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Numero do processo: 11522.002487/2008-58
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE
DECLARAÇÃO.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº49).
Numero da decisão: 1803-001.014
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11522.002487/200858 Acórdão n.º 180301.014 S1TE03 Fl. 76 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre notificação de lançamento, conforme fl.16, relativo a cobrança de multa por atraso na entrega da(s) Declaração(ões) de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, do contribuinte em epígrafe, do 1° semestre do ano calendário 2006. O sujeito passivo apresentou impugnação, consoante fls. 01/14, na qual alegou em suma: a) A multa é inaplicável àqueles que entregaram a declaração, embora fora do prazo, sem que tenha havido qualquer ato da autoridade fiscal descaracterizando a espontaneidade do contribuinte (artigo 138 do CTN). b) Aduziu decisões administrativas e judiciais. c) Inexistiu pedido de esclarecimento, nos termos dos artigos 835 e 844 do RIR11999. d) Requereu a decadência do direito de lançar, em relação aos anos de 2001 e 2002.” A 3ª Turma da DRJ/BELÉM–PA, em sessão de 31 de março de 2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0116.919 onde decidiu “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo; pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. E vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11522.002487/200858 Acórdão n.º 180301.014 S1TE03 Fl. 77 3 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a administração pública federal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. INTIMAÇÃO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESCLARECIMENTOS. IMPUGNAÇÃO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. PREJUÍZO. NULIDADE. No caso de entrega intempestiva da DCTF, mesmo sem intimação fiscal para apresentar declaração original, a multa por atraso na apresentação deve ser mantida. Essa falta de intimação não invalida o lançamento, se ao contribuinte for oferecida a oportunidade de impugnação (rito do Decreto n° 70.235/1972 que garante contraditório e ampla defesa), na qual ele pode aduzir todas as informações e provas em seu favor. No caso de ausência de prejuízo ao sujeito passivo, não há falar em nulidade. Como a sujeição multa por atraso na entrega da DCTF é independente e autônoma em relação à intimação para apresentar declaração original, decorre que a penalidade deve ser aplicada em caso de extemporaneidade. DCTF. INTIMAÇÃO PRÉVIA. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DECLARAÇÃO COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES. A intimação prévia para prestar esclarecimentos só se aplica no caso de apresentação de declaração com incorreções ou omissões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão em 19/05/2010, a Recorrente protocolou, em 18/06/2010, recurso voluntário a este Conselho, onde manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, Relator O presente recurso é tempestivo, além de atender aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Observando tudo que consta nos autos, não posso concordar com a tese apresentada pela Recorrente (tanto na impugnação quanto no recurso voluntário), tendo em vista que a penalidade tributária decorre da aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao ano calendário de 2006; multa esta que foi imputada à Recorrente por força das Fl. 77DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11522.002487/200858 Acórdão n.º 180301.014 S1TE03 Fl. 78 4 determinações constantes do Art. 7° da Lei n° 10.426/2002 e que pode ser observada na forma esquemática, trazida aos autos pela DRJ, a qual, neste momento peço vênia para transcrever: A B C D 1 O sujeito passivo que deixar de apresentar: Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF); Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados Será intimado a apresentar a declaração original, no caso de não apresentação Sujeitarseá às seguintes multas I – de 2% por mês calendário ou fração incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração, ou entrega após o prazo, limitada a 20%. II – de 2% no mês calendário ou fração incidente sobre o montante de tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%. 2 Ou que as apresentar com incorreções ou omissões Ou a prestar esclarecimentos nos demais casos, no prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil III – de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observando a planilha acima, atentese que a coluna C (“sujeitarseá às seguintes multas”) é ligada pela conjunção “e” (e não “ou”), o que obriga sempre A na aplicação de multa por atraso na entrega ou com informações incorretas ou omitidas em qualquer das hipóteses das linhas 1 e 2; ou seja, intimandose previamente ou não o contribuinte. E, o denominado “prazo fixado” a que se refere à coluna A, linha 1, é o prazo fixado pela legislação tributária (art.6° da IN SRF n° 482/2004) para entrega da DCTF, e não um prazo aleatório posteriormente fixado pela Administração para a correção. Outrossim, a intimação prévia para prestar esclarecimentos só se aplica no caso de apresentação de declaração com incorreções ou omissões (linha 2). Diante desse fato, não há o que se falar se houve ou não pronunciamento ou qualquer ação por parte do fisco em relação ao atraso na entrega da DCTF, tendo em vista que a legislação imputa aos contribuintes um prazo para cumprir a obrigação acessória; e, no presente caso a Recorrente simplesmente não a fez. E, mesmo que o Fisco não tenha gerado qualquer movimento para cobrar o cumprimento da obrigação acessória da Recorrente, a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea. Essa é a posição da Súmula Carf nº 49, a quem, por dever de oficio, me filio e que possui o seguinte teor: Fl. 78DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11522.002487/200858 Acórdão n.º 180301.014 S1TE03 Fl. 79 5 “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Esse entendimento também é acolhido no âmbito do Poder Judiciário, onde a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 11522.002487/200858 Acórdão n.º 180301.014 S1TE03 Fl. 80 6 REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Por fim, como vem afirmando o Preeminente Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, nos julgamentos análogos realizados por essa 3ª Turma Especial, “não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração e entrega das declarações (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando)”. Assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 80DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 03/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 13839.002280/00-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 23/06/1997, 25/07/1997
IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. DECRETO-LEI No 666/69 E MP No1.508-18. O Decreto-Lei n° 666/69 teve o escopo de incentivar e fomentar a frota mercante nacional, por isso na hipótese de mercadoria importada beneficiada com isenção, o transporte por via marítima deve obrigatoriamente ser efetuado por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda de benefício fiscal.A isenção do IPI a que se refere a MP No1.508-18, só pode ser usufruída se as mercadorias procedentes do exterior, por via marítima, atenderem às prescrições dos art. 217, III e 218 do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n° 91.030/85), bem como dos artigos 2°, 5° e 6° do Decreto-lei n° 666/69, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 687/69.
IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. CONCEITO. O conceito de transporte em navio de bandeira brasileira, para fins de importações que utilizem o transporte marítimo é construído a partir dos art. 2º e 5º do Decreto-lei nº 666/1969. Dessa forma, o reconhecimento do direito ao benefício está condicionado ao transporte em navio de bandeira brasileira ou ao transporte em navio estrangeiro fretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente no transporte de longo curso, conforme prescrição do art. 5º.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do Fato Gerador: 23/06/1997, 25/07/1997 IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. DECRETO-LEI No 666/69 E MP No1.508-18. O Decreto-Lei n° 666/69 teve o escopo de incentivar e fomentar a frota mercante nacional, por isso na hipótese de mercadoria importada beneficiada com isenção, o transporte por via marítima deve obrigatoriamente ser efetuado por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda de benefício fiscal.A isenção do IPI a que se refere a MP No1.508-18, só pode ser usufruída se as mercadorias procedentes do exterior, por via marítima, atenderem às prescrições dos art. 217, III e 218 do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n° 91.030/85), bem como dos artigos 2°, 5° e 6° do Decreto-lei n° 666/69, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 687/69. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. CONCEITO. O conceito de transporte em navio de bandeira brasileira, para fins de importações que utilizem o transporte marítimo é construído a partir dos art. 2º e 5º do Decreto-lei nº 666/1969. Dessa forma, o reconhecimento do direito ao benefício está condicionado ao transporte em navio de bandeira brasileira ou ao transporte em navio estrangeiro fretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente no transporte de longo curso, conforme prescrição do art. 5º. Recurso Voluntário provido.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 23/06/1997, 25/07/1997 IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. DECRETOLEI No 666/69 E MP No1.50818. O DecretoLei n° 666/69 teve o escopo de incentivar e fomentar a frota mercante nacional, por isso na hipótese de mercadoria importada beneficiada com isenção, o transporte por via marítima deve obrigatoriamente ser efetuado por navio de bandeira brasileira, sob pena de perda de benefício fiscal.A isenção do IPI a que se refere a MP No1.508 18, só pode ser usufruída se as mercadorias procedentes do exterior, por via marítima, atenderem às prescrições dos art. 217, III e 218 do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n° 91.030/85), bem como dos artigos 2°, 5° e 6° do Decretolei n° 666/69, com a redação dada pelo Decretolei n° 687/69. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. CONCEITO. O conceito de “transporte em navio de bandeira brasileira, para fins de importações que utilizem o transporte marítimo” é construído a partir dos art. 2º e 5º do Decretolei nº 666/1969. Dessa forma, o reconhecimento do direito ao benefício está condicionado ao transporte em navio de bandeira brasileira ou ao transporte em navio estrangeiro fretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente no transporte de longo curso, conforme prescrição do art. 5º. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 22 80 /0 0- 35 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1717.889, da 1ª Turma da DRJ/SP II, que julgou procedente o lançamento lavrado contra a recorrente. A autuação referiuse à exigência de crédito tributário no âmbito do despacho aduaneiro processado das Declarações de Importação (DI) n° 97/05299625, registrada na ALF/Porto de SantosSP, no dia 23/06/1997 (fls. 20/24) e 97/06512160, registrada na ALF/Porto de SantosSP, no dia 25/07/1997 (fls. 30/34). As mercadorias relativas à DI n° 97/05299625 foram transportadas por via marítima, pelo navio REP. DE AMALFI. As mercadorias relativas à DI n° 97/06512160 foram transportadas por via marítima, pelo navio CONTSHIP ASIA. As Declarações de Importação acima citadas consubstanciaram as importações de mercadorias com o benefício fiscal da isenção do IPI vinculado à importação, com suporte na Medida Provisória n° 150818, de 18/06/97 e reeditada pela Medida Provisória n° 150819 de 14/07/97. Segundo a fiscalização, nas duas DI, a companhia emissora do BL foi a Emil Ipsen. Todavia, a empresa Emil Ipsen, emissora dos BL's (Conhecimento de Transporte), é de nacionalidade alemã, por isso a fiscalização entendeu que houve descumprimento da exigência de transporte em navio de bandeira brasileira em importações amparadas pela isenção do IPI vinculado à importação, nos termos do artigo 217, III do Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n° 91.030/85), bem como dos artigos 2° e 6° do Decretolei n° 666/69, com a redação dada pelo Decretolei n° 687/69. Ademais, inexistente, à época qualquer Acordo Bilateral em Transporte Marítimo firmado entre o Brasil e a Alemanha que pudesse beneficiar a empresa alemã como exceção à regra da exigência de transporte em navio de bandeira brasileira para as importações beneficiadas com isenção fiscal. O termo de verificação fiscal destaca que no despacho aduaneiro não foi apresentado documento de liberação de carga expedido pelo órgão competente do Ministério Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 12 3 dos Transportes. E, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos pertinentes (BL's Master ou Waivers Liberação de Carga emitida pela Marinha Mercante Brasileira), mas informou que tais documentos haviam sido extraviados (fls. 44). Por isso, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4/7, para formalizar a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no regime de tributação integral, acrescido de juros de mora e de multa de 75%. Em sede de impugnação, a empresa sustentou: diversamente do sustentado no Termo de Verificação Fiscal, as mercadorias descritas nas D.I. n° 97/05299625 e 97/06512160 foram transportadas por navio de bandeira nacional; Para a BL n° 15.707014 DE, uma das operações de importação realizadas pela recorrente foi com a empresa alemã "SMG Süddeutsche Maschinenbau GmBh & Co., da qual adquiriu 02 prensas hidráulicas, que foram transportadas pelo navio "Contship Asia". Embora referido BL tenha sido emitido pela empresa alemã "Emil Ipsen", o transporte não foi feito em navio de bandeira estrangeira, mas sim bandeira brasileira, pois a recorrente contratou a agência de transportes "Vogel Transporte e Agenciamento de Carga Internacional Ltda.", empresa brasileira, para adquirir da empresa "Braztrans Transportes Marítimos Ltda.", que é armador de nacionalidade brasileira, um espaço dentro de um dos "containers" transportados por seu navio "Contship Asia"; Dentro de referido "container", de responsabilidade da empresa Vogel, que tem como seu agente na Alemanha a empresa Emil Ipsen, também foram transportadas mercadorias pertencentes a outros importadores, tratandose, pois, de transporte consolidado. Em consequência de tal fato, a transportadora Braztrans, que, como dito, é de bandeira nacional, emitiu um BL Master em nome da empresa consolidadora "Vogel Transporte e Agenciamento de Carga Internacional Ltda.", e a empresa alemã Ernil Ipsen, que é o agente da Vogel na Alemanha, "desconsolidou" referido BL Master, emitindo BL's "filhotes" (chamados "houses), em favor dos diversos destinatários das mercadorias transportadas no "container" de sua responsabilidade. Em virtude de se tratar de transporte consolidado, o BL Master foi emitido em nome da empresa consolidadora "Vogel" e a ela pertence, estando a empresa EBF apenas de posse da BL "filhote", emitida em seu favor pela "Emil Ipsen", agente da Vogel. Já a BL de n° 15.705036 DE, que se refere à importação de uma máquina para retificar superfícies planas e perfis adquirida da empresa suíça "HTT Hauser Tripet Tschudin AG", esta foi transportada pelo navio República de Amalfi, igualmente de bandeira brasileira, do Porto de Hamburgo ao Porto de Santos. A EBF também contratou a empresa Vogel Transporte e Agenciamento de Carga Internacional Ltda., que adquiriu da empresa Global Transporte Oceânico S.A. em nome da EBF um espaço em um dos "containers" transportados por seu navio "República di Amalfi". A Global Transporte Oceânico S.A. também é uma empresa brasileira. Ressaltese que o "container" em que foi transportado o equipamento adquirido pela empresa EBF também era de responsabilidade da empresa Vogel, que tem por agente a empresa alemã Emil Ipsen, sendo que também nesse "container" foram transportadas mercadorias pertencentes a outros importadores, tratandose igualmente de transporte Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 13 4 consolidado. Em consequência de tal fato, a transportadora Global, que, como dito, é brasileira, emitiu um BL Master em nome da empresa consolidadora Vogel (cópia anexa) e a empresa Emil Ipsen, seu agente, posteriormente, "desconsolidou" referido BL Master, emitindo BL's "filhotes" (chamados "houses") em favor dos diversos destinatários das mercadorias transportadas no "container" de sua responsabilidade, entre as quais a EBF. Salientese ademais que, da mesma forma neste caso, por se tratar de transporte consolidado, o BL Master foi emitido em nome da empresa consolidadora Vogel e a ela pertence, estando a empresa EBF apenas de posse do BL "filhote", emitido em seu favor pela "Emil Ipsen", agente da transportadora Global. A Recorrente juntou a cópia da BL's MASTER emitido pela GLOBAL TRANSPORTE OCEÂNICO S/A, para o navio Rep. Di Amalfi, e pela BRAZTRANS TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA., para o navio Contship Ásia, bem como declarações das duas empresas de que são de nacionalidade brasileira. Ademais, os desembaraços aduaneiros foram realizados com canal de conferência vermelho e amarelo, sendo que, durante este procedimento, toda a documentação pertinente foi apresentada, analisada e aprovada pela fiscalização, bem como as mercadorias foram analisadas fisicamente no caso do canal vermelho, conforme o laudo pericial apresentado à Divisão de Despacho Aduaneiro da DRJ/SP II. A 1ª Turma da DRJ/SP II concluiu pela procedência do lançamento, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/06/1997, 25/07/1997 ISENÇÃO. TRANSPORTE OBRIGATÓRIO EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. É obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadorias beneficiadas com isenção ou redução de tributos, conforme artigos 2° e 6° do Decretolei n° 666/69, com alterações do Decretolei n° 687/69. Lançamento Procedente Em sede de recurso voluntário, a recorrente repisou os argumentos já proferidos em sua impugnação, requerendo o cancelamento do auto de infração e a cobrança do IPI declarada insubsistente. A Resolução n° 3101000.302, da 1ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária do CARF converteu o julgamento em diligência para que a Unidade Local da RFB oficiasse a Capitania dos Portos, requerendo informação se as empresas que emitiram o BL Master (Global e Braztrans) estavam devidamente registradas à época do transporte das mercadorias, por entender que a declaração emitida pelo Ministério dos Transportes não é o documento previsto na legislação como forma de demonstração da nacionalidade da embarcação diante da obrigatoriedade de inscrição na Capitania, Delegacia ou Agência em cuja jurisdição fosse Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 14 5 domiciliado ou de onde a embarcação fosse operar. A diligência foi cumprida, às efls. 154 e 166 dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A principal controvérsia nestes autos é a descaracterização do direito à isenção fiscal de IPI na importação de mercadorias transportadas por via marítima, decorrente da não comprovação do transporte ter sido feito em navio de bandeira brasileira. Citase abaixo a legislação aplicável: DECRETOLEI Nº 666, DE 2 DE JULHO DE 1969. Institui a obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira e dá outras providências. DOU 3.7.1969 (…) Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. (...) Art 5º Para os fins dêste DecretoLei, considerase navio de bandeira brasileira o navio afretado por empresa brasileira devidamente autorizada a funcionar no transporte de longo curso. Art. 6º Entendemse por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal, cambial ou financeira concedidos pelo. Govêrno Federal. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 687, de 1969) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 15 6 Parágrafo único. As dúvidas de Interpretação sôbre o conceito de favores governamentais serão dirimidas pelo Ministério da Fazenda. (Incluído pelo Decreto Lei nº 687, de 1969) DECRETO No 91.030, DE 5 DE MARÇO DE 1985 Capítulo X Proteção à Bandeira Brasileira Art. 217 – Respeitado o princípio da reciprocidade de tratamento, é obrigatório o transporte: (…) III – Em navio de bandeira brasileira, de qualquer outra mercadoria, a ser beneficiada com isenção ou redução do imposto (DecretoLei no 666/69, art. 2O ). §1O Para fins deste artigo, também se considera de bandeira brasileira, o navio estrangeiro afretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente (DecretoLei no 666/69, art. 5O ). (…) Art. 218 – O descumprimento do disposto no artigo anterior: (…) II quanto ao inciso III, importará na perda do benefício de isenção ou redução de tributos. A exigência do transporte realizado por navio de bandeira brasileira como pressuposto para fruição de isenção também foi enfrentada pela Súmula nº 581, do STF: A exigência de transporte em navio de bandeira brasileira, para efeito de isenção tributária, legitimouse com o advento do Decretolei 666 de julho de 1969. O Decretolei nº 666/69 objetivava incentivar a Marinha Mercante Nacional. Cotejando os dispositivos legais, temse que o conceito de “transporte em navio de bandeira brasileira, para fins de importações que utilizem o transporte marítimo” é construído a partir dos art. 2º e 5º do Decretolei nº 666/1969. Assim, respeitado o princípio de reciprocidade, é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadoria a ser beneficiada com isenção ou redução tributária (art. 2º do Decretolei nº 666/1969 e art. 217 e 218, do Regulamento Aduaneiro vigente à época, Decreto no 91.030). Dessa forma, o reconhecimento do direito ao benefício está condicionado ao transporte em navio de bandeira brasileira ou ao transporte em navio Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 16 7 estrangeiro fretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente no transporte de longo prazo, conforme prescrição do art. 5º. A isenção específica aplicável às mercadorias deste caso concreto foi disciplinada pela MP nº 1.50818/97, reeditada pela nº 1.50819, verbis: MEDIDA PROVISÓRIA No 1.50818, DE 13 DE JUNHO DE 1997. Concede isenção do lmposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, dispõe sobre período de apuração e prazo de recolhimento do referido imposto, para as microempresas e empresas de pequeno porte, e estabelece suspensão do IPI na saída de bebidas alcoólicas, acondicionadas para venda a granel, dos estabelecimentos produtores e dos estabelecimentos equiparados a industrial. Art. 1º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, relacionados em anexo, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas. § 1º São asseguradas a manutenção e a utilização dos créditos do referido imposto, relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, efetivamente empregados na industrialização dos bens referidos neste artigo. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos fatos geradores que ocorrerem até 31 de dezembro de 1998. Postas as prescrições legais, observase da documentação acostada aos autos que a EBF Vaz contratou a empresa Vogel (empresa brasileira) para providenciar o transporte das mercadorias da Alemanha até o Brasil, a Vogel, através de seu agente na Alemanha (Emil Ipsen), alocou essas mercadorias em contêiner de navio afretado pela Braztrans (empresa brasileira), o ContshipAsia. Ademais, a Vogel alocou espaço no navio afretado pela Global (empresa brasileira), chamado República de Amalfi para também transportar as mercadorias necessárias. Em vista disso, as empresas Braztrans e Global emitiram BL Master informando que tais navios tinham procedência brasileira. Salientese que os BL Masters foram acostados junto à impugnação apresentada, conforme ratifica o Acórdão da DRJ. Entendo que restou demonstrado pelas provas anexadas pela empresa na impugnação, bem como pela diligência determinada pelo CARF e realizada pela RFB, que a navegação é de bandeira brasileira, uma vez que as empresas contratadas são empresas brasileiras e devidamente autorizadas a funcionar no transporte de longo curso, como se demonstra a seguir. 1 Os documentos juntados na impugnação, ou seja, as cópias da BL's MASTER emitido pela GLOBAL TRANSPORTE OCEÂNICO S/A, para o navio Rep. Di Amalfi, e pela BRAZTRANS TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA., para o navio Contship Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 17 8 Ásia, bem como declarações das duas empresas de que são de nacionalidade brasileira, têm o condão de transporte foi feito como sendo brasileiro. 2 Ofício 0357 /SERARR, do Ministério dos Transportes, cujo teor é: "Em atenção a sua carta de maio do corrente, informamos que será considerando como sendo de transporte brasileiro o transporte realizado e emitido pelo B/L Master, sendo necessariamente para efeitos de redução dou isenção de II e IPI de acordo com a Lei 666 de 02/07/1969, e, conforme consulta no site da Agencia Nacional de Transportes Aquaviários, a empresa Global Transporte Oceânico SA é empresa brasileira de transporte marítima cadastrada no referido Órgão." 3 A diligência determinada pelo CARF, que investigou se as empresas Global e Braztrans, as emissoras dos BL Master, estavam devidamente registradas à época do transporte das mercadorias, apurou: 3.1 A Agência Nacional de Transportes Aquaviários informou que, segundo o anuário "Informações e Dados Estatísticos" do Departamento da Marinha Mercante, em 1997, as empresas Global e Braztrans realizaram navegação de longo curso (efls. 156158). 3.2 A Capitania dos Portos, efls. 166, informou que, em cumprimento ao Capítulo 1, item 102 das Normas da Autoridade Marítima 14 (NORMAM14 DPC), as empresas Global e Braztrans estavam cadastradas junto à Capitania no período autuado, ressaltando que o cadastro tem validade indeterminada. Conclusão Diante do exposto, restou comprovado que as embarcações que realizaram o transporte Rep. Di Amalfi e Contship Ásia foram afretadas por empresas brasileiras devidamente autorizadas a funcionar no transporte de longo curso, fazendo jus a recorrente, portanto, à isenção do IPI vinculado à importação, consequentemente, deve ser o auto de infração cancelado em sua integralidade. Em suma, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 20 de fevereiro de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.002280/0035 Acórdão n.º 3301003.199 S3C3T1 Fl. 18 9 Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36582.002860/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELAMENTO DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO RECURSO
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarado definitivo o crédito tributário.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da renúncia do sujeito passivo, em função de sua adesão ao parcelamento da Lei 11.941/09, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELAMENTO DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO RECURSO Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarado definitivo o crédito tributário. Recurso Voluntário não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da renúncia do sujeito passivo, em função de sua adesão ao parcelamento da Lei 11.941/09, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELAMENTO DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO RECURSO Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarado definitivo o crédito tributário. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 58 2. 00 28 60 /2 00 5- 44 Fl. 410DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da renúncia do sujeito passivo, em função de sua adesão ao parcelamento da Lei 11.941/09, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silva, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 36582.002860/200544 Acórdão n.º 2401004.548 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária de Cascavel/PR, que julgou a autuação procedente, mantendo o crédito previdenciário constante do Auto de Infração DEBCAD nº 35.708.2001, conforme ementa da DECISÃONOTIFICAÇÃO nº 14.421.4/0148/05 (fls. 201/202): MULTA POR INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE O Presente processo teve sua origem no Auto de Infração lavrado em desfavor do recorrente (fls. 2/10), por apresentar GFIP's com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incorrendo na pena administrativa prevista no art. 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 284, II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 9/10), a empresa deixou de informar em GFIP a remuneração de diversos segurados empregados e contribuintes individuais (médicos) que prestaram serviços no período de 01/1999 a 07/2005. A ausência das informações foi obtida da confrontação das folhas de pagamentos com as informações constantes do sistema CNISA. Intimada pessoalmente do AI, o recorrente não se manifestou (fl. 200). Em 30/11/2005 a Delegacia da Receita Previdenciária de Cascavel/PR emitiu a DecisãoNotificação (DN) mantendo integralmente a autuação. Em 13/12/2005 o recorrente foi intimado da DN, e m 21/12/2005 entrou com seu Recurso Voluntário (fls. 204/219), onde alegou: 1. Ser um pequeno hospital do interior, de caráter assistencial e social, com atendimento voltado exclusivamente para o SUS e que vem tentando sobreviver digna e heroicamente; 2. Que em face do princípio da Dignidade, da Sobrevivência ou da Existência das Pessoas Jurídicas, da Equidade e da Isonomia Tributária, todas as pequenas empresas brasileiras devem ser tratadas com igualdade; 3. Ser o único hospital que atende pelo SUS no município; Fl. 412DF CARF MF 4 4. Ser merecedora de um tratamento diferenciado, mais favorecido, por ser uma empresa nacional de pequeno porte que tenta sobreviver dignamente nesse pais; 5. Ter ingressado, junto ao órgão da Receita Federal em Cascavel/PR e ao INSS, com pedido para participar do Programa de Recuperação Fiscal criado pelo Governos Federal em 2003, conhecido como PAES – Parcelamento Especial, tendo seu pleito aprovado em 13/08/2003; 6. Que devido às graves dificuldades que vem passado para manter o hospital em funcionamento requer a sua permanência nesse parcelamento especial (PAES) ou seu enquadramento no REFIS; 7. Desconhecer a sua situação contábil devido às suas dificuldades financeiras e que, pelos mesmos motivos, a contabilidade deixou de preparar as folhas de pagamento; 8. Existirem ações judiciais movidas por dois antigos empregados que se obtiverem êxito colocarão em risco a atividade do hospital; 9. Ser a multa de 100% extremamente onerosa, com caráter confiscatório e acima da capacidade contributiva da empresa. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento, tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Federal de Recursos Fiscais – CARF, através da Resolução nº 240100.075 (fls. 245/248) convertido o julgamento em diligência à Repartição de Origem, sobrestado o AI até o transito em julgado das Notificações Fiscais conexas, lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. A Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal emitiu a Informação Fiscal SECAT nº 88/2010 (fl. 397), onde, em atendimento à Resolução do CARF, traz informações sobre as NFLS´s DEBCAD nº 35.708.1978 (fls. 258/338 e DEBCAD nº 35.708.1960 (fls. 339/396). O recorrente, através do Comunicado SECAT nº 106/2010 (fl. 398), é intimado da Informação Fiscal SECAT nº 88/2010 e da Resolução CARF nº 240100.075, em 14/05/2010 (fls. 399/400). O recorrente não se manifestou em relação à Informação Fiscal SECAT 106/2010, sendo o processo novamente encaminhado ao CARF para julgamento. Em 06/07/2015 foi juntado ao processo um Despacho da Receita Federal (fl. 403) informando que o recorrente consolidou o processo relativo ao DEBCAD nº 35.708.2001 no parcelamento da lei 11.941/2009, modalidade RFB/PREV/Art. 1º, o qual se encontra rescindido em 23/05/2014. É o relatório. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 36582.002860/200544 Acórdão n.º 2401004.548 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conforme relatado, trata o presente processo administrativo da exigência de multa cobrada através do Auto de Infração DEBCAD nº 35.708.2001, pelo fato do contribuinte não ter informado à Previdência Social, por meio de GFIP, todos os fatos geradores concernentes às remunerações relativas aos segurados empregados e contribuintes individuais (médicos) que prestaram serviços à empresa. Após o exame de admissibilidade do recurso e o cumprimento da Resolução nº 240100.075 (fls. 245/248), foram anexadas aos presentes autos a informação e documentos de fls. 403/406 em que consta a formalização de que o contribuinte consolidou o débito do Auto de Infração DEBCAD nº 35.708.2001 no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, na modalidade RFB/PREV/Art. 1º que estabelece as formas de parcelamento. Notoriamente, a adesão ao parcelamento estabelecido pela Lei 11.941/2009 traz como consequência a confissão irrevogável e irretratável dos débitos indicados para compor o parcelamento: Art. 5o. A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 13.043, de 2014) De acordo com o que preceitua o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, Fl. 414DF CARF MF 6 estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante da inclusão do débito recorrido, levantado no Auto de Infração DEBCAD nº 35.708.2001, no aludido parcelamento, ressai configurado não mais existir interesse processual da empresa no julgamento do Recurso Voluntário. Destacase que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou acerca do tema (Acórdão nº 9202003.856), conforme precedente a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA PEDIDO DE PARCELAMENTO DESISTÊNCIA DO RECURSO Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido Assim, em face da renúncia ao recurso voluntário por parte do sujeito passivo mediante a formalização do parcelamento acima referido, não há mais litígio a ser conhecido. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO em razão da sua desistência. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900272/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 72 /2 00 8- 51 Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.462 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.463 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.464 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.465 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 95 a 129, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.466 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.467 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.468 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.469 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (349/359), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.470 10 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3427/3431): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.471 11 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (33558.81231.150604.1.3.040787) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de agosto de 2001, senão vejamos: Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.472 12 Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.473 13 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.13): Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.474 14 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.475 15 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de agosto de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.476 16 Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.477 17 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.478 18 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 10865.900272/200851 Acórdão n.º 1302002.030 S1C3T2 Fl. 3.479 19 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001383/2002-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso . Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo i. Procurador da Fazenda Nacional (fls. 150/157), em face da decisão da então Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o acórdão n 30.3-32.495: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - 'TR, RESERVA LEGAL NÃO-INCIDÊNCIA, A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorréncia do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do 1TR, devendo-se acatar a área comprovada em laudo técnico Recurso voluntário provido." A Fazenda Nacional interpeie o Especial com espeque no art. 5 0, inciso I, da Portaria n. 55, de 16 de março de 1998: Art. 50- Compete a Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra; I — decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária a lei ou a evidencia de prova; e II (..,) § I° - No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; § 5° Somente poderá ser objeto de apreciação e seguimento matéria prequestionada, cabendo ao recorrente demonstrá-la, com precisa indicação das peps processuais. O Procurador requer a reforma do acórdão recorrido, alegando contrariedade h legislação tributaria,. Segundo ele, ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N'43/1997, com a redação do art 1°, inciso II, da IN/SRF N°67/97, o artigo 1', caput, da Lei n° 9393/96 e os artigos 111 e 114 do CTN. Não obstante ter sido intimado para se manifestar, o Contribuinte restou silente. E o relatório. 2 Processo n° 13116.001383/2002-58 CS RF-12 Acórdão n.° 9202-01.221 Fl 2 Voto Conselheiro Manoel Coelho Ariuda Junior, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade, passo ao exame do mérito. Devolve-se a esta Camara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - 1TR das Areas rurais de proteção anabiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art, 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei re 4..771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n0 7.803, de 1989, ) Embora ambas as areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanta as exigências a serem cumpridas.. Para a Area conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de area não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847194, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art.. 16 da Lei re 4..771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis- "Art. 16 §I 0 § 20 A reserva legal, assim entendida a área de, no inininio, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área " Além da definição, merecem ressaltas os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227.. Os direitos reais sabre imóveis constituidos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1. 247)salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela Area o proprietário se submeta As limitaçties administrativas que the são impostas pela lei, Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34883 de 07/11/2007, da Terceira Cámara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v..g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min, João Otavio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa a propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo São Paulo Atlas. 2003 15' ed , p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostor com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar sociaL(destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas a restrição do pagamento do ITR.. Com as devidas vênias, portanto, Bic, me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas urna mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e so: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme defi nidas na Lei 4 771/65 (Código Florestal) ) Dc fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia ei isenção de area sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da area, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, 4 Processo n 13116,001383/2002-58 CSRF-12 Acórdão n. 9202-01121 Fl, 3 históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgâo administrativo, A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietá rio, mas a todos, inclusive et administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n" 127 562, de lavra do i Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a area de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da area eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em process() de desapropriação para fins de reforma agrária,. questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a area correspondente a reserva legal deveria ter sido excluida da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, 1V dessa Lei de Reforma Agrária Diz o art HE Art.. 10, Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis:' IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fragdo ideal do mas as áreas identificadas ou identificáveis.. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exempla, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais.. A reserva legal não é uma abstração matemática Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não 6 possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei . florestal prescreve Estou assim ern que, sem a averbagão determinada pelo ,yr 20 do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23 370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Mm,, SepUlveda Pertence, DI de 28/04/2000. EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2' do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbaglio (v. g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DI de 02/03/2007 .: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não de ser subtraida da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente.: MS 22.688. Pego licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexis-te área a proteger; apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção Processo n 3116.001383/2002-58 CSRF-I 2 Acórd n 9202-01121 F1 4 Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Voto pelo provimento do recurso especial nterposto. 7
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Numero do processo: 19515.002088/2003-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/04/1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2. Não havendo pagamento e nem confissão do débito de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, com fato gerador em 22/04/1998, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas.
Numero da decisão: 9101-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, e nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão do débito de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, com fato gerador em 22/04/1998, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 88 /2 00 3- 83 Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 3 2 autos à turma a quo, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 3º da Portaria MF 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10709.127, de 12/09/2007, por meio do qual a Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, decidiu, entre outras questões, por maioria de votos, acolher preliminar de decadência em relação a lançamento de IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa (lançamento reflexo da fiscalização de IRPJ). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: MAJORAÇÃO DE CUSTOS. FRAGILIDADE DA PROVA. Não se mantém o lançamento por majoração de custos apoiado apenas em planilha de demonstrativo da composição do valor das compras registrado na DIPJ, sem que a Fiscalização tenha aprofundado as investigações na escrituração da empresa ou intimado a contribuinte a explicar a inconsistência, sendo que, em diligência determinada para esse fim, não foi confirmado o correto valor dos compras no período. APRESENTAÇÃO DOS REGISTROS E ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA DE ATENDIMENTO QUANTO À FORMA. MULTA. É devida multa de 0,5% do valor da receita bruta do período, por falta de atendimento quanto à forma em que devem ser apresentados os registros e arquivos magnéticos. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 4 3 DECADÊNCIA IRF A ausência de pagamento do tributo não é razão para que a exação sujeita a lançamento por homologação tenha o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4º do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. NEGADO provimento ao recurso de oficio e DADO provimento parcial ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DE JULGAMENTO DA RECEITA FEDERAL EM SãO PAULO/SP I e LOJAS ARAPUÃ S.A. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jayme Juarez Grotto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência a parcela de glosa de custos A PGFN alega que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à evidencia da prova, no que toca à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: o acórdão recorrido acolheu o entendimento de que se operou a decadência do direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento dos valores de IRRF relativos ao ano calendário de 1998. Assim o fez por maioria de votos; como se sabe, a decadência relativa aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de que é exemplo o IRRF, regese pelo previsto no art. 150, §4°, do CTN, segundo o qual, havendo pagamento antecipado, o prazo para Fazenda Nacional homologálo é de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado tacitamente o lançamento e definitivamente extinto o crédito; por outro lado, não havendo o pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, tem se firmado o entendimento de que o prazo decadencial deixa de ser aquele previsto pelo art. 150, §4°, do CTN, passando a ser regido pela regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, que estipula que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter se efetuado; nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, todos proferidos pelo E. STJ (ementas transcritas); na hipótese dos autos, que foi confirmada pelo voto vencido, o contribuinte não efetuou o pagamento antecipado do IRRF incidente sobre os rendimentos que adquiriu em Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 5 4 1998, razão por que, na esteira do raciocínio acima expendido, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, e não o previsto em seu art. 150, §4º, conforme decidiu o acórdão recorrido; outro não é o entendimento da jurisprudência do e. Conselho de Contribuintes, inclusive da Câmara Superior de Recursos fiscais (ementas transcritas); sendo assim, o prazo decadencial de 5 anos começou a fluir no exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; in casu, o fato gerador do IR ocorreu em 31/12/98, tendo o prazo decadencial começado a fluir no exercício seguinte, ou seja, em 1º de janeiro de 1999, operandose, portanto, a decadência apenas em 31 de dezembro de 2003; como o contribuinte foi notificado do Auto de Infração em 15 de julho de 2003, não há que se falar em decadência, sob pena de violar, como de fato violou, o art. 173, I, do CTN, razão pela qual deve ser reformado, portanto, o acórdão recorrido; ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida no ponto em que reconheceu a decadência do lançamento dos valores referentes ao IRRF incidente no ano calendário 1998, determinandose o retorno dos autos à Câmara a quo para que seja apreciado o mérito do lançamento de IRRF. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho nº DEF107142221_180, exarado em 08/09/2008, admitiu o recurso especial nos seguintes termos: [...] O Acórdão desafiado é no sentido de permitir a preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional de lançar os valores relativos ao IR relativamente ao ano de 1998 com fundamento no art. 150 § 4° do CTN. O Procurador da Fazenda Nacional demonstra que a decisão proferida pela e. Câmara a quo violou o art. 173, I do CTN. Sendo assim, estando atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do Recurso Especial e demonstrada a situação definida no §1° do art. 15 do mencionado Regimento, no uso das prerrogativas regimentais que me são conferidas, DOU SEGUIMENTO ao requerido pelo Procurador da Fazenda Nacional. Em 12/05/2009, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 10709.127, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 27/05/2009, ela apresentou as contrarrazões ao recurso da PGFN, com os argumentos descritos a seguir: da leitura do apelo fazendário resta claro que sua tese está centrada exclusivamente na ausência de pagamento do tributo, o que, a seu ver, afastaria a aplicação do regime próprio dos lançamentos sujeitos a ulterior homologação; Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 6 5 pedindo vênia para ir diretamente ao ponto, mesmo porque essa matéria é recorrente nos julgamentos efetuados por essa Corte, quer dizer a Interessada que a jurisprudência administrativa rechaça por completo a tese defendida no Recurso manejado pela Douta Procuradoria. Por todos, a Interessada pede licença para transcrever os seguintes precedentes exarados por essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); essas decisões são de rigor técnico, uma vez que a ausência ou insuficiência do recolhimento não tem o condão de modificar o regime jurídico do lançamento definido pela lei que instituiu o tributo; vale dizer, existe uma regra especifica para os casos de lançamento por homologação, consubstanciada no artigo 150, § 4°, do CTN, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento, pois esse elemento não integra os pressupostos do lançamento por homologação, que foi uma escolha do próprio legislador quando institui o tributo; ademais, há que se considerar que o pagamento/recolhimento, por ser uma das formas de extinção do crédito tributário, tãosomente exaure a obrigação tributária principal. Por isso, é elemento de aferição vinculado à extinção da obrigação principal, nada interferindo na definição dos elementos necessários ao lançamento por homologação, eis que o que homologa é a atividade e não o pagamento; desta forma, a pretensão recursal da Douta Procuradoria não pode ser acolhida, sendo de rigor o improvimento do apelo ora contraposto; ante o exposto, a Interessada requer seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso interposto pela Douta Procuradoria, mantendose o v. Acórdão Recorrido na parte atacada, pois bem aplicou o direito ao caso presente. Finalmente, vale registrar que a contribuinte também apresentou o seu próprio recurso especial (no caso, recurso especial de divergência), e que o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF negou seguimento a esse recurso, decisão que foi confirmada em caráter definitivo pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito apenas ao reconhecimento da decadência de lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (lançamento reflexo da fiscalização de IRPJ). O IR/Fonte em questão incidiu sobre um pagamento realizado pela contribuinte em 22/04/1998, no valor de R$ 12.082.980,00. O acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, §4º), e sustenta que a ausência de pagamento do tributo não é razão para que a exação tenha o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende sim da existência de pagamento. Considerando que a questão principal nesse momento é definir a regra de decadência a ser aqui aplicada, se a do §4º do art. 150 ou a do inciso I do art. 173 ambos do CTN, cabe registrar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 8 7 Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante a existência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Como o lançamento ocorreu em 15/07/2003, há diferentes resultados para a decadência do crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 22/04/1998, conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. É que em relação a esse fato gerador, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/1999, e nesse caso o lançamento realizado em 15/07/2003 deixa de estar fulminado pela decadência. Tratandose de lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, não há dúvida de que não houve recolhimento ou confissão do tributo pela contribuinte, nem mesmo recolhimento ou confissão parciais. Tal conclusão é corroborada pela própria natureza do tributo (porque o IR/Fonte possui fatos geradores individuais e instantâneos, de modo que o pagamento de um débito de IR/Fonte não tem influência na verificação da decadência de outro débito de Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 19515.002088/200383 Acórdão n.º 9101002.703 CSRFT1 Fl. 9 8 IR/Fonte); pelo tipo de infração apurada (pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa), e pela própria argumentação da contribuinte, que focou especificamente no entendimento (já superado) de que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a existência de pagamento é irrelevante para a contagem da decadência. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão do débito ora em questão, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que não há decadência para o crédito tributário de IR/Fonte com fato gerador em 22/04/1998. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se dê continuidade ao exame das questões acerca da infração propriamente dita, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência do lançamento de IR/Fonte, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento da infração propriamente dita. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3075DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007982/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL
Auto de infração que exige débitos de PIS que foram objeto de pedidos de compensação homologados pela RFB, o que, consequentemente, implica o cancelamento da exigência fiscal retrata no lançamento de ofício.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL Auto de infração que exige débitos de PIS que foram objeto de pedidos de compensação homologados pela RFB, o que, consequentemente, implica o cancelamento da exigência fiscal retrata no lançamento de ofício. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto o relatório desenvolvido na resolução n. 3803000.002 (fls. 66/68), o que passo a fazer nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 82 /2 00 3- 89 Fl. 336DF CARF MF 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0615.808 , de 18 de outubro de 2007, da DRJ/Curitiba/PR, fls. 24 a 26, que julgou o lançamento procedente, em face da impugnação, fls. 01. A contribuinte, em sua defesa, informou ter compensado os débitos de PIS lançados, relativos ao segundo e terceiro trimestres de 1998, com crédito que apurara de IRPJ no encerramento do exercício de 1997. Apresentou Pedido de Restituição em 27/11/1997, com que constituiu o processo nº 10980.014976/9779, e em face da demora da autoridade administrativa de prover uma decisão, efetuou Pedidos de Compensação dessas contribuição a partir de 07/05/1998. Em julgamento, a DRJ/Curitiba não identificou a existência dos pagamentos informados na DCTF, relativamente ao segundo trimestre, ao tempo em que consignou que o processo de restituição indicado pela Impugnante dá cobertura a outros débitos. Cientificada da decisão de primeira instância em 21 de novembro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 30, em 14 de dezembro de 2007, por meio do qual apenas corrige sua informação, consignando que todos os débitos lançados foram objeto de compensação no processo administrativo nº 10980.014976/9779, e anexa cópias dos pedidos de compensação recepcionados pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba e que cobrem os débitos sob exigência 2. Uma vez pautado para julgamento, a então turma julgadora, acompanhando o antigo Relator do caso, Conselheiro Belchior Melo de Sousa, resolveu baixar o caso em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: (...). Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba apresente o conteúdo dos processos (sic) nº 10980.014976/9779 em que teriam sido compensados os débitos do terceiro trimestre, conforme a DCTF (e/ou dos débitos de maio a setembro, segundo a defesa), bem assim o débito de abril/1998, fl. 45. (...) 3. O referido processo administrativo foi anexado aos autos, conforme atesta o termo de apensamento de fl. 332. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10980.007982/200389 Acórdão n.º 3402003.849 S3C4T2 Fl. 337 3 5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Da compensação dos débitos aqui exigidos 6. Tendo em vista a clareza da exposição feita pelo antigo Relator do caso na já citada resolução, emprego suas palavras para melhor detalhar o presente processo, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). As DCTFs da contribuinte, de fato, vinculam: i) pagamento aos débitos declarados referentes aos meses de abril a junho; e ii) o processo administrativo nº 10980.014976/9779, já referido, aos meses de julho a setembro. A busca feita pelo sistema operacional da malha não localizou os pagamentos e identificou este processo com outros débitos, segundo a decisão recorrida. Consta dos autos cópia do pedido de compensação apresentado à DRF para anexação ao dito processo de restituição, referente ao débito de abril de 1998, em data anterior ao seu vencimento, 07/05/1998. Ainda que tenha vindo à tona apenas um pedido de compensação este relativo ao debito de abril de 1998 , fl. 45, como comprovação do alegado, penso que a sua presença nos autos justificaria a conversão do julgamento de primeira instância em diligência, para que a Unidade de origem averiguasse a sua legitimidade, bem como a existência e suficiência do crédito para a extinção do dito débito, mesmo que não solicitasse a confirmação quanto aos demais débitos, pela ausência das cópias. Deixouse conduzir, o colegiado a quo, meramente, pelos informes trazidos pelo sistema de malha que embasaram o lançamento e dele constante, não se curvando a apreciar a prova trazida aos autos. Não há na impugnação informação de que houve pagamento para o segundo trimestre de 1998, diversamente do declarado nas DCTFs. A possibilidade do erro de fato do contribuinte, quanto ao dado consignado nessa confissão de dívida, uma vez que a fiscalização de malha abrangia também outro trimestre, para cujos débitos estava vinculado um processo de compensação, haveria de ter reforçado o encaminhamento pela diligência, com o fito de obterse o conteúdo do aludido processo e do seu desfecho, caso tratasse, de fato, de compensação. Neste recurso, a recorrente apresenta as cópias dos pedidos de compensação no dito processo nº 10980.014976/9779, dando conta do registro, neles, de cada débito objeto do lançamento. No caso presente, vejo que é necessária a prova do conteúdo do dito processo, para se ter a certeza de não ter qualquer pertinência com os aludidos débitos ou a insuficiência de crédito para alcançálos. Fl. 338DF CARF MF 4 (...). 7. Pois bem. Da análise do processo administrativo n. 10980.014976/9779 aqui anexado é possível constatar que, após idas e vindas do pedido de compensação, adveio o despacho decisório retificador de fls. 180/191, que assim decidiu: 8. Em suma, é possível afirmar que, com exceção da compensação com débitos conexos ao processo de parcelamento n. 10980.006907/9296, todas as demais compensações perpetradas pelo contribuinte e retratadas no processo administrativo n. 10980.014976/9779 foram homologadas. 9. Dentre tais compensações homologadas, encontramse aquelas (fls. 27/32 do processo administrativo n. 10980.014976/9779) referentes aos débitos aqui exigidos e que são assim discriminados nos pedidos de compensação: Código tributo/contribuição Período de apuração Vencimento Valor do tributo/contribuição 8109 30/04/98 15/05/98 858,12 8109 31/05/98 15/06/98 845,76 8109 30/06/98 15/07/98 952,64 8109 31/07/98 15/08/98 863,99 8109 31/08/98 15/09/98 904,83 8109 30/09/98 15/10/98 681,13 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10980.007982/200389 Acórdão n.º 3402003.849 S3C4T2 Fl. 338 5 10. Por sua vez, os débitos aqui exigidos encontramse assim discriminados a fl. 21 do presente processo administrativo: 11. Ao comparar os débitos com compensação homologada no processo administrativo n. 10980.014976/9779 com aqueles aqui exigidos (demonstrativo de fl. 21) é possível constatar uma coincidência na casa dos centavos. Logo, resta claro que os débitos aqui exigidos foram objeto de compensação devidamente homologada pela Receita Federal do Brasil, o que implica o cancelamento da exigência fiscal aqui retratada. Dispositivo 12. Diante do exposto, voto para dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, cancelando, pois, a exigência fiscal aqui tratada. 13. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004251/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria.
Numero da decisão: 3401-003.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi.
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E EXP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO. CARÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO À ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Impossibilidade de reconhecimento de crédito presumido de IPI objeto de pedido administrativo de ressarcimento na ausência de material probatório mínimo apto a fundamentar que as operações praticadas pela contribuinte consistiria em industrialização e não simples revenda de mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 42 51 /2 00 6- 11 Fl. 376DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, fundado nos dispositivos da Lei n° 9.363/96, relativo ao segundo trimestre de 2001, no valor de RS 702.564,21, formulado em 10/02/2005 por meio do programa PER/DCOMP. 2. Reproduzimos, abaixo, pela fidelidade aos fatos, trecho do relatório presente na Resolução n° 20300.918, julgada em sessão de 03/09/2008: "(...) diante da documentação obtida junto à interessada e carreada para o processo, a Seort indeferiu totalmente o pedido por meio de Despacho Decisório por entender que a empresa não realizou operações de industrialização e sim de simples revenda de mercadorias adquiridas no mercado interno. Para assim ter deliberado, fundamentouse nos fatos de que, tanto na DIPJ, quanto nos livros fiscais, não há a indicação de que tenha havido a industrialização, já que os campos próprios de preenchimento das respectivas informações estão zerados, bem como que, tanto nas notas fiscais de aquisição junto aos seus fornecedores, quanto nas suas notas fiscais de saídas para exportação, constava 'madeira serrada'. Além disso, no objetivo social constante do contrato social não consta a atividade de industrialização e tampouco a empresa escritura o Livro de Apuração do IP1. Na Manifestação de Inconformidade, a interessada, inicialmente, argumenta que se trata, sim, de uma empresa industrial exportadora e que opera com a finalidade precípua de industrialização da madeira, atuando, mais especificamente, na etapa final da cadeia produtiva, qual seja, o seu beneficiamento e o seu acondicionamento. Em sede de preliminar, pede a nulidade do Despacho Decisório por ter sido o mesmo elaborado sem que tivesse sido realizada uma diligência fiscal junto ao seu estabelecimento, o que, a seu ver, resultou numa análise superficial e rasteira dos documentos, com fundamentos de decisão neles garimpados e, por isso mesmo, insustentáveis perante os eventos legais e fáticos que amparam a sua pretensão. Outro motivo para justificar o pedido de nulidade se prende ao fato de que o agente julgador deveria ter inscrição no Conselho Regional de Contabilidade. No mérito, inicia transcrevendo dispositivos do Regulamento do IPI nos quais julga que suas atividades estejam subsumidas, as quais descreve em detalhes, para reforçar a ideia de que é uma empresa industrial. Diz ainda a Impugnante que o fato de as notas fiscais de aquisição conterem a expressão "madeira para exportação" não significa que as mesmas não possam vir a receber um processo de industrialização na etapa seguinte, e que, além disso, é norma da Secretaria Estadual de Fazenda fazer tal exigência por conta dos benefícios fiscais que concede aos produtores. Rechaça também o fundamento de que a coincidência de medidas da madeira, quer, na nota fiscal de entrada, quer na nota fiscal de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 377 3 saída, estaria a indicar que não houve realmente a industrialização, visto que não houve a diligência fiscal para validar tal argumento e que o processo produtivo é mais complexo e não se limita a medidas das peças produzidas. Justifica a ausência de escrituração de livros relacionados à apuração do IPI por ter sua atividade voltada para a exportação, bem como pelo fato de seus fornecedores lhe venderem produtos NT. Assim, não lida com créditos nem com débitos do referido imposto, daí entender não se ver obrigado à escrituração. Ademais disso, sua condição de industrial não poderia ser retirada pela falta de cumprimento de mera obrigação acessória. Quanto à ausência de informações que pudessem conduzir ao entendimento que exerce a interessada atividade industrial, quer por conta das omissões na sua DIPJ, nos livros de entrada e de saída de mercadorias, nas notas fiscais de saída, e no seu contrato social, atribui a erros de preenchimento e a um "erro societário", não podendo os mesmos prevalecer sobre a realidade fática. Por fim, pede a Impugnante o reconhecimento também do direito à atualização monetária do crédito ora postulado, bem como a realização de perícia. A 3ª Turma da DRJ em Belém PA, entretanto, não considerou os argumentos da interessada, indeferindoos integralmente em decisão assim ementada: Acórdão DRJ nº 018793, de 2007 Imposto sobre Produtos Industrializados IPI CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, é condicionado à comprovação de que os produtos exportados foram efetivamente industrializados pela empresa, com a utilização dos insumos para tal adquiridos. No Recurso Voluntário a interessada praticamente repete as argumentações postas na sua Manifestação de Inconformidade, enfatizando que o presente caso deve ter como norte a obediência ao princípio da primazia da realidade, ou seja, o que ocorre na prática deve prevalecer sobre os documentos, de sorte que reste caracterizada a sua condição de industrial e não de mero revendedor de mercadorias. Fez ajuntada de um "Laudo Técnico", elaborado por Engenheiro Florestal, segundo o qual fica demonstrado que efetivamente realiza a industrialização dos produtos que exporta. Aduz ainda, para refutar as coincidências de descrição da madeira nas notas fiscais de compra e de venda, que, segundo a TIPI, tanto a madeira simplesmente serrada que adquire e que constitui em sua matéria prima, quanto a madeira beneficiada (classificada, tratada quimicamente, Fl. 378DF CARF MF 4 secada/estufada, refilada, destapada e aplainada), possuem o mesmo código, qual seja '4407.24.10'". 3. O Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que nos antecedeu na presente relatoria, votou por condicionar o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da unidade de origem, convertendo, assim, o julgamento em diligência para nova análise nos cálculos que resultaram no montante pleiteado, nos seguintes termos: "Em face de todo o exposto, da documentação carreada ao processo, dos argumentos trazidos pela Recorrente, bem como do debate que travamos nesta Sessão, reconheço que suas atividades são de industrialização (beneficiamento), porém, condiciono o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da Unidade de origem, bem como que sejam procedidas às retificações nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, que seja escriturado o Livro Reg. Apuração de IPI, conforme explicitado acima. Assim, fica o presente julgamento convertido em diligência para que a Unidade de origem, caso atendidas as condições acima, proceda a uma nova análise nos cálculos que resultaram no montante ora pleiteado. Nessa análise e a bem da ênfase, poderá a Unidade de origem fazer as considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa, caso sua diligência resulte em informação relevante acerca do mesmo. A interessada deverá ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, se manifestar a respeito". 4. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém lavrou o termo de início de diligência fiscal, e intimou o contribuinte a apresentar (a) o livro Registro de Entradas dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente retificado e autenticado pelo órgão competente; (b) o livro Registro de Saídas dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente retificado e autenticado pelo órgão competente; e (c) o livro Registro de Apuração do IPI dos anos calendário de 2000 e 2001, devidamente autenticado pelo órgão competente. 5. Entretanto, as tentativas de intimar a contribuinte se mostraram infrutíferas, o que culminou com a expedição de edital eletrônico: “(...) improfícuas as tentativas de localização do contribuinte no seu domicílio fiscal, mesmo por via postal. Constatouse que a PJ encontrase inativa desde o ano calendário de 2009 (vide relação de DIPJ’s em anexo). Por esta razão, a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal se deu por Edital (Edital Eletrônico nº 000645759, em anexo), em 24/07/2014. 3) Esgotado o prazo concedido ao contribuinte para apresentação do Livro Registro de Entradas (retificado), do Livro Registro de Saídas (retificado) e do Livro Registro de Apuração do IPI, sem que o mesmo tenha se manifestado, consideramos não cumprida a condição para a realização de nova análise dos cálculos do Crédito Presumido do IPI pleiteado, motivo pelo qual deixamos de fazêla”. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 378 5 6. Tendo retornado os autos a este Conselho, foi proferida a Resolução n° 3401000.887, julgada em sessão de 28/01/2015 para a finalidade de intimar a contribuinte no endereço de seus sócios. 7. Após restarem infrutíferas as tentativas de intimação postal no endereço dos sócios, foi lavrado o edital eletrônico. Decorrido o prazo legal para que a contribuinte se manifestasse, os autos retornaram. É o Relatório. Voto Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. A contribuinte requereu o reconhecimento de sua condição como empresa exportadora, fazendo jus ao benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/1996, e, em decorrência, que fosse reconhecida a totalidade do crédito pleiteado na PER/DCOMP, devidamente atualizado. 9. O processo de industrialização da recorrente é descrito da seguinte forma: (a) Compra e classificação da matériaprima: aquisição de madeira em bruto dos diversos centros produtores e sua reunião em local único, onde é feita a sua classificação. A classificação consiste em separálas por tipo, tamanho e qualidade, sendo, ao final, remetidas para a planta industrial. (b) Recepção e classificação da matériaprima: descarregamento e estocagem no pátio da indústria. Segunda classificação: as espécies e tamanhos de madeiras são classificadas em consonância com os tipos de pedidos efetuados pelos clientes e empilhadas para direcionamento para a próxima etapa. (c) Secagem: a madeira é colocada em estufas (próprias ou terceirizadas) nas quais é submetida a calor a vapor de modo a se obter o grau de umidade ideal para o produto final, ocorrendo aqui a primeira modificação em relação ao estágio da matériaprima no seu estágio inicial, visto que, nesta etapa, sua concentração de umidade, peso e espessura já não correspondem aos da matériaprima que iniciou o processo produtivo.Pode ser dar também ao ar livre. O tempo de secagem varia em função do tipo de madeira, umidade anterior e umidade desejada, podendo durar dias ou semanas. (d) Beneficiamento: após a secagem, a madeira é transportada para os equipamentos responsáveis pelo beneficiamento, onde sofre: (a.i) refilamento: transformação de uma pela de madeira em duas ou mais; (a.ii) destopo: corte transversal para determinar o comprimento da peça, transformando uma peça em uma ou mais peças com tamanho determinado; (a.iii) aplainamento: retoques em alguns ou em todos os lados do produto. Fl. 380DF CARF MF 6 Nesta fase fica a matériaprima já transformada em produto acabado com largura e comprimento determinado pelo adquirente através de pedido previamente formulado e diferente da matériaprima inicial, inclusive pela aplicação de materiais intermediários. (e) Embalagem: empilhados, embalados e transportados para embarque nos containeres para envio ao porto. 10. Em vista do laudo apresentado, que conta, ainda, com detalhes e fotos que lançam luz sobre o processo produtivo da empresa, associados à verossimilhança das alegações, parecenos inegável que a contribuinte realiza operações de industrialização nos termos da legislação pertinente, em especial, o art. 4º do Decreto nº 2.637/1998 (Regulamento do IPI), em vigor à época dos fatos: Decreto nº 2.637/1998 (Regulamento do IPI) Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. 11. Esta também foi a mesma conclusão a que chegou o conselheiro que nos antecedeu na presente relatoria, na fundamentação do voto que deu origem à Resolução n° 20300.918, julgada em sessão de 03/09/2008: "Do conjunto das informações e documentos constantes do processo, bem como do confronto do processo produtivo com os dispositivos do RIPI/98 que caracterizam a industrialização, especialmente o inciso II, do artigo 4o , Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 379 7 acima reproduzido, me convenci de que as atividades da empresa são efetivamente a de industrialização (beneficiamento), não podendo ser tratada como mera revendedora de madeiras. Com esse entendimento, afasto a motivação dada pela autoridade fiscal para considerar que a empresa não é um estabelecimento industrial, qual seja: a) o fato de o contrato social não dispor sobre a atividade industrial; b) o fato de não possuir ela escrituração do Livro Reg. Apuração do IPI; c) o fato de o Livro Reg. de Entradas e o Livro Reg. de Saídas não conterem registros de operações relacionadas especificamente ao processo produtivo (respectivamente, operações registradas sob o CFOP 1.11 e 2.11, que se referem a compras para industrialização, sob o CFOP 7.11, que sé refere a vendas da produção do estabelecimento para o mercado externo); d) o fato de na DIPJ ter sido informado o valor do custo das mercadorias vendidas e não o custo de produção de fabricação própria, e também ter sido deixado em branco o campo correspondente às aquisições de matériaprima, material secundário e material de embalagem para utilização no processo produtivo; e) o fato de nas notas fiscais de aquisição constar como produto adquirido "madeiras serradas", sendo que idêntica expressão consta das notas fiscais de saída; e f) o fato de as notas fiscais de venda ter sido utilizado o código 7.12, que significa vendas de mercadorias adquiridas de terceiros para o mercado externo, em vez do código 7.11, que significa as vendas da produção do estabelecimento pra o mercado externo. Embora tenha de admitir que a empresa está completamente equivocada ao não seguir a determinação expressa contida no artigo 345 do RIPI/98 no sentido de que, em sendo um estabelecimento industrial, deva preencher corretamente os livros fiscais correspondentes, especialmente o Livro Reg. de Apuração do IPI, não creio que esse e os demais equívocos acima reproduzidos e assumidos pela empresa, possam inviabilizar o seu direito ao aproveitamento dos benefícios trazidos pela Lei nº 9.363, de 1996, caso, realmente, se confirmem procedente os valores pleiteados. Primeiro, porque, na linha do que alega a Recorrente, entendo que deva prevalecer a realidade fática sobre a realidade documental, embora, admita, não se possa ter isso como regra absoluta. Ocorre que neste processo e abstendome de considerar relevantes e prejudiciais os erros, aliás, confessos, da Recorrente, no preenchimento de notas fiscais, de livros, da DIPJ, contrato social etc., os documentos estão a demonstrar claramente quais foram os valores formadores do crédito presumido que ora pleiteia, de maneira que, corrigidos tais equívocos, nada estaria a impedir que seu pedido pudesse ser analisado, desta feita, sob o manto, ou melhor, tendo cumprido as formalidades mínimas exigidas para tal. Assim, não obstante as regras que tratam da concessão do crédito presumido de IPI, quer as estipuladas na própria Lei n° 9.363/96, quer as na IN SRF n" 419, de 10/05/2004 e na IN SRF n° 441, de 11/08/2004, não condicionarem a fruição do benefício à escrituração do RAIPI, por certo, esse procedimento é Fl. 382DF CARF MF 8 o mínimo que se pode esperar de um estabelecimentoque se diz industrial e que deseja se aproveitar dos benefícios legais. Para mim, não vale o argumento trazido pela DRJ de que o artigo 16 da citada IN SRF n° 419, de 2004, conteria a regra para a obrigatoriedade do RAIPI, visto que o referido dispositivo foi direcionado para empresas industriais que possuem mais de um estabelecimento7, o que, até onde se sabe pelos presentes documentos, não é o caso. Por conta desses argumentos, direciono meu voto no sentido de reconhecer que o estabelecimento é industrial, embora deva enfrentar outros argumentos do Fisco mais adiante (...). (...).Tampouco, acrescento, consta de sua razão social. Mas, para mim, isso não se reveste em condição essencial para que determinada empresa seja considerada ou não como executora de operações de industrialização; o que deve prevalecer são os atos que pratica, não os que se dispôs a praticar, embora seja salutar que haja tal coincidência entre ambos. Como dito acima, resta agora deliberar sobre o outro argumento utilizado pela DRF para negar o direito ao crédito presumido, qual seja, o fato de, nas notas fiscais de aquisição de matériaprima (madeira), constar a expressão "para exportação", o que estaria a indicar que o fornecedor não seria contribuinte do PIS/Pasep e da Cofins, e, portanto, não haveria que se falar em restituição de ditas contribuições sob a forma do crédito presumido de IPI em favor da ora Recorrente. Realmente, na totalidade das notas fiscais de aquisição de madeira consta, na descrição dos produtos, a expressão "madeira para exportação". Além disso, também consta no campo "Informações Complementares" das ditas notas fiscais, um carimbo com os dizeres: 'Mercadoria destinada à exportação. Não incidência do I.C.M.S. conforme Lei n](...)'. A Recorrente se defende, primeiro, dizendo que os profissionais que preenchem os documentos fiscais nem sempre são providos de condições para compreender a língua portuguesa, que reputa complexa mesmo para especialistas, de modo que, onde está escrito "madeira para exportação", deve se entender "madeira tipo exportação". Ou seja, não seria a nota fiscal de entrada o fator determinante para se definir se haveria ou não industrialização por parte do adquirente. Divirjo da Recorrente quanto aos seus argumentos, mas, ao final das contas, concluo no mesmo sentido, já que, para mim, o significado daquela expressão "madeira para exportação" é um só, qual seja, tratase, efetivamente, de madeira que, industrializada ou não, terá como destino final o exterior, o que não significa dizer que o fornecedor emitente desta nota estará livre do pagamento do PIS/Pasep e da Cofins, pois, afinal, não terá sido ele o exportador, mas sim o estabelecimento para o qual ele forneceu as madeiras. Em outras palavras, o fornecedor da ora Recorrente, ao lhe vender as madeiras não incorreu numa operação imune à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, já que realizou uma venda no mercado interno, e isso pode ser comprovado pela natureza da operação (venda) e o CFOP que inseriu nas suas notas fiscais (5.11, que indica venda no mercado interno). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10280.004251/200611 Acórdão n.º 3401003.238 S3C4T1 Fl. 380 9 Assim, afasto também o argumento da autoridade fiscal de que as matérias primas adquiridas não sofreram a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, podendo, em princípio integrar a base de cálculo para determinação do crédito presumido de IPI." (seleção e grifos nossos). 12. Contudo, ainda que concorde com os argumentos acima formulados, assiste razão à autoridade de primeira instância administrativa na medida em que a descrição do produto nas notas fiscais de entrada e nas notas fiscais de saída é praticamente a mesma, indício de que não teria ocorrido industrialização, mas simples operação de compra e venda, não sendo possível se afirmar, com clareza, se ocorreu uma ou outra. 13. Não havendo certeza sobre os fatos, o reconhecimento do direito ao ressarcimento está condicionado à produção de material probatório mínimo que dê sustentação às alegações formuladas pela recorrente, não sendo possível se afirmar com a clareza necessária nem o crédito a que a contribuinte teria direito, nem se a totalidade das matérias primas indicadas teriam efetivamente passado pelo processo de beneficiamento 14. Neste sentido, principalmente em razão da ausência dos livros Registro de Apuração do IPI e do Registro de Entradas e de Saídas, uma vez que as repetidas tentativas de intimação da contribuinte e da pessoa de seus sócios resultaram infrutíferas, e em que pese reconhecer expressamente a contribuinte como produtora exportadora, não há como reconhecer o crédito por ela pleiteado em virtude de carência de material probatório apto a fundamentar que as operações praticadas pela recorrente consistiram em industrialização e não simples revenda de mercadoria. 15. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000878/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Diana Piatti Lobo, OAB/SP nº. 241.582.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 342 1 341 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000878/200758 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.729 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de janeiro de 2017 Assunto IRPF Recorrente LUIZ AUGUSTO DE OLIVEIRA CANDIOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, a advogada Diana Piatti Lobo, OAB/SP nº. 241.582. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de fls. 192 e seguintes, exigindolhe o imposto de renda das pessoas físicas no valor de R$ 713.590,25, acrescido de multa de ofício proporcional de 150% e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 87 8/ 20 07 -5 8 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 343 2 A infração referese a 06 depósitos bancários com origem dos recursos não comprovada, nos anos de 2001 e 2002 (fl. 193). Aponta o Auditor Fiscal, em seu Termo de Verificação (fl. 184) que: a) esta ação fiscal é baseada no trabalho da Equipe Especial de Fiscalização, que apoiada na decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, autorizou a quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior por Instituições Financeiras que atuavam como prepostos de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, relativas ao MTBHUDSON BANK e outros, realizado a partir da CPMI do BANESTADO. O Juízo autorizou o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, o Bacen e a Coaf, para instruir as atividades específicas desses órgãos. b) foi iniciada pelo Termo de Início da Ação Fiscal e o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros, documentos comprobatórios da origem dos recursos movimentados no exterior. Respondeu que fizera várias remessas ao exterior e que não localizara a documentação completa. c) o contribuinte aqui identificado está plena e suficientemente caracterizado como remetente de recursos não declarados ao exterior, sem utilização do Sistema Financeiro Nacional através do Banco Central, e como originário de ordens de pagamento. Contribuinte omitiu rendimentos nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física Declaração de Ajuste Anual nos anos calendário de 2001 e 2002, e comprovou apenas parcialmente a origem dos valores transferidos para o exterior. d) o contribuinte já havia sido autuado pela constatação de Variação Patrimonial a Descoberto e esta nova ação fiscal tem a Autorização para reexame de período já fiscalizado, doc. de fl. 4. Naquela ação fiscal não foram consideradas as operações destas transações com o exterior, não conhecidas até o final daquele trabalho. e) foi aplicada a Multa Qualificada de 150%, considerando que o contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de fraude e simulação, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, na fl. 205, que foi assim tratada pela DRJ em São Paulo/SP II, em resumo, para considerar o lançamento procedente: a) não se cogita nenhuma nulidade no procedimento fiscal e não há que se falar em cerceamento de defesa; b) tratandose de lançamento de ofício, a regra decadencial é aquela do artigo 173, I, do CTN; c) está caracterizada nos autos a omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas poderia refutar a presunção legal; d) configurado o dolo, impõese a aplicação da multa qualificada; e) são devidos os juros de mora com base na taxa Selic. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 344 3 Cientificado dessa decisão em 10/03/2009, conforme AR na folha 280, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/04/2009, com protocolo na fl. 283. Em sede de recurso, resumidamente, assim expõe suas razões: 1 o contribuinte tomou ciência do termo de início de fiscalização que o intimou a comprovar a origem de recursos movimentados no exterior. A fiscalização juntou documentos com o objetivo de indicar o contexto do qual decorreria a ação fiscal, inclusive extratos de movimentações financeiras que o envolveriam. Os extratos contém expressões em língua estrangeira, sem tradução para o vernáculo. Ademais, nenhum deles aponta o recorrente como beneficiário de quaisquer recursos. 2 as análises realizadas pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) restringiramse a mídias computacionais que não foram juntadas aos autos. 3 o contribuinte esgotou as providências a seu alcance para demonstrar que não tivera qualquer envolvimento com as movimentações financeiras em questão, o que se pode concluir a partir da análise dos referidos extratos. 4 o lançamento aqui debatido já havia sido atingido pela decadência no momento em que o recorrente foi notificado de sua lavratura. 5 faz longa explanação sobre omissão de rendimentos e as presunções no direito, analisa a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para concluir que não foi cabalmente demonstrada a correspondência entre a possibilidade legal e o fato concreto. Seria impossível que fosse beneficiário de qualquer depósito bancário em conta do MTB Hudson Bank, pois nunca possuiu conta naquela instituição. 6 a despeito da impossibilidade da presunção legal de omissão de rendimentos, o Auto de Infração carece de qualquer substância, pois se reporta a situações que não configuram o fato gerador do IRPF. 7 descabe a aplicação da multa de 150%, uma vez que não se pode presumir o dolo específico nem a fraude. 8 impossibilidade de se exigir juros sobre a multa punitiva e ilegalidade dos juros com base na taxa Selic. PEDE o cancelamento integral do auto de infração, ou, alternativamente, a inaplicabilidade da multa qualificada e dos juros sobre a multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 345 4 No Termo de Início de Fiscalização, cuja cópia está na fl. 06, do qual o contribuinte admite ter sido regularmente intimado, consta uma lista de 08 depósitos realizados nos anos de 2001 e 2002, "através de conta mantida no MTB HUDSON BANK". No Termo de Verificação Fiscal, que consta das fls. 184/5, afirma a fiscalização que "evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando Operações, remetendo valores ou se beneficiando desses procedimentos. Neles, este contribuinte utilizou essas contas". Transcrevo ainda: 5) Para examinar os fatos e documentos mencionados, foi constituída a Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SRF n° 463/04. Os trabalhos limitaramse à verificação documental e da mídia eletrônica, compartilhados judicialmente com a Receita Federal, que identificou os contribuintes nacionais participantes das operações. 5.l) Esse trabalho resultou em Representação Fiscal contendo resumos das operações de remessa que contém: a) CPF do contribuinte e identificação do ordenante; b) valor USD, c)data da remessa e número de referência; d) banco e número da conta recebedora beneficiária; e) banco e número da conta originária, entre outras informações, conforme documentos de fls. 18 a 26. 5.2) A Equipe Especial de Fiscalização enviou às unidades locais, através da Representação Fiscal, os seguintes documentos de fls. 41 a 47. a) Os Laudos Periciais Federais denominados “Laudos de Exame EconômicoFinanceiro”: Laudo n° 1258/2004INC, Laudo n° 2.149/2005INC, Laudo n.° 1.284/2005INC, Laudo n.° 2.504/2005 INC e Laudo n° 104/2006INC, elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística da Policia Federal, para cada conta/subconta onde foram localizadas transações (confere com a cópia fornecida pelo Departamento de Policia Federal, Diretoria de Combate ao Crime Organizado, Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros, Força Tarefa CC5 CuritibaPR); b) A relação das ordens de pagamento das contas em que este Contribuinte constou como ordenante (confere com a cópia fornecida pelo Departamento de Policia Federal, Força Tarefa CC5); c) Cópias das ordens de pagamento em que este contribuinte constou como ordenante. 6) De acordo com esses elementos compartilhados judicialmente, elaborei os valores que foram objeto da intimação ao contribuinte no Termo de Início de Ação Fiscal, que respondeu declarando desconhecer aquelas transações, que não teriam sido realizadas nem autorizadas por ele. Não apresentou extratos bancários nem outros documentos ou comprovantes. (sublinhei) Bem, nas folhas mencionadas 19 a 27 (18 a 26 na numeração original do papel) não encontro "documentos" fornecidos pela instituição financeira ou pelo Poder Judiciário mas informações compiladas pela própria Receita Federal. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 346 5 Na folha 42 consta o Laudo nº 1258/04INC (Instituto Nacional de Criminalística) denominado Laudo de Exame Econômico Financeiro onde os peritos fazem referência a mídias eletrônicas. Temos que (fl. 48): ... os Peritos segregaram e consolidaram as operações de transferências de recursos, tanto a débito quanto a credito, das contas e subcontas administradas pela Beacon Hill, esclarecendo que os eventuais relacionamentos e outros detalhes específicos serão objeto de outros laudos periciais, inclusive com a análise de seus dossiês, que serão apresentados individualmente conforme solicitado através do Memo n° 351/04PF/'FT/SR/DPF/PR . Em seu julgamento, a DRJ afirmou que (fl. 267): A relação das ordens de pagamento das contas em que o contribuinte constou como ordenante fornecida pelo Departamento de Polícia Federal, que integra o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258/04INC (fls. 41/47) foi gerado pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal de Arquivo eletronicamente autenticado denominado “CDR” (que não permite alterações posteriores), consistindo em prova hábil e válida, com indicação do impugnante como responsável por transferências bancários para o exterior. O impugnante alega, também, que a precariedade instrutória do Auto de Infração acarreta sério cerceamento de defesa ao impugnante e cita julgado do Conselho de Contribuintes, que decide pela nulidade do lançamento no caso de cerceamento do direito de defesa por desconhecimento, pelo sujeito passivo, dos fundamentos materiais da imposição tributária. Esta turma já se manifestou sobre semelhante caso, de movimentação de recursos em contas no MTB Hudson Bank, anteriormente. Vejamos que no Acórdão 2202 003.058, de 09 de dezembro de 2015, o relator, Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, ao analisar a questão da validade das provas e as alegações do contribuinte sobre a não demonstração de ser titular de recursos no exterior, assim dispôs: As mídias digitais das movimentações financeiras foram analisadas pelos Peritos Criminais Federais do Instituto Nacional de Criminalistica INC, órgão técnico do Departamento da Policia Federal, que elaboraram os Laudos de Exame Econômico Financeiros, com o objetivo de trazer elementos de provas necessários a identificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira para cada conta examinada. Todos os dados obtidos, sejam em papel (dados cadastrais) como em meio digital (movimentação financeira) foram obtidos de forma lícita, mediante autorização judicial da Justiça Federal do Paraná e da Justiça dos Estados Unidos da América. Os dados da movimentação financeira da conta bancária mantida pela empresa (...) S/A foram detalhados no laudo elaborado pelos peritos do INC da Polícia Federal, que possui força probante suficiente para sustentar o presente lançamento de ofício. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.000878/200758 Resolução nº 2202000.729 S2C2T2 Fl. 347 6 Aqui nestes autos, apesar do Auditor Fiscal mencionar no TVF quatro laudos elaborados pelo INC, apenas um encontrase anexado e, de fato, nenhuma referência é feita ao contribuinte recorrente, especificamente. Não se sabe que contas/subcontas teria movimentado (listagem no item 23. fl. 45) e seu detalhamento. Assim sendo, principalmente considerando as alegações do recorrente, desde a fase que precedeu a lavratura do Auto de Infração, de que jamais realizou as operações que lhe são imputadas, entendo ser imprescindível que constem destes autos os laudos periciais completos, onde se possa verificar a relação entre o contribuinte e as contas bancárias, com detalhamento. Além disso, o contribuinte alega que: "Em momento algum a fiscalização apresentou explicações ou esclarecimentos a respeito das rubricas ... indicadas, as quais serviriam de guia para a compreensão das informações contidas na Representação Fiscal". Salutar, para evitar qualquer alegação de cerceamento de defesa, que a fiscalização indique ao contribuinte o significado das seguintes expressões (fl 19 e ss): (i) valor; (ii) currency; (iii) in_out; (iv) value_date; (v) account number; (vi) reference; (vii) originator; (viii) original bank; (ix) instructing bank; (x) beneficiary bank; (xi) beneficiary info; (xii) bene_account_num; (xiii) senders_aba_num; (xiv) senders_name; (xv) receivers_aba_num; (xvi) receivers_name; (xvii) imad_num; (xviii) beneficiary bank 2; (xix) originator bank in; (xx) bank to bank; (xxi) intermediary bank; (xxii) identificados. Em conclusão, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que: a) sejam anexados os laudos elaborados pelos peritos federais, mencionados na alínea a) do item 5.2 do Termo de verificação Fiscal, indicando a discriminação das contas analisadas e vinculando este contribuinte a movimentações financeiras; b) sejam esclarecidos ao contribuinte os significados das expressões contidas na representação fiscal enviada pela Equipe Especial de Fiscalização, conforme fls. 19 a 27, acima especificadas. c) seja dada ciência ao contribuinte do teor desta Resolução e do resultado das diligências, abrindolhe prazo de trinta (30) dias para, querendo, manifestarse. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000831/2001-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO
A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição.
É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito.
Numero da decisão: 2201-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral que negava provimento.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição. É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CTN. NÃO APLICAÇÃO A regra prevista no artigo 166 do Código Tributário Nacional somente se aplica aos chamados tributos indiretos. O imposto de renda previsto no artigo 35, da Lei nº 7.713, de 1988, é tributo direto, não lhe sendo aplicável a aludida condição por ocasião da apresentação de requerimento de restituição. É pacífica a jurisprudência do CARF a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a título de ILL para pleitear a restituição do respectivo indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral que negava provimento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 08 31 /2 00 1- 07 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 167 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 84/88, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 76/79, que negou provimento à manifestação de inconformidade da RECORRENTE, no sentido de não reconhecer o direito creditório do valor trazido a litígio em razão da sua ilegitimidade para requerer a restituição do ILL pleiteada. A RECORRENTE pleiteou, às fls. 02/06, a restituição do Imposto sobre Lucro Líquido – ILL, relativo aos períodos de 1990 a 1993, anosbase de 1989 a 1992, no valor total de R$ 176.964,82 (à época do pedido). Após a confirmação dos recolhimentos apontados por meio das guias de fls. 32/34, foi proferido Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada, na medida em que a RECORRENTE não seria a contribuinte do tributo em questão, pois cabialhe, tão somente, a retenção e recolhimento dos valores. De acordo com referido Despacho Decisório, o contribuinte do ILL era o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa (fls. 43/45). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a RECORRENTE apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 48/52, alegando, em apertada síntese, que possui legitimidade para pleitear a restituição do ILL, uma vez que a regra estabelecida pelo art. 166 do CTN não se aplica ao caso de restituição de ILL recolhidos indevidamente. No seu entendimento, o ILL se trata de imposto direto, com base na jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 76/79 dos autos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da RECORRENTE., conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 168 3 1990, 1991, 1992, 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. TRANSFERÊNCIA DO ÔNUS FINANCEIRO. A fonte pagadora, na qualidade de sujeito passivo responsável pela retenção e pelo recolhimento do imposto, tem legitimidade para formalizar pedido de restituição de ILL, devido exclusivamente na fonte, desde que comprove haver assumido o ônus tributário ou estar autorizada pelos que o suportaram. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora de primeira instância alegou que “figuram na condição de contribuinte do ILL os beneficiários dos pagamentos efetuados a título da distribuição de lucros – sócios quotistas e titulares de empresas individuais –, e na condição de responsáveis tributários todas as sociedades e empresas individuais que tenham distribuído lucro no períodobase, excetuadas as sociedades constituídas por ações” e que a fonte pagadora “repassa ao beneficiário o valor devido em razão de uma relação obrigacional, descontando o valor do imposto retido” que é recolhido aos cofres da Fazenda Pública. Neste sentido, concluiu que, por se tratar de recolhimento de tributos efetuados pelo responsável tributário, em substituição do contribuinte, em razão de prévia retenção na fonte, o direito à restituição do ILL encontra limitação no comando previsto no art. 166, do CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 02/10/2012, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 83, apresentou o recurso voluntário de fls. 84/88 em 31/10/2012. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação, no sentido de que possui legitimidade para pleitear a restituição do ILL, não sendo aplicável a regra estabelecida pelo art. 166 do CTN no caso de restituição do ILL (por se tratar de imposto direto), nos termos da jurisprudência da CSRF e das turmas do CARF. Alega a RECORRENTE que, além da distribuição do lucro ser feita após o pagamento do ILL, no presente caso, não houve a distribuição de qualquer parcela dos lucros nos anos de 1990 a 1993, conforme atestam as DIPJs acostadas aos autos (fls. 90/153). Ademais, afirma que a cláusula sétima do contrato social não previa a distribuição automática de lucros (fls. 155/160) Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 169 4 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Inaplicabilidade do art. 166 ao pedido de restituição de impostos diretos. A questão em discussão nestes autos reside em saber se a RECORRENTE possui direito à restituição do ILL pleiteada. Não merece prosperar o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância que negou o direito de restituição do ILL pleiteada pela RECORRENTE, tendo em vista a não comprovação da negativa de assunção do ônus do imposto e à falta da autorização dos terceiros que porventura tenham assumido este encargo (art. 166 do CTN). Contudo, o artigo 166 do CTN somente se aplica aos chamados tributos indiretos, em que há transferência do encargo financeiro. Os tributos diretos, a exemplo do imposto de que aqui se trata (ILL), não estão sujeitos ao comando do dispositivo enfocado. No caso do ILL, não há a chamada transferência do encargo financeiro a terceiros, na medida em que referido tributo incidia sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas apurado na data de encerramento do período. Ou seja, nos termos do o art. 35, da Lei nº 7.713/88, a incidência do ILL ocorria antes mesmo da distribuição, não havendo que se falar em incidência do ILL sobre valores recebidos pelos sócios. A própria RECORRENTE demonstra por meio de suas DIPJs que não houve distribuição de lucros no período objeto do pedido de restituição e, mesmo assim, foi recolhido o ILL relativo a cada anocalendário. Neste sentido, vide jurisprudência da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 166 DO CTN. É pacífica a jurisprudência deste Conselho a respeito da legitimidade da empresa que tenha recolhido indevidamente valores a titulo de ILL para pleitear a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13746.000831/200107 Acórdão n.º 2201003.509 S2C2T1 Fl. 170 5 restituição do respectivo indébito, não se aplicando ao caso a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional. (processo nº 10510.003375/9975; acórdão nº 2102002.908; julgado em 14/04/2014; 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF) CONCLUSÃO Por todo o exposto, meu voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à restituição pleiteada pela RECORRENTE. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 170DF CARF MF
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