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Numero do processo: 19515.003845/2010-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
Enunciado no 2 de Súmula CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Por não possuir caráter remuneratório, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço/adicional constitucional de férias. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRÓ-LABORE. INCIDÊNCIA.
A pessoa jurídica deve arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos.
A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobres os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA. PREVISÃO EM LEI.
Sobre as contribuições previdenciárias em atraso, arrecadadas para financiamento da Seguridade Social, lançadas através de Auto de Infração, incidem juros e multa de mora, que não podem ser relevados.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o levantamento sobre 1/3 de férias. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. Enunciado no 2 de Súmula CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por não possuir caráter remuneratório, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço/adicional constitucional de férias. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRÓ-LABORE. INCIDÊNCIA. A pessoa jurídica deve arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobres os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA. PREVISÃO EM LEI. Sobre as contribuições previdenciárias em atraso, arrecadadas para financiamento da Seguridade Social, lançadas através de Auto de Infração, incidem juros e multa de mora, que não podem ser relevados. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. Enunciado no 2 de Súmula CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTA CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por não possuir caráter remuneratório, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre o terço/adicional constitucional de férias. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA. A pessoa jurídica deve arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 45 /2 01 0- 65 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 A Lei 10.666/2003 determina que, além das contribuições próprias incidentes sobres os pagamentos efetuados a contribuintes individuais a seu serviço, as empresas são ainda responsáveis pelo desconto das contribuições devidas por estes à Previdência Social. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS E MULTA. PREVISÃO EM LEI. 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A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo tributário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o levantamento sobre 1/3 de férias. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2006 a 12/2007. Também houve a apuração das diferenças de acréscimos legais decorrente de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, competências 07/2007 a 06/2008. O Relatório Fiscal (fls. 109/115) informa que o fato gerador decorre das remunerações pagas ou creditadas aos empregados e aos contribuintes individuais (PróLabore dos sócios), não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Informa que se observou o art. 106, inc. II, “c” do CTN, efetuando comparação entre a multa a ser aplicada à época dos fatos geradores e aquela a ser aplicada pela legislação atual (art. 44 da Lei n° 9.430/96). Tal comparação encontrase no processo nº 19515.003850/201078 (Auto de Infração nº 37.251.8664), no anexo III (fls. 48). O Relatório Fiscal aponta, ainda, que: 1. nas competências de 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 07/2006, 08/2006, 10/2006 a 12/2007, a empresa remunerou os segurados empregados e sócios e deixou de recolher integralmente as contribuições; 2. no período de 01/2007 a 13/2007, a empresa deixou de considerar como fatos geradores os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 02/12/2010 (fls. 01 e 979). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 983/1003) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração lavrado contém erros formais (alusão deficiente aos dispositivos legais) que importam no cerceamento de defesa da Impugnante, direito assegurado pelo art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, razão pela qual o mesmo padece de nulidade. Colaciona jurisprudência; 2. o art. 10 da Lei nº 10.666/2003, por permitir ao poder executivo aumentar a alíquota de contribuição do GILRAT sobre a folha de salários em até 100%, está eivado pelo vício da inconstitucionalidade (art. 150, I, da CF); Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 4 5 3. não constam no auto de infração as razões pelas quais foi aplicado o índice de 2% (risco médio) e os motivos da não redução da alíquota da contribuição em questão. Tal ausência de explicação torna o auto viciado, uma vez que limita o direito de defesa da Impugnante, caracterizando cerceamento de defesa, em desrespeito ao art. 5o, inciso LV e ao art. 37 (publicidade dos atos administrativos), ambos da Carta Magna; 4. não são devidas a contribuição previdenciária sobre prólabore, bem como a multa pela ausência de recolhimento dessa verba, pois, a Lei Maior, em seu art. 195, inc. I, não previu a inclusão de cobrança sobre o prólabore dos sócios ou sobre valores pagos aos profissionais autônomos. Colaciona jurisprudência; 5. com base no art. 7°, XVII, combinado com o art. 201, § 11; art. 150, I e art. 195 da CF, resta incabível o recolhimento de contribuição social com base no terço constitucional de férias, já que tal verba tem caráter indenizatório. Assim, não pode ser imputada à Impugnante tal obrigação, bem como a aplicação de multa; 6. a empresa recolheu os acréscimos legais a menor, tratandose de erro de fato escusável, pois retratam valores irrisórios, que empresa alguma deixaria de recolher com intuito de obter lucro. Assim, é evidente que a Impugnante não pode e não deve ser compelida a pagar, por se tratar de excludente de dolo e culpa; 7. não obstante o Fisco afirmar que foi aplicada a penalidade mais branda (em respeito ao art. 106, II, "c" do CTN), o demonstrativo da multa aplicada (Anexos I, IA e II) do presente auto de infração apresenta multiplicador, cuja aplicação não possui base legal, ferindo, assim, o princípio da legalidade; 8. apesar de imputada a multa por omissões ou incorreções constantes em GFIP, não foram apontadas quais seriam, a fim de possibilitar a defesa da Impugnante, constando apenas do demonstrativo a expressão ‘campos com informação errada’. Assim, ficou impossibilitado o direito de ampla defesa à Impugnante; 9. o princípio da legalidade não foi observado em todo o processo administrativo, acarretando o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, razão pela qual o presente auto de infração deve ser declarado nulo. Que, no caso do Julgador não entender dessa forma, requer seja o referido auto de infração julgado improcedente, excluindo os valores indevidamente cobrados, seja pelo pagamento da contribuição, pela falta de obrigação tributária da Impugnante ou pela inconstitucionalidade da cobrança; 10. por fim, a Impugnante requer a produção de prova pericial contábil, a fim de expurgar os valores indevidamente cobrados, de forma a evitar o confisco, vedado constitucionalmente. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão no 1636.249 da 13a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A DRF em São Paulo/SP encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do voto vencido. Pelo fato de o ConselheiroRelator Marcelo Freitas de Souza Costa ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização, reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que sou apenas redator adhoc para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do Colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro RedatorDesignado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Com isso, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, decorrente das remunerações pagas ou creditadas aos empregados e aos contribuintes individuais (PróLabore dos sócios), não declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/1003) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 109/115) e seus anexos (fls. 01/108) são claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito (FLD), fls. 27/29, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 109/115. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/115) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 6 9 constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade da Lei 10.666/2003, que permite a majoração da alíquota destinada ao SAT/GILRAT em até cem por centro, conforme dispuser o regulamento; (ii) inconstitucionalidade da contribuição sobre o prólabore; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Quanto à incidência sobre os valores do adicional de 1/3 constitucional de férias, o STJ, reformando antiga posição, desde 2009, realinhou a sua jurisprudência para acompanhar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema, assentando a conclusão no sentido de que sobre referida verba, diante do seu caráter não remuneratório, não há incidência da contribuição previdenciária. Transcrevemos trechos das seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1. A Primeira Seção do STJ considerava legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2. Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1123792/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) ......................................................................................................... EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INOVAÇÃO RECURSAL. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCABIMENTO. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INOCORRÊNCIA. 1. Mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis de ofício nas instâncias ordinárias, devem estar prequestionadas, a fim de viabilizar sua análise nesta Corte Superior de Justiça. 2. "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas." (AgRgEREsp nº 957.719/SC, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, in DJe 16/11/2010). 3. A interpretação extensiva da norma infraconstitucional em nada se identifica com sua inconstitucionalidade, razão pela qual não há falar em violação qualquer da norma de reserva de plenário. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e improvido. (AgRg no REsp 1.221.674/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, DJe 18/04/2011). ......................................................................................................... EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. 1.1 Prescrição. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar o RE 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11.10.2011), no regime dos arts. 543A e 543B do CPC (repercussão geral), pacificou entendimento no sentido de que, "reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005". No âmbito desta Corte, a questão em comento foi apreciada no Resp 1.269.570/MG (1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 7 11 Marques, DJe de 4.6.2012), submetido ao regime do art. 543C do CPC, ficando consignado que, "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, do CTN". 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no Resp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que" o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 8 13 A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 – com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (Resp 1.230.957/RS, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, em 18/03/2014) Percebese, então, que as decisões do STF e do STJ assentaram entendimentos no sentido de que não há incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título do terço constitucional de férias, razão pela qual, em se tratando de tema já absolutamente pacificado no âmbito judicial, não vejo como deixar de adotar tal entendimento, ainda em respeito ao princípio da própria economia processual. Além disso, esclareço que a adoção do entendimento já firmado sobre o tema pelo STF e STJ, em momento algum enseja a declaração de inconstitucionalidade de norma ou legislação de direito tributárioprevidenciário, motivo pelo qual afasto no caso a incidência do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Assim, não se trata da adoção de precedente que também veio a declarar a inconstitucionalidade de Lei, mas de precedentes nos quais claramente ao se discutir acerca da natureza de cada uma das verbas em questão, fixaram entendimento de que não se tratam de retribuição para o trabalho, situação que os afasta da incidência das normas previstas no art. 28 da Lei 8.212/1991. Diante da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), extraise que a verba paga a título de terço constitucional de férias não integra o salário de contribuição, dada a sua natureza ser indenizatória. A Recorrente argumenta que não tem obrigação tributária de recolher contribuição previdenciária sobre os valores pagos à sócios e autônomos. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 9 15 Essa alegação não será acatada pelos seguintes motivos. Dentro desse contexto e com relação ao entendimento da aplicação da alíquota de 11%, esclareço que – a partir da competência 04/2003, conforme art. 4o da Lei 10.666/2003 – o contribuinte individual prestador de serviços à pessoa jurídica, que é o caso sub examine, deixou de ser responsável tributário pelo recolhimento da sua contribuição previdenciária, que passou a ser de responsabilidade da pessoa tomadora do serviço (a Recorrente), à razão de 11% sobre o salário de contribuição, e não mais alíquota de 20%. Para o recolhimento realizado pelo contribuinte individual, a contribuição previdenciária de sua parcela como segurado obrigatório do RGPS será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, nos termos do art. 21, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por sua vez, na situação de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, o art. 30, § 4º, da Lei 8.212/1991, prevê a aplicação da alíquota de 11%. Art. 30. (...) § 4o Na hipótese de o contribuinte individual prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a nove por cento do respectivo saláriode contribuição.(grifamos) Posteriormente, o art. 4o da Lei 10.666/2003 estabeleceu a responsabilidade tributária para a empresa reter e recolher os valores das contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Lei 10.666/2003: Art. 4o. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Da leitura da regra acima estabelecida, apenas quando o tomador do serviço for empresa (pessoa jurídica), que é o caso do presente processo, o segurado contribuinte individual gozará da presunção absoluta de recolhimento das suas contribuições, não admitindo prova em contrário (Cf. VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Comentários à lei do custeio da seguridade social, p. 264), tal qual o segurado empregado e trabalhador avulso, devendo a pessoa jurídica, que é a Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Recorrente, responder exclusivamente pelo pagamento dos valores, caso não os tenham retidos ou não os repassados ao Fisco, na forma do art. 33 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifamos) Percebese, então, que os segurados contribuintes individuais que prestam serviços à empresa não sofrerão prejuízo na concessão dos benefícios previdenciários, mesmo que não tenham sido descontadas as contribuições previdenciárias, bastando aos segurados comprovar o vínculo laboral e o valor da remuneração percebida. Nesse linha de raciocínio, prevê o Enunciado no 18 de Súmula do Conselho de Recursos da Previdência Social: “Não se indefere benefício sob fundamento de falta de recolhimento de contribuição previdenciária quando esta obrigação for devida pelo empregador”. No mesmo caminho da aplicação da alíquota de 11% para a empresa que contrata segurados contribuintes individuais, bem como a presunção dos seus recolhimentos, prevê o art. 216, §§ 5o e 26, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.028/19991. Com isso, não acato a alegação da Recorrente, uma vez que a aplicação da alíquota de 11% sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais está em conformidade com a legislação previdenciária retromencionada. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. 1 Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: (...) § 5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. (...) § 26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do saláriodecontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 10 17 I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Dentro do contexto fático, observase que consta do Contrato Social da empresa (fls. 50) o seguinte objeto social: Artigo 3º. A sociedade tem por objetivo: tinturaria, malharia, confecção e comércio de fios. Por sua vez, o Anexo V do Decreto nº 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, vigente à época dos fatos geradores, para a atividade de serviços de acabamento em fios, tecidos e artigos têxteis produzidos por terceiros (CNAE 17507 e 13405/01, este a partir de 06/2007 conforme Decreto nº 6.042/2007) determinou o grau de risco médio, que corresponde aos 2% previstos no art. 22, inciso II, alínea “b”, da Lei 8.212/19912. Em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que é devida a diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente 2 Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (...) b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 11 19 de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. Dessa maneira, não cabe reparo à decisão de primeira instância que manteve a alíquota de 2% (grau médio). Quanto às Diferenças de Acréscimos Legais (levantamento “DAL”), relativas a pagamentos efetuados em 07/2007 e 06/2008 (referentes às competências do período fiscalizado), a Recorrente alega que seriam erros escusáveis, pois espelha valores irrisórios. Tal alegação não será acatada, porquanto não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir a regra prevista no art. 34 da Lei 8.212/1991. Depreendese dessa regra que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (g.n.) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, já que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 12 21 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa e juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. No que tange à alegação de que a imposição das multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória estaria incorreta e seria ilegal, essa alegação não será acatada, pois foi aplicado o princípio da retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, somente houve a aplicação da multa oriunda da obrigação acessória, AIOA Debcad nº 37.251.8664 (CFL 68), para as competências 01/2006 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006, 01/2007 a 10/2007, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal, conforme Anexo III (fls. 48 do processo nº 19515.003850/201078) e sub item “6.1” do Relatório Fiscal. Para as demais competências (04/2006, 05/2006, 13/2006, 11/2007 e 12/2007), aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às contribuições devidas (subitem “6.1” do Relatório Fiscal). Em outras palavras, constatase que a legislação à época dos fatos geradores (multa de mora 24%) é mais benéfica nas competências 01/2006 a 03/2006, 07/2006 a 12/2006, 01/2007 a 10/2007 e a legislação atual (multa de oficio de 75%) é mais benéfica nas competências 04/2006, 05/2006, 13/2006,11/2007 e 12/2007. Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (Anexo III, fls. 48 do processo nº 19515.003850/201078, e subitem “6.1” do Relatório Fiscal) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão e, com isso, afasto a alegação de ilegalidade na imposição das multas. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.003845/201065 Acórdão n.º 2403002.410 S2C4T3 Fl. 13 23 Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/1003) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. É importante deixar registrado que a base de cálculo, apurada no presente lançamento, é oriunda exclusivamente dos valores declarados pelo sujeito passivo nas folhas de pagamento e na escrituração contábil (Livros Diários e respectivos Livros Razão, período 2006 e 2007). Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972 – na redação dada pela Lei 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, o Conselheiro redator adhoc, designado para formalização do voto, CONHECE DO RECURSO e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir o levantamento sobre 1/3 constitucional de férias. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/09/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13709.002799/2002-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82).
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1201-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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AUDITORIA INTERNA DCTF. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARMAFER SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 EXIGÊNCIA DE ESTIMATIVA MENSAL APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas (Súmula CARF no 82). Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 27 99 /2 00 2- 13 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13709.002799/200213 Acórdão n.º 1201001.210 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro1RJ, contra acórdão de sua lavra, que concluiu pela improcedência do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa possui o seguinte teor: “ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO FORMALIZADO APÓS O FIM DO PERÍODOBASE. No caso de ser verificada a falta de recolhimento das estimativas, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa isolada sobre as estimativas não pagas, o imposto devido com base no lucro real anual e a multa de ofício sobre ele calculada.” De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal – IRPJ/1997” (fls. 19), a autuação resultou de procedimento de auditoria interna da DCTF na qual foi apurada “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. Os anexos I (fls. 20/1), Ib (fl. 22/7) e III (fl. 28) indicam que não foram localizados todos os pagamentos relativos aos débitos cód receita 2362, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano calendário de 1997 declarados em DCTF. Em sede de impugnação alegou o contribuinte, em síntese, o seguinte, consoante o relatório da decisão recorrida: “3.1. a tempestividade da peça de defesa, nos termos do art. 15 do Decreto 70235/72; 3.2. não procede o AI, porque o crédito tributário lançado está extinto por compensação, ex vi do art. 156, II do CTN; 3.3. ao preencher suas DCTF a interessada seguiu as orientações contidas n manual de instruções de preenchimento da DCTF, qual seja “O valor a ser informado pela pessoa jurídica que apurou o imposto de renda com base no balanço ou balancete de redução, será o resultante da aplicação da alíquota do imposto de renda sobre o lucro real, transcrito no Diário e no LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, relativo ao período compreendido entre o início do ano calendário ou da constituição da pessoa jurídica até a data a que se referir o respectivo balanço ou balancete” 3.4. A Impugnante interpretou a orientação e exemplo acima transcritos como dever de informar o IRPJ apurado relativamente a todo o período de apuração, mesmo que anteriormente já apurado e recolhido em meses anteriores, contemplados no período de apuração, que recolheu os débitos em questão, como se pode verificar pelos DARF em anexo (cópias às fls. 82/6 ); 3.5. a título de IRPJ, a Impugnante apurou e informou em DCTF, relativamente ao 3º e 4º trimestres de 1997, os montantes de R$ 541.570,62 e 572.565,50, respectivamente que foi totalmente compensado, com pagamentos anteriores (compensações com DARF) e saldo negativo de IRPJ referente a períodos anteriores (compensações sem DARF); 3.6. as compensações com DARFs realizadas nos 3º e 4º trimestres importam, justamente, o montante principal que ora é objeto de auto de infração; a apuração foi feita cumulativamente; tanto é verdade que os valores compensados com DARFs representam a soma do imposto recolhido nos meses anteriores e vão se repetindo a cada mês; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13709.002799/200213 Acórdão n.º 1201001.210 S1C2T1 Fl. 4 3 3.7. Constatando a divergência entre o seu procedimento de preenchimento das DCTFs e o entendimento Fiscal no que tange a tais informações, providenciou a Impugnante a retificação das DCTFs relativas ao 3º e 4º trimestres de 1997 (processo n.º 13709.002118/200136); 3.8. ao elaborar sua Declaração de ajuste Anual, constatou a existencia de algumas diferenças e apresentou DCTF retificadoras; a Declaração de Informações EconômicoFiscais (doc. 16) e o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (doc. 19) comprovam que todo o IRPJ apurado no ano de 1997 foi devidamente pago ou compensado; 3.9. requer seja efetivada a retificação das DCTF inicialmente apresentadas para que reflitam os valores de IRPJ a pagar consignados na sua Declaração de Ajuste Anual, tal como requerido no processo num 13709.002118/200136, como também seja declarada a insubsistência do lançamento em questão, eis que operada a extinção do crédito tributário exigido pela compensação de seu valor integral, de conformidade com o disposto no art. 156, II, do CTN. 3.10. Quanto aos juros à base da taxa SELIC, também não concorda a Impugnante com a utilização da taxa SELIC como juros incidentes sobre o débito aqui refutado, haja vista que a mesma não possui característica de indenização, própria dos juros moratórios, tendo ela natureza eminentemente remuneratória. Amparado no art. 44 da Lei 9.430/1996, e legislação correlata, em especial a Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de Dezembro de 1997, e pela razão sucintamente exposta na ementa acima transcrita, a DRJ cancelou o crédito tributário lançado, e recorreu de ofício de sua decisão. Cientificado desta decisão em 19.04.2013, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Comprovado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de créditos relativos a tributos e encargos de multa em valor superior ao limite de R$ 1.000.000,00, fixado pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, o recurso de ofício deve ser conhecido. A análise dos autos não conduz à solução diversa daquela que foi dada pela autoridade julgadora de primeira instância. O crédito tributário aqui exigido é referente a IRPJ por estimativa (código 2362), conforme se verifica no Anexo III do Auto de Infração (fl. 28). A exigência fiscal de antecipação de imposto de renda ou de contribuição social, devidos sob o rótulo de estimativa, só tem pertinência quando efetuada no curso do próprio anocalendário. Uma vez encerrado o anocalendário, revelase impróprio exigir Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13709.002799/200213 Acórdão n.º 1201001.210 S1C2T1 Fl. 5 4 referida antecipação, vez que a apuração e a quantificação do tributo devido se dá com o resultado apurado em 31 de dezembro. Assim, no caso de falta de recolhimento de estimativas, após o encerramento do anocalendário, devese exigir apenas a multa de ofício isolada, no percentual de 50%, prevista atualmente no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, (conforme redação dada pela Lei nº 11.488/07), além da eventual diferença de saldo de imposto ou contribuição apurados em 31 de dezembro. Neste mesmo sentido, aliás, também dispõe a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, já referida pela autoridade julgadora a quo em seu voto. Portanto, revelase de todo indevida a exigência feita no presente processo. Essa matéria, inclusive, já se encontra pacificada no CARF desde a publicação da Súmula CARF nº 82, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 12/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000492/97-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1994
RECURSO VOLUNTÁRIO. COFINS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA (SÚMULA CARF Nº 1)
Havendo ação judicial com o mesmo objeto da discussão administrativa, opera-se a renúncia à esta esfera, sendo caso de não conhecimento do Recurso, nos termos da Súmula CARF nº 1. Impossibilidade de análise acerca dos índices de correção monetária a serem utilizados na valoração do indébito tributário.
AFASTAMENTO DO ART. 170-1 DO CTN. INOVAÇÃO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.
A discussão acerca da não aplicação do art. 170-A é estranha à lide. Observância à matéria já decidida em sede de Recurso Representativo de Controvérsia pelo STJ (REsp 1164452/MG). A lei que regula a compensação tributária é aquela vigente no momento do encontro de contas.
Numero da decisão: 3201-002.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Rodrigo Alarcon, OAB/DF nº 13612/E.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO. COFINS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA (SÚMULA CARF Nº 1) Havendo ação judicial com o mesmo objeto da discussão administrativa, opera-se a renúncia à esta esfera, sendo caso de não conhecimento do Recurso, nos termos da Súmula CARF nº 1. Impossibilidade de análise acerca dos índices de correção monetária a serem utilizados na valoração do indébito tributário. AFASTAMENTO DO ART. 170-1 DO CTN. INOVAÇÃO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. A discussão acerca da não aplicação do art. 170-A é estranha à lide. Observância à matéria já decidida em sede de Recurso Representativo de Controvérsia pelo STJ (REsp 1164452/MG). A lei que regula a compensação tributária é aquela vigente no momento do encontro de contas.
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CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FABRICA DE ARTEFATOS DE LATEX SÃO ROQUE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO. COFINS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA (SÚMULA CARF Nº 1) Havendo ação judicial com o mesmo objeto da discussão administrativa, operase a renúncia à esta esfera, sendo caso de não conhecimento do Recurso, nos termos da Súmula CARF nº 1. Impossibilidade de análise acerca dos índices de correção monetária a serem utilizados na valoração do indébito tributário. AFASTAMENTO DO ART. 1701 DO CTN. INOVAÇÃO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. A discussão acerca da não aplicação do art. 170A é estranha à lide. Observância à matéria já decidida em sede de Recurso Representativo de Controvérsia pelo STJ (REsp 1164452/MG). A lei que regula a compensação tributária é aquela vigente no momento do encontro de contas. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 04 92 /9 7- 88 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Rodrigo Alarcon, OAB/DF nº 13612/E. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (Fls. 536/542). Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência da apuração de falta de recolhimento da COFINS nos meses de junho e julho de 1994, no valor total de R$82.698,13, compreendendo valores lançados a título de principal, multa e juros. (fls. 34/40) Na descrição dos fatos pelo Agente Autuante restou consignado (fl. 38): Conforme processos nos. 94.5857 (Medida Cautelar) e 94.107625 (Ação Ordinária) ambos da 5a. Vara Federal, o contribuinte requer a compensação dos créditos da.Contribuição Social sobre o Lucro do Exercício de 1.989 – Ano Base de 1.988, com os débitos vincendas d COFINS, PIS, CSSL E PRÓ LABORE. Na decisão dos processos, em 08.02.95, foi julgado improcedente a Compensação e cassado a liminar. Quanto a restituição a União Federal foi condenado a devolução das importâncias recolhidas com base na Lei n. 7..689/88, apurados no ano base de 1988. Em 07.08.95, Juiz relator do Tribunal Regional Federal da 3a.Região, na decisão da apelação apresentado, processo n. 95.03.0622719, restabeleceu a liminar requerida ate o julgamento. Conforme planilha de calculo, o contribuinte efetuou a compensação da CSL/88 com Cofins do período de apuração de junho e julho/94, em valor equivalente a 45.080,74 UFIRS. Entretanto, de acordo com a decisão de 08.02.95 do M. Juiz Federal da 5a. Vara, o contribuinte poderia efetuar a compensação no valor total equivalente a 13.678,61 UFIRs, conforme demonstrativo anexo, elaborada pela esta fiscalização. Diante do fato exposto, constatase que houve recolhimento menor da Cofins nestes períodos no valor equivalente a 31.402,13 UFIRs. Valor este cobrado através deste Auto de Infração nos períodos de apuração de junho e julho/94. O presente Auto de Infração foi lavrado com Exigibilidade suspensa por forca da Liminar restabelecida no processo de Apelação, proc. n. 95.03.0622719, em andamento. A ora Recorrente apresentou impugnação (fls. 43/52) alegando que a diferença apontada no auto de infração se deve aos índices de atualização por ela utilizados, “computando a inflação apurada no período de fevereiro a dezembro de 1991, que foram totalmente desprezados pela Receita Federal.” Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3201002.002 S3C2T1 Fl. 599 3 Quanto ao direito, afirmou a Recorrente, em suma, que "tem o seu direito à correção monetária dos valores a serem compensados, pelos índices que efetivamente refletiram a inflação correspondente ao período abrangido" (fl. 45), quais sejam: · Períodobase 1991: variação do BTNF e a partir de 04.02.91, até a criação do valor da primeira UFIR, pelos mesmos critérios utilizados pela Lei 8.383/91 para sua conversão; · Períodobase 1992 e seguintes: variação da UFIR (fl. 50) Entre a apresentação da referida Impugnação e a prolação do Acórdão DRJ 1455.887, de 18 de dezembro de 2015 (fls. 536/542), houve uma sucessão de atos processuais, cujo relato se dispensa, uma vez que estes foram anulados pelo Acórdão CARF 380300.931 (fls. 261/265), complementado pelo Acórdão CARF 3803006.463 (fls. 505/513). Enfim, a DRJ de Ribeirão Preto (SP), ao analisar o pleito do contribuinte, decidiu "por não se conhecer da impugnação no que se refere aos critérios de correção dos indébitos e pelo cancelamento da multa de lançamento de ofício" , sob a seguinte justificativa: A propositura de ação judicial pela contribuinte, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Dessa forma, tendo a interessada buscado a via judicial para discutir os critérios de correção de seu indébito, renunciando à instância administrativa, não se toma conhecimento da impugnação quanto à matéria objeto da ação judicial. Em face da referida decisão, foi interposto o Recurso Voluntário de fls. 551/559 por meio do qual a Recorrente requer o reconhecimento do "direito à correção monetária nos termos estabelecidos pelo Tribunal Regional Federal 3ª Região", afirmando não ser cabível a decisão que não conheceu da impugnação quanto ao mérito, assim como defende a não incidência da vedação constante do art. 170A do CTN ao caso concreto. É o relatório. Voto Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Verificase do Relatório que a impugnação apresentada em face do Auto de Infração lavrado tinha por objeto o (i) reconhecimento do direito à aplicação dos índices de correção monetária que refletissem a real inflação do período relativo ao indébito tributário, assim como (ii) a exclusão da multa de ofício lançada em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, o pedido de exclusão da multa punitiva foi acolhido pela decisão de primeira instância, restando a ser apreciado o aspecto relativo aos índices de correção monetária aplicáveis ao crédito reconhecido à favor da Recorrente e utilizado para a compensação dos valores lançados no presente Auto de Infração. Correção monetária Conforme consta do Recurso Voluntário interposto, o pedido da Recorrente consiste em "darlhe provimento e, por conseguinte, reformar o v. acórdão ora atacado para que seja reconhecida a impugnação no que se refere aos critérios de correção dos indébitos, de acordo com o estabelecido pelo TRF3ª Região, em ação judicial". (grifos nossos) Ou seja, é incontroverso, conforme expressamente reconhecido pela Recorrente, que há concomitância entre a matéria ora em exame e aquela submetida à apreciação judicial índices de correção monetária aplicáveis , pelo que se torna aplicável a Súmula nº 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse modo, não merece reparos a decisão recorrida que deixou de conhecer da impugnação apresentada, razão pela qual também não merece ser conhecido o Recurso Voluntário nesse aspecto. Vale acrescentar que, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, compete à Autoridade Administrativa, portanto, à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte e não a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (ou mesmo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento) observar integralmente os termos da decisão judicial transitada em julgado ao concluir o processo de constituição do crédito tributário. Vedação constante do art. 170A do CTN. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente inova ao defender a não aplicação da vedação imposta pelo art. 170A, do CTN, uma vez que a ação judicial proposta pelo contribuinte visando à compensação do crédito tributário é anterior à vigência da LC 104/2001. Desse modo, postula pela imediata compensação do crédito tributário objeto de exame no presente Auto de Infração, independentemente de pendência do julgamento de Recurso Especial interposto. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3201002.002 S3C2T1 Fl. 600 5 Em tese, tal inovação é possível, uma vez que a impugnação administrativa foi protocolada também anteriormente à vigência do art. 170A do CTN. Ocorre que tal discussão se faz estranha à lide posta. Isso porque, em nenhum momento houve negativa ao direito da Recorrente à compensação tributária. Antes pelo contrário. O Auto de Infração reconheceu a legitimidade da compensação efetuada. A discussão se restringe, apenas, aos índices de correção a serem utilizados na valoração do indébito tributário a ser restituído e, consequentemente, a sua suficiência ou não para a extinção do crédito tributário lançado. Ademais, como dito anteriormente, tal verificação constitui ato privativo da Autoridade Administrativa que, ao concluir o lançamento tributário mediante o encontro de contas entre crédito e débito, deverá aplicar integralmente os termos da decisão judicial proferida a favor do contribuinte, bem como obedecer à legislação vigente no momento do encontro de contas, conforme jurisprudência já pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Em face do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto. Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11516.005173/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 51 73 /2 00 9- 77 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11516.005173/200977 Acórdão n.º 2401004.140 S2‐C4T1 Fl. 148 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 22/10/2009. Data da Ciência do Auto de Infração: 27/10/2009. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face da Decisão Administrativa de 1ª Instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação ofertada em contestação ao lançamento tributário aviado mediante o Auto de Infração nº 37.251.7420, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a Segurados Contribuintes Individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 24/26. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa foi excluída do Sistema Integrado do Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 61, de 30 de junho de 2009, a fl. 28, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003272/200914, com efeitos a partir de 01/01/2006. No entanto, apesar da formal exclusão do Simples Nacional, a empresa continuou a se declarar nas GFIP como optante do aludido Sistema Simplificado de Tributação e a recolher suas contribuições, como se ainda fosse enquadrada no SIMPLES. Foram apropriados em favor da empresa os recolhimentos realizados através dos DARF (Documento de Arrecadação da Receita Federal) referentes à parte patronal previdenciária, conforme demonstrativos RDA Relatório de Documentos Apresentados e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, sendo que as deduções relativas ao salário família e salário maternidade foram abatidas quando dos recolhimentos das contribuições dos segurados, as quais foram efetuadas através de GPS (documento de arrecadação da Previdência Social). Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 53/57. Em 18/12/2009, o Recorrente fez acostar a fl. 74 dos autos, “Requerimento de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo”, requerendo a desistência parcial da impugnação, tão somente, para as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de 12/2006 a 06/2007. Termo de Transferência a fl. 85, e Discriminativo Analítico de Débito Desmembrado – DADD, a fls. 86/91. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O DEBCAD n° 37.251.7420, objeto de impugnação, seguiu para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para efeito de análise e julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora informasse se houve manifestação de Inconformidade contra o ADE DRF/FNS nº 61, de 30/06/2009 e, em caso afirmativo, se houve julgamento da mesma manifestação, procedendo à juntada de cópia do acórdão, conforme Despacho de Diligência a fl. 96. Em atendimento à diligência requestada, a Autoridade Lançadora fez coligir aos autos Despacho exarado pela Chefe da SORAC/ARF/SJE/SC, de 08/03/2010, a fl. 106, nos autos do PAF nº 11516.003272/200914, o qual atesta que, no prazo de 30 dias da ciência do Ato de Exclusão do Simples Nacional, não foi apresentada manifestação de inconformidade ao ADE Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009. Devidamente cientificado, em 11/05/2013, do conteúdo do resultado da Diligência Fiscal acima mencionada, a fls. 110/111, a empresa autuada deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido, sem se manifestar a respeito nos autos do processo, conforme atesta documento a fl. 117. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0944.855 – 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 118/121, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/08/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 132. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 134/139, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a Recorrente incorreu na situação excludente prevista no art. 9º, IX, da Lei nº 9.317/96, qual seja, o sócio ter participado com mais de dez por cento do capital social de outra empresa e, cumulativamente, ultrapassado o limite de R$ 2.400.000,00 apenas em novembro de 2006. Aduz que tão somente em dezembro do mesmo ano é que a exclusão prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30 de junho de 2009, deveria surtir efeito; · Que a multa somente lhe poderia ser aplicada em relação ao período em que o impugnante extrapolou os requisitos para permanecer no Simples, ou seja, 12/2006 a 6/2007, devendo as multas relacionadas ao período janeiro de 2006 a novembro de 2006 serem canceladas; Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11516.005173/200977 Acórdão n.º 2401004.140 S2‐C4T1 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/08/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 06/09/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega que a empresa incorreu na situação excludente prevista no art. 9º, IX, da Lei nº 9.317/96, qual seja, o sócio ter participado com mais de dez por cento do capital social de outra empresa e, cumulativamente, ultrapassado o limite de R$ 2.400.000,00 apenas em novembro de 2006. Aduz que tão somente em dezembro de 2006 é que a exclusão prevista no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30 de junho de 2009, deveria surtir efeito. Tal matéria, todavia, não poderá ser conhecida no presente recurso em razão de mesmas questões de fato e de Direito que lhe são pertinentes serem objeto de debate do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003272/200914, do qual resultou a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009, o qual já se encontra ornado com o atributo da Coisa Julgada Administrativa, não cabendo mais, portanto, nestes autos, qualquer debate em torno do mérito e dos efeitos do ADE em foco. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Com efeito, o forum de debate acerca do mérito do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009, bem como a respeito dos seus efeitos, circunscreve se, tão somente, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003272/200914. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Nessa esteira, de acordo com o teor do Despacho da Chefe da SORAC/ARF/SJE/SC, de 08/03/2010, exarado nos autos do PAF nº 11516.003272/200914, no prazo de 30 dias da ciência do Ato de Exclusão do Simples Nacional, não foi apresentada pela empresa excluída qualquer contestação em face do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009, circunstância que implica a concordância tácita com os Termos Contidos no citado ADE, precluindose então o direito de fazêlo em momento posterior, nos termos do art. 17 do Dec. nº 70.235/72, não se instaurando em relação ao ADE suso mencionado qualquer litígio, sendo processualmente inaceitável que a Empresa resgate das cinzas o seu inconformismo para inaugurar, em Processo Administrativo Fiscal distinto daquele, um novo front de resistência ao mérito e aos efeitos dimanados do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009. Aditese que o teor da Diligência Fiscal requestada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, a fl. 96, foi levada formalmente à ciência da Recorrente, em 11/05/2013, deixando a empresa autuada transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido, sem se manifestar a respeito nos autos do processo, conforme atesta documento a fl. 117. Dessarte, estando ornado com o atributo da Coisa Julgada, os efeitos consignados no ADE DRF/FNS nº 61, de 30/06/2009 se irradiam sobre os demais atos administrativos que lhe são consequentes. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, a coisa julgada figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11516.005173/200977 Acórdão n.º 2401004.140 S2‐C4T1 Fl. 150 7 Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. No caso dos autos, o art. 2º do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30 de Junho de 2009, dispõe expressamente que presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, conforme disposto no inciso II do artigo 15° da Lei nº 9.317/96. Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009. Art. 2º A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, conforme disposto no inciso II do artigo 15° da Lei 9.317/96, facultada a apresentação de Manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC. Diante de tal cenário, decorrendo o ADE DRF/FNS nº 61/2009 de decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nem nessa nem em qualquer outra Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA MULTA APLICADA. O Recorrente alega que a multa somente lhe poderia ser aplicada em relação ao período em que o impugnante extrapolou os requisitos para permanecer no Simples, ou seja, 12/2006 a 6/2007, devendo as multas relacionadas ao período janeiro de 2006 a novembro de 2006 serem canceladas Preliminarmente, de acordo com o ADE DRF/FNS nº 61/2009, a fl. 28 dos Autos, a empresa Recorrente encontrase oficialmente excluída do Simples desde 01/01/2006. De acordo com o teor do Despacho da Chefe da SORAC/ARF/SJE/SC, de 08/03/2010, exarado nos autos do PAF nº 11516.003272/200914, o qual não foi contestado pelo Recorrente, no prazo de 30 dias da ciência do Ato de Exclusão do Simples Nacional, não foi apresentada pela empresa excluída qualquer contestação em face do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009, circunstância que implica a concordância tácita com os Termos Contidos no citado ADE, precluindose então o direito de fazêlo em momento posterior, nos termos do art. 17 do Dec. nº 70.235/72, não se instaurando em relação ao ADE suso mencionado qualquer litígio, sendo processualmente inaceitável que a Empresa resgate das cinzas o seu inconformismo para inaugurar, em Processo Administrativo Fiscal distinto daquele, um novo front de resistência ao mérito e aos efeitos dimanados do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009. Nessas circunstâncias, havendo se encerrado as hipóteses recursais na via administrativa, partese da premissa que a Recorrente não se encontra mais albergada pelo regime de tributação previsto no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, desde 1º de janeiro de 2006, devendo desde então sujeitarse ao regime de tributação ordinário de contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/91. Nessas específicas condições é que se houve por operado o lançamento tributário ora em litígio. Ora, não concordando com os termos assentados no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 61, de 30/06/2009, deveria a empresa ter apresentado Contestação em face do ato de exclusão, no prazo de 30 dias contados da ciência do citado ADE, conforme assim alertado em seu art. 2º, in fine. Mas não o fez, concordando tacitamente com os termos da exclusão. “Quem dorme, dormelhe a fazenda” (BOCAGE, Jose Manuel Maria Barbosa du; BOCAGE Poemas Várias, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1961) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11516.005173/200977 Acórdão n.º 2401004.140 S2‐C4T1 Fl. 151 9 Dessarte, ciente de que se encontrava a descoberto do agasalho da Sistemática do SIMPLES, deveria a empresa, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, ter se valido da denúncia espontânea, observadas as condições estabelecidas no art. 138 do CTN, para se resguardar da incidência de multa pelo descumprimento da Obrigação Tributária Principal. Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitivamente se colocou em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade iria desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada, flertando assim com lançamento que ora se opera Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10875.903973/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Não se homologa a declaração de compensação (DCOMP) apresentada quando não demonstrada a certeza e a liquidez do direito creditório lastreador da compensação ali pleiteada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA.
Cabe à interessada o ônus de comprovar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 1402-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Não se homologa a declaração de compensação (DCOMP) apresentada quando não demonstrada a certeza e a liquidez do direito creditório lastreador da compensação ali pleiteada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. Cabe à interessada o ônus de comprovar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Não se homologa a declaração de compensação (DCOMP) apresentada quando não demonstrada a certeza e a liquidez do direito creditório lastreador da compensação ali pleiteada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. Cabe à interessada o ônus de comprovar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 39 73 /2 01 2- 17 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 255 2 AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 256 3 Relatório POLYTECHNO INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A contribuinte em referência manifesta sua inconformidade contra o despacho decisório eletrônico (DDE) que não homologou as compensações declaradas nas Dcomp abaixo relacionadas. O motivo do indeferimento do pleito foi a falta de liquidez e certeza do direito de crédito apontado, na medida em que o saldo negativo de R$ 15.514.951,96 informado na Dcomp não foi ratificada pela DIPJ transmitida pela interessada, a qual indicava o saldo negativo de R$ 0,00: No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 15.514.951,96 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 05916.46097.240712.1.3.023386 25130.06901.231211.1.7.021502 31867.60862.271211.1.7.022741 00467.21654.271211.1.3.029288 38618.75383.020512.1.7.029155 09708.12544.020512.1.7.022692 21960.44441.020512.1.7.026100 34802.79320.020512.1.7.029950 25379.52725.220612.1.3.024938 41184.80008.240512.1.3.025591 Argumenta a manifestante que o crédito apurado era suficiente para suportar as compensações declaradas, não obstante a ausência de confirmação pelos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Esclarece que, ao contrário do que foi informado no despacho decisório questionado, não acusou o recebimento de quaisquer intimações com objetivo de corrigir as informações prestadas, o que cerceou o seu direito de “contestar ou corrigir/retificar eventual informação divergente”. Aduz que, não tendo lhe sido dada a oportunidade de prestar os esclarecimentos necessários, as compensações declaradas restaram não homologadas pelo Fisco. Ao receber a decisão atacada, reviu suas declarações e constatou que havia deixado de informar o crédito de IRRF, que integrara o saldo negativo. Com vistas a corrigir o equívoco, informa que providenciará a retificação da DIPJ exercício 2011 ano calendário 2010, o que poderá se constatado na base de dados da RFB. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 257 4 Alega provar o alegado com o informe de rendimentos emitido pela empresa Plastix Industrial e Comercial de Plásticos Ltda., a fls. 23, no qual consta a retenção que fundamentaria o direito creditório. Requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade interposta, reformandose a decisão proferida e homologandose a compensação declarada. Relatei.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 40.047 (fls. 107/118) de 25/02/2013, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. Não cerceia o direito de defesa a ausência de intimações para prestação de esclarecimentos antes do proferimento do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas. No caso concreto, as intimações foram regularmente providenciadas, não havendo motivos para se anular o despacho decisório questionado. SALDO CREDOR DE IRPJ. O direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ utilizado para compensar débitos tributários deve estar constituído antes da apresentação da DCOMP, sob pena de nãohomologação das compensações pela falta de liquidez e certeza do indébito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. A contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de não homologação da compensação realizada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 15/03/2013 (A.R. de fl. 121) a interessada interpôs recurso voluntário em 12/04/2013 (fls. 124134) onde repisa os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, trazendo extenso arrazoado com matéria de direito sobre compensação de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e o princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a recorrente que possui o direito creditório utilizado nas compensações ora analisadas. Pretende provar o alegado com o informe de rendimentos emitido pela empresa Plastix Industrial e Comercial de Plásticos Ltda (fl. 23), no qual consta a retenção que fundamentaria esse direito. Com efeito, da análise dos autos, entendo que as compensações pleiteadas não podem ser levadas a termo por faltar ao direito creditório alegado certeza e liquidez, a teor do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), nesse sentido, bem andou a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, que adoto neste voto como razão de decidir na forma a seguir apresentada. "O despacho decisório em julgamento foi recepcionado pela interessada em 13/09/2012, consoante Aviso de Recebimento de fls. 87. Neste momento, estava ativa a DIPJ originalmente transmitida em 26/06/2011, a qual não indicava qualquer saldo negativo: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 259 6 Em 06/12/2012, após o oferecimento da manifestação de inconformidade (09/10/2012), retificouse a DIPJ, passando a constar o saldo negativo de R$ 6.673.305,53: A informação atinente ao imposto de renda retido na fonte parecia consistente com as DIRF constantes nos bancos de dados da RFB, referentes a pagamentos destinados à peticionária: Todavia, ao se analisar detidamente a DIRF transmitida pela empresa Plastix Industrial e Comercial de Plásticos Ltda., que consta como responsável pela emissão do comprovante de rendimentos de fls. 23, verificase que a sua entrega ocorreu em 09/10/2012, exatamente no mesmo dia em que foi protocolizada a manifestação de inconformidade: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 260 7 Este documento apresenta dados incoerentes, posto que indica a retenção do imposto de renda no montante de R$ 6.673.305,53 em decorrência de um rendimento auferido de apenas R$ 0,01 a título de “rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador”! Além disso, quando se investiga o conceito de “rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador”, vêse que são destinados a remunerar pessoas físicas ou jurídicas em conformidade com o disposto no artigo 46 da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital social, denominados "partes beneficiárias". § 1º As partes beneficiárias conferirão aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação nos lucros anuais (artigo 190). § 2º A participação atribuída às partes beneficiárias, inclusive para formação de reserva para resgate, se houver, não ultrapassará 0,1 (um décimo) dos lucros. § 3º É vedado conferir às partes beneficiárias qualquer direito privativo de acionista, salvo o de fiscalizar, nos termos desta Lei, os atos dos administradores. § 4º É proibida a criação de mais de uma classe ou série de partes beneficiárias. Ainda observese que, ao tratar de rendimentos de partes beneficiárias, o RIR/99 assim prevê: Rendimentos de Partes Beneficiárias ou de Fundador Atribuídos a Pessoas Jurídicas Art. 670. Os rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador pagos ou creditados a pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento (DecretoLei nº 1.979, de 28 de dezembro de 1982, art. 3º). § 1º É dispensado o desconto na fonte quando o beneficiário for pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.979, de 1982, art. 3º, § 1º): I cujas ações sejam negociadas em bolsa ou no mercado de balcão; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 261 8 II cuja maioria do capital pertença, direta ou indiretamente, a pessoa ou pessoas jurídicas cujas ações sejam negociadas em bolsa ou no mercado de balcão; III imune ou isenta do imposto de renda; IV cuja maioria do capital pertença a pessoa jurídica imune ou isenta. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica isenta for entidade de previdência privada (art. 175) (DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 6º, § 1º). Tratamento do Imposto Art. 671. O imposto retido na forma desta Seção será considerado (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, inciso V, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º, 2º, § 4º, inciso III, 25 e 27): I antecipação do devido pelo beneficiário, no caso de pessoa física ou pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II devido exclusivamente na fonte, nos demais casos, inclusive se o beneficiário for pessoa jurídica isenta. Em consulta à página da RFB na internet (www.receita.fazenda.gov.br), verificase que a empresa Plastix é, hoje, uma microempresa: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 262 9 O IRRF declarado de R$ 6.673.305,53 corresponderia a um rendimento em torno de R$ 44.488.703,53 (alíquota de 15%), o qual deveria representar, no máximo, 10% dos lucros auferidos. Em suma, declarouse, na DIRF, que um contribuinte que atualmente é micro empresa, há dois anos, obteve lucros superiores a R$ 444.887.035,30. Esta constatação não permite que se acate a pretensão de reconhecimento de crédito, sem a juntada de provas robustas. Considerando que as argumentações apresentadas pela interessada mostram se incompatíveis e que não foram juntadas outras provas além de comprovante de retenção com indicação de rendimentos dissonantes, considero não demonstrado o direito creditório pleiteado. Salientese que a manifestante procurou convencer o julgador de que seu direito creditório seria de R$ 6.673.305,53, suficientes para afastar a cobrança dos débitos, mas muito distantes dos R$ 15.514.951,96 indicados na Dcomp. Vêse, então, que a interessada não demonstrou os fatos alegados na inicial, ônus a ela incumbido por força do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o presente processo nos termos do § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcritos: Art. 16. [Decreto nº 70.235/72] A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 11. [Art. 74, Lei nº 9.430/96] A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 263 10 A conclusão contida no despacho decisório de que não seria líquido e certo o crédito informado na Dcomp, o que levou à nãohomologação da declaração, está correta, não merecendo reparos." Como dito, o direito creditório a ser utilizado nas compensações pleiteadas necessita, a teor do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), de comprovada certeza e liquidez. Sem esses atributos, não pode a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários. Vejase o teor do citado artigo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública (grifei) Antes da lavratura do despacho decisório, em 21/09/2012 (fls. 89/90), a interessada foi intimada (AR fl. 91) a apresentar declarações consistentes como requisito indispensável à demonstração da liquidez e certeza do direito creditório, e quedouse inerte. vejase o excerto daquela intimação: Fica o sujeito passivo INTIMADO a sanar a(s) irregularidade(s) apontada(s) no quadro 4, no prazo de 20 dias contados da data da ciência desta intimação. Não sanada(s) a(s) irregularidade(s) apontada(s) ou não atendido ao solicitado no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/não homologado. Também por ocasião da apresentação de sua impugnação, a interessada poderia ter trazido a comprovação cabal da certeza e liquidez do crédito tributário lastreador da compensação pleiteada. Não logrou êxito por apresentar declarações inconsistentes conforme transcrito acima (fundamentos adotados neste voto, oriundos da decisão recorrida). Por fim, poderia a interessada, no momento da apresentação de seu recurso voluntário, ter apresentado a comprovação (por meio de declarações consistentes) do direito creditório que alega ter. Não o fez. Ao invés, preferiu fundamentar sua defesa em matéria de direito sobre compensação de crédito e o princípio da verdade material, reapresentando como argumento fático apenas o informe de rendimentos emitido pela empresa Plastix que, como visto acima, não tem fôlego para inquinar a decisão contida no despacho decisório. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10875.903973/201217 Acórdão n.º 1402001.977 S1C4T2 Fl. 264 11 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721825/2013-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO.
É legítmo o arbitramento do lucro quando verificada a imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, para apuração do lucro real, caracterizada: pelo registro de todas as compras realizadas junto a diversos fornecedores em uma única conta denominada Fornecedores Diversos; pela contabilização de todas as contas do ativo circulante em uma única conta "Disponibilidade"; pela constatação de pagamento que não foram contabilizados no Livro Diário; pelo livro de registro de inventário que não apresenta continuidade e que informa diferentes quantidades de um mesmo produto em estoque em uma mesma data; e pelo LALUR apresentado que apresenta erros e falhas que revelam falta de credibilidade, além do que informa um valor de IR do AC 2009 diferente daquele informado na DIPJ.
RECURSO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA.
Perfeita a decisão de primeira instância que desqualificou a multa de ofício, uma vez que não restou demonstrado que as irregularidades contábeis estivessem vinculadas a qualquer ilícito tributário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
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Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. É legítmo o arbitramento do lucro quando verificada a imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, para apuração do lucro real, caracterizada: pelo registro de todas as compras realizadas junto a diversos fornecedores em uma única conta denominada Fornecedores Diversos; pela contabilização de todas as contas do ativo circulante em uma única conta "Disponibilidade"; pela constatação de pagamento que não foram contabilizados no Livro Diário; pelo livro de registro de inventário que não apresenta continuidade e que informa diferentes quantidades de um mesmo produto em estoque em uma mesma data; e pelo LALUR apresentado que apresenta erros e falhas que revelam falta de credibilidade, além do que informa um valor de IR do AC 2009 diferente daquele informado na DIPJ. RECURSO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA. Perfeita a decisão de primeira instância que desqualificou a multa de ofício, uma vez que não restou demonstrado que as irregularidades contábeis estivessem vinculadas a qualquer ilícito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio. .
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Recorrente M & M CEREALISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. É legítmo o arbitramento do lucro quando verificada a imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, para apuração do lucro real, caracterizada: pelo registro de todas as compras realizadas junto a diversos fornecedores em uma única conta denominada “Fornecedores Diversos; pela contabilização de todas as contas do ativo circulante em uma única conta "Disponibilidade"; pela constatação de pagamento que não foram contabilizados no Livro Diário; pelo livro de registro de inventário que não apresenta continuidade e que informa diferentes quantidades de um mesmo produto em estoque em uma mesma data; e pelo LALUR apresentado que apresenta erros e falhas que revelam falta de credibilidade, além do que informa um valor de IR do AC 2009 diferente daquele informado na DIPJ. RECURSO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. INDEVIDA. Perfeita a decisão de primeira instância que desqualificou a multa de ofício, uma vez que não restou demonstrado que as irregularidades contábeis estivessem vinculadas a qualquer ilícito tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 18 25 /2 01 3- 47 Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Daniele Souto Rodrigues Amadio. . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0127.636 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária, mas sim uma modalidade de apuração do lucro tributável obrigatória quando a apuração do lucro real tornase impossível ou deficiente. Sujeitase ao arbitramento o Contribuinte que mantiver escrituração a que estiver obrigado com evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13603.721825/201347 Acórdão n.º 1302001.813 S1C3T2 Fl. 1.959 3 MULTA QUALIFICADA NÃO CABIMENTO – Quando não se comprova a intenção dolosa do contribuinte, de omitir suas receitas tributáveis, com o fim de impedir, ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, não há que se falar em multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA NÃO CABIMENTO Não cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando não restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco, da razoabilidade, da proporcionalidade, e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo do PIS, podendo ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PAF. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo, notadamente quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado, em se tratando de perícia. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vale a transcrição do seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido, o qual versa sobre o ponto sobre o qual foi interposto o recurso de ofício, in verbis: Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 “Ora, ao analisar os autos concordamos com a Impugnante, como veremos: 01 – As receitas que serviram de base para o arbitramento do lucro foram as mesmas declaradas pelo Contribuinte na sua DIPJ/2010 (fls. 04 e 960); 02– Veja o que a Fiscalização aponta para qualificar a multa: “.....pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documento e livro exigido pela lei fiscal....” .....podemos mencionar aqui a ausência de escrituração individualizada das contas que compõem o GRUPO DISPONIBILIDADES (caixa, bancos, aplicações financeiras, valores em trânsito); ausência de livros auxiliares; falta de controle do estoque; os diversos erros e falhas, constatados na escrituração; falta de clareza e objetividade nos registros dos fatos contábeis, revelando manipulação de valores e total falta de credibilidade da contabilidade apresentada, não sendo possível verificar a receita real da empresa, bem como o lucro real da FISCALIZADA, tais fatos que caracterizam, também, a sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4.502 de 30 de novembro de 1964 Observamos, que em momento algum a fiscalização apontou as informações falsas, o que se observa é que a contabilização de determinadas contas de forma cumulativa decorreria na escrituração de livros auxiliares, para melhor análise de sua contabilidade por parte da Auditoria. Vejam outras imputações: por fraudar, e inserido elementos inexato e omitindo operações. Ora, que fraudes, que elementos inexatos, que omissão de operações ? A Fiscalização não apontou esses elementos, não vislumbramos, nos autos, quaisquer indicações dessas imputações. Como já mencionamos, as razões apontadas pela Fiscalização para qualificar a multa foram as mesmas que serviram para o arbitramento do lucro, tendo em vista que a escrita comercial não estava de acordo com as determinações legais ( já analisada no item ARBITRAMENTO DO LUCRO). (...) Em vista do exposto, VOTO pela impugnação procedente em parte, e, por conseguinte, pela manutenção parcial do crédito tributário, exonerando a qualificação da multa, conforme Item II – 1.3 do voto. Os demais créditos tributários ficam inalterados.” A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0127.636 em 27/11/2013 (AR a fls. 1910), interpôs, em 26/12/2013, recurso voluntário (doc. a fls. 1913 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, como nos autos não pode ser comprovado inequivocamente a pretendida omissão de receitas indicada pela fiscalização, deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e de investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, sendo presunção realizada pelo Fisco calcada apenas em depósitos bancários, insuficiente para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve a presente impugnação ser provida para cancelar o auto de infração ora combatido; b) que houve tributação desvinculada da limitação imposta pelo princípio da capacidade contributiva, eis que ausente qualquer prova cabal construída pela Fiscalização que sustente a ocorrência fática da hipótese de incidência do imposto de renda pesssoa jurídica, a autuação merece ser cancelada por inconstitucionalidade da exigência fiscal; c) que, para lavrar o presente auto de infração, a Fiscalização utilizouse dos valores declarados pela Impugnante, e não dos constantes das DIMOFs, ou seja, ela entende que a contabilidade não se presta para comprovar a inexistência de imposto a recolher, mas se presta para autuar; Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13603.721825/201347 Acórdão n.º 1302001.813 S1C3T2 Fl. 1.960 5 d) que a autuação merece ser integralmente cancelada, na medida em que o procedimento administrativo incorreu em grave afronta a direito de sigilo bancário, constitucionalmente garantido ao contribuinte, matéria que se encontra com status de repercussão geral no STF, e ainda reforçada por recente julgamento em que os Ministros demonstram a arbitrariedade e afronta aos princípios constitucionais na obtenção de dados bancários independentemente de ordem judicial; e) que o Fiscal desconsiderou todas as despesas do exercício, fazendo com que o imposto e reflexos incidissem apenas sobre as suposta receitas, pois, como se percebe do laudo pericial contábil anexo, as despesas existentes no AC 2009 superaram as receitas declaradas e as informadas via DIMOF, assim não existiu imposto a recolher no referido período; f) que, como se percebe do laudo pericial contábil em anexo, a receita contábil/declarada é conhecida do Fisco e foi devidamente avalizada, restando dúvidas sobre os custos e despesas, deverseia ter identificado tecnicamente todas as divergências, o que não foi feito nos presentes autos; g) que o Fisco concluiu pela imprestabilidade da sua contabilidade, arbitrando seu suposto lucro, por ter se utilizado de contas transitórias, como disponibilidades e fornecedores diversos, o que não tem nenhum impedimento legal, além de não alterar o fato contábil ocorrido e não prejudicar a apuração do resultado; h) que os lançamentos transitórios na conta disponibilidades possuem lastro contábil, além da documentação fiscal comprobatória, os lançamentos transitórios realizados na conta fornecedores diversos podem ser rastreados através da análise do Livro Registro de Entradas e dos documentos fiscais de entradas e os lançamentos realizados na conta venda de mercadorias possuem rastro [sic] contábil no Livro de Registro de Saídas, logo não há falar em imprestabilidade da escrita contábil; i) que, a título ilustrativo, como se percebe do TVF à fl. 12, os produtos classificados no NCM 1006.30.21 estão suspensos da incidência de PIS e Cofins, conforme art. 9º da Lei nº 10.925/04 e IN SRF 660/04, além disso, não foi apurado pela fiscalização nenhum produto cuja incidência é ST, monofásica ou de alíquota zero, sendo que, dentre eles, destacamos as bebidas alcóolicas, farinha, arroz, café, etc., portanto, ainda que prevaleça o lançamento fiscal, este deverá ser reformulado, excluindo da base de cálculo do PIS e Cofins todos os produtos que possuem incidência monofásica, suspensão, alíquota zero e substituição tributária; j) que, para apuração do PIS e COFINS no presente caso, caso se entenda devido, o que se admite por argumentar, devem ser excluídos os valores referentes ao ICMS, por não estarem abrangidos dentro do conceito legal de faturamento; k) que pugna pela baixa do processo em diligência, para que seja realizada a perícia contábil, nos exatos termos demonstrados na peça impugnatória; l) que a multa de ofício lançada fere a razoabilidade e a proporcionalidade; m) que é ilegal o cômputo dos juros de mora com base na taxa Selic. É o relatório. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1954, razão pela qual dele conheço. DO PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL Pelo art. 18 do Decreto n° 70.235/72, a avaliação quanto a necessidade de perícia é uma prerrogativa da autoridade julgadora de primeira instância. Ocorre que a perícia visa elucidar questões que não são dirimidas com o exame dos elementos constantes dos autos, o que não significa que a recorrente possa se utilizar do pedido de perícia no intuito de isentarse da responsabilidade de trazer aos autos toda a documentação que deveria amparar sua defesa. DAS MATÉRIAS SUMULADAS Inicialmente, ressalto que deixo de me manifestar sobre a alegação de inconstitucionalidade do procedimento administrativo que resultou na obtenção da movimentação financeira da recorrente pelo Fisco diretamente da instituição financeira, a que a recorrente denomina equivocadamente por “quebra de sigilo”, pois tal apreciação importaria em se realizar um juízo de constitucionalidade da LC 105/01, o que é vedado pela Súmula CARF nº 2, cujo verbete dispõe que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo mesmo motivo, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a alegação da recorrente de que a autuação em tela teria ofendido o princípio da capacidade contributiva, pois a análise da questão obrigaria este Colegiado a fazer um juízo de constitucionalidade das leis que fundamentaram os lançamentos. Outra questão posta que vale, desde já, afastar da apreciação desse colegiado é o pleito da recorrente para que se exclua o ICMS das bases de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS. Primeiramente, há que se alertar que os processos aptos a surtir efeitos erga omnes (ADC 18 e RE 574.706 – representativo de controvérsia) ainda não foram julgados pelo Supremo Tribunal Federal e o RE 240.785, que julgou favoravelmente à tese da exclusão, não tinha efeitos erga omnes, fazendo assim apenas lex inter partes. Segundo, a questão da exclusão do ICMS das bases de cálculo da Cofins e do PIS envolve o juízo de constitucionalidade das leis que regem a matéria, o que desborda a competência deste CARF por força da Súmula CARF nº 2. Da mesma forma, a alegação de que a multa de ofício é desproporcional e que fere a razoabilidade é matéria vedada à apreciação deste Colegiado, pela mesm Súmula CARF nº 2, já que implicaria em um juízo de constitucionalidade das leis de regência da matéria (art. 44 da Lei 9.430/96). Por último, também não pode ser apreciada a alegação de que ilegal o cômputo dos juros de mora com base na taxa Selic, pois tal matéria já está sumulada por este Colegiado, se não vejamos o verbete da Súmula CARF nº 4, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” DO ARBITRAMENTO Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13603.721825/201347 Acórdão n.º 1302001.813 S1C3T2 Fl. 1.961 7 O TVF a fls. 71 sustenta que arbitrou o lucro da recorrente pelas seguintes razões: “A existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela não escrituração de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, a falta de escrituração individualizada das contas que comporiam o grupo DISPONIBILIDADES (caixa, bancos, valores em trânsito, aplicações financeiras e etc), bem como a recusa na apresentação dos extratos bancários, torna a contabilidade apresentada IMPRESTÁVEL para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável.” De plano, já afasto a alegação de que a recusa na apresentação de extratos bancários seja hipótese de arbitramento, mormente quando a Lei Complementar 105/01 possibilita ao Fisco obter a movimentação financeira do contribuinte diretamente da instituição bancária. Quanto aos outros motivos do arbitramento, vale cotejarmos o trecho acima do TVF com o art. 47 da Lei nº 8.981/95, na redação vigente no AC 2003, se não vejamos: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI – (revogado); VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Pelo dispositivo acima transcrito, verificamos que as outras duas razões alegadas pelo autuante para arbitrar o lucro encontram suporte no art. 47 acima transcrito, ou seja, a existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela não escrituração de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, e a falta de escrituração individualizada das contas que comporiam o grupo DISPONIBILIDADES (caixa, bancos, valores em trânsito, aplicações financeiras e etc). Com relação à nãoescrituração de livros auxiliares, vale lembrar que o disposto no §§1 º e 2º do art. 258 do RIR/99 (com base legal no Decreto Lei): Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. No TIF nº 72 a recorrente foi intimada a responder por que não fora encontrado qualquer registro nas contas contábeis “Banco do Brasil”e “Banco Bradesco” no AC 2009, embora elas constassem do seu plano de contas, bem como a razão de existir saldo credor na conta “Disponibilidade” em alguns meses do AC 2009. Em resposta, a recorrente se limitou a dizer que “a conta “Disponibilidades” engloba todas as contas (caixa, clientes a receber, bancos etc.) e que eventual saldo credor na conta “Disponibilidade” diz respeito a insuficiência de saldo bancário. Ora, a forma como contabilizava a conta “Disponibilidade” é totalmente irregular, pois, ainda que se tratasse de uma contabilização da conta caixa pelo sistema de caixa flutuante, ela extrapolava em muito o que seria aceitável pela técnica contábil, mesmo porque tal procedimento impossibilitava o simples levantamento de um balancete, já que se tornou impossível decompor a conta “Disponibilidades” nas contas que deveriam compor o grupo Disponibilidade, especialmente, caixa e contas bancárias. Assim, o procedimento contábil de escrituração de uma única conta intitulada “Disponibilidade”, no qual eram lançadas todas as movimentações de caixa e de contas bancárias prejudicou substancialmente a clareza e objetividade da escrituração contábil da contribuinte a ponto de sequer se poder verificar qual a razão efetiva para que esta conta ativa apresentasse saldo credor em alguns meses do ano. Notese que se os lançamentos na conta “Disponibilidade” fossem realmente transitório, as contas “Banco do Brasil”e “Banco Bradesco”não teriam ficado sem qualquer registro durante o AC 2009. Outra irregularidade apontada na escrituração contábil da recorrente referese ao fato de que as compras realizadas junto a diversos fornecedores são registradas em uma única conta denominada “Fornecedores Diversos”, sendo impossível estabelecer o devido controle da referida conta, já que impossível estabelecer relação entre as compras e seus respecitvos pagamentos, inclusive porque inúmeros pagamentos realizados a fornecedores sequer identificavam quais documentos ou quais fornecedores estariam sendo liquidados. Além disso, em diligência junto a diversos fornecedores, a Fiscalização obteve informações que identificam pagamentos que não foram sequer contabilizados pela recorrente em seu livro diário. A recorrente, também, contabilizava as devoluções de compra no último dia do mês em um único lançamento de forma resumida, não sendo possível identificar nem mesmo quais compras teriam sido devolvidas. O livro de registro de inventário não apresenta continuidade e pode ser observado que um mesmo produto apresenta diferentes quantidades em estoque no dia 31/12/2009, conforme quadro apresentado no TVF a fls. 79. O LALUR apresentado, após intimado e reintimado a apresentálo, apresenta erros e falhas que revelam a falta de credibilidade, além do que informado um valor de IR do AC 2009 no valor de R$ 7.332,03, diferente daquele informado na DIPJ (R$ 5.199,56), ocasionado pelo fato de que, na DIPJ ter sido compensado prejuízo fiscal, embora na Parte B do Lalur não haver qualquer menção a tal compensação. Coforme DIMOFs apresentadas pelas instituições financeiras, a Fiscalizada movimentou valores no montante de R$ 63.566.837,43, o que é superior a receita anual declarada no valor de R$ 61.473.335,76, o que representa uma diferença de aproximadamente R$ 2.093.501,67, se considerado apenas os recebimentos por meio dos bancos, ou seja, sem considerar os ingressos Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13603.721825/201347 Acórdão n.º 1302001.813 S1C3T2 Fl. 1.962 9 diretamente no caixa da empresa. Ocorre que, devido a forma de contabilização da conta disponibilidades, não foi possível a Fiscalização identificar a movimentação realizada via banco e via caixa, já que tudo era contabilizado em uma única conta. Frisese que não houve lançamento de omissão de receitas com base na diferença apurada entre as DIMOF e as receitas declaradas (R$ 2.093.501,67), pois a Fiscalização efetuou o arbitramento apenas sobre as receitas referentes a conta venda de mercadorias, no montante de R$ 61.473.335,76. Por último, vale ressaltar que, em razão da recorrente alegar que fazia a escrituração resumida no diário, por totais que não excediam um mês, a Fiscalização a intimou a apresentar os livros auxiliares das contas “Disponibilidades”, “Fornecedores Diversos” e “Venda de Mercadorias”, referentes ao AC 2009, já que assim exige a legislação (art. 1184, § 1º, do CC) quando se adota a escrituração resumida. Em resposta, a recorrente alega, equivocadamente, que os livros auxiliares seriam os livros de registros de entrada e de registro de saída. Após informar que as informações contidas em tais livros não seriam capazes esclarecer os pontos de dúvidas casuados pela escrituração resumida do diário, a recorrente não apresentou qualquer resposta, alegando apenas que “Estamos ratificando a resposta dada anteriormente”. DA BASE TRIBUTÁVEL DA COFINS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Por último, alega a recorrente que a Fiscalização não levou em conta ao apurar as bases tributáveis da Cofins e da Contribuição para o PIS que havia produtos classificados no NCM 1006.30.21, os quais estão suspensos da incidência de PIS e Cofins, conforme art. 9º da Lei nº 10.925/04 e IN SRF 660/04, e produtos cuja incidência é ST, monofásica ou de alíquota zero, sendo que, dentre eles, destaca as bebidas alcóolicas, farinha, arroz, café, etc., razão pela qual pleiteia a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins todos os produtos que possuem incidência monofásica, suspensão, alíquota zero e substituição tributária. A DRJ, ao apreciar tal questão, sustentou que: “No entanto, a Impugnante não demonstrou, e/ou anexou documentos comprobatórios, comprovando que os faturamentos que serviram de bases de cálculos lançadas foram originadas de revendas de mercadorias com alíquotas zero, com substituição tributária, e/ou com suspensão. Em seu recurso voluntário, a recorrente assim se manifestou sobre a questão: “No acórdão combatido, considerouse que o lançamento deveria ser mantido, pois a Recorrente teria deixado de demonstrar ou comprovar, que os faturamentos que serviram de base de cálculo para a autuação, foram originários de mercadorias com alíquotas zero, com ST e/ou com suspensão. Ora, foi exatamente por este motivo que foi requerida a realização de perícia técnica, a fim de demonstrar e comprovar todos os produtos que possuíam aíquota zero, ST ou suspensão. Na perícia realizada pela Recorrente, o Ilustre Profissional destacou o trecho da autuação em que a Auditoria Fiscal demonstrou alguns produtos como arroz e açúcar, que são alguns exemplos do desiderato cometido.” Ora, não foi juntado, após proferido o julgamento de primeira instância, qualquer laudo de perícia realizado pela recorrente, nem mesmo foram trazidos aos autos documentos que comprovassem o alegado, ou seja, um conjunto de notas fiscais ou algo que pudesse servir, pelo menos, de início de prova do que sustenta. Ademais, como já dito anteriormente, a perícia visa elucidar questões que não são dirimidas com o exame dos elementos constantes dos autos, o que não significa que a recorrente possa se utilizar do pedido de perícia no intuito de isentarse da responsabilidade de trazer aos autos toda a documentação que deveria amparar sua defesa. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Por essas razões , voto por negar provimento ao recurso voluntário. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Não merece reparos a decisão de primeira instância, pois a Fiscalização justificou, no item 6 do TVF (a fls. 98), a qualificação da multa de ofício pelos mesmos motivos que levaram ao arbitramento do lucro, ou seja, escrituração resumida sem livros auxiliares, escrituração da conta Disponibilidades englobando os lançamentos de caixa e de bancos, a falta de clareza e objetividade da escrituração. É verdade que, em outros julgados, já defendi que a adoção de lançamentos contábeis absurdos com o intuito de reduzir bases tributáveis ou esconder do Fisco ilícitos tributário podem justificar a qualificação da multa. Lembro de determinado processo em que o contribuinte, para camuflar o passivo fictício, antes do levantamento do balanço, debitou a conta passiva e creditou uma conta de reserva (PL). No entanto, nestes autos, não restou demonstrado que as irregularidades contábeis estivessem vinculadas a qualquer ilícito tributário, tanto que, mesmo apurando um saldo credor da conta de disponibilidade e movimentação bancária superior a receita declarada, os autuantes não lançaram qualquer omissão de receitas. Se assim agiram é porque havia dúvidas se os referidos indícios justificariam a presunção de omissão e que o apurado era apenas a imprestabilidade da escrituração contábil. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10865.003725/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DE LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos, somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No lançamento por homologação, é necessário que tenha ocorrido a antecipação do pagamento, aplicando-se o art. 150, §4º, do CTN, nos demais casos, aplica-se o art. 173, I do mesmo diploma legal, quando não há a antecipação do pagamento, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça STJ, no acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC).
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa de ofício decorre de expressa disposição de lei, conforme inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos, somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No lançamento por homologação, é necessário que tenha ocorrido a antecipação do pagamento, aplicandose o art. 150, §4º, do CTN, nos demais casos, aplicase o art. 173, I do mesmo diploma legal, quando não há a antecipação do pagamento, de acordo com o Superior Tribunal de Justiça STJ, no acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC). OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 25 /2 00 9- 80 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício decorre de expressa disposição de lei, conforme inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 10ª Turma da DRJ/SP2, nº 1753.264, constante em fls. 508/527 (pdf): Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 01/12/2009, o Auto de Infração de fls. 02/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada, Exercícios 2005, 2000 e 2007, correspondentes aos Anos Calendário 2004, 2005 e 2006, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 1.134.744,12, dos quais R$ 515.801,15 correspondem a imposto, R$ 386.850,85 a multa proporcional, e R$ 232.092,12 a juros de mora, calculados até 30/11/2009. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação de Infração Fiscal, às fls. 10/17 e nos dá conta de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.003725/200980 Acórdão n.º 2301004.524 S2C3T1 Fl. 571 3 O enquadramento legal está previsto na seguinte legislação: art. 42, da Lei n° 9.430/96, art. 1º da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002, art. 1º da Lei nº 11.119/2005, art. 1º da Lei n° 11.311/2006 e art. 849, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Os valores que efetivamente ingressaram na conta corrente do contribuinte, a título de depósitos e/ou créditos, mantidos em instituições financeiras, que não se fez prova da origem dos recursos, encontramse especificados no Demonstrativo do Termo de Verificação de Infração Fiscal e decorrem de procedimento fiscal, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0811200200810555, de 08/01/2009, em face das divergências havidas entre os valores de receita informados na Declaração de Imposto de Renda pessoa Física — DIRPF dos anos calendário de 2004 a 2006 e a sua movimentação financeira informada pelas instituições financeiras à Receita Federal do Brasil através das Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira DCPMF. Intimado a apresentar os extratos dos bancos movimentados no período e justificar a origem dos recursos ingressos através do Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 44/50, o contribuinte solicitou que os mesmos fossem requisitados pela Receita Federal diretamente às instituições financeiras, o que foi atendido. A partir dos extratos bancários, apurouse os recursos ingressos em conta corrente, expurgandose as transferências de valores entre as contas bancárias de mesma titularidade do contribuinte com coincidências de data, valor e operação, bem como cheques depositados e devolvidos, empréstimos, estorno de débito e outros por não representarem ingresso de novos recursos. Concedidas várias prorrogações de prazo com o atendimento parcial, o contribuinte através da planilha de fls. 305/308, identifica as seguintes pessoas como responsáveis por alguns depósitos em suas contas bancárias: Transportadora Gaino Ltda CNPJ 47.005.699/000146; Gaino Distribuição e Logística Ltda CNPJ 04.294.615/000129, e Anita Manzoni Gaino CPF 215.172.57824. No entanto, não esclareceu a que título deveuse tais operações. Acrescenta a Auditoria Fiscal que, nas declarações prestadas, o contribuinte alegou tratarse de devolução de recursos, os quais teriam sido enviados à transportadora para quitar obrigações junto a fornecedores, pois a mesma estaria passando por dificuldades financeiras. Contudo, tais alegações não vieram acompanhadas de documentação hábil e idônea que as comprovassem. Quanto aos depósitos recebidos da empresa Gaino Distribuição e Logística Ltda, o contribuinte assumiu como rendimentos tributáveis e quanto aos depósitos efetuados por Anita Manzoni Gaino, foram entendidos como empréstimos entre familiares. [...] Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 07/12/2009, às fls. 315, tendo ingressado com a impugnação de fls. 318/343 e documentos de fls. 344/383, em 06/01/2010, alegando, em síntese: 1) Requer o cancelamento de parte do Auto de Infração em virtude da ocorrência da decadência para o período de janeiro a novembro de 2004, por se tratar de lançamento por homologação, citando art. 142 e 150, IV do CTN c/c art. 42, § 4o, da Lei n º 9.430/1996. Cita ainda doutrina e decisões administrativas e judiciais; 2) Não configuração dos depósitos bancários como rendimento tributável, não existe renda presumida a qual deve ser real, devendo ser provado, o nexo causai entre os depósitos e a renda, pelo fisco que é responsável pela apresentação de provas que ensejam o lançamento. Cita art. 849 do RIR/99, Súmula 182 do TFR, arts. 113, § 1º e 142 do CTN, art. 5o, § 4o, da Lei Complementar n° 105/2001, doutrina e decisões administrativas; 3) Os depósitos bancários estão identificados e suas origens totalmente evidenciadas, conforme reconhece o fisco por diversas vezes, não havendo razão para serem tratados pelo art. 42, da Lei n° 9.430/1996; 4) Afirma que grande parte dos valores que transitaram na conta corrente não pertencia ao impugnante, que forneceu elementos de comprovação de suas operações bancárias, que é o fisco quem tem o poder de apurar os fatos, não podendo o fiscalizado requisitar a terceiros tais comprovações; 5) A impugnante esclareceu que a Transportadora Gaino Ltda, por não possuir linhas de crédito para realizar negociações, utilizouse da conta corrente do impugnante para efetuar algumas transações comerciais; 6) A fiscalização acatou como comprovados somente as transferências realizadas entre as pessoas da família, sob alegação de que as operações mantidas com as pessoas jurídicas não foram instruídas satisfatoriamente, porém o dinheiro transitou entre as contas, o crédito na conta corrente da impugnante corresponde a um débito de igual valor, na mesma data da pessoa identificada como titular do crédito; 7) Os valores apurados pelo fisco merecem ser revistos, apresenta reprodução parcial da planilha denominada Valores recebidos de transferências entre as contas fiscalizadas, enviada ao fisco em 11/11/2009, comprovada através dos históricos bancários; 8) Em virtude do tempo transcorrido, do número de lançamento e das pessoas jurídicas envolvidas, fica prejudicada a alocação dos valores, visto que parte envolve pagamento a fornecedores, requer prazo para posterior comprovação e juntada de novos documentos; 9) No Auto de Infração das pessoas jurídicas, o fisco aceitou o fato de que os valores da pessoas físicas, transferidos para as pessoas jurídicas, são rendimentos destas últimas, consequentemente, nas pessoas físicas deverão os valores serem excluídos da base de cálculo, sob pena de dupla tributação; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.003725/200980 Acórdão n.º 2301004.524 S2C3T1 Fl. 572 5 10) No ano de 2004 fezse necessário buscar recursos junto a terceiros os quais começaram a adentrar nas contas físicas e jurídicas envolvidas, porém somente em 2006 é que tal dívida foi confessada conforme instrumento particular registrado antes do início da ação fiscal e planilhas elaboradas à época dos fatos encontrandose em desktop disponível à perícia, caso necessário, comprovando sua elaboração antes do início da ação fiscal. Requer prazo para posterior juntada de novos documentos, pois continua diligenciando junto a terceiros; 11) O fisco não observou nas DIRPF do impugnante, os rendimentos isentos no ano calendário 2005 e rendimentos tributáveis recebidos de PF/Exterior no anocalendário 2006, devendo ser reconsiderada a base de cálculo; 12) Na eventualidade de não se conhecer da decadência, há de se observar os expurgos no ano de 2004; dos créditos das pessoas jurídicas em R$ 1.205.594,10 e dos empréstimos em R$519.166,00; 13) Deveria o fisco proceder a circularizações e diligência fiscal nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do impugnante, em observância ao princípio da verdade real e do poder/dever que dispõe a fiscalização. Cita doutrina; 14) Necessária conversão em diligências do presente julgamento podendo o auditor autuante se manifestar e também requisitar novos documentos necessários à obtenção da inafastável e imprevisível verdade real; 15) A doutrina pátria declara ilegais e inconstitucionais as multas com efeitos confiscatórios, devendo ser aplicadas como penalidade e não como meio arrecadatório, como se tributos fossem. A multa aplicada fere princípios do Direito Administrativo: proporcionalidade e razoabilidade. Requer revisão da penalidade aplicada. Cita doutrina, decisões judiciais; 16) Requer que as intimações sejam feitas em nome dos patronos do impugnante; 17) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial sustentação oral, juntada de novos documentos, perícias e auditoria contábil e quaisquer outras provas necessárias; 18) Requer seja conhecida a impugnação no sentido de cancelarse o Auto de Infração declarandoo insubsistente. A Turma de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1753.264 da 10ª Turma da DRJ/SP2 em 05/09/2011 (fl. 531 pdf). Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Sobreveio Recurso Voluntário em 27/09/2011 (fls. 542/565), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente cerceamento do direito de defesa sob o fundamento de que a fiscalização não observou as informações e documentos apresentados pelo mesmo, bem como que o Mandado de Procedimento Fiscal não cumpriu as exigências legais. Contudo, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que foi dado conhecimento dos autos, de forma que o mesmo teve ampla oportunidade de apresentar esclarecimentos e documentos, bem como impugnar o crédito tributário, como foi feito. Em casos como este, em que é dado ao contribuinte amplo conhecimento dos fatos, assim como acesso aos autos e tempo admissível para comprovar suas alegações de defesa, sendolhe garantido o prazo legal para apresentação de impugnação, é cediço o entendimento deste E. Conselho no sentido da inocorrência do cerceamento de defesa. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DE LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA Nº 46 DO CARF. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, após realizadas diversas diligências, tendo sido observadas todas as provas e documentos produzidos nos autos, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno conhecimento da matéria fática e legal, tanto que exercido seu legítimo direito de defesa nos prazos devidos. [...] (Acórdão nº 2101002.684, Processo 10980.015068/200735, Relator Cons. Eduardo de Souza Leão, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 22 de janeiro de 2015)" "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.003725/200980 Acórdão n.º 2301004.524 S2C3T1 Fl. 573 7 Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. [...] (Acórdão nº 2202002.278, Processo 10640.004075/200843, Relator Cons. Rafael Pandolfo, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 12/07/2013)" Verificase ainda, que, o procedimento fiscal foi realizado dentro da estrita legalidade, com observância ao Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ausência dos requisitos formais, especialmente a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Inclusive, o fiscal narrou, de forma detalhada, no auto de infração os procedimentos adotados durante a ação fiscal e os fatos que motivaram a lavratura do auto de infração, descrevendo a ocorrência dos fatos geradores do tributo e os elementos que os constituem, deixando claro quais operações foram alvo de tributação e como se chegou ao valor devido, por meio de demonstrativo de cálculos constantes no próprio corpo do relatório. Portanto, rejeito esta preliminar. DECADÊNCIA Argumenta o Recorrente que a autuação relativamente ao período de janeiro a novembro de 2004 estaria decaído por força do art. 150, §4º, do CTN. Ocorre que, o fato gerador do imposto de renda pessoa física, relativamente aos depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, conforme Súmula 38 deste Egrégio Conselho. In verbis: SÚMULA CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Ademais, como se sabe, a antiga controvérsia sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial está pacificada no âmbito deste E. Conselho que, por imposição do artigo 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.003725/200980 Acórdão n.º 2301004.524 S2C3T1 Fl. 574 9 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial será contado do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E na hipótese de não haver antecipação do pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, relativamente ao anocalendário 2004, verificase que houve pagamento antecipado, conforme declaração de ajuste anual 2005 (fls. 29/33) e a ciência do auto de infração ocorreu em 07/12/2009. Logo, quanto ao anocalendário de 2004, embora aplicável a regra do artigo 150, §4º, do CTN, verificase que o tal período não está decaído. Considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completouse em 31 de dezembro de 2009. Na data da ciência do lançamento, a qual ocorreu em 07 de dezembro de 2009, o crédito tributário constante do Auto de Infração não havia sido atingido pela decadência, portanto, correto o lançamento realizado pelo Fisco. DEPÓSITOS BANCÁRIOS No mérito, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo ambos redação semelhante, e inclusive, o art. 849 faz referência expressa ao art. 42 da supracitada Lei. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifei) O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada Cabe frisar que, o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Nesse sentido, no mérito, ratifico a decisão de primeira por seus próprios fundamentos, uma vez que, da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, estes Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10865.003725/200980 Acórdão n.º 2301004.524 S2C3T1 Fl. 575 11 não se prestam a comprovar que os valores que transitaram por suas contas bancárias decorreram de operações das pessoas jurídicas Transportadora Gaino Ltda e Gaino Distribuidora e Logística Ltda, isso porque, não há qualquer prova dos repasses desses valores diretamente da empresa as contas do contribuinte, coincidente em datas, valores e operações bancárias. Assim, tais documentos não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma a ilidir a tributação dos mesmos, na forma de presunção legal. MULTA DE OFÍCIO APLICADA Não merece guarida a insurgência do recorrente quanto a redução da multa de ofício de 75% para 20%, uma vez que a multa de ofício está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996. In verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]" Assim, não tendo sido a multa de ofício aplicada na forma qualificada (150%), não há que se falar em confisco, tampouco em redução da multa para o percentual de 20%, como requereu o contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10768.019524/97-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A submissão de matéria à tutela a autônoma e superior do poder Judiciário importa em renúncia ou desistência à discussão na esfera administrativa.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 202-16.080
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: 20216080; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2015-09-17T15:55:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: 20216080; xmpMM:DocumentID: uuid:73243e25-bc42-4317-93b6-9e0969220cb0; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20216080; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-09-17T15:55:26Z; created: 2015-09-17T15:55:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2015-09-17T15:55:26Z; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2015-09-17T15:55:26Z | Conteúdo => Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes , "~:.'f' ,~':;"--' _ •.. , '. Processo nO : Recurso nO Acórdão nO 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 MINISTIÔRIO DA FAZENDA Segundo Cons.lho de Contribuinte. Publicado no Diário Oficial da União De ~8 I "I 0Õ_ VISTO R ~ Recorrente Recorrida CHADLER INDUSTRIAL DA BAHIA SIA DRJ em Salvador - BA NORMAS PROCESSUAIS. OpçÃO PELA VIA JUDICIAL. I ..:M:.;:,I.:.:.~J':...::;D;:/J,.:F."''.?t!,IO:l • ~~.' r::c b' d 'I I" .- •.---,~~;;;;;...1 A su mIssão e matéria a lute a autônoma e superior do poder corJ:-m[~âAM O 'fl!GliJtll Judiciário importa em renúncia ou desistência à discussão na BR/.SILlA .....::1.! ""' ..... ...1.2.2 esfera administrativa. ----.--.~IST~ Recurso não conhecido. VISTOS,relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CHADLER INDUSTRIAL DA BAHIA SIA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 ~""fi-«.'f,'-~, -<.r-,fíenri"quePinheiro ro~u" .. Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos ManaUa, Adriene Maria de Miranda (Suplente), Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Antonio Zomer (Suplente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr I Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 I ,ocr., IFI. Recorrente CHADLER INDUSTRIAL DA BAHIA S/A RELATÓRIO Por bem relatar .o processo em tela, transcrevo o Relatório da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - BA, fls. 388/399: Trata-se de pedido, fls. 01/07, apresentado em 02/09/1997 pela interessada acima qualificada, visando a compensação de débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, vencidos e/ou vincendos, com crédito que afirma possuir, no valor de R$1.131.900,78, originado dos recolhimentos efetuados com base nos Decretos-leis n. ° 2.445, de 29 de junho de 1988, e n. ° 2.449, de 21 dejulho de 1988, declarados inconstitucionais. 2. Após anexação de diversos documentos, fls. 08/157, o presente processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Salvador para a realização de diligência, tendo a fiscalização anexado os demonstrativos de fls. 160/177 e o termo de encerramento de fl. 178, no qual concluiu ser a interessada detentora de crédito a restituir e/ou compensar no valor de R$127.734,51, atualizado até novembro de 1999. 3. Discordando do valor do crédito apurado na diligência, a interessada apresentou o requerimento de fl. 180 solicitando a realização de nova diligência e informando, com base nos demonstrativos de fls. 181/186, possuir um crédito no valor correto de R$502.856, 01. 4. Desta forma, o processo foi encaminhado para a realização de nova diligência, sendo as conclusões da fiscalização assim expostas no Relatório de Diligência de fls. 227/229: • Tendo em vista a existência de decisão judicial autorizando à contribuinte a efetuar a compensação ou restituição pleiteada, não se aplica ao presente caso o prazo decadencial de 5 anos previsto no Ato Declaratório SRF nO96, de 26 de novembro de 1999, contado da data da extinção do crédito; • Asfotocópias de fls. 188/201 suportam a assertiva do item anterior; • Após constatar algumas divergências, foi levantada a base de cálculo do PIS incluindo as receitas de exportação até o período de apuração de agosto de 1994, quando a exclusão foi admitida pela Medida Provisória n° 622, de 22 de setembro de 1994, posteriormente convertida na Lei nO9.004, de 16 de março de 1995; • Nos "Demonstrativos 217/220, estão apuradas contribuinte; /( de Apuração de Débito e Crédito do PIS", fls. as diferenças pagas a maior e a menor pela 2 Processo n° Recurso nO Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 Mlr'1. DA FAZENOA • 2" CC """'-~.;..;,=--,-.;;.~ I"ITM' IFI. • Para os pagamentos efetuados no período de outubro de 1988 a dezembro de 1991Joi aplicada a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n. o 08, de 27 de junho de 1997, atualizando os valores até 31/12/1995, conforme demonstrativo defis, 221/222; • Para os pagamentos efetuados a partir de janeiro de 1992, e portanto passíveis de serem convertidos em UFIR, foi aplicado o disposto na Instrução Normativa SRF n. o 22, de 18 de abril de 1996, convertendo os valores de UFIR para REAIS, com base na UFIR vigente em 01/01/1996 (R$ 0,8287), conforme demonstrativo defis. 223/224; • Nos períodos em que houve insuficiência de recolhimento, na vlgencia dos Decretos-leis n.° 2.445 e 2,449, de 1988, deve ser constituído o crédito tributário com base na Lei Complementar n. ° 7, de 1970, e alterações posteriores, segundo dispõe o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n. o 156, de 07 de maio de 1996; • Assim, foi constatada a existência de débitos para os fatos geradores ocorridos defevereiro de 1992 a outubro de 1995, sendo que: a) o período de fevereiro a setembro de 1992 deve ser objeto de lançamento de oficio especíjico; b) de junho de 1993 a agosto de 1993, encontra-se pendente de julgamento na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, processo n° 10580.005087/97-23, que trata de pedido de compensação de FINSOCIAL; c) período de setembro de 1994 a dezembro de 1994, é objeto do processo n. o 10580.002900/96-69, sendo o valor da contribuição correto, devendo portanto ser cobrado; d) de outubro de 1992 a maio de 1993, setembro de 1993 a agosto de 1994, e maio a outubro de 1995, se em algum momento a contribuinte vier a ser tratada pelo regime da Lei Complementar n. o 7, de 1970, as diferenças encontradas deverão ser recolhidas. 5. O Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Salvador proferiu o Parecer n. o 475/2000, fi. 231, indeferindo o pedido de restituição/compensação formulado pela interessada, tendo em vista a decadência, em relação aos valores recolhidos até l° de setembro de 1992, e, quanto aos recolhimentos efetuados a partir desta data, em face da inexistência de crédito a restituir, tomando por suporte fático o Relatório de Diligência de fis. 206/229. 6. A interessada foi cientíjicada do citado parecer em 07/12/2000, fi. 231- verso, e apresenta, em 03/01/2001, a sua Manifestação de Inconformidade, sendo estes os eus argumentos, em síntese: • As divergências existentes entre o demonstrativo inicialmente elaborado pela fiscalização (fls. 160/177) - que concluiu ser a contribuinte detentora de um crédito a compensar/restituir no valor de R$127.734,51, atualizado até novembro de 1999 - e aquele posteriormente apresentado pela interessada 3 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 IPeGM' IFI. I l (fls. 181/185), pleiteando o valor de R$502.856,01, decorreram apenas da forma de atualização do crédito, não havendo discordância quanto às bases de cálculo utilizadas; • Na diligência realizada para dirimir as alegadas divergências, a agente do Fisco cometeu graves equívocos, que resultaram na inversão da situação fiscal da empresa, que passou de credora a devedora da Fazenda; • O legislador de 1988 objetivou incentivar as exportações de produtos manufaturados, e portanto, ao excluir o valor da receita de exportação da base de cálculo da contribuição para o PIS, referiu-se à "contribuição de que trata o Decreto-lei 2.445" como uma forma de identificar a espécie de contribuição a que se referia, reportando-se assim ao decreto-lei por ser a legislação que disciplinava, à época, a contribuição em tela; • O legislador, por meio da Medida Provisória n° 622, de 1994, convertida na Lei n° 9.004, de 1995, objetivou apenas ampliar o beneficio da exclusão dos valores exportados da base de cálculo do PIS, possibilitando a exclusão de qualquer receita de exportação de mercadorias nacionais, e não apenas das receitas de produtos manufaturados; • A substituição do Decreto-lei n° 2.445, de 1988, pela Lei Complementar nO 7, de 1970, na referida medida provisória, decorreu do fato de o citado decreto-lei estar sendo acusado de inconstitucionalidade - como de fato foi afastado do mundo jurídico pela Resolução do Senado Federal n° 49, de 1995 - deixando clara, assim, a intenção de excluir da base de cálculo do PIS as receitas de exportação de produtos nacionais, independentemente da constitucionalidade dos decretos-leis mencionados; • A interessada, equivocadamente, no período de janeiro de 1989 a dezembro de 1991, incluiu as receitas de exportação de produtos manufaturados na base de cálculo do PIS, razão pela qual, em 31/03/1992, requereu administrativamente (processo nO 10580.003975/92-70) a compensação dos valores recolhidos a maior, indeferida pelo Fisco em 04/08/1995; • Portanto, uma vez declarada a inconstitucionalidade dos Decretos-leis nO 2.445 e 2.449, de 1988, por ato involuntário da requerente, a exclusão da receita de exportação de produtos manufaturados continua válida, não podendo o Fisco beneficiar-se desta inconstitucionalidade para aumentar o valor da contribuição devida, passando a considerar a fiscalizada devedora do PIS; • A contribuição para o PIS deveria ser calculada sobre o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento, segundo dispõe o art. 6~parágrafo único da Lei Complementar n. ° 7, de 1970, sistemática que somente foi 4 .' Processo nO Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 ------,--- , ;'.II~.DA F'~~]i'2.:~:..?~~£J CONFERE COM O ()r{!G!N,~l I BR:,SiUA _Q0.t ..~ .._j.º:f I ------=-rr--'.uJ{j)~~--_T__ VISTO Rld '. alterada com edição da Medida provisória n. o 1.212, de 28 de novembro de 1995; • Discorda do prazo decadencial adotado no Parecer nO 475/2000, a despeito de a agente do FISCO - cujo Relatório de Diligência foi tomado . como suporte fático - entender que o Ato Declaratório n° 96, de 1999, não se aplica ao presente caso; • O mesmo fiscal que minutou o parecer contestado neste processo denegou anteriormente o pleito da requerente, Parecer n. ° 392/1998, fundamentando sua decisão no S 2" da Medida Provisória n. ° 1.542, de 1997, mas não cogitando à época o instituto da decadência; • Ao final, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, considerando-se como prova das receitas apuradas, assim como dos valores efetivamente recolhidos, os demonstrativos elaborados inicialmente pela fiscalização; • Requer que sejam consideradas as efetivas datas de recolhimento da contribuição, conforme fotocópias de DARF anexadas, além da compensação efetivada durante o período de fevereiro a setembro de 1992 e os pagamentos pertinentes aos períodos de apuração de junho ejulho de 1993, jl. 310. 7. Destaque-se, por oportuno, que o Processo n. ° 10580.005087/97-23, mencionado pela fiscalização no relatório de jls. 227/229, foi julgado por esta Delegacia de Julgamento, Decisão n. °2.460, de 16 de novembro de 2000. Em 13 de junho de 2001, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - BA manifestou-se por meio da Decisão DRJ/SDR n° 1.116, fi. 388, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01107/1988 a 31/10/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA. Ultrapassados cinco anos entre a data de extinção do crédito tributário pago indevidamente e a formalização do pedido administrativo, inviável é o deferimento da compensação, por força da decadência. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO A SER COMPENSADO. Verificando-se inexistir crédito a ser compensado, o requerimento há de ser indeferido. PRAZO DE RECOLHIMENTO. A lei complementar que instituiu a contribuição para o Programa de Integração Social foi alterada, quanto ao prazo de recolhimento da obrigação tributária, por legislação válida e eficaz. 5 Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 I"'IN. 011 FAZt:~i!J,' _ ?-,.•71 -_ .••.'£_.,,_ .••.--~---l Cor/FERE 8~'1O OHiGii'iAL ' BRASiLi~ VISTO I "CCM' IFI. SOliCITAÇÃO INDEFERIDA Em 18/09/2001, não conformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a recorrente BARRY CALLEUT BRASIL S/A interpôs Recurso Voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 4011408, reiterando os argumentos trazidos na peça impugnatória. Os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiram converter o julgamento do recurso em diligência, fls. 434/442. O Relatório de Diligência Fiscal, fls. 505/516, apresentou planilhas solicitadas pela RESOLUÇÃO N° 202-00.513. Em 28/10/2003, a contribuinte manifestou-se sobre o resultado da diligência, fls. 518/522. É o relatório ..-{ 6 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES I "~M' IFI. O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, . merecendo ser apreciado. Para melhor entendimento da matéria aqui em debate, passa a historiar os fatos. O processo versa sobre pedido de restituição/compensação de débitos da contribuição para o PIS, vencidos e vincendos, com créditos que a recorrente afirma possuir em razão de recolhimentos a maior efetuados com base nos Decretos-Leis nOs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais. O pleito foi indeferido pela autoridade competente sob os argumentos de que o direito de a contribuinte pleitear a repetição de indébito encontrava-se decaído em relação aos valores recolhidos até O 1/09/1992, e, em relação aos recolhimentos efetuados após esta data, de acordo com o relatório de diligência de fls. 206/229, inexistia crédito a restituir. Tendo a recorrente apresentado manifestação de inconformidade o processo foi encaminhado para apreciação da DRJ em Salvador - BA que indeferiu a solicitação sob os mesmos argumentos de decadência (valores recolhidos até 01/09/1992) e inexistência de crédito a ser compensado para os demais periodos. Entretanto, esse órgão de julgamento excluiu da base de cálculo da contribuição para o PIS as receitas de exportação indevidamente incluídas pela fiscal realizadora da segunda diligência, consolidando os valores nos quadros anexos à Decisão n° 1116/01, fls. 398/399. De outro lado, constam do Relatório de Diligência Fiscal, fls. 227/229, no qual basearam-se a Delegacia da Receita Federal em Salvador e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador para indeferirem a solicitação da recorrente, as seguintes informações: Por meio do processo n° 10580.002900/96-69 foi lavrado auto de infração contra o interessado, referente à contribuição para o PIS, nos PA de 09/94 a 12/94, com base na LC 07/70, o qual foi parcelado e não pago pelo contribuinte que, objetivando a compensação do valor lançado, requereu, na qualidade de litisconsorte nos Autos da Ação Ordinária nO 98.0008217-4, impetrada por FlORI EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA E OUTROS, junto à 8° Vara Federal do Rio de Janeiro, ter reconhecido o direito de compensar os valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, efetuados com base nos Decretos-leis 2.445 e 2.449/88, contra créditos relativos ao próprio PIS, consubstanciando-se na decisão do Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade dos referidos Decretos- leis. A contribuinte requereu, também, a obtenção de tutela antecipada, no sentido de, durante o curso da lide, relativamente às parcelas que fossem compensadas até o montante do indébito, impedir a ré de impor penalidade à autora, executa-la judicialmente, inscrevê-la no CADIN, negar inscrição no CNPJ e negar certidões negativas, quando requeridas. Em 18/05/99, o ! 7 VISTO Processo n° Recurso n° Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 I ""IN. DA FAZE/mA - 2Q CC•.......--...-""._ •..•.- CONFERE COM o lRIGIfJi,L BRASiLlA.QI{.i.O ..._./.c6. .. /"- I ,ocr., IFI. l contribuinte obteve a tutela antecipada e a Receita Federal foi notificada da compensação requerida pela autora com a determinação judicial de que fosse refeito os cálculos do auto de infração parcelado, com base na decisão do Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade dos Decretos- leis 2.445 e 2.449/88. Assim, anexei a este processo, às fls. 188/201, cópias do oficio n° 530/99-G, dos documentos de fls. 473/477 do processo judicial, da intimação e documentos do processo n° 10580.002900/96-69, pois, tendo em vista a existência de decisão judicial autorizando ao contribuinte a efetivar a compensação ou restituição pleiteada, não se aplica a este contribuinte o prazo de 05 anos de que dispõe o Ato Declaratório SRF n° 96/99, contado da data da extinção do crédito tributário, para a repetição de indébito relativa a tributo ou contribuição pago com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no exercício dos controles difUso e concentrado. Com a baixa do processo em diligência, foram acostados aos autos dentre outros documentos, a petição inicial que instruiu o referido processo judicial, bem como cópia da sentença proferida no bojo daquele processo. Da análise desses documentos verifica-se que a demanda judicial abrange, in totum, a pertinente a estes autos.Em havendo sido a matéria objeto destes autos submetida à apreciação do Poder Judiciário, resta-nos perquirir se pode ser ela debatida também na esfera administrativa. Primeiramente cabe esclarecer que, muito embora o termo "renúncia" sugira que a ação judicial tenha sido interposta posteriormente ao procedimento administrativo, na essência, com o devido respeito dos que defendem o contrário, as conclusões são as mesmas, isso porque, após iniciada a ação judicial, o julgador administrativo vê-se impedido de manifestar-se sobre o apelo interposto pelo contribuinte, vez que a questão passou a ser examinada pelo Poder Judiciário, detentor, com exclusividade, da prerrogativa constitucional de controle jurisdicional dos atos administrativos. Dai, ser irrelevante a espécie de medida judicial proposta, bem como o tempo em que foi proposta, podendo ser qualquer uma, em qualquer tempo - antes, ou durante o trâmite do processo administrativo, como no caso presente. Neste sentido é a jurisprudência mansa e pacífica do Segundo Conselho de Contribuintes e, também, da Câmara Superior que têm aplicado a renúncia à via administrativa quando o sujeito passivo procura provimento jurisdicional pertinente a matéria objeto do processo administrativo. Outro entendimento não caberia, pois a ordem constitucional vigente ingressou o Brasil na jurisdição una, como se pode perceber do inciso XXXV do artigo 5° da Carta Política da República: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito". Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o "dizer o direito" e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por órgãos não jurisdicionais. Por conseguinte, os conflitos intersubjetivos de interesses podem ser submetidos ao crivo judicial a qualquer momento, independentemente da apreciação de instâncias "julgadoras" administrativas. 8 Processo nO Recurso nO Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 Mlj~. DA f j'7t',t3'JA • 2'; CC -"-"'~,"- CONFERE COM ,O OI~:8:Nt••L BRASiLlA.(Q~.I_º2. --v;S~~ I"'M' IFI. A tripartição dos poderes confere ao Judiciário exercer o controle supremo e autônomo dos atos administrativos; supremo porque pode revê-los, para cassá-los ou anulá-los; autônomo porque a parte interessada não está obrigada a recorrer às instâncias administrativas antes de ingressar em juizo. De fato, não existem no ordenamento jurídico nacional prinCtplOS ou dispositivos legais que permitam a discussão paralela, em instâncias diversas (administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza), de questões idênticas. Diante disso, a conclusão lógica é que a opção pela via judicial, antes ou concomitante à esfera administrativa, torna completamente estéril a discussão no âmbito não jurisdicional. Na verdade, como bem ressaltou o Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no voto proferido no julgamento do Recurso n° 102.234 (Acórdão 202-09.648), "tal opção acarreta em renúncia ao direito subjetivo de ver apreciada administrativamente a impugnação do lançamento do tributo com relação a mesma matéria sub judice.". Por oportuno, cabe citar 092° do art. l° do Decreto-Lei n° 1.737/1.979, que, ao disciplinar os depósitos de interesse da Administração Pública efetuados na Caixa Econômica Federal, assim estabelece: Art.] °omissis S 2° A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Ao seu turno, o parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/1980, que disciplina a cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública, prevê expressamente que a propositura de ação judicial por parte do contribuinte importa em renúncia à esfera administrativa, verbis: Art. 38. Omissis Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. A norma expressa nesses dispositivos legais é exatamente no sentido de vedar- se a discussão paralela, de mesma matéria, nas duas instâncias, até porque, como a Judicial prepondera sobre a administrativa, o ingresso em juizo importa em desistência da discussão nessa esfera. Esse é o entendimento dado pela Exposição de Motivo nO223 da Lei n° 6.830/1980, assim explicitado: Portanto, desde que a parte ingressa em juízo contra o mérito da decisão administrativa - contra o título materializado da obrigação - essa opção pela via superior e autônoma importa em desistência de qualquer eventual recurso porventura interposto na instância inferior. Assim, a busca da tutela jurisdicional traz consequencias imediatas para o procedimento administrativo fiscal eventualmente instalado, porquanto, havendo deslocamento J! 9 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10768.019524/97-61 118.935 202-16.080 MIN. l)A f.f\~'~'.,,.".. :t' CC..-..-...."' .••..._. ~", .,..__ •..._~ CONFER~ CO;-" O OR:GlêJAL BRASiLlAQY/Oj1.-.d.0":_ _____4-~ VISTO I'.=~IFI. da lide para a órbita do Poder Judiciário, perde todo o sentido aquele procedimento. Se assim não fosse, haveria a possibilidade da existência, absurda, diga-se, de uma decisão administrativa arrostando outra de natureza judicial. Aqui cabe anotar que o parágrafo único retrotranscrito, bem como o Parecer PGFN n° 743/88 e o Ato Declaratório n° 03 da Cosit apenas reproduzem a norma insculpida no princípio da universalidade de jurisdição, entronizado no inciso XXXV do artigo 5° da Carta Política da República, que atribui, com exclusividade, ao Judiciário dizer o direito. Diante disso, qualquer que seja a matéria: autuação, repetição de indébito, atos administrativos etc, não importa; havendo deslocamento de sua discussão para a órbita do Poder Judiciário, perde todo o sentido o seu exame pelos órgãos de julgamento administrativo. Em assim sendo, não há como conhecer do recurso em análise, já que a matéria constitutiva de seu objeto - a restituição dos valores pagos a maior com base nos Decretos-Leis nOs2.445/1988 e 2.449/88 para serem compensados com débitos do próprio PIS - encOntra-se inteiramente contida na demanda deduzida em juízo, cuja inicial da Ação Ordinária fora proposta em 1998, durante o curso do processo administrativo, perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, como atesta o documento de fls. 462 a 473. Com essas considerações, não conheço do apelo voluntário interposto pela reclamante. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 10 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000246/2005-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato Gerador: 31/07/2002, 31/10/2003
MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Ronsenburg Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento)
.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato Gerador: 31/07/2002, 31/10/2003 MULTA REGULAMENTAR. DIF - PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo - DIF.- Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Gilson Macedo Ronsenburg Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento) .
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI DATA DO FATO GERADOR: 31/07/2002, 31/10/2003 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Ronsenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento) . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 02 46 /2 00 5- 40 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13558.000246/200540 Acórdão n.º 9303001.466 CSRFT3 Fl. 94 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 67/75, contra decisão do acórdão nº 340100242, da Terceira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003. A multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Recurso provido em parte. A Fazenda Pública em sua peça recursal alega que a decisão contrariou o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, c/c o art. 16 da Lei nº 9.779/98, dispositivos que prevêem aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória pela entrega, fora do prazo estabelecido, de declaração DIR –Papel Imune. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 3400956 de fl. 79. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões às fls. 82/84. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar O fundamento jurídico apresentado pela Fazenda Pública em sua peça recursal diz respeito a uma possível contrariedade ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, que previa uma multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Acontece que, com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para conduta. A Lei nº 11.945/09 assim trata a matéria, in verbis: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13558.000246/200540 Acórdão n.º 9303001.466 CSRFT3 Fl. 95 3 Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13558.000246/200540 Acórdão n.º 9303001.466 CSRFT3 Fl. 96 4 O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou com sua habitual argúcia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas com forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão, in verbis: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3º do art.1º da Lei nº 11.945/2009 é exatamente a DIFPapel Imune, criada por meio da IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nºs 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP nº 2.15835/20091, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4º e 5º acima é inferior à exigida com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei nº 11.945/2009, em obediência ao art. 106, II, “c’, do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava a entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso (reduzido para R$ 1.500,00 na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei nº 11.945/2009, a penalidade é exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada – no caso, cada DIFPapel Imune trimestral , de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIFPapel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas 1 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13558.000246/200540 Acórdão n.º 9303001.466 CSRFT3 Fl. 97 5 empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3º da Lei nº 11.945/2009. Conforme a Mensagem nº 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto do citado art. 3º assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente beneficiados. Esclareçase que a própria Medida Provisória n°. 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF Papel Imune (art. 2º, § 4º, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação do prazo para apresentação da DIF Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." É pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Declaratório Executivo nº 73, de 13/08/2009, editado pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1º da Lei nº 11.945/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, para o recolhimento da penalidade “Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DIF Papel Imune”. Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não se mais aplica aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista na Lei nº 11.945/2009, pois, como sabemos, a regra específica sobressai sobre a geral. Postulado consagrado utilizado para resolver aparentes conflitos de normas. No caso em epígrafe, estamos diante de uma singularidade, pois a aplicação da nova legislação pioraria a situação do recorrente, ferindo de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus, explico: A interpretação dada ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2009, pelo acórdão vergastado, impõe uma multa de R$ 15.000,00 por DIF Papel Imune em atraso e a nova legislação prevê uma multa de até R$ 5.000,00 pelo mesmo fato. Resta evidente que a aplicação da nova legislação diminuiria o valor da multa. Nas linhas traçadas pela professora Teresa Arruda Alvim Wambier; É ao recorrente que cabe delimitar o âmbito do mérito recursal, devendo deduzir razões de impugnação e formular pedido de reforma da decisão (âmbito de devolutividade do recurso). O órgão ad quem deve examinar a questão posta nestes limites e não pode piorar a situação do recorrente, a não ser que esta piora decorra da cognição de matéria de ordem pública, de ofício ou acolhendo preliminar alegada pelo recorrido em contrarrazões. Este é o significado do princípio da proibição da reformatio in pejus. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13558.000246/200540 Acórdão n.º 9303001.466 CSRFT3 Fl. 98 6 Ora como já dito, a observância da nova legislação fere o princípio citado, de sorte que não há como modificar a base legal do auto de infração, mantendo a interpretação dada pelo acórdão reclamado. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 13888.724530/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias em segunda instância.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.
A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a terceiros que não interpuseram impugnação ou recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido.
Numero da decisão: 2201-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, que votavam por conhecer do recurso exclusivamente quanto ao sujeito passivo solidário Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias em segunda instância. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a terceiros que não interpuseram impugnação ou recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, que votavam por conhecer do recurso exclusivamente quanto ao sujeito passivo solidário Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 701 1 700 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.724530/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.758 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRRF Recorrente FIRE COMÈRCIO DE FERROS FUNDIDOS E SERVIÇOS DE USINAGEM LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideramse preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias em segunda instância. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a terceiros que não interpuseram impugnação ou recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, que votavam por conhecer do recurso exclusivamente quanto ao sujeito passivo solidário Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 45 30 /2 01 1- 11 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 702 2 (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 451.226,65 (Auto de Infração de efls. 504 a 513, e Termo de Informação de efls. 495 a 503), decorrente de declaração a menor, nas DCTFs, do contribuinte de valores retidos pelo contribuinte a título de IRRF. Ainda, atribuiuse responsabilidade solidária pelo crédito lançado a Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda. (Termo de Sujeição Passiva Solidária de efls. 515/516), ao Sr. Mário César Mendes (Termo de Sujeição Passiva Solidária de efls. 518/519) e ao Sr. Clóvis Penteado de Castro (Termo de Sujeição Passiva Solidária de efls. 523/524) Insurgiuse o contribuinte contra o lançamento, inicialmente, através de peça de efls. 533 a 546, a qual contém, na forma muito apropriadamente descrita pela autoridade julgadora de 1a. instância, as seguintes alegações: " (...) Ausência dos pressupostos para validar a cobrança dos créditos apurados. O lançamento foi baseado em hipóteses. Não prevalece a cobrança de qualquer tributo, sem comprovação da efetiva base de cálculo para determinação do valor do imposto. A defendente apenas descontou o IRRF dos empregados. Tanto é que poderia ter sido solicitada a folha de registro de salários dos empregados para confrontação. Porém, a autuação não se apoiou em prova hábil para configurar liquidez do crédito tributário. A relação jurídica ganha contornos de liquidez, com o lançamento tributário definido no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, buscandose a verdade material. Toda atividade administrativa, deve se fundar em lei e na motivada demonstração da ocorrência do suporte fático previsto em lei. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 703 3 A base de cálculo é totalmente inviável, porque os valores do aludido imposto exigido já foram pagos pela defendente conforme escrituração e plenamente informados na Dirf. Como a atuação administrativa é fundada na “legalidade motivada”, cabe à autoridade administrativa o dever jurídico de provar a realização das premissas fáticas que validam a sua atuação, mas não é o que restou demonstrado na autuação, porque não houve a comprovação, pelo Fisco, da hipótese de incidência do tributo, mediante a ocorrência do fato gerador definido no art. 114 do CTN, o que torna nulo o lançamento. Assim, os valores devidos são os declarados pela defendente na Dirf, não havendo de se falar em apuração diversa. Sujeição passiva solidária. É descabida a imposição de responsabilidade solidária à empresa Alvarco, posto que é pessoa jurídica distinta da autuada, com endereço diferente e ramo de atividade diverso, além de que não houve intimação da referida empresa para responder os termos da fiscalização e prestar os esclarecimentos necessários. Multa de ofício A multa aplicada de 150% detém caráter confiscatório, o que tem levado a doutrina e a jurisprudência a exigirem que as sanções sejam fixadas com parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade. Além disso, não ficou configurada qualquer conduta infracional de omissão de prestação de informações à fiscalização, não restando evidenciado pelo autuante qualquer circunstância qualificadora que dê causa à aplicação da multa mais gravosa. A simples constatação de conduta omissiva por parte da contribuinte ou qualquer outro detalhe de dados solicitados pela fiscalização não é condição suficiente para qualificar a multa, pois, se assim o fosse, o legislador não teria restringido, no dispositivo em que essa circunstância está prevista, sua aplicação aos casos de “evidente intuito de fraude”. Não basta a mera constatação de um ilícito, mas deve ser verificada uma incontestável intenção de fraudar, o que não é o caso da defendente, que em momento algum deixou de prestar informações à fiscalização. Tanto é que os valores lançados foram conferidos com base nessas informações. O “evidente intuito de fraude” é o núcleo da norma punitiva, não bastando a ocorrência de ilícito tributário para qualificar a conduta do agente, mas dever de ser claramente demonstrado que a falta de pagamento do tributo ocorreu com emprego de artifícios com intuito de ludibriar a fiscalização. No caso, a motivação do auto de infração subsumese à pena prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em razão de Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 704 4 declaração inexata de receitas, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). O Código Tributário Nacional nos comandos expressos nos arts. 106 e 112 claramente se verifica que a intenção das normas é no sentido de que a lei mais benéfica deve ser sempre aplicada ao contribuinte. Assim, a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida ao patamar de no máximo a 20% conforme o previsto no art. 59 da Lei 8.383, de 1991, para o pagamento de tributos e contribuições que não forem pagas até a data do vencimento. (...) Importante notar trecho do mesmo relatório da autoridade julgadora de piso que assinala que àquela altura, em sede impugnatória, não constavam, dos autos, quaisquer manifestações das pessoas eleitas responsáveis nos Termos de Sujeição Passiva Solidária (vide efl. 578). A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão DRJ/RPO 14 38.405, de efls. 575 a 587, tendo se mantido, ali, assim, o crédito lançado, bem como a responsabilidade solidária. O contribuinte e os sujeitos passivos solidários foram assim cientificados: a) Em 28/09/12 Fire Comércio de Ferros Fundidos e Serviços de Usinagem e Indústrias Mecânicas Alvarco, conforme ARs de efls. 594/595; b) Em 25/10/12 Sr. Mário Cesar Mendes, consoante edital de efl. 598 e c) Em 25/04/13 Sr. Clóvis Penteado de Castro, consoante edital de efl. 678. Insurgemse, agora, contra o teor do Acórdão da DRJ de origem os seguintes passivos solidários: a) Indústrias Mecânicas Alvarco (Recurso Voluntário de efls. 600 a 607). Alega a recorrente que: a.1) não teria restado provada nenhuma das hipóteses autorizadoras para responsabilização da empresa recorrente. Salienta que o Código Tributário Nacional, assim como o Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), trazem as hipóteses de responsabilização, respectivamente nos artigos 128 e seguintes e artigos 207 e seguintes, mas que a empresa recorrida não se encaixa em nenhuma destas hipóteses constantes na legislação, pois tratase de empresa autônoma, distinta da autuada, com sede em outro endereço, e explorando ramo de atividade diverso; a.2) Entende que deve haver interesse jurídico e não econômico vinculado pela atuação comum ou conjunta da situação que constitui fato imponível. Notase que, em momento algum, segue, há qualquer interesse da recorrente na atuação da empresa autuada, e sequer houve qualquer participação desta nos atos e ações daquela empresa, colacionando jurisprudência emanada deste CARF a respeito do tema; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 705 5 a.3) Defende, ainda, a legitimidade da autuada para pleitear a exclusão do co responsável através de sua impugnação, uma vez que o art. 48 do CPC é claro a ressalvar a disposição em contrário, verbis: "Ari. 48. Salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros." Assim, segue a recorrente, que "o artigo 509 do Código de Processo Civil, ao estabelecer que o recurso interposto por um litisconsorte aproveitará a todos, integra a previsão em contrario contida no artigo 48 do mesmo Codex", ressaltando, ainda, que "o artigo 509 ainda ressalva que os interesses devem ser iguais e semelhantes", sendo que, no presente caso, "as defesas são uníssonas no sentido de não haver qualquer relação entre as empresas, que justifiquem a responsabilização da INDÚSTRIAS MECÂNICAS ALVARCO LDTA., consoante previsão expressa do já mencionado artigo 509"; a.4) Dessa maneira, não haveria amparo legal para inclusão da empresa recorrente através de Termo de Sujeição Passiva Solidária, tampouco, para sua manutenção como coresponsável pelo débito lançado, requerendo, destarte, que seja o Recurso Voluntário recebido, e posteriormente provido, a fim de excluir a empresa recorrente da responsabilização pelos débitos da empresa autuada, determinandose, ainda, a não inclusão da recorrente em qualquer dos cadastros de restrição ao Crédito privados ou públicos; b) Mário César Mendes (Recurso Voluntário de efls. 631 a 639) Alega o recorrente que: b.1) Em momento algum se demonstrou a participação do sócio em qualquer dos atos da administração, tendo este apenas assinado alguns demonstrativos de resultados consolidados. O Recorrente é contador regularmente inscrito no Conselho Regional de Contadores do Paraná (e não exerce a profissão), e lhe teria sido informado pelos contadores que sua assinatura simplificaria todo o processo de representação da empresa. Diante dos argumentos, os verdadeiros contadores da empresa são Weliton Alex Correia de Andrade e Renata do Carmo Rodrigues, juntando ao presente recurso documentos que comprovariam o efetivo exercício dos Srs. Weliton Alex Correia de Andrade e Renata do Carmo Rodrigues (e fls. 640 a 665). Assim, como o recorrente em momento algum elaborou ou efetuou qualquer demonstrativo, declaração ou recolhimento fiscal, não há que se falar em responsabilidade do recorrente e a referida responsabilidade deverá ser imputada aos contadores da empresa supra mencionados; b.2) não teria restado provada nenhuma das hipóteses autorizadoras para responsabilização do sócio recorrente. Salienta que o Código Tributário Nacional, assim como o Decreto n° 3000 (Regulamento do Imposto de Renda), trazem as hipóteses de responsabilização, respectivamente nos artigos 128 e seguintes e artigos 207 e seguintes, mas que o sócio recorrente, no caso em questão não se encaixa em nenhuma das hipóteses constantes nos arts. 134 e 135 do CTN, ou dos arts. 210 e 211 do RIR/99; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 706 6 b.3) Entende que ademais, conforme entendimento pacífico do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, confirmado no julgamento do Recurso Repetitivo n° 1.101.728/SP sob a égide da nova sistemática trazida pelo artigo 543C, o mero inadimplemento da obrigação, por si só, não caracteriza infração à Lei; b.4) Defende, assim como a recorrente anterior, a legitimidade da autuada para pleitear a exclusão do coresponsável através de sua impugnação, uma vez que o art. 48 do CPC é claro a ressalvar a disposição em contrário, verbis: "Art. 48. Salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros." Assim, segue a recorrente, que "o artigo 509 do Código de Processo Civil, ao estabelecer que o recurso interposto por um litisconsorte aproveitará a todos, integra a previsão em contrario contida no artigo 48 do mesmo Codex", ressaltando, ainda, que "o artigo 509 ainda ressalva que os interesses devem ser iguais e semelhantes", sendo que, no presente caso, as defesas são uníssonas no sentido de não haver qualquer possibilidade de responsabilização dos sócios, consoante previsão expressa do já mencionado artigo 509"; b.5) Dessa maneira, não haveria amparo legal para inclusão do recorrente através de Termo de Sujeição Passiva Solidária, tampouco, para sua manutenção como co responsável pelo débito lançado, requerendo, destarte, que seja o Recurso Voluntário recebido, e posteriormente provido, a fim de excluir o recorrente da responsabilização pelos débitos da empresa autuada, determinandose, ainda, a não inclusão daquele em qualquer dos cadastros de restrição ao crédito privados ou públicos. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator a) Quanto ao sujeito passivo Mário César Mendes (Recurso Voluntário de efls. 631 a 639) : O recurso, protocolizado em 08/11/12, é tempestivo. Noto, porém, a propósito, que, em linha com manifestação expressa da autoridade julgadora de piso de efl. 578, não houve, em sede impugnatória, qualquer questionamento acerca da responsabilidade subsidiária atribuída ao recorrente. Tal fato faz com que a sujeição passiva solidária do contribuinte Mário César Mendes tratese de matéria não impugnada e preclusa, consoante art. 17 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972 e, assim, não mais passível de discussão na esfera administrativa. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 707 7 Entendo, em linha com a decisão recorrida e com o citado Parecer PGFN/CRJ/CAT no. 55, de 2009, que, na hipótese de responsabilidade solidária, formalizada através do respectivo termo de sujeição passiva, se está diante de relação jurídica de natureza processual (mediatamente tributária), distinta daquela relação de direito material estabelecida com a contribuinte autuada, responsável pelo pagamento do tributo, agora de forma imediata. Refuto aqui, assim, a existência, a partir da existência de relações jurídicas diferentes, de interesses iguais e semelhantes que pudessem suportar a aplicação do art. 509 do CPC citado pelo recorrente, sendo mister que, em linha com o corretamente determinado pelo art. 3º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, o sujeito passivo Mário César Mendes, de forma a evitar a preclusão, tivesse impugnado o termo de sujeição passiva de efls. 518 e 519, o que não ocorreu. Destarte, diante da inexistência de impugnação do Sr. Mário César Mendes ao termo de sujeição passiva solidária de efl. 515/516, considero a sujeição passiva solidária do contribuinte como matéria não impugnada e preclusa, consoante art. 17 do Decreto no. 70.235, de 05 de março de 1972 e, assim, não mais passível de discussão na esfera administrativa. Assim, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário de iniciativa do contribuinte. b) Quanto ao sujeito passivo Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda. (Recurso Voluntário de efls. 600 a 607) : O recurso, protocolizado em 30/10/2012, é tempestivo. Aqui, verifico ter havido questionamento que se refere à responsabilidade solidária da recorrente, mas, notese, constante da impugnação da autuada (efl. 537). Ainda assim, integralmente aplicável, aqui também, tal como no caso da impugnação do sujeito passivo Mário César Mendes, o entendimento já esposado pela DRJ de origem, no sentido de que o terceiro sujeito passivo solidário passou a compor, na situação fática em questão, por força do termo de sujeição passiva solidária, tão somente a relação jurídica processual sob análise, mas nunca a relação jurídica tributária originária, que notese, possui fundamento e consequente possibilidade de questionamento notadamente diversos. A propósito ainda, opino aqui também por caracterizada a falta de interesse de agir e legitimidade da autuada para agir em nome de qualquer sujeito passivo indireto no que tange à exclusão de sua responsabilidade solidária, uma vez que, notese, mantida ou rechaçada a solidariedade, continuaria o montante lançado a poder ser exigido da autuada, sem qualquer benefício de ordem. Tratase, na hipótese, de direito alheio. Esta posição é inclusive, amplamente esposada no âmbito deste CARF, consoante excerto de ementa exemplificativo, abaixo (Acórdão CARF 1302001.707, de 25 de março de 2015): "(...) Exercício: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13888.724530/201111 Acórdão n.º 2201002.758 S2C2T1 Fl. 708 8 A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoa física, que não interpôs recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. Daí, entender pela necessidade de impugnação própria deste sujeito passivo indireto solidário recorrente (Indústrias Mecânicas Alvarco), ao termo de sujeição de efls. 515/516, sob pena de violação ao art. 48 do CPC, entendendo, uma vez mais, com base no já aqui disposto, que não há que se falar de aplicação do art. 509 do CPC mencionado pela recorrente, caracterizados aqui como distintos como os interesses do sujeito passivo direto e do responsável solidário recorrente. Inaproveitável, assim, no caso, a impugnação efetuada pela autuada, sujeito passivo direto dotado de interesses distintos. Assim, voto também pelo não conhecimento do Recurso Voluntário de iniciativa desta contribuinte. Assim, diante do exposto, voto por não conhecer : a) do Recurso Voluntário de iniciativa do contribuinte Mário Cesar Mendes (efls. 631 a 639); b) do Recurso Voluntário de iniciativa do contribuinte Indústrias Mecânicas Alvarco Ltda (efls. 600 a 607). É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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