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Numero do processo: 19647.000908/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 05/09/2009 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 05/09/2009 a 01/06/2010 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado.
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 4 3 cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 5 4 Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 6 5 Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 7 6 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 8 7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 9 8 · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.000908/200721 Acórdão n.º 3801004.404 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.000736/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2007
IPI. MULTA DE OFÍCIO
A diferença de IPI a pagar em virtude de reclassificação fiscal gera a aplicação de multa de ofício, nos termos do art.80 da Lei n. 4502/64, com alterações posteriores. O dispositivo determina que o sujeito passivo da sanção é aquele que deixou de efetuar o recolhimento, não se legitimando o argumento de que este deveria recair sobre o contribuinte de fato.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Não estão no rol de competências deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais questões atinentes à constitucionalidade das penalidades prescritas em lei, por força da disposição do art. 62, caput, aplicado conjuntamente com o art.62-A do RICARF e Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3201-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2007 IPI. MULTA DE OFÍCIO A diferença de IPI a pagar em virtude de reclassificação fiscal gera a aplicação de multa de ofício, nos termos do art.80 da Lei n. 4502/64, com alterações posteriores. O dispositivo determina que o sujeito passivo da sanção é aquele que deixou de efetuar o recolhimento, não se legitimando o argumento de que este deveria recair sobre o contribuinte de fato. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não estão no rol de competências deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais questões atinentes à constitucionalidade das penalidades prescritas em lei, por força da disposição do art. 62, caput, aplicado conjuntamente com o art.62-A do RICARF e Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2007 IPI. MULTA DE OFÍCIO A diferença de IPI a pagar em virtude de reclassificação fiscal gera a aplicação de multa de ofício, nos termos do art.80 da Lei n. 4502/64, com alterações posteriores. O dispositivo determina que o sujeito passivo da sanção é aquele que deixou de efetuar o recolhimento, não se legitimando o argumento de que este deveria recair sobre o contribuinte de fato. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não estão no rol de competências deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais questões atinentes à constitucionalidade das penalidades prescritas em lei, por força da disposição do art. 62, caput, aplicado conjuntamente com o art.62A do RICARF e Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 07 36 /2 00 9- 11 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran. Relatório Referese o presente processo administrativo de auto de infração para a cobrança de IPI e multa de ofício, em decorrência de diferença de tributo a pagar, em virtude de erro de classificação fiscal na TIPI. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Versam os autos lançamento de ofício para cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI) decorrente de procedimento fiscal que analisou a classificação fiscal dos produtos fabricados pelo contribuinte em epígrafe, relativamente aos exercícios de 2004 a 2007. Informanos o Relatório Fiscal (fls. 332/337) que “o contribuinte adotou, para os produtos da linha Forro e acessórios de PVC a classificação fiscal 3925.90.00 –ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES – OUTROS, com alíquota de 5 %” . Contudo, entendeu a fiscalização, nos termos da Tabela de Incidência sobre o IPI (TIPI)/2002, “que a correta classificação fiscal para os produtos da linha “forro e acessórios de PVC é: 39162000 – MONOFILAMENTOS CUJA MAIOR DIMENSÃO DO CORTE TRANSVERSAL SEJA SUPERIOR A 1mm (MONOFIOS), VARAS, BASTÕES E PERFIS, MESMO TRABALHADOS À SUPERFÍCIE MAS SEM QUALQUER OUTRO TRABALHO, DE PLÁSTICOS DE POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA, com alíquota de 10%”. Aduz o agente fiscal, que “o próprio contribuinte compartilha desse mesmo entendimento, visto que na descrição detalhada de seus produtos na linha ‘Forro e acessórios de PVC’ ( fls. 241/248), ele declara que a Classificação Fiscal e alíquotas correta são respectivamente 3916.20.00 e 10%”, e que “conforme cópia das notas fiscais (fls. 256/258), a partir de 2008 o fiscalizado passou a adotar a classificação correta para seus produtos da linha Forro e acessórios de PVC, qual seja, 3916.20.00”. Entende o Fisco que “a classificação fiscal 3925.90.00 não se aplica a esses produtos, visto que a Nota 11 do Capítulo 39, apresenta uma lista limitativa dos artefatos aos quais se aplica a posição 3925, advertindo que os artefatos incluídos nas posições precedentes do Subcapítulo II (Desperdícios, resíduos e aparas; produtos intermediários; obras) do Capítulo 39, ou seja, as posições 3915 a 3924, não se classificam na referida posição 3925”, concluindo que a classificação fiscal correta é a da NCM 3916.20.00, cuja alíquota, no período abarcado pela exação, era Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11020.000736/200911 Acórdão n.º 3201001.898 S3C2T1 Fl. 94 3 10%. Demais disso, transcreve soluções de consulta que vão ao encontro de seu entendimento. Em vista do exposto, foi elaborado o Demonstrativo de Diferenças Apuradas de IPI (fls. 26/220), tendo sido selecionadas todas as notas fiscais de venda de produtos da linha Forros e acessórios de PVC, que estavam classificadas com NCM 3925.90.00 e com destaque de IPI nas notas. Inconformado com a exigência, o contribuinte impugna a mesma (fls. 262/290), não se insurgindo contra a matéria de fundo, qual seja, o erro perpetrado quanto à classificação fiscal dos produtos acima referidos, que industrializa. Assim, desde já temse por não impugnada a matéria quanto à classificação fiscal. Referese, de passagem, nesse ponto que “jamais se utilizou de tal situação para obter vantagens, tratandose, apenas, de mero equívoco”. Insurgese,efetivamente, quanto à multa aplicada, entendendo que, tratandose o IPI de tributo indireto, onde quem arca com o ônus financeiro é o consumidor final, não obtendo a insurgente qualquer vantagem advinda de eventual recolhimento a menor que tenha sido por ela efetuado, não haveria como “a requerente ser penalizada por um aproveitamento financeiro que não existiu”. Entende que “a aplicação da multa se dá em razão de algum aproveitamento financeiro havido às custas do Fisco, o que, de fato não ocorreu”. Alega ser abusiva e confiscatória a multa aplicada “tendo em vista que a requerente não reteve os valores que se referem a eventual enquadramento equivocado havido quando da apuração do IPI”, pelo que pugna por sua “redução a um patamar condizente à realidade dos fatos”. Alega que a multa no percentual aplicado é inconstitucional, afrontando o princípio do nãoconfisco, do direito à propriedade, da afronta à livre iniciativa e ao desenvolvimento. Por fim, tece longa consideração acerca da base imponível do IPI para ao final concluir que a pretensão fazendária é exacerbada “ao fazer a apuração do imposto...mediante incidência da alíquota sobre uma base indevidamente expandida”, aduzindo, “que outros custos, impertinentes em face da ocorrência do fato gerador, foram tomados em consideração para o registro da base de cálculo do imposto ...”. Isso porque, segundo argui, parte de suas vendas são feitas a crédito, com “faturamento para pagamento em 30 ou 60 dias”. Entende que nessa hipótese “a remuneração preço que a contribuinte recebe adicionalmente pela estipulação do crédito, paralelamente à estipulação da venda do produto industrializado, não pode validamente ser incluída na base de cálculo do imposto sobre produtos industrializados”. E conclui a que “remuneração que recebe pela estipulação do crédito a título de juros e/ou correção monetária ...não pode constituir Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 constituir a base de cálculo do imposto sobre produtos industrializados, isso porque ocorre após a ultimação do fato gerador respectivo, não integra a cadeia de custos do processo industrial e tem natureza diversa da operação tributada”. Ante tal raciocínio, averba “que devem ser estornados da base de cálculo do imposto sobre produtos industrializados todos os valores decorrentes de acréscimo a título de juros e/ou correção monetária – custo financeiro de circulação ou distribuição da mercadoria, que não integram os custos do processo industrial”. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2007 MULTA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado naquele documento, falecendo competência às instâncias do contencioso fiscal para adentrarem no mérito da constitucionalidade da alíquota eleita pelo legislador. VALOR TRIBUTÁVEL Nos termos do CTN, a base imponível a ser aplicada a alíquota do IPI é o valor da operação constante do documento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresentado recurso voluntário, no qual se repetiram os argumentos defesa, ou seja, alegouse o caráter indireto do IPI, que determina que o ônus financeiro da tributação recaia sobre o último elo da cadeia, além do caráter confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Verificase que a presente autuação decorre do fato de que a fiscalização constatou que haveria diferença de IPI a ser pago, em decorrência de alteração de classificação fiscal de produto no TIPI, o que não é contestado pela Recorrente, tanto é que, a partir do exercício de 2008, passou a adotar distinto código tarifário para os mesmos produtos, o que gerou uma diferença de alíquota de 5%, a maior. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11020.000736/200911 Acórdão n.º 3201001.898 S3C2T1 Fl. 95 5 A Recorrente tãosomente contesta a aplicação da penalidade, por entender que não seria o legítimo sujeito passivo, por força da natureza de repercussão indireta do IPI, que imporia que a repercussão econômica da exação recaísse sobre o contribuinte de fato. Contudo, não assiste razão à Recorrente, pois de acordo com o art.80 da Lei 4502/64, de acordo com a sua evolução legislativa, bem traçada pelo julgador de primeira instância, temse que para os fatos geradores até 21/01/2007, a redação era a seguinte: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I –setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Para os fatos geradores entre 22/01/2007 a 14/06/2007, a redação desse artigo foi dada pelo art. 13 da Medida Provisória 351/2007, tinha o seguinte teor: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. E para os fatos geradores a partir de 15/06/2007 pela redação, dada pelo art. 13 da Lei 11.488, de 15/06/2007: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Verificase que o legislador não fez quaisquer ressalvas no sentido argumentado pela Recorrente; ao contrário, atribui sanção pelo descumprimento da obrigação àquele que deveria pagar o imposto, que incontestavelmente, tratase do responsável tributário. É de se observar que a detecção do equívoco quanto à classificação fiscal foi feita pela própria Recorrente, que, em determinado momento passou a classificar o produto em código tarifário do qual decorre diferença de tributo a pagar. E nesse sentido, facultarlheia a realização da denúncia espontânea, até mesmo porque, apenas se insurge contra o montante da penalidade. Por outro lado, não estão no rol de competências deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, questões atinentes à constitucionalidade das penalidades prescritas em lei, por força da disposição do art. 62, caput, aplicado conjuntamente com o art.62A do RICARF, que veda a esse colegiado afastar disposição de lei, sob o argumento de sua inconstitucionalidade, o que já foi, inclusive, tema da Súmula CARF nº 2, que determina Fl. 594DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 que “ o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Em face do exposto julgo improcedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 595DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000287/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/09/2007
-DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Tratando-se de AI de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2001. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitando ao disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: Elaine Cristina MOnteiro e Silva Vieira
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2001. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitando ao disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ewan Teles Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.000287/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.738 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de outubro de 2014 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente LENS SERVICE COM. E REPRES. LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/09/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI 10.101/2000. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. O fato do recorrente ter entregue GFIP, com a conseqüente relevação total da multa aplicada, não determina a improcedência da autuação que ficará registrada no banco de dados em relação ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/09/2007 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 6.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 284, III, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 02 87 /2 00 8- 14 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de AI de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2001. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitando ao disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ewan Teles Aguiar. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.000287/200814 Acórdão n.º 2401003.738 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.127.0057, em desfavor da recorrente originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Já no relatório fiscal, fl. 04 da obrigação principal, destacou o auditor que o Autuo a empresa por apresentar Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação Previdência Social GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuição previdenciéria, deixando de incluir remunerações pagas à Unimed Cooperativa de Trabalho Médico de Campinas e Ribeirão Preto, conforme faturas de prestação de serviços médicos apresentadas do período de 04/2001 e 06/2005, com conseq6uente diminuição no valor da contribuição devida,o que constitui infração a Lei 8.212, de 24/07/91, art. 32, inc, IV e § 5 0 , também acrescentado pela Lei no 9.528, de 10/12/97 combinado com o art.. 225, IV, § 4 0 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/99. Quanto a multa imposta, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, foi aplicada a multa prevista no artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social e artigo 32, inciso IV, § 5 0 da Lei 8.212/91, com valores atualizados pela Portaria 142, de 11/04/2007, correspondente a 100 °A) do valor devido relativo as contribuições não declaradas em GFIP. A presente multa totaliza o valor de R$ 1.801,11 (Hum mil, oitocentos e um reais e onze centavos) e encontrase discriminada no Relatório. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 14/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 54 e seguintes. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento contudo com relevação total da multa, fls. 62 e seguintes ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/09/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP INCORRETA. INFRAÇÃO. Deixar a empresa de informar mensalmente através de GFIP, os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração na forma da lei. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 DECADÊNCIA: É de dez anos o prazo, em que as contribuições devidas à Seguridade Social poderão ser constituídas, contandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte, em que o crédito poderia ter sido constituído. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. A multa aplicada será inteiramente relevada, se o infrator for primário, requerer a relevação, e não tiver incorrido em nenhuma circunstância agravante. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. A solidariedade prevista no Inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91 não inclui as obrigações acessórias. Lançamento Procedente AUTUAÇÃO PROCEDENTE Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 160 a 189, onde em síntese alega: 1. Decadência parcial da exigência consubstanciado no art. 173, I do CTN 2. Assim, não pode subsistir o lançamento da empresa contribuinte sob a alegação de que a mesma apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, não pode prosperar, posto que tal fato não distorcer a realidade dos fatos, ou seja, as guias foram recolhidas, e as irregularidades apontadas foram sanadas, conforme GFIP's entregues em 29/10/07 e 30/10/07. 3. seja decretada a NULIDADE da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n°. 37.127.0057 por conter vícios insanáveis e patente decadência referente ao lançamento de débito fiscal de créditos tributários, pois conforme demonstrado, não coaduna com a legislação tributária vigente. 4. Caso este colegiado não entenda pela nulidade da NFLD, requerse a análise para que seja a presente ação fiscal (NFLD n°. 37.127.0057) declarada IMPROCEDENTE. E o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.000287/200814 Acórdão n.º 2401003.738 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 74. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DECADÊNCIA – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Assim, como descrito pelo julgador, considerando que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD ou AI de obrigação principal, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados, a decadência deve ser analisada porém sem o alcance almejado pelo recorrente. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Porém, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.000287/200814 Acórdão n.º 2401003.738 S2C4T1 Fl. 5 7 empresa informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/10/2007., considerando que os fatos geradores abrangem o período de 04/2001 e 06/2005. Dessa forma, deve ser declarada a decadência até a competência 11/2001, pela aplicação do art. 173, I do CTN.. DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que restando comprovado serem devidas as contribuições por conseguinte, devida é a obrigação de informar os fatos geradores em GFIP. O fato do recorrente tem informado em GFIP, após o encerramento do lançamento os fatos geradores omitidos, pode ensejar a relevação da multa, mas, não a improcedência da autuação, que ficará registrada nos sistemas em relação ao autuado. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Em relação a multa aplicada não há o que ser enfrentado, considerando que a mesma foi excluída pelo julgador de primeira instância, o mesmo acontecendo em relação a indicação da responsabilidade solidária, que já restou também afastada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para excluir a multa até a competência 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal e no mérito NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13804.000536/2002-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1997, 1998, 1999 e 2000
Ementa:
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Nos termos da Súmula CARF n. 91, “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.”. Prescrição afastada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Ausente a prova de que os pagamentos juntados ocorreram em data anterior a qualquer declaração apresentada ao Fisco pela Contribuinte, e, ao contrário, presentes indícios seguros no sentido de que tais pagamentos foram realizados no bojo de parcelamento, em relação ao qual não se aplica o disposto no art. 138 do CTN, rejeita-se o pleito de restituição da multa moratória respectiva.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de prescrição suscitada pelo acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso, ressalvada a possibilidade de a RFB rever de ofício o indeferimento do pedido de compensação decorrente da não aplicação do instituto da denúncia espontânea, caso estejam caracterizadas quaisquer das hipóteses previstas na Nota Técnica Cosit n. 01/2012.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1994, 1997, 1998, 1999 e 2000 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Nos termos da Súmula CARF n. 91, “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.”. Prescrição afastada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Ausente a prova de que os pagamentos juntados ocorreram em data anterior a qualquer declaração apresentada ao Fisco pela Contribuinte, e, ao contrário, presentes indícios seguros no sentido de que tais pagamentos foram realizados no bojo de parcelamento, em relação ao qual não se aplica o disposto no art. 138 do CTN, rejeita-se o pleito de restituição da multa moratória respectiva. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T02:07:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-02-18T02:07:13Z; Last-Modified: 2015-02-18T02:07:13Z; dcterms:modified: 2015-02-18T02:07:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-02-18T02:07:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T02:07:13Z; meta:save-date: 2015-02-18T02:07:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T02:07:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-02-18T02:07:13Z; created: 2015-02-18T02:07:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-02-18T02:07:13Z; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T02:07:13Z | Conteúdo => S1-C1T2 Fl. 1 1 S1-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.000536/2002-91 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102-001.181 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria IRPJ Recorrente SCHAHIN ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1994, 1997, 1998, 1999 e 2000 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Nos termos da Súmula CARF n. 91, “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.”. Prescrição afastada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Ausente a prova de que os pagamentos juntados ocorreram em data anterior a qualquer declaração apresentada ao Fisco pela Contribuinte, e, ao contrário, presentes indícios seguros no sentido de que tais pagamentos foram realizados no bojo de parcelamento, em relação ao qual não se aplica o disposto no art. 138 do CTN, rejeita-se o pleito de restituição da multa moratória respectiva. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de prescrição suscitada pelo acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso, ressalvada a possibilidade de a RFB rever de ofício o indeferimento do pedido de compensação decorrente da não aplicação do instituto da denúncia espontânea, caso estejam caracterizadas quaisquer das hipóteses previstas na Nota Técnica Cosit n. 01/2012. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1994, 1997, 1998, 1999, 2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de valores pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 150, § 1 o do CTN, tendo ocorrido a decadência em relação aos pagamentos efetuados no ano-calendário de 1994. RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alegação de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) excluiria a exigência da multa de mora no pagamento espontâneo de tributo em atraso não possui fundamento, quer no CTN, quer na legislação ordinária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DECOMPENSAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não reconhecido o direito creditório, indefere-se o pedido de restituição, não se homologando a compensação pleiteada. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada.” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “Em 09/01/2002, a Interessada protocolou, junto ao CAC/DRF/SPO, Pedido de RESTITUIÇÃO (fl.01), cumulado ao pleito de COMPENSAÇÃO (fl. 02), objetivando o aproveitamento da multa de mora recolhida nos códigos de retenção 2172, 2484, 8205, 5993 e 6692, que atualizada pela Selic somou R$ 824.869,61 (oitocentos e vinte e quatro mil, oitocentos e sessenta e nove reais, e sessenta e um centavos), para quitar débito no código 2172 (COFINS — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), no mesmo valor. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 13804.000536/2002-91 Acórdão n.º 1102-001.181 S1-C1T2 Fl. 2 3 2. Foram anexados, entre outros documentos, planilha de fl. 03, e Darf de fls. 04 a12,e48a57. 2.1. A autoridade preparadora apensou, em 21/06/2005 (fl. 71), o processo administrativo de número 13807.005291/2002-69. 3. Em 17/08/2005, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO, INDEFERINDO o Pedido de Restituição da Interessada, NÃO HOMOLOGANDO a compensação pleiteada (fls. 76 a 81), nos seguintes termos, resumidamente: 3.1. Trata-se de pedido de restituição de crédito decorrente de valores pagos a título de multa moratória sobre débitos declarados espontaneamente, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (art. 138 da Lei n° 5.172/66; Código Tributário Nacional — CTN). 3.2. Por meio do pedido de compensação de fl. 02, protocolado em 09/01/02 – 17/03/03, o contribuinte apresenta a compensação dos valores recolhidos a título de multa de mora do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ com débito da COFINS. 3.3. Vale destacar que o débito objeto do pedido de compensação deste processo tem a mesma origem da declaração de compensação constante do processo administrativo de parcelamento, ou seja, débito da COFINS referente ao período de apuração 12/01, tendo sido deferido o parcelamento deste débito no referido processo. 3.4. Juntou ao processo, entre outros documentos, planilha do suposto indébito tributário e cópia dos DARFs, cuja multa de mora é objeto do pedido de restituição, a seguir transcritos: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 3.5. Com relação aos pagamentos da COFINS, realizados em 15/03/94, o pedido não pode prosperar, uma vez que na data da protocolização do pedido, 09/01/02, o direito de solicitar eventual restituição do suposto indébito já tinha sido extinto, pois alcançado pela decadência. 3.6. No que tange ao mérito da questão, com relação aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, se os mesmos não forem realizados na data determinada, configura-se a mora e as imposições legais dela decorrentes. Não encontra amparo jurídico a tese sustentada pelo contribuinte de que a denúncia espontânea da infração fiscal, com o recolhimento do tributo devido e dos juros de mora, desobriga o contribuinte do pagamento da multa de mora. 3.7. A interpretação do contribuinte está equivocada, visto que a denúncia espontânea (art. 138, CTN) não torna indevido o pagamento da multa moratória, pois esta não apresenta natureza de penalidade por infração à legislação tributária, não se confundindo com a multa de ofício, esta sim revestida de caráter punitivo. Traz doutrina e entendimento administrativo nesse sentido, concluindo que não assiste razão ao contribuinte, não cabendo a exclusão da exigência da multa de mora, incidente sobre tributos pagos com atraso. 3.8. Com relação à declaração de compensação constante no processo administrativo de parcelamento retro, verifica-se que o contribuinte solicita a compensação do débito nele especificado, contrariando, dessa maneira, o disposto no art. 21, § 3 o inciso IV, da IN/SRF n'210/02. 3.9. Feitas essas considerações, verifica-se que a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabendo, por conseqüência, a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. 3.10. Por essas razões, o pedido de restituição foi INDEFERIDO, e, em conseqüência, as declarações de compensação vinculadas ao crédito analisado NÃO FORAM HOMOLOGADAS. 4. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 01/09/2005 (fl. 81) e dele recorreu a esta DRJ, em 03/10/2005, por meio de suas advogadas (fls. 104 a 108), nos seguintes termos, resumidamente (fls. 91 a 104): 4.1. Trata-se de pedido de restituição do valor de R$ 824.869,61. O pedido de compensação foi realizado entre os valores apurados a título de multa indevidamente recolhida e os valores pendentes do parcelamento n° 13807.005291/2002-69, que, inclusive, foi reconhecido extinto pela própria autoridade competente (doc. 02; fl. 109). 4.2. Ocorre que, ao analisar o pedido de restituição, a autoridade competente entendeu por indeferi-lo. Tal decisão não pode prevalecer, como se passará a demonstrar. DA INOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 13804.000536/2002-91 Acórdão n.º 1102-001.181 S1-C1T2 Fl. 3 5 4.3. Cita os artigos 150, 165 e 168 do CTN, doutrina e jurisprudência concluindo que o prazo para o pedido de restituição dos valores indevidamente recolhidos é de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário, que no caso do lançamento por homologação (como na situação sob análise) ocorre com a homologação, expressa ou tácita, e não pelo pagamento antecipado, razão pela qual os pagamentos realizados em 15/03/94 não estão afastados pela decadência. DA EXCLUSÃO DA MULTA PELA DENÚNCIA ESPONTÂNEA 4.4. Reproduz o art. 138 do CTN, e afirma que a denúncia espontânea em Direito Tributário visa incentivar aquele que pretende corrigir suas inobservâncias legais, o que se dá por meio do pagamento anterior a qualquer procedimento de fiscalização da autoridade administrativa. Assim, com base neste artigo, deve ser afastado qualquer acréscimo punitivo, razão pela qual a multa de mora foi recolhida indevidamente. 4.5. Traz doutrina e jurisprudências, judiciais e administrativas, a respaldar suas alegações. Requer, ao final, a reforma da decisão proferida para que seja deferida a restituição e homologada a compensação na forma requerida. 5. A Recorrente - tendo em vista ter recebido, em 22/11/2005, Intimação n° 2.777 — esclarece, em 13/12/2005, já ter apresentado manifestação de inconformidade, reiterando os termos nela contidos (fls. 115 a 144).” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório que indeferiu as compensações, pelos motivos sintetizados na ementa reproduzida acima, concluindo que: “9.3.7. Assim, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte está apto a produzir todos os efeitos que lhe são próprios, não estando subordinado a condição suspensiva, mas resolutória. Portanto, o pagamento antecipado já extingue o crédito, muito embora, por se tratar de atividade de iniciativa do contribuinte, sem prévia manifestação do Fisco, submete-se o lançamento à homologação posterior, seja ela tácita ou expressa. O pagamento antecipado não constitui pagamento provisório à mercê de seus efeitos extintivos, mas de pagamento que ocorre antes do prévio exame da autoridade administrativa. O pagamento é antecipado porque efetuado sem prévio exame da autoridade administrativa. Por conseguinte, o dies a quo determinado pela extinção do crédito tributário ocorre na data do pagamento, independentemente de homologação posterior. (...) 9.3.12. Por derradeiro, a Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, em seu art. 3°, traz a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 do CTN, e assim dispõe nos art. 3° e 4°: (...) 9.3.14. Portanto, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário e é a partir dele que se conta o prazo de cinco anos para pleitear a restituição. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 Não resta dúvida, portanto, que no caso do lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado do tributo é o marco inicial para contagem do prazo em que se extingue o direito do contribuinte pleitear a restituição. Assim, há que se refutar a tese da Recorrente, razão pela qual tem-se que já havia decaído o direito de pleitear a repetição dos pagamentos realizados em 15/03194. (...) 10.8. Não é plausível, assim, admitir-se que a interpretação da recorrente ao artigo 138 do CTN esteja conforme a ordem legal e jurídica vigente, pois essa interpretação implicaria, também, validar o entendimento de que os artigos de leis e de atos normativos que estipulam e normatizam a multa de mora exigida quando do recolhimento espontâneo pelo contribuinte, estariam, de há muito, em frontal desobediência ao CTN. 10.9. O sistema legal tributário brasileiro tem mantido, de forma regular e consistente, a multa de mora para o pagamento espontâneo do contribuinte, e a multa de ofício, para a exigência formulada em lançamento pela autoridade fiscal. 10.10. Vê-se, por outro lado, que a interpretação dada ao artigo 138 pela Recorrente corresponde a tornar a multa de mora inaplicável e, portanto, a bani-la do sistema jurídico tributário pátrio.” Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte alega (i) a não ocorrência de prescrição, por ser esta contada da data da extinção do crédito, que não ocorreria em seu pagamento, mas em sua homologação; e (ii) o afastamento da multa de mora pela ocorrência da denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Mérito 1. Da prescrição Discute-se a ocorrência ou não de prescrição do pedido de restituição dos valores pagos indevidamente pela Contribuinte. Citada questão não merece maiores divagações ante a edição da Sumula CARF n. 91, segundo a qual “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” No caso, o pagamento indevido que motivou o pedido de restituição ocorreu em 15/03/1994, ao passo que o pedido de restituição foi formulado em 09/01/2012, ou seja, antes do transcurso do prazo decenal contado do respectivo pagamento. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 13804.000536/2002-91 Acórdão n.º 1102-001.181 S1-C1T2 Fl. 4 7 Afasta-se pois a preliminar de prescrição suscitada pelo acórdão recorrido. 2. Da denúncia espontânea Também não comporta divagações a questão relativa à inexigibilidade da multa de mora nos casos em que configurada a denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN. Veja-se, nesse sentido, entendimento remansoso do E. Superior Tribunal de Justiça, proferido em julgado submetido ao rito do art. 543-B do CPC, de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo, na forma do art. 62-A do RI/CARF. Verbis: “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRESCRIÇÃO. SISTEMÁTICA DOS CINCO MAIS CINCO. COMPENSAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA COM TRIBUTO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA 83/STJ. 1. A denúncia espontânea autoriza o afastamento tanto da multa moratória quanto da multa punitiva, pois o art. 138 do Código Tributário Nacional-CTN não veicula qualquer distinção dessa natureza. 2. Extingue-se o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação – não sendo esta expressa – somente após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp 435.835/SC, julgado em 24.03.04). 3. Na sessão do dia 06.06.07, a Corte Especial acolheu a arguição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3º o disposto no art. 106, I, da Lei n. 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05 (EREsp 644.736-PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki). 4. Esse entendimento foi ratificado no julgamento do REsp 1.002.932/SP, Rel. Min. Luiz Fux (DJe de 18.12.09), submetido ao colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543- C no CPC, quando se ressaltou que: (a) "em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002 (...)"; e (b) o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido se ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica. 5. Admite-se a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de multa moratória com tributo. Precedentes da Primeira Seção. 6. "Considerando a amplitude conferida à expressão 'crédito relativo a tributo ou contribuição' (art. 74 da Lei 9.430/96), deve-se entender que ela abarca qualquer pagamento indevido feito pelo contribuinte a título de crédito Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 tributário. Por outro lado, do exame sistemático das normas insertas no Código Tributário Nacional (arts. 113, §§ 1º e 3º, e 139), observa-se que crédito tributário não diz respeito apenas a tributo em sentido estrito, mas alcança, também, as penalidades que incidam sobre ele" (EREsp 792.628/RS, Rel. Min. Denise Arruda, DJe de 22.09.08). 7. É devida a Taxa SELIC nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. A SELIC é composta de taxa de juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice de atualização. Incidência da Súmula 83/STJ. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Recurso especial de Maeda S/A Agroindustrial conhecido em parte e provido. (REsp 1086051/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010) Veja-se, ainda nesse sentido, precedente deste Tribunal Administrativo sobre o tema: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 3101-001.624 – Processo nº 10950.900764/2008-87 – 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção) A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconhece a inexistência de distinção entre multa moratória e punitiva para fins de aplicação do art. 138 do CTN, dispensando a todos os procuradores de recorrerem de decisões nesse sentido. Veja-se o estabelecido no Ato Declaratório nº 4 de 2011: “(...)DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional”. Cinge-se a discussão, portanto, em saber se, no caso, está (ou não) caracterizada a denúncia espontânea. Verificando-se os requisitos para a configuração de tal instituto, vê-se que 2 (dois) DARFs dos 12 juntados mencionam tratar-se de parcelas (“parcela 1/60 – cofins” e “parcela 1/80 – cofins”, - fl. 06). O documento de fl. 76 do PDF também dá indícios de que os pagamentos que geraram o pretenso direito creditório se deram no bojo de parcelamento. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 13804.000536/2002-91 Acórdão n.º 1102-001.181 S1-C1T2 Fl. 5 9 Nos casos de parcelamento, contudo, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea, conforme decidido pelo E. Superior Tribunal de Justiça em recurso submetido ao regime do art. 543-C do CPC, verbis: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. 1.O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (Resp 1102577/DF, Rel. MIN. HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, Dje 18/05/2009) Assim, ausente a prova de que os pagamentos juntados ocorreram em data anterior a qualquer declaração apresentada ao Fisco pela Contribuinte, e, ao contrário, presentes indícios seguros no sentido de que tais pagamentos foram realizados no bojo de parcelamento, em relação ao qual não se aplica o disposto no art. 138 do CTN, impõe-se a rejeição do pleito da Contribuinte. Por todo o exposto, orienta-se voto no sentido de afastar a preliminar de prescrição suscitada pelo acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso, ressalvada a possibilidade de a RFB rever de ofício o indeferimento do pedido de compensação decorrente da não aplicação do instituto da denúncia espontânea caso estejam caracterizadas quaisquer das hipóteses previstas na Nota Técnica Cosit n. 1/2012. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
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Numero do processo: 10640.001929/2010-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, por unanimidade. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO - Presidente substituto no exercício da Presidência.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: Não se aplica
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ME Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, por unanimidade. Ausente o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. (assinado digitalmente) EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Presidente substituto no exercício da Presidência. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 01 92 9/ 20 10 -5 4 Fl. 8669DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.670 2 RELATÓRIO Lançamento O presente processo administrativo foi originado por autos de infração (fls. 543) lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao anocalendário de 2006 e lançados de ofício em decorrência da exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional. De acordo com o relatório fiscal de fls. 4471: (i) Omissão de receitas O procedimento de fiscalização instaurado contra a recorrente decorreu do resultado de fiscalizações realizadas contra as pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio (CPF nº 998.070.84687) e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge (CPF nº 038.143.98602), as quais foram iniciadas em razão de movimentação financeira incompatível (R$2.173.794,00 e R$2.424.794,00, respectivamente, no anocalendário de 2005) e omissão na entrega de DIRPF. Mediante consulta ao CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais da DATAPREV, foi verificado que Elcimar teve vínculo empregatício com Indústria de Móveis Rufato e com a Premilar CL Móveis Ltda., ao passo que Áurea teve vínculo empregatício com Lelia Comercial Ltda. – ME. Em 24/03/2008 as pessoas físicas foram cientificadas do termo de início de ação fiscal, por meio do qual foram solicitados, entre outros documentos, os extratos bancários; Em 15/04/2008 foi expedida RMF – requisição de informações sobre movimentação financeira destinada ao Banco do Brasil envolvendo as referidas pessoas físicas. O Banco do Brasil apresentou (i) instrumento público por meio do qual Lélia Aparecida Ferreira Rufato (CPF nº 381.966.16668) foi constituída procuradora de Elcimar e Áurea, com poderes para movimentar suas contas bancárias; (ii) fichas cadastrais indicando o seguinte: Elcimar Ocupação principal Industriaria Natureza da ocupação Empregado em empresa do setor privado Cargo Marceneiro Renda R$ 600,00 Empregador Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge Referências Célio Rufato, Supermercado Paro Ltda. e INSS Outorgados Fernanda Rufato Pereira Chumbinho e Lélia Aparecida Ferreira Rufato Áurea Fl. 8670DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.671 3 Ocupação principal Industriaria Natureza da ocupação Empregado em empresa do setor privado Cargo Serviços gerais Renda R$ 1.200,00 Empregador Lélia Aparecida Ferreira Rufato Referências Supermercado Parto Ltda. e Leley Móveis Ind. E Com. Ltda. Outorgados Lélia Aparecida Ferreira Rufato Elcimar e Áurea foram intimados a comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias no anocalendário de 2005, mas, após a dilação do prazo inicial e diversas reintimações, as pessoas físicas informaram, em 20/10/2008, que, em virtude da complexidade da movimentação bancária, não conseguiram reunir a documentação, situação em que a Fiscalização estendeu o prazo até 20/12/2008. Foi ampliado o objeto da fiscalização e, em 1º/12/2008, as pessoas físicas foram intimadas a comprovar a origem dos recursos movimentados nos anos de 2005 a 2007. Esse termo de intimação foi reiterado duas vezes. Foram feitas novas solicitações por meio de RMF ao Banco do Brasil, o qual informou que: (i) as contas correntes eram frequentemente movimentadas pela procuradora Lélia Rufato; (ii) nos boletos gerados a partir das contas bancárias mantidas por Elcimar, constavam do campo instruções os nomes Rodmix Cobranças e Fredlar Cobranças; e (iii) nos boletos gerados a partir das contas bancárias mantidas por Áurea, constavam do campo instruções os nomes Rufato Cobranças e Movelaria Cobranças. Foram realizadas as seguintes diligências com base na movimentação bancária, as quais corroboram a conclusão de que as contas das pessoas físicas eram utilizadas para movimentar recursos de pessoas jurídicas: (i) Antonio Carpovicz Filho declarou que desconhece cheques emitidos por Áurea e Elcimar nos valores de R$7.684,00 e R$14.120,00 e dos quais foi favorecido, mas prestou diversos serviços de transporte à Indústria de Móveis Rufato; (ii) a Distribuidora de Vidros Muriaé Ltda. informou que manteve relação comercial com a Premilar CL Móveis Ltda. e recebeu cheque emitido por Áurea no valor de R$6.027,00 como parte de pagamento de duplicatas emitidas pela empresa; e (iii) a Reinaldo de Mello & Cia Ltda. afirmou que recebeu cheques emitidos por Áurea como pagamento de venda de equipamento à Indústria de Móveis Rufato; e (iv) a Lambertex Indústria e Comércio Ltda. declarou que o cheque de R$16.640,91 foi recebido em pagamento de venda efetuada à Indústria de Móveis Rufato. Lélia Rufato foi intimada a se manifestar sobre sua relação com Elcimar e Áurea. Em 29/05/2009 Elcimar e Áurea protocolaram respostas (i) apresentando planilha demonstrando a origem dos recursos movimentados em suas contas correntes no ano de 2005 e Fl. 8671DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.672 4 a documentação comprobatória e afirmando que (ii) não encontraram os documentos relativos aos anos de 2006 e 2007; (ii) os recursos movimentados pertencem a terceiros, razão pela qual não foi apresentada DIRPF; e (iii) cederam sua conta para que empresas de conhecidos movimentassem valores. Foram apresentados planilhas e documentos complementares em 04/09/2009 e 17/09/2009 por Elcimar e Áurea. As planilhas apresentadas indicam a origem dos valores depositados/creditados nas contas de Elcimar e Áurea como sendo provenientes da recorrente e das outras quatro pessoas jurídicas mencionadas na representação fiscal. Tais empresas pertencem à “família Rufato”, localizamse no Município de RodeiroMG e desenvolvem atividades de indústria e comércio de móveis de madeira: Com base nas informações apresentadas pelas pessoas físicas, foi elaborado o demonstrativo denominado “origem dos créditos”, indicando os recursos pertencentes a cada pessoa jurídica. Passo seguinte, foram iniciados procedimentos de fiscalização contra as pessoas jurídicas, em 29/10/2009, tendo sido a recorrente intimada a apresentar toda a documentação contábil e fiscal, incluindo Livros Diário e Razão, Inventário, Registro de Entradas e Saídas, notas fiscais de entradas e saídas, contrato social e alterações e extratos das contas correntes, entre outros. Não tendo sido apresentados os documentos solicitados, foi expedida requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF) ao Banco do Brasil. Com base nos extratos bancários fornecidos pela instituição financeira, foi expedido termo de intimação para a contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em sua conta corrente, relacionados em anexo do termo. A contribuinte informou não possuir livro razão, pois, por ser optante pelo Simples, estava obrigada à escrituração de livro caixa. Em 19/03/2010 foram apresentadas notas fiscais de saída, planilhas e livros diário. Apenas em 15/04/2007 foram apresentadas as planilhas de movimentação financeira e documentos relativos a empréstimo obtido junto ao sócio. Sociedade Quadro societário Indústria de Móveis Rufato Célio Rufato e Lélia Rufato Rodmix Mauro Pereira e Fernanda Rufato Pereira Chumbinho Movelaria Rufato Célio Rufato e Lélia Rufato Recorrente Hélio Rufato e Emiliane Rufato Premilar Sebastião de Oliveira e Cleber Teixeira (Frederico Rufato retirouse em 31/10/2007) Fl. 8672DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.673 5 Verificouse que os valores movimentados na conta corrente da pessoa jurídica foram devidamente registrados na contabilidade, inclusive os empréstimos, conforme os livros diários. Por outro lado, foi concluído que parte da movimentação bancária nas contas correntes de Elcimar e Áurea pertence, na realidade, à contribuinte, o que foi confirmado pela própria pessoa jurídica ao escriturar a movimentação financeira das pessoas físicas após o início do procedimento fiscal. Essa retificação ocorreu em 03/06/2009, após o início de procedimento fiscal contra as pessoas físicas, em 24/03/2008 (a ação fiscal contra a contribuinte teve início em 29/10/2009), de modo que não houve denúncia espontânea da infração. Com fundamento no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, o autuante afirmou que “deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades dos procedimentos de ofício” (fls. 78). Essa retificação foi feita para aumentar a receita bruta declarada, mas, ainda assim, foram informados valores bastante inferiores àqueles apurados pela Fiscalização. Dessa forma, os depósitos realizados nas contas correntes das pessoas físicas serão considerados receitas omitidas pela contribuinte. Sendo a receita omitida adicionada à receita declarada, constatouse que a contribuinte extrapolou o limite de receita bruta para opção pelo Simples no ano de 2005: Anocalendário Receita bruta declarada Receita bruta omitida Receita bruta total 2005 R$ 1.166.078,90 R$ 458.447,67 R$ 1.624.526,57 Dessa forma, foi feita representação para a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 1º de janeiro de 2006, o que ocorreu por meio do ADE nº 44/2010; Após a exclusão, a contribuinte foi intimada a optar por outra forma de tributação para o ano de 2006. Em 28/05/2010, por discordar da exclusão, informou que não faria a opção. A contribuinte também não apresentou sua escrituração fiscal, solicitada pela autoridade fiscal para a apuração dos tributos conforme o lucro real trimestral. É necessário aplicar o regime do lucro real porque a opção pelo lucro presumido, conforme o art. 516, §4º do RIR/99, se dá mediante pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido no primeiro período de apuração de cada anocalendário, o que não foi realizado pela contribuinte. Sendo obrigatório apurar o lucro real, e não tendo sido apresentada a escrituração fiscal pela contribuinte, foi realizado o arbitramento, com fundamento no art. 530, III do RIR/99, para o anocalendário de 2006. Foi aplicado o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida no Fl. 8673DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.674 6 período de apuração, acrescido de 20%, conforme os arts. 532 e 519 do RIR/99. Foi considerada receita bruta a receita declarada somada à receita omitida (receitas operacionais). Já em relação aos anoscalendário de 2005 e 2007 foi mantida a opção pelo Simples. (ii) Multa qualificada O procedimento adotado pela contribuinte, que utilizou contas correntes abertas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) para movimentar seus recursos e, consequentemente, não submetêlos à tributação, caracteriza intenção fraudulenta de omitir receitas e diminuir o resultado tributável, ensejando qualificação da multa (150%). Manter e movimentar conta bancária em nome de interposta pessoa, utilizandoa com o propósito de omitir receita, é conduta que se subsume perfeitamente à figura típica da sonegação. Transcreve precedentes dos Conselhos de Contribuintes nesse sentido. (iii) Suprimento de numerário A contribuinte foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e a efetiva entrega do numerário pelo sócio à pessoa jurídica (valores extraídos dos balancetes transcritos no livro diário). A contribuinte não apresentou documentos comprovando a efetividade do mútuo e argumentou que a entrega dos recursos ocorreu “em dinheiro”, apresentando simples recibos assinados pelos sócios. Essa ausência de comprovação autoriza a aplicação da presunção de omissão de receitas estabelecida pelo art. 282 do RIR/99: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Impugnação Fl. 8674DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.675 7 A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 244260 alegando, em suma, o que segue: Foi solicitado aos auditores fiscais prazo complementar para impugnação porque juntamente com a contribuinte foram excluídas do Simples e autuadas outras quatro empresas pertencentes à família, de modo que a procuradora deveria preparar 9 complexas e extensas defesas. Isso porque foi necessário copilar cerca de 100.000 documentos para a comprovação dos créditos e depósitos considerados omissão de receita pela Fiscalização. Requer, desta forma, o direito de entregar as provas e alegações complementares de fato e de direito em outro momento. Foi realizada denúncia espontânea anteriormente à intimação. Em nenhum momento, no período de março de 2008 a novembro de 2009, a empresa recebeu intimações ou solicitações de informações sobre a movimentação bancária. Foram movimentados valores nas contas de terceiros, mas tais receitas foram contabilizadas e documentadas por nota fiscal, ou seja, não houve intenção de lesar o Fisco. Não poderia ter sido realizado o arbitramento do lucro, pois a contribuinte possuía o livro diário devidamente escriturado. Todos os termos de intimação foram atendidos, exceto o último, que obrigava a empresa a entregar declaração optando por outro regime de tributação, pois, à época, a contribuinte sequer conhecia os motivos da sua exclusão do Simples. Em hipótese nenhuma podemos admitir a existência de nexo causal entre a ação fiscal iniciada contra as pessoas físicas em março de 2008 e a situação da impugnante. A lavratura dos autos de infração deveria ter ocorrido apenas após o julgamento definitivo da manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples. Quanto às receitas consideradas omitidas, (i) o autuante não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais emitidas e na contabilidade e nas declarações fiscais; (ii) embora essas situações tenham sido informadas nas planilhas, não foram excluídos os cheques depositados e devolvidos duas vezes; (iii) não foi verificado que havia recebimentos decorrentes de notas fiscais emitidas no ano anterior e já submetidas à tributação; (iv) vários valores depositados nas contas referemse a receitas de outras empresas da família. Conforme o art. 142 do CTN, doutrina e precedentes dos extintos Conselhos de Contribuintes, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não podendo a Fiscalização, “em completo arbítrio, exigir quaisquer tributos sem o devido processo investigatório, propiciando ao contribuinte o direito à ampla defesa e ao contraditório”. Expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que obstar o exercício desse direito. Fl. 8675DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.676 8 Atribuir efeitos retroativos à exclusão é ilegal. Relatório de recepção de impugnações recebidas via Correios Em 27/08/2010 a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (“SACAT”) da DRFJFA registrou, às fls. 261265, o seguinte: O setor de protocolo da DRF recebeu, em 06/08/2010, 10 envelopes plásticos (modelo exclusivo dos Correios), postados no dia 04/08/2010 na Agência dos Correios do BH Shopping e cujo remetente é a Sra. Adriana de Fátima Moreira; É possível verificar que as correspondências são relativas a impugnações a lançamentos de ofício realizados pela Seção de Fiscalização – SAFIS; Conforme informações prestadas por auditores fiscais da SAFIS, a Sra. Adriana de Fátima Moreira foi cientificada pessoalmente, em 05/07/2010, de atos de exclusão do Simples e de 10 autos de infração relativos às empresas Fredlar Industrial de Móveis Ltda. ME, Indústria de Móveis Rufato Ltda., Premilar CL Móveis Ltda., Rodmix Móveis Ltda. – ME e Movelaria Rufato Ltda. – ME; Dos 10 envelopes, 2 vieram sem conteúdo (vazios), sendo que um dos avisos de recebimento não continha declaração de conteúdo e, no outro, foi indicado “impugnação Rodmix”. Quanto aos 8 documentos efetivamente recebidos, foi verificado trataremse de impugnações de Movelaria Rufato Ltda. – ME, Indústria de Móveis Rufato Ltda. – ME, Rodmix Móveis Ltda. – ME, Fredlar Industrial de Móveis Ltda. – ME e Premilar Ltda.; Embora as contribuintes façam menção a documentos anexados à impugnação, não foram, na verdade, apresentados quaisquer documentos; Para solucionar essa situação, e tendo em vista que não foram indicados os números dos processos nas impugnações, foi juntada uma via de cada impugnação aos processos. Impugnação complementar para juntada de documentos No dia 1º/09/2010 a contribuinte protocolou nova manifestação (fls. 278) para a juntada dos seguintes documentos: 10 caixas contendo planilha de créditos, especificação de todos os créditos movimentados nas contas correntes objeto desta impugnação, documentos comprobatórios da origem dos créditos, planilhas Fl. 8676DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.677 9 demonstrativas de que não houve omissão de receita, e todos os demais documentos comprobatórios das alegações efetuadas na referida impugnação. Tais caixas contém também a origem de recursos recebidos pelos sócios, que deram origem aos empréstimos efetuados à empresa, cuja fiscalização considerou como receita bruta omitida. Conforme a Nota da DRFJuiz de Fora de fls. 406, tais documentos foram acostados às fls. 1.0698.596. Acórdão da DRJ Em 29 de junho de 2011 os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJJuiz de Fora decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação (fls. 8.601 8.610), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DE OFICIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Efetivada a exclusão do Simples, a empresa deve optar por outra forma de apuração do IRPJ. Se não o fizer, é lícito à autoridade fiscal fazer o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas, para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. Fl. 8677DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.678 10 MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do resultado do julgamento em 18/07/2011 (fls. 8.617). Recurso Voluntário Em 16/08/2011 a contribuinte protocolou Recurso Voluntário (fls. 8.6198.642), no qual reitera os termos da impugnação e aduz o que segue. (i) Preliminar – Quebra de sigilo bancário sem ordem judicial Cita precedentes do STF e do STJ sobre a necessidade de intervenção judicial para a quebra do sigilo bancário; e Conclui que o auto de infração é nulo de pleno direito por ter sido lavrado com base em prova ilícita. (ii) Desenquadramento do Simples Foram prestados à Fiscalização todos os esclarecimentos devidos e solicitados, tendo sido provado por meio dos documentos juntados aos autos que foi indevida sua exclusão, pois não houve excesso de receita; O direito à ampla defesa restou cerceado, pois primeiro a contribuinte foi penalizada com a exclusão do Simples para somente depois ser a ela oportunizada a defesa; e Expedir ato declaratório para exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que tornála ineficiente, afrontando o §3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96 c/c Decreto nº 70.235/72 e a Lei nº 9.784/99. (iii) Denúncia espontânea Conforme demonstrado na impugnação, o contribuinte, antes de receber qualquer comunicação dos fiscais, fez uma conferência em sua contabilidade e percebeu que havia Fl. 8678DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.679 11 valores a serem contabilizados. Após a contabilização, foi realizada a denúncia espontânea desses valores; e A empresa apenas foi intimada em novembro de 2009, de modo que os atos praticados antes dessa data enquadramse no art. 138 do CTN. (iv) Inversão do ônus da prova Tendo sido apresentados pela contribuinte documentos visando a comprovar os depósitos e créditos, cabe ao Fisco demonstrar que os valores não foram incluídos na contabilidade; e Cita precedentes dos extintos Conselhos de Contribuintes. (v) Caráter confiscatório da multa Se a multa é fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida, tal penalidade assume caráter confiscatório e se desvia da sua finalidade, o que ocorreu no caso em tela, pois foi aplicada multa em porcentagem muito alta; e O STJ já estabeleceu como patamar máximo para multas o percentual de 20%. Sobrestamento do processo Em 08/08/2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento resolveu, por unanimidade de votos, sobrestar o processo com fundamento no art. 62A do Anexo II do RICARF e no parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012, pois uma das matérias em discussão diz respeito à quebra do sigilo bancário sem ordem judicial (fls. 8.6608.668). No dia 09/04/2014, data em que a relatora original, Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, não mais integrava este Conselho, o presente processo foi distribuído para a minha relatoria. VOTO Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Fl. 8679DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.680 12 Competência deste Relator para julgar o presente processo Conforme relatado, este processo foi originalmente distribuído para a relatoria da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que, quando pertencia à 2ª Turma Ordinária desta 1ª Câmara, determinou o sobrestamento nos termos do art. 62A do Anexo II do RICARF e no parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012 por haver discussão quanto à quebra do sigilo bancário. Após a saída da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima deste Conselho, o processo foi devolvido à 1ª Câmara e, em seguida, distribuído para minha Relatoria. Entendo correto o procedimento adotado após a saída da antiga Relatora, pois, nos termos do §9º do art. 49 do Anexo II do RICARF, deve ocorrer, nesses casos, a devolução do processo à Câmara, que realizará o livre sorteio aos Conselheiros na próxima reunião: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. § 9° Na hipótese de não recondução, perda ou renúncia a mandato, os processos deverão ser devolvidos no prazo de até 10 (dez) dias, e serão sorteados na reunião que se seguir à devolução. Conforme se verá adiante, porém, o julgamento do presente processo depende da análise do resultado do julgamento realizado por outro Colegiado quanto à procedência da exclusão da recorrente do Simples. Vejamos. Julgamento de processo conexo por outro Colegiado No despacho de encaminhamento de fls. 85998600, a DRFJuiz de Fora consignou terem sido formalizados quatorze processos administrativos contra as pessoas jurídicas (i) Premilar CL Móveis Ltda., (ii) Indústria de Móveis Rufato Ltda., (iii) Fredlar Industrial de Móveis Ltda. (recorrente), (iv) Rodmix Móveis Ltda. e (v) Movelaria Rufato Ltda., sendo que quatro desses processos dizem respeito à exclusão das pessoas jurídicas “i” a “iv” do Simples e os outros processos se referem a autos de infração lavrados contra as cinco contribuintes. Em suma, a autoridade fiscal constatou que tais pessoas jurídicas movimentaram parcela considerável de suas receitas em contas bancárias mantidas por pessoas interpostas e não submeteram tais valores à tributação. Diante dessa constatação, a autoridade fiscal verificou que as empresas “i” a “iv” extrapolaram o limite de receita bruta estabelecido pela legislação em vigor, razão pela qual (a) elaborou representação fiscal para a exclusão de tais empresas do Simples com efeitos a partir Fl. 8680DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.681 13 do anocalendário subsequente àquele em que houve excesso de receita e (b) lavrou autuações fiscais para a exigência de (b.1) IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI e contribuição previdenciária patronal calculados conforme o regime simplificado de tributação sobre as receitas omitidas nos anos em que a exclusão do Simples não produziu efeitos (2005 e, ou, 2007) e (b.2) de IRPJ, CSLL, COFIS e PIS devidos em decorrência da exclusão do Simples (anos de 2006 e, ou, 2007). Verificase, assim, terem sido formalizados três processos administrativos por pessoa jurídica (um para exclusão e dois para lavratura de autos de infração) em relação a cada pessoa jurídica, exceto para a Movelaria Rufato Ltda., que não foi excluída do Simples. Especificamente quanto à Fredlar (recorrente), os processos decorrentes da lavratura de autuações fiscais foram distribuídos para minha relatoria em 09/04/2014 (após a saída da relatora original, pertencente a outra Turma da 1ª Câmara, deste Conselho). De outra sorte, o processo nº 10640.000998/201041, originado pela representação fiscal para exclusão do Simples, foi distribuído em 18/10/2013 para a relatoria do Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, da 1ª Turma Especial desta 1ª Seção de Julgamento, conforme informações disponíveis no sítio deste Conselho. Ainda conforme as movimentações processuais informadas no sítio do CARF, o processo foi julgado pelo referido Colegiado em 05/11/2013. Não consta do site, porém, informação quanto ao resultado do julgamento, tampouco foi formalizado, até a presente data, o acórdão proferido. Igualmente não localizei, ao consultar o link “calendário” da página deste Conselho, a ata da reunião realizada pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento no mês de novembro de 2013. Entendo que o resultado do julgamento em questão é imprescindível ao deslinde da presente controvérsia, pois a decisão proferida pelos Ilustres Conselheiros daquele Colegiado quanto à possibilidade de a recorrente ser excluída do Simples no anocalendário de 2006 indiscutivelmente gera reflexos sobre os autos de infração lavrados para a exigência de tributos devidos nesse período em decorrência da exclusão, podendo, inclusive, implicar cancelamento dos créditos tributários controlados nestes autos. Sendo assim, concluo pela necessidade de o presente processo ser remetido à Secretaria desta Câmara, para que informe, nestes autos, o resultado do julgamento do processo nº 10640.000998/201041, realizado em 05/11/2013 pela 1ª Turma Especial. Conclusão Fl. 8681DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10640.001929/201054 Resolução nº 1103000.177 S1C1T3 Fl. 8.682 14 Pelas razões acima expostas, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Secretaria da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho: a) Verifique o resultado do julgamento do recurso voluntário interposto no processo nº 10640.000998/201041, realizado em 05/11/2013 pela 1ª Turma Especial; b) Junte a estes autos cópia do acórdão proferido naqueles autos; e c) Devolva os autos a este Relator para julgamento. Sala das Sessões, em 25 de março de 2015. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 8682DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por EDUAR DO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 10950.003052/2004-94
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO.
É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.024
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE FATIMA OLIVEIRA SILVA
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EXCLUSÃO. É vedada a opção pelo Simples de pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. ( 12,1.L,Le- 41CILC dorRriai. RCIA HELENA 5w4No pAmoRim - Presidente MARIA DE FÁTIMA. 01(IVEIRA SILVA - Relatara EDITADO EM: 22/09/2009 f Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Maria de Fátima Oliveira Silva e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforadof Relatório Adoto o Relatório de Primeira Instância por bem traduzir os fatos da presente lide, o qual passo a transcrever: A contribuinte acima qualcada, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n° 528.671 de fl.23, de 02 de agosto de 2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Maringá- PR, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, informando como causa o exercício de atividade vedada, conforme previsto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317, de 1996. • empresa manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a manifestação de inconformidade de fls.01 a II, onde sustenta: que o ato atacado fere princípios constitucionais da publicidade e da irretroatividade; que o dispositivo que embasou a edição do ato e claro e expresso quanto as hipóteses de vedação ao Simples (pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais, cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida); que não presta qualquer serviço profissional; que sua atividade e industrial, voltada a construção de embarca,coes, serviços de reforma de embarca,coes, comercio varejista de ferragens e outras; que, embora haja a necessidade da assinatura de um engenheiro nos projetos, não possui qualquer vinculo com O Conselho de Engenharia e Arquitetura-CREA; que o ato atacado deve ser declarado nulo por violar o principio da publicidade e da irretroatividade; que não pode ser responsabilizada pela inércia do fisco que não se manifestou a época correta; que o Superior Tribunal de Justiça ja se manifestou quanto a necessidade de publicação para que o ato administrativo produza efeitos; que o ato viola o principio da irretroatividade; que ao se admitir o efeito retroativo estar-se-á desrespeitando o direito adquirido, resguardado pela Carta Magna e; ao final, pede o deferimento do pleito. A r Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada, — mantendo a exclusão da sistemática de tributação do SIMPLES, confirmando, portanto, o ADE n° 528.671 (f1.23 ), cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE •IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE- SIMPLES Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. E defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade de lei em vigor. 2 Processo n° 10950.003052/2004-94 83-TE02 Acórdão n.° 3802-00.024 Fl, 55 FABRICAÇÃO DE EMBARCAÇÕES PARA ESPORTE E LAZER. VEDAÇÃO A OPÇÃO AO SIMPLES. A empresa que tem por atividade a fabricação de embarcações para esporte e lazer esta impedida de optar ao Simples, nos termos da legislação pertinente. EFEITO RETROATIVO DO ATO. A data em que o ato de exclusão gera seus efeitos é determinada pela legislação que rege a matéria. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de 1' Instância, a interessada apresentou tempestivo Recurso Voluntário a este Colegiado, conforme petição de fls. 43-50, reiterando as razões iniciais objeto de sua impugnação. Os autos foram distribuídos a esta conselheira mediante sorteio (ft. 53, última). É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA SILVA, Relatora A matéria em comento versa sobre a exclusão da ora Requerente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com efeitos a partir de 01/01/2002. Compulsando os autos e cotejando os argumentos expendidos pela decisão a quo e pela recorrente, infere-se que o essencial para o deslinde da questão consiste na constatação se a atividade de fabricação de embarcações encontra-se especificamente atribuída a algum dos profissionais ( ou assemelhados) elencados no referido inciso XIII, do art. 9° da Lei n" 9,317(1996, ou, se de fato a empresa recorrente não prestou as atividades descritas no objetivo social da empresa, ou seja, fabricação de embarcações. Atente-se que à fl. 03 dos autos, a recorrente afirma que "apesar da necessidade da assinatura de um engenheiro nos projetos das embarcações, não possui qualquer vinculo com o Conselho de Engenharia e Arquitetura — CREA, o que evidencia que a sua atividade fim não é a prestação de serviços profissionais, mas sim, a construção de embarcações.", e, mais adiante, "... ela jamais recebeu qualquer autuação de Conselho -Profissional para que fizesse a inscrição." Ora, da afirmação acima se constata que a empresa ao industrializar a fabricação de embarcações, partindo desde o projeto, carecendo, conforme afirma à fl. 03 dos autos, da assinatura de um engenheiro nos projetos das embarcações, resta caracterizada a prestação de serviços profissionais, constantes dos ditames da norma de regência. Observe-se, que a recorrente, na concretude do objeto que ora se aprecia (construções de embarcações), contrata um profissional somente para apor sua assinatura em ' um projeto de embarcação laborado pela recorrente, dúvida não há que se firmar junto a esta conselheira, que é a própria recorrente a assumir a feitura do projeto. Aliás, sobre a prestação de serviços profissionais regulados pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA, é vedada a opção pelo Simples, quer sejam executados por engenheiros ou técnicos de 2° Grau, conforme se pode constatar do disposto na Lei n° 5.194, de 24/12/1966, que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo. Adiante-se que a par do art. 15, da Resolução n° 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA, os serviços que a empresa se dispôs a prestar (fabricação de embarcações), constante do contrato social então vigente, vem de afrontar o ditame expresso na Lei 9.317/1996, senão vejamos: "Art. 15. Compete ao ENGENHEIRO NAVAL: I — o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1° desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral: instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletromecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão de calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos". --Anote-se, que a Decisão Normativa n° 43, de 21 de agosto de 1992, do Plenário do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, em sua Sessão Ordinária n° 1.234 decidiu sobre a obrigatoriedade do registro de empresas do ramo da indústria naval nos CREAs, conforme se extrai de seu item 1, que: "Toda pessoa jurídica que exercer atividade no ramo da Indústria Naval fica obrigada ao registro nos CREAs, conforme os critérios estabelecidos nesta decisão." Cumpre repetir, e não é demais, que em razão das atividades contidas no bojo de seu objeto social, a recorrente não poderia optar pela Sistemática do Simples, considerando o impedimento constante no inciso XIII do art. 9° da citada Lei 9.317/96. . Desta feita, no momento em que a Administração Tributária detectou a irregularidade, procedeu a devida exclusão através do ADE DRF/MGA N° 528.672 (f1.04), retro referenciado. No que respeita a ofensa ao Principio da In-etroatividade e da Confiança — Impossibilidade de Aplicação Efeito Retroativo, importa esclarecer que a Lei n° 9.317/96, em seu art. 15, II, com a redação dada pelo art. 73 da MP n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, textualmente: . Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: 1— (omissis); II — a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9'; . III— (omissis); Referido dispositivo foi alterado pela Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, que manteve, quando da exclusão por força do art. 9° da Lei n° 9.371/96, os efeitos a partir da ocorrência da situação excludente, ia verbis: ,- 4 _,.• Processo n° 10950.003052/2004-94 83-3E02 Acórdão n.° 3802-00.024 E. 56 Art. 15. A exclusão do simples nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I — (omissis); II — a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a MV e XVII a XIX do caput do art. 9° desta Lei; (redação dada pela Lei n°11.196, de 2005); III— (omissis). Referentemente a nulidade do Ato Declaratório Executivo do qual se cuida, importa registrar que o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, somente admite a nulidade nos casos especificados nos termos dos incisos I e II do artigo 59 e artigo 60, ambos daquela norma legal, in verbis: Art. 59. São nulos I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo par o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Registre-se, ademais, que neste voto, -encampo os argumentos e fundamentos adotados pela decisão recorrida, por entendê-los ausentes de reparo. Ante o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. , / MARIA DE FÁTIMA LIVEIRA SILVA 5
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Numero do processo: 13935.000082/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA
É improcedente o pleito de nulidade por cerceamento do direito de defesa por falta de descrição da infração cometida, quando, no Termo de Verificação, o autuante descreve que os lançamentos foram baseados em omissão de receitas, que restaram caracterizadas pelas informações prestadas pela fonte pagadora, e o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito.
OMISSÃO. RENDIMENTOS. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE RETENÇÃO. APÓS O PERÍODO DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA SUMULADA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO.
É aplicável a multa de 75%, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando não há qualquer majoração por qualificação ou agravamento.
Numero da decisão: 2201-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencido o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira (Relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
EDUARDO TADEU FARAH Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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NULIDADE. FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA É improcedente o pleito de nulidade por cerceamento do direito de defesa por falta de descrição da infração cometida, quando, no Termo de Verificação, o autuante descreve que os lançamentos foram baseados em omissão de receitas, que restaram caracterizadas pelas informações prestadas pela fonte pagadora, e o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito. OMISSÃO. RENDIMENTOS. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE RETENÇÃO. APÓS O PERÍODO DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA SUMULADA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 5. 00 00 82 /2 00 7- 78 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO. É aplicável a multa de 75%, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando não há qualquer majoração por qualificação ou agravamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencido o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira (Relator), que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) EDUARDO TADEU FARAH – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13935.000082/200778 Acórdão n.º 2201002.394 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fls. 35 a 40), com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2003, no valor de R$ 17.493,121, sobre o qual incide multa de ofício e juros de mora, referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação judicial e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O contribuinte apresentou impugnação protestando, preliminarmente, pela não formalização do processo administrativofíscal antes da ciência do lançamento e, no mérito, argumenta que: (i) o “Demonstrativo de Apuração de Rendimentos do IR Sujeitos ao Ajuste Anual”, anexo ao Auto de Infração, apresentase de forma incompreensível e sem a devida e precisa indicação dos necessários dispositivos legais que autorizariam o lançamento fiscal, e que há omissão das fontes de informação nas quais se baseou e da justificativa de metodologia utilizado nos cálculos, da indicação dos documentos essenciais que devem integrar e instruir o lançamento; (ii) teria apresentado todos os recibos solicitados, entretanto o auditor não os teria considerado; (iii) foram desprezadas as informações contidas no informe de rendimentos pelo Banco Bamerindus do Brasil S/A, sem justificativa formal ou prévia diligência fiscal junto ao emitente desse informe; (iv) foi deduzido apenas R$ 36.195,65 dos R$ R$ 86,110,66 pagos aos advogados trabalhistas; (v) foi desprezado o imposto retido na fonte no anocalendário, no valor de R$ 28.768,54; e (vi) há falta de explicação porque o valor considerado de IRRF, de R$ 25.412,47, foi dividido em duas parcelas (R$ 10.681,85 para 2002 e R$ 14.740.62 para 1998); (g) que foi cobrado imposto sobre as parcelas de décimosterceiros salários no total de R$ 14.300,73. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), por meio do Acórdão nº 0630.469, considerou a impugnação improcedente e manteve o lançamento do imposto. Cientificado em 22 de março de 2011 (fl. 94), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 15 do mês subsequente (fls. 96/123), no qual alega que os rendimentos líquidos calculados pela fiscalização são decorrente das glosas indevidas na dedução de despesas advocatícias e da não inclusão do imposto de renda retido na fonte. Na sua defesa, repete os argumentos quanto à: a) Nulidade do auto de infração – o lançamento não conteria a descrição dos fatos pormenorizada para sua fundamentação, como determinam os incisos III e V do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 142 da Lei n° 5.172, de 1966, e a fiscalização não teria realizado diligência para apurar corretamente os valores; b) Erro no valor de imposto de renda retido na fonte. i. A fiscalização teria incorrido em lapso irreparável, induzindo em confusão o recorrente ao atribuir ao DARF de R$ 25.412,47, efetuado em 22 de agosto de 2002, o valor do imposto de renda retido na fonte relacionado aos rendimentos recebidos em 08 de outubro de 2002, no valor líquido de R$ 178.302,07, já que para estes rendimentos foram Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 retidos pela fonte pagadora a quantia de R$ 28.768.54, recolhidos em 27 de novembro de 2002. ii. O DARF de R$ 25.412,47, originário da Guia de Retirada judicial n° 1085/2002 e recolhido judicialmente em 22 de agosto de 2002, estaria única e exclusivamente relacionado aos rendimentos, da mesma ação trabalhista, recebidos pelo em 1998, o que, inclusive, explicaria a anterioridade da sua data de recolhimento em relação à data do recebimento dos rendimentos. A citada Guia de Retirada judicial, que se encontra anexada ao Documento 3 da impugnação, expressamente menciona que se refere a um depósito judicial ordenado e realizado em 22 de setembro de 1998 a título de IRRF, no valor de R$ 21.760,49, nessa data, tendo por favorecido os Cofres Públicos, depósito esse que foi atualizado até 22 de agosto 2002, data do recolhimento, e corresponderia ao IRRF retido em 1998 dos rendimentos líquidos de R$ 157.501,79; iii. É improcedente o desdobramento realizado pela autoridade lançadora, do valor retido na fonte sobre os rendimentos do recorrente, para atribuir parte dessa retenção, no valor de R$ 3.509,62, a parcelas de verbas de décimosterceiros salários que integraram os rendimentos totais do recorrente, dado que a tributação dessas verbas, na forma estabelecida no artigo 638, inciso III do RIR/99, é da responsabilidade tributária exclusiva da fonte pagadora, a qual, na qualidade de sujeito passivo dessa obrigação, nos termos do inciso I do artigo 121 do CTN, é a única pessoa com relação direta e pessoal com o fato gerador dessa obrigação, não se estendendo em qualquer hipótese, pela ausência de disposição legal, qualquer responsabilidade ao beneficiário desse rendimento pelo pagamento do imposto sobre ele incidente, nas hipóteses de omissão ou insuficiência dessa tributação pela sua fonte pagadora. iv. Argui que desconhece, e não foi informado pela autoridade lançadora nem pelo Relator do Acórdão recorrido, o dispositivo legal autorizativo desse privilégio tributário em favor da quitação, por primeiro, do imposto exclusivo na fonte; v. Os valores homologados judicialmente de R$ 14.875,68 correspondem ao desconto de imposto retido de R$ 2.185,08, atualizados até 22 de agosto de 2002, data do recolhimento conforme DARF de cópia anexa, no valor R$ 2.551,79; c) Caso eventualmente prevaleça a hipótese da tese do desmembramento, no valor de R$ 28.768,65, que seja destacado apenas R$ 2.551,79 (o valor atualizado pelo mesmo índice de correção judicial aplicado de 30 de setembro de 2000, data de apuração pelo perito judicial, até a data da guia da sua retirada em 08 de outubro de 2002, acrescido de 16,7825%, e não os R$ 3.509,62 considerados nos cálculos da autuante). Consequentemente, o DARF de R$ 28.768,54, nesta hipótese, deveria ser rateado proporcionalmente aos valores a serem atribuídos ao imposto relativo ao ajuste anual e ao imposto exclusivo na fonte, em observância ao princípio constitucional da isonomia entre os direitos e obrigações do Estado e dos contribuintes, ainda que os respectivos valores decorrentes dessa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13935.000082/200778 Acórdão n.º 2201002.394 S2C2T1 Fl. 4 5 proporcionalidade sejam insuficientes para a quitação integral de cada um deles; d) Dedução integral dos honorários advocatícios – ao receber a segunda e última parcela da reclamatória trabalhista n° 1.836/91, no valor líquido de R$ 178.302,07, em 08 de outubro de 2002, efetuou, nessa mesma data o pagamento de R$ 62.405,72, relativo à Nota Fiscal de Prestação de Serviços n° 605, a título de honorários advocatícios do escritório jurídico Edivaldo Bruzamolim da Silva da Rocha, Advogados Associados, cujos advogados foram os postulantes da referida ação trabalhista. Esses honorários correspondem a 35% (trinta e cinco por cento) do valor líquido recebido, bem como também, da mesma forma pagou em 1998, ao mesmo escritório, os honorários, nesse mesmo porcentual, sobre a parcela recebida naquele ano. Entretanto, a fiscalização teria, da mesma forma que no imposto de renda retido, promovido o rateio em base proporcional aos rendimentos auferidos pelo recorrente nos anos de 1998 e de 2002, restando para o ano de 2002, apenas a dedução de R$ 36.195,65 e atribuindose aos rendimentos do ano de 1998 uma dedução, corrigida, de R$ 49.915,01. Ainda assim, aparentemente, teria excluindo desse honorário as parcelas correspondentes às verbas de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e não tributáveis; e) Inexistência da omissão de rendimentos – teria apresentado sua declaração de ajuste do exercício de 2003, retificadora, informando rendimentos tributáveis líquidos de R$ 43.745,61, já deduzidos honorários advocatícios de R$ 62.405,72, que somados, resultam no valor R$ 106.151,33 de rendimento bruto tributável e de R$ 100.919,28 de rendimentos isentos e não tributáveis, perfazendo, assim, a soma de R$ 207.070,61, antes do desconto do imposto retido na fonte de R$ 28.768,54, em absoluta conformidade com o constante nos informes de rendimentos anual; f) Inaplicabilidade da multa de ofício – teria declarado no ajuste do exercício de 2003 os valores de rendimentos brutos tributáveis, dos rendimentos isentos e de retenção na fonte, em absoluta coerência com os valores do informe anual de rendimentos fornecido pela respectiva fonte pagadora, fato que exclui sua responsabilidade por penalidades sobre eventuais divergências entre os valores informados pela fonte pagadora e os apurados pela fiscalização, fundamentalmente porque o somatório dos rendimentos declarados não ultrapassa a somatória dos rendimentos totais apurados pela fiscalização, não tendo omitido qualquer rendimento, restando apenas o contraditório com a classificação adotada pela fiscalização. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Vencido Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A auditoria detectou erro na classificação dos rendimentos recebidos acumuladamente e compensação indevida de imposto de renda na fonte. Nos autos observase que o contribuinte, numa extensa defesa, destaca: no item 1, os fatos, incluído as razões da impugnação; e no item 2, que trata do recurso voluntário (do mérito e do direito), a nulidade do auto de infração, o erro no valor do imposto de renda retido na fonte e nos honorários advocatícios considerados pela auditoria, a inexistência da omissão de rendimentos, responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte dos rendimentos exclusivos na fonte e a inaplicabilidade da multa de ofício. Nada de novo foi acrescentado ao recurso, cujas questões foram pontualmente analisadas pela decisão de primeira instância. Preliminar de nulidade do Auto de Infração Em relação à nulidade do auto de infração, levantado nas preliminares, como já dito na decisão recorrida, não se vislumbra no lançamento nenhuma das situações elencada no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, estando o lançamento em total consonância com as disposições contidas no art. 142, do CTN. Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72, os termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos quando houver inequívoco cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. A propósito, confirase a redação dos dispositivos acima citados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade para a qual a forma foi instituída restar comprometida, que é garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa. Os procedimentos formais são instrumentos para a consecução de determinado objetivo, sendo seu descumprimento relevante para fins de declaração de nulidade apenas Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13935.000082/200778 Acórdão n.º 2201002.394 S2C2T1 Fl. 5 7 quando tenham causado prejuízo à parte, devendo prevalecer, no processo administrativo, os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. No Auto de Infração consta a descrição dos fatos, com a discrição da origem dos rendimentos omitidos e da fonte compensada indevidamente, da infração, e ainda, o demonstrativo das alterações na Declaração de Ajuste, comparandose os valores declarados e os alterados, na ordem exata dos campos da declaração, e o demonstrativo detalhado da apuração dos rendimentos. Ao contrário do que alega o recorrente, o auto de infração é compreensível e os valores levantados foram claramente discriminados no “Demonstrativo de Apuração de Rendimentos e IR Sujeitos ao Ajuste Anual”. E, como os valores foram extraídos diretamente da reclamatória, não haveria razão para a realização de diligência junto à fonte pagadora. Portanto, são improcedentes as alegações do contribuinte quanto à nulidade do auto de infração. Errônea atribuição do imposto de renda retido na fonte O recorrente alega que a fiscalização, por lapso manifesto, teria atribuído de forma errada os pagamentos dos rendimentos ao DARF de R$ 25.412,47, efetuado em 22 de setembro de 2002. Segundo o contribuinte, os valores seriam um DARF de R$ 28.768.54, recolhido em 27 de novembro de 2002, referente aos rendimentos recebidos em 8 de outubro de 2002, no valor líquido de R$ 178.302,07; e outro DARF de R$ 25.412,47, recolhido judicialmente em 22 de agosto de 2002, referente aos rendimentos recebidos em 1998 de outubro, no valor líquido de R$ 157.501,79. Este DARF estaria relacionado à Guia de Retida Judicial nº 1085/2002, ordenado e realizado em 22 de setembro de 1998, e corresponderia a R$ 21.760,498, que foi atualizado até da ata de seu recolhimento. Por essa razão, o valor de R$ 25.412,47, relacionado aos rendimentos auferidos no ano de 1998, não serviria para compensação na declaração de ajuste de 2003. Questiona, ainda, o rateio realizado pela auditoria no valor do imposto de renda na fonte para quitar o imposto relativo a parcela dos rendimentos com tributação exclusiva na fonte, não sendo informado o respectivo dispositivo legal que autorizava tal cobrança, atribuindose R$ 3.509,62 a parcelas de verbas de décimosterceiros salários que integraram os rendimentos totais do recorrente, dado que a tributação dessas verbas, na forma da sua legislação estabelecida no artigo 638, inciso III do RIR/99, seria da responsabilidade tributária exclusiva da fonte pagadora. Destaca que a autoridade fiscal desconsiderou a informação oficial da fonte pagadora em sua DIRF relativa ao anocalendário 2002, apresentada à Secretaria da Receita Federal, quando nela informa nenhum valor de imposto de renda na fonte ter retido do recorrente a título de décimoterceiro salário. E, por fim, solicita que, caso se adote a tese do desmembramento, seja considerado o valor de R$ 2.551,79, aplicado em relação ao DARF recolhido de R$ 28.768,54. Compulsando os autos, observase que de fato constam cópias dos DARFs citados pelo recorrente, sendo ambos referentes à Reclamação Trabalhista nº 1836/1991. Entretanto, não há nas provas justadas aos autos na impugnação e no recurso de qualquer vinculação entre estes DARFs e os respectivos recebimentos, como alega o recorrente, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 prevalecendo assim a informação extraída da decisão trabalhista pela autoridade fiscal, que tem valor probante superior as informações veiculadas na DIRF. Ou seja, com base nos elementos acostados aos autos, a única conclusão possível é a de que os rendimentos da Guia de Retirada nº 1082/2002, no valor de R$ 178.302,07, de 8 de outubro de 2002 (fl. 20), estão relacionados ao recolhimento do imposto de renda na fonte de R$ 25.412,47, registrado no DARF e na Guia de Retirada nº 1085/2002 (fls. 25/26), correspondente ao valor original de 21.760,49, atualizado a partir de 1º de agosto de 2000, conforme discriminado nos cálculos de liquidação de 30 de setembro de 2000 (fl. 28). Contrapondo os questionamentos das datas das Guias de DARFs, observase que as Guias de Retiradas nº 1082/2002 e 1085/2002, em que pese os recolhimentos em datas diferentes, foram elaboradas na mesma data, tendo como sequencia a primeira se referindo aos rendimentos recebidos e a segunda ao imposto recolhido. Em relação ao rateio efetuado pela fiscalização, verificase que nos cálculos de liquidação de folha 28, para fins de apuração do imposto de renda na fonte, os valores tributados exclusivamente na fonte estão incluídos no montante apurado. Portanto, correto o levantamento realizado na planilha de folhas 40. No que diz respeito ao DARF de R$ 2.551,79, este se refere ao código 5936 (IRRF REND DECOR DEC JUSTIÇA TRABALHO, EXCETO ART 12A da LEI Nº . 7.713/88) e, por não constar nos autos sobre qual base de cálculo foi apurado e não se encontrar incluso nos cálculos efetuados pela Justiça do Trabalho, não é possível sua aceitação para dedução do imposto apurado. Assim sendo, não tem razão o recorrente quanto ao equivoco da fiscalização nos cálculos para apuração do imposto. Omissão de rendimentos recebidos acumuladamente no ano de 2002 No que diz respeito à alegação de que a autoridade lançadora teria desprezado as informações contidas no informe de rendimentos fornecido ao impugnante pelo Banco Bamerindus do Brasil S/A, sem justificativa formal ou prévia diligência fiscal junto ao emitente desse informe. Porém, observase que os valores efetivamente recebidos pelo recorrente e a natureza de cada valor recebido foram extraídos da ação trabalhista, fonte original dos rendimentos, com poder probatório superior aos informes da fonte pagadora. Portanto, não tem qualquer razão o recorrente quanto à alegada imprecisão. De acordo com art. 43 do Decreto nº 3.000, de 1999, denominado Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), são tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, entre elas as verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego, e as gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e quotaspartes de multas ou receitas, as comissões e as corretagens. À época dos fatos, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 56 do RIR/99, com as alterações promovidas pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 1998, a incidência do imposto ocorria no mês de recebimento, sobre o valor total, conforme segue: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13935.000082/200778 Acórdão n.º 2201002.394 S2C2T1 Fl. 6 9 Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3° [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma ou título. Especificamente em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), assim determina: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de1988, art.12). Ainda que, posteriormente, a Lei nº 7.713 tenha sido alterada pelo art. 44 da Lei nº 12.350, de 2010, de 22 de dezembro de 1988, que acresceu o art. 12A, para permitir a tributação dos rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serem tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, observase que os rendimentos foram percebidos em 2002, e deveriam, destarte, constar da declaração relativa ao exercício de 2003. Também não se aplica o entendimento expresso no Recurso Especial nº 1.118.429 SP (2009/00557226) (STJ), haja vista que a situação específica trata de ação revisional de benefício previdenciário, não se assemelhando com a situação em análise, que é decorrente de rendimento de trabalho. Responsabilidade Tributária É legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção, não cabendo a exigência da fonte pagadora do imposto de renda não retido do beneficiário, depois de encerrado o período de entrega da declaração. Esta é a interpretação consolidada neste Colegiado na Súmula CARF nº 12, como se observa na transcrição a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) Assim, verificandose que os rendimentos auferidos pelo contribuinte constaram parcialmente da Declaração de Ajuste Anual, concluise por sua responsabilidade quanto ao montante não recolhido. A hipótese de o imposto de renda ter sido calculado sobre base inferior à efetivamente tributável não confere ao declarante o direito de isenção sobre os rendimentos indevidamente excluídos Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Deduções O contribuinte pede que sejam excluídas da base de cálculo as custas processuais e a multa de ofício do lançamento. Em relação às custas, observase no resumo de cálculo de folhas 172 a 174 que aquele valor não integra o total bruto do recorrente, e sim o total geral do cálculo de responsabilidade da parte reclamada. No tocante aos honorários advocatícios, observase que foram considerados os valores de R$ 86.110,66, atribuindose aos rendimentos tributáveis a parcela proporcional das despesas. Multa de Ofício O lançamento da multa de ofício encontrase respaldada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, e da multa e dos juros de mora no art. 61, § 3º do mesmo diploma legal, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Como a administração tributária se submete ao principio da legalidade, não cabe o afastamento da aplicação de lei. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13935.000082/200778 Acórdão n.º 2201002.394 S2C2T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Como visto do relatório, tratase de lançamento efetuado sobre verbas trabalhista recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Pois bem, no que tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (grifei) Contudo, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ressaltese que em relação aos demais pontos suscitados pelo recorrente em seu apelo, o Colegiado acompanhou integralmente os fundamentos do Conselheiro relator. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (ASSINADO DIGITALMENTE) EDUARDO TADEU FARAH Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10660.901553/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Indébitos a Título de Estimativa
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84).
Numero da decisão: 1801-002.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 INDÉBITOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.363, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 26/28) que, por unanimidade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 15 53 /2 00 9- 16 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 28/06/2006 (fls. 18/23) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de agosto de 2005 (recolhimento em setembro/2005), no valor de R$ 8.572,30, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de agosto de 2005, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 25/03/2009 (fl. 11) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado pois o DARF indicado no PERDCOMP para comprovação do indébito já teria sido alocado a outro pagamento e, assim, não haveria a disponibilidade do crédito. Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/04) na qual alega, a interessada, que teria direito ao indébito pois procedera ao recolhimento, no curso do ano calendário 2005, de estimativas de CSLL nos seguintes valores: Meses Valores Janeiro 6.121,36 Fevereiro 3.247,07 Março 2.502,26 Abril 2.265,22 Maio 2.934,05 Junho 5.583,43 Julho 9.611,00 Agosto 8.572,30 Setembro 100,00 Outubro 10.064,45 Novembro 8.334,68 Dezembro 0,00 Total 59.255,74 Alega que, de acordo com a Ficha 17 da DIPJ/2006 o valor apurado como devido da CSLL ao final do anocalendário 2005 montou em R$ 29.256,37 que, diminuído dos valores recolhidos a título de estimativa mensal, resultaria num saldo a compensar de R$ 29.999,37. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801002.123 S1TE01 Fl. 3 3 Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos da IN SRF n º 660/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 26/28). Daquele acórdão constou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a titulo de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada da decisão, em 22/09/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 37 processo digital) apresentou, a interessada, em 17/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduziu que instruções normativas poderiam estabelecer formas e procedimentos para realização de compensações mas jamais restringir o direito à compensação previsto em lei. Argumenta, ainda, ter ocorrido um mero erro formal no preenchimento da declaração eletrônica de compensação, no campo “tipo do crédito”, preenchido com a informação “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Pede, assim, em respeito ao princípio da verdade material, que seja reconhecido o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL e homologada a compensação declarada. Em sessão realizada em 5/3/2013 esta 1a. TE da 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF julgou o recurso voluntário apresentado, deulhe provimento parcial e determinou o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância. No acórdão n º 1801001.322 desta 1a. TE restou esclarecido que a Turma Julgadora de 1a. Instância havia centrado sua decisão em questão preliminar atinente à possibilidade jurídica do pedido da recorrente. A preliminar não foi ultrapassada, pois aquela autoridade considerou que o pedido da recorrente, de restituição de estimativa de CSLL, não seria juridicamente válido em face de vedação estipulada na IN SRF n º 660/2005. Tendo centrado a decisão unicamente em questão preliminar, a Turma Julgadora de 1a. Instância não apreciou o mérito acerca da existência e disponibilidade do direito creditório invocado. Consignouse, ainda, que a recorrente poderia estar pleiteando a retificação do pedido ao se referir a composição do saldo negativo de CSLL, o que também não foi apreciado por aquela turma julgadora. Esta 1a. TE, no julgamento do recurso voluntário, consignou que o pedido de restituição de estimativa de CSLL é juridicamente válido, havendo, inclusive, súmula do órgão nesse sentido (Súmula CARF n º 84), ultrapassando, assim, a preliminar suscitada pela decisão de 1a. instância de julgamento. Contudo, não foi possível apreciar o mérito do pedido da recorrente, a respeito da existência e disponibilidade do direito creditório, porque poderia haver Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 supressão de instância de julgamento, já que, como dito, aquela autoridade não havia apreciado o mérito do pedido. Do acórdão desta 1a. TE constou, ainda, que a recorrente poderia ter se equivocado no pedido inicial, como alegou em sua defesa e, em verdade, pretendesse a restituição de parcela do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005, correspondente à referida estimativa. O processo foi encaminhado à Turma Julgadora de 1a. Instância que proferiu novo acórdão, de n º 0950238, em sessão realizada em 12 de março de 2014, que levou a mesma ementa já proferida no acórdão pretérito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a titulo de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto proferido aquela autoridade assinalou que em momento algum a recorrente alegou erro no preenchimento da DCOMP e que ainda que o tivesse feito, a alegação não poderia ser aceita pois na DCOMP constou direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa. Foi mantido o voto no sentido de que pagamentos a título de estimativa não podem dar ensejo a restituições a esse titulo e somente podem compor o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Notificada da nova decisão, em 31/03/2014, reapresentou a recorrente as razões recursais de mesmo teor. Retornam os autos à mesa de julgamento. É o relatório Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Recurso tempestivo. Conhecido. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901553/200916 Acórdão n.º 1801002.123 S1TE01 Fl. 4 5 Como se verifica do relato esta 1a. TE já havia apreciado o litígio, superado a prejudicial de impossibilidade jurídica do pedido e determinado o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância para análise do mérito. O processo foi encaminhado à Turma Julgadora de 1a. Instância que proferiu novo acórdão, de n º 0950238, em sessão realizada em 12 de março de 2014, que levou a mesma ementa já proferida no acórdão pretérito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a titulo de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Como consignado, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, já tem posicionamento consentâneo nos termos da seguinte Súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (art. 72 e 73, § 2º do Regimento Interno do CARF – RICARF, provado pela Portaria MF 256, de 2009 e 586, de 2010) Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Além disso, o artigo 42, II do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, dispõe claramente que são definitivas as decisões de segunda instância de que não caibam recurso ou, se cabíveis, quando decorrido o prazo para sua interposição. Verificase, assim, que a questão a respeito da possibilidade jurídica do pedido foi julgada por esta segunda instância de julgamento – CARF e decidida nestes autos, no sentido de que é possível haver indébitos de estimativa de CSLL, e que tais indébitos podem ser utilizados em pedidos de restituição/compensação PERDCOMP. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e determino o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. Instância para que essa turma julgadora verifique, junto a contabilidade da recorrente, se houve recolhimento a maior ou indevido da estimativa de CSLL do mês de agosto de 2005 e, ainda, se referida estimativa compôs o saldo negativo do anocalendário de 2005. Essa autoridade deverá, ainda, checar, junto à unidade de jurisdição da recorrente, se a empresa pleiteou em outro PERDCOMP, como direito creditório em outras compensações, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005. A nova decisão a ser proferida deverá se limitar a análise do mérito do pedido. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 É como voto. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002767/2003-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRARIEDADE À TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTRARIEDADE À TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 27 67 /2 00 3- 99 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator) e Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/1998, indicativa de saldo em aberto da COFINS no valor originário de R$ 84.288,12, à conta de "pagamento não localizado", acrescido de juros de multa de ofício. A Recorrente impugnou o auto alegando a inconstitucionalidade da cobrança da COFINS, confisco e a inaplicabilidade da taxa SELIC, tendo a Recorrente, posteriormente, "complementado" a sua defesa renovando os seus argumentos e alegando que a multa de ofício teria caráter confiscatório. Da análise dos autos, verificase que o lançamento foi revisto às fls. 142/150, em razão do próprio lançamento eletrônico, sendo que a revisão foi efetuada e ratificou os em termos do lançamento. A Recorrente foi intimada a revisão e ao invés de apresentar nova Impugnação protocolou Recurso Voluntário alegando basicamente o que havia descrito em sua Impugnação original. Decidiu a DRJ que se verificou a não localização de pagamentos correspondentes a débitos de COFINS à conta de "pagamento não localizado". Sendo que nas respectivas DCTF´s ao débito apurado foi vinculado crédito de pagamento, com consequente apuração de saldo a pagar igual a 0,00. De acordo com a DRJ, nos termos da legislação em vigor, apenas os saldos a pagar apontadas nas DCTF do anocalendário 1998 deveriam ser cobrados/encaminhados para a dívida ativa. Os demais valores seriam objeto de auditoria interna e os créditos tributados apurados nesses procedimentos exigidos por meio de lançamento de ofício, com acréscimo de juros moratórios e multa de ofício (art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835/2001). Em razão da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003, cujo artigo 18 limitou a aplicação do artigo 90 da MP 2.15835/2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas como decorrência de compensação indevida, impõese, em razão do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, a exoneração da multa de ofício aplicada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10875.002767/200399 Acórdão n.º 3403003.228 S3C4T3 Fl. 5 3 No que concerne aos juros de mora, a DRJ afirmou que o artigo 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros são calculados à taxa de 1% ao mês, sendo que a taxa SELIC encontraria previsão no parágrafo 3, do artigo 61 da Lei n. 9.430/1996. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que rebate a cobrança da taxa SELIC. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O presente processo administrativo não demandou dilação probatória, decorrendo, na realidade, da ausência de pagamento verificada em DCTF no anocalendário de 1998 e em janeiro de 1999, inicialmente por revisão eletrônica, e posteriormente mediante revisão realizada pelas autoridades fazendárias (fls. 142). A Recorrente limitouse a rebater a cobrança da multa e dos juros SELIC, sendo que a multa foi exonerada pela DRJ em decorrência da aplicação da alínea "c", do artigo 106 do Código Tributário Nacional, sendo que o presente Recurso Voluntário versa tão somente sobre a taxa SELIC. A Súmula 4 do Carf resolve, de uma vez por todas, tal questão: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dessa forma, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 19311.000135/2010-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/10/2008
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando lastreadas em dispositivos legais diversos.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando lastreadas em dispositivos legais diversos. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 35 /2 01 0- 70 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL PARA CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.170.4308, nos termos do artigo 32, inciso IV, e parágrafos 3o e 9o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV e §§ 2o, 3º, e 4°, do RPS, por ter deixado de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, em relação ao período de 11/2007 a 10/2008 (intermitente), conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 61/63, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração lavrado em 12/04/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base no artigo 284, inciso I, e §§ 1º e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 8ª Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão n° 05 32.760/2011, às fls. 112/114, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 3a Câmara, em 15/08/2012, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2301002.997, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000135/201070 Acórdão n.º 9202003.327 CSRFT2 Fl. 160 3 Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual. NÃO ENTREGA DE GFIP. INFRAÇÃO. DOLO. A constituição da infração de não entregar a GFIP independe da vontade do sujeito passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual deve incidir na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 141/145, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 240100.127, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que, ao analisar autuação em face de sujeito passivo por infração relacionada a GFIP, determinou o recálculo da multa com esteio no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, em observância a legislação posterior mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida que adotou o disposto no artigo 32A do mesmo Diploma Legal para fins de recálculo da penalidade aplicada. Em defesa de sua pretensão, infere que o relator do Acórdão guerreado se manifestou claramente que por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o artigo 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Ao revés, no decisório paradigma, o Colegiado entendeu por bem adotar o artigo 35A da Lei nº 8.212/91 em caso análogo ao presente, sob alegação que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o artigo 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem, o que é rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio. Traz à colação histórico da legislação de regência, explicitando as espécies de lançamentos que eram procedidos antes da alteração introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, concluindo que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata.), de maneira que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. De outra banda, nas hipóteses de exigência fiscal contemplando a contribuição previdenciária propriamente dita (lançamento da obrigação principal), além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, estabelecida no artigo 35 A da Lei 8.212/91, na forma que restou muito bem delineado pelo relator do Acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, tendo havido lançamentos em razão de descumprimento de obrigações principal e acessória, impõese o recálculo da multa aplicada com arrimo no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2300383/2013, às fls. 147/149. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 3a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte fora autuada com arrimo no artigo 32, inciso IV, e parágrafos 3o e 9o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV e §§ 2o, 3º, e 4, por ter deixado de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, em relação ao período de 11/2007 a 10/2008, ensejando a aplicação multa nos termos do artigo 284, inciso I, e §§ 1º e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, determinando o recálculo da multa com esteio no Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000135/201070 Acórdão n.º 9202003.327 CSRFT2 Fl. 161 5 artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 2401 00.127, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que, ao analisar autuação em face de sujeito passivo por infração relacionada a GFIP, determinou o recálculo da multa com esteio no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, em observância à legislação posterior mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida que adotou o disposto no artigo 32A do mesmo Diploma Legal para fins de recálculo da penalidade aplicada. Defende que o relator do Acórdão guerreado se manifestou claramente que por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o artigo 32A da Lei n° 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Ao revés, no decisório paradigma, o Colegiado entendeu por bem adotar o artigo 35A em caso análogo ao presente, sob alegação que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o artigo 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem, o que é rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio. Traz à colação histórico da legislação de regência, explicitando as espécies de lançamentos que eram procedidos antes da alteração introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, concluindo que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata.), de maneira que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. De outra banda, nas hipóteses de exigência fiscal contemplando a contribuição previdenciária propriamente dita (lançamento da obrigação principal), além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, estabelecida no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na forma que restou muito bem delineado pelo relator do Acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, tendo havido lançamentos em razão de descumprimento de obrigações principal e acessória, impõese o recálculo da multa aplicada com arrimo no artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a eterna discussão a propósito de qual dispositivo legal deverá ser adotado para fins de recálculo da multa, tendo em vista a edição da Lei n° 11.941/2009, a qual estabeleceu novas formas de cálculo de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias, favoráveis em determinados casos ao contribuinte, razão da necessidade de sua aplicação retroativa, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Códex Tributário. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000135/201070 Acórdão n.º 9202003.327 CSRFT2 Fl. 162 7 integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria da Fazenda Nacional ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal, senão vejamos: Com efeito, a ilustre autoridade fazendária, in casu, ao promover o lançamento por descumprimento de obrigação acessória, lastreou a pretensão fiscal no fato de a contribuinte ter deixado de apresentar GFIP’s no período objeto da autuação, nos termos do artigo 32, inciso IV, e parágrafos 3o e 9o, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso IV e §§ 2o, 3º, e 4. Por outro lado, relativamente ao Acórdão paradigma, a autuação se deu com fulcro no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão de a contribuinte ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados. No caso dos autos, a multa fora aplicada com esteio no artigo 284, inciso I, e §§ 1º e 2o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. Em outra via, no Acórdão paradigma, a penalidade escorouse nos preceitos contidos no artigo 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como se observa, em que pese os Acórdãos confrontados contemplarem Autos de Infração por descumprimento de obrigações tributárias/previdenciárias acessórias, não analisam situações fáticas idênticas. Ao contrário, in casu, se deu em razão de deixar de apresentar GFIP. No paradigma, em virtude de apresentar GFIP’s com omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tais infrações repousam em dispositivos legais absolutamente distintos. Igualmente, as multas foram aplicadas com arrimo em normas legais diversas. Nessa toada, não se pode afirmar existir divergência entre teses, mormente em razão dos Acórdãos confrontados não tratarem de situações idênticas ou mesmo parecidas, como acima alinhavado. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação aos requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Fazenda Nacional em dissonância com as normas regimentais deste Conselho, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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