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Numero do processo: 15578.000406/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO.
O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
Numero da decisão: 1201-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima que votaram para cancelar o auto de infração referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional deva circunscrever-se àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulá-la, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide.
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COISA JULGADA. CONTEÚDO. O conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão definitiva. Embora a lei processual civil determine que o provimento jurisdicional “deva” circunscreverse àquilo que foi requerido pelo autor da ação em sua petição inicial (limites objetivos da lide), o fato é que, acaso uma decisão judicial seja proferida de forma ultra ou extra petita, e a parte interessada não interpuser o recurso adequado a fim de anulála, o conteúdo da coisa julgada será o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva dessa decisão definitiva, ainda que tenha transposto os limites objetivos da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima que votaram para cancelar o auto de infração referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Presidente (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 04 06 /2 00 7- 18 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado), Marcelo Cuba Netto, Manoel Mota Fonseca (suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de processo de Auto de Infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (fls. 75 a 84), no valor original de R$ 106.799.347,66 (cento e seis milhões setecentos e noventa nove mil, trezentos e quarenta e sete mil e sessenta e seis centavos), lavrado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Regional Tributária de Vitória/ES, por dedução indevida da diferença da correção monetária do balanço através do índice IPC de janeiro e fevereiro de 1989 nos períodosbase de 2003 a 2006. Após a análise de toda a documentação, a fiscalização constatou que a empresa impetrou Mandado de Segurança preventivo, em 14/02/1995, (fls. 61 a 85), para que lhe fosse assegurado o direito de continuar compensando os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, acumulados até 31/12/1994, por ocasião da apuração dos resultados referentes ao períodobase, encerrado em janeiro de 1995, e demais acumulados em períodos subseqüentes, até que ocorresse a compensação total dos referidos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro. Requereu que lhe fosse concedida a segurança definitiva para o fim deter assegurado seu direito líquido e certo de proceder à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa acumulados até 31/12/1994, sem a limitação de30% do lucro líquido ajustado, alegando flagrante inconstitucionalidade da restrição mantida nos artigos 42, 58 e 95 da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n°8981/95. O pedido de liminar foi deferido em 1º instância, conforme sentenças fls. 86 a 93. Após a Apelação da Procuradoria da Fazenda Nacional, o processo foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região em 21/03/2001. O acórdão deu provimento à Apelação e à remessa, limitando em 30% a compensação do lucro de um exercício fiscal com os prejuízos dos exercícios anteriores, conforme documento às fls. 94 a 97. A Companhia Siderúrgica de Tubarão opôs Embargos de Declaração e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provimento aos embargos em15/05/2002 (fls. 98 a 100). A empresa interpôs recurso Especial e Extraordinário e ambos os recursos foram admitidos (fl. 101). Em 19/10/2005, o Superior Tribunal de Justiça STJ decidiu no sentido de inexistir ilegalidade nas limitações impostas à compensação dos prejuízos fiscais, no tocante ao imposto de Renda Pessoa jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro, conforme documento as fls. 102 a 110. O recurso extraordinário não foi decidido, conforme documento as fls.111 e 112. Paralelamente ao Mandado de Segurança a contribuinte interpôs Ação Cautelar para atribuir efeito suspensivo aos recursos Especial e Extraordinário interpostos. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 4 3 Após todos os trâmites legais o STJ julgou prejudicada a Medida Cautelar por perda de objeto, em razão do julgamento definitivo do recurso (fls. 118 a 120), sendo que o STF concedeu efeito suspensivo ao recurso Extraordinário em 25/12/2005 (fls. 121). Após essas constatações, a fiscalização entendeu que o efeito suspensivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal, no qual a intimada discute o limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, não autoriza o contribuinte a utilizar créditos oriundos da não aplicação deste limite. Também ficou constatado pela fiscalização que em 13 de março de 1995 a recorrente interpôs a Ação Ordinária nº 950087464 requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989 e substituindose a OTN de NCrz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, como ajuste de exercícios anteriores, ou ainda, como pedido sucessivo, compensar o imposto pago indevidamente nos últimos 5 anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais. Após contestação da procuradoria (fls. 205 a 219), o pedido da Companhia foi julgado improcedente em 1º instância (fls. 220 a 234). A Autora apresentou embargos de declaração (fls. 235 a 240), os quais foram rejeitados em 18/11/1998 (fls. 241 e 242). Em recurso de apelação (fls. 243 a 264), a empresa solicitou que fosse reformada a sentença de 1º grau, determinandose a aplicação dos índices do IPC expurgados pelo plano Verão, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. A União apresentou contrarrazões à Apelação (fls. 265 a 277) e, em 06/02/2002, foi proferido acórdão do Tribunal Regional da 1º Região (fls. 278 a 286), no sentido de que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. Após diversos trâmites processuais – Embargos de Declarações, Apelação, Agravos realizados tanto pela empresa, quanto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a matéria foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 355 a 359) o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. O processo transitou em julgado dia 01/04/2005 (fls. 383 e 384). De posse dessas informações, a fiscalização concluiu que os cálculos apresentados pelo contribuinte divergem do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, proferido em 06/02/2002 (fis. 278 a 286) e do acórdão do Superior Tribunal de Justiça (fis. 355 a 359). Os cálculos demonstram o ajuste que o Ativo Permanente teria com a aplicação do diferencial de correção monetária de balanço (IPC de janeiro e fevereiro de 1989), no percentual de 51,72% e consideram que esta correção monetária gerou despesas com depreciação do ativo a serem utilizados em exercícios posteriores,pois a empresa supostamente levantou base de cálculo do IRPJ e da CSLL a maior a partir do anocalendário de 1989. A fiscalização afirma que estes cálculos não estariam de acordo com a petição inicial da empresa, pois levaria em consideração apenas o expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas do Ativo Permanente (fls. 169 a 204). Sendo que, a correção monetária do Ativo Permanente gera receita passível de tributação. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 5 4 Por todo o exposto, a fiscalização lavrou auto de infração no valor de R$ R$ 106.799.347,66 (cento e seis milhões setecentos e noventa nove mil, trezentos e quarenta e sete mil e sessenta e seis centavos), conforme demonstrativo abaixo: CSLL 61.028.198,68 MULTA DE OFÍCIO 45.771.148,98 TOTAL 106.799.347,66 A empresa Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls.124 a 229) alegando, em suma, que: Inicialmente, requereu a conexão do presente com o processo administrativo de compensação n° 15578.000206/200757 (CSLL), e ainda com os processos administrativos decorrente dos autos de infração de IRPJ e CSLL (PAs n.°s 15578.000406/200700 e 15578.000407/200754), em virtude da identidade das matérias a serem apreciadas pelo órgão julgador e a necessidade de se evitar sentenças divergentes. Com relação às exclusões das despesas decorrentes de correção monetária das contas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, aduz que foram realizadas na DIPJ de 2001 tendo em vista que a empresa era titular do direito reconhecido no acórdão do TRF, publicado em junho de 2002, para utilização do índice de 42,72%. Com relação às exclusões das despesas decorrentes de correção monetária das contas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente, informa que as exclusões efetuadas encontramse absolutamente de acordo com os termos da norma individual concretizada pelo pedido julgado procedente nos autos da Ação Ordinária 95.0087464 e, portanto, os índices reconhecidos como expurgados por decisão transitada em julgado devem ser aplicados sobre as realizações do ativo permanente (depreciações, amortizações e baixas) e sobre os saldos da parte B do LALUR. Discorre que a Recorrente não poderia ter obtido decisão diferente da relatada acima simplesmente porque o Judiciário não foi provocado de forma distinta. A Recorrente pediu em juízo que a aplicação do índice expurgado do IPC/89 lhe autorizasse a: "deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais," Alega a Recorrente que os arts. 128, 460 e 468 do Código de Processo Civil, espelham a regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença, fixando os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial (art. 128) limitando a decisão do Juiz. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. Ademais, a Recorrente afirma que a análise das normas fiscais demonstra que, num contexto inflacionário, a única forma de se preservar o valor real dos elementos patrimoniais era a utilização dos procedimentos de correção monetária de balanço. Para isso, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 6 5 exigiase que os ativos e passivos nãomonetários (ativo permanente e patrimônio líquido) fossem corrigidos por índices que espelhassem a real inflação do período. Segundo a recorrente, a DRJ/RJOI concordou que o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido era, em situações normais, lançado em conta de resultado do exercício e, se o resultado líquido destes ajustes fosse positivo (credor), a tributação deste "ganho inflacionário" era diferida na medida da realização dos itens do ativo permanente. Por outro lado, se o resultado líquido fosse negativo (devedor), era autorizada a dedução fiscal integral e automática desta "perda inflacionária". Afirmou que, ainda que fosse admitida a aplicação da norma geral em detrimento da norma individual concreta decorrente da coisa julgada, há outra previsão legal do sistema de correção monetária de balanço que as autoridades fiscais simplesmente ignoraram na aplicação das supostas normas gerais. Conforme se verifica através das normas contábeis e fiscais de correção monetária de balanço, todo o ativo permanente era obrigatoriamente corrigido. Portanto, as futuras realizações deste saldo do ativo permanente devidamente atualizado produziam efeitos no resultado dos exercícios seguintes através das despesas de depreciação, amortização e baixas que são, sem sombra de dúvida, custos ou despesas operacionais plenamente dedutíveis na apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro. Isso significa dizer que, se por um lado o saldo líquido da correção monetária do ativo permanente (ativo) e do patrimônio líquido (passivo) gerava "ganhos" (saldo líquido credor) ou "perdas" (saldo líquido devedor), sempre, em toda e qualquer hipótese, independente deste saldo líquido, era garantida a dedução fiscal do efeito da correção monetária através da depreciação, amortização e baixas do ativo permanente nos exercícios financeiros subseqüentes. Assim, mesmo que fosse correta a aplicação das normas gerais de correção monetária de balanço em detrimento da decisão transitada em julgado, o que a Recorrente afirmou admitir apenas para confirmar os equívocos da decisão recorrida, a diferença de correção monetária decorrente da aplicação dos índices expurgados sobre os elementos do ativo permanente existente em 31.12.1988 assegurariam à Recorrente o irrefutável direito à dedução das parcelas de depreciação, amortização e baixas. Demonstra a Recorrente que a Delegacia de Julgamento não pode simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço que sequer poderia ser exigido em função da decadência. Afirma, ainda, que se realmente fossem apurados ganhos tributáveis decorrentes do saldo líquido credor de correção monetária de balanço, jamais deveriam ser negadas ou não reconhecidas as exclusões realizadas, pois, tratamse de reflexos distintos da correção monetária das demonstrações financeiras e o reflexo que importa ao caso concreto é o direito à depreciação, amortização e baixas do ativo permanente integralmente corrigido. As autoridades fiscais poderiam ter apontado os supostos ganhos inflacionários e aplicado a legislação vigente à época dos fatos geradores para apurar eventual crédito tributário decorrente do diferimento do "lucro inflacionário", sem jamais impedir as deduções dos exercícios seguintes que a própria lei de regência autorizava aos contribuintes. Por fim, atesta que, tecnicamente, se a fiscalização tivesse observado as normas contábeis e fiscais de forma correta, deveria ter apurado o alegado lucro inflacionário decorrente do expurgo do Plano Verão, somar este resultado ao saldo lucro inflacionário então Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 7 6 apurado pela Recorrente e verificar se a partir desse resultado restariam créditos tributários passíveis de formalização, levando em consideração, é claro, toda a evolução da tributação do lucro inflacionário realizada pela Recorrente, mediante a observância dos cálculos de realização (percentuais de depreciação, amortização e baixa perante o total do ativo permanente), bem como outras disposições legais aplicáveis, além dos evidentes efeitos da decadência. Finalmente, pleiteou a inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a parcela da multa. A DRJ (fls.1340 a 1373) julgou improcedente a manifestação apresentada fundamentando sua decisão com os argumentos abaixo elencados: Reconhecimento da conexão dos processos. Contudo, como a recorrente se manifestou em cada um separadamente, a DRJ resolveu se manifestar, também, separadamente, a fim de evitar o cerceamento de defesa. No que tange aos efeitos da decisão transitada em julgado, proferida na Ação Ordinária n° 95.00087464, referente aos efeitos do Plano Verão, a DRJ manteve o entendimento da fiscalização por entender que a permissão judicial não se restringiu apenas à apropriação das despesas de amortização, depreciação e baixas do ativo permanente. Segundo a DRJ, a recorrente após ter seu pedido negado em primeira instância, alterou sua petição em sede de Apelação para adequarse à legislação. Segundo a DRJ o pedido Inicial foi: PEDIDO INICIAL FL.145 ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ..." Ao ter seu pedido negado, apresentou Apelação com pedido alterado, nos seguintes termos Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 8 7 Apelação FL 244 "A Autora propôs a presente ação ordinária visando ao reconhecimento de seu direito constitucional de utilizar, em suas demonstrações financeiras e para efeitos de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, um índice de correção monetária que..." Fl. 250 "Assim sendo, a presente ação discute o direito da Autora de realizar a correção monetária de balanço..." FL. 164 ..."... determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC ..." O Tribunal Regional Federal julgou a apelação conforme segue: DECISÃO TRF FL 278 "TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. CORREÇÃO NO BALANÇO DE 31/12/1989 Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%." O STJ julgou o recurso especial conforme exposto abaixo: DECISÃO STJ FL 358 "A primeira seção deste STJ consagrou o entendimento no sentido de que no períodobase de 1989, a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas deve ser calculada pelo índice do IPC de janeiro de 1989, reduzindose o percentual de 70,28% para 42,72%. Pacificouse também o posicionamento de que a modificação do citado índice enseja a retificação automática do índice de correção monetária de fevereiro daquele ano para 10,14%, sem que isso importe julgamento extra Petita.." Dessa forma, alega que o interessado jamais obteve a permissão para corrigir, unicamente, suas despesas com depreciação, amortização, baixas e prejuízos fiscais. O que ele Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 9 8 conseguiu foi uma decisão que, ao final, lhe foi desfavorável, já que lhe concedeu o direito de corrigir "as demonstrações financeiras" pelo IPC. E deste ele teria, na correção do balanço, saldo credor (RECEITA) a oferecer à tributação, através de adição ao lucro líquido, conforme planilha abaixo: Ativo Permanente (que gera receita a ser adicionada no lucro líquido) Patrimônio Líquido (que gera despesa a ser deduzida do lucro líquido) Resultado Em 31/12/1988 1.831.511.337.133,60 1.581.013.583.114,94 Adição ao PL Em 31/01/1989 2.636.830.126,12 2.283.628.719,28 Adição ao PL Em 28/02/1989 2.632.498.897,81 2.347.754.306,80 Adição ao PL Assim, em função das informações prestadas pelo próprio interessado, ele teria saldos a adicionar ao lucro líquido, e não direito a deduções deste lucro. Neste ponto, a DRJ concluiu que o interessado ficou realmente com o direito de corrigir suas despesas de depreciação a partir dos meses de janeiro de 1989, mas não porque obteve este direito único. A correção da despesa se dá porque os saldos das contas do ativo permanente deveriam ser todos corrigidos. O que ocorreu é que o interessado quis se beneficiar tão somente da correção destas despesas e não ofereceu à tributação (Adição ao lucro líquido) o Saldo Credor da correção pelo IPCBTNF (Correção do Ativo Permanente — Correção do Patrimônio Líquido), conforme disposto na decisão judicial e na legislação do IRPJ e da CSLL. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 378 a 462), em que repisou os argumentos aduzidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O recurso preenche as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que é indispensável para o deslinde da questão a análise da Ação Ordinária Nº 95.87474 interposta pelo contribuinte requerendo o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação de 70,28%, referente ao IPC de janeiro de 1989. O pedido inicial encontrase exarado nas páginas 169 a 204 e dispõe que: ... para que venha a deduzir , na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro , a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores , com a consequente correção dos prejuízos fiscais ... ...deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, par. 1 0 , da Lei n ° 6.404/76 e arts. 193, § 1 ° e 2 e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a compensação de prejuízos fiscais , condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação;" Após o indeferimento em primeira instância, a matéria foi apreciada pelo Tribunal Regional da 1º Região (fls.278 a 286), o qual aduziu que as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem ser corrigidas de acordo com o IPC de janeiro de 1989, em 42,72%. : "Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em tema relativo a expurgos inflacionários, as demonstrações financeiras de 1990, anobase 1989, devem sercorrigidas de acordo com IPC .dejaneiro de 1989 o qual restou definido pelo Superior Tribunal de Justiça em 42,72%." Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 11 10 A lide foi encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, o qual manteve o IPC de 42,72% para janeiro de 1989 e acrescentou o IPC de 10,14% para o mês de fevereiro de 1989. TRIBUTÁRIO DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSTO DE RENDA. IPC. JANEIRO DE 1989. REDUÇÃO. CONSEQOÊNCIA EM FEVEREIRO. 1. Este Tribunal, através da Corte Especial, ao reduzir o IPC de janeiro de 1989 de 70,28% para 42,72%, acolheu o entendimento de que o IPC do mês de fevereiro seguinte deve ser fixado no percentual de 10,14%. Após a decisão do Superior Tribunal de Justiça a matéria transitou em julgado no dia 01/04/2005. Com o trânsito em julgado a recorrente adquiriu o seu direito líquido e certo pleiteado na inicial, qual seja: “a deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a consequente correção dos prejuízos fiscais”. Ocorre que a fiscalização e a Delegacia Regional de Julgamento glosaram tais deduções por entenderem que a recorrente, após ter seu pedido negado em primeira instância, alterou sua petição em sede de apelação para adequarse à legislação e que, tais alterações, induziram o Tribunal Regional Federal, bem como Superior Tribunal Federal a dar procedência ao pedido da autora. Ocorre que, tal “alteração” de pedido é juridicamente impossível de ser realizado, isso porque o que define a LIDE é o pedido, nos termos do artigo 128 do Código de Processo Civil. Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Sendo inclusive, defeso ao Juiz proferir sentença diversa da pedida em favor do autor, conforme reza o Art. 460 do CPC Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que Ihe foi demandado. A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. De acordo com a fiscalização, a interpretação literal da decisão judicial transitada em julgado é desfavorável à contribuinte; que por "falta de sorte" nenhum valor seria passível de dedução e que, no máximo, os índices expurgados deveriam ser aplicados sobre os saldos de depreciação já incorridos antes de 1989, e em outra parte a decisão afirma que a Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 12 11 Recorrente tem realmente direito de deduzir as despesas de depreciação, amortização e baixas realizadas depois de janeiro de 1989 e calculadas, evidentemente, sobre o saldo do ativo permanente atualizado pelos índices reconhecidos nas decisões transitadas em julgado. Se concordássemos com esse raciocínio, estaríamos diante de um fenômeno jurídico inexistente. Isso porque, a decisão de 1ª instância foi desfavorável à empresa que conseguiu reverter o posicionamento jurisdicional a seu favor apenas em 2ª instância. Se adotássemos o entendimento da Fiscalização a decisão de 2ª instância, a qual, em tese, teria sido favorável à requerente, trouxe um prejuízo maior que a própria decisão de 1ª instância que negou o pedido da autora. Ou seja, estaríamos diante de uma procedência que teria como efeito a “reformatio in pejus” de decisão improcedente, o que não existe no mundo jurídico. Dessa forma, é claro o direito da contribuinte de deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989, como se fosse ajuste de exercícios anteriores, com a consequente correção dos prejuízos fiscais. Isso porque, mesmo que se entenda que a decisão judicial determinou que a diferença entre a correção do Ativo e do Patrimônio Líquido fosse oferecida à tributação, a mesma decisão não impediu a apropriação da despesa conseqüente da amortização, depreciação e baixa do ativo reavaliado, ou não condicionou uma à outra. O não oferecimento à tributação do saldo credor faz nascer ao Fisco o direito de lançar, se dentro do prazo legal, o tributo, mas não impede a apropriação da despesa oriunda da reavaliação do ativo. Dessa forma, é claro o direito da contribuinte de deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores. De igual maneira, o argumento da fiscalização de simplesmente negar exclusões efetuadas pela Recorrente por entender que haveria um suposto crédito tributário decorrente de saldo credor de correção monetária de balanço não merece prosperar. Isso porque, de acordo com a decisão obtida, caberia à recorrente reconhecer as despesas de depreciação e amortização dos bens do ativo permanente e se, em decorrência da aplicação dos novos índices de correção do balanço surgisse um crédito tributário, caberia à fiscalização à época levantar e autuar o tributo devido. Quanto aos juros de mora, a matéria é objeto de súmula deste Conselho, de aplicação obrigatória pela Câmara, conforme artigo 53 do Regimento. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto a fim de reconhecer o direito da Recorrente em deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro a despesa de depreciação e amortização dos bens do Ativo Permanente, relativa à diferença do IPCBTNF de 1989,como se fosse ajuste de exercícios anteriores e com a conseqüente correção dos prejuízos fiscais, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 13 12 (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. 1) Introdução ao Voto Como bem exposto pelo Relator, o presente processo cuida de litígio acerca de auto de infração lavrado para exigência de CSLL relativa aos fatos geradores ocorridos no ano de 2003, nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005 e nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006. De acordo com o descrito no termo de verificação fiscal (fl. 68 e ss.), a auditoria foi desencadeada a partir das irregularidades constatadas nos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757, o qual, a pedido da recorrente, foi apreciado em conjunto com o presente processo haja vista a conexão entre eles. Em apertada síntese, entendeu a autoridade que, ao contrário do afirmado pela interessada, as exclusões por ela realizadas no lucro líquido daqueles períodos de apuração não se encontravam amparadas pela decisão judicial transitada em julgado proferida no âmbito do processo judicial nº 950008746 4. Pois bem, em que pese o ilustre Relator haver votado pelo provimento do recurso voluntário, peço licença para dele divergir pelas razões a seguir expostas. 2) Do Conteúdo da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Questão debatida ao longo de todas as fases do presente processo administrativo, inclusive no voto do Relator, diz respeito ao conteúdo da coisa julgada material no âmbito do processo judicial nº 9500087464. Pois bem, segundo os ensinamentos do renomado processualista Enrico Tullio Liebman, coisa julgada “é a imutabilidade do comando emergente de uma sentença”. Em assim sendo, o conteúdo da coisa julgada é o provimento jurisdicional contido na parte dispositiva da decisão judicial definitiva (comando emergente). Esse conceito encontra amparo nos arts. 458, 467 e 469 do Código de Processo Civil (CPC), que assim estabelecem: Art.458. São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem. (Grifamos) (...) Art.467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. (...) Art.469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; (Grifamos) Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 15 14 II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Questão que guarda estreita correlação com a identificação do conteúdo da coisa julgada, mas que com esta não se confunde, diz respeito aos limites objetivos da lide. De fato, conforme estabelecido no abaixo transcrito art. 460 do CPC, o provimento jurisdicional deve circunscreverse ao pedido formulado pelo autor em sua inicial: Art.460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. (...) Dito de outra forma, o provimento jurisdicional não deve ultrapassar, sob pena de nulidade, o limite daquilo que consta do pedido do autor. Assim, na hipótese de decisão inteiramente favorável ao autor, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da sentença que, por sua vez, deverá coincidir com o provimento objeto do pedido do autor. No entanto, casos há em que o órgão jurisdicional, inadvertidamente, profere decisão cujo provimento ultrapassa os limites do pedido do autor. Dizse que uma decisão é ultra petita quando o magistrado dá provimento ao pedido do autor, mas em uma quantidade maior que a pedida. Por outro lado, dizse que uma decisão é extra petita quando o magistrado dá provimento diverso ao pedido pelo autor. Em casos como este caberá à parte interessada interpor o recurso cabível a fim de que o juízo competente anule, total ou parcialmente, a decisão que não observou os limites objetivos da lide. Veja, a título exemplificativo, a ementa ao AgRg no RMS 28467 / MS: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. ANULAÇÃO. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Viola os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil o acórdão do Tribunal de Justiça que, a despeito da oposição de embargos de declaração, julga questão diversa da matéria posta a deslinde na petição inicial. 2. Reconhecida a ocorrência de julgamento extra petita, impõe se anulação dos acórdãos proferidos pelo Tribunal de origem, com a devolução dos autos para que a lide seja apreciada nos limites em que foi proposta. Suponhamos, agora, que o órgão jurisdicional tenha proferido uma decisão ultra ou extra petita, e que a parte interessada não haja interposto o recurso cabível a fim de anulála, tendo a referida decisão passado em julgado. Em uma situação como essa, pergunta se, qual o provimento fará coisa julgada entre as partes? Será o provimento contido no dispositivo da decisão (no exemplo, o provimento para além dos limites da lide), ou será o provimento pedido pelo autor (no exemplo, provimento dentro dos limites da lide)? A resposta, sem o menor espaço para dúvida, é que, como dito no início, fará coisa julgada o provimento contido no dispositivo da decisão, conforme expressamente estabelecido nos acima referidos arts. 458, 467 e 469 do CPC. Aliás, não fosse assim, não Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 16 15 haveria razão para interposição de recurso visando a anulação, total ou parcial, da decisão proferida ultra ou extra petita. A bem da verdade, sequer existiria razão para a doutrina qualificar uma decisão como ultra ou extra petita, pois, por definição, a coisa julgada estaria sempre dentro dos limites da lide. É exatamente neste ponto que reside a minha divergência perante o Relator, pois este entende que a coisa julgada está circunscrita aos limites da lide, não importando que o órgão jurisdicional tenha proferido decisão ultra ou extra petita, conforme trecho contido em seu voto, e a seguir transcrito: A legislação acima apresentada determina as regras de conexão entre o pedido e a sentença, onde o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial e o juiz decide de acordo com esse limite. É nos limites do pedido, portanto, que se forma a coisa julgada. Por essa razão, não é válida a atribuição de autoridade que vá além dos limites da lide posta e decidida, como pretende a fiscalização. (Grifamos) A meu ver, não há que confundirse aquilo que “deve ser” com aquilo que “é”. Por certo que o dispositivo da decisão judicial “deve” circunscreverse àquilo que consta do pedido. No entanto, se em um determinado caso concreto o provimento jurisdicional “é” de fato ultra ou extra petita, duas possibilidades se abrem. A primeira é a anulação total ou parcial dessa decisão mediante a interposição do recurso competente pela parte interessada, caso em que nova decisão deverá ser proferida com observância aos limites da lide. A segunda é a inércia da parte interessada, caso em que a referida decisão passará em julgado e, portanto, valerá como lei entre as partes, ainda que o provimento constante de seu dispositivo haja ultrapassado os limites da lide. É exatamente essa segunda hipótese que ocorreu no âmbito do processo judicial nº 9500087464, como se verá a seguir. A referida ação judicial foi proposta pela ora recorrente com o seguinte pedido (vide fl. 203 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): III DO PEDIDO Do exposto, requer a Autora se digne V.Exa. a: I Citar a Ré, na pessoa de seu representante legal, para responder a presente ação; II Julgar totalmente procedente o pedido da Autora, para que declare o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, ou outro índice .que V.Exa. julgar adequado, na base de cálculo do Imposto de Renda d a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, § 1°, da Lei n° 6.404/76 e arts. 193 § 1° e 2° e 219 do RIR/94), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como a correção de prejuízos fiscais, condenando a Ré a aceitar os efeitos do ajuste, ou ainda, como pedido sucessivo, declarar o direito de compensar o imposto pago indevidamente nos últimos cinco anos, em função do expurgo ocorrido na formação da despesa de depreciação, amortização e baixas, com os efeitos decorrentes de correção de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 17 16 prejuízos fiscais, igualmente condenando nesta hipótese a Ré a aceitar os efeitos patrimoniais da compensação; (Grifamos) (...) Apresentada contestação pela Fazenda Nacional, o órgão jurisdicional de primeira instância julgou improcedente o pedido do autor nos seguintes termos (vide fl. 233 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): Com base nas razões expendidas no voto transcrito, entendo que nenhuma razão assiste à autora, que, no caso, embora invocasse prejuízo e tributação de seu capital não se empenhou demonstrar o alegado como seria adequado por perícia contábil. Finalmente, no que diz respeito ao pedido de compensação, não só é de reconhecerse, de um lado, que não está adequadamente formulado, vez que não especifica o que se pretenderia compensar como, de outro que, não lhe tendo sido reconhecido o crédito decorrente da alteração do índice, nada haveria a compensar. Isto posto, julgo improcedente o pedido formulado pela COMPANHIA.SIDERÚRGICA DE TUBARÃO contra a União Federal. Contra a decisão acima a contribuinte interpôs apelação com o seguinte pedido (vide fl. 264 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): VII CONCLUSÃO Presentemente, e por todo o exposto, a Apelante vem, reiterando os termos da peça inaugural, e por todas as razões aqui expendidas, pedir o conhecimento e total provimento da presente Apelação, para que seja totalmente reformada a sentença de 1º grau determinandose a aplicação, nas demonstrações financeiras para fins fiscais da Autora, ou seja, para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, dos índices reais do IPC expurgados pelo "Plano Verão", à razão de 70,28% para o mês de janeiro, ou, alternativamente, com a aplicação da reposição de 42,72% correspondente a janeiro de 1989, complementada pelo índice de 10,14% correspondente a fevereiro de 1989, tudo consoante a mais escorreita aplicação da jurisprudência pacificada dos Tribunais Superiores, inclusive desse E Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (Grifamos) Repare que o pedido apresentado na petição inicial é nitidamente diverso do pedido constante da apelação, pois enquanto lá a contribuinte pede a dedução de despesas decorrentes da diferença de correção monetária de contas específicas (depreciação, amortização etc.), aqui pede a diferença de correção monetária das demonstrações financeiras, ou seja, de todas as contas sujeitas à correção monetária de balanço, o que é algo bastante diferente. Veja ainda que a alteração do pedido na apelação foi considerada “juridicamente impossível” pelo Relator do presente processo administrativo. Mas, novamente, ressalto que não se deve confundir o campo daquilo que “deve ser” com o campo daquilo que “é”. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 18 17 Seja como for, e retornando ao exame do conteúdo da coisa julgada no âmbito do processo nº 9500087464, apresentada contrarrazões à apelação pela Fazenda Nacional, o TRF da 1ª Região decidiu o seguinte (vide fls. 285/286 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): Assim sendo, modificando o posicionamento anterior por mim adotado, dou parcial provimento ao apelo para, julgando procedente a ação, assegurar à empresaapelante o direito de atualizar monetariamente seu balanço levando em conta o índice expurgado de inflação para o mês de janeiro de 1989, no percentual de 42,72%, deixando de fazêlo em relação ao mês de fevereiro do ano de 1989 em virtude da inexistência de pedido:expresso na exordial. (Grifamos) Repare que o provimento jurisdicional contido na decisão acima é claramente diverso daquele pedido pelo autor da ação em sua petição inicial. Em outras palavras, em relação àquele pedido, este provimento é extra petita. Pois bem, a contribuinte, inconformada, interpôs recurso especial nos seguintes termos (vide fls. 323/324 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): V – DO PEDIDO Ante o exposto, a Recorrente requer a admissão do presente recurso, com fundamento na alínea c do inciso III do art. 105 da CF/88, e também na alínea a do mesmo dispositivo constitucional, inclusive por ofensa ao art. 535, II, do Código de Processo Civil. Admitido o recurso, a Recorrente requer a reforma do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o seu direito à aplicação, na correção monetária de suas demonstrações financeiras, do índice de 70,28% relativo à janeiro de, 1989, ou dos índices de 42,72% em janeiro de 1989 e de 10,14% .em fevereiro de 1989. (Grifamos) O STJ julgou a controvérsia em acórdão cuja parte dispositiva é a seguinte (vide fl. 359 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): A Turma, por unanimidade, conheceu do recurso e lhe deu provimento, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator Em seu voto o Relator do referido recurso especial reproduz ementas a acórdãos da Corte sobre o assunto, entre elas a seguinte (vide fl. 358 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757): 3. A Primeira Seção deste STJ consagrou o entendimento no sentido de que, no períodobase de 1989, a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas deve ser calculada pelo índice do IPC de janeiro de 1989, reduzindose o percentual de 70,28% para 42,72% ((RESP 133:069/SC, 1ª S, Min Franciulli Netto, DJ de .de 04.03.2002). Pacificouse também o posicionamento de que a modificação do citado índice enseja a retificação automática do índice de correção monetária de .fevereiro daquele ano para 10,14%, sem que isso importe julgamento extra petita. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 19 18 Referida decisão transitou em julgado em 01/04/2005 (vide fl. 383 dos autos do processo administrativo nº 15578.000206/200757). Logo, por tudo o que foi visto acima, não resta a menor dúvida de que o provimento jurisdicional transitado em julgado (conteúdo da coisa julgada) não assegurou à contribuinte aquilo que foi por ela requerido em sua petição inicial, ou seja, não lhe assegurou “o direito de deduzir fiscalmente as despesas de depreciação, amortização e baixas computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28% (...) como se fosse ajuste de exercícios anteriores (...)”. Ao contrário, a referida decisão judicial transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito à “correção monetária das demonstrações financeiras” pelos índices de 42,72% e 10,14% nos meses de janeiro e fevereiro de 1989, respectivamente, algo que produz efeitos bastante distintos daqueles almejados inicialmente pela autora da ação. Tratase, sem dúvida, de um provimento jurisdicional extra petita quando comparado com o pedido contido na inicial, mas que, em razão da inércia das partes interessadas em propor o recurso cabível a fim de anulálo, transitou em julgado e, portanto, faz lei entre as partes. 3) Dos Efeitos da Coisa Julgada Material – Processo nº 9500087464 Como visto no tópico anterior deste voto, a decisão transitada em julgado assegurou à contribuinte o direito de corrigir suas demonstrações financeiras do ano 1989 mediante a adoção do índice de 42,72% para o mês de janeiro e de 10,14% para o mês de fevereiro. É de se perguntar, todavia, quais são os efeitos da coisa julgada sobre a contabilidade da contribuinte. Em especial, interessanos agora identificar: (i) o efeito temporal, ou seja, determinar em qual período de apuração o provimento jurisdicional deverá ser contabilmente reconhecido; (ii) o efeito qualitativo, ou seja, determinar em qual conta daquele determinado período de apuração deverá ser contabilmente reconhecido o provimento jurisdicional, e; (iii) o efeito quantitativo, ou seja, determinar o quantum deverá ser contabilmente reconhecido naquela determinada conta, naquele determinado período. No que concerne ao efeito temporal não me parece haver espaço para dúvida. Como a contribuinte interpôs a ação com vistas ao reconhecimento de um direito, e tendo em conta o princípio contábil da prudência, esse direito há que ser reconhecido na contabilidade da empresa no período de apuração em que ocorrido o trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, no caso, no 2º trimestre do ano de 2005. No entanto a contribuinte adotou procedimento diverso. Reconheceu a coisa julgada parceladamente, nos períodos de apuração que mais lhe convinha. Vejamos. Primeiramente, antes mesmo do trânsito em julgado da decisão, a contribuinte “reconheceu” contabilmente seus efeitos no ano de 2003, nos 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 e no 1º trimestre de 2005, computando na rubrica “Outras Exclusões” desses períodos parte do montante que entendeu como de direito. Em períodos posteriores ao do trânsito em julgado, continuou a reconhecer parceladamente seus efeitos no 3º trimestre de 2005 e nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, também utilizando a rubrica “Outras Exclusões”. Em assim sendo, mesmo abstraindose da questão do efeito qualitativo, que será abordada a seguir, é possível concluir que o auditor fiscal agiu corretamente ao glosar as exclusões ao lucro líquido promovidas pela contribuinte em períodos de apuração diversos do 2º trimestre do ano de 2005. Poderseia argumentar que houve mera postergação no Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 20 19 pagamento do tributo. Isso, todavia, dependeria de prova quanto a esses pagamentos. Mas, no caso, não será necessária essa investigação, haja vista que a contribuinte não possui direito à exclusão alguma, como se verá a seguir. No que concerne ao efeito qualitativo, o provimento jurisdicional transitado em julgado assegurou à contribuinte o direito a promover a correção monetária das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices indicados pelo STJ, e não o direito a corrigir apenas as contas de depreciação, amortização e baixa de ativos, como visto no item 2 deste voto. Como é cediço, quando o somatório dos saldos das contas de ativo sujeitas à correção monetária de balanço (via de regra, as contas do ativo permanente) é superior ao somatório dos saldos das contas do patrimônio líquido, o saldo da conta de correção monetária de balanço será credor, ou seja, haverá receita de correção monetária. Caso contrário, o saldo da conta de correção monetária de balanço será devedor, ou seja, haverá despesa de correção monetária. Pois bem, conforme se verifica nas demonstrações financeiras levantadas pela própria contribuinte, o valor do ativo permanente em 31/12/1988 e em 31/12/1989 era de 1.831.511.337 UFIR e 27.997.878.760 UFIR, respectivamente. Já o valor do patrimônio líquido naquelas mesmas datas era 1.581.013.583 e 25.884.914.833. Ora, como se vê, no caso sob exame a contribuinte apurou receita de correção monetária no ano de 1989, mesmo com a adoção apenas dos índices oficiais, já que tanto no início quanto no final do período o saldo do ativo permanente era superior ao saldo do patrimônio líquido. Como a decisão transitado em julgado determinou a correção das demonstrações financeiras do ano de 1989 pelos índices definidos pelo STJ (maiores que os oficiais para os meses de janeiro e fevereiro), o saldo credor (receita) de correção monetária apurado originalmente pela contribuinte apenas aumentou de valor. Assim, a diferença de correção monetária determinada pelo STJ implica o reconhecimento de uma receita na contabilidade da contribuinte, e não de uma despesa. Em outras palavras, o provimento jurisdicional deve ser reconhecido em conta de receita de correção monetária. Tal receita deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005 para fins de apuração de tributos, em conta que poderia ser intitulada “Outras Adições”. De ver que a falta de adição dessa receita não foi objeto do presente auto de infração. Ocorre que a contribuinte, desvirtuado o conteúdo da coisa julgada, contabilizou indevidamente o provimento jurisdicional como despesa de correção monetária, utilizando para tanto a conta “Outras Exclusões”. Tais valores foram corretamente glosados pela fiscalização. Por fim, o efeito quantitativo representa o montante da receita de correção monetária que deveria ter sido adicionada pela contribuinte ao lucro líquido do 2º trimestre do ano de 2005. Mas como no presente processo administrativo a autoridade fiscal limitouse a glosar a despesa de correção monetária indevidamente contabilizada pela contribuinte nos períodos antes mencionados, não há razão para determinarse, aqui, o montante daquela receita de correção monetária. 4) Conclusão Fl. 452DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15578.000406/200718 Acórdão n.º 1201000.735 S1C2T1 Fl. 21 20 Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 453DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JOAO CARLOS DE LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10943.000290/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente, bem como realizar pontualmente os documentos e contratos para comprovar que a contratação dava-se por mera locação de serviços.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
As alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada.
A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01).
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2000. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que aplicava a regra do art. 173, I do CTN para as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10943.000290/200780 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.218 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente CONSLADEL CONSTRUTORA E LAÇOS DETETORES E ELETRÔNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente, bem como realizar pontualmente os documentos e contratos para comprovar que a contratação davase por mera locação de serviços. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. As alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01). PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 3. 00 02 90 /2 00 7- 80 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2000. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que aplicava a regra do art. 173, I do CTN para as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata a presente NFLD, lavrado sob o n. 35.903.6805, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como diferença de acréscimos legais, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais no período de 11/1995 a 07/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 127, os fatos geradores, foram assim especificados: 2.1. Diferença de Acréscimos Legais — DAL — referente aos acréscimos legais — juros de mora e multa de caráter irrelevável não calculados pela empresa quando do recolhimento em atraso das retenções dos 11% efetuada sobre o valor da mãodeobra contida nas notas fiscais emitidas pelas empresas que lhe prestaram serviço. Consta no DEMONSTRATIVO DAS RETENÇÕES DAS NOTAS FISCAIS RECOLHIDAS EM ATRASO em anexo o nome das prestadoras, o número das notas fiscais, a data de sua emissão e a data de recolhimento. Ressaltase que a legislação previdenciária determina que a retenção efetuada deve ser recolhida pelo tomador por meio da Guia da Previdência Social —GPS, no código 2631, no CNN do prestador até o dia 2 do mês seguinte a competência, que corresponde a data da emissão da nota fiscal. Período do levantamento 02/1999 a 03/2005. 2.2. Diferença de Folha de Pagamento — FP e FPG — referentes as diferenças apuradas no confronto do valor devido de contribuição previdenciária e aos terceiros, relativo: a folha de pagamento dos segurados empregados da empresa (exceto a folha relativa as obras de construção civil declaradas em GFIP no CEI da obra), a folha de pagamento do prólabore e a folha de pagamento dos autônomos, com os valores recolhidos nas GRPS, nas GPS códigos 2100, 2119, 2631 e 2640 e nos valores compensados. A apuração das diferenças lançadas encontramse discriminadas n DEMONSTRATIVO DOS VALORES DEVIDOS PELA EMPRESA em anexo, onde consta a base de cálculo, as aliquotas aplicadas, os recolhimentos e compensação considerados. Período dos levantamentos: FP de 11/1995 a 12/1998; FPG de 01/1999 a Fl. 378DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 02/2005. 2.3. Autônomos sem transportador — A01 — referente a contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ou creditados aos autônomos (exceto transportador autônomo) constante da escrituração contábil da empresa, não incluidos na folha de pagamento. A apuração dos valores devidos lançados encontramse discriminados no DEMONSTRATIVO DO VALOR DEVIDO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS AOS AUTÔNOMOS SEM TRANSPORTADOR em anexo. Ressaltese que a partir de 05/2003, com fulcro na Lei n° 10.666/03, foi calculado a retenção de 11% sobre a base de cálculo a titulo de contribuição do segurado contribuinte individual. Período do levantamento 05/1996 a 03/2005. 2.4. Transportador autônomos — A02 referente a contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ou creditados transportador autônomo constante da escrituração contábil da empresa, não incluídos na folha de pagamento. Juridicamente a empresa realizou contratos de locação de veículos com alguns destes autônomos, porém na realidade dos fatos o que foi contratado foram transportadores autônomos, uma vez que o motorista o tempo todo desses veiculos era o próprio locador ou seu preposto. Por esta razão que na apuração da base de cálculo foi aplicado o percentual definido por lei sobre o valor pago. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 36 a 39. A apuração dos valores devidos lançados encontramse discriminados no DEMONSTRATIVO DO VALOR DEVIDO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A TRANSPORTADOR AUTÔNOMO em anexo, onde consta o valor pago, a base apurada, o valor devido e as aliquotas aplicadas. Ressaltese que a partir de 05/2003, com fulcro na Lei n° 10.666/03, foi calculado a retenção de 11% sobre a base de cálculo a titulo de contribuição do segurado contribuinte individual. Período do levantamento 05/1996 a 08/2003. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 26/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/12/2005. Inconformado o autuado apresentou defesa fls. 168 a 174. O processo foi baixado em diligência 192 a 196, tendo o auditor emitido relatório fiscal complementar nos seguintes termos: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 4 5 2.4. Transportador autônomos — A02 referente a contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ou creditados a transportador autônomo constante da escrituração contábil da empresa, não incluídos na folha de pagamento. Com relação aos valores lançados na conta reduzida 302 — Locação de veículos, temos que juridicamente a empresa realizou contratos de locação de veículos com estes autônomos, porém na realidade dos fatos o que foi contratado foram transportadores autônomos, uma vez que o motorista o tempo todo desses veículos era o próprio locador ou seu preposto. 0 que foi contestado pela empresa em sua defesa alegando que possuía motoristas, em sua folha de pagamento, que conduziam estes veículos locados. Diante de tal alegação, a empresa foi intimada a apresentar vários documentos, como pode ser observado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD em anexo, entre eles os contratos de locação dos veículos, as folhas de pagamento dos motoristas e os documentos que ensejaram os lançamentos contábeis. Porém, tendo em vista a apresentação deficiente dos documentos foi emitido outro TIAD, em anexo, mesmo assim a empresa deixou de apresentar alguns documentos ou apresentouos de forma deficiente, razão pela qual foi emitido o Auto de Infração n° 37.030.8042. folhas de pagamento apresentadas, referente as competências 05/2002 a 06/2003, de acordo com o Demonstrativo "RELAÇÃO DOS MOTORISTAS POR CENTRO DE CUSTO CONFORME A FOLHA DE PAGAMENTO APRESENTADA PELA EMPRESA" em anexo, observamos que a empresa possui vários motoristas, que fizeram parte de determinados centros de custos que indicam onde prestaram os seus serviços, exemplo: unidade funcional 412/98 Manutenção de Túneis, 718/01 PM SBC Operações. No entanto como pode ser observado pelo Demonstrativo "RELAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS COMO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS CONSIDERADOS COMO EFETUADOS A TRANSPORTADOR AUTÔNOMO", que abrangeu o período de 05/2002 a 03/2003, os pagamentos efetuados tiveram como centro de custo as obras 801/02, 818/02 e 820/02 as quais referemse: obra 801/02 — Obras complementares de ligação viária na lbirapuera/ Senna Madureira, Contrato n° 0147101000, com a EMURB SP, com aditamento. Inicio da obra em 19/03/2002. obra 818/02 — Obras de intervenção nos Centros de Bairros — Sul, Contrato n° 0181101000, com a EMURB SP, com aditamento. Inicio da obra em 29/04/2002. obra 820/02 — Obras de conservação de áreas ajardinadas em vias expressas — SIS/CONGEL, Contrato n° 64/SM SP/COGEL/2002. Inicio da obra em 24/06/2002. A empresa não apresentou todos os documentos necessários, e alguns documentos não os apresentou como solicitado, o que Fl. 380DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 impediu que esta fiscalização verificasse a que centro de custo se referiam estes pagamentos para verificar se correspondiam aos centros de custos da folha de pagamento para fazer qualquer consideração. Assim, temos que a empresa não provou que possuía motoristas para conduzir os veículos locados. Pela amostra dos documentos anexados, podemos observar: que cada pagamento efetuado possui uma solicitação de pagamento que o vincula ao centro de custo da obra quando não há nota fiscal; que em algumas das solicitações consta pagamento de sábados trabalhados, pagamento de locação nos dias 08 e 09/03/2003 (sábado e domingo); temos pagamento em forma de Vale referente a Recibo de uma pessoa assinado por outra; que nas notas fiscais o centro de custo consta do verso da nota fiscal, porém foram fornecidas apenas a cópia do anverso da nota fiscal, mas que mesmo assim podemos identificar alguns centros de custos; que na nota fiscal emitida por José Andrade da Silva apesar de constar na descrição locação de caminhão para bota fora, o valor é cobrado por viagem, onde se infere que quem conduz o veiculo é o seu dono ou preposto; que em algumas notas fiscais existe anexo Boletim de Medição de Serviços; ora se o veiculo é locado para que fazer medição de serviços? A não ser no caso de não se tratar de locação e sim de prestação de serviço de transportador autônomo; que nas notas fiscais emitidas por Antonio Trimarchi apesar de constar na descrição locação de caminhão o prego é calculado por horas; que na nota fiscal n° 681 emitida por Antonio Trimarchi temos o exemplo do carimbo aposto no verso de todas as notas fiscais onde se consigna o centro de custo, ainda anexo a esta nota fiscal temos a Planilha de Medição de Serviços onde podemos verificar que o valor pago levou em conta os dias trabalhados, horas extras, horas noturnas, viagem extra, que reforçam o entendimento de que se trata de transportador autônomo e não de locação; na nota fiscal n° 006 emitida por Trans Martinelli, observamos que se trata de nota fiscal de prestação de serviços por pessoa física, no caso, Mario Martinelli Bagatti, CPF n° 013.994.358 76, onde consta a locação de caminhão basculante de 6 dias diurno, 5 horas excedidas diurno, 2 dias noturno e 7 horas excedidas noturno; observase ainda que o recibo anexo a nota fiscal é assinada por Mário Martinelli Bagatti e Almir Rogério Costa Bagatti, e ligadas ao centro de custo 801/00. Se temos a locação do caminhão por dia por que cobrar horas excedidas?, por que diferenciar diurno do noturno?, por que duas pessoas assinaram o recibo? a não ser que se trata de transportador autônomo e seu preposto. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 5 7 Observamos que quando da fiscalização os documentos que ensejaram os lançamentos contábeis foram apresentados completo, isto 6, com a cópia do cheque, da solicitação de pagamento, da planilha de medição de serviços, do recibo de pagamento ou de depósito ou das notas fiscais originais, e os contratos de locação. Que analisados pela fiscalização, da forma como demonstrado na amostra dos documentos anexados, concluiu tratarse de pagamento a transportador autônomo os valores escriturados como veículos locados. A apuração dos valores devidos lançados encontramse discriminados no DEMONSTRATIVO DO VALOR DEVIDO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A TRANSPORTADOR AUTÔNOMO anexo ao Relatório Fiscal, onde consta o valor pago, a base apurada, o valor devido e as aliquotas aplicadas. Devidamente intimado do relatório fiscal complementar a empresa manifestouse às fls. 273 e seguintes. A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão de Primeira instância (DN), fls. 300, mantendo a autuação em sua integralidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. RECOLHIMENTO DOS VALORES RETIDOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É obrigação da contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra proceder à retenção e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal, ficando sujeita às conseqüências advindas do descumprimento da referida determinação, nos termos da legislação de regência. 0 crédito constituído de acordo com as normas que regem a matéria produz plenamente seus efeitos processuais. A defesa deve ser instruída com todos os elementos probatórios dos fatos alegados. São devidas â Seguridade Social, contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre o total das remunerações ou retribuições pagas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual que lhe prestou serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE O recorrente não concordando com a Decisão de primeira instância emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 74 a 85. Alega em síntese: A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar, às fls.168/174, consubstanciada, em síntese, no que se segue: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 2.1. afirma que não recolheu as retenções sobre notas fiscais em atraso e discorre acerca dos procedimentos internos por ela adotados com relação aos serviços que lhe são prestados, desde a emissão da nota fiscal pela empresa que lhe prestou os serviços até o momento em que realiza os recolhimentos dos valores retidos, argüindo, por fim, que "a nota fiscal é emitida em determinado mês, a fatura é emitida com data posterior, em muitos casos o mês seguinte e nós efetuamos o pagamento após o recebimento da fatura cujo pagamento é contra recibo, sendo o pagamento da retenção efetuado no dia 2 do mês seguinte ao mês da fatura ou do recibo"; 2.2 entende que caso tivesse que recolher os acréscimos legais deveria fazelo em nome do prestador de serviços, pois foi em nome deste que efetuou o recolhimento dos valores retidos. 2.3. afirma que os valores levantados como diferenças de folha de pagamento não existem. Argüi que não foi possível entender os demonstrativos, pois os mesmos estão confusos. Entende que estando confusos os cálculos, estão lhe cerceando o direito de defesa. 2.4. acerca do levantamento referente aos pagamentos efetuados aos autônomos sem transportador, argumenta que muitas pessoas que constam da relação são empresas individuais. Várias pessoas que estão relacionadas, mesmo que trabalhadores autônomos, não deveriam estar nesta relação, pois trabalharam nas obras de construção civil cujas contribuições já foram lançadas por arbitramento pela fiscalização. Conclui que se esses trabalhadores permanecerem nesta relação, as contribuições estarão sendo cobradas em duplicidade. 2.5. com relação ao levantamento — Transportador Autônomo, argüi que contrata com pessoas físicas a locação de veículos e que em nenhum momento a fiscalização conseguiu provar que os próprios locadores dos veículos dirigiam os veículos locados. 2.6. discorre acerca da determinação contida nos Mandados de Procedimento Fiscal, destacando que esta limitou o trabalho fiscal a contribuições sociais dos empregados, não estando estendido aos demais segurados ou também a fiscalização no caso de contratação de terceiros ou cessão de mão de obra; 2.7. discorre, também, acerca da cronologia de emissão dos citados Mandados de Procedimento Fiscal, concluindo que tais Mandados com tempo exíguo atrapalharam os trabalhos fiscais e refletiram nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIADs, emitidos pela fiscalização. DA DILIGÊNCIA 3. A fim de subsidiar o julgamento do processo em epígrafe, foram os autos encaminhados a AFPS notificante, o qual emitiu o Relatório Fiscal Complementar de fls. 193/196. 0 citado Relatório foi encaminhado a lmpugnante através da Carta n° 050/2006, fls. 268, sendolhe concedido o prazo de 15 (quinze) dias para que se manifestasse acerca dos fatos narrados; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 6 9 Expirado o prazo mencionado no item anterior, a Interessada manifestouse, em síntese, como se segue: 5.1. não poderia a fiscal pedir novamente documentos já apresentados durante a auditoria fiscal inicial; 5.2. a fiscal diz que os documentos foram apresentados de forma deficiente, porém não diz quais documentos foram deficientes e qual foi a deficiência dos mesmos; 5.3. não pode a auditora fiscal querer vincular o motorista com o veiculo locado, através dos centros de custos porque a empresa faz uma única folha para todos os motoristas e contabiliza em um único centro de custo. Argumenta, ainda, que a fiscalização não poderia se pautar na contabilidade, uma vez que não aceitou a contabilidade da empresa, no momento que preferiu aferir as obras de construção civil; 5.4. a solicitação de pagamento não vincula o motorista, assim como o veiculo locado a centro de custo da obra, porque a empresa não rateia a locação de veiculo e o salário do motorista, estando portanto o documento emitido para apenas uma obra, quando foram utilizados tanto motorista empregado como veiculo locado em várias obras; 5.5. como a locação do veiculo 6 efetuada por determinado período, naturalmente nesse mesmo período temos o sábado e o domingo. Proibido está o trabalho aos sábados e domingos, mas não está proibida a locação de veículos; 5.6. o fato do vale ser assinado por outra pessoa que não o locador do veiculo é legal. A Lei prevê a figura do procurador, que pratica ato em nome de outra pessoa através de procuração; 5.7. cobrar locação de veiculo por viagem é normal, pois na viagem está se carregando algo e este desgasta o veiculo, fazendo com que o mesmo no transporte de alguma coisa tenha mais desgaste que durante o tempo que esteve vazio ou parado; 5.8. pode perfeitamente o veiculo locado ser dirigido por motorista empregado e o pagamento da locação ser por medição; 5.9. pode ser paga a locação por hora, caso o veiculo continue a disposição do locatário além da hora combinada, este terá que pagar horas excedentes, que denominou horas extraordinárias. 0 pagamento de horas noturnas demonstra que o veiculo foi locado para horas diurnas e teve que ser utilizado pela empresa em horas noturnas; É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Voto Vencido PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 93. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido , à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 7 11 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 8 13 casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 9 15 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º. No presente caso, encontramse lançadas diferenças de contribuições, que pela simples nomenclatura já nos permite concluir que a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150 § 4º, bem como contribuições sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, sejam eles transportadores ou não. Quanto a este segundo ponto, destacou a autoridade fiscal, que o a empresa não incluiu em folha de pagamento os valores, não reconhecendo a contribuição devida, razão pela qual aplicarseá a decadência a luz do art. 173, I do CTN. Face o exposto considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 26/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/12/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 11/1995 a 07/2005, sendo assim, para os levantamento de diferenças deve ser excluído até a competência 11/2000. J[a para o levantamento de contribuintes individuais (transportadores ou não) a decadência, deve ser apurada até 11/1999. DO MÉRITO DAS DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS Quanto a diferenças de acréscimos legais, correto o tratamento dado pelo autoridade fiscal e ratificado por órgão julgador. A retenção é obrigação do tomador de serviços, devendo recolher até o dia 2 do mês subsequente ao serviço prestado, o que não logrou êxito o recorrente em demonstrar, o que já foi alvo inclusive de apreciação quando da emissão da Decisão de primeira instância, A obrigação de recolher a retenção se dá no mês seguinte a emissão da efetiva prestação de serviços, devendo ser destacado na nota, não quando do efetivo pagamento, posto que esse pode dar em período posterior, em meses subsequentes. Assim, entendo que a questão foi enfrentada elo julgador de primeira instância, não existindo qualquer reparo a ser feito nesse ponto. Transcrevo abaixo trecho da decisão de primeira instância que aprecia essa questão, adotandoa em complemento com razões de decidir: 6.1. Assim dispõe a Lei n° 8212/91 acerca da retenção a ser procedida pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observado o disposto no § 52 do art. 33. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) § 1 0 0 valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas 5 Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei Fl. 391DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 10 17 n° 9.711, de 20.11.98) 6.2. conforme se pode constatar através da legislação acima transcrita, o artigo 31 da lei 8.212/91 é taxativo ao determinar que a importância retida do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços deverá ser recolhida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal (destaquei), e não por ocasião da quitação dos valores devidos ao prestador do serviço. Tal determinação tornase clara através do contido no § 10 do mencionado artigo, que dispõe que o valor retido deverá ser destacado na nota fiscal, o qual, portanto, já deverá estar consignado no corpo da respectiva nota quando da sua emissão. Do exposto, constatase ser totalmente equivocado o entendimento proposto pela impugnante que "somente após o pagamento contra recibo ao prestador de serviços é que a retenção pode ser considerada como base para o vencimento da contribuição social", até porque o que ocorre na situação prevista na referida norma é a substituição tributária na relação jurídica da contribuição social incidente sobre a folha de salários e devida pela prestadora de serviços, atribuindose a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, no caso em tela â Impugnante, o que é permitido não só pelo Código Tributário Nacional (art. 128), como, também, pela atual Constituição, que prevê o pagamento antecipado da contribuição, com possibilidade de compensação e ou ou restituição (art. 150, §7°), exatamente como o previsto na lei no 8.212/91(entendimento extraído de voto proferido nos autos do RE 393.9467/MG, DJ: 01/04/05). 6.3. frente ao questionado pela impugnante quanto aos acréscimos legais incidentes sobre as retenções recolhidas em atraso, tenho a considerar o que se segue: 6.3.1. a multa e os juros de mora são decorrentes do não pagamento das contribuições devidas ao INSS até a data legalmente estipulada, possuem caráter irrelevável e estão previstos no artigo 34 da lei 8212/91; 6.3.2. tais acréscimos são aplicados em razão da violação ao direito subjetivo de crédito e decorrem da necessidade de resguardar o interesse público e dotar a Administração dos meios necessários e indispensáveis à manutenção da arrecadação em nível razoável, a fim de afastar eventuais distorções que possam levar o contribuinte a lançar mão de expedientes visando retardar o pagamento das contribuições que, no prazo estipulado para pagamento pela legislação especifica, deveriam ter sido recolhidas aos cofres públicos. 6.3.3. no caso em tela, como assim dispõem o caput do artigo 31 e o § 5° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, é obrigação da contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra proceder â retenção e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal, ficando, portanto, sujeita às conseqüências advindas do descumprimento da referida norma, nos termos do artigo 34 da mesma Lei. 6.3.4. desta forma, é importante enfatizar que, sendo obrigação da Impugnante recolher os valores retidos dentro do prazo legalmente Fl. 392DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 estabelecido, o ônus pelo descumprimento do referido prazo será, exclusivamente, dela. 6.3.5. assim, tornase claro que os valores referentes aos acréscimos legais não calculados pela lmpugnante, quando do recolhimento dos valores retidos das empresas que lhe prestaram serviços, deverão ser objeto de lançamento efetuado em seu nome, pois, ao contrário do que acontece com o percentual retido incidente sobre os valores dos serviços prestados, os valores relativos aos acréscimos legais em questão não foram retidos dos valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras e não poderão ser aproveitados para compensação ou restituição frente às contribuições por elas devidas, uma vez que tais valores se constituem em ônus decorrente de descumprimento de norma previdenciária por parte de quem tem a obrigação de efetivar o recolhimento. Quanto as alegações para determinadas competência, entendo desnecessária sua apreciação, já que referese a competência excluídas do lançamento pela decadência quinquenal. Com relação ao levantamento autônomos sem transportador, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Apresentou o auditor quando da lavratura da NFLD relação nominal de todos as pessoas físicas consideradas para efeitos do lançamento, argumentando o recorrente de muito são empresas individuais. Nesse ponto, entendo que se no lançamento contábil, ou documentos aos quais baseouse o auditor (fornecidos pela empresa), o histórico não se encontrava suficientemente claro, o recorrente teria condições de impugnar nominalmente cada um dos fatos geradores apurados, bem como para que se pudesse determinar a exclusão das pessoas jurídicas correspondentes, o que não o caso. Notese que retornou o auditor a empresa para identificar os pontos trazidos na impugnação, sendo que o recorrente, argumenta inclusive a impossibilidade da autoridade fiscal de solicitar os mesmos documentos. Aliás novamente já foi esse ponto também enfrentado pelo julgador não tendo o recorrente apresentado fatos novo e documentos que comprovassem sua alegação. Vejamos trecho da decisão. 6.4.10. a mesma norma está contida no artigo 9°, inciso Ill, da Portaria MPAS N° 520, de 19 de maio de 2.004 (DOU DE 25/05/2004) que regula o Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito da Previdência Social. 6.4.11. ante o exposto e considerando não haver a impugnante logrado êxito em mencionar qual seria o seu ponto de discordância frente aos cálculos apresentados pela fiscalização, fica prejudicada a apreciação de suas alegações acerca da ocorrência de supostos erros no lançamento do crédito em questão. 6.5. quanto As questões formuladas pela impugnante no que se refere ao 41110 lançamento de valores relativos a autônomos sem transportador, temos a considerar que: 6.5.1. conforme podemos verificar através do "Demonstrativo do Valor Devido sobre Pagamentos Efetuados aos Autônomos sem Transportador", fls. 140/148, há uma relação nominal de todos os elementos considerados como autônomos pela fiscalização. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 11 19 Constatase, ainda, que a relação dos pagamentos efetuados foi extraída da contabilidade impugnante e foram todos realizados ern nome de pessoas físicas, sendo que os n's de cadastro junto a Receita Federal que foram consignados no histórico do lançamento, são todos referentes a pessoas físicas (CPF) e não a pessoas jurídicas (CNPJ). 6.5.2. da leitura das razões aduzidas pela impugnante em sua defesa, verificase que, ainda que alegasse a mesma que vários desses trabalhadores "são empresas individuais", não trouxe aos autos qualquer elemento que comprovasse o alegado. 6.5.3 da mesma forma, ainda que alegasse a impugnante que determinados serviços foram prestados junto As obras de construção civil cujas TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS Quanto a este ponto, entendo que melhor sorte também não assiste ao recorrente. Os argumentos trazidos tanto na pessoa impugnatória quanto na recursal foram que na verdade tratase de locação de veículos, razão pela qual incabível a cobrança de contribuições. Contudo, entendo que compete ao auditor descrever no relatório fiscal, os fats geradores e fundamentação legal que autorizam o lançamento de contribuições. Para tanto, procedeu o mesmo durante o procedimento fiscal a solicitação de documentos referentes a contratação dos transportadores tendo em vista os custos lançados na contabilidade. Após a impugnação, procedeu o órgão julgador a baixa do processo em diligência, justamente para que fossem enfrentados os argumentos trazidos pelo recorrente de que se tratavam realmente de mera locação de veículos. Vejamos trecho do relatório fiscal complementar, devidamente cientificado ao recorrente, fls. 153 e seguintes 2.4. Transportador autônomos — A02 referente a contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos ou creditados a transportador autônomo constante da escrituração contábil da empresa, não incluídos na folha de pagamento. Com relação aos valores lançados na conta reduzida 302 — Locação de veículos, temos que juridicamente a empresa realizou contratos de locação de veículos com estes autônomos, porém na realidade dos fatos o que foi contratado foram transportadores autônomos, uma vez que o motorista o tempo todo desses veículos era o próprio locador ou seu preposto. 0 que foi contestado pela empresa em sua defesa alegando que possuía motoristas, em sua folha de pagamento, que conduziam estes veículos locados. Diante de tal alegação, a empresa foi intimada a apresentar vários documentos, como pode ser observado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD em anexo, entre eles os contratos de locação dos veículos, as folhas Fl. 394DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 de pagamento dos motoristas e os documentos que ensejaram os lançamentos contábeis. Porém, tendo em vista a apresentação deficiente dos documentos foi emitido outro TIAD, em anexo, mesmo assim a empresa deixou de apresentar alguns documentos ou apresentouos de forma deficiente, razão pela qual foi emitido o Auto de Infração n° 37.030.8042. As folhas de pagamento apresentadas, referente as competências 05/2002 a 06/2003, de acordo com o Demonstrativo "RELAÇÃO DOS MOTORISTAS POR CENTRO DE CUSTO CONFORME A FOLHA DE PAGAMENTO APRESENTADA PELA EMPRESA" em anexo, observamos que a empresa possui vários motoristas, que fizeram parte de determinados centros de custos que indicam onde prestaram os seus serviços, exemplo: unidade funcional 412/98 Manutenção de Túneis, 718/01 PM SBC Operações. No entanto como pode ser observado pelo Demonstrativo "RELAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS COMO LOCAÇÃO DE VEÍCULOS CONSIDERADOS COMO EFETUADOS A TRANSPORTADOR AUTÔNOMO", que abrangeu o período de 05/2002 a 03/2003, os pagamentos efetuados tiveram como centro de custo as obras 801/02, 818/02 e 820/02 as quais referemse: obra 801/02 — Obras complementares de ligação viária na lbirapuera/ Senna Madureira, Contrato n° 0147101000, com a EMURB SP, com aditamento. Inicio da obra em 19/03/2002. obra 818/02 — Obras de intervenção nos Centros de Bairros — Sul, Contrato n° 0181101000, com a EMURB SP, com aditamento. Inicio da obra em 29/04/2002. obra 820/02 — Obras de conservação de áreas ajardinadas em vias expressas — SIS/CONGEL, Contrato n° 64/SM SP/COGEL/2002. Inicio da obra em 24/06/2002. A empresa não apresentou todos os documentos necessários, e alguns documentos não os apresentou como solicitado, o que impediu que esta fiscalização verificasse a que centro de custo se referiam estes pagamentos para verificar se correspondiam aos centros de custos da folha de pagamento para fazer qualquer consideração. Assim, temos que a empresa não provou que possuía motoristas para conduzir os veículos locados. Concordo que compete ao auditor indicar devidamente os fatos geradores e fundamentação legal do débito, requerendo os documentos pertinentes a comprovação da regularidade fiscal. Frente aos argumentos de que a empresa locava apenas veículos sem motorista, solicitou em diligência (feita com o fim específico de comprovar as alegações da impugnação), que a mesma apresentasse suas folhas de pagamento de motoristas, bem como os contratos de locação dos veículos. Quanto aos contratos a empresa, descreveu que em sua maioria eram feitos de forma verbal, o que já demonstra, de pronto, a fragilidade dos argumentos para comprovar tratarse de locação de veículos. Face a não apresentação dos documentos requeridos, a empresa foi autuada. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 12 21 Seguindo na apreciação dos fatos, analisou ainda as folhas de pagamento da empresa, para que fosse comprovado que a mesma possuía motorista para conduzir os veículos. Os pontos apreciados pela auditor na diligência fls. 196, descrevem que não logrou êxito em demonstrar que efetivamente que a contratação davase apenas na modalidade locação de veículo. Pela amostra dos documentos anexados, podemos observar: que cada pagamento efetuado possui uma solicitação de pagamento que o vincula ao centro de custo da obra quando não há nota fiscal; que em algumas das solicitações consta pagamento de sábados trabalhados, pagamento de locação nos dias 08 e 09/03/2003 (sábado e domingo); temos pagamento em forma de Vale referente a Recibo de uma pessoa assinado por outra; que nas notas fiscais o centro de custo consta do verso da nota fiscal, porém foram fornecidas apenas a cópia do anverso da nota fiscal, mas que mesmo assim podemos identificar alguns centros de custos; que na nota fiscal emitida por José Andrade da Silva apesar de constar na descrição locação de caminhão para bota fora, o valor é cobrado por viagem, onde se infere que quem conduz o veiculo é o seu dono ou preposto; que em algumas notas fiscais existe anexo Boletim de Medição de Serviços; ora se o veiculo é locado para que fazer medição de serviços? A não ser no caso de não se tratar de locação e sim de prestação de serviço de transportador autônomo; que nas notas fiscais emitidas por Antonio Trimarchi apesar de constar na descrição locação de caminhão o prego é calculado por horas; que na nota fiscal n° 681 emitida por Antonio Trimarchi temos o exemplo do carimbo aposto no verso de todas as notas fiscais onde se consigna o centro de custo, ainda anexo a esta nota fiscal temos a Planilha de Medição de Serviços onde podemos verificar que o valor pago levou em conta os dias trabalhados, horas extras, horas noturnas, viagem extra, que reforçam o entendimento de que se trata de transportador autônomo e não de locação; na nota fiscal n° 006 emitida por Trans Martinelli, observamos que se trata de nota fiscal de prestação de serviços por pessoa física, no caso, Mario Martinelli Bagatti, CPF n° 013.994.358 76, onde consta a locação de caminhão basculante de 6 dias diurno, 5 horas excedidas diurno, 2 dias noturno e 7 horas excedidas noturno; observase ainda que o recibo anexo a nota fiscal é assinada por Mário Martinelli Bagatti e Almir Rogério Costa Bagatti, e ligadas ao centro de custo 801/00. Se temos a Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 locação do caminhão por dia por que cobrar horas excedidas?, por que diferenciar diurno do noturno?, por que duas pessoas assinaram o recibo? a não ser que se trata de transportador autônomo e seu preposto. Observamos que quando da fiscalização os documentos que ensejaram os lançamentos contábeis foram apresentados completo, isto 6, com a cópia do cheque, da solicitação de pagamento, da planilha de medição de serviços, do recibo de pagamento ou de depósito ou das notas fiscais originais, e os contratos de locação. Que analisados pela fiscalização, da forma como demonstrado na amostra dos documentos anexados, concluiu tratarse de pagamento a transportador autônomo os valores escriturados como veículos locados. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.876/1999, nestas palavras: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...). III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99).” De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n° 4.032/2001: “Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.032/01). ORIGINAL § 4º A remuneração paga ou creditada a transportador autônomo pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por conta própria corresponderá ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 13 23 Alteração § 4º A remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, a que se referem os incisos I e II do § 15 do art. 9º, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros realizado por conta própria corresponderá ao valor resultante da aplicação de um dos percentuais estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros, para determinação do valor mínimo da remuneração. (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99. Ver art. 267 e Portaria/MPAS nº 1.135/01).” Já para o período compreendido até a competência 06/2001, o percentual utilizado para apuração do valor da mão de obra contida no frete, carreto ou transporte de passageiros é de 11,71%, conforme descrito no art. 267 do Decreto 3.048/99: “Art. 267. Até que o Ministério da Previdência e Assistência Social estabeleça os percentuais de que trata o § 4º do art. 201, será utilizada a alíquota de onze vírgula setenta e um por cento sobre o valor bruto do frete, carreto ou transporte de passageiros.” A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração auferida pelo segurado, conforme previsto no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Acontece, que na atividade de transporte nem tudo o que o segurado recebe corresponde à remuneração da mãodeobra; há outras despesas envolvidas como peças e combustível. Assim sendo, foi estabelecido pela Previdência Social, para o período compreendido até a competência 06/2001, o percentual de 11,71%, e após a edição do Decreto n° 4.032/2001 o valor do frete passou a 20% corresponde à mãodeobra. Caso não houvesse tal previsão, o ônus que o segurado e a empresa teriam que suportar seria muito maior, pois a base de cálculo corresponderia a 100% do frete. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Em consequência, a analisada decisão não merece reparo, devendo ser mantida em sua integralidade. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para excluir do lançamento diferenças de contribuições os fatos geradores até a competência 11/2000. e para o levantamento de contribuintes individuais (transportadores ou não) a decadência, deve ser apurada até 11/1999, no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10943.000290/200780 Acórdão n.º 2401003.218 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Decadência Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto eu como ela entendemos que havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Observese que a Relatora em relação ao levantamento que trata de diferenças de contribuição, para a contagem da decadência, aplica a regra do § 4. do art. 150 do CTN e para o levantamento relativo aos contribuintes individuais, a norma do inciso I do art. 173 do mesmo Código. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que a própria Relatora reconhece a existência de guias de recolhimento quando afirma no seu voto: “No caso ora em análise, observamos o lançamento de diferença de contribuições sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde é possível identificar pelo relatório Discriminativo analítico de débito – DAD, recolhimento de contribuições, inclusive sendo apropriadas contribuições, razão porque entendo aplicável o prazo decadencial a luz do art. 150, § 4º.” Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial, posto que se tem como inferir dos autos a existência de recolhimentos, embora não relacionados a todas as rubricas apuradas.. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Assim, considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 30/12/2005, voto pela declaração de decadência para as competências até 11/2000 para todos os levantamentos constantes no crédito previdenciário sob discussão. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 21/04/2014 por KLEBER FERREIR A DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 18470.727288/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. MAJORAÇÃO EM RAZÃO DE ÁGIO. Deve ser cancelado o lançamento se a acusação fiscal não demonstra validamente quais requisitos legais para dedução fiscal do ágio incorporado ao ativo imobilizado deixaram de ser observados.
DESPESA COM JUROS SOB EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO PELA INCORPORADA. Correta a decisão que cancela a exigência sob o fundamento de que a necessidade do empréstimo e da despesa com os respectivos juros deve ser avaliada sob a ótica da empresa incorporada.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito à dedução das despesas com amortização do ágio.
Numero da decisão: 1101-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de depreciação; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e 3) por unanimidade de votos, NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à amortização de ágio, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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MAJORAÇÃO EM RAZÃO DE ÁGIO. Deve ser cancelado o lançamento se a acusação fiscal não demonstra validamente quais requisitos legais para dedução fiscal do ágio incorporado ao ativo imobilizado deixaram de ser observados. DESPESA COM JUROS SOB EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO PELA INCORPORADA. Correta a decisão que cancela a exigência sob o fundamento de que a necessidade do empréstimo e da despesa com os respectivos juros deve ser avaliada sob a ótica da empresa incorporada. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito à dedução das despesas com amortização do ágio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de depreciação; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e 3) por unanimidade de votos, NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à amortização de ágio, votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 72 88 /2 01 1- 53 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório SÃO MARCOS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ I que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 11/10/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.024.482,25. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: B HISTÓRICO 3. É incontroverso que: "2.1. Em 31.01.2008, ANCAR IC S.A. (ANCAR) e os antigos controladores da IMPUGNANTE (VENDEDORES) celebraram contrato (CONTRATO) por meio do qual os VENDEDORES concordaram em ceder a ANCAR a totalidade das quotas do capital da IMPUGNANTE. 2.2. De acordo com a cláusula 15.6.1 do CONTRATO, os direitos e obrigações assumidos por ANCAR poderiam ser por ela transferidos a qualquer outra empresa ou entidade pertencente ao Grupo Ancar ou ao Grupo Ivanhoe Cambridge. 2.3. Em 30.07.2008, ANCAR transferiu os direitos e obrigações relativos ao CONTRATO a SPE Ancar Subsidiária S.A (SPE ANCAR), sociedade pertencente ao Grupo Ancar. No mesmo dia e em razão do cumprimento de todas as condições previstas no CONTRATO para a realização do negócio, os VENDEDORES transferiram para SPE ANCAR todas as quotas do capital da IMPUGNANTE e, em contrapartida, SPE ANCAR pagou a importância total de R$ 615.000.000,00 [Segundo o Termo de Constatação (fl. 147), a aquisição da São Marcos pela SPE Ancar ocorreu em 31/07/2008]. 2.4. Parte dos recursos utilizados por SPE ANCAR para aquisição das quotas do capital da IMPUGNANTE (R$ 112.786.264,94) foi obtida por meio de empréstimo contraído de empresa situada no exterior. 2.5. As quotas do capital da IMPUGNANTE foram adquiridas por SPE ANCAR por preço superior ao correspondente valor de patrimônio líquido contábil (PLC), razão pela qual coube a SPE ANCAR, por força da legislação em vigor, desdobrar o custo de aquisição dos investimentos na IMPUGNANTE, indicando o seu valor de PLC e o ágio então verificado, o qual teve por fundamento o fato de os bens pertencentes ao ativo da IMPUGNANTE estarem contabilmente registrados por valor inferior ao de mercado. 2.6. Em 31.07.2008, SPE ANCAR foi incorporada pela IMPUGNANTE e, em razão disso, o ágio contabilizado por SPE ANCAR acresceu o valor dos bens da IMPUGNANTE que deram causa ao pagamento do referido ágio, aumentando seu valor para fins de alienação e/ou depreciação. 2.7. Conforme Termo de Constatação anexo aos AUTOS (TERMO), com a extinção de SPE ANCAR: (i) parte do ágio foi atribuído à conta de "construções" da IMPUGNANTE, aumentando seu valor em R$ 241.370.036,50; e (ii) o referido montante foi utilizado para fins de Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 5 4 determinação das despesas de depreciação apuradas pela IMPUGNANTE no ano de 2008. 2.8. Também em razão da incorporação efetuada, a dívida contraída por SPE ANCAR, mencionada em 2.4, acima, foi sucedida pela IMPUGNANTE, tendo ela, no anocalendário de 2008, incorrido em juros no montante de R$ 4.663.638,71, os quais foram tratados como despesa dedutível para fins de apuração do IR e da CSLL do referido período. 2.9. Além dos fatos acima descritos, a IMPUGNANTE, para fins de apuração do IR e da CSLL do anocalendário de 2008, também considerou como dedutível despesa relativa à amortização de ágio oriundo de operações ocorridas em período anterior, no montante total de R$ 3.855.845,94" (Impugnação, fls. 185/187). C Glosa da despesa com depreciação 4. A fiscalização assim motivou a glosa da despesa com depreciação: " (...) a empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A foi criada em 20 de março de 2008 (vide doc. 3), foi extinta por incorporação em 31/07/2008, e teve como única finalidade constar como adquirente da empresa sob fiscalização (...) [A] criação e posterior extinção da empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A, revela inexistência de fundamento econômico, pois carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição de participação societária, ocorrida antes da incorporação (...). Temos que considerar que no presente caso ocorreu uma incorporação às avessas, em que a empresa controlada (...) incorporou a controladora (...) [Os] pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual a empresa controlada incorpora a empresa controladora imediatamente após esta ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do incorporador, de ágio de si próprio em acréscimos do imobilizado, gerando com isso despesas indevida de depreciação". (Sublinhamos, fls. 150/151). 5. A Interessada entende que a despesa em tela é dedutível porque: 4.12. (...) de acordo com Lei n° 9.532/97, a união da investidora e da investida por meio de processo de incorporação transforma o ágio fundamentado na subavaliação contábil dos ativos da empresa investida em aumento do valor dos próprios ativos que lhe deram causa, permitindo sua depreciação, amortização ou exaustão. (...) 4.22. Ou seja, o entendimento da fiscalização de que, por se tratar de incorporação inversa, o ágio pago por SPE ANCAR não poderia ser somado ao valor dos ativos da IMPUGNANTE é absurdo e afronta texto de lei (art. 8o da Lei n° 9.532/97) (...). 4.23. Quanto ao argumento de que o ágio restaria maculado pelo fato de SPE ANCAR ter participado da reestruturação, sabese que a expressa regulamentação do tratamento de ágio pago na aquisição de empresas foi extremamente importante para o processo de privatização que, na época da publicação da Lei n° 9.532/97, se encontrava em andamento no país. (...) 4.26. Os artigos 7° e 8o do referido diploma legal não exigiram qualquer propósito negocial para que as incorporações por ela disciplinadas pudessem ser efetuadas, sendo o aproveitamento do ágio por si só suficiente e justificável. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 6 5 4.27. As incorporações efetuadas logo após o processo de privatização não se justificariam senão em razão do próprio aproveitamento do ágio verificado, conforme expressamente previsto na Lei n° 9.532/97. 4.28. É evidente que as empresas adquirentes, até mesmo em razão de terem sido constituídas exclusivamente para o processo de privatização, não exerciam quaisquer das atividades que até então eram predominantemente exercidas em território brasileiro pelas estatais. Ou seja, na data em que publicada a Lei 9.532/97, já era de pleno conhecimento do governo que nenhuma sinergia operacional entre a investidora e a investida poderia ser razoavelmente apresentada para justificar as incorporações que viriam a ser efetuadas, com a consequente dedutibilidade do ágio então verificado na aquisição da empresa. 4.29. O beneficio concedido pela Lei n° 9.532/97 não foi, contudo, expressamente circunscrito à aquisição das empresas estatais, sendo aplicável a todo e qualquer caso de aquisição de empresas que viessem a ser incorporadas. 4.30. A aquisição do investimento, transferência do mesmo a empresa veículo e subsequente incorporação desta foi expressamente aceita e disciplinada de forma genérica pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como forma de o contribuinte usufruir do beneficio fiscal concedido pela Lei n° 9.532/97. Nesse sentido, o seguinte trecho da Nota Explicativa da CVM à Instrução n° 349/2001, que, apesar de se referir ao ágio fundamentado na perspectiva de rentabilidade futura da empresa investida, não destoa das razões até aqui apresentadas pela IMPUGNANTE: "Por outro lado, a criação da empresa veículo e a transferência, para esta, do investimento original e, também, do ágio permitiram que, através desse modelo de incorporação, houvesse a possibilidade do seu aproveitamento fiscal, fazendo surgir, contabilmente, uma espécie de crédito tributário fundamentado na diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social, em virtude da possibilidade da amortização desse ágio. Portanto, esse beneficio fiscal é a única parcela do ágio que poderá ser aproveitada na controlada e que tem substância econômica. Essa é também a parcela do ágio que a CVM vem entendendo, conforme estabelecido na Instrução CVM n° 319, que pode ser capitalizada em proveito exclusivo do controlador. É, portanto, somente essa parcela com substância econômica que pode ser considerada um ativo e que poderia vir a ser capitalizada." 4.32. Podese, assim, afirmar que o próprio Poder Executivo, por uma de suas autarquias (a CVM), reconhece, expressamente, que o registro de ágio por uma pessoa jurídica, inclusive um veículo criado após a aquisição dos investimentos de terceiros, com a subsequente incorporação da empresa investidora é apta a gerar a dedutibilidade do ágio nos termos dos arts. 7o e 8o da Lei n° 9.532/97, independentemente da existência de qualquer motivação negocial. (...) 4.47. Portanto, não há qualquer fundamento para a desconsideração, para efeitos fiscais, das operações realizadas no caso ora em exame, tendo em vista, não apenas a licitude dos atos praticados (expressamente contemplados pela legislação tributária e societária referida acima), como a legitimidade do negócio realizado. D Glosa de despesa com juros Para a fiscalização, a despesa com juros é indedutível porque: "5.2 Para que fosse possível que a empresa incorporada SPE Ancar IC Subsidiária S/A pudesse efetuar a compra da empresa sob fiscalização São Marcos Empreendimentos Imobiliário Ltda, uma parte dos recursos foi obtida Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 7 6 através de empréstimo no valor de R$ 112.786.264,94 (...), o qual foi emprestado pela empresa ligada Ivanhoé Brazil Capital II INC domiciliada no Canadá (...). 6 Quando ocorreu a incorporação em 31/07/2008 da empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A pela empresa sob fiscalização São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, a incorporadora São Marcos contabilizou em seu Passivo o empréstimo obtido pela incorporada SPE Ancar IC no valor de R$ 112.786.264,94, ou seja, a empresa sob fiscalização São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, apropriou despesas financeiras incidentes sobre um empréstimo que tinha sido contraído pela incorporada, empréstimo esse que se destinou a compra da própria empresa sob fiscalização. A fiscalização ressalta que esse empréstimo não trouxe nenhum benefício para a empresa sob fiscalização (São Marcos), portanto, a despesa financeira no valor de R$ 4.663.638,71 (...) não atende aos requisitos de necessidade em relação às atividades operacionais da empresa ora autuada. 7. A Interessada entende que a despesa em tela é dedutível porque: "5.1. Como visto, parte dos recursos utilizados por SPE ANCAR na aquisição das quotas do capital da IMPUGNANTE decorreu de empréstimo concedido por empresa situada no exterior. Com a incorporação de SPE ANCAR, a dívida contraída foi sucedida pela IMPUGNANTE, tendo ela incorrido, no ano de 2008, em juros no montante de R$ 4.663.638,71, o qual foi considerado como despesa dedutível para fins de apuração do IR e da CSLL do referido período. 5.2. De acordo com a fiscalização, não se poderia admitir que a IMPUGNANTE, para fins de apuração das bases de cálculo de IR e CSLL, deduzisse como despesa financeira juros relativos a empréstimo que não atenderia ao requisito de necessidade, uma vez que contraído para a aquisição de suas próprias quotas. (...) 5.11. Mas não foi isso que ocorreu. Os juros resultaram da obtenção de financiamento para a aquisição do controle de uma pessoa jurídica (IMPUGNANTE) por outra pessoa jurídica (SPE ANCAR); ou seja, resultaram de negócio pelo qual SPE ANCAR efetivamente adquiriu um ativo diretamente relacionado com a sua atividade. Por sua vez, a operação responsável pelo surgimento na IMPUGNANTE da obrigação de pagar os juros decorrentes de empréstimo não foi a aquisição de suas próprias quotas, mas sim a incorporação da SPE ANCAR. Em outras palavras: (i) a obrigação de pagar os juros é oriunda de negócio perfeitamente válido e usual, qual seja, a aquisição do controle de determinada sociedade; e (ii) a transferência para a IMPUGNANTE da obrigação de pagar juros é consequência de uma reestruturação societária também perfeitamente válida e normal, qual seja, a incorporação de empresas, que, segundo o art. 227 da Lei das S.A. (Lei 6.404, de 15.12.1976), faz com que a incorporadora suceda todos os direitos e obrigações da incorporada. (...) 5.15. Além do mais, deve ser ressaltado que não é correto afirmar que o empréstimo assumido pela IMPUGNANTE na qualidade de sucessora de SPE ANCAR não importou no recebimento de qualquer contrapartida. 5.16. Como visto, o empréstimo originalmente contraído por SPE ANCAR foi utilizado para a aquisição das quotas da IMPUGNANTE. Com a incorporação de SPE ANCAR, o ágio pago na referida operação foi, por força do que determina a legislação, atribuído aos ativos da IMPUGNANTE que lhe deram Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 8 7 causa; ou seja, o valor de patrimônio da IMPUGNANTE foi acrescido em valor muito superior ao empréstimo anteriormente contraído por SPE ANCAR, daí porque não é correto afirmar que as despesas financeiras relativas ao empréstimo assumido pela IMPUGNANTE não teriam importado em qualquer incremento patrimonial. (...) 5.18. No que se refere especificamente ao AUTO de CSLL, há ainda, outro argumento que demonstra o equívoco cometido pela fiscalização. Com efeito, ainda que as despesas financeiras em causa fossem consideradas indedutíveis para fins de IR, por não atenderem aos requisitos do art. 299 do RIR, o que se admite apenas para fins de argumentação, sua dedução não poderia deixar de ser aceita para fins de CSLL. 5.19. Isso porque, o art. 299 aplicase apenas ao IR; a legislação da CSLL não contém dispositivo semelhante, que condicione a dedutibilidade de despesas à comprovação de sua necessidade. 5.21. Temse, portanto, que, para fins de CSLL, podem ser deduzidas quaisquer despesas que tenham sido levadas em consideração na apuração do lucro líquido do exercício, ou seja, que tenham sido pagas ou incorridas, o que não se discute no caso concreto. Esta é a única condição à qual as mesmas se subordinam". E Glosa da despesa com amortização de ágio 8. Durante a fiscalização, o Interessado informou que a "base legal para a amortização [do ágio] é o inciso III, do art. 7° da Lei n° 9.532" (fl. 112). Intimado a "fornecer a documentação bem como os cálculos efetuados, que ampararam a apropriação como despesa na Ficha 06 A, no item 43 "Amortização do Ágio nas Aquisições de Investimentos avaliados pelo PL", do valor de R$3.885.845,94" (fl. 123), o Interessado anexou à sua resposta (fl. 124) "o cálculo do ágio (que foi fundamentado na expectativa de lucratividade futura), objeto do Anexo I, ágio esse que está devidamente respaldado pelo laudo técnico elaborado pela Planenge Planejamento e Engenharia de Avaliações S/C Ltda. (que constitui o Anexo II)". No referido laudo técnico, foi apurado um ágio por expectativa de rentabilidade futura no valor de R$24.735.793,00 (fl. 140), enquanto, no anexo I (fl. 125), há uma planilha (parcialmente reproduzida abaixo) em que se aloca, por shopping center, as respectivas parcelas do ágio e de sua amortização: "Valores conforme Laudo de Avaliação da São Marcos de 30/11/2000 (...) Expectativa de rentabilidade de lucros futuros POR SHOPPING 1/60 avos *** Centervale 6.602.680,21 110.044,67 Interlagos 9.036.146,87 150.602,45 Downtown 3.849.277,79 64.154,63 Botafogo 5.247.688,12 87.461,47 24.735.793,00 412.263,22 *** Valores amortizados mensalmente na São Marcos de acordo com o art. 386, inciso III, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99)" 9. Em nova intimação (fl. 145), a fiscalização reiterou o pedido de apresentação de documentação que amparasse a dedução da despesa com amortização, uma vez que "o laudo técnico fornecido não tem nenhuma relação com o ágio que pode ser amortizado, conforme dispõe o inciso III do artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda" (fl. 143). A esta intimação, o Interessado respondeu que: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 9 8 "Em relação à solicitação de apresentação complementar, vimos informar que não localizamos documentos adicionais relativos à despesa no valor de R$ 3.885.845,94 (três milhões oitocentos e oitenta e cinco mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e noventa e quatro centavos) apropriada no ano calendário de 2008, e que entendemos que os documentos apresentados em 31/08/2011, são suficientes para demonstrar a composição deste valor, que se baseia na expectativa de lucratividade futura. São esses documentos, apresentados em 31/08/2011: •Cálculo do ágio que foi fundamentado na expectativa de lucratividade futura; •Laudo técnico elaborado pela Planenge Planejamento e Engenharia de Avaliações S/C Ltda". (fl. 145) 10. No Termo de Constatação do Auto de Infração, a autoridade fiscal assim justificou a glosa da amortização: "... o laudo técnico elaborado pela Planenge Planejamento e Engenharia de Avaliações S/C Ltda, datado de 30/11/2000, o qual foi apresentado pelo contribuinte como justificativa da despesa da amortização do ágio, não dá nenhum respaldo para apropriação como despesa da referida amortização, visto que para que possam ocorrer amortizações do ágio, a pessoa jurídica tem que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, e a fiscalização ressalta que em nenhum momento a autuada comprovou que no ano de 2000, data da elaboração do laudo apresentado, tenha ocorrido qualquer operação da fusão, cisão ou incorporação. Considerando que o Laudo apresentado pela autuada não tem nenhuma relação com o inciso III do artigo 386 do RIR/99, pois o objetivo do Laudo foi o seguinte: Determinar o valor de mercado da empresa São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, com base na expectativa de lucratividade futura das projeções realizadas nos shoppings pertencentes ao seu patrimônio, portanto, não há como aceitar a Despesa de Amortização do Ágio no valor de R$ 3.885.845,94, o qual foi alocado indevidamente como despesa pelo contribuinte, pois não foi comprovado pela autuada que no ano de 2000, tenha ocorrido qualquer operação de fusão, cisão ou incorporação, que é a CONDIÇÃO NECESSÁRIA para que o contribuinte pudesse apropriar como despesa a amortização do ÁGIO conforme dispõe o inciso III do artigo 386 do RIR/99". (fl. 156). 11. O Interessado impugnou esta parte do lançamento nos seguintes termos: 6.3. Apesar de ter apresentado os documentos exigidos, a fiscalização entendeu que seria indevida a apropriação da despesa em causa, uma vez que não teria ocorrido nenhuma incorporação, cisão ou fusão que permitisse a dedutibilidade do ágio, conforme determinam os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97 (...). 6.4. Não obstante, conforme se demonstrará abaixo, o ágio em exame não só estava suportado por laudo específico, como também poderia ter sido deduzido pela IMPUGNANTE a partir do anocalendário de 2004, em razão de incorporação efetuada naquele período. 6.5. Conforme demonstra o Balancete Patrimonial anexo (DOC. 02), elaborado em fevereiro de 2004, a empresa GPK Participações S.A. (GPK), controladora da IMPUGNANTE, registrava em suas demonstrações financeiras ágio correspondente à aquisição das quotas do capital da IMPUGNANTE no montante de R$ 62.897.884,40. O ágio registrado por GPK, tal qual demonstrado pelo laudo referido pelo próprio Termo de Constatação, tem por Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 10 9 fundamento as perspectivas de rentabilidade futura da IMPUGNANTE e a existência de ativos subavaliados no patrimônio da IMPUGNANTE. Da parcela do ágio registrado por GPK, R$ 24.735.793,00 estavam fundamentados em perspectivas de rentabilidade futura da IMPUGNANTE. 6.6. Em 19.02.2004, GPK foi incorporada pela IMPUGNANTE, conforme comprovam os documentos anexos (DOC. 03); em razão disso, o valor do ágio registrado em GPK e fundamentado nas perspectivas de rentabilidade futura da IMPUGNANTE, no montante de R$ 24.735.793,00, foi contabilizado no seu ativo diferido (DOC. 04), passando a ser amortizado e deduzido fiscalmente. 6.7. O procedimento acima adotado está em consonância com o que dispõem o inciso III do art. 7° e com o art. 8° da Lei n° 9.532/97. 6.8. Em suma, o único motivo que levou a fiscalização a glosar as despesas de amortização em causa, qual seja, a inocorrência de processos de incorporação, fusão ou cisão que permitiriam a dedutibilidade do ágio em causa, está equivocado, já que, conforme comprovado, a GPK, controladora da IMPUGNANTE, foi por ela incorporada no anocalendário de 2004, devendo ser cancelados os respectivos débitos de IR e CSLL exigidos pelos AUTOS". (fls. 209/210). Os documentos 02, 03 e 04, a que o Interessado se refere, encontramse às fls. 238, 239/257 e 258/262. A Turma Julgadora acolheu parcialmente estes argumentos aduzindo que: · Não se confirma a acusação de inexistência de fundamento econômico para o ágio pago em razão de maisvalia de bens do ativo da investida (ora autuada) porque a maisvalia foi estipulada por meio de uma negociação entre partes independentes; · O art. 8o, “b” da Lei nº 9.532/97 autoriza a amortização de ágio nos casos em que a controlada incorpora a controladora, e em tais condições o ágio de si própria com fundamento em maisvalia deve ser registrado em contrapartida à conta do bem que lhe deu causa; · Com referência à necessidade de propósito negocial, o legislador, ao aprovar os arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, considerou operações de incorporação, fusão e cisão cercadas pelas circunstâncias que normalmente às acompanham, isto é, operações realizadas por meio do exercício regular do direito de autoorganização. Entretanto, se o contribuinte tiver como finalidade única ou preponderante pagar menos impostos, estará abusando do seu direito de autoorganização. Vale dizer, estará cometendo um ato ilícito, e, consequentemente, não poderá beneficiarse dos seus efeitos. Se pretendia, por exemplo, deduzir uma despesa, esta tornarseá indedutível. · ... a Ancar assumiu o compromisso de comprar todas as quotas da São Marcos, mas em vez de simplesmente pagar o preço, a Ancar optou por tornarse quotista da São Marcos seguindo caminho diverso, permitindo questionar com que finalidade a SPE Ancar foi criada e recebeu o direito de compra da São Marcos se a aquisição podia ser feita diretamente pela Ancar e a SPE Ancar Shopping? Porque, na verdade, essas operações não se prestaram a alcançar o objetivo negocial. Em vez disso, serviram apenas para que a São Marcos pudesse economizar tributos, depreciando os bens que deram origem ao ágio. Presente, portanto o abuso do direito de auto organização, ato ilícito que torna indedutível a despesa de depreciação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 11 10 · ... não houve na Instrução CVM 349/2001, tampouco em na sua Nota Explicativa, o reconhecimento da dedutibilidade do ágio. Não houve, nem poderia haver, pois não compete à CVM regulamentar a apuração do lucro tributável, seja pelo IRPJ, seja pela CSLL. O que a CVM regulamentou foi o tratamento contábil do ágio e do deságio, para os casos em que o contribuinte faz jus ao benefício fiscal. Vale dizer, se o ágio for dedutível, deverá receber o tratamento contábil estabelecido na Instrução CVM 319/1999, com alterações da Instrução CVM 349/2001. Mas quem se pronuncia sobre a dedutibilidade do ágio é, num primeiro momento, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela fiscalização, e posteriormente, caso haja litígio, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Logo, como não há, por parte dessas autoridades, o reconhecimento que o Interessado menciona, seu segundo contraargumento também não prospera. · Com referência às despesas de juros, não se pode afirmar que o Interessado tenha contraído um empréstimo para adquirir suas próprias quotas. Em vez disso, está provado nos autos que a mutuária foi a SPE Ancar, para a qual o empréstimo era necessário, uma vez que não dispunha de capital suficiente para realizar a operação (Vide balanço patrimonial de fls. 108/109). Além disso, o fato de a despesa não ter gerado receita, não a torna indedutível. Isso pode ser constatado considerandose a situação em que uma empresa toma um empréstimo para adquirir certa participação societária, com a finalidade de receber dividendos, mas não os recebe porque a investida passa a ter prejuízos. Embora a despesa de juros fosse indedutível porque transferida da SPE para a autuada através de atos ilícitos, esta não foi a motivação fiscal para a glosa, que assim deve ser afastada. · Quanto à amortização de ágio, além da inocorrência de incorporação, fusão ou cisão, a glosa justificase porque os documentos apresentados não esclarecem como a despesa de R$ 3.885.845,94 foi apurada a partir do valor da expectativa de rentabilidade futura. Por sua vez, a documentação acrescentada ao processo é insuficiente para que se verifique se o Interessado faz jus à dedução de R$ 3.885.845,94 porque diz respeito apenas à incorporação da GPK pela São Marcos. Para decidir se o valor em questão é dedutível, é necessário examinar também a documentação referente à formação do ágio, ou seja, os documentos que registram a aquisição da São Marcos por valor superior ao de seu patrimônio líquido. É necessário averiguar, por exemplo, se a São Marcos e seu adquirente eram partes independentes ou se estavam sob controle comum. Neste último caso, temos o chamado ágio interno, cujas amortizações são indedutíveis. Divergiu o Julgador Jacog Frajdenberg, que afastava a glosa de despesa com depreciação, apresentando declaração de voto na qual conclui não ver qualquer ilegalidade, qualquer abuso de direito, em que o Grupo Ancar, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, tivesse seguido, assim como outras empresas o fizeram, exatamente o que foi feito no processo de privatização das empresas estatais, planejamento regular mediante a utilização da empresa veículo (SPE Ancar), uma vez que não resultou em aparecimento de novo ágio, tampouco em economia de tributo diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo (SPE Ancar). A reversão da glosa de despesas com juros ensejou exoneração de crédito tributário em montante superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, motivo pelo qual a decisão foi submetida a reexame necessário. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 12 11 Cientificada da decisão de primeira instância a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/07/2013 (fls. 304/342). Reprisando as digressões que fez em sua impugnação acerca da disciplina legal do ágio e seu aproveitamento fiscal, a recorrente traça o histórico do tratamento tributário dado ao tema, reportase ao processo de privatização e à constituição de empresas exclusivamente para aquisição das estatais, inclusive em razão de exigência dos editais de privatização, de modo que o governo brasileiro já tinha ciência de que nenhum propósito relevante poderia ser apresentado para que as incorporações disciplinadas por seus artigos 7o e 8o pudessem ser efetuadas, sendo o aproveitamento do ágio por si só suficiente e justificável. Cita projeto de lei para revogação do inciso III do art. 7o da Lei nº 9.532/97 e a abordagem do tema pelo Conselheiro Valmir Sandri no acórdão nº 1301000.711, ressaltando que o tratamento fiscal da questão não ficou limitado à aquisição de empresas estatais, bem como que a CVM expressamente admitiu o uso de empresa veículo nas reestruturações societárias. Frente a tal contexto, argumenta que a decisão não contradiz os argumentos apresentados na impugnação acerca dos objetivos da Lei nº 9.532/97, observa não ter afirmado que competiria à CVM regular a apuração das bases de cálculo do IRPJ ou da CSLL, e discorda do aparente entendimento, contido na decisão, de que o procedimento contábil detalhado pela Nota Explicativa da CVM à Instrução nº 349/2001 somente seria aplicável às hipóteses em que, segundo as próprias autoridades fiscais, fosse possível o aproveitamento fiscal do ágio. Aduz que a única razão apresentada pela Fiscalização para a glosa foi a utilização de empresa veículo, observa que a CVM tratou expressamente dos benefícios fiscais obtidos em tais circunstâncias, e que, assim, o próprio Poder Executivo, por meio de uma de suas autarquias, reconheceu registros como os questionados, independentemente da existência de motivação negocial. Confronta a decisão recorrida afirmando que a fruição do benefício fiscal seria possível mesmo que a utilização do veículo não tivesse ocorrido, pois bastaria que a investidora adquirisse diretamente a investida e a incorporasse (ou viceversa). A escolha por um dos modelos atende a critérios eminentemente societários e não acarreta qualquer prejuízo ao fisco, pois, como visto, o benefício fiscal poderia ser aproveitado caso um ou outro modelo fosse adotado. Cita a declaração de voto integrada ao acórdão recorrido e invoca julgados deste Conselho favoráveis ao reconhecimento do benefício fiscal se ele é garantido por lei em razão de ágio efetivo, perquirindose sua origem e não a forma de seu aproveitamento (Acórdãos nº 1301000.999, 110100.354, 140200.802, 1402001.310, 1402001.264 e 120100.689). No presente caso o ágio teve origem em operação realizada entre partes não relacionadas (SPE ANCAR e VENDEDORES) e mediante o efetivo pagamento aos vendedores de quantia superior ao PLC da RECORRENTE, inexistindo também qualquer questionamento acerca do fundamento do ágio. Acrescenta que nos Acórdãos nº 1301001.224 e 110100.708 este Conselho já admitiu o aproveitamento de ágio até mesmo em operações realizada entre partes relacionadas e com a utilização de empresa veículo. Com referência à amortização do ágio decorrente de operações efetuadas em períodos anteriores, observa que demonstrou em impugnação o equívoco do único motivo apresentado pela Fiscalização para a glosa (inocorrência de processos de incorporação, fusão ou cisão). A decisão recorrida, porém, entendeu não ser este o único motivo, mas tal postura não reflete as razões apresentadas pelo Termo de Constatação para a lavratura dos AUTOS. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 13 12 Acrescenta que durante o processo de fiscalização, as autoridades jamais questionaram ou mesmo solicitaram documentos relacionados à formação do ágio, inclusive no que se refere à comprovação de que ele teria decorrido de uma operação de aquisição entre partes independentes com pagamento do valor respectivo. Entende evidente a inovação, observa que nada foi dito na acusação acerca de ágio interno, e afirma a incompetência da autoridade julgadora para agravar, modificar ou aperfeiçoar o lançamento. Cita jurisprudência e pede o cancelamento integral da exigência. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 14 13 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inexiste, nos autos, demonstração do meio utilizado para ciência, à contribuinte, da decisão da contribuinte. Em conseqüência, a autoridade administrativa adotou como tal a data informada pela recorrente em sua defesa (14/06/2013, fl. 305). Por tais razões, o recurso voluntário interposto em 12/07/2013 deve ser considerado tempestivo. A primeira infração apontada no lançamento corresponde a glosa de despesas de depreciação, com fundamento no art. 309 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 309. A quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional será determinada mediante a aplicação da taxa anual de depreciação sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (Lei nº 4.506,de 1964, art. 57,§1º). Os ativos da autuada foram majorados em razão da incorporação de SPE Ancar IC, em cujo patrimônio estava contabilizado ágio pago na aquisição do investimento na São Marcos, no montante de R$ 461.096.397,37, o qual foi atribuído aos ativos da São Marcos e da Curicica, igualmente vertidos para a São Marcos. Em virtude desta operação, o saldo da conta “Terrenos” passou de R$ 24.811.164,15 para R$ 193.201.296,38, e o saldo da conta “Edificações e Construções” passou de R$ 151.210.378,37 para R$ 440.042.966,52. O aumento assim promovido na conta de “Edificações e Construções” ensejou depreciação indevida de R$ 4.030.879,61, no anocalendário 2008. A Fiscalização relata que o contrato de compra e venda das quotas da autuada formalizado em 31/01/2008 teria como comprador original Ancar IC S/A, e nele estava prevista a possibilidade desta transferir os direitos e obrigações daí decorrentes a qualquer empresa do Grupo Ancar ou Ivanhoe Cambridge, em virtude da qual tais direitos e obrigações foram transferidos à SPE Ancar IC Subsidiária S/A, em 31/07/2008. Mais à frente, ao tratar da glosa de despesas de juros, informa que SPE Ancar IC Subsidiária S/A obteve empréstimo de R$ 112.786.264,94 junto a Ivanhoe Brazil Capital II Inc, domiciliada no Canadá, utilizado integralmente para a compra das quotas antes referida. Estas ocorrências evidenciam que o real adquirente da participação societária não foi a SPE Ancar IC Subsidiária S/A, pessoa jurídica que, como dito pela Fiscalização, foi criada em 10/03/2008 com a única finalidade de constar como compradora da autuada em 31/07/2008, sendo extinta por incorporação nesta mesma data. Todavia, a autoridade fiscal não aponta esta irregularidade para negar efeitos à incorporação e, por conseqüência, à dedução do ágio incorporado aos ativos depreciados. Os seguintes excertos do Termo de Constatação Fiscal evidenciam os motivos da glosa aqui procedida: 2 – A fiscalização esclarece que a empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A, foi criada em 10 de março de 2008 (doc. 3), e a única finalidade da criação da citada empresa, foi constar como compradora em 31 de julho de 2008, da empresa sob fiscalização São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, cabendo ressaltar que no mesmo dia (31/07/2008) em que a empresa São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda foi adquirida pela empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A a Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 15 14 empresa São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, incorporou a empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A, ou seja, a controlada incorporou a controladora, e em virtude da incorporação a empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A foi extinta. [...] 4 – A fiscalização ressalta que quando a SPE Ancar IC Subsidiária S/A adquiriu a empresa São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, através da compra efetuada em 31/07/2008, vide aditivo no doc. 2, ocorreu um ágio no valor de R$ 461.096.397,37, vide ficha 36 A – Ativo da DIPJ do AnoCalendário 2008 da empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A no doc. 5, e que abaixo transcrevo: [...] 5 – A fiscalização ressalta que a criação em 10/03/2008 da empresa SPE Ancar IC Subsidiária (doc. 3) e sua posterior extinção por incorporação em 31/07/2008 pela sua controlada São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa sob fiscalização, (doc. 4), revela inexistência de fundamento econômico, pois carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição de participação societária, ocorrido antes da incorporação, portanto, o ágio ocorrido no valor de R$ 461.096.397,37, não pode acarretar nenhum benefício fiscal na incorporadora São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda. [...] 7 – Tendo em vista que ágio ocorrido quando de compra em 31/07/2008, da empresa São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda pela empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A foi de R$ 461.096.397,37 [...], vide item 5 acima, quando ocorreu a incorporação às avessas em 31/07/2008, quando a empresa controlada São Marcos incorporou a empresa controladora SPE Ancar IC subsidiária S/A, a empresa incorporadora São Marcos Empreendimentos Imobiliários alocou o ágio de si própria que tinha o valor de R$ 461.096.397,37 nos seus ativos terrenos e edificações, sendo que tal fato encontrase mencionado no Protocolo de Incorporação, vide item 6 acima. [...] Conclusão – A fiscalização ressalta que a empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A foi criada em 20 de março de 2008 (vide doc. 3), e foi extinta por incorporação em 31/07/2008, e teve como única finalidade constar como adquirente de empresa sob fiscalização São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda, vide item 2 acima, a criação e posterior extinção da empresa SPE Ancar IC Subsidiária S/A, revela inexistência de fundamento econômico, pois carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição de participação societária, ocorrida antes da incorporação, vide item 5 acima. Temos que considerar que no presente caso ocorreu uma incorporação às avessas, em que a empresa controlada (sob fiscalização) São Marcos Empreendimentos Imobiliárias Ltda incorporou a controladora SPE Ancar IC Subsidiária S/A, é necessário atentar que os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação às avessas, na qual a controlada incorpora a empresa controladora imediatamente após esta ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica a contabilização, por parte do Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 16 15 incorporador, de ágio de si próprio em acréscimos do imobilizado, gerando com isso despesas indevidas de depreciação. Como se vê, os motivos para a glosa são, basicamente: 1) o fato de SPE Ancar IC Subsidiária S/A ter sido constituída em 10/03/2008 e extinta em 31/07/2008, intervalo no qual prestouse apenas à aquisição de participação societária na autuada com ágio, e 2) a incorporação às avessas da controladora (SPE Ancar IC Subsidiária S/A) pela controlada (autuada), ensejando a contabilização nesta de ágio de si próprio. Em seu entender, o primeiro aspecto revela inexistência de fundamento econômico, pois carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, restando maculado o ágio, e o segundo aspecto prejudicaria os pressupostos do ágio, que são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. A autoridade fiscal em momento algum reportase às disposições do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), acerca do tratamento do ágio decorrente de aquisição de participações societárias: Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 17 16 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso IIl do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). [...] Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 18 17 Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). O art. 386 do RIR/99, por sua vez, admite a redução do lucro tributário em razão de ágio, nos casos em que a pessoa jurídica incorpore outra na qual detenha participação societária adquirida com ágio, desde que ele tenha fundamento em rentabilidade futura ou esteja vinculado a ativo imobilizado sujeito a depreciação. O §6o do referido dispositivo, em seu inciso II, expressamente estende esta possibilidade aos casos em que a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Resta patente, nestes termos, que a segunda irregularidade apontada pela Fiscalização, classificada como “incorporação às avessas” e associada ao aproveitamento de “ágio de si próprio”, é expressamente admitida por lei. Sempre que a empresa incorporada for aquela que detinha a propriedade da participação societária, a incorporadora será, necessariamente, a investida, e em conseqüência subsistirá no ativo desta o ágio pago em razão de sua rentabilidade futura ou da maisvalia de seus ativos. Quanto aos demais requisitos legais, como visto, a autoridade fiscal não questionou o fundamento econômico do ágio. Sua argumentação parece pretender desconstituir a própria aquisição de participação societária, na medida em que a adquirente era pessoa jurídica que existiu por pouco mais de quatro meses, prestandose apenas à aquisição de participação societária na autuada com ágio, e posterior incorporação. Todavia, a lei tributária não estabelece, e nem poderia, exigir que o adquirente da participação existisse por mais tempo ou se destinasse a outras atividades, pois assim estaria interferindo na liberdade de contratação. Em verdade, a existência efêmera do adquirente e sua finalidade específica são indícios de que a adquirente seria outra pessoa, física ou jurídica. A autoridade julgadora de 1a instância identificou, nos autos, os efeitos das operações assim realizadas, rejeitando os argumentos opostos pela impugnante contra a ausência de propósito negocial com a seguinte conclusão: 36. No caso sob análise, a Ancar assumiu o compromisso de comprar todas as quotas da São Marcos, havendo a possibilidade de a obrigação ser adimplida por outra empresa do seu próprio grupo ou do grupo Ivanhoé Cambrige. No fechamento, atendidas todas as condições previstas no contrato, a Ancar ou outra empresa de um aqueles grupos, tornarseia proprietária de 100% das quotas da São Marcos, bastando, para tanto, que o preço fosse pago. 37. Contudo, em vez de simplesmente pagar o preço, a Ancar optou por tornarse quotista da São Marcos seguindo caminho diverso: após a assinatura do contrato de compra e venda da São Marcos, ocorrida em 31/01/2008 (fl. 34), foi criada, em 10/03/2008 (fl. 268), a empresa SPE Ancar, que, em 31/07/2008, substituiu a Ancar na compra da São Marcos, por meio do aditivo de fls. 84/97. Na mesma data, a São Marcos incorporou a SPE Ancar (Protocolo de fls. 99/105), de modo que os Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 19 18 acionistas desta que eram a própria Ancar e a SPE Ancar Shopping Centers S.A. (fls. 271/272) tornaramse quotistas daquela. Entretanto, bastaria que Ancar e SPE Ancar Shopping comprassem a São Marcos para que as primeiras se tornassem quotistas da última. 38. Tendo em vista o objetivo negocial (a compra da São Marcos pela Ancar e SPE Ancar Shopping) cabe perguntar: Com que finalidade a SPE Ancar foi criada e recebeu o direito de compra da São Marcos se a aquisição podia ser feita diretamente pela Ancar e a SPE Ancar Shopping? Porque, na verdade, essas operações não se prestaram a alcançar o objetivo negocial. Em vez disso, serviram apenas para que a São Marcos pudesse economizar tributos, depreciando os bens que deram origem ao ágio. 39. Assim, se constata que o ágio pago pela Ancar chegou ao patrimônio da São Marcos por meio de operações realizadas com abuso do direito de auto organização, em que institutos jurídicos (constituição de empresa, compra e venda) foram utilizados para alcançar finalidade diversa daquela para a qual foram criados. Dessa forma, a falta de propósito negocial caracterizou o abuso de direito, e este, por ser ato ilícito, tornou indedutível a despesa com depreciação. Correta, portanto, a glosa em questão, salvo se algum outro argumento do interessado recomendar o seu afastamento. A Fiscalização, porém, nada argumentou neste sentido, impedindo que nesta fase processual sejam invocadas as evidências contidas no contrato original de compra e venda de participação societária, no qual figurava como comprador original Ancar IC S/A, e estava autorizada a transferência dos direitos e obrigações decorrentes a qualquer empresa do Grupo Ancar ou Ivanhoe Cambridge, ou mesmo reforçar a acusação fiscal com a constatação, no âmbito da outra glosa promovida nestes autos, de que SPE Ancar IC Subsidiária S/A obteve empréstimo junto a Ivanhoe Brazil Capital II Inc, domiciliada no Canadá, para a compra da participação societária antes referida. Por tais razões, não é possível, aqui, rebater as alegações da recorrente no sentido de que as operações, por ela realizadas, são semelhantes às realizadas nas privatizações de estatais, e de que a Comissão de Valores Mobiliários expressamente admitiu o uso de empresa veículo nas reestruturações societárias. Esta Relatora já se manifestou contrariamente à dedução fiscal do ágio em casos semelhantes, mas nos quais a autoridade fiscal centrou a acusação na utilização de empresa veículo e na conseqüente duplicação do investimento, e do ágio nele incluído, que se verifica na adquirente efetiva do investimento e na investida, após a incorporação da empresa veículo: TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (Acórdão nº 110100.899, sessão de 11/06/2013) TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 20 19 verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (Acórdão nº 110100.936, sessão de 10/09/2013) TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original.(Acórdão nº 110100.942, sessão de 11/09/2013). Aqui, porém, a acusação fiscal está incompleta, pois embora vislumbre maculado o ágio por inexistência de fundamento econômico, pois carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, não confronta esta situação fática com a norma legal de modo a demonstrar qual requisito para dedução fiscal do ágio (quer como amortização, ou como depreciação) deixou de ser atendido. Assim, como diz a recorrente, a única razão subsistente, apresentada pela Fiscalização para a glosa, foi a utilização de empresa veículo, mas esta ocorrência, sem a demonstração de seus efeitos, é insuficiente para motivação da glosa. Em tais condições, rebater os argumentos da recorrente com base em elementos que não integram a acusação Fiscal representaria clara inovação do lançamento, vedada nesta fase processual. Isto porque a motivação é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1o, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2001 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. Impõese, assim, a conclusão de que a acusação fiscal não reúne argumentação suficiente para justificar a glosa das depreciações decorrentes do ágio incorporado ao seu ativo imobilizado, devendo ser cancelado, por vício material, o lançamento referente a esta parcela. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à primeira infração apontada no lançamento. A segunda infração decorre da glosa de despesas de juros, e foi afastada no julgamento de 1a instância, com base nos seguintes argumentos: G. Glosa de despesa com juros Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 21 20 43. A fiscalização argumenta que uma empresa não tem necessidade de adquirir suas próprias quotas, logo é igualmente desnecessário contrair empréstimo para realizar a aquisição, e, consequentemente, desnecessária é a despesa com os respectivos juros. Acrescenta que a despesa glosada não está associada a qualquer receita do Interessado, o que reforça sua desnecessidade. 44. Contudo, não se pode afirmar que o Interessado tenha contraído um empréstimo para adquirir suas próprias quotas. Em vez disso, está provado nos autos que a mutuária foi a SPE Ancar, para a qual o empréstimo era necessário, uma vez que não dispunha de capital suficiente para realizar a operação (Vide balanço patrimonial de fls. 108/109). Além disso, o fato de a despesa não ter gerado receita, não a torna indedutível. Isso pode ser constatado considerandose a situação em que uma empresa toma um empréstimo para adquirir certa participação societária, com a finalidade de receber dividendos, mas não os recebe porque a investida passa a ter prejuízos. 45. Entendo que a despesa com juros é indedutível porque foi transferida da SPE para o Interessado através de atos ilícitos, uma vez que praticados com abuso do direito de autoorganização, porém esta razão não foi invocada pelo autuante. Assim, como os motivos apresentados pela fiscalização não justificam adequadamente a glosa, esta deve ser afastada. Não há reparos à decisão recorrida. Também aqui, como demonstrado, a acusação fiscal não reuniu motivação suficiente para justificar a glosa de despesas de juros. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. A terceira infração decorre da glosa de amortização de ágio apropriada indevidamente no anocalendário 2008, no valor de R$ 3.885.845,94, por ofensa ao disposto no art. 386, inciso III do RIR/99. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a fornecer a documentação, bem como os cálculos efetuados, que ampararam a apropriação como despesa na Ficha 06 A, no item 43 “Amortização do ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL”, do valor de R$ 3.885.845,94. A contribuinte apresentou documento referente ao cálculo do ágio, afirmando sua fundamentação em rentabilidade futura, e, observando que o laudo era datado de 30/11/2000, a autoridade fiscal lavrou nova intimação, aduzindo que o laudo técnico fornecido não tem nenhuma relação com o ágio que pode ser amortizado, conforme dispõe o inciso III do artigo 386 do RIR/99 (fl. 143), e exigindo a apresentação de documentação que o ampare. A contribuinte respondeu que não localizou documentos adicionais e que entendia que os documentos apresentados são suficientes para demonstrar a composição deste valor, que se baseia na expectativa de rentabilidade futura. A documentação apresentada corresponde a planilha de cálculo no qual os shoppings de propriedade da autuada são avaliados pelo fluxo de caixa descontado e comparados com seu valor imobilizado, resultando na diferença de R$ 24.735.793,00 a título de expectativa de rentabilidade futura, distribuída entre as unidades e rateada à razão de 1/60 avos, de modo a totalizar a dedução mensal de 412.263,27. O laudo que a acompanha, elaborado por Planenge Planejamento e Engenharia de Avaliações S/C Ltda, tendo como data de referência novembro/2000, traz em seu preâmbulo a informação de que a própria autuada seria a solicitante da avaliação de seu valor de mercado. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 22 21 A autoridade fiscal, assim, validamente concluiu que a documentação era insuficiente, visto que para que possam ocorrer amortizações do ágio, a pessoa jurídica tem que absorver o patrimônio de outra, em virtude incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, e a contribuinte não comprovou que no ano de 2000, data da elaboração do laudo apresentado, tenha ocorrido qualquer operação de fusão, cisão ou incorporação. Impugnando a exigência, a contribuinte apresentou documentação insuficiente para sustentar a dedução, como claramente exposto na decisão recorrida: H Glosa de despesa com amortização de ágio H.1 Delimitação do litígio 46. O Interessado alega que o único motivo para a glosa foi a inocorrência de processos de incorporação, fusão ou cisão. Contudo, a motivação não foi apenas essa. 47. Intimado a informar a base legal e a apresentar os cálculos e documentos que ampararam a dedução de R$3.885.845,94 a título de "Amortização do Ágio nas Aquisições de Investimentos avaliados pelo PL" (Intimações de fls. 110/111 e 123), o Interessado apontou o art. 7°, III, da Lei 9.532/97 e apresentou dois documentos: a) O Laudo da Avaliação Patrimonial de fls. 126/142, cujo objetivo era determinar o valor de mercado do Interessado em de 30/11/2000, e no qual se apura uma "Expectativa de rentabilidade de lucros futuros (shoppings)" de R$24.735.793,00 (fl.140); b) A planilha da fl. 125, em que se calcula quanto da expectativa total competia a cada shopping, bem como o valor da amortização mensal. 48. Tais documentos não justificam a amortização efetuada, pois nem sequer esclarecem como a despesa de R$3.885.845,94 foi apurada a partir do valor da expectativa de rentabilidade futura. 49. Considerando a base legal indicada e a intimação para fornecer os respectivos cálculos e documentos, o Interessado deveria ter (1°) demonstrado como apurou o valor de R$3.885.845,94; e (2°) apresentado documentação suficiente para comprovar os fatos constitutivos do seu direito à dedução. Entretanto, como vimos, não logrou desincumbirse de quaisquer desses ônus, o que motivou, de fato, a glosa da despesa. Ressaltese ainda que o autuante, ao registrar os motivos do lançamento (fl. 156), destaca que a ocorrência de uma operação de fusão, cisão ou incorporação é apenas condição necessária, ou seja, a comprovação de um daqueles eventos não é condição suficiente para que o Interessado possa apropriar como despesa a amortização do ágio. H.2 Insuficiência da documentação apresentada 50. Feitas as devidas ressalvas quanto aos motivos para a glosa da amortização, passamos examinar os novos documentos apresentados pelo Interessado, com o propósito de verificar se foi comprovado o direito à dedução dos R$3.885.845,94. Os documentos são os seguintes: I. (Fl. 238) "Balanço Patrimonial em 28 de fevereiro de 2004" da GPK Participações S/A.; II. (Fls. 239/240) "Ata da assembléia geral extraordinária [da GPK] realizada em 19 de fevereiro de 2004". Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 23 22 III. (Fls. 241/245) "Protocolo de incorporação do patrimônio da GPK Participações S.A. pela São Marcos Empreendimentos Imobiliários Ltda. e sua justificação"; IV. (Fls. 246/247) "Laudo de avaliação da GPK Participações S.A.". V. (Fls. 248/257) "34ª alteração contratual da São Marcos Empreendimento Imobiliários Ltda."; VI. (Fls. 258) Conta "Ágio Expectativa rentabilidade futura" do Livro Razão do Interessado, referente ao período de 01/02/2004 a 28/02/???? (não consta o ano da data final); VII. (Fls. 259/262) Balancete do Interessado, sem o período de referência. 51. A documentação acrescentada ao processo é insuficiente para que se verifique se o Interessado faz jus à dedução de R$3.885.845,94 porque diz respeito apenas à incorporação da GPK pela São Marcos. Para decidir se o valor em questão é dedutível, é necessário examinar também a documentação referente à formação do ágio, ou seja, os documentos que registram a aquisição da São Marcos por valor superior ao de seu patrimônio líquido. É necessário averiguar, por exemplo, se a São Marcos e seu adquirente eram partes independentes ou se estavam sob controle comum. Neste último caso, temos o chamado ágio interno, cujas amortizações são indedutíveis. 52. Com os documentos apresentados pelo Interessado, não se sabe: (1) quem adquiriu a São Marcos, pagando o ágio cuja amortização foi glosada; (2) qual foi o custo de aquisição, que não se confunde necessariamente com o valor pericial; (3) a data em que a operação ocorreu; e (4) se a São Marcos e seu adquirente estavam sob controle comum. Como a relevância desse último item não é evidente, explicaremos, na próxima seção, por que a dedutibilidade das amortizações tem como requisito a independência entre as partes. H3 Ágio interno [...] H4 Conclusão 62. Com a documentação apresentada, o Interessado não logrou comprovar seu direito à dedutibilidade das amortizações, logo as respectivas glosas devem ser mantidas. Como dito pelo fiscal autuante, para que possam ocorrer amortizações do ágio, a pessoa jurídica tem que absorver o patrimônio de outra, em virtude incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. Assim, cumpria à contribuinte demonstrar a ocorrência de operação de fusão, cisão ou incorporação, mas isto, logicamente, envolvendo pessoa jurídica que detenha participação societária adquirida com ágio. Logo, não se verificou qualquer inovação na decisão recorrida. Ao deixar de apresentar à Fiscalização a prova das operações que poderiam atribuir algum efeito fiscal ao laudo de rentabilidade futura antes referido, a contribuinte sujeitouse à verificação, no curso do contencioso administrativo, dos requisitos de dedutibilidade fixados na legislação tributária para a dedução pretendida. Imprópria a afirmação, da recorrente, de que durante o processo de fiscalização, as autoridades jamais questionaram ou mesmo solicitaram documentos relacionados à formação do ágio, inclusive no que se refere à comprovação de que ele teria Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18470.727288/201153 Acórdão n.º 1101001.075 S1C1T1 Fl. 24 23 decorrido de uma operação de aquisição entre partes independentes com pagamento do valor respectivo. A Fiscalização expressamente observou, na intimação de fl. 143, que o laudo técnico fornecido não tem nenhuma relação com o ágio que pode ser amortizado, conforme dispõe o inciso III do artigo 386 do RIR/99 (fl. 143), e exigiu a documentação correspondente, qual seja, a que demonstra o atendimento dos requisitos expressos no art. 386, inciso III do RIR/99. Na medida em que a rentabilidade futura foi aferida em novembro/2000, necessariamente a aquisição deveria ter sido realizada àquela época, para que o valor pago pela investida pudesse gerar um ágio com aquele fundamento. Contudo, não bastasse o laudo ter sido requerido pela própria autuada, e não por sua eventual adquirente, nenhum dos documentos apresentados na impugnação, acima relatados, faz referência a tal operação. Os registros somente indicam que a autuada teria incorporado GPK Participações S/A em 2004, mas nada evidenciam acerca de eventual ágio pago por esta, no anocalendário 2000, para aquisição de participação societária na autuada, nem provam a sua manutenção no patrimônio da investidora até o momento da referida incorporação. Em conseqüência, também não é possível aferir se houve efetiva negociação entre as partes àquela época, ou se elas seriam partes independentes. A recorrente não junta qualquer outro esclarecimento em sua defesa, e limita se a alegar a existência de inovações na decisão recorrida, irregularidade que, como visto, não se verificou. Por tais motivos, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à terceira infração indicada no lançamento. Diante de todo o exposto, deve ser dado PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11080.900705/2010-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 07 05 /2 01 0- 82 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900705/201082 Acórdão n.º 3803005.916 S3TE03 Fl. 816 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 18 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900705/201082 Acórdão n.º 3803005.916 S3TE03 Fl. 817 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900705/201082 Acórdão n.º 3803005.916 S3TE03 Fl. 818 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900705/201082 Acórdão n.º 3803005.916 S3TE03 Fl. 819 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900705/201082 Acórdão n.º 3803005.916 S3TE03 Fl. 820 11 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12269.003413/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA.
O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA. O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Negado
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RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA. O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO EM ATRASO. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. PROCEDÊNCIA. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35, II da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 34 13 /2 00 8- 40 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 275 3 Relatório Período de apuração: 01/10/2003 a 28/02/2007 Data da lavratura do AIOP: 25/08/2008. Data da Ciência do AIOP: 25/08/2008. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela DRJ/POA pelo Sujeito Passivo do crédito tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.124.2010, consistente em acréscimos legais – juros e multa moratórios decorrentes de recolhimentos em atraso de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, conforme discriminado no Relatório intitulado DAL – Diferença de Acréscimos Legais, a fls. 101/116. Originariamente, o vertente Auto de Infração promoveu o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, conforme dispõe o art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, além de Diferenças de Acréscimos Legais sobre contribuições recolhidas em atraso. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 138/151. O Auto de Infração originário, AIOP n° 37.124.2010, foi desmembrado em razão de o contribuinte ter apresentado impugnação onde não contestava o levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais, referente a diferenças apuradas em guias da Previdência Social pagas em atraso, conforme Termo de Desmembramento a fl. 155, de molde que a parte do crédito previdenciário incontroversa permaneceu neste mesmo AIOP n° 37.124.2010, totalizando R$ 91.939,93 (noventa e um mil novecentos e trinta e nove reais e noventa e três centavos), enquanto que a parte impugnada tempestivamente passou a integrar o Auto de Infração de n° 37.199.2958, no valor de R$ 6.275.465,70 (Seis milhões duzentos e setenta e cinco mil quatrocentos e sessenta e cinco reais e setenta centavos ), em valores atualizados para 08/2008, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 12269.0041361200892, o qual foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, para análise da impugnação e emissão de acórdão de 1ª Instância. Ato contínuo, ao débito integrante deste AIOP n° 37.124.2010 foi dado prosseguimento à cobrança. Em razão de provimento judicial a fls. 220/223, que entendeu que o AIOP originário n° 37.124.2010 houvera sido impugnado administrativamente por inteiro, o presente processo foi encaminhado, com o cancelamento da inscrição em Dívida Ativa, à DRJ/POA/RS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1020.639 – 8ª Turma da DRJ/POA, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a fls. 230/235, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 246/248, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a recente Lei nº 11.941/2009 alterou os percentuais de multa aplicados ao caso; · Que o Auto de Infração em questão é absolutamente nulo na medida em que não restou informado no lançamento a fundamentação legal para a cobrança, bem como a data correta para o vencimento do crédito tributário supostamente pago em atraso. Ao fim, requer a reforma da Decisão de 1ª Instância Administrativa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 276 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme assim atesta o documento a fl. 256. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Alega o Recorrente que Auto de Infração em questão é absolutamente nulo na medida em que não restou informado no lançamento a fundamentação legal para a cobrança, bem como a data correta para o vencimento do crédito tributário supostamente pago em atraso. A razão não lhe acompanha, contudo. Cumpre iluminar ao Recorrente, eis que este demonstrou total desconhecimento, que o lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. Dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que não se cometa o despropósito de se atribuir à administração tributária uma deficiência que, muita vez, não é da parte que formaliza e redige os elementos constitutivos do lançamento, mas, sim, de quem os analisa e interpreta. Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de cunho eminentemente jurídico, nada mais natural e exigível que os termos que o compõem obedeçam à lógica e ao jargão jurídico. Tal característica, logicamente, não o invalida. Ao contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance. Fosse um documento médico, de literatura, ou de engenharia, exigíveis seriam os jargões médico, literário ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 No presente caso, mediante a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.124.2010 houvese por constituído crédito tributário decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias, referentes às competências de outubro/2003 a fevereiro/2007, conforme descrito no itens 4.2 e 7 do Relatório Fiscal a fls. 127/133. E diga o Relatório Fiscal, in verbis: “7) O presente AI compõese dos seguintes levantamentos para identificar as diversas situações encontradas na cooperativa: (...) DAL Diferença de acréscimos legais, em GPS recolhidas em atraso, identificadas através do Relatório Diferenças de Acréscimos Legais DAL, cujos valores foram declarados em GFIP. A multa foi reduzida, conforme previsão legal”. O item 7 do Relatório Fiscal remete o Autuado ao relatório intitulado DAL Diferenças de Acréscimos Legais, a fls. 101/116, o qual informa detalhadamente, por código de levantamento e CNPJ do estabelecimento, a competência da guia, a data do efetivo pagamento, o total líquido apurado do tributo, o montante realmente recolhido, as parcelas relativas aos juros moratórios e a penalidade pela demora no pagamento, o valor total devido e recolhido na competência, assim como o saldo corrigido a recolher. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 117/118. Assim disse, nestas letras, o Relatório Fiscal: “9) Os créditos previdenciários ora lançados encontramse fundamentados no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD”. Há que se registrar que o relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendo lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Convidamos, neste comenos, o Recorrente a visitar os itens 083, 601 e 602 do Fundamentos Legais do Débito FLD, que tratam, respectivamente, da fundamentação legal atávica aos ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RECOLHIDAS EM ATRASO, ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA e ACRÉSCIMOS LEGAIS –JUROS. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 277 7 Se o tempo não lhe for curto, a leitura a ser empreendida pelo Recorrente pode seguir pelo item 800 – PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO – EMPRESAS EM GERAL, onde encontramse descritos os Diplomas Normativos que estabelecem o prazo para o recolhimento das contribuições previdenciárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Aditese que art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil estatui, de maneira expressa, que “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”. Nesse contexto, restando demonstrado que os relatórios que compõem o Auto de Infração em debate encontramse devidamente instruídos com todas as informações reclamadas pelo Sujeito Passivo, avulta não proceder a alegação de nulidade por ele suscitada. Nula, ao que tudo indica, foi a leitura dos relatórios que compõem o vertente lançamento. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo sujeito passivo, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Recorrente alega que a recente Lei nº 11.941/2009 alterou os percentuais de multa aplicados ao caso. Fincamos os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, na concepção de que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 278 9 Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.124.2010, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de outubro/2007 a fevereiro/2007. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 279 11 IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 280 13 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 281 15 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o lançamento tributário abrange, tão somente, competências anteriores à vigência da MP nº 449/2008, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.003413/200840 Acórdão n.º 2302002.983 S2C3T2 Fl. 282 17 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13804.001624/2001-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DÉBITO DECLARADO. EXTINÇÃO.
A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, débito do contribuinte, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, o que acontece tacitamente se transcorrido o prazo 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação ou do pedido de compensação convertido em declaração de compensação.
PAGAMENTO ESPONTÂNEO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide multa moratória sobre o valor do tributo ou contribuição declarados e pagos fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.
Parecer PGFN/CRJ/Nº2113/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheiro Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, que negava provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator
EDITADO EM: 08/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheiro Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, que negava provimento ao Recurso. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 08/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DÉBITO DECLARADO. EXTINÇÃO. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, débito do contribuinte, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, o que acontece tacitamente se transcorrido o prazo 5 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração de compensação ou do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PAGAMENTO ESPONTÂNEO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide multa moratória sobre o valor do tributo ou contribuição declarados e pagos fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Parecer PGFN/CRJ/Nº2113/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheiro Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, que negava provimento ao Recurso. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 08/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 16 24 /2 00 1- 20 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT – em São Paulo que homologou em parte a compensação solicitada no presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar refere se ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9363/96 e a Portaria MF nº 38/97, no montante de R$ 8.186.029,21, relativo ao 2º trimestre de 2001, a ser aproveitado na compensação de outros tributos, conforme pedidos de compensação de fls. 03, 617, 695 e 703. A DERAT, em 29/08/2008, mediante despacho decisório, deferiu em parte o pedido de ressarcimento, em razão de a contribuinte ter incluído no cálculo do crédito aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins e receitas de exportação de produtos nãotributados (NT), por não serem receitas provenientes de industrialização. Regularmente cientificada, em 11/09/2008, do deferimento parcial de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, solicitou que sejam considerados nos custos acumulados os valores glosados referentes aos insumos adquiridos de pessoa física e de cooperativas, que seja incluído o estoque final de insumos existente em 30/06/2001, e que sejam computadas as receitas de exportação de produtos NT, apresentando como fundamento decisões judiciais e administrativa, além de doutrina. Acrescentou que na data de 11/09/2008, por ocasião da ciência do despacho decisório, já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, conforme estabelecido no § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13804.001624/200120 Acórdão n.º 3102002.126 S3C1T2 Fl. 3 3 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. A decisão de primeira instância foi parcial, mas amplamente favorável à Recorrente, considerando homologadas tacitamente a totalidade dos Pedidos de Compensação litigados no Processo, mantida apenas a multa de mora aplicável à compensação de folhas 703, protocolada no dia 16/10/2001, mas com vencimento em 15/10/2001. A lide, por conseguinte, está, agora, restrita à discussão em torno da pertinência da multa de mora aplicada, uma vez que o débito tributário foi extinto pelo Pedido de Compensação. A razão para que o i. Julgador de Primeira instância tenha considerado devida a multa de mora está expressamente consignada no Voto condutor da decisão recorrida, se não vejamos. Quanto à análise do crédito, a questão fica prejudicada e tornase desnecessária em decorrência da homologação tácita, já que o montante compensado absorve todo o valor solicitado a título de ressarcimento, não restando crédito algum para ser analisado ou ressarcido. Ressalvese entretanto, que a homologação tácita se limita ao valor do crédito requerido, sendo que o pedido de compensação de fl. 703 referese a imposto já vencido na data do protocolo: vencimento em 15/10/2001 e protocolo em 16/10/2001, o que pode resultar em parcela não homologada. Data máxima vênia, não vejo como possa prosperar o entendimento consignado no Voto. E assim entendo por uma questão de caráter eminentemente legal. Vejase o que prescreve a Lei nº 9.430/96 acerca do instituto da compensação tributária e, mais especificamente, a respeito de seu prazo de homologação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Ex vi o texto do acima transcrito parágrafo 2° do artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição de sua posterior homologação, o que, transcorridos mais do que cinco anos, darseá tacitamente. No que diz respeito à contagem do prazo de cinco anos nos casos de Pedido de Compensação, a Instrução Normativa SRF nº 460/04 é objetiva na regulamentação dos critérios próprios do caso. Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1 º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput , o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2 º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 70 A data de início da contagem do prazo previsto no § 2 º do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Finalmente, de se acrescentar que, segundo me parece, também favoreceria à Recorrente o encaminhamento dado ao assunto no Parecer PGFN/CRJ/Nº2113/2011. Por meio dele, a Douta Procuradoria, em face das decisões proferidas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, considera que não existe mais nenhuma razão para persistir na tentativa de exigir o acréscimo de multa moratória nos casos em que o pagamento1 é efetuado fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento fiscal. A ementa do Parecer é a seguinte. Denúncia espontânea. Exclusão da multa moratória. Inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização do(a) Sr(a). Procurador(a)Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. 1 Embora a lide não se refira a pagamento, entendo que os pressupostos que motivaram a decisão da PGFN expressa no Parecer correspondente sejam os mesmos. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13804.001624/200120 Acórdão n.º 3102002.126 S3C1T2 Fl. 4 5 De se destacar que não se trata de decidir pela não aplicação de lei ou decreto por alegação de inconstitucionalidade, conforme regulamentado pelo artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho, mas de interpretação da legislação tributário federal. Assim é o entendimento fixado no próprio Parecer. De se notar que a questão não tem natureza constitucional, pois se trata de interpretação de lei federal, motivo pelo qual não caberá ao Supremo Tribunal Federal manifestarse sobre o mesmo. Neste termos, se não pelas outras razões já demonstradas no vertente Voto, também por força do entendimento veiculado no Parecer PGFN/CRJ/Nº2113/2011, seria de todo despicienda a iniciativa de manter a exigência neste discutida. VOTO por dar integral provimento ao Recurso Voluntário Sala de Sessões, 28 de janeiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003812/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 02/07/2007 a 29/08/2008
RESTITUIÇÃO. COFINS. ALEGAÇÃO DE AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, devendo não ser conhecido o recurso voluntário, na parte em que defende que a tributação monofásica da COFINS sobre a produção e circulação de óleo diesel, criada a partir do advento do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1991-15/2000 até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, violaria dispositivos constitucionais.
RESTITUIÇÃO. COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. ART. 4º DA Lei nº 9.718/98. ÓLEO DIESEL. IN SRF nº 6/1999. IN SRF nº 247/2002.
A partir de 1º de julho de 2000, com a vigência do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1991-15/2000 e suas reedições subsequentes até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, o consumidor final pessoa jurídica, adquirente de óleo diesel de distribuidora, deixou de fazer jus à restituição da COFINS. A tributação monofásica não é espécie de substituição tributária. A inexistência de fatos geradores nas fases subsequentes é inerente à tributação monofásica, onde há fato gerador único, nos termos do art. 149, § 4º, da CF/88, e não fato gerador presumido, sendo improcedente ipso facto o pedido da Recorrente de ver aplicado o art. 150, § 7º, da CF/88.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 02/07/2007 a 29/08/2008 RESTITUIÇÃO. COFINS. ALEGAÇÃO DE AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, devendo não ser conhecido o recurso voluntário, na parte em que defende que a tributação monofásica da COFINS sobre a produção e circulação de óleo diesel, criada a partir do advento do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1991-15/2000 até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, violaria dispositivos constitucionais. RESTITUIÇÃO. COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. ART. 4º DA Lei nº 9.718/98. ÓLEO DIESEL. IN SRF nº 6/1999. IN SRF nº 247/2002. A partir de 1º de julho de 2000, com a vigência do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 1991-15/2000 e suas reedições subsequentes até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, o consumidor final pessoa jurídica, adquirente de óleo diesel de distribuidora, deixou de fazer jus à restituição da COFINS. A tributação monofásica não é espécie de substituição tributária. A inexistência de fatos geradores nas fases subsequentes é inerente à tributação monofásica, onde há fato gerador único, nos termos do art. 149, § 4º, da CF/88, e não fato gerador presumido, sendo improcedente ipso facto o pedido da Recorrente de ver aplicado o art. 150, § 7º, da CF/88. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
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Recorrente ANDRÉ TURISMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 02/07/2007 a 29/08/2008 RESTITUIÇÃO. COFINS. ALEGAÇÃO DE AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, devendo não ser conhecido o recurso voluntário, na parte em que defende que a tributação monofásica da COFINS sobre a produção e circulação de óleo diesel, criada a partir do advento do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 199115/2000 até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, violaria dispositivos constitucionais. RESTITUIÇÃO. COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. DISTINÇÃO. ART. 4º DA Lei nº 9.718/98. ÓLEO DIESEL. IN SRF nº 6/1999. IN SRF nº 247/2002. A partir de 1º de julho de 2000, com a vigência do art. 4º da Lei nº 9.718/98, na redação dada pelo art. 2º da Medida Provisória nº 199115/2000 e suas reedições subsequentes até a redação atual impressa pela Lei nº 10.865/2004, o consumidor final pessoa jurídica, adquirente de óleo diesel de distribuidora, deixou de fazer jus à restituição da COFINS. A tributação monofásica não é espécie de substituição tributária. A inexistência de fatos geradores nas fases subsequentes é inerente à tributação monofásica, onde há fato gerador único, nos termos do art. 149, § 4º, da CF/88, e não fato gerador presumido, sendo improcedente ipso facto o pedido da Recorrente de ver aplicado o art. 150, § 7º, da CF/88. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 38 12 /2 00 8- 91 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A Contribuinte aqui identificada requereu à Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora/MG, a restituição de valores recolhidos a título de COFINS, nos períodos compreendidos entre 02/07/2007 e 29/08/2008, alegando se constituir em consumidora final de combustível e fazendo referência à Lei 9.990/2000. Posteriormente transmitiu DCOMPs, com vinculação a este crédito, como constam da tela do SIEF de fl. 10. A DRFJFA/MG indeferiu os pedidos de restituição da contribuinte e não homologou as compensações vinculadas ao presente processo, pela inexistência de crédito em favor da requerente. Cientificada da decisão, a contribuinte manifestou sua inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente. Conforme o acórdão recorrido, os artigos 4º a 6º da Lei nº 9.718/1998, cuidam da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de combustíveis derivados e petróleo, inclusive gás, adotando o regime de substituição tributária para esses produtos. Consta no art. 6º da IN 24/99 de 1999, que o ressarcimento era direito dos consumidores finais pessoas jurídicas, nos casos de aquisição de gasolina automotiva e óleo diesel diretamente das distribuidoras. Em contrapartida, a MP nº 1.99115, de 10 de março de 2000, promoveu as seguintes alterações na referida Lei. Confirase: "Art. 2o Os arts. 3º, 4º, 5º e 6º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003812/200891 Acórdão n.º 3202001.035 S3C2T2 Fl. 90 3 ‘Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público P15/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (.) II dois inteiros e oito décimos por cento e treze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel," na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel diretamente ri distribuidora. (grifo nosso). Ainda, a aludida MP, em seu art. 42, reduziu a zero as alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre receita bruta decorrente da venda de óleo diesel auferida por distribuidores e pelos comerciantes varejistas: "Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: “I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;” Já a destituição das referidas funções se deu em 28/09/2007, conforme despacho exarado pelo Juiz da falência nos autos do processo nº 1444/99. [...] Diante do exposto, na ótica da DRJ, deixou de existir a substituição tributária, não havendo possibilidade de ressarcimento ou restituição aos consumidores finais, mesmo quando adquirirem o produto diretamente das distribuidoras. Leiase: Enfim, com a alteração de tributação dada pelas normas acima citadas, fazendo variar a alíquota das contribuições nas diversas etapas de comercialização do óleo diesel, deixou de existir a substituição tributária, não havendo possibilidade de qualquer ressarcimento ou restituição aos consumidores finais, mesmo quando adquirem o produto diretamente das distribuidoras. Diante do exposto, concluise que com a redução da alíquota a zero da contribuição para o PIS/Pasep e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas e a eliminação da figura da substituição nessas operações, não há que se falar em restituição ou ressarcimento. E, em que pesem as considerações da manifestante relativas à carga tributária, há de se salientar que a tributação regese pelo principio da legalidade e o ressarcimento pleiteado não encontra previsão em lei. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Quanto à argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade da legislação que deu amparo à autuação, não é competente para julgar neste sentido, de acordo com a “Súmula 02 do CARF”. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar nula ou improcedente a autuação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende ao requisito de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Discutese, no presente recurso voluntário, se há direito à restituição da COFINS, quando a Recorrente adquiriu combustíveis, na qualidade de consumidor final, diretamente das empresas distribuidoras. Para tanto, cumpre narrar um breve histórico da legislação de regência. O art. 4º da Lei 9.718, de 27.11.1998, tornou as refinarias de petróleo substitutas tributárias dos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás, para fins de recolhimento da contribuição ao PIS e da COFINS. In verbis: “Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro”. Na hipótese do consumidor final, pessoa jurídica, adquirir gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente, à distribuidora, a SRF permitia o ressarcimento dos valores da contribuição ao PIS e da COFINS, correspondentes à incidência inexistente na venda a varejo (posto). É o que se extrai do art. 6º da IN SRF nº 6/1999, abaixo transcrito: “Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003812/200891 Acórdão n.º 3202001.035 S3C2T2 Fl. 91 5 § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2º. A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do artigo 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas no Instrução Normativa SRF nº 021, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7º a 14º desta Instrução Normativa”. Posteriormente, a Medida Provisória MP 1.8071 de 25.02.19991 alterou o cálculo da restituição para as aquisições de óleo diesel, determinando o seguinte: Art. 4º. O disposto no art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel. Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1º de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos. Por essa razão, a IN SRF nº 24, de 25.02.1999, alterou o parágrafo segundo do art. 6º da IN SRF nº 06/1999, o qual passou a ter a seguinte redação: § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do artigo 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. O disposto no art. 4º da MP 1.8071 de 25.02.1999, posteriormente, foi transportado para o art. 4º da MP 1.99115, de 10.03.2000. Além da transposição de normas, o art. 46 da MP 1.99115 de 2000 prevê também o encerramento do regime de substituição tributária, preconizado pelo art. 4º da Lei 9.718 de 1998, estipulando como termo final deste a data de 1º.07.2000. Confirase: Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) 1 Esse artigo da Medida Provisória está previsto, atualmente, no art. 4º da Medida Provisória n.º 2.15825 de 24.08.2001. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 II no que se refere à nova redação dos arts. 4º a 6º da Lei nº 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4º a 6º da Lei nº 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. Em lugar da substituição tributária, o art. 2º da MP 1.99115/2000 estipula uma alíquota fixa para a Refinaria de Petróleo a título de recolhimento de PIS e COFINS: Art. 2º Os arts. 3º, 4º, 5º e 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I três inteiros e vinte e cinco centésimos por cento e quinze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva e de gás liqüefeito de petróleo GLP; II dois inteiros e oito décimos por cento e treze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades." Pari passu, seu art. 43 reduziu a zero a alíquota do PIS/COFINS sobre as receitas provenientes da comercialização de gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, e de álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. Eis seus termos: Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. Notese que art. 2º da MP 1.99115/2000 foi convertido no art. 2º da Lei 9.990, de 21.06.2000. Já as disposições do art. 43 da MP 1.99115/2000, estão contidas nos arts. 42 e 92, II, da MP 2.15835/2001. A redação atual do art. 4º da Lei 9.718 de 1998, à sua vez, é a seguinte: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003812/200891 Acórdão n.º 3202001.035 S3C2T2 Fl. 92 7 Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Regulamentando as disposições inauguradas pela MP 1.99115 de 2000, a SRF revogou o art. 6º da IN nº SRF 06, de 1999. De fato, o art. 108, IV, da IN SRF 247, de 21.11.2002, revogou, “sem interrupção de sua força normativa”, a IN SRF nº 06/1999. Assim, depois do advento do sistema de recolhimento do PIS e da COFINS, previsto na MP 1.99115/2000, a Receita Federal passou a entender que o consumidor final, pessoa jurídica, adquirente de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente, da distribuidora, havia deixado de fazer jus ao ressarcimento dos valores da contribuição ao PIS e da COFINS, correspondentes à incidência na venda a varejo. Foi nesse sentido que a DRF e a DRJ decidiram, no presente caso, assentando que, depois do advento da MP 1.99115/2000, extinguiuse a substituição tributária, trocada pela tributação monofásica incidente única e totalmente sobre as receitas da Refinaria. Contudo, para a Recorrente, tributação monofásica seria uma forma velada de substituição tributária antes em vigor e, por isso, defende que a tributação monofásica também se submeteria ao art. 150, § 7º, da CF/88. In verbis: § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 Na tributação monofásica, a alíquota da COFINS, devida pela refinaria, saltou primeiro para 13% (art. 2º da MP 1.99115/2000) e, atualmente, foi fixada em 19,42% (redação vigente do art. 4º, II, da Lei 9.718/1998), zerandose sempre a alíquota de todas as demais etapas de circulação do óleo diesel. Ao seu turno, no regime de substituição tributária anterior a MP 1.991 15/2000, a COFINS era exigida multiplicandose, num primeiro momento, por 4 (redação original do art. 4º da Lei 9.718/1998) a base de cálculo das receitas de venda a esse título pela refinaria. Percentual esse depois alterado para ser multiplicado por 3,3 (art. 4º da MP 2.158 25/2000). Nesse cenário anterior à novel sistemática MP 1.99115/2000, a Receita Federal do Brasil autorizava a restituição ao consumidor final pessoa jurídica, de aproximadamente 55% da COFINS que onerava a operação, mediante o seguinte procedimento: a distribuidora multiplicava por 2,2 (posteriormente o fator multiplicador passou a ser 1,88) o valor da aquisição do óleo diesel realizada da Refinaria ao consumidor final e fazia incidir sobre essa base de cálculo a alíquota normal de 3,65% da COFINS. Tudo isso na forma do art. 6º, § 2º, da IN SRF 06/1999. Leiase novamente: Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2º. A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do artigo 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. Enquanto na substituição tributária alterouse o responsável e a base de cálculo do recolhimento da COFINS, na tributação monofásica concentrouse a alíquota em um ponto da cadeia (produção), tornando alíquota zero as demais receitas oriundas da circulação do óleo diesel pela distribuidora e pelos postos varejistas, sem estatuir, todavia, que a refinaria teria a responsabilidade do recolhimento do tributo em lugar daqueles, situados na fase subsequente de circulação do combustível. A despeito desse contexto, a empresa entende que sua posição jurídica, como consumidora final, permaneceu inalterada para fins de restituição da COFINS, na aquisição direta de distribuidoras, tendo em vista que um dos fatos geradores (venda do óleo diesel pelo posto varejista) não existiu, a exigir a restituição proporcional, à luz do art. 150, § 7º, da CF/88. No entanto, entendo que a tributação monofásica não é uma espécie de substituição tributária, de modo a permitir a atração da regra do art. 150, § 7º, da CF/88. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003812/200891 Acórdão n.º 3202001.035 S3C2T2 Fl. 93 9 Na definição constitucional, a tributação monofásica ocorre quando há incidência uma única vez da contribuição (art. 149, § 4º, da CF/88, na redação dada pela EC nº 33/2001). § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Vale dizer: nos termos da definição constitucional, as demais fases subsequentes à tributação monofásica não estão sujeitas a incidência da contribuição. Não obstante a indigitada disposição constitucional, o art. 43 da MP 1.991 15/2000 (atual art. 42 da MP 2.15835/2001) – um dos preceptivos legais que regulam a tributação monofásica dos combustíveis estatui que fica reduzida a zero a alíquota da COFINS, incidente sobre a receita bruta das distribuidoras e dos postos varejistas, decorrentes da comercialização de óleo diesel. Observese: Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Todavia, a denominação e demais características formais adotadas pela lei não modifica a natureza jurídica da tributação monofásica, devendose aplicar, nesse diapasão, analogicamente, o art. 4º, I, do CTN. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; Dessa maneira, no regime atual da tributação monofásica, a COFINS não incide sobre as receitas das distribuidoras e dos postos varejistas, decorrentes da comercialização de combustíveis, embora o art. 43 da MP 1.99115/2000 (atual art. 42 da MP 2.15835/2001) tenha utilizado o nomem juris de incidência à alíquota zero. Não havendo incidência da COFINS, pelas razões aqui articuladas, a ausência de fato gerador, na comercialização de combustíveis pela distribuidora e postos, é inerente a tributação monofásica, incidente uma única vez sobre a receita bruta da refinaria. Em outras palavras, inexistirão fatos geradores nas fases subsequentes sempre que houver tributação monofásica. É inapropriado falar em fato gerador presumido, na tributação monofásica, pois essa figura jurídica é típica do regime de substituição tributária. Na tributação monofásica, há o fato gerador único e não o fato gerador presumido, sendo improcedente ipso facto o pedido da Recorrente de ver aplicado o art. 150, § 7º, da CF/88, como forma de justificar seu pleito de restituição. Mantenho, assim, o acórdão recorrido. Quanto à argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade da legislação que deu amparo à autuação, não é competente para julgar neste sentido, de acordo com a “Súmula 02 do CARF”. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 Forte nessas razões, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário; na parte conhecida, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.002443/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2003 a 31/10/2005
Classificação Fiscal
Coquetel de Vodka e Suco de Maça - Marca Volcof, Coquetel de Fermentado de Maçã e Conhaque de Gengibre, Coquetel de Aguardente de Cana e Coquetel de Aguardente de Cana Corote - Marca Volcof e Taimbé
Bebidas obtidas por mistura de fermentado e suco de frutas, adicionados de álcool etílico em proporção suficiente para que tal adição determine as características essenciais dos produtos classificam-se no código 2208.90.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Recolhimento Inferior ao Devido
O recolhimento do imposto em desacordo com as classes de valor fixadas em ato declaratório da Secretaria da Receita Federal do Brasil autoriza a formalização de exigência fiscal por meio de lançamento de ofício, acrescido de multa de ofício de 75%.
Taxa Selic
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Tal medida só se justificaria na hipótese em que restasse prejudicado o exercício do direito de defesa ou se o ato novel veiculasse exigência diversa da tratada no ato revogado. Demonstrado que a regra aplicável se manteve imutável e que a recorrente compreendeu perfeitamente as acusações, não há que se reconhecer a nulidade.
Numero da decisão: 3102-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2003 a 31/10/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não será deferida a perícia quando os autos reuniram os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da Súmula CARF nº 11. EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de isonomia demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ERRO FORMAL. FALHA NA INDICAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. O mero erro de capitulação, materializado na citação de ato administrativo que vigia no momento da autuação ao invés daquele em vigor na data dos fatos geradores, por si só, não é suficiente para decretação da nulidade do procedimento. Tal medida só se justificaria na hipótese em que restasse prejudicado o exercício do direito de defesa ou se o ato novel veiculasse exigência diversa da tratada no ato revogado. Demonstrado que a regra aplicável se manteve imutável e que a recorrente compreendeu perfeitamente as acusações, não há que se reconhecer a nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/10/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 43 /2 00 6- 17 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 879 2 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Coquetel de Vodka e Suco de Maça Marca Volcof, Coquetel de Fermentado de Maçã e Conhaque de Gengibre, Coquetel de Aguardente de Cana e Coquetel de Aguardente de Cana Corote Marca Volcof e Taimbé Bebidas obtidas por mistura de fermentado e suco de frutas, adicionados de álcool etílico em proporção suficiente para que tal adição determine as características essenciais dos produtos classificamse no código 2208.90.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. RECOLHIMENTO INFERIOR AO DEVIDO O recolhimento do imposto em desacordo com as classes de valor fixadas em ato declaratório da Secretaria da Receita Federal do Brasil autoriza a formalização de exigência fiscal por meio de lançamento de ofício, acrescido de multa de ofício de 75%. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por AuditoresFiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL), conforme Auto de Infração das fls. 3 a 10 (vol. I), e anexos, para formalização da exigência do IPI, no valor de R$ 851.644,66, acrescido dos juros de mora e da multa de 75%, por falta de lançamento do imposto, inclusive nos períodos em que houve cobertura de créditos, somando a importância de R$ 1.810.493,19, na data do lançamento de Fl. 879DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 880 3 ofício. Os motivos da autuação se acham expostos no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 66 a 70 (vol. I) e seguem resumidos. No período objeto da ação fiscal, o estabelecimento deu saída aos coquetéis relacionados na tabela que vem adiante, sem observar o enquadramento desses produtos nas classes de valores do IPI divulgadas pelos Atos Declaratórios Executivos SRF nºs 55, de 4 de novembro de 2003, e 41, de 15 de agosto de 2006, ocasionando a mencionada falta de lançamento do IPI: Enquadramento divulgado Bebida Marca ADE/ SRF Classe IPI/ unidade IPI nas Notas Fiscais /unidade Diferença /unidade Coquetel de Vodca e Suco de Maçã Volcof 55/03 L R$ 0,83 R$ 0,23 R$ 0,60 Coquetel de Conhaque Taimbé 55/03 L R$ 0,83 R$ 0,23 R$ 0,60 Coquetel de Cana (900ml) Taimbé 41/06 L R$ 0,83 R$ 0,23 R$ 0,60 Coquetel de Cana Corote (500ml) Taimbé 41/06 I R$ 0,47 R$ 0,23 R$ 0,24 Além disso, prossegue a fiscalização, o estabelecimento descumpriu o disposto no § 6º do art. 150 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época, segundo o qual, após a formulação do pedido de enquadramento da bebida e enquanto não for editado o competente ato declaratório, o contribuinte deveria enquadrar o seu produto na tabela constante do art. 149 do mesmo regulamento na maior classe de valores, observadas as classes por capacidade do recipiente. As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, caput e parágrafo único, 139, §§ 1º e 2º, 140, 143, 149, 150, 199, 200, IV, e 202, II, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002. Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos casos em que o imposto não foi exigido, dada a cobertura de créditos, conforme art. 80, caput, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 19 da Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3º, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento de ofício em 8 de setembro de 2006, conforme consta na fl. 4 (vol. I), e impugnou tempestivamente a exigência, pelo arrazoado das fls. 616 a 647 (vol. IV), firmado por seu representante legal, credenciado pelos documentos das fls. 648 a 652 (vol. IV), e instruído com os documentos das fls. 653 a 799 (vol. IV) e 802 a 807 (vol. V). As razões de defesa, ilustradas com doutrina e jurisprudência que o interessado considera aplicáveis ao caso, vêm sintetizadas na sequência. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 881 4 O impugnante inicia argumentando que o Auto de Infração fere o princípio da isonomia tributária, porque o setor de bebidas é extremamente competitivo e inúmeras outras indústrias têm tratamento fiscal diverso e mais favorável, retirando a competitividade do estabelecimento ora autuado, se for mantida a autuação. Afirma que discorda do enquadramento efetuado pelo ADE SRF nº 55, de 2003, com base na classificação no código 2208.90.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), em relação ao Coquetel de Vodca e Suco de Maçã e ao Coquetel de Conhaque, que considera passíveis de classificação no código 2206.00.90, motivo pelo qual manifestou inconformidade sobre esse enquadramento, sem ter obtido resposta, além de ter sido surpreendido pela autuação ora impugnada. O interessado alega que trouxe a este processo provas bastantes para demonstrar que indústrias concorrentes tiveram produtos similares aos comercializados por Muraro & Cia. Ltda. enquadrados no código 2206.00.90. Dentre as referidas provas, existem fotos dos produtos similares e os correspondentes atos declaratórios executivos de enquadramento. Os produtos similares a que se refere, em primeiro lugar, são os seguintes: Coquetel de Fermentado de Maçã e Gengibre, marca Brayan, produzido por J. E. Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., de Gravataí/RS; e Coquetel de Fermentado de Maçã e Suco de Maçã, marca Chinoca Minha, também produzido por J. E. Indústria e Comércio de Bebidas Ltda. Menciona também o Coquetel de Fermentado de Maçã com Extrato de Carvalho, marca Mark Eight, comercializado por Refrigerantes Xuk Ltda, de Santa Cruz do Sul/RS, que diz apresentar, na composição, aguardente de cana, frustrando o critério adotado pela fiscalização, no presente caso, de que a existência de bebida alcoólica não fermentada (vodca, conhaque ou aguardente) leva classificação para a posição 2208. No tocante ao Coquetel de Cana, marca Volcof (alterada para Taimbé), o impugnante discorda do enquadramento efetuado pelo ADE SRF nº 41, de 2006, reportandose aos seguintes produtos similares, enquadrados com base na classificação no código 2206.00.90: Coquetel de Fermentado de Maçã e Limão, com aroma para vodca, marca D’Intoff, produzido por Indústria e Comércio de Bebidas Primor Ltda., de Jaú/SP; e Coquetel de Fermentado de Canadeaçúcar com Limão, marca Raizov Limon, também produzido por Multidrink do Brasil Ltda., de Garuva /SC. Além disso, a defesa também discorda do suposto descumprimento do § 6º do art. 150 do RIPI, de 2002, referente ao enquadramento provisório de bebidas. Mudando de tópico, a defesa sustenta que a fiscalização desconsiderou por completo os processos produtivos dos coquetéis objeto do litígio, ferindo os princípios da ampla Fl. 881DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 882 5 defesa, do contraditório, da isonomia e da liberdade de iniciativa, além de afrontar os direitos e garantias fundamentais. Os processos de registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), segue a defesa, avaliam de forma detalhada diversas informações desconsideradas pela fiscalização tributária, em prejuízo da correta classificação fiscal das bebidas e dos princípios da seletividade, em função da essencialidade do produto, e da capacidade contributiva. Segundo o impugnante, a autuação fiscal incorreu em ato de improbidade administrativa, por falta de cautela na análise de situações acobertadas pelo direito adquirido, porquanto não poderia ter sido omitido o enquadramento dos coquetéis como bebidas alcoólicas mistas, com o que se penalizou o suposto infrator, ao ser restringido o exercício da atividade mercantil. O impugnante considera também descumpridos os princípios da segurança jurídica, da lealdade administrativa, da boafé e da moralidade. No tocante à multa de ofício, o sujeito passivo alega que a exigência dessa penalidade é desproporcional e se baseou exclusivamente nas disposições de um decreto, ferindo os princípios da legalidade e da tipicidade fechada. Acrescenta que não há qualquer previsão em lei, quanto à suposta infração referente à classificação fiscal. Adiante, o interessado argumenta que a exigência de juros de mora pela taxa Selic é abusiva e está fundamentada em lei que viola a Constituição da República e a Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). O impugnante encerra, pedindo o cancelamento integral do Auto de Infração contestado, ou, alternativamente, a realização de perícia, para o que deve ser intimado para apresentação de quesitos e indicação de assistente técnico, sendo que, após o resultado dessa perícia, deseja ser cientificado, a fim de que se instaure o contraditório. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/10/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. ENQUADRAMENTO DE BEBIDAS. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 883 6 São devidas as diferenças do IPI incidente sobre as bebidas fabricadas pelo estabelecimento, em face da inobservância do enquadramento divulgado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. MULTA DE OFÍCIO. A falta de lançamento do IPI nas notas fiscais de saída de produtos tributados é punida com a multa de ofício de 75% do imposto não lançado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos, por qualquer motivo, nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atendeu aos requisitos legais. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar e aprofundar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, especialmente no que se refere à composição, ao processo de obtenção dos produtos e ao tratamento atribuído aos produtos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Inova nos fundamentos exclusivamente no que se refere à prejudicial de prescrição intercorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Preliminarmente 1.1 Prescrição Intercorrente Fl. 883DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 884 7 Aduz a recorrente que a demora na realização do julgamento demonstraria falta de interesse da administração. Pleiteia, como consequência, o reconhecimento da prescrição intercorrente. Penso que não se pode acolher tal prejudicial, pois a legislação que rege o processo administrativo fiscal não prevê tal modalidade de extinção da obrigação. A matéria, esclareçase, foi pacificada pela Súmula CARF nº 11: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 1.2 Perícia Técnica Não vejo motivo para a realização da perícia pleiteada. A meu ver, embora as manifestações tenham sido enfática quanto à necessidade de complementar a instrução do processo, não se logrou êxito em demonstrar a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” De fato, como será melhor esclarecido adiante, o processo já reúne os elementos necessários para a fixação da classificação fiscal dos produtos, de modo que qualquer instrução adicional revelase desnecessária. Aliás, com relação a esse aspecto, impende destacar que o auto de infração parte da descrição dos produtos fornecida pela própria recorrente. O litígio, como será melhor explorado, está focado na fixação da classificação tarifária, matéria que, por expressa disposição legal, não faz parte dos denominados aspectos técnicos. De se recordar o que diz o parágrafo primeiro do art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972: § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos.. Indefiro o pedido de perícia, consequentemente. 2 Mérito Discutese no presente processo exigência fiscal escorada na alegação de que a recorrente dera saída a quatro produtos diferentes e que deixara de submetêlos à correta tributação. Segundo consta do Relatório Fiscal às fls. 66 a 70, o imposto teria sido recolhido em classe diversa da que constara do ato declaratório que promoveu o enquadramento dos produtos. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 885 8 Apontam ainda as autoridades, que os produtos descritos como Coquetel de Vodka e Suco de Maçã e Coquetel de Catuaba também teriam sido classificados incorretamente e que, por conta de tal incorreção, a recorrente deixara de aplicar o selo de controle. Mais uma vez, enfrento separadamente cada um desses pontos. 2.1 Classificação Fiscal A discussão acerca da classificação fiscal pode ser resumida nos seguintes termos: o Fisco defende que parte dos produtos da recorrente se classificam no código 2208.90.00 e a Recorrente, no código 2206.00.90. Eis o texto da posições controvertidas na NCM: 2206.00 OUTRAS BEBIDAS FERMENTADAS (SIDRA, PERADA, HIDROMEL, POR EXEMPLO); MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS E MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS COM BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES DA NOMENCLATURA 2208 ÁLCOOL ETÍLICO NÃO DESNATURADO, COM UM TEOR ALCOÓLICO, EM VOLUME, INFERIOR A 80% VOL; AGUARDENTES, LICORES E OUTRAS BEBIDAS ESPIRITUOSAS (ALCOÓLICAS) Antes de enfrentar tais fundamentos, é importante deixar claro que, nos termos do art. 16 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos geradores litigiosos1, a classificação de um produto na NCM, que se baseia no Sistema Harmonizado (SH) é, levada a efeito segundo as regras de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Vejase, a propósito, o que diz a Regra Geral I (os grifos não constam do original): Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: Podese afirmar, desde já, que o sistema harmonizado não dá margem para que se considere que determinado produto deixaria de ser contemplado pela Nomenclatura. Ainda que o nome atribuído pelo produtor não seja nominalmente citado, por meio da aplicação de uma das Regras Gerais de Interpretação, necessariamente, haverá um código que próprio para sua classificação. 1 Aprovado pelo Decreto 4.544, de 2002. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 886 9 Adicionalmente, há que se recorrer ao texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único2 do seu art. 1º. Com relação a esse aspecto, dizia o art. 17 do RIPI então vigente: Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Decretolei nº 1.154, de 1971, art. 3º)., mais uma vez, Nesse contexto, especialmente elucidativas são as notas explicativas das posições controvertidas. Observese, em primeiro lugar, as NESH da posição 2206, defendida pelo Sujeito Passivo: Nesta posição estão compreendidas todas as bebidas fermentadas, com exceção das classificadas nas posições 22.03 a 22.05. (...) Todas estas bebidas podem ser naturalmente espumosas ou terem sido carregadas artificialmente de dióxido de carbono. Permanecem classificadas aqui mesmo que tenham sido adicionadas de álcool ou que o seu teor alcoólico tenha sido aumentado por uma segunda fermentação, contanto que conservem as características dos produtos classificados na presente posição. (original não destacado) Já as NESH da posição 2208, defendida pelo Fisco, estão assim redigidas (original não destacado): Esta posição abrange, qualquer que seja o seu teor alcoólico: (...) C) Todas as outras bebidas espirituosas (alcoólicas) não incluídas em qualquer outra posição deste Capítulo. (...) Além do álcool etílico não desnaturado de teor alcoólico em volume inferior a 80% vol, citamse, entre outros: 2 Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 887 10 (...). 15) Os sucos de frutas ou de produtos hortícolas adicionados de álcool, com teor alcoólico em volume superior a 0,5% vol, com exclusão dos produtos da posição 22.04. Como é possível perceber, o ponto fulcral para definição da classificação é a fórmula dos produtos. Com efeito, nos termos das notas acima transcritas, coquetéis elaborados a partir da sucos de frutas ou produtos hortícolas e álcool, classificamse no código 2208. Por outro lado, coquetéis elaborados a partir de fermentados adicionados de álcool, poderão se classificar no código 2206 ou 2208, dependendo das características que essa adição der ao produto. Como já destacado, se a adição de álcool alterar as características do produto, não haverá espaço para adoção da posição 2206. Discussões acerca de divergências no enquadramento de produtos fabricados por concorrentes da recorrente, ainda que decorrentes de equívoco, com a devida licença, não são eficazes para esse mister. Aqui discutese exclusivamente a correção da classificação fiscal indicada pela recorrente à luz do SH. Ou seja, em que pese a relevância do princípio da isonomia, seu destinatário, imagino, seria o legislador, a quem seria vedado instituir regras que apliquem tratamento desigual. A classificação fiscal, repitase, é realizada com base nos enunciados inerentes ao Sistema Harmonizado. Pelos mesmos motivos, inobstante a relevância das definições adotadas por outros órgãos de controle, também não há margem para alterar a classificação fiscal em razão de tais definições. Até porque, no caso do presente processo a nomenclatura alegadamente adotada pelo Ministério da Agricultura (coquetel ou bebida alcoólica mista) em nada impacta a fixação da classificação fiscal. Como já se viu, de acordo com o SH, dependendo da composição e do efeito da adição de álcool, bebidas mistas (ou coquetéis) serão classificados nas posições 2206 ou 2208. Finalmente, não vejo como desconsiderar a reclassificação fiscal em razão da não obtenção de laudo. Repitase, o Fisco não questionou as especificações dos produtos informadas pelo sujeito passivo. A partir dessas informações técnicas, definiu a classificação que entende adequada. Relembrese, o litígio concentrase na classificação fiscal, e tal matéria, como é cediço, não é um aspecto técnico, passível de ser solucionado por meio de perícia. Feitas tais considerações, passase à análise da classificação dos produtos fabricados pela recorrente. 2.1.1 Coquetel com Fermentado de Maçã e Conhaque de Gengibre Marca Taimbé Fl. 887DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 888 11 O produto foi descrito pela recorrente nos seguintes termos3: Constituído pela mistura de uma bebida alcoólica (Conhaque de Gengibre) e outra não alcoólica (suco de maçã). O fermentado de maçã é depositado no tanque de mistura e adicionado de álcool, água desmineralizada, extrato de gengibre e açúcar. A cor é padronizada com a adição de corante caramelo. Após a homogeneização de todos os ingredientes, o produto é analisado a fim de aferir sua padronização. O produto permanece em repouso por alguns dias, antes de ser filtrado e engarrafado. Para a fabricação de 100 litros do produto são necessários: (i) 10 litros de fermentado de maçã (teor alcoólico 6%) (ii) 2 litros de extrato de gengibre; (iii) 30,63 litros de álcool etílico 96%; (iv) 0,88 kilos de açúcar; (v) 0,075 kg de caramelo INS 150d; (vi) QSP 100 litros de água potável. Como é possível verificar, o único ingrediente fermentado (fermentado de maçã) responde por apenas 0,6% do teor alcoólico do produto e 10% dos ingredientes, enquanto que o álcool etílico, representa mais de 30% dos ingredientes e 28,2% do teor alcoólico. Demonstrase evidente, nessa linha, que o percentual de adição de álcool altera radicalmente as características o que afasta, nos termos da já citada NESH, a pretensão de classificar o produto como um fermentado da posição 2206. Se não é possível classificar o produto na posição 2206, forçosamente caberá classificálo, na 2208, que apresenta os seguintes desdobramentos: 2208.20.00 Aguardentes de vinho ou de bagaço de uvas 2208.30 Uísques 2208.40.00 Rum e outras aguardentes de cana 2208.50.00 Gim e genebra 2208.60.00 Vodca 2208.70.00 Licores 2208.90.00 Outros Considerando que as subposições 2208.20 a 2208.70 não contemplam nominalmente o produto, demonstrase correta a classificação eleita pelo Fisco (2208.90.00). 3 Trecho do Recurso Voluntário à fl. 847 (numeração digital) Fl. 888DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 889 12 Importa informa que a recorrente formulou consulta à Secretaria da Receita Federal do Brasil e que tal consulta foi solucionada pela Decisão nº 79, de 16/05/2005, em cuja ementa se lê: Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Código TIPI Mercadoria 2208.90.00 Bebida com teor alcoólico de 30% vol., obtida por mistura, contendo basicamente água, álcool etílico a 96% (29,4%), fermentado de maçã com teor alcoólico de 6% (30%) e extrato de gengibre, comercialmente denominada "Taimbé Coquetel com fermentado de maçã e gengibre" Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 2208) e 6 (texto da subposição 2208.90), da TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 2002 2.1.2 Coquetel de Vodka e Suco de Maça Marca Volcof O produto foi descrito pela recorrente nos seguintes termos4: Constituído pela mistura de uma bebida alcoólica (Vodka) e outra não alcoólica (suco de maçã). A vodka é depositada no tanque de mistura, onde é adicionado suco concentrado de maçã e água. Após a dissolução e homogeneização de todos os ingredientes, o produto é mantido em repouso por alguns dias a fim de ocorrer a harmonização de todos os elementos constituintes. O produto é submetido à análise, a fim de verificar o atendimento dos padrões prédeterminados, sendo então, filtrado e engarrafado. Para a fabricação de 100 litros do produto são necessários: (i) 45 litros vodka (teor alcoólico 38,4%) (ii) 13,25 litros de álcool etílico potável 96%; (iii) 0,5 kg de suco concentrado de maçã (70 Brix); (iv) QSP 100 litros de água potável desmineralizada. No caso do produto em análise, não há sequer a adição de um fermentado, o que demonstra a impossibilidade de se adotar a posição 2206 e a correção da posição 2208. Assim sendo, pelos mesmos motivos expostos quando analisouse a classificação do produto comercialmente denominado Coquetel com Fermentado de Maçã e Gengibre Marca Taimbé, forçoso é ratificar a higidez da subposição defendida pelo Fisco (2208.90.00). 4 Trecho do Recurso Voluntáro à fl. 848 (numeração digital) Fl. 889DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 890 13 2.1.3 Coquetel de Aguardente de Cana (900 ml) e Coquetel de Aguardente de Cana Corote (500 ml) marcas Volcof e Taimbé O produto foi descrito pela recorrente nos seguintes termos5: De acordo com o processo de registro dos produtos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os coquetéis de aguardente de cana são constituídos pela mistura de uma bebida alcoólica (aguardente de Cana) e outra não alcoólica (suco de maçã). O fermentado de maçã é depositado no tanque, onde é adicionado de aguardente, álcool e água desmineralizada. Após a homogeneização de todos os ingredientes, o produto é analisado a fim de aferir sua padronização. O produto permanece em repouso por alguns dias, antes de ser filtrado e engarrafado. Para a fabricação de 100 litros do produto são necessários: (i) 3 litros de fermentado de maçã (teor alcoólico 6%) (ii) 1 litro de aguardente de cana 48%; (iii) 30,57 litros de álcool 96%; (iv) QSP 100 litros de água potável. Como é possível verificar, as conclusões relativas ao item comercialmente denominado Coquetel com Fermentado de Maçã e Gengibre Marca Taimbé também aplicam se integralmente ao produto em análise, pois o percentual de fermentado de maçã é inferior ao identificado naquele produto. Por outro lado, as subposições 2208.20 a 2208.70 igualmente não contemplam nominalmente o produto. De tal sorte, pelos mesmos motivos, demonstrase igualmente correta a classificação eleita pelo Fisco (2208.90.00). 2.2 Recolhimento Inferior ao Devido Demonstrase incontroverso que a recorrente não adotou os enquadramentos fixados nos atos declaratórios e que, consequentemente, recolheu o Imposto sobre Produtos Industrializados mediante a aplicação de alíquotas específicas inferiores às correspondentes àquelas classes. É importante destacar, ademais, que não foi trazido ao processo qualquer elemento capaz de demonstrar que o Fisco teria se equivocado quando da análise dos elementos que, nos termos do art. 150, caput e §§ 1º e 2º do RIPI 20026, determinam a fixação 5 Trecho do Recurso Voluntário à fl. 854 (numeração digital) 6 Art. 150. O enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto será feito por ato do Ministro da Fazenda, segundo (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 2º e 3º, e Nota do seu Anexo I): I a capacidade do recipiente em que são comercializados, agrupados em quatro categorias: (...) II os preços normais de venda efetuada por estabelecimento industrial ou equiparado a industrial ou os preços de venda do comércio atacadista ou varejista. § 1º O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 2º). Fl. 890DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 891 14 do enquadramento do produto e, consequentemente, da alíquota específica: preço de venda, espécie, marca e capacidade do recipiente e alíquota da TIPI. O sujeito passivo, com efeito, limitouse a afirmar que o enquadramento não observou os critérios técnicos inerentes ao processo de fabricação, o descompasso entre as definições adotadas pelo Fisco e as que seriam fixas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, sem, contudo, expor de que forma esses elementos influenciariam a fixação da classe correspondente. Reiterou, por outro lado, que recebera tratamento diverso do que teria sido aplicado a seus concorrentes. Superada a discussão acerca da classificação fiscal e ausente qualquer elemento que infirme a higidez do procedimento de fixação das classes, não vejo como desqualificar o procedimento executado pela autoridade fiscal. Reitero, portanto, a minha convicção no sentido de que o alegado erro na fixação das alíquotas específicas de produtos fabricados por concorrentes não afastam a acusada aplicação de alíquota inferior à devida. Também não vejo como extrair qualquer efeito da alegação de que teria sido apresentada manifestação de inconformidade contra os enquadramentos levados a efeito nos atos declaratórios e que tal manifestação não teria sido alvo de resposta. Em primeiro lugar, não há qualquer dispositivo legal que preveja a atribuição de efeito suspensivo a tal petição. Aliás, não há qualquer previsão legal para sua apresentação. Em segundo, e mais importante, se fosse considerado que a petição apresentada obstaculizaria os efeitos do ato declaratório, não haveria nenhuma consequência favorável à recorrente. Com efeito, nos termos do § 6º art. 150 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos geradores (RIPI/2002), enquanto não restasse definido o enquadramento definitivo, a contribuinte teria que recolher o imposto segundo a maior classe: § 6º Após a formulação do pedido de enquadramento de que trata o caput e enquanto não editado o ato pelo Ministro da Fazenda, o contribuinte deverá enquadrar o seu produto na tabela constante do art. 149 na maior classe de valores, observadas as classes por capacidade do recipiente. § 2º Para o enquadramento a que se refere o caput serão observadas as seguintes disposições: I – com base na espécie do produto e na capacidade do recipiente, o produto será classificado na menor classe constante da Tabela do art. 149; II – sobre o preço de venda praticado pelo estabelecimento industrial ou equiparado, será aplicada a alíquota constante da TIPI para o produto; III – com base no valor obtido no inciso II, será identificada a classe em que o produto se classificará entre aquelas constantes da NC (223) da TIPI, atendido que: a) a classe em que se enquadrará o produto será aquela cujo valor mais se aproxime do valor encontrado na operação a que se refere o inciso II; e b) se o valor calculado de acordo com o inciso II coincidir com a média dos valores de duas classes consecutivas será considerada a classe correspondente ao maior valor. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 892 15 Ou seja, ainda que, por hipótese, se considerasse que a recorrente estaria autorizada a aguardar o resultado da sua petição, restaria caracterizado o pagamento do IPI em patamares inferiores ao devido. 2.3 Selo de Controle Há, com efeito, um erro na indicação do ato administrativo que disporia sobre a aplicação de selos de controle, mas tal equívoco representa mero erro formal. De fato, a autoridade fiscal, equivocadamente, afirmou que o Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 504, de 2005 elencaria, dentre os produtos sujeitos a selo, as bebidas da subposição 2208.90.00 e tal ato, inegavelmente, ainda não se encontrava em vigor na data dos fatos geradores litigiosos. Ocorre que, se analisarmos o Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 73, de 2001, vigente à época dos fatos geradores, chegaríamos à mesma conclusão: Anexo I Código NCM Produto 2204.10.10 Tipo champanha ("champagne") 2205 Vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromatizadas 2208.20.00 Conhaque, bagaceira ou graspa e outras aguardentes de vinho ou de bagaço de uvas 2208.30 Uísques 2208.40.00 Cachaça e caninha (rum e tafiá) 2208.50.00 Gim e genebra 2208.60.00 Vodca 2208.70.00 Licores 2208.90.00 Aguardente composta de alcatrão 2208.90.00 Aguardente composta e bebida alcoólica, de gengibre 2208.90.00 Bebida alcoólica de jurubeba 2208.90.00 Bebida alcoólica de óleos essenciais de frutas 2208.90.00 Aguardentes simples de plantas ou de frutas 2208.90.00 Aguardentes compostas, exceto de alcatrão ou de gengibre 2208.90.00 Aperitivos e amargos, de alcachofra ou de maçã 2208.90.00 Batidas 2208.90.00 Aperitivos e amargos, exceto de alcachofra ou maçã 2208.90.00 Outros, exceto álcool etílico e bebida refrescante com teor alcoólico inferior a 8% Importa destacar, ademais, que as infrações imputadas à recorrente: pagamento inferior ao devido e ausência de lançamento de imposto com cobertura de crédito, restariam configuradas, independentemente do descumprimento da mencionada obrigação acessória. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 893 16 Ou seja, não há motivo para se rever essa acusação, pois o que se verificou foi um mero erro formal, que não trouxe qualquer prejuízo direito de defesa do sujeito passivo, que demonstrou conhecer perfeitamente as acusações que lhe foram imputadas. Notese que o raciocínio aqui defendido vem sendo pacificamente referendado pela jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Apenas à guisa de ilustração, trago a colação os seguintes julgados: ACÓRDÃO n° 10517.171, julgado em 16/09/2008: PRELIMINAR DE NULIDADE ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO E NA CAPITULAÇÃO LEGAL Tratandose de erro evidente, divorciado do contexto do procedimento fiscal do qual emerge a motivação e o enquadramento legal correto da autuação, que não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, a nulidade não deve ser pronunciada. ACÓRDÃO n°10196.804, julgado em 25/06/2008: Trecho da Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPRECISÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, qualquer imprecisão na descrição do enquadramento legal quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. ACÓRDÃO n°10615.955, julgado em 08/11/2006: Trecho da Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO DECLARAÇÃO DE NULIDADE IMPOSSIBILIDADE A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, a sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. (Precedentes da CSRF) ACÓRDÃO CSRF/0104.778, julgado em 01/12/2003: Trecho da Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL – IMPRECISÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento. ACÓRDÃO n° 20305.538, julgado em 19/05/1999: Trecho da Ementa: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE FALTA DE INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA A falta de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 894 17 indicação, no lançamento, do enquadramento legal da infração, cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu preterição do direito de defesa. MULTA O processo administrativo é meio impróprio para questionar a validade ou a constitucionalidade de lei. ACÓRDÃO n° 10319.614, julgado em 22/09/1998: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: NULIDADE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A imperfeição no enquadramento legal só acarreta nulidade do auto de infração se restar comprovado que o direito de defesa do contribuinte foi cerceado. Não há que se falar em nulidade quando a descrição dos fatos é suficiente esclarecedora, que cita, além dos dispositivos que regulamenta a matéria, o diploma legal instituidor da norma. 2.4 Multa de 75% Igualmente devida é a multa de 75%. Como já repisado, a recorrente deu saída a seus produtos e autolançou o imposto em valores inferiores ao devido, além de recolher o imposto em valores igualmente inferiores ao devido. Restam claramente delineadas as infrações previstas no art. 80, I da Lei nº 4.502, de 1964, que, à época dos fatos geradores litigiosos tinha a seguinte redação: "Art. 80.A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Isetenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Não há que se falar, portanto, em violação aos princípios da legalidade ou tipicidade. A punição em questão não decorre do erro de classificação, mas das conseqüências do referido erro. Também não vejo margem para, com base em princípios constitucionais não convertidos em normas de eficácia plena, afastar a imposição de multa prevista na lei vigente. Com efeito, após a edição da Súmula Vinculante nº 107, de autoria do e. Supremo Tribunal Federal, restou claramente identificado o limite dos critérios de que se pode socorrer o julgador administrativo. Diz o dispositivo: 7 DJe nº 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 895 18 VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597AgR8: "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado. Sabidamente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) está impedido de exercer tal controle em razão do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 20089, transcrito no art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, responsável pela aprovação do Regimento Interno desse Colegiado Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal norma se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. 2.5 Taxa Selic Apesar das ponderações da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC aos débitos tributários, não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário, nem muito menos como pretender dar as multas tributárias tratamento diverso. Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) 8 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 141204, DJ de 18205. 9 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.002443/200617 Acórdão n.º 3102001.794 S3C1T2 Fl. 896 19 Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Importante frisar, ademais, que a essa discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 19 de março de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 896DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13851.900215/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 21 5/ 20 08 -1 9 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo seu direito creditório. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 25578.80646.280604.1.3.045130, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de IRPJ (cód: 2362 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362; PA 28/02/2001) (fls. 33/38). Em 24/04/2008, por intermédio do despacho decisório de efl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado pois “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito declarado, com as seguintes características: “Db: cód 2362 PA 28/02/2001”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade (fls.10/16), alegando, em síntese, que: a) informou indevidamente “pagamento indevido ou a maior” na PER/DCOMP, os quais não foram localizadas pela Receita Federal; b) de fato o crédito não é oriundo de pagamento indevido ou a maior, mas sim de “saldo negativo de IRPJ”, o que se prova pelo exame da DIPJ/2002, retificadora entregue em 10/06/2003; c) apresenta um quadro de compensações que teriam sido efetuadas com o pretenso saldo negativo (fl. 12); d) que a luz do disposto no art. 156 II, do CTN, e art. 26, § 1º, da IN nº 600/2005, a compensação efetuada pelo sujeito passivo extinguiu devida e tempestivamente o crédito tributário tendo a informação do procedimento ao órgão natureza de obrigação acessória. Ao final requereu a reforma da decisão para que seja homologada a Compensação. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/06/2004 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 4 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar parcelas da contribuição devidas nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 06/09/2012, a Contribuinte solicitou a juntada de seu recurso voluntário em 02/10/2012 que foi analisado pela DRF de Araraquara. No Recurso alega em apertada síntese: 1 – que apurou saldo negativo de IRPJ a utilizar em períodos subsequentes no montante de R$ 183.717,03, valor este que utilizou parcialmente para extinguir o IRPJ apurada nos períodos de janeiro e fevereiro de 2003; 2 – que apresentou tal ocorrência dna DIPJ de 2002 retificadora e no recurso voluntário através da apresentação dos razões contábeis e de DARF’s; 3 – que o inciso II do art. 156 do CTN dispõe sobre a liquidação de créditos através da compensação; 4 – Ao fim pede provimento. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 25578.80646.280604.1.3.045130, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de IRPJ (cód: 2362 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362; PA 28/02/2001). A DRF em Araraquara não homologou o pedido da ora Recorrente alegando que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 114.778,78 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP” De forma sintética a DRJ manteve a decisão de 1º instância por considerar que as provas trazidas pela Recorrente não foram suficientes para a comprovação do direito creditório do contribuinte, sendo que seria dele a responsabilidade pelo ônus da prova. Ciente do que seria suficiente para a comprovação de seu direito creditório, eis que até o momento do acórdão da DRJ não havia sido feita qualquer intimação a contribuinte, com a apresentação do Recirso Voluntário foram acostados: o plano de contas; os DARF’s recolhidos que montam o saldo negativo apresentado na DIPJ; os razões contábeis. Me permito discordar desse entendimento da DRJ. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material da Recorrente. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 6 5 O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados, sem qualquer análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 7 6 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não apresentou as provas necessárias a comprovação do seu direito creditório. Não atentou portanto, nem tampouco diligenciou a DRF para que intimasse ao contribuinte que apresentasse os documentos comprobatórios de seu direito. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos, como livros Diário e Razão, balancetes do período e outros documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que consta declarado na DIPJ, a fim de comprovar seu direito creditório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 8 7 Entendo que as informações foram prestadas com forte aparência de que comprovam as alegações efetuadas. A DIPJ/2002, anocalendário 2001, retificada foi entregue em 10/06/2003 e nela consta, na ficha 12A. na linha 18 (imposto de renda pagar), o valor de R$ 183.717,03, como saldo negativo de IRPJ, conforme demonstrado abaixo: Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real Item Descrição Valor 1 Alíquota de 15% 2.996,13 efl. 29 13 () Imposto de renda retido na fonte 3,534,83 efl. 29 16 () Imposto de renda mensal pago por estimativa 183.178,33 efl. 31 18 () Imposto de renda a pagar 183.717,03 A atualização se deu pela SELIC, como abaixo demonstrado: Saldo Negativo Original 31.12.2001 183.717,03 eFl. 32 Selic até fevereiro/02 2,78% eFl. 32 Saldo Atualizado 188.824,36 eFl. 32 Compensação fevereiro/02 12.592,20 eFl. 32 Saldo Negativo Original 171.435,55 eFl. 32 Selic até junho/04 45,96% eFl. 32 Saldo Atualizado 250.227,33 eFl. 32 Compensação junho/04 70.151,47 eFl.32 Saldo Negativo Original 123.373,43 eFl. 32 Do mesmo modo foi apresentada a escrita fiscal que aparentemente comprovam os lançamentos contábeis efetuados, conforme podese observar as efls. 75 a 117. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a DRF de origem esclareça: a) se os rendimentos obtidos pela Recorrente integraram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, nos termos da legislação vigente a época, como consta da DIPJ/2002. ano calendário 2001; b) se houve saldo negativo apurado pela Recorrente, passível de restituição / compensação e em qual valor; c) se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de outro(s) débito(s). Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados e intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 9 8 (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.913373/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO.
Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.040
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 73 /2 00 9- 15 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 826 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 827 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 09/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 25992.15855.090608.1.3.046657 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRRF, código de receita 056107 Rendimento do Trabalho Assalariado no País/Ausente no Exterior a Serviço do País, período de apuração Maio/2008, data de vencimento 10/06/2008, R$ 12.618,90; IRRF, código de receita 170806 Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica/Serviços de Limpeza, Conservação, Seguranças e Locacão de MaodeObra Prestados por Pessoa Jurídica, período de apuração Mai/2008, data de vencimento 10/06/2008, R$ 963,64; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 9.951,31; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 747.540,19. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 828 4 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível do IRPJ mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; f) que não há que se cogitar em incidência do IRPJ, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto; g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório). Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 829 5 A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, embora tendo efetuado o pagamento do IRPJ Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução , apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, que a soma do imposto pago por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor do imposto apurado com base em Balanço ou Balancete mensal; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 830 6 que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 831 7 que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) – fls. 64/72, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 71/72), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 77/821). Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 832 8 Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 818/820). Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 821), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.822). É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 833 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ 9.951,31 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 1.876.090,74 (valor original) de IRPJ estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 5993, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido do IRPJ estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito do imposto, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de IRPJ estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte:. 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 834 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 66/74). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 820/822), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com o débito de R$ 13.592,54, DCOMP nº 25992.15855.090608.1.3.046657. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal do IRPJ, não sendo devido, portanto, o imposto a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 1.876.090,74 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal do IRPJ de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo do IRPJ Valor devido (estimativa IRPJ) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 835 11 6. Na Ficha 12A da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL VALOR À alíquota de 15% + 6% + Adicional 0,00 DEDUÇÃO () Campos 04 a 16 0,00 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 12A, a não utilização do valor ora requerido de R$ 1.876.090,74 na composição de saldo negativo do IRPJ. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 1.876.090,74 (IRPJ N OBR L REAL ESTIMATIVA IRPJ, cód. 5993). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 1.876.090,74. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.81/87. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, meses jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de IRPJ a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 1.876.090,74. 12. Consoante tela, fls. 814/817, reservouse parte desse valor, R$ 9.951,31, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 836 12 a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 11; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido do IRPJ estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito do IRPJ estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 12A DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento do IRPJ mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 9.951,31 (valor original) utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 837 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
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