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Numero do processo: 11610.005873/2001-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, já que se trata de controvérsia sobre tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 11/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho..
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 13227.720022/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS.
Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado.
ATIVIDADE EMPRESARIAL. INFORMALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação do exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99.
Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF.
MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte.
Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir a qualificação, por dolo, da multa de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado. ATIVIDADE EMPRESARIAL. INFORMALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação do exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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INOCORRÊNCIA. CONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS. Não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, mormente quanto se constata que observou e emitiu juízo em razão dos documentos acostados, não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial ao direito do Contribuinte/Autuado. ATIVIDADE EMPRESARIAL. INFORMALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos por ausência de comprovação do exercício da atividade empresarial alegada, deve ser mantida a exigência fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 22 /2 00 7- 61 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 25 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Inocorrendo prova de ato ilícito ou tentativa de fraudar a ordem tributária, não prospera o agravamento da multa, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir a qualificação, por dolo, da multa de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 23/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 3 3 Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0112.168 da 2ª Turma da DRJ/BEL (fls. 240/247), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento em face da ocorrência de omissão de rendimentos nos anoscalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. No caso, consta nos autos que foram proferidas diversas intimações ao Contribuinte, para que apresentasse documentos que identificassem a origem dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, comprovando a natureza e a motivação de tais recebimentos, de forma individualizada. Em decorrência, o Contribuinte trouxe as justificativas que entendeu suficientes para justificar a origem dos depósitos. Considerando a documentação obtida e os argumentos apresentados, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 135/145, concluindo ter havido omissão de rendimentos em razão da existência de depósitos bancários sem a devida comprovação de origem, lançando crédito tributário no valor total de R$ 6.692.255,27, referente a imposto R$ 2.363.049,05; multa qualificada de 150% R$ 3.544.573,56; e juros R$ 784.632,66 (calculados até 29/06/2007). Diante do lançamento fiscal, o Autuado/Recorrente apresentou Impugnação (fls. 159/165), e em seguida um Aditamento à Impugnação (fls. 171/226), cujos argumentos de defesa foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “3. Intimado o sujeito passivo em 09/07/2007 (AR de fl. 147), apresentou a impugnação de fls. 157/162, em 08/08/2007, em que afirma: a) Todos os documentos solicitados pelo nobre auditor fiscal foram enviados a tempo, demonstrando total interesse de esclarecer as dúvidas pertinentes; b) Os valores dos créditos referiamse à atividade de venda de madeira serrada no município de São Francisco de Guaporé (RO). Apresentou uma lista na qual identifica várias empresas do ramo que supostamente efetuaram depósitos em suas contas corrente. A legislação prevê que a apuração de resultados deveria ser feita de acordo com as normas aplicadas as pessoas jurídicas. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 c) As folhas que instruem o auto de infração não estão numeradas, inobservando o disposto na lei 9.784/99, art. 22, § 40, impossibilitando ao contribuinte verificar se as informações inseridas nas peças estão consoantes com a infração cometida; d) A autuação tem natureza confiscatória, pelo seu valor elevado, e ofende a capacidade contributiva do contribuinte; e) O Governo Federal já reconheceu a exorbitância de se cobrar multas em valores superiores a 2% sobre o valor do débito. As multas aplicadas tem caráter confiscatório. f) Para se aplicar multas devese avaliar os elementos subjetivos pertinentes. g) Devemse apartar as multas do principal para efeito de parcelamento. 4. Em 20/11/2007 o contribuinte apresentou a petição de fl. 168 em que se defende de termo de revelia, que constava do processo, e aponta impugnação (prévia) apresentada tempestivamente. Nas folhas seguintes (fls. 169/229) anexa aditivo à impugnação apresentada em que apela: a) Depósitos bancários não são base de cálculo para imposto de renda e não podem caracterizar omissão de receitas; b) Não se provou o "evidente intuito de fraude"; c) Teria havido ausência de cientificação da prorrogação do MPF; d) O Fisco utilizouse de descrição genérica e pouco precisa para referirse aos fatos indiciários que ensejaram a aplicação da presunção de omissão de receitas; e) Não se poderiam tributar transferências entre contas correntes do próprio contribuinte; f) Segundo o art. 42, § 3º, I da lei 9.430/96, não serão considerados como omissão de receita os valores de depósitos inferiores a R$ 80.000,00, durante o mesmo anocalendário; Fl. 323DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 4 5 g) Protesta por posterior juntada de provas.” Não obstante, a decisão proferida pela da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Belém (PA) restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente” No julgamento, foram superadas as alegativas de nulidade, em razão da expressa previsão legal (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), destacando que os valores lançados à tributação são referentes aos depósitos sem comprovação de origem. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera os argumentos anteriormente suscitados em sua Impugnação, ressaltando preliminares de suposta nulidade do procedimento em face da ausência de levantamento do fluxo financeiro do Recorrente, assim como violação ao seu direito de defesa, além de questionar o lançamento fundado em depósitos bancários e a multa aplicada. Clamando atenção para vícios formais e erros no levantamento fiscal, no mérito o Recorrente alega que os depósitos não podem ser tributados sem que haja comprovação de consumo, ou sinais exteriores de riqueza. Ao final, pugna pelo conhecimento e provimento do recurso, reformandose a decisão recorrida e julgado improcedente o Auto de Infração combatido. Distribuído para nossa relatoria, coloco o feito em pauta para julgamento. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que, após o Contribuinte/Recorrente ter sido intimado pela Fiscalização, não apresentou quaisquer documentos que comprovassem a origem dos depósitos bancários, assim como o seu suposto exercício profissional, que teria sido exercido na informalidade. Nesses termos, de logo deve ser destacado que as insistentes alegativas do Recorrente no sentido de ser respeitada a realidade fática evidenciada nos autos, estão superadas, porquanto não foram produzidas provas no sentido alegado. Assim, em relação a desconstituição do Lançamento Fiscal em face de suposta nulidade, pela aplicação de presunção e vícios formais que maculariam o Auto, importa destacar que o Auto de Infração combatido se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço, estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em desconsideração as provas produzidas, face à narração fática e jurídica posta no Auto de Infração, devidamente motivado, em respeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Ora, avultam dos autos que o lançamento fiscal denunciando omissão de rendimentos, decorreu especificamente dos depósitos que não tiveram suas origens comprovadas, de forma individualizada, nos termos da previsão legal (art. 42 da Lei nº 9.430/96), tendo sido consideradas todas as possíveis situações jurídicas apresentadas pelo Contribuinte/Recorrente. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 5 7 Inocorrrendo nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial a defesa do contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, não se vislumbra quaisquer vícios que deem causa à nulidade pretendida pelo Recorrente, razão pela qual rejeito as preliminares de nulidades suscitadas. Neste sentido inclusive já se posicionou esta Corte Tributária: “ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Caracterizado nos autos que o contribuinte teve ampla oportunidade, tanto durante a fase procedimental, quanto na fase litigiosa, de se manifestar e apresentar a documentação solicitada e tudo o que mais pretendesse, é de se afastar as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. (...) Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2801003.285, Processo nº 13855.720203/200953, Relator Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 2ª SEJUL / CARF/MF, Data de Publicação: 17/02/2014). A verdade que todas as alegativas do Recorrente não conseguem superar, é que os rendimentos questionados pela Fiscalização não foram lançados a tributação pelo Contribuinte, e os valores dos depósitos realizados em suas contas bancárias, que foram considerados especificamente neste procedimento fiscal, não tiveram a sua origem comprovada de forma individualizada. Portanto, inexistem dúvidas que o lançamento fiscal em questão figura íntegro, tendo em vista que todas as provas acostadas e documentos juntados aos autos foram considerados, conquanto não tenham informado a origem de parte dos depósitos bancários questionados. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 De fato, em vez de simplesmente alegar que todos os depósitos questionados provieram de uma suposta atividade empresarial exercida na informalidade, o contribuinte deveria comprovar, individualmente, a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, caso a caso, por meio de notas fiscais, contratos, etc., ou qualquer outro documento que identificasse a operação e justificasse a procedência dos valores, conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96 E sabese que é ônus do contribuinte afastar a presunção legal por meio de documentos que comprovem da origem dos depósitos tomados pela Fiscalização, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. No caso, não procedem as alegativas de que os valores dos depósitos sem comprovação de origem foram lançados a tributação na Declaração de Ajuste, existem erros de lançamento de valores, assim como decorrem de supostas atividades econômicas exercidas na informalidade, diante da total falta de provas neste sentido. Com efeito, não basta que o recorrente apenas rebata o lançamento, devendo rechaçalo de forma coerente por meio de provas que visem confirmar suas alegações. No caso deve ser mantida a exação, diante da inexistência de comprovação das origens de todos os depósitos realizados nas contas correntes do Contribuinte/Recorrente, em especial os que foram indicados no presente lançamento fiscal. Vale destacar que o exercício de atividade econômica, a míngua de provas e elementos que ilidam a ausência da comprovação da origem dos depósitos bancários questionados, não é suficiente para alterar o acerto da decisão recorrida, quanto a omissão de rendimentos. Neste sentido é pacífico o entendimento desta Corte Tributária: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 RENUNCIA ÀS INSTÂNCIA ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 6 9 cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE SE TRATA DE RECEITA DECORRENTE DE ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. Somente mediante a comprovação pelo contribuinte de que os depósitos efetivados em conta bancária são decorrentes de atividade rural, é que se pode aplicar a tributação favorecida prevista no art. 5º, da Lei 8.023/90. No caso dos autos, tendo havido mera alegação de que o contribuinte exercia exclusivamente atividade rural sem qualquer comprovação de tal fato, assim como, sem comprovar às origens dos depósitos, deve ser mantida a tributação dos rendimentos omitidos com base no art. 42, da Lei 9430/96. MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por essa razão, afastase a qualificação da multa aplicada. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4)” (Acórdão nº 2202002.657, Processo nº 10925.001777/200111, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 10/09/2014 grifamos); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430 de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, dispensando o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, somente a partir do anocalendário de 1997. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.” (Acórdão nº 2201002.405, Processo nº 10120.002591/200993, Relatora Conselheira NATHALIA MESQUITA CEIA, Data de Publicação: 30/07/2014). Na verdade, o fato do Recorrente ter informado uma relação de empresas que supostamente teriam adquirido mercadorias (madeiras), sem que haja algum indício de prova que relacione tais operações aos valores individualizados questionados, não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a tal atividade. Para tanto, seria necessário que o contribuinte fizesse prova individualizada de que os valores que transitaram em suas contas bancárias seriam efetivamente provenientes da venda de madeiras serradas. No que diz respeito às disposições trazidas na Impugnação e no Recurso, questionando a legalidade da presunção, não se pode olvidar que, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Na letra da lei: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 7 11 Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores depositados em conta corrente sem comprovação de sua origem. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Noutro dizer, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. E cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo autorizou ao Fisco proceder ao lançamento quando identificado o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), conformando demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Até porque figura inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de quaisquer provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada, é certa a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 No caso em análise, o Contribuinte/Recorrente não se desincumbiu de sua obrigação quanto aos depósitos questionados pela fiscalização, resultando totalmente procedente o feito fiscal, não havendo que se falar em nulidade ou violação do preceito legal. Ademais, pelo exame do processo, verificase que os rendimentos omitidos, recebidos de pessoas físicas e jurídicas, são alcançados pela tributação, nos termos dos artigos 45 e 55 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem expressamente: “Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; (...) Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; II as importâncias originadas dos títulos que tocarem ao meeiro, herdeiro ou legatário, ainda que correspondam a período anterior à data da partilha ou adjudicação dos bens, excluída a parte já tributada em poder do espólio; III os lucros do comércio e da indústria, auferidos por todo aquele que não exercer, habitualmente, a profissão de comerciante ou industrial; IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; (...)” Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 8 13 Por outro lado, sabese que a partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, conforme entendimento sumulado neste CARF: Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” Nesses termos, é obrigação do contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva, independentemente da indicação de utilização e/ou consumo dos rendimentos questionados. Por fim, sobre a multa qualificada aplicada no Auto de Infração, entendo que nesse ponto, assiste razão ao Contribuinte/Recorrente, devendo ser reformada a conclusão jurisdicional administrativa ofertada. Ora, é entendimento já sumulado neste CARF que “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (Súmula 14); e, “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de um das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64” (Súmula 25). Da análise dos autos, em que pese a interpretação dos fatos apresentada pela fiscalização tributária, entendo que a opção do contribuinte em utilizar sua conta corrente para receber dividendos, seja no exercício ou não de atividade econômica informal, não constitui, por si só, tentativa de fraudar a ordem tributária. A bem da verdade, todas as informações solicitadas ao Contribuinte referentes os depósitos bancários de origem não justificada, foram respondidos pelo próprio, no sentido de serem provenientes de sua suposta atividade empresarial, denunciando seu convencimento pela legitimidade da sua atuação. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Por outro lado, para justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, deveria o Fisco comprovar a ocorrência efetiva de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que não ocorreu. Vejase que a autoridade fiscalizadora limitouse a discorrer sua interpretação dos fatos, alegando que o contribuinte não teria comprovado a origem dos depósitos em suas contas correntes (fls. 98/99), sem, no entanto, comprovar a intenção do recorrente em sonegar tributo por meio de ato ilegal. A meu ver a situação quanto à ausência de dolo fica mais clara quando se observa que o Contribuinte prestou as informações que entendeu necessárias, de modo que a opção de utilizar suas contas bancárias para receber valores de terceiros não representa nenhuma ilegalidade. Diante disso, como não houve conduta dolosa por parte do Contribuinte e não há nos autos nenhuma prova constituída pela Fiscalização, quanto a pratica efetiva do intuito doloso em sonegar tributo, é que se deve afastar a aplicação da qualificação da multa. Neste sentido, já decidiu este CARF em inúmeras manifestações, das quais transcrevo algumas ementas somente a título de exemplo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 9 15 (Acórdão nº 9202003.433, Processo nº 15956.000091/200665, Relator Cons. RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA / CSRF/CARF/MF/DF, Data de Publicação: 19/11/2014); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Tributamse como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, ou falta de escrituração quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da receita bruta. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Recurso provido em parte (Acórdão nº 2202002.786, Processo nº 15586.000423/200586, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 23/10/2014 grifamos); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Regularmente intimado para tanto e incapaz de comprovar a origem de valores depositados em suas contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, é de manterse o lançamento. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 AUSÊNCIA DE CRIAÇÃO DE NOVO FATO GERADOR PELA LEI N. 9.430/96. A lei em questão tão somente criou a presunção de que depósitos bancários de origem não comprovada tem natureza de rendimentos omitidos, dando fundamento ao lançamento correspondente, como é o caso nos presentes autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS VÁLIDOS. SÚMULA CARF N° 25 Tendo os recursos transitado por contas de titularidade do próprio contribuinte, não havendo utilização de interposta pessoa, não há indícios do uso pelo contribuinte de qualquer subterfúgio para ocultar a percepção dos rendimentos objeto de autuação, razão pela qual se reconduz a multa ao patamar de 75%, nos termos da Súmula CARF n° 25, que dispõe que: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 2802002.808, Processo nº 13827.000245/200910, Relator Cons. CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO, 2ª TE / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF/, Data de Publicação: 21/10/2014); Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, todas as deduções estão sujeitas à comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação da multa de ofício qualificada somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão nº 2802003.173, Processo nº 12571.720232/201153, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ª TE / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 21/10/2014); Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13227.720022/200761 Acórdão n.º 2101002.702 S2C1T1 Fl. 10 17 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por essa razão, afastase a qualificação da multa aplicada. (Acórdão nº 2202002.705, Processo nº 10680.726330/201212, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 10/09/2014). Deste modo, considerando suficientes os elementos contidos nos autos para reconhecer a impropriedade da incidência da multa qualificada, entendo que deve ser afastada, devendo ser aplicada nos termos do inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para reduzir a multa aplicada para o índice de 75% sobre o imposto efetivamente devido, nos moldes estabelecidos no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, mantendo os valores remanescentes delimitados na decisão recorrida. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.721048/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO PRECEDENTE INSUBSISTENTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Se o único motivo ao não reconhecimento do indébito pleiteado é a lavratura de auto de infração que alterou o resultado do período em questão, tendo tal lançamento sido cancelado, não subsiste a glosa do direito requerido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o saldo de indébito pleiteado de R$ 8.750.722,19 e homologando as compensações declaradas até o limite de tal crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO PRECEDENTE INSUBSISTENTE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Se o único motivo ao não reconhecimento do indébito pleiteado é a lavratura de auto de infração que alterou o resultado do período em questão, tendo tal lançamento sido cancelado, não subsiste a glosa do direito requerido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o saldo de indébito pleiteado de R$ 8.750.722,19 e homologando as compensações declaradas até o limite de tal crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 48 /2 01 1- 05 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 371 2 Relatório MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0539.087 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de análise das Declarações de Compensação Eletrônicas – DCOMP de Nº 22448.62838.310807.1.3.020442, 38458.93915.280907.1.3.025351, 40574.95115.280907.1.7.020783, transmitidas entre 31/08/2007 e 28/09/2007, pela empresa Motorola Industrial LTDA. As referidas DCOMP utilizam crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ exercício de 2007, período de 01/01/2006 a 31/12/2006, no valor de R$ 11.348.326,58. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, em Despacho Decisório nº 817/2011, de 30/08/2011, HOMOLOGOU PARCIALMENTE as compensações declaradas nas DCOMP mencionadas, sob a seguinte fundamentação: A Declaração de Compensação encontrase amparada pela Lei n.º 9.430, de 27/11/1996, assim como pela Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outras, a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 revogou a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, norma vigente à época da transmissão das declarações de compensação ora em análise. Em consulta aos sistemas da RFB observamos que, por meio do procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 10830.008091/200878, a autoridade administrativa responsável pelo feito adicionou R$ 35.002.888,79 à Base de Cálculo do IRPJ, em virtude da glosa de custos considerados indedutíveis. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 372 3 Na DIPJ/2007 Retificadora Ativa, transmitida em 06/06/2008, foi apurado Saldo Negativo de R$ 11.348.326,58, a partir do Lucro Real no valor de R$ 271.999.875,37 . Das Ficha 09A e 12A da DIPJ/2007 (documentos às folhas 34 e 35) temos: Conforme o Auto de Infração a empresa ficou sujeita a adição, na base de cálculo, dos custos relativos a quebras e perdas de bens em estoque deteriorados ou obsoletos não comprovados nos termos do disposto no item II do artigo 291 do RIR/99, no valor de R$ 35.002.888,79. Assim, considerando a infração apurada, recalculamos o imposto devido: Alterando o valor do Imposto sobre o Lucro Real de R$ 67.975.968,85 para R$ 76.356.182,78 e mantendo os demais valores declarados na DIPJ/2007, apuramos Saldo Negativo de IRPJ no ano calendário 2006 no valor de R$ 2.597.604,39. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 373 4 O referido despacho, após confirmar as antecipações do IRPJ do período, declaradas em DIPJ, homologou parcialmente as compensações, até o limite do direito creditório correspondente de R$ 2.597.604,39 referente ao saldo negativo de IRPJ anocalendário 2006. Tendo sido cientificada em 05/09/2011, a contribuinte, por seu advogado e bastante procurador, apresentou, em 20/09/2011, manifestação de inconformidade, contestando o despacho decisório da DRF Campinas/SP, trazendo aos autos as razões adiante sintetizadas. Após breve resumo dos fatos, pleiteia a manifestante o sobrestamento do feito, entendendo que o resultado do presente possui relação de dependência com o processo nº 10830.008091/200878. Defende a contribuinte que as declarações de compensação, objeto deste processo administrativo, têm sua homologação parcial ou total diretamente vinculadas ao resultado final do processo administrativo em que se discute a autuação fundada em glosa de despesas, cuja exigibilidade está atualmente suspensa. Em outras palavras, a homologação parcial das declarações de compensação só poderia prevalecer após o desfecho do processo administrativo nº 10830.008091/200878. Em face de tais considerações, entende a manifestante que o despacho decisório ora em litígio deve ser alterado, fazendose dele constar que a homologação parcial das declarações de compensação dependeria da decisão final nos autos do referido processo, devendo ser homologadas integralmente caso cancelado o auto de infração relativo ao IRPJ do anocalendário 2006. Em análise da impugnação apresentada, a 4ª Turma da DRJ em Campinas julgoua improcedente, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 374 5 de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. O contribuinte foi cientificado da decisão em 30 de outubro de 2012 (fl. 295), apresentando recurso voluntário de fls. 298302 em 19 de novembro de 2012. Em síntese, a recorrente informa que ao pleitear compensação com saldo negativo do anocalendário de 2006 teve seu pleito parcialmente concedido, sendo que a parcela de crédito não reconhecido diz respeito à alteração do lucro real daquele período em razão de auto de infração a que se refere o processo nº 10830.008091/200878 (glosa de despesas). Tendo a decisão recorrida não acatado seu pedido de sobrestamento do feito até julgamento do processo relativo ao auto de infração citado (10830.008091/200878), e julgado improcedente a manifestação de inconformidade por suposta ausência de liquidez e certeza do indébito pleiteado, requereu em sede de recurso que os presentes autos fossem apensados ao processo nº 10830.008091/200878 para julgamento conjunto, ou, caso assim não se decidisse, solicitou o sobrestamento do feito até julgamento do referido auto de infração, haja vista a necessidade evidente do julgamento daquele processo para que o presente seja apreciado. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 375 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele conheço. Conforme salientado pela recorrente, de fato, para solução do presente litígio fazse necessário, em primeiro lugar, que o processo nº 10830.008091/200878 seja julgado, isso porque o indébito tributário não reconhecido em seu pedido de compensação diz respeito a alteração do lucro real realizada de ofício em auto de infração que compõe tal processo. Quando da inclusão deste processo em pauta, o processo nº 10830.008091/200878, tendo sido distribuído à Segunda Turma Ordinária da 1ª Câmara desta seção de julgamentos – Relatoria do Eminente Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé , ainda não havia sido julgado. Naquele cenário, proporia ao colegiado a remessa dos presentes autos àquela turma julgadora para julgamento conjunto dos feitos. Contudo, o referido processo foi julgado na sessão do mês de fevereiro de 2015, tendo sido dado provimento ao recurso voluntário, conforme Acórdão nº 1102001.282, cuja ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS. PERDAS POR OBSOLESCÊNCIA. O custo das perdas de estoque por obsolescência ou outros riscos não cobertos por seguros deve ser comprovado mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a sua destruição, quando não houver valor residual apurável, situação que não se amolda ao caso dos autos, em que a empresa efetua venda dos bens obsoletos a terceira empresa que efetua a sua posterior destruição e venda como sucata. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase à CSLL, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Por decorrência, o presente processo encontrase em condições de julgamento. E, em razão do provimento do recurso voluntário, não mais se sustenta a glosa de crédito tributário pleiteado pela recorrente. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721048/201105 Acórdão n.º 1402001.940 S1C4T2 Fl. 376 7 Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o saldo de indébito pleiteado de R$ 8.750.722,19 e homologando as compensações declaradas até o limite de tal crédito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11128.000963/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 26/05/2004
Ementa:
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao requerente de retificação da declaração de importação comprovar o alegado erro no valor aduaneiro declarado que justifique a alteração dos dados inicialmente informados por ocasião do despacho aduaneiro.
Numero da decisão: 3402-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
EDITADO EM: 06/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora. EDITADO EM: 06/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/05/2004 Ementa: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao requerente de retificação da declaração de importação comprovar o alegado erro no valor aduaneiro declarado que justifique a alteração dos dados inicialmente informados por ocasião do despacho aduaneiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. EDITADO EM: 06/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 63 /2 00 9- 30 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido, protocolizado em 29/12/2004, de retificação da Declaração de Importação (DI) nº 04/05017272, registrada em 26/05/2004, em face da alegação de que a Fatura Comercial correta seria aquela da fl. 29, de número VRT40240, no valor total de 267.924,40 euros, ao invés daquela da fl. 50, de mesmo número, datada de 16/04/2004, no valor total de 623.080,00 euros, apresentada por ocasião do despacho de importação. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida, objeto do Acórdão nº 1754.136 2ª Turma DRJ/SP2: (...) Através da Intimação nº 04/2008, fl. 72, o contribuinte foi cientificado da decisão de fl. 71 que indeferiu o pedido de retificação. Em 08/10/2007, fl. 73, o contribuinte apresentou o PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO de fl. 80. Em 13/02/2008, fl. 87, o contribuinte apresentou recurso hierárquico contra a decisão que indeferiu o pedido de retificação da declaração de importação. Tal recurso foi indeferido pelo GRET/SEORT da Alfândega de Santos pelo despacho de fl. 169. Em 16/02/2009 o contribuinte foi cientificado da decisão de fl. 172 do GRESP/SEORT da mesma Alfândega de Santos que indeferiu o pedido de restituição, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Em 18/03/2009, fl. 184, o contribuinte apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e documentos, juntados às fls. 184 e seguintes, alegando em síntese: Alega que informou o valor do bem como sendo 621.431,34 euros, quando na realidade o valor do bem era de 266.275,74 euros. Alega que cabe ao fisco comprovar que o contribuinte não agiu de boa fé ao apresentar duas faturas idênticas com valores distintos. Alega que não foram considerados pelo Fisco os comprovantes de pagamento ao fornecedor dos documentos 6 e 6A (fls. 152 e 153) e os comprovantes de câmbio dos documentos 7 e 7A (fls. 155 e 159). Alega que o fato de levar 6 meses para constatar o suposto erro na importação é irrelevante e que a fiscalização não pode usar tal argumento para indeferir a restituição. Alega que em função da não retificação da declaração de importação estará sujeita a penalidade aplicada pelo Banco Central do Brasil. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11128.000963/200930 Acórdão n.º 3402002.616 S3C4T2 Fl. 376 3 Alega que o controle do valor da operação não é realizado por qualquer profissional envolvido na operação de importação mas apenas por pessoa de cargo gerencial diretamente relacionada à negociação. Alega que apresentou fatura comercial de outra importação do mesmo equipamento com valores compatíveis com a nova fatura. Alega que a fiscalização cita a existência de outra importação descrevendo os mesmos bens mas não apresenta a mesma, sendo inviável contraditar tal prova. Alega que ocorreu violação aos princípios da verdade material, da legalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Requer, por fim, que seja reformada a decisão que indeferiu o reconhecimento do crédito tributário. Alternativamente, requer a apresentação da declaração paradigma citada pela fiscalização e a devolução do prazo para manifestação de inconformidade. (...) [Obs. A numeração de folhas utilizada pela decisão recorrida referese à numeração do processo em papel, antes da digitalização, aposta no canto direito superior das páginas do processo digital] Mediante o Acórdão nº 1754.136, da 2ª Turma DRJ/SP2, de 22/09/2011, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, não tendo sido reconhecido o direito creditório decorrente do pedido de retificação, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 26/05/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado comprovar o erro na declaração do valor aduaneiro que justifique a retificação da declaração de importação A empresa autuada foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 14/10/2011. Em 16/11/2011, a contribuinte apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: Preliminar: Da Superficialidade da Fiscalização Ferimento ao Princípio da Verdade Material 1. A decisão recorrida encontrase eivada de nulidade, por lesão ao princípio da verdade material. Pelo teor da decisão da Alfândega do Porto de Santos que indeferiu o seu pleito e do Acórdão da DRJ, não ficou evidenciada a análise criteriosa da documentação acostada aos autos, com eventuais diligências para se apurar, efetivamente, a existência do direito creditório pleiteado. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 4 2. A nova fatura comercial, emitida pelo exportador, os contratos de câmbio e os comprovantes de transferência bancária demonstram efetivamente que houve um equívoco quando da emissão da primeira fatura comercial. Ora, o preço pago pelas mercadorias importadas é aquele que, com os ajustes determinado pelo Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), deve constar da DI como valor aduaneiro. 3. Poderiam também os Auditores, mas não o fizeram, ter verificado na contabilidade da recorrente o valor registrado como pago pelas mercadorias e a sua entrada, o que também revelaria o alegado erro. 4. Em face dos princípios que regem a Administração Pública, especialmente, o da motivação, o da legalidade e o da verdade material, os agentes fiscais jamais poderiam indeferir o direito creditório líquido e certo da recorrente sem a análise completa de toda a sua documentação contábil e fiscal pertinente, aprofundando a investigação, em caso de dúvida. 5. No caso, é evidente a falta de interesse da Administração em conhecer a verdade material, já que adotou uma postura de simplesmente negar validade à segunda fatura comercial e ainda questionou o seu valor mediante comparação com montantes declarados numa suposta DI, utilizada como parâmetro, sem, contudo, sequer anexála aos autos. 6. Para que o Fisco pudesse negar seu pedido de restituição, deveria, segundo o que preceituam os princípios da verdade material e da legalidade, ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a incorreção dos procedimentos da recorrente diante da farta documentação demonstrando a ocorrência do alegado erro. 7. Assim, como não houve o empenho necessário para a busca da verdade material por parte das autoridades fiscais, no que tange à verificação do direito creditório da recorrente, deve o E. Conselho determinar o cancelamento da decisão recorrida para que seja procedida verdadeira investigação sobre o direito creditório da recorrente, sobretudo diante da farta documentação anexada aos autos e, eventualmente, mediante a análise da contabilidade da recorrente. Mérito: Da Comprovação do Erro no Registro da Declaração de Importação Necessidade de sua Retificação e do Reconhecimento do Direito Creditório 1. A DRJ apenas desqualificou a prova produzida pela recorrente, relativa ao efetivo valor da operação, por considerar que tal documentação (contratos de câmbio), muito embora coincida perfeitamente com a segunda fatura (correta), não faria prova de que a primeira (em valor superior) estava incorreta. Tal entendimento, contudo, não merece prosperar. 2. O valor da transação é o primeiro método de apuração do valor aduaneiro, previsto no art. 1º do AVA, sendo formado pelo preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Diante disso, para a sua comprovação, a recorrente apresentou, não apenas a nova fatura comercial, emitida pelo exportador, como também os contratos de câmbio e os comprovantes de pagamento para quitação das mercadorias importadas, o que seria mais do que suficiente para comprovar o equívoco e o real valor das mercadorias importadas. Com efeito, na nova fatura comercial consta o mesmo valor dos contratos de câmbio e dos comprovantes bancários. 3. Mas, mesmo assim, a fiscalização e a DRJ preferem imprimir força probante à primeira fatura comercial, no valor total de Є 623.080,00, a qual se encontra desprovida de qualquer outro elemento que lhe assegure a veracidade, ao invés de aceitar como Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11128.000963/200930 Acórdão n.º 3402002.616 S3C4T2 Fl. 377 5 real a fatura emitida no valor de Є 267.924,40, a qual está acompanhada dos contratos de câmbio e comprovantes de transferência. 4. A diferença de preço entre uma fatura e outra com relação ao preço de cada mercadoria é irrelevante, não sendo necessária a produção de prova para demonstrar porque cada mercadoria teve seu valor alterado. De fato, essa diferença ocorre por equívoco do fornecedor, que não refletiu na primeira fatura o valor livremente acordado pelas partes para os produtos importados. 5. Após a recorrente ter informado o equívoco do fornecedor, conforme e mails juntados, este, sem hesitar, emitiu nova fatura, dessa vez refletindo a transação comercial efetivamente realizada, cujos pagamentos ocorreram nos valores dessa nova fatura. 6. De todo modo, a recorrente anexa aos autos Declaração do fornecedor, no sentido de que a requerente nada deve até o dia 31/12/2006, confirmando que os pagamentos efetuados foram suficientes para convalidar o negócio realizado, reforçando ainda mais o direito creditório da recorrente. 7. Não bastasse isso, a recorrente ainda acosta aos autos os registros contábeis referentes à aquisição dos equipamentos, os quais fazem prova em favor do contribuinte, notadamente, quanto ao valor da operação em comento. 8. Segundo a sua contabilidade, os bens foram registrados contabilmente, no ativo mobilizado, pelo valor de R$ 1.485.61,66 [sic!], que corresponde ao valor do próprio bem, somado aos demais custos atrelados à importação (Doc. 05). Também anexa a recorrente os registros contábeis dos pagamentos feitos ao fornecedor (Doc. 06). 9. Sobre a força probante da contabilidade, importa destacar que, nos termos do art. 276 do RIR/99, a escrituração mantida com a observância das disposições legais faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 10. No mesmo sentido, nos termos do art. 122 do então Código Comercial, bem como dos arts. 379 a 382 do Código de Processo Civil, os livros comerciais devidamente escritos provam em favor de seus autores. 11. Conforme entendimento de Alberto Xavier, o Fisco está vinculado à adoção da escrituração regular, quando existente, como base de prova, com o cumprimento também do dever de investigação analítica dos fatos. Na doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira, se a contabilidade faz registros na forma regular, com base em contratos e documentos apropriados, e a lei não impõe nenhuma forma especial de comprovação, os fatos contabilizados devem ser considerados comprovados. 12. Assim, os documentos contábeis apresentados fazem prova em favor da recorrente, não havendo que se falar em ausência de prova do direito creditório pleiteado. Pelo que requer o julgamento procedente do recurso voluntário, determinandose a reforma integral da decisão proferida pela DRJ. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 6 Voto Conselheiro MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Por atender aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Preliminar: Alega a recorrente nulidade da decisão da Alfândega do Porto de Santos Santos que indeferiu o seu pleito e do Acórdão da DRJ por lesão ao princípio da verdade material, eis que não teriam, a seu ver, sido evidenciada a análise criteriosa da documentação acostada aos autos, com eventuais diligências para se apurar, efetivamente, a existência do direito creditório pleiteado. No entanto, da leitura das duas decisões, o que se observa não é ausência de análise criteriosa da documentação trazida pela recorrente, mas da constatação de que a prova apresentada pela requerente era insuficiente a comprovar o alegado erro na apresentação da fatura comercial que ensejasse a aceitação da segunda fatura comercial como o verdadeiro documento do despacho de importação. Conforme se depreende da leitura do despacho (fl. 77) que indeferiu o pedido da ora recorrente, entendeu a fiscalização que os documentos apresentados juntamente com o pedido não foram suficientes para afastar a presunção relativa de que eram corretos os valores aduaneiros das mercadorias declarados na Declaração de Importação, em conformidade com os documentos que a instruíram. Também o Acórdão de primeira instância não deixa dúvidas de que houve a análise da documentação apresentada, mas essa não foi hábil a comprovar o pleito da requerente. Assim, não houve qualquer lesão ao princípio da verdade material na decisão que indeferiu seu pedido de retificação da Declaração de Importação ou no Acórdão de primeira instância que manteve essa decisão. Na verdade, a questão suscitada pela recorrente envolve a distribuição do ônus da prova no processo administrativo, eis que, segundo alega, para que o Fisco pudesse negar seu pedido de restituição, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a incorreção dos procedimentos da recorrente diante da farta documentação demonstrando a ocorrência do alegado erro. A legislação processual administrativotributária é regida pelo princípio de que quem acusa ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Já nos casos de pedidos do contribuinte de reconhecimento de direito creditório, como o presente, o ônus se inverte ao contribuinte, a quem cabe a demonstração Fl. 380DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11128.000963/200930 Acórdão n.º 3402002.616 S3C4T2 Fl. 378 7 cabimento do seu pleito, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório para o seu reconhecimento. Com efeito, entendendo a autoridade fiscal, competente para análise e reconhecimento do crédito pleiteado, que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não são hábeis a demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, cabe negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo requerente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Assim, não há que prosperar a preliminar de nulidade da decisão recorrida ou da decisão que indeferiu seu pleito. Mérito: No presente processo, o pedido de restituição de tributos decorrente da retificação pleiteada para Declaração de Importação (DI) nº 04/05017272, registrada em 26/05/2014, foi efetuado sob a alegação de que a Fatura Comercial correta seria aquela da fl. 29, de número VRT40240, no valor total de Є 267.924,40, ao invés daquela da fl. 50, de mesmo número, no valor total de Є 623.080,00, apresentada por ocasião do despacho de importação. Conforme já esclarecido, a DRJ não desqualificou a prova produzida pela recorrente, conforme ela acredita, mas entendeu que a prova apresentada não era suficiente a comprovar o alegado erro na emissão da fatura comercial. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 8 É certo que o valor da transação é o primeiro método de apuração do valor aduaneiro, sendo formado pelo preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, conforme esclarece a recorrente, mas isso não autoriza a automática retificação do valor aduaneiro com a mera emissão de nova fatura comercial pelo exportador. Na ausência de documentos hábeis a comprovar a incorreção dos dados inicialmente informados na Declaração de Importação, estes devem ser mantidos. A diferença de preço entre uma fatura e outra com relação ao preço de cada mercadoria não é irrelevante, como afirmou a recorrente, eis que o novo valor da fatura comercial é apenas 43% do valor original declarado, sendo necessária a comprovação de que o novo valor é o verdadeiro. Para instruir o seu pedido, a recorrente não apresentou qualquer esclarecimento sobre a questão, mas apresentou o demonstrativo de tributos e os seguintes documentos: 01 Declaração de Importação, 02 Extrato da Solicitação de Retificação da Dl, 03 Comprovante de Importação, 04 Fatura Original, 05 Cópia de B/L Original, 06 Cópia da Procuração, 07 Tela de Esquema de Pagamento, 08 Cópia do Contrato de Câmbio, 09 Cópias GARE/ICMS e 10 Correspondência trocada entre Importador e Exportador email Nas correspondências eletrônicas anexadas constam as seguintes informações: (...) O processo 45 * 6599 contém um erro de invoice, a qual foi emitida com valor superior ao negociado, portanto será necessário entrar com uma retificação com a chegada da invoice original. Não obstante deveremos entrar com um processo para que possamos nos creditar do imposto pago a maior, mesmo que este seja feito e processos posteriores. A invoice corrigida esta anexada para que já possa ser providenciada a documentação até a chegada do original. Favor nos informar quais os prazos médios para que tenhamos resposta da receita federal, no intuito de nos planejar com o fluxo de caixa. (...) A todos, Esta retificação visa : 1 corrigir os valores de remessa exterior, os quais foram apontados maiores do que o negociado; 2 resgatar os valores de impostos pagos à maior; 3 evitar o estouro na provisão feita para este projeto. (...) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11128.000963/200930 Acórdão n.º 3402002.616 S3C4T2 Fl. 379 9 No entanto, as correspondências acima nada comprovam com a mera alegação de "erro de invoice, a qual foi emitida com valor superior ao negociado", pelo contrário, demonstram a possibilidade de ter surgido no âmbito interno da própria empresa interessada, em julho de 2004, a necessidade de retificação do valor da importação para "evitar o estouro na provisão feita para este projeto". A requerente apresentou o contrato de câmbio nº 03/091844, de 13/08/2003, relativamente à compra de moeda estrangeira de 186.924,00 Є, e o extrato do Sisbacen (fls. 37/41), que se refere ao pagam pagamento antecipado da DI nº 04/05017272, correspondente a 30% do valor total da DI 04/05017272. Também apresentou a requerente o contrato nº 05/003334, de 11/02/2005, de compra de moeda estrangeira no valor de 81.000,40 Є referente a "Dl: 04/05017272 DT Dl: VLR: 81.000,40 FAT: VAT40171 DT FAT: 16/04/2004 CE: FRSA0338 DT CE: 16/04/2004 REF: 4500065998 APLICAR ADICAO 004". Consta nas fls. 160/162 os comprovantes de pagamento dos valores referentes aos contratos de câmbio que totalizam o valor da retificação pleiteada, de 267.924,40 euros. Os contratos de câmbio e os respectivos comprovantes de pagamento ao fornecedor apenas provam que houve o pagamento 267.924,40 euros relativamente à referida importação, mas não são hábeis a demonstrar que o valor real da operação seria esse e não aquele declarado originalmente na Declaração de Importação, eis que poderia corresponder ao pagamento parcial para a operação original. Nesse sentido, a própria fatura comercial apresentada como original já dispunha sobre as parcelas do pagamento: "30% DOWNPAYMENT INMEDIATLY 37% WITH INSPECTION 23% WITH CLEARANCE IN BRAZIL 10% AFTER COMMISSIONING". No recurso voluntário juntou ainda a recorrente email do fornecedor, em inglês, com declaração de que a recorrente não teria pagamentos em aberto com o fornecedor até o dia 31/12/2006, e cópias de registros dos bens no ativo imobilizado e dos pagamentos ao fornecedor. Os documentos apresentados no recurso voluntário não podem ser aceitos neste momento processual, vez que apresentados após a manifestação de inconformidade, quando já precluso o seu direito de produção de prova, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, aplicável também à manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 10 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Embora esta documentação não deva ser analisada, eis que preclusa a produção de prova neste momento processual, cabe mencionar que: i) o email, caso fosse acompanhado de tradução juramentada, em nada auxiliaria a recorrente, vez que uma declaração de 31/12/2006 de que ela nada deve à fornecedora, não comprova que os dois pagamentos mencionados no processo seriam o valor total da operação, pois poderia, por exemplo, ter havido outros pagamentos relativos a esta importação antes de 31/12/2006. ii) Planilha de “Aquisições do imobilizado” (fl. 366), planilha com cálculo do “Imposto a recuperar em Processo” (fl. 368) e as telas de sistema (fls. 370/372) apresentados são documentos unilaterais, além de não muito legíveis, não estão respaldados em documentos fiscais e/ou contábeis. A escrituração contábil, desde que regular, acompanhada da documentação que comprova os atos e fatos que originam os lançamentos, seria, sim, um importante meio de prova que detinha a interessada para demonstrar a eventual divergência entre os dados informados originalmente na Declaração de Importação e aqueles que se alega serem corretos, objeto do pleito de retificação. No entanto, a requerente, que tinha o ônus da prova do seu direito creditório, no caso, decorrente do alegado erro e da retificação da DI pleiteada, não apresentou os lançamentos contábeis e a documentação respectiva nesse sentido no momento processual adequado. Teria sido importante para provar o alegado a apresentação de todos os registros na contabilidade relativos à operação de importação, à entrada dos equipamentos no estabelecimento da empresa e aos pagamentos decorrentes, acompanhados dos documentos que os comprovam, com os valores originalmente informados na Declaração de Importação, que a recorrente entendia como corretos em determinado momento, bem como, especialmente, as retificações e ocorrências registradas por ocasião da constatação do alegado equívoco da documentação. Também teria sido relevante a apresentação das notas fiscais de entrada no valor original, seus cancelamentos e a emissão de outras notas fiscais de entrada no novo valor. Nos termos do art. 45 do Decretolei nº 37/66, as declarações do importador subsistem para todos os efeitos fiscais, de forma que, somente diante de robusta prova, poderiam os valores aduaneiros informados na Declaração de Importação serem alterados por solicitação do interessado. A prova que consta nos autos não é suficiente para afastar a presunção de veracidade dos valores informados e dos documentos apresentados por ocasião do despacho de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 11128.000963/200930 Acórdão n.º 3402002.616 S3C4T2 Fl. 380 11 importação, que, inclusive, foi objeto de conferência aduaneira no canal vermelho, para o qual se exige exame documental e verificação física da mercadoria. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.723603/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. OBJETO. AUSÊNCIA.
Descabe falar em nulidade do lançamento na circunstância em que o fato que poderia servir de lastro para a decretação da medida (ausência de análise da escrituração contábil e fiscal), comprovadamente não encontra respaldo nas peças reunidas ao processo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de lançamentos tributários fundados nos mesmos elementos que serviram de suporte para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, o decidido em relação a este, aplica-se, em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos denominados lançamentos reflexos.
Numero da decisão: 1301-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que afastavam a qualificação da multa.
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. OBJETO. AUSÊNCIA. Descabe falar em nulidade do lançamento na circunstância em que o fato que poderia servir de lastro para a decretação da medida (ausência de análise da escrituração contábil e fiscal), comprovadamente não encontra respaldo nas peças reunidas ao processo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de lançamentos tributários fundados nos mesmos elementos que serviram de suporte para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, o decidido em relação a este, aplica-se, em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos denominados lançamentos reflexos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 301 1 300 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.723603/201162 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.775 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2015 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente INDÚSTRIA METALÚRGICA PPIENK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. OBJETO. AUSÊNCIA. Descabe falar em nulidade do lançamento na circunstância em que o fato que poderia servir de lastro para a decretação da medida (ausência de análise da escrituração contábil e fiscal), comprovadamente não encontra respaldo nas peças reunidas ao processo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC. PROCEDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 36 03 /2 01 1- 62 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 302 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de lançamentos tributários fundados nos mesmos elementos que serviram de suporte para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, o decidido em relação a este, aplicase, em virtude da íntima relação de causa e efeito, aos denominados lançamentos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier, que afastavam a qualificação da multa. Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 303 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao ano calendário de 2007, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou (fls. 187/217): ocorrência de equívocos na fundamentação utilizada pela Fiscalização, para a lavratura dos autos de infração; ausência de previsão legal para se considerar os valores insertos em conta bancária como créditos e receitas; erro no enquadramento legal da exigência a título de "Outras Receitas"; incorreção no uso da presunção para a apuração da exigência a título de "Omissão de Receitas"; improcedência do “agravamento” da multa de ofício; e ilegalidade da taxa de juros Selic. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas por meio da impugnação interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 0938.401, de 20 de dezembro de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. OMISSÃO DE RECEITA. Não comprovada a origem dos valores depositados em contas, esses valores serão considerados como omissão de receita. MULTA QUALIFICADA. Caracterizandose a sonegação fiscal a multa de oficio deve ser qualificada. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 304 4 Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 251/285, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 305 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao ano calendário de 2007, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas. Apresentada impugnação, os lançamentos tributários foram integralmente mantidos pela Turma Julgadora de primeiro grau, motivo pelo qual a autuada interpôs recurso voluntário. Aprecio, pois, os argumentos trazidos por meio da peça recursal. NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega a Recorrente que todo o documentário fiscal/contábil, acompanhado das declarações legalmente exigidas para fins de apuração dos tributos federais, foi apresentado à Fiscalização, não sendo detectada por esta nenhuma irregularidade em sua escrita, excetuando a movimentação bancária, que segundo a Fiscalização apresentava receita não contabilizada. Diz que, no caso, a Fiscalização deveria ter diligenciado para verificar os elementos presentes na sua escrita contábil e fiscal. Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 27/35, o elemento propulsor da instauração do procedimento fiscal contra a ora Recorrente foi a constatação de que a sua movimentação financeira, no ano calendário de 2007, era incompatível com os valores declarados ao Fisco. No referido Relatório, a autoridade autuante assinalou: [...] Através da contabilidade da empresa, verificouse os registros contábeis de toda a movimentação financeira, com exceção dos valores movimentados nas contas nº 14,5092, Agência 1591, do Banco Bradesco e nº 804162, Agência 609 do HSBC. Na realidade, a fiscalizada possuía duas contas no Bradesco no ano calendário de 2007: conta nº 16.0415 da agência 0080 e conta nº 14.5092 da agência 1591. (GRIFEI) Notase, portanto, que o que foi requerido pela Recorrente foi exatamente o que foi feito pela autoridade fiscal, isto é, análise dos elementos presentes na sua escrita contábil e fiscal, e, conforme admitido por ela própria, pela Recorrente, da referida análise restou verificado que, do total de contas bancárias movimentadas, duas delas não foram escrituradas. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 306 6 Absolutamente improcedente, portanto, a arguição de nulidade do lançamento. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA SE CONSIDERAR OS VALORES INSERTOS EM CONTA BANCÁRIA COMO CRÉDITOS E RECEITAS Fazendo referência a pronunciamento advindo de integrante da Turma Julgadora de primeiro grau, a Recorrente afirma que os votos divergentes em primeira instância constituem comprovação cabal de que inexiste prova de que houve omissão de receitas. Afirma que a Fiscalização não poderia imputar a exigência do IRPJ e reflexos exclusivamente com base nas informações contidas em seus extratos bancários. Primeiramente, um reparo: os pronunciamentos dissonantes no julgamento, conforme registro feito no seu resultado e que abaixo transcrevo, limitaramse à qualificação da penalidade. Os julgadores José Carlos de Assis Guimarães e Luiz Venancio Guida votaram contra a qualificação da multa de oficio, sendo que o primeiro apresentará declaração de voto. (GRIFEI) A Recorrente, ao afirmar que na DECLARAÇÃO DE VOTO acima referenciada restou assinalado não ter havido prova de que houve omissão de receitas, reporta se ao seguinte fragmento da manifestação do integrante da Turma Julgadora de primeira instância: Apesar de vencido, apresento as justificativas para a exoneração da qualificação da multa relativa às omissões de receita presumidas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, ainda que o contribuinte não tenha contabilizado a contacorrente respectiva. In casu, a autoridade administrativa qualificou a multa proporcional de ofício. No entanto, a integralidade da omissão de receitas foi apurada com base na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não socorre à qualificação o fato de o contribuinte não ter escriturado em sua contabilidade a contacorrente em que foram feitos os depósitos que ocasionaram a presunção de omissão de receitas. Tal conduta não constitui um “algo a mais” em relação à própria omissão de receitas. Como os lançamentos são feitos por mera presunção de omissão de receitas, não havendo qualquer prova de que tenha havido efetivamente omissão de receitas, não se pode afirmar que a conduta de não contabilizar os depósitos feitos na contacorrente tenha sido revestida de dolo de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da omissão de receitas, pois é plausível que não tenha havido omissão de receitas efetivamente. Neste quadro, existe apenas a possibilidade de que tenha havido conduta dolosa do contribuinte, mas esta não está cabalmente demonstrada. (GRIFEI) Vêse, pois, que a Recorrente, das duas uma: ou não compreendeu o que acima restou consignado; ou procurou, por meio de uma descontextualização, destacar uma afirmação que só se revela válida apresentada desta forma. Embora se possa até admitir que a utilização da expressão “não havendo qualquer prova” foi imprópria, visto que, tratandose de presunção legal, a prova é o fato indiciário previsto na norma (no caso, depósitos bancários de origem não comprovada), resta Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 307 7 induvidoso que o que o signatário da declaração de voto quis dizer é que não foi carreada ao processo PROVA DIRETA da omissão. A afirmação de que a Fiscalização não poderia imputar a exigência do IRPJ e reflexos exclusivamente com base nas informações contidas em seus extratos bancários, revela se, da mesma forma, absolutamente improcedente. Com efeito, depósitos bancários cujas origens não tenham sido comprovadas constituem suporte para a presunção legal de omissão de receitas, ex vi do disposto no artigo 42, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme reprodução abaixo. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Releva notar que, tratandose de presunção legal relativa, erigida como tal no interesse da Administração Tributária, caberia ao contribuinte trazer ao processo os elementos de prova capazes de elidir a pretensão do fisco. No caso vertente, relativamente às movimentações bancárias não contabilizadas, a Recorrente foi reiteradamente intimada a comprovar a origem dos créditos bancários, porém, não obstante algumas poucas comprovações, deixou de justificar créditos bancários não contabilizados no montante de R$ 4.565.827,78. Procedente, pois, a autuação. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Alega a Recorrente que a Lei nº 10.174, a Lei Complementar nº 105 e o Decreto nº 3.724, todos de 2001 e que foram utilizados pelo Fisco para “quebrar” o seu sigilo fiscal, não possuem qualquer respaldo constitucional. Não merece guarida o argumento da Recorrente, eis que os extratos bancários que serviram de suporte para os lançamentos tributários, conforme registro feito no RELATÓRIO FISCAL de fls. 07/35, foram apresentados por ela própria. A expedição de Requisição de Movimentação Financeira às instituições financeiras visou, apenas, possibilitar o acesso aos referidos extratos por meio de arquivos digitais, o que, à evidência, emprestou maior celeridade ao procedimento administrativo. Não obstante, cumpre registrar que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. EXIGÊNCIA A TÍTULO DE OUTRAS RECEITAS – ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL Pelo que foi possível depreender, a Recorrente contesta o fato de a Fiscalização, segundo ela, ter comparado os valores discriminados nos extratos bancários com os informados na DIPJ e, a partir daí, considerar a diferença como sendo proveniente de OUTRAS RECEITAS que não as decorrentes das atividades próprias dela. Alega ainda que Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 308 8 deveria ser deduzido da receita omitida apurada os montantes correspondentes a 1,65% a título de PIS e 7,6% a título de COFINS. Improcedentes os argumentos da contribuinte autuada. Registra o RELATÓRIO FISCAL elaborado pela autoridade autuante que, relativamente ao ano submetido ao procedimento de auditoria, a Recorrente apresentou Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) com opção pela tributação com base no lucro real, o que se confirma com base na DIPJ juntada às fls. 143/180. Assim, revelase absolutamente improcedente falar em classificação das receitas omitidas como OUTRAS RECEITAS, circunstância que só apresenta relevância quando se está diante da tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. A Recorrente, inclusive, faz referência ao art. 521 do RIR/99, que traz disposições relacionadas a pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro presumido, deixando de observar que as receitas omitidas apuradas pela Fiscalização foram submetidas ao regime de tributação adotado por ela no ano calendário investigado (LUCRO REAL), como confirmam os autos de infração lavrados. A pretensão de ver deduzidos dos valores apurados a título de receitas omitidas montantes correspondentes ao PIS e à COFINS, além de não encontrar lastro na lei, não pode ser admitida eis que estamos diante de recursos mantidos à margem da escrituração, caracterizados como receita omitidas por expressa disposição de lei, em relação aos quais não se pode, em razão da mais absoluta falta de comprovação, associar qualquer tipo de despesa. UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO PARA APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS Sustenta a Recorrente que a presunção legal de omissão de receitas somente permite que o Fisco efetue o lançamento tributário com base em indícios, caso o contribuinte não apresente elementos capazes de ilidir a acusação. Adiante, repisa que a autuação deveria ter sido justificada por meio da análise de sua escrituração contábil e fiscal. Correta a assertiva da Recorrente, isto é, na medida em que os lançamentos tributários ora analisados decorreram de aplicação de presunção legal relativa, uma vez trazidos aos autos elementos capazes de criar convicção acerca da sua improcedência, referidos lançamentos tornamse insubsistentes. No caso vertente, contudo, a Recorrente não aporta ao processo prova de qualquer natureza, logo, a contrario sensu, os lançamentos tributários devem subsistir. A Recorrente reitera que a autuação deveria ter sido justificada por meio da análise de sua escrituração contábil e fiscal, contudo, como já restou suficientemente comprovado, foi exatamente a análise empreendida pela Fiscalização na escrituração dela que possibilitou identificar a existência de movimentação financeira não contabilizada, elemento que serviu de suporte para a constituição dos créditos tributários questionados. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE Argumenta a Recorrente que, em razão do expendido nos itens anteriores, tornase incabível o “agravamento” da multa de ofício. Em seguida, reproduz pronunciamento Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 309 9 dissonante do julgamento feito em primeira instância, convergente com o seu entendimento acerca da improcedência da exasperação da penalidade. Tratase, na verdade, de QUALIFICAÇÃO da sanção pecuniária, e não de agravamento. Referida qualificação foi promovida, essencialmente, em razão de a contribuinte manter, à margem da escrituração, expressiva movimentação financeira. É certo que a receita tida como omitida que foi tributada de ofício foi assim considerada em razão de presunção legal. Decorre daí que, como regra, não se pode admitir que a presunção que autoriza considerar como receita omitida depósitos de origem não comprovada, possa, também, permitir a qualificação da penalidade, eis que, nesse caso, parte se de uma presunção para, também por presunção, concluir pela ocorrência de outro fato. Não obstante, penso que a apreciação acerca da qualificação da penalidade deve ser feita a partir do confronto entre os fatos descritos na peça de autuação, a norma autorizadora da adoção da medida e as razões trazidas pela defesa interposta pelo fiscalizado. Na circunstância em que o fato retratado nos autos efetivamente não se amolda ao tipo descrito na norma sancionadora, descabe a exasperação da penalidade. Se, embora haja adequação entre o fato e a norma autorizadora da qualificação, mas os argumentos trazidos em sede de defesa contaminam de incerteza a natureza dos recursos movimentados à margem da escrituração, penso que, também, não cabe qualificar a multa de ofício. No caso vertente, constato que o fato apontado na peça acusatória amoldase por completo ao tipo descrito no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, que traz norma autorizadora da exasperação da penalidade, vez que aquele que mantém à margem da escrituração recursos financeiros que representam algo próximo de 70% do que foi declarado ao Fisco (R$ 4.565.827,78 de R$ 6.583.694,96), age de forma a impedir, ou ao menos a retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária das suas condições pessoais, afetando, assim, a obrigação tributária principal e, por decorrência, o crédito tributário correspondente. No que tange à defesa apresentada pela fiscalizada, não identifico uma única alegação ou comprovação capaz de colocar em dúvida a natureza dos recursos movimentados à margem da escrituração. Não se trata aqui, portanto, de uma “simples” apuração de omissão de receita capaz de atrair a aplicação as súmula CARF nº 14, e, a meu sentir, resta comprovada a adequação do fato descrito na peça de autuação à norma estampada no inciso II do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, de modo que não se pode falar em aplicação da súmula CARF nº 25. Tenho, pois, por procedente a qualificação da multa de ofício aplicada. JUROS SELIC Amparada em manifestação doutrinária e do Superior Tribunal de Justiça, a Recorrente sustenta que a cobrança de juros com base na taxa selic é ilegal. A questão acerca da legalidade da aplicação da cobrança de juros de mora com base na taxa selic, como é cediço, em razão de reiteradas decisões no mesmo sentido, foi Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10640.723603/201162 Acórdão n.º 1301001.775 S1C3T1 Fl. 310 10 objeto da súmula CARF nº 4, abaixo transcrita, de modo que a argumentação expendida pela Recorrente não pode ser recepcionada por esta instância julgadora. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFLEXOS Tratandose de lançamentos tributários fundados nos mesmos elementos que serviram de suporte para a constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, o resultado do julgamento em relação a este, alcança, em virtude da íntima relação de causa e efeito, os denominados lançamentos reflexos. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 13854.000341/2004-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 41 /2 00 4- 18 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, nãocumulativo, do mês de outubro de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$3.542,77. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 84/92), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária e despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos, com glosa total do valor solicitado. O Auditorfiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 54/58) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 59), os seguintes demonstrativos: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 4 3 I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 76); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 77); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 78); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 79); V Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fl. 75); e VI Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fl. 74). Cientificada do Despacho Decisório de fls. 93/94, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 114/127. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos, na glosa de insumos e na análise dos créditos relativos à cana de açúcar adquiridas de pessoas físicas e jurídicas. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de canadeaçúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditorfiscal, inclusive a IN/SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 5 4 as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF, que não foi suscitada. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Mérito No mérito, a contribuinte argumenta em relação à interpretação do termo “insumo” e alega inconstitucionalidade da norma aplicável. Trata especificamente dos itens combustíveis, lubrificantes e depreciação. Quanto a outros bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo mais restrito, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro o entendimento sobre o conceito do termo “insumo” adotado, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não ensejam o direito ao crédito. Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara esta conclusão. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 7 6 Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da contribuição social em tela. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 8 7 Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 9 8 Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 10 9 alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 11 10 b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 12 11 Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 13 12 Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 14 13 O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que outros gastos com bens ou serviços, além daqueles aceitos pela fiscalização, poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços a ser incluídos nos custo, encargos e despesas comuns. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 15 14 Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Concluindo, as aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser integrar os custos, encargos e despesas comuns. Porém, uma vez que no caso em discussão a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há nenhum reparo a fazer na decisão administrativa. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). Tratandose de empresa que produz açúcar e álcool, valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de canadeaçúcar devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido. Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 16 15 representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 17 16 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose contradizer a aplicação destas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional e legal mais específico. Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 18 17 Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000341/200418 Acórdão n.º 3801004.615 S3TE01 Fl. 19 18 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10983.900043/2008-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 00 04 3/ 20 08 -9 0 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10983.900043/200890 Resolução nº 3802000.370 S3TE02 Fl. 167 2 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 20360.72083.141103.1.3.040038. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 32.134,05 (fls. 39), relativo ao suposto pagamento a maior na competência outubro de 2002, cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 38.943,26 (fls. 04). É o Relatório. Conselheiro Solon Sehn A Recorrente foi intimada em 21/03/2014 (fls. 147), interpondo recurso tempestivo em 14/04/2014 (fls. 155). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente apresentou diversas planilhas e anexos, aduzindo que seu direito de crédito estaria assentado em pagamento à maior, decorrente da não observância do prazo para reconhecimento de receita na forma prevista no art. 35 da Lei n° 10.637/2002: Art. 35. A receita decorrente da avaliação de títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de hedge, registrada pelas instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, instituições autorizadas a operar pela Superintendência de Seguros Privados – Susep e sociedades autorizadas a operar em seguros ou resseguros em decorrência da valoração a preço de mercado no que exceder ao rendimento produzido até a referida data somente será computada na base de cálculo do Imposto de Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10983.900043/200890 Resolução nº 3802000.370 S3TE02 Fl. 168 3 Renda das Pessoas Jurídicas, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição para o PIS/Pasep quando da alienação dos respectivos ativos. § 1º Na hipótese de desvalorização decorrente da avaliação mencionada no caput, o reconhecimento da perda para efeito do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido será computada também quando da alienação. § 2º Para fins do disposto neste artigo, considerase alienação qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, o resgate e a cessão dos referidos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros derivativos e itens objeto de hedge. § 3º Os registros contábeis de que trata este artigo serão efetuados em contrapartida à conta de ajustes específica para esse fim, na forma a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 4º Ficam convalidados os procedimentos efetuados anteriormente à vigência desta Lei, no curso do anocalendário de 2002, desde que observado o disposto neste artigo. Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente o sujeito passivo e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifestarem, retornandose os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721089/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE.
Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 89 /2 00 8- 31 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 149 2 O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por meio de Notificação de Lançamento (fls. 16/20 e 48/50), foi efetuado lançamento contra FRANCISCO RITTA BERNARDINO, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel “Igarapé Preto”, cadastrado na RFB sob o nº 4.874.6592, com área declarada de 10.000,0 ha, localizado no município de Coari – AM, relativo ao exercício 2004, no valor de R$ 300.640,54, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2008. O contribuinte foi intimado a apresentar Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, de modo a comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004, sob pena de arbitramento de novo Valor da Terra Nua (VTN), com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB, de R$ 64,78. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 150 3 Como não foi apresentado o laudo de avaliação exigido, a autoridade fiscal, mediante análise dos dados informados na correspondente DITR/2004, lavrou a Notificação de Lançamento, sendo rejeitado o VTN declarado, de R$ 1.428,00 ou R$ 0,14/ha, por entender subavaliado, sendo então arbitrado o valor de R$ 647.800,00 ou R$ 64,78/ha, correspondente ao VTN/ha médio apontado no SIPT, exercício de 2004, para o citado município, conforme demonstrado à fl. 19. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 27/38), instruída com os documentos de fls. 40/44, 45 e 46/47, a qual está assim resumida no Acórdão da DRJ/BSB (fls. 70 a 86): Faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação e apresenta a fundamentação legal utilizada para justificar o respectivo lançamento de ofício; informa que adquiriu em conjunto com a Sra. Leia Vieira de Souza Faria, do Banco do Estado de Minas Gerais, ao preço total de R$ 22.848,000, um IMÓVEL RURAL, com área total de 27.200,0 ha, constituído de 08 (oito) glebas de terras, localizadas no município de Coari, com título de aquisição devidamente registrado no Cartório competente, identificando essas oito glebas, com as suas respectivas dimensões; (os grifos são do original). o impugnante não foi intimado do Termo de Intimação Fiscal nº 02201/000009/2008, no dia 10/09/2008, como afirmado na notificação da qual ora se defende. Assim sendo, nulo é o auto de lançamento ora impugnado, em observância ao princípio constitucional da ampla defesa; o fato de ter sido efetuado dois lançamentos distintos, referentes às glebas denominadas Repartimento II e Igarapé Preto, que formam, por tratarse de áreas contínuas, um único imóvel rural, contraria o disposto no art. 1º, parágrafo único da Lei 9.393/96;(os grifos são do original). ora, para efeito do referido dispositivo legal, cada gleba representa uma parcela de terras da área contínua, no total de 27.200,0 ha; tratandose de área contínua, formada por várias parcelas de terras (várias glebas), é nulo o lançamento lavrado, em relação a uma das partes do imóvel como um todo; os dois lançamentos devem ser unificados, considerando para tanto a quantidade proporcional de hectare da terra nua do imóvel rural, tendo como base o valor total adquirido de R$ 22.848,00, bastando apenas a atualização do valor proporcional encontrado. Assim, a gleba Repartimento II corresponde a 36,76% desse valor ou R$ 8.400,00, não podendo jamais prevalecer o exorbitante valor de R$ 811.800,00, que está acima do preço de mercado, por apenas 10.000,0 ha de terra. Nem mesmo todo o imóvel, com 27.200,0 ha, chega à cifra arbitrada; admitindose, apenas para argumentar, que não seja acolhida a unificação de áreas, impõese como medida alternativa considerar para cada lançamento, o valor proporcional ao hectare adquirido, de R$ 8.400,00 (36,76 % do valor de aquisição); o crédito tributário, no montante apurado e lançado de R$ 300.640,54, para uma área de 10.000,0 ha, composta exclusivamente de floresta nativa primária, termina por constituirse em locupletamento ilícito por parte da Fazenda Nacional, em detrimento da onerosidade a que expõe o Contribuinte; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 151 4 ressalta que o esfacelamento das glebas, constituiuse em desrespeito ao princípio da legalidade, que visa proteger o que define a lei como IMÓVEL RURAL, conforme já abordado; somente em 15/05/1998 passou a ser o único dono de todas as oito glebas, ao adquirir da Sra. Leia Vieira de Souza Faria os 50% de que era proprietária; no interregno de 19/11/1997 a 15/05/1998, o requerente e a citada Sra exerciam solidariamente os direitos e obrigações decorrentes das glebas acima, o que impõe por si só o chamamento da mesma, na condição de legítima proprietária das referidas glebas, para figurar no pólo passivo da obrigação tributária; a Sra. Leia Vieira de Souza Faria deveria, também, ter sido notificada de todos os atos que ensejaram o lançamento, constituindose a ausência de intimação da referida Contribuinte em verdadeira afronta ao princípio constitucional da AMPLA DEFESA; por ter sido o lançamento constituído, de forma errônea, unicamente contra o requerente, a despeito da responsabilidade solidária anteriormente abordada, o mesmo cabe ser nulo, por “erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária”; portanto, a coproprietária do imóvel cabe responder pelo pagamento de 50% da dívida, respondendo o ora impugnante somente pelos outros 50% da mesma, relativo ao período de 19/11/1997 a 15/05/1998, acaso incidente ou então, em última hipótese, sejam ambos solidariamente responsáveis em sua integridade; a área que se pretende tributar, parte do imóvel rural do contribuinte, assim como as demais glebas de terras, estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo o impugnante efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas do imóvel rural, por mero equívoco de seu Contador, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável (floresta nativa), nos termos do art. 10, inciso II, alíneas “e” da Lei 9.393/96; apesar de o impugnante haver somente nesta fase percebido o equívoco, não obsta corrigilo, conforme, inclusive, jurisprudência do STJ, cuja decisão em resumo transcreve; ainda que por equívoco o contribuinte recolheu o tributo com a alíquota de 20% prevista na Tabela anexa à Lei 9.393/96, recolhendo o imposto então apurado, no valor de R$ 285,60, não havendo, portanto, diferença de imposto a recolher; chama atenção o fato de a Receita Federal nunca ter considerado subavaliado o VTN declarado pelo antigo proprietário do imóvel (Banco do Estado de Minas Gerais), para efeito de apuração do ITR/1994, de R$ 9.222,66; assim, esse valor deve prevalecer para efeito de fixação do VTN, uma vez que o mesmo recebeu o aval da Receita Federal, cabendo, consequentemente, ser aplicado o princípio da isonomia, posto que não pode ser aplicado ao imóvel do impugnante valor diferenciado daquele já consolidado pelo fisco, mesmo em se tratando de sujeitos passivos diferentes, uma vez que o fato gerador do imposto não é o proprietário, mas sim a propriedade; para efeito de apuração do VTN arbitrado, o órgão fiscalizador não observou as alíneas “a”, “b” e “c”, do inciso II, parágrafo 1º, art. 12 da Lei nº 8.629, de 25/02/1993, que cabe ser aplicada, em observância ao PRINCÍPIO DA ISONOMIA, constitucionalmente garantido; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 152 5 no presente caso, foi levado em consideração apenas a capacidade potencial do imóvel e a sua dimensão, sem levar em consideração a sua localização e as características da região, tais como meios de transporte e comunicação, relevo, clima, vegetação, solo com suas aptidões agrícolas, recursos hídricos, vias de acesso, para efeito de apuração do valor de mercado das suas terras; para efeito de indenização, os dados referentes a preço do hectare da terra nua serão levantados junto à Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisas de mercado, assim determina o parágrafo 2º do art. 12 da citada lei; além de não ter sido utilizada nenhuma dessas fontes para efeito de apuração do valor atribuído ao imóvel, sequer a Receita Federal apresentou Laudo de Avaliação. A econômica justificativa para tal arbitramento, no valor exorbitante de R$ 875.300,00, sem qualquer planilha, sem especificar os parâmetros, cerceou o direito de defesa do contribuinte. Se o preço de mercado do imóvel é, de fato, o apresentado pelo sujeito ativo, então que desaproprie a área em questão e pague ao sujeito passivo, o valor ora questionado, e assim a justiça estará sendo feita; conforme se depreende dos dados informados no DIAT/2004 (sem constar qualquer área de exploração), as características originais da área do imóvel, ainda coberta de florestas nativas primarias, mantémse intacta, sem qualquer benfeitoria que justifique a avaliação feita pelo autuante, com a agravante de localizarse num local de difícil acesso; insiste que não existe no imóvel qualquer benfeitoria, ou seja, o mesmo continua sem nenhum grau de utilização, não justificando assim a supervalorização do imóvel na forma como foi valorizada, cujo valor ora impugna; questiona o procedimento fiscal realizado em conformidade com o disposto na IN/SRF nº 579/2005, por não terem sido observados os parâmetros, as fundamentações e as justificativas que dispensaram a “realização dos procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas Coordenações Gerais de Fiscalização, de Administração Tributária e de Tecnologia e Segurança da Informação”. Como isso, fica invalidada a Notificação de Lançamento ora impugnada; faz uma síntese das suas alegações, acrescentando a aplicação de juros e multa exorbitantes, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que lhe seja acolhida a presente impugnação. A DRJ Brasília julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, cujo acórdão foi assim redigido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando à contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 153 6 não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO – ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS As áreas ambientais do imóvel, qualquer que seja a sua classificação, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel ou, no caso de posse, a existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado em data anterior à do fato gerador do imposto, com o competente órgão ambiental. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha médio constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. (grifos do original). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 23 de julho de 2012, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 91, o contribuinte apresentou, em 20 de agosto de 2012, recurso voluntário (fls. 92 a 144), trazendo as seguintes alegações: a decisão recorrida não levou em consideração os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público; ocorreu ofensa ao princípio da verdade real; 1. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração a propriedade rural do contribuinte, denominado Gleba Igarapé Preto, assim como as demais glebas de terras, estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo o impugnante efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas do imóvel rural, por mero equívoco, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável, coberta por florestas nativas primárias, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.393/96 e Instrução Normativa SRF nº 43/97, artigo 10, inciso I e § 2º; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 154 7 a jurisprudência tem entendido que não há necessidade do Ato Declaratório do IBAMA para sua exclusão da base de cálculo do ITR, tendo colacionado algumas decisões do STJ; a caracterização das áreas de preservação permanente e de utilização limitada é feita pela Lei nº 4.771/65, nos seus artigos 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803/89; de acordo com a certidão expedida pelo IBAMA, 10.000 hectares da propriedade são área de preservação permanente, de acordo com o artigo 3º, alíneas “e” e “f” da Lei nº 4.771/65, bem como por se enquadrarem nas hipóteses do artigo 2º, alienas “a” a “e”; as áreas de preservação permanente são assim caracterizadas apenas por força de lei, sendo qualquer ato do poder público apenas para fins de certificação desse fato; a exigência de ato declaratório do Poder Público para fins de caracterização da área de preservação permanente afronta a Lei nº 9.393/96, que se reporta aos conceitos da Lei nº 4.771/65. Essa conclusão foi reconhecida posteriormente com a inserção do § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393/96; A Fazenda, por meio dos Conselhos de Contribuintes, vem acatando a inexigibilidade do Ato Declaratório Ambiental, conforme decisões elencadas; Essa também é a posição do STJ, de acordo com alguns julgados colacionados; Assim, deve ser reconhecida a não incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. 2. Preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa A Fiscalização não demonstrou de forma clara e cristalina as causas do arbitramento no auto de infração, o que configura obstrução ao direito de defesa; erro grave na tipificação da suposta infração caracteriza cerceamento do direito de defesa, devendo ser anulado o auto de infração; a Fiscalização reteve por um período absurdo e abusivo a documentação da impugnante, devolvendoa muito depois, tolhendo o seu direito de defesa. 3. Da proporcionalidade e da razoabilidade da multa aplicada – do afronta (sic) ao princípio da proibição de confisco mesmo sendo indevido o pagamento a título de multa, pelo princípio da eventualidade, caso se entenda que são devidas as multas, os valores cobrados são exorbitantes, ferindo os princípios da proporcionalidade e de vedação ao confisco, em flagrante violação à Constituição Federal. 4. Ofensa à capacidade contributiva a exação exigida possui feições de confisco, o que é vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal, transgredindo os lindes da capacidade contributiva. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 155 8 5. Preliminar de nulidade do auto de infração por vício formal o contribuinte não foi cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, o que enseja a nulidade do lançamento efetuado. 6. Ofensa ao princípio da moralidade administrativa a exigência do Mandado de Procedimento Fiscal foi alçado à garantia fundamental do contribuinte, pois busca efetivar o princípio da boafé objetiva, que é um sub princípio do princípio da moralidade administrativa; como o fiscalizado não foi cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, o lançamento tributário é inválido, por violar o princípio da moralidade. Cabe esclarecer que não consta do recurso o item nº 7. 8. Do erro de fato no arbitramento do Valor da Terra Nua A autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua (VTN) de outro município (Novo Aripunã), distinto do qual se localiza o imóvel questionado; Os quadros para aptidão agrícola para o município de Coari encontramse vazios, sem qualquer valor médio alimentado; A Fiscalização não poderia embasar a retificação do VTN no SIPT, pois este não contém informações que atendam aos requisitos legais; o ônus da prova de valor diverso do declarado cabe ao Fisco; o arbitramento do VTN deuse sem dados da base do SIPT, o que é vedado em face da estrita legalidade. Ao final, o recorrente requer que seja julgado improcedente o auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a lançamento de ITR, exercício 2004, do imóvel denominado “Igarapé Preto”, com área declarada de 10.000,0 ha, localizado no município de Coari (AM), efetuado por meio de Notificação de Lançamento (fls. 16/20 e 48/50). O recorrente alega diversas preliminares, as quais, para efeito de melhor entendimento, serão abordadas na ordem abaixo, uma vez que no recurso há uma pequena Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 156 9 confusão entre matéria preliminar e de mérito, além do que a ordem das matérias nele adotada prejudica a clareza. Cabe aqui ressaltar que o contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra as seguintes matérias, cujas alegações de defesa foram afastadas pela decisão da DRJ: a) ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, por entender que a Sra. Leia Vieira de Souza Faria seria coproprietária do imóvel; b) nulidade do lançamento pelo fato de as glebas “Repartimento II” e “Igarapé Preto” formarem um único imóvel rural, tratandose de áreas contíguas. Por essa razão, tais matérias encontramse fora do litígio em sede de recurso voluntário e não serão objeto do presente voto, em conformidade com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Preliminar de cerceamento de defesa Em diversas passagens de seu recurso, o contribuinte alega cerceamento de defesa. Ele o invoca em virtude de a Fiscalização não ter demonstrado de forma clara e cristalina as causas do arbitramento no auto de infração, por erro grave na tipificação da infração, pela Fiscalização ter retido a sua documentação por um período abusivo e por não ter sido cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal. Não consta dos autos nada que comprove a alegação do recorrente de que a Fiscalização reteve a sua documentação por um período abusivo. Observase que o contribuinte não apresentou, durante a ação fiscal, nenhum documento, somente tendo apresentado, por ocasião da impugnação, cópias de duas escrituras públicas de compra e venda e das declarações de ITR dos exercícios de 1992 e 1994 referentes ao proprietário anterior, as quais poderiam ser obtidas por ele a qualquer momento. Portanto, não lhe assiste razão nesse ponto. A nulidade suscitada pelo recorrente em relação aos requisitos formais e materiais do auto de infração também não procede, porque a fiscalização descreveu com precisão os fatos que motivaram a autuação. Com efeito, compulsando a Notificação de Lançamento de fls. 16/20 e 48/50, verificase que a fiscalização proporcionou pleno conhecimento da matéria fática, base de cálculo do imposto lançado e os dispositivos legais infringidos. Diferentemente do alegado pelo recorrente, tais elementos evidenciam que o auto de infração em questão foi lavrado em conformidade com o disposto no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, atendendo, portanto, todos os requisitos formais e materiais exigidos para a autuação. Outrossim, não se encontram presentes nos autos aspectos que implicassem nulidade do lançamento, como os dispostos nos artigos 59, 60 e 61 do referido Decreto. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Preliminar de nulidade do auto de infração por vício formal e por ofensa ao princípio da moralidade administrativa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 157 10 O recorrente alega nulidade por vício formal e ofensa ao princípio da moralidade administrativa, por não ter sido cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202 002.310 e CSRF/0106.028. Das áreas de preservação permanente Embora o recorrente tenha abordado essa matéria como preliminar, tratase de questão de mérito. Ele alega que as suas glebas de terras estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas, por mero equívoco, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.393/96 e Instrução Normativa SRF nº 43/97, artigo 10, inciso I e § 2º. Afirma que a jurisprudência tem entendido que não há necessidade do Ato Declaratório do IBAMA para exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR, pois a sua caracterização é feita pela Lei nº 4.771/65, nos seus artigos 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803/89. Argumenta, ainda, que as áreas de preservação permanente são assim caracterizadas apenas por força de lei, sendo qualquer ato do poder público apenas para fins de certificação desse fato e, portanto, a exigência de ato declaratório do Poder Público afronta a Lei nº 9.393/96, que se reporta aos conceitos da Lei nº 4.771/65. Conclui que esse entendimento foi reconhecido posteriormente com a inserção do § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393/96 e vem sendo acatado pela Fazenda, por meio dos Conselhos de Contribuintes. Inicialmente cabe esclarecer que o contribuinte não apresentou nenhum documento que ateste as suas alegações que as áreas do seu imóvel rural são de preservação permanente e/ou de reserva legal. Embora faça referência, em seu recurso, a uma certidão expedida pelo IBAMA informando que 10.000 ha da sua propriedade são área de preservação permanente, não consta dos autos nenhum documento a esse respeito. Na realidade, os únicos documentos acostados pelo contribuinte foram duas escrituras de compra e venda e as declarações de ITR dos exercícios de 1992 e 1994 referentes ao proprietário anterior, anexadas à impugnação (fls. 40/44, 45 e 46/47). A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 158 11 Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifo nosso). O Decreto nº 4.382/2002, que regulamenta o ITR, também possui determinação expressa: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I – de preservação permanente; II – de reserva legal, [...] § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifos nossos). No presente caso, o requerente não comprovou a protocolização do ADA no IBAMA. Mesmo que se entendesse que a falta de protocolização do ADA pudesse ser suprida pela apresentação de outros documentos que atestasse a existência das áreas de preservação permanente, a verdade é que o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório. Não se pode acatar a suposta área de preservação permanente apenas baseado nas alegações do contribuinte/proprietário, sem que tenha sido apresentada nenhuma prova. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 159 12 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Dessa forma, não cabe acatar, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área alegada pelo recorrente como sendo de preservação permanente. Do Valor da Terra Nua (VTN) Regularmente intimado pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, o contribuinte permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela primeira instância. Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte insurgiuse contra o lançamento feito com base em arbitramento do VTN. Apesar de o recorrente afirmar que a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua (VTN) de outro município (Novo Aripunã), essa alegação não procede. Consoante se pode verificar pelo extrato de fl. 11, o VTN utilizado foi do município de localização do imóvel, qual seja, Coari (AM), porém foi utilizado o valor médio das DITRs. A Lei n.º 9.393/1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Seu parágrafo 1.º estipula que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629, de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei nº 9.393/96 dispunha: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 160 13 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I – valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II – valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Com base nesses dispositivos legais, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras , por meio da Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002 (DOU de 03/04/2002), com o fim de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema sustentase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No presente caso, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras , para o município de localização do imóvel. Entretanto, examinando os dados fornecidos pelo SIPT, conforme extrato acostado à fl. 11, verificase que o VTN médio informado, utilizado pela Fiscalização para apurar o VTN do imóvel na Notificação de Lançamento, baseouse somente no VTN médio informado nas DITRs entregues naquele município no exercício 2004 (R$ 64,78). O SIPT, quando informa somente o VTN médio declarado nas DITR do Município, sem considerar a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, não cumpre os requisitos legais para ser utilizado no arbitramento do valor da terra nua, conforme decisões deste Conselho, abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 161 14 capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Prece dentes do CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO, MANTIDA A DECISÃO DA RECORRID A, EXCETO NO QUE SE REFERE AO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO, DEVENDO SER ADOTADO PARA O CÁLCULO DO ITR DEVIDO O VTN DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. (Acórdão nº 2202002.485, Rel. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT). Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.748, Rel. TANIA MARA PASCHOALIN) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR [...] VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996. (Acórdão nº 2101002.393, Rel. CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY) Assim, deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente. Da multa de ofício aplicada No que concerne à alegação do recorrente de que a multa é exorbitante e desrespeita o princípio constitucional do nãoconfisco, devese esclarecer que a multa aplicada, no percentual de 75%, foi exigida com fundamento no disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721089/200831 Acórdão n.º 2202002.898 S2C2T2 Fl. 162 15 O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será apreciada a alegação do recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. No entanto, como o crédito tributário relativo ao principal deve ser exonerado, em conseqüência a multa também deve ser cancelada. Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10580.014226/2007-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/03/2002
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, não há, no acórdão recorrido, análise e decisão sobre um dos pontos questionados pela recorrente: se os pagamentos em tíquete refeição configuram-se em pagamentos in natura, ou não. Assim, impossibilitada a análise sobre decisões divergentes, não há como conhecer do recurso neste ponto.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. MULTAS. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. COMPARAÇÃO. PENALIDADES.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
O CTN - Art. 106, II, c - determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que para a correta aplicação da determinação da multa pela omissão em GFIP, deve-se comparar as penalidades que existiam antes e depois da MP 449, convertida na lei 11.941/2009.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, a multa deverá ser limitada ser o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, para os meses em que se constata lançamento de ofício, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
PENALIDADE - MESES EXCLUÍDOS DO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - OMISSÃO EM GFIP
Para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício.
Dessa forma, para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calculada com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32-A, inciso I, face o principio da retroatividade benigna, e não o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso, para aplicar a retroatividade benigna considerando a soma das multas dos autos de infração e NFLD, em relação ao percentual previsto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ressalvados os períodos para os quais tenha ocorrido eventual decadência do valor principal do crédito tributário, em que deverá ser mantida a multa prevista pela decisão recorrida. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso.
Nos termos do Art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Marcelo Oliveira (Relator) havia votado por dar provimento ao recurso na parte conhecida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
(assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/03/2002 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, não há, no acórdão recorrido, análise e decisão sobre um dos pontos questionados pela recorrente: se os pagamentos em tíquete refeição configuramse em pagamentos in natura, ou não. Assim, impossibilitada a análise sobre decisões divergentes, não há como conhecer do recurso neste ponto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. MULTAS. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. COMPARAÇÃO. PENALIDADES. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. O CTN Art. 106, II, c determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 42 26 /2 00 7- 42 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Ocorre que para a correta aplicação da determinação da multa pela omissão em GFIP, devese comparar as penalidades que existiam antes e depois da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, a multa deverá ser limitada ser o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, para os meses em que se constata lançamento de ofício, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. PENALIDADE MESES EXCLUÍDOS DO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA OMISSÃO EM GFIP Para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício. Dessa forma, para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calculada com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, face o principio da retroatividade benigna, e não o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso, para aplicar a retroatividade benigna considerando a soma das multas dos autos de infração e NFLD, em relação ao percentual previsto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ressalvados os períodos para os quais tenha ocorrido eventual decadência do valor principal do crédito tributário, em que deverá ser mantida a multa prevista pela decisão recorrida. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por negar provimento ao recurso. Nos termos do Art. 60 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Marcelo Oliveira (Relator) havia votado por dar provimento ao recurso na parte conhecida. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). (assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Fl. 420DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.014226/200742 Acórdão n.º 9202003.541 CSRFT2 Fl. 3 3 Marcelo Oliveira Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 421DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/03/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales refeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos os valores alcançados pela decadência e os correspondes ao auxílio alimentação pagos in natura para, após, a adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.014226/200742 Acórdão n.º 9202003.541 CSRFT2 Fl. 4 5 Como esclarecimento, o litígio em questão versa: 1. Se há incidência, ou não, sobre pagamentos referentes a auxílio alimentação em tíquetes refeição; e 2. Sobre a forma de aplicação de retroatividade da legislação, por sua alteração, no caso de multas por apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes sobre a interpretação, nos pagamentos referentes a auxílio alimentação em tíquetes refeição e nas multas por descumprimento dessa obrigação tributária acessória, ligada à GFIP; 2. Quanto ao auxílio alimentação, registrese que todos os Colegiados, prolatores dos acórdão paradigmas, concordam que não deve incidir contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílio alimentação, na linha do que preceituado pelo Ato Declaratório PGFN nº 03/2011; 3. A divergência reside, justamente, sobre a abrangência desse conceito, isto é, se o fornecimento de auxílio alimentação por meio de ticket (cartão de alimentação) se enquadra ou não no conceito de “pagamento in natura”; 4. A decisão deve ser retificada em outro ponto, pois devem ser comparadas, para efeito da aplicação do Art. 106 do CTN, as penalidades aplicadas, antes e após a alteração legislativa, o que não ocorreu no acórdão recorrido; e 5. Por fim, solicita o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento total ao recurso especial. O sujeito passivo – devidamente intimado não apresentou recurso especial, nem suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, há questão, em um dos fundamentos do recurso se há incidência, ou não, sobre pagamentos referentes a auxílio alimentação em tíquetes refeição – que devemos analisar. Para o processamento do recurso especial há a obrigatoriedade de que hja divergência entre as decisões, conforme determina o Regimento Interno do CARF (RICARF). RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Pois bem, na análise do acórdão recorrido, na parte que trata do assunto pagamentos referentes a auxílio alimentação – não há verificação e fundamento algum sobre o pagamento de alimentação por tíquete refeição, ao contrário, a decisão afirma que a alimentação era fornecida em refeitório, como demonstra a integralidade do texto, abaixo: “No mérito Auxílio Alimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados in natura ou através de reembolso da despesa pelo fato de que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. De acordo com o relatório a alimentação era fornecida em refeitório, fls. 18: Os valores de remuneração pagos a titulo de alimentação foram encontrados nos livros Razão/Diário na conta de despesa Refeições (40602200) e nas planilhas de pagamentos efetuados a empresa CIQUINE CIA PETROQUÍMICA. Do inicio da sua atividade até o mês de agosto de 2001, a empresa funcionava dentro do espaço de outra empresa (CIQUINE) e utilizava o serviço de refeitório local, mensalmente emitia um relatório descriminando todos os serviços utilizados para pagamento das despesas, inclusive as de alimentação. Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.014226/200742 Acórdão n.º 9202003.541 CSRFT2 Fl. 5 7 aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, inclinome à jurisprudência do STJ acolhida pela PGFN para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação que não tenha sido oferecido em dinheiro, mas através das modalidades previstas pela legislação, como alimentação in natura e vales refeição ou congêneres.” Como claro está no texto, a decisão não analisa o pagamento em tíquete e afirma que a alimentação era fornecida em refeitório. Poderseia até questionar a omissão ou a clareza da decisão, mas esse pontos deveriam ter sido questionados pelo instrumento próprio, que são os embargos de declaração, conforme determina o Art. 65, do RICARF.. Portanto, como não há meio para comparar as decisões, recorrida e paradigmas, não conheço do recurso, neste ponto. Já quanto à questão da forma de aplicação da multa, presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Primeiramente, cabe esclarecer que a data da ciência da autuação foi em 07/12/2007, e a multa foi calculada com fatos que ocorreram nas competências 08/1999 a 03/2002. A regra decadencial aplicada – I, Art. 173, do CTN – já exclui da autuação os fatos geradores da multa até 11/2001. A recorrente alega que a aplicação da retroatividade da legislação, como determina o Código Tributário Nacional, em seu Art. 106, II, c, quanto à multa por descumprimento da obrigação acessória, foi efetuada de forma incorreta e solicita sua alteração. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Quanto à forma de cálculo da retroatividade benigna, temos a informar que houve alteração nas autuações por descumprimento da obrigação acessória de, em síntese, preencher GFIP com erros nos dados relacionados aos fatos geradores, pois foi editada a Medida Provisória (MP) 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4º, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em Lei. A MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.014226/200742 Acórdão n.º 9202003.541 CSRFT2 Fl. 6 9 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de falta de pagamento ou recolhimento e de apresentação de declaração inexata, a penalidade de multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, Art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Anteriormente à edição da MP 449/09, esses mesmos motivos ensejavam a lavratura de penalidades: autuação por descumprimento de obrigação tributária acessória, apresentação de declaração inexata, e lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal, falta de recolhimento. O CTN determina: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para tanto, no caso da lançamento conexo, deve prevalecer o valor de multa aplicado, nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Já no caso da autuação em tela, também conexa, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Conseqüentemente, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação correlata, lavrada por falta de inadimplemento da obrigação principal. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte, na forma e nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Diante o exposto, conheço do recurso parcialmente, somente na questão da multa, e, neste ponto, voto pelo provimento do recurso da PGFN, nos termos solicitados. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.014226/200742 Acórdão n.º 9202003.541 CSRFT2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Considerando todas as colocações do ilustre relator, devo dizer que concordo com a interpretação por ele adotada quanto ao comparativos das multas, e a retroatividade benigna, levandose em consideração as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Contudo, em certos casos, como o que agora apreciamos, observamos que a aplicação do prazo decadencial, nos autos de infração de obrigações principais (NFLD) e de obrigações acessórias, dáse por dispositivos legais diferentes, o que leva a exclusão de período diversos em relação aos dois lançamentos. É fato que, nos autos de infração de obrigações principais, onde constatado o recolhimento parcial antecipado, ou para os casos em que o lançamento é consubstanciado em rubricas não reconhecidas pelo recorrente, o dispositivo legal mais adequado a se determinar os fatos geradores alcançados pela decadência é o § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em relação as rubricas não reconhecidas, embora existisse dúvidas quanto a se considerar ou não o recolhimento antecipado, o CARF aprovou a súmula n. 99: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Já em relação ao AI de obrigação acessória, que na verdade constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados, a decadência deve ser analisada a luz do art. 173, I do CTN, senão vejamos: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Frente a evidente diferença entre as contagens dos prazos, temos, como regra geral o maior alcance de exclusão de fatos geradores nos AI de obrigação principal do que nos de acessória. É nesse ponto que a tese quanto ao somatório das multas para verificação do dispositivo legal mostrase frágil, devendo ser ajustada, de forma a refletir de forma mais acertada o alcance da legislação. Ou seja, para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício, o que leva a sua inexistência (pelo alcance da decadência a luz § 4º, do artigo 150, do CTN). CONCLUSÃO Dessa forma, entendo mais acertado, que para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calcula com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, da lei 8212/91, com redação dada pela MP 449, convertida na lei 11.941/2009 face o principio da retroatividade benigna, e não o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MO NTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10315.000116/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-001.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, no tocante à conceituação da solidariedade, acompanharam pelas conclusões
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ARGUIÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ausente fundamentação robusta capaz de demonstrar que o ato decisório prolatado na instância a quo de alguma forma concorreu para o cerceamento do direito de defesa, descabe falar em decretação da sua nulidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinadas pessoas com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a solidariedade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referidas pessoas no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUTORIZAÇÃO. O ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 01 16 /2 01 0- 39 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 818 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, no tocante à conceituação da solidariedade, acompanharam pelas conclusões “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 819 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas em razão do arbitramento do lucro e da apuração de omissão de receitas. O Relatório constante na decisão de primeira instância assinala, in verbis: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os seguintes autos de infração: 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 02/10, no valor total de R$ 421.320,75, incluindo encargos legais; 2. Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL, fls. 11/18, no valor total de R$ 217.783,73, incluindo encargos legais. As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/06, foram os seguintes. 1) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 12/2005. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99 RIR/99. 2) Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Devidamente intimado a comprovar a origem dos lançamentos a crédito das contas bancárias movimentadas pela empresa, o contribuinte não o fez, conforme detalhado no Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 61/65. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 532 e 537 do RIR/99. 3) Receitas Operacionais (Atividade não Revenda de Mercadorias. Valores correspondentes as receitas escrituradas. Enquadramento Legal: Art. 532 do RIR/99. No que concerne ao Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 61/65, referenciado no auto de infração destacamse os seguintes trechos: O contribuinte, diversas vezes intimado e reintimado, deixou de apresentar os livros e demonstrativos solicitados, fornecendo à fiscalização apenas os Livros Diário, Razão, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Entradas e de Saídas. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 820 4 Tais livros apresentam diversas irregularidades que torna a contabilidade da empresa imprestável para a análise tributária, quais sejam: Livro Diário sem registro na Junta Comercial; Livros Diário e Razão com termo de abertura indicando a existência de apenas 26 folhas em cada, e contendo duas folhas com esta mesma numeração em cada livro; Ausência de Balanço, DRE e Plano de contas; Verificouse nos últimos lançamentos do Livro Diário (pág. 15, 33, 51 e 92) que a empresa apurou prejuízos contábeis. No entanto, como não apresentou LALUR, assim não se pode saber qual teria sido o prejuízo fiscal; Os valores de estoque escriturado sempre caem (pág 82 do Razão); Isso faz o Custo a Mercadoria Vendida ser alto. A empresa pode ter usado esta estratégia para fabricar prejuízo. É impossível verificar se os valores de estoque escriturados estão corretos sem o Livro Registro e Inventário. Todas as vendas escrituradas são à vista com contrapartida na conta caixa. E todas as compras são a prazo, acumulando saldo em caixa, o que pode camuflar saldos credores de caixa; Não ha débito na conta "fornecedores" indicando baixa/pagamento das compras com contrapartida na conta "caixa"; A empresa não escriturou a movimentação bancária em conta especifica, e os lançamentos constantes dos extratos bancários não foram localizados na conta caixa ou qualquer outra do ativo. Além das irregularidades constantes dos livros apresentados, o contribuinte não atendeu às solicitações, várias vezes reiteradas para apresentação do Livro Registro de Inventário, Lalur, DRE, Balanço Patrimonial, Plano de Contas, Extratos bancários, bem como dos seguintes demonstrativos solicitados: Demonstrativo, mês a mês, do estoque de mercadorias, indicando, para cada produto, a descrição, a quantidade em estoque na data, a unidade de medida, o valor unitário e o valor total; Demonstrativo de Notas Fiscais de entrada e saída, especificando data de emissão, produtos, sua quantidade, valor unitário, valor total da nota, CFOP, identificando Fornecedor ou Cliente; Memória de cálculo dos lançamentos de valor apropriado, mês a mês, em Custo da Mercadoria Vendida, identificando os valores de Estoque Inicial, Final e Compras; Demonstrativo contendo conta creditada, conta debitada, histórico, ata e valor referentes a cada lançamento a crédito as contas bancárias. A empresa também não atendeu as intimações para apresentar documentação comprobat6ria dos saldos a conta do passivo "Fornecedores Diversos" (2.1.01.01.0001) ou informar data das baixas e forma de pagamento, indicando lançamento correspondente (contrapartida) em conta do ativo. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 821 5 Além de todas estas irregularidades descritas, que tornam a contabilidade imprestável à determinação do lucro real, fazse também impossível a identificação nela da efetiva movimentação financeira, principal objeto da fiscalização. E, finalmente, constatouse o evidente intuito de sonegação e fraude, caracterizado pela utilização indevida de contas bancárias de titularidade das pessoas físicas Rosana de Araújo Sampaio e Raimundo Ferreira da Silva, para Movimentar recursos oriundos da atividade comercial da empresa, mantendoos à margem da escrituração, e, conseqüentemente, omitindo receitas, o que obriga, inclusive, a qualificação da multa de oficio, conforme inciso II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. DO LANÇAMENTO Foi efetuada a lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, Pis e Cofins, em 18/02/2010, constituindo o crédito tributário através do arbitramento com base nos valores escriturados correspondentes à receita da revenda de mercadorias e nos valores referentes à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista a constatação de que a empresa Raimundo Ferreira da Silva, CNPJ 00.659.574/000176, é de fato a real proprietária dos recursos omitidos na contabilidade e movimentados nas contas bancárias: Conta 51.5403, agência 0020, Banco BEC Conta 51.0571, agência 0014, Banco BEC Conta 28.0010, agência 0014, Banco BEC Conta 0000372750, agencia 00894, Banco HSBC Conta 6.4181, agência 15989, Banco do Brasil Conta 230939, agência 00894, HSBC. Tendo em vista o evidente intuito de sonegação e fraude (art. 71 a 73 da Lei n° 4502/64), caracterizado pela utilização de interpostas pessoas para movimentação de recursos pertencentes à empresa, mas não escriturados, foi aplicada a multa qualificada de 150%, conforme inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9430/96 e elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Foram considerados nos autos de infração, reduzindo o crédito tributário, os valores constantes nos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal como pagos pelo contribuinte, embora tais valores não tenham sido informados em DIPJ, DCTF ou DACON. Foi elaborada representação para a SARAC proceder ao bloqueio de tais valores ora utilizados como dedução do crédito tributário apurado. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, informado sobre a Representação Fiscal para Fins Penais e, no mesmo ato, intimado a comparecer à DRF para receber os livros utilizados durante a fiscalização e documentos de origem bancária não utilizados. Considerando, ainda, o interesse comum do casal, e de acordo com o disposto no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, foi lavrado, em 18/02/2010, TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, constituindose solidariamente obrigados pelo crédito tributário a Sra. Rosana Alves Sampaio, CPF 308.168.82304 e o Sr. Raimundo Ferreira da Silva, CPF 223.680.00372, para os quais foram enviadas, por via postal, cópias de tais termos, juntamente com cópias dos autos de infração e seus anexos, inclusive o presente relatório, que é parte integrante do Auto de Infração. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 23/02/2010, fls. 664, apresentou o contribuinte em 23/03/2010 impugnação, fls. 667/677, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 822 6 A defesa questiona inicialmente a obtenção dos extratos bancários junto a instituições financeiras pela fiscalização, explicando que em 27/05/2009 apresentou todos os livros da qual tinha a posse, tendo solicitado uma nova prorrogação de prazo para que o contribuinte fizesse a aquisição e conseqüente remessa da documentação faltante para o Fisco. Considera a requisição de informações sobre movimentação financeira aos bancos HSBC, BRADESCO e BANCO do BRASIL é baseada em Lei Inconstitucional, sendo objeto de interposição de ADIN a qual se encontra em trâmite, aguardando o seu julgamento. Afirma que, de posse ilegal ou no mínimo questionável de referidos documentos, e, sem o conhecimento da contribuinte, cuja mesma tentava igual objetivo junto as entidades financeiras as quais estavam a lhe impor taxas exorbitantes e uma boa dose de burocracia para tal fim, o Fisco passou a elaborar planilhas as quais foram enviadas ao contribuinte, solicitando a comprovação da origem dos recursos lançados a crédito das contas por ele mantidas, sendo tal intimação reiterada, exigindo cópia de documentos que embasaram todos os lançamentos a débito e a crédito de tais contas. A defesa não considera normal, ainda que exista qualquer previsão legal para tal exigência, que um contribuinte, pessoa jurídica, detentora de uma ou várias contas bancárias, tenha documentos que comprovem a origem de todo e qualquer recurso por ela depositado em qualquer conta sua. Não acredita sequer que, uma ínfima minoria completamente inexpressiva consiga se documentar de todos os depósitos realizados em sua(s) conta(s) corrente(s), quanto mais um contribuinte limitado quanto a procedimentos fiscais e totalmente dependente das informações e orientações tecidas pela sua contabilidade que aqui se mostrou completamente falha, uma vez que, embora plenamente autorizada pelo contribuinte a cumprir com todas as exigências requeridas pelo Fisco, omitiu da própria contribuinte, suas falhas em escriturar e contabilizar as obrigações da empresa, não lhe indicando sequer os livros necessários à modalidade contábil em que se enquadra a contribuinte. A documentação requerida pela Auditorafiscal constante no Item 32 do Relatório de Procedimento Fiscal foi devidamente requerida pela contribuinte à sua contabilidade, cuja determinação era de que tão logo referida documentação estivesse em mãos fosse encaminhada à Secretaria da Receita Federal atendendo assim à intimação recebida e para os seus devidos fins. Após várias abordagens com o escritório contábil responsável pela contabilidade da contribuinte, e, em se informando quanto ao atendimento das intimações recebidas e a eles repassadas, obtinha sempre como resposta que toda documentação exigida pelo Fisco havia sido encaminhada, não restando dúvidas para o contribuinte de que a mesma estava cumprindo com o seu dever. Os procedimentos fiscais exigidos pelo Fisco em suas formalidades são de total responsabilidade do setor contábil, o qual é possuidor do conhecimento técnico para realização de tais exigências, e é pago para tanto. Referidos requerimentos, através das várias intimações, foram também repassados para serem cumpridos pela contabilidade responsável pela escrituração da contribuinte, o que aqui, mais uma vez, acreditava o contribuinte, está atendendo em sua plenitude às intimações recebidas. Porém, quanto a exigência de ter documentos para provar a. origem de cada depósito realizado individualmente em suas contas correntes, a contribuinte não possui, assim como 99,99% dos contribuintes brasileiros também não possuem, e os Fl. 834DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 823 7 motivos para isso são os mais variados possíveis, havendo inclusive Jurisprudências as mais diversas sobre esse assunto, como mais adiante citaremos, que mostram a impossibilidade de se cumprir integralmente essa exigência. Dos Princípios Basilares que Norteiam o Direito Administrativo. De acordo com a impugnante o direito administrativo impõe regras rígidas e se rege por quatro princípios básicos que o norteiam, sendo que a falta de observação de qualquer deles impõe nulidade total do ato praticado, gerando, inclusive, penalidade ao agente público que o pratica; é a garantia que é dada ao cidadão contribuinte de que a máquina administrativa não será usada com a finalidade de lesálo, nem tão pouco de auferir vantagens e rendas através de meios ilegais. Nesse sentido a defendente faz uma análise sobre os seguintes princípios: Legalidade, Moralidade, Finalidade e Publicidade. Em seguida, afirma que o contribuinte emitiu, como faz todo e qualquer titular de conta corrente, vários cheques para várias pessoas, tanto físicas como jurídicas, o que até então não constitui qualquer irregularidade ou crime, entretanto, em momento algum foi a mesma cientificada, seja pela instituição financeira, seja pela contabilidade ou mesmo pelo Fisco de que, teria ela que realizar um verdadeiro inventário quanto aos cheques emitidos, tirando Xerox dos mesmos, anotando os CPF's e/ou CNPJs dos recebedores dos seus cheques, etc., bem como as suas finalidades. Por esse motivo, não podia estar munido de qualquer documento exigido hoje pelo Fisco para comprovar a destinação dos pagamentos e/ou compras realizadas pela contribuinte. Assim, considera que não procede, por qualquer ângulo de observação, a afirmação da Auditora Fiscal de que o contribuinte, pessoa física responsável pela pessoa jurídica que ora se defende, bem como seu cônjuge, ambos, pessoas físicas, movimentavam a pessoa jurídica que leva o mesmo nome da sua pessoa física RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA. Por isso mesmo, seria completamente ilegal e indevido qualificar/nomear/sujeitar ambos contribuintes (pessoas físicas) como SOLIDÁRIOS PASSIVOS DA OBRIGAÇÃO, o que fica desde já CONTESTADO. Ademais, vale ressaltar que, a suposta omissão de receita da qual foi a contribuinte erroneamente e indevidamente acusada, foi embasada única e exclusivamente nos depósitos bancários, os quais continham depósitos (que foram equivocadamente considerados como renda) e que não foram escriturados e nem comprovada a origem, tudo isso, de acordo com o Relatório de Procedimento Fiscal. Alega que a AuditoraFiscal, por sua ação, exigiu vários documentos fiscais, impondo uma série de exigências de difíceis e, porque não dizer, impossíveis cumprimentos (quanto às suas formalidades), atribuindo prazos mínimos para a apresentação dos mesmos, tanto é verdade que atendeu por mais de uma vez aos reiterados pedidos de prorrogação conforme se depara com a própria redação constante do RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL, entretanto, tais prorrogações não foram suficientes para o atendimento por parte da contabilidade da contribuinte, à qual determinou taxativamente que os pedidos realizados pela fiscalização fossem de plano atendidos sem quaisquer restrições, inobstante as ameaças de penalidades caso não fossem os mesmos entregues na forma e prazos Fl. 835DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 824 8 estabelecidos. Exigências essas, que não foram possíveis de serem atendidas pela contabilidade da contribuinte, mediante a escassez de prazo e formalidades não concluídas. Considera que o lançamento tributário levado a efeito contra a contribuinte, e que supostamente materializa a exigência tributária não satisfeita, É INDEVIDO, pois a contribuinte não teve os rendimentos que ali lhe são atribuídos. A AuditoraFiscal, em procedimento uniformizado, automatizado e mecânico, simplesmente considerou que todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte seriam "rendimentos líquidos omitidos", e assim lavrou o Auto de Infração. Tal procedimento considera claramente ilegal e improcedente. A defesa alega ainda que não é admissível, em Direito Tributário, um auto de infração baseado apenas em frágeis PRESUNÇÕES. A esse respeito, o entendimento dos Tribunais Brasileiros, de tão pacifico, teria sido consolidado pelo Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve ementa de julgados do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No presente caso não é apontado qualquer outro vício, indício, presunção, nada que justifique a autuação, ou mesmo se foi apontado, não constituiu o fundamento da lavratura do auto que ora se ataca, incorrendo na nulidade tantas vezes pronunciada pelo Poder Judiciário e pelo E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Afirma: "Nem se argumente, no caso, que o ônus de provar a origem dos recursos depositados seria do contribuinte". Continua. Entretanto, se em algum momento, por motivos desconhecidos da contribuinte, foram dados em pagamentos, rara e escassamente, cheques da pessoa física, responsável pela pessoa jurídica, de maneira puramente equivocada, para pagamento de despesas e/ou compra esporádica e rara, realizada pela pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, não se pode atribuir tal ato a uma suposta voluntariedade da contribuinte no tocante a sua concretização, uma vez que se mostrou provado que ele está completamente surpreso e desconhecedor de tal ato. Por esse motivo, repudia, contesta e não aceita que houvesse o contribuinte corroborado de qualquer forma para uma suposta e infundada e mentirosa afirmação de sonegação ou fraude cometida pela empresa RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, sendo por esse mesmo motivo inaplicável e descabida a multa imposta a essa empresa, ainda mais no percentual de 150%, o que toma referido AI uma verdadeira FICÇÃO TRIBUTÁRIA, ou no linguajar dos mais salientes, um verdadeiro terrorismo de Estado. Em conclusão: sendo nulo o lançamento, não há dívida tributária, não estando materializada a conduta típica. Afinal, não se pode punir um contribuinte por não ter pagado um débito indevido. Da Impossibilidade de Condenação Fundada em Presunções. De acordo com a defesa, há ainda um dado, da maior relevância, que não pode ser desconsiderado: a impossibilidade de alguém ser punido com base em presunções. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 825 9 Ainda que fosse possível o que nem pra argumentar se admite exigir um tributo (no plano cível) com base apenas em presunções, poderia implicar, sob pena de destruição do princípio da presunção de inocência, a possibilidade de se sancionar penalmente uma pessoa por não ter pagado esse tributo cuja existência é apenas presumida. A presunção pressupõe a existência de um fato conhecido e provado para que dele seja extraída a ilação de veracidade quanto ao fato desconhecido, sendo imprescindível a verificação da causalidade entre ambos, vez que "o direito não tolera que ,se presuma o fato e dele se induza a presunção, nem se admite que se deduza presunção de presunção". Nunca houve, em momento algum, seja por parte da contribuinte, do seu cônjuge ou da empresa pertencente a ele, qualquer intenção de sonegar ou fraudar o Fisco, seja por qual motivo fosse. Afirma que, quando era constatado algum débito junto ao Fisco, geralmente proveniente de erro contábil, e nunca proveniente de dolo, de máfé ou de qualquer outro artifício fraudulento que levasse prejuízo aos Cofres Públicos tais como a abominável prática da sonegação fiscal e outras pragas repudiadas pelo nosso sistema tributário e social, isso devidamente provado pelo próprio Fisco, o responsável pela pessoa jurídica, de imediato, se dirigia à Secretaria da Receita Federal, e lá chegando, de plano, fazia um acordo e parcelava o seu respectivo débito, como da mesma forma o honrava até o seu término, provando com esse ato que em tempo algum, quis cometer qualquer irregularidade ou dela foi adepto. Dos Pedidos Diante de todo o aqui exposto requer que seja desconstituído e julgado totalmente improcedente o lançamento, por não existirem motivos fático e de direito sérios e capazes que possam relacionar o contribuinte com qualquer ilícito citado no Auto de Infração. Requer também a desconstituição das penalidades impostas. Os devedores solidários Raimundo Ferreira da Silva e Rosana Alves Sampaio apresentaram, também, impugnação as exigências (fls. 691/701 e 712/722, respectivamente), mantendo basicamente os argumentos acima expendidos e solicitando, ao final, a exclusão da sujeição passiva solidária. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas por meio das impugnações interpostas, decidiu, por meio do acórdão nº 0818.595, de 23 de julho de 2010, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PROVA POR PRESUNÇÃO. O processo administrativo fiscal admite todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a prova por presunção. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ALEGAÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 826 10 Não tendo a defesa apontado em que sentido os princípios da Moralidade e da Finalidade foram desrespeitados, e tendo o lançamento sido efetuado com estreita observância à legislação tributária, do qual o autuado teve pleno conhecimento do seu conteúdo, não há como prosperar a alegação de que a exação estaria maculada por não respeitar os princípios constitucionais da Legalidade, Moralidade, Finalidade e Publicidade. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO. Tendo sido as informações e os documentos requisitados às instituições financeiras com observância das normas legais e regulamentares, não há que se falar em vício na obtenção dos extratos bancários que serviram de base para o lançamento. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. Configura interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo a apuração de que o representante legal da pessoa jurídica e seu cônjuge movimentaram recursos da empresa em suas contas correntes, justificando o arrolamento como devedores solidários. JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL E MANIFESTAÇÕES DA DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos de 2ª instância administrativa, em decisões judiciais, ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEVER DE ESCRITURAR. 1. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações do contribuinte. 2. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ARGUIÇÃO DE EXIGUIDADE DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Estando devidamente comprovado nos autos que a autuada foi por diversas vezes intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, descabe o argumento de que o tempo teria sido exíguo para atender ao solicitado. MULTA QUALIFICADA. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 827 11 A apuração de que a pessoa jurídica se utilizou de contas bancárias de terceiros, cujos valores não foram devidamente escriturados nem declarados, caracteriza o evidente intuito de fraude que justifica a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade ou não da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre elas. Inconformadas, apresentaram recurso voluntário, em 08 de setembro de 2010, a pessoa jurídica autuada e as pessoas físicas incluídas no pólo passivo das obrigações tributárias formalizadas. A Pessoa Jurídica fiscalizada, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustenta ainda: que a decisão recorrida, nos termos do art. 458, II, do CPC, deve ser fundamentada, o que não ocorreu no caso, especialmente quanto ao dever do Fisco de provar as suas alegações; que a decisão de primeira instância seria nula, primeiro, em razão da incapacidade de provar a totalidade das infrações apontadas nas peças acusatórias, e, segundo, haja vista o cerceamento do direito de defesa, ao tentar transferir o ônus da prova; que o ato decisório recorrido, ao deixar de apreciar a constitucionalidade das normas que serviram de base para a imputação das infrações, viola o princípio da legalidade; que a questão relacionada à imputação de solidariedade às pessoas físicas não foi apreciada por ocasião do julgamento realizado. Os apontados como responsáveis tributários, ROSANA ALVES SAMPAIO e RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, embora tenham interposto recursos separadamente, apresentam peças recursais com idêntico teor ao recurso impetrado pela pessoa jurídica autuada. É o Relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 828 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativas ao ano calendário de 2005, formalizadas em razão do arbitramento do lucro e da apuração de omissão de receitas. Além da pessoa jurídica fiscalizada, foram incluídos no pólo da obrigação tributária formalizada o Sr. Raimundo Ferreira da Silva e a Sra. Rosana Alves Sampaio. Aprecio, pois, os recursos voluntários impetrados, esclarecendo mais uma vez que, não obstante a apresentação individualizada das peças de defesa, todas apresentam o mesmo teor. Esclareço, também, que a argumentação expendida nas peças recursais é, em significativa parte, direcionada para tecer severas críticas ao ato decisório recorrido e para discorrer sobre princípios constitucionais, de modo que a apreciação adiante apresentada foi efetuada tomandose por base alegações objetivas trazidas pelas defesas impetradas, eis que, na minha particular opinião, somente elas podem (e devem) ser objeto de análise. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Os Recorrentes apontam duas situações que, segundo eles, tornam o julgamento em primeira instância nulo: o que denominaram “incapacidade de provar a totalidade das apontadas infrações cometidas pelo contribuinte; e o “cerceamento do direito de defesa quando uma vez criada a situação intransponível, transfere ou tenta transferir o ônus da prova para a parte adversa que além de não haver praticado determinados atos estaria se assim fosse, obrigada a provar o que desconhece”. Não são merecedores de acolhimento os argumentos. As infrações imputadas pela Fiscalização são claras e sua comprovação, que cabia à autoridade fiscal e não à julgadora, está representada, entre outros elementos, por inúmeras intimações dirigidas à fiscalizada e por extratos bancários e cópia de cheques carreadas ao processo. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa quando, em decorrência de disposição expressa da lei, como adiante restará demonstrado, cabe ao fiscalizado aportar prova capaz de impedir a imputação da infração. Rejeito, assim, a nulidade arguida. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Alegam os Recorrentes que as provas trazidas ao processo para provar e desconstituir a solidariedade dos sócios não foram mencionadas ou apreciadas no julgamento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 829 13 de primeira instância, enquanto que as que foram apontadas pela Fiscalização foram acatadas como provas idôneas capazes de julgar procedente a imputação feita. Sustentam que a imputação de responsabilidade tomou por base o fato de o Sr. Raimundo Ferreira da Silva e a Sra. Rosana Alves Sampaio movimentarem recursos da empresa por meio de suas contas bancárias, porém a Fiscalização não especificou que tipo de operações foram realizadas, quantas operações foram realizadas e quais os benefícios foram gerados. Os Recorrentes falam em “provas” para desconstituir a solidariedade dos sócios, o que leva à suposição de que foram reunidos ao processo elementos capazes de demonstrar que efetivamente o Sr. Raimundo Ferreira da Silva e a Sra. Rosana Alves Sampaio não movimentaram em suas contas bancárias recursos pertencentes à pessoa jurídica fiscalizada. Contudo, perscrutando os autos, não identifico documentos que possam corroborar a alegação de que, no caso, a movimentação em referência decorreu de simples equívoco, até porque nenhuma justificativa ou mesmo simples argumentação são apresentadas para explicar o motivo pelo qual referidos recursos não foram contabilizados na empresa fiscalizada. Por outro lado, o que cabia à Fiscalização, isto é, reunir provas acerca do trânsito de recursos da empresa nas contas bancárias das pessoas físicas, foi feito. Assim, agiu bem a autoridade julgadora de primeira instância ao acolher as provas da Fiscalização e rejeitar a argumentação expendida nas peças impugnatórias. Relativamente à especificação, quantificação e identificação dos benefícios, por parte da Fiscalização, dos recursos movimentados nas contas bancárias das pessoas físicas, julgo suficiente, para fins de imputação da sujeição passiva solidária, as cópias de cheques de fls. 627/661 e as informações colhidas junto aos beneficiários de cheques provenientes das referidas contas, eis que efetivamente demonstram que recursos da pessoa jurídica foram mantidos à margem da escrituração, já que foram movimentados por meio de contas bancárias de pessoas físicas. No que diz respeito à fundamentação utilizada pela autoridade fiscal, alinho me ao entendimento de que o art. 124 do Código Tributário Nacional não se presta para definir quem é sujeito passivo, eis que isso é feito pelo art. 121 do mesmo diploma. O art. 124 do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido, cuida na verdade de estabelecer que, na circunstância em que haja multiplicidade de sujeitos passivos concorrendo na mesma obrigação tributária, eles serão solidariamente obrigados. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Penso também, que a imputação de sujeição passiva solidária não fica invalidada pelo fato de a autoridade fiscal não ter sido precisa na indicação do dispositivo legal autorizador de tal providência. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 830 14 Não obstante, retornando à questão da aplicação do art. 124 do CTN, entendo que o inciso I do referido dispositivo diz respeito à solidariedade das pessoas que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação, isto é, dos contribuintes; enquanto o inciso II está relacionado aos responsáveis, ou seja, àqueles que, sem revestir a condição de contribuinte, são obrigados em decorrência de disposição expressa da lei. Analisando a imputação feita pela Fiscalização, observo que não houve a intenção de se imputar “responsabilidade” tributária, mas, sim, sujeição passiva solidária, isto é, para a autoridade autuante, o Sr.Raimundo Ferreira da Silva, sócio da fiscalizada, e sua esposa, a Sra. Rosana Alves Sampaio, por terem movimentado recursos pertencentes à pessoa jurídica em suas contas bancárias, participaram diretamente dos fatos motivadores da subtração de receitas à tributação, atraindo, assim, relação pessoal e direta com a situação que constituiu fato gerador da obrigação (auferimento de receitas). Cabível, a meu ver, na circunstância versada nos autos, a imputação de sujeição passiva solidária nos termos do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE Argumentam os Recorrentes que não eram conhecedores das irregularidades contábeis apontadas pela Fiscalização, e que achavam que tudo estava normal, pois o contador foi pago para elaborar a contabilidade da empresa, de modo que ela, a empresa, ficasse regular perante os órgãos fazendários. Dizem que isso prova a ausência de dolo nos atos praticados. Alegam que as afirmações relacionadas à utilização das contas bancárias da Sra. Rosana de Araújo Sampaio e do Sr. Raimundo Ferreira da Silva para movimentar recurso da empresa, decorrem tão somente de extratos bancários obtidos de forma ilegal e inconstitucional. Sustentam que, no caso, caberia à Fiscalização especificar e detalhar “que tipo de movimentação financeira inerente à atividade comercial da pessoa jurídica havia sido praticada pelas pessoas físicas”, pois “o ônus da prova incumbe a quem alega, e nem de longe se trata o presente caso de inversão do ônus da prova”. Quanto às irregularidades na escrituração, admitindo que não há como refutálas, esclarecem que não foi o titular da pessoa jurídica que escriturou os livros, inexistindo, portanto, qualquer intuito por parte dele de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador. Tomando por base as informações registradas no RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL de fls. 61/65, temos que: i) a ação fiscal levada a efeito na pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA decorreu de análises realizadas em dados referentes à Sra. Rosana Alves Sampaio e ao Sr. Raimundo Ferreira da Silva; ii) a Sra. Rosana Alves Sampaio foi selecionada para fins de fiscalização em razão de ter apresentado elevada movimentação financeira no ano de 2005, sendo que, por ela constar como dependente do Sr. Raimundo Ferreira da Silva na declaração apresentada por este à Receita Federal, foi também instaurado procedimento fiscalizatório para o referido senhor; iii) com base em extratos bancários da Sra. Rosana Alves Sampaio, foram requisitadas informações relacionadas à origem dos créditos ali efetuados; Fl. 842DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 831 15 iv) a Fiscalização, de posse de informações relacionadas a débitos efetuados nas contas bancárias da Sra. Rosana Alves Sampaio, promoveu diligências nos beneficiários dos cheques emitidos; v) a partir das diligências, restou verificado que cheques haviam sido emitidos para fins de pagamento de compras promovidas pela pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, pertencente ao Sr. Raimundo Ferreira da Silva, esposo da Sra. Rosana Alves Sampaio; vi) com base nas informações coletadas, foi instaurado procedimento fiscal na pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA; vii) a partir do procedimento de fiscalização instaurado contra o Sr. Raimundo Ferreira da Silva, foram obtidos extratos bancários de contas bancárias de sua titularidade, tendo sido ele intimado a prestar esclarecimentos acerca da origem dos créditos ali registrados; viii) adotando procedimento idêntico ao que havia sido empregado em relação à movimentação financeira da Sra. Rosana Alves Sampaio, a Fiscalização promoveu diligências em beneficiários de cheques emitidos pelo Sr. Raimundo Ferreira da Silva, e, da mesma forma, constatou que a maior parte dos pagamentos era representada por fornecedores da pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA; ix) concluiu a Fiscalização, assim, que as contas bancárias de titularidade de ROSANA ALVES SAMPAIO e do seu cônjuge RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA foram utilizadas para movimentar recursos oriundos da atividade comercial da empresa RS ALIMENTOS, cuja razão social é RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA; x) a empresa RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA apresentou DCTFs, DIPJ e DACON zeradas; xi) embora intimada reiteradas vezes, a pessoa jurídica autuada não prestou qualquer esclarecimento acerca da origem dos recursos creditados nas contas bancárias auditadas. A qualificação da penalidade por parte da autoridade fiscal foi efetuada com base no fato de a pessoa jurídica ter utilizado as contas bancárias do seu sócio, Sr. Raimundo Ferreira da Silva, e da sua esposa, Sra. Rosana Alves Sampaio, para movimentar recursos não contabilizados, recursos esses derivados da sua atividade econômica. Notase, portanto, que diferentemente do que parece ter entendido os Recorrentes, a exasperação da penalidade não teve por lastro as irregularidades identificadas na escrituração contábil, mas, sim, a interposição de pessoas na movimentação de recursos não contabilizados da pessoa jurídica. Cumpre registrar que, no caso, não estamos diante de circunstâncias capazes de atrair a aplicação da súmula CARF nº 14, eis que efetivamente, aqui, não se trata de uma “simples apuração de omissão de receita”, mas, sim, de interposição de pessoas na movimentação de recursos pertencentes à pessoa jurídica fiscalizada. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 832 16 Penso que o apropriado seria fazer referência à súmula CARF nº 34, que preconiza: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. As irregularidades na escrituração deram motivo ao arbitramento do lucro, cabendo assinalar que a transferência de responsabilidade para o técnico responsável pela referida escrituração contábil não torna o procedimento adotado pela autoridade fiscal (arbitramento do lucro) insubsistente. Ainda assim, não me parece razoável que o Sr. Raimundo Ferreira da Silva, tendo movimentado recursos da pessoa jurídica do qual é sócio em suas contas bancárias e nas contas bancárias de sua esposa, tivesse a expectativa de que a contabilidade da pessoa jurídica encontravase regular. Relativamente ao acesso à movimentação bancária, é certo que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), a utilizar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, inexistindo, pois, violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais. Equivocamse os Recorrentes quando afirmam que caberia à Fiscalização especificar e detalhar “que tipo de movimentação financeira inerente à atividade comercial da pessoa jurídica havia sido praticada pelas pessoas físicas”, pois é cediço que, tratandose de presunção prevista em lei, à autoridade fiscal cumpre, apenas, provar o fato indiciário propulsor da aplicação da citada presunção. O caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, traz de forma expressa a inversão do ônus, senão vejamos: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] O dispositivo legal é claro no sentido de que, caso a pessoa física ou jurídica, regularmente intimadas, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento. Procedente, a meu ver, o arbitramento do lucro, até porque os próprios Recorrentes admitem que as irregularidades apontadas pela Fiscalização não podem ser refutadas, e, também, a exasperação da penalidade, eis que fundada na movimentação de recursos não escriturados por meio de interposição de pessoas, o que torna explícita a ação Fl. 844DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 833 17 deliberada no sentido de impedir, ou aos menos retardar, o conhecimento por parte da autorizada tributária das condições pessoais da fiscalizada, afetando, assim, a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente (art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964). Em suas peças de defesa, os Recorrentes, em caráter preambular, reiteram o conteúdo, provas e requerimentos, pelo que se pode supor, das impugnações anteriormente apresentadas. Nas referidas peças impugnatórias, os autuados, adotando forma similar à empregada nos recursos voluntários interpostos, historiam as verificações empreendidas pela Fiscalização, inserindo na narrativa, em apertada síntese, os seguintes argumentos de defesa: apresentaram todos os livros que tinham posse; a autoridade fiscal requisitou informações sobre a movimentação financeira com base em lei inconstitucional; não consideram normal, ainda que exista previsão legal para a exigência, que uma pessoa jurídica, titular de uma ou várias contas bancárias, tenha documentos que comprovem a origem de todo e qualquer recurso por ela depositado; discorrem sobre princípios que norteiam o direito administrativo; a qualificação das pessoas físicas como sujeitos passivos da obrigação tributária formalizada é ilegal e indevida; o lançamento tributário é indevido pois os rendimentos apurados não foram auferidos; no direito tributário não é possível um auto de infração baseado apenas em frágeis presunções; a multa aplicada é ilegal e indevida; ninguém pode ser punido com base em presunções; e não se pode admitir que as pessoas físicas movimentavam recursos da pessoa jurídica por meio de suas contas bancárias. Embora os Recorrentes façam referência a provas, não encontro nos autos documento de qualquer natureza capaz de ser considerado “prova” que possa trazer mácula aos lançamentos tributários efetivados. Com o devido respeito, a manutenção em ordem e boa guarda da documentação que serve de suporte para as operações realizadas pela pessoa jurídica, constitui imposição da lei tributária, não sendo, assim, sequer razoável não considerar normal tal providência. A questão da movimentação de recursos por meio de contas bancárias das pessoas físicas, resta devidamente comprovada nos autos, de modo que, se houve equívoco, especialmente em razão da identidade de nomes da pessoa física do sócio e da pessoa jurídica, caberia aos Recorrentes aportar documentos para elidir a imputação feita pela autoridade fiscal, o que, entretanto, não foi feito. No mais, os argumentos expendidos nas peças impugnatórias foram repisados em sede de recurso e, portanto, devidamente apreciados, cabendo destacar, relativamente às supostas inconstitucionalidades suscitadas, que, nos termos da súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para apreciálas. Assim, pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 845DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10315.000116/201039 Acórdão n.º 1301001.774 S1C3T1 Fl. 834 18 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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