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Numero do processo: 10768.901860/2006-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 60 /2 00 6- 48 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 88/92 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901860/200648 Acórdão n.º 3802003.364 S3TE02 Fl. 127 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 124). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 94/114, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901860/200648 Acórdão n.º 3802003.364 S3TE02 Fl. 128 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720097/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL.
Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96.
Numero da decisão: 2102-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OAB-RJ 173.010.
Assinado Digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96.
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Fernando Raposo Franco, inscrito na OABRJ 173.010. Assinado Digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os RUBENS MAURICIO CARVALHO, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 97 /2 00 7- 64 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2005, relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA MACAE DE CIMA”, localizado no Município de Nova Friburgo RJ. De acordo com os esclarecimentos constantes da Notificação, o lançamento decorreu da glosa da área declarada como sendo de preservação permanente, bem como da alteração do VTN declarado. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pelo contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 05): 2005 Declarado Considerado no lançamento Área de Preservação Permanente 771,4 0,0 VTN 33.924,00 3.034.633,60 Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a Impugnação de fls. 38/51, por meio da qual apresentou os argumentos assim sintetizados pela decisão recorrida: I a Notificação não consegue explicar com clareza, em face dos documentos anteriormente apresentados, os motivos que levaram ei autuação do Impugnante; tendo em vista não ter a fiscalização analisado a documentação fornecida pelo impugnante por oportunidade do Termo de Intimação Fiscal, requer a anulação da Notificação de Lançamento, por vicio formal; II conforme poderá ser verificado através da Certidão exarada pela prefeitura Municipal de Nova Friburgo, a área objeto da presente autuação está localizada em Area de Preservação Ambiental AIM; Iii a Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima foi criada pelo Decreto n° 156 de 03 de janeiro de 1990; a legislação ambiental restringiu severamente o uso; IV o imóvel também é uma APÁ Estadual encontrandose dentro de Parque Estadual conforme dispões o Decreto Estadual n° 29.213/2001 e o Decreto Estadual n°31.343/2002, gozando de proteção integral; V alega está incluída no art. 10, inciso V do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002; VI caso a documentação ora juntada não seja suficiente para elidir a cobrança ora realizada, requer a suspensão do feito até Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720097/200764 Acórdão n.º 2102002.517 S2C1T2 Fl. 213 3 o IEF/RJ Instituto Estadual de Florestas responda a solicitação fella para vistoriar o imóvel; V que no Ato Declaratório Ambiental ADA está declarada apenas a área de Preservação Permanente de acordo cam o Laudo Técnico, não fazendo qualquer menção á Area de Interesse Ecológico, como deveria estar previsto; VI na DITR/2005 informa que toda a area do imóvel é de Preservação Permanente quando deveria constar que 570 hectares seriam de Preservação Permanente e que todo o imóvel, em razão do Decreto Municipal 156/1990 e do Decreto Estadual n°29.213/2001 e também do Decreto Estadual n o 31.343/2002, seriam também de Proteção Ambiental/Interesse Ecológico; VI a fiscalização desconsiderou, sem motivo, os valores informados pelo impugnante na DITR/2005 no valor de R$ 33.924,00 e, de maneira voluntariosa, utilizou outro método, mais favorável a Fazenda; VII caso os elementos trazidos aos autos não sejam suficientes para a improcedência da Notificação de Lançamento, requer seja realizada perícia técnica no imóvel tendo determinado o perito e os quesitos. Na análise de tais alegações, os integrantes da DRJ em Recife decidiram pela parcial manutenção do lançamento, acolhendo, como comprovada uma área de preservação permanente de 570,0 hectares, verbis: 33. O Impugnante apresentou o Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolado no lbama em 2000 com 570,0ha de Area de preservação permanente, fl. 23, tendo assim direito a deduzir esta Area da Area tributável. Inconformado com a manutenção da parcela remanescente, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 123/135, por meio do qual requereu: IV— DO PEDIDO: Ante todo o exposto, a ora Recorrente vem, respeitosamente, presença deste E. Conselho, requerer que seja reformada parcialmente a decisão recorrida, para: (I) declarar que a área de 201,4 ha (duzentos e um e quatro décimos de hectares) não é passível de tributação pelo ITR, em razão de se tratar de área imprestável à atividade rural, estar ocupada com benfeitorias e estradas, além de localizarse dentro da APA Municipal e Estadual; e (II) caso assim não entenda, o que se admite por amor ao debate, acolher o pedido de posterior juntada dos documentos que comprovam as alegações do ora Recorrente, os quais ainda não foram Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 fornecidos pelo IEF/RJ e o INEA/RJ, além de acolher o pedido de produção de prova pericial, a qual demonstrará que o VTN utilizado para fins do cálculo do ITR não guarda nenhuma relação com o valor de mercado da terra praticado na localidade. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 29.06.2010, como atesta o AR de fls. 122. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento de ITR relativo ao Exercício 2005. O lançamento originalmente contemplava a glosa de área de preservação permanente de 771,4 hectares, assim como o arbitramento do VTN. A decisão recorrida, porém, acolhendo ADA apresentado tempestivamente pelo contribuinte, alterou a glosa da área de preservação permanente, reduzindo tal glosa para 201,4 hectares (771,4 – 570,0). O Recorrente não se conformou com a manutenção parcial do lançamento, e pugna pela exclusão total da área da tributação. Passase então a analisar suas alegações de mérito. Da alegação de que a propriedade está inserida em APA e em Parque Estadual O Recorrente afirma que sua propriedade está integralmente inserida em uma Área de Preservação Ambiental (APA) e também está inserida dentro de um parque estadual. Até a interposição do Recurso Voluntário, porém, não trouxera qualquer prova de suas alegações, limitandose a afirmar que requerera ao IEF e ao INEA que realizassem perícias no local a fim de atestar estes fatos. Requereu então que: Assim, requer, igualmente, seja permitida a posterior juntada da referida declaração para que reste finalmente demonstrada que toda a área da "Fazenda Taquaraoca e Verdum" está inserida na APA Estadual de Macaé de Cima e no Parque Estadual dos Três Picos. Após a distribuição do recurso, e anteriormente à inclusão do mesmo em pauta para julgamento, o Recorrente fez juntar aos autos (fls. 208/209) documento emitido pelo INEA/RJ do qual consta que: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720097/200764 Acórdão n.º 2102002.517 S2C1T2 Fl. 214 5 Em atenção ao requerimento de V.Sa., serve o presente para informar que os imóveis denominados Fazenda macaé de Cima e Fazenda Taquaraoca e Verdum encontramse inseridos nos limites do Parque Estadual dos Três Picos e na área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, conforme mapa anexo. Tal documento foi assinado pela Diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente – INEA e, de fato, comprova a alegação de que sua propriedade está integralmente inserida no referido parque estadual, assim como na APA denominada Macaé de Cima. De fato, se a totalidade da referida área está inserida em área de interesse ecológico para proteção de ecossistemas, ela não poderá estar sujeita ao ITR, pois tais áreas devem ser excluídas da tributação pelo imposto, nos exatos termos do que determina a Lei nº 9.393/96, em seu art. 10, § 1º, II, b, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) a) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...). Como se viu, os documentos trazidos pelo Recorrente demonstram que a FAZENDA TAQUARAOCA E VERDUM estaria realmente inserida no Parque Estadual dos Três Picos. Este parque, por seu turno, foi criado em 05.06.2002, por meio do Decreto Estadual nº n° 31.343, e tinha, entre outros, o objetivo de proteger os ecossistemas da região. Releva nota ainda que o mencionado parque estadual foi criado nos termos da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que assim dispõe: Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 6 Art. 7o As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; (...) Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I Estação Ecológica; II Reserva Biológica; III Parque Nacional; IV Monumento Natural; V Refúgio de Vida Silvestre. (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. § 2o A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. § 3o A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. § 4o As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal (sem destaques no original) Com base na legislação acima transcrita, a outra conclusão não se pode chegar senão a de que a área em que está situada a propriedade do Recorrente é de posse e domínio públicos, por se tratar de parque estadual – que tem, nos termos da referida lei – os mesmos efeitos de um parque nacional, tratandose de unidade de proteção integral, nos termos das normas acima transcritas. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10730.720097/200764 Acórdão n.º 2102002.517 S2C1T2 Fl. 215 7 Sendo assim, é lícito concluir que: i) a propriedade do Recorrente está situada em parque estadual, criado em 2002; e ii) quando da criação do parque, nos termos da Lei nº 9.985/00, passou a ser área de posse e domínio público. Por isso, é de reconhecer que, de fato, a propriedade da Recorrente encontra se integralmente em área de uso limitado, razão pela qual tem ele direito à exclusão da mesma da tributação pelo ITR, nos termos do que determina o art. 10 da Lei nº 9.393/96, já transcrita anteriormente. Neste sentido: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXIGÊNCIA. Não há obrigação de prévia apresentação protocolo do pedido de expedição do Ato Declaratório Ambiental para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR1999. A obrigação de comprovação da área declarada em DITR por meio do ADA, foi facultada pela Lei nº. 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei nº 6.938/1981. É apropriada a comprovação das áreas de utilização limitada e de preservação permanente por meio de laudo técnico, subsidiado de elementos que demonstrem sua existência, ainda mais quando instrui pedido de autorização junto ao IBAMA. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. A criação de Parque Estadual por meio de Decreto do Governador do Estado, com o fim de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais, afeta a área da propriedade atingida para efeitos de sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30134410, Processo 10820002278200372, julgado em 25.04.2008) Outrossim, é importante destacar que a propriedade do Recorrente também está inserida – conforme atestado pela certidão anteriormente referida na Área de Proteção Ambiental (APA) denominada Reserva Eco1ógica de Macaé de Cima, conforme Decreto nº 156, de 03 de Janeiro do 1990. Tal decreto estabeleceu que: Art. 3º Ressalvadas as atividades cientificas que deverão ter tratamento especifico, através das autoridades competentes a nível federal e municipal, são proibidas, dentro do perímetro que compõe a Reserva Ecológica de Macaé de Cima, quaisquer atividades de utilização, perseguição, caça, apreensão ou introdução de espécies da flora e da fauna silvestres, bem como aquelas que, a qualquer titulo pretendido, implicarem em modificações do ambiente. Assim é que também por este motivo, a propriedade do Recorrente não poderia estar sujeita ao pagamento do ITR, conforme jurisprudência deste Conselho: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 8 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Imóvel cravado em área de Proteção Ambiental de Interesse Ecológico. Decreto juntado aos autos. Exclusão da obrigação tributária. Comprovado, inclusive por informação do IBAMA, que o imóvel está encravado em área de proteção ambiental, não há incidência do ITR, visto que é hipótese legal de exclusão da obrigação tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30133992, Processo 13362000802200222, julgado em 04.07.2007) Diante de todo o exposto, deve ser reconhecida a isenção do ITR sobre a totalidade da propriedade da Recorrente, nos termos do art. 10, § 1º, II, b, da Lei nº 9.393/96. Por este mesmo motivo, deixo de analisar o pedido do Recorrente no que diz respeito às demais razões de mérito. Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 219DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
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Numero do processo: 11543.004265/00-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 10/01/1996 a 20/12/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO - CORREÇÃO - ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Constatado erro material na conclusão do voto e súmula da ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhem-se os embargos de declaração com efeitos infringentes para suprir omissão e retificação da inexatidão material na sua conclusão e súmula, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado.
Numero da decisão: 3402-002.319
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer
e acolher os embargos com efeitos infringentes, para conhecer do recurso de ofício e negálo.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/1996 a 20/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO - CORREÇÃO - ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72. Constatado erro material na conclusão do voto e súmula da ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhem-se os embargos de declaração com efeitos infringentes para suprir omissão e retificação da inexatidão material na sua conclusão e súmula, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.004265/0021 Recurso nº 140.946 Embargos Acórdão nº 3402002.319 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria EMBARGOS DECLARATÓRIOS OMISSÃO Embargante FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado TELEMAR NORTE LESTE S/A (INCORPORADORA DA TELEST) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/1996 a 20/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXATIDÃO MATERIAL E OMISSÃO CORREÇÃO ART. 60 DO DECRETO Nº 70.235/72. Constatado erro material na conclusão do voto e súmula da ementa do acórdão em sede de Recurso Voluntário, acolhemse os embargos de declaração com efeitos infringentes para suprir omissão e retificação da inexatidão material na sua conclusão e súmula, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mantida a fundamentação do v. Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos com efeitos infringentes, para conhecer do recurso de ofício e negálo. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuqueruqe Silva. Ausentes, justificadamente as Conselheiras Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 42 65 /0 0- 21 Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 332/ 334) interpostos pela d. PGFN, com fundamento no art. 65, inc. II do RICARF por suposta omissão no v. Acórdão nº 3402 001.868 exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 1761/1779) de minha relatoria em sede de Recurso Voluntário que, em sessão de 13/08/09, por unanimidade de votos não conheceu do Recurso de Ofício em face do valor exonerado ser inferior ao valor de alçada e por maioria de votos deram provimento ao Recurso Voluntário (Vencido o Conselheiro Mário César Francalossi Bais. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg e Sílvia Brito Oliveira), aos seguintes fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1996 a 20/12/1997 IPI ISENÇÃO CONDICIONADA A DESTINAÇÃO DO PRODUTO ART. 9º § 1º DA LEI Nº 4.502/64 RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE ART. 23, INC. VII DO RIPI/82. Tratandose de isenção condicionada à destinação do produto, a lei somente autoriza a imputação responsabilidade tributária a quem der destino diverso ao produto, hipótese em que este responde pelo pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a isenção não existisse, e não do fabricante, junto ao qual foram colocados os pedidos. O art. 23, inc. VII do RIPI/82 extrapolou a autorização legal de imputação responsabilidade tributária restrita a quem der destino diverso ao produto sujeito a isenção condicionada, quando pretende estender a responsabilidade tributária a todos os que desatenderem às normas e requisitos a que estiver condicionada a isenção do imposto deferida ao contribuinte e, por não se revestir de suficiente idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou criar obrigações (art. 99 do CTN), compromete a subsistência da motivação do lançamento formalizado. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, RO por unanimidade de votos não se conheceu do recurso de ofício em face do valor exonerado ser inferior ao valor de alçada. RV por maioria de votos deuse provimento ao recurso. Vencido Conselheiro Mário César Fracalossi Bais. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg e Silvia de Brito Oliveira. ...... Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenbug Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.004265/0021 Acórdão n.º 3402002.319 S3C4T2 Fl. 3 3 Presidente Nayra Bastos CManata. ; Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Mário Cesar Fracalossi Bais (S ente), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de lbuquerque Silva.” Entende a ora embargante que teria havido “relevante omissão que prejudica o amplo exercício do direito de defesa na eventual interposição de recurso”, eis que o v. Acórdão embargado deixou de conhecer do Recurso de Ofício em face do valor exonerado ser inferior ao valor de alçada quando é certo que “à época a decisão recorrida, proferida em sede de 1ª instância pela DRJ o crédito exonerado superava o limite de alçada nos termos da Portaria MF nº 375/2001”, razão pela qual requer sejam recebidos e providos os embargos de declaração, para sanar o vício”. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos, merecem ser conhecidos e, no mérito merecem ser parcialmente acolhidos para correção de erro de fato na conclusão do voto vencedor e súmula do v. Acórdão embargado. Realmente, tem razão a ora embargante quando afirma que teria havido “omissão” decorrente de erro material cometido no v. Acórdão embargado quando deixa de conhecer do Recurso de Ofício em face do valor exonerado ser inferior ao valor de alçada quando é certo que “à época a decisão recorrida, proferida em sede de 1ª instância pela DRJ o crédito exonerado superava o limite de alçada nos termos da Portaria MF nº 375/2001”. Referido “erro” deste Relator decorreu da menção expressa na r. decisão da DRJ, então recorrida, no sentido de que aximia “a contribuinte do recolhimento do imposto no valor total de R$ 325.040,08, referente aos períodos de apuração de 10/01/1996 a 31/08/1997” Entretanto verificase que o v. Acórdão ora embargado encampou a fundamentação da decisão da DRJ na parte em que eximiu “a contribuinte do recolhimento do imposto no valor total de R$ 325.040,08, referente aos períodos de apuração de 10/01/1996 a 31/08/1997” quando aduz “Notese que no caso concreto a própria r. decisão recorrida afasta qualquer possibilidade de responsabilização da Recorrente com base no art. 9º §1º da Lei nº.4.502/64, por ter dado destinação diversa de produtos isentos, quando certifica que: assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 “Claro está que não se está imputando à empresa ter dado destinação diversa aos produtos adquiridos. O que se discute é a sua responsabilidade face ao descumprimento de obrigações acessórias que condicionavam a eficácia do beneficio.” Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Se não bastasse, a própria r. decisão atesta a insubsistência do lançamento no períododeaneode1996 a agosto de 1997, em razão da falsidade do motivo do indeferimento da prorrogação do prazo da isenção, cujos fundamentos por amor à brevidade adoto e transcrevo: “1 – Do indeferimento do pedido de prorrogação do benefício A controvérsia surgiu pelo fato da Informação MF/SRF/COSIT/DIPIT DIPEX N° 71/98 (fls. 114/115), que amparou o despacho de fl. 116, ter fundamentado o indeferimento do pleito de prorrogação do prazo para fruição dos benefícios fiscais do DL n° 1.335/74, com a inscrição da empresa no CADIN vinculada ao processo fiscal 10783.005938/9491. Ressaltese que em atendimento a oficio expedido pela Cosit à época, a empresa apresentou CND emitida pelo INSS e extrato da sua ficha no CADIN/SISBACEN, onde não constava sua inscrição (vide cópia dos documentos extraídos do processo 10168.003144/9700 –fls. 290 a 297). A própria Cosit também atestou que a empresa estava em situação regular perante a SRF, onde obteve Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (fl. 115). Não resta dúvida, portanto, que a única pendência da empresa quanto a sua regularidade fiscal à época era, efetivamente, sua inscrição no CADIN vinculada ao processo 10783.005938/9491, inscrição esta que constava dos sistemas da SRF. Contudo, a impugnante trouxe aos autos consulta a sistema da PFN que põe por terra a motivação do indeferimento então proferido pela Cosit. Notese, que segundo informações da consulta de fl. 216, o crédito tributário relativo ao processo n° 10783.005938/9491 foi inscrito na Dívida Ativa da União em 04/07/1997 sob o n° 72 7 97 0005 7485, sendo a inscrição extinta em 31/07/1997 com a seguinte informação: "pagamento integral do crédito antes da inscrição em dívida ativa da União confirmado pela DRF competente". Ou seja, a própria inscrição em dívida ativa já foi indevida, uma vez que o crédito tributário já havia sido pago antes da inscrição. Que dirá da inscrição no CADIN, que decorre daquela?! Se verídicas as informações da consulta de fl. 216, comprovado está o erro de fato que motivou o indeferimento. Para dirimir a questão acerca da inscrição/exclusão da empresa no CADIN, o processo foi remetido à DRF/Vitória conforme despacho de fls. 228/229. Em atendimento às questões formuladas, foram anexados os documentos de fls. 230/250. Da análise da documentação anexada aos autos constatase que: a)a consulta anexada pela empresa à fl. 216foi confirmada pela PFN/Vitória 241), que informou que "em análise do processo 10783.005938/9491, verificase as informações de fls. 216" (vide cópia dos documentos às fls. 298/299, extraídas do processo ora citado); b)os outros débitos que justificariam a inscrição da empresa no CADIN à época (01/01/1996 a 21/09/1998), conforme consulta Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.004265/0021 Acórdão n.º 3402002.319 S3C4T2 Fl. 4 5 de fl. 237 (inscrições 72 5 94 00058830 e 72 5 97 009 7121) também já se encontravam extintos antes do indeferimento do pleito da empresa. Mesmo não tendo sido mais possível resgatar dos sistemas as informações acerca da inscrição da empresa no CADIN à época, pelos documentos que constam do presente processo consideramos restar comprovado que a inscrição no CADIN motivada pelo processo 10783.005938/9491 foi indevida, contrariamente ao entendimento da Cosit, que alegou não caber "rever de oficio o indeferimento proferido com base em informações não comprovadas nos autos". Comprovado que o processo citado não justificava a inscrição no CADIN à época, comprovado que o indeferimento do pleito de prorrogação do beneficio, por via de conseqüência, também foi indevido, visto que motivado em erro de fato. Superada, portanto, esta questão. Todavia, este não foi o único suporte do lançamento efetuado contra a empresa, que envolve também questões acerca do inadimplemento da beneficiária quanto a prestação de informações a que estava obrigada para fazer jus à isenção. 2–Das obrigações necessárias à eficácia do benefício. Informam os auditores em seu relatório: "Ademais, desde 1 8/09/2000 até o fechamento deste Auto de Infração a empresa não havia conseguido localizar em seu arquivo a relação dos produtos adquiridos, com a indicação dos fornecedores, itens do Acordo de Participação, número/data/valor das notas fiscais de aquisição, a que alude o item 4.3 da INSRF 049/79, (...) Esclareçase que o item 4 do Ato Declaratório n° 72, de 27/02/86, é enfático ao atar a plena e definitiva eficácia do ato concessivo ao atendimento do disposto nos itens 4 e 7 da IN SRF 049/79, de tal sorte que o contribuinte, inobstante a apresentação de motivos plausíveis, encontrase inadimplente quanto ao cumprimento das obrigações acessórias, porquanto não foi encontrado no processo especifico o documento previsto no item 4.3 do referido instrumento normativo". O ato concessivo dos benefícios fiscais do DL 1 .335/74 à Telest, CST n° 72/86, cópia às fls. 63/64 deste, assim dispôs: 4.Para plena e definitiva eficácia do ato concessivo, deverá a interessada atender ao disposto nos itens 4 e 7 da Instrução Normativa no 049, de 02 de agosto de 1979. O texto é cristalino. Mesmo que a empresa obtenha o conhecimento para usufruir o beneficio fiscal, o que não ocorreu na presente situação, a publicação do concessório não é condição suficiente a garantir a plena utilização do beneficio. Necessário atender, dentre outras, às disposições da Instrução Normativa SRF n° 49, de 2 de agosto de 1979. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Nesse ponto, cumpre observar que estamos tratando de beneficio fiscal, em que a União abre mão de receitas que lhe são próprias com objetivos definidos, no caso, a expansão, ampliação e modernização dos serviços de telecomunicações prestados pela interessada. Em se tratando de favor fiscal, compete ao beneficiário cumprir todas as condições e exigências atreladas à concessão do beneficio e à sua efetivação. Quanto à IN SRF 049/79, vejamos suas disposições: 4.A eficácia plena e definitiva do ato concessivo fica condicionada ao cumprimento pelo empreendedor, perante a repartição da Receita Federal com jurisdição sobre o local onde se executa o Projeto, das seguintes exigências: 4.1(..). 4.2 – Apresentação, até o último dia útil de cada mês, de cópia das notas fiscais referentes às máquinas e equipamentos, recebidos com incentivos, no mês anterior, relacionandoas, se for o caso, conforme os itens correspondentes do Acordo de Participação; 4.3 – Apresentação no prazo de 60 (sessenta) dias, contados da última aquisição (Considerada como tal a data de emissão da nota fiscal pelo fabricante), da relação dos produtos adquiridos, identificando o respectivo vendedor, mencionando o item correspondente do: Acordo de Participação (quando for o caso), número, data e valor das notas fiscais e número e data dos pedidos ou ordens de compra que deram origem às notas fiscais relacionadas; 4.4 – Comprovação, no mesmo prazo previsto no item anterior, da disponibilidade de recursos, oriundos das fontes indicadas no despacho concessivo dos incentivos, em montante suficiente a fazer face ao valor total das máquinas e equipamentos adquiridos com benefícios. 5.As comprovações a que se refere o item anterior deverão ser anexadas ao processo que deu origem à concessão dos benefícios fiscais. 6. O descumprimento dos requisitos legais ou a inadimplência das exigência á de controle fiscal, implicará na ineficácia do ato concessivo dos estímulos tributários, a ser declarada pelo Secretário da Receita Federal. 7. Qualquer alteração na listagem de máquinas e equipamentos ou no Acordo de Participação, a que se referem os subitens 2.3 e 1,bem como na origem dos recursos destinados ao custeio do empreendimento, deverá ser imediatamente comunicada à Secretaria da Receita Federal. 8. As Coordenações dos Sistemas de Fiscalização e de Tributação poderão baixar normas complementares à execução desta Instrução Normativa. Como a empresa continuou a efetuar as aquisições de equipamentos, com isenção do IPI, antes de proferida a resposta Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.004265/0021 Acórdão n.º 3402002.319 S3C4T2 Fl. 5 7 definitiva da SRF quanto a seu pleito de prorrogação de prazo, obviamente, contava com seu deferimento. Estava obrigada, portanto, a cumprir as exigências do artigo 4º acima transcrito. O auditor informa que a empresa não apresentou a relação prevista no item 4.3 do artigo 4° em comento. Analisemos o que consta dos autos. a) Período de janeiro/1996 a agosto de 1997 No decorrer deste período a empresa apresentou regularmente à SRF as cópias das notas ficais em atendimento ao disposto no item 4.2 da IN SRF 049/79, conforme documentos às fls. 01 a 357 dos Anexos I e II. Além disso, a empresa apresentou, junto com as cópias das notas fiscais dos produtos adquiridos com isenção, relação indicando o número do item correspondente de cada aquisição no Acordo de Participação, o nome do fornecedor, o número, a data de emissão e o valor de cada nota fiscal. Ou seja, embora a própria empresa informasse que estava apresentando a relação e cópias de notas fiscais em atendimento ao disposto no item 4.2 da IN em comento, em verdade, da forma como foram apresentadas as informações, já estavam sendo apresentadas, também, as informações previstas no item 4.3 da mesma IN, à exceção da indicação dos números do pedidos ou ordens das respectivas compras. Para a solução do presente litígio não vejo melhor alternativa que apelar ao bom senso. Em primeiro lugar, entendo não existir dúvidas de que as exigências prescritas nos itens 4 a 7 da IN 049/79 têm por objetivo permitir ao órgão responsável, no caso a SRF, exercer o devido controle fiscal sobre a isenção concedida aos beneficiários. Entendo também, s.m.j., que a partir das cópias das notas fiscais de aquisição e da relação apresentada, com indicação do item do. Acordo de Participação correspondente a cada aquisição, estavam presentes, senão todos, ao menos os elementos indispensáveis para que a SRF exercesse sua competência Faltou a apresentação dos pedidos de compras, que são solicitados tendo em vista que a isenção abrange os pedidos apresentados até a data estipulada para a fruição do benefício (item 5 do AD CST 72/86–fl. 65). Ou seja, não é a data da saída do produto do estabelecimento industrial que deve ser considerada para certificar que a aquisição foi efetivada dentro do prazo para a fruição do beneficio, mas sim a data de apresentação do pedido ou ordem de compra correspondente. Como todas as aquisições objeto da presente autuação (todas as saídas dos produtos dos fornecedores) foram efetuadas até 17/12/1997 (fl. 429), não resta dúvida de que todos os pedidos de compra foram apresentados ,antes desta data, o que supre a falta destes para fins de comprovação da regularidade das aquisições quanto ao prazo. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Ademais, a fiscalização anexou aos autos cópia dos documentos apresentados pela Telest quando do encerramento do acordo de Participação. Apesar de não ter sido anexado aos autos, na comunicação de fls. 120/121 consta expressamente, no item VII, que a empresa juntou demonstrativo da origem e aplicação dos recursos utilizados na execução do Acordo. Não vejo, portanto, motivos a justificar o presente lançamento com base no descumprimento de obrigações acessórias por parte da interessada para o período em questão. Ressaltese, ainda, que mesmo após as revisões e prorrogações de prazo homologadas pelo órgão competente do então Ministério da Indústria e Comércio e do Turismo, o Acordo foi encerrado sem aproveitamento integral dos valores autorizados, conforme demonstrativo de fl. 147.” Não configurados os pressupostos do dever legal de sujeição passiva da obrigação, não pode haver responsabilidade tributária, nem o conseqüente comprometimento ou sujeição do patrimônio pessoal do responsável, cuja conseqüência é a insubsistência do lançamento em relação a este último, eis que como já assentou o E. STJ “a Administração não poderá proibir ou impor comportamento algum a terceiro, salvo se estiver previamente embasada em determinada lei que lhe faculte proibir ou impor algo a quem quer que seja” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp 778896/AM, Reg. nº 2005/01247458, em sessão de 12/06/2007, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 23.08.2007 p. 21 1). Assim, impõese o acolhimento parcial dos presentes embargos, com caráter infringente, para conhecer e acolher parcialmente os Embargos declaratório com caráter infringente, para corrigir a inexatidão material cometida na conclusão do voto vencedor acolhido por esta C. Câmara, reconhecer que o crédito exonerado superava o limite de alçada nos termos da Portaria MF nº 375/2001” e suprir a omissão para declarar que o Recurso de Ofício foi conhecido e improvido por maioria de votos nos termos da fundamentação da decisão da DRJ expressamente transcrita na decisão ora embargada. Isto voto no sentido de conhecer e acolher parcialmente os Embargos declaratório com caráter infringente, para corrigir a inexatidão material e a omissão cometidos no v. Acórdão embargado, nos termos do item supra e do art. 60 do Decreto nº 70.235/72 e declarar que o Recurso de Ofício foi conhecido e improvido por maioria de votos nos termos da fundamentação da decisão da DRJ expressamente transcrita na decisão ora embargada. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11543.004265/0021 Acórdão n.º 3402002.319 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 05/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10215.720197/2008-09
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BEL/PA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente aos exercícios 2004/2005, anoscalendário de 2003/2004, por AFRF da DRF/Santarém/PA. A ciência do lançamento ocorreu em 23/09/2008, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .7 20 19 7/ 20 08 -0 9 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10215.720197/200809 Resolução nº 2801000.299 S2TE01 Fl. 378 2 fl.161. 0 valor do crédito tributário apurado esta assim constituído: (em Reais) Imposto 163.752,61 Juros de Mora (cálculo até 29/08/2008) 83.238,43 Multa Proporcional (passível de redução) 122.814,45 Total do Crédito Tributário 369.805,49 2. De acordo com o Auto de Infração e o Termo de Verificação de Infração, fls.145/159, o motivo da autuação foi a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. 3. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 20/10/2008, fls.163/203, alegando o seguinte: 3.1 A origem da movimentação financeira foi a Venda de Ouro Ativo Financeiro, produzido no garimpo de sua concessão, conforme comprovam as Notas Fiscais, DARF de recolhimento de Imposto e demais documentos expedidos pelo DNPM referente as PLGs, Permissões de Lavras Garimpeiras e Licenças Operacionais da SECTAM; 3.2 0 contribuinte teve a seguinte movimentação na Venda de Ouro: ANOCALENDÁRIO 2003 Valor da Venda de Ouro R$496.503,50 Valor base de Cálculo para fins de Imposto de Renda R$ 49.650,35 Venda à empresa OUROMINAS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. R$49.650,35 Imposto de Renda Retido na Fonte R$11.205,33 ANOCALENDÁRIO 2004 Valor da Venda de Ouro R$657.031,20 Valor base de Cálculo para fins de Imposto de Renda – R$ 65.703,12 Venda à empresa OUROMINAS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. R$ 49.650,35; Imposto de Renda Retido na Fonte R$16.391,67 Não foi especificado no campo 7 do informe de rendimentos dos anoscalendário 2003 e 2004, fornecidos pela fonte pagado a na caso a empresa OUROMINAS DISTRIBUIDORA DE TiTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA., os 90% sobre as vendas realizadas nos respectivos anos, fazendo com que ocorresse um lapso por parte do contador não lançando no item 12 — rendimentos isentos e ao tributáveis, da Declaração de Ajuste Anual 2003 e 2004, os respectivos valores de R$446.853,15 e R$591.328,08. 3.4 Os valores fracionados entraram nas respectivas contas bancárias, em razão dos adiantamentos feitos pela compradora de ouro, para viabilizar a produção de ouro no garimpo do contribuinte, como espelha o modelo de contrato em anexo. 3.5 0 contrato de compra e venda de ouro na folha caracterizase quando garimpeiro tem uma produção dentro da normalidade e com isso tem uma média razoável de produção. Neste caso as grandes compradoras de ouro, procuram assegurar a compra, mediante os contratos de adiantamento na compra e venda do ouro, ficando com isso consignado a produção a ser vendida na empresa fomentadora da produção por força do contrato. 3.6 Como se vê a própria movimentação financeira, é menor do que o valor total das respectivas Notas Fiscais de compra e venda de ouro, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10215.720197/200809 Resolução nº 2801000.299 S2TE01 Fl. 379 3 essas diferenças a menor, devese ao fato de que parte do valor das vendas, o contribuinte por necessidade e hábito na regido, as pessoas conforme a situação — trabalhadores e garimpeiros e alguns comerciantes, nesse interior receberem somente em valores em espécie, dai a necessidade de receber parte desses valores diretamente do caixa e em espécie, isto é, sem passar via conta bancária. 3.7 Obedeceu ao preceito do art.10 da Lei N°7.713/88. 3.8 0 lançamento foi baseado em indícios e presunções, sem a identificação do sujeito passivo responsável pelo fato imponível, assim está lastrado de vícios e totalmente NULO. Não foi encontrado sinal exterior de riqueza. Depósitos bancários não representam por si só, rendimentos tributáveis, assim como não constituem fato gerado de imposto de renda ou disponibilidade econômica. Os depósitos podem ter origem de empréstimos de terceiros ou de transferência entre contas, que são de livre arbítrio de seu titular. Relembra a súmula 182 do extinto TFR. Há fortes indícios de que o lançamento tenha sido constituído para satisfazer interesses particulares regidos pela Lei N°10.910/2004, que garante gratificações aos auditores. 3.9 Não houve autorização judicial para a quebra do sigilo bancário. A autoridade deveria solicitar os dados bancários via Requisição de Movimentação Financeira (RMF). 3.10 A fiscalização confirmou as informações junto à empresa de compra de ouro OUROMINAS DTVM LTDA, mas mesmo assim lavrou o Auto de Infração, apesar de a movimentação financeira estar abaixo do faturamento de venda de ouro aluvionar, devidamente comprovado. Nenhuma outra diligência foi realizada no sentido de corroborar o trabalho fiscal no que tange as transferências e depósitos bancários; 3.11 Acrescenta decisões e doutrina; 3.12 Requer a insubsistência do Auto de Infração e a declaração de inexistência do Crédito Tributário. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 307/321, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10215.720197/200809 Resolução nº 2801000.299 S2TE01 Fl. 380 4 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 29/12/2010 (fl. 3282), o interessado, representado por seu Advogado (fl. 371), interpôs recurso voluntário de fls. 455/370, em 28/01/2011, no qual, em síntese, reitera os argumentos apresentado na fase impugnatória. Conforme despacho de fl. 376, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601.314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, amparada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. De acordo com os extratos bancários apresentados, às fls. 28/65, o sujeito passivo possuía duas contas bancárias. A de n° 22.2534, mantida no Banco Bradesco S/A (fls. 26/35), e a de n° 15.8514, no Banco Itaú S/A. Em relação ao Banco Itaú S/A, existe indício de que a conta é conjunta, pois assim consta consignado no correspondente extrato bancário “SERGIO AMARO AQUINO E/OU AGENCIA 1433 CONTA CORRENTE 158514” O art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96 determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, bem como tenham rendimentos independentes, com apresentação de declarações de ajuste em separado. Para contas bancárias com mais de um titular, portanto, a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos cotitulares das referidas contas. Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10215.720197/200809 Resolução nº 2801000.299 S2TE01 Fl. 381 5 Face o acima exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que: · intime o contribuinte a informar se as contas correntes de n° 22.2534, mantida no Banco Bradesco S/A (fls. 26/35), e de n° 15.8514, no Banco Itaú S/A, eram individuais ou conjuntas nos anoscalendários de 2003 e 2004; · caso alguma delas seja conjunta, o contribuinte deverá colacionar aos autos comprovação inequívoca de que a conta era conjunta nos anoscalendários sob exame. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728352/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº8. 212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A a Lei n° 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.379
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32-A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº8. 212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 52 /2 00 9- 40 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 91 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 92 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RADIO FM IEMANJÁ LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário, relativo à multa por infringência ao disposto no art. 32, inc. IV, § 5°, da Lei 8.212/91 (DEBCAD nº 37.2129501). 2. Por bem retratar os fatos passo a adotar parcialmente o relatório constante do acórdão recorrido (fl. 81): 2.1. Foi constatado que o Sujeito Passivo pagou, no período de 2005 a 2008, aos seus segurados Participação nos Lucros ou Resultados PLR, porém em desacordo ao estabelecido na Lei n° 10.101 de 19/12/2000. 2.2. O descumprimento dessas formalidades legais transformou esses pagamentos em parcelas remuneratórias integrantes do saláriodecontribuição a base de cálculo previdenciária. Estas parcelas não foram, porém, declaradas nas GFIP’s e nem foram objeto de recolhimento/parcelamento das contribuições previdenciárias, sendo portanto, objeto dos Autos de Infração n°s 37.212.9510 (patronal) e 37.212.9528 (segurados), cujos relatórios fiscais foram anexados ao presente processo por cópia. 2.3. Foi efetuada a comparação da multa, confrontandose a legislação em vigor na ocorrência do fato gerador com a legislação atual, aplicandose a mais benéfica, razão pela qual apenas foram lançadas no presente auto de infração (código de fundamentação legal 68) as competências 02/2006 e 02/2007. 2.4. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista no art.284, inciso II, do Decreto 3.048/99, correspondendo ao valor de R$ 5.316,72 (cinco mil trezentos e dezesseis reais e setenta e dois centavos), considerando os valores atualizados pela Portaria MPS/MF n°. 48, de 12 de fevereiro de 2009, conforme Tabela elaborada no Relatório Fiscal. 3. Lavrado o auto de infração, o sujeito passivo foi dele regulamente cientificado em 17/12/2009, por via postal, conforme Aviso de Recebimento do Serviço dos Correios, nº AR 520809983RL (fl. 51), tendo a autuada, tempestivamente, apresentado impugnação às folhas 52/61, a qual foi encaminhada a Receita Federal do Brasil, por via postal, conforme SEDEX SK229803004BR (fls. 78/79). 4. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Período de apuração: 28/02/2006 a 28/02/2007. INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR.. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 93 4 Constitui infração prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Leinº 8.212/91, apresentar o sujeito passivo GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição previdenciário. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (fl. 80),. 5. Da decisão supra a recorrente foi regulamente notificada em 17/12/2012, conforme AR 0976636668DH, do serviços postal (fl. 174), bem como de outras decisões relativas aos Auto de Infração, a saber: PAF’s de nºs. 10580.728349/200926 10580.728350/200951 e 10580.728351/200903. Os demais AI’s são os seguintes: DEBCAD/PAF TIPO DE CONTRIBUIÇÕES DATA DE EMISSÃO PERÍODO DO DÉBITO TOTAL CONSOLIDA DO EM 07/12/2009 – R$ MOTIVAÇÃO DO AI 37.212.9528 (10580.728350/200951) Contribuição dos segurados empregados 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 5.315,26 Diferenças dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a título de PLR paga em desacordo com a legislação. 37.212.9510 (10580.728349/200926) Contribuição patronal (EMPRESA e GILRAT) 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 45.214,45 Contribuições sociais previdenciárias lançadas se referem “exclusivamente às diferenças patronais (EMPRESA e GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, em desacordo com a legislação que rege a matéria 37.261.1818 (10580.728351/200903) Contribuição destinada a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 8.984,73 Contribuição a cargo da empresa referentes a outras entidades e fundos (Terceiros) , incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 94 5 6. Em peça única, acostada ao processo principal, PAF 10580.728349/2009 26, a contribuinte, demonstrando seu inconformismo, apresentou recurso voluntário, fls. 185 a 205, do referido PAF, em 16/01/2013, tendo a autoridade de origem informado, por despacho de 18/01/2013, fl. 205 daqueles autos, que nesta data foi juntado o recurso. 7. Com vistas à anulação de todos os AI’s anteriormente mencionados, em peça única, a contribuinte em seu recurso voluntário, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde, em síntese, alega que: a) em relação aos presentes autos, os valores pagos aos empregados são relativos à Participação nos Lucros e Resultados, e por isso mesmo desvinculados dos salários, não sendo passíveis de incidência de contribuições sociais porque foram pagos com observância ao art 7º, XI, da Constituição Federal de 1988, assim como o art. 28, § 9°, "j", da Lei n° 8.212/1991. b) com relação ao suposto atraso no registro dos documentos perante o Sindicato, a ora Recorrente salienta que de fato tal atraso ocorreu. No entanto, ressaltase que o fato do registro ter sido tardio junto ao Sindicato não pode acarretar de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR. c) o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, consequentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. d) por não ter se verificado inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Assim, a multa ora aplicada torna se inexigível porque deixouse de observar os princípios constitucionais da Razoabilidade, da Proporcionalidade e do Nãoconfisco. e) por fim, requer reforma do Acórdão recorrido, e, por conseguinte, a improcedência do Auto de Infração (DEBCAD nº 37.2129501). Alternativamente, caso necessário, requer diligência para a verificação do alegado. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 95 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. PRELIMINARES DA MULTA APLICADA E DA IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA ALEGAÇÃO DE SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO 2. Igualmente fez na impugnação, sem diferenciar se decorrente de obrigação principal ou acessória, alega a recorrente que a multa lançada é excessiva, confiscatória, portanto, e afronta os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e o do não confisco, razões pelas quais deve ser afastada. 3. Apenas a título de argumentação, é imperioso apontar que esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 4. Quantos aos princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, utilizados pela recorrente para se contrapor a penalidade, entendo que tais princípios são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade aspectos meritórios de validade de norma posta. 5. Nesse diapasão já é possível sinalizar que o exame da matéria, como articulado no recurso voluntário interposto pela recorrente, inevitavelmente passaria pela análise da constitucionalidade dos dispositivos que fundamentaram a aplicação da penalidade em face do inadimplemento da obrigação tributária pela empresa. 6. No entanto, os fundamentos tomados pela recorrente para sua irresignação, reiterese, não deve ser apreciada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente à exigibilidade da multa, no caso ora analisado, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, “a” e III, “b” da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. Ou seja, a autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tratarse de atividade estranha constitucionalmente as suas atribuições. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 96 7 7. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 8 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a inconstitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal que atribui ao poder judiciário tal competência, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 9. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 10. Não há que se falar em caráter confiscatório, portanto, da multa imposta por infração do art. 32, inc. IV, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/91. 11. Assim, deixo de apreciar eventuais aspectos relacionados à exorbitância da multa imposta ao presente caso, haja vista que não compete a autoridade lançadora ou julgadora dispensar ou reduzir valores de multas, sob o argumento de inconstitucionalidade, aí compreendida abusividade ou ilegalidade. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA 12. Quanto à diligência ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova ou informações dela extraída tem como destinatária a autoridade julgadora que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. 13. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. 14. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização da diligência, aventada de forma vaga e imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235/72, in verbis: “ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 97 8 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” 15. Assim, tendo em conta que a recorrente, em seu recurso voluntário apenas, de forma alternativa faz ilações da necessidade de diligência sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feito tal pedido, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” 16. Assim, do até aqui arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar ou ter como improcedente os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência feito pela recorrente. 17. Ultrapassada essas questões preliminares, passo a analisar o descumprimento da obrigação acessória e sua motivação. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR 18. Observese que, as alegações da recorrente acerca da PLR, já foram analisadas e rebatidas nos autos dos processos nºs. 10580.728349/200926 (DEBCAD 37.212.9510), 10580.728350/200951 (DEBCAD 37.212.9528) e 10580.728351/200903 (DEBCAD 37.261.1818). 19. Da análise dos autos mencionados, especialmente dos acordos apresentados para o período fiscalizado, verificouse que os mesmos não estão aptos a concederem a isenção previdenciária sobre os pagamentos feitos a título de PLR pela contribuinte, razão pela qual foram tais pagamentos incluídos pela fiscalização como salário de contribuição. . DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 20. Conforme determina a legislação previdenciária é obrigação da empresa informar mensalmente, mediante entrega da GFIP a totalidade da remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, conforme art. 32, inc. IV da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inc. IV do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97); RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 98 9 IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele instituto; 21. A recorrente em seu recurso afirma que “(...) pretende o Fisco fazer incidir sobre os pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), distribuídos aos empregados, a contribuição previdenciária de terceiros, além de multa.” (fl. 188 do PAF nº 10580.728349/200926), e, por conta da natureza de tal pagamento alega, também, que “é indevido o recolhimento de contribuição previdenciária sobre os fatos que, por conta de não terem sido lançados nas GFIP do período auditado, ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração.” (fl. 190 do PAF nº 10580.728349/200926). 22. Em síntese, o que pretende a recorrente com tais alegações é sustentar que não cometeu qualquer infração, uma vez que no seu entender foi regular o pagamento da PLR. No entanto, narra, claramente, ao contrário o relatório fiscal que (fl. 25): “(...). 8. Foi constatado que o Sujeito Passivo pagou, no período de 2005 a 2008, aos seus segurados Participação nos Lucros ou Resultados PLR, porém em desacordo ao estabelecido na Lei n° 10.101 de 19/12/2000. O descumprimento dessas formalidades legais transformou esses pagamentos em parcelas remuneratórias integrantes do saláriodecontribuição a base de cálculo previdenciária. Estas parcelas não foram, porém, declaradas nas GFIP’s e nem foram objeto de recolhimento/parcelamento das contribuições previdenciárias, sendo portanto, objeto dos Autos de Infração n°s 37.212.9510 (patronal) e 37.212.9528 (segurados), cujos relatórios fiscais foram anexados ao presente processo por cópia. 9. Assim, o contribuinte, ao omitir do instrumento declaratório próprio, nomes e valores passíveis de incidência de contribuições previdenciárias na forma do art. 22, I a II da Lei 8.212/91, configura a infração ao disposto no art. 32, inc. IV da Lei n.° 8.212/91, acima transcrito. (...).” 23. Do acima colacionado, verificase que o sujeito passivo foi autuado por ter deixado de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois, a fiscalização, em consulta ao nos sistemas corporativos informatizados de arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Demonstrativo de Normalizações e Informações Sociais DNA, contatou que o sujeito passivo entregou as GFIP’s relativas às Folhas de Pagamentos de seus segurados empregados, em todas as competências do período auditado (01/2005 a 12/2008), nas respectivas épocas de vencimento, ali omitindo os pagamento feitos a título de PLR em desacordo com a legislação. 24. Vêse que, de fato, houve descumprimento de obrigação acessória, notadamente, aos dispositivos supra mencionados e os argumentos apresentados pela Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 99 10 recorrente não são hábeis a combaterem os fundamentos da autuação fiscal, dessa forma mantenho o lançamento fiscal. 25. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 26. Ocorre que a Lei nº. 11.941, de 2009, alterou a Lei nº. 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 27. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 100 11 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 28. Evidenciadas as regras veiculadas no art. 32A, da Lei nº. 8.212/91, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 29. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º. deste artigo. 30. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no citado artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 31. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº. 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras se diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: “LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 101 12 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” 32. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 33. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei nº. 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei nº. 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 34. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei nº. 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não de pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 102 13 35. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP nº. 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado, tampouco a nova redação do artigo 35. 36. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhes dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei nº. 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP nº. 449/2008 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/2008 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº. 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos fora de prazo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 103 14 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 37. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, relativos a períodos anteriores a vigência da MP n° 449/2008, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 38. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas existem limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728352/200940 Acórdão n.º 2803003.379 S2TE03 Fl. 104 15 39. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 40. Assim, pelas razões acima delineadas, entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser calculados com observância ao novo regramento do citado artigo 32A, I, da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009. 40. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSÃO 41. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000818/2008-50
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9)
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Recurvo Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
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É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Recurvo Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 08 18 /2 00 8- 50 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10840.000818/200850 Acórdão n.º 2801002.879 S2TE01 Fl. 65 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento (fls. 13/15) que alterou o resultado da declaração de ajuste do anocalendário 2003 de imposto a restituir de R$ 2.928,40 para imposto suplementar de R$ 1.642,15. A infração atribuída ao contribuinte é a seguinte: 1 Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o IRRF de R$ 4.963,00, relativo aos rendimentos recebidos de INSS, indevidamente compensado. Fundamentação legal: art. 12, V, Lei 9.250/95. Cientificado do lançamento em 15/01/2008, o contribuinte, inconformado, apresenta impugnação de fls. 02, em 29/02/2008, em que alega que o valor de R$ 4.571,15 foi indevidamente enquadrado com o código de receita 0588, quando o correto seria 0246. Considerada intempestiva a impugnação, a Notificação de Lançamento foi examinada pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributários, da DRF/Ribeirão Preto, e o crédito tributário foi mantido, conforme Despacho Decisório de fls. 26. Inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Hierárquico, com as seguintes alegações: 1 recebeu rendimentos em ação judicial julgada procedente; 2 recolheu o IRRF com o código 0588, quando o correto era 0246; 3 intimada a impugnar o lançamento, o AR foi entregue ao faxineiro do edifício em que reside, chegando a destempo às mãos da requerente; 4 a guia retificadora foi apresentada junto com a impugnação. Ao analisar o pedido da contribuinte, a DRJ não conheceu da impugnação, por intempestiva. Doravante, houve a interposição de recurso voluntário da contribuinte, requerendo o provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação e defendendo que não é válida a ciência postal por terceiros. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10840.000818/200850 Acórdão n.º 2801002.879 S2TE01 Fl. 66 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Salientese que é valida a questionada ciência mediante assinatura do Aviso de Recebimento por terceiros. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ( Súmula CARF nº 9) Portanto, considerase acertada a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação pela intempestividade. Por fim, importa esclarecer que fica a cargo e critério da autoridade administrativa, responsável pelo lançamento, verificar se se trata de hipótese de revisão de ofício, à luz do art. 149 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006047/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. PROCESSO DECORRENTE.
Se o indeferimento do pedido de compensação justificou-se pela formalização de exigência tributária que anulou o crédito pleiteado, deve ser restabelecido o direito creditório se o julgamento no CARF decidiu pela improcedência da autuação.
Numero da decisão: 1402-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito ao crédito pleiteado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. PROCESSO DECORRENTE. Se o indeferimento do pedido de compensação justificou-se pela formalização de exigência tributária que anulou o crédito pleiteado, deve ser restabelecido o direito creditório se o julgamento no CARF decidiu pela improcedência da autuação.
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SALDO NEGATIVO DA CSLL. PROCESSO DECORRENTE. Se o indeferimento do pedido de compensação justificouse pela formalização de exigência tributária que anulou o crédito pleiteado, deve ser restabelecido o direito creditório se o julgamento no CARF decidiu pela improcedência da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito ao crédito pleiteado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 47 /2 00 6- 11 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação — Dcomps (fls. 12/57), por meio das quais compensou crédito da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário 2003, exercício 2004, no total de R$ 3.277.176,31 (valor originário constante da sua DIPJ/2004 retificadora entregue em 30/10/2006). De acordo com o Relatório de Informação Fiscal (fls.07/09), propôsse a não homologação das compensações, haja vista que após as verificações necessárias para a confirmação do crédito declarado, a fiscalização detectou falta de adição ao lucro liquido de despesas operacionais indedutiveis contabilizadas como amortização de ágio, fato este que • corrigido de oficio ensejou na cobrança da CSLL relativa ao ano calendário de 2003 no valor de R$ 3.043.622,96,(Demonstrativo As fls. 97/98 e Termo de Encerramento de Ação Fiscal As fls.100/126), portanto deixando de existir o crédito da CSLL declarado pela contribuinte. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório DRF/REC de fl.147, através do qual resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 151/162), alegando, em síntese, que a suposta infração detectada pela fiscalização, a qual alterou o resultado da CSLL constitui o processo de no 196476.010151/200783 que se encontra em litígio, desta feita, o presente processo deverá aguardar a decisão definitiva do citado processo por estar estritamente relacionado com o mesmo. A impugnante também argumenta contra a infração detectada relativamente à glosa de despesa relativa à amortização de ágio constante do processo n° 19647.010151/2007 83. A impugnante requer que seja julgada a presente impugnação conjuntamente com a impugnação apresentada no processo n° 19647.010151/200783, e em caso contrário que este processo seja sobrestado com fulcro no art. 265, inciso IV do CPC até o desfecho do citado processo. Requer ainda que, caso entendimento for no sentido de a presente lide ser julgada independentemente do processo n° 19647.010151/200783, seja analisado o mérito alegado e reformada a decisão recorrida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG prolatou o Acórdão 0943939 negando provimento à manifestação de inconformidade, sob o argumento principal de que não há previsão para sobrestamento nas normas que regem o processo administrativo fiscal. Acrescenta que a suspensão de exigibilidade pleiteada é definida pela interposição dos recursos pertinentes. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19647.006047/200611 Acórdão n.º 1402001.692 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em resumo da lide, tratamse de pedidos de compensação nos quais o crédito pleiteado – saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 2003 – foi anulado pela lavratura de auto de infração formalizado nos autos do processo 19647.010151/200783. Sustenta a recorrente que o julgamento do presente só poderia ocorrer quando houvesse decisão definitiva naquele outro, pela relação direta entre eles. De imediato, registrese que não há controvérsias quanto à ligação entre os processos, pois o crédito aqui pleiteado foi anulado por procedimento fiscal que gerou a autuação de que trata o processo 19647.010151/200783. A princípio, concordo com a decisão recorrida no sentido de que as regras norteadoras do processo administrativo fiscal não prevêem expressamente a figura do sobrestamento. Por outro lado, tal questão, admito, é controversa nesta Corte onde vários julgados posicionamse no sentido de que, em casos como o presente, a apreciação do processo de compensação só deve ocorrer quando do trânsito em julgado da decisão proferida nos autos em que o crédito foi anulado ou reduzido. A meu ver a solução mais adequada seria o trâmite simultâneo dos processos, o que permitiria que as decisões estivessem em sintonia dentro da mesma instância administrativa. Em outras palavras, proferida decisão no CARF em relação ao auto de infração tal decisão poderia, e deveria, ser imediatamente aplicada no processo de compensação. Caberia às partes interessadas (sujeito passivo ou Fazenda Nacional) efetuar as devidas gestões para que uma eventual reversão daquele julgado fosse trazida ao processo de compensação. Sob esses prisma, constatase que o processo 19647.010151/200783 foi apreciado no CARF tendo sido prolatado o Acórdão 1201000.689, com decisão nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Cuba Netto, Claudemir Rodrigues Malaquias e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz não acompanharam o Relator quanto à preliminar de decadência. Cancelada a exigência, como conseqüência devem ser restabelecidos os valores apurados pela interessada, inclusive o saldo negativo da CSLL. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Sendo assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito ao crédito pleiteado. Salientese que a execução desta decisão condicionase ao trânsito em julgado do acórdão proferido nos autos do processo 19647.010151/200783, motivo pelo qual deve ser promovida a juntada por apensação deste àquele. Compete à CSRF quando do julgamento do recurso especial interposto naquele processo ratificar ou retificar, conforme o caso, a decisão aqui proferida. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.936038/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1102-001.164
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Pagamento indevido a título de estimativa de CSLL. Recorrente MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 60 38 /2 00 9- 54 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 381 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase recurso voluntário interposto por MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 11 e 12 do processo digital) de débitos de tributos federais com o crédito de R$ 3.301.767,94 decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de CSLL em 19/04/2000. A Derat/São Paulo, mediante despacho decisório eletrônico, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pelo fato de ter decorrido mais de cinco anos entre a data da arrecadação do DARF e a data da transmissão da PER/DCOMP. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade na qual informou que houve engano no preenchimento da data do período de apuração no DARF e que a data do início da contagem do prazo é a da entrega da declaração de ajuste. A mencionada 2ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1627.901, de 23 de novembro de 2010, por meio do qual manteve o não reconhecimento do direito creditório alegado. Cumpre esclarecer que, por tratarem do mesmo direito creditório, a mesma decisão foi proferida para o julgamento da lide contida neste e em outros vinte processos. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 382 3 As estimativas pagas devem ser levadas ao ajuste anual como dedução do valor devido no ano (§4°, inciso IV do artigo 2° da Lei n° 9.430/96), só então configurandose o saldo a restituir, se for o caso, não cabendo falar em pagamento a maior da própria estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em que deduz os seguinte argumentos: Em sede preliminar, a) A decisão recorrida contém vício insanável e deve ser declarada nula porque partiu da equivocada premissa de que o presente processo continha o mesmo teor de outros processos que pleiteavam o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de IRPJ. b) Os fundamentos para o indeferimento das compensações envolvendo crédito de IRPJ e CSLL são diferentes. No caso do IRPJ, a Derat indeferiu as compensações sob a alegação de que não foi confirmada porque o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Porém, no caso da CSLL, a razão teria sido o fato de ter decorrido mais de cinco anos entre a data da arrecadação do DARF e a data da transmissão da PER/DCOMP. c) Ademais, a legislação que determina a tributação dos lucros auferidos no exterior, motivo do recolhimento indevido, até o ano de 1999, não alcançava a CSLL. Razão pela qual a empresa obteve liminar que reconhecia o direito de não se sujeitar a esta tributação de 1996 a 1998. d) O fato de não ter analisado as razões de defesa no tocante à CSLL configura a preterição do direito de defesa prevista no artigo 59, II, do PAF. Por conseguinte, o ato praticado pela autoridade julgadora deve ser anulado. No mérito, e) O pagamento indevido havia sido efetuado em 19/04/2000, enquanto que o PER/DCOMP foi transmitido em 18/04/2005. Portanto, não foi ultrapassado o prazo de cinco anos. Além disso, a jurisprudência do STJ já foi firmada no sentido de que o prazo para a restituição dos indébitos solicitados antes da vigência da LC nº 118/05 submetese à “sistemática dos cinco mais cinco”. f) Em 26/04/2001 obteve liminar em mandado de segurança que reconheceu o direito de a empresa não se sujeitar ao recolhimento da CSLL sobre rendimentos auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, somente distribuídos em 2000. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 383 4 g) Por equívoco, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior na base de cálculo para a apuração da estimativa de março/2000. h) Em decorrência desse equívoco, efetuou a maior o recolhimento da estimativa referente a esse mês. Recolheu R$ 3.415.839,34, quando o correto seria recolher R$ 114.071,40. Assim, possui um indébito passível de compensação no montante de R$ 3.301.767,95. i) Ao contrário do que alega o acórdão recorrido, tratase de recolhimento a maior e não de estimativa mensal. j) Nos termos do artigo 19 da MP nº 1.8586, se houvesse valor a ser adicionado a título de rendimentos auferidos no exterior, ele deveria ser feito em 31 de dezembro e não no decorrer do exercício. k) O DARF não foi localizado no sistema da Receita Federal por causa do equívoco no período de apuração informado. Ao invés de 19/04/2000, o correto seria 31/03/2000. Tal erro não foi detectado em tempo hábil, razão pela qual não foi possível efetuar o REDARF. l) O valor referente a rendimentos auferidos no exterior não compôs a apuração do ajuste anual em razão da liminar concedida no mandado de segurança. m) A situação em tela não se confunde com aquela disciplinada no artigo 170A do CTN porque não se pretende a compensação de tributo discutido judicialmente, mas, sim, de tributo recolhido indevidamente em março de 2000. n) A veracidade de suas alegações pode ser comprovada através de seus registros contábeis, os quais fazem prova da regular existência do crédito. o) Esclarece que incorreu em erro formal no preenchimento do PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997. p) Seu pedido encontra amparo no direito de propriedade, do devido processo legal, na legalidade, na moralidade administrativa e na verdade material. Ao final, requer que seja anulada a decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, seja homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 384 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De fato, a DRJ proferiu decisões com o mesmo conteúdo para as compensações da recorrente originárias de créditos consubstanciados por pagamentos indevidos de tributos diferentes. O teor do acórdão recorrido é absolutamente idêntico ao que foi proferido para processos onde se discutia o reconhecimento do crédito decorrente do pagamento a maior a título de estimativa do IRPJ do mês de março de 2000. Não obstante este processo tratar de reconhecimento de crédito de natureza semelhante, o pagamento indevido aqui foi efetuado a título de estimativa da CSLL daquele mesmo mês. Independentemente disso, o referido engano pode ser superado na medida em que se entenda que a DRJ pretendia, em verdade, emitir o mesmo raciocínio veiculado nos processos que trataram do pedido de compensação da referida estimativa do IRPJ, qual seja, não reconhecer o direito creditório pleiteado porque não se poderia restituir estimativas pagas, as quais deveriam ser deduzidas no ajuste anual, em conformidade com o estabelecido no artigo 2º, IV, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, só se poderia requerer restituição/compensação de eventual saldo negativo apurado no referido ajuste anual. Tal entendimento, de fato, é o correto e vem sendo seguidamente adotado nos diversos julgamentos proferidos nesta Casa. Nada obstante, verifico que o presente caso não trata da estimativa que deveria ser paga na conformidade do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Isso porque a recorrente agiu de forma equivocada ao calcular a antecipação que seria devida no mês de março de 2000. Com efeito, na apuração desse mês, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior quando o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 dispõe que tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. Por tal motivo, recolheu a título de estimativa do mês de março de 2000, o valor de R$ 3.415.839,34, quando o correto seria recolher R$ 114.071,40. No entanto, a recorrente alegou um outro motivo para a ocorrência do pagamento indevido que não existiu nos processos semelhantes que analisaram os créditos decorrentes da estimativa do IRPJ. Neste sentido, salientou que a legislação que determina a tributação dos lucros auferidos no exterior, motivo do recolhimento indevido, até o ano de 1999, não alcançava a CSLL e que, por essa razão, obteve liminar que reconhecia o direito de não se sujeitar a tributação sobre rendimentos auferidos no exterior nos anos de 1996 a 1998, somente distribuídos em 2000. Tais fatos estão relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos apontam para a verossimilhança dessas alegações. Haveria, portanto, pagamento maior que o devido na data do respectivo recolhimento, configurando um indébito passível de restituição/compensação no montante de R$ 3.301.767,95. Isso, a despeito do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 385 6 A possibilidade de restituição/compensação de pagamentos indevidos a título de estimativa já é matéria consolidada no âmbito do CARF desde a edição da seguinte súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a verificação efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte e documentação juntada aos autos com os sistemas de controle da Receita Federal, pois a autoridade julgadora negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de março de 2000, se o valor pago a maior não foi efetivamente apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à instância a quo para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à DRJ para análise do mérito do pedido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.936038/200954 Acórdão n.º 1102001.164 S1C1T2 Fl. 386 7 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721058/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.063
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A
do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 79 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 147..932,71, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721058/200915 Resolução n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 131 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto deinfração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721058/200915 Resolução n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 132 3 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 23/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.265, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721058/200915 Resolução n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 133 4 (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 85), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 87/125), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721058/200915 Resolução n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 134 5 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720142/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/04/2011
APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA E AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. EXISTÊNCIA AUTÔNOMA. DESCUMPRIMENTO DA LEI E DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLAÇÃO A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. MULTA NO PATAMAR DETERMINADO EM LEI E ADMITIDO PELO STF E STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PUNITIVA QUE VIGORAVA NA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa base no valor de R$ 1.195,13, em razão da revogação da norma que autoriza a aplicação do valor da multa em vigor no momento da lavratura do auto, para aplicar o valor da multa em vigor no momento do cometimento da infração. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/04/2011 APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA E AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. EXISTÊNCIA AUTÔNOMA. DESCUMPRIMENTO DA LEI E DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLAÇÃO A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. MULTA NO PATAMAR DETERMINADO EM LEI E ADMITIDO PELO STF E STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PUNITIVA QUE VIGORAVA NA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa base no valor de R$ 1.195,13, em razão da revogação da norma que autoriza a aplicação do valor da multa em vigor no momento da lavratura do auto, para aplicar o valor da multa em vigor no momento do cometimento da infração. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 68 1 67 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720142/201149 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.329 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente METROPOLITAN SERVIÇOS E LOCAÇÕES DE EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/04/2011 APLICAÇÃO CONJUNTA DE MULTA E AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. EXISTÊNCIA AUTÔNOMA. DESCUMPRIMENTO DA LEI E DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA E VIOLAÇÃO A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. MULTA NO PATAMAR DETERMINADO EM LEI E ADMITIDO PELO STF E STJ. APLICAÇÃO DA MULTA PUNITIVA QUE VIGORAVA NA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa base no valor de R$ 1.195,13, em razão da revogação da norma que autoriza a aplicação do valor da multa em vigor no momento da lavratura do auto, para aplicar o valor da multa em vigor no momento do cometimento da infração. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 01 42 /2 01 1- 49 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 69 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 70 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.329.1779, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 07 a 08, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 12 e 13. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 11/04/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 27 a 30, estando acompanhada dos documentos, de fls. 31 a 33. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1532.502 6ª, Turma DRJ/SDR, em 22/05/2013, fls. 37 a 42. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 14/08/2013, conforme AR, de fls. 44. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 46 a 51, recebida, em 09/09/2013, acompanhado dos documentos, de fls. 52 a 63, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Mérito · que foi aplicada multa e obrigação acessória, o que configura bis in idem, que somados aos demais autos revela o caráter confiscatório da multa, o que é vedado pela CF, sendo excessivo o montante em relação a infração tributária, pois não se coaduna com nosso sistema jurídico, ao prever incidência de juros moratórios e correção monetária; · que a multa deveria apenas penalizar o contribuinte por desrespeitar a legislação tributária e a imposição de multas elevadas e reiteradas configura verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte, havendo esse efeito sempre que afronta a liberdade de iniciativa, do trabalho, de ofício ou profissão, bem como pela inviabilização da atividade econômica; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 71 4 · que esta havendo confisco na imposição da multa, pois vultosos os valores, penalizando a atividade da empresa, não podendo esta ficar sem seu capital de giro para satisfazer o Estado, adimplir essa obrigação seria o mesmo que condenar a propriedade privada a ser consumida por ato estatal, sendo que a CF/88 reprime o efeito confiscatório e que vise apreender ou adjudicar bens pertencentes ao particular, sem indenização, em favor do Estado, cita AB e BP, bem como Profº SD, citado por BP; · que os princípios da vedação do confisco e capacidade contributiva estão previsto na CF, embora a parcela impugnada não seja tributo, os paradigmas constitucionais atingem, também, as penas fiscais, volta a citar BP; · que apesar de previstas em lei a gradação das multas deveria ser efetuada, conforme a natureza e a importância da infração e não em percentual fixo sobre o montante do tributo em valores que extrapolam o bom senso jurídico, cita novamente AB, sendo recomendada pela equidade a exclusão do abuso pela aplicação de multa vultosas, pois são sanção confiscatória, ferindo de morte a razoabilidade e a proporcionalidade; · que o lançamento tributário se deu em razão de constar nos cadastros internos do fisco que a empresa foi excluída do SIMPLES “ex oficio”, contudo este depende de emissão de AD assinado pelo Delegado da RFB e cientificado ao contribuinte, o que não houve, sendo nulo o lançamento tributário, por ausência do requisito; · que as questões preliminares e prejudiciais devem ser decididas antes das de mérito, devendo ser decretada a nulidade do lançamento, pois este não contém elementos suficientes para determinar com segurança a infração e o infrator; · que a empresa refuta o relatório de vínculos, pois o artigo 13, da Lei 8.620/93 foi revogado pela Lei 11.941/2009, por não constar do REFISC comprovação dos requisitos do artigo 134 e 135, do CTN, além do que muitas das pessoas listadas no relatório de vínculos sequer atuavam na empresa no período de constituição do débito; · que os preceitos buscam assegurar a não intimidação dos representantes da empresa por um delegado federal, visando obter esclarecimentos em inquéritos abertos para investigar crimes contra a previdência social, sendo isso cada vez mais comum; · Do pedido e requerimento: a) acolhimento das razões, julgando nulo o auto de infração, com o respectivo arquivamento; b) produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial documental e pericial, em razão do princípio da verdade material. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 67. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 72 5 É o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 73 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O lançamento conjunto em uma mesma ação ou procedimento fiscal de créditos em razão do inadimplemento do recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, obrigação principal ou tributo propriamente dito, bem como da lavratura de crédito em decorrência do descumprimento da legislação tributária, isto é, descumprimento de obrigação acessória ou dever instrumental, não caracteriza bis in idem, haja vista que os pressupostos de cada obrigação e os fundamentos legais são distintos, entre elas, basta ver o que diz a Lei 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A exigência dos créditos representados pelos cinco autos de infração lançados em uma única ação fiscal não representam confisco como alegado pelo contribuinte e a razão é simples, o sujeito passivo deixou de cumprir com sua obrigação fiscal tributária ao longo de seis meses e decorrente de várias rubricas tais como: cota patronal (empregado e contribuintes individuais); SAT/RAT; contribuição pessoal do contribuinte individual não descontada; outras entidades e fundos – terceiros; e dois autos de infração por descumprimento de dever instrumental, 1) deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB; 2) deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. A aplicação de juros moratórios são uma decorrência da lei e são devidos em razão do retardamento do cumprimento da obrigação principal pela utilização do capital do Estado pelo sujeito passivo além do prazo legal. Porém, o lançamento não encerra correção monetária, pois tal índice encontrase extinto e não é aplicado a contribuição que se exige no lançamento, basta ler o Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 11, rubrica Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais – 602 – Acréscimos Legais – Juros e 701 Falta de Pagamento, Falta de Declaração ou Declaração Inexata, do processo principal 13502.720143/201193. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 74 7 As multas não são elevadas e reiteradas apenas aplicase a multa em cada competência em que há o inadimplemento, se algo foi reiterado foi justamente o inadimplemento, pois foi isso que deu origem ao lançamento. A liberdade de iniciativa, do trabalho, de ofício ou profissão, bem como da realização da atividade econômica, não pode servir de escudo para o não cumprimento das determinações e obrigações legais, em prejuízo de toda uma sociedade em favor de um único beneficiário, haja vista que não há direitos fundamentais absolutos, assim já afirmou o Supremo Tribunal Federal – STF, veja a ementa. PROCESSO PENAL. PRISÃO CAUTELAR. EXCESSO DE PRAZO. CRITÉRIO DA RAZOABILIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INOCORRÊNCIA. INDIVIDUALIZAÇÃO DE CONDUTA. VALORAÇÃO DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE EM HABEAS CORPUS. 1. Caso a natureza da prisão dos pacientes fosse a de prisão preventiva, não haveria dúvida acerca do direito à liberdade em razão do reconhecimento do arbítrio na prisão hipótese clara de relaxamento da prisão em flagrante. Contudo, não foi o que ocorreu. 2. A jurisprudência é pacífica na admissão de relaxamento da prisão em flagrante e, simultaneamente, do decreto de prisão preventiva, situação que em tudo se assemelha à presente hipótese, motivo pelo qual improcede o argumento de que há ilegalidade da prisão dos pacientes. 3. Na denúncia, houve expressa narração dos fatos relacionados à prática de dois latrocínios (CP, art. 157, § 3°), duas ocultações de cadáveres (CP, art. 211), formação de quadrilha (CP, art. 288), adulteração de sinal identificador de veículo motor (CP, art. 311) e corrupção de menores (Lei n° 2.252/54, art. 1°). 4. Na via estreita do habeas corpus, não há fase de produção de prova, sendo defeso ao Supremo Tribunal Federal adentrar na valoração do material probante já realizado. A denúncia atende aos requisitos do art. 41, do Código de Processo Penal, não havendo a incidência de qualquer uma das hipóteses do art. 43, do CPP. 5. Somente admitese o trancamento da ação penal em razão de suposta inépcia da denúncia, em sede de habeas corpus, quando houver clara constatação de ausência de justa causa ou falta de descrição de conduta que, em tese, configura crime. Não é a hipótese, eis que houve individualização das condutas dos pacientes, bem como dos demais denunciados. 6. Na contemporaneidade, não se reconhece a presença de direitos absolutos, mesmo de estatura de direitos fundamentais previstos no art. 5º, da Constituição Federal, e em textos de Tratados e Convenções Internacionais em matéria de direitos humanos. Os critérios e métodos da razoabilidade e da proporcionalidade se afiguram fundamentais neste contexto, de modo a não permitir que haja prevalência de determinado direito ou interesse sobre outro de igual ou maior estatura jurídicovalorativa. 7. Ordem denegada. (HC 93250, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 10/06/2008, DJe117 DIVULG 26062008 PUBLIC 27062008 EMENT VOL0232504 PP00644) (o realce é meu). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 75 8 As multas aplicadas pela conduta do contribuinte em não recolher a obrigação principal e deixar de cumprir com os deveres instrumentais não são vultosas como alega. A multa aplicada nesse auto de infração por descumprimento de dever instrumental foi aplicada no módico valor de R$ 1.523,57, não encerrando efeito de confisco e tendo sido aplicado dentro do que o legislador ordinário entendeu cabível para a falta praticada. Tais multas estão previstas em lei, das quais os projetos passaram pelo processo legislativo e pela sanção presidencial, momento em que o legislativo entendeu quais seriam os patamares adequados de penalização dos contribuintes que desrespeitam a legislação tributária e que não cumprem com o seu dever legal. O fisco só faz aplicar a legislação em vigor, nos termos do artigo, 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66. Aliás, a multa de cem por cento é admitida pelos nossos tribunais superiores, veja as decisões. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ENTREGA DA GFIP (LEI 8.212/91). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 11, I, § 1º, DA MP 38/2002. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE APENAS DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONVOLAMENTO EM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 113, § 3º, DO CTN. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Os benefícios fiscais devem ser interpretados restritivamente, prevalecendo a máxima lex dixit quam voluit (art. 111 do CTN). Precedentes: REsp 989.193/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 18/12/2009; REsp 1089202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 20/08/2009. 2. O benefício previsto no art. 11, § 1º, I, da MP 38/2002 (dispensa de acréscimos legais), direcionase tãosomente àqueles acréscimos incidentes sobre débitos oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que não inclui, obviamente, as multas impostas em virtude do inadimplemento de obrigação acessória, (in casu, a apresentação de GFIP/GRFP com informações errôneas acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta tipificada no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, que determina que a apresentação de documento, com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada). 3. É que a MP 38/2002 estabelece, verbis: "Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 76 9 Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas;" 4. Ressoa inequívoco, da dicção do referido dispositivo legal, que, para beneficiarse da dispensa das multas moratórias ou punitivas (§ 1º, I, art. 11), impõese a observância, de forma cumulativa, dos seguintes requisitos: (i) os débitos sobre os quais esses acréscimos incidem hão que ser oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; (ii) os fatos geradores da obrigação tributária devem ter ocorrido até 30 de abril de 2002; (iii) os referidos débitos devem ser objeto de discussão judicial até 30/04/2002. 5. Destarte, interpretandose finalisticamente a norma jurídica supratranscrita, forçoso concluir que a mens legis reside no incentivo ao pagamento ou parcelamento de tributos (por isso exclui as multas) e não na instituição de remissão irrestrita do inadimplemento de obrigação instrumental. 6. In casu, o auto de infração é constituído tãosomente pelo valor principal, sem acréscimos, decorrente de multa por descumprimento de dever instrumental que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN convolou se em obrigação principal. 7. O caput do art. 11 da MP 38/2002 prevê que os referidos débitos tributários podem ser pagos ou parcelados nas condições previstas nos arts. 17 da Lei 9.779/1999, e no art. 11 da Medida Provisória 2.15835/2001, os quais ostentam a seguinte redação, litteris: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. (vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24.8.2001)" "Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1o A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999." 8. Destarte, ao contrário do alegado pela recorrente, não se vislumbra o seu enquadramento em qualquer das condições previstas nos artigos supratranscritos, uma vez que: (i) o art. 17, da Lei 9.779/99, não Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 77 10 faz qualquer alusão a débitos decorrentes de multa por descumprimento de obrigação acessória, tratando especificamente de valor relativo a tributo, cuja regra matriz de incidência tenha sido declarada inconstitucional, e cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal; (ii) o art. 11 da MP 2.15835/2001, conquanto possibilite a dispensa dos acréscimos legais aos pagamentos de débitos de qualquer natureza, restringea a duas condições concomitantes, quais sejam: a) que a ação, objetivando a exoneração do débito, tenha sido ajuizada até o dia 31 de dezembro de 1998, o que não ocorreu no caso sub examine (o mandamus foi impetrado em 2001, consoante exposto pela própria recorrente às fls. eSTJ 5); b) conforme disposto no § 1º, as multas de qualquer natureza e juros de mora têm que ser anteriores a fevereiro de 1999, fato que, à míngua de menção nas instâncias ordinárias, atrai a incidência da Súmula 07 do STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial desprovido. ..EMEN: (RESP 200802699820, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:05/11/2010 ..DTPB:.) (o grifo é meu). Além, do que já disse o Superior Tribunal de Justiça – STJ o Supremo Tribunal Federal – STF, também, proclamou a constitucionalidade e legalidade de multa aplicada em valor de até cem por cento do tributo, veja a ementa. Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. MULTA MORATÓRIA APLICADA NO PERCENTUAL DE 40%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO TRIBUNAL PLENO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal já decidiu, em diversas ocasiões, serem abusivas multas tributárias que ultrapassem o percentual de 100% (ADI 1075 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, DJ de 24112006; ADI 551, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, DJ de 14022003). 2. Assim, não possui caráter confiscatório multa moratória aplicada com base na legislação pertinente no percentual de 40% da obrigação tributária. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 400927 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 04/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 115 DIVULG 17062013 PUBLIC 18062013. (destaquei o trecho). No processo principal 13502.720143/201193, que tramita em conjunto o Discriminativo de Débito – DD, de fls. 07 a 09, dá conta de que a multa daquele auto foi aplicada no patamar de setenta e cinco por cento, assim dentro do que nossas cortes superiores consideram possível, não havendo o confisco alegado. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 78 11 O adimplemento da obrigação seja principal ou acessória é dever do contribuinte em benefício do Estado e da sociedade e não sendo efetivado tal adimplemento fica o contribuinte inadimplente sujeito as penas e imposições legais de cobrança do crédito. Esclarecida a inexistência do confisco, passo ao estudo da capacidade contributiva. Inicialmente, esclareço que esse princípio não se aplica a contribuição social previdenciária, pois o texto constitucional diz que: “ Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte,...” e contribuição previdenciária não é imposto. Além do mais, basta ver e analisar o lançamento para saber que não há tal violação, pois a expressão monetária mais alta da contribuição está na competência 05/2007, no levantamento CP1 – PAGTO CI E SE GFIP 01 A 062007 com o importe de R$ 8.484,43 (valor original) para uma base de cálculo total de RS 38.634,68, ou seja, aquilo que o legislador constitucional e ordinário em seus prudentes arbítrios entenderam adequados para suprir o sistema de seguridade social, obviamente aqui falando do auto principal 13502.720143/2011 93, pois nesse a multa é fixa e seu valor é de R$ R$ 1.523,57. Ficou demonstrada que as multas estão dentro do que se considera razoável e proporcional pelo poder legislativo, bem como por nossos tribunais superiores como Supremo Tribunal Federal – STF e Superior Tribunal de Justiça – STJ. Assiste razão ao contribuinte o lançamento se deu por conta de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, a partir de 01/01/2007, pois segundo consta dos autos o contribuinte ultrapassou no ano calendário 2006 o limite de receita bruta. Entretanto, também, consta dos autos que foi emitido Ato Declaratório Executivo, DRF/CCI nº 006/2010, de 09/07/2010, publicado no DOU, em 12/07/2010, e que a empresa recorreu do ato de exclusão, o que infirma a alegação do contribuinte recorrente, de que não houve a emissão do ADE e sua cientificação, transcrevo o trecho do REFISC, do auto principal 13502.720143/201193, que traz a informação. A Empresa foi excluída de ofício do Simples Federal a partir de 0l/01/2007 em razão de ter extrapolado o limite de receita bruta em 2006, através do processo administrativo 13502.000761/201032 formalizado por meio de Ato Declaratório Executivo DRF/CCI nr 006/2010, de 09/0712010, publicado no D.O.U em 12/07/2010. A empresa recorreu da exclusão porém de forma intempestiva e o ato de exclusão tornouse definitivo. Ingressou no Simples Nacional em 01/07/2007. Destarte, como esses esclarecimentos não existe a nulidade alegada, pois o contribuinte perdeu o prazo para apresentar a devida reclamação administrativa de sua exclusão como consta do trecho acima transcrito. Consta do COMPROT que o processo de exclusão do SIMPLES está arquivado no SAMF – BA, arquivo geral, desde 01/10/2013, conforme, anexo, ao final deste. A infração está mais que esclarecida nos autos, o não recolhimento das contribuições sociais previdenciárias do período de 01/2007 a 06/2007, do auto principal Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 79 12 13502.720143/201193, bem como não ter preparado as folhas de pagamento dos contribuintes individuais e uma simples leitura do REFISC dos autos principal e desses autos, não deixam dúvidas a respeito, veja a transcrições. Principal. 1.5 DOS FATOS GERADORES: A fim de identificar a possível ocorrência dos fatos geradores dos tributos investigados esta auditoria analisou as informações constantes das GFIP apresentadas pela empresa, de suas folhas de pagamento(meio papel e digital) e sua contabilidade(meio papel e digital livros razão e diário. De uma forma geral, foram identificados os seguintes fatos geradores, não confessados em GFIP e nem recolhidos: a) Diferenças entre as bases de cálculo apuradas pela empresa na contabilidade( base empresa)e as confessadas em GFIP; b) Pagamento a Contribuinte individual prestadores de serviços e sem o desconto devido para recolhimento à Previdência Social, portanto, em desacordo com a legislação e não confessados em GFIP. Os valores previamente confessados em GFIP pela empresa (GFIPs apresentadas antes do inicio da ação fiscal) foram lançados com o fito principal de apropriar os créditos da empresa ( GPS, retenções, etc), não sendo a princípio objeto de apuração desta fiscalização. Secundário 2 – Deixaram de ser descontadas e arrecadadas, as contribuições previdenciárias, correspondentes à alíquota de 11% (onze por cento) sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, observado o limite, a seu serviço, título de Prestação de Serviços. Os demais relatórios, provas e documentos componentes do processo levam a mesma conclusão do que supramencionado. O infrator só pode ser um, aquele a quem a lei confere a obrigação de promover a arrecadação e recolhimento da contribuição, bem como promover a prestação positiva, ou seja, o sujeito passivo contribuinte, no presente caso a empresa recorrente, como identificado nos autos. O relatório de Vínculos – Relação de Vínculos nos termos da Súmula 88, do CARF e que abaixo transcrevo é mero documento informativo. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 80 13 Questões ligadas a possível ação de outras autoridades no campo de competência constitucional expressa como é o caso do Departamento de Polícia Federal – DPF, também, não é da alçada desse conselho, o CARF sumulou a matéria. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Todavia, entendo que a fixação do patamar mínimo da multa como sendo de R$ 1.523,57 nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 568/2010, que divulgou o novo valor, está incorreto, pois o parágrafo 8º, do artigo 32, da Lei 8.212/91 que autorizava a aplicação do valor da multa vigente no momento da lavratura do auto de infração foi revogado pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009. Assim sendo, em obediência ao artigo 37, caput, da CRFB/88, princípio da legalidade, moralidade e eficiência, devese aplicar o artigo 106, II, “c” c/c o artigo 112, IV, ambos, da Lei 5.172/66 e desta forma a multa mínima a ser aplicada deve ser a maior que esteve em vigor no período de 01/2007 a 12/2007, pois em todas essas competências houve o cometimento da infração. A multa variou de 01/2007 – R$ 1.156,95 – PT/MPS 342, de 17/08/2006, para 12/2007 – R$ 1.195, 13 PT/MPS 142, de 12/04/2007, assim a multa aplicada no presente AI dever ser o valor mínimo em 12/2007 – R$ 1.195,13, no que tange ao AIOA DEBCAD 37.329.1760 – CFL.30. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, conheço do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para que seja aplicada a multa base no valor de R$ 1.195,13, em razão da revogação da norma que autoriza a aplicação do valor da multa em vigor no momento da lavratura do auto, para aplicar o valor da multa em vigor no momento do cometimento da infração. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13502.720142/201149 Acórdão n.º 2803003.329 S2TE03 Fl. 81 14 ANEXO AO ACÓRDÃO Dados do Processo Número : 13502.000761/201032 Data de Protocolo : 06/07/2010 Documento de Origem : REPRESENTACAO Procedência : Assunto : REPRESENTACAO FISCAL IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado : METROPOLITAN SERV. E LOCACOES DE EQUIP. CNPJ : 03.591.969/000172 Tipo: Papel Sistemas Profisc: Não EProcesso :Não SIEF:Não Controlado SIEF Localização Atual Órgão Origem : ARQUIVO GERAL DA SAMFBA Órgão : ARQUIVO GERAL DA SAMFBA Movimentado em : 01/10/2013 Sequencia : 0006 RM : 04595 Situação : ARQUIVADO POR 10 ANOS UF : BA Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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