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Numero do processo: 16682.720819/2011-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. PROVISÃO E DESPESA. TRATAMENTO JURÍDICO DISTINTO.
Sem que exista similitude fática entre o acórdão paradigma, que mantém lançamento por glosa de despesa indedutível, e o acórdão recorrido, que cancelou auto de infração que havia determinado a adição de provisão à base de cálculo da CSLL, não é conhecido o recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Adriana Gomes Rego, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. PROVISÃO E DESPESA. TRATAMENTO JURÍDICO DISTINTO. Sem que exista similitude fática entre o acórdão paradigma, que mantém lançamento por glosa de despesa indedutível, e o acórdão recorrido, que cancelou auto de infração que havia determinado a adição de provisão à base de cálculo da CSLL, não é conhecido o recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Adriana Gomes Rego, que conheceram do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 19 /2 01 1- 66 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 630 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 423 e segs.) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1201000.830 (efls. 412 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/07/2013, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte (TELEMAR NORTE LESTE S/A). Resumo Processual Tratase de auto de infração de CSLL (efls. 197/213), em razão da falta de adição à base de cálculo da CSLL de despesas de amortização de ágio, decorrentes da aquisição de investimento com sobrepreço, que foram aproveitadas pela Contribuinte no ano calendário de 2007. Em razão da nova apuração da base de cálculo, também foram lançadas de ofício multas isoladas por insuficiência/falta de recolhimento de estimativa mensal. Foi apresentada impugnação (efls. 259/276) que foi julgada improcedente pela DRJ (efl. 303/322). A Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 326/642), tendo a Turma Ordinária do CARF decidido no sentido de darlhe provimento (efls. 412/421). Foi interposto recurso especial pela PGFN (efls. 423/433). O despacho de exame de admissibilidade de efls. 477/450 deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 456/478). A seguir, maiores detalhes das fases inquisitória e contenciosa. Autuação Fiscal Transcrever excerto do Termo de Verificação Fiscal (efls. 199) para delinear o contexto da autuação: 2.2 Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL Fl. 630DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 631 3 Conforme registrado acima, o contribuinte foi intimado a Informar a razão da não adição na apuração da base de cálculo da CSLL, A/C 2007, do valor adicionado na apuração do Lucro Real, A/C 2007, a título de "Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL", informado na linha 11, Ficha 09 A, da DIPJ2008, no montante de R$ 137.192.761,82. Este valor é referente às seguintes transações: a) Ágio decorrente da aquisição da empresa Pégasus Telecom S/A Em 27 de dezembro de 2002, a empresa Telemar adquiriu 93,27% das ações da empresa Pégasus Telecom, sendo que no decorrer do 1e Trimestre de 2003 ocorreu a aquisição dos demais 6,73%, totalizando 100% do controle acionário. Sobre esta aquisição incorreu ágio, sendo este mantido registrado em consideração às expectativas de rentabilidade futuras decorrentes de avaliações econômicofinanceiras realizadas por terceiros, as quais apontam ganhos de sinergias entre as operações da TMAR e da Pégasus. O ágio decorrente da operação acima, foi amortizado na proporção de 1/60 avos, cujas parcelas, no ano calendário 2007, atingiram o montante de R$ 84.096.095,22, conforme consta do razão da conta contábil de ativos n.e 13120128 em contra partida a conta de despesa n.e 41600000. b) Ágio decorrente da aquisição da empresa TNL PCS S/A Em 30 de maio de 2003, a empresa Telemar adquiriu 99,99% da empresa TNL PCS S/A. Desta operação, o valor pago foi superior ao valor contábil, gerando um ágio justificado economicamente pela "mais valia" do ativo imobilizado, suportado por laudo de avaliação de empresa técnica especializada. Este ágio, decorrente da operação acima, foi amortizado na proporção de 1/77 avos, cujas parcelas, no ano calendário 2007, atingiram o montante de R$ 53.096.666,60, conforme consta do razão da conta contábil de ativos n.2 13120124 em contra partida a conta de despesa n.Q 41600000. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que não procedeu com a adição deste montante à base de cálculo da CSLL por não existir Lei que imponha a realização de tal ajuste. (...) Relativamente à amortização das parcelas que compõem o ágio/deságio, o atual Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto ns 3.000/1999, não prevê esta possibilidade. Ao contrário, o art. 391 do RIR/99 dispõe que as contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426. A única possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e na apuração da base Fl. 631DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 632 4 de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido está prevista no art. 386 que dispõe sobre o tratamento tributário do ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão. Portanto, mesmo que as normas contábeis recomendem a adoção deste procedimento contábil, a amortização das parcelas do ágio/deságio contabilizadas a débito/crédito do resultado não é dedutível na apuração do lucro real ou na apuração da base de cálculo da contribuição social. Os valores amortizados das parcelas de ágio/deságio deverão ser adicionadas/excluídas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido no período em que forem contabilizados, devendo ser registrados na parte B do LALUR, e similar da CSLL para dedução na apuração do lucro real e na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando da realização, baixa ou alienação do investimento detido pela controlada. (...) Em relação à CSLL o regramento não é diferente, de sorte que afastada a possibilidade de serem despesas/receitas efetivamente incorridas, essas amortizações constituem provisões, contempladas como ajustes por adição/exclusão conforme art.2º, §1º, "c", item 3, da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90: Os artigos 2º e 13 da Lei nº 9.249/95 também vedam a dedução, conforme suas transcrições: (...) Outros dispositivos legais também dispõem sobre a determinação da base de cálculo da CSLL: Lei nº 8.981/95, com redação dada pela Lei nº 9.065/95: (...) Instrução Normativa SRF nº 93/97: (...) Instrução Normativa SRF nº 390/2004: (...) Temos também farta jurisprudência que trata do assunto. Seguem algumas decisões a título de exemplo: Decisão SRRF/8ãRF/DISIT Ns333/2000: A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL. O valor amortizado deverá ser controlado para fins de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. No caso de alienação ou liquidação de investimento, o valor Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 633 5 amortizado pode ser excluído, e o valor contábil para efeito de determinar o ganho de capital será determinado como disposto no art. 426 do RIR/1999. Decisão SRRF/6aRF/DISIT Ns109/2001: O ágio resultante do desdobramento do custo de aquisição de participação societária avaliada pelo Patrimônio Líquido deve estar precisamente fundamentado. As contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art. 385 do RIR/99, decorrentes de desdobramento do custo de aquisição de participação societária avaliada pelo Patrimônio Líquido, não serão computadas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Dispositivos Legais: artigos 385 e 391 do RIR/1999. Assim, por considerar indevido o procedimento da Contribuinte, que, ao aproveitar contabilmente a despesa de ágio relativo a investimento adquirido, não efetuou a contrapartida (adição) na determinação da Base de Cálculo da CSLL, vez que, no caso concreto, não se consumou a ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 426 (alienação do investimento) e 386 do RIR/99 (incorporação, fusão ou cisão do investimento), foi lavrado o auto de infração, para adicionar à Base de Cálculo da CSLL os valores amortizados. Em razão da adição à base de cálculo da CSLL, foram apuradas insuficiências no recolhimento da estimativa mensal, que foram lançados de ofício, para o ano calendário de 2007. Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 259 e segs), que foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, nos termos do Acórdão nº 12542 (efls. 303 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. As contrapartidas da amortização do ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido não serão computadas na apuração do lucro real. MULTA ISOLADA. MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. A multa de ofício aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do anocalendário, é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 634 6 lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. Foi interposto recurso voluntário (efls. 326 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 09/07/2013. Decidiu o Acórdão nº 1201000.830 (efls. 412 e segs) dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 IRPJ E CSLL. BASES DE CÁLCULO. AJUSTES. DISTINÇÃO. Não há identidade entre os ajustes ao lucro líquido previstos na legislação do IRPJ e da CSLL para fins da determinação das bases de cálculo desses tributos. A identidade estabelecida pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo, que pode ser com base no lucro líquido trimestral, com base no lucro líquido anual ou com base no lucro presumido. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 423/433). Discorre que as figuras de ágio e deságio surgiram de lei de natureza fiscal (Decretolei nº 1.598, de 1997), e não de uma norma específica de contabilidade. Entende que o ágio amortizado somente integraria a apuração do IRPJ em duas situações, (1) na hipótese do inciso II do art. 386 do RIR/99 incorporação, fusão ou cisão e (2) hipótese do art. 33 do Decretolei nº 1.598, de 1997 alienação ou liquidação do investimento. E, nos presentes autos, só se poderia fundamentar a dedução da despesa com a aplicação do art. 386 do RIR/99. Assim, restaria verificar se tal dispositivo se aplicaria à apuração da CSLL. No caso da contribuição social, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não haveria que se falar em tal renúncia fiscal. Assim, a dedutibilidade na CSLL da despesa com ágio não é possível porque não há norma que preveja a sua adição (RIR/99), mas sim porque não há previsão legal que autorize o aproveitamento de despesa para fins de CSLL. A dedução na apuração da base de cálculo de um tributo deve ser amparada em dispositivo expresso na lei (o que não é o caso), e não em ausência da lei, sob pena de afronta ao art. 111 do CTN. Ao final requer pela reforma da decisão recorrida e restabelecimento da autuação fiscal. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 447/450 deu seguimento ao recurso da PGFN. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (efls. 456/478). Protesta sobre os acórdãos paradigmas apresentados pela recorrente, entendendo que não se mostrariam aptos a caracterizar a divergência necessária para o seguimento do recurso, por trataram de situações fáticas completamente distintas do caso em análise. No mérito, entende que deve ser mantida a amortização do ágio da base de cálculo da CSLL, vez que a legislação fiscal não determinou a sua adição. Subsidiariamente, caso vencida, pugna pelo afastamento da multa isolada de estimativa mensal, por ter sido lançada após o final do anocalendário e por ser concomitante com a multa de ofício. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 635 7 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tratase de recurso especial da PGFN, que foi admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de efls. 447/450. A matéria em litígio diz respeito a amortização contabilizada pela Contribuinte, relativa a despesa de ágio decorrente de sobrepreço pago na aquisição de dois investimentos. No caso, a Contribuinte amortizou o ágio, o que reduziu o montante tributável de CSLL. A discussão é se deveria ou não ter sido realizada a adição na Base de Cálculo da CSLL, vez que os investimentos que deram causa ao ágio não foram objeto de alienação, e tampouco estiveram envolvidos em eventos de absorção de patrimônio (cisão, fusão ou incorporação). A regra da adição ao Lucro Real, visando a neutralidade do lançamento contábil de amortização de ágio, também teria repercussão na Base de Cálculo da CSLL? A decisão recorrida entendeu que não, primeiro por entender não se tratar de provisão, e segundo amparandose na interpretação de que o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, referese à forma de apuração do IRPJ e da CSLL eleita pelo sujeito passivo (que deve ser a mesma para o imposto e a contribuição), e não teria desdobramento no que se refere a dedutibilidade de despesas. Irresignada, a PGFN interpôs recurso especial, apresentado dois paradigmas, nº 130200.834 e 1301001.067, contra os quais se insurge a Contribuinte em contrarrazões, aduzindo a ausência de similitude fática em face da decisão recorrida. Passemos à apreciação dos dois paradigmas. Primeiro, em relação ao Acórdão nº 130200.834. A ementa sobre a matéria foi a seguinte: CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limitase à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. No caso do paradigma, a amortização do ágio deuse no contexto de operações societárias que envolveram evento de absorção de patrimônio, previsto no art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. De fato, é uma situação decorrente de um evento que não ocorreu nos presentes autos. Nos autos do paradigma, ocorreu a aquisição do patrimônio, com ágio Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 636 8 contabilizado pela investidora. Na sequência, o investimento adquirido com ágio foi objeto de evento no qual ocorreu comunicação de patrimônio entre a empresa investida e outra empresa. A partir desse momento deuse o aproveitamento do ágio. Nos presentes autos, o único evento é o da aquisição do patrimônio, com ágio contabilizado pela investidora. A diferença é que a investidora passou a amortizar o ágio contabilmente, e não efetuou a adição na Base de Cálculo da CSLL para neutralizar a base tributável. Mas não é o suficiente para se concluir pela impossibilidade de divergência na interpretação tributária. Há que se avançar na análise. Isso porque o que se discute no presente litígio não é o momento em que o ágio pode ser aproveitado, mas sim se a norma que determina a adição do ágio amortizado contabilmente no Lucro Real tem repercussão na apuração da Base de Cálculo da CSLL. Cabe verificar como o acórdão paradigma enfrentou a questão: Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. É tudo o que foi dito. Da leitura do texto, entendo que a interpretação dada à situação foi no sentido de que, em relação à despesa de amortização de ágio, não se fala em adição à Base de Cálculo da CSLL. Dizse, na realidade, que não há previsão legal (art. 20 do Decretolei nº 1;598, de 1977) para que haja lançamento contábil de amortização de ágio para a CSLL, vez que a amortização prevista na norma seria autorizada apenas para (1) eventos de absorção de patrimônio e só diria respeito à (2) apuração do Lucro Real. Por isso, como a despesa sequer é dedutível para fins de apuração do lucro líquido, tornase desnecessária qualquer disposição que determine a adição da referida despesa na apuração da Base de Cálculo da CSLL. Ora, como já observado, os presentes autos não enfrentam tal discussão. Partem de um sítio diferente, no qual se admite a possibilidade de dedução da despesa de ágio amortizado para fins de apuração do lucro líquido. Ou seja, resta superado o entendimento esposado pelo acórdão paradigma. Na realidade, a discussão é se, uma vez consumada a dedução da despesa no lucro líquido, cabe a adição da despesa na apuração da Base de Cálculo da CSLL para neutralizar a base tributável. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 637 9 Partem, portanto, a decisão recorrida e a decisão paradigma de premissas diferentes. Portanto, em relação ao paradigma nº 130200.834, não há que se falar em divergência na interpretação tributária. Passo ao exame do segundo paradigma, de nº 1301001.067. No caso, verificase a necessária similitude com os presentes autos. Apesar de a autuação fiscal referirse a AJUSTES POR DIMINUIÇÃO DO VALOR DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PL, a situação tratada não é a decorrente dos ajustes visando a neutralidade dos resultados dos investimentos avaliados por equivalência patrimonial. Esclarece o voto vencido do paradigma sobre o motivo pelo ajuste no valor do investimento avaliado por MEP: Pelo que se depreende dos autos, e especialmente pelo que está expressamente descrito no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que a adição que o contribuinte efetuou para fins de apuração do lucro real, mas não efetuou para fins de CSLL, correspondia a ajuste por diminuição do valor do investimento avaliado pelo MEP, e promoveu a adição indicando como fundamento legal o art. 2º, § 1º, alínea “c”, da Lei nº 7.689/99. Pois bem. Se essa fosse a verdade dos fatos, inquestionável seria a adição feita de ofício. Contudo, as cópias do LALUR apresentadas à fiscalização indicam que o valor adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real (e não adicionado para fins de apuração da base de cálculo da CSLL), se refere à amortização do ágio decorrente de participação societária na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. CNPJ 27.819.986/000182. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. (Grifei) O que se observa é que a situação tem semelhança com a dos presentes autos. Tratase de investimento que foi objeto de aquisição, com sobrepreço (ágio), e a investidora, ao aproveitar o ágio contabilmente, não efetuou a adição na Base de Cálculo da CSLL. Não se fala em evento de absorção de patrimônio para o aproveitamento do ágio. E a interpretação dada à legislação tributária, no voto vencedor do paradigma, foi no sentido de, partindose da premissa de que é possível amortizar contabilmente o ágio para fins de apuração do lucro líquido da CSLL (assim como nos presentes autos), tal procedimento deve ter como consequência a adição do mesmo valor na Base de Cálculo da CSLL. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 638 10 Discorre o voto vencedor: Como é cediço, não obstante as disposições trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, a legislação tributária foi edificada no sentido de emprestar absoluta neutralidade tributária aos ajustes e amortizações contábeis derivadas da aplicação do método de equivalência patrimonial. Assim, os efeitos fiscais decorrentes da aplicação do referido método, observadas, obviamente, as disposições da já citada Lei nº 9.532/97, só são verificados na apuração do resultado da alienação da participação societária. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, para o Colegiado, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, abaixo reproduzidos, deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O voto faz um paralelo com os ajustes decorrentes dos resultados dos investimentos avaliados pelo MEP, cujos resultados, positivos ou negativos, devem ser excluídos ou adicionados, na apuração da Base de Cálculo da CSLL, conforme previsão expressa na legislação (art. 2º, § 1º da Lei nº 7.689, de 1988). Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Assim, a legislação tributária busca a neutralidade tributária nas operações com investimentos avaliados via MEP, tanto nos ajustes dos resultados auferidos pelos investimentos, quanto nas amortizações contábeis dos ágios desses mesmos investimentos. Por isso, entendeu que a questão decorre da própria lógica contábil da metodologia da escrituração. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 639 11 Portanto, diante de situações semelhantes, a decisão recorrida e a paradigma depararamse com interpretações diferentes. Ambos os casos trataram de ágio decorrente de investimento adquirido, que foi aproveitado sem que houvesse alienação/liquidação do investimento, ou absorção de patrimônio (cisão, fusão ou incorporação), no qual entendeu o Contribuinte que o lançamento contábil da despesa de amortização do ágio seria suficiente, e não seria necessária adição do valor à base de cálculo da CSLL. Na decisão recorrida, a apreciação da questão centrouse na interpretação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, para concluir que o dispositivo discorre apenas sobre a identidade da forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, ou seja, se o sujeito passivo eleger lucro real trimestral, a CSLL obrigatoriamente seguirá o mesmo regime. Assim, não abrangeria regras de dedutibilidade de despesas. No paradigma, buscouse uma interpretação sistêmica da legislação, para concluir que o ágio é sobrepreço relativo a investimento avaliado pelo MEP e por isso deve seguir a metodologia aplicável aos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Assim, da mesma maneira que os resultados dos investimentos são neutralizados na apuração da Base de Cálculo da CSLL, o mesmo deve ocorrer com o ágio quando for objeto de amortização. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN. Tendo sido vencido no exame de admissibilidade, deixo de apresentar o voto em relação ao mérito. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada. Com a devida vênia ao entendimento do ilustre Relator, entendo pelo não conhecimento do recurso especial da Procuradoria. A Turma a quo decidiu por dar provimento ao recurso voluntário pelas razões seguintes, extraídas do voto condutor, elaborado pelo Conselheiro Marcelo Cuba Neto: Tratase aqui de controvérsia acerca dos efeitos, na base de cálculo da CSLL, da amortização do ágio pago pelo contribuinte na aquisição de 100% do capital da empresa Pégasus Telecom S/A, e na aquisição de 99,99% do capital da empresa TNSL PCS S/A. (...) Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 640 12 Pois bem, são dois os argumentos adotados pelo autor da ação fiscal para afirmar a obrigação da contribuinte em adicionar a amortização do ágio ao lucro líquido do ano de 2007, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Em primeiro lugar, afirma que a amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, antes que a realização, baixa ou alienação do investimento tenha ocorrido, é mera provisão que, a teor do disposto no a seguir transcrito art. 13, I, da Lei nº 9249/95, deverá ser adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL (...) Em segundo lugar, valese do abaixo transcrito artigo 57, da Lei nº 8.981/95 para concluir que, existindo norma determinando a adição da amortização do ágio na apuração do lucro real (art. 25 do Decretolei º 1.598/77), então essa adição também é obrigatória na apuração da base de cálculo da CSLL. (...) Não me parece, todavia, que a amortização do ágio em virtude de aquisição de investimento em coligadas ou controladas, avaliado pelo método do patrimônio líquido possa ser qualificado como provisão. (...) Isto posto, não sendo a amortização do ágio uma provisão, não incide o disposto no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95. (...) Também não está certa a tese defendida pela autoridade tributária segundo a qual são idênticas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) A Procuradoria interpôs recurso especial, alegando divergência na interpretação da lei tributária indicando os acórdãos paradigmas nº 130200.834 e 1301 001.067. O contribuinte apresentou contrarrazões e, sobre o conhecimento, sustenta o quanto segue a respeito do primeiro paradigma (130200.834) O acórdão 130200.834, indicado pela Fazenda Nacional como divergente, por sua vez, trata de hipótese distinta: a amortização fiscal do ágio em decorrência da incorporação de pessoa jurídica no exterior na qual se detinha investimentos. (...) Ora, no caso de incorporação da pessoa jurídica na qual se detinha investimentos adquiridos com ágio, a sua amortização fiscal depende dos requisitos previstos nos arts 7º e 8º da Lei 9.532/1997, que o acórdão nº 130200.834 acima reputou inexistente. Entretanto, a situação acima é absolutamente diversa do presente caso em que houve a incorporação da pessoa jurídica na qual se detinha investimento adquirido com ágio e, portanto, não se aplica o regime jurídico dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 641 13 Vale destacar que a inaplicabilidade de tais dispositivos foi expressamente consignada no acórdão recorrido (...) Assiste razão à Recorrida a respeito do primeiro paradigma (130200.834), razão pela qual não o admito para demonstração da divergência na interpretação da lei tributária. Ressalto que o Ilustre Relator admitiu o recurso especial quanto ao segundo paradigma (1301001.067). Com a devida vênia, entendo que não há similitude fática suficiente para o conhecimento do recurso especial também quanto a este segundo paradigma. Com efeito, destaquese trecho da ementa do segundo paradigma (1301 001.067). ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O relatório do segundo paradigma explicita as razões da autuação fiscal então analisada pelo Colegiado (1301001.067): Conforme dá notícia o Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração, a ação fiscal teve origem em inconsistência apurada por consulta interna aos sistemas informatizados da Receita Federal, representada pelo fato de o contribuinte ter efetuado as adições na apuração do lucro real, mas não têlo feito na apuração da base de cálculo da CSLL. Diante deste panorama fático, decidiu a maioria do Colegiado prolator do acórdão paradigma (1301001.067), em razões explicitadas pelo voto vencedor: Aqui, o Colegiado alinhouse ao registrado no acórdão recorrido, que, reproduzindo excertos do acórdão nº 25.455, de 16 de abril de 2009, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, destacou que a indedutibilidade em questão “decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração” dos investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Como é cediço, não obstante as disposições trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, a legislação tributária foi edificada no sentido de emprestar absoluta neutralidade tributária aos ajustes e amortizações contábeis derivadas da aplicação do método de equivalência patrimonial. Assim, os efeitos fiscais decorrentes da aplicação do referido método, Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 642 14 observadas, obviamente, as disposições da já citada Lei nº 9.532/97, só são verificados na apuração do resultado da alienação da participação societária. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, para o Colegiado, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, abaixo reproduzidos, deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (...) Amparado em tais fundamentos, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (grifamos) O contribuinte Recorrido alega em suas contrarrazões ao recurso especial a respeito deste segundo acórdão paradigma (1301001.067): De fato, analisandose a íntegra do acórdão, verificase que, conforme votovencedor do Conselheiro Wilson Fernandes, a autuação fiscal ali analisada é substancialmente diversa do caso dos autos. É verse: “No que diz respeito a não adição dos denominados AJUSTES POR DIMINUIÇÃO DO VALOR DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PL, releva destacar, de início, que, embora o Ilustre Relator tenha depreendido dos autos que o valor que não foi adicionado para fins de apuração da base d ecálculo da CSLL referese à amortização contábil de ágio decorrente de participação societária, a imputação feita pela Fiscalização, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 446) tomou por base o consignado pela autuada na linha 10 da Ficha 9ª da Declaração apresentada à Receita Federal. (...) Ou seja: no caso analisado pelo acórdão divergente a autuação decorre da falta de adição dos ajustes por diminuição no valor do investimento à CSLL (Linha 10 da Ficha 09 da DIPJ), e não pela amortização contábil do ágio (Linha 11 da Ficha 09 da DIPJ). Dessa forma, fica claro que no caso analisado pelo acórdão nº 1301001.067 não houve aquisição de participação societária com ágio, mas diminuição do valor do investimento por outro motivo. As situações de fato, no acórdão paradigma e acórdão recorrido, são bastante distintas. No acórdão recorrido, como acima citado, revelase que o fundamento do auto de infração é a identificação de provisão. No paradigma, analisouse a dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da CSLL. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16682.720819/201166 Acórdão n.º 9101003.085 CSRFT1 Fl. 643 15 Portanto, a conclusão jurídica distinta a que chegaram os colegiados são plenamente justificáveis e, assim, não vislumbro similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária que justifiquem o conhecimento do recurso especial. Por fim, pondero que o eventual conhecimento e provimento ao recurso para fins de aplicação do entendimento manifestado no acórdão paradigma no presente caso poderia significar a alteração do fundamento do auto de infração por esta Turma da Câmara Superior, atribuindo à provisão identificada no lançamento o efeito de despesa tratado pelo paradigma. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 643DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679914/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/04/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.141
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 19/04/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 14 /2 00 9- 30 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 1627.703, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 19/04/2007 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.679914/200930 Acórdão n.º 3401004.141 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910671/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 10/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.542
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 10/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 71 /2 01 1- 07 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910671/201107 Acórdão n.º 3402004.542 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.039, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/07/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910671/201107 Acórdão n.º 3402004.542 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910671/201107 Acórdão n.º 3402004.542 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910671/201107 Acórdão n.º 3402004.542 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003161/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 31 61 /2 00 8- 24 Fl. 209DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Comprovada, por meio de documentação hábil, o pagamento de previdência privada e FAPI declarada, restabelecese a dedução correspondente, conforme legislação de regência. DECISÔES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. DO PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA As provas, informações e argumentos de defesa devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em momento processual diverso. Não tem acolhimento o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para o deslinde da questão a ser apreciada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13888.003161/200824 Acórdão n.º 2001000.036 S2C0T1 Fl. 3 3 Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados, muitos profissionais, e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento, assim expresso: No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 211DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, recibos, exames e declarações de vários profissionais: Na fundamentação do acórdão foi citado um Acórdão do CARF que fala na recusa de deduções na presença de fortes indícios de que não foram prestados serviços médicos. Pois é justamente o que falta no lançamento, fortes indícios. Cabe mencionar que os indícios, vícios, problemas, necessariamente devem ser apontados no lançamento. Não podem as instâncias administrativas, pois incorreriam em cerceamento de defesa, fazer esse exame no julgamento do litígio. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13888.003161/200824 Acórdão n.º 2001000.036 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; Fl. 213DF CARF MF 6 II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.003161/200824 Acórdão n.º 2001000.036 S2C0T1 Fl. 5 7 Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Em relação a preliminar suscitada não encontramos cerceamento ao direito de defesa, e concordamos com o entendimento do acórdão de impugnação. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e no mérito por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727860/2012-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa.
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO.
Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
Numero da decisão: 1001-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2011 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 60 /2 01 2- 05 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 81 2 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0351.046, de 28/02/2013 (efls. 44/50), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 20) com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.000,00 a título de multa de ofício isolada por dois meses de atraso na entrega em 03/08/2012 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 30/06/2012. O lançamento teve o seguinte enquadramento legal: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; e art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 82 3 Nesse sentido, discorre: “Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.” Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/12/2007, conforme exigência do RTTRegime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 2012. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de TransiçãoFCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: “No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, “a falta de apresentação no prazo do FCONT.” [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.” Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validações eletrônicos disponibilizados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 83 4 Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerando que empresa entregou suas Declaração do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaDIPJ pelo critério do lucro real, e que efetuou a entrega da escrituração Fcont de forma espontânea, ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício, julgou procedente em parte o lançamento, com a redução da multa, conforme parte final do voto, a seguir transcrita: Desta forma, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra “c”, do Código Tributário NacionalCTN, a lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como a interessada apresentou sua última Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ (fls.48) apurando lucro real, deve a multa objeto do presente processo ser ajustada para o montante de R$ 3.000,00, previsto na alínea “b”, do inciso I, do art. 57 da Medida Provisória 2158 35/2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e com a redução prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, resultando no montante de R$ 1.500,00. Eis a ementa do Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 84 5 normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Ciente da decisão de primeira instância em 22/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 54, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/08/2013 (efls. 55/77), conforme carimbo de recepção à efl. 55. No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos apresentados em sede de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Tratase de uma repetição dos argumentos apresentados em sede de primeira instância. Estes argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 85 6 que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. No entanto, a recorrente questionou a decisão da DRJ, nos seguintes pontos: Primeiro, alega que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 86 7 aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". Este ponto foi questionado pela recorrente em relação ao mérito e será objeto de análise mais adiante. Segundo, alega que a decisão, ao afirmar que não existe o cerceio de defesa, "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal". E acrescenta: Portanto, cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, mas qualquer outra que tolhe do contribuinte a informação necessária à sua ampla defesa e do contraditório. São princípios do Direito. Nesse aspecto, o procedimento fiscal é deficiente e nulo de pleno direito, conforme foi fundamento na Impugnação e que será demonstrado em outros pontos do presente recurso. A recorrente não apontou, objetivamente, quais as outras questões que foram deficientes na autuação ("...cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, MAS QUALQUER OUTRA..."). Tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, alegou suposta deficiência nas exigências do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, o que foi objeto de análise da DRJ e não merece reparos. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), REJEITO A PRELIMINAR de nulidade argüida pelo interessado. Com relação à lide propriamente dita, com os mesmos os argumentos apresentados em sede primeira instância, a recorrente alega dificuldades para preenchimento do FCONT; ilegalidade e irretroatividade da norma, não obrigatoriedade de entrega da FCONT, infração continuada, espontaneidade do contribuinte e onerosidade excessiva da multa. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 87 8 Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Por fim, a acrescentar, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. A seguir, insurgese a recorrente contra os valores das multas aplicadas, contra a onerosidade excessiva da multa, que por isto estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e do não confisco tributário. Por sua ótica, esses montantes teriam efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 88 9 constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a Súmula nº. 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 2 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em inconstitucionalidade de lei. Quanto aos demais questionamentos, temse que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A multa em análise encontra fundamentação legal no artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, e no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, com a redação vigente à época, abaixo reproduzidos: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 89 10 autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal (art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional). Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...]Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 90 11 Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o programa Validador e Assinador da Entrega de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT, em seu art. 2º, assim estabelece: Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012) § 1º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo a que se refere o caput será encerrado às Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 91 12 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2009. § 1º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 18 de dezembro de 2009.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 975, de 7 de dezembro de 2009 ) § 1º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, o FCont deverá ser entregue pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012 ) § 2º Para os casos de cisão, cisão parcial, fusão, incorporação ou extinção ocorridos em 2009 e em 2010, até o mês anterior ao prazo final da apresentação da DIPJ do exercício de 2010 (DIPJ 2010, anocalendário 2009), a apresentação dos dados a que se refere o art. 1º deverá ocorrer no mesmo prazo fixado para apresentação da DIPJ 2010. § 2º Excepcionalmente para dados relativos ao anocalendário de 2009, o prazo a que se refere o caput será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de julho de 2010. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.046, de 24 de junho de 2010 ) (grifei) § 2º O prazo para entrega do FCont será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia fixado para entrega da escrituração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.272, de 4 de junho de 2012) (...) Como se observa, a legislação tributária estabelece que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999 (dentre as quais se insere a não apresentação da escrituração FCONT), até o prazo fixado para a sua entrega, gera multa de R$5.000,00 por mêscalendário de atraso ou fração (posteriormente alterada para R$1.500,00, pela Lei nº 12.766/2012). Isto significa a aplicação de uma multa de R$1.500,00 que se acumula com periodicidade mensal. A intenção do legislador é forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês (para cada mês de atraso somase uma nova multa). Logo, depreendese, que a multa prevista no art. 57, inciso I, da MP nº 2.158 35, de 2001, deve ser aplicada cumulativamente a cada mêscalendário que decorrer sem a entrega de declaração. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.727860/201205 Acórdão n.º 1001000.038 S1C0T1 Fl. 92 13 Assim, tendo a sido o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT previsto desde 2009 e a multa sido lançada com fulcro em bases legais e normativas vigentes à época da notificação de lançamento, portanto, não havendo que se falar em retroatividade da norma. Também não procede a alegação da não obrigatoriedade de entrega da FCONT, conforme exposto acima e transcrição de excerto da legislação, feita pela própria recorrente em sua peça postulatória (IN n° 1.139, de 28.03.2011, art. 8º, § 4º), verbis: A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011). (grifo no original) Temse, ainda, que nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Por todo o exposto acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003014/2003-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO CTN, ART. 173.
Ausente pagamento ou declaração com efeitos constitutivos do crédito tributário, o prazo decadencial deve ser contado conforme a regra do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas concluso~es os conselheiros Andre´ Mendes de Moura e Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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INCIDÊNCIA DO CTN, ART. 173. Ausente pagamento ou declaração com efeitos constitutivos do crédito tributário, o prazo decadencial deve ser contado conforme a regra do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 30 14 /2 00 3- 55 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 18471.003014/200355 Acórdão n.º 9101003.302 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 10196.950 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária, 1a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que é interessado ACOC ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA O termo de verificação assim concluiu: “As irregularidades acima descritas são objeto de lanca̧mento tributário, consubstanciado pelo Auto de Infração anexo, tendo sido apurado crédito tributário de R$ 875,19, relativo ao imposto de fonte. Decorrente da glosa de despesas, foi também reduzido o prejuízo fiscal do contribuinte, bem como reduçaõ da base negativa da contribuiçaõ social”. Apresentado recurso voluntário (folhas físicas 288 e seg.), o acórdão recorrido decidiu acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores do IRRF até 30/11/1998, bem como para restabelecer a deducã̧o das despesas com beneficios indiretos (folhas físicas 308 e seg.). Destacase o seguinte trecho do acórdão recorrido, atinente à matéria discutida no presente recurso especial: “A contribuinte ao apresentar Recurso Voluntário, alegou, preliminannente, a ocorrência parcial da decadência do lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos anteriormente a data de 23/12/98 referentes à CSLL e ao IRRF, entendendo que no caso em tela aplicase a prerrogativa do art. 150, § 4” do CTN que dispõe acerca da apuração dos tributos sujeitos a lanca̧mento por homologação. Compartilho, em parte, com ao entendimento aduzido quanto ao prazo decadencial. No que tange ao IRRF, tendo em vista que a cien̂cia do auto infração se deu em 23/12/2003 e as despesas foram realizadas no período de janeiro a dezembro de 1998, podese afirmar, de fato, que ocorreu a decadência, haja vista ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4° do CTN. Já em relação à CSLL, como ao fato gerador ocorreu apenas em 31/12/1998, não há que se falar em decadência. Diante ao exposto, acolho em parte a preliminar de decadência para excluir da atuação o crédito tributário de IRRF cujos fatos geradores ocorreram até 30/11/1998, de acordo com a regra do §4° do art. 150 do CTN”. A decisão restou assim ementada: EMENTA: CSLL – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAÕ – DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação previsto no art. 150 § 4° do CTN, com o decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a atividade desempenhada pelo sujeito passivo para apurar a base de cálculo, com ou sem pagamento, está homologada e não pode mais ser objeto de lançamento. IRPJ E REFLEXOS GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Só são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de preencherem os Fl. 416DF CARF MF Processo nº 18471.003014/200355 Acórdão n.º 9101003.302 CSRFT1 Fl. 1.766 3 requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A PFN opôs embargos de declaração (fls. 348 e seg.), os quais foram acolhidos sem efeitos infringentes (fls. 353 e seg.), para esclarecer, in verbis : “Percebese que para chegar a essa conclusão foi irrelevante a questão de ter, ou não, havido pagamento, sendo desnecessária qualquer análise fática para ter como termo a quo do prazo decadencial, a ocorren̂cia do fato gerador. A Turma, ao julgar o presente recurso, entendeu que o artigo 150, §4° é aplicado em todos os casos de lançamento por homologação, independentemente ter havido ou não pagamento do tributo, aliás, vale ressaltar que esta era, à época, posição dominante no antigo Conselho de Contribuintes. Assim, tendo em vista a falta de necessidade de constar no acórdão a análise do pagamento, concluise que não houve omissão passível de ser suprida.” A PFN, então, interpôs recurso especial, arguindo, em síntese, que a contagem do prazo decadencial deveria seguir o rito do art. 173 do CTN (e não do art. 150, conforme decidido pelo acórdão recorrido). O despacho de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial interposto (fls. 383 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (fls. 393 e seg.), no qual pugna pela não admissão do recurso e pela manutenção do acórdão recorrido, por compreender aplicável à contagem do prazo de decadência de IRRF o rito previsto no art. 150 do CTN. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Em sede de contrarrazões, o contribuinte aponta que não haveria divergência jurisprudencial sobre a matéria, embora não apresente qualquer fundamentação para dar suporte a essa afirmação. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto quanto ao tema da decadência, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Os acórdãos indicados como paradigmas, embora não tratem necessariamente de IRRF, abortam a necessidade de declaração e pagamento, ainda que parcial, para que a contagem do prazo decadencial seja realizada com fulcro no art. 150 do CTN. Por sua vez, o acórdão recorrido compreendeu que a existência ou não de pagamento seria irrelevante para a existencia do pagamento em questão para a adoção da referida regra. Conheço, portanto, o recurso especial interposto pela PFN. Quanto ao mérito, compreendo que a questão deve ser solucionada a partir das normas estabelecidas pelos acórdãos julgados pelo STJ conforme o rito dos recursos repetitivos, notadamente o REsp 973733/SC e AgRg no REsp 674497/PR, conforme os quais, Fl. 417DF CARF MF Processo nº 18471.003014/200355 Acórdão n.º 9101003.302 CSRFT1 Fl. 1.767 4 para a incidência da norma de decadência do art. 150 do CTN, é imprescindível que o contribuinte declare e realize o recolhimento, ainda que parcialmente, da obrigação tributária. No caso dos autos, discutese obrigação tributária atinente a IRRF, com fulcro no art. 61 da Lei 8.981/95, em que o contribuinte não declarou e nem fez qualquer recolhimento a ele pertinente. Dessa forma, deve ser adotada a contagem do prazo decadencial de acordo com o art 173 do CTN, de forma que o auto de infração foi lavrado antes de consumada a decadência. Vale observar que o caso ora sob exame apresenta uma peculiaridade que o distingue em relação àquele julgado por este Colegiado em sessão anterior (autos 19515.002273/200700), em que havia sido demonstrado pelo contribuinte recolhimentos, ainda que parciais, de IRRF. Naquela oportunidade, compreendeu o Colegiado que os fatos geradores atinentes ao IRRF seriam autonomos, sendo indiferentes os pagamentos alegados. No presente caso, contudo, não sequer alegação de qualquer recolhimento de IRRF. Tendo em vista que o acórdão recorrido també, analisou as questões de merito, não é o caso de retorno dos autos à Turma a quo. Nesse seguir, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto Relator Fl. 418DF CARF MF Processo nº 18471.003014/200355 Acórdão n.º 9101003.302 CSRFT1 Fl. 1.768 5 Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003293/2001-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Recife que julgou o lançamento procedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1996, 01/02/1997 a 31/03/1997, 01/06/1997 a 30/06/1997, 01/09/1997 a 30/09/1997, 01/11/1997 a 31/01/1998, 01/03/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 31/07/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 03 29 3/ 20 01 -0 6 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 379 2 DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de apurar e constituir o crédito, nos casos de Contribuições Sociais para a Seguridade Social, só se extingue após 10(dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES DE MERCADORIAS VENDIDAS A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Nos períodos constantes do lançamento em análise, poderá ser excluído da COFINS o valor das mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora de que tratam o art. 1o e seu parágrafo único do DecretoLei n° 1.248/1972. DIREITO À COMPENSAÇÃO. A compensação é opção do contribuinte. O fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercida a compensação antes do início do procedimento de ofício. Lançamento Procedente Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de Cofins, juros de mora e multa, referente aos períodos de novembro e dezembro de 1996, fevereiro, março, junho, setembro, novembro e dezembro de 1997 e janeiro, março, abril, junho, julho, novembro e dezembro de 1998, nos valores especificados no quadro abaixo: No Termo de Encerramento, a exigência da contribuição foi assim motivada pela fiscalização: (...) O Contribuinte é produtorexportador de açúcar de diversos tipos e de álcoois (anidro e hidratado), sediado na região nordeste, efetuando as suas exportações, tanto diretamente, como através da S/A Fluxo Comércio e Assessoria Internacional (trading). Conforme podemos verificar através das cópias de diversas Notas Fiscais de sua emissão(fls. a ), o Contribuinte fez venda no mercado interno que considerou como sendo para exportação. Em face disso, retiramos os valores que constavam como vendas para o exterior, portanto, fora da base de cálculo da contribuição acima mencionada, e fizemos a respectiva inclusão. O Contribuinte, em face da ação judicial de n° 99.00038479 (mandado de segurança) cujas liminar e sentença anexamos por cópias (fls. a ), está depositando em juízo parte dos tributos Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 380 3 devidos (PIS/PASEP e COFINS), calculados na conformidade de como foi por ele peticionado na Justiça (fls. a ). Conforme se pode verificar através dos comprovantes anexos (fls. a ), parte da COFINS devida vinha sendo depositada em Juízo (processo n° 95.04526 mandado de segurança), até que em setembro de 1999 a sentença favorável à União transitou em julgado. Os valores constantes da planilha DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS AUFERIDAS (fls. a ) foram extraídos da escrituração contábil do contribuinte, respeitados os preceitos legais vigentes para cada ano, estando tais valores devidamente registrados nas seguintes contas: (...) A contribuinte apresentou sua impugnação, alegando, em síntese, o que se segue: As contribuições para a COFINS em apreço estão albergadas sobre o palio da isenção, haja vista que o destino das mercadorias era a exportação, nos estritos termos das quotas nos contratos de exportação. As Usinas Serra Grande S/A e Usina Trapiche S/A integram o mesmo grupo econômico. Não há preço ou pagamento, sendo a remessa do bem efetivada em caráter de verdadeiro empréstimo de estoque. Os contratos de representação de empresas internacionais para consecução das exportações de bens e mercadorias para o exterior são provas mais que suficientes para concessão do incentivo fiscal da isenção da COFINS. A Impugnante, na qualidade de empresa exportadora está amparada pela Isenção da COFINS que beneficia a intermediação de negócios para o exterior, conforme redação do Decreto n° 1.030/93, que estendendo a isenção prevista no art. 7º da Lei Complementar n° 70/91, isentou da COFINS as vendas de mercadorias ou serviços para o exterior realizadas diretamente pelo exportador. Com a edição da Lei Complementar n° 85/96 ficou confirmada pelo Poder Legislativo a isenção antes concedida pelo Poder Executivo, através do Decreto n° 1.030/93. A operação que se cuida está amparada pela isenção disposta no art. 14 da Medida Provisória n° 1.858 e reedições. Ainda que devida fosse a contribuição em tela, esta somente poderia ser exigida retroativamente a cinco anos, período não abrangido pela prescrição quinquenal. As diferenças recolhidas a menor apontadas no Auto de Infração, na verdade, representam compensações espontâneas de tributos de mesma espécie de valores pagos a maior em períodos anteriores, ensejando uma revisão do levantamento efetuado pela Fiscalização. O julgador de primeira instância não acatou a razões da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 381 4 Sendo a contribuinte e a Usina Trapiche duas pessoas jurídicas distintas, a transação entre elas é uma venda no mercado interno, realizada por empresa comercial exportadora e que a contribuinte afirma ser para fins específicos de exportação. No entanto, não foram cumpridos os requisitos de remessa direta para exportação, sem intermediários, conforme a documentação juntada (fls. 114/127). Não comprovado que a remessa efetuada das mercadorias indicadas nas notas fiscais implementouse de forma direta para exportação, procede a inclusão dos referidos valores para tributação da COFINS. O instituto da compensação é opcional para o sujeito passivo e a autuada não comprovou que efetuou a escrituração fiscal ou contábil de possíveis compensações, ou seja, não comprovou que exerceu o seu direito quanto a possíveis créditos. A apresentação das alegações e cálculo das fls. 70/71 não comprova que foi efetivamente feita qualquer compensação. Não basta ter o valor a compensar, o que tem que ser comprovado é que o alegado crédito foi efetivamente objeto de compensação antes do procedimento de fiscalização, para que se analise se existia ou não outros créditos a compensar. Cientificada dessa decisão em 23/07/2004, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/08/2004, repisando as alegações da impugnação. Mediante a Resolução nº 20400.059, de 9 de agosto de 2005, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência a fim de que fosse verificada: "(i) a procedência da alegação do contribuinte de que parte das receitas consideradas na base de cálculo do crédito tributário constituído se refere às exportações indiretamente realizadas pela Recorrente; (ii) se as exportações foram realizadas nos termos do art. 3o, § 2o, da Lei n° 9.532/97; e (iii) caso confirmado que parte das receitas é decorrente de exportação indireta, a DRF autuante deverá quantificar estas receitas em cada período de apuração, antes do retorno dos autos a este Conselho de Contribuintes". A fiscalização apresentou suas conclusões da diligência, nos seguintes termos: (...) Destacamos, inicialmente, que os documentos entregues, informam que nos anoscalendários 1997 e 1998 a USINA SERRA GRANDE possuía 85% do capital social da USINA TRAPICHE SA. Analisando o demonstrativo em planilha eletrônica correlacionando a transferência de açúcar da Usina Serra Grande para a Usina Trapiche e a correspondente exportação por esta última, com data, n° NF, registro no Siscomex e valor as notas fiscais apresentadas pela USINA TRAPICHE SA, concluímos que houve transferência dos produtos elencados nas notas fiscais 10986, 11002, 15489, 16067, 16573, 19054, 19140, 20355, 20699, 20706 e 20752 emitidas por USINA SERRA GRANDE SA para Usina Trapiche S/A e posteriormente exportadas. Elaboramos,abaixo, demonstrativo vinculando notas fiscais de venda emitida por USINA SERRA GRANDE SA para Usina Trapiche S/A, notas fiscais de exportação emitida por Usina Trapiche S/A vinculando ao respectivo Registro de Exportação. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 382 5 Desta forma, tendo em vista o objeto desta Diligência destacamos que parte das receitas consideradas na base de cálculo do crédito tributário constituído se refere às exportações indiretamente por USINA SERRA GRANDE SA. No que toca ao segundo item informamos que o art. 3o, §2°, da Lei n° 9.532/97 referese aos benefícios fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, não existindo, salvo engano, correlação com a contribuição objeto desta Diligência. Finalmente, abordando o terceiro e último que item, elaboramos, abaixo, demonstrativo quantificando as receitas decorrente de exportação indireta em cada período de apuração: (...) Em sua manifestação em face da diligência, a recorrente alegou que: Em relação às receitas de exportação efetuadas através da Usina Trapiche S/A, tendo em vista que a conclusão da fiscalização só corrobora a afirmação da Recorrente desde o início da lide, não há maiores considerações a serem feitas, uma vez que ficou devidamente caracterizado o erro da autoridade lançadora, que incluiu indevidamente na base de cálculo da contribuição, valores decorrentes de receitas imunes (receitas de exportações). Não obstante, a Requerente salienta que em relação às receitas decorrentes de exportações indiretas efetuadas pelas demais empresas exportadoras às quais foi juntada documentação aos autos (Usina Taquara, e Companhia Ferroviária do Nordeste), nada mais foi solicitado pela autoridade que realizou a diligência. Com isso, a autoridade que realizou a diligência deixou de incluir no seu trabalho duas exportações indiretas realizadas pela Requerente (R$ 645.009,12, da nota referente à exportação efetuada por meio da Usina Taquara, em 20/11/1997 – fls. 24/122; e R$ 1.690,12, da nota referente à exportação efetuada por meio da Cia Ferroviária do Nordeste, em 02/07/1998). Ficaria pendente na autuação tão somente o valor de R$ 13.626,02 referente ao mês de junho de 1998, que conforme já defendido pela Requerente desde a impugnação, tratase de valor que Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 383 6 foi compensado com valor de crédito do mês de maio de 1998, valor esse que foi apurado pela própria fiscalização, e que poderia efetuar a compensação até mesmo de ofício, pois tal crédito foi verificado no mesmo trabalho que apurou os débitos. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O presente processo envolve fatos geradores de Cofins no período de novembro/96 (vencimento em 10/12/96) a dezembro/98, tendo sido o auto de infração cientificado em 08/08/2001, de forma que, mesmo se aplicando as regras do CTN a teor da Súmula Vinculante nº 8 do STF, ainda não teria ocorrido a decadência tanto pela contagem do prazo de 5 anos com base no art. 173, I ou no art. 150, §4° do CTN, conforme seja o caso. À época dos fatos geradores estava vigente a Lei Complementar nº 70/911, que, em seu art. 7º, concedeu isenção de Cofins sobre as receitas oriundas da exportação de mercadorias realizada nos seguintes termos: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LC nº 85, de 15/02/96) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. [negritei] 1 Conforme consignado no voto condutor do Conselheiro Relator Walker Araujo no Acórdão nº 3302004.763– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de setembro de 2017, "As exportações de mercadorias e serviços para exterior estão afastadas da incidência da COFINS desde sua criação em 1991, a teor da previsão contida no artigo da Lei Complementar 70/91. De sua criação até o início da vigência da Medida Provisória 18566/99 [DOU de 30.6.1999], vigorou a redação da Lei Complementar 85/96, que foi então revogada. Esta medida provisória, cujo texto foi reeditado numa séria de outras medidas provisórias até culminar na Medida Provisória nº 2.15835/2001, vigente à época da constituição do crédito deste processo administrativo". Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 384 7 Como se vê, admitiase a isenção da Cofins relativamente às receitas de vendas às empresas comerciais exportadoras constituídas em conformidade com o disposto no DecretoLei nº 1.248/72 ou às empresas exportadoras meramente registradas no Secex, desde que essas operações fossem realizadas com o "fim específico de exportação para o exterior". Sobre essa questão, a projeção regional da Receita Federal manifestouse, posteriormente aos fatos geradores, mediante a Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007, no seguinte sentido: A referência, na legislação tributária e aduaneira, a 'empresa exportadora', ou 'empresa comercial exportadora', sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. O conceito de "fim específico de exportação" constante do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, aplicase unicamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos desse DecretoLei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de "fim específico de exportação" aplicável é o plasmado no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997. [...]A alusão feita por quaisquer atos infralegais a "fim específico de exportação" – a exemplo da Portaria MF nº 93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF nº 419, de 2004 – deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por "trading companies", constituídas conforme exige o DecretoLei nº 1.248, de 1972. 2 2 DecretoLei nº 1.248/72: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto Lei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. (...) Lei nº 9.532/97: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 385 8 (...) Nessa esteira, é bem provável que o Colegiado na Resolução anterior3 tenha se equivocado relativamente à menção do art. 3º, § 2o da Lei n° 9.532/97, quando queria dizer "art. 39, §2º" da referida Lei, restando sem atendimento pela Unidade de Origem a verificação se as exportações da recorrente por intermédio da Usina Trapiche S/A atendiam ao disposto neste último dispositivo legal. Ademais, como alertado pela recorrente, deixouse de incluir na diligência as outras duas exportações indiretas realizadas pela Requerente (R$ 645.009,12, da nota referente à exportação efetuada por meio da Usina Taquara, em 20/11/1997; e R$ 1.690,12, da nota referente à exportação efetuada por meio da Cia. Ferroviária do Nordeste, em 02/07/1998). Dessa forma, restando tais questões ainda pendentes de análise, que poderiam ser melhor efetuadas pela Unidade de Origem, inclusive com eventuais intimações adicionais à recorrente ou terceiros para esclarecimentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DRF/Maceió que elabore Relatório Conclusivo em resposta aos seguintes questionamentos: a) Se as vendas realizadas pela recorrente a USINA TRAPICHE, a USINA TAQUARA e a CIA. FERROVIÁRIA DO NORDESTE podem ser qualificadas como as operações referidas nos incisos III ou IV do art. 7º da Lei Complementar nº 70/914, de vendas "com fim específico de exportação para o exterior", nos termos do conceito estabelecido na norma interpretativa do §2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97, ou do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248/72, conforme seja o caso (vide Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007). b) Na oportunidade, manifestarse sobre a alegação da recorrente de compensação, a pedido ou de ofício, dos débitos da autuação com o valor de crédito do mês de maio de 1998, que teria sido apurado pela própria fiscalização. (...) 3 (...) A comprovação da efetividade das exportações indiretas, realizadas através de empresa comercial exportadora é questão prejudicial ao exame do mérito. Com estas considerações, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que seja verificada: (i) a procedência da alegação do contribuinte de que parte das receitas consideradas na base de cálculo do crédito tributário constituído se refere às exportações indiretamente realizadas pela Recorrente; (ii) se as exportações foram realizadas nos termos do art. 3o, § 2o, da Lei n° 9.532/97; e (iii) caso confirmado que parte das receitas é decorrente de exportação indireta, a DRF autuante deverá quantificar estas receitas em cada período de apuração, antes do retorno dos autos a este Conselho de Contribuintes. (...) 4 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LC nº 85, de 15/02/96) (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) (...) III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; (...) Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10410.003293/200106 Resolução nº 3402001.181 S3C4T2 Fl. 386 9 c) Avaliar a potencialidade das verificações nos itens precedentes para exonerar total ou parcialmente os débitos do presente auto de infração, especificando, se for o caso, os montantes a serem exonerados. Cientifiquese a recorrente desta Resolução, dos demais documentos juntados e do Relatório Conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação em face desses, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 e, após decorrido esse prazo, devolva se os autos a este Colegiado para prosseguimento. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.905482/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 361 1 360 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.905482/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.088 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2017 Matéria CSLL Recorrente BUNGE FERTILIZANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 54 82 /2 01 3- 12 Fl. 361DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.905482/201312 Acórdão n.º 1401002.088 S1C4T1 Fl. 362 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1655.014 2ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A contribuinte transmitiu DCOMP, objetivando a utilização de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 59.185.275,22, para a compensação de débitos. Em 04/04/2013, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 10) homologando em parte as compensações informadas em DCOMP no montante de R$ 21.355.740,20. A homologação parcial das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • Confirmação parcial de estimativas compensadas com saldo negativo de exercícios anteriores no montante de R$ 373.929,82 de um total informado de R$ 17.201.075,19; • As demais estimativas compensadas não foram confirmadas de um total informado de R$ 21.002.389,65. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 15/04/2013 (fl. 12) e dela recorreu a esta DRJ em 08/05/2013 (fls. 19/35). Apreciada a Manifestação de Inconformidade, mantevese a não homologação das compensações. Inconformada, interpôs recurso voluntário onde argui: (i) no caso de não homologação das compensações das estimativas que compuseram os saldos negativos ora discutidos, as mesmas seguirão seu curso normal de cobrança nos respectivos processos administrativos e, sendo assim, glosálas do ajuste anual acarretaria indevido “bis in idem”; (ii) impossibilidade de cobrança dos débitos ora compensados e não homologados, relativos às estimativas de períodos subsequentes, visto que já encerrado o respectivo exercício e igualmente serão glosados do ajuste anual as quais pertencem; (iii) a legislação não proíbe a compensação das estimativas e não condiciona sua dedutibilidade, no ajuste anual, à homologação do encontro de contas. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 363DF CARF MF 4 O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o anocalendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas, inclusive sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, independentemente do anocalendário encerrado e da apuração de prejuízo fiscal. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, segundo a decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Contudo, tal entendimento não prospera, posto que, a partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja não homologada. Neste sentido, fora proferido em 23 de novembro de 2016, Acórdão recebeu o nº 9101002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que esclarece: Acórdãonº 9101002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,em negarlhe provimento. Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.905482/201312 Acórdão n.º 1401002.088 S1C4T1 Fl. 363 5 Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN),como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECERPGFN/CAT/Nº88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido –CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cositnº18,de2006. Damesmaforma,éesteoentendimentodestaCSRF,conformeseobservaaseguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTOCOMPENSAÇÃOCABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho aseguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CATnº1658/2011e193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Fl. 365DF CARF MF 6 Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Ademais, consolidando este entendimento, temos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 366DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.901200/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.284
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 20 0/ 20 09 -9 3 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10530.901200/200993 Resolução nº 1201000.284 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ com apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 325DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720701/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA.
A cegueira referida na legislação como moléstia grave para determinar que o seu portador faça jus à isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, se atendidos os requisitos legais, é a cegueira efetiva do indivíduo, em que a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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CEGUEIRA. ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. A cegueira referida na legislação como moléstia grave para determinar que o seu portador faça jus à isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, se atendidos os requisitos legais, é a cegueira efetiva do indivíduo, em que a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 07 01 /2 01 2- 91 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 154 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NESTOR PISCIOTTA, em face do acórdão de julgamento n.º 1645.885, proferido pela 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP (18ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, com acréscimos legais de juros e multa, totalizando o valor de R$ 12.210,43. O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, pagos pela Prefeitura do Município de Valinhos, CNPJ 45.787.678/000102, na quantia de R$72.038,49, durante o ano calendário de 2007. Ainda, houve ação fiscal para lançar valores referente à omissão de rendimentos percebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$239,40, auferidos por titular ou dependente. Foram glosados os valores de R$12.000,00, decorrentes de dedução indevida por pensão alimentícia, bem como dedução indevida de despesas médicas na quantia de R$ 2.388,48. O Contribuinte impugnou o Lançamento alegando que os rendimentos seriam isentos, por corresponderem a proventos de aposentadoria e por ser portador de moléstia grave. Porém, o Contribuinte deixou de impugnar de forma expressa a omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, de pensão alimentícia judicial e das despesas médicas na quantia de R$ 1.500,00. Quanto às demais despesas médicas no valor de R$ 888,48 este impugnou alegando que seriam despesas próprias tidas com convênio junto á UNIMED, mas que a DRJ entendeu não terem sido devidamente comprovadas, apesar de ter sido limitando novamente para apresentar as provas necessárias. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que faltariam o preenchimento de requisitos legais quanto à moléstia grave (no caso em tela cegueira efetiva do indivíduo). O recorrente maneja Recurso Voluntário para ver reconhecida a isenção por moléstia grave por "cegueira" ou visão ocular comprometida, somada a sua já comprovada aposentadoria. Juntou em seu recurso documentos como laudo e informações que dão conta de sua doença, registrando que o recorrente está inabilitado para obter carteira de motorista. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator A DRJ de origem não acolheu os argumentos do contribuinte, por entender que este não teria comprometimento integral da visão ocular, e que em "tese" não faria jus ao benefício de isenção do IR por meio de moléstia grave. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 155 3 O artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei) A matéria, no que tange aos requisitos para o usufruto da isenção em tela, já se encontra sumulada no CARF, de forma genérica: Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". O documento de fl. 140, emitido em 26/08/2009, pela Secretaria Municipal de Saúde de Valinhos traz a indicação dos códigos CID H35.3 e H 54.2, que têm a seguinte descrição: H35.3 Degeneração da mácula e do pólo posterior (...) H54.2 Visão subnormal de ambos os olhos Classes de comprometimento visual 1 ou 2 em ambos os olhos (g. n.) Nesse sentido, A DRJ entendeu que o recorrente não faria jus ao benefício por que não teria o grau de comprometimento ocular necessário para a concessão do benefício, exarando a seguinte conclusão: Outrossim, de acordo com a 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional das Doenças e Problemas relacionados à Saúde (CID10), considerase visão subnormal, ou baixa visão, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20 graus no melhor olho com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 156 4 comprometimento visual) e considerase cegueira quando esses valores encontramse abaixo de 0,05 ou o campo visual menor do que 10 graus (categorias 3, 4 e 5 ) (OMS, 1993). Grifouse. Este colegiado já teve oportunidade de decidir a matéria do respectivo recorrente, quando do julgamento do processo n.º, 10830.720702/201236, acórdão de julgamento n.º 2301005.136, ocorrido em 13 de setembro de 2017, por esta 3ª Câmara, 1ª Turma, da 2ª Seção, ainda não publicado mas já julgado, o qual se tratava do Lançamento de IRPF do ano calendário de 2008, e que a maioria dos integrantes deste colegiado entenderam que o recorrente não teria preenchido os requisitos necessários para a concessão do benefícios da isenção por moléstia grave. Na ocasião este relator, que restou vencido, tinha compreendido que o recorrente poderia fazer jus ao benefício, pelas razões expostas naquele julgado. Contudo, em segunda análise, neste processo, em que o caso é exatamente o mesmo (pedido de isenção por moléstia grave, acuidade visual comprometida), bem como dos documentos trazidos ao feito, compreendo, por nova percepção, que de fato o contribuinte não preencheu os requisitos necessários para a concessão do benefício pleiteado. Para tanto, abanco por empréstimo os argumentos e conclusões trazidos por este colegiado, bem como dos que já foram lançados pela DRJ de origem. Dos laudos trazidos ao feito se constata que de fato o recorrente possui visão subnormal, mas que não enseja por completo a acuidade resultante de parcial ou total cegueira. Nesse sentido, conforme o voto vencedor proferido pelo Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, no processo citado acima, reproduzo as seguintes conclusões: Diante desse quadro e tendo em vista que a legislação citada não define o que seja cegueira para fins de isenção de Imposto de Renda, sobretudo quando a pessoa apresenta visão reduzida, devemos buscar um conceito na legislação afeta a tal moléstia. O Decreto 3.298, de 20/12/1999, na redação dada pelo Decreto 5.296, de 02/12/2004, define a deficiência visual para fins da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, nos seguintes termos: Art. 4o É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: [...] III deficiência visual cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 157 5 (Grifo nosso.) Segundo o dispositivo transcrito acima, a deficiência visual classificada como cegueira é aquela na qual a acuidade visual, no melhor olho, é igual ou menor que 0,05. Pois bem, para melhor compreensão da notação de acuidade visual citada no Decreto 3.298/99, trazemos, à baila, a seguinte tabela1 produzida pela Organização Mundial da Saúde: Conforme se extrai dessa tabela, a acuidade visual enquadrável como cegueira, nos termos do Decreto 3.298/99, é aquela classificada na categoria 3 ou maior. No caso do Recorrente, segundo consta no laudo apresentado, a acuidade visual em seu melhor olho, que corresponde ao olho esquerdo, está entre 20/125 e 20/220, ou seja, seu melhor olho apresenta acuidade visual classificada nas categorias 1 e 2. Dessa forma, em que pese as dificuldades pelas quais o Recorrente possa estar passando, o estágio da sua deficiência visual não é classificado como cegueira pela legislação de regência, devendo, pois, ser mantido o lançamento, conforme operado pela fiscalização. Cabe mencionar que o Contribuinte não juntou também ao processo o documento citado por ele, referente à conclusão proferida pelo INSS, que lhe dá a concessão de isenção do imposto de renda desde o período de 1985, segundo perícia técnica realizada em processo administrativo. Apenas há informação de deferimento do benefício, sem o respectivo laudo. Outro motivo que enseja uma melhor análise para verificação dos fatos, apesar da vasta documentação trazida pelo Recorrente. Do conjunto probatório dos autos, verificase que o recorrente possui de fato comprometimento severo das funções visuais, mas que não se enquadra no requisito legal para concessão do benefício pleiteado. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 158 6 Por fim, verificase que o recurso interposto somente versa sobre o narrado: irresignação por não ter obtido a concessão do benefício da moléstia grave, deixando o contribuinte de impugnar o restante da glosa lançada referente às despesas médicas que não foram aceitas em sede de primeira instância. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10830.720701/201291 Acórdão n.º 2301005.175 S2C3T1 Fl. 159 7 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator designado (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 159DF CARF MF
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