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Numero do processo: 19515.722023/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a autoridade lançadora realize as providências discriminadas na conclusão do voto do relator, devendo, na sequência, ser o contribuinte intimado para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora ad hoc para formalização da resolução.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a autoridade lançadora realize as providências discriminadas na conclusão do voto do relator, devendo, na sequência, ser o contribuinte intimado para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora ad hoc para formalização da resolução. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização da resolução RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 02 3/ 20 11 -6 8 Fl. 45929DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.930 2 Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo relatório, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase, em breves linhas, de autos de infração lavrados em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, protocolou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, o qual levou o CARF a anular a decisão de 1ª instância. Retornando os autos à DRJ, foi determinada a realização de diligência e, após, em novo julgamento foi novamente mantido o crédito tributário. Ainda insatisfeita, interpôs novo recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Conforme o relatório fiscal (fls. 67/97), 1) Este relatório consolida os seguintes Autos de Infração lavrados durante este procedimento fiscal: Tipo DEBCAD Valor Total CFL Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP 37.143.6125 21.045.921,17 INSS Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP 37.143.6133 1.999.337,71 SENAR Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA 37.143.6117 365.863,20 68 2) A empresa fiscalizada é optante pelo lucro real nos anos calendários auditados, 2006 e 2007 e tem como objeto social, dentre outras, as seguintes atividades: exploração das atividades agrícolas, a indústria de transformação, a manipulação de produtos cítricos, a industrialização em qualquer modalidade de frutos cítricos e outros, incluindo, mas não se limitando a produção de suco de laranja, arrendamento, comércio, importação e exportação, em nome próprio e de terceiros, armazéns gerais, depósitos alfandegados, prestação de serviços, participação no capital de outras empresas, atividades de operador portuário, agenciamento de cargas ou de navios, etc... (...) A1) DOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXIGIDAS O fato gerador em questão é a aquisição da produção rural da pessoa física através da situação da Subrogação quando a responsabilidade Fl. 45930DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.931 3 tributária ocorre por substituição, em decorrência da lei, onde a empresa adquirente que adquirir produção rural de produtor pessoa física, independentemente as operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, é a responsável pela contribuição. Não foi possível precisar os valores envolvidos na base de cálculo dos fatos geradores, pois a empresa não lança em sua contabilidade os fatos geradores em títulos próprios e nem atendeu ao solicitado nos Termos de Intimação para que esta fiscalização pudesse mensurar as base de cálculo. Foi necessário valores do critério de ARBITRAMENTO conforme descrito no item "DA ANÁLISE". (...) 1.1) Ano de 2006 (...) Estes valores foram cruzados com as Guias de Recolhimentos da Previdência Social GPS , código de recolhimento 2607 (Recolhimento sobre a comercialização de produto rural CNPJ/MF), onde não foram encontrados recolhimentos não declarados em GFIP's e nem GFIP's sem recolhimentos. (...) 1.2) Ano de 2007 (...) O valor declarado da comercialização da produção rural em GFIP, após o início da ação fiscal, para o ano de 2007 foi de (...) 2) CONTABILIDADE (...) Nos históricos é impossível saber sobre quais notas fiscais e quais fornecedores o contribuinte está considerando a incidência da contribuição, uma vez que não há nada no histórico que possa identificálos. Analisandose os valores e fazendo o batimento com o declarado em GFIP, chegase à conclusão que os valores declarados em GFIP's estão menores que os valores lançados. (...) e) Conforme o aqui relatado e constatado, podese afirmar que a empresa não lança em título próprio o fato gerador da aquisição de comercialização da produção rural de pessoa física, pois a contabilização de verbas incidentes e não incidentes de contribuição Fl. 45931DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.932 4 previdenciária abrigadas em uma mesma conta contábil impossibilita a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, (...) 3) NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS Foi solicitado à empresa, mediante Termo de Intimação datado de 14/02/2011 todas as Notas Fiscais de Entrada. A empresa somente apresentou as notas fiscais por ela emitidas e ainda assim deixou de apresentar as seguintes notas fiscais dos seguintes estabelecimentos e períodos: (...) Como conclusão temos que ora a GFIP representa o que foi apurado nas análises das notas fiscais, ora não, as vezes o apurado em notas fiscais representa o escriturado no LRE, muitas vezes não. Não há como definir um procedimento padrão de declaração e escrituração pela empresa e não há como identificar o fato gerador previdenciário, o que impossibilita saber o que a empresa considerou como base de cálculo Previdenciária. 4) DA ANÁLISE DAS ENTRADAS POR CFOP's Foi composto a partir do escriturado no Livro de Registro de Entradas os valores das compras de insumos a partir dos Códigos Fiscais de Operação CFOP's. Para esta composição foram utilizados somente os CFOP's que indicaram a classificação das compras de matérias primas. Os utilizados foram: 1.101 e 2.101 "Compra para industrialização ou produção rural" e 1.120 "Compra para industrialização, em venda à ordem, já recebida do vendedor remetente". 5) DA CONCLUSÃO DA ANÁLISE GFIP X GPS X CONTABILIDADE X LRE (...) Temos como conclusão que somente com as análises dos elementos escriturados na contabilidade, declarados em documentos fiscais e documentos parcialmente apresentados pelo contribuinte não é possível saber qual o valor das compras da produção rural da pessoa física. Foi então durante esta fiscalização solicitadas diversas informações e esclarecimentos como os relatados a seguir. (...) A4) DO ARBITRAMENTO 1) DOS FATOS Como relatado e demonstrado, estamos diante da situação da impossibilidade da obtenção dos fatos geradores previdenciários, seja pela não transparência da escrituração contábil, seja pelo não atendimento às intimações, esta fiscalização adotou o critério de arbitramento (...) 2) DOS CRITÉRIOS Fl. 45932DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.933 5 Para que o procedimento de arbitramento fosse orientado de acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, foi adotado como critério valores declarados pela empresa na Guia de Informação e Apuração do ICMS anual GIA, da Secretaria Estadual de Fazenda do Estado de São Paulo, os quais estão em conformidade com o apresentado no arquivo digital dos Livros de Registro de Entradas. Foram escolhidos valores de Operações Fiscais CFOP's, que indicassem a existência de operações comerciais de aquisições de produção rural de produtor pessoa física. (...) A6) LANÇAMENTO FISCAL O presente crédito referese aos valores não declarados em GFIP e não recolhidos referentes à subrogação da auisição da produção rural da pessoa física. Os valores lançados são aqueles obtidos a partir dos CFOP's considerados diminuídos do seguinte: Para o ano de 2006: os valores declarados em GFIP da aquisição da produção rural da pessoa física; Para o ano de 2007: Os valores apurados dos recolhimentos efetuados em Guias de Recolhimentos Previdenciários, GPS's, no código 2603, uma vez que as GFIP's entregues antes do início da ação fiscal, não continham valores declarados de comercialização da produção rural de pessoa física. Intimada em 16/12/2011 (fls. 356), a Contribuinte protocolou impugnação em 26/12/2011 (fls. 363/426). Em 13/01/2012 foi protocolado aditamento à impugnação (fls. 644/656 e docs. anexos fls. 657/42.132). A DRJ então proferiu o acórdão nº 1643.309, de 29/01/2013 (fls. 42.137/42.179), que manteve o crédito tributário. Intimada em 25/02/2013 (fl. 42.184), a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/05/2013 (fls. 42.206/42.284). Em primeira análise, o CARF proferiu o acórdão 2301 004.057, de 15/05/2014 (fls. 42.364/42.375), no qual anulou a decisão da DRJ. Retornando ao 1º grau, foi determinada a realização de diligência (fls. 42.389/42.407) para que a fiscalização analisasse a documentação apresentada em anexo à impugnação. Foi formalizado então relatório fiscal complementar (fls. 42.480/42.515). Encaminhados os autos à DRJ, foi proferido novo acórdão, este de nº 1676.822, de 27/03/2017 (fls. 45.733/45.846), que manteve o crédito tributário e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 Ementa: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. A empresa, na condição de adquirente de produto rural, é responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelo segurado produtor rural pessoa física e pelos segurados especiais, ficando subrogada, para esse fim, nas obrigações destes segurados. Fl. 45933DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.934 6 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou, ainda, se ficar constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração de segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. EXCLUSÃO, REDUÇÃO OU RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão de contribuições previdenciárias e de terceiros não recolhidas no prazo legal em lançamento fiscal dá ensejo à incidência, até a competência 11/2008, de multa de mora, de caráter irrelevável, prevista no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, sobre o valor das contribuições lançadas. À autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à previsão normativa, não é permitido excluir ou reduzir a multa estabelecida na legislação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO EM LEGISLAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXCLUSÃO, REDUÇÃO OU RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. O instituto da responsabilidade objetiva por infrações à legislação tributária inibe a perquirição acerca de eventual elemento subjetivo da conduta, para a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. À autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à previsão normativa, não é permitido excluir ou reduzir a multa estabelecida na legislação, quando da subsunção do fato à hipótese normativa. Não há mais previsão legal para a concessão do benefício da relevação da multa, em face da revogação do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, por meio do Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009, desde a data de sua publicação que ocorreu em 13/01/2009. Fl. 45934DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.935 7 ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, DA RAZOABILIDADE, DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. A alegação de que a multa é confiscatória e que não atende os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da capacidade contributiva não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 05/04/2017 (fl. 45.850), a Contribuinte protocolou novo recurso voluntário (fls. 45.855/45.920) em 04/05/2017 (fls. 45.853 e 45.921) argumentando, em síntese, · Que, não tendo sido analisada a documentação apresentada na 1ª decisão da DRJ, o CARF anuloua, e determinou a sua análise. Contudo, tendo os autos sido convertidos em diligência, a autoridade diligenciadora foi a mesma pessoa que lançou o crédito tributário. Este auditor asseverou que haviam significativas divergências, as quais não permitiam identificar a correta composição da base de cálculo mas, em momento algum, discordou do fato de que houve recolhimentos em todos os meses; · Que, diante do resultado da diligência, a Contribuinte apresentou manifestação e ainda mais provas, mas a DRJ manteve o lançamento ao argumento de que os documentos apresentados eram insuficientes; · Que foram apresentados documentos quando da fiscalização e foram apresentados novos documentos por amostragem em conjunto com a impugnação visando comprovar a retenção, especificamente notas fiscais de entradas dos produtos, bem como as respectivas GPS, quitadas, cópias do livro de registro, planilhas discriminando de forma individualizada, por filial, os nomes e CPF ou CNPJ dos fornecedores; · Que "Assim, da conciliação constante das planilhas apresentadas, bem como da análise conjunta das notas fiscais, livro de entradas e GPS devidamente quitadas, é possível destacar precisamente todas Fl. 45935DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.936 8 as entradas de laranjas referentes às aquisições de produtores rurais pessoas física única aquisições passíveis de retenção de contribuições previdenciárias por parte da Recorrente bem como concluir que a Recorrente quitou todos os valores referentes às contribuições previdenciárias, nada mais havendo de ser recolhido aos cofres públicos. Mais do que isso. Observase, da mencionada documentação comprobatória, que em verdade houve o recolhimento de valores a maior por parte da Recorrente, (...)" fl. 45.865; (...) "Tomemos como exemplo janeiro de 2006. O fiscal conclui haver 84 notas fiscais relativas à filial em Matão, 143 referentes à filial em Catanduva e 125 atinentes à filial em Araras. Comparando as quatro guias de recolhimento apresentadas para o período, com o valor do INSS retido constante da planilha, o fiscal afirma existirem diferenças. Para janeiro/2006, o fiscal afirmou haver uma diferença de tributo recolhido a maior, relativa à filial de Matão, de 44%. Já para a filial de Catanduva, a diferença foi a menor, havendo falta de recolhimento de tributo em 1%. Para a filial de Araras, o recolhimento a menor foi de 8%. Vejase que o valor de recolhimento global para o mês, considerando as três filiais, é maior do que o devido. Ocorre que, com base nessas diferenças apontadas pelo fiscal, ele formula um método de desconsiderar a totalidade dos recolhimentos efetuados pela Recorrente no período. Quando a diferença implica recolhimento a menor o fiscal afirma que parte do tributo não foi recolhido, na tentativa de justificar o arbitramento. Quando a diferença se traduz em recolhimento a maior, o fiscal afirma que "sobra" recolhimento e que, portanto, faz supor existirem outras compras, referentes a pessoas físicas, que não teriam sido listadas pela Recorrente na planilha em questão. (...) Ora, o método adotado pelo fiscal e corroborado no r. acórdão merece severa censura, porquanto equivocado. De início, cabe destacar não haver qualquer evidência de compras não listadas pela Requerente, tratandose de mera alegação, descabida, por parte da fiscalização." fl. 45.866/45.867 (grifos no original) · Que as pequenas divergências observadas na GFIP e no Livro Razão são comuns em empresas com o volume de operação da Recorrente; · Que, de qualquer forma, recolheu Contribuição a maior quando se considera os dados constantes na GFIP; Fl. 45936DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.937 9 · Que, mesmo que seja considerado como base de cálculo o livro razão, a diferença entre o valor devido e o valor recolhido é irrisório (diferença não recolhida de R$ 21.759,67 em um valor total recolhido de R$ 6.005.920,34), não justificando o arbitramento; · Que o valor devido se for utilizado como base de cálculo as notas fiscais é menor do que o valor recolhido; · Que, diferentemente do que asseverou a DRJ, não foram abatidos os valores pagos pela Recorrente; · Que, a despeito da distorção e do arbítrio com que foi feito o arbitramento, se fossem abatidos os valores recolhidos voluntariamente pela Recorrente, sobrariam apenas os montantes ilegais, vez que incidentes sobre as vendas realizadas por pessoas jurídicas, ou seja, por operações que não podem compor a base de cálculo; · Que não pode subsistir o arbitramento, uma vez que essa medida só pode ser adotada em casos extremos, quando a documentação apresentada é imprestável, o que não é o caso. Isso porque a Contribuinte apresentou, ainda durante a fiscalização, CD's contendo os arquivos solicitados pela fiscalização, e que as informações ali contidas são suficientes para a quantificação exata da base de cálculo; · Que, para demonstrar a inadequação do arbitramento, foram juntadas em impugnação planilhas por amostragem, contendo informações disponíveis nos referidos CD's; · Que foram apresentadas ainda todas as notas fiscais referentes ao período, acompanhadas da documentação pertinente; · Que, tendo sido apresentada a documentação necessária e suficiente, não se observam os requisitos do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, dos arts. 233 e 235 do Decreto nº 3.048/1999 nem do art. 148 do CTN, sendo indevido, portanto, o arbitramento; · Que não apenas foi indevido o arbitramento, mas que os critérios utilizados também foram equivocados, gerando verdadeira distorção na identificação da base de cálculo. Esclarece que foi utilizada a Guia de Informação e Apuração do ICMS (GIA), mas que esta contém não apenas as mercadorias de pessoas físicas, mas também as de pessoas jurídicas e ainda diversos outros insumos que não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária; · Que a própria autoridade lançadora admitiu que escolheu esse instrumento como base devido ao fato de que poderia conter os valores referentes à aquisição de produção rural de produtor pessoa física, mas que também é possível que alguns deles não contivessem nenhuma operação dessa natureza. O que é mais, que a autoridade lançadora utilizou os CFOP's 1.101, 1.102, 1.116, 1.120, 1.124, 1.501, 1.556, 2.101, 2.102, 2.118 e 2.501, Fl. 45937DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.938 10 mas que as operações que compõem a base de cálculo estão concentradas exclusivamente nos CFOP's 1.101 e 2.101, tornando indevida a inclusão das demais operações na base de cálculo. Outrossim, mesmo nestes dois CFOP's individualizados, estão incluídas também as operações com pessoas jurídicas e outros insumos; · Que, outrossim, foi concedido à Contribuinte regime especial de escrituração, o qual permite efetuar exclusivamente registros por meio de formulários, e dispensa a indicação do valor e o registro no livro próprio. Dessa forma a despeito de ter sim realizado a contabilização das operações pelas vias normais , é despropositado o arbitramento com base nas inconsistências contábeis identificadas pela autoridade lançadora, uma vez que só se exige da Contribuinte o controle por meio do procedimento específico, o que foi feito; · Que o STF já declarou a inconstitucionalidade do Funrural no RE 363.852/MG e ainda pelo RE 596.177/RS, este na sistemática da Repercussão Geral, decisão essa que deve ser repetida no julgamento deste Recurso Voluntário, conforme o próprio RICARF; · Que os argumentos anteriores também se aplicam às Contribuições ao SENAR e ao RAT; · Que é indevida a multa de mora de 24% , uma vez que nada deve. Ainda que assim não fosse, que o art. 142 do CTN, não obriga, mas sim permite a imposição da penalidade. Consequentemente, caso seja observado que não houve intenção de fraudar o fisco, como no presente caso, então o fisco por optar por não impor a penalidade, ou aplicála em percentual inferior ao previsto na Lei, de sorte que pede o relevamento ou a redução da multa. Ainda, que o STF já reconheceu, em sede de declaratória de inconstitucionalidade, que a desproporção entre o tributo e a multa evidencia caráter confiscatório; e · Que tampouco pode prosperar a multa por descumprimento de obrigação acessória do DEBCAD nº 37.143.6117. Em primeiro lugar, que deve ser relevada por não ter sido identificado nenhum dano ao fisco. Em segundo lugar, porque desproporcional e sem fundamentos legais. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização da resolução Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo voto, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo, integralmente, as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Fl. 45938DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.939 11 Feito o registro. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Diligência A verdade é que os autos não se encontram em estágio apto para serem julgados. Em primeiro lugar, a autoridade lançadora registrou ter intimado a Contribuinte a apresentar planilhas e esclarecimentos durante a fiscalização. Essas intimações constam das fls. 112/113 e 124/125. Essas planilhas e esclarecimentos teriam como objetivo auxiliála na compreensão e conciliação das informações disponibilizadas até aquele momento. Tanto a autoridade lançadora quanto a Contribuinte afirmam que essa planilha foi apresentada. Contudo, a autoridade lançadora entendeu que aquele documento era inapto a realizar os esclarecimentos devidos, vez que não permitia distinguir quais lançamentos se referiam a aquisição de produção de produtor rural pessoa física, e quais se referiam a outras coisas. A Contribuinte, por sua vez, afirma que os documentos eram sim hábeis a tal fim, e apresenta tabelas em anexo à impugnação nas quais diferencia as aquisições realizadas de PF, afirmando sempre que todas as informações foram extraídas daquelas planilhas apresentadas durante a fiscalização. Entretanto, compulsando os autos não foram identificadas essas planilhas apresentadas durante a fiscalização. Sem acesso a elas é impossível identificar quais as informações ali constantes. Em segundo lugar, e principalmente, a contribuinte argumenta que os critérios utilizados para o arbitramento foram equivocados e distorcidos. Segundo o seu entendimento, foi indevida a utilização dos CFOPs escolhidos, especialmente porquanto nelas poderiam estar contidas operações realizadas com pessoas jurídicas. Efetivamente, a própria autoridade lançadora admite que escolheu aqueles CFOPs por ser possível/provável que contivessem operações com pessoas físicas. Acontece, entretanto, que a própria autoridade lançadora admitiu, já no relatório fiscal, que a Contribuinte apresentou provas cabais de que realizou operações com pessoas jurídicas. Efetivamente, com base na documentação apresentada durante a fiscalização, a autoridade lançadora identificou inúmeras notas fiscais nas quais os fornecedores eram pessoas jurídicas. Tanto assim que nos quadros de conciliação da GFIP x Notas Fiscais x LRE, a própria autoridade lançadora registrou que as Notas Fiscais de Pessoas Jurídicas atingiam a casa dos milhões em cada competência e em cada estabelecimento. Ao identificar a base de cálculo, entretanto, a autoridade lançadora registrou que efetuou arbitramento com base nos CFOP's, simplesmente. Identificou, outrossim, ter deduzido os valores já declarados e recolhidos pela Contribuinte antes do procedimento fiscal. Contudo, não identificou ter deduzido também os valores que a Contribuinte comprovava serem referentes a pessoa jurídica. Fl. 45939DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.940 12 Ainda que assim não fosse, em sede de Impugnação a Contribuinte apresentou vasta documentação, dezenas de milhares de laudas em provas, em grande parte, notas fiscais. O que é mais, compulsando essas provas, percebese que parcela relevante se não a maioria das notas fiscais foram emitidas por pessoas jurídicas. São exemplos, por amostragem, as de fls. 4.824/4.828, 5.366, 6.109, 6.805, 7.338, 7.976, 10.558/10.758, 13;152/13.372, 19.965/20.174, 25.149/25.341, 30.459/30.696, 42.110/42.130 etc. Ora, ainda que seja superada a questão do arbitramento, esse instrumento, nos termos do art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/1991, apenas inverte o ônus da prova. Permitese que a autoridade lançadora identifique a base de cálculo de forma indireta, mas não cria uma presunção absoluta. Pelo contrário, passa a caber à Contribuinte comprovar a incorreção da base de cálculo, apresentando provas de que, se não toda, ao menos em parte, a base apurada inclui fatos que não são geradores do tributo. Porém, logrando êxito nesse esforço a Contribuinte, o montante que comprovadamente não configura base de cálculo do tributo deve ser excluído. Diante desses fatos, proponho diligência para, · Que sejam anexados aos autos as planilhas e esclarecimentos apresentados pela Contribuinte durante a fiscalização em resposta às intimações de fls. 112/113 e 124/125; · Que a autoridade diligenciadora confirme se foi ou não deduzido da base de cálculo apurada por arbitramento as notas fiscais referente a operações com pessoa jurídica apresentadas durante a fiscalização, e, caso negativo, informe as razões para assim ter procedido; · Que a autoridade diligenciadora elabore planilha identificando as notas fiscais apresentadas durante o processo administrativo nas quais conste como fornecedor pessoa jurídica. Nessa planilha deve ser informado ainda se essas são as mesmas notas fiscais apresentadas durante a fiscalização ou se são outras. Ainda, deve conter o valor total soma das notas fiscais apresentadas durante a fiscalização e durante o processo administrativo das operações envolvendo pessoa jurídica e comprovadas por meio de notas fiscais; · Caso entenda que as planilhas apresentadas pelo contribuinte, em conjunto com as notas constantes do processo não são hábeis promover as exclusões das aquisições de produtores pessoa jurídica, que circunstancie, detalhadamente, as razões para tal conclusão, elaborando, nesse rumo, planilha, discriminado as notas fiscais constantes dos autos que entenda serem do lançamento. · Que, após elaborar o relatório de diligência, intime a Contribuinte do seu resultado, abrindolhe prazo para se manifestar; e · Que, após tudo isso, retornem os autos para continuidade do julgamento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. Fl. 45940DF CARF MF Processo nº 19515.722023/201168 Resolução nº 2202000.835 S2C2T2 Fl. 45.941 13 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 45941DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000809/2004-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
CONSTRUÇÃO CIVIL. ASSEMELHADOS. OPÇÃO.
Não poderá optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que se dedique à execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo.
Numero da decisão: 1001-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ASSEMELHADOS. OPÇÃO. Não poderá optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que se dedique à execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 08 09 /2 00 4- 38 Fl. 78DF CARF MF 2 Tratase de Ato Declaratório DRF/BLUMENAU n° 023, de 7 de abril de 2009 (efl. 16), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, ou seja, de que a contribuinte exerceria atividade de serviços profissionais ligados à construção civil (instalação de divisórias que fabrica), a qual encontra vedação no inciso V, art.9° e § 4°, da Lei n° 9.317/96, nos termos do Despacho Decisório DRF/BLU n° 049/2009 (processo n° 13971.000809/200438), com efeitos retroativos a 01/01/2002. Abaixo a descrição do litígio, relatada na decisão recorrida (efl. 64): Empresa excluída do Simples pelo Ato Declaratório Executivo n° 023, de 7 de abril de 2009, expedido pela delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, por ter incorrido na hipótese de vedação prevista no parágrafo 4°, do artigo 9°, da Lei 9.317/96, isto é, desenvolver a atividade de construção de imóveis. O ADE produz efeito a partir de 01/01/2002. Empresa manifesta inconformidade com a exclusão e afirma que apesar de conter no contrato social o objeto "Instalação de divisórias", não realiza o serviço, atendose fabricação e venda de divisórias, sendo o serviço de colocação por conta de seus clientes e executado por outros profissionais e empresas especializadas. Requer a declaração de improcedência do ADE n° 23 que a excluiu do Simples. A decisão de primeira instância (Ac n° 0717.944 6ª Turma da DRJ/FNS, e fls. 63/65) negou deferimento à manifestação de inconformidade. Entendeu que os documentos anexados aos autos confirmam que a empresa desenvolveu atividade vedada e que é devida a exclusão do Simples. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/11/2009 (efl. 67) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 23/12/2009 (efl. 70), em que aduz que as divisórias, produzidos a base de composto de madeira, apresentam total semelhança aos móveis, não podendo sua instalação ser equiparadas às atividades de construção de imóveis, in verbis: A vedação insculpida na Lei n.° 9.317, de 1996, às atividades de construção de imóveis, não reserva qualquer relação com a atividade de "instalação de divisórias". Enquanto aquela está intimamente agregada ao solo e subsolo, esta não apresenta a mesma característica. A construção de imóveis, com o emprego das técnicas de engenharia, sem a qual não possível realizar qualquer edificação, bem como de elementos essenciais como o concreto e aço, fazem com que a agregação ao solo e subsolo seja vital. O mesmo não ocorre com a instalação de divisórias, produzidos a base de composto de madeira, as quais reservam total semelhança aos móveis, visto que na instalação não ocorre a sua incorporação intima e direta ao solo ou subsolo. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13971.000809/200438 Acórdão n.º 1001000.747 S1C0T1 Fl. 79 3 Pelo contrário, até na edificação estas não são consideradas incorporadas a mesma, uma vez que podem a qualquer momento ser removidas sem que percam as suas características. Estas se mantêm intactas, podendo ser reinstaladas em edificação diversa, sem com isso resultar na modificação estrutural (do que está agregado ao solo e subsolo) da própria edificação originária. Por estas características elementares, da efetiva construção de imóveis e os serviços de instalação de divisórias, que não reservam qualquer semelhança, é que a Recorrente entende não estar inserida na situação impeditiva apontada pela autoridade fiscal de permanência no sistema Simples Federal. Vale ressaltar que o serviço de instalação de divisórias e colocação de forro não se insere nas situações elencados pelo parágrafo 4°, do artigo 9°, da Lei n.° 9.317, de 1996, quais sejam "a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo." É evidente que quando a norma se refere à expressão "outras benfeitorias", ela não está a se referir a qualquer benfeitoria realizada em edificação. 0 referido comando legal impõe que estas benfeitorias devem estar "agregadas ao solo ou subsolo". Ou seja, deve esta benfeitoria compor um só corpo ou, ainda, incorporarse a um corpo, intimamente ligado ao solo ou subsolo. Como já dito, as divisórias em questão são objetos totalmente removíveis a qualquer tempo, sem qualquer prejuízo para a sua forma, bem como para a edificação em que estaria instalada. Insta destacar que, além das divisórias não estarem agregadas ao solo ou subsolo, estas se enquadram perfeitamente no conceito de bem móvel descrito pelo artigo 82 do Código Civil vigente. Em nada se assemelham ou equiparam com o conceito de bem imóvel disposto pelo artigo 79 do citado Diploma Legal. Deste modo, no caso em comento, é patente que a atividade de instalação de divisórias e colocação de forro não reserva, sequer, qualquer semelhança com "benfeitoria agregada ao solo ou subsolo". Corroborando o entendimento até aqui manifestado pela Recorrente, colacionamse decisões do 3° Conselho de Contribuintes, nas quais, situações análogas, restaram assim julgadas: (...) No caso em tela, podese observar que a autoridade fiscal ao equiparar a atividade de instalação de divisórias Aquela da construção civil de imóveis, acabou por realizar uma Fl. 80DF CARF MF 4 interpretação extensiva da norma tributária, o que é vedado no Direito Tributário. (...) Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. O contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, ou seja, de que a contribuinte exerceria atividade de serviços profissionais ligados à construção civil (instalação de divisórias que fabrica), a qual encontra vedação no inciso V, art. 9° e § 4°, da Lei n° 9.317/96. Assim dispõe o art. 9° da Lei n° 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis. O § 4° do mesmo artigo descreve que estão também vedadas (segundo o mesmo inciso V) as atividades de execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. § 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Ou seja, uma vez que a atividade de instalação de divisórias constituise de uma benfeitoria agregada às construções dos clientes, concluo que se trata de atividade vedada. No caso do contribuinte o exercício ficou demonstrado não só pela previsão no contrato social como nas notas fiscais juntadas aos autos (efls. 47/60), que comprovam a instalação não só de divisórias como de gesso. Assim detalhou a decisão de piso: Processo teve inicio com uma Representação Administrativa encaminhada pela Gerência Executiva do INSS em Blumenau que constatou a previsão no contrato social de atividade vedada aos optantes pelo Simples. Textualmente, no item "II DA SITUAÇÃO DE VEDAÇÃO CONSTATADA", assim a situação é apresentada na representação: Conforme estabelecido na 5° alteração contratual, de novembro de 1998, a sociedade passa a ter como finalidade o comércio atacadista e varejista de material elétrico, hidráulico e ferragens em geral; a instalação de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13971.000809/200438 Acórdão n.º 1001000.747 S1C0T1 Fl. 80 5 divisórias e a fabricação de peças e painéis para divisórias... Anexo à representação está a 5ª alteração do Contrato Social (folhas 4 e 5). A representação foi analisada pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT, da Delegacia da Receita federal do Brasil em Blumenau, que propôs a exclusão da empresa do Simples por entender presente a vedação do parágrafo 4° do artigo 9° da Lei 9.317/96. O ADE foi expedido conforme proposto pela SACAT e contestado pela empresa com o argumento que não realiza o serviço de colocação de divisórias. A SACAT verificou que a empresa declarou à Receita Federal, receita de prestação de serviços nos anos 2003, 2006 e 2007 (folhas 32 a 34) e intimou a empresa a apresentar os originais das notas fiscais de prestação de serviço correspondentes as receitas auferidas nos anoscalendário 2003, 2006 e 2007 e os contratos de prestação de serviço relacionados As notas fiscais. Empresa respondeu que as notas fiscais do anocalendário 2003 já haviam sido incineradas e apresentou notas fiscais dos anos 2006 e 2007 onde constam serviços de colocação de forro, divisórias e outros serviços compreendidos na atividade de construção civil (folhas 46 a 59). Concluo que os documentos confirmam que a empresa desenvolveu atividade vedada e que é devida a exclusão do Simples. Destaquese que o exercício de qualquer atividade vedada, mesmo em caráter excepcional ou minoritário impossibilita a opção, uma vez que não é possível a separação de regimes para cada atividade exercida. Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Mas conforme o inciso II acima e o constatado nas notas fiscais de prestação de serviços (efls. 07/33) as prestações deramse a partir de junho de 2002, devendo a exclusão viger a partir de 01/06/2002. Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade Fl. 82DF CARF MF 6 da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. São também inoponíveis a esta Turma as decisões em que não tenha sido parte o Recorrente ou que não tenha efeito vinculante. Em relação a decisões deste CARF destacamos o acórdão que decidiu por manter a exclusão em caso similar: Acórdão no 9101000.920 — 12 Turma, Sessão de 29 de março de 2011: Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE VEDADA COLOCAÇÃO DE PISOS E FORROS ART. 9°, INCISO V, § 4° DA LEI 9.317/96 A atividade de comércio com instalação de forros, pisos vinílicos, pisos emborrachados, pisos elevados, divisórias, carpetes e painéis wall, os quais se agregam ao solo e à obra de construção civil, encontrase vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10209.000426/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/06/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da reduação tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da reduação tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 04 26 /2 00 5- 01 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3102001.937, de 23 de julho de 2013 (fls. 151 a 160 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na exigência de crédito tributário decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Belém(PA), em decorrência de auditoria concernente à importação de 2.990,455 toneladas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), NCM/SH 2711.13.00, realizada pelo contribuinte Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, CNPJ n.º 33.000.167/074490, lastreada na Declaração de Importação DI n.º 00/05273190, registrada em 12/06/2000, com esteio no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela, Países integrantes da Comunidade Andina. A importação operouse com redução da alíquota do Imposto de Importação no importe de 80%, deslocando, assim, materialmente a alíquota de 6% para 1,2%, consoante os termos do aludido Acordo Internacional. Em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização, após análise empreendida, entendeu que a citada operação de importação, nos moldes efetivados pelo contribuinte, não estava acobertada pelo manto ofertado pelo citado Acordo. Segundo relato das autoridades responsáveis, o lançamento, em síntese, foi motivado pelo fato de o Certificado de Origem apresentado pelo importador, de n.º ALD1000627751 (fl. 20), que instruiu citada DI (fls. 11/25), não haver atendido aos requisitos constantes dos artigos 4°, 8º e 9° da Resolução n.º 252, da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, aprovada pelo Decreto n.º 3.325, de 30/12/1999. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 4 3 E desse modo, foi desclassificado o Certificado de Origem, assim como, restou constatada que sobredita operação de comercialização internacional se deu por intermédio de terceiro estranho aos países afetos à ALADI, à revelia da observância dos requisitos normativos à espécie cabíveis à fruição de aludida excepcionalidade. Os fatos expostos acima conduziram a fiscalização a creditar impropriedade à fruição pelo contribuinte da redução da alíquota do II, prevista no mencionado Acordo de Complementação Econômica n.° 39, ensejando a correspondente glosa, o que redundou na exigência do remanescente do Imposto de Importação, acrescido dos juros moratórios, bem como da penalidade de ofício, no importe total, à época da autuação, de R$ 227.368,23. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: houve descompasso da fiscalização, migrando de duas imputações iniciais a quatro, sem motivação para tal; a operação mercantil em estudo tratase de triangulação comercial, prática comum em âmbito internacional, mormente em razão de otimização de prazo à satisfação de compromissos, bem como da ampliação do espectro de fontes de captação de recursos; a operação de triangulação comercial promovida entre a venezuelana PDVSA Petróleo y Gás S.A., a Petrobrás Internacional Finance Company (PFICO), estabelecida nas Ilhas Cayman – e não em Trinidad e Tobago (erroneamente consignado na DI), País não membro da ALADI e a brasileira Petrobrás não elide a aplicação da redução tarifária inserta em Acordo no âmbito da ALADI; a Resolução nº 252, a qual em trecho reproduz o art. 2º da Resolução nº 232, não abriga definição de operador, tampouco retrata os procedimentos a serem adotados na utilização de referido partícipe comercial; a PFICO, pessoa jurídica integrante do grupo econômico da defendente, não interagiu nessa operação na condição de exportadora, mas sim de operadora comercial, inclusive não tendo sequer a posse da mercadoria em alusão; Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 5 4 a própria RFB não disciplinou procedimentos a serem perfilhados, pelos operadores de comércio exterior, nas operações relativas à triangulação comercial, fato impulsionador da apresentação somente da fatura expedida pela PFICO, bem como esta figurar como exportadora; o Certificado de Origem nº ALD1000627751 trouxe a indicação da fatura comercial nº1023900, expedida pela PDVSA, nos termos do art. 10 da Resolução nº 252. Por seu turno, a fatura expedida pela PFICO traz, igualmente, informações condizentes com as espelhadas em sobredito Certificado, em obediência ao art. 8º da citada Resolução; a ausência de cumprimento ao disposto nas alíneas correspondente ao art. 425, do Decreto 91.030/85, traduz mero reflexo quanto à inexistência de procedimento específico institucional relacionado à triangulação comercial. De outra sorte, somente o exportador é passível de tal reprimenda fiscal, sendo, a PFICO, por sua vez, alheia a tal ação, posto que simples operadora; o imposto de importação tem natureza instrumental, possuindo assim caráter extrafiscal, não nutrindo aspecto arrecadatório; é incabível na espécie a penalidade de ofício (75%), tipificada no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96, em virtude da aplicação retroativa benéfica do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, à luz do art. 106 c/c inciso I, do art. 100 do CTN. Por fim, sublinha que tal matéria, em situação semelhante, já teria sido decidida favoravelmente à reclamante pelo TRF da 3ª Região; A DRJ em Fortaleza/CE julgou o lançamento em parte procedente. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprovaria o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado naquele Acordo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/06/2000 TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributário administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte opôs Embargos Declaratórios às fls. 225 a 228, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 234 a 238. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 247 a 257) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à discordância entre a fatura informada no Certificado de Origem e no despacho aduaneiro, como razão a impedir o gozo do benefício da preferência tarifária. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 320100.378 e CSRF/0305.104.A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 258 a 278. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 326 a 328, sob o argumento que restou comprovada a divergência jurisprudencial, pela Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 7 6 apresentação do acórdão CSRF/0305.104, em que restou assentada a interpretação no sentido de que a apresentação da fatura do país interveniente, do certificado de origem e do conhecimento de transporte seriam suficientes para o reconhecimento do benefício em discussão. O acórdão recorrido decidiu que a apresentação da fatura comercial emitida pelo produtor, juntamente com a emitida pelo operador situado em país não integrante da Aladi, inviabilizaria a manutenção do benefício pleiteado. Além disso, entendeuse que em ambos os casos, a operação (triangulação comercial) ocorreu de forma muito semelhante, a saber: o produto importado foi procedente de empresa situada em país membro da ALADI (PDVSA Petróleo e Gás S/A, situada na Venezuela); foi embarcado diretamente para o Brasil, segundo conhecimentos de embarque, mas as faturas que instruíram os despachos aduaneiros foram emitidas por empresa situada nas Ilhas Cayman (PIFCO). Ainda, ressaltando que o acórdão n.º 320100.378 não se prestou à comprovação da divergência, posto que tratou de hipótese em que a fatura emitida pelo produtor foi acostada aos autos após a realização de diligência, o que não se configurou no presente processo, já que a diligência determinada com o mesmo objetivo não alcançou o mesmo resultado. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 330 a 337, em que manifestou pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328 Do Mérito A matéria já vem sendo discutida por este Conselho, há muito tempo. A discussão resumese no fato se a referência tarifária deve ou não ser aplicada, quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional. No caso em exame temse o conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 19 que não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho à Aladi. A mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada na Venezuela com destino ao Território Brasileiro. Verificase que no campo “observações” do certificado de origem consta, além da indicação da PIFCO como operadora, a mercadoria, a sua classificação fiscal e a data do conhecimento de transporte, e ainda, na fatura PIFCO, consta indicação da fatura, emitida pela PDVSA. Verificase que uma participação de uma empresa situada em um terceiro país, ou seja, Petrobras International Finance Company – PIFCO, Ilhas Cayman, País não membro da ALADI, que faturou a mercadoria objeto de intercâmbio, sendo que, no campo “observações” do formulário de certificado de origem , foi aposto pela empresa produtora PDVSA, situada na Venezuela, País membro da ALADI, a indicação da empresa operadora responsável pela emissão da fatura comercial inerente à operação de exportação para o Brasil. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 9 8 Observasse que todos os documentos contém a descrição da mesma mercadoria, sem qualquer tipo de divergência, identificando os elos da cadeia comercial. Se o certificado de origem faz correspondência com fatura comercial correta, e contem o consignatário correto no campo observações e ainda a fiscalização verificou a real existência da de tal fatura através da diligência, não tem como desqualificar o certificado de origem cuja veracidade foi constatada. O relevante para o deslinde da questão é a comprovação de que a mercadoria tratada no despacho seja exatamente aquela correspondente ao Certificado de Origem apresentado, o que foi comprovado através da diligência. Inicialmente cumpre ressaltar que há várias decisões adotadas pelas turmas julgadoras que caminham no sentido de considerar que a operação realizada pelo Contribuinte seja legítima, quando se tem apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem e associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil. Esses procedimentos comprovam o cumprimento do regime de origem da ALADI e impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, senão vejamos: Processo nº 18336.001558/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 10 9 operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Processo nº 10209.000087/2003¬93 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102¬001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ¬ II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Luis Marcelo Guerra de Castro ¬ Presidente e Relator. Acórdão nº 320100.444: Julg. 30/04/2010. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 11 10 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência e ntre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto i mportado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Acórdão 310200.691 Julg. 01/07/2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Processo n" 10209.000544/200540 Recurso n° 138291 Voluntário Acórdão n° 310200.250 — l a Câmara! 24 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 . Matéria II/IPI FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 12 11 Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA TRIANGULAÇÃO COMERCIAL POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Relator Luciano Lopes Processo nº 18336.000160/200201 Recurso nº 3021.279.44 Especial do Contribuinte Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão nº 03006.239 Sessão de 08 de dezembro de 2008 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto e Redator ad hoc Transcrevo, agora, o voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Acórdão nº 310201.338, que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 13 12 ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobrás Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada DF CARF MF Fl. 219 8 pela apresentação da fatura comercial nº 1163480, o que permitiu o Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 14 13 cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considera¬se como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontrase satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 15 14 i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 16 15 Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalidálo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." Ou seja, não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Então, constatase que há a interveniência de um operador nos moldes previstos na Resolução retromencionada, visto haver a participação de uma empresa situada em um terceiro país, ou seja, Petrobras International Finance Company – PIFCO, Ilhas Cayman, País não membro da ALADI, que faturou a mercadoria objeto de intercâmbio, sendo que, no campo “observações” do formulário de certificado de origem (fls. 18), foi aposto pela empresa Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 17 16 produtora PDVSA, situada na Venezuela País membro da ALADI, a indicação da empresa operadora responsável pela emissão da fatura comercial inerente à operação de exportação para o Brasil. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto de Execução n.º 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países Membros da Comunidade Andina). Cito ainda, que a fruição dos tratamentos preferenciais achase normatizada no art. 4o, da Resolução ALADI/CR n. 78 Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto n. 98.836, de 1990, 4o, in verbis: CUARTO. Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador al país importador. Diante disto, de acordo com o normativo acima a exportação direta da Venezuela para o Brasil é suficiente para garantir a redução tarifária, sendo legitimo o beneficio fiscal. Vale ainda ressalta que a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática freqüente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 18 17 comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". Após, foi publicada a Resolução n.° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n. 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9" da Resolução 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Vale ainda ressaltar o Superior Tribunal de Justiça tem pronunciamento judicial favorável à Petrobrás: RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.856 PE (2014/03106001) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : TACIANA MATIAS BRAZ DE ALMEIDA E OUTRO(S) PE021487 DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. DECISÃO DO TRIBUNAL A QUO NO SENTIDO DE QUE OS Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 19 18 REQUISITOS NECESSÁRIOS AO BENEFÍCIO FISCAL FORAM ATENDIDOS. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20, §§ 3o. E 4o. DO CPC/1973. REVISÃO DO VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REEXAME DE PROVAS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 1. Tratase de Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 5a. Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. PETROBRÁS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL ASSEGURADO. 1. Hipótese em que se discute a possibilidade da Petrobrás fazer jus às preferências tarifárias do Acordo de Complementação Econômica ACE27, firmado entre Brasil e Venezuela, objeto do Decreto 1.381/95, para fins de redução do montante pago a'titulo de Imposto de Importação de produtos derivados de petróleo. 2. Não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de, que não houve, prova, do recolhimento do tributo e a Juntada de documentos essenciais para fins de fruição do beneficio, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem, que fazem constar a República da Venezuela como pais originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bili of Lading) demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4o., a, da Resolução 78/87. 3. O país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as llhas Cayman. 0 que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 20 19 seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas llhas Cayman, a Braspetro Qil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. 4. 0 fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas llhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da, ALADI. (AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Canitareíli, TRF5 1 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 Página169 129.) (...) Inicialmente, não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que não houve prova do recolhimento do tributo e a juntada de documentos essenciais para fins de fruição do benefício, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem (fls. 145 e 252), que fazem constar a República da Venezuela como país originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas às fls. 71/74, 126/129, 164/170 e 217/220, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bill of Lading) de fls. 119, 148 e 172 demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4º, a, da Resolução 78/87, como bem ressaltou a juíza de 1º grau. Alega a Fazenda, ainda, que o produto importado tem origem nas Ilhas Cayman, país não signatário do acordo em questão, razão pela qual é indevida a redução do tributo Ocorre que, como já visto, o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas Ilhas Cayman, a Braspetro Oil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 21 20 que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. Essa triangulação comercial, com participação de empresa situada em país não membro do ACE 27, não acarreta a perda da preferência tarifária preconizada no aludido acordo, pois a operação comercial realizada pela Petrobrás é prática frequente no comércio internacional, sendo admitido que o produto seja faturado em outro país, desde que a origem da mercadoria seja preservada, sem descaracterização do acordo cujas preferências se desejar obter (juíza de 1º grau). 12. Como visto, o Tribunal a quo afastou todos os argumentos que seriam óbice ao benefício fiscal requerido. Ou seja, entendeuse ali que os requisitos estavam preenchidos. Assim, os elementos fáticos usados pelo Tribunal local não podem ser alterados nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Ilustrativamente: 15. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial. 16. Publiquese. Intimações necessárias. Brasília (DF), 21 de agosto de 2017. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR (Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, 28/08/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 ¬ CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIA¬GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Trata¬se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 22 21 TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. IA PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company ¬ PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatícios fixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 23 22 Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique¬se. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Frisese, ainda, a jurisprudência exarada pelo TRF: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 24 23 COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 ¬ Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 ¬ Quarta Turma, DJ ¬ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 25 24 Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.002359¬3/PA, julg. 07/10/2013. PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 26 25 CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação Latino Americana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhum questionamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 27 26 Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importação por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país integrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderia ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Ora, as decisões acima caminham junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI (PETROBRÁS nas Ilhas Cayman), não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela (o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman) E a carga veio diretamente para o país. O que houve foi uma triangulação comercial lícita entre PDVSA, PIFCO, PETROBRÁS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 28 27 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 29 28 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 30 29 a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 31 30 de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/05273190, cujo registro deuse em 12/06/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela PDVSA e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Também no campo "observações" não há qualquer referência à empresa interveniente. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Somente a título de esclarecimento, é importante destacar que a relatora do presente processo, faz afirmações fáticas que são definitivamente equivocadas. Trasncrevo abaixo, para melhor visualizar, trecho do seu voto: (...) Verificase que no campo “observações” do certificado de origem consta, além da indicação da PIFCO como operadora, a mercadoria, a sua classificação fiscal e a data do conhecimento de transporte, e ainda, na fatura PIFCO, consta indicação da fatura, emitida pela PDVSA. Verificase que uma participação de uma empresa situada em um terceiro país, ou seja, Petrobras International Finance Company – PIFCO, Ilhas Cayman, País não membro da ALADI, que faturou a mercadoria objeto de intercâmbio, sendo que, no campo “observações” do formulário de certificado de origem , foi aposto pela empresa produtora PDVSA, situada na Venezuela, País membro da ALADI, a indicação da empresa operadora responsável pela emissão da fatura comercial inerente à operação de exportação para o Brasil. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 32 31 Observasse que todos os documentos contém a descrição da mesma mercadoria, sem qualquer tipo de divergência, identificando os elos da cadeia comercial. Se o certificado de origem faz correspondência com fatura comercial correta, e contem o consignatário correto no campo observações e ainda a fiscalização verificou a real existência da de tal fatura através da diligência, não tem como desqualificar o certificado de origem cuja veracidade foi constatada. (...) Todos os trechos destacados ou grifados acima não correspondem à realidade dos fatos. Basta olhar o Certificado de Origem, efl. 21, que no campo destinado a fatura comercial não consta o número correto da emitida pela empresa interveniente PIFCO e nem no campo "observações" consta qualquer referência à triangulação comercial. Neste campo consta somente as palavras: "M/T GURUPA PETROBRÁS" e "B/L 29 MAYO DEL 2000". Destaco também que deve haver um desencontro fático completo em decorrência da seguinte situação. A relatora utilizou como uma de suas razões de decidir o voto do ilustre conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro proferido no acórdão nº 3102001.338, transcrito acima no seu voto. Porém é de observar que o acórdão recorrido, no presente processo, foi da relatoria do mesmo relator. Veja como ele pontua suas razões de decidir no presente processo: (...) Diferentemente do que se verificou em outros litígios, a devolução dos autos para o órgão preparador, no presente recurso, não surtiu efeito, pois a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria. Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. (...) Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de paísmembro da Associação LatinoAmericana de Integração Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 9303007.272 CSRFT3 Fl. 33 32 (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909830/2011-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 13/12/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.195
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 13/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 30 /2 01 1- 27 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909830/201127 Acórdão n.º 9303007.195 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.483, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/12/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909830/201127 Acórdão n.º 9303007.195 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909830/201127 Acórdão n.º 9303007.195 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10840.909830/201127 Acórdão n.º 9303007.195 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10840.909830/201127 Acórdão n.º 9303007.195 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002909/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXATIDÃO MATERIAL.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser recebidos sanadas mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2401-005.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e erro material apontados. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que acolhiam os embargos, dando-lhes efeitos infringentes, para tornar insubsistente o lançamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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OMISSÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser recebidos sanadas mediante a prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e erro material apontados. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que acolhiam os embargos, dandolhes efeitos infringentes, para tornar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 09 /2 01 0- 19 Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 809 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuidase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO encartado às 593/603 em face do Acórdão nº 2401003.835, prolatado pela 1ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE/ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO ANTES DO DEFERIMENTO DO CEAS. CEBAS DEFERIDO QUANDO JÁ REVOGADO O § 1º DO ART. 55 DA LEI 8.212/91 PELA MP 446/2008. DISPENSA DE FORMALIZAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DA VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS NA VIGÊNCIA DA MP 446/2008. Não era viável a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção antes do deferimento do CEAS. O art. 48 da MP n. 446/2008 revogou o exposto no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, dispensando a formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias. Os atos praticados durante a vigência da MP 446/2008 permaneceram válidos, diante da ausência de edição, pelo Congresso Nacional, de Decreto que discipline as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP. No caso, o CEAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEAS retroagiu seus efeitos à data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. A aplicação da atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91 é mais benéfica, na medida em que o percentual da multa fica limitado a 20%. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 810 3 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Entende a embargante que ocorreu omissão no acórdão recorrido quanto ao reconhecimento da imunidade tendo em vista o cumprimento dos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, bem assim erro material quanto à data de protocolo do pedido de CEBAS realizado pelo sujeito passivo. Às fls. 793/797, consta despacho de admissibilidade dos presentes aclaratórios que, em resumo, concluiu: Da alegada omissão Segundo os embargos, o presente acórdão nada teria disposto “acerca da alegação da Embargante quanto à inadequação do tratamento que lhe foi conferido pelas autoridades fiscais, enquanto entidade imune, nos termos previstos pela Constituição Federal”, em especial quanto ao cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Pois bem, compulsando o Recurso Voluntário, fls. 407 a 437, constatase que, em vários momentos, o Recorrente alega ter cumprido os requisitos previstos no art. 14 do CTN, para gozo da imunidade, conforme se observa no excerto a seguir transcrito: Desta forma, no que se refere ao Período de 01/01/2007 a 18/04/2007, no qual a Recorrente não comprovou ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS previsto pela Lei ordinária nº 8.212/91, e no que se refere ao Período de 19/04/2007 a 31/12/2007, no qual apesar de ter havido deferimento do certificado pelo CNAS, a Recorrente não apresentou o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias previsto pelo Decreto nº 3.048/99 não há que se falar que a Recorrente não faz jus à imunidade das contribuições sociais uma vez que, conforme acima explicitado, tratase de entidade comprovadamente imune que deve atender apenas aos requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional, que é a lei complementar competente para regular o benefício constitucional ora analisado. No voto condutor do acórdão embargado, porém, para o período de 1º/1/07 a 18/4/07, é feita referência apenas ao art. 55 da Lei 8.212/91, sem qualquer menção ao art. 14 do CTN, em que pese ter sido invocado no Recurso Voluntário. Portanto, temse por configurada a omissão no acórdão embargado quanto à aplicação do art. 14 do CTN ao presente caso. Do alegado erro material Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 811 4 Alega o Embargante erro material na ementa quanto à data de protocolo do pedido de CEBAS, pois informa a data de 19/4/14, quando deveria ser 19/4/07. Vejamos, então, o que diz a ementa: No caso, o CEAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEAS retroagiu seus efeitos à data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007. Conforme se observa, de fato, a ementa assevera que os efeitos do ato e concessão do CEBAS teria retroagido à data de 19/04/2014 (protocolo do requerimento), porém, a data correta é 19/04/07, segundo consignado no voto: Pois bem, embora à época dos fatos geradores – ano de 2007 – estivesse em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, que exigia, além do CEAS, a formalização de pedido administrativo visando o reconhecimento da isenção por ato declaratório, a renovação do certificado de entidade beneficente da Recorrente só foi deferida em 03 de fevereiro de 2009, ainda que com efeitos “ex tunc”, retroativos à data do protocolo do pedido – 19/04/2007, com validade de três anos. Portanto, também restou demonstrada a presença do erro material na ementa, o qual deverá ser sanado pela Turma. Do pedido de sobrestamento do processo Quanto ao pedido de sobrestamento do presente processo, insta destacar que não cabe a análise de tal demanda em sede de Embargos de Declaração, os quais visam, tãosomente, o saneamento de eventual omissão, contradição e obscuridade na decisão embargada. Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a omissão e o erro material apontados. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Considerando que a Relatora não integra mais a Turma Julgadora, o processo deverá ser sorteado para relatoria, no âmbito da Turma, nos termos da Portaria CARF nº 34, de 31/08/2015, art. 5º, inciso II, alínea "a". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 812 5 De início, convém destacar que por força de Liminar em Mandado de Segurança (Processo nº 101178881.2018.4.01.3400), em face da autoridade coatora Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção, o presente processo foi distribuído para minha relatoria e incluído na pauta do mês de agosto de 2018, considerando que a decisão judicial determinou o prazo de 30 (dias) para julgamento dos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo. Os embargos de declaração atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. No âmbito do processo administrativo fiscal, os embargos de declaração representam instrumento processual com a finalidade de eliminar do julgamento obscuridade, contradição ou omissão entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, prestando, assim, como instrumento de aperfeiçoamento do julgado (art. 65 do Regimento Interno do CARF). Também servem para correções de alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão (art. 66 do RICARF). Portanto, não se prestam para o reexame de matéria decidida em acórdão ou ainda para incluir novos argumentos jurídicos, considerando que o efeito infringente deve ser admitido em situações excepcionais. O crédito tributário (debcad nº 37.304.0555), controlado nos autos, abrange as contribuições previdenciárias, quota patronal e a decorrente do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), apuradas sobre a remuneração paga aos segurados empregados e trabalhadores autônomos, nas competências de 01/2007 a 13/2007, tendo em vista que a fiscalização não reconheceu o direito à imunidade constitucional que a Recorrente entendia fazer jus. Em sede de impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil de origem manteve a integralidade do lançamento. Este colegiado no julgamento realizado em sessão do dia 21 de janeiro de 2015, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para: a) excluir do auto de infração DEBCAD n° 37.304.0555 os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007; b) bem como para limitar a multa aplicada a 20%. Matéria dos embargos 1. Omissão quanto ao reconhecimento da imunidade da Embargante pelo cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN O acórdão combatido reconheceu à embargante a condição de entidade imune às contribuições previdenciárias, pelo período de 19/04/2007 a 31/12/2007, por ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS. No que toca ao período de 01/01/2007 a 18/04/2007, aduz que o acórdão nada dispõe acerca da alegação da Embargante quanto à inadequação do tratamento que lhe foi conferido pelas autoridades fiscais. Salienta que a imunidade às contribuições previdenciárias deve ser reconhecida a partir do cumprimento dos requisitos exigidos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 813 6 Analisando o acórdão recorrido, verificase claramente que não houve manifestação do colegiado sobre à aplicação dos requisitos art. 14 do Código Tributário Nacional. Portanto, está caracterizada a omissão nos fundamentos do voto condutor, o que implica, necessariamente, um posicionamento dessa turma. Nos termos do parágrafo 7º do art. 195 da Constituição Federal, as entidades beneficentes de assistência social para usufruírem da imunidade devem atender os requisitos estabelecidos em lei. Neste ponto, entendo como necessária a transcrição dos fundamentos do voto do acórdão recorrido, que reconheceu o benefício no período de 19/04/2007 a 31/12/2007, assim disposto: À época dos fatos geradores, os requisitos para reconhecimento da imunidade/isenção estavam assim previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] (grifos aditados). [...] Compulsando, os autos, contudo, verifico que, com relação ao período de 19/04/2007 a 31/12/2007, a Recorrente fazia sim jus à imunidade constitucional. Vejamos: Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 814 7 Conforme expressamente descrito no Relatório Fiscal, a Recorrente detinha CEAS válido quanto ao período de 01/01/1998 a 31/12/2000, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 19/04/2007 a 18/04/2010. Com relação ao último período – que abrange parte dos fatos geradores objeto da presente autuação – não perceberam os Fiscais Autuantes que o deferimento do CEAS ocorreu apenas em 03/02/2009, através da Resolução CNAS de n. 7/2009. Pois bem, embora à época dos fatos geradores – ano de 2007 – estivesse em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, que exigia, além do CEAS, a formalização de pedido administrativo visando o reconhecimento da isenção por ato declaratório, a renovação do certificado de entidade beneficente da Recorrente só foi deferida em 03 de fevereiro de 2009, ainda que com efeitos ex tunc, retroativos à data do protocolo do pedido – 19/04/2007, com validade de três anos. Em 03 de fevereiro de 2009, data do deferimento do CEAS, já não mais estava em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991. Tal dispositivo havia, à época, sido revogado pelo artigo 48 da Medida Provisória de n. 446, de 07 de novembro de 2008 [...] A referida Medida Provisória instaurou uma nova disciplina legal aplicável à imunidade das contribuições previdenciárias. Dentre as inovações introduzidas, estava a dispensa de formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica. Para fins de aproveitamento da imunidade/isenção, era suficiente a obtenção da certificação de entidade beneficente de assistência social, bem como o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 28 da referida Medida Provisória, a seguir transcritos para melhor análise: [...] Analisando os fatos objeto do presente processo, verificase que, quando do deferimento do pedido de renovação do certificado de entidade beneficente (CEAS), em 03/02/2009, já não havia necessidade de apresentação do pedido de reconhecimento da isenção perante a autoridade fazendária, sendo suficiente a obtenção do CEAS para esse fim. Diante disso, não se podia exigir, da Recorrente, a apresentação, em 03/02/2009, de pedido de reconhecimento de isenção das contribuições previdenciárias devidas, ainda mais relativamente a período pretérito. Por outro lado, também não se poderia exigir da Recorrente a apresentação de pedido de reconhecimento de isenção no ano de 2007, se, naquele momento, a Recorrente dispunha de um mero protocolo de pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, ainda pendente de apreciação. Ao obter o deferimento, em 03/02/2009, do pedido de renovação do CEAS apresentado em 19/04/2007, a Recorrente passou a fazer jus, automaticamente, à isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, bastando, para tanto, cumprir os demais requisitos do artigo 28 da MP 446, Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 815 8 dentre os quais não se encontrava a formulação de pleito administrativo de reconhecimento da imunidade/isenção tributária. Não procede, portanto, a exigência de apresentação de pedido de isenção para gozo da imunidade para o período abrangido pelo CEAS, especialmente quando tal exigência é formalizada através de lançamento efetuado no ano de 2010, ou seja, posteriormente ao deferimento do CEAS (03/02/2009). Vale ressaltar que, à época em que lavrado o auto de infração, já estava em vigor a Lei n. 12.101/2009, que revogou o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991 e alterou os requisitos e procedimentos para gozo da imunidade constitucional. Essa novel legislação também dispensa a emissão de ato declaratório de isenção, a qual é automaticamente deferida a partir da concessão da certificação da entidade perante o órgão adequado – sistemática semelhante à prevista durante a vigência da MP 446. Em caso de descumprimento dos requisitos legais para gozo da imunidade/isenção, competia à autoridade fiscal demonstrar esse descumprimento através do ato de lançamento para cobrança das contribuições que deixaram de ser recolhidas. Ressaltese que o único descumprimento apontado no relatório fiscal diz respeito à falta de apresentação de pedido de ato declaratório de isenção, exigência esta indevida, conforme já visto acima. Deve, assim, ser reconhecida a imunidade quanto ao período abrangido pelo CEAS, ou seja, a partir do mês de abril de 2007. Para os meses de janeiro a março, contudo, a Recorrente não possuía CEAS, diante do que deve ser mantida a autuação. Pois bem. Entendo que restou claro, a partir da decisão do colegiado, que referente ao período 19/04/2007 a 31/12/2007, o sujeito passivo preencheu os requisitos previstos em lei, nos termos do que dispõe o §7º do art. 195 da Constituição Federal. Por outro lado, necessário concluir que, em relação ao período 01/01/2007 a 18/04/2007, a turma entendeu que a pessoa jurídica recorrente não preenchia as condições para gozo do benefício fiscal, ainda que não tenha se manifestado explicitamente sobre a aplicação do art. 14 do CTN. É certo que no caso a isenção estava condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações dos arts. 29 e 30 da Lei nº 12.101, de 2009, a qual revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Dentre os requisitos e as condições previstos em lei, destacase que a entidade seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Neste sentido, é o Recurso Extraordinário (RE) nº 636.941/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral, no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirma o entendimento da Corte no sentido de que lei ordinária pode regulamentar requisitos sobre constituição e funcionamento das entidades para que usufruam a imunidade do § 7º do art. 195, a exemplo da exigência de registro e certificação como entidade beneficente de assistência social. Para melhor compreensão, reproduzo parcialmente a ementa desta decisão: (...) Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 816 9 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) (...) Portanto, quanto à aplicação do art. 14 do Código Tributário Nacional, necessário esclarecer que, mesmo preenchidos os requisitos do citado artigo, é imprescindível para o gozo da isenção, relativo ao lançamento do crédito tributário, que a entidade seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Cabe salientar que o referido processo encontravase sobrestado considerando a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS que, reconhecendo repercussão geral, implementou medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. 2. Erro material quanto à data de protocolo do pedido CEBAS realizado pela Embargante Consta da ementa a seguinte redação: " No caso, o CEAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEAS retroagiu seus efeitos à data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007". Está consignado nos fundamentos do voto condutor: " Pois bem, embora à época dos fatos geradores – ano de 2007 – estivesse em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, que exigia, além do CEAS, a formalização de pedido administrativo visando o reconhecimento da isenção por ato declaratório, a renovação do certificado de entidade beneficente da Recorrente só foi deferida em 03 de fevereiro de 2009, ainda que com efeitos ex tunc, retroativos à data do protocolo do pedido – 19/04/2007, com validade de três anos ". Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401005.701 S2C4T1 Fl. 817 10 Portanto, devese corrigir a ementa do acórdão embargado para sanar o Erro Material sobre os efeitos na data de concessão do CEAS. Assim, onde se lê: 19/04/2014, leiase 19/04/2007. Conclusão Face ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para concluir que a omissão deve ser sanada pelos fundamentos do voto, bem assim sanado o erro material quanto aos efeitos da data de concessão do certificado de entidade beneficente. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 817DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000951/2003-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp.
Numero da decisão: 1003-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 09 51 /2 00 3- 21 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 242 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), fls. 0103 e 6294, utilizandose dos saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos valores respectivamente de R$15.412,40 e de R$16.661,02, do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Parecer DRF/FCN/SAORT/SP nº 241, de 03.04.2008, fls. 101 106, os seguintes fundamentos: Neste contexto é que surge o Saldo Negativo de Impostos de Renda e CSLL a pagar, caso os valores pagos por estimativa suplantem o efetivamente devido ao final do exercício. É sobre essa premissa que se deve analisar o montante do direito creditório indicado pelo contribuinte às fls. 03: IRPJ R$ 15.412,40 e CSLL R$ 16.661,02. Conforme expresso no LALUR (fls. 54) e consignado na DIPJ Ficha 09A (fls. 22), relativamente ao anocalendário de 2002 o contribuinte apurou lucro real de R$ 20.522,00. Com isso, chegase à conclusão de que o imposto devido nesse período monta a quantia de R$ 3.078,30 (15% de 20.522,00, conforme informado na DIPJ fls. 28). No tocante à CSLL, apurase que o débito perfaz a quantia de R$ 1.846,98. Na DCTF foi declarada a título de IRPJ a quantia de R$ 3.113,95 (valor resultando do somatório das seguintes importâncias: 322,33; 528,82; 1.003,04 e 1.259,76 fls. 45 DCTF e 23/24DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). No que se refere à CSLL foi declarada a quantia de R$ 1.523,75 (composta pelos seguintes valores: 202,67; 447,96 e 873,12 fls. 44 DCTF e fls. 37/38DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). Diante do que se expôs, vêse com hialina clareza que, concernentemente ao anocalendário de 2002, a contribuinte não possui direito creditório em decorrência dos recolhimentos feitos a título dos tributos acima mencionados. Com efeito, o débito apurado montou a quantia de R$ 4.925,28 (R$ 3.078,30 e R$ 1846,98). No entanto, os pagamentos perfizeram R$ 4.637,70. (3.113,95 e 1.523,75). Analisando 0 razão apresentado pelo contribuinte e cuja cópia consta às fls. 51/53 , verificase que na realidade os valores apresentados são frutos de equívoco, porquanto se referem a período anterior ao anocalendário de 2002, que não foi objeto do pedido constante desse processo. [...] Em face dos motivos expendidos e considerando as disposições do artigo 170 do CTN, NÃO HOMOLOGO a compensação efetuada pelo contribuinte, mediante apresentação das Declarações de Compensação tratadas neste processo [...]. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1231.260, de 11.06.2010, fls. 185190: COMPENSAÇÃO Tendo em vista a comprovação parcial do crédito, devem ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 243 3 Impugnação Procedente em Parte [...] Vistos, relatados e discutido os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, DAR PROVIMENTO PARCIAL À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DA INTERESSADA, PARA RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO DE IRPJ NO VALOR DE R$ 35,73 E HOMOLOGAR PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Notificada em 06.07.2010, fl. 205, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.08.2010, fls. 210223, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Comprovação nos autos da origem dos créditos de IRPJ e CSLL Na declaração de compensação (fl. 03) foram informados os seguintes créditos como saldo negativo de imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido: IRPJ saldo negativo: R$ 15.412,40 CSLL saldo negativo: R$ 16.661,02 Juntamente com a manifestação de inconformidade, o recorrente apresentou cópia da DIPJ 2001 (2000), na qual é possível constatar, na Ficha 12A (fl. 132), o saldo negativo do imposto, no valor de R$ 6.485,41 e, na Ficha 17 (fl. 137), o saldo negativo da contribuição no valor de R$ 12.730,01. Também foi apresentada cópia da DIPJ 2002 (2001), com a demonstração do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12A (fl. 150), no valor de R$ 5.866,91. Da mesma forma, o recorrente apresentou a demonstração da correção dos créditos de IRPJ e CSLL, pela SELIC, chegando aos saldos de R$ 15.412,40 e R$ 16.661,02, informados na declaração de compensação, por meio do razão analítico do período (fl. 156/159 e 172/174). No tocante a referidos documentos comprobatórios do crédito, a r. decisão recorrida entendeu que não se pode admitir como prova a cópia do Razão, por ser um documento de elaboração da própria interessada. Todavia, cumpre esclarecer que o Razão consiste em um livro contábil de escrituração obrigatória para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, portanto, hábil a comprovar o crédito escriturado e as suas atualizações. Não cabe falar, também, que a cópia do razão não poderia servir de prova por não estar acompanhado de documentação comprobatória dos dados, pois, ao contrário dessa afirmação constante da referida decisão, a prova do crédito é a própria DIPJ, com a demonstração dos saldos negativos. Além dessas declarações terem sido entregues à Receita Federal, o recorrente foi diligente apresentando, nestes autos, as respectivas cópias. Ademais, a própria autoridade tributária que analisou a declaração de compensação, entregue pelo recorrente, no procedimento de homologação, solicitou, Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 244 4 para fins de comprovação dos créditos, a apresentação JUSTAMENTE do Livro Razão, que foi por ela retido (fl. 49 e 50). Assim, todas as provas idôneas e hábeis a demonstrar a existência dos créditos de IRPJ e CSLL foram devidamente apresentadas pelo recorrente, primeiramente à autoridade que revisou a declaração de compensação e novamente, depois, nestes autos. Os créditos de IRPJ e CSLL utilizados na compensação em debate só não foram reconhecidos por um entendimento equivocado que desconsiderou o efetivamente ocorrido: erro de fato no preenchimento da data de origem dos créditos. Tratase de entendimento que contraria o princípio da verdade material, norteador do processo administrativo federal; a jurisprudência pacificada dos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais; além de prestigiar, indevidamente, a forma, em desrespeito à verdade factual. Por fim, outro ponto importante a ser destacado diz respeito ao prejuízo sofrido pelo recorrente com a demora do Fisco em revisar sua declaração de compensação. A referida declaração foi protocolada em 14 de maio de 2003 (fl. 1) e só em março de 2008 o recorrente foi intimado a prestar esclarecimentos (fl. 49) e, em 8 de abril de 2008, notificado do despacho decisório que não homologou a compensação (fl. 113), ou seja, quase cinco anos depois do protocolo da declaração. De acordo com o Despacho Decisório DRF/FCA/SAORT/241/2008AFS (fl. 101/106), o recorrente não teria mais condições de pleitear a compensação do crédito de IRPJ e CSLL gerados em 2000 e 2001, por ter escoado o prazo de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional. Mas, reiterase, essa impossibilidade não foi causada pela inércia do recorrente, e sim pela demora da revisão, pela administração tributária, da sua declaração da compensação. Dessa forma, mais uma razão para que seja reconhecida a regularidade da declaração de compensação de fl. 1/3, diante da comprovação dos créditos nela informados, já que ocorrida apenas uma inexatidão material, provocada pelo preenchimento incorreto de informações, que, em nada, alterou o direito do recorrente à compensação. (grifos do originais) Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Diante do que foi exposto, tanto na fase impugnatória quanto agora na fase recursal, espera o recorrente ter contribuído para o perfeito conhecimento dos fatos, suficientes para que V. Sas. tenham plenas condições de exercer um decisório imparcial, por isso justo, como sempre tem sido a postura dos membros dessa digna Corte Administrativa. Dessa forma, requer seja conhecido e provido o presente recurso, reconhecendose o direito creditório do recorrente no valor de R$ 15.412,40, de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 245 5 crédito de IRPJ e R$ 16.661,02, crédito de CSLL, homologandose, assim, declaração de compensação em comento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que devem ser reconhecidos os direitos creditórios de saldos negativos de IRPJ no valor atualizado de R$16.661,02 e de CSLL no valor atualizado de R$15.412,40 referentes aos anos calendários 2000 e de 2001 e que por erro de fato fez consignar nos Per/DComp o anocalendário de 2002. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 246 6 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). A informação de que se o direito creditório se tratava de saldo negativo após a ciência do Despacho Decisório revestese de pedido de retratação de situação nova não passível de convalidação no presente momento, já que apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação de débito declarado. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 247 7 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Tabela 1 reflete os dados constantes documentos acostados às fls. 1948 e 125178, dentre outros as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Livro Razão Analítico e Planilhas de Cálculo referente aos anoscalendário de 2000 a 2002. Tabela 1 Saldos de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 AnoCalendário (1) Saldo de IRPJ R$ (2) Fl (3) Saldo de CSLL R$ (4) Fl. (4) 2000 (6.485,41) 132 (12.730,01) 137 2001 (5.866,91) 150 107,41 155 2002 3.078,30 29 1.846,98 43 O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Ademais, a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Assim a alteração de ofício do elemento temporal dos direitos creditórios consignados nos Per/DComp originalmente apresentados não tem amparo legal. Consta no Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1231.260, de 11.06.2010, fls. 185190, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): IRPJ Segundo consta na linha 18 ficha 12 A da DIPJ/2003 Cálculo do Imposto de Renda (fl. 29 e 167), há um IRPJ a pagar de R$ 3.078,00, o que por si só afastaria existência de crédito. Contudo, há que se analisar a DIPJ para verificar se há algum erro na apuração do imposto de renda a pagar. Analisandose a DCTF (fl. 45), a ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa (fl. 30 e 31 e 163 a 166) e o sistema SINAL 08 (fl. 48), verificase que as estimativas do contribuinte montam a R$ 3.113,93 e se referem aos meses de janeiro a abril, conforme abaixo especificado: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 248 8 PERÍODO IRPJ ESTIMATIVA (R$) 01/2002 322,33 02/2002 528,82 03/2002 1.003,04 04/2002 1.259,74 TOTAL 3.113,93 Quanto aos outros meses, não há valores pagos, além ter sido registrado na DIPJ o valor de zero. Não foi registrada na DIPJ/2003, nem na DCTF nenhuma compensação das estimativas. Verificase na ficha 12 A da DIPJ/2003 que o contribuinte não preencheu a linha 16 que trata do IRPJestimativa, portanto, obedecendo ao princípio da verdade material que rege o direito tributário, há que se considerar as estimativas efetivamente pagas na apuração do imposto de renda a pagar (linha 18 ficha 12 A). Subtraindo do IRPJ apurado de R$ 3.078,20 (linha 01) o IRPJ estimativa de R$ 3.113,93, verificase a ocorrência de um saldo negativo de IRPJ de R$ 35,73, sendo este o verdadeiro crédito de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002. CSLL Segundo consta na ficha 17 da DIPJ/2003 (fl.43) consta na linha 42, a CSLL a pagar de RS 1.846,99 o que por si só afastaria existência de crédito.Contudo, há que se analisar a DIPJ para verificar se há algum erro na apuração da CSLL a pagar. Analisandose a DCTF ( fl. 44), a ficha 11 Cálculo do imposto de renda mensal por estimativa (fl. 37 e 38 e 168 a 171) e o sistema SINAL 08 (fl. 48),verificase que as estimativas do contribuinte montam a R$ 1.523,75 e se referem aos meses de janeiro a abril, conforme abaixo especificado: PERÍODO [CSLL] ESTIMATIVA (R$) 01/2002 202,67 02/2002 447,96 03/2002 873,12 TOTAL 1.523,75 Quanto aos outros meses, não há valores pagos, além ter sido registrado na DIPJ o valor de zero. Destaquese que não foi registrada na DIPJ/2003, nem na DCTF, nenhuma compensação das estimativas. Verificase na ficha 17 da DIPJ/2003 que o contribuinte não preencheu a linha 39 que trata da CSLLestimativa, portanto, obedecendo ao princípio da verdade material que rege o direito tributário, há que se considerar as estimativas efetivamente pagas na apuração da CSLL (linha 42 ficha 17). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 249 9 Subtraindo da CSLL apurada de R$ 1.846,98 (linha 35 ficha 17 DIPJ) a CSLL estimativa de R$ 1.523,75, verificase a ocorrência de um saldo de CSLL a pagar de R$ 323,23. Portanto, não há crédito de CSLL relativo ao anocalendário de 2002. Quanto a documentação apresentada pelo contribuinte (cópia do Razão e demonstrativo), há que se esclarecer que não podem ser admitidas como prova, por ser de elaboração da própria interessada e por não estar acompanhado de documentação comprobatória dos dados. Não pode ser acatada a alegação do contribuinte de que preencheu os pedidos de compensação erroneamente o ano de 2002, quando o correto seria os anos de 2000 e 2001, onde o crédito teria se originado. Não é possível alterar as Dcomp na impugnação, as retificações de Dcomp somente podem ser feitas caso se encontrem pendentes de decisão administrativa, ou seja, antes de intimado o sujeito passivo do Despacho Decisório, conforme dispõe o art. 56 c/c art.73 da IN SRF 460/2004: [...] Atentese que a proibição à retificação dos pedidos de compensação, no caso em análise, não é uma mera formalidade, mas uma exigência da legislação. Esclareçase que a autoridade administrativa não pode alterar de oficio qualquer dado informado pelo contribuinte no PER/Dcomp, por ser uma declaração do contribuinte. Cabe a este retificar a declaração mas dentro do prazo definido na legislação. A interessada faz alegações a respeito de prescrição do pedido de compensação. Apesar de que, no caso de compensação, o prazo ser decadencial por ser tratar de direito potestativo, nenhum destes assuntos faz parte do objeto deste processo. No Despacho Decisório não foi declarada a decadência dos pedidos, apenas foi feita uma suposição de que se houvesse uma compensação das estimativas com créditos de períodos anteriores teria ocorrido a decadência, porém tal fato não ocorreu. Como já foi informado anteriormente, não foi registrado qualquer compensação relativa as estimativas de IRPJ e a CSLL. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para reconhecer parcialmente o direito creditório de IRPJ no valor de R$ 35,73 e homologar parcialmente as compensações até o limite do crédito. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.202 S1C0T3 Fl. 250 10 aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720145/2017-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
ENTREGA DE PRODUTO RURAL A COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO.
Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aqueles e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa.
PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Se a empresa entrega sua produção rural a cooperativa que providencia a exportação, a operação está albergada pela imunidade tributária do art. 149, § 2°, I, da CF/88.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a qualificação da multa de ofício quando a fiscalização não comprova a prática dolosa por parte do contribuinte ao omitir da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização da produção com empresa domiciliada no país.
Numero da decisão: 2401-005.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, por entenderem que não há elementos nos autos para desconsiderar que a operação de exportação é um ato cooperado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 ENTREGA DE PRODUTO RURAL A COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aqueles e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural a cooperativa que providencia a exportação, a operação está albergada pela imunidade tributária do art. 149, § 2°, I, da CF/88. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a qualificação da multa de ofício quando a fiscalização não comprova a prática dolosa por parte do contribuinte ao omitir da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização da produção com empresa domiciliada no país.
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ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aqueles e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão as receitas serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural a cooperativa que providencia a exportação, a operação está albergada pela imunidade tributária do art. 149, § 2°, I, da CF/88. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a qualificação da multa de ofício quando a fiscalização não comprova a prática dolosa por parte do contribuinte ao omitir da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização da produção com empresa domiciliada no país. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 45 /2 01 7- 65 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 873 2 Conselheiros Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, por entenderem que não há elementos nos autos para desconsiderar que a operação de exportação é um ato cooperado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior pela 6ª Turma da DRJ/SDR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 700/703): Tratase de Autos de Infração lavrados em nome da empresa PEDRA AGROINDUSTRIAL S/A, sob o processo nº 15956.720145/201765, para a constituição dos seguintes créditos tributários: DESCRIÇÃO DO LANÇAMENTO VALOR ORIGINAL COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA DE AGROINDÚSTRIA NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. Contribuição devida pela agroindústria incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, prevista no art. 22A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, e alterações posteriores, e não declarados em GFIP (Código de Receita nº 4863). R$ 9.156.952,99 GILRAT DE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA DE AGROINDÚSTRIA NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO. Contribuição devida pela agroindústria incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade, prevista no art. 22A, incisos II, da Lei nº 8.212/91, e alterações posteriores, e não declarados em GFIP (Código de Receita nº 2158). Período: 01/2013 a 12/2013. R$ 366.278,08 Fl. 873DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 874 3 SENAR SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA INCLUSIVE AGROINDÚSTRIA CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS Contribuições sociais devida pela agroindústria destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros) SENAR, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção, no art. 22 A, incisos II, da Lei nº 8.212/91, e alterações posteriores, não declaradas em GFIP, (Código de Receita nº 2187). Período: 01/2013 a 12/2013. R$ 915.695,25 2. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 324/332, o presente processo de constituição de crédito tributário se refere a lançamento de contribuições sociais (quota patronal) devidas pela agroindústria, destinadas à Seguridade Social, mais a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, e de contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. 3. Os fatos geradores, bem como os acréscimos legais, encontramse discriminados em demonstrativos de fls. 308/315 e 319/323. 4. Informa o Relatório Fiscal que a contribuinte deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da empresa com a cooperativa Copersucar, parcela possivelmente destinada à exportação, por entender que esta operação está amparada pela previsão constitucional do art. 149, § 2°, inc. I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 33/01, que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico, incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. Ocorre que o dispositivo constitucional não estende tal benefício às operações no mercado interno, ainda que essas operações se deem com o fim específico de exportação futura. 5. Expõe, ainda, o Relatório Fiscal que o lançamento tributário contempla a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão de estar configurado o caso de sonegação, conforme previsto no Artigo 71, Inciso I, da Lei n° 4.502, pela prática da ação reiterada, no período de 01/2013 a 12/2013, de deixar de informar em GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e consequentemente reduzir do montante da contribuição previdenciária devida. 6. O contribuinte foi cientificado dos Autos de Infração em 19/06/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 345. Em 17/07/2017, apresentou impugnação de fls. 353/696, alegando, em síntese, o que se segue: 6.1. A impugnação foi apresentada no prazo legal. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 875 4 6.2. As receitas decorrentes de exportação, pela própria definição da Carta Magna, são imunes à incidência das contribuições sociais, tratandose, portanto, de imunidade tributária objetiva em razão da sua aplicação sobre toda e qualquer receita decorrente de exportação, independente de quem a exerça. Nesse sentido, cumpre registrar ser fato incontroverso que as receitas decorrentes de exportação da Impugnante indevidamente tributadas se deram através de sua cooperativa (Copersucar), mediante entrega de sua produção para posterior venda, e observaram estritamente o disposto no Parecer Normativo CST n°. 66, de 05/09/1986. Ou seja, as receitas decorrentes de exportação auferidas pela Impugnante nas competências de 01/2013 a 12/2013 somente ingressaram no seu patrimônio após a efetiva comercialização de sua produção rural no mercado externo, tratandose, portanto, de genuíno ato cooperativo, nos termos da Lei n° 5.674, de 16/12/1971. 6.3. Com efeito, ainda que se pretenda promover uma interpretação inadequada das instruções normativas da RFB quanto ao alcance da imunidade das receitas decorrentes de exportação, não há qualquer possibilidade de tributação das receitas decorrentes de exportação auferidas pela Impugnante através de sua cooperativa. Isso porque, a teor do disposto no CTN artigo 110, "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado (...)". 6.4. A toda evidência, como o ato cooperativo não implica, de modo algum, em operação de mercado Lei n° 5.674/71, artigo 79 não há que se falar sequer em descumprimento das normas regulamentadoras expedidas pela Receita Federal do Brasil, seja a IN RFB n° 971, de 13/11/2009; seja a IN RFB n° 1.436, de 30/12/2013. O ato cooperativo, consistente na entrega da produção agrícola da Impugnante para a COPERSUCAR viabilizar sua exportação não configura qualquer operação de mercado interno e tampouco contrato de compra e venda, inteligência da Lei n°. 5.674/71, artigo 79, parágrafo único. 6.5. A E. 4ª Câmara do CARF, inclusive, já teve a oportunidade de analisar as operações praticadas pela Impugnante, replicada em outros precedentes, tendo concluído pela impossibilidade de tributação das suas receitas decorrentes de exportação auferidas através de sua cooperativa. 6.6. A fim de colocar uma pá de cal na questão, o Parecer PGFN n° 1.724/2012, de inequívoco efeito vinculante Lei Complementar n° 73, de 10/02/1993, artigo 42 segue o entendimento de que no "(...) caso clássico de ato cooperativo, não havendo ato de comércio interno anterior à exportação, a venda da produção no exterior pela cooperativa será tida como receita de exportação, imune, portanto, a tributação. A contribuição do produtor rural neste último caso não poderá ser cobrada.". Fl. 875DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 876 5 6.7. Em vista ao seu caráter compulsório atrelado ao custeio dos serviços de assistência social ao trabalhador rural, as contribuições para o SENAR enquadramse na categoria de contribuições sociais gerais vinculadas ao sistema "S", fazendo jus, portanto, à imunidade constitucional. E é justamente a partir dessas premissas que segue o entendimento dos precedentes do E. CARF no sentido de que as receitas decorrentes de exportação são imunes à incidência da contribuição social para o SENAR. 6.8. A Impugnante jamais deixou de apresentar qualquer documentação e tampouco adotou qualquer subterfugio apto a ludibriar a autoridade fiscal na apuração do crédito tributário objeto do lançamento fiscal impugnado. Pelo contrário, no âmbito do procedimento fiscal a Impugnante não se furtou da apresentação (i) de todos os documentos solicitados, bem como (ii) das relevantes justificativas aptas a legitimar o procedimento adotado na declaração das suas GFIP, fundado em sólida legislação constitucional/infraconstitucional e, inclusive, em precedentes jurisprudenciais do E. STF e do próprio CARF. 6.9. Ademais, a interpretação da legislação tributária adotada pela Impugnante a partir de sólidos precedentes do CARF, não implica na existência de qualquer dolo apto a justificar a aplicação da gravosa qualificação da multa de ofício. E, o relatório fiscal que embasou a gravosa penalidade tributária aplicada não produziu um único elemento de prova tendente a caracterizar o evidente intuito de fraude imputado à Impugnante, que é a única condição prevista em Lei para autorizar a exacerbação da penalidade agravada. Não sendo, pois, objeto dos autos qualquer dos ilícitos tipificados na Lei n° 4.502/64 em seus artigos 71 a 73, é totalmente descabida e infundada a aplicação da multa exacerbada por completa ausência de suporte legal. 6.10. Argui ser irregular incidência de juros moratórios sobre a multa sancionatória de ofício. 6.11. Dessa forma, é notória a impropriedade do lançamento fiscal impugnado ante a ausência de motivação adequada para legitimar o crédito tributário indevidamente constituído, até mesmo porque não encontra ressonância na prova dos autos e tampouco na legislação aplicável à matéria. A inescusável falha incorrida pelo relatório fiscal na escorreita e adequada caracterização do fato gerador da obrigação tributária principal importa em flagrante inobservância do CTN em seus artigos 114, 116 e 142. 6.12. Com efeito, a teor da Constituição Federal em seu artigo 149, §2°, inciso I, seria imprescindível que o relatório fiscal houvesse ao menos desconstituído a natureza das receitas decorrentes de exportação objeto de apuração a fim de justificar a lavratura dos autos de infração objeto do lançamento fiscal impugnado. Concluise, portanto, não haver uma linha sequer nos autos que demonstre (1) a ocorrência do fato gerador das Fl. 876DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 877 6 contribuições sociais previdenciárias objeto de autuação e tampouco (2) a verificação das circunstâncias materiais inerentes à sua incidência aptas a justificar as autuações indevidamente lavradas contra a Impugnante. 6.13. Com base nas considerações expostas, espera a Impugnante que a impugnação seja integralmente acolhida no sentido de: julgar totalmente improcedentes os lançamentos fiscais impugnados, bem como toda e qualquer exigência fiscal que deles decorram; caso não se entenda pela impossibilidade de julgamento integralmente favorável à Impugnante, pugna ao menos pela exclusão da multa qualificada de ofício de modo a reduzila ao percentual de até 75% sobre eventual saldo remanescente, sendo igualmente afastada a incidência de todo e quaisquer juros sobre a multa de ofício, sendo esta medida de Justiça Fiscal. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 15 43.456 (fls. 699/715), de 26/09/2017, cujo dispositivo considerou Improcedente em Parte a Impugnação, para manter as contribuições lançadas e os juros de mora e para excluir a qualificadora da multa, reduzindo a multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 Ementa: IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO VIA COOPERATIVA. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. Incidem contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção de agroindústria com cooperativa, ainda que o produto seja destinado à exportação. IMUNIDADE. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. SENAR. As contribuições destinadas ao SENAR classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 33 de 2001, não lhes alcança, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a qualificação da multa de ofício quando a fiscalização não comprova a prática dolosa por parte do Fl. 877DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 878 7 contribuinte ao omitir da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização da produção com empresa domiciliada no país. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do montante do crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, c/c art. 366, § 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, referido Acórdão foi submetido a Recurso de Ofício. Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Alega a Impugnante que o lançamento não foi adequadamente motivado. Entretanto, tal argumentação não resiste frente ao Relatório Fiscal e demais documentos que compõem o Auto de Infração. (b) A autuada refuta o lançamento, alegando, em síntese, que a entrega de sua produção para a cooperativa Copersucar, da qual é filiada, não constitui ato de comércio, mas sim ato cooperativo. (c) Dispõe o artigo 149, §2º, I da Constituição Federal diz não incidir contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes da exportação. A imunidade estabelecida pelo dispositivo constitucional abrange toda e qualquer receita decorrente de exportação, porém, não determina a extensão desse benefício (como deseja a autuada) às operações realizadas no mercado interno, ainda que representem operações intermediárias à exportação. (d) A Instrução Normativa SRP nº 971/2009, art 170, esclareceu de maneira expressa o alcance da norma. Tratandose de ato normativo específico aplicável às contribuições destinadas à Seguridade Social, a aplicação a Instrução Normativa não pode ser prejudicada em razão da existência dos Pareceres Normativos nº 77/76 e 66/86, os quais são destinados à apuração da receita operacional para fins de imposto de renda. (e) No presente caso, verificase que a exportação da produção objeto da autuação não é realizada diretamente pela impugnante, mas sim pela Copersucar, cooperativa à qual a autuada é filiada. A autuada comercializa sua produção com a cooperativa que se encarrega de posteriormente executar a operação de exportação. (f) Nesse contexto, podese visualizar a ocorrência de duas operações distintas, sendo a primeira correspondente à entrega da produção da autuada à cooperativa, com emissão inclusive de Nota Fiscal de Entrega para Venda, operação realizada entre pessoas jurídicas sediadas em território nacional. A segunda operação seria representada pela exportação, que no presente caso foi efetivada pela Copersucar. (g) Fica claro que não houve a comercialização da produção da autuada diretamente com adquirente domiciliado no exterior, como seria necessário, à luz do ordenamento jurídico vigente, para a operação estar abarcada pela imunidade tributária. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 879 8 (h) A questão da aplicação ou não da imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal às exportações indiretas ainda se encontra pendente de decisão pelo STF, que reconheceu a repercussão geral do tema no RE nº 759244 RG/SP. (i) Vale ressaltar que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Os acórdãos proferidos pelo CARF somente se aplicam às partes envolvidas, não vinculando os julgamentos de primeira instância. É de se observar o disposto no artigo 506 do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros”. Assim, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, os interessados não podem usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são “inter pars” e não “erga omnes”. Portanto, as decisões judiciais e também administrativas, mesmo que reiteradas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. E, os pareceres emitidos pela PGFN não aprovados pelo Ministro de Estado da Fazenda não obrigam sua observância pele Secretaria da Receita do Brasil (RFB), na forma do art. 42 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (j) Portanto, à luz da legislação vigente, o procedimento adotado pela fiscalização não merece reparo. (k) No que se refere à alegação da impugnante de que a imunidade constitucional abrangeria a contribuição ao SENAR, essa não merece prevalecer. Isto porque com o advento da Emenda Constitucional nº 33/01, o art. 149, § 2º, inc. I, da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação. Art. 149. (…) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (l) Assim sendo, o art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 33/2001, retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. (m) As contribuições destinadas ao SENAR, tanto a incidente sobre a receita decorrente da comercialização da produção quanto a incidente sobre a folha de salários, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes alcança, porquanto se refere expressamente às contribuições sociais e às de intervenção no domínio econômico. (n) As contribuições sociais se destinam, em regra, ao financiamento da seguridade social, como previsto no art. 195 da Constituição. As de intervenção no domínio econômico, ou interventivas, têm função extrafiscal, servindo de instrumento de que se vale o Fl. 879DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 880 9 Poder Público para induzir, estimular ou disciplinar comportamentos, objetivando fins econômicos ou sociais. As de interesse imediato de categorias econômicas destinamse, principalmente, ao custeio de entidades privadas de serviços sociais e de formação profissional referidas no art. 240 da Constituição. As de interesse de categorias profissionais são as corporativas, destinadas ao custeio de atividades de fiscalização de profissões regulamentadas. (o) Além do que, tal entendimento restou normatizado no âmbito da Receita Federal pelo § 3o do art. 170 da Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009. (p) Portanto, incidem contribuições ao SENAR sobre as receitas decorrentes de comercialização da produção, realizada entre os cooperados e a cooperativa da qual são associados no caso de a produção ser destinada à exportação pela própria cooperativa, e também no caso dela ocorrer por intermédio de empresa exportadora (“trading companies”), porque, dada a sua natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não é abrangida pela regra de imunidade. (q) Verificase que foi aplicada sobre a contribuição lançada a Multa de Ofício, de acordo com o artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 11.941/2009, que determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Em razão de a fiscalizada ter omitido da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização rural com empresa domiciliada no país (Cooperativa Copersucar), a multa foi qualificada (150%), como previsto no § 1º do artigo citado. (r) Entretanto, a redução do montante da contribuição previdenciária devida pela fiscalizada ao omitir da GFIP os valores da receita bruta relativa à comercialização da produção com empresa domiciliada no país (Cooperativa Copersucar) não pode ser considerada sonegação, fraude ou conluio, quando tais informações podem ser facilmente verificados pela Autoridade Fazendária, inclusive utilizando os sistemas internos da RFB, a exemplo do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), como no presente caso, e tendo a empresa atendido à intimação para entrega de todos os documentos e esclarecimentos solicitados. (s) A tipificação de quaisquer das figuras previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 9.430/1996, exige o dolo na ação ou omissão que justifica e embasa a qualificadora da multa, sendo que é ônus da autoridade competente para a formalização do crédito tributário indicar a sua ocorrência e apontar os fatos que ensejaram a conclusão. (t) Tratando o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 de norma punitiva, sua interpretação deve ser literal/restritiva, ou seja, não é possível incluir como causa de qualificação da multa (limitada aos “casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964”) condição não prevista expressamente. (u) Destaquese que a Súmula nº 14 do 1º CARF dispõe que: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (v) Dessa forma, diante da não comprovação da prática dolosa por parte do contribuinte, relacionada aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a multa de ofício deve ser enquadrada no inciso I (e não combinado com o §1°) do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê o percentual base de 75%, para a conduta de Fl. 880DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 881 10 não declarar e, via de conseqüência, não recolher o tributo devido. Além disso é, por óbvio, a multa legalmente preconizada para apenar tais circunstâncias. Assim, excluo do débito a qualificadora da multa aplicada. (w) Argui a impugnante ser irregular incidência de juros moratórios sobre a multa sancionatória de ofício, contudo não se verifica tal circunstância no presente lançamento. Tomemos com exemplo a competência 01/2013, conforme o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 313, a Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, código de Receita 2158, lançada é de R$ 28.583,62, os juros correspondem a 48,70% e o valor dos juros é de R$ 13.920,22 (28.583,62x0,4870). Portanto, não incidiram juros sobre a multa de ofício, mas somente sobre a contribuição lançada. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência integral do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 726/741), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (g) Os valores objeto de lançamento fiscal possuem inequívoca natureza de receitas decorrentes de exportação auferidas através de cooperativa longa manus, sendo notório o equívoco incorrido em razão da inadequada e incongruente motivação adotada para constituição do fato gerador, ao arrepio da Lei n° 9.784/99, artigos 2° e 50. (h) É justamente por essa razão que a validade do lançamento fiscal está submetida ao crivo do princípio da adequada motivação dos atos administrativos, o que deixou de ser observado pela autoridade lançadora. Isso porque, não restou caracterizado pela autoridade que as receitas financeiras objeto de lançamento fiscal não fossem decorrentes de exportação e tampouco que a modalidade empregada pela recorrente para exportação de sua produção rural constituísse qualquer operação de mercado interno, o que, data máxima venia, importa em inescusável falha quanto à caracterização do fato gerador da obrigação tributária principal, ao arrepio do CTN em seus artigos 114, 116 e 142. (i) Segundo reza a Lei n° 8.212/91 em seu artigo 11, parágrafo único, alínea “d”, as contribuições sociais das empresas incidem “(...) sobre faturamento e lucro;”, excluídas de seu âmbito as receitas decorrentes de exportação. A Constituição Federal (arts. 195 e 149) também delimita o fato gerador das contribuições sociais a cargo da empresa quando incidentes sobre o faturamento auferido, sendo excluídas de seu escopo as receitas decorrentes de exportação. (j) O fato gerador das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre o faturamento das empresas está, necessariamente, atrelado às receitas que não decorram de exportação, excluindose de sua incidência, portanto, toda e qualquer receita decorrente de exportação. (k) A ausência de discriminação adequada do fato gerador da obrigação tributária no relatório fiscal impregna o lançamento autuado de um insanável vício material, posto que a constituição do suposto crédito tributário ocorreu ao alvedrio do CTN em seu artigo 142 e do Decreto n° 3.048/99 em seu artigo 243. (a) As receitas decorrentes de exportação, pela própria definição da Carta Magna (art. 149, § 2°), são imunes à incidência das contribuições sociais, tratandose, portanto, de imunidade tributária objetiva em razão da sua aplicação sobre toda e qualquer receita decorrente de exportação, independente de quem a exerça. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 882 11 (b) As receitas decorrentes de exportação da recorrente indevidamente tributadas se deram através de sua cooperativa (Copersucar), mediante entrega de sua produção rural para posterior venda, e observaram estritamente o disposto no Parecer Normativo CST n° 66, de 05/09/1986. (c) O ato cooperativo não implica de modo algum em operação de mercado – Lei n° 5.674/71, artigo 79 – não há que se falar sequer em descumprimento das normas regulamentadoras expedidas pela Receita Federal do Brasil, seja a IN RFB n° 971, de 13/11/2009; seja a IN RFB n° 1.436, de 30/12/2013. (d) As receitas decorreram de exportação auferidas pela recorrente nas competências de 01/2013 a 12/2013 somente ingressaram no seu patrimônio após a efetiva comercialização de sua produção rural no mercado externo, tratandose, portanto, de genuíno ato cooperativo, nos termos da Lei n° 5.674, de 16/12/1971. (e) É fato incontroverso nos autos que todas as receitas decorrentes de exportação da recorrente indevidamente tributadas se deram através de sua cooperativa, mediante entrega de sua produção rural para posterior venda, e observaram estritamente o disposto nos Pareceres Normativos CST n° 77/76 e 66/86. (f) A interpretação adotada pelo v. Acórdão, data maxima venia, vulnera o texto constitucional ao impor uma restrição não prevista na legislação e, inclusive, incompatível com o princípio constitucional da legalidade. Isso porque, a despeito de estar afeta à legislação do imposto de renda, a observância, pela recorrente, dos Pareceres Normativos CST, mormente o de n° 66/85, demonstram que as receitas decorrentes de exportação somente ingressam em seu patrimônio após a efetiva comercialização da sua produção rural no exterior através da sua cooperativa. (g) O ato cooperativo, consistente na entrega da produção agrícola da recorrente para sua cooperativa (Copersucar) viabilizar sua exportação não configura qualquer operação de mercado interno e tampouco contrato de compra e venda, inteligência da Lei n° 5.674/71, artigo 79, parágrafo único. Ademais, o dispositivo legal ora mencionado foi plenamente recepcionado pela Constituição Federal, que destacou a importância das cooperativas no ordenamento jurídico em seus artigos 5°, inciso XVIII; 174, § 2° e § 3°; 187, inciso VI, entre outros. (h) As limitações impostas pelas normas regulamentadoras da RFB, portanto, não têm o condão de descaracterizar as exportações através de cooperativas ante a sua expressa descaracterização legal como operações de mercado interno. (f) É notória a impropriedade do lançamento fiscal em razão dos valores tributados estarem imunes às contribuições sociais previdenciárias e de terceiros por força da imunidade das receitas decorrentes de exportação atribuída pela CF, inexistindo o descumprimento de qualquer preceito legal. (l) A fim de colocar uma pá de cal na questão, o Parecer PGFN n° 1.724/2012 segue o entendimento de que “(...) caso clássico de ato cooperativo, não havendo ato de comércio interno anterior à exportação, a venda da produção no exterior pela cooperativa será tida como receita de exportação, imune, portanto, a tributação. A contribuição do produtor rural neste último caso não poderá ser cobrada”. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 883 12 (m) Para além do exposto, o v. Acórdão recorrido inovou nas razões para manutenção da autuação referente ao SENAR, até mesmo porque o lançamento fiscal impugnado não fez qualquer diferenciação entre a natureza tributária da contribuição para o SENAR; e da contribuição social previdenciária, inclusive SAT, quando da elaboração do relatório fiscal. (n) Além do mais, ao contrário do aduzido, data venia, a imunidade tributária de que trata a Constituição Federal em seu artigo 149, § 2° abrange ambas as contribuições sociais objeto de lançamento fiscal. (o) Isso porque “(...) a contribuição ao SENAR tem por finalidade financiar a atuação em prol da Ordem Social, especificamente, em prol da Educação (Capítulo III da Ordem Social na CF) e da Família (Capítulo VII da Ordem Social na CF), o que lhe dá característica suficiente para ser compreendida como contribuição especial social geral1”. (p) Nesse sentido, em vista ao seu caráter compulsório atrelado ao custeio dos serviços de assistência social ao trabalhador rural, as contribuições para o SENAR enquadram se na categoria de contribuições sociais gerais vinculadas ao sistema “S”, fazendo jus, portanto, à imunidade constitucional. Ao final, a recorrente pleiteou a reforma do Acórdão recorrido no sentido de julgar totalmente improcedentes os lançamentos fiscais impugnados, referentes aos autos de infração denominados “Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador” e “Contribuição para Outras Entidades e Fundos”, bem como toda e qualquer exigência fiscal que deles decorram, sendo esta medida de Justiça Fiscal. Às fls. 778/779, consta petição do contribuinte informando que pretende aderir ao Programa Especial de Regularização Tributária – PERT, instituído pela Lei n° 13.496, de 24/10/2017, na modalidade “débitos previdenciários no âmbito da RFB”, de que trata a IN RFB n° 1.711, de 16/06/2017, em seu artigo 2°, inciso II, além de requerer: (i) Seja homologada a desistência e renúncia parciais, exclusivamente quanto à contribuição para o SENAR que não foi objeto de cancelamento pelo vigente Acórdão da DRJ, a fim de que seja viabilizada a sua inclusão no PERT, nos termos do Novo CPC em seu artigo 487, inciso III, alínea “c”; e (ii) O regular prosseguimento do processo quanto às demais autuações objeto de impugnação, inclusive da multa qualificada exonerada pelo vigente Acórdão da DRJ, para que seja provido o recurso voluntário da requerente, conforme razões especificadas, sendo esta medida de Justiça Fiscal. Às fls. 810/858, consta pedido de juntada de documentação comprobatória, devidamente acompanhado dos respectivos anexos, a fim de que seja deferida a adesão ao PERT de que trata a Lei n° 13.496/2017, referente ao SENAR, autuado no presente processo, inclusive a multa de ofício no percentual de 75%, sendo desmembrada do respectivo processo para viabilizar a consolidação das informações, sendo esta medida de Justiça Fiscal. 1 PETRY, Rodrigo Caramori. O STF e a Imunidade Tributária das Receitas de exportação. Revista Dialética de Direito Tributário. N° 91, p. 95, 2011 Fl. 883DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 884 13 Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos recursos Voluntário e de Ofício. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. 2. Juízo de Admissibilidade. 2.1. Recurso de Ofício. O Recurso de Ofício foi interposto em razão da exclusão da qualificadora da multa e que ocasionou a redução da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). Tendo em vista que o montante exonerado foi superior ao limite de alçada de R$ 2.500.000,00, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, c/c art. 366, § 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 885 14 de maio de 1999, aplicável aos processos na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF n° 1032), decido pelo conhecimento do Recurso de Ofício. 2.2. Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, por ter sido protocolizado dentro do trintídio legal. Sobre os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, é preciso pontuar o que segue. Conforme relatado, o contribuinte peticionou nos autos requerendo a juntada de documentação comprobatória, a fim de que fosse deferida a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) de que trata a Lei n° 13.496/2017, referente ao SENAR, autuado no presente processo, inclusive a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Assim, constato que houve renúncia parcial, no tocante à contribuição para o SENAR que não foi objeto de cancelamento pelo vigente Acórdão da DRJ, bem como a correspondente multa de 75% (setenta e cinco por cento). Tais matérias, portanto, não merecem conhecimento no presente apelo e por isso não serão analisadas. 3. Mérito. 3.1. Recurso Voluntário. 3.1.1. A imunidade das exportações (art. 149, § 2°, I, da CF/88) e as contribuições previdenciárias referentes à receita bruta proveniente da comercialização da produção destinada ao mercado externo via cooperativa (COPERSUCAR). Inicialmente, cumpre destacar que a recorrente pleiteia a nulidade do auto de infração, sob a alegação de ausência da discriminação adequada do fato gerador da obrigação tributária no relatório fiscal e que, no seu entendimento, fulminaria o lançamento autuado de insanável vício material, posto que a constituição do crédito tributário teria ocorrido ao alvedrio do CTN em seu artigo 142 e do Decreto n° 3.048/99 em seu artigo 243. Nessa esteira, concordo com a decisão de piso, no sentido de que o lançamento traz a discriminação clara dos fatos geradores das contribuições, das bases de cálculo apuradas, das alíquotas aplicadas e contribuições devidas, dos períodos a que se referem os documentos analisados e que serviram de base para o levantamento, dos fundamentos legais que sustentam a ação fiscal desenvolvida, os procedimentos e/ou técnicas aplicadas. Não há, pois, que se falar em ausência de motivação no ato de lançamento. Todavia, esclareço que a preliminar suscitada pela recorrente, por extrapolar a mera alegação de ausência de motivação do lançamento, acaba por se confundir com o próprio mérito do debate, o que enseja o enfrentando de tais matérias em conjunto. Pois bem. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 324/332, o presente processo de constituição de crédito tributário se refere a lançamento de contribuições sociais (quota patronal) devidas pela agroindústria, destinadas à Seguridade Social, mais a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência 2 Súmula CARF n° 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 886 15 de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, e de contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Informa o Relatório Fiscal que o contribuinte deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da empresa com a cooperativa Copersucar, parcela possivelmente destinada à exportação, por entender que esta operação está amparada pela previsão constitucional do art. 149, § 2°, inc. I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 33/01, que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico, incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. Contudo, no entender da fiscalização, o dispositivo constitucional não estenderia tal benefício às operações no mercado interno, ainda que essas operações sejam realizadas com o fim específico de exportação futura. O enquadramento legal do fato gerador do tributo, foi apontado como o art. 22A, da Lei n° 8.212/91, que toma como base de cálculo da norma de incidência a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que a transferência de produtos da cooperada para a cooperativa, tratase de nítido ato cooperativo, não ocorrendo o surgimento de receita, pois o art. 79, da Lei n° 5.764/71, prevê que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dessa forma, não há que se falar em receita bruta da comercialização, vez que não há propriamente comercialização da produção. Em segundo lugar, as receitas decorrentes de exportação, pela própria definição da Carta Magna (art. 149, § 2°), são imunes à incidência das contribuições sociais, tratandose, portanto, de imunidade tributária objetiva em razão da sua aplicação sobre toda e qualquer receita decorrente de exportação, não subjetivando determinado passivo ou o próprio modo de viabilização da operação. Tratase de verdadeira imunidade tributária, introduzida pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001, que acrescentou o § 2° ao art. 149, da CF/88, in verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 886DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 887 16 Como já tive a oportunidade de manifestar em obra dedicada sobre o tema, a imunidade tributária colabora no desenho constitucional da competência tributária, atuando de forma negativa, moldando o campo de incidência. Havendo o desrespeito da competência tributária que é resultado da conjugação de diversas disposições constitucionais, incluídas as que versam sobre as imunidades tributárias, a consequência será a não produção de norma jurídica válida, ou seja, eivada pelo vício da inconstitucionalidade3. Assim, a Constituição Federal, ao prever expressamente que as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (art. 149, caput e § 2°, I), molda o campo de incidência tributária, atuando de forma negativa, e o desrespeito à previsão constitucional tem como consequência a não produção de norma jurídica válida. Não há consenso no que tange ao método de interpretação das imunidades tributárias, especialmente se o método a ser empregado deve privilegiar a interpretação ampla, literal ou restrita. Compartilho do posicionamento no sentido de que não é possível estabelecer nenhum método apriorístico para a interpretação das imunidades tributárias, que não difere substancialmente, por sua vez, da interpretação das normas integrantes do ordenamento jurídico, incluídas as normas tributárias4. Não é cabível, pois, afirmar que a interpretação da imunidade há de ser sempre extensiva ou restritiva, tendo em vista que não é possível vislumbrar de antemão qual seria o resultado da aplicação de um método interpretativo, que depende da análise da situação hipotética relativa às imunidades tributárias. A utilização de um método de interpretação isolado, por si só, pode não levar a conclusão alguma, mas serve de orientação para a utilização de outros métodos interpretativos5. Nesse sentido, no campo interpretativo, devese procurar a exata medida que reproduza a concretização dos fundamentos e dos valores que inspiram as imunidades tributárias, sempre levando em consideração a fusão de horizontes e a reconstrução da norma pelo intérprete, bem como as molduras interpretativas já realizadas, de modo a preservar a coerência e a procurar garantir um grau aceitável de segurança jurídica exigido pelo ordenamento jurídico. Embora se reconheça que a ampla diversidade de métodos interpretativos e de entendimentos doutrinários possa levar a decisões também diversas, a legitimidade da interpretação jurídica passa a ser muito mais uma questão de argumentação jurídica do que propriamente de escolha de métodos apriorísticos. Aprisionar o intérprete com métodos interpretativos préestabelecidos para a definição do alcance de uma imunidade tributária, significa desconsiderar as diversas facetas que a questão assume, especialmente no tocante à análise dos fundamentos que dão existência e dos valores que inspiram as imunidades tributárias, bem como a constante evolução e reconstrução da norma pelo próprio intérprete com o passar dos anos6. In casu, ao meu juízo, a melhor interpretação do art. 149, § 2°, I, da CF/88, é a que se harmoniza com a escolha do ordenamento jurídico pátrio em privilegiar as exportações e, consequentemente, aumentar o ingresso de receita no país, possibilitando a afirmação do 3 LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 9192. 4 LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 311. 5 LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 311. 6 LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 312313. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 888 17 Brasil como potência econômica, dotandoo de ingredientes de vantagem competitiva frente ao cenário global, com o espeque de realizar os valores constitucionais previstos na Magna Carta. Nesse sentido, oportuna as lições de Gustavo Ventura7: Em uma análise sistemática das normas constitucionais, a imunidade prevista no parágrafo 2°, do artigo 149, da Constituição, encontrase em harmonia com (i) o parágrafo 3°, do artigo 153 (imunidade do IPI incidente sobre a exportação de produtos industrializados), com (ii) a alínea a, do inciso X, do parágrafo 2°, do artigo 155 (imunidade do ICMS incidente sobre as operações de mercadorias destinadas ao exterior) e com (iii) o inciso II, parágrafo 3°, do artigo 156 (imunidade sobre a exportação de serviços para o exterior). Portanto, a Emenda Constitucional n° 33/2011 inovou o ordenamento jurídico com uma norma de superior hierarquia que se encontra em harmonia com outras normas de Direito Tributário previstas na Constituição, que visam, em última análise, estimular as exportações e, consequentemente, aumentar os ingressos de recursos estrangeiros, o que não deixa de ser uma das formas de se atingir os objetivos previstos no artigo 170, da Constituição. É indiscutivelmente legítimo o uso das imunidades tributárias como forma de estimular as exportações. Nesse compasso, deve ser aplicado o DecretoLei n° 1.248/72, recepcionado pela Constituição Federal e ainda em vigor, que reconhece uma série de incentivos fiscais às exportações, não havendo sentido em fracionar a operação em direta ou indireta. Referido diploma legal, equipara à exportação a operação de comercialização no mercado interno realizada entre empresa vendedora e empresa comercial exportadora, na modalidade “com fim específico de exportação” (art. 1° c/c 3°, do DecretoLei n° 1.248/72). E, ainda, o próprio art. 149, § 2°, I, não distingue expressamente o tipo de exportação passível de ser abrangida, não havendo a diferenciação entre a exportação direta e a realizada por intermédio de cooperativas. Se assim não foi feito, preferindo, in casu, adotar a expressão “receitas decorrentes de exportação”, não cabe ao intérprete distinguir, sob pena de se alargar o campo de incidência tributária por analogia, o que é expressamente vedado pelo ordenamento jurídico. O fato de a recorrente repassar a sua produção à cooperativa para fins de comercialização no mercado interno e externo, em virtude de questões comerciais, não tem o condão de alterar a natureza das receitas decorrentes das vendas destinadas à exportação. A propósito, cumpre destacar importante lição doutrinária sobre o assunto8, in verbis: 7 VENTURA, Gustavo. A Exigência do Recolhimento das Contribuições Previdenciárias nas Operações de Exportação das Agroindústrias. In: Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo, n. 146, Nov. 2007, p. 48 60. 8 SOUZA, Homero Gpóis e Silva de; DINIZ, Marcelo de Lima Castro; PEIXOTO, Marcelo Magalhães. In: FREIRE, Elias Sampaio; PEIXOTO, Marcelo Magalhães; (coords). Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2012. p. 330. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 889 18 A regramatriz de incidência de contribuição devida pelas agroindústrias não efetua a distinção quanto ao destino da comercialização da produção: mercado interno ou mercado externo. A ausência de notação no tocante ao destino da comercialização da produção corrobora a extensão da imunidade às receitas auferidas pelas agroindústrias. Dessa forma, a apropriação das receitas brutas no momento em que a cooperativa exporta reforça o entendimento de que se trata de receita decorrente de exportação, nos exatos termos do inciso I, § 2°, do art. 149 da CF/88, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção, tratandose, ainda, de genuíno ato cooperativo, nos termos da Lei n° 5.674, de 16/12/1971 e Parecer Normativo CST n° 66, de 25/08/1986. O ato cooperativo, vale reforçar, não implica em operação de mercado (art. 79, da Lei n° 5.674/71) e não há que se falar em descumprimento das normas regulamentadoras expedidas pela Receita Federal do Brasil, seja a IN RFB n° 971/2009; seja a IN RFB n° 1.436/2013. Para a higidez do crédito tributário, a fiscalização deveria comprovar que a venda não teria sido destinada ao mercado externo, não sendo essa a motivação do lançamento tributário, conforme se observa do Relatório Fiscal (fls. 324/332): (...) 13 A contribuinte deixou de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da empresa com a cooperativa Copersucar, parcela possivelmente destinada à exportação, por entender que esta operação está amparada pela previsão constitucional do art. 149, § 2°, inc. I, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 33/01, que retirou da esfera da tributação as contribuições sociais e as de intervenção sobre o domínio econômico, incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. 14. Ocorre que o dispositivo constitucional citado abrange de forma irrestrita toda e qualquer receita decorrente de exportação, mas não estende tal benefício às operações no mercado interno, ainda que essas operações se deem com o fim específico de exportação futura. 15. Cabe ressaltar que a imunidade, como norma de exceção, não pode ter seu alcance ampliado para além daquilo que o legislador efetivamente transmitiu através do texto constitucional. As normas que versam sobre imunidade são, isto sim, interpretadas literalmente, o que vale dizer, de forma restrita. 16. Isto posto, a legislação previdenciária, em consonância com os limites estabelecidos no texto constitucional, dispôs sobre a operacionalização da imunidade prevista no inciso I do § 2° do art. 149 da Carta Magna, registrando que não ocorre a incidência de tributação exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Tal era o disposto na IN 03/2005 e tal continua sendo o Fl. 889DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 890 19 entendimento esposado pela atualmente vigente IN RFB n° 971/2009, confirase: (...) 17. Observase que as instruções normativas acima citadas apenas determinaram a correta interpretação do artigo 149, § 2°, I da Constituição Federal, não representando inovação no ordenamento jurídico. Além disso, tratandose de ato normativo específico aplicável às contribuições destinadas à Seguridade Social, sua aplicação não pode ser prejudicada em razão da existência dos Pareceres Normativos n° 77/76 e 66/86, os quais são destinados à apuração da receita operacional para fins de imposto de renda. 18. Assim, a operação realizada pela contribuinte consistente na entrega de sua produção para comercialização por cooperativa não se configura como operação de exportação diretamente realizada pela com empresa domiciliada no exterior. Tal operação de exportação apenas se configurará quando a Copersucar, cooperativa à qual a autuada é filiada, efetivamente proceder à venda da mercadoria a comprador estrangeiro. A propósito, a decisão de piso motivou a manutenção do auto de infração nos mesmos termos do relato fiscal, conforme segue: 20. No presente caso, verificase que a exportação da produção objeto da autuação não é realizada diretamente pela impugnante, mas sim pela Copersucar, cooperativa à qual a autuada é filiada. A autuada comercializa sua produção com a cooperativa que se encarrega de posteriormente executar a operação de exportação. Vale destacar que o entendimento aqui exarado está em consonância com o decidido no Processo n° 15956.000002/200923, que cuida do DEBCAD n° 37.213.5765, parte comercializada via Copersucar (período 01/01/2004 a 31/12/2005), do mesmo contribuinte. O Acórdão n° 2401003.153 (4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 14 de agosto de 2013), assentou o entendimento de que as receitas das vendas, por intermédio da COPERSUCAR, para o mercado externo, não deveriam ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Do mesmo modo, tampouco haveria que se falar na incidência das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). Posteriormente, houve Recurso Especial da Fazenda Nacional e que não foi conhecido por falta de pressuposto, qual seja, comprovação de que em situações semelhantes, colegiados distintos interpretaram de forma diversa um mesmo dispositivo legal (Acórdão n° 9202006.671 – 2ª Turma – 16 de abril de 2018). O mesmo entendimento está em compasso com o decidido no Processo n° 15956.000019/200808, que cuida do DEBCAD n° 37.148.7471, parte comercializada via Copersucar (período 01/01/2003 a 31/12/2003), do mesmo contribuinte. O Acórdão n° 2401 003.155 (4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 14 de agosto de 2013), assentou o entendimento de que o fato de a Recorrente exportar seus produtos por meio da COPERSUCAR para o mercado externo não afastaria a aplicabilidade da imunidade constitucional reproduzida no art. 245 e Fl. 890DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 891 20 seus parágrafos da IN 3/2005, visto que a cooperativa nada mais é do que uma projeção dos seus cooperados, sendo certo que, em termos práticos, seria como se a própria agroindústria estivesse exportando diretamente para o mercado externo. Posteriormente, houve Recurso Especial da Fazenda Nacional e que não foi conhecido por falta de pressuposto, qual seja, comprovação de que em situações semelhantes, colegiados distintos interpretaram de forma diversa um mesmo dispositivo legal (Acórdão n° 9202006.670 – 2ª Turma – 17 de abril de 2018). Ante o exposto, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, entendo que assiste razão ao recorrente, de modo que a decisão de piso deve ser reformada, para afastar a exigência das Contribuições Sociais destinadas à Seguridade Social (2,5%), a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (0,1%), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. No tocante às Contribuições Sociais destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, para SENAR (0,25%), tratase de matéria não conhecida, de modo que o resultado do julgamento aqui proferido, em nada altera o lançamento tributário, inclusive, objeto de renúncia pelo próprio contribuinte. 3.2. Recurso de Ofício. 3.2.1. Exclusão da qualificadora da Multa de Ofício. Vale lembrar que o Recurso de Ofício foi interposto em razão da exclusão da qualificadora da multa e que ocasionou a redução da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com a decisão de piso, não restara comprovada a prática dolosa por parte do contribuinte, relacionada aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, de modo que a multa de ofício deveria ser enquadrada no inciso I (e não combinado com o §1°) do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê o percentual base de 75%, para a conduta de não declarar e, via de conseqüência, não recolher o tributo devido. Entendo que a decisão não merece reforma. Isso porque, a omissão de tais valores em GFIP ocorreu em razão da interpretação jurídica adotada pela recorrente ao caso, mormente por considerar que tais receitas são decorrentes de exportação, a atrair a incidência do art. 149, inciso I, § 2°, da CF/88. Tratase de matéria interpretativa, não restando comprovado nos autos qualquer conduta dolosa ou fraudulenta a ensejar a qualificação da multa no patamar de 150%. Ademais, conforme destacado pela decisão de piso, tais informações podem ser facilmente verificadas pela Autoridade Fazendária, inclusive utilizando os sistemas internos da RFB, a exemplo do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), como no presente caso, e tendo a empresa atendido à intimação para entrega de todos os documentos e esclarecimentos solicitados. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 15956.720145/201765 Acórdão n.º 2401005.730 S2C4T1 Fl. 892 21 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a exclusão da qualificadora que ocasionou a redução da multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento), e em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário, para, no mérito, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a exigência das Contribuições Sociais destinadas à Seguridade Social (2,5%), a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (0,1%), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720105/2016-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-005.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Junior - Presidente.
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente); Juliana Marteli Fais Feriato (Relatora); Antonio Savio Nastureles; João Maurício Vital; Alexandre Evaristo Pinto; Monica Renata Mello Ferreira Stoll; Marcelo Freitas de Souza Costa e Wesley Rocha
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Junior Presidente. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente); Juliana Marteli Fais Feriato (Relatora); Antonio Savio Nastureles; João Maurício Vital; Alexandre Evaristo Pinto; Monica Renata Mello Ferreira Stoll; Marcelo Freitas de Souza Costa e Wesley Rocha AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 05 /2 01 6- 97 Fl. 2724DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2661/2720.) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 2646 e ss.) proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE, Acórdão 0442.640 de 17/04/2017, que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado em parte, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2011 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. DESCABIMENTO. O pedido de sobrestamento do processo, no caso de matéria submetida à apreciação judicial, com recurso repetitivo ou repercussão geral, não deve ser atendido por falta de previsão regimental, e, mesmo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não existe mais essa possibilidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal de fls.2421/2463, o Contribuinte foi condenado ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$30.718.211,09, sendo R$13.717.161,34 de imposto, R$6.713,178,75 juros, R$10.287.871,00 de multa. Na justificativa apresentada pelo Termo de Verificação Fiscal de fls.2421/2463, o Contribuinte foi autuado, pois no ano calendário de 2011, apresentou como rendimentos tributáveis em sua DIRPF o valor de R$16.090,00. Entretanto, a Autoridade Fiscal apurou que o Contribuinte movimentou em sua Contas Correntes perante as Instituições Financeiras (Bradesco e Caixa Econômica Federal) a quantia de R$49.910.003,37 durante o anocalendário apurado. Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 10932.720105/201697 Acórdão n.º 2301005.372 S2C3T1 Fl. 2.725 3 Por intermédio dos extratos bancários apresentado pelo Contribuinte e pelas instituições bancárias (Bradesco e Caixa Econômica Federal) constatou as seguintes movimentações nas contas bancárias do contribuinte que ensejam Imposto de Renda de Pessoa Física: 2011 R$49.910.003,81 2012 R$34.370.932,92 Contribuinte, quando instado a se pronunciar, informou que tais valores são decorrentes de sua participação em leilões da CEF como representante de terceiros, entretanto não trouxe qualquer comprovação dessa atividade (procuração, anúncio e etc). Conforme se reporta a Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal de fl. 2423: o Contribuinte “não trouxe, porém, nenhum documento que comprovasse alguma operação, seja comprovando ser representante de terceiros, seja comprovando as arrematações de mercadorias em leilões perante a CEF, mais que isso, nada comprovou a cerca da origem de cada depósito/crédito observado em suas contas bancárias junto aos Bancos Bradesco e CEF no período analisado”. Inclusive, com relação à suscitação do Contribuinte de que teria participado de Leilões em nome de terceiros perante a Caixa Econômica Federal, esta, em resposta ao Ofício GAB/SEFIS/DRF/SBC 31/2016, afirmou que não foi localizado nenhum tipo de participação do Contribuinte em leilões perante a agência entre 01/01/2011 e 31/12/2012. Nas Fl. 2442/2475, o contribuinte junta sua Impugnação, no qual alega e requer: Pedido de sobrestamento do julgamento do processo, em analogia à regra contida no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), considerando que a questão da “incidência de Imposto de Renda sobre os depósitos bancários considerados como omissão de receita ou de rendimento, em face da previsão contida no art. 42 da Lei 9.430/1996” foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, com Repercussão Geral reconhecida, RE 855.649. Nulidade por não ter a autoridade administrativa excluído os valores que não constituíam efetivos créditos nas contas do fiscalizado, apontando exemplificativamente valores que seriam de transferência de outra conta do mesmo titular, estorno de depósitos feitos em caixas automáticos que não se confirmaram quando conferido o conteúdo do envelope, devolução de cheques sem fundos. Aponta referências jurisprudenciais e doutrinárias que entende aplicáveis à questão, concluindo que a apuração fiscal está fulminada pela nulidade, e requer, caso não reconhecida, diligência para exclusão dos valores indevidamente incluídos na base de cálculo. Nulidade por cerceamento ao direito de defesa em razão de não ter sido informado que a Caixa Econômica Federal negou sua participação em arrematações, informação que poderia Fl. 2726DF CARF MF 4 contestar diligenciando nas agências, o que fez após tomar ciência e obteve algumas notas de arrematação, as quais foram juntadas à impugnação. Requer, caso não reconhecida a nulidade, diligência para a autoridade fiscal analisar os documentos que comprovam a participação nos leiloes a título de “representante de terceiros, auferindo comissões, o que comprova a origem dos valores”. Nulidade em razão de terem sido incluídas na base de cálculo valores que têm a origem expressamente identificadas nos extratos bancários, assim entendendo aqueles para os quais consta o nome do depositante ou remetente nos extratos bancários. Junta jurisprudência que entende aplicável e requer, se não reconhecida a nulidade, diligência para a autoridade fiscal excluir os valores com origem expressamente identificadas. Sustenta que os valores em questão pertencem a terceiros e transitaram em suas contas em razão de exercer a intermediação na arrematação de lotes de penhores de jóias em leilões perante a Caixa Econômica Federal, mediante aferição de comissão de 1%, de modo que somente o valor recebido a título de comissão pode ser considerado rendimento tributável. Afirma que é pública e notória a dificuldade de se comprovar essas operações, mas ora apresenta cópias das notas de arrematação, no valor total de R$ 2.202.922,05, e pede que este valor também seja excluído da base de cálculo. Suscita a inconstitucionalidade da multa aplicada. Nas Fl. 2497/2637 o Contribuinte junta Nota de Arrematação emitida pela CEF, na qual identifica valores e lotes arrematados pelo Contribuinte durante o período apurado. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 2646/2655, a Autoridade Fiscal entendeu pela procedência parcial da impugnação, na seguinte razão: Inviabilidade de acatar o pedido de sobrestamento do processo diante da existência de caso similar submetido à apreciação judicial, com recurso repetitivo ou repercussão geral, por falta de previsão regimental, e, mesmo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não existe mais essa possibilidade, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Preliminar de nulidade por entender que valores foram incluídos indevidamente na base de cálculo tem matéria similar ao do mérito, sendo decidido no mérito; Preliminar de nulidade por cerceamento de defesa não pôde ser deferida, visto que não se vislumbrou o alegado cerceamento, tendo em vista que já em 13 de julho de 2016 o próprio Contribuinte tinha ciência de que a CEF não atendeu sua solicitação das chamadas “notas de arrematação” não havendo Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 10932.720105/201697 Acórdão n.º 2301005.372 S2C3T1 Fl. 2.726 5 qualquer prejuízo a defesa, pois se trata de fase que antecedeu a lavratura do auto de infração. Com relação ao pedido alternativo de realização de diligência, verificase a sua desnecessidade, nos termos do art. 18, do Decreto n° 70.235/72, em razão de os documentos constantes dos autos permitirem verificar a procedência do alegado e assim proceder à exclusão dos valores que foram especificadamente impugnados e comprovadamente indevidos; Sobre a transferência de outra conta de titularidade do contribuinte que deveriam ter sido excluídas dos valores que embasaram o lançamento, verificase que não houve a impugnação específica dos créditos do anocalendário de 2011, assim como 2011, a análise dos de mesma natureza, que ocorreram nas datas de 19/08/2011 e 21/09/2011, nos valores de R$ 14.000,00 e R$ 13.000,00, respectivamente, mostram que o remetente, em ambos os casos, foi LUIS ANTONIO B CHAVES (fls. 297 e 300), razão pela qual indefere o pedido; Sobre os depósitos estornados, o exame dos extratos constantes dos autos permite comprovar o alegado, e o valor apontado deve ser excluído do lançamento é o de R$79.064,55 de 19/01/201, sendo que a alegação genérica de que existiriam outros valores na mesma situação e que deveria ser realizada diligência para identificálos, nos termos do art. 16, inc. III, do Decreto 70.235/72, cabe ao autuado efetuar a impugnação especificada do lançamento; Sobre os cheques devolvidos, verificase que nas fls. 36 comprova o alegado, razão pela qual o valor de R$24.951,64 deve ser excluído da tributação; Sobre a alegação de que a identificação do depositante é condição suficiente para comprovar a origem dos depósitos, como argumenta o impugnante, verificase que a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários não comprovados decorre de presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996, e tem por efeito a transferência do ônus da prova da origem dos depósitos para o contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda, sendo que o contribuinte foi validamente intimado a comprovar a origem jurídica dos recursos, mas deixou de apresentar os documentos comprobatórios e, diante dessa omissão, não é possível afastar a presunção legal de que os depósitos possuem natureza jurídica de rendimento tributável; Sobre a alegação de que o Contribuinte atua como intermediário em arrematação de leilões de joias junto à Caixa Econômica Federal e de que esta é prova suficiente para demonstrar a origem dos créditos em suas contas bancárias, verificase que as notas de arrematação da CEF, nas quais o impugnante está consignado como arrematante, tais documentos não comprovam que o impugnante exercia a atividade econômica alegada, pois Fl. 2728DF CARF MF 6 não existe qualquer elemento nos autos demonstrando que os bens foram arrematados em nome de terceiros; Sobre a suscitada inconstitucionalidade da multa, verificase que não cabe discutir, em sede administrativa, a tese de inconstitucionalidade da multa aplicada, devendo ser mantida; Apresentase nova planilha com cálculo atualizado, retirando os valores deferidos, na qual lança o crédito no valor de R$30.654.154,28. Nas fls. 2661/2720, o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário alegando: Preliminarmente, sobrestamento do processo até resolução do RE 855649 que se encontra no STF com repercussão geral, cujo resultado importa na validade/constitucionalidade do presente lançamento; Nulidade por violação do art. 142 do CTN e do art. 42 da Lei n. 9430/1996, necessária realização de diligência – “é dever da autoridade administrativa na determinação da base de cálculo, especificamente na determinação das receitas de créditos EFETIVAMENTE efetuados pela instituição financeira na conta bancária sob exame, excluindose os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, que a título exemplificativo apontou um valor descrito na planilha fiscal no dia 20/08/2012 que era um depósito realizado pelo mesmo, assim como, diversos outros casos, sem, contudo numerar e comprovar o que alega; Que o Recorrente somente apontou a título exemplificativo, eis que são mais 300 folhas de extratos bancários (fls. 36/352) que deveriam ter sido minimamente verificados pela autoridade fiscal, entretanto, todos os casos exemplificativos trazidos no Recurso são os mesmos casos trazidos na Impugnação, não sendo suscitado nenhum outro exemplo distinto do apontado na impugnação; “Somente pela extensão dos extratos e da repetição à vastidão de valores estornados, inferese que a autuação fiscal está crassamente equivocada, em linhas numéricas, na ordem de metade ou menos da metade do que pretensamente foi lançada, beirando a no máximo R$15.000.000,00 (quinze milhões)”. Ou seja, o lançamento fiscal é tão irreal que deve ser anulado ou, no mínimo, refeito integralmente por tamanha erronia, ilegalidade e atecnia na sua condução e elaboração. Alternativamente, caso não seja o entendimento pela nulidade dos atos administrativos, requer seja o feito chamado à ordem, bem como seja convertido em diligência, volvendo à autoridade fiscal de piso realizar os atos de exclusão dos valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, bem como das operações não concretizadas (cheques devolvidos, estornos, operações irregulares, empréstimos bancários, etc.); Da desconsideração das atividades do recorrente da inverídica afirmação apresentada pela caixa econômica federal do chamamento do feito à ordem e conversão em diligência – que as notas de arrematação comprovam a atividade do Contribuinte, requerendo que seja o feito chamado à ordem, bem como seja convertido em diligência, volvendo à autoridade fiscal de piso Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 10932.720105/201697 Acórdão n.º 2301005.372 S2C3T1 Fl. 2.727 7 analisar todas as notas de arrematação que demonstram, diversamente do que registrado no auto de infração, que o Recorrente participa em leilões da Caixa Econômica Federal CEF, sendo representante de terceiros, auferindo comissões, o que comprova as origens dos valores. Requer a nulidade do auto, visto que todos os depósitos estão identificados, devendo ser excluídos da base de cálculo do imposto apurado; Da atividade do recorrente das comissões percebidas do ingresso e saída de numerário de terceiros arrematações em leilões da cef – da impossibilidade de serem considerados os ingressos em conta bancária como acréscimos patrimoniais decorrentes do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43, do ctn) Restou comprovada mesmo que indireta e parcialmente a origem e destinação dos depósitos, conforme documentos acostados, sendo que são ingressos e saídas de numerários de terceiros, ficando o Recorrente somente com a comissão pela intermediação da compra e venda de jóias, falecendo a consideração fiscal de que são "rendimentos". Que a multa de ofício de 75% tem efeito confiscatório; Este é o relatório. Voto Conselheiro Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 2660, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 26/04/2017, apresentando Recurso Voluntário em 03/06/2017, conforme comprova o carimbo do recebimento do recurso em sua folha de rosto (fls. 2661). O Contribuinte tinha até o dia 29/05/2017 para a apresentação do Recurso Voluntário tempestivamente, entretanto, apresentouo no dia 03/06/2017, fora do prazo. Desconhecese a razão de a Autoridade Fiscal, no despacho de encaminhamento do presente processo à esta Conselheira – fl .2722 – afirmar erroneamente a tempestividade do Recurso Voluntário. A legislação é clara ao determinar no art. 33 do Decreto 70.235/72 que o contribuinte deverá apresentar Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, contados do recebimento da intimação do acórdão proferido pela DRJ: Fl. 2730DF CARF MF 8 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Acórdão proferido pela DRJ. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que intempestivo, à luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 2731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904237/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga
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DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 37 /2 01 2- 72 Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Pedido de Restituição decorrente decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da restituição, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 4 3 comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo somente tem direito à restituição total ou parcial do tributo, quando comprovadamente cobrado ou pago indevidamente ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. In casu, o crédito pleiteado é inexistente. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 5 4 Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 6 5 análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 7 6 Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10735.904237/201272 Acórdão n.º 1401002.804 S1C4T1 Fl. 8 7 Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674255/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.674255/201160 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.132 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 55 /2 01 1- 60 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.825, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.674255/201160 Acórdão n.º 3201004.132 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 162DF CARF MF
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