Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,235)
- Segunda Câmara (27,802)
- Primeira Câmara (25,085)
- Segunda Turma Ordinária d (17,417)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,076)
- Primeira Turma Ordinária (15,870)
- Primeira Turma Ordinária (15,862)
- Primeira Turma Ordinária (15,851)
- Segunda Turma Ordinária d (15,719)
- Segunda Turma Ordinária d (14,277)
- Primeira Turma Ordinária (12,970)
- Primeira Turma Ordinária (12,280)
- Segunda Turma Ordinária d (12,256)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (84,103)
- Terceira Câmara (66,411)
- Segunda Câmara (54,642)
- Primeira Câmara (19,299)
- 3ª SEÇÃO (16,076)
- 2ª SEÇÃO (11,243)
- 1ª SEÇÃO (6,794)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,446)
- Segunda Seção de Julgamen (113,241)
- Primeira Seção de Julgame (75,650)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,918)
- Câmara Superior de Recurs (37,709)
- Terceiro Conselho de Cont (25,973)
- IPI- processos NT - ressa (5,010)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,864)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,245)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,627)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,201)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,645)
- HELCIO LAFETA REIS (3,513)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,614)
- WILDERSON BOTTO (2,602)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,084)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,915)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,467)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,246)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,078)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,840)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11080.722765/2017-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.923
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo entendiam pela desnecessidade da diligência quanto aos itens (a) e (b) do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.722765/2017-24
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019829
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.923
nome_arquivo_s : Decisao_11080722765201724.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 11080722765201724_6019829.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo entendiam pela desnecessidade da diligência quanto aos itens (a) e (b) do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7778474
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121738248192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.101 1 1.100 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722765/201724 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.923 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente VONPAR REFRESCOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo entendiam pela desnecessidade da diligência quanto aos itens (a) e (b) do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 76 5/ 20 17 -2 4 Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.102 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1062.875, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que por unanimidade julgou improcedente a impugnação interposta, mantendo o crédito tributário constituído, conforme Ementa abaixo reproduzida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 AQUISIÇÕES DE PRODUTOS ISENTOS DO IPI NO ÂMBITO DA ZONA FRANCA DE MANAUS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO PARA CRÉDITO DO IMPOSTO “POTENCIALMENTE INCIDENTE” OU “INCIDENTE”. É correta a glosa de crédito do IPI “potencialmente incidente” ou “incidente”, calculado por estabelecimento industrial que adquire “kits” constituídos por diversos componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, em proporções fixas, para a fabricação de bebidas, mediante aplicação da alíquota estabelecida para o Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. O uso de destaques “Ex” do código 2106.90.10 é inadequado para os diversos componentes dos “kits”, antes de serem misturados e homogeneizados. Esses componentes devem ser classificados de forma individualizada, em códigos da TIPI aos quais corresponde, em sua maioria, alíquota zero, o que resulta em crédito do IPI “potencialmente incidente” ou “incidente” igual a zero. SUFRAMA. No exercício de sua competência, a Suframa pode considerar legítimo que o produto por ela descrito como “concentrado para bebidas não alcoólicas” seja fornecido desmembrado em partes líquidas e sólidas. Todavia, carece de suporte nas regras de interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aplicáveis com exclusividade pela Receita Federal, adotar classificação dos componentes dos “kits” em código próprio para o produto resultante da mistura e homogeneização desses componentes, o que ocorrerá em nova etapa de industrialização, a ser realizada no estabelecimento do adquirente, autuado pela glosa de créditos. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. A observância dos atos normativos expedidos no âmbito da Suframa não tem o condão de excluir a imposição de penalidades por infração à legislação tributária, tampouco a cobrança de juros de mora. Prejudicado o pedido de exclusão de atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, pela inexistência de previsão legal para essa atualização e por ser matéria estranha ao lançamento de ofício. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.103 3 Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não possuem caráter normativo nem vinculante. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA. Descabe exonerar a multa de ofício, sob o argumento de que o infrator agiu de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, ainda prevalecente, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado, no caso de ter sido apontada decisão que deixou de enfrentar o mérito dos aspectos discutidos na autuação que ensejou a aplicação da multa. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE LIMPEZA. CRÉDITOS INDEVIDOS. Aquisições de produtos de limpeza, itens excluídos dos conceitos de matériaprima e produto intermediário, não legitimam o aproveitamento de créditos do IPI. LEI TRIBUTÁRIA QUE DEFINE INFRAÇÕES, OU LHES COMINA PENALIDADES. DÚVIDA. PEDIDO DE INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL AO ACUSADO. INAPLICABILIDADE. A interpretação favorável ao acusado, em caso de dúvida, se aplica à lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, e não às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Se fosse aplicável à inobservância dessas regras, a inexistência de dúvida impediria eventual interpretação favorável ao acusado. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. O estabelecimento que utiliza créditos ilegítimos do IPI e comete erro no transporte de saldos credores de um período de apuração para o período subsequente responde pelos saldos devedores desse imposto, decorrentes da reconstituição da escrita fiscal, bem assim pelos juros de mora e multa de ofício. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Carece de fundamento a alegação de ilegalidade do auto de infração que não considerou créditos na reconstituição da escrita fiscal, pela ausência de elementos de cálculo nos documentos que confeririam legitimidade aos alegados créditos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros de mora sobre a multa objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.104 4 A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos distintos. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. A dedução de créditos não admitidos tem o efeito de levar o termo inicial do prazo de decadência do IPI para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. LAUDOS OU PARECERES. Os laudos ou pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Para esse efeito, deverão ter sido emitidos por determinação da autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, situação em que haverá oportunidade de formulação de quesitos pelo impugnante, pelo autor do procedimento fiscal e pela autoridade julgadora. Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Laudos ou pareceres emitidos por iniciativa exclusiva do impugnante ou de terceiros, sem passar pelo crivo da autoridade julgadora, serão analisados como provas, sem ser de adoção obrigatória, podendo a autoridade julgadora solicitar outros a qualquer dos órgãos oficiais antes mencionados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o parcialmente o relatório da decisão recorrida: O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, por falta de recolhimento do IPI, apurada mediante reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos do IPI considerados indevidos e do erro de transporte de saldos credores de um período de apuração para o período subsequente. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 264 a 296, e se refere ao IPI, no valor de R$ 149.808.438,37, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, totalizando, na data da autuação, R$ 318.975.781,79. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório de Ação Fiscal das fls. 297 a 353 e seguem resumidos. O estabelecimento Vonpar Refrescos S/A, doravante designado Vonpar, foi intimado a esclarecer aspectos das aquisições de produtos em relação aos quais foram escriturados créditos básicos do IPI, tendo, em resposta, elaborado a tabela a seguir, em que existe a descrição do produto e do correspondente emprego no processo fabril, além do que informou que os itens em causa não são incorporados ao produto final: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.105 5 Para os autores do procedimento fiscal, as aquisições desses produtos não dão direito a crédito do IPI, o que levou à glosa, em face do disposto no art. 226, I, do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, e no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, publicado no Diário Oficial da União de 6 de novembro de 1979. Afirmam que os itens adquiridos não são matéria prima (MP), produto intermediário (PI), nem material de embalagem (ME), tampouco guardam semelhança com MP e PI, semelhança que seria verificada se fossem consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, desde que não integrassem o ativo permanente. Em segundo lugar, os AuditoresFiscais constataram no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) que o estabelecimento consignou, no campo próprio para o saldo credor do período anterior, referente aos meses de setembro e dezembro de 2016, valores superiores aos saldos credores apurados, respectivamente, no final de agosto e de novembro de 2016. Embora o saldo credor de agosto de 2016 seja de R$ 5.493.635,65, consta saldo credor do período anterior a setembro de 2016 de R$ 5.725.250,01. E embora o saldo credor de novembro de 2016 seja de R$ 8.359.418,70, consta saldo credor do período anterior a dezembro de 2016 de R$ 8.362.006,87. As parcelas excedentes, de R$ 231.614,36 e de R$ 2.588,17, foram glosadas. Em terceiro lugar, a fiscalização apurou que a maior parte dos créditos do IPI escriturados por Vonpar decorre de aquisições de “kits”, contendo preparações dos tipos utilizados na elaboração de bebidas da posição 22.02 da Tabela de Incidência do Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.106 6 IPI (TIPI), além de outros ingredientes acondicionados individualmente, todos fornecidos pelo estabelecimento Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., localizado em Manaus (AM), doravante designado Recofarma. Tais “kits” são constituídos de dois ou mais componentes, sendo que cada componente está acondicionado em embalagem individual, que pode ser bombona, saco, garrafão, caixa ou contêiner, com conteúdo líquido ou sólido. Para fins de identificação dos ingredientes contidos em cada embalagem individual, foram retiradas amostras no estabelecimento Recofarma, as quais foram encaminhadas para o Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer. Os referidos insumos são denominados “concentrados” pelo fornecedor e seus clientes, sendo tratados, pelos autores do procedimento fiscal, como “kits fornecidos por Recofarma” ou simplesmente “kits”. Sobre essa irregularidade, o Relatório de Ação Fiscal expõe os pormenores que seguem. (...) Também consta no Relatório de Ação Fiscal que em 10 de dezembro de 1998 transitou em julgado decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) nº 212.484 2/RS, que teve origem no Mandado de Segurança (MS) nº 91.00095524, assegurando a Vonpar o direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de matériasprimas “isentas”, oriundas de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (ZFM), utilizadas na fabricação de produto cuja saída é sujeita ao IPI. Eis a ementa do acórdão elaborado no mencionado RE: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. Isenção incidente sobre insumos. Direito de crédito. Princípio da não cumulatividade. Ofensa não caracterizada. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI credita se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Na referida ação, observam os AuditoresFiscais, não foi analisada a alíquota utilizada para cálculo do IPI “incidente”, a ser creditado. Além disso, registram que, após a decisão referida, o Supremo Tribunal Federal (STF) revisou o entendimento acerca da possibilidade de estabelecimentos contribuintes do IPI se creditarem do imposto, no que tange às aquisições desoneradas, por estarem sujeitos à alíquota zero ou por serem não tributados (NT). No que se refere às entradas de produtos provenientes da Zona Franca de Manaus, isentas do IPI, foi reconhecida a repercussão geral no Recurso Extraordinário (RE) nº 592.891/SP, ainda pendente. (...) Em tópico específico, os autores do procedimento fiscal abordam o rateio de despesas de propaganda e marketing entre Recofarma e seus clientes engarrafadores, que importa em sobrepreço dos “kits” fornecidos a Vonpar e, consequentemente, majoração do crédito do IPI “calculado como se devido fosse” em relação a esses “kits”. Ressaltam, contudo, que tal inconformidade não teve efeito na apuração do imposto lançado de ofício neste processo, visto que o erro de classificação fiscal e de alíquota, por si só, justifica a glosa integral do crédito. Ao tomar conhecimento de documentação entregue por Recofarma na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus, a fiscalização constatou referência a uma conta contábil de registro de gastos com publicidade e propaganda, em sistema de compartilhamento com os fabricantes de bebidas, além de incentivos de venda a esses fabricantes. O rateio implicaria a apropriação, por Recofarma, de gastos com publicidade e propaganda, como despesa, correspondentes à metade do valor total consignado nas notas fiscais de venda dos “kits”. A outra parcela do rateio é assumida pelos fabricantes, por força dos contratos assinados, na proporção do benefício gerado a cada um deles, não constituindo, assim, despesa de Recofarma. Segundo a fiscalização, o gasto com propaganda e marketing Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.107 7 poderia ter sido suportado integralmente pelos fabricantes do Sistema CocaCola, frente às agências e fornecedores diversos. Entretanto, em decorrência de acerto contratual, o engarrafador paga um preço maior pelos “kits”, para depois receber de Recofarma um incentivo, em pecúnia ou mediante encontro de contas. Os autores do procedimento fiscal citam e transcrevem a ementa do Acórdão nº 020.403, elaborado em sessão de 24 de novembro de 1992, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que despesas de promoção rateadas entre fornecedor e clientes – no caso, distribuidores – não são despesas acessórias admitidas na apuração do valor tributável do IPI, por serem despesas de interesse dos adquirentes. Observam que, no caso apreciado pela CSRF, o produto fabricado é o mesmo que veio a ser posteriormente vendido ao consumidor final, o que não ocorre no caso do Sistema CocaCola, porquanto a propaganda efetuada pelos engarrafadores é dos refrigerantes, e não dos “kits” elaborados por Recofarma. Por fim, consta no Relatório de Ação Fiscal que foram examinados, em processos próprios, os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) relacionados na fl. 352, com denegação integral dos saldos credores do IPI neles alegados, em face da reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, no âmbito do lançamento de ofício objeto do presente processo. A Contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 569641), o que fez com os seguintes argumentos: i) Ocorreu a decadência do direito de glosar e/ou exigir o IPI relativo ao período anterior a 6 de fevereiro de 2013, pelo decurso do prazo de mais de cinco anos entre os fatos geradores e a ciência do Auto de Infração, que ocorreu em 6 de fevereiro de 2018. ii) Configurase a ausência de responsabilidade pelo erro de classificação, pois é terceiro adquirente dos concentrados para refrigerantes e que o fornecedor Recofarma foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é bastante e suficiente para justificar a utilização pelo impugnante da respectiva alíquota para cálculo do crédito do imposto; iii) Configurase alteração de critério jurídico, com violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que por meio do Acórdão nº 3402002.900 foi mantido o crédito de IPI calculado pela alíquota de 20%, cancelando o auto de infração lavrado contra a Recorrente naquele período. Portanto, até 29/01/2016 tem o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos, calculado à alíquota de 20%, correspondente à posição 21.06.90.10, EX 01, sendo que o novo critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal não poderia retroagir; iv) Competência da SUFRAMA para efetuar a classificação fiscal de produtos fabricados em projeto industrial aprovado para fruição de benefícios fiscais e do ato administrativo: A Suframa definiu o produto elaborado por Recofarma como concentrado para refrigerantes, entendido como preparações químicas utilizadas como matéria prima para industrialização de bebidas, com capacidade de diluição superior a 10 partes de bebida para cada parte de concentrado, bem como efetuou a classificação fiscal desse produto, conforme Resolução do CAS n° 298, de 2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto n° 224/2007SPR/CGPRI/COAPI. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.108 8 Trata sobre o Processo Produtivo Básico definido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT n° 08/98, que conceitua o referido produto como "concentrado para bebidas não alcoólicas (código 0653); A Suframa confirma que Recofarma continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Oficio n° 4215 COPIN/CGAPI/SPR, de 28 de agosto de 2015, e do Oficio n° 3638 SPR/CGAPI/COPIN, de 26 de setembro de 2014, expedidos pela Suframa e apresentados em processos de interesse de outros fabricantes de produtos Coca Cola. v) O Processo Produtivo Básico (PPB) definido na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 8, de 25 de fevereiro de 1998, objeto do projeto industrial aprovado pela Suframa, conceitua o produto discutido neste processo como mercadoria única, a saber: concentrado para bebidas não alcoólicas – código 0653, composto por partes líquidas e sólidas, sendo que a homogeneização ocorrerá quando for necessário. O impugnante transcreve excertos da Resolução CAS nº 298, de 2007, e do Parecer Técnico nº 224, de 2007, que integra a referida resolução. Afirma que a Suframa tem presente que o concentrado é entregue pelo fornecedor Recofarma de forma desmembrada, em “kits”; vi) Classificação fiscal segundo as RGI/SH e Nesh: Segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (NESH), o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) confirma que os concentrados entregues em forma de “kits” devem ser classificados numa mesma posição, uma vez que tais concentrados constituem “mercadoria unitária”; As Notas Explicativas III, a), e IV da Regra Geral de Interpretação 1 e a Nota Explicativa X da Regra Geral 2 b) esclarecem que a aplicação da Regra Geral de Interpretação 1 se dá automaticamente quando há posição específica para classificar a mercadorias, o que ocorreria na hipótese com a posição 21.06.90.10 Ex. 01 e Ex. 02; O fato de os concentrados fornecidos pela RECOFARMA não terem sido previamente homogeneizados não significa que não estejam prontos para uso pelo fabricante de refrigerantes; Após ingresso dos concentrados no estabelecimento, todo processo produtivo se refere à elaboração de refrigerantes, confirmando a classificação fiscal em razão da destinação da mercadoria; Apresentou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, com a conclusão de que se trata de “produto único”, concluindo que a regra a ser aplicada ao presente caso é a RGI1. vii) Aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional; viii) Ilegalidade do auto de infração por alteração do critério jurídico, uma vez que a fiscalização concluiu que a maioria das partes do produto estariam classificadas em posições cujas alíquotas são iguais a zero, porém reconhecendo que uma das partes integrantes deveria ser classificada na posição 3302.10.00, cuja alíquota é de 5% e, no entanto, deixou de calcular este crédito por aplicação do artigo 142 do Código Tributário Nacional; ix) Direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos beneficiados pela isenção do artigo 9º do DecretoLei nº 288/67. A decisão não deixou de reconhecer a Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.109 9 existência do MSI nº 91.00095524, mas deixou de reconhecer o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, em razão de ter glosados a alíquota utilizada para calcular o respectivo crédito, face ao suposto erro de classificação fiscal; x) Direito ao crédito relativo à isenção do artigo 6º do Decretolei nº 1.435/75. Os referidos produtos também gozam do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75, que foi outorgado pela Resolução do CAS nº 298/2001, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, como consta das respectivas notas fiscais. Aplicase o disposto no art. 24 do DL nº 4.657/42, transcrito no item 5.32., que veda a declaração de invalidade das situações já constituídas que foram embasadas em ato administrativo, em razão de alteração de entendimento das autoridades administrativas; xi) A fiscalização tece considerações de ordem política e econômica acerca do suposto baixo valor agregado dos insumos adquiridos pelo impugnante e de supostas majorações indevidas do valor do concentrado. Embora tenha ficado claro no lançamento de ofício que tais considerações não repercutiram no valor do IPI lançado de ofício, o impugnante manifesta discordância a respeito e se reserva o direito de contestar o assunto em momento oportuno; xii) Quanto à glosa de créditos do IPI, decorrentes da aquisição de produtos de limpeza, que, segundo a fiscalização, estariam excluídos dos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, à luz do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, o impugnante afirma que a fiscalização está equivocada. Os produtos de limpeza são utilizados para assepsia e sanitização e integram o processo produtivo dos refrigerantes por exigências sanitárias, sendo utilizados de forma obrigatória. Embora os produtos de limpeza não tenham necessariamente contato direto com a bebida, entram em contato direto com as embalagens dos refrigerantes, visto que são utilizados para higienizar as máquinas e esteiras, onde são elaboradas tais bebidas; xiii) Além disso, afirma que a utilização de produtos de limpeza também atende aos requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STJ para fins de aproveitamento de créditos do IPI, apontando o julgamento do REsp nº 1.075.508/SC, sob a sistemática de recursos repetitivos, porquanto não integram o ativo imobilizado e são consumidos integralmente no processo de industrialização dos refrigerantes. xiv) Impossibilidade de exigência de multa, de juros e de correção monetária. A multa, os juros de mora e a correção monetária também não são devidos em razão do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança; xv) Incidência do artigo 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964 para afastar a multa aplicada em autuação; xvi) Exclusão da multa por incidência dos artigos 486, II, “a”, do RIPI/2002 e 567, II, “a”, do RIPI/2010; xvii) Descabimento de juros sobre a multa de ofício. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 2259/2018/SACAT (fls. 898902) pela via eletrônica em data de 05/09/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 904). O Recurso Voluntário de fls. 908 a 972 foi interposto em data de 03/10/2018, pelo qual pede a reforma da decisão de primeira instância para cancelar o auto de infração Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.110 10 extinguindo o crédito tributário exigido, o que fez com os mesmos argumentos apresentados em peça de impugnação, acima já mencionados. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio 2.1. Créditos pela aquisição de produtos de limpeza 2.1.1. Um dos objetos da autuação se refere à conclusão do Auditor Fiscal de que as mercadorias que geraram o aproveitamento de créditos básicos na escrita fiscal da Contribuinte, relacionadas no relatório acima, não se caracterizam e não guardam semelhança com matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), uma vez que não foram consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Com isso, as aquisições desses produtos não dão direito a crédito do IPI, o que levou à glosa, em face do disposto no art. 226, I, do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, e no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, publicado no Diário Oficial da União de 6 de novembro de 1979. 2.1.2. A Recorrente sustenta em sua defesa que: i) Os produtos de limpeza são utilizados para assepsia e sanitização e integram o processo produtivo dos refrigerantes por exigências sanitárias, sendo utilizados de forma obrigatória; ii) Embora os produtos de limpeza não tenham necessariamente contato direto com a bebida, entram em contato direto com as embalagens dos refrigerantes, visto que são utilizados para higienizar as máquinas e esteiras, onde são elaboradas tais bebidas; Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.111 11 iii)Além disso, afirma que a utilização de produtos de limpeza também atende aos requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STJ para fins de aproveitamento de créditos do IPI, apontando o julgamento do REsp nº 1.075.508/SC, sob a sistemática de recursos repetitivos, porquanto não integram o ativo imobilizado e são consumidos integralmente no processo de industrialização dos refrigerantes; iv) Cita que o Carf, ao aplicar o entendimento do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, em caso em que foi parte outra fabricante de produtos CocaCola, concluiu que os produtos empregados diretamente no processo de fabricação de refrigerantes, para higienização, qualificamse como produtos intermediários, conforme Acórdão nº 340200.517, de 18 de março de 2010. 2.1.3. Observo que o Parecer Normativo CST nº 65/79 prevê em seu ITEM 10.2 que: "10.2 A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificamente, o desgaste, desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo." Considerando as situações em que pode ser aplicada em sentido amplo a expressão "consumidos", conforme previsão do Parecer Normativo CST nº 65/79 e confrontando com a situação fática com relação às glosas acima destacadas, entendo que ainda não está suficientemente demonstrada a forma como os produtos utilizados pela Contribuinte são empregados efetiva e diretamente no processo de industrialização dos refrigerantes, especialmente em razão do argumento de que tais insumos entram em contato direto com as embalagens/vasilhames em que são acondicionas as bebidas fabricadas. 2.2. Saldos credores de agosto e novembro de 2016 2.2.1. Outro objeto da autuação em análise se refere à glosa dos saldos credores referentes aos meses de setembro e dezembro de 2016, uma vez que o Auditor Fiscal concluiu que foram aumentados em R$ 231.614,36 e R$ 2.588,17. Tais glosas foram justificadas no Relatório Fiscal de fls. 297353 nos seguintes termos: 14) Verificouse que no campo do livro Registro de Apuração do IPI próprio para o saldo credor do período anterior referente aos meses de setembro e dezembro de 2016 o contribuinte consignou valores superiores aos saldos credores apurados ao final de agosto e de novembro de 2016. 15) No mês de setembro de 2016, o saldo credor do período anterior consignado no livro foi de R$ 5.725.250,01, enquanto que o saldo Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.112 12 credor na escrita de agosto de 2016 foi de R$ 5.493.635,65. Portanto, deve se considerar que o valor dos créditos escriturados pelo contribuinte referente a este mês foi de R$ 5.631.604,18, sendo que R$ 5.399.989,82 foi consignado no campo próprio para créditos escriturados e R$ 231.614,36 corresponde ao erro de transporte. 16) No mês de dezembro de 2016, o saldo credor do período anterior consignado no livro foi de R$ 8.362.006,87, enquanto que o saldo credor na escrita de novembro de 2016 foi de R$ 8.359.418,70. Com isto, o valor dos créditos escriturados pelo contribuinte referente a este mês foi de R$ 8.086.341,25 (R$ 8.083.753,08 + R$ 2.588,17). 2.2.2. Por sua vez, a Recorrente traz em Recurso Voluntário os seguintes esclarecimentos: Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11080.722765/201724 Resolução nº 3402001.923 S3C4T2 Fl. 1.113 13 2.2.3. Diante de tais argumentos, é necessária a análise e esclarecimentos da Unidade de Origem sobre as informações prestadas pela Recorrente quanto aos registros de apuração do IPI no RAIPI, especialmente se realmente houve erro no transporte dos saldos credores apurados nos meses de agosto e novembro de 2016. 2.3. Por tais motivos, em atenção ao Princípio da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, e artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem responsável pela lavratura do auto de infração proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para prestar informações e apresentar documentos que efetivamente comprovem a forma como os produtos objeto dos créditos básicos do IPI escriturados foram utilizados no processo de industrialização dos refrigerantes, nos termos previstos pelo Parecer Normativo CST nº 65/79; b) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar Laudo Técnico para comprovação dos argumentos de defesa sobre o emprego dos insumos relacionados no Item I.9 do Relatório Fiscal de fls. 297353; c) Analisar as informações e documentos apresentados pela Contribuinte sobre a glosa dos saldos credores de agosto e novembro de 2016 nos valores de R$ 231.614,36 e R$ 2.588,17. d) Intimar a Contribuinte para prestar informações adicionais e apresentar documentos para os esclarecimentos mencionados no item "c"; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720369/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA.
Sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, sendo aplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver pagamento antecipado, o que inclui a retenção na fonte.
PROVA. APRESENTAÇÃO EM SEDE RECURSAL.
O princípio da verdade material não pode ser afastado no processo administrativo, devendo ser assegurado ao contribuinte apresentar as provas pertinentes e necessárias ao julgamento.
Numero da decisão: 2401-006.641
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 275.029,10 na competência 12/2001.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. Sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, sendo aplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver pagamento antecipado, o que inclui a retenção na fonte. PROVA. APRESENTAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O princípio da verdade material não pode ser afastado no processo administrativo, devendo ser assegurado ao contribuinte apresentar as provas pertinentes e necessárias ao julgamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.720369/2006-61
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6035918
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.641
nome_arquivo_s : Decisao_10283720369200661.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
nome_arquivo_pdf_s : 10283720369200661_6035918.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 275.029,10 na competência 12/2001. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7828067
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121747685376
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-19T18:39:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-19T18:39:11Z; Last-Modified: 2019-07-19T18:39:11Z; dcterms:modified: 2019-07-19T18:39:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-19T18:39:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-19T18:39:11Z; meta:save-date: 2019-07-19T18:39:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-19T18:39:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-19T18:39:11Z; created: 2019-07-19T18:39:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-07-19T18:39:11Z; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-19T18:39:11Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.720369/2006-61 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.641 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente RICHARD BARRETO SIDI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. Sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, sendo aplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver pagamento antecipado, o que inclui a retenção na fonte. PROVA. APRESENTAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O princípio da verdade material não pode ser afastado no processo administrativo, devendo ser assegurado ao contribuinte apresentar as provas pertinentes e necessárias ao julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 275.029,10 na competência 12/2001. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Marialva De Castro Calabrich Schlucking AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 69 /2 00 6- 61 Fl. 367DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos exercícios de 2002 e 2003, anos-calendário de 2001 e 2002, conforme e-fls. 245 a 260, no valor total de R$ 782.155,20 (setecentos e oitenta e dois mil, cento e cinqüenta e cinco reais e vinte centavos). A fiscalização fundamentou o auto nas seguintes infrações tributárias: 1) Acréscimo Patrimonial a Descoberto nos meses de abril a junho, outubro e dezembro do ano de 2001, e nos meses de fevereiro, março e julho de 2002, nos valores ali descritos, referentes a remessa ao exterior, aquisição de imóveis e transferência de cotas de empresa. 2) Multas Isoladas para todos os meses do ano-calendário de 2002, por falta de recolhimento do carnê-leão. Foram elaborados os Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial para os anos-calendário de 2001 e 2002, e-fls. 261 e 263, respectivamente. O sujeito passivo apresentou impugnação (e-fls. 286 a 304), requerendo a improcedência do crédito tributário lançado com as seguintes argumentações, em síntese: 1) Que das supostas remessas de divisas feitas ao exterior reconhece duas (2) delas, a de US$ 2.000,00 (dois mil dólares) em 11.05.2001 e de US$ 1.000,00 (um mil dólares), na data de 07.06.2001, que tinha como beneficiário um familiar que se encontrava em tratamento nos Estados Unidos, que tinha capacidade financeira para fazer tais remessas, que a fiscalização se baseou em documentos inidôneos; 2) Que os créditos relativos ao período de janeiro a novembro de 2001, foram extintos pela decadência; 3) Que os dois (02) apartamentos constantes da declaração de ajuste de 2002, ano- calendário de 2001, cumpre esclarecer que ambos já haviam sido adquiridos em momento anterior, conforme faz prova as escrituras públicas anexadas a essa peça, que não anexou e entendeu que a fiscalização considerou tais aquisições como realizadas no mês de dezembro de 2001, para prevenir a decadência, que reconhece que cometeu irregularidade ao esquecer de incluir na devida declaração os dois apartamentos adquiridos; 4) Que com relação à integralização do capital da empresa Lafir Táxi Aéreo Ltda, no mês de outubro de 2001, tal crédito não pode ser mais cobrado por se encontrar extinto pela decadência, que ademais, o impugnante não integralizou as tais cotas de capital, que é possível que alguém tenha feito em seu nome, mas tal fato não chegou ao seu conhecimento, que isso é verdade que ao se desfazer das cotas não recebeu nada, e que dos autos não consta nenhum pagamento feito a ele ou por ele relativamente a essas cotas; 5) Que com relação à multa isolada tal crédito não pode prosperar porque a fiscalização não provou o fato, nem sequer mencionou o inciso correspondente à capitulação do fato, o que no mínimo, importa em cerceamento ao direito de defesa, que a inconstitucionalidade do dispositivo é manifesta; 6) Questionou que as perícias sobre as remessas de dólares foram realizadas por agentes inabilitados, que não há amparo por tratado internacional competente, com relação às provas levantadas pela Polícia Federal, que estão em descompasso com os termos da MP n° Fl. 368DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, que houve violação do princípio do contraditório, e ainda da imprestabilidade da prova emprestada, que houve ilicitude por violação do principio do juiz natural tendo em vista que nunca foi investigado pela Policia Federal. Em 16/06/2008, a 2ª Turma da DRJ/Belém julgou a impugnação procedente em parte, por unanimidade, excluindo da omissão de receita- os valores decorrentes da remessa de dólares não reconhecida, e mantendo (i) a omissão de receita decorrente da aquisição dos dois apartamentos e da integralização dos R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao capital social da sociedade, assim como a multa isolada, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência sujeitas à decadência na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passa a ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN, com termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. ÔNUS DA PROVA. AUTO DE INFRAÇÃO. ELEMENTOS PROBATÓRIOS. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Na relação jurídico-tributária, o ônus de prova dos elementos positivos da base de cálculo incumbe ao Fisco. A autoridade fiscal deve, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não,do fato jurÍdico tributário ou da prática de infração praticada, durante o procedimento fiscalizatório. O auto de infração já deve estar instruído com as provas do fato jurídico Tributário, nos termos do artigo 9°, caput, do Decreto n° 70.235/ 1972, descabendo, após a interposição da impugnação, converter o processo em diligência para suprir deficiência probatória. PARTICIPAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. É passível de dúvida o recebimento / remessa de recursos financeiros, se não consta assinatura do contribuinte nos elementos probatórios, nem se comprova de outra forma a participação do contribuinte no esquema fraudulento. PRINCÍPIO DO “IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE”. Interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de incerteza quanto à autoria e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. Trata-se do princípio do “in dubio pro reo” em sua feição tributária. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. CERTEZA ABSOLUTA. PROBABILIDADE. Para se obter certeza absoluta (100%) sobre a ocorrência de determinado fato gerador, implicaria em custo da Fiscalização superior ao crédito tributário envolvido. Assim, deve-se impor a exação fiscal nos casos de alta probabilidade de que o fato tributário tenha acontecido, evitando-se a autuação na hipótese de pequena chance de sua ocorrência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. Lançamento Procedente em Parte Fl. 369DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 Cientificado do acórdão da DRJ/Belém, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 329 a 344, requerendo que seja julgado totalmente improcedente o auto de infração, nos termos a seguir resumidos: 1. Da decadência do crédito tributário mantido 1.1. que a parte remanescente do crédito tributário já foi extinta pela decadência, uma vez que a ciência do recorrente acerca da existência do lançamento ora questionado deu-se apenas em 22/12/2006 e que a parte remanescente do crédito tributário - as duas remessas reconhecidas, a aquisição dos dois apartamentos e a integralização dos R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao capital social da sociedade empresária - refere-se a momento anterior a DEZ/ 2001, isto é, antes dos 05 (cinco) anos anteriores a notificação do lançamento; 1.2. que, tendo em conta que o tributo relativo à presente autuação submete-se a lançamento por homologação, ultrapassados cinco anos sem a lavratura de lançamento de oficio, o crédito tributário já não pode ser constituído, eis que extinto pela decadência conforme dispõe o § 4.° do art. 150 do CTN; 1.3. que deve-se considerar, também, que o período de apuração do IRPF é mensal (art. 1.° da Lei 9.460/96), o que revela a possibilidade de fragmentação da decadência em meses no que se refere ao tributo cobrado; 1.4. que esse entendimento acerca da decadência do IRPF, nos moldes preconizados em seu recurso, encontra amparo na jurisprudência administrativa do próprio Conselho de Contribuintes (cita Acórdãos 102-45914, 102-43776 e 102-45907); 1.5. que, para facilitar o julgamento do recurso, ressalta a data dos eventos considerados como acréscimo patrimonial a descoberto pela fiscalização, a saber: i) Operação de remessa de US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos): 11/05/2001; ii) Operação de remessa de US$ 1.000,00 (mil dólares americanos): 07/06/2001; iii) Integralização de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao capital social de LAFIR TÁXI AÉREO LTDA.: OUT/2001; iv) Aquisição de dois apartamentos: 12/01/1987 e 29/03/1996, conforme documentos anexos.3; 1.6. que, como se percebe, todas as datas são anteriores a DEZ/2006; logo, a exação deve ser considerada fulminada pela decadência. 2. Da possibilidade de juntada de documentos em grau recursal 2.1. que é cediço que o lançamento e a atividade tributária se regem pelo princípio da verdade material, e isso é uma circunstância lógica do princípio da tipicidade, segundo o qual o tributo só é devido se a figura descrita na norma tributária é praticada pelo sujeito passivo; 2.2. que, considerando ambos os princípios, percebe-se que é totalmente inviável a cobrança de um tributo que, muito embora se saiba indevido, está sendo exigido em razão de eventual deficiência probatória da defesa; 2.3. que não é por outra razão que esse Conselho de Contribuintes sedimentou sua jurisprudência no sentido de o recorrente poder juntar documentos que infirmem a autuação, ainda que tal produção probatória tenha sido feita somente em grau recursal; 2.4. que o imóvel situado na Rua Humaitá, no Rio de Janeiro/Rj, foi adquirido por meio da escritura de compra e venda datada de 10.01.1987, conforme consta do registro n. R-7- 72.272, da certidão de registro do imóvel anexa (Doc. 04). 2.5. que o apto. n. 104, Edifício São joão Del Rei, localizado em Manaus/AM, foi adquirido em 29.03.1996, conforme faz prova a escritura de compra e venda anexa (Doc, 05). Fl. 370DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 2.6. cita ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes (Acórdão 102- 47969) e da CSRF (Acórdão: CSRF/03-04.382) sobre a busca da verdade material e a juntada de provas após o julgamento de primeira instância; 2.7. ressalta que a admissibilidade da juntada de provas em grau recursal é medida salutar à própria Administração Pública, que, reconhecendo o equívoco da tributação, poderá evitar os ônus da sucumbência decorrente da anulação do lançamento em um processo judicial. 2.8. que, em razão de tais fatos, forçoso reconhecer a possibilidade de juntada do material documental na forma ora realizada nos autos deste processo. 3. Da inviabilidade da aplicação da multa isolada 3.1. que o crédito não pode prosperar, porque (i) a Fiscalização não provou o fato, nem sequer mencionou o inciso correspondente à capitulação do fato, o que, no mínimo, importa em cerceamento de defesa; e a inconstitucionalidade do dispositivo é manifesta. 3.2. que, para o exame da inviabilidade da aplicação da multa, é oportuno visitar a legislação tributária aplicável à espécie, destacando, nesse sentido, o art. 106 do RIR, in verbis: “Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no Pais, tais como (Lei n° 7.713, de 1988, art. 8°, e Lei 11° 9.430, de 1996, art. 24, § 2°, inciso IV): I- os emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; II - os rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; III - os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IV - os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas.” 3.3. que, percebe-se, inicialmente, que não foi indicado o inciso específico, para embasar a autuação, o que configura verdadeiro cerceamento de defesa, já que a omissão torna impossível a elaboração de uma defesa séria contra a exação; 3.4. que, configurada está, de igual forma, a nulidade do ato administrativo, uma vez que está desprovido de um de seus elementos constitutivos, isto é, o motivo (de direito), ante a ausência de fundamentação, que é uma determinação constitucional, conforme se verifica no art. 93, incisos X e IX, da Constituição Federal; 3.5. que, inobstante os vícios acima apontados, é bom registrar que a aplicação da multa isolada é um verdadeiro ultraje ao Direito brasileiro, uma vez que o artigo que regulamenta a multa isolada, aplicada no vertente caso, está assim disposto: “Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44): (...) III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto na forma do art. 106, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste;” Fl. 371DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 3.6. que, perquirindo a natureza da multa, conclui-se que se trata de multa punitiva, mas que tal punição revela-se totalmente descabida, uma vez que o fato de o recorrente não ter recolhido IRPF a título de carnê-leão não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco; 3.7. que é cediço que o período de apuração do IRPF é mensal. Contudo, a despeito da ocorrência mensal do fato gerador, a legislação impõe seja feita uma declaração de ajuste, a fim de harmonizar os valores recolhidos com as deduções permitidas etc. 3.8. indaga que, se o recorrente sabe, de antemão, que está desobrigado de recolher IRPF, porque faz jus a um determinado montante a título de deduções permitidas, que o desobriga do pagamento, qual seria a finalidade do recolhimento do IRPF a título de carnê-leão; 3.9. que exigir o IRPF nessas condições seria utilizar o IRPF como empréstimo compulsório, uma vez que o Fisco, mesmo sabendo que terá de devolver a quantia no futuro, está cobrando a exação; 3.10. que, entretanto, o empréstimo compulsório tem um rígido regramento constitucional, possuindo características peculiares que aniquilam a possibilidade de o IRPF assumir a feição de empréstimo compulsório, o que implica violação do texto magno. assim a multa isolada é totalmente irrazoáve1, devendo ser, de pronto, rechaçada por este excelso órgão julgador. É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking- Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate em 18/12/2008 (e-fls.325), sendo o presente Recurso Voluntário apresentado, TEMPESTIVAMENTE, em 16/01/2009, conforme e-fls.329, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito 1. Da decadência do crédito tributário mantido O recorrente, inicialmente, se insurge contra o saldo remanescente do crédito tributário, mantido pela DRJ, em relação à variação patrimonial a descoberto relativa a duas remessas de dólares, a aquisição dos dois apartamentos e a integralização dos R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao capital social da sociedade empresária, alegando decadência do crédito tributário, que os imóveis foram adquiridos antes do fato gerador objeto da apuração conforme prova que traz aos autos no momento da apresentação do recurso, ora em julgamento. Segundo informa, as data dos eventos considerados como acréscimo patrimonial a descoberto pela fiscalização são as seguintes: i) Operação de remessa de US$ 2.000,00 (dois mil dólares americanos): 11/05/2001; ii) Operação de remessa de US$ 1.000,00 (mil dólares americanos): 07/06/2001; iii) Integralização de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao capital social de LAFIR TÁXI AÉREO LTDA.: OUT/2001; Fl. 372DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 iv) aquisição de dois apartamentos: 12/01/1987 e 29/03/1996, conforme documentos anexos. O recorrente alega a decadência dos fatos geradores acima porque ocorridos até outubro de 2001 e a ciência do lançamento foi efetuada em 22/12/2006, porquanto 5 anos após a ocorrência do fato gerador que, segundo sua linha de argumentação, é mensal, sendo aplicável a regra do art. 150, §4º, do CTN. Há que se recordar que a Lei n° 7.713, de 23 de dezembro de 1988, instituiu a apuração mensal do imposto e, com a edição da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, essa apuração mensal passou a ser feita por antecipação, com o fato gerador do imposto sendo complexivo, isto é, o montante real devido somente viria a ser conhecido na declaração de ajuste, após as deduções a que o contribuinte fizesse jus. Sobre fato gerador do imposto, cumpre transcrever lição de Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, 3' edição, Editora Saraiva (págs. 251 e 252): “O fato gerador do tributo designa-se periódico quando sua realização se põe ao longo de um espaço de tempo. Não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim ao longo de um período de tempo do qual se valorizam 'n' fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. E tipicamente o caso do imposto sobre a renda periodicamente apurada, à vista dos fatos (ingressos financeiros, despesas, etc.) que, no seu conjunto, realizam o fato gerador. Em imagem de que já nos socorremos noutra ocasião, o fato gerador periódico é um acontecimento que se desenrola ao longo de um lapso de tempo, tal qual uma peça de teatro, em relação à qual não se pode afirmar que ocorra no fim do último ato; ela se completa nesse instante, mas ocorre ao longo do tempo, sendo inegável o relevo das várias situações desenvolvidas durante o espetáculo para a contextura da peça (.)" Por outro lado, apenas quando há antecipação do pagamento do imposto de renda no curso do ano-calendário, ter-se-ia aplicável a regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do CTN, que por oportuno se reproduz: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 ° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” (grifos nossos) Portanto, sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, sendo aplicável a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver pagamento antecipado, o que inclui a retenção na fonte. No caso do recorrente, o mesmo apresentou a sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2001, exercício 2002, em 30/04/2002, conforme e-fls.178, sem, contudo ter havido nenhuma retenção ou recolhimento de imposto de renda na fonte ao longo dos meses do ano-calendário de 2001, sendo aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN, in verbis: “Art. 173 ~ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 373DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 11- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. ” Observe-se, pois, que, na definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de se antecipar à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Assim, entende-se que a homologação efetuada pela autoridade fiscal pode recair tão somente sobre o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, eis que o lançamento propriamente dito carece ainda de formalidade legal, indispensável à sua caracterização e, ressalte-se, é no mínimo inadequado falar em homologação de ato cuja prática é de competência privativa da própria autoridade homologadora. Portanto, tem-se que somente sujeitam-se às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento. No caso ora analisado, em que o impugnante questionou sobre meses do ano- calendário de 2001, o prazo de cinco (05) anos completaria em 31.12.2006 e o Auto de Infração lavrado na data de 20.12.2006, e- fls. 260, cientificado ao contribuinte em 22.12.2006, e-fls. 266, se deu, portanto, antes de se cumprir o prazo decadencial. 2. Da possibilidade de juntada de documentos em grau recursal No que se refere à manutenção do crédito tributário relativo aos valores decorrentes da aquisição dos apartamentos como acréscimo patrimonial a descoberto, a instância a quo desconsiderou a argumentação do recorrente, nos seguintes termos, in verbis: “Quanto aos imóveis (apartamentos) constantes da declaração do exercício de 2002, ano-calendário 2001, no valor de R$ 138.794,55 cada um, que totalizaram o valor de R$ 277.589,10 (2 x R$ 138.794,55), sobre o que o litigante em sua impugnação alega que ambos já haviam sido adquiridos em momento anterior, conforme faz prova as escrituras públicas anexadas, as quais não anexou, cabe esclarecer ao contribuinte que alegar e não comprovar é o mesmo que não alegar e a ele caberia o ônus da prova. No que concerne ao fato do Fiscal autuante haver incluído no mês de dezembro de 2001, o fez para beneficiar o contribuinte e não para prejudicar, como alegou o contribuinte, julgando que os meses de janeiro a novembro de 2001, tivessem sido abrangidos pela decadência, conforme foi explicitado anteriormente. Por esse motivo, também será considerada como acréscimo patrimonial a descoberto a quantia de R$ 277.589,10 para determinar a base de cálculo do imposto devido”. O que o contribuinte pede agora, em sede de Recurso Voluntário, é que, em favor do princípio da verdade material, sejam aceitas as provas mencionadas e somente agora colacionadas aos autos na forma dos documentos anexos de número 4 e 5, e-fls 38/351 e 352/354, respectivamente. Entendo que as provas ora apresentadas devem ser aceitas pois o princípio da verdade material não pode ser afastado no processo administrativo, devendo ser assegurado ao contribuinte apresentar as provas pertinentes e necessárias ao julgamento. Analisando a referida documentação, vê-se que assiste razão ao contribuinte, que comprova que tais aquisições são anteriores ao período que é objeto do lançamento, devendo esses valores, portanto, serem excluídos da base de cálculo do crédito tributário. Fl. 374DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.641 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720369/2006-61 3. Da inviabilidade da aplicação da multa isolada Já, quanto à aplicação da multa isolada, o recorrente alega que essa multa equivaleria ao empréstimo compulsório, uma vez que se traduz na exigência de fazer o recolhimento mensal do imposto de renda no curso do ano-calendário, quando, na verdade, ao efetuar o ajuste na declaração de rendimentos, esse valor teria que ser devolvido ao contribuinte após o lançamento das despesas dedutíveis e que, sendo assim, essa cobrança com natureza de empréstimo compulsório seria inconstitucional posto não atender os requisitos para sua instituição. Entendo haver uma confusão neste ponto. A multa exigida do contribuinte não tem NENHUMA natureza de empréstimo, posto que não será devolvida ao recorrente. A devolução a que se refere o contribuinte seria do valor do próprio imposto de renda antecipado no curso do ano-calendário, o qual, após os ajustes na declaração, é passível sim de restituição. O que está sendo exigido do contribuinte é uma multa pelo descumprimento de obrigação tributária, no caso a falta de recolhimento do carnê-leão, multa esta prevista em lei, conforme previsto no art. 44, II, a, da Lei nº 9.430/96. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E DAR provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do IRPF o valor de R$ 275.029,10 na competência 12/2001. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking- Conselheira Relatora Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900733/2015-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. REDUÇÃO DO TRIBUTO EM RAZÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITO EXTINTIVO. IMPOSSIBILIDADE.
A decisão judicial que confere a suspensão à exigibilidade do crédito tributário não autoriza que sua existência seja desconsiderada para fins de apuração de saldo negativo passível de restituição ou compensação. Somente a decisão judicial definitiva favorável ao sujeito passivo extingue o crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.911
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator acompanhado por Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Rogério Borges. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. REDUÇÃO DO TRIBUTO EM RAZÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITO EXTINTIVO. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial que confere a suspensão à exigibilidade do crédito tributário não autoriza que sua existência seja desconsiderada para fins de apuração de saldo negativo passível de restituição ou compensação. Somente a decisão judicial definitiva favorável ao sujeito passivo extingue o crédito tributário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.900733/2015-98
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023312
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.911
nome_arquivo_s : Decisao_16327900733201598.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 16327900733201598_6023312.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator acompanhado por Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Rogério Borges. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7794885
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121757122560
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-24T13:10:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-24T13:10:16Z; Last-Modified: 2019-06-24T13:10:16Z; dcterms:modified: 2019-06-24T13:10:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-24T13:10:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-24T13:10:16Z; meta:save-date: 2019-06-24T13:10:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-24T13:10:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-24T13:10:16Z; created: 2019-06-24T13:10:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2019-06-24T13:10:16Z; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-24T13:10:16Z | Conteúdo => S1-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.900733/2015-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-003.911 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2019 Recorrente BANCO ITAUCARD S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. REDUÇÃO DO TRIBUTO EM RAZÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITO EXTINTIVO. IMPOSSIBILIDADE. A decisão judicial que confere a suspensão à exigibilidade do crédito tributário não autoriza que sua existência seja desconsiderada para fins de apuração de saldo negativo passível de restituição ou compensação. Somente a decisão judicial definitiva favorável ao sujeito passivo extingue o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Relator acompanhado por Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Rogério Borges. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 07 33 /2 01 5- 98 Fl. 697DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 387 a 533), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (fls. 363 a 371) que negou provimento à Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 362) do Contribuinte. O presente processo versa sobre compensação pretendida pela ora Recorrente, por meio de apresentação de DCOMPs, que visam utilizar crédito oriundo de suposto saldo negativo de CSLL, apurado no ano-calendário de 2012, para saldar diversos débitos da mesma natureza. Mais especificamente, a DCOMP nº 02853.59852.260313.1.3.03-1514 foi homologada parcialmente e a DCOMP 19979.35642.141113.3.03-4267 não foi homologada pelo r. Despacho Decisório nº de Rastreamento 098663465 (fls. 102 a 106), sob argumento de que o crédito lá exprimido era insuficiente, de acordo com cruzamento de seus dados com os de outras declarações da própria Recorrente. Diante disso, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 362), demonstrando estar correto o montante do saldo negativo informado na DCOMP, que a divergência tem origem nos efeitos de medida judicial, concedida em modalidade liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.007837-6, que suspendeu a exigência da CSLL pela nova alíquota de 15%, garantindo ao Contribuinte o cálculo e recolhimento pelo coeficiente anteriormente vigente, de 9%. Assim, seu crédito seria percebido na diferença positiva do valor das estimativas recolhidas e o valor efetivamente devido no ajuste anual (discrepância de 6% da base de cálculo). Esclarece a Recorrente ainda que os valores com exigibilidade suspensa não foram incluídos na ficha 17 da DIPJ, tendo em vista a ausência de linha para constar tal informação, o que gerou o conflito de informações que fundamenta o r. Despacho Decisório, mas posteriormente foi declarado em DCTF, acostando ambas declarações. Fl. 698DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Também explica que tais valores, abrangidos pela suspensão da medida liminar, foram posteriormente quitados por meio de DARF e utilização de prejuízo fiscal, tendo desistido da Ação para adesão ao parcelamento trazido pela Lei nº 12.996/2014, que reabriu a possibilidade de adesão ao REFIS, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Junta cópia de despacho do Processo Administrativo nº 16327.720568/2014-10, instaurado para fins de controle dos débitos debatido no Mandado de Segurança, constando lá a sua extinção. Encaminhados os autos à DRJ do Rio de Janeiro, foi prolatado o v. Acórdão (fls. 363 a 371), negando provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada, entendendo que, pela ausência da efetiva comprovação de quitação de tal valor pelo Programa de Parcelamento, bem como, por não ter consulta efetuada ao sistema interno da RFB apontado a inclusão de débitos daquele tributo, do mesmo período, naquela anistia, não ficou provado, de forma liquida e certa, o crédito pretendido. Em face de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 387 a 533), ora sob apreço, alegando a nulidade da decisão recorrida, por ser contraditória e repisando suas alegações anteriores, trazendo excertos de julgados deste E. CARF e cópia de pareceres jurídicos sobre a matéria debatida. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Inserido o processo na pauta das sessões de julgamento de fevereiro de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida, por unanimidade de votos, a v. Resolução nº 1402-000.419 (fls. 537 a 544), determinando, em suma, o seguinte: Dessa forma, diferentemente da conclusão obtida no v. Acórdão recorrido, a ausência de precisão documental, na forma e circunstância como se apresenta, não seria tamanha a ponto de obstar o pleito creditório da Recorrente, principalmente quando o fato, cuja comprovação ainda mostra-se um tanto obscura (inclusão de débitos em Programa de Parcelamento), deve ser acompanhado e registrado pela Administração Tributária federal, a qual, facilmente, pode fornecer informações para o fundamentado desfecho dessa demanda administrativa. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização apure se os débitos referentes ao diferencial de alíquota, objeto desse processo administrativo, gerado pela vigência da medida liminar conferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.007837-6 e controlados pelo Processo Administrativo nº 16327.720568/2014-10, foram efetivamente incluídos e quitados pelo Programa de Parcelamento reaberto pela Lei nº 12.996/2014, analisando a documentação acostada nos autos, principalmente os comprovantes de recolhimento. Deverá ser produzido relatório formal com tais informações e fundamentação de sua conclusão, dando-se ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação. Fl. 699DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Encaminhado os autos à Unidade Local, a própria Autoridade Fiscal promoveu a devida instrução dos autos com informações dos sistemas da Receita Federal do Brasil e outros Órgãos fazendários, procedendo, ulteriormente à elaboração de Relatório Fiscal (fls. 591 a 594), no qual confirma-se a inclusão dos valores do mesmo tributo sob análise em Programa de Parcelamento, mas sob outro código da receita. Intimado, o Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 601 a 693), esclarecendo as informações encontradas pelo Fisco, mormente sobre a monta do débito. Acosta documentos contábeis e Declarações fiscais. Posteriormente, os autos retornaram a este Conselheiro para novo julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella - Relator Reitere-se que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Tendo em vista que o presente feito foi objeto da v. Resolução nº 1402-000.419, em fevereiro de 2017, oportunidade processual em que este Conselheiro registrou em seu voto a análise da matéria jurídica envolvida, os pontos controversos e, inclusive, seu convencimento sobre parte do tema - necessário para a resolução da demanda - será reproduzido a seguir trecho de seus termos, integrando a presente decisão. Inicialmente, em sede preliminar, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão, em razão de suposto cerceamento de defesa, causado por contradições nele contidas. Nesse sentido, afirma que as razão de decidir se coadunam com a tese defendida em sua Manifestação de Inconformidade, contudo, ao concluir, nega-lhe provimento. Também afirma que o v. Acórdão deixa de analisar toda a documentação acostada, a qual, faria, então, prova cabal do seu direito, não se sustentando a posição adotada na decisão de que careceria o crédito de comprovação. Fl. 700DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Nesse ponto, não assiste razão à Recorrente. Ainda que, de fato, quando consta no v. Acórdão que é possível concluir que apenas a estimativa paga pode compor o saldo negativo do período, a mera constatação de procedência, teórica e acadêmica, da fundamentação trazida pelo Contribuinte não basta para conferir-lhe qualquer direito, principalmente na esfera administrativa processual, onde fatos e provas devem ser mais prestigiados. O argumento para a denegação do crédito naquele decisum foi a ausência de provas de recolhimento dos valores, antes suspensos por medida liminar, pelo PAEX, reforçado pelo fato destes não constarem na relação de débitos incluídos naquele programa. Ainda, as provas foram devidamente analisadas, mas consideradas insuficientes, fato esse que não dá ensejo a qualquer vício ou defeito jurisdicional. Em relação ao mérito, como se verifica do relatório, o objeto desta contenda é bem claro e delimitado, residindo a atual controvérsia na prova de quitação de parcela da CSLL do ano-calendário de 2012, após a desistência do Mandado de Segurança. As cópias da petição inicial e da decisão que concedeu a medida liminar pleiteada, acostadas nos apelos apresentados, mostram que o diferencial de alíquotas de CSLL (resultantes em 6%) não foram objetos de depósitos judiciais, decorrendo a suspensão exclusivamente da decisão judicial, nos termos do art. 151, inciso V, do Código Tributário Nacional. Assim, independentemente da prevalência ou não de tal medida no decorrer do processo judicial, a partir do momento em que houve sua desistência, a quitação daqueles débitos ficou pendente. Contudo, a razão da desistência da Ação, como explica a Recorrente, teria sido a adesão ao Programa de Parcelamento originalmente instituído pela Lei nº 11.941/09, que exige tal renúncia, tendo sido, dessa forma, liquidada tal pendência fiscal (que viria a compor seu saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2012). Existe posição jurisprudencial deste E. CARF que reconhece o direito ao crédito do Contribuinte, originário de débitos de estimativas, objeto de inclusão em Programas de Parcelamento, como ilustra o Acórdão nº 1201.001.379, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria da I. Conselheira Ester Marques Lins de Sousa e voto vencedor do I. Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, publicado em 27/06/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário:2003 Fl. 701DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp. (...) O pano de fundo do mérito aqui discutido é a possibilidade de considerar, para fins de composição do saldo negativo do período, os valores das estimativas não recolhidas dentro do próprio período, mas através de parcelamento cuja liquidação fora posterior ao seu encerramento e à própria DCOMP. O entendimento da DRJ e da conselheira relatora vai no sentido de que somente os valores efetivamente recolhidos até a data de envio da DCOMP poderia ser utilizada, vez que não há que se falar em restituição daquilo que não fora pago. Devo discordar deste entendimento. Isso porque, a inclusão do débito de estimativa em processo de parcelamento comporta confissão irrevogável e irretratável do contribuinte. Este dispositivo é comum a qualquer programa de parcelamento. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo de parcelamento e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Confrontando tal entendimento com o caso aqui apresentando, temos que a Recorrente traz documentação que indica ter ocorrido a adesão àquela anistia, como cópia de petição dirigida ao Juízo do Mandado de Segurança, desistindo do pleito e já juntando DARF com o suposto recolhimento do valor debatido naquela lide forense (fls. 88 a 95). Contudo, aqueles DARFs não possuem qualquer elemento que estabeleça uma conexão entre o credito tributário ali tratado (igualmente objeto desse Processo Administrativo), como numeração processual, período de apuração ou demonstração de identidade de valor (além de estarem consideravelmente ilegíveis): Fl. 702DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Outra documentação que prova a adesão da empresa ao Programa de Parcelamento, é uma tela de consulta de consolidação de optante (fl. 128). Todavia, apesar do código da receita aponta "CSLL - Lançamento de Ofício", os seus vencimentos são diferentes daqueles dos débitos aqui analisados: Interessante notar que tais documentos certamente provam a adesão da Recorrente à anistia, mas não bastam para estabelecer, com mínima certeza e precisão, que o diferencial de alíquota de 6%, suspenso por decisão liminar ao final do ano-calendário de 2012, fez parte do montante incluído na liquidação. Ainda, os despachos do Processo Administrativo nº 16327-720.568/2014-10, instaurado apenas para controlar os tributos abarcados pela decisão antecipatória do Judiciário, mencionam somente que houve pagamento de estimativa em valor superior ao devido no ajuste e que, por tal, não houve crédito tributário a constituir (fls. 127), sem qualquer contexto ou informação adicional, constando que teria sido extinto por revisão do lançamento: Fl. 703DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Ocorre que tal expediente é bastante sui generis e de fato, tendo em vista estar o Contribuinte acobertado pela decisão liminar no momento do ajuste anual, as estimativas mostraram-se superiores naquele ano-calendário. Naturalmente, aquele processo perde a razão de ser pela desistência do feito judicial, mas não é mencionado a efetiva quitação de seu objeto (por parcelamento ou não), muito embora seja tal documento forte e robusto indicativo da existência do direito da Recorrente ao crédito. Dessa forma, diferentemente da conclusão obtida no v. Acórdão recorrido, a ausência de precisão documental, na forma e circunstância como se apresenta, não seria tamanha a ponto de obstar o pleito creditório da Recorrente, principalmente quando o fato, cuja comprovação ainda mostra-se um tanto obscura (inclusão de débitos em Programa de Parcelamento), deve ser acompanhado e registrado pela Administração Tributária federal, a qual, facilmente, pode fornecer informações para o fundamentado desfecho dessa demanda administrativa. Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização apure se os débitos referentes ao diferencial de alíquota, objeto desse processo administrativo, gerado pela vigência da medida liminar conferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.007837-6 e controlados pelo Processo Administrativo nº 16327.720568/2014-10, foram efetivamente incluídos e quitados pelo Programa de Parcelamento reaberto pela Lei nº 12.996/2014, analisando a documentação acostada nos autos, principalmente os comprovantes de recolhimento. Como se observa, o intuito de tal diligência era confirmar a inclusão dos débitos de CSLL de 2012, formadores do crédito pretendido, no Programa de Parcelamento reaberto pela Lei nº 12.996/2014 e, sequencialmente, apurar se houve sua quitação, tendo em vista a documentação apresentada pela Contribuinte, que evidenciava, de forma indiciária, tal ocorrência. Fl. 704DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Assim, procedendo às consultas necessárias, a Autoridade Fiscal elaborou Relatório Fiscal, trazendo as seguintes informações e conclusões: 2. A Resolução CARF n° 1402000.419, de fls. 537-544, decidiu converter o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência para que a D. Unidade Local de fiscalização apure se os débitos referentes ao diferencial de alíquota, objeto desse processo administrativo, gerado pela vigência da medida liminar conferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0078376 e controlados pelo Processo Administrativo nº 16327.720568/2014-10, foram efetivamente incluídos e quitados pelo Programa de Parcelamento reaberto pela Lei nº 12.996/2014. 3. Conforme extrato do processo 16327.720568/2014-10 (fl.553), o mesmo trata de débito de estimativa de CSLL (código de receita 2964-01), período de apuração 12/2012, com data de vencimento em 31/01/2013, no valor de R$19.217.127,91, declarado em DCTF. Verifica-se que o processo encontra-se encerrado e arquivado em vista de extinção por revisão de lançamento por motivo de "pagamento de estimativa em valor superior ao devido no ajuste". (fls 37 e 288 do PAF 16327.720568/2014-10). 4. Em consulta ao recibo de consolidação, confirma-se que o Contribuinte possui adesão ao parcelamento da lei 11.941/09, reaberto pela Lei 12.996/14, art 2º, na modalidade parcelamento em 30 prestações (fls. 554-556) 5. Em consulta ao demonstrativo de revisão de consolidação (fls.557-560), verifica-se que do mesmo não consta o processo 16327.720568/2014-10 - CSLL (2964-01), pa 12/2012 com vencimento em 31/01/2013 e valor R$19.217.127,91, mas consta débito de ajuste (6758), pa 2012, com vencimento em 31/01/2013, no valor de R$19.218.741,91, controlado no PAF 16327.720188/2018-09 (tabela abaixo), conforme indicado pelo Contribuinte na documentação juntada à fl. 96, incluso por revisão de consolidação em 09/03/2018 (art 11 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1064/2015). 6. De acordo com despacho de fls. 7-11 do PAF 16327.720188/2018-09, o débito em questão não foi encontrado nos sistemas da RFB (DCTF/Sief-Fiscel), tendo sido cadastrado como débito confessado em parcelamento. Extrato de processo à fl.561. 7. Ressalte-se que o Contribuinte também aderiu ao requerimento de quitação antecipada (RQA), previsto no art. 33 da MP 651/2014, convertida na lei 13.043/2014, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº15/2014, conforme despacho de fls. 231 e 233 do PAF 16327.721193/2014-05, o qual informa que o Contribuinte cumpriu os requisitos formais para adesão ao RQA, tendo sido seu pedido deferido até a consolidação do mesmo. 8. De acordo com despacho de fls. 411-413 do PAF 16327.720985/2015-35, copiado às fls.562-564, os valores pagos a título da antecipação exigível pelo parcelamento da Lei 12.996/14 (equivalente a 20%), sob código de receita 4750 (fls.565-582), foram suficientes para manutenção da adesão no referido parcelamento, nos termos do art 3º, inciso IV da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº13/2014, e que o saldo remanescente de pagamento seria suficiente frente à obrigação em espécie a que se refere o parágrafo 2º, inciso I do art 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 15/2014, equivalente a 30% da Fl. 705DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 dívida consolidada descontadas as antecipações, para adesão ao RQA, conforme planilhas de cálculo abaixo: Planilha 1 – Antecipação da lei 12.996/14 -dados extraídos do demonstrativo de revisão de consolidação: Planilha 2 – Estimativa de saldo de pagamento para antecipação em espécie para adesão ao RQA – planilha extraída do despacho de fls. 411-413 do PAF 16327.720985/2015- 35: 9. Em consulta ao sistema Paex (fls.583-585) e extrato da dívida (fls.586-590), verifica- se que o parcelamento encontra-se na situação "Em Parcelamento", com impedimento de exclusão implementado em 09/03/2018, no aguardo da consolidação do RQA para quitação do saldo devedor. 10. Ressalte-se que o art 4º, parágrafo 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº15/2014 estabelece que: "(...) § 6º Os RQA apresentados junto com a documentação de que trata o § 4º suspendem a exigibilidade das parcelas até ulterior análise dos créditos pleiteados. 11. Diante do exposto, conclui-se que o débito de estimativa CSLL (2964-01), pa 12/2012 com vencimento em 31/01/2013, controlado no PAF 16327.720568/2014-10 não se encontra consolidado no parcelamento da lei 12.996/14, mas consta consolidado o débito de ajuste de CSLL (6758), pa 2012, com vencimento em 31/01/2013 no valor de R$ 19.218.741,91, controlado no PAF 16327.720188/2018- 09. Fl. 706DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 12. As parcelas devedoras do parcelamento da Lei 12.996/14 encontram-se suspensas em razão de adesão ao art. 33 da Lei 13.043/14 (RQA), nos termos do art 4ª da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº15/2014, até ulterior análise dos créditos pleiteados para sua quitação e consolidação dos débitos, no aguardo da integração do sistema e-Sapli e e- Paex, ocasião em que serão verificados cálculos efetuados e valores recolhidos a título de antecipação e disponibilidade de créditos para quitação. Assim, propõe-se: a) Encerramento desta Diligência e que seja dada ciência deste despacho ao Contribuinte para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias e, após, que o mesmo seja encaminhado ao CARF. Pois bem, de tal Relatório, deveras técnico e analítico, pode-se depreender que, a priori, existiria desencontro do código da receita referente aos débitos de CSLL do ano- calendário de 2012 incluídos no Programa de Parcelamento, bem como do Processo Administrativo de seu Controle. Como se infere do Item 5. da referida Informação Fiscal, verifica-se que do mesmo não consta o processo 16327.720568/2014-10 - CSLL (2964-01), pa 12/2012 com vencimento em 31/01/2013 e valor R$19.217.127,91, mas consta débito de ajuste (6758), pa 2012, com vencimento em 31/01/2013, no valor de R$19.218.741,91, controlado no PAF 16327.720188/2018-09 (tabela abaixo), conforme indicado pelo Contribuinte na documentação juntada à fl. 96, incluso por revisão de consolidação em 09/03/2018 (art 11 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1064/2015). Observe que o tributo devido, o ano-calendário e a data de vencimento dos tributos são os mesmos. Em relação à monta, é certo que o valor do crédito ainda controverso no presente feito é de R$ 19.217.127,91, referente a parte da CSLL devida em dezembro de 2012, objeto de suspensão por Mandado de Segurança, com posterior desistência para quitação na referida anistia. Na sua Manifestação (fls. 601 a 693) em razão da Diligência promovida, a Recorrente esclarece e comprova, em suma, que, não obstante o valor correto do tributo em questão seja de R$ 19.217.127,91, esta teria indevidamente, por erro, incluído tal débito no Programa de Parcelamento no valor de R$ 19.218.741,91. Inclusive, faz prova de que acabou por promover a retificação de sua DIPJ e DCTF para ajustar tal falha, adequando a monta do valor do tributo devido com os seus registros contábeis (vide 621 a 693). Assim, a afirmação do Contribuinte que tal valor, a maior, de R$ 19.218.741,91 teria sido utilizado para a consolidação e quitação de parcelas da anistia é precisamente corroborada com a conclusão do relatório - se apenas afastada a divergência de códigos da receita e processo de controle. Fl. 707DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Diante de tais elementos, no seguro entender desse Conselheiro, não resta dúvida que o valor referente à formação do crédito objeto desse julgamento correspondente ao débito de ajuste (6758), pa 2012, com vencimento em 31/01/2013, no valor de R$19.218.741,91, controlado no PAF 16327.720188/2018-09. Dessa forma, como se depreende do trecho conclusivo do Relatório Fiscal, confirma-se a inclusão de tal valor na consolidação do Programa de Parcelamento da Lei nº 12.996/14. Como noticiado e comprovado pela própria Unidade Local, a Contribuinte já teria procedido à antecipação dos 20% exigidos pela Lei em questão, bem como também consta pagamento suficiente para saldar os 30% exigidos para a opção do Requerimento de Quitação Antecipada (RQA), previsto no art. 33 da MP 651/2014, convertida na Lei nº 13.043/2014, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº15/2014. Assim, não só tal débito foi incluído no Programa de Parcelamento em questão, como a situação da Contribuinte é absolutamente regular, estando a sua definitiva liquidação apenas pendente da integração do sistema e-Sapli e e- Paex, ocasião em que serão verificados cálculos efetuados e valores recolhidos a título de antecipação e disponibilidade de créditos para quitação. Uma vez estabelecido tal fato, passa-se à resolução jurisdicional da demanda. Como mencionado e citado na v. Resolução nº 1402-000.419, já existia entendimento na jurisprudência dessa C. 1ª Seção que reconhecia o direito creditório do contribuinte quando comprovado que a parcela formadora do seu saldo negativo, do qual decorre o crédito alegado, fora incluído com sucesso em Programa de Parcelamento (então, ilustrado pelo Acórdão nº 1201-001.379). Nos 2 (dois) anos que se sucederam, tal entendimento se proliferou por outras C. Turmas Ordinárias, como se verifica no recente Acórdão nº 1301-003.719, prolatado pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 1ª Seção, de votação unânime, de relatoria do I. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, publicado em 19;03/2019: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade. ESTIMATIVA. PARCELAMENTO ESPECIAL. Fl. 708DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 A consolidação de débito de estimativa compensada em parcelamento especial que implique renúncia ao direito de recurso não resulta em falta de liquidez e certeza do direito creditório do ano-calendário em que esta estimativa tenha sido levada ao ajuste. O mesmo entendimento foi alcançado no Acórdão nº 1302-003.022, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 1ª Seção, de votação por maioria, de relatoria do I. Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, publicado em 24/09/2018: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA COMPENSADA. SALDO NEGATIVO. APROPRIAÇÃO. CABIMENTO. A estimativa compensada pode ser levada ao ajuste anual, sendo descabida a glosa por falta de liquidez e certeza, uma vez que sua cobrança é feita no próprio processo de compensação. ESTIMATIVA. PARCELAMENTO ESPECIAL. A consolidação de débito de estimativa compensada em parcelamento especial que implique renúncia ao direito de recurso não resulta em falta de liquidez e certeza do direito creditório do ano-calendário em que esta estimativa tenha sido levada ao ajuste. Verifica-se que tal entendimento, presente na jurisprudência de 1ª Seção, acaba por se fundamentar em diversos elementos. Em certos julgados se procede à aplicação ao aos débitos irretratavelmente confessados, incluídos em Programa de Parcelamento, o entendimento estampado Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, o qual professa que débitos, oriundos de estimativas, objeto de compensação ainda não homologada, poderiam compor o saldo negativo apurado no período. E mais recentemente, invoca-se em tais Acórdãos referentes a débitos objeto de anistia, o teor do Parecer Normativo COSIT RFB nº 2/ 2018, que também estabelece: e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; (destacamos) Fl. 709DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 É certo que a legislação nacional e federal sobre a matéria, nos termos do art. 170 do CTN (alocado na Seção IV, referente à Demais Modalidades de Extinção) e do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apenas exige para compensação de débitos tributários que o crédito apurado seja líquido e certo. Assim, para a compensação, não há exigência expressa pelas normas vigentes de que o crédito utilizado tenha sido, propriamente, objeto de pagamento em favor da União - diferentemente da restituição, inclusive tratada especificamente nos arts. 165 a 168 do CTN, na Seção III, referente a Pagamento Indevido. Desse modo, considerando a confissão irretratável de débitos de estimativas, ato necessário para a sua inclusão nos Programas de Parcelamentos que vêm sendo editados pelo Poder Legislativo, como no caso da anistia veiculada na Lei nº 11.941/2009, reaberta pela Lei nº 12.996/14, o que furta do contribuinte o direito de recorrer ou mesmo de alterar tal monta confessadas (diferente até mesmo do débito declarado em DCTF), apresenta-se racional e correto o reconhecimento da certeza e liquidez necessárias de tais valores para compor o crédito tributário compensável - mormente após a veiculação da posição da Administração Tributária no Parecer Normativo COSIT RFB nº 2/2018. Em acréscimo, a própria 1ª Turma da C. CSRF deste E. CARF, ainda em 2015, já havia se posicionado, por maioria de votos, nesse sentido, como ilustra o Acórdão nº 9101- 002.093, de relatoria do I. Conselheiro Valmir Sandri, publicado em 18/02/2015: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 IRPJ - SALDO NEGATIVO - ESTIMATIVA APURADA - PARCELAMENTO - COMPENSAÇÃO - CABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. E, quase de 4 (quatro) anos depois, esse ainda é o entendimento da C. 1ª Turma da CSRF, como comprova o Acórdão nº 9101-003.898, de relatoria do I. Conselheiro Demetrius Nichele Macei, publicado em 10/01/2019: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTO COMPENSAÇÃO CABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. (...) Fl. 710DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Em síntese, o v. acórdão recorrido reconheceu que “o saldo negativo de IRPJ, apurado pelo contribuinte, no qual se inclui valor de estimativa mensal objeto de parcelamento ainda não quitado, não se presta à compensação tributária, a qual exige liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo”. O contribuinte, através de seu recurso especial, aponta paradigma, oriundo desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (9101-002.093), no qual decidiu-se que “descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial”. A similaridade entre o v. acórdão recorrido e o paradigma é perfeita, mas as decisões são diametralmente opostas. No v. acórdão recorrido, o Colegiado a quo decidiu, pelo voto de qualidade, pela impossibilidade de utilização, para fins de formação de saldo negativo de IRPJ 2003, de valor de estimativa não paga, referente o mês de janeiro/2003, no importe de R$ 979.392,99, mas parcelada no âmbito do PAES (Lei 10.684/2002), sob o argumento de que a compensação em matéria tributária rege-se pelo art. 170, do CTN, o qual exige a certeza e liquidez dos créditos do sujeito passivo para fins da realização da compensação, adicionando que a compensação, nos termos do art. 151, VI, do CTN, suspende o crédito tributário, não o extingue. Que seria uma temeridade admitir que estimativa parcelada, em parcelamento não liquidado, pudesse ser tida como valor certo e apto a compor o saldo negativo do ano-calendário, a ponto de permitir que esse saldo seja passível de restituição/compensação. O saldo negativo, assim apurado pelo contribuinte, carece de liquidez e certeza e, portanto, não se prestaria à compensação tributária. No v. acórdão paradigma, por sua vez, o enfoque foi um pouco diferente. Se o valor parcelado a título de estimativa foi parcelado, conclui-se que o débito em questão está confessado e, desta forma, é passível de cobrança direta em caso de inadimplemento pelo contribuinte, citando a Solução de Consulta Interna nº 18/2006: (...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” Corroborando esse entendimento, foi emitido o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no seguinte sentido: “ (...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Ou seja, a existência da confissão do débito decorrente da estimativa, em razão do parcelamento existente, permite a sua cobrança pela fiscalização e, desta forma, para evitar uma cobrança em duplicidade, devem ser computados no saldo negativo do anocalendário. Em outras palavras, a confissão do débito de estimativa, via parcelamento, afasta a falta de certeza e liquidez de que o valor em questão possa ser cobrado pelo Fisco e, desta forma, não se justifica a glosa dessa estimativa na formação do saldo negativo do IRPJ no ano-calendário. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, reformando integralmente o v. acórdão recorrido, reconhecendo a existência de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2003 suficiente para a compensação realizada, homologando-a. Considerando tais fundamentos e entendimentos, curva-se este Conselheiro a esta posição da C. 1ª Turma da CSRF, recentemente reafirmada. Fl. 711DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para homologar integralmente as DCOMP nº 02853.59852.260313.1.3.03-1514 e DCOMP 19979.35642.141113.3.03-4267, reconhecendo o valor adicional do crédito pretendido na monta de R$ 19.217.127,91. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges – Redator Designado Como de costume, o voto do ilustre Caio Cesar Nader Quintella está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante ao mérito, por maioria qualificada, conforme consignado no decisum do presente acórdão. A matéria que exsurge no presente processo é que a divergência do montante do saldo negativo informado na Dcomp tem origem em medida judicial, concedida em modalidade liminar no momento da apresentação da mesma. A concessão liminar, nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.007837- 6, que suspendeu a exigência da CSLL pela nova alíquota de 15%, garantindo ao Contribuinte o cálculo e recolhimento pelo coeficiente anteriormente vigente, de 9%. A própria recorrente esclarece ainda que os valores com exigibilidade suspensa não foram incluídos na ficha 17 da DIPJ, tendo em vista a ausência de linha para constar tal informação, o que gerou o conflito de informações que fundamenta o r. Despacho Decisório. Também explica que tais valores, abrangidos pela suspensão da medida liminar, foram posteriormente quitados por meio de DARF e utilização de prejuízo fiscal, tendo desistido da Ação para adesão ao parcelamento trazido pela Lei nº 12.996/2014, que reabriu a possibilidade de adesão ao REFIS, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Tal matéria, conforme suscitado nas discussões que se seguiram a apresentação do voto do i. relator, já fora, dentre outras, trabalhada no acórdão nº 1101-001.116 (processo 16327.901307/2009-23), sessão de 03 de junho de 2014, em que o voto vencedor, suscita a questão que no momento da apresentação a Dcomp, o direito creditório não estava líquido e certo, Conforme se denota nesta decisão retrocitada: Cumpre perquirir, porém, qual providência deveria ser adotada pela autoridade fiscal com vistas a assegurar a exigibilidade do crédito tributário em caso de reversão da decisão precária antes detida pelo sujeito passivo? A resposta seria, possivelmente, o lançamento do crédito tributário com suspensão de sua exigibilidade, com vistas a evitar a decadência. Todavia, poderia o Fisco afirmar a existência de débito no período, em face de antecipações significativamente superiores ao IRPJ devido, ainda que desconsiderados os efeitos da ação judicial? Embora a penalidade estivesse afastada, poderia imputar juros de mora ao suposto débito? Fl. 712DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 A incompatibilidade entre tais providências advém da unicidade do crédito tributário e, por consequência, do direito creditório do período. Em outras palavras, a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro não admitiria que de um mesmo fato gerador decorresse crédito tributário e direito creditório, pois a sua materialidade seria determinada em razão das circunstâncias presentes no momento de sua ocorrência, in casu, no termo final da apuração anual. Partindo deste questionamento suscitado, cabe ressaltar que a decisão judicial favorável obtida pelo sujeito passivo, por não definitiva, apenas impede a autoridade fiscal de exigir o pagamento de eventual crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI - o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (grifou-se) Destarte, a possibilidade de constituição do crédito tributário nestas circunstâncias decorre, justamente, da sua existência enquanto não se verifica uma das hipóteses de extinção previstas no art. 156 do CTN 1 . No presente processo, o pedido de Dcomp foi pleiteado pelo crédito de saldo negativo de CSLL, do ano-calendário de 2012, no valor de R$ 128.579.611,84. Contudo, o despacho decisório, bem como a decisão de 1º grau reconheceu o valor de R$ 109.362.483,89. A diferença, reconhecida pela própria recorrente, decorreu de que discutia judicialmente uma 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI - a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 713DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-003.911 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.900733/2015-98 parcela da CSLL apurada, cuja exigibilidade esta suspensa em razão de liminar obtida no Mandado de Segurança nº 2009.61.00.007837-6. Igualmente, como também já bem exposto na decisão a quo, há limites de aproveitamento de estimativas, sendo que apenas a estimativa paga pode compor o saldo negativo do período. Destarte, a estimativa suspensa por decisão judicial, não pode compor o saldo negativo, pois não atende os preceitos do art. 170-A do Código Tributário Nacional: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Logo, pelas razões ante expostas, a parcela de CSLL devido com exigibilidade suspensa no momento da apresentação da Dcomp não pode ser considerada na determinação do saldo negativo da CSLL. Diante do exposto, o presente voto é no seguinte de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917088/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.917088/2009-76
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023858
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.320
nome_arquivo_s : Decisao_15374917088200976.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Wesley Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 15374917088200976_6023858.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7798424
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121764462592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.346 1 1.345 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917088/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.320 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 88 /2 00 9- 76 Fl. 1346DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 15374.917088/200976 Acórdão n.º 2301005.320 S2C3T1 Fl. 1.347 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, portanto dele o conheço. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 1348DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 15374.917088/200976 Acórdão n.º 2301005.320 S2C3T1 Fl. 1.348 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1350DF CARF MF 6 Fl. 1351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908039/2008-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO FUNDAMENTADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.
Pelo teor da Súmula CARF n. 2 as turmas do CARFnnão têm competência para manifestar-se sobre constitucionalidade de lei tributária.
ISENÇÃO DA LC 70/1991 REVOGADA PELA LEI 9.430/1996. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a revogação da isenção do recolhimento da Cofins concedida pela Lei Complementar n. 70/91 por lei ordinária não afronta o princípio da hierarquia das leis (RE 412.748).
Numero da decisão: 3003-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges(presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO FUNDAMENTADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Pelo teor da Súmula CARF n. 2 as turmas do CARFnnão têm competência para manifestar-se sobre constitucionalidade de lei tributária. ISENÇÃO DA LC 70/1991 REVOGADA PELA LEI 9.430/1996. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a revogação da isenção do recolhimento da Cofins concedida pela Lei Complementar n. 70/91 por lei ordinária não afronta o princípio da hierarquia das leis (RE 412.748).
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.908039/2008-61
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6027930
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.329
nome_arquivo_s : Decisao_15374908039200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 15374908039200861_6027930.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges(presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7812495
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121766559744
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-01T23:04:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-01T23:04:55Z; Last-Modified: 2019-07-01T23:04:55Z; dcterms:modified: 2019-07-01T23:04:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-01T23:04:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-01T23:04:55Z; meta:save-date: 2019-07-01T23:04:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-01T23:04:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-01T23:04:55Z; created: 2019-07-01T23:04:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-01T23:04:55Z; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-01T23:04:55Z | Conteúdo => SS33--TTEE0033 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 15374.908039/2008-61 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3003-000.329 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 12 de junho de 2019 RReeccoorrrreennttee STURGIS ADMINISTRACAO E PARTICIPACAO LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO FUNDAMENTADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Pelo teor da Súmula CARF n. 2 as turmas do CARFnnão têm competência para manifestar-se sobre constitucionalidade de lei tributária. ISENÇÃO DA LC 70/1991 REVOGADA PELA LEI 9.430/1996. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a revogação da isenção do recolhimento da Cofins concedida pela Lei Complementar n. 70/91 por lei ordinária não afronta o princípio da hierarquia das leis (RE 412.748). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges(presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 80 39 /2 00 8- 61 Fl. 135DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.329 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.908039/2008-61 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada no bojo do processo de compensação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão decorrida: Trata-se de litígio administrativo instaurado com a manifestação de inconformidade de ZALCBERG ADVOGADOS ASSOCIADOS (fls. 11-19) ao despacho decisório emitido pela DERAT/RIO, não homologando o pedido de compensação (fl. 09). O PER/DCOMP n° 42741.39676.280504.1.3.04-1250 foi transmitido em 12-02-2004, com o objetivo de compensar suposto crédito havido em função de pagamento a maior, no valor de R$ 5.568,25, a titulo de Cofins (fl. 03). A decisão de não homologar o PER/DCOMP n° 42741.39676.280504.1.3.04-1250 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (fl. 09). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que (fl. 11-19): - A cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em face da Requerente referente à Cofins está tramitando em processo administrativo autônomo, de n° 18471.000995/2008-93. Por este motivo, em observância aos princípios constitucionais que servem de diretrizes para a administração pública, requer, desde já, o apensamento do presente àquele processo acima mencionado. - Foi recolhido inadvertidamente pela Manifestante em 15-01-2002, o valor de R$ 5.568,25, a titulo de Cofins (código da receita 2172), referente ao período de apuração de 31-12-2001. - Posteriormente, foi realizado o pedido de compensação através do PER/DCOMP no 42741.39676.280504.1.3.04-1250, para que o montante recolhido fosse utilizado para o pagamento de CSLL-PJ (código da receita 2372), com vencimento em 30.01.2004, período de apuração 01-2004, no valor de R$ 3.872,74, o qual não foi homologado. - Instituída a Lei Complementar n° 70/91, destinada As despesas com atividades-fim das áreas de saúde, previdência e assistência social, que isentava a Manifestante, nos termos do inciso II, do art. 6° da referida Lei, posteriormente foi editada a Lei 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 56 revogou a referida isenção, determinando que a contribuição passasse a incidir sobre as receitas auferidas. - Questionada a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, considerando a alegação de que Lei Ordinária não poderia revogar preceito constante de Lei Complementar, entre outros temas, restou, pelo Superior Tribunal de Justiça, editada em 02/06/2003 a SÚMULA N° 276, tendo em vista alguns precedentes (entre outros: Resp's 260960-RS, 227939-SC, 221710-RJ, e AgRg no Resp 226386, 297461, 422342 e 422741): - Desta forma, alguns contribuintes passaram a compensar, ou a simplesmente não mais pagar e outros ainda a repetir a contribuição social. - Entretanto, em 30/06/2006, foi publicada a decisão da P Turma do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 419.629-8 - DF, interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial (REsp 437842-DF) que houvera declarado que Lei Ordinária não tem força para revogar dispositivo de Lei Complementar, dando provimento ao RE da Unido Federal para anular o acórdão do STJ por usurpação da competência do Supremo Tribunal, decisão essa não transitada em julgado, o que, notoriamente, veio a tentativa de justificar pelo fisco a negativa da Fl. 136DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.329 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.908039/2008-61 pretensão compensatória, mais pela possibilidade de prescrição futura de eventual crédito dele do que a questão jurídica em si. - Quando da compensação, havia segurança jurídica de que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais eram isentas da Cofins desde a edição da Lei Complementar n° 70/91, passando por decisões do Superior Tribunal de Justiça, especialmente da Súmula n° 276, até que veio a decisão parcial e não definitiva no Recurso Extraordinário n° 419.629-8-DF (decorrente do Resp n° 437842-DF), publicada no DJ em 30/06/2006, no sentido de anular aquele acórdão do Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhecia a manutenção da isenção. - Até agora, em 2008, perdura no STF a discussão jurídica que tem como tema a possibilidade, ou não, do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96 poder revogar a isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista na Lei Complementar n° 70/91, como se pode observar pela leitura do processamento dos Recursos Extraordinários nos 381964-MG e 377457-PR. - Já no STJ a questão, sob o enfoque infraconstitucional, se encontra decidida a favor da isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, nos termos dos recursos especiais acima informados e da Súmula n° 276. -O art. 146 do Código Tributário Nacional, que está inserido no Capitulo II - Constituição do Crédito Tributário -, informa que a "modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto ao fato gerador ocorrido posteriormente A. sua introdução." - Já observando o tema sob a ótica do STF (Constitucionalidade), a decisão parcial e não definitiva da P Turma do STF no Recurso Extraordinário n° 419.629-8 - DF, publicada em 30/06/2006, interposto contra acórdão do STJ em Recurso Especial (Resp 437842- DF), dando, até agora, parcial provimento (8x1) e não definitivo ao RE da União Federal (419.629-8 - DF) para anular o acórdão do STJ (Resp 437842-DF) por alegada usurpação da competência do Supremo Tribunal, não é definitiva sobre o prisma da constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96. - Destarte, segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 viola normas infraconstitucionais, como citadas nos julgamentos dos recursos especiais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6°, II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. - Assim, nos termos do art. 146 do código Tributário Nacional, é evidente que, mesmo que a decisão a ser exarada nos recursos extraordinários, sob exame na Excelsa Corte, declare a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 (a qual não muda o posicionamento do STJ), e transite em julgado a referida decisão sem que seja apreciada a sua modulação, a compensação do crédito em questão somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. - Na realidade, até a presente data não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006, porquanto o Supremo Tribunal Federal, repita-se, ainda não decidiu definitivamente o mérito da questão e, por via de conseqüência, a modulação da decisão, pois se encontra apreciando os recursos extraordinários n's 377457-PR e 381964-MG, como dito acima, cujos processamentos estão suspensos, porquanto o Ministro Marco Aurélio pediu vista. - Logo, nos termos das decisões do STJ não há Cofins a ser paga, portanto, plenamente devida a compensação do tributo realizada ante o pagamento equivocado da Cofins, como anteriormente informada. Já pela ótica do STF ainda não ha decisão transitada em Fl. 137DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.329 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.908039/2008-61 julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. - É mister ressaltar, ainda, que a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco tendo em vista possível decisão do tema no STF não autoriza sequer a revisão de lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza também a negativa de homologação da compensação. - A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento (Simula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos) . -É clara a ofensa do art. 56 da Lei n° 9.430/96 ao principio da especialidade instituído pelo art. 2°, §§ 10 e 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. - A Cofins foi instituída pela Lei Complementar n° 70/1991, que reza que são isentas da contribuição as sociedades civis de que trata o art. lo do Decreto-Lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. - Posteriormente, a Lei Ordinária n° 9430/96 revogou a isenção. - Como se vê, em violação ao principio da hierarquia das leis, o legislador ordinário alterou a lei complementar revogando a isenção concedida. - É forçoso reconhecer que esse procedimento legislativo é totalmente inconstitucional, visto que pelo principio da hierarquia das normas jurídicas, uma Lei Complementar somente poderá ser revogada por outra Lei Complementar. A isenção somente poderia ser revogada por Lei Complementar, conforme determina o art. 146, inciso III, alíneas "a" e "b", da Constituição Federal: - Assim sendo, como a Constituição Federal só permitia a incidência de contribuição à seguridade social incidente sobre o faturamento, qualquer outra contribuição que tivesse outra base de cálculo recairia no que dispõe o § 4°, do art. 195 da Constituição Federal, ou seja, a competência residual da União, o que é plenamente permitido, sendo que, nesse caso, imprescindível seria a adoção de Lei Complementar, o que também não foi respeitado. - É mister ressaltar, ainda, quanto ao tema, que pouco importa se o conteúdo da lei complementar envolve competência de lei ordinária. - O fato relevante da questão é que o legislador entendeu por bem separar as matérias que seriam aprovadas por Lei Complementar e as que seriam por Lei Ordinária, tanto que estabeleceu critérios distintos para a votação de cada uma delas. - Anote-se que para a Lei Complementar ele estabeleceu para aprovação a maioria absoluta dos congressistas, enquanto que para a Lei Ordinária a maioria simples. - Logo, uma Lei Ordinária não pode pretender alterar uma Lei Complementar (art. 59 da Constituição Federal). Em Recurso Voluntário a Recorrente reitera os termos apostos na Manifestação de Inconformidade e requer o provimento do recurso para que o direito creditório seja conhecido. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 138DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.329 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.908039/2008-61 DA CONEXÃO A Recorrente pugna em suas razões recursais pela reunião do processo em julgamento com o de n. 18471.000995/2008-93. Conforme aduz o artigo 6º, §1º inciso I do Anexo II do Regimento deste Tribunal Administrativo – RICARF, a vinculação de processos por conexão pode acontecer quando ambos tratarem de exigência fundada em fato idêntico. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; No caso em espeque o processos em julgamento, cuja origem é uma declaração de compensação e objetiva o reconhecimento do direito creditório não se identifica com. a discussão sobre o lançamento feito pela Fazenda nos autos do processo de n. 18471.000995/2008-93. Não há, desta forma, identidade de objetos nos processos que autorizaria sua conexão. Ademais, a tramitação apartada não apresenta qualquer risco à segurança jurídica e a nenhuma garantia processual. Por tratar-se de demandas autônomas cujos méritos apontam para decisões naturalmente diferentes, indefiro o requerimento de conexão. DO DIREITO CREDITÓRIO Conforme descrito no relatório, a Recorrente alega que recolheu indevidamente a quantia de R$ 5.568,25 (cinco mil quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e cinco centavos), a titulo de Cofins (código de receita 2172), referente ao período de apuração dezembro/2001. Com este entendimento transmitiu a Dcomp objeto do litígio. Em sua defesa alega que a ela não deve ser aplicado o artigo 56 da Lei 9.430/1996: Art.56.As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas daLei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Argumenta que a obrigação instituída pela Lei 9.430/1996 é inconstitucional, pois somente Lei Complementar poderia fazê-lo. Esta Corte tem entendimento sumulado sobre a impossibilidade de que seus conselheiros e suas turmas manifestem-se sobre constitucionalidade de Lei: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo teor da Súmula CARF n. 2 este Conselheiro não tem competência para apreciar o pleito formulado em Recurso Voluntário pela Recorrente. Conduto, é pertinente a mera transcrição do entendimento do STF sobre a matéria, que também vincula esta Corte Administrativa: EMENTA: TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO POR LEI ORDINÁRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a Fl. 139DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.329 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.908039/2008-61 revogação da isenção do recolhimento da Cofins concedida pela Lei Complementar n. 70/91 por lei ordinária não afronta o princípio da hierarquia das leis” (RE 412.748-AgR, Min. Rel. Carmem Lúcia, Primeira Turma, DJ 26.6.2007) Sobre as demais alegações de violação ao princípio de hierarquia das Leis e violação ao princípio da segurança jurídica, por força da já mencionada Súmula n. 2 do CARF e, da mesma forma, artigo 62 do Anexo II do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Trata o mérito recursal de apreciação de constitucionalidade de lei, furto-me de apreciar a matéria por não deter competência para fazê-lo, em acordo com a fundamentação supra. Por fim, sobre suposta violação ao art. 146 do CTN, não deve prosperar a tese formulada pela Recorrente. Não houve alteração de critério jurídico que ensejaria violação ao artigo 146 do CTN. A atividade de revogação de isenção por lei, respeitado o rito constitucional, é função típica do Poder Legislativo. Violação a critério jurídico ocorre quando o órgão de execução altera os fundamentos ou interpretação de norma que lastreia tributação, fato que não ocorreu. Deste modo, rejeito o pleito da Recorrente para que o crédito pretendido seja homologado por mudança de critério jurídico. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito negar-lhe provimento. É como voto. Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator. (assinado digitalmente) Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001187/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/06/2003, 31/10/2003, 30/11/2003
MULTA DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE.
A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do seu vencimento impede a incidência da multa moratória e o seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial, uma vez que não é possível caracterizar a mora do contribuinte nesta ocasião. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição é possível configurar o atraso no pagamento do tributo, penalizado pela multa de mora.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 35 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo passou a ser limitado a 20% do crédito tributário. Assim, quando há somente a aplicação da multa de mora sem lançamento de multa de ofício ou qualquer outra por descumprimento de obrigação acessória ligada à GFIP, para a escolha da multa mais favorável ao contribuinte, deve-se simplesmente comparar a multa antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com aquela prevista pela nova redação do mesmo dispositivo.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º do CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando se constata a antecipação de pagamento, mesmo que parcial.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-005.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência fiscal incidente sobre a período de apuração de 06/2003. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa lançada ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, naturalmente, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2003, 31/10/2003, 30/11/2003 MULTA DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do seu vencimento impede a incidência da multa moratória e o seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial, uma vez que não é possível caracterizar a mora do contribuinte nesta ocasião. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição é possível configurar o atraso no pagamento do tributo, penalizado pela multa de mora. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 35 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo passou a ser limitado a 20% do crédito tributário. Assim, quando há somente a aplicação da multa de mora sem lançamento de multa de ofício ou qualquer outra por descumprimento de obrigação acessória ligada à GFIP, para a escolha da multa mais favorável ao contribuinte, deve-se simplesmente comparar a multa antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com aquela prevista pela nova redação do mesmo dispositivo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º do CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando se constata a antecipação de pagamento, mesmo que parcial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.001187/2008-81
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022523
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.165
nome_arquivo_s : Decisao_16327001187200881.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 16327001187200881_6022523.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência fiscal incidente sobre a período de apuração de 06/2003. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa lançada ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, naturalmente, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7792593
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121769705472
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-18T03:43:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-18T03:43:37Z; Last-Modified: 2019-06-18T03:43:37Z; dcterms:modified: 2019-06-18T03:43:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-18T03:43:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-18T03:43:37Z; meta:save-date: 2019-06-18T03:43:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-18T03:43:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-18T03:43:37Z; created: 2019-06-18T03:43:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2019-06-18T03:43:37Z; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-18T03:43:37Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.001187/2008-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.165 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente BANCO ITAUBANK S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2003, 31/10/2003, 30/11/2003 MULTA DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do seu vencimento impede a incidência da multa moratória e o seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial, uma vez que não é possível caracterizar a mora do contribuinte nesta ocasião. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição é possível configurar o atraso no pagamento do tributo, penalizado pela multa de mora. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 35 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo passou a ser limitado a 20% do crédito tributário. Assim, quando há somente a aplicação da multa de mora sem lançamento de multa de ofício ou qualquer outra por descumprimento de obrigação acessória ligada à GFIP, para a escolha da multa mais favorável ao contribuinte, deve-se simplesmente comparar a multa antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com aquela prevista pela nova redação do mesmo dispositivo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º do CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Tratando-se as contribuições previdenciárias de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a norma decadencial aplicável é aquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, quando se constata a antecipação de pagamento, mesmo que parcial. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 87 /2 00 8- 81 Fl. 206DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência para afastar a exigência fiscal incidente sobre a período de apuração de 06/2003. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa lançada ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, naturalmente, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 141/166, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, de fls. 120/135, que julgou procedente o lançamento de contribuições a terceiros, correspondentes às parcelas devidas título de Salário Educação e Contribuição ao Incra (DEBCAD nº 37.187.791-1) incidente sobre o abono único pago a todos os segurados empregados em decorrência de convenção coletiva, conforme auto de infração de fls. 4/14, consolidado em 07/10/2008, relativo às competências de 06/2003, 10/2003 e 11/2003, com ciência do RECORRENTE em 29/10/2008, conforme assinatura no auto de infração às fls. 4. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 283.172,49, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de mora no percentual de 30%. De acordo com o Relatório Fiscal acostado às fls. 15/17, o RECORRENTE excluiu do Salário-de-Contribuição o montante referente ao Abono Único (Levantamento ABU). Ocorre que, por se tratar de valor recebido em razão de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Bancos-FENABAN e a Confederação Nacional dos Bancários (Contrato Fl. 207DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Privado), a fiscalização entende que deve integrar o salário-de-contribuição, já que o valor é sempre definido pela própria Convenção e pago em uma única parcela. Assim, só deveria ser excluído se desvinculado do salário por força de Lei, nos termos do art. 214, V, “j” do Decreto nº 3.048/99. O RECORRENTE discute o mérito da cobrança judicialmente, por meio do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.030608-5 (NPU nº 0030608-87.2003.4.03.6100), por não considerar o Abono Único como rubrica integrante do salário-de-contribuição. No processo judicial, houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Assim, o presente caso se trata de lançamento que visa resguardar o crédito dos efeitos da decadência. Da Impugnação Intimado pessoalmente dos lançamentos em 29/10/2008 (fl. 4), o RECORRENTE apresentou Impugnação de 82/101 em 28/11/2008. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo I/SP, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Da Impugnação Tempestivamente, a Autuada impugnou o lançamento através da defesa de fls. 75/94, juntando cópias de procurações e substabelecimentos, às fls. 95/107, alegando em síntese: DOS FATOS Após um breve relato dos fatos, esboça o entendimento da fiscalização, constante do relatório fiscal, de que sobre os pagamentos efetuado pela impugnante a título de ABONO ÚNICO incidem contribuição previdenciária, todavia, conforme Certidão de Objeto e Pé a exigibilidade do crédito previdenciário encontra-se suspensa. Ressalta que constou expressamente do relatório fiscal, bem como do r. despacho de fls. 60 do processo administrativo em referência, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos valores lançados por força de liminar no Mandado de Segurança n° 2003.61.00.030608-5 (fls. 17/35 e 36/37). Sem adentrar no mérito da exigência que é objeto de discussão no Poder Judiciário, há outras razões que o crédito tributário ora constituído não pode prevalecer, como se verá: a) em relação a competência de 06/2003, o suposto crédito previdenciário se encontra extinto por força da decadência, conforme disposto no art. 150, §4º do CTN; b) estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por liminar em mandado segurança a aplicação de multa de ofício viola o disposto no art.63 da Lei n° 9.430/96; (...) d) os juros moratórios jamais poderiam ser calculados na dimensão pretendida; e e) independentemente de serem devidos os valores lançados, não há que se falar em co- responsabilidade dos diretores. DO DIREITO Fl. 208DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Da Decadência O presente crédito tributário nos termos dos artigos 150, §4° e, por inexistir dolo, fraude ou simulação, encontra-se parcialmente alcançado pela decadência relativamente a competência de 06/2003, assim, eventual obrigação tributária relativamente a parte dos créditos constituídos no presente auto de infração já estaria extinta em razão da decadência que se operou. Contudo, de qualquer forma o lançamento efetuado não poderia prosperar em face dos vícios que serão apontados a seguir. Impossibilidade da exigência da multa lançada no caso concreto crédito estar com a exigibilidade suspensa Tendo em vista o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de liminar no Mandado de Segurança n° 2005.61.00.024687-5, revela-se manifestamente improcedente a aplicação no caso da multa de oficio, porquanto viola o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96, transcrevendo-o, entendimento este confirmado pelo art. 491 da IN MPS n° 03/2005. Da extinção da contribuição ao incra Argúi não ser devida a contribuição ao Incra, pois a Lei n° 7.787/89 em seu art. 30, § 10 suprimiu as contribuições incidentes sobre a folha de salários destinadas ao PRORURAL, extinguindo, conseqüentemente, as contribuições ao INCRA e ao Funrural previstas no inciso II do art. 15 da LC n° 11/71. Afirma que a exação ao INCRA não tem natureza jurídica de Contribuiçao de Intervenção no Domínio Econômico -CIDE, inclusive este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, citando julgados. Acresce ainda que mesmo que se entenda ter esta contribuição natureza de CIDE, na esteira do que decidiu a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EDRESP n° 770.451-SC, DJ 11/06/2007), mesmo assim referida contribuição não seria devida, tendo em vista que este tributo não foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Passa a discorrer sobre a legislação que instituíram e as alterações promovidas relativas as contribuições ao INCRA, afirmando em síntese, que a contribuição do artigo 30 do DL 1.146/70, modificada pelo artigo 15 da Lei Complementar 11/71 é, hoje, um adicional de 0,2% da contribuição previdenciária das empresas, a qual incide, nos termos da Lei n° 8.212/91, art. 22, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, ou seja, sobre a folha de salários, concluindo que a contribuição ao INCRA não foi recepcionada pela CF/88. Somente as contribuições existentes sobre a folha de salários que forem destinadas a entidades privadas vinculadas ao sistema sindical, cujo objetivo fosse o serviço social e a formação profissional foram recepcionadas pela Constituição Federal, como as contribuições ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio - SESC e do Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria - SENAI. Cita julgados a respeito. Saliente ainda que mesmo que se entendesse que a contribuição ao INCRA fora recepcionada pela CF/88, com a edição da Emenda Constitucional n° 33/01 tal argumento não mais merece guarida. Diante do exposto, não há interpretação possível que preserve no ordenamento jurídico a contribuição ao INCRA, porquanto o Constituinte Derivado expressamente estabeleceu que a incidência de contribuição de intervenção no domínio econômico somente poderá ter alíquotas ad valorem ou específica tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação, jamais permitindo a aplicação de tais alíquotas sobre a folha de salários, portanto, resta claro que tal contribuição não se coaduna com o texto constitucional vigente. DOS JUROS DE MORA Fl. 209DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Refere que não poderiam ser exigidos os juros a taxa Selic, pois além de ser uma figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do poder executivo e, ainda, extrapola o percentual de 1% previsto no CTN. Caso entenda-se válida a cobrança dos juros à taxa Selic, revela-se manifestamente indevida a cobrança de juros de mora de 1% quando a Selic for inferior a este percentual, como ocorreu nas competências de 11/2006, janeiro/2007, março/2007, maio/2007 a agosto/2007. O auto de infração lavrado não indica qualquer dispositivo legal que permita tal interpretação, muito pelo contrário, consta expressamente que os juros devem ser calculados a taxa SELIC. Da ausência de co-responsabilidade dos administradores pelos débitos lançados Não há que se falar nos autos em co-responsabilidade dos diretores. O artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93 estabelece que os administradores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens, nos casos de dolo ou culpa. Por outro lado também não restou comprovado a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 134, III, e 135 ?) do CTN para que seja imputada a responsabilidade tributária aos administradores, a foi invocado no auto de infração. Na verdade a fiscalização pretende imputar a responsabilidade solidária aos diretores por mero inadimplemento das contribuições previdenciárias, sem demonstrar que houve culpa destes e o correspondente nexo causal, o que neste caso não seria possível fazer esta prova, pois não ocorreu comportamento ilícito, pois o não pagamento dos valores lançados se deu ao amparo de ordem judicial. Desta forma, resta absolutamente improcedente a imputação de corresponsabilidade pessoal aos diretores apontados no presente auto de infração por eventual inadimplemento das contribuições previdenciárias lançadas, devendo ser cancelado o auto de infração quanto a esse aspecto. DO PEDIDO Ante o exposto, requer o Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser reconhecida a insubsistência do auto de infração ora impugnado. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo I/SP, às fls. 120/135, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2003 AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I - A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. II - A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. Fl. 210DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 III - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08. IV - Tratando-se de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justifica-se acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente à controvérsia. MULTA .JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - e multa de mora, todos de caráter irrelevável. INCRA. A contribuição para o INCRA, por se tratar de exação não extinta com o advento da Lei n° 7.787/89 e exigível de todas as empresas, independentemente do ramo em que atuem. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, intimado da decisão da DRJ em 06/04/2009, conforme AR de fls. 140, apresentou o recurso voluntário de fls. 141/166 em 06/05/2009. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE praticamente reiterou o alegado em sua Impugnação, deixando apenas de questionar a co-responsabilidade dos diretores. Ademais, acrescentou a questão atinente à retroatividade benigna da penalidade, em razão das alterações trazidas pela MP 449, publicada em 04/12/2008, assim como afirmou ter havido o recolhimento de contribuições previdenciárias da competência de junho/2003, de modo a atrair o art. 150, §4º, para a contagem do prazo decadencial. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Fl. 211DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINARMENTE Da decadência O RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º, o CTN, a contar a partir da data do fato gerador. Assim, requereu a extinção do crédito tributário relativo à competência de 06/2003, uma vez que tomou ciência do presente lançamento em 29/10/2008. Neste ponto, entendo que assiste razão ao RECORRENTE. Primeiramente, para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733-SC (2007/0176994-0), com acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 212DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543-C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Especificamente no tocante às Contribuições Previdenciárias, aplicável ao presente caso o disposto na Súmula CARF nº 99, adiante transcrita: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, não subsiste o argumento da DRJ de que não houve recolhimento de contribuições sobre a rubrica “Abono Único” no período fiscalizado (o que, no entendimento da Fl. 213DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 decisão recorrida, autorizaria a aplicação da regra insculpida no art. 173, I, do CTN), tendo em vista que qualquer recolhimento de contribuição previdenciária feito pelo contribuinte nos períodos caracteriza o pagamento antecipado para fins do art. 150, §4º, do CTN, mesmo que uma rubrica específica exigida pela autoridade fiscal não tenha sido incluída na base de cálculo. No caso concreto, a questão versa sobre a consideração dos montantes pagos a título de Abono Único (Levantamento ABU) no Salário-de-Contribuição. Em outros termos, não é imputado ao RECORRENTE a ausência de pagamento referente à contribuição a terceiros no período, mas sim seu adimplemento a menor, porque realizado desconsiderando o montante referente ao Abono Único. Deste modo, no entender da fiscalização, o RECORRENTE promoveu o recolhimento parcial de tal exação pois não incluiu na base de cálculo os pagamentos efetuados a título de Abono Único. Sendo assim, no caso concreto, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é contado nos termos do art. 150, §4º, CTN, ou seja, conta-se da data de ocorrência do fato gerador, conforme decisão do STJ acima exposta. No caso dos autos, o fato gerador da contribuição ocorre mensalmente. Seguindo a regra do art. 150, §4º, do CTN, considerado que o Auto de Infração em análise compreende as competências de 06/2003, 10/2003 e 11/2003, o dies a quo do prazo decadencial relativo ao mês de 06/2003 é o último dia daquele mês (30/06/2003). Portanto, tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 29/10/2008 (fl. 4) entendo que extinto pela decadência o crédito referente à competência de 06/2003, cujo dies ad quem foi 30/06/2008. MÉRITO 1. Da Multa de Mora Em que pese discutir o lançamento do crédito na via Judicial, o RECORRENTE se utiliza da via administrativa para questionar matéria diversa do mérito da cobrança: a imposição de multa de mora quando suspensa a exigibilidade do tributo por decisão judicial proferida em Mandado de Segurança Preventivo, ou seja, antes mesmo da constituição do tributo. Nos termos do art. 63, §2º da Lei nº 9.430/1996, a suspensão da exigibilidade do tributo em decorrência de decisão judicial interrompe a incidência da multa de mora, conforme adiante reproduzido: Lei nº 9.430/1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...) Fl. 214DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 §2º. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. No caso em questão, considerando-se que a exigibilidade do tributo restou suspensa antes mesmo de sua constituição, compreendo assistir razão ao RECORRENTE à medida em que não é possível, no presente caso, caracterizar a mora do contribuinte. É certo que, como bem determina o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, afastada a suspensão da exigibilidade judicialmente concedida, e apenas caso a liminar seja reformada, o contribuinte possui prazo de 30 dias para realizar o pagamento do débito, sem que seja atraída a penalidade moratória. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias é possível ao Fisco configurar a violação à legislação tributária penalizada pela multa de mora. Em outras palavras, não pode o RECORRENTE ser penalizado por infração à legislação que “possivelmente” cometeria. Como dito, o crédito teve a exigibilidade suspensa por força da concessão de liminar em Mandado de Segurança (art. 151, IV do CTN), proferida no processo judicial nº 2003.61.00.030608-5 (NPU 0030608-87.2003.4.03.6100). Em consulta ao acompanhamento processual, verificou-se que apesar do RECORRENTE ter obtido decisão favorável em 1º instância, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deu provimento à apelação/remessa necessária da União, e reconheceu a incidência das contribuições previdenciárias sobre o Abono Único, em decisão monocrática terminativa disponibilizada no dia 25/06/2008. Referida decisão foi, ainda, objeto de agravo interno e embargos de declaração, que tiveram provimento negado, conforme acórdãos publicados em 21/08/2008 e 02/12/2008, conforme informações obtidas através da página de acompanhamento processual do referido Tribunal Regional Federal da 3ª Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=200361 000306085). É fato que houve a interposição de sucessivos recursos contra tal decisão. O Recurso Especial foi admitido e remetido ao STJ, ao passo que o Recurso Extraordinário não foi admitido pelo TRF3, o que ensejou a interposição de agravo ao STF para destrancar o recurso. No STJ, o referido processo foi distribuído sob o nº REsp 1655427/SP, no entanto referido recurso especial não foi conhecido. A discussão transitou em julgado no STJ no dia 29/11/2018, quando os autos foram remetidos ao STF para análise do agravo interposto pelo contribuinte a fim de destrancar o seu recurso extraordinário, conforme pesquisa realizada no site do STJ. No STF, a decisão que negou seguimento ao agravo transitou em julgado no no dia 26/02/2019, conforme verificado no site de acompanhamento processual (http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5600955). Contudo, mesmo diante da existência de recursos que foram posteriormente julgados pelos Tribunais superiores, o termo final da suspensão da exigibilidade da multa de mora não é o trânsito em julgado do processo, mas sim os 30 dias subsequentes à decisão judicial que considerou devida o tributo, conforme prevê o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, anteriormente mencionado. Fl. 215DF CARF MF http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=200361000306085 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=200361000306085 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5600955 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Neste caso, a decisão judicial que considerou devida a incidência da contribuição previdenciária sobre o Abono Único foi a decisão monocrática terminativa do TRF3 disponibilizada no dia 25/06/2008, razão pela qual a partir do 31º dia a contar desta data passou a ser devida a multa de mora. Desta forma, assiste razão ao RECORRENTE quando afirma que a aplicação de multa de mora, no momento do lançamento, ocorreu em desconformidade com o que determina o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Contudo, ainda que se considere o termo inicial para contagem da incidência da multa de mora o 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devida a contribuição, numa análise preliminar, a conclusão seria para a manutenção da penalidade de mora, já que teria decorrido tempo suficiente para atingir o teto da multa que passou a ser aplicada após a nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (20% do valor do tributo). No entanto, no dia da sessão de julgamento, o representante do contribuinte trouxe da Tribuna informação de que, no dia 03/06/2019 (um dia antes da sessão de julgamento), apresentou petição neste processo através da qual acostou aos autos documentos esclarecendo que, em razão da revogação da medida liminar pelo TRF3, o RECORRENTE efetuou o depósito judicial no valor integral do débito no prazo de 30 dias previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, justamente para evitar a incidência da multa de mora (fls. 179/199). Da documentação anexa, constata-se que a decisão judicial que considerou devida a contribuição foi publicada em 26/06/2008 (quinta-feira), conforme fl. 192, e o depósito judicial no valor de R$ 2.980.242,80 foi realizado em 28/07/2008 (segunda-feira), de acordo com a guia de fl. 194. Ademais, o RECORRENTE informou que o depósito judicial já foi transformado em pagamento definitivo, tendo em vista o trânsito em julgado da decisão desfavorável proferida nos autos do Mandado de Segurança (fls. 196/199). Diante da informação trazida pelo contribuinte, se foi feito o pagamento (depósito judicial) do montante do crédito tributário no período de 30 dias após a derrubada da decisão liminar, então não haveria que se falar em aplicação de multa de mora no presente caso, haja vista não ter começado a fluir o prazo para a aplicação da referida penalidade. Sendo assim, por ser um crédito tributário sub judice a unidade preparadora deve observar que a multa de mora somente deverá fluir a partir do 31ª dia após a decisão judicial que considerou devida a contribuição, exatamente conforme prevê o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Naturalmente, em tendo sido atendido o depósito judicial no referido prazo, não haverá que se falar em aplicação da multa de mora. Ademais, tal multa (se houver) deve ser limitada à 20% da obrigação principal, em razão da retroatividade benigna da penalidade, conforme esclarecido a seguir. 2. Da Retroatividade Benigna Fl. 216DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Quanto à alegação do RECORRENTE que a multa de mora deverá ser limitada ao percentual de 20%, e não de 30%, por força da retroatividade benigna da alteração posterior da redação do art. 35 da Lei nº8.212/1991 (pela MP 449/2008), que determinou que a incidência da multa de mora decorrente nos atrasos no pagamento das contribuições sociais seria paga nos moldes estipulados pelo art. 61 da Lei nº 9.430/1996, entendo que merecem prosperar o pleito do contribuinte. O CTN, em seu art. 106, inciso II, “c”, assim define: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. É notório que a alteração legislativa introduzida pela Lei nº 11.941/2009 implica em penalidade menos severa ao RECORRENTE, posto que reduz o teto da multa de mora para 20%, ao passo que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 permitia a aplicação de multa em patamares que poderia chegar a 100%. Importante esclarecer que, neste caso, não foi aplicada a multa incidente sobre os lançamentos de ofício (antiga multa GFIP do art. 32 da Lei nº 8.212/91 + a multa de mora do art. 35 da mesma lei, substituídas pela atual multa de 75% do art. 44 da Lei nº 9.430/96, conforme art. 35-A da Lei nº 8.212/91) tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito em razão da liminar em ação judicial. Assim, somente foi aplicada a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 em razão do atraso no pagamento das contribuições. Sendo assim, para verificar a retroatividade benigna, é de rigor apenas a comparação da multa prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a multa prevista pela nova redação do mesmo dispositivo, sem envolver a comparação de outras multas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Assim, entendo que deve ser aplicado ao presente caso o limite para multa moratória de 20% previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. 3. Das Alegações De Inconstitucionalidade. Contribuição ao INCRA Alega o RECORRENTE que a cobrança da contribuição ao INCRA não se coaduna com o texto constitucional então vigente, além de alegar que teria sido extinta pela Lei nº 7.787/89. Conforme exposto, embora tais questões não sejam objeto de ação judicial apresentada pelo RECORRENTE e, em que pese os argumentos do contribuinte, este colegiado não é tribunal constitucional, ficando impossibilitado de reconhecer a inconstitucionalidade de qualquer norma. Portanto, quanto a este tópico, entendo ser aplicável a Súmula CARF 02 e o caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Fl. 217DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, conforme bem esclareceu a autoridade julgadora de primeira instância, o STJ já definiu (sob a sistemática dos Recursos Repetitivos) que a contribuição ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 7.787/89, como alega o RECORRENTE, permanecendo hígida sua cobrança. Neste sentido, transcrevo a tesa firmada após o julgamento do REsp 977.058: Tema 83: A parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) - destinada ao Incra não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91. Por ter sido sob a sistemática do art. 543-C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, não merece prosperar o inconformismo do RECORRENTE. 4. Dos Juros de Mora - SELIC O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. Fl. 218DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.165 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001187/2008-81 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para, nos termos do voto acima: (i) conhecer a extinção do crédito tributário relativo à competência de 06/2003, por estar atingido pela decadência; e (ii) no mérito, limitar o montante referente à multa de mora ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo, nos termos do voto acima. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13049.720086/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Consoante decidido pelo STF no julgamento do RE 614.406/RS pela sistemática do art. 543-B do CPC, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2402-007.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que seja feito o recálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência dos rendimentos recebidos na ação trabalhista (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Consoante decidido pelo STF no julgamento do RE 614.406/RS pela sistemática do art. 543-B do CPC, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13049.720086/2012-28
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023692
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.284
nome_arquivo_s : Decisao_13049720086201228.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13049720086201228_6023692.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que seja feito o recálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência dos rendimentos recebidos na ação trabalhista (regime de competência). (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7797936
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121775996928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 72 1 71 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13049.720086/201228 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.284 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de junho de 2019 Matéria IRPF Recorrente RUIMAR FREIRE DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Consoante decidido pelo STF no julgamento do RE 614.406/RS pela sistemática do art. 543B do CPC, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para que seja feito o recálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência dos rendimentos recebidos na ação trabalhista (regime de competência). (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 9. 72 00 86 /2 01 2- 28 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13049.720086/201228 Acórdão n.º 2402007.284 S2C4T2 Fl. 73 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 61/69) em face do Acórdão n. 10 46.223 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 50/52), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/07), apresentada em 06/06/2012, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 07/05/2012 (efl. 37) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2010/433859715384508 '!& no total de R$ 35.119,27 (efls. 31/36) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do teor do Acórdão n. 1046.223 em 17/09/2013 (efl. 55), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 17/10/2013, reclamando pela aplicação da regra de tributação disciplinada pela Instrução Normativa RFB n. 1.127/2011, vez que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. No corpo da Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2010/433859715384508 (efls. 31/36), autoridade fez consta a seguinte anotação: Verificase, portanto, que os rendimentos que deram azo à infração em apreço (compensação indevida de IRRF) decorrem da Reclamatória Trabalhista n. 00824.103/026, conforme decisão judicial de natureza trabalhista (Justiça do Trabalho da 4ª. Região) e petição do Recorrente a ela correlata (e fls. 12/29). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13049.720086/201228 Acórdão n.º 2402007.284 S2C4T2 Fl. 74 3 Entretanto, não obstante a referida verba sujeitarse à tributação de IRPF, é de se observar que por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA), a referida tributação deve ser calculada utilizandose as tabelas e alíquotas do IRPF vigentes a cada mês de referência (regime de competência), conforme decidido pelo STF julgamento do RE 614.406/RS pela sistemática do art. 543B do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para recálculo do IRPF utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720088/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2401-006.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10245.720068/2008-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10245.720088/2008-26
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020195
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.550
nome_arquivo_s : Decisao_10245720088200826.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10245720088200826_6020195.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10245.720068/2008-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7779880
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121823182848
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-11T17:44:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-11T17:44:47Z; Last-Modified: 2019-06-11T17:44:47Z; dcterms:modified: 2019-06-11T17:44:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-11T17:44:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-11T17:44:47Z; meta:save-date: 2019-06-11T17:44:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-11T17:44:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-11T17:44:47Z; created: 2019-06-11T17:44:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-11T17:44:47Z; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-11T17:44:47Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10245.720088/2008-26 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.550 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2019 Recorrente URZENI DA ROCHA FREITAS FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10245.720068/2008-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 00 88 /2 00 8- 26 Fl. 126DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720088/2008-26 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10245.720068/2008-55, paradigma deste julgamento. “URZENI DA ROCHA FREITAS FILHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do arbitramento do valor da terra nua - VTN. O contribuinte apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a decisão a quo entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, para considerar o VTN constante do Laudo Técnico, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, inova nas razões da impugnação, pugnando preliminarmente pela nulidade do lançamento, uma vez eivado de vícios insanáveis. Aduz ser incabível a aplicação da multa por não ter agido com má-fé. Afirma que devem ser excluídas do cálculo do imposto às áreas de preservação permanente, bem como áreas de reserva legal. Insurge-se acerca da sujeição dos atos públicos e da motivação do lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Fl. 127DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720088/2008-26 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10245.720068/2008-55, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.546, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.546 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE - PRECLUSÃO Na impugnação o sujeito passivo nada argumenta a respeito sobre às áreas de preservação permanente e reserva legal, bem como sobre da imposição da multa. No recurso, apresentou inovação ao alegar que devem ser observadas a área de preservação permanente, bem como a área de reserva legal, no computo do cálculo do imposto e a impossibilidade da cobrança da multa. Nos termos da legislação processual tributária, esses argumentos recursais se encontram fulminados pela preclusão, uma vez que não foram suscitados por ocasião da apresentação da impugnação, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ademais, verifica-se da Notificação de Lançamento, bem como da própria DITR, que não há declaração da existência das referidas áreas, assim como não foram objeto do lançamento. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, além de ser estranha a lide. PRELIMINAR DE NULIDADE O recorrente entende que o seu direito de defesa, constitucionalmente consagrado, foi violado pelas autoridades fiscais. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão Fl. 128DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720088/2008-26 recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura da Notificação de Lançamento, especialmente a “Descrição dos fatos e enquadramento legal" e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito, como já dito, não ensejando em nulidade Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 129DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.550 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10245.720088/2008-26 Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902058/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Nelso Kichel que votou por dar provimento parcial ao recurso voluntário determinar o retorno dos autos à unidade de origem para reinício do exame do mérito do pedido, superando o óbice da retificação da DCTF, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por rejeitar a realização de diligência.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.902058/2008-80
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024542
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-000.688
nome_arquivo_s : Decisao_10283902058200880.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902058200880_6024542.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Nelso Kichel que votou por dar provimento parcial ao recurso voluntário determinar o retorno dos autos à unidade de origem para reinício do exame do mérito do pedido, superando o óbice da retificação da DCTF, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por rejeitar a realização de diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7802193
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121837862912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 232 1 231 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902058/200880 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.688 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2019 Assunto Conversão em Diligência Recorrente NORITSU DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos o Conselheiro Nelso Kichel que votou por dar provimento parcial ao recurso voluntário determinar o retorno dos autos à unidade de origem para reinício do exame do mérito do pedido, superando o óbice da retificação da DCTF, se fosse o caso, apurasse a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou por rejeitar a realização de diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 02 05 8/ 20 08 -8 0 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 233 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 0119.833, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BEL que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/07/2004 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 2.214,27, resultante de pagamento indevido au a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/01/2003, no valor originário de R$ 16.753,05. A Delegacia de origem, em análise datada de 18.07.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 31/07/2008, a interessada apresentou, em 19.08.2008, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/13): "(..) a Recorrente procedeu a compensação dos valores recolhidos a maior indevidamente a titulo de IRPJ e CSLL, visto que além de proceder o recolhimento indevido a maior, por algum lapso, não retificou as DCTEs para que o sistema da Receita Federal do Brasil aio que em seus sistemas o valor correto dos débitos/pagamentos. Portanto, no momento da realização da PER/DCOMP, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil não visualizou o pagamento a maior, a medida em que o período compensado permanecia como o valor devido, ou seja, o valor declarado erroneamente. Tendo em vista tal despacho e visando sanar as irregularidades, bem corno ver deferido o seu pedido de restituição, a recorrente transmitiu, em 13.08.2008, DCTF retificadora, com o valor devido ,à época da primeira transmissão. (...) Portanto, ilustríssimo julgador, no caso em tela não há que se falar em manutenção do débito, visto que o simples erro formal no preenchimento da declaração não é causa geradora de débitos Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 234 3 tributários, e é neste diapasão que se torna possível a retificação da DCTF. (...) Como já narrado anteriormente, a própria Receita Federal do Brasil dá a possibilidade ao contribuinte que por algum equivoco errou no preenchimento da DCTF, em retificála. (...) Portanto, Ilustre examinador, visando a imediata regularização da situação fiscal da empresa, bem como pela legislação supra, a recorrente retificou as DCTFs, sem ferir nenhum artigo da Instrução Normativa 786, de 19 de novembro de 2007, para tanto a recorrente retificou suas DCTFs, para o valor que realmente era devido, sendo assim, não há que se falar em manutenção dos débitos ora exigidos pelo despacho decisório discutido na presente demanda. Cumpre ainda mencionar, a titulo de quaisquer possibilidades de ser interpretado a possibilidade de inclusão de multa a recorrente, que no caso em tela é cabível o instituto da denúncia espontânea, explicita no art. 138 do Código Tributário Nacional. (...) O objetivo da norma é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do fisco, com o que este recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Resta então configurada a exclusão de multa no caso em tela, posto que o fisco só obteve ciência por causa do pedido de restituição formulado pelo contribuinte. (...) Assim, dissecado o tema sobre tal despacho decisório, resta comprovado que não deve prosperar tal decisão, não restando outra alternativa ao recorrente sendo ingressar com a presente manifestação de inconformidade. (.)" Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 235 4 compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente em 03/02/2011 do acórdão recorrido (fls. 55), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 03/03/2011 (fls. 56 e seguintes), tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Porém, do exame dos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Da Análise do Recurso Voluntário Resumo dos Fatos Inferese dos autos que a Recorrente reivindica a titularidade de direito creditório, no valor de R$ 2.214,27, oriundo de recolhimento indevido, a título de estimativa mensal de IRPJ, período de apuração de 01/03, apurado por balancete de suspensão/redução, para utilizálo por compensação com débitos próprios. Ao analisar seu pleito, a Autoridade Fiscal prolatora do Despacho Decisório, não reconheceu o direito creditório e conseqüentemente não homologou a compensação declarada, por constatar que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com o Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo julgada improcedente pelo Colegiado da DRJ, sob os seguintes argumentos: Assim, é condição necessária — embora não suficiente — a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareçase, ainda em relação ao tema, que a. desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 236 5 pagamento antecipado (lançamento por homologação), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF (o que, vale destacar,' somente veio a fazer após ser cientificado do despacho decisório objeto de recurso), fazendose necessário,'notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Desta feita, ambas as condições devemse encontrar presentes para que possa ser reconhecida a pretensão creditória do sujeito passivo. No caso concreto, deixou a contribuinte de trazer aos autos qualquer prova do direito que invoca, resultando notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Notese que a DRJ, apesar de entender pela necessidade de apresentação prévia ao despacho decisório de nova declaração, avançou na análise do pleito, e entendeu que o contribuinte não trouxe prova do direito invocado, especialmente escrita contábil e fiscal e respectiva documentação que a suporte, para demonstrar que o pagamento foi realmente indevido. Ainda irresignado com a decisão que lhes foi desfavorável, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho, juntando na oportunidade novos documentos, e ao final, pugna pela procedência do recurso. Do Pedido patrono julgamento em conjunto com outros processos Através de petição de fls., o patrono informa existirem outros processos em tramitação no CARF, não distribuídos a este Relator, requerendo a reunião e o julgamento em conjunto com aqueles. Ocorre que o art. 6º do Anexo II do RICARF somente possibilita a vinculação de processos para julgamento em conjunto, não determinando que assim seja realizado, sendo certo que os pedidos de julgamento conjunto somente se justificam caso haja uma relação de prejudicialidade no julgamento de alguns processos em relação ao julgamento do processo principal, não sendo, a meu ver, o que ocorre nos presentes autos. Por outro lado, o escopo de julgamento em conjunto é a reunião de processos que tem como objeto acelerar o julgamento, não sendo, portanto, razoável a retirada de pauta de processos que se encontram em condição de julgamento. Desta forma, rejeito o pedido de solicitação de distribuição de processos conexos, por não haver relação de prejudicialidade com os incluídos em pauta. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Antes da análise dos argumentos de defesa, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 237 6 documental na impugnação. De fato, o §4o do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Além disso, há ainda um outro fundamento para aceitar a juntada de tais documentos: não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. De acordo com o Decreto nº 70.235, artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Notese que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, de tal Decreto estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 238 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por estes motivos, os documentos apresentados em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Conversão do Julgamento em Diligência Como se viu, admitiuse a juntada dos documentos e sobre eles não se manifestou a unidade de origem. Da análise destes documentos, em tese, vêse que eles podem comprovar a existência do direito creditório postulado. Além do mais, vêse que se trata de pleito em que se alega erro de fato na apuração da estimativa devida, e, sendo assim, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. Embora o contribuinte alegue recolhimento a maior, ele não junta qualquer documento que demonstre o erro cometido, e mais, não junta documentos que dê suporte à apuração da base de cálculo do IRPJ (R$ 66.155,14), que gerou a estimativa (R$ 14.538,78). Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram a homologação da compensação pleiteada, sem, portanto, examinarem o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Em decorrência, deixaram de instruir o processo com cópia da DIPJ integral, no mínimo, e sequer informaram se o valor pago teria sido eventualmente levado pelo contribuinte como crédito na apuração do resultado. Desta forma, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) Acostar aos autos DIPJ do período, original e retificadoras, se houver; b) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa de IRPJ no período. Apresentar memórias de cálculo, Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10283.902058/200880 Resolução nº 1301000.688 S1C3T1 Fl. 239 8 balanços/balancetes de suspensão/redução, além de outros documentos que a própria autoridade diligenciante entender pertinentes. c) A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá apresentar relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, se manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior, além de informar se o valor pago teria sido eventualmente levado pelo contribuinte como crédito na apuração do resultado, trazendo, a seu juízo, outras considerações que entender relevantes para o deslinde da questão. d) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902857/2015-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.902857/2015-34
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036956
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.282
nome_arquivo_s : Decisao_10865902857201534.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10865902857201534_6036956.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7829903
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121850445824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1506; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.902857/201534 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.282 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente LIMERCART INDUSTRIA E COM DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 28 57 /2 01 5- 34 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.902857/201534 Acórdão n.º 3401006.282 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 73DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.902857/201534 Acórdão n.º 3401006.282 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
