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Numero do processo: 10735.001032/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.283
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. . Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 122 1 121 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.001032/200857 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.283 – 1ª Turma Especial Data 18 de fevereiro de 2014 Assunto IRPF Recorrente ANTÔNIO TEIXEIRA PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. . Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme fl. 02 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2005, ano calendário de 2004. Existem discriminados os seguintes créditos: IRPF – suplementar de R$ 6.100,42, com multa de 75 % e mais juros de mora e IRPF no montante de R$ 3.545,10, sujeito a juros e multa de mora, no percentual de 20%, perfazendo a exigência o total de R$ 18.723,42. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .0 01 03 2/ 20 08 -5 7 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.001032/200857 Resolução nº 2801000.283 S2TE01 Fl. 123 2 Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações: 1 – Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoas Jurídicas. Da análise das informações constantes dos sistemas da RFB e dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte, constatouse a omissão de rendimentos de aluguéis sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 22.183,34, recebidos da fonte pagadora MAPPEL COSMÉTICOS LTDA, CNPJ: 04.546.535/000113. 2 – Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Da análise das informações constantes dos sistemas da RFB e dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte, constatouse a compensação indevida de IRRF no valor de R$ 3.545,10, referente às fontes: RJT TRANSPORTE DE CARGAS LTDA, CNPJ 03.838.777/000118 (R$ 2.443,26), MAPPEL COSMÉTICOS LTDA, CNPJ 04.546.535/0001 13 (R$ 50,00) e ARCO COMERCIAL ELÉTRICA LTDA, CNPJ 28.118.081/000148 (R$ 1.051,42). Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 01), que, conhecida, foi assim tratada pela DRJ 1ª instância, em resumo: 1 – O impugnante alega que os rendimentos oriundos dos alugueis declarados correspondem a 1/3 dos declarados na DIRF, porque é a parte devida pelo contribuinte, segundo o contrato de aluguel anexo. Em apreciação a alegação do impugnante e a cópia do contrato de locação não residencial, fls. 09, certificase que o aluguel foi do período de 01/01/2001 a 31/12/2005 e o valor mensal de R$ 10.000,00 (dez mil reais) reajustável a cada 12 meses. Assim, o valor total de rendimentos oriundos do aluguel de imóvel em 2001 é de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e como esse valor é reajustável a cada 12 meses, provavelmente o valor no ano calendário 2004 é maior que do anocalendário 2001. De forma que a argumentação do impugnante não é verossímil, pois pelo contrato de locação de fls. 09/18, os rendimentos contidos na Declaração de Imposto de Renda Retido – DIRF, constatada pela Autoridade Lançadora, está condizente com 1/3 do valor total dos rendimentos previsto no contrato, logo o lançamento é procedente. 2 Certificase no banco de dados da Receita Federal do Brasil, que as fontes pagadoras RJT – Transportes de Cargas Ltda – CNPJ – 03.838.777/000118 e Arco Comercial Elétrica Ltda – CNPJ – 28.118.081/000148, apresentaram as DIRF referentes ao ano calendário 2004, entretanto nestas não constam o impugnante como beneficiário. Assim, há um desacordo de informações que se verificam dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda emitidos pelas fontes pagadoras, fls. 19 e 21 e as DIRF apresentadas, de maneira que é essencial de que o impugnante comprove as retenções do impostos de renda com mais elementos comprobatórios de que atestem tais fatos, pois as DIRF têm presunções de veracidades. Haja vista que o impugnante não trouxe aos autos provas contundentes das retenções do imposto de renda pelas fontes pagadoras, este passa a ser o responsável pelo recolhimento do imposto não retido após o término do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual, segundo a pergunta 297, do IRPF – Perguntas e Respostas – 2006. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.001032/200857 Resolução nº 2801000.283 S2TE01 Fl. 124 3 Dessa feita deuse a decisão de 1ª instância, para manter a exigência tributária lançada, considerando improcedente a impugnação, da qual o contribuinte foi cientificado em 14/02/2012, conforme AR na fl. 70, apresentando recurso voluntário em 12/03/2012, conforme protocolo na fl. 71. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 Não houve omissão de rendimentos pois a empresa MAPPEL COSMÉTICOS informou erroneamente os valores de rendimentos e IRRF na DIRF apresentada à Receita Federal, em relação aos aluguéis pagos. Os contratos de locação tem prazo de cinco anos, entretanto, no ano de 2004, somente foram recebidos pelo contribuinte os meses de janeiro a março. A partir do mês de abril, recebeu através da empresa ATP ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS, CNPJ 06.125.398/000179. 2 – Não houve compensação indevida e IRRF, pois os valores compensados na DIRPF/2005 foram os mesmos constantes dos comprovantes de rendimentos pagos e retenção na fonte fornecidos pelas fontes pagadoras, conforme valores que discrimina. Anexa contrato de locação com a empresa ARCO COMERCIAL ELÉTRICA LTDA; contrato de locação com a empresa MAPPEL RIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO; recibos de pagamento de aluguel; comprovantes de rendimentos e retenção na fonte É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Observase que a controvérsia, em relação aos aluguéis, restringese a isto: a Mappel Cosméticos declarou ter pago a este contribuinte recorrente o valor de R$ 33.550,00 e ele declarou apenas 1/3 desse valor, alegando que outros 2/3 foram pagos a outros dois co proprietários locadores. Na Impugnação, o contribuinte diz que “o imóvel da Rua Bernardo Vasquez nº 96, é de propriedade de 3 (três) locadores”, tendo recebido apenas 1/3 do total dos rendimentos em discussão, sendo os outros 2/3 pagos a Adimpro Administração de Imóveis Ltda, CNPJ Nº 04.358.950/000143, em relação ao Locador Joaquim Aires Pinto e Benim Administradora de Bens Imóveis Ltda, CNPJ Nº 03.195.432/000193 em relação ao Locador João Azevedo de Souza. (fl. 01) Na folha 09, consta um “Contrato de Locação não Residencial”, onde estão listados como locadores Antônio, Joaquim e João, acima citados, e como locatária a Mappel. O objeto do contrato é “um galpão” na Rua Marechal Bernardo Vasques, nº 96, Ramos, Rio de JaneiroRJ”. O prazo de locação estipulado foi de 5 anos, a partir de 01 de janeiro de 2001, e o Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.001032/200857 Resolução nº 2801000.283 S2TE01 Fl. 125 4 valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais mensais) durante os primeiros doze meses, devendo ser atualizado monetariamente pelo IGPMFGV. (fl. 11). Com base nisto, o Julgador de 1ª instância fundamentouse para considerar procedente o lançamento, elaborando o seguinte raciocínio: “Assim, o valor total dos rendimentos oriundos do aluguel de imóvel em 2001 é de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e como esse valor é reajustável a cada 12 meses, provavelmente o valor no ano calendário 2004 é maior que o do anocalendário 2001. De forma que ... os rendimentos contidos da Declaração de Imposto de Renda Retido DIRF, ... estão condizentes com 1/3 do valor total dos rendimentos previstos no contrato, logo o lançamento é procedente”. (fl. 61) Na Notificação de Lançamento, o Auditor Fiscal não especificara a origem da informação, referindose genericamente a “informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil”. No recurso voluntário (fl. 71) o contribuinte modifica o argumento, passando a alegar que a empresa Mappel informou erroneamente os valores de rendimentos e imposto retido, pois os contratos de locação têm prazo de cinco anos, entretanto no ano calendário de 2004, somente foram recebidos pelo notificado os meses de janeiro a março, conforme recibos. A partir do mês de abril, recebeu através da empresa ATP ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS, CNPJ Nº 06.125.398/000179. Observo, contudo, que tal administradora ATP, não consta da lista de fontes pagadoras indicadas pelo contribuinte na DIRPF/2005, cuja cópia está na folha 39. Na folha 106 consta uma cópia do Contrato Social da ATP, da qual o recorrente é sócio com 97% do capital, e verificase na alteração contratual que integralizara ao capital da mesma 1/3 do galpão situado na Rua Marechal Bernardo Vasques, nº 96. (fl. 106 e ss) Nas folhas 96 a 98 há três recibos de mesma diagramação, estando o último ilegível, que se referem ao imóvel na Rua Marechal Bernardo Vasques, pelo valor de R$ 3.666,67, mas isso não significa que o contribuinte não tenha recebido os outros meses de aluguel, além desses três. Não creio que se possa fazer julgamento por raciocínio cartesiano, quando a Notificação de Lançamento aponta que a origem da divergência encontrase em informações disponíveis nos sistemas da RFB. Não localizando nos autos a DIRF apresentada pela fonte pagadora Mappel, tampouco a DIMOB, que deve ser apresentada pelas administradoras de contrato de aluguéis, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem: a) anexe aos autos extrato da DIRF apresentada pela MAPPEL COSMÉTICOS LTDA, CNPJ 04.546.535/000113, onde conste o Recorrente como beneficiário, apontando o valor ali especificado de rendimentos; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.001032/200857 Resolução nº 2801000.283 S2TE01 Fl. 126 5 b) verifique na mesma DIRF se constam como beneficiários Joaquim Aires Pinto (CPF 012.407.49791) e/ou João Azevedo de Souza (CPF 029.935.11734), anexando os extratos, se for o caso; c) verifique a existência e anexe cópias das DIMOB apresentadas pelas administradoras em relação às três pessoas físicas aqui envolvidas, no ano de 2004, que tenham por objeto a locação do imóvel (galpão) situado na Rua Marechal Bernardo Vasques, nº 96, Ramos, Rio de Janeiro/RJ; d) anexe o dossiê de Fiscalização, que deu ensejo à seguinte descrição constante da Notificação de Lançamento (fl. 04): “da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil”; e) dê ciência ao contribuinte do teor desta Resolução e do resultado da Diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, e retorne os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10830.917282/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2106; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 1.079 1 1.078 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917282/200911 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.149 – 2ª Turma Especial Data 25 de fevereiro de 2014 Assunto DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Suprihealth Suprimentos Médicos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ Campinas (fls. 67/72 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS referente ao período de apuração de agosto de 2008. A negativa de homologação da compensação foi fundamentada na integral utilização do pagamento, alegado como superior ao devido, para a quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório passível de ser utilizado para a compensação desejada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 28 2/ 20 09 -1 1 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917282/200911 Resolução nº 3802000.149 S3TE02 Fl. 1.080 2 Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que com a publicação do Decreto nº 6.426, de 08/04/2008, a empresa estaria isenta do pagamento do PIS e da COFINS sobre diversos itens que comercializa, tendo, todavia, apurado os montantes das correspondentes contribuições, nos termos do aludido decreto, somente a partir de abril de 2009. Assim, de abril de 2008 a março de 2009 a empresa teria direito a compensar os montantes pagos a maior, razão pela qual apresentou declarações de compensação vislumbrando a liquidação dos créditos tributários em aberto com o direito creditório aduzido. Contudo, recebeu despacho decisório que não homologou a compensação desejada, despacho este fundamentado na não localização do crédito informado em virtude do incorreto preenchimento da DCTF do período. Diante disso, a interessada providenciou a retificação em tela onde, segundo informa, foi registrado o correto valor devido da COFINS no mês de agosto de 2008. O mesmo se deu em relação à DACON referente ao segundo semestre de 2008. Os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância sob o argumento de que a recorrente não comprovou a liquidez e a certeza do direito, não bastando, para tanto, a simples retificação da declaração, a teor do disposto no artigo 147 do CTN. Ressalta ainda a instância recorrida que a DACON tem somente cunho informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida. Nos termos da citada decisão, seria indispensável a apresentação dos registros contábeis e dos demais documentos fiscais comprovando o real valor devido; todavia, tal documentação não foi acostada aos autos pelo sujeito passivo. Cientificada da referida decisão em 31/08/2012 (vide termo de ciência por decurso de prazo às fls. 78), a interessada, em 14/09/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 80/93, onde defende, preliminarmente, que a DCTF retificadora tem força de confissão de dívida, substituindo integralmente a original. No mérito, ressalta ter direito ao benefício fiscal previsto no artigo 1º do Decreto nº 6.426/08, reitera haver se equivocado quando da apuração da COFINS do período, e ressalta que a documentação apresentada (planilhas, cópias de notas fiscais e de folhas dos livros diário e razão) seria suficiente para comprovar o direito creditório reclamado. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Primeiramente, não merece ser acolhida a tese do sujeito passivo segundo a qual a DCTF retificadora pelo mesmo apresentada tem força de confissão de dívida, substituindo integralmente a original. Embora tal assertiva esteja perfeita quando a declaração é apresentada de forma tempestiva, isso não ocorre quando a DCTF retificadora só foi transmitida posteriormente à ciência do despacho decisório que cientificou a interessada da não homologação de sua compensação, como ocorreu no caso presente. Com efeito, à época da retificação da DCTF vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, onde está consignado que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]” (ver artigo 11, § Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917282/200911 Resolução nº 3802000.149 S3TE02 Fl. 1.081 3 1º). A retificação automática somente não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada do início de procedimento fiscal, ou seja, quando já não mais resguardada pela espontaneidade, como no caso presente, já que a empresa fora notificada do indeferimento de seu pleito. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917282/200911 Resolução nº 3802000.149 S3TE02 Fl. 1.082 4 § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do ano calendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Sobre a questão, esta Turma tem entendido que os dados declarados em DCTF podem até mesmo ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas desde que o erro em que incorreu o sujeito passivo esteja alicerçado em documentação comprobatória suficiente. No caso presente, a lide envolve aduzido direito creditório da COFINS de competência do mês de agosto de 2008, direito o qual seria decorrente de recolhimento a maior da citada contribuição, conforme demonstrado abaixo: Valor recolhido Valor devido Direito creditório R$ 56.120,67 R$ 7.453,25 R$ 48.667,42 O artigo 1º do Decreto nº 6.426, de 27/04/2008, cerne do direito creditório reclamado pela interessada, estabelece o seguinte: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do MercosulNCM, relacionados no Anexo I; II químicos intermediários de síntese, classificados no Capítulo 29 da NCM e relacionados no Anexo II, no caso de serem: vendidos para pessoa jurídica industrial, para serem utilizados na fabricação dos produtos relacionados no Anexo I; ou importados por Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917282/200911 Resolução nº 3802000.149 S3TE02 Fl. 1.083 5 pessoa jurídica industrial, para serem utilizados na fabricação dos produtos relacionados no Anexo I; III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionados no Anexo III deste Decreto. A recorrente, de fato, tem como atividade principal o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios”, CNAE 46.451/01, como consta de seu cadastro junto ao CNPJ. Portanto, ao menos em tese, faz jus à alíquota zero sobre a receita de vendas no mercado interno e sobre a importação dos produtos químicos discriminados pelos anexos ao Decreto nº 6.426/08, bem como sobre as vendas a hospitais, clínicas, consultórios e demais instituições e destinações previstas no inciso III do artigo 1º do citado decreto. Nesse sentido, a empresa, no anexo III ao seu recurso, elenca diferentes “produtos para uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas e em hospitais, clínicas e consultórios médicos odontológicos e em campanhas de saúde realizadas pelo poder público”. No anexo II relaciona as notas fiscais com e sem benefício do PIS e da COFINS nos termos do Decreto nº 6.426/08. Acosta ainda aos autos cópias de folhas do Razão Analítico da conta 621014 (revenda de mercadorias), bem como de lançamentos do recolhimento da contribuição, do registro dos créditos pelo recolhimento a maior no período de abril de 2008 a março de 2009, da atualização monetária do crédito reclamado, bem como da compensação objeto dos autos, todos consignados no Livro Diário. Entendo que a documentação acostada aos autos demonstra verossimilhança do direito reclamado pelo sujeito passivo, cuja liquidez e certeza, todavia, há que ser apurada pela unidade que jurisdiciona a interessada. Diante do exposto, voto para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos aduzidos pela recorrente para fins da compensação objeto dos autos, inclusive verificando se o crédito reclamado já não foi efetivamente considerado à época da ocorrência do fato gerador. Uma vez concluído tal levantamento, intimese o contribuinte para manifestação, e, após, sejam devolvidos os autos a esta Turma para julgamento do mérito. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 16561.720008/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Julio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Julio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 00 8/ 20 12 -1 2 Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela DRJ/SP1, que manteve o Auto de Infração no valor de R$ 21.521.171,41 (vinte e um milhões, quinhentos e vinte e um mil, cento e setenta e um reais e quarenta e um centavos) de PIS/PASEP e R$ 99.127.819,98 (noventa e nove milhões cento e vinte e sete mil oitocentos e dezenove reais e noventa e oito centavos). Foi elaborado termo de verificação que apresenta, em síntese, as seguintes informações que delimitam o objeto da autuação: (...) Na ação fiscal, ora relatada, desenvolvida para o período de janeiro/2007 a dezembro/2007, verificamos em relação às contas de receita/bonificação: 1. O cumprimento das obrigações tributárias relativas à Contribuição para o PIS/Pasep (PIS/Pasep), instituída pelas Leis Complementares n. 7, de 07/09/1970; 2. O cumprimento das obrigações tributárias relativas à Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), instituída pela Lei Complementar n. 70, de 30/12/1991. 3. DAS VERIFICAÇÕES O Carrefour Indústria e Comércio em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização detalhou os fatos contábeis registrados em cada uma das contas de receita/bonificação, a saber: 50100030 – Transferência Logística – Esta conta é utilizada para expurgar do CMV o efeito da contabilização das saídas por transferência das unidades logísticas, mantendo o efeito apenas na margem. Este procedimento ocorre porque, no momento em que a nota de saída de transferência é emitida, automaticamente o valor é reduzido do estoque (conta 20000000). Como esta mercadoria não foi revendida, este valor não deve compor o CMV e, por este motivo, é excluído da conta 52.000.000, onde o CMV é registrado. 53000000 – BonificaçõesCélulas – Os fatos registrados nesta conta se referem a contratos de bonificação referente ao posicionamento de mercadoria em locais ‘estratégicos’ nas dependência da loja. – Bonificações Relativas à Introdução de Produtos, Investimento em Célula de Negociação. 53000002 – Bonificações Nacionais – Sem movimento no período. 53100100 – Garantido Nacional – Nesta conta são registrados os contratos de bonificação referente à entrada de novos Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 7 3 produtos, garantindo a margem de lucro prevista pelo fornecedor. – Relativas a Verbas Incondicionais. 53200000 – Bonificação Margem Garantida – Nesta conta são registrados os contratos de bonificação referentes à garantia da margem de produtos já inseridos na loja. Neste caso, o fornecedor garante ao Carrefour a margem prevista na negociação permitindo a criação de ofertas e promoções sem reduzir o resultado previsto para esta mercadoria. (...) Como no Termo de Intimação n. 003/2011, em referência a conta 70290400 – Rec. Financeiras s/ Bonif. Incondic., a empresa foi intimada a explicar a natureza jurídica do desconto e como se dá sua apuração, a empresa informou que: A natureza jurídica do desconto é receita financeira e, o seu desconto acontece no momento do pagamento da duplicata. Anexou planilhas para exemplificação da operação. Por outro lado, a empresa não apresentou nenhuma explicação para o fato da conta 53400000 – Inserção Comercial, apesar de ser uma conta de receita/bonificação, apresentava saldo devedor. Embora nesta fiscalização não se discutam os valores das bonificações auferidos e apropriados em cada uma das contas contábeis, cabe, no entanto, manifestar certa estranheza quanto a determinado procedimento contábil e, ainda, discordar do método de apuração base de cálculo das mencionadas contribuições. (...) Em resposta a questionamento acerca da constatação dos saldos negativos naquelas contas de bonificação, que são, por natureza, contas de receita, a empresa justificou os saldos devedores como decorrência reclassificação de determinadas contas para a devida conta de Receita Financeira. A questão que se coloca é como seria possível reclassificar e transferir valores que não estavam nas respectivas contas, daí resultando em saldos negativos. Esses saldos negativos acabaram por reduzir os saldos positivos das outras espécies de bonificações. A sistemática adotada pelo Carrefour redundou em procedimento assemelhado à obtenção de resultado operacional, que decorre do confronto entre os valores de receitas e de despesas, entre entradas e saídas ou entre valores positivos e negativos. Além de os saldos negativos terem sido criados artificialmente, jamais poderiam ter reduzido o faturamento auferido com as demais bonificações, em claro confronto com a determinação legal que estipula ser a base de cálculo das contribuições PIS e Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 8 4 Cofins o valor do faturamento, com as deduções especificadas no parágrafo3o das Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003. Ainda, a empresa pactuou com seus fornecedores o direito de receber bonificação em razão do desenvolvimento de campanhas e materiais publicitários que envolvessem os produtos revendidos em suas lojas. A conta 61400300 – Mídia Coop – Repasse Forneced, apesar de figurar no plano de contas no rol das contas de despesa, recebeu, dos fornecedores, os repasses destinados a compartilhar os desembolsos publicitários arcados pelo Carrefour. Portanto, abriga parte das receitas de bonificação que não compuseram a base de cálculo do PIS e da COFINS constante do Dacon. Diante da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação. Ao analisar os argumentos ali contidos, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP1, prolatou o Acórdão nº. 1639.144, que manteve a exigência fiscal, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição receita por conta da prestação de serviço. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Exercício: 2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição receita por conta da prestação de serviço. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 9 5 Exercício: 2007 FASE LITIGIOSA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Durante a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, a apresentação de provas é definida pelo disposto no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 e alterações posteriores. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário por motivo de falta de pagamento e respectivo percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE. Nos termos da Lei n. 9.430, de 1996, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos públicos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão da DRJ, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário na qual alegou que as bonificações não podem ser consideradas como receitas, que a multa não pode ser exigida, assim como a taxa Selic, conforme acima. É o relatório. Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 10 6 VOTO Conselheira Ângela Sartori – Relator O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. Em observância ao princípio da verdade material entendo que os elementos e documentos trazidos aos autos sejam considerados para o fim de determinar a conversão do julgamento em diligencia. Para que seja confirmada a questão do equívoco de classificação contábil das bonificações e inserção comercial, bem como a ocorrência de bis in idem ao se pretender tributar tais saldos negativos, uma vez que supostamente não teriam impactado na base de cálculo do Pis e Cofins ou já sendo sendo objeto de exigência fiscal por conta de outros lançamentos contábeis. Diante do exposto converto o presente julgamento em diligência para: 1. informar: (i) o total das bonificações recebidas pela Recorrente em cada mês de 2007; e (ii) o total das bonificações recebidas a título de “repasse comercial” em cada mês de 2007. 2. informar a conta contábil em que as bonificações recebidas a título de “repasse comercial” foram inicialmente creditadas (Contas contábeis do Grupo nº 53). 3. informar: (i) a conta contábil debitada para fins de reclassificação das bonificações recebidas a título de “repasse comercial” para a Conta nº 70.290.400 (Receitas Financeiras de Bonificação); (ii) se a conta contábil debitada é a mesma conta em que os valores foram creditadas (resposta do Quesito nº 2 acima). 4. informar se o saldo negativo na conta de receita 53.100.000 (Bonificações Nacionais) é decorrente da divergência entre a conta em que foi efetuado o crédito das bonificações recebidas (Quesito nº 2 acima) e a conta em que foi efetuado o débito para reclassificação (Quesito nº 3 (i) acima). 5. informar se o saldo negativo na Conta 53.200.000 (Bonificação Margem Garantida) também é decorrente de equívoco contábil, considerando as constatações feitas nos quesitos acima. Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16561.720008/201212 Resolução nº 3401000.798 S3C4T1 Fl. 11 7 6. informar se os valores debitados da Conta 53.400.000 (Inserção Comercial) e que geraram o saldo negativo na referida conta foram lançados contra a Conta 61.400.300 (Mídia – Repasse Fornecedores). Em caso positivo, queira informar se a exigência de PIS e de COFINS sobre o saldo negativo da Conta 53.400.000 (Inserção Comercial) e da Conta 61.400.300 (Mídia – Repasse Fornecedores) implica em dupla exigência de PIS e de COFINS sobre o mesmo fato contábil. Assim, os autos devem retornar a Delegacia de origem para que em diligência o fisco apure a liquidez e certeza dos valores de acordo com os documentos juntados, respondendo as respostas acima. Cientifiquese a contribuinte para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias. Ângela Sartori Relatora Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001474/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 74 /2 00 9- 69 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001474/200969 Acórdão n.º 2302002.701 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.227.2541, lavrado em 06/07/2009, em face de LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO, no valor de de R$ 1.329,18 (mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), referente a multa por ter o contribuinte deixado de arrecadar contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, infringindo, assim, o art. 30, I, a, da Lei 8.212/1991, o art. 4º da Lei 10.666/03 e o art. 216, I, a, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A multa foi aplicada nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, I, g, e art. 373 do Decreto 3.048/99, graduada nos termos do art. 292, I, do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 40 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, às fls.145/151, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006, 2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU APRESENTAÇÃO IRREGULAR. PROCEDIMENTO FISCAL. INTIMAÇÕES. REGULARIDADE. As intimações perpetradas pelo auditor autuante no desenvolvimento do procedimento fiscal foram efetuadas de forma regular. Qualquer prejuízo que porventura tenha suportado o autuado, deuse por culpa in eligendo ou in vigilando, de responsabilidade exclusiva do mesmo. As Lei 9.784/1999 e 5.869/1973 aplicamse ao Processo Administrativo Fiscal apenas de forma subsidiária, enquanto o Regulamento do Estado da Paraíba sequer subsidiariamente se aplica ao caso concreto. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. A penalidade aplicada obedeceu o disposto no art. 92, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso II, alínea "j", do RPS. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PRONUNCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas. Impugnação Improcedente Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001474/200969 Acórdão n.º 2302002.701 S2C3T2 Fl. 4 3 Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 156 e seguintes, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A intimação da conclusão da fiscalização é nula, uma vez que foi realizada a pessoa que não detinha poderes para tal ato. b) Outra causa de nulidade do Auto de Infração é o cerceamento de defesa promovido em razão de não constar, na autuação, a alíquota e a base de cálculo utilizadas. c) Da impossibilidade de manutenção da multa em razão do crédito principal estar parcelado, nos termos da lei n° 11.941/2009. d) A Recorrente está sendo bitributada pelo mesmo fato gerador, visto que recolheu as contribuições previdenciárias no prazo. e) A multa não observa os princípios da tipicidade, proporcionalidade e da razoabilidade. f) A penalidade imposta possui caráter confiscatório. g) É possível aos tribunais administrativos apreciar a inconstitucionalidade das normas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no dia 03/03/2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13/04/2011. Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 03/03/2011, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 02/04/2011. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001474/200969 Acórdão n.º 2302002.701 S2C3T2 Fl. 5 4 Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (13/04/2011), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000245/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009
NORMAS GERAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. ANÁLISE. ALEGAÇÃO APÓS O RECURSO.
A legislação determina que considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
No presente caso, a matéria em questão foi apresentada após o recurso e não demonstra que o lançamento foi contrário à verdade material ou possua grande margem de dúvida, motivo para seu não conhecimento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. REMUNERAÇÃO. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO.
Salário de Contribuição, para o contribuinte individual, é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês.
No presente caso a concessão de stock options aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo devem integrar o salário de contribuição, pois foram concedidos pelo trabalho do segurado, integraram-se ao patrimônio do segurado e não podem ser conceituados como oriundos de negócio mercantil, pois ausente risco.
MULTA. RETROATIVIDADE
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da preliminar apresentada por memoriais, após a apresentação de recurso voluntário, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: André Ricardo L. Silva. OAB: 156.827/SP (sujeito passivo) e Raquel Godoy (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009 NORMAS GERAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. ANÁLISE. ALEGAÇÃO APÓS O RECURSO. A legislação determina que considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, a matéria em questão foi apresentada após o recurso e não demonstra que o lançamento foi contrário à verdade material ou possua grande margem de dúvida, motivo para seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. REMUNERAÇÃO. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. Salário de Contribuição, para o contribuinte individual, é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. No presente caso a concessão de stock options aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo devem integrar o salário de contribuição, pois foram concedidos pelo trabalho do segurado, integraram-se ao patrimônio do segurado e não podem ser conceituados como oriundos de negócio mercantil, pois ausente risco. MULTA. RETROATIVIDADE Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da preliminar apresentada por memoriais, após a apresentação de recurso voluntário, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: André Ricardo L. Silva. OAB: 156.827/SP (sujeito passivo) e Raquel Godoy (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. ANÁLISE. ALEGAÇÃO APÓS O RECURSO. A legislação determina que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso, a matéria em questão foi apresentada após o recurso e não demonstra que o lançamento foi contrário à verdade material ou possua grande margem de dúvida, motivo para seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. REMUNERAÇÃO. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO. Salário de Contribuição, para o contribuinte individual, é a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. No presente caso a concessão de “stock options” aos segurados contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo devem integrar o salário de contribuição, pois foram concedidos pelo trabalho do segurado, integraramse ao patrimônio do segurado e não podem ser conceituados como oriundos de negócio mercantil, pois ausente risco. MULTA. RETROATIVIDADE Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 45 /2 01 0- 46 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da preliminar apresentada por memoriais, após a apresentação de recurso voluntário, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: André Ricardo L. Silva. OAB: 156.827/SP (sujeito passivo) e Raquel Godoy (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 418 3 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.297.9815, o qual exige contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidente sobre os valores negociados nas operações de compra de ações pelos executivos da Recorrente, por meio de Plano de Opção de Compra de Ações (“stock options”), caracterizados como remuneração diferida paga a contribuintes individuais, durante o período de 11/2006 a 12/2009. Informa o relatório fiscal que os acionistas da recorrente aprovaram, ao celebrar a Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, realizada em 30 de agosto de 2005, as diretrizes para a elaboração e a estruturação, pelo Conselho de Administração e Diretoria da Sociedade, do plano de outorga de opção de compra de ações a executivos da empresa. A partir dessa assembléia foram realizadas, posteriormente, diversas reuniões ordinárias e extraordinárias, nas quais foram celebradas Atas que, ao observar as diretrizes da Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários nº 562/2008, aprovaram a integralização e o aumento de capital devido à emissão de ações vendidas aos diretores executivos da Recorrente, por meio do Plano de Opção de Compra de Ações, conforme se depreende das fls. 70/136. Nesse sentido, salienta o relatório fiscal que, embora o parágrafo 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76 discipline a opção de compra de ações da empresa pelos administradores ou empregados, como instituto típico de direto comercial, essa modalidade de negócio empresarial entre a empresa e os seus funcionários constitui forma de remuneração indireta passível de tributação pela contribuição previdenciária: “8. Assim, em análise a ATAS de Reunião do Conselho de Administração da Companhia, constatase o resultado de efetiva Remuneração em operações de compra de ações pelos executivos elegíveis da Cia., já que, entre outros, são tratados textualmente como ‘remuneração com base em ações’, integralizadas por valor preestabelecido e ainda, como será demonstrado oportunamente. 8.1 Nesse sentido, as Diretrizes de Elaboração e Estruturação de Plano de Opção de Compra de Ações encontrase anexado à Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 30.08.2005 (JUCESP 292.802/055), tendo como objetivo, verbis: (a) estimular a expansão, o êxito e os objetivos sociais da COMPANHIA e os interesses de seus acionistas, permitindo aos executivos e empregados de alto nível adquirir ações da COMPANHIA, nos termos e condições previstas nos PLANOS, incentivando desta forma a integração de tais executivos e empregados na COMPANHIA. (b) possibilitar à COMPANHIA a obtenção e a manutenção dos serviços de executivos e empregados de alto nível, oferecendo a tais executivos e empregados uma vantagem adicional e Fl. 457DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 oportunidade de se tornarem acionistas da COMPANHIA, nos termos, nas condições e no modo previstos nos PLANOS.” Como fundamento de que o mencionado plano teria caráter remuneratório, o relatório fiscal enaltece que a Deliberação CVM nº 562/2008, a qual aprova o Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, trata a opção de compra de ações pelo segurado, como despesa adicional de remuneração. Nesse diapasão, destacou o seguinte trecho do citado diploma: “Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como um todo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos de forma indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos.” Dentro desse contexto, a fiscalização aponta ainda para o fato de que as orientações da empresa ERNST & YOUNG, responsável pela auditoria contábil sobre a contabilidade da Recorrente, sugere que houve pagamento de seus diretores executivos por meio do Plano de Opção de Compra de Ações, consoante se denota dos trechos extraídos do Relatório Fiscal: “8.2 Vejase também, as disposições constantes de Relatório elaborado por ERNST & YOUNG Auditores Independentes S.S. (CRC 2SP015199/06): a) Nota Explicativas 2 (pág. 27 do Relatório dos Auditores Independentes) "Dentre as principais alterações nas normas contábeis, estão sendo destacadas abaixo aquelas que, numa análise preliminar efetuada pela Administração, podem vir a impactar as demonstrações financeiras da Companhia e suas controladas: "Remuneração de executivos e empregados da Companhia, com base em opções de compra de ações. A companhia divulgou na nota explicativa 21, os termos do Plano de Opção e os possíveis efeitos contábeis existentes na data das informações trimestrais.” Diante desse cenário, a fiscalização conclui no sentido de que o Plano de Opção de Compra de Ações constitui fato gerador da contribuição previdenciária: “8.4 Como se vê, esses elementos se apresentam como provas "indiciárias", provas circunstanciais que analisadas em conjunto Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 419 5 levam forçosamente à convicção de que houve fato gerador de contribuições previdenciárias, eis que o "benefício" concedido é forma de retribuição por serviços prestados. (...) 12.4 No caso em tela, temos os dois elementos requeridos pela Hipótese de Incidência que provam a ocorrência do Fato Gerador: a) o Crédito Jurídico ocorreu com a outorga pela companhia aos executivos elegíveis, em 22/09/2005, da opção de compra futura de 4.302.780 ações ao preço fixo de R$ 6,11 por ação; b) a Prestação de Serviço à companhia pelos executivos elegíveis ocorreu no período compreendido entre a outorga do direito à opção de compra e o efetivo exercício do direito com a integralização e recebimento das ações, o que ocorreu em 2006, 2007 e 2009 conforme registrado em atas de assembléias e na contabilidade da companhia.” Por ter sido constatada a ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária, as contribuições previdenciárias devidas foram apuradas da seguinte forma: “13 Caracterizado o fato gerador e dado à falta de informação dos valores pagos, a fiscalização deve guiarse por critérios razoáveis e aceitos tecnicamente, escorandose em princípios, em especial, o da supremacia do interesse público, o da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva. 13.1 Nessas condições, o critério utilizado para determinar o valor da remuneração, que constitui a base de cálculo da contribuição, é o seguinte: 13.2 A Base de Cálculo, valor da remuneração dos executivos elegíveis, apresenta dois componentes de custo para a empresa, que ocorrem em dois momentos distintos: a) no momento da outorga do direito de opção de compra aos executivos elegíveis, o "custo de oportunidade" incorrido ao não vender o direito de compra futura de ações por R$ 6,11 no mercado de opções; b) quando do exercício do direito de opção de compra pelos executivos elegíveis, o "custo de oportunidade", incorrido ao não vender no mercado as ações subscritas ao valor de R$ 6,11 cada uma. 13.3 No caso em apreço, o valor de Remuneração corresponde à soma dos dois custos de oportunidade acima, diferença entre o valor de mercado da ação na data da subscrição e integralização e o valor R$ 6,11 por ação, definido anteriormente na outorga da opção de compra.” Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Em suma, a fiscalização apurou como base de cálculo das contribuições o correspondente entre diferença do valor da ação no mercado e o valor pago pela ação na data da integralização. Devidamente intimado do lançamento o sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que o Plano de Opção de Compra de Ações por se caracterizar como típico negócio jurídico de natureza eminentemente comercial, não tem por finalidade remunerar os executivos aos seus serviços pela contraprestação de serviços, o que afastaria a hipótese de incidência da contribuição previdenciária lançada. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, mantendose, assim, integralmente o lançamento. Objetivando a reforma da decisão o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário e os autos subiram a esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 420 7 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Preliminarmente Em sede de memoriais e da tribuna o patrono do sujeito passivo alegou que haveria nulidade na autuação, uma vez que a fiscalização previdenciária tomou como base de cálculo das contribuições a data do exercício da opção, assim considerada aquelas registradas em atas de assembléia anexadas aos autos, as quais relatam que o acionista estaria integralizando em moeda corrente nacional as ações adquiridas naquele momento. Para tanto, anexou em memoriais cópia da fiscalização empreendida pela Receita Federal do Brasil com vistas a exigir o imposto de renda devido na operação, na qual teria sido verificado que o efetivo pagamento pelas ações não teria se dado nas datas registradas em atas. Entendo que a matéria merece ser conhecida, ainda que nessa fase processual, haja vista tratar de matéria que a meu ver é cognoscível de oficio, pois trata com requisito essencial do ato de lançamento que é a verificação do fato gerador, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Mérito Da narrativa dos fatos acima articulados, verificase que o tema objeto de discussão no presente processo administrativo reside, basicamente, na legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária incidente sobre os valores envolvidos na operação de “stock options”, realizada entre a Recorrente e os seus segurados elegíveis, segundo o regramento do plano de opção de compra de ações. Conforme será mais à frente analisada e conceituada detidamente, essa operação tratase, em breves linhas, de negócio jurídico no qual a empresa outorga aos seus segurados o direito de opção de compra de ações da própria companhia por preço pré estabelecido. Embora essa transação se apresente, à primeira vista, como negócio jurídico típico de relação comercial, o Fisco, todavia, entende que a oferta da empresa de opção de compra de ações aos seus funcionários, constituise em forma de remuneração indireta que visa incentivar e estimular a produtividade. Segundo a ótica do fisco a diferença apurada entre o valor das ações emitidas por meio do “stock options” e o seu valor real de mercado no dia em que foi exercida a opção é considerada parcela passível de contribuição previdenciária, já que se trata de remuneração diferida, a ser percebida no futuro, ou seja, no momento em que os papéis forem vendidos pelos empregados. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 Por outro lado, a recorrente defendese argumentando no sentido de que o plano de opção de compra de ações fornecido aos segurados a seus serviços, não se enquadraria no conceito de remuneração previsto no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, pois não haveria qualquer tipo de pagamento de valores pecuniários em contraprestação de serviços, bem como a certeza do retorno financeiro na venda das ações. Além disso, a recorrente enaltece que o instituto jurídico em tela, cuidase de negócio cuja natureza é estritamente de cunho comercial, concretizado no âmbito das relações de direito civil e financeiro, motivo pelo qual não haveria que se falar na incidência da contribuição previdenciária. Como se vê, o exame da matéria sob julgamento, impõe, necessariamente, a análise e a compreensão do instituto jurídico conhecido como “stock options”, o qual foi paulatinamente importado dos Estados Unidos da América. Sendo este o ponto de partida para o deslinde da questão que envolve a incidência ou não da contribuição previdenciária sobre a operação, passo a examinar o seu conceito e respectiva natureza jurídica. Historicamente, o denominado “stock options” ou plano de opção de compra de ações, teve a sua origem em meados da década de 1960, nos Estados Unidos da América, onde as empresas passaram a utilizar esse mecanismo como ferramenta útil e hábil para alinhar e fortalecer os interesses dos empregados aos da empresa em um só objetivo em comum. A estratégia adotada pelas organizações americanas, portanto, foi, à toda evidência, tornar parcela dos empregados em proprietários da empresa, o que certamente surte efeito psicológico significativo no comprometimento pela realização dos objetivos sociais da companhia. Essa idéia foi bem sintetizada no artigo “A nova contabilidade relativa às stock options – sua relação e reflexo ou não no direito tributário” da autoria de Marcos Shigueo Takata, publicado na obra Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), Editora Dialética, in verbis: “4.1. (...). A Teoria da Agência procura mecanismos de redução dessa assimetria informacional, alinhando os interesses do agente aos do principal, (acionistas ou proprietários). E um mecanismo bastante útil e eficaz é o incentivo concedido ao agente, mediante stock options, para que ele também se torne ‘dono’ da empresa, estimulandoo ao comprometimento com a maximização do valor da empresa, e assim ao alinhamento de seus interesses aos do principal, com a eliminação ou redução da assimetria informacional entre ambos. 4.2. Uma grande vantagem nesse mecanismo de redução de assimetria informacional e de alinhamento de interesse é a de que a companhia não incorre em dispêndios de caixa (stock options) para esse fim.” Segundo o entendimento acima exposto, o mecanismo do plano de opção de compra de ações foi desenvolvido com vistas a permitir que o “agente” tornese “dono da empresa” e, assim, envolvase com a sociedade de modo a maximizar o seu valor, alinhando interesses mútuos. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 421 9 Não se pode negar que a incorporação dessa estratégia também rende bons resultados na produtividade dos então empregados que ao exercerem a opção de compra de ações passam a ser acionistas da empresa. E, com razão, já que esse novel acionista não mais fica mais adstrito à mera relação então vigente, qual seja, a de prestar serviços mediante remuneração, mas a de comungar com a sociedade em interesses que lhes são próprios e naturais, com vistas a obter lucro e, assim, auferir dividendos. Segundo ainda o citado autor, devido à escala crescente dessa prática de negociação no território americano, a Agência Reguladora daquele país Accounting Principles Board (APB), órgão antecessor do atual Financial Accounting Standard Board (FASB), foi a primeira instituição a regulamentar, em nível legal, a matéria, por meio da norma APB 25, que passou a prever o método de reconhecimento contábil dessa operação. De acordo com a regra nela prevista, a Agência Americana determinou que a contabilização da “stock options” seria realizada registrandose o valor da diferença entre o valor de mercado das ações e o preço de exercício da opção de compra. Todavia, se o valor da opção dessa compra fosse o mesmo praticado no mercado, a empresa estaria desobrigada a efetuar o mencionado reconhecimento contábil. De lá para cá, foram editadas diversas medidas naquele estado estrangeiro visando normatizar a matéria em seu território. No Brasil, esse tema começou a ser objeto de regulamentação após o advento da Lei nº 11.638/2007, que, ao introduzir a regra no inciso VI no artigo 187 da Lei por Sociedade por Ações, dispôs a seguinte regra: “Artigo 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) VI as participações de debêntures, de empregados e administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa;” Ainda que não se trate especificamente de “stock options”, essa legislação foi a primeira a disciplinar a forma de contabilização dos investimentos de empregados e administradores na empresa. A partir daí, foi editada a Deliberação CVM nº 562/2008, a qual aprovou o Pronunciamento Técnico CPC nº 10, dispondo sobre o tratamento contábil a ser dado aos planos de opção de compra de ações, conforme se depreende do trecho abaixo extraído do preâmbulo do sumário do referido pronunciamento: “As entidades frequentemente outorgam ações ou opções de ações para seus empregados ou outras partes. Planos de Ações e de Opções de Ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e muitos outros empregados. Algumas entidades emitem ações ou opções de Fl. 463DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 ações para pagamento de seus fornecedores e prestadores de serviços profissionais.” Da leitura da Introdução do CPC, verificase que o termo “stock options” no Brasil é classificado, contabilmente, em duas espécies, a saber: (i) aquela em que a empresa concede ao funcionário o direito da opção de compra das ações, por meio de plano estruturado; e (ii) aquela em que a instituição outorga as suas ações ao empregado. No artigo “Tratamento dos Planos de Stock Options Após o CPC 10”, publicado na obra Direito Tributário, Societário e a Reforma da Lei das S/A – Alterações das Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09, Editora Quartier Latin, Leonardo José Muniz de Almeida e Maurício Pereira Faro, classificam o “stock options” em duas modalidades, quais sejam: i) o clássico; e ii) o “phantom stock option”. Afirmam os autores: “No stock option clássico, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir determinada quantidade de ações por um preço préfixado. O exercício da opção fica condicionado ao transcurso de determinado prazo de maturação das ações. Após esse prazo o beneficiado pode exercer sua opção e adquirir, por meio de um negócio de compra e venda, as ações pelo preço originalmente oferecido pela companhia. Ele passará, então, a ser proprietário das ações. Uma vez adquiridas as ações nestes termos, cabe ao participante avaliar a conveniência e o melhor momento para vendêlas no mercado. Caso o valor de mercado das ações seja superior ao valor de exercício, o empregado pode auferir vantagem econômica caso opte por vendêlas, inclusive para a própria empresa. Nesse caso, o resultado positivo auferido pelo empregado será tributado pelo Imposto de Renda como ganho de capital. No phantom stock option, tal como no plano stock options convencional, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir uma certa quantidade de ações por valor préfixado, após cumprido um período de maturação. Entretanto, diferentemente da modalidade clássica, o exercício da opção não é feito com a compra das ações. Nesse caso, a empresa emissora das ações paga ao empregado a diferença entre o valor de mercado das ações e o valor de outorga das mesmas, antecipando uma potencial revenda que o participante faria das ações outorgadas. Esse valor pago ao participante é geralmente considerado como remuneração (tem natureza salarial, no caso de ele ser um empregado) e é tributado pelo Imposto de Renda como rendimento, segundo a tabela progressiva.” Como se vê, a diferença básica entre as duas classificações reside no fato de que, enquanto na “stock option” clássica a empresa não desembolsa qualquer valor, uma vez que as ações são emitidas preferencialmente ao administrador ou empregado a valor pré fixado, na “phantom stock option” as ações são emitidas com valor préfixo, porém a empresa paga, ao administrador ou empregado, a diferença verificada entre o valor de mercado das ações e o valor de outorga. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 422 11 Analisando a clássica operação de “stock option”, é imperioso salientar que, embora o CPC 10 classifique, em geral, “stock options” como espécie de despesas de remuneração, para efeitos de lançamento contábil, em termos jurídicos, o plano de opção de compra de ações, dado o modo pelo qual é instrumentalizado e a finalidade a que se destina, não se enquadra no conceito de remuneração. Vale ressaltar que há discussão em torno do reconhecimento contábil da “stock options” como despesas de remuneração. Marcos Shigueo Takata, no artigo acima mencionado, revela: “Sem prejuízo do Direito Contábil posto, ainda há discussão doutrinária sobre tratar o reconhecimento contábil das stock options como despesa da empresa. Sobre isso, iremos abordar mais detidamente no outro tópico. Houve muita discussão a respeito, inclusive quanto à não contabilização das stock options (e não somente quanto a tratar como despesa da empresa o registro contábil), envolvendo inclusive o Congresso norte americano, para que não houvesse o registro contábil “sugerido” pelo FASB. A discussão era (e ainda é) de quem deveria arcar com os ônus do “pagamento baseado em ações” (stock options) – se a empresa (acionistas). 10.2 Em resumo, o argumento contrário ao registro contábil é centrado seguinte. O fato de que na outorga de stock options aos executivos não há desembolso de caixa pela empresa, mas apenas o custo de oportunidade para ela, na medida em que ela receberá (se exercidas as stock options) menos do que ela poderia obter se colocasse as ações (distribuições), no exercício das stock options, i. e., menos do que valeriam as ações. E, por outro lado, os ônus dos acionistas são evidentes, pois é fato que há diluição da participação deles, com a “entrada” de novos acionistas, com o exercício das stock options, e que se dá por valor inferior ao que as ações valem nesse momento.” Sem prejuízo dos posicionamentos acima citados, entendo que a regulamentação contábil não interfere na natureza jurídica do instituto, bem como no seu tratamento perante as contribuições previdenciárias. Como visto, o stock option plan é aquele que possibilita a um sujeito de comprar, caso decida exercer essa faculdade, numa data futura, ações de uma empresa, por um preço determinado. A contribuição previdenciária, nos moldes estabelecidos pelo artigo 195, inciso I, “a” da Constituição Federal e, para o caso concreto, no artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, incide quando há pagamento de remuneração a segurado que preste serviços sem vínculo empregatício. Destaco lições de Paulo de Barros de Carvalho em sua obra Direito Tributário, Linguagem e Método, Noeses, 2ª ed., pag. 719: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 “São dois, portanto, os fatos susceptíveis de sofrerem a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 195, I, “a”, da Constituição: (i) pagamento de folha de salários em razão de serviços prestados na vigência de relação de emprego; e (ii) pagamento de remuneração ao trabalhador que preste serviços sem vínculo empregatício.” Embora o conceito de remuneração seja amplo, de modo a abranger o pagamento a qualquer título para recompensar o serviço prestado pelo segurado, não há como admitir, pelo próprio conceito do “stock option plan”, na sua modalidade tradicional, tal como a verificada nos autos, seja considerado remuneração, haja vista que a relação jurídica fixada entre os sujeitos de direito, quais sejam, empresa e segurado é diametralmente oposta àquela albergada pelas contribuições. A relação jurídica objeto das contribuições é aquela em que a empresa tem o dever de pagar remuneração e o direito de exigir a prestação de serviços, sendo que o segurado tem o dever de prestar os serviços e o direito de receber a remuneração devida. No entanto, no âmbito do plano de opção de compra de ações, o segurado tem o direito de comprar ou não as ações e, caso opte por exercêlo, efetuará o pagamento à empresa proporcionalmente ao volume de ações adquiridas, ao preço fixado no plano. Nessa situação, a empresa tem o direito de receber o pagamento pelas ações e dever de entregálas ao segurado, enquanto que este terá o dever de pagar pelas ações e o direito a recebêlas em sua órbita patrimonial. É importante salientar que, da perspectiva do segurado, essa transação não é vista como recompensa do seu trabalho prestado, pois, embora compre as ações a preço pré estabelecido e em valor menor ao que é negociado no mercado, não deixa de se submeter ao risco do negócio, ou seja, não só de não obter a rentabilidade esperada, como também perder o que investiu. Ademais, não posso deixar de manifestar a minha preocupação com a forma como foi determinada a base de cálculo das contribuições previdenciárias no caso concreto, a qual resultou da diferença existente entre o valor da ação no mercado, no momento em que foi exercida a opção de compra e o valor de aquisição pelos segurados. O problema dessa sistemática é que além de, na minha visão, não ter ocorrido o fato gerador das contribuições, a base de cálculo é especulativa, pois além de não confirmar a relação jurídica tributária, já que essa não ocorreu, toma por base uma expectativa futura de ganho, o qual pode ou não ocorrer, já que depende de posterior alienação das ações por parte do segurado e que estas sejam avaliadas no mercado por valor acima daquele pago quando da aquisição. Outro dado importante a ser avaliado é que o aumento ou a diminuição da diferença enquadrada como “remuneração” não está atrelada à prestação de serviços do segurado, mas sim à cotação das ações no mercado, o que demonstra a completa interdependência das relações jurídicas outrora analisadas. E, o valor recebido na venda, não é pago pela empresa, mas por terceiro que adquiriu as ações. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 423 13 O Professor Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra Curso de Direito Comercial, vol. 2., Saraiva, pag. 170, demonstra minudentemente o negócio jurídico entabulado entre as partes na órbita do “stock options plan”: “(...) Tratase de negócio jurídico, pelo qual a companhia se obriga, a partir da declaração de vontade do executivo beneficiário (exercício da opção) e pagamento por este preço, a entregarlhe ações de sua emissão, em quantidade e espécie previamente definidas no instrumento de opção.” De fato, o plano de opção de compra de ações aqui analisado é uma relação jurídica típica de direito civil, a qual tem por objeto permitir que o segurado exerça ou não uma faculdade de adquirir ações da empresa, após ultrapassado o período de carência e mediante o pagamento de preço, não envolvendo a troca de prestação de serviços por remuneração, embora ocorrido no curso da relação de trabalho. No Recurso Especial nº 1.185.685SP, a 1ª Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça, reproduzindo o Professor Roque Antonio Carrazza, assim se posicionou: “As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias".(CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ)” Aprofundando nessa temática e em atenção ao caso desses autos, enquanto o plano de opção de compra de ações, quando exercido o direito de compra, teve por objeto uma obrigação de dar, uma vez que o segurado entregou dinheiro em troca de ações, a relação jurídica inserida no contexto das contribuições previdenciárias, tem por natureza contraprestacional uma obrigação de fazer. Tal fato revela que as relações jurídicas são completamente distintas e interdependentes, não havendo qualquer conexão entre ambas. Esse é, aliás, o entendimento que vem sendo albergado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, conforme se depreende do aresto a seguir transcrito. Confira: “OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL. Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da força de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. Os arestos colacionados revelamse Fl. 467DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 inservíveis, nos termos da Súmula nº 296 do TST e do art. 896 da CLT. Recurso não conhecido. Voto 1.4 STOCK OPTION PLANS. NATUREZA SALARIAL Sustenta o reclamante a natureza salarial do benefício, alegando que a opção de compra de ações é um benefício que faz parte da estratégia de remuneração da empresa. Aponta violação aos arts. 457 e 458 da CLT e indica arestos para confronto. O Regional consignou às fls. 891: "A opção pela compra de ações é um benefício, o qual faz parte da estratégia de remuneração da empresa, a qual, porém, não tem o escopo de remunerar os serviços prestados, já que eventual benefício efetivo a empregado está na razão direta do aumento do valor das ações da empresa. Em outras palavras, esse título não é salário, pois, não está vinculado a efetiva prestação dos serviços. O fato de o autor ter tido sucesso com tais ações (fls. 791) não implica em dizer que essa parcela seja de cunho salarial. Esse lucro é derivado dos valores de mercado das ações da reclamada e não se vinculam diretamente ou indiretamente a força de trabalho disponibilizada pelo reclamante à reclamada." Não se configura a natureza salarial da parcela quando a vantagem percebida está desvinculada da força de trabalho disponibilizada e se insere no poder deliberativo do empregado, não se visualizando as ofensas aos arts. 457 e 458 da CLT. Nesse sentido escreve Sérgio Pinto Martins, em artigo sobre a natureza do stock options no direito do trabalho, publicado no repertório IOB de jurisprudência nº 16/01, página 304: "Natureza jurídica da opção de compra de ações é mercantil, embora feita durante contrato de trabalho, pois representa mera compra e venda de ações. Envolve a opção um ganho financeiro, sendo até um investimento feito pelo empregado nas ações da empresa. Por se tratar de risco do negócio, em que as ações ora estão valorizadas, ora perdem seu valor, o empregado pode ter prejuízo com a operação. É uma situação aleatória, que nada tem a ver com o empregador em si, mas com o mercado de ações." Igualmente Luciana Aboim Machado Gonçalves da Silva, em artigo publicado na Revista IOB, nº 199janeiro/2006, filiase à corrente que destaca a natureza mercantil da opção de compra de ações. Com efeito, segundo escreve: "A Lei de Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/1976, artigo 168, § 3º) prevê a possibilidade de os empregados participarem das ações da empresa por meio de plano de opção de compra de ações, negociados no mercado de capitais, por um dado preço e em certo período. O contrato de opção de compra de ações negociados no mercado de capitais tem natureza jurídica mercantil e, por conseguinte, não integra o contrato de trabalho. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 424 15 Atribui ao empregado a opção de aquisição de lotes de ação, dentro de um prazo predeterminado, por meio de pagamento de um preço préfixado. O proveito obtido pelo empregado com a venda de ações não se confunde com o salário. Nesse caso o empregado adquire uma personalidade mista de assalariado e capitalista." Já os arestos colacionados às fls. 993/994 revelamse inespecíficos, nos termos da Súmula nº 296 do TST, pois o primeiro referese ao prêmioprodutividade e o segundo trata dos "bichos" pagos em função do desempenho da equipe de futebol, hipóteses distintas da discutida nos autos. O aresto de fls. 995 é originário de Turma do TST, sendo inservível, na esteira do art. 896 da CLT. Não conheço. Brasília, 15 de março de 2006.” (Processo nº TSTRR3273/199806402007; CJ AIRR 3273/19980640240.1; Ministro Relator: Barros Levenhagen) Diante desse panorama, não se pode falar em incidência das contribuições previdenciárias sobre o plano de opção de compra de ações da recorrente, pois não há, nesse caso, pagamento de valores pelo empregador ao segurado a título de contraprestação de serviços, não restando, assim, configurada a hipótese de remuneração, nos termos do artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 16 Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério – Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 425 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de suas conclusões e apresento o voto vencedor quanto: 1. Ao conhecimento da preliminar apresentada por memoriais, após a apresentação do recurso; e 2. No mérito, sobre a conceituação da natureza jurídica da concessão de stock options, pois a conceituo, diversamente do que decidiu o excelso Relator, como parcela que integra o Salário de Contribuição. Quanto ao conhecimento da preliminar, o Relator afirma em seu voto que: “Em sede de memoriais e da tribuna o patrono do sujeito passivo alegou que haveria nulidade na autuação, uma vez que a fiscalização previdenciária tomou como base de cálculo das contribuições a data do exercício da opção, assim considerada aquelas registradas em atas de assembléia anexadas aos autos, as quais relatam que o acionista estaria integralizando em moeda corrente nacional as ações adquiridas naquele momento.” A Legislação possui regra para análise e conhecimento. Decreto 70.235/1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ,,, Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: ... II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 18 A legislação, portanto, define que os limites do litígio são definidos na impugnação, pois as matérias que não foram expressamente contestadas considerarseão não impugnadas. O sujeito passivo, depois do recurso especial, já na tribuna, no momento do julgamento, apresenta contestação de que – como define o Relator – a base de cálculo está equivocada, pois a data da sua conceituação não foi a correta. Somos flexíveis em interpretar o Art. 17, do Decreto 70.235/1972, acima, para buscar a verdade material, quando esta for clara, ou apresente um grau de dúvida relevante quanto à correção do lançamento. Essa restrição quanto à aceitação de argumentos – como determina a legislação ocorre para que o trâmite processual transcorra da forma correta, com análise em todas as esferas de decisão, pois, ao apreciarmos argumento que não foi impugnado estamos definindo a ausência de análise nas Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Somase a esse fato a definição de que o argumento da recorrente – em nosso entender e nesse caso não demonstra que a verdade material foi prejudicada, nem se conceitua como dúvida relevante quanto à correção do lançamento. Portanto, não conheço da alegação. Quanto ao mérito, o litígio em questão, conforme muito bem definido pelo nobre relator, possui seu cerne na questão da caracterização, ou não, dos valores pagos como “stock options” em Salário de Contribuição (SC), para contribuintes individuais. A definição legal de SC está presente na legislação. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; ... Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 426 19 Portanto, para a definição do SC devese definir no que consiste o termo remuneração. Remuneração – para o contribuinte individual conforme o presente caso, é definida como: 1. Todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado; 2. Em decorrência da prestação de serviço, pelo trabalho, pela prestação de serviços, de forma direta ou indireta; e 3. Em dinheiro ou sob a forma de utilidades. São elementos característicos da remuneração, dos contribuintes individuais, como no caso em questão: 1. Pagamento pelo trabalho ou para o trabalho: deve se distinguir "o que é pago pelo trabalho e o que é pago para o trabalho"; 2. Integração ao patrimônio do trabalhador: devese verificar quais parcelas representam ganhos para o trabalhador, para integrarem a remuneração. A análise deve sempre partir do ponto de vista do aumento patrimonial do trabalhador. Geralmente, os pagamentos indiretos representam vantagens materiais ou imateriais proporcionadas pelo empregador, com o objetivo de aumentar a remuneração do trabalhador, a sua satisfação, a preservação da mãodeobra e a melhoria nas relações de trabalho, visando um aumento de produtividade; 3. Irrelevância do título: a Lei 8.212/91 não dá importância ao título da remuneração, quando dispõe, em seus artigos 22 e 28, “... remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Significa que importa a natureza do pagamento, e não o nome dado. Se for um ganho decorrente do trabalho, é remuneração e integra o saláriodecontribuição. Feitas essas considerações, necessitamos analisar o que são “stock options (SO)”. SO são operações financeiras nas quais são comercializadas opções de compra de ações de empresas, por um preço préestabelecido, que deverão ser exercidas em certo prazo. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 20 Ou seja, o comprador adquire, paga, por um direito de comprar a ação por um certo e definido preço, após um certo período. Caso a soma do valor gasto com o direito, mais o valor definido seja menor do que o valor da ação na data estipulada, o comprador da SO pode exercer seu direito e obter um ganho financeiro, seja pela venda da ação, seja pelo aumento de patrimônio, na manutenção da ação. Ao contrário, caso, por exemplo, na data estipulada e definida, as ações apresentem valor inferior ao definido somado ao que foi pago pelo direito de compra, a opção de compra não é exercida, pois gerará prejuízo, já que será pago valor maior do que o exercido pelo mercado naquela data. Lucro ou prejuízo, sim, são características que podem ocorrer em um negócio mercantil. Para as empresas há interesse nas SO, pois estreita a relação entre empresa e segurado. Para o segurado a facilidade reside em transacionar diretamente com a empresa, ser parte na variação do valor das ações, realizar aplicação financeira, auxiliar no aumento do valor patrimonial da empresa. Portanto, para que as SO não tenham caráter remuneratório há requisitos a serem cumpridos, como a incerteza, o risco, comum nas aplicações financeiras, sejam quais forem. No presente caso, as regras de mercado não foram seguidas, não se trata de investimento do segurado, pois as SO não foram adquiridas, mas sim outorgadas, concedidas, dadas, como deixa claro o documento intitulado “Diretrizes de Elaboração e Estruturação de Plano de Opção de Compra de Ações”, assim como deixa claro qualquer documento nos autos sobre o pagamento de tais direitos pelos segurados citados. Portanto, há o primeiro ganho dos segurados, não pagar, ser isento em adquirir um direito, que é, aliás, negociado pelas empresas de capital aberto e devidamente tributado, pelo Fisco. Outro ponto interessante, que evidencia o ganho, é que o valor futuro definido não pode, como no plano em questão, ser menor do que o valor atual, na data da concessão, pois nenhuma empresa de capital aberto tem como meta a perda do valor de suas ações. Em constando essa característica, como no presente caso, há prova de um benefício dado, com a anulação do risco, seja por receber gratuitamente a SO, seja pela ausência de lógica de uma empresa apontar que o valor da ação pode vir a ser menor do que o valor ofertado ao segurado para adquirir no futuro. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 427 21 O próprio Relator, em seu voto, traz definições que nos levam a conceituar – no presente caso – o benefício como salário de contribuição, vejamos: “A partir daí, foi editada a Deliberação CVM nº 562/2008, a qual aprovou o Pronunciamento Técnico CPC nº 10, dispondo sobre o tratamento contábil a ser dado aos planos de opção de compra de ações, conforme se depreende do trecho abaixo extraído do preâmbulo do sumário do referido pronunciamento: “As entidades frequentemente outorgam ações ou opções de ações para seus empregados ou outras partes. Planos de Ações e de Opções de Ações constituem uma característica comum da REMUNERAÇÃO de diretores, executivos e muitos outros empregados. Algumas entidades emitem ações ou opções de ações para pagamento de seus fornecedores e prestadores de serviços profissionais.” ... “No stock option clássico, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir determinada quantidade de ações por um preço préfixado. O exercício da opção fica condicionado ao transcurso de determinado prazo de maturação das ações. Após esse prazo o beneficiado pode exercer sua opção e adquirir, por meio de um negócio de compra e venda, as ações pelo preço originalmente oferecido pela companhia. Ele passará, então, a ser proprietário das ações. Uma vez adquiridas as ações nestes termos, cabe ao participante avaliar a conveniência e o melhor momento para vendêlas no mercado. Caso o valor de mercado das ações seja superior ao valor de exercício, O EMPREGADO PODE AUFERIR VANTAGEM ECONÔMICA caso opte por vendêlas, inclusive para a própria empresa. Nesse caso, o resultado positivo auferido pelo empregado será tributado pelo Imposto de Renda como ganho de capital. No phantom stock option, tal como no plano stock options convencional, a empresa outorga ao empregado a opção de adquirir uma certa quantidade de ações por valor préfixado, após cumprido um período de maturação. Entretanto, diferentemente da modalidade clássica, o exercício da opção não é feito com a compra das ações. Nesse caso, a empresa emissora das ações paga ao empregado a diferença entre o valor de mercado das ações e o valor de outorga das mesmas, antecipando uma potencial revenda que o participante faria das ações outorgadas. ESSE VALOR PAGO AO PARTICIPANTE É GERALMENTE CONSIDERADO COMO REMUNERAÇÃO (tem natureza salarial, no caso de ele ser um empregado) e é tributado pelo Imposto de Renda como rendimento, segundo a tabela progressiva.” Fl. 475DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 22 Notemos que – nos textos acima – o próprio Relator traz definições de que o as stock options são vantagens, remuneração, ganho econômico, o que só reforça nosso entendimento de que o valor do benefício deve integrar o Salário de Contribuição. Devemos ressaltar que estamos tratando de remuneração de contribuintes individuais, não empregados, assim, as características do salário de contribuição para os contribuintes individuais estão presentes, pois: 1. O beneficio foi concedido pelo trabalho, já que é concedido de forma favorecida somente àqueles que possuem relação de prestação de serviços para o sujeito passivo; 2. Integraramse ao patrimônio do trabalhador, pois representaram ganhos para o trabalhador, integrando sua remuneração, já que propiciaram o aumento do patrimônio do trabalhador; 3. Irrelevante seu título, pois o que importa é a natureza jurídica do pagamento/benefício, já que é um ganho decorrente do trabalho; 4. Não pode se conceituar como negócio mercantil, pois não há risco algum, característica inerente a esse tipo de negócio; Por todo exposto, a meu ver, estão claras as características que definem a remuneração a contribuintes individuais, devendo ser mantido o lançamento. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, preliminarmente, voto em não conhecer do argumento apresentado e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 476DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 428 23 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Stock options plan . Natureza remuneratória. As stock options, ou opções de compras de ações, estão previstas na Lei da S/A, Lei 6.404/76, em seu art. 168, parágrafo 3º: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem poderes para disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado de valores mobiliários (art. 8º da Lei 6.385/76), é absolutamente relevante sua compreensão do funcionamento e da natureza das stock options. Para a CVM1, a definição de stock options plan está estreitamente associada a uma forma de remuneração: Na configuração mais comum, a opção de ações dá ao empregado o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo por um certo número de anos. O preço pelo qual a opção é concedida é usualmente o preço de mercado na data em que as opções são concedidas. A lógica deste benefício é a expectativa que o preço das ações subirá e os empregados poderão comprála pelo exercício (compra) a um preço mais baixo que foi referenciado no momento da concessão e vendêlo pelo preço corrente do mercado, por exemplo. 1 Cf. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Brasília, 14 fev. 2007, item 25.3. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 24 A concessão de ações aos empregados é considerada uma forma flexível de remuneração que pretende atrair e motivar os empregados concedendo uma parte do futuro crescimento da companhia. Essa forma também faz sentido para companhias abertas que pretendem manter uma forma contínua de remuneração e participação dos empregados na administração da companhia. A idéia geral é o benefício do aumento da produtividade e retenção de talentos adicionado à relativamente pequena diluição do capital através da concessão das opções em ações. O efeito positivo da remuneração aos empregados através da concessão de opções depende, em larga medida, da criação de um comprometimento real e significativo com os destinos da companhia. (destaques nossos) A CVM2, ao apresentar a definição de stock options, insiste em apontar a natureza remuneratória do incentivo: A companhia aberta empregadora pode adotar vários tipos de planos para remunerar executivos e funcionários pela outorga de opções de compra de ações emitidas pela companhia. Nos planos de outorga de compra de ações convencionais, por exemplo, a companhia empregadora outorga opções para compra de um número fixo de ações da companhia, a um preço estabelecido, durante um período específico, em troca de serviços correntes ou futuros dos executivos e funcionários. Este tipo de remuneração é usual no mercado americano e, em menor escala, nos mercados da comunidade européia, como forma de alinhar os objetivos dos investidores ao objetivo dos administradores e empregados. (destaques nossos) Da definição adotada pela CVM, o destacamos algumas características das stock options: 1. Representam "o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo por um certo número de anos"; 2. O preço pelo qual a opção é concedida é usualmente o preço de mercado na data em que as opções são concedidas; 3. Tem por objetivo um aumento de produtividade; E 4. São usadas para remunerar executivos e funcionários; 2 Cf. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, op. cit. (nota 1), item 25.2. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 429 25 A despeito da posição da CVM que associa stock options plan a uma forma de remuneração, tanto de executivos (não empregados) como de empregados, faremos a seguir uma análise se, de fato, o benefício se amolda ao conceito de remuneração. Para tanto devemos separar a noção de remuneração dos empregados daquela aplicável aos diretores (executivos) não empregados. Para o caso, interessa apenas a noção de remuneração a diretores não empregados. Noção de remuneração de prestadores de serviços não empregados Não sendo os diretores e/ou executivos empregados, sua relação com a empresa não está regida pela legislação trabalhista. Logo, o conceito de remuneração para os chamados contribuintes individuais não está adstrito ao conteúdo da CLT por força do art. 110 do CTN, como no caso dos empregados. Por conta disso, fomos buscar outras disposições de nosso direito positivo que tratem, genericamente, de remuneração e encontramos o art. 74 da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 26 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. (...) A lei, portanto, no caso de administradores, gerentes e seus assessores inclui na remuneração todo e qualquer benefício ou vantagem concedido pela empresa. assim, o benefício representado pelo stock options plan está perfeitamente enquadrado na noção de remuneração dos prestadores de serviço não empregados. Compreendendo a necessidade de ampliarmos a dialética sobre o tema, listamos alguns argumentos comuns àqueles que tentam demonstrar a natureza não remuneratória dos stock options plan: 1. É uma operação mercantil e não submetida ao direito trabalhista; e 2. O empregado ou prestador de serviço submetese a um risco, podendo inclusive perder. Para considerar os stock options plan como uma operação mercantil devemos indagar, inicialmente, qual seria esse mercado. Tratandose de um direito derivado de uma valor mobiliário, a ação, a resposta óbvia é: se for uma operação mercantil, será uma operação no mercado de valores mobiliários. Sendo assim, tem alta relevância a natureza atribuída pelo órgão regulador de tal mercado, a CVM, aos stock options plan. Como já vimos, a CVM, nos itens 25.2 e 25.3 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 é enfática ao afirmar que se trata de uma forma de remuneração de executivos e empregados e não uma simples "operação de mercado". Porém, mais relevante para afastarmos o argumento de que os stock options plan são uma operação mercantil é indagarmos como foi feita a oferta das stock options. Ou seja, devemos indagar se as stock options foram oferecidas ao público em geral, incluindo os empregados e diretores, ou foi oferecida somente aos empregados e diretores. Se foi oferecida ao público em geral, submetendose às regras do mercado e a aquisição das stock options pelos empregados e diretores foi feita nas mesmas condições do público em geral, será, sem dúvida uma operação mercantil. Porém, se foi oferecida somente aos empregados e diretores ou se empregados e diretores desfrutaram de condições especiais, fica afastada a natureza de operação mercantil, posto que não foi feita para o "mercado" e sim para um grupo de pessoas específico que possuía relação de emprego ou prestava serviços para a ofertante. Em outras palavras, emerge naturalmente a estreita relação entre o benefício oferecido e a prestação de serviço, como empregado ou como diretor. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 430 27 Nesse sentido temos as conclusões de Andrea Gonçalves Silva3: “Nesse contexto, é incontroverso que a oferta de planos de stock options a trabalhadores decorre da relação de trabalho travada entre a empresa e o profissional, de sorte que os planos são ofertados a empregados e prestadores de serviços da companhia, e não a clientes, simpatizantes da empresa, ou qualquer outro grupo de pessoas. E mais, é por se tratar de um incentivo econômico estritamente ligado ao contrato de trabalho que, em caso de rompimento desse contrato antes do vesting date, extinguese a expectativa de direito que o trabalhador detinha, e a opção que o plano garantia não poderá ser exercida.” O empregado ou prestador de serviço submetese a algum risco quando incluído num stock options plan? Geralmente, num stock options plan é concedido ao empregado ou prestador de serviço o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo a partir de um certa data. Normalmente, esse direito é concedido de forma gratuita. Se na data em que for possível fazer a compra das ações o preço fixado na opção de compra for inferior ao preço de mercado, então concretizase um benefício para aquele que possui a opção de compra. Se, por outro lado, o preço de mercado for inferior ao preço constante da opção de compra, obviamente, o empregado ou prestador de serviço não irá realizar a compra. Teria o empregado ou prestador de serviço perdido algum dinheiro nessa última hipótese? Não, pois a opção de compra foilhe concedida gratuitamente. Não perdeu nada, apenas deixou de ganhar. É óbvio que só corre risco aquele que pode perder algo. Deixar de ganhar não representa risco. Não podemos confundir o período que antecede a compra das ações com o período posterior à compra destas. Até o momento da compra das ações o empregado ou prestador de serviço não corre risco algum. Se no momento da opção o valor de exercício desta for inferior ao valor da ação no mercado terá grande benefício, sendo que tal benefício foilhe concedido em virtude de sua prestação de serviço por um período de tempo na empresa, com nítido caráter contraprestativo e com habitualidade presente na prestação de serviços num período de tempo. 3 Cf. SILVA, Andrea Gonçalves Silva. Stock options plan como uma forma de remuneração flexível. Dissertação (Mestrado em direito). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2004, p. 123. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 28 Um exemplo ajuda a entender. A empresa E concede, em 20XX, a um grupo de empregados e diretores um stock options plan que consiste em poder adquirir ações da empresa daqui a dois anos pelo preço atual das ações no mercado, R$10,00. Nenhum valor é cobrado dos prestadores de serviço para receberam a stock option e somente poderá exercer a opção aquele que se mantiver ligado a empresa durante todo o transcorrer dos dois anos. Transcorrido tal período, a ação da empresa E está cotada a R$ 13,00 no mercado. Obviamente todos que possuem a stock option irão exercer sua opção e adquirir a ação da empresa E por R$10,00, pois vislumbram vendêlas por R$ 13,00 com ganho imediato de R$3,00 por ação. O esforço de trabalho e dedicação dos prestadores de serviço durante dois anos foi recompensado com um bom ganho. Nesse momento esgotase a relação trabalhista ou relativa a prestação de serviço. Naquele momento, se avaliarmos o patrimônio de cada prestador de serviço ele terá sido aumentado no valor correspondente a R$ 3,00 por ação graças à sua prestação de serviços à empresa E durante os últimos dois anos. O que acontecer a partir desse momento devese a uma decisão pessoal do empregado ou prestador de serviço. Se alguns deles decidem não vender de imediato as ações adquiridas para mantêlas e aguardar uma maior valorização, é uma decisão que, de fato envolve risco, mas que em nada se relaciona com o momento anterior. Se alguns prestadores mantiverem as ações e estas, um ano depois, forem negociadas no mercado por R$ 8,00, tais empregados terão, por decisão pessoal, perdido parte de seu patrimônio. Ou seja, deixaram de realizar um ganho imediato e concreto de R$3,00 ganho este totalmente relacionado à prestação de serviço na empresa E e amargaram uma perda de R$ 2,00. Porém, tal perda é resultada de uma operação autônoma e posterior ao encerramento do stock options plan . A partir do momento que exerceu direito de compra, o prestador de serviço, que podia realizar um ganho imediato de R $3,00, passou para a condição de acionista correndo todos os riscos destes. Aqueles que optaram por manter as ações poderiam, por outro lado, ter obtido uma resultado positivo com isso, pois a ação poderia ter sido valorizada para, por exemplo, R$ 16,00. Novamente esse ganho em nada se relacionaria com a prestação de serviços na empresa E e sim, com uma decisão pessoal como investidor. Como muito bem apontou Andrea Gonçalves Silva, os argumentos que atribuem risco para o empregado nos stock options plan confundem qual foi o ativo econômico concedido pela empresa ao prestador de serviço. Vejamos: Uma análise apurada dos planos de stock options demonstra que o ativo econômico oferecido ao trabalhador pela empresa são as opções de compra de ações, e não as ações subjacentes a essas opções. (...) Outrossim, a opção de compra de ações não atrai risco ao salário fixo do trabalhador, nem ao seu patrimônio pessoal, uma vez que o empresa dá ao trabalhador um ativo econômico distinto das ações subjacentes ao plano. Observese que o risco que o obreiro pode vir a assumir será deflagrado após a entrega da contraprestação do empregador, caso o trabalhador decida exercer suas opções e permanecer como o titular das ações decorrentes do plano de stock options. Devese ressaltar que a decisão acerca do exercício das opções e do momento de venda das ações frutos dessas opções em nada se atrela ao contrato de trabalho, tratandose de uma decisão pessoal do profissional que, nesse ínterim, atua enquanto investidor que livremente gere seu patrimônio pessoal, não como prestador de serviços.(destaques nossos) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000245/201046 Acórdão n.º 2301003.597 S2C3T1 Fl. 431 29 Antes de passarmos para as especificidades do caso concreto, registramos que a natureza remuneratória dos valores pagos no bojo de stock options plan é reconhecida na maioria dos países da Europa e nos Estados Unidos. Nesse sentido, o Relatório Final do grupo de Peritos da Comissão Européia4 assim consignou em relação aos países europeus: “Apesar da natureza algo indefinida dos planos de opções de acções para empregados, eles são considerados, na maioria dos sistemas fiscais, como rendimentos do trabalho.” Nos Estados Unidos, a natureza remuneratória é amplamente reconhecida, havendo, entretanto, benefícios fiscais específicos para alguns tipos de stock options plan .5 A par disso, vamos às especificidades do caso concreto. No caso presente, o Relator descreveu a operação da seguinte maneira: “Nessa situação, a empresa tem o direito de receber o pagamento pelas ações e dever de entregálas ao segurado, enquanto que este terá o dever de pagar pelas ações e o direito a recebêlas em sua órbita patrimonial.” Porém, tal descrição não captura integralmente os deveres do prestador de serviço, empregado ou diretor, pois este deve manterse vinculado à empresa e prestando seus serviços durante um certo período de tempo. Tanto assim, que se houver o desligamento da empresa o prestador perderá o direito de exercer a opção. O caráter sinalagmático ou contraprestativo da operação é nítido. Pensar diferente ofende ao bom senso, sendo portanto fato notório, pois nenhuma empresa no mundo capitalista ofereceria uma vantagem ao prestador de serviço permitindo que no dia seguinte este deixe seus quadros e continue podendo reinvidicar o benefício futuro. É óbvio o sinalagma consistente na obrigação do prestador de serviços manterse prestando serviços para a empresa durante um certo período de tempo e na obrigação da empresa de vender ações por um preço préestabelecido. 4 Cf. COMISSÃO EUROPÉIA. DireçãoGeral da empresa. Opções de acções para empregados. O enquadramento jurídico e administrativo dos planos de opções de acções para empregados na UE. Relatório final do grupo de peritos. jun. 2003, p. 31. 5 Cf. BICKLEY, James M. Employee stock options: tax treatment and tax issues. Washington: Congressional Research Service, jun. 2012, passim. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 30 Por todo o exposto, assentada a natureza remuneratória do benefício advindo do stock options plan oferecido aos diretores, bem como afastada natureza de operação mercantil ou a ocorrência de risco para o beneficiário do plano, voto por negar provimento ao Recurso quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 484DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 09/04/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13888.002093/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003
PARCELAMENTO. ADESÃO E CONFISSÃO DE DÍVIDA. EFEITOS.
A adesão a parcelamento, com confissão irrevogável e irretratável da dívida, implica extinção do litígio, em qualquer fase em que se encontre, e a desistência do recurso interposto.
ACÓRDÃO JULGADO APÓS EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NULIDADE.
É nulo o acórdão decorrente de julgamento de recurso ocorrido após a extinção do litígio.
Acórdão Anulado
Numero da decisão: 3302-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar nulo o Acórdão nº 3302-01.385, 25/01/2012.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Gomes - Relator
EDITADO EM: 26/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003 PARCELAMENTO. ADESÃO E CONFISSÃO DE DÍVIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento, com confissão irrevogável e irretratável da dívida, implica extinção do litígio, em qualquer fase em que se encontre, e a desistência do recurso interposto. ACÓRDÃO JULGADO APÓS EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NULIDADE. É nulo o acórdão decorrente de julgamento de recurso ocorrido após a extinção do litígio. Acórdão Anulado
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2003 PARCELAMENTO. ADESÃO E CONFISSÃO DE DÍVIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento, com confissão irrevogável e irretratável da dívida, implica extinção do litígio, em qualquer fase em que se encontre, e a desistência do recurso interposto. ACÓRDÃO JULGADO APÓS EXTINÇÃO DO LITÍGIO. NULIDADE. É nulo o acórdão decorrente de julgamento de recurso ocorrido após a extinção do litígio. Acórdão Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e, no mérito, darlhe provimento para declarar nulo o Acórdão nº 330201.385, 25/01/2012. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 20 93 /2 00 3- 71 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão no 1414.543, de 20 de dezembro de 2006. E sessão de 25 de janeiro de 2012, a Turma julgou o recurso pelo Acórdão n. 330201.385, dandolhe provimento parcial (fls. 499 e seguintes). O processo, no entanto, não retornou à origem, à vista de embargos declaratórios da Fazenda Nacional de 07 de março de 2012. Os embargos foram admitidos e o recurso reincluído em pauta, o que originou o Acórdão n. 3302001.857, de 24 de outubro de 2012 (fls. 517 e seguintes). Entretanto, no despacho de fl. 531, a DRF / Piracicaba informou que, em 26 de julho de 2011, a Recorrente aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941, de 2009, requerendo providências quanto à execução do acórdão. Em 05 de julho de 2013 (fl. 532), o relator do acórdão propôs o seguinte: Tratase de solicitação da Secat/DRF/Piracicaba (fl. 531) para que o Carf se manifeste a respeito do fato nela narrada, que recebida como embargos de declaração pela Secretaria da Câmara. Segundo o despacho, a Interessada aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941, de 2011, em 30 de junho de 2011, antes do julgamento do recurso (fls. 529 e 530), que ocorreu em 25 de janeiro de 2012. Dessa forma, como o parcelamento contém confissão irretratável de dívida, não haveria objeto ao recurso. Analisando os autos, entendo que a Secat tem razão, uma vez que a confissão irretratável de dívida implica extinção do litígio administrativo. Dessa forma, não havia objeto ao recurso e o acórdão deverá ser anulado, por meio de novo acórdão, razão pela qual proponho que, em face de situação de fato não conhecida do órgão julgador à época do julgamento do recurso, o processo seja colocado em pauta para análise da Turma. A proposta de reinclusão do processo em pauta foi aprovada pelo despacho decisório de fl. 543. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Gomes Fl. 537DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13888.002093/200371 Acórdão n.º 3302002.347 S3C3T2 Fl. 3 3 Conforme documento de fl. 529 (extrato do Paex), o contribuinte apresentou pedido de parcelamento (Lei n. 11.941, de 2009) dos débitos com a Receita Federal em 30 de junho de 2011. Da segunda folha do extrato do sistema de consulta, constam como incluídos no parcelamento os seguintes processos: PROCESSO SISTEMA SITUACAO _ 13888002092/200327 SIEFPROC CONSOLIDADO _ 13888002093/200371 SIEFPROC CONSOLIDADO _ 13888720468/201199 SIEFPROC CONSOLIDADO _ 18208094041/201159 SIEFPROC CONSOLIDADO A informação somente foi juntada aos autos com o despacho de fl. 531 da DRF / Piracicaba. Portanto, os Acórdãos n. 330201.385, de 25 de janeiro de 2012, e n. 3302 001.857, de 24 de outubro de 2012, foram prolatados pela Turma sem o conhecimento do fato. Ocorre que a Lei n. 11.941, de 2009, art. 1º, § 11, previa a indicação detalhada dos débitos a serem parcelados, o que, no presente caso, conforme esclarecido acima, abrangeu os débitos constantes do presente processo. O art. 5º da referida Lei dispôs o seguinte, com os devidos destaques: Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Tratandose de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplicase ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do Carf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011), que dispõe o seguinte, com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3o No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. {2} Dessa forma, houve desistência do recurso antes de seu julgamento, que ocorreu por ignorância do fato. Não existindo mais litígio, que se extinguiu com o pedido de parcelamento dos débitos, o recurso não tinha mais objeto e o acórdão é nulo. Dessa forma, voto por declarar a nulidade dos Acórdãos n. 330201.385, de 25 de janeiro de 2012, e n. 3302001.857, de 24 de outubro de 2012, que não produzirão mais efeitos, à vista da confissão irrevogável e irretratável da dívida e de seu parcelamento pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator Fl. 539DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10580.726297/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicar-se-á a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicarseá a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 97 /2 01 0- 97 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726297/201097 Acórdão n.º 2401003.391 S2C4T1 Fl. 105 3 Relatório DISMEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1531.219/2012, às fls. 73/83, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 19/07/2010, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2006 a 13/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 26/39, consubstanciadas nos seguintes Levantamentos: 1) FC – Remunerações de empregados, consignadas em folhas de pagamento, mas não declaradas em GFIP; 2) IN – Remunerações de contribuintes individuais não declaradas em GFIP. Montantes pagos aos prestadores de serviços pessoas físicas, registrados na contabilidade da empresa; 3) RA – Remunerações de empregados constantes da RAIS, não declaradas em GFIP. A base de cálculo fora apurada por aferição indireta com arrimo nas informações inscritas na RAIS, uma vez que a contribuinte apresentou as folhas de pagamento incompletas; Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 87/101, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. De início, ressalta que a exigência fiscal encontrase escorada em liminar deferida nos autos de mandado de segurança impetrado pelo Sindicado dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado da Bahia, a qual não é capaz de determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, devendose afastar, igualmente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre o montante pago aos empregados na primeira quinzena de afastamento por motivo de doença ou acidente, bem como sobre o adicional de 1/3 de férias. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, tendo a contribuinte demonstrado em sede de impugnação os erros materiais intransponíveis incorridos pela autoridade lançadora, a qual baseou a autuação em meras presunções. Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente injustificado e imotivado. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela autuada, ainda que contendo pequenos erros, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Defende a inaplicabilidade de dois procedimentos distintos para a apuração do crédito tributário, na forma que conduziu a autoridade lançadora ao lançar diretamente na contabilidade um levantamento e arbitrar outro. Melhor explicitando, aduz que a escrituração contábil deve ser considerada válida para todos os levantamentos ou inválida, igualmente, para toda exigência. Requer o afastamento dos juros incidentes a partir de abril de 1995, em face da violação do artigo 161, parágrafo 1o, do Código Tributário Nacional, o que macula aludida exigência de vício de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726297/201097 Acórdão n.º 2401003.391 S2C4T1 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada em razão da constatação da ausência de recolhimento das contribuições sociais, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, consubstanciadas nos levantamentos acima elencados. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, a qual demonstrou em sede de impugnação os erros materiais intransponíveis incorridos pela autoridade lançadora, que baseou a autuação em meras presunções. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 23/24, Relatório Fiscal da Autuação, às fls. 26/39, e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, notas fiscais, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Destarte, é direito da contribuinte discordar da imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência, sobretudo quando a recorrente não comprova o alegado. DO ARBITRAMENTO Em suas razões recursais, requer a contribuinte seja decretada a insubsistência do lançamento, por entender fundarse em simples presunções, afrontando os princípios do devido processo legal e da verdade real ou material, eis que não poderia ter sido utilizado o instituto da aferição indireta em detrimento aos documentos ofertados pela recorrente, que contém os elementos concretos para apuração das contribuições previdenciárias ora arbitradas. Aduz, ainda, que a autoridade lançadora não logrou comprovar suas alegações, na forma que exige a legislação previdenciária, sendo o lançamento fundado exclusivamente em presunções, não merecendo, assim, ser mantido. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a fiscalização utilizouse da aferição indireta na apuração do crédito previdenciário ora exigido, sem qualquer motivação para tanto, sendo referido procedimento medida extrema, somente passível de utilização em casos como inexistência de escrituração contábil, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Conclui pela inaplicabilidade de dois procedimentos distintos para a apuração do crédito tributário, na forma que conduziu a autoridade lançadora ao lançar diretamente na contabilidade um levantamento e arbitrar outro. Melhor explicitando, aduz que a escrita contábil deve ser considerada válida para todos os levantamentos ou inválida, igualmente, para toda exigência. Inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não são capazes de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, impondo seja mantida a autuação em sua integralidade, conforme passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese de não refletir o movimento real das remunerações dos funcionários da empresa, ou quando o contribuinte deixar de apresentar os documentos solicitados, os quais seriam capazes de demonstrar a perfeita base de cálculo ou comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias, a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, arbitramento, por exemplo, para lançar os tributos devidos, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade, como se vislumbra no caso sub examine. Dessa forma, in casu, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta quanto a um dos levantamentos, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, que assim preceitua: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726297/201097 Acórdão n.º 2401003.391 S2C4T1 Fl. 107 7 incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Conforme se depreende do dispositivo legal encimado, bem como dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, tratase de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratarse de presunção juris tantum, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Com efeito, restou devidamente demonstrado pela fiscalização que a contabilidade da contribuinte não se apresentava na forma exigida pela legislação previdenciária, deixando de espelhar a realidade da movimentação das remunerações dos segurados empregados, impondo ao AFRB promover o lançamento por aferição indireta nos precisos termos da legislação de regência, cabendo à autuada o ônus da prova em contrário. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Destarte, a própria empresa reconhece ter havido alguns equívocos em sua contabilidade, sustentando, porém, que não seriam capazes de ensejar a apuração da exigência fiscal por arbitramento, o que não representa a melhor interpretação das normas de regem a matéria, mormente quando a contribuinte não procurou justificar e/ou corrigir os erros constantes de sua escrituração contábil. Por outro lado, extraise do Relatório Fiscal que o presente lançamento encontrase segregado em 3 levantamentos distintos, sendo que somente no RA o crédito fora constituído por arbitramento, o que não representa qualquer afronta à legislação de regência, uma vez que exclusivamente em relação àquelas remunerações a autoridade fiscal não teve condições de aferir diretamente a base de cálculo do tributo lançado, especialmente em razão das informações omissas na contabilidade da recorrente. Observese, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os acréscimos legais ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726297/201097 Acórdão n.º 2401003.391 S2C4T1 Fl. 108 9 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15504.017154/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
SIMPLES. EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA.
- Caracterizada a utilização de interposta pessoa, deve ser mantida a ordem de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1102-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa de Monteiro (presidente da turma à época), Antonio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo Andrade Couto e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. - Caracterizada a utilização de interposta pessoa, deve ser mantida a ordem de exclusão do SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa de Monteiro (presidente da turma à época), Antonio Carlos Guidoni Filho (vice-presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo Andrade Couto e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
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EXCLUSÃO. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracterizada a utilização de interposta pessoa, deve ser mantida a ordem de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa de Monteiro (presidente da turma à época), Antonio Carlos Guidoni Filho (vicepresidente), João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo Andrade Couto e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 71 54 /2 00 9- 83 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO 2 Relatório Em decorrência de procedimento de fiscalização iniciado contra a Recorrente, foi instaurada Representação para Exclusão do Simples Nacional, fundamentada na caracterização de sociedade constituída por interposta pessoa, amparada nas seguintes constatações: i) o endereço da fiscalizada no cadastro CNPJ coincide com o da firma individual Douglas dos Santos Aguiar, CNPJ n.º 01.436.162/000130; ii) Douglas é o proprietário do imóvel atualmente ocupado pela fiscalizada; iii) Durante o ano de 2007, a empresa fiscalizada emprestou a sua titular um total de R$ 3,3 milhões, em valores contabilizados como saídas de caixa, sob o histórico “Empréstimos concedidos aos sócios” mas não consta registro nos extratos bancários apresentados e o valor não foi declarado pela titular; iv) No início de 2007, havia registro de um empréstimo à titular de R$ 900 mil, não informado em suas declarações, totalizando R$ 4,21 milhões ao final do ano; v) A ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, relativa ao anocalendário de 2007 foi dada no endereço do sujeito passivo a Alessandra Karla Amaral Lima, que apresentou contracheque como vendedora da empresa e informou que a titular Maria Ismália dos Santos Pereira “não costumava vir a empresa”; vi) A intimação respondida pelo responsável pela contabilidade, apresentando registro na JUCEMG, Livro Caixa, talonários de Notas Fiscais, contratos comerciais (assinados apenas pelo contratante, não assinados pela fiscalizada), extratos bancários de 2007 dos bancos do Brasil, Bradesco, Itaú e ABN AMRO Real e a procuração assinada pelo titular em favor de seu filho; vii) Na conta corrente de titularidade do sujeito passivo do Banco Bradesco foram constatados R$ 1.362 mil de transferência de numerário para Douglas dos Santos Aguiar e Douglas dos Santos Aguiar ME; viii) No termo de constatação e Intimação Fiscal n.º 02, de 14/09/99, a fiscalizada foi intimada, entre outros elementos, a informar e comprovar mediante documentação hábil e idônea, a natureza e causa da operação dos pagamentos a Douglas Santos Aguiar relacionados em quadro anexo e a apresentar as Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 15504.017154/200983 Acórdão n.º 1102000.694 S1C1T2 Fl. 3 3 respectivas notas fiscais e recibos de transferências bancárias; ix) O sujeito passivo, em ofício assinado pela própria titular, declarou que: “A minha firma individual aderiu ao Parcelamento da Lei n.º 11.941, de 27/05/09” e que: “Resolve por liberalidade, tendo em vista que a firma tem necessidade de regularizar sua situação fiscal, optar por não questionar os eventuais lançamentos resultantes da referida intimação fiscal, rquerendo, dessa forma a V. Sa. a lavratura do respectivo auto de infração pertinente, para a inclusão no parcelamento em questão.” Intimada do Ato Declaratório de Exclusão, a Recorrente apresentou Impugnação, aduzindo, em síntese, que desprovida de validade a sua descaracterização como titular da sociedade, porquanto não se trataria de utilização de interposta pessoa, mas de outorga de mandato ao Sr. Douglas dos Santos Aguiar, seu filho, consoante disciplina dos artigos 653 e 663, do Código Civil. Acrescenta a Recorrente que, na qualidade de empresária individual, cumpriu regularmente as obrigações legais pertinentes, notadamente no que diz respeito à necessidade de sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, com a indicação do seu nome, domicílio, estado civil, firma sob a qual exercerá a atividade, capital, objeto e sede, além de ter sido caracterizada a unidade econômica organizada no endereço em que exerce suas atividades. No que tange à alegação da Autoridade Administrativa quanto à identidade de endereços da Recorrente e da firma individual do seu filho, assevera que os endereços seriam distintos, além de considerar ser possível que uma área comercial albergue várias empresas. Após defender que as transferências de valores apontadas pelo Fisco para sustentar a caracterização de interposta pessoa seriam atos corriqueiros no ambiente de empresa familiar, cabendo a exigência apenas da regular tributação das receitas que originaram tais operações, informa interesse em pagar o débito no âmbito do parcelamento instituído pela Lei n.º 11.941/09, com o reconhecimento do auferimento de receitas superiores ao limite imposto pela sistemática do SIMPLES e defesa visando à manutenção da integridade da Recorrente no que diz respeito à sua titularidade. Por fim, invocou os artigos 5º, II e 170, da Carta Magna, no sentido de que a Sra. Maria Ismália dos Santos Pereira, como autêntica titular da sociedade, teria ampla liberdade para escolher a melhor maneira de gerir seu negócio e que não teria havido simulação, além de estar amparada a representação em descabidas e incomprovadas alegações, o que autorizaria a declaração de ilegitimidade do ato declaratório executivo atacado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a Impugnação, por entender claros os elementos trazidos aos autos pela fiscalização para permitir a conclusão de caracterização de interposta pessoa, fazendo referência à expressiva movimentação financeira da Recorrente, sem reflexo em sua Declaração de Imposto de Renda, em contrapartida à declaração de ajuste anual do mesmo exercício de Douglas dos Santos Aguiar, com diversos bens como imóveis, dinheiro em moeda corrente, três automóveis da marca Ferrari, que perfizeram R$2.664.738,48, em 31/12/2006 e R$ 5.789.136,09, em 31/12/2007. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO 4 Além das declarações, considerou a DRJ diversas transferências de recursos entre a Recorrente e Douglas dos Santos Aguiar, que somaram R$ 1,362 milhões no ano de 2007, em relação aos quais a empresa foi intimada a esclarecer e não o fez, além da manutenção do mesmo endereço no período de julho de 2003 a setembro de 2005, sob o entendimento de que o acréscimo de letra no endereço caracterizariase como expediente utilizado para impedir a ocorrência de pendências nas inscrições estaduais e municipais das pessoas jurídicas. Por fim, os julgadores consideraram como forte indício da real titularidade do empreendimento a procuração outorgada pela fiscalizada, com poderes amplos e gerais para administrála, representála perante todos os estabelecimentos bancários, abrir contas, movimentálas, depositar e retirar dinheiro, títulos e valores, emitir cheques nominais, realizar ordens de pagamento e depósitos, levantar no todo ou em parte saldos, fazer transferências, requisitar talões de cheques, caucionar e descontar duplicatas, letras de cambito e notas promissórias, conceder prorrogações de prazos e modificar vencimentos de títulos, efetuar abatimentos, admitir e demitir empregados, assinar todos e quaisquer documentos, inclusive livros fiscais e outros que se fizerem necessários, o que teria autorizado a manutenção da exclusão, com amparo no art. 29, do Decreto n.º 70.235/72 . Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repetindo as razões anteriormente postas, e acrescentando que: i) a comprovação de numerário em conta bancária de terceiros não caracterizaria utilização de interpostas pessoas, mas omissão de receitas; ii) haja vista não ser possível o deferimento de parcelamento de débitos do Simples Nacional na sistemática da Lei n.º 11.941/09, a Receita Federal persiste na exclusão com base na utilização de interpostas pessoas, ao invés de determinar a exclusão em razão do sobejamento do limite de faturamento; iii) A adesão ao parcelamento n.º 11.941/09 pressupõe tacitamente que os débitos nele inclusos não foram apurados pela sistemática do Simples, de modo que a exclusão objetivada no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n.º 0158 já foi alcançada pelo parcelamento e não é mais necessária; iv) Ausente o interesse jurídico da Receita Federal na discussão travada no presente processo, em razão do alcance do seu objetivo – exclusão do Simples – e da adesão ao parcelamento; v) O fisco não teria demonstrado, ainda que de forma ordinária, qualquer irregularidade por parte da Sra. Maria Ismália dos Santos Pereira na observância dos requisitos que legitimam sua condição jurídica de empresária; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Processo nº 15504.017154/200983 Acórdão n.º 1102000.694 S1C1T2 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Tratase de ato de exclusão do Simples, fundamentado na utilização de interposta pessoa, fundamentado nos seguintes fatos: i) identidade de endereços da Recorrente e do estabelecimento de Douglas Santos Aguiar; ii) transferências de valores expressivos durante todo o anocalendário para as contas de titularidade de Douglas Santos Aguiar e Douglas Santos Aguiar ME, identificados nos quadros de fls. 19/20, sem a necessária indicação da natureza e causa, apesar de devidamente intimada a Recorrente; iii) instalação da Recorrente no imóvel de propriedade de Douglas dos Santos Aguiar; iv) contabilização como saída de caixa do valor de R$ 3,3 milhões durante o anocalendário de 2007; v) declaração de funcionária da Recorrente quanto à presença da titular Maria Ismália dos Santos Pereira; vi) reconhecimento de omissões de receitas e inclusão da totalidade dos débitos em parcelamento; vii) declaração de imposto de renda de Maria Ismália dos Santos incompatível com o volume de operações omitidas e já reconhecidas pela Recorrente; viii) declaração de rendimentos de Douglas Santos Aguiar; Em razão da identificação dos fatos acima elencados, defende a Recorrente que o Sr. Douglas dos Santos Aguiar atuaria como auxiliar da Sra. Maria Ismália dos Santos, através de instrumento de mandato, apesar de iniludivelmente caracterizada a condição de sócio de fato, diante das provas produzidas pela fiscalização. Na realidade, a procuração outorgada retrata e reforça que a administração e todos os atos praticados pela Recorrente foram realizados pelo Sr. Douglas dos Santos Aguiar, não tendo sido demonstrado a prática de qualquer ato ou participação da Sra. Maria Ismália capaz de afastar a constatação de utilização de interposta pessoa. No que tange às alegações da Recorrente no sentido de que não mais subsistiria interesse na exclusão da Recorrente, em razão do reconhecimento da prática de Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO 6 infrações tributárias – omissões de receitas – também não merece prosperar porquanto a legislação de regência impõe consequências distintas aos contribuintes que são excluídos quando extrapolado o limite do SIMPLES, permitindo, inclusive, retroatividade na hipótese em tela. O reconhecimento dos débitos e posterior parcelamento propiciam a regularização da Recorrente, mas não tem o condão de afastar a constatação de utilização de interposta pessoa. Não merece reparos, portanto, a decisão da DRJ. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 05/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720141/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE IRPJ - RECEITAS FINANCEIRAS - APROPRIAÇÃO - REGIME DE COMPETÊNCIA - OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO IRPJ.
Confirmado, por meio de diligência fiscal, que as receitas financeiras sobre as quais incidiu o imposto de renda na fonte deduzido foram oferecidas à tributação, não se sustenta a glosa do saldo negativo apurado, ao argumento de que as receitas sobre as quais incidiu a retenção não compuseram integralmente a base de cálculo do período.
Numero da decisão: 1301-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os Conselheiros, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ RECEITAS FINANCEIRAS APROPRIAÇÃO REGIME DE COMPETÊNCIA OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO IRPJ. Confirmado, por meio de diligência fiscal, que as receitas financeiras sobre as quais incidiu o imposto de renda na fonte deduzido foram oferecidas à tributação, não se sustenta a glosa do saldo negativo apurado, ao argumento de que as receitas sobre as quais incidiu a retenção não compuseram integralmente a base de cálculo do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os Conselheiros, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 41 /2 00 6- 16 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Acórdão n.º 1301001.337 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). Relatório O litígio submetido a esta Turma diz respeito a não homologação da compensação objeto da Declaração de Compensação n° 07362.62120.300605.1.3.021514, apresentada pelo contribuinte Suzano Papel e Celulose S/A, a fim de, mediante utilização do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2005, anocalendário de 2004, no valor original de R$3.274.287,28, extinguir débito de IRPJ relativo ao período de apuração de maio de 2005, no montante de R$3.537.539,98. Ao examinar a Declaração de Compensação, a autoridade administrativa competente concluiu pela inexistência do direito creditório, por inconsistência do valor do imposto de renda sobre aplicações financeiras compensado, em relação ao montante de receitas de aplicações financeiras oferecidas à tributação. No despacho decisório restou esclarecido que, de acordo com os controles da RFB (sistema SIEFDRF), para o anocalendário de 2004 ocorreram retenções do imposto de renda na fonte sobre aplicações financeiras em montante total de R$32.453.728,74, incidentes sobre receitas que totalizam R$170.696.346,79. Ao mesmo tempo, a soma dos rendimentos de aplicações financeiras informados na DIPJ (linhas 23 e 24 da ficha 06A), totaliza R$79.621.988,80, sendo que o total do imposto de renda retido na fonte informado totaliza R$31.292.940,15. A autoridade proporcionalizou o valor da retenção com o valor dos rendimentos sobre os quais incidiu, e aplicou a proporção sobre as receitas financeiras que integraram o lucro em 31/12/2004, obtendo um resultado de R$15.915.963,63. A partir daí, recompôs a apuração do IRPJ referente ao período de 2004, apurando saldo positivo. Em manifestação de inconformidade a interessada invocou a distinção de regimes de informação, na DIRF, do imposto retido (caixa), e o regime de tributação dos rendimentos (competência), que provoca o descasamento entre receita oferecida à tributação e imposto retido, e postulou, caso se entendesse necessária a análise da documentação contábil da contribuinte para comprovação do alegado, a designação de diligência. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador entendeu desnecessária a diligência, tendo o relator justificado que os quesitos formulados para a diligência denotam a intenção de transferir a responsabilidade de esclarecer os fatos registrados em sua contabilidade que, inclusive, foram objeto de intimação durante os procedimentos de verificação do pedido de compensação. Quanto ao mérito, indeferiu a manifestação de inconformidade afirmando que se apenas parte das receitas financeiras recebidas pela empresa representa receitas auferidas no período de apuração, também só podem ser utilizadas as parcelas das retenções correspondentes a essas receitas, em conformidade com o disposto no art. 76, caput e § 2ºo , da Lei n° 8.981, de 1995, entendimento que se encontra explicitado no art. 44, § 1º o , inciso I, da Instrução Normativa n° 93, de 1997. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Acórdão n.º 1301001.337 S1C3T1 Fl. 4 3 A interessada interpôs recurso voluntário deduzindo as mesmas razões declinadas na manifestação de inconformidade. Submetido a julgamento em sessão de 10 de abril de 2012, resolveu, esta 1ª Turma Ordinária, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a seguir reproduzido: “Se os rendimentos das aplicações” financeiras são apropriados pelo regime de competência e integram o lucro real de cada período em que incorridos, antes de ter havido qualquer retenção, e se o imposto de renda só é retido por ocasião do resgate, é óbvio que pode haver descasamento entre o valor do rendimento constante no informe dos rendimentos fornecido pelas fontes e os registros contábeis das receitas. Da mesma forma, se os rendimentos de aplicações financeiras integram o lucro real de períodos em que produzidos (Lei 8.981/95, art. 76, § 2º), quando ainda não houve qualquer retenção, e o imposto posteriormente retido na fonte é deduzido do apurado no encerramento do período (Lei 8.981/95, art. 76, inciso I), o eventual descasamento entre o períodobase em que a receita integrou o lucro real e o períodobase em que ocorreu a retenção afasta a interpretação literal do da alínea “c” do § 3º do art. 37. Em se tratando de imposto retido sobre rendimentos de aplicações financeiras, devese entender que pode ser compensado o imposto retido na fonte sobre as receitas que houverem sido computadas na determinação do lucro real, do ano da retenção ou de anos anteriores. Porém a tão só divergência de regimes não é suficiente para legitimar o direito creditório pleiteado, sendo indispensável comprovar que as receitas sobre as quais incidiu a retenção já foram oferecidas à tributação. E a tanto a Recorrente não foi intimada com clareza. Pelas razões expostas, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a interessada comprove, inclusive mediante apresentação dos lançamentos no Diário e Razão, que a diferença entre o valor das receitas constantes dos informes de rendimentos e o valor informado na DIPJ do anocalendário de 2004 foi computado no lucro real de anos calendários anteriores.” Retornam, agora, os autos, com a diligência cumprida. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Fl. 603DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Acórdão n.º 1301001.337 S1C3T1 Fl. 5 4 Como se viu do relatório, o cerne do litígio se encontra no não reconhecimento do direito creditório representado por saldo negativo de IRPJ, em razão da glosa parcial do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, tendo em vista que os rendimentos a eles correspondentes não integraram a declaração. A autoridade administrativa não negou a efetividade das retenções sofridas e informadas para compensação, mas desconsiderouas em parte ao argumento de que as receitas sobre as quais incidiu o imposto não foram integralmente computadas na declaração (DIPJ2005/2004). A diligência levada a efeito a pedido desta Turma apresentou as seguintes conclusões: “Aduz a interessada que”, no caso sob análise, do total das receitas financeiras de R$ 156.547.614,00 constante em DIRF no ano calendário de 2004, uma parcela de R$ 49.011.360,76 já havia sido oferecida à tributação na DIPJ do ano calendário de 2003 por ocasião de seu recebimento, tendo sido tributada no ano calendário de 2004 tão somente a parcela remanescente de R$ 107.536.253,24. O confronto entre o resumo das DIRF transmitidas pelas fontes pagadoras para os anos calendários de 2003 e 2004 (fls. 36/39 e 78/88), as DIPJ de ambos os períodos (fls. 50/77 e 503/591) e demais documentos apresentados em atendimento à Intimação nº 26/2013 (fls. 251/501) atestou que, de fato, o valor de R$ 49.011.360,76 referente a parte das receitas financeiras com retenções integrantes do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2004 foi tributado no ano calendário de 2003, embutido no valor de R$ 93.334.920,82 consignado na linha 23, ficha 6A da DIPJ/2004 (fl. 508). Os demonstrativos de fls. 252/268 evidenciam que as receitas de aplicações financeiras no total de R$ 107.536.253,24 que remanesceram para tributação do ano calendário de 2004 foram adicionadas aos juros ativos, descontos obtidos, variação monetária ativa e outras receitas. Após os ajustes efetuados pelas perdas na liquidação de opções e conversão de títulos e pelo provisionamento/reversão do provisionamento de rendimentos, foi oferecido à tributação na linha 22 da Ficha 6A o total de R$ 79.306.162,56 na forma demonstrada a seguir: Demonstrativo de composição das receitas financeiras tributadas no ano calendário de 2004 Item dos registros contábeis Valor Ganho (perda) na liquidação de opções 8.619.711,0 4 Ganho (perda) na liquidação de opções 5.222.201,0 9 Ganho (perda) na liquidação de opções 9.561.035,0 6 Ganho (perda) na conversão 240.124,16 SUBTOTAL 1 35.517.188, 21 Rendimentos de aplicação financeira 107.536.25 3,24 Juros ativos 4.180.294,3 6 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.720141/200616 Acórdão n.º 1301001.337 S1C3T1 Fl. 6 5 Juros de empréstimos compulsórios Eletrobrás 515.907,23 Descontos obtidos 1.555.844,3 9 Receitas Financeiras CSPCSPP 556.985.98 Rendimento de cotas do FND Juros DL22 1.02 Outras receitas financeiras 335.394.99 Variação monetária ativa 122.669,56 SUBTOTAL 2 114.823.35 0,77 Receitas financeiras tributadas em 2004 (Subtotal 2 – 1) 70.306.162, 56; Fica evidente, pois, a regularidade na tributação das receitas financeiras no ano calendário de 2004 consoante demonstrado no anexo, que integra esta Informação. De todo o exposto, inferese que a requerente faz jus ao aproveitamento do crédito correspondente ao imposto de renda retido na fonte no ano calendário de 2004 nos termos dos artigos 373, 770 e 773 do Decreto nº 3.000/1999.” Isto posto, tendo o resultado da diligência infirmado o fundamento da autoridade administrativa e da decisão recorrida para a não homologação da compensação, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 605DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 12897.000511/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A pessoa jurídica enquadrada na sistemática de tributação com base no lucro real, com opção pela apuração anual dos tributos devidos, fica obrigada ao recolhimento mensal das estimativas apuradas com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão e redução, sujeitando-se à imposição de multa isolada, nos termos da lei, quando apurado, pelo Fisco, a sua falta de recolhimento.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITAÇÃO AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO.
A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor da contribuição devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, a lei expressamente prevê a aplicação de multa ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa no ano calendário correspondente, caso em que contribuição social sobre o lucro líquido devida seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITE TEMPORAL.
A lei não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso. Pelo contrário, o fato de a multa ser devida mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do ano calendário constitui clara indicação de que a multa também pode ser lançada após o encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 1102-000.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente em exercício e Redator designado.
Documento assinado digitalmente.
Silvana Rescigno Guerra Barretto Relatora.
Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima Lima (presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre Santos Linhares.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A pessoa jurídica enquadrada na sistemática de tributação com base no lucro real, com opção pela apuração anual dos tributos devidos, fica obrigada ao recolhimento mensal das estimativas apuradas com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão e redução, sujeitandose à imposição de multa isolada, nos termos da lei, quando apurado, pelo Fisco, a sua falta de recolhimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, a lei expressamente prevê a aplicação de multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 05 11 /2 00 9- 18 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 3 2 correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITE TEMPORAL. A lei não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso. Pelo contrário, o fato de a multa ser devida mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do ano calendário constitui clara indicação de que a multa também pode ser lançada após o encerramento do anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A pessoa jurídica enquadrada na sistemática de tributação com base no lucro real, com opção pela apuração anual dos tributos devidos, fica obrigada ao recolhimento mensal das estimativas apuradas com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão e redução, sujeitandose à imposição de multa isolada, nos termos da lei, quando apurado, pelo Fisco, a sua falta de recolhimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITAÇÃO AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor da contribuição devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, a lei expressamente prevê a aplicação de multa ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa no ano calendário correspondente, caso em que contribuição social sobre o lucro líquido devida seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. LIMITE TEMPORAL. A lei não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no ano em curso. Pelo contrário, o fato de a multa ser devida mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do ano calendário constitui clara indicação de que a multa também pode ser lançada após o encerramento do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 4 3 Vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barretto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente em exercício e Redator designado. Documento assinado digitalmente. Silvana Rescigno Guerra Barretto – Relatora. Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima Lima (presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes e Francisco Alexandre Santos Linhares. Relatório Tratase de auto de infração de infração lavrado com o fito de exigir multas isoladas em decorrência da falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL em 31 de janeiro de 2006, nos valores de R$ 760.325,61 e R$ 274.077,22, respectivamente. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação aduzindo, em síntese,que: i) No anocalendário de 2006, apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no montante de R$ 125.003.443,63; ii) as estimativas constituem meras antecipações dos tributos devidos no final do exercício, portanto não são exigíveis após o encerramento do período, consoante disciplina do parágrafo 3, do art. 2, da lei n. 9.430/96 e do art. 35, da lei n. 8981/95; iii) A infração foi capitulada pela fiscalização no art. 44, II, “b”, da Lei n 9.430/96, com redação dada pela art. 14, da Lei n.11.488, de 15 de junho de 2007, fruto da conversão da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, em descompasso com o art. 144, do CTN que impõe a aplicação da norma tributária vigente à época da prática da suposta infração (2006); iv) À época do fato que motivou o lançamento, a multa isolada apenas teria cabimento quando devido tributo, o que impediria a aplicação da multa isolada; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 5 4 v) Para a imposição de multa isolada seria necessário o lançamento antes do término do exercício; vi) A jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes e do CARF não toleraria a manutenção da multa isolada na hipótese de contribuinte ter sofrido lançamento da multa após o encerramento de exercício cujo resultado foi prejuízo e base negativa; vii) A aplicação sanção visando garantir o adimplemento de obrigação tributária inexistente afrontaria aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; A 5ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, por considerar que a penalidade imposta tem previsão no art. 44, da Lei n. 9.430/96, tanto na redação original, como na redação dada pela lei 11.488, de 2007 e que a multa aplicada foi feita com base na nova norma, vigente à época do lançamento, porquanto benéfica, consoante autoriza o art. 106, II, “c”, do CTN. Inoconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário repetindo as razões postas na peça impugnatória e transcrevendo precedentes deste Colendo Conselho. Voto Vencido Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Cingese a discussão acerca da exigência da multa isolada, prevista no art. 44, II, “b”, da Lei n.º 9.430/96, após o encerramento do exercício em face de contribuinte que deixou de recolher as estimativas do IRPJ e apurou prejuízos naquele anocalendário, conforme DIPJ/2007 (fls. 116/142). Consoante interpretação do art. 44, da Lei n.º 9.430/96 dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) há que ser aplicada na hipótese de não recolhimento tempestivo de estimativas do IRPJ ou da CSLL, desde que operada no curso do próprio anocalendário e, na hipótese de já terminado o exercício, sobre tributo devido maior do que o recolhido por estimativa, nos termos da ementa que a seguir transcrevo, referente a processo de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, verbis: “RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – A exigência de multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar preuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 6 5 encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa, hipótese não ocorrente quando o contribuinte apura prejuízo ao final do exercício. A mera ausência de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não configura, por si só, o fato tributário, mormente quando a Fiscalização não ilide a validade e a eficácia dos balancetes, da escrituração comercial e das declarações apresentadas pelo contribuinte.” (RecursoEspecial nº 105158.012, Acórdão nº 910100.110, Sessão de 11/05/09) No caso em tela, o cálculo da multa imposta levou em consideração o valor mensal da estimativa do mês de janeiro, sem observar que se tratava de lançamento efetuado após o término do anocalendário, hipótese em que a base de cálculo da multa isolada deve se restringir ao imposto apurado no final do período de apuração, imputandose a multa apenas à diferença entre o lucro real apurado e a estimativa recolhida, consoante impõe o art. 44, da Lei n.º9.430/96 vigente à época dos fatos que ensejaram o lançamento, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente.” (grifos acrescidos) Considerando que a norma impõe como base de cálculo da multa isolada a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição e, uma vez demonstrado que a Recorrente apurou prejuízos e base negativa, ilegal o lançamento efetuado após o término do exercício. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência de multa isolada. É como voto. Documento assinado digitalmente. Silvana Rescigno Guerra Barretto Relatora Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Peço vênia à ilustre relatora, para expor as razões de minha discordância em relação ao entendimento manifestado em seu bem fundamentado voto, o qual, ademais, reflete o entendimento majoritário do CARF, até este momento, a respeito da matéria. Não obstante, ouso divergir deste entendimento pelas razões a seguir expostas. A multa isolada aplicada tem o seu fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que possui a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 8 7 Cediço que a regra de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, consoante o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, é de períodos de apuração trimestrais. A apuração anual é uma alternativa oferecida pela Lei nº 9.430, de 1996, a qual, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação de diferentes percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, conforme a atividade econômica praticada. Exercida a opção por esta forma de apuração, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De se observar que a opção por esta forma de apuração, uma vez exercida, é de caráter irretratável para aquele ano calendário. Da leitura do dispositivo acima transcrito, sobressai que a exigência da multa isolada decorre exatamente da falta de recolhimento das estimativas a que se obriga a pessoa jurídica que, por vontade própria, opta pela apuração anual do imposto, e, ainda, que tal exigência não guarda nenhuma consonância com o quantum apurado ao final do ano calendário, caso contrário não faria sentido a parte final da alínea b do inciso II do caput (“...ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”). É preciso ficar claro que o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, posteriormente, se demonstrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas se revelarem, ao final do período de apuração, indevidas, é completamente irrelevante, e não pode servir de fundamento ao afastamento da incidência da norma legal no caso concreto. Aliás, pela própria natureza da sistemática, o normal é que os recolhimentos mensais se materializem a menor ou a maior que o devido, dando azo, respectivamente, ao saldo de imposto a pagar ou ao saldo de imposto a ser restituído ou compensado. A conclusão que se impõe, portanto, é que as estimativas mensais devidas constituem obrigação autônoma, pois surgem antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que se dá apenas em 31 de dezembro. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. De fato, as estimativas, com base nas quais calculase a multa isolada, são ordinariamente calculadas com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Já o IRPJ e a CSLL devidos ao final do ano, sobre os quais impõese a multa de ofício, são calculados com base no lucro líquido contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas na legislação. Apenas em circunstâncias muito específicas haveria coincidência de valores entre a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo da multa de ofício, pelo que não se pode tomar a exceção como fundamento para a equivocada conclusão de que uma mesma infração estaria sofrendo dupla penalidade. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 9 8 Ademais, ainda que se admitisse que, no caso, uma única infração estivesse sendo submetida a duas penalidades distintas, não se vislumbraria, neste fato, qualquer irregularidade ou motivo para cancelamento de uma delas, em prol da outra. Vale dizer, não possui aplicabilidade, no Direito Tributário, o denominado princípio da consunção, existente no Direito Penal, argumento este que tem sido invocado por muitos de meus pares para justificar o cancelamento da multa isolada aplicada. De fato, são inúmeros os casos na legislação tributária em que uma única infração pode gerar diversas penalidades. Cito apenas um exemplo, para ilustrar o ponto: a exposição à venda de cigarro estrangeiro sem selo de controle acarreta ao infrator a cobrança do imposto sobre produtos industrializados que deixou de ser pago, acrescido da multa de 150%, além da pena de perdimento da mercadoria, e de multa igual ao valor comercial da mercadoria. Neste caso, poderseia dizer que estão sendo impostas três penalidades sobre uma única infração. Vejamos como um caso destes é julgado pela 3a Seção do CARF: “CIGARROS NACIONAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO, ENCONTRADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. Nos termos do artigo 494 do Decreto n°4.544, de 26 de janeiro de 2002 — RIPI/2002, "será exigido do proprietário do produto encontrado na situação inegular descrita nos arts. 277 e 284, o imposto que deixou de ser pago, aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de cento e cinqüenta por cento de seu valor (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45, inciso II)." CIGARROS ESTRANGEIROS ENCONTRADOS SEM SELO DE CONTROLE A venda ou a exposição à venda de cigarros estrangeiros sem o selo de controle sujeita a mercadoria à pena de perdimento e o proprietário da mesma à penalidade prevista no art. 33 do Decretolei n° 1.593, de 1977, com a redação dada pelo art. 52 da Lei n° 10.637, de 29 de agosto de 2002, qual seja, multa igual ao valor comercial da mercadoria, não inferior a RS 1.000,00 (mil reais). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” (Acórdão 30236.775, sessão de 13 de abril de 2005, relatora Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto) Rejeitase com isto os argumentos no sentido da impossibilidade de concomitância de multas sobre uma mesma infração e/ou da aplicabilidade do princípio da consunção ao caso. De qualquer sorte, ressalvo que no caso concreto não há exigência de multa de ofício sobre o resultado fiscal apurado ao final do ano, pois este resultado é negativo, tanto para fins de IRPJ, quanto de CSLL. Ou seja, no caso concreto não se discute a tese da “concomitância de multas”. Tampouco podem ser acatados, em sede de julgamento administrativo, os argumentos acerca da abusividade ou confiscatoriedade da penalidade imposta, ou de afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O julgador administrativo é mero aplicador da lei ao caso concreto, e dela não se pode afastar, com base em suposta violação a princípios de ordem constitucional. Tal questão sequer suporta maiores digressões, em vista de estar devidamente pacificada por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcreve: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 298DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 10 9 Assim, tais argumentos somente podem ser opostos ao Poder Judiciário, em face de sua competência exclusiva para a apreciação da constitucionalidade de lei, ou então dirigidos ao legislador, que expressamente previu a aplicação das penalidades questionadas. A recorrente sustenta ainda que a infração foi capitulada pela fiscalização no art. 44, II, “b”, da Lei no 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela art. 14, da Lei no 11.488, de 2007 (a mesma redação, aliás, transcrita ao início do presente voto), e que isto estaria em descompasso com o art. 144, do CTN, que impõe a aplicação da norma tributária vigente à época da prática da suposta infração. De fato, devese aplicar ao lançamento a lei vigente ao tempo da prática da infração. Contudo, é de se registrar que a redação do art. 44 da Lei no 9.430/96, anterior à alteração promovida pela Lei no 11.488, de 2007, coincidia com esta quanto à descrição da infração sobre a qual deve ser imposta a penalidade. Confirase: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...) A recorrente sustenta que, na redação anterior, a multa isolada apenas teria cabimento quando fosse devido tributo. Entretanto, tal entendimento já foi ao norte refutado, na medida em que se demonstrou que o que se está a cobrar é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e que esta infração não guarda qualquer relação com o valor do imposto ou contribuição que venha ou não a se demonstrar devido ao final do período de apuração. A par da nova organização do art. 44 em alíneas, incisos e parágrafos, que foi promovida pela Lei no 11.488, de 2007, houve apenas uma alteração substancial, no que diz respeito ao caso concreto: a infração, que pela redação anterior era sujeita à penalidade de 75% sobre o valor das estimativas, passou a sujeitarse à penalidade de 50% sobre a mesma base de cálculo. Esta circunstância constitui uma “exceção”, por assim dizer, à regra geral plasmada no art. 144 do CTN, e a previsão legal desta excepcionalidade encontra seu fundamento no próprio CTN, mais precisamente no art. 106, que prevê a retroatividade da lei, quando esta cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. E isto já foi feito no presente caso, pela própria fiscalização. Portanto, a única retroatividade de lei aplicada no caso concreto foi a chamada “retroatividade benigna”. A recorrente sustenta ainda que a multa isolada só teria cabimento se fosse lançada antes do término do exercício. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME Processo nº 12897.000511/200918 Acórdão n.º 1102000.839 S1C1T2 Fl. 11 10 Conforme se pode conferir nas transcrições feitas, não há na lei qualquer comando neste sentido, quer em sua redação atual, quer naquela vigente ao tempo da prática da infração. Antes pelo contrário, a referência feita na lei ao fato de ser a multa devida mesmo quando apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL ao final do ano calendário constitui clara indicação de que a multa também pode ser lançada após o encerramento do anocalendário, pois é só então que se irá saber se o sujeito passivo apurou o resultado fiscal negativo a que alude o dispositivo. Por todo o exposto, deve ser mantida a exigência fiscal. Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 09/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OP PERMANN THOME
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