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Numero do processo: 15165.002003/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 20/09/2002 a 23/04/2004
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3202-001.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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PERDIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida BSD COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E OUTROS ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 20/09/2002 a 23/04/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 20 03 /2 00 7- 57 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.388 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou procedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ, verbis: Tratam os autos do presente processo de ação fiscal levada a efeito contra a empresa em referência que resultou na lavratura do Auto de Infração para fins de lançamento do correspondente crédito tributário, no valor de R$ 23.324.005,59, constituindo a multa de que trata o art. 23, IV, §§ 1º a 3º do DecretoLei nº 1.455, de 07.04.1976, incluídos pelo art. 59 da MP nº 66 de 29.08.2002, convertida na Lei nº 10.637 de 30.12.2002 c/c o art. 73, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833 de 29.12.2003. A exigência em questão está calcada na hipótese de prática de dano ao erário em função da interposição fraudulenta de pessoas, ensejando a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias despachadas para consumo pela autuada ao amparo das declarações de importação registradas entre 20.09.2002 a 23.04.2004, devido à impossibilidade de sua apreensão. A fiscalização informa que a empresa autuada teve a sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) declarada inapta a partir de 20.09.2002, por meio do Ato Declaratório nº 9, de 29.04.2005, em decorrência da representação que concluiu que sua constituição social se deu com o uso de interpostas pessoas, sendo que os sócios ostensivos, Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues, não possuíam capacidade financeira sequer para o início das atividades empresarias. Intimada a contribuinte e demais responsáveis solidários (pessoas físicas), conforme o Edital Secat nº 059/2007 (fl. 574), irresignados, apresentam impugnação: 1) A pessoa jurídica BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. apresenta defesa às fls. 867 a 884. Argumenta que ocorreu cerceamento de defesa pelo fato de o auto de infração ter sido lavrado antes da imposição da sanção administrativa. Aduz a ausência de motivação idônea para sustentar a multa aplicada. Afirma que a mera alusão ao processo de inaptidão não pode constituir pressuposto para a autuação em tela, pois o objeto do processo de inaptidão Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.389 3 é a penalidade de inaptidão da inscrição no cadastro do CNPJ e o do presente processo é a multa pecuniária decorrente da conversão da pena de perdimento, inexistindo, portanto, pressupostos que permitam a aplicação da pena de multa retroativa a 20.09.2002, o que caracteriza ausência de motivação. Requer, por conseguinte, a nulidade da autuação e subsidiariamente, em caso de manutenção da multa, a restituição dos tributos pagos nas operações de importação. 2) Leon Knopfholz apresenta defesa às fls. 595 a 603. Alega que no decorrer da ação penal ficou comprovado que nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa autuada (BSD), fato que ensejou a alterarão do posicionamento do Ministério Público Federal em favor da sua absolvição. Cita depoimentos da ação penal. Argumenta que o Ministério Público, na ação penal, concluiu que os reais proprietários e dirigentes da empresa seriam Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpern. Solicita sua exclusão do pólo passivo da presente exação, na condição de responsável solidário. Em anexo à defesa, junta as alegações finais do MP. 3) Calmon Knopfholz apresenta defesa às fls. 729 a 738. Alega também que na ação penal ficou comprovado que nunca se beneficiou diretamente dos resultados da autuada (BSD), fato que, igualmente, ensejou o reposicionamento do Ministério Público Federal em favor da absolvição, exceto quanto sua participação em um contrato de mútuo, fato este que não liga significa ser beneficiário ou controlador da empresa autuada. Argumenta também que por conta das alegações finais trazidas na ação penal em referência existem provas que corroboram sua alegação quanto à ausência de responsabilidade nas atividades exercidas e nos resultados auferidos pela BSD. Salienta que somente atuou na empresa na condição de funcionário encarregado pelo desenvolvimento de produtos. Cita depoimentos da ação penal do qual é réu. Solicita a exclusão da responsabilidade solidária e junta as alegações finais do MP em anexo à defesa. 4) Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum apresentam impugnação às fls. 892 a 898. Alegam a impossibilidade de prosseguimento da exigência formalizada no presente auto de infração até a conclusão da ação penal pública, uma vez que referida ação penal é questão prejudicial ao processo administrativo fiscal. Razão pela qual solicitam o sobrestamento desse processo administrativo. As autuadas, na condição de responsáveis solidárias, requerem também que suas alegações finais, proferidas no âmbito do referenciado processo penal, Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.390 4 ora juntadas às fls. 920 a 968, sejam aceitas como parte da defesa. Alegam também que o réu Rolando Rozenblum Elpern está sendo responsabilizado pelo fato de ser diretor da empresa, o que configura responsabilidade objetiva. Sustentam não haver comprovação da autoria e materialidade dos delitos, fls. 961 a 966. Contestam os dados utilizados na ação penal, em especial, a planilha do valor das mercadorias. À fl. 1001, a unidade de origem esclarece que são tempestivas as impugnações apresentadas por Leon Knopfholz, Calmon Knopfholz e BSD Comercial Importação e Exportação Ltda., nesse ato representada por Paulo Oscar Goldstein. O expediente juntado às fls. 1002 a 1004, demonstra o retorno do processo à unidade de origem para fins de informar existência de eventual processo judicial, sendo que, à fl. 1005, evidenciase o retorno do processo a esta Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento. À fl. 1006, foi formalizada diligência cujo objeto era a comprovação de que ação judicial cível possuía o mesmo objeto deste processo administrativo, a confirmação da tempestividade da impugnação apresentada por Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum (fls. 892 a 898), bem assim, a juntada de cópia do processo nº 10907.000957/200438, que a autuação fiscal faz referência à fl. 02. Em despacho de fls. 1009 a 1010, informouse que o processo judicial em questão era uma Ação Penal Pública. À fl. 1013, foi formalizada outra diligência, desta feita, para alertar que a unidade de origem não havia cumprido o solicitado na diligência anterior, quanto a comprovação da tempestividade das impugnações de fls. 892 a 898, bem como, quanto a ausência de intimação das autuadas. Às fls. 1038 a 1047, Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum apresentam novas razões de impugnação. Alegam a impossibilidade de a exigência abranger DIs cujas mercadorias se encontram na posse da RFB, conforme evidencia a fl. 251 do Anexo III. Salientam que pelo conteúdo desse referido documento denotase que as mercadorias apreendidas (PAF nº 10907.000129/200661) foram entregues ao representante legal da empresa, mediante termo de fiel depositário, todavia, não há nos presentes autos cópia dessa autuação, acarretando a nulidade do lançamento em apreço. Afirmam também que da cópia da sentença penal nº 2006.70.000122997, juntada às fls. 193 a 249, evidenciase a ordem de confisco decretada pelo juízo criminal no que diz respeito às mercadorias discutidas nos autos do PAF nº 10907.000957/200438 e do PAF nº 10907.000129/200661. Alegam inexistir prova de que a RFB requisitou e não obteve sucesso na busca das mercadorias objeto da presente conversão em multa. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.391 5 Ressaltam que existe sentença penal de absolvição de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Solicitam, uma vez mais, improcedência do auto de infração. Às fls. 1051 e 1052, a contribuinte BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. apresenta suas razões complementares. Alega que a diligência somente confirma o exposto na impugnação quanto a ausência de motivação idônea da autuação fiscal. Argumenta que a autoridade fazendária limitouse a fazer remissão ao processo de representação para inaptidão como se o mesmo fosse pressuposto para adoção da pena de perdimento e conseqüente conversão em multa pecuniária. Argüi que o processo de representação tem por objeto importações havidas através de 29 DIs, sendo que o presente processo se refere a 385 DIs, das quais 28 integram o auto de infração referente ao PAF nº 10904.000957/200438. No expediente de fl. 1055, a unidade de origem informa que somente as impugnações apresentadas por Leon Knopfholz, Calmon Knopfholz e BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. são tempestivas. Ressaltando que o adendo à impugnação protocolizada pela empresa BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. é intempestivo. Na informação SARAC nº 263/2009, juntada às fls. 1057 a 1060, a ALF/ Paranaguá presta esclarecimentos à PFN no que se refere a Ação Ordinária nº 2009.70.08/0003351, em que a autora (BSD) requereu a invalidação do auto de infração 0917800/00375/08, constante do PAF nº 10907.002525/200895, que lançou a multa no valor de R$ 3.773.622,17, em virtude de conversão da pena de perdimento aplicada nos autos do PAF nº 10907.000129/200661, pela impossibilidade de apreensão da mercadoria. Na referida ação a empresa afirma que as 24 DIs objeto da penalidade já foram incluídas em processo anterior de multa de conversão (PAF nº 10907.002003/200757), que possui idêntico fundamento legal, ferindo o princípio do “non bis in idem”. A unidade de origem informa acerca desta questão que: as mercadorias relacionadas pela autora nas 24 DIs citadas foram de fato objeto de penalidade de perdimento constante no processo 10907.000129/200661. Em sentença, foi autorizado ao Fisco exigir a apresentação das mercadorias ao fiel depositário (Paulo Oscar Goldstein) ou equivalente em dinheiro, sendo que tal providência possibilitará a efetivação da pena de perdimento criminal decretada. Instado a apresentar as mercadorias, Paulo Oscar Goldstein afirmou que houve a perda de objeto do termo de fiel depositário por força da lavratura de auto de infração (PAF nº 15165.002003/200757) para imposição de multa equivalente ao valor aduaneiro. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.392 6 Informou ainda que as mercadorias foram liberadas para utilização industrial e comercial, o que caracteriza a situação do art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Ao contrário do informado, o presente processo não contempla todas as mercadorias do PAF nº 10907.000129/200661. Somente foram incluídas as DIs nº 03/0948850 e 03/09109218. O próprio fiel depositário confirmou que não dispõe dessas mercadorias. No extrato da Ação Penal Pública nº 2006.70.00.0122997, perante a 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba PR, juntado às folhas 1072 a 1102, após a sentença, foi proferido o despacho abaixo colacionado, vejamos: Observando as razões do MPF, constatase que não houve recurso contra a absolvição de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, Rosi Aparecida Gonçalves Santos e Leon Knopfholz. Quanto a eles, certifiquese o trânsito em julgado e realizemse as comunicações e anotações necessárias. 2. Na esteira da manifestação do MPF (fl. 2926), indefiro a concessão do beneficio da suspensão condicional do processo ao acusado Calmon Knopfholz, uma vez que, diante do conteúdo da certidão de fls. 29152916 e da decisão de recebimento de denúncia de fls. 29232924, o acusado não atende aos requisitos subjetivos impostos pelo artigo 89 da Lei 9.099/95 para a concessão do benefício, por responder a outra ação penal. Quanto à Enriqueta, este Juízo já havia consignado a falta do preenchimento dos requisitos objetivos (fls. 2.8762.877), sendo oportuna, de todo modo, a manifestação do MPF quanto à igual falta de preenchimento dos requisitos subjetivos (fl. 2.926). 3. Intimemse as Defesas dos condenados Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Paulo Oscar Goldenstein, Michael Domingues, Laury Lucir Geremia, Vitorio Afonso Breda, Sergio Voltolini, Enriqueta Angela Ninvanoli e Calmon Knopfholz, para, querendo, apresentarem contrarrazões ao recurso do MPF em oito dias. Fica na oportunidade intimada a Defesa de Calmon e Enriqueta do que consta no item anterior. Intimemse ainda as Defesas de Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, Rosi Aparecida Gonçalves Santos e Leon Knopfholz, quanto ao trânsito em julgado das absolvições. 3. Apresentadas as contrarazões ou decorrido o prazo, extraiase cópia das peças necessárias para eventual execução provisória. Após, remetamse os autos ao TRF4, observando que as defesas dos acusados pugnaram pela apresentação das razões de recurso em segunda instância. Em decisão administrativa de primeira instância, exarada no Acórdão 0717.863 dessa 2ª Turma de Julgamento (fls. 1063 a 1070), julgouse improcedentes as impugnações, mantendose integral do crédito tributário exigido em relação a todos os autuados (a contribuinte, pessoa jurídica e os responsáveis solidários, pessoas físicas). Em razão de revelia por Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.393 7 intempestividade, não foram conhecidas a impugnação de fls. 892 a 898 e a impugnação complementar de fls. 1038 a 1047. Intimados às fls. 1105 a 1115, apresentaram recurso ao CARF: Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum (fls. 1121 a 1127) para, em síntese, alegar a tempestividade da primeira impugnação apresentada e, por conseguinte, requere o retorno dos autos à delegacia de julgamento (1ª Instância Administrativa) para conhecimento das impugnações apresentadas. BSD Comercial Importação e Exportação Ltda. (fls. 1131 a 1141), para aduzir: a) a ausência de procedimento fiscal prévio à autuação fiscal, o que prejudicaria o direito de defesa; b) que deveria haver a possibilidade da impugnante de se manifestar previamente à autuação fiscal; c) que a apuração da interposição fraudulenta é pressuposto da pena de perdimento, sendo que tal apuração deve ser objeto de processo próprio; d) que o desembaraço aduaneiro em favor da impugnante somente poderia ser alterado em procedimento de revisão aduaneira, o que não ocorreu no caso. Ao final, além de reiterar seu pedido de restituição, requer a nulidade da multa imposta ou, alternativamente, o reconhecimento ao direito de compensação dos impostos pagos na importação com o valor apurado no auto de infração. Leon Knopfholz (fls. 1148 a 1156), aduzindo que: a) no decorrer da referida ação penal ficou evidenciado que jamais foi beneficiário das ações perpetradas pela BSD Comercial Importação e Exportação Ltda., fato que ensejou o pedido de absolvição por parte do Ministério Público; b) uma vez que sua inclusão no pólo passivo dessa exação se deve única e exclusivamente à ação penal cujo resultado final foi sua absolvição, deve o auto de infração ser julgado improcedente em relação ao recorrente. Requer sua exclusão como responsável solidário, pois jamais controlou a empresa em questão (BSD). Calmon Knopfholz não apresentou recurso voluntário. O Ofício nº 4122337 da Justiça Federal, juntado à fl. 1164, dá conta de que a ação penal nº 2006.70.00.0122997/ PR se encontra no TRF4 para julgamento de recurso de apelação. Desse processo observa se, na sentença juntada às fls. 1166 a 1222 que foram absolvidos Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, e Leon Knopfholz por ausência de prova suficiente para a condenação e condenados Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Calmon Knopfholz por crimes contra o Erário Público. Do Acórdão nº 320100.0748, exarado pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 1234 a 1238), extraise o que segue: ASSUNTO: NORMAS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.394 8 do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verificase a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Para melhor compreensão, reproduzo trecho do referido julgado. (...) Voto (...) Conforme atesta a própria autoridade fiscal preparadora, os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deles tomo conhecimento. Antes de analisar as peças recursais da BSD – Comercial Importação e Exportação Ltda e do Sr. Leon Knopfholz, analiso aquela que foi interposta conjuntamente pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Isso porque, de acordo com a decisão recorrida, a sua impugnação foi intempestiva. Entretanto, tais Recorrentes comprovaram que o prazo previsto no Decreto nº 70.235 de 1972 foi observado, inclusive em atenção ao Ato Declaratório Normativo nº 19 de 2007 e à jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls.1123/1126). Vejamos: (...) Considerando que a impugnação em questão foi tempestiva e não foi analisada pelo órgão julgado de 1ª instância, valhome novamente da jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para tratar do assunto. Vejamos: (...) Diante do exposto, decido anular a decisão recorrida de modo que as razões da impugnação ofertada pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern sejam apreciadas e julgadas pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Florianópolis/SC. Dando prosseguimento ao feito, a unidade de origem (fl. 1350) encaminha os presentes autos para que novo Acórdão seja proferido. Desta feita, propõe seja reconhecida impugnação apresentada conjuntamente por Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.395 9 Em face dessas circunstâncias, o presente processo foi reencaminhado para esta DRJ, dando lugar ao novo julgamento a que estão sendo os autos ora submetidos. É o Relatório. Em sua decisão, a DRJ de Florianópolis houve por bem julgar procedente a impugnação. A ementa do acórdão foi assim formulada: DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. LANÇAMENTO. FUNDAMENTO INCABÍVEL. A declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ não constitui, por si só, fundamento legal para a aplicação da pena de perdimento ou da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas que não foram passíveis de apreensão. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. Antes de adentrar à questão central do autos, é importante transcrever o Relatório IRFCTA/SARAT 12/2004 de fls. 354 e seguintes para o entendimento de todas as operações e pessoas envolvidas na autuação: Trata o presente processo da representação para declaração de inaptidão do cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da empresa BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda por não comprovação da origem dos recursos empregados na manutenção das operações de comércio exterior. O presente processo traz às folhas 01 à 41 cópia do auto de infração pertencente ao PAF n°: 10907.000957/200438, que atribuiu a pena de perdimento à diversas mercadorias introduzidas no território nacional mediante operações fraudulentas tendo a participação da empresa BSD na condição de pessoa jurídica interposta. Destacamos os fatos a seguir elencados. Através de diligências foram levantados os seguintes elementos, fls.12e 13: 1A empresa BSD foi constituída em 17/07/2000 pelos Senhores Paulo Oscar Goldenstein e pelo Sr. Michael Domingues. 20s Srs. Paulo e Michael tinham no ano de 2002 bens declarados no valor total de R$ 203.000,00. 3 A empresa apresentava Capital Social de R$ 100.000,00 em 13/11/2003 4De Agosto de 2002 à Outubro de 2003 a empresa realizou importações no Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.396 10 valor de R$ 23.689.694,00. Em contrapartida, até 13/12/2002, o recolhimento do IPI sobre a revenda das mercadorias para o mercado interno foi de apenas R$ 3.700,00, fl. 572. 5 Segundo a DIPJ a BSD realizou entre Agosto e Dezembro de 2002 compras à vista no valor de R$ 5.655.523,69 e as dívidas junto aos fornecedores foram de R$ 3.560.758,94. 6Embora a principal atividade da empresa se relacione com o fabrico de malas bolsas, valises e outros artigos de viagem a mesma importou R$ 10.062.117,00 em peças e acessórios de bicicletas. Dando prosseguimento ao MPF 0910700.2003.001960, em 27 de Novembro de 2003, fls. 1041 à 1043, a BSD foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, o Livro Diário, Livro Razão, Livro de Registro de 1PI, Livro de Registro de Estoque, Livro de Registro das Entradas e Saídas relativas aos exercícios de 2002 e 2003 bem como as notas fiscais de entrada e saídas relativas ao mesmo período entretanto, a BSD, apesar dos diversos pedidos de prorrogação de prazo para apresentação, até o momento não os apresentou. Os sócios ostensivos da BSD no ano de 2002, os Senhores Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues não possuíam recursos suficientes que pudessem amparar as operações de comercio exterior nos níveis apresentados. Para o ano de 2002 o Sr. Paulo declarou bens e direitos no valor de R$ 138.300,00, fl. 489, e o Sr. Michael R$ 61.706,79, fl. 491. Uma outra possível fonte provedora dos recursos à BSD seria o Sr. Calmon Knopfholtz. Supostamente o Sr. Calmon emprestou à BSD à quantia de R$ 1.500.000,00 instrumentalizada através de contrato de mútuo, fls. 629 e 630, ref. fls. 1. 120 à 1122. Em 09/03/04 a empresa foi intimada, fl. 1122, a comprovar a efetiva migração dos recursos provenientes do suposto mútuo para a empresa BSD e até o momento não apresentou os comprovantes que assegurassem a efetividade da operação. O provedor de tais recursos o Sr. Calmon também foi intimado a comprovar a suposta operação de mútuo, fl. 1120 e em resposta à intimação apenas limitouse a apresentar cópia do contrato de mutuo, fl. 1121. O Sr. Calmon foi sócio da falida empresa 1KA Irmãos Knopfholz S.A. e atualmente trabalha como consultor da área de malas para a BSD, fls. 580 à 582. Segundo os sistemas informatizados da SRF o Sr. Calmon recebeu nos últimos 05 anos um total de R$ 55.600,00do INSS e não possui outra fonte de rendimentos declarada sendo que o total de seu patrimônio declarado seria de R$ 110.834,00, portanto, 14 catorze vezes menor que o suposto mútuo por ele efetuado demonstrando, desta forma, a ausência de capacidade Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.397 11 financeira para sustentar a eventual operação de empréstimo fls.629, 628 e 465 à 472. O Sr. Calmon possui condenação por não recolhimento de contribuição previdenciária e também por uso de documento falso para obter um financiamento de US$ 700.000,00 junto ao Banco do estado do Paraná BANESTADO, fts 34, 1057 à 1068. FAMÍLIAS ROZENBLUMTROSMAN Entre Agosto de 2000 e abril de 2001 a empresa BSD ficou estabelecida no endereço à Avenida Batel , n° 1.750 sala 219, Bairro Batel Curitiba.Tal endereço coincide com o endereço das empresas Ozxy indústria e comércio e SV Assessoria, fl. 49 que também é o endereço do Sr. Sérgio Voltolini, que presta serviços à BSD.(ANEXO I — Relação das Empresas, Endereços e Principais Envolvidos) O Sr. Sérgio foi procurador da empresa uruguaia Biraco Sociedad, que até 2002 era sócia controladora da empresa Ozxy juntamente com as Senhoras Karina Rozenblum e Noemi Roseblum. Os procuradores com amplos poderes da empresa Ozxy são os Senhores Isidoro Rozenblum Trosman e Rolando Rozenblum Elpem.fi. 618 Em abril de 2002, a sede da empresa BSD Industrial foi transferida para um imóvel situado à margem da Rodovia BR 376 —km 14 , São José dos Pinhais. Tal imóvel foi locado à BSD pela empresa uruguaia Kennyblock Sociedad Anônima. Em 22 de julho de 2002, a empresa Kennybllock, à titulo de integralização de Capital, transferiu o imóvel em questão para a empresa Replecta Participações Ltda, da qual é societária, e esta por sua vez possui o mesmo endereço da empresa Ozxy Industria —Av. Marechal Floriano Peixoto, 228, conj. 1403. Conforme a DIPJ de 2002 o aumento de capital efetuado pela empresa Replecta permitiu que a mesma passasse a controlar a empresa OXZY. Em junho de 2002 a empresa Replecta alugou novamente o imóvel para a empresa importadora Excelbag Com. Imp. Exp. Ltda pertencente aos senhores Leon Knopfholtz e Helena Reich. Com isso as empresas BSD e EXELBAG locaram em simultaneidade o mesmo imóvel. A locação simultânea de imóvel foi utilizada pelas empresas W 54 e Ebav Comércio de Bolsas esta administrada pelos Senhores Vitório Afonso Breda e Helena Reich mãe de Leon Knolphoz. O Senhor Isidoro Rozenblum Trosman recebeu procuração outorgada pelo Senhor Vitório Breda para administrar a empresa EBAVComércio de Bolsas. O senhor Vitório Breda juntamente com os Senhores Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozemblum Elpem, Noemi Elpem K. de Rozemblum, José Eduardo de Oliveira, Hermogene Alves de Oliveira e João Kravitz Filho estiveram envolvidos com operações irregulares realizadas pelas empresas : (1) Sundown, (2) Santa Edwiges e (3) SBM Comércio, fis. 33, e 636 à 659. O Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.398 12 Sr Vitório foi empregado da empresa W 54 nos anos de 2000 e 2001.e atualmente exerce o cargo de gerente administrativo da BSD Industrial. A em presa EBAV tem 94 % de seu Capital Social pertencente à empresa Rostany Trading. O representante legal da empresa Rostany Trading é o Senhor Laury Geremia, advogado dos Rozemblum Trosman. Em 30 de outubro de 2002 a Replecta Participações firmou novo contrato de locação com a BSD em substitução ao firmado pela Kennyblock. O imóvel em questão situado è BR 376 é domicílio das empresas Sundovvn do Brasil Industrial Comercial Distribuidora de Bicicletas Ltda e da Jet Point Transportes Ltda administrada por Karina Rozenblum filha do Sr. Isidiro Rozenblum Trosman. Os sócios da BSD Senhores Paulo Oscar Goldestein e Michael Domingues trabalharam até 2001 paras as empresas Kenton do Brasil Comercial Ltda e W 54 —Artigos de Viagens Ltda ambas já administradas por Isidoro Rozenblum Trosman e Wilson Luiz Cunha Rodrigues. O controle da Kenton do Brasil passou ao Senhor Paulo Oscar Goldestein em 2002. O Sr. Paulo Oscar Goldestein trabalhou para a empresa SBM Com. E Imp. de Peças para Veículos Ltda denunciada pelo Ministério Público como empresa de fachada pertencente à família RozemblumTrosman utilizando subfaturamento nas importações. O Sr. Michael Domingues saiu da direção da BSD Industrial. Atualmente é gerente de marketing da Construtora Casa trabalhando com a marca Casa Personalite ambas as marcas de propriedade da Ozxy Indústria fl. 728. Todos os cargos de gerência na BSD Industrial são exercidos por empregados ou exempregados ligados às empresas da família Rozenblum Trosman. Em procedimento de diligencia na BSD os servidores da SRF foram recepcionados pela gerente financeira Sr. Rosi Aparecida Gonçalves dos Santos ex empregada das empresas Kenton do Brasil e Sundown do Brasil Comercio de Bicicletas Ltda pelo Sr. Vitório Afonso Breda réu em dois processo por contrabando e descaminho e ex empregado do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman na empresa W 54 e pelo Sr. Laury Lucir Geremia advogado cujo visto consta em diversas alterações contratuais da empresa BSD, faz a representação em ações judiciais de pessoas ligadas à família Rozemblum Trosman e, possui dois escritórios principais sendo que um deles tem o mesmo endereço da empresa Ozxy Industria e Comercio de Artigos Esportivos empresa administrada pela filha e esposa do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman e o outro em local cujo telefone pertence à Sra. Rosangela M. Voltolini, fls. 982 e 983, que em conjunto com seu esposo Sr. Sérgio Voltolini, responsável pela SV Assessoria Empresarial Ltda no qual o endereço coincide com o endereço das empresa OZXY Industria, Replecta Participações e já foi utilizado pela BSD, fl. 49, são responsáveis pela contabilidade da BSD Industrial. O casal Voltolini já operou a empresa CYM Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.399 13 Asimex do Brasil interrelacionada com empresas pertencentes à família Trosman.fls. 36 e 895. A partir de 01/08/2002 a BSD Industrial passou a importar partes e peças de bicicletas e motocicletas e também malas da marca 1KA. Este tipo de mercadorias coincide com o que era importado pela W54 —Artigos de Viagens. A antiga fabricante da malas 1KA era a empresa IKA Irmãos Knopfholz S.A. cuja falência foi decretada em 1996. A marca IKA foi transferida para a empresa Ozxy Industria e Comercio controladas pelo Sr. Isidoro Rozenblum Trosman e seu filho Rolando. Em uma entrevista realizada pelo Jornal Gazeta Mercantil o Sr. Rolando declarou ser o proprietário da lKA investindo para isso a quantia perto de R$ 2.500.000,00. Essa declaração vai de encontro ao fato de que a real proprietária da marca IKA é a empresa Ozxy da qual o Sr. Rolando e o Sr Isidoro Rozenblum Trosman constituem—se procuradores. A licença para uso da marca IKA pela empresa W 54 aram a ser importadas pela BSD. A marca Kenton foi transferida para a empresa Ozxy e a Ozxy por sua vez autorizou a BSD a fazer uso da marca. foi cancelada em 01/10/2002 e anteriormente em 09/05/2002 a empresa BSD já estava licenciada à utiliza la. A empresa Brandclass Indústria e comércio de Artigos de Viagens Ltda tem como sócios a empresa Ozxy Industria e comercio de Artigos Esportivos Ltda e a Sra. Helena Reich. A Sra . Helena Reich é mãe do Sr. Leon Knopfholtz ligado ao antigo grupo IKA Irmãos Knopfliolz S.A e a Ozxy Industria tem como sócias as Sras Karina e Noemi Rozenblum filha e esposa do Sr. Isidoro Rozenblum Trosman. Através das empresas Brandclass, BSD e Excel Bag os Senhores Leon Knopfholtz e sua mãe continuaram os négócios da empresa falida IKA Irmãos Knopfholz S.A sem saldar as dividas com seus credores. (Hoje, objeto de ação em processos de execução)fl. 579. As malas IKA foram inicialmente importadas pela empresa CYM ASIMEX ( empresa operada pelo casal Voltolini) até setembro de 2000 para, então, a W54 sucedêla nas operações de importação até 2002 e após, a BSD. As empresas CYM e W54 estão na condição de inexistência/Inaptas perante cadastro da SRF. Em relação as partes e peças de bicicletas distribuídas pela Kenton do Brasil, anteriormente importadas pela W54 e pela CYM estas passaram a ser importadas pela BSD. A marca Kenton foi transferida para a empresa Ozxy e a Ozxy por sua vez autorizou a BSD a fazer uso da marca. Através de diligências na empresa BSD, constatouse que diversas mercadorias em seu estoque, importadas através da empresa W54, são da marca INAGO e TOKO, fl. 543. Os arquivos do INPI registram que a Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.400 14 propriedade destas marcas eram inicialmente da empresa Golden Com Imp e Exp de Produtos Manufaturados Ltda que transferiu para a empresa Krsale Comércio cujos ex sócios foram os Senhores: Saul Chervonagura Trosman, Rolando Rozenblum Elpem e Isidoro Rozenblum Trosman.fls, 744 Também foi constatado nas dependências da BSD Industrial baterias da marca "Yacht Battery" cujo registro junto ao NP' está em nome da empresa Golden Com Imp e Exp de Produtos Manufaturados Ltda, fl. 695. Parte das mercadorias importadas pela BSD em despacho na DRF Paranaguá estão etiquetadas com logo da marca Sundown Peças. Outrossim, a Kenton do Brasil registrou no INPI a marca Trosman. O auto de infração concluiu que as empresas de importação e distribuição se sucedem e são abandonadas seqüencialmente mas os produtos, as marcas, os beneficiários pela sua comercialização e os fornecedores estrangeiros permanecem os mesmos. O objetivo das empresas envolvidas no processo é a importação e distribuição de bicicletas, motocicletas e suas peças e recentemente malas de forma fraudulenta através da sonegação de tributos incidentes no comercio exterior e nas operações de revenda no mercado nacional. Por fim as empresa, após de cumprido seus objetivos, eram transferidas para pessoas sem capacidade econômico financeira para saldar seus débitos fiscais. A constituição da BSD Industrial se deu com o uso de interpostas pessoas que demonstraram não terem capacidade financeira sequer para o inicio de suas atividades. Não houve comprovação : (1) da origem dos recursos e (2) disponibilidade dos recursos tanto pela BSD quanto de seus supostos financiadores. Além da interposição fraudulenta de pessoas para a realização de operações de comércio exterior o auto de infração menciona outros ilícitos efetuados pela BSD tais como; subfaturamento de importações, distribuição de mercadorias sem o recolhimento dos tributos, falsificação de documentos e simulações de operações comerciais. (grifos no original) A decisão recorrida apontou que “A declaração de inaptidão da pessoa jurídica no CNPJ não constitui, por si só, fundamento legal para a aplicação da pena de perdimento ou da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas que não foram passíveis de apreensão”. Por outro lado, na descrição dos fatos realizada pelo auditor de fiscal no auto de infração (fls. 382/421), ficam demonstradas todas as fases do “esquema” engendrado pela BSD Industrial e demais pessoas físicas, inclusive com a existência de mútuos entre as partes envolvidas físicas, o que consubstancia, a meu ver, a interposição fraudulenta de terceiros. Destaco, a seguir, o trecho final da referida descrição: Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.401 15 Como dito anteriormente, a constituição da empresa BSD INDUSTRIAL se deu com o uso de interpostas pessoas, das quais demonstrouse não terem capacidade financeira nem, ao menos, para o início das atividades, servindo a BSD INDUSTRIAL de véu para ocultar os reais interessados. E mais. Não houve comprovação nem da origem dos recursos, nem da transferência, nem da disponibilidade tanto pela própria autuada, quanto pelos financiadores de suas atividades. Portanto, por presunção legal, artigo 23, § 2° do DecretoLei n° 1.455/76, a conduta da autuada se enquadra em uma das hipóteses consideradas como dano ao erário, qual seja, infração descrita no mesmo, artigo 23, V do citado diploma legal. Mesmo que se tomassem como provadas a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos, o que poderia afastar a presunção de interposição fraudulenta, os elementos trazidos ao presente Auto de Infração demonstram que BSD INDUSTRIAL foi criada com o objetivo de ocultar os reais interessados e beneficiários das importações, o que igualmente caracteriza a infração punível com o perdimento das mercadorias. Conforme a decisão da DRJ anteriormente cancelada (fls. 1.067), foi constastado, no processo administrativo n° 10907.001617/200421, que não houve comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, além da infração de inexistência de fato. Logo, em processo administrativo fiscal, já está estabelecido que a empresa não comprovou a origem dos recursos, sendo tais recursos de terceiros. Assim, ouso discordar da decisão recorrida, pois não se trata somente de declaração de inaptidão de pessoa jurídica. Restou sim presumida a interposição fraudulenta de terceiros, infração penalizada com a pena de perdimento das mercadorias por configurar dano ao Erário, conforme previsão legal do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação da Lei n. 10.637/2002: “Art. 23 Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. §2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” (grifouse). Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.402 16 Em razão das mercadorias não mais terem sido localizadas ou terem sido consumidas, a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente a seu valor aduaneiro, como determina o §3º, do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002, in verbis: §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei n 2 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.403 17 No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.404 18 por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). ... Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23 (norma geral de interposição fraudulenta no comércio exterior); e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V e § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou multa sucedânea, se configurada a Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.405 19 hipótese de conversão em penalidade pecuniária estabelecida no § 3° do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Tratase, no caso da infração e penalidade definidas no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros tempos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, "de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, ou, conforme o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 3° do citado artigo, as seguintes condutas: Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.406 20 a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976); e b) do real importador, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, conforme o caso. (...) Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplicase apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Tratase, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplicase apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decretolei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RA/2009.” (grifouse) Por fim, no direito aduaneiro, a responsabilidade solidária por infrações não é exclusiva para aqueles que se beneficiaram das infrações (artigo 124 do CTN). Há também responsabilidade pela prática infracional, conforme artigo 95, inciso I, do Decretolei n°37/1966. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 3202001.042 S3C2T2 Fl. 1.407 21 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Art.95 Respondem pela infração: 1 conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10650.901318/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 18 /2 01 2- 51 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2007, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito da COFINS não cumulativa reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$2.141.712,25, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou COFINS devida a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$257.176,06, sendo R$116.327,15 de COFINS não cumulativa devido e R$87.245,36 de multa de ofício e R$53.603,55 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito da contribuição reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito da COFINS não cumulativa homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 194 3 período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos da COFINS não cumulativa, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos da COFINS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração – falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte – caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0945.068, datado de 18/07/2013, às fls. 138/152, sob as seguintes ementas: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 157/177), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – a Decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora em Minas Gerais seja reformada e seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia remanescente de R$ 1.884.536,19, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo à COFINS não cumulativa relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro o § 4º do artigo 150 e do parágrafo único do artigo 149 do CTN, em razão de inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, o que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os valores glosados pela Fiscalização a título de COFINS não cumulativa, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007 no valor de R$ 6.006.174,08; V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente a decadência do direito de lançar relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 2006 (janeiro a dezembro), e restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18; VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo à COFINS não cumulativa, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições da COFINS, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos da COFINS objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 195 5 no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos valores glosados para o período de 01/2006 a 08/2007, no valor de R$ 6.006.174,08; (iv) reconhecimento da decadência do direito de lançar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2006, e seja restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18, a questão a ser decidida neste processo é o ressarcimento do saldo credor da COFINS não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2007, no valor original de R$1.503.040,02, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 196 7 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...].” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 197 9 Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos da COFINS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 7,6 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que onerados pela contribuição; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato, por terem sido adquiridos com alíquota zero, não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e a bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram créditos; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901318/201251 Acórdão n.º 3301002.295 S3C3T1 Fl. 198 11 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos a devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10925.907267/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 67 /2 01 2- 01 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 4.747,05, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/08/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907267/201201 Acórdão n.º 3803005.768 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10930.904394/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 43 94 /2 01 2- 71 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904394/201271 Acórdão n.º 3803004.745 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904394/201271 Acórdão n.º 3803004.745 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904394/201271 Acórdão n.º 3803004.745 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721531/2011-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.
O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Aplicação do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, sob a sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Aplicação do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, sob a sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo). Recurso Voluntário Provido.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Aplicação do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, sob a sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 15 31 /2 01 1- 57 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 56 a 61, em virtude da constatação de “omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ *******161.162,76, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$*********6.034,88.” De acordo com a complementação dos fatos, fls. 58, tratase de “Rendimentos recebidos através da Caixa Econômica Federal referentes a processo judicial contra o INSS”, tendo sido “deduzidos os honorários advocatícios no valor de R$ 40.000,00, conforme recibos apresentados”. Impugnado tal lançamento pelo contribuinte às fls. 02 a 48, o contribuinte alegou, em síntese, que: pelo fato de os rendimentos recebidos serem relativos aos períodos mensais que o INSS deixou de pagar, entende que não deva incidir imposto, haja vista que quando diluídos nos meses de 1993 a 2005, resta patente a não incidência tributária; no campo pagamento e doações efetuados informara o pagamento realizado aos advogados; o valor recebido em 2007 possui o caráter de rendimento mensal acumulado, e o valor mensal auferido não ultrapassa o piso legal de incidência tributária; informa que referido rendimento foi tributado na fonte, razão pela qual, pensava estar em dia com o ente fiscal; transcreve jurisprudência do STJ (Resp 538.137/RS) no sentido da não incidência de tributação sobre rendimentos recebidos acumuladamente que, se pagos nas épocas próprias, estariam isentos de retenção; por fim, requer seja aplicado a seu caso a Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011, que regulamentou o disposto na Lei nº 12.350, de 2010 , conversão da MP nº 497/2010, possibilitada a retificação de sua declaração de ajuste anual e cancelado o débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) julgou a impugnação improcedente, fls. 66 a 74, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10469.721531/201157 Acórdão n.º 2802002.821 S2TE02 Fl. 108 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO LANÇAMENTO. LEI VIGENTE NA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO. A partir da edição do art. 19 da Medida Provisória nº 1.990, de 14/12/1999, o procedimento de retificação de declaração de ajuste independe de autorização, sendo, contudo, inadmissível a apresentação de declaração retificadora após o início de procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado em 01/03/2012, fls. 102/103, o interessado ingressou recurso voluntário em 05/03/2012, fls. 79 a 99, reiterando as alegações apresentadas na impugnação. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 15 de agosto de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.176, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 169 a 172. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Da descrição dos fatos contidos na Notificação de Lançamento e da fundamentação utilizada pelo acórdão recorrido constatase que a solução do litígio envolve a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2007. Inicialmente, cumprese ressaltar que, conforme constou da Resolução nº 2802000.176, proferida por esse Colegiado, o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria. Diante dessa circunstância, definiu que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento. Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação de tal regra regimental pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de os RE nº 614232 e 614406 que ainda se encontrarem pendentes de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. O recorrente alega que o lançamento deveria ter sido realizado em função do cálculo mensal do imposto de renda e não sobre rendimento recebido acumuladamente, conforme jurisprudência colacionada. A respeito do assunto, observese que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, vejamos como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Instruindo sua impugnação, o contribuinte juntou planilha de cálculo, elaborada pelo INSS, das verbas contendo os cálculos de liquidação da sentença nas quais Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10469.721531/201157 Acórdão n.º 2802002.821 S2TE02 Fl. 109 5 constam discriminados mensalmente os períodos de apurações, os valores originais, os valores das diferenças pagas, os valores das atualizações (juros e correções monetárias). Do exame dessa prova, se observa, de plano, que os cálculos elaborados para apuração da diferença de renda devida em razão da revisão do valor de aposentadoria tiveram por base valores de benefícios devidos que não fevereiro de 1993 a dezembro de 2003. De acordo com as tabelas vigentes nesse período, referidos limites possuíam os seguintes valores: (Cr$ 32.749.680,00, para julho de 1993; CR$ 137.370,00, para dezembro de 1993; CR$187.770 para janeiro de 1994; R$661,80, para dezembro de 1994; R$795,25 para dezembro de 1995; R$900,00, para janeiro de 1996 a dezembro de 2001; R$1.058,00, para janeiro de 2002 a dezembro de 2003. Diante dessa constatação, há que ser cancelado o auto de infração. Voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16327.904245/2008-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 194 1 193 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904245/200821 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.458 – 2ª Turma Especial Data 13 de fevereiro de 2014 Assunto IRPJ Recorrente ANDALUZ FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 24 5/ 20 08 -2 1 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 195 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em virtude da decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, a qual julgou improcedente o pedido do contribuinte, mantendo a não homologação da declaração de compensação no. 40804.88117.270804.1.3.0436160420. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 87 a 91 (PER/DCOMP nº 40804.88117.270804.1.3.043616), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2362) relativo ao período de apuração de setembro de 2002. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 03 o contribuinte foi cientificado, em 29/08/2008 (fls. 90), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 91,36). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 29/09/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em apertada síntese, o seguinte: 4.1 Que conforme apurado na DIPJ de 2003, anocalendário 2002, a empresa apresentou um recolhimento a maior de IRPJ, uma vez que os recolhimentos por estimativa ultrapassaram o débito real do período, conforme a seguinte tabela: 4.2 Que os valores acima foram utilizados para compensar os débitos informados na DCOMP com os devidos acréscimos legais. 4.3 Que o crédito foi devidamente corrigido até a data da apresentação da DCOMP. 4.4 Que o saldo remanescente do crédito foi devidamente compensados com outros créditos. 4.5 Por fim solicita que seja cancelado o despacho decisório, uma vez que o débito foi devidamente pago conforme a utilização de parte do crédito gerado no ano de 2002. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 196 3 É o relatório. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo SP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1635.0448, sessão de 02 de dezembro de 2011, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/10/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO. INCOMPATIBILIDADE. Não se pode substituir suposto crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, por crédito de pagamento indevido ou a maior referente a estimativas devidamente quitadas, mormente quando se pretende construir tal saldo credor com pagamentos efetuados em períodos distintos. Não é possível operacionalizar tal compensação, uma vez que ao se alocar parcela do pagamento na composição do saldo negativo restaria sem cobertura a mesma parcela do débito originalmente vinculado a tal pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese que a decisão da DRJ é nula por falta de fundamentação; que houve a decadência/prescrição das cobranças dos períodos compensados com o crédito pleiteado; e, quanto ao mérito, ante a existência de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, possui direito à compensação desse crédito com outros tributos federais administrados pela SRFB; requerendo, ao final, acolhimento da defesa para reforma do julgado. É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15.02.2012, conforme aviso de recebimento fls. 100 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 14.03.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 197 4 Preliminares Nulidade da Decisão da DRJ Alega o contribuinte que a decisão da DRJ é nula, porque é vazia e totalmente desprovida de fundamentação jurídica, pois, limitase a declarar como incorreto o procedimento adotado, aduzindo que não estaria comprovado direito creditório. Tal afirmação não merece prosperar. Nesta perspectiva, verificase que a decisão recorrida claramente delimitou o ponto sobre o qual analisaria o pedido da recorrente, conforme trecho da decisão recorrida sobre esse ponto: 7. Segundo informações constantes na Manifestação de inconformidade apresentada, percebese que o pretenso direito creditório seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ apurado em 2002 e não de pagamento a maior conforme declarado. Seguindo com sua fundamentação, a decisão recorrida trouxe os motivos pelos quais não reconhecera o crédito tributário pleiteado, ante a não comprovação do pagamento a maior do que o devido ou saldo negativo por documentos contábeis e fiscais: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em outubro de 2002 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$2.159,28, declarado na DCTF referente a setembro de 2002 (ND: 00001.002.002/71183138) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Ademais a própria DIPJ anexada pelo manifestante contraria seu pedido. Notase que o valor do IRPJ a pagar apurado em setembro de 2002 (fls. 49) é exatamente igual ao declarado na DCTF, o qual foi devidamente quitado com o pagamento em comento. Assim, não havendo prova de que tal pagamento tenha sido feito de forma indevida ou a maior do que o devido, há que se reconhecer acertada a decisão contida no despacho combatido. 9. Em que pese a suficiência do relatado acima para o indeferimento do pleito, cumpre frisar que, mesmo havendo saldo negativo de IRPJ no referido anocalendário, não haveria como se substituir tal suposto crédito (saldo negativo) por este solicitado (pagamento indevido ou a maior), por terem naturezas distintas. Enquanto aquele nasce apenas no ajuste efetuado ao final do ano calendário, este surgiria no momento do recolhimento, e nesta situação o reajuste do crédito para sua adequação aos valores corretos à data da transmissão do PER/DCOMP produziriam diferenças que afetariam sua liquidez e certeza, dada a imprecisão do valor a ser considerado, mormente quando se pretende construir o suposto crédito de saldo negativo com parcelas dos pagamentos efetuados em períodos de Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 198 5 apuração distintos como é o caso em tela. Na mesma linha de raciocínio não haveria como operacionalizar tal compensação pelo fato dos pagamentos estarem devidamente alocados para a quitação dos respectivos débitos, em outras palavras, ao se utilizar todo o pagamento, ou parcela do mesmo para compor o saldo negativo pretendido, restaria sem cobertura e, portanto passível de cobrança, a mesma parcela do débito vinculada originalmente a tais pagamentos. Portanto, só seria possível a análise da existência do crédito se o mesmo fosse declarado na sua forma correta, sendo, neste contexto, analisado, verificada a sua existência e reajustado corretamente de maneira a aferir sua suficiência para a extinção dos débitos pelo instituto da compensação. Desta forma, constatase que a decisão recorrida está plenamente fundamentada. Com efeito, rejeito a preliminar argüida. Decadência e Prescrição Alega o contribuinte, como preliminar, que houve prescrição do direito de cobrança da Fazenda, em relação aos débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo, porque os débitos são de 2003 e a cobrança foi efetuada apenas em 2012. Entendo que a referida alegação também não merece prosperar. Cabe alertar, primeiramente, que os débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ora debatido, estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e, portanto, não podem ser cobrados. A existência do processo administrativo de cobrança no. 16327.904761/2008 88, constante à fl. 96, relacionando tais débitos, serve apenas de controle da Secretaria da Receita Federal, para adotar as medidas cabíveis após o desfecho do presente processo e não implica qualquer restrição aos direitos do contribuinte. No caso concreto, ora em análise, em agosto de 2008, a Contribuinte tomou ciência do despacho decisório não homologando as compensações realizadas, sob o argumento de que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O referido despacho decisório fora objeto de impugnação administrativa, a qual recebera decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, que manteve o indeferimento da compensação efetuada, conforme Acórdão n° 1635.0448, na sessão de 02 de dezembro de 2011. E, diante dessa decisão contrária, a Recorrente apresentou recurso voluntário que ora está sendo analisado pelo CARF. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 199 6 Portanto, percebese que o presente processo está seguindo seu curso normal e, em momento algum, a Recorrente foi cobrada pelos débitos compensados, não havendo que se cogitar sobre a ocorrência de prescrição do direito da Secretaria da Receita Federal, em efetuar tal cobrança, sendo totalmente descabida tal alegação pela Recorrente. Ademais, como se não bastasse, está sendo analisada a não homologação de declaração de compensação, referentes a crédito de 2002, mas, submetidas em agosto de 2004. Desta feita, o prazo para homologação dos tributos iniciase a partir da data de transmissão das declarações e; somente a partir desta data, iniciase o prazo decadencial de cinco (5) anos para o Fisco homologar expressamente as compensações realizadas (art. 74, §§2º e 5º da Lei 9.430/96). Caso esse prazo decorra sem qualquer manifestação por parte do Fisco, ocorre a chamada homologação tácita. Ocorre que, em agosto de 2008, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, determinando o pagamento dos valores devidos. Ou seja, percebese que não há que se cogitar prescrição ou decadência, vez que houve análise dos pedidos de compensação do Recorrente dentro do prazo por Lei estipulado. Desta forma, rejeito a preliminar. Do Mérito Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse ter mantido a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 40804.88117.270804.1.3.0436160420, referente a crédito decorrente saldo negativo do ano calendário de 2002, utilizado para quitar os débitos de IRPJ. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (devidamente declarado em DCTF), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ademais, ressaltou em seu julgado que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovasse cabalmente o crédito pleiteado. Na verdade, apesar da Recorrente em seu recurso voluntário reforçar a tese de que está usando o suposto pagamento indevido de R$2.159,28, referente ao período de apuração de setembro, pelos argumentos e provas trazidos aos autos, em especial, a manifestação de inconformidade, concluise que o presente processo tratase do reconhecimento de um crédito de R$15.300,48, a título de saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2002, cuja origem decorre de pagamento de estimativas mensais, no valor de R$28.045,56, que ultrapassou o imposto realmente devido, no montante de R$12.744,56. Verifico que o despacho Decisório, ao mencionar que o crédito pleiteado já havia sido utilizado para outros pagamentos, o fez, porque o contribuinte informou em sua PER/DCOMP, tratarse de pagamento “indevido ou a maior” de estimativa e não “saldo negativo do período”, que é o caso. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP, o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 200 7 não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever o seguinte julgado: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 201 8 óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 202 9 Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em outubro de 2002 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$2.159,28, declarado na DCTF referente a setembro de 2002 (ND: 00001.002.002/71183138) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Ademais a própria DIPJ anexada pelo manifestante contraria seu pedido. Notase que o valor do IRPJ a pagar apurado em setembro de 2002 (fls. 49) é exatamente igual ao declarado na DCTF, o qual foi devidamente quitado com o pagamento em comento. Assim, não havendo prova de que tal pagamento tenha sido feito de forma indevida ou a maior do que o devido, há que se reconhecer acertada a decisão contida no despacho combatido. 9. Em que pese a suficiência do relatado acima para o indeferimento do pleito, cumpre frisar que, mesmo havendo saldo negativo de IRPJ no referido anocalendário, não haveria como se substituir tal suposto crédito (saldo negativo) por este solicitado (pagamento indevido ou a maior), por terem naturezas distintas. Enquanto aquele nasce apenas no ajuste efetuado ao final do ano calendário, este surgiria no momento do recolhimento, e nesta situação o reajuste do crédito para sua adequação aos valores corretos à data da transmissão do PER/DCOMP produziriam diferenças que afetariam sua liquidez e certeza, dada a imprecisão do valor a ser considerado, mormente quando se pretende construir o suposto crédito de saldo negativo com parcelas dos pagamentos efetuados em períodos de apuração distintos como é o caso em tela. Na mesma linha de raciocínio não haveria como operacionalizar tal compensação pelo fato dos pagamentos estarem devidamente alocados para a quitação dos respectivos débitos, em outras palavras, ao se utilizar todo o pagamento, ou parcela do mesmo para compor o saldo negativo pretendido, restaria sem cobertura e, portanto passível de cobrança, a mesma parcela do débito vinculada originalmente a tais pagamentos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 203 10 Portanto, só seria possível a análise da existência do crédito se o mesmo fosse declarado na sua forma correta, sendo, neste contexto, analisado, verificada a sua existência e reajustado corretamente de maneira a aferir sua suficiência para a extinção dos débitos pelo instituto da compensação. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A Contribuinte com base na DIPJ anexada aos autos, alegou que efetuou recolhimentos a título de estimativas de IRPJ que ultrapassaram o valor real devido no período a título de IRPJ, conforme quadro abaixo: Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Ademais, o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora e a condução do exame do PER/DCOMP não permitiu que a documentação contábil e fiscal fosse confirmada. Desta forma, entendo que a solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, em Marília, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que entenda necessários verifique e informe: 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002 Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 17154.50534.260804.1.3.048610. Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904245/200821 Resolução nº 1802000.458 S1TE02 Fl. 204 11 Deste modo, voto no sentido de afastar as preliminares e converter o julgamento em diligência, para que a DRFSP, em Marília atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910021/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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CNPJ 92.660.604/000182) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 21 /2 01 1- 71 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido em 29 de julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca restituição de crédito de PIS/PASEP, relativo ao período de apuração julho de 2000, no valor de R$ 690,81. O pagamento foi identificado mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente, alegando que ocorreu homologação tácita do pedido de restituição, pois se passaram 5 anos desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório. O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996, assim como nos arts. 150 e 174 do Código Tributário Nacional e no art. 37 da Instrução Normativa RFB Nº 900/08. Ao final requer que se reconheça a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. A 2ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação, é impossível a homologação tácita nos pedidos de ressarcimento ou restituição, por falta de previsão legal. Ainda afirmou que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, que, de acordo com o art. 170 do CTN, são essenciais para que seja efetivada a restituição pela Fazenda Nacional. Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estarse outorgando à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente. Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos transcorre tanto para o contribuinte, como para o fisco e que não se pode ignorar a garantia constitucional de que todos são iguais perante a lei. Afirma que o § 4º do art. 150 do CTN dispõe que, quando a lei não fixar prazo para homologação, será ele de 5 anos. Nesse caso, quando o contribuinte declara ser titular de crédito, o fisco teria 5 anos para se manifestar sobre esse crédito, sob pena de decadência para a glosa eventualmente cabível. Ao final requer que se proveja o recurso para, reformandose a decisão recorrida, reconhecerse a homologação tácita dos créditos tributários relativos ao PER constante do despacho decisório, e que se determine o imediato pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910021/201171 Acórdão n.º 3803005.403 S3TE03 Fl. 11 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do protocolo de transmissão do Pedido Eletrônico de Restituição, o litígio reside na caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita. O instituto da compensação encontrase previsto no art. 170 do CTN. No âmbito administrativo, a Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008 disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis: “§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação.” Como visto, a homologação tácita da compensação se dá após decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP. A Fazenda afirma que, diferentemente da declaração de compensação,o pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão legal para homologação tácita de pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações de compensação. A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, citase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Entretanto, a legislação é carente de uma norma que estabeleça período específico para que a Fazenda Nacional se posicione a respeito de pedidos de restituição ou ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade. Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de restituição formulado à Receita Federal não se submete ao prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de compensação. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Ocorre que não há previsão legal estabelecendo prazo para homologar pedidos de Restituição, e a norma acima colacionada não se aplica ao caso. Tal entendimento é o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1998PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR E FALTA DE COMPROVAÇÃO, INDEFERIMENTO. NÃO TENDO A CONTRIBUINTE APURADO SALDO CREDOR DE IRPJ, NEM COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES, CORRETA O INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, QUE JÁ DEVERIA ESTAR INSTRUIDO COM OS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO. A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA ADMITE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. NO CASO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE JUNTAMENTE COM O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO HÁ DE SE FALAR EM HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910021/201171 Acórdão n.º 3803005.403 S3TE03 Fl. 12 5 AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.) Ante a falta de guarida legal que determine a homologação tácita a pedidos de restituição, não cabe ao julgador criar normas ou interpretálas de forma a beneficiar o contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza. Observase, também, que em manifestação de inconformidade, assim como em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu mão de defenderse quanto ao mérito. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em vista que em relação ao Pedido de Restituição não existe previsão legal que discipline a ocorrência de homologação tácita, sendo inaplicável, ao caso, a aplicação da regra de homologação tácita dos pedidos de compensação, porquanto, são de naturezas distintas e portanto não se confundem. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13770.001638/2010-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/BSB (Fls. 44), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 01 63 8/ 20 10 -7 9 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13770.001638/201079 Resolução nº 2801000.285 S2TE01 Fl. 44 2 ao exercício 2009, por AFRFB da DRF/Vitória. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) Multa de Ofício (passível de redução) Juros de Mora (cálculo até 30/11/2010) Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) 984,94 Multa de Mora (não passível de redução) 196,98 Juros de Mora (cálculo até 30/11/2010) 141,92 Total do Crédito Tributário 1.323,84 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF pleiteada indevidamente na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 1.857,83 (Gramasa Granitos e Mármores S/A). Motivo da glosa: O contribuinte responsável pela empresa Gramas Granitos e Mármores S/A não efetuou o recolhimento da totalidade dos valores devidos a título de IRRF. A base legal do lançamento encontrase nos autos. O contribuinte teve ciência do lançamento em 07/10/2010, conforme documento de fl. 21 e, em 21/12/2010, apresentou impugnação, em petição de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/11, na qual alega, resumidamente, o quanto segue: que, em 28/10/2010, compareceu a Receita Federal e apresentou a documentação, mas que anexa, na oportunidade, o Comprovante de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora e três REDARF; que solicita prioridade na análise da impugnação, por força do disposto no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003 (Estatuto do Idoso). Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sócio da fonte pagadora dos rendimentos. Cientificado em 19/09/2011 (Fls. 52), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/10/2011 (fls. 53 e 54), argumentando em síntese: (...) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13770.001638/201079 Resolução nº 2801000.285 S2TE01 Fl. 45 3 Ressalto que a glosa se da pelo fato da não apresentação de todos os Darf's ou Redarf's recolhidos ref. ao ano de 2008. Porém entendo que a Receita Federal entendeu o não recolhimento feito em sua totalidade pelo fato de existirem três meses, a qual foram gerados os Darf' s com as informações das competências erradas são elas 30/04/2008 que foi recolhida 30/04/2010, 30/06/2008 que foi recolhida 30/06/2010 e 31/07/2008 que foi recolhida 30/04/2010. No intuito de corrigir esta situação para que conste o recolhimento total ref. 2008 correto em cada competência, já fizemos e efetuados o pagamento de juros ref. diferença destas competências, uma vez que quando informado o ano de 2010 foi recolhido com juros a menor. Então corrigimos o valor equiparando ao ano 2008 conforme é o correto e já tentamos fazer o Redarf para estes três meses, através do certificado digital por três vezes conforme consta comprovantes anexo, e em todas as tentativas os mesmos foram indeferidos pela Receita Federal. Inclusive na última tentativa fizemos também de forma manual a qual agendamos apresentação pessoal e geramos os formulários de Redarf, reconhecemos firma e anexamos os comprovantes. Porém o atendente da Receita Federal em Serra/ES, disse que não era preciso protocolar o pedido, pois bastava retificar a DCTF que automaticamente iria constar no sistema. Desta forma, informo que ao consultar o site da Receita Federal através do Certificado Digital foi possível verificar que já consta no sistema da Receita Federal os recolhimentos ref. 2008 e também os Darf' s com os juros ref. diferença das competências pagas erradas. Informo que do próprio site imprimimos comprovantes de recolhimentos, pois já consta no sistema da Receita, inclusive os juros complementar pagos rex. As competências 30/04/2008, 30/06/2008 e 31/07/2008. Anexos: • Comprovantes de recolhimentos de Darf's ref. IRRF 2008 emitidos pelo CAC • Formulários manual de Redarf reconhecido firma ref. competências 30/04/2008, 30/06/2008 e 31/07/2008. • Cópias dos comprovantes recolhidos ref. 2008 • Cópias dos comprovantes recolhidos Darf compl. Juros meses abril, Junho e Julho/2008 para correção das competências. • Cópia das 03 solicitações de Redarf's e indeferimentos dos mesmos. • Cópia Termo de Intimação Recebido pela RFB. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR Peço que analise os comprovantes apresentados inclusive os Darf s com pagamento dos juros que complementam as competências Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 13770.001638/201079 Resolução nº 2801000.285 S2TE01 Fl. 46 4 pendentes que foram recolhidas a menor em função do período de apuração errado. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Entendo que após juntar todos os comprovantes, o valor a pagar ref. impugnação de n°200940000006051 do dia 21/12/2010 não será mais devida. (...) É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o lançamento de compensação indevida de IRRF. Para comprovar que o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora o recorrente junta aos autos cópia de DARF’S ou REDARF’S relativo a recolhimento de IRRF; bem como comprovantes de recolhimentos emitidos no site da RFB. Contudo, ante a quantidade de REDARF’S constantes no processo, não se pode afirmar com certeza que houve o recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF aproveitado pelo contribuinte. Portanto, é necessário converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a unidade administrativa competente informe se houve o recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF, relativo ao ano calendário 2008, compensado pelo contribuinte. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informe se houve o recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF, relativo ao ano calendário 2008, compensado pelo contribuinte. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 13931.000380/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.
Numero da decisão: 3201-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente do indeferimento do crédito presumido escriturado no período em destaque, com a conseqüente não homologação das compensações declaradas, em razão credito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 03 80 /2 00 6- 17 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13931.000380/200617 Acórdão n.º 3201001.597 S3C2T1 Fl. 426 2 presumido ter sido calculado sobre exportações de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados), portanto, não sendo considerados pela legislação como industrializados. Em sua manifestação a interessada alegou que, no caso dos produtos classificados na TIPI com NT, o artigo 1º da Lei nº 9.363/96 não dá margem a dúvidas, basta que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais, além disso, nada há que distinga se o produto deve sobre ou não a tributação do IPI para fazer jus ao crédito presumido Ademais, a empresa deve ser considerada como industrial, na medida que faz o beneficiamento dos indigitados produtos. Encerrou requerendo a atualização monetária sobre o valor integral do crédito presumido pleiteado. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13931.000380/200617 Acórdão n.º 3201001.597 S3C2T1 Fl. 427 3 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI negado pela autoridade fiscal devido a ter por fundamento a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em produtos classificados na TIPI como NT. Em relação à controvérsia, esclarecese que o crédito presumido do IPI como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas exportações tem por fundamento a Lei n° 9.363/96, cujos art. 1° e 3º assim dispõem: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único: O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único: Utilizarseá subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.(grifo nosso) Extraise dos dispositivos acima citados que as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais tem direito a crédito presumido do IPI em relação às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em seu processo produtivo. A Lei 9.363/96 define ainda que os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem devem ser buscados a luz da legislação do IPI. Neste ponto, para determinar a abrangência do instituto, mostrase necessário definir o conceito de processo produtivo, a ser extraído da legislação do IPI. Este imposto, notadamente, incide sobre produto industrializado, considerados este, segundo o artigo 3º dos Regulamentos do IPI de 1998 e de 2002, vigentes à Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13931.000380/200617 Acórdão n.º 3201001.597 S3C2T1 Fl. 428 4 época dos fatos geradores, como aquele “resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária tem por objeto de incidência os produtos”. As operações de industrialização, por sua vez, encontramse definidas no artigo 4º dos RIPI 1998 e 2002, nestes termos: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Sendo esta a legislação aplicável a matéria, temos que, caso os produtos adquiridos não participem nos processos de industrialização acima expostos, eles não se caracterizam como matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Em consequência, aqueles bens adquiridos mas não empregados no processo de industrialização não integram a base de cálculo do crédito presumido. Observase ainda que a legislação do tributo é composta por uma Tabela de Incidência do IPI (Tabela TIPI), que classifica todos os produtos industrializados, informando ainda aqueles considerados não tributados (NT) devido a não sofrerem processos de industrialização. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13931.000380/200617 Acórdão n.º 3201001.597 S3C2T1 Fl. 429 5 Tendo em vista o explicitado, concluise que os produtos não tributados (NT) conforme a legislação do IPI não fazem jus ao incentivo, devido ao crédito presumido ser restrito à aquisição de insumos utilizados no processo de industrialização, quando o produto final for exportado. Daí a exclusão desses produtos no cálculo do incentivo, o que não acontece com as mercadorias isentas ou tributadas à alíquota zero, que por serem fruto de um processo produtivo compõe a base de cálculo do crédito presumido. O próprio artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao definir que o crédito presumido é destinado a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, exige que as pessoas jurídicas satisfaçam, cumulativamente, estas duas condições. A legislação do IPI, por sua vez, é expressa ao definir como estabelecimento industrial (produtor) aquele que executa operações de industrialização que resultem em produto tributado, ainda que a alíquota zero ou isento (art. 8º RIPI/1998 e RIPI/2002). Observese ainda que o fato do caput do artigo 1º da Lei 9.363/96 falar em mercadorias não afasta a condição estabelecida no próprio dispositivo de que o direito ao crédito presumido do IPI tem por objeto as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados em seu processo produtivo. Desta forma, mostrase correta a decisão recorrida em não conceder o direito ao crédito presumido do IPI em relação insumos empregados em produtos não tributados. Em relação ao pedido de atualização monetária do crédito pela Selic, tendo em vista a inexistência de saldo credor, inexiste crédito a ser atualizado monetariamente, de forma que o pedido deve ser negado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100482/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL.
A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários.
Numero da decisão: 1102-001.000
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Moises Giacomelli Nunes da Silva, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente CAFÉ E BAR COLONIA ULTRAMAR LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES. DIPJ. DSPJ. Reduzse a multa pela falta de entrega da declaração (DIPJ/DSPJ) quando a fiscalização não reuniu as provas suficientes para confirmar que a empresa estava submetida ao regime de tributação que redundaria na aplicação da multa mais gravosa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 REDUÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A aplicação do princípio juria novit curia no processo administrativo fiscal autoriza a redução do valor da exigência quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 04 82 /2 00 8- 44 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 91 2 João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Moises Giacomelli Nunes da Silva, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAFÉ E BAR COLONIA ULTRMAR LTDA ME contra acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência do lançamento efetuado. O crédito tributário lançado, referente à multa por atraso de entrega da DIPJ/DSPJ correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, totalizou o valor de R$ 500,00. O voto condutor da decisão recorrida assim relatou a impugnação: Em impugnação às fls. 1/3, o interessado diz que não recebeu Ato Declaratório de exclusão do Simples, cujo enquadramento fora efetuado de forma regular, e, também, "que a recepção da mencionada declaração é direcionada e controlada pelo órgão em questão, ou seja, Delegacia da Receita Federal, que veda o envio por meio eletrônico". Alega que "não se pode deixar de considerar o ato administrativo, leiase, ato jurídico perfeito, que deu origem ao enquadramento fiscal, gerando fonte de arrecadação, criando mecanismo administrativo para a sua cobrança, Processo n° 10768.230060/200215". Afirma que "não é justo o procedimento administrativo adotado pela Impugnada, uma vez que não podese reportar como se o Impugnante fosse pessoa jurídica não enquadrada no Regime Fiscal Simplificado, o que qualifica como se for devido o valor da multa a ser aplicada é de R$ 200,00, valendose, ainda, da aplicabilidade da redução pelo pagamento do valor principal". Pede: seja mantido o seu enquadramento no Simples; seja considerado como entregue, neste ato, a declaração simplificada do anocalendário de 2005; e excluída a multa correspondente, ou reconhecido o seu valor excessivo. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 92 3 A já mencionada 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1230.841, de 27 de maio de 2010, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIPJ/DSPJ. Mantémse o valor da multa mínima se não elididos os fatos que lhe deram causa. A empresa autuada repetiu em seu recurso voluntário os argumentos que haviam sido apresentados na impugnação. Apenas alterou a alegação segundo a qual o processo nº 10768.230060/2002 15 teria dado origem ao enquadramento fiscal no Simples. É que a decisão recorrida esclareceu que tal processo não trata desse assunto e que a empresa foi excluída daquele regime através do ADE nº 296664, a partir de 01/11/2000, constando no presente processo o documento que comprova sua ciência dessa exclusão, conforme “Aviso de Recepção nº 066835990 (consulta Sucop, às fls. 56)”. Com isso, a empresa alegou que “não se pode deixar de considerar o ato administrativo, leiase, ato jurídico perfeito que deu origem ao enquadramento fiscal, gerando fonte de arrecadação, criando mecanismo administrativo para a sua cobrança sob o prisma de informações obtidas através do SUCOP, sem que tenha demonstrado publicidade do Ato Declaratório nº 296664, tampouco ciência ao recorrente, descaracterizando sua validade”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 93 4 Tratase de multa por falta de entrega com suporte fático e consequente prescrição previstos no artigo 7º, I, e seus §§ 1º a 3º, da Lei nº 10.426/2002, verbis: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. A empresa deixou de apresentar a declaração correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005. No auto de infração (fl. 11 do processo em papel), a autoridade fiscal consubstanciou a seguinte descrição dos fatos: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 94 5 A falta de entrega da Declaração enseja a aplicação de multa no valor de R$200,00 tratandose de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica optante pelo Simples Federal e de R$500,00 no caso de Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da lavratura deste Auto de Infração. Nada obstante, sem esclarecimentos adicionais, imputou a multa de R$ 500,00. Como salientado na decisão recorrida, as solicitações de enquadramento no Simples e de recebimento da declaração simplificada apresentada junto com a impugnação, de pronto, devem ser afastadas, posto que não há competência das autoridades julgadoras dos processos administrativos fiscais para a apreciação dessas matérias. O que nos cabe é o julgamento da multa imputada no auto de infração. A DRJ esforçouse para situar o enquadramento legal da autuação no inciso II, do § 3º, do dispositivo legal acima transcrito, qual seja, a multa mínima de R$ 500,00 aplicável nos “demais casos”. Neste sentido, colheu as provas de que a empresa já havia sido excluída do regime do Simples Federal desde a edição do “Ato Declaratório de Exclusão – ADE nº 296664”, com efeitos a partir de 01/11/2000, por motivos de débitos pendentes junto à PGFN (fls. 49 e 50 do processo em papel). Ademais, contraditou a alegação de que a empresa não teria sido comunicada da referida exclusão com as informações contidas num extrato de consulta ao sistema “SUCOP” juntado às fls. 56 do processo em papel. De fato, tal extrato contém a informação de que a postagem “NI 334856665000191”, de “Nº ECT 066835990”, enviada à empresa autuada, contém a situação “Entregue ao destinatário”, e a data de coleta “01/12/2000”. Não há, entretanto, maiores informações sobre o processo administrativo em que teria sido consubstanciada a exclusão daquele regime. Muito menos foi juntada a prova efetiva do recebimento daquela correspondência, qual seja, o “AR” com os dados do destinatário e a identificação e assinatura da pessoa que atestou esse recebimento. É provável que o fato de não saber ao certo qual seria o regime de tributação a que estaria submetida a empresa autuada à época do lançamento foi a razão que motivou a autoridade fiscal a proceder aquela descrição dos fatos alternativa entre a falta de apresentação da DSPJ ou da DIPJ. Contudo, para aplicar a situação mais grave para o contribuinte, a alternativa residual caracterizada como “demais casos”, deveria ter carreado aos autos as provas contundentes de que a empresa, de fato, não se enquadrava na outra alternativa, caracterizada pelas pessoas jurídicas inativas ou optantes pelo regime de tributação do Simples Federal. Em minha opinião, o esforço da DRJ não supriu esta ausência. Portanto, não há como aplicar à hipótese da multa de R$ 500,00. É possível, entretanto, atestar que houve falta de entrega da declaração, qualquer que seja o regime de tributação a que estava submetida a empresa. Neste caso a multa mínima é de R$ 200,00. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 95 6 Há que se observar que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção da multa de R$ 200,00 reduz o valor da exigência fiscal. Tampouco configurase ofensa ao princípio do contraditório, pois as demais razões de defesa não seriam diferentes caso a fiscalização tivesse aplicada a hipótese menos gravosa à empresa. O que ocorreu foi que a fiscalização não reuniu as provas suficientes para confirmar que a empresa estava submetida ao regime de tributação que redundaria na aplicação da multa mais gravosa. Não é razoável anular os correspondentes lançamentos quando uma simples operação aritmética pode assegurar com segurança a liquidez dos créditos tributários. Tratase de aplicação do princípio do juria novit curia (“dême os fatos que eu te darei o direito”), também aplicável ao processo administrativo fiscal (Cf. Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed., São Paulo: Dialética, 2010, p. 285.), no sentido de que não se altera o critério jurídico do lançamento, já que a acusação e a infração são as mesmas, mas apenas sua fundamentação legal. Afinal, a autuada não se defende da capitulação legal da infração, mas, sim, dos fatos e da descrição fática narrados. De modo semelhante, apesar de tratar de matéria distinta, também já decidiu a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 0105971, julgado em 12 de agosto de 2008, cujo trecho elucidativo transcrevese: Cumpre observar, inicialmente, que não se trata de reformatio in pejus, pois a adoção do percentual de 42,74% como base para correção monetária, reduz o valor da exigência fiscal. Também não vislumbro a possibilidade de ofensa ao princípio constitucional do contraditório, haja vista toda a discussão no processo versa exatamente sobre a correção monetária do balanço do ano de 1989. O índice IPC é aceito pela interessada e pela decisão recorrida com apto a ser utilizado na correção monetária do mês de janeiro de 1989, apenas divergem quanto ao período abrangido pelo índice. Afinal, o percentual de 70,28%, adotado pelo autuada, reflete a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). Sobre essa matéria, a jurisprudência dessa Turma reiteradamente se posicionado no sentido de impedir que o julgador atue positivamente em relação à exigência fiscal, de modo que se deve apreciar o lançamento tal como foi formulado, sem possibilidade de inovação na acusação no momento do julgamento. A competência das instâncias de julgamento para revisar o lançamento surge com a impugnação como previsto no inciso I do art. 145 do CTN, ou seja, revisão por iniciativa do contribuinte em contestar a exigência. O dever de julgar imparcialmente a exigência fiscal não se coaduna com a vinculação do auditor fiscal ao procedimento de constituição do crédito tributário. A revisão de oficio fica adstrita àqueles agentes fiscais que têm competência para realizar o lançamento fiscal, como o auditor fiscal competente para fiscalizar ou o Delegado da Receita Federal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 96 7 No Direito Tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional descreve, nesse sentido, procedimento que compreende uma série de ações desenvolvidas pela autoridade fiscal em face do contribuinte, de modo à verificação de ocorrência do fato jurídico tributário, cálculo do tributo devido e identificação do sujeito passivo. Esse procedimento resulta no ato jurídico administrativo de lançamento que introduz norma individual e concreta no sistema do direito positivo. Desse modo, o ato produzido com a finalidade de constituição do crédito tributário indica o fato jurídico tributário, cujas notas se subsumem aos critérios da regramatriz de incidência, e institui a obrigação tributária. Um desses critérios é o quantitativo, em que a autoridade lançadora calcula o montante do tributo a partir da indicação da base de cálculo e alíquota. No caso em análise, a fiscalização quantificou a exigência com fundamento na legislação de regência que não prevê os expurgos inflacionários para fins de correção monetária de balanço, enquanto o contribuinte ajustou seus ativos considerando os efeitos desses expurgos. O julgador entende que o contribuinte poderia considerar tal acréscimo com fulcro em precedentes judiciais, mas não concorda com os cálculos efetuados. O percentual de 70,28% abrange período superior ao mensal conforme descrito em sua metodologia e não pode ser utilizado para corrigir o saldo de janeiro. Neste processo, os fatos estão postos de forma clara e para decidir qual o índice aplicável o julgador deve verificar qual a metodologia prevista na legislação fiscal. Como vimos, a pessoa jurídica se equivocou ao utilizar o índice de 70,28% para o mês de janeiro, quando sua abrangência temporal é maior.Tratase, a meu ver, de matéria estritamente de direito, em que o julgador não está restrito a decidir apenas escolhendo entre os argumentos trazidos pelos interessados, podendo aplicar fundamento jurídico distinto no julgamento da questão posta a seu exame (juria novit cúria). No caso em comento, o julgador deve ajustar o que foi pedido no recurso voluntário pela contribuinte para adequar a legislação de regência. Penso que não é razoável anular o lançamento na hipótese em que basta simples operação aritmética para separar o valor devido do que não é devido. Não vejo como enquadrar a redução do valor exigido como novo lançamento da autoridade administrativa. Devese apenas ajustar o crédito tributário ao valor tido por correto. Essa também tem sido a opinião dos tribunais superiores em casos análogos. No REsp 535.943, publicado pelo STJ no DJ 13.09.2004, ao acolher o recurso da Fazenda Paulista, o relator do processo, ministro Teori Albino Zavascki, argumentou que a certidão de dívida fiscal não perde a característica de ser líquida e certa quando há necessidade de serem afastadas parcelas tidas como indevidas. No caso dos valores de contribuição do IAA, incluídos na base de cálculo do ICMS, os valores verdadeiramente devidos podem ser apurados por cálculos aritméticos de simplicidade horizontal, não devendo, em razão disso, ser exigido que se anule a certidão da divida, cancelandose a execução fiscal. No mesmo sentido, o AGA 525587/SP, Min. Luiz Fux, publicado no DJ de 05.04.2004, a saber: "AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.ICMS. Documento: 1311146 RELATÓRIO E VOTO ELEVAÇÃO DA AL1QUOTA DE 17% PARA 18% INCONS77TUCIONALIDADE. CDA. NECESSIDADE DE RECALCULO DA DIVIDA. PRESERVADA A LIQUIDEZ DO Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.100482/200844 Acórdão n.º 1102001.000 S1C1T2 Fl. 97 8 TITULO. I. A alegação de nulidade da CDA envolve matéria de prova, apreciação obstada pela Súmula 7/5 Ti 2. A jurisprudência orientase no sentido de que o excesso na cobrança expressa na CDA não macula a sua liquidez, desde que os valores possam ser revistos por simples cálculos aritméticos.(..) 4. Agravo regimental desprovido ." (AGA 525587/SP) Importante destacar, ainda, que a Lei n° 9.784/99, artigo 2°, inciso VI, estabelece, como critério de atuação da Administração, a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público" Anular o lançamento fiscal integralmente quando o ajuste do valor devido depende de mero cálculo aritmético pareceme excesso de formalismo que ofende critérios de razoabilidade e de proporcionalidade. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada para o valor de R$ 200,00. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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