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Numero do processo: 11128.000013/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/07/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.986
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 00 13 /2 00 9- 13 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 222 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 70/80): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 223 3 estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 8) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 9) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 20/01/2009 e apresentou impugnação (fls. 5058) em 9/2/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) Por razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso nas informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, houve atraso no registro do CE indicado pela fiscalização. b) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 224 4 retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.776 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 70/803), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/07/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/07/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 88/97), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.265– 1ª Turma Especial (fls.128/132), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/07/2008 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 225 5 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 138/148 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100414 – 1ª Câmara (fls 147/148), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 153/161). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.607– 3ª Turma (fls. 201/209) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/07/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 209): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 226 6 Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 88/97) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11128.000013/200913 Acórdão n.º 3301003.986 S3C3T1 Fl. 227 7 As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912047/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.762
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 47 /2 01 2- 41 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.788, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912047/201241 Acórdão n.º 3301003.762 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723408/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/02/2012 a 21/12/2012
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/02/2012 a 21/12/2012 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 15463.721319/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, deve-se excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo.
Numero da decisão: 2202-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Fernanda Melo Leal votou pelas conclusões. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, deve-se excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo.
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PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, devese excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Fernanda Melo Leal votou pelas conclusões. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 13 19 /2 01 4- 14 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Trata o presente processo de impugnação contra crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento (fls. 5156) lavrada contra a pessoa física em epígrafe como resultado de revisão da Declaração de Ajuste Anual retificadora, anocalendário 2012 (ND 07/34.244.598), entregue pelo contribuinte em 05/03/2014 (fls. 4048). O lançamento alterou o resultado da declaração correspondente de saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 21.582,35, para imposto suplementar de R$ 18.597,90, em virtude da apuração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 146.110,01. Esclareceu a Fiscalização que a autuação teve como lastro DIRF entregue pela FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL – PETROS. Cientificado do lançamento na data de 07/05/2014 o interessado propôs SRL, posteriormente indeferida nos termos dos despachos contidos às fls. 09 e 5658. Ciente da negativa em 27/06/2014, segundo Aviso de Recebimento (AR) à fl. 63, interpôs o contribuinte peça impugnatória (fls. 0205) datada de 22/07/2014, explicando que, a partir de janeiro de 2011, passou a perceber complemento de aposentadoria pago pela FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL – PETROS. Adita que nesta condição foi informado pelo Fundo de Pensão sobre a edição da IN RFB nº 1.343/2013, que regula o tratamento tributário aplicável aos valores pagos ou creditados por entidades de previdência privada correspondentes a benefícios oriundos de contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995 (fls. 2139). Afirma ter tomado todas as providências exigidas por aquela instrução normativa, porém, ao tentar retificar a DIRPF 2012/2011, houve recusa pelos sistemas deste órgão em virtude de retenção em Malha Fiscal. Diante deste fato, retificou a DIRPF subseqüente, aplicando a ela as orientações emanadas da IN RFB nº 1.343/2013, concluindo ser este o motivo para a lavratura da presente notificação. Aduz que os pagamentos anteriormente realizados a título de saldo de imposto a pagar apurado em DIRPF/2013, no montante de R$ 18.597,90 (DARF às fls. 1920), não podem ser ignorados como se inexistentes fossem, mencionando a Súmula CARF nº 76. Conclui que, se considerados tais recolhimentos, inaplicável a imposição de multa de ofício. Ainda sobre a inaplicabilidade da multa de oficio ao caso concreto, entende que o pagamento efetuado espontaneamente fundamenta o beneficio da denúncia espontânea previsto no art 138 do CTN e que a própria IN RFB nº 1.343/2013 induz ao erro por não prever orientação nos casos de impossibilidade de retificação. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15463.721319/201414 Acórdão n.º 2202004.060 S2C2T2 Fl. 101 3 Registra que, para manter coerência com o pleito proposto, cancelou a PER/DCOMP nº 04371.92574.050314.2.2.047893 proposta para reaver o montante de R$ 18.597,90 (fls. 4950, 59) e propôs revisão de oficio da DIRPF 2012/2011 (fl. 60). Pede assim a revisão do presente lançamento, com a consideração dos pagamentos efetuados e afastamento da multa de oficio. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. VALORES PAGOS POR ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A TÍTULO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PERÍODO DE 1º DE JANEIRO DE 1989 A 31 DE DEZEMBRO DE 1995. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB nº 1.343, DE 2013. A retificação recomendada pela Instrução Normativa RFB nº 1.343, de 2013, para conferir tratamento não tributável aos valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, deve se iniciar pelo anocalendário de início do pagamento do benefício previdenciário complementar, avançando para anos subseqüentes face a necessidade de zerar valores remanescentes. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária Cientificado da decisão em 10/07/2015 (fl. 83), o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 86/94 em 28/07/2015, no qual repisa os argumentos da impugnação, combatendo a decisão de primeira instância É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Cabe inicialmente delimitar o litígio. Fl. 102DF CARF MF 4 Embora o Recorrente discorra sobre a questão da omissão de rendimentos decorrente da forma incorreta pela qual solicitou a restituição de valores que sustenta serem indevidos, em função da IN RFB nº 1.343/2013, o seu pedido, desde a impugnação, resumese no afastamento da multa de ofício, por já ter efetuado o recolhimento do imposto antes da entrega da DIRPF retificadora. Defende o Contribuinte que os pagamentos anteriormente realizados a título de saldo de imposto a pagar apurado em DIRPF/2013, no montante de R$ 18.597,90 (DARF às fls. 19/20), extinguiram o crédito tributário, sendo inaplicável a imposição de multa de ofício. Ainda sobre a inaplicabilidade da multa de oficio ao caso concreto, entende que o pagamento efetuado espontaneamente fundamenta o beneficio da denúncia espontânea previsto no art 138 do CTN e que a própria IN RFB nº 1.343/2013 induz ao erro por não prever orientação nos casos de impossibilidade de retificação. O Contribuinte informou em Declaração de Ajuste Anual original relativa ao anocalendário 2012 (fl. 12) ter percebido Rendimentos Tributáveis totais de R$ 845.239,72, dos quais, R$ 167.926,28 teriam como fonte pagadora a FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL – PETROS. Apurou nesta DIRPF saldo de imposto a pagar de R$ 18.597,90, quitado por débito em conta segundo comprovantes de pagamento de fls. 19/20. Mediante declaração retificadora reduziu os rendimentos pagos pela citada fonte para R$ 21.816,27 (fl. 42), entendendo a diferença como amparada pela hipótese de não tributação tratada pela IN nº 1.343/2013, apurando, por consequência, imposto a restituir de R$ 21.582,35. Observase que o Recorrente efetuou recolhimentos de imposto de renda, por meio de 8 (oito) DARFs relativos ao código DARF 0211, os quais totalizam R$ 18.597,90 (fls. 19/20), com base na declaração retificada. Os valores foram pagos anteriormente ao início da ação fiscal. Os valores recolhidos pelo Contribuinte antes do início do procedimento fiscal, quando ele gozava de espontaneidade, não podem ser exigidos com multa de ofício. CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Não se pode exigir, por meio de Notificação de Lançamento, multa de ofício sobre um crédito tributário que foi extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1º do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de ofício para exigência da diferença. CTN Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15463.721319/201414 Acórdão n.º 2202004.060 S2C2T2 Fl. 102 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [..] Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; [...] Muito embora a declaração retificadora realmente substitua a declaração original, fato é que o pagamento extingue o crédito tributário, conforme prevê o inciso I do art. 156 do CTN. No presente caso, devem ser excluídos do lançamento de ofício a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores recolhidos tempestivamente antes do início da ação fiscal, por meio dos DARFs de código 0211, os quais somam 18.597,90 (fls. 19/20), que correspondem exatamente ao valor do imposto objeto do lançamento de ofício (fl. 52). Nesse sentido temos a seguinte decisão da 1ª Turma da 2ª Câmara desta Seção do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: IRPF – PAGAMENTO – COMPROVAÇÃO. O pagamento tempestivo da obrigação tributária constante da declaração original posteriormente retificada exclui a aplicação de multa de ofício e juros de mora sobre o imposto apurado em revisão de ofício da retificadora que não tenha resultado em exigência de principal superior àquela constante da original. (Acórdão nº 220101.153, de 06/06/2011, Rel. Gustavo Lian Haddad). Esta Turma Ordinária também vem decidindo desse modo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 [...] DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Fl. 104DF CARF MF 6 No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, devesse excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. (Acórdão nº 2202003.386, de 10/05/2016, Rel. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DIRPF RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. No caso de DIRPF Retificadora que pleiteia restituição indevida, se configurada a extinção do crédito tributário por pagamento realizado pelo contribuinte na declaração original, devesse excluir a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os valores de imposto exigidos, p ara os quais houve o recolhimento espontâneo. (Acórdão nº 2202003.342, de 13/04/2016, Rel. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, excluindo da Notificação de Lançamento a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre o valor do imposto. A DRF de origem deverá alocar ao imposto lançado de ofício o valor total pago antes do procedimento fiscal. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Declaração de Voto Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto a não exigência da multa de ofício imposta pela fiscalização. O art. 150 trata do lançamento por homologação. Nessa modalidade de lançamento, cabe ao contribuinte apurar o imposto devido e efetuar seu recolhimento, ficando, tal procedimento, sujeito à homologação ulterior por parte da Autoridade Fazendária, segundo prevê o § 1º desse artigo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15463.721319/201414 Acórdão n.º 2202004.060 S2C2T2 Fl. 103 7 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Conforme se observa na transcrição cima, de fato, nos termos do § 1º, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, porém, da leitura conjunta dos três parágrafos do art. 150, temse, de forma muito clara, que não é qualquer pagamento que extingue o crédito. Quando o § 3º desse art. 150, combinado com o § 2º, diz que serão considerados os atos anteriores à homologação, praticados com vistas à extinção total ou parcial do crédito, inclusive quanto à imposição de penalidade ou sua graduação, tal comando legal está informando que o pagamento efetuado pelo contribuinte, com vistas à extinção do crédito apurado pelo próprio contribuinte, deve ser considerado pela fiscalização na eventualidade de ser apurado, de ofício, imposto suplementar. Dessa forma, se o contribuinte retifica sua declaração, informando que seu rendimento é isento de Imposto de Renda, o valor recolhido em face da DAA original passa a ser um recolhimento indevido e passível de restituição, ou seja, esse recolhimento deixa de ser um ato praticado pelo sujeito passivo com vistas à extinção de um crédito, haja vista que em sua nova declaração, que é a declaração que passa a valer perante a RFB, não há mais crédito a ser homologado. Por outro lado, se esse recolhimento indevido (que não tem qualquer vinculação com o lançamento de ofício) for considerado como sendo um ato praticado pelo sujeito passivo com vistas à extinção do crédito tributário, não restará, conforme apontado no Voto, qualquer base de cálculo para a multa de ofício, ou seja, teremos, nesse caso, uma situação muito estranha, na qual estará evidenciado o descumprimento de uma obrigação tributária acessória importantíssima, prevista no art. 7º da Lei nº 9.250, de 1995, que impulsionou a fiscalização a realizar o lançamento de ofício, porém, sem qualquer imposição de penalidade, apesar da expressa previsão legal contida no art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996. Portanto, entendo que não há a subsunção do recolhimento efetuado às normas contidas no art. 150 e seus parágrafos, devendo, pois, ser mantido o lançamento conforme operado pela fiscalização. Conclusão Fl. 106DF CARF MF 8 Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 13312.000797/2003-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO – Havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo quando ainda não existia trânsito em julgado no processo administrativo, torna-se imperioso concluir pela inexistência de lide. Consequentemente, o debito objeto do parcelamento confessado por parte do contribuinte é aquele constituído mediante o Auto de Infração e mantido na decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento litigado.
Numero da decisão: 1802-000.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 1802-00.070, de 27 de julho de 2009, tendo em vista a desistência do recurso voluntário pelo contribuinte, antes do trânsito em julgado do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
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Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano calendário: 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO – Havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo quando ainda não existia trânsito em julgado no processo administrativo, tornase imperioso concluir pela inexistência de lide. Consequentemente, o debito objeto do parcelamento confessado por parte do contribuinte é aquele constituído mediante o Auto de Infração e mantido na decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento litigado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 180200.070, de 27 de julho de 2009, tendo em vista a desistência do recurso voluntário pelo contribuinte, antes do trânsito em julgado do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Marcelo Baeta Ippolito. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Relatório Fl. 298DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de existência de omissão no julgado materializado no Acórdão nº 180200.070, na sessão de 27 de julho de 2009. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 26/04/2011, conforme Relação de Movimentação – RM nº 17991 à fl.289, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador, os embargos foram apresentados em 12/05/2011 (fls.290/296). O lançamento foi julgado procedente pela DRJ em Fortaleza (fls. 213/223). Intimado em 08/03/2004 (fl. 228), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 07/04/2004 (fl. 230). Nos termos do referido acórdão esta 2a. Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. É a ementa do julgado (fl.278): "AC 1999 — COFINS LANÇAMENTO REFLEXO — ILEGITIMIDADE PASSIVA —Considerase contribuinte a pessoa que tem relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador. BASE DE CALCULO — RECEITA BRUTA — INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL — No caso concreto as informações de saídas de mercadorias prestadas ao fisco estadual são insuficientes para determinação da receita bruta da pessoa jurídica." A Embargante afirma que o julgado embargado não analisou questão essencial ao deslinde da controvérsia, como explica à fl.291, verbis: Com efeito, logo após o julgamento do acórdão ora embargado, o contribuinte, por petição assinada em 16 de dezembro de 2009 e protocolada em 12 de março de 2010, requereu a desistência total de impugnação/recurso administrativo, nos autos do processo em análise, renunciando, inclusive, aos direitos sobre os quais se fundamentaram o recurso administrativo, fls. 285. Tal requerimento de desistência decorre de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Aduz que o pedido de desistência se deu antes da ciência da Fazenda Nacional para eventual interposição de recurso especial, portanto, e, ainda passível de recurso o acórdão ora embargado pelo próprio contribuinte, pois o acórdão nº 180200070 não foi cientificado formalmente ao sujeito passivo.Assim, para todos os efeitos, a formulação do pedido de desistência pelo contribuinte ocorreu quando ainda passível de recurso o acórdão em comento. Noutros termos, antes do transito administrativo do acórdão embargado. A Embargante tece considerações às fls.292/293 sobre o parcelamento de débitos de que trata a Lei nº 11.941/2009 para demonstrar o interesse do contribuinte em desistir do recurso para a inclusão do débito no parcelamento com o benefício previsto na mencionada lei, e, invocando a inteligência do art. 78 e dispositivos seguintes do Regimento Interno do Fl. 299DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13312.000797/200324 Acórdão n.º 1802000.945 S1TE02 Fl. 299 3 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conclui que caberia ao Colegiado, analisar o pedido de desistência formulado, tornando o julgado embargado sem efeito pelas seguintes evidências, verbis: 1)tendo aderido ao parcelamento da Lei n9 11.941 e formulado expressamente pedido de desistência do recurso nestes autos (vejase: dois atos cumulativos que implicam na desistência),é cediço concluir que o contribuinte desistiu do recurso interposto na sua integralidade; 2) que, tratandose de acórdão passível de recurso fazendário, a desistência do recurso pelo contribuinte foi acompanhada da renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele interposto, conforme se observa na petição de fl. 285, o que mais uma vez demonstra claramente que a desistência e a renúncia foram integrais. Assim, embora se extraia do disposto no artigo 78 do RI CARF (Portaria MF n° 256/2009) que a desistência recursal expressa feita nos autos pela parte interessada acarreta o cancelamento do recurso por perda do objeto, mesmo se já proferido acórdão, haja vista ser uma faculdade do contribuinte, em qualquer fase do processo, é imprescindível a manifestação expressa por parte dessa Corte Administrativa quanto a anulação do acórdão 1802 00070 no qual a União restou parcialmente sucumbente. (...) É o Relatório. Fl. 300DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado o acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 26/04/2011, consoante Relação de Movimentação – RM nº 17991 à fl.289, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador, os embargos foram apresentados em 12/05/2011 (fls.290/296), sendo, portanto, tempestivo, dele conheço. Os presentes embargos foram opostos pela Fazenda Nacional, objetivando a manifestação deste colegiado quanto a omissão apontada no Acórdão nº 180200.070, proferido na sessão de 27 de julho de 2009, pois, logo após o julgamento do acórdão ora embargado, o contribuinte, por petição assinada em 16 de dezembro de 2009 e protocolada em 12 de março de 2010, requereu a desistência total do recurso administrativo, nos autos do processo em análise, renunciando, inclusive, aos direitos sobre os quais se fundamentam o recurso administrativo, conforme se observa na petição de fl. 285. A rigor, não vejo a questão como omissão no Acórdão, pois, como visto, a desistência do recurso se deu após a decisão proferida no acórdão ora embargado. Porém, não se pode deixar de reconhecer que, inclusive na situação dos presentes autos, de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, o fato da desistência do recurso e da renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo recorrente antes do trânsito em julgado do acórdão recorrido, tem implicações decisivas, merecendo serem apreciados os efeitos da renúncia processual, a teor do art. 78 e dispositivos seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, vejamos: CAPÍTULO VII DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo Fl. 301DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13312.000797/200324 Acórdão n.º 1802000.945 S1TE02 Fl. 300 5 recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Grifei) Dessarte, nos termos do § 3º acima transcrito, no caso de desistência do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente esta perde os seus efeitos, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Observase que, nos presentes autos, a desistência do recurso administrativo pelo sujeito passivo decorre de sua adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e ocorreu antes de cientificado formalmente do acórdão nº 180200070 embargado e antes da ciência da Fazenda Nacional para eventual interposição de recurso especial. De sorte que, sendo o pedido de desistência total protocolizado antes do julgamento definitivo que exonerou o crédito tributário, os débitos exonerados devem ser incluídos no parcelamento. Para a análise dos efeitos do pedido de desistência quando formulado após proferido o julgamento por Colegiado Administrativo, a Embargante traz como paradigma o acórdão nº CSRF/ 0106.031 (processo administrativo nº 10120.006347/200142), cuja ementa traduz a situação em comento, vejamos : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1997, 1999 CRÉDITO TRIBUTÁRIO 0 credito tributário, com a notificação do lançamento de oficio, e definitivo ate que outra norma sobrevenha para alterálo. PAF 0 processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito constituído, podendo mantêlo ou cancelálo, total ou parcialmente, sendo certo que o conteúdo do julgamento administrativo só é definitivo e suficiente a promover as alterações no credito tributário decorrente do lançamento de oficio com o trânsito em julgado, o qual põe término ao processo administrativo. DESISTÊNCIA a desistência e renúncia ao direito, efetuado pelo contribuinte, quando ainda não existia transito em julgado no referido processo administrativo, faz com que o debito objeto de confissão por parte do contribuinte seja aquele constituído e informado por meio de Auto de Infração. Indubitavelmente, a desistência do recurso voluntário pelo sujeito passivo ocorreu antes do trânsito em julgado administrativo do acórdão embargado, do qual ainda caberia recurso especial da Fazenda Nacional, pois, como se sabe, o processo administrativo só se conclui com o julgamento do último recurso possível apresentado por qualquer uma das partes e/ou com o decurso do prazo recursal. Nesse passo, havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito quando ainda não existia trânsito em julgado no presente processo administrativo, tornase imperioso concluir Fl. 302DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 pela inexistência de lide. Consequentemente, o debito objeto do parcelamento confessado por parte do contribuinte é aquele constituído mediante o Auto de Infração e mantido na decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento litigado. Assim, tendo em vista a renúncia e desistência do recurso voluntário pelo contribuinte, antes do transito em julgado do acórdão embargado, impõese que sejam acolhidos os embargos para anular o acórdão existente. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos para tornar sem efeito o Acórdão nº 180200.070, de 27 de julho de 2009, e declarar a definitividade da decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.917218/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/12/2001
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.669
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/12/2001 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 72 18 /2 01 1- 47 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.917218/201147 Acórdão n.º 3402004.669 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.917218/201147 Acórdão n.º 3402004.669 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.917218/201147 Acórdão n.º 3402004.669 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.917218/201147 Acórdão n.º 3402004.669 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004615/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EMITIDO PELA FONTE PAGADORA, EM NOME DO BENEFICIÁRIO, CORRESPONDENTE AOS VALORES DA DIMOB. COMPENSAÇÃO DEVIDA.
A dedução de valores retidos é permitida quando o contribuinte apresenta documento emitido pela fonte pagadora, em seu nome, no qual consta as retenções realizadas, conforme legislação de regência, inclusive correspondentes aos valores dispostos na DIMOB, conforme consulta ao sistema.
Numero da decisão: 2201-003.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 24/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EMITIDO PELA FONTE PAGADORA, EM NOME DO BENEFICIÁRIO, CORRESPONDENTE AOS VALORES DA DIMOB. COMPENSAÇÃO DEVIDA. A dedução de valores retidos é permitida quando o contribuinte apresenta documento emitido pela fonte pagadora, em seu nome, no qual consta as retenções realizadas, conforme legislação de regência, inclusive correspondentes aos valores dispostos na DIMOB, conforme consulta ao sistema.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 24/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO EMITIDO PELA FONTE PAGADORA, EM NOME DO BENEFICIÁRIO, CORRESPONDENTE AOS VALORES DA DIMOB. COMPENSAÇÃO DEVIDA. A dedução de valores retidos é permitida quando o contribuinte apresenta documento emitido pela fonte pagadora, em seu nome, no qual consta as retenções realizadas, conforme legislação de regência, inclusive correspondentes aos valores dispostos na DIMOB, conforme consulta ao sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 24/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 46 15 /2 00 8- 44 Fl. 96DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Relatório Trata o presente processo de impugnação a lançamento relativo a imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 5.062,80, que revisou o anocalendário de 2004, fl. 8. O Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR, em seu(s) art(s). 87, trata da legislação desta matéria. O contribuinte impugna o lançamento, encontrandose na fl. 1, e seguintes, suas razões. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO. Contribuinte apresentou documentação, comprovando item integrante da apuração anual do imposto de renda, que altera o lançamento efetuado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e, em síntese, dispôs que houve, no período citado, imposto retido na fonte demonstrado pelo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela Empresa Somma Aluguéis e Condomínios Ltda., responsável pela Administração dos imóveis pertencente a ora recorrente. A citada administradora, ainda reúne outros documentos comprobatórios não disponibilizados, até a data deste recurso. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.004615/200844 Acórdão n.º 2201003.768 S2C2T1 Fl. 3 3 Destacou a contribuinte que o Partido Comunista do Brasil, à época locatário, procurado para auxiliar e prestar os devidos esclarecimentos, em nada colaborou para o esclarecimento dos fatos, limitandose a informar que recolheu os tributos devidos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta da descrição dos fatos e do enquadramento legal, foi considerada indevida a compensação realizada pela contribuinte, em razão dos seguintes fundamentos, fls. 10 e 11: A recorrente apresentou Contrato de Locação Comercial, fls. 14 e seguintes; apresentou DARF no valor de 531,15, do período de apuração 31/12/2004, fls. 20. Fl. 98DF CARF MF 4 Compulsandose os autos, identifiquei que o documento emitido pela fonte pagadora em nome da contribuinte, fls. 93, correspondem aos valores constantes da DIMOB, conforme consulta ao sistema. O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, é elucidativo ao explicitar em seu artigo 87: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (......) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55)" Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.003154/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE.
Se demonstrado nos autos que não existe crédito nem débito a serem compensados, por falta de objeto, o correspondente procedimento compensatório deve ser integralmente cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO E DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. Se demonstrado nos autos que não existe crédito nem débito a serem compensados, por falta de objeto, o correspondente procedimento compensatório deve ser integralmente cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 31 54 /2 00 8- 87 Fl. 1608DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: A contribuinte em referência apresentou dois PER/DCOMP Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (12492.02700.150803.1.3.043131 e 09213.86957.150803.1.3.046335), conforme abaixo: PER/DCOMP 12492.02700.150803.1.3.043131 CARACTERÍSTICAS DO DARF TRIBUTO PA DARF DATA ARRECADAÇÃO 6912 30/06/2001 85.551,03 15/07/2001 DÉBITO A SER COMPENSADO TRIBUTO PA VALOR VENCIMENTO 6912 06/2001 79.074,26 15/07/2001 PER/DCOMP 09213.86957.150803.1.3.046335 CARACTERÍSTICAS DO DARF TRIBUTO PA DARF DATA ARRECADAÇÃO 6912 30/06/2001 85.551,03 15/07/2001 DÉBITO A SER COMPENSADO TRIBUTO PA VALOR VENCIMENTO 6912 06/2001 56.861,36 15/07/2001 3. Os PERD/COMP foram direcionados para análise manual e após ter sido intimado em 16/11/2007, a contribuinte esclareceu que o suposto crédito deriva de pagamento a maior de PIS de junho/2001, informando que o valor correto deste tributo no período de apuração citado é R$ 164.625,14 e não a importância de R$ 85.551,36 anteriormente informada. Também restou apontado nos esclarecimentos da contribuinte que o período a que se refere o débito seria o mês de maio/2003 e não o mês de junho/2001. 4. Em 28/11/2007 a empresa entrega as PER/DCOMP nos 09720.16120.281107.1.8.045004 e 02572.28714.281104.1.8.04 4840 com o intuito de cancelar as PER/DCOMP anteriormente entregues, acima referenciadas. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa (PB), conforme despacho de decisório de fl. 82, acatou o Parecer DRF/JPA/SAORT Nº 280/2008 de fls. 7881, para não reconhecer o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 12492.02700.150803.1.3.043131; indeferir os pedidos de cancelamento dos PER/DCOMP nos 09720.16120.281107.1.8.04 5004 e 02572.28714.281104.1.8.044840 e não homologar as PER/DCOMP nos 12492.02700.150803.1.3.043131 e 09213.86957.150803.1.3.046335. 6. O parecer citado apontou que o recolhimento (DARF), período de apuração 06/2001, indicado pela contribuinte era relativo ao código de arrecadação 8109 (e não 6912, conforme o Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 11618.003154/200887 Acórdão n.º 3302004.625 S3C3T2 Fl. 1.609 3 contribuinte declarara nos PER/DCOMP mencionados), no valor de R$ 164.625,14 (fl. 6364), o qual estava integralmente alocado ao débito deste período. Também foi apontado que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e DIPJ (Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica) referentes ao mês de junho de 2001 apresenta débitos de PIS no valor de R$ 164.625,14 (fl. 6364). 7. Devidamente cientificada do despacho decisório em referência em 25/06/2008 (fl. 85), a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fls. 8690) apontando as razões de sua discordância: 7.1. alega que o direito creditório pleiteado decorre do cancelamento de vendas, apresentando cópias do Livro Razão (fls. 9294), para justificar que o recolhimento efetuado no valor de R$ 164.625,14 (fl. 91), para o PIS de junho/2001, foi feito a maior, conforme DARF, que anexou; 7.2. afirma que em decorrência deste cancelamento total das vendas , passou a ter um crédito de PIS em tal valor que compensou com débito do mesmo tributo, que na verdade era de R$ 7.204,26, conforme consta na DCTF retificadora entregue em 18/08/2006, cuja cópia anexa e que tal importância foi apurada e contabilizada regularmente, conforme cópias dos livros Razão, também anexadas; 7.3. faz menção ao processo nº 10467.501133/200679 e ao Parecer SAORT/DRF/JPA nº 54/2007, alegando que os mesmos atestam existir controvérsia acerca dos valores das vendas canceladas; 7.4. reafirma que o débito de PIS do mês de maio/2003 é de R$ 7.204,26 e não de R$ 79.074,26, aduzindo que embora tenha cometido alguns equívocos nas apresentações do PER/DCOMP, os quais narrou na petição apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 57/2008, tais erros não podem prejudicar o direito da recorrente em efetuar a compensação, afirmando inexistir saldo devedor do PIS de maio/2003 a ser pago; 7.5. requer o provimento da sua manifestação de inconformidade. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 164/168), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: DCTF. RETIFICAÇÃO. DIMINUIÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante Fl. 1610DF CARF MF 4 apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 21/10/2010, a recorrente a foi cientificada da referida decisão. Em 18/11/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 173/181, por meio do qual reiterou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Na Sessão de 23 de maio de 2014, os integrantes da composição anterior deste Colegiado, por meio da Resolução nº 3302000.418, converteu o julgamento em diligência perante a unidade da RFB de origem, para que fossem prestados os seguintes esclarecimentos: (a) A esclarecer as seguintes dúvidas: A empresa sofreu processo de fiscalização? Qual período foi fiscalizado e quando ocorreu esta fiscalização? Traçar um histórico entre as Declarações e as Retificações apresentadas pelo contribuinte e o procedimento de fiscalização. Informar qual a situação fática final do contribuinte: o crédito pleiteado no valor de R$ 164.625,14, restou reconhecido? É válido afirmar que o contribuinte tinha este crédito? As retificações realizadas estavam de acordo com a contabilidade do contribuinte? (b) Após a autoridade administrativa deverá: promover a juntada, aos presentes autos, das principais peças (autos de infração/ pedido de compensação/ despacho decisório/ manifestação de inconformidade/ impugnação/ acórdãos proferidos pela DRJ/ recurso voluntário/ acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes ou CARF) dos processos n° 11618.004434/200560, n° 11618.003135/200265, n° 10467.501133/200679 e no 11618.003134/200211. analisar as informações trazidas pelo Recorrente e os documentos citados no item anterior e elaborar parecer circunstanciado acerca das perguntas apresentadas no item “a”. (c) O contribuinte deverá ser intimado a se manifestar, no prazo de 30 dias, acerca do Parecer previsto no item ‘b’. Em 04/03/2015, a recorrente foi intimada (fl. 243) a prestar os seguintes esclarecimentos: • A empresa recorrente sofreu processo de fiscalização abrangendo os períodos compreendidos pelo crédito pleiteado? Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 11618.003154/200887 Acórdão n.º 3302004.625 S3C3T2 Fl. 1.610 5 • Em caso positivo, qual foi exatamente o período fiscalizado e quando se deu a fiscalização? • Poderia a empresa traçar um histórico entre as Declarações e as Retificações apresentadas, bem como fazer um paralelo temporal com o procedimento de fiscalização correspondente? • Pode a empresa informar qual a situação atual do crédito pleiteado no valor de R$ 164.625,14? O crédito foi reconhecido? • Chegouse a conclusão de que as retificações realizadas estavam de acordo com a contabilidade do contribuinte? Em resposta, por meio da petição de fls. 276/285, a recorrente apresentou os esclarecimentos solicitados na referida intimação. Informou que fora fiscalizada no período de 30/04/2000 a 30/06/2002 e que a fiscalização fora encerrada em 19/9/2002 e resultou na lavratura dos autos de infração encartados nos processos de nºs 11618.004434/200560 e 11618.003134/200211, os quais foram cancelados por decisão judicial proferida pelo Juiz da 5ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba, no âmbito do ação anulatória nº 007907 05.2011.405.200, que fora confirma da TRF da 5ª Região. Por meio da informação fiscal de fls. 1550/1553, a autoridade fiscal concluiu o seguinte: Considerando que as questões constantes da Resolução nº 3302 000.418 foram respondidas pelo documento apresentado pelo contribuinte constante das fls. 276/313 deste processo e tendo havido a inserção dos documentos dos processos de nºs 11618.004434/200560, 11618.003135/200265, 10467.501133/200679 e 11618.003134/200211, ademais entendendo que o cerne da lide se refere à interpretação das normas atinentes à compensação nos casos como este em tela, cuja análise exorbitaria das competências instrutórias, considero cumprida a diligência requerida e recomendo a ciência ao contribuinte, que poderá se manifestar quanto ao seu teor no prazo de 30 (trinta) dias contados do seu recebimento. Enfim, por meio da petição fls. 1556/1560, a recorrente reafirmou o equívoco da compensação formalizada por meio do PER/DCOMP 12492.02700.150803.1.3.043131, bem como a inexistência do débito compensado da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Conselheiro Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1612DF CARF MF 6 A leitura dos presentes autos evidencia a prática sequencial de vários equívocos, que contribuíram e resultaram em grande desperdício de trabalho e de recursos financeiros e humanos tanto para a Administração Tributária, quanto para a recorrente. Os equívocos cometidos iniciaramse com a recorrente ao elaborar as duas declarações de compensação em apreço, para compensar crédito e débito inexistentes. E as autoridades fiscais e julgadoras que analisaram os autos, em vez de apontar o equívoco cometido pela contribuinte e determinar o cancelamento do inusitado procedimento compensatório, inexplicavelmente, continuaram a análise do feito, culminando com a determinação da conversão dos autos em diligência, sem a menor necessidade. Com efeito, uma rápida análise dos PER/DCOMP de nºs 12492.02700.150803.1.3.043131 (fls. 3/7) e 09213.86957.150803.1.3.046335 (fls. 77/81) constatase que eles foram preenchidos incorretamente, pois, o crédito e o débito da Contribuição para o PIS/Pasep compensados eram do mesmo código e mês de apuração, como se fosse materialmente possível a recorrente ser, simultaneamente, credora e devedora do mesmo tributo no mesmo mês de apuração (junho de 2001). Sabese que, em relação ao mesmo tributo e período de apuração, o contribuinte pode ser credor ou devedor da Fazenda Nacional, jamais as duas situações ao mesmo tempo. Além disso, os dados do pagamento (DARF) informado nos referidos PER/DCOMP não foram localizados nos sistemas da RFB, o que motivou a expedição da intimação de fl. 51, para que, se houvesse qualquer divergência, no prazo indicado, fosse transmitida o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, a interessada comparecesse à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentasse o DARF original ou eventual REDARF. Em 16/11/2007, a recorrente foi cientificada da referida intimação. E ao perceber o equívoco cometido, em 28/11/2007, apresentou os pedidos de cancelamentos dos referidos PER/DCOMP (fls. 16 e 82), que, com respaldo no art. 621 da Instrução Normativa 600/2005, na época vigente, foram corretamente indeferidos pela autoridade fiscal. Ainda em relação ao referido procedimento compensatório, em resposta às questões formuladas na intimação de fl. 13, por meio da petição de fls. 21/24, a recorrente prestou os esclarecimentos relevantes, que seguem transcritos: 4. A Requerente esclarece que a PER/DCOMP n° 12492.02700.15080313 043131, foi preenchida com erro, dai o pedido de que fosse cancelada. A PER/DCOMP em referencia foi formalizada para informar o pagamento, por meio de compensação, de um debito de PIS (código do DARF 6912) do mês 05/2003 com um credito originado de um pagamento de PIS (código do DARF 8109) feito em valor maior do que o efetivamente devido no mês 06/2001. 1 "Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação." Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 11618.003154/200887 Acórdão n.º 3302004.625 S3C3T2 Fl. 1.611 7 5. Os erros verificado no preenchimento da PER/DCOMP n° 12492.02700.150803.1.3043131 foram: 5.1 a informação do valor do credito de PIS do mês 06/2001, originado do pagamento de valor maior que o devido, como sendo no valor de R$ 85.551,03, quando o valor correto do PIS recolhido no mês 06/2001 foi de R$ 164.625,14; 5.2 a informação do valor original do debito de PIS apurado no mês 05/2003, objeto da compensação declarada como sendo de R$ 79.074,26, quando o valor correto do debito de PIS no mês 06/2003 [05/2003] foi de R$ 7.204,26. 6. Ao verificar o erro das informações constantes da PER/DCOMP n° 12492.02700.150803.1.3043131, a Requerente providenciou a sua retificação através da PER/DCOMP no 16934.79877.170903.1.7.040797 e providenciou também a retificação da DCTF do 2° trimestre de 2003, na qual está declarado o pagamento do PIS do mês 05/2003, quitado através de compensação com valor do PIS do, mês 06/2001 originalmente pago em valor maior que o devido. Juntamos cópias das DCTFs do 2° trimestre de 2003, com a informação do n° da PER/DCOMP de compensação do PIS do mês 05/2003 devidamente retificada, como segue: 6.1 DCTF Original do 2° Trimestre de 2003, informando que a PER/DCOMP utilizada para compensação do PIS do mês 05/2003, no valor de R$ 7.204,26, foi a no 12492.02700.150803.1.3043131 (doc. 01 e 02 [fls. 25/28]); 6.2 DCTF Retificadora do 2° Trimestre de 2003, informando que a PER/DCOMP utilizada para compensação do PIS do mês 05/2003, no valor de R$ 7.204,26, foi a n° 19634.79877.170903.1.7040797 (doc. 03 e 04 [fls. 29/32]); [...] 8. Conforme exposto pela Requerente no item 5.1 acima, a PER/DCOMP n° 12492.02700.150803.1.3043131 tinha um erro na informação do valor do credito do mês 06/2001 que teria dado origem ao valor a ser compensado no mês 05/2003. 0 valor do PIS do mês 06/2001, declarado na DCTF do 2° trimestre de 2001 é de R$ 164.625,14. Juntamos cópia da DCTF do 2° trimestre de 2001 (doc. 07 e 08 [fls. 37/38]) com a correta informação do valor do debito, posteriormente confirmada pela PER/DCOMP n° 19634.79877.170903.1.7 040797. [...] 08. Mais uma vez, de acordo com o já exposto pela Requerente no item 5.1 acima, o valor do credito do mês 06/2001 que teria dado origem ao valor a ser compensado no mês 05/2003 e de R$ 164.625,14 e não de R$ 85.551,03. Juntamos cópia autenticada do DARF de recolhimento do PIS no valor de R$ 164.625,14, Fl. 1614DF CARF MF 8 P.A.: 30/06/2001; código da receita: 8901 vencimento 15/07/2001 (doc. 09 [fl. 39]), conforme declarado na DCTF do 2° trimestre de 2001 (doc. 07 e 08 já referidos). Por sua vez, de acordo com o despacho decisório de fls. 88/92, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, a autoridade fiscal apurou o seguinte: 15. Após análise dos referidos sistemas, verificase: a DCTF 0000.100.2004.21999650, relativa ao 2° trimestre/2001 apresenta débitos de PIS /PASEP, código de receita 8109, período de apuração 06/2001, no valor de R$ 164.625,14 (fl. 63/64); a DIPJ relativa ao anocalendário 2001 apresenta o mesmo valor devido do PIS/PASEP (fls. 46); o crédito constante do DARF a que o contribuinte se refere como pagamento indevido ou a maior encontrase vinculado ao débito de PIS relativo ao mês de junho/2001, não existindo valor disponível para utilização em compensagão (fl.65); os débitos compensados não se encontram em DCTF; o sistema SCC enviou intimação ao contribuinte para verificar e regularizar as Declarações de Compensação 12492.02700.150803.1.3.043131 e 09213.86957.150803.1.3.04 6335 através de PER/DCOMP Retificador ou apresentar documento comprobatório a unidade da Receita Federal do Brasil. A ciência ocorreu em 16.11.2007, e o contribuinte enviou Pedidos de Cancelamento em 28.11.2007, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 62 da IN/SRF600/2005; a Declaração de Compensação 12492.02700.150803.1.3.04 3131 cita o débito compensado como sendo de junho/2001; o esclarecimento do contribuinte cita que se trata de débito de maio/2003, porém não apresenta os referidos valores registrados em livros contábeis. 16. Verificase, através do sistema SIEFFISC.ELETR, que o pagamento efetuado cm 13.07.2001, através de DAFtF (fl.34), no valor de R$ 164.625,14 (cento e sessenta e quatro mil, seiscentos e vinte e cinco reais e quatorze centavos) encontrase vinculado, no seu valor total, ao débito declarado (R$164.625,14) em DCTF pelo contribuinte (fls 65), portanto não existe disponibilidade de saldo a ser utilizado em compensações. Esses esclarecimentos confirmam que, no mês de junho de 2001, a recorrente não tinha saldo de crédito ou de débito da Contribuição para o PIS/Pasep a ser compensado. Em 15/08/2003, data em que realizada as referidas compensações, a Declaração de Compensação não tinham natureza de confissão de dívida. Essa condição somente passou a existir a partir de 31/10/2003, data em que entrou em vigor o art. 17 da Medida Provisória 135/2003. Assim, se não havia saldo de débito não quitado da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001 informado na DIPJ e confessado na DCTF ou lançado pela autoridade fiscal, inequivocamente, não havia razão para realização do referido procedimento compensatório. Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 11618.003154/200887 Acórdão n.º 3302004.625 S3C3T2 Fl. 1.612 9 Além disso, nos esclarecimentos prestados nas peças defensivas e petições colacionadas aos autos, a recorrente não comprovou que, no referido mês de junho de 2001, tivesse saldo de crédito a ser compensado. De acordo com os referidos documentos, os supostos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep referiamse a vendas canceladas nos meses de agosto e setembro de 2001. No que tange ao débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio/2003, no valor de R$ 7.204,26, a própria recorrente informou que ele fora objeto de compensação por meio do PER/DCOMP nº 16934.79877.170903.1.7.040797. E autoridade fiscal confirmou na informação de fls. 1550/1553, o referido PER/DCOMP encontravase vinculado ao processo nº 10467.500220/201176, enviado à PFN para prosseguimento da cobrança do referido débito. Assim, se não havia crédito e débito a ser compensado, o procedimento de compensação em apreço revelase sem efeito prático ou concreto algum, logo, deve ser integralmente cancelado, por falta de objeto. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para determinar o cancelamento das compensações declaradas nos PER/DCOMP de nºs 12492.02700.150803.1.3.043131 e 09213.86957.150803.1.3.046335, por falta de objeto. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 1616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003862/2004-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.330
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 38 62 /2 00 4- 98 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11065.003862/200498 Acórdão n.º 9303005.330 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.612, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11065.003862/200498 Acórdão n.º 9303005.330 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11065.003862/200498 Acórdão n.º 9303005.330 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11065.003862/200498 Acórdão n.º 9303005.330 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720072/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. RELATÓRIO Tratase o presente processo de recurso voluntário, interposto contra o Acórdão nº 14060.204 3ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente a impugnação da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 07 2/ 20 15 -6 3 Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.741 2 contribuinte para manter os autos de infração de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 9.674.526,77 e R$ 3.491.469,64, respectivamente, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, que a fiscalização apurou as seguintes infrações: "II.l FALTA DE ADIÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE CONTABILIZADOS COMO DESPESA Conforme se depreende dos itens 7 e 8 a fiscalizada contabilizou lançamento a crédito de conta de passivo de código 21600100001 DIVIDENDOS PROPOSTOS OU A PAGAR, no valor de R$ 5.339.000,00, a débito de conta de resultados (conta de código 5002010002 DESPESAS TRANSFERIDAS). O lançamento efetuado foi o seguinte: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Histórico 31/12/2010 5002 10002 DESPESAS TRANSFERIDAS D/ 5.339.000,0 AJUSTE DF 31/12/2010 2160100001 DIVIDENDOS PROPOSTOS OU A PAGAR C 5.339.000,0 AJUSTE DF Intimada a justificar tal lançamento, que contraria norma contábil, uma vez que os dividendos propostos devem ser contabilizados a débito de patrimônio líquido a fiscalizada afirmou que: a) A conta DESPESAS TRANSFERIDAS (código 50020100002) seria uma conta transitória de transferência do resultado do exercício para o patrimônio líquido; b) O lançamento realizado na conta transitória de transferência do resultado do exercício não afetou e tampouco reduziu a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social e c) Tenta justificar o lançamento efetuado em relação ao lançamento que seria efetuado de acordo com as "melhores práticas", afirmando que nos dois casos o resultado do exercício não seria alterado. Assim, a partir de comparação do lançamento realizado em comparação aquele de acordo com as "melhores práticas" a partir do resultado da empresa de R$ 80.000.000,00 antes do lançamento de dividendos propostos de R$ 5.339.000,00 a seguir transcrito: [...] Este Auditor Fiscal não pode aceitar as justificativas da fiscalizadas, pelos seguintes motivos: Não procede a afirmativa da fiscalizada de que tal conta se trata apenas de conta transitória de transferência do resultado do exercício não tendo afetado o resultado do exercício. Senão vejamos, a conta de código 5002010002 DESPESAS TRANSFERIDAS, analítica, faz parte do grupo de contas sintéticas OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, que segundo Demonstrativo do Resultado do Exercício 2010 (DRE 2010, anexo ao presente Termo de Verificação) possui saldo final devedor antes do encerramento de R$ 81.815.272,73, diminuindo o valor do Resultado do Exercício. Caso o lançamento de R$ 5.339.000,00 a débito da conta DESPESAS TRANSFERIDAS, não tivesse sido efetuado, o valor final das DESPESAS TRANSFERIDAS, que teve saldo antes do encerramento credor em R$ 306.649.413,52, teria saldo credor majorado em R$ 5.339.000,00, e consequentemente o saldo devedor da conta sintética OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS seria Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.742 3 diminuído do mesmo valor, levando o resultado antes da CSLL e IRPJ de R$ 77.443.786,24 para R$ 82.822.786,24. Foi efetuado busca na contabilidade da fiscalizada de lançamento no valor de R$ 5.339.000,00 que pudesse anular o efeito do valor indevidamente classificado como despesa e não foi encontrado qualquer outro lançamento na contabilidade além do objeto de questionamento deste Auditor Fiscal. Não procede a afirmativa da fiscalizada de que não foi afetado o valor do resultado do exercício. O exemplo daí apenas demonstraria que o patrimônio líquido não seria alterado (uma vez que após transitar pela conta LUCROS ACUMULADOS, por exemplo, os dividendos propostos são debitados de PL e creditado a passivo. Dispõe o art.274 do RIR/1999: [...] Dispõe o art. 201 da Lei nº 6.404/1976: [...] Assim, tendo contabilizado indevidamente como despesa valor de dividendos propostos, tal "despesa" de R$ 5.339.000,00 deve ser adicionado para efeitos de apuração do lucro real. [...] II.2 EXCLUSÕES [...] II.2.a EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL AMORTIZAÇÃO ACELERADA DE BEM JÁ TOTALMENTE AMORTIZADO Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 3 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014, no qual este Auditor Fiscal solicita informar matriz legal de exclusão no valor de R$ 5.661.061,07 referente a conta de ativo intangível 1240100001 SOFTWARE E LICENÇAS, sem que houvesse controle na parte B no Lalur e ainda solicitada a apresentação de documentação comprobatória da operação que deu causa a tal escrituração, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada foi: "Informa a Requerente que o ativo que deu origem a exclusão sofreu depreciação acelerada fazendo com que os saldos contábeis estivessem completamente amortizados em dezembro de 2010" A evasiva resposta da fiscalizada, sem que fosse apresentada qualquer documentação comprobatória, traz em si a impossibilidade de exclusão de tal valor para efeito de apuração do lucro real. Sem apresentar qualquer documentação comprobatória do bem a que deu causa a amortização acelerada (em sua resposta a fiscalizada, contraditoriamente, cita depreciação e amortização acelerada, mas por se tratar de intangível este Auditor Fiscal trabalha como amortização), a fiscalizada afirma que os ativos que deram origem a exclusão estavam com os saldos contábeis completamente amortizados em dezembro de 2010. Como regra, as exclusões de valores de amortização acelerada devem ser controladas na parte B do Lalur, pois o valor amortizado (contábil mais a acelerada) não pode superar o valor do bem. A fiscalizada não controlou tais valores na parte B do Lalur e afirma que o bem já estava totalmente amortizado. Assim, tal exclusão é indevida. Embora a amortização acelerada incentivada seja aplicável apenas na apuração do lucro real a fiscalizada excluiu Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.743 4 também na base de cálculo da CSLL, razão pela qual se aplicou a infração reflexa também para a CSLL. [...] II.2.b EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL UTILIZAÇÃO DO LALUR PARA EXCLUIR AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NÃO CONTABILIZADO Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 1 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014, no qual este Auditor Fiscal solicita informar, em relação a exclusão de R$ 79.979.200,00 referente a "Amortização do Ágio Petroflex", matriz legal de tal exclusão, apresentar documentação comprobatória da operação que deu causa a tal ágio e demonstrar a contabilização de tais valores, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada, datada de 16/06/2014, foi: "A referente informa que a LANXESS Participações Ltda, originou ágio que gerou a exclusão e a devida amortização de acordo com os preceitos legais. A Requerente apresenta (Anexo 1), toda a documentação que deu causa, sendo elas: Estatuto Social da Petroflex Indústria e Comércio S/A CNPJ: 29.667.225/000177; Contrato Social da LANXESS Participações CNPJ: 09.124.110/000130, com suas alterações; Protocolo de Incorporação da empresa LANXESS Participações pela empresa Petroflex Indústria e Comércio S/A; Ata de reunião da aprovação da incorporação; Laudo de avaliação que apurou o ágio na modalidade de "justo mercado", conforme constante no artigo 385 do Decreto 3000/99 e pelas Instruções n° 247/96 e 285/98." A fiscalizada não demonstrou a contabilização dos valores conforme solicitado no item l.c do Termo de Constatação e Intimação Fiscal. E, com efeito, tais valores de amortização de ágio não faziam parte da contabilidade societária e nem da contabilidade fiscal (obtida através da integração entre a contabilidade societária, enviada através da ECD com o arquivo "FCONT", formando a contabilidade fiscal). A resposta da fiscalizada, fazendo menção ao art. 385 do RIR/99, e as Instruções CVM n° 247/96 e n° 285/98, induz que a mesma quis se aproveitar de amortização do valor do ágio conforme previsto no inciso III do Art. 386 do RIR/1999 (não citado em sua resposta), e descumprindo totalmente a legislação para possível aproveitamento de despesa de amortização de ágio, não contabilizou tais valores e quis dar tratamento de exclusão a pretensas despesas de amortização de ágio, em frontal desrespeito a legislação fiscal (vide PN CST n° 96/1978 e § Io do art. 8o da IN RFB n° 949/2009). Transcrevo a seguir os arts. 385 e 386 do RIR/99: [...] Este Auditor Fiscal depreende, pela resposta da fiscalizada, que a fiscalizada pretendia aproveitar ágio pago por empresa veículo (Lanxess Participações) na aquisição da Petroflex, e posteriormente, com a incorporação da controladora (Lanxess Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.744 5 Participações) por parte da controlada (Petroflex, cuja razão social foi alterada para Lanxess Elastômeros do Brasil S/A) utilizarse das despesas de amortização de ágio. O aproveitamento de despesas de amortização de ágio oriundo de aquisição de participação societária tem sido matéria controversa na relação "fisco" x "contribuinte". A que se observar se o ágio na aquisição de participação societária foi efetivamente pago, se o negócio foi entre partes independentes, se houve utilização de empresa veículo, etc. No caso específico, as sociedades alemãs, LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH, sócias da empresa veículo LANXESS PARTICIPAÇÕES, adquiriram por meio desta a PETROFLEX IND. E COMÉRCIO. Posteriormente a PETROFLEX incorporou a LANXESS PARTICIPAÇÕES, tendo alterado sua razão social para LANXESS ELASTÔMEROS DO BRASIL S/A. Pretende aproveitar despesas de amortização de ágio pago pela empresa veículo (LANXESS PARTICIPAÇÕES) na compra da PETROFLEX. Ocorre que a na contabilidade\da LANXESS ELASTÔMEROS (nova razão social da PETROFLEX) As reais adquirentes (LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH) permanecem com o investimento (LANXESS ELASTOMEROS). Assim, o ágio pago deve ser reconhecido nas reais empresas investidoras. O fato é que não está contabilizado na investida e é totalmente descabida a pretensão de utilizarse do Lalur para se valer de amortização de ágio não contabilizado. O ágio sobre o investimento e as despesas de amortização não foram escriturados nem na contabilidade societária e nem na contabilidade fiscal. A única menção a ágio na contabilidade encontrase na conta de patrimônio líquido de código 2320000004 RESERVA ESPECIAL DE AGIO, com saldo em 01/01/2010 e 31/12/2010 de R$ 129.557.781,10. Tendo sido intimada a apresentar a comprovação do primeiro registro do valor apontado (itens 11 e 12 do presente Termo) a fiscalizada demonstra que tratou a amortização de ágio como benefício fiscal concedido pela legislação brasileira. Tal pretensão não procede, por falta de previsão legal. Em NOTAS EXPLICATIVAS anexadas a sua resposta demonstra que um dia antes da incorporação da LANXESS Participações Ltda, o ágio de R$ 399.896 mil fazia parte do ativo da incorporada. Não tendo sido transferido para a incorporadora, o possível aproveitamento de despesas de amortização de ágio. Possivelmente o valor pago a maior (ágio) pelas reais adquirentes (LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH) está escriturado, de alguma forma, em suas contabilidades. O fato é que a fiscalizada não poderia valerse de pretenso "benefício fiscal" de forma extracontábil, dado não haver qualquer previsão legal. Assim, está sendo glosada a exclusão de despesa de amortização de ágio não contabilizado, no valor de R$ 79.979.200,00 por falta de previsão legal. No item II.2 transcrevo legislação referente a exclusões (art. 247 e 250 do RIR/99), da impossibilidade de utilização do Lalur para suprir deficiências da escrituração (PN CST n° 96/1978) e regras do Regime Tributário de Transição (Lei n° 11.941/2009 e IN RFB/2009). [...] II.2.c EXCLUSÕES NAO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL ESTORNO DE CAPITALIZAÇÃO DE LEASING Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.745 6 Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 4 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014. no qual este Auditor Fiscal solicita informar, em relação a adição de R$ 1.603.530,15 e exclusão R$ 2.633.200,02 matriz legal de tal adição e exclusão (tendo a exclusão superado a adição em R$ 1.029.669,87), e apresentar documentação comprobatória da operação que deu causa a tal escrituração, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada, datada de 16/06/2014, foi: " valor de R$ 1.029.669,87, foi o efeito líquido da conta 1320200997 referente leasing que foi capitalizado " Em seguida demonstra lançamento entre contas patrimoniais, e que a síntese do lançamento teria sido o lançamento: Conta descrição valor D 1320200997 MAQS. EQUIPAMENTOS 1.029.669,07 C 1190300099 OUTRAS DESP MÊS SEGUI 1.029.669,07 Este Auditor Fiscal não acatou a justificativa da fiscalizada. Não vejo amparo legal em nenhum dos casos previstos de exclusão previstos no art. 250 do RIR/99, mais uma vez transcrito: [...] Não houve o valor de R$ 1.029.669,07 levado a crédito de conta de resultado o (o que poderia buscar enquadramento no inciso II do art. 250 do RIR/99) . Caso a fiscalizada quisesse fazer possíveis ajustes em sua contabilidade segundo os critérios vigentes até 31/12/2007 (uma vez que gastos com leasing, ativados segundo as novas normas contábeis, podiam pelas regras vigentes até 31/12/2007 serem contabilizados como despesa). Se esta era a pretensão da fiscalizada, deveria têlo feito através de ajustes no RTT através do FCONT. Citando mais uma vez o PN CST n° 96/1998 e § 1° do art. 8° da IN RFB n° 949/2009, não se pode utilizar o Lalur ou qualquer outro mecanismo de controle para fazer tais ajustes. [...] III ALTERAÇÕES DO PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Em face da auditoria realizada este Auditor Fiscal alterará os valores de controle interno da Receita Federal do Brasil de acompanhamento de prejuízos fiscais e base de cálculo da Contribuição Social conforme PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DO IRPJ e PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL, parte integrante do Auto de Infração entregue em mídia digital assinado eletronicamente por este Auditor Fiscal. Foi dada ao contribuinte a compensação de 30% sobre o valor do novo lucro real e base de cálculo da CSLL após as infrações apuradas. Fica a fiscalizada INTIMADA a retificar os valores na parte B do Lalur dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL." Na impugnação apresentada, tempestivamente em 29/04/2015, a contribuinte assim se manifestou, para cada uma das infrações apuradas: "3.1. DA CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO DA IMPUGNANTE QUANTO À NÃO ADIÇÃO DE VALORES A TÍTULO DE DIVIDENDOS PROPOSTOS Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.746 7 ALEGADAMENTE CONTABILIZADOS COMO DESPESA INFRAÇÃO II.1 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Ocorre que, ao contrário do que concluiu o I. Auditor Fiscal, a Impugnante não impactou o resultado base do IRPJ e da CSLL com o montante a título de despesa de dividendos propostos, conforme resta cabalmente demonstrado pela verificação de cópia da Demonstração do Resultado do Exercício ("DRE") extraída do sistema da Impugnante (doc. 08), protestando pela sua posterior juntada em via assinada por seu contador responsável, bem como das suas Demonstrações Financeiras auditadas pela renomada firma internacional de auditoria PricewaterhouseCoopers (doe. 05). Primeiramente, através da simples leitura das contas contábeis (linhas) que compõem o resultado no anocalendário de 2010, denotase que o valor de R$ 5.339.000,00 não foi inserido como despesa, para fins de redução do resultado final do exercício de R$ 52.963,555,48, informado como lucro líquido do exercício nesta DRE e replicado na Ficha 06A (Demonstração do Resultado PJ em Geral) da DIPJ 2011, o que ratifica que este montante não representou impacto nas apurações do IRPJ e da CSLL. Adicionalmente, através da leitura das Demonstrações Financeiras auditadas da Sociedade, resta claramente demonstrado na parte relacionada a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ("DMPL") que o valor de Dividendos Mínimos Obrigatórios em questão (R$ 5.339.000,00) impactou a débito o patrimônio líquido da Impugnante, logo, por conseguinte, não poderia ter impactado as contas de resultado. Tal fato poderá ser igualmente comprovado através da prova pericial ora requisitada, na qual se ratificará a total aderência do procedimento adotado pela Impugnante a legislação de regência, bem como através de eventual prova documental suplementar (ora requisitada), corroborando as robustas provas ora acostadas na presente peça impugnatória. Por todo o exposto, tendo em vista que foi devidamente comprovada a correção do tratamento fiscal adotado, e, ainda, que não houve qualquer impacto destes dividendos em resultado, posto que debitados à conta de patrimônio liquido, requer a Impugnante sejam canceladas as autuações nesse ponto, com os consectários lógicos do cancelamento dos acréscimos legais e ajuste na redução de estoques de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa da CSLL. 3.2. DO PLENO DIREITO DA. IMPUGNANTE ÀS EXCLUSÕES APONTADAS PELA AUTORIDADE FISCAL NA SEÇÃO II DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL 3.2.1. MERO EQUÍVOCO NA INSTRUMENTALIZAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO PODE SER INTERPRETADO COMO FATO GERADOR DE TRIBUTO COM SUPORTE EM PRESUNÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL À LUZ DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL [...] Nesse ponto, com exceção da alegada infração referente à falta de adição de valores a título de dividendos propostos contabilizados como despesa, já devidamente combatida e rechaçada em Seção anterior, não há dúvidas de que a Autoridade Fiscal se vale do alegado descumprimento de obrigação acessória (FCONT) como Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.747 8 principal fundamento para os lançamentos tributários referentes às exclusões consideradas indevidas. Vejase os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal no qual se sustenta a cobrança fiscal, nos seguintes termos: [...] Denotase que o mero equívoco no procedimento de instrumentalização de obrigação acessória não pode servir de base para a pretensão da Autoridade Fiscal de lançamento tributário despido de seu elemento material indispensável, o fato gerador, sem o qual a lei não se permite a imposição de tributo, no caso o IRPJ e a CSLL (com seus acréscimos) com a malsinada redução dos estoques de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Portanto, tendo em vista que não poderá subsistir cobrança fiscal pelo suposto equívoco apontado pelo limo, Fiscal no atendimento à obrigação acessória ante os Princípios da Legalidade e da Verdade Material que regem o Processo Administrativo Tributário, passa a Impugnante a comprovar a total correção do procedimento adotado, expondo as razões pelas quais devem ser canceladas as autuações ora guerreadas ante a comprovação do seu bom direito. 3.2.2. DO DIREITO DA IMPUGNANTE À EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE BENEFÍCIO DE AMORTIZAÇÃO ACELERADA DE INTANGÍVEL INFRAÇÃO II.2.A DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Ao contrário do afirmado pela Fiscalização, a exclusão promovida pela Impugnante está em consonância com a legislação aplicável, sendo de Direito o seu reconhecimento, tendo em vista se tratar de montante devidamente registrado no Lalur do período, a teor do robusto lastro probatório carreado aos autos, somado às provas que serão produzidas no curso desse processo. Pelo acima exposto, requer a Impugnante sejam canceladas as autuações nesse ponto, reconhecendose o seu pleno direito às exclusões promovidas em atendimento aos parâmetros contábeis e fiscais aplicáveis. 3.2.3. DOS LIMITES DA FUNDAMENTAÇÃO ADOTADA PELA AUTORIDADE FISCAL PARA A EQUIVOCADA GLOSA DA EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA INFRAÇÃO II.2.B DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Inicialmente, verificase que as autuações fiscais se basearam unicamente na suposta ausência da correta contabilização do benefício fiscal de amortização do ágio, conforme relato transcrito abaixo: [...] Diante das razões expostas no Termo de Verificação Fiscal somadas à fundamentação utilizada nas autuações fiscais ora vergastadas, verificase que os lançamentos tributários não se pautaram em qualquer conclusão quanto à simulação fou qualquer outro vício do negócio jurídico) referente à operação societária, realizada no caso em análise entre partes independentes, sendo certo que não foram apontados como fundamentação lega) os artigos 116, parágrafo único, ou 149, inciso VII, do CTN. Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.748 9 No presente caso, o critério jurídico utilizado foi a suposta intransponível exigência legal da perfeita instrumentalização das obrigações acessórias a cargo da Impugnante dentre elas a evidenciacão em FCONT e a alegada ausência de contabilização não tendo havido qualquer embasamento em simulacão/fraude das operações realizadas, até porque tal argumentação seria patentemente insubsistente, conforme será pormenorizado nas Seções seguintes. [...] Por todo o acima exposto, considerandose que o Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração descreveram os fatos atendose à alegada constatação de equívoco na contabilização do ágio, não tendo sido apontados como disposições legais infringidas os artigos de lei que tratam da possibilidade de desconsideração de negócio jurídico em razão de simulação (fraude), depreendese que seria claramente ilegal e inconstitucional eventual pretensão da Autoridade Fiscal em ampliar ou alterar os motivos jurídicos que utiliza para fundamentar a cobrança fiscal em análise. 3.2.4. DA EQUIVOCADA AFIRMAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL DE AUSÊNCIA DE CONTABILIZAÇÃO DO ÁGIO Conforme já abordado nessa peça de defesa, o Termo de Verificação Fiscal que instrui os Autos de Infração em análise contém afirmação da Autoridade Fiscal no sentido de que a Impugnante não teria demonstrado a contabilização do ágio gerado a partir da aquisição de participação societária da sociedade Petroflex Indústria e Comércio S.A. ("Petroflex"), nos seguintes termos: [...] No entanto, é inverídica a afirmação de que não haveria qualquer registro contábil do ágio, sendo certo que as demonstrações financeiras da Impugnante demonstram um critério de contabilização que, de acordo com a Fiscalização, estaria em desacordo com as normas de reporte contábil, Todavia, não há como pretender argumentar que o ágio simplesmente não encontra registro contábil na Impugnante, até porque a própria Autoridade Fiscal afirma que este está registrado apenas no valor do benefício fiscal previsto em lei. Diante do exposto, tendo em vista que a motivação das autuações fiscais em tela se restringe à suposta ausência de contabilização e que os documentos que instruem esta peça de defesa demonstram, de forma cabal, a correção dos procedimentos apontados que são suficientes para reportar o ágio gerado em operação societária de aquisição de participação societária anterior à incorporação da sociedade investidora, requer a Impugnante, também nesse ponto, o cancelamento das cobranças fiscais. 3.2.5. DOS REQUISITOS DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Devidamente traçadas na Seção anterior as razões pelas quais merecem cancelamento as Autuações ora combatidas em razão por estarem pautadas em premissa equivocada ausência de contabilização do ágio a Impugnante passa a demonstrar o seu pleno direito ao benefício fiscal indevidamente glosado pela Autoridade Fiscal. [...] A despeito de a jurisprudência do CARF apontar, com acerto, para apenas dois requisitos fundamentais para o aproveitamento do ágio (goodwill) a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição verificamse no presente caso as seguintes características: Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.749 10 A aquisição de participação societária da sociedade investida (ora Impugnante) ocorreu por valor superior ao seu valor patrimonial (doe. 05); O ágio foi fundamentado por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), conforme laudo ora acostado (doc. 09); Houve efetiva absorção do patrimônio a sociedade Lanxess Participações Ltda. pela Impugnante, por meio de incorporação (doc. 10); A amortização do ágio (goodwill) não excedeu o limite mensal de 1/60, atendendo a legislação de regência do tema; A aquisição de participação societária ocorreu entre sociedades de diferentes Grupos Econômicos; e Houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da sociedade incorporada (Lanxess Participações Ltda.), conforme atestam os anexos comprovantes. Desta forma, dúvida não há que a Impugnante atendeu e continua atendendo a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ e CSLL, de forma que não pode prevalecer a pretensão da fiscalização em caracterizar a operação em análise de forma como se não tivessem sido observados os requisitos. [...] 3.3. A OPERAÇÃO QUE ORIGINOU O ÁGIO POR EXPECTATIVA DERENTABILIDADE FUTURA (GOODWILL) A Impugnante, de fato, atendeu a TODOS sem exceção os requisitos para adquirir o direito de amortizar o ágio. Vejamos com mais vagar. I QUE SE TRATE DE AQUISIÇÃO POR PESSOA JURÍDICA DE PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE COLIGADA OU CONTROLADA. CONFORME O CAPUT DO ARTIGO 20 DO DECRETOLEI N° 1.598/1977 [...] II QUE A PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA TENHA SIDO ADQUIRIDA COM O ÁGIO. HAVENDO O DESDOBRAMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO ENTRE INVESTIMENTO E ÁGIO, CONFORME ESTABELECIDO NO CAPUT E INCISOS I E II DO MESMO ARTIGO [...] III QUE O ÁGIO TENHA SIDO JUSTIFICADO ECONOMICAMENTE. COM BASE NO VALOR DE RENTABILIDADE DA COLIGADA OU CONTROLADA. COM BASE EM PREVISÃO DOS RESULTADOS NOS EXERCÍCIOS FUTUROS. CONFORME PERMITIDO PELO ITEM "B" DO PARÁGRAFO 2° DO REFERIDO ARTIGO 20 [...] IV QUE A JUSTIFICATIVA ECONÔMICA SEJA BASEADA EM DEMONSTRAÇÃO QUE O CONTRIBUINTE ARQUIVA COMO COMPROVANTE DA ESCRITURAÇÃO [...] Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.750 11 V QUE. CONFORME O ARTIGO 7° DA LEI N° 9.532/1997. HAJA A INCORPORAÇÃO. FUSÃO OU CISÃO ENTRE DUAS PESSOAS JURÍDICAS. NA QUAL DETENHA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ADQUIRIDA COM ÁGIO APURADO SEGUNDO O DISPOSTO NO ART. 20 RETRO MENCIONADO [...] VI AINDA DE ACORDO COM O MESMO ARTIGO 7º QUE A AMORTIZAÇÃO DO AGIO NÃO ULTRAPASSE 1/60 POR MÊS [...] 3.3.1.PROTEÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Destaquese que não há na legislação em vigor quaisquer outros requisitos que não os aqui expostos. [...] Ora, se a lei não coloca outros requisitos para o aproveitamento do ágio, não poderia a Administração fazêlo, sob pena de afronta ao princípio da legalidade consagrado na CRFB/88, em seu artigo 150, inciso I, senão vejamos: [...] Desta feita, qualquer outro requisito para a amortização do ágio que seja suscitados pela administração deve ser veementemente repelido. Sendo assim, não restam dúvidas de que a Impugnante atendeu e continua atendendo a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ" e CSLL. Desta feita, a conclusão lógica a que se chega é que o direito à amortização do ágio por parte da Impugnante é mais do que legítimo, não cabendo qualquer sorte de questionamento quanto à matéria. 3.3.2. DO DIREITO DA IMPUGNANTE À EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO DE LEASING INFRAÇÃO II.2.C DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Com o advento da Lei n° 11.638/07, que alterou o artigo 179, inciso IV, da Lei n" 6.404/76, a legislação passou a determinar que para a adequada classificação contábil a essência deve se sobrepor à forma, razão pela qual, mesmo não possuindo a propriedade dos bens, os mesmos deverão ser classificados nos ativo quando a companhia detiver os benefícios, os riscos e o controle, alterando substancialmente a forma de contabilização do arrendamento mercantil financeiro, que passou a ser classificado no ativo imobilizado e no passivo da arrendatária no momento da contratação da operação. Exatamente nessa linha, a Impugnante efetuou a capitalização (registro no seu Ativo Imobilizado) do bem arrendado, tendo como contrapartida lançamento no Passivo Exigível. [...] Assim, a Impugnante, para fins de reporte contábil (contabilidade societária) efetuou os lançamentos referentes ao leasing financeiro a débito no seu Ativo Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.751 12 Imobilizado e a crédito no Passivo Exigível, mas para fins do correto tratamento fiscal (contabilidade fiscal), efetuou a exclusão da despesa do leasinq (capitalizado apenas para fins contábeis), mais especificamente, do montante referente ao Valor Residual Garantido "VRG", no valor de RS 1.029.669.87. [...] Diante do acima exposto, concluise que os procedimentos contábil e fiscal adotados pela Impugnante estão de acordo com a substância do negócio jurídico praticado, bem como em consonância com o tratamento fiscal decorrente da neutralidade dos efeitos fiscais das novas normas contábeis advindas da Lei n° 11.638/07 pelo RTT instituído pela Lei n° 11.941/09, não cabendo à Autoridade Fiscal se pautar em mero descumprimento de obrigação acessória para efetuar a glosa de despesa a título de VGR, no valor de R$ 1.029.669,87, devidamente excluída da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade. 3.3.3. DA MANUTENÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL [...] Como restou devidamente comprovado, sendo o tratamento fiscal realizado em estrita consonância com a legislação fiscal, não há que se falar no recalculo do prejuízo fiscal e da base negativa no caso em exame. 4. DOS QUESITOS PARA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL CONTÁBIL No que se refere à Infração II.1 do Termo de Verificação Fiscal, em atenção ao disposto no artigo 16, inciso IV e §1°, do Decreto n° 70.235/72, passa a Impugnante a expor o rol de quesitos a serem respondidos pelo douto Perito Contábil, guiada pela relevante e robusta prova documental aduzida nestes autos bem como por demais documentos e informações que o perito entender necessários para a sua avaliação, senão vejamos: (i) Queira o Sr. Perito esclarecer se o montante registrado na contabilidade da Impugnante, no valor de R$ 5.339.000,00, impactou o resultado do anocalendário de 2010 por não ter sido inserido como despesa, para fins de redução do resultado final do exercício de R$ 52.963.555,48; e (ii) Queira o Sr. Perito esclarecer se o valor de R$ 5.339.000,00 a título de dividendos impactou a débito o Patrimônio Líquido da Impugnante, conforme aponta a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ("DMPL"). Informe o Sr. Perito se, diante desse cenário, o referido valor poderia impactar o resultado no anocalendário de 2010. Adicionalmente, protesta a Impugnante, desde já, pela produção de prova pericial contábil também em relação às demais alegadas infrações apontadas nos Autos de Infração ora atacados, caso se faça necessário para corroborar a insubsistência da cobrança fiscal." No julgamento realizado em 20 de abril de 2016, a 3ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação, por meio do acórdão nº 14060.204, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.752 13 GLOSA DE VALORES CONTABILIZADOS INDEVIDAMENTE A TITULO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Correta a glosa despesas de dividendos a pagar que implicaram em redução indevida do lucro real. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE AGIO COM USO DE EMPRESA VEÍCULO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios do adquirente e da empresa adquirida, sendo artificial o uso de empresa veículo para esse fim, mormente por investidor domiciliado no exterior. GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA NO LALUR. VALORES PASSIVEIS DE AJUSTE MEDIANTE O FCONT. A empresa sujeita ao RTT deve utilizar o FCONT para realizar os ajustes a serem levados ao Lalur, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. GLOSA DE DESPESAS. EXCESSO DE AMORTIZAÇÃO. Correta a glosa de despesas de depreciação de bem integralmente amortizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Devidamente cientificado em 23/05/2016 (fls. 1.176), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 16/06/2016 (fls. 1.177) , o recurso voluntário de fls. 1.288 a 1.360, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: Preliminarmente, requer a declaração de nulidade do acórdão recorrido, ante a violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório, em decorrência da pretendida modificação na fundamentação que dá lastro aos lançamentos tributários combatidos nestes autos, bem como pela negativa de produção de prova pericial contábil, a teor do que dispõem os artigos 146, do CTN c/c artigo 2o, inciso VIII, da Lei n° 9.784/99 c/c artigos 9o, 10 e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, determinandose o retorno dos autos à primeira instância para novo julgamento; Solicita o reconhecimento da decadência/preclusão do direito de a Fiscalização questionar um ágio originado e passível de amortização desde o anocalendário de 2008. Tanto se considerada a data de registro inicial da conta (01/04/2008) quanto a incorporação do investimento adquirido com ágio, ensejando assim sua amortização para fins fiscais (31/12/2008), temse a impossibilidade de questionamento dessas despesas após 31/12/2013; Ainda em sede de preliminar, no que diz respeito à amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, entende que o lançamento deve ser repelido pelo simples fato de que tais valores já foram devidamente amortizados e deduzidos para fins fiscais nos anoscalendários de 2008 e 2009, sem qualquer tipo de questionamento por parte da Fiscalização, de forma que o pontual questionamento apenas no ano de 2010 se mostra contraditório; No mérito requer o provimento integral ao recurso voluntário, com o cancelamento da infração relativa à falta de adição de dividendos no valor de R$ 5.339.000.00, Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.753 14 por ser inquestionável a correção do procedimento adotado, conforme sobejamente demonstrado em sua peça impugnatória e reiterado neste recurso; Relativamente à infração de exclusão do benefício de amortização acelerada incentivada de licenciamento de software, no valor de R$ 5.661.061,07, afirma que o mero equívoco na instrumentalização de obrigações acessórias não pode ser interpretado como fato gerador de tributo, com suporte em presunção pela autoridade fiscal à luz dos princípios da legalidade e da verdade material; Quanto à exclusão de montante a título de amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura, no valor de RS 79.979.200,00, alega que o Termo de Verificação Fiscal e os autos de infração descreveram os fatos atendose à alegada constatação de equívoco na contabilização do ágio e ausência de incorporação da empresa adquirida com os supostos wreais adquirentes". Apesar disso, atendeu a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ e CSLL. Afirma que se trata de investimento adquirido junto a partes independentes e nãorelacionadas, em que houve a correspondente tributação dos ganhos de capital auferidos pelos vendedores e devido cumprimento dos demais requisitos formais exigidos pela legislação então aplicável. Acrescenta que existiam diversos propósitos negociais para que referida compra se desse por meio de uma sociedade holding brasileira, dentre elas a necessidade de realização de uma Oferta Pública de Aquisição OPA aos acionistas minoritários da empresa adquirida, nos termos do artigo 254A da Lei das Sociedades por Ações ("LSA") e da Instrução Normativa CVM n° 361, de 05.03.2002 ("ICVM 361/02"); Com relação à infração de exclusão de montante a título de capitalização de contrato de arrendamento mercantil (leasing) no valor de R$ 1.029.669.07, o próprio acórdão recorrido reconheceu que "foi justificado e comprovado que o valor de R$ 1.209.669,87 referese a despesa de contrato de Leasing", concluindo que "realmente tratase de um erro quanto a forma de contabilização", motivo pelo qual, não pode a fiscalização se pautar em mero descumprimento de obrigação acessória para glosar a despesa, sob pena de flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade. É o relatório." VOTO Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. DAS PRELIMINARES A recorrente alega que apesar do Termo de Verificação Fiscal fundamentar a glosa das despesas de amortização de ágio na incorreta contabilização do ágio pela contribuinte e, de forma pouco aparente, ter mencionado que a aquisição teria se dado por sociedade holding, e não pelas reais adquirentes, o acórdão recorrido passou a questionar a substância econômica e a suposta ausência de propósitos negociais na estrutura de aquisição e posterior reorganização societária empreendida pelo grupo Lanxess no Brasil. Acrescenta que da leitura do acórdão recorrido, percebese que a fundamentação utilizada também passou por alegações relativas a supostos vícios de vontade na estruturação do negócio, todavia, os lançamentos tributários não fazem qualquer alegação quanto à suposta ausência de substância econômica, falta de propósito negocial ou mesmo simulação referente à operação societária. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.754 15 A glosa das despesas de amortização de ágio foi fundamentada na incorreta contabilização do ágio, visto que os valores referentes às amortizações não constavam da contabilidade societária e nem da contabilidade fiscal e, também, no descumprimento da legislação que trata das despesas de amortização de ágio, especificamente, os arts. 385 e 3865 do Decreto n º 3.000/99 (RIR). Vejam os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal: "A resposta da fiscalizada, fazendo menção ao art. 385 do RIR/99, e as Instruções CVM n° 247/96 e n° 285/98, induz que a mesma quis se aproveitar de amortização do valor do ágio conforme previsto no inciso III do Art. 386 do RIR/1999 (não citado em sua resposta), e descumprindo totalmente a legislação para possível aproveitamento de despesa de amortização de ágio, não contabilizou tais valores e quis dar tratamento de exclusão a pretensas despesas de amortização de ágio, em frontal desrespeito a legislação fiscal (vide PN CST n° 96/1978 e § Io do art. 8o da IN RFB n° 949/2009). Transcrevo a seguir os arts. 385 e 386 do RIR/99: [...]Este Auditor Fiscal depreende, pela resposta da fiscalizada, que a fiscalizada pretendia aproveitar ágio pago por empresa veículo (Lanxess Participações) na aquisição da Petroflex, e posteriormente, com a incorporação da controladora (Lanxess Participações) por parte da controlada (Petroflex, cuja razão social foi alterada para Lanxess Elastômeros do Brasil S/A) utilizarse das despesas de amortização de ágio. O aproveitamento de despesas de amortização de ágio oriundo de aquisição de participação societária tem sido matéria controversa na relação "fisco" x "contribuinte". A que se observar se o ágio na aquisição de participação societária foi efetivamente pago, se o negócio foi entre partes independentes, se houve utilização de empresa veículo, etc. No caso específico, as sociedades alemãs, LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH, sócias da empresa veículo LANXESS PARTICIPAÇÕES, adquiriram por meio desta a PETROFLEX IND. E COMÉRCIO. Posteriormente a PETROFLEX incorporou a LANXESS PARTICIPAÇÕES, tendo alterado sua razão social para LANXESS ELASTÔMEROS DO BRASIL S/A. Pretende aproveitar despesas de amortização de ágio pago pela empresa veículo (LANXESS PARTICIPAÇÕES) na compra da PETROFLEX. Ocorre que a na contabilidade da LANXESS ELASTÔMEROS (nova razão social da PETROFLEX) não há registro de tal ágio e nem tampouco o lançamento de despesa de amortização do ágio. Pretende, contrariando legislação fiscal, utilizarse de exclusões para efeito de apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. As reais adquirentes (LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH) permanecem com o investimento (LANXESS ELASTOMEROS). Assim, o ágio pago deve ser reconhecido nas reais empresas investidoras. O fato é que não está contabilizado na investida e é totalmente descabida a pretensão de utilizarse do Lalur para se valer de amortização de ágio não contabilizado."(grifei) Verificase, portanto, que diversamente do alegado pela recorrente, há menção expressa, e não aparente, de que as glosas das despesas com amortização de ágio tem como fundamento a utilização da Lanxess Participações como empresa veículo e o fato de que as reais adquirentes, Lanxess International Holding GMBH e Lanxess Deutschland GMBH permaneceram com o investimento na empresa adquirida Lanxess Elastômeros (antiga Petroflex). Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.755 16 Com relação às afirmações de que a Turma Julgadora a quo teria inovado na fundamentação dos lançamentos ao questionar no acórdão recorrido a ausência de substância econômica e propósitos negociais na estrutura de aquisição e posterior reorganização societária empreendida pelo grupo Lanxess no Brasil, também não assiste razão à recorrente. Conforme trecho do Termo de Verificação acima transcrito, apesar de expressamente não mencionar a ausência de propósito negocial, a fiscalização afirma que a aquisição da Petroflex pela sociedades alemãs Lanxess International Holding GMBH e Lanxess Deutschland GMBH, foi feita por meio de empresa veículo, ou seja, empresa criada com o propósito de permitir a transferência do ágio, fato que por si só caracterizaria a inexistência de propósito negocial na reestruturação implementada pelo grupo Lanxess. Ademais, as referências acerca da inexistência de propósito negocial efetuadas pelo acórdão recorrido foram feitas para contrapor os argumentos trazidos aos autos pela própria contribuinte, que em sede de impugnação e com o objetivo de comprovar que cumpriu a todos os requisitos para adquirir o direito a amortizar o ágio, assim se manifestou: "Por fim, cumpre repisar que a atividade econômica da Lanxess Participações Ltda. possui evidente propósito estratégiconegocial, se harmonizando perfeitamente com o objeto social descrito no seu próprio contrato social (doc. 11). qual seja, o de atuar como holding, pela participação no capital social de outras sociedades como sócia, quotista ou acionista, o que afasta qualquer dúvida quanto ao patente propósito negocial interno desta empresa." Vale ressaltar ainda, que o fundamento da decisão a quo para manutenção da infração relativa às exclusões indevidas a título de despesas de amortização de ágio foi o mesmo apontado pela fiscalização, ou seja, o fato de que as reais adquirentes seriam as empresas alemãs e que a aquisição foi feita por meio de empresa veículo, em desacordo com o disposto no art. 386 do RIR/99, que exige a confusão patrimonial entre investidora e investida. É o que consta da ementa do acórdão, na parte relativa às exclusões indevidas a título de amortização de ágio, o qual contém a síntese das razões de decidir: "DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE AGIO COM USO DE EMPRESA VEÍCULO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é necessário haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios do adquirente e da empresa adquirida, sendo artificial o uso de empresa veículo para esse fim, mormente por investidor domiciliado no exterior." Ainda que a decisão a quo tivesse se utilizado de outras razões não trazidas aos autos pelas partes para demonstrar sua convicção, a alegada inovação na fundamentação somente ocorre nos casos em que o acórdão recorrido concorda com os argumentos da impugnante e utilizase de outros argumentos para manutenção dos autos de infração. Assim, considerando que a decisão recorrida rejeitou os argumentos da contribuinte e manteve os lançamentos em conformidade com as conclusões da fiscalização, não há que se falar em inovação na fundamentação legal e menos ainda no cerceamento do direito de defesa, sendo improcedente a nulidade apontada pela recorrente na peça recursal. No recurso voluntário, a recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito da fiscalização em questionar a dedutibilidade do ágio passível de amortização. Afirma que de acordo com o CTN, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial do IRPJ e da CSLL é a data do evento capaz de promover a alteração na situação patrimonial do contribuinte Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.756 17 e, no caso, essa data poderia corresponder tanto à data em que ocorreu a abertura da conta de ágio quanto à data em que foram cumpridas as condições necessárias à amortização do ágio, ou seja, a incorporação da Lanxess Participações Ltda pela recorrente. Como ambas as datas teriam ocorrido em 2008, resta clara a ocorrência de "preclusão temporal" ou decadência, nos termos do art.150, § 4º do CTN. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso do IRPJ e da CSLL, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Assim dispõe o art. 150, § º 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o simples registro do ágio na contabilidade não é fato gerador de obrigação tributária e, menos ainda, termo inicial do prazo decadencial. O que é homologado pelo Fisco não é o registro do ágio, mas sim a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, as quais somente serão afetadas após o início da amortização do ágio. Tendo em vista que a presente autuação referese a fatos geradores ocorridos em 31/12/2010, bem assim, que a recorrente foi devidamente cientificada dos autos de infração em 31/03/2015, ou seja, antes do decurso do prazo decadencial de cinco anos, afasto a preliminar de decadência. Nesse sentido a jurisprudência recente do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. AFASTADA A decadência, como perda do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário, tem sempre como baliza, seja diretamente (art. 150, § 4º, do CTN) ou indiretamente (art. 173, I, do CTN), o fato gerador do tributo. Pelo art. 150, § 4º, do CTN, o dies a quo do prazo decadencial é a própria data do fato gerador do tributo, já, na regra do art. 173, I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar, o que exige também que primeiro se identifique a data do fato gerador do tributo, para depois concluir quando o Fisco poderia ter efetuado o lançamento. A despesa com amortização do ágio é apenas um elemento que entra no cálculo da base tributável, sendo que todos os elementos que compõem tal base tributável são auditáveis pelo Fisco, logicamente, dentro do prazo decadencial fixado no CTN. (Acórdão nº 1302001.980, Sessão de 14/09/2016.) Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.757 18 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA O prazo decadencial só é aplicável para o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas não para verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem nos anos seguintes. (Acórdão nº 1301002.155, Sessão de 05/10/2016.) Ainda em sede de preliminares, a recorrente alega que teria ocorrido a homologação tácita do ágio em virtude da fiscalização não ter questionado os valores amortizados nos anoscalendário de 2008 e 2009. Acrescenta que o questionamento somente para os valores deduzidos no anocalendário de 2010 é contraditório e fere os princípios da segurança jurídica e confiança legítima que embasam e orientam a atuação da administração pública. Tendo em vista que as alegações acerca do procedimento contraditório da fiscalização somente foram trazidas aos autos em grau recursal, em obediências aos princípios do duplo grau de jurisdição e devido processo legal, não conheço da matéria. Por fim, alega a recorrente que a negativa do acórdão recorrido em indeferir o pedido de produção de prova pericial solicitado na impugnação importa em violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Afirma que expôs em sua peça impugnatória os quesitos e a relevância da prova pericial para que fosse afastado qualquer questionamento relativo à falta de adição de dividendos supostamente contabilizados de forma equivocada como despesa. Todavia, o acórdão recorrido, esquivandose do seu poderdever de buscar a verdade material, indeferiu o pedido sob a justificativa de que não haveria a menor necessidade de perícia para decisão da matéria, uma vez que os dividendos pagos são despesas indedutíveis na apuração do lucro real. A despeito das alegações sobre a necessidade de perícia, reputo correto o entendimento do acórdão recorrido que negou o pedido da recorrente. Veja o que dispõe os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, as perícias podem ser solicitadas tanto pelo impugnante como pelo julgador e serão deferidas nos casos em que o autoridade julgador entendêlas necessárias à solução da lide. Via de regra, as diligências se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, o julgador a quo entendeu que a perícia seria totalmente desnecessária. Fundamentou sua Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.758 19 negativa no fato de que os dividendos pagos, obrigatórios ou não, constituem despesas indedutíveis na apuração do lucro real, motivo pelo qual não poderiam transitar em contas de resultado sem a devida adição ao LALUR. O art. 29 do Decreto nº 70.235/72, ao tratar do julgamento em primeira instância administrativa, estabelece que a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Dessa forma, face ao princípio do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova, o indeferimento do pedido de perícia não é causa de nulidade do julgamento. Com relação à suposta omissão do acórdão recorrido quanto ao pedido de prova pericial para as demais infrações, diante da natureza fundamentalmente contábil da argumentação adotada pela fiscalização, não assiste razão à recorrente. De acordo com o disposto no § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Tendo em vista que na impugnação apresentada não foram formulados quesitos para as demais infrações, o pedido da contribuinte foi considerado não formulado, motivo pelo qual o acórdão recorrido não se manifestou sobre referido pedido. Diante do exposto, rejeito a arguição de decadência e as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância suscitadas pela recorrente. DO MÉRITO DAS DESPESAS COM DIVIDENDOS PROPOSTOS A fiscalização identificou na Escrituração Contábil Digital ECD da contribuinte o registro contábil dos dividendos propostos ou a pagar, no valor de R$ 5.339.000,00. O lançamento foi efetuado a débito da conta de resultado 5002010002 Despesas Transferidas e a crédito da conta de passivo 21600100001 Dividendos Propostos ou a Pagar. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.759 20 Considerando que os dividendos devem ser contabilizados a débito de patrimônio líquido, durante a ação fiscal a contribuinte foi intimada a justificar o motivo pelo qual o lançamento foi efetuado a débito da conta 5002010002 Despesas Transferidas. Na resposta apresentada a recorrente informou referida conta seria transitória de transferência do resultado do exercício para o patrimônio líquido, e que o lançamento realizado não afetou ou reduziu a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para justificar suas alegações, compara o lançamento efetuado em sua contabilidade com o lançamento realizado de acordo com as melhores práticas contábeis e conclui que nos dois casos o resultado do exercício não seria alterado. A fiscalização considerou improcedente a afirmativa da contribuinte de que o lançamento não teria afetado o resultado, visto ser a conta de código 5002010002 Despesas Transferidas uma conta analítica do grupo de contas sintéticas OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, e que de acordo com o Demonstrativo do Resultado do Exercício de 2010, esta conta sintética possui saldo devedor antes do encerramento no valor de R$ 81.815.272,73. Aduziu que se o lançamento dos dividendos, no valor de R$ 5.339.000,00, não tivesse sido efetuado, o saldo final da conta transitória 5002010002 Despesas Transferidas, no valor credor de R$ 306.649.413,52, teria seu saldo majorado em R$ 5.339.000,00 e, consequentemente, o saldo devedor da conta sintética OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS seria diminuído e resultado do exercício antes do IRPJ e CSLL aumentado nesse mesmo valor. Com relação ao exemplo apresentado, afirmou que o mesmo apenas demonstra que o patrimônio líquido não seria alterado se os dividendos fossem debitados do patrimônio líquido e creditados na conta de passivo 21600100001 Dividendos Propostos ou a Pagar. Com fundamento nos arts. 247, 249, inciso I e 274 do RIR/99 e art. 201 da Lei nº 6.404/76, a fiscalização constatou que os dividendos pagos foram indevidamente contabilizados como despesa e os adicionou para efeitos de apuração do lucro real. No julgamento em primeira instância a 3ª Turma da DRJ/RPO entendeu correta a adição ao lucro real das despesas de dividendos a pagar que implicaram em redução indevida do lucro líquido do período e manteve o lançamento efetuado pela fiscalização. No recurso voluntário apresentado a recorrente repete os argumentos efetuados na impugnação e alega que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o resultado do período não foi impactado com o montante a título de despesa de dividendos propostos. Pretende comprovar suas alegações com o Laudo de Constatação de Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação, elaborado pela PricewaterhouseCoopers, datado de 15/06/2016, e anexado ao recurso apresentado em 16/06/2016. Alega que a conclusão do laudo apenas reflete as informações prestadas pela recorrente em sua escrituração contábil digital, Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE (doc. 8 da impugnação) e suas Demonstrações Financeiras auditadas (doc. 5 da impugnação). No recurso a recorrente transcreve trecho do laudo onde consta que, de acordo com a DMPL Demonstração de Mutação do Patrimônio Líquido, a constituição da obrigação de R$ 5.339 mil foi deduzida do montante do lucro líquido do exercício totalmente tributado conforme a DIPJ. Afirma o laudo que se o valor dos dividendos estivesse registrado em conta contábil incluída no Lucro Líquido do exercício, o valor líquido a ser incluído na DMPL seria R$ 47.623 mil e dessa forma não comportaria nova redução do patrimônio líquido, visto que a Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.760 21 obrigação de pagar dividendos já estaria constituída em contrapartida das despesas do exercício. Prossegue ainda a recorrente que, de acordo com o laudo elaborado pela PwC, as contas dos grupos "4 Contas transitórias por centros de custo" e "5 Contas transitórias" existem com finalidades gerenciais e organizacionais, não fazendo parte do lucro líquido da empresa. Afirma que no caso do grupo 5 eventualmente registram lançamentos, porém ao final do período, são realocados para suas devidas e correspondentes contas contábeis, tendo sido meramente um demonstrativo temporário do lançamento. Ao final o laudo conclui que o somatório dos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo, ou seja, não influenciam o resultado, de forma que a conta que recebeu, transitoriamente, o lançamento de dividendos, compõe um grupo de contas cujo saldo não produz efeitos no resultado do exercício. Afirma ainda a recorrente, que o próprio "Balancete antes do encerramento Grupo de Conta Sintética" anexo ao Termo de Verificação Fiscal, demonstra que a conta contábil 5002010002 Despesas Transferidas, pertencente ao grupo 5, não está compreendida na conta contábil 03010201070200000000 Outras Despesas Operacionais, esta última pertencente ao grupo 3. De acordo com a recorrente, tratamse de contas distintas constantes do mesmo balancete e não do "Razão Analítico" da conta contábil 03010201070200000000 Outras Despesas Operacionais, até porque são lançamentos pertencentes a grupos diferentes da contabilidade da recorrente, sendo certo que, as contas pertencentes aos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo/zero, não impactando no resultado do exercício. De início, vale ressaltar que o "Laudo de Constatação de Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação" a que a contribuinte se refere, somente foi trazido aos autos em grau de recurso, sem qualquer justificativa para sua apresentação extemporânea, que somente seria permitida nas hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Assim, teria precluído o direito da recorrente em trazer novos documentos aos autos e o mencionado laudo não teria valor probatório, entretanto, alega a recorrente que a conclusão do laudo apenas reflete as informações por ela prestadas em sua escrituração contábil digital, Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE (doc. 8 da impugnação) e suas Demonstrações Financeiras auditadas (doc. 5 da impugnação). Por este motivo, entendo que o laudo anexado às fls. 1.665 a 1.683 deve ser submetido à apreciação da autoridade Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 15563.720072/201563 Resolução nº 1301000.433 S1C3T1 Fl. 1.761 22 autuante, com o objetivo de verificar se suas conclusões relativas aos dividendos propostos, são ou não contrárias aos registros efetuados pela recorrente em sua escrituração contábil digital. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização: Analise o item "3.1 Dos Dividendos" do laudo (fls. 1.671 a 1.675), e verifique na escrituração contábil da contribuinte, se o somatório das contas dos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo, e, portanto, a conta transitória 5002010002 Despesas Transferidas, que recebeu o lançamento a débito dos dividendos propostos a pagar no valor de R$ 5.339.000,00, não produziu efeitos no resultado do exercício; Seja dada ciência à contribuinte do relatório fiscal da diligência, reabrindolhe o prazo de 30 dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1761DF CARF MF
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