809.235,11 e ágio de R$ 570.563.618,89. Ainda na mesma data, a Trancoso promove um aumento de capital na Cacipar, no valor de R$ 37.000.000,00, registrando o valor como custo do investimento. 4.4 O fundamento do ágio teria sido a rentabilidade futura, tendo como base o relatório de avaliação econômicofinanceira emitido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. 4.5 Segundo a fiscalização a KPMG foi contratada em junho/2008 e procedeu a avaliação da CACIPAR na data base de 31/12/2007, posterior à data de pagamento do ágio (30/11/2007). O relatório foi entregue em 23/10/2008 (fls. 629/667 do volume 4). 4.6 Na assembléia geral extraordinária do interessado, em 31/10/2008, foram aprovados os protocolos de incorporações reversas das empresas CACIPAR e Trancoso. Informa a fiscalização que ata só foi protocolizada na junta comercial em 23/4/2009 (fls. 753/778 do volume 4), bem como o aumento de capital provocado pela incorporação, no valor de R$ 88.009.961,93, com emissão de 22.465 ações, não constam do livro de transferência de ações (fl. 669/690 do volume 4). 4.7 Em consequência da incorporação, o ágio pago pela Trancoso quando da aquisição da CACIPAR foi transferido para o interessado, que iniciou sua amortização sem adicionálo na apuração do IRPJ e da CSLL (fls. 806/821 do volume 5). Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.655 4 4.8 Como resultado das duas incorporações reversas, o Banco Societê Generale Brasil S/A passou a ser controlador direto do interessado e o ágio pago pela Trancoso na aquisição da CACIPAR foi transferido para o interessado. O único intuito das incorporações reversas foi de levar para o interessado (empresa investida) o ágio pago, que também foi reconhecido pelo Banco Societê Generale Brasil S/A, investidor de fato. 4.9 Assim, as amortizações do ágio vindo da Trancoso, que tinham como fundamento a rentabilidade futura da empresa CACIPAR, que por sua vez era a controladora do interessado, foram consideradas indedutíveis nas apurações do IRPJ e da CSLL. Destaca a decisão de primeira instância que, em virtude de compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, não foram apurados valores devidos relativamente ao anocalendário de 2009. Em sede de impugnação (fls. 1.643/1.703), a contribuinte argumentou: que, como atividade fundamental ao desenvolvimento de seu objeto social, firmava contratos com diversos prestadores de serviços objetivando a promoção e incremento de vendas de crédito (promotoras); que a prestação de serviços de promotoras de vendas, além da intermediação de negócios, abrangeria a recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos, a análise de crédito e cadastro, a execução de serviços de cobrança e de processamento de dados das operações pactuadas; que, em 1985, teria sido criada a Cacique Promotora de Vendas Ltda. para prestar os serviços financeiros auxiliares, como os acima descritos, com o objetivo de expandir a participação em âmbito nacional; que a Cacique Promotora de Vendas Ltda., à época da fiscalização, mantinha mais de 750 empregados; que, além da questão operacional da formalização das operações de créditos, a ampla abrangência territorial imporia desafios, tais como, evitar o alto custo de manter agência em cada município e suprir deficiências técnicas típicas desse mercado de promoção de vendas e de correspondentes bancários; que seria dentro deste contexto que a Cacique Promotora de Vendas Ltda. desempenharia outro papel fundamental: viabilizar a formalização e operações para as quais outras promotoras não possuiriam condições estruturais de cumprir; que a Cacique Promotora de Vendas Ltda. possuiria mais de cento e setenta e cinco filiais em todo o Brasil; que as etapas para concessão do crédito seriam desenvolvidas entre as promotoras e a Cacique Promotora de Vendas Ltda., ou mesmo isoladamente por esta, quando as promotoras se restringiriam a indicar o cliente; que, diferentemente do que ocorreria no caso da contratação das promotoras, em que haveria remuneração pelo serviço prestado baseada na produção de Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.656 5 créditos gerados, os convênios públicos teriam por único objeto promover a oferta de créditos aos servidores da União, motivo pelo qual haveria previsão legal e regulamentar tãosomente de reposição de custos, e não remuneração; que, depois de verificadas as condições de atuar como consignatária perante servidores públicos, seria determinado o custo a ser ressarcido para cada operação de crédito; que o custo ressarcido aos órgãos públicos conveniados representaria despesa relacionada à atividade de oferta de créditos, sendo lançado a resultado conforme disponibilização do crédito a cada servidor; que na operação de aquisição da CACIPAR pela Trancoso teria sido verificado a geração de ágio fundamentado em rentabilidade futura, em função do estudo de avaliação realizado pelo Banco UBS Pactual; que, com a incorporação da CACIPAR e da Trancoso, teria registrado contabilmente o ágio reconhecido pela Trancoso, e, após incorporações, iniciou a dedução das despesas decorrentes da amortização do ágio contabilizado; que as despesas decorrentes de serviços prestados pela Cacique Promotora preencheria todos os requisitos exigidos pela legislação do IRPJ para qualificála como dedutível na apuração do lucro real; que durante a fiscalização teriam sido apresentados os contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e vinculação da comissão paga com os créditos gerados; que a remuneração seria paga tanto para as promotoras quanto para a Cacique Promotora, pelo fato de que ambas prestam serviços; que as promotoras fazem a intermediação de negócios e, na medida do possível, a análise prévia da documentação que sustentará os empréstimos, com posterior encaminhamento à Cacique Promotora; que a Cacique Promotora, além de captar clientes, realizaria os serviços administrativos relacionados à formalização da operação de crédito, tanto em relação a sua produção quanto a de terceiros; que a constatação de identidade de objetos dos contratos de prestação de serviços firmados com as promotoras e com a Cacique Promotora não poderia sustentar a presunção de que os serviços não foram prestados, especialmente quando se verifica que a finalidade principal da contratação é a produção de créditos, isto é, a captação de clientela; que teria sido apresentada a documentação de suporte da despesa (contratos, notas fiscais e pagamentos), sem qualquer suspeição da sua idoneidade; enquanto que o Fisco não teria apresentado provas da não prestação dos serviços; que as despesas glosadas representariam receitas na Cacique Promotora e teriam sido submetidas às respectivas tributações no âmbito federal e municipal; Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.657 6 que a carga tributária combinada suportada pela Cacique Promotora se aproximaria de 50% (IRPJ/CSLL = 34% + Pis/Cofins = 9,25% + ISS = 5% , totalizando 48,25%); que não haveria lógica nem propósito elisivo algum que autorizasse a presunção de que a despesa tivesse sido forjada ou duplicada, pois não teria havido prejuízo ao erário público; que, para reforçar a comprovação da efetividade da despesa incorrida, juntava declarações de promotoras confirmando que no "contrato de prestação de serviços CAP/CP aposentados/pensionistas do INSS", a documentação de pedidos de empréstimos ou financiamentos de crédito pessoal, cadastro e análise de crédito, em que atuaram como intermediadoras, teriam sido encaminhadas à filial da Cacique Promotora, para conferência e formalização dos créditos; que os valores pagos ou descontados para viabilizar os empréstimos concedidos teriam sido inseridos na regra geral de necessidade, usualidade e normalidade das despesas, para fins de dedução na apuração do lucro real; que considerar não comprovadas as despesas incorridas nos convênios firmados com órgãos públicos, significaria colocar em dúvida a própria higidez da administração pública na celebração dos convênios; que o ressarcimento de custos aos órgãos públicos apresentaria valores unitários reduzidos, como, por exemplo, R$ 2,00 por linha, R$ 95,00 mensais ou R$ 0,59 por linha; que a composição de mais de R$ 883 mil compreenderia centenas de milhares de lançamentos, bem como número equivalente de documentos e de cruzamentos de dados, motivo pelo qual protestava pela posterior juntada de documentos e a realização de diligência caso a Turma de julgamento entendesse necessário; que a diligência requerida seria necessária à comprovação dos valores registrados na conta "BCAC órgãos públicos", através da análise da composição da despesa pelo confronto do elevado número de documentos que a suportavam; que o ágio verificado na aquisição de empresa avaliada pelo método de equivalência patrimonial é registrado na contabilidade como um ativo e sua amortização é feita com o lançamento de despesas operacionais; que tais despesas são dedutíveis para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL se atendidos os requisitos do art. 386 do RIR/1999; que o critério de amortização dessas despesas e sua dedutibilidade para fins tributários dependerá do fundamento econômico para o pagamento dessa diferença; que no estudo realizado pelo Banco UBS Pactual, em fevereiro de 2007, o fundamento do ágio na aquisição da empresa CACIPAR teria sido a rentabilidade futura; que o estudo apresentado pela KPMG em outubro de 2008, adotando como data base 31 de dezembro de 2007, ratificava o estudo do Banco UBS Pactual; Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.658 7 que não restariam dúvidas acerca do cumprimento do art. 385, §3°, do RIR/1999; que todas as operações (aquisição da Trancoso pelo Societê, cessão pelo Societê à Trancoso dos direitos oriundos do contrato de compra e venda, aumento de capital da Trancoso, aquisição da CACIPAR pela Trancoso e incorporações da CACIPAR e Trancoso pelo interessado) teriam sido registradas nos órgãos competentes e haviam sido realizadas nos limites da legislação; que atrasos nos registros não invalidam os atos praticados; que não havia qualquer norma que impedisse a realização das operações em análise; que pareceria claro que no acórdão 10323.290 do Conselho de Contribuintes denominouse "veiculo" a empresa criada apenas para possibilitar a realização das condições necessárias à dedução das despesas com a amortização do ágio, isto é, a criação de uma empresa "veiculo", em todos os casos, era a única forma de se viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio gerado, sem que a adquirente, de fato, precisasse incorporar a adquirida; que não haveria similitude fática entre o caso narrado no mencionado acórdão e o presente caso; que, se não tivesse sido constituída a Trancoso, sendo a aquisição da CACIPAR realizada diretamente pelo Banco Societê, a despesa referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição poderia ser deduzida pelo Banco Societê, bastando para isto que fosse realizada a incorporação da CACIPAR pelo Banco Societê; que a incorporação da CACIPAR pelo Banco Societê não alteraria a estrutura que se verificou após a incorporação, no final de 2008; que a criação da Trancoso deuse dentro do cenário de expansão do Banco Societê no segmento especifico de crédito consignado no Brasil, tendo sido conveniente para ele, naquele momento, contar com uma empresa de participações para deter diretamente a participação na CACIPAR; que o objetivo teria sido segregar as atividades do Banco Societê (com foco em banco de investimentos) daquelas do Banco Cacique (crédito consignado); que não haveria previsão legal para adição da despesa com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; que os juros não poderiam incidir sobre a multa de oficio, por ausência de previsão legal; que o art. 13 da Lei nº 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da Lei 8.981/1995, o qual estabeleceria a cobrança dos acréscimos apenas sobre tributos; Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.659 8 que a cobrança de juros de mora para atualização dos créditos tributários desrespeitaria o princípio constitucional da legalidade, previsto nos artigos 5°, II, e 37 da Constituição. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 38.034, de 29 de junho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O instituto da diligência não se presta para elaborar demonstrativos que deveriam ter sido preparados pelo contribuinte. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Cabe à instância seguinte admitir ou não a juntada de documentos após proferido o acórdão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas para serem dedutíveis na apuração do lucro real devem estar comprovadas com documentos hábeis e idôneos. COMISSÕES SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS. DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis as comissões sobre os serviços prestados se forem comprovadas as efetivas contrapartidas daquilo que foi contratado. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA VEÍCULO CONTROLADORA. ÁGIO DE SI PRÓPRIO NA INCORPORAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora (empresa veiculo), cujo controle acionário havia se originado de uma aquisição anterior, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio, por faltar os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo, configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários às atividades e à manutenção da empresa. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa. A posterior transferência desse valor denominado de ágio para conta de resultado, sob o titulo de amortização, configura uma despesa indedutível, por faltar lhe os pressupostos de ágio e despesa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 3659DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.660 9 O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de oficio também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.979/3.078, por meio do qual sustentou: DESPESAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS PELA CACIQUE PROMOTORA que em nenhuma intimação houve qualquer tentativa por parte da Fiscalização de entender a razão pela qual a fórmula de cálculo da remuneração, em alguns casos, considerava valores gerados por outras promotoras de vendas; que o acórdão recorrido não apontou, de forma objetiva e inquestionável, a fundamentação que suportaria a glosa da despesa; que houve simples descarte de toda a explicação apresentada na impugnação, explicação essa que afasta qualquer dúvida em relação à efetiva prestação de serviços pela CACIQUE PROMOTORA; que, da análise do julgado (acórdão nº 10316.619) utilizado pela decisão recorrida para sustentar a manutenção do auto de infração, concluise que não há qualquer elemento de identidade com o presente caso; que obteve declarações de inúmeras promotoras de vendas por ela contratadas, confirmando que a CACIQUE PROMOTORA efetuava a análise, formalização e encaminhamento das operações que ela captava; que, além de apresentar toda a documentação possível (contratos, notas fiscais, pagamentos e escrituração contábil), que não foi contestada ou declarada irregular, se viu obrigado a efetuar diligências que caberiam ao Fisco; que a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes se posicionou no sentido de que a glosa das despesas é legítima quando há a identificação, por parte da Fiscalização, de indícios graves, precisos, definidos e concordantes, apontando e convergindo num único sentido, que autoriza a presunção de que, efetivamente, não ocorreu a prestação dos serviços; que, se a Fiscalização tivesse dúvidas sobre a documentação de suporte dos gastos, antes de presumir a duplicação dos dispêndios, forçosa seria a conclusão de que essa duplicação teria que atender algum fim escuso, como seria, por exemplo, o caso de algum tipo de economia tributária, o que não foi o caso; Fl. 3660DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.661 10 que não deve ser esquecida a tarefa de diligência a diversos prestadores de serviços para obter declarações que confirmam a prestação de serviços, anexadas à impugnação. DESPESAS DECORRENTES DOS CONVÊNIOS COM ÓRGÃOS PÚBLICOS que o acórdão recorrido apresenta fundamentação superficial, desprovida do detalhamento e análise dos argumentos de defesa apresentados na impugnação; que os valores pagos ou descontados – a depender dos termos do convênio, a modalidade de ressarcimento varia – para viabilizar os empréstimos concedidos estão inseridos na regra geral de necessidade, usualidade e normalidade das despesas, para fins de dedução na apuração do lucro real; que é insubsistente o lançamento com base em suposto não enquadramento da despesa como “operacional”; que, no caso, não se trata de remuneração pela prestação de serviços de intermediação de negócios, mas, sim, de ressarcimento dos custos incorridos pelos órgãos públicos na execução dos convênios, conforme previsão legal e regulamentar a respeito da consignação em folha de pagamento de servidores públicos; que, para a formação de livre convicção e em atendimento ao princípio da verdade material, protestou, alternativamente, pela posterior juntada de documentos e a realização de diligência, caso a Turma Julgadora a quo entendesse necessário ao deslinde da questão. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO que a Fiscalização, ao analisar a reestruturação societária, expressamente reconheceu a existência do ágio; que, pela análise da decisão recorrida, notase que a Turma Julgadora justificou a manutenção dos lançamentos com base em outros argumentos, que não foram, em nenhum momento, citados pela Fiscalização para fundamentar as autuações fiscais; que, no entendimento da Turma Julgadora, os pressupostos do ágio não teriam sido preenchidos, porquanto ela (i) não recebeu nenhuma participação societária nas incorporações do CACIPAR e da TRANCOSO; e (ii) teria contabilizado o próprio ágio (ágio interno), o que seria vedado pela CVM; que as premissas que serviram de suporte para a conclusão da Turma Julgadora de primeiro grau (existência de “inchaço contábil fruto de abuso de direito” e “duplicação de ágio”) não foram, em nenhum momento, invocadas pela Fiscalização para fundamentar a glosa da despesa; que a apresentação pela Turma Julgadora de primeiro grau de novos argumentos para aperfeiçoar o lançamento realizado pela Fiscalização deve ser rechaçada; Fl. 3661DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.662 11 que a Turma Julgadora de primeiro grau ignorou a maioria dos argumentos expostos na peça impugnatória, violando, assim, o princípio da ampla defesa e do contraditório1; que a etapa preliminar da operação que resultou no surgimento do ágio (aquisição pela TRANCOSO das quotas da CACIPAR) é regida pelo caput e parágrafo 1º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77; que o direito à amortização do ágio está previsto no art. 386, inciso III, parágrafo 2º do RIR/99; que é totalmente equivocada a conclusão a que chegou a Turma Julgadora de primeiro grau, pois confundiu momentos distintos (o do surgimento do ágio e o correspondente ao direito de sua amortização), ignorando, dessa forma, os atos societários que efetivamente ocorreram; que, além de nunca ter sido cogitado pela Fiscalização a “existência de ágio interno”, a Turma Julgadora de primeiro grau concluiu de forma equivocada de que o ágio teria sido apurado com base na rentabilidade futura do próprio recorrente; que, considerandose que o patrimônio líquido representa a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos e que o patrimônio líquido da CACIPAR refletia justamente sua participação no recorrente (entre outros), por óbvio que o laudo de avaliação de sua rentabilidade futura teria que se referir, em última análise, à rentabilidade futura da investida, ou seja, do próprio recorrente e das demais controladas; que o nascimento do ágio decorreu de negócio celebrado entre Grupos Econômicos distintos; que o único motivo capaz de impedir o aproveitamento do ágio seria o descumprimento do disposto no parágrafo 2º do art. 386 do RIR/99, o que não ocorreu no presente caso; que, conforme se verifica da simples leitura dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, o ágio gerado na aquisição de investimentos será amortizado caso a adquirente incorpore a adquirida, ou a adquirida (CACIPAR/RECORRENTE) incorpore a adquirente (TRANCOSO); que o ágio nasceu em razão da compra e venda celebrada entre empresas diversas, pertencentes a Grupos econômicos distintos, o que por si só deixa evidente o equívoco cometido pela Turma Julgadora de primeiro grau ao falar em “ágio de si mesmo”; que não existem dois ágios, mas apenas um, que foi gerado em único momento, qual seja: a aquisição das quotas da CACIPAR pela TRANCOSO. 1 A recorrente afirma que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou os seguintes argumentos: a) rentabilidade futura como fundamento do ágio cumprimento dos requisitos legais; b) legalidade das operações; c) inexistência de "sociedade veículo" aproveitamento do ágio independentemente da criação da TRANCOSO e existência de propósito negocial; e d) inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com ágio. Fl. 3662DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.663 12 Adiante, a Recorrente renovou argumentos expendidos na peça impugnatória que, segundo ela, não foram apreciados pela Turma Julgadora de primeiro grau, quais sejam: i) rentabilidade futura como fundamento do ágio cumprimento dos requisitos legais; ii) legalidade das operações; iii) inexistência de "sociedade veículo" aproveitamento do ágio independentemente da criação da TRANCOSO e existência de propósito negocial; iv) inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com ágio; e v) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Esta Primeira Turma Ordinária, em sessão realizada em 07 de agosto de 2012, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301000.075) para que a unidade administrativa de origem intimasse a contribuinte a: i) apresentar original e tradução, realizada por tradutor juramentado, do estudo aportado ao processo às fls. 2.366/2.407, elaborado por UBS PACTUAL; ii) apresentar toda e qualquer documentação que possibilitasse aferir a data e os responsáveis pela elaboração do estudo de fls. 2.366/2.407; iii) esclarecer o significado da expressão PROJECT HARLEY na capa do documento de fls. 2.366/2.407; iv) apresentar toda e qualquer documentação capaz de demonstrar que o Relatório produzido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 629/667) tomou por base o estudo de fls. 2.366/2.407. Intimada pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (fls. 3.173), a contribuinte trouxe aos autos os esclarecimentos de fls. 3.175/3.184, por meio do qual apresenta resumo das operações societárias realizadas, presta informações e anexa documentos. É o Relatório. Fl. 3663DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.664 13 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Passo, pois, a apreciar os argumentos expendidos na peça recursal. DESPESAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS PELA CACIQUE PROMOTORA Relativamente à glosa da despesa em referência, a autoridade autuante assinalou: ..., ficou constatado que o Banco Cacique aplicou, no decorrer de 2008, o percentual de 8% sobre os créditos de produção de terceiros correspondentes, produção esta que representava serviço já objeto de contrato de serviço firmado com os prestadores diretamente, e cuja despesa correspondente já havia sido contabilizada por vezes à rubrica 8176300069 e por vezes à rubrica 71. Ora, se o serviço foi efetivamente prestado pelas prestadoras terceirizadas, conforme definido em contrato, e resultou em registro em despesa e efetivo pagamento destas, necessário não se torna a despesa paga a coligada CACIQUE PROMOTORA, relativamente a 8% sobre os créditos deles advindos uma vez que quanto a estes, não se comprova a efetiva prestação de serviços por parte da CPV. Por amostragem (fls. 1.569), devido ao grande volume de informações envolvidas, buscamos juntar os valores contabilizados à conta 69 e/ou 71 (demonstrados nas planilhas entregues pelo contribuinte), com os contabilizados a conta 81 (demonstrados no relatório terceiros), para a prestação de serviço realizada por terceiros, comprovando a nossa conclusão para vários correspondentes e/ou lojistas. Devendo ser observado que o valor da despesa varia, tendo em vista que para a composição do valor a pagar aos correspondentes, temse por base os percentuais incidentes sobre os financiamentos, os quais variam de acordo com o prazo dos mesmos, já em relação ao valor a pagar a coligada CPV, fixouse o percentual em 8% dos financiamentos. Sendo certo então que tais valores de despesas referentes a serviços prestados por terceiros (correspondentes), não deveria ter servido de base ao cálculo da despesa contabilizada a rubrica 81, no decorrer de 2008, devendo então parte da despesa lançada à rubrica 81 ser glosada (R$455.927.071,34 * 8%=36.474.165,71). A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, partindo da análise dos contratos trazidos ao processo (anexo I) concluiu que: a) todo o trabalho de obtenção da documentação dos clientes, elaboração dos respectivos contratos e processamento das informações em sistema do Recorrente, compete às denominadas PROMOTORAS DE VENDAS; b) o Recorrente é responsável pela verificação dos procedimentos acima, cabendolhe, de forma exclusiva, a liberação do produto líquido de cada empréstimo ou financiamento; Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.665 14 c) as condições contratuais estabelecidas indicam que o Recorrente mantém contato direto com as PROMOTORAS DE VENDAS, sem qualquer interferência da CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS; d) relativamente às declarações juntadas ao processo, seu exame restou prejudicado, haja vista a não anexação dos respectivos contratos com o Recorrente; e e) é inconcebível que o Recorrente tenha contratado duas empresas para fazer o mesmo serviço em cima de cada contrato de empréstimo financeiro. Pelo que se depreende do esposado na peça recursal, a despesa em questão decorre do fato de que a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS, além de captar novos negócios, realiza a análise de documentação e formaliza as operações de crédito captadas pelas PROMOTORAS TERCEIRIZADAS, o que justificaria o pagamento feito a ela por conta de serviços prestados relacionados aos citados terceirizados. Nessa linha, esclarece o Recorrente: ... 1) Quando as Promotoras captam possíveis interessados na obtenção de créditos e financiamentos, as etapas de formalização da operação de crédito é desenvolvida em conjunto entre as Promotoras e a CACIQUE PROMOTORA, ou mesmo isoladamente por esta, quando as Promotoras se restringem a indicar o cliente, deixando toda a tarefa de formalização da operação a seu encargo; 2) Normalmente, as promotoras de venda captam possíveis clientes e recebem documentação que suportará o empréstimo/financiamento, realizando, quando possível, análise prévia; 3) Em seguida, enviam à filial da CACIQUE PROMOTORA mais próxima, a quem incumbe verificar o cumprimento de todas as regras internas do Recorrente e do BACEN; 4) Quando necessário, a CACIQUE PROMOTORA requisita documentos faltantes às demais promotoras de vendas. Além disso, confere a entrada das operações, no sistema do Recorrente, quando tais promotoras transmitem eletronicamente a operação; 5) Quando as Promotoras não estão aptas a transmitir eletronicamente as operações captadas, a CACIQUE PROMOTORA assume esta tarefa, com todos os encargos subjacentes, conforme fluxo operacional acima descrito; 6) Após cumprido todo o procedimento necessário e formalizada a operação, a CACIQUE PROMOTORA encaminha, para arquivo do Recorrente, a documentação que serviu de suporte para a concessão do crédito; ... Em conclusão, esclarece o Recorrente que, nesses casos, remunera a ambas as entidades, vez que houve dupla prestação de serviços (intermediação pura por parte das PROMOTORAS DE VENDA e formalização, conferência documental e outras atividades por parte da CACIQUE PROMOTORA). Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.666 15 Para sustentar a tese de que a despesa apropriada na conta 81 (PRODUÇÃO DE TERCEIROS NA REDE PROMOTORA) revelouse desnecessária, haja vista que os serviços remunerados já haviam sido objeto de cômputo nas contas 69 e 71, a Fiscalização reuniu aos autos as planilhas de fls. 1.569/1.578, que representam amostragem de valores que foram considerados nas contas 81, 69 e 71 para os mesmos prestadores. Com a devida permissão, a alegação de que a glosa das despesas ora sob apreço derivou, muito provavelmente, da falta de conhecimento da estrutura envolvida nas operações, não se sustenta, eis que referida estrutura e a fórmula de cálculo da remuneração do suposto serviço não apresentam complexidade digna de incompreensão. Desnecessário, pois, a meu ver, a formalização de intimação visando entender a razão pela qual a fórmula de cálculo da remuneração, em alguns casos, considerava valores gerados por outras promotoras de vendas. Discordo, também, do argumento de que a “referida glosa – baseada na suposta inexistência da prestação de serviços – não foi acompanhada por qualquer indício, prova, suposição ou qualquer pecha que pudesse maculálo”, pois, como já relatado, a autoridade autuante: a) esclareceu que o Recorrente, para fins de determinação do montante da despesas, aplicou o percentual de 8% sobre os créditos de produção de terceiros correspondentes; b) informou que tal produção representava serviço que já havia sido objeto de contrato firmado diretamente com os prestadores; c) apresentou planilha em que busca demonstrar, por amostragem, que, por conta de serviços prestados, as promotoras de venda terceirizadas foram remuneradas, sendo os valores correspondentes contabilizados em outras contas; e d) destacou que a mera aplicação de 8% sobre os empréstimos/financiamentos revelou incoerência na remuneração dos serviços prestados por correspondentes, vez que a despesa tem valor variável, uma vez que toma por base percentuais incidentes sobre financiamentos, que variam conforme o prazo dos referidos financiamentos. Não tenho dúvida acerca da plausibilidade da estrutura operacional descrita pelo Recorrente. Contudo, não é exatamente esta a questão a ser dirimida, mas, sim, se foram colacionados aos autos elementos capazes de autorizar o afastamento das conclusões esposadas pela autoridade responsável pelo procedimento fiscal, isto é, de remuneração desnecessária de serviços, haja vista a apropriação, em outras rubricas contábeis, de dispêndio de igual natureza, revelando, assim, duplicidade de registros de despesas. Nesse contexto, o fato de um dos componentes da Turma Julgadora de primeira instância acolher a tese expendida na peça impugnatória, com a devida permissão, não traz qualquer subsídio à solução da controvérsia. A alegação de que o acórdão recorrido não aponta, de forma objetiva e inquestionável, a fundamentação que suportaria a glosa da despesa, também não encontra respaldo, eis que o voto condutor da referida decisão deixa claro (como já relatado): a) que a “questão” limitase à conclusão acerca da necessidade ou não da despesa apropriada; b) que a análise dos contratos apresentados indicam que o Recorrente mantém contato direto com as PROMOTORAS DE VENDAS, sem qualquer interferência da CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS; e c) que, considerados os elementos apreciados, revelase inconcebível que o Recorrente tenha contratado, por conta de cada contrato de empréstimo financeiro, duas empresas para fazer o mesmo serviço. Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.667 16 Debruçandose sobre as declarações juntadas ao processo pelo ora Recorrente, esclareceu a autoridade julgadora que seu exame restou prejudicado, haja vista a não anexação dos respectivos contratos com o Recorrente. A referência feita na decisão de primeira instância a pronunciamento do então Primeiro Conselho de Contribuintes, à evidência, prestase, tãosomente, para fortalecer o entendimento de que, tratandose de despesa com prestação de serviços, a sua dedutibilidade está condicionada à comprovação da sua efetividade. No caso vertente, em que a prestadora dos serviços é controladora do Recorrente, detendo 100% do seu capital, os cuidados na manutenção em ordem e boa guarda dos documentos que servem de suporte para os registros feitos a título de despesa devem ser redobrados (a Fiscalização ressalta que os instrumentos contratuais firmados entre o Recorrente e a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS são assinados por pessoas que exercem poder decisório em ambas as empresas, sendo que, ora assinam como representante de uma, ora como representante da outra). Repiso que o que se encontra em discussão não é o fato de as promotoras de vendas, eventualmente, não disporem de estrutura física e operacional para realizar a análise da documentação e demais procedimentos relacionados às operações de crédito, mas, sim, a comprovação de que tais serviços, quando efetuados pela CACIQUE PROMOTORA, foram contabilizados na conta 8176300081, tendo sido remunerados com o percentual de 8% sobre a produção das referidas promotoras de venda, e, principalmente, não se confundem com os registrados nas contas 8176300071 e 8176300069. Intimada a apresentar a composição dos valores registrados nas contas 8176300081; 8176300071; 8176300045; e 8176300069, bem como a respectiva documentação de suporte, conforme Termo de fls. 76, o Recorrente prestou os seguintes esclarecimentos: a) ITEM 1 Apresentamos em meio magnético a composição dos valores lançados nas contas 817.63.00.045, 817.63.00.069, 817.63.00.071 e 817.63.00.081. b) ITEM 2 No respectivo arquivo em meio magnético consta a abertura de informações solicitadas, tais como número da NF, nome do fornecedor/prestador do serviço, valor da nota fiscal/recibo, data do pagamento e data da contabilização. c) ITEM 3 Arquivo apresentado de acordo com as especificações. d) ESCLARECIMENTOS Conta 817.63.00.045 COBRANÇA SOCIEDADES LIGADAS Tratase de serviço prestado pela empresa controlada COBRACRED COBRANÇA ESPECIALIZADA LTDA. Esta empresa presta serviços de cobrança para o BANCO CACIQUE conforme contrato de prestação de serviços entre as partes, e o valor cobrado é sobre o êxito na cobrança de contratos em atraso. Anexamos ao presente documento cópia do faturamento de dezembro de 2008, bem como o contrato de prestação de serviço e aditivos contratuais. e) ESCLARECIMENTOS Conta 817.63.00.069 SERVIÇOS PRESTADOS ANALISE DE CRÉDITO Tratase de serviços de correspondentes bancários, que fazem o processo de captação e aprovação de propostas de financiamentos/créditos pessoais. Os pagamentos são feitos baseados em produções desses correspondentes bancários através de apresentação de NFS, conforme tratativas comerciais entre as partes. Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.668 17 f) ESCLARECIMENTOS Conta 817.63.00.071 SERVIÇOS PRESTADOS ANÁLISE CRÉDITO/COMISSÕES Tratase de acordos comerciais onde o lojista ou associações, na maioria dos casos, apresentam ou fazem intermediações de operações de crédito, recebendo uma comissão, que quando lojistas, o crédito é feito em borderô de pagamento e quando associações o pagamento é feito após apresentação de recibos, sendo que em ambos os casos há a retenção do IRF de 1,5%. g) ESCLARECIMENTOS Conta 817.63.00.081 SERVIÇOS PRESTADOS SOCIEDADE LIGADA Tratase de serviços de correspondente bancário pela controlada CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA. ao Banco Cacique. Há contrato entre as partes, e a prestação de serviços está baseado na produção de contrato de financiamentos/crédito pessoal da CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS. Às fls. 1.239/1.241, consta cópia de CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS em que o Recorrente contrata à CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA. os seguintes serviços: encaminhamento de documentação dos financiamentos; execução de cobrança amigável; e outros serviços de controle, inclusive os informatizados de operações de financiamento pactuadas por ele. No que diz respeito à remuneração pelos serviços prestados, o referido contrato estabelece: 4) Pela prestação de serviços referida na cláusula primeira, a PROMOTORA receberá do BANCO a remuneração correspondente a até 20% (vinte por cento) do valor total dos financiamentos cuja documentação for encaminhada em cada semestre civil, definindose o exato percentual que prevalecerá em cada semestre, através de mútuo entendimento das partes, sendo admitidos em favor da PROMOTORA adiantamentos a serem feitos em cada mês, os quais serão compensados no último dia de cada semestre civil do total que for devido em favor da mesma, à titulo de remuneração. (GRIFOS DO ORIGINAL) Às fls. 1.242/1.258, encontramse reunidos aditamentos em que, especialmente, a cláusula de remuneração pelos serviços prestados é alterada. Às fls. 1.259/1.260 constam correspondências do Recorrente à CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS confirmando que no período de 27 de outubro de 2008 à 25 de dezembro de 2008 a remuneração pelos serviços seria de 8% sobre a base de cálculo definida contratualmente. Por meio de TERMO DE ESCLARECIMENTO (fls. 1.261/1.262), o Recorrente informou à Fiscalização: "PRODUÇÃO ANUAL DO OPERAÇÕES DE CRÉDITO" x "DESPESAS COM SERVIÇOS PRESTADOS DE ANÁLISE DE CRÉDITO E DESPESAS COM APRESENTAÇÃO DE NEGÓCIOS". Fomos indagados por V.Sas., em relação ao total de valores pagos pelo BANCO CACIQUE S/A, para a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS S/A, para LOJISTAS FILIADOS AO BANCO CACIQUE e para PROMOTORAS TERCEIRIZADAS, valores esses que totalizaram em 2008 o montante de R$ 194.898.652,16, registrados nas contas contábeis a seguir: 817.63.00.069 Serviços prestados Análise de Crédito R$ 37.218.161,43 Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.669 18 817.63.00.071 Serviços prestados Análise de Crédito/Comissão R$ 39.471.206,85 817.63.00.081 Serviços prestados P.J. Sociedade Ligada R$ 118.209.283,88 Nos TERMOS DE ESCLARECIMENTOS 97/2010 e 98/2010 que nesta data entregamos à V.Sas., em relação às contas 817.63.00.069 e 817.63.00.071, elucidamos a finalidade daquelas contas, identificando os respectivos valores lançados, ficando a necessidade de esclarecer o montante da conta 817.63.00.081 Serviços prestados P.J. Sociedade Ligada. A conta retro mencionada, registra o montante de remuneração paga pelo BANCO CACIQUE S/A à sua controlada CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA, pelos serviços que são prestados no decorrer do anocalendário de 2008, assim demonstrada: A base do valor pago a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA., resumese ao percentual acordado entre as partes (8% em 2008) sobre a produção de contratos de empréstimos (CPCarteira Sysin) produzido nas filiais da CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA. e encaminhados ao BANCO CACIQUE S/A., além daqueles contratos de CDC produzido pelos LOJISTAS FILIADOS ao BANCO CACIQUE, acrescido da produção de contratos de CP produzidos pelas PROMOTORAS TERCEIRIZADAS, pois cabe a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA. o controle administrativo destas produções, conforme contrato firmado entre as partes. Desta forma, na produção a ser faturada pela CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA., incluemse os créditos de sua própria produção, além daqueles oriundos da produção dos LOJISTAS FILIADOS e das PROMOTORAS TERCEIRIZADAS. Do Termo de Verificação (fls. 1.605/1.613), releva destacar os seguintes pontos: 1. intimado a apresentar a composição da base de cálculo relativa à despesa em questão (conta 817.63.00.081), o Recorrente apresentou documentos por meio dos quais foi possível extrair os seguintes elementos: LOJAS PRÓPRIAS/CALL CENTER E LOJISTAS CRÉDITO: 1.021.616.534,34 DESPESA (8% DO CRÉDITO): 81.729.322,75 CORRESPONDENTES CRÉDITO: 455.927.071,34 DESPESA (8% DO CRÉDITO): 36.474.165,71 2. os documentos fornecidos pelo Recorrente permitiram também efetuar a seguinte segregação, relativamente aos créditos que serviram de base para a determinação do valor da despesa: CALL CENTER...............................26.867.018,42 Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.670 19 LOJAS PRÓPRIAS..........................366.498.948,96 LOJISTAS.........................................628.250.566,70 3. intimada a apresentar os instrumentos contratuais firmados com os LOJISTAS, o Recorrente apresentou contratos (PADRÃO) denominados CONTRATO DE FILIAÇÃO DE LOJISTA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, em que a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS é parte; 4. no contrato acima referenciado, são os seguintes os serviços a serem prestados pela CACIQUE PROMOTORA: “"Para consecução dos financiamentos a serem concedidos com base neste contrato a PROMOTORA se compromete a prestar os seus serviços compreendendo os contatos com clientes da lojista visando a formalização do financiamento pretendido, colhendo os dados e documentação necessários, bem como promovendo a respectiva análise de crédito e de cadastro, ou de outra forma conforme o contido no anexo n° 01, deste”; 5. não obstante as informações prestadas pelo Recorrente no curso da ação fiscal, destaca a autoridade autuante que os serviços prestados pelas promotoras terceirizadas, definidos em CONTRATO PADRÃO, eram, basicamente, os seguintes: coleta de documentos; análise e préaprovação de créditos; formalização das cédulas de crédito bancários e dos demais documentos necessários com preenchimento e obtenção das assinaturas dos pretendentes; preparação e digitação de cada operação em sistema disponibilizado pelo Banco, que em seguida obterá a aprovação ou não da consignação pretendida junto ao INSS. 6. as despesas decorrentes dos contratos referenciados no item 5 acima foram contabilizadas nas contas 817.63.00.069 e 817.63.00.071 (cópia dos contratos no ANEXO I do presente processo); 7. demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal autoriza concluir que a utilização do percentual de 8% para cálculo da despesa com a CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS representou, em última análise, a utilização de quase a totalidade dos créditos gerados (R$ 1.477.616.028,50 de R$ 1.595.690.270,68), de modo que a diferença (R$ 118.074.242,182) não pode justificar a apropriação de despesas de R$ 37.218.161,43 na conta 817.63.00.069 (Promotoras Terceirizadas) e R$ 39.471.206,85 na conta 817.63.00.071 (Lojistas e Associações) 3. No mais, noto que o Recorrente não aporta aos autos razões e documentos para contraditar a planilha de fls. 1.569/1.578, elaborada pela autoridade fiscal com o intuito de confirmar sua conclusão no sentido de ter havido duplicidade na apropriação das despesas com serviços prestados pelos denominados terceiros correspondentes, bem como não traz argumentos capazes de elidir as conclusões apresentadas no Termo de Verificação (fls. 1.605/1.613). Pelas razões acima expostas, tenho por inatacável a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que “ficou constatado que o Banco Cacique aplicou, no decorrer de 2008, o percentual de 8% sobre os créditos de produção de terceiros correspondentes, produção esta que representava serviço já objeto de contrato de serviço firmado com os prestadores 2 Houve erro de digitalização no Termo de Verificação, eis que ali restou assinalado R$ 118.074,22. 3 Neste caso, o total das despesas (R$ 76.689.368,28) representaria cerca de 65% do crédito obtido (R$ 118.074.242,18). Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.671 20 diretamente, e cuja despesa correspondente já havia sido contabilizada por vezes à rubrica 8176300069 e por vezes à rubrica 71”. Destaco que, ainda que se possa admitir que a então controlada do Recorrente, CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS, subsidiariamente, promovia análise documental e demais procedimentos inerentes à aprovação de empréstimos e financiamentos captados por terceirizados, os dispêndios correspondentes, quando apropriados na conta 817.63.00.081, deveriam estar suportados por documentos segregados dos demais (contratos e notas fiscais), de modo a efetivamente demonstrar a prestação dos serviços e a ausência de cômputo nas rubricas 817.63.00.069 e 817.63.00.071. DESPESAS NÃO COMPROVADAS Em conformidade com o Termo de Verificação – Glosa de Despesas com Serviços de Terceiros (fls. 1.605/1.613), foram analisadas as seguintes rubricas contábeis: a) 8176300071: SERVIÇOS PRESTADOS – ANÁLISE CRÉDITO/COMISSÕES/SERVIÇOS PRESTADOSANAL CRED/COMISSCDC; b) 8176300069: SERVIÇOS PRESTADOS DE ANÁLISE DE CRÉDITO; e c) 8176300081: SERVIÇOS PRESTADOS – PJ SOCIEDADE LIGADA). A apreciação da rubrica contábil 8176300081 (SERVIÇOS PRESTADOS – PJ SOCIEDADE LIGADA) foi objeto do item anterior, eis que a glosa efetuada pela Fiscalização teve fundamento distinto do considerado para as demais rubricas. Ao promover a análise da rubrica 8176300071, a Fiscalização constatou a existência de prestadores identificados como BCAC LOGISTA C (R$ 16.664.486,27) e BCAC ÓRGÃOS PÚBLICOS (R$ 883.521,52), representativos do total de valores relativos a diversos prestadores de serviços. Intimada a detalhar e a apresentar a respectiva documentação de suporte, o Recorrente, relativamente à rubrica BCAC LOGISTA C apresentou comprovantes no montante de R$ 16.431.884,44, restando não comprovado o total de R$ 232.601,83, representativo da diferença entre o total contabilizado (R$ 16.664.486,27) e o lastreado em documentos (R$ 16.431.884,44). Relativamente ao BCAC ÓRGÃOS PÚBLICOS (R$ 883.521,52), a Recorrente informou que o valor foi indevidamente escriturado na conta 8176300071, pois deveria ter sido registrado na conta 817.54.00.004, por tratarse de desconto que o convênio público faz ao repassar os valores descontados dos funcionários públicos. Para a Fiscalização, contudo, tal fato não restou comprovado. A questão, como se vê, a exemplo da apreciada no item anterior, limitase à comprovação dos dispêndios apropriados na apuração do resultado fiscal, quais sejam: R$ 232.601,83 do total de R$ 16.664.486,27; e R$ 883.521,52, apropriados na conta 8176300071 como BCAC LOGISTA e BCAC ÓRGÃOS PÚBLICOS, respectivamente. As glosas promovidas pela Fiscalização foram mantidas pela Turma Julgadora de primeira instância com base no argumento de que não foram trazidos aos autos elementos de comprovação dos valores apontados nas peças acusatórias. A referida autoridade julgadora destaca que, para o montante apropriado de R$ 16.644.486,27, o Recorrente produziu documento com seis colunas e mais de cento e cinqüenta e três mil linhas, porém, só conseguiu Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.672 21 comprovar o valor de R$ 16.431.884,44, restando, assim, como não comprovado o total de R$ 232.601,83. Para o valor de R$ 883.521,52, assegura a decisão a quo que só foi apresentada explicação acerca de uma suposta contabilização indevida na conta auditada, isto é, não foram apresentados documentos capazes de justificar a despesa. Observo que, em sede de impugnação, o Recorrente não trouxe qualquer explicação ou documentos que possibilitasse considerar insubsistente a diferença apontada de R$ 232.601,83. Relativamente aos supostos dispêndios incorridos na celebração de convênios, limitouse a afirmar: ... 135. Deve se notar, ainda, que o ressarcimento de custos aos órgãos públicos apresenta valores unitários, em geral, deveras reduzido, isto é, R$ 2,00 por linha, R$ 95 mensais, R$ 0,59 por linha, entre outras. 136. Isso significa dizer que a composição da despesa de mais de R$ 883 mil compreende centenas de milhares de lançamentos, bem como número equivalente de documentos e de cruzamentos de dados, motivo pelo qual a Impugnante protesta pela posterior juntada de documentos e a realização de diligência, caso esta E. Turma de Julgamento entenda necessário ao deslinde da questão. 137. Em cumprimento ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 ("Decreto no 70.235/72"), a diligência requerida é necessária à comprovação dos valores lançados à conta "BCAC órgãos públicos", através da análise da composição da despesa pelo confronto do elevado número de documentos que a suportam. Na peça recursal impetrada, também não encontro justificativas ou prova documental relacionada à diferença de R$ 232.601,83. Quanto às despesas decorrentes dos convênios com órgãos públicos, a alegação do Recorrente é que a Turma Julgadora não analisou a documentação de suporte que foi submetida à sua análise. Não identifico, contudo, qualquer indicação de que documentação seria essa. No mais, discorre sobre a natureza do dispêndio, sobre o fato de a modalidade de crédito vinculado ao gasto está intrinsecamente relacionada às suas atividades operacionais e sobre a necessidade do ressarcimento, por parte dele, dos custos incorridos na execução dos convênios. Não traz, porém, como já dito, nenhum indício de prova ou amostra que possibilite ao julgador criar convicção acerca da procedência da despesa. Digna de reparo a afirmação do Recorrente de que a Fiscalização, ao fundamentar a glosa, considerou a despesa não operacional. Com o devido respeito, o fato de o enquadramento legal citado pela autoridade autuante fazer menção ao art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), não autoriza tal conclusão. No recurso voluntário, a exemplo do que fez na impugnação, o autuado protesta pela juntada posterior de documentos e pela realização de diligência. Com a devida permissão, ainda que relativa à “centenas de milhares de lançamentos”, deveria o Recorrente ter aportado um mínimo de prova, uma amostra que fosse, que, como já disse, conduzisse ao convencimento acerca da procedência da apropriação dos referidos dispêndios na determinação do resultado fiscal. Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.673 22 Diante de tais circunstâncias, sou pela manutenção da glosa em questão. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Dos autos, extraio as seguintes informações: i) em 25 de fevereiro de 2007, o Banco Société Générale Brasil S/A (Société Brasil), como COMPRADOR, e Maria Yolanda Cerqueira César Coimbra, Cesário Coimbra Neto, Sérgio Coimbra e Daniela Cerqueira César Coimbra, como VENDEDORES, ajustaram a compra e venda da totalidade das quotas da empresa CACIPAR COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. (CACIPAR) – contrato às fls. 144/189; ii) a aquisição da totalidade das quotas representativas do capital social da CACIPAR foi devidamente aprovada em Ata de Assembléia Geral da SOCIÉTÉ BRASIL, em 22 de fevereiro de 2007; iii) em 07 de março de 2007 (registro na Junta Comercial do estado de São Paulo em 12 de março de 2007, fls. 114), S&A SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. e DIVA MARIA BATISTA MARTINS RAMALHO, únicas sócias de MARIGANE PARTICIPAÇÕES LTDA., cedem e transferem, a título gratuito, a totalidade de suas quotas ao SOCIÉTÉ BRASIL (em razão da mudança do controle societário em referência, a sociedade passou a denominarse TRANCOSO PARTICIPAÇÕES LTDA. – fls. 124/131); iv) a empresa MARIGANE PARTICIPAÇÕES LTDA. foi constituída em 16 de janeiro de 2007, com capital de R$ 1.000,00, tendo como sócios a Sra. DIVA MARIA BATISTA MARTINS RAMALHO e a empresa S&A SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA.; v) de acordo com pesquisas efetuadas nos controles da Receita Federal em 04 de novembro de 2010, a Sra. DIVA MARIA BATISTA MARTINS RAMALHO, além de constar como sócia da empresa S&A SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA., é sócia de outras vinte e três empresas, todas sem receita declarada, sem informação acerca da atividade explorada e apresentando, em sua razão social, a expressão “PARTICIPAÇÕES”; vi) em 07 de março de 2007, SOCIÉTÉ BRASIL transfere, por meio de INSTRUMENTO DE CESSÃO, à TRANCOSO PARTICIPAÇÕES, os direitos relacionados à aquisição da totalidade das quotas da CACIPAR, objeto do contrato firmado em 25 de fevereiro de 2007 de que trata o item (i); vii) em 22 de agosto de 2007, por meio de uma segunda alteração contratual, ingressa como sócio na TRANCOSO PARATICIPAÇÕES o Sr. ALAIN DOSSA, recebendo, a título gratuito, uma única quota (nessa mesma alteração contratual, o objeto social da referida empresa é alterado de “Participações em outras sociedades, incluindo instituições financeiras, como sócia ou acionista, no Brasil ou no exterior” para “Participação em instituições financeiras no Brasil”); viii) em 30 de novembro de 2007 (registro na Junta Comercial do estado de São Paulo em 30 de janeiro de 2008), por meio de uma terceira alteração contratual da TRANCOSO PARTICIPAÇÕES, o SOCIÉTÉ BRASIL aporta capital no montante de R$ 930.523.599,00; Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.674 23 ix) em 30 de novembro de 2007, a TRANCOSO PARTICIPAÇÕES promove o pagamento referente à compra da CACIPAR, registrando ágio de R$ 570.563.618,89; x) em 30 de novembro de 2007, a TRANCOSO PARTICIPAÇÕES promove aporte de capital na CACIPAR no montante de R$ 37.000.000,00; xi) em 30 de julho de 2008, a CACIPAR transfere a totalidade de suas ações do BANCO CACIQUE para o SOCIÉTÉ BRASIL (fls. 681); xii) em 31 de outubro de 2008, por meio de Assembléia Geral Extraordinária do BANCO CACIQUE, são aprovados os protocolos de incorporação das empresas CACIPAR e TRANCOSO (referidas aprovações só foram registradas na Junta Comercial em 23 de abril de 2009), momento a partir do qual o ágio pago pela TRANCOSO passou a ser amortizado pelo Recorrente. A partir de suas averiguações, a Fiscalização extraiu as seguintes conclusões (Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.590 e seguintes): a) o ágio pago na aquisição de uma participação societária deverá ser registrado segregado do seu valor de patrimônio liquido, não devendo ter efeitos fiscais antes da alienação ou baixa do investimento; b) não obstante o considerado em “a”, em caso da incorporação a lei faculta benefício fiscal que propicia a amortização do ágio pago com fundamento em rentabilidade futura; c) caso o Société Brasil tivesse contabilizado diretamente em sua escrituração o negócio realizado com ágio, não poderia este ser amortizado com o beneficio fiscal concedido pelo artigo 7º da Lei nº 9.532/97; d) considerados os elementos coligidos aos autos, resta fora de dúvida que, no caso, estamos diante de investimento feito pelo Banco Société Brasil, representado pela aquisição do controle societário da CACIPAR e, por decorrência, do Banco Cacique; e) o SOCIÉTÉ BRASIL, alterando as condições do fato gerador, tratou de adquirir, em 07/03/2007, uma empresa veículo (“MARIGANE”), com capital social de R$1.000,00, constituída em 16/01/2007, aparentemente transferindo para ela os direitos da transação efetuada, na ordem de R$ 850.000.000,00, com o único intuito de posteriormente utilizála no âmbito de uma seqüência de operações societárias, que culminaria, ao término de duas incorporações reversas, com a transferência do Banco Cacique para seu controle; f) não ficou suficientemente comprovado que o ágio pago resultou de rentabilidade futura, vez que o demonstrativo exigido por lei foi elaborado posteriormente à transação, com base em balanço levantado também em data posterior; e g) restou comprovado que o uso da empresa Trancoso (empresa veículo), deuse sem qualquer finalidade negocial, apenas com o intuito de tornar o ágio fiscalmente dedutível. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.675 24 Temse, a partir de tais conclusões, que os fundamentos da autuação são os seguintes: falta de efetiva comprovação do fundamento econômico do ágio (rentabilidade futura) e utilização de empresaveículo para fins de viabilização da dedução do ágio. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando a defesa inicial impetrada pelo autuado e tomando por base a “demonstração” elaborada pela KPMG, concluiu que as análises empreendidas para fins da determinação da rentabilidade futura tiveram por suporte, quase que exclusivamente, as operações do BANCO CACIQUE, ou seja, a CACIPAR era uma empresa holding e o ágio apurado na sua aquisição decorreu do valor econômico financeiro do BANCO CACIQUE. Nessa linha, partindo do entendimento de que os pressupostos do ágio é a aquisição de participação societária e o seu fundamento econômico, concluiu a autoridade julgadora de primeira instância que, ao incorporar a CACIPAR e a TRANCOSO, o Recorrente não recebeu qualquer participação societária, visto que as próprias ações não são participações societárias, haja vista que nenhuma empresa participa de si mesma. Para a autoridade julgadora a quo, o motivo que justificou a contabilização do ágio na TRANCOSO foi a rentabilidade futura do BANCO CACIQUE (ora Recorrente), motivo esse que não poderia prevalecer na incorporação, pois não se pode justificar o registro na contabilidade de rentabilidade futura de si próprio. Na avaliação do Recorrente, a linha de raciocínio empregada pela Turma Julgadora de primeiro grau representou inovação na fundamentação da autuação. Penso que a argumentação esposada pelo voto condutor da decisão recorrida, ainda que entendida como elemento de reforço da autuação, e não de inovação, não obstante apresentarse como correta quanto ao efeito ali vislumbrado (em última análise, dada a peculiaridade da empresa adquirida, uma holding, ao final do processo de reorganização societária, a incorporadora passa a amortizar ágio sobre a sua própria rentabilidade futura), não se amolda à situação enfrentada no presente processo. Isto porque, abstraindose de qualquer outra consideração, o ágio, em si, não foi gerado internamente, isto é, não decorreu de negócio envolvendo pessoas ligadas (ao menos tal informação não foi trazida ao processo). De qualquer forma, se o entendimento for dirigido no sentido de que os fundamentos trazidos pela decisão de primeira instância representaram inovação em relação aos utilizados pela autoridade autuante, penso que isso não constitui razão para a invalidação do feito fiscal, vez que o que se encontra sob apreciação são os fatos e fundamentos legais trazidos pela peças de autuação. Nesse sentido, só caberia falar em nulidade do trabalho fiscal na circunstância em que a sua manutenção dependesse, ainda que indiretamente, das razões aportadas pela autoridade julgadora de primeiro grau, ou seja, na situação em que, ausente a argumentação esposada na decisão de primeira instância, os lançamentos tributários encontrar seiam desprovidos de sustentação. Como se verá adiante, não é esse o caso dos autos. Incabível também, a meu ver, a decretação de nulidade da decisão recorrida. Na mesma linha, deixo de acolher a alegação de nulidade da decisão de primeiro grau por não ter ela apreciado a “maioria” dos argumentos da impugnação, pois, na esteira de pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não representa negação à Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.676 25 prestação jurisdicional o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. Creio que o acórdão recorrido enquadrase com perfeição na situação acima descrita, pois, ao servirse de fundamentação complementar para rejeitar a dedução da despesa, desprezou argumentos de defesa que se revelaram incompatíveis com a linha de entendimento adotada, não deixando, contudo, de solucionar, na íntegra, a controvérsia instalada no processo. Destaco que o Recorrente renovou, em sede de recurso voluntário, toda a argumentação apresentada na peça impugnatória que, na sua avaliação, não foi apreciada na instância a quo, ou seja, a suposta inovação trazida pela decisão recorrida não cerceou o direito de defesa do fiscalizado, eis que não o induziu a abandonar as alegações tidas como não analisadas. Por outro lado, por entender, em convergência com o alegado pelo Recorrente, que, ao menos em parte, a Turma Julgadora de primeira instância não interpretou adequadamente os fatos retratados nos autos, retomo, a partir da apreciação das razões de defesa a eles vinculados, os fundamentos expendidos pela Fiscalização para promover a glosa da despesa. Nesse diapasão, destaco que o Recorrente revela contradição quando afirma que “em momento algum a Fiscalização questionou a rentabilidade futura como fundamento do ágio”, pois, logo adiante, reproduz excerto do Termo de Verificação Fiscal em que consta assinalado: Muito importante tornase ressaltar que, conforme consta DOS FATOS, não ficou suficientemente comprovado a esta fiscalização que tal ágio, pago em 30/11/2007, foi resultante da Rentabilidade Futura, uma vez que o demonstrativo exigido por lei como comprovação desta rentabilidade, apresentado pelo contribuinte, foi elaborado posteriormente a referida data, em julho de 2008, com base em balanço levantado em 31/12/2007, ambas as datas posteriores ao pagamento do referido ágio. (GRIFEI) À evidência, se a autoridade fiscal diz que não restou comprovado que o ágio derivou de rentabilidade futura, ela efetivamente está questionando o referido fundamento econômico. O Recorrente, dando aparência de emprestar pouca relevância à “demonstração” referenciada pelo parágrafo 3º do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), consigna: Vale destacar que esse dispositivo não foi regulamentado por qualquer outra norma, pelo que se entende que qualquer “demonstração” seria suficiente à comprovação do fundamento econômico adotado, entre ele o da rentabilidade futura da coligada/controlada. (GRIFO DO ORIGINAL) Talvez tenha sido em razão de tal entendimento, qual seja, o de que qualquer “demonstração” seria suficiente à comprovação do fundamento econômico adotado, que o Recorrente tenha aportado aos autos o “estudo” do Banco UBS Pactual de fls. 2.366/2.407. Com o devido respeito, se é esse o documento por meio do qual se pretende comprovar que a rentabilidade futura encontrase devidamente suportada pela “demonstração” exigida pela lei, o Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.677 26 entendimento da Fiscalização a respeito da inexistência de comprovação, no momento da aquisição, do fundamento do ágio verificado na operação, ao contrário do sustentado na peça recursal, deve persistir. Com efeito, o referido documento produzido pelo UBS Pactual, redigido em língua inglesa, além de não ter aparência de relação com a aquisição da CACIPAR, nos termos do disposto no art. 224 do CPC, sequer deveria ser conhecido, eis que não tem efeitos legais. Alega o Recorrente que o estudo elaborado pela KPMG, em 2008, serviu apenas como uma segunda opinião acerca do preço pago na aquisição da empresa CACIPAR. Quanto a tal argumento, cabe apenas destacar que o que o fiscalizado deveria ter apresentado à Fiscalização era a primeira opinião, devidamente expressa na língua pátria, com conteúdo capaz de deixar fora de dúvida a expectativa de rentabilidade, em exercícios futuros, dos ativos adquiridos. Destaco que não encontro nos autos indicativo de que o denominado “estudo do Banco UBS Pactual” tenha sido, em algum momento, apresentado à autoridade fiscal. Este fato, por si só, já seria suficiente à manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização, isto é, para dirimir a controvérsia, eis que o registro do ágio foi feito sem suporte documental, no caso, sem a comprovação de seu fundamento econômico, seja em razão de o documento produzido pela KPMG ser posterior ao registro, seja pelo fato de o documento emitido pelo UBS Pactual não produzir efeitos legais. Não obstante, decidiu esta Turma Julgadora oportunizar meios ao Recorrente para que ele prestasse esclarecimentos complementares acerca do documento elaborado pelo UBS Pactual. Em vista disso, em atendimento à intimação formalizada em procedimento de diligência, o Recorrente trouxe aos autos, entre outros, os seguintes documentos: fls. 3.175/3.184 resposta à intimação formalizada, por meio da qual discorre sobre o resumo das operações societárias realizadas e presta as seguintes informações: que providenciou a tradução juramentada do que denominou LAUDO DE AVALIAÇÃO elaborado pelo UBS Pactual; que, para fins de comprovação da data da elaboração do referido Laudo, traduziu diversos documentos que retrataram as negociações entre o Grupo Cacique e o Grupo Société; que a expressão “PROJECT HARLEY” foi utilizada pelo UBS PACTUAL para designar a operação de aquisição junto à CACIPAR das empresas BANCO CACIQUE S/A e CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS S/A; e que apresenta quadrodemonstrativo comprovando que o critério de avaliação adotado pela KPMG teve como premissa a mesma metodologia do UBS Pactual, tendo, inclusive, acesso ao estudo elaborado pela referida instituição; fls. 3.249/3.416 documento denominado PROJECT HARLEY, em língua inglesa; fls. 3.419/3.467 cópia de tradução juramentada do documento denominado PROJECT HARLEY; fls. 3.470/3.495 cópia de correspondências diversas; Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.678 27 fls. 3.497/3.532 – cópia de documento em língua inglesa; fls. 3.534/3.575 cópia de correspondências diversas, traduzidas por tradutor juramentado; fls. 3.578/3.581 ata notarial atestando a existência de mensagens eletrônicas; fls. 3.583/ 3.620 – cópia da avaliação feita pela KPMG; fls. 3.622/3.647 cópia de documento denominado Parecer Técnico Contábil. A documentação apresentada pelo Recorrente não deixa dúvida acerca das tratativas e de uma possível avaliação do Grupo Cacique. Porém, não é isso que se questiona, mas, sim, o fato de, intimada no curso da ação fiscalizadora a comprovar o atendimento de requisito que lhe daria direito a amortizar o ágio supostamente incorrido na aquisição de participação societária, ter apresentado um LAUDO elaborado em data posterior à realização do negócio. Como dito, não obstante a existência de indícios da realização de estudo prévio acerca do valor das empresas que se pretendia adquirir, penso que não se pode admitir que um documento que, destaco, sequer foi submetido ao crivo da autoridade fiscalizadora, desprovido de assinatura, de data de emissão, e que, inclusive, registra textualmente que não pode ser garantida a exatidão ou perfeição de qualquer material nele apresentado, possa suprir a DEMONSTRAÇÃO a que faz referência o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77, viabilizando assim o aproveitamento de benefício fiscal de tão elevada dimensão. Ao procurar demonstrar que o LAUDO DE AVALIAÇÃO elaborado pela KPMG baseouse no estudo efetuado pelo UBS PACTUAL, o Recorrente, contraditoriamente, assinala: [...] Deste modo, não obstante a KMPG tenha tomado como Base de informações o laudo de avaliação elaborado pelo UBS Pactual e outros documentos fornecidos pelo Société Générale, fato é que seu estudo foi pautado em uma análise independente e crítica, como se infere de diversas passagens de seu parecer: "O objetivo dos nossos trabalhos foi efetuar, de forma independente, a avaliação econômicofinanceira da Cacipar, com base na rentabilidade futura, para servir de referência na análise do fundamento do ágio pago na aquisição do seu capital social." fl. 03; "Nossa avaliação está fundamentada, substancialmente, em informações e premissas fornecidas pela Administração da Empresa, ajustadas segundo nossa própria visão quanto à razoabilidade destas." fl 05; Tal fato reforça que o laudo de avaliação elaborado pelo UBS Pactual, à época da aquisição da Cacipar, é suficiente para sustentar o ágio pago com base na sua expectativa de rentabilidade futura, tanto que o valor econômicofinanceiro apurado pela KPMG de R$ 991 milhões, ratificou a margem prevista pelo UBS Pactual, qual seja, entre R$ 890,07 milhões a R$ 994,79 milhões. Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.679 28 (GRIFEI) Com o devido respeito ao esforço envidado pelo Recorrente, o esclarecimento acima reproduzido apenas reafirma o fato de que o LAUDO DE AVALIAÇÃO que serviu de lastro para o registro do ágio foi elaborado em data posterior à operação da qual ele resultou, restando não atendida, assim, a condição preconizada pela legislação de regência. À evidência, os fragmentos transcritos pelo próprio Recorrente, ao consignar afirmação no sentido de que o estudo realizado foi pautado em uma análise independente e fundamentada, substancialmente, em informações e premissas fornecidas pela Administração da Empresa, ratifica o entendimento de que não existe relação entre o Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG e o estudo supostamente elaborado pelo UBS Pactual. Para que não se alegue que a maioria dos argumentos de defesa deixaram de ser apreciados, avanço às demais questões referenciadas na peça recursal. Sustentando a legalidade das operações praticadas, afirma o Recorrente que todas as operações realizadas foram registradas nos órgãos competentes. Contudo, não é essa exatamente a conclusão que se extrai dos autos. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.583), a autoridade autuante assinala que, por tratarse de operação de transferência/aumento de participações societárias em instituição financeira, intimou a TRANCOSO (por meio da incorporadora, o Recorrente) e o SOCIÉTÉ BRASIL a apresentar as solicitações prévias previstas na legislação de regência. Em atendimento, foram apresentados documentos relacionados a protocolo no Banco Central do Brasil e na Secretaria de Direito Econômico. Restou verificado, entretanto, que apesar de o SOCIÉTÉ BRASIL já ter transferido formalmente os direitos de aquisição do BANCO CACIQUE para a TRANCOSO, nas autorizações analisadas não foi feita qualquer referência à citada empresa (TRANCOSO). Ressalta a Fiscalização que o SOCIÉTÉ BRASIL apresentou documento protocolado na Secretaria de Direito Econômico, em 16 de março de 2007, onde ele e o Recorrente descrevem a operação realizada em 25 de fevereiro de 2007 (ajuste de compra da CACIPAR), mas não fazem qualquer referência à cessão de direitos (à TRANCOSO) em 07 de março de 2007. Não obstante, o registro em órgão competente e a observância das normas legais, no caso que ora se aprecia, em que a glosa da despesa repousa em um conjunto de argumentos que busca demonstrar ausência de propósito negocial e prática de artificialismo na redução das bases tributáveis, significa pretender emprestar ao formalismo importância maior que a substância econômica dos atos praticados. Fatos como esses, conjugados com outros que adiante serão abordados, concorrem para demonstrar que a aquisição da empresa MARIGANE PARTICIPAÇÕES LTDA., que depois passou a denominarse TRANCOSO PARTICIPAÇÕES LTDA., em que pese o cuidado que se teve com o atendimento às formalidades inerentes, objetivou, única e exclusivamente, antecipar o benefício fiscal introduzido pelo art. 7º da Lei nº 9.532/97. Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.680 29 Como bem ressaltou a autoridade autuante, inexistente a TRANCOSO e, por decorrência, o processo de reorganização societária, o ágio pago na aquisição da CACIPAR só produziria efeitos fiscais com a alienação ou a baixa do investimento. Contribuem, ainda, para a convicção de que a empresa MARIGANE representou no planejamento tributário engendrado veículo capaz de viabilizar o aproveitamento antecipado do ágio, os seguintes fatos: 1. relativamente à transferência dos direitos e deveres relacionados à aquisição da totalidade das quotas da CACIPAR, promovida pela SOCIÉTÉ BRASIL à TRANCOSO PARTICIPAÇÕES, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.581/1.604, naquilo que importa destacar, a autoridade fiscal assinala: a) na data da citada transferência, a alteração do contrato social da MARIGANE sequer havia sido registrada na Junta Comercial; e b) a cláusula 9.5 do contrato de compra e venda das quotas da CACIPAR obrigava o comprador a notificar, de imediato, os vendedores, no caso de cessão de direitos4; 2. as decisões provenientes do Conselho de Administração e da Assembléia Geral Extraordinária do SOCIÉTÉ BRASIL foram dirigidas no sentido de autorizar a compra da CACIPAR, inexistindo manifestação de igual natureza relativa à cessão de direitos à TRANCOSO; 3. ausência de aprovação pelo Conselho de Administração do SOCIÉTÉ BRASIL do investimento efetuado na TRANCOSO, o que, dado o montante envolvido, constituía exigência do estatuto; 4. na linha do decidido em primeira instância, “a justificativa de que a Trancoso foi introduzida entre o Banco Société Generale Brasil S/A e a CACIPAR, com a finalidade de se criar uma empresa holding para separar as operações do Banco Société Generale Brasil S/A das operações do interessado”, não pode ser acolhida, já que a CACIPAR era uma empresa holding e, ao final de todo o processo de reorganização societária, SOCIÉTÉ BRASIL passou a ter participação direta no BANCO CACIQUE; 5. registra a Fiscalização, in verbis: [...] Segundo termos 3909 a 3911 (fls. 669 e seguintes), registrados em Livro 21 de transferências de ações do Banco Cacique, temos em 30/11/2007 a transferência de 4 ações para os Srs. Maxime Bernard Thibaud Perignon, Stephane Nicolas Denn e François Alain Dossa. Em seguida, em 30/07/2008, temos novos Termos de transferência de ações (fls. 677) com transferências para Inês Claire Christine Marie Robin Merceau, Laurent Theva Thone Vann, Henfii Louis Marie Bonnet, Jean Yves Rene Bruna (todos uma ação cada) e principalmente o termo 3916 (fls.681) onde se transferem 55.062 ações do Banco Cacique, da CACIPAR para o SOCIETÉ BRASIL, constando a seguinte observação: 4 O Recorrente sustenta que os vendedores foram devidamente notificados. Citada notificação, pelo que se pode supor, está representada pelo documento de fls. 2.408, que, não obstante ter sido datado de 08 de março de 2007, não contém uma única indicação de que foi devidamente recepcionado pelos supostamente notificados, revelando se, assim, não hábil à comprovação pretendida. Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.681 30 "através do contrato de compra e venda de 25.02.2007, a CACIPAR alienou ao BANCO SOCIETÉ GENERALE BRASIL as 55.069 ações ordinárias pagas em 30/11/2007, processo aprovado pelo Banco do Brasil em 31/01/2008, DOU de 08/02/2008. Desse total a CACIPAR havia transferido aos Srs. Jean Francisco G R Gaultier, Stephane N Demon e Francois Alain Dossa (30/07/2007) e Ines C.C M Robins Merceau, Laurent TT Vahn e Henri L M Bonnet e Jean Yves Rene Bruna (30.07.2008) 1 (uma) ação cada, razão da transferência de 55.062 ações, preço da quitação da CACIPAR (R$88.372.854,00).” Observese então que já em julho/2008, antes das operações de reorganização societária de incorporações reversas sucessivas (primeiro a CACIPAR e segundo a TRANCOSO) as quais veremos a seguir, o BANCO CACIQUE já havia transferido a totalidade de suas ações para o SOCIETÊ BRASIL, sem uso inclusive de nenhuma empresa veículo. Se, como afirma a Fiscalização, a totalidade das ações do Recorrente já havia sido transferida para o SOCIÉTÉ BRASIL, a TRANCOSO, que, por deter 100% do capital da CACIPAR, detinha o controle indireto do BANCO CACIQUE, deixa de ter qualquer controle sobre o ora Recorrente. Não obstante, o PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE INCORPORAÇÃO da CACIPAR pelo Recorrente, datado de 29 de outubro de 2008 (e registrado em 26 de maio de 2009), assinala que a CACIPAR era titular de 55.062 ações do Recorrente. No que tange a tais incoerências, o Recorrente assinala: No mais, quanto aos equívocos identificados pela Fiscalização no que tange ao registro no Livro de Transferência de Ações do Banco Cacique, é de se frisar que tais registros não eram necessários sob a ótica da legislação comercial, uma vez que as transferências de ações por incorporações não dependem desses registros em livros. Isso porque os atos societários de incorporação produzem todos os efeitos necessários à transferência das ações. Ocorre, porém, que os registros destacados pela Fiscalização foram promovidos em data anterior ao processo de reorganização, merecendo, em razão disso, explicação mais densa acerca dos fatos retratados por ele, pois, do contrário, como é o caso, concorrem para robustecer a tese de que todo o processo de aquisição de empresa e incorporações sucessivas não tiveram propósito outro que não fosse o de antecipar os benefícios fiscais trazidos pela amortização do ágio. Cumpre notar que a utilização da expressão “antecipação do benefício” não pode aqui ser entendida como algo capaz de suscitar que, no caso vertente, estamos diante de mera antecipação de despesa, cujos efeitos tributários seriam meramente postergatórios. Não é isso, obviamente, eis que a antecipação do gozo do benefício tem por referência a baixa ou alienação do investimento por quem incorreu na despesa, ou a sua reorganização societária (art. 386 do RIR/99), eventos incertos sob o ponto de vista temporal, o que torna descabido falarse em postergação do pagamento do imposto. No que tange à ausência de qualificação da multa qualificada, penso que a autoridade fiscal revelouse conservadora na tipificação da conduta do Recorrente, eis que Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.682 31 limitouse a promover a glosa da despesa, não obstante ter carreado aos autos elementos autorizadores da exasperação da penalidade. Elemento confirmador da opção exercida pela autoridade autuante reside no fato de ela não ter percorrido o caminho da desconstituição dos efeitos jurídicos dos atos societários praticados, cingindose a desconsiderar, tãosomente, a redução das bases de cálculos das exações em razão da apropriação das despesas com ágio. Repiso, em respeito a reiterada argumentação expendida pelo Recorrente, que não cuidam os autos de desconstituição de atos jurídicos, mas, tãosomente, de glosa de despesas. No que diz respeito à alegação de que não existe norma capaz de impedir o Recorrente de realizar as operações ora apreciadas, mas, sim, permissivas, friso que a orientação dos julgados deste Colegiado tem sido dirigida no sentido de repudiar os efeitos tributários decorrentes de “planejamentos tributários” que, desprovidos de qualquer substância econômica, têm por propósito única e exclusivamente reduzir a base tributável das exações devidas, mitigando, assim, a sua verdadeira capacidade contributiva. Nessa linha, transcrevendo excertos da defesa apresentada pelo Recorrente, procurarei demonstrar que, em direção oposta às conclusões ali apresentadas, o pronunciamento feito por meio do acórdão nº 10323.290, respeitadas as peculiaridades do caso concreto ali apreciado, aplicase à presente situação. Afirma o Recorrente: [...] 263. Parece claro que no acórdão 10323.290 denominouse "veículo" a empresa criada apenas para possibilitar a realização das condições necessárias à dedução das despesas com a amortização do ágio. Ou seja, a criação de uma empresa "veículo", em todos os casos, era a única forma de se viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio gerado, sem que a adquirente, de fato, precisasse incorporar a adquirida. 264. Em suma, no caso analisado no acórdão 10323.290 fica evidente que as partes envolvidas diretamente na compra e venda não desejavam uma incorporação entre si. Para tanto criaram uma empresa veículo, de forma que o aproveitamento fiscal do ágio se tornasse possível com a incorporação dessa "veículo", não sendo necessária a incorporação entre adquirente e adquirida. 265. Ou seja, o comprador cria uma sociedade "veículo" para não se desviar de seu objetivo negocial e ao mesmo tempo aproveitar o beneficio fiscal do ágio, o que não seria possível sem a criação dessa nova empresa. 266. Parece evidente, assim, que o antigo Conselho de Contribuintes não admitiu a falta de propósito econômico da empresa "veiculo", vez que ela fora criada pelo comprador apenas e como única maneira de viabilizar o aproveitamento do benefício fiscal, sem que o comprador precisasse incorporar a empresa comprada. 267. Nessa linha, há que se destacar que não há qualquer similitude fática entre o caso narrado no acórdão mencionado e o caso tratado nos autos do presente processo.[...] Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.683 32 Segmentando cada uma das passagens acima reproduzidas, observo que o Recorrente retratou com maestria quadro que, em tudo, se assemelha ao refletido nos presentes autos, senão vejamos: “veículo a empresa criada apenas para possibilitar a realização das condições necessárias à dedução das despesas com a amortização do ágio”: representa exatamente a empresa MARIGANE PARTICIPAÇÕES LTDA. (TRANCOSO); “única forma de se viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio gerado, sem que a adquirente, de fato, precisasse incorporar a adquirida”: única forma de se viabilizar o aproveitamento do ágio gerado, sem que o SOCIÉTÉ BRASIL, de fato, precisasse incorporar a CACIPA; as partes envolvidas diretamente na compra e venda não desejavam uma incorporação entre si. Para tanto criaram uma empresa veículo, de forma que o aproveitamento fiscal do ágio se tornasse possível com a incorporação dessa "veículo", não sendo necessária a incorporação entre adquirente e adquirida: SOCIÉTÉ BRASIL e CACIPA não desejavam uma incorporação entre si. Para tanto criaram (adquiriram) a MARIGANE (TRANCOSO), de forma que o aproveitamento fiscal do ágio se tornasse possível com a incorporação dela (veículo), não sendo necessária a incorporação entre SOCIÉTÉ BRASIL e CACIPA; Ou seja, o comprador cria uma sociedade "veículo" para não se desviar de seu objetivo negocial e ao mesmo tempo aproveitar o beneficio fiscal do ágio, o que não seria possível sem a criação dessa nova empresa: Ou seja, o SOCIÉTÉ BRASIL cria (adquire) uma sociedade "veículo" (MARIGANE – TRANCOSO) para não se desviar de seu objetivo negocial e ao mesmo tempo aproveitar o beneficio fiscal do ágio, o que não seria possível sem a criação (aquisição) dessa nova empresa. Parece evidente, assim, que o antigo Conselho de Contribuintes não admitiu a falta de propósito econômico da empresa "veiculo", vez que ela fora criada pelo comprador apenas e como única maneira de viabilizar o aproveitamento do benefício fiscal, sem que o comprador precisasse incorporar a empresa comprada: Parece evidente, assim, que o antigo Conselho de Contribuintes não admitiu a falta de propósito econômico da empresa "veículo" (MARIGANE), vez que ela fora criada pelo comprador (SOCIÉTÉ BRASIL) apenas e como única maneira de viabilizar o aproveitamento do benefício fiscal, sem que o comprador (SOCIÉTÉ BRASIL) precisasse incorporar a empresa comprada (CACIPAR). A partir da exposição acima, a conclusão, me parece, não pode ser outra que não seja a de que a situação retratada no acórdão nº 10323.290, ao menos na parte reproduzida pelo Recorrente, guarda inteira similitude fática com a analisada no presente processo. Na linha dos pronunciamentos da Comissão de Valores Mobiliários – CVM (Nota Explicativa à Instrução CVM nº 349/01), o uso de empresaveículo visando o aproveitamento antecipado do benefício fiscal trazido pelo art. 7º da Lei nº 9.532/97, distorce a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Em que pese o fato de que, no presente caso, a operação de compra ter se dado entre terceiros independentes, resta evidente que a interposição da empresaveículo na referida operação buscou, apenas, viabilizar a amortização do ágio incorrido, sem que a efetiva adquirente precisasse, para tanto, incorporar a empresa adquirida. Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.684 33 Analisar a questão posta nos autos sob ângulos distintos no que tange à aquisição e à reorganização societária (aquisição da CACIPAR pela SOCIÉTÉ BRASIL, com posterior incorporação), me parece fora de propósito, eis que o julgador deve levar em conta os fatos efetivamente ocorridos. Irrelevante, assim, para fins de interpretação dos atos praticados pela Recorrente, o fato de o resultado final pretendido poder também ser obtido por meio de procedimentos diversos dos retratados nos autos. Na tentativa de demonstrar ter havido propósito negocial justificador da aquisição da empresa MARIGANE (TRANCOSO) e, posteriormente, da reorganização empreendida, o Recorrente discorre acerca da doutrina que trata da matéria (propósito negocial). Nesse sentido, apresenta, como elemento justificador de todo o processo do qual o ágio glosado emergiu, o fato de que a aquisição de uma instituição financeira por outra já existente, assim como de uma empresa por outra já existente (em atividade há muito tempo, com uma série de obrigações já assumidas), é muito mais complexa do ponto de vista de documentação necessária, certidões e registros obrigatórios, do que a aquisição por meio de uma empresa criada para esse fim. Alega ainda: Não bastasse isso, é de se frisar que a criação da Trancoso deuse dentro do cenário de expansão da presença do Société no segmento específico de crédito consignado no Brasil, tendo sido de todo conveniente para o Société, naquele momento, sob uma perspectiva de mercado, contar com uma empresa de participações (holding) para deter diretamente a participação na CACIPAR, tanto para segregar de maneira mais clara e transparente as atividades do Société (mais abrangentes, com foco em banco de investimento, pelas quais o Société já era amplamente conhecido e respeitado) daquelas do Banco Cacique, focadas em crédito consignado, quanto para a realização de outras atividades que o Société poderia desejar fazer no País. A exposição, com o devido respeito, apenas corrobora a ausência de justificativa referenciada pela decisão recorrida, eis que, sendo a CACIPAR uma holding e detendo ela o controle do Banco Cacique, toda a estratégia desejada pelo SOCIÉTÉ poderia ter sido empreendida a partir da aquisição direta da CACIPAR, revelandose absolutamente desnecessária a intervenção da TRANCOSO no processo. Nesse contexto, merece reparo o argumento do Recorrente de que estabelecer o “propósito negocial” como fundamento para análise da dedutibilidade da despesa com ágio significa considerálo fato gerador de obrigação tributária sem a respectiva previsão em norma geral e abstrata. Com efeito, como reiteradamente afirmado, aqui, não se está diante de glosa de despesa calcada na desconsideração de negócio jurídico (fundamentada em ausência de propósito negocial), mas, sim, de desconsideração de elemento subtrativo na determinação das bases de cálculo das exações examinadas em virtude da constatação de fatos impeditivos da dedutibilidade pretendida. Neste particular, ganha relevo a ausência de comprovação da fundamentação econômica do ágio (rentabilidade futura) antes apreciada. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.685 34 As considerações acerca das operações realizadas pelo Recorrente (aquisição da MARIGANE TRANCOSO; aquisição da CACIPAR; incorporações da CACIPAR e da TRANCOSO) constituem meros instrumentos de reforço à imputação feita pela Fiscalização, vez que reveladoras do artificialismo que serviu de suporte para a redução dos resultados tributáveis. O Recorrente fala em “inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CLL, da despesa com a amortização de ágio”. Contudo, não se trata, à evidência, de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda, senão vejamos: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] Esquece a Recorrente que, não obstante a reiterada referência à despesa, a amortização de ágio tratada no presente processo decorre de benefício fiscal introduzido pelo art. 7º da Lei nº 9.532/97 e, como tal, deve ser interpretada restritivamente. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentidos diversos, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.686 35 incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.687 36 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário unicamente para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.688 37 Voto Vencedor Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Com a devida vênia ao bem fundamentado voto do Ilustre Relator, ouso dele divergir em relação à matéria Despesas de Amortização de Ágio, eis que, entendo, encontrase em consonância com a legislação de regência, seja em relação ao Laudo de Avaliação efetuado com base na rentabilidade futura, seja em relação a utilização da chamada “empresa veículo”, senão vejamos. Com relação ao argumento despendido pelo Nobre Relator relativo a inexistência de laudo de avaliação que suporte a rentabilidade futura da Cacipar, entendo eu que está mais que provado nos autos que referido ágio decorreu do valor econômicofinanceiro do BANCO CACIQUE, elaborado por UBS Pactual anterior ao contrato celebrado entre o Société Générale com os “Vendedores” (Maria Yolanda Cerqueira Coimbra, Cesário Coimbra Neto, Sérgio Coimbra e Daniela Cerqueira Coimbra) das quotas do capital da Cacipar (25/02/2007), estudo este denominado de PROJECT HARLEY (fls. 2366/2407 dos autos). De se registrar que posteriormente (julho de 2008), para respaldar o estudo acima, foi elaborado um relatório produzido pela empresa KPMG Corporate Finance Ltd. (fls. 629/667), que tomou por base o laudo elaborado no Project Harley, confirmando o ágio apurado com base na expectativa de rentabilidade futura do Grupo Cacique, tendo sido estes documentos trazidos novamente por ocasião do julgamento, agora devidamente traduzidos para o vernáculo. De fato, da análise de tais documentos, não paira qualquer dúvidas de que o Recorrente atendeu às formalidades da legislação que regula a amortização de ágio no Brasil, inclusive, e principalmente, no que diz respeito a autoria da elaboração do Laudo de Avaliação pelo UBS Pactual, bem como o período de sua concepção, anterior à celebração do contrato – 25/02/2007, razão pela qual não merece prosperar a manutenção da glosa do ágio amortizado pelo Recorrente, sob o fundamento da inexistência de laudo que sustente a expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, o Recorrente carreou aos autos ainda Parecer do Profesor Eliseu Martins, acerca dos fatos discutidos nos presentes autos, no qual o eminente professor atesta que: “(...) restou provada a existência de dois documentos que justificavam a classificação do ágio como derivado da expectativa de rentabilidade futura: um emitido no mês da assinatura do contrato de compra, ou seja, fevereiro de 2007, e outro em outubro de 2008, quando começou o processo de dedutibilidade fiscal da amortização desse ágio.”. Logo, entendo perfeitamente provado que o ágio apurado na aquisição da empresa Cacipar, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, encontrase acobertado por estudo elaborado pelo Banco UBS Pactual em fevereiro de 2007, e ratificado em julho de 2008, por laudo de avaliação elaborado pela empresa KPMG Corporate Finance Ltd., e sendo assim, afasto os argumentos despendidos pela fiscalização no sentido de que tal Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.689 38 ágio, pago em 30/11/2007, não foi resultante da Rentabilidade Futura, uma vez que o demonstrativo exigido por lei como comprovação desta rentabilidade, apresentado pelo contribuinte, foi elaborado posteriormente a referida data, em julho de 2008, com base em balanço levantado em 31/12/2007, ambas as datas posteriores ao pagamento do referido ágio, o que, como visto acima, não ocorreu. Com relação a alegação do Ilustre Relator de que o processo de aquisição de empresa e incorporações sucessivas não tiveram propósito outro que não fosse o de antecipar os benefícios fiscais trazidos pela amortização do ágio, inclusive com a utilização da chamada “empresa veículo” constituída para esse fim, com a devida “vênia”, ouso dele novamente discordar, eis que a criação de empresas, bem como a sua extinção por incorporação, envolvendo uma controlada e controladora, independe de qualquer motivação econômica ou financeira, pois está na órbita exclusiva da decisão dos sócios. Por estas razões não faz o menor sentido a motivação que levou o auto de infração considerar ter ocorrido um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica “na aproximação dos interessados” relativamente à incorporação de modo a possibilitar a dedução do ágio. A razão econômica da incorporação está exatamente no fato de que, com a incorporação, a autuada passou a ter o direito, sponte sua, de amortizar o ágio pago na privatização, tendo sido esta a conduta abarcada e induzida pelo ordenamento, por intermédio das regras estipuladas no artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. 5, sendo bastante comum em direito societário para se alcançar determinado efeito, não prosperando, portanto, o argumento de que a real motivação da incorporação foi a utilização do benefício fiscal previsto na lei. Ora, a motivação não há que ser, necessariamente, econômica, podendo ser de qualquer ordem, desde que verdadeira, sendo, portanto, repito, fora de propósito a alegação fiscal de que não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados, mormente quando não há no ordenamento pátrio tal figura. Como é sabido, a alienação ou extinção de participação societária implica resultado operacional (ganho ou perda de capital), em cuja apuração influencia o ágio que compôs o preço da respectiva aquisição. 5 Ricardo Mariz de Oliveira, em trabalho intitulado ”Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e dos deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária”, publicado no livro “Direito Tributário Atual nº 23” , editado em 2009 pela Dialética, destaca que o espirito da norma dos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 é que a dedução da amortização do ágio (fundamentado na rentabilidade futura) em razão da absorção da pessoa jurídica a que se refira é que ele seja considerado juntamente com os lucros da atividade a que se refere. E assenta: “Em suma, no contexto dos art. 7º e 8º é essencial que haja absorção de patrimônio por via de incorporação, fusão ou cisão, de maneira a reunir ágio ou deságio e lucro numa única pessoa jurídica. É por isso mesmo – por ser acontecimento inerente ao tratamento objetivado pela lei – que a reunião das pessoas jurídicas é coisa natural e não deve ser vista com a desconfiança que tem caracterizado alguns procedimentos fiscais, a qual é totalmente descabida quando efetivamente tenha ocorrido uma aquisição com ágio, eis que o passo subsequente inevitável, previsto na lei, é a incorporação, fusão ou cisão das pessoas jurídicas investidora e investida. É ainda por isso que, nesses casos, se torna irrelevante como se processa a reunião das duas pessoas jurídicas, para o que a lei abre inúmeras alternativas, e nem mesmo é prejudicial aos efeitos da lei que essa reunião tenha se realizado em curto ou longo prazo, podendo mesmo efetivarse no pr´prio dia da aquisição do investimento.” Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.690 39 Para fins fiscais, nos casos de extinção de participação societária decorrente de incorporação, fusão ou cisão, o art. 34 do Decreto 1.598/77 (art. 430 do RIR/99) somente permitia a dedução como perda de capital da diferença entre o valor contábil registrado pelo investidor e o acervo incorporado, avaliado a preço de mercado, pois a mesma representava perda efetiva do custo de aquisição do investimento. Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda. Por sua vez, a Lei nº 9.532/97 alterou essa norma em relação aos casos de aquisição com ágio e posterior incorporação, fusão ou cisão. Nessa hipótese, em se tratando de ágio com fundamento na rentabilidade futura, o legislador admitiu sua amortização à razão de sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (artigo 386, III, do RIR/99). Essa norma tornou irrelevante, para fins fiscais, a avaliação de acervo líquido quando existente ágio ou deságio, e criou prazo mínimo para a amortização, como forma de evitar o ganho fiscal imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento imediato da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido. De se verificar também que independentemente do caminho trilhado pelas empresas envolvidas, tanto a Incorporada como a Incorporadora, sem infringir a legislação fiscal, poderiam beneficiarse da dedutilibidade do ágio pago na aquisição, porquanto, os dois caminhos alternativos (incorporação direta ou mediante uso de empresa veículo) não resultariam em carga tributária diferente, sendo descabido falar em falta de disposição expressa no ordenamento para a opção por um ou por outro e/ou espaço de tempo utilizado nessas operações, não havendo, portanto, que se falar em abuso de direito para se obter o benefício fiscal. De se pontuar que a inserção da figura do abuso de direito no campo tributário, como fator justificativo da ineficácia dos atos praticados perante o fisco, ligase a situação em que há uma redução da carga tributária (compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva). Invocar o abuso de direito para considerar ineficaz a conduta frente ao fisco só se justifica se essa conduta houver sido determinante para redução da carga tributária (compromisso da capacidade contributiva). E isso não ocorreu no caso concreto pois, como visto, a carga tributária seria mesma, quer a incorporação fosse direta, quer se desse por meio da empresa veículo, sendo impertinente também para justificar o lançamento, pois pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros. No caso, não se materializou excesso frente ao direito tributário, eis que não houve prejuízo da Fazenda, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo. Pelas razões expostas, sou pelo provimento do recurso quanto a esta matéria (Despesas com Amortização de Ágio). É como voto. Valmir Sandr, Redator Designado. Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.691 40 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Tendo acompanhado o voto divergente, em que pese o bem fundamentado voto do ilustre Relator, tendo em vistas as nuances que a matéria relativa à amortização de ágio suscita, julgo oportuno externar as razões de meu convencimento neste caso. Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, entendo ser necessário tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. A primeira observação que faço referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 6 Portanto, a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 246 Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.692 41 fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. O segundo aspecto a ser observado referese aos fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômico tributários que o justificassem” 7 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a criar um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. 7 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.693 42 São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real, caracterizandose a simulação em sua vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado. As principais características desses arranjos societários simulados são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum; a criação ou aquisição de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de qualquer outra finalidade nas operações, que não a geração do ágio; operações formais realizadas em curto espaço de tempo (geralmente menos de um ano); incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio, no meu entendimento, há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (mesmo que com bens ou direitos); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pelas empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido. Outro aspecto que costuma aparecer nas operações de envolvendo o pagamento de ágio, é a compra ou criação, pela empresa investidora, de outra empresa, que sob seu controle direto recebe o aporte de capital e efetua a aquisição das quotas ou ações da empresa investida. Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.694 43 Em momento posterior, essas empresas geralmente são incorporadas (incorporação reversa) pela investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A justificação econômica, na maioria das vezes, é de que as investidoras não têm interesse em fundirse diretamente com a empresa investida, seja por motivos estratégicos, financeiros ou mesmo operacionais, como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca. Assim, para viabilizar a amortização do ágio constituem estas empresas intermediárias para a aquisição do investimento. Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago não exista óbice para tal operação, pois se não há vício na formação do ágio o seu aproveitamento posterior, nos termos da previsão legal, deve ser respeitado pelo Fisco. Aqui, segundo entendo, encontrase o espaço legal para que o contribuinte, dentro de sua liberdade negocial e de autoorganização, realizar a operação nos moldes que melhor atendam os seus interesses, inclusive levando em conta a que lhe propicie maior economia fiscal. Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto. Do exame das operações realizadas, entendo que, desta feita, restou evidenciado que não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. No presente caso o Banco Societé Brasil, por meio de uma empresa controlada (Trancoso), adquirida especificamente para esse fim, adquiriu o controle da empresa Cacipar, anteriormente convencionada entre o Banco Societè e os sócios da empresa vendedora. A operação envolveu a efetiva capitalização da empresa Trancoso no montante de R$ 930.523.599,00. Uma vez capitalizada, a empresa Trancoso efetuou a aquisição da empresa Cacipar, mediante o pagamento de R$ 888.372.854,00 aos sócios controladores da vendedora. A empresa Trancoso registrou em sua contabilidade como custo do investimento o valor de R$ 317.809.235,11 e ágio de R$ 570.563.618,89. Na mesma data, a Trancoso promoveu um aumento de capital na Cacipar, no valor de R$ 37.000.000,00, registrando o valor como custo do investimento. Na sequência, em 30 de julho de 2008, a CACIPAR transferiu a totalidade de suas ações do BANCO CACIQUE para o SOCIÉTÉ BRASIL. E, em 31 de outubro de 2008, por meio de Assembléia Geral Extraordinária do BANCO CACIQUE, são aprovados os protocolos de incorporação das empresas CACIPAR e TRANCOSO (referidas aprovações só foram registradas na Junta Comercial em 23 de abril de 2009), momento a partir do qual o ágio pago pela TRANCOSO passou a ser amortizado pelo Recorrente. O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração do controle societário da empresa vendida. A fiscalização apontou uma série de questionamentos formais ao negócio entabulado, tais como: ausência de deliberação interna no Grupo Societé visando transferir a aquisição do investimento por meio da empresa Trancoso; ausência de notificação do Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.695 44 vendedor, estabelecida no contrato de compra e venda, quanto à cessão de direitos; erros e inconsistências no Livro de Transferência de Ações do Banco Cacique. Entendo que não obstante tais aspectos formais não são suficientes para invalidar a conclusão de que ocorreu o pagamento de um ágio na aquisição de um participação entre partes não relacionadas. O fato de o negócio ter sido entabulado pela Banco Soceté Brasil e efetivado por meio de um empresa controlada, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Ainda que não tenha existido a notificação prévia é certo que os vendedores não se opuseram, tanto que celebraram a venda. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado, ainda que evidentemente estruturada com vistas a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. A dúvida que me ocorreu durante os debates foi quanto à comprovação do fundamento econômico do ágio. No curso da ação fiscal a fiscalizada havia apresentado um laudo de avaliação elaborado pela empresa KPMG em 1998, tendo como referência demonstrações financeiras de dezembro de 2007, ou seja, posterior ao negócio que se concretizou em 30/11/2007, no qual se atestava o valor econômico da empresa com base na sua rentabilidade futura. Na ausência de outro elemento de comprovação este foi um dos motivo pelos quais a fiscalização efetuou a glosa do ágio, pois inexistia comprovação do fundamento econômico do ágio na data do negócio. Na fase litigiosa a recorrente trouxe ao autos outro estudo, elaborado por UBS PACTUAL, em língua inglesa, elaborado em fevereiro de 2007, como elemento adicional de comprovação do fundamento econômico do ágio pago. Tendo em vista a ausência de tradução do documento e de outros aspectos relacionados ao seu conteúdo e autenticidade a turma julgadora, em sessão anterior, havia resolvido converter o julgamento em diligência para que a recorrente apresentasse tradução juramentada do documento, apresentasse documentação que possibilitasse aferir a data e os responsáveis pela elaboração do estudo e, ainda, esclarecesse o significado da expressão Project Harley na capa do documento. A recorrente trouxe aos autos a tradução juramentada do estudo e de diversas correspondências eletrônicas entre o Banco Societé e representantes da UBS Pactual, demonstrando as tratativas no sentido da elaboração de avaliação do Banco Cacique, com vistas a uma possível aquisição pelo Grupo Societé. Esclareceu ainda que a expressão Project Harley foi utilizada pelo UBS Pactual para designar o estudo de aquisição das empresas do grupo Cacipar, destacando referências expressas ao Banco Cacique SA e à Cacique Promotora de Vendas S/A, nas páginas 4 e 6 do Laudo elaborado pelo UBS. Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.696 45 Examinando os documentos, entendo que, de fato, o laudo elaborado pela empresa KPMG não pode servir de base à definição do fundamento econômico do ágio pago, posto que elaborado em momento posterior à concretização do negócio e, ainda, tomando por base demonstrações financeiras levantadas também após a realização da aquisição. A sua elaboração após a formalização das operações societárias que deram ensejo ao surgimento do ágio, impede, por questão lógica, que seja este o documento hábil para informar o fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio, tendo em vista o disposto no § 3º do art. 385 do RIR/1999. Resta evidente, pela leitura do dispositivo, que a demonstração do fundamento deve ao mínimo ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Se a legislação atual não estabelece a forma dessa demonstração, é possível deduzir do dispositivo legal que essa demonstração deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Não se trata, portanto, de inferir que o fundamento do ágio seja outro motivo econômico; tratase sim de ônus probatório do sujeito passivo com vistas a possibilitar a futura amortização do ágio pelo fundamento alegado. Não obstante, entendo que a recorrente se desincumbiu razoavelmente de demonstrar que o estudo realizado pelo Banco UBS Pactual era autêntico e anterior ao negócio realizado e, ainda, apontou o valor econômico estimado para o investimento a ser concretizado, com base na projeção de sua rentabilidade futura, compatível com o valor pago. Do exame da documentação juntada na diligência, entendo que resta comprovado o vínculo do documento com o negócio realizado, não apenas por meio das correspondências apresentadas, trocadas entre o Grupo Societé e o Banco UBS Pactual, como na citação textual no estudo das empresas Banco Cacique SA e à Cacique Promotora de Vendas S/A, que formavam o grupo Cacipar. À corroborar a existência do estudo, anterior ao negócio, encontrase a citação feita no próprio Termo de Verificação Fiscal (fl. 1632 do eprocesso), de Nota Explicativa nos Balanços do Banco Societé Brasil, que menciona a existência do ágio em decorrência da aquisição do Grupo Cacipar, que teria sido suportado com base em avaliação econômicofinanceiras de empresa especializada contratada para o exercício findo de 2007 e complementada por outra avaliação para o exercício financeiro de 2008. O estudo foi baseado, segundo a nota, na metodologia de Fluxo de Dividendos Descontados, ou seja, a mesma empregada na análise do Banco UBS Pactual. Assim, entendo que a despeito de tal documento não ter sido apresentada na etapa investigatória, o que se constituiu, sem dúvida, em motivo suficiente para a realização do lançamento, tendo em vista os elementos aportados aos autos na fase litigiosa e, em respeito ao princípio da verdade material, restou comprovada a fundamentação econômica do ágio pago, com base na rentabilidade futura projetada para o investimento. Com isto, restaram configuradas: a existência de motivação econômica para a operação, a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação, a existência de efetivo pagamento do ágio (baseado em laudo de avaliação de empresa especializada) e, a modificação no controle da empresa adquirida. Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16327.001743/201034 Acórdão n.º 1301001.505 S1C3T1 Fl. 3.697 46 Pelo exposto, do ponto de vista estritamente fiscal, entendo que a operação societária realizada vai ao encontro dos dispositivos legais, que permitiam ao contribuinte beneficiarse do ágio pago, mediante a sua amortização mensal na base de 1/60 avos. Por estas razões, acompanhei o voto divergente, no sentido de dar provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmen te em 24/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720062/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações não têm o condão de suprir as provas mencionadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa odontológica no valor de R$ 50.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi De Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações não têm o condão de suprir as provas mencionadas. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.720062/2012-44
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448346
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.684
nome_arquivo_s : Decisao_10166720062201244.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10166720062201244_5448346.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa odontológica no valor de R$ 50.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi De Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5880560
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703249747968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 119 1 118 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720062/201244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.684 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente MAURA PEDROSO GONCALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações não têm o condão de suprir as provas mencionadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesa odontológica no valor de R$ 50.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 62 /2 01 2- 44 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi De Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Relatório Em 06/12/2011, foi emitida Notificação de Lançamento (fls.6/12) referente ao anocalendário 2007, contra a recorrente em epígrafe, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Brasília. O crédito tributário apurado pela autoridade fiscal foi de R$ 26.882,79, sendo R$ 12.600,33 referente ao Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, R$ 9.450,24 de multa de ofício (75%) e R$ 4.832,22 juros de mora (calculados até 29/12/2011). O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução Indevida de Previdência Oficial (glosa no valor de R$ 6.953,30), Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi (glosa no valor de R$ 39.000,00) e Dedução Indevida de Despesas Médicas (glosa no valor de R$ 57.970,72). Regularmente intimada, a contribuinte não comprovou as deduções. Após a ciência da Notificação de Lançamento em 20/12/2011 (fls. 51), apresentou impugnação, protocolada em 04/01/2012 (fls. 03/04), acompanhada de documentação. Argumenta a recorrente que a previdência oficial corresponde ao recolhimento de contribuinte individual (código 1007) e que a contribuição à previdência privada observa o limite legal permitido. Com relação às despesas médicas, afirma que estas são dela própria, que sempre teve recursos suficientes para custeio das despesas próprias e, como profissional liberal, utiliza muitos dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, pagos em espécie, para arcar com essas despesas próprias. Observa que no ano calendário 2006 declarou dinheiro em espécie no valor de R$ 60.000,00. A DRFJ afirma (fls.59) que uma das despesas apresentadas pela recorrente com plano de saúde – AMBr Associação Médica de Brasília, no montante de R$ 6.158,40 (fls. 29/30), referese à contribuinte, como titular, e aos seus dois filhos, Mauro Pedroso Gonçalves e Valério Pedroso Gonçalves. Contudo, a contribuinte não os arrolou como dependentes em sua DIRPF/2008 e nem poderia, salvo em caso de incapacidade física ou mental de algum deles, uma vez que estes contavam com 26 e 27 anos respectivamente à época do ano calendário. Isso posto, restabeleceuse a despesa relativa à própria contribuinte, no valor de R$ 2.906,56, mantendose a glosa do valor remanescente, por se referir a não dependentes para fins de imposto de renda. Com relação à infração de dedução indevida de previdência privada, a DRJ acatou a manutenção das deduções com previdência oficial pela comprovação dos Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720062/201244 Acórdão n.º 2201002.684 S2C2T1 Fl. 120 3 recolhimentos à previdência oficial (GPS) feitos ao longo do ano calendário 2007 no valor total de R$ 6.953,30 (fls. 15/26). Decidiu também a DRJ pelo cancelamento da glosa de R$ 39.000,00 referente à contribuição de previdência privada, visto ter a recorrente comprovado, mediante apresentação de comprovante emitido pelo Bradesco Vida e Previdência (fls. 31), o devida dedução no anocalendário 2007. Assim, foi devidamente respeitado o limite previsto no § 2º do art. 74 do Decreto 3.000/99. Por fim, a DRFBJ afastou as preliminares argüidas e julgou procedente em parte a impugnação, restabelecendo as deduções com previdência oficial (R$ 6.953,30), previdência privada (R$ 39.000,00) e de parte das despesas médicas (R$ 4.719,03). Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário (fls. 67/71) com vistas a obter a reforma do julgado, reafirmando os argumentos já trazidos por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Dedução indevida de despesas médicas odontológicas A validade dos recibos e declarações deve ser avaliada apenas em virtude do que dispõe a lei, conforme exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250/95, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não podem ser fundadas exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados. Com base nos enunciados legais acima apontados, passo à análise dos recibos glosados pela autoridade fiscal. De acordo com a DRJ, os recibos de fls. 33, trazidos para comprovar o pagamento declarado a João Luiz Souza Bernardes, no valor total de R$ 50.000,00, não cumprem os requisitos mínimos exigidos na legislação. Nos termos do voto condutor, a descrição genérica “tratamento odontológico” em recibos de valores tão expressivos, como R$ 20.000,00 e R$ 10.000,00 em 2007, não especifica ou comprova o pagamento, nos termos do inciso III do art. 8 do Decreto 3.000/99, transcrito linhas acima. Tampouco os recibos trazem o Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 nome do beneficiário desses serviços, indo ao encontro do inciso II do mesmo artigo. Por último, os documentos não contam com o número de registro do odontólogo no conselho profissional competente (CRO). Em meu entendimento, a boafé se presume e a máfé se comprova. Meras ilações subjetivas ou até mesmo o "senso comum" a respeito da natureza do serviço prestado ou do meio de pagamento utilizado, não podem servir para restringir a dedutibilidade de despesas cuja finalidade é a de conferir à base de cálculo do imposto seu real perfil constitucional de tributação pessoal sobre acréscimos patrimoniais. Ademais, consta na DIRPF (anocalendário 2007, fl. 47) da recorrente, informação a respeito de valores em espécie (R$ 60.000,00), mantidos no anocalendário anterior, aptos a suportar despesas nesse montante, cujo dispêndio, aliás, foi devidamente declarado, inclusive com a indicação do respectivo profissional. Consta, ainda, declaração apresentada pelo profissional prestador às fls. 72 e 73 dos autos, que trata em detalhes o tratamento realizado na recorrente, cuja avaliação a respeito do valor ou do grau de complexidade foge por completo da competência deste órgão recursal. Ainda que juntado apenas na fase recursal, à fl. 74 consta declaração do dentista, que em conjunto com os recibos de fls. 33, constam, nome, endereço, CPF do dentista, número de inscrição no órgão profissional e indicação do beneficiário e do tratamento detalhado realizado. O fato da declaração ter sido juntada apenas na fase recursal, não impede o seu reconhecimento, por força da verdade material e do formalismo moderado. Nesse sentido CARF, 2a. Seção 2a Turma Especial, AC.: 2802002.155: DOCUMENTOS TRAZIDOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. FORMALISMO MODERADO. Conhecese de documentos trazidos em sede recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. Assim reconheço a dedutibilidade das despesas com o profissional João Luiz Souza Bernardes, no valor de R$ 50.000,00. Neste sentido, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ACÓRDÃO: 9202003.159: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720062/201244 Acórdão n.º 2201002.684 S2C2T1 Fl. 121 5 Demais despesas médicas Os documentos de fls. 13/14 comprovam o pagamento do plano de saúde GEAP no valor de R$ 1.812,47, em benefício da contribuinte. Como corretamente afirmado pela DRJ, as despesas com plano de saúde – AMBr Associação Médica de Brasília, no montante de R$ 6.158,40 (fls. 29/30), referese à contribuinte, como titular, e aos seus dois filhos, Mauro Pedroso Gonçalves e Valério Pedroso Gonçalves. Contudo, a contribuinte não os arrolou como dependentes em sua DIRPF/2008 e nem poderia, salvo em caso de incapacidade física ou mental, uma vez que estes contavam com 26 e 27 anos respectivamente à época do ano calendário objeto da autuação. Isso posto, restabelecida a despesa relativa à própria contribuinte pela DRJ, no valor de R$ 2.906,56, é de se manter a glosa do valor remanescente, por se referir a não dependentes para fins de imposto de renda. Não acolho o pedido de redução da multa, com fundamento na Súmula CARF n. 2, e por se tratar de multa de ofício aplicada de acordo com a legislação vigente, sem agravamento, ao contrário do afirmado pelo recorrente em sede de Voluntário. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a dedutibilidade das despesas médico/odontológicas, no valor de R$ 50.000,00, referente ao profisional João Luiz Souza Bernardes. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator designado. Em que pese o respeito e admiração que tenho pelo ilustre relator, vou me permitir divergir de seu posicionamento, apenas em relação à comprovação da despesa odontológica no valor total de R$ 50.000,00. O art. 8º da Lei nº 9.250/1995 dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Vejase: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Por sua vez, o § 1º do art. 73 do Decreto nº 3000/1999, assim estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Do exposto, depreendese que cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Primeiramente, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, tais como radiografias, exames, laudos médicos, etc. Portanto, como ocorre no presente caso, a simples declaração do suposto prestador de serviço, João Luiz Souza Bernardes, fl. 74, não têm o condão de comprovar a efetividade da prestação de serviço. Portanto, em conformidade com o § 3° do art. 11 do Decretolei n° 5.844/1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29, do Decreto 70.235/1972: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A experiência comum assim aconselha que não é razoável que não exista qualquer tipo de comprovante de desembolso de pagamentos de despesas odontológicas no valor de R$ 50.000,00. Nesse passo, diferentemente do entendimento do Relator, penso que o simples recibo, ainda que acompanhado de declaração do suposto prestador de serviço, não é Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720062/201244 Acórdão n.º 2201002.684 S2C2T1 Fl. 122 7 hábil para comprovar a efetividade da prestação de serviço. Sobre a matéria já manifestou este Conselho Administrativo, consoante as ementas transcritas: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 10244154/2000) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998) IRPF DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas. (Acórdão 10246489) Portanto, a validade da dedução de despesa médica depende da comprovação da prestação dos serviços ou do efetivo dispêndio do contribuinte e, como não foram carreadas aos autos essas provas, não há como restabelecer a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Ante ao exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004674/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE.
Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE. Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10530.004674/2008-12
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448338
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.845
nome_arquivo_s : Decisao_10530004674200812.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10530004674200812_5448338.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5880498
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703272816640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.004674/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.845 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PRÓMATRE DE JUAZEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REQUISITOS. PREENCHIMENTO. OBRIGATORIEDADE. VIGÊNCIA A ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. ATO CANCELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMUNIDADE. Havendo descumprimento dos requisitos dos incisos IV e V, devidamente constatados pela autoridade fiscal, a qual em processo administrativo regularmente procedido determinou o cancelamento do ato declaratório anterior, cabe o lançamento das contribuições que deixaram de ser recolhidas dentro do prazo decadencial. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 46 74 /2 00 8- 12 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004674/200812 Acórdão n.º 2403002.845 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1529.129 – 5ª Turma da DRJ/SDR, fls. 119/129, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.147.8847, referente ao período de 12/2003 a 12/2007, no valor de R$ 507.011,98 (quinhentos e sete mil, onze reais e noventa e oito centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições devidas à Terceiros, no período de 07/2007 a 12/2009, pelo fato de ter sido cancelada a isenção de contribuições previdenciárias e a empresa não ter regularizado os débitos, conforme Relatório Fiscal, fls. 46/50: 3 – CANCELAMENTO DE ISENÇÃO O ato declaratório 04024/001/2000 concede isenção de contribuições sociais junto ao INSS, nos termos do § 1, do art. 55, da lei 8.212/91, com atendimento dos requisitos formais constantes nos incisos I e II do citado art.; Para verificação do atendimento às condições descritas nos incisos III, IV e V foi iniciada auditoria fiscal em 12/08/2003, oportunidade em que foi constatado o descumprimento dos incisos IV e V, do art. 55, da lei 8.212/91,apresentando Informação Fiscal para o cancelamento da isenção; O contribuinte apresentou defesa tempestiva requerendo a Improcedência da Informação Fiscal; A Seção de Análise de Defesa e Recursos decidiu procedente o Cancelamento da Isenção a partir da competência 11/2002, em 18/3/2004; O contribuinte recorre da decisão da decisão, remetendo suas razões à apreciação do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS; O relator do processo vota “pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO” seguido pela unanimidade dos membros da Segunda CRPS. 4 Com o cancelamento da isenção o contribuinte passa à obrigatoriedade de recolhimento das Contribuições Sociais à Previdência Social na sua totalidade. No entanto o contribuinte, ao arrepio da decisão de cancelamento, nada manifestou no sentido de regularizar os débitos decorrentes, seja recolhendo ou parcelando as diferenças, seja retificando a GFIP com a necessária alteração do código FPAS 639 relativo a entidade filantrópica isenta para o 515 relativo a exploração comercial da atividade de saúde dentre outras não abrangidas pela isenção. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5 IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO – Esta auditoria levantou as informações declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, em levantamento próprio sob a denominação GFI – Remuneração declarada em GFIP, relativo às parcelas decorrentes das remunerações pagas, deduções aproveitadas e contribuições à Seguridade Social de segurados a serviço do contribuinte; DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 56/84. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, prolatou o acórdão 1529.096, de fls. 163/173, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 PRELIMINAR.. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA Somente serão considerados nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/1972. Ausentes, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DIVERSO DAQUELE ONDE ESTABELECIDO O CONTRIBUINTE. ART. 10 DO DECRETO 70.235/1972. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. O local de verificação da falta, estabelecido pelo caput do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, tanto é o próprio estabelecimento do contribuinte – onde aquela, em tese, teria sido praticada – ou outro qualquer, inclusive na própria repartição fiscal, onde apurada (verificada) a ocorrência da irregularidade. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Só há necessidade de perícia para elucidação de fato que depende de conhecimento especial. Não caracteriza cerceamento de defesa o indeferimento de diligência ou perícia, consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ALEGAÇÃO ABSTRATA. A mera alegação abstrata e sem qualquer elemento de prova não é suficiente para a desconstituição do lançamento tributário. Não há fundamento fático que autoriza alteração ou cancelamento do lançamento original. CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004674/200812 Acórdão n.º 2403002.845 S2C4T3 Fl. 4 5 A discussão acerca do cancelamento da isenção se deu em processo administrativo próprio, apartado do Auto de Infração. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o reexame dos motivos que ensejaram o ato cancelatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, PRO MATRE DE JUAZEIRO, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 177/210, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A conexão deste processo com os autos da Informação Fiscal nº 04.024.0/0001/2004; 2 – A suspensão desse Auto de Infração e de seu respectivo feito até o julgamento definitivo da ação ordinária nº 2006.33.05.001452; 3 – A nulidade do Acórdão recorrido, seja em razão de não terem sido devolvidos à recorrente seus Livros Razão e Diário do Período fiscalizado, seja em razão do não apensamento do presente Auto de Infração aos autos da Informação Fiscal 04.024.0/0001/2004 4 – Que seja, em razão do indeferimento das provas requeridas pela recorrente, determinada a remessa dos autos à instância a quo; 5 – Que seja declarada a nulidade do Auto de Infração impugnado, por ter sido lavrado na DRF em Feira de Santana e não na DRF em Juazeiro. 6 – Que seja declarado improcedente o AI em face da imunidade/isenção da recorrente. 7 – Que o termo inicial para cobrança só se dê a partir de quando for definitivamente julgada a ação ordinária nº 2006.33.00.001452, ou a partir de quando a recorrente foi intimada nos termos da r. decisão exarada pela Informação Fiscal nº 04.024.0/0001/2004, ou para retirar os excessos de cobrança, ou para declarar que a ilegalidade das multas, ou para que sejam excluídas as multas aplicadas É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 302, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Como se mostrará a seguir, a isenção de que trata o art. 55, da Lei 8.212/91, isenta as entidades apenas da cota patronal, não se aplicando as demais, como a contribuição à Terceiros, de que tratam os presentes autos. Contudo, tendo em vista a relação deste processo com o de nº 10530.004673/200860 faço as seguintes considerações. O contribuinte apresentou extenso recurso voluntário com histórico analítico dos fatos processuais ocorridos no decorrer do procedimento de cancelamento do ato declaratório de isenção e afirma que aquela decisão não pode subsistir. Haja vista que não houve descumprimento dos incisos VI e V do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. Em razão disso, farseá breve anotação com relação a imunidade condicionada constante na Constituição Federal. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004674/200812 Acórdão n.º 2403002.845 S2C4T3 Fl. 5 7 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004674/200812 Acórdão n.º 2403002.845 S2C4T3 Fl. 6 9 Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Dessa forma, percebese que é obrigatório para reconhecimento do gozo da imunidade, o preenchimento de todos os requisitos acima, no entanto, no caso concreto, restaram desobedecidos os incisos IV e V, quais sejam: IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Afirma o recorrente que caberia a este colegiado também analisar a materialidade da questão que decorreu no cancelamento do Ato Declaratório. Ocorre que o tema já fora debatido exaustivamente no âmbito administrativo e, mesmo que houvessem provas no presente processo, suficientes à análise de que ele requer, essa a matéria não poderia ser analisada, uma vez que o próprio contribuinte confessa que ajuizou Ação Ordinária de n. 2006.33.05.0014520, na qual, à época da interposição de Recurso Voluntário, estava pendente de julgamento de Apelação interposta pelo próprio recorrente, em face da sentença judicial que negou o seu pleito. Dessa forma, entendo que há atração da Súmula 01 do CARF, de observância obrigatória por parte deste conselho, já que no processo judicial, que pretende ver anulado o ato declaratório, está sendo analisado em última instância, as mesmas alegações de mérito do descumprimento dos incisos IV e V do art. 55 da Lei 8.212/91 aqui trazidas. Logo, entendo que não merece provimento o recurso voluntário neste ponto. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DO RECORRENTE Ultrapassado o mérito da questão da imunidade, o recorrente afirma que só podem ser cobrados tributos quando forem definitivamente julgados processo administrativo 10530.002786/200669 e Ação Ordinária 2006.33.05.0014520, ou a partir de quando foi intimada da decisão final exarada na Informação Fiscal n. 04.024.0/0001/2004, argumento tal que não procede. Como se sabe, o ato que cancela o Ato Declaratório de gozo da imunidade, é de natureza meramente declaratória e retroage ao tempo da verificação do ato que culminou no descumprimento dos requisitos legais para tanto. A partir disso, tem a administração pública o prazo decadencial para lançar os tributos que o contribuinte deixou de recolher em razão da errônea informação de que determinada pessoa jurídica estava à margem da incidência do tributo. Logo, deve ser observado o art. 150, parágrafo 4º do CTN ou mesmo o art. 173, II do mesmo codex. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Verifico que o sujeito passivo foi cientificado por via postal, com Aviso de Recebimento, fl. 62, em 27/12/2008 e o período cobrado é de 12/2003 a 12/2007, não havendo que se falar, portanto, em decadência, por quaisquer dos critérios do CTN. Também afirma que a base de cálculo foi utilizada a maior e a recorrente não conseguiu fazer contraprova por cerceamento do direito de defesa. Ocorre que a base de cálculo sob exigência foi apurada pela própria contribuinte, em GFIP, e, no caso de as bases ali declaradas serem diversas da realidade, teve o contribuinte a oportunidade de juntar aos autos as provas necessárias para tanto, no decorrer do presente processo administrativo, não o tendo feito, não necessitando de diligência ou perícia para tanto. Com relação aos juros aplicados, esta matéria é pacífica no âmbito deste conselho administrativo, sumulado no verbete n. 04, de observância obrigatória por parte deste conselheiro, razão pela qual, também não merece provimento o alegado. DA MULTA APLICADA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.004674/200812 Acórdão n.º 2403002.845 S2C4T3 Fl. 7 11 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004247/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria converter o julgamento em diligencia nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Robson Bayerl
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS PRESIDENTE
ÂNGELA SARTORI - RELATORA
Participaram do julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.004247/2006-53
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430585
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-000.884
nome_arquivo_s : Decisao_10280004247200653.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10280004247200653_5430585.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria converter o julgamento em diligencia nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Robson Bayerl JULIO CÉSAR ALVES RAMOS PRESIDENTE ÂNGELA SARTORI - RELATORA Participaram do julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5826618
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703278059520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.004247/200653 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.884 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2015 Assunto IPI Recorrente TAPAJOS TIMBER COM IMP. E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria converter o julgamento em diligencia nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Robson Bayerl JULIO CÉSAR ALVES RAMOS – PRESIDENTE ÂNGELA SARTORI RELATORA Participaram do julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.393, de 13 de dezembro de 1996, referente ao I o trimestre de 2001. Em sua análise, a DRF/Belém inicialmente ressalta a impossibilidade de realização de diligência pelo Serviço de Fiscalização daquela Unidade, em virtude de liminar concedida pela Justiça determinando a apreciação do pleito em trinta dias, motivo pelo qual teria ela mesmo adotado a providência de solicitar uma série de documentos e informações para melhor instrução do pleito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 04 24 7/ 20 06 -5 3 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 6 2 Em exame nos documentos apresentados, a DRF/Belém destaca que na descrição dos produtos nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores à empresa interessada madeiras serradas para exportação não constam suas dimensões, impedindo a comparação com a mercadoria exportada, cujo documento fiscal é expedido com dimensões definidas. Além disso, as notas dos fornecedores já indicariam que as mercadorias seriam destinadas ao exterior, hipótese em que não estariam compreendidas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Prossegue a Unidade ressaltando a ausência de livro de apuração de IPI obrigatório para estabelecimentos industriais e equiparados, o que leva a crer na inexistência de operação de industrialização por parte da empresa interessada, sendo outro indício o fato de, na DIP J/2002 da interessada, constar na ficha 04A o custo de mercadorias revendidas e não o custo de produção de fabricação própria, e as Linhas 04A/02 e 04A/03 da mesma ficha, onde deveriam estar inseridas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, estarem com valor zero. Aduz ainda que no Contrato Social da empresa não consta a previsão do exercício da atividade industrial. Outro ponto ressaltado pela Unidade diz respeito aos lançamentos no Livro Registro de Entrada da empresa, onde constam os Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) de "compras para comercialização"'' e "compras para o ativo imobilizado", não havendo registros sob o código que se referem às compras para industrialização. De igual modo, no Livro de Registro de Saídas estão registrados códigos que discriminam, p. ex., "vendas de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros para o mercado externo'", "outras saídas e/ou prestações de serviços não especificadas para o mercado nacional dentro do próprio estado'", "vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para o mercado nacional para outro estado'", inexistindo qualquer escrituração sob o código referente às "vendas de produção do estabelecimento para o mercado externo". Alerta ainda que os códigos presentes nas notasfiscais de venda da empresa interessada estão de acordo com registrado o Livro de Registro de Saídas, não havendo documentos com o código de vendas para o mercado externo de produção própria. Diante da análise acima, a DRF/Belém concluiu que a operação realizada foi de revenda de mercadorias, não tendo havido industrialização e nem incidência do PIS/Pasep e da Cofins nas operações de aquisição das madeiras, razões pela qual foi indeferido o/pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPÍ. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 7 3 Em sua manifestação de inconformidade, a empresa alega preliminarmente que a verificação do direito se fez sem a devida instauração de "procedimento fiscalizatório” ficando evidenciada a ausência dos pressupostos para consubstanciar o indeferimento do pleito, em total desrespeito à lei, tendo em vista que o ato administrativo sujeitase aos princípios da legalidade e tipicidade. Segue afirmando que: "As normas disciplinadoras do processo administrativo fiscal estabelecem expressamente os requisitos e condições para a análise e decisão sobre os pleitos do contribuinte, fundamentais à sua validade, destacando, dentre esses, análise fática e aprofundada da matéria e dos pedidos formulados pelo contribuinte, não podendo resumirse a simples informação do agente, mas sim a robustos e concretos elementos comprobatórios da existência ou inexistência do Crédito pleiteado." (grifos no original), para asseverar que o convencimento do agente fiscalizados deve, por disposição legal, fundarse em previa diligência fiscal, não tendo sido o caso do procedimento adotado pela DRF/Belém, fato que levaria à nulidade da decisão. Argumenta que o agente fiscal teria realizado uma verificação superficial, não juntando provas de suas alegações, resumindose a conjecturar elementos e fatos que retirariam o seu direito. Ainda em sua preliminar, a interessada solicita a anulação da decisão com virtude da análise dos documentos não ter sido feita por contador previamente habilitado no CRC, caracerizando incapacidade técnicofiscal do agente. No mérito, defende sua condição de empresa industrial exportadora uma vez que fabrica produtos conforme definição constante do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do 1PI (Ripi/2002), descrevendo seu processo produtivo, que vai da compra e secagem da madeira, passando pelo beneficiamento propriamente dito refilamento e destopo até a embalagem para exportação. Ao apreciar individualmente os argumentos indicados pela Unidade, a interessada justifica, quanto à descrição dos produtos nas notasfiscais do fornecedores, ser esta "irrelevante para identificação da ocorrência ou não de subsequente processo de industrialização", uma vez que o processo "abarca não só o produto acabado, mas também a industrialização intermediária", reforçando que "se a descrição do produto trouxesse a identificação de produto não acabado, o que não é o caso, ainda assim isto não significa que não sofrerá ele nova industrialização". Fl. 430DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 8 4 Salienta que a descrição trazida na nota faz referência ao tipo de madeira (tipo exportação) e não ao seu destino (para exportação), conforme teria entendido o agente fiscal, e que a descrição indicando que o bem destinase à exportação atende exigência da legislação estadual para suspensão do ICMS. Sobre a inexistência do Livro de Apuração do IPI, argumenta que por ser exportadora estaria imune ao imposto, deixando de apurar débitos e créditos, estando também "dispensada pela legislação da confecção daquele livro uma vez que seria inóquo", acrescentando que, ainda que assim não fosse, a falta de registro não descaracterizaria sua condição de industrial, tratandose apenas de descumprimento de obrigação acessória. Acrescenta que tal argumento não merece crédito em virtude da inexistência de provas, pois a falta da diligência fez o auditor decidir com base em presunções. Quanto à não indicação dos seus custos de produção na DIPJ, alega que houve erro de preenchimento, que seria detectado caso houvesse a diligência. Da mesma forma, alega erro no fato do seu contrato social não prever a atividade industrial, defendendo que isso não poderia retirar sua condição de industrial. No que diz respeito à inexistência de aquisição de insumos para industrialização dentre os lançamentos no Livro Registro de Entradas, novamente alega erro. que não retiraria sua condição de industrial, justificativa também utilizada para a ausência nos lançamentos do Livro Registro de Saídas do código de registro de exportação de produção do estabelecimento, e para a presença nas notasfiscais do código de venda para o exterior de mercadoria adquirida no mercado externo. Por fim, aproveita para requerer a atualização monetária do seu crédito e caso o presente julgamento não se convença do seu direito, a realização de perícia contábil com a abertura de prazo para a formulação de quesitos por parte da impugnante. A DRJ decidiu em síntese ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Fl. 431DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 9 5 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.° 9.363, de 1996, é condicionado à comprovação de que os produtos exportados foram efetivamente industrializados pela empresa, com a utilização dos insumos para tal adquiridos. Solicitação Indeferida.” O processo foi distribuído para o Segundo Conselho. Em Resolução o processo foi baixado em diligencia pelo Segundo Conselho de Contribuintes. No entanto, no Relatório fiscal ficou claro que foi improfícua a localização do contribuinte, portanto não houve o cumprimento da referida diligência. Após o retorno da Unidade de origem, sorteado o processo para minha relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Angela Sartori O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, trata de retorno de diligência que foi determinada para que fossem procedidas as seguintes providências: (i) retificação nos livros Reg. de Entradas e de Saídas; (ii) escrituração do Livro Reg. Apuração de IPI; (iii) nova análise nos cálculos do montante ora pleiteado e; (iv) ainda se a unidade de origem entender devidas considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa. Por fim, a interessada deveria ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, se manifestar a respeito, trazendo as informações consideradas indispensáveis para o deslinde da lide. Ocorre que, apesar de esforços da unidade de origem a intimação postal não restou frutífera, conforme exposto: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 10 6 “...Foram improfícuas as tentativas de localização do contribuinte no seu domicílio fiscal, mesmo por via postal. Constatouse que a PJ encontrase inativa desde o anocalendário de 2009 (vide relação de DIPJ’s em anexo). Por esta razão, a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal se deu por Edital (Edital Eletrônico nº 000645759, em anexo), em 24/07/2014. 3) Esgotado o prazo concedido ao contribuinte para apresentação do Livro Registro de Entradas (retificado), do Livro Registro de Saídas (retificado) e do Livro Registro de Apuração do IPI, sem que o mesmo tenha se manifestado, consideramos não cumprida a condição para a realização de nova análise dos cálculos do Crédito Presumido do IPI pleiteado, motivo pelo qual deixamos de fazela...” Ocorre que o CARF, entretanto, tem se manifestado, no sentido de que a intimação por edital somente pode ser considerada válida, nos casos em que o Fisco esgotar, na tentativa de dar ciência ao Contribuinte de determinado ato, todas as demais formas de intimação previstas no Decreto nº 70.235/72. In casu, a Contribuinte interpôs defesa/manifestação de inconformidade, por meio de procurador específico (Sr. Sidnei Vogel), o qual foi analisada e teve seu mérito parcialmente reconhecido no sentido de ser estabelecimento industrial merecedor do crédito de IPI, desde que a diligência acima fosse fielmente cumprida. Assim, a cientificação infrutífera feita por edital dos termos da diligência solicitada, resulta em prejuízo incontestável e irreparável à Recorrente, pelo que se requer o esgotamento de todas as tentativas de localização da Recorrente e do responsável e procurador, sob pena de vício do procedimento fiscal. Perfilhando deste entendimento, segue decisão da primeira seção do CARF: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA DE TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. FALTA DE NOTIFICAÇÃO AO RESPONSÁVEL PERANTE O FISCO.Não sendo localizado o contribuinte pelos Correios no endereço constante dos cadastros da Receita Federal do Brasil e não comprovado que a repartição local deste órgão intentou todos os meios para dar ciência do Termo de Início de Fiscalização à empresa, inclusive com a comunicação ao responsável perante o Fisco, é de ser considerada precipitada a notificação por edital, não ocorrendo a ciência da notificação, mormente quando comprovado que a pessoa jurídica encontravase inativa, os sócios intimados não mais residiam em seus endereços e que em auditoria da CSLL, do PIS e da COFINS realizada meses depois foi dada ciência com facilidade à pessoa física responsável perante a Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Primeira Seção Acórdão nº 1202000.733 Data da Decisão 16/03/2012 Data de Publicação 01/11/2012). Fl. 433DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004247/200653 Resolução nº 3401000.884 S3C4T1 Fl. 11 7 Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para intimar a empresa no endereço dos sócios, para apresentar suas considerações, no prazo de 30 dias. Angela Sartori Relator Fl. 434DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908251/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2001
PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2001 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10850.908251/2011-48
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429149
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.919
nome_arquivo_s : Decisao_10850908251201148.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10850908251201148_5429149.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5823238
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703281205248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 3 1 2 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.908251/201148 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.919 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente GREEN STAR PECAS E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2001 PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 51 /2 01 1- 48 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração fevereiro de 2001, no valor de R$ 257,31. O pedido foi transmitido através do PER nº 19803.77694.271205.1.2.043946, fls. 2/4, em 27/12/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 45/46). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 6 4 Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 199/201 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Fevereiro de 2001 no valor de R$.853,30 e, observado que o valor recolhido foi de R$.671,87 (fls.198), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 199/201 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição do PIS devida para o mês de Fevereiro de 2001 no valor de R$.853,30 e, observado que o valor recolhido foi de R$.671,87 (fls.198), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição do PIS do mês de Fevereiro de 2001, recolhido em 15/03/2001, no código 8109, no valor original de R$.257,31 (Duzentos e Cinquenta e Sete Reais e Trinta e Um Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 19803.77694.271205.1.2.043946, transmitida em 27/12/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 10 8 Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 11 9 c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de Contribuição para o PIS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.908251/201148 Acórdão n.º 3801004.919 S3TE01 Fl. 12 10 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000584/2002-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Compensação Saldo Negativo de IRPJ. Dedução do IRRF
As disposições legais são claras ao determinar que a totalidade dos rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação na respectiva declaração do ano em que auferidos, não cabendo ao contribuinte eleger quais rendimentos serão oferecidos ou não a tributação. Irrelevante, para o reconhecimento do direito creditório, o fato de o contribuinte não se utilizar de todo o valor das retenções sofridas como dedução na apuração final do imposto. Esse procedimento não garante a obtenção do reconhecimento apenas da parcela do IRRF utilizada na referida dedução.
Numero da decisão: 1801-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Compensação Saldo Negativo de IRPJ. Dedução do IRRF As disposições legais são claras ao determinar que a totalidade dos rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação na respectiva declaração do ano em que auferidos, não cabendo ao contribuinte eleger quais rendimentos serão oferecidos ou não a tributação. Irrelevante, para o reconhecimento do direito creditório, o fato de o contribuinte não se utilizar de todo o valor das retenções sofridas como dedução na apuração final do imposto. Esse procedimento não garante a obtenção do reconhecimento apenas da parcela do IRRF utilizada na referida dedução.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13851.000584/2002-14
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441209
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-002.280
nome_arquivo_s : Decisao_13851000584200214.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 13851000584200214_5441209.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5860040
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703284350976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000584/200214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.280 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de março de 2015 Matéria Compensação Recorrente FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF As disposições legais são claras ao determinar que a totalidade dos rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação na respectiva declaração do ano em que auferidos, não cabendo ao contribuinte eleger quais rendimentos serão oferecidos ou não a tributação. Irrelevante, para o reconhecimento do direito creditório, o fato de o contribuinte não se utilizar de todo o valor das retenções sofridas como dedução na apuração final do imposto. Esse procedimento não garante a obtenção do reconhecimento apenas da parcela do IRRF utilizada na referida dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 05 84 /2 00 2- 14 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A contribuinte acima identificada apresentou, em 15/04/2002, formulário de Pedido de Restituição de IRRF incidente sobre aplicações financeiras no anocalendário 2001, no valor de R$ 510.070,14, cumulado com Pedido de Compensação de débitos de PIS e COFINS. A DERAT do Rio de Janeiro/RJI, converteu o pedido em Declaração de Compensação, nos termos da lei, e baixou todos os PERDCOMP relacionados ao crédito para tratamento manual nestes autos. Dessa forma, ao analisar o pleito, consignou que o IRRF somente poderia ser considerado como dedução do imposto devido e, assim, tratou de verificar o respectivo saldo negativo do período, composto unicamente de IRRF, no valor de R$ 750.482,75. Nesse sentido consignou que nos informes de rendimentos financeiros foi consignado um rendimento total de R$ 2.453.662,88 com R$ 490.732,54 de retenções, mas que tais informações não foram confirmadas nos sistemas internos da SRF sistema DIRF. Segundo aquela autoridade consulta pelo enfoque do "declarante" apresentou valores diferentes do informe de rendimentos, com um rendimento bruto auferido de R$ 5.702.562,37 e R$ 1.140.512,42 de IRRF. Por conta de tais divergências o indébito foi considerado ilíquido e incerto e o pleito foi indeferido mediante o não reconhecimento do direito creditório e não homologação das compensações declaradas. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão prolatada em 27/04/2007, acompanhada de documentos, cujas razões de defesa podem ser assim sintetizadas: Que demonstrou, quando formalizou o pedido, através do informe de rendimentos, a retenção de IRRF no valor de R$ 490.732,54 por parte da fonte pagadora Bank Boston Banco Múltiplo S/A; O fato de as informações não constarem no sistema da Receita Federal por falhas incorridas pela própria fonte pagadora não poderia impedir a sua restituição; Que poderiam ser comprovados todos os valores declarados a título de IRRF na DIPJ, anocalendário de 2001, conforme relação que apresentou totalizando R$ 750.482,75 Que, de fato, teria declarado na ficha 06 A, linha 21, da DIPJ, o valor de R$ 1.231.685,82; menor que o efetivamente auferido, sendo esta a razão das divergências apontadas pela Administração Tributária, Que, além desse valor, teria declarado na mesma ficha, linha 24, a quantia de R$ 4.128.419,42, o que demonstraria, de forma inequívoca o oferecimento à tributação de montante suficiente para comportar as retenções, cuja restituição pleiteia. A DRJ no Rio de Janeiro/RJI solicitou diligência objetivando que a autoridade tributária se pronunciasse sobre os valores a título de IRRF descritos na tabela. Em Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13851.000584/200214 Acórdão n.º 1801002.280 S1TE01 Fl. 3 3 resposta, foi elaborado um resumo das divergências que foi contestado pela interessada, depois de devidamente intimada do seu resultado. Em relação ao resultado da diligência, assim se pronunciou a interessada: Os valores correspondentes aos rendimentos auferidos e ao IRRF encontrados no Sistema SIEF/DIRF seriam maiores do que aqueles declarados na sua DIPJ os quais, por sua vez, seriam maiores do que aqueles informados em seu pedido de restituição/compensação; Foi pleiteada restituição/compensação apenas de uma parcela do saldo negativo de IRPJ que apurou no anocalendário de 2001, no valor histórico de R$ 490.732,54, em relação ao qual foi devidamente comprovada a respectiva retenção na fonte pelo Banco Múltiplo S/A; Já no que diz respeito às diferenças entre os valores declarados na DIPJ e os encontrados no Sistema SIEF, os quais podem, inclusive, ter origem em fatores alheios à vontade da Requerente, como por exemplo informações equivocadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF, é importante destacar que, independentemente de tais divergências, o fato é que a Requerente faz jus à restituição/compensação do crédito pleiteado; Isto porque, como se pode perceber no próprio quadro preparado pela autoridade, a Requerente ofereceu à tributação montante mais do que suficiente para comportar as retenções, cuja restituição está sendo pleiteada. Notese que o valor encontrado a título de IRRF no sistema SIEF foi de R$ 1.584.647,08, ou seja, muito superior ao valor do crédito de R$ 490.732.54. A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu a manifestação de inconformidade ao fundamento de não terem sido oferecidos à tributação a totalidade dos rendimentos auferidos pela empresa no ano de 2001. Cientificada da decisão, em 21/05/2008 apresentou, a interessada, recurso voluntário contra aquela decisão, no qual reproduz os argumentos de defesa deduzidos na manifestação de inconformidade e no adendo do resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 De acordo com o que consta dos autos os Correios extraviaram o AR com a data do recebimento, pela recorrente, da decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, e nenhuma outra informação foi disponibilizada pela empresa de correios nesse sentido. Diante da ausência dessa informação e para não prejudicar o direito de defesa da parte, tenho por tempestivo o recurso e dele tomo conhecimento. Tratase de Declaração de Compensação pela qual pretende, a empresa recorrente, o reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001 (conversão do pedido de restituição de IRRF sobre aplicações financeiras), no valor de R$ 510.070,14. Em breve resumo o pedido foi indeferido porque a empresa não ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos auferidos no referido ano de 2001, o que foi admitido pela própria recorrente em várias oportunidades. A recorrente entende, a seu turno, que apesar de não ter oferecido à tributação a totalidade dos rendimentos, tributou receitas financeiras em valor suficiente a amparar as retenções que deram origem ao pedido de restituição de IRRF, convertido em saldo negativo de IRPJ. A defesa, contudo, equivocase. As disposições legais são claras ao determinar que a totalidade dos rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação na respectiva declaração do ano em que auferidos. Não cabe ao contribuinte eleger quais rendimentos serão oferecidos ou não a tributação. Não há essa faculdade. E, também, pouco importa se o contribuinte não se utiliza de todo o valor das retenções sofridas como dedução na apuração final do imposto. Esse procedimento não garante ao contribuinte que obtenha o reconhecimento apenas da parcela do IRRF utilizada na referida dedução. E não há exceções à regra. Em face do não oferecimento à tributação da totalidade das receitas auferidas pela recorrente no período, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907500/2011-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10850.907500/2011-88
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429140
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.913
nome_arquivo_s : Decisao_10850907500201188.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10850907500201188_5429140.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5823203
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703308468224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 3 1 2 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907500/201188 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.913 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente GREEN STAR PECAS E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2000 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 75 00 /2 01 1- 88 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração julho de 2000, no valor de R$ 24,16.. O pedido foi transmitido através do PER nº 39736.71652.090605.1.2.047210, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 6 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 179/181 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Julho de 2000 no valor de R$.13.721,72, e observado que o valor recolhido foi de R$.11.204,52 (fls.177), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 179/181 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Julho de 2000 no valor de R$.13.721,72, e observado que o valor recolhido foi de R$.11.204,52 (fls.177), concluímos que o recolhimento foi insuficiente.” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Julho de 2000, recolhido em 15/08/2000, no código 172, no valor original de R$.24,16 (Vinte e Quatro Reais e Dezesseis Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 39736.71652.090605.1.2.047210, transmitida em 09/06/2005 (fls.2/4). A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 10 8 dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.907500/201188 Acórdão n.º 3801004.913 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
