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Numero do processo: 10830.720631/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.088
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/07/2009 a 30/09/2009, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 31 /2 01 1- 91 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10830.720631/201191 Acórdão n.º 3302004.088 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.811 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.750, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10830.720631/201191 Acórdão n.º 3302004.088 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.905149/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 51 49 /2 01 0- 14 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.905149/201014 Acórdão n.º 1301002.388 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.004824/99-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/12/1991 a 31/12/1997
SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO DO DÉBITO NO CURSO DO PROCESSO, ANTES DA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO LÓGICA.
No curso do processo administrativo, o pagamento de tributo que é objeto de pedido de compensação configura prática de ato incompatível com o encontro de contas pleiteado pelo contribuinte (preclusão lógica). O pagamento extingue o crédito tributário de modo incondicional e imediato, tornando impossível uma posterior homologação de pedido de compensação sobre ele, sem prejuízo da restituição dos indébitos relacionados no pedido de restituição e reconhecidos pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9101-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/12/1991 a 31/12/1997 SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CUMULADO COM COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO DO DÉBITO NO CURSO DO PROCESSO, ANTES DA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO LÓGICA. No curso do processo administrativo, o pagamento de tributo que é objeto de pedido de compensação configura prática de ato incompatível com o encontro de contas pleiteado pelo contribuinte (preclusão lógica). O pagamento extingue o crédito tributário de modo incondicional e imediato, tornando impossível uma posterior homologação de pedido de compensação sobre ele, sem prejuízo da restituição dos indébitos relacionados no pedido de restituição e reconhecidos pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 48 24 /9 9- 11 Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à homologação de compensação de débito que a contribuinte já havia quitado por pagamento. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 197000.123, de 02/02/2009, por meio do qual a 7ª Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de "homologar a compensação do débito de IRRF relativo a dezembro de 1998 até o limite do direito creditório reconhecido pela decisão de primeira instância e reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos em razão da homologação pleiteada". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/12/1991 a 31/12/1997 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim considerada, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Se não houve desistência, manifestada por escrito, deve ser homologada a compensação pleiteada até o limite do direito creditório apurado, mesmo na hipótese em que foi efetuado o recolhimento do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARDISA VEÍCULOS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a decadência do direito de restituição para os valores apurados até outubro de 1994, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Lobo de Almeida que não acolhia Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 4 3 a decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para homologar a compensação do débito de IRRF relativo a dezembro de 1998 até o limite do direito creditório reconhecido pela decisão de primeira instância e reconhecer o direito a restituição dos valores recolhidos em razão da homologação pleiteada, nos termos do voto da relatora. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido, por unanimidade de votos, decidiu pela compensação de tributo que foi pago durante o processo administrativo de apuração do encontro de contas; a e. Câmara a quo aduz que não houve manifestação escrita do sujeito passivo acerca de desistência do pedido de compensação; de acordo com o acórdão recorrido, o pagamento do tributo no curso do processo administrativo de encontro de contas não implica em sua desistência, a não ser que haja manifestação por escrito; a respeito desse entendimento, há divergência no Conselho de Contribuintes, na medida em que o pagamento realizado no curso de processo administrativo de encontro de contas é uma medida incompatível com a compensação, configurando preclusão lógica: Acórdão nº 10516335 NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havêlo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Na espécie, ocorreu a preclusão consumativa. Recurso negado. de acordo com o acórdão recorrido, não há preclusão lógica no processo de compensação se o requerente pagar o débito objeto de encontro de contas; para o acórdão paradigma, no processo administrativo fiscal devese observar todas as preclusões processuais, entre as quais a preclusão lógica por prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo; ainda há divergência quanto ao decidido pela 8ª Câmara, que sustentou que o pagamento realizado pelo sujeito passivo antes do término do processo de compensação implica em sua desistência: Acórdão nº 10807335 Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO DA CSLL PARCIALMENTE DEFERIDA PAGAMENTO POSTERIOR DO DÉBITO REMANESCENTE DO IRPJ DESISTÊNCIA FORMAL NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO O pagamento do débito remanescente do IRPJ após o deferimento parcial do pedido de compensação da CSLL implica na desistência formal, por parte do contribuinte, da compensação do valor originalmente indeferido. Por decorrência o mesmo se aplica ao pedido adicional, por ocasião do recurso, de restituição do IRPJ. Recurso não conhecido por falta de objeto. de acordo com o art. 74 da Lei 9.430/96, o sujeito passivo pode pleitear compensação de débitos tributários com créditos que detiver perante o fisco; somente após a homologação do pedido de compensação em processo administrativo é que se dá a extinção do crédito tributário; no caso dos autos, o sujeito passivo, após pleitear compensação, realizou o pagamento dos tributos objeto do pedido antes da homologação da autoridade fiscal; nesse sentido, o processo de compensação perdeu objeto, por inexistir débito tributário passível de encontro de contas no respectivo processo. Em termos técnicos, houve a prática, pelo sujeito passivo, de um ato incompatível com o pedido de compensação (preclusão lógica) e que implica na sua desistência; ao contrário da compensação, o pagamento extingue o crédito tributário de modo incondicional e imediato, tornando impossível a homologação de pedido de compensação sobre ele, na medida em que extinto pelo pagamento; o sujeito passivo que paga o tributo no curso de processo de compensação pratica ato incompatível com o pleito inicial, e pela preclusão lógica não pode ser homologado o pedido vestibular, representando o pagamento verdadeira desistência da compensação por incompatibilidade lógica e perda de objeto; nesse diapasão, o acórdão recorrido violou o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, eis que somente se admite compensação se houver débitos próprios do sujeito passivo perante a SRF. Extintos os débitos pelo pagamento, não há que se falar em compensação; deve prevalecer o entendimento exarado nos acórdãos paradigmas, segundo o qual no processo administrativo deve vingar o instituto processual da preclusão, sob pena de serem tomadas decisões incompatíveis com o ordenamento jurídico, o que é patente no caso dos autos, bem como que o pagamento de débito objeto de pedido de compensação não julgado definitivamente implica na desistência do pedido de compensação. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 161, de 06/10/2009, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada com base no segundo paradigma, nos seguintes termos: [...] A Fazenda Nacional argúi, em vasto arrazoado, que a conclusão exarada no acórdão de que o pagamento do tributo no curso do processo Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 6 5 (encontro de contas) não implica em desistência, a não ser que haja manifestação por escrito, contraria, por exemplo a decisão havida no acórdão 10516335 e 108.07.335. Passo à análise do paradigma: 10516335: [...] Assim vêse que a matéria deste paradigma diz respeito aos argumentos que foram utilizados no recurso em divergência com aqueles ofertados na impugnação, portanto matéria diversa do acórdão recorrido, o que não comprova o suposto dissídio jurisprudencial. Passo à análise do segundo paradigma: 108.07.335: [...] Aqui tratase de compensação e a Câmara entendeu que estava preclusa a análise de mérito de valores objeto de pedido de compensação que foram quitados no curso do processo. Do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso (arts. 7° e 15 do Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 ou arts. 67 e 68 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 RICARF), verificase que o recurso especial, deve ser admitido, pois o acórdão paradigma apresentado como divergente foi proferido por colegiado distinto e restou demonstrada a divergência apontada. No recorrido a Delegacia de Julgamento reconheceu parcialmente o direito creditório, deixando de homologar a compensação pleiteada pelo fato da contribuinte já ter quitado o débito cuja compensação havia solicitado. A decisão combatida, frente à ausência de manifestação escrita de desistência por parte da contribuinte, nos termos do art. 51 da Lei n° 9.784/1999, conclui que o recolhimento efetuado não implicou na desistência do pedido de compensação, porque, tanto na impugnação, quanto no recurso a contribuinte insiste no seu direito à compensação do débito de IRRF discriminado às fls. 1 dos autos. No paradigma, a porção não compensada, objeto do litígio, foi posteriormente liquidada por pagamento. Aqui a Câmara conclui que houve desistência por parte do contribuinte, da compensação do valor remanescente. Por estes motivos deixa de tomar conhecimento do recurso no que tange à compensação e à restituição do IRPJ. Isto posto, confirmada a divergência, DOU seguimento ao recurso especial. Em 04/11/2009, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 197000.123, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 19/11/2009, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 7 6 DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL fundase o presente recurso especial em dissídio pretoriano administrativo, eis que afirma a Fazenda Nacional, ora recorrente, que a parcela não compensada, objeto do pleito em questão, por ter sido paga durante o trâmite processual, ensejaria a desistência implícita do seu pedido de compensação; para a prova dos pressupostos para a interposição do recurso especial de que trata o art. 67 do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), destacase a necessidade de prequestionamento da matéria, ex vi do parágrafo 3° do referido artigo; verificase prima facie que a matéria suscitada no recurso especial sequer foi objeto recursal ou de pronunciamento nas instâncias "a quo", seja na decisão da Douta Delegacia de Julgamento da Receita Federal como da C. Turma desse Eg. Conselho Fiscal, o que impede seu seguimento, pois desatendido um de seus requisitos, não permitindo o prosseguimento por expressa disposição legal do supramencionado §3° do art. 67 do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); quanto a outro pressuposto de admissibilidade do recurso especial, também desatendido ou não preenchido, é a decisão paradigma que por ventura sustaria alguma divergência coma proferida neste processo a ensejar o recurso especial de trata o art. 64, II, e 67 do RICARF; com a devida venha, o objeto e o Acórdão n° 108.07.335 paradigma, muito difere da decisão objeto deste pleito compensatório; é que, conforme se pode verificar da inicial, do recurso voluntário e o r. Acórdão proferido nestes autos, a questão se reporta a pedido de compensação de créditos do IRPJ (IRRF — saldo negativo — exercícios 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997) com tributos e contribuições federais (artigo 66 da lei n° 8.383/91 e artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96), com tributos vincendos e da parcela do IRRF incidente sobre juros do capital próprio. O pedido, portanto, se refere a compensação de créditos com tributos vincendos, ou seja, os crédito pleiteados e reconhecidos do contribuinte são anteriores ao vencimento dos tributos compensados; já a decisão tida como paradigma, se reporta a restituição de um tributo pago por compensação, que trata de um débito remanescente do IRPJ após o pedido de compensação, e de um pedido adicional, por ocasião do recurso, de restituição do IRPJ (f1.1134), ou seja, de pedido ou inclusão formulado a posteriori, que não impede, entretanto, de ser formulado em processo distinto, o que difere da questão tratada nestes autos e objeto do Acórdão recorrido; o fato da empresarequerente ter efetuado o pagamento do débito objeto do IRRF incidente sobre o capital próprio, que é uma mera faculdade do contribuinte, não lhe retira o direito à compensação do mesmo com todos os consectários lógicos e jurídicos incidentes sobre o mesmo, até porque somente o fez para obtenção de sua certidão negativa de tributos federais que na ocasião se fazia necessária para comprovação perante órgãos públicos em licitação, incentivos fiscais e até para obtenção de recebíveis desses mesmos órgãos públicos; Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 8 7 portanto, o acórdão citado no recurso especial não guarda nenhuma relação com o caso em comento, não restando provada a existência da divergência jurisprudencial administrativa, deve o mesmo ser inadmitido ou negado seu seguimento; ASPECTO DE FUNDO DA QUESTÃO (MÉRITO) não procede o recurso, vez que a própria recorrente, Fazenda Nacional, reconhece e admite os créditos de que faz jus a contribuinte requerente, não havendo razão jurídica para contra a mesma se opor ou mesmo protelar o exercício de um direito líquido e certo do contribuinte; "ad argumentandum tantum", ainda que admitida a pretensão recursal, em nada mudaria o decisum proferido no acórdão recorrido, permanecendo incólume seus efeitos no que concerne ao direito creditório e à compensação pleiteada, tendo em vista o reconhecimento dos créditos pleiteados e deferidos; na verdade, tal controvérsia é meramente acadêmica, pois os efeitos do acórdão recorrido, no aspecto de fundo do pleito, concernente ao direito à compensação de seus créditos, em nada altera, uma vez que o pleito compensatório com débito de qualquer outro tributo ou a restituição, poderá ser requerido a qualquer tempo com os consectários jurídicos, respeitada a prescrição; a pretensão recursal, ainda que formal ou processual, esbarra em disposições legais expressas, em especial o art. 51 da Lei n° 9.784/99, pois a desistência de um pedido ou recurso, ainda que parcialmente, exige uma manifestação expressa por parte do contribuinte, mormente se tal desistência ou renúncia venha implicar em prejuízos ao seu patrimônio; o próprio recurso voluntário interposto pela contribuinte deixa claro e induvidoso a mantença do pleito compensatório como pedido. Eventuais pagamentos de tributos, pagos ou compensados, não lhe retira e nem impede o prosseguimento do pleito como requerido e dos efeitos dele decorrente; concluise que o recurso especial da Fazenda Nacional, na pretensão formulada, é afrontoso a princípio básico na Administração, especialmente em matéria fiscal, o da "verdade material", bem como, também, o da "legalidade", por sinal já devidamente ajustada no acórdão recorrido sob o ponto de vista administrativo; o primeiro, da verdade material, a existência e o reconhecimento dos créditos do contribuinte pela Administração, que no caso é matéria incontroversa, pois não é objeto do recurso especial, e reside no fato de buscar a verdade real, como essência, em sobreposição à verdade forma1; já o segundo, o da legalidade, é o direito do contribuinte, ora requerente, de compensar os créditos reconhecidos pela Administração com os tributos federais que entender (é o caso destes autos), ou requerer a sua restituição na hipótese de inexistência de débitos de tributos federais; caso ultrapassadas as preliminares suscitadas, deve ser negado provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 9 8 É o relatório. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto pedido de compensação que restou homologado no limite do crédito reconhecido, conforme Acórdão nº 197000.123, exarado em 02/02/2009 pela 7ª Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF. Em sede de recurso especial, a PGFN suscita divergência jurisprudencial em relação à referida decisão, porque o débito compensado já estava quitado por pagamento, antes mesmo da homologação da compensação no curso do processo administrativo. O referido pedido de compensação abrangeu crédito de IRRF retido nos anos de 1991 a 1997, no valor total de R$ 99.374,60, e débito de IRRF incidente sobre juros do capital próprio, referente a dezembro/1998, no valor de R$ 72.826,95, conforme formulários de pedido de compensação e de restituição, às fls. 01 e 02. A Delegacia de origem indeferiu o pedido, pelas seguintes razões: falta de especificação do período a que se referia o crédito pleiteado; falta de apresentação dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção na fonte; falta de apresentação da contabilização do IRRF pleiteado no livro Diário relativo ao ano de 1997; divergência entre o lucro real apurado no LALUR (fls. 238) e o declarado na DIRPJ/1998 (fls. 15/16); falta de preenchimento da ficha de apuração do IRPJ na referida declaração (fls. 17/18); e, quanto à restituição relativa a períodos anteriores ao ano de 1997, as declarações relativa aos anos calendário de 1995 e 1996 tinham sido objeto de lançamentos fiscais (Malha Fazenda), resultando em IRPJ a pagar. Após tomar ciência do despacho decisório que não reconheceu seu direito creditório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 23/08/2002 (fls. 385/777), e em 28/08/2002 efetuou o recolhimento do débito cuja compensação tinha pleiteado, no montante de R$ 134.016,15, adicionando multa de mora e juros de mora à rubrica principal (fls. 384). Na seqüência, a manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento em Salvador/BA. O direito creditório foi examinado como saldo negativo de IRPJ nos vários períodos indicados pela contribuinte, como resultado da confrontação entre o imposto de renda devido ao final de cada período de apuração e o somatório das estimativas e do IRRF. Considerouse que o pedido efetuado em 03/11/1999 não poderia prosperar em relação aos valores apurados até outubro de 1994, em razão da prescrição do indébito. Houve ainda ajustes do direito creditório pela falta de escrituração de alguns valores, e também pelo fato de parcelas do IRRF terem sido utilizadas para compensar valores devidos no processo n° 10320.004948/9924. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 11 10 Nesse contexto, a decisão de primeira instância administrativa reconheceu parte do direito creditório reivindicado, conforme tabela lá apresentada. Contudo, embora tenha reconhecido parte do direito creditório, a referida decisão entendeu que não cabia a homologação do pedido de compensação, porque o contribuinte já tinha quitado o débito vinculado à compensação pleiteada, conforme DARF às fls. 384. A contribuinte apresentou recurso voluntário contra essa decisão. Ao examinar o recurso voluntário, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) modificou o entendimento acima, para afirmar que "se não houve desistência, manifestada por escrito, deve ser homologada a compensação pleiteada até o limite do direito creditório apurado, mesmo na hipótese em que foi efetuado o recolhimento do débito". Concluiu o acórdão recorrido que parte do valor recolhido em 28/08/2002 deveria ser restituído à contribuinte, uma vez que parte do débito de IRRF de dezembro/2008 ficou extinta no âmbito do pedido de compensação em pauta, sem incidência de juros e multa de mora. Disse ainda que sobre os valores recolhidos a maior em 28/08/2002, deveriam incidir os acréscimos legais previstos no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250/1995. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para esse ponto, e procura restabelecer a decisão de primeira instância administrativa, que, embora reconhecendo parte do direito creditório (a ser restituído à contribuinte), considerou ser incorreta a realização do encontro de contas (compensação), porque o débito já estava extinto por pagamento. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta duas preliminares de não conhecimento do recurso. A primeira delas diz respeito à falta de prequestionamento da matéria. Quanto a esse aspecto, cabe esclarecer que o prequestionamento configura requisito para o recurso especial interposto pelo Contribuinte, e não pela Fazenda Nacional. De qualquer modo, não há como sustentar esse tipo de argumento, uma vez que a questão sobre a homologação ou não do pedido de compensação, examinada sob a ótica de o débito já estar extinto por pagamento, está colocada desde a decisão de primeira instância administrativa. Aliás, como mencionado acima, o que a PGFN procura com seu recurso especial é justamente restabelecer o entendimento manifestado naquela decisão, de modo que não procede falar em ausência de prequestionamento dessa matéria. Com a segunda preliminar, a contribuinte alega que o acórdão paradigma (Acórdão nº 10807.335) trata de situação distinta, o que comprometeria a caracterização da divergência jurisprudencial. Sem razão a contribuinte. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 12 11 O referido acórdão paradigma trata de situação muito semelhante à examinada pelo acórdão recorrido. As diferenças não são relevantes, e em nada prejudicam a caracterização da divergência. O acórdão paradigma cuida de situação em que a contribuinte reivindicou créditos de CSLL do ano de 1995, solicitando compensação destes créditos com débito de IRPJ do mês de abril de 1996. O direito creditório não foi inicialmente reconhecido, e a contribuinte efetuou o pagamento do débito que pretendia quitar por compensação. Na seqüência daquele processo, a decisão de segunda instância administrativa reconheceu o direito da contribuinte aos créditos de CSLL do ano de 1995. Entretanto, diferentemente do que ocorreu nos presentes autos, a decisão foi no sentido de manter a quitação do débito de IRPJ pelo pagamento, de modo que não se tomou conhecimento do recurso voluntário no que tangia à compensação e nem à restituição do pagamento de IRPJ. Considerouse que o pagamento do IRPJ (débito a ser compensado) implicava na desistência da compensação. A divergência está nitidamente caracterizada, pelo que a segunda preliminar também deve ser rejeitada. Quanto ao mérito, cabe esclarecer que a controvérsia sob exame não é meramente acadêmica. Isto porque o pagamento realizado em 28/08/2002, para a quitação do débito de IRRF incidente sobre juros do capital próprio referente a dezembro/1998, abrangeu a rubrica principal e os acréscimos legais (multa de mora e juros de mora). Na quitação por pagamento, esses acréscimos são mesmo devidos. Ocorre que o acórdão recorrido entendeu que parte do valor recolhido em 28/08/2002 deveria ser restituído à contribuinte, porque uma parte do débito de IRRF de dezembro/1998 seria extinta no âmbito do pedido de compensação, sem incidência de juros e multa de mora. Disse ainda que sobre os valores recolhidos a maior em 28/08/2002, deveriam incidir os acréscimos legais previstos no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250/1995. Há diferenças se a quitação do débito de IRRF de dezembro/1998 se der por compensação ou por pagamento. Na primeira hipótese, não seriam exigidos acréscimos legais em relação à parte quitada por compensação, até o limite do crédito reconhecido. Os acréscimos só seriam exigidos em relação à parte quitada por pagamento. Na outra hipótese (quitação total do débito de IRRF de dezembro/1998 pelo pagamento realizado em 28/08/2002), a multa de mora e os juros de mora recolhidos são integralmente devidos, e não resultam em indébito a ser restituído à contribuinte. A restituição, nessa segunda hipótese, fica restrita aos saldos negativos de IRPJ apurados até 1997, que foram os créditos reivindicados pela contribuinte em seu pedido de restituição e parcialmente reconhecidos neste processo administrativo. Penso que a decisão mais acertada foi a proferida pela Delegacia de Julgamento. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10320.004824/9911 Acórdão n.º 9101002.791 CSRFT1 Fl. 13 12 O pedido de restituição contido nestes autos abrangeu créditos de IRPJ (saldos negativos) apurados entre os anos de 1991 e 1997, já reconhecidos parcialmente pela decisão de primeira instância administrativa, e que devem ser restituídos à contribuinte, com os acréscimos previstos na legislação. O acórdão recorrido, ao determinar a restituição de parte do pagamento de IRRF realizado em 28/08/2002, modificou, no curso deste processo, o pedido de restituição formalizado pela contribuinte. Tem razão a PGFN quando argumenta: que a contribuinte realizou o pagamento do tributo objeto do pedido de compensação antes da homologação da autoridade fiscal; que houve a prática, pelo sujeito passivo, de um ato incompatível com o pedido de compensação (preclusão lógica); que o pagamento extingue o crédito tributário de modo incondicional e imediato, tornando impossível uma posterior homologação de pedido de compensação sobre ele, na medida em que extinto pelo pagamento; o processo de compensação perdeu objeto, por inexistir débito tributário passível de encontro de contas no respectivo processo. É necessário restabelecer os termos da decisão de primeira instância administrativa, que, embora tenha reconhecido parte do direito creditório reivindicado originalmente pela contribuinte (que deve ser a ela restituído, com os devidos acréscimos legais), entendeu que não cabia a homologação do pedido de compensação, porque o débito já estava integralmente quitado por pagamento. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007866/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-004.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne , Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne , Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 78 66 /2 00 3- 76 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11080.007866/200376 Acórdão n.º 3402004.193 S3C4T2 Fl. 543 2 Relatório O presente processo tem por objeto auto de infração relativo à PIS tendo em vista não terem sido confirmadas as informações prestadas em DCTF de que os débitos declarados estariam extintos por compensação com créditos oriundos dos processos 11080.007471/9854 e 11080.008325/9828. O lançamento foi impugnado (fl. 2) sob a alegação de que o débito de PIS referente ao período 09/1998 teria sido compensado com base no crédito relativo ao pedido de ressarcimento no processo 11080.007471/9854, e que os débitos dos períodos novembro e dezembro de 1998 teriam sido compensados com base no crédito relativo ao pedido de ressarcimento no processo 110880.008325/9828. A DRJ/POA, em 17/11/2008 (fl. 47), baixou o processo em diligência para que o órgão local jurisdicionante da então impugnante se manifestasse "confirmando ou não a homologação das compensações informadas em DCTF com base na análise dos processos 11080.007471/9854 e 11080.008325/9828". À fls. 96/97, relatório de diligência da DRF/ITJ, concluindo o seguinte: Acerca dessa diligência, intimada, a empresa (fls. 107/113), em 19/05/2010, ratificou os termos de sua impugnação, acrescendo que na ocasião da declaração das compensações em DCTF os referidos processos de ressarcimento "não haviam sido autuados administrativamente e por esta razão não possuíam número de processo disponível", o que veio a fazer na impugnação. Acresce que no PA 11080.008325/9828 foi pleiteado ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 2.258.178,41, "sendo deferido apenas o montante de R$ 304.853,90", o qual, à época, estava pendente de decisão administrativa definitiva (fl. 166). Pediu que o crédito reconhecido naquele processo fosse utilizado para homologar as compensações em debate. A DRJ/POA julgou (fls. 173/176) parcialmente procedente a impugnação, apenas excluindo a multa de ofício com arrimo no art. 106, II, c, do CTN. O saldo devedor remanescente consta à fl. 178. Irresignada, a empresa, em 10/08/2010, interpôs recurso voluntário (fls. 138/149), no qual, em suma, alega que no PA 11080.008325/9828 requereu ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor original de R$ 2.258.178,41, relativo ao 3º trimestre de 1998, sendo que posteriormente nos autos daquele PA "foram apresentadas declarações de compensação para o fim de compensar débitos de PIS e COFINS das competências de novembro e dezembro de 1998". Parte do pedido foi objeto de glosa, alegando Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11080.007866/200376 Acórdão n.º 3402004.193 S3C4T2 Fl. 544 3 a empresa que "a parcela mais relevante referiuse à aquisição de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS", referente às aquisições pessoas físicas e cooperativas, e que afastada a glosa haverá crédito suficiente para homologar as compensações sob litígio. Pede, alfim, que sejam canceladas as exigências de PIS relativas aos meses de setembro, novembro e dezembro de 1998 com base no que foi decidido pela CSRF, em 22/01/2007, no referido processo onde se discutia crédito presumido de IPI. Mas, então, ainda não fora cientificada desse resultado. Às fls. 303/309, cópia do acórdão 20214.691, de 15/04/2003, nos autos do processo 11080.008325/9828, que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a glosa dos valores referentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, mantendo, porém, a glosa dos valores das aquisições de energia elétrica e combustíveis. O recurso especial da PFN quanto à parte provida foi admitido e o da empresa na parte sucumbida foi negado. Em 10/08/2012, a recorrente peticiona (fls. 373/374) informando que em 29/05/2012 (fl. 387) foi cientificada do resultado do julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional no processo 11080.008325/9828, julgado em 22/01/2007 e negado, conforme decisão que anexa (fls. 379/386). Conclui que, havendo crédito suficiente, devem as homologações serem compensadas, tendo em conta que os valores compensados de PIS foram de R$ 178.000 (novembro/1998) e R$ 248.000,00 (dezembro de 1998). Na petição de fls. 394/396, de 22/01/2014, a recorrente desiste do recurso interposto em relação ao débito de PIS da competência de setembro de 1998. Em 30/11/2016, por meio da Resolução 3402000.847 (fls. 517/520), o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: Em face de tal, decido converter o julgamento do presente processo e do processo 11080.007866/200376, para que a DRF/Porto Alegre quantifique o montante do crédito resultante da decisão definitiva nos autos do processo 11080.008325/98 28, e informe o seguinte: 1 Se nesse processo de reconhecimento do crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 1998 a empresa postulou pedido de compensação de débitos de PIS e COFINS relativamente aos períodos novembro e dezembro de 1998, e se eventual crédito já foi pago à empresa ou utilizado em outras compensações, e; 2 Constatando que a empresa postulou as compensações de débitos de PIS/COFINS dos meses de novembro e dezembro de 1998 no referido processo, calcule o montante do crédito presumido de IPI remanescente (não aproveitado para outras compensações ou pagos a recorrente), atualizado monetariamente, nos termos da decisão definitiva no referido processo (11080.008325/9828), e ateste, de forma circunstanciada, se o valor calculado é suficiente para quitar as compensações daquelas contribuições de novembro e dezembro de 1998 para este processo e para o processo 11080.007866/200376. DÉBITOS COMPENSADOS PIS (processo 11080.007866/200376): 11/98 = R$ 178.000,00 e 12/98 = R$ 248.000,00 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11080.007866/200376 Acórdão n.º 3402004.193 S3C4T2 Fl. 545 4 COFINS (processo 11080.007867/200311): 11/98 = R$ 245.146,10 e 12/98 = R$ 765.000,00 Após, retornem os autos a esta Turma. Retornam os autos com a diligência conclusa (fls. 525/527). No relatório de diligência a autoridade fiscal informa que não houve qualquer pedido de compensação nos autos do processo 11080.008325/9828 (crédito presumido), porém asseverou que "após o reconhecimento do direito creditório, a DRF/POA/RS detectou que o contribuinte havia declarado em DCTF que os débitos abaixo estavam extintos por compensação, utilizando o crédito do processo 11080.008325/9828:" Na sequência, informa a diligência que apurou o valor com base no resultado que se tornou definitivo no julgamento do recurso especial nos autos do processo 11080.008325/9828, restando ainda um valor de R$ 1.696.665,50 a ser ressarcido. Informa que não obstante não existir pedido de compensação e tampouco declaração de compensação naquele processo, "o saldo remanescente (R$ 1.696.665,50), apurado no mencionado processo de crédito, não foi objeto de ordem bancária e tampouco utilizado em outras compensações, haja vista que esta DRF/Florianópolis aguardava o julgamento do CARF quanto aos recursos voluntários dos processos nº 11080.007866/200376 e 11080.007867/200311". E respondendo o item 2 da diligência, afirma que o valor apurado no processo 11080.008325/9828 (R$ 1.696.665,50 ) "é suficiente para homologar as compensações" a que se refere o quadro cuja imagem acima transcrevi. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Em que pese a diligência ter asseverado que o contribuinte não apresentou DCOMP no processo em que postulava crédito presumido de IPI, certo é que desta forma foi tratado pelas autoridades locais, tanto que foi afirmado no relatório de diligência que o valor apurado naquele processo não fora ressarcido ao contribuinte pois a "DRF/Florianópolis aguardava o julgamento do CARF quanto aos recursos voluntários dos processos nº 11080.007866/200376 e 11080.007867/200311". Portanto, os valores do presente processo foram considerados como compensação do crédito apurado no processo 11080.008325/9828. Assim, a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Em consequência, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11080.007866/200376 Acórdão n.º 3402004.193 S3C4T2 Fl. 546 5 homologação, devendo ser utilizada como data do pedido de compensação aquele aludido na diligência, qual seja, "a data de vencimento dos respectivos débitos constantes do extrato emitido pelo SiefProcessos". Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 546DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905033/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 33 /2 01 2- 73 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.493. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10865.905033/201273 Acórdão n.º 3301003.587 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000116/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ALÍQUOTA ERRADA. VÍCIO MATERIAL DE LANÇAMENTO.
Os lançamentos que contiverem vício material devem ser declarados nulos. No caso em apreço, a alíquota arbitrada é errada.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2004
IPI RECUPERÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. CUSTO DOS INSUMOS.
O IPI recuperável não se apresenta como custo dos produtos vendidos, uma vez que ele é segregado e recuperado.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve se enquadrar nos custos de aquisição e transformação. Assim caracterizou-se como insumo: equipamentos de proteção individual. Não ficou caracterizado como insumo: serviços diversos, como, por exemplo, acesso à rede mundial de computadores, fretes que se caracterizam como despesas de deslocamento de funcionários, aluguéis pagos a pessoas físicas, despesas com equipamentos de segurança, viagens e estadas, bens permanentes, transportes, anúncios e publicações, comissões, representação comercial, transportes, assinaturas de jornais e revistas, refeições, feiras e eventos.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2004
IPI RECUPERÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. CUSTO DOS INSUMOS.
O IPI recuperável não se apresenta como custo dos produtos vendidos, uma vez que ele é segregado e recuperado.
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve se enquadrar nos custos de aquisição e transformação. Assim caracterizou-se como insumo: equipamentos de proteção individual. Não ficou caracterizado como insumo: serviços diversos, como, por exemplo, acesso à rede mundial de computadores, fretes que se caracterizam como despesas de deslocamento de funcionários, aluguéis pagos a pessoas físicas, despesas com equipamentos de segurança, viagens e estadas, bens permanentes, transportes, anúncios e publicações, comissões, representação comercial, transportes, assinaturas de jornais e revistas, refeições, feiras e eventos.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Numero da decisão: 3302-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo a 31/07/2004, por vício material.
Por maioria de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa de EPI, parcialmente vencidas as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Araújo, Relatora, que também revertiam as glosas em relação ao uniformes e vestimentas e o Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa que negavam provimento ao recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Linhares, Relatora, que afastavam a incidência. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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VÍCIO MATERIAL DE LANÇAMENTO. Os lançamentos que contiverem vício material devem ser declarados nulos. No caso em apreço, a alíquota arbitrada é errada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004 IPI RECUPERÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. CUSTO DOS INSUMOS. O IPI recuperável não se apresenta como custo dos produtos vendidos, uma vez que ele é segregado e recuperado. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve se enquadrar nos custos de aquisição e transformação. Assim caracterizouse como insumo: equipamentos de proteção individual. Não ficou caracterizado como insumo: serviços diversos, como, por exemplo, acesso à rede mundial de computadores, fretes que se caracterizam como despesas de deslocamento de funcionários, aluguéis pagos a pessoas físicas, despesas com equipamentos de segurança, viagens e estadas, bens permanentes, transportes, anúncios e publicações, comissões, representação comercial, transportes, assinaturas de jornais e revistas, refeições, feiras e eventos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 16 /2 00 9- 14 Fl. 591DF CARF MF 2 Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004 IPI RECUPERÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. CUSTO DOS INSUMOS. O IPI recuperável não se apresenta como custo dos produtos vendidos, uma vez que ele é segregado e recuperado. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. 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Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo a 31/07/2004, por vício material. Por maioria de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa de EPI, parcialmente vencidas as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Araújo, Relatora, que também revertiam as glosas em relação ao uniformes e vestimentas e o Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa que negavam provimento ao recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e as Conselheiras Lenisa Prado e Sarah Linhares, Relatora, que afastavam a incidência. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 3 3 (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo auto de infração consubstancia lançamento de contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 16/251, extraemse trechos importantes: Tratase de empresa industrial de que trata a Lei n° 10.845/2002 (incidência monofásica), fabricante de carrocerias para ônibus, classificada na posição 8702.10.00, EX 2. Quando da implantação da sistemática do PIS/Pasep Não Cumulativo, as receitas auferidas pelas empresas de que trata a Lei n° 10.845/2002, estavam excluídas dessa sistemática. Com a edição da Lei n° 10.865/2004, vigência a partir de 01/08/2004, essas empresas passaram a ser submetida a essa nova sistemática, podendo apurar créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos. (...) Dessa forma, a partir de 1º/08/2004, a industrialização por encomenda referente a montagem de carroceria, sujeitase à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, vigendo até 31/03/2005, face as alterações trazidas pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. (...) DA GLOSA DOS CRÉDITOS (...) IPI INTEGRANTE DO CUSTO DOS INSUMOS Intimado a decompor os valores informados no DACON, o contribuinte apresentou planilhas em Excel, onde observamos que no calculo dos créditos do PIS e da COFINS, foram excluídos os valores do IPI incidentes nas compras dos insumos. Entretanto, os créditos informados no DACON, não coincidem com os apurados nas citadas planilhas. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 593DF CARF MF 4 (...) PRODUTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS (...) Assim, efetuamos o levantamento das aquisições de uniformes, vestimentas e equipamentos de proteção, através da planilha "Produtos Não Caracterizados Como Insumos". SERVIÇOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS Constatamos diversos serviços prestados por pessoas jurídicas, mas não aplicados ou consumidos diretamente no produto. Entre eles destacamos: 1 Serviços de lavagem e recuperação de vestimentas e equipamentos de proteção (Luvas, Aventais, etc.) 2 Serviços diversos, tais como, de internet, de importação, de exportação, de consultoria, de assessoria, de advocacia, etc. Os valores encontramse demonstrados na planilha "Serviços Diversos Não Caracterizados Como Insumos". FRETES DIVERSOS Calculou créditos sobre os fretes demandados por diversos departamentos da empresa, tais como, de Marketing, de Administração, de Contas a Receber, de Gerência, etc., conforme planilhas "Fretes Diversos". DESPESAS COM ALUGUEL Apurou créditos sobre aluguéis pagos a pessoas físicas. Glosamos ainda, os pagamentos efetuados através de administradoras e não informados os verdadeiros beneficiários dos aluguéis. Os valores encontramse demonstrados nas planilhas "Despesas de Aluguéis Pagos a Pessoas Físicas". DESPESAS COM ALUGUEL Apurou créditos sobre aluguéis pagos a pessoas físicas. Glosamos ainda, os pagamentos efetuados através de administradoras e não informados os verdadeiros beneficiários dos aluguéis. Os valores encontramse demonstrados nas planilhas "Despesas de Aluguéis Pagos a Pessoas Físicas". A contribuinte foi cientificada do auto de infração e apresentou impugnação, fls. 270/289, onde argumenta que: i) A autuação se apóia em premissas equivocadas e contrárias ao entendimento do CARF sobre o conceito de insumo, anexando um parecer do professor Marco Aurélio Greco, que analisa a dimensão de insumo; ii) Insurgese contra a cobrança de valores devidos a título de COFINS cujo fato gerador ocorreu em 31/07/2004 (valor do principal: R$ 32.178,13; valor da multa: R$ 24.133,59; valor dos juros de mora: R$ 20.227,17), enquanto ainda não sujeita a contribuinte à Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 4 5 sistemática da nãocumulatividade dessa contribuição, nos termos do que afirma a própria Autoridade Lançadora; iii) Entende que a composição do IPI recuperável para efeito de crédito não poderia ser tratada em ato normativo, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, concluído que a Instrução Normativa n° 404/2004 seria ilegal; iv) No item que intitula “Determinados produtos supostamente não caracterizados como insumos, a exemplo de uniformes, vestimentas e equipamentos de proteção:”, defende que “bens e serviços que se apresentam como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura condição sine qua non da própria existência e/ou funcionamento da fonte de produção; v) Sobre os fretes glosados defende que desde que suportados pelo vendedor são considerados como créditos da contribuição ao PIS e à COFINS; vi) Quanto às despesas com aluguéis, ela solicita a realização de uma diligência fiscal a fim de confirmar, que foram efetivamente pagas a pessoas físicas conforme afirma a fiscalização; vii) Ela também defende que os juros de mora (apurados pelo índice da taxa SELIC) não poderiam ter sido aplicados à exigência em causa. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 503/531, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 595DF CARF MF 6 Data do fato gerador: 31/07/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista legal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisou a argumentação apresentada em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, sendo que a Recorrente teve ciência em 25 de agosto de 2014, fls. 536, e o recurso foi protocolado em 24 de setembro de 2014, fls. 538. Tratase de matéria de competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Preliminar 2.1. Fato jurídico tributário 31/07/2004 A Recorrente insurgese contra a cobrança de valores devidos a título de PIS/COFINS cujo fato gerador ocorreu em 31/07/2004. Sua alegação é no sentido de que o referido fato gerador em apreço não se sujeitava à sistemática da nãocumulatividade das contribuições em apreço. Ela alega que o fato jurídico tributário foi lançado sob a sistemática da nãocumulatividade, quando ainda não estava vigente a nova legislação, portanto, a referida glosa deve ser desconsiderada. A partir do resultado, apurado em julho de 2004, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 21, temse que a fiscalização considerou as seguintes deduções indevidas: Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 5 7 i) exclusão indevida da base de cálculo "descontos concedidos carrocerias" fls. 110 dos autos físicos; ii) não inclusão das demais receitas auferidas, fls. 82 a 92 dos autos físicos; iii) dedução indevida do chamado "PIS Daimler R$ 141.472,10". Quanto às deduções consideradas indevidas, elas não são deduções que seriam do regime nãocumulativo. A fiscalização apurou as glosas a partir do razão contábil da empresa e entendeu que a contribuinte não poderia ter descontado da base de cálculo na apuração do tributo. Ocorre que, a partir da análise do demonstrativo de apuração do PIS e COFINS, fls. 112, observase que a fiscalização utilizou as alíquotas do sistema não cumulativo para apurar o resultado de julho de 2004. De fato, o próprio TVF deixa claro que somente, em 01º de agosto de 2004, o regime foi incluído na sistemática da não cumulatividade, fls. 17. Como a alíquota utilizada é a indevida, observase que houve um vício material no lançamento da apuração de julho de 2004, pois houve um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência, pois, no próprio TVF, a fiscalização apurou para o período em análise o regime cumulativo e, no momento da aplicação da alíquota, aplicou aquela referente ao regime nãocumulativo. Para melhor elucidar a diferença entre vício formal e vício material, trazse excertos do acórdão nº 3202000.633 , Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri, os quais adoto como fundamento para considerar o presente vício como material: Muito bem. A anulação de um lançamento, por vício formal, decorre do descumprimento de alguma formalidade necessária para a exteriorização ao ato (requisitos do artigo 10º do PAF, por exemplo), ou de irregularidade observadas durante o seu processo de formação (fase do procedimento fiscal), ou até mesmo, o não atendimento aos requisitos concernentes à publicidade do ato (ciência). De outro lado, a nulidade de um lançamento, por vício material, decorre de um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência tributária, seja no antecedente da norma (“motivação”), seja em seu consequente (“conteúdo”). Portanto, o resultado apurado em julho de 2014 deve ser considerado nulo por vício no lançamento no que se refere à aplicação da alíquota na própria construção da regramatriz de incidência. Quanto aos outros resultados apurados, qual seja de agosto e setembro de 2004, não houve menção por parte da Recorrente em seu Recurso Voluntário, precluindo a matéria. 3. Mérito 3.2. Do conceito de insumo No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua Fl. 597DF CARF MF 8 interpretação há que ser balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e transformação. Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. As instruções normativas, expedidas pela Secretaria da Receita Federal e que regulamentam o conceito de insumo, tornam a interpretação muito restrita, diferentemente, do que vem sendo aplicado por este Egrégio Tribunal Administrativo. Vide as referidas instruções: Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (...) II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 6 9 Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Fl. 599DF CARF MF 10 IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 7 11 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A jurisprudência deste Egrégio Tribunal Administrativo tenta encontrar um caminho intermediário na zona de penumbra existente e já decidiu nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Fl. 601DF CARF MF 12 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF 4. Desde 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE FUNDAMENTO. Carece de amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430(1996 não possui natureza confiscatória. (Processo 10925.720046/201212; Relator: Rosaldo Trevisan; Número do acórdão: 3403002.469) Do contrato social da Recorrente, fls. 317, retirase que o objeto social da empresa é: i) A exploração da atividade industrial: fabricação e montagem parcial ou integral de veículos automotores para o transporte coletivo de passageiros; ii) Fabricação de peças, componentes, pertences e acessórios para veículos automotores; iii) O comércio de veículos automotores, peças, componentes e acessórios; iv) A importação e exportação de veículos automotores, peças, componentes e acessórios; v) A importação e exportação de máquinas e ferramentas; vi) A prestação de serviços; vii) A participação em outras sociedades na qualidade de sócia, cotista, acionista ou associada para qualquer forma prevista em Lei. 2.2.1. Valor do IPI recuperável x Custos dos Insumos Do termo de verificação fiscal, fls. 20, extraise que: Intimado a decompor os valores informados no DACON, o contribuinte apresentou planilhas em Excel, onde observamos que no cálculo dos créditos do PIS e da COFINS, foram excluídos os valores do IPI incidentes nas compras dos insumos. Entretanto, os créditos informados no DACON, não coincidem com os apurados nas citadas planilhas. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 8 13 Exemplificando, em agosto/04, fls. 47 , informou base de cálculo de R$ 18.059.509,86 (item 14), gerando créditos de R$ 297.981,91 (item 15). Já nas planilhas apresentadas, resumo às fls. 115 , o valor de créditos do PIS apurados em cada operação de compra, totalizou R$ 291.926,86. Dessa forma, efetuamos o levantamento do IPI incidente, planilha "IPI Integrante do Custo dos Insumos", sobre o qual, aplicado créditos os respectivos glosados. Tal divergência é decorrente da não exclusão do IPI recuperável incidente na aquisição dos insumos. Dessa forma, efetuamos o levantamento do IPI incidente, planilha "IPI Integrante do Custo dos Insumos", sobre o qual, aplicado créditos os respectivos glosados. (negritos não constam no original) Elucida ELISEU MARTINS, que, quando o IPI não é recuperável, passa então a ser custo de insumo: Todavia, se a empresa paga IPI na aquisição de algum insumo, mas não tem direito a cobrálo na venda dos produtos e não possui nenhum direito de ressarcir os valores incluídos naquelas compras, deverá então simplesmente agregar o imposto pago ao custo dos bens adquiridos. Não haverá nenhuma segregação desse montante nos estoques e o IPI pago se transformará em custo, e mais tarde será incluído no valor do Custo dos Produtos Vendidos2. Quando o IPI não é recuperável, ele apresentase como custo dos bens adquiridos, no entanto, no caso em análise, tratase de IPI recuperável, portanto, deve ser mantida a glosa realizada pela fiscalização, pois não se apresenta como custo e, portanto, não poderá ser considerado insumo. 2.2.2. Uniformes, vestimentas e equipamentos de proteção individual EPI No que concerne aos uniformes, vestimentas e EPI, eles estão alocados dentro do processo produtivo, logo, são custos de aquisição para o referido processo, configurandose como insumos, portanto, refazse a glosa. 2.2.3. Serviços não caracterizados como insumos Do TVF, fls. 20, extraise que: Constatamos diversos serviços prestados por pessoas jurídicas, mas não aplicados ou consumidos diretamente no produto. Entre eles destacamos: 1 Serviços de lavagem e recuperação de vestimentas e equipamentos de proteção (Luvas, Aventais, etc.) 2 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo; IUDÍCIBUS, Sérgio. Manual de contabilidade societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013, p. 570. Fl. 603DF CARF MF 14 2 Serviços diversos, tais como, de internet, de importação, de exportação, de consultoria, de assessoria, de advocacia, etc. A Recorrente realiza uma série de alegações no sentido de que realiza exportações e, portanto, necessita do acesso à rede mundial de computadores. Ocorre que os referidos serviços não podem ser vislumbrados como custo de aquisição ou transformação do processo produtivo da Recorrente, portanto, mantémse a glosa realizada pela fiscalização. Quanto aos serviços de lavagem e recuperação de vestimentas, como eles se apresentam após o processo produtivo, mantémse também a glosa. 2.2.4. Fretes diversos A partir do TVF, fls. 20, observase a glosa em relação aos fretes: Calculou créditos sobre os fretes demandados por diversos departamentos da empresa, tais como, de Marketing, de Administração, de Contas a Receber, de Gerência, etc., conforme planilhas "Fretes Diversos". A Recorrente fundamenta a conceituação do frete com base na Solução de Consulta nº 242, de 14 de julho de 2004. Ocorre que a solução de consulta não se amolda à realidade dos fatos. Às fls. 134, identificamse os fretes glosados pela fiscalização: contas a receber, administração de pessoal, faturamento/fiscal, controle de qualidade, gerência de engenharia, diretoria industrial, setor de manutenção. Observase que tais fretes não fazem parte do processo produtivo, estando mais próximo a um deslocamento de pessoas, caracterizandose como despesas administrativas e, assim, não podem ser caracterizados como insumos, tampouco se enquadram na previsão legal do artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Portanto, mantémse a glosa. 2.2.5. Despesas com aluguéis pagos a pessoas físicas A Recorrente solicita a conversão do feito em diligência para que a fiscalização prove que os aluguéis foram efetivamente realizados em benefício a pessoas físicas. No caso em análise, vale relembrar que o ônus da prova incumbe à Recorrente e não à fiscalização. Assim, prevê a Lei 13.105/2015: Lei 13.105/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Segundo o disposto no inciso IV, dos artigos 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003: “a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. No caso em análise, às fls. 135, observase no demonstrativo de glosa da fiscalização que os aluguéis foram pagos a gerentes. Por tal motivação, assiste razão a fiscalização, uma vez que não há previsão legal para que despesas com aluguéis pago à pessoa física possam ser descontados da base de cálculo das contribuições em apreço. 2.2.6. Despesas diversas não caracterizadas como insumos Fl. 604DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 9 15 A partir do TVF, fls. 21, extraise que: Calculou créditos sobre serviços prestados por pessoas jurídicas, mas não aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Entre eles destacamos as despesas com os departamentos não produtivos, tais como, administrativos, financeiros, marketing, vendas, etc. A título exemplificativo, destacamos despesas com combustíveis e lubrificantes, comissões, equipamento de segurança, refeições, representação comercial, viagens e estadias, etc., planilhas "Despesas Diversas Não Caracterizadas Como Insumos". Na planilha, fls. 163/167, há as despesas glosadas: equipamentos de segurança, viagens e estadas, bens permanentes, transportes, combustíveis e lubrificantes, anúncios e publicações, comissões, representação comercial, transportes, assinaturas de jornais e revistas, refeições, feiras e eventos. Mantémse a glosa. 2.3. Juros de mora sobre a multa A Recorrente alega que não deve haver a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois tal exigência é contrária à legislação em vigor e à jurisprudência deste Egrégio Tribunal. A Recorrente pleiteia pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, vez que a multa não tem caráter de tributação, mas de penalidade. Observase, primeiramente, o que o Código Tributário Nacional versa sobre a aplicação dos juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A legislação deixa claro que caso não haja legislação sobre o percentual dos juros de mora será aplicada a taxa de um por cento ao mês. No que concerne à legislação infraconstitucional, observase que o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, dispõe que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 605DF CARF MF 16 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Realizase uma remissão, então, ao art. 5º, § 3º, da Lei 9.430/1996 Art. 5º. (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legislação prevê a incidência da taxa Selic, que no caso é o juros de mora, sobre a impontualidade do pagamento, mas não em relação à multa. Assim, já decidiu este Tribunal Administrativo: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) Nesse sentido, deve ser retirada a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício por falta de fundamento legal. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso e concedo provimento parcial para considerar o resultado apurado em julho de 2014 nulo por vício material e retirar as glosas relativas às despesas de uniformes, vestimentas e equipamentos de proteção individual. Ademais, retirase a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício por falta de fundamento legal. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator Designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos sobre a aquisição de vestimentas e uniformes e quanto à não incidência de juros Selic sobre a multa de ofício aplicada. Concernente à primeira matéria, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas Fl. 606DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 10 17 estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 607DF CARF MF 18 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 608DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 11 19 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0II utilizados na prestação de serviços: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 609DF CARF MF 20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 12 21 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. Fl. 611DF CARF MF 22 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 13 23 Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à Fl. 613DF CARF MF 24 pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 14 25 serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: Fl. 615DF CARF MF 26 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, é forçoso reconhecer que uniforme e vestimentas não são inerentes à fabricação de carrocerias para ônibus, atividade industrial da recorrente. Por outro lado, em relação a tais bens, o creditamento somente foi autorizado no inciso X3 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a partir de 9/01/2009, com a publicação da Lei 11.898/2009, quando fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Este entendimento está exposto em diversos acórdãos do STJ, como AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.441 SC, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.281.990 3 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 15 27 SC e RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.822 PE. A exemplo, transcrevese ementa do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.441 SC: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. EMPRESAS DE PRESTAÇÃO SE SERVIÇOS DE MÃODEOBRA. DESPESAS COM VALE TRANSPORTE, VALEALIMENTAÇÃO E FARDAMENTO. DESPESAS QUE SÓ FORAM EQUIPARADAS A INSUMO A PARTIR DA EDIÇÃO DA LEI 11.898/2009. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO ANTES DA EDIÇÃO DA REFERIDA NORMA. AGRAVO REGIMENTAL DO CONTRIBUINTE DESPROVIDO. 1. A divergência jurisprudencial invocada não foi demonstrada na forma determinada pelos artigos 541, parág. único do CPC, e 255, §§ 1o. e 2o. do Regimento Interno desta Corte, com a transcrição dos trechos que identificam e assemelham os casos confrontados. 2. Muito embora entenda que o conceito de insumo deve ser alargado para abranger tanto os elementos diretos como indiretos de uma produção, a meu ver, as despesas com vale transporte, valerefeição e fardamento não possuem a natureza de insumo, nem em seu conceito mais amplo, pois não são elementos essenciais da produção, razão pela qual entendo que o inciso II do art. 3o. das Leis 10.637/02 e 10.833/03, por si só, não autorizava o creditamento pretendido pelo contribuinte. 3. Assim, apenas a partir da edição da Lei 11.898/09, que incluiu o inciso X no art. 3o. das Leis 10.637/02 e 10.833/03 equiparando as despesas com valetransporte, valerefeição e fardamento a insumo, possibilitouse o creditamento na forma postulada pelo ora recorrente. 4. Não possuindo as referidas despesas natureza de insumo e não havendo expressa autorização legal ao creditamento para o período postulado pelo recorrente, não merece reparos o acórdão objurgado. 5. Agravo Regimental do contribuinte desprovido. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de creditamento sobre vestimentas e uniformes. Por fim, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, analisase, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 617DF CARF MF 28 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 16 29 obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos" (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 619DF CARF MF 30 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado4: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de 4 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 17 31 regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Fl. 621DF CARF MF 32 Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 18 33 a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Fl. 623DF CARF MF 34 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15889.000116/200914 Acórdão n.º 3302004.157 S3C3T2 Fl. 19 35 Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Isto posto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente, mantendo a incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 625DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.010745/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS RELATIVAS A IRPJ E CSLL
Não lid entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido, e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada pela apuração de prejuízo, e nem limitada ao valor do tributo apurado no final do ano . Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art, 44, § 1 0, IV, da Lei 9.430196.
Numero da decisão: 1802-000.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro relator João Francisco Bianco e o conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, que davam provimento parcial para cancelar a multa isolada apenas em relação As estimativas do IRPJ. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor
Nome do relator: João Francisco Bianco
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Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art, 44, § 1 0, IV, da Lei 9.430196. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro relator João Francisco Bianco e o conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, que davam provimento parcial para cancelar a multa isolada apenas em relação As estimativas do IRPJ. Designado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. arq a es Lins De ousa President Jo5 Francisco Bianc — Relator. e De Oliveira Ferraz orrea — Redator Designado, EDIT ADO EM: Processo n° 10580.010745/2006-51 81-1102 Acórdão n° 1802-00.742 FL 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, NeIso Kichel e João Francisco Bianco (Vice Presidente). Ausente momentaneamente o conselheiro André Almeida Blanco (Suplente Convocado). 2 Processo n° 10580.010745/2006-5I S1-TE02 AcOrdilo n ° 1802-00.742 Fl. 3 Relatório Tratam os presentes autos da exigência de multa isolada pela ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL no ano-calendário 200.3. Em resumo, sustenta a fiscalização (fls. 14) que a Recorrente recolheu o IRPJ e a CSLL, no ano-calendário 2003, com base no lucro real, tendo optado por recolher as estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos. Entretanto, a Recorrente não teria efetuado o recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, nem mesmo informado dados de receitas ou despesas em sua DIPJ. Igualmente, não teriam sido escriturados balancetes de suspensão e redução no LALUR da Recorrente. Ressalta que o Livro Diário da Recorrente foi registrado na Junta Comercial apenas em 24.08,2006, posteriormente ao inicio da fiscalização. Assim, os balancetes mensais ali escriturados não fazem prova para fins da redução dos recolhimentos das estimativas mensais. A exigência da multa isolada foi calculada com base nos valores da receita bruta extraidos do livro Razão (fls II). Devidamente intimada, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 146). Ern sede de preliminar, requereu a decretação de nulidade do auto de infração, uma vez que lavrado com base em sua DIPJ 2004, a qual, por equivoco cometido no respectivo preenchimento, foi entregue sem dados numéricos. Afirma que, diferentemente do alegado pela autoridade fiscal, não existe obrigação de escrituração dos balancetes de suspensão e redução no LALUR, mas tão somente no Livro Diário. Aduz que não optou pelo recolhimento das estimativas com base na receita bruta na DIN 2004, referindo que tal opção é previamente selecionada pelo programa gerador da Declaração . Assim, tendo havido erro que levou ao não preenchimento da DIPJ, seria de se esperar que constasse essa opção em sua Declaração. Refere, ademais, que a legislação fiscal permite o pagamento dos tributos em até 20 dias após o inicio da fiscalização, o que tambérir permitiria o registro do Livro Diário na Junta Comercial nesse prazo. Por fim, pleiteia a aplicação retroativa do artigo 18 da Medida Provisória n, 303, de 2006, que reduziu para 50% o percentual da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas no decorrer do ano-calendário. A DRJ manteve em parte os lançamentos (fls. 221). Afastou a preliminar argiiida, uma vez que a hipótese dos autos não estaria prevista no artigo 59, I, do Decreto 70.235, de 1972, o qual se refere apenas à situação em que a lavratura tenha sido realizada por servidor incompetente. No mérito, afirma que a DIEU poderia ter sido retificada antes do inicio do processo de lançamento de oficio, a teor do artigo 832, do RIR/99. De qualquer modo, sustenta Processo n' 10580.010745/2006-51 S1-7E02 Acórdilo n ° 1802-00.742 Fl. 4 que a retificação da DIN. não modificaria o cenário dos autos, visto que ali consta que não houve recolhimento de estimativas, sendo certo que a própria Recorrente atesta esse fato. Ressalta que a transcrição dos balancetes de suspensão e redução no Livro Diário, para produzir efeitos, teria que ter sido realizada até a data fixada para pagamento do imposto, nos termos do artigo 12, parágrafo 5°, "b", da IN SRF 93/97, sendo despropositada a alegação de que o respectivo registro na Junta Comercial poderia ocorrer até 20 dias após o inicio da fiscalização. Afirma, ainda, que o artigo 15, parágrafo 3°, da IN SRF 93/97 determina a transcrição dos balancetes de suspensão e redução no LALUR, ao contrário do que afirma a Recorrente. Ao final, reconhece que o artigo 14, da Lei 11.488/2007, reduziu para 50% o percentual da multa de oficio aplicável ao caso concreto, determinando a redução do lançamento para refletir tal modificação. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 133), alegando que a DR.T teria atestado a apuração de prejuízo fiscal e bases negativas de CSLL ao final do ano-calendário. Assim, estaria configurado o requisito imposto pela jurisprudência desse E. Conselho para decretar a impossibilidade de aplicação das multas isoladas. o relatório. Processo no 10580.010745/2006 -SI 51-7E02 AcOrcifio n.° 1802-00.742 FL 5 Voto Vencido Conselheiro João Francisco Bianco, Relator 0 recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo ao seu exame. Inicialmente, verifico que a Recorrente não reiterou em seu recurso voluntário as alegações relativas à opção pelo recolhimento das estimativas com base na sistemática dos balancetes de suspensão e redução. Assim, entendo que restam incontroversas as alegações fiscais relacionadas a essa matéria, cingindo-se o recurso à possibilidade de aplicação das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais na hipótese de apuração de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL ao final do ano-calendário, Essa matéria já foi exaustivamente discutida neste Conselho, nas suas várias Câmaras, sendo o entendimento atualmente majoritário, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não é devida a multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais, desde que o valor das parcelas estimadas ultrapasse o valor do IRPJ efetivamente devido ao termino do período de apuração. Confira-se, nesse sentido, o acórdão n. CSRF/01-05.511, de 18.09.2006, cujo relator foi o conselheiro José Henrique Longo, assim ementado: "CSLL — MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao .final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte - fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício." Idêntico entendimento foi sustentado também no acórdão n. CSRF/01-05.552, proferido em 14.12.2006 e relatado pelo conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima. Desse modo, parece-me consolidado o entendimento neste Conselho, no sentido de que a multa isolada é inexigível quando o valor da estimativa não recolhida é superior ao montante do imposto efetivamente devido. Pois bem. No caso dos autos, estão sendo exigidas multas isoladas por falta de recolhimento de parcelas de estimativas mensais no ano-calendário de 2003; O LALUR da Recorrente (fls. 91 e 92) evidencia que, em 31.12.2003, a Recorrente possuía saldo de prejuízos fiscais de R$ 4.966,87, de modo que, em linha com a Processo n° 10580 010745/2006-51 51-TE02 Accirdao n.° 1802-00.742 Fl 6 jurisprudência acima mencionada, não pode subsistir a exigência veiculada no auto de infração. No entanto, não localize nos autos qualquer indicativo da existência de saldo de bases negativas de CSLL no mesmo period°. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a exigência da multa isolada somente em relação ao IRPJ. r- Jo o Francisco Bianco Processo n°10580 010745/2006-51 81-TE02 Acórdão r1.° 1802-00.742 Fl 7 Voto Vencedor José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto 6. multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, A norma que estipula penalidade para o não recolhimento das estimativas esta contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e ela deve ser aplicada ainda que tenha sido "apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente", conforme prevê o inciso IV do §1° deste artigo: Art. 44.. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de tnulta moratória, de falta de declaração e nos de declara cão inexata, excetuada a hipótese do inch° seguinte; 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de .fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, § 1" As multas de que trata este artigo serão exigidas- II III - „... .. „„ - IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2", que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete Administração Tributária, 7 Processo n0 10580010745/2006 -SI 51-7E02 Acórdão n.° 1802-00.742 Fl 8 Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza a inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima . Também é importante destacar que o texto legal diz "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...", numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Alen' disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a obrigatoriedade de seu recolhimento não fica afastada em função de apuração de prejuízo, e nem limitada ao tributo devido no final do ano. Pelo contrário, tal obrigatoriedade subsiste integralmente, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade acima transcrita. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. e de Oliveira Ferraz Corrêa
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721519/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausente o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. RELATÓRIO Por bem resumir a lide, adoto o relatório contido no Acórdão n° 1540.444 proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJO (fls. 827/849): Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 38.299.472,72; da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 13.787.810,18, acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e juros legais, relativos ao anocalendário de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 51 9/ 20 12 -2 4 Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.008 2 Em seu Termo de Verificação Fiscal, às fls. 19/33, a autoridade lançadora relata, resumidamente, o seguinte: em virtude de incorporações realizadas pela BM&F Bovespa S. A., no ano de 2008 foram apresentadas três DIPJ, sendo: ND 1802858Período de 01/01/08 a 08/05/08; ND 1937854Período de 09/05/08 a 28/11/08; e ND 1764487Período de 29/11/08 a 31/12/08; segundo consta nas fichas 06, linha 34 das DIPJ 1937854 e 1764487, o contribuinte apropriou os valores de R$ 149.203.000,00 e R$ 139.375.702,67, como despesas relativas aos Juros Sobre o Capital Próprio – JSCP, totalizando para o ano de 2008, R$ 288.578.702,67; a lei tributária não obriga nem veda o pagamento de juros sobre o capital próprio aos sócios das empresas, não impõe limite quanto ao valor dos juros pagos ou creditados aos sócios e não determina a obrigatoriedade de adotarse a TJLP como índice de remuneração do capital aplicado; a lei tributária somente impõe limites quanto à possibilidade de dedução dos valores creditados ou pagos a título de JSCP na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme disposto na Lei nº 9.249, de 1995, artigo 9º (transcreve); em primeiro lugar, devese esclarecer que a lei referese aos juros pagos a título de remuneração do capital empregado pelos acionistas para a consecução das atividades empresariais da companhia; o caput do artigo transcrito especifica: “para efeitos de apuração do lucro real”, em referência clara ao atendimento à forma de apuração do lucro real e todos os seus critérios intrínsecos, dos quais destacamos: o “período de apuração” e o “regime de apuração”; o período de apuração do lucro real está disposto na Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/97: Art. 2º(...) §6 º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento do imposto por estimativa, a que se refere os arts. 3º e 10, deverão apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. o regime de apuração das receitas e despesas das companhias tributadas pelo lucro real é o regime de competência; assim, as regras aplicáveis à possibilidade de dedução de despesas com JSCP deve obedecer aos critérios vinculados ao “período” e ao “regime” de apuração aplicáveis ao lucro real; conforme se depreende do parágrafo 1º do artigo transcrito, será permitida a dedução, na apuração do IRPJ e da CSLL dos JSCP pagos ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica, até o valor limitado a 50% do lucro antes da dedução dos próprios JSCP ou 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros existentes; LUCRO DO PERÍODO atentese para o fato de que o lucro líquido considerado para efeito de cálculo do limite de dedução dos JSCP é o lucro líquido da companhia que está pagando os referidos juros e não o lucro de outras empresas do grupo, ou que tenham sido incorporadas, pois estas têm apuração específica de seus lucros líquidos e deliberação própria sobre o pagamento de juros e dividendos; conforme verificado, por meio das DIPJ apresentadas, o contribuinte apresentou os seguintes resultados em 2008: ND 1937854Período de 09/05/08 a 28/11/08 – Ficha Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.009 3 06 Linha 48 – R$132.417.138,40; ND 1764487Período de 29/11/08 a 31/12/08 – Ficha 06 – Linha 57 – R$41.145.640,97; totalizando R$173.562.779,37; o “Lucro Líquido Antes do Imposto de Renda” apresentado pelo contribuinte e utilizado como base para o cálculo do Lucro Real, apurado na Ficha 9 da DIPJ, do período de 09/05/08 a 28/11/08, no valor de R$149.976.011,01, conforme verificado no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, é composto pelo valor da “Contribuição Social Diferida”, que não é utilizada contabilmente para apuração do resultado do período e que, por sua vez, é considerada como exclusão na apuração da base de cálculo do Lucro Real do período; Resumo: Resultado do período 09/05/08 a 28/11/08 R$132.417.138,40 Contribuição social Apurada (Ficha 1 da DIPJ) R$ 8.631.995,59 Lucro Líquido depois da CSLL, antes do IRPJ R$123.785.142,81 Contribuição Social Diferida +R$26.190.868,20 R$149.976.011,01 o mesmo acontece na apuração do lucro real do período de 29/11/2008 a 31/12/2008. Assim, o lucro líquido que serve de base para a apuração do limite de dedução fiscal do JSCP no ano de 2008 é de: Período de 08/05/2008 a 28/11/2008 R$123.785.142,81 Período de 29/11/2008 a 31/12/2008 R$ 41.145.640,97 Lucro Líquido depois da CSLL, antes do IR R$164.930.783,78 REGISTRO DE RECEITAS INEXISTENTES embora o contribuinte informe em sua DIPJ que o lucro líquido do período de 29/11/2008 a 31/12/2008 tenha sido de R$41.145.640,97 foi verificado por esta fiscalização que o resultado contábil (Lucro Líquido) é composto por uma receita registrada na conta: “4.2.1.02.0001 – CONTROLADAS E COLIGADAS – EQ. PATRIMONIAL – TRANSF. DE SALDOS – RECLASSIFICAÇÃO”, no valor de R$182.747.863,06; (o plano de contas do contribuinte apresenta as “RECEITAS” registradas sob o código de classificação “4”); referida receita não é oriunda das atividades da companhia e teve originalmente como contra partida de lançamento a conta patrimonial “2.04.03.01.01 Lucros Acumulados” (apresenta tabela com os lançamentos contábeis, fl. 24); regularmente intimado a esclarecer a origem da receita de R$182.747.836,06 (última linha da tabela) registrada na conta contábil 4.2.1.02.0001, informou o contribuinte: O referido valor corresponde às variações patrimoniais ocorridas na Bovespa Holding entre a data base da operação (31/12/2007) e a efetiva incorporação de suas ações pela BM&F Bovespa, conforme detalhado na nota 3, página 14, das Notas Explicativas às informações trimestrais em 30 de setembro de 2008, da BM&F Bovespa S/A (...)O referido valor foi lançado, originalmente, na conta “2.4.3 Lucros ou Prejuízos Acumulados”, tendo sido, ao final do ano, reclassificada para a conta “4.2.1.02.0001Controladas e ColigadasEq. Patrimonial”. como o próprio contribuinte informa, o valor se refere às variações patrimoniais de outra companhia, a Bovespa Holding S. A. Assim, as “variações patrimoniais” jamais poderiam ser consideradas como receita do contribuinte que efetua a “Incorporação de Ações” desta companhia. Ainda mais quando os resultados referemse a um período em que a Bovespa Holding S. A. ainda não era subsidiária integral (controlada) da BM&F S. A.; o contribuinte, em sua resposta, referese à “efetiva incorporação de ações” da Bovespa Holding pela BM&F, que teria ensejado o registro contábil da suposta receita; necessário esclarecer, portanto, que o instituto da “Incorporação de Ações”, regulado pelo artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é imperativo ao determinar, em seu § 1º que: Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.010 4 A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital a ser realizado com as ações a serem incorporadas. ou seja, contabilmente, as ações incorporadas devem ser registradas no ativo permanente da companhia incorporadora (das ações) e a contrapartida deste lançamento contábil deve, obrigatoriamente, ser registrado na conta de “Capital”, pelo aumento de capital, determinado pela Lei; a autoridade tributária apresenta tabela demonstrando a forma como foi contabilizada a aquisição das ações no momento da incorporação (fl. 36) e continua: ou seja, as variações patrimoniais da companhia Bovespa Holding S. A., verificadas no período de 01/01/2008 a 08/05/2008 foram registradas corretamente no ativo da companhia BM&F na conta contábil 1.3.1.01.0005, qual seja, a conta que registra investimentos em participações societárias; não tem nenhum fundamento o registro dos resultados da Companhia Bovespa Holding S. A., cujas ações foram incorporadas, em “Lucros Acumulados” da incorporadora das ações, como registrado pelo contribuinte. E, mesmo que se consiga justificar tal registro contábil, ou que se alegue que ele não tem repercussão fiscal, a transferência de tais resultados, da conta do Patrimônio Líquido para conta de Receita de Equivalência Patrimonial, como fez o contribuinte em 31 de dezembro de 2008, exige um sofisma contábil não aceito pelo direito tributário; a incorporação de ações jamais poderia resultar em receita, utilizada para inflar artificialmente o resultado da companhia incorporadora (transcreve o artigo 252 da Lei 6.404, de 1976, fls. 26/27); na incorporação de ações a companhia cujas ações foram incorporadas não é extinta e continua a realizar suas operações normalmente; é certo que o artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976, determina a aplicação do artigo 224 da Lei nos casos de incorporação de ações, artigo que trata do protocolo com as condições da incorporação (reproduz o artigo 224, fls. 27/28); embora o artigo 224 determine a convenção no protocolo do “tratamento das variações patrimoniais posteriores”, ou seja, no período entre a data do protocolo e a efetiva incorporação, isso não significa que as partes possam dispor regras que atribuam qualidades a elementos relativos às mencionadas “variações patrimoniais” (principalmente considerálas como receita de outrem); por “variações patrimoniais posteriores” entendase o lucro ou prejuízo no período entre o protocolo e a efetiva operação. No caso, a Bovespa Holding apresentou resultado positivo em suas atividades no período entre 31/12/2007 e 08/05/2008, ou seja, lucro. O tratamento aplicável a este lucro poderia estar previsto no “protocolo de incorporação de ações”, mas dizer que este valor é uma receita da companhia incorporadora fere qualquer conceito de receita aplicável à Contabilidade e ao Direito Tributário, visto que as receitas utilizadas na determinação do resultado do exercício de uma companhia são as receitas de suas atividades e não o resultado de outras (exceção ao Método de Equivalência Patrimonial, quando aplicável); o “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações da Bovespa Holding S. A.” trazia a seguinte previsão de tratamento às variações patrimoniais: 3.3 As variações patrimoniais ocorridas na Bovespa Holding entre 31/12/2007 (DataBase) e a data em que se efetivar a Incorporação de Ações serão suportadas exclusivamente pela Bovespa Holding. Após a efetivação da Incorporação de ações, as Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.011 5 variações patrimoniais serão absorvidas pela Nova Bolsa em decorrência da equivalência patrimonial. O próprio protocolo previa que as variações patrimoniais seriam da Bovespa Holding S. A. até a efetiva incorporação de ações. Como o resultado foi positivo, este resultado poderia compor o patrimônio líquido da Bovespa Holding e seu valor poderia ser registrado pela companhia BM&F como parte do investimento ou como outra conta do ativo (como fez com o “suposto e denominado” ágio de R$16 bi, registrado como ativo diferido); o “Método da Equivalência Patrimonial” também não poderia ter sido utilizado para justificar o procedimento de considerar os resultados da Companhia Bovespa Holding como receitas da BM&F, uma vez que o referido método só é aplicável para avaliação de investimentos em participações societárias após a aquisição, obviamente (transcreve os artigos 20 e 21 do Decretolei nº 1598, de 1977, folhas 29/30); verificase no balancete do período de 01/01/2008 a 08/05/2008, elaborado com base nos lançamentos contábeis do contribuinte apresentados a esta fiscalização (fl. 30), que no dia 8 de maio de 2008, a companhia Bovespa Holding apresentava um resultado para o período de R$159.304.195,54 (excluído o saldo inicial da conta) e, se deduzida a despesa com JSCP, R$23.443.667,52, o resultado seria de R$182.747.863,06, que é exatamente o valor considerado como receita da BM&F em 31/12/2008; atribuir qualidade de “receita” da BM&F ao “resultado” da Bovespa Holding é contábil e juridicamente impossível; se excluída a pseudo receita, o resultado do exercício de 2008 da BM&F S. A. passa a ser negativo, de –R$17.817.079,28 (164.930.783,780 – 182.747.863,06); outro critério que possibilitaria a dedução das despesas é o valor dos lucros acumulados. Mas uma vez que as atividades empresariais da BM&F Bovespa S. A. iniciaram somente em 2008, seus “lucros acumulados” seriam iguais aos valores antes apresentados. Embora as demonstrações contábeis possam apresentar a conta contábil “Lucros Acumulados”, tais lucros advém do mero registro contábil de lucros de outras companhias, incorporadas pela fiscalizada, que não podem ser utilizados no cálculo dos limites de dedução de despesas com JSCP para fins fiscais, em conformidade às próprias regras de “incorporação”, como pelo regime de competência; desta forma, o contribuinte deveria ter adicionado na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$153.197.890,88, relativo ao excesso de dedução de despesas de JSCP; Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.012 6 apresenta a recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL à folha 32, concluindo que efetuou o lançamento sobre o valor que deixou de ser adicionado às bases de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Cientificada, a autuada apresentou Impugnação, às fls. 340/371, sustentando resumidamente o seguinte: I – DOS FATOS ao contrário do alegado pelo Agente Fiscal, a Impugnante observou o disposto no artigo 9º, § 1º, da Lei nº 9.249, de 1995, que condiciona a dedutibilidade dos juros pagos a título de remuneração do capital “à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”; como se pode observar, para que os JSCP pagos sejam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deve ser atendida uma das duas condições a seguir: a existência, em montante correspondente a pelo menos o dobro do valor pago (i) de lucro próprio do exercício, antes de computada a despesa com JSCP (primeiro limite); ou (ii) de lucros acumulados ou reservas de lucros (segundo limite); no presente caso, mencionese desde já, a Impugnante utilizou o primeiro requisito, adotando como limite lucros comprovadamente gerados no exercício de 2008 e sucedidos em virtude de incorporações realizadas dentro deste exercício para fins de cálculo do limite dos JSCP pagos no anobase de 2008, no montante de R$288.578.702,67; II DO DIREITO II.1 – Do Respeito ao Limite Legal por Parte da Impugnante – Esclarecimentos Iniciais conforme mencionado pela própria Autoridade Fiscal, em 8 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Impugnante (então denominada Nova Bolsa S. A.), (i) das ações da Bovespa Holding S. A., bem como (ii) da sociedade BM&F S. A. (Atas da Assembléia anexas). Ademais, na mesma data em que se deu a incorporação de ações foi alterada a denominação para BM&F Bovespa S. A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, atual denominação social da ora Impugnante; em razão das incorporações, a Impugnante apresentou três DIPJ, quais sejam, ND 1802858 (período de 01/01/2008 a 08/05/2008), ND 1937854 (período de 08/05/2008 a 28/11/2008) e ND 1764487 (período de 29/11/2008 a 31/12/2008); podese verificar, portanto, que a Impugnante é sucessora por incorporação das companhias BM&F S. A. e Bovespa Holding S. A., e, por esse motivo, é sucessora de todos os direitos e obrigações de suas incorporadas, inclusive o direito de reconhecer e distribuir referidos lucros aos seus acionistas; ocorre que, com base nas DIPJ relativas aos períodos de maio a novembro e novembro a dezembro/2008, a Fiscalização, desconsiderando os esclarecimentos prestados pela Impugnante, entendeu que o lucro líquido da Impugnante a ser realizado para fins de cálculo do limite para pagamento de JSCP corresponderia a R$164.930.783,78; o mesmo acontece na apuração do lucro real do período de 29/11/2008 a 31/12/2008. Assim, o lucro líquido que serve de base para apuração do limite de dedução fiscal dos JSCP no ano de 2008 é de Período de 08/05/2008 a 28/11/2008 R$123.785.142,81 Período de 29/11/2008 a 31/12/2008 R$ 41.145.640,97 Lucro Líquido depois da CSLL, antes do IR R$164.930.783,78 ainda, a fiscalização entendeu, em relação ao período de 29/11/2008 a 31/12/2008, que a Impugnante teria considerado indevidamente, para a apuração do resultado de R$41.145.640,97, uma Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.013 7 receita de equivalência patrimonial no montante de R$182.747.863,06, motivo pelo qual excluiu referida receita para cálculo do lucro líquido a ser considerado como limite para a dedutibilidade de JSCP, conforme cálculo elaborado no Termo de Verificação Fiscal (reproduz, fl. 344); contudo, conforme informado à fiscalização, por meio de carta protocolada em 18/02/2010, o limite de 50% do lucro líquido depois da CSLL e antes dos JSCP, a ser considerado no anobase de 2008, corresponde a R$309.510.257,62, e não a R$135.380.811,70; isso porque, parte do lucro líquido do período, que foi considerado para fins de cálculo de tal limite, corresponde aos lucros auferidos no exercício societário pelas companhias incorporadas pela Impugnante, Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A., já que a Impugnante as sucedeu em todos os direitos e obrigações, o que inclui, obviamente, o direito à dedutibilidade dos JSCP até o montante correspondente a 50% do lucro auferido no período, conforme será melhor demonstrado adiante. Tratase, assim, de lucros gerados no anobase de 2008 e que podem ser utilizados como limite para distribuição de JSCP neste ano, consoante prevê o artigo 9º, § 1º, da Lei nº 9.249/95; de fato, conforme planilha demonstrativa abaixo, que foi entregue à fiscalização, considerandose os lucros apurados pela Bovespa Holding S/A e BM&F S/A até 8 de maio de 2008, bem como o lucro apurado pela Impugnante até novembro de 2008 (balancetes anexos), temse um lucro líquido depois da CSLL e antes dos JSCP de R$619.020.515,25 e, portanto, um limite para dedutibilidade de JSCP no montante de R$309.010.257,62, de modo que não houve excesso de despesa por parte da Impugnante (apresenta planilha, fl. 345); os lucros gerados pela Impugnante e pelas companhias por ela incorporadas foram efetivamente gerados ao longo do exercício de 2008 e serviram como base para a distribuição de dividendos e JSCP, tendo os acionistas auferido o benefício desta distribuição. Desta forma, inegável a conclusão de que os lucros pertenciam à Impugnante e, portanto, poderiam, como de fato foram, utilizados para o cálculo do limite de distribuição de JSCP; ainda, importante destacar que o montante de R$299.179.011,01 corresponde ao lucro líquido apurado pela Impugnante no período compreendido entre 9 de maio e 30 de novembro de 2008 e não inclui a receita no montante de R$182.747.863,06, já que tal receita foi computada apenas no cálculo do resultado do período de 1º a 31 de dezembro de 2008 (balancete anexo); de fato, como se pode observar pela análise da planilha acima, o resultado de R$41.145.640,97 (apurado no período de 1º a 31 de dezembro de 2008 e que, no entender da Fiscalização, contemplaria uma receita supostamente inexistente no montante de R$182.747.863,06) não foi considerado pela Impugnante quando do cálculo do limite de JSCP, motivo pelo qual, ainda que a exclusão pretendida pelo Sr. Agente Fiscal às fls. 13 do Termo de Verificação Fiscal pudesse ser aceita, o que se alega apenas a titulo argumentativo, ela não reduziria o limite apurado pela Impugnante, no montante de R$309.510.257,62; II.2 – Dos Efeitos da Sucessão e do Necessário Reconhecimento do Direito da Impugnante nos termos do que estabelece o artigo 9º, § 1º, da Lei nº 9.249, de 1995, a Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A, ao apurarem lucro líquido (depois da CSLL e antes da despesa de JSCP), nos montantes de R$137.401.179,04 e R$182.440.325,20, adquiriram o direito à dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de 50% dos referidos valores, ou, em outras palavras, adquiriram o direito à utilização, para fins de Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.014 8 cálculo do limite estabelecido no referido dispositivo, dos lucros líquidos auferidos no anobase de 2008; considerandose que, como já mencionado, a Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A foram incorporadas pela Impugnante em 08/05/2008, fazse necessário examinar os efeitos da operação de incorporação; com efeito, de acordo com o artigo 277, caput, da Lei nº 6.404, de 1976, a incorporação é a operação por meio da qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; (grifos do Impugnante) o novo Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, também estabelece como efeito próprio da incorporação a transmissão, ao sucessor, de todos os direitos e deveres do sucedido (transcreve artigo 1.116); concluise que a sociedade incorporada desaparece, ao passo que a incorporadora absorve todos os direitos e obrigações inerentes à primeira (cita doutrina); assim, se por imposição da lei, a sucessão é universal, ou seja, se o efeito da incorporação é a transferência da empresa “como um bloco”, então, no caso ora analisado, não há dúvidas de que o direito das empresas sucedidas à utilização do lucro auferido no período, para fins de cálculo do limite de dedutibilidade dos JSCP, passou a ser passível de aproveitamento por parte da Impugnante, na qualidade de sucessora; também, sob o aspecto contábil, outro não é o efeito da incorporação, transportandose para o patrimônio da incorporadora os direitos e obrigações antes contabilizados no patrimônio da incorporada, com a consequente extinção da incorporada (transcreve doutrina, fl. 349); vale frisar que, contabilmente, os lucros auferidos no período pelas incorporadas foram transferidos para o patrimônio da Impugnante no momento das incorporações; assim, os registros contábeis deixam claro que, a partir das incorporações, os lucros auferidos no período pelas Companhias incorporadas passaram a pertencer à Impugnante, o que ratifica o fato de que os direitos decorrentes da apuração dos lucros em questão foram transferidos por sucessão; a própria legislação tributária prevê no artigo 132 do CTN que a pessoa jurídica de direito privado que resultar de incorporação de outra é responsável por todas as obrigações tributárias da empresa sucedida até a data da incorporação; ora, onde existem as mesmas razões deve ser aplicado o mesmo direito. Se, a partir da incorporação, as obrigações tributárias da incorporada passam a ser de responsabilidade da incorporadora, não se pode negar que todos os direitos da incorporada, decorrentes da legislação tributária, também devem ser transmitidos em razão da sucessão, sob pena de aplicação de dois pesos e duas medidas por parte do Fisco; transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que reconhecemos direitos sucessórios da incorporadora sobre créditos em compensação e restituição e sobre o direito de utilizar reservas de exercício anterior incorporadas a partir de cisões para o cálculo do 2º limite de dedução dos JSCP (fls. 350/351); Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.015 9 importante frisar que o cálculo do limite de dedutibilidade foi auditado e validado por empresa de auditoria sem qualquer ressalva, conforme comprova a anexa DRE, o que ratifica a legitimidade do critério adotado pela Impugnante; dessa forma, considerandose que (i) as Companhias Bovespa Holding e BM&F detinham o direito de deduzir despesas dom JSCP até o limite de 50% do lucro por elas apurado até 08/05/2008; (ii) em 08/05/2008 elas foram incorporadas pela Impugnante; bem como que (iii) a incorporação implica sucessão universal de direitos e obrigações; concluise que o direito à dedutibilidade detido pelas empresas sucedidas passou a pertencer à sucessora e, portanto, foi legitimamente utilizado pela Impugnante par fins de cálculo do limite apurado no período, o que se requer seja reconhecido por esta I. Turma Julgadora, com o consequente cancelamento integral dos autos de infração; II.3 – Da Inexistência de Vedação Legal para a Utilização do Lucro auferido pelas Incorporadas no Período – Desrespeito, pela Fiscalização, ao Princípio da Legalidade além da existência de determinação legal expressa para que todos os direitos da empresa sucedida sejam transferidos à sucessora, o que já seria suficiente ao cancelamento dos autos de infração, necessário destacar que não existe qualquer vedação no ordenamento jurídico brasileiro para a utilização, pela incorporadora, para fins de cálculo do primeiro limite de dedutibilidade de JSCP previsto no artigo 9º, § 1º, da Lei nº 9.249/95. Vale dizer, o procedimento adotado pela Impugnação não afronta nenhuma norma vigente no sistema (grifo do original); de fato, não existindo lei que proíba o procedimento adotado pela Impugnante, a Autoridade Administrativa jamais poderia ter restringido seu direito, sob pena de grave afronta ao princípio da legalidade, expresso no art. 5º, inciso II da Constituição da República e, especificamente no que diz respeito aos tributos, no artigo 150, I, do texto constitucional e no artigo 3º do Código Tributário Nacional (CTN); como é sabido, somente a lei pode proibir e criar alguma obrigação, encargo ou ônus para o cidadão. A atividade administrativa é subalterna à Lei, ou seja, não poderá proibir nem impor procedimento algum a terceiro, salvo se embasada em expressa disposição legal. A função da administração é concretizar os comandos existentes no ordenamento jurídico pátrio, dando efetividade aos textos legais, mas jamais lhe caberá inovar, instaurando originalmente qualquer dever ou direito do administrado; e, estando a atividade funcional do administrador sujeita aos mandamentos da Lei e às exigências do bem comum, deles não se pode afastar ou desviar. Sob pena de praticar ato inválido (cita doutrina acerca do princípio da legalidade, fls. 353/354); portanto, a lei é a fonte suprema de geração de obrigações e direitos, estabelecida sempre de acordo do o texto constitucional, não podendo o Poder Executivo proibir o que a lei não proíbe, como ocorreu no presente caso no que se refere ao cálculo do limite de dedutibilidade de JSCP, motivo pelo qual não poderão ser mantidos os lançamentos ora combatidos; II.4 – Da Efetiva Observância, Pela Impugnante, do Regime de Competência o Agente Fiscal defende a necessidade de respeito ao regime de competência para a dedutibilidade das despesas com JSCP. Nesse sentido, importante demonstrar que os lançamentos contábeis e tributários realizados pela Impugnante foram totalmente legítimos; de fato, é certo que o JSCP devem ser considerados como despesa financeira no período em que o seu pagamento ou crédito for efetivamente deliberado (atendidos os limites mencionados), momento em que se considera incorrida a despesa; Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.016 10 nesses termos, o fato de a Impugnante ter registrado os JSCP no ano em que o pagamento foi deliberado, qual seja, 2008, confirma absoluta observância ao regime de competência (cita doutrinador e transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes que confirmam que o pagamento é no período de deliberação, fls. 356/357); a IN SRF nº 11/96 não inovou em relação ao disposto na lei, pois sua leitura atenta mostra que ela não impõe qualquer prazo para a deliberação ou creditamento dos JSCP; ademais, ainda que se entenda que a Impugnante agiu em desconformidade com o regime de competência, o que se admite apenas a título argumentativo, é inconteste que a exigência quanto à observância do regime de competência somente está prevista na IN nº 11/96, não havendo nenhuma referência (ou exigência) na Lei nº 9.249/95 ou na Lei nº 9.430/96; a IN nº 11/96, portanto, ao estabelecer regra não prevista em lei, extrapolou os limites determinados por esta, ofendendo, desta forma, o já citado princípio constitucional da legalidade previsto nos artigos 5º, inciso II e 150, inciso I da Constituição Federal e 97 do CTN, o que não pode ser aceito, pelos motivos já exaustivamente demonstrados; II.5 – Da Iliquidez e Incerteza dos lançamentos – Erro na Determinação da Base de Cálculo é importante destacar que a nulidade dos autos de infração objeto do presente processo administrativo, uma vez que eles padecem de iliquidez e incerteza decorrentes de evidente erro de cálculo cometido pelo Sr. Agente Fiscal quando da apuração dos valores supostamente não oferecidos à tributação. É o que se passará a demonstrar; a Impugnante apurou, no período compreendido entre 09/05/2008 e 30/11/2008, lucro líquido, após computada a CSLL, no montante de R$149.976.011,01, conforme comprovam os registros contábeis anexos; ocorre que a Fiscalização, ao calcular o suposto excesso de despesa com JCP, cometeu um equívoco com relação ao lucro líquido do período, já que considerou o montante de R$123.785.142,81; isso porque, a Fiscalização entendeu que seria necessário deduzir, do resultado apurado, no montante de R$132.417.138,40, a CSLL devida declarada na Ficha 17 da DIPJ, no montante de R$8.631.995,59, o que resultaria no montante de R$123.785.142,81 a título de “lucro líquido depois da CSLL”; a Fiscalização cometeu um equívoco, pois, conforme reconhecido por ela própria no Termo de Verificação, o lucro líquido depois da CSLL apurado na contabilidade da Impugnante, no montante de R$149.976.011,01, compreende a CSLL diferida do período no montante de R$26.190.868,20, já descontada a CSLL devida no montante de R$8.631.995,59. Transcreve cálculo do Termo de Verificação; assim, o lucro líquido depois da CSLL, apurado pela Impugnante no período de 09/05/2008 a 30/11/2008, a ser considerado para fins de cálculo do limite de dedutibilidade de JSCP é R$149.976.011,01 e não R$123.785.142,81, como equivocadamente concluiu o Agente Fiscal; dessa forma, em razão do evidente erro de cálculo incorrido pela Fiscalização para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não se pode olvidar que os lançamentos ora combatidos padecem de iliquidez e incerteza, já que não se mostram aptos a mensurar corretamente qual seria o suposto excesso de despesa ainda que não Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.017 11 houvesse a sucessão dos direitos das incorporadas (o que, repitase, a título argumentativo); com efeito, para ser válido o lançamento, devem ser cumpridos os requisitos de liquidez e certeza, em conformidade com o artigo 142 do CTN, sem os quais fica constatada a nulidade do lançamento (transcreve o artigo, cita doutrina acerca da certeza em relação ao montante exigido, transcreve o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, fls. 360/362); assim, o não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido, como ocorreu no presente caso, tornaos nulos, gerando a obrigação para a Autoridade Julgadora de cancelálos de ofício; frisese que, essa E. Turma Julgadora deverá cancelar integralmente os autos de infração objeto do presente processo, já que os lançamentos ilíquidos e incertos não podem ser “consertados” pelo Órgão Julgador. Esse entendimento já foi manifestado, reiteradas vezes, pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (transcreve acórdãos, fl. 363); ante o exposto, caso não sejam acolhidos os argumentos anteriores, o que se alega apenas a título argumentativo, requerse a esta I. Turma Julgadora que (i) reconheça o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, já que o lucro líquido depois da CSLL, apurado pela Impugnante no período de 09/05/2008 a 30/11/2008, deve ser acrescido, para fins de cálculo do limite de dedutibilidade de JSCP, do valor da CSLL diferida, qual seja, R$26.190.868,20; bem como (ii) cancele os lançamentos ora combatidos em sua totalidade, tendo em vista que os créditos tributários do IRPJ e da CSLL exigidos são ilíquidos e incertos; II.6 – Ad argumentandum – Da Ausência de Previsão Legal para a Adição, na Base de Cálculo da CSLL, de Despesas Consideradas Indedutíveis ainda, caso não sejam acolhidos os argumentos anteriores, suficientes para o cancelamento integral dos lançamentos fiscais, o que se alega para argumentar, deverão ser cancelados, ao menos, os créditos tributários de CSLL exigidos sobre os valores de JSCP considerados indedutíveis do Lucro Real; isso porque não existe previsão na legislação específica da CSLL para a adição, na base de cálculo desse tributo, de despesa considerada indedutível pela Fiscalização; de fato, muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ; pela análise do artigo 2º da Lei nº 7.689/88 (que transcreve, fl. 364), notase que a única adição permitida ao resultado do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, está prevista na alínea 4, qual seja: a adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido; ademais, é certo que não se aplica à CSLL a regra prevista no artigo 9º da Lei nº 9.249/95, e respectivas limitações constantes do parágrafo primeiro, já citadas, de acordo com as quais “A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio”; isso porque a referida norma de dedutibilidade é aplicável apenas à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não se aplicando à apuração do resultado do exercício, base de cálculo da CSLL; Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.018 12 deveras, não é possível à Administração Tributária querer atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento; desta forma, apesar de possuírem as mesmas regras de apuração e pagamento, os referidos tributos não observam as mesmas regras de dedutibilidade de despesas (transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes atual CARF – e trecho de acórdão proferido naquele Órgão, fl. 365); ante a inexistência de previsão legal que permita a adição de despesas indedutíveis do lucro real na base de cálculo da CSLL, não pode prevalecer a manutenção do crédito tributário dessa contribuição; II.7 – Do Processo Administrativo nº 16327.001536/201080 por fim, observa se pela leitura do item “Recomposição do Lucro Real e Base da CSLL” anexa ao Termo de Verificação Fiscal, que a Fiscalização considerou os efeitos dos lançamentos objetos do processo administrativo nº 16327.001536/201080 para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL do anobase de 2008; contudo, considerandose que os autos de infração relativos ao mencionado processo ainda não são definitivos, já que atualmente os autos encontramse no CARF pendentes de julgamento do recurso voluntário interposto pela Impugnante, a Fiscalização não poderia ter considerado os efeitos dos referidos lançamentos no presente caso, o que se requer seja reconhecido por esta I. Turma Julgadora, com a consequente desconsideração do cálculo apresentado à folha 14 do Termo de Verificação Fiscal; II.8 – Da Ilegalidade de Cobrança de Juros sobre a Multa além de todo o exposto, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; de fato, o artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981, de 1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos,(transcreve os artigos); ora, como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo (interpretando os artigos 3º e 113 do CTN cita as diferenças e traça a distinção entre tributo e penalidade pecuniária, citando jurisprudência administrativa, fls. 367/369); nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei nº 9.430, de 1996, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos; ante o exposto, a Impugnante aguarda que essa I. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo; III – Do Pedido requer o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.019 13 Em razão do termo de verificação fiscal indicar que houve a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. e a incorporação da sociedade BM&F S.A., e da impugnante dar a entender que houve a incorporação da sociedade Bovespa Holding S. A., e não apenas a incorporação de ações, foi determinada diligência fiscal, às fls. 669/670, para que a impugnante esclarecesse as operações realizadas e respectivas datas, bem como para que juntasse as atas das assembléias que aprovaram estas operações. Foi determinado ainda que a unidade preparadora corrigisse a digitalização dos documentos às fls. 100/114. No Relatório de Diligência (fls. 743/745), a autoridade fiscal relata o seguinte: em 08 de abril de 2008, o contribuinte em epígrafe realizou Assembléia Geral Extraordinária AGE – na qual, dentre outras deliberações, aprovou a alteração de sua denominação social de T.U.T.S.P Empreendimentos e Participações S.A. para Nova Bolsa S.A.; em 08 de maio de 2008, às 11:45 horas, a Nova Bolsa S.A. realizou AGE na qual, dentre outras deliberações, aprovou a INCORPORAÇÃO da Bolsa de Mercadorias & Futuros, CNPJ 08.936.812/000155, nos termos e condições estabelecidos no Protocolo e Justificação de Incorporação, assinado entre as duas companhias em 17/04/2008; em 08 de maio de 2008, às 12:30 horas, a Nova Bolsa S.A. realizou AGE na qual, dentre outras deliberações, aprovou a INCORPORAÇÃO DA TOTALIDADE DAS AÇÕES de emissão da Bovespa Holding S.A., CNPJ 08.695.953/000123, da Bolsa de Mercadorias & Futuros, CNPJ 08.936.812/000155, nos termos e condições estabelecidos no Protocolo e justificação de Incorporação, assinado entre as duas companhias em 17/04/2008; em 12 de junho de 2008, segundo registro no sistema de cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Nova Bolsa S.A. teve sua denominação social alterada para BM&F BOVESPA S.A. – Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros; em 28 de novembro de 2008, às 11:00 horas, a BM&F BOVESPA S.A. – Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros realizou AGE na qual, dentre outras deliberações, aprovou a INCORPORAÇÃO de suas controladas: Bolsa de Valores de São Paulo – CNPJ 08.695.953/000123 (antiga Bovespa Holding S.A.); e Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia – CNPJ 60.777.661/000150; em resumo, a BM&F BOVESPA S.A.Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros realizou duas operações distintas com relação à companhia Bolsa de Valores de São Paulo, CNPJ 08.695.953/000123: Em 08/05/2008 realizou a incorporações de suas ações, instituto previsto no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1974, tornando esta sua subsidiária integral e posteriormente, em 28/11/2008, realizou a incorporação da companhia controlada, instituto previsto no art. 227 da Lei nº 6.404, de 1974, absorvendo a companhia incorporada; procedemos a digitalização dos documentos de folhas 100 a 114 (parte B do Lalur), que encontramse ilegíveis, e dos demais documentos mencionados neste relatório, incluindoos no processo digital. Cientificada da diligência fiscal, a impugnante se pronunciou, às fls. 747/749, alegando resumidamente que: restou comprovado que a requerente é sucessora por incorporação das companhias BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A., razão pela qual sucedeu as suas Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.020 14 incorporadas em todos os seus direitos e obrigações, inclusive no direito de reconhecer e distribuir referidos lucros aos seus acionistas, como amplamente demonstrado em sua peça impugnatória; assim, constatase que o conteúdo do Relatório de Diligência elaborado pela fiscalização vai ao encontro das alegações trazidas pela requerente no decorre de sua impugnação. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 827/849, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo o IRPJ no valor R$ 34.560.233,75, e exonerando o valor de R$ 3.739.238,97; mantendo a CSLL no valor R$ 12.442.404,15, e exonerando o valor de R$ 1.345.406,03; juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende registrar que os Recursos Voluntário e de Ofício são tempestivos, razão pela qual deles conheço. O Recurso de Ofício preenche, também, os requisitos de admissibilidade, de acordo com a Portaria/MF nº 63/2017. PRELIMINAR DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Sustenta a Recorrente que a Fiscalização cometeu um equivoco em relação ao lucro líquido do período, posto que esta não reconheceu a CSLL diferida no resultado do período, acabando por afetar o cálculo do limite de dedutibilidade de JCP e, por sua vez, a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal equívoco foi reconhecido pela decisão da DRJ e passou a considerar a CSLL diferida no lucro líquido do período de 09/05/2008 a 28/11/2008 em sua análise de mérito. No entanto, a Recorrente, entende que apesar da retificação do valor lançado pela decisão, o lançamento fiscal padece de liquidez e certeza, em desacordo com o art. 142 do CTN. Adiante, ressalta que, o auto de infração não está de acordo com os requisitos essenciais da constituição do crédito tributário, ante a ausência da determinação da exigência fiscal, a qual compreende o valor credito exigível da obrigação tributária, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/7. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.021 15 Dessa forma, a Recorrente requer o reconhecimento da nulidade do lançamento fiscal. Entendo que os argumentos não devem prevalecer, Com efeito, a decisão bem pontuou que os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados, não se tratando de erro que implique nulidade do lançamento fiscal. Por oportuno, não foi vislumbrada as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência das formalidades em questão, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. MÉRITO Cuidase o presente processo de autos de infração referente à créditos tributários de IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2008, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 110.675.058,72. Conforme Termo de Verificação fiscal às fls. 1/16, a Recorrente deduziu indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e CSLL despesas com pagamento de juros sobre o capital próprio ("JCP"). Isso porque, conforme DIPJ´s apresentadas, no ano de 2008, a Fiscalização constatou que a Recorrente não observou o limite quanto à possibilidade de dedução dos valores creditados ou pagos a título de JCP nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no § 1º do art. 9º da Lei 9.249/95. Vejamos. O pagamento de JCP é uma espécie híbrida de remuneração de titular, acionistas ou sócios de empresa introduzida pela Lei nº 9.249/95 e que visa remunerar os investidores pela indisponibilidade dos recursos postos à disposição da pessoa jurídica investida. A legislação tributária, por meio do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, disciplina o tema, estabelecendo que os JCP pagos ou creditados a sócios ou acionistas, individualizadamente, serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que verificados os seguintes requisitos: (i) Observância do regime de competência ; Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.022 16 (ii) Os juros devem ser calculados sobre as contas de patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). (iii) Registro contábil individualizado da remuneração de juros pagos ou creditados; (iv) Existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. No caso vertente, a Recorrente realizou incorporações, referentes ao ano calendário de 2008, que resultaram na apresentação de três DIPJS, a saber: (i) ND 1802858 (período de 01/01/2008 a 08/05/2008); (ii) ND 1937854 (período de 09/05/2008 a28/11/2008); e (iii) ND 1764487 (período de 29/11/2008 a 31/12/2008). Note que a Recorrente é a sucessora das incorporações realizadas, de forma a suceder as empresas incorporadas em todos os direitos e obrigações, especialmente quanto ao direito de reconhecer e distribuir lucros aos seus acionistas. No entanto, observase que, apesar da sucessão universal, a união dos lucros gerados por ela e pelas incorporadas não poderia servir como base para apurar o limite dedutibilidade dos valores creditados ou pagos a título de JCP. Com efeito, o lucro líquido considerado para fins de cálculo de limite de dedução de JCP é o da empresa que está pagando, e não da união de todas as empresas do grupo ou pela incorporada, não se transmitindo para incorporadora, até a data do evento de incorporação. Desse modo, deve ser respeitado o princípio da competência quando do reconhecimento de receita ou depesa de cada período, bem como a autonomia patrimonal das empresas antes da data do evento de incorporação. Frisase que o direito à dedução preclui no períodobase findo a cada evento societário. Pois bem, conforme as DIPJS 1937854 e 1764487, a Recorrente apropriou os valores de R$ 149.203.000,00 e R$ 139.375.702,67 respectivamente, como despesas relativas a pagamento de JCP aos seus acionistas, somando um valor de R$ 288.578.702,67 para o ano de 2008. Este valor, lançado como despesa de JCP pela Recorrente, foi verificado pelo agente fiscal, por meio do razão contábil da empresa. Nessa oportunidade, a fiscalização entendeu como lucro líquido do período o valor de R$ 123.785.142,81, diferente do valor apresentado pelo contribuinte que apurou o valor de R$ 149.976.011,01. Tal diferença de R$ 26.190.868,20 se deu em razão pela inclusão da "CSLL Diferida" na composição do cálculo. A fiscalização entendeu que a "CSLL Diferida" não é utilizada contabilmente para apuração do resultado do período, sendo considerada uma " exclusão" na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do período. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.023 17 Com efeito, a Fiscalização ao não considerar a "CSLL Diferida" no cômputo do cálculo para se obter o "Lucro líquido depois da CSLL, antes do IR" acaba por afetar o limite utilizado para fins de cálculo para pagamento de JCP, de modo a reduzilo. Vale mencionar, nesse ponto, que a decisão da DRJ reconheceu o erro cometido pela Fiscalização, uma vez que a "CSLL Diferida" deve ser considerada na apuração do resultado do exercício, majorando o lucro líquido da CSLL. Dessa forma, a decisão da DRJ efetuou a revisão fiscal e incluiu a "CSLL Diferida" na apuração do limite de dedutibilidade da despesa com JCP, conforme apontado abaixo: No período de 09/05/2008 a 28/11/2008 (DIPJ 1937854), incluiu o valor de R$ 26.190.868,20, conforme planílha às fls. 45/47; e No período de 29/11/2008 a 31/12/2008 (DIPJ 1764487), incluiu o valor de R$ 4.480.054,73, conforme planílha às fls.48/49. Passaremos a análise individualizada de cada período posteriormente. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16327.001536/201080 Sustenta a Recorrente que, quando da apuração dos débitos aqui lançados, o agente fiscal fez a recomposição do saldo de prejuízo fiscal de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL apurados, com base no processo administrativo em referência. Entretanto, o agente fiscal não poderia ter considerado o crédito tributário, objeto do referido processo administrativo, vez que o crédito tributário não se revela ainda definitivo, pois está pendente de decisão administrativa definitiva. Conforme fls. 07/14, não foi aproveitado o crédito fiscal, no valor de R$ 104.679.981,66 à título de prejuízo fiscal, bem como a base de cálculo negativa da CSLL declarada, no valor de R$ 105.684.133,02, conforme demonstrativos de apuração, às fls. 07 e 14. Informa que processo administrativo nº 16327.001536/201080 foi julgado parcialmente procedente em favor do contribuinte, sendo tal decisão mantida pelo CARF, o que ensejou a interposição de recurso especial pelo contribuinte em face da parcela que lhe foi desfavorável. Veja excerto da decisão sobre a questão: A impugnação apresentada no Processo nº 16327.001536/201080 foi julgada procedente em parte na primeira instância, conforme Acórdão nº 1634.204 8ª Turma da DRJ/SP1, de 13 de outubro de 2011, no qual se exonerou o crédito tributário relativo ao anobase 2008, reconhecendo ainda prejuízo fiscal do período de R$ 68.082.602,05 e base de cálculo negativa de CSLL de R$ 69.086.753,41, mas que foram compensados no anocalendário 2009 no mesmo processo. O CARF manteve a decisão de primeira instância, estando pendente de julgamento o recurso especial apresentado pelo contribuinte. É certo que caso os lançamentos em questão forem julgados improcedentes em última instância, a exigência fiscal no presente processo deverá ser revista para considerar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL anteriormente existentes. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16327.721519/201224 Resolução nº 1301000.413 S1C3T1 Fl. 1.024 18 Diante da incerteza e liquidez do crédito quanto aos valores exigidos no presente processo, entendo que se faz necessário aguardar o deslinde do referido processo para, assim, aferir o montante do crédito tributário em discussão. Assim, a fim de se evitar qualquer prejuízo à Recorrente o presente deverá ser sobrestado até que possa ser reconhecido o crédito tributário em litígio, neste processo, bem como no processo administrativo nº 16327.001536/201080. Dessa maneira, após julgamento do Recurso Especial no processo administrativo nº nº 16327.001536/201080 haverá certeza e liquidez referente ao prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL existentes, sendo possível, portanto, a sua recomposição. Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência para que a unidade e origem aguarde o julgamento definitivo do processo administrativo nº 16327.001536/201080, retornando os autos para julgamento com a informação da decisão nele proferida, bem como do resultado da eventual cobrança dos respectivos débitos. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1024DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907221/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2009
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.255
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 21 /2 01 2- 28 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.857. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907221/201228 Acórdão n.º 3302004.255 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720046/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012
Ementa:
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS.
As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente.
Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS. As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento Antonio Carlos Atulim - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720046/201457 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.192 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria Imposto de Importação Recorrente BRAM OFFSHORE TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA. Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS. As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para afastar as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 46 /2 01 4- 57 Fl. 6050DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos dos juros e multa, totalizando um crédito tributário exigível no valor originário de R$ 11.028.955,47. Referida exigência decorre de fiscalização que teve por escopo averiguar em concreto se a Recorrente tinha cumprido os requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais (isenção e redução de alíquotas) em operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações. 2. Segundo a fiscalização, nas operações perpetradas pela Recorrente os correlatos benefícios fiscais1 só seriam válidos na hipótese dos bens importados não apresentarem similar nacional, nos termos do art. 17 do Decretolei n. 37/662, o que deveria ser constatado previamente à importação. Ademais, ainda de acordo com a fiscalização, não haveria prova de que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei para fins do aproveitamento do benefício fiscal em apreço, uma vez que, segundo a fiscalização, o recorrente não teria comprovado que utilizou tais bens importados para fins de "revisão e manutenção de embarcações". 3. Por entender que a Recorrente não cumpriu com os requisitos estabelecidos na legislação que julgou pertinente, a fiscalização lavrou o sobredito Auto de Infração, promovendo a notificação do contribuinte que, em sede de Impugnação, alegou o que segue sumarizado abaixo: (i) decadência ; (ii) inexigibilidade da prova da não similaridade na importação dos produtos beneficiados pelas leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97; e (iii) que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei, o que estaria demonstrado por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DI's fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída), bem como pela escrituração dos livros fiscais de saída apresentados pelo contribuinte (fls. 3.439/3.628) e referentes ao período em debate, no qual não consta o registro de qualquer operação com CFOP diverso da destinação exigida em lei ("revisão e manutenção de embarcações"). 4. Devidamente processada, a impugnação apresentada foi julgada parcialmente procedente pela DRJ Florianópolis (Acórdão n. 0736.113 fls. 5.045/5.067), o qual apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. 1 Isenção do Imposto de Importação e alíquota zero para o PIS e COFINS incidentes na operação de importação. 2 "Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado." Fl. 6051DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 3 3 As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. Como regra geral, a isenção ou a redução de imposto de importação somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Excetuamse da regra geral os casos previstos em lei específica ou no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA DE PAGAMENTO. O prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, para formalizar a exigência do imposto relativo ao lançamento considerado por homologação (§ 4o do art. 150 do CTN) somente se opera na hipótese de diferença de tributos na importação. No caso em que se apurar a inexistência de qualquer pagamento de imposto, como no despacho aduaneiro com isenção, o prazo para formalizar o crédito tributário passa a ser o previsto no art. 173, inciso I, do CTN, e no caput do art. 138 do Decretolei no 37/1966, cuja contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 5. Em suma, a DRJ de Florianópolis afastou totalmente um dos fundamentos da autuação, qual seja, a pretensa necessidade de que os bens importados não apresentassem similar nacional, haja vista o disposto nas leis n.s 8.032/90 e 9.493/97, bem como reconheceu que para parte das DI's fiscalizadas o recorrente teria feito prova suficiente de que os bens importados de fato foram empregados na "revisão e manutenção de embarcações", o que implicou a exoneração do importe de R$ 1.923.814,86. 6. Diante deste quadro, a sobredita decisão foi subjulgada ao recurso de ofício, bem como também foi atacada pelo contribuinte por intermédio do recurso voluntário de fls. 5.072/5.093, oportunidade em que o Recorrente insistiu ter feito prova hábil da destinação dos produtos importados. 7. Uma vez pautado para julgamento, esta turma julgadora, em sua atual composição, resolveu converter o feito em diligência (resolução n. 3402000.800 fls. 5.873/5.876), o que se deu nos seguintes termos: (...). Fl. 6052DF CARF MF 4 7. Conforme se depreende dos autos, a discussão posta pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário gravita em torno de saber se os documentos por ele colacionados (livros contábeis de saída para o período fiscalizado), combinado com os documentos apresentados por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída) e seu objeto social seriam ou não suficientes para demonstrar a destinação dos produtos importados e aqui debatidos. (...). 10. Assim, em tese, parece ser crível a prova apresentada pelo contribuinte, especialmente aquela consistente em seus livros de saída. Todavia, para a devida comprovação da assertiva do Recorrente, mister se faz detalhar os CFOP's indicados em tais livros contábeis, de modo a permitir que este Tribunal constate se, de fato, todas as saídas ali indicadas representam códigos fiscais de operações que têm por finalidade a revisão e manutenção de embarcações. 11. Neste sentido, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização promova: (i) a análise dos livros de saída de fls. 3.439/3.628, detalhando quais são os códigos fiscais ali apontados e as correlatas descrições das operações perpetradas, criando uma tabela analítica para separar as operações afetadas pelo benefício fiscal aqui tratado daquelas que não gozam de tal benesse. (...). 8. Referida diligência foi cumprida pela unidade julgadora, redundando no relatório fiscal de fls. 5.896/5.897. A respeito deste relatório fiscal o contribuinte se manifestou por intermédio da petição de fls. 5.903/5.910. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. A admissibilidade dos recursos interpostos 10. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Não é esta, todavia, a mesma sorte do recurso de ofício, haja vista que a Portaria MF n. 63/2017 promoveu a majoração do limite de alçada para fins de interposição deste recurso. É o que dispõe o art. 1o da referida Portaria, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 6053DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 4 5 11. No presente caso, o valor exonerado em favor do contribuinte foi de R$ 1.923.814,86, ou seja, inferior ao novo limite de alçada previsto para o recurso de ofício no processo administrativo federal. 12. Tendo em vista que referida disposição normativa apresenta natureza processual, na medida em que conforma a hipótese de admissibilidade do recurso de ofício, está ela sujeita à regra de que tempus regit actum, cabendo a sua convocação ser realizada no instante do julgamento do recurso de ofício. 13. Diante de tais considerações, deixo de conhecer o recurso de ofício interposto pela instância a quo. II. Do contexto fático da autuação e a fundamentação da decisão recorrida 14. Segundo consta dos autos, a recorrente é uma empresa que, mediante afretamento, exerce atividades de navegação de apoio marítimo para embarcações próprias e estrangeiras voltadas ao setor de petróleo e gás, sendo responsável, à época dos fatos, pela gestão de mais de 70 embarcações em águas brasileiras. 15. Dentre as suas atividades, a recorrente é responsável por importar partes e peças cujo destino é o reparo, revisão, manutenção, conservação e modernização de embarcações. 16. Diante desta atividade empresarial, é comum que o contribuinte promova a importação de diferentes tipos de partes e peças que irão compor seu estoque e, na medida em que há necessidade, tais bens vão sendo empregados na revisão e manutenção das embarcações operadas pela recorrente. 17. Não obstante, conforme relata a fiscalização, o contribuinte em apreço foi selecionado para verificação do cumprimento dos requisitos e condições para fruição das isenções ou das reduções de tributos devidos em importações, concedidas nas operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações (Lei n° 8.032/90). No presente processo foram revisadas importações efetuadas entre março/2009 e junho/2012. 18. Segundo o que restou decido pela DRJ Florianópolis, o contribuinte não teria feito prova suficiente para atestar que parte das mercadorias por ele importadas e revestidas dos benefícios fiscais em tela de fato foram empregadas na revisão e manutenção de embarcações. É o que se observa do seguinte trecho da decisão recorrida: (...). Alguns documentos foram apresentados na etapa de fiscalização e outros na peça impugnatória que consistem nas DI’s, notas de entrada e saída das mercadorias. Então vemos aqui a documentação legal que comprova as respectivas destinações e ainda se constata a possibilidade de tal feito por parte da interessada. (...). Além dos documentos descritos acima apresentados durante a fiscalização e na impugnação, a autuada também apresentou à Fl. 6054DF CARF MF 6 autoridade fiscal uma cópia de seus Livros de Saída para demonstrar que inexistem saídas com CFOP's (Códigos Fiscais de Operação) que possam afastar os bens de seu destino pretendido pelos benefícios. Ainda que tais livros demonstrem estas operações, não há qualquer referência às mercadorias ali registradas que se possa relacionar com as importações e sua efetiva destinação. Desta maneira, é de se concluir que a autuada, diante dos documentos trazidos, não conseguiu comprovar que todos os bens importados foram efetivamente empregados nas finalidades que motivaram a isenção e redução de alíquotas dos tributos incidentes nas importações. (...). 19. Em suma, a parte da autuação mantida pela instância a quo pautouse na suposta ausência de prova de que os bens importados pela recorrente de fato foram empregados na reparação e manutenção de embarcações. Segundo decidido, caberia ao recorrente ter um controle de estoque que permitisse atrelar cada uma das mercadorias importadas por meio de diferentes DI's a cada uma das mercadorias saídas do seu estabelecimento para a finalidade exigida para o gozo dos benefícios fiscais aqui tratados. III. Dos documentos apresentados pela recorrente e o resultado da diligência 20. Conforme detalhado alhures, o presente caso gravita em torno de uma questão de prova e, de forma mais específica, o tipo de prova necessário para atestar o direito aos benefícios fiscais fruídos pelo recorrente. Aliás, a respeito de tais benefícios, assim prescrevem os artigos 1o e 2o da lei nº 8.032/1990: Art. 1º Ficam revogadas as isenções e reduções do Imposto de Importação e do imposto sobre Produtos Industrializados, de caráter geral ou especial, que beneficiam bens de procedência estrangeira, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 2º a 6º desta lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase às importações realizadas por entidades da Administração Pública indireta, de âmbito federal, estadual ou municipal. Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: (...) II aos casos de: (...) j) partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações; (...). 21. Ao se analisar os 13 artigos da citada legislação, constatase que referida lei estabelece a destinação a ser cumprida ("revisão e manutenção de aeronaves e embarcações") pelos bens importados para gozo dos benefícios fiscais aqui tratados, sem, Fl. 6055DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402004.192 S3C4T2 Fl. 5 7 todavia, especificar quais são os documentos fiscais contábeis que deverão ser empregados a título de prova. 22. Assim, a exigência externada na decisão recorrida, i.e., de que o contribuinte tivesse um controle de estoque apto a vincular os diferentes produtos importados por intermédio de diferentes DI's às saídas de tais bens, o que, registrese, ocorria em momentos temporais distintos, é indevida. Não há qualquer previsão legal neste sentido. Logo tal exigência não pode ser imposta ao contribuinte. Assim, a questão a saber é se os documentos fiscais apresentados pelo contribuinte são ou não suficientes para comprovar suas razões recursais. Daí, inclusive, a resolução n. 3402000.800 (fls. 5.873/5.876), de minha relatoria, determinar que a unidade preparadora descrevesse os CFOP's indicados pelo contribuinte em seu livro de saída, de modo a precisar se tal operação era de venda de peças ou se amoldava à exigência da lei, i.e., tinha por escopo a revisão e a manutenção de embarcações. E, ao cumprir a referida resolução, a unidade preparadora assim procedeu: (...). Com o exame dos Livros de Saídas, elaboramos diversas planilhas (fls. 5887 a 5891) a partir destes documentos objetivando a inserção das descrições das operações registradas, mês a mês, no período de 2009 a 2013. Destas planilhas, extraímos uma relação com os códigos registrados nos Livros (fls. 3429 a 3628), onde inserimos a descrição e a indicação de uso de cada um deles, sendo estes códigos confirmados na Tabela de CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestação anexa ao Decreto 27.427/2000. (...). 23. Ao se analisar as citadas planilhas nãopagináveis (termos de anexação de fls. 5.887/5.892), é possível encontrar, preponderantemente, as seguintes descrições: 5.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; 5.915 - Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.915 - Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; e 7.949 - Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. 24. Não obstante, também resta claro que todas as operações realizadas com as peças importadas durante o período aqui fiscalizado ocorreram sem a incidência do ICMS, motivo pelo qual receberam o "código de valor 3" em tais planilhas, o que quer significar operação sem crédito de ICMS. 25. Diante deste cenário, resta claro que as operações perpetradas pela recorrente em relação as peças importadas com benefício fiscal não tiveram por finalidade venda, tanto que tais operações não eram aptas a gerar crédito de ICMS. Inclusive, as Fl. 6056DF CARF MF 8 operações desoneradas pela DRJ Florianópolis tinham exatamente os CFOP's 5.949, 6.949 e 7.949, constatados em diligência para grande parte das demais operações que foram objeto de manutenção da exigência fiscal. 26. Sendo assim, penso que o trabalho fiscal não foi suficiente para desnaturar as operações perpetradas pela recorrente, ou seja, não foi bastante para demonstrar que as operações beneficiadas no período fiscalizado não tiveram por escopo a revisão e a manutenção de embarcações. Dispositivo 27. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, afastando a exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. 28. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 6057DF CARF MF
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