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Numero do processo: 19515.002079/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA.
Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR.
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores consignados em declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO.
A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada de provas inequívocas da materialidade desse recurso.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO.
O desconto simplificado ou padrão deve ser considerado como dispêndio ou consumo no cômputo do acréscimo patrimonial a descoberto
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN.
Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para aplicar os juros de mora à taxa de 1 (um) por cento ao mês sobre a multa de ofício.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores consignados em declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada de provas inequívocas da materialidade desse recurso. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. O desconto simplificado ou padrão deve ser considerado como dispêndio ou consumo no cômputo do acréscimo patrimonial a descoberto JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte
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GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no mês. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subsequente os valores consignados em declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo deve vir acompanhada de provas inequívocas da materialidade desse recurso. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. O desconto simplificado ou padrão deve ser considerado como dispêndio ou consumo no cômputo do acréscimo patrimonial a descoberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 79 /2 00 4- 73 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 11 2 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para aplicar os juros de mora à taxa de 1 (um) por cento ao mês sobre a multa de ofício. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 95 a 104: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 27/28) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2001 de R$ 94.644,54, de multa de ofício de R$ 70.983,40 e de juros de mora calculados até 30/09/2004 de R$ 42.012,71. A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 20/08/2004, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 05, em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação ao anocalendário 2001, documentação comprobatória referente às informações prestadas nas Declarações de Bens e Direitos. De posse dos documentos colhidos no decorrer da ação fiscal o auditor elabora os demonstrativos de fls. 24 e, conforme relatado no Termo de Constatação Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 12 3 Fiscal de fls. 21/23, encerra a ação fiscal com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, nos anoscalendário 2001, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, conforme demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/23. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 8°, da Lei 8.981/95; artigo 3° e 11, da Lei 9.250/95; artigo 21 da Lei 9.532/97. O contribuinte toma ciência do auto de infração 15/10/2004, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 16/11/2004 de fls. 33/62, em que alega, em síntese, que: 1 a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo é incompetente para lançar o imposto, pois o impugnante tem sua residência em Salvador; 2 a autoridade lançadora considerou erroneamente a aquisição do imóvel localizado à Rua José Paulino, 654, no mês de fevereiro, bem como incluiu o impugnante como parte no Instrumento Particular; 3 os pagamentos para compra deste imóvel seriam realizados, conforme estipulado no compromisso em data posterior a fevereiro e seu nome não consta no citado contrato. Se o impugnante não fez parte do contrato, tampouco participou dos pagamentos intermediários e só integrou a relação jurídica na escritura pública, é nesta data que deve ser considerada no Demonstrativo; 4 a parcela do desconto simplificado não é despesas efetiva e não deve ser considerada como tal no Demonstrativo; 5 a autoridade lançadora não considerou no cômputo dos recursos o valor de empréstimo contraído de José Antônio Coan, no valor de R$ 226.000,00, sem atentar que este empréstimo foi incluído na declaração de ambos; 6 foi firmado um contrato escrito de mútuo em que o mutuante dispõe de capacidade financeira para firmálo, o que constitui requisito essencial para a sua realização; 7 a autoridade lançadora não considerou, na elaboração do demonstrativo, como origem o saldo positivo do exercício anterior a título de sobras; 8 no Termo de Fiscalização originário do processo 19515.001925/200276, restou consignada a existência de sobras, provenientes do anocalendário 2000, no valor de R$ 5.836,00; 9 a autoridade lançadora também não considerou os valores declarados sob rubrica de aplicações financeiras, por não possuir comprovantes. Acontece que, por um equívoco, os valores declarados sob esta rubrica são de fato dinheiro em espécie. Como se trata apenas de mero erro formal, deve ser considerado no demonstrativo o valor de R$ 36.000,00; 10 houve erro, ainda, quando foram considerados como recebidos em dezembro os rendimentos isentos, quando deveriam ter sido em janeiro; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 13 4 11 o Demonstrativo de Evolução Patrimonial não pode ser feito mensalmente, mas sim compreender o período de 1°de janeiro a 31 de dezembro. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, em seu art. 55, XIII, extrapolou a Lei 7.713/88, ao prever demonstrativos mensais. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares de nulidade argüidas e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o valor do IR apurado de R$ 94.644,54 para R$ 78.385,69, em função de nova alocação dos rendimentos isentos e da compra do imóvel situado ao rua José Paulino n° 654 na planilha de cálculo do APD, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA DECRETO. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a alegação de ilegalidade de norma tributária estabelecida por meio de Decreto. NULIDADE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. A exigência de crédito tributário é válida, mesmo que formalizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, haja vista que o início do procedimento fiscal previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL SALDOS POSITIVOS ANUAIS. Os saldos positivos de evolução patrimonial de dezembro não podem ser considerados como recursos em janeiro do ano seguinte, porquanto é ônus do contribuinte a comprovação desta disponibilidade no último dia do anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL RECURSOS EMPRÉSTIMO. A alegação de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo, desacompanhado de qualquer formalidade, pelo impugnante. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 117 a 138, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 14 5 requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Da Apuração Mensal da Variação Patrimonial O método de fiscalização mensal para apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, equivocadamente acatado pelo v. acórdão recorrido, não deve ser mantido; II. Do Não Aproveitamento do Saldo do Ano Anterior. A C. Turma Julgadora não considerou como origem o valor proveniente do exercício anterior a título de sobras por entender, basicamente, que os valores porventura apurados na análise da evolução patrimonial no mês de dezembro presumemse consumidos, caso não constem da declaração de bens ou sua existência não seja efetivamente comprovada em 31 de dezembro; III. Da Desconsideração Do Empréstimo Recebido Pelo RECORRENTE. O v. acórdão recorrido não considerou como recurso o valor (R$ 226.000,00) correspondente ao empréstimo contraído do Sr. João Pedro Coan, CPF 039.808.98849, sob, basicamente, a assertiva de que não houve comprovação da efetiva movimentação financeira entre as partes. IV. Do Desconto Simplificado. Como o desconto simplificado não significa um efetivo e real desembolso financeiro, não pode ser tratado como uma despesa efetiva; V. Taxa SELIC. Ad argumentandum, caso não seja cancelado ou anulado o Auto de Infração, nem tampouco o v. acórdão, requer seja afastada a SELIC para a atualização da multa de ofício. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DA APURAÇÃO MENSAL DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL Não tenho dúvidas, de que quando se trata de apuração de “acréscimo patrimonial a descoberto”, através da elaboração de “fluxo financeiro – origens e aplicações de recursos”, e ficar demonstrado, pelo fisco, que o contribuinte efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que fica caracterizada a presunção de que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato, já que no “fluxo de caixa” que não observa a periodicidade mensal, um bem adquirido ou Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 15 6 uma aplicação efetuada num momento em que não existam recursos disponíveis para tal podem ser acobertados pela percepção posterior de recursos. Diz a norma legal que rege o assunto: LEI N.º 7.713, DE 1988: Artigo 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3º O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. LEI N.º 8.134, DE 1990: Art. 1º A partir do exercíciofinanceiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. ... Art. 4º Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1º de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8º da Lei n.º 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. LEI N.º 8.021, DE 1990: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 16 7 § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. DECRETO Nº 3.000, DE 1999 – REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA: Art. 55 – São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1966, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...). XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Como se depreende da legislação, anteriormente, citada o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.º 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. A jurisprudência dessa Turma de julgamento é pacífica nesse sentido: Processo 10865.002060/200211, Giovanni Christian Nunes Campos Relator e Presidente: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS NA ATIVIDADE URBANA. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. A partir do anocalendário 1989, para contribuintes que auferem rendimentos urbanos, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo o valor apurado, não justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, ser computado na determinação da base de cálculo anual do tributo. Processo 13888.000994/200591, Núbia Matos Moura – Relatora: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. A partir do Anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo o valor apurado, não justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, ser computado na determinação da base de cálculo anual do tributo. Destarte, não merece prosperar tal alegação recursal. DO NÃO APROVEITAMENTO DO SALDO DO ANO ANTERIOR. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 17 8 Do Termo de Verificação de Fiscal, temos consignado o seguinte à fl. 22: • Intimado a comprovar o saldo bancário no Banespa no valor de R$ 36.000,00 , nenhum documento que possa comprovar os valores informados na Declaração de Ajuste Anual foi apresentada a esta fiscalização . Pesquisas efetuadas no Relatório da Movimentação Financeira ( CPMF ) disponível no sistema informatizado da Receita Federal, constatamos somente o movimento de R$ 7.056,92 e recolhimento de CPMF no valor de R$ 21,14 no Banespa para o mês de fevereiro/2001 . Portanto o saldo bancário não foi considerado no demonstrativo Análise da Evolução Patrimonial Mensal". Como bem assentou o acórdão recorrido, cabe ao contribuinte comprovar eventuais disponibilidades no último dia do ano anterior para que possa se beneficiar de origem no ano seguinte, contudo, isso não foi feito durante a fiscalização e tampouco até este momento. Nesse sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, na jurisprudência que segue e que deve ser aproveitada também para reforçar o entendimento do item anterior. Destarte, não há como acata este pedido recursal. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 18 9 DA DESCONSIDERAÇÃO DO EMPRÉSTIMO RECEBIDO PELO RECORRENTE. O documento apresentado pelo recorrente para suportar a sua alegação é o instrumento particular de fl. 11. Observo que este documento sequer tem firmas reconhecidas ou qualquer registro cartorário, impedindo que se faça prova inequívoca da real data em que foi celebrado. De outro lado não foi apresentada qualquer transação bancária tanto desse empréstimo quanto do respectivo pagamento. A opção não usual pela transação em espécie, de todos os valores, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o alegado, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Um empréstimo, para poder ser levado em conta na evolução patrimonial do contribuinte, necessita estar amparado em provas que atestem a materialidade do mútuo e demonstrem a transferência dos recursos cedidos, mormente quando se trata de quantia elevada facilmente identificável na movimentação bancária de credor e devedor. No caso, inexistindo qualquer documento que comprove a materialidade do empréstimos, não há como acolher a pretensão do recorrente. Neste sentido, vale frisar que entende este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que para a comprovação da existência de mútuo, fazse mister, além da regular declaração por parte de ambos os contribuintes, da apresentação de contrato escrito, ou, igualmente, a prova do retorno do capital mutuado, consoante se infere do precedente ora colacionado: IRPF EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos resultantes de empréstimos recebidos. Inaceitável a prova de empréstimo feita exclusivamente com a consignação na declaração de rendimentos de um dos mutuantes, ainda que apresentada no prazo legal, sem quaisquer outros subsídios, como instrumento particular de contrato e comprovação da efetiva transferência do numerário. Preliminar rejeitada. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2 Câmara, Recurso Voluntário n. 132.803, relator Conselheiro José Oleskovicz, sessão de 09/09/2003) Da mesma forma, avalio acertada a desconsideração por parte da fiscalização do alegado mútuo dado que não foram carreados os autos qualquer elemento que lograsse comprovar sua materialidade. Importante ressaltar, vide fls. 68/69, que o documento do alegado mútuo é de 12/04/2001 enquanto a transação imobiliária ocorreu em 23/02/2001. Ora, se o mútuo deveria justificar os recursos para aquisição do imóvel, forçoso imaginar que a data do empréstimo seja anterior ao negócio e não ao contrário como nesse caso. Isso só reforça a impossibilidade de se considerar o referido mútuo nesse caso. DO DESCONTO SIMPLIFICADO. Em relação à contestação apresentada de que o desconto simplificado não significa um efetivo e real desembolso financeiro, não pode ser tratado como uma despesa efetiva, como já exposto no acórdão recorrido, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, expressamente determina que este valor não pode ser considerado para justificar acréscimo patrimonial, conforme reprodução abaixo do art. 84, §2°: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 19 10 Art.84.Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de vinte por cento desses rendimentos, limitada a oito mil reais, na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, e Medida Provisória nº 1.75316, de 11 de março de 1999, art. 12). §1ºO desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74 a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, §1º). §2ºO valor deduzido na forma deste artigo não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, §2º). (grifei) Portanto, por expressa disposição legal, nego o pedido formulado. JUROS DE MORA. No que se refere à alegação da defesa de que não pode prosperar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, alinhome àqueles que entendem que a taxa de juros incidente é de 1% ao mês. A aplicação dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício proporcional é questão que já vem a algum tempo sendo tratada no âmbito deste CARF, existindo para a matéria três posicionamentos, quais sejam: (i) não cabe a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, (ii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados pela variação da taxa Selic; e (iii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Filiome à corrente que entende cabível os juros de mora sobre a multa proporcional, apurado à razão de 1%. O art. 161 do CTN, abaixo transcrito, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Com o devido respeito aos que pensam de maneira diversa, considero que uma leitura harmônica do CTN, sem apego a possíveis imperfeições de escrita, principalmente Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 20 11 no que diz respeito aos arts. 113, 139 e 142 do referido texto legal, abaixo transcritos, conduzem à conclusão de que o conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício proporcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Pois muito bem. O art. 161 do CTN prevê que sobre o crédito tributário (aí incluída a multa proporcional) não integralmente pago até a data do vencimento incide juros de mora, que serão calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o parágrafo 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito, dispôs de modo diverso, introduzindo a taxa Selic ao cálculo dos juros de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 21 12 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Contudo, o art. 61 somente autoriza a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. De pronto, devese observar que a multa de ofício proporcional decorre do nãopagamento do tributo ou da contribuição. Incorreta, portanto, seria a afirmação de que a multa proporcional decorre do tributo ou da contribuição. Vale destacar que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 versa sobre a incidência de juros de mora e multa de mora em procedimento espontâneo. Se assim não fosse, não haveria necessidade de o art. 43, § único, da mencionada lei, dispor sobre a incidência dos juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício isolada. Ora, se entendermos que os débitos mencionados no caput do art. 61 abarcam as multas de ofício proporcionais e isoladas, despiciendo se tornaria o § único do art. 43. Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nestes termos, há de se concluir que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, mantidos os demais aspectos do lançamento. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.002079/200473 Acórdão n.º 2102002.278 S2C1T2 Fl. 22 13 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10783.900166/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPENSAÇÃO DAS PARCELAS DOS PAGAMENTOS REALIZADOS NO CÓDIGO 6106 COM OS NOVOS DÉBITOS APURADOS NO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO, QUE FOI ADOTADO EM SUBSTITUIÇÃO AO SIMPLES.
Não há óbice ao aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que a Contribuinte foi excluída do Simples, para a quitação, mediante dedução ou compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que ela passou a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. De acordo com a Súmula 76 do CARF, nem mesmo é preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento já realizado se dá por simples dedução. Se foi o próprio Fisco quem excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002, este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão.
Numero da decisão: 1802-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPENSAÇÃO DAS PARCELAS DOS PAGAMENTOS REALIZADOS NO CÓDIGO 6106 COM OS NOVOS DÉBITOS APURADOS NO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO, QUE FOI ADOTADO EM SUBSTITUIÇÃO AO SIMPLES. Não há óbice ao aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que a Contribuinte foi excluída do Simples, para a quitação, mediante dedução ou compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que ela passou a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. De acordo com a Súmula 76 do CARF, nem mesmo é preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento já realizado se dá por simples dedução. Se foi o próprio Fisco quem excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002, este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão.
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COMPENSAÇÃO DAS PARCELAS DOS PAGAMENTOS REALIZADOS NO CÓDIGO 6106 COM OS NOVOS DÉBITOS APURADOS NO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO, QUE FOI ADOTADO EM SUBSTITUIÇÃO AO SIMPLES. Não há óbice ao aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que a Contribuinte foi excluída do Simples, para a quitação, mediante dedução ou compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que ela passou a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. De acordo com a Súmula 76 do CARF, nem mesmo é preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento já realizado se dá por simples dedução. Se foi o próprio Fisco quem excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002, este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 01 66 /2 00 6- 15 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1221.976, às fls. 38 a 40: A empresa em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02), acompanhada de documentos (fls. 03/13), contra o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, da DRF Vitória/ES, que não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/11/2002). A interessada em sua defesa alega que: a) Em agosto de 2003 recebeu o Ato Declaratório Executivo DRF/VITÓRIA, comunicando a exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2002; b) Providenciou a apuração dos impostos a partir da data da exclusão (01/01/2002) pelo regime de apuração do Lucro Presumido; c) Utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de conformidade com a apuração pelo regime do Lucro Presumido; d) O DARF em questão, originalmente utilizado para pagamento do Simples, com a exclusão da empresa do regime, ficou como pagamento indevido, utilizando, portanto, estes recolhimentos para compensar os impostos devidos pelo novo regime de tributação, vez que não existe mais débito de imposto para o código 6106 utilizado no DARF pago. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 5 4 O ônus da prova do indébito tributário é do sujeito passivo, mormente quando em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal não há como se constatar que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido. Rest/Ress: indeferido Comp. não homologada Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/04/2009 (quintafeira), conforme AR às fls. 47, a Contribuinte apresentou em 02/06/2009 o recurso voluntário de fls. 48 a 51, onde basicamente reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Em 07/05/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a resolução nº 1802000.205 (fls. 57 a 63), demandando realização de diligência pela Delegacia de origem. Concluída a diligência, o processo retornou ao CARF para a continuação do julgamento do recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/04/2009, uma quintafeira. Como o dia 1º de maio é feriado nacional, a contagem do prazo para apresentação de recurso só foi iniciada em 04/05/2009 (segundafeira). O recurso foi apresentado em 02/06/2009 e é, portanto, tempestivo. Também está dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação por ela apresentada. O PER/DCOMP nº 26865.15153.190903.1.3.041182 (fls. 08 a 12) foi transmitido em 19/09/2003. A Contribuinte utilizou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de SIMPLES, referente ao período de apuração PA novembro/2002, para quitar, por compensação, débitos de Cofinsnovembro/2002, IRPJ 4º trim/2002 e Pisdezembro/2002. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/11/2002). Desde o início, a Contribuinte vem alegando que foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 421.283, de 07 de agosto de 2003 (fls. 03), e que, em razão disso, utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, porque não teria sido possível constatar, pelos sistemas da Receita Federal, “que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido”. Transcrevo a seguir o conteúdo do voto que orientou a decisão em primeira instância administrativa: Quanto à razão do indeferimento do seu pedido, a interessada alega que efetuou já para o anocalendário de 2002 recolhimentos com base no Lucro Presumido. Entretanto, em consulta ao Sistema SIEF — PAGAMENTOS — CONSULTA, foi verificado que entre o período de 2002 e 2004 foram efetuados recolhimentos tanto de Simples como de Lucro Presumido a partir de 2003. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 7 6 Ocorre que a interessada, cujo ônus lhe pertencia, deveria ter demonstrado de que forma este pagamento de Simples teria sido indevido, já que não o sistema aloca o respectivo DARF para recolhimento também de Simples do período anterior (sic). Portanto, como seria ônus da interessada a comprovação de que realmente tais pagamentos de Simples foram indevidos, entendo que não há liquidez e certeza nos créditos pleiteados, bem como insuficiência do mesmo para quitar os débitos declarados na PER/DCOMP. Dessa forma, como os alegados créditos não gozam dos pressupostos de liquidez e certeza previstos no art. 170 do CTN, visto não ter o contribuinte trazido aos autos as provas a seu favor, INDEFIRO a solicitação e NÃO HOMOLOGO A COMPENSAÇÃO. Nesta fase recursal, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua primeira peça de defesa. O julgamento do recurso voluntário foi iniciado em 07/05/2013, e resultou na Resolução nº 1802000.205, para fins de realização de diligência pela Delegacia de origem. Transcrevo abaixo as considerações que suscitaram a referida diligência, bem como as informações solicitadas por esta turma julgadora: [...] O pleito da interessada não está fundado em alegação de duplicidade de pagamento. O que ela busca é o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período para o qual ela fora excluída do Simples, visando a quitação, mediante compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que teria passado a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. A decisão de primeira instância administrativa produz uma contradição. Por meio da declaração de compensação, a Contribuinte reconheceu débitos no regime do lucro presumido, justamente porque havia sido excluída do regime de tributação simplificada. Tudo indica que a Contribuinte, conformada com sua exclusão do Simples, pretendeu apenas utilizar pagamento que não mais poderia ficar vinculado a débito do regime simplificado para quitar tributos apurados com as regras do lucro presumido, alguns deles relativos ao mesmo período de apuração do mencionado pagamento. Mas ao manter a vinculação do pagamento ao débito no código 6106, a DRJ acabou mantendo o débito do Simples, conforme originalmente apurado pela Contribuinte. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 8 7 Restou então, para um mesmo período, uma incorreta cumulação de débitos, ou seja, débito de Simples e débitos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. É oportuno registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado costuma se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. E quando isto não é feito de ofício, esta instância administrativa manda fazêlo. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que em muitos casos o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado (para quitação de débitos decorrentes do regime de tributação adotado em substituição àquele) nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP, quando o pagamento referese aos mesmos tributos e períodos dos “novos” débitos. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples do PA novembro/2002 para quitar débitos de Cofins novembro/2002, IRPJ 4º trim/2002 e Pisdezembro/2002, apurados, segundo ela, de acordo com o regime do lucro presumido. A decisão sobre este encontro de contas não pode estar fundamentada na convalidação do débito apurado e declarado no código 6106, relativo ao Simples. Se foi o próprio Fisco que excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002 (fls. 3), este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 9 8 Também não serve a esse fim o argumento de que não houve comprovação de duplicidade no pagamento, até porque não é esta a alegação da Contribuinte. A solução do presente processo depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela Delegacia de origem. O exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; e 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (que a contribuinte alega ser o Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Vitória/ES atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada, a Delegacia de origem apresentou a informação fiscal de fls. 78 a 80, esclarecendo: que os percentuais para a decomposição do pagamento no código 6106, conforme as disposição da Lei 9.317/1996 e a faixa de receita bruta da Contribuinte, são os seguintes: 1 0,13% (treze centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 0,13% (treze centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; 5 2,14% (dois inteiros e quatorze centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º da Lei 9.317/1996. que em relação ao confronto das parcelas pagas com os débitos relativos à apuração dos impostos pelo lucro presumido, foi juntado, às fls. 67/70, a Declaração de Débitos e Créditos de Tributos FederaisDCTF, em que a empresa demonstra de que forma foi realizada a compensação dos valores pagos no Simples, detalhada por tributo; que em análise aos Sistemas da RFB, constatouse a existência de um Processo de Parcelamento EspecialPaes nº 10783.454279/200473, que foi “Encerrado por Rescisão”, em 17/06/2005 pelo ADE nº 002/2005, conforme fls. 72; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 10 9 que posteriormente, após a rescisão, o Contribuinte quitou as parcelas restantes e o processo foi “Encerrado por Pagamento” em 16/12/2005; que as informações constantes no “Extrato de Processo” estão de acordo com aquelas declaradas na DCTF, considerando que os valores dos Saldos a Pagar foram incluídos no parcelamento, conforme Fls. 73/76; que no anocalendário em questão, a empresa não entregou a DIPJ, e que dessa forma permaneceram no Sistema as informações da Declaração pelo regime Simples, anteriormente entregue, conforme telas de Consulta às Declarações IRPJ, às fls. 71 e 77. A Contribuinte foi cientificada sobre as conclusões da diligência, e o processo retornou ao CARF para a continuação do julgamento do recurso voluntário. Já foi registrado que as compensações realizadas pela Contribuinte não estão fundadas em alegação de duplicidade de pagamento. Mais uma vez esclareço que sua pretensão é o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período para o qual ela fora excluída do Simples, visando a quitação, mediante compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que ela passou a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. Se foi o próprio Fisco quem excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002, este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão. Também não serve a esse fim o argumento de que não houve comprovação de duplicidade no pagamento, até porque não é esta a alegação da Contribuinte. Além disso, de acordo com a Súmula 76 do CARF, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP para a maioria das compensações realizadas pela Contribuinte em razão da mudança do regime de tributação no anocalendário de 2002 (Simples para Lucro Presumido), eis que na maioria dos casos (também examinados nesta sessão de julgamento) o encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A resposta à diligência confirma que a Contribuinte buscou justamente a compensação dos pagamentos no código 6106 para a quitação dos novos débitos no regime do lucro presumido para o anocalendário de 2002, informando ainda: que estes débitos apurados na sistemática do lucro presumido foram declarados em DCTF; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 11 10 que as DCTF também reproduzem a vinculação dos pagamentos no código 6106 aos novos débitos; que deste encontro de contas remanesceram saldos a pagar, no regime do lucro presumido; e que estes saldos foram quitados por pagamento, conforme extrato do processo de parcelamento nº 10783.454279/200473, também juntado aos autos. Não há como negar a compensação pretendida pela Contribuinte. A principal finalidade da diligência era verificar se o encontro de contas por ela realizado encontrava respaldo na decomposição dos pagamentos no código 6106, ou seja, se guardava coerência com as parcelas correspondentes a cada tributo e período abrangido pelo recolhimento unificado. O problema que vislumbramos naquela ocasião, em razão dos vários processos de PER/DCOMP referentes aos novos débitos do anocalendário de 2002 (que também estão sendo examinados nesta sessão) era, por exemplo, a Contribuinte estar quitando débito de IRPJ e o crédito gerado pela decomposição do pagamento 6106 ser referente à COFINS. Nesse caso, havendo também débito de COFINS (no regime do lucro presumido) para o mesmo período do crédito, o correto seria primeiro “deduzir” do novo débito a parcela já paga de COFINS com o código 6106, para só depois “compensar”, via PER/DCOMP, eventual excedente de crédito com outros tributos ou períodos. E na hipótese de não haver tal excedente, a “compensação” com outros tributos e períodos ficaria prejudicada. Mas esta análise mostrouse irrelevante para o deslinde do processo, porque conforme informou a Delegacia de origem, todos os saldos dos débitos na nova sistemática de apuração (lucro presumido), que remanesceram após os encontros de contas realizados pela Contribuinte, foram quitados por pagamento. Não há, portanto, a possibilidade de uma parte dos novos débitos de 2002 (aquela que não está abrangida pelos PER/DCOMP) estar em aberto em decorrência de um eventual equívoco no encontro de contas. No exemplo acima, se a Contribuinte podia quitar o débito de COFINS mediante simples “dedução” do valor já pago anteriormente com o código 6106, mas quita este débito com novo DARF, ela acaba viabilizando excedente de COFINS para a compensação com o débito de IRPJ. Assim, cabe tão somente homologar a presente compensação, no limite do crédito que decorre do pagamento realizado no código 6106. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Acórdão n.º 1802002.027 S1TE02 Fl. 12 11 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.721523/2011-88
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (Relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (Relator) que dava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 23 /2 01 1- 88 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 2201000.164, proferida pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 59 a 63, que reproduzo a seguir: “A Notificação de lançamento de fl. 5, foi emitida para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$ R$ 19.184,16, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, ano calendário 2009, sendo R$10.198,92 de imposto, R$7.649,19 de multa de ofício e R$1.336,05 de juros de mora (calculados até 29/07/2011). Do Lançamento Constatada a omissão de rendimentos tributáveis, recebidos acumuladamente, no valor de R$66.089,85, com imposto retido de R$2.832,42, em virtude de ação judicial trabalhista cujo valor bruto da condenação alcançou R$94.414,07 e honorários advocatícios de R$ 28.324,22. Da Impugnação O contribuinte impugnou o lançamento apresentando os argumentos resumidos a seguir. Que os rendimentos recebidos se referem a valores que eram devidos no período de 1994 a 1997, e devem ser submetidos às alíquotas vigentes à época em que devidos e não em 2009. Os valores recebidos não representam aumento de patrimônio, pois possuem natureza reparatória. Os juros pagos representam atualização da moeda não sendo, por isso, passíveis de imposto. Da decisão de 1ª instância A quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo 2 (DRJ/SP2), por meio do Acórdão nº 1756.792, julgou a impugnação improcedente com os argumentos resumidos a seguir. No ano calendário 2009, a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era disciplinada pelo art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 2802002.864 S2TE02 Fl. 65 3 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. E é este o comando a que está sujeito o impugnante, uma vez que a mudança ocorrida na tributação desse rendimentos que foi introduzida pelo art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, somente entrou em vigor em 28/07/2010, com a Medida Provisória nº 497, convertida na Lei nº 12.350, de 2010. Desta forma, concluem as autoridades julgadoras que, “não estando presente no caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do mesmo CTN para a retroatividade da lei, não há a possibilidade, em relação aos rendimentos acumulados recebidos no ano calendário 2009, de aplicação retroativa do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, que veio à luz, como já visto, somente em 28/07/2010”. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão nº 1756.792 em 28/02/2012, AR fl. 47, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 49 a 54, com os argumentos resumidos a seguir. Com base em tabelas que apresenta na peça recursal, o recorrente conclui que os valores recebidos acumuladamente em 2009, seriam isentos do imposto sobre a renda, se submetidos à tributação na época oportuna. Os valores recebidos possuem juros, que tem caráter indenizatório, pois, apenas corrigem o valor da moeda e não devem sofrer tributação. Considera ilegal a tributação dos valores recebidos em 2009, de forma acumulada, com as alíquotas atuais, pois provocariam prejuízo sério e indevido ao contribuinte.” O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 13 de agosto de 2013, tendo a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2201 000.164, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 59 a 63. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Alega o recorrente que o rendimento considerado omitido é oriundo de sentença favorável para receber o Índice de Reajuste do Salário Mínimo (IRSM) sobre os benefícios recebidos de março de 1994 a fevereiro de 1997, os quais, caso tivessem sido tributados à época em que deveriam ter sido pagos, estariam isento do imposto de renda. Por corresponder a benefício previdenciário recebido de forma acumulada, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Embora apresente demonstrativos dos valores recebidos em virtude dessa causa discutida judicialmente, o contribuinte não instruiu sua impugnação com nenhuma peça do extraída do processo judicial que evidencie os cálculos mensais dos valores recebidos e dos efetivamente devidos pelo INSS para o contribuinte, no período mencionado. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que se aplica ao caso as disposições expressas no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 2802002.864 S2TE02 Fl. 66 5 “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure hipótese de mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário1, uma das hipóteses de mudança de critério jurídico acontece “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. Outra hipótese mencionada pelo renomado autor está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não 1 Machado, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 12ª /edução, Malheiros, 1997, p 123 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a revisão de ofício prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, não importa em prejuízo ao contribuinte, haja vista que a existência de determinação expressa no sentido de que a alteração do crédito tributário deverá ser procedida “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque, entendo que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte. Identificada essas tabelas, o próximo passo deve ser dado em direção à verificação da alíquota aplicável em função do resultado obtido a partir do somatório desses rendimentos com aqueles efetivamente auferidos nessa mesma época. Cumprida essa etapa, basta aplicar o percentual correspondente sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Fica evidente que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco, haja vista que a operação de apuração do somatório dos rendimentos efetivamente auferidos com os rendimentos omitidos se presta apenas para a identificação da faixa de rendimentos prevista na tabela progressiva e, por via de consequência, da alíquota a ser aplicada tão somente sobre a base de cálculo representada pelo rendimento considerado omitido. Em outras palavras, não se exigirá na revisão de ofício o tributo por ventura apurado em função da alteração da alíquota que deveria ter sido aplicada sobre os rendimentos originalmente declarados. Daí a razão pela qual a revisão de ofício comentada não interfere na base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre a matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que os valores dos rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 2802002.864 S2TE02 Fl. 67 7 Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o muito bem estruturado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso, como conseqüência da definição da forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente. Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como também utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da Receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10860.721523/201188 Acórdão n.º 2802002.864 S2TE02 Fl. 68 9 valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) O Relator amparase em entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN2 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. O Relator defende a revisão de ofício do lançamento. Todavia, a possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Nos demais pontos, acompanho integralmente o relator. A única infração autuada foi a omissão de rendimentos. 2 São exemplos da referida divergência na doutrina: CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário 17 ed. Saraiva, São Paulo, 2005. p. 427; AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13 ed. Saraiva, São Paulo, 2007, p. 351 e ss. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 10 Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
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Numero do processo: 10680.011370/2005-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR - ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 12/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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MBR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 13 70 /2 00 5- 37 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 12/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Minerações Brasileiras Reunidas S.A. – MBR foi lavrado o auto de infração de fls. 02/04, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2002, acrescidos de juros moratórios e multa de ofício, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de área de reserva legal e área de preservação permanente. A Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 210100.640, que se encontra às fls. 307/324 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1°, da Lei n.° 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. AREA DE RESERVA LEGAL. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.011370/200537 Acórdão n.º 9202003.051 CSRFT2 Fl. 8 3 A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que a Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, a sua aprovação pelo órgão ambiental e a respectiva averbação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. RECONHECIMENTO. INEXISTÊNCIA. Para efeitos de exclusão da área da base de cálculo do ITR, a reserva particular do património natural (RPPN) tem de se r reconhecida pelo IBAMA, o que não ocorreu no presente caso, conforme declarou expressamente a própria Recorrente. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. APA SUL RMBH. Para efeitos de exclusão da área da base de cálculo do ITR, a área de proteção ambiental tem de ser efetivamente criada pelo Poder Público, o que não ocorreu na hipótese dos autos. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada de 2.711,80 hectares. Intimada do acórdão em 25/06/2011 (fl. 335), a contribuinte interpôs recurso especial às fls. 338/364, pleiteando a reforma do v. acórdão no tocante à (i) necessidade de apresentação tempestiva de ADA, (ii) glosa da área de interesse ecológico e (iii) necessidade de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel. Ao recurso especial da contribuinte foi dado seguimento somente no tocante à glosa da área de interesse ecológico, conforme Despacho de 09/07/2012 (fls. 474/475). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões de fls. 479/480v. É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela contribuinte na parte em que lhe foi dado seguimento. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nºs 30332.038 e 30332.725. Para fins de comprovar a divergência transcrevo, a seguir, trecho do acórdão 30332.038, in verbis: "(...) Com relação à área de 885,2 ha declarada a título de utilização limitada, verificase que, não obstante estar indicado na cópia do Ato Declaratório Ambiental, relativo a 1997, protocolizado junto ao IBAMA em 0311212003 (fl. 177), que o imóvel possui área de 885,2 ha de declarado interesse ecológico, o documento de fls. 203 informa que a propriedade possui 795,8 ha de área de utilização limitada dentro da área de proteção ambiental da Região Metropolitana de Belo Horizonte — APA SUL RMBH, conforme Decreto Estadual n° 35.624, de 08/06/1994 e planta elaborada com base na Carta Geográfica do IBGE (fls. 2021205). (...) Tendo em vista que o artigo 10, § 1º, II, “b” da Lei n° 9.393/1996, dispõe que as áreas declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas são excluídas da área tributável, há de se acatar a área equivalente a 795, 8 ha que se encontra abrangida pelo Decreto Estadual n° 35.624, de 1994. (..)" Verifico que o acórdão paradigma, em situação semelhante às dos presentes autos, houve por bem excluir da base de cálculo do ITR a área de interesse ecológico com base em decreto estadual que a reconheceu como de preservação ambiental. O v. acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que o referido decreto, sem a comprovação da existência de restrições à utilização da área de interesse ecológico, não seria suficiente para autorizar a exclusão da área da base de cálculo do ITR. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. No mérito a discussão posta no presente recurso é a existência ou não de área de interesse ecológico, situada na denominada APA SUL RMBH, instituída pelo Decreto no 35.624/94, e sua exclusão da base de cálculo do ITR. Pois bem. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR tem como hipótese de incidência tributável a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº 9.393/96). A base de cálculo dessa exação, por sua vez, é resultado de operação por meio da qual se aplica sobre o Valor da Terra Nua Tributável – VTNt determina alíquota Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.011370/200537 Acórdão n.º 9202003.051 CSRFT2 Fl. 9 5 prevista no anexo da Lei nº 9.393/96, que varia em função da área total do imóvel e do seu Grau de Utilização – GU (art. 11º, da Lei nº 9.393/96). O VTNt é obtido por meio da multiplicação do Valor da Terra Nua – VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel (art. 10º, §1º, III, da Lei nº 9.393/96), sendo que o VTN corresponde ao valor do imóvel, devidamente declarado pela contribuinte, deduzido dos valores correspondentes a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; e d) florestas plantadas. A área tributável do imóvel, por sua vez, corresponde à área total do imóvel com exclusão das seguintes: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.428, de 22.12.2006, DOU 26.12.2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (NR) (Redação dada à alínea pela Lei nº 11.727, de 23.06.2008, DOU 24.06.2008). No tocante às áreas de interesse ecológico, o artigo 10º, §1º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.363/96 (letra “b” do parágrafo anterior), expressamente determina que sua exclusão da área tributável requer a existência de ato prolatado por órgão federal ou estadual competente, que amplie as restrições de uso previstas para as áreas de reserva legal e de preservação permanente. No presente caso, a Recorrente trouxe aos autos o Decreto n.º 35.624/1994 (fls. 53/58) que instituiu a APA Sul RMBH como área de interesse ecológico. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Ocorre que o referido decreto não trouxe restrições adicionais ao uso da área, tendo delegado tal exigência a ato posterior (que não consta dos autos), como se verifica do art. 5º abaixo transcrito, in verbis: “Art. 5º As proibições, restrições de uso e demais limitações para a APA SUL RMBH serão estabelecidas pelo decreto que aprovar o zoneamento ecológicoeconômico, elaborado pela Comissão Técnica Intergovernamental. Parágrafo único – Até a publicação do decreto que estabelecer o zoneamento e o sistema de gestão colegiado, as atividades econômicas empreendidas ou a serem empreendias na área abrangida pela APA SUL RMBH não estão sujeitas à legislação específica das Áreas de Proteção Ambiental, aplicandose a legislação ambiental vigente, inclusive para o licenciamento das atividades a serem empreendidas na área abrangida pela APA SUL RMBH.” Assim, embora tenha comprovado que seu imóvel encontrase em área de interesse ecológico a Recorrente deixou de comprovar a existência de ato específico do Poder Público estabelecendo restrições que ampliem as restrições de uso, nos termos do quanto exigido pelo artigo 10º, §1º, inciso II, “b”, da Lei nº 9.363/96. A jurisprudência desta Câmara Superior é pacífica no sentido de que não basta a existência de ato declarando a área como de interesse ecológico sendo necessária, ainda, a demonstração da limitação de seu uso, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica da ementa abaixo transcrita, em julgado envolvendo a própria Recorrente: “Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. REGIÃO APA SUL. AUSÊNCIA RESTRIÇÃO DE USO. NECESSIDADE DE ATO/DECLARAÇÃO ESPECÍFICA EM RELAÇÃO AO IMÓVEL. A área declarada como de interesse ecológico, ainda que incluída em APA, depende de declaração específica em relação ao imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, sobretudo quando a legislação que criou a região, in casu, APA SUL, não estabelece restrições absolutas, não limitando, portanto, o seu uso.” (Acórdão 9202002.723, proferido pela CSRF em sessão de 11/06/2013. Rel. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ITR ÁREA DE UTILIZALIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.011370/200537 Acórdão n.º 9202003.051 CSRFT2 Fl. 10 7 preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. (Acórdão 2201002.079, proferido pela CSRF em sessão de 22/05/213. Rel. Gustavo Lian Haddad) Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904617/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/08/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 17 /2 01 2- 51 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904617/201251 Acórdão n.º 3801002.397 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904617/201251 Acórdão n.º 3801002.397 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904617/201251 Acórdão n.º 3801002.397 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904617/201251 Acórdão n.º 3801002.397 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000530/2008-83
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recuso, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio Recurso Voluntário Não Conhecido.
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece de recurso pela falta de discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, pela inexistência de litígio Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recuso, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente aos exercícios de 2004 a 2008, por meio do qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 33.099,59, em decorrência da apuração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 30 /2 00 8- 83 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11634.000530/200883 Acórdão n.º 2801003.481 S2TE01 Fl. 201 2 omissão de rendimentos e de deduções indevidas a título de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: “a) as dependentes glosadas não têm "nenhuma fonte de rendimentos para as suas subsistências", razão pela qual foram declaradas como dependentes; b) a despesa referente ao CNPJ n° 78.209.558/000109, no valor de R$ 900,00, foi paga em dinheiro, com aposição de carimbo de quitação (ver documento em anexo); c) as despesas referente à profissional Aline Graziele Frizzo, nos valores de R$ 2.500,00, R$ 1.500,00 e R$ 2.000,00, dizem respeito ao tratamento do próprio declarante, foram pagas em dinheiro e com aposição de carimbo de quitação no recibos apresentados (ver em anexo); d) a despesa com instrução, no valor de R$ 2.266,54 e referente ao anocalendário de 2007, corresponde a pagamento efetuado à Escola Maranata Ltda e se refere ao ensino fundamental da neta do contribuinte, conforme Nota Fiscal recibo que foi devidamente paga em dinheiro com aposição de carimbo de quitação (documento em anexo).” A 6ª Turma da DRJ/CTA/PR julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 121/128, que restou assim ementado: DEDUÇÃO COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Mantémse o lançamento decorrente de glosa de dedução com dependente quando o contribuinte não apresenta documento capaz de comprovar a procedência dessa dedução. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas instrução do contribuinte e de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Regularmente cientificado daquele acórdão em 06/04/2011 (fl. 131), o interessado, representado por seu procurador (fl. 136), interpôs recurso voluntário de fls. 133/135, em 06/05/2011, apresentando a seguinte manifestação: “II DO DIREITO Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11634.000530/200883 Acórdão n.º 2801003.481 S2TE01 Fl. 202 3 1PRELIMINAR O intimado esclarece que a decisão e respectivo valor do débito, ora cobrado, originouse da inscrição n° 90.1.09.00061738, que substancia o processo 13910000808/2008 31, a qual já fora ajuizada através do Processo de Execução Fiscal n° 1009.70.13.0005027/PR, (cópia em anexo), inclusive se encontra em Situação de Exigibilidade Suspensa, mediante ao deferimento do Pedido de Parcelamento dos saldos remanescentes das dividas, amparado pelo beneficio da Lei n° 11.941/2009 , em que se aguarda a consolidação dos débitos, que ocorrerá por esse órgão. Na verdade o que aconteceu foi que, o intimado não fez a desistência do processo em andamento, haja vista, haver o liame do debito discutido, através dos processos evidenciados. Para tanto, o intimado entendeu que a inclusão do total dos débitos cobrados, são todos solidários a medida dos procedimentos adotados pela Receita Federal do Brasil, até então concluídos e deferidos pelo mesmo órgão. 2 MÉRITO Consoante ao direito de exercer o beneficio legal que preconiza a Lei n° 11.941/2009, mediante a efetivação do Pedido de Inclusão do total dos débitos em 25/06/2010(cópia em anexo), razão pela qual o intimado, agiu pela economia processual, consciente que seria descabível e sem preceitos, em proceder uma interposição de recurso junto ao Conselho de Contribuintes. Não obstante aos fatos, o intimado junta cópias dos processos e telas que deram origem as justificativas aqui suscitadas, para que se proceda a real situação dos fatos em que se fundamenta. III DA CONCLUSÃO À vista de todo exposto, d e m o n s t r a d a a insubsistência e improcedência da intimação fiscal, espera e requer o intimado seja acolhida a presente defesa para o fim de assim ser decidido, DESCONSIDERADA a referida decisão e CANCELADO o discutido processo em andamento.” Conforme Resolução nº 2801000.247 (fls. 157/160), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que a autoridade preparadora verificasse e informasse se o débito referente ao presente processo administrativo foi incluído pelo contribuinte no parcelamento especial da Lei 11.941/2009. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 162/197, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11634.000530/200883 Acórdão n.º 2801003.481 S2TE01 Fl. 203 4 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte informa que aderiu ao parcelamento especial disciplinado pela Lei 11.941/2009. Entretanto, não restou demonstrado nos autos que débito objeto deste processo foi incluído na consolidação do referido parcelamento. Em razão disso, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade preparadora verificasse e informasse se o débito referente ao presente processo administrativo foi incluído pelo Contribuinte no parcelamento especial da Lei 11.941/2009. Conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal, às fls. 180/181, foi constatado que o débito referente ao presente processo administrativo não foi incluído no parcelamento especial da Lei nº11.941/2009. Após tomar ciência do aludido Relatório de Diligência Fiscal, o Interessado, através de procurador legalmente habilitado (fl. 193), manifestouse, à fl. 192, nos seguintes termos: JOSÉ ROBERTO CHESCO, portador do CPF/MF. 023.144.87915, já qualificado no Termo de Intimação Fiscal em epigrafe, vem respeitosamente à V.Sas, por intermédio de seu representante legal (procuração anexa), em cumprimento da intimação, informar: Após verificação da situação do referido credito tributário, foi constatado a aludida pendência, tendo para tanto, feito a adesão ao Reparcelamento previsto pela Lei n° 12.865/2013 (doe.em anexo), ficando no da consolidação do mesmo. Outrossim, informolhes ainda, que por ter aderido ao reparcelamento "total das dividas", ora, não objeto desta intimação, reputo ao pagamento da 1ª parcela do parcelamento, o qual será quitada juntamente com as demais, amparada pelo prazo legal para pagamento de até o ultimo dia útil de 12/2013, as quais serão confirmadas através de seus sistemas. No aguardo de quaisquer manifestação, firmome, atenciosamente, Pelo que dos autos consta, verificase que o Contribuinte não apresentou pedido de desistência total da discussão acerca do direito em que se funda a lide posta neste processo administrativo fiscal e nem comprovou que o débito em litígio foi parcelado. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11634.000530/200883 Acórdão n.º 2801003.481 S2TE01 Fl. 204 5 Todavia, é de se observar que o Contribuinte, em sede de recurso, não apresentou qualquer discordância com o mérito do lançamento ou com a conclusão da decisão recorrida, não havendo, portanto, matéria a ser apreciadas. Diante do exposto, voto por não conhecer do recuso, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904724/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 24 /2 01 2- 89 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904724/201289 Acórdão n.º 3801002.444 S3TE01 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904724/201289 Acórdão n.º 3801002.444 S3TE01 Fl. 88 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904724/201289 Acórdão n.º 3801002.444 S3TE01 Fl. 89 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904724/201289 Acórdão n.º 3801002.444 S3TE01 Fl. 90 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903980/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 72 1 71 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.903980/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.732 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TEVERE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 80 /2 01 2- 78 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 3.663,10, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/04/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 73 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 74 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903980/201278 Acórdão n.º 3803005.732 S3TE03 Fl. 75 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.002902/2006-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Depósitos Bancários. Contas CC5
Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996)
Numero da decisão: 1801-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Depósitos Bancários. Contas CC5 Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002902/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.893 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2014 Matéria AI SIMPLES Recorrente SWITZERLAND TURISMO E CAMBIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CC5 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 02 /2 00 6- 11 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 7a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Por muito bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em São Paulo/SPI: Observo, inicialmente, que a numeração das folhas do processo às quais faço referência no Relatório e no Voto é aquela decorrente da digitalização dos presentes autos com vistas à sua inclusão no eprocesso, e não a do processo físico. Tratase de autos de infração à legislação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, lavrados em 12/12/2006, pela Delegacia de Fiscalização de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no montante de R$ 798.048,30, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta as irregularidades apuradas, no anocalendário de 2002, e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 123 e seguintes, parte integrante da peça acusatória: 1) Em decorrência dos trabalhos realizados, a "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)" disponibilizou mídias computacionais e documentos financeiros do "Beacon Hill Serviçe Corporation" ao "Departamento de Policia Federal", por solicitação do "Juízo da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba PR", após decisão judicial da "Justiça da Suprema Corte nos EUA" (Order To Disclose) de 29/08/03, com base no "Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal MLAT"; 2) Os referidos documentos, apresentados pela "Promotoria do Distrito de Nova Iorque EUA (District Attorney of the County of New York)", trazidos para o Brasil pela referida autoridade policial, e, em 20/04/04, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba PR", houve a transferência dos dados à Receita Federal; 3) Com base nos referidos documentos, constatouse que o contribuinte em tela efetuou no período de 01/01/2001 a 31/12/2002 diversas transações financeiras, tendo como preposto bancáriofinanceiro a empresa "Beacon Hill Serviçe Corporation", sediada em Nova Iorque EUA, como segue; [demonstrativo por data credit name e valor em US$ das operações] 04) constam das DIPJ 2002 (anocalendário 2001) e DIPJ 2003 (ano calendário 2002), que o contribuinte ofereceu à tributação seguintes valores: 2001/MES RECEITA BRUTA Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 3 3 Março 1.814,90 Abril Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro Dezembro 2002/MES RECEITA BRUTA Janeiro 2.016,80 Fevereiro 241,00 Março 1.814,90 Abril Maio 1.880,90 Junho 1.530,60 Julho 1.480,20 Agosto 1.618,40 Setembro 1.344,80 Outubro 1.600,10 Novembro Dezembro Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 05) Nos termos da legislação vigente e, conforme dispõe a IN/SRF/041 de 19 de abril de 1999 em seu artigo 1°, para fins de conversão dos recursos movimentados no exterior em Reais utilizase a cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de cambio ou, se maior, da operação de câmbio em si; 06) Visando apurar a efetiva escrituração dos valores acima citados, lavrou se em 25/10/06 o "Termo de Início de Fiscalização" que, pelo fato do contribuinte não ter sido localizado em seu domicilio fiscal, foi enviado via AR e recebido pelo representante legal do contribuinte em 31/10/06; 07) Consta do referido "Termo de Inicio de Fiscalização" que o contribuinte foi intimado a apresentar e comprovar os seguintes elementos (referentes ao período de 01/01/01 a 31/12/02): 7.a "Livro Diário" e "Razão Auxiliar"; 7.b "Livro Caixa 7.c justificar a origem e/ou comprovar a escrituração e tributação, dos recursos financeiros movimentados no exterior, através de conta mantida no banco "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation"; 08) Conforme declaração (datada de 07/11/06) apresentada em pelo contribuinte, em resposta ao citado "Termo de Início de Fiscalização" e, conforme "Termo de Constatação Fiscal" (lavrado em 09/11/06), o contribuinte alega que não movimentou e desconhece quem tenha movimentado os recursos constantes do "Termo de Início de Fiscalização"; 09) Considerando as provas de movimentação de recursos no exterior transferida para a SRF, conforme descrito nos itens 01, 02 e 03 deste termo e nos termo da legislação vigente, a remessa de recursos ou exterior sem a devida escrituração e/ou a comprovação dos recursos, por presunção legal, caracterizase "Omissão de Receitas" 10) Posto isto, comparandose a movimentação de recursos no exterior (item 03 deste termo), convertidas em moeda nacional (item 05 deste termo), como os valores oferecidos à tributação (item 04 deste termo), apurouse o que se segue: [demonstrativo, por data, valor em dólar, cotação, valor em reais, valor da receita informado na DIPJ e valor da omissão da receitas] 11) Faço constar que os valores escriturados no livro "Modelo 51 – Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados" (apresentado pelo contribuinte) estão divergentes dos valores oferecidos à tributação, sendo considerado para fins de apuração de divergência acima, somente os valores consignados nas DIPJ 2002 e 2003, respectivamente nos anoscalendário 2001 e 2002; 12) Conforme consta do "Termo de Inicio de Fiscalização", o contribuinte foi cientificado que, nos termos do § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (redação dada pelo art. 70 da Lei n° 9.532/97), o não atendimento à intimação ensejaria, na hipótese de lançamento do ofício, o agravamento da multa prevista nos incisos I e II do caput do mesmo artigo 44; 13) A falta de escrituração de pagamentos efetuados ou a movimentação de recursos financeiros não contabilizados caracterizase, por presunção legal, OMISSÃO DE RECEITAS, sujeitas à tributação, nos termos da legislação vigente e dos artigos 197, 204, 281, inciso II, 528, 845 e 849 do RIR/99 (Decreto n° 3000, de 26/03/99) e do artigo 40 da Lei n° 9430, de 27/12/96. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 4 5 Cientificada dos lançamentos, em 13/12/2006, a contribuinte, por intermédio de seu sócio administrador (cf. Cópia de Alteração de Contrato Social de fls. 200), protocolizou a impugnação de fls. 186 e seguintes, em 08/01/2007, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Nas preliminares, contesta o procedimento fiscal, na medida em que, intimada a apresentar a documentação e a escrituração relativa a operações financeiras, apesar de ter esclarecido desconhecer tais movimentações de recursos, foi autuada, sem que sua petição fosse levada em conta, ou qualquer informação lhe fosse apresentada que lhe permitisse saber sequer do que estaria sendo acusado. Afirma que a acusação seria baseada em prova ilícita, papéis apócrifos, e sem fundamentação, a impossibilitar a defesa, com base nas presunções de a movimentação financeira ser de titularidade da pessoa jurídica, e configurar seu faturamento. Sob o tópico do devido processo legal, diz que a CPI do Banestado teria ordenado a quebra de sigilo bancário da empresa Beacon Hill e diversas empresas que nela mantinham subcontas. Entretanto, “entre essas empresas, não se encontra a Contribuinte, sendo que se a Receita teve acesso a dados que seriam de movimentações financeiras suas (o que se nega, mas é o que alega o zeloso auditor fiscal), dentro da investigação determinada pelo Congresso, estas provas nunca poderiam ser utilizadas contra a Contribuinte, sob pena de abuso de poder e da permissão de quebra de sigilo. Isto porque a permissão de violação do direito constitucional à intimidade foi concedida para o fim exclusivo de investigar a empresa Beacon Hill, das empresas que nela mantinham subcontas, e das pessoas nominadas pela CPI. Ora, a Contribuinte não se enquadra em nenhum destes casos”. Com base nos referidos documentos, o Fisco teria intimado a contribuinte a fornecer a documentação comprobatória da regularidade fiscal das operações, providência reputada como de impossível realização, uma vez que as operações não foram reconhecidas pela pessoa jurídica, a qual nunca teria sido titular de conta corrente no exterior. Como os registros contábeis mantidos pela contribuinte somente diziam respeito às operações por ela realizadas, a empresa não teria como comprovar que não realizou as operações referidas pela fiscalização. Diante do princípio da presunção de inocência e do ônus da prova da fiscalização em provar a ocorrência do fato jurídico tributário, rechaça a exigência de prova negativa – prova da inexistência de um ato ou a sua não autoria. Reputa ilegal a autuação do sujeito passivo por não ter feito a contribuinte o impossível, qual seja, provar que não realizou operações sobre as quais não tem conhecimento, assinalando que o caso não se enquadraria em qualquer das hipóteses legais de inversão do ônus da prova. Requer, por conseguinte, a nulidade do lançamento, uma vez que a motivação essencial de sua lavratura seria ilegítima. No mérito, diz que não haveria nos autos qualquer prova contra a contribuinte. Nos arquivos magnéticos recebidos pela Receita Federal, o nome da pessoa jurídica foi citado diversas vezes, mas (i) em nenhum dos documentos apresentados teria sido identificada conta corrente, no País ou no exterior, de titularidade da empresa, na qual pudesse ter remetido ou recebido as quantias envolvidas; (ii) não há referência a nome de qualquer sócio ou preposto da empresa; e (iii) não há também Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 qualquer documento assinado autorizando movimentações, ou permitindo movimentação por intermédio de contato telefônico. Nas palavras da defesa: Na verdade, não há qualquer documento que comprove a participação da Contribuinte em qualquer dos ilícitos apontados, a não ser uma lista confusa de pretensas operações, que não identificam de que conta sai o dinheiro, ou para qual vai, ou mesmo o nome dos ordenantes e recebedores das quantias. Certamente, se o nome da Contribuinte realmente aparece nos referidos arquivos magnéticos, lá foi colocado, apenas como cortina de fumaça, para ocultar os verdadeiros beneficiários e mandantes das eventuais operações. Notese que o que se apresenta contra a Contribuinte é tão precário que, inclusive impede a articulação de defesa específica. Que bancos teriam movimentado tais quantias? Estas somas teriam saído (caso existissem) de que contas para quais contas? Ora, ninguém faz operações de remessa internacional de valores baseado apenas em nomes, o dinheiro sempre vai de uma conta para outra, passando de um banco para outro, utilizandose de dados muito claros e objetivos! A única documentação apresentada pelo Fisco foi uma lista de nomes de bancos, datas e valores que não faz absolutamente qualquer sentido, não importa por qual ângulo seja analisada. Desqualifica juridicamente a documentação fornecida pela Promotoria da Cidade de New York, à CPI do Banestado, e obtida pela Receita Federal, a partir de mandado judicial, nos seguintes termos: Tratase de listagem eletrônica contendo alguns detalhes sobre algumas operações sobre a qual não se sabe quais os critérios utilizados para a elaboração, quem lá colocou os dados, qual o suporte documental dos mesmos. Não se tratam de extratos bancários, ou de documentos contábeis, são no máximo uma declaração unilateral sem qualquer fé pública, ou condição de que se examine a veracidade de seu conteúdo. Faltam nele dados essenciais como, por exemplo, os nomes das pessoas físicas que teriam autorizado as referidas movimentações, ou o suporte físico das mesmas, falta indicação de fichas de cliente, ou mesmo qualquer dado que comprove que os nomes das empresas citadas não são apenas fachada para encobrir o nome dos verdadeiros beneficiários. Sequer os critérios de elaboração dos referidos documentos são claros. Não existe previsão legal para a autuação baseada neste tipo de documento apenas. Quando muito ele poderia ser indício a permitir uma futura ação fiscal, investigando as contas mencionadas, requisitando fichas bancárias, extratos etc. Notese, que o problema é tão crítico que o próprio auditor fiscal, contrariando o mandamento legal, deixou de detalhar qual o critério utilizado para arbitrar os valores lançados, limitandose a citar, de modo genérico o dispositivo legal o que, por si só é motivo para a nulidade do auto. Para a defesa, a fiscalização teria feito confusão na qualificação das operações. Em suas palavras: O senhor Auditor Fiscal, em que pese sua extraordinária competência, teve por missão lavrar auto com base em quase nenhum material. Certamente premido pelo tempo e pelo excesso de trabalho, não notou quão pobre eram os documentos fornecidos pelo Instituto Nacional de Criminalística. Notese que mesmo que se considerasse que as provas são válidas (e não são), e que efetivamente poderiam provar que a Contribuinte pagou, ordenou o pagamento, ou recebeu as quantias elencadas no laudo (e claramente são Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 5 7 insuficientes para isso), não é possível, apenas pela movimentação financeira arbitrar os lançamentos como fez o Fisco, sem o estabelecimento de um procedimento probatório, onde se apurasse se estes valores imaginados são da Contribuinte, ou de terceiros, se ela agiu em nome próprio, ou como mandatária, se os mesmos valores foram e voltaram, se saíram do país, ou sempre estiveram fora etc. Arbitraramse lançamentos sem que se identificasse sequer as operações! Possivelmente devem existir nos documentos apresentados elementos suficientes para que o Fisco procedesse a uma rigorosa apuração, verificando quem foram os beneficiários das operações referidas (como por exemplo, número de contas bancárias, nomes de pessoas e empresas etc). Apesar disto, optouse pela saída mais cômoda: autuar a todo aquele cujo nome aparecesse, mesmo que sem qualquer prova! Invoca as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, para requerer a realização de perícia e/ou diligência. Em face do princípio da verdade material, defende que tais meios de provas seriam um direito para o contribuinte são, mas mandatórios para o Julgador. Requer diligência a fim de que sejam examinadas as movimentações de todas as contas citadas nos documentos que se apresentam como prova, bem como a titularidade das mesmas, de modo a que se prove a inocência da Defendente. (...) Depois de levantadas estas provas adicionais, apontase o próprio Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal — Paraná, cujo endereço é público, como competente para examinar as provas levantadas e afeito à matéria, uma vez que vem examinado a matéria relativa aos documentos levantados pela CPI do Banestado, em especial o Sr. Perito Federal Eduardo Vitor Poy, o qual poderá responder aos seguintes quesitos: • existe prova inequívoca de que a Defendente tenha movimentado recursos através da empresa Beacon Hill? • existem cartas, fichas de assinatura, ordens escritas assinadas, autorizações para ordens verbais que mostrem que a empresa Defendente tinha qualquer relação com a entidade Beacon Hill; • alguma das contas mencionadas nos documentos que serviram de base à autuação é de titularidade da Recorrente; • em caso positivo, é possível determinar se estes recurso seriam próprios ou de terceiros? • é possível determinar, qual parte das quantias movimentadas nas relações que serviram de base à autuação quais delas integrariam o faturamento da Defendente? • existem valores apontados em duplicidade no Laudo pericial que fundou este procedimento, ou há alguma forma de distinguir os lançamentos em tudo idênticos que lá aparecem? Anota a defesa que estas provas só poderiam ser produzidas pela Receita Federal, órgão com poder de requerer os dados e documentos às diversas instituições financeiras envolvidas. Conclui requerendo a anulação do auto de infração, em síntese: (i) pela ilegalidade e falta de conclusividade das provas em que se fundou; (ii) pela Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 inexistência de fundamentação lógica ou falta de base legal para o lançamento; e (iii) pela inconsistência na determinação da base de cálculo, devido a erros grosseiros na apuração dos valores e enorme quantidade de valores repetidos. Alternativamente, requer que sejam realizadas as diligências e perícias para provar a regularidade fiscal da empresa. Em 02/10/2008, esta 7ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I julgou procedente lançamento, com base no Acórdão nº1618.843, com ementa de seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 REMESSA DE NUMERÁRIO AO EXTERIOR. A pessoa jurídica identificada como ordenante de remessas de numerário ao exterior, não justificando o motivo dessas remessas, presumese omissão de receitas, pela falta de escrituração de pagamentos efetuados. Lançamento Procedente Em 11/11/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Em 28/06/2011, a Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF declarou a nulidade da decisão da DRJ São Paulo I, no Acórdão nº 180100.610, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Cumpre também transcrever o voto da Ilma. Conselheira Relatora Ana de Barros Fernandes: Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Conheço do recurso, por tempestivo. Da análise dos fatos, questão preliminar surge que impede a apreciação de outras preliminares e mérito das autuações em causa, por este órgão de julgamento de segunda instância. Verificase que a decisão proferida em primeiro grau não apreciou a contento as argüições de defesa da recorrente, embora tenha as relatado com certa eficiência. Dispõe o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 6 9 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Defendo a tese de que a autoridade julgadora não está vinculada a argumentar sobre todo o feixe de contestações que o contribuinte desenvolva, mas, por outro lado, também não pode passar ao largo das razões de defesa, como no presente caso. Neste sentido é a redação do dispositivo supra transcrito ao impor que sejam relatadas as razões de defesa da impugnante, visando a vinculação às razões de decidir a serem proferidas. A decisão de primeira instância observou o preceito acima reproduzido, no que concerne ao relato (resumido) das razões de defesa da impugnante, mas para fundamentar o voto meramente transcreveu quatro artigos: dois referentes ao indeferimento da diligência/perícia solicitada pela impugnante – arts 18 e 28 do PAF; um referente à autuação imposta contra o contribuinte – art. 281, II, RIR/99 e o artigo 288 sobre omissão de receitas em geral, sem tecer as considerações que fariam o nexo com as razões de defesa relatadas. Não verifico no voto nenhuma das argüições relatadas ser contraditada, ainda que de forma sumária. O voto, pois, limitouse a justificar os lançamentos tributários, por restarem devidamente formalizados. Destarte, considero cerceamento de defesa a fundamentação precária do voto, sem fazer o devido nexo com as razões de defesa suscitadas (e rejeitadas), pelo que mister é devolver os autos àquela turma julgadora para enfrentálas, sob pena de suprirse instância de julgamento e desprestígio ao duplo grau de jurisdição, nos termos do artigo 59, inciso II, do PAF: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Voto em dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para apreciação das razões de defesa veiculadas na impugnação. Novo Acórdão foi proferido pela 7a. Turma da DRJ em São Paulo/SPI, anexado às fls. 300/317 do processo digital. Em preliminares aquela Turma Julgadora indeferiu o pedido de diligência/perícia ao argumento de que a situação não estaria a exigir conhecimentos técnicos ou científicos especializados e por se mostrar suficiente a documentação acostada aos autos para o deslinde da questão. A alegação de cerceamento do direito de defesa foi afastada sob a justificativa de que no processo administrativo fiscal o contencioso é instaurado com a impugnação tempestiva e que o procedimento de auditoria fiscal é meramente inquisitório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 No mérito aquela autoridade rechaçou a afirmativa da defesa no sentido de que autuação estaria fundamentada em “papéis apócrifos, e sem fundamentação” observando que o Complemento n° 1 da Representação Fiscal n° 455/04, de fls. 75/116, elaborada pela Coordenação Geral de Fiscalização – Cofis, teria decorrido de um procedimento mais amplo de investigações vinculadas às contas mantidas na agência Banestado em Nova Iorque em nome de Beacon Hill Service Corporation,, citando trechos da descrição contida no Processo nº 2003.70000303334 (Inquérito 207/98) do Exmo. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, cópias às fls. 37 e ss. Nesse contexto teria sido decretada a quebra do sigilo bancário sobre as contas e subcontas titularizadas pela Beacon Hill, sem prejuízo do rastreamento do destino final do numerário, caso fossem descobertas novas contas destinatárias, uma vez que descobriuse que a Beacon Hill, em conjunto com outras empresas e doleiros brasileiros e off shore em paraísos fiscais, teriam sido beneficiadas com a remessa de recursos mantidos em extinta agência do Banestado, que por sua vez teriam sido abastecidas por contas mantidas por pessoas jurídicas fictícias ou “laranjas”. Salientou que não houve quebra de sigilo bancário da Switzerland Turismo e Câmbio Ltda, mas que, na verdade, a quebra de sigilo bancário da Beacon Hill Service Corporation – BHSC e de outras empresas que atuavam da mesma forma é que teria propiciado a identificação da autuada como ordenante ou remetente de recursos ao exterior que circularam naquelas contas, totalizando entre os anos de 2000 e 2002 a importância de US$ 3.390.980,50, sobre a qual a autuada não logrou comprovar a origem. Concluiu, assim, que o confronto entre os montantes movimentados ao exterior e os valores declarados pela empresa na sistemática do Simples fariam prova da omissão de receitas. Notificada da decisão, em 15/02/2012, como demonstra a cópia do AR à fl. 323 do processo digital, a interessada apresentou novo recurso voluntário, em 29/02/2012 (fls. 324/339 p. d.), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas nas peças de defesa anteriormente apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 7 11 1.1 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A recorrente afirma que houve cerceamento no seu direito de defesa pela negativa da Turma Julgadora de 1a. Instância em deferir o seu pedido para realização de perícia técnica. Ao mesmo tempo, alega não ter como provar que não realizou as operações financeiras a ela imputadas, o que parece contraditório. Se a recorrente não possui quaisquer documentos, livros, notas, arquivos, escrituração ou outro meio físico em que possam estar retratadas as suas afirmações, não há o que ser periciado. Por outro lado, se a recorrente deseja que a perícia recaia sobre as provas produzidas pela auditoria fiscal e que já se encontram anexadas aos autos, não se vislumbra necessidade de análise técnica específica sobre tais elementos, eis que cabe a esta autoridade julgadora a avaliação das provas constantes dos autos. Ademais, não se configura cerceamento de defesa o indeferimento de pedido de perícia técnica formulado pela defesa, uma vez que tal negativa se insere no campo da competência e da livre convicção da autoridade que julga o caso. Da mesma forma deve ser afastada a alegação de que não foi respeitado o devido processo legal. Como já assinalou a Turma Julgadora de 1a. Instância é a impugnação tempestiva que instaura a fase litigiosa no contencioso administrativo fiscal. Antes disso, a fase de auditoria propriamente dita, se desenvolve no contexto de um procedimento meramente inquisitório não havendo possibilidade, durante essa fase, de desrespeito ao devido processo legal, pois sequer processo há. Resta assinalar que no presente feito foram observados os requisitos legais pertinentes à constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como foram atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato de lançamento praticado no presente processo se revestiue de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa, plenamente exercido no curso do presente contencioso administrativo fiscal. Não se verifica, igualmente, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância, ou que a decisão daquela autoridade tenha sido proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação das exigências pela DRJ em São Paulo/SPI também faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, assim, não pode ser motivo para anulação de decisão. Mérito. A recorrente afirma não haver nos autos a prova efetiva de sua participação nas citadas operações de transferências de recursos para o exterior. Nesse aspecto devese consignar o equívoco da defesa. A auditoria fiscal apresentou densa documentação dando conta de que a empresa ordenou remessas de recursos ao exterior que totalizaram, entre os anos de 2001 e 2002, a quantia de US$ 3.390.980,50. Atendose somente àqueles que citam expressamente o nome da recorrente e os valores envolvidos, foram mais de 40 (quarenta) folhas anexadas aos autos. Somandose aqueles documentos produzidos pelas demais esferas governamentais do Brasil e dos Estados Unidos da América (fls. 29 a 74 do p.d.), a documentação passa de 80 (oitenta) folhas anexadas aos autos. Observese que a defesa tenta invalidar os elementos apresentados pela auditoria fiscal com a mera alegação de serem apócrifos documentos produzidas pelo Instituto Nacional de Criminalística, Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal do Brasil, Departamento da Polícia Federal do Ministério da Justiça no Paraná, 2a. Vara Criminal da Justiça Federal no Paraná, Juízo da Suprema Corte de Nova Iorque Estados Unidos da América. Em que pese afirmar, em extenso arrazoado, que toda essa documentação é apócrifa, a recorrente em nenhum momento aponta qual elemento encontrado na documentação a tornaria inválida. Por outro lado constatase da documentação acostada ao processo que o procedimento fiscal tratado nos autos se insere num contexto mais amplo de investigações desenvolvidas em conjunto pela Promotoria Pública do Estado de Nova Iorque – EUA, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 8 13 Ministério da Justiça do Brasil, por meio do Departamento da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística, e Ministério da Fazenda, por meio da Receita Federal do Brasil. Como já observou a Turma Julgadora de 1a. Instância, descrição contida no Processo nº 2003.70000303334 (Inquérito 207/98) do Exmo. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba, (fls. 37 e ss) descreve as investigações vinculadas às contas mantidas na agência Banestado em Nova Iorque em nome de Beacon Hill Service Corporation. Não é por demais transcrever, uma vez mais, os seguintes trechos: Foi constatada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu. Há suspeita fundada de ilicitude de boa parte dessas remessas, visto que, em muitas, para se burlar a fiscalização do Banco Central, o titular do numerário não depositava diretamente na conta CC5, assim agindo apenas através de interposta pessoa, um ‘laranja’ que abria conta fraudulenta em uma instituição financeira, normalmente também em Foz do Iguaçu. Ainda no decorrer das investigações, foi constatado, podendo ser citado como prova o exame levado a cabo no laudo pericial de fls. 747/776, que boa parte do numerário teve como destino contas mantidas na agência do Banestado em Nova Iorque. Para descobrirse o destino final de tal numerário e possivelmente seus verdadeiros titulares foi decretada a quebra do sigilo bancário das movimentações bancárias daquela agência, cf decisões de fls. 805/808 e ainda 982/987. A quebra de toda a movimentação bancária mostrouse necessária até para a separação dos ativos lícitos dos ilícitos, visto que o mero fato da manutenção da conta no exterior não é, por si só, crime. Salientese que, apesar da quebra global, os exames periciais consubstanciados no laudo 675/02 detiveramse apenas sobre as contas sobre as quais recaiam maiores suspeitas por serem titularizadas por pessoas com documentos de constituição registrados fora dos EUA, especialmente offshore. .................................................................................................................. É evidente a necessidade de rastreamento do numerário remetido através das contas suspeitas da agência de Nova Iorque no Banestado. Só assim serão descobertos seus verdadeiros titulares e provavelmente quem remeteu o numerário através de meios fraudulentos no Brasil. .................................................................................................................. O laudo 1392/03 (fls. 26672736) revela que foram remetidos US$ 24.059.631.860,24 ao exterior via contas CC5 mantidas nas instituições acima mencionadas no período de 22/04/96 a 31/01/2000 (fls. 2673). O que revela toda a investigação relativa às contas CC5 em trâmite por este Juízo é que parte dos recursos foi enviada ao exterior de forma fraudulenta, sendo destacado um elevado percentual de depósitos efetuados nessas contas através de contas laranjas .................................................................................................................. O Departamento da Polícia Federal do Ministério da Justiça informou às autoridades norte americanas em ofício, que a empresa Beacon Hill Service Corp (BHSC), em Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 conjunto com outras pertencentes a conhecidos doleiros brasileiros e algumas offshore com sede em paraísos fiscais teriam sido beneficiadas por recursos oriundos de contas mantidas na (extinta) agência do Banco do Estado do Paraná S.A. – Banestado/NY, que por sua vez teriam sido abastecidas por valores originados de contas mantidas por pessoas jurídicas fictícias ou ‘laranjas’, com rendas incompatíveis com a movimentação financeira, que em alguns casos atingiu valores superiores a US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos). Assim, em decisão proferida em 14/08/2003, foi decretada a quebra de sigilo e deferido o acesso à Receita Federal à diversas contas mantidas no exterior que teriam recebido recursos de contas da agência do Banestado em Nova Iorque, dentre elas as contas e subcontas mantidas pela Beacon Hill Service Corporation mantidas nos bancos JP Morgan Chase. Através do Ofício 797/04PF/FT/SR/DPF/PR, a prórpria autoridade policial que recebeu das autoridades norte americanas documentos e arquivos eletrônicos relativos à movimentação da Beacon Hill solicitou o seu compartilhamento com a Receita Federal, Banco Central e COAF Depois de analisada toda essa documentação remetida pela Justiça norte americana o Ministério da Justiça Brasileiro, por meio do Instituto Nacional de Criminalística produziu o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n º 1248/04 – INC , que registra os parágrafos adiante reproduzidos (fls. 69, 70 p. d.): 8. Cumpre observar que os exames ora desenvolvidos restringiramse às mídias de movimentação financeira, em meio computacional. 9. Inicialmente, cabe esclarecer que as transferências de ordens de pagamentos (Fund Transfer/Wire Transfer) no sistema financeiro dos Estados Unidos da América envolvem dois sistemas: FedWire e Clearing House Interbank Payments Systein (C.H.I.P.S). 10. O Fedwire é operado pelo United States Federal Reserve System e atende às ordens eletrônicas primárias. Nesse sistema, as instituições financeiras têm suas reservas no Federal Reserve Bank (FED) sensibilizadas em tempo real, por ocasião do processamento da ordem de pagamento. 11. O CHIPS é meio de compensação eletrônica de ordens de pagamento internacionais em dólares americanos, utilizado por bancos que tenham agência nos Estados Unidos da América. Grande parte das transações realizadas por meio do CHIPS é originada do Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (S.W.I. F.T). 12. Quanto ao SWIFT, tratase de sistema de transmissão de mensagens eletrônicas codificadas, relacionado à transferência internacional de fundos, sem, no entanto, liquidálas ou compensálas. 13. Com relação aos dados disponibilizados pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, foram analisadas as ordens de pagamento recebidas e ordenadas das contas correntes da empresa Beacon Hill e administradas por ela, operacionalizadas pelo sistema no Chase Payments System (C.P.S.), que operava as ordens ou mensagens do Fedwire, CHIPS e SWIFT. 14. Segundo informações do próprio Chase, os dados contidos nos arquivos objeto de exame representam transações que foram efetivamente realizadas em suas respectivas contas, quer seja a crédito ou a débito. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 9 15 13. Para operacionalização das transferências de recursos de seus clientes a Beacon Hill recebia as instruções de duas formas principais; por telefone e por fax. As instruções eram transmitidas pelo cliente (ordenante), depois registradas no sistema online do Chase por funcionário da Beacon Hill, resultando na efetiva transferência dos recursos. ... 18. Cabe esclarecer que foram identifiCadas duas situações distintas quanto a administração de recursos pela Beacon Hill: . 1) Subcontas: 19. As denominadas subcontas são aquelas que tinham a movimentação dos recursos realizada por meio da contamãe 4192033 Beacon Operanting Account no Banco JP Morgan Chase, em que a Beacon Hill atuava como ,"agente" controlando, administrando e se responsabilizando junto àquele banco pelas transações nelas ocorridas. 20. Em razão da ausência de uniformização no conteúdo dos campos analisados, foram adotados, para extração das transações de cada subconta, critérios de consulta que abrangessem o nome e o número da subconta, nos campos ORDER CUSTOMER, ACC PARTY, ULT BENE e DETAIL PAYMENT. A titulo de exemplo de termos pesquisados teríamos: "BASILEIA" e "3*10501". 21. Após a seleção dos dados inerentes à cada subconta pesquisada, procedeuse à verificação geral de tais dados a fim de identificar possíveis inconsistências, procurando eliminar transações pertencentes a terceiros que contivessem termos comuns à pesquisa. ... 23. Após exame e processamento dos dados apurados nos arquivos disponíveis, foi possível segregar a movimentação de cada conta ou subconta em questão; e consolidálas na tabela abaixo: Seguese tabela contendo as subcontas identificadas, entre elas a subconta TAFECA n º 310085, com movimentação apurada de 10/1997 a 12/2002. Da análise das operações financeiras da subconta TAFECA n º 310085 foram identificadas as remessa de recursos ordenadas pela empresa recorrente Switzerland Turismo e Câmbio, CNPJ 67.624.486/000100. Em relação a toda essa farta e robusta prova, a recorrente se limita a alegar desconhecer qualquer uma dessas operações. Apesar da negativa da Impugnante, o fato é que a sua razão social, e em alguns casos, o seu endereço, estão expressamente consignados na identificação dos ordenantes das remessas, por intermédio das contas da Beacon Hill Service, nos Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística – INC. O Fisco fez a prova documental que lhe competia fazer. Provou documentalmente que a empresa recorrente aparece como ordenante de remessas de recursos ao exterior. Caberia à recorrente a prova documental em sentido contrário. A prova no sentido de que não teria sido ela, a empresa recorrente, a ordenante de tais remessas. Mas essa prova não foi apresentada pela defesa. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 De fato, como se verifica da situação descrita no presente processo, as operações de remessa e recebimento de recursos do/e para o exterior ocorreram no âmbito da ilegalidade. As pessoas jurídicas e físicas envolvidas nessas operações não tinham qualquer intenção de noticiálas aos competentes órgãos reguladores ou de fiscalização nacionais. Não se desejou que o numerário envolvido nas remessas fosse revelado. Tudo foi acobertado. Por essa razão essas operações e os valores nelas envolvidos não foram objeto de qualquer registro, seja contábil, fiscal, financeiro ou similar. E eis aí a razão de não haver qualquer elemento físico que demonstre que a recorrente, ordenante das remessas dos recursos ao exterior, de fato não ordenou as referidas remessas. Cumpre ressaltar que em momento algum a auditoria fiscal classificou a empresa recorrente como “doleiro”. Quem mencionou esse termo foi a própria defesa ao afirmar que nesse caso, “do volume total de operações teria apenas ficado com um percentual a título de corretagem, pelo que poderia ser autuada.” Mas nem isso a recorrente provou. Quanto ao argumento no sentido de que não se admite a prova emprestada no direito pátrio, cumpre assinalar que a restrição aplicase unicamente ao caso em que são trasladadas apenas conclusões. O caso em questão não trata de empréstimo das conclusões, na medida em que todas as imputações fiscais, decorrentes da comprovação da participação da recorrente nas operações sob suspeita, estão respaldadas nos laudos periciais elaborados pelo INC, nos autos do inquérito policial instaurado justamente para a identificação dos remetentes dos recursos que transitaram pelas contas sob investigação. A falta de escrituração de pagamentos, nos termos do artigo 40 da Lei n º 9.430, de 1996, é presunção legal de omissão de receitas, que foi apurada através do confronto entre os valores envolvidos nas operações de remessas de recursos ao exterior e aqueles declarados na sistemática do Simples. Nessas condições, deve ser mantida a autuação. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.002902/200611 Acórdão n.º 1801001.893 S1TE01 Fl. 10 17 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.726617/2011-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 50 1 49 S2TE02 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.726617/201181 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.136 – 2ª Turma Especial Data 16 de abril de 2013 Assunto IRPF Recorrente ODONE ROSA RAYMUNDO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, exercício 2008 (fls. 16/20), em decorrência de omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, no valor de R$ 16.964,83, recebidos do INSS e da omissão de rendimentos acumulados recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal, no valor de R$ 18.528,27, o que resultou no imposto suplementar a pagar de R$ 9.204,77, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Apreciada a Impugnação (fls. 3 e 4), o lançamento foi julgado procedente, sob os seguintes fundamentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 26 61 7/ 20 11 -8 1 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.726617/201181 Resolução nº 2802000.136 S2TE02 Fl. 51 2 Em relação a omissão dos proventos de aposentadoria, analisando os comprovantes de rendimentos solicitados no termo de intimação de fls. 14 trazidos pelo interessado, a autoridade lançadora constatou que o contribuinte aproveitou equivocadamente ambos os limites de isenção de suas duas fontes pagadoras com rendimentos de aposentadoria, a Fundação de Previdência Complementar e o INSS. Já quanto aos rendimentos informados pela fonte pagadora, a informação prestada pela fonte pagadora em DIRF faz prova do recebimento, portanto, cabia ao contribuinte buscar junto ao Banco do Brasil, documentos demonstrando que não foi debitado em sua conta qualquer valor relativo ao recebimento de ação judicial ou, ainda, declaração da instituição financeira esclarecendo o equívoco ao informar seu CPF como beneficiário de rendimentos que não lhes foram pagos. Nas razões de Voluntário (fl. 45/46), reitera os argumentos da Impugnação além de pleitear o afastamento da multa de ofício. Alega boafé, por ter sido induzido a erro pela fonte pagadora, por não ter esta encaminhado o informe de rendimentos; requer ainda que a multa moratória seja atribuída à fonte pagadora, bem como pleiteia a exclusão da base de cálculo dos juros, em razão do seu caráter indenizatório. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Versam os presentes autos sobre cuja matéria de fundo trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Por se tratar de matéria sob Repercussão Geral no STF (Tema 368 leading case RE 614466), portanto, submetida ao rito a que se refere o artigo 543B do CPC, proponho o sobrestamento do feito, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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