Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.007413/00-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributos, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-12586
Decisão: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Edison Carlos Fernandes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200202
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributos, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
numero_processo_s : 10830.007413/00-98
anomes_publicacao_s : 200202
conteudo_id_s : 4199242
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 106-12586
nome_arquivo_s : 10612586_127475_108300074130098_005.PDF
ano_publicacao_s : 2002
nome_relator_s : Edison Carlos Fernandes
nome_arquivo_pdf_s : 108300074130098_4199242.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2002
id : 4674926
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669618331648
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T17:17:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T17:17:17Z; Last-Modified: 2009-08-26T17:17:17Z; dcterms:modified: 2009-08-26T17:17:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T17:17:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T17:17:17Z; meta:save-date: 2009-08-26T17:17:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T17:17:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T17:17:17Z; created: 2009-08-26T17:17:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-26T17:17:17Z; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T17:17:17Z | Conteúdo => *.ç MINISTÉRIO DA FAZENDA'r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÁMARA Processo n°. : 10830.007413100-98 Recurso n°. : 127.475 Matéria : IRPF - Ex(s): 2000 Recorrente : ADEVAL DE MATTOS FERREIRA Recorrida : DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR Sessão de : 22 DE FEVEREIRO DE 2002 Acórdão n°. : 106-12.586 IRPF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributos, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ADEVAL DE roArros FERREIRA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. RAIS'1ACYlVVOG ‘UVIRA7RTINS MO PRESIDENTE r'4,,~à i;"iL4111 :11= Niril - FORMALIZADO EM: 25 MAR 202 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA e LUIZ ANTONIO DE PAULA. Ausentes os Conselheiros WILFRIDO AUGUSTO MARQUES e, justificadamente, SUELI EFIGNIA MENDES DE BRITTO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Processo n° : 10830.007413/00-98 Acórdão n° : 106-12.586 Recurso n° : 127.475 Recorrente : ADEVAL DE MATTOS FERREIRA RELATÓRIO O presente recurso voluntário tem por objeto o questionamento da imposição de multa em decorrência da entrega em atraso da Declaração do Imposto de Renda das Pessoas Físicas — DIR/PF, referente ao exercício de 2000. O Recorrente argumenta, basicamente, que a multa deve ser afastada, haja vista que houve denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Vez que denegado os seus pedidos anteriores, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário com os mesmos fundamentos. É o Relatório. a 1 a e 1 1 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10830.007413/00-98 Acórdão n° : 106-12.586 VOTO Conselheiro EDISON CARLOS FERNANDES, Relator Uma vez que tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade tomo conhecimento do presente recurso. Inicialmente, cabe esclarecer que o congestionamento do sistema eletrônico, para envio da referida Declaração por meio da Internet, não pode ser usado como fundamento suficiente para afastar a aplicação da penalidade prevista na legislação pelo descumprimento de obrigação acessória no prazo previsto. Realmente o Recorrente adiantou-se às autoridades fiscais no cumprimento do dever instrumental ("obrigação acessória") de entrega da Declaração do Imposto de Renda, o que demonstra a denúncia espontânea. Sendo assim, seria aplicável o disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, que assim preceitua: a "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração."-] 9 3 LL - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10830.007413/00-98 Acórdão n° : 106-12.586 Com relação à aplicação desse dispositivo ao caso concreto ora em exame, não se alegue a distinção entre multa punitiva e multa moratória, porque essa discussão encontra-se superada, inclusive no Supremo Tribunal Federal — STF, que assim decidiu no Recurso Extraordinário n.° 79.625/SP: "EMENTA: ( ) ( ) A partir do Código Tributário Nacional, Lei n.° 5.172, de 25.10.1966, não há como se distinguir entre multa moratória e administrativa, Para a indenização da mora são previstos juros e correção monetária." Também o Superior Tribunal de Justiça — STJ hoje é pacifico no sentido de exonerar do pagamento da multa o contribuinte que regulariza sua situação antes da ação do Fisco, ou seja, denuncia-se espontaneamente. Isso é o que demonstra exemplo de acórdãos da Primeira Turma e da Segunda Turma desse E. Tribunal, respectivamente: "Tributário. Denúncia Espontânea. Multa Indevida (Art. 138, CTN). 1. Sem antecedente procedimento administrativo descabe a imposição de multa. Exigi-la, seria desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirador da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada via da impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita tributária, principal objetivo da atividade fiscal. i 2. Precedentes iterativos. 3.Recurso provido." (REsp. n.° 272.443/SP; relator Min. Milton Luiz Pereira) "TRIBUTÁRIO. IRPJ. ATRASO DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. DESCABIMENTO. ART. 138-CTN. PRECEDENTES. 1.O art. 138-CTN afasta a responsabilidade do contribuinte quando denunciada, espontaneamente, a infração antes dee qualquer procedimento administrativo do Fisco, sendo incabível a aplicação da denominada "multa moratória". 2.Recurso especial conhecido, porém, improvido." (REsp. n.° 208.101/PR; relator Min. Francisco Peçanha Martins) 4 °- - - MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10830.007413/00-98 Acórdão n° : 106-12.586 No mesmo sentido, o próprio Supremo Tribunal Federal - STF já decidiu, no Recurso Extraordinário n.° 106.068/SP, relatado pelo Min. Rafael Mayer: - ISS. 1NFRACAO. MORA. DENUNCIA ESPONTANEA. MULTA MORATORIA.EXONERACAO. ART. 138 DO CTN.0 CONTRIBUINTE DO 155, QUE DENÚNCIA ESPONTANEAMENTE AO FISCO, O SEU DÉBITO EM ATRASO, RECOLHIDO O MONTANTE DEVIDO, COM JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA, ESTA EXONERADO DA MULTA MORATÓRIA, NOS TERMOS DO ART. 138 DO CTN.RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. Entretanto, diferente tem sido o entendimento reiterado desta Colenda Sexta Câmara, a qual não tem aceito a aplicação do art. 138 do CTN no caso de atraso na entrega da Declaração de Rendimentos. Nesse sentido, da mesma forma, tem sido a orientação atual da Câmara Superior de Recursos Fiscais, manifestada no Acórdão CSRF 01-03.189, prolatado na Sessão de 04 de dezembro de 2000. Diante do exposto, ressalvando a posição dos Tribunais Superiores acima transcritas, e especialmente considerando a decisão reiterada das Colendas Sexta Câmara e Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanho esses posicionamentos julgo no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso,1 3 1 para o fim de manter a cobrança de multa em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Imposto de Renda. ri Sala das Sessões - DF, em 22 de fevereiro de 2002. 1 D 11117,4~4:0ton (\ --mer a 9 5 Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10835.003051/96-40
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - Este Colegiado Administrativo não é competente para declarar inconstitucionalidade de lei tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. CNA - A Contribuição para a CNA não se confunde com as Contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação; foi instituída pelo Decreto-Lei nr. 1.166/71, artigo 4 e artigo 580 da CLT, com redação dada pela Lei nr. 7.047/82, possuindo caráter tributário e compulsório. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-10979
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199904
ementa_s : ITR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - Este Colegiado Administrativo não é competente para declarar inconstitucionalidade de lei tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. CNA - A Contribuição para a CNA não se confunde com as Contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação; foi instituída pelo Decreto-Lei nr. 1.166/71, artigo 4 e artigo 580 da CLT, com redação dada pela Lei nr. 7.047/82, possuindo caráter tributário e compulsório. Recurso negado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 07 00:00:00 UTC 1999
numero_processo_s : 10835.003051/96-40
anomes_publicacao_s : 199904
conteudo_id_s : 4442025
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-10979
nome_arquivo_s : 20210979_107753_108350030519640_004.PDF
ano_publicacao_s : 1999
nome_relator_s : Hélvio Escovedo Barcellos
nome_arquivo_pdf_s : 108350030519640_4442025.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 07 00:00:00 UTC 1999
id : 4676372
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:19:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669619380224
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-28T11:39:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-28T11:39:18Z; Last-Modified: 2010-01-28T11:39:18Z; dcterms:modified: 2010-01-28T11:39:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-28T11:39:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-28T11:39:18Z; meta:save-date: 2010-01-28T11:39:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-28T11:39:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-28T11:39:18Z; created: 2010-01-28T11:39:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-01-28T11:39:18Z; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-28T11:39:18Z | Conteúdo => ri d PUBLICADO NO D. O. U. 3DS 2.2 De..05/....011 19.M MINISTÉRIO DA FAZENDA C Rubrica , .;..,:, :7‘01j1,_ ,„‘'J"."4, n SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , • . __ ____ ____ . -- Processo : 10835.003051/96-40 Acórdão : 202-10.979 Sessão : 07 de abril de 1999 Recurso : 107.753 Recorrente : MASAYOSHI TAKAO Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto — SP Mt — CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR — ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE — Este Colegiado administrativo não é competente para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. CNA — A Contribuição para a CNA não se confunde com as Contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações • de livre associação; foi instituída pelo Decreto-Lei n° 7.047/82, possuindo. _ caráter tributário e compulsório. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MASAYOSH TAKAO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Sala das Se em 07 de abril de 1999 kf , Mar. ' * cius Neder de Lima Pr / f'' , , :: 1 te ., / 40' Helvio s'f• o Barcellos Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges, Maria Teresa Martínez López, Luiz Roberto Domingo, Ricardo Leite Rodrigues e Oswaldo Tancredo de Oliveira. sbp/fclb-mas 1 S0.6" MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - _ Processo : 10835.003051/96-40 Acórdão : 202-10.979 Recurso : 107.753 Recorrente : MASAYOSHI TAKAO RELATÓRIO Masayoshi Takao é notificado, às fls. 03, a pagar o ITR/95 e a Contribuição à CNA, referente ao imóvel rural de sua propriedade, denominado "Sítio Nossa Senhora Aparecida", localizado no Município de Irapuru — SP, com área de 19,5 ha, cadastrado na Receita Federal sob o n° 0741600.8. Às fls. 01 e 02, o contribuinte impugna, tempestivamente, o lançamento da Contribuição à CNA, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da sua cobrança, em face do preceito de que ninguém será obrigado a filiar-se, ou manter-se filiado, a sindicato, e ninguém poderá ser compelido a associar-se, ou permanecer associado, previsto na Constituição Federal de 1988. Ao final de sua impugnação, solicita o cancelamento da exigência tributária, considerando sua cobrança como um confisco. Fundamenta seu pleito no art. 50, inciso XX, no art. 8°, inciso V e no art. 145, inciso II, todos da Constituição Federal de 1988. A autoridade monocrática, às fls. 09/11, mantém, na íntegra, o lançamento em decisão, assim ementada: "ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS — EXCLUSÃO INAPLICABILIDADE. A contribuição confederativa, instituída pela Assembléia-geral — C.F., art. 8°, IV — distingue-se da contribuição sindical, instituída por lei, com caráter tributário — C.F., art. 149 — assim compulsória. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS — EXCLUSÃO — INAPLICABILIDADE. Os lançamentos das contribuições sindicais, vinculados ao do ITR, não se confundem com as contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações 2 SO , MINISTÉRIO DA FAZENDA 5,p,;(7,,do • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10835.003051/96-40 Acórdão : 202-10.979 de livre associação, e serão mantidos quando realizados de acordo com a declaração do contribuinte e com base na legislação de regência." Ciente da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpõe, tempestivamente, às fls. 19, Recurso Voluntário, dirigido a este Segundo Conselho de Contribuintes, onde reitera o argumento, expendido na impugnação. É o relatório. 3 4 / 5-02? MINISTÉRIO DA FAZENDA 0:41f4., SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - Processo : 10835.003051/96-40 Acórdão : 202-10.979 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HELVIO ESCO VEDO BARCELLOS O recurso goza de todos os requisitos necessários para seu conhecimento. O recorrente insurgiu-se contra o lançamento da Contribuição à CNA, alegando a inconstitucionalidade da cobrança desse tributo, visto que a CF/88 dispõe que ninguém poderá ser compelido a associar-se, ou a permanecer associado, e que ninguém será obrigado a filiar-se, ou manter-se filiado, a sindicato (CF /88, art. 5°, XX e art. 8°, V). Este Colegiado entende que, a instância administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade de legislação tributária. A competência para tal julgamento está exclusivamente reservada ao Poder Judiciário (CF /88, art. 102, inciso 1, letra "a"). Assim sendo, vejo que a decisão singular não merece reforma. A titulo de informação, cabe ressaltar que a Contribuição em tela não se confunde com as Contribuições pagas a sindicatos, federações e confederações de livre associação. Sua exigência está estabelecida por lei, em sentido estrito (Decreto-Lei n° 1.166/71, art. 40 e art. 580 da CLT, c/ redação dada pela Lei n° 7.047/82), possuindo caráter tributário e, dessa forma, compulsório. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de abril de 1999 / HELVIO ES • • DO B CELL a S 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006694/94-23
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IPI. PRÁTICAS REITERADAMENTE OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100 DO CTN. A observância das normas referidas no art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 203-07990
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso. nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Mauro Wasilewski e Frnacisco Maurício R. de Albuquerque Silva, que davam provimento integral.
Nome do relator: Antônio Augusto Borges Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200202
ementa_s : IPI. PRÁTICAS REITERADAMENTE OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100 DO CTN. A observância das normas referidas no art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2002
numero_processo_s : 10830.006694/94-23
anomes_publicacao_s : 200202
conteudo_id_s : 4127797
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 203-07990
nome_arquivo_s : 20307990_112823_108300066949423_010.PDF
ano_publicacao_s : 2002
nome_relator_s : Antônio Augusto Borges Torres
nome_arquivo_pdf_s : 108300066949423_4127797.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso. nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Mauro Wasilewski e Frnacisco Maurício R. de Albuquerque Silva, que davam provimento integral.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2002
id : 4674662
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669625671680
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-24T10:11:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-24T10:11:43Z; Last-Modified: 2009-10-24T10:11:43Z; dcterms:modified: 2009-10-24T10:11:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-24T10:11:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-24T10:11:43Z; meta:save-date: 2009-10-24T10:11:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-24T10:11:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-24T10:11:43Z; created: 2009-10-24T10:11:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-10-24T10:11:43Z; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-24T10:11:43Z | Conteúdo => IV' - Saguim° Canse lo cie ¡Leen :ri Dele MI f) tt, • Publirado no lik: rn , °field da União , de 3 5 i / n1/4.'": • Ministério da Fazenda Rubrica• (0>t 22 CC-MF • 111 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. et:» • Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 Recorrente : JARAGUÁ S.A. INDÚSTRIAS MECÂNICAS Recorrida : DRJ em São Paulo - SP IPI. PRÁTICAS REITERADAMENTE OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINSTRATIVAS. ART. 100 DO CTN. A observância das normas referidas no art. 100 do C1N exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JARAGUÁ S.A. INDÚSTRIAS MECÂNICAS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro Wasilewski e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva que davam provimento integral. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2002 (W. Otacilio Dan . Cartaxo Presidente o E9L-5 a'Antonio Augusto rges Torres Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Renato Scalco Isquierdo, Lina Maria Vieira, Maria Teresa Martinez López e Maria Cristina Roza da Costa. Imp/ovrs 1 29 CC-MF • Ministério da Fazenda . Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 Recorrente : JARAGUÁ S.A. INDÚSTRIAS MECÂNICAS RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 68/82), interposto contra decisão de primeira instância (fls. 49/59), que considerou procedente o lançamento que exige o IPI sob fundamento de que a autuada remeteu equipamentos à PETROBRAS com a isenção prevista no art. 17, III, "c", do Decreto-Lei n° 2.433/88, alterado pelo Decreto-Lei n° 2.451/88, isenção esta que teria sido revogada pelo artigo 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, vigorando apenas até 04/10/90. A autuada impugnou o lançamento alegando, que: I — em preliminar, a autuação afronta o principio da moralidade, previsto no artigo 37 da CF, não considerando três Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (tu% 437/92, 627/92 e 1534/92) e se baseando só no de n°966/94; 2 — o auto de infração fere o artigo 100 do CTN, ao exigir, além do imposto, os demais consectários legais; 3 — no mérito, a isenção vigorou de 10/90 a 11/06/91, data em que a Lei n 8.191 a teria revogado; e 4 — é indevida a cobrança da TRD, no período anterior a 01/08/91. A decisão recorrida manteve a autuação sob o fundamento de que: 1 — apesar da existência de três pareceres da PGFN, o entendimento atual do Ministério da Fazenda fundamenta-se no Parecer PGFN.CAT n° 966/94, no sentido de que o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI é devido no período de 05/10/90 a 11/06/91; não tendo a decisão afrontada o principio da moralidade; 2 — não é aplicável o art. 100 do CTN, por não serem os três pareceres da mesma época (10/90 e 06/91); 3 — da mesma forma, não é de ser aplicado o art. 106, I, do CTN; 4 — no que se refere à TRD, se exonere apenas o montante correspondente ao período de 04/02/91 a 29/07/91, na forma do determinado pela IN SRF n°032, de 09/04/97; e 2 (>1 á 25 • • , 29 CC-MF , 4 9r ? Ministério da Fazenda Fl.• •!'fr 4' Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 5 — na forma do ADN COSIT n° 1, de 07/01/97, inciso I, se reduza a multa em 25% (art. 44 da Lei n°9.430/96). Inconformada, a empresa apresenta recurso voluntário para reafirmar os argumentos levantados na impugnação. É o relatório. I 3 2° CC-MF t4":•:-»;;* Ministério da Fazenda • f. • Segundo Conselho de Contribuintes Fl. ' Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO AUGUSTO BORGES TORRES O recurso é tempestivo, e tendo atendido aos demais pressupostos processuais para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O Decreto-Lei n° 2.433, de 19/05/88, alterado pelo Decreto-Lei n° 2.451, de 29/07/88, que dispôs sobre os instrumentos financeiros relativos à política industrial, disciplinando benefícios fiscais, estabeleceu: "Art. 17 — Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, importados ou de fabricação nacional, bem como acessórios, sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens, quando: III— adquiridos por órgãos ou entidades da administração pública, direta ou indireta, ou concessionárias de serviços públicos, destinados: c — prospecção, extração, refino e transporte, através de dutos, de petróleo bruto, gás natural e derivados;". Em 28/12/89, foi editada a Lei n° 7.988, que no art. 50 transformou em redução de 50% (cinqüenta por cento) a isenção de art. 17 acima transcrita. Somente em 11/06/91 foi deitada a Lei n° 8.191, que expressamente revogou o artigo 17 do Decreto-Lei n°2.433/88, conforme se verifica no: "Art. 7°- Revoga-se o artigo 17 do Decreto-lei n°2.433, de 19 de maio de 1988, com a redação dada pelo artigo I° do Decreto-lei n° 2.451, de 29 de julho de 1991.". Portanto, até a data da entrada em vigor da Lei n° 8.191/91, o artigo 17 citado encontrava-se em vigor e produzindo efeitos. Tanto o afirmado é verdadeiro que a Coordenação Geral do Sistema de Tributação declarou no Parecer COSIT/D1TIP n° 24/93: 4 026b • 29 CC-MF"i" elé• Ministério da Fazenda • E. • ,:-ÍN Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 "De fato, o art. 17 do Decreto-lei n°2.433/88 só foi revogado em 12.0691, por força do disposto no artigo 7 ° da Lei n° 8.191, de 11.06.91 ...". O Conselho de Contribuintes confirmou tal interpretação ao decidir no Acórdão n° 201-68.664, em Sessão de 02/12/92 (Recurso n° 88.460), que: "IPI - Isenções previstas no D.L. n° 2.433/88, com redação do D.L. n° 2.451/88, foram transformadas em redução pelo art. 50 da Lei n° 7.988/89. A revogação introduzida pela Lei n° 8.191/91 somente prevalece após 12.06.91, data de sua publicação. Indevido o estorno de créditos de insumos relativos a produtos saídos antes da Lei n° 8.191/91. Em conclusão, seja ou não o beneficio em exame considerado um incentivo de natureza setorial, coberto pela redação do artigo 41 do ADCT, ainda assim, não se pode dizer que foi revogado por este artigo, pois somente em 12/06/91 foi expressamente revogado pelo artigo 7° da Lei n°8.191/91. Como se verifica do item 6 do Parecer da PGFN/CAT n° 627/92, a Fazenda Pública durante muito tempo considerou correta a interpretação segundo a qual a isenção, de que trata o presente recurso, não foi revogada pelo artigo 41 do ADCT: "6. E a prova irrefragável de tudo isso é que, como também se observou na consulta, só a 11.6.91 se materializou expressamente a ab-rogação daquele art. 17, com a promulgação da Lei ir 8.191, de 11.6.91, cujo art. 7° aboliu por inteiro a aludida isenção. Isso é possível constatar, embora mencionada Lei n° 8.191/91 não timbre pela boa feitura técnica e pela absoluta correção em seu conteúdo jurídico." Este entendimento norteou "as decisões de inúmeras pendências nas repartições da Receita Federal", conforme Nota CST/DET n° 132, de 15/06/92 (fl. 42). Era a interpretação uma prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas e que orientava, também, a forma como os contribuintes entendiam e aplicavam a legislação tributária referente ao 121. Como bem leciona o saudoso mestre Aliomar Baleeiro: "Considera-se como boa interpretação aquela que resulta de antiga, iterativa e pacifica aplicação da lei sob determinada diretriz por parte do próprio fisco. Se as autoridnflos deram sentido uniforme a uma disposição entende-se tal inteligência como a mais compatível com o texto." (Direito Tributário Brasileiro, 20 ed, Forense, 1970, pág. 369) A própria decisão recorrida afirma a existência de três Pareceres da PGFN de 1992 com o entendimento de que a isenção não havia sido revogada, sendo que "o entendimento atual do Ministério da Fazenda sobre a matéria em litígio, fundamenta-se no já referido Parecer PGFN CAT n° 966/94." (fl. 53)11 5 b; CC-MF "ff - Muusteno da Fazenda • •Fl. »T....;: 1" Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Acórdão n° : 203-07.990 Durante vários anos os contribuintes foram cientificados pela Receita Federal de que a isenção não havia sido revogada e de uma hora para outra são autuados, porque o entendimento da Fazenda Nacional mudou. O próprio Parecer PGFN CAT n° 966/94, ao mudar o entendimento, dispôs: "V —finalmente, registre-se que, verificada a existência de débitos pretéritos, decorrentes da observância, por parte dos contribuintes, de orientação anteriormente adotada por órgãos da Administração Pública, deve ser observado o disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, que exclui a imposição da penalidade, a cobrança de juros e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo em tais casos." A decisão recorrida embora afirmando que tal parecer "adquiriu caráter vinculante no âmbito do Poder Executivo, cabendo a este órgão julgador, portanto, observar o entendimento nele expresso" ( fl. 54), deixou de aplicar este comando. Entendo que a decisão recorrida errou ao não aplicar a disposição do art. 100, parágrafo único, do C1N, desrespeitando o Parecer referido e a determinação do Ministério da Fazenda. Por todos os motivos expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência fiscal a imposição de penalidade, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária da base de cálculo do tributo (art. 100, parágrafo único, do CTN). Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2002 o 51-13:: KNTONIO AUGUS i0 BORGES TORRES 6 MIN'STÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da União De deo / 04 / õ.‘ 29 CC-MFMinistério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 111;:.e VISTO -e-1 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓDÃO N°203-07.990 Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Embargante : JARAGUÁ S/A INDÚSTRIAS MECÂNICAS Embargada : Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Se a autoridade administrativa fixa, através de ato normativo, uma orientação que favorece o contribuinte, não pode mais tarde com base na lei exigir dele, além do tributo, juros e correção monetária. Aplicação do artigo 100 e parágrafo único, do Código Tributário Nacional, com a observação de que a relevação desses encargos só vai até a data da notificação do lançamento fiscal. Embargos conhecidos e providos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Embargos de Declaração interposto por: JARAGUÁ S/A INDÚSTRIAS 'MECÂNICAS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial aos embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2005. FAZENDA "STÈM°a"rA .fib,Àfites 2° Cc2t. ' '1“ ,.rscin c\ /-1/Alkintorno zerra Neto :I. • "Iskl. — Presiden e , 00E, • if _ i)23 a É — Maria Ter a Martinez López Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Valdemar Ludvig, Mauro Wasilewski (Suplente), Silvia de Brito Oliveira e Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva e Cesar Piantavigna. Eaal/inp • • •„ CC-MF Ministério da Fazendaics‘fit Fl. -;‘," :, Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓDÃO N° 203-07.990 Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 Embargante : JARAGUÁ S/A INDÚSTRIAS MECÂNICA PAINISTtR .C. A .".%_7E.NDA r2 c, . c.1 Eirai RELATÓRIO Trata-se de "pedido de esclarecimento", podendo ser rotulado corno RECURSO INOMINADO interposto pela INTERESSADA, ou simplesmente Embargos à execução do Acórdão n° 203-07.990, conforme teor a seguir transcrito: Ref. Processo 10830.006694/94-23 JARAGUÁ S/A INDÚSTRIAS MECÂNICAS, já qualificada nos autos do processo em referência, tendo em vista o acórdão de n° 203-07.990 prolatado em 20.02.2002, vem respeitosamente a presença de V.Sa. apresentar seu pedido de esclarecimento, requerendo seu encaminhamento ao 2° Conselho de Contribuintes, para que produza os fins de direito. Nestes Termos, P. Deferimento. DO ACÓRDÃO E SUA APLICAÇÃO PELA SACA 1-SOROCABA 1 -O Segundo Conselho de Contribuintes, através de sua 3' Câmara exarou o acórdão de n° 203-07.990, redigido pelo Relator António Augusto Borges Torres, com a seguinte ementa.. IN PRÁTICAS REITERADAMENTE OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100 DO CTN. A observância das normas referidas no art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 2 -Com esta decisão o processo foi encaminhado à Seção de Controle e Acompanhamento Tributário -SACA?' da Delegacia da Receita Federal de Sorocaba, para cálculo do crédito tributário correspondente, tendo em vista a existência de Depósito Recurso!. A decisão da SACAT -Sorocaba, ora colacionada (doc.), ao aplicar o decidido pelo V. acórdão, excluiu os juros morató rios e a multa por infração, contudo, deixou de excluir a atualização monetária do crédito tributário reclamado, sob a alegação de que tal hipótese não ocorreu no processo. Com esse entendimento atualizou o valor do débito, • MIN:STE ' DA FAZENDA 2 C C.1 .;.cul,ites Cr.ï. 211 O ORIGINAL 3>C'k • 9- Ministério da Fazenda it!,4 tf) 2 CC -MF Fl. Segundo Conselho de Contribuintes VISTO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACODÃO N91130791Y0— Processo n° : 10830.006694/94-23 Recurso n° : 112.823 lançado no Auto de Infração em UFIR, reconvertendo o tizontante de UFIR pelo valor da mesma em janeiro/97 (R$ 0,9108). O EQUÍVOCO DA DECISÃO DA SACAT —SOROCABA 3 -A matéria objeto do processo refere-se a questão sobre a isenção do IPI nas vendas de equipamentos à Petrobrás, criada pelo Dec. Lei n° 2433/88, revogado pela Lei n° 8.191/91. Três Pareceres Normativos da Receita Federal autorizavam a fruição da isenção no período compreendido entre 10/90 a 06/91 contudo, esses pareceres foram revogados por um posterior que entendeu pela extinção do incentivo. Como a recorrente havia agido de acordo com os pareceres ainda não revogados na época dos fatos, o V. acórdão excluiu do crédito tributário reclamado os consectários legais, inclusive a "atualização monetária da base de cálculo do imposto", isto de acordo com o art. 100 do C7'N. 4 - Uma análise mais aprofundada do "demonstrativo dos débitos apuradostfls. 1,2 e 3), anexo ao auto de infração, demonstra que o agente fiscal, ao invés de atualizar as bases de cálculo do IPI, para depois aplicar as aliquotas correspondentes, primeiramente aplicou as aliquotas sobre o valor histórico das bases de cálculo, para depois atualizar o valor do imposto encontrado, convertendo-o em UFIR. A forma de cálculo adotada pelo agente fiscal levou a SACAT -Sorocaba a não excluir a atualização monetária, sob a alegação de que a tnesma foi aplicada diretamente sobre o imposto e não sobre a sua base de cálculo, 5 - Entende a recorrente que o art. 100 do CI7V pretende que o contribuinte, que age de acordo com as normas em vigência, posteriormente alteradas, não arque com quaisquer consectários legais, nem mesmo com a atualização monetária, já que se a norma não existisse, o imposto teria sido pago na data prevista pela legislação. Portanto, levando-se em conta que, no caso "sub examine," tanto a atualização da base de cálculo, quanto a do imposto, levam ao mesmo resultado, é licito que seja tambán excluída a parcela de atualização monetária computada pela SACA T. O PEDIDO r 6 -Face ao exposto, espera a recorrente que o 2° Conselho de Contribuintes se digne a esclarecer os termos do V. acórdão prolatado, para excluir do crédito tributário reclamado a atualização monetária calculada pela Sacat -Sorocaba. Instada esta relatora Ad-Hoc a se pronunciar, manifestei-me no sentido de conhecer do recurso inominado para submeter a questão ao Colegiado, de forma a admitir o esclarecimento de dúvida, e conseqüentemente a execução do acórdão. Volta, pois, o litígio à Câmara, para que se manifeste sobre o art. 100 do CTN. É o relatório. 13 C:, • " _ . .. 3 jl n iviNild. tfr, ,itt 22 CC-MF ''.n ar:-.W Ministério da Fazenda LiT:.:•.•.:JD i il , 1 rç Fl. Segundo Conselho de Contribuintes , VISTO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACODÃO N" 203 -07.990 Processo te : 10830.006694/94-23 Recurso n" : 112.823 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTNEZ LÓPEZ ,. Em primeiro lugar, há de se observar que a presente solicitação — recurso inominado, ou embargos à execução do acórdão, não se encontra compreendido entre os discriminados nos artigos 27 e 28 e 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. No entanto, diante da dúvida suscitada pela contribuinte, necessário no meu entender, que seja , esclarecido qual o verdadeiro alcance do art. 100 do CTN, como forma de preservar a correta 1 execução do acórdão e conseqüentemente aplicação da norma. I 1 A questão está somente na interpretação do art. 100 do CTN, proporcionado pela transcrição do dispositivo legal. A DRF entende que não teria ocorrido "atualização da base de cálculo" (nem antes e nem após), e assim, descaberia qualquer alteração nesse sentido. Já, a contribuinte, entende que a "o agente fiscal, ao invés de atualizar as bases de cálculo do IPI, para depois aplicar as aliquotas correspondentes, primeiramente aplicou as aliquotas sobre o valor histórico das bases de cálculo, para depois atualizar o valor do imposto encontrado, convertendo-o em UFIR.", defende ao final, a exclusão total da atualização do tributo (antes e depois do lançamento). Cito Acórdão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4' Região, ao tratar da interpretação do art. 100 do CTN. Entendeu a Tunna que : "Se a autoridade administrativa fixa, através de ato normativo, uma orientação que favorece o contribuinte, não • pode mais tarde com base na lei exigir dele, além do tributo, juros e correção monetária. Aplicação do artigo 100 e § único do Código Tributário Nacional, com a observação de que a releva ção desses encargos só vai até a data da notificação do lançamento fiscal." (negrito não do original). Esclarecendo, tem-se que o correto é se apurar o imposto que deveria ser pago na data do vencimento. Esse valor resultante, de acordo com a interpretação do art. 100 do CTN não deverá sofrer atualização monetária até a data da notificação do lançamento. Do período notificado em diante, conforme jurisprudência citada, deverá ser atualizado. Portanto, a ausência de atualização vai apenas do período do vencimento do tributo até a notificação do lançamento. Portanto, conheço do recurso inominado para dar parcial provimento em face do entendimento acima externado. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2005. 4.-- --- MARIA TERES7K4ARTÍNEZ LÓPEZ., , 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003513/98-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Ementa: COFINS. É que nula a decisão que versa sobre tributo estranho ao lançamento. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 202-15754
Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-se o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Jorge Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200408
ementa_s : COFINS. É que nula a decisão que versa sobre tributo estranho ao lançamento. Processo que se anula a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 10830.003513/98-02
anomes_publicacao_s : 200408
conteudo_id_s : 4122555
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-15754
nome_arquivo_s : 20215754_126291_108300035139802_003.PDF
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : Jorge Freire
nome_arquivo_pdf_s : 108300035139802_4122555.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, anulou-se o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
id : 4673821
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669633011712
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-24T00:23:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-24T00:23:47Z; Last-Modified: 2009-10-24T00:23:47Z; dcterms:modified: 2009-10-24T00:23:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-24T00:23:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-24T00:23:47Z; meta:save-date: 2009-10-24T00:23:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-24T00:23:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-24T00:23:47Z; created: 2009-10-24T00:23:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-10-24T00:23:47Z; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-24T00:23:47Z | Conteúdo => Ministério da Fazenda MIN!STÉFII0 DA FAZENDA 2° CC-MFtf, Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de Contribuintes FL .Pz Publicado no Diário Oficial da União De H / / cn Processo n° : 10830.003513/98-02 Recurso n° : 126.291 visro Acórdão n° : 202-15.754 Recorrente : CELSU'S COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP MIN. 0A - 2'' CC COFINS. É que nula a decisão que versa sobre tributo estranho CONFER! C,04: O ORIGINAL ao lançamento. BRASÍLIA S4Qff Processo que se anula a partir da decisão de primeira .;4 instância, inclusive. 4 VISTO I --4-istos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CELSU'S COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Sala das Sessões, em 12 de agosto de 2004 enkcpie Pinheiro Torres — Pre 'd e Jorge Freire Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 1 22 CC-MF Ministério da Fazenda ;i4N. DA FAZ.ENOA - 2° CC Fl. tía...*" Segundo Conselho de Contribuintes )%rittCtti CONFERZ CC..; O ORIGINAL 6RASÉLIA 5,4 0.5 Processo u° 10830.003513/98-02 Recurso n° : 126.291 Acórdão n° : 202-15.754 viST Recorrente : CELSU'S COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de lançamento de oficio de COFINS para constituir crédito tributário decorrente de depósito judicial a menor na ação cautelar 92.0600976-1, por terem sido efetuados sem a atualização monetária pela UFIR, nos períodos abril a setembro de 1992 e de novembro de 1992 a outubro de 1993. Os referidos depósitos foram convertidos em renda da União. A impugnação, que afrontou apenas o direito de a União constituir o referido crédito, foi denegada, sendo mantido o lançamento. li-resignado com a r. decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, no qual, em síntese, pede-se a decretação de nulidade do decisum, tendo em vista que o mesmo refere-se ao PIS, enquanto a exação é da COFINS. Argúi que o direito de a Fazenda constituir os referidos créditos foi alcançado pela decadência, devendo ser aplicado o prazo do § 40 do artigo 150 do CTN. Por fim, insurge-se contra a aplicação da Taxa SELIC como juros moratórios, ao fundamento de que a mesma é confiscatória e ilegal, postulando a aplicação de juros moratórios de 1% a.m., com base no § 1° do artigo 161 do CTN. À fl. 68, arrolamento de bens para seguimento do recurso. É o relatório. yir 2 , 22 CC-MF Ministério da Faz,enda ; - 2" Lis Fl. I:. Erj Segundo Conselho de Contribuintes e r:R," CC O ertiGiNAL ';ianf? 6R,;LiA Processo n° : 10830.003513/98-02 e A' Recurso n° : 126.291 VISTO Acórdão n° : 202-15.754 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE A preliminar pugnada deve ser provida. Ocorre que a decisão a quo refere-se em seu todo à contribuição para o PIS, não sendo mero erro material, sendo citado, inclusive o Decreto que regulamentou aquela contribuição. Como o presente recurso versa exação referente à COFINS, estreme de dúvidas que a r. decisão é nula, pois estar-se-ia suprimindo uma instância em relação à matéria efetivamente veiculada no lançamento. Ante o exposto, DECLARO A NULIDADE DA R. DECISÃO, DEVENDO OUTRA SER PROLATADA EM BOA FORMA, AFRONTANDO A COFINS. APÓS, REABRA-SE O PRAZO PARA RECURSO A ESTE COLEGIADO. É assim que voto. Sala das Sessões, em 12 de agosto de 2004 JORGE FREIRE 3
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003824/2002-92
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - PRAZOS - PEREMPÇÃO: O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Não observado o preceito, dele não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 202-14775
Decisão: Por unanimidade votos, não se conheceu do recurso, por perempto.
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200305
ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - PRAZOS - PEREMPÇÃO: O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Não observado o preceito, dele não se toma conhecimento.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
numero_processo_s : 10830.003824/2002-92
anomes_publicacao_s : 200305
conteudo_id_s : 4122583
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 202-14775
nome_arquivo_s : 20214775_120813_10830003824200292_006.PDF
ano_publicacao_s : 2003
nome_relator_s : Antônio Carlos Bueno Ribeiro
nome_arquivo_pdf_s : 10830003824200292_4122583.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade votos, não se conheceu do recurso, por perempto.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
id : 4673897
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669635108864
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T17:08:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T17:08:50Z; Last-Modified: 2009-10-23T17:08:51Z; dcterms:modified: 2009-10-23T17:08:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T17:08:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T17:08:51Z; meta:save-date: 2009-10-23T17:08:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T17:08:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T17:08:50Z; created: 2009-10-23T17:08:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-10-23T17:08:50Z; pdf:charsPerPage: 985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T17:08:50Z | Conteúdo => i tte -r ao • Rubrica, fr0h 22 CCMF '• Ministério da Fazenda Fl. tn Ira Segundo Conselho de Contribuintes çjr Processo n° : 10830.00382412002-92 Recurso n° : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 Recorrente : GEVISA S/A Recoreida : DRJ em Ribeirão Preto - SP NORMAS PROCESSUAIS — PRAZOS - PEREMPÇÃO: O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto n' 70.235/72. Não observado o preceito, dele não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: GEVISA S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2003 f , lenrirsite Pinheiro To es Presidente siC 1‘. - o -11 peiro 7-Relato r Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Ana Neyle Olímpio Holanda, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Nayra Bastos Manatta e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 1 : 22 CC-NIF 't -;;•• Ministéno da Fazenda Fl. ,' Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10830.003824/2002-92 Recurso n° : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 Recorrente : GEVISA 5/A RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 449/457: "Em 18/12/2000 foi lavrado o auto de infração de j1s. 344 a 378 para exigir R$3. 561.925,59 de IPI, R$ 1.594.982,33 de juros de mora e R$ 4.007.166.15 de multa, perfazendo o crédito tributário R$ 9.164.074,0 7. 1. Segundo a descrição dos fatos, foi apurada falta de recolhimento ou recolhimento a menor do imposto em razão das seguintes irregularidades: a) aproveitamento indevido do crédito presumido de IPI; b) aproveitamento indevido do crédito-prêmio de 1P1; c) aproveitamento indevido de créditos recebidos em transferência; d) crédito indevido relativo à multa exigida em processo de parcelamento e e) crédito indevido da correção monetária de saldo credor. 2. Foram dados como infringidos os dispositivos legais invocados às folhas 345 a 347 e glosados todos os valores indevidamente aproveitados. 3. Regularmente notificado, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 379 a 404 em 17/01/2001, subscrita pela advogada Melissa Dia: Serra e instruída com os documentos de jls. 405 a 423. 4. Alegou em preliminar a nulidade do auto de infração e a impossibilidade da inflição dos consectários multa de oficio e juros de mora. 5. No mérito, alegou que cumpriu a legislação do crédito presumido e que a fiscalização não apontou os documentos em que fundamentou a acusação. Também não apontou os produtos que fariam parte do estoque e que não foram excluídos do cálculo do crédito presumido. Argüiu a ilegalidade e a inconstitucionalidade dos atos administrativos invocados como sustentáculo da autuação, frente à Lei n.° 9.363, de 1996 e aos artigos 59 e 150, I, da Constituição. 6. No que tange ao crédito-prêmio, alegou que a consulta formalizada por meio do processo n°10830.002076/97-75, ainda não foi solucionada e que o eventual crédito tributário dai decorrente está com a exigibilidade suspensa. Além disso, a própria fiscalização reconheceu que pende discussão judicial sobre a matéria. Desse modo, não cabe a instauração de procedimento fiscal para apurar suposto crédito tributar', .AM 2 2 CC-MFMinistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes );* Processo n° : 10830.003824/2002-92 Recurso n° : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 decorrente da matéria consultada, nos termos do art. 48 do PAF, nem a pretendida aplicação de multa. uma vez que a exigibilidade está suspensa nos moldes do art. 151 do C77V. A consulta tem o mesmo efeito da denúncia espontãnea e torna inaplicável a multa de oficio. 7. Ainda em relação ao crédito-prêmio, disse ser improcedente a alegação da fiscalização, no sentido de estar vedada da escrituração do beneficio nos livros _fiscais a partir de 01/04/1981, pois o direito ao crédito-prêmio resulta da prorrogação das obrigações impostas pela União à impugnante, decorrentes do referido programa, ao qual foi integrada pelo Termo de Aprovação BEFIEX/BSB n°13, de 1980, tendo sido prorrogado no período de 01/01/1993 a 31/12/1995. Negar esse direito, significa violar o direito adquirido previsto no art. 5°, XXXVI. da Constituição. 8. Relativamente à transferência de créditos, alegou que a fiscalização não exigiu a comprovação da existência de créditos, nem verificou a documentação de outros estabelecimentos da impugnante. o que configura a insubsistência do auto de infração. A intimação da fiscalização questionando os créditos de IPI foi fielmente cumprida. Tais créditos de IPI, foram transferidos por estabelecimentos .filiais e são decorrentes de importações de produtos aplicados pela impugnante na prestação de serviços de reparos e manutenção de motores em outros estabelecimentos, cujos saídas não são tributadas, ou outras operações beneficiadas que geram direito ao crédito na entrada. O direito à transferência decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, sendo aplicável à espécie a Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. 9. Quanto ao crédito dos valores da multa paga em parcelamento, alegou que é indevida a cobrança de 20% pois o parcelamento de débitos configura denúncia espontánea, conforme entendimento jurisprudencial colacionado. Disse que formulou consulta (processo n° 10830.005657/99-76) indagando se estaria correto o seu entendimento quanto à possibilidade de efetuar compensação dos valores indevidamente pagos a titulo de multa cominatória nos parcelamentos. com valores vincendos de outros tributos, nos moldes do art.66. da Lei n° 8.383, de 1991. bem como deixar de recolher a referida multa no vencimento das parcelas .faltantes. Tal consulta ainda não foi respondida. Portanto, não cabe instauração de processo fiscal para exigir crédito tributário decorrente da matéria consultada e nem a aplicação dos consectários, uma vez que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa nos termos do art. 151 do CT7V. A consulta administrativa tem o efeito de denúncia espontánea. sendo incabível a aplicação da multa de oficio. 10. No tocante ao crédito da correção monetária. alegou que se trata de mero mecanismo tendente a preservar o valor aquisitivo da moeda e que se o sujeito ativo tem direito de receber seus créct • 717 25' CC-MF •fr - Ministério da Fazenda -4: ^ u:".:', . Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .i.ztaeTart...!r„, Processo n° : 10830.00382412002-92 Recurso n° : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 monetariamente corrigidos, igual direito cabe ao sujeito passivo, conforme entendimento jurisprudencial colacionado. 11. Finalizando sua defesa, requereu o cancelamento do auto de infração ou pelo menos a exclusão dos con sectários legais. 12. No intuito de subsidiar o bom julgamento da lide, solicitei o desarquivamento dos processos de consulta números 10830.005513/96-11 e 10830.002076/97-75, dos quais extrai cópia de documentos relevantes para a formação da convicção. Tais cópias encontram- se juntadas às fls. 430 e seguintes." Por meio do Acórdão DRJ/RPO n° 624, de 29/01/02 (fls. 451/452), os membros da 2' Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto — SP, por unanimidade de votos, acordaram em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar procedente em parte o auto de infração para reduzir a multa de oficio para 75% e manter o crédito tributário remanescente. Essa decisão foi assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1997, 1998. 1999 Ementa: NULIDADES. Só são nulos os atos praticados com cerceamento do direito de defesaou por autoridade incompetente. IN. CRÉDITO GLOSADO. Glosa-se o crédito presumido quando calculado em desacordo com a legislação de regência. IPL CRÉDITO GLOSADO. Glosa-se o crédito-prêmio de IPI quando não-comprovado que o estabelecimento fazia jus ao beneficio. 'PI CRÉDITO GLOSADO. Glosam-se os créditos recebidos em transferência, quando não comprovada sua legitimidade. IN CRÉDITO GLOSADO. Glosam-se os valores escriturados a crédito na conta-corrente de IPI a titulo de compensação de indébito tributário relativo à multa de mora paga em processo de parcelamento. IPI. CRÉDITO GLOSADO. Glosa-se o valor da correção monetária de saldos credores, escriturada a crédito na conta-corrente de IPI, por inexistência de previsão legaL ,4 ___ 2' CC-MF _ Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 'fiit4:tn';" Processo n° : 10830.003824/2002-92 Recurso n° : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 MULTAS. CONCOMITÂNCIA. Conquanto existente a concomitância na questão da correção monetária do saldo credor. injlige-se a multa de oficio, quando o sujeito passivo descumpre o estabelecido na medida liminar. MULTAS. MAJORAÇÃO. A majoração da multa por falta de atendimento de intimação só se justifica quando a omissão do contribuinte guarda relação de pertinência com o objeto da autuação. MULTAS. EFEITO CONFISCATORIO. A vedação constitucional à utilização de tributo com efeito de confisco é inaplicável às multas administrativas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência de juros de mora em patamares superiores a I% ao mês. Lançamento Procedente em Parte". Cientificada desta decisão em 25.02.02 (AR, fl. 482) a Recorrente, em 28.03.02, interpôs o Recurso de fls. 483/543, encaminhado a este Conselho, acompanhado da prova de observância do requisito de admissibilidade de arrolamento de bens, consoante documentos de fls. 528/543. Neste recurso, em suma, reedita os argumentos de sua impugna , É o relatório/ 5 22 CC-MF 4 a Ministério da Fazenda H. ,:/..)--tzk Segundo Conselho de Contribuintes ;:• tl'it Processo n° : 10830.003824/2002-92 Recurso n" : 120.813 Acórdão n° : 202-14.775 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO A Recorrente tomou ciência da decisão recorrida no dia 25.02.02 (AR, fl. 482), uma segunda-feira, e apresentou o recurso no dia 28.03.02, uma quinta-feira, conforme carimbo da DRF em Campinas - SP aposto no recurso à fl. 483. Entre a data em que a Recorrente teve ciência da decisão recorrida e a de apresentação do recurso medeiam 31 dias O capuz do art. 33 do Decreto n' 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 8.748/93 (Processo Administrativo Fiscal), dispõe que da decisão de primeira instancia: "... caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Segundo o CTN, art. 151, item III, a exigibilidade do crédito tributário é suspensa quando as reclamações e recursos são apresentados nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, no caso, o Decreto n2 70.235/72. Neste particular, o art. 42, inciso I, desse decreto estabelece: "Art. 42- São definitivas as decisões: I - de primeira instáncia. esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. (4" Assim sendo, não tomo conhecimento do recurso, por apresentado a destempo. Sala das Sessões, em 1 • a • aio de 2003 ANT• : • f 6
score : 1.0
Numero do processo: 10835.003241/2004-83
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
EXERCÍCIO: 2000
ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL / APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA DO ADA.
A comprovação da existência de área de preservação permanente
e reserva legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do
ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA por meio
de Ato Declaratório Ambiental - ADA.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.548
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros
Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Nanci Gama
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200808
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2000 ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL / APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA DO ADA. A comprovação da existência de área de preservação permanente e reserva legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental - ADA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10835.003241/2004-83
anomes_publicacao_s : 200808
conteudo_id_s : 4454602
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 303-35.548
nome_arquivo_s : 30335548_137910_10835003241200483_007.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Nanci Gama
nome_arquivo_pdf_s : 10835003241200483_4454602.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
id : 4676438
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:19:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669637206016
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T15:28:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T15:28:50Z; Last-Modified: 2009-11-10T15:28:50Z; dcterms:modified: 2009-11-10T15:28:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T15:28:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T15:28:50Z; meta:save-date: 2009-11-10T15:28:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T15:28:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T15:28:50Z; created: 2009-11-10T15:28:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-11-10T15:28:50Z; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T15:28:50Z | Conteúdo => À CCO3/CO3 Fls. 138 MINISTÉRIO DA FAZENDA•• - .-- TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •>; > TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10835.003241/2004-83 Recurso n° 137.910 Voluntário Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Acórdão n° 303-35.548 Sessão de 13 de agosto de 2008 Recorrente DAMIÃO SC:NEGO Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS • ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2000 ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL / APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA DO ADA. A comprovação da existência de área de preservação permanente e reserva legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental - ADA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão. r O' •.b.1 ANELISE AUDT PRIETO - Presidente CkftNCI Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Bahr Neto. Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 139 Relatório Exige-se do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR — DIAC/DIAT/2000 no valor total de R$ 98.719,77, referente ao imóvel rural denominado Fazenda São Lourenço, com área total de 2.935,4 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 0.745.868-1, localizado no município de Monte Castelo — SP, conforme Auto de Infração de fls. 54 a 61, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 57 e 59. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados na DIAC/DIAT/2000, especificamente as áreas isentas, o interessado foi intimado a apresentar os • seguintes documentos: CPF, Carteira de Identidade, Cópia da Declaração/recibo, Certidão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA ou órgãos ligados a Preservação Ambiental, Certidão ou Matricula atualizada do Registro Imobiliário, Reconhecimento da implantação de projeto técnico e Ato Declaratório Ambiental- ADA. Em resposta, através do requerimento de fl. 05, foram encaminhados exposição de motivos e requerimento de fls. 06 a 13 e os documentos de fls. 14 a 53, os quais são, entre outros: cópia da Carteira de Identidade; do CPF; do comprovante de recolhimento do ITR/2000; da declaração do ITR/2000 e de seu recibo de entrega; das áreas de preservação permanente e reserva legal averbadas junto a Matrícula do Imóvel no RGI de fl. 23 e de Laudo Técnico. A mencionada exposição de motivos e requerimento na realidade se tratam de uma prévia impugnação. Nela já se discorda da exigência do ADA e se menciona a autuação relativa ao ITR/1999 com base no mesmo fato. 41 Com a análise da documentação apresentada, a autoridade fiscal explicou em seu Termo de Verificação que integra o Auto de Infração, fl. 54, que o contribuinte não apresentou o ADA, razão pela qual as áreas isentas declaradas seriam tributadas. Como resultado apurou-se o crédito tributário em questão lavrando-se o Auto de Infração, cuja ciência ao contribuinte, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de fl. 62 datado pelo destinatário,foi dada em 25/11/2004. O interessado, através do requerimento de fls. 65 e 66, apresentou sua impugnação em 23/12/2004, fls. 67 a 85. Após explanar sobre os fatos, reproduzindo parte do I Auto de Infração, em resumo, sob os seguintes títulos, alegou o seguinte: a) Preliminar de nulidade do lançamento — Neste item alega que o lançamento é nulo porque foi efetuado mediante instrumento impróprio e por autoridade lançadora que, para o caso versado nos autos, não tinha competência legal. b) Lançamento por instrumento inadequado e autoridade incompetente — Neste sub-título aprofunda-se na questão de nulidade C-1 2 Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 140 do item anterior. Disserta sobre procedimento de revisão interna e de diligências externas, do Regimento Interno da Receita Federal, bem como dos demais temas ligados aos lançamentos e da competênci de funcionários para efetuá-los. c) Tributação improcedente — Reclama da exigência do ADA reproduzindo os questionamentos já apresentados para o fiscal juntamente com os documentos encaminhados em resposta à intimação, nos quais tratou, longamente, da matéria relativa à intimação indevida para apresentação do ADA. Diz, entre outros assuntos, que sua exigência foi dispensada pela lei n° 9.393/1996. Comenta a respeito de que as áreas isentas não estão sujeitas a prévia comprovação. As áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente existem e estão averbadas na matricula do imóvel. Está apresentando laudo técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART. d) Pedido - Por fim, pede que seja declarada a nulidade do • lançamento, pelas razões deduzidas sob os tópicos "Preliminar de nulidade do lançamento" e "Lançamento por instrumento inadequado e autoridade incompetente, e no mérito seja reconhecida e declara a improcedência da tributação, em razão dos argumentos apresentados na seção "Tributação improcedente, requerendo, se for mantido o lançamento, seja substituído o encargo decorrente da aplicação de juros pela taxa SELIC por juros de 1% ao mês. Instruiu sua impugnação com a procuração de fl. 86 e as fls. 90 a 96 são relativas a providências quantia autenticidade da assinatura do representante do interessado. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Campo Grande–MS, por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário exigido. Exarou-se a seguinte ementa: Ementa:ÁREAS ISENTAS. Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidamente reconhecida mediante Ato Declarató rio Ambiental – ADA, cujo requerimento deve ser • protocolado no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA dentro do prazo lega que é de seis meses após o prazo final para a entrega da Declaração do ITR , e tem como requisito básico a referida averbação. DA mesma forma a are de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico específico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas áreas. JUROS DE MORA – TAXA SELIC. Por determinação legal as quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão em 11/12/06, por AR (fl.111), e apresentou Recurso Voluntário em 06/01/07 (fls.114/126), insistindo nos pontos impugnados e aduzindo em síntese: Ur"' 3 Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 141 nem todos os fiscais têm competência para efetuar todo e qualquer lançamento; - cada lançamento, de oficio ou por auto de infração, tem suas próprias regras de regência; o julgador não deu resposta a essas questões, nem as demais debatidas na defesa perante a primeira instância, o que daria causa à nulidade da decisão; - o Acórdão recorrido argumentou com base em disposições contidas em atos infralegais; - a aplicação ao caso do disposto no artigo 10 do Decreto 4.382/2002 é equivocada, pois o mesmo é posterior ao fato gerador; o § 1° do artigo 17 da Lei n° 6.938/1981 ao dizer que a utilização do ADA é obrigatória para efeito de redução do ITR, não se 1110 refere apenas aos que utilizarem o ADApara esse efeito, e, ainda que o dispositivo fosse aplicável em favor da tese do fisco, o mesmo foi introduzido após o fato gerador; - a redução da base de cálculo não é o mesmo que isenção como reconhece a Constituição Federal no seu artigo 150; - a exigência prevista no § 3 0 do art.10 do Decreto n° 4382 colide com a disposição do §7° do artigo 10 da Lei n°9.393/96 e não se coaduna como disposto no art.17 da Lei 6.938 de 1981; - a inexigência do ADA em relação a reservas legais e áreas de preservação permanente é reconhecida pelo Supremo Tribunal de Justiça, que ainda, reconheceu efeitos retroativos a Medida Provisória que instituiu tal dispensa; - o entendimento do Conselho de Contribuintes também é no sentido de dispensar o ADA; 111 por fim, requer a nulidade do lançamento e da decisão recorrida, por não haver enfrentado todas as fundamentações apresentadas na impugnação. O contribuinte instruiu o recurso anexando relação de bens e direitos para arrolamento. (fls.129 a 134) É o relatório. j'r 4 Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 142 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora \\P Preliminarmente, conheç • ao Recurso Voluntário, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade pre tos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. O processo - • questão versa sobre crédito tributário oriundo de declaração inexata de ITR no valor ai de R$ 98.719,77, incluindo multa e juros de mora, referente ao imóvel rural denomina, • Fazenda São Lourenço, com área total de 2.935,4 ha. • Qu. , o a preliminar de nulidade de lançamento, a mesma encontra-se totalmente descabida, tendo -m vista a plena capacidade do Auditor Fiscal em efetuar a glosa da área em questão. em' . - - - serva-se que o teor do artigo 10, parágrafo 7° da lei 9.393/96, modificado V pela Medida Provisória 2.166/67/2001, cuja edição encontra respaldo no art.106 do CTN, diz que a declaração do contribuinte não está sujeita à prévia comprovação, ou seja, cabe ao Fisco desconstituir a declaração do contribuinte no caso de falsidade da mesma Tal entendimento pauta-se no Princípio da Verdade Material, que deve necessariamente informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento, bem como o próprio processo administrativo fiscal, em todas as suas instâncias. Por conseguinte, se a contribuinte em momento oportuno apresentou documento hábil a comprovar que parte das áreas objeto do tributo se enquadram como de reserva legal e preservação permanente, as mesmas devem ser aceitas salvo prova de fato em contrário. Portanto, entendo que a comprovação de tais áreas, para efeito de sua exclusão • da base cálculo do ITR, independe de reconhecimento perante o IBAMA. Mesmo assim, outros meios foram usados pelo contribuinte para respaldar sua declaração, como Laudo técnico emitido por profissional competente e averbação da área de reserva legal e preservação permanente junto à Matrícula do Imóvel no RGI. De fato, a comprovação da existência de áreas de reserva legal se faz por outros meios. A própria Lei determina um percentual mínimo que deve ser preservado, do imóvel, com tal finalidade. Feita a declaração pelo contribuinte, deve a mesma ser aceita como verídica até prova em contrário. Neste caso, não resta dúvida alguma que o ônus da prova em contrário, ou seja, da inexistência da preservação da área de reserva legal, deve ser do Fisco. O entendimento acima exposto pode ser verificado na seguinte ementa do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes: "ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO cjef , , Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 143 AMBIENTAL DO IBAMA (ADA) E DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL, À ÉPOCA DO FATO GERADOR. A condição de área de reserva legal não decorre nem da averbação da área no registro de imóveis nem da vontade do contribuinte, mas de texto expresso de lei. É suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectá rios legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7°, da Lei n° 9.393/96, modificado pela MP. n° 2.166. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." De um modo geral, fica claro o absurdo do excesso de formalismo exigido pela Autoridade Fiscal em querer apenas considerar, para efeitos de tributação do ITR, tais áreas somente pela apresentação por parte do contribuinte do ADA, além de demonstrar a total não observância do caráter extra fiscal do ITR, por parte do agente ativo. III Este assunto foi tema de brilhante voto no Recurso Voluntário n.°132.799, do ex conselheiro Zenaldo Loibman deste Egrégio Conselho, onde sintetiza bem todo entendimento exposto, que passo a transcrever em parte: "Em sendo área rural sob reserva legal, assim definida nos termos definidos pelo Código Florestal, mesmo não estando averbada, nem tenha sido objeto de requerimento de ADA ao IBAMA, se o proprietário infringir a lei e a utilizar forma indevida estará cometendo crime ambiental. Da mesma forma se for induzido a utilizar a área por decorrência de glosa indevida da isenção tributária quanto ao ITR, e por conta desse erro administrativo vier a utilizar a área impedida de uso. Neste caso, estaria sendo a SRF participante ou indutora do mesmo crime ambiental. A decisão recorrida trouxe à tona o entendimento da SRF que, em resumo, afirma que se não for feita a averbação (exigida na Lei 4.771/65 para outro fim, conforme observamos antes) ou ainda, não sendo requerido o ADA dentro do 1 • prazo estipulado pela SRF, a declarada área de reserva legal, para efeito de ITR, será enquadrada como área aproveitável sujeitando-se a índice de produtividade. Em razão do que antes expusemos neste voto, para que de plano se afaste qualquer propósito de incitação ao crime ambiental, o que de resto ninguém pretende imputar à administração tributária, é forçoso 1 interpretar com a lógica possível a referida orientação da SRF destinada aos contribuintes. A orientação, no máximo, pode apontar aos contribuintes que o fisco reserva-se o direito de presumir a inexistência da área de reserva legal diante da não averbaçã o, bem como em face do não protocolo de requerimento de ADA, e assim supondo-a inexistente apesar de declarada, passa a computá-la como área aproveitável. Registra-se que a Lei 9.393/96, art.10, §7°, dispensa a prévia comprovação da declaração para fins de isenção do ITR, porém nada impede que a fiscalização da SRF, em face de dúvidas quanto à existência efetiva da área declarada, exija do contribuinte a apresentação de prova de sua existência, que de forma alguma se restringe à averbação, ou ao requerimento de ADA. Trata-se ()\( forçosamente de presunção juris tantum, posto que se o interessado, no 6 Processo n° 10835.003241/2004-83 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.548 Fls. 144 prazo legal para impugnação, apresentar prova da existência da reserva legal, de forma alguma poderá prevalecer a presunção somente assumida pelo fisco pela não apresentação de documentos específicos que o próprio fisco elegeu como suficientes para o reconhecimento da área isenta. Registra-se a propósito, ainda uma vez, a impropriedade normativa da SRF, que a rigor nem a averbação nem o requerimento de ADA são provas definitivas da existência da área, aliás, o protocolo de requerimento de ADA ao IBAIVIA não constitui nem minimamente prova de existência da área, e a averbação exigida na Lei 4.771/65 cumpre específica missão de publicidade quanto ao compromisso de preservação ambiental para efeito de responsabilidade administrativa, civil e penal. O interessado poderia perfeitamente ser provocado a apresentar provas de melhor qualidade, quando exigidas pela fiscalização, a saber, laudo técnico competente, com a descrição topográfica e geográfica da área de modo a identificar a sua definição conforme o Código Florestal, ato legal especifico quanto a ser área de interesse ecológico quando for o caso, ou parecer de órgão ambiental competente federal ou estadual. Nada impede que, eventualmente, a administração tributária possa pôr em dúvida ser a área declarada/informada efetivamente uma área legalmente isenta. Neste caso caberia investigar, amealhar comprovações idôneas para eventualmente demonstrar o estado da propriedade diferente do alegado, com sustentação probatória. Se acaso a administração tributária, mediante investigação, vale dizer efetiva fiscalização, viesse a identificar divergência com o que foi informado e identificado pelo declarante como área isenta, poderia, nos termos da lei, responsabilizá-lo tributária e penalmente. No caso concreto, em nenhum momento o fisco pretendeu contestar a existência da área de reserva legal, parecendo pretender uma inviável preferência à forma em detrimento da matéria substancial, infringindo os princípios da legalidade e da verdade material. São inadmissíveis as pré-condições arbitrárias e inadequadas, impostas por via de IN SRF, para a isenção de áreas de interesse ambiental definidas no Código Florestal, porque conforme afirmou o recorrente representaria ofensa injustificável ao princípio da legalidade, cuja observância constitui garantia fundamental do contribuinte, e ao contrário do que parece afirmar a decisão recorrida, incumbe e obriga também os órgãos julgadores administrativos." Isto posto, VOTO no sentido de dar provimento ao recurso para reformar a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande — MS, excluindo a glosa das áreas declaradas como isentas do ITR pelo contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2008 Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001258/95-26
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
Ementa: FINSOCIAL - INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do FINSOCIAL é o receita bruta de venda de mercadoria, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receitabruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do FINSOCIAL. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-05437
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Renato Scalco Isquierdo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199904
ementa_s : FINSOCIAL - INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do FINSOCIAL é o receita bruta de venda de mercadoria, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receitabruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do FINSOCIAL. Recurso negado.
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
numero_processo_s : 10835.001258/95-26
anomes_publicacao_s : 199904
conteudo_id_s : 4465141
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 203-05437
nome_arquivo_s : 20305437_102366_108350012589526_003.PDF
ano_publicacao_s : 1999
nome_relator_s : Renato Scalco Isquierdo
nome_arquivo_pdf_s : 108350012589526_4465141.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 1999
id : 4675991
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:19:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669643497472
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-30T08:18:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-30T08:18:41Z; Last-Modified: 2010-01-30T08:18:41Z; dcterms:modified: 2010-01-30T08:18:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-30T08:18:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-30T08:18:41Z; meta:save-date: 2010-01-30T08:18:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-30T08:18:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-30T08:18:41Z; created: 2010-01-30T08:18:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-01-30T08:18:41Z; pdf:charsPerPage: 1334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-30T08:18:41Z | Conteúdo => n.o PUBLI:ADO NO D.O. U. Es o S' is C .5-4 C Rubrica - MINISTÉRIO DA FAZENDA e 1 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10835.001258/95-26 Acórdão : 203-05.437 Sessão 28 de abril de 1999 Recurso : 102.366 Recorrente : EXPRESSO ADAMANTINA S.A. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP FINSOCIAL - INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do FINSOCIAL é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do FINSOCIAL. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: EXPRESSO ADAMANTINA S.A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Sala das Sessões, em 28 de abril de 1999 ()Maio D. tas Cartaxo Presidente enato Scalas uierdo Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Francisco Sérgio Nalini, José de Almeida Coelho (Suplente), Mauro Wasilewski, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Lina Maria Vieira e Sebastião Borges Taquary. LDSS/CF 1 .96 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10835.001258/95-26 Acórdão : 203-05.437 Recurso : 102.366 Recorrente : EXPRESSO ADAMANTINA S.A. RELATÓRIO Trata o presente processo do Auto de Infração fls. 01 e seguintes, lavrado para exigir a Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL do período de janeiro a março de 1992. A referida Contribuição, como se verifica da descrição dos fatos e enquadramento legal, foi lançada calculada à alíquota de 0,5%. Devidamente cientificada da autuação, a interessada, tempestivamente, impugnou a exigência, por meio do Arrazoado de fls. 21 a 29, no qual suscita as legitimidade do procedimento de exclusão da base de cálculo do FINSOCIAL do valor do ICMS. A autoridade julgadora de primeira instância, na Decisão de fls. 33 e seguintes, julgou parcialmente procedente a ação fiscal. A referida decisão teve a seguinte ementa: "BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo da contribuição ao Fundo de Investimento Social é a receita bruta mensal, ajustada pelas deduções e exclusões admitidas na legislação de regência." Inconformada com a decisão da autoridade monocrática, a interessada interpôs Recurso Voluntário dirigido a este Colegiado (fls. 42 a 51), no qual repisa seus argumentos já expendidos na impugnação, sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do FINSOCIAL. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em Contra-Razões de recurso (fls. 55), pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. 41/ A 2 J n.4 . . „ ... MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .... ,, ,..- Processo : 10835.001258/95-26 Acórdão : 203-05.437 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RENATO SCALCO ISQUIERDO O recurso é tempestivo e, tendo atendido os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente versa exclusivamente sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do FINSOCIAL. E nesse ponto não há reparos a ser feitos na decisão recorrida, que corretamente decidiu a questão. O FINSOCIAL tem como base de cálculo a receita bruta de vendas de mercadorias e serviços, admitidas as exclusões expressamente previstas na lei, entre as quais não é citado o ICMS. Não havendo autorização expressa para a referida exclusão, e integrando o ICMS a receita bruta de vendas tal como conceituado em legislação própria, é por demais claro que tal parcela compõe a base de cálculo. Aliás, essa tem sido a orientação jurisprudencial deste Conselho, conforme, entre outros, se verifica dos seguintes julgados: "FINSOCIAL - O ICMS integra o preço de venda da mercadoria e, por conseguinte, o faturamento receita bruta da empresa, não podendo ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL." (Acórdão n° 201-67006/91, Relator Conselheiro Roberto Barbosa de Castro) "FINSOCIAL - INCIDE SOBRE O FATURAMENTO DO QUAL NÃO SE EXCLUI O ICMS - Exigível a contribuição calculada sobre o faturamento, aí incluído o ICMS." (Acórdão n° 202-04734/91, Relator Conselheiro Antonio Carlos de Moraes) "F1NSOCIAL - O ICMS integra a base de cálculo do FINSOCIAL." (Acórdão n° 203-00272/93, Relator Conselheiro Sebastião Borges Taquary) Por todos os motivos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de abril de 1999 - ---- - 4AÃ7 ATO CAL ISQUIERDO 3
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007100/2004-80
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA - CRITÉRIO TEMPORAL DO FATO GERADOR - A omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal e tributada na tabela progressiva anual, com fato gerador em 31 de dezembro.
DECADÊNCIA - GANHO DE CAPITAL - A tributação autônoma e definitiva do ganho de capital, que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, impõe a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150 do CTN, com termo inicial na data da alienação do bem.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO - INOCORRÊNCIA - A Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõe-se que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTAS CONJUNTAS - Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - A Súmula nº 14 do 1º CC dispõe que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-49.015
Decisão: Acordam os membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para a operação referente a ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Núbia Matos Moura, que não acolhem a preliminar e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro que a acolhia apenas para os fatos geradores referentes aos meses de outubro e novembro de 2004. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de irretroatividade. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares. Por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa aplicada. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das exigências os valores de R$ 51.587,00, no ano de 1999 e R$ 55.650,00, no ano de 2000. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, em relação aos valores referente à conta corrente conjunta com o filho, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200804
ementa_s : MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA - CRITÉRIO TEMPORAL DO FATO GERADOR - A omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal e tributada na tabela progressiva anual, com fato gerador em 31 de dezembro. DECADÊNCIA - GANHO DE CAPITAL - A tributação autônoma e definitiva do ganho de capital, que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, impõe a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150 do CTN, com termo inicial na data da alienação do bem. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO - INOCORRÊNCIA - A Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõe-se que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTAS CONJUNTAS - Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - A Súmula nº 14 do 1º CC dispõe que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10830.007100/2004-80
anomes_publicacao_s : 200804
conteudo_id_s : 4212448
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 102-49.015
nome_arquivo_s : 10249015_147335_10830007100200480_023.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : José Raimundo Tosta Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10830007100200480_4212448.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para a operação referente a ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Núbia Matos Moura, que não acolhem a preliminar e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro que a acolhia apenas para os fatos geradores referentes aos meses de outubro e novembro de 2004. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de irretroatividade. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares. Por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa aplicada. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das exigências os valores de R$ 51.587,00, no ano de 1999 e R$ 55.650,00, no ano de 2000. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, em relação aos valores referente à conta corrente conjunta com o filho, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
id : 4674814
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669648740352
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T13:58:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T13:58:24Z; Last-Modified: 2009-09-09T13:58:24Z; dcterms:modified: 2009-09-09T13:58:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T13:58:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T13:58:24Z; meta:save-date: 2009-09-09T13:58:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T13:58:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T13:58:24Z; created: 2009-09-09T13:58:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2009-09-09T13:58:24Z; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T13:58:24Z | Conteúdo => e CCO I /CO2 Fls. I e. .4" • - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ati> SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10830.007100/2004-80 Recurso n° 147.335 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 2000 a 2003 Acórdão n° 102-49.015 Sessão de 24 de abril de 2008 Recorrente FELICE AGGIO Recorrida 6 TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA - CRITÉRIO TEMPORAL DO FATO GERADOR - A omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal e tributada na tabela progressiva anual, com fato gerador em 31 de dezembro. DECADÊNCIA - GANHO DE CAPITAL - A tributação autônoma e definitiva do ganho de capital, que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, impõe a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150 do CTN, com termo inicial na data da alienação do bem. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO — INOCORRÊNCIA - A Lei Complementar n° 105, de 2001, e o Decreto n° 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõe-se que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTAS CONJUNTAS - Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - A Súmula n° 14 do 1° CC dispõe que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso parcialmente provido. 4\ 4' , Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 2 Acordam os -membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para a operação referente a ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Núbia Matos Moura, que não acolhem a preliminar e !vete Malaquias Pessoa Monteiro que a acolhia apenas para os fatos geradores referentes aos meses de outubro e novembro de 2004. Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de irretroatividade. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que apresenta declaração de voto. Por unanimidade de votos, AFASTAR as demais preliminares. Por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa aplicada. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das exigências os valores de R$ 51.587,00, no ano de 1999 e R$ 55.650,00, no ano de 2000. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, em relação aos valor referente à conta corrente conjunta com o filho, nos termo- *o voto do Relator. I 4_21' • • 10,5.. PESSOA MONTEIRO PRESI E 01 JOSE 'w- i • e ; D Ijk STA SANTOS RELATOR FORMALIZADO EM: 01 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. 2 : , Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 3 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão DRJ/CTA n° 12.093 (fls. 475/508), de 08/04/2005, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas, e, no mérito, julgou parcialmente procedente a exigência tributária. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 31 a 43, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente Exercícios 2000, 2001, 2002 e 2003, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 5.596.448,44, sendo R$ 1.803.467,61 referentes a imposto, R$ 2.701.293,16 relativos à multa e R$ 1.091.687,67 são cobrados a título de juros de mora. O interessado tomou ciência do Auto de Infração em 08/12/2004, conforme AR de fl. 437. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 32 a 35) foram apuradas as seguintes infrações: Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos. O valor de alienação do imóvel (R$117.325,00) reduzido do custo declarado (R$ 69.397,27) aponta para um ganho de capital no montante de R$ 47.927,73, conforme Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do presente Auto de Infração. A venda ocorreu em 27/10/99, e, apesar de declarado, não houve a apuração do correspondente ganho de capital: R$ 24.575,00 em 27/10/99; R$ 18.550,00 em cinco parcelas, sendo que a primeira venceu em 27/11/99 e as seguintes nos meses subseqüentes. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal. Os fatos geradores ocorreram de janeiro/1999 a dezembro/2002. Sobre o principal incidiu multa de oficio de 150%. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 04 a 13, foram consignadas as seguintes observações acerca do auto de infração objeto do presente: por meio do Termo de Início de Fiscalização, foi o contribuinte intimado a apresentar cópias dos documentos de aquisição e alienação de imóveis efetuadas no período compreendido pelos anos-calendário de 1999 a 2002 e extratos de suas contas bancárias, comprovando ainda mediante apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos recursos que possibilitaram os créditos e depósitos; o contribuinte apresentou cópias dos extratos bancários solicitados e um documento denominado "Parecer Técnico", no qual pretende justificar a origem dos recursos; foi novamente intimado a comprovar a origem dos depósitos constantes no documento "Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários" elaborado pela fiscalização por meio de documentação hábil e idônea, tendo informado em sua resposta que a origem estava justificada em seu "Parecer Técnico", o qual assumia como válido a comprovar os mencionados recursos. 3 : Processo? 10830.007100/2004-80 CC01/072 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 4 Os valores informados nas declarações de ajuste dos anos-calendário em apreço e os valores depositados/creditados em suas contas bancárias, na qual se percebe a discrepância existente entre os valores declarados à Receita Federal e os efetivamente movimentados pelo contribuinte: Ano-calendário Rendimentos Total dos declarados (R$) créditos (R$) 1999 128.229,25 2.404.173,04 2000 89.720,84 1.805.734,52 2001 151.987,47 1.348.550,37 2002 120.772,63 980.657,26 No período, o contribuinte declarou como saldo bancáno um valor que não atingiu o valor de R$ 100.000,00, de forma que jamais se descobriria tal movimentação financeira somente pela análise das declarações. O contribuinte apresentou "Parecer Técnico" no qual tentou justificar a origem dos recursos que possibilitaram os depósitos/créditos em suas contas bancárias. Nele é alegado que na movimentação bancária do contribuinte existem "operações em cascata ou encadeadas entre si" que surgem como resultado de "operações típicas de natureza eventual e semelhantes às operações de compra e venda de bens". O contribuinte não comprovou que sua movimentação financeira é decorrente de operações de compra e venda, não tendo ainda comprovado com documentação hábil e idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos. Limita-se o contribuinte a apresentar planilhas com valores que, segundo ele, corresponderiam aos valores efetivamente movimentados, e que ele próprio arbitrou em 5%, sem a apresentação de qualquer documentação que pudesse amparar suas alegações. Se o contribuinte pretendia que sua pessoa física fosse equiparada à pessoa jurídica, com o intuito de arbitrar os rendimentos, deveria ter apresentado documentação idônea que provasse se tratar de atividade que permite equiparação à pessoa jurídica. Foram excluídas, quando identificadas, as transferências entre o mesmo titular, créditos estornados e os créditos resultantes de baixas de aplicações. Com relação à qualificação da multa de oficio, o fiscalizado demonstrou ânimo em fugir da tributação, tendo apresentado em quatro anos consecutivos declarações de imposto de renda com valores infinitamente menores que os valores creditados em suas contas correntes. A informalidade das atividades econômicas do contribuinte, conforme ele mesmo alegou, associada à fuga da tributação caracteriza o dolo do impugnante. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação de fls. 442 a 470, o Órgão julgador de primeiro grau, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas, e, no I 4 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCO1 /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 5 mérito, julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo da omissão no ano de 1999 o montante de R$14.685,00, referente à metade dos valores sem origem comprovada depositados em conta bancária mantida em conjunto, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Aplica-se a regra geral do art. 173, inciso I, do CTIV, iniciando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tanto relativamente à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada quanto relativamente ao ganho de capital apurado pela alienação de bem imóvel do contribuinte. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N°105/2.001 E DA LEI N' 10.1 74/2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Consoante disposição legal, os rendimentos não oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual serão apurados mensalmente e computados na determinação da base de cálculo anual do tributo, cobrando-se o imposto anual com o acréscimo da multa de oficio e dos juros de mora. INDISPENSABILIDADE DOS EXAMES DE EXTRATOS BANCÁRIOS. Movimentação financeira superior a dez vezes a renda declarada torna indispensável o exame dos extratos bancários nos termos do Decreto n° 3.724/2001. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. 4-1 5 , Processo n° 10830.00710012004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 6 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. CONTA CONJUNTA. Nos termos da IN 246/2002, há que se exonerar a parcela relativa aos depósitos efetuados em conta corrente conjunta, em que o co-titular tenha apresentado declaração de rendimentos em separado. GANHO DE CAPITAL. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. MULTA QUALIFICADA. A caracterização de ação dolosa visando a reduzir o montante do imposto devido, dá ensejo à aplicação da multa qualificada. • Lançamento Procedente em Parte Em sua peça recursal (fls. 526/568), alega ter decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito em relação ao ganho de capital na venda de imóvel em outubro de 1999, e para os fatos geradores de janeiro a novembro/1999 da omissão caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, pois tomou ciência do AI em dezembro de 2004. Acrescenta que o fato gerador se consuma quando da celebração do contrato, embora a tributação do imposto devido possa ser diferida na proporção do recebimento do montante contratado. Alega, ainda preliminarmente, que o lançamento é nulo de pleno direito, tendo em vista inobservância dos procedimentos constantes na IN SRF 246/2002, tendo em vista que a conta corrente era conjunta, sendo que o co-titular apresentou declaração em separado; erro na determinação do momento da ocorrência do fato gerador, que é mensal, conforme dispõe o §§ 1° e 4° da Lei n° 9.430, de 1996; falta de autorização judicial para quebra do sigilo bancário, considerando ter havido violação a direitos individuais; a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174, também de 2001; o uso de informações da CPMF para constituição de crédito tributário para anos anteriores a 2000 e a inobservância das regras fixadas no Decreto n°3.724/2001. No mérito, entende ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado apenas com base em extratos ou depósitos bancários, pois fere de morte o conceito de renda estampado no artigo 43 do CTN. Aduz que o Parecer Técnico juntado aos autos permite o arbitramento do lucro, por meio da equiparação do contribuinte à pessoa jurídica. Insurge-se contra a desconsideração dos rendimentos declarados e dos já tributados. Cita acórdãos da 4' Câmara deste Conselho, para requerer sejam considerados como origem os valores tributados nos meses anteriores (elabora quadro demonstrativo às fls. 555/562). Afirma ser totalmente improcedente a manutenção da multa qualificada, devido à inexistência do "evidente intuito de fraude" exigido pela lei, incompatível também com a tributação centrada em presunção legal. Transcreve jurisprudência administrativa sobre a matéria. ct. 6 • , Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/c02 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 7 Arrolamento de bens controlado no processo administrativo n° 10830.007099/2004-93, conforme despacho à fl. 610. É o Relatório. 4-‘ 7 .1 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 8 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Em relação à preliminar de decadência, este Primeiro Conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido que as alterações legislativas do imposto de renda, ao atribuir à pessoa fisica a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classifica-se na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN, pois a entrega da declaração de rendimentos converteu-se em mero cumprimento de obrigação acessória (repasse ao órgão administrativo de informações para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária, com ou sem obrigação principal a ser adimplida — Acórdão CSRF/01-04.493 de 14/04/2003 — DOU de 12/08/2003). A natureza do lançamento é determinada pela legislação do tributo, que impõe ao sujeito passivo a obrigação de ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade. Se não houver imposto a pagar, por ter havido prejuízo ou pela operação não estar sujeita à incidência tributária, a natureza do lançamento não se altera. Com efeito, a existência ou não do pagamento é irrelevante para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4°, consoante entendimento consagrado neste Conselho: IRPF — DECADÊNCIA — GANHO DE CAPITAL - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atributo ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá- se na forma disciplinada no §4° do artigo 150 do CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador. (Acórdão CSRF/01-04.493 de 14/04/2003 — DOU de 12/08/2003). DECADÊNCIA — 1RPJ — Exercício 1993 — O Imposto de renda pessoa jurídica se submete à modalidade de lançamento por homologação, eis que é *nereida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do "quantum" devido, independente de notificação, sob condição resolutó ria de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe do prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador, para homologá-lo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide de hipótese de sonegação, fraude ou conluio (ex-vi do disposto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento, vez que o contribuinte continua sujeito aos encargos decorrentes da obrigação inadimplida (atualização, multa, juros etc. a Ch\ 8 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 p1, partir da data de vencimento originalmente previsto, ressalvado o disposto no art. 106 do CTI§O. PRELIMINAR QUE SE ACOLHE. (Recurso 121157, Acórdão 101- 93.146, Julgamento em 16.08.2000). No mesmo sentido, na edição de outubro/dezembro de 2000 da "Tributação em Revista", foi publicado um artigo da lavra dos Auditores Fiscais Antonio Carlos Atulin e José Antonio Francisco, em que se exalta este entendimento com as seguintes considerações: (.) ousamos afirmar que o pagamento antecipado não é da essência do lançamento por homologação. A hipótese típica do lançamento por homologação é a previsão legal do dever de o sujeito passivo antecipar o pagamento: o fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento por homologação, que, para ocorrer, deve apenas ter previsão legal a respeito do dever de o sujeito passivo fazer a antecipação do pagamento. O fato de eventualmente inocorrer a antecipação do pagamento não desnatura o lançamento por homologação (.). Claro está que a atividade não pode ser apenas a existência do pagamento. Na hipótese de não haver pagamento, pode, perfeitamente, incidir a hipótese típica do lançamento por homologação, posto que o sujeito passivo pode ter cumprido o dever legal e dele ter concluído que não há o que pagar. No que tange à decadência mensal oportuno ver antes as disposições do art. 18 da Lei Complementar n°95, de 26 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre a elaboração das leis, a redação, a alteração, verbis: Art. 18. Eventual inexatidão formal de norma elaborada mediante processo legislativo regular não constitui escusa válida para o seu descumprimento. A orientação da Lei Complementar é no sentido de que ao aplicador da lei cabe buscar o sentido da norma e aplicá-la jungida ao seu objetivo, sem negar ou restringir a sua aplicação. No caso da Lei n° 9.430, é inquestionável que o legislador buscou instrumentalizar o fisco para alcançar aqueles contribuintes com movimentação financeira incompatível com os valores informados nas Declarações de Ajuste Anual. A norma complementar encontra sua justificativa no principio da legalidade ao qual se junta o princípio da finalidade, cujo sentido, expõe Celso António Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, São Paulo, 2005, Malheiros, 18 ed. p. 97, verbis: Por força dele a Administração subjuga-se ao dever de alvejar sempre a finalidade normativa, adscrevendo-se a ela. (..) "o fim da lei é o mesmo que seu espírito e o espirito da lei faz parte da lei mesma". (.) "o espírito da lei, o fim da lei, forma com o seu texto um todo harmónico e indestrutível, e a tal ponto, que nunca poderemos estar C.fr 9 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCO I /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 10 seguros do alcance da norma, se não interpretarmos o texto da lei de acordo com o espírito da lei". Em rigor, o princípio da finalidade não é uma decorrência do princípio da legalidade. É mais que isto: é uma inerência dele; está nele contido, pois corresponde à aplicação da lei tal qual é; ou seja na conformidade de sua razão de ser, do objetivo em vista do qual foi editada. Por isso se pode dizer que tomar uma lei como suporte para a prática de ato desconforme com sua finalidade não é aplicar a lei; é desvirtuá-la; é burlar a lei sob pretexto de cumpri-la. Daí por que os atos incursos neste vício — denominado "desvio de poder" ou "desvio de finalidade" — são nulos. Quem desatende ao fim legal desatende à própria lei. Acerca da interpretação da norma legal, seguindo o principio da finalidade, são oportunas as lições de Carlos Maximiliano, em Hermenêutica e Aplicação do Direito, Rio de Janeiro, 1998, Forense, lr ed., p. 128, verbis: Consiste o Processo Sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Por umas normas se conhece o espírito das outras. Procura-se conciliar palavras antecedentes com as conseqüentes, e do exame das regras em conjunto deduzir o sentido de cada uma. Em toda ciência, o resultado do exame de um só fenômeno adquire presunção de certeza quando confirmado, contrasteado pelo estudo de outros, pelo menos dos casos próximos, conexos; à análise sucede a síntese; do complexo de verdades particulares, descobertas, demonstradas, chega-se até a verdade geral. O Direito objetivo não é um conglomerado caótico de preceitos; constitui vasta unidade, organismo regular, sistema, conjunto harmônico de normas coordenadas, em interdependência metódica, embora fixada cada uma no seu lugar próprio. De princípios jurídicos mais ou menos gerais deduzem corolários; uns e outros condicionam e restringem reciprocamente, embora se desenvolvam de modo que constituem elementos autônomos operando em campos diversos. Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame do conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Com estas orientações, não resta dúvida de que a interpretação sistemática da legislação se faz necessária. As antecipações mensais, previstas na Lei n° 7.713, de 1988, não suprimiram o fato gerador anual do tributo (artigos 2° e 9° da Lei n° 8.134, de 1990), que abarca todos os rendimentos auferidos no ano, as deduções, sendo esta base de cálculo que irá prevalecer para a apuração do quantum debeatur, com a conseqüente restituição do imposto retido durante o ano base ou o pagamento suplementar do tributo. As exceções à regra são os casos de tributação definitiva (renda variável e ganho de capital) e os rendimentos tributados exclusivamente na fonte (prêmios, 13' salário etc). Não há no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, nenhuma disposição neste sentido. 10 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 11 No decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte, camê-leão ou por meio do pagamento espontâneo, o imposto que será apurado em definitivo após o encerramento do ano-calendário. E nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído. Por ser do tipo complexo (complexivo, complessivo), segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do ano. Não seria correta, portanto, a afirmação de que o IRPF possui como data de ocorrência do fato gerador o último dia de cada mês e o termo inicial de contagem da decadência o 10 dia útil do mês seguinte. As omissões ocorridas durante os meses do ano comportam-se, no presente caso, no fato gerador concluído no final do ano-calendário. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem, que transitaram pela conta bancária do recorrente deve ser apurada, portanto, em base mensal — como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas fisicas, em consonância com as disposições das Leis n°s 7.713/1988, 8.134/1990, 8.383/1991, 9.250/1995 e 9.430/1996 — e tributada no ajuste anual, pois não se pode presumir o regime de tributação dos numerários depositados. Se a legislação não excepcionou a regra de tributação para esta omissão, impondo uma incidência autónoma e definitiva, deve-se levá-la à regra geral, que é apuração em base mensal, sem prejuízo do ajuste anual, coerentemente com o que dispõe a legislação já mencionada. Sacha Calmon Navarro Coelho, explica que "o legislador pode dizer que o fato gerador do IR das pessoas jurídicas ocorre na data dos respectivos balanços", in Comentários à Constituição de 1988— Sistema tributário, 4 ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 218. Leandro Paulsen, ministra que "o imposto de renda da pessoa fisica tem periodicidade anual, com antecipações de pagamento mensais. O imposto de renda da pessoa jurídica pode ser anual ou trimestral, dependendo de opção da empresa, nos termos do que dispõe o art. 1° da Lei n° 9.430/1996", in Direito tributário. Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre, 2001. Livraria do Advogado, p. 522. O Ministro Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, no RESP 584.195 / PE, julgado em 19.02.2204, deixa assente que "o conceito de renda envolve necessariamente um período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é anual. Mais a mais, é complexa a hipótese de incidência do aludido imposto, cuja ocorrência dá-se apenas ao final do ano-base, quando poderá se verificar os últimos dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo". No caso específico do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, sob pena de inviabilizar a sua aplicação, é impossível apurar o fato gerador a cada mês. Como visto, são dois os limites estabelecidos pelo legislador: valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). A medida em que forem abandonados valores mensais, por suposta decadência, o limite anual será afetado, inviabilizando a aplicação da norma. Reitere-se, também, que o fato gerador há que ser anual, posto não se tratar de tributação exclusivamente na fonte ou definitiva, circunstâncias em que o critério temporal da hipótese de incidência seria diverso do anual. Neste sentido, dispõe a Instrução Normativa SRF n° 246, de 20 de novembro de 2002, que trata especificamente da tributação dos valores 11 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 12 creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos: An. 1° Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. I° Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (.) Art. 4° Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. § 1° Ao imposto suplementar apurado na forma do caput será aplicada a multa de que tratam os incisos I ou II do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. § 2° Na hipótese de comprovação da origem, os rendimentos omitidos serão apurados no mês em que forem recebidos e tributados segundo sua natureza, aplicando-se a multa de que trata o § I°, e, se for o caso, a multa do inciso II! do § 1° do mesmo dispositivo legal. [grifou-se]. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 08/12/2004 (fl. 437), e, para omissões apurados durante o ano-calendário de 1999 (com fato gerador em 31/12/1999), a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2000 com termo final em 31/12/2004. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência, em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósito bancário sem origem comprovada, e a acolho em relação ao ganho de capital, tendo em vista o fato gerador desta exigência ocorreu em 27/10/1999. Em se tratando de lançamento por homologação, de acordo com o § 4° do art. 150 do CTN, o termo inicial do prazo de decadência é a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso do imposto de renda, o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, que no presente caso, ocorreu no momento da alienação do imóvel com ganho de capital. O diferimento do pagamento do tributo em nada interfere na hipótese tributária ganho de capital, que será calculado segundo as regras de tributação vigentes na data da alienação do bem. O prazo decadencial só seria deslocado para o artigo 173 do CTN se comprovada a intenção dolosa da contribuinte, conforme dispõe a parte final do § 4° do artigo 150 do CTN, circunstância inexistente para a infração indicada no item 001 do lançamento (fl. 32), sobre a qual foi aplicada a multa básica de 75%. 12 Processo n° 10830.007100/2004-80 CC0I1CO2 Acórdão o.° 102-49.015 Fls. 13 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a multa de oficio foi qualificada tendo em vista que o fiscalizado demonstrou ânimo em fugir da tributação, apresentando em quatro anos consecutivos declarações de imposto de renda com valores infinitamente menores que os valores creditados em suas contas correntes; que a simples omissão do contribuinte em prestar as informações devidas à autoridade tributária é capaz de gerar omissão de rendimentos; que a informalidade das atividades econômicas do contribuinte, conforme ele mesmo alegou, associada à fuga da tributação, caracteriza o dolo do impugnante. Discordo deste posicionamento tendo em vista o que estabelece o artigo 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declara çâo inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos uns. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) Pela letra da lei, sempre que o lançamento do crédito tributário for realizado pelos Agentes do Fisco, há que ser exigida a multa de oficio no percentual de 75%, nos casos de falta de pagamento, falta de declaração, declaração inexata, ou de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, dos quais se transcreve aquele que fundamenta o lançamento, verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A dificuldade de aplicação do dispositivo inicia com o que deve ser interpretado por "evidente intuito de fraude". Conforme o vernáculo do dicionário Novo Aurélio, evidente significa algo "que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente"; intuito, significa "objeto que se tem em vista; ck\ 13 . Processo n°10830.007100/2004-80 CCOI /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 HL 14 intento, plano; fim, escopo"; e fraude, "abuso de confiança; ação praticada com má-fé, falsificação, adulteração". Deste ponto, verifica-se que a aplicação da penalidade qualificada exige da autoridade lançadora a demonstração das figuras típicas da sonegação, da fraude, e do conluio de maneira clara, manifesta, patente. O intuito há que ficar caracterizado pela existência de um plano, um intento visando um objetivo de falsificar, adulterar, enfim, urdir meios para que a sonegação possa ser concretizada fora do horizonte do fisco. Quando se trata de depósitos bancários, disposições legais (artigos 1°, 2° e 11, § 2° da Lei n°9.311, de 1996, artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002), determinam que os volumes movimentados sejam continuamente informados à Secretaria da Receita Federal, identificando seus respectivos titulares. Não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador nessas circunstâncias. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo movimentação financeira o contribuinte não tem como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. A qualificação da multa também não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento, pois neste sentido não dispõe a norma. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basear-se, sim, na conduta adotada pelo infrator em relação à infração. Se revelado o dolo, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou sejam pequenos os valores discutidos. Por outro lado, ninguém está obrigado a declarar ou individualizar em sua DIRPF os depósitos que ingressaram em sua conta bancária. Se assim o fosse, poder-se-ia cogitar de omissão dolosa do contribuinte ao longo dos anos. O fato é que os valores creditados em conta bancária sem comprovação de origem somente caracterizam omissão de rendimentos por força de uma presunção legal (método indireto de apuração da renda). Em determinadas situações, até pode ser alegado, e verdadeiro, que os créditos verificados na conta bancária não correspondem a rendimentos sujeitos à tributação, mas diante da falta de comprovação nesse sentido o legislador os considera como se rendimentos tributáveis fossem. Se a omissão de rendimentos é fruto de uma presunção legal, a prova consistente da conduta dolosa do autuado se faz ainda mais necessária. O intuito do contribuinte de fraudar, sonegar ou simular não pode ser presumido juntamente com a omissão de rendimentos; compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Se, por um lado, cabe ao contribuinte provar a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias para que não seja caracterizada a omissão de rendimentos, por outro, compete à fiscalização demonstrar a conduta dolosa desse contribuinte para então aplicar a multa qualificada. Neste diapasão o Primeiro Conselho de Contribuintes editou a Súmula n° 14: Súmula 1°CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 11-\ 14 .‘ o Processo n° 10830.00710012004-80 CCOI/CO2 Acórdão ri.° 102-49.015 Fls. 15 Por outro lado, entendo que a entrega espontânea dos extratos bancários solicitados pela fiscalização (Termo de Início de Ação Fiscal às fls. 45/47 e resposta do contribuinte à fl. 50), conforme relata o Termo de Verificação Fiscal à fl. 04, descaracteriza a alegação do recorrente quanto à irregularidade ou ilicitude na quebra do seu sigilo bancário, circunstância que também repele questão suscitada pelo contribuinte quanto à aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/2001 e Lei n° 10.174/2001, e inobservância das regras fixadas pelo Decreto n°3,724/2001, que regulamentou referida LC. A entrega espontânea dos extratos bancários pelo sujeito passivo, com os protestos de que não concordava com tal solicitação, não pode interferir na atuação do fisco. Diante da norma do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e por atuar de forma vinculada (artigo 142 do CTN), outra não poderia ser a conduta da fiscalização, senão o lançamento de oficio, em face da não comprovação da origem dos créditos bancários. Cumpre apenas acrescentar que a decisão a quo apreciou estas questões, às fls. 490/498 do voto condutor do acórdão, com fundamentos que estão em consonância com entendimentos reiterados manifestados por este Colegiado, razão pela qual não merece reparos. Sobre possível violação de direitos individuais garantidos pela ordem constitucional, vale ressaltar que o lançamento é ato administrativo de aplicação da norma tributária ao caso concreto. Não caberia, portanto, à fiscalização se posicionar acerca da inconstitucionalidade da lei que embasou o procedimento fiscal (atitude que também é vedada aos Conselhos de Contribuintes — art. 49 do Regimento Interno). Presume-se, inclusive, que os princípios constitucionais tributários e também os garantidores de direitos fundamentais encontrem na lei sua aplicação imediata. Antes de ser aprovada pelo Congresso Nacional o projeto de lei tramita por várias comissões que aquilatam sua constitucionalidade. Após essa fase, o presidente da República a sanciona. Ao poder Judiciário, cumpre velar pela constitucionalidade das leis, através do controle a posteriori. Os Órgãos da administração não podem deixar de aplicar as leis aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República, ao qual estão vinculados pelo poder hierárquico. Desta forma, vedada à própria administração declarar a inconstitucionalidade de norma legal, conforme dispõe a Súmula n°02 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (..) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumpri-la sujeita- se à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do ON Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratando-se de inconstitucionalidade já declarada. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idónea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: 15 .. Procesgo o° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão o.° 102-49.015 Fls. 16 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda', presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de jure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os 1-.1'MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. 16 . Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 17 depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratar-se de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9°, inciso VII, do Decreto-Lei n°2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A propósito de presunções legais cabe aqui reproduzir o que diz José Luiz Bulhões Pedreira, (JUSTEC-RJ-1979 - pag. 806), que muito bem representa a doutrina predominante sobre a matéria: O efeito prático da presunção legal é inverter o ónus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que o negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa), provar que o fato presumido não existe no caso. 1.\ 7 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n." 102-49.015 Fls. 18 Este também é o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como fica evidenciado no Acórdão CSRF n° 01-0.071, de 23/05/1980, da lavra do Conselheiro Urgel Pereira Lopes, do qual se destaca o seguinte trecho: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindo-se esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. (Grifou-se) Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI N°9.430/96 - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do art. 42, do citado diploma legal (Ac 106-13329). TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. (Ac 106-13188 e 106-13086). A presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1— ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; 18 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 19 II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (.) IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade, Na tributação em exame o legislador entendeu que há lógica, concordância e certeza entre o fato presuntivo (depósito bancário sem origem comprovada) e o fato presumido (omissão de rendimentos), na esteira dos argumentos expostos por Hugo de Brito Machado (Imposto de Renda — Estudos, Editora Resenha Tributária, pág. 123), que convém trazermos à baila: 5.6. Realmente, a existência de depósito bancário em nome do contribuinte, ... é indicio que autoriza a presunção de auferimento de renda. Cabe então ao contribuinte provar que os depósitos tiveram origem outra, que não seja tributável. Pode ser que decorra de transferências patrimoniais (doações e heranças), por exemplo, de rendimentos não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, ou mesmo de rendimentos tributáveis auferidos Há muito tempo, relativamente aos quais extinto já esteja, pela decadência, o direito de a Fazenda Pública fazer o lançamento do tributo, nos termos do art. 173 do Código Tributário Nacional. Ao contribuinte cabe o ónus da prova, que pode ser produzida antes ou durante o procedimento do lançamento, impedindo que este se consume, e pode até ser produzida depois, em ação anulatória. 5.7. Isto não signca considerar rendimentos os depósitos bancários. Tais depósitos são indícios, isto é, são fatos conhecidos que autorizam a presunção de existência de rendimentos, fatos sobre cuja existência se questiona. Ordinariamente a disponibilidade de dinheiro decorre de auferimento de renda. Por isso a existência de disponibilidade de dinheiro autoriza a presunção de auferimento de renda. Tudo de pleno acordo coma teoria das provas. Na presunção, a lei tem como verdadeiro um fato que provavelmente é verdadeiro. Não se pode desconsiderar, entretanto, que este fato que a lei tem como verdadeiro também pode ser falso, dai porque se diz que na presunção relativa a questão diz respeito à avaliação da prova apresentada por quem tem contra si algo que o legislador presume como tal, mas que na vida real pode ser diferente. Assim, impugnado fato em relação ao qual milita presunção relativa cabe ao julgador, avaliando as provas que lhes são apresentadas, formar convencimento para, diante do caso concreto, com mais dados do que o legislador, decidir se a presunção estabelecida por este, o legislador, corresponde à realidade dos fatos que estão sob julgamento. Ao apreciar a matéria de fato, o voto condutor da decisão recorrida (fl. 501/502) manifesta-se nos seguintes termos, cujos fundamentos adoto: 19 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 20 97. Verifica-se do exame das peças constituintes dos autos que o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazê-lo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas-correntes, que foram objeto de consolidação no Demonstrativo de fis. 14 a 30, elaborados com base nos extratos bancários já mencionados. 98.Traz aos autos, o contribuinte, a fim de comprovar a origem dos recursos o "Parecer Técnico" de fls. 54 a 87, do qual transcrevemos a conclusão "A SIGNIFICATIVA DIFERENÇA a título de movimentação bancária apurada em cada conta-corrente demonstra de forma transparente, mesmo que por caminhos alternativos, a VINCULAÇÃO das operações de FORMA ENCADEADA OU EM CASCATA, característica de OPERAÇÕES EVENTUAIS DE NEGOCIAÇÕES — COMPRA E VENDA DE BENS DIVERSOS..," 99. Tal "parecer", elaborado por contador, desacompanhado de qualquer documentação que comprovasse quais os bens diversos vendidos, quais operações teriam sido realizadas em cascata, não é hábil a comprovar a origem dos recursos. Causa espanto o fato de em nenhum momento o contribuinte informar qual o tipo de negócio que realiza, o que ele vende de fato e por que motivo houve créditos de tal monta em sua conta corrente. (grifei) 100.Nél o cabe razão ao requerente quando diz que houve recusa da prova apresentada, pois o Laudo, em si mesmo, sem acompanhamento de documentação comprobatória não pode ser considerado uma prova. 101. Quanto à solicitação de arbitramento do lucro, por meio de equiparação à pessoa jurídica, conforme já constou no Termo de Verificação Fiscal, deveria fazer tal solicitação, provando que sua atividade permite tal equiparação, o que não ocorreu, ademais considerando a falta de informação sobre qual é a atividade por ele realizada. I 02.Destarte, não comprovada a origem dos recursos, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vincula ção legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie. I 03.Por derradeiro, ressalte-se que a jurisprudência já se manifestou no sentido da caracterização, como omissão de rendimentos, dos depósitos bancários de origem não comprovada: Ementa: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS- Não comprovada sua origem pelo contribuinte, caracterizam omissão de receita tributável." (Ac. I° CC 101-73.986/83, Ac. 1° CC 103-06.497/84, Ac. 1° CC 102-27.379/92, Ac. 1° CC 103-5.560/83, Ac. 1° CC 105-1.926/86) Ementa: "IRPF- EX: 1.999- OMISSÃO DE RENDIMENTOS- DEPÓSITOS BANCÁRIOS- Comprovado que o procedimento observou ck.". 20 • Processo n° 10830.00710012004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 21 as determinações do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e não se constatando provas documentais contrárias à referida presunção legal, correta a tributação desses valores como renda percebida pelo contribuinte." (Ac. JO CC 102-45.930/2.003) Ementa: "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS- FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1.997-A Lei n° 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1.997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento." (Ac. 1° CC 106-13.260/2.003) Ementa: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS- LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS- A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n°9.430, de 1.996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo." (Ac. 1° CC 106-13.369/2.003) No que tange aos rendimentos declarados, sejam tributáveis ou não, ou ainda oriundos da alienação de bens, necessário que o recorrente especifique quais depósitos bancários estão vinculados às referidas operações. O artigo 42, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente. A norma do artigo 42 não determina a exclusão automática, da base de cálculo da omissão, de rendimentos ou recursos informados na declaração de rendimentos em seus valores globalmente considerados, sejam tributáveis ou não. A venda de um veículo pode não transitar por conta bancária, pois muitas vezes este é dado como entrada na compra de outro. Necessário a prova de tais operações e a vinculação destas com créditos bancários. Neste diapasão, deve-se excluir do lançamento as cinco parcelas de R$18.550,00 auferidas pela alienação de imóvel (duas no ano de 1999 e três no ano de 2000), pois referidos valores foram creditados em conta bancária do autuado, conforme indica o anexo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/19). Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Também por falta de previsão legal, não cabe excluir das omissões subseqüentes o valor tributado no mês anterior ou as sobras disponíveis, conforme demonstrado pelo recorrente às fls. 555/562. Os Acórdãos da 4' Câmara deste Conselho, nesta linha de entendimento, foram alterados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. No que tange à inobservância dos procedimentos da IN 246/2002 — conta conjunta — entendo que eventual falha, em relação à apuração da omissão em uma conta bancária específica, não atinge os valores depositados nas demais contas bancárias, que são de titularidade exclusiva do autuado, nem toma nulo o lançamento. O entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp n° 182.364 (DJU de 26.6.00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. 4-1 21 Processo n° 10830.007100/2004-80 CCOI/CO2 Acórdão n.° 10249.015 Fls. 22 Retornando ao tema conta conjunta em face da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrevo a seguir o voto vencedor proferido no Acórdão de n° 102-48.880, da lavra da i. conselheira Núbia Matos Moura, cujos fundamentos adoto como razões de decidir: "Divirjo do ilustre relator apenas quanto ao seu entendimento no que diz respeito à conta-corrente conjunta, qual seja: Caixa Econômica Federal - Agência 143 - n°24379-1. Nesse sentido, deve-se examinar a aplicação do parágrafo 6° do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento. 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do presente Auto de Infração. Como sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve-se conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de conta-corrente conjunta, torna-se imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contas-correntes mantidas em conjunto, presume-se, obviamente, que os titulares possam utilizar-se das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da conta-corrente. Dos extratos das contas-correntes, que motivaram o lançamento, acostados aos autos, verifica-se que esta circunstância (conta-corrente mantida em conjunto) era conhecida pela autoridade fiscaL Entretanto, mesmo conhecendo o fato, deixou a autoridade administrativa de intimar o outro titular da conta-corrente em questão. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTIV), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na 22 • • Processo n° 10830.007100/2004-80 CCO I /CO2 Acórdão n.° 102-49.015 Fls. 23 legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, não poderia o agente fiscal ter deixado de intimar o outro titular daquela conta-corrente, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bem verdade que existe um estreito relacionamento entre o Recorrente e o outro titular (são cônjuges), mas tal circunstância não permite presumir que a intimação contra um deles tenha plenos efeitos em relação ao outro. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais co-titulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal Banco Caixa econômica Federal - De sorte que, no que se refere aos valores creditados na conta-corrente - Agência 143 - n° 24379-1, mantida em conjunto, deve-se afastar a presunção de omissão de rendimentos. Afasto, portanto, a presunção de omissão de rendimentos sobre outra metade dos créditos bancários objeto da conta n° 16400524, Agência 4200 do banco Sudameris, no valor R$ 14.685,00. Este valor somado às duas parcelas de R$ 18.550,00, creditadas em conta bancária, devem ser excluídos da base de cálculo da omissão apurada no ano de 1999. Em face ao exposto, acolho parcialmente a preliminar de decadência, rejeito as demais preliminares suscitadas, e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo os montantes de R$ 51.785,00 e R$ 55.650,00, dos anos de 1999 e 2000, respectivamente, e desqualificar a multa de oficio. Sala das Sessões DFoli de abril de 2008. JOSÉ RAIMUN mil T k. TA SANTOS 23 Page 1 _0052000.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052600.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1 _0052800.PDF Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053000.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1 _0053200.PDF Page 1 _0053300.PDF Page 1 _0053400.PDF Page 1 _0053500.PDF Page 1 _0053600.PDF Page 1 _0053700.PDF Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003011/96-84
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPJ - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 104-15856
Decisão: NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE, POR INTEMPESTIVO.
Nome do relator: Nelson Mallmann
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199801
ementa_s : IRPJ - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido.
turma_s : Quarta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 1998
numero_processo_s : 10830.003011/96-84
anomes_publicacao_s : 199801
conteudo_id_s : 4168739
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 104-15856
nome_arquivo_s : 10415856_115254_108300030119684_007.PDF
ano_publicacao_s : 1998
nome_relator_s : Nelson Mallmann
nome_arquivo_pdf_s : 108300030119684_4168739.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE, POR INTEMPESTIVO.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 07 00:00:00 UTC 1998
id : 4673681
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:18:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669658177536
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-11T11:24:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-11T11:24:07Z; Last-Modified: 2009-08-11T11:24:07Z; dcterms:modified: 2009-08-11T11:24:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-11T11:24:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-11T11:24:07Z; meta:save-date: 2009-08-11T11:24:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-11T11:24:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-11T11:24:07Z; created: 2009-08-11T11:24:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-11T11:24:07Z; pdf:charsPerPage: 1150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-11T11:24:07Z | Conteúdo => •• fe• MINISTÉRIO DA FAZENDA k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Recurso n°. : 115.254 Matéria : IRPJ - Ex: 1993 Recorrente : E. V. IÓRIO & CIA. LTDA. Recorrida : DRJ em CAMPINAS - SP Sessão de : 07 de janeiro de 1998 Acórdão n°. : 104-15.856 IRPJ - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por E. V. IÓRIO & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE RE TO FORMALIZADO M: y ^ u FEV 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, LUIZ CARLOS DE LIMA FRANCA e REMIS ALMEIDA ESTOL. • " ra MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 Recurso n°. : 115.254 Recorrente : E. V. IÓRIO & CIA. LTDA. RELATÕRIO E. V. lóRIO & CIA. LTDA., contribuinte inscrito no CGC/MF 64.962.28510001-24, com sede no município de Indaiatuba, Estado de São Paulo, à Rua Teodoro Mantoanelli, n° 129, Bairro Raiei, jurisdicionado à DRF em Campinas - SP, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 11/12, prolatada pela DRJ em Campinas - SP, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 16/18. Contra a empresa acima mencionada foi lavrado, em 15/07/96, a Notificação de fls. 04, com ciência em 18/07/96, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de 97,50 UFIR (referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União - padrão monetário fiscal da época do lançamento do crédito tributário), equivalente a RS 80,80 (oitenta reais e oitenta centavos), a título de multa pecuniária. O lançamento decorre da aplicação da multa prevista nos artigos 723 e 727 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, em virtude da interessada ter apresentado sua Declaração de Rendimentos, do exercício de 1991, ano- base de 1990, fora do prazo fixado pela legislação de regência. Em sua peça impugnatória de fls. 07/09, apresentada tempestivamente, em 14/08/96, a suplicante, após historiar os fatos registrados na Notificação de Lançamento, se indispõe contra a exigência fiscal, requerendo que a mesma seja julgada insubsistente, com base nas seguintes argumentações: 2 • P.:é MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 - que preliminarmente, a Notificação em epígrafe deve ser declarada nula de pleno direito, e, portanto, em que pese a autuação do fisco, inexistente, para todos os fins de direito; - que não consta da Notificação a descrição do fato nem a disposição legal infringida, requisitos obrigatórios de acordo com o Decreto n° 70.235/72; - que tais requisitos, além de serem obrigatórios para o lançamento da Notificação, impossibilitam a perfeita defesa da Notificação, devendo a referida Notificação ser declarada nula; - que não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária principal, portanto, não constituído crédito tributário e nem gerado o lançamento, pois conforme definição jurídica: "constitui o crédito tributário no vinculo jurídico de natureza obrigacional por força do qual pode exigir do particular, do contribuinte, ou do responsável, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário decorre da obrigação principal tributária e tem a mesma natureza dela". Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção integral do crédito tributário apurado, com base nos seguintes argumentos: - que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN. Ou seja, o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa e, para chegar a realizar esse procedimento com a maior perfeição possível, a lei atribui à Administração o poder para 3 ,e. MINISTÉRIO DA FAZENDA ...;:psNig PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11'9' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 impor ônus e deveres a particulares, denominados genericamente `obrigação acessória', a qual decorre da legislação tributária ( e não apenas da lei) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 20 do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3° do CTN); - que no caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê-lo no prazo previamente determinado; - que o fato de havê-la entregue, por si só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado; - que qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal; - que ademais, consoante preconizado no art. 136 do CTN, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação é objetiva, como objetiva é a penalidade pelo seu descumprimento, devendo esta ser aplicada, mesmo na hipótese de apresentação espontânea, se esta se deu fora do prazo estabelecido em lei. A ementa da referida decisão, que resumidamente consubstancia os fundamentos da ação fiscal é a seguinte: `Multa - atraso na entrega da declaração IRPJ - a falta de entrega da declaração, no prazo, sujeita a infratora à multa prevista nos arts. 723 e 727 do RIR/80, DL 401/68, art. 22 e Lei 2.354/54, art. 32. 4 .z9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE? Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/05/97, conforme Termo constante das fls. 13/15 e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, intempestivamente, em 11/06/97, o recurso voluntário de fls. 16/18, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Em 11/07/97, o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Joel Martins de Barros, representante legal da Fazenda Nacional credenciado junto a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas - SP, apresenta, às fls. 25/27, as Contra-Razões ao Recurso Voluntário. É o Relatório. .s' •Zn. - *I, MINISTÉRIO DA FAZENDA 4. • k: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator Consta nos autos que a recorrente foi cientificada da decisão recorrida em 06/05/97, uma terça-feira, conforme se constata dos autos à fls. 15-verso. O recurso voluntário para este Conselho de Contribuintes deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do decreto n.° 70.235/72. Considerando que 06/05/97 foi uma terça-feira, dia de expediente normal na repartição de origem, o inicio da contagem do prazo começou a fluir a partir de 07/05/97, uma quarta-feira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 06/06/97, uma sexta-feira. Acontece que o recurso voluntário somente foi apresentado, somente, em 11/06/97, uma quinta-feira, trinta e cinco (35) dias após a ciência da decisão do julgamento de Primeira Instância. Se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de Primeira Instância, não se apresentar no processo para se manifestar pelo pagamento ou para interpor recurso voluntário para o Conselho de Contribuintes, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31°) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Dai sua intempestividade. 6 .etk .418 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10830.003011/96-84 Acórdão n°. : 104-15.856 Nestes termos, não conheço do recurso voluntário, por extemporâneo. Sala das Sessões - DF, em 07 de janeiro de 1998 ti‘O stsjyyjk 7
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002209/2001-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA AFASTADA.
Argüida pela Conselheira Anelise Daudt Prieto durante a sessão de julgamento. Foi afastada com base em interpretação do Decreto 2.346/86, segundo a qual o Conselho de Contribuintes não só pode como de afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo plenário do STF em entendimento inequívoco, ainda que em meio ao controle difuso, porém em aspecto interpretativo que extrapola o caso concreto.
CONTRIBUIÇÃO PARA O IBC. NÃO DECADÊNCIA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE NO CONTROLE DIFUSO RECONHECIDO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. PREJUDICIAIS DE MÉRITO AFASTADAS.
De forma alguma é aceitável o argumento um tanto forçado de que o voto de um dos Ministros, voto após vista, seria marginal no entendimento firmado pelo STF quanto à inconstitucionalidade da quota de contribuição sobre a exportação de café mesmo em face da EC01/69, ou seja, de que já era a exação inconstitucional perante a Constituição anterior, ou seja, desde a sua edição. A edição recorrida pretendeu desconhecer que as decisões exaradas pelo STF a respeito dessa matéria não se resumiram ao RE 191.044-5/SP citado, houve outros posteriores, nos quais fica claro que tal entendimento não se resumiu a um comentário marginal de um dos ministros, mas, sim, veio a ser o entendimento firmado pelo plenário do STF a respeito da tal contribuição. Numa visão retrospectiva, a partir do entendimento firmado pela Corte Suprema surgiu um fato novo, qual seja a certeza de inconstitucionalidade da exação desde a sua edição, ou seja a anterior presunção de constitucionalidade da norma tributária foi desfeita, desconstuída, e , só a partir deste fato novo é que surge o efetivo direito à restituição do que só a esta altura configurou-se como indevido. Esse entendimento não afronta a segurança jurídica, nem muito menos eterniza o prazo de restituição do indébito. Não se eterniza, o prazo é de cinco anos, apenas que esse prazo só se inicia a partir da destruição da presunção constitucionalidade da lei. Do contrário seria minimizar a importância dos princípios da moralidade administrativa e da boa-fé na relação jurídico-tributária entre o fisco e o contribuinte.
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ - DECRETO-LEI 2.295/86.
Inconstitucionalidade reconhecida pelo supremo tribunal federal - prescrição do direito de restituição - inadmissibilidade - dies a quo - devido processo legal e duplo grau de jurisdição - possibilidade de conhecimento da questão de fundo - direito à restituição do que indevidamente recolhido a título da inconstitucional contribuição sobre operações de exportação de café - portaria ministerial nº 103/2002 - hipótese de não aplicação - expurgos inflacionários - taxa selic.
- O direito de pleitear a restituição de alegado indébito fiscal, a título de cota de contribuição sobre operações de exportação de café, com fundamento na inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, está sujeito ao prazo extintivo fixado no art. 168 do Código Tributário Nacional, cuja fluência dá-se a partir da data em que o Supremo Tribunal Federal reconhece a alegada inconstitucionalidade da legislação que, até então, era presumida constitucional e atinge todos os recolhimentos efetuados a esse título.
- A inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, o qual institui a contribuição sobre operações de exportação de café, é originária, conforme iterativa jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal, o que refuta sua presunção de constitucionalidade desde a égide da Carta pretérita.
- Por ser originária a inconstitucionalidade do Decreto-lei nº 2.295/86, não há de se aventar em recepção ou não-recepção pela Constituição Federal de 1988, haja vista que a norma já era inválida sob o manto da Constituição Federal de 1967/69. Assim, tal vício jamais poderia ter sido objeto de Ação Direta, a qual é incabível quanto à norma que sequer substitui até o advento do novel ordenamento.
- A declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86 também não poderia ensejar uma Resolução do Senado Federal para suspender sua execução, porquanto a ementa do acórdão lavrado nos RREE nºs 198.554-2/SP e 191.044-5/SP concluíram pelo não conhecimento dos Recursos, o que, na prática da Suprema Corte, descarta o envio de mensagem ao Senado. Ademais, tais ementas equivocadamente indicaram a não-recepção do referido texto legal pela CF/88, o que também afasta a hipótese de expedição de mensagem ao Senado Federal, porquanto não se pode cogitar em suspensão de execução de norma anteriormente revogada.
- Em face da inadmissibilidade de ADIN e da impossibilidade de edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, alcançada em julgamento vivido no Tribunal Pleno da Suprema Corte, atingindo foros de definitividade, deve ser estendida aos demais contribuintes que não integraram o pólo ativo da demanda que resultou num pronunciamento inter partes, mister este a ser exercido por este Colegiado com base no princípio da isonomia, na dicção do parágrafo 4º do Decreto nº 2.346/97 - cujos efeitos foram muito bem explicitados pelo Parecer PGFN nº 436/96, e também no fundamento maior da existência dos Conselhos de Contribuintes, qual seja, o de resolver conflitos ainda na esfera administrativa, evitando-se o abarrotamento do Poder Judiciário.
- Desse modo, não se trata de hipótese de aplicação da Portaria Ministerial nº 103, uma vez que a inconstitucionalidade do Decreto-Lei 2.295/86 é inequívoca, a qual deve ser reconhecida por este Colegiado com base em dispositivo da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, proclamou que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito", sendo certo, ainda, que negar a restituição de crédito tributário cuja exigência tem-se sabidamente por inconstitucional configura-se ofensa aos Princípios da Justiça, da Isonomia e da Moralidade dos Atos da Administração Pública.
- Também com base nos Princípios da Justiça e da Moralidade dos Atos da Administração Pública deve ser atualizado o crédito tributário pretendido pela Recorrente com base nos índices que melhor reflitam a corrosão da moeda causada pelo processo inflacionário no que se incluem os chamados "expurgos inflacionários", pacificados nos seguintes índices: 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (mai/90), e 21,87% (fev/91).
- No mais, igualmente aos "expurgos" pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (mai/90), e 21,87% (fev/91), é devida a aplicação das Taxa SELIC, a partir de 1º de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4º. da Lei 9.250/95.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-31596
Decisão: : Por maioria de votos, rejeitou-se a preliminar de incompetência do colegiado para afastar a aplicação de lei em face da declaração de sua inconstitucionalidade, vencida a conselheira Anelise Daudt Prieto. No mérito, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Zenaldo Loibman e Sergio de Castro Neves que aplicavam a Norma de Execução conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 08/97 e a conselheira Anelise Daudt Prieto que negava provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Nilton Luiz Bártoli.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200409
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 10845.002209/2001-19
anomes_publicacao_s : 200409
conteudo_id_s : 4402369
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 303-31596
nome_arquivo_s : 30331596_126814_10845002209200119_062.PDF
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : ZENALDO LOIBMAN
nome_arquivo_pdf_s : 10845002209200119_4402369.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : : Por maioria de votos, rejeitou-se a preliminar de incompetência do colegiado para afastar a aplicação de lei em face da declaração de sua inconstitucionalidade, vencida a conselheira Anelise Daudt Prieto. No mérito, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Zenaldo Loibman e Sergio de Castro Neves que aplicavam a Norma de Execução conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 08/97 e a conselheira Anelise Daudt Prieto que negava provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Nilton Luiz Bártoli.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
id : 4677713
ano_sessao_s : 2004
ementa_s : PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA AFASTADA. Argüida pela Conselheira Anelise Daudt Prieto durante a sessão de julgamento. Foi afastada com base em interpretação do Decreto 2.346/86, segundo a qual o Conselho de Contribuintes não só pode como de afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo plenário do STF em entendimento inequívoco, ainda que em meio ao controle difuso, porém em aspecto interpretativo que extrapola o caso concreto. CONTRIBUIÇÃO PARA O IBC. NÃO DECADÊNCIA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE NO CONTROLE DIFUSO RECONHECIDO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. PREJUDICIAIS DE MÉRITO AFASTADAS. De forma alguma é aceitável o argumento um tanto forçado de que o voto de um dos Ministros, voto após vista, seria marginal no entendimento firmado pelo STF quanto à inconstitucionalidade da quota de contribuição sobre a exportação de café mesmo em face da EC01/69, ou seja, de que já era a exação inconstitucional perante a Constituição anterior, ou seja, desde a sua edição. A edição recorrida pretendeu desconhecer que as decisões exaradas pelo STF a respeito dessa matéria não se resumiram ao RE 191.044-5/SP citado, houve outros posteriores, nos quais fica claro que tal entendimento não se resumiu a um comentário marginal de um dos ministros, mas, sim, veio a ser o entendimento firmado pelo plenário do STF a respeito da tal contribuição. Numa visão retrospectiva, a partir do entendimento firmado pela Corte Suprema surgiu um fato novo, qual seja a certeza de inconstitucionalidade da exação desde a sua edição, ou seja a anterior presunção de constitucionalidade da norma tributária foi desfeita, desconstuída, e , só a partir deste fato novo é que surge o efetivo direito à restituição do que só a esta altura configurou-se como indevido. Esse entendimento não afronta a segurança jurídica, nem muito menos eterniza o prazo de restituição do indébito. Não se eterniza, o prazo é de cinco anos, apenas que esse prazo só se inicia a partir da destruição da presunção constitucionalidade da lei. Do contrário seria minimizar a importância dos princípios da moralidade administrativa e da boa-fé na relação jurídico-tributária entre o fisco e o contribuinte. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ - DECRETO-LEI 2.295/86. Inconstitucionalidade reconhecida pelo supremo tribunal federal - prescrição do direito de restituição - inadmissibilidade - dies a quo - devido processo legal e duplo grau de jurisdição - possibilidade de conhecimento da questão de fundo - direito à restituição do que indevidamente recolhido a título da inconstitucional contribuição sobre operações de exportação de café - portaria ministerial nº 103/2002 - hipótese de não aplicação - expurgos inflacionários - taxa selic. - O direito de pleitear a restituição de alegado indébito fiscal, a título de cota de contribuição sobre operações de exportação de café, com fundamento na inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, está sujeito ao prazo extintivo fixado no art. 168 do Código Tributário Nacional, cuja fluência dá-se a partir da data em que o Supremo Tribunal Federal reconhece a alegada inconstitucionalidade da legislação que, até então, era presumida constitucional e atinge todos os recolhimentos efetuados a esse título. - A inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, o qual institui a contribuição sobre operações de exportação de café, é originária, conforme iterativa jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal, o que refuta sua presunção de constitucionalidade desde a égide da Carta pretérita. - Por ser originária a inconstitucionalidade do Decreto-lei nº 2.295/86, não há de se aventar em recepção ou não-recepção pela Constituição Federal de 1988, haja vista que a norma já era inválida sob o manto da Constituição Federal de 1967/69. Assim, tal vício jamais poderia ter sido objeto de Ação Direta, a qual é incabível quanto à norma que sequer substitui até o advento do novel ordenamento. - A declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86 também não poderia ensejar uma Resolução do Senado Federal para suspender sua execução, porquanto a ementa do acórdão lavrado nos RREE nºs 198.554-2/SP e 191.044-5/SP concluíram pelo não conhecimento dos Recursos, o que, na prática da Suprema Corte, descarta o envio de mensagem ao Senado. Ademais, tais ementas equivocadamente indicaram a não-recepção do referido texto legal pela CF/88, o que também afasta a hipótese de expedição de mensagem ao Senado Federal, porquanto não se pode cogitar em suspensão de execução de norma anteriormente revogada. - Em face da inadmissibilidade de ADIN e da impossibilidade de edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei nº 2.295/86, alcançada em julgamento vivido no Tribunal Pleno da Suprema Corte, atingindo foros de definitividade, deve ser estendida aos demais contribuintes que não integraram o pólo ativo da demanda que resultou num pronunciamento inter partes, mister este a ser exercido por este Colegiado com base no princípio da isonomia, na dicção do parágrafo 4º do Decreto nº 2.346/97 - cujos efeitos foram muito bem explicitados pelo Parecer PGFN nº 436/96, e também no fundamento maior da existência dos Conselhos de Contribuintes, qual seja, o de resolver conflitos ainda na esfera administrativa, evitando-se o abarrotamento do Poder Judiciário. - Desse modo, não se trata de hipótese de aplicação da Portaria Ministerial nº 103, uma vez que a inconstitucionalidade do Decreto-Lei 2.295/86 é inequívoca, a qual deve ser reconhecida por este Colegiado com base em dispositivo da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, proclamou que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito", sendo certo, ainda, que negar a restituição de crédito tributário cuja exigência tem-se sabidamente por inconstitucional configura-se ofensa aos Princípios da Justiça, da Isonomia e da Moralidade dos Atos da Administração Pública. - Também com base nos Princípios da Justiça e da Moralidade dos Atos da Administração Pública deve ser atualizado o crédito tributário pretendido pela Recorrente com base nos índices que melhor reflitam a corrosão da moeda causada pelo processo inflacionário no que se incluem os chamados "expurgos inflacionários", pacificados nos seguintes índices: 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (mai/90), e 21,87% (fev/91). - No mais, igualmente aos "expurgos" pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (mai/90), e 21,87% (fev/91), é devida a aplicação das Taxa SELIC, a partir de 1º de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4º. da Lei 9.250/95. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:19:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713042669665517568
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T13:53:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T13:53:26Z; Last-Modified: 2009-08-07T13:53:28Z; dcterms:modified: 2009-08-07T13:53:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T13:53:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T13:53:28Z; meta:save-date: 2009-08-07T13:53:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T13:53:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T13:53:26Z; created: 2009-08-07T13:53:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 62; Creation-Date: 2009-08-07T13:53:26Z; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T13:53:26Z | Conteúdo => St, •t.' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ROCESSO N° : 10845.002209/2001-19 SESSÃO DE : 15 de setembro de 2004 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 RECURSO N° : 126.814 •RECORRENTE : ICATU — COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. RECORRIDA : DRJ/SÃO PAULO/SP PRELIMINAR DE INCOMPETENCIA AFASTADA. Argüida pela Conselheira Anelise Daudt Prieto durante a sessão de • julgamento. Foi afastada com base em interpretação do Decreto 2.346/86, segundo a qual o Conselho de Contribuintes não só pode como deve afastar a aplicação de lei declarada inconstitucional pelo plenário do STF em entendimento inequívoco, ainda que em meio ao controle difuso, porém em aspecto interpretativo que extrapola o caso concreto. CONTRIBUIÇÃO PARA O IBC. NÃO DECADÊNCIA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE NO CONTROLE DIFUSO RECONHECIDO PELO ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. PREJUDICIAIS DE MÉRITO AFASTADAS. De forma alguma é aceitável o argumento um tanto forçado de que o voto de um dos Ministros, voto após vista, seria marginal no entendimento firmado pelo STF quanto à inconstitucionalidade da quota de contribuição sobre a exportação de café mesmo em face da EC 01/69, ou seja, de que já era a exação inconstitucional perante a OConstituição anterior, ou seja, desde a sua edição. A decisão recorrida pretendeu desconhecer que as decisões exaradas pelo STF a respeito dessa matéria não se resumiram ao RE 191.044-5/SP citado, houve outros posteriores, nos quais fica claro que tal entendimento não se resumiu a um comentário marginal de um dos ministros, mas, sim, veio a ser o entendimento firmado pelo plenário do STF a respeito da tal contribuição Numa visão retrospectiva, a partir do entendimento firmado pela Corte Suprema surgiu um fato novo, qual seja a certeza de inconstitucionalidade da exação desde a sua edição, ou seja a anterior presunção de constitucionalidade da norma tributária foi desfeita, desconstituida, e, só a partir deste fato novo é que surge o efetivo direito à restituição do que só a esta altura configurou-se como indevido. Esse entendimento não afronta a segurança jurídica, nem muito menos eterniza o prazo de restituição do indébito. Não se eterniza, o prazo é de cinco anos, MA/4 , , , . .. MINISTÉRIO DA FAZENDA, . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES _ ts TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de incompetência do Colegiado para afastar a aplicação de lei em face da declaração de sua inconstitucionalidade, vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, relator, e Sérgio de Castro Neves que aplicavam a Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 08/97 e a Conselheira Anelise Daudt Prieto que negava provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nilton • Luiz Bartoli. Brasilia.-DF, em 15 de setembro de 2004 JO2iii)- OLANDA COSTA Pres' ente N2 7---) ITON BART., Relator Des grtado • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ. 4 1. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURS O N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 RECORRENTE : ICATU — COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. RECORRIDA : DR.T/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATOR DESIG. NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Adota-se aqui o relatório de fls. 313/316, do qual se lê as partes • relevantes em sessão, ao qual apenas por método faremos aqui constar em tópicos e acresceremos os fatos processuais posteriores. O pedido de restituição foi protocolado perante a DRF/Santos em 30/07/2001, referente a quotas de contribuição ao Il3C. As razões que fundamentaram o pedido estão arroladas à fl. 313. Sublinha-se apenas em tópicos as alegações: a) A contribuição de intervenção no domínio económico foi criada pelo DL 2.295/86; b) A requerente recolheu durante o período de sua vigência por confiar na constitucionalidade das leis, c) Todavia o STF declarou sua inconstitucionalidade em meio ao RE 191.044-5 fundamentado em que o DL 2.295/86 não foi recepcionado pela CF/88, • d) O julgamento ocorreu no controle difuso, não tendo havido ainda até a data do pedido de restituição encaminhamento de pedido de Resolução ao Senado mas conforme o Parecer 948/98, a administração pública deve estender o efeito da declaração de inconstitucionalidade à esfera administrativa e restituir os valores indevidamente pagos, de 1987 a 1988, conforme DARF's anexos. e) O Parecer COSIT 58/98, ao tratar de prazo decadencial, definiu que para o contribuinte que não foi parte na relação processual em que houve a declaração incidental, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos forem erga omnes, o que somente ocorre depois da publicação da Resolução do Senado ou depois de ato específico do Secretário da SRF (conforme Decreto 2.346/97, art. 4°) 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 1) O CTN não dispõe sobre a hipótese de restituição fundada em declaração de inconstitucionalidade de lei, apenas se refere aos casos de indébito considerada a lei, presumida constitucional, e neste caso concreto o direito só nasce a partir do reconhecimento da inconstitucionalidade. g) Solicita a restituição com correção monetária, aplicação da taxa SELIC relativa a recolhimentos entre maio/87 a setembro/88. A DRF/Santos indeferiu o pedido com base nos argumentos transcritos às fls.314/315. Assinalou principalmente que o Parecer PGFN/CAT/NR • 1.538/99 desautorizou o Parecer COSIT 58/98, que foi revogado pelo AD SRF 96/99. Firmando-se que o prazo que dispõe o contribuinte para pedir restituição de indébito, inclusive na hipótese de lei declarada posteriormente inconstitucional pelo STF, no controle difuso, extingue-se após o transcurso de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou sua impugnação dirigida à DRJ/São Paulo II, tempestivamente, onde apresenta as alegações constantes às fls. 315/316, das quais destacamos, em resumo, o seguinte: A DRF não questionou a existência de recolhimentos indevidos e resumiu sua fundamentação ao AD 96/99 que traduz unicamente posição defendida pela PGFN, que mudou entendimento antes exarado pela COSIT. Desconsidera equivocadamente o referido AD que a certeza sobre a existência de indébito só surge a partir da decisão do STF, e não pode ser tomada a data do pagamento como início do prazo decadencial. Aponta erros no Parecer PGFN, que o princípio da moralidade administrativa torna imperativa a restituição; que a devolução de indébito não agride a segurança jurídica; que querer • flexibilizar o efeito ex tune significa querer transportar para o campo tributário juizo de conveniência e oportunidade incompatíveis com a obrigação tributária. A matéria não está disciplinada no CTN e a PGFN não poderia utilizar analogia para aplicar o disposto no art. 168 do CTN, porque é vedada a analogia para impor tributo, conforme § 1° do art. 108 do CTN. A solução deve ser buscada no próprio CTN, aliás, adotada pelo Conselho de Contribuintes, por exemplo, no Acórdão 108-05.791, publicada no DOU de 27/10/99. Se o indébito se exterioriza a partir de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão da controvérsia, como acontece na solução, com eficácia erga onmes, pela edição de Resolução do Senado Federal para suspender a aplicação de norma declarada inconstitucional, ou mesmo quando seja editado ato administrativo que reconheça a impertinência de exação tributária antes exigida. Assinala que o texto do Parecer PGFN admite que é necessário, no entender dele, alterar a jurisprudência dominante no STF e no STJ. 6 - • . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 tRCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 O Acórdão da DRJ decidiu, por unanimidade, indeferir o pedido. O voto condutor está às fls. 317/329, de onde se retiram as seguintes principais alegações: 1. Levanta uma questão preliminar para responder ao pedido do contribuinte de que a administração, com base no Decreto 2.346/97, afaste a aplicação de lei ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF (controle direto ou difuso). Aduz que o Parecer PGFN 948/98 explicitou que as DRJ's não só podem como devem afastar a aplicação da lei considerada inconstitucional, no caso da via indireta, havendo ou não suspensão da lei por Resolução do Senado. O Decreto referido fala em decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva • interpretação do texto constitucional. E inequívoca quando o mérito tratado é claro e específico, e só pode ser invocada para situação idêntica. O contribuinte citou a decisão no RE I91.044/SP, cujo relator foi o Min. Carlos Mário Veloso, julgado na Segunda Turma do STF. Observa-se pelo voto do relator acompanhado pelos demais Ministros que somente a partir da CF/1988 haveria inconstitucionalidade. Assim, o pedido de restituição neste processo, relativo a pagamentos efetuados sob a égide da Constituição anterior não têm amparo neste acórdão. Os comentários de outros ministros sobre eventual inconstitucionalidade mesmo frente à Constituição anterior não fazem parte do voto vencedor apoiado por unanimidade, nem da ementa, nem mesmo do caso submetido a julgamento. Foram comentários dados à margem. O STF não poderia julgar extra pealo. O acórdão do TRF não cogitava a inconstitucionalidade do Decreto desde a edição mas tão-somente a partir da CF/88. Portanto, nesta decisão do STF, o voto vencedor, acompanhado por unanimidade, não estendeu a inconstitucionalidade à égide da Constituição anterior; portanto; não cabe o atendimento do pedido com base no Decreto 2346/97. • 2. A DRF, na fase anterior ao presente litígio, ao indeferir o pedido de restituição, também levantou uma preliminar relativa ao prazo decadencial, que foi o que motivou a presente impugnação. O instituto da decadência é calcado no princípio da segurança jurídica, onde a inércia acarreta a perda do direito. A declaração de inconstitucionalidade de lei tributária, em princípio, como regra geral, é decisão com efeito ex tunc, conforme Decreto 2.346/97, art. 1°, §§ 1° e 2°, entretanto, a possibilidade de retroagir no tempo o direito encontra situações de desfazimento impossível ou, no mínimo, inconveniente. Há situações consolidadas no passado, há muito tempo, que não podem ou não devem mais ser desfeitas sob pena de desamparo ao interesse social coletivo. A sociedade estaria posta na condição de não mais confiar nas situações que o direito criou e cristalizou. Se fosse admitir a retroação sempre e a qualquer tempo, indefinidamente, afetado estaria o principio da segurança das relações jurídicas. 7 • ' • .• MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 apenas que esse prazo só se inicia a partir da destruição da presunção de constitucionalidade da lei. Do contrário seria minimizar a importância dos princípios da moralidade administrativa e da boa-fé na relação jurídico-tributária entre o fisco e o contribuinte. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — COTA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE EXPORTAÇÃO DE CAFÉ — DECRETO-LEI 2.295/86 — Inconstitucionalidade reconhecida pelo supremo tribunal federal — prescrição do direito de restituição — inadmissibilidade - dies a avo — devido processo legal e duplo grau de jurisdição — possibilidade de • conhecimento da questão de findo — direito à restituição do que indevidamente recolhido a título da inconstitucional contribuição sobre operações de exportação de café — portaria ministerial n° 103/2002 — hipótese de não aplicação — expurgos inflacionários — taxa selic. — O direito de pleitear a restituição de alegado indébito fiscal, a titulo de cota de contribuição sobre operações de exportação de café, com fundamento na inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86, está sujeito ao prazo extintivo fixado no art. 168 do Código Tributário Nacional, cuja fluência da-se a partir da data em que o Supremo Tribunal Federal reconhece a alegada inconstitucionalidade da legislação que, até então, era presumida constitucional e atinge todos os recolhimentos efetuados a esse título. - A inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86, o qual instituiu a contribuição sobre operações de exportação de café, é • originária, conforme iterativa jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal, o que refuta sua presunção de constitucionalidade desde a égide da Carta pretérita. - Por ser originária a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86, não há de se aventar em recepção ou não-recepção pela Constituição Federal de 1988, haja vista que a norma já era inválida sob o manto da Constituição Federal de 1967/69. Assim, tal vício jamais poderia ter sido objeto de Ação Direta, a qual é incabível quanto à norma que sequer subsistiu até o advento do novel ordenamento. - A declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86 também não poderia ensejar uma Resolução do Senado Federal para suspender sua execução, porquanto a ementa do acórdão lavrado nos RREE ncs 198.554-2/SP e 191.044-5/SP concluíram pelo não conhecimento dos Recursos, o que, na prática da Suprema Corte, 2 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 descarta o envio de mensagem ao Senado. Ademais, tais ementas equivocadamente indicaram a não-recepção do referido texto legal pela CF/88, o que também afasta a hipótese de expedição de mensagem ao Senado Federal, porquanto não se pode cogitar em suspensão de execução de norma anteriormente revogada. - Em face da inadmissibilidade de ADIN e da impossibilidade de edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86, alcançada em julgamento vivido no Tribunal Pleno da Suprema Corte, atingindo foros de definitividade, deve ser estendida aos demais contribuintes que não integraram o pólo ativo da demanda que resultou num pronunciamento inter partes, mister este a ser exercido por este Colegiado com base no princípio da isonomia, na dicção do parágrafo 4° do Decreto n°2.346/97 - cujos efeitos foram muito bem explicitados pelo Parecer PGFN n° 436/96, e também no fundamento maior da existência dos Conselhos de Contribuintes, qual seja, o de resolver conflitos ainda na esfera administrativa, evitando-se o abarrotamento do Poder Judiciário. - Desse modo, não se trata de hipótese de aplicação da Portaria Ministerial n° 103, uma vez que a inconstitucionalidade do Decreto- Lei n° 2.295/86 é inequívoca, a qual deve ser reconhecida por este Colegiado com base em dispositivo da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, proclamou que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito", sendo certo, ainda, que negar a restituição de crédito tributário cuja exigência tem-se sabidamente por inconstitucional configura-se ofensa aos Princípios da Justiça, da Isonomia e da Moralidade dos Atos da Administração Pública. - Também com base nos Princípios da Justiça e da Moralidade dos Atos da Administração Pública deve ser atualizado o crédito tributário pretendido pela Recorrente com base nos índices que melhor reflitam a corrosão da moeda causada pelo processo inflacionário, no que se incluem os chamados "expurgos inflacionários", pacificados nos seguintes índices: 4j% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44 80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 21,87% (fev/91). - No mais, igualmente aos "expurgos" pacificados no seio da jurisprudência, quais sejam, 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 21,87% (fev/91), é devida a aplicação das Taxa SELIC, a partir de 10 de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4°, da Lei 9.250/95. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 3 . . : • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 No caso do direito tributário, os tributos pagos há muitos anos, já incorporados aos orçamentos do Estado e já destinados a fins sociais, não podem mais ser restituídos sem causar transtornos, às vezes insuperáveis, à própria sociedade. Por isso além do Decreto 2346/97, também a Lei 9.868/99, art. 27, ao tratar do controle direto de constitucionalidade, determina que o efeito a ser dado à decisão de inconstitucionalidade pelo STF, poderá, por maioria de dois terços, levando em conta a segurança jurídica e excepcional interesse social, ser diferente de ex ama. 3. A PGFN emitiu dois pareceres sobre o tema, o CAT de n° 550/99 e CAT n° 1.538/99, que sublinham que há ressalva à eficácia ex tunc de nulidade desde a edição da norma inconstitucional, se o ato praticado não for mais suscetível • de revisão administrativa ou judicial. Entende que o art. 168 do CTN se aplica na hipótese e o prazo decadencial se conta da extinção do crédito. Daí a edição do AD SRF 96/99 que esclarece que o prazo para pleitear restituição, cujo fundamento for lei posteriormente declarada inconstitucional, tanto no controle difuso como no concentrado, extingue-se após o transcurso de 5 anos contados da extinção do crédito. 4. O artigo 165 do CTN não contempla hipótese de restituição de tributo pago na vigência de lei posteriormente declarada inconstitucional. Com a criação das ações diretas, cujo efeito é erga armes, surgiu a teoria de que o efeito, nesses casos, é ex func. Contudo percebendo a possibilidade de situações complexas que poderiam advir, o legislador houve por bem flexibilizar o efeito retroativo da declaração de inconstitucionalidade, conforme Lei 9.868/99,e o efeito não será necessariamente ex func. A decadência é instituto que se fundamenta na segurança e não na justiça. Não é justo deixar de lançar um tributo que o contribuinte deve, se outros contribuintes, na mesma situação, pagaram seus débitos ou foram lançados e pagaram. Apesar disso o direito de lançar decai para a Fazenda após o lapso de tempo legal, em nome da segurança. Da mesma forma, também não parece justo deixar de restituir tributo pago com base em lei, posteriormente declarada inconstitucional, que deixará de atingir contribuintes na mesma situação. Mas o direito à restituição também decai, em nome do mesmo princípio da segurança. Por esse motivo tanto o fisco como o contribuinte pode ter, em tese, prejuízo com o transcurso do prazo decadencial. Mas a sociedade como um todo lucra com a pacificação do meio social, evitando-se a modificação de fatos impossíveis de serem desfeitos 5. Diga-se, ainda, que na esfera administrativa não é possível estipular contagem de prazo decadencial para restituição de indébito no caso de lei posteriormente declarada inconstitucional, seja a partir de decisão judicial no controle concentrado ou seja de Resolução do Senado na seqüência do controle difuso, porque isso não existe no direito brasileiro, não há norma que o autorize. No âmbito do Poder • . - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Judiciário se pode dizer o direito no caso concreto, suprir a ausência de norma por sentença judicial e até mesmo eventualmente decidir contra legent, mas na administração pública, nos órgãos de julgamento, não. Na ausência de norma, ao integrar, pode-se, no máximo, utilizar a analogia, mas não criar regra nova usurpando a competência do Legislativo. Por isso o Parecer COSIT 58/98 foi revogado. A analogia possível ao caso seria o artigo 168, inciso I do CTN e nunca o inciso II do mesmo artigo. Não se diga que essa analogia não milita em beneficio do contribuinte, pois está sendo utilizada não apenas para a contagem do prazo decadencial, mas também para o reconhecimento ao direito à restituição em modalidade não contemplada no CTN, se assim não fosse, em tais casos, o contribuinte teria necessariamente de recorrer ao Judiciário para obter o reconhecimento do direito de restituição. 6. O contribuinte alude a jurisprudência do STJ que aponta o prazo de dez anos para a decadência, ao contrário dos cinco anos alegados pela DRF. A interpretação não é correta, posto que o art. 150 do CTN é de homologação de pagamento antecipado. Se não houver pagamento nada haverá a ser homologado, e passa-se à regra do lançamento de oficio no art. 173. A linguagem do CTN deve ser bem interpretada. O pagamento realizado deve ser analisado em cinco anos sob pena de ser considerado correto e não mais passível de modificação. Mas se nenhum pagamento é realizado, não há que se cogitar norma do art. 150 do CTN, passando-se a aplicar a norma do art. 173. Isso em relação ao lançamento. 7. Quanto à restituição o CTN é claro. O artigo 168, inciso I fala em cinco anos a partir da extinção do crédito. O art. 150 do mesmo diploma determina que é o pagamento que extingue o crédito, apesar de poder se efetivar condição resolutiva, futura e incerta, que poderá ou não anular o efeito da extinção que se operara. Com esses argumentos julgou a Turma da DRJ que não poderia ser apreciado o mérito restante (recolhimentos efetuados, cálculos, acréscimos legais, etc.) pela existência das duas questões impeditivas preliminares evocadas, uma pela DRF e outra pela própria DRJ. Irresignada, a interessada comparece tempestivamente aos autos para apresentar seu recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Além de rearticular os mesmos argumentos já antes apresentados nas fases anteriores, conforme consta às fls. 337/394, busca reforçar alguns pontos da sua argumentação quanto aos seguintes aspectos: 9 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 1. Embora a ementa da decisão no RE 191.044-5 (SP) acene para a não recepção pela CF/88 da exação em foco, no corpo do referido acórdão restou reconhecida a inconstitucionalidade do DL 2.295/86 desde a sua origem, conforme o pronunciamento do Min. ILMAR GALVÃO no mesmo julgado (vide excertos do voto à fl. 339). Portanto foi do pronunciamento da Suprema Corte que fez aflorar a existência de crédito líquido e certo para a empresa, e que motivou seu pedido dirigido à DRF. O pedido foi indeferido com fundamento na alegação de decadência com base no entendimento expresso no AD 96/99. 2. A DM admitiu no voto condutor do seu acórdão que os órgãos administrativos de julgamento podem estender os efeitos de declaração de • inconstitucionalidade proferida pelo STF, no caso de controle difuso, se houver inequívoca manifestação da Corte Suprema. Porém, considerou que quando a decisão do STF não trata especificamente do mesmo assunto, a extensão não pode ser adotada. Que a segurança jurídica sustenta o instituto da decadência, que o direito não pode retroagir no tempo por período ilimitado, e que se o ato administrativo baseado em lei, posteriormente declarada inconstitucional, não for mais suscetível de revisão administrativa ou judicial, não há que se falar em efeito ex func. Observe-se que quando se refere à extensão aos órgãos julgadores das decisões plenárias do STF a decisão recorrida levanta duas questões centrais: A primeira vinculada à necessidade de Resolução do Senado Federal para suspender a execução do DL 2.295/86; a segunda, relacionada à ausência da declaração de inconstitucionalidade desse decreto- lei. 3. Quanto à primeira questão: Com a devida vénia, a Junta Julgadora de primeira instância está equivocada. A rigor, a jurisprudência cristalizada no STF, da qual o RE 191.044-5 é um lídimo exemplo, não há controle constitucional • de normas anteriores à Constituição vigente. Portanto, não há hipótese de expedição de Resolução do Senado exigida pelo r. Acórdão recorrido. O entendimento que prevalece no STF, com base no julgamento da ADIN n° 2, é de que a Constituição sobrevinda não torna inconstitucionais leis anteriores com ela confinantes, revoga-as Dai é incabível a exigência posta pela decisão recorrida de haver Resolução do Senado ou de Ato do Secretário da Receita Federal, posto que no julgamento do RE referido o STF não avaliou a constitucionalidade do DL 2.295/86, apenas apontou a sua não recepção, que equivale à revogação do referido decreto-lei. 4. Ainda com relação à primeira questão, quanto ao efeito geral das decisões do Pleno do STF, deve ser observado que: é indiscutível que as decisões do Pleno têm a marca da definitividade, do contrário tais decisões não seriam capazes de garantir, de restaurar a segurança jurídica posta sob sua guarda. A partir do juízo de não-recepção do DL 2.295/86 sequer há sentido em exigir novas decisões do Plenário para referendar a revogação explicitada. Esse juízo de não-recepção que como já ressaltado equivale a revogação do Decreto-lei, produz efeito erga onmes io . - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 como, aliás, reconhece acertadamente o Parecer PGFN 948/98. Portanto essa decisão do STF exterioriza o indébito vinculado à denominada "Quota de Contribuição sobre a Exportação de Café". 5. Sobre esse aspecto é oportuno destacar o magistério de Marco Aurélio Greco que ensina que "embora a decisão incidenter tantun; não produza efeitos diretos em relação aos demais contribuintes,produz um relevante efeito em relação à própria lei ou ato normativo (e à sua imperatividade), pois retira sua presunção de constitucionalidade..." 6. Quanto à segunda questão, relacionada à ausência de declaração de inconstitucionalidade pretérita do DL 2.295/86, deve ser observado que a decisão recorrida fez uma leitura forçada do voto do Relator Min. Carlos Mário Veloso, o que está refletido no trecho de fl. 215, reproduzido à fl. 347, e que produziu dois equívocos graves! Primeiro, no RE 191.044-5 não houve exame da constitucionalidade do DL 2.295/86, mas sim juizo de não-recepção, que resultou na revogação do referido Decreto-lei, e conforme já demonstrado antes, o entendimento prevalecente na Suprema Cone é de que a Constituição não faz controle de constitucionalidade de leis pré-constitucionais. Segundo, não há "comentários marginais" sobre a inconstitucionalidade pretérita do DL 2.295/86, mas sim reconhecimento expresso no voto (após vista) do ilustre MM. limar Galvão, igualmente acolhido no julgamento em destaque. Dada a importância desse voto a recorrente o reproduz, na íntegra, às fls. 348/357. 7. Conforme reconhecido no Parecer PGFN 948/98 a decisão do STF no RE 191.044-5, por maioria de votos, em sessão plenária, ao não recepcionar o DL 2.295/86, exteriorizou o indébito vinculado à referida Quota de Contribuição. É • essa decisão que marca o termo inicial do direito à restituição pleiteada. A decisão recorrida tem como único argumento o princípio da hierarquia, isto é, as DRJ são vinculadas aos atos expedidos pela SRF, única justificativa para a adoção do ADN 96/99 ignorando a torrencial jurisprudência em contrário. Esse argumento não pode prevalecer diante do Conselho de Contribuintes. 8. O segundo óbice apontado ao exercício da restituição foi o de decadência, uma vez que o mérito do pedido foi definido pela soberana decisão do E. STF. O entendimento defendido pela DRJ, apoiada no tal ADN 96/99 é de que o termo inicial de contagem do prazo decadencial é o definido no art. 168, inciso I do CTN, mesmo quanto aos indébitos nascidos de declaração de inconstitucionalidade da lei de incidência, todavia, a certeza sobre a existência de indébito só aparece com a decisão final do STF, o que geralmente ocorre em época muito distante da data em que ocorreu o pagamento da obrigação imposta por lei (posteriormente reconhecida como inconstitucional). Essa matéria já foi enfrentada pelo Conselho de Contribuintes em várias oportunidades, pelo que trazemos à colação parte do voto proferido na 8' II • . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que resultou no Acórdão 108-05.791, sessão de 13/07/99, cujo relator foi o Conselheiro José Antônio Minatel, conforme se reproduz às fls. 359/36. Cita, também, outros julgados tais como: no Acórdão 108- 06.283, de 08/11/2000, o Acórdão 106-11.582, de 20/10/200, cujo relator foi o eminente Conselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes, que por muito tempo honrou os quadros da PFN, cuja ementa está transcrita à fl. 363 e, especificamente em relação à quota de contribuição sobre a exportação do café, já se pronunciou a E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho, no julgamento do Recurso n° 120.653, Acórdão 303-29.433, sessão de 17/10/2000, relator Zenaldo Loibman, que por unanimidade reconheceu o direito à restituição dos valores pagos indevidamente. Outros tantos julgados poderiam ser apontados, mas como há similitude entre as teses • jurídicas, pede vênia para destacar, dentre outros, os seguintes julgados convergentes para legitimar o direito que se postula nestes autos: Acórdão 107-05.962, de 10/05/2000, relator Natanael Martins; Acórdão 106-11.414, de 14/07/2000, relator Wilfrido Augusto Marques; Acórdão 104-17.546, de 15/08/2000, relator Nelson Mallman; Acórdão 104-18.060, de 19/06/2001, relator Remis Almeida Estol. 9. Relembra-se que no caso não há que se cogitar Resolução do Senado Federal ou Ato da Administração, visto que o DL 2.295/86 já se encontrava revogado quando da extinção do 113C em março/90, além da confirmação da sua não- recepção, decidida pelo STF em 18/09/97, sendo esse o marco que exterioriza o indébito. Se alguma dúvida ainda pudesse pairar sobre o tema do prazo para pleitear a restituição de indébito, a controvérsia fica selada com o recente pronunciamento da CSRF que consagrou o entendimento do direito do contribuinte dentro do prazo de cinco anos a contar do reconhecimento da indevida incidência, na linha dos inúmeros julgados já citados. Esse também tem sido o entendimento acatado no Poder Judiciário, conforme, por exemplo, Acórdão proferido na Apelação Cível • 99.02.28279-2 do TRF/2 a Região, cuja matéria é exatamente a Quota de Exportação de Café. 10. Para confirmar as assertivas acima, pede vênia para juntar cópia do Parecer Jurídico específico sobre a matéria exarado em 28/12/99 pelo ilustre Professor de Direito Tributário da PUC-Campinas, JOSÉ ANTÓNIO MINATEL, que aborda as demais questões que poderiam ser suscitadas em torno do tema, embora não objeto da controvérsia nos presentes autos (anexo às fls. 371/394). Assim, com base nos princípios da celeridade e da economia processual, pleiteia a recorrente seja aplicada a regra do art. 59, § 3° do Decreto 70.235/72, superando-se a questão preliminar acerca do prazo para exercício do direito de restituição, e seja de imediato reconhecido o direito creditório do contribuinte. Pede, pois, que seja reformada a decisão recorrida para reconhecer o direito de restituição/compensação, nos valores comprovados nos autos, acrescidos de 12 . - • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 atualização monetária e juros SELIC, na forma admitida pela legislação tributária e consagrada pela jurisprudência. O Sr. Presidente da 3' Câmara do Terceiro Conselho deu vista dos autos à Procuradora da Fazenda Nacional Andrea Karla Ferraz, que apresentou contra-razões ao referido recurso voluntário. As contra-razões reproduzem a argumentação defendida pelo Acórdão proferido pela DRJ e acrescenta a impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade pelo Conselho de Contribuintes. É o relatório. • 13 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 1ERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA, RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 VOTO VENCEDOR EM PARTE O recurso é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Apontando, evidentemente, as devidas adequações que se fizerem necessárias, adoto, quase que integralmente, o voto de minha lavra, proferido nos autos do Recurso Voluntário n° 126.591 onde o contribuinte, da mesma sorte, rebatia o indeferimento do seu pleito de restituição da malfadada "quota de contribuição 11, sobre a exportação de café". A propósito, urge asseverar que, diferentemente da decisão prolatada pela DRJ nos autos daquele processo, que ensejou o Acórdão n° 303-30.959, nestes autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na tentativa de enfrentar o mérito da questão, alegou, além da decadência, que os órgãos administrativos de julgamento só podem estender os efeitos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF nos casos de controle difuso se houver inequívoca manifestação do Supremo Tribunal Federal. Outrossim, empossado do mesmo entendimento daquele respeitável Colégio, passo a apreciar minuciosamente o mérito da questão chegando, entretanto, à divergente conclusão, data ma:rime-E venia, de que o direito creditório há de ser reconhecido e o pedido formulado devidamente deferido. Trata-se, consoante narrativa dos fatos, de Pedido de Restituição• versando sobre questão de direito e questão de fato cujas provas encontram-se nos autos (Comprovantes de Confirmação de Pagamento). Portanto, primando-se, sobretudo, pela economia processual, principio muito bem delineado por Antonio Carlos Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco, co- autores da obra bastante digerida nos bancos das Faculdades intitulada "Teoria Geral do Processo" (São Paulo: Malheiros Editores. 14' ed. p. 72), o presente feito comporta julgamento imediato, senão vejamos: "Se o processo é um instrumento, não pode exigir um dispêndio exagerado com relação aos bens que estão em disputa. E mesmo quando não se trata de bens materiais deve haver unia necessária proporção entre fins e meios, para equilíbrio do binómio custo- beneficio. É o que recomenda o denominado principio da economia, o qual preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. (..)." 14 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 No intuito de perquirir o direito da Recorrente à restituição do crédito em apreço, partimos do entendimento de que é pacífica a existência de duas classes de direito: a dos direitos subjetivos e a dos direitos potestativos. A classe dos direitos subjetivos tem sua eficácia (realização do respectivo objeto) dependente de uma conduta do sujeito ativo (ato de exigir a respectiva satisfação) e de uma conduta do sujeito passivo (entrega do objeto da obrigação). Portanto, nessa classe, co-existem duas dimensões: a posição credora ou faculdade de exigir o cumprimento da prestação; e a posição devedora ou a obrigação de cumprir a prestação. Tanto são duas dimensões distintas que podem ser apreciadas no contencioso independentemente. Se o devedor não paga, pode ser levado a cumprir a obrigação de modo forçado. Mas se o credor recusa receber a prestação, também pode ser levado a aceitá-la forçadamente. Portanto, na dimensão jurídica do sujeito ativo, tem ele direito de receber a prestação, mas também está obrigado a recebê-la; na dimensão jurídica do sujeito passivo, tem ele a obrigação de satisfazer a prestação, mas também tem o direito de exigir o recebimento dela pelo sujeito ativo. De outro turno, a classe dos direitos potestativos tem eficácia (realização do respectivo objeto a favor do interesse do sujeito ativo) independente de qualquer conduta do sujeito passivo. Da-se a satisfação do direito do sujeito ativo pelo simples e direto exercício desse direito. Existe apenas urna única dimensão jurídica, representada pela • conduta do sujeito ativo. O sujeito passivo apenas sofre a eficácia do direito. A situação do sujeito ativo corresponde a um verdadeiro poder, a que o sujeito passivo submete-se, quer queira ou não. A conduta do sujeito passivo é absolutamente irrelevante para a realização da eficácia desse direito. Daí o nome dessa classe: direitos notestativos. Em nome da estabilidade das relações jurídicas, como pressuposto de preservação da ordem social, a ordem jurídica garante a proteção aos direitos lesados. Em nome dessa mesma finalidade, a ordem jurídica também fixa prazos para que o sujeito ativo exerça os respectivos direitos, de sorte que as situações jurídicas não fiquem pendentes eternamente. Esses prazos são previstos em lei, cujo transcurso sem que o sujeito ativo tenha exercido a faculdade que lhe cabe impõe a respectiva extinção. Pelo principio de que somente se pode impor conseqüências extintivas de direitos diretamente a quem deu causa ao fato, no caso a inércia prevista 15 , . . MINISTÉRIO DA FAZENDA. . . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 em lei, é evidente que a perda refere-se exclusivamente à faculdade assegurada ao sujeito ativo. Destarte, se o sujeito queda-se inerte além do prazo fixado em lei para praticar a conduta necessária a realizar a eficácia objeto do direito, o transcurso desse prazo legal é fato suficiente e necessário para gerar a extinção da possibilidade dele - sujeito ativo - praticá-la. Os efeitos jurídicos são distintos quando se examinam as classes dos direitos subjetivos e a classe dos direitos potestativos. No caso dos direitos subjetivos, o transcurso do prazo extingue a faculdade que se contém na dimensão jurídica • própria do sujeito passivo, ficando ele sem a possibilidade de praticar a conduta de exigir o cumprimento da obrigação. Mas, como visto, não atinge a outra dimensão jurídica circunscrita à pessoa do sujeito passivo. Tanto significa dizer que a extinção operada por efeito do transcurso do prazo previsto em lei desfalca apenas o sujeito ativo (credor) da situação jurídica que lhe assegura exigir a prestação, mas permanece íntegra a situação jurídica do sujeito passivo. Em outras palavras, tratando-se de direito subjetivo, pois que no pólo ativo de relação jurídica, o efeito extintivo alcança apenas a exigibilidade do crédito. O que é atingido pelo efeito extintivo é apenas a faculdade do sujeito ativo de exigir a prestação, cuja causa é a inércia ativa No outro pólo da relação jurídica remanesce íntegra a situação jurídica do sujeito passivo, porque nada tendo a ver com o fato — inércia — não pode ser alcançado pelo efeito extintivo. Em outras palavras, a relação obrigacional sobrevive. O sujeito ativo fica desprovido da faculdade de exigir, • mas o sujeito passivo remanesce nessa qualidade. Em conseqüência, o sujeito devedor pode voluntariamente pagar a prestação, porque a obrigação subsiste e tem causa jurídica válida. Se o devedor quiser pagar obrigação extinta, tratando-se de situação jurídica da classe dos direitos subjetivos, pode fazê-lo, inclusive usando dos meios coercitivos adequados. Do mesmo modo, depois de paga não pode o devedor pretender o estorno da prestação apenas com base no argumento de que o credor estava desprovido da possibilidade de exigi-la. Também é possível o devedor, desprovido da possibilidade de exigir o cumprimento da prestação pelo decurso de prazo extintivo dessa faculdade, opor a situação devedora do sujeito passivo em defesa a titulo de compensação caso esteja sendo demandado por outra obrigação. Já no caso dos direitos potestativos, tendo em vista que a eficácia respectiva se realiza pelo simples exercício unilateral do direito, tanto que alcançada a situação jurídica do sujeito ativo pelo efeito extintivo decorrente do decurso do prazo i 16 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 AC ÓRD "ÃO : 303-31.596 fixado em lei, estará ele despojado da possibilidade de praticar a conduta relevante para realizar a eficácia objeto desse direito. Como tal eficácia é imanente á própria eficácia do direito, a conseqüência é que, em se tratando de direitos potestativos, extinta a possibilidade do sujeito ativo de praticar a conduta relevante para desencadear a realização da dita eficácia, ter-se-á por perdida igualmente a própria eficácia do direito. No caso de direitos potestativos que se examina, diferentemente do que ocorre no caso dos direitos subjetivos, transcorrido o prazo extintivo fixado em lei, nem que o sujeito passivo queira, não poderá ser realizada a eficácia. Qualquer eventual conduta do sujeito passivo voluntariamente dirigida a colaborar com o sujeito ativo para conferir eficácia ao direito potestativo após o transcurso do prazo extintivo será tida como desprovida de causa jurídica. Não passará de ato inaugural de nova situação jurídica, que nada tem a ver com a anterior, podendo ser desfeita inclusive sob a alegação de ilegalidade, de carência de causa válida ou de enriquecimento sem causa da outra parte. Cabe dar nome aos fenômenos: chama-se prescrição a extinção de faculdade pelo decurso de prazo quando se tratar de direito subjetivo: chama-se decadência, quando direito potestativo. Por isso — repita-se — a matéria embora prescrita pode ser oponível como matéria de defesa ou ser aproveitada para compensação, do mesmo modo que aquele que paga obrigação prescrita não pode restitui-1a ao argumento de que estaria prescrita. Isso não ocorre em face da matéria alcançada pela decadência. Daí, vulgarmente dizer-se que a prescrição extingue o direito de ação — entenda-se o agir no sentido de exigir — com a sobrevivência do chamado direito material - leia-se obrigação; e dizer-se que a decadência extingue o direito material — porque o proveito é imanente ao agir atribuído ao sujeito ativo -, extinguindo-se o próprio direito. Tradicionalmente fazia-se a distinção entre a decadência e a prescrição singelamente pela conseqüência: a decadência atinge o direito material, a prescrição apenas o direito de ação. Essa distinção somente sustentou-se ao tempo do prestígio do direito de ação pelo modo civilista, a partir da dicção do Código Civil de Clóvis Beviláqua, que atribuía a cada direito uma ação que o assegurava. Desde a consagração do direito de ação como direito autônomo, subjetivo, público, de exigir a prestação jurisdicional em face de lesão ou ameaça de lesão a direito subjetivo, cuja matriz é a Constituição da República, não há mais como sustentar que a prescrição possa corresponder à extinção desse direito. Como explicar que a prescrição é reconhecida na oportunidade do julgamento na instância judicial ou administrativa, após o exercício efetivo do direito 17 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - . TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 de ação? Se o direito de ação foi exercido, resultando em decisão que reconhece estar a matéria prescrita, é porque a prescrição não atinge o direito de ação. A regra firme para identificar prazo de prescrição ou de decadência, portanto, é indagar se a eficácia depende de alguma conduta do sujeito passivo, assim visto o sujeito que sofre o efeito concreto do direito. Se depende, é direito subjetivo e o prazo será prescricional; se não depende, é direito potestativo e o prazo será decadencial. Vejam-se os seguintes exemplos: o prazo de lançar tributo é decadencial, porque a sua eficácia não depende de qualquer conduta por parte do 11 sujeito passivo e assim é classificado como direito potestativo; o prazo de anular casamento também é decadencial, porque do mesmo modo o efeito é produzido independentemente de qualquer colaboração do sujeito passivo, caracterizando-se como direito potestativo; já o prazo de cobrar o tributo é prescricional, porque sua eficácia depende de conduta voluntária ou forçada do sujeito passivo, típico direito subjetivo; também é de prescrição o prazo para pleitear perdas e danos, porque evidentemente classificado como direito subjetivo ao depender a respectiva realização de prestação do sujeito passivo, seja de modo voluntário, seja de modo forçado. Examinemos o art. 165, inciso I, do CTN, no qual está fixado que "O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do art 162, nos seguintes casos: 1 — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". • Caso o sujeito passivo — contribuinte — tenha pago tributo indevido ou em valor a maior do que o devido, estabelece-se relação jurídica obrigacional entre ele e o ente público, agora com inversão do pólo original. A posição do sujeito passivo — contribuinte -, em face dessa novel relação jurídica, transmuda-se para a de sujeito ativo, cujo direito é o de receber a quantia paga indevidamente ou a maior; a posição do sujeito ativo — pessoa jurídica de direito público - transmuda-se para a de sujeito passivo em face da obrigação de restituir a quantia referente ao indébito fiscal. É evidente que a realização do direito do contribuinte de reaver o que pagou indevidamente ou em valor maior do que o devido depende de conduta do Fisco. Caso o Fisco não entregue a quantia devida o contribuinte não realiza a eficácia do respectivo direito à restituição do indébito fiscal. A conduta do Fisco no sentido de restituir a quantia referente ao indébito fiscal ao contribuinte pode ser voluntária, geralmente no bojo do 18 , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 procedimento administrativo específico para essa finalidade, ou forçada, quando em procedimento judicial condenatório. Daí o direito do contribuinte de restituir indébito fiscal, agora sujeito ativo perante o ente público, ter a natureza de direito subjetivo. Definitivamente esse direito não é da classe dos direitos potestativos. É, na verdade, típico direito de crédito. Ratifica a natureza jurídica desse direito à restituição como subjetivo o fato de provadamente depender a respectiva satisfação de conduta do sujeito passivo. Se não houver a participação do ente público, voluntária ou forçada, o exercício desse direito por simples conduta do sujeito ativo não redundará em eficácia ou realização da prestação dele objeto. Lembre-se que a diferença fundamental entre a classe dos direitos subjetivos e a dos direitos potestativos é que o exercício dos primeiros somente tem eficácia mediante uma conduta do sujeito passivo, ao passo que o exercício dos segundos tem eficácia imediata com a simples atividade do sujeito ativo, independendo de qualquer conduta do sujeito passivo. É consentâneo com a natureza subjetiva do direito de que trata o art. 165 do CTN, verdadeiro direito de crédito a possibilidade de ser compensado com outros débitos tributários, desde que reconhecido pela Secretaria da Receita Federal e que tenha igual natureza, na forma da legislação tributária, no caso das exações federais. Ontologicamente somente é possível compensar direitos de crédito; não existe possibilidade jurídica de compensação de direitos potestativos. 11 ,Adiantando o exame, vemos que o art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional determina que "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1— nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário". O referido art. 168, diversamente de outras passagens do CTN, não deu o nomem iuris dessa modalidade extintiva de direito por decurso de prazo. A decisão recorrida, todavia, tratou-o como prazo de decadência. Com o devido respeito à Eminente autoridade julgadora de primeiro grau, restou demonstrado que o exercício do direito do contribuinte de receber de volta o que eventualmente pagou indevidamente ou a maior do que o devido, depende, para ter eficácia, da conduta da Administração Fazendária. Sem a participação do Fisco não há como cogitar de êxito na satisfação dessa pretensão. 19 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Além disso é sabido que o direito de receber de volta a quantia referente ao indébito, desde que reconhecido como procedente pelo Fisco, pode ser utilizado pelo contribuinte para extinguir outras obrigações tributárias de igual natureza jurídica mediante compensação. O Eminente Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, relatando o REsp. 96.560 — AL, julgado pela Colenda Primeira Turma do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, publicado no D.J.U. de 05/05/1997, página 17.008, na esteira de diversos precedentes daquela Corte, classificou como de prescrição o prazo extintivo do direito de restituição de indébito fiscal, nos termos da seguinte ementa: "Tributário. Pagamento indevido. Ação declarató ria. Interesse jurídica. A prescrição • extingue a ação, sem atingir o direito material correspondente. O credor de título esvaziado pela prescrição tem interesse jurídico em ver declarado seu direito à repetição do indébito. Nada importa que tal direito não mais seja exigível". ALBERTO XAVIER, na clássica Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário (Ed. Forense, Rio, 1977, página 91), criticando opiniões remanescentes em conceituar como decadencial o prazo de restituição de indébito fiscal, ensina que "Deve antes de mais nada estranhar-se a insistência com que se qualifica o prazo do art 168 do Código Tributário Nacional como "prazo decadencial" quando não se está perante o exercício de um poder-dever ou direito potestativo, mas sim de um direito de ação relativa ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido". Portanto, indubitavelmente, o direito do contribuinte de haver de volta o que pagou indevidamente ou a maior do que o devido constitui típico direito de crédito, da classe dos direitos stibietivos. E como demonstrado sobejamente 4111 acima, é prescricional o prazo extintivo desse direito subietivo ou de crédito. Resta analisar a situação dos fatos objeto dos autos desse processo administrativo para fixar o exato momento em que se dá início a fluência do prazo de que trata o art. 168, inciso I, do CTN, especialmente tendo em conta que se trata de matéria constitucional alegada pelo contribuinte como causa de pedir a restituição. Com efeito, os acórdãos proferidos nos RREE 198.554-2/SP 191.044-5/SP, de 18 de setembro de 1997, publicados no D.J.U. do dia 31 de outubro do mesmo ano, veicularam o reconhecimento pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal da inconstitucionalidade da Quota de Contribuição sobre as Operações de Exportação de Café de que trata o Decreto-lei n° 2.295/86. O adequado alcance da decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal somente pode ser delineado pela leitura atenta de todos os votos dos Ministros participantes daquele julgamento e, como adiante será ressaltado, pela leitura 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES _ TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 adicional de outros pronunciamentos em julgados a serem oportunamente destacados. Aliás, pobre daqueles que queiram retirar somente das ementas a verdadeira interpretação dos julgados, pois que, sem a devida leitura dos votos, sofrerão conseqüências desastrosas ao definir a autoridade dos precedentes sob análise. A verdade é que o Supremo Tribunal Federal efetivamente reconheceu a inconstitucionalidade do Decreto-Lei 2.295/86, não por vício formal, mas sim originário, pelo conflito em face da Carta Magna de 1967 com a EC 01/69. Nessa esteira, não bastassem as decisões apontadas e colacionadas pela recorrente no pedido de restituição, na manifestação de inconformidade e no • recurso voluntário, hodiernamente não restam mais dúvidas de que manifestação STF quando dos julgamentos dos RREE I98.554-2/SP 191.044 5/SP, foi, como de fato é, indubitavelmente inequívoca. Tanto é verdade que em inúmeros outros julgados a denominada "quotas de contribuição sobre a exportação de café" foi citada como inconstitucional desde a Constitucional pretérita. A propósito, em recentíssimo julgado, mais precisamente na sessão plenária de 15/04/2004, o Supremo Tribunal Federal ratificou aquilo que já tinha dito e, julgando o Recurso Extraordinário n° 408.830-4 intentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, decidiu que o Decreto-Lei n° 2.295/86 é inconstitucional frente à Carta Constitucional de 1967. Veja-se a Ementa de autoria do Excelentíssimo Sr. Ministro Carlos Velloso, relator do processo: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. I.B.C. CAFÉ: EXPORTAÇÃO: COTA DE CONTRIBUIÇÃO. D.L. 2.295, DE 21/11/86, ARTIGOS 3° E 4°. C.F./1967, ART. 21, § 2°, I; C.F., 1988, ART. 149. I. - Não recepção, pela C.F./88, da cota de contribuição nas exportações de café: D.L. 2.295/86, arts. 3° e 4°. Precedentes do S.T.F. II. - Inconstitucionalidade da cota de contribuição do I.B.C. D.L. 2.295/86, arts. 2° e 4° frente à C.F./67, art. 21, I, ex vi do disposto no inciso Ido § 2° do mesmo art. 21. III. - RE. conhecido e improvido. O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, declarando, entretanto "incidenter tanturn", a inconstittacionalidade dos artigos 2° e 4° do Decreto-lei n. 2.295, de 21 de novembro de 1986, frente à Constituição de 1967. Votou o Presidente, o Senhor Ministro Mauricio Correa. Ausentes, iustificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e Nelson Jobim. Falaram, pela recorrente, o Dr. Euler Lopes, Procurador da Fazenda Nacional 21 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 e, nela recorrida, o Dr. Marcio Brotto de Barros. Plenario, 15.04.2004." (STF — PLENO — RECURSO EXTRAORDINÁRIO 408.830- 4/ES — Relator Min. CARLOS VELLOSO - DJ 04/06/2004) Embora com um simples perpassar de olhos na decisão acima declinada restar demonstrado que o Decreto-Lei n° 2.295/86 é inconstitucional frente à Magna Carta de 1967, uma leitura atenta das passagens do voto do Eminente Ministro ILMAR GALVÂO no RE 198.554-2/SP bastaria para dar um norte à solução da questão: "Pedi vista, para melhor exame, em face de haver a eg. Primeira Turma, no RE 191.229, acolhendo por unanimidade voto deste relator, concluído pela legitimidade da exigência fiscal, e, conseqüentemente, pela sua constitucionalidade, restando o acórdão assim ementado: 'Exportação de Café. Quota de Contribuição. DL n° 2.295/86. Art. 25, I, do ADCT/88. Trata-se de exigência fiscal legitimamente instituída pela União, sobe o regime da EC 01/69, para intervenção no domínio econômico, por meio de Decreto-Lei que foi recebido pela nova Carta, com ressalva apenas da delegação nele contida, em favor do extinto Instituto Brasileiro do Café, para fim da fixação da respectiva alíquota (art. 25, I, do ADCT), de resto, impossível de ser exercida, em face da extinção da autarquia'. No meu voto sustentei, verbis: ... a nova Constituição encontrou em vigor a exigência fiscal denominada 'quota de contribuição', incidente sobre a exportação de café, que fora legitimamente instituída pelo Decreto- lei n° 2.295/86, às bases da alíquota de 6% fixada pelo extinto Instituto Brasileiro de Café, no exercício da delegação contida no mencionado diploma normativo. A nova Carta, portanto, ao manter o tributo na esfera de competência da União, contrariamente ao que entendeu o acórdão, não inovou, porquanto fora ele obviamente instituído por esta. De outra parte, a norma do art. 25 caput e inc. I, do ADCT limitou- se a revogar a delegação. Como, no caso, o que foi delegado ao IBC foi o poder de alterar a alíquota, teve ela por conseqüência tão- 22 •. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 somente impedir que novas alterações de aliquota fossem efetuadas pelo IBC, o que, de resto, a esta altura, já não seria possível, pela singela razão de que a autarquia, há tempo, foi extinta'. Não teria dúvida em manter o entendimento exposto no voto transcrito se a incompatibilidade do DL n° 2.295/86 com a nova carta residisse apenas em não conter esta autorização ao Poder Executivo para alterar as alíquotas das contribuições, como faz com os impostos de importação, de exportação, sobre produtos industrializados e sobre operações financeiras. A resposta à questão estaria dada na própria ementa do RE 191.229, acima transcrita: a nova Carta, no art. 25 do ADCT, teria revogado, a partir de 05 de abril de 1989, apenas a delegação que fora feita pelo DL n° 2.295/86 ao IBC para alteração da aliquota, exigida a contribuição, desde então, com base na última aliquota que a autarquia, no cumprimento da referida delegação, havia fixado. Acontece, porém, que o § 2 0 do art. 21 da EC 01/69 - conforme demonstram Misabel Derzi e Sacha Calmon, em memorial que distribuíram a propósito deste julgamento — se limitava a autorizar a União Federal a instituir contribuições da espécie, nos termos do item I, o qual, na verdade, investia o Poder Executivo tão-somente do poder de alterar-lhe as alíquotas ou as bases de cálculo, nas condições e nos limites estabelecidos em lei. Significa que o Poder Executivo, na vigência da Carta Pretérita, não podia receber delegação para fixar a alíquota original ou a base de cálculo de qualquer tributo, mas tão-somente para alterar os referidos elementos rujas condições e limites haveriam, necessariamente, de ser estabelecidos por meio de lei. Por isso mesmo, a Carta de 1988 não encontrou tributo suscetível de ser por ela recebido, na forma prevista no art. 34 do ADCT. Pelo motivo já apontado de que o DL 2.295/86 se revelara, desde a sua edição, incompatível com a EC 01/69 e, por conseguinte, sem qualquer validade. O Eminente Ministro MARCO AURÉLIO acompanhou o voto do Eminente Ministro ILMAR GALVÃO, salientando que "o que tivemos na espécie, e V. Exa. ressaltou muito bem, foi afixação, mediante portarias do Instituto Brasileiro do Café, da própria aliquota, em si, do tributo-gênero." 23 • , . MINISTÉRIO DA FAZENDA tRCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '" • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 É bem verdade que, por se tratar, no caso daqueles autos, de quota de contribuição exigida em período posterior à nova Carta, os Eminentes Ministros acabaram por acompanhar, pelas conclusões, o voto do Relator, Eminente Ministro CARLOS VELLOSO, que apenas não conhecia do recurso interposto pela União, com base no art. 102, III, "a", da CF/88, por entender que o Decreto-Lei 2.295/86 não teria sido recepcionado pela Constituição de 1988, tão-somente. Por esse motivo, que trará conseqüências e particularidades à extensão dos efeitos da decisão alcançada pelo Tribunal, o que adiante será analisado, a ementa do acórdão ficou assim redigida: 111 "Constitucional. Contribuição. IBC. Café: Exportação: Cota de Contribuição: DL 2.295, de 21.11.86, artigos 3°c 4°. CF, art. 21, § 2°, I; CF, 1988, art. 149. I - Não recepção, pela CF/88, da cota de contribuição nas exportações de café, dado que a CF/88 sujeitou as contribuições de inten,enção à lei complementar do art 146, III, aos princípios da legalidade (CF, art. 150, I), da irretroatividade (ar. 150, III, b). No caso, interessa afirmar que a delegação inscrita no art. 4° do DL 2.295/86 não é admitida pela CF/88, art. 150, I, ex vi do disposto no art. 146. Aplicabilidade, de outro lado, do disposto nos artigos 25, I e 34, §5° do ADCT/88. II - RE não conhecido." Com base nessa ementa e no conflito conceituai nela gerado, alguns• intérpretes postularam várias questões sobre a extensão do decidido, seja por entenderem que verdadeiramente não houve declaração de inconstitucionalidade do Decreto-lei 2.295/86 - pelo fato do STF ter apenas deixado de conhecer do recurso interposto pela União -, ou, alternativamente, se declaração de inconstitucionalidade houve, se esta seria por vício originário, por estar o Decreto-lei em testilha com a EC 01/69, ou pela sua simples não recepção, com efeitos tão-somente a partir da edição da Carta de 1988. As dúvidas suscitadas persistiriam ainda hoje não fossem o Acórdão prolatado no Recurso Extraordinário n° 408.830-4, já colacionado no presente voto, e os pronunciamentos, ainda que incidentais, dos Eminentes Ministros SEPÜLVEDA PERTENCE e CARLOS VELLOSO, em outras duas oportunidades, a primeira quando do julgamento da Cota de Contribuição ao IAA, no RE 214.206-9, e a segunda, do próprio Ministro VELLOSO (recorde-se, relator do leading case da cota do IBC), no voto vista que proferiu no RE n°290.076-6. 24 . ... MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . ,. TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 Nesse diapasão, não bastasse o recentissimo julgado do RE n° 408.830-4 declarar a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86 desde a Constitucional de 1967, para ver esgotada toda e qualquer argumentação em sentido contrário, passo a analisar os pronunciamentos levados a efeito nos casos do Cota de Contribuição ao IAA, no RE 214.206-9, no voto vista que proferido pelo Ministro Velloso no RE n° 290.076-6. No caso da contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool, RE 214.206-9, o Egrégio Supremo Tribunal Federal entendeu, diversamente do decidido quanto à cota de exportação do café, ser constitucional a sua exigência, por considerar que a nova Carta encontrou a contribuição regularmente criada, vedando-se apenas 10 novas delegações para alteração de sua aliquota. Confirmou o Excelso Pretório inexistir inconstitucionalidade formal superveniente. O voto vencedor coube ao ilustre Ministro NELSON JOBIM. Para traçar um paralelo entre o decidido na questão do IAA e do IBC, o Eminente Ministro SEPÜLVEDA PERTENCE assim se pronunciou: "Não entramos, por outro lado, em contradição com a decisão tomada no Recurso Extraordinário n° 191.044 (cota do IBC), do qual V. Exa. (Ministro Velloso) foi Relator, julgamento terminado em 18 de setembro deste ano (1997), pelo menos os que seguimos o voto do eminente Ministro limar Gaivão, que, então, demonstrou haver, naquele caso, inconstitucionalidade originária, porque não se encontrava aquela delegação, para fixar originariamente as aliquotas da contribuição do IBC, nas fontes normativos do art. 21 da Carta passada." 110 E para jogar uma pá de cal nas questões que ainda pudessem ser suscitadas, o próprio Ministro CARLOS VELLOSO, em seu voto no RE n° 290.079- 6, fls. 18 e 19, ao julgar a incidência do salário educação anterior à Lei 9.424/96, é contundente em também afirmar que, no julgamento da cota do IBC, o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do Decreto-lei 2.295/86 por vicio ao tempo de sua edição, quando ainda vigente a Carta passada. Declarou o ilustre Ministro: "No RE 214.206-AL, que cuidou da contribuição devida ao Instituto do Açúcar e do Álcool — IAA, Relator para o acórdão o Ministro Nelson Jobhn, o Supremo Tribunal Federal, pelo seu Plenário, decidiu que a delegação instituída pelo direito anterior sofreu irevogação, porque não recebida pela CF/88. Todavia, os aios praticados no exercício de tal revogação, porque não recebida pela CF/88, foram recebidos por esta. Nesse julgamento, fiquei vencido (RTJ 167/705). Esclareça-se, que cuidou-se, ali, de contribuição 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 para o Instituto do Açúcar e do Álcool, contribuição de natureza tributária sob o pálio da C'F/67. Certo é, entretanto, que o entendimento do Supremo Tribunal Federal, tomado no RE 214.206-AL, é este: a possibilidade da aliquota variar ou ser fixada por autoridade administrativa é incompatível com a CF/88. Todavia, a aliquota fixada na forma da legislação anterior foi recebida pela Constituição. Não é adequado, de outro lado, invocar o decidido no RE 191.044- SP (cota do IBC), de que fui relator, dado que se tratava, também, desde a origem, de contribuição com caráter tributário, tendo sido apontada a inconstitucionalidade sob o pálio da CF/67, conforme votos dos Ministros limar Gaivão e Sepúlveda Pertence ( "RI" 31.10.97)." Da leitura das decisões acima declinadas verifica-se que antes mesmo do Acórdão prolatado no RE n° 408.830-4 já havia pronunciamentos o bastante para que referido entendimento fosse levado a efeito, ou seja, de que o Decreto-Lei 2.295/86 teve a sua constitucionalidade examinada pelo Supremo Tribunal Federal sob a causa de conter vicio na origem, melhor dizendo, sob o pálio da Carta Magna passada. Apenas para reforçar os argumentos, cumpre esclarecer nesse tópico — quanto à natureza da decisão do Supremo Tribunal Federal — que esta reconheceu a incompatibilidade dos artigos 3° e 4° do Decreto-Lei n° 2.295, de 21/11/86, ante as Constituições de 1967 com a Emenda n° 1 de 1969 e de 1988. Tendo o Decreto-lei em comento sido editado em 1986, a incompatibilidade em face da Constituição de 1967 com a Emenda n° 1 de 1969 caracteriza inconstitucionalidade; já a incompatibilidade em face da Constituição de 1988, que lhe é posterior, caracterizou apenas revogação. De fato, quando a lei é incompatível com a Constituição já em vigor, é caso de inconstitucionalidade, o que determina a ineficácia da norma desde a sua edição; quando a lei é incompatível com a Constituição que lhe sobrevém, a ineficácia dá-se apenas a partir da entrada em vigor da Constituição posterior, em tudo equiparado a simples revogação; diferencia a inconstitucionalidade da revogação a inexistência de validade jurídica no primeiro caso desde a edição da norma, visto que já nasce incompatível com a Constituição, e a inexistência de validade no segundo caso somente a partir do início da vigência da nova Constituição. Sobre a não-recepção equivaler à revogação, a renomada Professora Maria Helena Diniz, altamente autorizada a tratar do assunto, leciona que: 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA. • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 "Havendo contradição entre qualquer norma preexistente e preceito constitucional, esta deve, dentro do sistema, ser aferida com rigor, pois é indubitável o efeito ab-rogativo da Constituição Federal sobre todas as normas e atos normativos que com ela conflitarem. As normas conflitantes ficam imediatamente revogadas na data da promulgação da nova Carta. Não sendo nem mesmo necessárias quaisquer cláusulas expressas de revogação. (...) A cessação da eficácia de normas anteriores incompatíveis com a Constituição é matéria pacífica, pouco importando a natureza desses preceitos, sejam outras normas constitucionais, sejam leis ordinárias, regulamentos, atos administrativos. A eficácia ab- rogativa das disposições constitucionais, que acarreta perda dos efeitos da legislação e atos normativos anteriores, é questão de direito intertemporal (...)." (grifos acrescidos) ("Norma Constitucional e seus Efeitos", Ed. Saraiva, 2' ed., p. 42/43) No caso dos autos, os artigos 3° e 4° do Decreto-lei 2.295/96 são incompatíveis tanto em face da Constituição de 1967 com a Emenda n° 1 de 1969 quanto em face da Constituição de 1988, o que os torna de logo inconstitucionais pela antiga Constituição e revogados pela nova Constituição. Aí porque o Egrégio Supremo Tribunal, apesar de ter reconhecido a inconstitucionalidade em face da Constituição de 1967 com a Emenda n° 1 de 1969, não conheceu o recurso extraordinário, haja vista que os referidos artigos também são incompatíveis diante da Constituição de 1988, que lhes é posterior, o que caracteriza a revogação. Quando presentes ambas as hipóteses de inconstitucionalidade e de • revogação, a Corte deve prejudicar o julgamento de inconstitucionalidade ante o reconhecimento da perda de eficácia pela revogação em face da Constituição subseqüente. É o que ocorreu naquele caso. O Egrégio Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da norma pela Constituição vigente ao tempo em que editada, mas porque também incompatível com a nova Constituição, também reconheceu sua revogação. Na verdade, o juizo lógico levado a efeito pela Corte ratifica o vício da norma, tomando absolutamente ilegais todos os atos que tenham sido praticados com base nela. Para o direito, não importa se a inexistência de eficácia decorre de inconstitucionalidade ou de revogação pela nova Constituição; o que importa é que os atos eventualmente praticados com fundamento nessa norma são, para todos os efeitos, atos desprovidos de base legal. 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Concluída esta parte, surge então uma segunda questão: diante da clareza do ânimo definitivo da declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei 2.295/86, por qual razão não teria sido enviada mensagem ao Senado Federal para edição de Resolução a suspender a execução da norma, conforme disposto no artigo 52, X, da CF? Antes de analisar as particularidades que levaram ao não envio da mensagem ao Senado, devemos ter presente que o instituto de conferir ao Senado o poder discricionário de estender efeitos erga °nines às declarações de inconstitucionalidade em controle incidental sofreu, após a Carta de 1988, criticas pela sua ineficiência diante do modelo de controle abstrato adotado, pois irracional que de um mesmo Plenário surjam decisões com efeitos distintos, quando tomadas com fulcro na inconstitucionalidade de certa norma. GILMAR FERREIRA MENDES bem define a inconsistência do instituto, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade, Celso Bastos Editor, 1998, p. 376: "A amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de que se suspenda, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, contribuíram, certamente, para que se quebrantasse a crença na própria justificativa desse instituto, que se inspirava diretamente numa concepção de separação de Poderes --- hoje necessária e inevitavelmente ultrapassada. Se o Supremo Tribunal Federal pode, em ação direta de inconstitucionalidade, suspender, liminarmente, a eficácia de urna lei, até mesmo de unia Emenda Constitucional, por que haveria 11. a declaração de inconstitucionalidade, proferida no controle incidental, valer tão-somente para as partes? A única resposta plausível indica que o instituto da suspensão pelo Senado de execução da lei declarada inconstitucional pelo Supremo assenta-se hoje em razão de índole exclusivamente histórica. Deve-se observar, outrossim, que o instituto da suspensão da execução da lei pelo Senado mostra-se inadequado para assegurar eficácia geral ou efeito vinculante às decisões do Supremo Tribunal que não declaram a inconstitucionalidade de uma lei, limitando-se afixar a orientação constitucionalmente adequada ou correta. Isto se verifica quando o Supremo Tribunal afirma que dada disposição há de ser interpretada desta ou daquela forma, superando, assim, entendimento adotado pelos Tribunais ordinários ou pela própria Administração. A decisão do Supremo Tribunal não tem efeito 28 . . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 vinculante, valendo nos estritos limites da relação processual subjetiva. Corno não se cuida de declaração de inconstitucionalidade de lei, não há que se cogitar aqui de qualquer intervenção do Senado, restando o tema aberto para inúmeras controvérsias. Situação semelhante ocorre quando o Supremo Tribunal Federal adota uma interpretação conforme à Constituição, restringindo o significado de uma dada expressão literal ou colmatando uma lacuna contida no regramento ordinário. Aqui o Supremo Tribunal não afirma propriamente a ilegitimidade da lei, limitando-se a ressaltar que unia dada interpretação é compatível com a • Constituição, ou, ainda que, para ser considerada constitucional, determinada norma necessita de uni complemento (lacuna aberta) ou restrição (lacuna oculta — redução teleológica). Todos esses casos de decisão com base em unia interpretação conforme à Constituição não podem ter a sua eficácia ampliada com o recurso ao instituto da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. Finalmente, mencionem-se os casos de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, nos quais se explicitam que de WH dado significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal sofra qualquer alteração. Também nessas hipóteses, a suspensão de execução da lei ou ato normativo pelo Senado revela-se problemática, porque não se cuida de afastar a incidência de disposições do ato impugnado, mas tão- somente de um de seus significados normativos. Todas essas razões demonstram a inadequação, o caráter obsoleto emesmo, do instituto de suspensão de execução pelo Senado no atual estágio do nosso sistema de controle de constitucionalidade." A percuciente análise do brilhante jurista quanto á inadequação do instituto alcança o caso em tela. Isto porque, na certeza absoluta de que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, com ânimo definitivo, a inconstitucionalidade do Decreto-Lei 2.295/86, só não se seguiu o envio de mensagem para edição de Resolução pelo singelo fato de que, processualmente, não se conheceu do recurso interposto, mediante adoção do método de julgamento que, embora adentre o mérito da demanda, conclui ao seu final que a decisão recorrida não feriu a Constituição, inexistindo portanto observância ao preceito constitucional ensejador do recurso, no caso o disposto no artigo 102, III, "a", da Carta Magna. Em outras palavras, disse o Egrégio Supremo Tribunal Federal naquele caso que, por ter a Corte a quo reconhecido a inconstitucionalidade do Decreto-lei n° 2.295/86 na parte que atribuía poder ao II3C referente à quota de 29 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N0 : 303-31.596 contribuição do café, coincidentemente com igual entendimento da Suprema Corte, não conheceu do recurso extraordinário interposto pela União Federal (Fazenda Nacional). A Constituição Federal, em seu artigo 102, III, "a”, confere ao Supremo Tribunal Federal competência para julgar, em recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida "contrariar dispositivo desta Constituição". Assim é que o Tribunal, alcançando convencimento de mérito de que a decisão não contrariou dispositivo constitucional, deixa de conhecer do recurso pois não preenchido o requisito do preceito para a interposição do mesmo. • No caso da cota do LBC, a decisão recorrida havia decidido pela não recepção do Decreto-Lei 2.295/86, da mesma forma que o voto do Ministro CARLOS VELLOSO, que foi acompanhado pelos demais Ministros apenas pelas conclusões (aliás, ocorrência muito comum em órgãos colegiados, quando determinado resultado é alcançado independentemente de eventual divergência de fundamentos, alguns em maior extensão do que outros). Assim, o ilustre Ministro deixou de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ocorre que se trata apenas de um incidente processual não invalida ter o Supremo Tribunal efetivamente reconhecido, com ânimo definitivo, a inconstitucionalidade do diploma citado, conforme iá anteriormente demonstrado pelos inúmeros pronunciamentos aqui destacados, inclusive pelo mais novo julgado daquela Corte. Importa salientar, entretanto, que, não sendo conhecido o recurso, não há, na prática do Tribunal, envio de mensagem ao Senado Federal, não obstante o reconhecimento definitivo da inconstitucionalidade. Ademais disso, admitida na ementa do acórdão plenário tão-somente a não-recepção, que equivale, como visto, à revogação, não se haveria de editar Resolução do Senado para suspender a execução de norma já revogada. E com essa ampliada conclusão, chega-se a patamar ainda mais intrigante, qual seja: qual o prazo prescricional para se pleitear a restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão de cunho definitivo, porém em controle incidental? A contagem do prazo de prescrição somente pode ter início a partir de uma lesão a um direito. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de direito de que se trata, pelo decurso de prazo fixado em lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para . exigir a eficácia do objeto do direito subjetivo. O decurso do prazo convalesce esta 30 . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 lesão, como na lição de SAN TIAGO DANTAS, desde que se entenda adequadamente o direito de ação como o de agir manifestando exigibilidade ou pretensão dirigida à obtenção da eficácia substantiva do objeto do direito, in Programa de Direito Civil, Editora Forense, V Edição, 2001, p. 345: "Tenho eu um direito subjetivo e podem passar os anos sem que o tempo tenha a mínima influência sobre o meu direito. Mais eis que, de repente, o meu direito entra em lesão, isto é, o dever jurídico que a ele corresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce da lesão do direito o dever de ressarcir e, para mim, o direito de propor uma ação para obter ressarcimento. Se, porém, deixo que 1111 passe o tempo sem fazer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito se cura, convalesce, a situação antijurídica torna-se jurídica; o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceitziação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria." SAN TIAGO DANTAS esclarece que "a prescrição conta-se sempre da data em que se verificou a lesão", pois, na verdade, só com esta surge a denominada "actio nata", que sustenta o direito à reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um direito pelo recolhimento de um tributo posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que em controle incidental? Estará tal lesão configurada na data em que recolhido o tributo, muito embora a norma, à época do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconstitucional i dade? As lições dos mestres MARCO AURÉLIO GRECO e HELENILSON CUNHA PONTES, in Inconstitucionalidade da Lei Tributária — Repetição do Indébito, Editora Dialética, 2002, obra integralmente dedicada ao tema em apreço, merecem ser destacadas, conforme p. 48: "O exercício de um direito, submetido a prazo prescricional, pressupõe a violação deste direito, apto a configurar a 'adio nata', isto é, o momento de caracterização da lesão de um direito. Câmara Leal lembra que não basta que o direito tenha existência atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasce a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento, isto é, desde a data em que a violação se verificou. 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluir que apites da pronúncia (ou da extensão) da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte Pão possui efetivamente UM 'direito a uma prestação', apto a gerar contra si um prazo prescricional que o fulmine pela sua inércia. Não pode haver inércia a ser fulminada pela prescrição se não há direito exercitável, isto é, se não há 'actio nata'." Alguns dirão: mas com o recolhimento "indevido" (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção de constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de suscitar a declaração de inconstitucionalidade da norma e • cumulativamente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança jurídica, que demanda a imutabilidade de situações que perduram ao longo do tempo, ainda que irregulares. Os mesmos autores da obra já citada prontamente refutam esta argumentação, afirmando que: a) os artigos que tratam de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de inconstitucionalidade da norma; e b) o princípio da segurança jurídica deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata aplicação das normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfunção sistémica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN, conforme p. 50 da obra citada: Q "Nas hipóteses contempladas no artigo 165 do CIN, como a qualificação jurídica a ser aferida é aquela que resulta da legislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a simples realização de uni pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal disciplina, reúne condições que fazem nascer para o contribuinte o direito de obter a restituição do que indevidamente pago :1. Ou seja, nestes casos, existe uma qualificação certa (a da lei) e unia conduta que dela se distancia (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTIV quando atrelou a tais eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos termos iniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, I) ou na data em que se tornar definitiva a decisão que reformar a decisão condenatória (artigo 168, II). 32 • . , ... • . MINISTÉRIO DA FAZENDA , , . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Em suma, nas hipóteses reguladas pelo CTN, a qualificação jurídica é certa e está definida antes da ocorrência do evento concreta E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente na qualificação jurídica preexistente, é que o contribuinte tem direito à restituição do indevido. O indevido, nestes casos, é aferido mediante cotejo entre um fato e a respectiva previsão normativa, sendo que o fato é posterior a esta." Agora a matéria dos princípios (vale dizer o confronto entre a segurança jurídica e a segurança sistémica pelo respeito à presunção de constitucionalidade das leis), na página 74: 1111 "Nesse passo, estamos perante duas posições. De um lado, os que sustentam que o prazo prescricional se inicia com o pagamento feito (com base nas normas do CT1V) e que, passados cinco anos, não cabe mais pedido de repetição de indébito, ainda que, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, no sentido de que, tendo havido inequívoca decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de uma norma tributária, o contribuinte, no prazo de 5 (cinco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de cinco anos da propositura da ação, pleiteando a repetição de todo o tributo pago com fundamento na lei declarada inconstitucional. OEntendem os primeiros que sua posição deve prevalecer, pois assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós, porém, que a posição que sustentamos é a que melhor resguarda tais valores e, mais do que isso, é a que preserva o ordenamento jurídico e sua eficácia. Com efeito, se a contagem do prazo de prescrição tiver por termo inicial a data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CT1V), esta é melhor forma para induzir os contribuintes a questionarem toda e qualquer exigência i, antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de segurança e estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele 33 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 momento), corno medida de cautela para evitar o perecimento do seu direito de pleitear judicialmente a restituição. Em suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN) é negar o valor segurança, pois elimina a presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurídicas), além de provocar desconfiança no ordenamento e induzir seu descurnprimento, no sentido de que os contribuintes são levados a impugnar tudo, pois indo precisa ser questionado para evitar a prescrição. Não se pode deixar de mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato normativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento sadio entre Fisco e contribuinte, se o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevido, seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex officio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exigência." A jurisprudência judiciária, fundada nos mesmos princípios, vem por consolidar o entendimento de que somente se conta o prazo para a repetição do indébito quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, através de pronúncia de invalidade por inconstitucionalidade, ainda que no controle difuso. Nos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43995/RS, o Eminente Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, assim se pronunciou, citando HUGO DE BRITO MACHADO: "Ocorre que a presunção de constitucionalidade das leis não permite que se afirme a existência do direito à restituição do indébito, antes de declarada a inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. É certo que o contribuinte pode promover a ação de restituição, pedindo seja incidentalmente declarada a inconstitucionalidade. Tal ação, todavia, é diversa daquela que tem o contribuinte, diante da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. Na primeira, o contribuinte enfrenta, como questão prejudicial, a questão da inconstitucionalidade. Na segunda, essa questão encontra-se previamente resolvida. 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Não é razoável considerar-se que ocorreu inércia do contribuinte que não quis enfrentar a questão da constitucionalidade. Ele aceitou a lei, fundado na presunção de constitucionalidade desta. Uma vez declarada a inconstitucionalidade, surge, então, para o contribuinte, o direito à repetição, afastada que está aquela presunção." Importantíssimo anotar que, no caso apreciado pelo Egrégio STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis, conforme RE 121.336. Exatamente como no caso da cota do IBC. Além disso, e também por isso, na data em que concluído o julgamento em destaque, não havia sido editada qualquer resolução senatorial. Pode-se também mencionar o acerto da decisão alcançada pelo mesmo Tribunal no REsp 200909/RS, aliás, como se faz acontecer nos pronunciamentos do Eminente Ministro JOSÉ DELGADO: "Tributário. Prescrição. Repetição de Indébito. Lei Inconstitucional. Atende ao principio da ética tributária e o de não se permitir a apropriação indevida, pelo Fisco, de valores recolhidos a título de tributo, por ter sido declarada inconstitucional a lei que o exige, considerar-se o início do prazo prescricional de indébito a partir da data em que o colendo Supremo Tribunal Federal declarou a referida ofensa à Carta Magna." E para quebrantar quaisquer resistências, o Ministro SEPÜLVEDA PERTENCE, no RE 136.883-RJ, indicando o precedente no RE 121.336, declarou que o direito à repetição surge com a decisão que declara a inconstitucionalidade. Assim a ementa: "Empréstimo compulsório (Decreto-Lei n° 2.288/86, art. 10): incidência na aquisição de automóveis, com resgate em quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento: inconstitucionalidade não apenas da sua cobrança no ano da lei que a criou, mas também da sua própria instituição, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 121.336, Plenário, 11-10-90, Pertence): direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento indevido." 35 • MINISTÉRIO DA FAZENDA'• , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA• RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Do voto de S. Exa. extrai-se passagem decisiva: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque feita a titulo de cobrança de empréstimo compulsório -, segue-se o direito do contribuinte à repetição do que se pagou (Código Tributário Nacional, art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." Pelas lições que se pode absorver do aresto, é que o Superior • Tribunal de Justiça, como não poderia deixar de ser, continua a se manifestar pela contagem da prescrição a partir da declaração de inconstitucionalidade em sessão plenária do STF, conforme REsp 217195/PB: "A iterativa jurisprudência desta Cone consagrou entendimento no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição de indébito tributário inicia-se com a publicação da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação (11.10.90)". (a referência de data é a do RE 121.336). O Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já apreciaram a matéria em diversos julgados, cabendo referência aos Acórdãos 106-11.582/00, 107-05962/00, 108-06.283 e C SRF/01-03. 239/2001. Sem dúvida, ao Fisco interessa mais que o contribuinte aceite a • presunção de legitimidade e de validade das leis e dos decretos e, desse modo, aja absolutamente em conformidade com os preceitos dessas normas. O Estado e a sociedade em geral, sem dúvida alguma, apostam em que o contribuinte paute a sua conduta nesses termos. Aliás, sabendo-se que o decurso do prazo, com inação do contribuinte no que tange ao exercício da pretensão de crédito para restituir alegado indébito fiscal, redunda em extinção desse direito de exigir seria um absurdo jurídico e político impor essa perda precisamente ao contribuinte que pacificamente aceitou a presunção de validade das leis e dos decretos, "achando que estavam certos e de acordo com a ordem jurídica", e por isso não teria agido no sentido de pleitear a restituição senão quando o Egrégio Supremo Tribunal Federal conhecesse essa matéria constitucional de validade das leis e dos decretos. Essa presunção somente pode vir a ser desfeita, com segurança, depois da matéria constitucional — validade da lei cotejada em face da Constituição - 36 • z• MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 vir a ser examinada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, seja em controle jurisdicional direto, seja em controle incidental. Até lá é razoável que não se exija conduta ativa do contribuinte. Evidentemente, quando existem diversos julgados do Supremo Tribunal Federal analisando a constitucionalidade da lei, para o efeito do inicio da contagem do prazo prescricional deve ser considerado a data do primeiro julgado. Especialmente quando, como no caso da quota de contribuição do café, os julgados posteriores tenham tido caráter interpretativo e esclarecedor do correto entendimento do primeiro julgado. 111 Visto que a postulação ativa do contribuinte, ora recorrente, foi comprovadamente protocolizada perante o órgão da Secretaria da Receita Federal antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da publicação do julgamento do RE, no qual foi reconhecida a dupla incompatibilidade dos artigos 3° e 4° do Decreto-Lei 2.295/96, quer em face da Constituição de 1967 com a Emenda n° 1 de 1969, quer em face da Constituição de 1988, é forçoso declarar expressamente a não fluência do prazo prescricional, o que lhe garante a restituição de tudo o quanto indevidamente recolhido, a ele estendendo-se os efeitos da referida declaração de inconstitucionalidade, conforme o que será exposto a seguir. Há quem diga, a despeito do quanto exposto acima, que, ainda assim, não caberia a extensão dos efeitos da estudada decisão da Suprema Corte a todos os contribuintes, pois só pela via do controle concentrado de constitucionalidade poder-se-ia obter decisão com eficácia erga onmes e efeito vinculante Todavia, o caso em foco é tão peculiar que a via adequada para a declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86, qual seja, a Ação Direta de Inconstitucionalidade, não seria admitida, o que se vem a somar com a impossibilidade de edição de Resolução do Senado Federal. Nesse lanço, é necessário rememorar que o Supremo Tribunal Federal concluiu, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 198.554-2/SP, que o Decreto-Lei n° 2.295/86 não havia sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988, apesar de ter, como já dito à exaustão, declarado a sua inconstitucionalidade em face da Carta anterior. Pois bem. Se considerada tão-somente a não-recepção do referido Decreto-Lei pela Constituição de 1988 - embora certo que, conforme demonstrado alhures, jamais se poderia alcançar tal conclusão por que, in casu, ou se poderia reconhecer sua inconstitucionalidade originária, ou se admitiria sua recepção -, é inconteste o fato de que o Supremo Tribunal Federal não admitiria a Ação Direta de Inconstitucionalidade. 37 . • - _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 Corroborando o que asseverado, veja-se a lição do renomado Ives Gandra Martins: "O Supremo Tribunal Federal, ao não admitir ações diretas de inconstitucionalidade contra dispositivos da ordem anterior considerados não recepcionados, parece ter hospedado, embora não o dissesse expressamente a corrente anterior de que o princípio da recepção é um principio de revitalização da ordem não conflitante e não continuidade da ordem anterior pela nova ordem." (grifos acrescidos) (RDDT n° 12, p. 104) • E é perfeitamente explicável o entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de não admitir Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra dispositivos não recepcionados pela ordem anterior, uma vez que, se não recepcionados, foram, nas palavras da Douta Maria Helena Diniz, revogados. Não se poderia admitir, pois, ADIN contra dispositivo revogado. Portanto, sendo certo que do julgamento do RE n° I98.554-2/SP não poderia ser editada Resolução do Senado, como também que não se poderia propor AD1N contra o referido Decreto-Lei n°2.295/86, é de se concluir que, se não aplicada por este órgão judicante a declaração de inconstitucionalidade incontroversa e definitiva emanada do Supremo Tribunal Federal, estar-se-ia a admitir que o inegável direito à restituição do quanto indevidamente recolhido a título da contribuição à quota de café deveria ser individualmente pleiteado por cada contribuinte perante o Poder Judiciário. • Entretanto, tal conclusão é inadmissível, uma vez que contraria o fundamento maior da existência dos Conselhos de Contribuintes, que é o de resolver conflitos ainda na esfera administrativa, evitando-se o abarrotamento do Poder Judiciário. E se não bastassem todos esses argumentos para se admitir a aplicação, por este Egrégio Conselho de Contribuintes, da declaração de inconstitucionalidade emanada de forma definitiva e incontroversa pelo Plenário do STF, tem-se ainda os Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que comungam do mesmo entendimento. Do Parecer PGFN n° 439/96, por primeiro, conclui-se que: "(..) podem os Conselhos de Contribuintes, no exercício de função jurisdicional que lhes incumbe, afastar normas sob o argumento de/ ainda que tal competência deva ser 38 . _ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURS O N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 exercitada com cautela — corno vem sendo —face ao pressuposto de constitucionalidade das leis (o acolhimento administrativo da tese desta espécie deve acautelar-se pelo acompanhamento da jurisprudência pacifica e definitiva do Supremo Tribunal Federal). Posteriormente, diga-se, foi editado o Decreto 2.346/97, que determina que: "Art. I" As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública • Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto." Nem se pode sustentar que o referido Decreto estaria a se referir apenas ao controle concentrado de constitucionalidade, porquanto, no exercício dessa função, a Suprema Corte emana decisões com efeitos erga omites, mostrando-se desnecessária, portanto, a edição de Decreto para determinar sua observância pela Administração Pública Federal. Esposando-se desse entendimento, o Parecer PGFN n° 948/98 salienta que: "(..) a expressão 'as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva',..., deve ser entendida (c. I) como a decisão do STF, ainda que única, se proferida em 'ação direta', (c.2) também como a decisão, mesmo que única, se a norma cuja inconstitucionalidade for ali declarada tenha a sua execução • suspensa por ato do Senado Federal (art. 52, inciso X da Constituição Federal de 1988) e por ultimo, tendo em vista a tradição secular do STF na preservação de seus pronunciamentos — salvo longas mudanças por anos ou décadas de ponderação -, (c. 3) corno a decisão, plenária transitada em julgado, ainda que única e mesmo quando decidida por maioria de votos, se nela foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela; a condição de transitada em julgado pode ser acompanhada pelo Diário da Justiça ou pelo sistema de informação processual do STF, disponível inclusive via 'internei" Com efeito, o caso em apreço coaduna-se perfeitamente com a hipótese "c.3" contida no Parecer supratranscrito, uma vez que o julgamento do RE n° 198.554-2/SP foi efetuado em Plenário, do qual decorreu a efetiva declaração de 39 - MINISTÉRIO DA FAZENDA , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 2.295/86. Portanto, referido julgado há de ser observado pela Administração Federal. Mister acrescentar, diante do que asseverado acima, que não se está, in casu, a afrontar a Portaria Ministerial n° 103/2002. Isso já haveria sido dito pelo ilustre Conselheiro da Sétima Câmara desse Colegiado Natanael Martins, ao proferir, como relator designado, o voto condutor do acórdão n° 107-06.690, alcançado na sessão de 09 de julho de 2002, cujo trecho pertinente à presente lide segue transcrito: "Não se trata, aqui, como já de início asseverado, de negar aplicação a dispositivo vigente de lei ainda não declarado 111 inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e, por via de conseqüência, de negar vigência à Portaria MF 103/2002 que delimitou a competência dos Conselhos de Contribuintes, mas, sim, de eleger, entre dois dispositivos de lei, aquele que mais se adapta ao ordenamento vigente. Ensina o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, em lição de atualidade e profundidade indiscutíveis, que: "A interpretação das leis não deve ser formal, mas sim, antes de tudo, real, humana, socialmente útil. (...) Se o juiz não pode tomar liberdades inadmissíveis com a lei, julgando 'contra legem', pode e deve, por outro lado, optar pela interpretação que mais atenda às aspirações da Justiça e do bem comum" (RSTJ 26/384) Ninguém menos que Miguel Reale, elucidando o pensamento sempre vivo do saudoso jurista italiano Tullio Ascarelli, brilhantemente ensina que: "O ato interpretativo, segundo Ascarelli, não se reduz a mera inferência lógica a partir de regras de direito, tomadas como premissas, mas ao contrário, representa uma valoração a partir de paradigmas normativos. (..) Como se vê, Ascarelli estava convencido, e este é um dos seus grandes méritos, que não pode haver interpretação que não envolva unia preferência valorativa, segundo parâmetros normativos, os quais delimitam a função criadora do intérprete, mas não a suprimem. Interpretar é valorar, ou seja, optar entre valores compatíveis com a estrutura normativa. Todo intérprete, por mais isento ou neutro 40 .. • .. MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 que queira ser, jamais poderá libertar-se, primeiro, de seu coeficiente pessoal ccdológico e, em segundo lugar, do coeficiente social de preferência inerente à sociedade a que ele pertence, ou ao "tempo histórico" que está vivenda O advogado, o teórico ou o juiz são, antes de mais nada, homens inseridos num contexto de valorações e de preferências. Antes do jurista, há, em suma, a consciência, que é, ao mesmo tempo, unia realidade psíquica, com motivações econômicas, morais, religiosas, as quais não podem deixar de condicionar o ato interpretativo. • Para chegar a unia "interpretação concreta", Ascarelli adota a tese desenvolvida por uni grande mestre da Teoria do Estado, Herman Heller, segundo o qual a interpretação não se põe no fim, como resultado do ordenamento, mas sim no começo do ordenamento, o que quer dizer que ela condiciona o sistema normativo. Por outras palavras, o ordenamento jurídico só se toma pleno graças à mediação hermenêutica, ou, mais propriamente, graças ao trabalho criador do intérprete. (..)." ("A teoria da interpretação segundo Tullio Ascarelli", in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro n°38, p. 75). Alias, se dúvidas outrora houvesse quanto a função judicante na esfera administrativa, estas se dissiparam com o advento da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, 0 aplicável no âmbito do processo administrativo tributário federal que, solenemente, proclamou que "nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação conforme a lei e o Direito" (art. 2o., par. Único, inciso I). Nessa vereda, diga-se que a questão não se põe ao extremo de reputar inconstitucional esta ou aquela norma, mas sim de interpretar o Direito vigente, como principio ao exercício das funções de um ôrgãojudicante. Isso, pois, afastada a "consciência" do julgador, esvaziada estaria a tarefa desse Egrégio Colegiado, mormente considerando que a interpretação é instrumento imprescindível a qualquer operador do Direito." .4Destarte, admitida, vez por todas, a obrigação da Administração Federal de acatar a declaração de inconstitucionalidade emanada de decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, há de se repisar que não se trata de hipótese de 41 . , • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 aplicação da Portaria n° 103/2002, uma vez que, não se cogitando de ADPN ou de Resolução do Senado a conferir efeitos erga °nines àquele pronunciamento, este Colegiado deve, aplicando o Direito em sua melhor acepção, em respeito ao Princípio da Justiça, da Isonomia, da Moralidade dos Atos da Administração e da Economia Processual, determinar a restituição, à Recorrente, do quanto indevidamente recolhido à contribuição sobre exportação do café. Noutro giro, confirmado o direito da Recorrente de reaver o crédito a que tem direito, urge avançar sobre a questão da atualização monetária, especificamente em relação aos expurgos pleiteados. • Nesse sentido, para que ao final seja feita a tão cotejada justiça à que espera a recorrente, mister verificar, em primeiro plano, a exaustiva jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça que traz em seu bojo os índices manifestamente pacificados: "PROCESSUAL CIVIL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - EXECUÇÃO DE SENTENÇA - CORREÇÃO MONETÁRIA - INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - ÍNDICES DO IPC DE JAN/89 (42,72%), MARÇO90 (84,32%), ABRIL 90 (44,80%), MAI0,90 (7,87%) E FEVEREIR0,91 (21,87%). A jurisprudência pacífica deste Tribunal vem decidindo pela aplicação dos índices referentes ao IPC, para atualização dos cálculos relativos a débitos ou créditos tributários, referentes aos meses indicados. Recurso não conhecido." O (STJ - SEGUNDA TURMA - RECURSO ESPECIAL 182626 / SP - Relator Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS - DJ 30/10/2000 PG:00140) "TRIBUTÁRIO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - CORREÇÃO MONETÁRIA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - MENÇÃO EXPRESSA AOS INDEXADORES - CORREÇÃO - ADMISSIBILIDADE, EMBORA SEM ALTERAÇÃO DO JULGADO - OMISSÃO QUANTO AOS OUTROS ÍNDICES - INOCORRÊNCIA - RECEBIMENTO PARCIAL No acórdão proferido no julgamento do recurso especial, em havendo omissão quanto à menção expressa aos índices de atualização monetária, cabe receber os embargos de declaração para explicitar que a correção monetária dos créditos será 42 • , • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . . IERCEIRA CÂMARA RECURSO N' : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 calculada com base nos seguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% ('abril/90,), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fevereiro/91), e após o 1NPC até dezembro/91. Improvida a pretensão recursol em relação aos demais índices pleiteados, deve ser mantida a decisão recorrida que determinou a utilização dos critérios de reajuste aplicados pela Fazenda Nacional, para a correção de seus próprios créditos. Embargos parcialmente providos." (STJ - PRIMEIRA TURMA - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO • NO RECURSO ESPECIAL 424154 / SP - Relator Min. GARCIA VIEIRA - DJ 28/10/2002 PG:00243) Importante destacar que a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua Primeira Turma, vem de reconhecer tal jurisprudência, enfocando o Principio da Moralidade, como norte dessa questão. No Acórdão CSRF/01-04.456, de 25 de fevereiro de 2003, voto condutor do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, decidiu-se que "na - vigência de sistemática legal de correção monetária, a correção do indébito tributário há de ser plena, mediante aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao principio da moralidade e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado". Tal julgado mereceu acolhida de quinze membros dos dezesseis que IIW compõem tal sodalicio, sendo importante transcrevê-lo na integra, com a devida venha: "Merece ser mantido o acórdão da colench Terceira Cámara, não só pelos seus judiciosos fundamentos, mas outrossim pelo absoluto senso de justiça e respeito ao princípio da moralidade que dele emanam. Seu acerto é incontestável. A matéria ventilada no presente recurso restringe-se à possibilidade de, em ambiente jurídico de plena vigência da sistemática de correção monetária de obrigações, utilizar-se índices plenos para correção monetária do indébito tributário, afastando-se qualquer expurgo inflacionário a reduzi-los. O acórdão recorrido fulcrou-se na natureza da correção monetária, que não representa um aumento ou acréscimo, mas mera reposição 43 4 . . • . , rn. . , MINISTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES. . - TERCEIRA CÂMARA RECURSO N.' : 126.814 ACÓRDÃO 1n10 : 303-31.596 indicando que entender diversamente é possibilitar uni enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Deveras. Dispõe o artigo 37 da Constituição Federal que: "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" IIII Com efeito, a dicção do citado artigo se traduz, indubitavelmente, em norma cogente para a Administração Pública, não podendo esta olvidar qualquer dos princípios por ele erigidos. É justamente isso que aborda o Parecer da Advocacia Geral da União n° 01/96', citado no acórdão recorrido, da lavra do ilustre Consultor da União Mirtô Fraga, devidamente aprovado pelo Senhor Presidente da República, ao discorrer sobre correção monetária de indébito tributário antes do advento da Lei 8.383/91(norma esta que instituiu a UFIR), sendo importante transcrever excertos seus: "29. Na verdade, a correção monetária não constitui um plus' a exigir expressa previsão legal E. antes, atualização da dívida (devolução da quantia indevidamente cobrada a titulo de tributo), decorrência natural da retenção indevida; constitui expressão • atualizada do quantitativo devido. 30. O princípio da legalidade, no sentido amplo recomenda que o Poder Público conceda, administrativamente, a correção monetária de parcela a serem devolvidas, uma vez que foram indevidamente recolhidas a título de tributo, ainda que o pagamento (ou o recolhimento) indevido tenha ocorrido antes da vigência da Lei n° 8.383/91. E com ele, outro princípio: o da moralidade, que impede a todos, inclusive ao Estado, o enriquecimento sem causa, e que determina ao 'beneficiário' de uma norma o reconhecimento do mesmo dever em situação diversa." "... Com a unanimidade absoluta dos Tribunais e Juízes decidindoi no mesmo sentido, persistir a Administração em orientação diversa, 'DOU 17/01/96 44 , MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO?? : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 sabendo que, se levada aos Tribunais, terá de reconhecer, porque existente, o direito invocado, é agir contra o interesse público: é desrespeitar o direito alheio, é valer-se de sua autoridade para, em beneficio próprio, procrastinar a satisfação de direito de terceiros, procedimento incompatível com o bem público para cuja realização foi criada a sociedade estatal e da qual a Administração, como o próprio nome o diz, é a gestora A Administração não deve, desnecessária e abusivamente, permitir que, com sua ação ou omissão, seja o Poder Judiciário assoberbado com causas cujo desfecho todos já conhecem. O acúmulo de ações dispensáveis ocasiona o emperramento da máquina judiciária, prejudica e • retarda a prestação jurisdicional, provoca, enfim, pela demora no reconhecimento do direito, injustiças, pois, como, na célebre Oração aos Moços, disse Rui Barbosa, justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. "(edição da Casa de Rui Barbosa, Rio, 1956, p. 63). E, para isso, o Poder Público não deve e não pode contribuir..." Com toda a certeza, conforme bem apontou o douto parecerista, receber um valor intrínseco de tributo indevido e devolvê-lo em montante inferior é tanto imoral quanto ilegal É o mesmo que receber uni veículo e devolver tão-somente os pneus. Por isso impõe-se a correção plena, até mesmo porque não havia, até o advento da Lei n° 8.383/91, norma ou regime jurídico que estabelecesse regra em sentido contrário, a estabelecer índice menor expurgado. O Mister destacar este aspecto especifico do caso em apreço. Aqui não havia norma que determinasse qual o percentual aplicável Nem tampouco regime jurídico específico para regular tal correção. Daí não ter implicação no presente caso o decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 201.465-6 MG (Redator para o Acórdão Ministro Nelson Jobim), pois lá se tratava da correção monetária de balanço, instituto que sempre foi regulado por leis que estabeleceram os percentuais aplicáveis. Também inaplicável o decidido no RE 226.855-7 RS (Relator Ministro Moreira Alves), com relação à correção do FGTS, por neste tratava-se de regime jurídico. Nesse passo, vale salientar, por certo, que a Norma de Execução Conjunta COS1T/COSAR n° 8/97 não tem altivez suficiente para ludibriar a integral correção do indébito, sob pena de se permitir que um ato de cunho interna corporis, sem publicidade oficial, 45 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 transmude-se em verdadeira lei de correção monetária, o que seria absoluto absurdo. Dela só se pode extrair o reconhecimento do próprio fisco de que houve inflação a corroer o valor indevidamente recolhido, mais nada. E, em havendo inflação, a correção há de ser plena, sempre que vigente no sistema jurídico o instituto da correção monetária. A colenda Sétima Cámara do Primeiro Conselho já aprecio?? está mesma matéria, em três oportunidades que são do meu conhecimento, nos Acórdãos 107-06113/2000, voto condutor da lavra do ilustre Conselheiro Luis Valem, 107-06.431701, com voto • do ilustre Conselheiro Natanael Martins, e 107-06.568/2002, com voto do ilustre Conselheiro José Clovis Alves. Peço vênia ao Conselheiro J'alero para transcrever excerto do seu voto em que resta demonstrada a necessidade de aplicação do IPC/IBGE para os períodos em apreço, verbis: "Após esse breve intróito, deve-se fazer uma análise dos índices a serem utilizados para efetuar a atualização monetária. A UFIR somente foi instituída, sendo utilizada para atualizar inclusive indébitos tributários, pela Lei n° 8.383/91. prestando-se para atualizar valores a partir de janeiro de 1992, até dezembro de 1995. A partir de então a taxa SELIC passou a ser utilizada para atualização nos pedidos de ressarcimento/restituição (Lei n° 9.250/95 c.c. 9.532/97). Ocorre que no período anterior a 1992, não existia norma legal expressa a esse respeito, dessa forma tanto jurisprudência quanto administração pública foram forçadas a aplicar ~Ilogicamente certos índices para o direito dos contribuintes não restar prejudicado. A Norma de Execução Conjunta SRF/COSITCOSAR n° 08/97 veio uniformizar os índices a serem aplicados pela Secretaria da Receita Federal. Em suma os índices utilizados são: IP/IBGE no período compreendido entre jan/88 e fev/90 (excetuando-se o mês de jan/90 cujo índice foi expurgado), BIN no período compreendido entre mar/90 a jan9 1 e INPC de fev/ 91 a dez/91. Deve-se analisar a correção dos índices adotados. De fevereiro de 1986, até dezembro de 1.988 o índice utilizado oficialmente para medir a inflação era a OTN que, por sua vez, era 46 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 calculada com base no 1PC/IBGE. Pode-se dizer, portanto que o IPC/IBGE era o índice oficial A 07N, contudo, foi extinta com o advento do "Plano Verão", implementado pela Medida Provisória n° 32/89, posteriormente convertida na Lei n°7.730.89. O valor da 07N foi, então, congelado em NCzS 6,17, valor esse que computava a inflação ocorrida no mês de dezembro de 1988, mas não a de janeiro de 1989. A partir de fevereiro o IPC/IBGE passou a ser utilizado diretamente como indicador oficial da inflação. A inflação do mês de janeiro, dessa forma, não seria levada em • conta. Essa a lógica contemplada pela Norma de Execução Conjunta SRF COSIT/COSAR n° 08/97, haja vista que o mês de jan/89 não apresenta qualquer índice de inflação. Portanto, apesar da Norma utilizar o IPC a partir de 1988 - pois este era o verdadeiro indicador da inflação já que a OTN era corrigida de acordo com ele - no mês de jan/89, nenhum índice foi considerado. Obviamente, tal sistemática não merece prosperar, como acertadamente decidiu a R. Sentença, na esteira de reiterada jurisprudência do STJ (REsp. n°23.095-7, REsp. n°17829-0, entre outros). A inflação expurgado referente ao mês de janeiro deve, portanto, ser considerada para fins de atualização monetária. O IPC divulgado relativo ao mês de janeiro de 1989 foi de 70,28%. Todavia, esse índice não refletiu a inflação ocorrida 710 mês de janeiro, mas sim a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os . dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). Como o IPC referente ao mês de jan 189 computou, na verdade, a inflação ocorrida em 51 dias, o STJ entendeu que o índice expurgado seria de 42,72%, obtido pelo pelo cálculo proporcional a 31 dias. Referente ao mês de fevereiro, o IPC/IBGE divulgado foi de 3,6%. No entanto, tal índice refletiu tão-somente a inflação ocorrida em 11 dias (período compreendido entre 20 de janeiro - média de 17 a 23 de janeiro - e 31 de janeiro - média de 15 de janeiro a 15 de fevereiro). Proporcionalizando-se tal índice para 31 dias o STJ entendeu aplicável o índice de 10,14%, considerando que teria havido um expurgo de 6,54%. 47 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 No período compreendido entre março de 1989 e fevereiro de 1990, deve ser utilizado o IP(/IBGE, pois este foi o índice oficial adotado para medir a inflação, como, aliás, a própria Norma de Execução Conjunta n° 08/97 reconhece. Nos meses de março a janeiro de 1991 o índice a ser aplicado, segundo a R. Sentença, é o IP/IBGE. Em inúmeros julgados, o STJ já firmou entendimento de ser aplicável o índice de 84,32% para o mês de março de 1990 (REsp n° 81.859, REsp. n° 17.829-0, entre outros) A Norma de Execução Conjunta n° 08/97, contudo, utiliza- se do MN de 41,28% para proceder à atualização monetária. • O mesmo ocorre com os meses de abril e maio de 1990, quando os índices do IPC, respectivamente de 44,80% e 7,87% não são levados em conta pela NEC n° 08/97 que se vale do B1N de 0,0% e 5,38%. O STJ, também em referência a estes meses tem decidido que devem prevalecer os valores do IPC (REsp. n° 159.484, REsp. n° 158.998, REsp n°175.498, entre outros). Por fim, é imperativo destacar a mansa e pacifica jurisprudência do egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme abaixo: "EDRESP 461463, PRIMEIRA TURA/L4, 03/12/2002: PROCESSUAL CB7L. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DOS 1NDICES QUE MELHOR REFLETEM A REAL INFLAÇÃO À SUA ÉPOCA. O JUROS DE MORA. ART. 161, § I°, DO CIN. SUCUMBÉNCIA. HONORÁRIOS ADIDCATICIOS. PRECEDENTES. 1. Ocorrência de omissão na decisão embargada quanto à correção monetária a ser aplicada ao débito reconhecido, assim como aos juros de mora e aos ônus sucumbenciais. 2. A correção monetária não se constitui em uni pias; não é unia penalidade, sendo, tão-somente, a reposição do valor real da moeda, corroído pela inflação. Portanto, independe de culpa das partes litigantes. Pacifico na jurisprudência desta Corte o entendimento de que é devida a aplicação dos índices de inflaçã expurgados pelos planos econômicos (Planos Bresser, Verão, Collor I e II), 48 . ,• MINISTÉRIO DA FAZENDA, TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 3. Este Tribunal tem adotado o princípio de que deve ser seguido, em qualquer situação, o índice que melhor reflita a realidade inflacionária do período, independentemente das determinações oficiais. Assegura-se, contudo, seguir o percentual apurado ¡flor entidade de absoluta credibilidade e que, para tanto, merecia credenciantento do Poder Público, como é o caso da Fundação IBGE. É firme a jurisprudência desta Corte que, para tal propósito, há de se aplicar o IPC, por melhor refletir a inflação à sua época 4.Aplicação dos índices de correção monetária da seguinte forma: • a) por meio do IPC, no período de ', garço/1990 a fevereiro/1991; b) a partir da promulgação da Lei n° 8.1 77/91, a aplicação do INPC (até dezembro/1991); e c) só a partir de janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei n°8.383/91." "RESP 263535, SEGUNDA TURMA, 15/10/2002: TRIBUTÁRIO — ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — APLICAÇÃO DA IR — IMPOSSIBILIDADE — ADIN 493-0 - INCLUSÃO DOS INDICES OFICIAIS —LEIS 8. I 77/91 E 8.383/91 — PRECEDENTES. Conforme orientação assentada pelo STF na ADIN 493-0, a TR não é índice de atualização da expressão monetária de débitos judiciais, porque não afere a variação do poder aquisitivo da moeda. - A jurisprudência desta eg. Corte pacificou-se quanto à adoção do IPC como índice para correção monetária nos meses de março/90 a fevereiro/91; a partir da promulgação da Lei 8.1 77/91 vigora o • INPC e, a partir de janeiro/92, a UFIR, na forma recomendada pela Lei 8.383/91. - Recurso especial conhecido e provido "RESP 426698, PREVEJRA TURMA, 13,08/2002: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUTÓNOMOS, ADMINISTRADORES E AVULSOS - RESTITUIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - IPC - INPC - UFIR - RECURSO ESPECIAL — FALTA DE AIENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS DE ADMISSIBILIDADE — NÃO CONHECIMENTO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - MEAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC - INOCORRÊNCIA. 49 MINISTÉRIO DA FAZENDA , • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 No cálculo da correção monetária dos valores a serem mpensados, o IPC é o índice a ser aplicado nos meses de março de 1990 a fevereiro de 1991 e, a partir da promulgação da Lei 8177/91, o INPC No período de janeiro de 1992 a 31.1295, os créditos tributários devem ser reajustados pela UF1R, sendo indevida a adoção do IGPM nos meses de julho a agosto de 1994. Se os dispositivos legais apontados como malferidos não restaram versados na decisão recorrida, não cabe conhecer do recurso especial. Não se configura violação ao artigo 535 do CPC, quando a decisão • proferida, em sede de embargos de declaração, entremostra-se fundamentada o quantuni sutis, para formar o convencimento da Turma Julgadora a quo, inexistindo omissão a ser suprida. Recurso do INSS a que se nega provimento e o da outra parte conhecido, em parte, mas improvido." "RESP 165945, SEGUNDA TURMA, 07/05/1998: TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROWDO. I - Na restituição dos recolhidos a maior a título de contribuição para o Finsocial, cuja exação foi considerada inconstitucional pelo STF (RE n° 150.764-1), aplicam-se à correção monetária os expurgos inflacionários. • H - Na correção monetária dos valores compensáveis, deve ser aplicado, no mês de janeiro de 1989, o índice de 42,72%, no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC, e, a partir de janeiro de 199Z a UFIR III - Recurso conhecido e provido." Er positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional" O mesmo entendimento foi recentemente sufragado pela Terceira Turma da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em acórdão de relatoria do preclaro Conselheiro Paulo roberto Cucco Antunes, assim ementado: 50 • . 1 MTNISTÉ• RIO DA FAZENDA • , TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 Processo n°: 13674.000107/99-90 Recurso ii°: 301-124000 Matéria: RESTITUIÇÃO — COMPENSAÇÃO — JUROS E EXPURGOS Recorrente: FAZENDA NACIONAL E IND. E COM DE CAFÉ IRMÃOS JULIO LTDA Recorrida: I° CÂMARA _3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada: INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CAFÉ IRMÃOS JULIO LIDA Sessão de: 06 DE JULHO DE 2004. Acórdão: CSRF/03-04. 108 • L RECURSO DA FAZENDA NACIONAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. - Não atendidos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência interposto. Recurso não conhecido. II. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Provido o Recurso Especial do Contribuinte. Tecidas as considerações acerca dos expurgos cristalizados pelas remansosas jurisprudências administrativa e judiciária, convém, asseverar que a partir de I° de janeiro de 1996, por força do artigo 39, parágrafo 4°, da Lei 9.250/95, a restituição ou compensação de créditos tributários deve ser acrescida da taxa SELIC, conforme determina o referido dispositivo: 11¢ 4° A partir de I° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELJC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." (grifos acrescidos) 51 ..1. MINISTÉRIO DA FAZENDA _ TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Nessa esteira, convém reproduzir acórdãos, também emanados do Colendo Superior Tribunal de Justiça, os quais, tratando da aplicação da SELIC, encerram a questão: "Processo Civil. Tributário. Compensação. Embargos de Divergência (arts. 496, VIII, e 546, I, CPC). Juros. Taxa SELIC. CIN, art. 161, § 1°. I. "Juros moratórios de I% (um por cento) ao mês (art. 161, § I°, do CTIV), com a incidência a partir do trânsito em julgado (art 167, parágrafo único, do CIN) até 31/12/94, com aplicação dos juros pela taxa SELIC só a partir da instituição da Lei n° 9.250,95, ou seja, 01/01/1995" - ERE.sp I93.453-SC, Primeira Seção, Rd Min. José Delgado. 2.Precedentes. 3.Embargos acolhidos." (STJ - PRIMEIRA SEÇÃO - EMBARGOS DE DIVERGÉNCIA NO RECURSO ESPECIAL - Relator Min MILTON LUIZ PEREIRA- DJ 30/09/2002 PG:00150) "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - JUROS DE MORA - APLICAÇÃO DA TAXA SEL1C - LEI N°9.250 95. I- Os expurgos inflacionários decorrentes da implantação dos Planos Governamentais são aplicáveis de acordo com os seguintes • índices: no mês de janeiro de 1989, índice de 42,72%; no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC; a partir da promulgação da Lei n° 8177/91, vigora o INPC; e, a partir de janeiro de 1992, a UFIR, na forma preconizada pela Lei n° 8383/91. 2- Os juros de mora incidem na compensação efetuada pelo sistema de autolançamento, isto é, a produzida pelo próprio contribuinte via registro em seus livros contábeis e fiscais. Precedentes desta Corte. Conforme o disposto nos artigos 161, parágrafo 1 0 combinado com o 167 do CIN, os juros são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença no percentual de I% (' 077 por cento) ao mês, e posteriormente incidem na forma do parágrafo 4° do artigo 39 da Lei ;i°9250/95. 52 • ,. • .. , MINISTÉRIO DA FAZENDA _ TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 3-Estabelece o parágrafo 4° do artigo 39 da Lei n°9.250/95 que:"A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SEIJC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." 4-A taxa SELIC representa a taxa de juros reais e a taxa de inflação no período considerado e não pode ser aplicada, cumulativamente, com outros índices de reajustamento. 5-Recurso da Fazenda não conhecido. Recurso da parte conhecido, porém, improvido." (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 396720 / PE - Relator Min. LUIZ FUX -DJ 23/09/2002 PG:00241) "TRIBUTÁRIO. ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA. PERCENTUAL DE I% AO MÊS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DE 01/01/1996. RECURSO PROVIDO. I. Os juros de mora devem incidir a partir do trânsito em julgado da decisão, no percentual de 1% (um por cento) ao mês. Contudo, a partir da vigência da Lei n° 9.250/95, os juros devem ser aplicados conforme a Taxa SELIC. • 2. Recurso especial provido" (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 431269 / SP - Relator Min. JOSÉ DELGADO - DJ 21/10/2002 PG:00293) "TRIBUTÁRIO - PIS - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO - CORREÇÃO MONETÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA - PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS - JUROS MORA TÓRIOS - TAXA SELIC - SUCUMBÊNCIA iNFIMA - HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. 1- Consoante entendimento firmado pela egrégia Primeira Seção do STJ, é garantido o recolhimento do PIS, nos termos da Lei Complementar n° 07/70, sem correção monetária da base de cálculo. II - Após a entrada em vigor da Lei 9250/95, em I° de janeiro de 1996, passa a incidir somente a taxa de juros SEI IC, a qual se 53 , 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA _ TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÁMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N' : 303-31.596 decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, e 11ãO pode ser aplicada cumulativamente com juros moratórios de I% ao mês previsto no art. 167 do CIN. III - Decaindo o autor em parte mínima do pedido, responde a parte adversa, por inteiro, pelos honorários advocatícios e custas processuais (artigo 21, parágrafo único do CPC). IV- Recurso parcialmente provido" (STJ - PRIMEIRA TURMA - RECURSO ESPECIAL 433147 / PR - Relator Min. GARCIA VIEIRA - DJ 21/10/2002 PG:00295) • "TRIBUTÁRIO. AGRAVOS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. TRIBUTOS DIVERSOS. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. JUROS. MATÉRIA NÃO DEBATIDA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. LEI N° 9.250/95. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. - Esta Corte já se manifestou no ser itido da possibilidade de compensação de créditos a título de FINSOCIAL somente com a COFINS. - A correção monetária, para os valores a serem compensados, tem como indexador, para o período de março/90 a janeiro/91, o IPC, relativamente ao de fevereiro/ 91 a dezembro/91, o INPC (Lei n° 8.177/91), e, a partir de janeiro/92, a UFIR, na forma preconizada pela Lei n° 8.383/91, incluídos nestes índices a inflação expurgado pelos planos económicos. - A matéria objeto da incidência dos juros compensatórios não foi debatida em sede de recurso especial, o que obsta o conhecimento da matéria agora trazido à baila. - Quanto à data inicial de incidência do juros da taxa SELIC, o entendimento domine:7de neste Tribunal é que devem ser contados a partir de 1° de janeiro de 1996, devendo ser aplicável tanto na compensação, como na repetição de indébito, inclusive para os tributos sujeitos a autolançamento, em face da determinação contida no parágrafo 4°, do artigo 39, da Lei n° 9.250/95. - É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, não havendo lançamento por homologação ou qualquer outra forma, o prazo decadencial só começa a correr após decorridos 54 . i, , • MINISTÉRIO DA FAZENDA. , . . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais 05 (cinco) anos. - Agravos regimentais improvido" (STJ - PRIMEIRA TURMA - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 331665 / SP - Relator Min. FRANCISCO FALCÃO - DJ 02/12/2002 PG:00227) Ou seja, assim como os índices de 42,72% e 10,14%; 84,32% e 44,80%; 7,87%; e 21,87% relativos, respectivamente, aos meses de janeiro e fevereiro 1111 de 1989; março, abril e maio de 1990; e fevereiro de 1991, a Taxa SELIC tambémconta com amplo respaldo para sua aplicação no caso concreto, motivo pelo qual será, juntamente com estes índices, deferida. Destarte, afastada a preliminar de prescrição e afirmada a possibilidade de conhecimento da matéria por este Órgão, do que sobrevém a aplicação da inconstitucionalidade originária do Decreto-Lei n° 2.295/86 já reconhecida pelo STF, resta a este Colegiado DAR PROVIMENTO ao recurso do Contribuinte para fim de deferir a restituição dos valores recolhidos indevidamente com a devida atualização monetária, incluindo-se, pois, na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, apenas os expurgos inflacionários de 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 21,87% (fev/91) pacificados no seio da jurisprudência, devendo ser aplicada, a partir 'de 1° de janeiro de 1996, a taxa referencial SELIC. É como voto. • Sala das Sessões, e de setembro de 2004 TON B----ART2LI — Relator Designadop2 55 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES_ TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 AC ORDÃO N° : 303-31.596 VOTO VENCIDO EM PARTE A matéria é da competência do Terceiro Conselho e estão presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. A DRJ, em seu acórdão, entendeu haver impedimento de julgamento do mérito pela imposição de duas questões preliminares, uma levantada pela DRF e outra pela própria DRJ. Ao meu ver, s.m.j., não se tratam de questões preliminares ao • mérito, mas sim questões prejudiciais de mérito. Analisemos, primeiro, a da DRJ e depois a da DRF corroborada pela DRJ: 1) Prejudicial de mérito 1: A decisão do STF no RE mencionado apenas considerou o Decreto não recepcionado pela CF/88, portanto sendo as restituições pretendidas referentes a período sob a vigência da Constituição anterior não pode ser atendido o pedido. Data venha, de forma alguma é aceitável o argumento um tanto forçado de que o voto do Min. limar Galvão (voto após vista) seria marginal no entendimento firmado pelo STF quanto à inconstitucionalidade da quota de contribuição sobre a exportação de café mesmo em face da EC 01/69, ou seja, de que já era a exação inconstitucional perante a Constituição anterior, ou seja, desde a sua edição. A alegação pretende desconhecer que as decisões exaradas pelo STF 410 a respeito dessa matéria não se resumiram ao RE citado, houve outros posteriores, o que deixa claro que tal entendimento não se resumiu a um comentário marginal de um dos ministros, mas sim veio a ser o entendimento firmado pelo plenário do STF a respeito da tal contribuição. 2) Prejudicial de mérito 2: Decadência. Há duas correntes mencionadas na decisão recorrida que sustentariam a tese de decadência do direito de pedir a restituição: a) a de que o termo de início desse prazo decadencial se inicia a partir da data do pagamento da exação, que extinguiu a obrigação, contando-se 5 anos dessa data, com base no art. 168 do C'TN; b) O entendimento mais recente do STJ afirma que o prazo é de cinco anos a contar da data de homologação do pagamento, efetiva ou tácita. Comecemos por analisar o entendimento exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça. 56 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Com todo o respeito à veneranda Corte que já produziu diversos e dispares entendimentos quanto à matéria, não resta claro que algum deles esteja realmente firmado, ainda mais porque este último, data mina, parece carecer do fôlego necessário para o enfrentamento da questão. A famosa tese dos dez anos, ou melhor de até dez anos como prazo para verificar a decadência para tributos cujos pagamentos estão sujeitos a homologação, já foi sustentada, já foi desprezada, e agora volta a ser empunhada de maneira temerária. De plano, deixando de lado possível dúvida de que a quota- contribuição sub examine fosse tributo sujeito a homologação, diga-se que a tese dos dez anos, conforme acusa a decisão recorrida, viria ao encontro da posição defendida • na instância administrativa a quo, posto que indica que o prazo decadencial, na verdade, é de cinco anos, apenas que sendo contado a partir da homologação, efetiva ou tácita, faria com que o prazo na prática pudesse ser eventualmente estendido até dez anos a contar do pagamento indevido. Forçando, indevidamente, a fixação do evento do pagamento como termo inicial. Há, s.m.j., equivoco na tese original. Antes, porém, falemos de um acerto. O acerto é quanto a ser sempre de cinco anos o prazo decadencial no CTN (no máximo, podendo lei ordinária fixar prazo menor). Porém, se quanto a tributo com pagamento sujeito a homologação for esgotado o prazo de 5 anos sem homologação expressa, ocorre a tácita, o que equivale a que se considere o pagamento efetuado válido e irretocável, por via de lançamento, e nesse caso confirmado o recolhimento como correto, o prazo de cinco anos se conta a partir do próprio pagamento. No caso de haver dentro do período de cinco anos do recolhimento procedimento de fiscalização que verifique a insuficiência do pagamento, não há • extinção da obrigação e a partir da constatação pela autoridade fiscal, com lançamento de oficio, passa a correr cinco anos para a cobrança do saldo devido. De onde se conclui, pertnissa venia, pela fragilidade da tese original do egrégio STJ, ou seja, num caso (homologação tácita) o prazo decadencial, quanto à possibilidade de correção de oficio, é de cinco anos a contar do pagamento, e no outro caso, de não homologação expressa, por registrar insuficiência de pagamento, o prazo prescricional para a cobrança do saldo de tributo devido é de cinco anos a partir do lançamento de oficio. Ou seja, forçoso é, mais uma vez, afirmar que não existe lançamento por homologação, a homologação de que se fala se refere a pagamento antecipado de tributo nos casos previstos na lei, sujeitos a exame do fisco no prazo de cinco anos. Feito o lançamento de oficio não há mais que se falar em decadência, que aqui se refere ao direito de lançar, mas em prescrição do direito de cobrar, que salvo disposição em lei que estabeleça prazo menor, será de cinco anos conforme o C 57 SYlj MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. . TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Portanto, concordamos que seja de prescrição seja de decadência (discussão que a partir do novo Código Civil perdeu o sentido) o prazo a que se deve sujeitar o contribuinte para requerer repetição do indébito, esse prazo será no máximo de cinco anos, restando definir o termo de início de contagem desse prazo Os artigos 165 e 168 do CTN não se referem ao caso em julgamento. Referem-se à restituição de pagamento indevido por erro, pagamento feito espontaneamente, porém indevido ou realizado a maior diante da legislação vigente, ou que tenha incorrido em erro de cálculo, ou por reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Nada disso ocorreu no caso concreto. Em resumo, o c-rN não disciplina a situação de repetição de indébito a partir de • declaração de inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado lembra a DRJ que o Decreto 2346/97 estipula: "transitada em julgado decisão do STF que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia 'ex tunc', produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial" (grifas do relator do acórdão da DRJ). Toma então o prazo definido no art. 168 para definir que houve decadência, e que esse é o entendimento administrativo expresso no ADN 96/99. O raciocínio, ao meu ver, não merece ser acolhido. • É freqüente a queixa de órgãos judiciários, juízes e tribunais, de que o Estado-Administração (União, Estados, DF e Municípios) pela conjuntura económico-financeira internacional, que impõe a necessidade furiosa de incrementos sensíveis de arrecadação, muitas vezes tem proposto ao Poder Legislativo, exações que são formalmente aprovadas mesmo quando flagrantemente inconstitucionais. Ademais, freqüentemente têm a Administração causado emperramento da máquina judiciária com recursos meramente protelatórios no curso do controle difuso de constitucionalidade, obrigando o STF a repetir centenas, milhares ou talvez centenas de milhares de vezes a mesma decisão de inconstitucionalidade de certa exação. O raciocínio, condenável, que assim se costuma atribuir ao Executivo é o de que ,em geral, é pequeno o número de contribuintes que recorrem ao Judiciário. Verifica-se que a maioria de contribuintes efetua os pagamentos relativos a tais exações, e quando o Judiciário vem a se pronunciar, normalmente no curso do controle difuso da constitucionalidade, já são passados cinco anos do recolhimento e, escudado numa interpretação duvidosa do valor segurança jurídica, pretende a Administração Pública que se reconheça decaído o direito daquele contribuinte que, de boa-fé, creu na 58 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 AC ORDÃO N° : 303-31.596 constitucionalidade da lei, produzida sob o rigor formal da Constituição e das demais leis hierarquicamente superiores a ela, sancionada pelo Chefe do Poder Executivo e sequer pestanejou em recolher o valor cobrado, menos ainda pensou em recorrer ao Judiciário, mas que, em razão de provocação de terceiros à Corte Suprema, assiste ao STF declarar com clareza meridiana, conforme se vê no caso concreto em análise, a inconstitucionalidade do tributo desde a sua edição. DIZ A DRJ: Na ausência de norma, ao integrar, pode-se no máximo utilizar a analogia, mas não criar regra nova usurpando a competência do Legislativo. Por isso o Parecer COSIT 58/98 foi revogado. A analogia possível ao caso seria o art. 168, I do MN e nunca o inciso II do mesmo artigo. Que essa analogia não milita em • beneficio do contribuinte, pois está sendo utilizada não apenas para a contagem do prazo decadencial, mas também para o reconhecimento ao direito à restituição em modalidade não contemplada no CTN. Se assim não fosse, em tais casos, o contribuinte teria necessariamente de recorrer ao Judiciário para obter o reconhecimento do direito de restituição.". Ora, não pode ser cobrado tributo a não ser por decorrência de lei, se a lei tributária formalmente produzida e sancionada sob presunção de constitucionalidade, posteriormente é reconhecida e declarada pela Corte Suprema como inconstitucional desde a origem, não há sustentação no ordenamento jurídico pátrio para justificar o que seria enriquecimento ilícito do erário da União. Também deve ser dito que nenhuma analogia é válida, no caso, a partir do art. 168 do CTN, porque simplesmente não trata de hipótese comparável. Ora o "pagamento" decorrera da presunção de constitucionalidade • da norma que estabeleceu o tributo, e a partir do fato novo representado pela decisão do STF, desapareceu a referida presunção, em seu lugar instalou-se a certeza de inconstitucionalidade originária da exação e, portanto, aquele recolhimento antes efetuado não pode ser nem sequer considerado pagamento porque ficou, então, reconhecido que a obrigação tributária não havia de direito. Há, no caso, que se examinar a prevalência de princípios constitucionais e legais vigentes no ordenamento jurídico brasileiro e que, no caso concreto, convergem e não colidem. O eterno conflito entre justiça e segurança jurídica, no presente caso, é atenuado, na verdade não há nenhuma infração à segurança jurídica, a melhor aplicação do valor segurança jurídica está em considerar o prazo de cinco anos, como sempre, para exercício do direito de pedir a restituição, somente que tal prazo só pode começar a fluir a partir do fato novo provocado pela decisão do STF. 59 MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 A partir da declaração de inconstitucionalidade da contribuição desde a sua edição, o recolhimento realizado é evidentemente indevido. Se foi destruída a obrigação tributária é claro que não se pode atribuir ao recolhimento a força de extinção de obrigação tributária por pagamento. Numa visão retrospectiva a partir do entendimento firmado pela Corte Suprema, surgiu um fato novo, qual seja, a certeza de inconstitucionalidade da exação desde a sua edição, ou seja, a anterior presunção de constitucionalidade da norma tributária foi desfeita, desconstituída e, só a partir deste fato novo é que surge o efetivo direito a restituição do que só a esta altura configurou-se como indevido. Não se diga que esse entendimento afronta a segurança jurídica por • eternizar o prazo de restituição do indébito. Não se eterniza, é de cinco anos, apenas que esse prazo só se inicia a partir da destruição da presunção de constitucionalidade da lei. Do contrário seria minimizar a importância da boa-fé na relação jurídico- tributária entre o fisco e o contribuinte. A segurança jurídica que deve ser resguardada no presente caso se coaduna com os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da boa-fé na relação fisco-contribuinte, e no reconhecimento de que o prazo decadencial quanto ao pedido de repetição do indébito só pode iniciar contagem a partir da decisão do STF com aninnts definitirus . No caso presente não há como se esperar a edição de Resolução do Senado, ou mesmo ato do executivo ordenando aos seus subordinados que não aplique a norma inconstitucional, simplesmente porque o entendimento do Pretório Excelso reconhece a inconstitucionalidade mesmo perante a EC 01/69. Não há porque suspender a execução de ato normativo que já não tem vigência, mas que também, e, não esqueçamos disso, já nasceu morto, fulminado pela inconstitucionalidade, 411 atestada pelo STF, fato marcante, posto que só a partir dele é que surge o direito de restituição que, repito, não é exercitável eternamente, posto que, como sempre, também este direito, em homenagem à segurança jurídica, se submete a prazo decadencial de cinco anos. Lembra-se que não constituem novidade no ordenamento jurídico brasileiro situações em que não há fluência de prazo decadencial, ou que só comece a fluir a partir de determinado marco previsto em lei. Veja-se, por exemplo, o caso do mandado de segurança preventivo magistralmente examinado por Maria Sylvia Zanella di Pietro (in Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 2002, 15 1 ed., pp. 642/650) Por outro lado há notícia de que apesar das evidências de irrelevância de edição de Resolução pelo Senado Federal quanto a suspender a execução do DL 2.295/86, por sua inconstitucionalidade originária em face mesmo da 60 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 EC 01/69, ainda assim teria sido recentemente encaminhado pedido do STF nesse sentido. Nesse caso a se admitir a expectativa da referida Resolução, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, ai se configuraria hipótese ainda mais adversa ao interesse fazendário, posto que conforme entendimento expresso no Decreto 2.346/97, somente a partir da publicação de tal Resolução é que começaria a correr o prazo prescricional do direito de restituição do indébito para todos aqueles que não ingressaram em juizo contra a exação. No entanto, devo dizer que não creio na possibilidade de edição de • Resolução, pela sua impropriedade e inutilidade no caso em espécie. Não se suspende o que não está vigente, não se afasta o que não está presente! Retomando o fio da meada, ocorre que considerar a decisão do STF de setembro/1997 como marco inicial da contagem da prescrição, lembrando que nessa oportunidade a inconstitucionalidade em face da Constituição anterior foi proferida em declaração de voto do Min. limar Galvão após vista dos autos, é ainda menos desvantajoso ao interesse administrativo do que se considerar esse marco posto a partir de decisões posteriores do STF. Mantido como termo a quo do referido prazo de requerimento do indébito a decisão referente ao RE 191.044-SP, o prazo se esgotaria em setembro de 2002, no entanto o pedido foi protocolado em 30/07/2001. Portanto, ao meu ver, deve ser afastada a tese de decadência. Noutro giro, no que diz respeito a uma suposta necessidade de • devolução dos autos ao julgador de l a instância para enfrentamento do mérito restante, o que impediria este Colegiado de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, veja-se o que preceitua nosso direito processual, por força do recentemente alterado artigo 515, § 3°, do Código de Processo Civil (C.P.C): "yrNos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento". Ainda no C.P.C, art. 516: "Ficam também submetidas ao tribunal as questões anteriores à sentença ainda não decididas." 61 F .. MINISTÉRIO DA FAZENDA • • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.814 ACÓRDÃO N° : 303-31.596 Com efeito, verifica-se que nosso ordenamento jurídico, na tentativa de dar efetividade ao princípio da economia processual, albergou a possibilidade de que o Tribunal, nas causas que reúnam condições de julgamento imediato, possa decidir quanto à questão de mérito mesmo que esta não tenha sido analisada em primeira instância. Esse é o sentido teleológico da norma, economia processual, o qual se consubstancia como princípio balisador do processo, administrativo inclusive. No caso, boa parte do mérito foi analisado na instância a quo, a tese de inconstitucionalidade da exação somente a partir da Constituição ora vigente e a de decadência do pedido de restituição. Faltou outra parte quanto ao cálculo do valor do indébito. IP Neste caso está mais do que evidente que o princípio do duplo grau de jurisdição deve militar a favor do contribuinte e não para justificativa que possa ser esgrimida com caráter meramente protelatório, no interesse de fazer voltar o processo à primeira instância tão-somente para que após longos meses, ou anos, se volte a afirmar posição administrativa que já ficou patente no processo, sob pena de contaminar sua atuação com o caráter procrastinatório que não dignifica a Administração Pública, além de fazer vista grossa ao saudável e indispensável princípio da boa fé que deve aconselhar a todos, porém, maiormente, aos agentes do Estado na sua relação com o contribuinte. Quanto aos critérios que devem ser adotados no cálculo do valor a ser restituído, especialmente quanto à correção monetária, conforme tenho me posicionado nesta Câmara, defendo que deve ser seguida a disciplina da NE SRF COSIT/COSAR n° 08/97, posto que não vislumbro suporte legal para hipótese diversa, ao menos na seara administrativa. ePelo exposto voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do cálculo do valor a ser restituído os expurgos inflacionários. Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004 IPA.•,„„,ZEN s r O 0113MAN - Conselheiro  62 Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1
score : 1.0
