Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10830.011333/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA
O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.011333/2008-19
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841756
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.258
nome_arquivo_s : Decisao_10830011333200819.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830011333200819_5841756.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7172954
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009658720256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 250 1 249 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.011333/200819 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.258 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria IRPF VÍCIO NO LANÇAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO CARLOS BUZZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 13 33 /2 00 8- 19 Fl. 250DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 20 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado, cujo Acórdão nº 2801002.781foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO FATO GERADOR. NULIDADE. É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não identifica perfeitamente o fato gerador da obrigação correspondente, descrevendo incorretamente os fundamentos que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, tempestivo, em que requer a reforma do acórdão, restabelecendose o lançamento em sua integralidade, sob alegação de que a decisão diverge do Acórdão nº 210101.413, que manteve o lançamento, afastando a alegação de nulidade e excluindo da autuação apenas as despesas escrituradas em livro caixa devidamente comprovadas que atenderam os requisitos previstos na legislação. A PFN requer também que, caso seja decidido pela nulidade, seja declarada a ocorrência de vício formal. Nesse aspecto, apresenta como acórdãos paradigmas os de nº s 20309.332 e 3102000.780. Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial. Importa ressaltar que o presente processo tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 29.491,54, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2005, dedução indevida de despesas lançadas no Livro Caixa. É o relatório. Voto Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10830.011333/200819 Acórdão n.º 9202006.258 CSRFT2 Fl. 251 3 Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Não entendo merecer reparos, pelos seus próprios fundamentos a decisão a quo, que que a Autoridade julgadora alterou os fundamentos utilizados pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquela como se estivesse investida na função desta. O excerto transcrito abaixo, extraído do acórdão recorrido, esclarece a questão: Verificase que o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2005, rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, no total de R$ 89.250,00, tendo como fonte pagadora “Clientes Diversos” (fl. 159) e como natureza da ocupação: “profissional liberal ou autônomo sem vínculo de emprego. Não há nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil provas de ser o impugnante trabalhador assalariado. A consulta a DIRF de fl. 158 recupera apenas a informação de que o contribuinte recebe rendimentos de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social, devidamente declarada. Assim, deve ser acatada a alegação do interessado de ser profissional autônomo, podendo gozar da dedução de despesas escrituradas em livro caixa, desde que devidamente comprovadas e atendendo a legislação específica sobre o tema. O fundamento do lançamento não encontra, a meu ver, amparo na legislação do imposto de renda. É o que se extrai do art. 150, § 2º I, do RIR/1999, cuja redação é a seguinte: Art.150.As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei nº5.844, Fl. 252DF CARF MF 4 de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); A leitura dos trechos em destaque revela que o contador que exerce, individualmente, a sua profissão não é equiparado às pessoas jurídicas. Anoto, no entanto, que o fato de o contador contratar, como empregado, outro profissional da área contábil não desqualifica, de per si, o exercício individual de sua atividade. A individualidade no exercício da profissão do contribuinte somente restaria desqualificada, em meu entendimento, se a Autoridade lançadora, de forma objetiva, descaracterizasse os elementos fáticos jurídicos da relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação) e comprovasse que os dois profissionais envolvidos se associaram na prestação dos serviços, o que, definitivamente, não restou evidenciado nos autos pela Autoridade lançadora. Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Outrossim, no âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). Acrescento, por oportuno, que no caso presente é de grande relevância a distinção entre vício formal e vício material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.011333/200819 Acórdão n.º 9202006.258 CSRFT2 Fl. 252 5 que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Entretanto, este não é o entendimento da maioria presumida do colegiado que grifa , no presente processo ser despicienda determinação do tipo de vício e, em qualquer circunstancia, o princípio pas de nullité sans grief, ou princípio do prejuízo, deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916059/2011-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.916059/2011-96
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829606
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.163
nome_arquivo_s : Decisao_13888916059201196.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13888916059201196_5829606.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7112984
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009667108864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.916059/201196 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.163 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 59 /2 01 1- 96 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 9303006.163 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.829, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 9303006.163 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 9303006.163 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 9303006.163 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 9303006.163 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003516/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Afastada a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fiscalização que intimou o contribuinte a providenciar documentos. ônus da prova do contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais.
A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio.
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA.
Aplicação do art 17 do Decreto-Lei 70.235\72 razões recursais dissociadas dos fundamentos da decisão de primeiro grau. Considera-se matéria não impugnada.
APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C" DO CTN.
Necessidade de verificação quando do cumprimento da decisão pela autoridade preparadora quanto aos termos do art. 106, II, "c" do CTN c/c arts. 476 e 476-A da IN 971/09.
Numero da decisão: 2201-004.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 04/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVA. Afastada a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fiscalização que intimou o contribuinte a providenciar documentos. ônus da prova do contribuinte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. Aplicação do art 17 do Decreto-Lei 70.235\72 razões recursais dissociadas dos fundamentos da decisão de primeiro grau. Considera-se matéria não impugnada. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C" DO CTN. Necessidade de verificação quando do cumprimento da decisão pela autoridade preparadora quanto aos termos do art. 106, II, "c" do CTN c/c arts. 476 e 476-A da IN 971/09.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10665.003516/2008-10
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841079
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.100
nome_arquivo_s : Decisao_10665003516200810.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 10665003516200810_5841079.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 04/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7169516
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009681788928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 192 1 191 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.003516/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.100 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria contribuição previdenciária Recorrente CARMAC CARVOARIA MARTINHO CAMPOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PROVA. Afastada a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fiscalização que intimou o contribuinte a providenciar documentos. ônus da prova do contribuinte. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. Aplicação do art 17 do DecretoLei 70.235\72 razões recursais dissociadas dos fundamentos da decisão de primeiro grau. Considerase matéria não impugnada. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C" DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 35 16 /2 00 8- 10 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 193 2 Necessidade de verificação quando do cumprimento da decisão pela autoridade preparadora quanto aos termos do art. 106, II, "c" do CTN c/c arts. 476 e 476A da IN 971/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 04/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls.129/145), todas as folhas serão mencionadas pelo seu arquivo PDF, interposto pelo contribuinte contra a R. decisão da DRJ BHE (fls. 117/122 ) que julgou improcedente sua Impugnação ao lançamento Auto de Infração — DEBCAD n° 37.024.3897, lavrado em face do contribuinte acima identificado. 2 – Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 117/122) por sua precisão e clareza: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 194 3 identificada, no montante de R$1.197.411,45, consolidado em 19/12/2008, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fis. 49/54, referese a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes de riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre os seguintes fatos geradores: • Levantamento FNG Valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais (sócios retirada prólabore e pessoas físicas que prestaram serviço à empresa), não declarados em GFIP, no período de 01/2004 a 1372006; • Levantamento PCB Valores pagos aos segurados empregados a título de Cesta Básica, no período de 01/2004 a 12/2006. Os valores foram arbitrados, uma vez que o contribuinte intimado a apresentar documentação referente à compra de cestas básicas, não o fez. Levantamento F13 Valores pagos a título de 13° Salário aos segurados empregados, na competência 13/2004. O Auto de Infração AI foi lavrado em 23/12/2008, tendo a autuada dele tomado conhecimento na mesma data, conforme atesta a assinatura de seu representante legal, às fl. 01. O sujeito passivo apresentou defesa protocolizada em 22/01/2009 (fls. 69/75), que contém em síntese: Alega que esteve enquadrado nos anos de 2004, 2005 e 2006 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Citando o artigo 3o, § Io, da Lei 9.317/1996, argumenta que o crédito apurado pela fiscalização não deve prevalecer, pois, as informações prestadas foram feitas com base no referido enquadramento. Ressalta que tomou ciência de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, através do Ato Declaratório Executivo DRF/DIV n° 47 de 08 de outubro de 2008, em 21 de outubro de 2008 e com base no § 2o deste mesmo Ato, apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/11/2008, a qual ainda não foi julgada. Conclui que a autuada não poderia ter recolhido tais contribuições e muito menos ter declarado em GFIP estes créditos. Lembra que o próprio Ato Declaratório traz em seu § 3o a informação de que caso não haja impugnação da exclusão no prazo previsto, a exclusão tornarseá Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 195 4 definitiva. Assim, entende que a exclusão ainda não foi formalizada e, conseqüentemente, não há que se falar em contribuição previdenciária patronal a pagar, qualquer que seja a base de cálculo. Requer que, se for diverso o entendimento desta delegacia, seja a multa relevada ou, na pior das hipóteses a sua redução, uma vez que os valores apurados não são devidos e por isso não foram declarados em GFIP. Ressalta que todas as solicitações do auditor fiscal foram prontamente atendidas. Não houve nenhuma resistência ou renúncia na entrega de documentos fiscais. Requer seja recebida e conhecida a impugnação para cancelar o crédito tributário apurado, com respectiva multa e juros e, não sendo este o entendimento, que seja relevada ou reduzida a multa uma vez que os valores apurados não são devidos e por isso não foram declarados em GFIP. Requer, ainda, a juntada do instrumento de procuração e de todos os documentos que acompanham a defesa e a produção de prova pericial, documental e diligências com a finalidade de se demonstrar os fatos alegados. Por meio dos documentos de fls. 89/101, foram efetuados procedimentos visando sanear o processo. O contribuinte apresentou instrumento de procuração, documentos dos sócios, contrato social e Aviso de Recebimento. Diante da alegação do impugnante no processo n° 10665.003514/200812, lançado na mesma ação fiscal, que existem funcionários cadastrados duas vezes, o que duplica a remuneração, o processo foi baixado em diligência, conforme despacho de fl. 104. O auditor fiscal pronunciado às fls. 106/107, esclarece que quanto à alegação de duplicidade de NIT Número de Identificação do Trabalhador, a empresa foi intimada por meio do Termo de Intimação Fiscal (fl 109), cópia do Aviso de Recebimento à fl. 111, para que apresentasse provas de sua alegação. Entretanto, o contribuinte não se manifestou (despacho de fl. 112)." 3 A decisão da DRJBHE (fls.117/122) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 196 5 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. As contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4 Cientificados da decisão de piso (fls. 126/127) em 02/12/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (129/145) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 5 – Em decisão de 12/09/2017 essa C. Turma converteu o julgamento em diligência para: “7 Em vista da existência de alegação do contribuinte de questionamento quanto a sua exclusão do Simples Federal, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 197 6 a) a situação atual dos Atos Declaratórios Executivo DRF/DIV nº 46 e 48 emitidos para excluir o contribuinte do Simples e o seu inteiro teor; b) a situação atual do(s) Processo Administrativo Fiscal em que o contribuinte questiona esse ADE nº 46 e 48 e informação quanto ao trânsito em julgado na esfera administrativa, com a juntada da decisão se possível; c) outras informações que entender necessárias que complementem a diligência acima requerida.” 6 A autoridade lançadora se manifestou sobre a diligência às fls. 188 no seguinte sentido: Em atendimento à Solicitação de Diligência (fls.154), temos a informar que: 2. Em 21/10/2008 a empresa tomou ciência (fls. 160) dos Atos Declaratórios Executivos nº 46 (Exclusão do Simples Federal gerando efeitos a partir de 01/01/2004) e nº 48 (Exclusão do Simples Nacional gerando efeitos a partir de 01/07/2007) e, em 20/11/2008 foi apresentada contestação às exclusões por eles promovidas (fls. 161 a 164). 3. Em 26/12/2008 o processo 10665.002946/200814 foi apensado ao processo 10665.002883/200898 (fls. 165) e, em 06/01/2009 encaminhados à DRJ/BHE para julgamento (fls. 166). 4. Em 08/04/2009 a DRJ/BHE converteu o julgamento em diligência para juntada de documentos, realização de ciência e reabertura do prazo para manifestação (fls. 167 a 170). 5. A ciência foi dada em 07/12/2009 e não houve manifestação do contribuinte sendo os processos remetidos à DRJ/BHE para julgamento (fls. 171 a 174) 6. Em 04/02/2010 a impugnação foi julgada improcedente (Acórdão 0225.426 – 4ª Turma da DRJ/BHE fls. 175 a 182). 7. A ciência do Acórdão foi dada em 08/03/2010 e não houve interposição de recurso (fls. 184 e 185). Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 198 7 8. Sendo a decisão definitiva na esfera administrativa, os processos foram remetidos ao arquivo em 19/04/2010 (fls. 186). 9. Com estas informações entendo ter prestado os esclarecimentos solicitados no item 7 da Resolução nº 2201000.290 do CARF. 7 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 8 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Da Nulidade 9 – Alega o contribuinte que há nulidade por conta do cerceamento do direito de defesa considerando que o contribuinte apenas poderia ter sido acusado de “omitir rendimentos e sofrer seus lucros tributáveis” após prévio e regular processo administrativo de exclusão do Simples. 10 – Ocorre que a presente nulidade não ocorreu, sendo que após diligÇencia realizada ficou comprovado que o contribuinte conseguiu se defender da autuação lavrada, contudo a alegação de omissão de rendimentos e lucros tributados não é aplicável ao presente caso pois estamos tratando de crédito previdenciário e em nenhum momento no relatório fiscal há qualquer tipo de lavratura com base em “arbitramento de lucros”. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 199 8 11 – Inclusive não houve cerceamento de defesa, pois a DRJ/BHR às fls. 108/109 oportunizou, inclusive, que o contribuinte apresentasse a documentação necessária baixando os autos para diligência. 12 – Contudo, apesar de intimado às fls. 113/115, o contribuinte ficou inerte, deixando transcorrer in albis o prazo sem qualquer manifestação acerca da matéria trazida em defesa quanto à propalada existência de segurados cadastrados em duplicidade no NIT, fls. 116. 13 – A lavratura da autuação respeitou os termos do artigo 142 do CTN e não houve qualquer tipo de nulidade indicados no artigo 59, I e II do Decreto 70.235/72. 14 – Portanto, afasto a alegada nulidade. Nulidade – ausência da prova da omissão 15 – Deixo de conhecer da presente nulidade, na medida em que seus argumentos e razões são totalmente dissociadas de fundamentos que caracterizam a natureza do tributo ora lançado, sendo meras reproduções de outros recursos outrora interpostos pelo contribuinte sobre outros tributos lançados quando da exclusão do Simples e que pelo princípio da dialeticidade recursal não trazem qualquer fundamento hábil para conhecimento que trate do lançamento das contribuições previdenciárias indicadas no relatório fiscal e portanto, afasto tal nulidade alegada. Mérito Certeza e liquidez do lançamento; forma de tributação e requalificação da multa 16 – No mérito, melhor sorte não socorre o contribuinte, devendo ser negado provimento ao recurso. As razões recursais são totalmente dissociadas com o quanto decidido pela DRJ e dos elementos que compõe o lançamento, fazendo menção o apelo à outros tributos Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 200 9 cujo fato gerador, lançamento, base de cálculo e alíquotas são diversos dos lançados nesses autos. 17 – Portanto, nesse caso, entendo por não questionada a matéria, ocorrendo a preclusão quanto aos fatos e demais elementos do lançamento de acordo com Art. 17 do decreto 70.235/72 aplicável ao recurso voluntário pela interpretação sistemática da norma que diz: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 18 – No mais, conforme relatado na preliminar não houve apresentação de qualquer prova por parte do contribuinte para infirmar o trabalho fiscal e portanto o mesmo deve ser mantido por seus próprios fundamentos, sendo a matéria alegada em defesa ônus do contribuinte. 19 – Quanto a requalificação da multa assim decidiu a DRJ: "A multa e juros cobrados no presente AI possuem o devido respaldo legal e são de caráter irrelevável. A Medida Provisória n° 449/08, convertida na Lei 11.941/09, modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Conforme comando do citado artigo 35A, a multa prevista na Lei 9.430, de 27/12/1996, artigo 44, inciso I, passou a ser a aplicável nos casos em que não houver o recolhimento da obrigação principal. Tal multa é única, no importe de 75%, e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido (descumprimento de obrigação principal), quanto a não Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 201 10 apresentação da declaração ou a declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória), sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Nesse caso, as duas infrações (descumprimento de obrigação principal e acessória) são verificadas simultaneamente e há incidência de apenas uma multa (de ofício), no montante de75% do tributo não recolhido. Tal multa, dirigida a punição de ambas as condutas, não deve ser cumulada com outra penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória decorrente da não entrega, ou da entrega inexata, da mesma declaração, sob pena de bis in idem. Desta forma, para os fatos geradores anteriores à publicação da MP 449/08, quando houver a aplicação da multa prevista no revogado artigo 32, §5° da Lei 8.212/91, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária estabelecida no revogado artigo 35 da mesma lei, pelo não pagamento do tributo devido no prazo legal, deverá ser feito o cotejo das duas multas (em conjunto) em relação à penalidade pecuniária da Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, que se destina a punir ambas as infrações já referidas. O presente Auto de Infração foi lavrado em data posterior à edição da citada medida provisória, o que determina que a Fiscalização deveria ter procedido à comparação entre as multas aplicáveis antes da edição da MP n° 449/2008 com a multa aplicável após sua edição para fins de determinação de qual norma seria a mais favorável ao contribuinte, nos termos CTN, artigo 106, inciso II, alínea 'c'. Contra este contribuinte foram lançados de ofício os créditos previdenciários listados no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF de fl. 65. Entretanto, não foi lavrado Auto de Infração por descumprimento da obrigação acessória omissão de contribuições em GFIP, AI Código de Fundamento Legal CFL 68. Logo, também não foram comparadas as multas. Apesar de não ter sido lavrado o Auto de Infração com o Código de Fundamentação Legal CFL 68, o mesmo continua aplicável, por necessidade de somar a multa por descumprimento da obrigação acessória com a multa aplicada no Auto de Infração com apuração de obrigação principal, para posterior comparação com a multa de 75% prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, ficando Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10665.003516/200810 Acórdão n.º 2201004.100 S2C2T1 Fl. 202 11 o resultado da soma limitado aos 75%, objetivandose manter a regra mais favorável ao sujeito passivo. Fica, portanto, a critério da Delegacia da Receita Federal de origem a lavratura do Auto de Infração CFL 68, devendo ser observada a Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4 de dezembro de 2009." 20 – Pelos fundamentos da decisão da DRJ, portanto, apenas devese reconhecer de forma expressa a necessidade da aplicação do artigo 106, II, “c” do CTN no momento nada a modificar, uma vez que deixou de forma clara condicionada à DRF de origem, enquanto não lançada a multa por descumprimento de obrigação acessória para efetuar a comparação entre a mais benéfica ao contribuinte, e, portanto, se não houve lançamento da mesma deve ser mantido a autuação da forma como aplicada. Conclusão 21 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e provêlo parcialmente para reconhecer a necessidade da aplicação do artigo 106, II, “c” do CTN pela autoridade preparadora na forma dos artigos 476 e 476A da IN 971/09. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901058/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/11/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/11/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13227.901058/2012-10
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850887
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.162
nome_arquivo_s : Decisao_13227901058201210.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 13227901058201210_5850887.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7195712
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009712197632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.901058/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.162 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/11/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 58 /2 01 2- 10 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901058/201210 Acórdão n.º 3301004.162 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.496. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901058/201210 Acórdão n.º 3301004.162 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13227.901058/201210 Acórdão n.º 3301004.162 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723970/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
VENDA DE BENS DE PRODUÇÃO. LANÇAMENTO DO IMPOSTO. PRODUÇÃO DE PROVAS NOS AUTOS. VERDADE MATERIAL
A autuada, enquanto estabelecimento equiparado a industrial, comercializou bens de produção sem destacar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas respectivas notas fiscais de saída, no período de apuração entre 30/06/2008 e 31/05/2009, conforme planilha anexada ao auto de infração. Contestado o mérito da autuação, no decorrer do processo a interessada apresentou provas dos recolhimentos devidos.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 é aplicável desde que: (a) o produto tenha sido elaborado com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; (b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental; (c) o projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de Administração (CAS) da SUFRAMA; e (d) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI.
AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. NÃO UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DE MATÉRIA-PRIMA REGIONAL. CRÉDITO.
Para o creditamento do imposto na aquisição de produtos isentos, nos termos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (arts. 82, III e 237 do RIPI/2002), não se pode exigir que esses produtos sejam elaborados exclusivamente com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.
Se o texto legal dispõe de modo amplo ("elaborado com matérias-primas..."), sem limitações evidentes, não pode o intérprete deixar de aplicá-lo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente, como, por exemplo, quando há ao menos uma matéria-prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na elaboração do produto.
IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS
O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até o julgamento do RE nº 592.891. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário para exonerar a exigência do item 1 do Auto de Infração. Quanto ao item 2 do Auto de Infração, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso para reconhecer o crédito dos concentrados aromáticos de guaraná na proporção daqueles produzidos com as sementes de guaraná adquiridas do fornecedor José Farias de Araújo. Vencidos o Relator e os Conselheiros Pedro de Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva. Vencido, ainda, neste ponto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que dava provimento em maior extensão para reconhecer sobre todo o concentrado aromático de guaraná por ausência de fundamento na autuação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto ao juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 VENDA DE BENS DE PRODUÇÃO. LANÇAMENTO DO IMPOSTO. PRODUÇÃO DE PROVAS NOS AUTOS. VERDADE MATERIAL A autuada, enquanto estabelecimento equiparado a industrial, comercializou bens de produção sem destacar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas respectivas notas fiscais de saída, no período de apuração entre 30/06/2008 e 31/05/2009, conforme planilha anexada ao auto de infração. Contestado o mérito da autuação, no decorrer do processo a interessada apresentou provas dos recolhimentos devidos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.435, de 1975 é aplicável desde que: (a) o produto tenha sido elaborado com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; (b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental; (c) o projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de Administração (CAS) da SUFRAMA; e (d) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. NÃO UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DE MATÉRIA-PRIMA REGIONAL. CRÉDITO. Para o creditamento do imposto na aquisição de produtos isentos, nos termos do art. 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 (arts. 82, III e 237 do RIPI/2002), não se pode exigir que esses produtos sejam elaborados exclusivamente com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Se o texto legal dispõe de modo amplo ("elaborado com matérias-primas..."), sem limitações evidentes, não pode o intérprete deixar de aplicá-lo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente, como, por exemplo, quando há ao menos uma matéria-prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na elaboração do produto. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.723970/2010-65
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830275
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.899
nome_arquivo_s : Decisao_10480723970201065.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10480723970201065_5830275.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até o julgamento do RE nº 592.891. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário para exonerar a exigência do item 1 do Auto de Infração. Quanto ao item 2 do Auto de Infração, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso para reconhecer o crédito dos concentrados aromáticos de guaraná na proporção daqueles produzidos com as sementes de guaraná adquiridas do fornecedor José Farias de Araújo. Vencidos o Relator e os Conselheiros Pedro de Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva. Vencido, ainda, neste ponto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que dava provimento em maior extensão para reconhecer sobre todo o concentrado aromático de guaraná por ausência de fundamento na autuação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto ao juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7121502
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009726877696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 494 1 493 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723970/201065 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.899 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 VENDA DE BENS DE PRODUÇÃO. LANÇAMENTO DO IMPOSTO. PRODUÇÃO DE PROVAS NOS AUTOS. VERDADE MATERIAL A autuada, enquanto estabelecimento equiparado a industrial, comercializou bens de produção sem destacar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas respectivas notas fiscais de saída, no período de apuração entre 30/06/2008 e 31/05/2009, conforme planilha anexada ao auto de infração. Contestado o mérito da autuação, no decorrer do processo a interessada apresentou provas dos recolhimentos devidos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ISENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.435, de 1975 é aplicável desde que: (a) o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; (b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental; (c) o projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de Administração (CAS) da SUFRAMA; e (d) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. NÃO UTILIZAÇÃO EXCLUSIVA DE MATÉRIAPRIMA REGIONAL. CRÉDITO. Para o creditamento do imposto na aquisição de produtos isentos, nos termos do art. 6º do Decretolei nº 1.435/75 (arts. 82, III e 237 do RIPI/2002), não se pode exigir que esses produtos sejam elaborados exclusivamente com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 39 70 /2 01 0- 65 Fl. 494DF CARF MF 2 Se o texto legal dispõe de modo amplo ("elaborado com matériasprimas..."), sem limitações evidentes, não pode o intérprete deixar de aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente, como, por exemplo, quando há ao menos uma matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na elaboração do produto. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Precedente 3ª Turma CSRF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até o julgamento do RE nº 592.891. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário para exonerar a exigência do item 1 do Auto de Infração. Quanto ao item 2 do Auto de Infração, por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso para reconhecer o crédito dos concentrados aromáticos de guaraná na proporção daqueles produzidos com as sementes de guaraná adquiridas do fornecedor José Farias de Araújo. Vencidos o Relator e os Conselheiros Pedro de Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva. Vencido, ainda, neste ponto o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que dava provimento em maior extensão para reconhecer sobre todo o concentrado aromático de guaraná por ausência de fundamento na autuação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto ao juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 495 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 2/22), resultante da análise documental procedida para aferição dos procedimentos, lançamentos fiscais e recolhimentos relativos ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, no período entre janeiro de 2006 e dezembro de 2009. Foi constituído o crédito tributário, abrangendo o IPI, multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$ 24.939.950,90. A Recorrente, doravante denominada de SCHINCARIOL (filial 000384), foi intimado a apresentar livros, documentos, arquivos digitais, bem como a prestar informações e esclarecimentos relacionados à fiscalização. Em complemento, foram intimados os fornecedores de insumos (concentrados) para a elaboração de refrigerantes, bem como os fornecedores destes fornecedores, todos localizados na ZFM (Zona Franca de Manaus), a fim de prestarem informações a respeito da origem das matérias primas empregadas em seus produtos, haja vista que tal informação é fundamental para se determinar o tipo de incentivo fiscal aplicável à espécie. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão nº 1136.060, de 14/02/2012, prolatada pela DRJ em Recife/PE, vazada nos seguintes termos (fls. 313/339): "(...) Foram apuradas as seguintes infrações: 1. VENDA DE BENS DE PRODUÇÃO SEM LANÇAMENTO DO IMPOSTO. O estabelecimento industrial que der saída a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, é considerado estabelecimento comercial de bens de produção e obrigatoriamente equiparado a industrial em relação a essas operações. É o que dispõe o artigo 9º, §4º, do RIPI/2002. A Schincariol filial 000384, comercializou os bens de produção: lata alumínio schin cola 2, rotulo Bopp schin cola limão 2L, divisória papelão, filme liso etc, sem destacar o Imposto sobre Produtos Industrializados nas respectivas notas fiscais. A planilha anexada ao presente Auto de Infração com o título “Saídas Sem Lançamento do IPI Venda de Insumos” relaciona todas as notas fiscais que caracterizam a infração em tela. Os valores lançados neste item se referem ao período de apuração entre 30/06/2008 e 31/05/2009, conforme consta no auto de infração às fls.5/6 (no eprocesso). O enquadramento legal foi especificado às fls. 6 (no eprocesso). 2. CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. Os insumos adquiridos da ZFM pela Schincariol filial 000384, no período analisado, consistem em concentrados para refrigerantes, fornecidos por GEF CONCENTRADOS DA Fl. 496DF CARF MF 4 AMAZÔNIA LTDA e SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTRIBUIDORA LTDA. Registrese que a primeira foi incorporada pela segunda. Assim, a única fornecedora dos “concentrados” é a SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTR LTDA, pertencente ao mesmo grupo econômico da ora fiscalizada. Objetivando identificar quais os produtos são “elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”, foi intimado o fornecedor dos “concentrados”, SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA, em 06/09/2010 (ver os termos da intimação às fls.32). Em resposta, a SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA asseverou que a falta de destaque do IPI nas referidas notas fiscais tinha como fundamento legal o art. 6º do Decreto lei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975. Não obstante tal assertiva, constatouse que a SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA não informou qualquer valor na ficha 49 da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ 2010, ano calendário 2009, linha 12, a título de “Receita de vendas de produtos industrializados na área de atuação com insumos de que trata o art. 82, III, destinados a outros pontos do território nacional”, bem como, na linha 25, onde consta “Isenção do IPI de Produtos industrializados na Amazônia Ocidental (art. 82,III)”. Ou seja: embora o fornecedor de concentrados assevere à fiscalização que operou saídas com a isenção capitulada no art. 82, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002, o fato concreto é que não informou qualquer valor, a tal título, na DIPJ 2010. Ao revés, todas as saídas isentas são consignadas naquela DIPJ com suposto amparo no art. 69, II, do Decreto nº 4.544/2002, que, conforme explicitado no Termo de Informação Fiscal anexo ao auto de infração, não permite ao comprador apropriarse de créditos. Intimada, a SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA informou as matérias primas de origem regional que considerou: “Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Objetivando melhor esclarecer a questão, a SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA foi INTIMADA a informar todas as matérias primas utilizadas em cada um dos seguintes produtos: “concentrado limão”, “concentrado laranja”, “concentrado cola 1”, “concentrado cola 2” e “concentrado aromático guaraná”, respondendo nos termos transcritos às fls.33/34. Detalhados os insumos utilizados em cada um dos produtos fornecidos pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA, comprovouse a existência de diversas matérias primas misturadas com àquelas supostamente de “produção regional”. Em qualquer dos produtos “Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”, verificouse a utilização de outras matérias primas que não são de produção regional, a exemplo de “aroma limão”, “emulsão cola”, “benzoato sódio”, “óleo essencial laranja”, “aroma laranja”, “goma arábica” e “ácido fosfórico”. Esse fato, por si só, já seria suficiente a ensejar a glosa de todos os créditos apropriados indevidamente Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 496 5 pela Schincariol filial 000384, haja vista que, conforme esclarecido nos itens 17 a 23 do TIF, anexo ao auto de infração, o legislador exigiu, segundo a melhor exegese, que os produtos fossem elaborados com a totalidade de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. Não obstante já demonstrada a impossibilidade de crédito devido a não utilização exclusiva de matérias primas extrativas vegetais de produção regional, também restou apurado, conforme detalhado no TIF anexo ao auto de infração, que a quase totalidade das matériasprimas ditas, pelo fornecedor, como sendo de produção regional, FORAM ADQUIRIDAS DE EMPRESAS SITUADAS FORA DA AMAZÔNIA OCIDENTAL, inclusive a semente de guaraná que em sua maior parte saiu da Bahia e do Pará (ver item 41 do TIF, e também as fls.34/38). No item 39 do TIF (fls.33/34), estão relacionados todos os insumos utilizados na produção de cada um dos produtos elaborados pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA. Já no item 42 (fls.35/36) foram relacionados todos os fornecedores das matérias primas supostamente de produção regional, utilizadas na elaboração daqueles produtos, tudo em acordo com as informações do Sujeito Passivo, quais sejam: Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Nos itens seguintes foram explicitados, para cada uma das matérias primas indicadas como sendo de produção regional, outros motivos, além do já exposto no item 41, do TIF (fls.34) que inviabilizam a utilização de crédito ficto de IPI pelos compradores dos produtos fornecidos pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA. Houve falta de recolhimento do IPI em decorrência da utilização indevida de créditos deste imposto, calculados sobre aquisições de insumos oriundos da ZFM (Zona França de Manaus). Conforme esclarecido no "Termo de Informação Fiscal" (fls.23/38), parte integrante e inseparável do Auto de Infração, os insumos não foram elaborados exclusivamente com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção da Amazônia Ocidental, portanto, o creditamento está em desacordo com o disposto no artigo 83, inciso III, combinado com o artigo 175, ambos do RIPI/2002. As planilhas "CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO", anexa ao auto de infração, apresentam todas as notas fiscais cujos créditos foram considerados indevidos. Os valores lançados neste item se referem ao período de apuração entre 31/05/2006 e 31/12/2009, conforme consta no auto de infração às fls.6/8 (no eprocesso). O enquadramento legal foi especificado às fls. 8 (no e processo). À vista do exposto, não se amoldando ao incentivo fiscal do art. 82, inciso III, c/c art 175 do Decreto nº 4.544/2002, todos os créditos calculados pela Schincariol filial 000384 em relação aos produtos “concentrados” oriundos da ZFM foram glosados Fl. 498DF CARF MF 6 da escrita fiscal do IPI. O demonstrativo das Notas Fiscais cujos créditos foram glosados foi anexado ao eprocesso com o título “Crédito Presumido Incentivado Indevido”. Em virtude das infrações destacadas no auto de infração, acima especificadas, a escrita fiscal do IPI foi reconstituída a fim de se apurar os saldos corretos do imposto nos períodos analisados. A escrita fiscal, tal qual transcrita no RAIPI (Registro de Apuração do IPI), foi ajustada pelos seguintes débitos: Lançamentos a Débitos: ∙ IPI não lançado saídas de bens de produção sem destaque do imposto; ∙ Glosa de crédito incentivado indevido – concentrados; A escrita fiscal reconstituída está demonstrada na planilha anexa “RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA DO IPI”, bem como em demonstrativo anexo ao auto de infração. Para os períodos de apurações que apresentaram, após a reconstituição da escrita, saldos devedores não declarados/recolhidos pelo Sujeito Passivo, ou superiores aos declarados (ver coluna “IPI a lançar” da referida planilha e “Demonstrativo de Apuração”, do Auto de Infração), que não tenham sido atingidos pela decadência, procedeuse à constituição de ofício do crédito tributário, totalizando em dezembro de 2010, com multa e juros, o valor de R$ 24.939.950,91. Cientificada em 15/12/2010 (fls.214) do lançamento constituído mediante auto de infração, a interessada apresentou tempestiva impugnação, em 14/01/2011, cujo inteiro teor se encontra às fls. 216/240. Destacamse a seguir os seus argumentos essenciais: 1. Quanto ao item 1 do auto de infração A impugnante esclarece que procedera ao pagamento de parte dos valores exigidos no auto de infração. Reconhece que para uma parte das saídas de seu estabelecimento questionadas, deixou erroneamente de debitar o imposto devido nas notas fiscais. Todavia, posteriormente, no intuito de corrigir isso, procedeu à emissão de notas fiscais complementares, dentro do mesmo período de apuração, debitando o respectivo imposto em seus livros fiscais, apurando e recolhendo o montante devido do IPI relativamente àquelas operações de saída. Deste procedimento não resultou qualquer falta de imposto aos cofres federais, relativamente a tais notas fiscais, que foi apurado e recolhido dentro do respectivo período de apuração do imposto, razão pela qual requer que seja cancelado o auto de infração quanto ao IPI relacionado com tais notas fiscais, evitandose assim cobrança indevida de imposto já apurado e recolhido. Requer, ainda, que seja reconhecida a extinção do crédito tributário nos termos do art.156 do CTN, relativamente à parcela do imposto exigido ora reconhecida como devida e que será paga. Protesta, desde já, pela posterior juntada da guia comprobatória do pagamento parcial, bem como da documentação fiscal relativa às operações ora destacadas. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 497 7 2. Quanto ao item 2 do auto de infração. Da regularidade do creditamento realizado crédito do IPI de insumos elaborados por empresas da região da Amazônia Ocidental. A) Das operações realizadas e do entendimento da fiscalização acerca da legislação aplicável. No caso, o estabelecimento industrial da ora impugnante promoveu aquisições de insumos, “concentrados para bebidas não alcoólicas”, da GEF CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA e SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA, sendo esta sucessora da primeira, empresas com estabelecimento em ManausAM e projetos aprovados pela SUFRAMA, com os benefícios dos arts. 7º e 9º do DL 288/67 e do art.6º do DL 1.435/75, replicados nos artigos 69, II; 82, I e II e 175, do RIPI/2002 (ver transcrição dos referidos artigos às fls. 219/220). Conquanto tais insumos sejam isentos do IPI, e seja assegurado ao adquirente o respectivo crédito do imposto, com base no art. 6º do DL 1.435/75, quando empregados em produtos finais industrializados tributados, entendeu a fiscalização pela glosa de tais créditos com base nas seguintes premissas: • regra geral, produtos isentos, ainda que oriundos da Zona Franca de Manaus, não dão direito a crédito do IPI pelo adquirente, considerando decisões do STF sobre o tema; • para fins de aproveitamento válido de crédito do IPI, em sua exclusiva interpretação dos artigos 82, III e 175, do RIPI/2002, em face do art.111 do CTN, deveriam os concentrados adquiridos pela autuada serem fabricados com 100% de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, ou seja, devem ser compostos em sua totalidade, apenas e exclusivamente por tais matérias primas (MP), não se admitindo o benefício em relação aos produtos que apresentem apenas uma preponderância de tais matérias primas em sua composição; que se misturadas a outras matérias primas de outras localidades (não regionais), não há direito a crédito do IPI; • Ademais, para fins de válido aproveitamento do crédito do IPI, os “concentrados para bebidas não alcoólicas” adquiridos pela ora impugnante deveriam também ser produzidos com MP oriundas de empresas da região “Amazônia Ocidental”, que seria a “região” vinculada à expressão legal “produção regional”, fator este também exigido, em sua exclusiva interpretação, pelos arts. 82, III e 175, do RIPI/02; • no caso, esses dois requisitos não teriam sido constados após verificações junto aos fornecedores especificados acima, bem como nos esclarecimentos apresentados pela interessada. Ora, diante a interpretação da Fiscalização Federal não merece prosperar, eis que claramente equivocada, pelos motivos a seguir (em resumo). Fl. 500DF CARF MF 8 B) Da correta interpretação das normas que regem o crédito do IPI na aquisição de mercadorias oriundas da Amazônia Ocidental – Invalidade da autuação. 1. Primeiramente, é claramente equivocada a interpretação restritiva acerca do disposto nos arts. 82, III e 175, do RIPI/02. A simples análise literal desses dispositivos permite notar que em nenhum momento o legislador restringiu o benefício do crédito do IPI da forma pretendida pela Fiscalização. Em nenhuma passagem (do texto) desses dispositivos consta expressão como “produto elaborado exclusivamente com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”, ou mesmo, “produto elaborado em sua totalidade com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”. O art. 82, III, diz apenas que devem ser “os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”. Não é preciso maiores esforços de exegese para notar que a interpretação adotada como premissa para a autuação fiscal pretende inserir na norma legal, e impor, uma restrição que aquela simplesmente não contém, o que é vedado pela legislação tributária, que a Fiscalização não tem competência legislativa tributária. 2. A se manter o entendimento da Fiscalização, estarseia admitindo/atribuindo a ela um poder legislativo não estabelecido pela Constituição Federal (CF). Deste modo, o fato de os “concentrados” possuírem em sua composição outros elementos químicos como benzoato de sódio, ácido fosfórico, ácido cítrico, além daquelas matérias primas agrícolas e extrativas como o corante caramelo ou cafeína, em nada desvirtua o benefício da isenção ou o crédito de IPI pela autuada (adquirente), eis que simplesmente inexiste a restrição legal suposta no relatório fiscal. Mas não é só isso. 3. O entendimento da Fiscalização não condiz com o intuito do benefício fiscal previsto pelo legislador ordinário. Os benefícios referidos à ZFM e à Amazônia Ocidental (AO) visam promover o pleno desenvolvimento industrial, agrícola e comercial dessas regiões. Os benefícios relacionados com as MP agrícolas e extrativas de produção regional não são só aos produtores rurais ou industrias de processamento básico, mas também para as indústrias de produtos alimentícios, eletrônicos ou de informática, que se valham daquelas MP como forma de incrementar e estimular continuamente essas atividades básicas e também as suas indústrias locais, de forma harmônica. O contrário, com a restrição indevida pretendida, significaria benefício apenas a indústrias de processamento mínimo e exclusivo dessas MP agrícolas e extrativas vegetais, na região da Amazônia Ocidental, em detrimento de outras empresas que também se utilizam de produtos mais elaborados. Tal entendimento poderia representar e levar ao encerramento de atividades de empresas como a SCHIN LOGÍSTICA na região, Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 498 9 dado o prejuízo financeiro que decorre da glosa do benefício na forma pretendida pelo fisco. 4. Vale destacar, ainda, que a expressão adotada no texto legal e regulamentar é de que o relevante, para a isenção e para o creditamento mencionados, é que os “concentrados” produzidos na Amazônia Ocidental sejam “ELABORADOS COM matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional”. É evidente então que bastava que o produto final da SCHIN LOGÍSTICA, que representou MP para a autuada, fosse necessariamente feito com alguma matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional em combinação com os outros elementos que o constituem. E é isso que se verifica no caso na composição dos concentrados informados à fiscalização. 5. De outra parte, também não há como prevalecer a equivocada interpretação da Fiscalização, de que os “concentrados” adquiridos deveriam ainda ser produzidos, pela SCHIN LOGÍSTICA, com MP oriundas de empresas dentro da chamada “Amazônia Ocidental”, a qual seria identificada como a região objeto da expressão “produção regional”, o que na exclusiva visão da fiscalização levaria a mais essa exigência, nos arts. 82,III e 175, do RIPI/02, para o creditamento do IPI. Antes de mais nada, quanto à abrangência, há que se diferenciar a expressão “Amazônia Ocidental” em termos físicos e legais, da “região” objeto da expressão “produção regional”, de onde devem advir as MP para a produção dos concentrados pela fornecedora SCHIN LOGÍSTICA. Primeiro, a área considerada como “Amazônia Ocidental” é aquela na qual deverá se fixar o estabelecimento industrial mencionado no caput do art.6º do DL 1.435/75 e que elaborará os produtos finais com as mencionadas MP regionais. No caso o estabelecimento da SCHIN LOGÍSTICA. Por outro lado, nos termos do § 4º do art.1º do DL nº 291/67, a “Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima”. Logo, para gozo da isenção pela fornecedora e do crédito do IPI pela autuada, um dos requisitos legais é que a empresa fornecedora tenha montado seu estabelecimento industrial em uma localidade do território daqueles Estados. De plano, já se destaca que esse requisito foi cumprido pela SCHIN LOGÍSTICA ao ter se fixado em ManausAM, conforme seu cartão do CNPJ (doc.03). De outra parte, é fato também que as regras impõem outro requisito para os benefícios de que tratam, qual seja, que devem ser de produção regional as MP usadas por tal estabelecimento. Dito de outro modo, as MP devem ser oriundas de empresas produtoras de uma determinada “região”. Porém, estas mesmas regras não trazem maiores esclarecimentos quanto a qual seria esta “região”. Fl. 502DF CARF MF 10 Todavia, segundo uma interpretação sistemática da legislação regente, pertinente a políticas desenvolvimentistas da Região Norte, só se pode considerar que a “região” mencionada no RIPI/2002 e Dl 1.435/75, é uma área mais abrangente, que não é a “Amazônia Ocidental”. Seria tal como definida na Lei 1.806/53 (art.2º), LC 31/77 (art.45, CF (arts. 13 e 14), isto é a “Amazônia Legal”, que é região politicamente fixada para fins de implementação de política de planejamento e desenvolvimento local. Nessas normas, temse nos dias atuais como Amazônia Legal e, por conseguinte, a “região” das empresas produtoras das MP em destaque, a área que compreende os Estados Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão (oeste do Meridiano 44º). Confirmando isso, destacase a Nota Técnica nº 215/2010 – SPR/CGAPI/COPIN, da SUFRAMA (doc.04), responsável pelo acompanhamento e cumprimento dos referidos benefícios, datada de 18/11/2010, da qual se extrai a correta interpretação sobre a abrangência dos termos do art. 6º do DL 1.435/75 (ver transcrição de fls.224/228). Sua conclusão quanto às condicionantes impostas pela redação do art.6º do DL 1.435, de 1975, é de que a origem das MP deve ser na Amazônia Legal, e o estabelecimento industrial deve estar localizado na área definida pelo §4º do art. 1º do DL 291, de 1967, e com projeto aprovado pela SUFRAMA. 6. E mais, o que importa para fins dos benefícios legais analisados é a localização do estabelecimento fornecedor (produtor das matérias primas), pouco importando as operações comerciais anteriores por ele praticadas, eis que não compete ao industrial adquirente, fora da área beneficiada, para garantir seu crédito do IPI, dever de diligência absurdo e ilegal sobre aferir o cumprimento dos requisitos impostos ao fornecedor. Logo, o fato das MP, indicadas como exemplo às fls. 228/229, serem oriundas de empresas localizadas na Amazônia Legal (e não na Amazônia Ocidental), em nada afeta o benefício do crédito considerado pela autuada em relação à aquisição de cada um dos concentrados. 7. Na remota hipótese de não se aceitar o acima exposto, e se entender pelo afastamento da isenção e do crédito do IPI (do art.6º do DL 1.435/75, ainda assim deve ser cancelado o auto de infração, ante a incidência da isenção mais abrangente do art.69, I, do RIPI/2002, e da regularidade dos créditos tomados pela ora impugnante, especialmente tendo em conta o quanto já decidido pelo E. STF sobre o tema. Vejase a exposição constante às fls. 229/232. Em síntese, o STF havia firmado posição de que a aquisição de insumos com isenção do IPI dava direito ao crédito do IPI. Esta orientação permanece a mesma nos acórdãos mencionados. O que foi analisado foi a possibilidade de crédito do IPI na aquisição dos insumos tributados à alíquota zero ou não tributados (NT). Desta maneira a orientação do STF não foi mudada com respeito a insumos isentos. A rigor, a aplicação do Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 499 11 entendimento firmado no julgamento do RE 212.484/RS aplicase ao caso dos presentes autos. O entendimento pretendido pelo fisco, além de ofender ao princípio constitucional da não cumulatividade, contraria também o princípio constitucional da legalidade. Além disso, a aplicação da regra regulamentar (no RIPI), espécie normativa infralegal não pode obstar o gozo de um direito constitucional (ver a íntegra da argumentação às fls.234/239). Diante do exposto, requer que seja conhecida e provida a impugnação, quanto às preliminares e ao mérito, para que se cancele o auto de infração. Por fim, em virtude do P. da verdade Material, que rege o PAF federal, protesta pela realização de todas as provas em direito admitidas, principalmente a posterior juntada de quaisquer documentos relacionados ao caso, bem como pela realização de eventuais diligências ou perícias que se fizerem necessárias para a devida solução desta lide. É o relatório. Regularmente notificado do julgado em 21/03/2012 (fl. 345), não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 19/04/2012 (fls. 370/425), reiterando os argumentos expendidos na impugnação, em resumo com as seguintes razões: I) Do item 1 do Auto de Infração Pagamento Parcial do Auto e da necessidade de reforma da decisão recorrida. Conforme esclarecido desde a apresentação da peça impugnatória, para fins de lançamento do IPI na condição de estabelecimento equiparado a industrial (artigo 9º, § 4º, do RIPI/02), a Recorrente em petição protocolada em 09/03/2012 (fl. 348) bem demonstrou que (i) emitiu à época dos fatos (competência de 09/2008), notas fiscais complementares às notas fiscais nº 223576, 223587, 223657 e 223859 questionadas, com o devido débito do IPI exigível, bem como (ii) informou os pagamentos (DARFs) dos demais débitos indicados no item 1 do Auto de Infração, com os respectivos acréscimos legais (doc. fls. 348/367). II) Do item 2 do Auto de Infração legitimidade dos créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas isentas provenientes da Amazônia Ocidental II.a) Das operações realizadas pela Recorrente e do entendimento da decisão recorrida acerca da legislação federal aplicável. conforme aduzido na sua Impugnação, o estabelecimento industrial da Recorrente, em Recife/PE, promoveu aquisições de insumos, "concentrados para bebidas não alcoólicas", da empresa GEF CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA. ("GEF") e SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA. ("SCHIN LOG"), sendo que esta inclusive sucedeu a primeira (doc. 03 da Defesa e Portaria SUFRAMA n° 90/2009), empresas estas com estabelecimento em ManausAM e com projetos aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus ("SUFRAMA"), nos termos da Resolução SUFRAMA n.° 285/2003 e da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n.° 08/1998. de acordo com as citadas Resolução SUFRAMA e Portaria Interministerial, que aprovam os benefícios concedidos à empresa fornecedora e que foram publicadas por tais Fl. 504DF CARF MF 12 órgãos, os insumos em tela gozavam dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967 e do artigo 6º do Decretolei n.° 1.435/75, então replicados nos artigos 69, inciso II; 82, incisos I e III; e 175 do RIPI/02. II.b) Da correta interpretação das normas que regem o crédito do imposto no caso de aquisições de matériasprimas oriundas da Amazônia Ocidental de acordo com os artigos 82, III, e 175 do RIPI/02, o crédito a ser realizado pelo estabelecimento industrial que adquirir produto isento está condicionado aos seguintes requisitos: (i) que o produto seja isento, nos termos do artigo 82, III, do RIPI/02, isto é, o produto tenha sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; (ii) que o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto tenha sido aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA; e (iii) que o produto tenha sido empregado como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem na industrialização de outros produtos sujeitos ao IPI. o fato de os "concentrados" possuírem em sua composição outros elementos químicos como o benzoato de sódio, acído fosfórico, ácido cítrico, etc, além daquelas matériasprimas agrícolas e extrativas como o corante caramelo, cafeína etc, em nada desvirtua o benefício da isenção e o crédito da Recorrente, eis que simplesmente não existe de forma legalmente válida a restrição proposta no relatório fiscal e na decisão recorrida; quanto à orientação tirada na decisão, de que estaria sua fundamentação reforçada diante do citado PLS n° 292/2008 (fls. 337/338), no sentido da participação "exclusiva" de insumos regionais nos produtos beneficiados, em verdade o que se vê é justamente confirmação do contrário. Confirmando está o entendimento da Recorrente; e que definitivamente, não há ademais nada no mencionado PLS que leve a crer que a atual redação do artigo 6º do DL 1.435 exija a totalidade de matériasprimas regionais. É importante frisar que não há na Justificativa do Projeto de Lei qualquer menção aos critérios de preponderância ou exclusividade de utilização de matérias primas regionais, SIMPLESMENTE porque inexiste entrave na legislação vigente para a utilização do incentivo fiscal relativamente a uma suposta exigência de exclusividade de "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". II.c) Do direito ao crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus (i) elabora um panorama atual sobre a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) sobre essa matéria, citando e discorrendo sobre os seguintes Recursos: RE 212.484/RS, RE 566.819, RE 592.891 e RE 590.809; (ii) Do princípio da nãocumulatividade e do direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos. Argumenta que, incidindo uma norma de isenção na entrada da matéria prima, devem os efeitos dessa isenção repercutir nas etapas seguintes, mediante o aproveitamento do crédito, sob pena de: (i) onerar o produtor da etapa seguinte; (ii) tornar sem Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 500 13 efeito a norma de isenção para transmutála em simples diferimento do imposto; e (iii) tornar o imposto cumulativo. III) Da inaplicabilidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício Ainda que não se admitam os argumentos trazidos pela Recorrente, suficientes para a reforma integral do julgado, o que se admite apenas a título de argumentação, menciona, em homenagem ao princípio da eventualidade, que os juros calculados com base na Taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada no Auto de Infração, por absoluta ausência de previsão legal. Por fim, requer que seja dado integral provimento ao recurso, com o fim de determinar a reforma da decisão recorrida e o cancelamento integral da exigência fiscal. Verificouse que o recurso apresentado é tempestivos e desta forma os autos, então, foram encaminhados a este CARF para julgamento. Da conversão do Julgamento em Diligência Durante análise do Recurso Voluntário, no entender deste Relator, restaria documentalmente comprovado (conforme cópias anexas) e esclarecido a extinção do crédito tributário relativo ao 'item 1' do Auto de Infração, por força do artigo 156, inciso I, CTN. No entanto, entendeuse faltar a confirmação das informações oferecidas, bem como a comprovação dos recolhimentos (DARF) nos sistemas da RFB. Dessa forma, tornavase imprescindível tais informações para prosseguimento do julgamento. Dentro desse contexto, este Relator propôs e foi acompanhado pelo Colegiado, que o julgamento deveria ser convertido em diligência, conforme Resolução nº 3402000.809, de 23/08/2016, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem (DRF em Sorocaba/SP), para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes providências e informações (fls. 313/339): "a) considerandose os documentos e informações apresentadas pela Recorrente, que seja analisado a autenticidade dos recolhimentos alegados (em DARFs) em seu recurso, bem como da confirmação das notas fiscais emitidas complementarmente; b) após análise, emitir parecer sobre as alegações em relação ao pagamento dos saldos devedores do IPI, constante da "Infração 1" do Auto de Infração. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento". A DRF/SOROCABA/SP, em cumprimento ao contido na Resolução do CARF, elaborou a referida diligência, culminando com a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 469/473. A Recorrente, após intimada da conclusão da diligência, também protocolou sua Manifestação, conforme documento de fls. 479/481. Fl. 506DF CARF MF 14 Posto isso, os autos retornaram a esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara, para prosseguimento do julgamento. Em 12/12/2017, requer a Recorrente, o sobrestamento do presente processo, sustentado nas razões contidas às fls. 491/493 dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 2. Objeto da lide A controvérsia destes autos gira em torno de três frentes: (i) do alegado pagamento parcial do Auto de Infração (lançamento de IPI); (ii) da legitimidade dos créditos decorrentes da aquisição de insumos isentos "concentrados para bebidas não alcoólicas", produzido pela fornecedora empresa GEF CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA. ("GEF") e SCHINCARIOL LOGÍSTICA e DISTRIBUIÇÃO LTDA. ("SCHIN LOG"), provenientes da Zona Franca de Manaus, e (iii) da inaplicabilidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. 3. Preliminar Pedido de sobrestamento do PAF Requer a Recorrente às fls. 491/493 dos autos, o sobrestamento do presente processo, argumentando as seguintes razões: "(...) Diante do exposto, tendo em vista que o tema dos autos é objeto de repercussão geral e que o recurso voluntário interposto pela Recorrente foi pautado para julgamento na sessão de 14 de dezembro de 2017 da segunda Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção E. CARF, requerse a suspensão / sobrestamento do presente feito, nos termos do art. 1.035, §5º c/c 15, do NCPC, até o pronunciamento definitivo pelo C. STF sobre a matéria no âmbito do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP". No entanto, ressalto que quanto a aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do julgamento deste processo até que haja decisão definitiva do RE nº 592.891/SP, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento, esse Colegiado já tem decido pela sua improcedência, em face da falta de previsão regimental abarcado pelo RICARF. Portanto, rejeitase essa preliminar de sobrestamento do processo. 4. Análise do Mérito 4.1) Quanto ao "Item 1" do Auto de Infração Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 501 15 Pagamento parcial saldos devedores do IPI Aduz a Recorrente em seu recurso que conforme esclarecido desde a apresentação da peça impugnatória, para fins de lançamento do IPI na condição de estabelecimento equiparado a industrial (artigo 9º, § 4º, do RIPI/02), em petição protocolada em 09/03/2012 (fl. 348), demonstrou que (i) emitiu à época dos fatos (competência de 09/2008) notas fiscais complementares às notas fiscais nºs 223576, 223587, 223657 e 223859 questionadas, com o devido débito do IPI exigível, bem como (ii) informou os pagamentos dos demais débitos indicados no item 1 do Auto de Infração, com os respectivos acréscimos legais (doc. fls. 348/367). Por outro lado, verificase que desta forma restou consignado na decisão a quo, conforme trecho abaixo reproduzido: "Além de não apresentar qualquer contestação ao mérito do lançamento neste item, de não apresentar qualquer documento que desse suporte à sua alegação de reescrituração fiscal, afinal providenciada pela fiscalização para o fim de lançamento, e que deve servir à autuada para atualizar seus livros fiscais, não comprovou tampouco qualquer recolhimento dos tributos devidos remanescentes, ainda que fosse de forma parcial, de modo a que pudesse ser considerado ao menos em parte já nesse julgamento, por tudo isso, suas afirmações apenas confirmam o acerto do lançamento fiscal neste ponto. Relembrase neste momento as considerações preliminares acerca da inviabilidade de produção posterior de provas no processo administrativo fiscal federal, pelo que deve ser observado que quanto a esta matéria, a rigor, além de não haver se formado lide, pela ausência de contestação ao mérito, também evidenciouse a preclusão, não cabendo no presente processo mais nenhuma arguição a respeito, ainda que venha eventualmente a ocorrer recurso voluntário. Por fim, quanto a este ponto, a fiscalização, procedeu a uma reescrituração fiscal do RAIPI da autuada para poder levar a débito os valores de IPI não destacados nas saídas especificadas no auto de infração, apurando a partir daí saldos devedores de IPI para os períodos de apuração identificados. Neste momento, confirmase a procedência desta parte do lançamento". Pois bem. A análise das normas supracitada na decisão recorrida é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na Impugnação. Contudo, este Colegiado tem firmado entendimento no sentido de se admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de Recurso Voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Impugnação, ou seja, o princípio da verdade material deve ser preservado no julgamento. Nesse contexto, em que pese as fundamentações da decisão recorrida acerca da preclusão da posterior juntada de provas, é fato que, por outro lado, não pode a Recorrente sofrer nova cobrança de IPI sobre estas operações constantes das notas fiscais autuadas, por força do princípio da verdade material e do artigo 156, I, do Código Tributário Nacional (CTN) e a vista das provas carreadas nos autos. Verificase que a fiscalização no Termo de Informação Fiscal TIF (fls. 23/38), descreveu em seu item 1, os fatos aqui tratados da seguinte forma: Fl. 508DF CARF MF 16 "(...) Venda de Bens de Produção sem Lançamento do Imposto O estabelecimento industrial que der saída a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, é considerado estabelecimento comercial de bens de produção e obrigatoriamente equiparado a industrial em relação a essas operações. A Schincariol filial 000384, comercializou os bens de produção: lata alumínio schin cola 2, rotulo Bopp schin cola limão 2L, divisória papelão, filme liso etc, sem destacar o Imposto sobre Produtos Industrializados nas respectivas notas fiscais. A planilha anexada ao presente Auto de Infração com o título “Saidas Sem Lançamento do IPI – Venda de Insumos” relaciona todas as notas fiscais que caracterizam a infração em tela". A Planilha acima referenciada se encontra anexada às fls. 39/41 dos autos e nela é possível verificar, além da relação das notas fiscais, a descrição e o valor do produto, os valores de IPI lançado pela Recorrente, o valor do IPI devido e a conseqüente diferença de IPI apurado/lançado. No caso a Diferença a Lançar, apurada pela fiscalização foi de R$ 218.018,22, conforme demonstra no corpo do Auto de Infração (fls. 5/6) e na Informação Fiscal (de Diligência) à fl. 470. Por outro giro, a Recorrente quando da Impugnação, informa no tópico "2.1.", relativo ao item '1 do Auto de Infração', referente aos períodos de apuração compreendidos entre 06/2008 e 12/2008, que procederia à juntada dos seguintes documentos (a) comprovantes de pagamento de parte dos valores exigidos de IPI relativo a parte das operações questionadas e (b) documentos de que sobre outra parte das operações questionadas, os respectivos valores de IPI questionados já foram anteriormente apurados e recolhidos e não poderiam ser exigidos novamente. Neste sentido, reconhece que realmente, na época deixou equivocadamente de debitar o IPI relativamente a algumas notas fiscais de algumas operações. Contudo, no intuito de corrigir tal procedimento, emitiu notas fiscais complementares às notas fiscais iniciais, dentro do mesmo período de apuração, submetendo tais operações, em última análise, à tributação do IPI. Vale destacar que a Recorrente relativamente a parte das operações questionadas neste tópico '1 do Auto de Infração', demonstra no corpo de seu recurso que as notas fiscais iniciais e as complementares se relacionam conforme disposto no quadro abaixo e que tais notas fiscais se encontram (cópia) anexadas às fls. 351 a 358 do processo: Notas Fiscais Iniciais Questionadas: Notas Fiscais Complementares Período de apuração: 09/2008 223762 16/09/2008 223576 1 R$ 2.876,89 Período de apuração: 09/2008 223576 13/09/2008 0,00 R$ 2.876,89 223587 14/09/2008 0,00 R$ 2.812,60 223657 15/09/2008 0,00 R$ 2.884,92 223859 17/09/2008 0,00 R$ 2.812,60 Total devido no período R$ 11.387,01 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 502 17 223761 16/09/2008 2235871 R$ 2.812,60 223763 16/09/2008 2236571 R$ 2.884,92 224102 22/09/2008 2238591 R$ 2.812,60 Total debitado/pago período: R$ 11.387,01 Como se vê, houve no presente caso, a emissão das notas fiscais complementares àquelas questionadas pelo Fisco, por parte da Recorrente, dentro do mesmo período de apuração e com o débito do IPI cabível sobre a respectiva operação. Fica evidente então que deste seu proceder não resultou qualquer falta de recolhimento de IPI à Fazenda, nem lesão ao Estado referente a outros impostos. Ademais, cumpre ressaltar que a Recorrente demonstra que efetivamente os pagamentos foram realizados e relacionados aos demais débitos relativos ao item 1 do Auto de Infração, por meio dos DARFs anexos às folhas 359/367, referentes aos seguintes períodos de apuração (valendo destacar, aqui inclusive, os valores principais de IPI, multa e juros e os valores totais pagos), conforme demonstrado na Tabela abaixo: Afirma a Recorrente que "cabe ressaltar que o IPI do período de 30/09/2008 foi pago, em parte, quando da emissão de notas fiscais complementares e posteriormente, em parte, por meio de guias DARFs. As tabelas acima demonstram que os valores principais do imposto no montante de R$ 11.387,01 (NFs Complementares) somados aos R$ 20.120,59 (DARFs) totalizam o valor, supostamente, devido de R$ 31.507,60, evidenciando, assim, a sua total quitação". Com a finalidade de se confirmar essas situações contestadas pela Recorrente, foi solicitado a realização de diligência à DRF de origem e que verificouse na INFORMAÇÃO FISCAL elaborada pelo Fisco, quando da conclusão da Diligência, quando restou consignado as seguintes conclusões (fls. 470/473): "(...) Nessas notas fiscais complementares houve o lançamento do respectivo IPI, num valor total de R$ 11.387,01. Assim, o valor correto, relativo ao período de apuração, de 30/09/2008, seria R$ 20.120,61 (diferença entre o valor lançado de R$ 31.057.60 e o valor das notas complementares, R$ 11.387,01). Este saldo foi pago em 14/01/2011, com acréscimos legais, conforme DARF adicionado na folha nº 359. Período de Apuração Valor Principal Total Pago 30/09/2008 R$ 20.120,59 R$ 28.321,74 31/10/2008 R$ 23.987,52 R$ 33.520,16 30/11/2008 R$ 1.440,00 R$ 1.996,12 31/12/2008 R$ 4.093,35 R$ 5.631,21 31/01/2009 R$ 7.691,37 R$ 10.514,87 28/02/2009 R$ 58.887,88 R$ 79.934,40 31/03/2009 R$ 4.398,86 R$ 5.934,05 30/04/2009 R$ 181,55 R$ 243,51 31/05/2009 R$ 85.565,34 R$ 114.118,49 Fl. 510DF CARF MF 18 Nesta mesma data, também foram recolhidos os DARFs relativos a valores e períodos da tabela abaixo: (...)" "(...) Conforme despacho da ECOBSECATDRFSOR (fl. 463), os recolhimentos de folhas 431 a 441 estão confirmados. Verificamos, porém, que esses valores não se encontram declarados em DCTF. Restaria, assim, apenas os valores abaixo, que não foram questionados: Período de apuração valor apurado 30/06/2008 R$ 160,20 31/08/2008 R$ 104,55 Em resumo: a) Confirmase as notas fiscais complementares e os pagamentos efetuados; b) Dos saldos devedores de IPI, no período de 09/2008 a 05/2009, entendemos estarem em aberto, apenas os referentes a 06/2008 e 08/2008. Porém, não há declaração de débito, em DCTF, para todo esse período". (Grifei) Pois bem. Como pode ser extraído da conclusão acima elaborada pelo Fisco, com relação ao saldos devedores de IPI, no período de 09/2008 a 05/2009, a fiscalização entende estarem em aberto, apenas os referentes ao PA 06/2008 e 08/2008 (relativo às notas fiscais nº 219.130, de junho/2008 e 221.527, de agosto/2008). No entanto, a respeito deste ponto, a empresa, após a conclusão da diligência efetuada, manifestouse da seguinte forma (fl. 480): "(...) Em cumprimento à determinação da C. Câmara, em sede de Informação Fiscal, a d. Autoridade Fiscal ratificou a integral quitação quanto aos saldos devedores do IPI relativos aos períodos de 09/2008 a 05/2009. No mais, constatou a d. Autoridade Fiscal que existiriam supostos débitos remanescentes a título de IPI, referentes às notas fiscais 219.130 (junho/2008) e 221.527 (agosto/2008), respectivamente nas quantias de R$ 160,20 e R$ 104,55, os quais sequer teriam sido declarados em DCTF pela Requerente. No que se refere aos referidos pontos trazidos em Informação Fiscal, concluise que, tal como já noticiado à fls. 348/367, houve o pagamento integral dos saldos devedores do IPI relativos aos períodos de 09/2008 a 05/2009, estando extinto o respectivo crédito tributário, nos termos artigo 151 do Código Tributário Nacional. Contudo, no que se refere ao suposto saldo devedor de IPI relativamente aos períodos de junho e agosto de 2008, impende destacar que as notas fiscais a que se referem os valores apontados pela d. Autoridade Fiscal dizem respeito ao produto classificado sob o NCM 3824.90.41 (preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes), o qual, à época dos fatos, sujeitavase à alíquota zero de IPI, nos termos do Anexo I do Decreto n.º 6.455, de 12 de maio de 2008. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 503 19 Nesse contexto, esclarecese que não há que se falar em qualquer lançamento em DCTF exatamente por inexistir saldo devedor de IPI relativamente a tais operações". No que se refere ao saldo devedor de IPI relativamente aos períodos de junho e agosto de 2008, verificase nos autos que as notas fiscais (nº 219.130, de junho/2008 e 221.527, de agosto/2008 relacionada à fl. 39), que se referem os valores apontados pela Fiscalização, referemse ao produto classificado sob o NCM 3824.90.41 (preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes), o qual, à época dos fatos, sujeitavase à alíquota reduzida a "zero" de IPI, nos termos do Anexo I do Decreto n.º 6.455, de 12 de maio de 2008. Vejase texto do Decreto: Art. 1o Ficam alteradas para os percentuais indicados no Anexo I as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidentes sobre os produtos classificados nos códigos e posições ali relacionados, conforme a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006. (...) . Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 12 de maio de 2008; 187º da Independência e 120o da República. ANEXO I NCM ALÍQUOTA (%) 3824.90.41 0 3923.50.00 5 4812.00.00 0 7006.00.00 10 7007.19.00 10 7007.29.00 10 7008.00.00 10 76.04 0 76.08 0 7610.90.00 0 83.09 0 8418.69.91 5 8425.41.00 0 Portanto, assiste razão á Recorrente, pois não há que se falar em qualquer lançamento em DCTF exatamente por inexistir saldo devedor de IPI relativamente a tais operações. Assim, insubsistente é o lançamento nesse particular, diante da inexistência de Fl. 512DF CARF MF 20 qualquer valor devido a título de IPI, e deve também ser afastada a cobrança de IPI relativa às notas fiscais 219.130 (junho/2008) e 221.527 (agosto/2008), respectivamente nas quantias de R$ 160,20 e R$ 104,55. Concluindo, restou documentalmente comprovado nestes autos a extinção do crédito tributário relativo ao 'Item 1 do Auto de Infração' (Pagamento parcial dos saldos devedores do IPI), por força do artigo 156, inciso I, CTN, sendo impositiva, a reforma da decisão proferida e o cancelamento do auto de infração referente a esta parte autuada. 4.2) Quanto ao Item 2 do Auto de Infração Dos créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas isentas provenientes da Amazônia Ocidental a) Das operações realizadas pela Recorrente, da legislação aplicável e da correta interpretação das normas que regem o crédito do imposto no caso de aquisições de matérias primas oriundas da Amazônia Ocidental. Consta dos autos que o estabelecimento industrial da Recorrente, que fica localizado em Recife/PE, promoveu aquisições de insumos, "concentrados para bebidas não alcoólicas", da empresa GEF CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA. (GEF) e SCHINCARIOL LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO LTDA. (SCHIN LOG), sendo que esta inclusive sucedeu a primeira, empresas estas com estabelecimento em ManausAM e com projetos aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), nos termos da Resolução SUFRAMA nº 285/2003 e da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/1998. Argumenta a Recorrente que de acordo com a citada Resolução SUFRAMA e da Portaria Interministerial, que aprovam os benefícios concedidos à empresa fornecedora e que foram publicadas por tais órgãos, os insumos em tela gozavam dos benefícios fiscais previstos nos artigos 7º e 9º do Decretolei nº 288, de 1967 e do artigo 6º do Decretolei nº 1.435, de 1975, então replicados nos artigos 69, inciso II; 82, incisos I e III; e 175 do RIPI/02. Apesar dos argumentos da Recorrentes de serem isentos do IPI tais insumos e que estaria assegurado o respectivo crédito do imposto, com base no do artigo 6º do Decretolei n° 1.435/75, ao seu adquirente, quando empregados em produtos finais industrializados tributados, entendeu a Fiscalização pela glosa de tais créditos, com base nas seguintes premissas: (i) que os produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus não dão direito ao crédito do imposto ao seu adquirente industrial, considerandose as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema; (ii) que para fins de aproveitamento válido do crédito do IPI, conforme interpretação dada aos artigos 82, inciso III e 175 do RIPI/2002, com base no artigo 111 do CTN, deveriam os produtos "concentrados para bebidas não alcoólicas", adquiridos pela Recorrente, serem fabricados 100% (cem por cento) "com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", ou seja, devem ser compostos apenas e exclusivamente de tais matériasprimas em sua totalidade, não sendo admitido a aplicação do benefício em relação aos produtos que representem apenas uma "preponderância" de tais matériasprimas em sua composição, misturadas a outras matériasprimas não regionais; do contrário, não deve ser aceito tal crédito; e Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 504 21 (iii) que após verificações junto aos fornecedores da "GEF e SCHIN LOG" e dos esclarecimentos apresentados pela Recorrente, apurouse que alguns desses requisitos previstos na legislação para a fruição do benefício fiscal, não teriam sido compridos. Ressaltase que o art. 6º, §§ 1º e 2º, do Decreto Lei nº 1.435, de 1975, determina que os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA, são isentos de IPI para o respectivo fabricante e geram crédito de IPI para o adquirente. Vejase (grifamos): "Art 6o Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4o do art. 1º do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º. Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2o Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA" (grifouse). Informa a Recorrente em seu recurso que, "(...) quanto aos benefícios questionados e a SCHIN LOG, reconhece que, em relação ao conceito de "matériaprima de produção regional, tal "região" de origem da matériaprima não corresponde aos limites da Amazônia Ocidental, mas sim, a uma "região" mais ampla e politicamente estabelecida como sendo a Amazônia Legal, prevista no artigo 2º da Lei nº 1.806/53, artigo 45 da Lei Complementar n.° 31/1977 e nos artigos 13 e 14 da Constituição Federal, conforme se denota da Nota Técnica n° 215/2010 SPR/CGAPI/COPIN da SUFRAMA (doc. 04 da Impugnação), órgão habilitado e competente para aprovar os projetos relacionados a tais insumos e para esclarecer o assunto. No entanto, entendo que tal argumento não deve prosperar. Verificase que o Decreto lei nº 1.475/75, art. 6º, que introduziu no ordenamento jurídico nacional a hipótese de isenção de IPI como instrumento de incentivo especificamente voltado ao desenvolvimento industrial da Amazônia Ocidental (composto pelo Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima), de onde saem isentos produtos que sejam elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos localizados na área definida pelo §4º do art. 1º do Decreto lei nº 291, de 1967 (Amazônia Ocidental). Conforme definido no §1 º acima transcrito, o estabelecimento industrial adquirente (no caso, representado pela Recorrente), que utilizar, em qualquer parte do território nacional, àquelas matérias primas especificadas (regionais), para a elaboração de produtos tributados pelo IPI, sujeitos ao pagamento do IPI, poderá se beneficiar com o crédito de IPI, calculado como se devido fosse o IPI naquelas aquisições isentas por força da lei. Ressaltase, portanto, que o benefício isencional, em análise, é devido a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental (cujo conceito que é remetido ao § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967). Fl. 514DF CARF MF 22 No caso, tratase de um benefício regional visando o desenvolvimento urbano da região norte do Território Nacional, concessão fiscal esta em consonância com o parágrafo único do artigo 176 do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 176. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em condições a ela peculiares. Ao se examinar o caput do artigo 6° do Decretolei n° 1.435/75, não deixa qualquer dúvida que estamos frente a uma isenção objetiva, uma isenção em virtude da coisa, em razão do produto, quando estatui, expressamente, que estão isentos os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. Neste contexto, vejamos então, o que preceitua o Regulamento do IPI RIPI/2002, em seus artigos 69, item II; 82, item III e art.175: Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (I...). II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e (...). Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decreto lei nº 1.593, de 1977, art. 34).” (Grifei) Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º ). Assim, resta claro na legislação vigente à época que, se a isenção nasce da previsão legal específica, há que se cumprirem os requisitos nela impostos para o seu gozo. Nesse diapasão, tais requisitos são: (i) que a norma concede isenção para estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os produtos sejam elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, exigese que na composição dos produtos sejam aplicadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na região (Amazônia Ocidental); Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 505 23 (ii) que há crédito de IPI para o adquirente daqueles produtos descritos no item antecedente, elaborados por estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental, desde que compostos por aquelas matériasprimas especificadas (regionais) e empregados como insumos na industrialização em qualquer ponto do território nacional, de produto final sujeito ao pagamento do IPI; e (iii) tenha projeto de industrialização aprovado pela SUFRAMA. Desta forma, a vinculação entre o direito de crédito excepcional, previsto no art.175 do RIPI/02, e a isenção estabelecida no inciso III, do art. 82 do mesmo RIPI, impõe para a manutenção e aproveitamento de créditos do IPI pela aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental, que tenham sido elaborados com a utilização exclusiva de Matérias Prima regionais. A controvérsia, no caso, gira em torno da interpretação da Lei, mais especificamente, quanto à abrangência do vocábulo "regional" (serem regionais as matérias primas utilizadas), contido no art. 6º, do Decreto Lei nº 1.435/75. Nesse contexto, argumenta a Recorrente em seu recurso que, "(...) Basta uma simples análise literal do texto dos referidos dispositivos regulamentares para se notar que em nenhum momento buscou o legislador federal restringir o benefício do crédito do IPI no presente caso. Notese que em nenhuma passagem dos dispositivos consta expressões como "produto elaborado exclusivamente com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional ou mesmo "produto elaborado em sua totalidade com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Diz apenas o artigo 82, inciso III, que devem ser "os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". E prossegue: "(...) a expressão adotada no texto legal e regulamentar é de que o relevante para a isenção e para o creditamento mencionados é que sejam os produtos produzidos na Amazônia Ocidental, no caso os "concentrados", "ELABORADOS COM matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regionais". Notase que no entender da Recorrente, bastaria que o produto final da SCHIN LOG, fosse feito necessariamente com alguma matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, mesmo que em combinação com os outros elementos que o constituem. E foi justamente isso o que se verificou no presente caso, quando vistas as composições dos concentrados informadas pela Recorrente durante o procedimento fiscalizatório. Pois bem, então vamos analisar bem esta questão. É certo que o objetivo do Decreto Lei nº 1.435/75, foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região, ou seja: medidas de estímulo ao desenvolvimento da agropecuária e da agroindústria, voltadas para o abastecimento local e para a utilização de matériasprimas regionais. Verificase que no Decreto Lei nº 1.435/75 o vocábulo "regional" só foi empregado uma única vez no art. 6º. Esse mesmo artigo 6º, remete o leitor à área definida no § 4º do art.1º do Decreto Lei nº 291, de 1967 (grifouse): Art. 1º. (....). Fl. 516DF CARF MF 24 § 4º Para os fins deste Decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. E mais. Considerando que se trata de isenção, deve incidir o comando do art. 111, II, do CTN, que determina que as normas sobre isenção devem ser interpretadas de forma literal (grifo nosso): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; E neste aspecto, andou bem o Fisco ao observar que para usufruir da isenção devem ser de produção regional todas as matériasprimas (MP) utilizadas, que se assim não fosse, diante do art. 111 do CTN, a norma outorgante deveria expressar claramente que bastaria uma preponderância de matérias primas de produção regional; e a partir do vínculo entre as normas que estabelecem a isenção de que ora se trata e o direito de crédito pela aquisição isenta nos termos especificados, que o requisito para a isenção, definida no caput do art. 6º do DL nº 1.435/75, impõe que para a isenção devem ser regionais todas as matériasprimas (MP) utilizadas pelo estabelecimento localizado na “área definida pelo §4º do art.1º do DL 291/67". Então, por conseguinte, para o gozo do excepcional direito de crédito do IPI, pelo adquirente desse produto isento, ainda que a industrialização seja realizada em qualquer ponto do território nacional, também remanesce a exigência de que sejam regionais todas as matériasprimas utilizadas no processo produtivo dos insumos adquiridos para a industrialização; não se admitindo, para a configuração do direito creditório pretendido, a inserção de outras matériasprimas não regionais, pois do contrário, restaria desvirtuada a literalidade da norma que introduziu benefício fiscal muito específico. Verificase no Termo de Informação Fiscal (TIF fls. 23/38) que quando intimada, a Recorrente informou as matérias primas de origem regional que considerou no seu processo industrial, que foram os seguintes: “Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Objetivando melhor esclarecer essa questão, também foi INTIMADA a informar todas as matérias primas utilizadas em cada um dos seguintes produtos: “concentrado limão”, “concentrado laranja”, “concentrado cola 1”, “concentrado cola 2” e “concentrado aromático guaraná”, respondendo nos termos transcritos às fls. 33/34 do TIF e documentos de fls. 116/140. Constatase que a fiscalização intimou a fornecedora do produto, a SCHIN LOG, que informou que na elaboração dos “concentrados” vendidos à Recorrente, além das matériasprimas regionais (corante caramelo, cafeína, álcool neutro e semente de guaraná), também utilizara outras matériasprimas, tais como: benzoato sódio granulado, ácido fosfórico 85% alimentício, amarelo crepúsculo corante, aroma laranja, óleo essencial laranja, ácido cítrico anidro, aroma limão, preparado guaraná, e outros descritos às fls. 33/34 do TIF. No detalhamento dos insumos utilizados na elaboração de cada um dos produtos fornecidos à Recorrente existem várias matériasprimas de origem diversa das especificadas como sendo de produção regional, conforme informado pela SCHIN LOG. Citase como exemplo, conforme consta dos autos à fl. 138, onde a Recorrente apresenta a nota fiscal nº 00412, referente a aquisição de 15 toneladas de "Guaraná Grãos Estufa" da empresa Taperoá Baixo Sul Comercial Agrícola Ltda, com sede em TAPEROÁ BA e à fl. 139, a nota fiscal nº 0567, referente a aquisição de 15 toneladas de "Guaraná Grãos", adquiridos da empresa Latinu's Comercial de Gêneros Alimentícios Ltda, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 506 25 sediada em Itabuna, BAHIA. Como dito, o Estado da Bahia, região donde veio as mercadorias citadas, não faz parte da Amazônia Ocidental, que é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. Verificase também que a própria Recorrente em seu recurso à fl. 383, afirma que, "(...) Portanto, o fato de os "concentrados" possuírem em sua composição outros elementos químicos como o benzoato de sódio, acído fosfórico, ácido cítrico, etc, além daquelas matériasprimas agrícolas e extrativas como o corante caramelo, cafeína etc, em nada desvirtua o benefício da isenção e o crédito da Recorrente, eis que simplesmente não existe de forma legalmente válida a restrição proposta no relatório fiscal e na decisão (...)". Da mesma forma em que não se pode interpretar de forma alargada o termo “regional”, não se pode ampliar a abrangência da expressão “matériasprimas” para contemplar algo que notoriamente não é matériaprima, mas produto intermediário industrializado. Desta forma, já demonstrada a impossibilidade de crédito devido a não utilização exclusiva de matérias primas extrativas vegetais de produção regional, também restou apurado, conforme detalhado no TIF (Termo de Informação Fiscal), anexo ao Auto de Infração, que a quase totalidade das matériasprimas ditas, pelo fornecedor, como sendo de produção regional, FORAM ADQUIRIDAS DE EMPRESAS SITUADAS FORA DA AMAZÔNIA OCIDENTAL, inclusive a "semente de guaraná" que em sua maior parte saiu da Bahia e do Pará (ver item 41 do TIF, e também as fls. 34/38). No item 39 do TIF (fls. 33/34), estão relacionados todos os insumos utilizados na produção de cada um dos produtos elaborados pela SCHIN LOG. Já no item 42 (fls. 35/36) foram relacionados todos os fornecedores das matérias primas supostamente de produção regional, utilizadas na elaboração daqueles produtos, tudo em acordo com as informações da Recorrente, quais sejam: "Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Nos itens seguintes foram explicitados, para cada uma das matérias primas indicadas como sendo de produção regional, outros motivos, além do já exposto no item 41, do TIF (fls. 34) que inviabilizam a utilização de crédito ficto de IPI pelos compradores dos produtos fornecidos pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA. Concluise que, portanto, várias das matériasprimas utilizados na fabricação dos produto denominado de "concentrados" para bebidas não alcoólicas, além de serem utilizados os produtos (químicos) intermediários prontos, industrializados, há também os que não são matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condições necessárias para que a Recorrente creditese do IPI, nos termos do art. 6° do Decretolei n° 1.435/75. b) Quanto ao citado PLS nº 292/2008 Quanto à citação da Recorrente em seu recurso, que estaria a fundamentação da decisão recorrida reforçada diante do citado PLS n° 292/2008 (fls. 337/338), no sentido da participação "exclusiva" de insumos regionais nos produtos beneficiados, em nada modifica os fundamentos até aqui colocados. Vejase trecho destacado da decisão a quo (grifei): "(...) Como confirmação dessa interpretação, o que foi bem observado pela fiscalização, chegou a ser apresentado pelo então Senador Expedito Júnior (PSDB/RO) para Fl. 518DF CARF MF 26 contornar a imposição descrita no parágrafo anterior, o Projeto de Lei do Senado nº 292/2008, propondo justamente nova redação ao art. 6º do DL 1.435, de 1975 (conforme texto transcrito à fl. 28) (...)". Vejase reprodução (parte) do Projeto de Lei do Senado nº 292/2008: Art. 1º O art. 6º do Decreto Lei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6º (...). § 1º A isenção prevista no caput deste artigo somente se aplica aos produtos: I em cuja composição final haja preponderância de matériasprimas de origem regional, provenientes dos segmentos animal, vegetal, mineral, exceto os minérios do Capítulo 26 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), ou agrossilvo pastoril, observada a legislação ambiental pertinente e conforme definido em regulamento;(...)". grifouse. E prossegue o Relator do PL: "Ora, bem se vê que a proposta era para alargar o benefício que se encontra vigente e definido no texto do art.6º do Dl 1.435/75, para que se alargasse a atual restrição de exclusividade de matériasprimas regionais na composição do produto elaborado na Amazônia Ocidental, adquirido como insumo de produto final industrializado sujeito ao IPI, para, nos termos do inciso I da nova redação proposta no Projeto de Lei do Senado pretender que passasse a se exigir apenas uma “preponderância de matériasprimas de origem regional”. Contudo, até o momento não logrou êxito o mencionado Projeto de Lei, persistindo a restrição de que para haver o direito de manutenção e aproveitamento do crédito do IPI, tratese da aquisição de produtos elaborados na Amazônia Ocidental exclusivamente com matériasprimas regionais". Portanto, em primeiro lugar, como pode ser verificado, tratase de mero projeto de Lei, que não tem, até sua promulgação e publicação, qualquer efeito jurídico sobre as operações do passado, questionadas nestes autos, de modo que prevalece a aplicação sobre estas das normas mencionadas, em sua versão original e em vigor. Em segundo lugar, resta claro então, que não existe ainda no mundo jurídico qualquer inovação legal, tendente a alterar ou restringir o texto amplo do artigo 6º do Decretolei n° 1.435/75. c) Do direito ao crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus (i) Das competências da SUFRAMA e da Administração Tributária Aduz a Recorrente que, "(...) Caso não sejam suficientes os argumentos acima expostos e entender este órgão de julgamento pelo afastamento da isenção e do crédito do artigo 6º do DL 1.435, em que pese o entendimento apresentado na decisão recorrida, é fato que ainda assim deve ser cancelado o Auto de Infração, ante a incidência da isenção mais abrangente do artigo 69, inciso I, do RIPI/02 e da regularidade dos créditos aproveitados pela Recorrente, especialmente tendo em conta o quanto já decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema". Informa que a SCHIN LOG teve seu projeto aprovado pela SUFRAMA para fruir dos benefícios fiscais tanto da Zona Franca de Manaus, quanto da Amazônia Ocidental, conforme a Resolução SUFRAMA nº 285/2003, abaixo reproduzida: RESOLUÇÃO 285, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2003 SUFRAMA: "Art. 1o APROVAR o projeto industrial de AMPLIAÇÃO da empresa G e F CONCENTRADOS DA AMAZÔNIA LTDA., na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico de Projeto N° 118/2003SPR/CGPRI/COAPI, para produção de CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7° e 9° do Decretolei n.° 288, de 28 de fevereiro de 1967, artigo 6o do Decretolei n.c 1.435, de 16 de dezembro de 1975 e legislação posterior". Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 507 27 Como se pode verificar a Resolução 285/2003 citada acima, reconheceu ao fornecedor do concentrado (GEF e depois SHIN LOG) o direito à isenção do art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75, condicionado a uma série de requisitos, entre os quais, "a utilização de matéria prima regional na fabricação do produto, no mínimo conforme termos do projeto aprovado". Aqui já se manifesta outra divergência, onde a Recorrente crê, a nosso ver, de forma equivocada serem as manifestações da SUFRAMA insuscetíveis de apreciação pela Administração Tributária. A SUFRAMA aprova “projetos”, como deixam claros os textos das normas reguladoras. Contudo, cabe à empresa que obtém a aprovação (no caso à SCHIN LOG) cumprir os requisitos normativos estabelecidos, entre os quais os de respeitar o PPB (Projeto Produtivo Básico) e de utilizar matériasprimas regionais de origem vegetal. Assim, não está o fisco desconsiderando o projeto aprovado pela SUFRAMA (como parece entender a Recorrente), mas apreciando o respeito às normas que regem a matéria, especialmente o art. 6º do DL nº 1.435/1975, de hierarquia inegavelmente superior à citada Resolução SUFRAMA, e que estabelece como requisitos para fruição não só a aprovação por aquele órgão. Consta das normas atuais, que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. Portanto, quanto a competência da SUFRAMA para aprovar os PPB não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil (RFB), órgão da Administração Tributária Federal do MF, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados, conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6º do Decretolei nº 1.435/75, uma vez que a Resolução citada, não se pronunciou a respeito desse tema. Verificase que o inciso VIII, do art. 5º da Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS) n° 202 de 17/05/2006, determina que um dos requisitos para concessão de incentivo fiscal é o respeito ao Processo Produtivo Básico (PPB). Vejase: Art. 5º Os projetos submetidos à apreciação da SUFRAMA deverão atender, cumulativamente, aos seguintes objetivos e condições para a concessão e fruição dos benefícios fiscais: VIII atendimento ao Processo Produtivo Básico (PPB) exigido para seus produtos. Ainda sobre a competência da fiscalização do IPI, vejase o que reproduz os arts. 505 e 506, do RIPI atual Decreto nº 7.212. de 2010 (grifouse): Art. 505. A fiscalização do imposto compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196, Lei nº 4.502, de 1964, art. 91,e Lei no11.457, de 2007, art. 2o). Fl. 520DF CARF MF 28 Parágrafo único. A execução das atividades de fiscalização compete às unidades centrais, da referida Secretaria, e, nos limites de suas jurisdições, às suas unidades regionais e às demais unidades, de conformidade com as instruções expedidas pela mesma Secretaria. Art. 506. A fiscalização será exercida sobre todas as pessoas, naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 142 e 194, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 94). (ii) Da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) Continua argumentando a Recorrente que seu caso é específico, por tratar da possibilidade de creditamento escritural do imposto decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Dentro desse contexto assevera que a discussão relativa ao direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos não tributados, tributados à alíquota zero e isentos está centrada nos seguintes precedentes do STF: (i) RE 212.484/RS na ocasião, o Plenário do Egrégio STF entendeu ser inconstitucional qualquer espécie de limitação ao aproveitamento de créditos escriturais relativos ao IPI oriundos da aquisição de insumos isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus (decisão datada de 27/11/1998); (ii) RE 566.819 em 29/09/2010, o STF proferiu decisão negando o direito ao crédito relativo as entradas de insumos não tributados, tributados à alíquota zero e isentos sendo que, contudo, o processo não transitou em julgado (pendente de julgamento de Embargos de Declaração); (iii)RE 592.891 recurso objeto de Repercussão Geral específico para tratar do direito ao crédito de IPI especificamente nas aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus; (iv) RE 590.809 recurso objeto de Repercussão Geral para tratar, genericamente, do (i) cabimento de ações rescisórias e (ii) do direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero e não tributados. E prossegue afirmando que o crédito de IPI referente as aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus já é objeto de Repercussão Geral no caso do RE 592.891 (decisão datada de 25/11/2010) e, portanto, já serve para afastar qualquer alegação de aplicação do RE 566.819 ao caso em tela, como equivocadamente pretendeu a decisão recorrida. Como se não bastasse (i) a decisão proferida no RE 566.819 não ter transitado em julgado, (ii) a mencionada Repercussão Geral do RE 592.891, ainda está pendente de julgamento outro Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 590.809, o qual trata, em caráter geral, do direito ao crédito nas aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota zero. Que isto significa que nenhum dos precedentes do STF contrários ao direito de crédito do IPI se aplica ao caso específico em questão, de crédito de insumo da Zona Franca de Manaus, seja o RE 566.819, pelas razões aduzidas acima, sejam os RE 353.657 e RE 370.682, por tratarem especificamente dos institutos da alíquota zero e da não tributação. Como visto acima, a Recorrente alega que o STF, em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484 (RS), em matéria idêntica a essa, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (portanto, com o beneficio da isenção subjetiva regional) e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 508 29 principio da nãocumulatividade, em razão da sua autoaplicabilidade. Com base nisso, solicita ao colegiado aplicação do § 2º do art. 62, do RICARF, para estender aquela interpretação ao caso concreto. De fato o Plenário do STF, em 22.10.2010, nos autos do RE n° 592.891(SP), reconheceu a existência de repercussão geral da questão especifica concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus". Vejase: "REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 592.8911. No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, § 3", II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus" Entende que ã invocação previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, § Io, II, e § 2°, III, não justifica exceção ao regime da nãocumulatividade, que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportado na entrada. 2.A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à nãocumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance. Relevante, ainda, porque a questão extrapola os interesses subjetivos da causa. 3.Assim, manifestome pela existência de repercussão geral da questão constitucional."(DJe de 25.11.2010) No entanto, entendo que a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não beneficia a recorrente, pois com no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no citado RE 592.891 (SP), a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484 (RS), impedindo este colegiado de aplicar o § 2º do art. 62 do RICARF, para estender aquela interpretação ao caso concreto. Não foi por outro motivo que este colegiado sobrestou na época, o julgamento deste recurso enquanto vigeram os §§ 1º e 2º do art. 62A do antigo RICARF. Portanto, entendo inaplicáveis ao caso concreto, como alegado pela Recorrente, o contido nos RE nº 212.484 (RS) que não vincula o julgamento por este CARF. Além do mais, o STF mudou a interpretação do RE 212.484 (RS), ao julgar os RE nº 353.657 (PR) e 370.682 (RS), que ao contrário do que afirma a impugnante, ser inequívoco que o IPI relativo à aquisição de insumos isento dá direito a crédito, o STF alterou seu entendimento no sentido de que não há direito ao crédito nos casos de aquisição de insumos não onerados pelo IPI, incluída a isenção, como se constata pela citação a seguir, em recente julgado no RE nº 398.365 (RS), com Repercussão geral: Fl. 522DF CARF MF 30 27/08/2015 PLENÁRIO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO nº 398.365 RIO GRANDE DO SUL RELATOR :MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) :MÓVEIS BENTEC LTDA ADV.(A/S) :CAROLINA FAGUNDES LEITÃO E OUTRO(A/S) Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Ministro GILMAR MENDES Relator Ainda, na mesma linha, relativamente às aquisições de insumos tributados à alíquota zero, merece ser mencionada a Súmula CARF n° 18: “A aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Este entendimento é também corroborado por diversas decisões da 3ª Turma da CSRF, a exemplo dos acórdãos unânimes abaixo transcritos: Acórdão nº 9303001.612 3ª Turma CSRF Relator(a)HENRIQUE PINHEIRO TORRES Data da Sessão: 30/08/2011 EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1991 a 31/08/1997 IPI. Glosa de Créditos Básicos. Aquisições de Insumos Isentos. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. Acórdão nº 9303001.617 3ª Turma CSRF Relator(a) JULIO CESAR ALVES RAMOS. Data da Sessão 30/08/2011 EMENTA:IPI.CRÉDITOS. INSUMOS ISENTOS. Não há direito de crédito de IPI em relação a produtos adquiridos sem o efetivo gravame do imposto, seja a título de isenção, redução a zero da alíquota ou não tributação, desde que a CF e o CTN apenas o admitem quando haja imposto pago ou devido nas operações anteriores. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 509 31 4.3) Do princípio da nãocumulatividade e do direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos oriundos da ZFM (crédito ESCRITURAL de IPI) Argumenta a Recorrente em seu recurso, que a Constituição Federal, em seu artigo 153, § 3º, II, ao outorgar à União a competência para instituir o IPI, foi expressa ao determinar que este imposto será não cumulativo. E que o conceito de nãocumulatividade já foi esquadrinhado quando do julgamento do citado RE 212.484/RS, havendo sido consignado, naquela ocasião, que a nãocumulatividade deve implicar tributação exclusivamente do valor agregado em cada operação. Ressalta que no caso em foco, a restrição ao creditamento não decorre nem mesmo de Lei, mas apenas de atos infralegais, os quais, sob o fito meramente arrecadador, objetivam impossibilitar o aproveitamento do crédito do IPI nas aquisições de matérias primas isentas. Com efeito, não se poderia pretender que o Decreto nº 2.637/98 e seu antecessor Decreto n.° 87.981/82, ou mesmo o RIPI/02, espécies normativas infralegais e cujo condão não ultrapassa o limite da mera repetição do texto legal para explicar e padronizar as relações entre Fisco e Contribuinte, possam obstar o gozo de um direito constitucional. Não bastasse a ofensa ao princípio constitucional da não cumulatividade, temse no presente caso que a pretensão do Fisco e da decisão recorrida de exigir o IPI da Recorrente, sem o cômputo dos créditos a que faz jus em razão das aquisições realizadas sob o regime de isenção, não atende, outrossim, ao princípio da legalidade, estabelecido pelos artigos 5º, II, e 150, I, da Constituição Federal. Pois bem. Como já analisado, a Recorrente aduz que tem direito aos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos (por norma de isenção subjetiva regional), no produto "concentrado sem adição de frutas naturais", oriundos da Zona Franca de Manaus e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes), pelos fundamentos desenvolvidos em seu recurso. Primeiramente, fazse necessário verificar o consignado no Relatório Fiscal (fl. 25), onde o Fisco deixa consignado o conforme abaixo reproduzido: "(...) II.2 – CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO – PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. 1. Sem observar o disposto nos artigos 82, inciso III, e 175 do RIPI/2002, o estabelecimento creditouse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre produtos adquiridos da (ZFM) Zona Franca de Manaus. 2. De plano, cumpre esclarecer que é irrelevante se os créditos de IPI referemse à aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, pois, em qualquer dessas hipóteses o creditamento não é permitido, salvo expressa disposição de lei. (...). 8. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no artigo 49 do CTN, e reproduzida no artigo 163 do RIPI/2002, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). 9. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto Fl. 524DF CARF MF 32 constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em razão de sua isenção, não há se falar em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade". Como se vê, a discussão que deve ser travada diz respeito à possibilidade de aproveitamento na escrita fiscal de créditos de IPI referentes às aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Sobre crédito do IPI, e em específico de produtos isentos, essa matéria foi tratada com maestria no voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 02 03.029, da Segunda Turma da CSRF, que utilizo no presente voto e que também adoto como fundamentos de decidir, conforme disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999. Vejase a reprodução de partes do referido Acórdão: "(...) A solução da primeira questão cingese em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito ao ressarcimento de créditos desse tributo referente à aquisição de matéria prima isenta. A controvérsia tem como "pano de fundo" a interpretação do principio constitucional da não cumulatividade do imposto. A não cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3°, inc. II, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I omissis II será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores:" (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. “Art. 49. O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 510 33 Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.”. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da não cumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art.146 do Decreto nº 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea "a" do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matérias primas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação Fl. 526DF CARF MF 34 anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matéria prima em virtude de isenção, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "imposto contra imposto" (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada "base contra base", (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base) é adotada, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregou se, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e o da "h" em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase "b": valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 511 35 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto, adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da não cumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tão somente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o principio da não cumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos tributados não constitui, absolutamente, afronta ou restrição ao princípio da não cumulatividade do IPI ou a qualquer outro dispositivo constitucional." O conteúdo desse voto demonstra o conhecimento do ex presidente da 3ª Seção deste CARF, acerca da matéria igualmente tratadas nestes autos. Traz uma minuciosa explanação teórica sobre os sistemas adotados em nossa legislação quanto ao IPI. Sabese que o crédito escritural de IPI não é crédito presumido em que são supostas incidências do imposto em cadeias anteriores e estipulada uma alíquota média para compensação do gravame. Aliás, é a própria Constituição Federal, no parágrafo 6º do artigo 150, que impõe a existência de lei específica, com exclusiva regulamentação, para que se concedam créditos ou redução da base de cálculo. Fl. 528DF CARF MF 36 Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos tributados não constitui, absolutamente, afronta ou restrição ao princípio da não cumulatividade do IPI ou a qualquer outro dispositivo constitucional. 5. Da inaplicabilidade da cobrança de juros sobre a Multa de Ofício Aduz a Recorrente que, "(...) Ainda que não se admitam os argumentos trazidos pela Recorrente, suscitados nos itens acima, suficientes para a reforma integral do julgado, o que se admite apenas a título de argumentação, importa mencionar, em homenagem ao princípio da eventualidade, que os juros calculados com base na Taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. De fato, o artigo 13 da Lei n.° 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na Taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei n.° 8.981/1995, o qual, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos". Nesse ponto, adoto o entendimento inserto no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF, julgado em 15/03/2013. Repiso o voto do relator, Henrique Pinheiro Torres, vazado nos seguintes termos, o qual adoto como fundamento de decidir (forte no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999). "A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 512 37 Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Para eliminar quaisquer dúvidas que ainda restassem, o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento sobre a matéria, conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 04/12/2012: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, Fl. 530DF CARF MF 38 DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. 6. Dispositivo Pelo todo exposto e com tais fundamentos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a totalidade da 'Infração nº 1' do Auto de Infração, nos termos do contido no "item 4.1 Pagamento parcial saldos devedores do IPI " deste voto, mantendose todos os demais créditos tributários formalizados neste Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 513 39 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir parcialmente do Ilustre Relator quanto à exigência do item II do auto de infração, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Conforme consta no Termo de Informação Fiscal, com relação ao item II da autuação, a fiscalização considerou indevida a apropriação do crédito presumido incentivado pela contribuinte, sob os seguintes fundamentos principais: (...) II.2 – CRÉDITO PRESUMIDO INCENTIVADO INDEVIDO – PRODUTOS ORIUNDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. 1. Sem observar o disposto nos artigos 82, inciso III, e 175 do RIPI/2002, o estabelecimento creditouse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre produtos adquiridos da (ZFM) Zona Franca de Manaus. (...) 19. Importa esclarecer que “matériaprima” é espécie do gênero “insumo”. Este compreende “matériaprima”, “material de embalagem” e “produtos intermediários”. Com efeito, depreendese que para se utilizar do incentivo fiscal capitulado no art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, para fins de creditamento, apenas a “matériaprima” deve ser de produção regional, não se exigindo que o “material de embalagem” e os “produtos intermediários” sejam de produção regional. 20. Por outro lado, é de extrema clareza que o gozo do incentivo excepcional (direito ao crédito por parte do comprador) exige que todas as matériasprimas utilizadas no processo produtivo sejam “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária”. Não goza do benefício, portanto, o produto elaborado com a mistura de matériasprimas, sendo parte de produção regional e parte de outras localidades, haja vista que isso não atenderia à literalidade da norma nem aos objetivos do legislador. 21. De não olvidar que o art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional estabelece que a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, não comportando alargamento de benefício que não esteja expressamente previsto. (...) 40. Detalhados acima os insumos utilizados em cada um dos produtos fornecidos pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA, salta aos olhos a existência de diversas matériasprimas misturadas com àquelas supostamente de “produção regional”. Lembremos que a intimada asseverou que as “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional utilizadas no processo produtivo são as seguintes: Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Em qualquer dos produtos elencados no item anterior, verifica Fl. 532DF CARF MF 40 se a existência de matériasprimas outras, que não são de produção regional, ainda segundo o próprio informante, a exemplo de “aroma limão”, “emulsão cola”, “benzoato sódio”, “óleo essencial laranja”, “aroma laranja”, “goma arábica”, “ácido fosfórico” etc. Esse fato, por si só, já seria suficiente a ensejar a glosa de todos os créditos apropriados indevidamente pela Schincariol filial 000384, haja vista que, conforme esclarecido nos itens 17 a 23 deste relatório, o legislador exigiu, segundo a melhor exegese, que os produtos fossem elaborados com a totalidade de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária. 41. Não obstante já demonstrada a impossibilidade de crédito devido a não utilização exclusiva de matériasprimas extrativas vegetais de produção regional, demonstraremos, ainda nesse relatório, que a quase totalidade das matériasprimas ditas, pelo fornecedor, como sendo de produção regional, FORAM ADQUIRIDAS DE EMPRESAS SITUADAS FORA DA AMAZÔNIA OCIDENTAL, inclusive a semente de guaraná que em sua maior parte saiu da Bahia e do Pará. (...) Conforme se deduz do texto acima, a fiscalização glosou o crédito presumido incentivado por dois motivos independentes, quais sejam: a) não utilização exclusiva de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional pela fornecedora na elaboração dos concentrados, os quais são posteriormente adquiridos pela ora recorrente; e b) quase totalidade das matériasprimas declaradas pela fornecedora como de produção regional foram adquiridas por ela de empresas situadas fora da Amazônia Ocidental. O direito ao crédito do valor do IPI sobre o produto adquirido com isenção estava previsto nos arts. 82, III e 175 do Regulamento do IPI/2002, vigente à época dos fatos, nestes termos: Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...) Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). [negritei] Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 514 41 Pelo que se lê no inciso III do art. 82 do RIPI/2002 acima, para saírem com isenção do IPI do estabelecimento fornecedor, os produtos devem ter sido "elaborados com" matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, não se podendo daí deduzir que o referido dispositivo quis dizer: "produtos elaborados [exclusivamente] com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". A interpretação literal a que alude o art. 111 do CTN não sustenta o posicionamento da fiscalização no sentido de que, para o gozo do incentivo, seria exigido que "todas as matériasprimas utilizadas no processo produtivo" fossem matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. É princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Nessa esteira, se o texto legal do inciso III do art. 82 do RIPI/2002 dispõe de modo amplo ("elaborado com..."), sem limitações evidentes, não pode o intérprete deixar de aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente, como, por exemplo, quando há "ao menos uma" matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional na elaboração do produto. Assim, entendo que deve ser afastado o requisito apontado pela fiscalização como obstáculo à fruição do benefício pela contribuinte de não utilização exclusiva de matériasprimas regionais (item a. acima). Passase a analisar o outro motivo independente da fiscalização para a glosa dos créditos incentivados (item b. acima), no sentido de que quase totalidade das matérias primas declaradas pela fornecedora como de produção regional não o seriam. Como se verifica no Termo de Informação Fiscal, apurouse junto à fornecedora todas as matériasprimas utilizadas em cada um dos concentrados, os quais são posteriormente adquiridos pela recorrente, quais sejam, “concentrado limão”, “concentrado laranja”, “concentrado cola 1”, “concentrado cola 2” e “concentrado aromático guaraná”. As matériasprimas de produção regional indicadas foram as seguintes: “Corante Caramelo, Cafeína, Álcool Neutro e Semente de Guaraná”. Nos itens 44 a 49 do Termo de Informação Fiscal, restou minuciosamente demonstrado pela fiscalização que as matériasprimas indicadas como regionais para a elaboração de cada concentrado não são, na verdade, de produção regional, como exige a norma isentiva, com exceção de pequena parte de "Semente de Guaraná" adquirida da pessoa física José Farias de Araújo, nestes termos: (...) ÁLCOOL NEUTRO 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 534DF CARF MF 42 44. Observase daquele item 39 que o “álcool neutro” é utilizado nos “concentrados limão”, “concentrado laranja” e “concentrado aromático guaraná”. (...) 46. (...) A empresa WS Indústria Comércio Representação informou que os produtos foram adquiridos de empresas localizadas em São Paulo. A empresa Magama Industrual informou que o produto foi adquirido de empresas situadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A empresa AM Química Indústria e Comércio encontrase fechada, conforme informação dos Correios. A empresa Wofran Comércio e Representação Ltda teve suas atividades encerradas perante o Cadastro CNPJ. Portanto, inexistem quaisquer matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional da Amazônia Ocidental nos produtos “CONCENTRADO LARANJA” e “CONCENTRADO LIMÃO”, haja vista que o “álcool neutro” seria hipoteticamente a única matériaprima utilizada como sendo de produção regional. (...) 47. “Cafeína” – Das quatro empresas indicadas como fornecedoras da “Cafeína”, apenas a EXNAMA EXTRATOS NATURAIS DA AMAZONIA está inserida na área da Amazônia Ocidental. Esta empresa foi intimada a informar a origem da matériaprima utilizada na elaboração da cafeína, manifestandose, em sua resposta, que “não foram utilizadas matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional da Amazônia Ocidental”. Portanto, inexistem quaisquer matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional da Amazônia Ocidental no produto “CONCENTRADO COLA 2”, haja vista que a “cafeína” seria hipoteticamente a única matériaprima utilizada como sendo de produção regional. (...) 48. “Corante Caramelo” – o referido insumo é fornecido pela empresa D D WILLIAMSON DO BRASIL LTDA, localizada em ManausAM. Esta empresa foi intimada a informar a origem da matériaprima utilizada na elaboração do “corante caramelo” para bebidas não alcoólicas, manifestandose, em sua resposta, que não utiliza matériaprima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional na elaboração do referido produto. Conforme se observa de sua resposta, a matériaprima utilizada tem como origem o Estado do Mato Grosso. Portanto, inexistem quaisquer matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional da Amazônia Ocidental no produto “CONCENTRADO COLA 1”, haja vista que o “corante caramelo” seria hipoteticamente a única matériaprima utilizada como sendo de produção regional. (...) 49. “Semente de Guaraná” Dos quatro fornecedores da “Semente de Guaraná” indicados pela SCHINCARIOL LOGISTICA E DISTR LTDA apenas o produtor, pessoa física, JOSE FARIAS DE ARAUJO, está situado no âmbito da Amazônia Ocidental. Os demais fornecedores, em quantitativo muito mais expressivo, são empresas situadas na Bahia e no Pará. Com efeito, a “semente de guaraná” de produção regional utilizada no “concentrado aromático guaraná” é apenas residual. (...) (...) Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10480.723970/201065 Acórdão n.º 3402004.899 S3C4T2 Fl. 515 43 Os argumentos apresentados pela recorrente não são suficientes para afastar a conclusão acima da fiscalização de que a quase totalidade das matériasprimas declaradas pela fornecedora da recorrente como de produção regional foram adquiridas de empresas situadas fora da Amazônia Ocidental, o que já foi, inclusive, abordado pelo Conselheiro Relator em seu voto. Assim, relativamente ao item II do auto de infração, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer apenas o direito creditório na aquisição dos "concentrados aromáticos guaraná" pela recorrente, na proporção daqueles produzidos com as sementes de guaraná adquiridas do Sr. José Farias de Araújo. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10726.000150/2001-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado sem justificativa válida.
Numero da decisão: 3002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado sem justificativa válida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10726.000150/2001-81
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846423
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.013
nome_arquivo_s : Decisao_10726000150200181.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10726000150200181_5846423.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7181482
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009775112192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 972 1 971 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10726.000150/200181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.013 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Recorrente MOTO CLASSE MOTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado sem justificativa válida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 6. 00 01 50 /2 00 1- 81 Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10726.000150/200181 Acórdão n.º 3002000.013 S3C0T2 Fl. 973 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 963 a 966) interposto contra o acórdão de nº 1328.915, proferido pela quinta turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (fls. 945 a 952) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o Despacho Decisório de nº 14/2009 (fls. 911 a 918). Tal acórdão está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2000 CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. A declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo envolvendo créditos e débitos objeto de pedido de compensação protocolado em data anterior substitui o pedido original, contandose o prazo de cinco anos para a ocorrência da homologação tácita a partir da data de entrega da referida declaração. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em razão da perfeita narrativa fática elaborada pela 5ª turma da DRJ/RJ2, peço escusa para reproduzir trechos da mesma a seguir, atualizando, contudo, os números das folhas do processo para adequálos ao volume digital. Trata o presente processo de Pedidos de Compensação de fls. 03, 39 e 43, Declarações de Compensação apresentadas em meio eletrônico relativo a créditos provenientes de recolhimentos a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de junho a outubro de 2000. A DRF/Campos dos Goytacazes exarou o Despacho Decisório n° 14/2009 de fls. 911 a 918, indeferindo o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologando as compensações efetuadas. A autoridade fiscal esclarece que: a) Segundo o art. 44 da MP 199115/2000, e reedicõ̧es posteriores, as pessoas jurídicas fabricantes de veículos estão obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, o PIS e a Cofins devidos pelos comerciantes varejistas; b) O valor a ser excluído da base de cálculo pelos comerciantes varejistas não compreende o preço de venda das peças, acessórios e serviços incorporados aos produtos, conforme art. 6° da IN SRF 54/2000; c) Os valores excluídos da base de cálculo na DIPJ diferem dos valores constantes das notas fiscais apresentadas, conforme planilhas acostadas aos autos e tabela em fl. 915; Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10726.000150/200181 Acórdão n.º 3002000.013 S3C0T2 Fl. 974 3 d) Os valores escriturados no Livro Razão não permitem verificar a forma de apuração do PIS e da Cofins, fato este destacado pela interessada em fls. 147 e 148; e) O art. 170 do CTN permite a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo, o que não é possível determinar com as informações oferecidas pela interessada; f) A base de cálculo oferecida A tributação na DIPJ e escriturada no Livro Razão não guarda relação com o montante de notas fiscais de saída apresentadas, o que permite afirmar que houve omissão de receita nos meses de junho e agosto a outubro. Cientificada da decisão em 12/05/2009 (fl. 923), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/05/2009 (fls. 925 a 930), alegando, em síntese que a) O Auditor Fiscal não esclarece que os pedidos de compensação de fls. 03, 39 e 43, foram protocolados em 2001; b) O Auditor Fiscal não apresenta planilha detalhada que comprove as divergências de valores entre as notas fiscais e a DIPJ, sendo que dentre as notas fiscais apresentadas existem algumas com código de operação de simples remessa, não sendo, portanto, fato gerador de imposto; c) A época da apresentação do pedido de compensação, os créditos constituídos eram líquidos e certos. Vale ressaltar a intempestividade das alegações fiscais, por se tratar de ano calendário já alcançado pela prescrição conforme art. 173 do CTN; d) O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação, conforme art. 29, § 2° da IN SRF 600/2005 e alterações posteriores; e) Com base nas alegações, invoca o principio da retroatividade de lei benéfica, quanto ao § 2° do art. 29 da IN SRF 600/2005, para solicitar a homologação de oficio da compensação. O contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância na data de 17.06.2010 (fl. 957). Em 30.07.2010 protocolou o presente Recurso Voluntário ao acórdão nº 13 28.915 (fls. 963 a 966). É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 não deixa dúvidas quanto a ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10726.000150/200181 Acórdão n.º 3002000.013 S3C0T2 Fl. 975 4 Os documentos trazidos aos autos (fls. 957 e 963 a 966), evidenciam que o contribuinte protocolou o recurso voluntário depois de transcorridos 43 (quarenta e três) dias da ciência da decisão de primeira instância. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.722767/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso voluntário protocolado intempestivamente.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
CONFRONTO ENTRE DIPJ E DCTF. SPED CONTÁBIL.
Após diligências em que foi analisado o SPED (e os documentos) em confronto com as declarações retificadoras, devem ser exonerados valores lançados que estavam baseados somente no confronto entre as DIPJ e DCTF originais, adequando os remanescentes ao resultado observado após as referidas diligências.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL decorrente o mesmo entendimento esposado para o lançamento de IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais.
Numero da decisão: 1201-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado intempestivamente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 CONFRONTO ENTRE DIPJ E DCTF. SPED CONTÁBIL. Após diligências em que foi analisado o SPED (e os documentos) em confronto com as declarações retificadoras, devem ser exonerados valores lançados que estavam baseados somente no confronto entre as DIPJ e DCTF originais, adequando os remanescentes ao resultado observado após as referidas diligências. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento de CSLL decorrente o mesmo entendimento esposado para o lançamento de IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10435.722767/2014-41
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843663
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-001.949
nome_arquivo_s : Decisao_10435722767201441.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 10435722767201441_5843663.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7174056
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009784549376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.722767/201441 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.949 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes FAZENDA NACIONAL CASAS BANDEIRANTES LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário protocolado intempestivamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 CONFRONTO ENTRE DIPJ E DCTF. SPED CONTÁBIL. Após diligências em que foi analisado o SPED (e os documentos) em confronto com as declarações retificadoras, devem ser exonerados valores lançados que estavam baseados somente no confronto entre as DIPJ e DCTF originais, adequando os remanescentes ao resultado observado após as referidas diligências. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL decorrente o mesmo entendimento esposado para o lançamento de IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 27 67 /2 01 4- 41 Fl. 575DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, complementandoo a seguir: Tratam os presentes autos de exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 9.570.898,04, fls. 235, e da CSLL, R$ 3.442.180,46, fls. 247, atinentes ao anocalendário de 2011, acrescidas de penalidade de 75% e encargos moratórios, de pessoa jurídica tributada com base no lucro real trimestral. 2. Fundamentaram as exações as diferenças verificadas entre os valores dos tributos constantes de DIPJ e DCTF originais, para as quais intimado o sujeito passivo apresentou os esclarecimentos de fls. 9/13 acerca de erros identificados no preenchimento das mesmas e apresentou DIPJ e DCTF retificadoras em 24/09/2011. 2.1. Intimado a prestar esclarecimentos, o sujeito passivo, após sucessivas prorrogações de prazos, fls. 2, 6, 7 e 8, foi autorizado, até 26/09/2014, a apresentar os esclarecimentos necessários que justificassem as diferenças DIPJ e DCTF originalmente protocoladas em 29/06/2012, fls.148. 2.2. Em 23/09/2014, apresentou DIPJ e DCTF retificadoras, com os esclarecimentos de erros incididos na DIPJ, conforme listados às fls. 9/12. Igualmente processou os recolhimentos das diferenças apuradas relativamente a DCTF original, com penalidade moratória e encargos legais, conforme fls. 16/19. 2.3. A fiscalização não considerou as retificações ao argumento de terem sido apresentadas após o inicio do procedimento fiscal, fls. 235. 2.4. Por fim, o sujeito passivo apresentou SPED, protocolado em 01/12/2014, com apropriações contábeis coincidentes com os valores declarados em novas DIPJ e DCTF retificadoras ativas, protocoladas em 26/11/2014 3. Ciente das exigências em 14/11/2014, fls. 263/264, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 268/280, protocolada em 13/12/2014, através da qual alega, em síntese: 3.1. em preliminar, a nulidade dos lançamentos por vício formal, visto que em desacordo com os arts. 9º e 11, ambos do Decreto n° 70.235/72; 3.2. no mérito, o cancelamento das autuações, uma vez que autuações lavradas sem análise das justificativas e de sua documentação, na forma do art. 911 do RIR/99; Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10435.722767/201441 Acórdão n.º 1201001.949 S1C2T1 Fl. 3 3 3.2.1. reproduz jurisprudência do CARF no sentido de que erros no preenchimento de informações à Receita Federal não justificam lançamentos tributários, conforme ementas de acórdãos reproduzidas às fls. 274/275. 3.3. o SPED, por autorização da Receita, deveria ser entregue até 01/12/2014, conforme documentos de fls. 456/457, dadas as alterações nas normas contábeis e de contadores efetuadas pela impugnante. 3.4. Com fundamento no art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, requer diligência e perícia para confirmação dos erros apontados no preenchimento da DIPJ, ante o SPED. 4. Em 17/04/2015 o processo foi baixado em diligência para que o contribuinte, com base na escrituração contábil/fiscal, comprovasse os alegados erros no preenchimento das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente atestados pela fiscalização, fls. 462. 4.1. O Termo de Encerramento da Diligência de fls. 472/473 constatou que as apropriações contábeis/fiscais, constantes do SPED, protocolado em 01/12/2014, são coincidentes com os valores declarados em DIPJ e DCTF retificadoras protocoladas em 26/11/2014, ainda que aquele tenha sido apresentado após o término da ação fiscal. 5. Em 29/09/2015 este feito foi novamente baixado em diligência para verificação da consistência documental dos lançamentos que resultaram a DIPJ e DCTF retificadoras ativas. 5.1. O resultado da diligência confirmou a consistência de informações do SPED, DIPJ e DCTF retificadoras ativas. Após impugnação, os lançamentos foram considerados procedentes em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2011 PERÍCIA. FUNDAMENTOS MATERIAIS DA DECISÃO INTEGRANTES DOS AUTOS POR INICIATIVA DO SUJEITO PASSIVO. EFEITOS. Despicienda a pretensão pericial quando, no curso do procedimento fiscal, o próprio sujeito passivo fornece os elementos necessários ao deslinde da lide. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 RECONHECIMENTO DE ACRÉSCIMOS TRIBUTÁRIOS EM DECORRÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. Fl. 577DF CARF MF 4 O reconhecimento de tributos devidos em decorrência de procedimento fiscal não afasta a penalidade de oficio pertinente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 RECONHECIMENTO DE ACRÉSCIMOS TRIBUTÁRIOS EM DECORRÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. O reconhecimento de tributos devidos em decorrência de procedimento fiscal não afasta a penalidade de oficio pertinente. Houve recurso de ofício dessa decisão, em face do valor exonerado superar o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, à época. A ciência quanto à decisão de primeira instância ocorreu em 16 de fevereiro de 2016. Em 18 de março de 2016, foi postado o recurso voluntário, no qual foi aduzido, em síntese: o lançamento deuse somente pelas diferenças de valores declarados e recolhidos ao Fisco Federal, não cabendo assim a lavratura de auto de infração, mas de notificação de lançamento, se fosse o caso de lançamento de oficio, simplesmente para a aplicação, como afirmado na decisão recorrida, de multa de oficio, a qual, é indevida, pois a multa devida é a de mora; tal fato gera a nulidade por vício formal do procedimento utilizado pelo autuante; conforme declarado na decisão recorrida, o valor da diferença foi calculado e acrescido dos encargos de juros e multa de mora e, muito embora essa diferença já esteja inserida em programa de anistia (REFIS) e isto ter sido informado nos autos, não houve menção na decisão recorrida que apenas determinou o pagamento das diferenças com a multa de 75%, a qual é indevida, já que a diferença apontada não foi fruto de ferimento a nenhuma legislação tributária, mas simplesmente de erro no preenchimento de declarações; as diferenças não poderiam se constituir em objeto da autuação, pois o SPED da recorrente poderia ser entregue até o dia 01/12/2014, nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal nº 01,1.02.0020140 01045. A entrega porém ocorreu antes desse prazo, em 28/11/2014; as diferenças mencionadas na decisão recorrida e validadas pelo Termo de Encerramento de Diligência, estão todas regulares por adesão ao REFIS, nos termos do artigo 151, inciso VI, do CTN, as quais tiveram seus valores acrescidos de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10435.722767/201441 Acórdão n.º 1201001.949 S1C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez o valor exonerado exceder ao novo limite de alçada de R$ 2.500.000,00. Quanto ao recurso voluntário, consta em seu preâmbulo que seria tempestivo: Ocorre, todavia, que a ciência quanto à decisão de primeira instância, efetivada pela Intimação ARFSTAPE nº 006/2016 (fl. 543), deuse em 16 de fevereiro de 2016 (terçafeira), conforme pode ser visto no AR abaixo: O extrato abaixo, obtido junto ao "site" dos Correios (fl. 560), confirma os dados do AR: Fl. 579DF CARF MF 6 Portanto, o termo inicial para a contagem do prazo para a interposição do recurso voluntário iniciouse em 17 de fevereiro de 2016 (quartafeira), encerrandose no dia 17 de março de 2016 (quintafeira). Não consta dos autos qualquer alteração no expediente da unidade da Receita Federal nos dias 17 de fevereiro ou 17 de março, do ano de 2016. O recurso foi postado em 18 de março de 2016, conforme atestam o envelope que continha a peça recursal e o extrato obtido junto ao "site" dos Correios (fls. 557 e 559): Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10435.722767/201441 Acórdão n.º 1201001.949 S1C2T1 Fl. 5 7 Não se conhece, pois, do recurso voluntário, por intempestivo. Recurso de ofício. Os lançamentos referemse a IRPJ e CSLL do anocalendário 2011, pela comparação entre os valores declarados nas DIPJ e DCTF originais. Antes do julgamento em primeira instância, o processo baixou em diligência por duas vezes, para a averiguação quanto aos valores declarados em DIPJ e DCTF retificadoras, apresentadas após o início da ação fiscal. Constou no relatório da decisão de piso (fl. 539): 4. Em 17/04/2015 o processo foi baixado em diligência para que o contribuinte, com base na escrituração contábil/fiscal, comprovasse os alegados erros no preenchimento das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente atestados pela fiscalização, fls. 462. 4.1. O Termo de Encerramento da Diligência de fls. 472/473 constatou que as apropriações contábeis/fiscais, constantes do SPED, protocolado em 01/12/2014, são coincidentes com os valores declarados em DIPJ e DCTF retificadoras protocoladas em 26/11/2014, ainda que aquele tenha sido apresentado após o término da ação fiscal. Fl. 581DF CARF MF 8 5. Em 29/09/2015 este feito foi novamente baixado em diligência para verificação da consistência documental dos lançamentos que resultaram a DIPJ e DCTF retificadoras ativas. 5.1. O resultado da diligência confirmou a consistência de informações do SPED, DIPJ e DCTF retificadoras ativas. Assim, não merece reparos a decisão de piso que, baseandose em diligências em que foi analisado o SPED (e os documentos) em confronto com as declarações retificadoras, exonerou valores lançados que estavam baseados somente no confronto entre as DIPJ e DCTF originais, adequando os remanescentes ao resultado observado após as referidas diligências, conforme excertos abaixo transcritos: 8. No que respeita ao artigo 911 do mesmo RIR/99, no contexto do artigo 835, antes reproduzido, o auditor, mediante diligência, verificou da exatidão da DIPJ e DCTF reretificadoras e dos respectivos balanços, consoante dispõe o dispositivo do art. 7° da Lei n° 2.354/1954, naquele artigo (RIR/99. Art. 911): Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. 9. Quanto à requerida perícia, despicienda a proposição. De um lado, porque as diligências confirmaram a exatidão da apuração contábil e fiscal, reproduzida na DIPJ e DCTF protocoladas em 01/12/2014. De outro lado porque o que remanesce da autuação decorre, exclusivamente, de procedimento adotado pelo sujeito passivo. [...] 10. Nas circunstâncias antes enfocadas cabe salientar: 10.1. os inequívocos erros no preenchimento da DIPJ original, fls. 148, na apropriação de despesas/encargos, dedutíveis/não dedutíveis, relativamente ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 2011, conforme listados às fls. 9/12, os quais não se refletiram nas DCTF apresentadas, original e retificadoras; 11. no confronto entre a DCTF retificadora, apresentada em 01/12/2014, e a DCTF original ocorreu a apuração e reconhecimento de tributos devidos por apropriações anteriormente não retratadas em DIPJ, conforme demonstrativos a seguir: [...] 11.3. Tratamse, portanto, de acréscimos de tributos reconhecidos como devidos em decorrência do procedimento fiscal de fls. 3, assim discriminados: 11.3.1. IRPJ 11.3.2. CSLL Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10435.722767/201441 Acórdão n.º 1201001.949 S1C2T1 Fl. 6 9 11.4. No contexto reportese ao art. 63, § 5°, do DecretoLei n° 5.844/43, reproduzido no art. 833 do RIR/99: Art. 833. A pessoa jurídica que, depois de iniciada a ação fiscal, requerer a retificação de rendimentos de sua declaração não se eximirá, por isso, das penalidades previstas neste Decreto, aplicandose o mesmo procedimento a todas as pessoas físicas ou jurídicas, quanto aos rendimentos oriundos da pessoa jurídica a que se referir aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes. 12. Na esteira dessas considerações, dou provimento parcial à impugnação para reduzir o IRPJ devido para R$ 703.992,90 e a CSLL para R$ 249.734,61, acrescidos de penalidade de ofício, 75%, e encargos moratórios, conforme demonstrativo a seguir: [...] Ressaltase que, no voto, há observação com o seguinte teor: "Na execução deste julgado devem ser levados em conta os valores pagos, conforme fls. 16/19, e objetos de pedido de revisão de consolidação de fls. 516/518." Essa ressalva também consta no acórdão. Conclusão. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário e conhecer do recurso de ofício para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001783/2007-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA.
Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
Numero da decisão: 1002-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente.
(assinado digitalmente)
AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10070.001783/2007-53
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5836921
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.001
nome_arquivo_s : Decisao_10070001783200753.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10070001783200753_5836921.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7146946
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009822298112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.001783/200753 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.001 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente WEBB NEGÓCIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 17 83 /2 00 7- 53 Fl. 83DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi autuado para a exigência de multa pela entrega fora do prazo legal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de janeiro de 2006. Alega que apresentou a DCTF semestral tempestivamente por erro, já que reconhece que deveria ter apresentado a declaração mensalmente, mas aponta que estaria impedido de apresentar a declaração correta enquanto a Receita Federal do Brasil não homologasse o seu pedido de cancelamento da DCTF anteriormente apresentado, por tratarse de caso de mudança de periodicidade, na forma do §8° do art. 12 da IN/SRF n° 583/05. Ademais, argumenta que o termo final para a aplicação da referida multa deveria ser afastada posto que o atraso “decorre somente, e tãosomente, da morosidade do serviço público.” Requer ainda a aplicação retroativa do disposto na parte final do art. 13 da IN/SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006, que trata das DCTF’s apresentadas com periodicidade semestral quando o contribuinte estivesse obrigado a apresentar mensalmente tal declaração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Deve ser mantida a utilização do termo final de incidência contido no § 1° do art. 7° da Lei n° 10.426/2002, por inexistente qualquer previsão legal ou normativa que permita a utilização de outro termo. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados à primeira Seção do CARF e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. Voto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10070.001783/200753 Acórdão n.º 1002000.001 S1C0T2 Fl. 3 3 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Discutese nos autos o lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. A Recorrente entregou erradamente, em 12/09/06, DCTF semestral, quando deveria ter entregue a mensal, a qual estava normativamente obrigada. Quando percebeu o erro a Recorrente tentou retificar sua declaração, porém, o sistema de controle da RFB não permitia retificação da DCTF semestral para mensal (mudança de periodicidade), devendo, à época, necessariamente, haver o cancelamento administrativo da primeira declaração para que a segunda pudesse ser recepcionada no sistema, eis que não era permitida na base da dados a existência de 2 declarações de um mesmo contribuinte num mesmo anocalendário com periodicidades distintas. Diante deste quadro, o Recorrente ingressou com pedido de cancelamento da DCTF semestral (fls. 50) e teve de aguardar o deferimento de seu pleito pela autoridade administrativa para, só a partir daí, poder apresentar a DCTF do mês de 01/2006 na forma da legislação vigente. Ocorre que, durante o período compreendido entre a data do protocolo de seu pedido e o deferimento do cancelamento da DCTF semestral pela unidade de origem, a contagem do número de meses de atraso da entrega da DCTF mensal não foi interrompida até fevereiro de 2007, momento em que o contribuinte teve ciência de seu requerimento (fls. 49) e pôde, em 28/02/07 (fls. 45), entregar a declaração mensal de 01/2006, de modo a suprir a obrigação acessória faltante. Por isso, o período de atraso da entrega da DCTF do mês de 01/2006 considerado no cálculo da multa atingiu 12 meses, eis que a data do vencimento da DCTF mensal correspondente ao mês de janeiro/2006 era 07/03/06, mas a referida declaração só foi efetivamente entregue em 28/02/07 (fls. 46). Cumpre observar que o Recorrente não contesta o atraso na apresentação da DCTF, mas apenas o período que serviu de base ao cálculo do valor da multa exigida, porque entendeu que a DCTF semestral continha todas as informações da DCTF mensal a qual estava normativamente obrigada e que, por isso, poderia perfeitamente ser aceita para suprir a entrega da DCTF de 04/2006. Assim, a discussão ora em debate é se o Recorrente pode ser penalizado com o aumento do numero de meses em atraso da entrega da DCTF mensal em decorrência de um ato administrativo cuja decisão estava alheia a sua vontade, porque a análise acerca de seu requerimento apresentado em 09/11/06 dependia exclusivamente do pronunciamento de um agente público (fls. 50). Com base nesse entendimento, o Recorrente postula que o termo final da contagem dos meses de atraso da DCTF não seria o dia 28/02/07, mas sim o dia 12/09/06 (fls. 51), data que em que entregou a DCTF semestral do ano de 2006, que, segundo diz, continha todas as informações que seriam declaradas na DCTF mensal, de modo a suprir a obrigação acessória correspondente a este períodobase. Fl. 85DF CARF MF 4 Em outras palavras, ou se consideraria como termo final da multa por atraso na entrega da DCTF o dia 28/02/07 data de efetiva entrega da DCTF mensal do mês de 01/2006 ou o dia seguinte ao da ciência do requerimento de cancelamento da DCTF semestral do 1º semestre de 2006; na primeira situação teríamos 12 meses de atraso no cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF e, na segunda, apenas 7. À época dos fatos, o parágrafo 8º do artigo 12 da IN SRF 583/2005 vedava expressamente a retificação da DCTF na situação ora analisada: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.(grifei) (...) Além disso, o artigo 13 da mesma Instrução normativa declarava taxativamente que a DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa a um mesmo anocalendário não produziria quaisquer efeitos: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos. Por outro lado, a IN SRF 695/2006, no parágrafo único do seu artigo 13, passou a permitir que a DCTF semestral entregue com erro de periodicidade gerasse efeitos em relação às pessoas jurídicas que se enquadrassem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF mensal: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado.(grifei) Ora, considerando que o parágrafo único da IN SRF 695/96 flexibilizou os efeitos da entrega da DCTF semestral entregue com erro, estabelecendo regra de contagem de prazo mais branda em relação à situação idêntica à do Recorrente, admitindo como termo ad quem de contagem dos meses de atraso da multa por falta de entrega de DCTF mensal a data da entrega da DCTF semestral, considero licito estender a aplicação dessa mesma regra para a entrega das DCTF em atraso do anocalendário 2006 que encontravamse pendentes de análise, eis que a IN SRF 593 não admitia a produção de quaisquer efeitos da DCTF semestral apresentada com erro nesse período. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10070.001783/200753 Acórdão n.º 1002000.001 S1C0T2 Fl. 4 5 Entendo assim por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria de multa, que considero aplicável ao caso em análise, eis que o requerimento do Recorrente acerca do cancelamento da DCTF semestral ainda não havia sido analisado no momento da edição da IN SRF 695/2006. Considerando que o art. 13 supra não explicita como se dará a cobrança da multa nesses casos, somente registrando a expressão “período considerado”, entendo que a referida norma deve ser interpretada em conjunto com o artigo 2o da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal e assim preceitua: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Fl. 87DF CARF MF 6 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Por todo o exposto e com base no princípio da proporcionalidade entendo que a melhor solução para o caso é o afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF somente para o período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão, eis que o procedimento administrativo era necessário para que o contribuinte pudesse sanar sua falha e dependia exclusivamente da atuação do agente público. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto para afastar a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 01/2006 no período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão administrativa, de modo que o crédito constituído por força do descumprimento instrumental será equivalente ao calculado conforme quadro abaixo: Quadro indicativo do cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 01/2006: Prazo final de entrega Data da entrada do Requerimento de cancelamento da DCTF semestral Data de ciência da decisão de cancelamento da DCTF semestral Data de entrega da DCTF mensal do mês de 04/2006 Nº Meses em atraso (desconsiderado o período em que o requerimento administrativo estava pendente de análise) cálculo da multa Valor devido (passível de redução) 07/03/2006 12/09/2006 02/2007 28/02/2007 07 14% X R$ 199.742,78 R$ 27.963,98 Ante o exposto voto por dar provimento integral ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908091/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA.
A tempestividade do recurso é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição.
O Recurso Voluntário intempestivo não atende aos pressupostos de admissibilidade recursal, não podendo ser conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, em razão da inexistência de omissão, e reformar de ofício o acórdão para não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. A tempestividade do recurso é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição. O Recurso Voluntário intempestivo não atende aos pressupostos de admissibilidade recursal, não podendo ser conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.908091/2009-31
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851647
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.977
nome_arquivo_s : Decisao_10166908091200931.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10166908091200931_5851647.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, em razão da inexistência de omissão, e reformar de ofício o acórdão para não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7201588
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009825443840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.908091/200931 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.977 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria Cofins Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BAR E WISKERIA BRASÍLIA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. A tempestividade do recurso é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição. O Recurso Voluntário intempestivo não atende aos pressupostos de admissibilidade recursal, não podendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, em razão da inexistência de omissão, e reformar de ofício o acórdão para não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 91 /2 00 9- 31 Fl. 121DF CARF MF 2 Relatório Tratam os presentes autos, em seu atual estado, de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão CARF nº 3803003.490, relatado pelo Conselheiro Alexandre Kern, sob fundamento de omissão quando da análise da tempestividade do Recurso Voluntário. Alega a D. Procuradoria o seguinte: Compulsando os autos, constatase que o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 28/05/2012 (segunda‑ feira), conforme AR. Contudo, o contribuinte somente apresentou recurso voluntário em 28/06/2012 (quinta‑ feira). Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, ou seja, em 29/05/2012 (terçafeira), podese concluir que o prazo de trinta dias ultimouse em 27/06/2012 (quarta‑ feira), uma vez que os prazos processuais não se suspendem ou interrompem pela superveniência nesse intervalo de finais de semana, férias ou feriados. Tampouco há notícia de que os dias nos quais recaíram o início e o final do prazo recursal não foram dias úteis, ou seja, dias nos quais não houve expediente forense. Observase inclusive que, para justificar a tempestividade do recurso voluntário, o contribuinte alega que tomou ciência do acórdão proferido pela DRJ em 29/05/2012, o que, contudo, não encontra respaldo nos autos. Diante dos potenciais efeitos infringentes do reconhecimento do vício apontado, intimouse o Embargado para se manifestar acerca do teor dos Embargos de Declaração no prazo de 5 dias. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, devendo serem conhecidos por este Colegiado. Compulsando o Acórdão embargado, verificase que o relator assumiu os dados fornecidos pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário como verdadeiros, partindo do pressuposto da ciência da decisão da DRJ em 29/05/2012: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10166.908091/200931 Acórdão n.º 3402004.977 S3C4T2 Fl. 3 3 Tal ponto se encontra, todavia, em descompasso com as provas dos autos, especialmente com o Aviso de Recebimento da intimação do Contribuinte: Portanto, se verifica claramente uma dissonância entre a data de ciência real e aquela informada pelo Contribuinte nos autos, no tópico específico de seu Recurso sobre a tempestividade do mesmo. Um primeiro ponto a se colocar aqui é o equívoco da Procuradoria ao fundamentar seus Embargos de Declaração em omissão, ao passo que aduzem diversas razões que indicam, em rigor, uma contradição entre o decisum e as provas dos autos. Provavelmente, tal estratégia foi adotada em razão do conhecimento da pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca das contradições sanáveis por meio de Embargos a “contradição que enseja os embargos de declaração é apenas a interna, aquela que se verifica entre as proposições e conclusões do próprio julgado” (EDcl no REsp 1.114.066/BA, Rel. Min. SIDNEI BENETI, Terceira Turma, DJe 13/10/2010). De fato, via de regra, os Embargos de Declaração que apontam contradição entre a decisão e as provas dos autos não devem ser conhecidos, por a contradição que enseja a oposição dessa via recursal é interna, entre a decisão e seus próprios fundamentos. Todavia, neste caso específico, a contradição apontada diz respeito à questão dos pressupostos de admissibilidade recursal, especificamente a tempestividade do Recurso Voluntário. Por se tratar de questão de ordem pública, cognoscível de ofício e em qualquer Fl. 123DF CARF MF 4 grau ou instância de julgamento, essa matéria deve ser apreciada por este Colegiado, na esteira da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO CONFIGURADA – INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – CONHECIMENTO EM QUALQUER TEMPO E GRAU DE JURISDIÇÃO – POSSIBILIDADE – PRECEDENTES. 1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. 2. Com efeito, da análise detida dos autos e da minuciosa leitura dos acórdãos embargados, verifica‑ se que procede a afirmação da embargante acerca da existência de omissão quanto à intempestividade do recurso especial. 3. A tempestividade do recurso é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição. 4. Precedentes: REsp 951.455/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 23.4.2009, DJe 13.5.2009; REsp 1.027.582/CE, Rel.Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5.11.2008, DJe 11.3.2009; REsp 992.690/BA, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 4.12.2007, DJ 17.12.2007; REsp 254.319/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 21.6.2007, DJ 6.8.2007. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para reconhecer a intempestividade do recurso especial de GEÓRGIA ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA., e dele não conhecer. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 888.998/ES, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2009, DJe 07/12/2009) Portanto, entendo que, a despeito dos Embargos tratarem de contradição entre a decisão e as provas dos autos, o mesmo deverá ser admitido e conhecido se presentes os demais requisitos de admissibilidade. Voltando ao prazo, verificase que, em sendo intimado o Contribuinte em 28/05/2012, seu prazo recursal findou em 27/06/2012, tendo o Recurso Voluntário sido interposto com atraso: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10166.908091/200931 Acórdão n.º 3402004.977 S3C4T2 Fl. 4 5 E intempestividade é matemática. Todavia, não há que se falar em omissão, como apontado pela peça da PFN, haja vista que o relator pretérito se manifestou expressamente sobre a tempestividade do Recurso, em fl. 54: Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 27 a 33 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBSB4 ª Turma nº 03047.867, de 16 de abril de 2012. Ocorre que o mesmo provavelmente foi induzido a erro pela data errônea indicada pela peça recursal, que ocultava a intempestividade patente. Assim sendo, voto por não acolher os Embargos de Declaração, em razão da inexistência de omissão, mas reconhecendo de ofício a intempestividade do Recurso Voluntário do Contribuinte, para reformar o acórdão proferido no âmbito do CARF para NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000236/2008-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO.
Verificando-se lapso quanto a transcrição do número do acórdão e da NFLD discutida nos autos é de se acolher os embargos para promover a necessária correção.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
SÚmula Carf 106 - Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.057
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.201, de 20/02/2017, sanar a inexatidão material apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO. Verificando-se lapso quanto a transcrição do número do acórdão e da NFLD discutida nos autos é de se acolher os embargos para promover a necessária correção. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. SÚmula Carf 106 - Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12267.000236/2008-60
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832859
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.057
nome_arquivo_s : Decisao_12267000236200860.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 12267000236200860_5832859.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.201, de 20/02/2017, sanar a inexatidão material apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7131415
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009834881024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12267.000236/200860 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202006.057 – 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GUARDA MOVEIS GATO PRETO SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E LAPSO MANIFESTO. Verificandose lapso quanto a transcrição do número do acórdão e da NFLD discutida nos autos é de se acolher os embargos para promover a necessária correção. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. SÚMULA CARF 106 Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 02 36 /2 00 8- 60 Fl. 563DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, reratificando o Acórdão nº 9202005.201, de 20/02/2017, sanar a inexatidão material apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido apontando erro material a qual foi recebida como embargos inominados, motivado pela DRF/Rio de Janeiro, face ao Acórdão n. 9202005.201 – CSRF /2 Turma/2ª Seção de Julgamento. O presente processo discute crédito previdenciário lançado por arbitramento NFLD n° 37.115.8001, lavrada contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal. A Notificada foi intimada pessoalmente em 27/09/2007, conforme fls. 01, alegando que, por motivos alheios a sua vontade, ocorreu, em 27 de junho de 2007, um incêndio nas suas instalações, conforme Registro de Ocorrência de n° 02602008/2007 em anexo (doc. 5/6) e certidão da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro (doc.7) e a maioria dos documentos fiscais pegaram fogo, portanto, protestou pela produção de prova pericial, além da nomeação de assistente técnico. Elaborou planilhas de fls. 124/133, com o fim de demonstrar quais seriam os valores efetivamente devidos, os quais teriam sido integralmente recolhidos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ), às fls. 381/388, julgou procedente em parte o lançamento do crédito. A Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 395/414 (juntado novamente às fls. 432/460), reiterando os argumentos anteriores. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 564DF CARF MF Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 9202006.057 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/2005 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores Efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 489/491, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração alegando omissão por desconsiderar o fato da inexistência de recolhimento em algumas das competências declaradas como decaídas pela Turma dentro dos levantamentos, aplicando, de forma generalizada o art. 150, § 4º do CTN, para todas as competências. Porém, às fls. 493/496, os Embargos restaram rejeitados. Às fls. 498/512, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, expondo que o acórdão ora recorrido reconheceu a decadência do direito de efetuar o lançamento integral do crédito tributário, com base no art. 150, § 4° do CTN, entendendo como regra aplicável para todo o período lançado, no que tange ao termo inicial da decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando há antecipação do pagamento do tributo, sendo, contudo, suficiente a existência de pagamento relativo a apenas alguns fatos geradores. Já o acórdão paradigma, corretamente aplica o art. 150, § 4°, nos casos em que tenha havido o pagamento antecipado, somente quando há distinção de cada período e os respectivos fatos geradores, e o art. 173, I, na hipótese de falta de pagamento. Fl. 565DF CARF MF 4 Às fls. 515/517, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à única divergência arguida, pois, de fato, a decisões em comento adotaram critérios distintos em situações semelhantes. Vislumbrouse a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. Intimado, fls. 525, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 527/533, apenas no tocante ao mérito. Colocado em pauta, em 20/02/2017, fls. 544/551, esta c. CSRF deu provimento ao Recurso Especial interposto pela União. Às fls. 553, a Fazenda Nacional manifestouse para informar que não haveria interesse na interposição de novos recursos. Às fls. 556/557, a DRF do Rio de Janeiro II apresentou Embargos de Declaração para apontar os seguintes erros materiais: 1. ao citar o Acórdão recorrido e respectivo Órgão Julgador, constou como acórdão 230101.924, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento; e 2. ao indicar o número da NFLD e sua descrição: “nº 37.115.8010, constituído através notificação, composto da contribuição descontada dos segurados declarada em GFIP e não recolhida em época própria, e contribuição dos segurados sem comprovação do desconto (remunerações pagas em período anterior a implantação da GFIP) e remunerações não declaradas em GFIP”. O número equivocado da NFLD também foi citado no voto. Informou a DRF que o Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional visou a reforma do acórdão 2402002.431, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento, e a discussão, objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência objeto da NFLD nº 37.115.8001, lavrada contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal. Às fls. 560, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os Embargos Inominados para submeter os autos novamente a apreciação do Colegiado, com vistas a corrigir os erros apontados pela DRF do Rio de Janeiro II/RJ. Vieram os autos conclusos para saneamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 566DF CARF MF Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 9202006.057 CSRFT2 Fl. 11 5 Verificada a existência erros materiais no acórdão de Recurso Especial proferido por este Colegiado foi interposta petição pela DRF, requerendo saneamento de tais questões, sendo a petição convertida em embargos inominados. Informou a DRF que o Recurso Especial motivado pela Fazenda Nacional visou a reforma do acórdão 2402002.431, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento, e a discussão, objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência objeto da NFLD nº 37.115.8001, lavrada contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal. Compulsando os autos verifico que de fato o número do acórdão e da NFLD foram transcritos equivocadamente, o que prescinde de imediata correção. Assim onde se lê: · Acórdão 230101.924, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara/ 2ª Seção de Julgamento Leiase: · Acórdão 2402002.431, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento E do mesmo modo onde se lê · NFLD nº 37.115.8010 – Obrigação Acessória Leiase: · NFLD nº 37.115.8001 – Obrigação Principal O acórdão ora recorrido, tratou da questão como se fosse da obrigação acessória e, portanto, merece reforma, pois o auto de infração aqui discutido referese a obrigação principal. Contudo, embora se trate de lapso manifesto material, observada a NFLD em julgamento nestes autos esta trata de Obrigação Principal, para a qual a existência de pagamento antecipado poderia de atrair a aplicação do art. 150, §4, do CTN, o que nos remete a necessária análise. Observando os autos, no entanto, outra questão norteia o dispositivo a ser aplicado, pois o caso em tela trata de apropriação indébita, conforme relatado pelo auditor fiscal nas fls. 81/87, vejamos: Fl. 567DF CARF MF 6 Entretanto, em consulta realizada aos sistemas corporativos da RFB — Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificamos que, em algumas competências, o contribuinte declarou em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) a contribuição descontada do segurado e não a recolheu em época própria, caracterizando, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária (levantamento FP2). A contribuição do segurado empregado, que faz parte do levantamento FP2, foi calculada aplicandose a aliquota minima de 8% sobre a remuneração declarada em GFIP, resultando em uma contribuição inferior a declarada em GFIP. Já a contribuição aferida do segurado contribuinte individual é igual a declarada em GFIP, conforme o exemplo abaixo: Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que verificada a informação no Relatório Fiscal que se trata de apropriação indébita a qual não logrou êxito o Contribuinte em rechaçar com provas, resta caracterizado, portanto, conduta inidônea do Contribuinte para a qual se infere aplicação imediata do art. 173, I, do CTN, independente da existência ou não de pagamento, conforme determina Súmula Carf 106. Diante de inexatidão material na decisão do Acórdão n. 9202005.201 – CSRF /2 Turma/2ª Seção de Julgamento. por força de lapso manifesto, devese acolher os Embargos Inominados apresentados pela DRF do Rio de Janeiro, sem efeitos infringentes no decisum, mantendo provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 9202006.057 CSRFT2 Fl. 12 7 É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
