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Numero do processo: 18336.000547/2003-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/06/1998
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 259, 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não serve, ademais, para reapreciação de provas.
Recurso Especial da Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 259, 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não serve, ademais, para reapreciação de provas. Recurso Especial da Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 05 47 /2 00 3- 30 Fl. 353DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 30134.547, da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/06/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA ACE27. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. POSSIBILIDADE – Não restando nos autos identificados documentalmente todos os elementos da triangulação comercial realizada, não há que se manter o benefício tarifário pretendido. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Insatisfeito com a decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · Por interesse vitais da economia do país, em razão do elevado volume das divisas necessárias para o pagamento do preço e as restrições cambiais por que passa o país, a importadora revende a mercadoria à empresa estrangeira de 3º país, sua subsidiária integral, e a recompra concomitantemente com maior prazo de pagamento, a qual conta com fontes alternativas de captação no exterior, a custos significativamente menores. São assim emitidos fatura e certificado do país de origem Fl. 354DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 347 3 contra a Petrobrás, fatura desta contra a intermediária e, ao final, dela contra a ora recorrente; · Apesar de reconhecer expressamente a origem da mercadoria como sendo de pais integrante da ALADI (Colômbia), negou o Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes o direito ao benefício tarifário pela ausência nos autos da fatura da segunda perna da triangulação (referente à venda da PETROBRAS para a BRASOIL sendo esta última empresa subsidiária integral da primeira). · Não obstante, nos documentos acostados aos autos deste processo a descrição da mercadoria importada é a mesma e as datas dos documentos correlacionamse perfeitamente, não restando nenhuma dúvida sobre a legalidade da operação de triangulação comercial acobertada pela documentação apresentada fiscalização. Ou seja, in casu, privilegiouse a forma em detrimento da verdade material; · Verificase como essencial para a fruição dos benefícios tarifários negociados no âmbito da ALADI a origem das mercadorias; · Com efeito, na DI, em ambas as faturas (ECOPETROL e BRASOIL), no BL e no Certificado de Origem, a descrição das mercadorias é a mesma, podendo ser verificado de plano a origem colombiana dos produtos importados. Em Despacho às fls. 317 a 318, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional que, trouxe, entre outros: · As normas que disciplinam a Certificação de Origem estabelecem a forma solene para o documento que atesta a origem da mercadoria pactuada, desse modo é imperioso concluir que o documento contém elementos que estão adstritos à mercadoria pactuada como a indicação da fatura comercial que acoberta exatamente a mercadoria certificada, e deverão ser observadas pelos países Fl. 355DF CARF MF 4 signatários, dada a imprescindibilidade destes para ratificar a origem da mercadoria objeto do benefício tarifário; · A indicação do número da fatura comercial no certificado de origem não constitui mera formalidade. O vínculo necessário entre a fatura comercial que ampara a partida de mercadoria pactuada e o certificado de origem, centrase na segurança jurídica visada pelo acordo junto às Partes signatárias, ao estabelecer uma redução tarifária em função da origem da mercadoria. A Fatura Comercial, documento imprescindível ao despacho de importação no caso em tela, espelha o próprio objeto do acordo, de modo que a divergência documental apontada, longe de ser mera formalidade, constituise em instrumento de relevância inegável para a perda da redução tarifária. · De modo que, dada a importância do documento em análise, como instrumento de certificação de origem de mercadoria objeto de acordo de redução tarifária entre países signatários, inferese que a ausência de qualquer dos requisitos exigidos descaracteriza o certificado e invalida o tratamento preferencial pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o tratamento normal, previsto para as importações de terceiros países. · Considerando que o Tratado de Montevidéu, de 12 de agosto de 1980, criou a Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), e sendo o Brasil paísmembro da citada associação, assinou o Regime Geral de Origem, através da Resolução 78 do Comitê de Representantes (Decreto nº 98.874/1990), cuja REGULAMENTAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES REFERENTES À CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM operouse através do Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836, de 17/01/1990, que trata de sua execução em nível nacional. O que, por conseguinte, entende a Fazenda Nacional ser cabível a exigência de II, haja vista que o produto foi importado de um terceiro país, estranho ao Acordo – que implicou perda do benefício de redução do imposto. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 348 5 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido, vez que, além de tempestivo, foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015. Ora, traz o acórdão recorrido que: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA ACE27. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. POSSIBILIDADE Não restando nos autos identificados documentalmente todos os elementos da triangulação comercial realizada, não há que se manter o benefício tarifário pretendido. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Nos termos do voto constante do acórdão recorrido, o alegado dissenso diz respeito à divergência entre a fatura informada no Certificado de Origem e no despacho aduaneiro, como razão a impedir o gozo do benefício da preferência tarifária. Enquanto nos arestos indicados como paradigmas acórdãos CSRF/0305.100 e CSRF/0305.158, vêse que pelas ementas: “CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERÊNCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela é comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento Fl. 357DF CARF MF 6 de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9º do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78).” O que resta esclarecer que acórdão indicado como paradigma apresentado comprova a divergência, vez que as decisões confrontadas trataram de exigências do II decorrentes do entendimento da fiscalização de que o país exportador das mercadorias foi, de fato, as Ilhas Cayman, país não signatário da ALADI, o que impediria para a autoridade fazendária ao importador usufruir o benefício da redução de alíquota. Tal conclusão teve como fundamento as divergências entre informações que constavam das faturas comerciais apresentadas quando do desembaraço aduaneiro e os certificados de origem informados nas Declarações de Importação. As operações de triangulação comercial tratadas nos arestos ocorreram de forma muito semelhante produto importado foi procedente de empresa situada em país membro da ALADI (PDVSA Petróleo e Gás S/A, situada na Venezuela); foi embarcado diretamente para o Brasil, segundo conhecimentos de embarque, mas as faturas que instruíram os despachos aduaneiros foram emitidas por empresa situada nas Ilhas Cayman (PIFCO). Dessa forma, vêse claro a divergência jurisprudencial, eis que no acórdão recorrido a Câmara decidiu pela impossibilidade de utilização do benefício em decorrência da falta de vinculação entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentada na DI, concluindo que a exportação teria como origem, de fato, país não signatário do ALADI. E, no acórdão paradigma, o Colegiado decidiu pela manutenção do benefício ao importador diante da mesma divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial. Ademais, a Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90 – que trouxe a operação da triangulação Fl. 358DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 349 7 ora discutida surgiu antes da Resolução ALADI 232 – o que entendo que não cabe a argumentação de que à época não havia norma tratando da operação em comento. Em vista de todo o exposto, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a análise do cerne da discussão – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Colômbia, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste razão o sujeito passivo. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben Fl. 359DF CARF MF 8 haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e Fl. 360DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 350 9 (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Colômbia para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Colômbia, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Colômbia e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias Fl. 361DF CARF MF 10 originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Colômbia. E a carga veio diretamente Fl. 362DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 351 11 para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias – há que se aplicar a redução tarifária no momento da importação para se deferir o pedido de restituição do indébito tributário. É de se trazer que a correspondência das mercadorias é nítida, considerando o Certificado de Origem, cartões de embarque e faturas acostadas – o que não resta dúvida da origem das mercadorias. Eis que na DI, em ambas as faturas – ECOPETROL e BRASOIL – a descrição das mercadorias é idêntica. Fl. 363DF CARF MF 12 E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita Fl. 364DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 352 13 aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 365DF CARF MF 14 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na Fl. 366DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 353 15 ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL Fl. 367DF CARF MF 16 PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Fl. 368DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 354 17 Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual Fl. 369DF CARF MF 18 somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial não é de ser conhecido. O voto condutor do acórdão recorrido não deixa dúvida quanto a sua razão de decidir: o fato de que, ante os documentos acostados aos autos, não foi possível constatar a operação triangular de que fala a contribuinte. Confirase: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 18336.000547/200330 Acórdão n.º 9303004.997 CSRFT3 Fl. 355 19 (...) O acórdão paradigma, contudo, entendeu que: A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9º do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). É evidente, não há similitude fática entre os acórdão recorrido e paradigma, Ademais, o recurso especial não se presta para revisitar provas, senão que para dirimir divergências de interpretação da legislação tributária. Ante o exposto, não conheço do recurso especial interposto pela contribuinte. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720299/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012
IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS E COFINS. Inexiste previsão normativa para exclusão do ICMS e PIS e COFINS da base de cálculo do IPI. Direito creditório afirmado que não encontra fundamento normativo.
IMPOSTO LANÇADO E NÃO RECOLHIDO. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A falta de recolhimento do imposto lançado impõe a exigência da multa de ofício sobre o valor que deixou de ser recolhido, nos termos do art. 80, caput, da Lei nº4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07.
MULTA MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Se o dispositivo legal no qual se funda a duplicação da exigência da penalidade determina a sua aplicação quando ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante ou restar caracterizada a prática de sonegação, fraude e/ou conluio, e o ato infracional praticado pelo contribuinte não se amolda ao conceito definido no dispositivo legal, é de ser revisto o lançamento para reduzir a multa a ser exigida.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Conforme a Súmula 430 do STJ, O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente
Numero da decisão: 3301-005.696
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento para o recurso de ofício e dar provimento parcial aos recursos voluntários, para afastar a responsabilidade solidária dos sócios.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS E COFINS. Inexiste previsão normativa para exclusão do ICMS e PIS e COFINS da base de cálculo do IPI. Direito creditório afirmado que não encontra fundamento normativo. IMPOSTO LANÇADO E NÃO RECOLHIDO. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A falta de recolhimento do imposto lançado impõe a exigência da multa de ofício sobre o valor que deixou de ser recolhido, nos termos do art. 80, caput, da Lei nº4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07. MULTA MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Se o dispositivo legal no qual se funda a duplicação da exigência da penalidade determina a sua aplicação quando ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante ou restar caracterizada a prática de sonegação, fraude e/ou conluio, e o ato infracional praticado pelo contribuinte não se amolda ao conceito definido no dispositivo legal, é de ser revisto o lançamento para reduzir a multa a ser exigida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme a Súmula 430 do STJ, O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio gerente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 99 /2 01 6- 21 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 503 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento para o recurso de ofício e dar provimento parcial aos recursos voluntários, para afastar a responsabilidade solidária dos sócios. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1057.922 3ª Turma da DRJ/POA (fls 420/438): Tratase de impugnação ao auto de infração das fls. 325/328, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória (ES) para a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de multa de ofício e juros de mora, importando o crédito tributário no montante de R$ 10.599.745,10 à data da autuação. Segundo consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, o estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher o IPI em decorrência da escrituração e utilização de créditos indevidos de ICMS, PIS e COFINS excluídos da base de cálculo do imposto. O relato da infração pelo Auditor no Termo de Verificação de Infração de fls. 309/323, parte integrante do Auto de Infração, pode ser assim resumido: 3. INFRAÇÕES APURADAS 3.1 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IPI O contribuinte, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, apresentou planilhas comparativas RAIPI X DCTF, informando a existência de uma coluna “outros créditos IPI”. Nos arquivos “Registros Fiscais IPI 01 a 12/2012”, o mesmo informa que “outros créditos” referem se a “Crédito não aproveitado em período próprio”, sem informar em qualquer campo a origem de tais créditos. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 504 3 O contribuinte apresenta, em suas respostas a outras intimações, “Relatório de exclusão do PIS/COFINS da base de cálculo do IPI” e “Relatório de exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI”. Consideramos as informações apresentadas, verificamos que não existe base legal para exclusão de PIS/COFINS e ICMS da base de cálculo do IPI, não tendo o contribuinte apresentado decisão judicial permitindo a exclusão de tais valores, portanto tais deduções serão glosadas. Diante do exposto, apresentamos abaixo a tabela de diferenças de IPI a recolher: (...)O enquadramento legal da infração consta da fl. 329 e o dos juros de mora e da multa de ofício majorada no percentual de 150%, no respectivo demonstrativo à fl. 333. Por entender terem agido com intuito doloso para se eximir do recolhimento tributário cabível de IPI, utilizando créditos de ICMS, PIS e COFINS, não previstos na legislação tributária aplicável, sem tampouco apresentar ações judiciais impetradas, a fiscalização arrolou como responsáveis tributários solidários os sócios da fiscalizada: VAGNER FREDERICO, CPF 012.858.76873 e VALDIR SILVIO PIZANI, CPF 695.481.378 87. Por considerar que houve, em tese, crime contra a ordem tributária como definido no artigo 1º da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo nº 15586.720314/201631, a este apensado. Cientificado do auto de infração em 27/06/2016 (AR da fl. 347), apresentou o contribuinte, em 26/07/2016 (fl. 397), a impugnação de fls. 357/388, firmada por seu procurador habilitado nos autos, cujas razões são sintetizadas na sequência. Preliminarmente, alega: 1) que há imprecisão na identificação do ilícito praticado, pois no Termo de Verificação Fiscal “já se verifica que não foram citados quais leis e respectivo artigo que não foram seguidos pela impugnante” em prejuízo ao seu direito de ampla defesa garantido constitucionalmente e na legislação infraconstitucional, o que leva a nulidade do auto de infração; 2) que o lançamento foi feito presumindo que a impugnante praticou o suposto ilícito fiscal, pois o valor tributável foi fixado com base em demonstrativo sem qualquer tipo de detalhamento ou fundamentação, sem a “quantificação do crédito supostamente apropriado de forma indevida”, carecendo assim de prova cabal da insuficiência do pagamento do IPI e da quantificação do suposto débito, razão pela qual não deve prosperar. Quanto ao mérito: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 505 4 1) desenvolve extenso arrazoado acerca da exclusão do ICMS, do PIS e da COFINS da Base de Cálculo do IPI, conforme a seguir: 1.1) a base de cálculo do IPI é o valor da operação consubstanciado no preço da operação de saída da mercadoria do estabelecimento, que, “nos termos normativos, não pode incorporar o montante correspondente a outros tributos.”; 1.2) o art. 47 do CTN define como base de calculo do IPI o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, o qual deve ser extraído do contrato de compra e venda, no qual se estabelece o preço fixado entre as partes; 1.3) daí é que se pode concluir que o ICMS, o PIS e a COFINS não podem compor a base de cálculo do IPI, sendo, manifestamente inconstitucional a sua inclusão na base de cálculo do referido tributo; 1.4) “admitir que o ICMS e as referidas contribuições componham a base de cálculo do IPI é alargar indevidamente a hipótese constitucional e legal de tal imposto, incorporando montante estranho à operação com produtos industrializados, em manifesta violação ao art. 47 do Código Tributário Nacional.”; Processo 15586.720299/201621 Acórdão n.º 1057.922 DRJ/POA Fls. 5 5 1.5) fortalece sua tese reproduzindo doutrina e jurisprudência; 1.6) conclui, sobre o tema, que, “Sendo evidente a impossibilidade de os valores devidos de ICMS, PIS e COFINS comporem a base de cálculo do IPI, o que foi pago a tal título corresponde ao crédito que poderá ser aproveitado pela IMPUGNANTE, donde não pode prosperar o lançamento do tributo ora impugnado.”; 2) manifesta seu entendimento no sentido de “descabimento da multa de ofício (punitiva) na cobrança do tributo declarado ao fisco pela impugnante sob o regime do lançamento por homologação”, nos seguintes pontos: 2.1) “se todas as informações fiscais do contribuinte são por este fornecidos ao Fisco, tal como no presente caso, ele não pode ser penalizado com esse tipo de multa”; 2.2) “as multas de ofício apenas devem ser aplicadas diante do lançamento de ofício, definido pelo art. 142 do CTN, isto é, do lançamento tributário realizado pela autoridade fiscal competente, desde o seu início, sem qualquer intervenção por parte do contribuinte”; 2.3) “cabe o lançamento de ofício, com a cominação das multas penais correlatas, SOMENTE quando haja comportamento omissivo ou comissivo do contribuinte, em prejuízo da Fazenda Pública, o que não se verifica em relação à IMPUGNANTE...”; 2.4) “a autoridade autuante lavrou o AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado com esteio nas informações fiscais declaradas pela própria IMPUGNANTE”; 2.5) “Com efeito, a obrigação tributária foi declarada a autoridade fiscal, sem qualquer omissão, e esta, exatamente com base nessas declarações da Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 506 5 IMPUGNANTE, teve condições de apurar o SUPOSTO tributo a pagar.”; 2.6) reproduz jurisprudência administrativa e judicial que entende favoráveis à sua tese; 2.7) conclui que “Assim sendo, deve ser afastada a aplicação da multa de oficio à IMPUGNANTE, que, cumprindo obrigação tributária acessória, desincumbiuse de seus deveres instrumentais para com a administração tributária, tudo em homenagem aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.”; 3) aduz que o fisco quer fazer crer que a impugnante praticou ato simulado com fins sonegar tributo para justificar a multa agravada, refutando tal pretensão pelos seguintes motivos: 3.1) “ao que parece, o Sr. Agente Fiscal possui conceito equivocado de “simulação”...”, pois, à luz da doutrina que invoca, tal conceito “envolve sempre uma realidade fática destoante da realidade jurídica, o que não acontece do presente caso.” (sic); 3.2) “Conforme se vê da narrativa fiscal constante do próprio Termo de Verificação de Infração, a IMPUGNANTE, durante o procedimento fiscalizatório, prestou todos os esclarecimentos a respeito de supostas diferenças, bem como apresentou, às autoridades, todos os documentos que lhe foram solicitados, tais como memórias de cálculo, contratos, demonstrativos analíticos, relatórios, Livros e registros contábeis, tudo no afã de Processo 15586.720299/201621 Acórdão n.º 1057.922 DRJ/POA Fls. 6 6 esclarecer o fiel cumprimento de suas obrigações tributárias.”, o que “indica que não houve, por parte da IMPUGNANTE qualquer omissão de sua parte em atender às solicitações fiscais, tampouco tentativa em esconder, simular, fraudar ou agir em conluio com vistas a prejudicar quem quer que seja.”; 3.3) transcreve jurisprudência administrativa que diz sustentar seu entendimento; 3.4) em relação a este tópico conclui: “Assim, também não se pode, de qualquer forma, prevalecer qualquer alegação ou insinuação de que a Impugnante praticou simulação de ato, que possa justificar o lançamento da multa qualificada.”; 4) contesta o agravamento da multa pelos seguintes argumentos: 4.1) a sonegação, a fraude e o conluio tem como pressuposto em comum a existência de dolo, não podendo a presença deste elemento imprescindível ser identificada através de presunção, mas através de prova; 4.2) “Na essência, o que se pretende com as praticas que foram realizadas pela Receita Federal, é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção Jurídica, Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 507 6 contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário.” 4.3) reproduz jurisprudência administrativa que entende corroborar seus argumentos; 4.4) traz à baila o art. 112 do Código Tributário Nacional, acrescentando que “punir contribuintes com multas qualificadas, com lastro em juízo discricionário da fiscalização, é verdadeiro atentado a ordem jurídica, aos princípios da proteção da confiança, da razoabilidade, da proporcionalidade, da proibição de excesso, da boafé, da presunção da inocência e, acima de tudo, da justiça.”; 4.5) a respeito, reproduz julgados do Superior Tribunal de Justiça; 4.6) arremata afirmando “que é impossível manter a multa agravada tratada no auto de infração...”; 5) invoca uma interpretação mais benéfica da norma dizendo que: 5.1) a fiscalização chegou as suas conclusões valendose “de premissas errôneas em total detrimento a Impugnante.”; 5.2) “Ou seja, o Sr. Agente Fiscal fez presunções fiscais mais danosas a Impugnante, desprezando o uso do principio do "In dúbio pro contribuinte".” “Ocorre que essa prática do Sr. Agente Fiscal é atentatória ao citado princípio(estampado no artigo 112 do CTN), pelo qual a interpretação deve ser mais favorável (menos gravosa) ao contribuinte.”; 5.3) “Para demonstrar que o princípio estampado no artigo 112 do CTN é regra comezinha e de aplicação obrigatória, se reproduz ementa de julgado do STJ, que impõe o uso dessa regra quando a norma é de dúbia interpretação, caso do processo presente.”; Processo 15586.720299/201621 Acórdão n.º 10 57.922 DRJ/POA Fls. 7 7 5.4) “... claro está que o Auto de Infração também padece de outro vício, qual seja, de não preservar a regra que impõe a interpretação mais benéfica ao contribuinte.” 6) pugna pelo não seguimento da representação para fins penais, dada a “total inexistência de materialidade delitiva, isso sob o argumento de descabimento da discussão nesta fase administrativa.” 7) discorre sobre a inconstitucionalidade decorrente do evidente caráter confiscatório da multa: 7.1) “Com efeito, não se pode deixar de considerar a natureza confiscatória da multa aplicada, que, por sancionar de maneira violenta o contribuinte, representa verdadeira expropriação de seu patrimônio.”; Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 508 7 7.2) “Não é vã, ainda, a regra constitucional que estabelece a vedação da utilização de tributo com efeito confiscatório.”; 7.3) “Parecenos desnecessária a demonstração de que tal sanção atenta contra o direito de propriedade, configurandose em verdadeiro confisco. Violase o direito individual que é principio constitucional garantidor da ordem econômica, na qual se insere a atividade dos contribuintes que ela visa atingir.”; 7.4) “Se o que se visa com a proibição de instituirse tributos com efeito confiscatório é a proteção ao direito de propriedade, a fim de que não se atente contra o principio da capacidade contributiva e se retire do poder de tributar sua capacidade destrutiva, entendese que o mesmo raciocínio justifica a vedação de multas com efeito confiscatório.”; 7.5) “A permanência de tais multas no ordenamento jurídico é a negação ao principio constitucional da garantia ao direito de propriedade e o alargamento do poder destrutivo da tributação, por vias oblíquas, já que a multa de que se trata originase do descumprimento de obrigação tributária acessória.”; 7.6) “Assim, é inegável, no caso a existência de uma multa desproporcional, a qual será, fatalmente, reconhecido o caráter confiscatório, razão pela qual, caso se entenda cabível a aplicação de multa de ofício, ela deve ser reduzida para 10%.”. Requer, ao final, seja julgado improcedente, in totum, o auto de infração, cancelando o crédito tributário lançado ou, diante do princípio da eventualidade, a redução da multa de ofício ao patamar de 10%, bem como provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial, apresentação de documentos complementares. O responsável tributário Vagner Frederico foi cientificado do auto de infração em 28/06/2016 (AR à fl. 348) e o responsável tributário Valdir Silvio Pizani foi cientificado, na pessoa do seu procurador, em 06/07/2016 (fl. 351). Ambos, por seu advogado devidamente habilitado, apresentam a impugnação das fls. 399/409, pelas razões expendidas na sequência: Alegase a ilegitimidade passiva dos sócios baseada nos seguintes aspectos: Processo 15586.720299/201621 Acórdão n.º 1057.922 DRJ/POA Fls. 8 8 1) de acordo com os dispositivos do CTN citados no auto de infração, “a primeira questão que merece realce é a ausência de indicação, no relatório do Auto de Infração, da motivação para eleição dos coobrigados.”; 2) “Isto porque a condição de coobrigado pelo crédito tributário atribuída ao sóciogerente, diretor ou administrador requer, no mínimo, o detalhamento, pelo agente fiscal, das razões para tal atribuição e da correspondente capitulação legal.”; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 509 8 3) “Neste caso, por falta de indicação do substrato fático e jurídico, bem como de provas, devem os coobrigados serem excluídos do polo passivo da obrigação tributária.”; 4) “Ademais, cumpre salientar que os Impugnantes não tem legitimidade passiva para responder ao presente auto de Infração, pois quem vem sendo autuado é a sociedade, a qual, por ter personalidade própria, não se confunde com as pessoas físicas daqueles.”; 5) “Neste sentido, a lei não autoriza que o sócio ou diretor da empresa responda em processos administrativos e judiciais que é dirigida a sociedade, isso porque o ordenamento jurídico positivo de nosso pais consagra o principio da separação entre sociedade e sócios, exceto nos casos previstos no artigo 50 do Código Civil: (...)”;6) transcreve jurisprudência judicial, afirmando que “Dos julgados acima, depreendese que o simples fato da empresa ficar inadimplente no pagamento de suas obrigações não autoriza que tal encargo seja transferido para os sócios ou diretores; isso porque aquela tem a responsabilidade direta em honrar seus compromissos, mesmo porque está em pleno funcionamento.”; 7) “Logo, uma das mais relevantes implicações do princípio da separação patrimonial das pessoas jurídicas, estampado no artigo 50 do Código Civil Brasileiro, é a injuricidade de se imputar ao sócio da sociedade, obrigações desta última, em razão de sua natureza de pessoa jurídica.”; 8) “Outrossim, por amor à argumentação, a única possibilidade de penetração na personalidade jurídica surge quando são verificados abusos que autorizam a sua desconsideração, para atingir o sócio como pessoa física, conforme letra do art. 50 do Código Civil, já citado em linhas anteriores.” “No entanto, como será demonstrado a seguir, esse não é o caso da presente.”; 9) discorre sobre a aplicação da Disregard Doctrine, aduzindo que “Ocorre que, para a utilização desse instituto é necessário muito mais do que a simples inclusão do sócio no pólo passivo do processo administrativo ou judicial; hão que estar presentes os pressupostos que demonstrem as circunstâncias que provocam a incompatibilidade entre o ordenamento jurídico e o resultado que se atingiria, no caso concreto, através da utilização da pessoa jurídica.” “È necessário, na realidade, a comprovação de que o sócio, de forma contrária aos objetivos da sociedade, utilizoua abusivamente lesando terceiro e com o objetivo de burlar a lei.” “A Disregard Doctrine, assim, procura sancionar o desvio de função da pessoa jurídica, quer tal desvio seja qualificado como abusivo de direito, quer ele se choque com os princípios consagrados pelo ordenamento jurídico, desvio este que pode ocorrer no estrito desempenho da atividade empresarial, conforme os estatutos ou atos constitutivos.” “Frisese que o pressuposto Processo 15586.720299/201621 Acórdão n.º 10 57.922 DRJ/POA Fls. 9 9 incontornável da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica é a manipulação fraudulenta ou abusiva da autonomia patrimonial.” “Nesse Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 510 9 sentido, a teoria da desconsideração da pessoa jurídica não deve ser utilizada de forma irracional, porque há pressupostos que delimitam sua aplicação, como já bem observado no disposto do art. 50 do código Civil.”; 10) transcreve jurisprudência “quanto à indispensabilidade da fraude na manipulação da pessoa jurídica, como pressuposto para aplicação do art. 50 do Código Civil, a superação do principio da autonomia patrimonial.”; 11) “Com isso. verificase que não pode apenas o agente fiscalizador inserir no pólo passivo da presente autuação os sócios da sociedade, ora Impugnantes, como se os mesmos se confundisses com a pessoa jurídica, a qual tem personalidade própria. Sendo uma afronta ao artigo 50 do código civil, bem como aos incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição.”; 12) “De mais a mais, o Superior Tribunal de Justiça também já pacificou o entendimento segundo o qual o mero inadimplemento do crédito tributário por pessoa jurídica não corresponde, por si só a um ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei e, sendo assim, não implica, por si só, em responsabilização dos seus dirigentes, sendo necessária, para tanto, a especifica e efetiva CARACTERIZAÇÃO de fraude ou excesso de poderes a que alude o citado artigo 135, III do CTN, o que, como já se disse, não restou sequer COMPROVADO no presente caso.”; 13) conclui que “Pelos motivos acima, e principalmente por serem os coobrigados apenas sócios da empresa autuada, aqueles não tem legitimidade para responder ao presente Auto de Infração, ...”. Finalizase pedindo que a defesa seja recebida para que o auto do infração seja julgado totalmente improcedente, determinandose, por conseguinte, a exclusão dos sócios impugnantes do polo passivo. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS E COFINS. Inexiste previsão normativa para exclusão do ICMS e PIS e COFINS da base de cálculo do IPI. Direito creditório afirmado que não encontra fundamento normativo. IMPOSTO LANÇADO E NÃO RECOLHIDO. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A falta de recolhimento do imposto lançado impõe a exigência da multa de ofício sobre o valor que deixou de ser recolhido. MULTA MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 511 10 Se o dispositivo legal no qual se funda a duplicação da exigência da penalidade determina a sua aplicação quando ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante ou restar caracterizada a prática de sonegação, fraude e/ou conluio, e o ato infracional praticado pelo contribuinte não se amolda ao conceito definido no dispositivo legal, é de ser revisto o lançamento para reduzir a multa a ser exigida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As alegações de ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS E DOCUMENTOS. Indeferemse os pedidos de apresentação de provas e documentos posteriormente à impugnação, em face dos dispositivos legais em vigor e quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SOLIDARIEDADE DE DIREITO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. Em sede de Recurso Voluntário da Tec Imports (fls. 450/477) e no Recurso Voluntário dos Sr. Vagner Frederico e Sr. Valdir Pizani, as Recorrente reiteram os argumentos de impugnação. Houve também Recurso de Ofício, porque o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), de acordo com o caput do art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Os Recursos Voluntários e de Ofício são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 512 11 Cumpre anotar que matéria bastante similar, em relação à mesma contribuinte, já foi objeto de manifestação deste CARF, sob a relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Transcrevemos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010 IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS E COFINS. Inexiste previsão normativa para exclusão do ICMS e PIS e COFINS da base de cálculo do IPI. Direito creditório afirmado que não encontra fundamento normativo. IMPOSTO LANÇADO E NÃO RECOLHIDO. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A falta de recolhimento do imposto lançado impõe a exigência da multa de ofício sobre o valor que deixou de ser recolhido, nos termos do art. 80, caput, da Lei nº4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07. Preliminarmente, alega a Tec Imports que houve imprecisão na identificação do ilícito praticado. Assevera que o Fiscal afirmou que foi descumprida a legislação do IPI; contudo, não citou quais leis e respectivos artigos. Contudo, a autuação é bastante clara, transcrevemos excerto do Termo de Verificação Fical (fl. 313/314): 3.1 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IPI O contribuinte, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, apresentou planilhas comparativas RAIPI X DCTF, informando a existência de uma coluna “outros créditos IPI”. Nos arquivos “Registros Fiscais IPI 01 a 12/2012”, o mesmo informa que “outros créditos” referemse a “Crédito não aproveitado em período próprio”, sem informar em qualquer campo a origem de tais créditos. O contribuinte apresenta, em suas respostas a outras intimações, “Relatório de exclusão do PIS/COFINS da base de cálculo do IPI” e “Relatório de exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI”. Consideramos as informações apresentadas, verificamos que não existe base legal para exclusão de PIS/COFINS e ICMS da base de cálculo do IPI, não tendo o contribuinte apresentado decisão judicial permitindo a exclusão de tais valores, portanto tais deduções serão glosadas. Diante do exposto, apresentamos abaixo a tabela de diferenças de IPI a recolher Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 513 12 Os fundamentos da autuação estão ainda cristalinos no Auto de Infração Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Imposto sobre Produtos Industrializados (fls. 329/330), vejamos: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 514 13 Portanto, a razão não assiste à Recorrente neste ponto. Ainda como preliminar, sustenta a Tec Imports que o Fiscal apresentou um quadro demonstrativo sem qualquer tipo de detalhamento ou fundamentação, presumindo que a Recorrente praticou o suposto ilícito fiscal e conclui que: inexiste no Auto de infração a prova cabal de existência da insuficiência do pagamento do IPI, e, pior, da quantificação do SUPOSTO DÉBITO, não há como prosperar a autuação ora impugnada. Contudo, não se sustenta também essa preliminar da Recorrente, o Auto de Infração é bastante claro e preciso, o que se pode extrair do excerto abaixo (fl. 314): Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 515 14 Quanto ao mérito, depreendese dos autos que a Tec Imports destacou o IPI nas notas fiscais de saída, escriturou os referidos débitos no RAIPI e apurou saldo devedor do IPI nos períodos de apuração em análise, que , todavia não foram constituídos, pois alega que direito decorrente da exclusão da base de cálculo do IPI, dos valores referentes ao ICMS, ao PIS e à Cofins. Não assiste razão à Tec Imports, pois a inclusão do ICMS, cujo cálculo é “por dentro”, compõe a base de cálculo do IPI, por disposição expressa do DecretoLei nº 406, de 1968, art. 2º , § 7º. Com relação à inclusão do PIS e da Cofins na base de cálculo do IPI, não há previsão de que referidas contribuições não componham a base de cálculo do IPI, pois incidem sobre o faturamento. Ademais, não há qualquer demonstrativo de cálculos para que se demonstrasse como a Recorrente apurou esses créditos. No que tange à multa de ofício, veiculada no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07, é aplicável na hipótese de falta de recolhimento do imposto, de maneira que, não reconhecido o direito creditório e apurado saldo devedor de IPI, incide a penalidade. Cumpre destacar que as questões pertinentes a inconstitucionalidades abordadas no presente processo esbarram na Súmula n. 2, que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Em face do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário da Tec Imports. Os Sr. Vagner Frederico e Sr. Valdir Pizani alegam ilegimidade passiva dos sócios e, neste ponto, entendemos que lhes assiste razão com fulcro na Súmula 430 do STJ, juntada no Recurso Voluntário: Súmula no. 430 do STJ N. 430. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente Em relação ao Recurso de Ofício, propomos negar provimento e manter a decisão recorrida por seus próprios fundamentos, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e do § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF). Transcrevemos esse trecho da decisão a quo: Da aplicação da multa de ofício e de sua majoração A propósito da multa de ofício, cuja exigência é questionada pelo contribuinte sob o argumento de que a obrigação tributária fora declarada ao fisco, cumpre esclarecer que a aplicação de multa de ofício (regulamentar, majorada ou agravada) está devidamente fundamentada na legislação tributária, qual seja, art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 516 15 (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (grifei) Notese que o dispositivo legal comina a penalidade, tanto para a falta de lançamento do imposto na nota fiscal quanto para a falta de recolhimento do imposto lançado. No presente caso o contribuinte, embora tenha lançado o imposto, deixou de recolhê lo por utilizarse de créditos indevidos. Correta, portanto, a exigência da multa de ofício. Entretanto, os arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim rezam: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Partindose dos conceitos acima tenho por procedente a reclamação do contribuinte contra a aplicação da multa de 150%. O que se depreende dos fatos apurados e dos documentos constantes do processo é que o contribuinte destacou corretamente o imposto nas notas fiscais de saída e o registrou, também corretamente, nos livros fiscais. Não há contestação desse fato pela fiscalização. A delimitação do conceito de sonegação tal qual expresso no dispositivo legal conduz ao comportamento do infrator caracterizado pelo esforço deliberado no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca do acontecimento do fato jurídico (isto é, da ocorrência do Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 517 16 fato gerador), ou, ainda, dos traços peculiares à identificação daquele evento (natureza ou circunstancias materiais), tudo dirigido ao escopo de não pagar a quantia devida a título de imposto. Por sua vez, a fraude revela a intenção do agente em impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou excluir e modificar suas características essenciais, igualmente buscando reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. O conluio pressupõe a participação de terceiro visando os efeitos anteriormente referidos. Entendo que tais condutas não ocorreram no presente caso. Houve, sim, a prática da infração de não recolhimento do imposto lançado nas notas fiscais de saída, em virtude da apropriação de créditos indevidos. Isso não retardou ou impediu o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto. Também tal fato não caracteriza a intenção do infrator de impedir ou retardar, ou ainda modificar as características do fato gerador. Tampouco se tem noticia de participação de terceiro buscando os referidos efeitos. O que se afigura é que o imposto destacado e pago pelo adquirente do produto não foi declarado e nem recolhido ao Tesouro Nacional, ensejando, por conseqüência, o lançamento de ofício mediante auto de infração. E quanto à ocorrência de reincidência específica ou de mais de uma circunstância agravante, também incluídas no inciso II do § 6º do art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, nada mencionou o fiscal autuante. À vista do exposto acima, entendo que a multa de ofício cabível é aquela estabelecida no art. 80, caput, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007, ou seja, 75%. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial aos Recursos Voluntários, para afastar a responsabilidade solidária dos sócios. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.720299/201621 Acórdão n.º 3301005.696 S3C3T1 Fl. 518 17 Fl. 518DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.001287/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância aos princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCERTEZA QUANTO À EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa compensação declarada pelo contribuinte, quando houver incerteza sobre a existência do direito ao crédito.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCERTEZA QUANTO À EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa compensação declarada pelo contribuinte, quando houver incerteza sobre a existência do direito ao crédito.
Numero da decisão: 1301-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de alterar o período em que se formou o crédito, por erro de preenchimento na Dcomp apresentada originalmente, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez, certeza e disponibilidade do mesmo. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Júnior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ERRO PREENCHIMENTO. PERÍODO DIVERSO DO QUE FOI INFORMADO Recorrente ORGANIZAÇÃO ANGELO CARDOSO CONTABILIDADE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância aos princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCERTEZA QUANTO À EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação declarada pelo contribuinte, quando houver incerteza sobre a existência do direito ao crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INCERTEZA QUANTO À EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação declarada pelo contribuinte, quando houver incerteza sobre a existência do direito ao crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 12 87 /2 00 3- 13 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 522 2 de alterar o período em que se formou o crédito, por erro de preenchimento na Dcomp apresentada originalmente, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez, certeza e disponibilidade do mesmo. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1222.718, proferido pela 7ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, protocolada em 15/05/2003, na qual a interessada pretende compensar débitos com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e saldo negativo de CSLL dos anoscalendário de 2001 e 2002. Posteriormente, apresentou diversas outras DCOMP pela Internet, fls. 49/353, vinculadas ao presente processo. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 523 3 Em 21/07/2008, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DRF/Nova Iguaçu, fl. 372, com base no Parecer, fls. 368/372, reconhecendo a homologação tácita da DCOMP de fls. 01, e não homologando as demais compensações. O não reconhecimento do direito creditório teve como motivo as seguintes constatações: 1) Os valores informados neste processo, a título de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2001 não coincidem com os valores informados na DIPJ/2002. 2) Nas DCOMP apresentadas posteriormente, a despeito de estarem vinculadas a este processo, o crédito informado se refere a outros períodos. 3) Diante das inconsistências verificadas, não há a certeza e liquidez do crédito, cabendo o indeferimento do pedido de restituição, e não homologação das compensações. A interessada tomou ciência da decisão em 31/07/2008 (AR fls. 374). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, em 29/08/2008, fls. 375/378, com os seguintes argumentos: • Apresentou DIPJ/2002 retificando os valores do saldo negativo de IRPJ, em 19/08/2008 (fls. 384). • Preliminares. o Após as devidas retificações a inconformada efetuou a compensação do Imposto de Renda referente aos meses, 01/2003; 02/2003 e 03/2003, nos valores originais de R$ 933,67; R$ 1.005,46 e R$ 888,99, respectivamente, totalizando R$ 2.828,12, conforme Declaração de Compensação, com o saldo negativo apurado na DIRPJ de 2002/2001, no valor de R$ 9.562,22. • Compensou ainda a Contribuição Social referente aos meses de 1/2003, 2/2003 e 3/2003 , nos valores de R$ 207,95, R$ 220,99 e R$ 195,42, respectivamente, com o saldo negativo de Contribuição Social, da DIRPJ 2002/2001 no valor de R$ 353,44 e da DIRPJ de 2003/2002 no valor de R$ 270,92 conforme DIRPJ Retificadora 2002/2001 Ficha n° 17. • As Declarações de Compensação Eletrônicas, (PER/DCOMP S) referentes aos meses de 4/2003 a 12/2003, foram compensadas com o saldo negativo da Declaração de IRPJ 2003/2002 no valor de R$ 10.588,07, como se comprova com a ficha 12A da DIRPJ 2003/2002 e Planilha de compensação do IRPJ ora em anexo. • As Declarações de Compensação Eletrônicas (PER/DCOMPS) dos meses 01/2004 a 12/2004, foram compensadas com o saldo negativo da DIRPJ 2004/2003 no valor de R$ 10.763,61, Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 524 4 conforme comprova com a cópia da ficha 12A da DIRPJ 2004/2003 bem como as Planilhas de Compensação do IRPJ ora em anexo. o As Declarações de Compensação Eletrônicas (PER/DCOMPS) dos meses de • 01/2005 a 12/2005, foram compensadas com o saldo negativo da DIRPJ de 2005/2004, no valor de R$ 12.233,40, conforme se comprova com cópia da ficha 12A da DIRPJ de 2005/2004 e Planilha de compensação do IRPJ em anexo. • No mérito, com base nos saldos negativos apurados nas declarações de IRPJ, anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004 apresentadas, nas Declarações de Compensação Eletrônicas (PER/DCOMPS) e com as planilhas de Compensação ora em anexo e no artigo 74 da Lei 9.430/96, afirma ter direito às compensações efetuadas, esclarecendo que: (a) possui liquidez e certeza; (b) referese a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal; e (c) é passível de restituição ou de ressarcimento ou compensação. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora não conheceu da manifestação de inconformidade, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA JURÍDICA RETIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos o direito de o contribuinte pleitear retificação de Declaração de Rendimentos. O prazo é contado a partir da data fixada para a entrega da declaração. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE . RENDIMENTOS. PESSOA JURÍDICA RETIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos o direito de o contribuinte pleitear retificação de Declaração de Rendimentos. O Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 525 5 prazo é contado a partir da data fixada para a entrega da declaração. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Solicitação Indeferida Devidamente intimado na data de 28/04/2009, via correios (fl. 429), o contribuinte apresentou em 28/05/2009, (fl. 430), tempestivamente, Recurso Voluntário, pugnando por seu provimento, juntando novos documentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de enfrentar os argumentos declinados em recurso, faço uma breve síntese dos fatos que considero importantes, para o fim de delimitar a discussão. Tratase o presente processo de declaração de compensação, protocolada em 15/05/2003, na qual foi indicado créditos decorrente de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 2.828,12 referente ao anocalendário de 2002, e de CSLL, concernente aos anoscalendário de 2001 e 2002, correspondendo, respectivamente, aos valores de R$ 353,44 e R$ 270,92. Posteriormente, com base nos referidos créditos, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação eletrônicas (Per/Dcomps): Nos termos do Parecer e do Despacho Decisório de fls. 373/377, após afirmar que o crédito apresentado não possuía os requisitos de certeza e de liquidez, a autoridade fiscal homologou tacitamente a compensação declarada no documento de folhas 02/03 (digital), não reconhecendo o credito e não homologando as demais compensações declaradas eletronicamente pela contribuinte. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 526 6 Na ocasião foram constatadas várias inconsistências cometidas pelo contribuinte, que comprometia, segundo a autoridade que prolatou o despacho decisório, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. (fls. 375/376): Ciente do Despacho Decisório em 31/07/2008 (fl. 379), e irresignada com a parte que lhe desfavorável (não homologação das demais compensações declaradas eletronicamente e reconhecimento do crédito apresentado), a contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade de fl. 380/383, sendo seus argumentos apreciados pela DRJ/RJ1, que os indeferiu, sob o mesmo argumento anterior, qual seja, não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Digno de nota é o fato da interessada ter informado que retificou a DIPJ/2002, em 19/08/2008, conforme comprovante de retificação que anexa na fl. 384, porém a retificação não foi considerada naquele decisium, sob o entendimento de ter sido transmitida fora do prazo prescricional de 5 anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Após intimada, a contribuinte manejou recurso voluntário de fls. 430 a 434, e juntou novos documentos que entendeu pertinentes, com o escopo de ver reconhecido o crédito pleiteado e homologação das compensações transmitidas. Assim, juntou recibos de entrega das DIPJ dos anos base 1997 a 2005; cópias de vários recolhimentos de DARFs de IRPJ e CSLL; Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 527 7 planilhas demonstrativas de lucros e prejuízos apurados nos balanços de 1997 a 2005, dentre outros. Em suas razões, a recorrente aduz que efetuou compensação de débitos de próprios nos anos de 2003, 2004 e 2005, mediante Dcomp, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ e CSLL, nos anos de 1997 e 1998, formado pelo somatório das estimativas recolhidas, menos o valor efetivamente devido ao final de cada período de apuração (anual), transportando para os anos seguintes, por não possuir débitos de IRPJ e CSLL, e que corrigiu seu crédito utilizandose da taxa SELIC, de forma que ele possui os requisitos da certeza e liquidez. Pois bem. Antes da análise dos demais argumentos contidos na peça recursal, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro nesse dispositivo, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro, de acordo com esse mesmo Decreto, em seu artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Notese que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 528 8 modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por estes motivos, os documentos apresentados em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Quanto ao mérito do pedido de compensação, não deixo de perceber que o contribuinte registra seu inconformismo com o acórdão recorrido, informando que o crédito pleiteado não é originado dos períodos descritos em seu pedido inicial, e sim, oriundo dos exercícios de 1997 e 1998, e junta documentos relacionados a estes períodos. Em nenhum momento dos autos esses exercícios foram informados como sendo a origem do direito creditório pleiteado. De fato, de acordo com as Per/Dcomps transmitidas eletronicamente, o crédito é oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e saldo negativo de CSLL dos anoscalendário de 2001 e 2002, e não de período anterior. Dessa forma, devese analisar, à luz dos documentos existentes nos autos, se é possível identificar eventual equívoco cometido pelo contribuinte quando da indicação do seu crédito, superando, por conseguinte, a indicação equivocada quanto ao ano que se formou o saldo negativo pleiteado, pois em seu recurso, noticia que se originou nos idos de 1997 e 1998. Primeiro, não há que se entender, como afirmou a DRJ, que teria ocorrido prescrição na transmissão da DIPJ/2002, por considerar ter ocorrido o transcurso de 5 anos entre a data da retificação (19/08/2008) e data de transmissão de sua declaração original. Se o contribuinte deseja alterar suas declarações, para adequar seu pedido a outras declarações por ele transmitidas, deve fazêlo, e a autoridade administrativa não deve impedir que isso ocorra. Com a retificação não houve criação de crédito (ou majoração) ou redução de tributo, até porque a retificadora foi transmitida em data bastante posterior ao pedido contribuinte (realizado em 15/05/2003), o que se comprova que o intuito seria apenas de correção dos valores já pleiteados. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 529 9 No curso do processo administrativo, não se comprova o direito creditório pela simples análise de declarações, devendo o direito creditório ser devidamente comprovado mediante apresentação de documentos aptos e idôneos para sustentar as informações contidas nas referidas declarações. Ou seja, a partir da análise das declarações, pelo menos nessa fase processual, não se afere liquidez ou certeza ou disponibilidade de direito creditório, sendo sua análise pautada sempre por documentos que respaldem o crédito pretendido. Por outro lado, se as declarações transmitidas e sua retificação importarem em majoração de direito creditório, o contribuinte deve acompanhar a retificadora com provas documentais aptas a comprovar o erro cometido na declaração original, bem como os documentos que dão suporte ao crédito alegado. Ou seja, ainda que se tratasse de aumento de crédito, o que não é o caso, não podia a DRJ não conhecer da declaração, pelo contrário, devia considerála e valorála a partir do cotejo com outras provas. No que diz respeito ao período do crédito, da análise dos documentos colacionados pela recorrente, verificase, de fato, que o contribuinte cometeu um terrível equívoco, quando da indicação do período que se formou o crédito, pois deveria indicar seria oriundo do saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1997 e 1998, em conformidade com os documentos carreados aos autos quando do protocolo do seu recurso voluntário. Percebase que contribuinte traz aos autos os comprovantes da composição dos saldos negativo de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1997 e 1998; faz juntada de balanços ano a ano (a partir da fls. 451), para dizer que transportou esse saldo na contabilidade, e que não o utilizou (ou apenas o utilizou parcialmente), etc. A possibilidade de corrigir equívocos atinentes ao preenchimento de Dcomp vem sendo aceito por esta Turma de Julgamento, quando constatado que, pela análise das provas produzidas, e aqui incluo as provas carreadas pelo contribuinte em sede de recurso, é possível aferir que se tratava de mero equívoco no preenchimento do pedido. O erro aqui é na indicação do período de apuração do crédito!! Ora, se por um lado, o contribuinte confunde o período de formação do direito creditório pretendido, por outro, penso que o contribuinte deixou inequívoco em suas razões de recurso, de que sua intenção era aproveitar crédito decorrente de saldo negativo apurado nos anoscalendário 1997 e 1998. Portanto, provado, ainda que neste momento processual, que o crédito pleiteado é oriundo de saldo negativo apurado em período diferente do que antes fora mencionado, penso que deve ultrapassar o obstáculo da impossibilidade formal de alterar o período, e possibilitar a análise do pleito quanto à liquidez, certeza e disponibilidade do crédito alegado. Embora em situação anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas que entender necessárias no que tange à liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Conclusão Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 530 10 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de alterar o período que se formou o crédito, por erro de preenchimento na Dcomp apresentada originalmente, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez, certeza e disponibilidade do mesmo, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator Designado Ao ilustre Conselheiro Relator peço licença para divergir, não obstante reconheça no seu voto a clara e elogiável preocupação com a justiça das decisões no processo administrativo tributário, sobretudo em se tratando de pleito que envolva valores indevidamente vertidos aos cofres públicos ou pagos em montante superior ao efetivamente devido. Tenha a mesma preocupação. Entretanto, o valor justiça não é o único que o Direito tutela. O Direito contempla, entre outros, a segurança e o interesse público. É exatamente para a proteção desses interesses que a lei fixa a forma pela qual determinados atos jurídicos devem ser praticados e o tempo para o exercício de certos direitos. No caso concreto, o que se tem é uma declaração de compensação apresentada em formulário de papel (fls. 1 e 2) e várias declarações eletrônicas de compensação subsequentes, cujos créditos se reportavam indiretamente à declaração inicial (formulário de papel). Ao analisar as compensações, a DRF Nova Iguaçu, de plano, reconheceu homologadas tacitamente as compensações formalizadas em formulário de papel. Aqui, a lei, para impedir que se eternize uma situação de pendência e instabilidade, torna definitiva a compensação, mesmo considerando a hipótese de o crédito informado não existir. Repugna ao Direita o prolongamento ad aeternum de situações instabilidade, porque isso é contrário ao valor segurança jurídica. Então, em nome da segurança, sacrificase a justiça. Destarte, se o Fisco, tendo cinco anos para examinar a existência do crédito informado na declaração de compensação, deixar transcorrer o prazo, sem se manifestar, a situação jurídica se consolida em definitivo. A compensação estará homologada por decurso de prazo. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 531 11 A necessidade de segurança também se faz presente quanto às informações inseridas pelos contribuintes nas declarações de compensação, que não podem ser alteradas de forma incondicional e a qualquer tempo. Nesse ponto, cumpre ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que seu exercício mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, existindo pagamento indevido a título de tributo, compete ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria se encontra na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, todavia, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação, bem como as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a recorrente havia apresentado uma declaração de compensação em papel, informando os seguintes valores de créditos e de débitos: CRÉDITOS DÉBITOS SALDO NEGATIVO VALOR VALOR IRPJ AB 2001 2.828,12 933,67 CSLL AB 2001 353,44 1.005,46 CSLL AB 2002 270,92 888,99 207,95 220,99 195,42 TOTAL 3.452,48 3.452,48 Como se vê do quadro acima, todo o crédito informado foi utilizado nas compensações, que estão homologadas e já não podem ser revistas. Observese que não remanesceu crédito. Não obstante, a recorrente apresentou a declaração de compensação eletrônica dcomp nº 36786.60220.050803.1.3.026108 (fls. 53 a 56), consignando que o crédito utilizado naquela compensação era o saldo negativo de IRPJ, que constava do processo nº 10735.001287/200313 (fl. 54), que é exatamente este processo. A dcomp eletrônica estava vinculada à declaração de compensação em formulário de papel. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10735.001287/200313 Acórdão n.º 1301003.720 S1C3T1 Fl. 532 12 Em outras palavras, a recorrente apresentou uma dcomp eletrônica, contendo uma informação inverídica, porquanto indicava que o crédito ali utilizado tinha origem na declaração de compensação em papel, na qual, como se viu do quadro acima, não remanescera um único centavo de crédito. A partir da primeira dcomp eletrônica, nº 36786.60220.050803.1.3.026108, outras tantas se seguiram, fazendo remissão a ela, como sendo a que continha o crédito do saldo negativo de IRPJ. A dcomp nº 36786.60220.050803.1.3.026108, no fundo, fazia a ponte entre a declaração em papel (sem crédito remanescente) e uma longa série de dcomps originais e retificadoras, indicando saldos negativos de IRPJ de valores e períodos inteiramente distintos daqueles consignados na declaração em formulário de papel. Em suma, todas as dcomps eletrônicas estão, direta ou indiretamente, vinculadas à declaração em papel, na qual, como ficou demonstrado, não existia crédito remanescente que pudesse dar ensejo a outras compensações. Ademais, as dcomps, mesmo vinculadas, não guardam coerência entre si, fazendo menção a distintos períodos de apuração e distintos valores de saldo negativo de IRPJ. Em resumo, as dcomps contêm informações não verídicas. O quadro fático se caracteriza por incerteza e obscuridade, que aumentam a cada manifestação da recorrente. Basta dizer que no recurso voluntário veio a informação de que a origem dos créditos remonta aos anos de 1997 e 1998. Levando em conta esses aspectos, concluise que a diligência é ociosa. No mais, não cabe a autoridade administrativa refazer as dcomps pelo contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 532DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002895/2006-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN.
Numero da decisão: 2402-007.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em cancelar integralmente o crédito lançado, de ofício, uma vez que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das demais questões de mérito suscitadas. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não reconheceu a ocorrência da decadência.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente ESPÓLIO ROBERTO BUTTERI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150. §4°, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em cancelar integralmente o crédito lançado, de ofício, uma vez que atingido pela decadência, restando prejudicada a análise das demais questões de mérito suscitadas. Vencido o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que não reconheceu a ocorrência da decadência. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 28 95 /2 00 6- 24 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13888.002895/200624 Acórdão n.º 2402007.106 S2C4T2 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/CGE, consubstanciada no Acórdão nº 0416.456 (fls. 57), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: A inventariante do contribuinte acima identificado apresentou a impugnação de fls. 01/06, em 21/11/2006, contra o Auto de Infração de fls. 07/14, relativo ao IRPF/2001 onde, após revisão de sua declaração de ajuste anual, foi alterado o valor declarado como rendimentos tributáveis, com base nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras INSS e UNIBANCO AIG Previdência S/A. Em razão disto, foi apurado um imposto de renda pessoa física — suplementar de R$ 27.660,92, o qual acrescido de multa de ofício e juros de mora, resultou num crédito tributário de R$ 74.654,05. Em sua impugnação a inventariante alega, em síntese, que: • Os laudos apresentados concluem que o recorrente era portador de cegueira total, de caráter irreversível, fazendo jus à isenção do imposto de renda que lhe está sendo cobrado; • Não obstante estar aposentado por invalidez em razão de cegueira, o beneficiário era portador de um câncer que culminou com sua morte em 28/01/2005; • O contribuinte se enquadrava na isenção do imposto de renda, pois era portador de deficiência física (cegueira incapacitante) e moléstia grave (câncer). Esta, ainda que tenha surgido após a aposentadoria lhe daria o direito à isenção; • Houve recusa administrativa por parte da Receita Federal ao reconhecimento da isenção do beneficiário, com envio do auto de infração, razão pela qual deve ser reformada a decisão do auditor a fim de excluir o montante cobrado pelo auto de infração. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0416.456 (fls. 57), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS LEGAIS. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13888.002895/200624 Acórdão n.º 2402007.106 S2C4T2 Fl. 88 3 Os requisitos para o direito à isenção prevista no inciso XXXIII do artigo 39 do RIR são que o contribuinte seja aposentado ou reformado ou pensionista e que a moléstia listada naquele inciso seja atestada por laudo médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Lançamento Procedente Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 66, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Decadência reconhecida de Ofício Antes de adentrar na análise de mérito do recurso voluntário e, por conseguinte, da autuação fiscal, impõese verificar, de ofício, a ocorrência (ou não) da perda do direito de o Fisco efetuar o lançamento, em face da consumação do lustro decadência. Como cediço, processualmente, em regra, alegase em preliminar matéria de ordem pública, como por exemplo decadência ou prescrição, e, notadamente aquelas previstas no artigo 301 do CPC, então vigente (atual art. 317 do CPC de 2015), as quais são ocorrências ou eventos que, inclusive, podem ser apreciados de ofício, e, uma vez constados podem ser uma prejudicial impeditiva ao exame de mérito do processo. Pois bem! O fato gerador do IRPF, como se sabe, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13888.002895/200624 Acórdão n.º 2402007.106 S2C4T2 Fl. 89 4 infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402005.594; 19/01/2017) xxx Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/201183,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial contase nos termos do §4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13888.002895/200624 Acórdão n.º 2402007.106 S2C4T2 Fl. 90 5 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No presente caso, constatase que existiu o pagamento de IRRF, conforme apurado pela própria Fiscalização, nos termos do Demonstrativo de Apuração do Imposto Suplementar (fls. 13) e da DAA retificada pelo Fisco (fls. 44), abaixo reproduzidos para melhor análise: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13888.002895/200624 Acórdão n.º 2402007.106 S2C4T2 Fl. 91 6 É de se ressaltar que a retenção efetuada pela fonte pagadora é considerada antecipação de pagamento do imposto de renda, o que traz como consequência a utilização da regra da contagem do prazo decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN. Desse modo, no caso em apreço, como houve antecipação do imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 31 de dezembro de 2000 e o termo final em 31/12/2005, conforme regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, citado acima. O lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que no presente caso ocorreu em 06/11/2006, conforme AR de fls. 53. Resta, portanto, configurada a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em análise, em face da consumação da decadência, nos termos acima declinados. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, extinguindose o crédito tributário em face da decadência. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720255/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-006.726
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar ,provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SELIC. Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULAT1VA. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar ,provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 02 55 /2 00 7- 01 Fl. 252DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório (fls 149/151) que indeferiu a incidência da Selic sobre crédito ressarcido de PIS, determinado sob regime da nãocumulatividade, no valor de RS 827.103,18 e referente ao 3° trimestre de 2006. Cientificado deste decisório em 10.07.2008 (fl 152), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 08.07.2008 (fls 156/170), pleiteando a incidência da Selic sobre o valor reconhecido administrativamente, com base nos seguintes argumentos: (i) não há vedação legal à incidência da Selic no ressarcimento; (ii) a Selic destinase à atualização monetária do crédito a ser ressarcido; (iii) o ressarcimento é espécie do gênero restituição, em que há incidência da Selic; (iv) é cabível a aplicação analógica do art. 39, §4°, da Lei n° 9.250, de 1995; (v) a previsão do art. 52, §5°, da IN SRF n° 600, de 2005, não prejudica a incidência da Selic, já que atualização monetária não se confunde com juros. Em 04 de agosto de 2010, através do Acórdão n° 0818.863, a 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza/CE, por unanimidade de votos, considerou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: ü Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros; ü Por sua vez, Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil reiteradamente têm rechaçado a atualização mediante Selic de crédito oriundo de ressarcimento das contribuições não cumulativas. Com efeito, o art. 51, § 5o, da IN SRF n.° 460/2004, o qual contém a mesma determinação do art. 72, § 5o, I, da IN SRF n° 900, de 30.12.2008, que, por sua vez, revogou a sucessora da IN SRF n° 460/2004, IN SRF n° 600/2005, vedam expressamente a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins, bem como na compensação de referidos créditos; ü A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu ser indevida a aplicação da Selic sobre crédito originário de ressarcimento de IPI. A empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 26 de agosto de 2010, folhas 198. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10380.720255/200701 Acórdão n.º 3302006.726 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 23/09/2010, a empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 202 a 216. Foi alegado que: A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC A Recorrente é titular do direito aos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, conforme reconhecido pela autoridade emissora do r. Despacho Decisório, com fundamento no artigo 5°, §§ 1° e 2o da Lei Ordinária n° 10.627/2002. Nos termos do mencionado dispositivo, não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de pedidos de ressarcimento formulados pelos seus beneficiários. Tal vedação não teria sentido, porque prestigiaria a outorga de créditos em valores históricos, totalmente corroídos pela inflação do período contado da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o seu efetivamente fornecimento ao contribuinte. Este juízo deve considerar, outrossim, que as disposições previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003 não representam fundamentos para a não incidência da SELIC na forma pleiteada pela Recorrente. Estes dispositivos possuem uma eficácia limitada a data do protocolo do pedido de ressarcimento, somente impedindo a incidência de atualização monetária ou juros contados da data da geração dos créditos da . Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS e a data do protocolo do respectivo pedido de ressarcimento nas hipóteses previstas na legislação. A partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento e considerando a obrigação da administração emitir uma decisão administrativa, não existe a possibilidade de ser aplicado o referido dispositivo, mormente porque os efeitos do mesmo deve ser apurado conforme o Princípio Constitucional que veda o enriquecimento ilícito às custas alheias. Sendo assim, a inexistência de tais vedações na Lei Ordinária n° 10.637/2002 é um dos fundamentos do direito da Recorrente a incidência da SELIC sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe, porque diferentemente do que entendeu a autoridade emissora do r. Despacho Decisório, a SELIC incide sobre tal valor na condição de índice de atualização monetária com o fim de recompor o valor real do numerário a ser ressarcido para o contribuinte; Caso seja vedada esta incidência, estarseá sendo prestigiado o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias, porque os efeitos da inflação medida no período terão corroído o real valor ao qual o beneficiário do ressarcimento tem direito, sem que tivesse dado causa a esta perda, por ser o tempo da emissão do Despacho Decisório e o efetivo ressarcimento algo definido exclusivamente pelos servidores e autoridades que atuaram no curso do processo administrativo de ressarcimento. Por sua vez, mesmo não existindo previsão da incidência da correção monetária na Lei Ordinária n° 10.637/2002 a mesma é totalmente aplicável, porque por não se Fl. 254DF CARF MF 4 constituir de um acréscimo de valor, mas somente a manutenção do poder econômico da moeda, independe de expressa previsão legal por ser implícita a toda legislação que trate de um direito de natureza econômica dos contribuintes. Por sua vez, a utilização do índice SELIC, como fator de correção monetária decorre do fato de ser ele usado desde 1996 como elemento para o cálculo dos tributos devidos pelos contribuintes sendo utilizado, assim, na apuração do crédito a ser ressarcido nas hipóteses analisadas nas supracitadas decisões administrativas e judiciais. Inúmeras decisões administrativas e judiciais confirmam a aplicação do índice SELIC na atualização monetária de créditos devidos aos contribuintes, passíveis de ressarcimento. Portanto, o r. Acórdão merece ser reformado porque a Recorrente possui o direito a atualização monetária pelo índice SELIC do seu crédito da Contribuição para o PIS/PASEP reconhecido administrativamente contado da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo recebimento ou compensação tributária. As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária Como demonstrado acima, a incidência da SELIC deve ser realizada com natureza de atualização monetária não submetida as regras contidas nas Instruções Normativas que trataram da matéria porque estas se limitaram e vedam a incidência dos juros compensatórios. Ora, se os supracitados dispositivos somente vedaram a incidência dos juros compensatórios é porque a atualização monetária nos pedidos de ressarcimento não está vedada uma vez que, se estivesse, certamente a mesma teria sido escrita nos supracitados parágrafos . demonstrando razões para o posicionamento do DRJ não ser acatado. Na realidade, as próprias Instruções Normativas da RFB demonstram e ratificam o direito á incidência da atualização monetária no ressarcimento, algo que merece ser considerado por este juízo sob pena de ser feita tabula rasa de disposições as quais a administração está vinculada. Entretanto, mesmo se a SELIC fosse aplicada como “juros", o que se admite apenas para considerar, a Instrução Normativa não teria efeito limitador, porque distinguiu, expressamente, as hipóteses de “juros SELIC” e “juros remuneratórios”, demonstrando que uma coisa não se confunde com a outra. Desta forma, o posicionamento adotado no r. Acórdão não merece ser adotado porque as Instruções Normativas somente vedam a incidência de juros compensatórios não sendo aplicados em relação a atualização monetária pela SELIC. O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96 Mesmo se não fosse possível a aplicação da SELIC como índice de correção monetária, o que se admite apenas para considerar, o direito da Recorrente a incidência da SELIC também seria possível em razão de ser o “ressarcimento" uma espécie do gênero “restituição”, estando assim contemplado naquele todos os efeitos da legislação aplicável a este. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.720255/200701 Acórdão n.º 3302006.726 S3C3T2 Fl. 4 5 Entre os efeitos aplicáveis ao “ressarcimento” nas hipóteses de “restituição” está a incidência dos juros à taxa SELIC, nos termos do artigo 39, § 4o da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Deve ser considerado, que o termo “ressarcimento” faz parte do gênero “restituição” para os fins de aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, como também o faz o termo “resgate” previsto no DecretoLei n° 2.288, de 23 de julho de 1986, ao tratar da recuperação do empréstimo compulsório de veículos. Ora, se “resgate" faz parte do gênero “restituição” para suportar os mesmos efeitos do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95, com a mesma ' razão deve ser admitido ser o “ressarcimento" espécie do gênero “restituição”, pois tanto ela quanto o resgato objetivam o recebimento de numerário pago ao poder público. A Taxa SELIC e o emprego da Analogia Como se não bastasse tudo isto, mesmo se o “ressarcimento” não fosse uma espécie do gênero “restituição”, ainda assim persistiría à aplicação do artigo 39, §4° da Lei n° 9.250/95 sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP passível de ser ressarcido pela Recorrente com fundamento na aplicação da analogia. Não há como se negar, que tanto o ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do pedido de ressarcimento, quanto à compensação tributária, são institutos que garantem ao contribuinte o recebimento de valores, o primeiro em espécie, o segundo equivalentes aos que deixaram de ser pagos em dinheiro. Com efeito, considerando que na recuperação de valores por compensação se aplicam a Taxa SELIC, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito da Contribuição para o PIS/PASEP. A jurisprudência do Colendo Conselho de Contribuintes confirma a assertiva de serem os dois institutos afins para se aplicar ao ressarcimento os dispositivos relacionados á compensação tributária. O Prazo para emissão de decisões e efetivo ressarcimento O r. Acórdão também merece ser reformado porque caso não fosse possível a aplicação da SELIC pelos motivos descritos alhures, o pgue.se admite apenas para considerar, diante do prazo de 30 (trinta) dias para a remissão de decisões administrativas nos termos do artigo 49 da Lei n° 9:784/99 contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento passaria a incidir a atualização monetária após tal momento diante da ilegalidade gerada pela omissão da autoridade julgadora e para evitar o enriquecimento ilícito da União Federal às custas alheias. O PEDIDO Por tudo o que foi exposto, o presente Recurso Voluntário merece ser provido para ser reformado o r. Acórdão para ser garantida a /incidência da SELIC sobre o valor do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP objeto do Pedido de Ressarcimento em epígrafe como atualização monetária ou mesmo juros da seguinte forma: Fl. 256DF CARF MF 6 a) calculada sobre o valor do crédito pleiteado a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento; ou b) na hipótese de ter sido o crédito utilizado em compensação (ões) tributária (s), calculada a partir da data da protocolização do Pedido de Ressarcimento até a data da compensação (ões) tributária (s) e, a partir deste (s) momento (s), sobre o eventual saldo credor resultante do (s) abatimento (s) até o seu efetivo ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA foi intimada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, via Aviso de Recebimento, em 26 de agosto de 2010, folhas 198. Em 23/09/2010, a empresa BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, em 23 de novembro de 2010, de folhas 202 a 216. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. ü A Legislação instituidora do Direito Creditório Atualização Monetária pela SELIC; ü As Instruções Normativas somente vedam a SELIC como Juros não afastando sua aplicação como Atualização Monetária; ü O Ressarcimento é espécie do Gênero Restituição – Aplicação da Lei n° 9.250/96; ü A Taxa SELIC e o emprego da Analogia; ü O Prazo para emissão de decisões e efetivo ressarcimento. Passase à análise. Fiome à lição do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, no Acórdão de Recurso Voluntário n° 3001000.663, da 1a Turma Extraordináriada 3a Seção de Julgamento do CARF, apoiado nos argumentos do voto da lavra do Relator Gilson Wessler Michels: Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.720255/200701 Acórdão n.º 3302006.726 S3C3T2 Fl. 5 7 Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Gilson Wessler Michels, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) Como no relatório do presente acórdão se viu, limitouse a contribuinte a contestar a não “atualização/correção” do crédito concedido pela taxa Selic, como demandaria o parágrafo 4o do artigo 39 da Lei n° 9.250/1995. Junta excertos jurisprudenciais tendentes à demonstração de que sobre os créditos objeto de ressarcimento deve obrigatoriamente incidir a taxa Selic. Em análise da alegação posta, há que se dizer, de plano, que não pode ela ser aqui acatada. É que apesar da insurgência da contribuinte, verdade é que a legislação tributária, apesar da disposição genérica constante do parágrafo 4o do artigo 39 da Lei no 9.250/ 1995, possui tratamento específico para os casos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Com efeito, assim dispõe o parágrafo 5o do artigo 52 da Instrução Normativa SRF no 600/2005, ato este vigente à época dos fatos que aqui importam: Art. 52. (...) § 5o Não incidirão juros compensatóríos no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Como se percebe, há na legislação tributária disposição legal expressa definindo tratamento específico para o ressarcimento e compensação de créditos da Cofins, o que faz com que a alegação da contribuinte, como já se disse, não possa ser aqui acatada. De outro lado, a jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte também não serve à corroboração da referida alegação. É que como se pode inferir dos acórdãos transcritos, referemse eles a períodos anteriores à superveniência da acima transcrita norma. É de se ressaltar, por fim, que a referida superveniência legal se deu em razão da necessidade de se adequar a sistemática do ressarcimento e da compensação, especialmente da Cofins e do Fl. 258DF CARF MF 8 PIS, às então novas regras de apuração destas contribuições no regime da nãocumulatividade. É que como está exposto de forma literal na legislação tributária (artigo 13 da Lei no10.833/2003): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 40 do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, a apuração escritural dos créditos da contribuição social não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, ou seja, na confrontação que o sujeito passivo faz entre seus débitos e créditos, no âmbito da sistemática da nãocumulatividade, não há como atualizar créditos, independentemente de quando forem utilizados para a mencionada confrontação (tecnicamente chamada de “desconto”). Ora, se quando do desconto, que pode ser efetuado em períodos de apuração posteriores, não pode haver atualização monetária e nem incidência de juros, razoável que exista regra no mesmo sentido em relação às duas outras formas de aproveitamento dos créditos: o ressarcimento e a compensação. Assim não fosse, haveria uma diferença de tratamento legal entre as diferentes formas de aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade (desconto, compensação e ressarcimento), que não encontraria justificativa nem técnica, nem jurídica, nem axiológica. Do reforço à decisão recorrida, como fundamento Em reforço ao fundamento da decisão vergastada, o qual me filio integralmente, é suficiente evidenciar minha discordância à incidência da taxa Selic, como instrumento de correção/atualização, dos valores objeto de ressarcimento. É que ressarcimento não é espécie de restituição, como entende o recorrente, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (artigo 165, inciso I, do CTN), e o artigo 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos; o que torna absolutamente evidente a irrazoabilidade, por inverídico, do argmmento suscitado no sentido de que a exclusão da incidência da aludida correção monetária, via aplicação da taxa Selic, está assentada em simples Instrução Normativa, mais especificamente no § 5°, art. 52 da IN/SRF n° 600, de 2005. Saliento também que o caso sob exame não é daqueles em que ocorre a oposição do ente estatal. Afinal, o próprio recorrente textualmente afirma que "requereu junto à Receita Federal do Brasil, e teve parcialmente deferido, o ressarcimento alusivo a créditos de Cofins, tendo sido sonegado à mesma o direito a correção dos créditos entre o período compreendido entre o pedido de restituição/ressarcimento e o efetivo pagamento, situação bem diversa quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.720255/200701 Acórdão n.º 3302006.726 S3C3T2 Fl. 6 9 Conforme se verifica, essa divergência é de rápido deslinde. Como visto alhures, há expressa disposição legal sobre a matéria no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29.12.2003, já transcrito, que concretamente determina que não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de crédito apurado na forma do parágrafo 4° do artigo 3°, do artigo 4° e dos parágrafos 1° e 2° do artigo 6°, bem como do parágrafo 2°, inciso II do parágrafo 4° e parágrafo 5° do artigo 12, todos da citada Lei. Por oportuno, convém por fim salientar que o inciso VI do artigo 15 da mesma Lei estendeu a referida vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS/Pasep. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que indeferiu o pedido de atualização monetária do ressarcimento da presente contribuição. No mais, deve ser aplicada a Súmula CARF 125, que já definiu entendimento no âmbito administrativo: Súmula CARF n° 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei n° 10.833, de 2003. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 260DF CARF MF 10 Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721520/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/10/2010 a 30/09/2012
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
De acordo com o artigo 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, cabem Embargos Inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, que deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado.
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO.
Havendo inexatidão devido a lapso manifesto entre o julgamento e parte da fundamentação do respectivo voto que embasou a conclusão do Colegiado, deve ser sanado o equívoco através da retificação do texto de acordo com os fatos e provas constantes do processo, sem alteração do resultado.
Embargos Inominados acolhidos.
Numero da decisão: 3402-006.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados para sanar a inexatidão material, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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CABIMENTO. De acordo com o artigo 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, cabem Embargos Inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, que deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado. EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. Havendo inexatidão devido a lapso manifesto entre o julgamento e parte da fundamentação do respectivo voto que embasou a conclusão do Colegiado, deve ser sanado o equívoco através da retificação do texto de acordo com os fatos e provas constantes do processo, sem alteração do resultado. Embargos Inominados acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados para sanar a inexatidão material, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 20 /2 01 4- 24 Fl. 2491DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente Convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração de fls. 1.934 a 1.951, apresentados pela Contribuinte contra o Acórdão nº 3402002.993 (fls. 1.8401.868), apontando inexatidão material, os quais foram admitidos como Embargos Inominados através do r. Despacho de fls. 2.0312.034, aplicandose o artigo 66 do RICARF1. O v. Acórdão recorrido foi proferido por este Colegiado com a seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/10/2010 a 30/09/2012 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. CRÉDITO FICTO DO ART. 6º DO DECRETOLEI 1.435/75. Não se tratando os insumos de matériasprimas agrícolas e/ou extrativas vegetais de produção regional, não há direito ao creditamento ficto. 1 Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10166.721520/201424 Acórdão n.º 3402006.336 S3C4T2 Fl. 2.492 3 MULTAS. EXCLUSÃO. ART. 486, II, DO RIPI/2002. Com base no art. 486, II, "a" do RIPI/2002 e no art. 567, II, do RIPI 2010, excluise a penalidade em relação àqueles que agiram de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Inicialmente, a Fazenda Nacional interpôs os Embargos de Declaração de fls. 1.870 a 1.873, apontando vício por contradição do acórdão ao ser afirmada a convicção de que o art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64 não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico a partir do advento do CTN e, ao mesmo tempo, considerar vigente e eficaz os arts. 486, II e 567, II, do RIPI/2002 e do RIPI/2010, respectivamente. Os Embargos de Declaração foram rejeitados através do r. despacho de fls. 1.8761.877, sob o fundamento de que a exoneração da multa ocorreu com base no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, regulamentada e validada pelo Poder Executivo, aplicandose o artigo 26A do Decreto nº 70.235/76. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 1.8801.887, apontando divergência na interpretação do art. 76, II, “a” da Lei nº 4.502/64; art. 2º, §1º da Lei de Introdução do Código Civil e art. 100, II do Código Tributário Nacional e apresentando como paradigma o Acórdão nº 3403003.323, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste tribunal Administrativo. O Recurso Especial foi admitido através do Despacho de fls. 1.8891.894. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 0713/2017DICAT/DRF BRASÍLIADF de fls. 1.926 pela via eletrônica em data de 22/06/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.931), apresentando os Embargos de Declaração de fls. 1.9341.951 em data de 26/06/2017 (Termo de Análise de Juntada de fls. 1.933), alegando vícios por erro material, omissão e contradição, o que fez com os seguintes argumentos: (i) ERRO MATERIAL: Deixou de reconhecer, na parte dispositiva, que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, validando o crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados de Guaraná, porque elaborado com matériaprima agrícola regional”. (ii) OMISSÃO: Não aplicou a coisa julgada coletiva formada nos autos do MSC Nº 91.00477834, que teria assegurado a todos associados da AFBCC o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM. O julgado não aplicou a coisa julgada à Embargante, que é associada da AFBCC, sob o fundamento de que essa coisa julgada produziria efeito apenas no território do Rio de Janeiro, jurisdição do órgão prolator da sentença, em afronta ao dispositivo constante do art. 493 do CPC/2015. Fl. 2493DF CARF MF 4 (iii) CONTRADIÇÃO: Invocou como premissa o artigo 6º, §1º, do DL nº 1.435/75, porém concluiu que o dispositivo determinaria a utilização direta de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na elaboração dos produtos incentivados, o que contrapõe literalmente aos próprios termos gramaticais do próprio §1 do art. 6º do DL nº 1.435/76, o qual utiliza o termo matériaprima tanto para os produtos industrializados com matériaprima agrícola regional como a própria matéria prima agrícola regional; Não aplicou o entendimento do RE nº 212.484 não seria mais aplicável, porém adotou o entendimento do STF manifestado no RE nº 566.819, concluindo que nesse julgamento, o STF teria alterado o seu entendimento quanto ao direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM. As Contrarrazões da Contribuinte (fls.19721.986) ao Recurso Especial foram apresentadas em data de 04/07/2017, conforme Termo de Análise de Juntada de fls. 1.971. Em data de 27/07/2017, a DicatDRF de Brasília proferiu equivocadamente o Despacho de fls. 2.017, encaminhando as Contrarrazões ao CARF e transferindo o saldo devedor para o Processo nº 10166727.426/201721 para cobrança imediata. Após devolução pelo setor de Triagem do CARF (fls. 2.018), em data de 02/08/2017, a DicatDRF de Brasília proferiu o Despacho de fls. 2.029, encaminhando os Embargos de Declaração, cuja admissibilidade foi analisada através do r. Despacho de fls. 2.0312.034, que os recebeu com relação ao argumento de erro material e rejeitou as demais matérias tratadas pela defesa por versarem sobre meras discordâncias e tentativa de rediscussão do litígio. Com isso, foi dado seguimento como embargos inominados, nos termos do artigo 66 do RICARF. A Contribuinte recebeu a intimação nº 1181/2017DICAT/DRF BRASÍLIA/DF (fls. 2.037) por via eletrônica em data de 19/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 2.040), apresentando o Recurso Especial de fls.2.0432.109 em data de 31/10/2017 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2.042), o que fez apontando as seguintes divergências: 1) Decadência, fundamentando pela interpretação divergente ao Art. 124, parágrafo único, III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002; art. 150, § 4o, e art. 173, inc. I, ambos do Código Tributário Nacional. Foi indicado como paradigma os Acórdãos nºs 9303003.299 e 9303003.808; 2) Aplicação da coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834 a fabricantes de CocaCola domiciliados em outro ponto do território nacional que não o Rio de Janeiro, fundamentando pela interpretação divergente das normas que regem a aplicação e os efeitos da coisa julgada coletiva e MSC n° 91.00477834. Foi indicado como paradigma os Acórdãos nºs 380600.007 e 20207.962; 3) Possibilidade de creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus,. fundamentando pela interpretação divergente ao artigo 9° do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. Foi indicado como paradigma os Acórdãos nºs 20211.612; 4) Conceito de matériaprima para fins de fruição do benefício fiscal previsto no art. 6° do Decreto Lei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, fundamentando pela interpretação divergente do artigo 6° do Decreto Lei nº 1.435, de 16 de dezembro Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10166.721520/201424 Acórdão n.º 3402006.336 S3C4T2 Fl. 2.493 5 de 1975. Foi indicado como paradigma os Acórdãos nºs 3401003.750 e 3201 001.873; e 5) Competência da SUFRAMA para aprovar projeto industrial de concessão de benefícios fiscais e da validade do ato administrativo emitido pela SUFRAMA, fundamentando pela interpretação divergente da legislação da que atribui competência aos seus órgãos e disciplina a aprovação de projeto industrial para fins de concessão de benefício fiscal de IPI por ela administrado. Foi indicado como paradigma os Acórdãos nºs 9303002.664 e 9303003.825. A admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte foi analisada através do despacho de fls. 2.3122.319, pelo qual foi negado seguimento com fulcro nos artigos 18, III, 67 e 68 do Anexo II do RICARF, em razão da inexistência de divergência entre os julgados confrontados. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 0213/2018DICAT/DRF BRASÍLIA/DF (fls. 2.324) por via postal em data de 01/03/201, conforme Aviso de Recebimento de fls. 2.325, apresentando o Agravo de fls. 2.3282.335 em data de 05/03/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2.327), pedindo pela nulidade da decisão que negou seguimento ao Recurso Especial, o que fez pelos seguintes argumentos: i) Os embargos inominados ainda pendem de julgamento em relação ao erro material; ii) Há manifesto erro material na decisão agravada, uma vez que trata de matéria diversa daquela que fora objeto do Recurso Especial interposto pela Agravante, o qual tem por objeto a discussão sobre o IPI, sendo que o acórdão analisado tem objeto a discussão dobre Imposto de Importação; iii) Há manifesto erro material na decisão agravada, uma vez que examina divergências apontadas em outro recurso. O recurso foi analisado através do r. Despacho de fls. 2.3562.359, o qual reconheceu o equívoco e declarou a nulidade do Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 2.312, acolhendo o agravo e determinando o retorno dos autos à 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento para providências necessárias. Com isso, a admissibilidade do Recurso Especial de fls. 2.0432.109 foi novamente analisada através do r. Despacho de fls. 2.361 2.379, dando seguimento ao recurso apenas quanto à divergência sobre a decadência, bem como declarando ser definitiva a decisão quanto à divergência sobre o conceito de matériaprima para fins de fruição do benefício fiscal previsto no DL nº 1.435, de 1975, por força do disposto no art. 71, §2º, inciso V, do RICARF. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 1041/2018DICAT/DRF BRASÍLIA/DF (fls. 2.395) por via postal em data de 26/07/2018, como comprova o Aviso de Recebimento de fls. 2.396, apresentando o Agravo de fls. 2.399 a 2.435 em data de 30/07/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2.398), informando que os Embargos Inominados ainda pendem de julgamento em relação ao erro material indicado, bem como pedindo pela reforma parcial do despacho de admissibilidade do Recurso Especial quanto às divergências não reconhecidas. Fl. 2495DF CARF MF 6 Em r. Despacho de Saneamento de fls. 2.4562.458 foi reconhecida inconsistência procedimental que impede o prosseguimento do feito no estado em que se encontra, com a determinação para que o processo retorne a esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª SEJUL/CARF/MF para apreciação e julgamento do Embargo Inominado, consoante despacho de fls. 2.0312.034, com especial atenção para as disposições do art. 49, § 5º do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Através do Despacho de Encaminhamento de fls. 2.461 o processo foi redistribuído no âmbito desta Turma para minha relatoria, nos termos do artigo 49, § 8º do Anexo II do RICARF. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Conforme relatório, a Contribuinte foi intimada do v. Acórdão nº 3402 002.993 pela via eletrônica em data de 22/06/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.931), apresentando os Embargos de Declaração de fls. 1.9341.951 em data de 26/06/2017 (Termo de Análise de Juntada de fls. 1.933). O recurso é tempestivo, motivo pelo qual tomo conhecimento e recebo como Embargos Inominados para julgamento do erro material apontado, nos termos do r. Despacho de fls. 2.0312.034. 2. Da inexatidão material 2.1. Nos Embargos de Declaração de fls. 1.934 a 1.951, a Embargante aponta erro material, requerendo que seja retificada a parte dispositiva do Acórdão embargado para que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, com a reversão da glosa dos créditos referentes ao concentrado de Guaraná. Em síntese, a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: i) Restou reconhecido que, em relação ao concentrado de Guaraná, foi utilizada matériaprima agrícola regional na sua elaboração, conforme abaixo transcrito: ii) No entanto, constou da parte dispositiva que teria sido negado integral provimento ao recurso voluntário por entender que os concentrados adquiridos pela Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10166.721520/201424 Acórdão n.º 3402006.336 S3C4T2 Fl. 2.494 7 Embargante não teriam sido elaborados como matériasprimas agrícolas regionais, mas com produtos industrializados, não fazendo jus ao benefício previsto pelo art. 6º do Decretolei nº1.435/75, conforme abaixo transcrito: iii) O Acórdão incorreu em erro material ao deixar de reconhecer, na parte dispositiva, que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, validando o crédito de IPI decorrente da aquisição dos concentrados de Guaraná, porque elaborado com matériaprima agrícola regional. 2.2. Conforme relatado, através do r. Despacho de fls. 2.0312.034, foi determinada a submissão do alegado erro material à apreciação por esta Turma julgadora, para eventual correção do Acórdão, se for o caso. 2.3. O voto proferido no v. Acórdão nº 3402002.993, ora recorrido, afastou as decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança Coletivo e no RE 212.484, observando que seria analisado se o contribuinte teria direito ao aproveitamento de créditos de IPI com base nas isenção concedida ao seu fornecedor em Manaus, prevista no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Com relação aos créditos fictos glosados por lançamento de ofício de IPI, o Acórdão recorrido foi Ementado e o r. voto do Ilustre Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire fundamentado nos seguintes termos: EMENTA: CRÉDITO FICTO DO ART. 6º DO DECRETOLEI 1.435/75. Não se tratando os insumos de matériasprimas agrícolas e/ou extrativas vegetais de produção regional, não há direito ao creditamento ficto. Fl. 2497DF CARF MF 8 VOTO: Destarte, ressumbra do relatado que todos os insumos cujos créditos foram objeto de glosa originamse da Zona Franca de Manaus. Em função disso, a saída de seus produtos industrializados são isentas. Até aí, sem problemas. Contudo, como a operação é isenta, e o princípio da nãocumulatividade tem como requisito o pagamento do IPI cobrado na operação anterior, só haverá direito ao creditamento nessas operações quando houver lei específica que assim permita esse creditamento ficto de IPI, nos termos do que dispõe o art. 150, § 6º da Constituição da República. Como esse creditamento é presumido, eis que não há cobrança de IPI na operação isenta, desvirtuando a natureza da nãocumulatividade do IPI, operase uma verdadeira renúncia fiscal. Decorrente dessa causa, o legislador constituinte, por meio da EC 03/1993, determinou que só pode ser veiculada “mediante lei específica”, no caso lei federal ante à competência da União para instituir o IPI. Mas tal benesse fiscal, então na qualidade de benefício fiscal autônomo, pautarseia em razões de política fiscal e não no princípio da nãocumulatividade, entendimento já consolidado pelo STF. E quanto aos fatos não há controvérsia. A Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional em seu processo industrial, exceto semente de guaraná na elaboração do concentrado de guaraná. Concluiu, também, que o açúcar é um produto industrializado que a Recofarma adquire da empresa Agropecuária Jayoro Ltda. Claro está que somente há direito a crédito de insumo isento, o chamado crédito ficto, quando houver incidência das condições fáticas e jurídicas determinadas no artigo 6º, do DL 1.435/75, reproduzido no art. 82, III, do RIPI/2002. Analiso a legislação pertinente. O art. 6º do Decretolei 1.435/1975, tem a seguinte dicção: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. (sublinhei) Esse artigo vaza duas normas de incentivo fiscal e uma condição para fruição daqueles. A primeira norma estatui a isenção para produtos industrializados que sejam elaborados Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10166.721520/201424 Acórdão n.º 3402006.336 S3C4T2 Fl. 2.495 9 com matériaprima agrícola de produção regional, que é a que interessa para a lide sob análise, por estabelecimento situados na Amazônia Ocidental. A segunda é a que estatui o creditamento ficto em relação àquela isenção do parágrafo anterior. E a terceira, por fim, estabelece uma condição fática, qual seja, que o gozo dos incentivos só compreende os estabelecimentos fiscais cujos projetos industriais tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Portanto, restando provado à exaustão que os produtos objeto da glosa não se subsumem à hipótese do art 6º do DL 1.435/75, pois não se tratam de matériasprimas, escorreita a glosa, sendo incontroverso que a Recofarma não cumpriu nem o PPB e nem o requisito de aplicar matériasprimas agrícolas e/ou extrativa vegetal de produção regional. Também não há que se falar em boafé da autuada “por atos praticados por terceiros”. A recorrente alegou que agira de boa fé, pois tomara o crédito com base em notas fiscais idôneas, emitidas por seu fornecedor regularmente instalado na Zona Franca, tendo direito aos créditos fictos aproveitados. Tal alegação não merece guarida, pois as notas fiscais que deram suporte ao crédito consignaram dois dispositivos legais que contemplam isenções diferentes. Um deles não dá direito ao crédito ficto por inexistência de expressa disposição legal (art. 69, II, do RIPI/2002). E o outro dispositivo foi utilizado indevidamente, pois houve descumprimento do PPB e falta de aplicação de matériaprima vegetal de origem regional (art. 82, III, do RIPI/2002). (sem destaques no texto original) Verificase que a fundamentação apresentada no voto acima transcrito está de acordo com a respectiva Ementa, que condiciona o creditamento ficto aos insumos de matérias primas agrícolas e/ou extrativas vegetais de produção regional. Observo que foi demonstrado no voto que o direito creditório em questão subordinase às condições fáticas e jurídicas determinadas no artigo 6, do DL 1.435/75, reproduzido no art. 82, III, do RIPI/2002. A condição fática estabelecida compreende tão somente os estabelecimentos cujos projetos industriais tenham sido aprovados pela SUFRAMA, o que é fato incontroverso nos autos, como acima já mencionado. Já as condições jurídicas, segundo o entendimento da maioria do Colegiado naquela decisão, se reportam àquelas previstas pelo artigo 6, do DecretoLei nº 1.435/75, quais sejam: elaboração dos produtos industrializados diretamente com matériaprima agrícola de produção regional, por estabelecimento situados na Amazônia Ocidental. Fl. 2499DF CARF MF 10 O douto Conselheiro Relator fez constar que a Recofarma adquire produtos já industrializados2 para elaboração dos concentrados comercializados para a empresa Recorrente, ou seja, a fornecedora não utiliza diretamente matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional em seu processo industrial, exceto semente de guaraná na elaboração do concentrado de guaraná. Analisando a afirmação questionada pela Embargante dentro do contexto da fundamentação que compõe o voto, denotase aparente lapso material, tornando necessário, para melhor conclusão, o reexame das provas que embasaram a decisão recorrida. Da análise dos autos, é possível constatar que a expressão questionada foi extraída do Item 27 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.2901.373, o qual fazia menção à afirmação da fornecedora Recofarma apresentada em resposta ao Termo de Diligência Fiscal nº 1 (fls. 1.2211.281). Vejamos o texto em referência: 27. De acordo com a informação prestada pela Recofarma, esta não utiliza diretamente matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional em seu processo industrial, exceto semente de guaraná na elaboração do concentrado de guaraná. O açúcar é um produto industrializado que a Recofarma adquire da empresa Agropecuária Jayoro Ltda. No entanto, logo na sequência o Auditor Fiscal assim destacou: 29. Assim, a empresa indicada pela Recofarma como sua fornecedora de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional declarou que forneceu apenas produtos industrializados – açúcar cristal, álcool neutro e extrato de guaraná. 30. Com o intuito de confirmar estes esclarecimentos, analisamos as notas fiscais eletrônicas emitidas pela Agropecuária Jayoro Ltda, nas quais o destinatário foi a Recofarma, no período abrangido por este procedimento fiscal. Ao verificar estas notas de aquisição de mercadorias pela Recofarma, constatouse que esta empresa não adquiriu semente de guaraná, mas extrato de guaraná. Não há aquisição de semente de guaraná ou qualquer outra matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. 31. As demais matériasprimas empregadas pela Recofarma em cada concentrado comercializado para a Brasal Refrigerantes S/A, conforme esclareceu a Recofarma, foram informadas no Demonstrativo de Coeficiente de Redução do Imposto de Importação – DCRE e são produtos industrializados, tais como cafeína, ácido fosfórico, ácido cítrico, cloreto de sódio, óleo de casca de laranja, entre outros. (sem destaques no texto original) Observo ainda que na resposta da empresa Agropecuária Jayoro Ltda (1.284 1.289), fornecedora da Recofarma, foi afirmado que o produto adquirido para a fabricação do concentrado vendido para a Recorrente tratase de extrato de guaraná, e não propriamente a 2 Exemplo: Açúcar cristal, álcool neutro, extrato de guaraná, cafeína, ácido fosfórico, ácido cítrico, cloreto de sódio, óleo de casca de laranja, entre outros. Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10166.721520/201424 Acórdão n.º 3402006.336 S3C4T2 Fl. 2.496 11 semente, como equivocadamente deu a entender a expressão objeto destes embargos. Vejamos o teor daquele documento: Outrossim, ao que pese o questionamento sobre o direito creditório, em razões de Recurso Voluntário a própria Embargante já havia especificado os produtos adquiridos pela Recofarma, senão vejamos as afirmações extraídas da peça recursal: (...) Com isso, devolvendo a expressão questionada em peça de embargos ao contexto do voto que embasou o Acórdão recorrido, reforçado pela respectiva Ementa, bem Fl. 2501DF CARF MF 12 como considerando a análise dos fatos e reexame das provas, é flagrante que estamos diante apenas de lapso manifesto passível de correção, porém sem alterar a conclusão do Colegiado, motivo pelo qual não devem ser aplicados efeitos infringentes. Por fim, impera salientar que, uma vez enfrentada a matéria pelo Colegiado através do v. Acórdão recorrido, não cabe à parte rediscutir o litígio por esta via recursal. 3. Dispositivo Ante o exposto, para o fim de sanar o lapso e evitar dúvidas sobre os fundamentos que conduziram a decisão anteriormente proferida por este Colegiado através do Acórdão nº 3402002.993, voto por ACOLHER os embargos inominados, sem atribuição de efeitos infringentes, retificando a folha 12 do r. voto do Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire, para fazer constar o seguinte texto: "E quanto aos fatos não há controvérsia. A Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional em seu processo industrial. Concluiu, também, que o açúcar é um produto industrializado que a Recofarma adquire da empresa Agropecuária Jayoro Ltda." É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 2502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.910606/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 15/01/2001
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
Numero da decisão: 3201-005.089
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 06 06 /2 01 1- 08 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição(PER) que restou indeferido pela DRF de jurisdição, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o direito creditório pleiteado tem origem na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Anexa demonstrativos e DIPJ. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 06052.120. Irresignado com r. julgado, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta: a) a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do §1º, art. 3º da Lei 9.718/98; b) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; c) carreou documentos – demonstração de resultados e livro razão; d) que deve se aplicado princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.079, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.910592/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.079): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que a DRJ adotou entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal: No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.910606/201108 Acórdão n.º 3201005.089 S3C2T1 Fl. 3 3 Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Contudo, os documentos colacionados não foram suficiente para reconhecer a existência de pagamento a maior, vejamos: Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados e que já estariam integralmente alocados. De fato. Embora a interessada argumente que os documentos anexados comprovariam que as outras receitas que não as decorrentes do faturamento têm origem nas receitas financeiras, variação cambial ativa, atualização monetária, descontos obtidos e recuperação de custos e despesas, não é isso que se verifica ao analisar os documentos trazidos à lide. Nessa esteira, conclui: Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Apenas no Acórdão da DRJ o Contribuinte tomou ciência de quais documentos seriam necessário para apuração do seu crédito. Nesse sentido dicção do art. 16, §4º do Dec. 70.235/72, vejamos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Deste modo o contribuinte apresentou o livro razão no primeiro que exigido, ou seja, apenas no Recurso Voluntário, Fl. 158DF CARF MF 4 assim, sendo prova hábil de seu possível crédito, devendo esse, ser apurado pela unidade de origem. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade superada à ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito ao crédito do contribuinte, podendo, intimar para apresentar demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem, superada a ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito creditório do contribuinte, podendo intimálo para apresentar demais documentos que entenda necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000027/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência expressamente prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006.
As normas isentivas, a teor do art. 111 do CTN, devem ser interpretadas restritivamente.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2008 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência expressamente prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. As normas isentivas, a teor do art. 111 do CTN, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso do Procurador provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10640.000027/200886 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.136 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria IPI DEFICIENTE FÍSICO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEBORAH PROBST GAUDARD VAROTTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência expressamente prevista em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. As normas isentivas, a teor do art. 111 do CTN, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 00 27 /2 00 8- 86 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10640.000027/200886 Acórdão n.º 9303008.136 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 13/22), admitido pelo Despacho de fls. 91/92, contra o Acórdão nº 380301.344, de 02/03/2011, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008 Extensão do benefício legal . Portador de deficiência física espondilite anquilosante apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que acarreta o comprometimento da função física. A Administração Pública deverá observar, dentre outros, aos princípios da isonomia, liberdade de tráfego, razoabilidade, princípio da dignidade humana e segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Relator. Designado o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para a redação do voto vencedor. Alega a Fazenda Nacional, em resumo, que só fazem jus à isenção do IPI na aquisição de veículos automotores nacional as pessoas que possuem as doenças arroladas no art. 1º, IV, da Lei 8.989/95, devendo a norma ser interpretada restritivamente nos termos do art. 111 do CTN. Assevera que no caso a requerente é portadora de espondilite anquilosante, doença que não consta daquelas elencadas na norma isentiva. Cita escólio jurisprudencial no sentido de que "as isenções, diante da inteligência do art. 111, II, do CTN devem ser interpretadas literalmente, ou seja restritivamente, pois sempre implicam renúncia de receita" (STJ Resp 31.215/SP), e que "A Lei no 8.989/95, ao tratar da isenção de IPI sobre a aquisição de veiculo automotor por deficiente físico, não elencou como destinatário do beneficio fiscal os portadores de deficiência auditiva, de forma que não cabe, por critério subjetivo de justiça, estender o beneficio fiscal" (TRF4). Alfim, pede o provimento do especial para restabelecer o despacho decisório que indeferiu o pleito da requerente. Cientificada (fl. 97), a requerente não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10640.000027/200886 Acórdão n.º 9303008.136 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Conheço do recurso nos termos em que processado. Preliminarmente de ressaltar, determina o art. 111 do CTN, que a norma isentiva deve ser interpretada restritivamente, eis que o Estado está abrindo mão de uma receita com um fim econômico, ou social, como in casu, como bem lembrou o relator do aresto recorrido. Assim, entendo que o rol de doenças que a norma isentiva arrolou são numerus clausus. Não faz o menor sentido o legislador ordinário veicular norma isentiva apenas a título de exemplificação, deixando em aberta sua tipificação pelo intérprete. Portanto, meu voto parte do pressuposto que só pode ser considerada "pessoa portadora de deficiência física" aquela cuja deficiência enquadrese nos estritos termos veiculados pelo art. 1º da Lei 8.989/1995 (e suas alterações posteriores Leis 10.690/2003 e 10.754/2003. Ademais, o art. 3º1 daquela norma delegou à então SRF o reconhecimento da referida isenção, "mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos" na lei. Para tanto, a RFB editou a IN RFB 988/2009, posteriormente alterada pela IN RFB 1.639/2013. Vejase o teor das normas que importam ao deslinde da quaestio: Lei 8.989/95: Art. 1oFicam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: ... IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (grifei) 1 Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10640.000027/200886 Acórdão n.º 9303008.136 CSRFT3 Fl. 5 4 Decreto 3.298/99 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência físicaalteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) A Instrução Normativa nº 988/2009 assim dispõe: Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; ... § 6º Para efeito do disposto no inciso I do caput, poderá ser considerado, para fins de comprovação da deficiência, laudo de avaliação obtido: I – no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX, X ou XI; e II– por intermédio de Serviço Social Autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, fiscalizado por órgão dos Poderes Executivo ou Legislativo da União, observados os modelos de laudo constantes dos Anexos IX, X ou XI. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10640.000027/200886 Acórdão n.º 9303008.136 CSRFT3 Fl. 6 5 De acordo com o regime, dentre todas as deficiências físicas que fustigam os seres humanos, somente possibilitam a outorga da isenção – e desde que acarretem permanente comprometimento da função física paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, ostomia, paralisia cerebral, nanismo e membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções As expressões plegia e paresia formam os vocábulos (a) paraplegia e paraparesia, (b) monoplegia e monoparesia, (c) tetraplegia e tetraparesia, (d) triplegia e triparesia e (e) hemiplegia e hemiparesia, segundo acometam, respectivamente, (a) ambos os membros inferiores, (b) todos os músculos em um membro, seja inferior ou superior, (c) de todas as quatro extremidades (d) três dos quatro membros e (e) um membro superior, inferior e, por vezes, face, em um lado do corpo. No caso concreto, inquestionavelmente, a requerente é portadora de síndrome cérvicobraquial (CID10 M 43.2, M 53.1), manifestandose por dor cérvicobraquial ao fazer rotação e inclinação da coluna cervical, conforme o laudo de fl. 53. Assim, descartase a subsunção do caso às plegias, posto que de paralisia não se trata. Tampouco às deficiências relacionadas a membros (ausência, amputação, deformidade congênita ou adquirida), haja vista que a espondilite anquilosante manifestase na coluna cervical (vértebras C1, C2 e C3). Igualmente, afastase, evidentemente, a ostomia, o nanismo, a paralisia cerebral e as deficiências visual e mental ou o autismo. Restaria a possibilidade de enquadramento do caso concreto nas paresias. No entanto, conforme referido, estas são manifestações clínicas das doenças do sistema motor, ao passo que a espondilite anquilosante está descrita como uma entidade nosológica de natureza congênita na coluna vertebral definida como barra de fusão Cl C2 C3. Ademais, inexiste , nos laudos acostados aos autos pela interessada, qualquer referência a redução de forma nos membros superiores decorrente da doença. Portanto, entendo correto o despacho decisório local que indeferiu o pleito de isenção. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando o despacho decisório de fls. 44/45, que indeferiu o pleito isentivo. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10640.000027/200886 Acórdão n.º 9303008.136 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944980/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.554
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.485. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 0/ 20 13 -7 2 Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10880.944980/201372 Resolução nº 3201001.554 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10880.944980/201372 Resolução nº 3201001.554 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001386/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001386/200832 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2402007.017 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SISTEMA FACIL, INCORPORADORA IMOBILIARIA SAO PAULO III SPE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 13 86 /2 00 8- 32 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16004.001386/200832 Acórdão n.º 2402007.017 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16004.001386/200832 Acórdão n.º 2402007.017 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16004.001386/200832 Acórdão n.º 2402007.017 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 580DF CARF MF
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