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Numero do processo: 13302.000060/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
As incorreções e erros materiais no acórdão devem ser corrigidos antes do cumprimento da decisão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-004.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. As incorreções e erros materiais no acórdão devem ser corrigidos antes do cumprimento da decisão. Embargos Acolhidos
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 60 /2 00 7- 54 Fl. 794DF CARF MF 2 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. As incorreções e erros materiais no acórdão devem ser corrigidos antes do cumprimento da decisão. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, para rerratificar o Acórdão embargado, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13302.000060/200754 Acórdão n.º 2301004.983 S2C3T1 Fl. 795 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração por erro material com fundamento no artigo 66 do Regimento Interno do CARF opostos pelo presidente desta turma contra o acórdão nº 2301004.419. Alega o embargante os seguintes erros materiais: a) constou equivocadamente como acórdão nº 2402004.419 da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária; b) dispositivo do acórdão constou a expressão “quanto ao recurso voluntário, dar provimento parcial ao para reconhecer a decadência parcial”. É o Relatório. Fl. 796DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, o acórdão contém as incorreções apontadas. Assim, proponho a correção nos termos em que proposto. O acórdão passa a ter a seguinte redação: a) "Acórdão nº 2301004.419 da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária" b) "Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos: (a) em negar provimento ao recurso de ofício, e (b) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência parcial e aplicar a retroatividade benéfica. Em relação à regra decadencial, pelo voto de qualidade ficaram vencidos os conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que aplicavam ao caso o 150, §4º, do CTN, em razão de entender que, no caso, a obrigação acessória é vinculada à principal. Quanto à multa, restaram vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior." Assim, voto pelo acolhimento dos embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720018/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE.
É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa, a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, quando restar configurada a omissão quanto à motivação sobre a desconsideração das provas e argumentos de mérito trazidos pela Recorrente durante a fiscalização e em sede de defesa.
Numero da decisão: 1201-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão da DRJ, para que outro seja proferido, com expressa manifestação acerca dos documentos relativos ao resultado de VOTO-III e VOTO-IV. O Conselheiro José Carlos acompanhou o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa, a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, quando restar configurada a omissão quanto à motivação sobre a desconsideração das provas e argumentos de mérito trazidos pela Recorrente durante a fiscalização e em sede de defesa.
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OMISSÃO. NULIDADE. É nula, por implicar cerceamento do direito de defesa, a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, quando restar configurada a omissão quanto à motivação sobre a desconsideração das provas e argumentos de mérito trazidos pela Recorrente durante a fiscalização e em sede de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão da DRJ, para que outro seja proferido, com expressa manifestação acerca dos documentos relativos ao resultado de VOTOIII e VOTOIV. O Conselheiro José Carlos acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 18 /2 01 3- 29 Fl. 1788DF CARF MF 2 EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 1.344/1.354), que resultou em retificação do saldo de prejuízo fiscal e base negativa, em razão da adição dos lucros auferidos, no ano calendário de 2008, por meio de empresas controladas e coligadas domiciliadas no exterior. Os fundamentos dessa autuação foram expostos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.355/1.389, dos quais reproduzo as seguintes passagens: “[...] A CAZBEN declarou possuir apenas uma única participação societária: a AZBEN Holding G.M.B.H. (AZBEN), sediada na Áustria, com uma participação societária de 60%. [...] 14. Como podese notar pelas informações contidas nos itens acima, bem como na DIPJ 2008, a Vpar era, antes da incorporação da Cazben, em 30/12/2008, controladora dela, com uma participação de 99,99% e da Azben com 40% das quotas; 15. Por sua vez, a Cazben é controladora da Azben com uma participação de 60%, participação essa integralizada pela Vpar na empresa brasileira, ou seja, a Vpar constituiu a Cazben com quotas da Azben de sua titularidade; 16. Portanto, a Vpar, embora sua participação direta na Azben seja de apenas 40%, é controladora indireta da empresa austríaca com mais de 99,99% de participação; Em razão do acima exposto, no presente Auto de Infração a Vpar será autuada, entre outros resultados, em 40% do resultado da Azben. Os restantes 60% foram autuados em outro processo, tendo como sujeito passivo a mesma Vpar, sucessora por incorporação da Cazben; Conforme informações apresentadas pela Vpar, temos abaixo suas participações societárias: 18.1 Azben (Atual Votorantim GmbH Áustria) 40%; VotoVotorantim Overseas Trading Operations III Ltd. (Cayman) 100%; Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 3 3 VotoVotorantim Overseas Trading Operations IV Ltd. (Cayman) 50% Hailstone Ltd. (Ilhas Virgens Britânicas) 100%; Sta. Helen Holding II BV (Curaçao) 100%; 19. A Azben (razão social alterada para Votorantim GmbH em 17 de janeiro de 2008), por sua vez, possui as seguintes participações societárias em 2008, conforme organograma apresentado: 19.1 Votorantim International Holding NV (Curaçao), constituida em 11/10/91 100%; 19.2 Votorantim International North America (USA Delaware), constituida em 13/08/92 100%; 19.3 Votorantim International Europe GmbH (Alemanha), constituida em 06/12/95 100%; Votorantim International Australia Pty (Australia), constituida em 16/04/04 100%; Citrovita NV (Belgica), constituida em 05/06/08 99,9%; The Bulk Services Corp (Cayman), constituida em 17/02/98 100%; Votorantim Terminal NV (Bélgica), constituida em 02/04/9797%; US Zinc Asian Pacific (Barbados), constituida em 31/01/06 100%; 19.9 Votorantim Europe KFT (Hungria), constituida em 31/01/08 100%. [...] 21. Lucros Auferidos no Exterior: Base de Cálculo do IRPJ e reflexo na CSLL: Tendo em vista todas as informações acima expostas, listamos abaixo, resumidamente, os lucros das empresas controladas pela Vpar, não disponibilizados, e portanto, componentes da Base de Cálculo do Auto de Infração que integra o presente processo: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR PELAS CONTROLADAS DA VPAR EM 2008 Empresa Participação (%) Resultado Resultado Proporcional (Autuação) VotoVotorantim Overseas Trading 100 R$ 119.759.718,37 R$ 119.759.718,37 Fl. 1790DF CARF MF 4 Operations III Ltd. (Cayman) VotoVotorantim Overseas Trading Operations VI Ltd. (Cayman) 50 R$ 74.799.014,66 R$ 37.399.507,33 Votorantim International Holding NV (Curaçao) 40 US$ 22.889.000 US$ 9.155.600 Votorantim International North America (USA Delaware) 40 US$ 2.146.391 US$ 858.556,40 Votorantim Intl Australia PTY (Australia) 40 752.268 AUD 300.907,20 AUD Citrovita NV (Bélgica) 39,96 923.958,03€ 369.213,62 € The Bulk Services Corp. (Cayman) 40 US$ 1.310.602 US$ 524.240,80 Votorantim Terminal NV (Belgica) 40 139.676,21 € 55.870,48 € Votorantim Europe KFT (Hungria) 40 2.685.142.268 HUF 1.074.056.907,20 HUF Notese que as participações da tabela acima referemse ao percentual de titularidade da Vpar nas empresas, tanto como controladora direta, como indireta. Ressaltamos que os valores dos resultados da Voto III e Voto IV foram extraidos da DIPJ/anocalendário 2008 da Vpar, tendo em vista a discrepância entre esses valores e aqueles apresentados pela empresa, nos demonstrativos em moeda original. Questionada a respeito da diferença, em intimação (Termo de Intimação n° 10) na qual se exigia comprovação por documentação hábil, idônea e legível, o contribuinte apresentou apenas explicações textuais e tabelas apócrifas sem, no entanto, documentar os dados apresentados. Portanto, temos os seguintes resultados abaixo que deverão ser tributados no Brasil: R$ 157.159.225,70 US$ 10.538.397,20 X 2,337 = R$ 24.628.234,26 425.084,1€ X 3,23815 = R$ 1.376.486,08 1.074.056.907,20 HUF X 0,012197 = R$ 13.100.272,09 300.907,20 AUD X 1,60435 = R$ 482.760,47 As taxas de câmbio acima são do dia 31/12/2008. Portanto, tendo em vista que não houve disponibilização da variação patrimonial positiva decorrente dos resultados auferidos pelas suas coligadas e controladas no exterior, por parte da Vpar, o presente auto de infração tem uma base de cálculo de R$ 196.746.978,60. 22. Legislação aplicável: 22.1 Da Tributação em Bases Universais: 22.1.1 A Lei n°. 9.249/95 [...] 22.1.2. A Medida Provisória n°. 2.15835, editada em 27 de Julho de 2001 dispõe como deverão ser considerados para fins de apuração do lucro real os lucros auferidos por intermédio de Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 4 5 controladas ou coligadas, sediadas no exterior a partir do ano calendário de 2002. [...] 22.2 Da Tributação de Resultados de Controladas Indiretas A legislação brasileira não restringe a tributação universal aos lucros auferidos via controladas diretas, mas alcança também os resultados apurados pelas controladas indiretas, conforme exposto abaixo. Para maior facilidade e compreensão do complexo esquema engendrado pela Cazben para evitar a tributação dos resultados de suas controladas no exterior, passamos a agrupalas conforme denominação abaixo: 22.2.1 Azben, atual Votorantim GmbH (Áustria) – controlada direta da Cazben; 22.2.2 SubGrupo "Controladas Indiretas da Cazben", formado pelas empresas controladas diretas da Azben, atual Votorantim GmbH (Áustria): Votorantim International Holding NV (Curaçao), constituída em 11/10/91 100%; Votorantim International North America (USA Delaware), constituída em 13/08/92 100%; Votorantim International Europe GmbH (Alemanha), constituída em 06/12/95 100%; Votorantim International Australia Pty (Australia), constituída em 16/04/04 100%; 22.2.2. Citrovita NV (Belgica), constituída em 05/06/08 99,9%; The Bulk Services Corp (Cayman), constituida em 17/02/98 100%; Votorantim Terminal NV (Bélgica), constituida em 02/04/97 97%; 22.2.2.8 US Zinc Asian Pacific (Barbados), constituída em 31/01/06 100%; 22.2.2.9 Votorantrade NV (Curaçao), constituída em 11/10/91 Os lucros conduzidos por intermédio da Azben (Áustria) não foram oferecidos à tributação pela Cazben, sob o argumento de que estariam resguardados pelo Tratado BrasilÁustria. Em que pese o fato do art.74 da MP 2.15835 evitar o diferimento da tributação do acréscimo patrimonial auferido pela empresa sediada no Brasil, em decorrência dos lucros obtidos por sua(s) controlada(s) ou coligada(s) no exterior (V. ITEM 22.4), independentemente do fato de ser(em) sediada(s) ou não em país com acordo para evitar dupla tributação com o Fl. 1792DF CARF MF 6 Brasil, o acordo internacional não alcança os lucros gerados por pessoa jurídica que não reside em qualquer dos Estados Contratantes, ou seja, gerados pelos SubGrupos "Controladas Indiretas da Cazben 1" e "Controladas Indiretas da Cazben 2" como decidido pela antiga Primeira Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no julgamento do caso Eagle: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR INTERMÉDIO DE CONTROLADAS INDIRETAS Para f ins de aplicação do art . 74 da MP n° 2.15835, os resultados de controladas indiretas consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira, e sua tributação no Brasil não se submete às regras do tratado internacional f irmado com o país de residência da controlada direta, mormente quando esses resultados não foram produzidos em operações realizadas no país de residência da controlada, evidenciado o planejamento f iscal para não tributá los no Brasil . (Acórdão 10197.070. Relatora: Sandra Faroni. Sessão de 17/12/2008) [...] Em suma: não há qualquer dispositivo legal que exclua os resultados apurados por sociedade controlada indiretamente da tributação universal, e, portanto, a Cazben deveria ter disponibilizado os lucros auferidos por TODAS as suas controladas indiretas. 22.4 Tratados internacionais para evitar a dupla tributação [...] 22.5 Convenção BrasilAustria para evitar a dupla tributação e da interposição de sociedade com finalidade elisiva: A ligação societária indireta entre a Cazben (Brasil) e a Votorantim International Holding NV (Curaçao), Votorantim International North America (USA Delaware, Votorantim International Europe , Votorantim International Australia Pty (Australia, Citrovita NV (Belgica, The Bulk Services Corp (Cayman), Votorantim Terminal NV (Bélgica), US Zinc Asian Pacific (Barbados), Votorantim Europe KFT (Hungria) e a Votorantrade NV (Curaçao) é um exemplo típico de interposição de sociedade por razões exclusivamente elisivas. Aliás, a Austria não possui restrições legais ao recebimento de rendimentos de empresas sediadas em outros países por suas holdings e os dividendos pagos a residente no Brasil por residente na Austria estão isentos de tributação também no Brasil por força do TDT. Diante do que foi explicado, fica claro que a criação da Votorantim GMBH (antiga Azben) Austria, foi, sem dúvida nenhuma, a busca de uma elisão tributária abusiva destinada a subtrair os rendimentos das controladas indiretas acima elencadas, da base tributária do imposto de renda e da contribuição social dos seus reais beneficiários no Brasil. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 5 7 A expressão "beneficial owner", trazida para o vernáculo como beneficiário efetivo ou real beneficiário, foi criada para designar aquele que, na realidade, auferirá as vantagens decorrentes do tratado, no caso de interposição de terceira pessoa. Tratase de alguém reconhecido como proprietário por equidade, por lhe pertencerem o uso da coisa, embora o título legal pertença a outra pessoa. [...] A Convenção de Dupla Tributação com a Austria, como todo tratado internacional, deve ser interpretada de boa fé e à luz do respectivo objeto e fim, conforme, inclusive, recomendações da OCDE, descartandose interpretações que conduzam a resultados manifestamente absurdos ou despropositados (seja fuga tributária, seja dupla tributação). A holding austríaca, mera sociedade condutora de rendimentos, foi constituída por razões de economia tributária, auferindo e pagando dividendos não por sua própria conta, mas para seus beneficiários efetivos no Brasil. A Votorantim GmbH Áustria, possui apenas posse temporária dos dividendos, se tanto, e em função exclusiva do interesse fiscal dos seus controladores. Assim, a interposição da holding austríaca em operação internacional (Australia, Curaçao, Bélgica, Alemanha, EUA Delaware, Cayman, Barbados, e Hungria com o Brasil), por razões tributárias, constitui um caso de confronto direto com a finalidade da Convenção Brasil/Austria. Não podemos nos esquecer que nos demonstrativos da Votorantim GmbH Áustria, está bem claro que seu resultado é apenas resultado de operações intragrupo que poderiam ser efetuadas de qualquer outro lugar do mundo e por qualquer outra empresa do grupo. Dessa forma constatase o abuso ao tratado. Este abuso se materializa basicamente quando entre uma sociedade A e uma sociedade B, se interpõe uma sociedade C que atua como condutora entre A e B, de forma tal que a sociedade A seja beneficiada com acordo existente entre os Estados das sociedades A e C. Para nosso caso particular A é representada pela Votorantim Participações(brasileira), B as empresas Votorantim International Holding NV (Curaçao), Votorantim International North America (USA Delaware, Votorantim International Europe , Votorantim International Australia Pty (Australia, Citrovita NV (Belgica, The Bulk Services Corp (Cayman), Votorantim Terminal NV (Bélgica), US Zinc Asian Pacific (Barbados), Votorantim Europe KFT (Hungria) e a Votorantrade NV (Curaçao) e C a Votorantim GmbH Austria, empresa chamada de condutora, sendo que "A" representa a beneficiaria final mercê do acordo de evitar a bitributação. É evidente que o esquema resulta conveniente sempre que a tributação no Estado cujo tratado constitui a sociedade condutora, não seja elevada (no caso, a Austria tributa apenas os resultados positivos obtidos dentro de seu território). Fl. 1794DF CARF MF 8 A interposição de uma empresa poderia ser feita com objetivos por exemplo de redução de custos de transportes ou contratar mão de obra mais barata, mas não como forma de elidir o pagamento de impostos. Se bem que seja evidente que para a consti tuição da nova sociedade, provavelmente também se considere o fator tributário, não é o que se persegue primariamente com a criação da mesma. Nos tratados mais recentes, temos as chamadas medidas antiabuso, que não são mais do que cláusulas introduzidas nos próprios tratados, que buscam criar limites à aplicação do mesmo tratado em determinadas circunstâncias, que vão se multiplicando à medida que a prática das "Treaty Shopping" são mais e mais disseminadas. Hoje em dia, modelos da OCDE da ONU e especialmente o modelo dos Estados Unidos, contém uma série de cláusulas e mecanismos que buscam evitar os abuso no uso dos tratados. Já com relação ao propósito comercial ou negocial, é estabelecido que se a empresa os tem, então sua operação não será considerada como artificial, usandose como parâmetro o princípio do "arms length ". Para evitar abusos ao contrário, ou seja, inserir diversas cláusulas que tornem o tratado de difícil negociação ou aplicação, surgiu a cláusula chamada cláusula de "boa fé', já mencionada anteriormente, que estabelece que as cláusulas antiabuso, não se aplicam quando a sociedade é motivada por razões comerciais e não tem objetivo, ao menos central, de obter benefícios do tratado pelo que lhes seriam aplicados as normas antiabuso. A conclusão é de que, quando um estado renuncia total ou parcialmente à sua autoridade de tributar uma determinada atividade, o faz com a finalidade de beneficiar a seus próprios residentes e não a terceiras pessoas. Se estamos frente a um contribuinte que realiza atos ao amparo de uma norma, iludindo a aplicação de outra, contra os princípios do direito tributário internacional, ficamos frente à fraude da lei tributária. Por isso não se pode pretender fazer prevalecer figuras societárias ou contratuais cujo único fim seja a evasão de impostos disfarçada de elisão. Sobre a estrutura de um TDT (Tratado de Dupla Tributação) cita que as pessoas visadas são aquelas residentes em Estados Contratantes, enquanto que, o domicilio fiscal, também denominado residência, definese utilizando primeiramente o critério de habitação permanente, posteriormente o de centro de interesses vitais, depois o de permanência habitual, em seguida o de nacionalidade e, finalmente, o de mutuo acordo entre os Estados Contratantes. Concluise, portanto, que para as pessoas jurídicas, o critério é o lugar de sua sede de direção efetiva, que no caso da fiscalização em análise é o Brasil, pois entendemos que a Votorantim GmbH Áustria é mero conector, travestido de Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 6 9 empresa operacional, para aproveitamento do benefício tributário. Uma pessoa que atue em um dos Estados contratantes por conta de uma empresa do outro Estado Contratante, desde que não seja um agente independente, será considerado estabelecimento permanente se esta pessoa tiver e habitualmente exercer autoridade para concluir contratos em nome da empresa, excluídos os de compra de bens ou mercadorias para a empresa." Concluise, portanto, que o simples controle de uma sociedade residente em um Estado Contratante, por outra residente em outro Estado contratante, não é suficiente para a caracterização de estabelecimento permanente e que são estabelecimentos estáveis as instalações que adquirem ou realizam diretamente um lucro, tendo caráter imediatamente produtivo, o que não é o caso da Votorantim GmbH. Por tudo o que foi arrazoado, entendemos que devem ser tributados os lucros auferidos pelas Votorantim International Holding NV (Curaçao), Votorantim International North America (USA Delaware, Votorantim International Europe , Votorantim International Australia Pty (Australia, Citrovita NV (Belgica, The Bulk Services Corp (Cayman), Votorantim Terminal NV (Bélgica), US Zinc Asian Pacific (Barbados), Votorantim Europe KFT (Hungria) e a Votorantrade NV (Curaçao), por ser a VPar efetivamente a beneficiária de tais resultados além de, conforme a legislação brasileira, ser controladora indireta das empresas sediadas em terceiros países. A fiscalização não contesta o ato jurídico praticado, mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. [...]” A contribuinte apresentou defesa tempestiva (fls. 1.394/1.437), por meio da qual sustenta, em síntese, que: (i) o Auto de Infração é nulo porque apoiase em argumentos conflitantes e porque não é possível aferir o verdadeiro fundamento da exigência; (ii) houve erro na determinação do crédito tributário, que desconsiderou indevidamente a sistemática de consolidação prevista na legislação tributária; (iii) o sistema de tributação de lucros no exterior adotado pelo Brasil se baseia na consolidação dos resultados na controlada direta. Ante a expressa exclusão dos resultados de equivalência patrimonial, a tributação dos lucros das controladas e coligadas estrangeiras só é possível com base no art. 74 da MP 2.158/35, cuja lógica se assenta na sistemática de consolidação (cf. corroborada pela IN nº 213/02); (iv) o modelo de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL estabelece adições e exclusões taxativas, que não incluem o reconhecimento direto e isolado dos lucros das investidas das controladas e coligadas estrangeiras; Fl. 1796DF CARF MF 10 (v) o artigo 74 da MP 2.158/35 criou uma indevida ficção de fato gerador de renda. Os lucros ora tributados não foram distribuídos, inexistindo qualquer disponibilidade jurídica ou econômica de renda; (vi) as demonstrações financeiras comprovam que VOTO III não auferiu lucro no ano base de 2008; e VOTO IV apurou lucro de R$ 4.432.267,00, sendo que o IRPJ e CSLL incidentes sobre o lucro proporcional de R$ 2.216.134,00 (correspondente à 50%) foram liquidados por meio de compensação (fls. 1.303 a 1.306); (vii) o art. 7º da CONVENÇÃO ÁUSTRIA veda a tributação por um Estado contratante do lucro da empresa residente no outro Estado (ressalvada a existência de estabelecimento permanente no primeiro Estado). Essa previsão abrange a totalidade do lucro da empresa, não havendo argumentos para limitar a vedação apenas aos lucros gerados em um País; (viii) a fiscalização ao menos deveria ter aplicado as Convenções para evitar a dupla tributação celebradas pelo Brasil e Bélgica e com a Hungria, para excluir da base de cálculo da suposta infração os resultados auferidos por VOTORANTIM TERMINAL, CITROVITA e VOTORANTIM KFT; e (ix) sejam compensados os impostos pagos no exterior com os valores supostamente devidos no Brasil. Em Sessão de 20 de março de 2013, a 2ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente por meio do acórdão nº 1656.296 (fls. 1.473/1.509), cuja ementa foi assim redigida: “LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. DISPONIBILIZAÇÃO FICTA PARA A CONTROLADORA E COLIGADA NO BRASIL Os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior, para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do artigo 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e dos artigos 21 e 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. LIVRE INICIATIVA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. Um dos fundamentos para a proteção estatal à livre iniciativa é a produção de riqueza, benéfica ao empreendedor e à sociedade em geral, mediante a geração de empregos e tributos, hipótese não observada em estrutura empresária desprovida de propósito negocial e constituída com o objetivo primordial de deixar de recolher tributos, configurando planejamento tributário abusivo, cujos efeitos são inoponíveis ao Fisco. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR INTERMÉDIO DE CONTROLADAS INDIRETAS. Para fins de aplicação do art. 74 da MP n° 2.15835, os resultados de controladas indiretas consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira, e sua tributação no Brasil não se submete às regras do tratado internacional Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 7 11 firmado com o país de residência da controlada direta, mormente quando esses resultados não foram produzidos em operações realizadas no pais de residência da controlada, evidenciando o planejamento fiscal para não tributálos no Brasil. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. Os créditos de imposto de renda relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior e adicionados à base de cálculo do imposto de renda brasileiro poderão ser compensados com este desde que o pagamento seja comprovado de acordo com as exigências legais, dentre elas, a exibição de comprovante de recolhimento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto ou, se demonstrado que, de acordo com a lei estrangeira, o documento apresentado é hábil e legítimo para confirmar o referido pagamento. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada dessa decisão em 27/04/2014 (fls. 1.514), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/04/2014 (fls. 1.525/1.584), onde, além de reiterar suas alegações de defesa, afirma que a decisão de piso teria se omitido no que diz respeito à análise dos argumentos acerca da comprovação do prejuízo apurado por VOTO III e da apuração de lucro em montante bem inferior ao considerado em relação à VOTO IV. Tramitado o feito, a PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 1.652/1.708), requerendo que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário atende aos requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972, razão pela qual dele conheço. É possível segregar a autuação em dois itens: (i) tributação dos lucros auferidos por intermédio de empresas controladas diretamente (VOTO III e VOTO IV); e (ii) Fl. 1798DF CARF MF 12 tributação dos lucros auferidos por controle indireto, por empresas controladas pela VOTORANTIM GMBH Áustria (“antiga Azben”). Ressaltese, nesse contexto, que do montante total das supostas infrações apontadas R$196.746.978,60, R$ 157.150.225.70 referemse ao item (i) lucros auferidos por VOTO III e VOTO IV no anocalendário de 2008. Com efeito, ao computar o montante correspondente aos lucros que teriam sido auferidos por VOTO III e VOTO IV, no anocalendário de 2008, o TVF atesta que a fiscalização considerou os valores informados na DIPJ/2009 sob a seguinte justificativa: "Ressaltamos que os valores dos resultados da Voto III e Voto IV foram extraídos da DIPJ/anocalendário 2008 da Vpar, tendo em vista a discrepância entre esses valores e aqueles apresentados pela empresa, nos demonstrativos em moeda original”. Questionada a respeito da diferença, em intimação (Termo de Intimação n° 10) na qual se exigia comprovação por documentação hábil, idônea e legível, o contribuinte apresentou apenas explicações textuais e tabelas apócrifas sem, no entanto, documentar os dados apresentados." (Grifos do original.) Da análise dos autos, verificase que a Recorrente de fato foi chamada a se manifestar sobre a divergência entre os valores informados de lucros no exterior em DIPJ e os documentos apresentados (demonstrações financeiras datadas de 31/12/2008), tendo apresentado considerações a esse respeito em mais de uma oportunidade. Senão, vejamos: Em resposta apresentada em 27/04/2012 (fls. 82/84), esclareceu que: "5. Especificamente em relação à VotoVotorantim Overseas Trading Operations IV Limited, a INTIMADA informa que o lucro proporcional de R$2.216.134.00 (cf. Doc. 02) foi oferecido à tributação pelo Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSL"). e os respectivos tributos foram pagos por meio de compensação formalizada sob o nº 23769.06481.190111.1.3.02 6594 (fls. 04 do Doc. 13)."; Ato contínuo, em atendimento ao Termo de Intimação nº 3, a Recorrente, em 23/07/2012 (fls. 90/92), apresentou as seguintes considerações: "2. No que se refere ao item 9 do TIF, a INTIMADA esclarece que a VotoVotorantim Overseas Trading Operations III ("VOTO III") não auferiu lucro no anocalendário de 2008, conforme comprovam as demonstrações financeiras da referida empresa apresentada à fiscalização em 27.04.2012. Em relação à Voto Votorantim Overseas Trading Operations IV Limited ("VOTO IV"), conforme informado pela INTIMADA naquela oportunidade, o lucro proporcional de R$2.216.134.00 foi oferecido à tributação pelo Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSL"). Os referidos tributos foram pagos por meio de compensação formalizada sob o n° 23769.06481.100111.1.3.02 6504 (Docs. 02 e 13 da resposta protocolizada em 27.04.2012). Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 8 13 Salientese que a referida compensação somente foi efetuada em 19.01.2011, em virtude da revogação da decisão judicial, concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0036860, que determinava a abstenção de qualquer ato tendente à cobrança de IRPJ e CSL sobre os lucros auferidos pelas empresas no exterior antes de sua efetiva disponibilidade econômica ou jurídica (Doc. 01)." Em seguida, conforme registra a petição de fls. 102/103, datada de 19/11/2012, a Recorrente apresentou, dentre outras, “a composição das contas Interest Expenses e Financial Expenses da Votorantim Overseas Trading Operations III Limited, nos valores de USD16.397.246 e USD39.328.847 (Doc. 02), respectivamente”. Na resposta de 04/03/2013 (fls. 109/110), relativa ao Termo de Intimação nº 09, a Recorrente prestou o seguinte esclarecimento adicional: "2. Conforme informado na resposta protocolizada em 23.07.2012, no anocalendário de 2008: (i) a VotoVotorantim Overseas Trading Operations III ("VOTO III") não auferiu lucro (demonstrações financeiras apresentadas à fiscalização em 27.04.2012): e (ii) a VotoVotorantim Overseas Trading Operations IV Limited (""VOTO IV") apurou lucro de R$4.432.267.00 fdemonstrações financeiras apresentadas à fiscalização em 27.04.2012). O lucro proporcional de R$2.216.134.00 foi oferecido à tributação pelo Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") e pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ("CSL"). e os referidos tributos foram pagos pela INTIMADA, em 19.01.2011. por meio de compensação formalizada sob o n.° 23769.06481.190111.1.3.02 6594 (Docs. 02 e 13 da resposta protocolizada em 27.04.2012). 3. A DIPJ/2009 da INTIMADA foi elaborada com base em balanço preliminar de VOTO III e VOTO IV, que, por equivoco, deixou de contemplar as oscilações nos resultados financeiros das respectivas empresas. 4. Com efeito, em relação à VOTO III. o balanço utilizado de base para a elaboração da DIPJ/2009 da INTIMADA não contemplou as perdas financeiras no montante de USD39.426.596,08. 5. Já com relação à VOTO IV, o balanço utilizado de base para a elaboração da DIPJ/2009 não contemplou as receitas de juros no montante de USD33.527.777.78 e as despesas de juros no montante de USD 30.483.333.33. conforme aberturas anexas (Doc. 01). 6. A INTIMADA identificou os equívocos cometidos por ocasião do presente procedimento fiscal, razão pela qual não foi possível retificar a DIPJ/2009." Finalmente, ainda durante a fiscalização, a Recorrente, em atendimento ao Termo de Intimação nº 10, esclareceu que (fl. 111): Fl. 1800DF CARF MF 14 "VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S.A., já devidamente qualificada ("INTIMADA"), vem, por seus advogados , em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.° 10 ("TIF"): (i) em relação à VotoVotorantim Overseas Trading Operations III ("VOTO III"): apresentar as aberturas/esclarecimentos pertinentes; (ii) em relação à VotoVotorantim Overseas Trading Operations IV Limited ("VOTO IV): esclarecer que o computo do resultado da respectiva empresa e do montante oferecido à tributação pela INTIMADA foi efetuado com base nas aberturas devidamente apresentadas à fiscalização, na resposta protocolizada em 04.03.2013." Toda essa documentação e esclarecimentos, entretanto, foram considerados, nas palavras do fisco, apenas explicações textuais e tabelas apócrifas sem, no entanto, documentar os dados apresentados. E com base nessa premissa, o fisco tomou como base os valores dos lucros de VOTO III e VOTO IV informados na DIPJ, não levando em conta os documentos e argumentos apresentados pelo contribuinte nos diversos atendimentos feitos no curso da fiscalização. Por ocasião da defesa, a Recorrente insiste no argumento de que a DIPJ teria tomado como base um valor de lucro intermediário, razão pela qual deve prevalecer o lucro informado no balanço levantado em 31/12/2008, na linha, aliás, do que foi considerado pela própria autoridade autuante para fins de formalizar a exigência relativa às empresas controladas indiretamente. Nas palavras do contribuinte (fl. 1.406): “5.15 Com a finalidade de corroborar as informações prestadas durante o curso do procedimento de fiscalização, e demonstrar a improcedência dos AUTOS nesse tocante, a IMPUGNANTE solicitou à PricewaterhouseCoopers, uma das maiores empresas de auditoria independente do mundo, que auditasse as demonstrações financeiras de VOTO III e de VOTO IV (Doc. 02). 5.16 Como se pode notar, os relatórios auditados preparados pela PricewaterhouseCoopers ratificam justamente as informações constantes nas demonstrações financeiras de VOTO III e VOTO IV, apresentadas às autoridades fiscais durante o procedimento de fiscalização. Frisese: a auditoria independente confirmou o que já havia sido informado, por quatro vezes, pela IMPUGNANTE: no anocalendário em questão, (i) VOTO III não auferiu lucros; e (ii) VOTO IV auferiu lucros no montante USD 1.896.563,00.” Como se pode observar, a Recorrente sempre buscou esclarecer e comprovar que os resultados auferidos por VOTO III e VOTO IV no anocalendário de 2008 de fato são diferentes do que foi informado na DIPJ. Para tanto, além das considerações pontuais feitas ao longo do procedimento fiscalizatório, juntou os respectivos balanços das empresas controladas diretamente, balanços estes aprovados por empresa de auditoria renomada. A decisão de primeiro grau, porém, ao tratar especificamente dos resultados de VOTO III e VOTO IV, foi extremamente singela. Vejase: Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 9 15 "A contribuinte afirma que: 1) Os resultados de VOTO III e VOTO IV, relativos ao anocalendário de 2008, devem ser excluídos, pois o montante de R$ 2.216.133,50 foi oferecido à tributação e; 2) Requer sejam compensados os impostos pagos no exterior com os valores supostamente devidos no Brasil. A Impugnante não juntou documentos para comprovar não só a tributação do mencionado valor como também o pagamento do imposto no exterior. Desta maneira, não é possível acolher a solicitação da Impugnante para que seja compensado o imposto pago no exterior por sua controlada, uma vez que os requisitos legais que lhe confeririam certeza e liquidez não estão presentes" (fls. 1.503) A referida decisão de piso, após fazer considerações genéricas acerca do ônus da prova por parte do sujeito passivo, concluiu que a Recorrente não cumpriu com este ônus, razão pela qual teria agido corretamente a autoridade fiscal autuante ao tomar como base os valores dos lucros apontados na DIPJ. De fato, da análise da decisão recorrida, notase de imediato que o voto condutor apenas menciona de forma genérica o descumprimento quanto ao ônus probatório do contribuinte, mas não identifica as razões concretas para desconsiderar as demonstrações financeiras apresentadas, os relatórios dos auditores independentes, a informação sobre pagamento parcial em relação ao lucro de VOTO IV e os demais apontamentos. Restou evidenciado que a Recorrente sempre sustentou que a tributação dos lucros de VOTO III e VOTO IV não deve ser afastada apenas "porque o montante de R$ 2.216.133,50 foi oferecido à tributação", como quer fazer crer a decisão recorrida, mas principalmente porque (i) VOTO III não teria auferido lucros no anocalendário de 2008, e (ii) o resultado positivo apurado por VOTO IV proporcional à participação da Recorrente não teria sido de R$37.399.507,33, mas sim de R$2.216.133,50, valor este adicionado ao resultado tributável e liquidado por compensação. Tudo leva a crer que a decisão de primeira instância, na verdade, ignorou o argumento e provas relativas aos itens (i) e (ii) acima. Isso porque a decisão recorrida não faz qualquer menção a própria existência dos referidos documentos juntados pela Recorrente na tentativa de fazer prova quanto ao erro da DIPJ, preferindo se concentrar quase que exclusivamente ao tema da tributação das controladas indiretas. Ressaltese, por oportuno, que os balanços (demonstrações financeiras) das empresas controladas e localizadas no exterior constituem documentos hábeis para aferição dos respectivos lucros, na linha do que prescreve o artigo 25 da Lei nº 9.249/95, in verbis: “Artigo 25 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano” Grifei. Nesse contexto, salta aos olhos o fato de que a Recorrente invocou essa base legal na tentativa de legitimar suas alegações quanto ao equívoco cometido ao preencher a Fl. 1802DF CARF MF 16 DIPJ, mas este argumento também sequer mereceu uma única palavra ou frase ao longo de toda a decisão. Também não há no decisium nenhuma pista sobre a análise do argumento da Recorrente no sentido de que teria efetivamente compensado o IRPJ apurado em relação aos lucros de VOTO IV. A cópia da DCOMP apresentada também não foi objeto de nenhuma consideração. O que se tem no caso, pois, é uma decisão administrativa omissa, proferida sem respeito aos princípios da motivação e da ampla defesa. Ora, a demonstração clara acerca da desconsideração dos documentos apresentados, assim como sobre os fundamentos para o não provimento das alegações de mérito arguidas pela Recorrente, constitui dever da DRJ. Dito de outros modos, a omissão na análise de provas e argumentos de mérito que questionam a base de cálculo utilizada para fins de constituição de créditos tributários implica verdadeiro cerceamento de defesa. Nessas condições, o Decreto nº 70.235/72 prescreve que são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (cf. artigo 59, II). Ademais, a ausência de motivação das razões que levaram as autoridades julgadoras de primeira instância a refutarem os argumentos e documentos relativos aos lucros de suas controladas diretas (VOTO III e VOTO IV), e respectiva compensação do IRPJ apurado, compromete o julgamento da presente lide por este Colegiado por caracterizar supressão de instância. A decisão de primeira instância, portanto, mais do que superficial, é nula em face de ter incorrido em verdadeira omissão quanto à análise e motivação acerca dos argumentos invocados pela Recorrente e o conjunto probatório por ela trazidos aos autos. Nulidades como esta, ressaltese, vêm sendo reconhecida pelo CARF, conforme atestam os julgados abaixo colacionados: “NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar o vínculo de responsabilidade enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõem a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida.” (Acórdão nº 1302001.815. Sessão de 03 de Março de 2016). “ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA MOTIVAÇÃO CLARA E DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRSENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por ter deixado de fundamentar com clareza os motivos que levaram à decisão proferida e de ter deixado de analisar os documentos apresentados juntamente com a peça Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201329 Acórdão n.º 1201001.686 S1C2T1 Fl. 10 17 impugnatória, o que acarretou ofensa ao princípio da ampla defesa.” (Acórdão nº 1202001.041. Sessão de 09 de Outubro de 2013). Feitas essas considerações, voto no sentido de ANULAR o Acórdão nº 16 56.296 da DRJ/SP1, para que outro seja proferido sem a omissão apontada, cientificandose novamente a Recorrente para interposição de novo recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1804DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005455/2004-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso.
Numero da decisão: 1402-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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(Incorporada por CIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV) Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. 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Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 589 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário (fl.453/467) interposto face r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (fls.446/451) que manteve o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, protocolado em 29/09/2004, relativo ao anocalendário de 2001, exercício de 2002 (fl.01). Segundo o Extrato das Aplicações em Incentivo fiscal (fl.03), o incentivo fiscal foi indeferido devido a débito de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95). Apesar de o Extrato de Aplicações apontar a base de calculo zerada e percentual de pagamento 100%, de acordo com a Ficha 29 da declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 DIPJ (fls. 44), o contribuinte optou por destinar a parcela de R$ 1.203.748,35 do IRPJ devido, para investimento no FINOR, calculando tal valor mediante aplicação do percentual de 18%, apurada a alíquota de 15%, sobre a base de cálculo indicada de R$ 6.687.490,85. Cumpre ressaltar que a Recorrente de CNPJ foi incorporada por CIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS CNPJ 02.808.708/000107 em 09/05/2005, conforme ata de fls. 398/401, principalmente demonstrado às fls. 399. A Recorrente foi intimada em 19/03/2008 para se manifestar sobre os débitos junta a RFB/PGFN/FGTS e a apresentar certidões emitidas pela PGFN, SEIF, PROFISC e FGTS. (fl.256) Em seguida, o r. Despacho Decisório de fls.377/379, proferido em 29/04/2009, indeferiu o PERC, nos seguintes termos: Inconformada com o r. Despacho, a Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls. 388/397, juntando documentos de fls. 398/444, alegando que todos os débitos estão com exigibilidade suspensa e que o r. despacho proferiu decisão conflitante com o v. acórdão proferido em processo análogo da mesma empresa, onde teria sido reconhecido a inexistência de qualquer impedimento fiscal para a concessão do benefício. Certidão conjunta Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 590 4 PGFN e Receita Positiva com Efeito de Negativa, fl. 439, emitida em 13/01/2009 e outra emitida em 14/05/2009 fl. 441. A r . decisão "a quo" referente a manifestação de inconformidade fls. 446/451, teve como fundamento para manter a negativa do PERC os seguintes fundamentos: 8. A questão a ser analisada no presente processo diz respeito a aplicação do art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, que prevê: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuiçães administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 9. Esta norma é dirigida à autoridade administrativa que tem a atribuição de conceder ou reconhecer um beneficio ou incentivo fiscal, determinando a verificação da regularidade do contribuinte no momento da concessão ou reconhecimento do incentivo. 10. No caso das aplicações em Fundos de Investimentos Regionais (FINAM, FINOR, FUNRES), há dois momentos em que autoridade administrativa pode conceder o incentivo, a saber: (i) no processamento eletrônico da DIPJ, com o envio das Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais aos fundos de investimentos e do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais ao contribuinte, e (ii) na analise do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais — PERC, que abre uma nova oportunidade de concessão do beneficio pela autoridade administrativa no que o incentivo não fora concedido no processamento eletrônico. 11. Neste ponto é importante identificar os limites do litígio em questão, a fim de se averiguar qual a competência desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ ao apreciar a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Parecer/Despacho Decisório que indeferiu o PERC. Há que se ressaltar que a apreciação da Manifestação de Inconformidade não configura um novo momento de concessão do beneficio, mas tão somente tem por escopo verificar se o Parecer/Despacho Decisório foi proferido com base na legislação em vigor. 12. De acordo com o mencionado dispositivo legal, a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é obrigatória para a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Assim, a análise deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que confere ou reconhece o beneficio, pois a decisão deve espelhar a situação fiscal do contribuinte no momento em que ela é proferida. 13. Nesse sentido, trazemos A colação o acórdão n° 10809111 proferido pela 8a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda na sessão de 09/11/2006: "PAF — REVISÃO DA NEGATIVA DO DIREITO A FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL — 0 despacho do PERC só será favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da OEA, caso este contribuinte esteja com situação regular perante a SRF, isto 6, se estiver em condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa nos termos da IN n. 93, de 26/1/93, na data do Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 591 5 despacho". (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n. 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PER C. Tratando de incentivo fiscal, cabe ao próprio concedente estabelecer as regras pertinentes ao procedimento." (g.m.) 14. No caso em apreço, a autoridade administrativa realizou uma análise da situação fiscal do contribuinte e concluiu que, na data de expedição do Parecer/Despacho Decisório em 03104/2009, constavam débitos, junto a PGF, SIEF, PROFISC e FGTS (f1.377). 15. A Impugnante na sua Manifestação de Inconformidade para comprovar que estava com a situação regular com a RFB anexa a "Certidão Conjunta Positiva Com Efeito de Negativa — de Débitos Relativos aos Tributos Federais e Divida Ativa da União", com validade de 13/01/2009 até 14/03/2009 (doc.07) e de 14/05/2009 a 10/11/2009 (doc.08). 16. Cabe destacar que as referidas certidões não abrangem a data da análise processada pela DERAT, ou seja, 31/03/2009 (f1.377) e nem a data do despacho 03/04/2009 (f1.378). Conseqüentemente, quando foi realizado o exame pela DERAT a situação da recorrente não estava regular. 17. Pelo exposto, fica evidenciado que o despacho decisório da DERAT/DIORT/ECRER/SP se encontra perfeitamente integro, razão pela qual voto pelo INDEFERIMENTO do pedido de revisão da interessada, com fulcro no art. 60, da Lei n° 9.069/1995. Por tais motivos, foi negado provimento a manifestação de inconformidade e mantido o indeferimento do PERC. Em seguida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls.453/467) reiterando praticamente as mesmas alegações e juntando novamente aos autos a Certidão Positiva de Débito com Efeitos de Negativa da SRFPGFN emitida em 13/12/2009 (fl.493), a CNDINSS Previdenciário, extraída em 24/11/2009 (fl. 494) e Certidão de regularidade do FGTS emitida em 05/03/2010 (fl. 495). Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 592 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos legais, motivo pelo qual deve ser admitido. Inicialmente, é importante destacar que como a matéria posta a lide no processo em epigrafe já foi pacificada pela Súmula 37 deste E. CARF/MF (abaixo colacionada), o cerne da questão cingese apenas em verificar se a documentação acostada aos autos comprovaria a regularidade da Recorrente no momento em que optou pelo incentivo ou se ela conseguiu comprovar sua regularidade no decorrer do presente processo. Súmula CARF no. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." Seguindo o raciocínio e transportandoo para o caso em epígrafe, constatei que a Administração Publica, não demonstrou de forma precisa quais as irregularidades tributárias que existiam no momento da opção do benefício pela Recorrente. Tanto foi assim, que o Extrato de Aplicações Financeiras de fl. 3 não demonstra precisamente quais são os débitos, cingindose em apenas informar que a Recorrente está irregular. Tal atitude da Administração Tributária, contraria o entendimento da jurisprudência desta E. CARF/MF, conforme ementa colacionada abaixo a título exemplificativo: Acórdão 19500079 (Sessão de 09/12/2008) Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. EXERCÍCIO: 2002. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 593 7 fiscal ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC. E mais, da análise dos documentos constantes nos autos, pude constatar que quando foi analisado o respectivo pedido, no ano de 2008 (fl.256), muito tempo depois de ter sido protocolado o PERC, a fiscalização alegou que a Recorrente tinha pendências e por isso foram solicitadas a comprovação de sua regularidade fiscal por meio de certidões. Assim, não se sabe ao certo se os débitos apontados na notificação eram os mesmos constantes no momento em que fez a opção pelo incentivo ou protocolizado o pedido, eis que não foram indicados com precisão, quais eram as pendências informadas no Extrato de Aplicação Financeira. Ocorre que, no intuito de satisfazer as exigências fiscais, a Recorrente apresentou junto a impugnação e ao Recurso Voluntário, a Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa SRFPGFN (fl. 439/441 fls. 493) e Certidão CND INSS PREVIDENCIÁRIO (fl.494) e Certidão do FGTS fl. 495, comprovando assim sua regularidade tributária no curso do processo. Importante ressaltar que as fls. 337/375, constam certidões de regularidade do FGTS, que foram ignoradas pela Administração Tributária. Nesta esteira, face tais documentos acima indicados e seguindo o entendimento majoritário da jurisprudência deste E. CARF/MF, de que a Recorrente tem o direito de comprovar sua regularidade durante o curso do processo, não resta alternativa senão acolher o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, reformando a r. decisão "a quo". Vejamos algumas ementas de v. acórdãos que consolidaram o entendimento majoritário e posteriormente foram utilizados para fundamentar a edição da Súmula CARF no 37. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10830.005455/200434 Acórdão n.º 1402002.530 S1C4T2 Fl. 594 8 Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido." (Proc. 16327.000075/200307 Acórdão 19800.80 de 09/12/2008) No mesmo sentido segue a ementa do v. acórdão no 1950.110 de 10/12/2008, proferido no processo no 16327.003860/200311, vejamos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC.." Desta forma, face comprovação da regularidade da Recorrente por meio de certidões juntadas aos autos com a manifestação de inconformidade e com o Recurso Voluntário, conheço do recurso e a ele dou provimento, reformando a r. decisão "a quo", deferindo o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal PERC. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 594DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721346/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. LIMITES DA COISA JULGADA.
Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893-MG, sujeito ao regime do art. 543-C do CPC, de observância obrigatória pelo julgador administrativo, à luz no disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1301-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(Assinado Digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893MG, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, de observância obrigatória pelo julgador administrativo, à luz no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (Assinado Digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 46 /2 01 3- 25 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 337 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente de julgamento de recurso voluntário interposto por Cifra SA Credito Financiamento e Investimento – CNPJ: 08.030.215/000167, contra acórdão que julgou procedente o auto de infração de CSLL, relativo ao anocalendário de 2009, em que foi apurada falta de recolhimento da referida contribuição no valor de R$ 5.974.717,90, acrescidos de multa de ofício de 75%, multas isoladas no total de R$ 2.987.358,94 e juros de mora. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco do auto de infração de CSLL (fls. 135/142), no valor de R$ 5.974.717,90, acrescida da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, além da multa isolada em face do não recolhimento das estimativas. As razões da autuação encontramse no Termo de Verificação Fiscal (fls. 120/134), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Foi constatado o transporte incorreto do Lucro Líquido antes da CSLL levando a erro as informações apresentadas nas Fichas 16 e 17 da DIPJ; na DCTF e nos montantes recolhidos através de DARF; b) A inconsistência encontrase no valor do Lucro Líquido antes da CSLL de R$ 54.864.213,77, informado na Linha 75 da Ficha 06B da DIPJ, o qual não foi devidamente transportado para a Linha 01 da Ficha 17 da DIPJ; c) A empresa esclarece que não era contribuinte de CSLL por força de decisão judicial transitada em julgado, juntando comprovação das principais cópias processuais; d) Entretanto, verificou o fisco que o contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao recolhimento da CSLL; e) A empresa ajuizou em 02 de maio de 1990 Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária no que concerne ao recolhimento da CSLL perante à 8a Vara Federal do Distrito Federal (Ação Ordinária n° 90.00036763); f) O pedido foi formulado objetivando ver declarada a não obrigatoriedade de recolher a CSLL, com base na inconstitucionalidade da lei a partir de 1988 (Lei n° 7689/1988); g) Foi proferida decisão definitiva favorável ao contribuinte por acórdão da 4a Turma do TRF 1ª Região, transitada em julgado em 29/10/1992, reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL instituída pela Lei n° 7689/1988; h) Posteriormente, acórdão do STF considerou constitucional os preceitos da lei citada, com exceção do art. 8°; i) O Senado Federal suspendeu, por meio da Resolução n° 11/1995 a execução do disposto no artigo 8° da Lei n° 7689/1988, em razão de pacífica jurisprudência do STF Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 338 3 quanto à inconstitucionalidade daquele dispositivo, o qual travava o início da vigência da contribuição; j) Desta feita, a inconstitucionalidade da CSLL alcançou somente o períodobase encerrado em 1988, prevalecendo legal para os demais exercícios; k) A partir do anocalendário de 2003, a alíquota da CSLL passou a ser de 9% sobre o lucro ajustado, para todas as pessoas jurídicas, de acordo com o art. 37 da Lei n° 10.637/2002; l) Em maio de 2008, através da Lei n° 11727/2008, a alíquota da CSLL aumentou para 15% no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII; IX e X do § 1° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/2001, dentre as quais encontrase o contribuinte; m) O contribuinte, portanto, não declarou e não recolheu a CSLL do ano calendário de 2009, alegando direito amparado por decisão em ação judicial transitada em julgado em 29/10/1992; n) Citase para o caso o Parecer da PGFN/CRJN n° 1277/1994: (...) em tema de ação declaratória, a 1ª Turma do Augusto pretório, no Julgamento do RE n° 99.4352, Relator Ministro Rafael Mayer, decidiu que a "declaração de intributabilidade, no pertinente, a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, , não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros" (in RTJ 106/1189) (...) a res judicata proveniente de decisão transitada em julgado em uma ação declaratória, em que se cuidou de questões situadas no plano de direito material, não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratandose de relação juridica continuativa, çomo preceitua o inciso I, do art. 471 do C.P.C. (...) tendo havido alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não seria cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas; sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes." o) Ressalta o fisco que posteriormente foram sancionadas a Lei n° 8.212/1991 e a Lei Complementar n° 70/1991, as quais mantiveram as normas da Lei n° 7689/1988, com as alterações posteriormente introduzidas pelas Leis n°s. 9.316/1996; 9.430/1996 e 10.637/2002; p) A modificação legislativa mais especificamente a perpetrada pela Lei n° 8.212/1991 foi objeto de apreciação do Parecer PFN/MG n° 3/1995. Afirma o referido diploma que: (...) concreta e juridicamente, essa situação veio a ocorrer com o advento da Lei n° .8.212/91 a qual ao regular a Seguridade Social, não apenas reproduziu a obrigatoriedade, constitucional das empresas contribuírem sobre o lucro, como reafirmou sua base de cálculo e confirmou a alíquota; e desse modo, para à grande maioria das empresas, já obrigadas pela 7.689/88 e sua alteração, nada trouxe de novo, mas para aquelas que a ela não estavam obrigadas, essas restaram, finalmente, Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 339 4 'desprivilegiadas' e passaram a ter preceito obrigacional a cumprir, não alcançado pela declaração judicial anterior (Lei 8.212/91, arts. 10; 11, parágrafo único, letra c; 15, inciso I e parágrafo único; artigo 22, caput; artigo 23, inciso II e seu § 1ºe alterações do inciso.III, do art. 72 do ADCT, introduzido pela Emenda Constitucional de revisão n° 1, de 1 de março de 1994. q) Desde a decisão do STF, a jurisprudência pátria passou a reconhecer pacificamente a constitucionalidade da Lei n° 7689/1988, com a exceção do seu art. 8°, cuja execução foi suspensa pelo Senado Federal; r) Não cabe no caso alegação de coisa julgada, tendo em conta as alterações legislativas nas normas da CSLL; s) Em vista da falta de recolhimento da CSLL para o ano de 2009 foi feita a recomposição da base de cálculo e exigida de ofício a respectiva contribuição; t) Também foi exigida a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas de CSLL; u) A partir dos demonstrativos mensais de base de cálculo da CSLL apresentados pelo contribuinte foram apurados os seguintes valores: 2009 (R$) 1 Lucro Líquido antes da CSLL 54.864.213,77 2 Adições Multas Indedutíveis 34.500,00 Atualização de Depósitos em Juízo (cosif: 8.1.9.99.99.9913) 684.585,68 Brindes e Presentes (cosif: 8.1.7.42.00.0003) 239.840,33 Incentivos Fiscais Não Dedutíveis (cosif: 8.1.7.42.00.0011) 140.000,00 Despesas Não Dedutíveis Diversas (cosif: 8.1.8.30.99) 138.595,17 Provisão p/ Operações de Crédito (cosif: 8.1.8.30.30.40 e 60) 4.021.949,78 Créditos e Liquidação Limite de Prazo (Lei 9430/96) 1.353.320,48 Soma das Adições 6.612.791,44 3 Exlcusões Reversão de Créditos e Liquidação (cosif: 7.1.9.90.30 40) 21.168.141,11 Provisão p/ Desvalorização de Outros Valores e Bens (cosif: 7.3.0.90.99) 269.268,12 Reversão de Provisões Operacionais Outras (cosif: 7.1.9.90.3060) 208.143,33 Soma das Exclusões 21.645.552,56 4 Base de Cálculo antes da Compensação 39.831.452,65 5 Base de Cálculo Negativa Anterior (30%) 0,00 6 Base de Cálculo da CSLL 39.831.452,65 CSLL Devida 2009 . Cormp Forma de Apuração CSLL Apurada (R*) Estimativa Mensal (R$) Obs. jan balancete suspensão/redução 0,00 0,00 fev balancete suspensão/redução 0,00 0,00 mar balancete suspensão/redução 0,00 0,00 abr balancete suspensão/redução 0,00 0,00 mai balancete suspensão/redução 0,00 0,00 _jun balancete suspensão/redução 0,00 0,00 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 340 5 jul receita bruta 176.906,54 176.906,54. ago receita bruta 208.301,52 208.301,52 set receita bruta 80.666,45 80.666,45 out receita bruta 247.091,47 247.091,47 nov receita bruta 267.050,99 267.050,99 dez balancete suspensão/redução 5974717,90 4.994700,94 Comp.x Estimativa Mensal de CSLL Devida Multa Isolada 50% Jul 176.906,54 88.453,27: Ago 208.301,52 104.150,76 Set 80.666,45 40.333,22 Out 247.091,47 123.545,73 Nov 267.050,99 133.525,49 Dez 4.994.700,94 2.497.350,47 Total 5.974.717,90 2.987.358,94 v) O montante apontado acima, o qual deixou de ser devidamente recolhido como estimativa mensal, está sujeito à multa isolada de 50%; w) Diante do exposto, os valores sofrem a incidência de CSLL na forma a seguir: CRÉDITO TRIBUTÁRIO CSLL (R$) PRINCIPAL 5.974.717,00 JUROS 2.153.885.80 MULTA 4.481.038,43 MULTA ISOLADA 2.987.358,94 TOTAL 15.597.001,07 Devidamente cientificada em 05/12/2013 (fls. 136), a interessada, em 03/01/2014, apresentou impugnação (fls. 153/168), cujo teor, em síntese, a seguir passo a descrever: Da existência de decisão judicial transitada em julgado a) A impugnante não é contribuinte de CSLL por força de decisão judicial transitada em julgado, perante o TRF 1a Região, garantindo o seu direito ao não recolhimento da CSLL; b) Nos termos do artigo 468 do CPC, a coisa julgada tem força de lei entre as partes, nos limites da lide e da questão decidida; c) Os limites da coisa julgada estão no artigo 469 do CPC; d) Operada a coisa julgada, as questões solucionadas servirão de base para se determinar a extensão da indiscutibilidade de que trata o art. 467 do CPC; Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 341 6 e) Ou seja, a coisa julgada material tem como consequência a impossibilidade de se discutir, em outro processo, o que foi decidido no processo transitado em julgado; f) Assim, a solução dada às questões da lide não poderá ser alterada em processos ulteriores, nem mesmo em função de razões não apreciadas no julgamento anterior; g) A manutenção da coisa julgada, portanto, teria o objetivo de assegurar a todos os cidadãos a garantia da efetividade do princípio constitucional da segurança jurídica e a estabilidade entre os indivíduos; h) A legislação pátria prevê o instituto da ação rescisória como forma de revisão da coisa julgada, mas dentro dos limites estabelecidos pelo CPC; i) Cita a súmula 239 do STF, que se restringe às hipóteses em que a decisão transitada em julgado se limita a declarar indevido determinado lançamento tributário, tal como em execuções fiscais e ações anulatórias; j) A decisão judicial que desobriga o contribuinte ao recolhimento da CSLL instituída pela Lei n° 7.689/1988, que não foi desconstituída por ação rescisória e não se limita a determinado exercício prevalecerá até que nova lei seja editada sem os vícios que macularam a instituição original do tributo; k) As leis posteriores não retiraram a eficácia da lei n° 7689/1988, que, para a interessada foi declarada inconstitucional; l) Toda a legislação posterior a essa lei sempre faz referência a ela como; m) Assim, não há que se falar que teria havido uma modificação no estado de direito em relação à CSLL, a justificar, como pretende o fisco, a aplicação do inciso I do artigo 471 do CPC, posto que a própria legislação não considera que a CSLL teria sido recriada no ordenamento jurídico por qualquer outra lei ou qualquer outra posterior; n) Nem que se argumente que o STF teria declarado a constitucionalidade da exigência da CSLL com base na Lei n° 7.689/1988. O pronunciamento posterior da Corte Suprema não teria o condão de ferir a coisa julgada formal e materialmente operada no julgamento da Apelação Cível proposta pela interessada; o) O STJ considerou que as leis posteriores à Lei n° 7689/1988 tão somente alteram alíquota e base de cálculo do tributo, e não revogaram aquele diploma legal, que instituiu a contribuição e até hoje valida a sua existência; p) Salientese que o caso julgado pelo STJ segue o rito dos recursos repetitivos, de forma que, em cumprimento ao disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, este órgão vem acatando tal entendimento; q) Assim, certo é que a interessada nada deve a título de CSLL, fundada na Lei n° 8.212/1991 e, pelo mesmo motivo, nas leis que a precederam ou sucederam, uma vez que foi contemplada com decisão judicial, transitada em julgado; r) Quanto à exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas com a multa de ofício, entende a interessada ser uma duplicação de penalidade, desproporcional ao eventual prejuízo causado." Em julgamento realizado em 10 de abril de 2014, a 4ª Turma da DRJ/RJ1 prolatou o acórdão nº 1264.728, que considerou a impugnação improcedente e foi assim ementado: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 342 7 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITE DOS EFEITOS DA COISA JULGADA. Havendo posterior alteração na legislação regente do tributo, a coisa julgada que reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição social deixa de proteger o beneficiário da decisão judicial, pois foi alterado o estado de fato ou de direito da relação jurídica continuativa. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BASES DE CÁLCULO. As bases de cálculo das multas isolada e de ofício, por falta de recolhimento de antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, respectivamente, são distintas. Verificada a insuficiência de pagamento de estimativas e a insuficiência de pagamento do imposto de renda, verificase a ocorrência de duas infrações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa." Devidamente cientificada em 25/04/2014 (fls. 263), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 09/05/2014 (fls. 266), o recurso voluntário de fls. 266 a 285 alegando, em apertada síntese, os itens abaixo relacionados, os quais serão melhores descritos por ocasião do voto: (i) A impossibilidade de exigência do recolhimento da CSLL, tendo em vista que em 29/10/1992 transitou em julgado, perante o TRF/1ª Região, na apelação cível nº 92.01.186886, decisão judicial garantindo à recorrente o direito ao não recolhimento da contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88, por diversos vícios em sua instituição; (ii) Afirma que diferentemente do que aduz o acórdão recorrido, as legislações posteriores à Lei nº 7.689/88 não reinstituíram uma nova CSLL e não têm o condão de, por si só, justificar a exigência da contribuição; (iii) Alega que as disposições da Lei nº 8.212/91 e LC nº 70/91 fazem mera remissão legislativa sem ter revogado nem alterado a CSLL em sua essência; (iv) Opõese ao entendimento do acórdão recorrido de que a situação do presente processo estaria sob abrigo da previsão contida no art. 471, do CTN, do CPC, eis que as leis posteriores não reinstituíram em absoluto um nova CSLL, portanto, não há que se falar em modificação no estado de direito; (v) O pronunciamento do STF acerca da constitucionalidade da CSLL não tem o condão de ferir a coisa julgada formal e materialmente operada no julgamento da apelação cível nº 92.01.186886, em respeito ao princípio da segurança jurídica; Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 343 8 (vi) O STJ decidiu, em 23/03/2011, no julgamento do RESP nº 1.118.892, cujo acórdão sujeitouse à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 543C, do CPC, que aqueles que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inexistência de relação jurídica material a obrigálos ao recolhimento da CSLL, instituída com base na Lei nº 7.689/88, diante de sua inconstitucionalidade, não podem ser cobrados com base na legislação atual, superveniente à Lei nº 7.689/88, mesmo com o atual posicionamento do STF no sentido da constitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Acrescenta a recorrente que, em cumprimento ao art. 62A do Regimento Interno do CARF, o acórdão deve ser reformado; (vii) Cita diversos julgados do CARF e jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais com decisões favoráveis a seu pleito e pleiteia a reforma do acórdão ora recorrido; (viii) Requer o cancelamento da multa isolada aplicada em face do não recolhimento das estimativas, sob o argumento que referida multa foi aplicada concomitantemente com a multa de ofício e sobre a mesma infração, sendo claramente ilegal e inconstitucional. O processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 23/07/2014 e, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do RICARF, foram apresentadas, tempestivamente, em 20/08/2014, contrarrazões assim sintetizadas: (i) O recurso repetitivo do STJ REsp 1.118.893/MG não tem o condão de eximir "ad infinitum" a cobrança de CSLL, isto porque o marco para cessação do efeito vinculante da decisão transitada em julgado é a decisão em definitivo proferida pelo STF em sentido contrário, seja em controle difuso ou concentrado, conforme decisões proferidas pela mesma 1ª Seção do STJ em sede de EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF; (ii) O presente processo adequase ao Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, uma vez que, apesar do referido parecer possuir como regra o efeito prospectivo, ou seja, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir o tributo do contribuinteautor seria a data da publicação do referido Parecer, foram expressamente ressalvadas as hipóteses em que a Receita Federal do Brasil não ficou inerte e autuou a empresa beneficiada por coisa julgada superada por decisão do STF; (iii) As multas isoladas e de ofício decorrem de diferentes infrações, isto porque, enquanto a multa do ofício tem por escopo penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a multa isolada prevista no art. 44, II, "b" da Lei nº 9.430/96, visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ. Ademais, possuem diferentes bases de cálculo: a multa de ofício tem como base de cálculo o tributo efetivamente devido, apurado no ajuste anual, já a base de cálculo das estimativas é a antecipação do imposto não pago no decorrer do ano através das estimativas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 344 9 A solução da lide passa pela verificação da procedência dos lançamentos de CSLL, relativos ao anocalendário de 2009, considerandose a existência de apelação cível, transitada em julgado em 29/10/1992, perante o TRF/ 1ª Região, em que foi garantido à recorrente o direito ao não recolhimento da contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88. A recorrente ajuizou, em 03/05/1990, a Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária nº 90.00.036763 (fls. 16 a 43), perante a 8ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal. em que objetivava a declaração de não obrigatoriedade de recolhimento da CSLL, com fundamento na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. A ação foi inicialmente julgada improcedente na decisão de primeira instância proferida em 31/07/1991 (fls. 47 a 55), entretanto, no julgamento da apelação cível nº 92.01.186886DF, foi dado provimento ao recurso da autora, resultando na reforma da sentença, por meio do Acórdão (fls. 57 a 61) proferido em 24/08/1992, pela 4ª Turma do TRF 1ª Região, assim ementado: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. LEI 7.689, DE 15/12/88, INSTITUIDORA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade da exação pelo Plenário desta Corte (A.I. na AMS nº 89.01.136147/MG), dáse provimento à apelação." Observese que o acórdão deu provimento à apelação da contribuinte com alicerce no anteriormente decidido pelo plenário, em 03/10/1991, na arguição de inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança nº 89.01.136147/MG. Consta no voto do relator da apelação cível da contribuinte (fls. 59 a 61), que aquela decisão foi assim ementada: “1 – Ante o disposto no art. 149, da Constituição Federal de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só lei complementar pode instituir contribuição social. 2 Às contribuições sociais, que, em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no § 6º, do art. 195, da CF/88. 3 – As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos e contribuições já existentes (CF/88, art. 195 § º 4º c/c o art. 154, inc. I).A lei 7.689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição o lucro das pessoas jurídicas (art. 1º e 2º), que já é próprio do imposto de renda (art. 44 do CTN, e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto – aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN). 4 – A lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir contribuição social, pois o novo sistema tributário ainda não estava em vigor, ex vi do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição – 1º de março de 1989. Infringência, por conseguinte, ao princípio da irretroatividade. 5 – Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165, § 5º, inc. II, da CF/88, ao determinar, em seu art. 6º, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, quando diante do preceito constitucional (art. 165, § 5º, inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6 – A lei 7.689/88 é inconstitucional, em razão, pois, de ter infringido os arts. 146, inc. III; 154, inc. I; 165, § 5º, inc. III; e 195, §§ 4º e 6º, da Constituição Federal de 1988. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 345 10 7 – Incidente de inconstitucionalidade procedente.” De acordo com a Certidão expedida, em 15/08/2012, pela Secretaria da 8ª Vara da SJDF o acórdão que deu provimento à apelação da contribuinte transitou em julgado em 29/10/1992 (fls. 65, 66). O acórdão favorável à contribuinte, proferido em 24/08/1992, teve como fundamento decisão anteriormente exarada pelo plenário em 03/10/1991, ocasião em que foi efetuada a análise da Lei nº 7.689/88, sem considerar as diversas alterações supervenientes à legislação de regência da CSLL, tais como as introduzidas pela Lei Complementar nº 70, de 1991 (art. 11); Lei nº 8.383, de 1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95); Lei nº 8.541, de 1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43); Lei nº 9.249, de 1995 (arts. 19 e 20); Lei nº 9.316 de 1996 (arts. 1º e 2º); Lei nº 9.430, de 1996 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei); Lei nº 10.637, de 2002 (arts. 35 a 37, 45) e Lei nº 11.727/08 (art. 17). Veja que um dos fundamentos pelos quais a Lei nº 7.689/88 foi declarada inconstitucional na apelação cível nº 92.01.186886DF, que transitou em julgado favoravelmente à recorrente, tem como fundamento o fato de que a CSLL somente poderia ser instituída por meio de lei complementar. De acordo com este entendimento, após a publicação da Lei Complementar nº 70/91, tal questão teria sido superada, haja vista o que dispõe o art. 11 da referida lei complementar: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Os autos de infração do presente processo foram lavrados em 05/12/2013 e referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009, para os quais a fiscalização utilizou o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 17 da Lei nº 11.727/08". Além das alterações legislativas já mencionadas, que por si só demonstram uma mudança no suporte jurídico ocorrido entre a decisão judicial transitada em julgado e os fatos geradores apurados pela fiscalização, consta do Termo de Verificação Fiscal, que diversas decisões do STF consideraram constitucionais os preceitos da Lei nº 7.689/88, com exceção de seu art. 8º: "Posteriormente, Acórdão do Supremo Tribunal Federal STF, em 29 de junho de 1992, considerou constitucional os preceitos da Lei nº 7.689/88, com exceção de seu art. 8º (AC RE nº 146.7339SP, DJU de 06 de novembro de 1992, RE 140.2720, DJU de 02 de outubro de 1992 e RE 138.2844CE, DJU de 28 de agosto de 1992). O Senado Federal, por sua vez, suspendeu, por intermédio da Resolução nº 11/95 a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689/88, em razão de pacífica jurisprudência do STF quanto à inconstitucionalidade daquele dispositivo, o qual tratava do início da vigência da contribuição. Desta feita, a inconstitucionalidade relativa à CSLL alcançou somente o períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988, prevalecendo legal para os demais exercícios." Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 346 11 Conforme bem pontuado pelo acórdão recorrido, as decisões proferidas pelo STF considerando constitucional a CSLL, à exceção do seu art.8º, possuem força para alterar o estado de direito préexistente, de forma que não restou preservado o estado de direito anterior. Em sua peça recursal, alega a recorrente que o pronunciamento da Corte Suprema não tem o condão de ferir a coisa julgada formal e materialmente operada no julgamento da apelação cível nº 90.01.186886 proposta pela recorrente, em respeito ao princípio da segurança jurídica, bem assim, em cumprimento ao decidido pelo STJ no REsp nº 1.118.893/MG, cujo acórdão sujeitouse ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil. De acordo com a recorrente, o STJ "decidiu que aqueles que tenham em seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inexistência de relação jurídica material a obrigálos ao recolhimento da CSLL, instituída com base na Lei nº 7.689/88, diante de sua inconstitucionalidade, não podem ser cobrados com base na legislação atual, superveniente à Lei nº 7.689/88, ou mesmo em razão do posicionamento posterior do STF." Acrescenta que com fundamento no art. 62 A , do Anexo II, do então Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256/09, alterado pela Portaria MF nº 586/10, este órgão vem reproduzindo em seus julgamentos o decidido no REsp nº 1.118.893/MG. De início, ressalto que para aplicação de um acórdão julgado em sede de recurso repetitivo pelo STJ devese comparar o caso concreto com o decidido pelo STJ, a fim de identificar se os aspectos materiais do caso específico ora analisado subsumemse ao decidido no REsp nº 1.118.893/MG, cuja ementa a seguir transcrevo: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇAO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇAO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT , DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇAO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 347 12 CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores"(AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7."As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material"(REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ." A legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei nº 7.689/88, corresponde à Lei Complementar nº 70/91 e às Leis nº 7.856/89, nº 8.034/90, nº 8.212/91, nº 8.383/91 e nº 8.541/92. O voto do relator, ao analisar referidas leis, é alicerçado no voto da Min. Eliana Calmon, proferido no julgamento do REsp 731.250/PE, que analisou detalhadamente cada uma dessas leis. Assim, verificase que algumas das leis utilizadas nos autos de infração ora recorridos não foram objeto de análise no REsp nº 1.118.893/MG: Lei nº 8.981/95 (art. 57), Lei nº 9.249/95 (art. 2º), Lei nº 9.316/96 (art. 1º) e Lei nº 11.727/08 (art. 17). Por este motivo, o repetitivo do STJ não se aplica ao caso concreto, cujos fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2009, e os lançamentos foram efetuados com fundamento em legislação não analisada pelo REsp nº 1.118.893/MG. Importante ressaltar que o afastamento da aplicação do REsp nº 1.118.893/MG ao caso concreto não implica em descumprimento ao disposto art. 62, § 2º do Anexo II do RICARF, o qual determina que no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, devem ser reproduzidas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do antigo CPC. Relativamente às alegações de que as decisões proferidas pelo STF em sentido contrário ao acórdão que transitou em julgado favoravelmente à recorrente não teriam o condão de afetála, equivocase a recorrente. Nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 146.733 SP, em 29/06/1992 e nº 138.284 CE, em 01/07/1992, o Pleno do STF reconheceu, em sede de controle difuso, a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, a exceção do seu art. 8º, cujas ementas a seguir transcrevo: RE 146.733SP Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 348 13 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1º, 2º E 3º DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. AO DETERMINAR, PORÉM, O ARTIGO 8º DA LEI 7689/88 QUE A CONTRIBUIÇÃO EM CAUSA JÁ SERIA DEVIDA A PARTIR DO LUCRO APURADO NO PERIODOBASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988, VIOLOU ELE O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CONTIDO NO ARTIGO 150, III, `A', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROIBE QUE A LEI QUE INSTITUI TRIBUTO TENHA, COMO FATO GERADOR DESTE, FATO OCORRIDO ANTES DO INICIO DA VIGENCIA DELA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA `B' DO INCISO III DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, MAS A QUE SE NEGA PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO PARA IMPEDIR A COBRANÇA DAS PARCELAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERIODOBASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 RE 138.284CE CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, e uma contribuição social instituida com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195 e que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição devera observar a tecnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag. 4.; C.F., art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de calculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, "a"). III. Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa e que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V. Inconstitucionalidade do art. 8., da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art, 150, III, "a") qualificado pela inexigibilidade da Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 349 14 contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parag. 6). Vigencia e eficacia da lei: distinção. VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da Lei 7.689, de 1988. O acórdão do RE 138.284CE foi publicado em 03/08/92 e transitou em julgado em 29/09/92. Já o acórdão do RE 146.733 foi publicado em 01/07/92 e transitou em julgado em 13/04/93. Posteriormente a estas decisões, em 04/04/1995, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 11 de 04/04/95, por meio da qual foi suspensa a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689/88. Assim, por serem dotadas dos atributos da definitividade e objetividade, as decisões do plenário do STF em controle difuso de constitucionalidade, seguidas de Resolução Senatorial, possuem força normativa. É certo que, em respeito ao princípio da segurança jurídica, tais decisões não afastam, retroativamente, a eficácia da coisa julgada, entretanto, são eficazes e produzem efeitos prospectivos. Relativamente ao controle concentrado de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 152/DF, confirmou o entendimento do STF nos acórdãos até então proferidos nos controles difusos e foi declarada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade apenas dos arts. 8º e 9º da Lei nº 7.689/88. Quanto às demais alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da Lei, as mesmas foram julgadas improcedentes, conforme acórdão que a seguir transcrito: ADIn nº 152/ DF: (...) IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1. Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitosforam suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução11/1995. 2. Procedência da arguição de inconstitucionalidade do artigo 9º, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M.Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que, assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo Tribunal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela alínea b do permissivo constitucional, que devolve ao STF o conhecimento de toda a questão da constitucionalidade da lei. No caso do repetitivo nº 1.118.893/MG, o STJ assim se manifestou acerca da ADIn nº 152/DF: 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. O STJ entendeu que, para aquele caso concreto, em que os fatos geradores ocorreram em 1991, a ADIn nº 152/DF não poderia retroagir, considerando a existência de decisão transitada em julgado favorável à contribuinte e, consequentemente, o respeito ao princípio da Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 350 15 segurança jurídica. Todavia, além do decidido no REsp nº 1.118.893/MG não se aplicar ao caso concreto, conforme já demonstrado, referida decisão não tratou dos efeitos prospectivos da ADIn nº 152/DF. As decisões definitivas do STF em controle concentrado de constitucionalidade tem efeito erga omnes e seus efeitos futuros ou prospectivos são aplicáveis a todos. No caso da ADIn nº 152/DF, seus efeitos se estendem inclusive aos contribuintes que possuíam decisão judicial transitada em julgado contrária ao decidido pelo STF. Tal entendimento consta dos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788 DF, que ao analisar o decidido no REsp nº 1.118.893/MG assim anotou: "28. No STJ, essa matéria já foi objeto de recurso repetitivo, em julgamento relatado pelo eminente Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, que assim pronunciou a preservação dos efeitos da coisa julgada difusa, até que a sua eficácia fosse eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade:" Dessa forma, além da força normativa dos já mencionados julgados do STF em controle difuso seguido de resolução do Senado Federal, o decidido na ADIn nº 152/DF em 14/06/07, afasta definitivamente a coisa julgada alegada pela recorrente que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Em suas contrarrazões ao recurso voluntário, a PGFN alega que o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 adequase perfeitamente ao presente caso, visto que, apesar do parecer possuir como regra o efeito prospectivo, foram ressalvadas expressamente as hipóteses em que a Receita Federal do Brasil não ficou inerte e autuou a empresa beneficiada por coisa julgada superada por decisão do STF. Com o objetivo de comprovar suas alegações relacionou os processos administrativos em que foram formalizados os autos de infração e seus períodos de apuração: Processo 16327.000968/200182 Anocalendário de 1997; Processo 16327.002083/200541 Anoscalendário de 1999, 2002 e 2003; Processo 16327.002145/200787 Anoscalendário de 2004 e 2005; Processos 16327.721703/201193 e 16327.720195/201215 Anocalendário de 2007; Processo 16327.721158/201216 Anocalendário de 2008. Na sustentação oral realizada durante a sessão de 12/04/2017, a recorrente opôs se à alegação trazida aos autos pela PGFN de que o caso concreto se adequaria perfeitamente ao Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, aprovado em 24/05/2011, e publicado no DOU de 26/05/2011. Afirma a recorrente que o auto de infração foi lavrado posteriormente à publicação do referido parecer, contrariando seu parágrafo 78, que assim dispôs: "78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese aqui, que, naquelas específicas hipóteses em que a cessacão da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 351 16 contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste Parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir desse instante poderão ser objeto de lançamento." O Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 teve por escopo analisar os reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em relação à coisa julgada em matéria tributária, tendo assim concluído: "(i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer." Assim, como regra geral, o parecer tem efeitos prospectivos conferindo ao Fisco o direito de constituir créditos tributários somente para fatos geradores ocorridos a partir da data de sua publicação. Entretanto, consta do parágrafo 79, hipótese em que o parecer, excepcionalmente, teria aplicação a períodos anteriores à sua publicação: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 352 17 "79.Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado " novo" , o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos." No caso concreto, tanto a acusação fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls. 125) aponta a existência de ação fiscal anterior relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005, quanto a PFN em suas contrarrazões (fls. 318) aponta a existência de ações relativas aos anoscalendário de 1997, 1999, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007 e 2008. Assim, constatase que a Receita Federal do Brasil não ficou inerte, ao contrário, vem efetuando sucessivas autuações junto à recorrente, desde o anocalendário de 2001, não havendo que se falar em surpresa, motivo pelo qual são procedentes os lançamentos efetuados relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011. A seguir transcrevo decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Colegiado contrárias à tese da recorrente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. (Acórdão nº 9101002.530 1ª Turma , CSRF) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988. EFEITOS PROSPECTIVOS DA COISA JULGADA. ALTERAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JURÍDICAS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO NO RESP Nº 1.118.893/MG. Ainda que as decisões do STJ exaradas sob o regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos) devam ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, ao se aplicar o decidido por aquela Corte na verificação dos efeitos de decisões judiciais transitadas em julgado que declararam inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988 (REsp nº 1.118.893/MG), devese cotejar as circunstâncias jurídicas e fáticas que envolvem o caso concreto e a decisão transitada em julgado com os limites do decidido no recurso especial em tela. Discrepâncias normativas e de precedentes demonstram que a hipótese não se subsume ao repetitivo, e justificam a sua não aplicação. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 353 18 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988. EFEITOS PROSPECTIVOS DA COISA JULGADA. ALTERAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS JURÍDICAS. Os precedentes da ADI nº 152/DF e dos RE nº 146.733/SP e nº 138.284/CE possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente ao tempo da prolação de decisão judicial, transitada em julgado, que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, fazendo cessar automaticamente sua eficácia. INTERPRETAÇÃO DO RESP nº 1.118.893MG NO TOCANTE ADI nº 152/ DF. INTERPRETAÇÃO DO RE 730.462. O acórdão do STJ nos autos do REsp º 1.118.893MG analisou a ADI nº 152/DF sob o aspecto da segurança jurídica, mas não se pronunciou sobre os seus efeitos prospectivos. O acórdão do STF nos autos do RE nº 730.462/SP, ao analisar os efeitos de uma declaração, em controle concentrado, de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de preceito normativo sobre fatos ou atos alcançados por sentenças judiciais anteriormente proferidas em sentido contrário, afirmou que para os fatos e atos futuros, a declaração já produz seus efeitos, prescindindose de uma ação rescisória para cessar os efeitos da coisa julgada. (Acórdão nº 9101002.287 1ª Turma, CSRF) Diante de todo o exposto e considerando: (i) as alterações da legislação de regência da CSLL, posteriores à analisada na decisão transitada em julgado favoravelmente à recorrente; (ii) a força normativa dos julgados do STF em sentido contrário à decisão transitada em julgado favorável à contribuinte; (iii) a inaplicabilidade do REsp nº 1.118.893/MG ao caso concreto; (iv) a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, nos termos do art. 13 c/c art. 42 da LC nº 73/93, voto por negar provimento ao recurso do voluntário da contribuinte, na questão relativa à possibilidade de exigência do recolhimento da CSLL diante da existência de decisão transitada em julgado favorável à recorrente. DA CONCOMITÂNCIA DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO Na hipótese de ser mantida a autuação, requer a recorrente o cancelamento da multa isolada aplicada em face do não recolhimento das estimativas, sob o argumento que referida multa foi aplicada concomitantemente com a multa de ofício e sobre a mesma infração, sendo claramente ilegal e inconstitucional. É pacífico neste Colegiado que a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual deve prevalecer em detrimento da multa isolada apurada com fundamento no art. 44, § 1º inciso IV, da Lei nº 9.430/96. É esse o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Entretanto, em virtude da alteração legislativa ocorrida no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/2007, entendo estarmos diante de um novo cenário na aplicação dessas multas. Após a alteração, a base de cálculo da multa deixou de ser a totalidade ou diferença de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 354 19 tributo, e passou a ser o valor do pagamento mensal a título de estimativa, além de ter havido redução de seu percentual de 75% para 50%. Vejam as alterações: Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação anterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (... ) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (... ) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação posterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 355 20 Tratamse, portanto, de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A multa de 75% incide sobre o montante do IRPJ e CSLL devidos no final do período de apuração, trimestral ou anual, e tem por base legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento mensal das estimativas, nos casos em que o contribuinte opta pela apuração anual do IRPJ e CSLL, e tem como base legal o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96. Assim, possível a aplicação concomitante das duas penalidades por incidirem sobre bases de cálculo distintas. Esse tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. (Acórdão 1402002.259, Sessão de 09/08/2016) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do ano calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. (Acórdão 9101002.345, Sessão de 14/06/2016) Diante do exposto, voto por julgar procedente a aplicação das multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento da CSLL sobre as bases de cálculo apuradas com base na receita bruta e balancete mensal de suspensão referentes ao anocalendário de 2009. Conclusão Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 356 21 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto da ilustre Relatora, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no que se refere à eficácia da coisa julgada relativamente à inconstitucionalidade da CSLL instituída pela Lei nº 7.698/88. Passo a expor os fundamentos das divergências e as conclusões às quais chegou o Colegiado, relativamente à situação em análise: A discussão reside em saber se as reformas legislativas implementadas após o ano de 1992 representaram substancial modificação nas regras atinentes à CSLL, a ponto de representar modificação no estado de fato ou de direito, capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada alcançada pela recorrente, em face do manejo de ação individual que reconheceu à inexistência de relação jurídica entre ela e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a Contribuição Social, instituída pela Lei nº 7.689/88. Além disso, buscase saber a aplicabilidade ou não do entendimento exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do Recurso Especial no 1.118.893/MG, em que se assentou o entendimento no sentido de que: (í) alterações legislativas que não modificam a regra matriz da CSLL em sua essência não teriam o condão de flexibilizar as relações pacificadas pela coisa julgada, bem como que; (ii) a posterior manifestação do Supremo Tribunal Federal em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte não tem o condão de alterar os efeitos da res judicata. Conforme entendimento doutrinário majoritário, coisa julgada material significa a qualidade que torna imutável e indiscutível o comando originado da parte dispositiva da sentença de mérito, proferida em processo em que respeitado o contraditório e realizada a cognição exauriente da matéria litigiosa, e em relação à qual não caiba mais recurso ordinário ou extraordinário, nem sujeição à remessa necessária. A coisa julgada não é oponível em relação a todas e quaisquer situações que guardam grau de relação com a demanda originalmente proposta ou, ainda, em face de toda e qualquer pessoa.. No particular, necessária a percepção dos limites subjetivos e objetivos (inclusive no aspecto temporal) da res iudicata. Em síntese, os limites subjetivos da coisa julgada consistem na adequada determinação das pessoas sujeitas à imutabilidade e indiscutibilidade decorrentes do trânsito em julgado da sentença de mérito proferida na demanda judicial. Por sua vez, os limites objetivos dizem respeito à determinação da matéria que não mais poderá ser revista ou discutida perante os órgãos judiciários ou administrativos, diante da autorictas rei judicatae que se impõe à sentença de mérito transitada em julgado. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 357 22 Com a delimitação desse objeto buscase prevenir que o Poder Judiciário ou a Administração Pública aprecie por mais de uma vez o mesmo conflito, evitandose contradições que possam ocorrer no plano prático. Sob o aspecto temporal, os limites objetivos relacionamse ao contexto "espaçotempo" em que a sentença é proferida, o que valor dizer: mantida a situação de fato e de direito verificada entre as partes no tempo da propositura da demanda, mantida a autoridade da coisa julgada. No caso, o contribuinte aduziu pretensão (e obteve decisão judicial) em termos amplos, tomando em conta a perspectiva de repetição periódica da incidência do tributo, razão pela qual a decisão judicial definitiva que a acolheu (tal como formulada) produz efeitos em relação a mais de um exercício fiscal e até que sejam alteradas as situações fáticas e normativas que foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário. Ao analisar as reformas legislativas implementadas até então, verificase que elas apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação juridicotributária. Nenhuma delas foi substancial a ponto de representar "modificação no estado de fato ou de direito" capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada, conforme prescrito pelo artigo 505, I, do CPC/2015. Isso porque, desde a sua criação até os tempos atuais, não foi alterada a hipótese de incidência da CSLL: a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (e as que lhe forem equiparadas) que vier a auferir lucro deverá apurar e recolher a contribuição social. Nem sequer uma única reforma foi realizada no art. 1º da Lei 7.689/88, que prescreve o aspecto material da hipótese de incidência da CSLL, qual seja, auferir lucro (“Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”.) Nenhuma alteração tampouco foi realizada no caput do art. 2º da Lei 7.689/88, segundo o qual "a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, o qual deve ser considerado antes mesmo da provisão para o imposto de renda. Em especial, o §1º, "c", embora tenha ganho nova redação em 1989, 1990 e 2014, mantevese essencialmente inalterado. A mesma diretriz da redação original da Lei 7.689 permanece inalterada desde a sua publicação, 1988: a base de cálculo da CSLL corresponde a acréscimos patrimoniais, ao "lucro" reconhecido pela legislação de regência. Mais evidente ainda é a insignificância, ao presente caso, das alterações de natureza meramente procedimental, atinentes à data ou à forma de recolhimento do tributo. Desta forma, concluise, portanto, que não houve reforma legislativa para a introdução de alterações substanciais, capazes de inaugurar um novo esquema normativo com a modificação do estado de direito que foi objeto da ação judicial proposta pelo contribuinte e que goza da autoridade da coisa julgada. Mas não é só. Após o trânsito em julgado da decisão judicial exarada em favor da recorrente, o Supremo Tribunal Federal firmou seu entendimento sobre a matéria em exame, Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 358 23 nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 15), declarando a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Esta ADI transitou em julgado em 12/09/2007. Instado a se manifestar sobre o tema, o E. Superior Tribunal de Justiça analisou o Resp nº 1.118.893MG, sujeito ao regime do artigo 543C do CPC, onde assentou o entendimento de que a edição de legislação superveniente (Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, 8.542/91 e Lei Complementar n. 70/91) e posterior declaração de constitucionalidade do tributo pela C. Suprema, não retiram os efeitos da sentença de mérito transitada em julgado em favor do contribuinte. Vejase, nesse sentido, ementa do citado precedente jurisprudencial, verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 359 24 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.” (G.N) Segundo às razões descritas no voto vencido do presente acórdão, entendeu a I. Relatora inaplicável o entendimento do E. STJ, manifestado no Resp. nº 1.118.893/MG, em face da matéria fática analisada naquele precedente está relacionada à CSLL dos exercícios de 1991 e 1992. De fato, na referida decisão, o E. STJ entendeu que as Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92, não estabeleceram nova relação jurídico tributária com a União, tendo em vista que apenas dispuseram sobre alíquota e base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual assegurou a impossibilidade de cobrança da referida exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992, em respeito à coisa julgada material. Ocorre que, apesar do E. STJ ter analisado as alterações legislativas posteriores à edição da Lei 7.689/88 até 1992, constatase que os diplomas legais posteriores ao anocalendário de 1992 também não estabeleceram nova relação jurídicatributária capaz de ensejar a cobrança da CSLL, tendo em vista que dispuseram apenas (igualmente) sobre (i) alíquota; (ii) base de cálculo; e (iii) normas de apuração e recolhimento. Sendo assim, penso que as alterações legislativas que ocorreram após o ano calendário de 1992, possuem a mesma natureza daquelas analisadas pelo STJ, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893MG, mesmo porque tais mudanças não introduziram nova contribuição social. Por fim, impõese analisar se a partir da proclamação de declaração de constitucionalidade da CSLL por meio da ADIn 15, o STF tornou legítima a cobrança do referido tributo, no caso aqui analisado, ou seja, na hipótese do contribuinte possuir em seu favor decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da CSLL e que sequer foi desafiada por ação rescisória. Entendo que este argumento é meramente teórico e não traz conseqüência efetiva para o julgamento do presente recurso. Isso porque o STF, até o presente momento, NÃO proferiu nenhuma decisão sob o rito de repercussão geral quanto ao aludido mérito, de forma que não há, por esse meio, norma que atribua à União legitimidade para desconsiderar os efeitos da coisa julgada obtida por decorrência automática da ADIn 15, ou seja, à revelia de competente ação rescisória. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16327.721346/201325 Acórdão n.º 1301002.429 S1C3T1 Fl. 360 25 A recente afetação do RE 929.297 (2016) como recurso representativo de repercussão geral1, especificamente quanto ao tema objeto do presente recurso, é prova cabal de que o STF não possui decisão de tal magnitude. Se hoje não há decisão de mérito, mas mera afetação da matéria ao rito da repercussão geral, a segurança jurídica consagrada pelo instituto da coisa julgado na Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária nº 90.00.036763, proposta pelo contribuinte, o que é mandatório aos conselheiros do CARF. Assim, considerando: a) os expressos termos da decisão judicial cujos efeitos se pretende aplicar neste procedimento (que não os limita a apenas um exercício financeiro); b) o citado precedente exarado pelo E. Superior Tribunal de Justiça (Resp nº 1.118.893MG), que reconhece a eficácia contemporânea de decisões judiciais análogas à sob exame; c) o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que determina serem de observância obrigatória os precedentes jurisprudenciais da E. Corte de Justiça exarados sob o regime do art. 543C do CPC; e, d) a constatação de inexistência de decisão de mérito sob o rito de repercussão geral por parte do STF que atribua à União legitimidade pra desconsiderar os efeitos da coisa julgada por decorrência automática da ADIn 15; impõese o acolhimento do presente recurso voluntário para cancelamento dos lançamentos que tenham por objeto a CSLL e seus respectivos consectários. Conclusão Por esses fundamentos, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado o auto de infração lavrado em afronta à decisão judicial com trânsito em julgado obtida pelo contribuinte, que lhe garante o direito à não incidência de CSLL sobre as suas atividades no período em questão. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza 1 ´TEMA 881 Limites da coisa julgada em matéria tributária, notadamente diante de julgamento, em controle concentrado pelo Supremo Tribunal Federal, que declara a constitucionalidade de tributo anteriormente considerado inconstitucional, na via do controle incidental, por decisão transitada em julgado. Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000386/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
RECURSO ESPECIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. CONVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO ENTRE OS JULGADOS.
Somente deve ser conhecido o Recurso Especial se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados, hipótese não verificada no caso.
Numero da decisão: 9202-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. CONVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO ENTRE OS JULGADOS. Somente deve ser conhecido o Recurso Especial se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados, hipótese não verificada no caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 515 1 514 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12268.000386/200944 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.492 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NOSSA SERVIÇO TEMPORÁRIO E GESTÃO DE PESSOAL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS. ART. 67 DO RICARF. CONVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTO ENTRE OS JULGADOS. Somente deve ser conhecido o Recurso Especial se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados, hipótese não verificada no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 86 /2 00 9- 44 Fl. 516DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (DEBCAD 37.220.8460) para cobrança de crédito relativo às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à parte dos segurados, descontadas das respectivas remunerações e não recolhidas aos cofres públicos. Nos termos do relatório fiscal de fls. 37 ficou consignado que: No arquivo digital apresentado, apuramos as folhas de pagamento confeccionadas para a empresa tomadora de serviços terceirizados denominada Ambiental, para a qual não há recolhimentos das contribuições previdenciárias e nem declaração da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social. Intimada a apresentar a GFIP para os trabalhadores constantes das folhas para o período de janeiro/2006 a julho/07, o contribuinte alegou que tais trabalhadores não pertencem ao quadro de funcionário da empresa fiscalizada, mas de outra empresa do grupo. Apresentou o formulário do CAGED, enviado pela INTERNET para o M T E Ministério do Trabalho e Emprego. Face ao exame dos formulários do CAGED apresentados, entendemos que as informações constantes do arquivo digital são legitimas e foram apuradas contribuições sobre os pagamentos constantes das mencionadas folhas de pagamentos. Contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que os empregados que prestaram serviços à empresa Ambiental foram colocados, por equívoco, em sua folha de pagamento, sustentou ainda que, nas competências 01/2006 a 07/2007, tais empregados pertenciam a outra empresa do grupo econômico, a Nossa Gestão de Pessoas e Serviços Ltda, e que só, em 08/2007, esses empregados foram transferidos para a autuada. Afirma que os valores foram recolhidos e declarados em GFIP pela empresa Nossa Gestão de Pessoas e Serviços Ltda. Juntou documentos. Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 247) manteve o lançamento. Foi interposto Recurso Voluntário juntado às fls. 253 e seguintes onde foram reiterados os argumentos de defesa no sentido de ter ocorrido erro na apresentação dos arquivos. Por meio da Resolução nº 2402000.237 a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, converteu o julgamento em diligência com a finalidade de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal – inclusive deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições sociais noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS acostadas aos autos, acompanhados de cópias de folhas de pagamento e GFIP’s –, para o levantamento FPA Folha Pgto Ambiental. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 12268.000386/200944 Acórdão n.º 9202005.492 CSRFT2 Fl. 516 3 Por meio do Acórdão 2402003.846, deuse provimento parcial ao recurso para, como base nas informações obtidas pela diligência, determinar a retificação do lançamento e, após, o recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/07/2007 LANÇAMENTO FISCAL. CORREÇÃO DE VALORES APURADOS PELO FISCO. DEMONSTRAÇÃO POR MEIO DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Havendo comprovação de que os valores do tributo estão incorretos, tais valores inicialmente apurados no lançamento fiscal deverão ser alterados para espelhar a realidade da contabilidade da Recorrente. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requereu o provimento do recurso, com a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja cotejado na execução do julgado qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso pela imprestabilidade dos acórdãos paradigmas e por falta de interesse recursal. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Fl. 518DF CARF MF 4 Em sede de contrarrazões o Recorrido requer o não conhecimento do recurso por ausência de divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma. Afirma ainda que inexiste interesse recursal na medida em que a decisão já teria aplicado norma mais benéfica. Observando o teor do acórdão recorrido e a fundamentação do recurso percebemos que o Recorrente baseou sua irresignação na premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria defendido a aplicação da retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. Vejamos a parte conclusiva da peça recursal: A tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária. Ocorre que não foi esse o entendimento aplicado pelo Colegiado a quo. Esse ao analisar, de ofício, a questão entendeu que antes da edição da Medida Provisória nº 449/08 as contribuições previdenciárias somente eram punidas pela multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, tínhamos uma norma especial que se aplicava exclusivamente às contribuições e como tal afastava a incidência da regra geral do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Com isso, por força do art. 144 do CTN, defendeu que aos fatos geradores anteriores à edição da medida provisória deveria ser aplicado o art. 35 na sua redação 'antiga'. Entretanto, embora afirme que a natureza jurídica da multa do art. 35 era de multa de mora, o acórdão deixa claro que o art. 61 não se aplica ao caso, devendo se for o caso, a limitação da multa ser feita com base no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pois estaríamos diante de um lançamento de ofício: Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. E conclui: Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que Fl. 519DF CARF MF Processo nº 12268.000386/200944 Acórdão n.º 9202005.492 CSRFT2 Fl. 517 5 posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. No entender desta Relatora, salvo pelo fato do acórdão recorrido classificar a multa do art. 35 vigente na época dos fatos geradores como multa de mora, punindose exclusivamente a mora do pagamento, todo o entendimento construído para aplicação do art. 106 do CTN é exatamente o mesmo utilizado pelos acórdãos paradigmas. O acórdão nº 230100283 afirma: "O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação" e o acórdão 240100120 conclui: "se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." A própria Recorrente formula seu pedido pela aplicação da multa mais benéfica, se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/08, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009 mesmo critério adotado pelo acórdão recorrido. Diante do exposto, inexistindo divergência quanto ao critério adotado pelos acórdãos recorrido e paradigmas no que tange a aplicação do art. 106 do CTN em relação a retroatividade da multa mais benéfica nos casos de lançamento de ofício de contribuição previdenciárias, deixo de conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 520DF CARF MF 6 Fl. 521DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905571/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.792
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 71 /2 01 2- 98 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.319, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13888.905571/201298 Acórdão n.º 3201002.792 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729743/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.053
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 97 43 /2 01 3- 78 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.497. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.729743/201378 Acórdão n.º 3302004.053 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908089/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 89 /2 00 9- 61 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803003.488, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desprovidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, observadas as ressalvas legais. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessária à comprovação dos créditos alegados. A divergência suscitada no recurso especial centrase na possibilidade de apresentação de provas já no âmbito do recurso voluntário. O Recurso especial foi admitido conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo. Contrarrazões foram apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.080, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.080): "Conhecimento do Recurso Especial A Fazenda Nacional, em contrarrazões, pede o não conhecimento do recurso especial do contribuinte alegando que não fora comprovada a divergência jurisprudencial. Afirma que, muito embora os acórdãos paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da prova no âmbito do processo administrativo fiscal, fizeramno em contexto fático e jurídico distintos, já que o acórdão recorrido tratava de análise de DCOMP e os paradigmas tratavam de lançamento de ofício, o primeiro Notificação de Lançamento (NFLD) de Contribuição Previdenciária e o segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso o fato de que nos processos de compensação a produção da prova é essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco. Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora, quando ela é apresentada somente quando da interposição do recurso voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam se. Pois estamos tratando da mesma norma legal, qual seja o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e a norma não diferencia se o processo é de impugnação ou de manifestação de inconformidade. Em ambos os casos, a análise literal da norma somente permite a apresentação dos elementos de prova no prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. Sendo certo que em ambas situações podem ocorrer a necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de primeira instância administrativa. De forma, que convalido o entendimento exarado no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, por entender que foi demonstrada a divergência jurisprudencial e o recurso especial deve ser conhecido. Mérito Como relatado o acórdão recorrido não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte somente por ocasião da apresentação do recurso voluntário em face da aplicação do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 5 4 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Importante então relembrarmos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou PER/DCOMP com a intenção de compensar indébitos, que entendia estarem comprovados, com créditos tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após a entrega do PER/DCOMP, recebeu Despacho Decisório eletrônico com a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. " Veja que se trata de uma fundamentação bastante resumida e cujo entendimento de seu inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em sua manifestação de inconformidade, também bastante resumida, o recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para a conclusão de sua compensação e tal entendimento está expressamente relatado na sua manifestação de inconformidade. No item 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade assim se pronunciou: (...) 5. Se necessário a apresentação de outros documentos ou mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição para cumprir a pendências que porventura houver. 6. O contato é com o senhor EULER, fone 33473277. (...) Apresentou junto com sua Manifestação de Inconformidade cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora, espelho do DARF do suposto pagamento a maior, cópia dos PER/DCOMP, além de seus documentos de identificação. Veio então o Acórdão da DRJ/Brasília julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente por insuficiência de provas, Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 6 5 sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da prova é do contribuinte que pleiteia a compensação. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a correção de seu procedimento de compensação. Como já vimos, o acórdão recorrido considerou preclusa a apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso. O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e bastante justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, da ampla defesa e da verdade material. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que a descrição dos fatos no despacho decisório não é clara o suficiente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material à medida em que aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação da existência do direito de compensação do contribuinte. Semelhante raciocínio foi apresentado em voto do exconselheiro Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803004.325, de 27/06/2013, o qual transcrevo parcialmente, por concordar inteiramente com suas conclusões (grifos meus). O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 7 6 Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade os documentos de que dispunha naquele momento e que entendia aptos a comprovar seu direito, requerendo a posterior juntada de novas provas, acaso se fizessem necessárias. E, não tendo o julgador a quo reconhecido naqueles documentos a necessária força probante, trouxe o contribuinte novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a apresentação das provas no recurso voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Notese que as provas apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete contábil do período em discussão, as quais demonstrariam supostamente o seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas apresentadas." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.908089/200961 Acórdão n.º 9303005.095 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900624/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 24 /2 01 2- 40 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900624/201240 Acórdão n.º 1302002.155 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900624/201240 Acórdão n.º 1302002.155 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900624/201240 Acórdão n.º 1302002.155 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004482/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento por intempestividade. Por maioria de votos, acordam em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que conheceram também quanto à CSLL. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento por intempestividade. Por maioria de votos, acordam em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que conheceram também quanto à CSLL. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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LIMITE LEGAL. Recorrente PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado SUMATRA COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento por intempestividade. Por maioria de votos, acordam em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator) e André Mendes de Moura, que conheceram também quanto à CSLL. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 44 82 /2 00 6- 51 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 357 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 0912, com a exigência do crédito tributário no valor de R$20.053.965,79, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004. Consta na Descrição dos Fatos: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e CSLL anexo. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247, art. 250, inciso III do art. 251 e art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Consta no Termo de Verificação Fiscal, IRPJ e CSLL, fls. 1719: 1. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma do disposto nos artigos 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26 de março de 1.999, RIR/99, em procedimento de fiscalização junto à empresa SUMATRA CAFÉS DO BRASIL S.A., CNPJ 52.681.616/000179, em cumprimento ao MPF 081.04.002005003718, verificações obrigatórias, constatamos que esta sofreu uma cisão total, com levantamento de balanço final em 31102.004, tendo a empresa em epígrafe, que teve vertido a seu favor a grande maioria Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 358 3 dos ativos da cindida, figurado como sucessora e responsável por direitos e obrigações que viessem a ser apurados, ainda que ocultos por ocasião do evento, conforme ata da assembléia extraordinária que aprovou a cisão. 2. Até a data do inicio da ação fiscal, o contribuinte não havia tomado as medidas pertinentes, junto à Secretaria da Receita Federal, para o cancelamento do CNPJ da cindida, só o fazendo após intimação desta fiscalização, indicando a SUMATRA COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. como sua sucessora. 3. Ainda cumprindo o roteiro das verificações obrigatórias, apuramos a seguinte infração, relativa ao IRPJ da cindida: [...] Das infrações apuradas: IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITE DE 30% não observância Ano calendário 2.004 4. Em 31102.004, tendo em vista a ocorrência de cisão total, o contribuinte procedeu à apuração do Lucro Real do período 01012.004 a 31102.004, apresentando sua DIPJ com esta informação. 5 Conforme a apuração no livro DIÁRIO, este apresentou um lucro liquido contábil de R$ 42.813.179,45 que após as exclusões e adições, gerou um Lucro Real, antes da compensação de prejuízos, de R$ 56.634.182,28. 6 Entretanto, na compensação de prejuízos fiscais acumulados, este não respeitou o limite de 30% estabelecido pelo artigo 250, inciso III do RIR/99 e Lei no 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único e compensou todo o Lucro Real apurado, quando por determinação do referido comando legal, esta compensação se limitaria a R$ 16.990.254,68 (30% de R$ 56.634.182,28), agindo da mesma forma na apuração da base de calculo da CSLL Contribuição Social sobre o lucro Liquido. [...] Dos procedimentos adotados pela fiscalização: 9 Tendo em vista a sucessão havida pela cisão total e estando a empresa sucessora domiciliada na cidade de Santos, SP, foi solicitada a emissão do competente MPF acima mencionado, pela Superintendência da Receita Federal 8ª RF, para que a sucedida pudesse suportar o lançamento, na qualidade de sucessora. Conclusão: 10 Pelo exposto, estamos procedendo à glosa do montante acima, indevidamente compensado, e procedendo ao lançamento, contra a sucessora, na qualidade de responsável pela sucedida, em Auto de Infração anexo, do qual este passa a fazer parte integrante e indissociável, do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, sobre o montante indevidamente compensado, juntamente com seus acréscimos legais. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 359 4 11 Para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal e pelo contribuinte ou seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1316, com a exigência do crédito tributário no valor de R$7.234.025,68, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004. Consta na Descrição dos Fatos: 001 CSLL BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e CSLL anexo. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Cientificado, o Sujeito Passivo apresentou a impugnação, fls. 10511. Está registrado no Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0517.694, de 25.05.2007, fls. 203211: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2004 SUCESSÃO. CISÃO TOTAL. ALEGAÇÃO DE ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Se a autuada teve vertido em seu favor a quase totalidade dos ativos da cindida, e, no ato de cisão, figurou como sucessora e responsável por direitos e obrigações que viessem a ser apurados, não se configura erro de identificação do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/10/2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 360 5 LIMITE DE 30%. CISÃO. As normas legais que estabeleceram limite de 30% do lucro liquido ajustado para compensação de prejuízos e base negativa de CSLL não contem exceção para as empresas extintas por cisão total. Lançamento Procedente [...]. Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os julgadores da 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas, por unanimidade considerar PROCEDENTES as exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 218228. Está registrado no Acórdão nº 10709.447, de 13.08.2008, fls. 241246: IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CALCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES .CISÃO.INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho. [...] ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 12.12.2008 (Despacho de Encaminhamento de fls. 247249). De acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a intimação presumida da PGFN ocorreu em 11.01.2009. Em 14.01.2009, tempestivamente, foi interposto o recurso especial de fls. 251256 (Despacho de Encaminhamento de fl. 257). Suscita que: De acordo com o art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, caberá, privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, de "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova". Ora, o entendimento manifestado pela ilustre maioria, ao permitir a compensação integral de prejuízos fiscais, ou seja, sem a observância do limitador de 30%, afrontou o artigo 15 da Lei no 9.065/95, na medida em que tal dispositivo legal não faz qualquer ressalva a situações em que há a cisão total da empresa. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 361 6 Não se pode olvidar, como será demonstrado, a ofensa ao artigo 514 do RIR 99, bem como ao Art. 229, §1º da Lei nº 6.404/76. Ademais, ao julgar dessa maneira, a decisão acima diverge do entendimento firmado neste Primeiro Conselho de Contribuintes, como se verifica do julgado abaixo: "Acórdão 10515.908 INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei no 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao principio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. Recurso negado." Ao contrário do entendimento da Câmara a quo, a Quinta Câmara entendeu não haver, no ordenamento jurídico, possibilidade de compensação de prejuízos fiscais em patamar superior aos 30% expressamente estipulados, mesmo havendo o desaparecimento da empresa detentora do direito à compensação. Embora o acórdão citado trate de "incorporação", a matéria nele abordada amoldase perfeitamente à hipótese tratada no presente caso de cisão. Assim, restando comprovada a existência de ofensa â legislação que rege a matéria, requer a admissão do presente recurso especial. II — DO MÉRITO Data vênia, o acórdão proferido pela e. Câmara a quo merece ser reformado por expressa afronta à legislação em vigor, bem como à jurisprudência deste Conselho. Quanto à compensação de prejuízos, a legislação em vigor dispõe: Lei nº 9.065/95 [...] Como se observa, a legislação é expressa ao estipular uma limitação (30%) à possibilidade de compensação de prejuízos. De se notar, por oportuno, não haver quaisquer ressalvas na lei quanto a sociedades que fossem extintas em razão de cisão, incorporação ou fusão. Em verdade, há previsão normativa expressa no sentido de não ser possível empresa sucessora a compensação de prejuízos fiscais da sucedida, senão vejamos: RIR 99 "Incorporação, Fusão e Cisão Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 362 7 Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei no 2.341, de 1987, art. 33)." Com efeito, senhores(as) Conselheiros(as), todos os comandos legais levam conclusão de não ser possível a compensação de prejuízo fiscal sem a observância da chamada "trava de 30%". Qualquer conclusão em sentido contrário ofende a legalidade, bem como afronta a segurança jurídica. Ora senhores (as), admitir que a sucessora possa compensar integralmente o prejuízo fiscal da sucedida é admitir que uma operação societária possa conferir à sucessora mais direitos do que detinha a sucedida, em clara ofensa à previsão do §1º do Art. 229 da Lei no 6.404/76, verbis: "Cisão [...]" Ora, se à sucedida não assistia o direito à compensação integral, não há se deferir tal direito à sociedade sucessora. III — DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso especial, a fim de reformar o acórdão proferido pela Câmara a quo e, consequentemente, mantido o lançamento tributário. Houve seguimento ao recurso especial da PGFN (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 06.10.2009, fl. 257), uma vez que o antigo RICSRF, no seu artigo 7º, inciso I, c/c parágrafo 1º, facultava privativamente a Fazenda Nacional interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais de "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidencia de prova" em relação à "Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido. Notificado em 02.12.2009, fl. 262, o Sujeito Passivo apresentou em 17.12.2009, fl. 281, as suas contrarrazões, fls. 284295. Argui que: Insurgese a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 10709.447, da Egrégia Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento integral ao Recurso Voluntário manejado pela Contribuinte, ora Recorrida, para afastar as exigências ultimadas pelo Fisco. A Douta Procuradoria, a rigor da fundamentação do seu recurso, sustenta que o acórdão recorrido afrontou o artigo 15 da Lei nº 9.065/95, dispositivo esse que estabelece o limite para a utilização de prejuízos fiscais. Não há, portanto, insurgência expressa contra a autuação ultimada com base no artigo 16 da referida Lei, que prevê a limitação de 30% na utilização da base de cálculo negativa da CSSL. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 363 8 Destarte, será nesse âmbito e no tocante á matéria expressamente impugnada — artigo 15 da Lei n° 9.065/95 que as presentes contrarrazões serão apresentadas. Todavia, antes de adentrar ao mérito desse necessário contraponto, a Interessada pede licença para apontar, em preliminar, o manifesto impedimento para o definitivo conhecimento do recurso, eis que há fundada dúvida sobre a tempestividade do apelo fazendário. Também em sede preliminar, quer a Recorrida argüir a preclusão operada quanto A glosa relativa A base de cálculo negativa, eis que essa matéria não foi expressamente contestada no presente recurso, que, frisese, apontou tão somente a suposta violação ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95, que cuida exclusivamente da limitação utilização de prejuízos fiscais. E o que será demonstrado a seguir! II — PRELIMINARMENTE 1. DA DÚVIDA SOBRE A TEMPESTIVIDADE DO RECURSO MANEJADO PELA PFN. HIPÓTESE DE NÃO CONHECIMENTO O Recurso Especial, previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, constitui importante instrumento processual colocado A disposição do Contribuinte e da Fazenda Nacional, com a finalidade precípua de uniformizar a jurisprudência na esfera administrativa. Entre as verificações que antecedem a análise de mérito do Recurso Especial, merece destaque a aferição da tempestividade, assim entendida como pressuposto recursal objetivo. Vale dizer, sendo o recurso apresentado após o prazo previsto, não há como, legitimamente, ultimar a apreciação das razões nele desfiladas. No caso concreto, a análise dos elementos dos autos que indicam o trâmite do presente processo administrativo, data máxima vênia, deixam margem à dividas quanto à efetiva data da ciência da decisão recorrida por parte do órgão de representação da Fazenda Nacional. Para uma melhor compreensão desse insofismável argumento de defesa, a Recorrida pede licença para apresentar, no que interessa ao presente contraponto, a ordem cronológica de tramitação do processo em comento, consoante acompanhamento realizado na página eletrônica do CARF (doc. 01): [...] Os autos do processo, por sua vez, apresentam a seguinte ordem: • 31.10.2008 — Despacho determinando o encaminhamento do Acórdão recorrido para ciência da PGFN (doc. 02); • 11.11.2008 — Encaminhamento dos autos à PGFN (doc. 03); • 12.12.2008 — Recebimento do processo pela PGFN (doc. 04); • 12.01.2009 — Termo de ciência assinado pelo Procurador da Fazenda Nacional (doc. 02); • 13.01.2009 — Data da assinatura do Recurso Especial (doc. 05) Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 364 9 • 14.01.2009 — Interposição do Recurso Especial pela PGFN (doc. 05). Da análise dessa ordem cronológica, concluise que o recurso ora contraposto, versado sobre matéria complexa,que certamente exigiu aprofundado estudo por parte de seu subscritor, foi elaborado em apenas 01 um dia. Essa circunstância, acrescida do fato de o processo estar â disposição da PGFN desde o dia 12.12.2008, deixa grande e fundada dúvida sobre a data da real ciência do acórdão recorrido, pois, não é demais repetir, a elaboração de tão complexo recurso em apenas 01 (um) dia trata se de tarefa de difícil —impossível até — cumprimento. Ora, se a ciência, de fato, ocorreu no dia 12.12.2008, por qual razão o Ilustre Procurador iria se apressar em apresentar o complexo recurso no segundo dia do prazo, quando ainda dispunha de mais 13 (treze) dias para tomar tal providência? Destarte, havendo fundada dúvida sobre a correta data da ciência do acórdão recorrido (12.01.2009), deve essa CSRF efetuar a contagem do prazo recursal com base na data do recebimento dos autos pela PGFN, qual seja, o dia 12.12.2008 (doc. 04), eis que sobre tal data não existe dúvida alguma. Assim, realizandose a contagem do prazo nos moldes propostos, fica evidenciada a intempestividade do Recurso Especial interposto pela PGFN, o que impossibilita a apreciação do mérito do apelo fazendário. Diante do argüido, a Recorrida requer o não conhecimento do Recurso Especial manejado pela Douta PGFN, eis que existe fundada dúvida quanto sua tempestividade, como se pode extrair dos elementos dos autos. 2. DA PRECLUSÃO OPERADA EM FAVOR DA RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE RECURSO QUANTO AO ARTIGO 16 DA LEI N° 9.065/95 [...] Da leitura do trecho transcrito, bem como de toda a peça recursal, depreendese que a Douta Recorrente sustenta sua irresignação com base exclusivamente na alegada afronta ao artigo 15 da lei n° 9.065/95, que é o dispositivo que limita a utilização de prejuízos fiscais. Com efeito, a glosa dos prejuízos fiscais foi a motivação do lançamento a titulo de Imposto de Renda, eis que a Fiscalização entendeu ser impossível a utilização de tal crédito além da denominada trava de 30%. Ocorre que a autuação discutida nos presentes autos foi centrada na utilização integral de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, essa última embasando a exigência de CSLL. A limitação da utilização de base negativa, por sua vez, encontra previsão legal no artigo 16 da Lei n° 9.065/95, que em momento algum foi citado no recurso ora contraposto. Destarte, ao apontar somente a suposta afronta ao artigo 15 da Lei n° 9,065/95, a Douta Procuradoria prosseguiu na discussão apenas em relação ao lançamento de Imposto de Renda, o lançamento relativo à CSLL, por sua vez, não pode mais ser questionado, eis que a Douta Recorrente, em momento algum, apontou afronta a artigo 16 do mesmo diploma legal, Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 365 10 dispositivo esse que estabelece a limitação para base de cálculo negativa da CSLL e foi invocado pela Fiscalização como base legal do lançamento. Em última análise, não havendo a expressa indicação de afronta ao artigo 16, a decisão que julgou improcedente o lançamento de CSLL está definitivamente protegida pela coisa julgada, não cabendo mais qualquer discussão a esse respeito. Portanto, o Recurso Especial interposto pela Douta Procuradoria, caso conhecido, deve o ser apenas e tãosomente em relação ao lançamento de IRPJ, eis que a exigência vinculada à CSLL foi definitivamente afastada pela decisão soberana — e agora irreformável da extinta 7º Câmara do 1° Conselho de Contribuintes. III — DO MÉRITO Ainda que as preliminares arguidas não sejam acatadas por essa CSRF, o que se admite apenas para encaminhar o raciocínio, quer a Recorrida dizer que, no mérito, melhor sorte não está reservada As pretensões do Fisco. É o que será demonstrado! 3. DO IMPROVIMENTO DO RECURSO. DA EXISTÊNCIA DE BASE LEGAL PARA A COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS SEM A LIMITAÇÃO IMPOSTA PELO ARTIGO 15 DA LEI N° 9.065195. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que houve ofensa ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95, uma vez que nesse artigo não haveria previsão para a compensação integral dos prejuízos fiscais na operação de cisão total. Com a devida vênia, esse entendimento é equivocado: a limitação da compensação dos prejuízos fiscais, no percentual de 30% (trinta por cento) do lucro real do período, prevista no artigo citado, só alcança as empresas em funcionamento normal. Vale dizer, o art. 15 da Lei n° 9.065/95 não se aplica aos casos de incorporação e cisão total, nas quais há a extinção da sociedade. Isto porque esse artigo não representa a regra geral de compensação de prejuízos, mas, sim, uma regra especial que só pode ser adotada nos seus estreitos limites. Deveras, a regra geral da compensação de prejuízos fiscais continua sendo a disciplinada pelo artigo 64 do Decretolei n° 1.598, de 1977, verbis: [...] O artigo 64 transcrito constitui a regra geral da compensação de prejuízos fiscais. Continua vigente e eficaz. Além disso, convive em harmonia com o artigo 15 da Lei n° 9.065/95, que tem a seguinte redação: [...] O artigo 15 em destaque não revogou o art. 64 do Decretolei n° 1.598177, nem expressamente, tampouco de forma tácita, já que apenas fixou o teto de 30% (trinta por cento) para a compensação dos prejuízos fiscais. Não regulou, portanto, inteiramente a matéria tratada no art. 64 em destaque. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 366 11 O artigo 15 da Lei n° 9.065/95, como anteriormente havia feito o art. 15 da Lei n° 8.981/95, não criou o direito 5 compensação dos prejuízos fiscais. Pelo contrário, apenas postergou a utilização desse direito. 0 art. 15 em questão, portanto, representa a norma especial, enquanto o art. 64 continua sendo a norma geral dessa matéria. A prova dessa assertiva pode ser assim aferida: se o art. 15 da Lei n° 9.065/95 for revogado não será preciso emitir nova regra para compensação de prejuízos. 0 art. 64 do Decretolei n° 1.598/77 continuará regulando essa matéria. Como obrigatoriamente acontece no tocante às normas especiais, o art. 15 da Lei n° 9.065/95, para sua aplicação, pressupõe o contexto especial a que se destina, que foi assim definido na exposição de motivos da Medida Provisória posteriormente convertida na referida Lei: [...] A parte sublinhada desses artigos evidencia, com fidelidade, o objetivo dessa norma especial: limitar, temporalmente, o exercício do direito A compensação do prejuízo. A simples postergação, A evidência, encontra o seguinte limite: não pode haver perda ou eliminação do direito A compensação. A garantia da plena utilização do saldo de prejuízos está, expressamente, assegurada pela exposição de motivos acima referida. Portanto, a única conclusão possível é que a limitação dos 30% (trinta por cento), fixada pelo art. 15 da Lei no 9.065/95, só pode ser aplicada às empresas em funcionamento normal, sob pena de haver perda do prejuízo fiscal que, como visto, não está prevista no citado art. 15. Esse entendimento encontra respaldo na jurisprudência judicial, a exemplo do RESP 993.975 SP (2007/02343579), relatado pela Ministra Eliana Calmon. 0 voto da ilustre Ministra é longo e destaca vários julgados daquela Corte. Merecem, contudo, destaques os seguintes trechos do voto condutor do precedente citado: [...] No caso vertente, se a compensação integral não for admitida haverá perda do saldo de prejuízos fiscais, no montante que superar os 30% (trinta por cento) do lucro real do período, visto que a transferência de prejuízo para a sucessora está vedada pelo art. 33 do Decretolei n° 2.341/87. A vedação estabelecida pelo art. 33 não merece censura porque na incorporação, assim como na cisão total, há extinção da pessoa jurídica. O que não pode haver é duplicidade na vedação, vale dizer, impedir a transferência do direito à compensação e também impedir a utilização desse prejuízo nas citadas operações, como pretende a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional mediante uma interpretação forçada do art. 15 da Lei n° 9.065/95. Por fim, é preciso observar que não há lacuna legal no tratamento da matéria sob exame, tendo em conta que o direito à compensação integral na operação de cisão total não foi atingido pelo art. 15 da Lei n° 9.065/95, que só pode ser aplicado ás empresas em funcionamento. Com esse alvo estreito, o citado art. 15 não limitou o direito á compensação plena prevista no art. 64 do Decretolei n° 1.598/77. Como apoio, a ora Recorrida junta cópia do Parecer emitido pelo Dr. Ives Gandra da Silva Martins publicado pela FISCOsoft Editora (doc. 06). Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 367 12 IV — DO PEDIDO Diante de todo o exposto, a Recorrida requer o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela PGFN e, caso conhecido, no mérito seja improvido. Notificado em 02.12.2009, fl. 262, o Sujeito Passivo ainda opôs em 07.12.2009, fl. 268, os embargos de declaração, fls. 269273, o qual foi dado seguimento, fls. 317318. Assim foi proferido o Acórdão nº 110300.688, de 09.05.2012, efls. 322326, em cuja ementa consta: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE QUESTÃO ESSENCIAL. A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar. [...] Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 10709.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN foi notificada em 18.03.2012, efls. 323326, e permaneceu silente. O Sujeito Passivo foi cientificado em 10.01.2013, efl. 335 e em 21.08.2012 apresentou o arrazoado de efls. 337341, no qual expõe de forma reiterada os argumentos apresentados nas contrarrazões "a fim de eliminar as dúvidas sobre a tempestividade do recurso especial manejado pela Douta PGFN". É o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 368 13 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator. Preliminares Admissibilidade do Recurso Especial Em sede de contrarrazões o Sujeito Passivo procura demonstrar "dúvidas sobre a tempestividade do recurso especial manejado" pela PGFN. Para que a arguição de intempestividade do recurso especial possa ser devidamente avaliada, deve ser examinada a legislação que regulamenta o tema da intimação dos Procuradores da Fazenda Nacional. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art.23. Farseá a intimação: (...) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) O §7º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 determina, portanto, que os Procuradores da Fazenda Nacional devem ser intimados pessoalmente das decisões do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Caso tal intimação se dê por meio do envio dos autos físicos dos processos para a PGFN, o §9º do mesmo artigo fixa que a intimação pessoal considerase realizada no término do prazo de trinta dias contados da data da chegada do processo à PGFN. O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 11.12.2008 (fl. 248) e recebido pela mesma em 12.12.2008 (fl. 249). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 369 14 De acordo as normas, a intimação presumida da PGFN deuse em 12.01.2009, mesma data em que o procurador resolveu tomar ciência pessoal (fl.247), termo inicial da contagem do prazo de quinze dias para interposição do recurso especial. Em 14.01.2009, antes de esgotados os quinze dias, foi interposto o recurso especial de fls. 251256 (carimbo à fl.251), logo o recurso é tempestivo. Portanto, deve ser rejeitada a primeira preliminar de não conhecimento do recurso especial. O Sujeito Passivo suscita ainda uma segunda preliminar de não conhecimento do recurso especial, alegando que houve preclusão processual em relação à CSLL. Levei à discussão do colegiado uma questão anterior ao julgamento desta preliminar, qual seja, se essa segunda preliminar tem relação com o conhecimento do recurso ou com o conteúdo do recurso. Posicioneime no sentido de que deveria ser discutida após o conhecimento, por não tratar de pressuposto de admissibilidade de recurso, mas o colegiado entendeu que se tratava de uma preliminar relacionada ao conhecimento. Assim, ficando vencido quanto a esta questão anterior, passo a analisar esta segunda preliminar em sede de conhecimento. A contribuinte argumenta que a PGFN, ao apontar a suposta afronta somente ao artigo 15 da Lei nº 9.065/95, prosseguiu na discussão apenas em relação ao lançamento de Imposto de Renda; que o lançamento relativo à CSLL, por sua vez, não pode mais ser questionado, eis que a Douta Recorrente, em momento algum, apontou afronta a artigo 16 do mesmo diploma legal, dispositivo esse que estabelece a limitação para base de cálculo negativa da CSLL e que foi invocado pela Fiscalização como base legal do lançamento. De acordo com o sujeito passivo, a decisão que julgou improcedente o lançamento de CSLL está definitivamente protegida pela coisa julgada, não cabendo mais qualquer discussão a esse respeito. Compulsando aos autos, vêse que o recurso especial da PGFN realmente não apresenta argumentos que tratam da CSLL e nem da compensação de base negativa dessa contribuição. A argumentação fica sempre restrita à questão da compensação de prejuízo fiscal, que é tema próprio do IRPJ. Quando o recurso busca fundamento no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (previsto para questionamento de decisão nãounânime, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), ele indica apenas os dispositivos legais referentes ao IRPJ, ou seja, o art. 15 da Lei 9.065/95 e o art. 514 do RIR/99. E, embora não seja recurso de divergência de interpretação da lei tributária (como o procurador especifica, às fls. 251 e 253, tratarse de recurso como contrariedade a lei), a decisão citada como divergente, o Acórdão nº 10515.908, cuja ementa foi transcrita, só trata do IRPJ. Entretanto, para fins de julgar essa preliminar, há que se conhecer o que diz o Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especiais do CARF, aprovado pela Portaria CARF nº 56, de 31 de março de 2016, de observância obrigatória no âmbito do CARF, conforme dispõe o §1º do seu art. 1º. Confirase: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 370 15 PORTARIA CARF N° 56, DE 31 DE MARÇO DE 2016. Aprova o Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especiais do CARF O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto no art. 3o, inciso IV. do Anexo I, da Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, RESOLVE: Art. 1o Aprovar o Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial do CARF, na forma do Anexo Único a esta Portaria. § 1º. O Manual de que trata o caput é de observância obrigatória no âmbito do CARF e estará disponível para consulta em: https://intranet.carf/bibliotecadigital/manual , na versão vigente; § 2o Será designada Equipe de Trabalho responsável por manter atualizada a versão publicada na Intranet CARF; e § 3o A versão publicada na Intranet receberá numeração sequencial sucessiva, no formato "x.y", sendo "x" o número da versão e "y" o número de atualização da respectiva versão. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Boletim de Serviço do CARF. Consta no Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especial, versão 2.2 de setembro de 2016, à fl. 59, que: Assim, tratase de recurso de cognição ampla, cujos pressupostos processuais são: a) decisão não unânime; e b) simples alegação de contrariedade à lei ou à evidência de prova. Tendo em vista o que está no referido Manual já não importa que a PGFN tenha indicado a devida lei à qual será aferida a contrariedade, basta que se alegue contrariedade à lei lato sensu, que, com isso, como determina e deve ser observado o Manual, a Câmara Superior deverá passar em revista ao ordenamento jurídico para identificar contrariedade a alguma lei. Desse modo, não há de se acatar a segunda preliminar apresentada nas contrarrazões. Passo à análise do mérito que se restringe a matéria relativa à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por incorporação. Mérito Compensação de Prejuízos Fiscais sem Observância do Limite de 30% do Lucro Real, no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Cisão Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 371 16 A PGFN procura demonstrar em síntese que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais aplicase nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica extinta por cisão. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinou a questão da seguinte forma a partir de 01.01.1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. [...] O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 344.994/PR declarou a constitucionalidade do art. 42 da Lei n.º 8.981, de 1995: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. [...] Vale transcrever excertos do VotoVista da Ministra Ellen Gracie: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 372 17 É apenas por benesse da política fiscal – atenta a valores mais amplos como a estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos – que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante par ao exercício que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30% ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Pacificando este entendimento, ainda o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 545.308/SP declarou novamente a constitucionalidade do art. 42 da Lei n.º 8.981, de 1995: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. Assim o STF fixou que o direito a compensação dos prejuízos fiscais tem natureza jurídica de benefício fiscal em favor do contribuinte. Desse modo pode ser revista pelo ente tributante e não se caracteriza direito adquirido, ou seja, direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Por seu turno, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, manteve o benefício fiscal nos mesmos moldes da Lei nº 8.981, de 1995 e assim dispõe a partir de 01.01.1996: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] Ademais, nesse mesmo sentido está registrado no enunciado da Súmula CARF nº 3: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 373 18 Para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social Sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Por conseguinte, restou cristalino o entendimento de que a Lei nº 8.981, de 1995 e por inferência também a Lei nº 9.065, de 1995, que tratam da limitação legal de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL são constitucionais, mesmo porque não foi declarada a inconstitucionalidade de nenhuma delas pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102 da Constituição Federal). Aliás, como se trata de benefício fiscal pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo e se restringe às condições fixadas em lei (caput do art. 37 da Constituição Federal). Verificase, por conseguinte, que a mencionada compensação não pode ser considerada como direito adquirido, senão nos limites da legislação que rege a matéria. Nos julgamentos pelo STF do RE 344.994/PR e do RE 545.308/SP, apesar de não ter examinada a questão do limite legal de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de pessoa jurídica, restou cristalino que a lei aplicável em relação a essa compensação é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Aliás assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no REsp 1107.518/SC: "A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte." Sobre o conceito legal de renda, temse que para fins de IRPJ em seu aspecto material da hipótese de incidência deve ser entendido como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43 do Código Tributário Nacional CTN). Fica a cargo de lei ordinária federal fixar os demais aspectos da hipótese de incidência, inclusive o temporal, uma vez que a competência para instituir o IRPJ é da União. A limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais não pode ser traduzida em instituição de novo tributo, o que somente poderia ser efetivado nos estritos termos das determinações constantes na Constituição Federal. Tratase tão somente de instrumento de política tributária. Este benefício fiscal, constituído dentro de parâmetros legais, tem natureza jurídica de dedução da base de cálculo do IRPJ em relação a períodos futuros. Nada mais é que a utilização delimitada de prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores. O conceito de renda não foi adulterado, tampouco extravasada a competência tributária da União acarretando tributação do patrimônio. Em relação ao conceito de lucro, cabe explicitar que tem caráter eminentemente legal (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977), o que pode não corresponder às perspectivas societárias e econômicas, conforme entendimento do STF esposado no RE 344.994/PR. Reiterese que a limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais não tem o condão de criar "artificialmente um lucro nas pessoas jurídicas deficitárias, para tributarlhes o patrimônio", como bem elucidado acima pelo VotoVista da Ministra Ellen Gracie. Podese concluir que a continuidade da pessoa jurídica não implica um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal afastada do limite legal de 30%, o que não desnatura a materialidade da hipótese de incidência do IRPJ, nem o conceito para fins tributários de renda ou de lucro em determinado período de apuração, no sentido preciso de confirmar a independência entre os exercícios. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 374 19 Ainda, o art. 32 e art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, vedaram à pessoa jurídica compensar seus próprios prejuízos se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido modificação de seu controle acionário e do ramo de atividade, bem como vedou a compensação, pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, de prejuízos da sucedida e não estabeleceu exceções a esta regra. A interpretação sistemática da Lei n° 8.981, de 1995, da Lei nº 9.065, de 1995 e do DecretoLei nº 2.341, de 1987, leva a conclusão de que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais aplicase nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica por incorporação ou cisão, já que inexiste neste contexto norma implícita. Reiterese que não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Já restou bem esclarecido que o presente litígio abrange questões sobre o direito à compensação de prejuízo fiscal em anos futuros, especificamente no que toca às nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. Não deixo de reconhecer que a matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas, como já apontado resumidamente acima, eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais deve observar o limite legal de 30% do lucro real, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, por cisão, ou por qualquer outro evento. Entre as razões de decidir, adoto o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 375 20 Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 376 21 para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 377 22 compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 378 23 Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à baila a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 379 24 compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência de uma aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009 também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 380 25 Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 381 26 como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 9101 00.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 382 27 Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é correta a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua cisão, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 383 28 exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 384 29 pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 385 30 pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 386 31 continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 387 32 Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 388 33 Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa extinta: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outro tipo de argumentação a meu ver inadequada, que procura defender o entendimento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei. Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria a própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 389 34 Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real, mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101 002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101 002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais deve observar o limite legal de 30% do lucro real, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 390 35 Temse que no anocalendário de 2004 (31.10.2004), Sumatra Cafés do Brasil S/A., CNPJ 52.681.616/000179, foi extinta por cisão. A sucessora Sumatra Comércio Exterior Ltda. é a responsável pelos tributos devidos pela sucedida. A empresa Sumatra Cafés do Brasil S/A., na DIPJ referente ao evento de extinção, compensou o lucro real apurado no decorrer de 2004 com os prejuízos fiscais de períodos anteriores, sem a limitação de 30% prevista na legislação tributária. Verificase que a circunstância de a pessoa jurídica Sumatra Cafés do Brasil S/A. ter sido cindida, com a extinção de sua personalidade jurídica, não permite a compensação sem limitação dos prejuízos fiscais dos anos anteriores. Restou bastante evidenciado que deve prevalecer a regra geral impositiva para todos os efeitos legais, qual seja, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais impõese inclusive no caso de extinção da pessoa jurídica. Nesse passo, deve ser restabelecido o lançamento a título de IRPJ. Conclusão Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator, este colegiado divergiu de sua conclusão quanto ao conhecimento do recurso especial da Procuradoria em relação à CSLL. A discussão cingese ao conhecimento ou não do recurso especial quanto à CSLL, uma vez que em sede de contrarrazões a contribuinte argumentou que ao apontar a suposta afronta somente ao artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, a Procuradoria prosseguiu na discussão apenas em relação ao lançamento de IRPJ. Em seu voto, o ilustre relator entendeu, com base no Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, que para o conhecimento do recurso "basta que se alegue contrariedade à lei lato sensu", a partir dessa alegação "a Câmara Superior deverá passar em revista ao ordenamento jurídico para identificar contrariedade a alguma lei". Conforme exposto pelo relator, quando o recurso especial da Procuradoria busca fundamento no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, ele indica apenas os dispositivos legais referentes ao IRPJ, ou seja, o art. 15 da Lei 9.065/95 e o art. 514 do RIR/99, restringindo toda sua argumentação a esse tributo. Assim, este colegiado entende que a matéria referente à CSLL não deve ser conhecida, por não ter sido feita no recurso especial a indicação do artigo 16 da Lei nº 9.065, Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 391 36 de 1995. Ora, em relação à compensação de prejuízo fiscal, a referida lei possui dispositivos específicos para tratar sobre IRPJ e CSLL, os artigos 15 e 16, respectivamente. De forma que não se pode pretender discutir CSLL a partir apenas da indicação de dispositivo que trata sobre o IRPJ. Senão, transcrevo os referidos dispositivos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (Grifei) O recurso especial analisado tem fundamento no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, que assim dispunha: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; [...] § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. (Grifei) De acordo com regra de transição garantida pela Portaria MF nº 343, de 2015, apresentada pelo próprio Manual de Admissibilidade de Recurso Especial, os recursos com base no dispositivo citado devem ser processados de acordo com o rito previsto no artigo 15 do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria nº 147, de 2007, o qual estabelecia Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 9101002.845 CSRFT1 Fl. 392 37 que o recurso deveria demonstrar de forma fundamentada a contrariedade à lei. Nesse sentido, dispunha o artigo 15: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. É verdade que, para efeito de admissibilidade, basta apontar a contrariedade à lei. Entretanto, não se pode ampliar o recurso para o que sequer foi apontado. No caso em apreço, como havia dois dispositivos distintos tratando dos tributos e somente um foi apontado pela recorrente como sendo contrariado, não se pode conceber que a contrariedade foi arguida também em relação ao outro dispositivo, qual seja, o art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Desse modo, em razão da falta de indicação do dispositivo legal referente à CSLL contrariado, a despeito de a Lei nº 9.065, de 1995, trazer dispositivo específico sobre o tributo, há de se acatar a segunda preliminar apresentada nas contrarrazões, para fins de reconhecer que o exame do recurso especial da PGFN deve ficar restrito ao lançamento a título de IRPJ. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 393DF CARF MF
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