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Numero do processo: 10073.000911/97-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 1998
Ementa: COFINS - FALTA DE RECOLHIMENTO - A falta de recolhimento de tributo nos prazos previstos na legislação tributária enseja sua exigência, mediante lançamento de ofício. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-10753
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcos Vinícius Neder de Lima
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O. uc D...0.1./C7._.. 6 ./ 19 ..9t Rubrica . MINISTÉRIO DA FAZENDA _ . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,-; "•.,'W>.--. ,.. Processo : 10073-000911197-61 Acórdão : 202-10.753 Sessão : 08 de dezembro de 1998 Recurso : 109.461 Recorrente : SUPERMERCADO SUBLIME DE VOLTA REDONDA LTDA. Recorrida : DRJ no Rio de Janeiro - RJ COFINS - FALTA DE RECOLHIMENTO - A falta de recolhimento de tributo nos prazos previstos na legislação tributária enseja sua exigência, mediante lançamento de oficio. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SUPERMERCADO SUBLIME DE VOLTA REDONDA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de dezembro de 1998 Í , b . i• e s inicius Neder de Lima r . • idente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Oswaldo Tancredo de Oliveira, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges, José de Almeida Coelho, Maria Teresa Mardnez López, Ricardo Leite Rodrigues e Helvio Escovedo Barcellos. Mdm/fclb/mas 1 Yig MINISTÉRIO DA FAZENDA • • • - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo : 10073-000911/97-61 Acórdão : 202-10.753 Recurso : 109.461 Recorrente : SUPERMERCADO SUBLIME DE VOLTA REDONDA LTDA. RELATÓRIO O presente processo origina-se de lançamento por falta de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, nos períodos de janeiro/94 a setembro/97. Consoante a descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 24 e 25), os valores a recolher da Contribuição encontram-se nos Demonstrativos (fls. 10 a 17) e exigidos com base na Lei Complementar n° 70/91. Irresignada com tal ato administrativo, a impugnante recorreu à autoridade monocrática, com o fito de vê-lo anulado. Às fls. 34/54, impugnação à exigência fiscal, em que, em síntese, é alegada a inconstitucionalidade da contribuição para a COFINS. A autoridade monocrática julgou procedente em parte a ação fiscal, com sua decisão assim ementada: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Não havendo excesso da contribuição em relação ao devido com base na legislação em vigor, deve ser mantido o lançamento. A partir de abril de 1992, a Contribuição é exigida com base na alíquota de 2% sobre o faturamento, cujo lançamento e cobrança, de acordo com a Lei Complementar 70/91, foram julgados constitucionais pelo STF. Duplicidade — comprovado que parte da exigência é objeto de lançamento que consubstancia outro processo fiscal, deve-se cancelar a exigência mais recente. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE." 2 /).• MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10073-000911/97-61 Acórdão : 202-10.753 A empresa recorre a este Colegiado, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. A apreciação deste recurso foi determinada pela ordem judicial exarada no Mandado de Segurança n° 98.20224-2. Em suas contra-razões, a Fazenda Nacional pugna pela manutenção integral da exigência. É o relatório. 3 35J-- MINISTÉRIO DA FAZENDA k Ir 4 -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES _ _ Processo : 10073-000911197-61 Acórdão : 202-10.753 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MARCOS 'VINICIUS NEDER DE LIMA Trata-se de lançamento por falta de recolhimento de Contribuição para a COFINS, efetuado com base na LC n° 70/91, em que a recorrente não contesta a falta de pagamento do débito. Sua defesa baseia-se na inconsistência jurídica da exigência formalizada pelo Fisco. Efetivamente, o bom direito não labora em favor da pretensão da recorrente, eis que a legalidade da exigência da COFINS, nos termos da LC n° 70/91, já se encontra pacificada em nossos tribunais superiores, face a decisão de força vinculante da Suprema Corte na Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1/1/93. Mesmo se assim não fosse, descabe ao agente público perquirir sobre a motivação das políticas legislativas, vedando-se-lhe a interpretação de seus conteúdos ou da adequação destes aos parâmetros que entenda ajustados àqueles estabelecidos na norma de hierarquia superior. A questão da constitucionalidade da norma legal refoge à órbita da Administração, para se inserir na esfera da estrita competência do Poder Judiciário. Com estas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessõei e 8 de dezembro de 1998 Á yy /VINICIUS NEDER DE LIMA 4
score : 1.0
Numero do processo: 37082.000270/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO
DO ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURÁ. PAT. INSCRIÇÃO.
OBRIGATORIEDADE. Para que os valores pagos a título de auxilio
alimentação não integrem o salário-de-contribuição dos empregados é obrigatória a prévia inscrição da contribuinte no PAT - Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho. Inteligência do art. 28, § 9° da Lei 8.212/91.
PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS -
CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA
Deverá restar de mostrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslindeda questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula Fl. 03 do Eg.
Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.654
Decisão: I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em razão da decadência, em excluir as contribuições apuradas anteriormente a 12/2000, inclusive 13/2000, devido a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros R
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURÁ. PAT. INSCRIÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para que os valores pagos a título de auxilio alimentação não integrem o salário-de-contribuição dos empregados é obrigatória a prévia inscrição da contribuinte no PAT - Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho. Inteligência do art. 28, § 9° da Lei 8.212/91. PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar de mostrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslindeda questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula Fl. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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decisao_txt : I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em razão da decadência, em excluir as contribuições apuradas anteriormente a 12/2000, inclusive 13/2000, devido a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros R
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Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURÁ. PAT. INSCRIÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para que os valores pagos a título de auxilio alimentação não integrem o salário-de-contribuição dos empregados é obrigatória a prévia inscrição da contribuinte no PAT - Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho. Inteligência do art. 28, § 9° da Lei 8.212/91. PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula Fl. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Q Câmara / 2' Turma Ordinária da S - gunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em razão da decadência, em ,..,, NSexcluir as contribuições apuradas anteriormente KI O, inclusive 13/2000, devido a regra 1 expressa no I, Art. 173 do C1N, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram em aplicar a regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 147 • CELO IVEIRA - Presidente NÇO FERREIRA DO PRADO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Peneira do Prado, Ry 'que Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mana (Suplent f(1 2 Processo rr 37082.000270/2007-42 52-C4T2 Acórdão n. 2402-00.654 Fl. 300 Relatório Trata-se de NFLD lavrada em decorrência de contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa e que tiveram origem na prestação salarial "in natura" atrav's do fornecimento habitual de alimentação aos empregados sem a adesão ao PAT — Programa de alimentação ao trabalhador, no período de 01/1999 a 03/2004. A cientificação do sujeito passivo se deu em 22.09.2006 (fl 01). E, conforme o relatório fiscal de fls. 109/110 foram examinados os seguintes documentos: RAIS ano base 1999 a 2004; folhas de pagamento; GFIP s, GPS's, relações de almoços, manual de integração RH, recibos, notas fiscais, contrato social e alterações e os livros Diário e Razão do período de 01/1996 a 04/2006. Regularmente autuada e notificada a empresa apresentou impugnação às fls. 236/249 alegando: • a improcedência da NFLD ante a ausência de comprovação acerca da habilitação do fiscal que examinou os livros contábeis da empresa, sendo esta tarefa privativa de contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade. • decadência , ante a natureza tributária das contribuições sociais, pela regra do Art. 173 do C7N atingindo os lançamentos anteriores a 12/2000; • que o fornecimento da alimentação aos trabalhadores não integra a remuneração para qualquer efeito,' • que os valores leavntados pela fiscalização são questionáveis, • que os juros moratórios tiveram por base de cálculo a taxa Selic que entende inconstitucional; • A Decisão de Notificação de fis. 260/271 julgou procedente o lançamento, e manteve o crédito tributário. Desta decisão, tempestivamente a empresa interpõe recurso alegando: decadência nos moldes do artigo 173 do CTN; que o fornecimento da alimentação aos trabalhadores não integr a remuneração para qualquer efeito; • que a decisão que indeferiu a produção de prova pericial é nula. • a inconstitucionalidade da taxa SEL1C co e de calculo dos juros de mora; , h 3 • Vieram aos autos cópia de liminar oriunda da Vara Federal de Santa Cruz do Sul isentando a empresa do deposito recursal (178/183). Sem contrarrazões da Pro 'a Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. ,"t É o relatório. í. I 4 Processo n°37082.000270/200742 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.654 Fl. 301 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator Tempestivo o recurso e presente os seus pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, analisando em preliminar o tema decadência. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, 1H, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556 664, 559 882, 559.943 e 560.626, em- decisão plenária- que— declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n ° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional a saber, dentre os artigos 150, § 4° ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra- - 5.7 inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do No caso dos autos, trata-se de ausência do recolhimento da contribuição devida, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadência o disposto no art. 173, I, do CTN, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por tais motivos, a preliminar de decadência ora sob análise deve ser acatada no sentido de que seja aplicado in casu o art. 173, I, do CTN, de modo que sejam excluídas do lançamento as competências anteriores a 10/2000, inclusive, a de 13/2000. No mérito, a inclusão dos valores pagos a título de auxilio alimentação no salário de contribuição dos segurados empregados da recorrente, em período no qual esta não possuía inscrição no PAT, tenho que há de ser mantida. O artigo 28, em seu § 9, alínea "c" , da Lei 8.212/91, preceitua que não integra o salário de contribuição apenas a parcela de alimentação in natura que esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, motivo pelo qual a inscrição do contribuinte, nos termos elencados pela legislação, é condição sine qua non para o usufruto do beneficio legal. A falta de inscrição, mesmo que posteriormente o contribuinte venha a inscrever-se no PAT, não autoriza que as parcelas anteriormente pagas sejam excluídas do salário de contribuição. Confira-se o dispositivo legal: "Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo f tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) § 9° Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência So -rmos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; 6 Processo n°37082.000270/2007-42 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.654 Fl. 302 Por sua vez, indispensável a leitura do artigo 1 0 do Decreto n° 05, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a lei 11 6.321/1976: "Art. 6° Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga in natura pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previ denciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador" A matéria também foi regulada pelo artigo 783 da Instrução Normativa SRP n.° 100, de 18.12.2003: "Art. 783. Não integra a remuneração a parcela in natura, sob forma de utilidade o de alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT ao trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisito estabelecidos pelo órgão gestor competente." Não restam dúvidas sobre a obrigatoriedade da prévia inscrição no PAT para que a empresa recorrente possa usufruir das disposições legais que desoneram a incidência das contribuições sociais sobre a parcela de alimentação in natura concedida a seus empregados. Portanto, sem razão a recorrente quando argúi que a concessão de auxilio alimentação não se caracteriza como parcela salarial da remuneração do trabalhador. Referido entendimento já se encontra sedimentado neste Eg. Conselho de Contribuintes, conforme se percebe da ementa do seguinte julgado, dentre outros: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENC1ÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio-alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma "in natura", caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Recurso Voluntário Negado (Recurso Voluntário 143.589, Rel. Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Sessão de 06/06/2008) Com relação ao inconforinismo da recorrente pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial, não lhe confiro razão. Não se vislumbra a ocorrência do alegado de cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto n°70.235/1972 estabelece o seguinte: Art16 - A impugnação mencionará: IV- as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endere ualificação profissional de seu perito; 7 § I° - Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verifica-se que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitou-se a requerer produção de prova pericial. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. E, finalmente quanto ao pedido do reconhecimento da excessividade da multa aplicada ensejaria, via de regra, o reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo da legislação tributária, o que suprime competência privativa do poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "h" da Constituição Federal. Sobre o tema, o Segundo Conselho de Contribuintes editou a Súmula n. 02, aplicável ao presente caso, fixando o seguinte comando: SÚMULA n. 02 "Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Cumpre lembrar que a sua aplicação decorre daquilo que claramente disposto no art. 34 da Lei n°8.212/91, com redação dada pela Lei n°9.528/97, confira-se: "Artigo 34: As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrevogável." Não obstante a matéria já foi objeto de inúmeras discussões neste Eg. Conselho, quando então fora editada a Súmula n. 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, aplicável ao presente caso e cuja redação fora assim aprovada na sessão plenária de 18/09/2007: "SÚMULA N. 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para título federal. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. VOTO por CONHECER DO RECURSO, decretando a decadência relativamente às competências anteriores a 10/2000, mantendo-se na integralidade os períodos posteriores, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 LOURENÇO FERREIRA DO PRADO - Relator o MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4..-ar,-5 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO- Processo n°: 37082.000270/2007-42 Recurso n°: 146.317 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.654 Br . silia, 1 de abril de 2010 ELIAS SWAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002596/00-43
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1995
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE .
Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprova-se por meio de técnico e outras provas documentais. No caso, de declaração pelo IBAMA. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17-O daLei nºo 6.938/81, na redação do art. 1º da Lei no 10.165/2000.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 302-39.647
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATORIO AMBIENTAL-ADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprova-se por meio de técnico e outras provas documentais. No caso, de declaração pelo IBAMA. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17-0 da Lei ri L) 6.938/81, na redação do art. 1' da Lei n' 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. IIP atA__ ' fn JUDITH 13 e4 A' ' 1_, MARCONDES ARMANDO - Presit : te - AlkELE / • - Relatora'tel4 1 Processo n° 101 20.002596/00-43 CCO3,CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 123 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecília Barbosa. • 2 Processo n° 10 120.002596/00-43 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 124 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da. Receita Federal de Julgamento eni Brasília/DF. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Versa o presente 171--C2 cessa sobre a no tificczção de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rtt "'Cl/ — XTR. exercício financeiro de 1995, às fls. 24, mediante a • qual é exigido do contribuinte szt_pra iderztificado crédito tributário no total de R$ 26.411,20, sendo R$ 25.595,81 de imposto,. _R$ 51,18 de contribuição para a Contag, R$ 702,57 para a CNA e R$ 58,64 para o Senar_ Inconformado corn os valores exigidos, o contribuirzte interpôs a impugnação às fls. 01/05, alegando, em síntese. erro rio preenchimento da 1:),ITTUI 994 que serviu de base para o lançamento do ITR/1995, na clz_.tal irzforrnou incorretamerzte as áreas destinadas às reservas permanente e legal, e área inaproveitável. Ainda, segundo a Impugnação, a imóvel rural possui 399,7 ha de reserva legal composta pelas terras às marg-eis' clo.s Rios Araguaia e Vermelho, bem como o contorno dos lagos e lagoas internas e 22!, O hcz cie áreas irzaproveitcíveis corrzpostas de 17 lagos e esgotos deles decorrentes e respectivas benreitoriczs. Também, por- sua localização geográfica, entre os dois rios citados, 50,0 % de szza Gít-- C2 total só pode aproveitada em determinadas épocas do ano, em face das inundações., e os me tr-os 50, O 9-,í) são de áreas inaproveitáveis. Para instruir- o processa, juntou aos autos os documentos de fls. 07, 08/09, • 10/13, 14, 25/29, 30/04, e 37 cz 43. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/BSA ri' 2.909, de 20/09/2002, proferida pelos membros da 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaJlJF, c-uj a ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sob a Pr-oprieclade Territoria Rt-tral - ITR Exercício: 1995 Ementa: RETIFICAA-0 DE DECLARAÇÃO Admite-se a retifiacição da declaração do I7'R, se cornprovado de erro de fato no sebe _preenchimento, mediante documentos hábeis, caso contrário, marztêtrz-s-e os- wrlor-es declarados e o respectivo lançamento. Lançamento Firc.ice-arente. 3 Processo n° 10120.002596/00-43 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 125 Inconformado e interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, repisando os mesmos argumentos anteriores. O processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução de n° 302- 01304, às fls. 93/98, o que foi respondido, conforme despacho cle n° 260/2008. É o relatório. • 4 Processo n° 10120.002596/00-43 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 126 Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Em análise ao processo, observei que existiam divergências nos laudos apresentados, que foi motivo para instauração da diligência solicitada. Verifica-se que: 110 O oficio n" 0441/2007-SRF/DRF/GOI/Secat solicitou ao lbama informações acerca da área de preservação permanente, reserva legal e de interesse ecológico e suas delimitações, do referido imóvel, conforme solicitado pela resolução. O lbama, através do Oficio n° 381/07, apresentou espelho do Ato Declaratório Ambiental- ADA (fl. 102) e cópia da Portaria n° 110/02, de 08/08/02, reconhecendo, mediante registro, como Reserva Particular do Patrimônio Natural-RPPN, de interesse público e em caráter de perpetuidade, a área de 1592,6 hectares (fl.103). Os laudos citados na diligência já se encontram no processo,conforme mencionado no despacho na folha 106. Quanto ao espelho da ADA (fl.102), consta que: - A área de preservação permanente -APP é de aproximadamente 64,0 hectares; - A área de Reserva Particular do Patrimônio Natural- RPPN é de 1592,6 hectares; - Área de intersecção entre APP e RPPN é de 25,7 hectares. Destarte, quanto à divergência do total da área de preservação permanente nos diversos laudos, acato a área de 64,0 hectares informada pelo IBAMA. Quanto à área de preservação permanente, quanto à obrigação da apresentação do ADA, entendo que a exigência dessa apresentação, à época do fato gerador, não está lastreada em Lei, não podendo, pois, se constituir em motivação para lavratura de auto de infração. Entendo que a apresentação do ADA, para fins de consideração de área de preservação permanente, é prescindível desde que a contribuinte consiga carrear aos autos prova da sua efetiva existência, na esteira do que preconiza o Princípio da Verdade Material e o próprio Código Tributário Nacional, em seu art.142, quando define a atividade administrativa de lançamento, que se destina, entre outras coisas, a determinar o montante real devido pelo contribuinte. Processo n° 10120.002596/00-43 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 127 Este é o comando do Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, que dispõe sobre a vinculação da atividade de lançamento à Lei, nos seguintes termos: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançanzento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." O ADA foi introduzido na legislação do ITR pelo § 49 do art. 10 da IN SRF 43/97, com a redação que lhe deu o art. 1 Q da IN SRF ri2 67/97, verbis: "§ 4' As áreas de preservação pernzanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do Mama, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II — o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao lbama; III — se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo lbanza, a Secretaria da Receita Federal fará o lançamento suplementar recalculando o ITR devido." O art. 10, § 1 2, inciso II, da Lei ri° 9.393/96, que dispõe sobre o ITR, não estabeleceu a obrigatoriedade de emissão de atos de órgão competente para as áreas de 111 preservação permanente e de reserva legal, conforme se verifica da norma citada, verbis: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei rz' 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei ti' 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; 6 . ' Processo n° 10120.002596/00-43 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 128 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal; (-)" De acordo com a norma retrotranscrita, a exigência de ato de órgão competente foi estabelecida apenas para as áreas declaradas de interesse ecológico de que tratam as alíneas "b" e "c" do inciso II. A obrigatoriedade do ADA para a finalidade de redução do ITR nos casos de áreas de preservação permanente e de reserva legal veio a ser instituída tão-somente com a vigência do art. 17-0 da Lei n" 6.938/81, na redação que lhe deu o art. 1da Lei ri" 10.165, de 27/12/2000, que dispôs, verbis: IP "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao lbanza a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) " áç 12 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) (os grifos não são do original) (.)" Portanto, a obrigatoriedade desse ato ambiental para a redução do imposto, tornou-se aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/2001 (exercício 2001). Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, dou provimento ao Recurso Voluntário quanto à área de preservação permanente-APP, no total de 64 hectares, no referido imóvel, tendo em vista informação do IBAMA. Quanto a Reserva Particular do Patrimônio Natural- RPPN, esta se enquadra nas áreas de interesse Ecológico, item 24 da declaração de ITR do exercício de 1995, que de acordo com a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT n° 007, de 27 de dezembro de 1996, para que o contribuinte tivesse direito a isenção de ITR nessas áreas, as mesmas deveriam ter Ato Declaratório do Poder publico Federal ou Estadual enquadrando-as nas disposições do inciso II do art. 11 da Lei n° 8.847/94. O ITR de 1995 teve seu fato gerador em 1° de janeiro de 1995. Dessa forma, para se fazer jus a isenção do ITR quanto as áreas de interesse Ecológico, no dia 1° de janeiro de 1995, necessário é que o Poder publico já deveria ter declarado tal enquadramento. Mas, de acordo com a documentação encaminhada pelo Ibama, a Portaria reconhecendo essa área de interesse ecológico é de 08/08/2002, ou seja, a RPPN faz jus à isenção para o ITR de 2003 em diante. Quanto ao VTN mínimo, o mesmo foi tributado com base no VTN mínimo. 7 Processo n° 10120.002596/00-43 CCO3/CO2• Acórdão n.° 302-39.647 Fls. 129 Destarte, ficam prejudicados os outros argumentos, ou seja, quanto à exigência das contribuições CONTAG, CNA e SENAR, por não ser mais competência da Receita Federal do Brasil, logo não caberia, portanto, o lançamento/arrecadação destas contribuições, tendo em vista o disposto no art. 24 da Lei de n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994. Por todo o exposto e por tudo o mais que do processo consta, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para considerar apenas a área de preservação permanente. Sala das Sessões, em 9 de julho de 2008 M RCIA HELENA RAJANO D'AMORIM - Relatora • • 8
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000347/89-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 1994
Ementa: PIS DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA
Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre a ação fiscal que lhes deu causa, por terem suporte fático comum.
Recurso negado.
Numero da decisão: 107-01.668
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Mariangela Reis Varisco
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MINISTÉRIO DA FAZENDA .. PRIMEIRO CONSEU10 DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°.: 100701000.347/8944 Sessão em 20 de outubro de 1994 Acórdão n°. 107-1.668 Recurso n°.: 077.006 - PIS DEDUÇÃO - Exs.: 1985 e 1986 Recorrente : MINERAÇÃO SANTA MARTHA S/A. Recorrida : Delegacia da Receita Federal em Cuiabá - MT PIS DEDUÇÃO - DECORRÊNCIA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre a *cio fiscal que lhes deu causa, por terem suporte tático comum. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes Autos de Recurso interposto por MINE- RAÇÃO SANTA MARTHA S/A. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente • . gado. Sala das Sessões - 5 , -4 • O d - sutubro de 1994. __rdjárf • ' e CL 1 ALDERON BARRANCO - PRESIDENTE MARIAN 4.9 VARISCO - RELATORA 4 ' Cien I. OP-I 1 f 1 i L CIAN 4. DE CASTRO CORTEZ - PROCURADORA DA FAZENDA NACIONAL Visto em : PRQCÉSSO PP.: 10070/000.347/89-04 MINISTát10 DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n°.: 107-1.668 Sessão de : 27 JAN 1995 Participaram ainda, do presente julgamento os seguinte conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇAL- VES NUNES, JONAS FRANCISCO DE OLIVEIRA e NATANAEL MARTINS. Ausentes o Conse- lheiro MAXIMINO SOTERO DE ABREU e, por motivo justificado, os Conselheiros EDUARDO OBINO CIRNE LIMA e D1CLER DE ASSUNÇÃO. f9: PROCESSO N°.: 10070/000.347189-04 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSEIJI0 DE CONTRIBUINTES Acórdão n°.: 107-1.668 Recurso n°.: 077.006 Recorrente : MINERAÇÃO SANTA MARTHA S/A. RELATÓRIO MINERAÇÃO SANTA MART'HA S/A., já qualificada nos Autos, recorre a este Cole- giado pleiteando a reforma da Decisão de Primeiro Grau, às fls. 23, proferida no julgamento da Impug- nação ao Auto de Infração de fls. 02. Decorre o presente procedimento do crédito tributário lavrado contra a Pessoa Jurídica na área do Imposto de Renda, em virtude da não inclusão, no Lucro Líquido do exercício, de saldo credor da conta de Correção Monetária, bem como das Variações Monetárias Ativas, nos exercícios financeiros de 1985 e 1986, cuja apuração deu-se através de ação fiscal a que foi submetida. Desta forma, a redução indevida da base de cálculo daquele tributo, gera - imediata e conseqüentemente - insuficiência na base de apuração da contribuição para o PIS, calculado a partir do Imposto de Renda, conforme estabelecido no art. 3°. , letra "a" e parágrafo 1 0. da Lei Complementar n°. 07/70, juntamente com o art. 480 do RIR180. Na Impugnação, tempestivamente oferecida, sustenta a Interessada, em linhas gerais, as mesmas razões de defesa apresentadas contra o lançamento no processo principal. Assim, o Julgador de Primeiro Grau, com base nos mesmos fundamentos anteriormente adotados, decide manter a exigência. Ciente da Decisão e ainda irresignada, a Recorrente reprisa, em seu Apelo, os mesmos argumentos expendidos quando da interposição de Recurso contra o feito matriz. O processo principal (n°. 10070/000.362/89-90) foi protocolizado neste Conselho sob o n°. 105.066 e, julgado nesta mesma Câmara, na Sessão de 18.out.94, foi, por unanimidade de votos, desprovido. Este o relatório. t)- e/. PROCESSO N°.: 10070/000.347189-04 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n°.: 107-1.668 VOTO Conselheira MARIANGELA REIS VARISCO, Relatora. O Recurso, tendo sido apresentado com satisfação a todos os requisitos legais, deve ser conhecido. Trata o presente de tributação reflexa de procedimento fiscal instaurado contra a Recor- rente, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Na Impugnação, tanto quanto no Recurso ora analisado, nada foi oferecido como argu- mento que pudesse individualizar o presente julgamento. Isto posto, e tendo em vista que foi negado provimento ao Recurso interposto contra a Decisão singular no processo matriz, como informa o relatório, entendo que igual caminho deve seguir o presente feito, que lhe é decorrente. Diante do exposto, e do mais que do processo consta, conheço do Recurso por tempesti- vo e, em seu mérito, nego-lhe provimento. É como voto. Brasília - DF, em 20 de hktubro de 1994. Maria4gela Rei arisco Rel era Page 1 _0043700.PDF Page 1 _0043800.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002972/2002-39
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRRF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-20.319
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho que negam provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Recurso n°. : 139.436 Matéria : IRPF- Ex(s): 1991 Recorrente : JARINA DINIZ NAGEM Recorrida : r TURMA/DRJ- RIO DE JANEIRO/RJ II Sessão de : 11 de novembro de 2004 Acórdão n°. : 104-20.319 IRRF — RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JARINA DINIZ NAGEM. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Beatriz Andrade de Carvalho que negam provimento ao recurso. LEILA MARIA CHERRER LEITÃO PRESIDENTE ODR L ES O FORMALIZADO EM: j 5 ABR 2005 ‘?;4 n11ãw. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado). 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA ,Krir, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 41:3.:,-Cfr> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 Recurso n°. : 139.436 Recorrente : JARINA DINIZ NAGEM RELATÓRIO JARINA DINIZ NAGEM, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 28/33) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento do Rio de janeiro- RJ que indeferiu o pedido de restituição de valores referentes a Imposto de Renda Retido na Fonte, em razão de indenização pelo Programa de Desligamento Voluntário- PDV. A recorrente requer, em outubro de 2002, restituição do imposto de renda que incidiu sobre verbas de incentivo à participação em programa de demissão voluntária datado do exercício de 1991 (fls. 01), junta farta documentação. O pedido foi indeferido (fls. 12), tendo como fundamento a extinção do direito da contribuinte de pleitear a restituição com o transcurso do prazo de cinco anos. Cientificada da decisão que indeferiu o pedido de restituição, a contribuinte apresentou suas manifestações de inconformidade tempestivamente, as fls. 15/16. Dispõe a recorrente que o próprio governo entendeu tratar-se, os rendimentos percebidos a título de PDV, de verbas indenizatórias, sendo que sobre estas não incide imposto de renda. Fundamenta sua análise na Instrução Normativa 165 que determinou a instituição do recolhimento e a desistência dos recursos pendentes. 3 „À4:11. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 I Aduz a recorrente que a decisão da autoridade julgadora deixa claro o seu direito, embora tenha negado a restituição com base na decadência. Com isto, insurge-se questionando como poderia ter ingressado com pedido anterior, quando ainda não era tida como indevida a retenção destes valores, a titulo de imposto de renda. Refere que somente após o reconhecimento pelo governo, através da IN 165/1998 é que se fez eclodir o direito da mesma em buscar reaver a parcela retida sobre a verba indenizatória recebida. Argumenta, a recorrente, que a prescrição é um instrumento jurídico que deve ser aplicado àquelas situações definidas, claras e delimitadas. No presente caso, analisa que aplicar a prescrição seria instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente, mas que uns, por sortilégios temporais, como no caso dos funcionários públicos civis, foram aquinhoados pela Lei 9.468/97, enquanto outros se debatem nas malhas das ciladas da arrecadação. O Delegado da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, proferiu decisão (fls. 22/24), pela qual manteve, integralmente, o indeferimento do pedido de restituição. Em suas razões de decidir, a autoridade julgadora de primeira instância argumentou que a recorrente se equivocou ao referir o prazo prescricional, haja vista tratar- se de prazo decadencial, porquanto que a prescrição pressupõe a existência de um direito anterior já consolidado, que se extingue em razão de seu titular ter se mantido inerte ou ter negligenciado a defesa do referido direito. Aduz que o CTN estabelece, em seu artigo 165, o prazo decadencial para se pleitear a restituição de tributos. Na mesma esteira, cita o artigo 168, I, do CTN, o Ato Declaratório SRF n°. 96/1999 e o Parecer da PGFN n°. 1.538/1999, ressaltando que o entendimento da Secretaria da Receita Federal, exposto em atos tributários e aduaneiros, deve ser observado pelo julgador administrativo-tributário nos termos do art. 7°, da Portada 4 44, 1j MINISTÉRIO DA FAZENDA :7:1 ,-<,f PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 MF n° 258. Ademais, expõe que não pode a Administração Tributária, em respeito ao princípio da legalidade, esculpido no artigo 37 da Constituição Federal adotar regra diferente da prevista pelo artigo 168, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição. Cientificada da decisão singular, na data de 01 de março de 2004, a contribuinte protocolou o recurso voluntário (fls. 28/33) ao Conselho de Contribuintes, de forma tempestiva, na data de 04 de março de 2004. Aduz, em síntese, que admitiu a Receita Federal que a exigência do imposto de renda sobre a rubrica do PDV se mostra indevida, o que levou a mesma a apresentar pedido de restituição. Em ato contínuo, refere o prazo decadencial de 10 anos para o pedido de restituição dos impostos pagos indevidamente. Salienta que o STJ pacificou entendimento no sentido de que, na prática, a contribuinte possui prazo decadencial de 10 anos, ou seja, cinco anos para revisão ou homologação do procedimento, mais cinco anos a contar da homologação expressa ou tácita para o exercício do direito de restituir/compensar. Junta jurisprudência do STJ e deste Conselho de Contribuinte quanto à matéria. Por fim, refere a recorrente os princípios da moralidade administrativa e do enriquecimento sem justa causa como forma de defender seu posicionamento. É o Relatório. 5\ "":"' ' ,V MINISTÉRIO DA FAZENDA toisTs. ,t* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.00297212002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 VOTO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente pede a restituição da importância paga a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, a partir da sua retenção, alegando que estes valores, por referirem- se à indenização paga em decorrência da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário - PDV, não podem ser tributados. Para tanto, a recorrente fundamenta seu pleito na Instrução Normativa n.: 165/1998 e junta farta documentação que comprovam seu desligamento, a adesão ao programa e a retenção dos valores. Os valores recebidos pela recorrente, a título de indenização por adesão ao Programa de Desligamento Voluntário, há muito já vem sendo decidido, tanto pelo STJ como por este próprio colegiado, como não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem na Declaração de Ajuste Anual. Isto porque estes valores possuem natureza indenizatória, ou seja, possuem o condão de repor uma perda e não de acrescer o patrimônio do recorrente. Ademais, é de se ressaltar que, a não incidência do Imposto de Renda sobre as denominadas verbas indenizatórias a título de incentivo à demissão voluntária, decorre da constatação de não constituírem acréscimos patrimoniais subsumidos na hipótese do artigo 43 do CTN. No que diz respeito ao prazo decadencial, fundamento da decisão singular, não prospera, visto que o direito à Restituição do Imposto de Renda retido na fonte, nasce na data de 06.01.1999, em razão da decisão administrativa (Instrução Normativa n°: 165) e 6 . ' $.4,;: 044 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESii 4;f»,,7> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.002972/2002-39 Acórdão n°. : 104-20.319 I do Ato Declaratório Normativo COSIT n°: 04 de 28.01.1999, que determinou o prazo decadencial de cinco anos a contar da data da publicação do ato de Secretário da Receita Federal que autorizou a revisão de oficio dos lançamentos, ou seja, da Instrução Normativa SRF n°. 165, de 31 de dezembro de 1998, publicada no DOU de 06 de janeiro de 1999, por ser esta a data em que a contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o seu direito ao beneficio fiscal. Assim, na conformidade dos cálculos, a data onde o direito de pleitear a restituição dos valores em comento se extinguiria seria a de 07.01.2004, o que legitima o pedido da recorrente, sendo devidas as verbas indenizatórias do programa de desligamento voluntário, retidas na fonte a titulo de imposto de renda. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões (DF), em 11 de novembro de 2004 1ANeklK RODRIGUES/-1 7 , Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13831.720393/2011-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
Numero da decisão: 2002-006.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll
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EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny e Thiago Duca Amoni. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 26/31) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 72 03 93 /2 01 1- 00 Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.651 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13831.720393/2011-00 Anual do exercício 2009 no qual se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 27.593,56. O contribuinte apresentou Impugnação parcial (e-fls. 02/05), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 97/101): a) os recibos apresentados comprovam a realização e o pagamento dos serviços prestados. A jurisprudência tem se manifestado favorável a esse entendimento. Reproduz ementas de decisões judiciais e administrativas nesse sentido; b) o pagamento das despesas médicas foi realizado em espécie, retirando o dinheiro por meio de saques em sua conta corrente; c) o pagamento em moeda corrente é uma opção do pagador e uma forma legítima de realização comercial, não podendo a autoridade fiscal exigir que se faça o pagamento de outra forma; d) não tinha obrigação de apresentar os extratos bancários para comprovar os saques que efetuou para o pagamento das despesas médicas, mas o fez por um ato de boa-fé; e) quanto ao fato de que a odontóloga Flávia Maria da Silva Breve não possuía registro junto ao CRO na data da emissão do recibo, afirma que aquele órgão emite um registro provisório na data da colação de grau, realizada neste caso em 28/01/2010. Assim, a profissional estava devidamente habilitada a atuar em sua profissão quando da emissão do respectivo recibo. A Impugnação foi julgada Improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São admitidas como dedução da base de cálculo as despesas médicas pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos e da efetividade dos serviços. Nessa hipótese, somente recibos e declarações, sem a prova do efetivo pagamento e da realização dos serviços, são insuficientes para comprovar o direito à dedução pleiteada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Cientificado do acórdão de primeira instância em 09/03/2015 (e-fls. 106), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 08/04/2015 (e-fls. 107/108) contendo os argumentos a seguir reproduzidos: PRELIMINAR Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.651 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13831.720393/2011-00 Preliminarmente solicita o arquivamento do processo administrativo por motivo de decadência imposta pelo artigo 24 da lei 11457/2007 às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que devem cumprir o prazo máximo de 360 dias para proferir decisão administrativa referente a petições, defesas ou recursos administrativos dos contribuintes. A impugnação dos lançamentos foi apresentada em 22/12/2011 e somente em 09/03/2015 recebemos a manifestação da Secretaria da Receita Federal através do Acórdão nº 03-65.647, desrespeitando desta forma o prazo imposto pelo artigo 24 da lei 11457/2007. DO ACÓRDÃO Assim decidiu o Acórdão: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Considera-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Trata-se de contribuição descontada do contribuinte ao IAMSPE/INSS/CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA que não constou no Informe de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora. O referido acórdão menciona que matéria não impugnada deve prevalecer o entendimento ou a glosa do fisco, mesmo tratamento não foi dado a glosa imposta as despesas com a dentista Flávia Maria da Silva Breve Teixeira que após ser questionado seu registro profissional junto ao Conselho Regional de Odontologia e tendo o contribuinte provado através de documentos enviados em sua defesa sua veracidade, o relator simplesmente silenciou sobre o fato mantendo a glosa com base em uma prova ilegal obtida através de informações via internet que não representam a realidade. A tese da glosa do recibo no valor de R$ 4.800,00 da dentista Flávia Maria da Silva Breve Teixeira foi desfeita pelo contribuinte e que deveria ser reconhecida pelo acórdão. Quanto ao momento de apresentação das provas, poderá ser realizado em qualquer momento do processo administrativo em respeito ao princípio do enriquecimento sem causa, da busca da verdade e da realização de justiça. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Foram apresentados todos os documentos necessários para comprovação das despesas, além dos recibos e das notas fiscais foi apresentado também cópias dos extratos bancários que comprovam os saques realizados para realização dos pagamentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Descreve o relator que as decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, a razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Adotar um entendimento uniforme a ser seguido à respeito de determinada matéria é uma tendência do direito brasileiro. Promover a economia processual e dar seleridade ao processo é uma das preocupações do legislador ordinário, que tem introduzindo no ordenamento jurídico e na legislação dos processos administrativos formas para atingir esses objetivos através de súmulas vinculantes, pareceres interpretativos e normativos, estes elaborados pela própria Secretaria da Receita federal. Portanto, a tese levantada pelo relator da não vinculação dos julgamentos não nos parece totalmente aplicável aos dias atuais. Também não se aplica de forma absoluta, na apreciação das provas, que a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Trazendo para este caso concreto podemos desconstruir esta afirmativa, a autoridade julgadora baseou-se seu julgamento em informações colhidas via internet trazidas ao processo pela autoridade fiscal e que não representavam a verdadeira situação do prestador de serviços. Neste caso, a convicção do julgador foi prejudicada pela introdução de informações inidôneas. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.651 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13831.720393/2011-00 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, deve ser parcialmente conhecido. Relevante esclarecer, inicialmente, que a Lei nº 11.457/07 estabeleceu o prazo máximo de 360 dias para que a decisão administrativa fosse proferida, mas não estipulou qualquer sanção relacionada ao seu descumprimento. Trata-se de prazo impróprio que, uma vez desrespeitado, não gera nenhuma consequência no processo. Por conseguinte, não há que se falar em arquivamento dos autos como requer o interessado. No que concerne à despesa referente ao Governo do Estado de São Paulo, observa-se que nenhum argumento ou elemento de prova foi trazido à primeira instância para contestar a dedução indevida correspondente, não cabendo a este Colegiado manifestar-se sobre a matéria tendo em vista a ocorrência de preclusão. De acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, a Impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não sendo permitido que o contribuinte inove em seu Recurso Voluntário para incluir questões diversas daquelas anteriormente ventiladas. Quanto às despesas médicas em litígio, verifica-se que a autoridade fiscal procedeu à glosa dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento por não ter o contribuinte, regularmente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento através de documentação bancária coincidente em datas e valores com os recibos apresentados (e-fls. 27/29, 91/92). O Colegiado a quo ratificou o entendimento do auditor e manteve a infração por constatar que os elementos de prova exibidos não eram hábeis para a finalidade pretendida (e-fls. 99/101). Impende mencionar nesse ponto que a fundamentação exposta no voto condutor para a manutenção da glosa em análise está relacionada à falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas e da efetiva realização dos serviços, não se baseando em nenhuma prova ilegal obtida através de informações colhidas na internet pela fiscalização, ao contrário do que sustenta o recorrente. Apesar das razões apontadas no julgamento de primeira instância, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento capaz de evidenciar a correspondência entre as suas movimentações financeiras e o pagamento das despesas em discussão, não merecendo reparos a decisão recorrida. De acordo com o art. 73 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), vigente à época dos fatos, a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita a comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora. Assim, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos e declarações emitidos pelos profissionais envolvidos, pode o auditor requisitar elementos de prova complementares visando à confirmação da prestação dos serviços e do pagamento correspondente. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à presunção de inidoneidade dos recibos examinados ou de má-fé do contribuinte, mas tão somente à formação de convicção Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-006.651 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13831.720393/2011-00 da autoridade lançadora. Não é necessário que o auditor descaracterize os documentos apresentados para exigir que novos elementos probatórios sejam disponibilizados. A jurisprudência recente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF corrobora esse entendimento: DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE A apresentação de recibo, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. (Acórdão nº 9202-008.757, de 25/06/2020) DEDUÇÃO IRPF. COMPROVAÇÃO DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A critério da autoridade lançadora, para fins de aplicação do art. 8º, II da Lei n. 9.250/95, podem ser solicitados, além dos recibos, outros elementos para comprovação ou justificação das despesas médicas declaradas. Com isso, há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF. (Acórdão nº 9202-008.652, CSRF/2ª Turma, de 19/02/2020) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de declaração do profissional não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais relativos às despesas médicas, tais como provas da efetiva prestação do serviço e do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser restabelecida a respectiva glosa. (Acórdão nº 9202-008.567, CSRF/2ª Turma, de 30/01/2020) DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. Os recibos não constituem prova absoluta das despesas médicas, ainda que revestidos das formalidades essenciais. Quando há dúvida razoável no tocante à regularidade das deduções pleiteadas, considerando-se valor e natureza, é legítima a exigência de prova complementar para a confirmação dos pagamentos. Na ausência de comprovação do efetivo desembolso, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, mantém-se a glosa das despesas médicas. (Acórdão nº 2401-007.396, 2ª Seção/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 17/01/2020) DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução de despesas médicas, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços (Acórdão nº 2301-006.449, 2ª Seção/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 12/09/2019) É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, como alega. No entanto, para comprovar os dispêndios, caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-006.651 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13831.720393/2011-00 despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Tal fato foi apontado no seguinte trecho do acórdão recorrido (e-fls. 101): Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas. Compulsando os recibos apresentados (fls. 52 a 71) e os extratos bancários anexados (fls. 78 a 89), constata-se que não consta a existência de saques nas datas dos recibos, em montante suficiente aos valores constantes nos recibos. Assim, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas referentes aos profissionais Flávia Maria da Silva Breve, Rodolfo Moia Teixeira, Márcia Mendes de Almeida e Ronaldo Mendes do Carmo. Importa mencionar que a disponibilidade financeira do sujeito passivo, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sendo necessária também a correlação entre as movimentações sucedidas e os recibos por ele apresentados. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10920.004427/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2009
Ementa:
SIMULAÇÃO.
A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários.
SUCESSÃO DE EMPRESAS.
A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos créditos tributários devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.
NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
A empresa é obrigada a inscrever para fins de previdência social todos os segurados empregados que lhe prestam serviços.
Numero da decisão: 2402-001.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/09/2009 Ementa: SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários. SUCESSÃO DE EMPRESAS. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos créditos tributários devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a inscrever para fins de previdência social todos os segurados empregados que lhe prestam serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 772DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 773DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 756 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 24/09/2009 em razão da falta de inscrição de segurados na previdência social: Durante a ação fiscal, verificouse que a empresa deixou de inscrever diversos segurados empregados a seu serviço, conforme segue: Loucissie Santana, constante da rescisão de contrato de trabalho firmada no ICB, em 02/04/2004, tem como data de homologação no Sindicato da categoria 25/06/2008, ou seja, tentaram homologar um documento para fazer face a uma suposta demissão da funcionária em 2004, a fim de que a mesma pudesse integrar o quadro de sócios de uma das empresas criadas. ... Embora alguns segurados prestassem serviços para outra empresa, a fiscalização considerou que houve formação de grupo econômico familiar e o crédito deveria ser lavrada na autuada. Segundo à fiscalização houve simulação com finalidade de redução de tributo através do sistema de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às micro e pequenas empresas – SIMPLES/SIMPLES NACIONAL de duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico da autuada. Os fatos foram constatados na escrituração contábil, contratos sociais/instrumentos de alterações, ações trabalhistas, documentos de planos de saúde, recibos de aquisição de valestransporte e outros documentos pertencentes às empresas envolvidas. As três empresas foram fiscalizadas. Há ainda outras duas empresas diligenciadas para fins de atribuição de responsabilidade pelo crédito constituído. Deixou consignado também que: Os elementos de provas dos fatos alegados constam da 1ª via dos Autos DEBCAD 37.225.8603. Então são trazidos para este relatório os elementos discutidos no referido processo. Seguem transcrições dos relatórios: O presente Relatório Fiscal tratará de forma simultânea, das empresas ICB Treinamento de Informática Associação Educacional Ltda., Centro Educacional Inovador Ltda. e Integrado Associação Educacional Ltda., que serão aqui denominadas também de "ICB"; "INOVADOR" e "INTEGRADO". Referido tratamento simultâneo no presente relatório, se deve ao fato de haverem sido detectados durante a ação fiscal, fortes elementos indicativos de que as empresas "INOVADOR" e "INTEGRADO", tenham sido constituídas tão somente para diminuir a carga tributária da primeira, "ICB", tendo em vista Fl. 774DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que aquela não usufrui de sistema mais benéfico de tributação (SIMPLES), ao contrário das recém constituídas. ... Numa análise inicial, com base na documentação apresentada, as evidências trilham no sentido, de se poder afirmar, que o ICB, teria constituído duas novas empresas (INOVADOR e INTEGRADO), com tributação pelo sistema SIMPLES, para beneficiarse do não pagamento de contribuições sociais (parte patronal). Em seguida serão detalhados todos os elementos, que no conjunto, servirão para embasar de forma indubitável a realidade dos fatos, como: utilização de pessoas interpostas no quadro social das empresas constituídas; confusão patrimonial; contabilidade deficiente que não reflete a realidade econômica e patrimonial da empresa; manutenção de empregados sem registros, entre outros fatos, que serão amplamente comprovados documentalmente. ... Diante de tantos fatos, restou provado, que o que existe de fato e de direito, sempre foi a empresa ICB, e que esta, utilizouse do subterfúgio de transferir a quase totalidade de seus empregados, para empresas beneficiária do SIMPLES, (INOVADOR e INTEGRADO), e na seqüência, continuou a contratar nessas mesmas empresas, embora a prestação dos serviços sempre tenha sido para o empregador ICB. Os procedimentos adotados pelos empresários, trilharam de fato, no sentido de desvirtuar a realidade fática, sugerindo algo no sentido da prática de "evasão ou elisão fiscal", constituição de empresas de fachada, para beneficiarse de sistema de tributação do SIMPLES aliado a práticas contábeis não recomendadas, tendo em vista os princípios e corolários da boa técnica contábil. Em síntese, alguns sócios são representantes legais das empresas envolvidas e/ou mantêm relação de parentesco e teriam feito uso de duas empresas criadas a alguns anos antes para que nelas fossem realizadas as novas contratações de segurados ou para as mesmas fossem transferidos número expressivo de segurados pertencentes à autuada, esta com a principal receita bruta do grupo. A opção pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL pode proporcionar redução das contribuições previdenciárias, conforme seja a relação existente entre folha de salários e receita bruta. Quanto maior a folha de salários e menor a receita bruta, maior será a economia com as contribuições previdenciárias. Afirma a fiscalização que é justamente essa a situação das duas empresas do grupo mantidas no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Segue transcrição do relatório fiscal: Com a criação das empresas INOVADOR e INTEGRADO, foi possível ao ICB, contar com dois novos cadastros (CNPJ), onde pudessem a partir de então, dividir o faturamento e o quadro de empregados, entre estas "empresas" optantes pelo regime de tributação do SIMPLES, fazendo parecer existir de fato várias empresas; deixando então de realizar o pagamento das contribuições sociais, (parte patronal), incidentes sobre as Fl. 775DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 757 5 remunerações dos empregados e contribuintes individuais, não fossem recolhidas na sua totalidade. ... Com a criação das empresas, INTEGRADO e INOVADOR, buscou fazer a transferência dos empregados do ICB, uma vez que aquelas gozavam do beneficio de tributação do SIMPLES. A empresa ICB, já deteve no passado um número expressivo de empregados e diversas filiais. No ano de 2003, no mês de maio, por exemplo, o quantitativo era de 218 empregados, sendo 197 somente na matriz. Em 06/2003, este número passou para 191 empregados, sendo 178 na matriz. Na seqüência, em 07/2003 diminui para 113 empregados sendo 100 na matriz, até chegar atualmente a 03 empregados. ... Esta Auditoria, visando ratificar tais números, comparou as informações obtidas através da Unimed Cooperativa de Trabalho Médico de Joinville, confrontandoas, com os registros de empregados das diversas empresas sob fiscalização, e constatou que de fato, a maioria dos titulares daquele plano de saúde, até onde foi possível identificar, estão registrados nas empresas, Inovador e Integrado. Observouse ainda que inclusive o Sr. Taury Rocha Ramos e seus filhos Ramon Bunese Rocha Ramos e Renan Bunese Rocha Ramos, (EDUCAR), continuam como beneficiários do mesmo plano de saúde. ... Outro procedimento que corrobora de forma indubitável a tese de que o ICB utilizouse do procedimento de manter seus empregados registrados em empresas tributadas pelo SIMPLES, é a aquisição de vales transportes feita de forma contumaz, em seu nome, para distribuição aos empregados supostamente lotados naquelas empresas. Em sentença trabalhista foi reconhecido o grupo econômico familiar (RT 3972/2005): Diante dos elementos acima reportados, não há como negar a prestação de serviço sem interrupção, pois a recontratação da autora deuse nas mesmas condições, função e dependências das empresas, que adotam o nome fantasia Colégio Nova Era. E para arrematar a tese de se tratar de empresa integrantes de grupo econômico familiar, pelos contratos sociais vislumbro na composição social da primeira ré a Sra. Lorena do Socorro Bunese Rocha Ramos (fls. 112115), e da segunda ré, Orlando Florencio Bunese Júnior (lis. 118120) o que, por si só, demonstra o grau de parentesco entre seus integrantes e a consequente vinculação administrativa. Fl. 776DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Destarte, reconheço a unicidade contratual postulada e declaro nulo o contrato de experiência formalizado às fls. 6869. Dr. Fernando Luiz de Souza Erzinger. Juiz do Trabalho. Mônica Machado Ribeiro. Diretora de Secretaria Substituta Quanto à inclusão no grupo econômico de duas outras empresas, citadas como EDUCAR e ANHANGUERA, a fiscalização justifica, em síntese, com a verificação de confusão de ativos, coincidência de interesses econômicos, contrato de mútuo com dívida perdoada pela mutuante, provas emprestadas de ações trabalhistas, pluralidade de empresas com atividades econômica em um único estabelecimento e com uso de uma única marca reconhecida pelo público: Importante observar que no contrato, firmado em 31/05/2004, no valor de R$ 2.700,000,00, consta na cláusula 2 que "O presente mútuo terá seu valor quitado quando houver cobrança da mutuante através de notificação a este emitida" consequentemente ninguém cobrou, e em contrapartida ninguém quitou, numa evidencia clara de que a EDUCAR sempre pagou as contas do ICB. ... Como se não bastassem os contratos de mútuos que nunca foram quitados, observouse ainda que o ICB, sempre teve suas despesas de maior valor, pagas pela empresa EDUCAR e lançadas normalmente como se desembolso seu fosse. Prova irrefutável disto são os comprovantes de pagamentos lançados normalmente na contabilidade do ICB cuja contrapartida sempre foi da conta CAIXA. ... Foram encontrados junto à documentação física apresentada pelo ICB, relatórios denominados de "RELATORIO DE CONTAS A PAGAR E RECEBER" em papel timbrado da EDUCAR, Unidade IESVILLE, que por sua vez faziam referencia ao grupo de custo ICB, evidenciando de forma clara que se este procedimento de pagamento de contas era uma constante. ... Vimos ainda em diversos depoimentos colhidos em sede de Ações Trabalhistas, que serviram para embasar sentenças prolatadas ou acordos firmados, situações semelhantes as já citadas e reforçam a tese de que controle nas diversas empresas é exercido pelos mesmos sócios, enfim, tudo indicando, sem sombra de dúvida, a existência de grupo econômico entre a EDUCAR e o ICB. ... Através da 12a Alteração Contratual da EDUCAR, arquivada no Cartório de Registro Civil de Títulos e Documentos de Joinville, em 19/03/2008, a ANHANGUERA ingressa no quadro social, recebendo em cessão de quotas, a totalidade do capital social, com a conseqüente retirada dos antigos sócios, passando então a ser a detentora do capital total de R$ 9.874.934,00. Fl. 777DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 758 7 ... Estamos diante de uma realidade, onde a empresa ANHANGUERA, passou a ser a única detentora do capital social da EDUCAR, e em seguida, passou a se falar em dissolução de sociedade por falta de pluralidade de sócios. ... Assim, tem uma situação a ser considerada, em tese de grupo econômico, até a efetiva incorporação, ou por outro giro, se considerado a possível extinção da EDUCAR, fato que não foi provado, deveria se considerar a sucessão empresarial. Concluiu a fiscalização que duas empresas do grupo estão indevidamente incluídas no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL e daí no lançamento realizado na empresa ICB TREIN DE INFORM E ASSOC. EDUCAC. LTDA as contribuições previdenciárias incidiram sobre as folhas de salários dessas empresas, período de 06/2004 a 12/2008: 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, formalmente registrados nas empresas Integrado Associação Educacional Ltda. e Centro Educacional Inovador Ltda., que efetivamente laboraram na ora autuada, caracterizados, por esta fiscalização, para fins previdenciários, como empregados da empresa ICB Treinamento de Informática Associação Educacional Ltda., discriminadas em Folhas de Pagamento, Relação Anual de Informações Sociais RAIS, e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços e Informações à Previdência Social — GFIP, daquelas empresas, no período de 06/2004 a 12/2008, cujos valores estão indicados no campo "Base de Cálculo 01 — SC Empregados" do Discriminativo Analítico de Débito — DAD, constantes dos levantamentos de débito denominado "IN1", "IN2", "ITU, "IT2", "Z6", "Z7", "Z9", "Z10", "Z11", "Z13" e planilha anexa. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Contra a decisão, os recorrentes, autuada e empresas Educar e Anhanguera, interpuseram recursos voluntários, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação da autuada. São relatados aqui também as razões argüidas no processo originado pelo lançamento da obrigação principal, onde se discute a formação do grupo econômico e a responsabilidade solidária: Preliminarmente: Nulidade do Procedimento Fiscal e dos Autos de Infração — Limites do MPF excedidos: que a pessoa jurídica tem o direito de conhecer os fatos imputados pela fiscalização no curso da ação fiscal e a eles se contrapor, mediante o contraditório pleno; que o ato fiscal é nulo, pois o auditorfiscal excedeu os limites de validade do MPF; Nulidade Desvio de Finalidade e Usurpação da Competência da Justiça do Trabalho: que os auditores da Receita Federal do Fl. 778DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Brasil não possuem competência para lavrar auto de infração assentados na existência de relação de emprego ou reconhecimento de contratos de trabalho, sem que exista sentença judicial trabalhista reconhecendo a relação de emprego; que houve a usurpação da competência estabelecida pela Constituição Federal (CF) à Justiça do Trabalho, bem como houve a violação a diversos princípios constitucionais; No Mérito: Ausência de Responsabilidade Tributária: que a impugnante não pode ser responsabilizada pelo descumprimento de obrigações acessórias, cuja aplicação da multa tem como base fato gerador presumido, haja vista que a aferição indireta das contribuições previdenciárias é aplicável somente na determinação da base de cálculo da obrigação principal; Impugnação aos Autos de Infração: A impugnante insurgese contra a lavratura dos diversos autos de infração, aduzindo que a fiscalização não apresentou um único termo de intimação para entrega de documentos, de maneira que os trabalhos foram realizados com base apenas nos dados informáticos disponíveis no sistema da RFB e nos livros contábeis da impugnante e das outras empresas; que a documentação acostada demonstra que as três empresas não deixaram de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; Das Provas a serem produzidas: além de ora apresentar provas documentais, requer a dilação do prazo em mais 10 dias para produção de novas provas; pugna também pela realização de prova pericial em sua contabilidade, pelo que nomeia o perito e formula os quesitos; Da Multa Punitiva: que o valor da multa aplicada na totalidade dos autos de infração ofende os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, descambando para o confisco, pelo que requer a minoração da multa; Por todo o exposto, requer sejam julgados insubsistentes os autos de infração. Alternativamente, requer a redução das multas aplicadas. Requer, ainda, a produção de todas as provas, especialmente a pericial, conforme solicitado. Junta cópia de documentos às fls. 102/291. A empresa Anhanguera Educacional Participações S.A, responsabilizada solidariamente, às fls. 292/343, alega que o ato administrativo é nulo, porque não foi esclarecido se a transação comercial havida entre as empresas Educar e Anhanguera resulta de sucessão empresarial ou mera empresa integrante de grupo econômico, o que impossibilita o exercício do pleno contraditório. Repete os mesmos argumentos da ICB no tocante às alegações acerca dos limites do MPF. Alega que esta impugnante não pode ser responsabilizada pelos tributos devidos pela ICB e demais empresas integrantes do mesmo grupo econômico; que é impertinente e sem suporte transferir a responsabilidade infracional àquele que não deu causa ao ato punitivo e sancionador; que o agente fiscal não fez distinção entre multa moratória e de caráter punitivo; que somente a Fl. 779DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 759 9 multa de mora pode ser imputada ao responsável solidário; que deve ser afastada a aplicação do art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91, porque é inconstitucional; que a impugnante não controlava, administrava ou dirigia os serviços e atividades da ICB; que não pode ser responsabilizada, pois não era a empregadora dos funcionários listados e que não participou direta ou indiretamente dos fatos imputados; que há ausência de fundamentação legal para a aplicação de multa com base em fato gerador presumido, haja vista que a aferição indireta deve ser aplicada somente na determinação da base de cálculo da obrigação principal. Também solicita a dilação do prazo para a produção de provas e requer a realização de perícia. Reafirma os argumentos contrários a aplicação da multa, solicitando a sua redução, conforme já exposto pela impugnante ICB. Junta cópia de documentos às fls. 344/464. A empresa Educar Instituição Educacional Civil S/S Ltda., por sua vez, apresenta impugnação às fls. 465/516, na qual empreende argumentos e pedidos semelhantes aos utilizados pela Anhanguera. Junta cópia de documentos às fls. 517/648. ... Decadência: que parcela do crédito está fulminado pela decadência quinquenal prevista no art.173, § único, do CTN, o que libera a autuada do encargo entre os meses de abril/2004 até o dia 29/09/2004; Nulidade do Procedimento Fiscal e dos Autos de Infração — Limites do MPF excedidos: que a pessoa jurídica tem o direito de conhecer os fatos imputados pela fiscalização no curso da ação fiscal e a eles se contrapor, mediante o contraditório pleno; que o ato fiscal é nulo, pois o auditorfiscal excedeu os limites de validade do MPF (120 dias), sem ter intimado formalmente os contribuintes de sucessivas prorrogações; que não houve a emissão de MPF Complementar; que é inconstitucional a possibilidade da autoridade fiscal simplesmente prorrogar o ato fiscal sem a ciência prévia do contribuinte, a contrario sensu do dispositivo constante da Portaria 6087/2005, o que ofende princípios e garantias constitucionais e fere normas processuais; Nulidade Desvio de Finalidade e Usurpação da Competência da Justiça do Trabalho: que os auditores da Receita Federal do Brasil não possuem competência para lavrar auto de infração assentados na existência de relação de emprego ou reconhecimento de contratos de trabalho, sem que exista sentença judicial trabalhista reconhecendo a relação de emprego; que houve a usurpação da competência estabelecida pela Constituição Federal (CF) à Justiça do Trabalho, bem como houve a violação a diversos princípios constitucionais; que, por conseguinte, como a autoridade fiscal não detém competência funcional prevista em lei para declarar ou reconhecer o vínculo de emprego nos termos do art. 30 da CLT entre a impugnante e as empresas terceirizadas, não mais Fl. 780DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 subsiste o fato gerador das diversas obrigações acessórias impostas à impugnante; No Mérito: Insubsistência dos Autos de Imposição de Penalidade 37.225.8603 e 37.225.8590: que a conduta da autoridade fiscal, pressupondo a existência de grupo econômico sem a correta instauração de procedimento fiscal, supondo comportamento fraudulento extensível à impugnante, constitui uma espécie injusta de inversão do ônus da prova; Simulação, Confusão Patrimonial e Elisão: que não há que se falar em simulação, eis que todas as empresas foram constituídas regularmente; que não há vedação na legislação para que exfuncionários tornemse sócios de seus primitivos empregadores; que as três empresas possuem registros contábeis distintos e sem vinculação formal, cada uma com seu ativo imobilizado, exercendo suas atividades comerciais em separado e sem interdependência entre elas; do mesmo modo, não há que se falar em elisão fiscal, pois as três empresas possuíam independência, patrimônios distintos, composição societária divergente, diferenciando apenas o regime tributário entre uma e outra, o que é perfeitamente permitido pela legislação; que a fiscalização não apresentou um único termo de intimação para entrega de documentos, de maneira que os trabalhos foram realizados com base apenas nos dados informáticos disponíveis no sistema da RFB e nos livros contábeis da impugnante e das outras empresas; que a fiscalização se limitou a transcrever somente dois depoimentos e uma sentença judicial dentro de um universo de uma centena de ações trabalhistas; que o fato é inexistente e o auto de infração é materialmente insubsistente. Transferência Simulada de Empregados: que não houve transferência simulada de empregados; houve a extinção de uma relação empregatícia e início de outra para os fins de direito; que não há comprovação de sucessão empresarial; Manutenção de Empregados sem Registro: que não houve empregados sem registro; que um único dissídio individual em que não houve composição amigável não pode ser considerado o carimbo do cotidiano da empresa; Utilização de Plano de Saúde único para Funcionários: que o critério eleito pela fiscalização não tem respaldo legal; se há alguma irregularidade, a responsabilidade deve ser atribuída à cooperativa médica e não à impugnante; Grupo Econômico: que não se comprova que a impugnante dirigia, praticava atos de gestão ou mando nas referidas empresas; que a existência de um registro de protocolo não significa pressuposto de existência de grupo econômico; que os empréstimos foram devidamente contabilizados e houve o recolhimento dos impostos federais; que o perdão ou renúncia ao crédito é ato unilateral do credor, sendo defeso à fiscalização vislumbrar a existência de ato viciado ou fraudulento; que o ato é lícito; o motivo pelo qual a Educar emprestou ativos para a ICB não é problema da Receita Federal; que somente lhe interessa é se o fato foi declarado, contabilizado e recolhidos os Fl. 781DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 760 11 impostos pertinentes;o mesmo motivo vale em relação às treze guias de parcelamento, pois se trata de doação pura e simplesmente; Das Provas a serem produzidas: além de ora apresentar provas documentais, requer a dilação do prazo em mais 10 dias para produção de novas provas; pugna também pela realização de prova pericial em sua contabilidade, pelo que nomeia o perito e formula os quesitos; Da Multa Punitiva: que o valor da penalidade deve observar os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, sob pena de confisco, pelo que requer a minoração da multa moratória para o patamar de 5%. No tocante às penalidades de obrigações acessórias, requer a relevação da multa, uma vez que não houve dolo ou fraude e a contabilidade da empresa é fidedigna. Aduz que a MP 449/2009, atualmente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 reduziu consideravelmente as multas incidentes sobre as obrigações acessórias relacionadas com as contribuições previdenciárias, limitandoas ao percentual de 20% do valor dos tributos. Requer a minoração das multas para o máximo de R$ 1.329,18 (Portaria MPS/MF n° 48, de 13/02/2009) em todos os autos de infração, diante da condição de infratora primária. Da Contribuição ao INCRA/FUNRURAL: que se tratando de empresa urbana, não deve contribuir para o INCRA, pelo que requer a exclusão desta contribuição do lançamento e a autorização da compensação dos recolhimentos indevidos; Da Contribuição para o SAT: que as disposições contidas em Decreto, acerca do grau de risco, são inconstitucionais e ferem o princípio da legalidade, pois são matérias reservadas à lei complementar; que a autoridade fiscal não observou o número de segurados que laboram na área administrativa e que se enquadram em grau de risco diverso daqueles que laboram no parque fabril; requer seja autorizada a compensação e a exclusão da base de cálculo dos empregados do setor administrativo; Da Contribuição para Terceiros e Salário Educação: requer a declaração da inexigibilidade da contribuição ao salário educação, por se tratar de exação inconstitucional e estranha à Seguridade Social; Da Contribuição destinada ao SEBRAE: requer seja excluída a contribuição para o SEBRAE, por não ter sido constituída por lei complementar; porque a impugnante não se enquadra na modalidade de micro ou pequena empresa, não possuindo qualquer relação direta com o incentivo recebido; porque este adicional possui a mesma base de cálculo da contribuição destinada à Seguridade Social (bis in idem); É o Relatório. Fl. 782DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O presente processo se originou de AutodeInfração de Obrigação Acessória – AIOA lavrado pela constatação de fatos jurídicos relacionados com o descumprimento de deveres instrumentais, sem nexo causal com as contribuições apuradas; no entanto, há correlação com duas das matérias discutidas no processo de constituição de crédito pelo descumprimento de obrigação principal, a formação do grupo econômico familiar e a responsabilidade solidária. Das preliminares: Quanto à preliminar de mandado de procedimento fiscal – MPF, o exame da questão deve se iniciar com a pesquisa sobre as normas que disciplinavam até 02/05/2007 o procedimento fiscal relativo às contribuições previdenciárias. É que a partir de então, logo após a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com os decretos n° 6.104, de 30/04/2007 e n° 3.724, de 10/01/2001 também foram unificados os procedimentos – o primeiro revogou as regras que eram especificas para as contribuições previdenciárias para que o procedimento fiscal passasse a ser disciplinado pelo segundo, comum a todos os tributos federais: DECRETO Nº 6.104 DE 30 DE ABRIL DE 2007 – DOU DE 2/5/2007 Dispõe sobre a execução dos procedimentos fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, DECRETA: Art.1oOs arts. 2o a 4o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art.2oOs procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art.3oFicam revogados os Decretos nos 3.969, de 15 de outubro de 2001, 4.058, de 18 de dezembro de 2001, 5.527, de 1o de setembro de 2005, e 5.614, de 13 de dezembro de 2005. Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 30 de abril de 2007; 186o da Independência e 119o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Guido Mantega Após essas explicações iniciais, passemos então às normas específicas para as contribuições previdenciárias que vigeram até 02/05/2007. Fl. 783DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 761 13 O Decreto n° 3.969, de 15/10/2001 cuidou de detalhar as informações que devem, obrigatoriamente, constar no mandado de procedimento fiscal – MPF, determinar a autoridade competente para sua emissão, prazo de duração e suas prorrogações e outras questões. Merece atenção especial o artigo 16, quando ao afastar a possibilidade de nulidade por decurso do prazo de validade sem emissão de novo MPF, acabou por denunciar um sentido de exceção à regra, que seria a nulidade do procedimento sem sua observância. Caso o MPF fosse um simples instrumento de controle da administração tributária seria desnecessária a regra de exceção para uma única hipótese, essa trazida pelo artigo 16. Lembrando que o Decreto n° 3.969/2001 somente se aplicava às contribuições previdenciárias: DECRETO Nº 3.969 DE 15 DE OUTUBRO DE 2001 Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I numeração de identificação e controle; II dados identificadores do sujeito passivo; III natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV prazo para a realização do procedimento fiscal; V nome e matrícula do servidor responsável pela execução do mandado; VI nome, endereço e telefone funcionais do chefe do servidor a que se refere o inciso V; VII nome, matrícula e assinatura da autoridade emissora e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à "Internet" que permita, ao sujeito passivo do procedimento fiscal, identificar o MPF. § 1º O MPFF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o período de apuração correspondente, bem assim as verificações a serem procedidas para constatar a correta determinação das respectivas bases de cálculo, em relação aos valores declarados ou recolhidos nos últimos dez exercícios. § 2º Na hipótese de ser fixado o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 3º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas. § 4º O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal. Art. 15. O MPF se extingue: Fl. 784DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Nesse sentido é que as portarias ministeriais regulamentaram o decreto. As portarias n° 357, de 17/04/2002 e n° 520, de 19/05/2004 determinavam explicitamente a nulidade do lançamento por ausência de MPF: PORTARIA MPAS Nº 357, DE 17 DE ABRIL DE 2002 Art. 28. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento com ausência de fundamento legal, erro na identificação do fato gerador, do período ou do sujeito passivo ou não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004.(*) Art. 31. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III – o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. ... Art. 32 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vício for inviável. Observase ainda que o artigo 32 da Portaria MPS n° 520/2004 somente permitia o saneamento de atos distintos daqueles previstos no artigo 31. Inclusive esse último é Fl. 785DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 762 15 bastante parecido com o artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, exceto pela ausência neste do inciso III que é justamente o que trata do MPF. No desenvolvimento do trabalho surgiu uma dúvida quanto ao tempus regit actum: em 02/05/2007 foi revogado o Decreto n° 3.969, de 15/10/2001 que, conforme explicado, abria muitas possibilidades de nulidade do lançamento quando o procedimento fiscal não atendesse as regras do MPF, inexistentes nos decretos n° 6.104, de 30/04/2007 e n° 3.724, de 10/01/2001; por outro lado, a Portaria MPS n° 520/2004, que regulamentava o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, por força do artigo 25, I da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, deixou de viger somente em 01/04/2008, quando então o processo administrativo fiscal passou a observar o Decreto n° 70.235, de 06/03/72. Entendo que as regras na Portaria MPS n° 520/2004 relativas ao MPF e que se mostravam contrárias aos preceitos dos novos decretos não mais poderiam ser aplicadas desde 02/05/2007 e não de 01/04/2008, quando foram revogadas. Nada mais é do que se observarem as relações hierárquicas entre as normas – para unidade do ordenamento jurídico, as de menor hierarquia buscam validade nas normas superiores; quando as contrariam são inválidas. Mais especificamente, o inciso III do artigo 31 da Portaria MPS n° 520/2004 encontrava substrato no Decreto n° 3.969/2001, que, conforme já explicado, tinha preceitos rigorosos quanto ao MPF. Como foi revogado em 02/05/2007, a partir de então a regra no inciso III perdeu validade. Concluindo, até 02/05/2007, pela existência à época de regra específica nesse sentido, os lançamentos não precedidos de MPF devem ser declarados nulos; após, não mais, o mandado se tornou instrumento de controle interno do exercício das funções exercidas pelo fiscal. Caso a atuação seja viciada por algum desvio de finalidade, cabe ao administrado, contribuinte, demonstrálo. Seguem transcrições: LEI Nº 11.457, DE 16 DE MARÇO DE 2007. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; Art. 16. (...) § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, Fl. 786DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). ... Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). Passando agora ao presente caso, alegam os recorrentes que: In casu, o ato fiscal ora combatido É NULO, pois o digno auditor fiscal excedeu os limites de validade do Mandado de Procedimento Fiscal original 09.20200.2009.002487 de 120 dias, iniciados em 18.03.2009, sem providenciar a ',sucessiva intimação do contribuinte originário (ICB TREINAMENTO DE INFORMÁTICA E ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL LTDA, CNPj 80987126000130(AR 0682866213RL), na forma de sucessivas prorrogações, tendo concluído a fiscalização em 24.09:2009, às 09h0Omin, conforme termo de ciência assinado pelo Contribuinte na referida data. Reconhecem assim que o MPF originário foi devidamente emitido. A ausência de MPF não pode ser equiparada a eventuais falhas nas intimações dos documentos que apenas formalizam a prorrogação. No primeiro, já constam todos os motivos do início do procedimento e o que será verificação pela fiscalização ou diligência. Ainda assim, à época da autuação não mais vigia a Portaria MPS n° 520/2004. Por tudo, voto por rejeitar a preliminar. Quanto às demais preliminares, o procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 787DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 763 17 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A autuação fiscal é ato administrativo e, como tal, é regido pelo Direito Público. A atribuição de competência para a prática do ato vem do ramo do Direito Administrativo, onde encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Por toda a doutrina, o elemento “competência” é vinculado à lei, a quem compete também fixar seus limites. O exercício da competência em conformidade com a regra jurídica de atribuição confere ao ato validade. Portanto, diante da existência da regra e de seu cumprimento nos limites em que lhe é imposta, não se cogita da nulidade do ato de autuação praticado pela autoridade competência, que é atualmente o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 788DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mais, foram suscitadas vícios de inconstitucionalidade nas normas legais que fundamentaram a autuação. Nessa instância administrativa, salvo as autorização previstas em lei, em regra são questões que extrapolam a competência deste órgão julgador: Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 789DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 764 19 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) No mérito Recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais através de sua Segunda Turma agasalhou a tese da fiscalização (Acórdão n° 920201.194, de 19/10/2010). No voto vencedor para o qual fora designado este conselheiro, ora relator, foram trazidos alguns conceitos e fundamentos que se aplicam ao presente caso: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 30/04/2000 IRPF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Ementa: A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributária. ... A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua1 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” ... Não se nega que, isoladamente, cada operação realizada é revestida das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todas as operações foram praticadas. Os balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados, atas de reuniões societárias e outros documentos comprovam isso; contudo, não poderia ser diferente. Na simulação, necessitase que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação 1 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 Fl. 790DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. No que se refere aos atos isoladamente, todos estão perfeitamente formalizados; tomadas um a um encontram validade. Essa característica da forma é importante para convencer o observador de que aparência e realidade coincidem; mas, convence o “míope”, aquele que ao enxergar somente de perto só vê as partes e não o conjunto como um todo. Em conjunto, a obra é travestida. ... Entendimento este que guarda similitude com o presente caso, onde, embora os atos praticados tenham sido revestidos da forma legal, na substância possuem conteúdo distinto do que fora exteriorizado e nos autos há provas substanciais de que a aparência dos atos não condiz com a realidade dos fatos. Responsabilidade: grupo econômico e sucessão empresarial A responsabilidade solidária decorre de expresso dispositivo de lei. O art. 30, inciso IX, da Lei n. 8.212/91, dispõe: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) E o Código Tributário Nacional estabelece que a responsabilidade tributária pode ser atribuída por lei ou ainda de fato, quando as pessoas tenham interesse comum na situação que constitui fato gerador: Sujeito Passivo Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1 as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. ... Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas Fl. 791DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10920.004427/200903 Acórdão n.º 2402001.620 S2C4T2 Fl. 765 21 pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. E os fatos constatados e comprovados pela fiscalização convencem da formação de grupo econômico em seu sentido mais atual. As empresas envolvidas têm interesse comum na atividade de ensino. Vêse que embora sejam cinco pessoas jurídicas formalmente constituídas, os estabelecimentos de ensino se limitam a dois ou três e se apresentam ao público através de uma única marca comercial. Nada demonstra melhor a convergência de interesses do grupo do que esse fato. Além de que é um grupo familiar com operações de reciprocidade generosas. Há ainda as provas trazidas pela fiscalização que denunciam confusão patrimonial. Quando uma grupo de empresas é capitaneado por uma delas no empreendimento comum, evidenciase um grupo econômico. E, quando todos do grupo praticam atos de ingerência um sobre os outros, mais robusta ainda é a formação do grupo empresarial. Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de inscrever os segurados empregados identificados pela fiscalização. Ressaltando que o contribuinte não apresentou qualquer prova em contrário. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 792DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Fl. 793DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.008128/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2007
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC.
I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo,
conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS.
A Entidade Beneficente de Assistência Social é obrigada a cumprir todos os requisitos legais, sob pena de perder seu direito à imunidade de que trata o art. 195, § 7, da CF/1988.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário o ônus da prova em contrário.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A
da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2402-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A Entidade Beneficente de Assistência Social é obrigada a cumprir todos os requisitos legais, sob pena de perder seu direito à imunidade de que trata o art. 195, § 7, da CF/1988. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário o ônus da prova em contrário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 345 2 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Igor Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Wilson Antonio de Souza Corrêa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 346 3 Relatório Tratase de NFLD lavrada para exigir o valor de R$ 88.953,69, aferido indiretamente, em virtude da falta de recolhimento da contribuição previdenciária cota patronal e empregados, contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), e de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados na obra de construção civil (CEI nº 34.460.01724/77), no período de 11/2000 (início da obra) a 11/2007. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 98/272) requerendo a total insubsistência da autuação. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – PR, ao analisar o processo (fls. 279/290), julgou o lançamento parcialmente procedente, sob o argumento de que: a) A isenção prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988 abrange apenas as pessoas jurídicas que comprovem o cumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/1991; b) O prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciários é de 5 anos, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, excluindo do lançamento as competências anteriores a 12/2001; c) Nos casos em que não há prova regular e formalizada pelo contribuinte, o montante de salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário o ônus da prova em contrário; d) Incide multa sobre as contribuições previdenciárias não pagas dentro do prazo legal, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 297/340), alegando que: (i) a NFLD deve ser anulada, posto que não identificou qual requisito do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 restou descumprido, cerceando o seu direito de defesa; (ii) parte dos créditos tributários estão decaídos, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; (iii) possui direito à isenção/imunidade de que trata o art. 195, § 7º, da CF/1988, pois preenche todos os requisitos constantes na Lei nº 8.212/1991; (iv) a imunidade de que trata o art. 195, § 7º, da CF/1988, é auto aplicável, não podendo ter seu gozo limitado por lei ordinária; (v) a empresa construtora de obra de construção civil realizada mediante empreitada global é única e exclusivamente responsável pela matrícula da obra e pelo recolhimento das contribuições previdenciárias; (vi) a fiscalização deve recair sobre a empresa contratada, sob pena de se tributar duas vezes o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 347 4 mesmo fato gerador; e (vii) a multa aplicada ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 348 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Passo a analisar a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente. A Recorrente obteve ciência do lançamento em 11/12/2007 (fl. 01), lavrado para exigir contribuição previdenciária cota patronal e empregados, contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), e de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados na obra de construção civil (CEI nº 34.460.01724/77), no período de 11/2000 a 11/2007. Ao analisar o processo, a d. DRJ reconheceu que havia transcorrido mais de 5 anos entre a data da ocorrência de parte dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário, aplicandose, consequentemente, (i) a Súmula Vinculante nº 08 do STF para afastar o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/1991 e (ii) o art. 173, inc. I, do CTN, para reconhecer a decadência dos créditos tributários relativos ao período de 11/2000 a 11/2001. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Segue abaixo trecho da decisão: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 349 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...)” (STJ, Resp nº 973.733/SC, 1ª Seção, Min. Rel. Luiz Fux, DJe 18/09/2009) Destarte, considerando que o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256/20091, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010, vincula este Conselho aos julgamentos de mérito proferidos pelo E. STJ na sistemática do art. 543C, do CPC, fazse mister aplicar o referido entendimento ao presente caso. Assim, considerando que os fatos geradores constantes no processo ocorreram entre 11/2000 a 11/2007, e que a Recorrente obteve a ciência do lançamento apenas em 12/2007, bem como que não houve pagamento antecipado, entendo que a decadência aplicada pela d. DRJ, no sentido de extinguir os créditos tributários compreendidos nas competências de 11/2000 a 11/2001, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, está correta, não merecendo qualquer reparo. Deve ser negado, portanto, provimento ao argumento da Recorrente de que o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN. A Recorrente defende também que o lançamento deve ser anulado, por vício formal, tendo em vista que não indicou, supostamente, qual dos requisitos elencados no art. 55 da Lei nº 8.212/1991 teriam sido descumpridos, cerceando, assim, seu direito de ampla defesa. Pois bem. Conforme consignado no Processo Administrativo Fiscal nº 10935.008123/200786, lavrado também contra a Recorrente no mesmo procedimento de fiscalização, ela não conseguiu demonstrar quais eram os colaboradores por ela remunerados, tampouco suas respectivas remunerações. Assim dispõe o Relatório Fiscal constante na fl. 62 do referido PAF: “11. O contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada, referente a escrituração contábil dessas subcontas (relacionadas no item "10" deste relatório), motivo (entre outros) da lavratura do Auto de Infração (AI) NQ 37.103.9118 (por descumprimento do artigo 33, parágrafo 2°, da Lei riQ 8.212/91), impossibilitando identificar: 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 350 7 os segurados remunerados; o valor da remuneração individual de cada segurado; se houve desconto (e o valor) da contribuição social do segurado.” Não sabendo quais foram os segurados remunerados, não há como aferir se os diretores, conselheiros e sócios usufruíram ou não vantagens ou benefícios a qualquer título, o que leva ao entendimento de que a empresa não comprovou o requisito previsto no art. 55, inc. IV, da Lei nº 8.212/1991, qual seja: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(...) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;” Sendo assim, fica claro que o auditor fiscal apontou qual requisito legal foi descumprido, não sendo possível, portanto, pleitear a anulação do lançamento por vício formal, por suposta ausência de menção de qual requisito legal (necessário para o gozo da imunidade) teria sido descumprido, tal como pretendeu a Recorrente. Não obstante, o auditor fiscal mencionou também que a Recorrente não estava cadastrada no Sistema de Arrecadação – DATAPREV como entidade isenta das contribuições sociais (fl. 32). Desta forma, entendo que caberia à Recorrente apresentar todos os documentos necessários para afastar a constatação do auditor fiscal de que a empresa não possuía o direito à isenção das contribuições sociais destinadas a seguridade social, não havendo, portanto, que se falar em vício formal do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. A Recorrente alega que cumpriu todos os requisitos exigidos para o gozo da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988, conforme atestam os documentos juntados no processo. No entanto, ao verificar os documentos anexados no processo, verificase que estes não comprovam o cumprimento dos requisitos legais para o gozo da imunidade ora discutida. Isto porque, a Recorrente juntou apenas Certificados de Entidade de Utilidade Pública Federal e Pedidos de Concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS (fls. 302/319), não sendo comprovado, em nenhum momento, que ela era portadora do CEAS, ou que seus pedidos de concessão foram devidamente deferidos, o que demonstra o não cumprimento do requisito previsto no art. 55, inc. II, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 351 8 “(...) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;” Quanto aos demais requisitos, não há qualquer prova de que eles teriam sido respeitados pela Recorrente. Os Balanços Patrimoniais juntados ao processo, relativos aos anos de 2000 a 2006 (fls. 232/268), não comprovam o requisito previsto no inciso IV da referida norma, qual seja, o de não remunerar os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, posto que demonstram apenas o resultado da consolidação contábil da Recorrente, e não a escrituração das verbas percebidas por cada funcionário, como bem apontou a auditoria fiscal, conforme já mencionado acima. Não há, portanto, prova nos autos de que a Recorrente perfazia todos os requisitos autorizadores do gozo da imunidade de que trata o art. 195, § 7º, da CF/1988. A Recorrente pleiteia ainda que, mesmo que se entenda que os requisitos legais não foram preenchidos, deve ser reconhecido seu direito ao gozo da imunidade, posto que a regulamentação dada pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 195, § 7º, da CF/1988, fere o princípio da hierarquia das leis, porquanto tal regulamentação deveria ter sido feita por Lei Complementar, nos termos do art. 146, inc. II, da CF/1988. Ainda nesses termos, a Recorrente defende que a regulamentação que seria válida é aquela prevista no art. 14 do Código Tributário Nacional, que foi recepcionado pela CF/1988 com status de Lei Complementar, o qual dispõe: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Contudo, para que seja possível afastar a aplicação do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, devese reconhecer sua ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, atribuição esta Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 352 9 concedida apenas aos órgãos do Poder Judiciário, sendo vedado a este Conselho infringir esta competência, salvo naqueles casos expressamente previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF2, sob pena de afronta ao princípio da separação dos poderes. Não há, portanto, como acatar o pedido formulado pela Recorrente. Não obstante, cabe ressaltar, apenas a título de argumentação, que ainda que fosse considerada a regulamentação dada pelo art. 14 do CTN, a Recorrente não teria comprovado, nem à fiscalização, nem neste processo, que teria cumprido os requisitos previstos nos incisos I a III da referida norma, conforme já explicado acima, não fazendo jus à imunidade prevista no art. 195, § 7º, da CF/1988. A Recorrente sustenta também que a empresa construtora de obra de construção civil realizada mediante empreitada global é única e exclusivamente responsável pela matrícula da obra e pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 7º, inc. IV, art. 12º, inc. III, da IN nº 18/2000, art. 3º, inc. IV, art. 18º, inc. III, da IN nº 69/2002, Lei nº 8.212/1991 e Decreto nº 3.048/1999. Entretanto, é importante ressaltar que o contrato firmado pela Recorrente com a empresa construtora, qual seja, a Favero Construções Civis Ltda., não é de empreitada global, posto que teve como objeto apenas a construção de 4 salas, 2 banheiros e um corredor, em uma área de 330 m² (fl. 270), e não a construção integral da obra, com todas as responsabilidades que lhe seriam inerentes. Analisando a questão, cabe mencionar o argumento trazido pela d. DRJ, que deixou bem claro que a obra contratada pela Recorrente não era de empreitada global. Segue abaixo trecho de fls. 288/289: “No entanto, conforme consta na Certidão n° 313/07, expedida pela Prefeitura Municipal de Ubiratã, a obra de construção civil 2 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 353 10 objeto da matrícula CEI n° 34.460.01729/79 tem a área total de 1.650,00 metros quadrados (fls. 93), enquanto o contrato celebrado com a empresa Fávero Construções Civis Ltda. tem por objeto a construção de apenas 330,00 metros quadrados (fls. 270 a 272). Esses documentos deixam evidente que o contrato celebrado com a Fávero Construções Civis Ltda. não abrange a totalidade do projeto da obra de construção civil, ou seja, não se trata de um contrato de empreitada total. Assim, não há que se falar em transferência de responsabilidade para a empresa contratada, ficando prejudicada a alegação de que seria necessária a apuração do débito na referida empresa.” Tal fato, por si só, inviabiliza a análise das alegações da Recorrente, no sentido de atribuir responsabilidade à outra empresa, por ter sido a obra, supostamente, construída mediante empreitada global, posto que desamparadas de qualquer correlação fática com o caso concreto. A Recorrente defende ainda que a fiscalização deveria ter recaído sobre a empresa contratada, posto que é ela quem detém todos os registros contábeis referentes aos fatos geradores, sob pena de correr o risco de tributar duas vezes o mesmo fato gerador. No entanto, conforme já mencionado acima, a obra de construção civil da Recorrente foi realizada mediante empreitada parcial de mão de obra. Nesses casos, é aplicável o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, onde a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra é diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. Caso a empresa tomadora dos serviços não comprove a retenção, passa a ser ela a responsável pelas contribuições eventualmente não recolhidas pelo prestador dos serviços. Sendo a Recorrente (contratante), portanto, responsável pelos recolhimentos das contribuições previdenciárias, não é plausível alegar que os auditores fiscais teriam o dever de fiscalizar primeiramente a construtora (contratada). Nesse sentido, considerando que a Recorrente é diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias atinentes à sua obra, e não tendo ela apresentado prova regular e formalizada dos mesmos, correto o procedimento de aferição indireta adotado pelo auditor fiscal, calculando a mãodeobra empregada proporcionalmente à área construída e ao padrão de execução da obra, em consonância com o art. 33, §§3º, 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/1991. Não há, assim, razão no argumento do contribuinte. Por fim, a Recorrente sustenta que a multa imposta neste processo é inconstitucional, ofendendo o princípio do não confisco e da razoabilidade. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10935.008128/200717 Acórdão n.º 240201.553 S2‐C4T2 Fl. 354 11 Entretanto, nos mesmos termos em que mencionados acima, não compete a este Conselho afastar a aplicação da lei com base em arguições de supostas ilegalidades/inconstitucionalidades, motivo pelo qual deixo de apreciar este requerimento. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 35592.000180/2004-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
GERENCIAMENTO INADEQUADO DO AMBIENTE DE TRABALHO ADICIONAL
RAT FINANCIAMENTO APOSENTADORIA ESPECIAL DECLARAÇÃO EM GFIP
É devida a contribuição do adicional para o financiamento da aposentadoria especial, se a própria empresa reconhece a exposição de seus empregados a agentes nocivos por meio de declaração em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Wilson Antônio Souza Correa que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Wilson Antônio Souza Correa que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio de Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 995 3 Relatório Tratase do lançamento das contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes a alíquota adicional destinada ao financiamento dos benefícios de aposentadorias especiais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 55/57) os fatos geradores são as remunerações constantes na folha de pagamento dos segurados empregados e declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. O enquadramento dos segurados como sujeitos aos riscos ambientais e ocupacionais foi lastrado na declaração em GFIP do código 04 – aposentadoria aos 25 anos, para os setores de INSPEÇÃO, LABORATÓRIO, MODELAÇÃO, MANUTENÇÃO MECÂNICA, MANUTENÇÃO ELÉTRICA, FUSÃO ELÉTRICA, VAZAMENTO, MACHARIA, MACHARIA SCHELL, MACHARIA CO2, MACHARIA CURA FRUI, MACHARIA COLD BOX, PREPARAÇÃO DE AREIA KUTNER, PREPARAÇÃO AREIA COL BVOX, MOLDAGEM MANUAL AREIA VERDE, MODELAGEM SQUEEZER, MOLDAGEM VICK JR, MOLDAGEM VICK MM, MOLDAGEM SPL GAZZOLA, MOLDAGEM CURA FRIO, JATEAMENTO, REBARBAÇÃO, PINTURA, EXPEDIÇÃO E TRANSPORTE EXTERNO. Além de reconhecer em GFIP, a notificada reconhece a exposição aos agentes nocivos no formulário DSS 8030 que emitia para os seus trabalhadores. A auditoria fiscal informa que o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho – LTCAT encontravase desatualizado no período de 1999 a 2001 e que pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO verificouse ocorrência de exames alterados no período de 2000 a 2002 pela presença dos agentes ruídos, calor, poeiras e fumos metálicos. No período de 2002, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA classifica os setores citados como insalubres, à exceção do laboratório, expedição e transporte externo, onde indica a utilização de Equipamento de Proteção Individual – EPI sem, entretanto, indicar o número do Certificado de Aprovação dos mesmos. A auditoria desconsiderou os enquadramentos de segurados empregados com o código de ocorrência 03 – aposentadoria aos 20 anos efetuado pela empresa, por não ter sido constatado dentre os agentes nocivos, aqueles previstos no anexo IV do Regulamento da Previdência Social para tal enquadramento. A notificada teve ciência do lançamento em 10/03/2003 e apresentou defesa (fls. 118/150) onde alega nulidade da notificação em razão da auditoria fiscal ter informado que utilizou de documento não apresentado para embasar a notificação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 996 4 Considera impropriedade do lançamento a exigência do adicional por departamento e não por funcionário, levanto a exigir o adicional para funcionários que não teriam direito à aposentadoria especial. Afirma que para parte do lançamento não há indicação da alíquota aplicada. Alega que a discriminação do fato gerador foi insuficiente e imprecisa, baseada em fatos não comprovados. Aduz a impossibilidade de se utilizar o PCMSO como prova de existência de atividades sujeitas à aposentadoria especial. Argumenta que não há provas de que as GFIPs tenham sido preenchidas com o código 04 – aposentadoria em 25 anos e tampouco que houve reconhecimento de exposição pela emissão do formulário DSS 8030. Além disso, esclarece que várias GFIPs foram preenchidas com códigos errados e ocorrências inaplicáveis e que o código 04 foi preenchido em dissonância com o LTCAT/PPRA. Tece considerações a respeito da inconstitucionalidade da contribuição destinada ao Seguro Acidente de Trabalho e do seu adicional. Alega que a autoridade fiscal considerou bases irreais uma vez que inaplicável a todos os funcionários da empresa o benefício da aposentadoria especial, bem como a necessidade de perícia. Os autos foram encaminhados à auditoria fiscal em diligência que resultou na manifestação de folhas (673/674) onde esclarece as alíquotas aplicadas no período questionado ela notificada. Esclarece, também, que a empresa discute judicialmente a cobrança da alíquota SAT/GILRAT, tendo recolhido a referida alíquota por meio de depósitos judiciais. Os valores depositados judicialmente foram objeto de outro lançamento a fim de prevenir a decadência. Entretanto, no referido depósito, a notificada não teria incluído a majoração da alíquota sobre a remuneração dos empregados expostos a agentes nocivos, a qual seria o objeto da presente notificação. A notificada foi intimada da informação fiscal e apresentou manifestação (fls. 679/714) no sentido de que seria improcedente o aditamento e confirmado os vícios originais. No mais, nada acrescenta. Pela Decisão Notificação nº 14.424.4/0125/2003 (fls. 716/726), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 735/748) onde alega nulidade da decisão recorrida por falta de realização de perícia para aferir a que grau os empregados estavam expostos e também teria sido desconsiderada a utilização dos EPIs. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 997 5 Mantém a argumentação quanto aos vícios que entende existiram na notificação. A SRP apresentou contrarrazões (fls. 752/761) pela manutenção da decisão recorrida. Os autos foram encaminhados à então 4ª Câmara do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social que pelo Decisório nº 223/2004 (fls. 780/783) converteu o julgamento em diligência para deferir o pedido de perícia, bem como para que a auditoria fiscal demonstrasse as razões que levaram ao arbitramento dos setores declarados em GFIP pela empresa e lançados na presente notificação. A notificada manifestouse (fls. 795/801) apresentando quesitos a serem respondidos pela perícia, bem como indicando dois peritos. A auditoria fiscal também manifestouse às folhas 809/812 onde argumenta que o lançamento em questão referese à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, do período de 12/2001 a 04/2002, uma vez que a notificada questiona tal contribuição judicialmente e vinha fazendo os depósitos judiciais, à exceção das competências mencionadas. Além disso, foram lançadas contribuições relativas ao adicional para o financiamento da aposentadoria especial ao 25 anos de serviços em razão da própria recorrente reconhecer tal exposição indicando na GFIP o código 04 – aposentadoria 25 anos. É informado que as bases de cálculo foram apuradas nas folhas de pagamento apresentadas pela notificada, portanto, não houve qualquer arbitramento das bases de cálculo ou presunção das alíquotas adicionais. Intimada da Informação Fiscal, a notificada manifestase (fls. 816/821) no sentido de que a auditoria fiscal não atendeu ao solicitado pela 4ª CaJ, apenas repetiu os argumentos até então expendidos na notificação recorrida. Apresenta rol de respostas apresentadas pelos peritos por meio de laudo pericial (fls 822/827) Os autos foram encaminhados à Seção de Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade – GBENIN para parecer do Médico Perito. Da análise dos laudos periciais juntados pela notificada, o Médico Perito apresentou suas conclusões (fls. 926/927) no sentido de que o Laudo Pericial efetuado pela Perita indicada pela empresa é baseado na situação atual da empresa, o que não interessaria ao presente julgamento. Os autos retornaram à esta instância de julgamento para continuidade da análise, no entanto, pela Resolução nº 240200.067. (fls. 973/977) entendese por converter o julgamento em diligência para que a notificada fosse intimada das conclusões apresentadas pelo Médico Perito. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 998 6 Em resposta (fls. 983/990), a notificada alega que a análise de Laudos Técnicos apresentada pelo Perito Médico do INSS (fls. 926 e ss.) não devem ser consideradas. Entende a notificada que para elaboração do Laudo requerido, o Perito Médico da Previdência Social deveria ter realizado a inspeção dos ambientes de trabalho da Recorrente, o que não ocorreu. Afirma que o Laudo elaborado pela Perita indicada pela empresa (fls. 822 e ss.) é o único documento constante no presente PAF que deve ser acolhido por esta instância de julgamento. Considera que desconsiderar o Laudo de fls. 822, como pretende o Perito Médico, é tornar sem sentido a própria decisão proferida pela 4a CAJ/CRPS (fls. 780/783), que objetivou, através da determinação da elaboração do Laudo de 2005, preservar o princípio da verdade material, que, em momento algum, foi perseguido pelo Fisco no presente processo. Argumenta que se concluir pela inaplicabilidade do referido laudo é reconhecer que não há como se aplicar o princípio da verdade material ao presente processo. A perícia foi determinada para se apurar a verdade material. Vejase, ainda, que o Perito Médico afirma que o laudo que deveria ser considerado é o de 1998 — o que, com o devido respeito, não faz qualquer sentido. Se o Laudo elaborado pela Perita indicada pela Recorrente não pode ser considerado, como defendeu o médico do INSS, em razão deste ter sido elaborado em 2005, período posterior ao da autuação, menos ainda o PPRA de 1998, no qual se pautou o Perito Médico, poderia ser considerado, pois anterior ao período da autuação. Alega que o próprio Perito Médico reconhece a possibilidade de utilização de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC's) como atenuante/eliminador dos agentes capazes de ensejar a aposentadoria especial. Afirma que houve a efetiva implantação de EPC's e, houve, de fato, a redução/eliminação dos mencionados agentes. Obviamente tais EPC's (e outras alterações no meio) não estavam refletidos no Laudo de 1998, pois foram implantadas em períodos subsequentes ou geraram alterações no ambiente em períodos posteriores a 1998. Por outro lado, o Laudo de 2005 reflete as melhorias havidas nos anos de 1999 a 2002 e, frisese, não há qualquer prova apresentada pelo Perito Médico em sentido contrário. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 999 7 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Da análise das peças que compõe os autos verificase que o que levou a auditoria fiscal a efetuar o lançamento foi o fato da recorrente haver informado em GFIP o código 04 – aposentadoria aos 25 anos, para os empregados. Ainda que tenha reconhecido em GFIP a exposição, bem como tenha fornecido o formulário DSS 8030 aos empregados no mesmo sentido, a recorrente entendeu por questionar o lançamento no sentido de que os empregados não estariam sujeitos a risco, quer seja pela inexistência destes, quer seja pela utilização de EPIs. O direito a um ambiente de trabalho saudável é preceito constitucional insculpido no inciso XXII, do art 7º, da Constituição Federal, que garante aos trabalhadores o direito à redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Os procedimentos que garantem o adequado controle do ambiente de trabalho estão insertos nas Normas Regulamentadoras elaboradas pelo Ministério do Trabalho, cuja observância demonstra o cuidado da empresa para com o ambiente de trabalho em suas dependências. As citadas normas trazem de forma detalhada como deve ser a conduta da empresa no gerenciamento do ambiente de trabalho e, também, como devem ser elaborados os documentos relacionados ao controle ambiental. Seria interessante que a recorrente observasse atentamente os conteúdos das Normas Regulamentadoras que instituíram os documentos em questão e percebesse que a elaboração dos mesmos está diretamente relacionada com a realidade fática do contribuinte. O PPRA, LTCAT e PCMSO, por exemplo, não são elaborados a partir de situações hipotéticas, ao contrário, são documentos exclusivos, elaborados para determinada empresa com base em suas condições ambientais existentes. In casu, o Decisório 223/2004, solicitou à auditoria fiscal que apresentasse as razões que levaram ao procedimento do arbitramento. Ora, o lançamento em questão, conforme informado de forma clara no Relatório Fiscal, se originou do próprio reconhecimento em GFIP, da exposição dos empregados a risco capaz de ensejar a aposentadoria especial aos 25 anos de serviço. Asseverese que a recorrente informou para alguns empregados o código 03 que dá direito à aposentadoria especial aos 20 anos de serviço, o que foi desconsiderado pela auditoria fiscal face à inexistência nos documentos apresentados da menção a qualquer risco que ensejasse tal benefício. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 1000 8 Portanto, não foi efetuado qualquer arbitramento, ainda que os documentos relacionados ao controle ambiental não tivessem sido elaborados conforme as normativas e contivessem alguma inconsistência. De igual forma, o citado decisório deferiu o pedido de perícia formulado pela recorrente, mesmo com a confissão que representa a declaração em GFIP. A meu ver, o correto gerenciamento de seu ambiente de trabalho prescinde de diligências in loco, sobretudo se considerarmos que o ambiente de trabalho não é estático no tempo, ao contrário, é o dinamismo do mesmo que demanda o controle contínuo e intermitente das condições do ambiente de trabalho. Tal entendimento foi corroborado no parecer elaborado pelo Médico Perito, o qual informa que as questões apresentadas no Laudo Pericial juntado pela recorrente referiam se à situação atual, não podendo afetar o presente lançamento, cujos fatos geradores ocorreram em período anterior. Embora a recorrente alega que não houve inspeção no local a fim de verificar a situação do ambiente de trabalho e que tal ausência significaria que não houve a busca da verdade material, esse argumento não convenceu esta Conselheira da necessidade de qualquer perícia ou inspeção em período posterior ao da ocorrência dos fatos geradores. Assim, entendo que a diligência solicitada pela então 4ª CaJ se revela desnecessária, quer seja pela solicitação de justificativa de um arbitramento que não ocorreu, quer seja pela deferimento de perícia que só se presta a comprovar a situação ambiental à época de sua realização. No mais, a recorrente se limita a questionar a constitucionalidade da contribuição ao SAT, bem como daquela destinada ao financiamento da aposentadoria especial. A recorrente discute judicialmente a contribuição do SAT o que por si só já é suficiente para o não conhecimento da matéria, haja vista a renúncia à esfera administrativa. No entanto, cumpre dizer que não cabe à instância administrativa de julgamento afastar aplicação de dispositivo legal vigente sob o argumento de que o mesmo seria inconstitucional. O controle da constitucionalidade no Brasil é do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35592.000180/200423 Acórdão n.º 2402001.567 S2C4T2 Fl. 1001 9 apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” Ademais, tal questão foi sumulada no âmbito do CARF, por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 14/07/2010 que decidiu o seguinte: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso, REJEITAR PRELIMINARES e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.010300/2008-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-006.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes deveriam ter sido pagos à contribuinte (regime de competência).
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll
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REGIME DE TRIBUTAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes deveriam ter sido pagos à contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Diogo Cristian Denny e Thiago Duca Amoni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 00 /2 00 8- 20 Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.668 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010300/2008-20 Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 18/22) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (e-fls. 126/128) no qual se apurou a Omissão de Rendimentos do Trabalho Com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício no valor de R$ 19.749,97. A contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/15), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 165/173): Informa que, junto com a mãe e irmãos, impetrou ação de indenização por danos materiais cm virtude do homicídio de seu pai, quando era 2º Sargento da Polícia Militar do Estado do Paraná, efetuado por soldado da mesma corporação. Traça histórico do processo judicial, afirmando que, por ocasião do pagamento, efetuado em março de 2004, foi apresentado cálculo judicial indicando que teria direito a R$ 25.358,62, sendo R$ 19.749,97 de principal e R$ 5.608,65 de juros moratórios, fls. 102 a 109. Aduz que, segundo o contador judicial, deveria haver retenção de IR na fonte somente sobre os juros, tendo sido expedido o alvará de fl. 120 e efetuado o recolhimento de IR pelo documento de fl. 98. Considera que efetuou o recolhimento do IR devido, insurgindo-se contra a exigência em litígio, alegando ilegitimidade porque entende que se trata de indenização por danos materiais, que não estaria sujeita à incidência de IR, em razão de caracterizar uma reparação patrimonial. Suscita que a reparação patrimonial não geraria renda e, assim, não estaria inclusa nas hipóteses de incidência definidas no art. 153, II, da Constituição Federal e no art. 43 do Código Tributário Nacional - CTN. Transcreve trechos da sentença de primeira instância e de acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná para corroborar sua alegação acerca da “preocupação em reparar os danos materiais decorrentes da morte do genitor”. Cita doutrina definindo que a indenização, no caso de ato ilícito que resulte em morte, seria composta do pagamento de despesas com tratamento da vítima, com funeral e com o luto da família, além da prestação de alimento às pessoas as quais o defunto devia. Menciona jurisprudência administrativa acerca da isenção de IR sobre indenização por dano material e judiciária sobre a inocorrência de hipótese de incidência de IR sobre indenização. Apoiada novamente em jurisprudência, protesta também contra a tributação de rendimentos atrasados, no momento do recebimento, pleiteando que, em obediência ao princípio da isonomia, eventual incidência de IR seja calculada sobre o valor mensal na época em que eram devidos, suscitando que corresponderia a R$ 196,64 mensais, os quais estariam incluídos na faixa de isenção do IR. Finaliza solicitando a insubsistência da autuação e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, incluindo diligências e perícia, para as quais protesta pela indicação de assistente técnico para formulação de quesitos. A Impugnação foi julgada Improcedente pela 4ª Turma da DRJ/CTA em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.668 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010300/2008-20 pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Considera-se não efetuado os pedidos de diligência e perícia elaborados de forma genérica, sem especificar o perito e nem os quesitos a serem argüidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Os rendimentos, abstraindo-se sua denominação ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções expressamente previstas na legislação. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DE TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Por expressa previsão legal, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros. Cientificada do acórdão de primeira instância em 10/02/2011 (e-fls. 138), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 14/03/2011 (e-fls. 143/162) essencialmente reiterando os argumento de sua Impugnação: - Apresenta descrição dos fatos até a decisão de primeira instância. - Alega que, ao utilizar-se de instrumentos como a doutrina e jurisprudência, não está pleiteando o afastamento do texto legal e sim reforçando o dispositivo a ser aplicado no caso concreto e indicando precedentes de forma a facilitar a solução do conflito. Discorre sobre a doutrina e os julgados citados em sua Impugnação com o intuito de demonstrar que a primeira etapa da fundamentação indicada na decisão recorrida não possui respaldo. - Sustenta que a indenização por danos materiais não se sujeita à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista que o montante recebido caracteriza-se como uma reparação patrimonial, não havendo geração de renda. - Defende que os documentos juntados aos autos comprovam que o valor recebido tem natureza indenizatória em razão de ilícito criminal e aduz que afirmar o contrário representa ato de má-fé, uma vez que tanto a sentença quanto o acórdão relatam, de forma objetiva e precisa, os fatos. - Expõe que, apesar de ter o mesmo efeito prático no caso em tela, não se trata de isenção, mas de hipótese de “não-incidência do tributo por falta de tipificação do fato gerador”. - Discorda do momento da tributação em litígio. Salienta que o valor recebido no dia 08/03/2004, equivalente a R$ 25.358,62, não diz respeito a uma indenização única, mas sim ao montante acumulado, referente à pensão mensal concedida por sentença. Entende que, tratando-se de indenização decorrente de pensão não paga, a retenção de imposto de renda na fonte deve levar em conta os valores percebidos mensalmente e não o total acumulado, sob pena de se afrontar a isonomia tributária. Assevera que não pode sofrer tributação diferenciada por ter recebido valores com atraso. Acrescenta que o montante mensal recebido estaria incluído na faixa de isenção do imposto de renda. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.668 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010300/2008-20 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com a Notificação de Lançamento, a omissão de rendimentos foi apurada com base nos seguintes fatos (e-fls. 20): Conforme sentença de fls 74 a 80 do processo judicial nº 11.888/87, da 4 VF, trata-se de pagamento de pensão. As pensões recebidas em atraso, inclusive juros, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte no mês do recebimento e na Declaração de Ajuste Anual . Não houve pagamento de honorários advocatícios. Tributamos R$ 25.358,62 conforme Alvará nº 58/2004. O Colegiado a quo manteve a infração em litígio, ratificando o entendimento da autoridade lançadora (e-fls. 167/173). No que concerne à doutrina e à jurisprudência apresentadas na Impugnação, não vejo equívocos nos esclarecimentos constantes do acordão recorrido. Com efeito, as decisões trazidas pela interessada somente produzem efeitos sobre as partes envolvidas naqueles processos, não devendo ser necessariamente estendidas a outros casos. Relativamente à não incidência de imposto de renda sobre os rendimentos em exame, adoto como minhas as razões de decidir do julgamento de primeira instância, conforme previsto no art. 57, §3º, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, com destaque para os seguintes trechos do voto condutor: A sentença de fl. 57 determinou o pagamento de “pensão vitalícia mensal correspondente a morte do marido e pai dos Requerentes, pensão essa enquanto viúva a Autora e até que a 2ªAutora venha a contrair núpcias e o 3º Autor atingir a maioridade civil; para a 4ª Autora, desde a data do óbito de seu pai até 25-04-87 (data de seu casamento fls. 12). tudo no valor de 2/3 (dois terços) dos vencimentos e vantagens que percebia a vítima” e também de “custas processuais e honorários advocatícios dos Autores”. [...] Os documentos trazidos aos autos referentes à liquidação de sentença e execução de título judicial, fls. 74 a 90, também só tratam de pagamento de pensões vencidas com juros e de vincendas, além de despesas processuais e de honorários advocatícios e de perito. Não há qualquer menção a ressarcimento de bens avariados ou de valores suportados pelos filhos e cônjuges, que pudesse caracterizar indenização por dano material. O precatório requisitório emitido em 02/06/1997 manteve o cálculo da execução de 08/11/1996, fls. 89 e 92, com atualização monetária até a data do pagamento. O próximo documento trazido é a ordem de pagamento de 05/03/2004 - fl. 95 e 105, onde consta que a impugnante teria direito a R$ 19.749,97 de principal e R$ 5.608,65 de juros, sobre os quais foram retidos RS 1.119,38 de IRRF, recolhido em 23/03/2004 - fl. 98. O alvará de fl. 115, expedido em 08/03/2004, liberou R$ 25.358,62, dos quais deviam ser retidos R$ 1.119,38 de IRRF. Portanto, de acordo com os autos judiciais acostados ao presente processo, as verbas recebidas pela família de Luiz Gonzaga Peliki correspondem a pensões vencidas c vincendas, limitada a 2/3 dos rendimentos que ele receberia se não tivesse sido assassinado. Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-006.668 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010300/2008-20 Dessa forma, como os rendimentos omitidos referem-se a pensão acumulada recebida em razão do assassinato do pai da impugnante e não de indenização por danos materiais, eles se sujeitam à tributação nos termos do art. 43, XI do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 1999): [...] A aquisição de disponibilidade econômica representada pelos rendimentos em questão é, inequivocamente, fato gerador do imposto de renda, na acepção do art. 43 do CTN, com destaque também para seu § 1º (incluído pela Lei Complementar n° 104, de 2001), que estabelece que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento: [...] Sobre o tema, é de se ressaltar, ainda, a disposição do art. 111 do CTN, que prevê que a legislação que disponha sobre exclusão de crédito tributário ou outorga de isenção deve ser interpretada literalmente: [...] Quanto ao imposto sobre a renda da pessoa física, as isenções existentes, de uma forma geral, encontram-se reproduzidas pelos incisos I a XLVII do art. 39 do RIR/1999, que elenca os respectivos dispositivos legais em que se fundamenta. Dentre os casos arrolados não há isenção para a hipótese suscitada no presente processo. Saliente-se que a indenização por morte somente é isenta se não for continuada e, mesmo se fosse o caso de dano material, a isenção estaria restrita a rescisão contratual, nos termos dos incisos XVI e XVIII: [...] A jurisprudência recente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF corrobora esse entendimento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INDENIZAÇÃO REPARATÓRIA DE PRESTAÇÕES CONTINUADAS. Há incidência de imposto de renda pessoa física quando os rendimentos recebidos de forma acumulada se apresentarem sob a forma de pagamentos de prestações continuadas ainda que a sua natureza seja de indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte. (Acórdão nº 2001-001.506 de 17/12/2019) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA. INDENIZAÇÃO REPARATÓRIA DECORRENTE DE ACIDENTE. Caracterizado o pagamento em prestações continuadas (pensão vitalícia), é tributável o valor da indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bens material danificado ou destruído, determinada judicialmente em decorrência de acidente, ainda que recebida acumuladamente. A parcela da indenização percebida de forma fixa e definitiva não é atingida pela tributação do imposto de renda pessoa física. (Acórdão nº 2201-005.095 de 11/04/2019) Por outro lado, assiste razão à interessada quanto ao momento da tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA. Conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, o cálculo do imposto sobre os RRA deve observar o regime de competência, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ressalte-se que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-006.668 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010300/2008-20 sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/15 - Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do RICARF. Assim, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto de renda devido sobre os RRA com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pela contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital
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