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Numero do processo: 10480.722508/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 08 /2 00 9- 15 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 259 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 243) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela improcedência de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, referente ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 25.137,50 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre receitas recebidas de pessoa jurídica em decorrência de relação de trabalho sem vínculo empregatício, omitidas da declaração de ajuste anual do exercício de 2005. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida que relata os principais fatos verificados no processo até então: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 260 3 Ao analisar o caso, a autoridade de piso entendeu que o então impugnante não demonstrou o uso dos valores recebidos em favor a pessoa jurídica envolvida, razão pela qual tal valor devia ser considerado rendimento do próprio contribuinte, de forma que ao final decidiu pela improcedência da impugnação. Inconformado, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, reafirmando os mesmos argumentos da impugnação, porém, mediante a apresentação de alguns novos documentos, com o fim de ver cancelado o auto de infração. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 261 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do mérito do pedido Tratase de recurso meramente procrastinatório, onde o contribuinte apenas reafirma os argumentos da impugnação, cuja decisão não difere do entendimento a ser adotado no presente voto, razão pela qual, colacionase o seguinte trecho do acórdão recorrido: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 262 5 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 263 6 (...) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 264 7 Especificamente quanto à declaração que acompanha o presente recurso voluntário, onde representante da pessoa jurídica envolvida informa que os documentos juntados aos autos foram de fato por ele assinados, tal instrumento não tem o condão de provar que os valores recebidos pelo recorrente foram efetivamente investidos em favor da empresa. Diante disso, entendese que o contribuinte não afastou a presunção decorrente dos recibos de sua emissão, juntados às folhas 14 a 111, nos quais consta declaração de que os valores ali recebidos correspondem à contraprestação por serviço de coordenação prestados à pessoa jurídica envolvida. Conclusão Posto isso, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007940/2004-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado.
Numero da decisão: 1201-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior.
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PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do anocalendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 79 40 /2 00 4- 22 Fl. 511DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação (PER/DCOMP efls. 01/08), de 29/06/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamentos indevidos referente a saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 1996, no valor total de R$ 456.158,79. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório DRF/BSA/Diort (e fls. 70/74), que analisou as informações e concluiu que o direito ao credito compensado, na data de apresentação das declarações de compensação, já havia decaído: 5. As declarações de compensação não são tempestivas, pois foram protocoladas em 29/06/2004, portanto após o transcurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, previsto no art. 165, incisos I, e art. 168 inciso I da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que defende que não houve decurso de prazo para a petição de restituição e compensação. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0326.972 4ª Turma da DRJ/BSA, de 18/09/2008, efls. 328/343) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, confirmando o entendimento de que na data de apresentação das declarações de compensação o direito de repetição do indébito já havia decaído: (...) Assim, tanto pela interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pela posição da Administração tributária, escudada na posição sobre o tema, do Supremo Tribunal Federal, bem como a interpretação dada ao artigo 168, inciso 1, do CTN, pelo artigo 3° da LC 118, de 2005, é certo que na data da protocolização do pedido, em 29/06/2004, em face do transcurso do prazo de cinco anos da data de apuração do saldo negativo de 1RPJ, o direito da manifestante de pleitear a restituição ou compensar o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1996, encontravase também extinto. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/11/2008 (efl. 345) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/11/2008 (efl. 346), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10166.007940/200422 Acórdão n.º 1201002.927 S1C2T1 Fl. 512 3 As compensações aqui em debate foram formalizadas em 29/06/2004, reportando direito creditório apurado no anocalendário 1996. Logo, a prescrição apontada no despacho decisório deve ser afastada, na medida em que a interpretação dos dispositivos legais que regem a matéria, exposta nas decisões recorridas, não mais prevalece no âmbito administrativo. Como bem demonstrado no despacho decisório, dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, que poderia ser interpretada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, como sendo a data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trataria de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do anocalendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96. O art. 3° da LC 118/2005 dispôs: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Contudo, interpretação do Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. O STF concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu Fl. 513DF CARF MF 4 mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 o acórdão. Em suma, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido, dependendo se o protocolo da repetição de indébito é posterior ou anterior à publicação da LC 118/2005. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 26/06/2004 direito creditório apurado em 31/12/1996. Logo, o prazo prescricional aplicável é de 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido, e que assim somente expiraria em 31/12/2006. Pertinente, portanto, afastar a prescrição declarada pela autoridade fiscal, para que se prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito para as compensações declaradas. Neste sentido é a Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 514DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732355/2015-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES DECLARADOS EM DIRF. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Constatado que o valor informado na declaração de ajuste anual está em desacordo com o informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, cabe o lançamento do imposto de renda pessoa física suplementar com base na omissão de rendimentos apurada.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas por meio de documentos. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador.
CONTENCIOSO. APRESENTAÇÃO IMPUGNAÇÃO. ACÓRDÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO SE APLICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. APÓS DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECURSO.
O contencioso se inicia com a apresentação da impugnação e após a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário. Uma vez apresentada a impugnação, sendo devidamente apreciada e proferido o acórdão pela DRJ, não há que se cogitar supressão de instância e nem a ocorrência de cerceamento do direito à defesa.
Numero da decisão: 2202-005.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES DECLARADOS EM DIRF. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Constatado que o valor informado na declaração de ajuste anual está em desacordo com o informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, cabe o lançamento do imposto de renda pessoa física suplementar com base na omissão de rendimentos apurada. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas por meio de documentos. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador. CONTENCIOSO. APRESENTAÇÃO IMPUGNAÇÃO. ACÓRDÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO SE APLICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. APÓS DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECURSO. O contencioso se inicia com a apresentação da impugnação e após a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário. Uma vez apresentada a impugnação, sendo devidamente apreciada e proferido o acórdão pela DRJ, não há que se cogitar supressão de instância e nem a ocorrência de cerceamento do direito à defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 23 55 /2 01 5- 20 Fl. 266DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0654.246 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA, a qual julgou o lançamento procedente (fls. 102/107 e 113/128). Do Lançamento Tributário De acordo com o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CTA (fl.101/103), o lançamento tributário foi em face da omissão parcial de rendimentos: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2011, ano calendário 2010, para a exigência de imposto suplementar de R$ 4.698,90, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de omissão parcial de rendimentos, no valor de R$ 25.483,01, recebidos de Indústria de Electro Aços Plangg S/A, com compensação de imposto de renda retido na fonte – IRRF de R$ 1.937,16, Regularmente intimado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 04/17) e demais documentos (fls. 18/78), na qual em síntese, alegou que não recebeu todos os valores informados pela fonte pagadora Indústria de Electro Aços Plangg S/A e que esta deveria ser intimada a comprovar os valores efetivamente pagos. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/CTA apreciou o lançamento e proferiu o acórdão negando provimento à impugnação sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou suas alegações (fls. 101/107). Do Recurso Voluntário Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 267 3 O contribuinte Gunther Wolfgang Plangg, devidamente intimado da decisão da DRJ/CTA, em 20/04/2016 (fls. 135), apresentou, em 05/05/2016, recurso voluntário se insurgindo contra a decisão da DRJ/CTA (fls. 112/133), alegando que: Houve supressão de instância administrativa, pois foi intimado apenas para prestar esclarecimentos e assim o fez, apresentado em 09 e 12 de novembro de 2015 os documentos que estavam ao seu alcance. Diz que caberia ao fisco se pronunciar sobre os esclarecimentos oferecidos para confirmar (ou não) o lançamento que havia chegado primordialmente e que gerou o pedido de esclarecimento. Entende que somente agora, com o acórdão da primeira instância, é que se confirmou o lançamento e, assim, essa seria a oportunidade para apresentar a impugnação e não o recurso. Requer também a produção de prova, com a colheita de depoimentos do representante legal e da contadora do empregador, de modo a comprovar que o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte em questão tratouse de uma fraude perpetrada em todos os exercícios, há muitos anos, pelo empregador. E que não há que se falar em preclusão na produção de provas, como sustentou o julgador de primeira instância. Diz também que o julgador da DRJ teria asseverado que o contribuinte "perdeu" o prazo para impugnar o lançamento. A peça judicial juntada aos autos, que não foi aceita pela DRJ por se referir a anocalendário anterior, é uma fonte de prova paradigma, que mostra que em anos pretéritos o empregador não entregava ao contribuinte as declarações de rendimentos nem envelopes de pagamento de salários. Somente apresentou a declaração de rendimentos da empresa que lhe foi entregue pela empresa para demonstrar que ela é falsa, pois não foram pagos os valores ali apontados, e que o empregador se negou a fazer a retificação pertinente. Da mesma forma os e mails do contador e a outra DIRF que lhe foi entregue, com valores diferentes, foram juntados aos autos como elemento de prova, para mostrar a dicotomia entre os documentos em contraponto aos extratos bancários do recorrente que diz espelhar os valores efetivamente recebidos, que não foram no montante de RS 38.747,64 nem RS 39.793,90, mas somente RS R$ 18.145,55. Insurgese contra a negativa de oitiva do empregador e seu contabilista, pois o pedido nesse sentido não pode ser considerado como inversão de ônus da prova ou transferência à administração, como fez a DRJ. Frisa que, conforme jurisprudência judicial, a prova do pagamento dos salários compete ao empregador e, se necessário, devese fazer perícia contábil na empresa, sob pena de cerceamento de defesa do recorrente. O julgamento anterior deve ser anulado, seja por supressão de instância; seja por cerceamento de defesa ao aplicar equivocadamente o princípio da inversão do ônus da prova; seja porque as provas simplesmente foram negadas. Que tal julgamento se contrapõe aos princípios morais, éticos e sociais que devem nortear a Administração Pública. Da Diligência Resolução n° 2202.000.754 Após analisar os autos, o recurso voluntário e os demais documentos apresentados, os Membros do Colegiado, por maioria de votos, acolheram a preliminar e converteram o julgamento em diligência, conforme resolução (fls. 138/142), para: Fl. 268DF CARF MF 4 I) Intimar a fonte pagadora Indústria de Electro Aços Plang S/A para informar os valores totais pagos ao contribuinte e o imposto de renda retido na fonte, no ano calendário 2010, acompanhado dos comprovantes de pagamento; II) Intimar o recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. Em atendimento a Resolução, a DRF intimou a fonte pagadora para apresentar a documentação solicitada, todavia, conforme AR (fls. 148/151), os Correios não encontraram a empresa no endereço informando, registrando que houve mudança de endereço. Por isso, a DRF realizou intimação por Edital (fl. 152) e em 31/07/2017 emitiu intimação para o contribuinte (fl. 153) informando que a empresa havia sido intimada mas que não se manifestou. Tendo recebido a intimação em 08/08/2017 (fl. 156), o contribuinte protocolou sua manifestação em 23/08/2017 (fls. 159/163 acompanhada de documentos, fls. 164/177) afirmando que: Anexou aos autos comprovante de restituição do imposto de renda do ano calendário 2016 no qual ocorreu situação de fato idêntica àquela observada no anocalendário 2010: a empresa declarou a integralidade do salário acordado; mas que pagou apenas parte do valor a que tem direito o Recorrente; Declarou em sua DAA, tão somente os valores efetivamente recebidos, e não aqueles declarados pela empregadora; A empresa não havia sido localizada, a intimação deveria ser feita na pessoa do seu representante legal, fornecendo ao fisco o endereço dessa pessoa; e A intimação da empresa contadora poderia ser feita na pessoa da sua representante legal, fornecendo telefone e endereço eletrônico. Da Diligência Resolução n° 2202.000.815 Após analisar o resultado da Diligência determinada pela Resolução n° 2202.000.754, o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto observou que a situação não se alterou, uma vez que a DRF tentou intimar a empresa empregadora no endereço fiscal constante nos dados da receita, mas empresa havia se mudado. Então a DRF efetuou intimação por edital e não foi atendida. O Contribuinte foi intimado e em sua manifestação insistiu sobre a necessidade de intimar a empresa, trazendo aos autos informações quanto a locais onde os seus responsáveis legais e contador poderiam ser encontrados, além de números de telefone e contatos de correio eletrônico. Por essas razões, os membros do colegiado, por maioria de votos, converteram o julgamento do recurso em nova diligência, conforme Resolução n° 2202.000.815 (fls. 181/186) para: I) Intimar a fonte pagadora Indústria Electro Aços Plang S/A, no seu endereço fiscal próprio, ou por meio de circularização para seus responsáveis legais ou ainda para o seu escritório de contabilidade, para informar os valores totais pagos ao Contribuinte e o imposto de renda retido na fonte, no ano calendário 2010, acompanhado dos comprovantes de pagamento hábeis e idôneos a comprovar os valores declarados na DIRF; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 268 5 II) Intimar o Recorrente, no prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar e; III) Devolver os autos para continuidade do julgamento. Em resposta à citada resolução n° 2202.000.815, o Serviço de Controle de Acompanhamento Tributário (SECAT) da DRF/POA/RS apresentou o Termo (fl. 263) informando: O item 01 foi cumprido, pelo SECAT/DRF/POARS, com a intimação via correios e Editais, mantendose em silêncio a pessoa jurídica Indústria ElectroAços Plangg S/A , assim como seus representes legais Edemir Schereiber e Gilberto José Da Silva, manifestandose apenas a contadora da empresa E.DAL Castel (Dal Castel Serviços Contábeis), fls. 214/230. Por último o contribuinte foi cientificado, em 15/10/2018, sobre os termos da diligência proposta, manifestandose às fls. 256/262. Em atendimento a intimação da DRF/POA/RS, a contadora Eliane Dal Castel assim se pronunciou (fl. 222): Eu, Eliane Dal Castel Responsável pela empresa E. Dal Castel ME CNPJ: 11.142.986/000150, em cumprimento a Intimação n° 2.421/2018/SECAT/COB, Processo n° 11080.732355/201520, assim comunico a SRF que as informações lá prestadas na D1RF/2011, foram de acordo com os documentos repassados pela empresa Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva CPF: n° 306.039.140 53. O interessado tomou conhecimento sobre os termos da diligência e assim se manifestou (fls. 256/260): Que a contadora, Eliane Castel, nada esclareceu para elucidação das verdades dos fatos, limitandose a sustentar que as informações prestadas na DIRF/2011 foram efetivadas de acordo com os documentos repassados pela Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva. Informações estas que são de pleno conhecimento do CARF e que não juntou aos autos os comprovantes de pagamento de salário do contribuinte por ele firmados. Que a Sra. Contadora é coresponsável nas esferas civil, tributária e penal pelas informações prestadas ao fisco e que lhe compete verificar a idoneidade dos documentos recebidos para comprovação de que os dados noticiados pelo seu cliente são verdadeiros e completos. Frisa ainda que : "8 Deveras, em argumento paradigma, a falsificação ou alteração de documentos , incluindo aí os livros mercantis, constitui crime previsto na legislação penal, modo que uma declaração falsa constante em documento contábil com obrigação da empresa perante a Previdência Social, assim como quando envolve folha de pagamento ou carteira de trabalho, são exemplos de prática de crime." (fl. 258) Fl. 270DF CARF MF 6 Por fim, requer que: 9 nesta realidade, à inteligência da coresponsabilidade da contadora pelos dados indicados/informados por seu cliente (empregadora indústria de ElectroAcos Plangg s/a) , e na busca da verdade real, requerse seja procedida nova intimação da referida , modo a que junte aos autos ( diligenciando pessoalmente perante a indústria de ElectroAcos Plangg S/A e/ou perante o representante legal da mesma , senhor Gilberto José da Silva , se necessário), os comprovantes de pagamento salarial devidamente firmados por Günther Wolfgang Plangg ou, do contrário, diante da inexistência dos mesmos , em corroboração de que Günther efetivamente não recebeu os salários , refaça o documento fiscal, espelhando a verdadeira realidade, aos moldes sustentados pelo contribuinte Günther. 10Por outro lado, diante do silêncio intolerável dos responsáveis pela empresa empregadora ( Gilberto Jose da Silva e Edemir Schereiber), requerse sejam os mesmos convocados à prestar os esclarecimentos invocados por Vossa Excelência, mediante intimação por meio de Oficial de Justiça (ao fundamento analógico e subsidiário do artigo 15, combinado com artigos 246, inciso II e 275, todos do Código de Processo Civil ) ou por meio de servidor designado (ao fundamento analógico e subsidiário do artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.443/1992 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União), combinado com artigo 179, inciso I, do Regulamento Interno do Tribunal de Contas da União. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Preliminarmente, o Recorrente afirmou que, após ser intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, caberia ao fisco se pronunciar sobre os elementos apresentados para confirmar ou não o lançamento. Afirmou ainda que, somente após o acórdão de primeira instância, no qual se confirmou o lançamento, seria a oportunidade para apresentar a impugnação e não o recurso, por esse motivo, alegou que houve supressão de instância. Do Cerceamento do Direito à Defesa, Da Impugnação e da Supressão de Instância Diante de tais alegações, percebese que o recorrente, ao invocar possível supressão de instância, confunde o lançamento tributário efetuado, com a finalidade de constituir o crédito, com uma etapa do contencioso. Dessa forma, fazse necessário esclarecer a diferença existente entre a constituição do crédito por meio da Notificação de lançamento e o contencioso que se inicia a partir da contestação, que neste caso, foi a apresentação da impugnação. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 269 7 No tocante ao crédito tributário, cabe registrar que foi efetivamente constituído por meio da Notificação de lançamento e definitivamente constituído com a ciência do contribuinte nos termos do art. 142 do CTN. Portanto, após a ciência do contribuinte, o crédito se tornou definitivo e está revestido das prerrogativas que a lei lhe confere, podendo ser alterado apenas pelos motivos elencados no artigo 145 do CTN. Já em relação ao contencioso, observase que se inicia a partir do momento em que o contribuinte apresenta a sua impugnação contestando o crédito tributário exigido, utilizando a prerrogativa legal prevista no art. 145, I, do CTN, com o intuito de alterar o lançamento. À vista do exposto, cabe esclarecer que o processo administrativo fiscal se constitui, em regra, de duas fases: Uma fase se caracteriza pelo procedimento de auditoria fiscal, com a finalidade de identificar a existência da obrigação tributária, para logo depois constituir o crédito, mediante a emissão da Notificação de lançamento acompanhada do anexos correspondentes à descrição dos fatos e enquadramento legal e os respectivos demonstrativos (fls. 18/21), para fornecer as informações detalhadas sobre o resultado da ação fiscal realizada, conceder oportunidade ao contribuinte para analisar o lançamento bem como permitir ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e ampla defesa. A outra fase se define pela contestação do lançamento, momento em que se instaura o contencioso, e, por consequência, impõese também a aplicação dos princípios constitucionais inerentes ao devido processo legal, entre eles o da ampla defesa e do contraditório. Assim sendo, o contencioso se inicia com a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, conforme dispõe o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, “ A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, e somente a partir de então se instala o litígio entre o fisco e o contribuinte, dando origem ao processo administrativo fiscal, que deve desenvolver sob o comando dos princípios constitucionais inerentes ao devido processo legal. Em virtude do exposto, entendo que não há que se falar em supressão de instância, pois o contencioso somente se instalou com a apresentação da impugnação, que foi devidamente apreciada pela primeira instância, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Caso o contribuinte discordasse da decisão, como de fato discordou, caberia a apresentação de recurso, como de fato apresentou, conforme dispõe o art. 33 do citado decreto. Desse modo, notase que o contencioso se instalou e segue o rito normal, como estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Em suma, rejeitase os questionamentos do recorrente, alegando supressão de instância, cerceamento do direito à defesa e o desejo de apresentar impugnação após a decisão proferida no acórdão. Da Petição Judicial Apresentada No que diz respeito ao argumento de que a peça judicial juntada aos autos (fls. 65/68), não foi aceita pela DRJ por se referir a anocalendário anterior, não prospera, pois se trata de uma petição na qual o recorrente ajuizou uma ação, mas não faz prova para o pleito que aqui requer. Fl. 272DF CARF MF 8 Da Perícia No caso da prova pericial requerida, cabe esclarecer que, além do caráter excepcional, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. Neste sentido, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela juntada de documentos carreados ao processo pelo contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pelo Recorrente, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Intimação do Empregador e da Contadora No tocante ao pedido do Recorrente para intimar o empregador e a contabilista, para prestar esclarecimentos sobre os valores recebidos e a retenção de imposto de renda na fonte, notase que foi atendido, pois o Colegiado, por meio de resolução, determinou a realização de duas diligências para tal fim (fls. 138/142 e 181/186). Do resultado das diligências, verificase que apenas a contadora Eliane Dal Castel se pronunciou, nos seguintes termos (fl. 222): Eu, Eliane Dal Castel Responsável pela empresa E. Dal Castel ME CNPJ: 11.142.986/000150, em cumprimento a Intimação n° 2.421/2018/SECAT/COB, Processo n° 11080.732355/201520, assim comunico a SRF que as informações lá prestadas na D1RF/2011, foram de acordo com os documentos repassados pela empresa Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva CPF: n° 306.039.140 53. Após analisar o resultado das diligências em conjunto com os documentos apresentados no autos, verificase que os argumentos apresentados pelo Recorrente não foram confirmados, pois na declaração prestada pela contadora Eliane Dal Castel, pode ser observado que ela afirmou que as informações prestadas na DIRF estão de acordo com os documentos repassados pela empresa, confirmando a regularidade do lançamento que utilizou as informações declaradas na referida DIRF. Da Regularidade da Notificação de Lançamento No caso em tela, pode se observar ainda que, além da não ter confirmado os argumentos do Recorrente, quando da realização da diligência, o lançamento se encontra em conformidade com documentos trazidos aos autos pelo próprio contribuinte, como o comprovante de rendimentos (fl. 52) e os dados da DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 53), que apontam rendimentos tributáveis no valor de RS 38.747,64. Assim, estes fatos demonstram que o contribuinte não realizou sua declaração de ajuste exercício 2011 com base no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, razão pela qual ensejou o lançamento suplementar em face da constatação da omissão parcial de rendimentos. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 270 9 Por fim, entendo como correto o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF pela autoridade fiscal e a decisão proferida pela DRJ que manteve o lançamento em decorrência da omissão parcial de rendimentos com base nas informações obtidas na DIRF, as quais foram confirmados pela contadora Eliane Dal Castel, bem como rejeitar o pedido para anular a decisão de primeira instância e o argumento de que houve cerceamento de defesa. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 274DF CARF MF 10 . Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906184/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.976
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa parcialmente transcrita abaixo: (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 06 18 4/ 20 13 -1 0 Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 3 2 CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES NÃO VENDAS. Inexiste previsão legal para apuração de crédito sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. NÃO CABIMENTO. É passível a utilização do crédito sobre devoluções de venda apenas no desconto de débitos, desde que a receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tributada conforme a Lei. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receitas tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: Da Preliminar i Do erro material do Acórdão pela inclusão de glosas estranhas ao processo ii Do erro material do Despacho Decisório por ausência de fundamentação iii Da nulidade da decisão face à contradição envolvendo o rateio proporcional Do Direito I Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos II Combustíveis e Lubrificantes Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 4 3 III Materiais auxiliares de consumo IV Produtos de Limpeza V Das despesas de locação de paletes e contentores (despesas de armazenagem e embalagem de mercadoria) VI Despesas com fretes na compra de insumos tributados com alíquota zero e de insumos com crédito presumido VII Despesas com fretes de transferência de matériaprima e de embalagens VIII Despesas com fretes de devoluções IX Do crédito das devoluções de mercadorias tributadas X Do rateio proporcional dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins XI Da correção monetária pela taxa Selic aos créditos não reconhecidos pelo despacho decisório É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.975, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.906181/201386. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.975): "1. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 2. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 5 4 caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 3. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 6 5 Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 4. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 5. Assim, retornando aos autos e acompanhado por maioria expressiva do Colegiado, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. 6. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 7. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 8. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 7 6 9. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 10. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 12. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. Ato contínuo, deverá a fiscalização 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 8 7 (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 9 8 (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001494/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO.
A apuração do ganho de capital de imóvel rural deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas.
Numero da decisão: 9202-007.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóvel rural deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóvel rural deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 14 94 /2 01 0- 31 Fl. 239DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.934 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 08 de agosto de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 178: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI 9393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E VALOR DE ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VTN. FALTA DO DIAC OU DO DIAT. APLICAÇÃO DO ART. 14. ANTINOMIA COM A IN SRF 84/2001. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. 2. A falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. 3. O § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas. 4. O critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora está equivocado, de forma que o lançamento deve ser cancelado. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 204 a 227, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 185 a 192, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural efetuada de acordo com a IN SRF n.º 84/2001. Em seu recurso, aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) autuação se deu em razão da ausência dos DIATs relativos aos anos de aquisição (2000) e alienação (2006), tendo o agente fiscal considerado como custos de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação de cada imóvel; b) v. acórdão ora recorrido entendeu que na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado a DIAT relativamente ao ano de alienação, NÃO HÁ COMO SE CONSIDERAR como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e alienação do imóvel; Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 3 3 c) com o advento da Lei nº 9.393, de 1996, passam a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação do imóvel rural, o valor da terra nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), respectivamente nos anos da ocorrência de aquisição e de sua alienação, para efeito de determinação do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997; d) caso não tenha sido apresentado o DIAT relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação; e) o imóvel alienado pelo contribuinte, objeto do lançamento, ou seja, a área de 169 hectares, foi adquirida em 29/11/2000 e alienada em 28/08/2006; f) o próprio contribuinte diz expressamente (fl.103) que não houve apresentação do DIAT nem no ano de aquisição e nem no de alienação (2006); g) quando houve a entrega do DIAT do exercício 2006 (ano de alienação), em 25/09/2006 o impugnante não era mais o proprietário do referido imóvel, não sendo mais contribuinte do ITR em relação a este imóvel rural. h) deve ser considerado como custo de aquisição e como valor de alienação, para fins de apuração do ganho de capital, o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação; i) está correta a apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital procedida pela autoridade fiscal, no lançamento; j) a instância administrativa não é foro adequado para apreciações relacionadas a alegações de ilegalidade levantada. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 214 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) a administração pública está incontestavelmente sujeita ao princípio da legalidade, de modo que sua atuação normativa é totalmente vinculada aos ditames da lei, afora as exceções constitucionalmente previstas; b) a instrução normativa é ato de competência ministerial que atende a uma necessidade sistemática clamada pela estrutura política administrativa adotada pela constituição, restringindo seus efeitos à coordenação dos instrumentos do Poder Executivo com vistas a dar exeqüibilidade às leis, decretos e regulamentos, conforme preconizado pelo art. 87 da CF; c) destarte, a IN não pode revestir figura autônoma, criando, modificando ou extinguindo direitos e obrigações, sob pena de o Fl. 241DF CARF MF 4 fazendo invadir seara alheia e malferir a ordem constitucional no que atine às competências e atribuições de cada Poder; d) a Secretaria da Receita Federal não pode baixar instrução normativa inovando no ordenamento jurídico, ou seja, implicando criação, modificação ou extinção de direitos ou deveres não estabelecidos em lei prévia; e) a Lei 9.393/96 estipulou que os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos, porque representativo do preço das terras; f) no caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, a lei especifica os critérios que deverão sr levados em conta pela Receita para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras, cuja viabilização encarrega o próprio fisco; g) o valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior e acatado pelo fiscal, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não e a hipótese dos presentes autos; h) a sistemática utilizada pelo fisco está equivocada, ao passo que o cálculo da exação deveria ser efetuado utilizando o Valor da Terra Nua; i) o VTN atualizado é de R$ 3.200,00 o hectare, conforme DIAT anexa, referente ao ano de alienação, e o valor de alienação foi de R$ 3.200,00o hectare, de forma que não houve ganho de capital. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A autuação sob análise se deu em razão da ausência de apresentação dos DIATs relativas aos anos de aquisição do imóvel rural (2000) e alienação (2006), tendo o agente fiscal, para fins de apuração do ganho de capital, considerado como custo de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação de cada imóvel. Considerando o provimento do Recurso Voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso com o fito de rediscutir a possibilidade de aplicação da IN SRF n.º 84/2001 na apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural. Ocorre que a referida Instrução Normativa estabelece como custo de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 4 5 de cada imóvel, quando não apresentadas os DIATs pelo contribuinte para a averiguação do Valor da Terra Nua. Por outro lado, a Lei 9.393/1996, que dispõe sobre o ITR, também trata da apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se deve considerar como custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, a partir de 1º de janeiro de 1997. No se que refere à imóvel rural adquirido em período anterior a essa data, será considerado como custo de aquisição o valor constante da escritura pública, nos termos abaixo: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Assim, a controvérsia limitase à apreciação da legalidade da IN 84, de 2001, considerando o disposto na Lei 9.393/96. Sobre o tema, assim restou consignado no acórdão recorrido: A incidência do IRPF sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do RIR/1999, com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). O art. 40 da Lei 11196/05 ainda estabelece fatores de redução do ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País (FR1 e FR2), ao passo que, em relação aos imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988, o Regulamento, em seu art. 139, estabelece um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem. A IN SRF 84/2001 regulamenta, no plano infralegal, a apuração e a tributação dos ganhos auferidos por pessoas físicas. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. Para que não pairem dúvidas, eis a redação do dispositivo: Fl. 243DF CARF MF 6 Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com clareza cristalina, vêse que a regra legal acima expressamente determina que deve ser observado o disposto no art. 14. Tal artigo, por sua vez, cuida dos procedimentos de ofício aplicáveis nas hipóteses de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, casos em que a Receita Federal deverá proceder à determinação do VTN com base nas informações sobre preços de terras, constantes de sistema por ela instituído. Vejase: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Logo, é indubitável que o art. 19 tem um regime especial para a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais a partir de 1º de janeiro de 1997, devendo serem considerados os VTNs declarados nos anos de sua aquisição e de sua alienação, e que, por força do próprio art. 19, é aplicável o art. 14, segundo o qual a falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. Seguese, pois, que o § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas, pois se apresenta em verdadeira situação de antinomia. Por força do princípio da legalidade, expresso no art. 37, caput, da CF, e considerandose que a Instrução Normativa, neste ponto, extrapolou seu mero caráter regulamentar, deveria o lançamento ter sido efetuado de acordo com a lei, que tem um regime próprio de apuração do ganho de capital na hipótese de não terem sido declarados os VTNs nos anos de aquisição e/ou alienação. Não se pode conceber que o art. 19 da Lei tenha determinado a aplicação do seu art. 14 sem qualquer razão para tanto, senão Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 5 7 para viabilizar que a autoridade fazendária possa proceder ao lançamento de ofício na hipótese sob comento, sob pena de se admitir que a lei possa conter palavras ou expressões inúteis. É iniludível que a determinação de observância do art. 14 foi justamente para propiciar o lançamento de ofício, não podendo ser aplicado o regime infralegal estatuído na Instrução encimada, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Vejase, aliás, que não se está declarando a inconstitucionalidade do § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, mas sim, diante do conflito de normas, utilizandose a norma legal em detrimento da norma infralegal, por aplicação do próprio princípio da legalidade. O inc. I do art. 100 do CTN preleciona que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, de forma que não podem inovar em matéria sob reserva legal absoluta, inclusive no elemento valorizador (ou quantitativo) do fato gerador da obrigação tributária (que também pode ser denominado de critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária). No âmbito do órgão do Judiciário, deve ser destacado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI N.º 9.393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. ART. 10, § 2.º, DA IN SRF N.º 84/01. ILEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MINORAÇÃO. 1. O parágrafo segundo, do art. 10 da Instrução Normativa n.º 84/2001, segundo a qual, na falta do DIAT, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem ser equiparados ao valor constante dos respectivos instrumentos negociais, está em nítido descompasso com a legislação que lhe serve de sustentáculo. 2. Os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos. 3. No caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o art. 14 da Lei n.º 9.393/96 especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras. No caso dos autos, o antigo proprietário que efetivou a entrega da Declaração, não obstando a apuração do ganho de capital. 4. O valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não é a hipótese dos autos. 5. Honorários advocatícios fixados no valor de R$ 1.000,00, nos termos do art. 20, §§ 3° e 4°, do CPC. (TRF4, APELREEX 2007.71.16.0005140, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 20/01/2010) Fl. 245DF CARF MF 8 Ante tudo o que foi exposto, concluise que o critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora está equivocado, de forma que o lançamento deve ser cancelado. Vale lembrar, nesse contexto, que a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, seja de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, impede a revisão de um lançamento já efetuado, ex vi do art. 146 do CTN. Nesse ponto, a propósito, não há qualquer divergência nem mesmo no âmbito doutrinário, conforme ensina o prof. Luís Eduardo Schoueri1, subsistindo diferentes posicionamentos apenas quanto aos fatos ocorridos posteriormente e ainda não albergados por outra fiscalização. Nesse contexto, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, motivo pelo qual adoto os fundamentos mencionados como razões de decidir. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Relatora, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O presente processo trata da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de ganhos de capital na alienação de 169 hectares de um imóvel rural localizado no Município de Cachoeira do Sul/RS A Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial, visando rever o decidido mo Acórdão nº 2402005.934, por meio do qual deuse provimento ao Recurso Voluntário, ao argumento de que o § 2º, do art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibilizaria com o disposto na Lei nº 9.393, de 1996. Não obstante, inexiste qualquer incompatibilidade entre a lei e a instrução normativa, conforme será demonstrado. A Lei nº 9.393, de 1996, que dispôs sobre o Imposto Territorial Rural (ITR), assim estabeleceu, em seu art. 19, como regra de apuração do Imposto de Renda sobre ganho de capital na alienação de imóvel rural: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 6 9 venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Assim, com o advento da Lei nº 9.393, de 1996, passaram a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação de imóvel rural, o Valor da Terra Nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), nos anos da aquisição e de sua alienação, respectivamente, para efeito de determinação do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º/01/1997. Por outro lado, quanto aos imóveis rurais adquiridos anteriormente a esta data e portanto antes da própria instituição do DIAT, por meio do qual o VTN seria declarado foi estabelecido como custo o valor constante da escritura pública, observado o art. 17, da Lei nº 9.249, de 1995. Entretanto, mesmo para os eventos ocorridos a partir de 1º/01/1997, há casos em que o DIAT, embora obrigatório, não foi apresentado pelo Contribuinte. Há situações, ainda, em que o Contribuinte está dispensado da entrega do DIAT, apresentando apenas o DIAC. Estas são hipóteses que se equiparam aos eventos ocorridos à época em que inexistia tal obrigação, ou seja, não há um DIAT do qual se possa extrair um VTN declarado pelo Contribuinte. E para esses casos a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, suprindo a lacuna da lei e utilizando o mesmo critério, esclareceu que o custo e o valor de alienação seriam também aqueles constantes dos respectivos documentos de aquisição e de alienação, tal como a lei fixara para os eventos a ela anteriores. Confirase o art. 10, da citada Instrução Normativa: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). (grifei) Fl. 247DF CARF MF 10 Assim, a toda evidência, a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, visou tão somente explicitar o critério da lei para os casos de inexistência do DIAT, que não se restringe ao período em que ainda não fora instituída tal obrigação, mas também inclui a omissão e a dispensa de apresentação desse documento, a partir da data de sua instituição. Com estas considerações, com todas as vênias, não procede a interpretação de que o art. 19 que trata da alienação de imóvel rural, para fins de apuração de Imposto de Renda ao fazer referência ao art. 14 que trata do arbitramento do VTN pela Fiscalização, para fins de apuração do ITR estaria a determinar que, na falta de entrega do DIAT, seria adotado VTN arbitrado, e não a regra estipulada pela própria lei, na ausência de DIAT. Confirase o art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, que trata da tributação do ITR e é referenciado no art. 19: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Como se pode constatar, o art. 14 diz respeito ao próprio lançamento do ITR, cuja base de cálculo é o VTN, por isso mesmo nesse dispositivo é fixada uma regra para quando não é apresentado o DIAT, ou quando ele é apresentado com o VTN subavaliado, com informações incorretas, inexatas ou fraudulentas. E nesse caso a norma do art. 14 estabelece o arbitramento por parte da Fiscalização e não um valor a ser utilizado pelo Contribuinte quando da alienação do imóvel, à falta do DIAT. Destarte, no entender desta Conselheira, corroborado pela jurisprudência do CARF, abaixo colacionada, a referência ao art. 14, feita no art. 19, visa apenas esclarecer que o VTN porventura extraído do DIAT para fins de apuração de ganho de capital também estará sujeito a eventual arbitramento pela Fiscalização, no caso de subavaliação, informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Com efeito, a norma específica de ganho de capital para fins de Imposto de Renda (art. 19) não pode ser associada com a norma que fixa a base de cálculo do ITR (art. 14), senão para deixar expresso que o VTN a ser aplicado no ganho de capital também pode ser revisto pela Fiscalização. Destarte, a alegada incompatibilidade da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, com a Lei nº 9.393, de 1996, não se sustenta. Nesse sentido é o voto condutor do Acórdão nº 2402006.206, de 05/06/2018, da lavra do Ilustre Conselheiro Maurício Nogueira Righetti: "A controvérsia aqui posta, consoante delimitada pelo relator, reside quanto à utilização do valor de alienação constante em instrumento negocial, em função da inexistência de DIAT no ano da alienação do imóvel (2004). (...) Não obstante, o voto condutor acabou por afastar a aplicação do normativo encimado, verdadeira norma complementar da lei, consoante estabelece o artigo 100 do CTN, ao fundamento de Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 7 11 que haveria uma antinomia entre elas IN SRF nº 84/2001 e a lei que se pretende complementar (Lei 9.393/96). Não compartilho desse posicionamento. Por mais de uma vez, tive a oportunidade de expor meu entendimento neste colegiado, acerca da perfeita compatibilidade entre aqueles normativos. (...) A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. (...) Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. (...) A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. (...) Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. (...) Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 249DF CARF MF 12 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. (...) Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais." Quanto à jurisprudência que corrobora o entendimento esposado no presente voto, além do julgado já colacionado, citase: Acórdão 2201003.817, de 09/08/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Acórdão 2402005.981, de 12/09/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. VTN SUBAVALIADO. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 8 13 Em não havendo apuração do resultado da atividade rural ou em não se exercendo referida atividade, pode o Fisco, ao identificar a subavaliação do VTN que constou do DIAT, em cotejo com os documentos que retrataram o negócio jurídico, valerse do valor total da operação que constou naqueles documentos. Acórdão 2301005.258, de 08/05/2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 01/10/2008, 07/08/2009, 17/08/2009 (...) GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóveis rurais deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000698/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/06/1995
DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO N° 70.235/72.
Como a Receita Federal é competente para cobrança dos direitos
antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua restituição, afigura-se legitimo que referida cobrança se dê nos termos do Decreto n° 70.235/72, até mesmo porque esse procedimento garante a observância dos princípios do
devido processo legal e da ampla defesa, não havendo prejuízo ao sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para anular a decisão recorrida, retornando os autos ao Colegiado u quo para análise das demais questões do recurso voluntário.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/06/1995 DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO N° 70.235/72. Como a Receita Federal é competente para cobrança dos direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua restituição, afigura-se legitimo que referida cobrança se dê nos termos do Decreto n° 70.235/72. até mesmo porque esse procedimento garante a observância dos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, não havendo prejuízo ao sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em dar provimento parcial ao recurso especial para anular a decisão recorrida, retornando os autos ao Colegiado u quo para análise das demais questões do recurso voluntário. Caio Marcos Cândido - Presidentc'Substituto Rod igo CardozwMiránda - Relator Cl/ Participaram do (Presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith /0 Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, enrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas. Nanci Gama, Mâria Teresa Martinez López e Caio Marcos Cândido. Relatório Cuida-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 198 a 206), com arrimo no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 180 a 187) que, por maioria de votos, anulou o processo a partir do auto de infração, nos termos do voto do ilustre relator, Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, restando vencida a Conselheira Mércia 1 lelena Traj ano D "Amorim. Consoante exposto no relatório do v. acórdão recorrido, e com base na r. decisão de primeira instância, a autuação se deu para exigir do importador direito am idiimping no valor de R$ 167.194,80, acrescido de multa de mora de R$ 33.438,96 e de R$ 227.853,06, totalizando crédito tributário de R$ 428.486,82. Referido direito antidumping é relativo às mercadorias importadas (Ferro Cromo de Baixo Carbono) através das Declarações de Importação no 15581 e 15582, ambas registradas em 20/06/1995. A Colenda Segunda Camara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso voluntário, acolheu preliminar levantada pelo ilustre Conselheiro relator quanto á própria legalidade da autuação. Entendeu-se, em síntese, que o auto de infração e o próprio Decreto n° 70.235/72 não são instrumentos legais para se exigir os direitos antidumping antes do advento da Medida Provisória n° 135/2003, posteriormente convertida na Lei IV 10.833/2003. Mister destacar os seguintes excertos do voto condutor, que serviram de fundament() para a r. decisão ora recorrida, verbis: (..) Deve-se esclarecer que a verba lançada no AI não tern natureza tributária. Ademais, /00 existe no direito positivo brasileiro nenhum dispositivo que faça menção ou institua o "Impost° de Intportação Adicional". Com efeno, o fundamento da autuação é a Portaria MF 233/94, que estabeleceu direito antidumping nestas importações originárias da Rfissia, Ucrânia e Cafaquistão, sobre produto que menciona, Ferro Cromo de Baixo Carbono. Citada Portaria (sic) decorre dos termos da Lei 9.019, de 30/03/1995, que dispõe sobre a aplicação dos direitos previstos no Acordo "Antidumping". Diz o art. 1" desta Lei que "Os direitos w7tichunping... serão aplicados mediante a cobrança de importância, em moeda corrente do pais, que corresponderá a lvreenlual da margem de dumping.., apurados em processo administrativo.. , suficientes para sanar dano ou ameaça de dano indfistria doméstica". Seu parágrafo fink() esclarece que "Os direitos antidumping... serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de 2 Processo n" 13603.000698/2001-13 CSRF-T3 Acórdilo n." 9303-01.350 H. 223 nature:a tributária relativas à importação dos prod mos aletctdos. Portanto, verifica-se, assim, que, quando da constatação do existência de "dumping" em regular investigação, o que se cobra é um "direito" e não um "tributo ... Esse direito é exigido para sonar dano OU ameaça de dano. Assim, ele lein caráter incienLatório. Se for visto COMO 1141)11i0 ele contraria aquela disposição constante do art. 3° do CTN que diz que "Tributo toda prestação pecuniária... que não constitua scuição de clio Assim, o ccuninho tornado pela Proces.vo Administrativo Fisccil pura a cobrcuka da obriga cão legal 100 é o adequado, visto que a mencionada Lei 9.019/95 estabelece procedimentos próprios para a cobrança do direito antidumping em caso de inadimplemento do importador. Tal circunstáncia invalida integra/incute o Auto de Infração que inaugura este procedimento. que fifi lavrado em 17/05/2001 posteriormente a essa Lei, pois ele é o instrumento legal para a determinação e exigência dos créditos "tributários" du União. Tanto isso é verdacie que o Poder Executivo, através da Medicia Provisória 75/02, que foi rejeitada pelo Congresso Nacional em 19/12/2002, pretendendo sanar essa lacuna juridica, dispunha em seu art 23, o seguinte: Art. 23. Os direitos antidumping e os direi/os compensatórios de que trata a Lei n°9.019, de 30 de março cie 1995„00 devidos 110 duta cio registro da declaração de importação. ssç 4° Em relação à exigência de ofício cie direitos cmlichtmping ou cie direitos compensatórios, aplicam-se, 110 que couber, as disposições do Decreto 110 70.235, de 1972. Diante da rejeição, posteriormente, a mesilla matéria, para preencher ci lactma acima referida, foi inserida na Afeclida Provisória 135, de 30/10/2003, que foi convertida no Lei 10.833, cie 29/12/2003,1105 termos seguimes: Art. 79. Os arts. 7°c 8' da Lei n° 9.019, de 30 c/c 111(11V0 cie 1995, possum a vigorar com ct seguinte reciação: "Art. 7" ,sç 2° Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da decktração de importação. 5°A exigência cie oficio de &wiles antidumping ou tie direitos compensatórios e decorrentes cwrésc moratórios e pencdiciades serci . f01711alialda e/11 auto cie infração lavrado por 3 Auditor-Fiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação. 6 0 Verificado o inadimplemento da obrigação, a Secretaria da Receita Federal encaminhará o débito a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União e respectiva cobrança, observado o prazo de prescrição de 5 (cinco) CHUM Conclui-se, portanto, que o próprio legislador verificou a falta tie regulamentação para a apuração e cobrança, em via achninistrativa, dos direitos em questão. Dessa maneira, considerando que na data da autuação 100 existia autorização legal para a autoridade autuante lançar direitos antidumping pro meio de AI e pelo rito do Decreto 70.235/72, não há C01710 prosperar a autuação, sendo esta, portanto, insubsistente. Face ao exposto, voto pela nulidade do Processo a partir do Auto de Infração inclusive. A ementa do referido julgado, que bem resumiu os termos do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro relator, é a seguinte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/06/1995 Ementa: DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO 70.235/72 O caminho tornado pela fiscalização, Processo Achnhtistrativo Fiscal para a cobrança da obrigação legal não é o adequado, visto que a Lei 9.019/95 estabelece procedimentos próprios para a cobrança do direito "antidumping" em caso c/c inadimplemento do importador. Tal circunstância invalida integral/nettle o Auto de Infração, pois ele é o instrumento legal para a determinação e exigência dos créditos "tributários" da União. Essa possibilidade somente veio a ser permitida coin o advento da Lei 10.833/03. PROCESSO ANULADO. Foram, então, opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (fls. 189 a 191), em que se apontou, em resumo, contrariedade e obscuridade em razão do disposto no § 1 0 do artigo 7° da Lei n° 9.019/95, que de acordo com a recorrente já fazia previsão legal de cobrança de direitos antidumping pela Receita Federal. Tais embargos foram declarados improcedentes, nos termos da informação técnica e do r. despacho de fls. 193 a 197. lrresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, violação aos arts. 1°, 3°, 7°, § 1° e 12, todos da Lei n° 9.019/95, ao art. 48 do Decreto n° 1.602/95, e ao art. 5°, inciso LXX VIII, da Constituição Federal. O recurso especial foi admitido pelo r. despacho de fls. 207 a 209. Processo n" 13603.000698/2001-13 CSRF-T3 Acórdão 11. 0 9303-01.350 11 224 64/ Contra-razões as fls. 212 a 219, onde se alega, em suma, que o recurso especial da Fazenda Nacional não merece ser provido porquanto. verbis. o acórdão recorrido não contrariou a disposição legal constante do artigo 7" da Lei n° 9.019/95, .jó que não negou a competência da SRF para exigir o cumprimento das obrigações relacionctda.s. ao direito antidumping, mas apenas reconheceu a nulidade do processo de cobrança destes direitos por estar sendo a exigência veiculada através do procedimento relativo it cobrança de crêditos de natureza tributária, especificamente aquele previsto no Decreto n" 70.235/72, inaplicável espécie. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. Consoante exposto no relatório, a questão ora controvertida reside na utilização ou não do PAF, Procedimento Administrativo Fiscal, nos termos do Decreto n" 70.235/72, para aplicação de direitos antidumping, especificamente antes do advento da Medida Provisória n° 75/2002, que foi rejeitada, e da Medida Provisória n° 135/2003. posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003. Enquanto a r. decisão recorrida, na esteira do voto condutor, entendeu que o PAF não se aplicaria à espécie, a Fazenda Nacional apontou que a Lei n° 9.019/95, desde a sua entrada em vigor, já previa no seu artigo 7°, § 1°, a competência da Secretaria da Receita Federal para cobrança dos direitos antidumping. Isso autorizaria a cobrança através do procedimento previsto no Decreto n° 70.235/72, sendo que a legislação posterior teria vindo lume apenas para espancar quaisquer dúvidas porventura existentes quanto a. adoção do rito ali previsto. No tocante ao cerne da questão, mister destacar o artigo 7° e §§ da Lei n° 9.019/95: Art. 7 0 0 cunwrimenio das obrigações resultantes da aplicação dos direitos antidumping e dos direitos compensatórios„svjam definitivos ou provisário.s., será condição para dl introdução 110 COIllérd0 cio Pais de produtos °Nero de dumping ou subsidio. § I" Soy; competente para a cobrança dos direitos antidumpinz e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bent como, se for o caso, para sua restituiçtio, a SRF do Ministério da Fazenda. § 2 0 Verificado o inadimplemento da obrigaçrio, a SRF encaminhard a documentavdo pertinente a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscriaio do débito em Divida Ativa da Unido e respectiva cobrança. 5 Muito embora no sejam explícitos, os dispositivos acima destacados deixam claro que a competência para cobrança dos direito antidumping é da Receita Federal, e que, caso não haja adimplemento, a Receita encaminhará a documentação à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição do débito em Divida Ativa da Unido e respectiva cobrança. Esse procedimento em tudo se equipara àquele previsto no Decreto n° 70.235/72, que se inicia com a lavratura de auto de infração ou envio de notificação de lançamento, e culmina com o seu encerramento e posterior remessa para inscrição na Divida Ativa, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, caso o débito não seja satisfeito. Aliás, os instrumentos de cobrança por excelência, no âmbito da Receita Federal. são exatamente o auto de infração e a notificação de lançamento, nos exatos termos previstos no Decreto n° 70.235/72. Por outro lado, o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, bem como o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, prevêem a competência para julgamento de direito antidumping. Me parece, assim, que não há porque se afastar o Decreto n° 70.235/72 como procedimento a ser adotado, visto que ele 6, que rege as cobranças a cargo da Receita Federal, atendendo plenamente aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, não causando qualquer prejuízo ao sujeito passivo. A legislação superveniente, neste caso especifico, veio apenas para espancar qualquer dúvida quanto ao procedimento a ser seguido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, afastando a nulidade apontada na r. decisão recorrida e determinando que a instancia a quo dê continuidade ao julgamento do recurso voluntário. R•drigo Cardo 6
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901956/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 56 /2 01 4- 55 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.035, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 160,46 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2012 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721810/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes.
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO.
Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo.
Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais.
A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração.
Numero da decisão: 1301-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo. Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração.
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo. Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 10 /2 01 2- 73 Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.480 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.481 3 Relatório CTC CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1051.311) que julgou improcedente as impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: A partir da constatação de elementos que, em tese, configuram a suspensão do benefício fiscal, a Delegacia Especial da RFB de Fiscalização em São Paulo declarou suspensa a isenção tributária da Entidade interessada nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, por inobservância ao disposto no artigo 15, caput e § 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, suspensão efetivada mediante o Ato Declaratório Executivo nº 212, de 28 de agosto de 2013, fls. 2291. Este ADE foi efetivado com base no Parecer de 27 de agosto de 2013 e Despacho Decisório de 28 de agosto de 2013 (fls. 2276/2290), os quais em síntese, confirmaram as constatações contidas na Notificação Fiscal emitida em 06/06/2013 (fls. 2.170/2.175, retificadora da Notificação de fls. 2.187/2.197), na qual a Fiscalização havia relatado os seguintes fatos: a) foram constatadas reiteradas despesas com participação nos resultados (conta 3.2.1.03.0013), no total de R$ 4.016.645,03, em junho de 2008; de R$ 4.468.275,88, em junho de 2009 e R$ 5.056.167,58, em maio de 2010, conforme escrituração contábil, informações em DIRF e arquivos de folhas de pagamento; b) as folhas de pagamento demonstram que a participação nos resultados foi efetuada no âmbito de toda a empresa (empregados e diretores); c) houve transformação da associação civil em sociedade anônima, conforme deliberações em ata da reunião de 12/01/2011 e, em conseqüência, o capital social passou a ser de R$ 33.271.288,15, valor correspondente ao superávit acumulado no balanço social levantado em 31/12/2010, com a divisão em 27.583 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal; d) a Entidade fez uso de sua isenção de impostos e contribuições como associação civil sem fins lucrativos, para acumular o que seriam receitas próprias de uma associação civil (contribuições associativas) em sucessivos superávits acumulados, fazendo o aporte deste na integralização do capital de uma Sociedade Anônima, contrariando o artigo 12, § 2º, alínea “b” e § 3º e 15 da Lei nº 9.532/97. A Entidade havia sido cientificada da Notificação Fiscal na data de 08/06/2013, tendo apresentado sua contestação a fls. 2.224/2.240. O Despacho Decisório subsequente, ao apreciar aquele recurso, reiterou tais constatações e fundamentandose na Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.482 4 interpretação adotada pela Delegacia Especial da RFB em São Paulo quanto ao artigo 12 da 9.532/1997 (assim como os artigos 13, 14 e 15 do mesmo dispositivo), notadamente nas condições para gozo da isenção. Ressaltou ainda a questão da impossibilidade de participação nos resultados nas entidades sem fins lucrativos ante a inexistência de regulamentação para norma constitucional de eficácia limitada. Observou também que a transformação da associação em sociedade empresária (sob a forma de sociedade anônima), através da destinação dos sucessivos superávits atentou contra o art. 61 do Código Civil, demonstrando que a Entidade não cumpria com seus objetivos sociais, colocando uma pá de cal nas suas pretensões de considerarse isenta de tributação na forma do referido artigo 15 da Lei nº 9.532, de 1997. II – DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, em 27 de setembro de 2013, a interessada apresenta a impugnação de fls. 2295/2310 argumentando basicamente os seguintes aspectos: Sobre o pagamento de participação nos resultados: a) sobre as despesas de participação nos resultados, esclarece que as entidades sem fins lucrativos não estão impedidas da adoção de regime de participação em resultados, mas sim faculdade de fazêlo; b) cita o art. 7º, XI da Constituição Federal, que prevê o direito à participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração e, excepcionalmente, participação em gestão conforme definido em lei; c) a matéria foi tratada na Lei nº 10.101, de 2000, após inúmeras Medidas Provisórias, que estabeleceu os procedimentos a serem observados na adoção dos Planos de Participação nos Lucros ou Resultados, cujo objetivo é de proteger a natureza jurídica dos ganhos do trabalhador, a fim de que não se pudesse atribuir denominação de participação em lucros ou resultados a quaisquer valores distribuídos aos empregados; d) no texto da aludida Lei, as entidades sem fins lucrativos não foram equiparadas à empresa no sentido trabalhista do termo, exceção para aquelas que não se enquadrem nas alíneas “a” a “d” do parágrafo excludente da Lei nº 10.101, de 2000; e) a razão do tratamento privilegiado decorre da própria natureza jurídica diferenciada quanto aos objetivos sociais perseguidos e, ao contrário que possa induzir o texto legal, não há proibição de adoção de regime de participação em resultados, mas sim faculdade de fazêlo; f) o aspecto jurídico a ser enfocado e que permite a tais entidades a implantação de sistema de participação em resultados é de ordem constitucional, cujo princípio é aplicável a todos os empregados, sem exceção, combinado com o citado § 1º do art. 2º da CLT, podendo a interessada adotar o citado programa, com a proteção constitucional; g) a participação em resultados não se confunde com os lucros obtidos da atividade empresarial nem podem significar a mesma coisa, porquanto elevada a expressão ao nível da Constituição Federal; h) quando o constituinte empregou a palavra “resultado”, deu acolhida a entidades que não buscam o lucro, como o caso da interessada até a sua transformação; Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.483 5 i) caso contrário, as organizações sem fins lucrativos estariam alijadas da proteção garantida pela Carta Magna; j) o resultado deve ser compreendido como fruto de um conjunto de atividades não caracterizáveis como lucro contábil, em razão da organização não possuir natureza econômica e que, no entanto, geram resultados administrativo e operacional positivos; Quanto à ausência de remuneração de dirigentes: l) a interessada nunca realizou despesas desta rubrica atrelada ao seu resultado financeiro e nunca distribuiu qualquer parcela de suas receitas a dirigentes estatutários, conforme pode ser verificado dos arquivos de folhas de pagamento já entregues à fiscalização; m) acerca da remuneração a dirigentes, cabe fazer a distinção entre função estatutária e função profissional e afirma que não há escrituração fiscal digital de qualquer destinação de recursos aos seus dirigentes estatutários; n) ainda que houvesse pagamento aos dirigentes estatutários membros da sua então Diretoria Executiva, sua isenção estaria preservada, eis que era qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP desde 2005 e sempre apresentou sua prestação de contas, conforme exigido pelo Ministério da Justiça, conforme documentos de fls. 2.271/2.272; o) ou seja, mesmo que nos anos de 2008 a 2010, a interessada tivesse remunerado seus dirigentes estatutários, membros da Diretoria Executiva, o que, de fato, não ocorreu, sua isenção não pode ser questionada; p) a alegada remuneração de dirigentes foi realizada apenas para dirigentes não estatutários, o que não justifica a suspensão da isenção da entidade e, conseqüentemente, tal argumento deve ser afastado; Quanto à transformação societária: q) relata sobre as circunstâncias do processo de transformação da interessada em sociedade por ações, que se justifica pela imprescindibilidade à garantia da continuidade das pesquisas e a não interrupção das suas atividades, adaptando sua existência às exigências da livre concorrência e dos interesses de seus partícipes; r) cita o art. 2.033 do Código Civil que não excluiu as associações de fazerem transformação, incorporação, cisão ou fusão; s) não se pode dizer que o CTC deixou de aplicar os seus recursos na sua finalidade social ou realizou qualquer planejamento tributário, posto que o seu patrimônio foi construído ao longo de sua existência legal, com recursos dos associados, por meio de contribuições associativas pagas nos termos do estatuto social; t) a participação acionária de cada associado foi definida com base no número de votos atribuídos conforme as contribuições individuais realizadas nos termos do art. 20, § 1º do seu então vigente estatuto social; u) ainda que a transformação ensejasse infração à legislação tributária, o que se admite apenas para argumentar, como a deliberação ocorreu apenas em 12/01/2011, o ato declaratório de cassação somente pode ser aplicável para o ano de 2011, ano no qual já apresentou sua DIPJ como sociedade anônima; Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.484 6 v) traz jurisprudência administrativa e entendimentos firmados em processos de solução de consulta. Por sua vez, na impugnação tempestivamente apresentada nos autos do processo 19515.722334/201399, que trata de lançamentos de Pis e Cofins não cumulativos, a Entidade apresentou vários aspectos/argumentos contrários à suspensão da isenção pelo ADE 212/2013, abaixo resumidos, e que serão examinado no presente processo, próprio para esta discussão e que se encontra apensado àquele. Observo que vários argumentos contidos na impugnação oposta no processo de lançamento são redundantes em relação ao processo onde é discutida a suspensão da isenção, conforme resumo que abaixo reproduzo: Observa que sempre cumpriu os requisitos para a constituição da Impugnante como OSCIP pelo órgão responsável pela fiscalização destas entidades, qual seja a Secretaria Nacional de Justiça, à qual submetia os documentos societários, plano de contas, prestação de contas anuais de suas atividades, nos termos da lei 9.790/99 e do Decreto 3.100/99, sem que esta autoridade administrativa responsável tivesse apontado o pagamento de salário e PPR aos empregados como infração às normas que regem as entidades sem fins lucrativos. Esclarece que inexiste qualquer vedação à distribuição de resultados a empregados de entidades imunes e isentas no direito outorgado a todo trabalhador, urbano ou rural, conforme previsto no art. 7o, inciso XI da Constituição Federal. Outro argumento aduzido é de que a o dispositivo acima referido é explícito quanto à possibilidade de participação de lucros ou resultados, sendo que, na sua situação particular de OSCIP , caso prevalecesse o entendimento da SRF, estaria havendo ofensa ao dispositivo constitucional pela desigualdade de tratamento entre trabalhadores de empresas e entidades imunes/isentas. Faz digressões a respeito dos conceitos de lucro e resultado Enfatiza que o pagamento pela participação no resultado da Entidade nada mais é do que verter os recursos da entidade ao seu objeto social, uma vez que a concessão do prêmio pelo alcance dos resultados estimula seus empregados a cumprirem com as metas de qualidade, produtividade e absenteísmo. Também argumenta que se o valor pago a título de participação nos lucros ou resultados é considerado como despesa operacional, necessária à consecução dos resultados e, portanto, dedutível do IRPJ, conforme disposto no art. 3o, § 1o da Lei 10.101/2000, deduzse logicamente que a sua distribuição não é hipótese de infração à norma isentiva. Aduz também que o acordo coletivo de participação dos empregados nos resultados, firmado com o Sindicato atesta a ausência de qualquer discricionariedade quanto ao pagamento pelos resultados atingidos, o que denota a não utilização da Entidade para fins de benefício exclusivo de seus dirigentes empregados. Defende a possibilidade de remuneração dos dirigentesempregados, argumentando que a vedação contida no § 2o do art. 12 da Lei 9.532/97 não é aplicável aos dirigentes empregados, caso da Impugnante, mas aos dirigentes estatutários, pela necessidade lógica dos empregados serem remunerados pelo seu trabalho. Aduz jurisprudência do STJ neste sentido, bem como Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.485 7 entendimento da própria SRF, expresso no § 2o do art. 4o da IN 113/98 quanto ao conceito de dirigente em instituições imunes. Subsidiariamente, entende que mesmo na hipótese de existência de infração aos requisitos para fruição do benefício da isenção, ainda assim o Ato Declaratório Executivo 212/2013 não poderia gerar efeitos ex tunc. Entende que o art. 32 da Lei 9.430/1996 não pode ser interpretado de maneira literalrestritiva, mas sim de maneira sistemática, gerando efeitos somente a partir dia 4 de setembro de 2013, quando teve ciência do ato administrativo. Ainda neste aspecto, requer o cancelamento dos juros e das multas impostas em atenção ao § único do art. 100 do CTN, haja vista as reiteradas manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Impugnante. Analisando a impugnação apresentada, a decisão recorrida julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 24/11/2014 (fl. 2331) e apresentou recurso voluntário de fls. 23332359 em 23/12/2014. Argui, preliminarmente, como que a decisão recorrida seria nula por ausência de fundamentos, e, no mérito, reafirma os argumentos já apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.486 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos legais para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. 2 PRELIMINAR A primeira alegação da Recorrente referese à suposta ausência de fundamentos da decisão de primeira instância. Argumenta que embora a decisão afirme que a suspensão da isenção se deu em razão de remuneração de dirigentes, o voto condutor do aresto busca a comprovação de que a entidade teria distribuído seus resultados, sendo que remuneração e distribuição de resultados não poderiam ser tratados como institutos idênticos. Aduz ainda que a conclusão do julgado a respeito da distribuição de resultados estaria baseada em mera inferência, sem qualquer comprovação material. Quanto à transformação em Sociedade Anônima pela qual se submeteu a Recorrente, aduz que a decisão recorrida teria se equivocado ao afirmar que o contribuinte teria angariado recursos pela fruição da isenção tributária. Afirma ainda que a decisão seria arbitrária (uma “aberração jurídica”) ao afirmar que a entidade apresentava superávits sucessivos. Pois bem, embora a Recorrente não tenha requerido a nulidade da decisão recorrida, entendo que do argumento de que a decisão não apresentaria fundamentos podese extrair que o que se pretendia era a declaração de sua nulidade, e assim analisarei o tema. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.487 9 § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. [grifo nosso] Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. No caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Os pontos abordados pela Recorrente quanto aos conceitos de remuneração e distribuição de resultados foram detalhadamente analisados na decisão recorrida, assim como os elementos de prova em que funda, e, se corretas ou não essas análises, são matérias a serem analisadas como mérito da exigência. De igual forma, as conclusões da autoridade quanto à transformação pela qual se submeteu a Recorrente, e a existência e importância de ter havido apurado de superávits sucessivos não podem ser encaradas como questões preliminares. Também não procede o argumento da Recorrente de que haveria ausência de fundamentação na decisão recorrida: tanto do ponto de vista retórico, quanto dos fundamentos legais da exigência, não pode a decisão recorrida ser tachada de não fundamentada, ou de uma “aberração jurídica” por um recurso que, além de buscar denegrir os fundamentos da decisão de primeira instância, nada apontou objetivamente em relação à sua nulidade. Isso posto, preenchidos também todos os requisitos elencados pelo art. 142 do CTN e art. 9º do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Desse modo, voto por rejeitar a preliminar suscitada. 3 MÉRITO O presente abarca tão somente a suspensão de isenção IRPJ e de CSLL levada a cabo pela unidade de origem, não abordando, pois, os lançamentos de IRPJ e de CSLL (processo 19515.722335/201333) e de PIS e de Cofins (processo 19515.722334/201399) realizados em decorrência desse procedimento. Trata os presentes autos de suspensão de isenção tributária prevista no art. 15, da Lei nº 9.532/97, nos termos do Ato Declaratório Executivo 212/2013. Antes de ser exarado tal ato declaratório, o contribuinte foi intimado de notificação fiscal prévia, manifestandose sobre as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.488 10 Ato contínuo, com base no disposto no art. 32, § 4º, da Lei nº 9.430/96, o Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, expediu o Ato Declaratório Executivo nº 212/2013, suspendendo, em relação ao IRPJ e à CSLL, a isenção prevista no art. 15, da Lei nº 9.532/97. Por oportuno, reproduzo os dispositivos da Lei nº 9.532/97 que disciplinam a isenção de IRPJ e de CSLL: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e dos arts. 13 e 14. [grifo nosso] Conforme se observa, instituições de caráter recreativo, como se enquadrava o contribuinte à época dos fatos geradores, fazem jus à isenção de IRPJ e de CSLL desde que atendam o disposto no art. 15 da Lei nº 9.532/97, o qual, por sua vez, remete aos requisitos elencados no § 2º, do art. 12, do mesmo diploma legal, verbis: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; [grifo nosso] b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.489 11 relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. O do § 3º, do art. 15, da Lei nº 9.532/97, determina que se aplique o disposto em seu art. 14 para fins de suspensão da isenção, o qual, por sua vez, remete ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.490 12 objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem, tratandose de legislação tributária que dispõe sobre isenção, a teor do que dispõe o inciso II do art. 111 do CTN, essa deve ser interpretada literalmente. A notificação fiscal, o Parecer em que se baseia o ato declaratório de suspensão de isenção e a decisão recorrida citam os seguintes fatos e documentos que comprovariam que a Recorrente remunerou seus dirigentes por meio de participação nos resultados: documentos de fls. 1126/1127, 1131/11133, 1248/1250, 1255/1257, 1373, 1394, 1496, 1519, 1528, 1620 comprovariam de forma inequívoca que a Entidade distribuiu, nos anos de 2008 a 2010, seus resultados aos funcionários e aos diretores, Srs. Nilson Zaramella Boeta, Osmar Figueiredo Filho e Tadeu Luiz Colucci de Andrade; diretores esses que inclusive permaneceram na diretoria quando da sua transformação em sociedade por ações, conforme Ata da Reunião do Conselho de Administração de fls. 848/849. tais documentos também indicariam desproporcionalidade entre os valores pagos e o que poderseia considerar como participação nos resultados. Nos três anos auditados foram pagos aos referidos diretores somas expressivas de dinheiro a título de participação nos resultados, situação que permite a inferência de que a Entidade estaria dando aos seus recursos destinação diversa daquela prevista em lei – manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais sob a o disfarce de participação nos resultados. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.491 13 Pois bem, compulsando tais documentos, resta evidente que a Recorrente destinou parcela de seus resultados a seus funcionários e também remunerou seus dirigentes. A citada desproporção citada em tais documentos indica não só os pagamentos realizados se deram em montante distinto para funcionários e dirigentes, mas também de forma variável, indicando não se tratar, por exemplo, de pagamentos de salários a funcionários e dirigentes (sendo ou não estatutários). Os argumentos de ordem constitucional da Recorrente no sentido de que a participação nos resultados seria um direito constitucional do trabalhador e de que a edição da Lei nº 10.101/2000 teria deixado claro que a participação também se daria com base nos resultados (art. 1º) e não somente lucro, em realidade, depõem contra ela própria. Como já bem apontado no Parecer exarado pela unidade de origem, a previsão de direito aos trabalhadores de participação nos lucros, ou resultados, é uma norma constitucional de eficácia limitada, necessitando de lei para que pudesse surtir efeitos, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos dos Mandados de Injunção 102, 288 e 426, e nos Recursos Extraordinários 477.595 e 380.636. Com o advento da Lei nº 10.101/2000, os trabalhadores passaram a fazer jus à participação nos lucros, contudo, convém destacar alguns de seus aspectos: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. Conforme se observa, em que pese o art. 1º dessa norma possibilitar que haja participação dos trabalhos nos resultados da empresa, o § 3 º do art. 2º dessa mesma norma consigna que não será equiparada a empresa, para fins dessa lei, a entidade sem fins lucrativos que, entre outros aspectos, não distribuir resultados a qualquer título, ainda que indiretamente, Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.492 14 a dirigentes e administradores e que aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional. Vejase que a própria Lei 10.101/01 não equipara à empresa a entidade sem fins lucrativos que não distribui resultados a dirigentes e que aplique integralmente seus recursos em sua atividade institucional a fim de não colidir com o regramento trazido pelos arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532/97 que determinam a suspensão de isenção de IRPJ e de CSLL às entidades que remunerarem seus dirigentes, por qualquer forma, ou não aplicarem integralmente seus recursos em suas atividades institucionais. Ou seja, os trabalhadores de entidades nessas condições não poderiam reivindicar o direito à participação nos resultados da entidade, justamente para que essas não descumprissem as normais tributárias que condicionavam o direito à isenção de IRPJ e de CSLL a não remuneração de dirigentes e a aplicação integral de seus recursos em suas atividades institucionais. Nessa mesma linha de raciocínio, decidiu o Tribunal Superior do Trabalho no Recurso Ordinário em dissídio Coletivo RO 201210059.2009.5.02.0000, (publicado em 23/11/2012) que as entidades sem fins lucrativos estão excluídas da medida que trata da participação nos lucros e resultados. Vejase: CLÁUSULA 47 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: AS EMPRESAS CONCEDERÃO ANUALMENTE AO PROFISSIONAL, RESSALVADOS AS SITUAÇÕES MAIS FAVORÁVEIS, PARTICIPAÇÃO NOS SEUS LUCROS E RESULTADOS, OU PRÊMIO NUNCA INFERIOR AO VALOR DA REMUNERAÇÃO TOTAL MENSAL RECEBIDA PELO EMPREGADO. [...] Fica registrado que a alegação dos Sindicatos das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos das diversas regiões do Estado de São Paulo, no sentido de que esta cláusula não lhes é aplicável, não merece prosperar, na medida em que estes suscitados não comprovaram que se tratam de entidades sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribuem resultados, ainda que indiretamente e a qualquer titulo, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) apliquem integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no país; c) destinem o seu patrimônio a entidade e congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades e d) mantenham a escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos requisitos anteriores e das normais fiscais, comerciais e de direito econômico que lhes sejam aplicáveis (artigo 2º, § 3º, inciso II, letras "a" a "d", da Lei 10.101/2000). [grifos nossos] A respeito da distinção entre remuneração e participação nos resultados, embora se reconheça que, do ponto de vista societário, trabalhista e tributário em relação aos beneficiários dos beneficiários possuam conceitos distintos e tratamentos diversos, para os fins do disposto no art. 12 da Lei nº 9.532/97 são tratados como sinônimos, uma vez que a alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97 é clara a incluir como condição para o gozo da suspensão (conforme § 3º do seu art. 15) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. A utilização da expressão “por qualquer forma” pelo legislador, deixa claro que a suspensão do gozo da isenção se dará constatandose qualquer forma de entrega de Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.493 15 recursos a seus dirigentes, não importando a que título o dirigente venha a perceber da entidade, não se referindo à remuneração como mero sinônimo de salário ou retribuição direta do trabalho. Em suma, relativamente à expressão “remuneração, por qualquer forma” contida na alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, vale o velho brocardo de que onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir. A respeito do novo regramento trazido pela Lei nº 12.868/2013, que introduziu dispositivos no art. 12 da Lei 9.532/1997, possibilitando a remuneração a dirigentes não estatutários e a possibilidade de remuneração a dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo Federal (§ 4º), além de não ter efeitos retroativos, pois a vigência dessa norma lei se deu a partir de sua publicação, ainda que assim não fosse não beneficiária a Recorrente. Explico: os seus diretores, entre eles o Diretor Superintendente, recebeu, ao longo do ano de 2008, por exemplo, rendimentos variáveis mensais entre pouco mais de R$ 26.000,00 a mais de R$ 40.000,00, chegando a receber, no mês de junho, valores entre R$ 177.000,00 a R$ 279.000,00, conforme documentos de fls. 11241127 (padrão de rendimentos que foram ainda mais elevados nos anos de 2009 e 2010, chegando o Diretor Superintendente a perceber anualmente nesses períodos, respectivamente, R$ 760.310,95 e R$ 822.870,73 – fls. 1131 e 1133). Conforme se observa, esses rendimentos, de longe superam, e muito, o teto de remuneração dos servidores Públicos do Poder Executivo Federal naquele período1. Ademais, os argumentos do contribuinte de que não possuía dirigentes não estatutários, embora irrelevante porque à época dos fatos geradores a lei vedada a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes, sem diferenciar entre estatutários ou não estatutários – carece de comprovação, ou seja, tratase de meros argumentos. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC/2015, em consonância com o art. 333 do CPC 1973): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: 1 Conforme consulta ao sítio do então Ministério do Planejamento, em agosto de 2008 a maior remuneração paga a servidor do Poder Executivo Federal era de pouco mais de R$ 19.000,00. Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/assuntos/gestaopublica/arquivosepublicacoes/tabeladeremuneracao1>. Acesso em: 23 de abril de 2019. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.494 16 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.495 17 do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ademais, o argumento do contribuinte de que o § 2º do art. 4 º da Instrução Normativa SRF nº 113/98 (que trata das obrigações de natureza tributária das instituições de educação, o que não é o caso da Recorrente) de que “não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica” também não lhe socorre uma vez que restou comprovado que todos os beneficiários identificados pela Fiscalização tratavase de dirigentes que exerciam cargos de gerência ou de chefia interna. Nesse sentido, como bem argumentou a decisão recorrida: Dirigente é aquele que tem poder de decisão e, ao que no processo consta, esse poder pertencia às pessoas elencadas a fls. 1126/1127, 1131/11133, 1248/1250, 1255/1257, 1373, 1394, 1496, 1519, 1528, 1620, beneficiárias das distribuições de resultados. É importante ressaltar que, conforme já demonstrado alhures, é inconteste que o Diretor Superintendente da entidade, que jamais poderia ser taxado de mero dirigente interno, recebeu vultosa remuneração durante todo o período. Por fim, não se desconhece que a alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97 recebeu nova redação dada pelas Leis nº 13.151/2015 e nº 13.204/2015, assim vazada: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, exceto no caso de associações, fundações ou organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva e desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3o e 16 da Lei Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.496 18 no 9.790, de 23 de março de 1999, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) Contudo, a alteração na redação desse dispositivo possui apenas efeito prospectivo, uma vez que não seria possível, de modo retroativo, o cumprimento desses requisitos, sem contar que ao menos a remuneração paga ao Diretor Superintendente chegou a superar R$ 800.000,00 anuais, o que indica embora não se possa precisar a média dos valores pagos pelo mercado naquela área de atuação (prova que, nessa fase processual e por se tratar de matéria superveniente, caberia ao contribuinte) que nem nessa hipótese os argumentos da Recorrente a socorreriam. Correlaciona a essa nova redação do art. 12 da Lei nº 9.532/97, a Recorrente arguiu que teria cumprido os requisitos exigidos pela legislação por ser uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Sobre esse tema, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais adoto como razões de decidir, transcrevendoas a seguir: Quanto à alegada possibilidade de remuneração de dirigentes, por ser uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cumpre informar que a questão fática reside em distribuição de resultados e não em remuneração, em decorrência de vínculo empregatício; mormente quando se verifica a distribuição de resultados em valores exorbitantes e desproporcionais, como acima relatado. De qualquer forma, mesmo como OSCIP, também haveria de ser questionada a observância à legislação específica dessas organizações, merecendo transcrever os seguintes excerto da Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999: Art. 1º Podem qualificarse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. § 1º Para os efeitos desta Lei, considerase sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. Em relação à transformação da sociedade, embora concorde com a decisão de primeira instância quanto à caracterização de descumprimento dos requisitos para fruição isenção, como a transformação somente foi realizada em 12/01/2011, somente em relação ao Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.497 19 anocalendário respectivo poderia ser analisada sob o ponto de vista de eventual suspensão de isenção. Não se trata aqui de analisar, ainda, os efeitos retroativos do ato declaratório de suspensão de isenção, mas sim de analisar, em cada anocalendário sobre procedimento fiscal, se o contribuinte houvera ou não preenchidos os requisitos para fruição do benefício fiscal. É importante frisar que, em tese, poderia que poderia ter sido aplicado ao caso o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97, tal qual nos casos de “desmutualização”, o qual assim determina que: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. Por outro lado, tal equívoco cometido pela unidade de origem e também pela turma julgadora de primeira instância não influencia o julgamento, uma vez que, conforme já salientado, o contribuinte remunerou seus dirigentes por meio de participação nos lucros. Por fim, no que diz respeito aos efeitos retroativos do ato declaratório e do pedido de aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, novamente me valho dos fundamentos da decisão de primeira instância por concordar integralmente com seus argumentos: Quanto aos efeitos retroativos do ADE: O Impugnante contestou, ainda, a retroatividade do Ato Declaratório Executivo nº 212, de 2013, alegando que esse somente poderia produzir efeitos a partir da data de cientificação. Entende que o art. 32 da lei 9.430/1996 não pode ser interpretado de maneira literalrestritiva, mas sim de maneira sistemática, gerando efeitos somente a partir dia 4 de setembro de 2013, quando teve ciência do ato administrativo. Ainda neste aspecto, requer o cancelamento dos juros e das multas impostos em atenção ao § único do art. 100 do CTN, haja vista as reiteradas manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Impugnante. Todavia, não prosperam tais alegações, pois o ato formal da autoridade administrativa competente que suspendeu a isenção do Contribuinte é, juridicamente, como o próprio nome diz, declaratório de direito, e não constitutivo. A noção de ato constitutivo se avizinha ao conceito de ato jurídico, qual seja, “todo ato lícito que tem por fim imediato adquirir, modificar ou extinguir direito”. Ou seja, tal ato tem força de constituir, desconstituir ou alterar direitos. Portanto, o direito em questão só nasce ou morre a partir da existência do ato constitutivo. Por sua vez, o ato declaratório não cria, não extingue nem altera direito. Mas o reconhece, afirma ou nega a sua existência. Desse modo, o direito é préexistente ao ato que tem apenas o condão de declarálo. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.498 20 Nesse sentido, preceitua o § 5º, do art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, que “a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração”. O contribuinte cita, na defesa, acórdãos do Conselho de Contribuinte e excertos de jurisprudência. No entanto, os acórdãos do Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (Parecer Normativo CST nº. 390, publicado no DOU de 04 de agosto de 1971). Quanto às decisões judiciais, essas são vinculantes para a Administração Tributária Federal somente nas hipóteses especificadas pelo Decreto nº. 2.346, de 10 de outubro de 1997. O que não é o caso das jurisprudências citadas nos autos, as quais, dessa forma, também não possuem força no sentido de vincular a autoridade julgadora administrativa. Por oportuno, vale mais uma vez lembrar, no que se refere à doutrina e à jurisprudência mencionadas na peça de defesa, que a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autoriza. Os agentes públicos, portanto, não podem aplicar entendimentos doutrinários contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria, uma vez que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Acrescese ainda o fato de que as conclusões eventualmente formalizadas em processos submetidos a exame das citadas autoridades julgadoras não podem ser transpostas diretamente para o caso vertente, ante a multiplicidade de situações retratadas em relação a diferentes contribuintes, que nem sempre guardam consonância com as infrações ora em exame. Não socorre a Impugnante a invocação feita ao § único do art. 100 do CTN uma vez que existe disposição literal em lei com relação aos efeitos temporários da suspensão da isenção, sendo que a multa de ofício imposta pela Fiscalização nos lançamentos tributários é mera decorrência do dever legal, não podendo aqui ser oposta a questão da boa fé e da observância às normas para fins de eximirse de multa e juros, até mesmo porque, conforme verificouse, foi justamente em função da desobediência à norma isentiva que se deu a expedição do ADE combatido. Além do mais, o fato de que tenha havido manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Entidade diz respeito apenas ao controle legal exercido por aquele órgão governamental, não interferindo em nada no exame e na suspensão da condição isentiva por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é o órgão competente em matéria de tributos federais para verificar as condições da isenção. Destaco ainda que, justamente em função da competência estanque de cada órgão governamental, não Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.499 21 podendo ser alegada a mudança de critério jurídico por parte da Administração Pública. Portanto, as infrações praticadas é que constituem o direito de o Fisco suspender a isenção do sujeito passivo. Assim, no caso vertente, considerando o período auditado, o Ato Declaratório Executivo, formalmente prolatado em 28/08/2013, com obediência ao rito legal previsto para tanto, pode sim suspender a isenção do Impugnante para os períodos anteriores, quais sejam, compreendidos entre 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2010. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.720056/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO.
Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN).
A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL.
A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos.
Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização.
A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas.
De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
Numero da decisão: 1402-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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CONTRIBUIÇÕES. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPUGNAÇÃO. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 72 00 56 /2 01 6- 51 Fl. 729DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 730 2 De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 730DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 731 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 07 41.493 6ª Turma da DRJ/FNS, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls.628 a 636, o qual exige da Interessada o recolhimento da importância de R$ 685.744,21, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, correspondente ao ano calendário de 2011, além de Multa Exigida Isoladamente, da ordem de R$ 316.370,11 (Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimado). Segundo consta no Auto de Infração de IRPJ, foi apurada a seguinte infração: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INFRAÇÃO: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Valor de tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos do inciso II a IV do art. 151 da Lei nº5.172/66, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 2.742.976,88 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/1995. Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso I, e 344, § 1º, do RIR/99 MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, que foram reconstituídos em Fl. 731DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 732 4 decorrência da adição dos valores ajustados pela fiscalização, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. [...] Auto de Infração CSLL (fls.637 a 644) Decorrente da infração apontada no Auto de IRPJ, foi efetuado o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, conforme Auto de Infração de fls.637 a 644, da ordem de R$ 246.867,91, também acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, além de Multa Exigida Isoladamente de R$ 112.486,99, (Falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimado). No Auto de Infração CSLL, como lançamento decorrente consta apurada a seguinte infração: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INFRAÇÃO: TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Valor de tributo, cuja exigibilidade encontrase suspensa nos termos do inciso II a IV do art. 151 da Lei nº5.172/66, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2011 2.742.976,88 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º, 13 e 19 da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações posteriores. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 733 5 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, que foram reconstituídos em decorrência da adição dos valores ajustados pela fiscalização, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. [...] Eis o que consta no RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (fls.621 a 627), peça integrante do Auto de Infração, onde se detalha a irregularidade apontada, de forma resumida (eventuais destaques são do original): 1. Relatório A fiscalizada está estabelecida no ramo industrial, tendo como objetivo social: a pesquisa e a lavra de minérios em geral, a fabricação e comercialização de materiais refratários e outros produtos cerâmicos, mecânica especializada e mineração. [...] Em relação à questão da informação em DCTF, por parte do fiscalizado, de tributos com exigibilidade suspensa, sem adicionálos ao lucro real, a fiscalização confirmou a existência desse erro com efeitos na apuração do IRPJ e CSLL, conforme será detalhado a seguir. Na resposta ao Termo de Intimação 01, fls. 5254, o contribuinte afirmou que as ações judiciais, cujos valores foram declarados como suspensos nas DCTF, tinham sido indeferidas em instâncias superiores e, por essa razão, não foram relacionadas nas DIPJ. Vejamos trecho da resposta, fls. 5762, do mesmo: “b) Relativo ao questionamento apontado de que a signatária não adicionou na apuração do lucro real os valores informados na DCTF como depositado judicialmente, temse a ponderar que com referência aos exercícios sociais de 2011 e 2012, o processo judicial de questionamento fora indeferido, em julgamento em câmara superior, o que justifica o motivo da não inclusão ao lucro real dos valores acobertados de depósitos judiciais, pois que, no caso, prevalece o abatimento dos impostos considerados como despesas. (grifamos).” A partir dessa resposta, a fiscalização foi levada a imaginar que estaria diante de uma questão também sem reflexo na apuração do imposto de renda e da contribuição social, no entanto, não Fl. 733DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 734 6 foram apresentados juntamente com a resposta documentos comprobatórios do que estava sendo alegado pelo contribuinte. Assim, o fiscalizado foi intimado a apresentar os comprovantes do indeferimento das referidas ações judiciais e também os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR), 2011 e 2012, para confirmação dos valores utilizados na apuração do Lucro Real no período. [...] O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético, e, em relação às ações judiciais entregou apenas os depósitos judiciais, fls.97136, as planilhas de apuração dos valores suspensos, e as cópias das DCTF, fls.137533. Apesar de não ter mencionado em sua resposta, fls.9596, a questão da ação judicial, afirmou à fiscalização que essas ações judiciais ainda continuavam ativas e que não haviam sido denegadas pelas instâncias superiores. Portanto, esses valores de tributos com exigibilidade suspensa declarados nas DCTF do contribuinte foram adicionados de ofício pela fiscalização à apuração do lucro real, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, sendo efetuados os lançamentos devidos de IRPJ e CSLL. [...] 1. Do Lançamento dos Créditos Tributários Devidos 1.1. Dos valores adicionados ao Lucro Real Os valores mensais dos tributos com suspensão foram obtidos a partir das DCTFSUSPENSÃO, fls. 534537. A demonstração da totalização desses valores mensais encontrase na planilha do do relatório. 1.2. Lançamento do IRPJ e CSLL Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao ano calendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Foram considerados no lançamento os débitos declarados em DCTF, fls.538541. As planilhas totalizadoras desses valores anuais que foram utilizados no auto de infração constam no ANEXO 01 do relatório. Ao receber o LALUR apresentado pelo contribuinte, fls.603620, a fiscalização constatou mais um erro em sua DIPJ, fls.542602, na qual é possível que houve registro errado de opção pelo cálculo da estimativa com base na receita bruta e acréscimos. No lançamento, a fiscalização utilizou a opção e os dados relativos às apurações mensais registrados no LALUR. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 735 7 Em decorrência da adição, os resultados mensais escriturados pelo contribuinte foram ajustados, acarretando o surgimento de estimativas devidas, e não recolhidas, de IRPJ e CSLL. Assim, nos termos da legislação em vigor, efetuamos o lançamento da multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas. Para determinação das multas isoladas utilizamos os valores apurados e registrados no LALUR. Essa apuração está demonstrada nas planilhas do ANEXO 02. [...] DA IMPUGNAÇÃO A seguir, a impugnação apresentada, resumidamente: Da Impugnação ao IRPJ (fls.651 a 665): A ADIÇÃO DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA AO LUCRO REAL Neste tópico, a Impugnante afirma que a regra estabelecida no parágrafo primeiro do art.41 da Lei nº 8.981/95 “...prevalece e continua em vigor até a presente data, EXCETO NO QUE SE REFERE A ‘DEPÓSITO’ JUDICIAL DA EXAÇÃO CONTROVERTIDA.” Que com a publicação da Lei 9.703/98, “as exações “depositadas” judicialmente podem e devem ser deduzidas, para a apuração do lucro real.” Isto porque entende que, anteriormente a esta lei, os depósitos permaneciam na CEF até o fim da demanda judicial, ocasião em que os depósitos seriam levantados pelo contribuinte (se vencedor) ou convertidos em renda da União (se vencedora), de forma que tais depósitos não poderiam mesmo ser aproveitados como despesas. Que este cenário teria sido alterado com a entrada em vigor da Lei 9.703/98, uma vez que os depósitos não permaneceriam mais na CEF, sendo “IMEDIATAMENTE REPASSADOS PARA A UNIÃO E INTEGRAM A RENDA DO TESOURO NACIONAL.” Em suas palavras: Portanto, desde o advento da Lei 9.703/98, o contribuinte que “deposita” tributo para questionar sua legalidade/constitucionalidade, perde a disponibilidade dos valores “depositados”, os quais passam a integrar o patrimônio efetivo da União Federal. Por tal razão, o contribuinte passou a poder aproveitar, como despesa, o valor do tributo que já é vertido aos cofres federais. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 736 8 No mais, discorre sobre a validade desta lei, mesmo que ainda em vigor a Lei 8.541/92, art.7º e/ou Lei 8.981, art.41, trazendo excertos doutrinários e decisões judiciais sobre o assunto em debate. B DA MULTA ISOLADA que a multa é ilegal, não sendo possível a sua cobrança cumulativa à multa de ofício, como pretendido no presente caso; a multa isolada, como o próprio nome diz, é aplicada ISOLADAMENTE, quando não existir tributo ou contribuição a ser paga, nos termos dos incisos II e III do artigo 44 da Lei 9430/96." O Acórdão de Impugnação nº 0741.493 6ª Turma da DRJ/FNS considerou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Tributos. Contribuições. Exigibilidade Suspensa. Dedutibilidade. Lançamento de Ofício. Impugnação. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, não se aplicando tal regra para aqueles com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art.151 da Lei nº 5.172, de 1996 (CTN). A existência de depósitos judiciais das exações questionadas não permite a dedutibilidade fiscal, pouco importando se já foram transferidos à União em face da legislação atual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de Fl. 736DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 737 9 cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Legalidade da adição ao lucro real dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensas A primeira questão a ser discutida no presente processo trata da legalidade da adição ao lucro real dos tributos com exigibilidade suspensa. A Fiscalização observou que o Recorrente não adicionou na apuração do lucro real os tributos com exigibilidade suspensa, embora tivesse declarado em sua DCTF tributos nessa condição, logo procedeuse à apuração do lucro real com a adição de ofício dos referidos tributos, conforme Relatório de Auditoria Fiscal : O fiscalizado apresentou, então, o LALUR, em meio magnético, e, em relação às ações judiciais entregou apenas os depósitos judiciais, fls. 97136, as planilhas de apuração dos valores suspensos, e as cópias das DCTF, fls. 137533. Apesar de não ter mencionado em sua reposta, fls. 95/96 a questão da ação judicial, afirmou à fiscalização que essas ações judiciais ainda continuavam ativas e que não haviam sido denegadas pelas instâncias superiores. Portanto, esses valores de tributos com exigibilidade suspensa declarados nas DCTF do contribuinte foram adicionados de Fl. 737DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 738 10 ofício pela fiscalização à apuração do lucro real, do acordo com legislação do Imposto de Renda, sendo efetuados os lançamentos devidos de IRPJ e CSLL. [...] Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao ano calendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Foram considerados no lançamento os débitos declarados em DCTF, fls. 538541. O Recorrente alegou, em sua impugnação, que, com o advento da Lei 9703/98, os tributos com exigibilidade suspensa, desde que havendo o depósito judicial, poderiam ser deduzidos na apuração do lucro real. A Turma Julgadora a quo julgou improcedente a impugnação, pois entendeu que a existência de depósito judicial não altera a condição de indedutibilidade dos tributos sob exigibilidade suspensa: Notório que as exações questionadas (apuradas no Auto de Infração, neste item) encontramse com a sua exigibilidade suspensa, portanto, a rigor, não poderiam ser aproveitadas como redutoras (despesas) do lucro líquido ou, se o fossem, deveriam ser adicionadas na apuração do Lucro real. Entretanto, a Impugnante, conforme relatoriado, aposta suas fichas na Lei nº 9.703/98, cuja introdução no cenário jurídico nacional teria possibilitado, em seu entendimento, a dedução imediata dos valores depositados então judicialmente. Da leitura destes instrumentos legais, não se pode concluir que valores devidos de exações questionadas e devidamente depositadas junto ao Poder Judiciário, possam ser consideradas como despesas e sem qualquer ajuste (adição) na determinação do lucro real. O fato de a União Federal já poder dispor de imediato dos valores depositados judicialmente pelos contribuintes, não significa que tais depósitos, que representam tributos e/ou contribuições federais em discussão judicial, estejam livres para o registro contábil em conta de resultado (despesas), sem o necessário ajuste fiscal. Absolutamente, não há qualquer incompatibilidade entre as leis citadas pela Impugnante, sob o argumento de que os dispositivos pertinentes que se encontram nas Leis 8.541/92 (art.8º) e Lei 8.981/95 (art.41) teriam sido implicitamente revogados com a publicação da Lei 9.703, de 1998. O Recorrente, em seu recurso voluntário, repisa todos os argumentos de sua impugnação e acrescenta que, exclusivamente em relação aos depósitos judiciais, existiu derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95 pelo artigo 1º da Lei 9703/98: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 739 11 No caso presente, a razão de ser, a "força e o poder", da regra prevista no artigo 41, parágrafo primeiro da Lei 8991/95, repetido no artigo 344 do RIR, é da indedutibilidade do DEPÓSITO judicial, porque, como consagrou o E. STJ na Jurisprudência anterior à Lei 9703 98, nos RRSP 129.665RS, STJ, ln TURMA, DJU 9 3/98 e no RESP ainda mais antigo, de número 217.562, NÃO HAVIA DISPONIBILIDADE, PARA A UNIÃO, DOS VAI ORES DEPOSITADOS, QUE PERMANECIAM em poder de terceiro, no caso, CEF, ainda vinculados ao contribuinte depositante, como previa o DL 1737/79; Com a mudança proporcionada pelo artigo 1º da Lei 9703/98, o que era DEPOSITO, o que era a guarda por terceiro de dinheiro que não lhe pertencia, DEIXOU DE EXISTIR. Os valores "depositados" são vertidos ao patrimônio do poder tributante, no mesmo prazo que também são vertidos os valores recolhidos, razão pela qual, a partir dai, seja no "depósito" seja no recolhimento normal ocorre a TRANSFERENCIA do dinheiro do contribuinte para a União, não havendo, pois, motivos para se discriminar as duas situações de resultados idênticos; Portanto, EXCLUSIVAMENTE EM RELAÇÃO AOS "DEPÓSITOS" JUDICIAIS, a partir da vigência da Lei 9703/98, existiu DERROGAÇÃO da regra anterior, dos artigos 8o da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95, pelo artigo 10 da Lei 9703/98; A derrevogação se deu pela INCOMPATIBILIDADE da Lei nova com as anteriores, como previsto no artigo 2o, parágrafo primeiro, da LINDB LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO, (DL 4657/42); A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro real é disciplinada nos arts. 7º e 8º da Lei 8.541 de 23 de dezembro de 1992, in verbis: Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. § 2° Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o imposto sobre a renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou como responsável em substituição ao contribuinte. § 3° A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o Fl. 739DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 740 12 dever legal de reter e recolher, ainda que o contribuinte assuma o ônus do imposto. § 4° Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. A dedutibilidade dos tributos e contribuições para fins de apuração do lucro real também é tratada no art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro do 1995, in verbis: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (grifo nosso) § 2º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. § 3º A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. § 4º Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 741 13 e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. § 6o As contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou receita bruta e sobre o valor das importações, pagas pela pessoa jurídica na aquisição de bens destinados ao ativo permanente, serão acrescidas ao custo de aquisição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O Artigo 1º da lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições federais, in verbis: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição. § 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores depositados ou devolvidos. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 742 14 Observase, conforme interpretação literal dos arts. 7º e 8º da Lei 8.541/92 e art. 41 da Lei nº 8.981/1995, que as obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas, sendo que essa disposição não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. O legislador deixou claro que aplicase a indedutibilidade dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa, independentemente da existência ou não do depósito judicial. A lei º 9.703, de 17 de novembro de 1998, dispôs que os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais, contudo, estabeleceu que o valor depósito será transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Notase que o mero repasse dos depósitos pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional não os transforma em pagamento, sendo necessário que ocorra a sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. O Recorrente, embora tenha sido intimado, não trouxe elementos comprobatórios da existência de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Portanto mostramse corretos os lançamentos efetuados através de auto de infração no presente processo e o Acórdão de Impugnação recorrido. Compulsando o artigo 1º da lei nº 9.703/98 com os arts. 7º e 8º da Lei 8.541/92 e art. 41 da Lei nº 8.981/1995, verificase que não há nem contradição nem derrogação dos referidos comandos legais. Logo rejeitase os argumentos trazidos pela recorrente pela dedutibilidade dos tributos e contribuições sob exigibilidade suspensa, mesmo havendo depósitos judiciais. Afastase ainda a alegação de derrogação dos artigos 8º da Lei 8541/92 e 41 da Lei 8981/95 pelo artigo 1º da Lei 9703/98. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO IMPOSTA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DO CSLL Conforme já relatado, os valores dos tributos com exigibilidade suspensa foram integralmente adicionados, de ofício, na apuração reconstituída do IRPJ e CSLL, sendo efetuados os lançamentos, relativo ao anocalendário 2011, com a conseqüente multa de ofício e os acréscimos legais. Em decorrência da adição, os resultados mensais escriturados pelo contribuinte foram ajustados, acarretando o surgimento de estimativas devidas, e não recolhidas, de IRPJ e CSLL. Assim, nos termos da legislação em vigor, efetuouse o lançamento da multa isolada, pela falta de pagamento dessas estimativas. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 743 15 Por sua vez, o recorrente alega que não é possível a cobrança da multa isolada cumulativa à multa de ofício: A multa isolada, como o próprio nome diz, é aplicada ISOLADAMENTE, quando não existir tributo ou contribuição a ser paga, nos lermos dos incisos II e III do artigo 44 da Lei 9430/96; Portanto, como consta da letra da Lei, o artigo 44 da Lei 9430/96, na redação da Lei 11.488/07, com muito de indústria, "data venia", apenas PARCIALMENTE citada na R, decisão recorrida, SOMENTE SÃO NORMAS sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições, mediante Auto de Infração sem Tributo! No presente caso, tendo sido aplicada a multa sobre o tributo exigido, não cabe a penalidade isolada; O recorrente colaciona ao seu recurso a ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuinte favoráveis à sua argumentação: "MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE SUA COBRANÇA COMA MULTA DE OFÍCIO NORMAL DEVE SER AFASTADA A APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTEMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL, INCIDENTES SOBRE O TRIBUTO OBJETO DO LANÇAMENTO" (E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES, ACÓRDÃO 1024693). "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É INCABÍVEL, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL, A APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO EXIGIDA COM TRIBUTO E CONTRIBUIÇÃO COM MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE" (E. CC ACÓRDÃO 102.46375) "MULTA ISOLADA CUMULAT1VIDADE COM A MULTA DE OFICIO CONTENDO O ARTIGO 44, INCISO I DA LEI 9430/96, NORMA QUE ALBERGA A FALTA GENÉRICA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, SUA APLICAÇÃO INIBE A EFICÁCIA SIMULTÂNEA DAQUELA CONTIDA NO PARÁGRAFO PRIMEIRO, INCISO III DESSE ARTIGO " (E. CC Acórdão 10421094). O Recorrente invoca a vigência da Súmula 105 desse CARF: SÚMULA CARF N° 105: A MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS, LANÇADA COM FUNDAMENTO NO ART. 44 § 1º, INCISO IV DA LEI N° 9.430, DE 1996, NÃO PODE SER EXIGIDA AO MESMO TEMPO DA MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE IRPJ E CSLL APURADO NO AJUSTE ANUAL, DEVENDO SUBSISTIR A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 744 16 Por fim, defende, nos termos da Portaria MF 383/10, o efeito vinculante das súmulas do CARF à toda Administração Tributária Federal: Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010 DOU de 14.7.2010 Atribuem as súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, resolve: Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A questão a ser dirimida diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Em relação à possibilidade de aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada cumpre salientar, preliminarmente, que não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96, confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 745 17 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; deixando claro que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Ressaltase que as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no Acórdão nº 910102.438: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do recorrente ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 12963.720056/201651 Acórdão n.º 1402003.852 S1C4T2 Fl. 746 18 Concluise que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, devese manter a multa isolada sobre as estimativas não pagas de IRPJ e, também, da CSLL, com supedâneo no novo art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96. Da apuração reflexa da CSLL As presentes infrações apuradas para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica geram reflexo na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, nos termos do art. 2º da Lei n° 7.689/88, combinado com o art. 28 da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904955/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.
Numero da decisão: 3201-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício).
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 55 /2 01 2- 32 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 70 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 58 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 49, que deu provimento parcial à Manifestação de Inconformidade de fls. 12. O Despacho Decisório eletrônico de fls. 7, não homologou a compensação solicitada, em razão dos pagamentos encontrados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 40930018, emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04163.73630.250112.1.3.046170. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor de R$42.480,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/01/2009. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no DACON não foram usados créditos vinculados à receita tributada no mercado interno dos períodos de apuração anteriores, gerando o crédito de R$42.480,00, usado na compensação desse processo. Pedese que seja realizada a compensação, considerando o valor de crédito informado no PER/DCOMP." Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 71 3 A decisão de primeira instância da DRJ/MG foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte." Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade (denominada Impugnação nos autos). Após, os autos foram devidamente distribuídos e pautados, nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Ao longo de todo o procedimento administrativo fiscal, o contribuinte deixou de comprovar a origem, certeza e liquidez dos créditos solicitados A DRJ/MG analisou o caso de forma específica e apontou que a DCTF retificadora apresentada antes do Despacho Decisório comprovou parte dos créditos e em razão disto deu provimento parcial. Em Recurso Voluntário, se ateve somente à afirmar que possui o crédito no montante solicitado, de forma genérica. Este Conselho, não possui competência, por ausência de previsão legal, para, de ofício, adicionar ou subtrair razões de defesa ao recurso do contribuinte. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 72 4 Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF: "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904955/201232 Acórdão n.º 3201005.317 S3C2T1 Fl. 73 5 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." É importante registrar que recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, o recurso não merece prosperar. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 73DF CARF MF
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