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Numero do processo: 12585.720032/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto; (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 32 /2 01 2- 22 Fl. 1629DF CARF MF 2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.630 3 insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto; (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Fl. 1631DF CARF MF 4 Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas. Versa o processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 30301.66518.070312.1.5.084012 ao qual foi vinculada a Declaração de Compensação n° 40340.06159.280212.1.3.083131. O ressarcimento solicitado é de créditos de PIS/Pasep não cumulativo, apurados do 1º trimestre de 2011 em relação a suas operações de transporte aéreo internacional, no montante de R$5.969.642,37. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram examinados os Pedidos de Restituição de pagamentos indevidos ou a maior nos processos de n°s 12585.720256/201234, 12585.720257/201289 e 12585.720258/201223, relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2011, respectivamente. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação não foi homologada pela autoridade administrativa sob os seguintes fundamentos: A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos, razão pela qual as receitas financeiras e as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente não devem ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo 46 da IN nº 247/2002. As glosas foram as seguintes: • 9.1 Tarifas Aeroportuárias • 9.2 Combustível Aéreo Utilizado no Transporte Internacional • 9.3 Gastos com o Atendimento ao Passageiro • 9.4 Aquisição de Bens Patrimoniais • 9.5 Gastos com Importação • 9.6 Gastos com a Estadia de Tripulantes • 9.7 Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção • 9.8 Gastos não Diretamente Aplicados na Atividade de Transporte Aéreo • 9.9 Outros Gastos não Classificáveis como Insumo • 9.10 Importação de Bens com Alíquota Zero • 9.11 Créditos Apurados sobre Transferências de Materiais. A interessada apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese: 1. A divergência no cálculo dos valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.631 5 não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. 2. A fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. 4. As receitas originárias do transporte nacional de passageiros estão incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. 5. Os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva da empresa requerente do crédito. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos das contribuições, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Assim, as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total. Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras. O valor adicional de crédito deferido pela DRJ em face da reversão de algumas glosas não foi suficiente para deduzir toda a contribuição devida do período de apuração. A consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor ora reconhecido. A contribuinte foi formalmente cientificada em 23/09/2016, mas já havia apresentado recurso voluntário em 30/06/2016, mediante o qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas Fl. 1633DF CARF MF 6 II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 3. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 9. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo 10. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero 11. Da glosa relacionada aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.632 7 § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Fl. 1635DF CARF MF 8 Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.633 9 O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1637DF CARF MF 10 V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.634 11 Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para Fl. 1639DF CARF MF 12 restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata se de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.635 13 Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta Fl. 1641DF CARF MF 14 interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitava lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.636 15 A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de 4 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 1643DF CARF MF 16 adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e 5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.637 17 demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto à glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 1645DF CARF MF 18 De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah6: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários 6 NASRALLAH, Amal. Diferenças entre a nãocumulatividade do ICMS e IPI e a do PIS e da Cofins. <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018. Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.638 19 Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente à “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. Fl. 1647DF CARF MF 20 e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Há, entretanto, às fls. 1.394/1.423, contrato firmado entre a TAM e a Servcarter Internacional Ltda. Tal contrato diz respeito ao fornecimento de refeições para serviços de bordo e são empregados exclusivamente no transporte de passageiros, como se depreende da leitura do Anexo I, nas cláusulas relativas aos procedimentos de overcatering. Por tal razão, entendese que estes serviços não geram direito aos créditos da não cumulatividade. Entretanto, na conta “gastos com equipamentos terrestres” no trimestre em análise, conforme informações disponíveis no “Anexo 9.3”, somente foram glosadas despesas com a seguinte fornecedora: GTA TRANSPORTES LTDA. Não há nos autos, porém, nenhum contrato com esta empresa, razão pela qual tais dispêndios não podem gerar créditos da não cumulatividade. Alega a recorrente que os gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na efetivação da concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. No entanto, a recorrente nada mencionou acerca da ausência de contrato para comprovar o alegado direito creditório quanto ao aluguel de equipamentos terrestres, razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida nesta parte. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; no entanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.639 21 imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, à mingua de um esclarecimento maior da recorrente acerca de tais itens não se pode verificar o seu enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto, devendo a decisão recorrida ser mantida. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria pronunciou a DRJ nos seguintes termos: No caso do 1º trimestre de 2011, os bens glosados dizem respeito às seguintes contas: “Despesas com manutenção predial”, “Serviços com manutenção predial”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Despesas com manutenção predial”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Relativamente às despesas e serviços com “manutenção predial”, temse que não são passíveis de crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins, porque não são despesas vinculadas ao transporte internacional de cargas. São apenas despesas operacionais da interessada que não podem ser considerados insumos na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins. Relativamente às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebe se que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Fl. 1649DF CARF MF 22 Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. Por isso, os bens e serviços discriminados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2o do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. A recorrente manifesta concordância quanto à glosa relativa a seguintes contas: "gastos com equipamentos terrestres", "materiais de manutenção em equipamentos" e "serviços de manutenção em equipamentos". Quanto às demais contas “Despesas com manutenção predial” e “Serviços com manutenção predial”, a recorrente não demonstrou que fossem aplicadas nos serviços por ela prestados ou que se tratassem de "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa". De forma que não cabe reforma na decisão recorrida neste tópico. 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachantes aduaneiros na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.640 23 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado Fl. 1651DF CARF MF 24 interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.641 25 art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. 7 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. (...) 8 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Fl. 1653DF CARF MF 26 De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.642 27 Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. 9 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1655DF CARF MF 28 Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.643 29 No caso do 1º trimestre de 2011, os bens glosados (“Planilha 9.7 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito às seguintes contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Como constou no item 4. deste Voto, a recorrente manifestou concordância quanto às contas especificamente glosadas nesta rubrica (“Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”), razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida também quanto a esta rubrica. 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. Fl. 1657DF CARF MF 30 No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.462/1.466, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 1º trimestre de 2011, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida nesta parte. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.644 31 No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 9. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: Fl. 1659DF CARF MF 32 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. 10. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero A recorrente manifestou concordância com tais glosas. 11. Da glosa relacionada aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento Sobre esta questão assim decidiu a DRJ: "Indubitavelmente, não gera direito a crédito a simples transferência de materiais entre unidades da contribuinte. Não há previsão legal nenhuma neste sentido. Se possível fosse, bastaria a contribuinte transitar com mercadorias entre seus estabelecimentos e, assim, jamais pagaria PIS/Cofins. Por outro lado, a relação trazida pela manifestante (doc. 06 – fls. 1.467/1.469) não tem o condão de provar que os créditos não foram aproveitados no estabelecimento adquirente, como afirma em seu recurso. Tal documento traz apenas uma relação de documentos fiscais que não tem o condão de provar o que se alega". De outra parte, alega a recorrente que "as aquisições de produtos devem ser documentadas por nota fiscal remetida ao estabelecimento destinatário, o que não significa, porém, que necessariamente será o usuário deste bem", de forma que "os créditos das contribuições em questão sempre estarão vinculados às notas fiscais de aquisição, e não ao fato Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.645 33 do trânsito de um estabelecimento para o outro, posto que os créditos são apurados em face da pessoa jurídica e não de seus estabelecimentos". É certo que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, o que deve ser comprovado com os documentos fiscais emitidos pelos fornecedores correspondentes às aquisições dos bens ou à prestação dos serviços, independentemente de eventuais transferências posteriores entre os estabelecimentos da pessoa jurídica. No entanto, como dito pela DRJ, "a relação trazida pela manifestante (doc. 06 – fls. 1.467/1.469) não tem o condão de provar que os créditos não foram aproveitados no estabelecimento adquirente", sendo que a recorrente nada acrescentou no recurso voluntário acerca desse óbice oposto pela DRJ, nem tampouco sobre a natureza de tais bens e serviços para se verificar o eventual enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto, razões pelas quais a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1661DF CARF MF 34 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange à glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 10 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.646 35 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo Fl. 1663DF CARF MF 36 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.647 37 Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros. Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, tornase imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Por essa razão, necessita importálas do exterior, assim como transportálas para seus estabelecimentos e armazenálas com terceiros. Desta forma, os referidos gastos com frete nacional dos produtos e despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente, o que os qualifica como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor. Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados. A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço tratase de frete nacional, e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Fl. 1665DF CARF MF 38 Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.11 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.648 39 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as Fl. 1667DF CARF MF 40 operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.649 41 caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. Porém, o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema. Adotandose a linha de entendimento exposta no voto vencedor acima colacionado,12 como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de garantia do direito ao crédito da Recorrente, porque o seu direito sobre o frete nacional de produtos importados é sustentado pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins 12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Fl. 1669DF CARF MF 42 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gasto incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Concluise assim que, efetivamente, ao tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destaco alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 12585.720032/201222 Acórdão n.º 3402005.330 S3C4T2 Fl. 1.650 43 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com serviços aduaneiros (despachantes). Nesse ponto, cumpre realçar que os gastos relacionados com despachantes aduaneiros referemse à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos anexos à defesa. Esse Colegiado, no julgamento do Processo n. 11080.725358/201183, já entendeu pelo direito ao crédito sobre esse jaez de serviços aduaneiros. No mesmo sentido manifestouse a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/200871, do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão: “Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividade fim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Despachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas circunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro.” (Processo nº 10976.000158/200871 – Acórdão nº 3201000.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.) Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos relativas a frete nacional de insumos importados e gastos com despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1671DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721146/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento conta-se pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de dolo, fraude ou simulação, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Aplicação da Súmula Carf 72.
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA
Os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. Art. 26-A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf - RICARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2011
MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98
As turmas do Carf não podem afastar dispositivo legal sob argumento de inconstitucionalidade, salvo as exceções do art. 62 do Regimento Interno, que não se configuram no presente caso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento conta-se pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de dolo, fraude ou simulação, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Aplicação da Súmula Carf 72. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA Os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. Art. 26-A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf - RICARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2011 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98 As turmas do Carf não podem afastar dispositivo legal sob argumento de inconstitucionalidade, salvo as exceções do art. 62 do Regimento Interno, que não se configuram no presente caso. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA LANÇAMENTO. Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento contase pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de dolo, fraude ou simulação, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Aplicação da Súmula Carf 72. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO . PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE MULTA Os princípios constitucionais da vedação ao confisco e da proporcionalidade são dirigidos ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por alegação de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2. Art. 26A do Decreto 70.235/72 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2011 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98 As turmas do Carf não podem afastar dispositivo legal sob argumento de inconstitucionalidade, salvo as exceções do art. 62 do Regimento Interno, que não se configuram no presente caso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 46 /2 01 5- 13 Fl. 1044DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: O presente processo trata de lançamentos de Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS, lavrados em 18/11/2015 contra a Empresa acima indicada, abarcando os períodos de apuração janeiro de 2010 a março de 2011. O lançamento de COFINS (fls. 840/847) totalizou R$ 5.302.059,16, incluindo, incluindo a contribuição, no valor de R$ 1.756.976,41, multa de ofício qualificada de 150%, calculada sobre o valor da contribuição apurada, de R$ 2.635.464,66 e juros de mora no valor de R$ 909.618,09, calculados até 11/2015. Por sua vez, o lançamento de PIS (fls. 849/856) totalizou o montante de R$ 1.148.742,52, sendo R$ 380.665,75 como contribuição, R$ 197.078,10 como juros de mora calculados ate 11/2015 e R$ 570.998,67 a título de multa de ofício qualificada de 150%. Do Relatório Fiscal: No Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 5/17), de 11/11/2015, a Fiscalização esclareceu que a Empresa, atuante no transporte coletivo de passageiros em SP mediante frota de ônibus, nos anoscalendário de 2010 e 2011 auferiu receitas sujeitas à incidência cumulativa de Pis e Cofins, nos termos do art. 10, inciso XII, c/c 15 da Lei 10.833/2003 Estas receitas foram informadas na linha 5 de cada ficha 06A – Demonstrativo do Resultado das DIPJ dos exercícios de 2011 e 2012 (Anexo I), bem como na conta contábil 3118 Prestação de Serviço Público (Anexo 2), obtida via SPED. No entanto, tais valores não foram informados nas bases de cálculo das referidas contribuições, conforme Dacon dos anoscalendário 2010 e 2011 (anexo 3). As tabelas 1 a 4 do TVF demonstram a obtenção dos valores omitidos, tendo sido descontados nos lançamentos, os valores declarados em DCTF. E, ante o constatado, os lançamentos Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 19515.721146/201513 Acórdão n.º 3201003.760 S3C2T1 Fl. 3 3 foram lavrados com a imposição de multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do § 1o do art. 44 da Lei 9.430 de 1996. Observo que, também em decorrência dos fatos constatados no presente processo adm. tributário, bem como nos processos 19515.720975/201571 e 19515.720975/201571 (ambos tratando de contribuições previdenciárias), foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no processo 19515.721064/201561. Da Impugnação: Tendo sido cientificada em 18/11/2015, conforme Termo juntado a fls. 859, a Autuada, apresentou Impugnação aos lançamentos em 16/12/2015 (fls. 868/890), na qual apresenta os seguintes argumentos e pontos de discordância: Preliminarmente, alega a ocorrência de decadência com relação aos períodos de apuração 01/2010 a 10/2010, dado que a regra aplicável para a situação seria o art. 150, § 4o do CTN e não a prevista no art. 173, I, uma vez que não houve qualquer conduta dolosa por parte da Autuada. Ato contínuo, insurgese contra a multa de ofício agravada [qualificada] aplicada, alegando que nada em sua conduta justificaria a aplicação da penalidade, interpretando que a majoração da multa se deu em caráter nitidamente arrecadatório, valendose como tributo disfarçado, tendo sido aplicada em caráter arbitrário, uma vez deveria estar nitidamente demonstrada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Neste sentido, foi apontado que não teria emitido notas fiscais, tampouco informado a totalidade das receitas em DACON’s e os valores de Pis/Cofins nas DCTF’s. Entretanto, alega que a Fiscalização reconhece que a Empresa informou corretamente as receitas auferidas na conta contábil 3118 – Prestação de Serviço Público, tendo ocorrido apenas o recolhimento de Pis e de Cofins em valor menor do que teria sido o supostamente devido pela Empresa. Reforça ainda que toda documentação solicitada foi colocada à disposição do Agente Público, não havendo qualquer conduta objetiva que justifique a aplicação da qualificadora da multa. Aduz jurisprudência do Carf neste sentido. Discorre ainda sobre a inconstitucionalidade da majoração da alíquota de Cofins, de 2% como previsto na Lei Complementar 70/1991, para 3% pelo art. 8º da Lei 9.718/1998, bem como quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada. A DRJ/Porto Alegre/RS 2ª Turma, por meio do Acórdão 1057.307, de 12/08/2016, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Fl. 1046DF CARF MF 4 Nos casos de tributos com lançamento por homologação tendo ocorrido as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial se fixa segundo o disposto no inciso I, do art. 173, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DOLO. CONFIGURAÇÃO DE CONDUTA. A omissão expressiva, reiterada e sistemática de receitas, mediante artifícios contábeis e prestação de informações deliberadamente equivocadas em DACONS’s e DCTF’s em períodos de apuração dos quais o contribuinte tinha plena consciência de existir a contribuição devida, revela conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência dos fatos geradores. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, sendo que o seu percentual decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação do confisco. A empresa então apresentou Recurso Voluntário, no qual reforça os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta Turma e deve ser conhecido. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente sustenta que a decisão recorrida teria se baseado em meras presunções e indícios, reclamando pela ausência de comprovação da conduta supostamente ilícita. Tal reclamação se revela como matéria de mérito. A nulidade da decisão recorrida ocorreria se tivesse havido omissão na apreciação de matéria relevante arguida em Impugnação, o que não foi suscitado. A divergência quanto à valoração das provas e ao resultado do julgamento em si, não é causa de nulidade, mas de recurso, como o que a recorrente apresentou, e que será objeto de apreciação no presente julgamento. Afasto a preliminar. Preliminar de decadência Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 19515.721146/201513 Acórdão n.º 3201003.760 S3C2T1 Fl. 4 5 A recorrente suscita a decadência do direito de a Fazenda efetuar os lançamentos até novembro de 2010, posto que a ciência se deu em 18/11/2015. Para tanto, sustenta a ausência de fraude ou dolo, que pudesse ensejar a aplicação do art. 173, I do CTN, conforme o fez a decisão recorrida. O Superior Tribunal de Justiça, no Resp 973.733/SC, sob o regime dos recursos repetitivos, decidiu que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. A Súmula Carf 72 estabelece: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN Assim, nos casos de constatação de dolo, a decadência contase a partir do primeira dia do exercício seguinte. No presente caso, verifico a presença do elemento de dolo. As condutas acusadas foram as seguintes (fls. 12 e seguintes): “12) Conforme descrito nos itens 2.2.2) e 5) a 9), sistematicamente e reiteradamente, o contribuinte: não emitiu Notas Fiscais; não escriturou a totalidade das receitas em DACONs (Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais); não escriturou a totalidade dos valores devidos de PIS e COFINS em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). 13) Além disso, utilizouse de artifícios contábeis espúrios para redução dos valores devidos de PIS e COFINS, escriturados nas respectivas contas contábeis de passivo 2216 – PIS e 2217 – COFINS (Anexo 5), conforme demonstrado a seguir: as despesas de PIS e COFINS foram escrituradas nas contas contábeis de resultado 3106 – PIS e 3107 – COFINS; as contrapartidas dos lançamentos das despesas de PIS e COFINS foram feitas nas contas contábeis de passivo 2216 – PIS e 2217 – COFINS; Parte dos valores lançados nas contas contábeis de passivo 2216 – PIS e 2217 – COFINS foi pago, tendo como contrapartida a conta 1003 – Caixa Geral; Outra parte dos valores lançados nas contas contábeis de passivo 2216 – PIS e 2217 – COFINS foi simplesmente Fl. 1048DF CARF MF 6 eliminada, tendo como contrapartida a conta 4115 – Receita Reversão, conforme exemplo na figura 1. Figura 1: Exemplos de lançamentos na conta 2216 PIS 14) Na figura 1, o valor de R$ 18.802,63, lançado como reversão de Receita, em 28/02/2011, corresponde exatamente à diferença de PIS não declarado em DCTF, no mês de 02/2011. Esta mesma situação repetese para os outros meses dos anoscalendário de 2010 e 2011. 15) Além disso, no Auto de Infração relativo ao anocalendário de 2006, constante do processo 19515.004613/201024, o contribuinte adotou este mesmo “modus operandi”, não tendo informado na DACON e DCTF, a totalidade dos tributos devidos, bem como utilizouse dos mesmos artifícios contábeis espúrios para redução dos valores devidos de PIS e COFINS. 16) Estas condutas em conjunto caracterizam a intenção reiterada e continuada do sujeito passivo de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da totalidade dos valores devidos de PIS e de COFINS. Não houve contestação específica da recorrente quanto à realidade desses fatos. Neste particular, defendese de modo genérico, alegando que seriam meras suposições insufucientes para comprovar o ilícito. Ora, tal conjunto de fatos incontroversos revela a clara intenção (elemento doloso) de não pagar, ou ao menos, postergar, o pagamento dos tributos. E, sendo presente o elemento doloso, é plena a tipificação nos artigos 71 da Lei 4.502/641. A reiterada ausência emissão de notas fiscais, de informação de receitas no Dacon, ausência de pagamentos e confissão em DCTF, tanto no período em foco quanto em períodos anteriores, conforme relatado, não pode ser atribuída a erro ou equívoco, mas a comportamento intencional. Os procedimentos contábeis para extinguir indevidamente os valores de tributos devidos somente é acréscimo confirmativo dessas conclusões. Desse modo, considerando que a ciência do lançamento se deu no dia 18/11/2015, os fatos geradores a partir de 01/01/2010 não se encontravam decaídos. Portanto, rejeito a preliminar. Mérito 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 19515.721146/201513 Acórdão n.º 3201003.760 S3C2T1 Fl. 5 7 Inconstitucionalidade da majoração da alíquota de Cofins pelo art. 8º da Lei 9.718/98 A empresa defende a inconstitucionalidade do aumento da alíquota de Cofins efetivada pelo art. 8º2 da Lei 9.718/98, pontuando a necessidade de Lei Complementar para tanto. As determinações legais, tais como o citado artigo 8º, não podem ser afastadas pelas turmas do Carf, conforme art. 26A do Decreto 70.235/72, Súmula Carf nº 2 e artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de 2 Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Fl. 1050DF CARF MF 8 Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Excetuamse os casos previstos nos §§ 1º e §2º acima transcritos, os quais não estão configurados no presente caso. Pelo contrário, o Supremo Tribunal Federal, no regime de repercussão geral, já assentou que não há necessidade de Lei Complementar para alterar a Cofins, na Lei 9.718/98. Transcrevo trecho pertinente da ementa do RE 527.602: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Portanto, não procedem as arguições nesta matéria. Efeito confiscatório da multa aplicada e inconstitucionalidade do art. 44 da Lei 9.430/96. O princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa prevista em legislação não pode ser afastadas pelo Carf por consideração de inconstitucionalidade, conforme comandam o art. 26 A do Decreto 70.235/72, Súmula Carf nº 2, e artigo 62 do Regimento Interno do Carf, já transcritos. Conclusão Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 19515.721146/201513 Acórdão n.º 3201003.760 S3C2T1 Fl. 6 9 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1052DF CARF MF
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Numero do processo: 12971.004950/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1994 a 28/02/1996
LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido.
Numero da decisão: 2201-004.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 49 50 /2 01 0- 95 Fl. 70DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário de fls. 47/49, interposto em face da decisão de fls. 36/41, a qual julgou procedente o lançamento do débito, lavrado em 1/04/1998, relativo ao período de 10/1994 a 02/1996. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e lançado por solidariedade, pois não foram apresentados à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas referentes às faturas e lançamentos contábeis verificados, motivo pelo qual foi apurado o débito referente ao período de 10/1994 a 02/1996. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 12/14: 1. O crédito constituído por meio da notificação fiscal acima referida, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social/FPAS e aos Terceiros de que trata o artigo 94 da Lei 8.212/91, Decreto 2.173/97, referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e cessão de mão de obra. 2. A responsabilidade solidária ora levantada correspondente ao período de 10/94 A 02/96 foi baseada na verificação das NF/Faturas de serviços prestados, apresentadas e devidamente lançadas nos Livros Diários da Empresa, sendo que as empresas prestadoras de serviços, n° das NF/Faturas e respectivos valores estão relacionadas no relatório de Fatos Geradores que compõe a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. 3. O cálculo do débito foi feito por Aferição, conforme previsto no artigo 33, parágrafo 3 da lei nr 8.212/91. O montante da mão de obra empregada foi aferido, tendo em vista que as Empresas Tomadoras dos serviços de construção civil e cessão de mão de obra não apresentaram os respectivos comprovantes de recolhimento correspondentes as NF/Faturas. 4. Para a apuração do salário de contribuição da construção civil foram observados os critérios e procedimentos contidos na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 51 de 06/10/92 que determina o índice de 40% (porcento) sobre o total das Notas Fiscais/Faturas. Quanto à cessão de mão de obra foram observados os critérios contidos na OS/INSS/DAF 083 de 13/08/93 que determina o índice de 40% ( porcento ) sobre o total das NF/Faturas para os serviços de segurança. A fiscalização foi precedida de Termo de Início de Ação Fiscal TIAF emitido em 09/02/1998, cuja cópia acompanhou a NFLD. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 28/32. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12971.004950/201095 Acórdão n.º 2201004.594 S2C2T1 Fl. 71 3 que, no caso, a obrigação do recolhimento das contribuições é das sociedades contratadas; que a impugnante possui a responsabilidade solidária só na falta do pagamento por parte do contribuinte de fato; que não compete à impugnante deter em seu poder o comprovante de recolhimento; que não há nenhum indício de que a fiscal tenha exigido dos prestadores de serviços a prova do recolhimento exigido; que durante a fiscalização a fiscal verificou o Conta Corrente das prestadoras de serviços, não sendo possível identificar os recolhimentos. Portanto, entende a impugnante, que tais empresas deveriam ser fiscalizadas para apurar se houve o recolhimento ora exigido; que o inciso I, do art. 195, da CF/88, determina que a contribuição social deve ser calculada sobre a folha de salários, o que não ocorreu no caso, visto que o lançamento foi calculado sobre os valores constantes das Notas Fiscais e ou Faturas de Serviços e, que, portanto, o disposto no Título V, da OS n° 165/97, e demais disposições que disciplinam a matéria não podem prevalecer perante o dispositivo da CF citado; que além de inconstitucional, há um outro vício que impede o lançamento, visto que ao mandar aplicar a solidariedade, a Lei n° 8.212/91, através do art. 31, faz exceção ao disposto no art. 23 da mesma lei, que trata das contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro. Por conseguinte, a contratante não é solidariamente responsável pelo pagamento das contribuições sobre o faturamento da empresa executora do serviço; Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi mantido, decisão de fls. 36/41, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 41. CONSIDERANDO que os demais argumentos aduzidos na defesa estão desprovidos de fundamentos; CONSIDERANDO que os fatos geradores foram devida e oportunamente informados; CONSIDERANDO que os autos encontramse devidamente formalizados para Julgamento; RESOLVE: a) Julgar PROCEDENTE o lançamento do débito b) Notificar a empresa, remetendolhe cópia desta Decisão . Do Recurso Voluntário Fl. 72DF CARF MF 4 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 47/49. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, apontando, segundo seu entendimento, erros na decisão, que podem ser apresentadas, em breve síntese: a) não se questiona a solidariedade e sim a prova do recolhimento que serviria para elidir a solidariedade; b) comprovação do pagamento com a apresentação de guias não autenticadas e aplicação da legislação de forma retroativa em beneficio da recorrente; c) erro quanto à base de cálculo, que se utilizou do faturamento e d) possibilidade de reconhecer, na esfera administrativa a constitucionalidade/inconstitucionalidade das leis. O Recorrente apresentou o recurso de forma tempestiva, mas não fez o depósito recursal, de modo que o débito foi inscrito em dívida ativa. Conforme petição da Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN determinou se o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa (fls. 64), tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 (e outras decisões) proferida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei nº 8.213/91. Tendo retornado o presente PAF ao órgão administrativo de origem para prosseguimento, este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Quanto ao mérito do lançamento propriamente dito, conforme questionou a recorrente, o RICARF, em seu artigo 62 veda o afastamento Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, como a própria recorrente alega inconstitucionalidade da base de cálculo escolhida, é vedado o afastamento da aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, de modo que não merece prosperar este ponto do recurso. Com relação à solidariedade, de fato, nos termos do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e que vigia ao tempo dos fatos assim dispôs: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12971.004950/201095 Acórdão n.º 2201004.594 S2C2T1 Fl. 72 5 aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Em outros termos, por não comportar benefício de ordem, estáse cobrando, por solidariedade da recorrente o valor do INSS presumido. Por outro lado, o instituto da solidariedade tributária, prevista e regulada pelo Código Tributário Nacional CTN, dispôs da seguinte forma: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; No caso em tela, o Recorrente não trouxe nenhum documento capaz de infirmar o lançamento de modo que o mesmo deve ser mantido, uma vez que não se comprovou que não deveria ser aplicada a solidariedade ao caso. Com relação à base de cálculo, foi aplicada aquela prevista na legislação para os casos em que não ilidida a solidariedade. CONCLUSÃO Fl. 74DF CARF MF 6 Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904977/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 77 /2 01 0- 40 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 121 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 104 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação –DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 1º trimestre calendário de 2002, conforme indicado na DCOMP nº 03358.38308.261005.1.3.010087 (fls. 95/971). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 82/83 e 94, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 84/89, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951185 (fl. 02, repetido à fl. 81), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$145.753,89 Valor do crédito reconhecido: R$380,72 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11065.904977/201040 Acórdão n.º 3201003.775 S3C2T1 Fl. 141 3 Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 98/99), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 92/93), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): Fl. 142DF CARF MF 4 (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904977/201040 Acórdão n.º 3201003.775 S3C2T1 Fl. 142 5 O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento Fl. 144DF CARF MF 6 dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904977/201040 Acórdão n.º 3201003.775 S3C2T1 Fl. 143 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (26/10/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. Fl. 146DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720215/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.INEXISTÊNCIA
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios somente quando presente contradição, omissão e obscuridade no acórdão.
Numero da decisão: 3302-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.INEXISTÊNCIA Devem ser acolhidos os embargos declaratórios somente quando presente contradição, omissão e obscuridade no acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 02 15 /2 01 3- 60 Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.450 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Ambev S/A, ora Embargante, contra o Acórdão nº 3302004.410 que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 ISENÇÃO. IPI. CRÉDITO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. No artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75, entendese por "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", aquelas produzidas na área da Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1º, § 4º, do DecretoLei n. 291/67 (Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima), não se confundindo com a Amazônia Legal (Lei nº 5.173/66). CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. MATÉRIAS PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC.APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta)e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do anterior CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. Segundo a Embargante o v. acórdão embargado é obscuro, contraditório e omisso pelos seguintes motivos: 1. Omissão e obscuridade quanto à afirmação de que o açúcar e o corante caramelo não podem ser enquadrados como matéria prima. 2. Omissão quanto ao tratamento específico das mercadorias provenientes das ZFM (art. 40 do ADCT). 3. Obscuridade e omissão quanto à alegação de descumprimento dos termos da diligência. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.451 3 4. Obscuridade, omissão e contradição quanto à forma requerida para cumprimento da diligência e inobservância dos arts. 383 e seguintes do RIPI. Em 19 de setembro de 2017, foi proferido o despacho de fls. 1.1501.154, inadmitindo os Embargos de Declaração. Intimada da referida decisão, a ora Embargante interpôs Recurso Especial (fls. 1.1701.199), julgado nos termos do despacho de fls. 1.421 1.433: Em cumprimento ao disposto no art. 18, inc. III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Em relação à divergência 2, quanto incompetência da turma julgadora, por força do disposto no art. 71, §2º, inciso V falta de prequestionamento, do RICARF, este despacho é definitivo, não mais cabendo a interposição de qualquer outro recurso na esfera administrativa. Em relação às divergências jurisprudenciais quanto às matérias Necessário tratamento prioritário às empresas sediadas na ZFM – ilegitimidade das glosas de créditos de produtos oriundos da ZFM; Possibilidade de tomada de créditos referentes a produtos sujeitos ao regime monofásico, e Possibilidade de utilização de créditos decorrentes das aquisições de insumos, contra este despacho cabe o recurso previsto no art. 71, do Anexo II, do RICARF. Ainda, nos termos do art. 67, § 3°, do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, o despacho do Presidente do colegiado que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração tem caráter definitivo, não havendo previsão regimental para qualquer recurso contra ele. Por essa razão, não se conhecerá da alegada divergência entre ele e os acórdãos CsRF nºs 0105.134 e 00 00.028. Encaminhese à DERATSPOSP, para cientificar o sujeito passivo do presente despacho, bem como para a adoção das demais providências de sua alçada. Caso haja interposição do recurso previsto no art. 71 do RICARF, encaminhese ao CARF para apreciação. Inconformada com as decisões anteriormente citadas, a ora Embargante impetrou Mandado de Segurança, distribuído sob o nº 101473897.2017.4.01.3400, em trâmite perante a 22ª Vara da Justiça Federal de Brasília/DF e, obteve decisão liminar determinando que o julgamento dos Embargos de Declaração sejam submetidos ao Colegiado administrativo competente. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Em cumprimento a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 101473897.2017.4.01.3400, submeto à esta Turma o julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela empresa Ambev S/A contra decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A Embargante entende que o v. acórdão embargado é obscuro, contraditório e omisso pelos seguintes motivos: Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.452 4 1. Omissão e obscuridade quanto à afirmação de que o açúcar e o corante caramelo não podem ser enquadrados como matéria prima. 2. Omissão quanto ao tratamento específico das mercadorias provenientes das ZFM (art. 40 do ADCT). 3. Obscuridade e omissão quanto à alegação de descumprimento dos termos da diligência. 4. Obscuridade, omissão e contradição quanto à forma requerida para cumprimento da diligência e inobservância dos arts. 383 e seguintes do RIPI. Passase, então, a análise dos argumentos apresentados pelo Embargante. 1ª QUESTIONAMENTO Por bem retratar a insurgência da Embargante, extraio do despacho de admissibilidade as alegações quanto a omissão e obscuridade tratada neste tópico, a saber: A Embargante alega que, como razão de decidir, o acórdão afirmou que o açúcar produzido no Estado do Mato Grosso e o próprio corante caramelo não se enquadram no conceito de matériaprima, pois são produtos intermediários industrializados e não “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional” referidas no art. 6º do DL nº 1.435/75 (fl. 17 do acórdão). Contudo, que tratase de fundamento que não pode ser aceito na medida em que essa questão não foi objeto de questionamento fiscal pela autoridade lançadora. Explica: Realmente, a acusação contida no AIIM originário não contesta a natureza dos insumos mencionados. O que é sustentado é que os “os kits para refrigerantes em questão não foram elaborados com nenhuma matériaprima agrícola ou extrativa produzida na Amazônia Ocidental” A decisão que afastou a omissão/obscuridade suscitada pela Embargante assim expôs seus motivos: 1. Quanto à glosa de créditos relativos a insumos isentos adquiridos da ZFM. 1.1. Omissão e obscuridade quanto à afirmação de que o açúcar e o corante caramelo não podem ser enquadrados como matéria prima. Nem com muito empenho consigo identificar nesse ponto evidência de qualquer forma de vício de contradição, obscuridade ou omissão, ou, mesmo, a sugerida inovação ou mudança de critério jurídico que, segundo a embargante, teria sido empregada pela Turma Julgadora. É das próprias palavras da embargante que se extrai a clareza das razões de decidir e sua absoluta coerência com a motivação da autuação. A afirmação que, segundo a própria embargante sustenta, está presente no auto de infração de que os kits para refrigerantes em questão não foram elaborados com nenhuma matériaprima agrícola ou extrativa produzida na Amazônia Ocidental é idêntica à afirmação contida acórdão vergastado de que o açúcar e o Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.453 5 corante caramelo não se enquadram no conceito de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (!). Pois bem. Analisando a impugnação apresentada pela Embargante verificase que a questão tida por inexistente no Auto de Infração, que segundo ela acarretaria inovação no lançamento, foi expressamente mencionado em sua defesa, a saber: Fls. 485 Com efeito, parte dos produtos examinados pela fiscalização compreende concentrados das bebidas não alcoólicas "kits" para a fabricação de Pepsi e Pepsi Twist adquiridos junto a PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. Tais concentrados são fabricados a partir de extrato de caramelo, insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada no Mato Grosso, atendendo assim ao requisito de matériaprima vegetal originária da região amazônica. Ou seja, a Embargante contestou expressamente a natureza dos insumos e, o relator do acórdão embargado nada mais fez do julgar o processo nos termos apresentados pelas partes, tornando, assim, totalmente improfícuo suas alegações. Nestes termos, entendo inexistir omissão/obscuridade suscitada pela Embargante. 2ª QUESTIONAMENTO Alega a Embargante: A fim de reforçar a conclusão declinada, sustentouse no acórdão que: “A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito ao crédito do IPI na aquisição de insumos isentos”. E, também, que “com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto” (fl. 1.080). Ocorre que as justificativas contidas no bojo do acórdão embargado, a pretexto de evitar a aplicação do entendimento dos Tribunais Superiores no que tange à questão dos insumos adquiridos da ZFM, como no caso, são incorretas e, por isso, resultaram em omissão no exame do tratamento específico dispendido pela jurisprudência a tais insumos, com base no art. 40 do ADCT. Por sua vez, a decisão inadmitiu os aclaratórios com base nos seguintes fundamentos: Mais uma vez, data maxima venia nenhuma esforço de exegese favoreceria a Embargante. Mais uma vez, considerando apenas as alegações da parte, vêse com total clareza que o Relator do acórdão embargado apenas dedicouse em demonstrar as várias nuances do assunto. Assim, esclareceu que (i) o RE 566.819/RS não favorecia Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.454 6 à recorrente; que o RE nº 592.891/SP, no qual efetivamente o assunto será decidido, ainda não transitou em julgado e (iii) o RE 212.484/RS não é de aplicação obrigatória pelo Colegiado, por que não foi submetido ao Regime de Repercussão Geral. Em que pese os argumentos apresentados pela Embargante, entendo que não há omissão a ser sanada no acórdão combatido. A uma, porque o voto condutor do acórdão recorrido analisou, de forma adequada, todos os argumentos relevantes suscitados pela Embargante. A duas, porque o fato de a Embargante não concordar ou entender que os argumentos apresentados no voto condutor do julgado não são corretos, certamente, não configura omissão, sendo que o mero inconformismo com a decisão deve ser objeto de recurso próprio. Resta, assim, afastado o pedido formulado pela Embargante. 3ª e 4ª QUESTIONAMENTOS Empresto, uma vez mais, trechos do despacho de inadmissibilidade do embargos, que explicitou de forma concisa, as alegações da Embargante quanto aos vícios tratados neste tópico: 2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58N da Lei n. 10.833/03. 2.1. Obscuridade e omissão quanto à alegação de descumprimento dos termos da diligência. Neste tópico, em linhas gerais, argumenta que a principal razão de decidir do Colegiado ora embargado foi que a recorrente não teria atendido ao requerido na diligência, mas efetuado sua própria apuração, com o fito de se convalidar o creditamento (fl. 1.094). Assim, considera que o acórdão embargado padece de obscuridade e omissão, uma vez que (i) a diligência foi cumprida pela Embargante exatamente nos termos em que determinada pela Resolução 3403000.566 e pelo Termo de Intimação de Diligência; (ii) o Sr. AuditorFiscal que conduziu a diligência logrou reconstituir a escrita fiscal da Embargante, expurgando os débitos indevidos e ajustando o lançamento, como atestado por ele próprio e (iii) o Termo de Constatação foi apresentado com o único objetivo de comprovar o quanto alegado pela Embargante (de que houve “lançamento indevido dos débitos de IPI nas saídas das mercadorias recebidas para revenda”), o que logrou fazer de forma cabal. 2.2. Obscuridade, omissão e contradição quanto à forma para cumprimento da diligência e inobservância dos arts. 383 e seguintes do RIPI. Acusa obscuridade e omissão do acórdão na alegação de que a Embargante deveria ter procedido de forma diversa na obtenção da prova determinada na diligência, pois “se a documentação contábil e fiscal era regular e consistente, capaz de permitir o controle efeito das movimentações de aquisição e saídas tributadas, bastaria, então, identificar as notas fiscais de saída relativas às entradas glosadas, expurgar o IPI destacado nestas notas da escrituração fiscal (Livro Registro de Apuração de IPI), reconstituir a escrita e os saldos devedores em cada período autuado, para então promover a redução dos valores lançados” (fl. 1.091) Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.455 7 Esclarece que a Resolução não previu forma específica para que fossem prestados os esclarecimentos requeridos. Também, que a ilação suscita dúvidas quanto à regularidade do controle de estoque efetuado pela Embargante, o que não se põe no caso. E, finalmente, porque a conclusão vislumbrada (identificar as notas fiscais de saídas relativas às entradas glosadas) não encontra fundamento na premissa adotada (de que “a documentação contábil e fiscal era regular e consistente”), E acrescenta: De fato, a pretensão do v. aresto de que a prova determinada pelo E. CARF devesse ser no formato “mercadoria a mercadoria” não só é ilegal, como é tecnicamente impossível, pois os produtos fabricados e comercializados pela Embargante são fungíveis (não há mercadorias “carimbadas”) e a legislação do IPI não prevê controle físico individualizado das mercadorias. A decisão que inadmitiu os Embargos de Declaração foi proferida da seguinte forma: 2. Ilegitimidade da cobrança do IPI relativo aos produtos sujeitos ao regime especial de que trata o art. 58N da Lei n. 10.833/03. 2.1. Obscuridade e omissão quanto à alegação de descumprimento dos termos da diligência. Este item revela clara intenção de rediscutir o mérito. A Embargante alega que a diligência foi cumprida, ao contrário do que entendeu o Colegiado. E também não é verdadeira a afirmação de que apenas foi intimada a apresentar prova cabal e que a reconstituição da escrita ficaria a cargo do Fisco. Observese em que termos requer o Termo de Diligência, tal como transcrito no corpo dos próprios aclaratórios: 3) Assim, o processo foi encaminhado a esta fiscalização, a fim de que o autuado seja intimado a "fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas das mercadorias recebidas para revenda, inclusive aquelas realizadas com suspensão, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária consolidação entre os registros contábeisfiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito. (grifos acrescidos) Após, a Fiscalização Federal apenas aduz que, com base na prova produzida pela contribuinte, posteriormente, se for o caso, efetuará a reconstituição da escrita do estabelecimento. 2.2. Obscuridade, omissão e contradição quanto à forma para cumprimento da diligência e inobservância dos arts. 383 e seguintes do RIPI. Também não se vê, aqui, omissão no acórdão embargado. Tratase do juízo que o Colegiado formou acerca das provas apresentadas no processo. O Redator designado para o voto vencedor considerou insuficientes as demonstrações de que a recorrente lançou mão para atender a diligência demandada. Para melhor aclarar suas razões de decidir, explicou criteriosamente como seria possível a empresa demonstrar por outros meios o que se pretendia saber. Como se pode alegar que a valoração de provas assim procedida se caracterize como escolha de um meio específico para realização da diligência? Isso aconteceria se o relator ou Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.456 8 redator admitisse que os fatos investigados estão suficientemente demonstradas e, ainda assim, negasse o pleito por considerar que eles seriam melhor demonstrados por outro meio. E, vejase, o voto vencedor esforçase me esclarecer que o pedido de diligência foi atendido como forma de evitar prejuízos indevidos à empresa. A recorrente, por sua vez, alegou em recurso voluntário que o trabalho fiscal deveria ser cancelado, pois não foi provada a falta de recolhimento do IPI e que o fato de a recorrente debitar nas saídas implicaria, quando muito, a postergação no recolhimento do imposto. Em adição, alegou que, em caso de dúvidas quanto aos cálculos apresentados, bastaria a realização de diligência para confirmação. (...) Para corrigir a escrita fiscal a favor da recorrente, foi deferida diligência expressa no sentido de se excluir os débitos de IPI indevidamente escriturados e proceder ao ajuste no lançamento. Ocorre que o Termo de Constatação elaborado pela KPMG, não cumpriu a diligência no sentido de se identificar o IPI indevidamente debitado, reconstituir a escrita fiscal e ajustar o lançamento com os novos saldos que seriam apurados, mas, sim, caminhou no sentido de convalidar o procedimento efetuado pela recorrente de se creditar indevidamente e se debitar indevidamente, concluindo que o procedimento provocaria a anulação dos efeitos entre si. Já a alegada inobservância do art. 383 do RIPI não é matéria própria para a estreita via recursal representada pelos embargos de declaração. No máximo, seria caso de error in judicando, mas nem disso se trata. Mais uma vez, a embargante intenta rediscutir o mérito, demonstrando que a KPMG considera que os critérios da legislação tributária, no caso, o artigo supracitado, foram observados, entendimento diverso a que chegou o Colegiado. Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa a decisão: a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes e c) quando não apreciadas matérias de ordem pública, portanto cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes. Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto, mal redigida, faltandolhe a devida clareza. E contraditória, quando traz proposições inconciliáveis entre si, exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão. (Direito processual civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131). Com efeito, os embargos declaratórios têm por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida ou contraditória no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. Deste modo, entendo não ser o caso de vícios apontados pela Embargante em relação as matérias por ela suscitadas, posto que o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 10384.720215/201360 Acórdão n.º 3302005.643 S3C3T2 Fl. 1.457 9 O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência de que as decisões devem formar um conjunto coerente de enfrentamento das razões apresentadas pelo recorrente, sendo assim desnecessário o enfrentamento pontoaponto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater se aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) No presente caso, concordo com o fundamento utilizado no despacho que inadmitiu os Embargos de Declaração, posto que a intenção da Embargante é rediscutir a matéria devidamente julgada por este Colegiado. Diante do exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1457DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.907133/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 71 33 /2 00 9- 17 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.907133/200917 Acórdão n.º 1201002.215 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.907133/200917 Acórdão n.º 1201002.215 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.907133/200917 Acórdão n.º 1201002.215 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.907133/200917 Acórdão n.º 1201002.215 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.907133/200917 Acórdão n.º 1201002.215 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000082/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Havendo erro material no corpo do acórdão este deve ser sanado.
Na hipótese tendo em vista que foi negado o recurso especial é necessário que seja suprimida a menção de que este foi provido equivocadamente mencionado no final da ementa.
Numero da decisão: 9202-006.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-005.634, de 25/07/2017, suprimir a expressão "Recurso Especial Provido", que erroneamente constou abaixo da ementa, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Havendo erro material no corpo do acórdão este deve ser sanado. Na hipótese tendo em vista que foi negado o recurso especial é necessário que seja suprimida a menção de que este foi provido equivocadamente mencionado no final da ementa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-005.634, de 25/07/2017, suprimir a expressão "Recurso Especial Provido", que erroneamente constou abaixo da ementa, mantendo-se inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ERRO MATERIAL. Havendo erro material no corpo do acórdão este deve ser sanado. Na hipótese tendo em vista que foi negado o recurso especial é necessário que seja suprimida a menção de que este foi provido equivocadamente mencionado no final da ementa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 005.634, de 25/07/2017, suprimir a expressão "Recurso Especial Provido", que erroneamente constou abaixo da ementa, mantendose inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 82 /2 00 7- 81 Fl. 222DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar erro material, face ao acórdão 9202005.634, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 2002 e 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 281.846,44 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e quarenta e seis reais e quarenta e quatro centavos), sendo: Imposto de R$ 122.243,72; Juros de Mora (calculados até 30/04/2007) de R$ 67.919,94; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 91.682,78. O Contribuinte, às fls. 94/95, apresentou a impugnação alegando, em síntese, solicita que dos valores tributados sejam abatidos os valores declarados a titulo de rendimentos tributáveis e rendimentos isentos e não tributáveis, nos anos calendário 2002 e 2003. Disse ainda que mantinha em atividade, juntamente com sua esposa, uma pessoa jurídica que não possuía conta corrente em bancos. A DRJ/RJ2, às fls. 141/144, julgou improcedente a impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 148/152, alegando, dentre outras, que o valor não declarado pelo recorrente, foi movimentado pela referida sociedade empresária denominada CENTRAL DA AMARAL PEIXOTO ESTACIONAMENTO LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob o n°03.320.106/000160, da qual este era sócio, juntamente com sua esposa, a época dos fatos. Destacou que os rendimentos da citada sociedade empresária já haviam sido devidamente declarados, como constou nos próprios autos. Portanto, como já provado nos autos, conforme fls. 108 a 135, o valor que excedeu aquele declarado pelo recorrente, foi utilizado pela citada sociedade empresária, evidenciando interposição de pessoa, não fazendo jus ao Fisco considerar o crédito tributário expresso no Auto de Infração. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 157/164, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 119.917,86 e R$ 108.830,22, informados nas declarações de ajuste do contribuinte nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. A Decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. A peça produzida pelo julgador singular Fl. 223DF CARF MF Processo nº 17883.000082/200781 Acórdão n.º 9202006.893 CSRFT2 Fl. 10 3 enfrentou e fundamentou os questionamentos efetuados pelo recorrente, inclusive, fez referência à fragilidade da prova constituída. IRPF. CONTRIBUINTE QUE MOVIMENTA RECURSOS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL EM SUA CONTA BANCÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. O contribuinte não logrou comprovar que movimenta recursos da atividade comercial em sua conta bancária. Nos autos, há um longo rol de depósitos sem origem comprovada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Os rendimentos tributáveis informados na declaração de ajuste devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. (Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF) Às fls. 167/180, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobando entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 186/188, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois, os paradigmas, à semelhança do acórdão recorrido, tratam de lançamento de imposto de renda de pessoa física, baseado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No recorrido, a turma decidiu excluir os rendimentos declarados (tributáveis, isentos ou não tributáveis) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Já os paradigmas consideraram indispensável a individualização e a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Cientificado à fl. 193, o Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 195/201, arguindo, preliminarmente, serem os acórdãos paradigmas ultrapassados, visto que ocorreram em 2008, restando superada, diferentemente daqueles que foram apresentados na decisão recorrida, que foram julgados em 2011. Assim, o entendimento expresso nos recentes Acórdãos adotados pela decisão recorrida já é defendido pelo Conselho Administrativo e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que traduz a possibilidade de os rendimentos tributáveis informados em DAA serem excluídos da base de cálculo de eventual lançamento efetuado pelo Fisco. No mérito, reforçou os argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. Fl. 224DF CARF MF 4 Em sessão de julgamento realizada em 25/07/2017, esta Colenda Turma proferiu voto no sentido de acolher o recurso especial. No entanto, devido a erro material, conforme apontado nos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, os autos retornaram para correção. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 2002 e 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 281.846,44 (duzentos e oitenta e um mil, oitocentos e quarenta e seis reais e quarenta e quatro centavos), sendo: Imposto de R$ 122.243,72; Juros de Mora (calculados até 30/04/2007) de R$ 67.919,94; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 91.682,78. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, nos seguintes termos: A partir da leitura do inteiro teor do acórdão extraise que a Turma negou provimento ao recurso especial interposto pela União. No dispositivo do acórdão restou registrado o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Não obstante, abaixo da ementa constou a expressão “Recurso Especial Provido”. Assiste razão a Fazenda Nacional, observo que por lapso manifesto ao final da ementa constou equivocadamente que o Recurso foi provido, a contrário senso de toda argumentação do voto e do conteúdo da própria ementa disposta acima, os quais apontam para a negativa do Recurso do Contribuinte. Sendo assim a ementa deve ser corrigida onde se lê: Fl. 225DF CARF MF Processo nº 17883.000082/200781 Acórdão n.º 9202006.893 CSRFT2 Fl. 11 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Recurso Especial Provido A fim de passar a constar somente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Suprimindo assim a menção abaixo da ementa de que o Recurso Especial teria sido provido. Diante do exposto ACOLHO dos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional para sanando o vício apontado do erro material apontado devendo ser ratificado o acórdão de n. 9202005.634 proferido por esta Câmara Superior no dia 25 de julho de 2017. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 226DF CARF MF 6 Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660374/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 74 /2 01 2- 16 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660374/201216 Acórdão n.º 3401004.775 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900625/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 06 25 /2 01 2- 91 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.900625/201291 Acórdão n.º 1402003.142 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.900625/201291 Acórdão n.º 1402003.142 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.900625/201291 Acórdão n.º 1402003.142 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/06/2003, por meio de DCOMP transmitida em 25/09/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.900625/201291 Acórdão n.º 1402003.142 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.900625/201291 Acórdão n.º 1402003.142 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.723149/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ERRO
Uma vez constatado que o acórdão embargado fazia referência a "receitas financeiras", quando o correto é "despesas financeiras", deve-se proceder a correção. Também deve ser suprimida a parte do acórdão que faz referência a questão (juros sobre multa) não deliberada pelo Colegiado.
Numero da decisão: 1401-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dando-lhe provimento nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ERRO Uma vez constatado que o acórdão embargado fazia referência a "receitas financeiras", quando o correto é "despesas financeiras", deve-se proceder a correção. Também deve ser suprimida a parte do acórdão que faz referência a questão (juros sobre multa) não deliberada pelo Colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dando-lhe provimento nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Também deve ser suprimida a parte do acórdão que faz referência a questão (juros sobre multa) não deliberada pelo Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, dandolhe provimento nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 49 /2 01 3- 11 Fl. 1182DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo Presidente de Turma, com base no art. 65, § 1º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, na decisão proferida no Acórdão nº 1401001.732, desta 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARFcuja ementada assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE dESPESAS De acordo com o art. 6º. do Decretolei 1.598/77, a inobservância do regime de competência não autoriza a exigência de IRPJ e CSLL, caso não sejam apurados tributos pela Fiscalização, após a recomposição das bases de calculo correspondentes aos anos calendários em que se verificou inexatidão quanto ao períodobase de escrituração. REGISTRO CONTÁBIL. DESPESA. DEDUTIBILIDADE CONDICIONADA AO ANOCALENDÁRIO DE REGISTRO. Não há em nosso sistema tributário norma que condicione a dedutibilidade da despesa ao anocalendário de seu registro contábil, nem a sua contabilização diretamente a contas de patrimônio líquido. Ou seja, não há norma que obrigue o contribuinte a registrar a despesa contabilmente para excluíla da apuração do lucro real no LALUR, no ano da sua exclusão. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. No entender daquela autoridade, houve as seguintes máculas passíveis de serem corridas por meio de embargos: Contradição entre o acórdão da turma e o voto condutor Enquanto o acórdão reconheceu receitas financeiras de 2005 a 2009, o voto condutor faz referência a despesas financeiras para o mesmo período. Omissão do acórdão perante o voto condutor Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 19515.723149/201311 Acórdão n.º 1401002.296 S1C4T1 Fl. 1.177 3 O voto condutor deu provimento à alegação de não incidência de juros sobre multa de ofício, mas tal item não constou do acórdão. Obscuridade do voto condutor Não ficou claro, nos termos do voto vencedor, se o provimento relativo à glosa para o ano de 2009 já está contemplado no provimento para reconhecer as despesas de 2005 a 2009. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator De fato, como veremos a seguir, todas as questões devem ser conhecidas. O processo tem por objeto auto de infração atinente à glosa de exclusão relativa a encargos financeiros (ou despesas financeiras) referentes aos anos de 2001 a 2009, na apuração do lucro real do ano de 2009. Foram dois os fundamentos para a glosa das despesas financeiras relativas aos anos de 2001 a 2008, registradas no LALUR em 2009: (i) descumprimento do regime de competência e (ii) ausência de registro contábil. Já o fundamento da glosa dos juros atinentes ao ano de 2009 registrados no próprio ano de 2009 foi apenas um: ausência de registro contábil. A turma decidiu que não havia subsistência nas glosas, mas só deu provimento para aquelas relativas ao ano de 2005 em diante. As anteriores foram rejeitadas, porque seu registro há mais de 5 (cinco) anos correspondeu à tentativa de obter repetição de indébito de período já prescrito. O valor glosado total foi de R$ 90.723.574.25, que refletiu na compensação e, portanto, redução do prejuízo fiscal no valor de R$ 66.716.160,31, sobrando um valor tributável de R$ 24.007.413,94 para o IRPJ, sobre o qual foram calculados o imposto e a multa de ofício. O mesmo se procedeu, com exatamente os mesmos valores, para a CSLL. Com o provimento parcial do recurso pelo afastamento da glosa relativa aos anos de 2005 em diante, afastouse integralmente os tributos lançados, as multas proporcionais e foram recompostos parcialmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL. Fl. 1184DF CARF MF 4 Pois bem, tecidas essas considerações acerca da decisão original do colegiado, passamos a enfrentar suas omissões, contradições e obscuridades. Contradição entre o acórdão da turma e o voto condutor O voto condutor faz referência correta a despesas financeiras, enquanto há erro na confecção do acórdão ao mencionar receitas financeiras. Omissão do acórdão perante o voto condutor O voto condutor deu provimento à alegação de não incidência de juros sobre multa de ofício, mas tal item nem sequer foi deliberado pelo colegiado. Como o lançamento dos tributos (IRPJ e CSLL) foi integralmente afastada, ainda que o provimento tenha sido parcial (relembrese que permaneceu parcialmente a redução de prejuízos e bases negativas), a multa também pereceu integralmente, o que prejudicou a análise da incidência de juros sobre tal valor. Deve, portanto, ser suprimido do voto vencedor a parte que decide acerca de juros sobre multa e manterse o acórdão que não faz referência a essa questão. Obscuridade do voto condutor Como esclarecemos no início deste voto, não há dois itens de autuação para o ano de 2009. Devese apenas afastar a glosa das despesas financeiras para os anos de 2005 a 2009, sem qualquer referência específica ou adicional para o ano de 2009. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer os embargos suscitados e darlhes provimento nos seguintes termos: a) no acórdão, a expressão "receitas financeiras" deve ser substituída por "despesas financeiras"; b) deve ser suprimida do voto condutor a referência acerca de juros sobre multa e mantida a redação do acórdão que não tratou desse tema; c) deve ser suprimido do voto condutor a referência específica às despesas financeiras relativas ao ano de 2009, mantendose a redação do acórdão que reconhece as despesas financeiras de 2005 a 2009. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 19515.723149/201311 Acórdão n.º 1401002.296 S1C4T1 Fl. 1.178 5 Fl. 1186DF CARF MF
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