Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10314.005328/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/05/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/05/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10314.005328/2011-01
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5413868
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.647
nome_arquivo_s : Decisao_10314005328201101.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10314005328201101_5413868.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5778181
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476358873088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2321; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 303 1 302 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.005328/201101 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.647 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/05/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/05/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 53 28 /2 01 1- 01 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.005328/201101 Acórdão n.º 3803006.647 S3TE03 Fl. 304 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/05/2011 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.005328/201101 Acórdão n.º 3803006.647 S3TE03 Fl. 305 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.005328/201101 Acórdão n.º 3803006.647 S3TE03 Fl. 306 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.005328/201101 Acórdão n.º 3803006.647 S3TE03 Fl. 307 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000207/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO.
Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo.
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99.
Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela.
Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.
Numero da decisão: 3101-001.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, pelo voto de qualidade, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira substituiu o Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer (Suplente), Demes Brito(Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13027.000207/2005-41
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414485
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3101-001.755
nome_arquivo_s : Decisao_13027000207200541.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 13027000207200541_5414485.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, pelo voto de qualidade, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira substituiu o Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer (Suplente), Demes Brito(Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5778798
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476363067392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 442 1 441 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13027.000207/200541 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3101001.755 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria Auto de Infração por Ressarcimento Indevido Embargante COMIL CARROCERIAS E ÔNIBUS LTDA. Interessado DRJSANTA MARIA/RS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementálo. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, pelo voto de qualidade, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira substituiu o Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente. Henrique Pinheiro Torres Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 02 07 /2 00 5- 41 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Luiz Roberto Domingo – Relator Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer (Suplente), Demes Brito(Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte contra Acórdão n° 3101000.853, de 10/08/2011, que, por voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO. A redução da base de cálculo do PIS e da COFINS, conferida pelo art. 1o da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada uma isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos têm assento constitucional distintos (§ 6o do art. 150 da Constituição da República de 1988). A redução da base de cálculo não está elencada no art. 17 da Lei n° 11.033/04, e portanto não pode ser alcançada pelo ar. 16 da Lei n° 11.116/05. Alega a Embargante que o Acórdão foi omisso ao deixar de apreciar as seguintes questões: 1) Considerando que o lançamento de ofício decorre da mudança de critério jurídico em relação ao despacho decisório que deferiu o ressarcimento pleiteado, aduz, em preliminar, que o ato que autorizou a revisão do ressarcimento carece de fundamentação legal; 2) Há contradição entre a classificação feita pelo Fisco de que o benefício é de natureza financeira e o procedimento de constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício; 3) Impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico uma vez que não houve ocorrência de nenhuma das hipóteses dos artigos e 149 do CTN. Vedação expressa do art. 146 4) não foi apreciada a tese alternativa de classificação da redução da base de cálculo equiparável à não incidência parcial. 5) omissão em relação aos efeitos de interpretação definitiva dada pelo STF em julgamento do pleno no RE 174.478 e descumprimento do Decreto n° 2.346/97 que determina aplicação obrigatória das decisões definitivas do STF. 6) Omissão quanto à quantificação do crédito tributário uma vez que não foram considerados na totalidade as operações de exportação; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13027.000207/200541 Acórdão n.º 3101001.755 S3C1T1 Fl. 443 3 7) Omissão quanto ao critério no cômputo das Variações Cambiais relativas a contratos submetidos ao regime caixa, bem como apropriação das variações cambiais ativas sem considerar as variações cambiais passivas. Submetidos à apreciação da Turma, o julgamento dos embargos foi convertido e diligência, nos termo da Resolução n° 3101000.287, de 20 de agosto de 2013, que dispôs: Inobstante haver questões passíveis de apreciação imediata, no que se refere ao tema “variações cambiais” e sua influência na base de cálculo do PIS e da COFINS, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência à Repartição de origem a fim de que confirme junto à Contribuinte o regime jurídico adotado na apuração dessas contribuições e do IRPJ/CSLL, para os direito e obrigações em moeda estrangeira, submetidos à variação cambial, se no regime caixa ou se no regime competência, na forma da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Diante das informações prestadas e da fiscalização efetivada, elabore a autoridade responsável da repartição de origem relatório acerca da influência do regime de apropriação das variações cambiais na apuração dos tributos e no cálculo do benefício objeto deste processo, intimando a Contribuinte do resultado, para que se manifeste no prazo de 30 dias, como garantia do contraditório e da ampla defesa. Intimada a manifestarse a Recorrente declarou que: “optou por reconhecer ditas variações cambiais no regime de competência”. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do embargos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Primeiramente, cabe ressaltar que as discussões empreendidas quando do julgamento do mérito, acabaram por deixar em segundo plano as análise das alegações não menos importantes trazidas pela Recorrente, mas que os Embargos de Declaração dão conta de suprir. Quanto à preliminar de ausência de fundamento jurídico do ato que autorizou a fiscalização e revisão do ressarcimento autorizado, entendo que o ato administrativo carece de validade, seja porque não contempla motivação e motivo para ser exarado, formal e materialmente. Explico. Do ponto de vista formal, todo ato administrativo deve atender aos requisitos de validade, em especial, exarado por pessoa competente e contemplando, motivo e motivação, ou seja, deve conter os fundamentos jurídicos de sua expedição e os motivos circunstanciais que levaram a autoridade a expedilo. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Inexistentes esses requisitos, o ato não detém suporte bastante e suficiente em uma superficial conferência de validade. O ato administrativo sob análise tratase de autorização para reexame do ressarcimento, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Passo Fundo exarou: De acordo. 2. Autorizo o reexame da matéria e determino a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização – MFPF, na forma solicitada. Da solicitação consta: Senhor Delegado, Em face às disposições contidas na Lei n° 11.116/2005, tornase necessário o reexame da Verificação Fiscal realizada para que seja novamente examinado se a interessada faz jus ao crédito tributário pleiteado, nas condições estabelecidas pela Lei 10.833/2003. 2. Por essa razão, solicitamos a autorização para reexaminar a legitimidade do crédito pedido neste processo, mediante a execução de procedimento fiscal definido pro Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização que deverá ser realizado pelos AuditoresFiscais da receita Federal (AFRF) Valmir Scheid e Vilson José Klock. Pela simples leitura do ato que foi homologado conferindo autorização para revisão do ressarcimento, não se verifica os requisitos formais mínimos para ato de revisão do ato administrativo que deferiu o ressarcimento. O ato não descreve de forma clara e objetiva os motivos e em que medida a motivação suporta a conclusão para o exercício funcional, que, digase de passagem não pode ser realizado senão conforme a lei e nos limites dela. O ato administrativo, e com mais razão o que propõe revisão dos atos da administração, não pode calarse diante de um “porque”. Deve de antemão estar lastreado em fatos, em motivos, em fundamentos legais que lhe propiciem segurança jurídica e aferição em face do sistema jurídico vigente no Estado Democrático de Direito, uma vez que a vontade da administração não é a vontade do administrador, mas sim a vontade da lei. No caso em apreço, o ato que determina a revisão do ressarcimento efetivado não responde aos requisitos mínimos de validade. Evidentemente, no curso da revisão perpetrada contra o contribuinte verificouse que a motivação da administração era apenas uma: mudança de critério jurídico na expedição do ato que deferiu o ressarcimento. Para a autoridade da repartição de origem, isso configurou erro bastante e suficiente para reverter o ressarcimento por meio de lançamento tributário agravado pelo aplicação de penalidade, correção monetária e juros embutidos na aplicação da Taxa Selic. Mas a lógica do lançamento não funciona, como veremos adiante pois a autoridade administrativa entendeu que “errou”, mas foi o contribuinte chamado a pagar a multa. Notese que a Lei n° 9.784/99, art. 53, prevê: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13027.000207/200541 Acórdão n.º 3101001.755 S3C1T1 Fl. 444 5 Ora, a hipótese de incidência prevê que “quando eivados de vício de legalidade” a administração deve anular seus próprios atos. Ocorre que o ato que defere a revisão e o ato revisor não identifica no ato revisado os elementos do vício de legalidade. Não foi apontada nenhum vício de legalidade, de modo que não é possível uma ilegalidade inominada ou genérica, pois configurase uma acusação em branco, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa. Não houve a exata subsunção do fato à norma, por isso indevida a revisão. A revisão dos atos da administração, não há dúvida, pode ser feita a qualquer momento, tendo como limites o lapso decadencial e as garantias constitucionais que alicerçam a segurança jurídica, e por isso mesmo consagradas pelas cláusulas pétreas contidas na Constituição Federal. O Art. 5o da Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada A Constituição Federal ao trazer o termo “lei”, o fez de forma genérica, ou seja, nenhuma norma jurídica prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A “lei”, portanto, congrega outras formas de normas tais como decretos, atos normativos e atos individuais e concretos, inclusive que conferem direitos às pessoas. Desta forma, a revisão, assim entendida como ato normativo individual e concreto (“lei nova”), não prejudicaria direito adquirido do contribuinte porque o mero ressarcimento não exclui a revisão e portanto não lhe confere direito adquirido. Da mesma forma não prejudica a coisa julgada por que não decorre de ato praticado no âmbito da jurisdição. O ato jurídico perfeito, assim entendido aquele praticado, publicado e acabado segundo as normas vigentes ao tempo em que foi exarado, satisfazendo todos os requisitos formais para gerar os efeitos que objetivou. Desta forma, o ato administrativo válido, que confere ressarcimento ao contribuinte, somente será passível de revisão se e quando não puder ser considerado ato jurídico perfeito. Para tanto é necessário que o ato que pretenda a revisão seja explícito em declarar os elementos jurídicos que destituem o ato administrativo de sua perfeição. Nem o ato que autoriza procedimento de revisão nem o Despacho Decisório DRF/RFO, de 10 de julho de 2006, contempla os motivos cumprem os requisitos mínimos de justificativa e fundamentação para revisão do ato jurídico perfeito. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Quanto a alegada contradição entre a classificação do ressarcimento como benefício financeiro e o lançamento tributário, não procede o reclamo do contribuinte, seja porque o crédito decorre da natureza tributária da obrigação e da não cumulatividade do PIS e da COFINS, seja porque essa é a forma prevista em lei (Lei 9.430/96). Cabe ressaltar que o art. 149 do CTN prevê em números clausus as circunstâncias em que a administração pode rever de ofício o lançamento, se é que se pode atribuir ao despacho decisório as características do ato administrativo de lançamento. Mas mesmo que considerássemos possível, os casos enumerados no referido artigo devem ser tomados segundo os pressupostos gerais da administração em prestígio aos princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e da segurança jurídica. De modo que não se vislumbra qualquer motivo para a administração rever a homologação / deferimento da restituição senão uma mudança de interpretação da norma jurídica que concedeu o benefício que no momento do deferimento e ressarcimento era uma e depois passou a ser outra interpretação. No caso em pauta, o despacho decisório em ressarcimento tem a mesma natureza jurídica que a resposta à Consulta da autoridade administrativa. Na consulta, a resposta favorável tem o efeito de conferir ao contribuinte um direito acerca da interpretação da legislação tributária, de modo que o contribuinte fica protegido em relação à interpretação prolatada até que a “administração altere o entendimento nela expresso”, sendo certo que a lei garante que “a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial”, não sendo possível que a administração exija do contribuinte o pagamento de tributos que deixaram de ser recolhidos por conta dos critérios jurídicos contidos na Consulta ou dos efeitos jurídicotributários que dela decorram. Nesse diapasão é que a interpretação da lei tributária explicitada no Despacho Decisório que culminou no ressarcimento, ato jurídico perfeito, não pode ser objeto de revisão operando efeitos retroativos, para rever o entendimento explicitado no ato administrativo. Em prestígio ao princípio da segurança jurídica a administração não pode frustrar o direito adquirido pelo administrado por haver no caso ato jurídico perfeito, emanado por autoridade competente que detinha a atribuição e capacidade de conferir à norma aquela interpretação. Ademais, tratase de questão análoga à coisa julgada. Digo isso porque o processo administrativo fiscal em que se dá o ressarcimento e a restituição, quando deferido são definitivas as respectivas decisões, não cabendo, aliás, recurso de ofício por parte da autoridade. Esse é o supedâneo do art. 146 do CTN e do art. 48 da Lei nº 9.430/96, cujo fundamento de direito e o valor jurídico protegido são a segurança jurídica dos atos administrativos. Cabe relembrar o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Por conta desse entendimento, desde já, acolho os embargos em caráter infringente para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13027.000207/200541 Acórdão n.º 3101001.755 S3C1T1 Fl. 445 7 Quanto à alegada omissão em relação à tese alternativa de que a redução da base de cálculo equivale à não incidência parcial e, portanto, passível de equiparação às hipóteses do art. 17 da Lei n° 11.033/04, entendo que não houve omissão, uma vez que o Ilustre Relator Designado foi expresso ao considerar, inclusive na ementa do Acórdão Embargado que: “A redução da base de cálculo não está elencada no art. 17 da Lei n° 11.033/04, e portanto não pode ser alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05”, motivo pelo qual rejeito os Embargos neste ponto específico. Quanto à omissão da natureza jurídica do crédito se financeiro ou tributário, a natureza jurídica da “redução da base de calculo” e em relação aos efeitos de interpretação definitiva dada pelo STF em julgamento do pleno no RE 174.478 e descumprimento do Decreto n° 2.346/97 que determina aplicação obrigatória das decisões definitivas do STF, entendo não caber razão à recorrente. O Decreto nº 2.346/97 dispõe em seu art. 1º o seguinte: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. O Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime do Tribunal Pleno, em caráter definitivo – decisão de 2005 sem qualquer alteração – confirmou a interpretação a ser dada às reduções de base de cálculo: EMENTA: TRIBUTO. Imposto sobre Circulação de Mercadorias. ICMS. Créditos relativos à entrada de insumos usados em industrialização de produtos cujas saídas foram realizadas com redução da base de cálculo. Caso de isenção fiscal parcial. Previsão de estorno proporcional. Art. 41, inc. IV, da Lei estadual nº 6.374/89, e art. 32, inc. II, do Convênio ICMS nº 66/88. Constitucionalidade reconhecida. Segurança denegada. Improvimento ao recurso. Aplicação do art. 155, § 2º, inc. II, letra "b", da CF. Voto vencido. São constitucionais o art. 41, inc. IV, da Lei nº 6.374/89, do Estado de São Paulo, e o art. 32, incs. I e II, do Convênio ICMS nº 66/88 (RE 174478, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2005, DJ 30092005 PP00005 EMENT VOL0220702 PP00243 RIP v. 7, n. 33, 2005, p. 264) Entendo ser irrelevante a natureza tributária ou financeira do crédito uma vez que qualquer que fosse sua natureza, a lei elegeu a via tributária para seu aperfeiçoamento, sendo esse o regime a ser aplicado No que trata da natureza jurídica da “redução da base de cálculo” o voto vencedor, embargado, expôs seu entendimento ao dizer que tal previsão não está açambarcada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004 o que de plano afastaria o art. 1o do Decreto 2346/97, haja vista que a decisão definitiva a ser seguida pela administração precisa ser, necessáriamente, acerca da norma jurídica de competência desse ente tributante, de modo que uma decisão sobre o conteúdo semântico da locução “redução da base de cálculo” dada em relação às normas de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 incidência do ICMS, a princípio, não congrega força vinculante para interpretação das normas de incidência do PIS e da COFINS por serem regimes jurídicos distintos. De modo que, nesse ponto, não assiste razão à Embargante. Quanto à omissão relativa ao erro quantificação do crédito tributário uma vez que não foram considerados na totalidade as operações de exportação, entendo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar os equívocos da apuração levada a efeito pelo Fisco, o que dependeria de apresentação de cálculos exatos e não apenas a relação ente dois elementos que compõe os cálculos do ressarcimento. Inobstante, improcedente a alegação de que não foi considerada informação retificadora apresentada após a atividade fiscal (10/08/2006). Por fim, quanto às variações cambiais, obtida a informação direta de que o contribuinte optou pela apuração dos contratos em moeda estrangeira no regime competência, a variação cambial deve ser considerada mensalmente e não apenas na liquidação da operação, como autoriza o art. 35 da MP 215835/2001 (regime caixa). As variações cambiais mensais em registros contábeis devem ser apropriados para cálculo das contribuições PIS e COFINS. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para anular o processo ab inicio em face da impossibilidade de retroatividade da mudança de critério jurídico. Luiz Roberto Domingo Voto Vencedor Rodrigo Mineiro Fernandes, redator designado. Inobstante os relevantes argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso descordar de suas conclusões quanto à alegada falta de motivação para a revisão e a alegada mudança de critério jurídico da autoridade fiscal. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, desde que obedecido o prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé, de acordo com o previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Esse princípio está consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Importante destacar que a súmula 473 do STF menciona que a anulação de atos ilegais praticados pela administração pública, não gera direitos por parte do particular. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13027.000207/200541 Acórdão n.º 3101001.755 S3C1T1 Fl. 446 9 O dever revisional de ato administrativo ilegal decorre, logicamente, do princípio da legalidade e da igualdade. O procedimento de revisão é a forma utilizada pela autoridade fiscal para aferição da conformação do ato às prescrições legais, na forma de controle interno, para atestar a sua adequação ao ordenamento jurídico. A doutrina não diverge desse entendimento. Para Hugo de Brito Machado, a “administração pode e deve corrigir seus atos ilegais” (MACHADO, 2009, p.85). Também o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho defende a observância obrigatória do princípio da legalidade na revisão administrativa para a adequação dos atos viciados aos seus parâmetros normativos obrigatórios (NUNES FILHO, 1999, p.55). Para Mary Elbe Queiroz, o controle administrativo deve buscar “a perfectibilidade dos atos e das ações dos agentes públicos no tocante às exações tributárias” (QUEIROZ, 2002, p.119). Apurada a irregularidade no deferimento do direito creditório, a autoridade fiscal não apenas pode, mas deve rever seu ato, com foi o caso apurado nos presentes autos. Defender a impossibilidade da autoridade fiscal proceder à formalização de novo ato quando constatada inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável, sob o argumento de proteção da segurança jurídica, ao invés de proteger o ordenamento e os direitos individuais, leva a uma desordem sistêmica, reproduzida na afronta à isonomia para aqueles contribuintes que estavam na mesma situação de fato e de direito e não tiveram o mesmo tratamento do lançamento ilegal. Também divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à impossibilidade de revisão do ato administrativo por alegada ofensa ao ato jurídico perfeito e direito adquirido pelo administrado, em prestígio ao princípio da segurança jurídica. A aplicação do princípio da proteção da confiança legítima condicionase à sua conjugação com a legalidade e com a igualdade. Nos casos de ilicitudes, a concretização da proteção da confiança no sistema tributário brasileiro deve estar prevista no Código Tributário Nacional (CTN), como exceção à regra da legalidade, e como exceção às distorções porventura existentes em relação à igualdade. Tratase de exceção que o legislador instituiu no sistema tributário nacional, e que o aplicador deverá obedecer. O CTN prestigia o princípio da proteção da confiança legítima em seus artigos 100, parágrafo único, e 146. O artigo 100 do CTN trata dos atos infralegais, complementares, regulamentares, ou interpretativos, bem como das práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Seu parágrafo único impossibilita o lançamento de multas e acréscimos moratórios no caso de observância das referidas normas complementares, mesmo em caso de ilicitude. Tratase do maior exemplo de aplicação do princípio da proteção da confiança em nosso sistema tributário: se o contribuinte atendeu às normas complementares editadas pela Administração Tributária, não poderá ser penalizado pela falta de base legal das referidas normas, logicamente se agiu de boafé e sem conluio com o agente público responsável pelo ato. Notese que apenas a penalidade não será lançada, sendo perfeitamente devido o tributo porventura não recolhido, em atendimento ao princípio da legalidade. A norma aplicase a todos os contribuintes que observaram os atos complementares genéricos. Não se trata de modificações de interpretações da lei, mas de extrapolação das previsões legais na edição do ato, caracterizando ilegalidade do ato normativo complementar. O princípio da proteção da confiança será aplicado de forma conjugada com o princípio da legalidade, de forma a restaurar a situação prevista em lei, sem penalizar o Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 contribuinte que agiu de boafé, com a exclusão das multas e juros previstas nas normas sancionatórias. A Administração Tributária agiu de forma irregular na edição do ato viciado, com excesso de poder, que não pode prevalecer por falta de competência constitucional para tanto. Sua margem de atuação encontrase delimitada pela Constituição e seus atos normativos não podem exceder a previsão legal. No caso de práticas reiteradas pelas autoridades fiscais, o direito do contribuinte não afasta o seu dever de pagar o tributo devido, visto que apenas a aplicação de penalidades e juros é excluída por esse dispositivo do CTN. A aplicação do artigo 100 do CTN não se aplica ao caso em questão pela inexistência de ato infralegal, complementar, regulamentar, ou interpretativo questionado, bem como a inexistência de práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Enquanto o artigo 100 do CTN versa sobre uma situação de ilegalidade, o artigo 146 trata de mudanças entre interpretações, mas dentro da legalidade. O ponto fundamental para a aplicação dos dispositivos é a legalidade: enquanto a norma do artigo 100 prevê a proteção da confiança para atos ilegais, a norma do artigo 146 do CTN prevê a impossibilidade de modificação dos critérios interpretativos dentro das hipóteses legais, considerando que ambas as soluções adotadas pela autoridade fiscal são contempladas pela interpretação razoável da lei. O artigo 146 do CTN referese à irretroatividade dos efeitos de uma mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal, no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, para fatos geradores posteriormente à sua introdução. Numa interpretação literal, extraise que se trata de uma regra individual, determinando a irretroatividade para um mesmo sujeito passivo objeto de ato anterior. Também que se trata de uma regra de irretroatividade aplicável apenas ao ato administrativo do lançamento tributário, para fatos geradores posteriores à mudança introduzida, inaplicável a qualquer outro ato administrativo, como as soluções de consulta. Também não é aplicável o artigo 146 do CTN ao caso em discussão nos presentes autos, visto que não ficou configurada a mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Diante do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Rodrigo Mineiro Fernandes [assinado digitalmente] Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, A ssinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720824/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE PERÍCIA EM DESACORDO COM OS REQUISITOS LEGAIS. DESCONHECIMENTO.
Deve ser negado pedido de perícia se não indicados os quesitos referentes aos exames desejados.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Sendo de grande magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente auferida, e havendo reiteração desta conduta ao longo dos períodos de apuração dentro do ano-calendário, há de se afastar o erro e concluir-se pelo dolo, justificando-se, assim, a exasperação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em manter a multa qualificada e por unanimidade, em negar provimento às demais matérias, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Leonardo Marques e Márcio Frizzo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Leonardo Mendonça Marques.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE PERÍCIA EM DESACORDO COM OS REQUISITOS LEGAIS. DESCONHECIMENTO. Deve ser negado pedido de perícia se não indicados os quesitos referentes aos exames desejados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Sendo de grande magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente auferida, e havendo reiteração desta conduta ao longo dos períodos de apuração dentro do ano-calendário, há de se afastar o erro e concluir-se pelo dolo, justificando-se, assim, a exasperação da multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11040.720824/2012-91
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426595
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.597
nome_arquivo_s : Decisao_11040720824201291.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 11040720824201291_5426595.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em manter a multa qualificada e por unanimidade, em negar provimento às demais matérias, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Leonardo Marques e Márcio Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Leonardo Mendonça Marques.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5812842
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476374601728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 434 1 433 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.720824/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.597 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITA Recorrente GARCIA & GONÇALVES LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO DE GANDINI & GONÇALVES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PEDIDO DE PERÍCIA EM DESACORDO COM OS REQUISITOS LEGAIS. DESCONHECIMENTO. Deve ser negado pedido de perícia se não indicados os quesitos referentes aos exames desejados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Sendo de grande magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente auferida, e havendo reiteração desta conduta ao longo dos períodos de apuração dentro do anocalendário, há de se afastar o erro e concluirse pelo dolo, justificandose, assim, a exasperação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em manter a multa qualificada e por unanimidade, em negar provimento às demais matérias, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Leonardo Marques e Márcio Frizzo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 08 24 /2 01 2- 91 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Leonardo Mendonça Marques. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11040.720824/201291 Acórdão n.º 1302001.597 S1C3T2 Fl. 435 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. As DRJ não são competentes para decidir sobre a inconstitucionalidade de lei. PEDIDO DE PERÍCIA EM DESACORDO COM OS REQUISITOS LEGAIS. DESCONHECIMENTO. Não se conhece de pedido de perícia se o interessado não indica os quesitos que pretende ver respondidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. Mantémse o crédito tributário apurado em função das receitas omitidas, uma vez que não foi infirmada a prova de sua omissão. ARBITRAMENTO. A falta de escrituração da movimentação bancária no livrocaixa é causa do arbitramento do lucro; o fato de o contribuinte ter apresentado sua documentação não afasta essa conseqüência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A reiterada omissão de cerca de 90% das receitas é suficiente para comprovar a ocorrência de atitude dolosa tendente a dificultar ou impossibilitar que o fisco tenha conhecimento do fato gerador, o que justifica a qualificação da multa. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Tratase de autos de infração lavrado para constituir créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, decorrentes de receitas omitidas nos anos de 2008. Para comprovar a omissão de receitas, a fiscalização demonstrou que os valores informados na DIPJ – em que a autuada optou pela tributação com base no lucro presumido – são inferiores aos declarados pela autuada nas GIA daquele ano, sendo que estes coincidem com os escriturados no livrocaixa. Houve o arbitramento do lucro, uma vez que no livrocaixa não foram escrituradas as contascorrentes bancárias (art 530, II, do RIR/1999). A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150% porque a fiscalização entendeu que houve sonegação (art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964), com base em a que autuada declarava na DIPJ apenas cerca de 10% do total de suas receitas e que ela tinha plena consciência dessa omissão, pois em outros documentos ela registrava a totalidade das receitas. Na impugnação, a autuada alega que: apresentou toda sua documentação, de forma que não caberia o arbitramento; emite conhecimentos de transporte, mas “o valor (...) que cobra para a realização do transporte contratado é repassado, na proporção de 80% do total, para o terceiro que fosse realizar o serviço” e que esses 80% não compõem seu faturamento, apenas transitando por sua contabilidade; o ICMS incidente sobre suas operações de transportes não podem ser considerados como receita ou faturamento para fins de tributação pelo PIS nem pela Cofins; é inconstitucional e contrária ao CTN a base de cálculo prevista no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998 para o PIS e para a Cofins; não caberia a qualificação da multa, porque no caso não teria havido ação criminosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador; a multa de 150% seria inconstitucional, por confiscatória, irrazoável e desproporcional. Pediu perícia, tendo informado o nome e o endereço de seu perito, mas deixando de indicar os quesitos que deseja ver respondidos. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação, aduzindo adicionalmente, em síntese que houve cerceamento do direito de defesa por indeferimento do pedido de perícia. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11040.720824/201291 Acórdão n.º 1302001.597 S1C3T2 Fl. 436 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Da Preliminar Não vejo cerceamento ao direito de defesa da recorrente, pelo indeferimento a seu pedido de perícia. Asseverou o acórdão recorrido que embora tenha indicado o perito, a recorrente não fez acompanhar o pedido de perícia dos requisitos que seriam necessários. Tal condição é fundamental para que se dê seguimento a pedido de perícia, a teor do que prescreve o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – grifos nossos Demais disso, a matéria dado o grau de conhecimento do julgador administrativo, seja em primeira ou segunda instância, tratandose de controle de legalidade especializado não enseja perícia. Com efeito, a perícia é requerida para demonstrar que parte substancial das receitas é repassada a terceiros. Todavia, como é cediço, no regime de apuração do lucro presumido, a base de cálculo é composta pela receita bruta auferida no período de apuração, somente sendo possível deduzirse as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os imposto não cumulativos cobrados destacadamente (art. 224 c/c 518, RIR/99), verbis: Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, além de não estar devidamente instruído o pedido, verificase ser ele despiciendo, pelo que voto pela manutenção do indeferimento do pedido. Do mérito Correto o arbitramento do lucro, quando a escrita do contribuinte não traz a movimentação bancária. No caso, não se cuida de arbitramento pelo fato de não ter o contribuinte entregue a documentação, mas porque, embora tenha esta sido entregue, não era devidamente constituída, produzida com o menosprezo dos deveres legais a que a escrituração se submete. De fato, o defeito concernente à inexistência da movimentação bancária é de tal monta a ensejar, por si só, o arbitramento do lucro. No que tange ao repasse de 80% dos pagamentos, devese mencionar que o lucro arbitrado tem por base de cálculo do IRPJ tão somente 9,6% da receita bruta, de tal sorte, que mesmo havendo o repasse alegado, ainda restaria 20% ao recorrente, o que é, à toda sorte, superior ao montante de 9,6% que o regime de apuração estima como lucro da pessoa jurídica. No que tange à violação aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco, e da impossibilidade de se instituir o PIS e a Cofins sobre receita bruta, da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, e da violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade no cálculo da multa de ofício, cumpre dizer que tais matérias não estão sujeitas à apreciação do julgador administrativo vinculado ao Poder Executivo. A matéria é pacífica, estando sumulada por meio da Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também não é possível compreender que os valores recebidos estão meramente em trânsito, já que a empresa se dedica a prestar serviços de transporte, sendo que, assim, tais, valores recebidos e pagos em contrapartida à prestação de serviço de transporte, ostentam a natureza de receita. No que tange ao pedido para exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, há que se ressaltar que embora o caso esteja sujeito à repercussão geral perante o STF, nos autos do RE 574.706 (Ministra Cármen Lúcia) não há ainda decisão do plenário sobre a matéria. Neste sentido, tendo em vista a existência de lei vigente, determinando a inclusão do Fl. 439DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11040.720824/201291 Acórdão n.º 1302001.597 S1C3T2 Fl. 437 7 referido imposto estadual na base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, diferente posição não pode ser acatada por este colegiado, vinculado que está ao art. 26A do Carf (abaixo transcrito), bem como à Súmula Carf nº 02, supracitada. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Relativamente à cobrança de PIS e Cofins com base no arbitramento do lucro, ressaltese que nenhuma prova foi feita pelo contribuinte, como haveria de ser, no sentido de que as receitas auferidas não se podem incluir no conceito de faturamento. À toda evidência, os rendimentos sonegados da fiscalização têm a natureza de faturamento, porquanto decorrem do próprio exercício do objeto social da empresa. A fiscalização aplicou a multa qualificada, por ter constatado que a empresa, em todos os períodos do anocalendário, somente declarou em média em sua DIPJ 10% de suas receitas brutas auferidas. A prestação de declaração falsa à Administração Tributária sendo ela o meio que dá conhecimento à fiscalização da atividade comercial do contribuinte é meio de sonegar fatos geradores. Com efeito, a magnitude da sonegação, bem como a reiteração ao longo de todo o anocalendário, com apuração de bases de cálculo reiteradamente equivocadas, sempre a favor do contribuinte, excluem a possibilidade do erro, autorizandose concluirse pelo dolo de sonegar e de lograr enriquecimento ilícito, justificando a exasperação da multa de ofício. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 440DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 29/01/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000548/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, VINCULADOS À COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - POSSIBILIDADE.
É lícito o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário devido à Fazenda Nacional quando os débitos declarados em DCTF foram vinculados a compensações informadas pelo declarante, sem saldo a recolher. A confissão de dívida não alcança todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, VINCULADOS À COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - POSSIBILIDADE. É lícito o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário devido à Fazenda Nacional quando os débitos declarados em DCTF foram vinculados a compensações informadas pelo declarante, sem saldo a recolher. A confissão de dívida não alcança todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10315.000548/2003-11
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5425694
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-002.324
nome_arquivo_s : Decisao_10315000548200311.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10315000548200311_5425694.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5812738
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476377747456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 220 1 219 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10315.000548/200311 Recurso nº 233.720 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.324 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria AI Cofins Lançamento de Ofício de valores declarados em DCTF, vinculados à compensação. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado I. JOB DE OLIVEIRA & CIA. LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF, VINCULADOS À COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSSIBILIDADE. É lícito o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário devido à Fazenda Nacional quando os débitos declarados em DCTF foram vinculados a compensações informadas pelo declarante, sem saldo a recolher. A confissão de dívida não alcança todos os débitos declarados, mas apenas o saldo devedor informado pelo sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 05 48 /2 00 3- 11 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo do auto de infração decorrente de revisão interna de DCTF, relativo a. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado porque a fiscalização não localizou os pagamentos vinculados pela empresa ou o processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos. O lançamento foi fundamentado no art. 90 da MP n2 2.158 35/2001 e a ciência da contribuinte deuse em 02/07/2003, conforme AR de 11. 59. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando que os valores exigidos foram compensados com créditos de Finsocial, com autorização concedida por liminar, fundamentada no art. 66 da Lei nº 8.383/91. A DRJ em Fortaleza CE manteve o lançamento, mas excluiu a multa de oficio, por força da superveniência do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. No recurso voluntário, a empresa informa que a decisão judicial, favorável à compensação, transitou em julgado em 18/08/2003, requerendo o cancelamento da autuação. Caso não seja esta a interpretação do Colegiado, requer o cancelamento do lançamento relativo aos fatos geradores anteriores a 02/07/1998, fulminados pela decadência. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF COM BASE EM LIMINAR. FALTA DE PRESSUPOSTO PARA 0 LANÇAMENTO. De acordo com o art. 90 da Medida Provisória nq 2.158 35/2001, só serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. Recurso provido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, 115 a 133, onde pugna pelo restabelecimento da exação fiscal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10315.000548/200311 Acórdão n.º 9303002.324 CSRFT3 Fl. 221 3 O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 201 a 206. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo deixou transcorrer in albis o prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate versa sobre a possibilidade de constituirse, de ofício, crédito tributário informado em DCTF. O Colegiado a quo entendeu ser incabível o lançamento de ofício de crédito tributário declarado em DCTF, posto após a edição da Lei 10.833/2003, cujo artigo 18 teria restringido às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas de multa isolada. Primeiramente, devese esclarecer que o caso dos autos é bem anterior à edição dessa lei, e que a multa de ofício já foi exonerado pela na decisão de primeira instância, com isso, não haveria possibilidade jurídica de se dar efeitos pretéritos à Lei 10.833/2003, como fez o Colegiado recorrido. Aliás, essa irretroatividade é vedada pelo 1art. 144 do CTN, que determina ser aplicável ao lançamento à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que alterada ou revogada. De outro lado, a situação sob análise não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas no 2art. 106 do CTN, que autoriza a lei retroagir para alcançar 1 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 fatos pretéritos. Tampouco o caso dos autos assemelhase às exceções elencadas no § 1º do art. 144 do CTN. Diante do exposto, entendo ser totalmente equivocado fazer retroagir a lei editada posteriormente aos fatos, quando não se esteja diante das exceções dadas pelo art. 106 do CTN ou no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. Em outro giro, confessado o crédito tributário por meio do documento indicado pela legislação de regência, considerase desnecessário o procedimento de ofício, e admitese, em caso de falta de pagamento, a inscrição desse débito em dívida ativa da União, apenas com os acréscimos moratórios. Tal procedimento encontra sua base legal no Decretolei no 2.124, de 13 de junho de 1984: "Art. 5o O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. 1o O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. §2o. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido de multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no §2o do artigo 7o do Decretolei no 2.065, de 26 de outubro de 1.983.(Grifei). A declaração destinada à confissão de dívida, é a DCTF (Declaração de Contribuições e Tributos Federais), pela Instrução Normativa SRF no 129/86. Especificamente no período analisado, a obrigatoriedade de declaração dos créditos tributários, bem como seus efeitos, foram fixados por meio da Instrução Normativa SRF no 73/94: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e na Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, resolve: Art. lº Estabelecer normas disciplinadoras da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, instituída pela IN SRF Nº 129, de 19 de novembro de 1986. (...) Art. 6º A DCTF será apresentada por contribuinte, pessoa jurídica, ou a ela equiparado, na forma da legislação pertinente, para prestar informações relativas aos seguintes tributos e contribuições federais: (...) VIII Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10315.000548/200311 Acórdão n.º 9303002.324 CSRFT3 Fl. 222 5 Verificase dos autos que a contribuinte informou na DCTF que havia compensado os débitos declarados com créditos oriundos de ação judicial, sendo que a Fiscalização entendeu que tal compensação foi feita de forma irregular. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui perquerindo se os créditos alegados pelo sujeito passivo eram válidos ou não, o que está em julgamento é se a declaração dos mencionados débitos, em DCTF, no caso ora analisado, configurou confissão de dívida, e, por conseguinte, dispensa da constituição do crédito por meio do lançamento fiscal. Examinandose o auto de infração, verificase que a acusação fiscal dá conta de que a contribuinte informou na DCTF créditos vinculados em valor idêntico ao débito apurado, não restando saldo a pagar. Ora, com o devido respeito àqueles que entendem o contrário, o que o sujeito passivo fez, ao apresentar DCTF com saldo a pagar “zero”, foi justamente informa ao Fisco que não lhe devia nada. Com isso, não se pode dizer que houve confissão de dívida, ao contrário, é uma declaração de não dívida. Assim, considerando que a recorrente comunicou a inexistência e não a existência de crédito tributário, pois a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II do CTN), não está configurada a confissão de dívida, conforme dispõe o art. 5º do DecretoLei no 2.124/1984. Diante disso, não configurado o óbice, para o Fisco proceder ao lançamento de ofício. De outro lado, como o mérito, em si, do lançamento não foi analisado pela Câmara recorrida, devem os autos retornar a esse Colegiado para que examine as demais razões trazidas no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para reformar o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720021/2012-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
IPI. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por força do art. 62-A do RICARF, este Conselho deve aplicar o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC). Entende o STJ que o lançamento por homologação, previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, apenas se aperfeiçoa com o adiantamento do pagamento (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Na ausência de pagamento, não se caracteriza o lançamento por homologação, devendo-se aplicar o a regra de decadência do art. 173 do CTN, de maneira que o prazo de cinco anos apenas começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte.
IPI. LANÇAMENTO. PROVA. A constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja em planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estavam errados e reclamar pela necessidade de fiscalização, sendo seu dever apresentar a demonstração do erro, comprovando-o e indicando qual seria a apuração correta do tributo.
Recurso de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 3403-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário..
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 IPI. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por força do art. 62-A do RICARF, este Conselho deve aplicar o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC). Entende o STJ que o lançamento por homologação, previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, apenas se aperfeiçoa com o adiantamento do pagamento (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Na ausência de pagamento, não se caracteriza o lançamento por homologação, devendo-se aplicar o a regra de decadência do art. 173 do CTN, de maneira que o prazo de cinco anos apenas começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte. IPI. LANÇAMENTO. PROVA. A constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja em planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estavam errados e reclamar pela necessidade de fiscalização, sendo seu dever apresentar a demonstração do erro, comprovando-o e indicando qual seria a apuração correta do tributo. Recurso de ofício e voluntário negados.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10803.720021/2012-03
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414361
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.254
nome_arquivo_s : Decisao_10803720021201203.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10803720021201203_5414361.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5778674
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476379844608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 503 1 502 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720021/201203 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3403003.254 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria LANÇAMENTO IPI Recorrentes ELECTRO PLASTIC S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 IPI. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por força do art. 62A do RICARF, este Conselho deve aplicar o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em regime de Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC). Entende o STJ que o lançamento por homologação, previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, apenas se aperfeiçoa com o adiantamento do pagamento (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Na ausência de pagamento, não se caracteriza o lançamento por homologação, devendose aplicar o a regra de decadência do art. 173 do CTN, de maneira que o prazo de cinco anos apenas começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte. IPI. LANÇAMENTO. PROVA. A constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja em planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estavam errados e reclamar pela necessidade de fiscalização, sendo seu dever apresentar a demonstração do erro, comprovandoo e indicando qual seria a apuração correta do tributo. Recurso de ofício e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 21 /2 01 2- 03 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1439.975, de 22 de janeiro de 2013 (fls. 386/403), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto/SP, cujo entendimento é resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. IPI. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN e, verificada a decadência de parcela ou da totalidade dos valores lançados, tais valores devem ser excluídos do lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. PROVA. PREMISSAS INFORMADAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. SUFICIÊNCIA. As premissas informadas pela própria empresa ou retiradas de sua escrita fiscal são suficientes para fundamentar o lançamento, a ela cabendo o ônus da prova para que possam ser retificadas. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO INTEGRAL CONCOMITANTE. A multa de mora e ́ aplicável mesmo quando espontaneamente declarado o cred́ito tributário, se não há o correspondente recolhimento integral, acrescido dos juros de mora, até o momento da declaração, por não restar caracterizada a denúncia espontânea. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial da impugnação foi exclusivamente quanto à decadência, entendendo a DRJ que a contagem do prazo decadencial deveria darse na forma do art. 173, I, do CTN, ou seja, contandose cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser exigido. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 3403003.254 S3C4T3 Fl. 504 3 Assim o fez, a DRJ, por verificar que não houve o adiantamento do pagamento em relação ao tributo, de maneira que não haveria a caracterização do lançamento por homologação na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo em conta que a notificação do lançamento aconteceu em 07/08/2012 (fl. 3), foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores relativos aos anos de 2005 e 2006. Em relação a esta parte, houve a interposição de recurso de ofício pela DRJ, em razão de ter significado exclusão de valor superior ao teto previsto na Portaria MF nº 38/2003. No recurso voluntário (fls. 413/455), o contribuinte sustenta, em síntese, o seguinte: 1) que a contagem da decadência deve ser feita na forma do art. 150, § 4º, do CTN, em razão de que “A norma tributária é suficientemente clara e objetiva, no sentido de que verificado concretamente no mundo fenomênico o “fato gerador” seguese que o Fisco terá, a partir de tal evento, o prazo de 05 (cinco) anos para exercitar toda a atividade consistente na apuração do ato praticado pelo particular, homologar – expressa ou tacitamente, ou impor lançamento de ofício”; 2) que o lançamento seria nulo em relação aos anos de 2008 e 2009 porque não teria havido nenhuma verificação concreta por parte da Fiscalização, que nunca teria requisitado nenhum documento em relação a este período, e que o lançamento não poderia simplesmente tomar emprestado os valores que o contribuinte apresentou em pedido de parcelamento; 3) que houve cerceamento de defesa, em razão de que “a última intimação recebida pela Recorrente exigindo documentos pertinentes ao tributo IPI se deu em 12 de abril de 2012, a inclusão dos exercícios de 2008 e 2009 ocorreu em 16 de agosto de 2012, e o encerramento da fiscalização em 28 de agosto de 2012”, o que significaria que “a autuação sobre este período se deu a ignorância da Recorrente, a fim de permitir a apresentação de documentos/esclarecimentos que permitissem o exercício constitucional da ampla defesa e contraditório por parte do contribuinte” (fl. 432); 4) que a Fiscalização não poderia ter utilizado como fundamento para o lançamento um pedido de parcelamento que foi indeferido, tomandoo como se fosse confissão de dívida; 5) pugna pela aplicação do princípio previsto no art. 112 do CTN, segundo o qual a dúvida deve ser interpretada em favor do contribuinte, alegando que “os fatos que deram suporte à̀ Autuação e via de conseqüência a presente Impugnação, bem como as circunstancias materiais do fato, levem a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante a capitulação legal do fato e suas circunstancias materiais” (fl. 450) É o relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O acórdão da DRJ exonerou do lançamento valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34 do PAF. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. O recurso voluntário foi interposto em 01/04/2013 (fl. 412), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 11/03/2013 (fl. 410). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. 1. A decadência. O recurso de ofício se refere à exoneração, pela DRJ, de parte do lançamento pela aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. O contribuinte, por sua vez, sustenta que deveria ser aplicada ao caso a contagem da decadência na forma do art. 150, § 4o do CTN, e não pela regra geral do art. 173 do CTN, como entendeu a DRJ. Alega que para a configuração do lançamento por homologação, previsto no art. 150 do CTN, é suficiente que a legislação do tributo preveja a necessidade de o contribuinte adiantarse na apuração do tributo e no adiantamento do pagamento, e que a homologação seria do procedimento e não do pagamento. Este Conselheiro ressalva o seu entendimento pessoal a respeito do tema, dando lugar à aplicação do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça a respeito do tema, em regime de Recurso Repetitivo. Com efeito, por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, deve ser reiterado no julgamento administrativo o mesmo entendimento que o Superior Tribunal de Justiça venha a firmar em regime de Recurso Repetitivo, com fundamento no art. 543C do CPC. Ocorre, pois, que o STJ firmou, pela referida sistemática, o entendimento de que o lançamento por homologação apenas se configura com o adiantamento do pagamento, de maneira que a ausência de pagamento implica na contagem do prazo para regra geral do art. 173, I do CTN (REsp 973.733, DJ 18/09/2009). Este é o teor da ementa do Recurso Repetitivo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 3403003.254 S3C4T3 Fl. 505 5 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...)”(REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, unânime, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) No presente caso não houve adiantamento do pagamento. Assim, deve ser mantido o entendimento da DRJ pela aplicação do art. 173, I do CTN, tendo em vista não haver antecipação de pagamento. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Nego provimento ao recurso de ofício e também ao recurso voluntário, no que se refere à decadência. 2. Nulidades. O recurso voluntário também alega que o lançamento seria nulo por não ter a Fiscalização promovido a intimação do contribuinte para apresentar documentos e informações em relação aos anos de 2008 e 2009. A recorrente alega que foi surpreendida com a inclusão, no auto de infração, dos fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009, quando nem houve pedido de fornecimento de documentos em relação a este período, alegando que nisto houve violação ao seu direito de defesa. Entendo que não tem razão a recorrente. Em primeiro lugar, porque o lançamento pode ser realizado a partir de dados informados pelo contribuinte à Receita Federal do Brasil, mesmo que na forma de um pedido de parcelamento. Não se trata de dar efeito de confissão de dívida ao pedido de parcelamento, mas de ter a Fiscalização tomado os dados nela informados como o valor efetivamente devido do tributo, tal como o próprio contribuinte o declarou ao Fisco. Por certo que não poderia a Fiscalização inventar valores, mas não é o que acontece. O lançamento usou as informações prestadas pelo próprio contribuinte. Enfim: a constituição do crédito tributário pode ser realizada a partir de informações prestadas pelo contribuinte, seja por meio de apresentação de planilhas, seja em pedido de parcelamento. A partir deste momento, não basta ao contribuinte alegar que os dados que informou anteriormente estão errados, simplesmente reclamando pela necessidade de fiscalização. Passa a ser dever do contribuinte a demonstração do erro que alega, indicando qual seria a apuração correta do tributo. Nem se pode alegar violação ao direito de defesa, pois o contribuinte teve a oportunidade de demonstrar qual seria o valor devido quando da apresentação de sua impugnação ao lançamento fiscal. Não há, pois, qualquer dúvida ou insegurança no lançamento, que se fundou em dados informados pelo próprio contribuinte, sendo que o próprio contribuinte não fez a demonstração de qual seria o erro nestes valores e qual seria o valor efetivamente devido. 3. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento também ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10803.720021/201203 Acórdão n.º 3403003.254 S3C4T3 Fl. 506 7 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000497/2003-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO CONSTITUTIVA DO CRÉDITO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN. APLICAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL 973.733/SC CONFORME DETERMINADO PELO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando existe pagamento, bem como declaração prévia do débito, sendo esta capaz de constituir o crédito tributário, deve se dar conforme regra contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o caput do artigo 62-A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO CONSTITUTIVA DO CRÉDITO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN. APLICAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL 973.733/SC CONFORME DETERMINADO PELO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando existe pagamento, bem como declaração prévia do débito, sendo esta capaz de constituir o crédito tributário, deve se dar conforme regra contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o caput do artigo 62-A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.000497/2003-21
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5404451
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-002.021
nome_arquivo_s : Decisao_13888000497200321.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
nome_arquivo_pdf_s : 13888000497200321_5404451.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado)
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5749690
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476384038912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 276 1 275 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.000497/200321 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.021 – 1ª Turma Sessão de 8 de outubro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JÚPITER PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO CONSTITUTIVA DO CRÉDITO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO DO IRPJ POR ESTIMATIVA. ARTIGO 150, § 4º DO CTN. APLICAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL 973.733/SC CONFORME DETERMINADO PELO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A contagem do prazo decadencial nos casos de lançamento por homologação, quando existe pagamento, bem como declaração prévia do débito, sendo esta capaz de constituir o crédito tributário, deve se dar conforme regra contida no § 4º do artigo 150 do CTN, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973733 / SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil, nos termos do que determina o “caput” do artigo 62A do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (Assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 04 97 /2 00 3- 21 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: A autoridade fiscal, revendo a declaração de rendimentos de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (1RPJ) do ano calendário de 1997, fato gerador anual concluso em 31/12/1997, constatou que a contribuinte optou indevidamente pela realização favorecida do lucro inflacionário, apurando e pagando imposto de renda — IRPJ menor do que seria devido (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/1994), art. 422, e a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 6°, parágrafo único). À folha 32 do processo consta a ficha 13 Demonstração do Lucro Inflacionário Realizado, da DIRPJ/1998, na qual a contribuinte informou, como percentual mínimo de realização, 12,1720% do saldo de lucro inflacionário que informou ser de R$ 421.550,37, portanto, foi realizado saldo de lucro inflacionário no montante de R$ 51.311,11. Já no sistema SAPLI à folha 6 constava um saldo de lucro inflacionário por realizar de R$ 3.490.910,03, pelo que a autoridade fiscal entendeu que deveria ter sido realizado em 1997 pelo menos 10% desse saldo, ou seja, R$ 349.091,00. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a explicar a diferença (fls. 41) e a contribuinte assim explicou (fls. 43 a 45). a) A empresa verificou que os registros feitos em seu LALUR até janeiro de 1993 conferem com o quanto registrado no sistema SAPLI, porém, no mês de fevereiro de 1993, a empresa fez a realização incentivada do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1992, conforme Lei 8.541/92, anexando o respectivo DARF (fls. 51). b) Sobrou no LALUR apenas o saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF. Como a Medida Provisória 312/93 revogou a Lei 8.200/91, a contribuinte entendeu que não haveria mais razão para tributar essa diferença de correção monetária e baixou o saldo de IPC/BTNF que tinha no LALUR(fls. 50). Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13888.000497/200321 Acórdão n.º 9101002.021 CSRFT1 Fl. 277 3 c) Todo o saldo da diferença IPC/BTNF que a contribuinte já tinha tributado ficou no LALUR como "a haver" então, compensando novos saldos de lucro inflacionário gerados pela empresa durante o anocalendário de 1993 (fls. 50 e 52), chegando no saldo inicial de lucro inflacionário a tributar do anocalendário de 1994. Segundo a contribuinte, a diferença apurada na Malha Fazenda — IRPJ 1998 decorre da diferença nesse saldo original de 1994 (c). A tabela 1 resume a divergência entre LALUR, DIPJ, SAPLI. (...) A autoridade entendeu mesmo assim que a contribuinte cometera infração à legislação tributária federal e lavrou, em 10/03/2003 o lançamento fiscal cobrando IRPJ sobre a diferença de saldo de lucro inflacionário que entendeu não realizado em 1997 à alíquota de 5%, chegando a um valor de IRPJ assim determinado (fls. 92 a 95): Imposto:R$ 15.145,55 Juros de mora:R$ 15.094,05 Multa proporcional:R$ 11.359,16 Notificada do lançamento em 28/03/2003, a interessada apresentou impugnação em 25/04/2003 (fls. 99 a 109), alegando que, no mês de fevereiro de 1993, efetuou a realização incentivada do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1992, à alíquota de 5%, conforme possibilitava a Lei nº 8.541, de 1992, em seu art. 31, V. Concomitantemente, no mês de fevereiro de 1993, também efetuou a baixa do saldo credor acumulado referente à diferença de correção monetária originada pela Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, baseando se na Medida Provisória (MP) n° 312, de 11 de fevereiro de 1993, como se tal correção monetária de balanço não tivesse existido. A MP n° 312, de 1993, revogou em seu art. 70 a Lei n° 8.200, de 1991, e em 14 de julho de 1993, o Governo Federal convalidou todos os atos praticados por esta MP, conforme consignou a Lei n° 8.682, de 14 de julho de 1993, art. 10. O próprio Governo Federal, principalmente baseado na retroeficácia, conforme preceitua a Constituição Federal (CF), art. 5°, XXXVI, não fez com que a lei voltasse ao passado para anular os fatos e os atos lá praticados, assegurando o direito adquirido, o ato jurídico perfeito, a coisa julgada. Mesmo que a Fiscalização pretendesse considerar erro quanto aos cálculos adotados pela impugnante na declaração do exercício de 1994, deveria têlo feito no momento oportuno, qual seja, dentro do prazo previsto para a contestação ou homologação do lançamento, cujo fato gerador ocorreu em 1994, data da entrega da DlPJ. A fiscalização considerou como outrem a data do fato gerador, ou seja, a declaração do anocalendário de 1997, uma vez que Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 4 estava ciente de que o período questionado já estava decaído. A data de 28 de fevereiro de 1993 ou, na pior das hipóteses, na declaração de rendimentos de 1994, é o marco inicial da contagem do prazo decadencial, o qual já se operou, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), elidindo a pretensão fiscal pelo instituto da decadência qüinqüenal. Requereu a nulidade e/ou desconstituição do auto de infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário, bem como o arquivamento do processo administrativo. Protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos suplementares, corroborando a improcedência das exigências formuladas, bem como pela apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. Em 18/01/2007 a turma recorrida da DRJ proferiu sua decisão unânime, rejeitando as preliminares e, no mérito, considerando procedente o lançamento (fls. 157 a 164). Em breve síntese, a DRJ lembrou que, de fato, inicialmente. o artigo 7 ° da Medida Provisória 312/1993 revogou por inteiro a Lei 8.200/1991, retirando a possibilidade de fazer a correção monetária de balanço e a correção da diferença IPC/BTNF. Por outro lado, contrariamente ao que pleiteia a contribuinte, essa medida foi reeditada sucessivamente até que a Medida de número 321/1993, depois convertida na Lei 8.682/1993, afirmou que "é revigorada a Lei 8.200, de 28 de junho de 1991". A partir dessa exata Medida, a validade da Lei 8.200/1991, com as alterações a ela introduzidas, foi novamente instituída, sendo desde então cabível a correção monetária de IPC/BTNF no balanço das empresas e a necessidade de sua tributação. Cabia à contribuinte então seguir as Instrução Normativa SRF n 096/93 para fazer a tributação desse saldo de lucro inflacionário diferença IPC/BTNF. A DRJ entendeu ainda que não houve decadência do direito de lançar. A contribuinte tinha uma diferença de correção monetária de IPC/BTNF que não foi realizada e tributada a contento e não fez parte da adesão à cota única em fevereiro de 1993. O fato gerador da tributação do lucro inflacionário é o momento em que, pela Lei, a empresa está obrigada a realizálo, motivo pelo qual a autoridade fiscal pode sim fiscalizar o ano calendário de 1997 e tributar a insuficiência de cota de lucro inflacionário não realizada nesse ano conforme a Lei. A DRJ frisou. ‘Somente em 31/12/1997 é que ocorreu o fato gerador do imposto, sendo que o lançamento só poderia ocorrer no ano calendário de 1998. Portanto, o início da contagem do prazo decadencial se deu em 01/01/1999, encerrandose em 31/12/2003, não havendo que se falar em decadência, pois o lançamento foi efetuado em 28/03/2003.’ Além disso, a DRJ entendeu que inclusive o valor do lançamento foi feito com base de cálculo e alíquota equivocadas e que a aplicação da alíquota correta resultaria em lançamento tributário ainda maior, motivo pelo qual não caberia reforma ao lançamento. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13888.000497/200321 Acórdão n.º 9101002.021 CSRFT1 Fl. 278 5 Intimada em 22/02/2007 a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 20/03/2007, em que reforça os argumentos de sua impugnação e alega que pagou a cota única incentivada pela Lei 8.541/92 sobre o saldo total de lucro inflacionário em fevereiro de 1992, incluindo o saldo principal havido em 31/12/1992 e o acessório que era a diferença IPC/BTNF, sendo que o respectivo pagamento aconteceu no passado. A contribuinte diz que o pagamento da cota única (tributação exclusiva recolhida em 28/02/1993) relacionase ao fato gerador concluso em 31/12/1992 e que portanto a decadência operouse em 31/12/1997. Não obstante, o fisco só autuou a recorrente em 2003 pela diferença não paga do IRPJ incentivado sobre o lucro inflacionário, saldo IPC/BTNF. Assim, decaiu o direito de lançar do fisco, que aliás segue o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, sendo o prazo de cinco anos da data do fato gerador. A autoridade fiscal deveria ter autuado a contribuinte no prazo decadencial e não o fez, merecendo o lançamento tributário caducar por decadência do direito de lançar. A contribuinte cita esta jurisprudência. IRPJ Lucro Inflacionário Decadência O termo inicial para contagem do prazo de decadência do direito do fisco de formalizar exigências decorrentes da realização a menor do lucro inflacionário diferido é o período base em que se deu o oferecimento à Lei. Se faltou correção monetária na realização integral antecipada do lucro inflacionário, com tributação reduzida, permitida pelo art. 31 da Lei nº. 8.541/92, o fisco deveria ter agido nos cinco anos que se seguiram à realização, eis que a opção do contribuinte foi devidamente informada em quadro próprio da Declaração de Rendimentos. (7ª. Câmara, Processo 13830.001438/9933, Relator Luiz Martin Valero, 09/12/2003). Por fim, pede a contribuinte que este lançamento tributário seja considerado integralmente insubsistente por este Conselho. É o relatório. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ — DECADÊNCIA — Nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN decai em 31/12/2002 o direito do fisco de efetuar o lançamento relativo ao fato gerador concluso em 31/12/2007 (sic). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 215/224) sob o argumento de que o § 4º do art. 150 somente se aplica a créditos tributários já satisfeitos, ou seja, pagos. O recurso foi admitido pela presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, às fls. 227. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 6 O sujeito passivo apresentou contrarrazões (fls. 232/242) pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à ao prazo decadencial aplicável aos casos em que há lucro realizável decorrente da correção monetária. A dúvida surge porque essa modalidade de lucro, em função dos diversos normativos, e mudanças de metodologia ao longo do tempo, possibilitavam diferimento, impondo, porém sua realização após determinado lapso temporal. O tema do cálculo em si não está em debate, não faz parte do recurso, vez a vexata quaestio admitida é tão somente o prazo decadencial. A questão então é se o prazo decadencial surge da efetiva realização (e a possibilidade de lançamento quando o pagamento do IRPJ é feito a menor para o caso), e neste caso se considera os efeitos do pagamento efetivado ou não (cuja ausência provoca o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4o, para o art. 173 do CTN) ou se o se o prazo decadencial tem seu termo a quo marcado pela data em que a lei previa que ele deveria ter sido realizado. Há que se considerar, no caso, a Súmula Vinculante CARF n 10 (cf. Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010), que tem a seguinte dicção: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Ou seja, pela Súmula o prazo é contado do anocalendário de 1997 período da realização do lucro inflacionário em discussão. A Súmula afasta a pretensão do contribuinte de ter o prazo contado a partir de 1993, data da contabilização do respectivo lucro inflacionário, mas não de sua realização que foi feita em parcelas. Incide também ao caso o REsp nº 973.733/SC (publicado em 18/09/2009), decidido como recurso repetitivo, que concluiu pela aplicação, nos casos de lançamento por homologação, quando não há pagamento, da regra do art. 173, inciso I, do CTN. Tal decisão é de aplicação obrigatória no âmbito do CARF em face do art. 62A do RICARFAnexo II. Não consta pagamento do processo, o recurso especial aponta a ausência de pagamento como seu fundamento (Paradigma Ac. 1980003). Não, há por parte da defesa do contribuinte, a contradita da existência de pagamento relativamente ao anocalendário de 1997. Assim, considerando o anocalendário de 1997, o imposto poderia ter sido lançado em 1998, como o primeiro dia do exercício seguinte é 1o/01/1999, e é a partir desta data que se contam os cinco anos (1999, 2000, 2001, 2002, 2003), assim o prazo para o lançamento se encerra em Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13888.000497/200321 Acórdão n.º 9101002.021 CSRFT1 Fl. 279 7 31/12/2003. Considerando que a notificação do AI se deu em 28/03/2003, não ocorreu a decadência. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, restabelecendo os termos da decisão da DRJ. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Voto Vencedor João Carlos de Lima Júnior Redator designado A questão em debate referese ao prazo decadencial do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ, cujo fato gerador se deu em 31/12/1997. Em que pese os fortes argumentos trazidos pelo Relator, peço vênia para discordar do voto proferido quanto ao prazo decadencial aplicável no caso dos autos. Em diversas oportunidades manifestei meu entendimento no sentido de que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por sua natureza, são passíveis de lançamento no prazo previsto no artigo 150 §4º do CTN, ou seja, o dies a quo do prazo quinquenal para constituição desses tributos é o fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento. Assim ementava minhas decisões: “IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.373 em 18.10.2007 Publicado no DOU em: 09.09.2008. Com as alterações no Regimento Interno do CARF, foi incluído o mandamento do Art. 62 –A: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 8 Portanto, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C do Código de Processo Civil. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. A partir dos documentos acostados, foi possível encontrar a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (ano calendário de 1997). Cumpre, então, analisar se naquele período a declaração de rendimento apresentada era capaz de constituir o crédito tributário. A legislação aplicável naquele período era o Decreto 2124/84, que dispunha em seu artigo 5º: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13888.000497/200321 Acórdão n.º 9101002.021 CSRFT1 Fl. 280 9 “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.” À época (ano calendário 1997), o documento utilizado para comunicar a existência de crédito tributário era a Declaração de Rendimentos (artigo 56 da Lei 8981/95: “As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no anocalendário anterior.”), que consta às fls. 08 a 40. Corroborando com tal entendimento, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, no seguinte sentido: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União.” Vejase que, conforme redação dos artigos transcritos, os saldos a pagar de impostos e contribuições, informados na DCTF ou na Declaração de Rendimentos, não eram passíveis de lançamento de ofício, posto que qualquer uma das duas declarações constituía meio próprio de confissão de dívida. Somente a partir do anocalendário 1999, exercício 2000, a DIPJ deixou de constituir confissão de dívida, o que passou a ser feito somente por meio da DCTF, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000: “O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Da redação transcrita, foi retirada a expressão “e jurídicas”, referindose à declaração de rendimentos. Assim, nos termos da IN SRF nº 14/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram a ter caráter de confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 10 Cumpre, ainda, observar que na declaração de rendimentos apresentada, foi informado a existência de pagamento por estimativa (fls. 14). É pacífico o entendimento de que o recolhimento mensal por estimativa equiparase ao pagamento, pois o mesmo tem natureza de antecipação. Ora, o contribuinte recolhe mensalmente valor estimado, o qual será deduzido ao final do ano calendário da apuração efetiva do tributo devido. Assim, no caso ora em análise, temos que: i) cuida de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) houve pagamento; (iii) houve apresentação de declaração constitutiva do crédito; (iv) o fato gerador se deu no ano de 1997 e (v) a ciência do contribuinte do auto de infração se deu em 28/03/2003. Portanto, tendo em vista que (i) foi apresentada a Declaração de Rendimentos do contribuinte relativamente ao ano calendário de 1997 (a qual constituía confissão de dívida) e (ii) houve pagamento do imposto de renda por estimativa, entendo que o prazo decadencial deve ser verificado de acordo com a regra do artigo 150, §4º, do CTN. Do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois tendo em vista que (i) a ciência do lançamento se deu em 28/03/2003 e (ii) o fato gerador ocorreu em 31/12/1997, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, o direito da Fazenda Nacional para o lançamento do crédito findouse em 31/12/2012. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13907.000172/2003-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004
DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE O DIREITO AO CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ISENÇÃO, NÃO INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA ZERO. EXTENSÃO PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. INOCORRÊNCIA. VEDAÇÃO LEGAL.
A decisão judicial que estabelece norma excepcional inter partes, afastando a regra geral de vedação ao crédito de certas categorias de insumos, deve ser analisada de modo estrito, sem possibilidade de extensão para circunstâncias fora do seu espectro. Assim, sem provimento jurisdicional expresso, inviável a extensão de seus efeitos para situações distintas.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004
COMPENSAÇÃO. JUROS DE MORA. PROCESSO CUJO JULGAMENTO ULTRAPASSA O PRAZO DE 360 DIAS DETERMINADO PELO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. INTERRUPÇÃO DA FLUÊNCIA DA MORA. IMPOSSIBILIDADE.
O disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para o julgamento do pleito do sujeito passivo, não autoriza a interrupção dos efeito da mora.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004 DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE O DIREITO AO CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ISENÇÃO, NÃO INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA ZERO. EXTENSÃO PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. INOCORRÊNCIA. VEDAÇÃO LEGAL. A decisão judicial que estabelece norma excepcional inter partes, afastando a regra geral de vedação ao crédito de certas categorias de insumos, deve ser analisada de modo estrito, sem possibilidade de extensão para circunstâncias fora do seu espectro. Assim, sem provimento jurisdicional expresso, inviável a extensão de seus efeitos para situações distintas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. JUROS DE MORA. PROCESSO CUJO JULGAMENTO ULTRAPASSA O PRAZO DE 360 DIAS DETERMINADO PELO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. INTERRUPÇÃO DA FLUÊNCIA DA MORA. IMPOSSIBILIDADE. O disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para o julgamento do pleito do sujeito passivo, não autoriza a interrupção dos efeito da mora. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 13907.000172/2003-72
conteudo_id_s : 5425948
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.881
nome_arquivo_s : Decisao_13907000172200372.pdf
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 13907000172200372_5425948.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5812829
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476388233216
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-28T13:39:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-01-28T13:39:23Z; Last-Modified: 2015-01-28T13:39:23Z; dcterms:modified: 2015-01-28T13:39:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-01-28T13:39:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-01-28T13:39:23Z; meta:save-date: 2015-01-28T13:39:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-01-28T13:39:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-01-28T13:39:23Z; created: 2015-01-28T13:39:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2015-01-28T13:39:23Z; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-01-28T13:39:23Z | Conteúdo => S3-TE02 Fl. 111 1 110 S3-TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13907.000172/2003-72 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802-003.881 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria IPI - Ressarcimento Recorrente MÓVEIS BELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004 DECISÃO JUDICIAL QUE RECONHECE O DIREITO AO CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ISENÇÃO, NÃO INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA ZERO. EXTENSÃO PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. INOCORRÊNCIA. VEDAÇÃO LEGAL. A decisão judicial que estabelece norma excepcional inter partes, afastando a regra geral de vedação ao crédito de certas categorias de insumos, deve ser analisada de modo estrito, sem possibilidade de extensão para circunstâncias fora do seu espectro. Assim, sem provimento jurisdicional expresso, inviável a extensão de seus efeitos para situações distintas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. JUROS DE MORA. PROCESSO CUJO JULGAMENTO ULTRAPASSA O PRAZO DE 360 DIAS DETERMINADO PELO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. INTERRUPÇÃO DA FLUÊNCIA DA MORA. IMPOSSIBILIDADE. O disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para o julgamento do pleito do sujeito passivo, não autoriza a interrupção dos efeito da mora. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi (relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que davam provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora (Selic) sobre o período superior a 360 dias de que trata o artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. O conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto vencedor pelas conclusões em razão da incidência da Súmula nº 2 do CARF. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O contribuinte MÓVEIS BELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 15-033.714, proferido em primeira instância pela 4ª Turma da DRJ de Salvador, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adota-se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata-se de Manifestação de Inconformidade contra o Parecer SAORT nº411, de 2007, da DRF/Londrina/PR, de fls. 313/318, e Despacho Decisório de fl.319, que o aprovou, que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$44.930,93, relativo ao ressarcimento de créditos do IPI, objeto de ação judicial obtida no processo judicial nº 98.201.21116, com trânsito em julgado, e homologação parcial da compensação dos débitos da DCOMP, conforme Termo de Diligência Fiscal de fls.294/305, remanescendo os débitos cadastrados no PROFISC às fls.322/324. A interessada apresentou a Declaração de Compensação de fl.04 protocolada em 14/05/2003, visando a compensação de crédito de origem judicial no valor original demonstrado de R$ 59.210,78, corrigido monetariamente (Pedido de fls.06 e 07/09), com débitos próprios, totalizando o valor de R$ 77.593,44. A Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF/Londrina no Termo de Diligência Fiscal de fls.294/305, informa que: • a empresa apresentou memorial descritivo do crédito solicitado, demonstrando às fls. 03 a 22, os valores em moedas da época atualizados e expressos em Reais, até março/2003, totalizando R$ 77.350,70, conforme fl. 05; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 112 3 • em 16/06/1998, a empresa ingressou com Mandado de Segurança, junto à Vara da Justiça Federal em Londrina, pleiteando direito a creditar-se do IPI sobre matéria-prima e insumos adquiridos com isenção, não tributados ou tributados à alíquota zero, alegando o princípio da não-cumulatividade do tributo previsto na Constituição Federal, Artigo 153, § 3º. Após indeferimento da liminar, com informação prestada pela DRF/Londrina e a PGFN à Justiça Federal, o Juiz julga improcedente a ação e o mandado de segurança impetrado pela empresa, cuja sentença houve apelação ao TRF/4ª região tanto pela empresa quanto pela União; • em 21/08/2000, o TRF 4ª Região, por meio do Acórdão de fl. 220, por unanimidade, deu provimento à apelação, nos termos do voto, de fl. 220/227. Assim a referida Decisão com os esclarecimentos prestados nos Embargos de Declaração, reconheceu à interessada o direito a: Creditar-se do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, calculado sobre as aquisições de Matérias-primas e insumos, (isentos, não tributados ou tributados à alíquota "0" zero), empregados na fabricação de produtos tributados; O direito a creditar-se, "crédito extemporâneo" dos valores apurados, relativos aos 10 (dez) últimos anos e futuros, contados do ajuizamento da ação, corrigidos monetariamente a partir do "recolhimento indevido" até a efetiva restituição, observado, no período anterior a janeiro de 1992, a variação do BTNF até sua extinção e pelo INPC de fevereiro a dezembro de 1991 incluindo-se os expurgos do IPC consoante as Súmulas n° 32 e 37 do TRF da 4ª Região, e a partir daí, pela variação da UFIR (Lei n° 8.383/91), de conformidade com o entendimento consolidado no Egrégio TRF da 4ª Região (Súmula 59), e taxa SELIC calculada com base no § 4º, do artigo 39, da Lei n° 9.250/95. O acórdão transitou em julgado em 21/09/2001; • a empresa protocola o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação de crédito de IPI em 14/05/2003; • por amostragem, conferiu-se os demonstrativos apresentados pela empresa com os livros de Registro de Entradas e os Registros de Apuração de IPI, constatando que as notas fiscais relacionadas às fl. 06 a 22, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2001, estão devidamente registradas no Livro de Registro de Entradas e que o demonstrativo dos valores apurados em moeda da época de fl. 03, encontra amparo na escrituração mantida pela contribuinte; • a empresa utilizou para a época, alíquotas incidentes sobre as saídas tributadas, alíquotas e 5% (cinco) por cento e 10% (dez) por cento; • o direito a creditar-se do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI sobre aquisição de matéria-prima e insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, concedido por decisão judicial, conforme processo n° 98.20121116, referente ao janeiro a dezembro de 2001, portanto, extemporâneo, deve ser contabilizado após o trânsito em julgado, pois é neste momento que está efetivamente autorizado a fazê-lo; • a não-cumulatividade do IPI é efetivada pelo sistema de crédito atribuído ao contribuinte do imposto, relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele Fl. 462DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 saídos e o saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes; • o fato de a Decisão Judicial determinar a correção monetária do saldo credor (crédito de IPI calculado sobre as aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados com alíquota 0 "zero") não altera a natureza do crédito reconhecido. Assim, a correção monetária do crédito reconhecido dar-se-á até o trânsito em julgado da ação, (21/09/2001), a partir desse momento o crédito passa a ser "utilizável" como crédito base de IPI, devendo ser escriturado no Livro de Apuração do IPI LAIPI, para então ser abatido do que for devido pelos produtos dele saído ou utilizado nos termos do artigo 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999; • cabe reparo no levantamento do crédito elaborado pela empresa, fls. 03, e 06 a 22, porque a contribuinte incluiu em seu pedido de crédito, notas de compras de matéria-prima e insumos, adquiridos de empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), que não dão direito ao crédito de IPI, como prevê o artigo 5, § 5º da Lei n° 9.317/96, e artigo 1. do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Elaborou planilha contendo os valores a excluir do levantamento efetuado pela empresa, relativo a janeiro a dezembro de 2001, no caso o valor de R$ 16.113,70, remanescendo ao final de dezembro/2001, o valor de R$ 43.097,08, conforme demonstrativo de fl.300. • como o crédito, autorizado judicialmente, deveria ter sido corrigido conforme determinação judicial, escriturado como crédito no Livro de Apuração do IPI LAIPI, para então, a partir do trimestre seguinte, ser objeto do pedido de ressarcimento, na forma prevista no artigo 11 da Lei 9.779/99; e Instrução Normativa SRF n° 33, de 04 de março de 1999. Considerou que o valor a se creditar atualizado no moldes definidos na decisão judicial deveria ter como data limite a data do trânsito em julgado da ação, 21/09/2001, que, recalculado conforme Sistema de apoio Operacional – SAPO, conforme Norma de Execução CORAT nº2, de 14/02/2003, totalizou o valor de R$ 44.930,93; • não obstante a interessada tenha contabilizado o crédito à conta de resultado RECUPERAÇÃO DE TRIBUTOS", tendo como contrapartida, as contas de IMPOSTOS OU CONTRIBUIÇÕES A PAGAR" no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2003, conforme se verifica nas cópias dos lançamentos do livro razão que juntamos às fls. 235 a 251 e diário, fls. 252 a 257. Em face da cronologia do LAIPI, deixa-se de exigir a obrigação acessória acima citada; • na forma do art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e arts. 1º, 5º, §§ 5º e 6º, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, DOU 06/12/96 e arts.16, 19, 43 e 48, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, concluiu pelo deferimento parcial do pedido de ressarcimento no valor de R$ 44.930,93. Após elaboração dos demonstrativos de cálculo da compensação, fls. 310/311, tendo como crédito o valor de R$ 44.930,93 e os débitos indicados na Declaração de Compensação, verificou-se a insuficiência dos créditos para compensação de todo o débito. Nos autos, consta a Intimação de fl.325 e o Aviso de Recebimento AR dos Correios, fl.326, dando ciência a contribuinte do Parecer e do Despacho Decisório, em 24/03/2008. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 113 5 Irresignada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.327/334), em 22/04/2008, alegando em síntese que: • a diferença entre o valor apurado pela contribuinte e o montante homologado não pode prosperar, revelando-se corretos os valores apurados pela empresa; • quanto a atualização do crédito objeto da compensação entende que “ ... Não obstante a circunstância de, a partir do trânsito em julgado da ação, o crédito ser "utilizável", podendo ser compensado nos termos do art. 11, da Lei n° 9.779/99, a Instrução Normativa SRF n° 210/2002 vigente à época da PER/DCOMP, portanto aplicável é expressa quanto a aplicação da taxa SELIC até o pedido de compensação, e não somente até o trânsito em julgado da ação judicial.” • com efeito o art.38 da referida IN SRF nº210/2002 prevê que a incidência da taxa SELIC deve se dar, diante da expressa determinação legal, até a data do pedido de compensação, tal como procedido pela contribuinte, e não somente até o trânsito em julgado da decisão judicial. Tal disposição encontra amparo também na IN SRF n° 600/2005; • a limitação imposta pelo § 2º, do art. 38, da IN SRF n° 210/2002, de que "Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI", não é aplicável a este particular, por se tratar de pedido de compensação, e não de ressarcimento; • De fato, a Instrução Normativa tece diferenciação entre ressarcimento, restituição e compensação. Consoante se infere do § 3º, do art. 14, da IN SRF n° 210/2002, "São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, apurados no trimestre- calendário", quais sejam, os "créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13/12/1996, e na Lei nº 10.276, de 10/09/2001; • a restituição é a devolução, em dinheiro, do indébito tributário, enquanto a compensação é o aproveitamento do indébito para a extinção de outros tributos devidos pela pessoa jurídica. São institutos, portanto, que não se confundem; • quando o § 2º, do art. 38, da IN SRF n° 210/2002, determina que não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, refere-se exclusivamente aos créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e a Cofins, previstos na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001", e não aos créditos decorrentes da aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, reconhecidos via decisão judicial. São situações totalmente diversas; • a sentença proferida no mandado de segurança não impõe a limitação defendida, de que os consectários legais incidem tão-somente até o trânsito em julgado da sentença, de modo que é defeso à Administração Pública fazê- lo; Fl. 464DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 • a aplicação da taxa SELIC deve se dar até a data do protocolo do pedido de compensação, agindo corretamente a contribuinte, devendo, portanto, ser reformada a decisão recorrida; • sobre a glosa dos créditos apropriados referentes à operações realizadas com empresas optantes pelo SIMPLES, melhor sorte não assiste à decisão ora impugnada; • segundo a decisão, o art. 5º, § 5º, da Lei n° 9.317/96, veda a apropriação de créditos decorrentes de operações junto a fornecedores optantes pelo SIMPLES. Contudo, o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 4a Região não fez qualquer ressalva nesse sentido, de forma que, toda e qualquer aquisição, pela contribuinte, de produtos isentos, não-tributados ou tributados à alíquota zero enseja a apropriação do crédito de 1PI, independentemente na situação fiscal do vendedor do produto. A Fazenda Pública, na esfera judicial, dispôs de várias oportunidades para pugnar pela aplicação do art. 5º, § 5º, da Lei n° 9.317/96, como forma de limitar o direito de crédito da contribuinte, não o fazendo, de onde se conclui que, não fazendo a sentença qualquer ressalva, não há que se impor tal óbice; • transcreve trechos diversos do acórdão para demonstrar que o acórdão é claro, atingindo todos os casos em que o Estado anula o crédito de entrada do IPI, exatamente como ocorre com aquisição de empresas optantes pelo SIMPLES, de modo que, por perfazer coisa julgada, deve ser respeitado pela Administração Pública, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em julgados que transcreve; • a glosa efetuada, referente a produtos adquiridos de fornecedores participantes do SIMPLES, não prospera, uma vez que vai de encontro à decisão proferida pelo Poder Judiciário no mandado de segurança impetrado pela contribuinte; • requer seja recebida a presente manifestação de inconformidade e seja reformado o Despacho Decisório e Parecer/SAORT/DRF/LON n° 411/2007, no sentido de conhecer todo o crédito apurado pela contribuinte e homologar totalmente as compensações requeridas. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013, e no art.2º da Portaria RFB nº1.006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi encaminhado para esta DRJ/Salvador para julgamento, conforme despacho de fl.371. Indeferida parcialmente a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2004 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES. É vedada a fruição de créditos de IPI relativos à aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo Simples. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 114 7 Os termos da sentença devem ser cumpridos conforme decisão transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito incidente nas aquisições de insumos não tributados, alíquota zero e isentos, atualizados monetariamente, desde a data do recolhimento indevido até a data da efetiva restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os termos de mérito da sua manifestação de inconformidade, e inova argüindo ilegalidade dos juros cobrados. É o relatório. Voto Vencido Tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, o Recurso se mostra plenamente admissível, de modo que passo à análise das razões recursais. A tese defendida pelo Recorrente gira em torno do fato de que, obtendo provimento jurisdicional que lhe permita aproveitar o crédito de IPI relativo a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, essa decisão também lhe valeria para aquisições junto a fornecedores optantes do Simples. Nesse aspecto, entendo que seu pleito não merece acolhida. É incontroverso no presente processo o conteúdo do provimento obtido pelo Recorrente. Valho-me, nesse sentido, do seguinte excerto do Recurso Voluntário: Ocorre que, conforme demonstrado, o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 4ª Região não fez qualquer ressalva nesse sentido, de forma que, toda e qualquer aquisição, pela contribuinte, de produtos isentos, não-tributados ou tributados à alíquota zero enseja a apropriação do crédito do IPI, independentemente na situação fiscal do vendedor do produto. (...) O trecho em referência me parece emblemático para toda a celeuma. Isso porque os produtos adquiridos de fornecedores optantes pelo Simples são tributados, situando-se em categoria distinta dos insumos não tributados, isentos ou sujeitos a alíquota zero. Daí porque não entendo extensivo ao Recorrente o conteúdo daquele provimento jurisdicional, pois há regra própria (e distinta) que veda o direito de crédito do IPI nos casos de fornecedores optantes pelo Simples. Para ser abrangido pela decisão judicial, o pedido do sujeito passivo deveria ter feito menção às regras próprias da vedação ao aproveitamento de créditos junto a essa categoria de fornecedores, em especial o art. 5 o , § 5 o , da lei 9.317/96. E isso não restou comprovado nos autos, e nem mesmo pude identificar nos Acórdãos da Apelação e dos Embargos de Declaração que o integraram. Ao contrário, da leitura dos Acórdãos identifiquei apenas menção às categorias de insumos anteriormente mencionadas: isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 O Simples, ao contrário, envolve regime próprio de tributação – ainda que reduzida –, com fundamento de validade no art. 146, III, d e parágrafo único, da Constituição da República, que assim dispõem: Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: I - será opcional para o contribuinte; II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. Há, portanto, tributação; de modo que, ante situações jurídicas distintas (ainda que os efeitos econômicos pareçam ser os mesmos, ante a vedação do crédito), não há como se estender a norma judicial excepcional para afastar a regra geral de vedação ao crédito de insumos junto a optantes do Simples. Por fim, quanto à irresignação do Recorrente quanto à fluência de juros diante da morosidade no andamento do processo, entendo que sua consideração é pertinente. De fato, a lei 11.457/2007, em seu art. 24, assim dispõe: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. O presente processo envolve discussão acerca da existência de direito de crédito, em decorrência de divergência de interpretação por parte do sujeito passivo quanto ao conteúdo de provimento jurisdicional que obtivera favoravelmente. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o art. 24 da lei 11.457/2007 se aplica aos processos de natureza repetitória, conforme RESP 1138206, julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 115 9 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; Resp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, Dje 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ – RESP 1138206 – 1ª Seção – Rel. Min. Luiz Fux – DJe de 01/09/2010) Ora, é consabido que não devem existir normas em branco. E essa preocupação se mostra ainda mais vívida diante de prazos atribuídos a órgãos julgadores, pois a relação entre contribuinte e fisco é das mais delicadas: envolve o direito fundamental de propriedade e a patente hipossuficiência do contribuinte diante de todo um aparato estatal que lança, julga e, após, encaminha para dívida ativa com presunção de liquidez e certeza. A segurança jurídica caminha atrelada à confiança legítima do contribuinte na administração tributária. E esta, ao seu turno, depende de órgãos que cumpram as disposições legais, e sofram algum tipo de conseqüência pelo seu descumprimento. Assim, de nada valeria a norma insculpida no art. 24 da lei 11.457/2007 se, no descumprimento do prazo legalmente assegurado ao sujeito passivo, nada ocorresse – em particular pelo fato de que o órgão julgador tem interesse que, mais do que direto na resolução da lide, é duplo: enquanto credor do débito imputado ao sujeito passivo, e enquanto ente apontado como devedor dos créditos que o contribuinte lhe imputa. Gizo, nesse sentido, que a lei 11.457/2007 considera obrigatório o julgamento no prazo de um ano a contar do protocolo de cada petição. Referida determinação legal tem como fundamento de validade último o postulado da razoável duração do processo. E, se é bem verdade que não se reconhece prescrição intercorrente no PAF, por outro lado no processo de compensação já se reconhece a homologação tácita após o decurso de cinco anos sem manifestação expressa do fisco. Entrementes, afigura-se razoável conceber que, ultrapassado o prazo legal sem justificativa relevante, a mora passa a ser do fisco para apreciar o legítimo pleito do sujeito passivo. Até porque, relembre-se, o interesse do fisco nesses casos é duplo; e sua prevalência sobre o contribuinte – nada obstante do ponto de vista teórico a relação de direito tributário ser equânime – é indiscutível. A mora a que me refiro não é somente de direito material (pois, a rigor, o crédito do contribuinte também se submete aos mesmos índices de correção dos débitos), mas também processual. E essa mora processual repercute efeitos na correção dos créditos tributários. A produção de efeitos materiais da mora processual não é novidade no direito tributário pátrio, dada a regra do art. 40 da Lei de Execuções Fiscais, em que a prescrição intercorrente sucede em caso de mora da representação fazendária – configurada diante dos prazos previstos naquele diploma processual. Vale destacar, nessa toada, que o sujeito passivo está se valendo de remédios legais, em legítima defesa dos seus interesses. Não se trata de recurso manifestamente descabido, interposto somente com fins protelatórios: o caso envolve um simples pedido de compensação. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 116 11 Daí decorre que, em processos de compensação, nos quais há débitos atrelados a créditos do sujeito passivo, a demora na apreciação do pedido que ultrapasse 360 dias é tida por irrazoável, não sendo exagero considerá-la mesmo como ilegal (pois a lei é que define tal prazo como o limite da duração razoável do processo). Seguramente a decisão proferida após esse prazo não será ilegal e nem mesmo nula, porquanto proferida por entidade competente e diante do pleno exercício do direito de defesa, sem prejuízo direto para a defesa do contribuinte – valendo o brocardo pas de nullité sans grief. Contudo, a manutenção injustificada do status do processo causa prejuízo potencial ao sujeito passivo, motivo pelo qual, diante dessa iminência, é lídimo reconhecer a inexistência de mora do contribuinte. A conseqüência que se tem em casos como o presente é que, ultrapassados 360 dias da data do protocolo, somente o fisco pode ser considerado em mora, pois é dever da administração tributária se aparelhar de modo adequado para julgar os casos que se lhe põem a exame. E nem se diga que no presente caso os juros não poderiam ser afastados por ausência de previsão legal expressa nesse sentido. O impedimento da produção de efeitos da mora nos casos de julgamento excessivamente retardado pelo fisco é decorrência pura e simples da duração irrazoável do processo, que põe em xeque o direito de propriedade do contribuinte por uma simples (e conveniente) passividade de um órgão que tem interesse no débito, e ao mesmo tempo desinteresse no crédito. O direito de propriedade, reconhecido como fundamental, é objeto de proteção pelas próprias leis tributárias – dado que, como entende Ricardo Lobo Torres, a lei é exteriorização da autotributação pelo contribuinte. Até porque, sob a perspectiva republicana, é a sociedade, por intermédio dos seus mandatários no Poder Legislativo, que autoriza o cerceamento do direito de propriedade pela ação tributária imposta pela lei, veículo normativo adequado para regras desse talante. Se há, então, paralelamente a uma lei que impõe a cobrança de juros para os casos de mora do sujeito passivo, uma outra lei que impõe (dispondo como obrigatório) prazo para julgamento dessa mora, não me parece absurdo entender que esta última afasta a produção de efeitos da primeira, porquanto, em termos concretos, a morosidade institucional interessa ao órgão julgador. Pelo contrário: o Estado deve servir de exemplo para seus concidadãos, e esse exemplo só se aperfeiçoa a partir do momento em que ele mesmo acata as determinações legais e se submete às conseqüências adequadas em caso de descumprimento. Destarte, como o despacho decisório já foi proferido sob a vigência da lei 11.457/2007, o presente processo se submete aos seus termos. De modo que, não havendo reconhecido direito creditório ao Recorrente, a unidade de origem deve efetuar o cálculo do montante devido procedendo à atualização monetária e fluência dos juros somente até o prazo de 12 meses contados do protocolo da manifestação de inconformidade; e posteriormente, a partir do momento da intimação do julgamento pela DRJ (momento que esta produziu seus efeitos regulares) até o prazo de 12 meses contados do protocolo do Recurso Voluntário. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para dar-lhe provimento parcial, a fim de que a unidade de origem efetue o cálculo do montante devido procedendo à atualização monetária e fluência de juros somente até o prazo de 12 meses contados do protocolo da manifestação de inconformidade; e posteriormente, a partir do momento da intimação do Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 julgamento pela DRJ (momento que esta produziu seus efeitos regulares) até o prazo de 12 meses contados do protocolo do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: O voto proferido pelo i. conselheiro relator está em absoluta sintonia com meu entendimento pessoal na parte em que o mesmo não reconhece o direito ao crédito do IPI pela aquisição de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. No entanto, peço vênia para divergir na parte em que se dá provimento ao recurso para o cálculo do montante devido "procedendo à atualização monetária e fluência dos juros somente até o prazo de 12 meses contados do protocolo da manifestação de inconformidade; e posteriormente, a partir do momento da intimação do julgamento pela DRJ (momento que esta produziu seus efeitos regulares) até o prazo de 12 meses contados do protocolo do Recurso Voluntário". E a razão da minha discordância é pelo fato, conforme entendo, de não haver alicerce legal que autorize a incidência de juros de mora somente no prazo de 360 dias que tem a Administração Pública para decidir sobre pleito do administrado. Com efeito, não obstante o artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 estabeleça obrigatoriedade para o proferimento de decisão administrativa no aludido prazo, com efeito, ainda não existe, no plano normativo positivo, ordenamento que autorize a sustação da cobrança de juros na forma como entende o i. conselheiro relator, não obstante as razoáveis considerações trazidas pelo mesmo em defesa de sua tese. Com respeito ao julgado do STJ no RESP nº 1138206, muito embora este reconheça a obrigatoriedade de aplicação do prazo de 360 dias para que seja prolatada decisão concernente ao pleito do administrado, nos termos do artigo 24 da Lei nº 11.457/07, o mesmo não trata da questão relativa à não incidência dos juros moratórios relativamente ao período posterior a esse prazo. Logo, a citada decisão, muito embora proferida sob o rito do art. 543-C do CPC, também, a meu ver, não ampara o afastamento dos juros de mora concernente ao período excedente aos 360 dias contados da data do protocolo do pleito do sujeito passivo. Assim, e não obstante as relevantes razões de justiça trazidas pelo i. conselheiro relator para o afastamento parcial dos juros moratórios incidentes sobre os débitos em aberto, penso que tal entendimento não pode prosperar, por falta de previsão legal nesse sentido. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 11 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13907.000172/2003-72 Acórdão n.º 3802-003.881 S3-TE02 Fl. 117 13 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002576/2002-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). SÚMULA Nº 20 DO CARF.
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto. Aplicação da Súmula nº 20 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3101-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência; e, por voto de qualidade, negar provimento ao recuso voluntário. Vencidos os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente (Relatora), Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Redator designado para o voto vencido
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
Redator designado para o voto vencedor
EDITADO EM: 30/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). SÚMULA Nº 20 DO CARF. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto. Aplicação da Súmula nº 20 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.002576/2002-60
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403757
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.004
nome_arquivo_s : Decisao_11020002576200260.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
nome_arquivo_pdf_s : 11020002576200260_5403757.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência; e, por voto de qualidade, negar provimento ao recuso voluntário. Vencidos os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente (Relatora), Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado para o voto vencido CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Redator designado para o voto vencedor EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 5745973
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:33:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476393476096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 106 1 105 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002576/200260 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.004 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria Ressarcimento IPI Recorrente EMPRESA JORNALISTICA PIONEIRO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). SÚMULA Nº 20 DO CARF. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Aplicação da Súmula nº 20 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência; e, por voto de qualidade, negar provimento ao recuso voluntário. Vencidos os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente (Relatora), Valdete Aparecida Marinheiro e Luiz Roberto Domingo. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado para o voto vencido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 76 /2 00 2- 60 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/12 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.002576/200260 Acórdão n.º 3101001.004 S3C1T1 Fl. 107 2 CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Redator designado para o voto vencedor EDITADO EM: 30/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: O estabelecimento acima identificado apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, correspondente ao 2° trimestre de 1999, fl. 01, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de $ 11.580,06. O interessado transmitiu declarações de compensação, objeto do processo n° 11080.720206/200899, que foi apensado ao presente. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, pela decisão das fl.68/69, de 12 de setembro de 2007, reconheceu integralmente o valor do ressarcimento pleiteado, e homologou as compensações vinculadas a esse crédito. Posteriormente, pe o Despacho Decisório n° 472 DRF/CXL, de 15 de julho de 2008, fls. 85/88, a DRF/Caxias do Sul, com base no Parecer SEFIS de Revisão de Direito de Crédito, de 14 de julho de 2008, fl.81/83, anulou a decisão antes referida, não reconheceu o direito creditório pleiteado, e não homologou as compensações vinculadas ao pretenso credito. 2.1 O não reconhecimento do direito creditório, conforme consta no Parecer SEFIS acima citado, deveuse ao fato de que o interessado dava saída unicamente ao Jornal Pioneiro e outros periódicos, classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) como NT (não tributados. Pelo disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 17 de abril de 2006, o direito ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes aos insumos adquiridos e empregados na industrialização de produtos imunes alcança unicamente os amparados por imunidade em decorrência de exportação para o exterior, sendo, assim, mantida a obrigatoriedade de estorno desses créditos quando empregados a industrialização de produtos imunes, os quais, por for das disposições constitucionais, restam identificados como NT na TIPI. 3. Inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 92/118, firmada por procurador, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/12 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.002576/200260 Acórdão n.º 3101001.004 S3C1T1 Fl. 108 3 a) decadência do direito de rever o direito ao crédito; b) impossibilidade de revisão de lançamento por suposto erro de direito; c) direito ao crédito nas saídas de produtos imunes; d) vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n°9.779/99 e, em especial, ao art. 4° da IN SRF n° 33, de 04 de março de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; e) aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional. 3.1 Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação das compensações efetuadas. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 223, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.004, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original, que ficou vencida, no mérito, pelo voto de qualidade: Preliminarmente, foi afastada a prejudicial de decadência. O art. 173 do Código Tributário Nacional, citado no Recurso Voluntário, trata do prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário, não sendo aplicável ao presente caso que trata de pedido de ressarcimento. No mérito, temse que o direito creditório deve ser reconhecido também para produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) como NT (não tributados), em decorrência de imunidade. No presente caso, indiscutível tratarse de produtos imunes, porquanto a empresa dedicase à publicação de jornais e periódicos, cuja imunidade está constitucionalmente consagrada no art. 150, VI, d, e prevista no art. 18, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (AIPI) Decreto n° 4.544/02. A matériaprima dos produtos imunes enquadrase na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/12 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.002576/200260 Acórdão n.º 3101001.004 S3C1T1 Fl. 109 4 Com base nesses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado – redator designado. Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pela I. Relatoria, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que o direito creditório pleiteado não é legítimo. A matéria ressarcimento de créditos de IPI por empresa fabricante de produtos classificados como NT (nãotributado) na TIPI é iterativa neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tanto que é objeto de Súmula, a de nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, a qual é de aplicação obrigatória no âmbito deste Tribunal administrativo, nos moldes explicitados pelo art. 72 do Regimento Interno do CARF. Demais disso, insta dizer que o art. 11 da Lei nº 9.779/99 é taxativo no que diz respeito à possibilidade de utilização do saldo credor de IPI decorrente das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não se estendendo aos produtos imunes. Nesse diapasão, o § 2º do art. 195 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) exorbitou de sua competência de regulamentar a aludida lei, ao franquear tal possibilidade de utilização do saldo credor de IPI também para as aquisições de produtos imunes. Consubstanciada a ilegalidade do indigitado dispositivo, devese restringir o direito, pois a aplicação da lei prevalece sobre a do decreto, uma vez que este haure sua força daquela. Posto isso, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/12 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.002576/200260 Acórdão n.º 3101001.004 S3C1T1 Fl. 110 5 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/12 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722409/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.722409/2012-51
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5418779
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-000.715
nome_arquivo_s : Decisao_19515722409201251.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 19515722409201251_5418779.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5786380
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476396621824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.394 1 1.393 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722409/201251 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.715 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2014 Assunto Diligência Recorrente CENTRAL TELHA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1344/1365) em face do Acórdão DRJ/RPO nº 1449.367, de 26/03/2014, exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Foi lavrado, em face da recorrente, auto de infração para a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 155.157,84, em virtude da saída do seu estabelecimento de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento do imposto por erro de classificação fiscal e/ou alíquota; acrescido de multa proporcional e multa pelo valor do IPI apurado, mas não lançado em razão da cobertura de crédito existente, totalizando R$ 1.676.281,62, consolidado até 31/10/2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 40 9/ 20 12 -5 1 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 14/01/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 19515.722409/201251 Resolução nº 3402000.715 S3C4T2 Fl. 1.395 2 Foram arrolados como responsáveis solidários pela exigência fiscal os seguintes sócios: Aristide da Silva, Ariany Carla Novaes, Laurete D’Avila, Carlos Franscisco Novais Silva e Cristiany Nadir Novais Silva. A responsabilização solidária foi efetuada, nos termos dos arts. 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), aos sócios administradores com poderes de gerência na pessoa jurídica autuada. O procedimento fiscal teve origem nas irregularidades constatadas no exame de 18 Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP’s), os quais foram integralmente indeferidos. Diante da falta de destaque de IPI em grande parte das notas fiscais de saída emitidas a partir de novembro de 2006 e do aguardo da reescrituração da contabilidade e da entrega dos respectivos arquivos digitais, foi instaurada a ação fiscal para a análise do IPI nos períodos de novembro de 2006 a junho de 2008. Além dos saldos devedores de IPI apurados nos meses de agosto/2007 e de fevereiro, março e junho de 2008; a fiscalização constatou, nos demais meses do intervalo fiscalizado, valor de IPI não destacado, mas que foi acobertado pelos créditos existentes no mesmo período; do que decorreu a exigência da multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, no percentual de 75% sobre o valor do imposto, com exceção da parcela relativa aos produtos com classificação fiscal 7308.9090, para a qual foi aplicado o percentual de 150% sobre o valor do imposto não destacado. A multa qualificada, com relação aos produtos com classificação fiscal 7308.9090, restou caracterizada à fiscalização com a demonstração do evidente intuito de fraude, em virtude da emissão de notas fiscais de saída com dados incorretos com o objetivo de eximirse do pagamento dos tributos. A fiscalizada era filiada à ABCEM – Associação Brasileira da Construção Metálica, que já tinha formulado consulta sobre a classificação fiscal do referido produto, que foi objeto da Solução de Consulta Coana nº 9, de 04/11/2003. Ainda assim, a partir de 08/11/2006, descreveu as “telhas de aço” como se fossem “chapas”, com a intenção deliberada de eximirse da alíquota de 5% aplicável à classificação fiscal adequada para o produto (7308.9090). Mediante o Acórdão nº 1449.367, de 26/03/2014, a 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a imputação de responsabilidade solidária a terceiras pessoas quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e as pessoas a quem se imputa a solidariedade passiva. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 14/01/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 19515.722409/201251 Resolução nº 3402000.715 S3C4T2 Fl. 1.396 3 É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. Mediante petição conjunta da contribuinte e de dois responsáveis solidários, Aristides da Silva e Laurete D’Avila, foram apresentadas as razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Mediante solicitação de juntada no processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de número 19515.722410/201285, foi apresentado Recurso Voluntário em nome da contribuinte e dos outros três responsáveis solidários, cuja cópia ora se junta ao presente processo. É o Relatório. Conselheiro MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Relatora VOTO Consta no processo a regular ciência, pela via postal, do Acórdão de primeira instância dos seguintes responsáveis solidários: Carlos Franscisco Novais Silva em 11/09/2014 (fl. 1343), Ariany Carla Novaes em 10/09/2014 (fl. 1340), Cristiany Nadir Novais Silva em 09/09/2014 (fl. 1339) e Aristides da Silva em 15/09/2014 (fl. 1341). Consta que foram devolvidas as correspondências relativas às intimações para ciência do referido Acórdão remetidas à Contribuinte (fl. 1337) e a Sra. Laurete D'Avila (fl. 1338), que retornaram dos Correios com a inscrição "Mudouse". O primeiro Recurso Voluntário (fls. 1344/1366), subscrito pelo advogado Dr. Niutom Ribeiro Chaves Júnior, postado nos Correios em 09/10/2014 (fls. 1344 e 1366), foi interposto pela contribuinte e por dois dos responsáveis solidários: as pessoas físicas Aristides da Silva e Laurete D’Avila. O segundo Recurso Voluntário (fls. 1370/1392), subscrito pelos advogados Dr. Niutom Ribeiro Chaves Júnior e Dra. Letícia Medeiros Machado, postado nos Correios em 13/10/2014 (fls. 1389 a 1391), foi interposto também pela contribuinte e por três dos Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 14/01/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 19515.722409/201251 Resolução nº 3402000.715 S3C4T2 Fl. 1.397 4 responsáveis solidários, as pessoas físicas Carlos Franscisco Novais Silva, Ariany Carla Novaes e Cristiany Nadir Novais Silva. Consta no processo a comprovação da legitimidade dos signatários dos recursos para representar somente o recorrente Aristides da Silva (fl. 1304). Razão pela qual entendo que os autos devam retornar à autoridade preparadora, para que esta promova ao devido saneamento na representação processual e, se for o caso, na ciência do Acórdão, antes da análise por este Conselho Administrativo dos requisitos de admissibilidade dos dois Recursos Voluntários. Nesse sentido, deve a Unidade de Controle do crédito tributário intimar a contribuinte Central Telha Indústria e Comércio Ltda. e os responsáveis solidários Laurete D'Avila, Carlos Franscisco Novais Silva, Ariany Carla Novaes e Cristiany Nadir Novais Silva a apresentarem comprovação da legitimidade dos signatários dos correspondentes Recursos Voluntários para representálos nestes atos, bem como a declaração de ratificação do correspondente Recurso já apresentado em todos os seus termos. Importante salientar que, embora a contribuinte Central Telha Indústria e Comércio Ltda. e a Sra. Laurete D'Avila não tenham sido regularmente cientificados do Acórdão, os seus comparecimentos aos autos, somente após o devido saneamento da representação processual, pode suprir a irregularidade, nos termos do art. 26, §5° da Lei nº 9.784/99. No entanto, não se logrando êxito ao devido saneamento deverá a Unidade de Controle realizar nova ciência do Acórdão de primeira instância da contribuinte e da Sra. Laurete D'Avila, concedendolhes o prazo legal para manifestação. Assim, meu voto é no sentido de converter o julgamento em diligência para encaminhamento dos autos à Unidade preparadora para que promova aos saneamentos acima enumerados, devendo, após, retornarem a este Conselho para prosseguimento na análise dos requisitos de admissibilidade dos Recursos Voluntários. É como voto. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 14/01/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722061/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2009
DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO. SUFICIÊNCIA. RECURSO ADMINISTRATIVO. ARGUMENTOS. ENFRETAMENTO EXAUSTIVO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre preterição ao direito de defesa do contribuinte se a autoridade julgadora de primeira instância pronuncia-se de forma não exaustiva, mas clara, suficiente e fundamentada sobre as questões argüidas na impugnação. Não há necessidade de que a decisão proferida rebata de forma pormenorizada um a um os muitos argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos alcancem todos aspectos abordados e seja possível depreender a incompatibilidade entre o entendimento defendido pela defesa e as razões de decidir do julgador.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR ADUANEIRO. CESSÃO DO NOME. MULTA DE DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. PENALIDADES DE NATUREZA DISTINTAS.
Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07), não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, pela conversão da pena de perdimento das mercadorias não localizadas (§ 3º do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02).
Não se cogita da hipótese de aplicação do instituto da retroação benigna para penalidades de natureza distinta, como é o caso das penas previstas no artigo 33 da Lei nº 11.488/07 e no § 3º do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02.
Numero da decisão: 3102-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Oswaldo Leite de Moraes Filho, OAB/SP nº 32.881, advogado do sujeito passivo.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistaeur de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/01/2009 DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO. SUFICIÊNCIA. RECURSO ADMINISTRATIVO. ARGUMENTOS. ENFRETAMENTO EXAUSTIVO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre preterição ao direito de defesa do contribuinte se a autoridade julgadora de primeira instância pronuncia-se de forma não exaustiva, mas clara, suficiente e fundamentada sobre as questões argüidas na impugnação. Não há necessidade de que a decisão proferida rebata de forma pormenorizada um a um os muitos argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos alcancem todos aspectos abordados e seja possível depreender a incompatibilidade entre o entendimento defendido pela defesa e as razões de decidir do julgador. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR ADUANEIRO. CESSÃO DO NOME. MULTA DE DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. PENALIDADES DE NATUREZA DISTINTAS. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07), não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, pela conversão da pena de perdimento das mercadorias não localizadas (§ 3º do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02). Não se cogita da hipótese de aplicação do instituto da retroação benigna para penalidades de natureza distinta, como é o caso das penas previstas no artigo 33 da Lei nº 11.488/07 e no § 3º do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.722061/2012-93
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414542
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.316
nome_arquivo_s : Decisao_10314722061201293.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10314722061201293_5414542.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Oswaldo Leite de Moraes Filho, OAB/SP nº 32.881, advogado do sujeito passivo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistaeur de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5778855
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047476410253312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.722061/201293 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.316 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria Auto de Infração Aduana Recorrente LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA e DAY BY DAY COMERCIAL DE COUROS E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/01/2009 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. RESPONSABILIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, conduta sujeita à pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Tratase de penalidade que coibi a conduta do administrado, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR ADUANEIRO. CESSÃO DO NOME. MULTA DE DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. PENALIDADES DE NATUREZA DISTINTAS. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07), não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, pela conversão da pena de perdimento das mercadorias não localizadas (§ 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02). Não se cogita da hipótese de aplicação do instituto da retroação benigna para penalidades de natureza distinta, como é o caso das penas previstas no artigo 33 da Lei nº 11.488/07 e no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, com a redação introduzida pelo artigo 59 da Lei 10.637/02. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/01/2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 20 61 /2 01 2- 93 Fl. 23812DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/01/2009 DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO. SUFICIÊNCIA. RECURSO ADMINISTRATIVO. ARGUMENTOS. ENFRETAMENTO EXAUSTIVO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre preterição ao direito de defesa do contribuinte se a autoridade julgadora de primeira instância pronunciase de forma não exaustiva, mas clara, suficiente e fundamentada sobre as questões argüidas na impugnação. Não há necessidade de que a decisão proferida rebata de forma pormenorizada um a um os muitos argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos alcancem todos aspectos abordados e seja possível depreender a incompatibilidade entre o entendimento defendido pela defesa e as razões de decidir do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Oswaldo Leite de Moraes Filho, OAB/SP nº 32.881, advogado do sujeito passivo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistaeur de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/09/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional Fl. 23813DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 3 3 ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 10.359.637,07 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao disposto nos arts. 194 a 197 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/1966) e nos arts. 54 e 138 do DecretoLei nº 37/1966, e em atendimento à programação do Serviço de Fiscalização Aduaneira I (Sefia I) da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo (IRF/SPO), foi realizada ação fiscal nas empresas do GRUPO LE POSTICHE, LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 61.777.009/0001O6 (doravante apenas LE SAC 61), DAY BY DAY COMERCIAL DE COUROS E IMPORTADORA LTDA., CNPJ 00.565.362/000120 (doravante apenas DAY BY DAY), e LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 29.026.689/000105 (doravante apenas LE SAC 29),com o objetivo específico de verificar indícios de ocultação do contribuinte LE SAC61 por parte dos contribuintes DAY BY DAY e LE SAC29 em operações de importação registradas entre 01/01/2009 e 31/12/2010. Após a realização dos devidos procedimentos fiscais, a fiscalização concluiu que a LE SAC29 e a DAY BY DAY fizeram parte de esquema de ocultação do real interessado nas importações de mercadorias, com a finalidade principal de promover a quebra da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ficou evidente para a fiscalização que embora existam três CNPJ distintos, há uma confusão patrimonial e operacional tão grande entre as empresas que se pode considerar que, de fato, tratase de uma única empresa. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 03/04/2012, o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 30/04/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011. Na forma do artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, alegou que: DAS PRELIMINARES DA POSSIBILIDADE DA PRESENTE MANIFESTAÇÃO Inicialmente, com a simples leitura do Relatório Fiscal temse a impressão de que não se fiscalizou as empresas da qual atesta têlas feito, por um fato muito simples, todos os documentos anexados na impugnação comprovam exatamente o contrário, não só das irresponsáveis afirmações e conclusões lançadas no Relatório. Para cada fato pela fiscalização destacado que, na sua totalidade improcede, será apresentado um documento provando exatamente o contrario, de forma a evidenciar que a mesma não leu os documentos, não fiscalizou as empresas, não conheceu dos procedimentos nem da dinâmica empresarial e pior, lançou conclusões irreais e irresponsáveis atacando pessoas de caráter e de reputação ilibada. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A unanimidade dos Ministros da 2a Turma do Supremo Tribunal Federal já decidiram que o Erro de Direito não autoriza a retificação do ato administrativo exarado, confirmando a tese de que a existência de equívoco por parte do ente publico não lhe garante ulterior revisão mas, apenas, a nulidade do ato administrativo praticado. Fl. 23814DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Junta textos da Jurisprudência Judicial da 2a Turma do Supremo Tribunal Federal a respeito do assunto. Junta textos da doutrina de Rubens Gomes de Souza e Estevão Horvath a respeito do assunto. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Egrégio Conselho de Contribuintes a respeito do assunto. A ausência da ciência do processo pela falta de reconhecimento de firma na procuração. Como a advogada da empresa foi impedida de ter acesso ao processo, devido, somente, pela falta de reconhecimento de firma na procuração, exigência ilegal. Configurouse a violação aos incisos constitucionais, elencados acima. A Multa de caráter confiscatório. Outro ponto a se destacar: multa no nível que pretende é claramente confiscatória. Por todos os motivos encimados, podemos concluir que o Auto de Infração é absolutamente viciado por Erro de Direito, e, portanto NULO, pelo o que deve ser desconsiderado. NO MERITO A Contribuinte, ora Impugnante, na persecução de seus objetivos sociais, efetuou, durante o período em questão, todos os recolhimentos de acordo com a legislação. Como cediço, a fiscalização examinou toda a documentação e lançamentos efetuados. Apesar de auditar todas as contas por mais de 12 meses, inclusive quebrando o sigilo bancário, por meio de RMF, só apontou algumas poucas irregularidades (menos de 5%, do total de lançamentos). E pasmem, até mesmo estas poucas apontadas, comprovaremos documentalmente que as mesmas estão corretas, ou seja, não permitiria esta conclusão porque os documentos a ela entregues, conforme demonstraremos ao longo desta Impugnação, provam exatamente o contrário. Alegou as seguintes inconsistências na ação fiscal: Alega a fiscalização que a Le Sac 61 sempre comercializou uma considerável quantidade de produtos, contudo, a Le Sac 61, antes da incorporação, tinha como receita principal os valores de royalties fato este registrado e devidamente comprovado pelas respectivas declarações do Imposto sobre a Renda e pelos contratos de licenciamento celebrados com a Alfa Licenciadora. Cabendo registrar, por verídico que, quem detinha as lojas não era a Le Sac 61 mas a Le Sac 29. Assim a fiscalização no bojo de suas declarações e justificativas enorme confusão com a Le Sac 29 e 61 que, a partir de agosto de 2009 tornaramse uma só, incorporadora e incorporada . Outra inconsistência, registrase é que a Day by Day realmente fica no interior da Le Sac, estas estão no mesmo prédio mas em local distinto e separado, com funcionários próprios e diversos. Existe logicamente contrato de locação do espaço com a Day By Day e RAIS de seus empregados. Logicamente poderá ocorrer de funcionários que eram da Le Sac, futuramente trabalharem na Day By Day e viceversa, como qualquer empresa de mesmo grupo econômico, ainda mais após a criação da importadora. Outro fato isolado e sem qualquer fundamento é o fato de haver uma só recepção no local, não configurarseia ser uma mesma empresa Fl. 23815DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 4 5 As mercadorias adquiridas e transferidas para os seus respectivos estoques, são depois encaminhadas para as lojas licenciadas, cada qual com seu respectivo CNPJ e diferente das lojas próprias do grupo. Outro fator real e importante reforçar, fundamentase que todo o pedido de compra realizado na China pela Day By Day até o desembarque das mercadorias no Brasil pode levar até seis meses, período em que certamente as mercadorias já são vendidas, fazendo com que, no seu despacho, o estoque tenda a praticamente zero. Como qualquer sociedade comercial, são as queimas de estoque e realização de liquidações de estoque, este fato foi incompreendido pela fiscalização que demonstra a inexatidão das informações: o fato da Day By Day já ter realizado várias liquidações por preços bem menores, afim de liquidar seu estoque, quando alcança uma margem de tempo sem saída. Que jamais haveria, como não houve qualquer simulação de pessoas ou de vendas, alias todas as vendas, historicamente registradas e contabilizadas, são caracterizadas com realização plena e com efetiva margem de lucro, inclusive para as empresas licenciadas e lojas próprias. Se analisadas isoladamente as vendas ocorridas às empresas licenciadas, registrará facilmente que a margem de venda e lucratividade será ainda maior. A margem de lucratividade de venda para as lojas Le Sac é e deve ser sempre menor que as praticadas pelas licenciadas, até porque não precisa ter custos com a armazenagem dos produtos comercializados, entre outros motivos. Outro ponto importante a esclarecer é que na Av. Prof. Ascendino Reis, existe uma loja Mega Store da Le Postiche e o escritório na rua lateral e em entrada independente pela Rua Agostinho Rodrigues Filho. O mesmo questionamento traduz quanto ao fato e o porquê da empresa Le Sac ter tantos bancos e o porquê das transferências bancarias entre eles e que isto visava burlar a fiscalização, questiona ainda a entrada de dinheiro nos bancos, vale lembrar que uma empresa comercial diariamente recebem recursos em espécie e que são depositados diariamente em contas bancarias, dentro de cada Shopping Center, e em função disto, justificase os muitos bancos para realização destes depósitos, já que hoje, praticamente, não podese, por questões de segurança sair do shopping com qualquer dinheiro, para depositar em uma única conta corrente da empresa. Justificase em função da segurança das pessoas envolvidas e o alto custo um carro forte para buscar o dinheiro nas lojas, salientase, contudo que cada venda é contabilizada em dinheiro , cartão de credito e cartões de débito. Outro ponto que vale registro é citado por onde saem os recursos para cobrir as operações de comercio exterior. Chega a afirmar que os mesmos saem tanto da Le Sac como da Day By Day, o que não tem qualquer coerência, uma vez que a Le Sac, compra e comercializa suas mercadorias, tem entrada de recursos diários, através de pagamentos em espécie ou através das administradoras de cartões, como normalmente registra uma loja, quanto a Day By Day tem créditos através da compra e venda de suas mercadorias a seus cliente, também recebe diariamente recursos através de pagamentos de seus clientes e, caso não sejam suficientes para pagar seus compromissos, esta poderá ir até ao mercado financeiro e tomar empréstimo ou negociar recebíveis com os bancos a que tem conta. As empresas têm alguns sócios em comum, porém têm sócios que só figuram no quadro social de uma delas. O que prova que são quadros societários distintos. Conforme os fatos citados e provas aqui produzidas, todas contabilizadas e não vistas pela fiscalização, explicado portanto, não encontrase nenhuma Lei que Fl. 23816DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 proíba esta forma de atuação praticada pelas empresas. O que vem comprovar que não há nenhuma ilegalidade ou fraude nos fatos relatados, ao contrario, procedimentos normais, usuais e até recomendados pelo fisco que quer todos os fatos registrados e transparentes. É cristalino o entendimento, que a Impugnante tem o direito de proceder contabilizando, informando, registrando e até procedendo compensações, se assim o fato constituir. DOS FATOS Objetiva o presente item demonstrar haver equívoco e máfé nas afirmações da auditora fiscal sobre o giro dos estoques. Entendeu a fiscalização que: “O prazo médio de estoque era inferior a 4 dias e em alguns casos inferior a 24 horas.” Como se vê, o entendimento comporta a análise do conceito que trata do prazo médio de permanência nos estoques. ESTATÍSTICAS PRAZO DE PERMANÊNCIA NOS ESTOQUES Na rotina de atacadista/importadora onde a empresa Day by Day atua, possui centros de distribuição diversificados, e para isso adota políticas comerciais e operacionais de acordo com o custo e gastos que incidem na operação, por esta maneira entendemos que o mecanismo utilizado em nossa distribuição contribua de forma clara e objetiva para reduzir os custos da companhia. Para demonstrar os números operacionais, prazo médio de estocagem da companhia (Day by Day) utilizou fórmulas de avaliação do prazo médio de estocagem pautadas nos Balanços Patrimoniais dos períodos (2009 e 2010), apurando o resultado de 10,31 dias para o período de 2009 e de 12,20 para o período de 2010. Comentários sobre as afirmações do Processo Administrativo 10314 722.059/201214 . Day By Day A Le Sac 61 de fato nunca realizou operações de importação. A Le Sac 61 e a Le Sac 29 são a mesma empresa a partir da Incorporação em 07/2009. A Le Sac, tanto 29 quanto 61, possuíam endereços distintos até sua Incorporação; A Day By Day funciona em local distinto, inclusive com Filiais em outros Estados; Cada empresa possui seus números de telefones, devidamente cadastrados na telefônica; Cada uma das empresas Le Sac possuía sua folha de Pagamento distinta, lembrando que a Le Sac 61 somente recebia Royalties de franqueados e equivalência patrimonial, por ser sócia da 29, até o momento de incorporação; Estas pontuações quanto a funcionários e pessoas que recebem correspondências, corresponde ao princípio de serem empresas coligadas, visto que uma participava do capital social da outra, quando falamos em Le Sac. Quando neste item referese ao espaço de tempo em que as mercadorias importadas são armazenadas, ocorre por razões óbvias, em que a empresa distribui rapidamente suas mercadorias nos pontos de venda, que são suas Filiais. A não habilitação n o Sistema RADAR. Alega a fiscalização que o Sistema RADAR apresenta ocultação do real adquirente das mercadorias, devendo para tanto efetuar apresentação destes históricos, uma vez que a empresa nunca foi restringida em seus desembaraços; Fl. 23817DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 5 7 Não foram encontradas falsidades. É uma questão interpretativa da Fiscalização; Sc for analisado o faturamento total, podese verificar que há outros clientes na empresa Day By Day; Esta diferença de margem é razão lógica entre vendas por Atacado e Varejo;| De maneira geral, os produtos importados pela Day By Day, são vendidos à rede própria e franquias da Le Postiche e por esta razão a etiqueta identifica o exposto; A existência de maior fluxo financeiro entre as empresas Le Sac e Day By Day em datas próximas aos do fechamento de câmbio, dáse por negociação comercial entre elas. Operação normal e usual neste tipo de transação comercial; Uma empresa Licenciadora da marca, contratualmente tem o poder de decidir quais mercadorias que são vendidas pelos seus licenciados; Dano ao erário, da interposição fraudulenta no comércio exterior e gravidade da sua prática. Das pessoas mencionadas neste relatório e do enquadramento de sua forma de operação. Identifica as empresas citadas, tais como Dirre, Eximbiz, Capital Trade, Sidmex e licenciados; O fato de a mercadoria ser adquirida pela Filial Barueri, dáse por razão logística,visto que lá encontrase o Depósito; A contagem de filiais, do CNPJ 61 e do 29, não corresponde à realidade. Como pode ser verificado no cadastro da Receita Federal, visto que indica 109 filiais; As razões a respeito da Incorporação está especificada no Termo de Intenções de Incorporação devidamente registrado na JUCESP, pouco importando o relato dado; As razões de baixa do CNPJ 29, após o início da fiscalização, deuse por razões de procedimentos necessários perante a própria Receita Federal e não por qualquer outra razão. A composição societária da empresa DIRRE, demonstra que não é parte do mesmo grupo econômico. . Embora especificar a Berriville como indício de lavagem de dinheiro, não prova o suposto, tampouco a conclusão de que procurador de empresa é equivalente a sócio, são figuras distintas na vida e no direito. Da presente fiscalização Este item indica que a motivação desta ação de fiscalização, teve início em um procedimento ocorrido em Itajaí na data de 20/08/2010; Ainda neste item especifica o resumo das provas apresentadas. No Anexo 3 é especificado a margem de lucro apurada pela empresa La Sac, comparada as aquisições que fez da empresa Day By Day e a própria margem apurada pela empresa importadora Day By Day, o que apresenta grande distorção. Na parte B, do mesmo item, são totalizadas as operações realizadas pela Day By Day Espírito Santo, através do Anexo 5, que especifica nota por nota seus Fl. 23818DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 destinatários. Vale ressaltar, por verdadeiro, que o valor apresentado, é próximo do valor apurado através de planilha anteriormente apresentada. Nos Anexos 6, 7, 8, 9 e 10, foram efetuadas as análises financeiras das empresas, utilizando para tanto a Requisição de Movimentação Financeira, RMF, perante aos Bancos em que as empresas têm movimentação. Anexo 11 Na observação constante na folha 81, a AFRF trata como uma informação importante e descreve o fato de que a conta 617272 é de titularidade do CNPJ 61, o que não corresponde a verdade e que pode ser comprovada através de prova bancária; na observação constante na folha 81 alega que não há movimentação bancária registrada na RFB da conta existente perante a CEF a qual existe e é devidamente contabilizada, conforme pode ser observado em lançamentos existente no diário, exemplificado pelos lançamentos de números: 29481, 26236, 26308, 23238 e 29576 e Escrituração SPED lançamentos 8141, 8264, 8614, 8704 e 10174. Na folha 81 diz ainda ter recebido informações do Banco Real de que não haveria movimentação nesta conta em titularidade do CNPJ 29, o que não corresponde a verdade, conforme pode ser apresentada prova bancária além dos lançamentos contábeis a seguir exemplificados: 29463, 29459, 26381, 29559, 29560 e 29616 e Escrituração SPED lançamentos 8139, 8744, 8833, 10014, 10536 e 12976. Indaga esta mesma AFRF ainda: De onde veio este dinheiro? O que a própria descrição da Notificação explica e se lido fosse, está devidamente contabilizado no lançamento do Diário número 29463 e Escrituração SPED lançamentos 8139; Incisivas vezes a fiscalização cita a ausência de lançamentos dos Contratos de Câmbios n.°(s) 09/013024, 09/013249 e 09/045537, o que não corresponde a verdade visto que se analisado os lançamentos no Livro Diário de n.°(s) 23435, 23441 na Le Sac 29 e lançamento 2224 em 24/08/2009 na Le Sac 61, ou seja, iá incorporada respectivamente e Escrituração SPED lançamentos 16798. 17076 e 2133. sendo o último na forma já incorporada e através do Unibanco. Na folha 84 cita a fiscalização sobre uma conta que teria sido não contabilizada oriunda do Unibanco e de número 122475, que se faz necessário o rastreamento de sua existência junto ao Banco, visto que de fato não há contabilização; Verificar se não tratase de uma conta investimento vinculada a conta contabilizada; Na folha 87 cita que não foram contabilizados lançamentos das contas do Banco Itaú da empresa Day By Day, os quais especifico, por amostragem devido a quantidade apresentada. Como pode a fiscalização se apegar a descrição contida no histórico do lançamento contábil se as contas contábeis envolvidas no lançamento Banco “Recebimento de Clientes Nacionais”, descreve o fato ocorrido, através do lançamento no Livro Diário sob n.° 5265 e Escrituração SPED lançamentos 4881? E mais, como pode haver receita de importação se não há uma contrapartida de conta contábil que corresponda a esta descrição? Na folha 91, a descrição do histórico está errada, nos dois lançamentos citados. Ademais, se verificado na conta de clientes a receber, verifícase o saldo de valores a receber que justifica exatamente os citados, tais créditos efetuados; Fl. 23819DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 6 9 Ainda na mesma folha 91, a fiscalização mais uma vez se apega a históricos descritos no lançamento contábil, que de maneira óbvia a Day By Day recebe de sua cliente Le Sac valores continuadamente ao longo de todo tempo. Que absurdo!! Na folha 92 há indagações a respeito de acordo firmado com o licenciado Recife, o qual deverá ser explicado pela Le Sac para correta interpretação do que de fato ocorreu. Na folha 93, por mais uma vez, questiona o crédito oriundo do recebimento do cliente Le Sac no valor de R$ 565.136,43. Sempre que ocorrer estes casos, deverá ser justificado o encontro de contas que é feito para amparar o crédito efetuado. Na folha 94 a fiscalização diz haver simulação na origem das mercadorias adquiridas no exterior, de forma a sugerir que tenham sido havidas no mercado interno. Isto não é fato, é falácia. Basta verificarse na Demonstração do Resultado do Exercício de cada ano, ali se identificará, de forma cristalina e real, todas as mercadorias classificadas como Mercadorias Importadas que, exemplificando, no ano de 2010, perfazem o total de R$ 29.887.389,11. O que sempre são colocados em questão, são os pagamentos realizados, que nada tem haver com a possibilidade de querer ocultar a correta operação realizada, já que erroneamente, os lançamentos foram efetuados contra a conta de Fornecedores Nacionais, que ela mesma em momentos anteriores afirma que a totalidade das mercadorias adquiridas pela Day By Day são do Mercado Externo; Na folha 96 a fiscalização irresponsavelmente expõe que nenhuma das operações de cambio realizadas, junto ao Banco Safra, foram contabilizadas. Isso não expressa a verdade, conforme exposição feita na impugnação a partir das folhas 43. Na folha 98 repetemse as indevidas citações e afirmações constantes ao já exposto na folha 94. As alegações indevidas e inexistentes também foram citadas as folhas 101, podese constatar facilmente que, ao contrário da lógica apresentada pela insigna AFRF, não houveram contratos de câmbio que não foram contabilizados nem houveram lançamentos identificados nos extratos bancários que não tenham sido objeto de contabilização. Da mesma forma não houveram aquisições de mercadorias de fornecedores nacionais conforme, poderá ser facilmente identificado, nas Demonstrações do Resultado do Exercício. Inexiste qualquer transferência ou jogo de recursos financeiros entre bancos que sejam objetos de tentativa de mascarar lançamentos contábeis. Apenas existe a citação imaginária da ilustre autoridade fiscal. Quebra da Cadeia do IPI A fiscalização em citação momentânea, alega, ou melhor, afirma, não ser da competência daquela divisão da Receita Federal, analisar assuntos relacionados ao IPI. Contudo e ao mesmo tempo, aponta um suposto valor, da diferença entre compras e vendas entre as duas empresas, para um débito de IPI, extraindo informações de valores de venda atuais, relacionandoos como supostos valores praticados à época dos fatos. Da análise dos documentos disponibilizados pelas fiscalizadas enfocase como natural e até normal entre empresas de mesmo grupo econômico ou entre esta e as franqueadas a política de preços e descontos praticados entre as mesmas, em Fl. 23820DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 10 detrimento ou benefício do mercado corporativado situação esta ocorrida por razões comerciais. Razões idênticas e normais de mercado em apontar empréstimos realizados entre estas mesmas empresas. O que não é comum e nem devido é o tratamento dispensado pela fiscalização AFRF quando, em um momento trata como operacional e outro, tais transações, são tratadas como a tentativa de fraudar o real importador. Todas as operações e suas classificações foram clara e devidamente contabilizadas. A autoridade autuante informa ainda como base que, especificados valores identificados como sendo transferências de Mercadorias entre a Le Sac e a Day By Day são meios de fraudar o real importador, quando o importador sempre foi o conhecido e o outro logisticamente desempenhado. Analises retiradas das notas fiscais disponibilizadas pela Le Sac 29 A logística sempre foi evidenciada e descrita nas inúmeras intimações e documentos trocados entre as empresas fiscalizadas e a AFRF. Existem duas logísticas detalhadas e evidenciadas para atender as suas finalidades. No Espírito Santo a empresa contratada é a Eximbiz Armazéns e em São Paulo a empresa do próprio grupo realiza a logística de forma a distribuir por todas as lojas próprias e as empresas licenciadas que exploram o nome fantasia Le Postiche. Outras análises relevantes a Le Sac 29 Relevante esclarecer que os atos civis de qualquer sociedade jurídica versa entre a tomada de decisões, atos, registros e oficialização desses atos. O que importa dizer que, num processo de incorporação de sociedades, enquanto o primeiro ato se consolida o último ainda nem dá para se ver, ou seja, o pedido de registro na Junta Comercial e o efetivo registro pode demorar até anos; do registro até a unificação de CNPJs, outra eternidade e assim, sucessivamente. Registrase este fato por oportuno e para esclarecer que a AFRF, cm visão míope, entende que, uma vez requerida a incorporação, a sociedade incorporada não pode mais movimentar conta bancária, não pode mais comprar, vender, importar ou praticar qualquer ato para a subsistência dela e deus seus empregados, por esta visão míope a mesma não consegue entender que o ato decisório de uma incorporação perante os vários atos e compromissos civis e administrativos com repercussões de caráter Municipal, Estadual e Federal, caminham de forma isolada mas paralela c chegam ao final de forma oblíqua. Desta forma não cabe hoje imaginar que o CNPJ da incorporada não poderia ter movimentação bancária, fiscal e contábil apos o início do processo de incorporação, importante reafirmar que a interpretação dada pela fiscalização é de como se as coisas acontecessem, no âmbito da Receita Federal, como um passe de mágica, e de que não existe o chamado Cadastro Sincronizado entre Receita e Estado, que obriga a comunicação conjunta dos atos de alteração nos dois entes ao mesmo tempo, sendo que se não deferido por um, não se aplica ao outro. Isso certamente responderá o que a empresa continuou a realizar suas operações de crédito junto aos bancos e devidamente contabilizálas, mesmo após o registro perante a JUCESP que se deu em 11/08/2009 e somente após comunicado as demais repartições. Analises retiradas da contabilidade da Day By Day A Fiscalização referese mais uma vez aos históricos utilizados. Se observarmos os documentos e os registros de forma escorreita facilmente verificar seá que a conta contábil utilizada é a de Fornecedores Nacionais em uma, e Clientes Nacionais na outra, o que significa dizer que no histórico somente referese a tratar de uma compra de mercadoria importada, mas no mercado interno. Fl. 23821DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 7 11 Outro ponto relevante a demonstrar é a contradição constante que a AFRF demonstra na simples leitura dos autos aplicados, quando afirma que, quase a totalidade das mercadorias adquiridas pela Day By Day, tem origem importada, e vem negar o mesmo fato em outro momento, quando diz que a empresa camuflava tratando como se fossem adquiridas no mercado interno. Tornando difícil até a defesa destes itens. Analises retiradas das nota fiscais disponibilizadas pela Day By Day Verificase que, mesmo após a empresa Le Sac 29 ter sido incorporada pela Le Sac 61, houve emissões de diversas notas fiscais de saídas da Day By Day, no período de 03/08/2009 a 15/07/2010 para a Le Sac 29, considerando que a mesma não existia mais; Mais uma vez a fiscalização considera equivocadamente que toda a alteração se dá num único dia, na comunicação dos atos junto as esferas públicas, visto que esta comunicação conseguiu ter efeito apenas em 07/06/2011 conforme pode ser verificado no pedido de baixa do CNPJ “29”. Mas, como a característica própria de uma incorporação, ainda assim, a incorporadora assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. Análises retiradas da contabilidade da Le Sac 61 Na análise em exame, a fiscalização argumenta que na conta “Fornecedores”, encontramse lançados valores que referemse materiais de embalagem e suprimentos, alegando que deveriam estar classificados na conta “contas a pagar”, mas desta não faz parte, visto que o importante a registrar é a totalidade de mercadorias importadas comercializadas pela Le Sac, são oriundas ou não da empresa Day By Day. Tanto que adiante a mesma descreve e concorda com as operações realizadas pela Le Sac, através de cartões de crédito e débito, afirmando ser compatível com as operações, embora nas saídas de mercadorias com notas fiscais modelo 1 tenham sido efetuadas sem a identificação do consumidor. Análises retiradas das notas fiscais da Le Sac 61 Neste item a fiscalização exemplifica as saídas da Le Sac 61 para comprovar a origem oriunda da Day By Day, sem qualquer relevância ou registro a comentar. Outras análises relativas à Le Sac 61 Estranho que neste item , a fiscalização argumenta que o número de empregados na quantidade de 82 é bem superior aos 9 da Day By Day, o que em sua tese reforça novamente que a Day By Day é um braço de comércio exterior dentro da Le Sac e não ao contrario, como tentou, desde o início, evidenciar. Das Requisições de informações sobre a Movimentação Financeira Quando a autoridade autuante trata da requisição de movimentação financeira junto aos bancos, da empresa Day By Day, esta alega não ter sido fornecido conforme solicitado na Intimação e por força do não fornecimento os requisitou junto aos bancos nos termos do Art. 3o X do Decreto 3.724/2001. Desta forma não conseguiu e jamais conseguirá concatenar os registros e os fatos, sem passar pelo histórico fiscal e contábil à vincular a movimentação financeira, ou seja, se parte a fiscalização com base em um único item sem analisar os demais registros, o resultado será sempre errôneo. Como aqui, efetivamente, ocorreu. A fragilidade e a tentativa de configurar o perdimento da carga e a aplicação da multa tem de estar vinculada obrigatoriamente a fraude ou a simulação, Fl. 23822DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 12 supedâneos indispensáveis a alicerçar a procedência desta aplicável multa. Essa matéria já foi, também, amplamente discutida na esfera administrativa. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho de Contribuintes a respeito do assunto. Pensemos no absurdo que nos tenta impor a fiscalização quando quer determinar a forma de atuar de cada empresa, por suas convicções e empenho pessoal, sem se informar como funciona ou deve funcionar a maioria das empresas no país. Ela parte de fatos reais, para, através de silogismos, chegar a conclusões falaciosas. Registrese que aos cidadãos c contribuintes é permitido fazer tudo que a Lei efetivamente não proíba. Desta forma agem as empresas, no estrito limite da Legislação. A fiscalização parece querer legislar e impor formas de atuação que a Lei não exige. Contrariando pelo seu “achismo”a Lei Maior, que se pauta constitucionalmente na Livre Iniciativa. A Day by Day é uma empresa especializada em comércio exterior, tendo em seu quadro funcional pessoas especializadas neste tipo de comercialização. São especialistas em logística, em transações internacionais, em câmbio e outras atividades que exigem o conhecimento específico de cada uma. Diferente do quadro funcional da Le Sac, que é especializado na comercialização de produtos no comércio varejista. Fica muito claro, por qualquer lógica, que não se conseguiu provar as teses em que se apoiam suas conclusões e a sua vontade de autuar. A i. auditora demonstrou, ao longo do procedimento fiscal, não ter o conhecimento necessário à auditoria contábil realizada. Qualquer perícia contábil pode verificar a correta contabilização dos fatos ocorridos e atestar a precisão dos lançamentos originais. Desta fora, cabe e requer, ainda nesta fase administrativa de defesa, o requerimento e o deferimento uma perícia contábil, para, de forma independente e com lisura, apurar o se todos os lançamentos e registros contábeis estão corretos. Pelo exposto, concluise que não há nenhuma motivação fática, fiscal, contábil ou jurídica que possa supedanear ou justificar alguma autuação. Ainda que fosse, as realização de importação ocultando o real importador com fins específicos para quebra da cadeia do IPI, ressalta a impugnante que, na prática isto jamais poderia ocorrer, uma vez que o IPI tem como fato gerador a nacionalização dos produtos e não a comercialização dos mesmos. A empresa autora, como já observado, pratica operações em que adquire mercadorias do exterior e as revende no Brasil, sendo que a Capital Trade e a empresa Eximbiz Comércio Internacional S/A viabilizam a entrada de mercadorias no território nacional, por conta e ordem da impugnante, sendo esta quem efetivamente paga todos os tributos e despesas decorrentes da importação, bem como decorrentes da venda da mercadoria importada. Este tipo de operação é classificada por conta e ordem de terceiros ou por encomenda, cujas características serão tratadas adiante. Na essência, a impugnante realiza o contato com o exportador, no exterior, e em seguida contrata os serviços destas tradings para viabilizar a entrada da mercadoria importada no Brasil, funcionando a trading como uma importadora prestadora de serviços de nacionalização, formalizando a relação de comércio internacional. Após as negociações e conclusões de viabilidade, uma vez fechado o negócio, o exportador envia a mercadoria ao Brasil, em nome da empresa importadora, ora Impugnante, que a recebe aqui e dá a destinação adequada, conforme o caso. Fl. 23823DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 8 13 Ao chegar ao Brasil, seja via modal marítimo, aéreo ou rodoviário, a mercadoria, já em zona alfandegada (zona primaria), que pode ser aeroporto, porto ou zonas de fronteira, é submetida ao procedimento denominado despacho aduaneiro, que se inicia com o registro da Declaração de Importação — DI, documento responsável por trazer todas as informações necessárias para o início do procedimento. Neste procedimento, com o registro da DI, é que são verificadas todas as questões de ordem técnica relacionadas aos produtos importados, tais como classificação tarifária, quantidade, peso, especificações, veracidade de informações, legitimidade dos produtos, dentre outras questões. Com o registro da Declaração de Importação — DI e o início do despacho aduaneiro, todos os tributos incidentes nesta fase são devidamente recolhidos, de forma antecipada, sendo a liberação das mercadorias condicionada a este prévio recolhimento, sem o qual o procedimento não segue normalmente. Uma vez atendidos os requisitos legais e devidamente recolhidos os tributos, não havendo impedimento contrário por parte da fiscalização, as mercadorias são desembaraçadas e, a partir de então, nacionalizadas. Notese, por oportuno, que neste momento já recaíra sobre a operação a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI/importação, anteriormente, por força do desembaraço aduaneiro, conforme inciso I do art. 46 do CTN. A partir de então as mercadorias seguem para a empresa, entrando física e fiscalmente em seu estoque. Sem que sofram qualquer modificação que enseje industrialização, as mercadorias são revendidas, comercializadas, em características idênticas àquelas de quando foram nacionalizadas, sem alterações, sendo que, nesta nova fase da cadeia, qual seja a saída das mercadorias para comercialização, a empresa impugnante mais uma vez recolhe o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, importando clara e nitidamente em pagamento do mesmo tributo duas vezes, ou seja, evidente a bitributação no caso vertente, o que, como cediço, é vedado por forma constitucional. É de se notar que a incidência do IPI, neste caso, ocorre duas vezes, sendo que, na segunda, de forma equivocada, haja vista a inexistência de relação jurídico tributária ao caso em apreço, uma vez que o tributo fora recolhido na importação, não havendo na operação seguinte qualquer operação de industrialização que pudesse justificar nova cobrança. Além disso, há que se observar o texto legal, precipuamente o Código Tributário Nacional — CTN, para que se entenda pela não incidência dupla do IPI, detalhe técnico que será devidamente abordado à frente. Portanto, de forma bem clara, o que se busca demonstrar com o presente relato é demonstrar a essa fiscalização que autuou, formalmente, a inexistência de relação jurídicotributária quando da saída das mercadorias importadas, sem industrialização, para comercialização no mercado interno, uma vez que o fato gerador neste caso é a importação/desembaraço aduaneiro, e não a saída da mercadoria para revenda. DOS FUNDAMENTOS DE DIREITO Do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 23824DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 14 Para que se considere ocorrida a industrialização, para fins de incidência do IPI, além daqueles requisitos acima apontados pela doutrina, também há a necessidade de que a operação modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. Sem tais requisitos, não se pode considerar por efetiva a industrialização. Nesta sequência, aterrissando as colocações e trazendoas para o caso em apreço, temse que as saídas das mercadorias importadas de estabelecimento importador, ora impugnante, para comercialização ou transferência, sem que sofram as alterações e modificações previstas em lei, nada tem por receber, em sua operação, o ônus desta exação tributária. Do fato gerador do IPI, do contribuinte e a dupla incidência O legislador derivado definiu, como fato gerador do IPI, não só uma situação isolada e bem definida, mas três alternativas para sua incidência, devidamente expressas pelos incisos I a III do art. 46 do Código Tributário Nacional. Em primeiro lugar, e logo de forma incisiva, há que se considerar, por uma questão lógica e sistêmica, que apesar de o legislador derivado ter estabelecido mais de um momento e mais de um contribuinte para o referido imposto, não se pode concluir pela incidência sempre que um desses fatos venha a ocorrer. Este critério é definitivamente alternativo. Isso porque, em determinadas situações, como no caso em tela, os fatos previstos no CTN como geradores da obrigação tributária principal de pagamento do IPI ocorrerão por mais de uma vez. Explicase. E que na prática, tanto o desembaraço aduaneiro quanto a saída da mercadoria para comercialização vem a ocorrer, uma vez se tratar de uma operação de importação. Logo, de fácil constatação que esta dupla incidência é deveras indevida, ao violar de morte não só a própria legislação como também diversos princípios constitucionais, como, por exemplo, o da isonomia. Não se pode admitir que as empresas importadoras paguem duplamente o IPI, no desembaraço e na saída, ao passo em que as industriais internas só o pagam uma vez, quando da saída de seus estabelecimentos. Não seria isonômico este tratamento, colocando em “cheque” as operações advindas do exterior. Se assim não fosse, estarseia diante de um nítido caso de inconstitucionalidade dos dispositivos, pela ocorrência do fenômeno da bi tributação, uma vez que estariam criando mais de uma regramatriz de incidência tributária para o mesmo imposto, o que, como cediço, não é legal. In casu, ou a incidência se dá no desembaraço aduaneiro ou na saída para comercialização, vedada a incidência nos dois casos. Por tais razões, podese concluir facilmente pelo não cabimento do recolhimento do IPI na saída das mercadorias de estabelecimento importador/comercial para outros estabelecimentos, sob pena de se estar onerando, indevida e ilegalmente, certos contribuintes. Do posicionamento unânime da Jurisprudência face à ilegalidade da dupla incidência do IPI A tese ora defendida, apenas pelos argumentos balizados até o momento, já seria demasiadamente aceitável e imediatamente aplicável, uma vez que a violação neste caso se mostra gritante e de fácil constatação. Fl. 23825DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 9 15 Em que pesem estes argumentos, temse que, corroborando, já se pronunciou nosso judiciário, em primeiro, segundo tribunal superior, todos favoráveis a tese em voga. Junta textos da Jurisprudência Judicial, proveniente da Seção Judiciária de Santa Catarina e do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do assunto. Destarte, não restam dúvidas de que a incidência do IPI na saída de estabelecimentos importadores/comerciais, quando já onerados no desembaraço aduaneiro pelo mesmo tributo, se mostra evidentemente indevido, pois fere, dentre outras questões, a isonomia e a vedação à bitributação, nos termos do voto do Relator acima, Ministro Francisco Falcão. Da prova inequívoca e verossimilhança da alegação A prova inequívoca e a verossimilhança da alegação é o que conhecemos como o fumu boni iuris, ou fumaça do bom direito, que tem como escopo central a busca da certeza de se estar diante de uma afirmativa ou suposição verídica, ou, em melhor hipótese, de uma suposição com grande possibilidade de se confirmar. São casos em que as provas e alegações préconstituídas tenham tamanha pertinência que, de imediato, se verifica estar diante de um caso em que o direito pleiteado tenha uma probabilidade positiva imediata. E um juízo de valor antecipado, baseado numa análise sumária, mas de fácil e nítida constatação. Assim, como prova inequívoca, têmse as próprias guias de recolhimento do IPI na saída do estabelecimento da impugnante, em operações comerciais que não tem qualquer viés de industrialização, pagamentos estes que ocorrem após o pagamento do IPI na importação, gerando, por pressuposto, a dupla incidência. Além destes comprovantes que cabalmente demonstram o duplo pagamento, trazse à baila as decisões cristalinas em caso idêntico, que reforçam e subsidiam a verossimilhança esperada para se conceder a medida antecipatória. DO PEDIDO Isto posto, com base no farto conteúdo probatório, produzido e os demais que se fizerem necessários até o julgamento desta impugnação, aliados a prova pericial contábil e documentação superveniente já citada e, demonstrada a insubsistência e improcedência da autuação, requer a IMPROCEDÊNCIA da autuação supra aplicada. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 13/01/2009 Ocultação do sujeito passivo. Embora existam três CNPJ distintos, há uma confusão patrimonial e operacional tão grande entre as empresas que se pode considerar que, de fato, tratase de uma única empresa. Não houve qualquer erro de critério jurídico por parte da fiscalização. Pelo contrário. O Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração em análise é pródigo em reunir fatos probandos no sentido de enquadrar a conduta das empresas Fl. 23826DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 16 autuadas na infração na conduta de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. O MPF está cingido à fase instrutória, onde são apurados os fatos para a formação de convicção inicial da fiscalização quanto à existência ou não de ilicitude, seja ela qual for. O procedimento fiscaladministrativo que tem por função identificar o sujeito passivo pode muito bem negar essa condição a quem apenas a aparenta. Se as importações efetuadas pela já possuiam compradores antes do respectivo registro da Declaração de Importação, seja na condição de adquirentes, seja na condição de encomendantes a legislação exige que esses compradores sejam apresentados à autoridade aduaneira, sob pena de se configurar a ocultação do sujeito passivo. A autuada tinha o tinha pleno controle das importações, portanto o domínio do fato, sendo a responsável pelas operação de comércio exterior. Insatisfeitas com a decisão de primeira instância, as empresas apresentam Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Day By Day Comercial de Couros e Importadora Ltda Inicia o Recurso com o pedido de decretação da nulidade da decisão de primeira instância, pela falta de apreciação dos argumentos trazidos em complementação à impugnação inicialmente apresentada e também em relação ao argumento, trazido desde a inicial, de que "a suposta ocultação do real interessado nas operações de importação, com a finalidade de quebrar a cadeia do IPI devido na saída do estabelecimento equiparado à industrial pela venda de mercadorias importadas no mercado interno (...) sequer poderia amparálo [referindose ao Auto de Infração], na medida em que é posicionamento unânime da jurisprudência a ilegalidade da chamada dupla incidência do IPI ou bitributação". Adentrando ao mérito, defende a condição legal da organização empresária chamada pela Fiscalização Federal de Grupo Le Postiche. Questiona qual hipótese legal para caracterização da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior no caso concreto. Demonstra que a relação de interdependência identificada entre as empresas Le Sac 29, Le Sac 61 e Day By Day, baseada, principalmente, na presença de pessoas físicas em comum nos respectivos quadros societários, dá ensejo, única e exclusivamente, conforme legislação do IPI, à aplicação de base de cálculo mínima, não à caracterização da infração enxergada pelo Fisco. E que a organização empresarial e a estratégia de ação do particular na administração dos seus negócios é livre. E que inexiste a confusão operacional e patrimonial acusada pelo Fisco em seu Relatório Fiscal. As empresas Day By Day, Lec Sac 29 e Le Sac 61 existem, conforme demonstram seus contratos sociais, atos jurídicos perfeitos e acabados, praticados em plena conformidade com a legislação e registrados na Junta Comercial. E, ainda, que (i) as empresas funcionam e funcionavam em locais distintos, (ii) possuem capital social próprio, (iii) seu quadros sociais apresentam algumas distinções, (iv) cada qual possui inúmeras filiais espalhadas pelo País. Também que as empresas tem folhas de pagamentos próprias com quadro de funcionários distintos, possuem receita operacional, contabilizam despesas, lucros, emitem notas fiscais, possuem patrimônio próprio. Fl. 23827DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 10 17 Que os empréstimos e transferências bancárias entre as empresas se deram de forma lícita e foram regularmente contabilizados. Adiante, que a tipificação legal da infração que lhe foi imputada compreende a ocultação, na importação ou na exportação, mediante fraude ou simulação, (i) do sujeito passivo; (ii) do real vendedor; (iii) do real comprador ou (iv) do responsável pela operação, mas não do encomendante predeterminado de mercadorias importadas, tal como identificado pelo Fisco. Outrossim, que a presunção legal de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior se dá pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, fato que, conforme assevera a própria Fiscalização, não ocorreu no caso concreto. É incontroverso que a Le Sac 29, real adquirente das mercadorias importadas por sua conta e ordem, sempre possuiu recursos suficientes para fazer frente aos negócios empreendidos. Tece considerações a respeito das modalidades de importação admitidas pela legislação brasileira, para demonstrar que obedeceu todos os requisitos definidos em lei, fazendo constar nas declarações de importação que as operações seriam realizadas de forma indireta, por conta e ordem da Le Sac 29. Aduz que, ainda que houvesse alguma irregularidade, não há qualquer indício da presença de fraude, elemento sine qua non na definição da infração que lhe foi imputada. Referese ao conceito de fraude insculpido no artigo 72 da Lei 4.502/64. Que não foram observados conteúdo e alcance das infrações capituladas no artigo 23,V, e parágrafo 2º do Decretolei nº 1.455/76 e no artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Adiante, rebate um a um os indícios nos quais baseouse a Fiscalização Federal para chegar às conclusões veiculadas no Auto de Infração combatido. A seguir, abordando às questões particulares do vertente Processo Administrativo Fiscal, repete a argumentação tendente a demonstrar a impossibilidade de que a Le Sac 29 tivesse ocultado a si mesma. Referese aos elementos de prova trazidos em sede de impugnação ao lançamento, que, segundo entende, foram, na sua maioria, ignorados pela decisão recorrida. Que há ausência de casualidade e proporcionalidade entre a multa imposta e o alegado prejuízo ao Erário. Fala do caráter confiscatório da pena de perdimento e sua conversão em multa pecuniária. Retorna ás questões específicas do processo para demonstrar que a margem de lucro, tomada como indício de esquema de ocultação, era, na verdade, perfeitamente aceitável. Le Sac Comercial Center Couros Ltda Fl. 23828DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 18 O Recurso Voluntário da empresa Le Sac Comercial Centre Couros Ltda, embora apresentado a parte, é idêntico ao Recurso interposto pela Day By Day Comercial de Couros e Importadora Ltda. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Preliminares Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância pela falta de manifestação acerca dos argumentos a destempo trazidos em complementação à impugnação inicialmente apresentada. A ninguém é dado desconhecer que a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento e deve ser apresentada no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante1. Não haveria mesmo nenhum motivo para que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciasse as razões de defesa apresentadas a destempo. Suficiente ou não, o prazo para apresentação da impugnação é definido em Lei e não existe previsão legal que contemple hipótese de sua dilação. O pedido de nulidade da decisão de piso também baseiase na alegada falta de manifestação a respeito do argumento de que "a suposta ocultação do real interessado nas operações de importação, com a finalidade de quebrar a cadeia do IPI (...) sequer poderia amparar o Auto de Infração, na medida em que é posicionamento unânime da jurisprudência a ilegalidade da chamada dupla incidência do IPI ou bitributação". Sem adentrar, ainda, ao mérito dessa alegação, transcrevo excertos do voto condutor da decisão recorrida nos quais é demonstrado, a toda evidência, o firme entendimento do i. Julgador de piso contrário à linha de raciocínio defendida pela então impugnante. X Fatos probandos presentes no Relatório Fiscal que indicam a incidência do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A fiscalização apurou que as empresas LE SAC29 e a DAY BY DAY fizeram parte de esquema de ocultação do real interessado nas importações de mercadorias, 1 Decreto 70.235/72 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 23829DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 11 19 com a finalidade principal de promover a quebra da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). (...) Restou comprovado pela fiscalização a ocultação do sujeito passivo (LE SAC 61) com vistas a quebra da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente em mercadorias provenientes do comércio exterior. (...) Mais uma vez o impugnante burila o foco da ação fiscal ao seu sabor. O foco não é a margem de lucratividade em si, mesmo porque não há regulaamentação sobre isso. O que a fiscalização evidencia ao comparar as estatísticas da margem de lucro entre as empresas DAY BY DAY e LE SAC, que variam de 10 a 25 vezes conforme a grandeza apurada, é justamente revelar o que o esquema de ocultação do sujeito passivo deixa de recolher em Imposto sobre Produtos Industrializados dada a quebra da cadeia desse imposto. (...) Fica claro, mais uma vez, que a DAY BY DAY só existe para abastecer a rede LE POSTICHE, sendo as vendas para fora da rede de valor IRRISÓRIO (0,1633%). Temse, aqui, mais um forte indício de que a DAY BY DAY tem uma única função: ocultar as lojas da LE POSTICHE, providenciando, acima de tudo, a quebra da cadeia do IPI. Ora, se a todo o momento a decisão reafirma e aquiesce que a intenção por trás da conduta das empresas foi quebrar a cadeia de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados na internação e comercialização das mercadorias importadas, então é porque não admite a possibilidade aventada pela defesa. E, de fato, nada mais há que se dizer a respeito. O óbvio não requer esforço de demonstração. A despeito de eventual jurisprudência favorável à tese das Recorrentes, o fato é que a legislação que regula a incidência do IPI continua válida e determina que ele seja cobrado na importação e na saída das mercadorias importadas. Enquanto permanecer sendo essa a regra, não existe razão para que dedique muitas explicações para o assunto. A jurisprudência, por si só, salvo exceções previstas em lei, não afasta disposição legal válida ao tempo da ocorrência dos fatos. Por outro lado, em sentido contrário ao defendido pela Parte, conforme remansosa jurisprudência, é pacífico o entendimento de que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações do recurso ou da impugnação ao lançamento. Vejase como manifestouse o eminente então Ministro do STJ, Luiz Fux, no Recurso Especial nº 779.680. Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. [...] É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique Fl. 23830DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 20 os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir, cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2ª. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, 1º.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1a. Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204. Com efeito, não é de se esperar que cada um dos argumentos apresentados pela defesa sejam contraditados, desde que as razões de decidir expostas pelo julgador demonstrem, no seu todo, a impossibilidade de acolhimento da tese ou dos argumentos expendidos pelo contribuinte. Passo ao mérito. Aspectos Legais Para melhor clareza dos preceitos que conduzirão à decisão que será tomada no presente voto, creio que seja de grande interesse que se faça uma breve digressão em torno dos fatos que deram origem à presunção legal que fundamenta exigência fiscal ora combatida. Ainda que a não comprovação da origem dos recursos empregados em atividade de comércio exterior presuma a ocorrência da interposição fraudulenta, a infração especificada hoje no artigo 689, inciso XXII, combinado com o parágrafo primeiro, do atual Regulamento Aduaneiro – Decreto 6.759/09, matriz legal Lei nº. 10.637/02, é assim identificada. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação /dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Tratase, portanto, de infração por ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação. No final do texto normativo, fica esclarecido que a interposição fraudulenta de terceiros está inserida dentre as hipóteses de ocultação dolosa das pessoas acima relacionadas (inclusive a interposição fraudulenta de terceiros); conduta que dá ensejo à aplicação da pena de perdimento das mercadorias, por dano ao Erário, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro dessas, nos casos em que elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Necessário sublinhar que a tipificação da infração por dano ao Erário não se vincula aos efeitos do ato ou à sua extensão. Se extrai do texto legal que a ocultação intencional do sujeito passivo, do vendedor, do comprador ou do responsável, caracteriza, por si só, a conduta sancionada. Desnecessário que a fiscalização se esforce em provar a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos. Fl. 23831DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 12 21 Com efeito, o que a norma legal intenta coibir é forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo. É grande importância que se tenha a noção de que a positivação normativa das regras de coação deste tipo de conduta tem origem em um histórico de operações praticadas mediante simulação, que afetavam decisivamente a condição da Fiscalização Tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos, indicar com segurança o enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de Impostos e Contribuições, definir a base de cálculo desses gravames, avaliar a pertinência da aplicação de preço de transferência, determinar o valor aduaneiro das transações etc. De fato, fundamental sublinhar que ainda que a relação de causa e efeito entre a ação do administrado e a pena aplicável possa parecer desigual (de um lado apenas a aparente falta de informação de que a operação é por conta e ordem ou por encomenda e, de outro, a pena de perdimento das mercadorias), a história por detrás desse instrumento de coação revela razões imperceptíveis à primeira vista. E nem me parece correto o entendimento de que a legislação tributária esteja, nesses casos, interferindo na liberdade de escolha do particular, na opção pela forma que melhor atende suas necessidades ou que tenha hostilizado indiscriminadamente o negócio jurídico indireto. O que buscou, na verdade, foi prevenir o abuso de forma, o negócio atípico e sem motivação prática aparente e de conformação reconhecidamente lesiva ao interesse público. Seja por razões econômicas, financeiras, operacionais ou de qualquer outra natureza, o que se espera é que seja perceptível alguma vantagem lícita a justificar a opção pelo caminho menos provável na obtenção de fins equivalentes. Ainda mais, há que se destacar que, ao assim definir, a Lei 10.637/02 não inova em relação aos Decretoslei no 37/66 e no 1.455/76. Lá, assim como aqui, considerouse configurado o dano ao Erário independentemente da comprovação do efeito lesivo dos atos praticados. Para comprovar tal assertiva, basta a leitura das demais hipóteses elencadas no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; (...) IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; (...) Fl. 23832DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 22 XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) De fato, sequer me parece que presunções legais dessa ordem devam causar surpresa. Mais do que um expediente aceitável, tratase de medida indispensável à obtenção dos resultados visados pela Administração Tributária. É um pressuposto que decorre do teor normativo do próprio Código Tributário Nacional, matriz das regras de formação do Sistema Tributário Nacional. A fiscalização e a arrecadação de tributos é amplamente alicerçada na colaboração forçada do sujeito passivo, como bem exemplificam a obrigação de prestar informações e de antecipar o pagamento do tributo. Por seu turno, a legislação ordinária toma emprestado e reproduz esse modelo e não somente quando obriga a fazer, mas, também, quando limita a iniciativa empreendedora do administrado, como, no caso, pela presunção da ocorrência de infração na conduta que deseja reprimir. Noutro vértice, fazse a devida ressalva à possibilidade de desconstituição da presunção legal pela comprovação, segundo as peculiaridades próprias de cada caso e mediante elementos de prova igualmente particulares, que tratouse de mero erro formal escusável. Desta forma, vêse também preservada a busca da verdade material, outro dos pilares que sustentam as relações do particular com o Estado. Introduzido o assunto em linhas gerais, importante que seja revista sua fundamentação legal. Antes mesmo da previsão normativa de pena específica para os casos de interposição fraudulenta de terceiros, a legislação novel tratou de disciplinar os efeitos tributários das operações empreendidas nessa modalidade negocial. O adquirente da mercadoria importada por sua conta e ordem tornouse responsável solidário pelo Imposto, assim como pela infração – matriz legal Decretolei 37/66, com alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.15835/01. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Foi equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. A ele passaram a ser aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS próprias do importador. Fl. 23833DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 13 23 Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Certos requisitos e condições foram estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro, direito de regulamentação outorgado pelo artigo 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Isso foi feito pela Instrução Normativa 225/02, que estabeleceu as regras para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida no nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado (parágrafo único do artigo 1º). As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias (inciso I do artigo 4º). Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...) Dois meses após a edição da IN 225 de 2002, a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando previsão específica de infração punível com a perda dos bens no caso de inobservância dos critérios definidos pela Secretaria da Receita Federal para Fl. 23834DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 24 importação por conta e ordem. Até então, a infração vinha sendo enquadrada dentro da hipótese de mercadoria estrangeira, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. .................................................................................................. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) No ano seguinte, 2003, a Lei excepcionou as mercadorias cuja pena de perdimento tivesse sido convertida em multa das hipóteses de não incidência do Imposto. Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) Mais tarde, a Lei 11.281/06 veio disciplinar nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda. Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Fl. 23835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 14 25 § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Destaque para o manutenção de um dos pilares do controle sobre operação com essas características, qual seja, a necessidade de observação dos critérios e exigências definidos pela Secretaria da Receita Federal, conforme parágrafo 2º acima. A Instrução Normativa 634/06, a seguir parcialmente transcrita, definiu as regras a serem observadas nas importações realizadas por encomenda. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Vêse que, no intento de coibir práticas negociais danosas, o legislador definiu regras inflexíveis para atuação das ditas empresas prestadoras de serviço de importação, com as quais pretendeu não só alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas regras e condições próprias do importador, como também evitar que a negociação fosse dissimulada, definindoa, se assim ocorresse, como hipótese de ocultação e/ou interposição fraudulenta de terceiros. Um dos argumentos de defesa referese à regular condição das empresas que no entender do Fisco atuavam em conjunto. O denominado Grupo Le Postiche. Segundo as Recorrentes, não há hipótese legal para caracterização da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior no caso concreto. A relação de interdependência identificada entre as empresas Le Sac 29, Le Sac 61 e Day By Day, baseada, principalmente, na presença de pessoas físicas em comum nos respectivos quadros societários, daria ensejo, conforme legislação do IPI, única e exclusivamente, à aplicação de base de cálculo mínima, não à caracterização da infração enxergada pelo Fisco. E Fl. 23836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 26 que a organização empresarial e a estratégia de ação do particular na administração dos seus negócios é livre. Como já antecipei, no entendimento deste Relator, a questão sob análise não pode ser vista como uma interferência ilegal na liberdade de organização do particular. O que a legislação fez, como procurei demonstrar à exaustão, foi coibir determinada conduta que, com base na observação de ocorrências ao longo de anos, foi considerada lesiva aos interesses coletivos. Uma das razões de todo esse empreendimento legislativo foi, justamente, a preservação dos efeitos tributários próprios da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados. Para confirmar esse entendimento, basta que se leia o disposto no artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835/01 antes transcrito, que equipara a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Ou seja, a quebra da cadeia de incidência do IPI longe está de ser considerada ocorrência imprópria ao controle de que aqui se trata. Ao contrário, é uma das razões de todos esforços em torno dele empreendidos. Relevante também acrescentar que a previsão de que sejam utilizadas bases de cálculo mínimas no casos em que se constata interdependência entre as empresas integrantes da cadeia comercial não se vincula à ocorrência de fraude, razão pela qual uma e outra infração devem ser consideradas de forma independente. E também não pode prosperar o argumento de que a tipificação legal da infração que foi imputada às Recorrentes compreende apenas a ocultação (i) do sujeito passivo; (ii) do real vendedor; (iii) do real comprador ou (iv) do responsável pela operação, mas não do encomendante predeterminado de mercadorias importadas, tal como identificado pelo Fisco. Como fica claro da legislação antes transcrita, mais precisamente o § 2º do artigo 11 da Lei 11.281/062, a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal presumese por conta e ordem de terceiro. E é claro. Nenhuma disposição normativa haverá que resguarde práticas tidas como fraudulentas, sejam elas passíveis de ser enquadradas como por encomenda ou por conta e ordem. Sempre que caracterizarem atos simulados serão reconhecidas como interposição fraudulenta de terceiros, ensejando a aplicação da pena de perdimento dos bens, passível de conversão em multa. Quanto a isso, no que se refere à presença ou não do elemento volitivo nas ações praticadas pelas autuadas, penso que foi muito bem a decisão recorrida. Transcrevo as considerações presentes no voto, fundamentação que acolho como se minha fosse. II A prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros: A ocultação do Sujeito Passivo. 2 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 23837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 15 27 O DecretoLei nº 37/66 que dispõe sobre o Imposto de Importação, define, dentre outros, o fato gerador e o contribuinte desse imposto: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. O inciso I do artigo 31 do mesmo Decreto Lei definiu o contribuinte do Imposto de Importação, in verbis: Art.31 É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional. Pela letra dos mencionados artigos, qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria de origem estrangeira no território nacional será considerado importador, figurando assim no pólo passivo da relação jurídico tributária. Nessa direção temse que a forma legítima de identificar o sujeito passivo é por meio do princípio constitucional da capacidade contributiva. A repercussão tributária se traduz em fatos que ostentem signos de riqueza, tendose em conta a capacidade econômica do contribuinte, conforme §1º do art. 145 da Constituição. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (Grifo Nosso). O modo usual de se interpretar o dispositivo transcrito é o de atribuir à administração tributária a faculdade de, a partir dos sinais de riqueza patrimônio, rendimentos, atividades econômicas – identificar o contribuinte para exigir a obrigação tributária, nos termos da lei. Todavia, um outro modo de se interpretar o mesmo dispositivo é perceber a faculdade, podendo ser tomado como ato de poderdever, da administração tributária identificar aquele que não é contribuinte, mesmo que figure como tal, dada a ausência de sinais de riqueza compatíveis com a transação econômica efetuada. O artigo 142 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funci6onal. (Grifo Nosso) Fl. 23838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 28 O procedimento fiscaladministrativo que tem por função identificar o sujeito passivo pode muito bem negar essa condição a quem apenas a aparenta. Se alguém se apresenta como sujeito passivo, mas não possui patrimônio, rendimentos, atividades econômicas – para fazer face à transação, é um claro sinal de incompatibilidade do que é e do que deve ser, no melhor estilo de Reale3, que não pode passar desapercebido pelo crivo da fiscalização. De modo magistral, a mesma lição de Deiab Junior e Nepomuceno4, traz essa ilação para as operação de comércio exterior: ... depreendese que nem sempre quem aparenta ser o importador, de fato configurase como tal. Em determinadas operações quem efetivamente promove, toma a iniciativa ou provoca por ato seu a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional, é o real detentor dos recursos, a pessoa que detém capacidade contributiva compatível com a operação não figura na operação como importador. Em virtude do emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, ocultarse da relação obrigacional tributária, de modo a ludibriar a ação fiscalizatória da Receita Federal do Brasil – RFB, com o propósito de deixar de recolher os tributos incidentes, podendo assim vir a usufruir de custos inferiores, incorrendo inclusive em concorrência desleal no mercado. Na mesma linha a contribuição de Castro5: O meio mais seguro para identificar o sujeito passivo é o princípio constitucional da capacidade contributiva. Seu enunciado estabelece que a repercussão tributária se verta sobre fatos que ostentem signos de riqueza (a importação é um fato que satisfaz tal pressuposto) e que o impacto tributário seja graduado, tendose em conta (no caso dos impostos) a capacidade econômica do contribuinte (§1º do art. 145 da Constituição). Evidente que esses mesmos argumentos valem para o exportador. O que se busca é auferir a relação econômica subjacente, porque tal relação indicará a efetiva capacidade econômica do contribuinte. Na verdade, o que importa é a realidade econômica do fato, consoante a lição de Estrela, citando Amílcar Araújo Falcão6: O que nos autoriza inferir que a lei tributária busca a relação econômica subjacente, porque tal relação indica significativa capacidade econômica do contribuinte. Na verdade, o que importa é a realidade econômica do fato. O fato econômico prevalece sobre a forma jurídica. Quando a lei tributária fizer menção à compra e venda, por exemplo, visa ao conteúdo econômico desse negócio, e não à forma jurídica pela qual o ato se exteriorize. Assim, a preocupação em combater a interposição fraudulenta de terceiros não se limita a exigência de tributos incidentes nas operações de comércio exterior, mas também a proteção do mercado interno, através da identificação do contribuinte de fato e sua consequente tributação/penalização, inibindo assim que esse leve desleal vantagem através de esquemas de evasão ou elisão fiscal. 3 Teoria Tridimensional do Direito. 4 Idem 1 5 Castro, Wagner Wilson de, As alterações na legislação aduaneira introduzidas pelos artigos 59 e 60 da Medida Provisória Nº 66, de 29 de agosto de 2002. 6 FALCÃO, Amílcar Araújo, apud AMARO, Luciano. AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, São Paulo, Saraiva, 1998, p. 214. ESTRELLA, André Luiz Carvalho. A norma antielisão e seus efeitos. Art. 116, parágrafo único, do CTN. Jus Navigandi, Teresina, ano 6, n. 52, 1 nov. 2001 . Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/2317>. Acesso em: 17 mar. 2013. Fl. 23839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 16 29 Nas palavras de Carvalho Estrella: Devese privilegiar o fundo econômico do ato em detrimento da forma jurídica adotada. Dar primazia ao valor justiça e ao princípio da capacidade contributiva.7 A conduta dolosa aqui em análise reside em ocultar, esconder ou encobrir a pessoa física ou jurídica (real sujeito passivo) que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose para isso de ardis fraudulentos ou simulatórios. Toda vez que a fiscalização se deparar com um esquema de interposição fictícia de pessoas, engendrado com a finalidade de afastar o real sujeito passivo da incidência da obrigação tributária, deve reprimilo. Observando o significado do termo ocultação e o texto expresso no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei n 1.455, de 7 de abril de 1976, percebese que o núcleo do tipo infracional reside na conduta dolosa de ocultar, esconder ou encobrir a pessoa física ou jurídica (real sujeito passivo) que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose para isso de ardis fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas, físicas ou jurídicas. Dessa forma, ocultar deve ser compreendido como a ação de esconder ou de encobrir alguma coisa aos olhos ou conhecimento de outrem, a fim de que não seja vista ou reconhecida. Há, nela, a máfé, ou seja, a intenção voluntária de se fazer o mal. A simulação por sua vez consiste em fingir, mascarar, camuflar, esconder a realidade, ou seja, se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros. É uma deformação voluntária para escapar à disciplina normal do negócio, prevista na Lei. Destacase do texto do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, o uso de ardis fraudulentos ou simulatórios para ocultar, esconder ou encobrir o real sujeito passivo. No âmbito do Direito Tributário tanto a simulação como a ocultação são caracterizados como fraude, entendimento decorrente de expressa disposição legal, sendo que, tal ação ou omissão impacta, excluindo ou alterando, a obrigação tributária em uma das suas características fulcrais, qual seja, a sujeição passiva. Nesse diapasão, dispõe a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." A efetiva ocorrência das irregularidades apontadas pelo Fisco no caso concreto, à luz das provas apresentadas, será examinada mais a frente. Por ora, o que é possível dizer é que a leitura empregada pelo i. Julgador de primeira instância é certeira a respeito da formação de juízo sobre a presença ou não da intenção nos atos praticados pelos contribuintes de um modo geral. Se a ação praticada retrata um evento que, pelas características que lhe são próprias, não pode ser atribuído à causa acidental, eventual, fortuita, não intencional e, ainda mais, há ganho evidente no modo atípico ou incomum de agir, a intenção acaba se qualificando como inerente à ação. 7 André Luiz Carvalho Estrella , A NORMA ANTIELISÃO E SEUS EFEITOS ARTIGO 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN Fl. 23840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 30 E para que não fique só no terreno das ideias, é oportuno destacar, a título de exemplo, que a declaração reiterada de valores inferiores aos registrados na contabilidade da empresa tem sido considera pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais8 apta à qualificação da multa, por evidente intuito de fraude. Tal como aqui, não há uma evidência cabal, escrita e concretamente provada da intenção, apenas a conclusão óbvia de que tratase de uma prática que não ocorre de forma acidental. Também incorreta a afirmação de que a presunção legal de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior se dá apenas pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Como procurei deixar claro na introdução deste voto, tratase de uma presunção da ocorrência da infração, mas, de modo algum, exclui a possibilidade de que a mesma seja demonstrada por meio de outros elementos de prova. E também não merece guarida a alegação de que foram obedecidos todos os requisitos definidos em lei para as importações realizadas por conta e ordem, fazendo constar nas declarações de importação que as operações seriam realizadas de forma indireta, por conta e ordem da Le Sac 29, pois ela não condiz com a realidade. Há duas circunstâncias descritas nos autos, uma anterior à incorporação da Le Sac 29 pela Le Sac 61 e outra posterior. Na primeira delas, por mais bizarro que possa soar, de fato ocorreu o que pode perfeitamente ser identificado como uma auto ocultação da Le Sac 29. Para que isso fosse possível, foi interposta a empresa autuada, Day By Day, que comprava as mercadorias da Le Sac 29 e a ela mesma as revendia. No segundo caso, as mercadorias passaram a ser adquiridas dos importadores pela Day By Day, que as revendia à Lec Sac 61. Num e noutro, nada há que demonstre a alega observância das disposições de regência. O papel das pessoas envolvidas foi sempre artificializado, com importante repercussão tributária. Observese como o assunto é introduzido no Relatório que integra o Auto de Infração. Conforme ficará claro ao longo deste auto de infração, a LE SAC29 e a DAY BY DAY aparecem na cadeia comercial, no que se refere às DI listadas na introdução deste relatório, apenas para ocultar a LE SAC61. Ou seja: será nítida a qualidade de interpostas pessoas da LE SAC29 e da DAY BY DAY, o que, segundo os dispositivos legais transcritos anteriormente, enseja a aplicação da pena de perdimento. Sobre esse assunto, de relevo também destacar que os fatos versados neste Processo são anteriores à incorporação da Le Sac 29 pelo Le Sac 61, razão pela qual devese aqui examinar apenas a primeira maneira de operar, das duas acima descritas9. E também não vejo razão para que se fale em inobservância de conteúdo e alcance das infrações capituladas no artigo 23, V e parágrafo 2º do Decretolei nº 1.455/76 e no artigo 33 da Lei nº 11.488/07. A toda evidência, a multa instituída pela Lei nº 11.488/07, de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome, não revogou nem trouxe 8 Acórdãos 9101001.002; 140100.038; 20313.275; 0202.726; 20180.297; 10708.542 9 A empresa Day By Day comprava as mercadorias da Le Sac 29 e a ela mesma as revendia. Fl. 23841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 17 31 qualquer repercussão sobre a multa de conversão da pena de perdimento, prevista no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação introduzida pela Lei 10.637/0210. A esse respeito, creio que seja seguro afirmar, com toda a convicção, que a intenção do legislador jamais foi a de cominar penalidade mais branda a qualquer das partes que se associam na prática de operação de importação ou exportação com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável. Assim entendo, por diversas razões, como pretendo a seguir demonstrar. Em primeiro lugar, vêse, desde logo, que os bens jurídicos tutelados por uma e por outra medida coercitiva não guardam nenhuma identidade entre si. Embora as infrações possam estar vinculadas a um mesmo evento, a multa pela cessão do nome, de dez por cento do valor da operação, destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica, apenando conduta à qual era antes imposta a “pena” de inaptidão do CNPJ, medida que violentava os mais elementares pressupostos da ação estatal de controle da atividade privada, agindo com força desproporcional, ao impedir o particular de seguir no livre exercício de suas atividades profissionais. Por seu turno, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada destinase a coibir o ingresso no território nacional de mercadoria estrangeira em situação irregular, que, sujeita à pena de perdimento, acaba não sendo apreendida. Mas para muito além disso, o fato é que não se vislumbra nenhuma razão plausível para que se prestigie a inusitada interpretação de que o legislador, ao instituir a nova penalidade, tivesse a intenção de minorar a sanção ou redefinir os limites de sua sujeição passiva ou da responsabilidade das partes para uma específica infração dentre as tantas definidas como dano ao Erário. Como é de amplo conhecimento, as infrações compreendidas nesse conceito são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (artigo 23, § 1º, do DecretoLei 1.455/76). É completamente desarrazoado entender que, especifica e exclusivamente nos casos em que o dano ao Erário esteja associado à interposição fraudulenta de terceiros, a multa aplicável pela conversão da pena de perdimento deixe de ser equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias para ser de inexpressivos dez por cento do valor da operação. 10 Lei 10.833/03 Art. 59. O art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) DecretoLei 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias Fl. 23842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 32 Ora, fosse essa a intenção e a primeira e obrigatória medida haveria de ser a exclusão da infração por interposição fraudulenta do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este deve ser necessariamente associado penalidade gravíssima de perdimento das mercadorias ou, quando isso não for possível, de multa no valor correspondente. Noutro vértice, se o objetivo da legislação novel fosse, de fato, como alguns pretendem, excluir a responsabilidade do importador, que é quem, a priori, pratica a cessão do nome, suficiente que isso fosse expressamente consignado em lei. Inadmissível que essa providência fosse conduzida pela imposição de uma nova pena, sem nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra. Quanto a isso, imperioso destacar que as disposições legais são de clareza solar ao indicar, como consequência da aplicação da multa de dez por cento, apenas a exclusão da hipótese de declaração de inaptidão da pessoa jurídica, se não vejamos11. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E, também, não há que se falar na ocorrência do bisinidem. É preciso ter a clareza de que, desde o começo, todas as disposições legais foram sendo concebidas à luz da interpretação jurídica dada às ocorrências identificadas no mundo real, a partir do que forjaramse instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas nas atividades irregulares; principalmente, o proprietário das mercadorias importadas de forma irregular. Como se sabe, de acordo com o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, o contribuinte do Imposto de Importação é quem promove a entrada mercadoria estrangeira no território nacional12. 11 A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, de 11 de julho de 2007, também não destoa desse entendimento. Orienta pela aplicação cumulativa das duas penas nos casos em que constatada o que denomina interposição fraudulenta comprovada. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. 12 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): Fl. 23843DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 18 33 Um dos pontos de partida de todo empreendimento que deu origem às modificações legislativas iniciadas no ano de 2001 foi a interpretação de lavra da Procuradoria da Fazenda Nacional veiculada no Parecer PGFN CAT 1.316/01. Segundo consta, o contribuinte do Imposto de Importação é sempre a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição das mercadorias ou fizer as negociações prévias. Como consequência da manifestação do Órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, as autuações passaram, obrigatoriamente, a indicar como contribuinte do Imposto a pessoa informada como importador nas declarações de importação, mesmo que um terceiro pudesse ser reconhecido como o verdadeiro promotor do ingresso das mercadorias em território nacional. Por conta disso, ao aplicar a multa de conversão da pena de perdimento nos casos de interposição fraudulenta, forçosamente identificase no auto de infração, como contribuinte, a pessoa que registrou a declaração de importação, embora, o mais das vezes, pretendase apenar o verdadeiro proprietário daquelas mercadorias, que, graças à legislação superveniente ao Parecer supra citado, figura como solidário pelo imposto e pelas infrações cometidas. E, ao importador, ainda cabe a multa pela cessão de nome. De resto, ainda que todas os apontamentos acima já não fossem suficientes para determinar a correta interpretação das disposições normativas sub examine, cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro vigente – Decreto 6.759/09, nos seguintes termos. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Ainda a respeito do direito aplicável, cumpre destacar que as reclamação destinadas à ausência de casualidade e proporcionalidade entre a multa imposta e o alegado prejuízo ao Erário e o caráter confiscatório da pena de perdimento e sua conversão em multa pecuniária não podem ser levado em consideração na formação de juízo que se faz na vertente decisão. Como a ninguém é dado desconhecer, falece competência a este Tribunal Administrativo para deixar de aplicar uma lei vigente com base em alegações que esbarrem em decisão acerca da constitucionalidade das normas aplicáveis. É o que dispõe o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 23844DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 34 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou a princípios por ela resguardados. Questões de fato Uma das evidências que respaldou a autuação foi a chamada confusão patrimonial identificada pelos AuditoresFiscais autuantes, que reconheceram a existência de um grupo de empresas atuando em conjunto, que denominaram Grupo Le Postiche. As Recorrentes afirmam em sede de Recurso Voluntário que os contratos sociais da LE SAC 29, da LE SAC 61 e da Day By Day constituem atos jurídicos perfeitos e acabados, praticados em plena conformidade com a legislação e registrados pela Junta Comercial, e que, da sua análise, alguns conclusões seriam incontestáveis, quais fossem, (i) as empresas funcionam e funcionavam em locais distintos; (ii) as empresas possuem capital social próprio; (iii) embora semelhantes os quadros de sócios apresentam algumas distinções, o que apenas reforça a existência da interdependência antes abordada; (iv) embora semelhantes os objetos sociais distinguem as empresas em alguns segmentos operacionais, inclusive após a incorporação; e (v) as empresas possuem inúmeras filiais espalhadas pelo território nacional, o que reforça a atuação independente de cada uma delas e refletem as suas necessidades comerciais/operacionais. Ainda mais, que as empresas tem folhas de pagamentos próprias com quadro de funcionários distintos, possuem receita operacional, contabilizam despesas, lucros, emitem notas fiscais, possuem patrimônio próprio. Necessário dizer liminarmente que certas linhas de argumentação devem ser rechaçadas com veemência. Se a Fiscalização Federal acusa a ocorrência de uma simulação entre empresas de um mesmo grupo econômico, organizada com o fito de quebrar a cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, o argumento de que todas as empresas estão registradas na junta comercial é, no mínimo, inusitado. Para simplificar o raciocínio e evitar o prolongamento de uma questão tão elementar, basta que se indague sobre quais seriam as consequências do registro de uma empresa na junta comercial. Tal providência, por si só, afastaria a possibilidade de que essa Fl. 23845DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 19 35 empresa atuasse em nome de outra, em operação praticada nos moldes do que foi identificada pelo Fisco no caso concreto? Ora, óbvio que não (!). É como se alguém acusado de perjúrio tentasse comprovar sua inocência com base no juramento que fez. Os contratos sociais das empresas, seu registro na junta comercial e objeto social neles informado são formalidades que em nada influenciam os fatos apurados no procedimento de fiscalização ao qual as empresas foram submetidas. Apenas demonstram que elas foram formalmente criadas para um determinado fim, do qual podem terse desviado ou não. Outras questões, contudo, merecem atenção. É caso do local de funcionamento, do capital social, do quadro societário, operação (folha de pagamento, notas fiscais, receitas, despesas, lucros etc) e das filiais espalhadas pelo território nacional das empresas acusadas pelo Fisco de terem sido ardilosamente constituídas com a finalidade de confundir o controle do Órgão sobre as operações de importação para, ao final, obter vantagens ilícitas na quantificação do valor devido a título de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Pareceme adequado iniciar a análise dos fatos pela acusação. Conforme informações contidas no Auto de Infração (fls. 11 a 13 do eProc), as seguintes evidências comprovam a inserção da empresa Day By Day na cadeia comercial de importação e venda das mercadorias no mercado interno, no intento de ocultar as lojas da rede Le Postiche, dentre as quais a Le Sac61 e a própria Le Sac29. (1) A LE SAC61, principal empresa da rede de lojas LE POSTICHE, sempre comercializou uma considerável quantidade de produtos importados, mas nunca registrou nenhuma DI no Siscomex; (2) Os produtos comercializados pela LE SAC61 são os mesmos importados pela LE SAC29 e pela DAY BY DAY; (3) A LE SAC61, a LE SAC29 e a DAY BY DAY apresentam: • praticamente o mesmo quadro societário; • os mesmos endereços; • os mesmos números de telefone; • a mesma mãodeobra (as mesmas pessoas ora estão empregadas por uma empresa ora por outra; os Avisos de Recebimento das correspondências enviadas pela fiscalização são recebidos pelos mesmos empregados, não importando a qual empresa a correspondência está endereçada); (4) As filiais da LE SAC29 e da DAY BY DAY promotoras das importações nada mais são do que espaços para armazenamento das mercadorias por curtíssimo espaço de tempo antes de sua distribuição para as lojas da rede LE POSTICHE; 5) As fiscalizadas demonstram grande preocupação com o planejamento tributário, o que torna lógica a criação de um CNPJ com a função exclusiva de quebrar a cadeia do IPI na importação; (6) As fiscalizadas possuem, no sistema RADAR, uma série de fichas registradas que indicam um histórico de ocultação do real adquirente entre elas mesmas; Fl. 23846DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 36 (7) As fiscalizadas prestaram informações comprovadamente falsas no curso da fiscalização, o que faz com que seja questionada a sua credibilidade como um todo; (8) Antes da incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a LE SAC29 promovia as importações, simulava uma venda das mercadorias à DAY BY DAY e recomprava essas mesmas mercadorias da mesma DAY BY DAY, quebrando, assim a cadeia do IPI (os valores das vendas da LE SAC29 à DAY BY DAY e das compras da LE SAC29 da DAY BY DAY são quase idênticos); (9) Após a incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a DAY BY DAY assumiu as atividades de ocultação da LE SAC29; (10) A filial da DAY BY DAY em Itajaí, uma das promotoras das importações do grupo, só tem a LE SAC29 e a LE SAC61 como clientes; (11) O prazo médio de permanência das mercadorias nos estoques da filial da DAY BY DAY em Itajaí é de apenas 04 dias, sendo que várias mercadorias entram na DAY BY DAY em Itajaí e dela saem NO MESMO DIA; (12) A margem de lucro da DAY BY DAY em Itajaí é muitíssimo inferior à da LE SAC61; (13) A filial da DAY BY DAY no Espírito Santo, outra promotora das importações do grupo, só tem a LE SAC29, a LE SAC61 e empresas filiadas/franquiadas da rede LE POSTICHE como clientes (apenas 0,321% das mercadorias da filial da DAY BY DAY no Espírito Santo são destinadas a outras pessoas); (14) Nas mercadorias expostas à venda na loja matriz da LE SAC61, há etiquetas contendo o CNPJ da LE SAC29 ou o CNPJ da DAY BY DAY e, nessas mesmas etiquetas, lêse: “UMA EXCLUSIVIDADE LE POSTICHE”; (15) Da análise do fluxo financeiro entre as empresas, vêse uma série de transferências bancárias de uma empresa para outra em datas próximas à liquidação dos câmbios; 16) Em várias notas fiscais, lêse, no campo destinatário, o nome da LE SAC (LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA.), mas o CNPJ da DAY BY DAY, o que comprova que os funcionários dessas empresas tratamna como uma unidade; (17) No contrato de licenciamento da DAY BY DAY com a marca LE POSTICHE, há cláusulas que demonstram que é a LE SAC61 quem dá a palavra final na escolha das mercadorias a serem importadas; (18) Na análise da contabilidade das empresas, vêse, entre outras coisas, que: • A DAY BY DAY admite manter acordo de importações com as licenciadas; • A DAY BY DAY contabiliza recebimentos da LE SAC para cobrir despesas com importações; • A DAY BY DAY registra importações como se fossem compras no mercado interno; • As fiscalizadas apresentam uma política de desconto entre elas não aplicável a outras empresas; • Há uma série de empréstimos da LE SAC à DAY BY DAY; • É comum que uma das fiscalizadas pague despesas de outra; e • Há o registro de pagamento de aluguéis da DAY BY DAY à LE SAC, o que comprova que a área por ela ocupada pertence, na verdade, à LE SAC. Por seu turno, as Recorrentes rebatem, uma a uma, as constatações da Fiscalização Federal. Fl. 23847DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 20 37 Analiso cada um dos pontos, confrontando e sopesando, agora, acusação e razões de defesa. Item 01 Atividades desenvolvidas pela Le Sac 61 A Recorrente assevera que está equivocada a assertiva da Fiscalização de que a Le Sac 61 sempre comercializou uma considerável quantidade de produtos importados, mas nunca registrou nenhuma DI no Siscomex, por que, nas suas palavras, "antes da incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, a sua receita principal originavase dos valores de royalties decorrentes dos contratos de licenciamento celebrados. Nessa linha, o indício apontado, além de não representar a verdade, não pode ser reputado como elemento apto a embasar suas conclusões". É uma informação no mínimo curiosa, pois a Le Sac 61, conforme informação que consta em seu Cadastro (CNPJ), possui 109 filias, que, junto às lojas franqueadas e licenciadas (que, penso, sejam as empresas que pagariam os royalties à Lec Sac 61) constituem a rede varejista que comercializa bolsas, carteiras, artigos de viagem etc, por todo o país. Assim, como disse, chama atenção o fato de que a principal receita decorra do recebimento de royalties e não de venda desses produtos por meio de suas filiais espalhadas pelo País. A despeito disso, ainda que a informação esteja correta, ela não tem a menor importância. Mesmo que o valor recebido a título de royalties seja superior ao valor das vendas de mercadorias, o fato é que as mercadorias importadas representam parte importante do negócio da empresa e, sem dúvida, chama a atenção o fato de que, embora ela comercialize tais produtos, sendo, por conseguinte, a verdadeira interessada na sua importação, jamais tenha registrado uma só declaração de importação. É possível dizer que alguém fez isso por ela. Item 02 Produtos Comercializados pela Le Sac 61 Neste ponto, as Recorrentes referemse ao fato de que no período anterior à incorporação (que é o que aqui interessa), os produtos importados pela LE SAC29 eram comercializadas com Day By Day e por esta distribuídos à própria LE SAC29 que detinha a propriedade das lojas de varejo. Assim, no "período posterior à incorporação, portanto, é natural que a RECORRENTE [Day By Day] comercialize os mesmos produtos importados pela LE SAC29, em função dessa incorporação". Acho que o argumento padece da ausência de conteúdo lógico. Depois da incorporação a única alteração no quadro foi o fato de que a Day By Day deixou de ter uma função tão sem sentido na cadeia de distribuição dos produtos (comprálos da Le Sac 29 para depois revendêlos à mesma) e passou a figurar como adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem. Ainda mais, nem é essa a acusação do Fisco. O que autores do procedimento revelam é que a Day By Day não tem outra razão de existir se não a de interporse na importação de mercadorias internalizadas no interesse da Le Sac 61. Por essa razão, demonstram, dentre outras evidências, que a mesma apenas opera com o tipo de mercadoria que é negociado pela Le Sac 61. Item 03 Mesmos sócios, endereços, telefones e dividem mão de obra Fl. 23848DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 38 Aqui o argumento de que as empresas de fato "possuem relação de interdependência, o que justifica a similaridade dos quadros societários com reflexo essencialmente para legislação do IPI, mas os endereços e telefones são distintos e a mão de obra é totalmente distinta" e que as empresas possuem capital próprio, que, embora semelhantes, o quadro de sócios apresentam algumas distinções, tem diferentes objetos sociais e filiais espalhadas pelo País. Fazem referência aos Anexos A e B da das razões de Impugnação, que trazem as provas documentais acerca do alegado. A Fiscalização informa no Auto de Infração os seguintes quadros societários. Le Sac 61: Álvaro Miguel Restaino, Berryville S.A., Lilian Sarkis Restaino, Alessandra Restaino Diago e Fabiana Restaino Esper. Le Sac 29: Álvaro Miguel Restaino, Lilian Sarkis Restaino, Alessandra Restaino Diago e Fabiana Restaino Esper. Day By Day: Álvaro Miguel Restaino, Lilian Sarkis Restaino. Acho que, de fato, é possível dizer que as pessoas físicas por trás das empresas envolvidas na operação investigada pelo Fisco são as mesmas. O argumento de que, embora semelhantes, o quadro de sócios apresentam algumas distinções, não retrata de forma fiel o quadro acima descrito. O que se extrai das informações colhidas, ainda mais quando se leva em consideração que Álvaro Miguel Restaino e Lilian Sarkis Restaino são casados e Alessandra Restaino Diago e Fabiana Restaino Esper são suas filhas, é uma unidade empreendedora por trás das ações praticadas pelas pessoas físicas representadas pelas três empresas. Ainda em relação ao quadro societário, relevante também observar que a empresa Berryville S.A., sócia detentora de quase 40,00% do capital da LE SAC61, é uma pessoa jurídica com sede no Uruguai. Como é do conhecimento de quem acompanha o modus operandi de pessoas físicas e jurídicas que operam com a importação de mercadorias do exterior, é comum a constituição das chamadas empresas de prateleira sediadas no Uruguai, as Sociedad Anonima Financiera de Inversion, dadas as facilidades tributárias e operacionais que o País oferece. Tais empresas, contudo, como também se sabe, não são mais do que uma inscrição, criada com o único fim de facilitar o fluxo de recursos financeiros das empresas constituídos no Brasil. E é incontroversa também a confusão de endereços relatada pela Fiscalização. O endereço à Av. Professor Ascendino Reis, 965, São PauloSP é utilizado (i) pela matriz da Le Sac 61, (ii) por uma das filiais da Le Sac 29 (CNPJ 29.026.689/007380) e (iii) também é informado às instituições bancárias como endereço da matriz da Le Sac 29. O endereço à Rod BR 101 Norte, Km 10. Lote A, Carapina, SerraES é utilizado por uma filial da Day By Day e por uma filial da Le Sac 29. A respeito dessa coincidência, os Auditores responsáveis pelo procedimento destacam. É outra das filiais da LE SAC29 utilizada para registrar importações. Esta filial, assim como a filial da DAY BY DAY de mesmo endereço, nada mais é do que Fl. 23849DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 21 39 uma área de armazenagem provisória quando da chegada das mercadorias do exterior (as mercadorias jamais ficam ali mais do que alguns dias), não podendo ser considerada, jamais, uma destinação final para as mercadorias. Seu endereço, aliás, é coincidente com o de uma das tradings que trabalham em conjunto tanto com a DAY BY DAY como com a LE SAC29 (a EXIMBIZ), o que reforça a teoria de simples área de armazenagem. Outra observação cabível sobre esta filial é que, em vez de, neste endereço, funcionar uma filial da LE SAC61 (o que seria lógico após a incorporação, já que a LE SAC29 foi incorporada pela LE SAC61), existe, ali, uma filial da DAY BY DAY. Ou seja: tratase de área próxima ao Porto de Vitória (um dos principais portos utilizados para as importações do GRUPO LE POSTICHE) utilizada meramente para armazenagem das mercadorias durante poucos dias antes de seu envio ao real adquirente. Na Rua da Gaivotas, 1.210, Moema, São PauloSP, está localizada uma filial da Le Sac 29 e uma Filial da Le Sac 61. O Auto de Infração descreve algumas questões fáticas relevantes a respeito desse assunto. Observese uma delas. Cabe, aqui, um comentário: tanto o AR referente ao Termo de Intimação nº 236/2011 (enviado à LE SAC61) como o AR referente ao Termo de Intimação nº 237/2011 (enviado à DAY BY DAY) foram recibados na mesma data e pela mesma pessoa (a Sra. Gislaine Hanig, RG nº 458835316). Vemos, aqui, mais uma vez, que, ainda que a sede da LE SAC61 e a da DAY BY DAY tenham endereços distintos, elas funcionam no mesmo imóvel e dividem pelo menos parte dos empregados. A fiscalização, então, entrou na loja da LE SAC61 da foto acima e, ao perguntar sobre o responsável pela empresa, foi encaminhada para um escritório em anexo, com entrada pela rua ao lado (a sede da LE SAC61 está localizada exatamente na esquina da Av. Professor Ascendino Reis com a R. Agostinho Rodrigues Filho – a entrada da loja se dá pela Av. Professor Ascendino Reis, e a entrada do escritório se dá pela R. Agostinho Rodrigues Filho). Outrossim, durante a realização das diligências destinadas ao reconhecimento in loco dos estabelecimentos comerciais utilizados pelas Recorrentes, foi observado o seguinte. Percebemos, então, que esse escritório indicado como sendo escritório da LE SAC61 localizase no endereço cadastral da DAY BY DAY (R. Agostinho Rodrigues Filho, 550). Ou seja: a LE SAC61 e a DAY BY DAY funcionam no mesmo escritório, o que é um forte indício de que não são empresas independentes, havendo ocultação do sujeito passivo. A Fiscalização relata a confusão identificada também em relação aos telefones utilizados pelas empresas. Durante os procedimentos fiscalizatórios, verificouse que as três empresas utilizam os mesmos números de telefone, aleatoriamente, conforme explicado abaixo: Número (11) 50310555 – número de telefone indicado: _ no cadastro CNPJ da LE SAC61 (matriz); _ no cadastro CNPJ da DAY BY DAY (matriz); e Fl. 23850DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 40 _ no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme ficha cadastral enviada pelo Bradesco em resposta a RMF. • Número (11) 50320042 – número de fax indicado: _ no cadastro CNPJ da LE SAC61 (matriz); e _ no cadastro CNPJ da DAY BY DAY (matriz). • Número (11) 50310062 – número de telefone/fax indicado: _ no cadastro CNPJ da LE SAC29 (matriz); _ no cadastro CNPJ da DIRRE (matriz); _ como telefone residencial dos sócios Álvaro Miguel Restaino e Lílian Sarkis Restaino no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme ficha cadastral enviada pelo Bradesco em resposta a RMF; _ como telefone residencial do sócio Álvaro Miguel Restaino no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo Bradesco em resposta a RMF; e _ como telefone residencial do sócio Álvaro Miguel Restaino no cadastro CPF. • Número (11) 21628200 – número de telefone indicado: _ como telefone residencial das sócias Lílian Sarkis Restaino e Fabiana Restaino Esper no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo Bradesco em resposta a RMF; _ na ficha de habilitação no RADAR da LE SAC29 (ficha nº 04/0022624); _ no cadastro bancário da LE SAC29, conforme fichas cadastrais enviadas pelos bancos Bradesco, Banco do Brasil (conta mantida no Banco do Brasil e conta mantida no Banco Nossa Caixa), Fibra, Safra e antigo Unibanco em resposta a RMF; _ no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme fichas cadastrais enviadas pelos bancos Safra, Votorantim e Santander em resposta a RMF; e _ no cadastro bancário da LE SAC61, conforme ficha cadastral enviada pelo Bradesco em resposta a RMF. • Número (11) 21628231 – número de telefone indicado: _ na ficha de habilitação no RADAR da LE SAC61 (ficha nº 09/0016634 7); e _ na ficha de habilitação no RADAR da DAY BY DAY (ficha nº 09/0014811 0). • Número (11) 21628216 – número de telefone indicado: _ na ficha de habilitação no RADAR da DAY BY DAY (ficha nº 09/0014811 0). • Número (11) 21628238 – número de telefone indicado: _ na ficha de habilitação no RADAR da DAY BY DAY (ficha nº 09/0014811 0). • Número (11) 21628227 – número de telefone indicado: _ no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme ficha cadastral enviada pelo Santander em resposta a RMF. • Número (11) 21628228 – número de telefone indicado: _ na ficha de habilitação no RADAR da LE SAC29 (ficha nº 04/0022624 3); Fl. 23851DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 22 41 _ no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo banco Fibra em resposta a RMF; e _ no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme ficha cadastral enviada pelo banco Votorantim em resposta a RMF. • Número (11) 21628229 – número de telefone indicado: _ no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo banco Fibra em resposta a RMF; _ no cadastro bancário da LE SAC61, conforme ficha cadastral enviada pelo banco Unibanco em resposta a RMF. • Número (11) 21628230 – número de telefone indicado: _ no cadastro bancário da DAY BY DAY, conforme ficha cadastral enviada pelo banco Itaú (referente a conta do antigo Unibanco S/A) em resposta a RMF; • Número (11) 50952200 – número de telefone indicado: no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo banco HSBC em resposta a RMF; e _ no cadastro bancário da LE SAC61, conforme ficha cadastral enviada pelo banco HSBC em resposta a RMF. • Número (11) 50952203 – número de telefone indicado: _ no cadastro bancário da LE SAC29, conforme ficha cadastral enviada pelo banco HSBC em resposta a RMF. • Número (11) 50819633 – número de telefone indicado: _ no cadastro bancário da LE SAC61, conforme ficha cadastral enviada pelo banco HSBC em resposta a RMF. Desta forma, ainda que se reconheça que as empresas Le Sac 29 e Day By Day tenham, como atestado pela própria Fiscalização, receita própria, diversas filiais, quadro de funcionários próprio etc, é insofismável a conclusão de que, do ponto de vista funcional, há fortíssimos indícios de que as três empresas operavam como uma organização de fato, pois tinham as mesmas pessoas atuando como gestores e utilizavam meios de execução comuns. Item 04 Le Sac 29 e Day By Day: armazenamento por curtíssimo espaço de tempo Neste ponto, além de demonstrar que o curto espaço de tempo ao longo do qual as mercadorias permanecem em estoque é normal, haja vista o tipo de atividade que exercem, as empresas dizem já ter demonstrado em sede de impugnação ao lançamento, que o prazo de estocagem é de 30 a 35 dias. Compulsando os autos, encontrase na impugnação ao lançamento a demonstração do prazo de 35 dias calculado com base na fórmula de contabilidade financeira utilizada para o cálculo do prazo médio de estocagem, que é a seguinte. PME = Ano ÷ CMV V Estoque médio PME é o prazo de médio de estocagem; Ano: 360 dias; Fl. 23852DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 42 CMV custo das mercadorias vendidas; Estoque Médio: estoque final estoque inicial. Sem adentrar ao método específico de cálculo contábil utilizado pelas Recorrentes, que, segundo me parece, é um pouco diferente do usual, imperioso dizer que não é preciso ser grande conhecedor de matemática para saber que os dados acima são apurados com base em índices que representam expressões estatísticas que, embora muito úteis, não podem ser oposta a valores medidos, caso a caso, com base no tempo específico que cada item ficou em estoque. O prazo de quatro dias identificado pelo Fisco foi calculado em face das informações contidas nas notas fiscais de entrada e de saída. Não lhe é oponível o índice PME utilizado pelas Recorrentes. A respeito disso, o que as Recorrentes apresentam de concreto é a tentativa de demonstrar que determinados itens permaneceram por mais do que um mês em estoque, o que, de maneira alguma é capaz de infirmar dos dados apurados pelos Auditores responsáveis pelo procedimento. Item 05 Preocupação com planejamento tributário Tratase apenas de um aspecto de conduta identificado pela Fiscalização. Creio que o fato das autuadas demonstrarem ou não preocupação com o planejamento tributário não se constitui numa questão de relevo para o deslinde do vertente litígio. Item 06 Histórico de ocultação As Partes asseveram, neste tópico, que a Fiscalização e a decisão recorrida "enveredaram por matérias em litígio em outros processos administrativos ou totalmente estranhas ao objeto final desta autuação, abordando também matérias fora de sua competência". A contestação referese ao uso de informações extraídas no histórico da atuação dessas pessoas jurídicas em atividades de comércio exterior. Ainda que digam respeito a outros processos ou investigações, não há como negar que bem descrevem o modus operandi da organização e afastam também qualquer possibilidade de que o caso concreto tenha decorrido de simples engano. O histórico relatado nos autos é o seguinte, Le Sac 61 Histórico no RADAR: há 12 fichas de ocorrências registradas para o CNPJ da fiscalizada, dentre as quais se destaca a de número 10/00409993, registrada pela ALF/Itajaí, referente ao PAF nº 10909.004299/201081, da qual consta: “a empresa DAY BY DAY atuou como interposta pessoa nas operações de importação (...), ocultando o real comprador das mercadorias, a empresa LE SAC (nome fantasia: LE POSTICHE), pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007”; Le Sac 29 Fl. 23853DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 23 43 Histórico no RADAR: há 12 fichas de ocorrências registradas para o CNPJ da fiascalizada, dentre as quais se destaca a de número 10/00038715, registrada pela ALF/Itajaí, relativa ao PAF 10909.002601/201067, da qual consta: “Encerrado o procedimento especial, restou plenamente caracterizada a interposição fraudulenta da empresa DAY BY DAY COM DE COUROS E IMP LTDA., CNPJ 00.565.362/000120, nas operações de importação, visando à ocultação da empresa LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 61.777.009/000106 (nome fantasia: LE POSTICHE), real adquirente das mercadorias, que incorporou, em 29/07/2009, conforme instrumento de alteração contratual registrado na JUCESP em 11/08/2009, a empresa de mesma razão social LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., dona do CNPJ 29.026.689/0001 05, que consta nas etiquetas das mercadorias importadas.” Day By Day Histórico no RADAR: há 7 fichas de ocorrências registradas para o CNPJ da fiscalizada, dentre as quais se destacam: a de número 10/00409993, registrada pela ALF/Itajaí, referente ao PAF nº 10909.004299/201081, da qual consta: “a empresa DAY BY DAY atuou como interposta pessoa nas operações de importação (...), ocultando o real comprador das mercadorias, a empresa LE SAC (nome fantasia: LE POSTICHE), pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007”; e a de número 10/00038715, registrada pela ALF/Itajaí, relativa ao PAF 10909.002601/201067, da qual consta: “Encerrado o procedimento especial, restou plenamente caracterizada a interposição fraudulenta da empresa DAY BY DAY COM DE COUROS E IMP LTDA., CNPJ 00.565.362/000120, nas operações de importação, visando à ocultação da empresa LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., CNPJ 61.777.009/000106 (nome fantasia: LE POSTICHE), real adquirente das mercadorias, que incorporou, em 29/07/2009, conforme instrumento de alteração contratual registrado na JUCESP em 11/08/2009, a empresa de mesma razão social LE SAC COMERCIAL CENTER COUROS LTDA., dona do CNPJ 29.026.689/000105, que consta nas etiquetas das mercadorias importadas. Item 07 Quebra da cadeia do IPI Repetemse aqui as questões de natureza jurídica acerca da quebra da cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da regular constituição das empresas envolvidas e da ação fiscal admitida pela legislação tributária. Tratamse de questões já apreciadas anteriormente no vertente voto. Item 08 A Day By Day assumiu as funções da Le Sac 29 O fato está integrado a um quadro indiciário exposto pela Fiscalização Federal. Isoladamente, não há nada de errado com a decisão de constituir uma empresa autônoma para operar, nas palavras das Recorrentes, especificamente na importação logística e distribuição dos produtos da marca. Fl. 23854DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 44 O problema é o fato de a Day By Day autuar numa função que, do ponto de vista operacional, não tinha nenhuma utilidade. Apenas figurava como compradora das mercadorias da Le Sac 29 para, logo após, a ela revendêlas. Mais tarde, passou a declararse, ela própria, a adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem, dando sinais claros de que o processo orquestrado estava sendo ajustado para uma conformação menos suspeita. Item 09 e 12 Clientes da Day By Day em Itajaí e em Vitória do Espírito Santo Uma vez que nestes dois tópicos as Recorrentes estejam reconhecendo a informação obtida pelo Fisco de que as transações da filial da Day By Day em Itajaí e no Espírito Santo eram realizadas, na sua quase totalidade, com a Le Sac 29 e a Le Sac 61, creio que seja desnecessário adentrar com mais profundidade ao assunto. Tratase, como tantos outros, de mais um elemento indiciário no quadro constituído pelos Auditores com vistas a demonstração de que a função primordial da empresa era quebrar a cadeia do IPI. Item 10 Prazo médio de permanência em estoque da Day By Day O assunto já foi abordado em item anterior. Item 11 Margem de lucro da Day By Day inferior à da Le Sac Além de mencionar a inobservância por parte do Fisco de certos eventos próprios da atividade negocial, do tipo descontos concedidos, queima de estoques, prazo de pagamento, markup etc, a defesa procura demonstrar, principalmente, que as diferentes margens de lucro praticadas pelo varejo e pelo atacado são inerentes à atividade por elas desenvolvida. Em relação à evidência apontada pelo Fisco de que teria havido redução da base de cálculo do IPI, creio que os dados a seguir descritos, extraídos do Relatório Fiscal, são bastante eloquentes. Ao analisarmos todas as vendas de mercadorias da LE SAC29 à DAY BY DAY, por meio da conta “VENDA DE MERCADORIAS”, entre 01/01/2009 e 31/07/2009, chegamos a um total de R$ 18.434.845,03; Ao analisarmos todas as vendas de mercadorias da DAY BY DAY à LE SAC 29, por meio da conta “FORNECEDORES NACIONAIS”, entre 01/01/2009 e 31/07/2009, chegamos a um total de R$ 18.234.802,4117; Ou seja, o valor das mercadorias vendidas pela Le Sac à Day By Day foi, no período, inferior ao valor da venda subsequente, da Day by Day para a Le Sac. Item 13 Fluxo financeiro das empresas e transferências bancárias Consideram normal que exista um fluxo financeiro mais intenso em tratando de empresas com relação de interdependência e, ainda mais, lembram que o próprio Fisco reconheceu que não havia indícios de adiantamento de recursos. A disponibilidade patrimonial e financeira, segundo entendo, não constitui elemento de acusação nos autos. Embora a Fiscalização demonstre intenso fluxo de recursos financeiros em datas próximas a de liquidação dos contratos e câmbio, além da falta de comprovação do câmbio para uma quantidade expressiva de importações, as empresas Fl. 23855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.722061/201293 Acórdão n.º 3102002.316 S3C1T2 Fl. 24 45 interpostas, no caso concreto, tem capital social próprio e as apurações do Fisco não chegam a ser conclusivas acerca dos adiantamentos realizados. Item 14 Contratos de licenciamento É incontroverso nos autos a existência de um Contrato de Licenciamento com cláusulas que demonstram que a Le Sac 61 era quem decidia quais mercadorias seriam importadas e vendidas. As Recorrentes argumentam. Ocorre que, é comum aos contratos de licenciamento, que a Licenciadora da marca, por ser sua detentora, tenha o poder de decidir quais as mercadorias serão vendidas pelos seus licenciados. A meu sentir, tratase de uma consistente evidência, confirmada pelo próprio teor do argumento de defesa, de que a Le Sac 61 era a pessoa jurídica interessada na importação de mercadorias do exterior. As outras empresas atuaram por sua ordem na internalização destas. Conclusão Informa o Relatório que fundamentou o Auto de Infração, que no dia 11 de agosto de 2009, e empresa chamada nos autos de Le Sac 29 foi desativada e incorporada pela Le Sac 61. Também é dos autos a informação de que o fato imponível data de 13 de janeiro de 2009, anterior, portanto, à incorporação acima mencionada. A Fiscalização descreve nos autos, o que, aliás, é fato incontroverso, como as empresas operavam antes da incorporação. Ficará evidente, ao longo deste Relatório Fiscal, que, antes da incorporação da LE SAC29 pela LE SAC61, o fluxo das mercadorias era o seguinte, conforme ilustrado no gráfico abaixo: a LE SAC29 promovia as importações, revendia as mercadorias importadas à DAY BY DAY e recompravaas da própria DAY BY DAY. Assim, “desaparecia” a obrigação de recolher o IPI na primeira saída do mercado interno, já que esta saída não era dada com o preço real das mercadorias (a LE SAC29 vendia essas mercadorias à DAY BY DAY por um preço pequeno com incidência de IPI, recompravaas por preço similar e, somente depois, fazia as verdadeiras vendas no mercado interno, pelo preço real, muito mais alto do que aquele utilizado para a venda a DAY BY DAY e, desta vez, sem incidência de IPI). Há inúmeros elementos disponíveis na instrução do processo dando conta de que a Day By Day não tem uma função operacional própria. Não tem interesse na importação das mercadorias, nem na sua aquisição no mercado interno, não negocia com o exterior e não tem estrutura que garanta melhores condições à sua internalização. Pelo que todas as evidências demonstram, apenas figurou como elo na cadeia transacional para reduzir o valor do IPI devido. Mas o que mais chama a atenção e se aplica inteiramente ao caso em exame é a função excêntrica desempenhada pela empresa antes da incorporação da Le Sac 29 pelo Le Sac 61. Fl. 23856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 46 Sem que nenhuma explicação tenha sido dada para o fato, depreendese das informações carreadas aos autos que, no período da autuação, a Recorrente, sem nenhuma razão comercial, comprava e revendida as mercadorias à Le Sac 29, com inegável consequência sobre a base imponível do Imposto. Como já foi destacado ao longo deste voto, se por um lado há que se garantir a liberdade de escolha do particular pela opção que melhor atenda suas necessidades, é fato que cabe ao Estado prevenir o abuso de forma, o negócio atípico, sem efeito prático aparente e de conformação reconhecidamente lesiva ao interesse público, que não revela razões econômicas, financeiras, operacionais ou de qualquer outra natureza que justifiquem uma vantagem lícita na opção pelo caminho menos provável para obtenção de fins equivalentes. No caso concreto, o que se revela é uma operação simulada destinada única e exclusivamente à redução do valor do Imposto devido, conduta coibida pela legislação aplicada pela Fiscalização Federal. Com nessa premissa e um tudo o que foi examinado e exposto até aqui, VOTO pela rejeição das preliminares arguídas e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 12 de novembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 23857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
