Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16682.721463/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ERRO MATERIAL. IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO. VÍCIO SANÁVEL.
Conforme se extrai do artigo 66 do Regimento Interno do CARF as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Seguindo tal mandamento, corrige-se o erro material atinente ao impedimento declarado de conselheiro de turma.
Numero da decisão: 1402-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, acolher e dar provimento, sem efeitos infringentes, aos embargos interpostos, para sanar erro formal alegado pela embargante, rerratificando o teor da decisão embargada. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 ERRO MATERIAL. IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO. VÍCIO SANÁVEL. Conforme se extrai do artigo 66 do Regimento Interno do CARF as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Seguindo tal mandamento, corrige-se o erro material atinente ao impedimento declarado de conselheiro de turma.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.721463/2013-40
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894214
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.115
nome_arquivo_s : Decisao_16682721463201340.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 16682721463201340_5894214.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, acolher e dar provimento, sem efeitos infringentes, aos embargos interpostos, para sanar erro formal alegado pela embargante, rerratificando o teor da decisão embargada. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7402022
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588655124480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 746 1 745 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721463/201340 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402003.115 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria ERRO MATERIAL Embargante OI S.A. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ERRO MATERIAL. IMPEDIMENTO DE CONSELHEIRO. VÍCIO SANÁVEL. Conforme se extrai do artigo 66 do Regimento Interno do CARF as alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Seguindo tal mandamento, corrige se o erro material atinente ao impedimento declarado de conselheiro de turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, acolher e dar provimento, sem efeitos infringentes, aos embargos interpostos, para sanar erro formal alegado pela embargante, rerratificando o teor da decisão embargada. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 63 /2 01 3- 40 Fl. 746DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correia Dias e Edgar Bragança Bazhuni. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402003.115 S1C4T2 Fl. 747 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 1402002.514, proferido em 17 de maio de 2017, pela 4ª Câmara/2º Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF. "Do lançamento: 0 presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DEMAC/Rio de Janeiro em 19/12/2013, de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 8.271.643,60 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 2.986.431,70, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 255/272, decorre das seguintes irregularidades apuradas no exercício de 2009, anocalendário 2008: 0001 Ajustes do Lucro Líquido do exercício. Adições não computadas na apuração do lucro real (item 03 e 06 do TVF): Falta de adição ao Lucro Líquido para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL de provisão indedutível, no valor de R$ 30.577.171,19, referente a atualização monetária e juros sobre depósitos judiciais de tributos (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços ICMS e Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações FUST) com exigibilidade suspensa. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts 247 e 249 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034, 12 de abril de 1990 e art. 17 da Lei n° 11.727 de 23 de junho de 2008, art 57 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 13 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 0002 Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real. Exclusões indevidas (itens 4 e 6 do TVF). Glosa da exclusão do valor de R$ 2.605.403,20, uma vez que a interessada, intimada e reintimada, restringiuse a afirmar que tal exclusão estaria interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48 no anocalendário de 2004, proveniente de tributos pagos indevidamente, sem apresentar documentação comprobatória de suas alegações. O TVF destaca que o único indício dessa possível interligação seria o histórico do lançamento de exclusão na parte A do Lalur de 2008, "tributos pagos em Fl. 748DF CARF MF 4 duplicidade realização parcial adição em set/2004", mas que na parte B do mesmo Lalur não consta saldo inicial relativo a ficha "Tributos pagos em Duplicidade", contrariando o alegado pela interessada, face à inexistência de saldos anteriores passíveis de exclusão. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249/1995 e arts 247 e 250 do RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689/1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034/1990 e art. 17 da Lei n° 11.727/2008, art 57 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações da Lei n° 9.065/1995, art. 1° da Lei n° 9.316/1996, art. 28 da Lei n° 9.430/1996, arts. 2° da Lei n° 9.249/1995 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 21/01/2014, a impugnação de fls. 326/341, onde descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Com relação à falta de adição dos juros sobre tributos com exigibilidade suspensa, que inexiste norma que impeça a dedutibilidade dos mesmos e que tais juros de mora não seriam acessórios do principal "tributo" mas sim obrigação principal (art. 113 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN), possuindo fato gerador próprio independente do fato gerador dos tributos, conforme art 161 do CTN, podendo, inclusive, serem exigidos isoladamente (art. 43 da Lei n° 9.430/1996), não alterando a suspensão da exigibilidade em nada a incidência dos juros, bem como a extinção do principal não extingue os juros. Os juros se caracterizariam em despesa financeira, sendo, portanto, dedutíveis à luz do Parecer Normativo CST n° 174/1974. Que os tributos com exigibilidade suspensa não seriam meras provisões, uma vez que se trataria de uma obrigação "líquida e certa" e que não teria prazo ou valor incertos, o que caracteriza uma provisão, que é uma expectativa de obrigação, diferente dos tributos, mesmo com exigibilidade suspensa, que nasceriam com a ocorrência do fato gerador e nenhuma medida judicial ou administrativa proposta pelo contribuinte afetaria suas características para transformálo em expectativa de obrigação. Assim, estaria comprometida a base no qual se sustentou a fiscalização para a autuação, uma vez que não existe norma que determine a não dedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, devendo sobre os mesmos ser observada as regras gerais de dedutibilidade, qual seja, o princípio de competência. Transcreve ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda CARF. Quanto à autuação de exclusão indevida, junta Lalur do anocalendário de 2004, demonstrando a adição de "Demais impostos e taxas" na parte A, e controlado na parte B, e que tal valor mantevese incólume até o final do ano de 2007, que seria o mesmo saldo no início do ano autuado de 2008, estando demonstrado que tal provisão não foi revertida, mesmo porque só verificada ao longo do ano de 2008, com a exclusão parcial. Alega que, comprovado que não houve qualquer exclusão da provisão adicionada em 2004, até o final do ano de 2007, bem como diante da informação que o saldo excluído representa exclusão parcial da provisão constituída, não há como argumentar que não existe correlação entre os ajustes. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402003.115 S1C4T2 Fl. 748 5 Encerra pugnando pela realização de diligência ou perícia, indicando seu perito e os quesitos, e pedindo seja julgada procedente a impugnação e cancelados os autos de infração." Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A impugnação apresentada pela recorrente foi declarada improcedente e o crédito tributário foi mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual não houve inovação em seus argumentos ou pedidos. Vejase a ementa da decisão combatida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado, na podendo ser deferida diligência ou perícia para suprir tal falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de indedutibilidade. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS MOTIVOS DE EXCLUSÃO. AUTUAÇÃO MANTIDA. Mantêmse a autuação quando continuar sem a devida demonstração e comprovação, por documentação hábil e idônea, os motivos que levaram a exclusão ao lucro líquido para cálculo do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO COM SUPORTE FÁTICO COMUM. Aplicase ao lançamento de CSLL o decidido sobre o lançamento de IRPJ, por terem suporte fático comum. Quanto ao restante do trâmite processual, registrase que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN e que não há Recurso de Ofício a ser examinado." Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 750DF CARF MF 6 O Acórdão proferido pelo CARF, negou provimento ao Recurso Voluntário, mantendo íntegros os créditos tributários constituídos a título de IRPJ e CSLL. Ainda inconformada, interpôs a fiscalizada, Embargos Inominados (efls. 623 a 626), afirmando que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1402002.514, incorreu em erro material no que se refere à composição da Turma Julgadora. Afirma que, conforme os termos da Ata de Reunião de Julgamento, o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella havia se declarado impedido para a apreciação da lide e que, não obstante, pela leitura do decisão colegiada, seu nome consta como um dos integrantes da Sessão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Requereu ainda, seja processada a adesão ao PRT e, suspensa a exigibilidade dos débitos incluídos no programa, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, os quais não podem constituir óbice à renovação da Certidão de Regularidade Fiscal, bem como ser objeto de quaisquer atos de cobrança. O despacho de admissibilidade (efolha 745) admitiu os embargos reconhecendo a necessidade de sanar erro material. É o relatório. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402003.115 S1C4T2 Fl. 749 7 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Os Embargos Inominados opostos pela Recorrente são tempestivos, foram admitidos pelo despacho de Admissibilidade de p. 745 e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Verificase que o objeto dos embargos se resume em sanar erro material referente a presença do nome do Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella na lista de Conselheiros presentes no julgamento do v. Acórdão nº 1402002.514. Em verdade, como comprovado pela ata daquela sessão de julgamento, o i. Conselheiro mencionado, embora presente, declarouse impedido de participar do julgamento. Desta forma, acolho os Embargos Inominados para que se retifique o dispositivo do v. Acórdão nº 1402002.514 para que: Ao invés de se ler: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Passese a ler: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella declarouse impedido. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Fl. 752DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei. Corrigido o erro material, observase que a Embargante, na mesma petição de embargos, informa que aderiu ao Programa de Regularização Tributária (PRT) e, ao final, requer a suspensão dos créditos tributários incluídos no referido parcelamento. Esse requerimento é estranho ao objeto dos embargos de declaração, e, portanto, não foi considerado no despacho de admissibilidade e não deve ser tratado neste acórdão integrativo. Neste sentido, vejase o que dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (grifei) Esclarecese à Embargante, contudo, que ao seu pedido será dado o encaminhamento adequado, com o seu processamento em separado. Diante do exposto, dou provimento aos Embargos Inominados para sanar o erro material apontado, nos termos acima especificados. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402003.115 S1C4T2 Fl. 750 9 Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729847/2014-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE
As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não-cumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS.
AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES.
As despesas de obrigações por empréstimos e repasses realizados por entidades oficiais às agências de fomento se incluem no conceito de insumo para fins de aplicação do regime não cumulativo do PIS e da COFINS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010, 2011
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao recurso para reconhecer o enquadramento da agência de fomento como Instituição Financeira, na forma do art. 22, §1º, da Lei n.º 8.212/91.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não-cumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. As despesas de obrigações por empréstimos e repasses realizados por entidades oficiais às agências de fomento se incluem no conceito de insumo para fins de aplicação do regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010, 2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.729847/2014-53
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892555
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.393
nome_arquivo_s : Decisao_10580729847201453.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580729847201453_5892555.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao recurso para reconhecer o enquadramento da agência de fomento como Instituição Financeira, na forma do art. 22, §1º, da Lei n.º 8.212/91. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7392936
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588678193152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 4.562 1 4.561 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.729847/201453 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.393 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente DESENBAHIAAGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DA BAHIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. AGÊNCIAS DE FOMENTO. DESPESAS DE OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. As despesas de obrigações por empréstimos e repasses realizados por entidades oficiais às agências de fomento se incluem no conceito de insumo para fins de aplicação do regime não cumulativo do PIS e da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao recurso para reconhecer o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 98 47 /2 01 4- 53 Fl. 4562DF CARF MF 2 enquadramento da agência de fomento como Instituição Financeira, na forma do art. 22, §1º, da Lei n.º 8.212/91. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 2/54), lavrado contra a empresa DESENBAHIA AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DA BAHIA S/A., em virtude da apuração de insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS e para a COFINS, referente aos anos calendário de 2010 a 2012, resultando na exigência fiscal no total de R$ 12.845.705,08, incluídos principal, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 56/78, a Fiscalização informa as razões que motivaram o referido lançamento. O escopo da auditoria, como indicado no TVF, foi o de verificar a apuração das Contribuições relativas ao PIS e à Cofins devidas pela fiscalizada no contexto da divergência de interpretação quanto à caracterização das Agências de Fomento como Instituições Financeiras (IF). Também sob o foco da investigação, ocorreu a verificação da correta apuração da base de cálculo das Contribuições, especialmente no que se refere à análise das deduções e exclusões aplicáveis. A fiscalização afirma que a DESENBAHIA, relativamente aos anos calendário 2010 a 2012, apurou os tributos PIS e COFINS pelo regime cumulativo, como se Instituição Financeira fosse. Assinala ainda que a fiscalizada excluiu da base de cálculo das citadas contribuições as rubricas “recuperação de créditos baixados como prejuízo”, “reversão de provisões operacionais”, “despesas de obrigações para empréstimos e repasses”, “rendas de participações societárias” e “outras exclusões”. No que se refere ao regime de apuração do PIS e da COFINS devidos pelas Agências de Fomento, assim se posiciona a fiscalização no texto do Termo de Verificação (principais trechos): "O inciso I, do artigo 8º, da Lei nº 10.637/02, estabeleceu que as pessoas jurídicas referidas nos parágrafos 6º, 8º e 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835/2001), e da Lei nº 7.102/83, permaneceriam sujeitas ao regime cumulativo de apuração do tributo PIS, não se lhes aplicando as disposições dos artigos 1º a 6º (Lei 10.637/02 não cumulatividade). De forma idêntica, o inciso I, do artigo 10, da Lei nº 10.833/03, estabeleceu que as pessoas jurídicas referidas nos parágrafos 6º, 8º e 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 e da Lei nº 7.102/83, permaneceriam sujeitas ao regime cumulativo de apuração do tributo COFINS. Fl. 4563DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.563 3 Por seu turno, o parágrafo 6º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, remeteu ao parágrafo 1º, do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, que definiu as pessoas jurídicas que permaneceriam sujeitas à apuração dos tributos em epígrafe pelo regime cumulativo, conforme se verifica, in verbis: 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (...). Da leitura dos diplomas legais acima mencionados, observouse que as pessoas jurídicas que permaneceriam sujeitas ao regime cumulativo de apuração dos tributos PIS e COFINS, estavam listadas no parágrafo 1º, do artigo 22, da Lei 8.212/91, que assim dispunha sobre o tema, in verbis. (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Analisandose o conjunto da legislação de regência dos tributos PIS e COFINS, no biênio em epígrafe, constatouse que as Agências de Fomento, não estão autorizadas a apurar os citados tributos pelo regime cumulativo, restando a obrigatoriedade do regime não cumulativo. Notese que os parágrafos 8º e 9º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, também incluídos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, estabeleceram deduções específicas a outros tipos de instituição não constantes no parágrafo 1º, do artigo 22, da Lei 8.212/91, que foram, a partir da edição dos artigos 8º, da Lei 10.637/02 (PIS) e 10, da Lei 10.833/03 (COFINS), excepcionadas do regime de apuração não cumulativo dos citados tributos. Todavia, as Agências de Fomento já instituídas nesse momento, não foram contempladas pelo legislador com a possibilidade de apuração dos tributos supracitados pelo regime cumulativo. Sobre essa matéria, de forma resumida, assim conclui a Fiscalização: "(...) Do todo acima exposto, concluiuse que a Desenbahia, no período compreendido entre os anos calendário 2010 e 2011, ainda que componente do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizava nem se equiparava pelas atividades exercidas às instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração do regime não cumulativo da contribuição ao PIS e da COFINS. Em relação ao ano calendário 2012, a Desenbahia apurou os tributos PIS e COFINS pela sistemática da cumulatividade albergada pelo artigo 1º, inciso I, e parágrafo 2º, da Instrução Fl. 4564DF CARF MF 4 Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012, com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.314, de 28 de dezembro de 2012". Na sequência do procedimento, a Fiscalização analisa a composição da base de cálculo para o PIS e a Cofins no contexto do regime cumulativo (anoscalendário de 2010 e 2011), primeiro identificando a matriz de receitas auferidas pela contribuinte com base na escrita contábil. Sobre as receitas que necessariamente compõe a base de cálculo afirma a fiscalização: "(...) Analisandose as rubricas “Rendas de Empréstimos”, Rendas de Financiamentos”, “Rend. Financ RuraisAPL Repassadas e Refinanciadas” e “Rendas de Financiamentos Agroindustriais”, constatouse que são receitas típicas das Agências de Fomento, sem qualquer particularidade, sendo por isso, consideradas tributáveis no que se refere aos tributos PIS e COFINS. As receitas/rendas auferidas pela Desenbahia com a prestação de serviços, código da conta nº 7.1.7.00.009, se referem basicamente às taxas de abertura de conta, taxas de análises e avaliação de bens que não encontram respaldo legal para a não tributação, sendo portanto, consideradas tributáveis pelo regime não cumulativo, por esta Auditoria". No que se refere às receitas financeiras auferidas pela Recorrente, relativas às rubricas "Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez” e “Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos”, afirmou a auditoria que nos termos do artigo 1º, do Decreto nº 5.442, de 2005, foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade. Em nova frente, relata no TVF que foi avaliado a tributação do grupo de receitas intitulado "Outras Receitas Operacionais", código da conta nº 7.1.9.00.00 5, observouse que diversas subcontas a compõem, conforme demonstrativo abaixo. Consta do TVF que "No que se refere à rubrica “recuperação de créditos baixados como prejuízo”, código nº 7.1.9.20.009, observouse que o contribuinte auferiu receitas novas e não as ofereceu a tributação, conforme relato que se segue". A partir desse ponto, a Fiscalização passa a anlise com fim de aferir as exclusões efetuadas a título de recuperação de créditos baixados como prejuízo. Em quadro demonstrativo que integra o TVF, a autoridade aponta que parte dos créditos baixados como prejuízo foram recuperados por valores superiores aos registros contábeis, devendo ser considerados como receita nova e, portanto, submetidos à tributação. Concluindo a análise do grupo de contas em referência, a auditoria anota que as demais contas registradas sob a rubrica de Outras Receitas Operacionais integram a base de cálculo do PIS e da Cofins por falta de previsão legal que autorize a exclusão. Acrescenta ainda a auditoria que os valores contabilizados na conta "Receitas não Operacionais" foram considerados tributáveis. Fl. 4565DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.564 5 Posto isto, o Fisco passa a avaliar a legitimidade das exclusões/deduções à base de cálculo traduzidas nas rubricas “recuperação de créditos baixados como prejuízo”, “reversão de provisões operacionais”, “despesas de obrigações para empréstimos e repasses”, “rendas de participações societárias” e "outras exclusões". Afirma a Recorrente que a exclusão desses valores teria amparo nos artigos 7º e 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 2012. Por outro lado, informa a Fiscalização que a Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 2012, no seu artigo 21, dispôs que a vigência da norma se daria a partir da data de publicação ocorrida em 13 de agosto de 2012, não retroagindo a 2010 e 2011. Por fim, explica a fiscalização que admitiu a exclusão dos valores registrados na rubrica "Outras Exclusões". Dos créditos de PIS e de Cofins admitidos no regime não cumulativo A fiscalização intimou a Recorrente a apresentar planilha com a relação de rubricas contábeis que ensejariam aproveitamento de créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Foi entregue demonstrativo identificando os gastos com energia elétrica, código da conta nº 8.1.7.03.003. Analisada a escrituração contábil, verificouse que, em relação ao ano de 2010, registrou indevidamente à conta de despesas com energia elétrica o valor de R$ 33.905,52 equivalente a despesas com a Secretaria de Cultura e Secretaria de Turismo. Não houve divergência quanto ao valor da energia elétrica contabilizada em relação ao ano de 2011. A fiscalização finaliza com os demonstrativos da recomposição da base de cálculo do PIS e da Cofins e sua contraposição aos valores apurados pela contribuinte. As diferenças resultantes foram lançadas de ofício. Cientificada do Auto de Infração em 28/11/2014, a Recorrente apresentou as impugnações de fls. 4.035/4.048 e 4.049/4.062, contestando a autuação com base nos seguintes argumentos: de início, elabora um histórico a respeito da origem das Agências de Fomento e que o Banco Central do Brasil, por meio da Resolução n° 2.574, de 17 de dezembro de 1998, tornou públicas as normas para o estabelecimento e funcionamento das Agências de Fomento; que em 30 de março de 2001, a aludida Resolução do Bacen foi revogada pela edição da Resolução n°. 2.828, ato que novamente dispôs sobre as Agências de Fomento, desta vez com maior amplitude e detalhamento, sem contudo ter atentado contra a disposição legal encartada pela Medida Provisória n° 2.19270/2001. Segundo a defesa, o ato em foco expressamente trata das aludidas instituições como integrantes do Sistema Financeiro, consoante a redação do art. 1º da novel Resolução (cita os artigos); alega que a caracterização das Agências de Fomento como instituições financeiras decorre do disposto no art. 17 da Lei nº 4.595, de 1964, cuja definição nele contida estendese perfeitamente às agências de fomento, sem necessidade de outra norma que fixe explicitamente essa natureza; Fl. 4566DF CARF MF 6 chama a atenção para o fato de que o Conselho Monetário Nacional, no art. 8o, da Resolução nº 2.828, de 2001, aloja norma que estendeu às agências de fomento, as condições e limites estabelecidas para o funcionamento das demais instituições financeiras: Art. 8° Aplicamse às agências de fomento as mesmas condições e limites operacionais estabelecidos para o funcionamento de instituições financeiras na Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, na legislação e regulamentação posteriores relativas ao Sistema Financeiro Nacional, no que não conflitarem com o disposto nesta Resolução. conclui afirmando que Agência de Fomento do Estado da Bahia S/A, caracterizase como Instituição Financeira. Desse modo, apurou PIS e Cofins segundo o regime da cumulatividade. Seria, assim, equivocado o entendimento fiscal segundo o qual a autuada não se encaixaria no rol de instituições referidas pelo art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. No entanto, mesmo discordando da sua exclusão do regime cumulativo pela auditoria no tocante aos anos de 2010 e 2011, diz ela deixar de impugnar esse ponto do auto de infração. Nas palavras da defesa: "(...) Não obstante o ostensivo repúdio que a impugnante consigna quanto à sua exclusão do regime cumulativo de reconhecimento da Contribuição [...], deixa, contudo de impugnar tal ponto do auto de infração, pois a exemplo da conduta adotada pelo Fisco Federal, entende que pode obter mais benefícios, para os exercícios de 2010 e 2011, mantendose no regime nãocumulativo, ante as mais recentes decisões do CARF, as quais, inclusive, contam com a chancela da Procuradoria da Fazenda Nacional, entidade que dá os direcionamentos que devem ser seguidos pelos Analistas e Auditores da Receita Federal do Brasil". Como se vê, a Desenbahia deixou também de impugnar o lançamento de ofício promovido sobre as receitas novas decorrentes de recuperação de créditos baixados em prejuízo, quanto à variação positiva entre o valor registrado como prejuízo na data de sua baixa e o valor efetivamente recuperado posteriormente. Sobre a matéria, afirma haver recolhido o respectivo valor da obrigação principal, além da multa reduzida em 50%, na forma do art. 6º, da Lei n° 8.218/91, consoante comprovaria Guia DARF devidamente quitada anexada aos autos. Acrescenta ainda a instituição ter promovido a compensação do valor de R$ 1.100.000,00, com o valor correspondente aos créditos lançados no auto de infração em foco. O crédito correspondente, prossegue, decorreria do pagamento a maior de Contribuição Social Sobre a Folha de Salários, pois, de maneira coerente ao entendimento que aplicou à contribuições ao PIS e à Cofins, interpretou o §1° do art. 22 da Lei n° 8.212/91 como numerus apertus e recolheu as exações previstas nos incisos I e III com o adicional de 2,5%. Todavia, ante o entendimento esposado pelo Fisco, incorporou a interpretação defendida pela auditoria, do qual teria resultado o pagamento a maior e o direito à referida compensação. Avançando, contesta a não consideração das despesas incorridas nas operações de repasse como geradoras de créditos não cumulativos. "(...) A Desenbahia (...), ao promover o financiamento de capital fixo e de giro, promove intermediação financeira, ou seja, capta no mercado recursos, normalmente através de outras Instituições Financeiras Públicas, ou Fundos de semelhante natureza jurídica, a exemplo do BNDES e FNE, e disponibiliza os referidos recursos aos seus clientes, auferindo lucros com a diferença positiva entre o custo da captação e o valor de venda do dinheiro" (...). Argumenta que sendo os custos incorridos nas operações de repasse caracterizados como insumos, na forma disciplinada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, os referidos valores deveriam ter sido considerados como crédito Fl. 4567DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.565 7 gerado em favor do contribuinte, abatendose, dessa forma, a base de cálculo do tributo lançado e reduzindose o crédito tributário constituído pelo Fisco. Cita julgados do CARF. Em nova frente, aduz sobre a inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo composta pela auditoria. Anota que o STF, no julgamento do RE nº 346.084/PR declarou a inconstitucionalidade do §1°, art. 3º, da Lei n°. 9.718, de 1998, tendo em vista a ampliação do conceito de receita bruta para abarcar toda e qualquer receita auferida por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida, contrastando com o entendimento já consolidado do STF quanto à caracterização da receita bruta como às decorrentes das vendas de mercadoria ou prestação de serviços ordinariamente prestadas. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 1462.718, de 05/09/2016, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2010, 2011 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AGÊNCIAS DE FOMENTO. TRIBUTAÇÃO. As agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 4568DF CARF MF 8 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES. DESCONTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É indevido o desconto de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados com base em despesas com obrigações por empréstimos e repasses efetuados pela pessoa jurídica, por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 08/11/2016 (fl. 4.279) a Recorrente foi devidamente cientificada por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB e não resignada com a decisão de piso, a empresa em 23/11/2016 (fls. 4.280 e 4.382), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 1.131/1.199) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega o descabimento das glosas no Auto de Infração, argumentando as seguintes razões: elabora uma síntese fática do processo e aduz que as Agências de Fomento são fruto do empenho do Governo Federal em reduzir a presença do Setor Público na intermediação financeira bancária, instrumentalizado pelo Programa homônimo, cuja conhecida sigla é PROER, instituído através das Medidas Provisórias n°, 1.514, de 07 de agosto de 1996 e 2.19270, de agosto de 2001; que o Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º, da Lei n°. 4.595/64 tornou público, por meio da resolução n°. 2.574, de 17 de dezembro de 1998, normas para o estabelecimento e funcionamento das Agências de Fomento; posteriormente, em 30 de março de 2001, a aludida resolução do Bacen restou revogada pela edição de novo ato normativo, qual seja, resolução nº 2.828, dispondo sobre as Agências de Fomento, desta feita com maior amplitude e detalhamento, sem contudo atentar contra a disposição legal encartada pela Medida Provisória nº 2.19270/2001, muito ao contrário, pois expressamente trata das aludidas instituições no âmbito do Sistema Financeiro; salienta que seria despicienda a caracterização específica das Agências de Fomento como Instituições componentes do Sistema Financeiro Nacional, pois a própria Norma de regência geral, Lei nº 4.595/64, no art. 17, ostensivamente alberga o conceito de Instituições Financeiras, restando apartado qualquer resquício de dúvida quanto sua extensão às entidades análogas a Desenbahia. alega que, não obstante o ostensivo repúdio que a impugnante consigna quanto à sua exclusão do regime cumulativo de reconhecimento da Contribuição COFINS, deixa, contudo de impugnar tal ponto do auto de infração, pois a exemplo da conduta adotada pelo Fisco Federal, entende que pode obter mais benefícios, para os exercícios de 2010 e 2011, mantendose no regime nãocumulativo, ante as mais recentes decisões do CARF, as quais, inclusive, contam com a chancela da Procuradoria da Fazenda Nacional, entidade que dá os direcionamentos que devem ser seguidos pelos Auditores da Receita Federal do Brasil; Outro ponto que foi objeto de autuação e lançamento de ofício foi a ausência de oferecimento à tributação da COFINS, das receitas novas auferidas por esta Sociedade de Economia Mista quando da recuperação de créditos baixados em prejuízo, pela diferença positiva entre o valor registrado como perda e a quantia efetivamente recuperada, abarcando os exercícios 2010 e 2011, no regime não cumulativo, e 2012, já no regime cumulativo; Fl. 4569DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.566 9 Informa que a Desenbahia deixa, ainda, de impugnar o lançamento de ofício promovido sobre as receitas novas decorrentes de recuperação de créditos baixados em prejuízo, somente quanto a variação positiva entre o valor registrado como prejuízo na data de sua baixa e o valor efetivamente recuperado posteriormente, sendo que esta Instituição Financeira Pública recolheu o respectivo valor da obrigação principal, alem da multa reduzida em 50%. na forma do art. 6º, da Lei n°. 8.218/91, consoante comprova a anexa Guia DARF devidamente quitada, desta feita efetivamente juntada ao processo com o presente recurso; por derradeiro, registra que a Desenbahia promoveu a compensação do valor de RS 1.100.000,00, com o valor correspondente aos créditos lançados através deste auto de infração, e decorre do lançamento que promoveu a maior à título de Contribuição Social Sobre a Folha de Salários, pois, de maneira coerente ao entendimento que aplicou à Contribuição para o COFINS, interpretou o §1° do art. 22 da Lei n°. 8.212/91 como numerus apertus e recolheu as exações previstas nos incisos I e III com o adicional de 2,5%, todavia, ante o entendimento esposado pelo Fisco Federal, incorporou a interpretação da taxatividade do aludido rol e buscou a referida compensação. no item III do recurso, indaga sobre a equivocidade do entendimento esposado pelo Fisco quanto ao não conhecimento dos créditos gerados em favor da contribuinte pelas despesas incorridas nas operações de repasse. natureza jurídica de insumos; elabora uma tabela (fl. 4.293/4.294) com o levantamento dos valores dos créditos a que faz a Desenbahia, bem como sua repercussão para a redução da base de calculo da Cofins lançado de ofício no Auto de Infração em epígrafe; no item IV, discorre sobre a equivocada inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do tributo lançado; aduz que impende consignar que a fisclização, quando compôs a Base de Cálculo da Exação em voga incluiu receitas não operacionais constantes na Conta Contábil "'Outras Receitas Não Operacionais", abarcando, à guisa de exemplifícação, alugueres recebidos por esta Instituição Financeira, cujo valor ultrapassou R$ 1.143.000,00, indo de encontro, por via de conseqüência, ao entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 346.084/PR. Ao final, pugna pelo conhecimento do Recurso Voluntário, e após demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente, que seja dado provimento ao recurso, reformandose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido pelo Colegiado. Fl. 4570DF CARF MF 10 2. Objeto da lide O escopo da lide consiste em divergência de interpretação quanto à caracterização das Agências de Fomento como Instituições Financeiras (IF), para se apurar o regime de apuração das Contribuições relativas ao PIS e à COFINS em relação aos anos calendário de 2010 e 2011. Também sob o foco da investigação, está a verificação da correta apuração da base de cálculo das Contribuições, nos anos de 2010 a 2012, especialmente no que se refere à análise das deduções e exclusões aplicáveis às Agências de Fomento. 3. Conceito de Insumos No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da Fl. 4571DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.567 11 legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Fl. 4572DF CARF MF 12 Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). 4. Da Atividade Exercida pela Empresa Conforme consta do art. 4º do Estatuto Social da DESENBAHIA (anexo aos autos às fls. 4.343/4.373), a atividade exercida pela Recorrente é: 5. Do Auto de Infração Como relatado no Relatório Fiscal, o objtivo do procedimento fiscal foi o de, (i) verificar a apuração das contribuições relativas ao PIS e à COFINS devidas pela DESENBAHIA no contexto da divergência de interpretação quanto à caracterização das Agências de Fomento como Instituições Financeiras (IF) e, (ii) verificar a correta apuração da base de cálculo das Contribuições, especialmente no que se refere à análise das deduções e exclusões aplicáveis. Desta forma, o lançamento de ofício se escora em dois pilares: (i) na aplicação do regime da não cumulatividade em relação aos anos de 2010 e 2011, afastando a apuração pela sistemática cumulativa que foi adotada pela Agência de Fomento (DESENBAHIA), sob o entendimento que teria natureza jurídica de instituição financeira, e (ii) a recomposição da base de cálculo da contribuição nos anos de 2010 a 2012 executada pela fiscalização, a partir da qual se apurou diferença em relação ao montante tributável calculado pela Recorrente. 6. Da aplicação do regime da não cumulatividade em relação aos anos de 2010 e 2011 x natureza jurídica de instituição financeira Primeiramente, ressaltase que a autoridade fiscal rejeita a condição de Instituição Financeira (IF) à Agência de Fomento (DESENBAHIA) e recalcula as contribuições para o PIS e COFINS pelo regime da não cumulatividade. Por outro lado, a Recorrente em seu recurso discorda da interpretação adotada pela Fiscalização que redundou em desalocar a entidade do tratamento tributário aplicável às Instituições Financeiras no tocante ao regime de apuração das contribuições. Fl. 4573DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.568 13 Afirma enquadrarse como Instituição Financeira e, portanto, submetida ao regime cumulativo de apuração do PIS e da COFINS nos anos de 2010 e 2011. Porém, tendo em vista entender que o tratamento fiscal lhe possa ser vantajoso em outros aspectos, explicita não impugnar a autuação quanto a essa matéria. Em seu Recurso voluntário elabora uma síntese fática deste processo e aduz que "(...) as Agências de Fomento são fruto do empenho do Governo Federal em reduzir a presença do Setor Público na intermediação financeira bancária, instrumentalizado pelo Programa homônimo, cuja conhecida sigla é PROER, instituído através das Medidas Provisórias n°, 1.514, de 07 de agosto de 1996 e 2.19270, de agosto de 2001 e que o que o Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º, da Lei n°. 4.595/64 tornou público, por meio da resolução n°. 2.574, de 17 de dezembro de 1998, normas para o estabelecimento e funcionamento das Agências de Fomento (...)". Pois bem. Como pode ser verificado em documentos acostados aos autos, a DESEMBAHIA é uma entidade de capital fechado mantida sob controle acionário do Estado da Bahia e subordinada à supervisão do Banco Central do Brasil, tendo sua constituição e funcionamento disciplinados no âmbito do Conselho Monetário Nacional pela Resolução CMN nº 2.828, de 30 de março de 2001, com alterações previstas pelas Resoluções CMN nº 3.757, de 1º de julho de 2009, e pela Resolução CMN nº 3.834, de 29 de janeiro de 2010. Foi criada por autorização da Lei Estadual nº 2.321, de 1966, e transformada em Agência de Fomento pela Lei Estadual nº 7.133, de 1997, alterada pela Lei nº 7.935 de 2001. Como afirma a Recorrente, o surgimento das agências de fomento tem por fundamento a redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária, conforme previsão do artigo 1º da Medida Provisória nº 1.514, de 7 de agosto de 1996. Tal disposição veio a ser reproduzido na Medida Provisória nº 2.19270, de 24 de agosto de 2001. Como restou consignado na decisão de piso, o fato de as agências de fomento integrarem o Sistema Financeiro Nacional não as equipara a instituições financeiras, pelas atividades exercidas. As agências de fomento possuem características peculiares quando comparadas com os bancos, conforme se conclui da leitura do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.19270, de 2001, uma vez que o objetivo da criação das agências de fomento é a redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária. Vejase: “Art. 1º A redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária será incentivada pelos mecanismos estabelecidos nesta Medida Provisória, e por normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional, no âmbito de sua competência, preferencialmente mediante a privatização, extinção, ou transformação de instituições financeiras sob controle acionário de Unidade da Federação em instituições financeiras dedicadas ao financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos no País, denominadas agências de fomento. Algumas das peculiaridades, quando comparadas com bancos de desenvolvimento e bancos de investimento, por exemplo, são: (i) a necessidade de constituição sob a forma de capital fechado; (ii) a vedação expressa para sua transformação em outra instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; (iii) a vedação em captação de recursos junto ao setor público, fazer redescontos, ter conta reservada no BACEN, contratação de depósitos interfinanceiros e, (iv) não podem ter participação em outras Instituições Financeiras (Resolução CMN nº 2.828, de 2001). São, portanto, uma entidade singular, motivo Fl. 4574DF CARF MF 14 por que não há confundila, nem por aproximação, com as demais instituições integrantes do Sistema Financeiro. Há que se destacar que existem especificidades importantes, que impedem a simples identificação, pois as Empresas de Fomento não podem captar recursos junto ao público, fazer redesconto ou ter conta reservada no BACEN, além de estarem impedidas de possuírem participação societária em outras instituições financeiras. Destacase que somente as pessoas jurídicas citadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002 (legislação tributária concernente ao PIS) e artigo 10 da Lei nº 10.833, de 2003 (concernente à COFINS, transcritos abaixo), foram excluídas do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, como se lê: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9° do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...)” Como se vê, as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real, como é o caso da DESENBAHIA, por regra, estão enquadradas no regime nãocumulativo. O inciso I do art. 10 acima reproduzido, é o item de exceção no qual busca a Recorrente enquadrarse. Porém, dentre as pessoas jurídicas citadas nos §§ 6º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com referência ao § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, entretanto, não estão listadas as agências de fomento. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Grifei Portanto, como antecipado pela Fiscalização, quando da elaboração da Lei nº 8.212, de 1991, as Agências de Fomento não existiam, de forma que não se pode pretender vê las incluídas no rol taxativo de pessoas jurídicas elencadas no § 1º do art. 22, deste diploma legal. É importanta ressaltar também que os §§ 8º e 9º da Lei nº 9.718, de 1998, incluídos pela MP nº 2.15835, de 2001, optaram por estabelecer deduções específicas a outros Fl. 4575DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.569 15 tipos de instituições que não as constantes do rol previsto no §1º do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, quais sejam: securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e agrícolas e operadoras de planos de assistência à saúde, entidades que foram, a partir do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.637, de 2002 e no artigo 10 da Lei nº 10.833, de 2003, excepcionadas do regime de apuração nãocumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, resta claro que não haveria qualquer óbice para o legislador, caso fosse sua intenção, excluir as Agências de Fomento do regime de apuração nãocumulativo das contribuições, na forma realizada para outros tipos de Instituições Financeiras, porém, esta não foi a opção do legislador. Neste diapasão, somente a partir de 1º de janeiro de 2013 (opcionalmente já a partir do ano anterior), é que o legislador, decerto atendendo a pleito formulado pelas próprias Agências de Fomento, lhes permitiu apurar o PIS e COFINS pelo regime cumulativo, uma vez que este é o regime obrigatoriamente estabelecido para os bancos de desenvolvimento. Confirase a redação dada ao art. 70 da Lei n.º 12.715, de 2012, que resultou da conversão da Medida Provisória –MP n.º 563, de 2012: Art. 70. Para fins de incidência de tributos federais, inclusive contribuições previdenciárias, ficam submetidas às regras de tributação aplicáveis aos bancos de desenvolvimento as agências de fomento referidas no art. 1º da Medida Provisória no 2.19270, de 24 de agosto de 2001. § 1º O disposto no caput aplicase a partir de 1o de janeiro de 2013. § 2º As agências de fomento poderão, opcionalmente, submeterse ao disposto no caput a partir de 1º de janeiro de 2012. (Grifei) Registrese, ainda, que conforme previsão do §1º do artigo 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.285/2012, com redação dada pela IN RFB nº 1.314/2012, aplicase o regime de apuração cumulativa às Agências de Fomento a partir de 1º de janeiro de 2013, podendo, opcionalmente, a teor do § 2º submeterse ao regime cumulativo a partir de 1º de janeiro de 2012. Vejase: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins das seguintes pessoas jurídicas, sujeitas ao regime de apuração cumulativa: I – os bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas e as agências de fomento referidas no art. 1º da Medida Provisória nº 2.19270, de 24 de agosto de 2001; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1314, de 28 de dezembro de 2012) II (...). § 1º O disposto no inciso I do caput, relativamente às agências de fomento ali referidas, aplicase a partir de 1º de janeiro de 2013. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1314, de 28 de dezembro de 2012) § 2º As agências de fomento referidas no inciso I poderão, opcionalmente, submeter se ao disposto nesta Instrução Normativa a partir de 1º de janeiro de 2012. (Grifei) Ou seja, a definição no texto da lei da data inicial para a aplicação da regra alterada confirma o acerto no entendimento exposto pelo Fisco, de que anteriormente a essa mudança a sistemática cumulativa era inaplicável. Fl. 4576DF CARF MF 16 Concluindo, no que se refere aos princípios constitucionais cuja aplicação a Recorrente requer, como sabido não há como aplicálos para estabelecer tratamento tributário diferenciado a uma entidade diversa daquelas às quais o legislador expressamente o atribuiu. O contrário equivaleria a legislar, algo absolutamente impossível para este Colegiado do CARF. Pelo que já se expôs, também resta claro o equívoco cometido pela Recorrente ao sustentar, com fundamento em dispositivo encartado em norma infralegal, a apuração do PIS/COFINS pelo regime de apuração diferente do estabelecido em lei. Em conclusão, o regime de apuração do PIS e da COFINS, ao menos para os períodos de apuração a que se referem os autos, é inequivocamente o nãocumulativo. 7. Da Recuperação de Créditos baixados como Perda Outro ponto que foi objeto de autuação e lançamento de ofício foi a ausência de oferecimento à tributação da COFINS, das receitas novas auferidas pela DESENBAHIA quando da recuperação de créditos baixados em prejuízo, pela diferença positiva entre o valor registrado como perda e a quantia efetivamente recuperada, abarcando os exercícios 2010 e 2011, no regime não cumulativo, e 2012, já no regime cumulativo Aduz a Recorrente que "(...) a Desenbahia deixa, ainda, de impugnar o lançamento de ofício promovido sobre as receitas novas decorrentes de recuperação de créditos baixados em prejuízo, somente quanto a variação positiva entre o valor registrado como prejuízo na data de sua baixa e o valor efetivamente recuperado posteriormente, sendo que esta Instituição Financeira Pública recolheu o respectivo valor da obrigação principal, alem da multa reduzida em 50%. na forma do art. 6º, da Lei n°. 8.218/91, consoante comprova a anexa Guia DARF devidamente quitada, desta feita efetivamente juntada ao processo com o presente recurso". Como se vê e como bem analisado pela decisão recorrida, diante da aquiescência da Recorrente, não se instaura o litígio administrativo quanto à glosa fiscal sobre as receitas novas decorrentes da recuperação de créditos baixados como perdas. Como relatado pela Fiscalização houve recuperação de créditos baixados como perdas por valores acima dos registrados contabilmente. A diferença positiva entre o valor registrado como prejuízo na data de sua baixa e o valor efetivamente recuperado posteriormente foi considerado receita nova pela auditoria e sobre ela fez incidir PIS e COFINS. A Recorrente afirma haver recolhido o respectivo valor da obrigação principal, além da multa reduzida em 50%, na forma legal como comprovaria cópia de DARF que teria anexado aos autos. Examinandose os autos, verificase que a Recorrente anexa a comprovação do alegado pagamento, mediante cópia dos DARFs (e dos extratos bancários/comprovantes de pagamentos), juntados às fls. 4.315/4.342. Desta forma, nesse ponto vale marcar que o pagamento realizado em relação à parcela admitida da ação fiscal não inibe a legitimidade do lançamento mas, antes disso, confirma o acerto dos procedimentos adotados pela Fiscalização. Desta forma, os eventuais pagamentos realizados após a ciência do lançamento, não obstante, devem ser apresentados à unidade local por ocasião da Fl. 4577DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.570 17 liquidação do crédito que certificará sua existência e suficiência, aproveitandoos ao crédito tributário lançado. 8. Dos CRÉDITOS da Não Cumulatividade (Despesas com repasse de Emprétimos) No item III do seu recurso, a Recorrente alega sobre a equivocidade do entendimento esposado pelo Fisco quanto ao não conhecimento dos créditos gerados em seu favor pelas despesas incorridas nas operações de repasse e natureza jurídica de insumos; elabora uma tabela (fls. 4.293/4.294) com o levantamento dos valores dos créditos a que faz a DESENBAHIA, bem como sua repercussão para a redução da base de calculo do PIS e da COFINS lançado de ofício no Auto de Infração sob análise. Aborda sobre o conceito da legislação que embasa o regime da não cumulatividade e, nessa linha, em resumo, afirma ter direito aos créditos calculados sobre os insumos vinculados à produção de operações de crédito, representados pelas "despesas com repasses pagas" no período ao BNDES, à FINAME e ao FNE. Primeiramente, vale ressaltar que o regime de apuração nãocumulativo da contribuição para o PIS e da COFINS consiste em aplicar, respectivamente, as alíquotas de 1,65% e de 7,6% (regra geral) sobre as receitas auferidas e, do valor obtido, descontar créditos a que a pessoa jurídica tenha direito, a fim de calcular o valor a pagar. Como já dito, a Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, e posteriormente, a Lei nº10.833, de 2003, instituiu o regime de apuração nãocumulativa da COFINS, em seus art. 3º, listou exaustivamente as hipóteses em que é permitido o desconto de crédito para estas Contribuições. Da leitura destes dispositivos, concluise de que é possível apurar créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre valores de bens adquiridos para a revenda e de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços. Podese observar que a Recorrente argumenta que, como a decisão recorrida entendeu pela inaplicabilidade do regime cumulativo, tornarseia necessária a exclusão das despesas de captação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Afirma tomar recursos emprestados de fontes pagadoras oficiais (BNDES, FINAME e FND), pelos quais paga uma determinada taxa de juros e depois os empresta a seus mutuários. Consta dos autos que a DESENBAHIA promove o financiamento de capital fixo e de giro, intermediação financeira, ou seja, capta no mercado recursos, normalmente através de outras Instituições Financeiras Públicas, ou Fundos de semelhante natureza jurídica, a exemplo do BNDES e FNE, e disponibiliza os referidos recursos aos seus clientes, auferindo lucros com a diferença positiva entre o custo da captação e o valor de venda do dinheiro, o Del Credere. Desta forma, tal dinheiro captado, é a própria razão de ser da atividade social desenvolvida pela Recorrente, considerando os custos incorridos nas operações de repasse, ou seja, o custo da captação do dinheiro, como insumo da atividade desenvolvida pela DESENBAHIA, uma vez que esses valores captados são integralmente utilizados na sua atividade fim. Dentro desse cotexto, analisando a planilha elaborada pela Recorrente de fls. 4.293/4.294, constatase que a Fiscalização não considerou, como exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, as despesas identificadas na coluna como “Despesas com Repasses”. Fl. 4578DF CARF MF 18 Porém, não deveria mesmo têlas excluído, uma vez que o tratamento jurídico a ser conferido a estas despesas de captação é outro: o desconto, como créditos das mesmas contribuições (portanto, não como redução da base de cálculo), dos débitos calculados para os mesmos períodos de apuração. Explico. O regime nãocumulativo do PIS e da COFINS prevê, no art. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a possibilidade de o contribuinte excluir créditos em relação aqueles bens e serviços (como no caso) utilizados como insumo na prestação de serviços (como no caso) ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejase: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Grifei. Desta forma, entendo que a captação de valores monetários para posterior empréstimo, a juros favorecidos, aos mutuários da DESENBAHIA, na impossibilidade de os empréstimos serem realizados apenas com recursos próprios, qualificase perfeitamente como insumo utilizado na prestação dos serviços que a Recorrente realiza, uma vez que tais serviços (a obtenção desses recursos), são tomados para tornar possível a prestação dos serviços realizados pela Recorrente (que é a concessão dos empréstimos a seus mutuários). Posto isto, considerandose os custos incorridos nas operações de repasse caracterizados como insumos, na forma disciplinada pelos arts. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, os referidos valores devem ser considerados como crédito gerado em favor da Recorrente, abatendose, dessarte, a base de calculo do tributo lançado pelo presente Auto de Infração, reduzindose, por via de conseqüência, o crédito tributário que constituído pela Fiscalização. Concluindo, há que se admitir créditos não cumulativos sobre as despesas com o repasse de empréstimos. 9. Das Receitas não Operacionais A Recorrente discorre em seu recurso sobre a equivocada inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do tributo lançado. Aduz que impende consignar que a fisclização, quando compôs a Base de Cálculo da exação em voga incluiu receitas não operacionais constantes na Conta Contábil "'Outras Receitas Não Operacionais", abarcando, à guisa de exemplifícação, alugueres recebidos por esta Instituição Financeira, cujo valor ultrapassou R$ 1.143.000,00, indo de encontro, por via de conseqüência, ao entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 346.084/PR. Quanto ao anocalendário 2012 Como relatado, a Recorrente discute a inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo composta pela auditoria. Tal matéria, é preciso dizer, só tem relevância em Fl. 4579DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.571 19 relação ao período de 2012 para o qual as contribuições para o PIS e COFINS foram submetidas ao regime cumulativo de apuração, regido pela Lei nº 9.718, de 1998 Esse fato, encontrase muito bem delineado pela decisão recorrida, uma vez que no período (AC de 2012), de fato teria força a declaração de inconstitucionalidade do STF quanto ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculada pela mencionada Lei nº 9.718, de 1998 (entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 346.084/PR). Porém, no caso em foco, como se observa da planilha extraída do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fl. 78, o lançamento formalizado em relação a 2012, restringese ao mês de dezembro e a matéria tributável, por sua vez, limitase às receitas novas decorrentes das recuperações de créditos baixados como perda além do valor contábil, como revela a outra tabela colada abaixo na sequência, também extraída do TVF à fl. 66: No caso sob análise, cabe ressaltar que, verificase no Relatório Fiscal que a base de cálculo utilizada pelo Fisco para a conformação do aspecto quantitativo das obrigações Fl. 4580DF CARF MF 20 tributárias surgidas por meio do Auto de Infração, levou em consideração a totalidade das receitas auferidas pela DESENBAHIA, quer sejam operacionais, quer não sejam, tendo por exclusiva exceção as receitas decorrentes de aplicações financeiras, haja vista a correta aplicação da alíquota zero, na forma do art. Io, do Decreto n°. 5.442/2005, in verbis: "Art. 1 0 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Desta forma, analisandose os quadros demnostrativos acima, concluise, assim, que também nessa situação posta, o lançamento não demanda qualquer tipo de ajuste. Quanto aos anoscalendário de 2010 e 2011 Para os anoscalendário de 2010 e 2011, a tributação das Contribuições para o PIS e COFINS se deu com base na sistemática nãocumulativa, regime regulado nas já citadas Leis nº 10.637, de 2002 (PIS), e nº 10.833, de 2003 (Cofins). Sob esse regime, instalado após a Emenda Constitucional n° 20 de 1998, as contribuições incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, compreendidas nesse total a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas, independente de sua denominação ou classificação contábil nos termos do art 1º das Leis citadas. Nesse contexto, entendo que encontrase sem reparos a decisão a quo, pois as receitas não operacionais também devem compor a base tributável do PIS e da Cofins não havendo ajuste a fazer no lançamento de ofício. 10. Da Compensação efetuada Aduz a Recorrente que, (...) por derradeiro, registra que a Desenbahia promoveu a compensação do valor de RS 1.100.000,00, com o valor correspondente aos créditos lançados através deste auto de infração, e decorre do lançamento que promoveu a maior à título de Contribuição Social Sobre a Folha de Salários, pois, de maneira coerente ao entendimento que aplicou à Contribuição para o COFINS, interpretou o §1° do art. 22 da Lei n°. 8.212/91 como numerus apertus e recolheu as exações previstas nos incisos I e III com o adicional de 2,5%, todavia, ante o entendimento esposado pelo Fisco Federal, incorporou a interpretação da taxatividade do aludido rol e buscou a referida compensação". Há que se destacar que é cediço que somente podem ser compensados de ofício pela autoridade lançadora os créditos de um tributo com débitos do mesmo sujeito passivo, do mesmo tributo e do mesmo período de apuração. No que tange ao procedimento de Compensação que a Recorrente pleiteia que seja admitido nessa esfera de julgamento (CARF), cabe esclarecer que a compensação tributária é instituto cuja essência se prende à apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP) nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações posteriores. O exame da DCOMP é atribuído de forma original à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. Desta forma, esse Colegiado, portanto, não tem competência regimental para se pronunciar pela homologação do alegado procedimento. Fl. 4581DF CARF MF Processo nº 10580.729847/201453 Acórdão n.º 3402005.393 S3C4T2 Fl. 4.572 21 11. Considerações Finais Considerase correta a Fiscalização ao lançar a Multa de Ofício proporcional ao valor do impoosto (75%). Além de prevista em lei e de a Recorrente ter apurado o PIS e COFINS por regime incorreto, há o fato de nunca ter havido declaração expressa do Fisco afirmando que a apuração, pela Recorrente, pelo regime cumulativo estava em consonância com a legislação, o que torna impossível a aplicação ao caso do disposto no art. 146 do CTN. 12. Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para, determinar à unidade de origem recalcular os valores devidos, considerando o reconhecimento do direito da Recorrente aos créditos de PIS e da COFINS sobre as despesas de obrigações por empréstimos e repasses (conforme analisados no "item 8" deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908970/2012-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.908970/2012-23
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885684
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.366
nome_arquivo_s : Decisao_10380908970201223.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBER MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 10380908970201223_5885684.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7372905
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588704407552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908970/201223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.366 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de maio de 2018 Matéria COFINS PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente BEACH PARK HOTÉIS E TURISMO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 70 /2 01 2- 23 Fl. 145DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 4ªTurma da DRJ/BSB: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 23110.83997.220611.1.3.042407, transmitida eletronicamente em 22/06/2011, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 30.248,63. Cientificado dessa decisão em 19/11/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/12/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 15, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que teria cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10380.908970/201223 Acórdão n.º 3001000.366 S3C0T1 Fl. 3 3 Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. Enfatiza que possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. No voto, a DRJ/Brasília informou que: (...) a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. E, finalmente, votou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente, além de repetir as alegações da Manifestação de Inconformidade, atentou para duas questões: 1. A decisão da DRJ/BSB teria se equivocado porque (itens 10 e 11 do RV): A origem do crédito em discussão é COFINS e não CSSL, como consta na decisão recorrida: Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório Fl. 147DF CARF MF 4 seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realizada diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência de crédito decorrente de CSLL. 2. A decisão da DRJ não teria feito a melhor aplicação do direito ao caso porque (itens 12 e 13 do RV): Conforme se infere da leitura do Acórdão ora guerreado, temos que o indeferimento sob análise fundamentouse na inexistência de provas suficientes que atestem a legitimidade da compensação realizada pela Recorrente por meio do n° 23110.83997.220611.1.3.42407. Todavia, entendemos que a decisão proferida não fez a melhor aplicação do direito à matéria sob análise, tendo em vista que o crédito utilizado pela Recorrente dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal, já que se trata de crédito decorrente de pagamento de DARF realizado em duplicidade, conforme será demonstrado a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, inclusive o limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente cabe a análise da alegação da Recorrrente de que houve equívoco na decisão da DRJ, ao confundir COFINS com CSLL. Verificase que na ementa do acórdão do tribunal a quo está claro o assunto: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS". No mesmo caminho, o relatório da 4ª Turma da DRJ/Brasília também se refere a "créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins". Pode, apenas ter ocorrido, um equívoco no final do relatório, quando da colocação da sigla CSLL em vez de COFINS. Entretanto, casos de contradição entre a decisão Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10380.908970/201223 Acórdão n.º 3001000.366 S3C0T1 Fl. 4 5 e seus fundamentos deveriam ser atacados no próprio tribunal a quo, por intermédio de Embargos de Declaração. O Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para trazer à discussão eventual contradição na decisão da DRJ. De qualquer forma, pela leitura integral do acórdão percebese que, no caso, houve mero erro de digitação, incapaz de obscurecer o entendiemnto do leitor de que a decisão foi sobre assunto referente à COFINS. Assim, nessa questão, não cabe razão ao Recorrente. Quanto à "dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal" por parte do contribuinte, também entendo que não lhe cabe razão. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua defesa com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao Fl. 149DF CARF MF 6 sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9 º, § 3º). No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria havido um equívoco no preenchimento da DCTF entregue originalmente referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.908970/201223 Acórdão n.º 3001000.366 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, quanto ao pedido de diligência, cabe esclarecer que a realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, tais motivos são inexistentes, haja vista que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerálo prescindível para o julgamento da lide. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907690/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12448.907690/2013-82
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891100
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.846
nome_arquivo_s : Decisao_12448907690201382.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 12448907690201382_5891100.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7389810
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588773613568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.907690/201382 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.846 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ASIAN CENTER ADMINISTRACAO DE BENS PROPRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 90 /2 01 3- 82 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.043, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de novembro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 10.114,44, originarseia de pagamento efetuado em 28/12/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 20/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 7 6 pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907690/201382 Acórdão n.º 1302002.846 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725520/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13811.725520/2012-78
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882531
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.986
nome_arquivo_s : Decisao_13811725520201278.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13811725520201278_5882531.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7368513
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588792487936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.725520/201278 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.986 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente MANPOWER STAFFING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 20 /2 01 2- 78 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13811.725520/201278 Acórdão n.º 3201003.986 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.459, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13811.725520/201278 Acórdão n.º 3201003.986 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13811.725520/201278 Acórdão n.º 3201003.986 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13811.725520/201278 Acórdão n.º 3201003.986 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.912277/2009-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10920.912277/2009-03
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891825
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.172
nome_arquivo_s : Decisao_10920912277200903.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10920912277200903_5891825.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7390976
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588809265152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.912277/200903 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.172 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 22 77 /2 00 9- 03 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10920.912277/200903 Acórdão n.º 9303007.172 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.445, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10920.912277/200903 Acórdão n.º 9303007.172 CSRFT3 Fl. 4 3 "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial não deve ser conhecido. A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.912277/200903 Acórdão n.º 9303007.172 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.912277/200903 Acórdão n.º 9303007.172 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014865/2009-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.014865/2009-04
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888312
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.928
nome_arquivo_s : Decisao_15504014865200904.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15504014865200904_5888312.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7382683
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588816605184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.014865/200904 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.928 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA BRASILEIRA DE ENGENHARIA E COMERCIO SA EBEC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 65 /2 00 9- 04 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15504.014865/200904 Acórdão n.º 9202006.928 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000138/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO.
Súmula CARF n 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista, à época do lançamento, no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de
1996.
JUROS SELIC.
Súmula CARF n°. 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-001.182
Decisão: Acordam os membros deste Colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos quanto à qualificação da multa de Ofício os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. Súmula CARF n 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista, à época do lançamento, no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. JUROS SELIC. Súmula CARF n°. 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.000138/2008-21
conteudo_id_s : 5892457
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-001.182
nome_arquivo_s : Decisao_16327000138200821.pdf
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 16327000138200821_5892457.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros deste Colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos quanto à qualificação da multa de Ofício os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
id : 7391101
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588822896640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 10 1 9 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000138/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.182 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente INVEST ARPEN BRASIL FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE DE NORMAS INSERIDAS LEGALMENTE NO ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. Súmula CARF n 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista, à época do lançamento, no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. JUROS SELIC. Súmula CARF n°. 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 38 /2 00 8- 21 Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 11 2 Relator. Vencidos quanto à qualificação da multa de Ofício os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de autos de infração lavrado contra a contribuinte acima epigrafada relativos a IRPJ (R$ 703.350,99), CSLL (R$ 278.477,47), PIS (R$ 55.005,92) e COFINS (R$ 245.017,20), acrescidos de juros de mora calculados até 31/01/2008 e multa de ofício de 150%, ano calendário de 2004. A fiscalização analisando a documentação apresentada após intimação (livros Diário e Razão, relação mensal de Notas Fiscais, emitidas entre 08/01/2004 (NF n°. 304) e 17/12/2004 (NF n°. 402) e extratos de contas correntes dos Bancos Bradesco, do Brasil, Bank Boston, CEF e Safra), verificou que os valores a receber (valor de face dos títulos adquiridos) e os valores movimentados nas contas bancárias não foram contabilizados. A receita contabilizada se restringe aos valores discriminados nas NF de Receita de Serviços, totalizando R$ 75.382,36, não tendo sido contabilizada a receita de factoring. Verificando cada Nota Fiscal emitida em conjunto com os títulos adquiridos, o autuante apurou a receita omitida, calculando, ainda, o Fator de Factoring médio em cada mês, que foi, em seguida, utilizado para o cálculo dos valores de receita de factoring sem a emissão de Notas Fiscais. Em seguida, o Auditor Fiscal efetuou a apuração da receita omitida sobre a movimentação bancária, trabalhando com uma amostragem de 1074 lançamentos a débito, com valor superior a R$ 1.000,00. Após detalhar os procedimentos adotados e enumerar valores e notas fiscais, o autuante conclui ter havido uma receita de factoring não contabilizada em 2004 no valor de R$ 995.072,89, fazendo a ressalva de que todas as despesas relativas às operações (salários, prestação de serviço, telefone aluguel, cartórios, impostos, contribuições, etc), foram consideradas pelo contribuinte na apuração do resultado anual, redundando em um Prejuízo Fiscal de R$ 56.540,86. O Auditor autuante diz, a seguir, que, a "conduta do contribuinte em omitir as receitas de factoring na contabilidade e na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), bem como a não contabilização da conta Bancos e dos valores a receber referentes aos créditos adquiridos, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 44 inciso II da lei n. 9.430/96 e artigo 71 da lei 4502/64 sendo, portanto, exigível a multa de 150%". A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SÃO PAULO I) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1617.210, de 21/05/2008 (fls. 1.188), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: POSTERIOR PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 13 4 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. FACTORING. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de oficio. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos decorrentes dos outros tributos CSLL, COFINS e PIS, em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábilempresarial. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Constatase do relatório e voto condutor que a lide dos autos pode ser sintetizados em três tópicos, digase de passagem, repisados no recurso voluntário, a saber: I – A acusação fiscal lastreou suas alegações na movimentação bancária, em total desconsideração ao artigo 142 do CTN, mesmo porque as notas fiscais e os títulos adquiridos foram totalmente escriturados; II – Insurgese contra a multa de ofício de 150%, pois, no caso não há fraude. Entende que a multa não pode ter caráter confiscatório, logo, é perfeitamente cabível a sua redução em face do valor excessivo, em nome, também, dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. III) – Finaliza sua defesa, contestando contra a Taxa Selic como juros moratórios. Entende ter a mesma característica de juros remuneratórios. Passo a análise. Quanto à alegação da contribuinte de que “o lançamento nos moldes efetuados não pode prosperar, posto que a constituição do crédito tributário ocorreu ao desabrigo das normas tributárias e está maculada em sua integralidade”, entendo que o presente lançamento não padece de qualquer vício de ilegalidade que justifique a sua declaração de nulidade. Isto porque, não vislumbro qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, bem como outros que a justifique; pelo contrário, a contribuinte demonstrou conhecer perfeitamente todas as acusações que lhe foram imputadas pelas autoridades administrativas e delas se defendeu, exercendo, portanto, seu direito a ampla defesa, bem assim, o procedimento administrativo seguiu fielmente os ditames previsto no Decreto n. 70.235 para a constituição do crédito tributário. Compulsandose os autos é inequívoca a assertiva de que a ora recorrente tem como objetivo social o exercício da atividade de factoring. No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou de prestação de serviços. Em situações análogas à desses autos, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos. No caso, por pertinente, transcrevo os seguintes excertos do voto condutor: Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 15 6 “7. Afirma, o impugnante, que o Auto de Infração é inválido por não atender ao disposto no artigo 142, do Código Tributário Nacional, porque não poderia se basear apenas na movimentação da contas bancárias. Vejamos. 7.1. Diz o dispositivo citado que o lançamento do crédito tributário cabe privativamente à autoridade administrativa e é constituído pelo procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, o Auditor Fiscal, autoridade administrativa detentora da competência legal para efetuar o lançamento do crédito tributário, analisando os livros e documentos apresentados pelo contribuinte, determinou a matéria tributável e calculou o montante do tributo devido. 7.2. O trabalho desenvolvido pelo Auditor autuante, muito bem descrito e detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1017 a 1023), resumido aqui nos itens 2.2 e 2.3 acima mostra que foram verificadas as Notas Fiscais, os títulos adquiridos e os extratos bancários para se chegar ao valor de receita omitida. Não se baseou apenas nos extratos bancários, como quer fazer crer o impugnante. Assim, esse argumento não encontra guarida nos fatos e não pode ser aceito. 8. Alega que o autuante efetuou a desclassificação parcial da escrita apresentada, tendo considerado boa e regular a parte da escrita que estava contabilizada, que representa uma base de cálculo do IRPJ equivalente a três a quatro por cento de toda a movimentação financeira e desclassificou a parte não escriturada. Ora, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte, desde que lastreada em documentos hábeis e idôneos (art. 923, do RIR/99) e ela poderá ser desclassificada se contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real (art. 530, do RIR/99). Percebese, ao ler os dispositivos legais, que se o contribuinte apresenta documentos hábeis e idôneos que comprovem os valores registrados em sua contabilidade essa documentação faz prova a favor dele. Ora, se a escrituração está correta, o Auditor deve aproveitála. E só o fará,naquela parte considerada adequada e correta. A movimentação financeira não escriturada não será desclassificada. Será feita a apuração dos resultados com base na documentação existente. Portanto, não houve qualquer desclassificação parcial de escrita contábil! 8.1. Continua, asseverando que a apuração feita pela fiscalização com base nos depósitos bancários não equivale à receita bruta do impugnante, portanto imprestável para a definição da base de cálculo do IRPJ. Ora, como já visto, a apuração levada a efeito pelo Auditor Fiscal não considerou só os depósitos bancários, mas empregou também o Fator de Factoring, calculado a partir da análise feita sobre cada Nota Fiscal emitida em conjunto com os títulos adquiridos. A partir disso, foi determinada a receita de factoring sem a emissão das correspondentes Notas Fiscais. 8.2 Mas, o próprio impugnante afirma que a parte da escrita que estava contabilizada é equivalente a três a quatro por cento de toda a movimentação financeira (fls. 1061). Portanto, correto o procedimento adotado pelo autuante: era necessário o arbitramento do valor da receita das operações de factoring, que foi omitido.” Como muito bem exposto na decisão recorrida, não se trata da tributação dos depósitos bancários em si como fato gerador do imposto de renda, mas, na verdade, o que se cogita é da apuração de receitas omitidas representadas pelos mesmos. Os depósitos são apenas Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 16 7 a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita objeto da tributação. A falta de justificação por parte do interessado da origem dos depósitos concretiza a presunção — os depósitos bancários, que se apresentavam inicialmente como simples indício de omissão de receita, transformamse em prova desta omissão, quando o interessado, tendo a oportunidade de comprovar a origem destes depósitos, não o fez na fase de instrução do procedimento e tampouco na atual fase processual. Ou seja, o que aqui foi tomado como base de cálculo do tributo, na realidade, tratase do ingresso dos valores no patrimônio da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, sujeita, em conseqüência, ao registro de todas as suas operações. Referidos valores estão representados pelos depósitos bancários. O simples fato de a pessoa jurídica se utilizar de conta não escriturada, revela a intenção de subtrair sua movimentação ao controle da fiscalização, para encobrir a prática de omissão de receitas. Essa hipótese, por si só, autoriza a presunção de que os depósitos nela efetuados sejam oriundos de receitas omitidas pela pessoa jurídica. Para desconstituir a presunção, cabe ao contribuinte provar a origem dos recursos e créditos na referida conta. Ao Fisco cabe fazer a prova da irregularidade fiscal, ou seja, da existência de depósitos bancários não contabilizados, os quais deixaram de ser devidamente comprovados pela recorrente, apesar das intimações para tanto. Por outro lado, à recorrente compete a comprovação, por meio de documentação hábil, da origem dos recursos creditados em sua conta de depósito, os quais deixaram de ser devidamente escriturados. É fato que nem todos os depósitos bancários são necessariamente receita tributária, mas todos devem ser contabilizados pelo contribuinte conforme sua natureza jurídica, devidamente suportada pela documentação comprobatória de sua condição. Quando o recorrente deixou de contabilizar os referidos depósitos passou a sujeitarse à presunção legal de que eles seriam receita tributável omitida. Nesta seara, se ele não conseguir comprovar, mediante documentação hábil, a origem dos recursos depositados, se sujeita à presunção legal de que todos os lançamentos a crédito estão sujeitos à tributação, conforme estipula o art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Está perfeita, pois, a exigência dos tributos lançados, já que a existência dos depósitos é indício de omissão de receita, cujo ônus da prova em contrário recai sobre o sujeito passivo. A ora recorrente ao atacar o lançamento de multa no percentual de 150% assevera que não ficou comprovado o intuito de fraude e diz que os registros contábeis se deram conforme o disposto na lei. No caso, a autoridade lançadora expressamente apontou a violação ao art. 71 da Lei nº 4.502/64, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl.101), verbis: “32. A conduta do contribuinte em omitir as receitas de factoring na contabilidade e na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), bem como a não contabilização da conta Bancos e dos valores a receber referentes aos créditos adquiridos, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 44 inciso II da lei 9430/96 e artigo 71 da Lei 4502/64 sendo, portanto, exigível a multa de 150%.” Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 17 8 A alegação de que o lançamento, cuja multa foi agravada, teve por fundamento a presunção legal, devese notar que a citada Súmula do 1° CC n.° 14, bem como a Súmula CARF 25, admitem a aplicação de multa qualificada aos casos de presunção legal de omissão de receitas, desde que seja provada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. No caso sob exame, a reiteração da conduta, aliada ao fato de que os valores depositados em conta corrente são incompatíveis com as receitas escrituradas no Razão e informadas em DIPJ, evidenciam a prática de sonegação. Ou seja, a conduta do contribuinte, omitindo as receitas de factoring na contabilidade, não emitindo as Notas Fiscais, não escriturando a movimentação em suas contas bancárias e nem os valores a receber referentes aos créditos adquiridos, por si só caracteriza evidente intuito de fraude. O procedimento adotado pelo ora impugnante não pode ser considerado mero erro, pois foram diversas condutas repetidamente efetuadas, durante o transcorrer de todo o período. Quanto à argüição de confisco, a Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Tratase de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Assim, em primeiro plano, podese dizer que o princípio do não confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o principio dirigese, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicálo. E sendo assim, por estar as multas de oficio previstas em ato legal vigente (art. 44 da Lei 9.430, de 1996), descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação e/ou eficácia. Não fosse isto, é de se observar que tal hipótese — não apreciação já é, inclusive, sumulada por esta Corte Administrativa, por intermédio da Súmula CARF no.2, in verbis: Súmula CARF no.2: Inconstitucionalidade Incompetência O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de oficio no percentual de 150%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a alegação de ser confiscatória e ofender princípios constitucionais. Por último, em relação à Taxa Selic, adoto como razões de decidir, os fundamentos do voto recorrido, que a seguir transcrevo: “11.1. Com relação a essa inconformidade do contribuinte, a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC como índice para efeitos do cômputo dos juros de mora e, ainda, em percentual acima de 1% ao mês, há de se considerar, primeiramente, que o § 1° do artigo 161, transcrito mais abaixo, estabelece que a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 18 9 de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual diferente de 1%, bastando que uma lei ordinária assim determine. Apenas no silêncio da lei é que será ela de 1% ao mês, conforme faculta o § 1° do art. 161 da Lei n°. 5.172/1966. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § I° Se a lei não dispuser de modo diverso os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. 11.2. A Lei n°. 9.065, de 20106/1995, que dá nova redação a dispositivos da Lei n°. 8.981, de 20/01/1995, que altera a legislação tributária federal e dá outras providências, dispôs em seu art. 13, que a partir de 1° de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, não • pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1°, 2° e 3o., da Lei n°. 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3°, da Lei n°. 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. 11.3. Em suma, não existe qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial SELIC para fins de utilização no cálculo dos juros de mora. Por todo o exposto, entendo que o auto de infração deve ser mantido integralmente, pelo que nego provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16327.000138/200821 Acórdão n.º 1301001.182 S1C3T1 Fl. 19 10 Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 19/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660393/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660393/2012-42
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878779
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.794
nome_arquivo_s : Decisao_10880660393201242.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660393201242_5878779.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360190
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588828139520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660393/201242 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.794 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 93 /2 01 2- 42 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660393/201242 Acórdão n.º 3401004.794 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900303/2006-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
Numero da decisão: 1002-000.293
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10940.900303/2006-61
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894752
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.293
nome_arquivo_s : Decisao_10940900303200661.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10940900303200661_5894752.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7403769
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588836528128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 33 1 32 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900303/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.293 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente R. A. CASTRO GREIDANUS SERVIÇOS AGRÍCOLAS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indeferese o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 03 /2 00 6- 61 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 34 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 31) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 22/28), proferida em sessão de 05 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0620.901, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 02) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 41637.85110.271003.1.3.046352, transmitido em 27/10/2003, e não homologou a compensação declarada, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO . DECADÊNCIA. A apresentação depois de decorrido o prazo decadencial de Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, a qual deveria substituir a Declaração Anual Simplificada, em face da a contribuinte ter sido excluída do beneficio, impede a apreciação do pleito de compensação. Compensação não Homologada Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de pedido de PER/DCOMP N.º 41637.85110.271003.1.3.046352, protocolizado em 27/10/2003, no valor de R$ 2.380,04, atinentes ao período de apuração 31/10/2002, com valores supostamente apurados pelo Lucro Presumido, relativos ao anocalendário de 2002, em decorrência de a interessada ter sido excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Instruindo o pedido consta cópia de DARFSimples (código de receita 6106) de fl. 8. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do despacho decisório de fls. 02, tomou a seguinte decisão Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 2.380,04. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 35 3 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte foi cientificada em 04/08/2008 (AR de fl. 13), e apresentou, em 21/08/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 01, onde esclarece que ao ser excluída do Simples, efetuou levantamento do valor total dos débitos pelo lucro presumido e recolheu as diferenças devidas, compensando com os valores já recolhidos sob o código 6106, por meio de PER/DCOMP, razão pela qual entende que o pleito deve ser deferido. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/10/2002 6106 R$ 2.740,43 14/11/2002 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1838141261 R$ 2.740,43 DB: cód 6106 PA 01/10/2002 R$ 2.740,43 Valor Total R$ 2.740,43 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a não homologação da compensação. A decisão recorrida não acolheu o pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, quando já presente a decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Assim, tendo sido excluída do Simples a contribuinte tinha a obrigação de retificar a declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples. (...) Ocorre que tal providência não foi adotada e a interessada se limitou a pedir a compensação dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples, com parcelas decorrentes de apuração de seu resultado pelo Lucro Presumido, sem proceder a entrega da declaração referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido. Conforme consta dos documentos acostados ao processo, tal iniciativa só foi adotada depois que a contribuinte tomou conhecimento da não homologação do pleito, ou seja, a declaração retificadora foi apresentada, apenas, em 13/08/2008. Cabe também ressaltar que ela não apresentou as DCTF do ano calendário de 2002, conforme tela do sistema SIEF. Assim, quando da análise dos pedidos de PER/DCOMP, a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada entregue à época própria e cujos valores já haviam sido quitados por DARF específico. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 36 4 Para estabelecer se a entrega da declaração retificadora obedeceu ao prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, importa analisar em qual modalidade de lançamento o Simples está inserido, ou seja, se ela constitui lançamento por declaração ou por homologação. (...) No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n.º 437.546. Neste caso há que se reconhecer que a administração tributária, depois de efetuar a exclusão da interessada, deixou fluir o prazo decadencial sem adotar medidas concretas, visando o efetivo cumprimento da norma, em relação ao anocalendário de 2002, razão pela qual entendo que o pleito da interessada é inócuo. A inércia da autoridade fiscal e a intempestividade da ação do contribuinte contribuíram para que só se tomasse conhecimento da situação irregular da interessada, com relação ao anocalendário de 2002, depois de já decorrido o prazo decadencial. Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (específico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. Indeferido o pleito, a contribuinte foi cientificada em 04/08/2008. Só então, providenciou a apresentação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido, conforme tela de fl. 19, que foi recepcionada em 13/08/2008. Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 37 5 das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) quando da transmissão das PER/DCOMP a interessada deixou de apresentar a competente Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido que daria suporte a apreciação do pleito, portanto, quando da apreciação do pedido o que a autoridade fiscal constatou foi a existência de uma Declaração Anual Simplificada, cujos débitos haviam sido extintos pelos DARF que a interessada pretende utilizar para abater débitos do Lucro Presumido; ii) as PER/DCOMP apresentadas em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto terem sido transmitidas antes da vigência das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003; iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de dívida; iv) quando da recepção das PER/DCOMP não se procedeu ao lançamento dos valores nelas informados com vistas a preserválos do instituto da decadência já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação obedece ao disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja, cinco anos a contar da data fato gerador; v) a apresentação intempestiva da Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, ocorrida depois de a contribuinte ter tomado ciência do indeferimento ao pedido de compensação é inócua pois, em se tratando de empresa que era do Simples, os fatos geradores do anocalendário de 2002 já foram atingidos pela decadência, sendo improcedente; e vi) finalmente, deve ser declarada improcedente qualquer tentativa de a autoridade fiscal vir a exigir algum valor por ventura remanescente. Conclusão do Voto Isso posto, voto por não acolher a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, protocolizado em 27/10/2003, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, em face da decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002, e por manter a não homologação das compensações declaradas. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a decisão vergastada não acatou o PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte na qual se compensavam valores anteriormente recolhidos na modalidade do Simples com valores devidos no lucro presumido. Diz que, após ter realizado os cálculos pelo lucro presumido, recolheuse os valores devidos em espécie, compensandose os valores anteriormente recolhidos na sistemática do Simples. Sustenta que o Conselho de Contribuintes em decisão unânime já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do Simples obrigatoriamente devem ser compensados com os tributos devidos pelo regime do lucro presumido (Acórdão n.º 10323414, Diário Oficial da União, Seção 1, de 3 de setembro de 2008, página 28). Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 38 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/02/2009, sextafeira, efls. 29/30, e protocolo em 11/03/2009, efl. 31), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito observo que assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 39 7 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento, em Despacho Decisório (DD), de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, supostamente, não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da suposta situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da suposta utilização integral do valor recolhido, de modo que não restaria saldo residual para restituição. Ocorre que, é equivocado afirmar que houve a utilização integral do DARF em quitação de definitivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), pois o recolhimento se processou no código 6106 (Simples) para apuração de tributação no Regime Especial, no entanto o contribuinte foi excluído do Simples e, exatamente, por isso, gerou o pedido compensação, objetivando aproveitar os pagamentos no código 6106 para integralizar o que era devido a partir da apuração dos novos valores tributáveis com base no lucro presumido (vide PER/DCOMP efls. 4/7). Tanto é que a DRJ reconheceu esta problemática, reconhecendo que não houve utilização integral do DARF em efetivo e definitivo crédito tributário, porém, pasmem, ao meu ver criando novo impasse, modificou o critério jurídico da decisão do despacho decisório, que era pela inexistência de saldo do DARF, para afirmar que, na verdade, tinhase uma questão de decadência. De qualquer sorte, aplico o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com suas alterações, para não decretar a nulidade. Ora, a não homologação do PER/DCOMP teve por critério jurídico a inexistência de saldo do DARF; a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada do Simples entregue à época própria e cujos valores foram quitados com o DARF. Reconhece a DRJ que, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106, os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, face a não transmissão da declaração retificadora (Declaração Anual pelo Lucro Presumido). Logo, resta evidente que a DRJ reconhece que este critério jurídico é equivocado e não subsiste, porém, em contraponto à vedação do art. 146 do CTN, a primeira instância sustenta alegada decadência do direito de restituição (outro critério jurídico para não homologar a compensação). Deveras, a DRJ informa que o sujeito passivo foi excluído do Simples e, neste diapasão, fundamenta que ele estaria obrigado a retificar a sua declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples, sendo que, neste contexto, o sujeito passivo não teria tomado a providência a tempo e modo, assim Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 40 8 incidindo na decadência para os recolhimentos no código 6106 (código do Simples), de forma que não poderia haver a compensação, pois, com a entrega da declaração retificadora, referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido, apenas em 13/08/2008, estarseia diante da decadência para fatos geradores do anocalendário 2002. Não me parece razoável concordar com a mudança do critério jurídico, de toda sorte, é bom anotar que a DRJ vai mais além e, apesar de não ter homologado a compensação, a primeira instância consigna que os PER/DCOMP apresentados em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto que foram transmitidos antes da vigência das alterações que o caracterizaram como tal, também atesta que não se transmitiu DCTF, que também caracterizaria uma eventual confissão de dívida, e, por fim, informa que não se procedeu ao lançamento dos valores informados no PER/DCOMP com vistas a preserválos do instituto da decadência do lançamento de ofício (relativo as diferenças) já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação, obedece ao disposto no § 4.º do art. 150 do CTN, concluindo que é improcedente qualquer tentativa da autoridade fiscal exigir algum valor porventura remanescente no PER/DCOMP não homologado. Portanto, a DRJ reconhece a decadência do contribuinte e reconhece, de igual modo, a decadência da Administração Tributária, mas no dispositivo, na conclusão do voto, fala só na decadência do contribuinte. De mais a mais, observo o disposto na Súmula CARF n.º 76, a qual enuncia que: "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 180301.000, de 2/8/2011, 910101.037, de 27/6/2011, 910100.949, de 29/3/2011, 1402 00.017, de 28/7/2009, 10517.110, de 26/6/2008. Além disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Vejase. O objeto em comento é PER/DCOMP com créditos lastreados em DARF, com Código 6106 (Simples), no qual se utiliza o crédito para compensar recolhimento do lucro presumido para período de apuração originalmente do Simples, que foi recalculado por força da exclusão do regime especial. Neste diapasão, a conclusão é uma só, qual seja, não há óbice ao aproveitamento de pagamentos realizados com o código 6106 (Simples), quando for utilizado o crédito para compensar tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado justamente em razão da exclusão do Simples. Isto porque, de acordo com a Súmula CARF n.º 76, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento deveria ser realizado por simplória dedução, logo,neste contexto, não teríamos as decadências. Se foi a própria Administração Tributária quem excluiu o sujeito passivo do Simples, não se pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão ou, ainda, alegar decadência do direito a restituição. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 41 9 Por fim, repitase, novamente, que a DRJ afirma que não se pode cobrar o contribuinte, sob o argumento de que decaiu o direito de constituição, não tendo o PER/DCOMP do caso concreto força de confissão de dívida, face à época em que transmitido, enfrentando, inclusive, o óbice de outro enunciado sumular, qual seja, a Súmula CARF n.º 52 ("Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício."). Entendo, pois, que devese resolver o caso em favor do contribuinte como melhor medida ao litígio tributário. Considerando o esposado, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para homologar o PER/DCOMP. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo Ilustre conselheiro Leonam que dava provimento à declaração de compensação, por acreditar não haver crédito tributário apto a ser compensado nos presentes autos, o que conduziria à não homologação do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, porém, com fundamento diverso do consignado no despacho decisório que não homologou a referida compensação. Explico a seguir. Primeiramente, revisitando os fatos processuais, constato, às efls. 3, que a compensação declarada não foi homologada, conforme indicado no excerto abaixo: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 42 10 O PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte apresentava as seguintes características (efls. 06/07): Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 43 11 Como se observa, o PER/DCOMP pretendeu compensar débitos do Simples Federal do período de apuração de 31/10/2002 (código 6106) com débitos de COFINS (código 2172), IRPJ (código 2089) e CSLL (código 2372) do anocalendário de 2002 decorrentes de apuração pelo regime de Lucro Presumido. Observase, ainda, que o indeferimento do PER/DCOMP foi calcado na constatação de que o pagamento de R$ 2.740,43 já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do Simples Federal, constando, inclusive, DARF de recolhimento nos autos comprovando o fato (efls. 08). Para continuidade da análise, convém tecer alguns comentários acerca do instituto da compensação. É cediço que a compensação tributária é instituto jurídico previsto em lei e forma de extinção de crédito tributário, o qual opera pelo encontro de contas relativas a créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Logo, para que seja possível aferir a escorreição do ato administrativo que não homologou a declaração de compensação perpetrada no despacho decisório, penso ser necessário, primeiramente, reconhecer ou não a higidez de seus elementos componentes, quais sejam, o débito e o crédito dela constantes. Nessa trilha, verifico que, com relação ao crédito (pagamento indevido), o Despacho Decisório de não homologação da compensação teve como fundamento a não caracterização do recolhimento de R$ 2.740,43 como direito creditório do contribuinte, eis que o autor do Despacho Decisório entendeu que o referido recolhimento estava indisponível, em razão de ter sido alocado a débitos de tributos apurados no regime do Simples Federal do ano calendário de 2002. A relatora do Acórdão de Impugnação pronunciouse sobre essa matéria, entendendo que foi equivocada a conclusão da autoridade administrativa que considerou não disponível o recolhimento de R$ 2.740,43 para fins de compensação, conforme excerto abaixo: Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (especifico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. De fato, assiste razão à relatora do Acórdão de Impugnação, eis que a Declaração do Simples do anocalendário de 2002 não poderia ter sido considerada no Despacho Decisório que não homologou a compensação porque deixou de ter validade jurídica, em razão da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (efls. 15), tanto assim que foi posteriormente cancelada (efls. 17). Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 44 12 O fato de o recolhimento de R$ 2.740,43 ter sido alocado a um crédito tributário que deixou de existir caracterizou o pagamento indevido a partir do cancelamento da declaração do Simples do anocalendário de 2002, gerando um crédito líquido, certo e apto a compor declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, na forma do artigo 165 do CTN1. Com base nesse breve relato, reconheço a legitimidade do crédito pleiteado no PER/DCOMP no valor de R$ 2.740,43. Quanto ao débito (crédito tributário), vejo que no PER/DCOMP apresentado constou a informação de apuração de tributos para o anocalendário de 2002 no regime do Lucro Presumido. Compulsando os autos constato que a Declaração do Simples do ano calendário de 2002, que foi cancelada em virtude da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002, foi substituída pela declaração no regime do Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 para aquele mesmo período DIPJ/2003 a qual encontravase na situação cadastral "liberada". Dos fatos até aqui relatados e diante de uma análise perfunctória, poderseia concluir pela higidez do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte e, conseqüentemente, por sua homologação, porquanto a DIPJ/2003 pelo lucro presumido encontravase liberada para o ano de 2002 e porque o recolhimento feito a título de Simples sob código 6106 ficou disponível para compensação a partir do cancelamento da Declaração do Simples do anocalendário de 2002. Ocorre que a aplicação do instituto da compensação exige, além do reconhecimento de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte, a existência de crédito tributário a liquidar. É o que diz o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse sentido, constato que a DIPJ/2003 não tinha caráter constitutivo de crédito tributário à época dos fatos, e o entendimento pacificado, tanto na Administração Tributária quanto na Jurisprudência, é que somente os saldos a pagar de tributos declarados em 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 45 13 DCTF é que poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. O art. 1º da IN SRF nº 77/98 caminha nesse sentido: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) Constato, ainda, que os débitos informados na DIPJ/2003 não foram constituídos por meio de DCTF, eis que as informações constantes do processo indicam que não houve entrega da DCTF pelo contribuinte nesse período. Vejase trecho extraído do Acórdão de Impugnação nesse sentido: Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) (...) (...) iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de divida; Considerando que a DIPJ possuía apenas caráter informativo e que não houve lançamento em DCTF do débito declarado no PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, aplicarseia ao caso em questão o art. 23 da IN SRF nº 210/2002 (grifos nossos): Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em resumo, chegase à conclusão de que o débito constante do PER/DCOMP no valor de R$ 2.740,43 deveria, à época dos fatos, ter sido constituído por meio de lançamento de ofício; a uma, porque referido débito não foi lançado por DCTF e, a duas, porque, inobstante constar no PER/DCOMP transmitido em 27/10/2003 a confissão do débito de R$ 2.740,43, os efeitos de confissão de dívida só foram atribuídos às declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, conforme bem pontuado no Acórdão de Impugnação (in verbis): Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 46 14 declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Constato não haver nos autos qualquer documento indicando que os débitos informados no PER/DCOMP foram constituídos por meio de auto de infração na forma do artigo 23 da IN SRF nº 210/2002. Assim, por qualquer ângulo de análise e à luz da legislação regente da matéria e dos documentos constantes do processo, podese afirmar que o débito constante do PER/DCOMP debatido neste processo não foi constituído nem por DCTF, nem por DCOMP e nem por auto de infração, o que nos leva à corroborar a conclusão externada no Acórdão de Impugnação abaixo transcrita, segundo a qual operouse a decadência do direito de lançamento da referida obrigação tributária, em razão de tratarse de lançamento por homologação e por ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de ocorrência do fato gerador do tributo (in verbis): No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no Ultimo dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (Ultimo dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n° 437.546. Portanto, considerando que os débitos fiscais apurados na DIPJ/2003 e informados no PER/DCOMP não foram objeto de lançamento e, portanto, não possuíam a qualificação jurídica de crédito tributário tal qual exigido pelo artigo 170 do CTN, correta foi a negativa de homologação da declaração de compensação pela autoridade administrativa, sendo, porém, equivocado o fundamento utilizado no Despacho Decisório de não homologação, porque a invalidade da compensação caracterizouse não pela ausência de crédito líquido e certo, mas por inexistência de débito compensável, evidenciada pela falta de constituição do pretenso crédito tributário decorrente dos débitos fiscais informados na DIPJ/2003. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10940.900303/200661 Acórdão n.º 1002000.293 S1C0T2 Fl. 47 15 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
