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Numero do processo: 10830.917845/2011-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 127 1 126 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917845/201188 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.185 – 2ª Turma Especial Data 27 de maio de 2014 Assunto PER/DCOMPRETIFICAÇÃO Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 84 5/ 20 11 -8 8 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917845/201188 Resolução nº 3802000.185 S3TE02 Fl. 128 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917845/201188 Resolução nº 3802000.185 S3TE02 Fl. 129 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10855.000592/99-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011).
Numero da decisão: 3201-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RI CARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 92 /9 9- 94 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 292 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A interessada acima qualificada ingressou com o pedido de fl. 01, solicitando a restituição de R$ 77.020,71 (setenta e sete mil vinte reais e setenta e um centavos) relativos a indébitos do Fundo de Investimento Social (Finsocial) recolhidos a alíquotas superiores a 0,50 % sobre o faturamento mensal, nos períodos de 06 de outubro de 1989 a 07 de novembro de 1991, incidentes sobre os fatos geradores ocorridos nos períodos de setembro de 1989 a outubro de 1991, cumulada com a compensação de créditos vencidos e/ou vincendos de sua responsabilidade, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Para comprovar os indébitos do Finsocial, a interessada anexou ao seu pedido o demonstrativo de fl. 04, denominado "Finsocial — Majoração de Alíquota". O pedido foi inicialmente analisado pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Sorocaba, SP, que o indeferiu, conforme Despacho Decisório n.° 1.312/99 à fl. 47, sob o fundamento de que na data de seu protocolo, o direito da interessada à restituição e/ ou compensação dos indébitos pleiteados encontravase decaído, nos termos do CTN, art. 165, I, e 168, I, e Ato Declaratório SRF n.° 96, de 1999. Cientificada daquele despacho decisório e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada interpôs a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 293 3 impugnação às fls. 52/57, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida por aquela DRF, alegando, em síntese: 1— Razões da impugnação Estava sujeita ao recolhimento das contribuições para o Finsocial, inicialmente à alíquota de 0,5 %, nos termos do Decretolei n.° 1.940, de 1982, e posteriormente a alíquotas superiores, em face das majorações promovidas pelas Leis n.° 7.787, ¡art. 7° e n.° 7.894, art. 1°, ambas de 1989, e n.° 8.147, de 1990, art. 1°. Contudo, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucionais as majorações de alíquotas em percentuais superiores a 0,5 %. Assim, tem direito à restituição e/ ou compensação dos recolhimentos efetuados, excedentes a 0,5 %, nos termos do Decreto Presidencial n.° 2.138, de 1997, e Instrução Normativa (SRF) n.° 21, de 1997, e demais dispositivos legais pertinentes. Alegou, ainda, que sendo o Finsocial contribuição sujeita ao lançamento por homologação, sua extinção somente se dá com a homologação tácita 'após cinco contados do fato gerador, quando começa a fluir o prazo para a decadência do direito de possível repetição de indébito por recolhimento indevido e/ ou a maior. Assim, nos casos de lançamentos por homologação (CTN, art. 150, caput), como no presente caso (contribuições para o Finsocial), não é o pagamento efetuado para atender ao dever do contribuinte de "antecipar" o recolhimento do valor "auto lançado — que extingue o crédito tributário". Tal pagamento é feito sob condição resolutória de ser ou não homologado, tácita ou expressamente, pelo Fisco (CTN, art. 150, I). Quando ocorre a homologação, se consuma a extinção do crédito tributário (CTN, art. 150, VII). O pagamento que, sem mais, extingue o crédito tributário (CTN, art. 156, I) é aquele feito em resposta a lançamento de oficio que prescinde da respectiva homologação. Portanto, contandose cinco anos do fato gerador para a homologação tácita até a "extinção do crédito" e mais cinco anos daí em diante para decair o direito de repetição do indébito, o prazo total soma dez anos e não cinco como entendeu a DRF em Sorocaba, SP. II — Princípio da moralidade administrativa O Ato Declaratório citado no despacho decisório da DRF em Sorocaba, no nosso ordenamento jurídico, só pode declarar um direito existente, e não modificar, extinguir ou criar, respeitando o princípio da segurança jurídica que possibilita a previsibilidade dos efeitos jurídicos. Aquela DRF tentou modificar um entendimento que já vinha sendo adotado pela Delegacia da Receita Federal em Campinas, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 294 4 desrespeitando o princípio constitucional da segurança jurídica, bem como o princípio da moralidade. III — Do pedido Diante de todo o exposto requereu: 1) a reforma do despacho decisório, objeto desta impugnação, para que seja realizada a compensação dos valores pagos indevidamente a título de Finsocial com os débitos constantes neste processo e com débitos vincendos; 2) aceitação dos cálculos apresentados por ela por meio do laudo técnico constante neste processo; 3) a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes neste processo, nos termos do art. 151, III, do CTN; e 4) as notificações sejam enviadas para o endereço do patrocinador desta impugnação. A impugnação (manifestação de inconformismo) interposta por ela foi então analisada pela DRJ em Campinas, SP, que por meio da decisão n.° 2.192, de 2000, às fls. 66/69, indeferiu seu pedido sob a seguinte ementa: "RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário." Cientificada daquela decisão e inconformada com seu resultado, interpôs o recurso voluntário às fls. 72/85, dirigido ao 2° CC de Contribuintes, requerendo a este o seu provimento, para que seja reconhecido o seu direito à restituição dos indébitos do Finsocial pleiteados e efetuadas suas compensações com os débitos indicados neste processo. O recurso foi então analisado pelo ConselheiroRelator Henrique Pinheiro Torres que, por meio do voto às fls. 92/94, votou pela anulação da decisão recorrida e que outra, em boa forma e dentro dos preceitos legais, seja proferida, alegando, em síntese, vício insanável pela inobservância dos ditames legais, ou seja foi emitida por pessoa outra, que não o Delegado da Receita Federal de Julgamento. Em face do voto do relator, os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acordaram em anular o processo, a partir da decisão singular, inclusive, segundo o acórdão n.° 20213.802, à fl. 89. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 295 5 Em face desse acórdão, a DRF em Sorocaba, SP, após as providências de sua alçada, retornou o processo a esta DRJ para novo julgamento. Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/10/1989 a 07/11/1991 Ementa: INDÉBITO FISCAL. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição e/ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A restituição e/ ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. SUSPENSÃO. A interposição de recurso contra despacho decisório que indeferiu pedido de compensação de indébitos tributários com créditos tributários vencidos não tem o condão de suspender a exigibilidade destes créditos. Contudo, a comunicação destes à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição em Dívida Ativa da União, somente se dará trinta dias após a ciência do contribuinte da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. ACEITAÇÃO DE CÁLCULOS. Recusamse os cálculos de indébitos fiscais apurados em desacordo com a legislação tributária vigente para efeito de mensuração do montante a ser repetido e/ ou compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 06/10/1989 a 07/11/1991 Ementa: INTIMAÇÃO ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, nesta fase do processo, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 296 6 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, analisando o recurso em sessão de 7/7/2005, decidiu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 30301.051. Neste ato, a 3ª Câmara devolveu o processo à repartição de origem “para que seja verificada no sistema a liquidez e certeza dos pagamentos efetuados pela recorrente e objeto do pedido de restituição, elaborandose os cálculos devidamente atualizados, após o que devolvase o processo para apreciação das demais questões de mérito por parte desse Conselho de Contribuintes”. A unidade de origem, em atendimento a esta resolução, emitiu a informação fiscal de fls. 188, alcançando a seguinte conclusão: Utilizamos o aplicativo CTSJ para auxílio na apuração do direito creditório, cadastramos todos os recolhimentos confirmados conforme relatório de fls. 169 e 170, cadastramos todos os débitos conforme o Demonstrativo de Apuração de, Débitos, fls. 171 e 172, efetuamos as vinculações entre o FINSOCIAL DEVIDO e os recolhimentos com períodos de apuração correspondentes e obtivemos o Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos, fls. 173 e 174 e o Demonstrativo de Amortizações, fls. 175 a 180, no qual pode se verificar que todos os débitos de FINSOCIAL DEVIDO foram zerados, conseqüentemente, os valores constantes na coluna "saldo total do DARF" do Demonstrativo de Pagamentos, fls. 169 e 170, deve ser considerado como direito creditório. A recorrente, cientificada do resultado do procedimento fiscal, apresenta manifestação, na qual afirma que os débitos que buscava compensar neste processo foram recolhidos pela recorrente, de forma que restaria configurado o pagamento em duplicidade. Desta forma, requer a este Conselho que se reconheça o direito de repetição no valor de R$ 73.652,19, decorrente de pagamento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A primeira questão a ser dirimida neste processo corresponde a determinar se o pedido de restituição apresentado pela contribuinte foi efetivado dentro do prazo previsto pela legislação tributária, conforme defendido pela recorrente, ou se este foi efetivado após ultrapassado este prazo, como definido na decisão recorrida. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 297 7 No tocante ao prazo que os contribuintes possuem para requerer a restituição de indébito tributário, destacase, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria, na sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, em julgamento proferido com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System dês deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 298 8 stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 299 9 Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 300 10 FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) (grifo nosso) Com este julgamento restou consolidada, portanto, a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Quanto à possibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, destacase ainda decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, que possui a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 301 11 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifo nosso) Ressalto que as decisões acima citadas devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF em atendimento com a regra estabelecida pelo artigo 62A do Regimento Interno desta casa: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme já relatado, o presente processo trata de pedido de restituição/compensação formulado em 08/03/1999, referente a recolhimentos a maior que o devido da Contribuição ao Finsocial efetuados entre outubro de 1989 e novembro de 1991. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria entre outubro de 1999 e novembro de 2001, respectivamente. Como o pedido de restituição/declaração de compensação em julgamento foi apresentado em 08/03/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, o mesmo foi protocolado antes de ultrapassado o prazo legal, devendo ser revista a decisão recorrida. Observase ainda que o mérito da questão não foi apreciado pela unidade de origem, que se restringiu a análise da questão prejudicial. Diante do exposto, tendo em vista que a recorrente promoveu o pedido de restituição dentro do prazo legal, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do seu direito a restituição e determinando o retorno do presente processo à unidade de origem para análise das demais questões referentes ao direito creditório pleiteado. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201001.658 S3C2T1 Fl. 302 12 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000159/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por reconhecimento da decadência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. Recorrente SERVITIUM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por reconhecimento da decadência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 01 59 /2 00 8- 12 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a Recorrente referente a descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 232 e 233, parágrafo único do RPS. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 17/18, o livro diário relativo às competências de 01/1997 a 12/1997 foi apresentado com omissão de informações, consubstanciado na ausência de lançamento na contabilidade dos seguintes fatos contábeis: i) pagamento a segurados empregados conforme recibos de salários no período de 01/1997 a 07/1997; ii) pagamento de verbas rescisórias constante dos termos de rescisão de contrato de trabalho; iii) pagamento de GRPS no período de 01/1997 a 12/1997. O Auto de infração foi lavrado em 27/12/2007, conforme fl. 1. Intimada da autuação a Recorrente apresentou impugnação de fls. 211/216 a qual fora julgada improcedente às fls. 259/261 sob os seguintes fundamentos: 1) A decadência para contribuições previdenciárias é de 10 anos nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91, vez que o dispositivo nunca foi excluído do ordenamento; 2) Portanto, tendo o auto de infração sido lavrado em dezembro de 2007, não foi ultrapassado o prazo decadencial decenal. Face o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 271/276 alegando em suma: 1) O STF julgou pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 que concedia ao INSS o direito de apurar e constituir seus créditos e a matéria já está completamente pacificada no sentido de que o prazo decadencial para lançamento de créditos de contribuições previdenciárias é de cinco anos; 2) No auto de infração o período fiscalizado corresponde à competência de 1997, ou seja, muito já escasso o direito de constituição do crédito; 3) A Súmula Vinculante n° 08 do STF decretou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.000159/200812 Acórdão n.º 2402004.031 S2C4T2 Fl. 297 3 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Da Decadência O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4° ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou no havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da autuação, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observarseá regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, tratase de ausência do recolhimento da contribuição devida, posto que o contribuinte não efetuou pagamento a este título, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadência o disposto no art. 173, I, do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Por tais motivos, as alegações trazidas em sede de recurso voluntário devem ser acatadas no sentido de que seja aplicado in casu o art. 173, I, do CTN, excluindose todas as competências objeto de lançamento, uma vez que referentes ao exercício de 1997, ou seja, 10 anos antes da lavratura do auto de infração. Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11128.009562/2007-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a repartição de origem junte aos autos o recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado - Presidente.
Esteve presente no julgamento a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387.
RELATÓRIO
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que a repartição de origem junte aos autos o recurso voluntário. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado Presidente. Esteve presente no julgamento a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OABDF 39387. RELATÓRIO A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 09 56 2/ 20 07 -8 3 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009562/200783 Resolução nº 3803000.437 S3TE03 Fl. 5 2 Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 02/06297390, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 25/07/2003. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 34.382,77 (fls.), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 134/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls.), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial T1371, doc de fl., foram descarregadas em solo americano e, no dia 25/06/2003 foi emitida a fatura comercial PC 08964 (fls.87/89) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009562/200783 Resolução nº 3803000.437 S3TE03 Fl. 6 3 para o Brasil em 09/07/2003, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 162/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls.), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade, protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 01/ ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 2ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1755.340, de 17/11/2011 proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/02/2003 Imposto sobre a Importação II PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos todos os requisitos previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido As razões de decisão proferidas encontramse sintetizadas nos excertos seguintes: Analisando a documentação apresentada, não se vislumbra fundamento na motivação exposta no despacho decisório denegatório da ocorrência de comércio, como referida na letra “b”, item ii, do retrocitado item, razão por que afasto a suposta irregularidade. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009562/200783 Resolução nº 3803000.437 S3TE03 Fl. 7 4 A caracterização de comércio ali vedada não se trata da venda pura e simples para o operador de terceiro país, e sim, o comércio no referido país da mercadoria objeto de trânsito, o que não foi apurado na ação fiscal. No entanto, a interessada não trouxe elementos capazes de justificar que o transito pelo território dos EUA se deu por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte, o que contraria a legislação. Observase que o México, país de origem da mercadoria, tem saída tanto para o Oceano Pacífico quanto para o Oceano Atlântico. A preferência tarifária somente beneficia as importações que se adequarem às regras previstas nos referidos acordos internacionais. Aquelas que não se conformam com essas determinações não estão contempladas pela preferência tarifária, devendo se processar pelo regime normal de tributação, ficando sujeitas ao Imposto de Importação, calculado sob a alíquota normal estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, tal como, no caso presente, foi exigido no auto de infração. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/12/2011 (vide AR). Por meio de despacho de encaminhamento em 16/05/2012, o servidor Pedro Aurélio de Souza, do GRESPSEORTALFSTSSP, informou ser o recurso voluntário interposto pelo interessado tempestivo. Ocorre que apesar da informação acerca da tempestividade do recurso voluntário o mesmo não consta dos autos. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Inicialmente cumpre informar acerca da ausência de recurso voluntário nos autos do processo devolvido à instância ad quem, inobstante tenha a autoridade administrativa competente se pronunciado sobre a tempestividade do mesmo, o que possibilita o exercício de presunção sobre a sua existência. Assim sendo pugno pela conversão deste julgamento em diligência à unidade de origem com a finalidade de se proceder à juntada do recurso voluntário interposto aos autos do processo em comento. Uma vez cumprido com o desiderato retornem os autos a este colegiado para o prosseguimento do feito. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14041.000114/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores deve-se comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se exclua do cálculo da multa o levantamento LUC e para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte que terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias na NFLD correlata. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Declarou-se impedido o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais com falta de declaração dos fatos geradores devese comparar a multa aplicada com base na sistemática anterior com aquela prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, de modo a verificar qual a mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 14 /2 00 8- 43 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para que se exclua do cálculo da multa o levantamento LUC e para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte que terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias na NFLD correlata. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Declarouse impedido o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000114/200843 Acórdão n.º 2401003.552 S2C4T1 Fl. 255 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 34.405 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.143.8098. I. Decisão Recorrida Diante da impugnação do sujeito passivo, o órgão de primeira instância reconheceu a decadência para o período de 02/1999 a 11/2001, aplicando a regra inserta no inciso I do art. 173 do CTN. Na impugnação a empresa arguiu apenas a conexão do AI sob apreciação com a NFLD n. 37.143.8063 (cujo recurso julgamos a pouco). A DRJ resolveu promover no AI as mesmas exclusões determinadas no julgamento da NFLD conexa, ou seja, a retirada do levantamento LUC, para os exercícios de 2002 a 2006, haja vista que a competência 12/2001 foi considerada procedente, mas excluída por decadência no julgamento da NFLD, fato que não se configurou na análise do presente AI. Segundo a DRJ, o comparativo para aplicação da multa mais benéfica, em razão das alterações promovidas pela Lei n. 11.941/2009, deverá ser efetuado no momento do pagamento/parcelamento do crédito ou inscrição em dívida ativa. II. Recurso Voluntário O sujeito passivo pediu que o julgamento do processo em tela fosse realizado somente após a apreciação da NFLD conexa. Postulou pelo reconhecimento da decadência para as competências de 12/2001 a 11/2002. Requereu a aplicação retroativa do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 de modo que prevaleça o comando da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Ao final pugnou pela improcedência do feito ou pela retificação da multa, com exclusão das competências alcançadas pela decadência. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ......................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000114/200843 Acórdão n.º 2401003.552 S2C4T1 Fl. 256 5 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque vejo que acertou ao DRJ, ao aplicar para a contagem do lapso decadencial, a norma do inciso I do art. 173 do CTN, uma vez que o lançamento referese aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Assim, encaminho para que seja mantido o reconhecimento da decadência apenas para o período de 02/1999 a 11/2001, haja vista que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu em 12/2007. Conexão com os processos de exigência da obrigação principal O entendimento unânime dessa Turma é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições têm sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Devese, então, no mérito reconhecer como improcedente as contribuições relativas ao levantamento LUC (distribuição de lucros), também para a competência 12/2001, da forma como se entendeu no julgamento da NFLD correlata. Aplicação da multa mais benéfica Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000114/200843 Acórdão n.º 2401003.552 S2C4T1 Fl. 257 7 abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN2. Devese, então, verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzida a multas aplicada na NFLD correlata, resulta em valor mais benéfico ao contribuinte, tendose em conta que, na maioria das competências, a penalidade aplicada foi limitada ao teto legal, nos termos do demonstrativo de fl. 183. Conclusão Voto pelo provimento parcial do recurso para que se exclua do cálculo da multa o levantamento LUC e para que se aplique a multa mais favorável ao contribuinte que terá como limite o cálculo efetuado de acordo com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, deduzida a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias na NFLD correlata. Kleber Ferreira de Araújo. 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723731/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS.
Cabe ao recorrente a produção das provas que confirmem sua alegações. A mera alegação de que a autoridade fiscal não abateu da Receita Bruta presumida as vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos, sem qualquer comprovação contábil ou documentação não é suficiente para infirmar a presunção obtida a partir de notas fiscais de vendas emitidas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Numero da decisão: 1801-001.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana De Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Roberto Massao Chinen, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe ao recorrente a produção das provas que confirmem sua alegações. A mera alegação de que a autoridade fiscal não abateu da Receita Bruta presumida as vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos, sem qualquer comprovação contábil ou documentação não é suficiente para infirmar a presunção obtida a partir de notas fiscais de vendas emitidas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
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Cabe ao recorrente a produção das provas que confirmem sua alegações. A mera alegação de que a autoridade fiscal não abateu da Receita Bruta presumida as vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos, sem qualquer comprovação contábil ou documentação não é suficiente para infirmar a presunção obtida a partir de notas fiscais de vendas emitidas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana De Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 37 31 /2 01 1- 14 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 08/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Roberto Massao Chinen, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme De Medeiros Ferreira, Ana De Barros Fernandes Relatório Relatório: Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: Tratase de impugnação contra lançamentos tributários do IRPJ (fls 2/7) e da CSLL (fls 9/15), com fatos geradores trimestrais no ano de 2007. O montante do crédito tributário é de R$ 128.821,90, já acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício. De acordo com a descrição dos fatos contida nos autos de infração, o contribuinte declarou a menor a receita bruta oriunda da revenda de combustíveis. Assim, o contribuinte informou na DIPJ/2008 uma receita bruta de R$ 168.960,46, ao passo que o seu livro razão registrava uma receita bruta de R$ 4.622.779,99, implicando uma diferença de R$ 4.453.819,53, tributada a título de “omissão de receita bruta” (fls 285/290 e 291/302). Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 28.04.2011, o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou impugnatória em 30.05.2011 (fls 305/305), propugnando pelo “reconhecimento da anulação total da notificação do auto de infração”, tendo em vista que algumas peças dos autos, relacionadas às fls 310/326, não teriam sido dispostas cronologicamente, como requer o art. 22 do Decreto nº 70.235, de 1972. A decisão de primeira instancia não conheceu da impugnação apresentada sob o argumento de que: “Com efeito, o impugnante não se insurgiu de forma fundamentada contra a infração fiscal que lhe foi imputada. Apenas alegou que algumas peças dos autos não teriam observado a ordem cronológica exigida pelo art. 22 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: “O processo será organizado em ordem cronológica e terá suas folhas numeradas e rubricadas”. Inconformado o contribuinte apresenta Recurso Voluntário alegando preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por não observância do principio da verdade material e no mérito afirma não terem sido abatidas da receita presumida considerada as vendas canceladas, os descontos incondicionais assim como os impostos não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 08/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10380.723731/201114 Acórdão n.º 1801001.727 S1TE01 Fl. 3 3 Conheço do recurso por tempestivo. Afasto a alegação preliminar de nulidade da decisão por entender como inexistente a ofensa ao principio da verdade material no presente caso. No mérito, igualmente não assiste razão à recorrente. Com efeito, meras alegações genéricas de que a fiscalização não teria considerado vendas canceladas, descontos incondicionais e impostos não cumulativos na renda presumida, não são aptas a desconstituir o auto de infração. Com efeito, observase uma enorme diferença de valores entre o que constou na DIPJ e o obtido por meio de analise de notas fiscais emitidas e ainda confirmado pelo livro razão. Ou seja, a fiscalização partiu da documentação contábil e notas fiscais emitidas pela própria recorrente, que em nenhum momento foi pontual ao indicar efetivamente, quais notas teriam sido canceladas ou qual seria o valor a ser abatido em razão de descontos incondicionais e impostos não cumulativos. Ou seja, além de a recorrente não juntar documentação que infirme a autuação, ela nem sequer é capaz de argumentar e apontar, de forma concreta, quais teriam sido os erros praticados pela autoridade fiscal. Diante do exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 08/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003308/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/09/2004
AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Uma vez que o lançamento se resume a cobrança de contribuições descontadas e não repassadas aos órgãos públicos, há de se reconhecer a existência de dolo genérico, o que atrai a incidência do art. 173, I, do CTN.
REPLEG. INCLUSÃO DO NOME DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA. DOCUMENTO MERAMENTE INFORMATIVO. A indicação dos responsáveis pela empresa no relatório REPLEG, tido pela legislação como um dos anexos dos Auto de Infração previdenciário, não enseja o reconhecimento de responsabilidade pessoal pelo débito lançado daqueles que ali foram listados.
JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N. 04. É legal aplicação dos juros SELIC aos lançamentos tributários. Aplicação da Súmula n. 04 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) declarar a decadência até a competência de 11/2001, inclusive o 13o salário de 2001; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire- Presidente
Igor Araújo Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 30/09/2004 AI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Uma vez que o lançamento se resume a cobrança de contribuições descontadas e não repassadas aos órgãos públicos, há de se reconhecer a existência de dolo genérico, o que atrai a incidência do art. 173, I, do CTN. REPLEG. INCLUSÃO DO NOME DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA. DOCUMENTO MERAMENTE INFORMATIVO. A indicação dos responsáveis pela empresa no relatório REPLEG, tido pela legislação como um dos anexos dos Auto de Infração previdenciário, não enseja o reconhecimento de responsabilidade pessoal pelo débito lançado daqueles que ali foram listados. JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N. 04. É legal aplicação dos juros SELIC aos lançamentos tributários. Aplicação da Súmula n. 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador da multa aplicada, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Uma vez que o lançamento se resume a cobrança de contribuições descontadas e não repassadas aos órgãos públicos, há de se reconhecer a existência de dolo genérico, o que atrai a incidência do art. 173, I, do CTN. REPLEG. INCLUSÃO DO NOME DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS PELA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA. DOCUMENTO MERAMENTE INFORMATIVO. A indicação dos responsáveis pela empresa no relatório REPLEG, tido pela legislação como um dos anexos dos Auto de Infração previdenciário, não enseja o reconhecimento de responsabilidade pessoal pelo débito lançado daqueles que ali foram listados. JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N. 04. É legal aplicação dos juros SELIC aos lançamentos tributários. Aplicação da Súmula n. 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 08 /2 00 7- 09 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) declarar a decadência até a competência de 11/2001, inclusive o 13o salário de 2001; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.003308/200709 Acórdão n.º 2401003.519 S2C4T1 Fl. 1.453 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VALMARG CONFECÇÕES LTDA, em face do acórdão de fls., que manteve integralmente a NFLD n. 37.146.0719, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes à parte descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais e não recolhidas aos cofres públicos em época própria. Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram obtidos em folha de pagamentos da empresa BISCAYNE COMÉRCIO DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO LTDA, incorporada pela recorrente em 30/10/2004, de modo que o crédito fora dela exigido nos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional. O período apurado compreende a competência de 06/1997 a 09/2004, tendo sido contribuinte cientificado em 27/12/2007 (fls. 01). Em seu recurso, defende que a NFLD deve ser declarada nula, tendo em vista não ter observado aquilo o que descrito nos artigos 660 e 663, ambos da IN INSS 03/2005, pois não foram lavrados os documentos imprescindíveis ao processo, a saber o TIAF e o MPF. Sustenta a necessidade de que seja reconhecida a decadência do lançamento, com arrimo no art. 150, §4o do CTN. Acresce que constou do Relatório de Representantes Legais REPLEG,' que o Sr. Marcelo Simões Abraão fora qualificado como Sócio Gerente da Recorrente. Todavia, conforme Contrato Social anexo, podese aferir que o mesmo não e sócio da Recorrente, de modo que pugna pela sua exclusão como responsável pelo lançamento. Arremata ao argumento de que deve ser reconhecida a ilegalidade da SELIC. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da NFLD A recorrente defende que o lançamento está eivado de nulidade, tendo em vista que a autoridade lançadora desrespeitou aquilo o que descrito nos artigos 660 e 663, ambos da IN INSS 03/2005, uma vez que não colacionou ao Auto de Infração peças imprescindíveis a atividade do lançamento. Sem razão. O lançamento foi levado a efeito em observância ao que determina a legislação, especialmente aquilo o que disposto no art. 142 do CTN, de modo que a recorrente teve plena e inequívoca ciência de todos os fundamentos de fato e direito que ensejaram a necessidade da constituição do crédito tributário, especialmente, uma vez que a recorrente teve ciência de todos os Anexos do Auto de Infração, seja mesmo os TIAFs e o MPF respectivo. O relatório fiscal da infração e de aplicação dos consectários legais cabíveis apontaram de forma clara e inequívoca os fundamentos que justificaram a cobrança, o seu período, bem como esclareceu a forma de cálculo da multa, de modo que fora garantindo à recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa e ao contraditório. Assim reza o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, conforme fora devidamente concluído pelo v. acórdão de primeira instância, o contribuinte fora devidamente cientificado de todo o conteúdo e anexos do Auto de Infração, não havendo que se falar em planilha de consolidação da multa, como documento essencial ao lançamento, uma vez que sequer o relatório fiscal fez alusão a referido documento. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade. Decadência Fl. 730DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.003308/200709 Acórdão n.º 2401003.519 S2C4T1 Fl. 1.454 5 Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, no entanto, estamos diante de situação fática na qual foram descontadas contribuições dos empregados e estas não vieram a ser repassadas aos cofres públicos em época própria. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Tal conduta, a meu ver, mesmo que haja a existência de recolhimentos considerados quando do lançamento, enseja a necessidade de afastamento da aplicação do art. 150, 4o do CTN, exatamente em razão da conduta praticada pela parte estar eivada do dolo genérico em não efetuar o recolhimento das contribuições, o que não permite a aplicação do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador. A propósito, confirase aquilo o que já decidido pelo Eg. STJ: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. DOLO ESPECÍFICO. ANIMUS REM SIBI HABENDI. COMPROVAÇÃO DESNECESSÁRIA. PRECEDENTES DESTA CORTE E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. O delito de apropriação indébita previdenciária constitui crime omissivo próprio, que se perfaz com a mera omissão de recolhimento da contribuição previdenciária dentro do prazo e das formas legais, prescindindo, portanto, do dolo específico. 2. Embargos de divergência acolhidos para cassar o acórdão embargado, nos termos explicitados no voto. (EREsp 1296631/RN, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 11/09/2013, DJe 17/09/2013) Considerando que o lançamento se reporta às competência de 06/1997 a 09/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/12/2007, acolho a preliminar para declarar que somente foram atingidas pela decadência as competências lançadas até 11/2001, inclusive o 13º salário. Passo ao mérito. MÉRITO Neste aspecto, a recorrente pede a exclusão da pessoa de Marcelo Simões Abraão do REPLEG, sustentando, ainda ser ilegal a indicação de pessoas físicas como responsáveis pelo débito lançado. Sobre o assunto, não vejo outra conclusão, senão concordar com o que já restou decidido sobre o assunto pelo v. acórdão de primeira instância. Da análise dos contratos sociais e estatutos, verificou a DRJ que o Sr. Marcelo Simões Abraão é diretor da empresa recorrente, sendo o responsável por sua administração. Todavia, mesmo que não fosse, a indicação de seu nome no Relatório REPLEG, não tem o condão de atribuir ao mesmo qualquer responsabilidade pelo lançamento do crédito tributário em questão, não podendo ser considerado, neste momento, como sujeito passivo da relação jurídicotributária objeto do presente lançamento. Assim, pela mera indicação de seu nome no relatório REPLEG, não poderão as pessoas ali listadas vir a ser responsabilizadas pessoalmente pelos débitos objeto de cobrança na presente NLFD, já que o relatório é instrumento meramente informativo. Assim, rejeito o pedido. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.003308/200709 Acórdão n.º 2401003.519 S2C4T1 Fl. 1.455 7 Juros Selic A matéria envolvendo a taxa de juros Selic já pacífica no âmbito do contencioso administrativo, conforme a súmula a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, acolher a preliminar de decadência para excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive o 13º salário, e, no mérito em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11516.001818/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PARCERIA RURAL x ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO.
FORMADETRIBUTAÇÃO
A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pela arrendamento das terras. O pagamento em quantidade fixa de produto, por si só, não descaracteriza o arrendamento e, muito menos, permite enquadrar o contrato como parceria rural, visto que a essência da parceria rural está no compartilhamento do risco, que deve ser comprovado documental. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALIENAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. GANHO DE CAPITAL. CUSTODEAQUISIÇÃO.
Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de produtos agrícolas,integram o custo de aquisição o valor do produto na data do seu recebimento acrescido das despesas relacionadas a conservação e reparo,assimcomoacomissãoouacorretagem,quandooônusnão fortransferido aoadquirentedobem.
MULTA QUALIFICADA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício e desqualificar a multa de ofício reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que provia em maior extensão o recurso para afastar a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação exclusiva da multa isolada.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PARCERIA RURAL x ARRENDAMENTO RURAL. DISTINÇÃO. FORMADETRIBUTAÇÃO A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pela arrendamento das terras. O pagamento em quantidade fixa de produto, por si só, não descaracteriza o arrendamento e, muito menos, permite enquadrar o contrato como parceria rural, visto que a essência da parceria rural está no compartilhamento do risco, que deve ser comprovado documental. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALIENAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. GANHO DE CAPITAL. CUSTODEAQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de produtos agrícolas,integram o custo de aquisição o valor do produto na data do seu recebimento acrescido das despesas relacionadas a conservação e reparo,assimcomoacomissãoouacorretagem,quandooônusnão fortransferido aoadquirentedobem. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido em parte.
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DISTINÇÃO. FORMADETRIBUTAÇÃO A diferença intrínseca entre os contratos de parceira rural e de arrendamento rural é que os primeiros caracterizamse pelo fato de o proprietário da terra assumir os riscos inerentes à exploração da atividade e partilhar os frutos ou os lucros na proporção que houver sido previamente estipulada, enquanto que nos segundos não há assunção dos riscos por parte do arrendador que recebe um retribuição fixa pela arrendamento das terras. O pagamento em quantidade fixa de produto, por si só, não descaracteriza o arrendamento e, muito menos, permite enquadrar o contrato como parceria rural, visto que a essência da parceria rural está no compartilhamento do risco, que deve ser comprovado documental. No caso de contrato de arrendamento, o rendimento recebido pelo proprietário dos bens rurais cedidos é tributado como se fosse um aluguel comum, enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALIENAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. GANHO DE CAPITAL. CUSTODEAQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de produtos agrícolas,integram o custo de aquisição o valor do produto na data do seu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 18 /2 01 0- 36 Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 recebimento acrescido das despesas relacionadas a conservação e reparo,assimcomoacomissãoouacorretagem,quandooônusnão fortransferido aoadquirentedobem. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA; CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício e desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT que provia em maior extensão o recurso para afastar a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação exclusiva da multa isolada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, AGAMENON LEMOS DE ALMEIDA, foi lavrado Auto de Infração (AI), no qual no qual se exige do contribuinte o valor de R$ 155.305,62, acrescido de juros de mora e de multas de ofício 75% e 150%, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, mais a quantia de R$ 77.608,82 de multa isolada, referentes ao ano calendário 2005, conforme fls. 3 e 674 a 712. O Auto de Infração decorre dos seguintes fatos: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao Carnê Leão (aluguel), decorrente de recebimento em espécie (soja) de Francisco Stedile, por força de arredamento de imóveis rurais, nos meses de junho, julho, agosto, setembro e novembro/2005 nos valores de R$297.000,00, R$30.000,00, R$46.500,00, R$43.500,00 e R$155.888,90, respectivamente, acompanhada de multa de 150%; 2. Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, obtido na venda da soja recebida em pagamento de arrendamento rural, nos meses de junho, julho, agosto e outubro/2005, nos valores de R$43.230,00, R$4.330,00, R$4.995,00 e R$750,00, respectivamente, acompanhada de multa de 75%; 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário sem origem comprovada, decorrente de valores creditados na contacorrente 167665, da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Altos da Serra (SICREDI), nos meses de janeiro, fevereiro, março e junho/2005, nos valores, respectivamente, de R$20.000,00, R$20.000,00, R$15.000,00 e R$17.000,00, acompanhada de multa de 75%. 4. Multa isolada decorrente da falta de recolhimento de imposto de renda pessoa física devido a título de CarnêLeão, incidente sobre rendimentos decorrente de arrendamento de imóveis rurais, nos meses de junho, julho, agosto, setembro e novembro/2005, nos valores de R$40.604,82, R$3.892,32, R$6.161,07, R$5.748,57 e R$21.202,04. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) às fls. 674 a 696, tal como se transcreve da decisão da autoridade recorrida: O contribuinte foi intimado por meio da Intimação Fiscal nº 377/09 a apresentar extratos de movimentação financeira, comprovantes de pagamento de pensão alimentícia judicial e de aquisição de bens, e os comprovantes de rendimentos. Tocante aos rendimentos da atividade rural, foram solicitados os comprovantes de receitas e despesas e demonstrativos de financiamentos. Recebidos os documentos e informações, o Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 contribuinte foi intimado (Intimação 568/09 – fls. 205 a 207) a comprovar a origem dos depósitos bancários, conforme planilha que elaborou, bem como a apresentar extratos das contas mantidas no SISCRED e BANRISUL. Consta que analisados os documentos bancários, ficou demonstrado que em sua maioria se referem a transferências eletrônicas efetuadas pela empresa BUNGE ALIMENTOS S/A, como pagamento pela compra de soja. Posteriormente foram expedidas novas intimações ao contribuinte, à Bunge Alimentos S/A e ao Sr. Francisco Stedile, (Intimações 700/09, 701/09 e 702/09 – fls. 247 a 253), para comprovação da soja comercializada, origens, provas do pagamento e contratos de arrendamento citados no Processo 70015284151, que tramitou no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Comarca de Porto Alegre/RS. Em resposta o Sr. Francisco Stedile apresentou os contratos de arrendamento de imóveis rurais, notas fiscais de produtor e recibos de quitação em que o Sr. Agamenon Lemos de Almeida declara ter recebido 20.862,60 sacas de soja, por força dos contratos. De sua parte a empresa Bunge Alimentos S/A apresentou os documentos solicitados. Após análise da documentação, foi expedida nova intimação (Intimação 10/2010 – fls. 427 e 428) para verificar a existência de eventual estoque de soja em 31/12/2004, tendo o contribuinte apresentado comprovantes de venda e outros esclarecimentos no qual afirma que em 31/12/2004 a soja recebida neste ano já havia sido entregue à Bunge Alimentos; que restava apenas o equivalente à venda de 240.000 kg, cujo pagamento ocorreu em 03/06/2005. Face a existência de contrato de arrendamento com vigência até 30/05/2009, o período fiscalizado foi ampliado até o ano de 2008 e intimado o contribuinte a apresentar documentos, nos termos da Intimação Fiscal nº 70/2010 (fls. 513 e 514). A intimação foi atendida parcialmente, deixando o contribuinte de apresentar comprovantes de despesas informadas nas DIRPF dos anos calendário sob exame, deixando também de apresentar o Livro Caixa da atividade rural dos anos 2007 e 2008. Dos documentos apresentados, além das notas fiscais de venda de soja à Bunge, com os respectivos contratos, constaram comprovantes de venda de lenha para a empresa Fazenda Três Rios S/A e de milho para as empresas Doux e Frangosul. Foram também apresentadas cópias simples de contratos de parcerias, celebrados com a empresa Fazenda Três Rios S/A, representada por Franco Stedile (filho do arrendatário). Consta que um dos contratos foi celebrado em 19/05/04, com vigência a partir de 30 de maio 2004 e término previsto para o dia 30 de maio de 2009. Cita que não apenas a data da celebração, mas também o prazo de vigência e o objeto coincidem com os do Contrato de Arrendamento de Imóveis Rurais n° 5, celebrado com Francisco Stedile. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 4 5 Foi enviada a Intimação Fiscal n° 239/2010 (fls. 537 a 540) ao arrendatário Francisco Stedile, representado pelo filho Franco Stedile para esclarecimentos a respeito de eventuais alterações quanto à natureza dos contratos, bem como sobre a quantidade de soja e milho entregues no período de 2006 a 2008. Em resposta o Sr. Franco Stedile explicou que o contrato assinado em 19/05/2004 com término em 30/05/2009 foi substituído pelo contrato de parceria assinado em 19/05/2008 e término em 30/05/2009. Cita a autoridade fiscal que o contrato assinado em 19/05/2004 com término em 30/05/2008 foi renovado pelo contrato assinado em 30/05/2008. Os demais Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 contratos foram juntados, passando a formar dois contratos de arrendamento, um assinado em 17/05/2006 e outro em 05/12/2007, com vigência até 17/05/2010 e 30/05/2011, respectivamente. Somente a partir de 01/06/2008 os contratos passam a denominar se “Contratos de Parceria”. Consta que as explicações se respaldam em cópias autênticas dos contratos e em cópias de Termos Aditivos firmados em 13/02/2006, por meio dos quais o arrendatário Francisco Stedile é substituído pela Fazenda Três Rios, como previsto no contrato original. Devido a excessiva demora na entrega de documentos relativos ao período de 2006 a 2008, solicitados pela Intimação Fiscal nº 70/2010, e face a iminente decadência para o ano calendário 2005, a ação fiscal se encerrou parcialmente, ficando pendente para os anos 2006 a 2008. Analisada a documentação recebida, a autoridade fiscal constatou que no ano de 2005 o contribuinte recebeu de Francisco Stedile 20.882,60 sacas de soja tipo indústria, correspondente a diversos contratos de arrendamento, conforme Recibo de Quitação (fl. 294), fato confirmado pelo contribuinte na resposta dada à Intimação nº 700/2009, quando esclareceu que os recebimentos decorrem da contrapartida por áreas de terras cedidas, conforme contratos de arrendamentos firmados (fls. 307 a 309). Com base nas Notas Fiscais de Produtor, a autoridade fiscal elaborou planilha demonstrando o quantitativo de soja recebidos do arrendatário e respectivo preço, cujos dados se compilam: Cita que a quantidade de soja alienada para a empresa Bunge é exatamente a mesma que o contribuinte recebeu de Francisco Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Stedile em 2005 e que, de acordo com os contratos e notas fiscais de venda, a soja é entregue à adquirente no ano de recebimento, não restando estoque de um ano para outro, apenas ocorrendo de o preço ser pago em momento posterior, por força de contrato de fixação futura de preço. Com base nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte e pela empresa adquirente, elaborou planilha indicando a venda de 1.252.950 kg de soja (20.882,50) ao preço total de R$ 628.541,41, tendo a empresa Bunge pago a importância líquida de R$ 568.369,56, por força do desconto da contribuição para o FUNRURAL (2,3% sobre a venda) e aos Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) devidos à Monsanto do Brasil Ltda., em razão do uso da tecnologia “Roundup Ready”, conforme dados que se compilam: Os pagamentos pela empresa Bunge no ano calendário 2005 foram feitos mediante transferência bancária para a conta corrente 167665, na Cooperativa SISCREDI, nas datas e valores indicados na planilha integrante do Termo de Verificação Fiscal (fl. 683). A autoridade fiscal ao analisar os argumentos do contribuinte que entendeu se tratar de contratos de parceria, considerou que o teor dos contratos evidencia que em 2005 o contribuinte arrendava suas terras, recebendo quantia fixa em sacas de soja por hectare cultivado. O recebimento não dependia da produção e, portanto, entendeu não procedente o argumento do contribuinte de que se tratava de contrato de meação apenas porque o aluguel era pago em grãos. Cita que o contribuinte não explorava diretamente suas terras, nem participava dos riscos da produção, sendo que o arrendatário era responsável por eventuais problemas ecológicos e florestais decorrentes do uso da terra; havia, ainda, restrições ao uso dos imóveis arrendados, que não podia ser utilizado para plantio de batata inglesa, sem sublocados, exceto para a Fazenda Três Rios, de propriedade do arrendatário; que a ausência de riscos impede que se considere os contratos como parceria rural e, portanto, não pode ser considerado o valor do arrendo como receita de atividade rural, ainda que o contribuinte explore outras atividades agrícolas no imóvel arrendado; que sequer restou comprovada a alegação de produção de madeira e gado de leite, bem como nenhum rendimento destas atividades foi informado na DIRPF 2006, bem como as Declarações do ITR entregues em 2005 demonstram inexistência de atividade extrativa vegetal ou florestal, bem como rebanho com estoque nulo. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 5 7 Reforça que o próprio contribuinte reconhece em outros documentos que os contratos eram de fato de arrendamento rural, como constou em processos judiciais, em que afirma que toda sua renda provém de aluguel de lavouras e, no processo 70015284151, o Desembargador menciona que o contribuinte não explora diretamente as áreas rurais que possui, tendo optado por arrendálas a terceiros (fls. 50, 330 e 331). Considera que a mera mudança na denominação dos contratos não é suficiente para descaracterizar o arrendamento e tornálos como de parceria. Explica que, no caso específico da cópia do Contrato de Parceria entre o contribuinte e a Fazenda Três Rios, firmado em 19/05/2004, com início de vigência em 30/05/2004 e término em 30/05/2009 (fls. 519 a 521), não se pode aceitálo como prova de parceria rural, uma vez que seus aspectos formais levam a concluir que houve alteração na data de assinatura e no período de vigência; que tal conclusão decorre da existência do Contrato de Arrendamento de Imóveis Rurais nº 5, celebrado na mesma data, com o mesmo objeto e prazo de vigência; que ao contrário do contrato de parceria, o de arrendamento possui características de veracidade, como o reconhecimento de firma do arrendador e arrendatário em maio de 2004 (fl. 292); que a substituição do arrendatário pela Fazenda Três Rios ocorreu somente em 13/02/2006, conforme Termos Aditivos (fls. 543 a 551); que ainda assim a natureza dos contratos permaneceu a mesma (arrendamento) e que apenas em 01/06/2008 os contratos foram substituídos por Contrato de Parceria Agrícola, conforme informações do arrendatário substituto (fl. 590 a 610). Que as cláusulas concernentes às condições de entrega da soja e ao uso do imóvel determinam que o arrendador receberá o produto limpo, seco e livre de quaisquer despesas, inclusive de transporte e estocagem no silo (fls. 312 a 315); que o representante da Fazenda Três Rios confirma a ausência de riscos, quanto afirma que “o pagamento pelo arrendamento do período do ano de 2008 foi efetuado através de entrega de soja e milho, por razão de frustração na safra de soja e acordado entre as partes esta substituição” (fl. 542). Assim, considerou que os contratos firmados se caracterizam como arrendamento tanto no aspecto formal como na essência e efetuou o lançamento fiscal como rendimento de aluguel, conforme legislação citada no TVF. Discorreu a autoridade sobre as regras de preços em contratos de arrendamento, estabelecidas no Decreto nº 59.666/66, que regulamentou parte da Lei nº 4.504/64, dentre as quais a vedação de ajustar como preço de arrendamento quantidade fixa de frutos ou produtos, citando também jurisprudência, bem como sobre a forma de se avaliar em dinheiro os rendimentos percebidos em espécie previstas no art. 994 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que determina como sendo o preço na data de percepção do mercado local. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Cita, ainda, a autorização prevista no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) para o arbitramento e que, sendo nula cláusula que fixa preço do arrendamento em sacas de soja, deve se substituílo pelo equivalente em dinheiro, mediante arbitramento. No caso presente, entendeu a autoridade fiscal que, embora em desacordo com a legislação, os preços do arrendamento são plausíveis, conforme preços de mercado da região obtidos juntos à Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural EMATER/ASCAR/RS e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, conforme planilha que elaborou e integra o TVF (fl. 692). Desta feita considerou omissão de rendimentos o pagamento representado pela entrega de 20.882,60 sacas de soja, avaliados em R$ 572.888,90, cujo recebimento o fiscalizado confirmou pelos recibos de quitação. Constatou a autoridade fiscal a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, pelo que os considerou como rendimentos omitidos, quais sejam: Consta que o contribuinte foi intimado a justificar a origem de depósitos bancários (Intimação 568/2009 – fls. 205 a 207), porém, ficou sem comprovação o total de R$ 72.000,00, correspondentes as operações de créditos efetuadas na conta n° 167665, na Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Altos da Serra (SISCREDI) e, embora apresentados os recibos de depósitos, não foi explicado a que título os valores foram creditados; que os documentos apresentados indicam apenas as agências de origem Coop. 167 e Coop. 515, em Porto alegre e Bagé, sem mencionar a origem e a natureza dos depósitos (fls. 211 e 213). Tocante ao lançamento da multa isolada, mostrou que decorreu dos rendimentos decorrentes do arrendamento rural, cuja tributação está sujeita ao pagamento mensal (CarnêLeão), cujos fundamentos legais constam do TVF. Apurou a autoridade fiscal rendimento decorrente de ganho de capital, verificado na venda da soja recebida como pagamento do imóvel arrendado, como determina o art. 3º da Lei nº 7.713/88 e art. 117 do RIR/99. Para apurar o ganho de capital, considerou como preço de alienação o efetivamente pago pela empresa adquirente (Bunge Alimentos), conforme contratos de compra e venda e de fixação de preços e, para determinar o custo de aquisição, considerou o valor atribuído à soja na data de entrega pelo arrendatário, conforme notas fiscais de produtor. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 6 9 Com base na Ficha de Controle de Estoque (fl. 664) que elaborou com base nas notas fiscais e extratos bancários, a autoridade fiscal apurou ganho de capital nos seguintes períodos: A base de cálculo do imposto de renda foi recomposta, recalculandose o saldo de imposto a pagar, desprezandose o valor declarado pelo contribuinte como resultado da atividade rural, porém, aproveitouse o imposto pago. Além da multa de ofício, foi aplicada a multa qualificada de 150%, motivada na apresentação de contrato de parceria visivelmente alterado, com o fim de descaracterizar os contratos de arrendamento existentes e, com isso, evitar a tributação dos rendimentos recebidos; que tal conduta se enquadra, em tese, nas definições dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, que autoriza a imposição de multa, independentemente de outras penalidades cabíveis. Houve Representação Fiscal para Fins Penais, face a conduta se enquadrar em tese, em crime contra a ordem tributária. O contribuinte tempestivamente apresentou impugnação fls. 719 a 746, acompanhada de documentos de fls. 747 a 991, que ordenou de 01 a 05, que se referem a: 01 — Notas fiscais de máquinas agrícolas; 02 — gastos relacionados com a atividade rural; 03— livro de registro de empregados rurais; 04— guias de recolhimento de INSS sobre os salários pagos aos empregados rurais; e 05— recibos de pagamento de salários. Da cumulação das multas isolada e de ofício Diz ser descabida a aplicação de multa isolada cumulada com multa de ofício, que se constitui em dupla penalização; que os valores das bases de cálculo da multa de oficio e isolada são exatamente os mesmos; que aplicação de duas penalidades está em desacordo com o art. 44 da Lei nº 9.430/96, que permite a cobrança da multa em conjunto (tributo + multa) ou isoladamente (multa), mas nunca cumulativamente (multa + multa), citando acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Da atividade rural Discorda da conclusão da autoridade fiscal no tocante a atividade rural, por entender que atua diretamente na atividade rural e divide os custos de produção e manutenção das terras em que ocorre a exploração em parceria de soja, milho, trigo e aveia; que o plantio das duas primeiras espécies ocorre no mês Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 de dezembro e a colheita é feita em maio do ano seguinte; já o período de produção da aveia e do trigo ocupa os meses de maio a dezembro; que por convenção das partes, o contribuinte ficava com uma parte da soja e o parceiro fazia jus ao restante desse grão, bem como ao milho, trigo e aveia. Aduz que a remuneração de cada um dependia do resultado da produção rural, razão pela qual o montante ajustado variava em virtude das características do terreno; que a comparação entre os contratos para um mesmo período mostra que o valor recebido flutuava, e o ajuste dependia da produção do ano anterior e da produtividade de cada solo. Narra que não procede a conclusão da autoridade fiscal que considerou ausência de riscos, quando afirma o pagamento do período do ano de 2008 foi em milho e soja em razão de frustração na safra de soja; que na verdade nas áreas rurais eram produzidos soja, milho, trigo e aveia e que, em virtude da produção inferior de soja, o contribuinte recebeu uma parcela da soja e outra do milho, mas que não se trata de substituição, mas ajuste entre os produtores, o que reforça que o acordado entre as partes era de fato parceria. Diz que a fiscalização suprimiu parte dos parágrafos anteriores da resposta dada pela Fazenda Três Rios, que são indispensáveis à compreensão global da situação, que reproduz nesta parte (fl. 542): "Os contratos de arrendamento assinados até o ano de 2006 estavam sob responsabilidade do Sr. Francisco Stedile. Neste mesmo ano, por motivo de seu falecimento, os contratos foram passados para a empresa Fazenda Três Rios através de termos aditivos. “A partir de 2008, os contratos foram modificados para Parcerias Agrícolas, uma vez que este foi o intuito inicial de todos os contratos desde a época de Francisco Stedile."(grifou se) Reforça que de fato havia parceria ajustada, que sempre pautou a relação entre o contribuinte e o Sr. Francisco Stedile, que se realça na formalização dos novos contratos para os anos seguintes; que fica claro pelos fatos e documentos formalizados pelos produtores, que não havia preocupação em documentar a relação que ocorria na prática; que a formalização da operação era respaldada com a emissão de uma nota fiscal de venda, quando na verdade não era essa a operação pretendida e realizada; que não havia comercialização de produtos entre eles, mas uma produção em conjunto com a divisão dos frutos. Cita que a prova que o contrato não correspondia a realidade fática está na previsão contratual de que o Sr. Francisco Stedile deveria repassar ao contribuinte resíduos de milho (quirera pura) e resíduos com sabugo, conforme parte final da cláusula quinta do contrato firmado em 29/08/2002 (fls. 260 a 262); que este fato levou a autoridade fiscal a intimar o Sr. Francisco Stedile a comprovar a entrega dos resíduos de milho, que em resposta foi informado que não houve a entrega, por acordo verbal de dispensa do pagamento (fls. 537 e 542). Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 7 11 Fala que conforme sua DIRPF e informações prestadas, todos os seus rendimentos são oriundos de atividade rural, ao contrário do apontado pela autoridade fiscal, que desqualificouos por entender que não participava dos custos e riscos da atividade. Que o maquinário agrário que possui, consoante relação que elaborou na peça de defesa, tem aplicação exclusiva na atividade agrária e não faz parte do contrato firmado entre o contribuinte e o parceiro rural; que também arcava com outros gastos inerentes e relacionados com a atividade rural; que todos os equipamentos foram utilizados na parceria e que nenhum deles foi objeto do arrendamento, sendo o uso, manutenção e a aquisição suportados pelo contribuinte. Que arca com os custos dos empregados rurais, que laboram em conjunto com os funcionários do parceiro; que são contratados para exercer exclusivamente a atividade rural. Apresenta cópia do Livro de Registro de Empregado, guias de recolhimento do INSS e recibos de pagamento de salário. Arrola o art. 96 da Lei nº 4.504/64 para dizer que este dispositivo estabelece quais os riscos que devem ser considerados para a caracterização do contrato de parceria, cuja partilha pode ser isolada ou cumulativa; que no caso concreto a fixação em quantidade de produtos atende ao inciso III do parágrafo primeiro do dispositivo; que com o ajuste da parcela em produto agrícola, este se sujeita à variações de preço dos frutos obtidos, não deixando margem de entendimento de que se trata de parceria rural; que o parágrafo segundo do mesmo dispositivo leva a mesma conclusão. Que os contratos prefixavam montantes de produtos que no momento da colheita eram ajustados em virtude do resultado, conforme declaração firmada pelo parceiro (fl. 542), que cita nesta parte. Discorda da conclusão da autoridade fiscal que afastou a parceria sob o argumento da antecipação de 30% do preço, uma vez que o parágrafo único do art. 96 da Lei nº 4.504/64 considera que tal fato não descaracteriza o contrato. Tocante a nulidade da cláusula de fixação de preço, prevista no art. 18 do Decreto nº 59.566/66, relatada pela autoridade fiscal, fala que se deve entender o contexto do dispositivo legal de forma sistemática e que a vedação da remuneração fixada em grãos para os contratos de arrendamento se justifica nos termos do inciso III, § 1º, do art. 96 da Lei nº 4.504/64, uma vez que sua utilização descaracterizaria o arrendamento e se enquadraria como parceria. Reforça que o pactuado pelo contribuinte não pode ser considerado como arrendamento, consoante art. 18 do Decreto nº 59.566/66 c/c o inciso III, § 1º, do art. 96 da Lei nº 4.504/64, uma vez que a característica da fixação do preço em produtos é característica da parceria. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Do ganho de capital Entende o contribuinte que os rendimentos são originários exclusivamente da atividade rural e que não há venda de soja e nem custo de aquisição; que os rendimentos decorrem da alienação da produção, não havendo ganho de capital entre produção e alienação do produto. Que os rendimentos da atividade rural oferecidos à tributação em sua DIRPF são exatamente os valores que a fiscalização entende haver ganho de capital. Caso se entenda diversamente, o cálculo deve ser ajustado em virtude dos custos. Diz que na apuração do ganho a fiscalização considerou o valor bruto do recebimento e não o efetivamente auferido, como demonstrado na planilha de fl. 691, que compilou na íntegra; que foram desconsiderados os custos necessários ao recebimento dos valores, como o FUNRURAL e os royalties pagos a Monsanto do Brasil Ltda. pelo uso da tecnologia Roundup Ready. Apresenta planilhas com os valores pagos a este título, cujo resultado alteraria o ganho de capital, conforme dados extraídos aqui compilados: Fala que na apuração do ganho de capital se deve considerar o custo médio ponderado, calculado no momento da venda dos grãos; que na aquisição de um mesmo bem fungível em momentos diferentes e preços distintos é impossível distinguir qual dos objetos somente com a identificação do custo médio seria possível apurar o real ganho de capital em cada operação; que no caso presente houve prejuízo nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro; que utilizandose o custo médio ponderado tais perdas seriam consideradas no cômputo, tal como determina a regra do art. 16, § 2º, da Lei nº 7.713/88 e no art. 130 do RIR/99. Que a falta de apuração nesta forma fulmina o lançamento, por não atender o requisito do art. 142, CTN, posto que afasta a liquidez do crédito. Dos depósitos bancários Alega que informou na DIRPF a receita de atividade rural no valor de R$ 675.274,52 e tais rendimentos deram origem aos diversos depósitos bancários, no entanto a fiscalização pretendia a demonstração da origem e coincidência de data e valor nos quatro depósitos bancários. Entende que não há previsão neste sentido e por ferir o princípio da razoabilidade. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 8 13 Que a Lei nº 9.430/96, tal como disposto no art. 849 do RIR/99, exige apenas a comprovação da origem, sem estabelecer coincidência de datas e valores. Cita para tanto julgados administrativos e doutrina. Fala que foi intimado a explicar diversos depósitos bancários que totalizavam R$ 942.330,97 e que apenas 7,64% não restou justificado e, por não se tratar de pessoa jurídica obrigada a manter escrituração, deve ser afastada a tributação. Pelo fato de que a Lei nº 9.430/96 não exigir coincidência de datas e valores, considera que os rendimentos informados na DIRPF devem ser tomados como justificativa para os crédito em conta corrente, citando decisão administrativa e doutrina. Da multa qualificada Insurgese contra a majoração da multa em 150%, aplicada sobre os rendimentos do arrendamento. Diz que inicialmente foram assinados contratos com o Sr. Francisco Stedile e que, apesar de formalizados, as partes sempre assumiram suas relações como parceiros; que após o falecimento do Sr. Francisco Stedile e face ao descompasso entre o previsto contratualmente e a intenção dos produtores, foi firmado novo documento com o Sr. Franco Stedile, filho do falecido; que tal situação foi objeto de expressa manifestação deste à fiscalização, conforme fl. 542. Que não houve pretensão de se modificar o que vinha ocorrendo, mas ajustar os contratos à realidade; que não houve tentativa de driblar o fisco; que os primeiros contratos foram firmados com o Sr. Francisco Stedile e os seguintes, após sua morte, por seu filho, na condição de representante da Fazenda Três Rios. Reforça que não houve pretensão de omitir qualquer fato à fiscalização, mas demonstrar a real intenção do negócio ocorrido; que todos os rendimentos rurais foram informados em DIRPF. Cita que se a autoridade fiscal considerou que a mudança dos contratos não modificou sua natureza, que seria de arrendamento, não há que se falar em qualquer modificação substancial no pactuado e não há razão para o agravamento da multa no argumento da fiscalização de que as partes pretendiam modificar a forma de tributação. Da taxa Selic Discorda da aplicação da juros Selic previstos na Lei nº 9.065/95, posto que possuem natureza de juros remuneratórios disfarçados e contrários ao previsto no art. 161, § 1º, CTN, que determina apenas a incidência de juros moratórios. Aduz, outrossim, que tal forma de remuneração supera o previsto no § 3°, art. 192, da Constituição Federal, que Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 determina a limitação de 12% (doze por cento) como patamar máximo de juros. Assim, considera que a única forma de juros cabível é a de natureza moratória, prevista art. 161, § 1º, CTN. Que a taxa Selic é inconstitucional, por faltar lei complementar para sua criação, ferindo o disposto no art. 150, inciso I, da Constituição Federal. Dos pedidos finais De o exposto o impugnante requereu, em síntese: a) o afastamento da multa isolada, por conta da exigência cumulada com multa de oficio; b) o afastamento da forma de tributação como arrendamento, por ser parceria rural; c) o afastamento do ganho de capital sobre os preços dos grãos entre a colheita e a venda; alternativamente o seu cancelamento da exigência por falta de liquidez e inobservância da apuração pelo custo médio ponderado para bens fungíveis; alternativamente a exclusão da base de cálculo do ganho os valores de FUNRURAL e royalties; d) o afastamento da exigência sobre depósitos bancários, por falta de previsão legal que obrigue contabilidade a pessoas físicas; e) o afastamento da multa qualificada; e f) o afastamento dos juros Selic. Posteriormente apresentou petição de juntada de documentos, que se referem a extratos bancários e declaração, com o intuído de comprovar a origem dos depósitos bancários objeto do lançamento a este título (fls. 1000 a 1019). A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2005 RENDIMENTOS DE ARRENDAMENTO/ALUGUEL DE IMÓVEL PARA EXPLORAÇÃO AGROPECUÁRIA. CONTRATO DE ARRENDAMENTO RURAL. RECEBIMENTO EM PRODUTO. Os rendimentos decorrentes de contrato de arrendamento de imóvel para exploração agropecuária são tributáveis na forma de aluguel, sem aplicação das regras de apuração de resultado de atividade rural, quando presente pagamentos e a não partilha dos riscos. Convertese em moeda, pelo preço corrente de mercado, o valor dos produtos recebidos como pagamento de arrendamento. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 9 15 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. É tributável, como ganho de capital, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. Considerase custo dos bens ou direitos o valor de aquisição expresso em reais, podendo integrálos despesas devidamente comprovadas e declaradas em DIRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ART. 161, CTN. Incidem juros e taxa Selic nos créditos tributários não recolhidos nos prazos estabelecidos na legislação específica, sem aplicação as disposições do art. 161 do Código Tributário Nacional MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. A constatação do não recolhimento do carnêleão impõe a aplicação da multa isolada, concomitante com a multa de ofício sobre o imposto suplementar apurado no ajuste anual, por serem penalidade que têm por origem fatos distintos. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, nos casos em que, no procedimento de ofício, ficar constatado que a conduta do contribuinte está associada a evidente intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes aspectos no final de seu recurso. Do descabimento da multa cumulada com a multa de ofício Da atividade rural do contribuinte; Do ganho de capital e sua inexistência; Dos depósitos bancários – da forma de comprovação da origem para fins do art. 42 da Lei No. 9430/96. Da multa qualificada. É o relatório. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão central da lide é a desclassificação dos rendimentos declarados pelo contribuinte como oriundos da atividade rural que foram tributados como omissão de aluguéis recebidos de pessoa jurídica (arrendamento) e ganho de capital na venda dos produtos agrícola (soja e milho) recebidos em pagamento pela cessão dos imóveis rurais de sua propriedade. Conforme relatado, o contribuinte declarou como despesas da atividade rural A fiscalização considerou como rendimentos de aluguéis os valores recebidos da Fazenda Três Rios S/A e como ganho de capital, a diferença positiva entre o preço dos produtos (soja e milho) recebidos em função do arrendamento e o respectivo preço de alienação. O ponto crucial do presente processo são os contratos firmados pelo contribuinte com a Fazenda Três Rios S/A que fiscalização considerou como arrendamento rural e interessada alega tratarse de parceria rural. Do Arrendamento Rural vs Parceria Rural Por se tratar de rendimentos da atividade rural, sujeitos a uma tributação diferenciada (a base cálculo é no máximo 20% da receita bruta), tanto a receita quanto os contratos inerentes à atividade devem ser comprovados mediante os documentos usualmente utilizados e em conformidade com os requisitos estabelecidos na legislação pertinente. Com relação à parceria rural, o art. 13 da Lei no 8.023, de 12 de abril de 1990, dispõe sobre o resultado da atividade rural, deixando claro que esta deve ser comprovada documentalmente: Art. 13. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto de conformidade com o disposto nesta lei, separadamente, na proporção dos rendimentos que couber a cada um. Tal dispositivo foi reproduzido no art. 59 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, que acrescentou lhe o parágrafo único: “Na hipótese de parceria rural, o disposto neste artigo aplica se somente em relação aos rendimentos para cuja obtenção o parceiro houver assumido os riscos inerentes à exploração da respectiva atividade.” Ou seja, além da comprovação documental da parceira deve o contribuinte assumir os riscos inerentes à exploração da atividade. O compartilhamento do risco não é privativo da legislação tributária, mas inerente à própria definição da parceria rural, contida na Lei n. 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra) e no Decreto no 59.566, de 14 de Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Novembro de 1966, que a diferencia do arrendamento rural. A posse ou uso temporário da terra serão exercidos em virtude de contrato estabelecido entre o proprietário e os que nela exercem atividade rural sob a forma de arredamento ou parceria rural (art. 92 do Estatuto da Terra). Os princípios dos contratos de arrendamento e de parceira rural encontramse nos arts. 95 e 96, respectivamente, os quais foram regulamentados pelo Decreto no 59.566, de 1966, sendo oportuno reproduzir os seguintes artigos: Art. 1º O arrendamento e a parceria são contratos agrários que a lei reconhece, para o fim de posse ou uso temporário da terra, entre o proprietário, quem detenha a posse ou tenha a livre administração de um imóvel rural e aquele que nela exerça qualquer atividade agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista (Art. 92 da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 Estatuto da Terra e art. 13 da Lei nº 4.947, de 6 de abril de 1966). Art 2º Todos os contratos agrários regerseão pelas normas do presente Regulamento, as quais serão de obrigatória aplicação em todo o território nacional e irrenunciáveis os direitos e vantagens nelas instituídos (art.13, inciso IV da Lei nº 4.94766). Parágrafo único. Qualquer estipulação contratual que contrarie as normas estabelecidas neste artigo, será nula de pleno direito e de nenhum efeito. Art. 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista, mediante certa retribuição ou aluguel , observados os limites percentuais da Lei. [...] § 2º Chamase Arrendador o que cede o imóvel rural ou o aluga; e Arrendatário a pessoa ou conjunto familiar, representado pelo seu chefe que o recebe ou toma por aluguel.[..] Art. 4 Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matériasprimas de origem animal, mediante partilha de riscos de caso fortuito e de força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (Art.96, VI, do Estatuto da Terra). [grifos nossos] Como se vê, os contratos rurais podem ser de dois tipos: contratos de arrendamento e contratos de parceria. A diferença intrínseca entre eles é que os primeiros caracterizam se pela ausência de riscos de caso fortuito ou de força maior, bem como pelo recebimento de um valor fixo por parte do proprietário, enquanto que os segundos, pela existência da possibilidade de riscos para o proprietário, sem haver retribuição fixa Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 11 19 Tal distinção é importante, pois o tratamento tributário é diferente. No contrato de arrendamento, no caso do proprietário dos bens rurais cedidos, o rendimento é tributado como se fosse um aluguel comum (art. 49, incisos I e II, do RIR/99), enquanto que no contrato de parceria, as duas partes são tributadas como atividade rural na proporção que couber a cada uma delas (art. 59 do RIR/99). No caso concreto tal como apontado pela autoridade fiscalizadora os contratos celebrados entre o contribuinte e o Sr. Francisco Stedile, afastam a possibilidade de uma parceria rural, a começar pela sua denominação, que os identifica expressamente como "CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS (EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA) . Outro elemento contratual que confirma a existência do arrendamento são as cláusulas que estipulam o preço em quantidade certa de produto por hectare cultivado. Cláusulas como essa indicam que o valor recebido pelo arrendador era fixo e não dependia do sucesso da produção. Essa espécie d contrato, que prevê uma retribuição certa ou aluguel ao cedente das terras rurais. O contribuinte arrendava suas terras, recebendo uma quantia fixa em sacas de soja por hectare cultivado: não explorava diretamente suas terras, nem participava dos riscos da produção. A cláusula contratual que atribui apenas ao arrendatário a responsabilidade por eventuais problemas ecológicos e florestais decorrentes do uso da terra indica, de forma inequívoca, a inexistência do compartilhamento de riscos. Essa cláusula está presente mesmo nos contratos que passaram a se denominar de parceria agrícola. Isso leva a concluir que os termos dos contratos de parceria não refletem a efetiva intenção das partes no negócio. O pagamento do arrendo continua a ser efetuado nos termos originalmente pactuados, ou seja, mediante a entrega de uma quantidade fixa de produto por hectare cultivado. Embora o contribuinte alegue que dividia os custos de produção e que a remuneração de cada um dependia do resultado da produção rural, não é o que dos autos se depreende, conforme salientado pela fiscalização, o preço era fixado em quantidades de sacas por hectare plantado, independentemente da produção final. O fato de o número de sacas estar relacionado à área efetivamente plantada não permite concluir que o contribuinte assumia qualquer risco, ao contrário, fosse qual fosse o resultado da colheita o montante final devido ao arrendador não se alterava em relação ao número de sacas de soja previamente fixado. Ademais, existe cláusula contratual que atribui apenas ao arrendatário a responsabilidade por eventuais problemas ecológicos e florestais decorrentes do uso da terra, o que demonstra a inexistência do compartilhamento de riscos. A declaração da arrendatária de que “a partir de 2008, os contratos foram modificados para Parcerias Agrícolas, uma vez que este foi o intuito inicial de todos os contratos desde a época de Francisco Stedile.” não é suficiente para descaracterizar os contratos firmados anteriormente e as provas carreados pelo fisco que demonstram cabalmente tratase de arrendamento rural. O pagamento foi estipulado em quantia fixa de produto por área cultivada, não havendo qualquer previsão de pagamento variação em função da melhor ou pior produção. A variação do número de sacas recebidas em cada já foi acima explicada e tem sua origem nos prazos de pagamento de cada contrato e nos valores previamente fixados para cada ano. Argumento adicional da fiscalização e que não foi refutado pelo recorrente, tratase de informação obtido nos autos do processo no 1.05.05113183, que tramitou na 3ª Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Vara de Família e Sucessões em Porto Alegre/RS, no qual foi mencionado que o contribuinte “não explora diretamente as áreas rurais que possui, tendo optado por arrendálas a terceiros”. De todo exposto, afasto as alegações do recorrente e mantenho o lançamento como rendimento omitido decorrente de contratos de arrendamento rural, na forma de aluguel como disposto na legislação dantes citada. Da Omissão de Ganho de Capital Uma conseqüência da descaracterização da suposta parceria do contribuinte, foi a tributação da venda dos produtos como ganho de capital. O contribuinte entende que os cálculos devem ser ajustados, alegando que devem ser considerados os custos necessários ao recebimento dos valores como o FUNRURAL e os royalties pagos a Monsanto do Brasil Ltda. pelo uso da tecnologia Roundup Ready; (b) dever utilizar custo médio ponderado, para fins de apuração do ganho de capital a ser tributado, nos termos do art. 16, § 2º , da Lei no 7.713, de 1988, e no art. 130 do RIR/99; No que se refere à dedução dos valores do FUNRURAL e dos royalties pagos não assiste razão ao interessado. Explicase. O art. 123, §3º , permite que “O valor pago a título de corretagem na alienação será diminuído do valor da alienação, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente.” Em suma não há previsão legal para que se deduza os valores pagos a título de FUNRURAL ou royalties, mas tão somente despesas relacionadas a conservação e reparos, assim como a comissão ou a corretagem, quando o ônus não for transferido ao adquirente do bem. Por sua vez, não há que se falar em custo médio ponderado no caso concreto pois toda a soja recebido era vendida. Tal método não altera o resultado quando existe uma única entrada de produto e saídas subseqüentes até que o estoque seja zero, como no caso que aqui se tem. De modo que não identifico qualquer raparo a ser feito nessa parte do lançamento. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 12 21 O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Da Multa Isolada Cabe reconhecer, que no tocante ao lançamento da multa de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento engloba valores recebidos mensalmente, cujas importâncias foram lançadas de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que para o ano calendário de 2005, não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202002.706 S2C2T2 Fl. 13 23 ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Da Multa Qualificada Segundo a fiscalização a recorrente teria omitido receitas, adotando conduta no sentido de impedir o lançamento e retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Inobstante respeitável entendimento da autoridade fiscalizadora, não vejo circunstâncias que caracterizem um evidente intuito de fraude. Entendo que configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. No caso concreto não tenho como presumir que a conduta foi eivada de vício, mas tão somente de omitir do fisco com conhecimento de fato relevante. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Nestes termos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício e desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.722996/2011-42
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DESSES RENDIMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidar o cômputo dos rendimentos recebidos acumuladamente na base de cálculo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente excluir da base de cálculo os referidos rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DESSES RENDIMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidar o cômputo dos rendimentos recebidos acumuladamente na base de cálculo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente excluir da base de cálculo os referidos rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 29 96 /2 01 1- 42 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, decorrente da omissão de rendimentos no valor de R$35.473,69, resultando na cobrança de imposto suplementar de R$7.581,45, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 41/45), que reproduzo a seguir: Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 7.581,45 relativos ao exercício de 2008 em decorrência da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente oriundos de ação judicial conforme documentos apresentados e informações da fonte pagadora. Consta da Complementação da descrição dos fatos que não foi apresentado documento hábil dos honorários advocatícios: recibo ou nota fiscal emitidos pelo profissional contratado. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação.O total do crédito tributário é de R$ 15.605,64. Na impugnação o contribuinte, após solicitar a prioridade na tramitação do presente processo com base no Estatuto do Idoso, alega, em síntese, que: em 03/08/2002 moveu ação judicial contra o Instituto Nacional de Seguridade Social, em decorrência, auferiu o montante bruto de R$ 35.473,69, composto das seguintes parcelas: R$ 27.378,78 (valor principal), R4 6.895,90 (honorários advocatícios) R$1.064,21 (IRRF) e R$ 134,80 (CPMF); na declaração de ajuste anual do exercício em tela, considerou tais rendimentos como isentos e não tributáveis; os rendimentos pagos acumuladamente devem ser tributados de acordo com as alíquotas vigentes à época em que os rendimentos eram devidos, conforme decisões reiteradas do Poder Judiciário (transcreve ementas e trechos de decisões judiciais ); Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 11080.722996/201142 Acórdão n.º 2802003.003 S2TE02 Fl. 110 3 entender ser indevida a tributação dos honorários advocatícios pagos em de decorrência da ação judicial (R$ 6.895,90) nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Requer, ao final, a insubsistência da Notificação de Lançamento e, caso não reconhecida a isenção em vista da tributação cumulativa, sejam excluídos os honorários advocatícios. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Porto Alegre reformou parcialmente o lançamento, para determinar a dedução dos honorários advocatícios, no montante de R$6.895,90, do cálculo do imposto suplementar, em acórdão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL Submetemse ao ajuste anual todos os rendimentos oriundos da ação judicial que não sejam isentos ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO Os rendimentos pagos acumuladamente em data anterior a 28/07/2010, devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual relativa ao ano calendário do efetivo recebimento dos valores, somandoos aos demais rendimentos auferidos no período. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente intimado em 14 de março de 2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de abril de 2012, alegando, em síntese, que recebeu em 2007 rendimentos de revisão de aposentadoria paga acumuladamente, pelo INSS, em decorrência de ação judicial, relativos ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 2005. Sustenta que a interpretação dada pela autoridade lançadora ao art. 12, da Lei nº 7.713/1988 não encontra na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual requer seja cancelado o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Julianna Bandeira Toscano, Relatora. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, cuida o presente lançamento de alegada omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência do pagamento de diferença Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 4 de reajuste de benefícios previdenciários pagos em atraso e recebidos de forma acumulada, cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A matéria colocada em julgamento é conhecida dessa Turma Julgadora e vem sendo resolvida no sentido de reconhecer que existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça. Por bem retratar tal entendimento, transcrevese, a seguir, o acórdão nº 2802 002.876, proferido em 13 de maio de 2014, nos autos do processo nº 10183.006479/200814, de Relatoria do Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso e cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( Resp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 11080.722996/201142 Acórdão n.º 2802003.003 S2TE02 Fl. 111 5 b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 6 Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 11080.722996/201142 Acórdão n.º 2802003.003 S2TE02 Fl. 112 7 CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. (...) Este caso concreto é compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO
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Numero do processo: 35011.003706/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2005
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO
A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
CONTRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, e recolher a quantia arrecadada à Previdência Social no prazo legal.
PERÍCIA INDEFERIMENTO
Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito.
Numero da decisão: 2301-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em conhecer de ofício da questão sobre a ausência de fundamentações fática e jurídica sobre o lançamento, no que se refere a arbitramentos, por ser questão de ordem pública, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não conhecer de ofício sobre essa questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de anular o lançamento, no que se refere a contribuição dos segurados, pela existência de vício material, no embasamento do lançamento (aferição), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao recurso, a fim de retificar o débito, no que se refere a cota patronal, nos termos propostos pela autoridade fiscal, fls. 02592, e Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de retificar o débito, no que se refere a cota patronal, nos termos propostos pela autoridade fiscal, fls. 02592, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADO A empresa está obrigada a recolher as contribuições devidas incidentes sobre todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços. CONTRIBUIÇÃO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 37 06 /2 00 6- 82 Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, e recolher a quantia arrecadada à Previdência Social no prazo legal. PERÍCIA INDEFERIMENTO Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em conhecer de ofício da questão sobre a ausência de fundamentações fática e jurídica sobre o lançamento, no que se refere a arbitramentos, por ser questão de ordem pública, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não conhecer de ofício sobre essa questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de anular o lançamento, no que se refere a contribuição dos segurados, pela existência de vício material, no embasamento do lançamento (aferição), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que votou em dar provimento parcial ao recurso, a fim de retificar o débito, no que se refere a cota patronal, nos termos propostos pela autoridade fiscal, fls. 02592, e Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de retificar o débito, no que se refere a cota patronal, nos termos propostos pela autoridade fiscal, fls. 02592, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35011.003706/200682 Acórdão n.º 2301003.530 S2C3T1 Fl. 2.738 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição do segurado contribuinte individual e à da empresa, incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 37 a 39), constitui fato gerador da contribuição lançada o pagamento, pela notificada, de remuneração aos segurados contribuintes individuais, conforme registros da contabilidade fornecidos em meio magnético. A autoridade notificante informa, ainda, que a empresa também não recolheu 11% sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, observado o limite máximo dos salários de contribuição, que se presume retidos a partir da vigência da Lei 10.666, de 08/05/2003. Esclarece que as bases de cálculo foram identificadas na contabilidade por meio do exame das contas relacionadas no REFISC, sendo considerados os saldos mensais apurados entre os lançamentos a credito e a debito em razão do histórico não identificar o fato ocorrido e o beneficiário dos pagamentos. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 019.376, da 4° Turma da DRJ/BEL, (fls. 111 a 120), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 123), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, alega nulidade da NFLD em razão de não descrever os elementos de convicção que levaram a fiscalização a lavrála e não identificar, no relatório fiscal ou mesmo nos documentos que a instruem, os pretensos segurados autônomos ou contribuintes individuais que teriam recebido remuneração sem que fosse recolhida a contribuição social devida relativa à parte da empresa. Assevera que a NFLD, como colocada, simplesmente não descreve a motivação da fiscalização, não oferece elementos para se aferir como o Auditor Fiscal chegou aos fatos que apurou e não permite que a recorrente possa rebater os argumentos com que, eventualmente, não concorde. Entende que era dever da fiscalização identificar, no relatório da NFLD, no mínimo, quais os segurados, o valor das remunerações que lhes foram pagas pela recorrente, inclusive os valores que eventualmente foram recolhidos pela recorrente relativamente a cada um deles a título da exação em discussão, para que se pudesse aferir a correção dos descontos desses títulos do valor apurado e, notadamente, apresentar a motivação da lavratura do NFLD. Frisa que, ao contrário do consignado na NFLD e na decisão recorrida, a recorrente não deixou de recolher qualquer valor a titulo das exações em discussão Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 relativamente aos estabelecimentos nela mencionados, e que a fiscalização, por não buscar a identificação dos segurados, acabou por considerar como fato gerador valores pagos a pessoas jurídicas que constaram das contas contábeis. Ainda em preliminar, alega decadência de parte do débito. No mérito, reafirma o débito não merece ser mantido, eis que devidamente recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, conforme será apurado em regular perícia contábil e conforme demonstram os documentos anexos, e repete que a fiscalização considerou valores pagos a pessoas jurídicas como se fossem pagamentos a autônomos pessoas físicas, tendo em vista que nas contas contábeis relacionadas na NFLD foram lançados equivocadamente pagamentos feitos a pessoas jurídicas. Argumenta que como a fiscalização não analisou qualquer outra evidência material, como recibos de autônomos ou as notas fiscais que justificavam os lançamentos contábeis realizados, acabou por lavrar indevidamente a presente autuação. Insurgese contra o valor do débito representado pela NFLD em debate, e especialmente contra o valor considerado como presumidamente retido dos contribuintes individuais, pois a fiscalização sequer apontou o número de segurados que comporiam a base de cálculo para observar o teto de contribuição. Sustenta que não pode a fiscalização calcular diretamente 11% do total da suposta diferença de base de cálculo, pois, dependendo do número de segurados que receberam os valores, estarseá cobrando 11% sobre pagamentos de valores superiores ao limite do saláriodecontribuição. Por meio da Resolução 2301000.123, de 18/03/2011, esta Turma converteu o julgamento em diligência, para que fossem analisados os documentos apresentados em sede recursal. Em cumprimento à diligência determinada por este Carf, a autoridade lançadora analisou a documentação da empresa e concluiu que pela procedência, em parte, das alegações da notificada, e pela retificação do débito. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou intempestivamente. É o relatório. Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35011.003706/200682 Acórdão n.º 2301003.530 S2C3T1 Fl. 2.739 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a notificada alega nulidade da NFLD, argumentando que a autoridade lançadora não descreveu os elementos de convicção para sua lavratura, e nem identificou, no relatório fiscal ou mesmo nos documentos que a instruem, os pretensos segurados autônomos ou contribuintes individuais que teriam recebido remuneração sem que fosse recolhida a contribuição social devida relativa à parte da empresa. Entende que era dever da fiscalização identificar, no relatório, quais os segurados, o valor das remunerações que lhes foram pagas pela recorrente, inclusive os valores que eventualmente foram recolhidos pela recorrente relativamente a cada um deles a título da exação em discussão, para que se pudesse aferir a correção dos descontos desses títulos do valor apurado e, notadamente, apresentar a motivação da lavratura do NFLD. Entretanto, a fiscalização deixou claro que os valores que serviram de base de cálculo para a contribuição foram extraídos das contas contábeis listadas no item 3.1, do Relatório Fiscal, às fls. 38. E a constatação da existência de diferenças entre os valores contabilizados a título de pagamento a pessoas físicas e aqueles declarados em GFIP motivou o lançamento da diferença da contribuição devida. Portanto, a motivação do ato do lançamento está estampado de forma cristalina no Relatório Fiscal da NFLD Restou claro, nos autos, que os valores que serviram de base para o lançamento foi fornecido pela própria recorrente. Verificase que o relatório DAD discrimina, por competência, as bases de cálculos apuradas, as alíquotas aplicadas, e os valores lançados e o RL informa, de forma clara, quais os fatos geradores considerados e o RDA lista todos os recolhimentos efetuados e considerados para abater o valor do débito. O Relatório Fiscal está claro e preciso, e as planilhas anexas ao Relatório Fiscal discrimina, por competência, os valores constantes das contas contábeis citadas e os declarados em GFIP, como a diferença entre eles. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, constatase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade da NFLD, pois o lançamento foi corretamente motivado, e todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa da recorrente encontramse nos relatórios integrantes da Notificação. Ainda em preliminar, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35011.003706/200682 Acórdão n.º 2301003.530 S2C3T1 Fl. 2.740 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 No caso presente, a fiscalização deixa claro que se trata de diferença de contribuição incidente sobre pagamentos feitos a contribuintes individuais, apurada por meio do batimento entre os valores declarados pela empresa e os lançados na Contabilidade. A cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu 13/10/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 09/1999 a 09/2001. Dessa forma, reconheço a decadência de parte do débito. No mérito, a recorrente insiste em afirmar que foram recolhidas as contribuições previdenciárias devidas, conforme será apurado em regular perícia contábil e sustenta que a fiscalização considerou valores pagos a pessoas jurídicas como se fossem pagamentos a autônomos pessoas físicas, tendo em vista que nas contas contábeis relacionadas na NFLD foram lançados equivocadamente pagamentos feitos a pessoas jurídicas. Insurgese contra o valor do débito e especialmente contra o valor considerado como presumidamente retido dos contribuintes individuais, alegando que a fiscalização sequer apontou o número de segurados que comporiam a base de cálculo para observar o teto de contribuição, e junta documentos para provar suas alegações Porém, a fiscalização analisou a documentação apresentada pela própria recorrente, bem como seus registros contábeis. Se houve equívoco nos lançamentos da contabilidade da notificada, cabe a ela comprovar os erros, apresentando a documentação pertinente. Da mesma forma, a recorrente, como contratante de serviços de pessoas físicas, deveria reter a contribuição por elas devida, quando do pagamento de suas remunerações, e recolher o valor retido aos cofres públicos. Essa é sua obrigação, determinada por Lei. E, se o contribuinte individual que lhe prestou serviços teve contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, em outras empresas, a recorrente, como contratante de seus serviços e responsável pelo recolhimento da contribuição por ele devida, deveria exigir a comprovação do fato, mediante apresentação de comprovante do pagamento de remuneração, com a identificação completa da empresa, inclusive com o número no CNPJ da outra fonte pagadora, o número de inscrição do segurado no RGPS, o valor da remuneração paga, o desconto da contribuição efetuado e o compromisso de que a remuneração paga será informada na GFIP e que a contribuição correspondente será recolhida. Porém, a recorrente se limitou a afirmar que os prestadores de serviço já recolhiam no teto do salário de contribuição, sem, contudo, comprovar o alegado. A notificada argumenta, ainda, que como a fiscalização não analisou qualquer outra evidência material, como recibos de autônomos ou as notas fiscais que justificavam os lançamentos contábeis realizados, acabou por lavrar indevidamente a presente autuação. Contudo, não consta, dos autos, provas de que a fiscalização tenha deixado de analisar as documentações citadas. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35011.003706/200682 Acórdão n.º 2301003.530 S2C3T1 Fl. 2.741 9 Pelo contrário, a autoridade lançadora deixou claro, no Relatório do NFLD, que os valores lançados foram apurados com base na diferença constatada entre os valores constantes da escrita contábil e aqueles declarados na GFIP, e que foram analisados os recibos e notas fiscais apresentadas, tendo sido, inclusive, apontadas as contas contábeis que serviram de base para o lançamento. Ademais, a própria notificada reconhece a escrituração incorreta de sua contabilidade, quando afirma, em seu recurso, que houve registro equivocado de pagamentos feitos a pessoas jurídicas em conta contábil relativa a pagamentos realizados a pessoas físicas. Portanto, o erro foi da recorrente, não havendo que se alegar falta de análise de evidência material por parte da fiscalização. Contudo, em sede recursal, a recorrente apresentou documentos que provam, em parte, suas alegações, conforme parecer fiscal. Em que pese tais documentos não terem sido apresentados em sede de defesa, o que se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão, este colegiado decidiu, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, tendo em vista que os documentos juntados ao recurso deixaram dúvidas quanto à correção dos valores lançados e, consequentemente, quanto à liquidez do débito. Em atendimento à diligência, a autoridade notificante, após análise dos documentos, se manifestou pela procedência em parte das alegações da recorrente e pela retificação do débito, conforme planilha de fls.2.592. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, entendo que devam ser aceitas as provas trazidas após a decisão de primeira instância, para retificar o valor lançado, nos termos propostos na Informação Fiscal de fls. 129, pois é imprescindível, para a legalidade do ato do lançamento, que a contribuição cobrada por meio da NFLD esteja correta. Quanto ao pedido de que seja realizada perícia, cumpre lembrar que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerêla, sem indicar o perito ou formular os quesitos a serem respondidos. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Nesse sentido, indefiro o pedido de perícia. Pelo exposto e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por decadência, os valores lançados até 09/2001, inclusive, e retificar o débito nos termos proposto pela autoridade fiscal, no despacho de fls. 2.592. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Adriano Gonzáles Silvério Aferição indireta. Motivação. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar –, o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35011.003706/200682 Acórdão n.º 2301003.530 S2C3T1 Fl. 2.742 11 d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Tomando o conteúdo do dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do CARF tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Nesse sentido, a ausência de fundamentação fática e jurídica do lançamento no que se refere ao arbitramento deve ser conhecida de ofício por ser questão de ordem pública que constitui pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo, podendonos valer aqui do artigo 267, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil. Em sendo conhecida a matéria, é necessário o reconhecimento da nulidade do auto de infração, baseado em vício material, no que se refere à contribuição previdenciária dos contribuintes individuais, tendo em vista que o lançamento foi efetuado com base em aferição indireta sem a devida motivação e sem identificação dos segurados. Isso porque a própria autoridade fiscal, em Relatório Complementar de fls. 2593/2595, após baixados os autos em diligência, ao reconhecer que diversos valores foram contabilizados incorretamente pela Recorrente demonstra a inviabilidade de que a escrita contábil seja o único meio de aferição dos valores devidos, ainda mais sem critérios objetivos que permitam identificar, por exemplo, os segurados para os quais cada pagamento foi realizado ou a motivação para consideração dessa escrita, apesar de suas incongruências. Por essa razão, ante a ausência de fundamentação fática e jurídica para o arbitramento com base na escrita contábil, sem qualquer outro instrumento que lhe dê suporte, é necessário o reconhecimento da nulidade do auto de infração no que se refere à contribuição previdenciária do contribuinte individual, por vício material no embasamento do lançamento. Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Por essa razão, CONHEÇO o Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para conhecer de ofício da questão sobre a ausência de fundamentações fática e jurídica sobre o lançamento, no que se refere a arbitramentos, por ser questão de ordem pública e, ato contínuo anular o lançamento, no que se refere a contribuição dos segurados, pela existência de vício material no embasamento e para que seja aplicada a multa prevista no Art. 35, caput da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfica à Recorrente. Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/08 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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