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6258962 #
Numero do processo: 10875.005595/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 IRPJ. CSLL. LUCRO REAL. ERRO NO LANÇAMENTO. ASPECTO TEMPORAL. O lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, ao adotar equivocadamente regime de tributação trimestral, ao invés do anual conforme opção consumada pelo contribuinte, afronta o aspecto temporal previsto na legislação tributária. Trata-se de erro de direito que macula o ato administrativo de nulidade insanável.
Numero da decisão: 9101-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) por maioria de votos, conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado); (2) por maioria de votos, quanto ao mérito, negar provimento ao Recurso, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro André Mendes Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocada), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 504          2 (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator Designado    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira  Valadão,  Cristiane  Silva Costa,  Adriana Gomes  Rego,  Luís  Flávio  Neto,  André Mendes  de  Moura,  Lívia  De  Carli  Germano  (Suplente  Convocada),  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Ronaldo  Apelbaum  (Suplente  Convocada),  Maria  Teresa  Martínez  López  (Vice­Presidente)  e  Carlos  Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de  recurso  especial  da Procuradoria  da Fazenda Nacional  contra  o  Acórdão  1803­01.025,  exarado  pela 3ª Turma Especial  ­  1ª  Seção,  que  deu  provimento  ao  recurso voluntário, entendendo nulo o lançamento e cancelando­o por vício material.  O acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 1999  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  VÍCIO  MATERIAL.  PERIODICIDADE  DE  APURAÇÃO.  É  nulo  o  lançamento  por  vício  material  quando  indicar  fatos  geradores  da  obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do  tributo  devido  com  periodicidade  de  apuração  diversa  da  originariamente  declarada pelo sujeito passivo.    Para a Turma recorrida,  o vício material estaria estampado quando o Fisco,  sem nenhuma motivação ou esclarecimento, perpetrou os lançamentos de IRPJ e CSLL do ano­ calendário de 1998  fixando­os  sob a  regra geral,  ou  seja,  o  regime  “trimestral” de  apuração,  enquanto  a  contribuinte  indicou  opção  pela  sistemática  “anual”,  consoante  sua  DIPJ  do  exercício/1999 (v. fls. 22 – numeração digital).  No voto condutor, o posicionamento da Turma:  “4. Ressalto, de  início, que os autos de  infração  lavrados neste  processo, de fls. 182 a 189 (IRPJ) e 190 a 194 (CSLL), padecem  de vício material que os torna nulos.   5.  Conforme  se  verifica  de  fls.  19  do  processo,  a  opção  da  Recorrente,  com relação ao  IRPJ e à CSLL,  foi  pela apuração  anual do lucro real   (...)  Contudo,  os  referidos  autos  de  infração  indicaram  fatos  geradores  da  obrigação  correspondente,  determinaram  a  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 505          3 matéria  tributável  e  calcularam  o  montante  do  tributo  devido  considerando uma apuração trimestral do lucro real (fls. 186).”  Para concluir (os destaques são do original):  “Dessa forma, é nula, por vício material, a autuação objeto deste processo. (...) Em  face  do  exposto,  e  considerando  tudo  o  mais  que  dos  autos  consta,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO AO RECURSO”.  Inconformada,  a  Fazenda  Pública,  recorrente,  às  fls.  454/461  (numeração  digital),  apresentou Recurso  Especial  de  divergência  arguindo  dissenso  jurisprudencial  entre  Turmas do CARF quanto ao tema e, no mérito, que não restaram atendidos os requisitos dos  artigos 59 e 60, do PAF, que pudessem levar à decretação da nulidade e que, “pela leitura detida  da  do  lançamento,  bem  como  do  Relatório  Fiscal  e  dos  demais  termos  que  acompanham  o  procedimento  fiscal,  conclui­se,  indubitavelmente,  que  tudo  está  em  plena  conformidade  com  o  que  estabelece o Decreto nº. 70.235/72”.  Diz  ainda  a  PGFN no Recurso Especial manejado  que  “a  origem  do  crédito  constituído, o período compreendido, os elementos que serviram de base para a apuração, os valores  lançados,  bem  assim  a  fundamentação  legal  que  dá  sustento  ao  crédito  previdenciário  lançado  encontram­se  presentes.  De  tudo,  vê­se  que  os  termos  do  procedimento  fiscal  contêm  os  elementos  necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.º 70.235/72. O exercício amplo e  efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado  arrazoado, por meio do qual insurge­se contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização,  dentre outros argumentos”.  E finaliza requerendo o provimento do RE e a reforma do acórdão recorrido.  É o relatório, em síntese apertada.    Voto Vencido  Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator  Entendo que a divergência restou comprovada e por isso conheço do especial.  A  matéria  trazida  à  apreciação  desta  1ª  Turma  da  CSRF  diz  respeito  às  consequências  advindas  da mudança,  de  ofício,  feita  pelo  Fisco,  do  regime  de  apuração  do  IRPJ/CSLL  adotado  pela  contribuinte  (no  caso,  de  anual  para  trimestral)  e  se  tal  alteração  afetaria os lançamentos perpetrados.  Para  a  decisão  recorrida,  a  adoção  do  regime  trimestral  de  apuração  pela  Fiscalização, em detrimento da sistemática do lucro real anual, opção claramente exercida pela  contribuinte  em  sua  DIPJ  de  1999  (ano­calendário  de  1998),  levou  à  nulidade  –  por  vício  material  –  dos  lançamentos,  levando  ao  cancelamento  das  exigências,  enquanto  que  para  a  recorrente, nenhum prejuízo houve à defesa da autuada, pelo que a decisão deve ser reformada.  De plano há que se pontuar alguns aspectos, a saber: i) em momento algum a  autoridade fiscal fez qualquer ressalva à opção feita pela contribuinte pelo regime de apuração  anual, de modo que,  implicitamente, deu como válida  tal opção;  ii) subsequentemente,  tendo  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 506          4 sido validada a opção pelo regime anual, não poderia o Fisco  ter adotado, a seu bel prazer e  sem nenhuma justificativa técnica, factual ou jurídica, outra sistemática de apuração, à revelia  da  interessada,  para  consecução  dos  lançamentos;  iii)  o  tema,  entretanto,  não  foi  objeto  de  questionamento pela autuada em nenhuma das fases procedimentais e sequer foi pontuado pela  decisão  de  1º  Grau  (DRJ/Campinas),  que  passou  ao  largo  da  matéria,  que  só  veio  à  baila  quando do julgamento pela Câmara a quo (3ª Turma Especial), que a levantou de ofício.  Nesta  linha,  portanto,  houvesse  a  contribuinte  perquirido  a  matéria,  seria  imperioso o retorno dos autos à DRJ para esta se debruçasse sobre ela. Entretanto, como dito,  quedando  silente  o  sujeito  passivo,  tal  medida  se  mostra  impraticável  e  o  julgamento  deve  prosseguir.  Assim, resta definir se se está diante de uma possível nulidade, e, neste caso,  se  esta  seria  de  caráter  formal  (que  permitiria  ao  Fisco  perpetrar  novo  lançamento,  se  não  decaído, na forma do artigo 173, II, do CTN), ou se esta teria cunho material (como admitiu a  Câmara  a  quo),  ou  se  o  vício  aventado  não  teria  se  materializado  e  os  lançamentos  não  restariam maculados.  Com  a devida  vênia  ao  entendimento  esposado  na  decisão  recorrida,  penso  não se estar diante de caso de nulidade por vício, nem formal, nem material.  Explico.  Para que o vício fosse formal, haveria necessidade de ofensa aos ditames do  artigo 10, do PAF, o que não se vê.   Já a materialização de vício material exige ultraje ao artigo 142 do Estatuto  Tributário,  o  que  também  entendo  não  ter  havido,  ao  contrário,  o  lançamento  foi  feito  por  autoridade competente, houve procedimento administrativo válido e que verificou a ocorrência  do fato gerador (no caso, despesas não comprovadas para  fins de dedução da base imponível  das  exações),  determinou­se  a matéria  tributável,  calculou­se  o montante  do  tributo  devido,  identificou­se corretamente o sujeito passivo e aplicou­se a penalidade cabível.  Mais  ainda,  a  autuada  pode  se  defender,  integralmente,  em  todas  as  instâncias,  arguir  o  que  entendia  válido,  questionar  o  procedimento,  juntar  provas  e  documentos, enfim, exercer o inalienável direito ao contraditório.  Deste modo, não vejo o vício apontado e que levou à nulidade da autuação e  cancelamento das exigências.  Ao  revés,  tenho  que  se  está  diante  de  lançamento  não  viciado mas  que  se  revela  parcialmente  improcedente,  posto  que,  pela  alteração  feita  pelo  Fisco  no  regime  de  apuração,  os  valores  tributáveis  relativos  aos  meses  de  janeiro  a  setembro  de  1998  (que  a  autoridade  fiscal  condensou  como  sendo  os  três  primeiros  trimestres  do  mencionado  ano­ calendário), foram inquinados pela fixação de datas­base que vieram a afetar os percentuais de  juros (para mais), atingindo diretamente o montante final devido.  Veja­se que há um flagrante erro no que diz respeito ao aspecto temporal do  fato  gerador,  o  que  implica  em  invalidação  do  lançamento  nessa  parte.  Ou  seja,  embora  o  cálculo dos  tributos  e da multa não  tenha sofrido violação, em virtude do erro na  fixação da  data da ocorrência do  fato gerador,  a parametrização da  apuração dos  juros,  com  fixação de  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 507          5 data incorreta para contagem do prazo, restou afetada, pelo que se impõe o cancelamento dos  lançamentos relativos aos três primeiros trimestres de 1998.  De  outro  lado,  os  valores  relativos  aos  meses  de  outubro,  novembro  e  dezembro de 1998, agrupados como “4º trimestre” devem ser mantidos, visto que não apenas  os valores e a multa  foram corretamente calculados como os  juros  tiveram sua data primária  irrepreensivelmente fixada (31.12.1998).  Concluindo, os  fatos geradores de outubro, novembro e dezembro de 1998,  ainda que listados pela Fiscalização de forma individualizada e depois agrupados em um único  trimestre,  foram,  corretamente,  para  fins  de  cálculo,  tidos  como ocorridos  em 31/12/1998,  o  que permite sua mantença, posto que nenhuma irregularidade se estampou, de ordem formal,  material ou de fixação do montante apurado.  Com relação à CSLL, o mesmo raciocínio e conclusão se aplicam.  Sendo  assim voto  no  sentido  de  reformar  parcialmente  a decisão  recorrida,  para i) CANCELAR os lançamentos relativos aos períodos de janeiro a setembro de 1.998 e, ii)  MANTER  os  pertinentes  a  outubro,  novembro  e  dezembro  do  mesmo  ano,  tudo  conforme  abaixo demonstrado.    (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão    Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado.  Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado,  peço vênia para divergir quanto a natureza da irregularidade incorrida no lançamento fiscal em  debate.  O caso em tela trata de lançamento efetuado pela autoridade fiscal, no qual,  não obstante a opção exercida pela contribuinte pelo regime de tributação do lucro real anual,  foi lavrado adotando o regime trimestral.   O  voto  vencido  discorre,  didaticamente,  que,  tendo  sido  validada  a  opção  pelo  regime  anual,  não  poderia  o  Fisco  ter  adotado,  a  seu  bel  prazer  e  sem  nenhuma  justificativa  técnica,  factual  ou  jurídica,  outra  sistemática  de  apuração,  à  revelia  da  interessada,  para  consecução  dos  lançamentos,  entendimento  com  o  qual  estou  de  pleno  acordo.  Minha divergência reside na natureza do vício do ato administrativo.   Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 508          6 Isso porque, no caso em tela, entendo ter sido caracterizado o erro de direito.  A  autoridade  autuante  interpretou  equivocadamente  a  legislação  regente  do  IRPJ  e  CSLL,  adotando a regra geral de tributação (trimestral) para o lançamento de ofício, desconsiderando  a legítima opção pelo regime de lucro real anual realizada pela contribuinte.  Vale transcrever o art. 142 do CTN:  Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Observa­se que a autoridade administrativa, ao verificar a ocorrência do fato  gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo e identificar o sujeito  passivo,  na  realidade,  opera  com  competência  legal  a  demonstração  de  que  o  suporte  fático  amolda­se  ao  consequente  jurídico,  ou  seja,  que  a  hipótese  de  incidência  enquadra­se  na  moldura da norma tributária.  Por  sua  vez,  a  hipótese  de  incidência  é  construída  a  partir  da  análise  da  legislação que rege o tributo (no caso do IRPJ e CSLL, a Lei nº 9.430, de 1996, em especial os  artigos 1º, 2º e 28), da lei específica que trata de infração tributária (aquela que irá determinar a  matéria tributável) e atos normativos complementares.  E,  adotando os  ensinamentos  da melhor  doutrina  (Geraldo Ataliba,  na obra  Hipótese  de  Incidência Tributária),  os  fatos  que  se  amoldam  à  hipótese  de  incidência  foram  estruturados de forma a contemplar aspectos de natureza material, temporal, espacial e pessoal.  Percebe­se que o labor é complexo.  Ocorre  que,  para  determinados  aspectos,  eventual  equívoco  pode  não  ser  passível  de  correção.  Isso  porque,  a  depender  do  que  dispõe  o  diploma  legal,  não  restam  lacunas para promover o saneamento do ato administrativo.  Nesse  contexto,  vale  transcrever parte dos mencionados  arts.  1º,  2º  e 28 da  Lei nº 9.430, de 1996:  Art. 1º A partir do ano­calendário de 1997, o imposto de renda  das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real,  presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais,  encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e  31 de dezembro de cada ano­calendário, observada a legislação  vigente, com as alterações desta Lei.  (...)  Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 509          7 aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249,  de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo  art.  12  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  26  de  dezembro  de  1977,  auferida  mensalmente,  deduzida  das  devoluções,  vendas  canceladas  e  dos  descontos  incondicionais  concedidos,  observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32,  34  e  35  da  Lei  no  8.981,  de  20  de  janeiro  de  1995.  (Redação  dada pela Lei nº 12.973, de 2014)  (...)  § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§  1º e 2º do artigo anterior.  (...)  Art.  28.  Aplicam­se  à  apuração  da  base  de  cálculo  e  ao  pagamento  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  as  normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a  3º, 5º a 14, 17 a 24­B, 26, 55 e 71.  (Redação dada pela Lei nº  12.715, de 2012) (...)(grifei)  No caso em tela, a autoridade fiscal efetuou o lançamento adotando o regime  de  tributação  do  lucro  real  trimestral.  Contudo,  a  contribuinte  já  havia  feito  a  opção  pelo  regime do lucro real anual.  Observa­se  que  o  aspecto  temporal  encontra­se  previsto  em  lei.  Não  se  consumou nenhuma previsão para se alterar, no lançamento de ofício, o regime de tributação  de lucro real anual para trimestral.  Na realidade, entendo que a autoridade autuante incorreu em erro de direito,  ao interpretar equivocadamente os fatos e aplicar o tipo legal em desacordo com a hipótese de  incidência delineada.  De  qualquer  forma,  trata­se  de  vicio  de  natureza  material  (concernente  ao  suporte  fático),  e,  por  se  tratar  de  aspecto  temporal  previsto  em  lei, macula  o  lançamento  tributário de nulidade insanável.  Portanto,  diante  de  todo  o  exposto,  voto  do  sentido  de  conhecer  e  negar  provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.      Assinado Digitalmente  André Mendes de Moura      Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10875.005595/2003­13  Acórdão n.º 9101­002.147  CSRF­T1  Fl. 510          8               Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/01/201 6 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA

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6321062 #
Numero do processo: 10830.720227/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 06/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 06/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 2          1 1  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.720227/2009­01  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3102­000.511  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de janeiro de 2016  Assunto  Auto de Infração ­ Aduana  Recorrente  MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator   EDITADO EM: 06/03/2016   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Paulo Guilherme Déroulède, Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do Nascimento,  Lenisa  Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker  Araújo.  Relatório  Transcrevo mais uma vez o Relatório que serviu de base à decisão tomada em  primeira instância de julgamento.  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  lavrado  em  função  do  descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas  ao  amparo  do  RECOF  (Regime  Aduaneiro  Especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos  Industrializados vinculado a importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela  abaixo,  no  valor  total  de  R$  269.227.411,93  (duzentos  e  sessenta  e  nove  milhões,  duzentos e vinte e sete mil, quatrocentos e onze reais e noventa e três centavos).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 22 7/ 20 09 -0 1 Fl. 12014DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 3          2 À folha 02 do  relatório, 9.807 do processo, a Delegacia da Receita Federal de  Julgamento  apresenta  tabela  contendo  a  discriminação  dos  valores  do  auto  de  infração  sub  judice, que, por questão de praticidade, não foi aqui transcrita.  Segue­se um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos.  Basicamente, contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas  auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa  comercial exportadora (exportação indireta). O auditor acha que só cabe extinção do  regime com exportação direta.  Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a efeito  no  contribuinte  acima  identificado,  para  fins  de  verificação  da  destinação  de  bens  admitidos  no  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Entreposto  Industrial  sob  Controle  Informatizado (RECOF), constatou­se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo  de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência  extintiva  não  prevista  na  regulamentação  (venda  a  empresa  comercial  exportadora,  com fins específicos de exportação).  O Auto de Infração refere­se às Declarações de Importação registradas no ano  2006,  compreendendo  saídas  realizadas  à  Comercial  Exportadora  SIMM  —  SOLUÇÕES  INTELIGENTES  PARA  MERCADO  MÓVEL  BRASIL  LTDA.,  CNPJ:  06.964.587/0001­35, e também para a COTIA TRADING S/A.  Foram  coletados  dados  indicando  que  a  MOTOROLA  realizou  vendas  transferências  de  mercadorias  admitidas  no  regime  especial  (RECOF)  às  empresa  acima  referidas,  com  fins  específicos  de  exportação,  considerando  essa  saída  como  forma  extintiva  do  RECOF.  Conforme  dados  constantes  no  Relatório  Fiscal,  parte  integrante do Auto de Infração, o crédito tributário ora discutido pode ser distribuído  entre as duas empresas da seguinte forma:  (Tabela demonstrativa.)  O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado 1interno a empresa  comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial.  Alegou  ter  por  base  dispositivos  da  legislação  tributária  e  aduaneira  que  permitem  concluir  que  tais  operações  se  equiparam  a  exportação,  com  consonância  com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n°  417/2004,  que  estabelece  que  o  regime  especial  em  comento  "permite  à  empresa  beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de  tributos, mercadorias a serem submetidas á operações de industrialização de produtos  destinados à exportação ou ao mercado interno".  Entende  o  contribuinte  que:  "Neste  sentido  e  levando­se  em  conta  a  própria  redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda a comercial exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação  nada mais  é  que  uma  operação  cuja  finalidade  exclusiva  é  destinar  um  produto  à  exportação,  tal  qual  previsto  na  norma  regulamentadora do RECOF".  Com  fundamento  no  entendimento  acima,  a  baixa  dos  insumos  admitidos  no  RECOF  foram  efetivadas  em  decorrência  da  emissão  das  notas  fiscais  de  saída  relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim especifico  de  exortação,  não  havendo,  por  conseqüência,  o  recolhimento  de  tributos  incidentes  nas  importações  e que  estavam suspensos  em vista da aplicação do  regime especial.  Tratou­se a i venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF.  Fl. 12015DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 4          3 A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial  exportadora com o fim especifico de exportação é uma das providências para extinção  do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de  Infração).  Podem ser assim resumidas as razões da autuação:  1)  ­  A  enumeração  do  art.  31  da  IN  SRF  n°  417/20  (e  das  demais  instruções  normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "urna" tem a função de  restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente  referidas;  2) ­ Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN  SRF  n°  417/2004  é  a  direta,  isto  é,  aquela  realizada  pelo  próprio  beneficiário,  na  medida  em  que  toda  a  estruturação  do  RECOF  foi  pensada  não  contemplando  á  participação  de  empresa  comercial  exportadora  e  de  trading  company  na  operacionalização ,do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para  fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN  SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II):  3)­  Reafirmando  a  assertiva  contida  no  item  precedente,  observa­se  que  a  legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial  exportadora  ou  de  trading  company  em  qualquer  situação  específica,  expressa  e  explicitamente refere­se a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos  pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF;  4)­  O  RECOF  é  um  regime  aduaneiro  especial  isencional  (a  suspensão  dos  tributos incidentes na importação configura­se como uma isenção condicional); nesse  sentido,  a  interpretação  dos  dispositivos  que  normatizam  e  regulamentam  o  regime  deve  ser  realizada  com  observância  do  ditame  contido  no  art.  111  do CTN;  sob  tal  orientação,  inaceitável  a  exportação  indireta  como  meio  extintivo  do  regime  em  questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese.  Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 23/04/2009 (ciência pessoal —  fls. 03 — 262 — 525 e 885), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou  seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 1309/1320.  Seus principais argumentos podem ser assim resumidos:  01)  ­ Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a  suspensão dos  tributos devidos na importação  torna­se definitiva quando a mercadoria é exportada,  seja  no  estado  em  que  foi  importada,  seja  compondo  novo  produto,  resultante  da  incorporação  das  mercadorias,  nacionais  ou  importadas  pelo  regime.  Apenas  nos  casos ent que as mercadorias  são destinadas ao mercado  interno ou permanecem no  regime  até  esgotar  o  prazo  do  RECOF  é  que  os  tributos  suspensos  por  ocasião  da  importação deverão  ser  pagos  com os  devidos  acréscimos  legais,  conforme dispõe  o  art. 37 da IN RFB n° 757/2007.  2)  ­  Que  a  grande  maioria  das  exportações  da  impugnante  é  efetuada  diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio  de  empresas  comerciais  exportadoras,  sendo  que  tais  exportações  tem  o  seguinte  tratamento:  as  mercadorias  são  vendidas  com  o  fim  especifico  de  exportação  e  são  efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o  que da o cumprimento, com êxito, de todas as condições onerosas do RECOF. Quando  a  impugnante  verifica  que  algum  produto  admitido  no  RECOF  não  foi  utilizado  no  Fl. 12016DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 5          4 processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na  importação.  03) ­ O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações  efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal  partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo a  finalidade do RECOF.  04) ­ O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que ,  em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não  ocorreram.  Embora  uma  das modalidades  inequívocas  de  extinção  do UCOF  seja  a  exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de  exportação)  não  seria  hipótese  de  extinção  do  RECOF,  já  que  ,  nela,  a  exportação  efetiva poderia não vir a ocorrer  (mesmo  tendo  ficado comprovado que,  'na prática,  todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias  importadas no regime).  05)  ­  Que  a  exportação  indireta,  via  empresa  comercial  exportadora,  tanto  é  modalidade  de  extinção  do  RECOF  prevista  em  normas  legais,  que  o  art.  6°  da  Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II, dispõe que: "Para  os  efeitos  de  comprovação  do  cumprimento  dos  compromissos  de  exportação  assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II — realizadas a empresa  comercial exportadora (...)".  6)  ­  Que  no  art.  31  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  417/04,  ao  listar  as  providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a  EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta óu indireta.  Porém, no artigo 6° da mesma norma,  já deixara claro que a  venda de mercadorias  para  empresa  comercial  exportadora  poderia  ser  aceita  para  comprovação  do  adimplernento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta  como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime.  7) ­ Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais  exportadoras  precisam  vir  acompanhadas,  após  a  saída  da  mercadoria  com  o  fim  específico  da  exportação,  da  prova  de  que  a  mesma  efetivou  a  transposição  de  fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do  RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de  previsão legal.   8)  ­  Que,  de  acordo  com  os  artigos  37  e  38  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  417/04,  o  recolhimento  dos  tributos  deve  ocorrer  em  apenas  duas  hipóteses:  (i)  destinação das mercadorias para o mercado  interno; ou  (ii)  extinção do regime pelo  decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, destruída  ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma  das  hipóteses  de  recolhimento  dos  tributos  suspensos  quando  da  admissão  das  mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação.  Assim  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  sintetizou,  na  ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS   Período de apuração: 02/01/2006 a 29/12/2006   RECOF.  EXPORTAÇÃO.  SUSPENSÃO.  EMPRESA  COMERCIAL  EXPORTADORA.  Fl. 12017DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 6          5 Para  fins  de  comprovação  de  cumprimento  dos  compromissos  de  exportação  assumidos  no  RECOF,  podem  ser  computadas  as  vendas  realizadas  a  empresa  comercial  exportadora  instituída  nos  termos  do  Decreto­lei  n°  1.248,  de  29  de  novembro  de  1972  (exportações  indiretas).  As  saídas  de  produtos  industrializados  efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem  nas  condições  estabelecidas  nesse  diploma  legal,  não  podem  ser  computadas  para  efeito  de  comprovação  do  adimplemento  do  regime,  conforme  disposto  na  Instrução  Normativa.SRF  n°  417/2004,  em  seu  art.  6°,  parágrafo  4°,  inciso  II.  Cabível  a  cobrança  dos  tributos  /  contribuições  suspensos,  além dos  juros  de mora e multa de  ofício,  quando  descumpridas  á  condições  e  os  requisitos  exigidos  pela  legislação  de  regência,  relativos  ao  regime  especial  de  Entreposto  Sob  Controle  Informatizado  ­  RECOF.  Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta  recurso  voluntário  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  por  meio  do  qual  repisa  argumentos contidos na impugnação ao lançamento.  Acrescenta  que  a  decisão  ora  recorrida  altera  os  fundamentos  da  autuação  ao  decidir  que  as  exportações  indiretas  são  admitidas para  fins de RECOF,  ao  contrário do que  afirmava a fiscalização, qual fosse, que apenas as exportações diretas poderiam ser admitidas.  Considera  que  as  provas  apresentadas  constantes  nos  autos  de  que  as  exportações foram efetivamente realizadas dentro dos prazos legais  foram desconsideras pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento.  E que a decisão recorrida faz confusão entre modalidades e formas de extinção  do RECOF com compromissos de exportação.  De  uma  análise  inicial,  entendeu­se  necessário  converter  o  julgamento.  As  razões  que  demandaram  tal  providência  foram  assim  sintetizadas  no  último  parágrafo  da  Resolução 3102­000.184.  Assim, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para  que  a  empresa,  no  prazo  de  trinta  dias,  esclareça  as  razões  das  imprecisões  identificadas  e  organize  a  exposição  dos  dados  de  forma  didática,  remissiva,  quantificada em subtotais, de tal sorte que seja viável interpretar os dados e atestar a  efetiva  exportação  das  mercadorias  por  amostragem  e  de  forma  aleatória.  Após,  o  processo  deve  retornar  à  fiscalização  da Unidade  de  Jurisdição  para  considerações  que  julgar  pertinentes,  em  especial,  quanto  à  fidedignidade,  confiabilidade  e  consistências das informações prestadas pela recorrente, para só após retornar a este  Conselho.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Ricardo Paulo Rosa   O  Relatório  Fiscal,  do  Serviço  de  Fiscalização  Aduaneira,  às  folhas  876  e  seguintes, deixa claro que, tendo em vista as inúmeras razões apontadas pela Autoridade Fiscal,  a diligência não seria atendida.  Fl. 12018DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 7          6 Observe­se  como,  por  derradeiro,  se  manifesta  o  Auditor­Fiscal  imbuído  da  função de prestar os esclarecimentos requeridos por este Colegiado.  Por  todo  o  exposto,  e  especificamente  no  item  6  e  nos  itens  de  11  a  16,  informamos  que  não  foi  realizada  a  verificação  da  fidedignidade,  confiabilidade  e  consistência  de  cada  uma  das  operações  ocorridas  com  as  mercadorias  das  9.387  adições  abrangidas  pela  autuação  que  deu  ensejo  ao  presente  contencioso  administrativo.  Antes de mais nada, entendo que seja necessário fixar certos limites de atuação,  que devem, necessariamente, regrar a conduta dos agentes envolvidos no impasse criado pela  decisão  tomada  na  Unidade  Preparadora  de  não  atender  a  diligência  determinada  por  este  Tribunal Administrativo.  Refiro­me  a  todo  o  conjunto  de  argumentos  apresentados  pela  Autoridade  diligenciada  como  fundamentação  para  o  não  atendimento  da  diligência,  que,  notadamente,  adentram  ao  mérito  do  litígio.  Como  ninguém  desconhece,  compete  a  este  Conselho,  em  julgamento de segunda instância administrativa, tomar a decisão sobre a procedência do crédito  tributário constituído no auto de infração, à luz do entendimento que cada Conselheiro forma a  respeito  das  circunstâncias  fáticas  e  jurídicas  apresentados  no  processo.  Se  será  ou  não  admitida  a  comprovação  das  exportações  com  base  nas  vendas  realizadas  às  comerciais  exportadoras, se será necessário verificar a totalidade das operações ou será aceita a verificação  por  amostragem  são  questões  que  dizem  respeito  apenas  a  esta  Turma  de  Julgamento.  É  absolutamente impertinente que qualquer outra instância faça ilações a respeito das  fontes de  convicção que irão nortear a decisão tomada por este Colegiado.  E  não  será  demais  lembrar  que  os  integrantes  deste  Conselho  não  estão  obrigados a observar os atos normativos expedidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal  do Brasil, razão ainda maior para que o entendimento firmado pela Turma seja, muitas vezes,  divergente do entendimento que teve o Auditor­Fiscal e a própria Delegacia da Receita Federal  de Julgamento sobre a  lide, na medida em que ambos estejam obrigados a aplicar o disposto  nas Instruções Normativas e demais atos normativos aos quais estão vinculados.  Por conta disso, deixo de fazer qualquer manifestação acerca do entendimento  expresso  pela  Autoridade  diligenciada  a  respeito  do  mérito  do  litígio  e  passo  a  examinar  a  única  questão  que  realmente  tem  relevância  nessa  fase  processual,  que  diz  respeito  à  viabilidade técnica da realização dos exames requeridos por este Conselho.  Antes  disso,  contudo,  me  sinto  no  dever  de  fazer  uma  breve  consideração  a  respeito  do  que  afirmou  a  Autoridade  diligenciada  no  sentido  de  que  o  atendimento  à  diligência,  por  demandar  um  esforço  adicional,  constituiria  caso  de  improbidade  administrativa.   A seguir o texto.  (...)  Aqui  fica  claro  que  qualquer  análise  a  ser  desenvolvida  com  os  dados  apresentados  pela  recorrente  para  o  ano  de  2006,  vai  gerar  um  esforço  adicional,  envolvendo de forma ilegal recursos humanos e materiais, sujeitando os envolvidos ao  enquadramento  por  improbidade  administrativa,  na Lei  8.429/92,  artigo  10°,  incisos  VII e IX, e na Lei 8.112 artigos 116, 121 a 126A, com a conseqüente repercussão penal.  Tal  análise,  se  levada  a  cabo  contrariaria  também  o  princípio  constitucional  da  eficiência, mencionado no caput do artigo 37 da CF/98.  Fl. 12019DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 8          7 Data maxima venia, necessário dizer que,  se  assim fosse,  toda a conversão de  julgamento  em  diligência  seria  caso  de  improbidade  administrativa,  pois  a  diligência  em  qualquer  hipótese,  demandará  um  trabalho  adicional.  No  caso  concreto,  o  que  se  fez  foi,  justamente, inverter o ônus, determinando que o contribuinte colocasse à disposição do Fisco  os  elementos  capazes  de  atestar  o  observância  do  prazo  de  exportação,  retirando  qualquer  encargo  da  Fiscalização  Federal,  se  não  o  de  apertar  um  botão  e  atestar  que  a  exportação  ocorreu dentro do prazo.  Esclarecido  isso,  depreende­se  do  Relatório  de  Diligência,  que  a  Autoridade  Fiscal  relatou  um  entrave  de  natureza  objetiva  no  atendimento  ao  que  foi  solicitado  na  Resolução, nos seguintes termos.  13. Com  relação  à  Resolução CARF  n°  3102­000.184,  de  10  de  novembro  de  2011,  que  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  que  fosse  avaliada  a  fidedignidade,  confiabilidade  e  consistência  das  informações  prestadas  pela  recorrente,  relativamente  às  operações  que  foram  abrangidas  pela  autuação,  informamos que a referida tarefa implicaria em confrontar os dados apresentados para  cada uma das 9.387 adições com os registros existentes nos sistemas da RFB, Siscomex  Importação,  RECOF­SYS  e  Siscomex  Exportação.  Corresponderia  a  verificar  cada  uma  das  nove  etapas  a  que  foram  submetidas  as  mercadorias  admitidas,  desde  seu  ingresso,  através  de  1)  Declaração  de  Importação DI  e  entrada  no  estabelecimento  industrial  (Nota  Fiscal  de  Entrada),  2)  participação  na  matriz  insumo/produto  e  registro no RECOF­SYS, 3) saída do estabelecimento industrial (Nota Fiscal de Venda  da Motorola  para  SIMM),  4)  Fatura Comercial  (Invoice)  do  exportador  (SIMM),  5)  Nota Fiscal de Exportação  (SIMM), 6) Memorando de Exportação, 7) Conhecimento  de Transporte Internacional de Exportação (AWB), 8) RE Registro de Exportação e 9)  DDE Declaração de Exportação com a averbação do embarque e dados do vôo.  (...)  16.  Para  avaliar  o  tempo  exigido  por  essa  verificação,  considerando  todos  os  quatro processos, aplicamos a metodologia para um único item, da adição 001 da DI  06/0001509­7,  desde  sua  importação  até  a  efetiva  exportação  pela  ECE  SIMM.  O  tempo  exigido  para  essa  verificação,  foi  de  aproximadamente  20  minutos,  o  que  multiplicado  pelos  207.657  registros  totalizaria  aproximadamente  69.219  horas,  ou  seja,  8.652  dias  úteis  correspondendo a mais  de  32  anos  de  dedicação  exclusiva,  se  efetivada por um único servidor.  O que não consigo compreender é como a simples verificação do cumprimento  do prazo de exportação das mercadorias pode demandar tanto trabalho.  Como  se  sabe,  as  informações  processadas  no  Sistema  próprio  do  RECOF  devem  estar  sempre  disponíveis  à  Fiscalização,  de  forma  automática,  gerando,  sem  dificuldades, diversos relatórios que se prestam à comprovação do cumprimento dos requisitos  do Regime. Pois bem, não é sobre fidedignidade de toda essa gama de  informações que este  Colegiado  pretende obter  informação, mas  exclusivamente  em  relação  àquelas  que  se deram  fora  do  RECOF­SYS,  ou  seja,  o  cumprimento  do  prazo  das  exportação  das  mercadorias  vendidas para as empresas comerciais exportadoras. Tudo que aconteceu até esse momento não  é objeto do Auto de Infração e, por isso, não está compreendido dentro dos limites da vertente  lide. Aliás, que se diga que o fundamento da autuação passa justamente pela aceitação de todas  as  informações processadas no Sistema até a venda à comercial exportadora,  razão pela qual  não há que se levantar qualquer suspeita sobre sua exatidão.  Fl. 12020DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 9          8 Tal como determinado na diligência anterior, o contribuinte deveria, no prazo de  trinta dias, esclarecer as razões das imprecisões identificadas e organizar a exposição dos dados  de forma didática, remissiva, quantificada em subtotais, de tal sorte que fosse viável interpretá­ los e atestar a efetiva exportação das mercadorias dentro do prazo. O que se pretendia com isso,  era que a Fiscalização pudesse, tal como pode quando opera o RECOF­SYS, verificar, a partir  de um simples apertar de botão, se a exportação do bem produzido com determinado insumo se  deu dentro do prazo fixado pelo Regime. Uma vez que não haja litígio em torno de todo que se  passou  até  a  venda  da  mercadoria  à  comercial  exportadora,  é  apenas  necessário  saber  se  a  exportação correspondente a essa venda observou o prazo de exportação fixado pelo Regime.  Junto  à Manifestação  a  respeito  da  diligência,  a  Recorrente  anexa  um  Laudo  subscrito  pela  PricewaterhouseCopers  e  pelo  contador  Nelson  Alves  de  Oliveira,  com  a  seguinte conclusão.  Em  relação  ao  Auto  de  Infração  nº  10830.720227/2009­01,  foram  analisadas  9.385 (nove mil  trezentos e oitenta e cinco) Declarações de Importação e adições, as  quais  indicam  a  importação  de  1.218  (mil  duzentos  e  dezoito)  diferentes  tipos  de  componentes. Desse montante, constatamos que algumas unidades de 23 (vinte e três)  componentes, foram exportadas em período superior a 1 (um) ano, conforme indicado  no anexo a esse memorando.  Das duas uma. Ou essa informação é assustadoramente irresponsável ou, então,  não é "tão impossível" proceder ao exame determinado por meio da Resolução 3102­000.183.  Finalmente,  convém  lembrar  como  a  relação  da  instância  julgadora  com  a  unidade de preparo é disciplinada pelo Decreto nº 7.574/11, que regulamenta, entre outros, o  processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, in verbis.  Art. 36.  A  impugnação  mencionará  as  diligências  ou  perícias  que  o  sujeito  passivo  pretenda  sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome,  o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação  (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748,  de 1993, art. 1o).   § 1o Deferido  o  pedido  de  perícia,  ou  determinada de  ofício  sua  realização,  a  autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará  o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar  os respectivos laudos em prazo que será  fixado segundo o grau de complexidade dos  trabalhos  a  serem  executados  (Decreto  no 70.235,  de  1972,  art.  18,  com  a  redação  dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o).   § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas  prescindíveis  ou  impraticáveis,  deverá  o  indeferimento,  devidamente  fundamentado,  constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas  pela Lei no8.748, de 1993, art. 1o).   § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é  vedado  à  autoridade  incumbida  de  sua  realização  escusar­se  de  cumpri­las.  (grifos  meus)  Em  05  de  fevereiro  de  2016,  o  contribuinte  apresentou  petição  perante  este  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, na qual faz apontamentos a respeito da  Fl. 12021DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.720227/2009­01  Resolução nº  3102­000.511  S3­C1T2  Fl. 10          9 matéria versada na lide e do resultado da diligência demandada por este Colegiado. Ao final,  apresenta quesitos que pretende sejam respondidos pela Fiscalização Federal.  No  estado  em  que  o  litígio  se  encontra,  creio  que  seja  prudente  submeter  à  Unidade de Preparo os questionamentos veiculados na petição protocolada pela Parte.  São os seguintes.   1  ­  a  partir  das  notas  fiscais  de  venda  da  Recorrente  para  a  comercial  exportadora  com  o  fim  específico  de  exportação  e  com  base  na  documentação  de  exportação  da  comercial  exportadora  (documentação  apresentada  nos  autos  do  processo administrativo pela Recorrente), adotando­se as rotinas especificadas a partir  do número 3 do item III­2 do Relatório de Diligência, pode­se constatar que houve a  efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora?  2  ­ Caso a  resposta ao quesito anterior  seja positiva,  ou  seja,  caso  tenham os  bens  sido  efetivamente  exportados  pela  Comercial  Exportadora,  fazendo  uma  comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no  auto  de  infração  e  a  data  da  averbação  da  exportação  constante  do  Registro  de  Exportação (transposição de fronteira) ­ com exceção dos casos ressalvados no anexo  ao  Laudo  da  Auditoria  Independente  (em  que  houve  prazo  superior)  ­  essas  exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF?  3  ­  Desconsiderando  os  casos  identificados  no  Laudo  da  Auditoria  de  Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum  outro  caso  em  que  as  exportações  foram  realizadas  pela  SIMM  após  o  decurso  do  prazo de um ano das datas das DIs?  VOTO  pela  nova  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  Fiscalização  se  manifeste  a  respeito  do  cumprimento  ou  não  do  prazo  das  exportações  realizadas  pelas  Comerciais  Exportadoras  e  responda  aos  quesitos  apresentados  pelo  contribuinte.   (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator    Fl. 12022DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10930.003066/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RESTRIÇÕES LEGAIS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, incabível o reconhecimento de direito de compensar débitos tributários com créditos suscitados que não sejam decorrentes de tributos e contribuições por ela administrados, que não sejam passíveis de restituição ou ressarcimento, que não sejam do próprio sujeito passivo e que, sendo judiciais, não estejam amparados por decisão transitada em julgado. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003. Somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades pela prática de infrações. Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3201-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75%. Joel Miyazaki – Presidente atual. Nilton Luiz Bartoli – Relator. José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Marcelo Guerra de Castro, Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto e Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: Jose Luiz Oliveira

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 677          1  676  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.003066/2005­27  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­000.104  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de maio de 2009  Matéria  MULTA ISOLADA   Recorrente  TLC PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004  COMPENSAÇÃO. RESTRIÇÕES LEGAIS. NÃO HOMOLOGAÇÃO.  No âmbito da Secretaria da Receita Federal,  incabível o  reconhecimento de  direito  de  compensar  débitos  tributários  com  créditos  suscitados  que  não  sejam decorrentes de tributos e contribuições por ela administrados, que não  sejam  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento,  que  não  sejam  do  próprio  sujeito  passivo  e  que,  sendo  judiciais,  não  estejam  amparados  por  decisão  transitada em julgado.  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  CRÉDITOS  DE  TERCEIROS.  Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos  de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida  Provisória  nº  135,  de  30/10/2003  (publicada  no  DOU  de  31/10/2003),  posteriormente  convertida  no  artigo  18,  da  Lei  10.833,  de  29/12/2003.  Somente a  lei  pode  estabelecer  a  cominação de  penalidades pela prática de  infrações.   Recurso Voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da  Terceira  Seção,  por  unanimidade  de  votos,  em dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para reduzir a multa de ofício para 75%.      Joel Miyazaki – Presidente atual.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 30 66 /2 00 5- 27 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI     2  Nilton Luiz Bartoli – Relator.  José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Marcelo Guerra  de Castro, Anelise Daudt Prieto,  Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto,  Nanci Gama, Heroldes Bahr Neto e Vanessa Albuquerque Valente.  Relatório  Para  descrever  os  fatos  ocorridos  transcreve­se  o  relatório  constante  da  decisão de primeira instância administrativa, verbis:   O  presente  processo  foi  formalizado,  originariamente,  para  análise  das  seguintes  Declarações  de  Compensação  ­  PER/DComp,  as  fls.  02/29,  transmitidas  eletronicamente pela contribuinte:  (tabela)  A fl. 34, consta o Termo de Intimação no 436/2005, expedido em 12/09/2005  e cientificado em 22/09/2005 (fl. 35), pelo qual a interessada foi cientificada do procedimento  cm  curso,  de  análise  das Declarações  de Compensação,  e  pelo  qual  foi  instada  a  apresentar,  além dos documentos societários e de representação da pessoa jurídica, cópia da petição inicial  e das decisões prolatadas no processo judicial n° 1059/57, bem como Certidão de Objeto e Pé,  correlatas As informações prestadas nas Declarações de Compensação.  3.  As  fls.  36/38,  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  n°  436/2005,  a  interessada, em 14/10/2005, por intermédio de procurador constituído (fl. 39), quanto A ação  judicial  indicada nas Declarações de Compensação, esclareceu que os documentos, primeiro,  "não  existem"  e,  segundo,  retificou  as  Declarações  de  Compensação.  Aduziu  que  "somente  teve certeza que tais créditos estavam eivados de ilegalidade através de reportagem publicada  na Valor Econômico, cópia anexa, constando ainda que a própria Receita Federal desconhecia  tal  situação,  pois  as  compensações  com  os  créditos  do  referido  processo  vinham  ocorrendo  normalmente,  sem  nenhuma  outra  exigência  por  parte  do  órgão  (SRF)",  que  "somente  após  essa informação  ter se  tornado pública (  ...),  foi somente a partir da noticia, que a  recorrente  pode precisar, com certeza que o negócio realizado (a transação de créditos) estava eivado de  vícios,  e  que  não  seria  realmente  possível  a  compensação  de  seus  tributos  com  referidos  créditos; urna vez que, juntamente com outras várias empresas de todo o pais, foram vitimas do  mesmo golpe, pois  imaginavam estar realizando um negócio licito, uma aquisição de direitos  creditórios para efetuarem a compensação de seus  tributos na forma preconizada em lei e no  entanto,  foram  todos  ludibriados"  e  que  "na  verdade  é  mais  urna  vitima  dos  golpeadores".  Requereu a desobrigação de apresentar os documentos citados e o acolhimento das retificações.  Foram apresentados os documentos de fls. 40/53.  4. As fls. 55/122, extratos, decisões judiciais e certidões relacionados à Ação  de Atentado n" 1.059/57.  5.  As  fls.  123/136,  consoante  despacho  de  fl.  137,  constam  as  peças  que  compuseram  o  Processo  Administrativo  n°  13884.001777/2005­58,  protocolizado  pela  contribuinte,  em 31/05/2005,  na Delegacia  da Receita  Federal  em São  José dos Campos/SP,  contendo Declarações de Compensação retificadoras (em formulário plano).  Fl. 679DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10930.003066/2005­27  Acórdão n.º 3201­000.104  S3­C2T1  Fl. 678          3  6. As  fls.  142/154,  foi  exarado  o  Parecer/Saort/DRF/LON n"  432/2006,  no  qual  a  Seção  de  Orientação  e  Análise  Tributária  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Londrina/PR, reportando­se As Declarações de Compensação discriminadas no Quadro 1 (A fl.  142), em síntese: transcreve os dispositivos legais e normativos pertinentes à análise; propõe a  não admissão das DComp retificadoras; propõe a não­homologação das compensações; e tece  considerações  relativas  à  ocorrência  de  evidente  intuito  de  fraude  no  procedimento  adotado  pela contribuinte, propondo a aplicação da multa isolada de 150%, com base no art. 18, caput e  § 2', da Lei ri° 10.833, de 2003, combinado com os arts. 43 e 44 da Lei n°9.430, de 1996, e art.  90 da Medida Provisória n°2.158­35, de 2001.  7. No tocante à não­homologação das compensações, aduz, em síntese, após  descrever o objeto da Ação Judicial n° 1.059/57: que nas certidões expedidas pelo Cartório da  1a Vara da Fazenda Pública, referentes aos autos de Ação de Atentado n° 1.059/57, consta a  observação  de  que  não  há  crédito  no  referido  processo  judicial,  sendo  inexistente  o  crédito  alegado;  que  o  crédito  pretendido  não  é  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  referindo­se  a  indenização  por  terras  localizadas  no  Estado  do  Parana,  que  adviria  de  ação  judicial  da  qual  a  Unido  não  é  parte;  que  em  algumas  DComp  a  contribuinte  informou  se  tratarem  de  créditos  de  terceiros,  vinculado  ao  CNPJ  n°  03.666.975/0001­41,  mas,  pelos  documentos constantes do processo, não foi identificado vinculo algum entre os contribuintes;  que a compensação de créditos tributários, a teor do art. 170 do CTN, depende de lei ordinária  e que, no âmbito federal, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 49 da  Lei  n°  10.637,  de  2002,  apenas  autoriza  a  compensação  de  crédito  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado pela SRF e,  ao mesmo  tempo, para utilização na  compensação de  débitos próprios; que o crédito relativo ã ação de atentado de herdeiros de então proprietários  de  terras  desapropriadas  pelo  Estado  do  Parana  não  tem  natureza  tributária  e  não  é  administrado pela SRF, além de a interessada sequer ser parte da ação; que as normas editadas  pela Secretaria da Receita Federal prevêem expressamente a vedação para a compensação de  débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros; que, mais recentemente, o art. 4" da Lei n"  11.051, de 2004,  ao dar nova  redação ao  art.  74 da Lei n°9.430, de 1996, dispôs no mesmo  sentido, estabelecendo que sera considerada não declarada a compensação na hipótese em que  o crédito sej a de terceiro ou não se refira a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria  da Receita Federal; que a Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres n"s  323/2004 e 1499/2005, também se pronunciou pela impossibilidade de compensação de credito  de um contribuinte  com débito de outro;  e que,  adicionalmente,  de  acordo com os dados do  processo  judicial  informados  pela  contribuinte,  a  data  do  trânsito  em  julgado  ocorreu  em  09/06/1999, pelo que, havendo eventual reconhecimento judicial que desse origem a direito de  crédito, constituindo divida passiva da União, aplicando­se a regra do Decreto n" 20.910, de 6  de  janeiro  de  1932,  ter­se­ia  que  eventual  direito  já  se  encontrava  prescrito  â.  época  das  transmissões das DComps, pelo transcurso do prazo de cinco anos da decisão que deu origem  ao suposto credito.  8.  A  fl.  155,  despacho  decisório,  de  12/01/2007,  pelo  qual  o  Delegado  da  Receita  Federal  em  Londrina/PR,  considerando  as  conclusões  e  os  fundamentos  legais  reproduzidos  no  Parecer  DRF/LON/Saort  n°  432/2006,  decide:  não­homologar  as  compensações  declaradas  pela  interessada  nas DComp  relacionadas  no Quadro  1  do  parecer  retro, em face do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação da Medida Provisória n° 66, de  2002,  convertida  na  Lei  n"  10.637,  de  2002;  não­admitir  as  DComp  retificadoras  protocolizadas em 31/05/2005, pelo que dispõe a  Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005;  determinar  o  lançamento  da  multa  isolada  prevista  no  art.  18  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  combinado com os arts. 43 e 44, 11, da Lei IV 9.430, de 1996, art. 90 da Medida Provisória n°  Fl. 680DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI     4  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  bem  como  a  formalização  da  respectiva  representação  fiscal para fins penais; e determinar a intimação do sujeito passivo para que, no prazo de trinta  dias,  contados  da  ciência,  efetue  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados,  ressalvada a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade.  9. Cientificada em 06/03/2007 (fl. 158), a  interessada,  tempestivamente, em  26/03/2007,  por  representante  constituído  (fls.  175/176),  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  159/174,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  177/181,  a  seguir  resumida.  9.2 Após descrever os fatos, aduz: que tem o direito de "substituir as DCTF"  (sic), mormente por ter sido vitima de "golpe"; que os créditos foram adquiridos de terceiros,  mas  pertencem  à  empresa;  que  o  direito  creditório  foi  adquirido  regularmente  por meio  de  escritura  pública  de  cessão  de  direitos,  com  decisão  transitada  em  julgado  em  08/02/2002,  tendo se habilitado como assistente simples no Processo n° 99.60.00.759­6, em  trâmite na 2'  Vara da Justiça Federal de Chapeco/SC, tornando­se sujeito passivo (sic) na relação processual  e  "não  podendo  mais"  ser  considerado  "terceiro";  que  os  créditos  adquiridos  servem  perfeitamente  para  compensar  créditos  tributários  vencidos  ou  vincendos  junto  a  Receita  Federal,  conforme  Emenda  Constitucional  n"  30/00,  que  alterou  o  art.  78  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias;  que  declarou  os  créditos  para  compensação,  utilizando­se  do  direito  constitucional  de  petição,  em  papel,  em  face  da  impossibilidade  de  fazê­lo  por  meio  eletrônico;  e  que  não  pode  ser  considerado  sonegador,  visto  que  agiu  amparado por lei e que a compensação é uma das formas de extinção das obrigações.  9.3 Sob o argumento de "outros  fatos  e  fundamentos  jurídicos", no  item "0  Direito  a  compensação",  discursa  sobre  a  questão,  que  defende,  em  matéria  tributária,  ser  regulada pelo art. 170 do CTN, sem a restrição de compensação de créditos de terceiros, pelo  que argúi inconstitucional o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelas Leis n's  10.637, de 2002, 10.833, de 2003, e 11.051, de 2004.  9.2. No item "Da Realidade Fática. Direito Liquido e Certo da Contribuinte.  Direitos  Creditórios  com  possibilidade  de  Compensação",  diz­se  possuidora  de  créditos  adquiridos  por  meio  de  escritura  pública,  datada  de  10/05/2005,  proveniente  de  ação  de  desapropriação,  com  sentença  transitada  em  julgado  em  08/02/2002.  Argumenta  que,  primeiramente,  habilitou­se  como  assistente  simples  na  ação  de  desapropriação  (n"  99.60.00.759­6), para, em seguida, tentar informar também a Secretaria da Receita Federal sua  pretensão  de  compensação,  nos  termos  do  art.  170  do  CTN.  Alega  que,  assim  sendo,  seus  créditos  servem  para  a  compensação,  com  fundamento  na Emenda Constitucional  n"  30,  de  2000, que alterou o art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, dispositivo que  diz facultar ao credor a cessão do crédito, além de, em caso de mora, gerar "poder liberatório"  para pagamento.  9.3. Em "Da Declaração apresentada ao fisco, e a Restrições impostas por ele  "argúi  que,  se  o  fisco  impede  o  contribuinte  de  protocolar  seu  pedido  de  homologação  e  conseqüentemente de  compensar  seus  créditos, mesmo que  adquiridos de  terceiros,  impondo  "restrições absurdas", tais como as contidas na legislação invocada, está cerceando seu direito  de petição, constante do art. 5°, XXXIV, da Constituição Federal.  9.4.  Na  seqüência,  no  tópico  "Da  Compensação.  Dever  de  Informação  do  Contribuinte", aduz que o art. 170 do CTN cuida da compensação de créditos tributários com  créditos  de  qualquer  natureza,  desde  que  líquidos  e  certos,  do  sujeito  passivo,  pressupondo  lançamento já consumado, diferentemente da compensação prevista no art. 66 da Lei n" 8.383,  de  1991,  que  decorre  de  pagamento  indevido  de  tributo;  em  "Da  Compensação  e  do  Fl. 681DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10930.003066/2005­27  Acórdão n.º 3201­000.104  S3­C2T1  Fl. 679          5  Lançamento", distingue as modalidades de lançamento, identificando que a do art. 66 da Lei n"  8.383,  de  1991,  compete  ao  sujeito  passivo  realizar,  na  modalidade  de  lançamento  por  homologação;  e  em  "Do Fundamento Constitucional  do Direito  de Compensar",  questiona  a  validade  das  "normas  jurídicas  inferiores"  que  inviabilizam  a  compensação,  citando  como  fundamentos  constitucionais  para  o  direito  de  compensação  os  princípios  da  cidadania,  da  justiça, da isonomia, da propriedade e da moralidade, sobre os quais discorre.  9.5.  Sob  o  titulo  "Da  Penalidade Aplicada",  questiona  a multa  lançada  em  face  do  "indeferimento"  da  declaração  de  compensação,  argumentando  que  não  praticou  ato  algum que caracterize sonegação, não havendo ocultação ou dolo, mas apenas o exercício do  seu  direito  de  petição,  que  lembra  ser  relativo  h  compensação  de  créditos  resultantes  de  condenação da Fazenda Pública. Destaca que a compensação é  forma de extinção de crédito,  nos termos do art. 156, II, do CTN, e suscita haver denúncia espontânea, de que trata o art. 138  do CTN, equiparando a compensação ao pagamento requerido pela norma. Acrescenta que, por  isonomia,  o  tratamento  a  quem  informa  compensação  deve  ser  o  mesmo  daquele  que  simplesmente não paga e nada informa e que "sofre uma majora cão de apenas 20% no total de  seu débito".  9.6.  Pelo  exposto,  conclui  cabível  a  compensação,  que  pretende  seja  homologada.   10.  Consoante  Termo  de  Juntada  de  Processos,  A.  fl.  408,  foi  juntado  por  anexação  (deste  passando  a  fazer  parte),  As  fls.  184/407,  as  peças  que  antes  compunham  o  Processo n° 16366.000118/2007­11, relativo h. exigência de multa isolada, relatada a seguir.  Multa isolada.  11.  Passou  a  fazer  parte  integrante  deste  processo  administrativo  o  auto  de  infração  de  fls.  341/343,  pelo  qual  é  exigida  a  multa  isolada  de  150%,  no montante  de  R$  108.761,89,  aplicada  em  face  de  compensação  indevida  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo,  consoante  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  de  fl.  343  e demonstrativo  de  apuração de fl. 341. As fls. 344/356, Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, no  qual o procedimento administrativo é detalhado, bem como seu anexo, A fl. 357.  12. Cientificada do auto de  infração em 06/03/2007  (fl. 360),  a  interessada,  por intermédio de representante constituído (fl. 405), apresentou, em 26/03/2007, a tempestiva  impugnação de fls. 362/398, na qual reprisa alguns dos mesmos argumentos da manifestação  de inconformidade antes resumida, acrescentando os a seguir narrados.  12.2. Em "Do Direito Constitucional de Petição. Da Hierarquia das Leis. Da  Declaração apresentada pela Contribuinte", diz que há violação de seus direitos, por não poder  informar  e  realizar  a  compensação  de  seus  créditos,  em  face  das  disposições  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  517,  de  2005,  que  a  obriga  a  obter  previamente  autorização  para  "retransmitir"  sua  compensação  (por meio  de  declaração  retificadora),  pela  via  eletrônica. A  respeito,  discorre  sobre  o  processo  legislativo,  sustentando  que  não  pode  uma  instrução  normativa  se  antepor  A  lei  complementar,  o  CTN,  ou  a  preceitos  constitucionais,  como  o  direito de petição e de propriedade. Destaca, ainda, os princípios da vedação do enriquecimento  ilícito  e  da  honestidade,  da  finalidade  e  da  razoabilidade.  Acrescenta  que  se  utilizou  de  formulários  para  a  declaração  de  compensação  retificadora  por  não  ter  sido  possibilitada  a  transmissão  pelo  sistema  PER/DComp,  hipótese  que  diz  inclusive  constar  das  instruções  de  Fl. 682DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI     6  preenchimento e de utilização do Programa PER/DComp 1.7, pelo que contesta a consideração  de que não foram declaradas e a imposição de multa, que a compara a uma "sonegadora".  12.3.  Sob  o  subtítulo  "Da  Declaração  Apresentada  ao  Fisco.  Recusa  no  Recebimento.  Equiparação de Não­Declaração", argúi que, se o fisco impede o contribuinte  de  protocolar  seu  pedido  de  homologação,  impondo  "restrições  absurdas",  tais  como  as  contidas na Instrução Normativa SRF n° 517, de 2005, está cerceando seu direito de petição,  constante do art. 50, XXXIV, da Constituição Federal.  12.4.  A  seguir,  analisa  as  multas  fiscais  em  face  das  "limitações  constitucionais ao poder de tributar", princípios que argumenta serem aplicáveis na concepção  de  que  o  acessório —  as multas —  seguem o  principal,  sobre  o  que  discorre  extensamente.  Discursa sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade em matéria de penalidade  pecuniária,  refutando  a  análise  das  leis  exclusivamente  sob  a  ótica  do  principio  da  reserva  legal, em detrimento da ótica do principio da "reserva legal proporcional"; sobre o principio do  não confisco e da capacidade contributiva; e, ao final, faz análise mais detida no principio da  proporcionalidade.  12.5. Pelo exposto, requer seja julgado improcedente o auto de infração.   13. Apensado ao presente, há Representação Fiscal para Fins Penais, objeto  do Processo Administrativo n° 16366.000119/2007­58.  14. É o relatório.  A  3ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Curitiba proferiu decisão mantendo o lançamento de ofício.   A  interessada  regularmente  cientificada  do  Acórdão  interpôs  Recurso  Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos na manifestação.   O  processo  digitalizado  foi  distribuído  e,  posteriormente,  encaminhado  ao  relator na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc  Por  intermédio  de  Despacho,  nos  termos  da  disposição  do  art.  17,  III,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF1,  aprovado  pela  Portaria  MF  256,  de  22  de  junho  de  2009,  incumbiu­me  o  Presidente  da  Turma  a  formalizar esta Resolução, não entregue pelo relator original, Conselheiro Nilton Luiz Bartoli,  que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF.                                                              1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as  atividades do respectivo órgão e ainda:  (...)  III ­ designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja  impossibilitado de fazê­lo ou não mais componha o colegiado;    Fl. 683DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10930.003066/2005­27  Acórdão n.º 3201­000.104  S3­C2T1  Fl. 680          7  Desta  forma,  a  elaboração  deste  voto  deve  refletir  a  posição  adotada  pela  relatora  original,  que  foi  acompanhada,  por  unanimidade,  pelos  demais  integrantes  do  colegiado.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele se tomou conhecimento.  Como  relatado,  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  para  a  cobrança  da  multa  isolada por declaração de compensação indevida com o fito de dar cumprimento ao § 3º do art.  18 da Lei n° 10.833, de 2003.   À  época  em  que  foi  apresentada  a  declaração  de  compensação  (janeiro  de  2004), o artigo 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.158­35 (DOU de 27.08.2001), prescrevia:  Art.90  ­  Serão  objeto  de  lançamento  de  ofício  as  diferenças  apuradas,  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo,  decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela  Secretaria da Receita Federal.  De  outro  lado,  a  Lei  Complementar  n°  104/2001  (DOU  de  11.01.2001)  já  havia  inserido  o  artigo  170­A  no CTN que  vedava  a  compensação mediante  a  utilização  de  créditos provenientes de sentença judicial não transitada em julgado, verbis:   "Art.  170­A.  É  vedada  a  compensação  mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão judicial."  A multa aplicada pela prática da conduta vedada pelo artigo 170­A do CTN  c/c com o artigo 90 da MP 2.158­35 de 2001, refere­se aos seguintes fatos: a recorrente utilizou  supostos créditos que seriam decorrentes da Ação de Atentado n° 1.059/57 (fls. 55/122), que  não se enquadram na prerrogativa legal do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada  pela  Lei  n°  10.637,  de  2002,  eis  que  não  foram  por  ela  apurados,  não  são  relativos  a  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  SRF,  não  são  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento pela SRF e não preenchem o requisito de que a compensação seja efetuada  por quem apurou os créditos para a compensação de débitos próprios. Portanto, cabível a  aplicação da penalidade prevista no do artigo 18, da Lei 10.833/2003, verbis:  Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida  Provisória no 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à  imposição  de  multa  isolada  sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes de compensação indevida e aplicar­se­á unicamente  nas  hipóteses  de  o  crédito  ou  o  débito  não  ser  passível  de  compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de  natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática  das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30  de novembro de 1964.  §  1o  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74  da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 684DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI     8  §2o  A  multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  é  a  prevista  nos  incisos  I  e  II  ou no  §  2o do  art.  44  da Lei  no 9.430,  de  27  de  dezembro de 1996, conforme o caso.  Verifica­se, portanto, que o caput do art. 18 da Lei nº. 10.833/2003 definiu as  hipóteses em que seria cabível a aplicação da multa isolada de ofício, quais sejam:  (a) quando o crédito/débito não for passível de compensação, por expressa  determinação legal;  (b) quando o crédito não tiver natureza tributária; e  (c) quando ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio (arts.  71 a 73 da Lei nº. 4.502/64)  Já o §2º do mesmo artigo estabeleceu que os percentuais da multa aplicáveis  àquelas hipóteses previstas no caput seriam de 75% e 150% (nos casos de evidente intuito de  fraude), e que esses percentuais aumentariam para 112,5% e 225%, respectivamente, nos casos  em que o contribuinte deixasse de atender a intimação para prestar esclarecimentos, em razão  do que estabelecia o mencionado art. 44 da Lei nº. 9.430/96.  O caso em tela pode ser enquadrado na primeira hipótese: o crédito não era  passível de compensação por expressa disposição legal.   Importante destacar que esta multa  foi mantida mesmo com a nova redação  dada pela Lei 11.051/2004, que  incluiu o parágrafo 4º e alterou o caput do artigo 18, da Lei  10.833/2003, verbis:  Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  de  não­homologação  da  compensação  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo.   (...)  § 2o A multa  isolada a que  se  refere o  caput deste artigo  será  aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o  do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme  o  caso,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente compensado.  (...)  §4º  Será  também  exigida multa  isolada  sobre  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado  quando  a  compensação  for  considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do §12 do  art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando­se  o percentual previsto no  inciso  I  do  caput do art.  44 da Lei nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicado na  forma de  seu  §1º, quando for o caso.   Por sua vez, o parágrafo 12, inciso II, do artigo 74 da Lei 9.430/96, relaciona  as hipóteses em que se considera não declarada a compensação, vejamos:   Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  Fl. 685DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI Processo nº 10930.003066/2005­27  Acórdão n.º 3201­000.104  S3­C2T1  Fl. 681          9  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.   (...)  §12.  Será  considerada  não  declarada  a  compensação  nas  hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)   I ­ previstas no § 3o deste artigo;   II ­ em que o crédito:    a) seja de terceiros;    b)  refira­se  a  "crédito­prêmio"  instituído  pelo  art.  1o  do  Decreto­Lei no 491, de 5 de março de 1969;   c) refira­se a título público;   d)  seja  decorrente  de  decisão  judicial  não  transitada  em  julgado; ou    e)  não  se  refira  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal ­ SRF.  f)tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de  lei, exceto nos casos em que a lei:  (...)   A multa aplicada com base no caput do art. 18, da Lei 10.833/2003 (redação  original) e mantida com base no parágrafo 4º, do artigo 18 da Lei 10.833/2003 (redação dada  pela Lei 11.051/2004), nas hipóteses previstas no §12, inciso II, alínea “d”, do art. 74 da Lei nº  9.430/1996, será calculada de acordo com o percentual, de 75%, prescrito no inciso I, art. 44 da  Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), verbis:   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:    I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;   Portanto,  interpretando­se  sistematicamente  os  dispositivos  legais  acima  transcritos, pode­se concluir que nos casos de compensação considerada “não declarada”, é  plenamente cabível a aplicação da multa isolada (art. 18, da Lei 10.833/2003 c/c art. 170­A do  CTN),  no  percentual  de  75%  (inciso  I,  caput,  do  artigo  44  da  Lei  n°  9.430/96),  desde  que  efetuada nas  seguintes hipóteses  (inciso  II  do §12 do art.  74 da Lei nº 9.430/1996):  (a)  com  créditos de  terceiros;  (b) com o "crédito­prêmio"  instituído pelo artigo 10 do Decreto­Lei no  491,  de  5  de  março  de  1969;  (c)  com  créditos  ligados  a  título  público;  (d)  com  créditos  decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; e (e) com créditos que não se refiram  a tributos e contribuições administrados pela SRF.  Fl. 686DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI     10  Em outro giro, como bem destacou a declaração de voto constante do acordo  recorrido,  a  multa  de  ofício  de  150%  deve  ser  reduzido  para  75%,  uma  vez  que  a  multa  qualificada  prevista  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  deve  ser  cominada  pela  autoridade  administrativa  exclusivamente  para  os  casos  dolosos  que  se  encontram precisamente definidos nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. 79. No caso  dos autos,  todavia, considero que a materialização da hipótese que ensejaria o lançamento da  multa qualificada em apreço não  se comprova quando posta  em cotejo  com a conduta  típica  expressamente prevista na norma legal.  Desta  forma,  uma vez  tipificada  a  conduta  (compensação  considerada  “não  declarada”) deve­se aplicar a penalidade prescrita na norma (multa de 75%).   Assim  sendo,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  para  reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%.   E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto.   (assinado digitalmente)  Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc                                Fl. 687DF CARF MF Impresso em 20/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOEL MIYAZ AKI

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Numero do processo: 11065.000464/2008-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCLUSÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543-B E 543-C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF - ART. 62-A DO RICARF. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros. Entendimento firmado pelo STF no julgamento do REnº606.107. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS PELA FROTA DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA NO TRANSPORTE DE INSUMOS E DE MÃO-DE-OBRA ENTRE SEUS ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes consumidos por caminhões e automóveis da contribuinte, utilizados no transporte de insumos e de mão-de-obra entre estabelecimentos distintos da sociedade empresária, por não serem aplicados diretamente na produção ou fabricação bens ou produtos destinados à venda, não geram direito a crédito de PIS e de Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar a impossibilidade de ressarcimento dos créditos sobre combustíveis e lubrificantes. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez L6pez (Relatora), Nanci Gama. Ivan Allegretti, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto assinado digitalmente Maria Teresa Martínez López - Relatora assinado digitalmente Henrique Torres -Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada) e Maria Teresa Martínez López. O Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, ausente momentaneamente.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 626          2 L6pez  (Relatora), Nanci Gama.  Ivan Allegretti,  Francisco Mauricio Rabelo  de  Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado para redigir o voto  vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.   assinado digitalmente  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente Substituto  assinado digitalmente  Maria Teresa Martínez López ­ Relatora  assinado digitalmente  Henrique Torres ­Redator designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Nanci  Gama,  Júlio  César  Alves  Ramos  (Substituto  convocado),  Ivan  Allegretti  (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Fabiola  Cassiano  Keramidas  (Substituta  convocada)  e  Maria  Teresa  Martínez López. O Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos participou do julgamento em  substituição ao Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, ausente momentaneamente.  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  tempestivo,  interposto  pela  Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais,  em  face  do Acórdão 3401­01.097,  por meio  do  qual  deu­se provimento  ao  recurso voluntário.  A ementa dessa decisão, está assim redigida:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007  BASE  DE  CÁLCULO.  CESSÃO  DE  CRÉDITOS  DO  ICMS.  NÃO  INCLUSÃO.  Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e  do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica  é a de crédito escritural do  imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente  ao  ágio  integrará  a  base  de  cálculo  das  duas  Contribuições,  caso  o  valor  do  crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMBUSTÍVEIS  E  LUBRIFICANTES.  TRANSPORTE  DOS  INSUMOS  E  DA  MÃO­DE­OBRA  DO  PARQUE  INDUSTRIAL. DIREITO AO CRÉDITO.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  Cofins  as  indústrias  têm  direito  a  créditos  sobre  os  dispêndios  com  combustíveis  e  lubrificantes  dos  veículos  utilizados no transporte dos insumos e da mão­de­obra do parque industrial.    Fl. 626DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 627          3 As  matérias,  objeto  de  recurso  especial,  interposto  pela  Fazenda  Nacional  são:  I­ CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS – se integra ou não a base  de cálculo da COFINS (não cumulativa), e  II­  combustíveis  e  lubrificantes –  conceito de  insumos – direito  ao crédito.   Por  meio  do  Despacho  3400­00.507,  e  sob  o  entendimento  de  estarem  presentes os requisitos de admissibilidade, deu­se seguimento ao recurso.  A  interessada  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  manejado  pela  Fazenda  Nacional onde em apertada síntese pede a manutenção da decisão recorrida.   É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Maria Tereza Martinez López, Relatora  O recurso, preenche os requisitos legais e dele tomo conhecimento.  Como exposto no relatório, duas são as matérias  sujeitas à apreciação deste  Colegiado. A saber:  I­  CESSÃO  DE  CRÉDITOS  DO  ICMS  –  base  de  cálculo  da  COFINS (não cumulativa), e:  II­  combustíveis  e  lubrificantes  como  insumos  –  direito  ao  crédito.  Passo à análise das matérias.   1  CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS – base de cálculo da COFINS (não cumulativa)  Trata­se de PEDIDO DE RESSARCIMENTO de créditos de PIS e COFINS,  do período de 01/07/2007 a 30/09/2007, respectivamente.  A  contribuinte,  tem  como  atividade  o  curtimento,  a  industrialização,  a  comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino  e materiais para sofá.  A interessada apresentou, junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em  Novo  Hamburgo/RS,  um  pedido  de  ressarcimento  de  "COFINS  Não  Cumulativo  ­  Exportação",  o  qual  foi  indeferido  em  parte,  porque,  na  análise  da  documentação  que  dava  suporte a tal pretensão, o Fisco entendeu que:  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 628          4 a) os valores de "Transferência de ICMS a Terceiros" deveria ter  sido considerado como receita, reduzindo, assim, o montante dos  créditos da referida contribuição;  b) não poderiam ter sido aproveitados créditos originados (b.1)  da  aquisição  de  combustíveis  utilizados  na  frota  própria  de  veículos (...)  Nesse sentido, consta do relatório da decisão recorrida:  "Trata­se  de  PER/Dcomp  entregue  em  28/12/2007  na  qual  foi  indicado crédito da Cofins não­cumulativa a ser ressarcida com  fundamento  no  §  2º  do  art.  6º  da  Lei  nº  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003 relacionado ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$  776.111,48,  cujo  reconhecimento  pela  autoridade  fiscal  foi  apenas  parcial,  da  ordem  de  R$  680.463,74.  Segundo  o  Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada: a)  pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no  período  dos  valores  correspondentes  à  cessão  de  crédito  do  ICMS a terceiros; e pelo aproveitamento de créditos originados:  b.1) da aquisição de combustíveis utilizados na frota própria de  veículos;  b.2)  do  pagamento  de  serviços  a  terceiros,  pessoas  jurídicas,  pela  prestação  de  serviços  de  remoção  de  resíduos  industriais;  b.3)  da  aquisição  de  mercadorias  com  o  fim  de  exportação;  e  b.4)  de  bonificações,  doações,  amostras  e  indenizações recebidas."  Compartilho  do  entendimento  externado  no  voto  vencedor  do  Ilustre  Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, a seguir reproduzido:  "CESSÃO  DE  CRÉDITOS  DO  ICMS  COM  ORIGEM  EM  EXPORTAÇÕES: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO  À luz do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 1º  da  Lei  nº  10.637/2002  e  art.  1º  da  Lei  nº  10.833/2003,1  a  tributação (ou não) dos valores em tela enseja inúmeros debates,  dando  margem  a  três  correntes:  não  incidência  do  PIS  e  da  COFINS,  exceto  no  que  atinge  a  parcela  correspondente  ao  ágio, quando for o caso; incidência sobre o valor recebido pela  transferência,  inconfundível  que  é  o  com  montante  do  crédito  cedido, de modo que a base de cálculo tributável será menor do  que  o  crédito  de  ICMS  negociado  (quando  houver  deságio),  igual  (quando  o  valor  cedido  for  idêntico  ao  pago  pelo  cessionário  ao  cedente)  ou  maior  (quando  houve  ágio);  e  incidência  sobre  o montante  transferido,  independentemente  de  haver ágio ou deságio.  Entendo  deva  haver  incidência  tão­somente  sobre  o  ágio,  quando houver.  Como  na  situação  destes  autos  a  glosa  correspondente  aos  valores do crédito de ICMS transferidos e inexiste notícia de que  teria havido ágio, cabe dar razão à Recorrente neste ponto.  Para  mim,  a  controvérsia  há  de  ser  dirimida  levando­se  em  conta  a  natureza  jurídica  do  crédito  cedido,  que  permanece  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 629          5 sendo  de  saldo  credor  escritural  de  ICMS,  cuja  utilização  é  submetida  a  regras  rígidas. À  semelhança do  que  se  dá  com o  Crédito  Presumido  do  IPI  ressarcido,  que  também  não  deve  compor  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS  ­  inclusive  no  regime da não­cumulatividade, onde a base de cálculo das duas  Contribuições é a receita bruta a englobar outras receitas além  das  provenientes  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  ­, a natureza  jurídica do crédito de ICMS determina o  seu regime jurídico e, consequentemente, a caracterização como  receita ou não, para fins da tributação analisada.  Como  se  sabe,  institutos  como  decadência  e  prescrição,  por  exemplo,  prendem­se  a  cada  espécime  jurídica  delineada,  de  forma que uma caracterização ou classificação inadequada pode  acarretar  consequências  em  desacordo  com  as  normas  do  ordenamento  jurídico.  Numa  classificação  do  Direito,  a  maior  utilidade  está  em  permitir  uma  melhor  compreensão  do  fenômeno  jurídico.  Se  para  um  economista,  por  exemplo,  o  critério econômico pode  ser o mais adequado e  suficiente para  uma  classificação  que  pretenda  averiguar  em  quanto  um  incentivo como o crédito presumido incrementou as exportações,  para um operador ou cientista do Direito é diferente. No estudo  dos  fenômenos  e  institutos  jurídicos,  a  classificação  deve  ser  orientada pelas normas jurídicas, delas se extraindo a natureza  jurídica do objeto investigado.  Na situação dos autos é indiscutível que o crédito em tela deve  ser  classificado  como  saldo  credor  escritural  do  ICMS,  que  define  bem  sua  natureza  jurídica  e  delimita  o  regime  jurídico  correspondente,  a  regular  a  forma  e  amplitude  de  utilização  desse saldo, com obediência à Lei Complementar nº 87/96 e às  diversas leis estaduais dispondo sobre o imposto.  Dispondo  sobre  o  saldo  credor  do  ICMS,  a  LC  nº  87/96  estabelece o seguinte (negritos acrescentados):  Art.  25.  Para  efeito  de  aplicação  do  disposto  no  art.  24,  os  débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento,  compensando­se  os  saldos  credores  e  devedores  entre  os  estabelecimentos  do  mesmo  sujeito  passivo  localizados  no  Estado. (Redação dada pela LC nº 102/2000)  § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação  desta  Lei  Complementar  por  estabelecimentos  que  realizem  operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu  parágrafo  único  podem  ser,  na  proporção  que  estas  saídas  representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento:  I  ­  imputados  pelo  sujeito  passivo  a  qualquer  estabelecimento  seu no Estado;  II  ­  havendo  saldo  remanescente,  transferidos  pelo  sujeito  passivo  a  outros  contribuintes  do  mesmo  Estado,  mediante  a  emissão  pela  autoridade  competente  de  documento  que  reconheça o crédito.  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 630          6 § 2º Lei  estadual  poderá, nos  demais  casos  de  saldos  credores  acumulados  a  partir  da  vigência  desta  Lei  Complementa,  permitir que:  I  ­  sejam  imputados  pelo  sujeito  passivo  a  qualquer  estabelecimento seu no Estado;  II  ­  sejam  transferidos,  nas  condições  que  definir,  a  outros  contribuintes do mesmo Estado.  Como  é  cediço,  os  créditos  de  ICMS  devem  ser  empregados,  inicialmente,  para  reduzir  os  débitos,  no  âmbito  da  não­ cumulatividade própria. Depois, remanescendo saldo credor este  pode ser empregado nos termos em que a lei estadual dispuser,  comportando  inclusive  o  ressarcimento,  em  algumas  hipóteses.  Seja deduzido dos débitos, ressarcido ou transferido a terceiros,  continua  com  a  mesma  natureza  jurídica.  Daí  não  parecer  razoável  que,  a  depender da  forma de utilização desse  crédito,  seja ou não tributado pelo PIS e pela Cofins.  Sublinho  considerar  irrelevante  a  contabilização  desse  crédito,  pois a circunstância de constar do ativo, antes de ressarcido ou  transferido  a  terceiros,  não  tem  qualquer  importância  para  caracterizá­lo como integrante da receita bruta tributável pelos  PIS e Cofins. Também não vejo relevância na posição assumida  pelo adquirente: tanto faz que o cessionário seja um fornecedor  do cedente ou uma terceira pessoa sem vinculo anterior.  O  importante  é  que,  desde  a  origem  e  independentemente  da  forma de utilização, trata­se de créditos do ICMS.  Por  oportuno,  informo  que  a  Quarta  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  já  decidiu,  à  unanimidade,  pela  exclusão dos créditos de ICMS transferidos, quando decorrentes  de  exportação.  Refiro­me  ao  Recurso  nº  148.095,  Acórdão  nº  204­03.395, sessão de 03/09/2008, relatora a ilustre Conselheira  Nayra Bastos Manatta.  Destacando  que  aquele  julgado  possui  fundamentação  diferenciada deste, já que lá é dado relevo à circunstancia de se  tratar  de  créditos  oriundos  de  exportação,  enquanto  neste  consideraria  tal  origem  sem  importância  (se  a  lei  estadual  autorizar a  transferência escorada no  inc. II do § 2º do art. 25  da LC nº 87/96, que não se restringe a créditos da exportação,  parece­me  também não deva haver  incidência do PIS  e Cofins,  assim como se dá quando a lei estadual se ampara no inc. II do §  1º do mesmo artigo, que se fere especificamente às operações de  exportação),  em  reforço  à  interpretação  acima  explanada  reproduzo  parte  do  voto  da  douta  Conselheira  Nayra  Bastos  Manatta no Acórdão nº 204­03.395, que vai de encontro à minha  argumentação:  Nesta questão adoto o entendimento do Conselheiro Jorge Freire  esposado  no  Recurso  Voluntário  n°  137.860  que  a  seguir  transcrevo:  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 631          7 ‘Exsurge do relatado que a matéria posta ao conhecimento deste  Colegiado  cinge­se  à  incidência  ou  não  da  COFINS  e  do  PIS  sobre a cessão de saldo credor de ICMS oriundo de exportações  e  se  sobre  o  valor  ressarcível  daquelas  contribuições  aplica­se  ou não atualização monetária e/ou juros de mora.  A  origem  do  saldo  credor  do  ICMS  sob  análise  decorre  da  norma constitucional que determina a não incidência deste sobre  as operações que destinem mercadorias para o exterior (CF, art  155, § 2°, X e LC 87/96, art 3°, II). O contribuinte, ao adquirir  insumos,  se credita daquele  imposto  (CF, art. 155, D, mas não  pode aproveitá­lo no todo uma vez que destina sua produção ao  exterior,  acumulando,  dessa  forma,  saldo  credor.  De  outro  turno,  a  Lei  Complementar  87/97,  em  seu  artigo  25,  1°,  II,  permite  que  os  saldos  credores  acumulados  possam  ser  transferidos a outros contribuintes do mesmo estado, mediante a  emissão  pela  autoridade  competente  de  documento  que  reconheça o crédito.  Assim,  a  questão  que  se  põe  é  identificarmos  se  essa  transferência  do  saldo  credor  do  1CMS  se  reveste  da  natureza  jurídica  de  receita,  pois  só  assim  há  falar­se  em  incidência  da  COFINS  e  do  PIS.  Afigure­se  que  não  se  está  a  discutir  a  legitimidade (decorrente de exportações efetivas) dos créditos ou  sua liquidez e certeza, mas sim sua natureza jurídica.  O decisum vergastado entende que "a operação de transferência  dos  créditos  do  ICMS  configura  uma  espécie  de  alienação,  ou  melhor dizendo, uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica  vendedora  toma  o  lugar  do  cedente;  o  adquirente,  o  do  cessionário e a unidade da Federação, o do cedido", concluindo  que  "o  negócio  jurídico  ora  analisado  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  exclusões  da  base  de  cálculo  da  contribuição  ...previstas na legislação.’  De  outra  banda,  a  recorrente,  adentrando  na  seara  contábil,  esposa  entendimento  que  não  podendo  o  valor  do  imposto  recuperável  (no  caso,  a  cessão  do  crédito  de  ICMS)  ser  contabilizado  como  custo  (referindo­se  ao  parágrafo  único  do  art. 289 do regulamento do  imposto de renda), "a não  inclusão  representa  redução  do  custo  real  de  aquisição  de mercadorias  ou  matérias  primas  que  se  transforma,  contabilmente,  em  um  direito  recuperável,  cuja  realização,  seja  para  compensar  débitos próprios do mesmo tributo ou através de transferências a  filiais  ou  a  terceiros  para  quitar  débitos  do  mesmo  tributo  (ICMS),  deve  ser  considerada  como  decorrente  de  uma  recuperação da parcela não  incluída no custo das mercadorias  ou insumos adquiridos".  A  natureza  do  crédito  cedido  é  importante  para  o  deslinde  da  lide.  Na  origem,  o  crédito  do  ICMS  é  um  incentivo  fiscal  concedido  pelo  legislador  constituinte  e  complementar  no  sentido  de  não  incluí­lo  no  preço  da  mercadoria  exportada,  desonerando­o em relação às compras de insumos utilizados em  produtos efetivamente exportados, como  forma de  incentivar às  Fl. 631DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 632          8 vendas da produção nacional ao exterior. Ou seja, o legislador,  afrontando  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  permite  a  utilização  de  um  crédito  mesmo  que  não  haja  débito  a  ser  compensado, uma vez que a saída para o exterior é imune, não  havendo o que compensar.  Contudo,  e mesmo  por  isso,  se  houver  débito  desse  imposto,  a  utilização  desse  crédito  incentivado  deverá,  primeiramente,  ser  compensado  com  aquele.  Mas  há  outras  formas  de  aproveitamento,  caso  ainda  reste  saldo  credor,  como  será  sempre o caso de empresas preponderantemente exportadoras.  Ao menos na legislação do ICMS no RS, sucessivamente, o saldo  credor,  poderá  ser  transferido  para  outro  estabelecimento  seu  dentro  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul  ou  para  outro  contribuinte,  dentro  do  Estado.  Também,  sendo  impossível  seu  aproveitamento nas formas anteriores, poderá ser utilizado para  pagar aquisições de matérias primas, produtos intermediários e  material de embalagem, bem como máquinas e equipamentos. E,  por  fim,  transferi­lo  para  terceiros,  contribuintes  de  ICMS,  no  Estado do Rio Grande do Sul, para que os adquirentes do crédito  o  utilizem  para  extinguir,  pela  forma  de  compensação  seus  débitos do tributo.  Esse crédito não se  reveste da natureza de  receita. Até porque  não  se  pode  cindi­lo  para  concluir  que  uma  forma  de  aproveitamento  gera  acréscimo  patrimonial  e  outra  não.  Se  o  crédito  fosse  transferido  a  uma  filial  da  mesma  empresa  poderíamos  falar em acréscimo patrimonial? Ou só há  falar­se  em  acréscimo  patrimonial  quando  há  cessão  do  crédito  a  terceiro? A sua natureza é uma só, incindivel.  Em face de tal, entendo que não se pode fazer uma leitura linear  de  que,  aos  olhos  da  norma  impositiva,  todo  ingresso  que  represente acréscimo patrimonial ocorrido nas contas de receita  da  empresa  constitui­se  em  base  de  cálculo  da  Cofins.  Até  porque,  desta  forma,  estaríamos  pautando  a  natureza  jurídica  dos aportes financeiros em função de sua escrituração contábil,e  ai adentraríamos no caminho da imprecisão, quando estaríamos  a  discutir  se  o  valor  do  crédito  deveria  ser  escriturado  como  receita  patrimonial  ou  como  conta  redutora  do  custo  dos  produtos exportados que deram à luz ao valor incentivado.  (...)  O  que  não  se  pode  conceber  é  que  a  norma  crie  formas  de  aproveitamento  de  crédito  oriundo  da  exportação  de  mercadorias,  imunes  de  qualquer  tributação,  e,  ao  mesmo  tempo,tribute  o  valor  aportado  por meio  desse  crédito  somente  quando ele for cedido a terceiros.  Nesse sentido, decisão do TRF4 quando julgamento do Mandado  de Segurança n° 2005.71.08.001336­5/RS I,que restou ementado  nos seguintes termos:  Fl. 632DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 633          9 ‘TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  CRÉDITO  DE  ICMS.  IMUNIDADE.  BITRIBUTAÇÃO.  O  posicionamento  adotado  pelo  Fisco  ofende  a  regra  constitucional de imunidade. 2. O ICMS de que trata a Fazenda  já serviu de base de cálculo para apuração do PIS e COFINS a  ser  recolhido  pelo  fornecedor  de  insumos,  portanto,  pretender  considerá­lo  novamente  é  medida  repudiada  pelo  sistema  tributário’."  JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA  Não  obstante  as  considerações  acima,  é  importante  também  trazer  a  Jurisprudência  dos  Tribunais  Superiores.  Registro,  em  análise,  o  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  RE  606107,  que  tinha, desde 20.8.2010, sua repercussão geral reconhecida  pelo  colendo  Supremo  Tribunal  Federal – STF.  Verifico,  no  entanto,  que  em  23.5.2013  foi  julgado o mérito do tema com repercussão geral com a seguinte decisão:  Decisão: O Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto da  Relatora,  conheceu  e  negou  provimento  ao  recurso  extraordinário,  vencido  o  Ministro  Dias  Toffoli.  Votou  o  Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 22.05.2013.  Para melhor elucidar a  questão, transcrevo  o acórdão  publicado  no DJE em  25/11/2013:   RE 606107/RS ­ RIO GRANDE DO SUL  RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. ROSA WEBER   Julgamento: 22/05/2013 Órgão Julgador: Tribunal Pleno   Parte(s)   RECTE.(S) : UNIÃO   PROC.(A/S)(ES) : PGFN  RECDO.(A/S) : SCHMIDT IRMÃOS CALCADOS LTDA   ADV.(A/S) : (...)   EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO.  IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  TELEOLOGIA  DA  NORMA.  EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFER IDOS A TERCEIROS.   I ­ Esta Suprema Corte,  nas  inúmeras  oportunidades  em  que  debatida a  questão  da  hermenêutica  constitucional  aplicada ao  tema  das  imunidades,  adotou  a  interpretação  teleológica  do  instituto,  a emprestar­lhe  abrangência  maior,  com  escopo  de  assegurar à norma supra legal máxima efetividade.   II  ­  A  interpretação  dos  conceitos  utilizados  pela  Carta  da  República para  outorgar  competências  impositivas  (entre  os  quais  se  insere  o  conceito  de  “receita”  constante  do  seu  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 634          10 art. 195, I, “b”) não está sujeita,  por  óbvio,  à  prévia  edição  de lei. Tampouco está condicionada  à lei  a exegese  dos  dispositivos  que estabelecem imunidades tributárias,  como  aqueles  que fundamentaram  o  acórdão  de  origem  (arts.  149,  §  2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF).   Em ambos os casos, trata­se de interpretação  da  Lei  Maior  voltada  a  desvelar  o  alcance  de  regras  tipicamente constitucionais,  com  absoluta  independência  da  atuação do legislador tributário.   III ­ A  apropriação  de  créditos  de  ICMS  na  aquisição  de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade,  imposta para tal tributo  pelo  artigo  155,  § 2º, I, da Lei Maior,  a fim de  evitar  que  a  sua  incidência em  cascata  onere  demasiadamente  a  atividade  econômica  e  gere  distorções concorrenciais.   IV  ­  O  art.  155,  §  2º, X, “a”,  da  CF  ­  cuja finalidade é o incentivo  às  exportações,  desonerando  as  mercadorias  nacionais  do  seu  ônus  econômico,  de  modo  a  permitir  que  as  empresas  brasileiras  exportem  produtos,  e  não  tributos  ­,  imuniza  as  operações  de  exportação  e  assegura  “a  manutenção  e  o  aproveitamento  do  montante  do  imposto  cobrado  nas  operações  e  prestações  anteriores”.  Não incidem,  pois,  a  COFINS e  a contribuição  ao PIS  sobre  os  créditos  de  ICMS  cedidos  a  terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional  V – O conceito de  receita,  acolhido  pelo  art. 195, I, “b”, da  Constituição  Federal, não se confunde  com o conceito contábil.  Entendimento, aliás,  expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei  10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição  ao PIS/PASEP e  da COFINS  não cumulativas  sobre  o total  das  receitas, “independentemente  de sua  denominação  ou  classificação contábil”.  Ainda  que  a  contabilidade  elaborada  para fins  de informação  ao mercado,  gestão e  planejamento  das empresas  possa  ser tomada  pela lei como  ponto  de  partida  para  a  determinação das bases de cálculo  de diversos tributos, de modo algum  subordina  a  tributação.  A contabilidade  constitui  ferramenta  utilizada  também  para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios  e  regras  próprios  do Direito  Tributário.  Sob  o  específico  prisma  constitucional,  receita bruta pode  ser definida  como o  ingresso  financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento  novo e positivo, sem reservas ou condições.  VI ­ O aproveitamento  dos  créditos  de  ICMS  por  ocasião  da  saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida­se  de  mera  recuperação  do  ônus  econômico  advindo  do  ICMS,  assegurada  expressamente  pelo  art.  155,  § 2º,  X,  “a”,  da Constituição Federal.   Fl. 634DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 635          11 VII  ­ Adquirida  a mercadoria,  a empresa exportadora  pode creditar­se  o ICMS  anteriormente  pago,mas  somente poderá transferir a terceiros  o  saldo credor  acumulado  após a  saída da mercadoria com destino ao  exterior  (art.  25, §  1º,  da  LC  87/1996).  Porquanto  só  se  viabiliza  a  cessão  do  crédito  em  função  da  exportação,  além  de  vocacionada  a  desonerar  as  empresas  exportadoras  do  ônus  econômico  do  ICMS,  as  verbas  respectivas  qualificam­se  como  decorrentes  da exportação  para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição  Federal.   VIII  ­  Assenta  esta  Suprema  Corte  a  tese  da  inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da  COFINS  não cumulativas sobre  os  valores  auferidos  por  empresa  exportadora em razão da  transferência  a  terceiros  de  créditos de ICMS.   IX ­ Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150,  § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal.  Recurso extraordinário conhecido e não provido,  aplicando­se  aos  recursos  sobrestados,  que  versem  sobre  o  tema  decidido, o art. 543­B, § 3º, do CPC.  Em vista do exposto acima, vê­se que o Judiciário proferiu decisão definitiva,  no sentido de que:  i­  não  incide  a COFINS e o PIS sobre os créditos de  ICMS  cedidos  a  terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional e;  ii­  O  conceito  de receita, acolhido pelo art. 195, item  I,  “b”  da  CF,  não se confunde com o conceito contábil. Por conseguinte, a  decisão  do Pleno do STJ assenta a tese da inconstitucionalidade da incidência  do PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por  empresa exportadora em razão da transferência a terceiros  de créditos.   Com  a  alteração  regimental,  que  acrescentou  o  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do CARF,  as  decisões  do Superior Tribunal  de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos  devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim,  se a matéria  foi  julgada  pelo  STJ,  em  sede  de  recurso  repetitivo,  a  decisão  deve  ser  adotada  no  CARF,  independentemente de convicções pessoais dos julgadores.  Veja­se os referidos comandos legais:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 636          12 I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  (...)  Verifica­se, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em  caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos  no âmbito do CARF.  2  Combustíveis e lubrificantes como insumos – direito ao crédito  A  matéria  diz  respeito  ao  conceito  de  insumo  para  o  aproveitamento  de  crédito da COFINS, definição esta não prevista na legislação ordinária.  A  interessada,  tem  como  atividade  o  curtimento,  a  industrialização,  a  comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino  e materiais para sofá.  A  D.  Procuradoria,  defende  na  definição  de  "insumo"  o  conceito  restrito  utilizado na  legislação do  IPI,  interpretação esta  superada pela doutrina  e  em  especial,  neste  Colegiado.  Na  fundamentação  exclusiva  do  IPI,  não  seriam  considerados  insumos  os  combustíveis  e  lubrificantes,  quando  não  utilizados  diretamente  (agregados)  na  produção  e  fabricação dos bens destinados a venda, como é o caso do processo produtivo do contribuinte  em referência.   Penso equivocado utilizar tão somente os conceitos da legislação do IPI que  definem  para  o  imposto  os  termos  matéria  prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem, espécies do gênero insumo, como paradigma na aplicação da não cumulatividade  do PIS e da COFINS, quando a legislação própria em momento algum utiliza tais termos.  O Parecer Normativo nº 65/79, alterou um posicionamento anterior sobre as  regras que tratavam do direito de crédito no âmbito do IPI, em razão da alteração legislativa no  Fl. 636DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 637          13 RIPI/72 perpetrada pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979 (RIPI/79). Eis o que diz a  ementa do referido Parecer Normativo, a saber:  “A  partir  da  vigência  do  RIPI/79,  ‘ex  vi’  do  inciso  I  de  seu  art.66,  geram  direito  ao  crédito  ali  referido,  além  dos  que  se  integram  ao  produto  final  (matérias  primas  e  produtos  intermediários  ‘stricto  sensu’,  e  material  de  embalagem),  quaisquer  outros  bens,  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação,  alterações  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal  entendimento  aos  fatos  ocorridos  na  vigência  do  RIPI/72  que  continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74.”  É  importante  novamente  ressaltar  que  o  mencionado  Parecer  Normativo,  argüido pela PGFN, diz respeito ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material  de embalagem (para efeito de crédito básico), mas não define o conceito de insumo 1 .  A  legislação  do  IPI  estabeleceu  apenas  uma  definição  legal  dos  termos  (i)  matéria prima, (ii) produto intermédio e (iii) material de embalagem, que pode variar de acordo  com a norma legal. Esses termos podem ser estipulados pelo legislador de forma estrita, como  no RIPI/72 ou de forma mais ampla, com a alteração do RIPI/79. A definição legal pode, ainda,  ser  delimitada  em  razão  da  aplicação  do  Direito  aos  casos  concretos,  que  demandam  uma  interpretação  específica  e  uma  decisão  do  caso  em  concreto  à  luz  da  não  cumulatividade  prevista  na  Constituição.  Como  resultante,  tem­se  que  a  depender  do  bem,  a  discussão  se  confere  ou  não  crédito  para  efeito  da  não  cumulatividade  pode  variar.  Cada  caso  deve  ser  analisado segundo as suas características.  No  entanto,  pode­se  dizer  que,  quando  a  legislação  do  IPI  utiliza  o  termo  insumo, o  faz em substituição aos  termos específicos matéria prima, produto  intermediário e  material de embalagem. O faz, por exemplo, no artigo 42 do RIPI/10, ao dispor que podem sair  com suspensão “as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem  destinados  à  industrialização,  desde  que  os  produtos  industrializados  sejam  enviados  ao  estabelecimento remetente daqueles insumos” (inciso VI).  Nesse  sentido,  penso  correto  se  dizer  que  matéria  prima,  produto  intermediário e material de embalagem são espécies do gênero insumo, mas daí a dizer que o  conceito de insumo restringe­se apenas àquelas três espécies, é contrariar a natureza das coisas.  Não  é  possível  estabelecer  uma  sistemática  de  não  cumulatividade  similar  àquela aplicável ao IPI e ao ICMS, até porque o pressuposto de fato se mostra distinto, como  reconhece Marco Aurélio Greco, em brilhante estudo sobre a matéria:  “Embora  a  não  cumulatividade  seja  uma  idéia  comum  a  IPI  e  a  PIS/COFINS,  a  diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que                                                              1 Insumo, segundo o Dicionário Houaiss, constitui “cada um dos elementos (matéria prima, equipamentos, capital,  horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços”. Para o Dicionário Michaellis insumo  “designa todas as despesas e investimentos que contribuem para a obtenção de determinado resultado, mercadoria  ou produto até o acabamento ou consumo final”. O Dicionário Aulete, o conceitua como “cada um dos elementos  ou  fatores  (como  máquinas  e  equipamentos,  energia,  trabalho  ou  mão  de  obra)  envolvidos  na  produção  de  mercadorias ou serviços.”  Fl. 637DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 638          14 assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação  das normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI  é:  a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais;  b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e  c)  contrariar  a  coerência  interna  da  exigência,  pois  esta  se  forma  a  partir  do  pressuposto de ‘receita’ e não ‘produto’.  Além disso, a constatação de que o ponto de partida constitucional é outro implica  em o  sentido das normas que  compõem o  subordinamento do PIS/COFINS,  ainda  que eventualmente utilizem as mesmas palavras utilizadas no âmbito do IPI, serem  também diferentes.  O significado não é algo que se agregue indissociavelmente à palavra – como já o  demonstrou Alf Ross no seu clássico TûTû.  O  significado  é  evocado  no  interlocutor  e  determinado  pelo  contexto  em  que  utilizada  a  palavra.  No  caso,  o  significado  das  palavras  utilizadas  nas  leis  examinadas  é  definido  pelo  respectivo  pressuposto  de  fato  constitucionalmente  qualificado.  A palavra utilizada num contexto cujo pressuposto de fato é a receita assume sentido  e  alcance  diferente  do  que  resulta  do  contexto  em  que  o  pressuposto  de  fato  é  o  produto  industrializado  ou  a  circulação  de  mercadoria.”  (Não  cumulatividade  do  PIS/PASEP e da COFINS, p. 108/109)  É fundamental para se dirimir a questão posta nos autos, utilizar as regras da  hermenêutica jurídica que fixam o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o  núcleo  semântico  da  norma”,  de  modo  a  interpretar  as  normas  legais  atinentes  à  não  cumulatividade do PIS e da COFINS.  A  hermenêutica,  em  apertada  síntese,  elenca  os  seguintes  métodos  interpretativos:  o  gramatical,  que diz  respeito  à  forma do  texto  e  significado  das  palavras;  o  lógico, que, pelo raciocínio, busca encontrar o pensamento jurídico subjacente à edição da lei e  esclarecer  sua  finalidade,  através  da  perquirição  acerca  da  sua  razão  e  da  sua  intenção;  o  histórico, caracterizado pela investigação de elementos históricos subjacentes à edição da lei,  os motivos pelos quais os legisladores editaram a lei; o sistemático, aquele em que se confronta  o dispositivo legal com as outras normas, visando à manutenção da unidade do sistema previsto  no ordenamento jurídico; e o teleológico, que se caracteriza pela busca da finalidade da norma,  ou seja, a finalidade da edição da lei.  Esses métodos  de  interpretação  constituem  os  parâmetros  delimitadores  da  subjetividade  do  intérprete,  de  modo  a  evitar  juízos  sem  a  devida  fundamentação  ou  justificativa e, portanto, arbitrários do ponto de vista jurídico, na medida em que afastam, ou  melhor, não permitem o controle de sua verossimilhança.  Veja que o controle é da verossimilhança e não da verdade, que é estranha ao  direito. Busca­se o justo e não o verdadeiro, sendo que “o sentido do justo comporta sempre  mais de uma solução [Heller]”, daí Eros Grau sustentar que a interpretação do direito é uma  prudência, pois, o intérprete pratica a juris prudentia, e não juris scientia. Segundo Eros:  “O  intérprete  atua  segundo  a  lógica  da  preferência,  e  não  conforme  a  lógica  da  conseqüência  [Comparato]:  a  lógica  jurídica é a da escolha entre várias possibilidades corretas.  Fl. 638DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 639          15 Interpretar  um  texto  normativo  significa  escolher  uma  entre  várias  interpretações  possíveis,  de  modo  que  a  escolha  seja  apresentada como adequada [Larenz ]. A norma não é objeto de  demonstração,  mas  de  justificação.  Por  isso  a  alternativa  verdadeiro/falso  é  estranha  ao  direito;  no  direito  há  apenas  o  aceitável (justificável).”  Mas esta prudência recomenda que seja a  interpretação adequada a algumas  pautas,  assim elencada por Grau:  (i)  a primeira  relacionada à  interpretação do direito no seu  todo; (ii) a segunda, à finalidade do direito; (iii) a terceira, aos princípios.  A  primeira  das  pautas  emana  que  a  interpretação  leve  em  consideração  o  direito como um todo, não de textos isolados, desprendidos. Daí a celebre frase de Eros Grau  de  que  “não  se  interpreta  o  direito  em  tiras,  aos  pedaços.”  Assevera  o  ilustre  Professor  paulista  que “a  interpretação  de  qualquer  texto  de  direito  impõe  ao  intérprete,  sempre,  em  qualquer circunstância, o caminhar pelo percurso que se projeta a partir dele – do texto – até  a Constituição. Um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não  expressa significado normativo algum.”  Com  essa  pauta,  alcançaríamos  a  necessária  coerência  do  ordenamento  jurídico,  pois,  na  dicção  de  Bobbio  (1996),  “num  ordenamento  jurídico  não  devem  existir  antinomias” 2, como condição de justiça do próprio ordenamento. 3  É certo que existem normas  jurídicas  incoerentes, mas há  regras que visam  justamente dirimir os conflitos das leis.  Portanto,  não  é  dado  ao  intérprete  produzir  algo  que  leve  a  incoerência  do  ordenamento.  Muito  pelo  contrário,  seu  trabalho  precípuo  é  construir  conceitos  tratando  o  ordenamento  como  um  sistema harmônico,  como  uma  unidade,  pois,  o  “direito  objetivo,  de  facto, não é um aglomerado caótico de disposições, mas um organismo jurídico, um sistema de  preceitos coordenados ou subordinados, em que cada um tem o seu porto próprio”, conforme  ensina Ferrara (2002) 4 .  A  coerência  não  é  condição  de  validade,  mas  é  sempre  condição  para  a  justiça do ordenamento. É evidente que quando duas normas contraditórias são ambas válidas,  e pode haver indiferentemente a aplicação de uma ou outra, conforme o livre arbítrio daqueles  que são chamados a aplicá­las, são violadas duas exigências fundamentais em que se inspiram  ou tendem a inspirar­se os ordenamentos jurídicos: a exigência da certeza (que corresponde ao  valor da igualdade). Onde existem duas normas antinômicas, ambas válidas, e portanto ambas  aplicáveis,  o  ordenamento  jurídico  não  consegue  garantir  nem  a  certeza,  entendida  como  possibilidade,  por  parte  do  cidadão,  de  prever  com  exatidão  as  conseqüências  jurídicas  da  própria conduta, nem a justiça, entendida como o igual tratamento das pessoas que pertencem à  mesma categoria.  A segunda pauta diz respeito à finalidade. Com arrimo em Von Jhering, diz  Eros que “a finalidade é o criador de todo o direito e não existe norma ou instituto jurídico que                                                              2 Norberto Bobbio, Teoria do Ordenamento Jurídico.  8.  ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1996, p.  110  3 Idem,  p. 113  4  Francesco Ferrara ­ Como aplicar e interpretar as leis, trad. Joaquim Campos Miranda – Belo Horizonte: Líder,  2002. p. 37  Fl. 639DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 640          16 não deva sua origem a uma finalidade”, concluindo que “a contemplação, no sistema jurídico,  de  normas  objetivo  importa  a  introdução,  na  sua  ‘positividade’,  de  fins  aos  quais  ele  –  o  sistema  –  está  voltado.  A  pesquisa  dos  fins  da  norma,  desenrolada  no  contexto  funcional,  torna­se mais objetiva; a metodologia teleológica repousa em terreno firme”.  A  terceira  e  última  pauta  da  interpretação  como  prudência,  requer  que  o  intérprete esteja vinculado pelos princípios, asseverando Grau que “a interpretação do direito  deve ser dominada pela força dos princípios; são eles que conferem coerência ao sistema”.  As regras da hermenêutica e as pautas da interpretação como prudência, que  em  minha  opinião  se  complementam,  dão  à  interpretação  a  qualificação  de  jurídica  e  a  necessária verossimilhança.  Mas  é  importante  frisar,  para  encerrar  este  tópico,  que  há  limites  à  interpretação. Celso Bastos ensina que “a interpretação aparece diante do juiz como se fosse  um quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a  sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é  válida.  Todavia,  se  a  escolha  recair  fora  deste  quadro,  será  inválida.”  O  que  delimita  a  moldura é o texto normativo, como assevera Eros Grau:  “Todo  intérprete,  embora  jamais  esteja  submetido  ao  ‘espírito  da  lei’  ou  à  ‘vontade  do  legislador’,  estará  sempre  vinculado  pelos textos normativos, em especial – mas não exclusivamente – pelos  que  veiculam princípios  (e  faço  alusão  aqui,  também,  ao  ‘texto’ do direito pressuposto). Ademais, os textos que veiculam  normas objetivo reduzem a amplitude da moldura do texto e dos  fatos,  de  modo  que  nela  não  cabem  soluções  que  não  sejam  absolutamente adequadas a essas normas objetivo.”  Feitas as considerações preliminares acima é importante notar que o crédito  de PIS e COFINS não é sobre “insumo”. Em momento algum a norma legal diz isso. O crédito  é  sobre  bens  e  serviços  adquiridos  e  custos,  despesas  e  encargos  incorridos,  pagos  ou  creditados. Basta uma  leitura perfunctória pelos  dispositivos das Leis 10.637/02 e 10.833/03  para verificar que o crédito sempre está ligado à aquisição de bens e serviços ou de um custo,  despesa  ou  encargo.  O  §  3º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  10.833/03,  é  expresso  neste  sentido  ao  explicitar que o direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;  ­  aos  custos  e despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados a  pessoa jurídica domiciliada no País;  O conceito  jurídico adota o sentido econômico de insumo, consoante Maria  Helena Diniz, que diz ser insumo:  “1. Despesa e investimentos que contribuem para um resultado,  ou  para  a  obtenção  de  uma  mercadoria  ou  produto  até  o  consumo  final.  2.  É  tudo  aquilo  que  entra  (input),  em  contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Trata­se  da combinação de fatores de produção, diretos (matéria prima) e  indiretos  (mão  de  obra,  energia,  tributos),  que  entram  na  elaboração de certa quantidade de bens ou serviços.”   Fl. 640DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 641          17 DINIZ,  Maria  Helena.  Dicionário  jurídico,  vol.  2.  São  Paulo:  Saraiva, 1998, p. 870  Pois  bem,  os  insumos  do  ponto  de  vista  econômico  e  jurídico  podem  ser  divididos  em várias  categorias. Mas  o  que  importa  ao  presente  caso  é  a  divisão  de  insumos  como fatores de produção diretos e indiretos. Os insumos diretos são, por exemplo, as matérias  primas, e os indiretos, mão de obra, e a energia etc. Os fatores de produção direitos podem ser,  por  sua própria natureza,  tidos  como  insumo. Os  fatores  de produção  indiretos  são  insumos,  não pela sua natureza, mas sim por equivalência.  Consta  do  voto  guerreado,  da  lavra  do Relator,  o  Conselheiro  EMANUEL  CARLOS DANTAS DE ASSIS;  (...)  Na  situação  sob exame, os  combustíveis dos veículos utilizados  no  transporte  dos  insumos  e  da  mão  de  obra  do  parque  industrial  (transporte  dos  operários  na  ida  e  retorno  da  indústria)  estão  diretamente  vinculados  aos  bens  industriais  produzidos  pela  Recorrente.  Não  se  trata  de  qualquer  combustível (os dos automóveis da administração, por exemplo,  não geram créditos) mas apenas daquele consumido no serviço  (transporte da indústria) vinculado diretamente à fabricação dos  bens destinados à venda.  Dai se admitir os créditos pleiteados.  (...)  A  decisão  recorrida  não  foi  genérica.  Analisou  o  caso  concreto  frente  à  legislação  de  regência.  Os  dispêndios,  denominados  insumos,  dedutíveis  da  Cofins  não  cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que  participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.  Os combustíveis dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão  de  obra  do  parque  industrial  (transporte  dos  operários  na  ida  e  retorno  da  indústria)  estão  diretamente  vinculados  aos  bens  industriais  produzidos  pela  Recorrente,  e  devem,  os  respectivos créditos pleiteados, ser admitidos.  CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial  da Fazenda Nacional  assinado digitalmente  Maria Tereza Martinez López ­ Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro Henrique Pinheiro Torres ­ redator designado    Fl. 641DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 642          18   A discordância em relação ao voto da relatora diz  respeito,  tão­somente, ao  direito de tomar créditos da contribuição sobre os combustíveis e lubrificantes consumidos pela  frota própria da  interessada. Nessa matéria,  a grande controvérsia  reside em  identificar  se os  combustíveis  e  lubrificantes,  na utilização que  a  eles  foi  dada,  enquadram­se no  conceito de  insumo.   Inicialmente, faz­se necessário esclarecer que, nesta matéria, já me manifestei  de modo diverso do que faço agora, a exemplo do voto condutor do Acórdão nº 9303­01.040,  de 23 de agosto de 2010. Naquela sentada, o entendimento era no sentido de que o legislador  não quisera restringir o creditamento de PIS e de Cofins às aquisições de matérias­primas, produtos  intermediários e ou material de embalagens (alcance de  insumos na legislação do IPI) utilizados,  diretamente,  na  produção  industrial.  Todavia,  esse  entendimento,  que  à  época  predominava  no  Superior Tribunal de  Justiça,  perdeu  força  e  foi  suplantado pela nova  orientação desse Tribunal,  que  passou  a  exigir,  como  condição  para  o  creditamento  dessas  contribuições,  que  os  insumos  fossem empregados diretamente sobre o produto em fabricação. Para que não paire dúvida do aqui  exposto, veja­se a ementa transcrita abaixo.  AgRg no REsp 1429759 / SC  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2014/0007426­6   Relator(a)  Ministro HERMAN BENJAMIN (1132)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 08/05/2014   Data da Publicação/Fonte DJe 18/06/2014    PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535  DO  CPC  NÃO  CONFIGURADA.  PIS  E  COFINS.  CREDITAMENTO.  LEIS  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  ART.  195,  §  12,  DA  CF.  MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS  EMPREGADOS  OU  UTILIZADOS  DIRETAMENTE  NO  PROCESSO PRODUTIVO.  1.  A  solução  integral  da  controvérsia,  com  fundamento  suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC.  2.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem,  apenas  explicitam  o  conceito  de  insumos  previsto  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003.  Precedentes  do  STJ.  Fl. 642DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 643          19 3.  Possibilidade de  creditamento de  PIS  e  Cofins  apenas  em  relação  aos  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.  4. A análise do alcance do conceito de não cumulatividade,  previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada no STJ sob pena de  usurpação da competência do STF.  5. Agravo Regimental não provido.  Feitos os esclarecimentos devidos, passa­se ao voto vencedor.   Frise­se que os combustíveis e lubrificantes objeto da glosa pela fiscalização  não foram utilizados no acionamento das máquinas do parque fabril da contribuinte. Segundo  informou  a  própria  Contribuinte,  em  seu  recurso  voluntário,  eis  a  forma  de  utilização  dos  insumos em foco:  "2.2.3  ­  Está  mais  que  evidente  que  os  combustíveis  e  lubrificantes  consumidos,  pela  frota  de  veículos,  têm  vinculo  direto com a atividade da empresa. Basta ver que ela possui, ao  todo,  11  caminhões  (...),  todos  movidos  a  óleo  diesel;  e  duas  kombis (...), ambas movidas a gasolina.  2.2.4  ­  Todos  esses  veículos  são  utilizados  nas  operações  de  transporte  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  entre  os  diversos  estabelecimentos  da  empresa.  2.2.5  ­  Em  alguns  períodos,  as  kombis  também  são  utilizadas  para o transporte de funcionários da produção, que fazem horas  extras."  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  alterações  posteriores, estabelecia:  Art.3º  Do  valor  apurado  na  formado  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:   (...)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei no10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;(Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Aplicando­se o entendimento do STJ ao caso sob análise, vê­se que o desse  tribunal é bem mais restritivo que o da ilustre relatora, de modo que o direito ao crédito alcança  os  bens,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados  diretamente  como  insumo  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.   Partindo  dessa  premissa,  os  combustíveis  utilizados  como  força  motriz  no  parque  fabril  da  contribuinte  geram  direito  a  créditos,  entretanto,  os  combustíveis  e  lubrificantes consumidos por caminhões e automóveis, utilizados no transporte de insumos  Fl. 643DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.000464/2008­43  Acórdão n.º 9303­003.154  CSRF­T3  Fl. 644          20 e  de mão­de­obra  entre  estabelecimentos  distintos  da  sociedade  empresária,  por  não  serem  aplicados diretamente na produção ou fabricação bens ou produtos destinados à venda,  não geram direito a crédito de PIS ou de Cofins.   Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso da Fazenda Nacional, para excluir os créditos referentes combustíveis e lubrificantes  consumidos por caminhões e automóveis, utilizados no transporte de insumos e de mão­de­ obra entre estabelecimentos distintos da sociedade empresária.    Henrique Pinheiro Torres ­ Redator designado                        Fl. 644DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2015 por MARIA TERESA MARTI NEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 13603.724626/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          2 destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          3 O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Fl. 3577DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          4 Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724626/2011­29 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de Apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  Fl. 3578DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          5 pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas  a  saldo  credor  de  PIS/PASEP  apurado  no  período  de  01/08/2009  a  31/08/2009,  no  valor  total  de R$  182.647,04,  em  conformidade  com  o  artigo  5º  da Lei  nº  10.637,  de  2002.  Desse  montante,  a  unidade  jurisdicionante  do  contribuinte  já  reconhecera  o  direito  sobre  a  parcela de R$ 167.941,87. Por  seu  turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a  R$  225,52  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 14.479,65.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          9 ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          10 suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          11 ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          12 monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          13 recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  21/01/2014  (fls.  1410).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  28/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1412/1439,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          14 a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3554/3559, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  28/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 21/01/2014 ­ conf. fls. 1410).   Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          15 Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e  Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção  A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito                                                                                                                                                                                                   II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          18 comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha  havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          21 Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          22 Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.   2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio                                                              7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          24 jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          25 Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          26 4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          27 do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          29 Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          30 não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          31 Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          32 ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3554/3559, de onde destacamos o seguinte trecho:    [...]  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          33   Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”     Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          34 Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          35 dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****    Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          36 Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3564/3566, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          38 Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  (grifo nosso)  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          39 Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          40 Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  [...]  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          41 Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724626/2011­29  Acórdão n.º 3301­002.814  S3­C3T1  Fl. 0          43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3554/3559;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 12448.726834/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Subsiste a glosa se o sujeito passivo não atende às intimações fiscais e nada prova, no curso do contencioso administrativo, acerca das despesas especificamente questionadas pela autoridade lançadora. Consoante exposto na decisão de piso, as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. DESPESAS NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADAS COM A ATIVIDADE OPERACIONAL. Correta a glosa de gastos vinculados ao sócio da empresa, relativamente às quais o sujeito passivo não demonstra a vinculação com as fontes produtoras de rendimentos. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Os pagamentos vinculados a despesas não comprovadas e aqueles caracterizadores de remuneração indireta sujeitam-se à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%, (art. 61 da Lei n°. 8.981/1995). SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Descabe a realização de diligência ou perícia, quando todos os elementos de prova que necessita o julgador para elucidar os fatos que ensejaram o lançamento já se encontram nos autos, mormente se os fatos questionados devem ser provados por meio de documentos.
Numero da decisão: 1302-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de perícia, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Subsiste a glosa se o sujeito passivo não atende às intimações fiscais e nada prova, no curso do contencioso administrativo, acerca das despesas especificamente questionadas pela autoridade lançadora. Consoante exposto na decisão de piso, as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. DESPESAS NÃO INTRINSECAMENTE RELACIONADAS COM A ATIVIDADE OPERACIONAL. Correta a glosa de gastos vinculados ao sócio da empresa, relativamente às quais o sujeito passivo não demonstra a vinculação com as fontes produtoras de rendimentos. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Os pagamentos vinculados a despesas não comprovadas e aqueles caracterizadores de remuneração indireta sujeitam-se à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%, (art. 61 da Lei n°. 8.981/1995). SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Descabe a realização de diligência ou perícia, quando todos os elementos de prova que necessita o julgador para elucidar os fatos que ensejaram o lançamento já se encontram nos autos, mormente se os fatos questionados devem ser provados por meio de documentos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2207; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.726834/2012­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.797  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  01 de março de 2013  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Glosa de despesas  Recorrente  TUSSOR CONFECÇÕES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Subsiste  a glosa  se o  sujeito passivo  não  atende  às  intimações  fiscais  e  nada  prova,  no  curso  do  contencioso  administrativo,  acerca  das  despesas  especificamente  questionadas  pela  autoridade  lançadora. Consoante  exposto na decisão de piso, as afirmações  que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário  competem ao contribuinte.   DESPESAS  NÃO  INTRINSECAMENTE  RELACIONADAS  COM  A  ATIVIDADE  OPERACIONAL.  Correta  a  glosa  de  gastos  vinculados  ao  sócio da empresa,  relativamente às quais o  sujeito passivo não demonstra a  vinculação com as fontes produtoras de rendimentos.  PAGAMENTOS SEM CAUSA. Os  pagamentos  vinculados  a despesas  não  comprovadas e aqueles caracterizadores de remuneração indireta sujeitam­se  à  tributação  exclusiva  na  fonte  à  alíquota  de  35%,  (art.  61  da  Lei  n°.  8.981/1995).  SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Descabe a realização de diligência ou perícia,  quando todos os elementos de prova que necessita o julgador para elucidar os  fatos que ensejaram o lançamento já se encontram nos autos, mormente se os  fatos questionados devem ser provados por meio de documentos.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  INDEFERIR o pedido de perícia, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR  PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 68 34 /2 01 2- 11 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 3          2 (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente e Relatora  Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente  da  turma),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Luiz  Tadeu  Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente,  a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 4          3   Relatório  TUSSOR  CONFECÇÕES  LTDA,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  8ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro ­ I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta  contra lançamento formalizado em 25/06/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$  14.846.322,29.  As  exigências  se  reportam  ao  ano­calendário  2008  e  decorrem  da  glosa  de  despesas  escrituradas  nas  contas  nº  311040011  (Serviços  de  Terceiro  PJ),  3111060001  (Propaganda, Publicidade e Brindes)  e 31104008  (Material  de Consumo),  acerca das quais  a  contribuinte,  embora  por  várias  vezes  intimada,  não  logrou  êxito  na  comprovação  dos  lançamentos escriturados. Pelo mesmo motivo foram também glosadas despesas escrituradas  na conta nº 311040012 (Aluguéis de Bens Móveis), as quais repercutiram não só nas bases de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL, mas  também  da Contribuição  ao  PIS  e  da COFINS  por  terem  ensejado créditos na apuração não­cumulativa destas  contribuições,  lançamentos  estes objeto  do processo administrativo nº 12448.726835/2012­65.  A autoridade lançadora também apurou pagamentos sem causa, escriturados  na  conta Caixa  Matriz  e  vinculados  às  despesas  não  comprovadas,  registradas  na  conta  nº  311040011 (Serviços de Terceiros PJ), assim como escriturados na conta Banco Bradesco c/c  59000­2  e  vinculados  às  despesas  de  aluguéis  de  bens  móveis  não  comprovadas  (conta  nº  311040012). Tais parcelas se sujeitaram à incidência de IRRF, após o reajustamento da base de  cálculo.  Por  fim,  a  fiscal  autuante  identificou  despesas  escrituradas  nas  Contas  311050008 ­ IPTU, ITR, IPVA, Taxa, 311040029 ­ Seguros e 311040051 ­ Leasing Despesa, e  promovidas  com  bens  móveis  utilizados  pelo  sócio  da  empresa  ou  de  sua  propriedade,  glosando­as  na  apuração  do  IRPJ  e  da CSLL  por  não  estarem  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização.  Além  disso,  também  glosou  gastos  escriturados  nas  contas  nº  311040052  (Desp.  c/  Representação)  e  311040019  (Lanches  e  Refeições),  promovidos  por  Antônio  Ricardo,  sócio  da  empresa.  Consignou­se  que  nos  dois  grupos  de  gastos  a  escrituração  se  deu  como  despesa,  sem  a  identificação  e  a  individualização  dos  beneficiários,  sujeitando­se  à  tributação  como  remuneração  indireta  a  beneficiário  não  identificado,  e  consequente  adição  ao  lucro  real  e  à  base  de  cálculo  da  CSLL,  além  da  incidência de IRRF, com reajustamento da base de cálculo, na forma do art. 675 do RIR/99.  Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a fundamentação legal da  penalidade aplicável,  afirmou não  ter agido com dolo ou culpa, afirmou corretas as despesas  glosadas  porque  presentes  em  sua  escrituração,  questionou  a  ausência  de  intimações  e  diligências  suplementares  pela  Fiscalização,  negou  a  existência  de  pagamentos  sem  causa  porque  todos  teriam  relação  com  suas  atividades,  alegou  que  a  exigência  carece  de  amparo  legal e requereu perícia, indicando perito e formulando quesitos.  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Fl. 551DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 5          4 Ano­calendário: 2008   SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA.  Descabe a realização de diligência ou perícia, quando todos os elementos de prova  que necessita o  julgador para elucidar os  fatos que ensejaram o  lançamento  já se  encontram nos autos.  DESPESAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.  Em processo  fiscal predomina o princípio de que as afirmações  sobre omissão de  rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que  importem  redução,  exclusão,  suspensão  ou  extinção  do  crédito  tributário  competem  ao  contribuinte.  DESPESA. COMPROVAÇÃO.  Para se comprovar uma despesa, de modo a torná­la dedutível, face à legislação do  imposto, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso.  É  indispensável,  principalmente,  comprovar  que  o  dispêndio  corresponde  à  contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido.  ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE.  A  escrituração  contábil mantida  com  observância  das  disposições  legais  somente  faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados  por  documentos  hábeis  e  idôneos,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos legais.  DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS.  Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova  direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa.  Tais documentos devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à  convicção  da  efetiva  ocorrência  do  fato,  devendo,  necessariamente,  terem  sido  subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações.  DESPESA NECESSÁRIA.  Caracterizam­se  como  despesas  necessárias  aquelas  ligadas  a  práticas  que  guardam  relação  com  propósitos  empresariais,  revelando  úteis  a  qualquer  transação  ou  operação  exigida  pela  exploração  das  atividades,  principais  ou  acessórias,  que  estejam  vinculadas  com  as  fontes  produtoras  de  rendimentos.  Somente  são  dedutíveis  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização  das  transações  ou  operações  vinculadas  à  atividade  da  pessoa  jurídica,  devendo,  ao  menos,  tais  despesas  terem  o  potencial  de  trazer  utilidade  para  a  empresa,  não  podendo  ser  deduzidas  as  despesas  ligadas  a  atos  realizados  sem  propósito  empresarial, que demonstrem mera liberalidade.  GLOSA DE DESPESA. LUCRO LÍQUIDO.  A contabilização de despesas sem propósito empresarial  implica  inobservância do  princípio  contábil  da  entidade,  devendo  ensejar  a  glosa  da  despesa  comprovadamente desnecessária no cálculo do lucro líquido da entidade, afetando,  portanto, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS.  A  apresentação  de  alegações  visando  desconstituir  as  provas  apresentadas  pela  Fiscalização  devem  vir  acompanhadas  de  documentos  hábeis  e  idôneos.  Art.  16,  inciso III, do Decreto 70.235 de 1972.  IMPUGNAÇÃO. INEFICÁCIA.  Fl. 552DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 6          5 Não há  como  abrigar  alegações que  não  logram desconstituir  os  fundamentos da  autuação.  PAGAMENTO SEM CAUSA.  Pagamento  sem  causa  é  aquele  indevido,  que  não  guarda  adequação  com  as  finalidades sócio­econômicas da sociedade empresarial.  PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO.  Os recursos entregues a terceiros ou sócios, quando não comprovada a adequação  com  as  finalidades  sócio­econômicas  da  sociedade  empresarial,  estão  sujeitos  à  tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35%, (art.61 da Lei n°. 8.981/1995).  LANÇAMENTO DECORRENTE.  Decorrendo o lançamento da CSLL e do IRRF, de infração constatada na autuação  do  IRPJ,  e  reconhecida  a  procedência  do  lançamento  deste,  procede  também  o  lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  13/10/2014  (fl.  463),  a  contribuinte postou recurso voluntário, tempestivamente, em 12/11/2014 (fls. 466/483).  Observando que as exigências de IRRF e CSLL guardam relação de causa e  efeito  com  a  exigência  de  IRPJ,  a  recorrente  aborda  as  razões  recursais  conjuntamente,  reproduzindo a síntese das infrações descritas nos lançamentos e se opondo à sua legitimidade  destes por consignar procedimentos eivados de nulidade, por parte da autoridade fiscal, bem  como não encartar preceito legal correspondente à sanção aplicável.  Nega qualquer sentimento  fraudem legis a respeito da suposta  ilicitude que  lhe  está  sendo  imputada,  diz  que  o  dispositivo  regulador  que  se  quer  ver  infringido  pela  Autuada não regula o caso em espécie,  afirma­se cumpridora de todas as suas obrigações  e  nega  existir dolo  ou mesmo  culpa,  por  parte  da  Suplicante. Discorre  sobre  o  significado  do  dolo, e diz que a falta de penalidade, por si só, invalida a peça representativa do procedimento  administrativo,  complementando  que  inexiste  tipicidade  no  comportamento da Autora  desse  Recurso, que estabeleça azo à lavratura do Auto de Infração presentemente atacado.  Afirma  nulo  o  lançamento  por  inobservância  do  art.  142  do CTN,  observa  que seu parágrafo único  impõe a observância do disposto em seu caput,  e diz que no exame  cuidado  dos  autos  saltará  aos  olhos  de  qualquer  um  que  o  Sr.  Fiscal  Autuante  desatendeu  alguns  itens  do  elenco  acima  enunciado,  em  prejuízo  à  sua  presunção  de  legitimidade,  conforme doutrina que cita.   Reporta­se  aos  requisitos  expostos  no Decreto­lei  nº  05/75,  destaca  que  no  corpo do Auto, tem de constar, por exigência legal, a descrição do fato punível, e conclui ser  imperioso  reconhecer  que,  na  espécie,  faltam  elementos  comprobatórios  daquilo  que  se  encontra  supostamente  materializado  na  peça  impositiva.  Afirma  ter  o  direito  de  saber  o  lídimo motivo de tal ato, assevera que o Direito Fiscal, essencialmente objetivo, não pode dar  margem a um vazio,  invoca o o principio do Estado de Direito, que  teria  sido desrespeitado  pela ilicitude de autuar sem qualquer aprofundamento, bem como nenhuma prova documental.  Cita  doutrina  em  suporte  ao  seu  entendimento,  e  se  estende  sobre  a  ofensa  ao  princípio  da  legalidade, colacionando excertos doutrinários acerca de sua importância, e concluindo que o  agente  do Estado possui  a  faculdade  de  fazer  apenas  o  que  a  norma  jurídica  o  autoriza  de  modo  expresso,  ao  passo  que  o  cidadão  comum  pode  fazer  tudo  o  que  não  seja  proibido  e  deixar de fazer aquilo que a lei não obriga.   Fl. 553DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 7          6 Assevera  que  nunca  deixou  de  cumprir  com  suas  obrigações,  sejam  elas  municipais, estaduais ou federais. Abordando o primeiro item do auto de infração (Serviços de  Terceiros PJ; Propaganda, Publicidade e Brindes, Material de Uso e Consumo; e Alugueis de  Bens Móveis) diz que a afirmação da fiscal autuante de que não teriam sido comprovadas as  despesas está baseada em premissa equivocada, originando, assim, conclusão errônea, como  sói acontecer, porquanto nunca, em tempo algum, a Recorrente permitiu a existência em sua  escrituração de valores que não correspondessem à realidade de suas operações comerciais,  societárias  e  financeiras.  Desta  feita,  como  se  pode  basear  uma  autuação  em  uma  suposta  desídia do contribuinte quando tal desídia é desiderata?  Afirma  frágeis  as  alegações  fiscais,  e  aponta  nulidade  absoluta  por  não  ser  possível  exigir  sua manifestação  acerca  de  algo  sobre  o  qual  desconhece. Afinal, não  agiu  contrariamente ao que determina a lei, mas sim agiu corretamente e com lisura, não havendo  mácula  sobre  seu  comportamento  ético­fiscal.  Discorda,  assim,  das  alegações  constantes  do  Termo de Verificação Fiscal, diz não compreender a conclusão fiscal acerca de irregularidades  em  sua  escrituração,  e  questiona  porque  não  foram  feitas  diligências  suplementares,  ou  intimações  para  novos  esclarecimentos,  tudo  em  respeito  ao  devido  procedimento  administrativo.   Com  referência  ao  segundo  item  do  auto  de  infração  (Seguro,  Leasing  e  gastos com veículos), ressalta que a existência de despesas não significa dizer que as mesmas  foram pagas sem causa, e afiram que tais despesas têm relação direta com a atividade fim da  Recorrente. Observa que o auditor deve ter em mente que seu trabalho foi elaborado para ser  revisto por pessoas que não se encontravam no local onde se realizou a auditoria e que, por  conseguinte,  conhecerão  dos  fatos,  exclusivamente,  a  partir  do  processo,  razão  pela  qual  o  contribuinte  tem  o  direito  de  saber  o  lídimo motivo  de  tal  ato.  Colaciona  outras  referências  doutrinárias  acerca  dos  requisitos  do  lançamento,  aponta  as  consequências  de  um  relato  incompleto dos fatos, e pede o cancelamento deste item do lançamento porque a fiscal autuante  não caracterizou a suposta ilicitude cometida pela Recorrente.  Finaliza  afirmando  nulo  o  lançamento  porque  requerendo  tributo  sem  o  devido respaldo legal, em total descompasso com a realidade factual e jurídica, e requerendo  perícia  contábil,  em  atenção  ao  seu  direito  à  ampla  defesa,  indicando  perito  e  formulando  quesitos  acerca  da  existência de alguma despesa  entre  as  que  foi  contabilizadas  passível  de  glosa,  total  ou  parcial  em  relação  à  apuração  das  bases  tributáveis  pelo  IRPJ  e CSLL,  bem  como da existência de algum pagamento sem relação aos objetivos da sociedade que possam  ser  considerados  como  "Remuneração  Indireta  a  beneficiário  não  identificado".  E  observa,  ainda, que apesar de toda a argumentação apresentada em impugnação, seu pedido de perícia  foi  indeferido,  violando,  dessa  forma,  o  Princípio  da  Ampla Defesa,  do  Contraditório  e  da  Boa­fé.            Fl. 554DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 8          7   Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  O  exame  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  às  fls.  99/104  e  das  intimações  antes lavradas para comprovação dos fatos escriturados pela contribuinte e não atendidas, bem  como considerando o que exposto na decisão recorrida, evidenciam que a defesa da recorrente  equivale à negação geral. Embora a autoridade julgadora de 1ª instância tenha demonstrado a  validade do lançamento e exaustivamente exposto a necessidade de prova documental dos fatos  escriturados, a contribuinte limitou­se a pedir a reversão da decisão recorrida sob a alegação de  que não teria cometido qualquer irregularidade.   As  exigências,  assim,  devem  ser  mantidas  sob  os  mesmos  fundamentos  expostos na decisão de 1ª instância:  Do ônus da prova. Das intimações e diligências suplementares.  O  artigo  923  do  RIR  de  1999,  estabelece  que:  “a  escrituração  mantida  com  observância das disposições  legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela  registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim  definidos em preceitos legais”. (Grifado agora).  Assim,  uma  vez  intimado,  o  contribuinte  passa  a  ter  o  ônus  de  comprovar  documentalmente as despesas lançadas em sua contabilidade.  Por  oportuno,  cabe  citar  ensinamento  de  Antônio  da  Silva  Cabral  (Processo  Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 298), in verbis:  Uma  das  regras  que  regem  as  provas  consiste  no  seguinte:  toda  afirmação  de  determinado fato deve ser provada. Diz­se freqüentemente: 'a quem alega alguma coisa,  compete prová­la'. (...)  Em  processo  fiscal  predomina  o  princípio  de  que  as  afirmações  sobre  omissão  de  rendimentos  devem  ser  provadas  pelo  fisco,  enquanto  as  afirmações  que  importem  redução,  exclusão,  suspensão  ou  extinção  do  crédito  tributário  competem  ao  contribuinte... (Negritado e grifado agora)  Não  há  que  se  falar  que  a Fiscalização  deveria  ter  feito  intimações  e  diligências  suplementares, uma vez que, uma vez intimada, a Interessada passou a ter o ônus de  comprovar documentalmente as despesas lançadas em sua contabilidade.  Da nulidade por ausência de base legal.  Alegou a Interessada que o lançamento não encarta preceito legal correspondente à  sanção aplicável, em violação ao artigo 142, do CTN e ao artigo 5º.,  inciso II, da  CF, devendo ser declarada a nulidade do lançamento.  Tal alegação exige que sejam feitas as seguintes observações.  Do  exame dos  autos,  pode­se  constatar  que  a Fiscalização  reportou  a  ocorrência  das seguintes infrações:   ­ infração 0001: despesas não comprovadas decorrentes de serviços de propaganda,  publicidade,  brindes  e  material  de  consumo;  despesas  pagas  pela  conta  caixa  matriz; e despesas de aluguéis de bens móveis.  ­  infração 0002:  remuneração  indireta a beneficiário não  identificado, decorrente  de: gastos com veículos; e gastos com restaurantes e combustíveis.  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 9          8 Do  exame  do  termo  de  verificação,  constata­se  que  a  Fiscalização,  na  autuação  referente  à  infração  001,  glosou  despesas  não  comprovadas  e  no  lançamento  atinente  à  infração  002,  glosou  despesas  que,  no  seu  entender,  não  seriam  intrinsecamente  relacionados  com a produção ou comercialização da  Interessada,  portanto  indedutíveis  na  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL.  Nesta autuação, verifica­se que a Fiscalização relatou que os gastos ocorreram no  interessse do sócio da Interessada.  Por  imperioso,  transcreve­se  legislação  que  trata  da  matéria,  residente  no  Regulamento do IRPJ.  “Art.  248.  O  lucro  líquido  do  período  de  apuração  é  a  soma  algébrica  do  lucro  operacional  (Capítulo  V),  dos  resultados  não  operacionais  (Capítulo  VII),  e  das  participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  6º,  §1º,  Lei  nº  7.450,  de  1985,  art.  18,  e  Lei  nº  9.249, de 1995, art. 4º).  Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período  de apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º):  I  ­  os  custos,  despesas,  encargos,  perdas,  provisões,  participações  e  quaisquer  outros  valores deduzidos na apuração do  lucro  líquido que, de acordo com este Decreto, não  sejam dedutíveis na determinação do lucro real;  Art.  251.  A  pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real  deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977, art. 7º).  Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os  resultados  apurados  em  suas  atividades  no  território  nacional,  bem  como  os  lucros,  rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro  de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25).  Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à  atividade da  empresa  e  à manutenção  da  respectiva  fonte  produtora  (Lei nº 4.506, de  1964, art. 47).  § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou  operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º).  § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações,  operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º).  § 3º O disposto neste artigo  aplica­se  também às gratificações pagas aos empregados,  seja qual for a designação que tiverem.  Art.  304. Não  são  dedutíveis  as  importâncias  declaradas  como  pagas  ou  creditadas  a  título  de  comissões,  bonificações,  gratificações  ou  semelhantes,  quando  não  for  indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante  do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958,  art. 2º).  Art. 357. Serão dedutíveis na determinação do  lucro real as  remunerações dos  sócios,  diretores  ou  administradores,  titular  de  empresa  individual  e  conselheiros  fiscais  e  consultivos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  Parágrafo  único. Não  serão  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 43, §1º, alíneas "b" e "d"):  I  ­  as  retiradas  não  debitadas  em  custos  ou  despesas  operacionais,  ou  contas  subsidiárias,  e  as  que,  mesmo  escrituradas  nessas  contas,  não  correspondam  à  remuneração mensal fixa por prestação de serviços (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art.  43, §1º, alíneas "b" e "d");  (...)  Art. 358. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74):  Fl. 556DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 10          9 I ­ a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os  respectivos encargos de depreciação:  a)  de  veículo  utilizado  no  transporte  de  administradores,  diretores,  gerentes  e  seus  assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica;  b)  de  imóvel  cedido  para  uso  de  qualquer  pessoa  dentre  as  referidas  na  alínea  precedente;  II ­ as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores,  diretores,  gerentes  e  seus  assessores,  pagas  diretamente  ou  através  da  contratação  de  terceiros, tais como:  a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário  fora do estabelecimento da empresa;  b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados;  c)  o  salário  e  respectivos  encargos  sociais  de  empregados  postos  à  disposição  ou  cedidos,  pela  empresa,  a  administradores,  diretores,  gerentes  e  seus  assessores  ou  de  terceiros;  d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I.  § 1º A empresa  identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos  respectivos  salários  os  valores  a  elas  correspondentes,  observado  o  disposto  no  art.  622  (Lei  nº  8.383, de 1991, art. 74, §1º).  §  2º  A  inobservância  do  disposto  neste  artigo  implicará  a  tributação  dos  respectivos  valores,  exclusivamente  na  fonte,  observado  o  disposto  no  art.  675  (Lei  nº  8.383,  de  1991, art. 74, §2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º).  §  3º  Os  dispêndios  de  que  trata  este  artigo  terão  o  seguinte  tratamento  tributário  na  pessoa jurídica:  I ­ quando pagos a beneficiários identificados e individualizados, poderão ser dedutíveis  na apuração do lucro real;  II ­ quando pagos a beneficiários não identificados ou beneficiários identificados e não  individualizados  (art.  304),  são  indedutíveis  na  apuração  do  lucro  real,  inclusive  o  imposto incidente na fonte de que trata o parágrafo anterior.”  Do  exposto,  comprova­se  que  os  fatos  relatados  pela  Fiscalização  encontram  fundamento nos dispositivos acima  transcritos, os quais constaram na capitulação  legal das autuações. Portanto, não houve violação ao artigo 142, do CTN e muito  menos ao artigo 5º., inciso II, da CF.  Esclareça­se  que,  a  confirmação  ou  não  dos  fatos  relatados  pela  Fiscalização  é  matéria de mérito que deverá ser apreciada nos itens a seguir.  Neste compasso, voto por negar provimento à alegação de nulidade do lançamento.  Do mérito.   Da infração 001.  Conforme relatado, a Fiscalização glosou valores que constavam na contabilidade  da  Interessada  como  sendo  decorrentes  de  despesas  de  serviços  de  propaganda,  publicidade, brindes, material de consumo e de aluguéis de bens móveis.  Portanto, esta autuação não decorreu do  fato de as alegadas despesas  terem sido  necessárias  ou  não  à  atividade  empresarial  da  Interessada,  mas,  sim  do  fato  de,  simplesmente,  não  ter  sido  apresentado  qualquer  documento  que  tivesse  comprovado a própria ocorrência das operações que teriam embasado as despesas.  Deve ser lembrado à Interessada que a regra prevista no artigo 9º, parágrafo 1º, do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  (artigo  923  do  RIR  de  1999),  determina  que  a  escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz  prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por  Fl. 557DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 11          10 documentos  hábeis  e  idôneos,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos legais.  Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova  direta  acerca  do  fato  alegado  cuja  existência  ali  se  materializa.  Devem  ter  autenticidade,  legitimidade  e  o  seu  conteúdo  conduzir  à  convicção  da  efetiva  ocorrência  do  fato,  devendo,  necessariamente,  terem  sido  subscritos  ou  ao menos  terem tido o aval de terceiros que tenham participado das respectivas operações.  Não  consta nos autos  que  a  Interessada  tenha acostado  ao processo  tais  tipos  de  documentos.  Recorde­se que, em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações que  importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem  ao contribuinte.  Voto por negar provimento à impugnação da Interessada.  Da infração 002.  A  autuação  versou  sobre  remuneração  indireta  a  beneficiário  não  identificado,  decorrente de gastos com veículos, gastos com restaurantes e combustíveis.  Alegou a Interessada que tais gastos foram necessários visto que têm relação direta  com sua atividade fim.  Dos gastos com veículos.  Consta no termo de verificação que a Interessada escriturou como despesa no ano­ calendário  de  2008,  valores  referentes  a  IPVA,  seguro,  leasing  referentes  aos  seguintes veículos: BMW preta ­ placa HPZ 2205; BMW preta ­ placa LVA 7066;  Volvo prata ­ placa LQP 0144; e LANCHA "AGATHA TWO".  Também consta que,  conforme  resposta apresentada pela própria  Interessada,  em  12/03/2012,  os  bens  arrendados  (BMW  e  lancha)  eram  utilizados  pelo  sócio  da  empresa e pela documentação disponibilizada  foi verificado que o VOLVO era do  Sr. Antônio Ricardo (sócio).  Neste contexto, cabem as seguintes observações.  As despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que  se encaixam nas condições fixadas no artigo 299 do RIR de 1999.  Tal dispositivo determina que são necessárias as despesas pagas ou incorridas para  a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa.  Devem  ser  admitidas  as  usuais  ou  normais  conforme  o  tipo  de  transações,  operações ou atividades da empresa, isto é, devem ser necessárias à manutenção e  desenvolvimento  da  respectiva  fonte  produtora  de  receitas.  Enfim,  devem  ser  intrinsecamente  relacionadas  com  a  produção  ou  comercialização,  devendo,  ao  menos, ter o potencial de trazer utilidade para a empresa.  O Parecer Normativo n° 32 de 1981, definiu despesa necessária dizendo que o gasto  é  necessário  quando  essencial  a  qualquer  transação  ou  operação  exigida  pela  exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as  fontes produtoras de rendimentos.  Despesa  normal,  diz  o  Parecer,  é  aquela  que  se  verifica  comumente  no  tipo  de  operação ou  transação efetuada e que, na realização do negócio,  se apresenta de  forma  usual  costumeira  ou  ordinária.  Portanto,  não  cabe  no  conceito  de  despesa  necessária,  aquela  feita  sem propósito  empresarial. Despesa necessária  é despesa  adequada.  É  a  realizada  com  fins  de manutenção,  desenvolvimento,  investimento,  sempre visando o progresso do empreendimento.   Fl. 558DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 12          11 O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie  de negócio. O 1° Conselho de Contribuintes decidiu no Ac. n° 103­08.218/88 (DOU  de  18­05­89)  que  as  despesas  operacionais  são  aquelas  necessárias,  usuais  ou  normais, não se guardando nesse conceito qualquer liberalidade.  Em  perfeita  consonância  com  este  entendimento,  o  artigo  25,  da  Instrução  Normativa nº 11 de 1996, no seu parágrafo único, indica o que são bens móveis e  imóveis  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização  dos  contribuintes.  Tal dispositivo determina que:  “Art.  25.  Para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social sobre o lucro é vedada a dedução:  I  ­  das  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  e  do  aluguel  de  bens  móveis  ou  imóveis,  exceto  quando  relacionados  intrinsecamente  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços;  II  ­  de  despesas  de  depreciação,  amortização,  manutenção,  reparo,  conservação,  impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização  dos  bens  e  serviços.  Parágrafo  único.  Consideram­se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização:  a) Os bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade;  b) Os bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração;  c) os bens móveis utilizados nas atividades operacionais, instalados em estabelecimento  da empresa;  d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados  no  transporte  de  mercadorias  e  produtos  adquiridos  para  revenda,  de  matéria­prima,  produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção;  e)  os  veículos  do  tipo  caminhão,  caminhoneta  de  cabine  simples  ou  utilitário,  as  bicicletas  e  motocicletas  utilizados  pelos  cobradores,  compradores  e  vendedores  nas  atividades de cobrança, compra e venda;  f)  os  veículos  do  tipo  caminhão,  caminhoneta  de  cabine  simples  ou  utilitário,  as  bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos;  g) os veículos de transporte coletivo de empregados;  h) os bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou  processos;  i) os bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação  como objeto de sua atividade;  j)  os  bens móveis  e  imóveis  objeto  de  arrendamento  mercantil  nos  termos  da  Lei  nº  6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora;  l)  os  veículos  utilizados  na  prestação  de  serviços  de  vigilância  móvel,  pela  pessoa  jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade.”  O que se constata da legislação acima exposta, é que não basta o bem constar no  patrimônio da  sociedade empresarial para que as despesas a  ele  referentes  sejam  dedutíveis.  O  requisito  principal  é  que  o  bem  esteja  relacionado  intrinsecamente  com  a  produção ou comercialização dos bens e serviços, em outras palavras, é necessário  que haja a mínima relação entre a utilidade de um bem  frente a atividade  fim da  sociedade empresarial.  Fl. 559DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 13          12 Tendo em vista que a descrição dos veículos constante nos autos não se enquadra  em nenhum dos incisos acima reproduzidos, há de concluir que o caso não trata de  bem  intrinsecamente  relacionado  com  a  produção  ou  comercialização  da  pessoa  jurídica.  A  Interessada não acostou aos autos nenhum documento que  comprovasse que os  veículos foram utilizados nas suas atividades empresariais, o que era de se esperar,  pois  entender  que  gastos  decorrentes  de  veículos  do  tipo  dos  acima mencionados  estivesse ligado a tais atividades, seria no mínimo um despropósito.  Voto por negar provimento à impugnação a esta autuação.  Dos gastos com restaurantes e combustíveis.  No termo de verificação consta, também, que a Interessada escriturou como despesa  nas  Contas  311040052  ­  Desp.  C/  Representação  e  311040019  ­  Lanches  e  Refeições, os gastos relacionados no Anexo 8 ­ "Gastos efetuados com Restaurantes  e Combustíveis", (fls.145), que de acordo com os comprovantes apresentados foram  efetuadas por Antônio Ricardo, sócio da empresa.  Alegou a Interessada que tais gastos foram necessários visto que têm relação direta  com sua atividade fim.  Conforme já mencionado, as despesas operacionais dedutíveis na determinação do  lucro real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no artigo 299 do RIR  de 1999, que, em síntese, referem­se a gastos ligados a realização de transações ou  operações exigidas pela atividade da empresa.  A contrário senso, caracterizam­se como despesas desnecessárias aquelas ligadas a  práticas inadequadas a propósitos empresariais.  A  Interessada  não  comprovou  que  os  gastos  praticados  pelo  seu  sócio  estavam  ligados  a  seus  interesses  empresariais,  isto  é,  guardaram  relação  com  propósitos  empresariais,  revelando­se  úteis  a  qualquer  transação  ou  operação  exigida  pela  exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as  fontes produtoras de rendimentos.  A contabilização de despesas sem propósito empresarial  implica  inobservância do  princípio  contábil  da  entidade,  devendo  ensejar  a  glosa  da  despesa  comprovadamente desnecessária no cálculo do lucro líquido da entidade, afetando,  portanto, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  A  apresentação  de  alegações  visando  desconstituir  as  provas  apresentadas  pela  Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Assim, não  há  como  abrigar  alegações  que  não  lograram  desconstituir  os  fundamentos  da  autuação.  Voto por negar provimento à impugnação a esta autuação.  Do IRRF.  Conforme  relatado,  a  Fiscalização  autuou  o  IRRF  como  pagamento  sem  causa  e  remuneração indireta a sócio.  Registre­se,  desde  já,  que  os  valores  autuados  a  título  de  IRRF  referem­se  às  despesas  que  constaram  na  contabilidade  da  Interessada  e  que  foram  glosadas,  algumas  por  não  terem  sido  comprovadas  documentalmente  pela  Interessada  e  outras por serem desnecessárias.  Do pagamento sem causa.  Autuou  a  Fiscalização  os  seguintes  valores:  os  que  constaram  no  Anexo  4  –  “Despesas  Não  Comprovadas  Pagas  pela  Conta  Caixa Matriz  ­  Pagamento  Sem  Causa – IRRF”,  (fls.114/115); os que constaram no Anexo 5 – “Aluguéis de Bens  Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 14          13 Móveis X Banco Bradesco C/C 59002  ­ Pagamentos  sem Causa ou a Beneficiário  Não  Identificado  –  IRRF”,  fls.116;  e  os  que  constaram  no  Anexo  6  –  “Baixa  da  Conta  Fornecedor  por  intermédio  da  Conta  Banco  Bradesco  c/c  59000­2­  Pagamento sem Causa­ IRRF”, (fls.118/142).  De início há de se registrar que o lançamento a crédito da conta caixa ou banco já  comprova  que  ocorreu  efetivamente  o  pagamento.  Da  mesma  forma,  deve  ser  lembrado  que  os  valores  acima  mencionados  referiram­se  as  despesas  que  constaram  na  contabilidade  da  Interessada,  mas  que  não  comprovadas  documentalmente pela Interessada.  Determina o artigo 61 da Lei nº 8.981 de 1995, que:  “Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.  §1º A incidência prevista no caput aplica­se, também, aos pagamentos efetuados ou aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando não  for comprovada  a operação ou a  sua causa, bem como à hipótese de que  trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.(...)”(Grifado agora)  Do exame do dispositivo acima  transcrito e  tendo por base que a Interessada não  comprovou as operações que deram causa aos pagamentos, incide no presente caso,  o IRRF nos moldes realizados no lançamento de ofício.  Voto por negar provimento à impugnação da Interessada.  Da remuneração indireta.  Autuou a Fiscalização benefícios indiretos do sócio da Interessada, caracterizados  como decorrentes de pagamentos sem causa. Os valores foram os seguintes: gastos  efetuados com veículos relacionados no Anexo 7,  (fls.143/144); e gastos efetuados  com restaurantes e combustíveis, Anexo 8, (fls.145).  Por imperioso, cabe transcrever mais uma vez o que determina o artigo 61 da Lei nº  8.981 de 1995:  “Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.  §1º A incidência prevista no caput aplica­se, também, aos pagamentos efetuados ou aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando não  for comprovada  a operação ou a  sua causa, bem como à hipótese de que  trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.(...)”(Grifado agora)  Posta a situação, cumpre analisar o alcance da expressão “pagamento sem causa”.  Desde já deve ser esclarecido que o dispositivo acima transcrito refere­se à causa  jurídica,  não  podendo  ser  confundida  com  o motivo,  em  sentido  estrito,  que  é  de  cunho subjetivo.  Da Teoria Geral das Obrigações se extrai com base no artigo 876 do Código Civil,  que  pagamento  sem  causa  é  todo  aquele  feito  sem a  pré­existência  da obrigação,  portanto,  indevido.  Assim,  pagamento  sem  causa  significa  pagamento  indevido  às  finalidades sócio­econômicas da sociedade empresarial, pois, não decorreu de uma  obrigação.  Também  significa  pagamento  inadequado,  se,  não  teve,  ao  menos,  o  potencial de gerar benefício ou utilidade para a sociedade.  Desta  forma,  gastos  efetuados  com  o  tipo  de  veículos  relacionados  no  Anexo  7,  (fls.143/144),  e  com  restaurantes  e  combustíveis,  Anexo  8,  (fls.145),  configuram  pagamento  sem  causa,  devendo  incidir  a  regra  contida  no  dispositivo  acima  transcrito, uma vez que caracterizam­se como despesas desnecessárias por estarem  ligadas a práticas inadequadas a propósitos empresariais.  Fl. 561DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 15          14 Voto por negar provimento à impugnação da Interessada.  Da CSLL.  Tratando­se dos mesmos fatos, o julgamento da autuação da CSLL segue a mesma  sorte do que foi decidido quanto ao IRPJ, uma vez que a despesa glosada afetou o  lucro líquido base para o cálculo do lucro real e da CSLL.  Dado  provimento  parcial  à  impugnação  referente  ao  lançamento  do  IRPJ,  dá­se,  também, provimento parcial em relação à CSLL.  Da multa.  Na  legislação  tributária  federal  a  multa  de  lançamento  de  ofício  de  75%  corresponde  à  denominada  responsabilidade  objetiva,  conforme  se  extrai  do  que  prevê o artigo 44 da Lei nº. 9.430 de 1996.  Tal responsabilidade independe de má­fé, dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o  caráter subjetivo atinente à multa agravada de 150%. Assim, independentemente de  ter ou não havido dolo ou culpa, cabe a multa de 75% pelo simples fato de ter sido  constada a prática ilícita.  Acrescente­se,  ainda,  que  a  perícia  foi  regularmente  indeferida  pela  autoridade julgadora, sob os seguintes fundamentos:  Não cabe perícia para suprir falhas ou incorreções tanto da autuação fiscal quanto  da defesa do contribuinte.  Além disto,  conforme  será demonstrado,  já  constam nos autos  todos os  elementos  que permitem resposta aos quesitos apresentados às fls.268, bem como, informações  suficientes para se concluir sobre os documentos acostados aos autos.  A Interessada teve  toda a oportunidade de acostar aos autos  todos os documentos  que no seu entendimento pudessem lhe aproveitar.  Recorde­se que, nos termos do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova  de  natureza  documental,  como  a  esperada  aqui  em  face  do  não  atendimento  às  intimações  fiscais,  deveria  ter  sido  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnando  fazê­lo em outro momento processual, a menos que justificado nos termos da lei. De toda sorte,  nada também foi juntado ao recurso voluntário.  Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de INDEFERIR o pedido de  perícia,  REJEITAR  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  e  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário, mantendo integralmente as exigências aqui formuladas.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.726834/2012­11  Acórdão n.º 1302­001.797  S1­C3T2  Fl. 16          15               Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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6286008 #
Numero do processo: 19515.007910/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.571
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Compareceram à sessão de julgamento os advogados Guilherme de Assis, OAB/SP nº 274444, e César Manzione, OAB/SP nº 306409.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.089          1 1.088  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.007910/2008­15  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3201­000.571  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2016  Assunto  AUTO DE INFRAÇÃO IPI  Recorrentes  SIEMENS LTDA              FAZENDA NACIONAL    ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO­ Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ana Clarissa Masuko dos  Santos  Araújo,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Mércia  Helena  Trajano  Damorim,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Tatiana  Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.  Compareceram  à  sessão  de  julgamento  os  advogados  Guilherme  de  Assis,  OAB/SP nº 274444, e César Manzione, OAB/SP nº 306409.  RELATÓRIO  Por  bem  descrever  a  matéria  de  que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida.   Trata­se  de  Auto  de  Infração  (fls.640/643)  e  Demonstrativos  (fls.633/639),  lavrado  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  que  pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI,  no valor do principal de R$1.926.458,98, acrescido da multa de ofício  e  dos  juros  de  mora,  totalizando  o  crédito  tributário  no  valor  de  R$4.798.156,88,  conforme  descrito  no  Relatório  de  Ação  Fiscal,  fls.623/630  e  Planilha  de  recálculo  do  Livro  de  apuração  do  IPI  (fls.631/632 e 631/632).  Consta no relatório fiscal, ora sintetizado que:      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 07 91 0/ 20 08 -1 5 Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.090          2 •  a  empresa  não  recolheu  o  imposto  por  se  utilizar  de  créditos  indevidos,  tendo  resultado  saldo  devedor  após  a  reconstituição  da  escrita  no  ano  de  2003;  •  nos  anos  base  de  2003  e  2004  centrou  a  fiscalização  na  análise  do  item  “outros  créditos”;  •  a  empresa  foi  solicitada a  comprovar o crédito  escriturado  (21/11/2007  ­ Termo de  Início  de Fiscalização), mas,  até 19/03/2008,  somente  entregou parte  da documentação. Tendo sido  lavrado novo  termo de prosseguimento  de  fiscalização,  a  empresa  apresentou  cópias  do  LRAIPI  em  16/06/2008, bem como o demonstrativo da rubrica “outros créditos”,  mas  novamente,  sem  se  fazer  acompanhar  dos  documentos  hábeis,  ficando  prejudicada  a  comprovação  dos  lançamentos  efetuados;  •  posteriormente,  em  24/11/2008,  a  empresa  apresentou  demonstrativo  do crédito do ano de 2003, cópias autenticadas do LRAIPI, dos anos de  2003 e 2004, justificativas dos clientes do mês calendário de janeiro de  2003  declarando  o  não  aproveitamento  do  crédito  sacado  em  notas  fiscais emitidas pela Siemens em decorrência de erro de classificação  fiscal  e  autorizando  a  emissora  do  documento  a  estornar  o  débito  e  conseqüentemente creditar­se daquelas diferenças – art.166 do Código  Tributário Nacional; •  a  carta da Volkswagen – notas de débito,  que  entre outros detalhes estampa a assertiva “valor cobrado a maior em  S/N  Fiscal  supra”,  em  nenhuma  referência  sobre  a  origem  da  informação  a  não  ser  pelo  número  do  débito,  demonstra  ser  este  um  documento de controle interno da empresa, documentos não hábil para  comprovação pretendida, além de  cópia  do  registro  de  entradas,  que  registrou o evento da entrada das mercadorias; • no caso dos outros  clientes, além da carta que autoriza a Siemens Ltda a utilizar o crédito  nela  assinalado,  acompanha  demonstrativo  de  “controle  interno  da  própria  autorizada”  sobre  a  própria  “nota  de  crédito”,  documentos  insuficientes para abonar o crédito.  O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 34, inciso II, 122,  127 130, 199, 200, incisos IV e 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02  (RIPI/02), art.80, inciso I, da Lei nº4.502, de 1964, com redação dada  pelo art.45 da Lei nº9.430, de 1996.  Cientificada do lançamento, em 09/12/2008, fl.641 e 645, a interessada  apresenta  a  impugnação  de  folhas  646/672,  em  08/01/2009,  sendo  essas as suas razões de defesa:  •  a  fiscalização  iniciou  em  21/11/2007  e,  até  16/07/2008,  apresentou  diversos documentos que haviam sido pedidos de maneira genérica. A  autoridade fiscal não especificou quais documentos seriam necessários  para comprovar o crédito lançado sob a rubrica “outros créditos”; • o  novo  termo  de  intimação  fiscal  datado  de  11/11/2008  também  não  especificou  a  documentação  hábil  para  comprovar  os  créditos  lançados  sob  a  rubrica  “outros  créditos”.  Mesmo  considerando  as  dificuldades  temporais,  haja  vista  que  o  prazo  concedido  para  apresentação  dos  documentos  foi  de  15  dias,  a  impugnante  realizou  todos os esforços no sentido de atender a referida  intimação  fiscal; •  após o cumprimento da intimação, o auditor lavrou o auto de infração,  Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.091          3 sob  o  argumento  de  que  a  empresa  não  logrou  comprovar  satisfatoriamente o crédito lançado, vindo a listar quais os documentos  que entendia satisfatórios e que poderiam ter sido apresentados tanto  por parte do cliente quanto pela empresa autuada tão somente após a  lavratura  do  auto  de  infração,  o  que  demonstra  arbitrariedade,  restando  clara  a  precariedade  do  lançamento,  na  medida  em  que  a  autoridade fiscal, cuja função é a busca pela verdade material, limitou­ se  a  rejeitar  os  documentos  apresentados  pela  impugnante;  •  o  ato  vinculado, o procedimento fiscal, deve obedecer a legislação tributária,  art.2º da Portaria nº40.66, de 2 de maio de 2007, sendo a emissão do  Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, a maneira eficaz de conferir  legitimidade ao procedimento de fiscalização. O prazo de validade do  MPF é de 120 dias prorrogáveis (art.12, I e 13 da Portaria nº4.066, de  2011). O MPF foi emitido em 21/11/2007 e prorrogado em 19/03/2008,  mas  após  essa  data  não mais  houve  qualquer  prorrogação  e  tendo o  auto de infração sido lavrado em 09/12/2008 o ato foi inconstitucional  e ilegal, discricionário; • o auto de infração foi lavrado sem ao menos  uma investigação em busca da verdade material pois somente após sua  lavratura a contribuinte tomou conhecimento de quase os documentos  seriam hábeis a comprovar o direito ao crédito; •  conforme doutrina  que transcreve, cabe a administração comprovar de forma inequívoca  os fatos que alega, cabendo no ato do lançamento ao cumprimento do  que dispõe o art.142 do CTN; • na hipótese do auto de infração não ser  insubsistente  requer  que  seja  decretada  a  decadência,  e  extinção  do  crédito  tributário  nos  termos  do  art.156,  inciso  VII,  do  CTN,  assinalando o prazo decadencial inserto no art.150, §4º do CTN, para  qualquer obrigação  tributária cuja  fato gerador  tenha ocorrido antes  de  09/12/2003,  uma  vez  que  a  ciência  do  lançamento  se  deu  em  09/12/2008; • na forma do art.165, II do CTN c/c art.207 do RIPI/2002  nos  casos  de  pagamento  a  maior  cabe  a  devolução  a  contribuinte,  independente de requerimento e assim lançou em “outros créditos” no  LRAIPI  os  valores  de  IPI  indevidamente  destacados  no  documentos  fiscal  de  forma  a  compensá­los  com  o  saldo  devedor  do  período,  e  conforme dispõe o art.166 do CTN e art.7º da IN SRF Nº 600, de 28 de  dezembro de 2005, informou aos destinatários das mercadorias o erro  cometido  no  documento  fiscal,  mediante  nota  de  débitos  dos  destinatários; •  no decorrer da  fiscalização  informou o procedimento  adotado  e  apresentou  por  amostragem  os  documentos  mencionados,  mas,  a  autoridade  ignorou  o  procedimento  adotado  e  a  autorização  dada  pelo  destinatário  para  permitir  a  restituição  do  imposto  indevidamente  destacado,  e  lavrou  o  auto  de  infração;  •  junta  a  presente  impugnação:  notas  fiscais  de  venda  de  mercadorias  com  destaque  a  maior  do  IPI  em  razão  de  erro  na  classificação  fiscal  (doc.04);  notas  fiscais  de  débito  emitidas  pelos  destinatários  das  mercadorias com a indicação do valor do IPI destacado indevidamente  (doc.05);  declaração  dos  destinatários  das  mercadorias  informando  que  não  foi  realizado  o  creditamento  do  IPI  lançado  a  maior  nos  documentos fiscais; • o auditor pretende cobrar o IPI em relação ao 2º  decêndio  de  dezembro  de  2003  no  valor  de  R$1.161.016,55,  mas  o  valor apurado seria R$1.156.009,32, mas o saldo devedor apurado ao  Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.092          4 final  do  2º  decêndio  de  2003  foi  evidentemente  liquidado  pela  impugnante  em  30/12/2003  por  meio  do  DARF  (doc.08)  em  valor  superior ao lançado no LRAIPI de R$1.157.676,52, desta forma não há  dúvida  de  que  cabe  exclusão  ao  menos  do  valor  R$1.157.676,52,  parcela  esta  que  é  pelo  menos  60%  do  lançamento;  •  requer  a  precariedade do  lançamento, exclusão do período autuado alcançado  pelo prazo de decadência, revisão do imposto cobrado em relação ao  2º decêndio de 2003,  tendo em vista o pagamento de R$1.157.676,52,  excluída a taxa de juros, protesta por posterior juntada de documentos  que possam provar o alegado.  Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento  em Salvador/BA, que  julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a  impugnação.  Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  encontram­se  consubstanciados  na  ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  INSUFICIÊNCIA  DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.  Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e  a  liquidez do crédito,  este deve ser glosado, cabendo a exigência dos  valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  PAGO,  MAS  NÃO  CONFESSADO.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Na  ocorrência  de  crédito  tributário  espontaneamente  recolhido,  mas  sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído  de  ofício,  em  sua  totalidade,  exonerando­se  a  empresa  da  multa  de  ofício proporcional à parcela paga.  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  Inexistindo  pagamento  da  contribuição  apurada,  o  direito  de  a  Fazenda Nacional constituir o crédito  tributário se extingue no prazo  de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  A decisão, em relação ao crédito exonerado, foi submetida a Recurso de Ofício  ao CARF.  Inconformada  com  a  decisão,  apresentou  a  recorrente,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário.  Na  oportunidade,  reiterou  os  argumentos  colacionados  em  sua  defesa inaugural.  É o relatório.  VOTO  Entre as questões definidas pelo acórdão recorrido encontra­se a decadência do  crédito tributário,  tendo o órgão a quo decidido pela aplicação do artigo 173,  I, do CTN para  alguns dos períodos de apuração e do artigo 150, § 4º, do mesmo CTN, para outros períodos, o  que levou ao cancelamento de apenas parte dos valores exigidos.  Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.093          5 Os  valores  cancelados  restaram  submetidos  a  recurso  de  ofício,  e  a  exigência  fiscal  em  relação  aos  períodos  de  apuração  mantidos  foram  objeto  de  recurso  voluntário  apresentado pela contribuinte.  Observo  que  a matéria  já  se  encontra  pacificada  nesta  casa,  tendo  em  vista  a  observância obrigatória do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos  do REsp 973.733 SC (2007/01769940), submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que  trata o art. 543­C do CPC, que possui a seguinte ementa:  RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX PROCESSUAL CIVIL. RECURSO  ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e  173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da  exação ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação de dolo,  fraude ou simulação do contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  Resp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino  Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  entre as quais  figura a  regra da decadência do direito de  lançar nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz  de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se  trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando­se  inadmissível  a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.094          6 Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito  a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no que concerne aos  fatos  imponíveis ocorridos no  período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição  dos créditos tributários respectivos deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o  Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da  PRIMEIRA  SEÇÃO  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  acordam,  na  conformidade  dos  votos  e  das  notas  taquigráficas  a  seguir,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  recurso  especial,  nos  termos  do  voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise  Arruda,  Humberto  Martins,  Herman  Benjamin,  Mauro  Campbell  Marques,  Benedito  Gonçalves,  Eliana  Calmon  e  Francisco  Falcão  votaram com o Sr. Ministro Relator.  Brasília (DF), 12 de agosto de 2009 (Data do Julgamento)  MINISTRO LUIZ FUX Relator   Deixou de  ter  relevância a verificação da específica natureza do  tributo para a  verificação do regime decadencial aplicável  (art. 150, par. 4º ou art. 173,  I do CTN) sendo a  identificação do regime definido com base na verificação da existência (ou não) de pagamento  do tributo pelo contribuinte no respectivo período de apuração.  Observo, contudo, que não consta dos autos a  informação acerca da existência  ou não de recolhimentos efetuados pela contribuinte, mesmo que parciais, do  IPI devido nos  períodos de apuração que abarcam o presente lançamento.  A  ausência  desta  informação  impede  que  se  proceda  com  o  julgamento,  mostrando­se necessário que a unidade da RFB que originou o presente processo esclareça se a  recorrente efetuou ou não recolhimentos de IPI em relação aos fatos geradores ora exigidos.  Diante  do  exposto,  voto  pela  CONVERSÃO  EM  DILIGÊNCIA  do  presente  processo, para que a unidade de origem informe a este colegiado se a recorrente efetuou ou não  recolhimentos,  mesmo  que  parciais,  referentes  ao  IPI  devido  nos  períodos  de  apuração  que  abarcam o presente lançamento.  Realizada  a  diligência,  deverá  ser  dado  vista  à  recorrente  e  à PGFN para,  em  tendo interesse, manifestarem­se no prazo de 30 dias.  Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Colegiado para se  prosseguir com o julgamento da lide.  Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.007910/2008­15  Resolução nº  3201­000.571  S3­C2T1  Fl. 1.095          7 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator      Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 15983.000509/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007 ISENÇÃO. PROUNI. São irrefutáveis os fundamentos da decisão recorrida, a qual cancelou os lançamentos em tela, por não ter a Autoridade lançadora observado os procedimentos estabelecidos no art. 5º da IN/SRF nº 456/2004, para suspensão da isenção tributária de entidades que aderiram ao PROUNI. Enquanto não houver o ato do Ministério da Educação, desvinculando a instituição do PROUNI, sequer pode ser suspensa a isenção tributária de instituição participante desse Programa, por descumprimento das condições estabelecidas na Lei 11.096/05.
Numero da decisão: 1302-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr –Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Declarou-se impedido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 935          1 934  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15983.000509/2010­93  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1302­001.774  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  2 de fevereiro de 2016  Matéria  Isenção. PROUNI.  Recorrente  INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ­ ISESC  Recorrida   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006, 2007  ISENÇÃO. PROUNI.  São  irrefutáveis  os  fundamentos  da  decisão  recorrida,  a  qual  cancelou  os  lançamentos  em  tela,  por  não  ter  a  Autoridade  lançadora  observado  os  procedimentos  estabelecidos  no  art.  5º  da  IN/SRF  nº  456/2004,  para  suspensão da isenção tributária de entidades que aderiram ao PROUNI.  Enquanto  não  houver  o  ato  do  Ministério  da  Educação,  desvinculando  a  instituição  do  PROUNI,  sequer  pode  ser  suspensa  a  isenção  tributária  de  instituição  participante desse Programa,  por  descumprimento  das  condições  estabelecidas na Lei 11.096/05.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.    (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Alberto Pinto S. Jr –Relator         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 09 /2 01 0- 93 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Eduardo  de  Andrade,  Paulo Mateus  Ciccone,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Declarou­se  impedido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.   Relatório  Versa o presente processo sobre  recurso ofício,  interposto pelo contribuinte  em face do Acórdão nº 14­48.064 da 13ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006, 2007  PROUNI.  Isenção  Fiscal.  Instituição  de  Educação.  Adesão.  Termo  Inicial. Tratando­se de isenção que foi concedida pela lei sob condição  de que houvesse ratificação do Termo de Adesão por parte do MEC, a  qual  se materializou deixando expresso o  início da produção dos  seus  efeitos,  deve­se  reconhecer  a  isenção  a  partir  do  citado  Termo  de  Adesão  ratificado,  pois  que  a  isenção  se  interpreta  literalmente  (art.  111, do CTN).    PROUNI. Instituição de Educação. Procedimentos para a Suspensão da  Isenção.  A suspensão, pela Autoridade Fiscal, da isenção condicional concedida  às  instituições  educacionais  que  tenham  aderido  ao  programa  Universidade para Todos ­ PROUNI ­, exige o cumprimento rígido das  normas prescritas no artigo 5º, da IN (SRF) nº 456/2004, no artigo 9º, §  2º, da Lei nº 11.096, de 13/01/2005 e, subsidiariamente, no artigo 32,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  A  não  observância  de  tal  regramento  específico,  inclusive  a  não  emissão  de  Ato  Declaratório  Executivo  excluindo  a  instituição  educacional  do  programa  PROUNI, macula  o  procedimento  e  acarreta  vicio  formal  ao  lançamento  tributário,  decretando  sua  nulidade,  que  atinge  o  IRPJ  e  os  tributos  a  ele  correlatos.  Lançamentos que se cancelam.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2007  PROUNI.  Instituição  de  Educação.  Adesão  e  Permanência  no  Programa. Comprovação.  A  instituição  privada  de  ensino  superior,  com ou  sem  fins  lucrativos,  que aderir ao programa Universidade para Todos ­ PROUNI ­ ficará, no  período  de  vigência  do  Termo  de  Adesão,  isenta  dos  impostos  e  contribuições  relacionados  nos  incisos  I  a  IV,  do  artigo  8º,  da Lei  nº  11.096/2005.  Comprovado  nos  autos,  por  farta  documentação  juntada,  inclusive  expressa manifestação do Ministério da Educação,  a quem compete  a  gestão  e  fiscalização  do  PROUNI,  que  a  autuada  aderiu,  tempestivamente,  ao  programa  e  nele  permaneceu  durante  o  período  objeto  dos  lançamentos  aqui  tratados,  restou  configurado  o  direito  ao  benefício  isencional  trazido  pelo  referido  artigo  8º,  da  Lei  nº  11.096/2005,  motivo  pelo  qual  os  lançamentos  tributários  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  não  podem  subsistir,  em  razão  do  impeditivo  legal expresso na referida norma.  Lançamentos que se cancelam também por este motivo.  Impugnação Procedente  Fl. 939DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000509/2010­93  Acórdão n.º 1302­001.774  S1­C3T2  Fl. 936          3 Crédito Tributário Exonerado    Para  melhor  compreensão  da  questão  posta  para  julgamento  desta  Turma,  vale, inicialmente, a transcrição de alguns trechos do TCF a fls. 54 e segs., in verbis:     Da análise parcial dos documentos dos prontuários de quarenta e quatro  (44) alunos bolsistas do Prouni em 2005 a 2007, onze (11) excederam a  renda  per  capita,  conforme  os  registros  no Demonstrativo B­2  e  B­3,  amparados  tão­somente  nas  informações  contidas  na  Declaração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF do período, anexas.  (...)  Os  fatos  acima  citados,  com  relação  ao  quantitativo  de  bolsas  distribuídas e a comprovação da exigência determinada nos artigos 1º  da  MP  213/2004  e  da  Lei  11096/2005  (renda  per  capita),  descaracterizam  o  Instituto  Superior  de  Educação  Santa  Cecilia  —  ISESC  de  adesão  ao  PROUNI,  conseqüentemente,  da  isenção  dos  impostos e contribuições estabelecidos no art° 8° da referida legislação.  A  instituição  ISESC  apresentou  a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica — DIPJ  2007  e  2009 — Ano  Calendário  2006  e  2007,  com  o  Tipo  de  Entidade  Educacional  e  a  forma  de  tributação  de  Imune  de  IRPJ,  com  a  apuração  anual,  constando  na  Origem  e  Aplicação  de  Recursos  (Ficha  39)  respectivamente  o  valor  de  R$  3.311.169,85  e  R$4.339.424,82,  correspondente ao Superávit e Déficit dos períodos e os Livros Diários  Gerais  n°  29  a  43,  registrados  no  Cart°  de  Registro  de  Títulos  e  Documentos e Civil P. Jurídica de Santos.  Também,  através  de  termo,  a  instituição  foi  intimada  a  apresentar  os  Balanços Patrimoniais e as Demonstrações de Resultados Trimestrais, a  Demonstração  do  Lucro  de  Exploração  e  as  Bases  de  Cálculos  das  Contribuições  Pis  e  da  Cofins  dos  períodos  de  2005  a  2007,  em  decorrência  da  suspensão  da  imunidade  e  da  não  apresentação  dos  documentos  para  a  comprovação  da  adesão  ao  Prouni,  nos  termos  da  INSRF 456, de 05/10/2004, MP 213/2004 e demais legislação sobre o  assunto,  prestando  somente  esclarecimentos  através  de  correspondências, conforme cópias anexas.  (...)  O  presente  lançamento  tributário  é  decorrente  da  suspensão  da  imunidade  constitucional  sobre  impostos  que  o  contribuinte  pretensamente  gozava,  em  virtude  da  decisão  prolatada  no  Processo  Administrativo  n°  15983.000817/2009­85  referente  à  defesa  prévia  apresentada  pela  instituição  ISESC  contra  Notificação  Fiscal  de  11/11/2009  "que  propôs  a  suspensão  de  sua  imunidade  tributária  no  período de 2003 a 2007, face às irregularidades por ela praticadas, que  violam as disposições  legais que  regem a  fruição do beneficio, com a  seguinte ementa":  (...)  Devido  á  suspensão  da  imunidade  tributária  e  a  descaracterização  da  adesão  ao  Prouni  já  comentadas  acima,  as  bases  de  cálculo  para  o  Imposto  de Renda  Pessoa  Jurídica —  IRPJ  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido —  CSLL  da  instituição  ficou  condicionada  a  Fl. 940DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     4 apuração  pelo  regime  de  tributação  do  Lucro  Real,  conforme  os  registros  e  os  demonstrativos  contábeis  da  instituição  de  ensino,  referente ao período de 2005, a saber:  (...)  Em  decorrência  da  suspensão  da  imunidade  tributária  e  a  descaracterização  da  adesão  ao  Prouni  foram  elaborados  os  demonstrativos  das  Bases  de  Cálculos  das  Contribuições  Pis  Cumulativa e da Cofins Cumulativa dos períodos de 2005, nos termos  dos artigos n° 10 e 15 da Lei 10.833/2003,  tendo como base à receita  operacional,  as  receitas  financeiras  e  incluídos  os  juros  ativos  não  contabilizados (Demonstrativos E), deduzidas as devoluções e despesas  de  bolsas  de  estudo,  conforme  os  registros  contábeis  da  instituição  e  especificados no Demonstrativo G­1, anexo.”.    Por sua vez, o voto condutor do acórdão recorrido assim sustentou:  “Destaque­se,  inicialmente,  que  a  fiscalizada,  mesmo  tendo  sido  intimada do teor da última diligência realizada (fls. 908/909), quedou­ se  silente,  não  trazendo novas manifestações,  pelo  que  a  decisão  será  suportada pelo que consta nos autos e pelos documentos e informações  prestadas pela Autoridade Fiscal após a diligência realizada.    Como visto, a discussão cinge­se a dois aspectos, a saber:  a) um, de cunho formal, que exige a obrigatória emissão, por parte do  Chefe da Unidade jurisdicionante da interessada, de ADE que exclua a  instituição  educacional  dos  benefícios  isencionais  previstos  no  PROUNI, na forma do que dispõe o artigo 5º, 3º, da IN (SRF) nº 456,  de 05/10/2004 (hoje revogada, mas vigente à data dos fatos), com sua  devida ciência e abertura de prazo de 30 dias para, querendo, impugnar  o Ato Declaratório (art. 5º, § 5º, I, da mesma norma administrativa);  b) o outro, de natureza material e que impõe definir­se se a instituição  de  educação  ISESC  encontrava­se,  à  época  dos  fatos,  coberta  pelo  manto isencional previsto na Lei nº 11.096, de 2005 (conversão da MP  nº  213/2004),  estando,  para  tanto,  com  sua  situação  regular perante  o  órgão  regulador e  fiscalizador do Programa Universidade para Todos,  no caso, o Ministério da Educação.  (...)  A partir daí, entendendo a Autoridade Fiscal ­ como claramente parece  ter entendido ­ que a instituição de educação “não cumpriu os requisitos  básicos para aderir ao Programa Universidade para Todos – PROUNI”,  deveria,  por  força  de  norma  vinculante,  ter  obedecido  às  regras  impostas pela já citada IN (SRF) nº 456/2004, artigo 5º, verbis:  (...)  Art. 5º Caso a instituição seja desvinculada do Prouni, a suspensão da  isenção das contribuições e do imposto de que trata o art. 1º dar­se­á a  partir  da  data  da  ocorrência  da  falta  que  ensejar  a  suspensão,  alcançando  todo  o  período  de  apuração  do  imposto  ou  das  contribuições.  §  1º  Quando  for  constatado  que  a  instituição  beneficiária  da  isenção  não está observando os requisitos ou condições pertinentes à matéria ou  Fl. 941DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000509/2010­93  Acórdão n.º 1302­001.774  S1­C3T2  Fl. 937          5 previstos  na  legislação  tributária,  a  fiscalização  tributária  expedirá  notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão  do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração.  §  2º  A  instituição  poderá,  no  prazo  de  trinta  dias  da  ciência  da  notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias.  § 3º O Delegado da Receita Federal  decidirá  sobre  a procedência das  alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo da isenção, no caso  de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição.  (...)  A simples leitura dos documentos componentes dos autos mostra que,  excetuadas  as  referências  ao  PROUNI  presentes  nas  fls.  citadas,  não  houve  mais  qualquer  procedimento  administrativo  tendente  a  dar  seguimento  ao  disposto  na  norma  regulamentar,  especialmente  –  e  principalmente – a obrigatória emissão do ADE, conforme previsto no  §  3º,  do  artigo  5º,  retro  transcrito  e  a  subsequente  ciência  da  interessada,  com  os  posteriores  desdobramentos  que  a  partir  daí  poderiam advir, incluindo a eventual apresentação, pela contribuinte, de  “impugnação ao  ato declaratório”  conforme  facultado pelo  inciso  I,  §  5º, do mesmo dispositivo regulamentar.  Convertido  o  julgamento  em  dupla  diligência,  os  quesitos  elaborados  por  esta  Relatoria  visaram  exatamente  definir  se  tal  procedimento  de  cunho formal (mas obrigatório) tinha sido atendido ou não, como se vê  abaixo (fls. 796):  (...)  As  respostas  e  documentos  trazidos  após  a  realização  da  referida  2ª  diligência mostram, com clareza, não ter havido atendimento às regras  da Instrução Normativa, como se vê na “Informação Fiscal” elaborada  pela  Autoridade  diligenciadora  (fls.  899),  abaixo  reproduzida  parcialmente:  (...)  Exprima­se,  não  houve  notificação,  nem ADE,  de  tal modo que,  sem  nenhuma dúvida, restou descumprido o rito formal imposto pela norma  adjetiva,  não  havendo,  em  consequência,  como  se  manter  os  lançamentos perpetrados.  Subsidiariamente,  não  se  perca  de  vista,  a  Lei  do  PROUNI  (Lei  nº  11.096,  de  13  de  janeiro  de  2005),  expressamente  remete  o  procedimento  de  suspensão  do  regime,  naquilo  que  couber,  à  Lei  nº  9.430/1996, artigo 322, dispondo expressamente em seu artigo 9º:  (...)  Em face do exposto, pelo não atendimento aos requisitos ínsitos na  legislação  de  regência  e  não  observância  das  normas  procedimentais específicas para o caso, impõe­se cancelar, por vício  formal, os lançamentos tributários presentes nestes autos.  (...)  Fl. 942DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     6 Há mais, porém.  Se  do  lado  formal  ocorreu  o  equívoco  que  levou  à  nulidade  aqui  decidida,  sob o  aspecto material, melhor  sorte não  cabe  aos  presentes  lançamentos.  De fato, a entrada e mantença de uma instituição educacional de nível  superior  no  chamado Programa Universidade  para Todos  – PROUNI,  instituído pela Lei nº 11.096, de 2005, conversão da Medida Provisória  nº 213/2004, exige o cumprimento de regras previamente elencadas no  mencionado  dispositivo  legal  (regulamentado  pelo  Decreto  nº  5.493/2005),  remetendo  ao  Ministério  da  Educação,  a  gestão  do  programa, na forma do artigo 1º:  (...)  Sequencialmente,  o  legislador  disciplinou,  nos  artigos  5º  a  7º,  da  mesma Lei, a  forma de “adesão”, ou seja, a “entrada” das  instituições  educacionais ao programa e demais exigências para a permanência nele  (sempre sob a égide do MEC):  (...)  §  1º  O  termo  de  adesão  terá  prazo  de  vigência  de  10  (dez)  anos,  contado  da  data  de  sua  assinatura,  renovável  por  iguais  períodos  e  observado o disposto nesta Lei.  (...)  E,  finalmente,  definiu  expressamente  como  seria  a  fiscalização  e  exclusão do regime (ainda e sempre pelo MEC):  Art.  9º  O  descumprimento  das  obrigações  assumidas  no  termo  de  adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades:  (...)  II ­ desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na  hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo  para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público.  §  1º  As  penas  previstas  no  caput  deste  artigo  serão  aplicadas  pelo  Ministério da Educação, nos termos do disposto em regulamento, após  a  instauração  de  procedimento  administrativo,  assegurado  o  contraditório e direito de defesa.  (...)  Posta  a  matéria,  impende  ver,  após  os  procedimentos  de  diligência  realizados,  se  o  ISESC  fazia  jus,  à  época  dos  fatos  narrados  (2006  e  2007), à isenção disciplinada no artigo 8º acima reproduzido.  Dentro desta  linha, a compulsação dos autos mostra que a Autoridade  titular  da  DRF/Santos,  em  atenção  à  diligência  determinada  por  esta  DRJ,  expediu  Ofício  datado  de  15/02/2013,  dirigido  ao  Exmo.  Sr.  Ministro  da  Educação,  requerendo  informações  sobre  o  ISESC  e  sua  inserção e manutenção no PROUNI.  A reprodução do mencionado Ofício mostra o quadro (redigitalização ­  fl. 873 ­, em razão de erro na juntada anterior do mesmo documento à  fl. 769):  Fl. 943DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000509/2010­93  Acórdão n.º 1302­001.774  S1­C3T2  Fl. 938          7 (...)  Claramente destaca­se que o Titular da DRF/Santos questionou o MEC  para  saber,  expressamente,  se  o  ISESC  “estava  ou  não  incluído  no  regime  do  PROUNI”,  ou,  em  caso  negativo,  se  havia  “por  parte  do  Ministério  da  Educação,  qualquer  ato  administrativo  (Portaria,  Resolução, etc) excluindo a empresa citado do regime”.  Quesitos  que  o  órgão ministerial  respondeu mediante  expediente  (fls.  771/773),  com  documentos  anexos  às  fls.  774/865,  reproduzidos  parcialmente:  (...)  Em suma, exsurge dos documentos presentes, a confirmação cristalina  de que o Instituto de Educação Santa Cecília –  ISESC não apenas fez  sua  adesão  ao  PROUNI  com  vigência  a  partir  de  01/01/2005,  como  nele se mantém, ininterruptamente, até o ano de 2013.  Vale dizer, em 2006 e 2007, anos­calendários objetos dos lançamentos  tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS constantes deste processo, o  ISESC estava sob o abrigo do benefício isencional previsto no artigo 8º,  da Lei  nº  11.096/2005,  pelo  que  os mesmos  não  podem  ser mantidos  sob pena de confrontar norma legislativa em plena vigência, impondo­ se seu cancelamento.  (...)  Diante  de  tudo  o  que  nos  autos  consta  e  do  que  foi  exposto,  os  lançamentos  aqui  apreciados,  quer  sob  o  ângulo  formal  quer  pelo  material  (pelos  fatos  já  narrados  ao  longo  deste  voto)  não  podem  ser  mantidos, impondo­se cancelá­los.  Por  fim,  atente­se  que  a  impugnação  ofertada  não  foi  objeto  de  análise  de  mérito,  exceto  em  relação  às  manifestações  sobre  o  PROUNI (fls. 559/571), posto que a decisão ora exarada, favorável  à contribuinte, se sobrepõe a seu eventual exame.”      É o relatório.    Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.    O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72  c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço.    Preliminarmente,  registro  o  meu  desconforto  com  o  disposto  no  art.  6º  do  Anexo II do RICARF. Penso que só após a decisão definitiva da questão prejudicial, poderiam  as  questões  decorrentes  serem  julgadas.  No  entanto,  o  referido  art.  6º  determinou  que  o  Fl. 944DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     8 processo com questão prejudicial e os processos decorrentes sejam vinculados, o que obriga o  julgamento deles em conjunto.    Assim sendo, nesta mesma assentada, esta Turma julgou e negou provimento  ao  recurso  voluntário  nos  autos  do  PAF  15983.000817/2009­85,  confirmando  assim  a  suspensão da imunidade do art. 150, VI, "c" da recorrente.    Por  sua  vez,  são  irrefutáveis  os  fundamentos  da  decisão  recorrida,  a  qual  cancelou os lançamentos em tela, pois a Autoridade lançadora não observou os procedimentos  estabelecidos  no  art.  5º  da  IN/SRF  nº  456/2004,  para  suspensão  da  isenção  tributária  de  entidades  que  aderiram  ao  PROUNI.  Ou  seja,  a  autoridade  lançadora,  ao  constatar  que  a  recorrente  não  estava  cumprindo  os  requisitos  para  o  gozo  da  isenção  tributária,  deveria  expedir  notificação  fiscal,  na  qual  relataria  os  fatos  que  determinaram  a  suspensão  do  benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração, comunicando à instituição que  ela poderia, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas  que  entender  necessárias,  para  então,  o  Delegado  da  Receita  Federal  decidir  sobre  a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  da  isenção,  no  caso  de  improcedência, dando, de sua decisão, ciência à instituição, para que essa pudesse recorrer.    Todavia, como também apontou a decisão recorrida, os vícios que inquinam  os procedimentos de lançamento tributário em tela vão além da ofensa ao art. 5º da IN/SRF nº  456/2004.  Ocorre  que,  em  razão  de  diligência  solicitada  pela  DRJ,  a  Autoridade  titular  da  DRF/Santos  expediu  Ofício  datado  de  15/02/2013,  dirigido  ao  Exmo.  Sr.  Ministro  da  Educação, requerendo informações sobre o ISESC e sua inserção e manutenção no PROUNI.  Em resposta a  tal ofício, o órgão ministerial  respondeu, por meio do ofício a  fls. 771, que o  Instituto  de  Educação  Santa  Cecília  –  ISESC  não  apenas  fez  sua  adesão  ao  PROUNI  com  vigência a partir de 01/01/2005, como nele se mantém, ininterruptamente, até o ano de 2013.  Ora,  diante  de  tal  resposta,  resta  claro  que  a  recorrente  gozava,  em 2006  e  2007,  da  isenção  tributária  prevista  no  art.  8º  da  Lei  11.096/05  (lei  de  conversão  da  MPv  213/04). Aliás,  vou  além  do  que  sustentou  a  decisão  recorrida,  para  afirmar  que  o ADE  do  Delegado da Receita Federal de que trata o art. 5º da IN SRF 456/2004 só poderia ser expedido  após a publicação do ato do Ministério da Educação que desvincule a instituição do PROUNI,  se não vejamos como dispõe o art. 9º da referida lei:  Art.  9o  O  descumprimento  das  obrigações  assumidas  no  termo  de  adesão  sujeita a instituição às seguintes penalidades:      I  ­  restabelecimento  do  número  de  bolsas  a  serem  oferecidas  gratuitamente, que será determinado, a cada processo seletivo, sempre que  a  instituição descumprir o percentual estabelecido no art. 5o desta Lei e que  deverá  ser  suficiente  para  manter  o  percentual  nele  estabelecido,  com  acréscimo de 1/5 (um quinto);      II ­ desvinculação do Prouni, determinada em caso de reincidência, na  hipótese de falta grave, conforme dispuser o regulamento, sem prejuízo  para os estudantes beneficiados e sem ônus para o Poder Público.      §  1o  As  penas  previstas  no  caput  deste  artigo  serão  aplicadas  pelo  Ministério  da  Educação,  nos  termos  do  disposto  em  regulamento,  após  a  instauração  de  procedimento  administrativo,  assegurado  o  contraditório  e  direito de defesa.      §  2o Na hipótese do  inciso  II  do caput deste  artigo,  a  suspensão da  isenção  dos  impostos  e  contribuições  de  que  trata  o  art.  8o  desta  Lei  terá  como  termo  inicial  a data de ocorrência da  falta que deu causa  à  desvinculação do Prouni, aplicando­se o disposto nos arts. 32 e 44 da Lei  no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no que couber.      § 3o As penas previstas no caput deste artigo não poderão ser aplicadas  quando  o  descumprimento  das  obrigações  assumidas  se  der  em  face  de  razões a que a instituição não deu causa.  Fl. 945DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000509/2010­93  Acórdão n.º 1302­001.774  S1­C3T2  Fl. 939          9 Ou seja, basta a leitura deste artigo, para que se verifique que somente por ato  do Ministro da Educação poderá  ser uma  instituição desvinculada do PROUNI,  sendo que a  suspensão  da  isenção  tributária  só  poderá  ser  declarada  pela  RFB  após  este  ato,  já  que  a  suspensão terá como termo inicial a data da ocorrência da falta reconhecida, por óbvio, no ato  do  Ministro  da  Educação.  Assim,  enquanto  não  houver  o  ato  do  Ministério  da  Educação,  desvinculando  a  instituição  do  PROUNI,  sequer  pode  ser  suspensa  a  isenção  tributária  de  instituição  participante  desse  Programa,  por  descumprimento  das  condições  estabelecidas  na  Lei 11.096/05.  É  verdade  que  o  §  2º  do  art.  8º  da  Lei  11.096/05  dispõe  que  a  RFB  disciplinará  a  norma  isentiva  do  caput,  mas  seria  demais  deduzir  que,  na  norma  insculpida  neste  parágrafo,  estivesse  a  autorização  para  a  RFB  suspender  o  gozo  da  isenção  tributária  antes do ato do Ministério da Educação que desvincule a instituição de educação do PROUNI   Assim, confirmado pelo Ministério da Educação que a recorrente não apenas  fez  sua  adesão  ao  PROUNI  com  vigência  a  partir  de  01/01/2005,  como  nele  se  mantém,  ininterruptamente, até o ano de 2013, há que se concluir que a recorrente gozava de isenção do  IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS nos anos de 2006 e 2007.  Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício.        Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator                                Fl. 946DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 10630.003883/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídica, em especial quanto ao recolhimento das contribuições devidas a terceiros referidas no art. 3° da Lei n° 11.457/2007. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento já que a pessoa jurídica excluída do Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, em especial quanto ao recolhimento das contribuições devidas a terceiros referidas no art. 3° da Lei n° 11.457/2007. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 117          1 116  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10630.003883/2008­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.707  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  Terceiros  Recorrente  VAREJÃO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2007  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS  A  TERCEIROS.  A  pessoa  jurídica  excluída  do  Simples  sujeita­se  às  normas  de  tributação  aplicáveis  às  demais  pessoas  jurídica,  em  especial  quanto  ao  recolhimento  das  contribuições  devidas  a  terceiros  referidas  no  art.  3°  da  Lei  n°  11.457/2007.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o  lançamento já que a pessoa jurídica excluída  do  Simples  sujeita­se  às  normas  de  tributação  aplicáveis  às  demais  pessoas  jurídicas,  em  especial  quanto  ao  recolhimento das  contribuições devidas  a  terceiros  referidas no  art.  3° da  Lei n° 11.457/2007.        (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 38 83 /2 00 8- 11 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     2 (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator     EDITADO EM: 28/07/2015    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente), Arlindo da Costa  e  Silva,  Juliana  Campos  de  Carvalho  Cruz,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa  e  André  Luís  Mársico Lombardi.   Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10630.003883/2008­11  Acórdão n.º 2302­003.707  S2­C3T2  Fl. 118          3     Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado.  Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 91 e seguintes),  que bem resume o quanto consta dos autos:  O  lançamento  contra  o  sujeito  passivo  acima  identificado,  de  acordo  com  o  relatório  fiscal  de  fls.  32/34,  é  constituído  de  contribuições  sociais  devidas  ao  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento Educacional  ­ FNDE  (salário­educação),  ao  INCRA,  ao  SEBRAE  e  ao  SESCOOP,  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  no  período  de  01/2003 a 05/2007.  Segundo o referido relatório essas contribuições foram apuradas  mediante  exame  de  folhas  de  pagamento  e  de  guias  de  recolhimento  do  FGTS  e  informações  à  Previdência  Social —  GFIP declaradas após o início do procedimento fiscal.   A autoridade fiscal informa que a empresa se autoenquadrou no  regime  de  'tributação  SIMPLES,  sendo  excluída  desta  sistemática através do Ato Declaratórip Executivo n. 37, de 24  de  outubro  de  2007,  com  efeitos  a  partir  de  junho  de  2001.  Durante  o  período  em que  se  considerou  regularmente  optante  desse sistema, recolheu apenas as contribuições descontadas dos  segurados.  Registra  ainda  que  procedeu  o  enquadramento  da  empresa  no  FPAS  6120,  SAT  5020204,  CNAE  60267  e  CNAE  FISCAL  4930201.  A fundamentação legal do débito encontra­se às fls. 26/28:  Inconformada  com  a  exigência  fiscal,  a  empresa,  por  meio  de  procurador  constituído;  ofertou  impugnação  de  fls.  41/42,  acompanhada dos documentos de fls. 43/88 (...)    Como  afirmado,  a  impugnação  apresentada  pela  recorrente  foi  julgada  improcedente,  tendo  a  recorrente  apresentado,  tempestivamente,  o  recurso  de  fls.  103  e  seguintes, no qual alega, em apertada síntese:  * que no período do débito encontrava­se enquadrada no SIMPLES e que não  sabe  com base  em quais  critérios  houve  a  emissão  do Ato Declaratório Executivo  n°  37,  de  24/10/2007, excluindo a empresa do SIMPLES a partir de junho de 2001;  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     4 *  que  apresentou,  em  28/11/2007,  impugnação  em  face  do  Declaratório  Executivo, que não foi conhecida por ser intempestiva, no que discorda a recorrente, tanto que  impetrou  Mandado  de  Segurança,  apesar  de  não  ter  prosperado  em  primeira  instância,  aguardando julgamento da apelação pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Sendo assim,  deve ser reconhecido como insubsistente o presente Auto de Infração.  É o relatório.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10630.003883/2008­11  Acórdão n.º 2302­003.707  S2­C3T2  Fl. 119          5 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Exclusão  do  Simples  Nacional.  Pelo  que  consta  dos  autos,  o  lançamento  decorre  da  exclusão  da  empresa do Simples Nacional,  o  que  ocorreu  por  intermédio  do Ato  Declaratório Executivo n° 37, de 24 de outubro de 2007, com efeitos retroativos á l ° de junho  de 2001.   Em  seu  recurso  voluntário,  a  recorrente  alega  que  se  enquadrava  na  sistemática do Simples e que não sabe com base em quais critérios houve a emissão do Ato  Declaratório Executivo  n°  37,  de 24/10/2007,  excluindo  a  empresa  do  SIMPLES  a  partir  de  junho  de  2001.  Acrescenta  que  apresentou,  em  28/11/2007,  impugnação  em  face  do  Declaratório  Executivo,  que  não  foi  conhecida  por  ser  intempestiva,  no  que  discorda  a  recorrente,  tanto  que  impetrou  Mandado  de  Segurança,  apesar  de  não  ter  prosperado  em  primeira  instância,  aguardando  julgamento da  apelação pelo Tribunal Regional Federal da 1ª  Região. Sendo assim, deve ser reconhecido como insubsistente o presente Auto de Infração.  De  início,  é  preciso  ressaltar  que  a  procedência  do  inconformismo  da  recorrente,  em  quaisquer  termos  (sobrestamento  ou  insubsistência  do  Auto  de  Infração)  depende  da  análise  definitividade  do  Ato  Declaratório  de  Exclusão,  questão  simples  e,  portanto, de fácil resolução.  Conforme  reconhecido  pela  própria  recorrente  e  documentado  às  fls.  84,  a  impugnação  apresentada  pela  recorrente  quanto  ao  processo  n°  10630.002974/2007­40,  que  trata do aludido Ato Declaratório Executivo, foi tida como intempestiva, não cabendo qualquer  discussão  a  respeito  de  tal  fato  no  âmbito  administrativo,  em  face  da  definitividade  desta  questão, atributo próprio da coisa julgada administrativa.  O  fato  de  a  recorrente  ter  impetrado  Mandado  de  Segurança  somente  socorreria  à  recorrente  se  houvesse  algum  provimento  jurisdicional  que  desconstituísse  a  decisão que considerou intempestiva a impugnação, hipótese em que, o recurso da recorrente,  em  face  da  prejudicialidade  entre  as  duas  discussões,  deveria  ficar  sobrestado  aguardando  decisão final quanto à sua exclusão do Simples, mas, como visto, a recorrente não teve êxito  até o momento em seu writ, de sorte, que  remanesce  intacto o decisório que conclui por sua  exclusão em caráter definitivo.  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.      (Assinado digitalmente)  André Luís Mársico Lombardi, Relator  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS     6                             Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS

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Numero do processo: 13808.001282/99-12
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1991 a 31/12/1994 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE PIS/PASEP. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou depósito judicial; ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento ou depósito judicial. Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001282/99­12  Acórdão n.º 9900­000.905  CSRF­PL  Fl. 358          2 Henrique Pinheiro Torres ­ Redator ad hoc    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima  Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez,  Luiz  Eduardo  de Oliveira  Santos, Alexandre  Naoki Nishioka, Maria  Helena Cotta  Cardozo,  Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  Henrique  Pinheiro  Torres,  Nanci  Gama,  Joel  Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López,  Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas  Cartaxo (Presidente à época do julgamento).  Relatório  Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado  nomeou­me  redator ad hoc  para  formalizar o presente  acórdão,  tendo em vista que o  relator  originário, Manoel Coelho Arruda Júnior, deixou de ser conselheiro antes da formalização do  acórdão.  Cuida­se de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o  Acórdão  CSRF/02­03.831,  proferido  pela  Colenda  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  que  reconhecera  o  termo  inicial  da  decadência  como  sendo  a  data  de  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  independentemente  de  ter  havido  antecipação  de  pagamento.  O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho  de fls. 345/346.  Regularmente  intimado,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  contrarrazões  ao  recurso extraordinário.  É o relatório.                                                              1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as  atividades do respectivo órgão e ainda:  (...)  III ­ designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja  impossibilitado de fazê­lo ou ñão mais componha o colegiado;  Fl. 399DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13808.001282/99­12  Acórdão n.º 9900­000.905  CSRF­PL  Fl. 359          3 Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc  O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão  de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido.  Por intermédio do Despacho de fls. 397, nos termos da disposição do art. 17,  III,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiu­me o Presidente da Câmara  Superior de Recursos Fiscais a formalizar o Acórdão 9900­000.905, não entregue pelo relator  originário,  Manoel  Coelho  Arruda  Júnior,  que  não  integra  mais  nenhum  dos  colegiados  do  CARF.   Desta  forma,  a  elaboração  deste  voto  deve  refletir  a  posição  adotada  pelo  relator original e pelos demais integrantes do colegiado.  Com  a  alteração  regimental,  que  acrescentou  o  art.  62­A  ao  Regimento  Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos  devem ser observados no  julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim,  se a matéria  foi  julgada  pelo  STJ,  em  sede  de  recurso  repetitivo,  a  decisão  de  lá  dever  ser  adotada  aqui,  independentemente de convicções pessoais dos julgadores.  Essa  é  justamente  a hipótese dos  autos,  em que o STJ,  em sede de  recurso  repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos  cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados  a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de  ausência de antecipação de pagamento.  Dos  autos,  constata­se  a  existência  de  depósitos  judiciais  convertidos  em  renda, com levantamento parcial pelo contribuinte, conforme decisão judicial.   Dessa forma, considerando a existência de depósitos judiciais efetuados pelo  contribuinte,  considera­se o  termo  inicial da decadência  como sendo a data da ocorrência do  fato gerador, conforme previsto no art. 150, §4° do CTN.  Portanto, à data em que o contribuinte  fora cientificado do auto de  infração  (13/09/1999), havia perimido o direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários  relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 11/1991 a 08/1994, ou seja, anteriores a  09/1994, como, corretamente, consignado no acórdão recorrido.  Com  base  nesses  fundamentos,  o  Colegiado  negou  provimento  ao  recurso  extraordinário da Fazenda Nacional.  Este o voto que me coube redigir.    Henrique Pinheiro Torres  Fl. 400DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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