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Numero do processo: 10830.003557/2001-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, conhecer do Recurso Voluntário na parte em que se discutia o direito de crédito. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator, que não tomava conhecimento do Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
E, em seguida, RESOLVEM, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem aguarde a decisão definitiva do processo do auto de infração correspondente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Nanci Gama Redatora Designada.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo participou do julgamento em substituição à Conselheira Andréa Medrado Darzé, que se declarou impedida.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, conhecer do Recurso Voluntário na parte em que se discutia o direito de crédito. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator, que não tomava conhecimento do Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. E, em seguida, RESOLVEM, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem aguarde a decisão definitiva do processo do auto de infração correspondente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Nanci Gama – Redatora Designada. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo participou do julgamento em substituição à Conselheira Andréa Medrado Darzé, que se declarou impedida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 03 55 7/ 20 01 -7 2 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 101 ___________ Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 2/3) de saldo crédito básico do IPI apurado no 1º trimestre de 2001, no valor de R$ 27.332,03, acompanhado do Pedido de Compensação de fl. 4, em que pleiteada a compensação do referido crédito com os débitos da Contribuição para PIS/Pasep e Cofins do mês março de 2001, discriminados no extrato de fl. 58. Com respaldo na Informação Fiscal de fls. 53/55, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 60, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações pleiteadas, com base no argumento de que a contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada e sem o lançamento do imposto devido. Em consequência, fora reconstituída a escrita fiscal da interessada e, ao invés saldo credor, foi apurado saldo devedor do IPI no referido trimestre. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as suas razões de defesa que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: 1. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo, pois o auto de infração que gerou a reconstituição da escrita fiscal foi lavrado posteriormente ao Despacho, e por isso, o indeferimento por falta de saldo credor somente poderia ocorrer após a lavratura do auto; 2. Pela impossibilidade de refazer a escrita da contribuinte relativa ao 1º trimestre de 2001, em virtude do prazo decadencial, o indeferimento do pedido de ressarcimento é totalmente improcedente; 3. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação, nos termos exatos do artigo 74, § 5º da Lei n° 9.430/96. Desta forma, o pedido de compensação está tacitamente homologado, pois foi protocolado em 17/05/2001, e o auto de infração que reconstituiu a escrita somente foi cientificado em 18/05/2001 [18/5/2006]; 4. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.002310/200643, assim, o exame do mérito desses autos deve ser sobrestado até o julgamento final na esfera administrativa do auto de infração relativo à mesma matéria; 5. Houve mudança de critério fiscal, pois o mesmo pedido foi deferido para a empresa Vita Alimentos; 6. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignandose a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.294 S3C1T2 Fl. 102 3 Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 195/211), em que, por unanimidade de votos, foi indeferida a solicitação, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida Em 11/1/2007, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 213). Inconformada, em 8/2/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 214/238, em que reafirmou os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade e reiterou que fossem considerados os créditos das mercadorias devolvidas, assim como o seu pedido de diligência registrado na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada para confirmar tais devoluções. Em 31/8/2011, por meio da petição de fls. 271/272, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, por meio do qual renunciou às alegações suscitadas em relação às compensações e manteve as razões recursais atinentes ao direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, mas em face do pedido de desistência apresentado pela recorrente não pode ser conhecido. Em 31/8/2011, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, com renúncia apenas das razões de defesa suscitadas em relação às compensações pleiteadas, mas com a manutenção das razões que foram aduzidas em relação ao pedido de ressarcimento formulado. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.294 S3C1T2 Fl. 103 4 Na vigência da redação originária do art. 741 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a compensação a requerimento era realizada mediante apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento acompanhado de pedido de compensação. Essa sistemática vigeu até 1/10/2002, quando entrou em vigor o regime de compensação declarada, introduzida pelo artigo 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi regulamentada, inicialmente, pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Nesta nova modalidade, a compensação passou a ser realizada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, apenas de declaração de compensação, em que prestada as informações tanto dos créditos utilizados quanto dos débitos compensados. Além disso, a compensação passou a ser um procedimento de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação por parte da autoridade competente da Receita Federal. De acordo com a nova legislação, a compensação declarada passou a ser um procedimento autônomo, realizado por iniciativa do contribuinte, mediante apresentação de um único documento, a declaração de compensação. Tratase, portanto, de procedimento em que não há necessidade de apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento e a principal análise recai sobre a regularidade da extinção dos débito compensados, que depende da comprovação da existência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado. Na transição do velho para o novo regime de compensação, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 1/10/2002, receberam tratamento especial, isto é, todos eles, por vontade do legislador, foram transformados em declaração de compensação, desde a data do protocolo. Em consequência, também passaram a ser submetidos ao novo procedimento de homologação aplicáveis às declarações de compensação e sujeitos aos mesmos efeitos jurídico do novo regime de compensação, conforme expressamente estabeleceu o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação da Lei nº1 0.637, de 2002, que segue transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]§ 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de 1 "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.294 S3C1T2 Fl. 104 5 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] (grifos não originais). A conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação foi, inicialmente, regulamentada no art. 642 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. Atualmente, a matéria encontrase disciplinada no art. 97 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, a seguir transcrito: Art. 97. Os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da RFB serão considerados Declaração de Compensação, para efeitos do previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. (grifos não originais) No caso, o pedido de compensação apresentado pela recorrente encontravase pendente de apreciação em 1/10/2002, consequentemente, por força do disposto no § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inexoravelmente, converteuse em declaração de compensação. Nesse sentido, no Despacho Decisório colacionado aos autos, prolatado em 8/5/2006 e cientificado a interessada em 16/5/2006, que deu origem a controvérsia, a autoridade julgadora da unidade da Receia Federal de origem deixou expressamente consignado que os pedidos de compensação analisados foram tratados como declaração de compensação, conforme se constata no excerto que segue transcrito: Os pedidos de compensação aqui apresentados serão tratados como Declaração de Compensação, por força do § 4° do artigo 74 da Lei 9430/96, com a redação dada pelo artigo 49 da lei 10637/2002. Dessa forma, em consonância com o disposto na citada legislação, em 1/10/2002, o pedido de ressarcimento colacionado aos autos, juridicamente, foi extinto e o valor do crédito nele consignado, juntamente com os débitos discriminados no pedido de compensação acostado aos autos, também juridicamente extinto, passaram a compor a nova declaração de compensação criada por determinação legal, que fora submetida a julgamento único em consonância com o estabelecido no citado Despacho Decisório. Por força dessas circunstâncias e tendo em conta que o objeto da controvérsia e do recurso interposto pela recorrente limitavase apenas às questões atinentes à compensação, logo, com a desistência do recurso em relação matéria principal (a compensação), consequentemente, fica prejudicada a análise das questões acessórias e configurada a renúncia integral do recurso, nos termos do art. 78 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Regimento Interno do CARF RICARF), com as alterações posteriores, a seguir transcrito: 2 "Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1ºde outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF." Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.294 S3C1T2 Fl. 105 6 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifos não originais) No caso, ainda que não houvesse sido apresentado o citado pedido de desistência, uma vez formalizado o parcelamento dos débitos compensados (fls. 299/301), a renúncia ao recurso também restou caracterizada. Com base no exposto, votase por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por desistência manifesta da recorrente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Nanci Gama, Redatora Designada. Ouso divergir do ilustre Conselheiro Relator. A meu ver, o recurso deve ser conhecido, eis que a questão principal em um pedido de ressarcimento mediante compensação é especialmente a existência do crédito apresentado pelo contribuinte e não, com a devida vênia, a compensação, como entendido pelo relator. A compensação somente existira se o crédito for confirmado. Em outras palavras, não há que se falar em compensação sem antes analisar, constatar, a existência do crédito. Ademais, conforme evidenciado pela autoridade preparadora, o contribuinte realizou dois procedimentos distintos. Um pedido apresentado separadamente postulando o ressarcimento de IPI e outro veiculando pedidos de compensação a esse pedido original. Assim, diante de dois requerimentos correlatos, mas inquestionavelmente distintos, revelase possível a segregação do processo como requerido pelo contribuinte, sem qualquer prejuízo para o Fisco. O fato dos pedidos de compensação terem sido convertidos em declaração de compensação desde a data do seu protocolo, data vênia, não implica concluir que o pedido de ressarcimento perde a sua autonomia. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.003557/200172 Resolução nº 3102000.294 S3C1T2 Fl. 106 7 Logo, entendo pertinente e viável o pedido de desistência parcial apresentado pelo contribuinte, cuja finalidade foi proteger o direito de crédito lhe conferido por lei, o que foi a meu ver acatado corretamente pela DRF/Campinas. Assim, voto pelo conhecimento do recurso do contribuinte e proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva do auto de infração correspondente ao pedido de ressarcimento em exame. (assinado digitalmente) Nanci Gama Fl. 313DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NANCI GAMA, Assin ado digitalmente em 16/07/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16682.902648/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, mas sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 26 48 /2 01 2- 72 Fl. 5592DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.593 2 homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 3º trimestre do ano calendário de 2010, no valor original de R$ 12.897.041,42, por meio do PER/DCOMP de fls. 2.190 a 2.984, transmitido em 9/4/2012. O despacho decisório eletrônico de fl. 2.985, lavrado em 1º/8/2012, não reconheceu o crédito por inexistência de saldo negativo, já que, no período, a DIPJ 2011 indicava imposto de renda a pagar de R$ 23.106.981,45. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 4 a 25), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 2.994): efetuou pagamento a maior de IRPJ, obtendo, por consequência, crédito a compensar (não obstante o valor de IRPJ a pagar apurado na DIPJ (R$23.106.981,45), recolheu o valor de R$60.503.675,23, conforme DARF, gerando crédito de R$37.396.693,78); a conclusão do Despacho Decisório está equivocada (pois se limitou a analisar os dados contidos na DIPJ), tendo em vista que existe crédito e que “saldo negativo” é gênero da espécie “pagamento a maior”, tendo ambos a mesma natureza de “pagamento indevido” (pouco importa a ficha utilizada pelo contribuinte); ainda que se entedesse que houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, não houve prejuízo para o Fisco, que deve buscar a verdade material, conforme entende a jurisprudência. Fl. 5593DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.594 3 Finaliza protestando por todos os meios de prova. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2.993 a 2.996): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não cabe à Delegacia de Julgamento examinar direito creditório novo, não analisado pela repartição de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito analisado pela DEMAC foi indicado crédito de saldo negativo de IRPJ. O interessado indica, em sede de manifestação de inconformidade, direito creditório novo (pagamento indevido ou a maior), que não foi examinado pela DEMAC; b) o interessado preencheu todos os campos relativos ao crédito de saldo negativo de IRPJ do PER/DCOMP nº 15562.43714.090412.1.7.024601 (os quais compõem o crédito pleiteado: trimestre em que o saldo negativo teria sido apurado, antecipações do IRPJ devido, no caso 5.538 retenções na fonte). Se o crédito informado fosse de pagamento indevido ou a maior, seria preenchido, no que diz respeito ao crédito, apenas as informações de um único darf. Ou seja, apuração de saldo negativo é completamente diferente da constatação de pagamento indevido ou a maior; c) é do interessado o ônus da correta indicação do crédito que alega possuir. Não cabe ao Fisco pesquisar se existe outro crédito, que não o indicado no PER/DCOMP; d) a retificação pretendida pelo interessado representa alteração do próprio direito creditório inicialmente pleiteado, e somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 77 da IN nº 900/2008). Ao pretender, em sede de manifestação de inconformidade, a alteração do crédito, o interessado introduz matéria nova, alheia ao presente processo, e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual; e) Não se pode admitir, por meio de manifestação de inconformidade, a alteração do pedido de reconhecimento de direito creditório inicialmente formulado, o que poderia caracterizar usurpação de competência de autoridade administrativa, já que cabe à DRF de origem a análise e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos Fl. 5594DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.595 4 de restituição/compensação (arts. 57 e 63 da Instrução Normativa RFB 900/2008). O julgamento pela DRJ constitui uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. Eventual crédito que não consta do PER/DCOMP analisado pela DRF de origem não integra a lide. RECURSO AO CARF Na fl. 3.000, a unidade de origem atestou a ciência do julgamento por decurso de prazo em 19/7/2013, 15 dias depois da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC, do sítio da Internet da Receita Federal. Em 5/8/2013 (fl. 3.004), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 3.005 a 3.033, acompanhado dos documentos de fls. 3.035 a 5.586, onde repete os argumentos da manifestação de inconformidade, em especial que: (i) existe incontestável crédito a compensar a seu favor, resultante do recolhimento a maior do IRPJ referente ao 3º trimestre do anocalendário de 2010; (ii) as Autoridades Fiscais incorreram em equívoco na apreciação de tal direito creditório, ignorando recolhimento efetuado pelo contribuinte relativo ao período citado; (iii) “saldo negativo” é espécie do gênero “pagamento a maior”, tendo ambos a mesma natureza de “pagamento indevido”; e, por fim, (iv) a forma como o PER/DCOMP foi apresentado não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco, pois estavam presentes todos os requisitos da compensação, que são os corretos valor do crédito a compensar (R$ 13.152.484,13), espécie de tributo (IRPJ), e seu período de apuração (aspecto temporal – 3º trimestre do anocalendário de 2010). Afirmou, também, que o CARF já julgou casos semelhantes da forma proposta nos seguintes acórdãos: 140200.350, 130100.449, 140200.568 e 120100245. Extraiu dessas decisões os seguintes critérios para a verificação quanto a existência de um mero erro formal na indicação da natureza do direito creditório: (i) identidade entre valor do crédito apontado na DCOMP e aquele que efetivamente se pretendia compensar; e (ii) coincidência do anocalendário da sua apuração. Acrescentou que se deve considerar outra importante variável fática presente no caso ora analisado: seja a natureza jurídica “saldo negativo”, seja “pagamento indevido ou a maior”, o crédito decorre, a todo tempo, de IRPJ indevidamente recolhido. Para afastar quaisquer questionamentos que pudessem pairar quanto à eventual utilização em duplicidade do mesmo direito creditório, apresentou uma relação completa de todas as DCOMPs transmitidas desde o período de apuração do crédito em discussão até os dias de hoje, demonstrando que dele somente se utilizou até o limite de R$ 37.396.693,78, resultante de pagamentos feitos a maior no 3o trimestre do anocalendário de 2010. Para reforçar o argumento, trouxe ainda declaração firmada pelo seu representante legal para assuntos contábeis e fiscais, na qual ele declara, expressamente, não ter ocorrido a utilização do crédito ora discutido em duplicidade. Ao final, pugnou pela homologação integral das compensações, bem como requereu que as intimações fossem feitas no endereço dos procuradores, que também fossem enviadas cópias ao contribuinte, que pudesse provar seu direito pela juntada de novos documentos, e que pudesse realizar sustentação oral quando do julgamento no CARF. Fl. 5595DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.596 5 Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 5.591. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nas declarações de compensação sob análise, o contribuinte indicou como crédito saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2010 no valor original de R$ 12.897.041,42, mas teve seu direito negado por despacho decisório eletrônico que verificou que, ao invés de ter informado saldo negativo na DIPJ do período, apurou imposto a pagar. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou erro de preenchimento do PER/DCOMP, informando que o crédito se refere a pagamento a maior do IRPJ do 3º trimestre de 2010, já que apurou imposto a pagar de R$ 23.106.981,45, mas recolheu R$ 60.503.675,23 em DARF. Concluiu que o indébito é de R$ 37.396.693,78, tendo utilizado no PER/DCOMP apenas parte desse valor (R$ 12.897.041,42). A decisão recorrida não admitiu o argumento, alegando se tratar de inovação do pedido e não ser possível a retificação da declaração de compensação, alterando a natureza do crédito, após a prolação de despacho decisório que não homologou a compensação. Acrescentou que o crédito de saldo negativo tem natureza diversa daquele decorrente de pagamento indevido ou a maior. Já o recorrente defende que a natureza dos créditos é a mesma, sendo o saldo negativo espécie de pagamento indevido, e que a correção do equívoco não traria qualquer prejuízo ao Fisco. O recurso merece provimento parcial. O erro de declaração é evidente. Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 2010, o contribuinte informou débito de imposto de renda com base no lucro real trimestral de R$ 36.004.022,87 e o vinculou a pagamentos desse valor (fl. 89). Nas fls. 72 a 86, constam cópias de DARFs que o recorrente afirma totalizarem R$ 60.503.675,23. Já na DIPJ 2011, no cálculo do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, o sujeito passivo partiu de um imposto sobre o lucro real de R$ 37.117.734,92, e, após as Fl. 5596DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.597 6 exclusões que informou ter direito, apurou saldo a pagar de imposto de renda no valor de R$ 23.106.981,45 (fl. 325). Dessa forma, é cristalino o equívoco ao se apontar, como crédito em PER/DCOMP, de saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2010, já que sempre se apurou imposto a pagar, tendose efetuado o recolhimento a esse título. Observese que o recorrente não busca alterar substancialmente seu direito creditório. Ao contrário, indica crédito do mesmo tributo e período de apuração, mas apenas demonstra que se equivocou ao apontar se tratar de saldo negativo, quando na verdade procedera a recolhimento a maior. É verdade que o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, somente permite a retificação de declaração de compensação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, caso ela seja enviada antes da decisão administrativa que analise o direito creditório (regra atualmente em vigor no art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Mas me parece razoável que critério semelhante deva ser utilizado pelo julgador administrativo quando a verificação da inexatidão material se der apenas após a não homologação do crédito. No caso, devese aplicar, por analogia, as disposições do art. 147 do Código Tributário Nacional, que versa sobre lançamento por declaração, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, a regra do §1º em tudo se coaduna com as normas das instruções normativas acima citadas, só permitindo a retificação de declaração pelo próprio contribuinte antes da notificação do lançamento. Mas o §2º determina que a autoridade administrativa retifique de ofício a declaração diante de erros apuráveis pelo seu exame. Por analogia, o mesmo procedimento poderia ser feito pela autoridade que apreciasse a declaração de compensação: constatandose o evidente erro de informação do crédito, devese analisálo de acordo com sua verdadeira natureza. Aliás, tal procedimento é bastante comum quando o contribuinte pede a restituição de Imposto de Renda Retido na Fl. 5597DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.598 7 Fonte, ou então de estimativas mensais, e a análise se dá como se fosse saldo negativo do fim do exercício. Contudo, esse procedimento não foi possível, pois a análise se deu por meios informatizados, que somente comparou campos do PER/DCOMP e da DIPJ. Entretanto, se é admissível tal rotina para o processamento em massa dos PER/DCOMPs aguardando análise, esperase mais cuidado e bom senso na análise individual dos recursos contra essas decisões automatizadas. Não se está aqui a defender ser possível se promover alterações substanciais nas declarações de compensação em sede de recurso. Recordese: o contribuinte nunca apurou saldo negativo, demonstrou que efetuou recolhimento a maior do imposto a pagar apurado e está pleiteando a análise de crédito do mesmo tributo e período. Diante de erro facilmente constatável, e com a apresentação de argumentos e provas convincentes da verdadeira natureza do crédito, devese analisar o pedido com base no direito creditório realmente existente, em homenagem ao princípio da verdade material. É evidente que se dará ao crédito efetivamente existente o tratamento jurídico a ele apropriado. Tratandose de pagamento indevido, a fluência dos juros se dará a partir do o mês subsequente ao indébito. Analisandose a jurisprudência do CARF, verificase que, por diversas vezes, admitiuse a análise do pedido com base na verdadeira natureza do crédito, quando comprovado o erro de declaração, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. TRATAMENTO DE INEXATIDÕES MATERIAIS. INOVAÇÃO NO PEDIDO INICIAL. INOCORRÊNCIA. Inexatidões materiais sanáveis pelas simples análise das informações constantes da própria DCOMP não justificam uma negativa em definitivo da compensação. Se a origem do crédito é exatamente a mesma, não cabe falar em inovação no pedido inicial. Estava evidente que o crédito era decorrente de pagamento trimestral a maior, e não de saldo negativo anual. Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. (Acórdão nº 1802001.537, 2ª Turma Especial, sessão de 5 de fevereiro de 2013, relator Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa) ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, Fl. 5598DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.599 8 motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. (Acórdão nº 110100.590, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 4 de outubro de 2011, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO PARA QUE OS AUTOS RETORNEM À ORIGEM PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE DO PEDIDO. Constatado o efetivo pagamento de valores a maior e de erro no preenchimento da DCOMP, provémse parcialmente o recurso para determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento da análise do pedido, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ e CSLL informados pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 140200350, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. Em princípio, é inadmissível a retificação de PER/DCOMP posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. No entanto, em se tratando de erro prontamente apurável pelo exame da Autoridade Administrativa, esse erro pode ser corrigido. É o que sucede quando o tipo de crédito trazido à compensação é “pagamento indevido/a maior”, mas o valor e o período coincidem com o saldo negativo do mesmo tributo, conforme apurado em DIPJ. Nessa situação deve a Autoridade Administrativa dar ao crédito alegado o tratamento adequado de saldo negativo e prosseguir na apreciação da compensação declarada. Fl. 5599DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.600 9 (Acórdão nº 130100.449, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 15 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha) Dessa forma, afastase o fundamento do despacho decisório e da decisão recorrida de negar o direito à compensação pela inexistência de saldo negativo de IRPJ, devendose analisar o pedido com base em crédito decorrente de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pois as provas e argumentos trazidos na impugnação e no voluntário não foram apreciados. Não se verificou, por exemplo, se a apuração do imposto de renda está correta e se o pagamento a maior não foi utilizado. Em situações como essa, em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, penso que, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. A simples conversão em diligência para decisão por esta Turma suprimiria indevidamente o direito à discussão do mérito em primeira instância. Nessa análise, caso a autoridade fiscal entenda que as provas trazidas aos autos são insuficientes, deve intimar o contribuinte a completála, explicitando detalhadamente quais os documentos que devem ser trazidos, e só então elaborar decisão definitiva sobre a matéria. Dessa forma, deve o processo retornar a unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado no PER/DCOMP, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 3o trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 5600DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902648/201272 Acórdão n.º 1102001.125 S1C1T2 Fl. 5.601 10 Fl. 5601DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 15374.720050/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. IRRF. APROPRIAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE.
É de se reconhecer o direito à utilização do IRRF no cômputo do resultado do período de apuração, quando demonstrada nos autos à apropriação da receita correspondente.
Numero da decisão: 1402-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e homologar as compensações pleiteadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO. IRRF. APROPRIAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. É de se reconhecer o direito à utilização do IRRF no cômputo do resultado do período de apuração, quando demonstrada nos autos à apropriação da receita correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e homologar as compensações pleiteadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 00 50 /2 00 9- 82 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o processo de DCOMP Eletrônica, abaixo listadas, onde a interessada pretende compensar débitos mediante aproveitamento de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 1.160.665,30. [.....] Em 13/02/2009, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela então Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT/RJO, com base no Parecer Conclusivo n° 047/2009, fls. 123/128, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. De acordo com Parecer Conclusivo, os fundamentos para o indeferimento do pleito são os que seguem: considerando a DCOMP nº 03948.82155.050304.1.7.029278 e a DIPJ/2002, o crédito foi apurado da dedução, do IRPJ devido, dos valores relativos a IRRF pelo HSBC BANK BRASIL S/A, CNPJ. 01.701.201/000189, e pela SCGAS – Companhia de Gás de Santa Catarina, CNPJ. 86.864.543/000172, incidente sobre os rendimento recebidos pela interessada a título de aplicações financeiras de renda fixa (código de retenção 3426); da análise comparativa dos dados constantes nas DIRF, com as informações prestadas na linha 24 Ficha 06 A da DIPJ/2002, verificase uma absoluta divergência entre o valor dos rendimentos oriundos de aplicações financeiras de renda fixa, motivo pelo qual não há certeza quanto ao montante de rendimentos que a esse título foram efetivamente computados na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ anual; não é possível afirmar que o valor que consta na linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2002 é de fato oriundo das aplicações financeiras de renda fixa que geraram IRRF. não restando comprovado de forma inquestionável que aqueles rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, que geraram as retenções na fonte, foram efetivamente computadas como receita de apuração do lucro real do período, não há como reconhecer a existência de crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. A ciência ocorreu em 20/02/2009, conforme AR acostado às fls. 288. Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade em 25/03/2009, fls. 139/152, com as seguintes alegações: alega a tempestividade, tendo em vista o recebimento do AR em 20/02/2009, sextafeira, e início da contagem do prazo em 25/02/2009, quintafeira, em razão do feriado de carnaval, vindo a findar em 26/02/2009. tendo sido a DCOMP enviada em 2002, ocorreu a homologação tácita, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96, pois deveria ter sido intimada até 31/12/2007. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.720050/200982 Acórdão n.º 1402001.691 S1C4T2 Fl. 3 3 não mais assiste à RFB o direito de promover a cobrança de quaisquer valores, diante da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, VII, c/c artigo 150, §4º, ambos do CTN, que trata de lançamento por homologação. o despacho decisório deve ser reformado, para que seja reconhecida a homologação tácita da compensação e conseqüente extinção do crédito tributário. o crédito tributário tem origem em retenções de IRRF sobre os juros pagos pela SCGAS à interessada em razão de contrato de mútuo firmado entre as empresas, no qual a SCGAS figura como mutuante e a interessada como mutuaria. constatouse diferenças entre os valores informados pela interessada e os valores declarados pela SCGAS, em sua DIRF/2002, a título de rendimentos. a SCGAS cometeu equívoco de incluir no campo “rendimentos” de sua DIRF/2002 os valores não só de remuneração pelo contrato de mútuo, mas também o valor da parcela principal do contrato, sendo que o IRRF incide somente sobre os juros pagos ao mutuante, nos termos do artigo 734 do RIR/99. segue tabela com os valores das parcelas pagas pelo contrato de mútuo. [...] o IRRF informado para o mês de maio/2001 incluiu, equivocadamente, os juros e multa no total de R$ 2.373,06. deste modo, os valores corretos que deveriam constar na DIRF são os que seguem: [.....] não houve retificação da DIRF em função do decurso do prazo de mais de 5 anos da data do envio da referida declaração. junta carta da SCGAS que assume totalmente o equívoco, apresentando os valores corretos. não pode ser penalizado pelo erro da fonte pagadora, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1242.054 negando provimento à Manifestação de Inconformidade sob os seguintes argumentos principais: Não teria havido comprovação do valor dos rendimentos recebidos, que, segundo a interessada afirma, decorrem de contrato de mútuo. A principal inconsistência residiria no valor recebido a título de remuneração pelo contrato de mútuo, que, segundo alega, foi informado na DIRF adicionado ao valor do principal. No entanto, não consta nos autos o contrato de mútuo, o montante emprestado para comprovação dos valores principais devolvidos, e nem a taxa de juros aplicados. A documentação acostada se presta para comprovação dos recolhimentos de IRRF, código 3426, conforme os DARF de fls. 282, 285, 288. Mas há não comprovação de que os rendimentos recebidos, decorrentes do contrato de mútuo, sejam de R$ 4.435.592,21. Mesmo na hipótese de comprovação do equívoco no preenchimento da DIRF/2002 pela fonte pagadora, ainda assim não restaria comprovado que todos os Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 rendimentos, sobre os quais incidiram o IRRF, teriam sido oferecidos à tributação. Com base na DIPJ/2002, os rendimentos a título de aplicação financeira – código 3426 – totalizam R$ 5.935.307,85. No entanto, na mesma DIPJ/2002, verificase que foi oferecido à tributação, o montante de R$ 4.238.453,77, conforme DIPJ/2002 – Linha 24 – Outros Rendimentos Financeiros. Ou seja, a divergência se mantém, e que pese a apresentação da manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado suscitando que as inconsistências suscitadas pela autoridade fiscal têm origem no fato a retenção na fonte sobre os valores pagos pela SCGAS é feita no momento do pagamento (regime de caixa) enquanto a contabilização na recorrente segue o regime de competência. Apresenta tabela onde estaria demonstrada a apropriação dos juros sob essa sistemática. É o Relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.720050/200982 Acórdão n.º 1402001.691 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Estão sob discussão pedidos de compensação nos quais o crédito alegado referese ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2001 no montante de R$ 1.160.665,30. Esse valor corresponde ao IRRF informado na DIPJ, que se convolou em saldo negativo do IRPJ compensável como decorrência da apuração de resultado negativo no período (R$ 2.792.279,76). Não há controvérsia a respeito do valor do IRRF. O questionamento das autoridades que me antecederam na análise do pleito dirigiuse à suposta não apropriação das receitas que geraram a retenção informada. De imediato, deixo claro meu posicionamento no sentido de que, em casos como o presente, a divergência quanto à apropriação das receitas deve implicar na desconsideração do crédito pleiteado no montante proporcional à receita não oferecida à tributação. Em outras palavras, se dúvida persiste em relação à parte das receitas, não se justifica a negativa total do crédito. Originalmente, foram oferecidas à tributação na DIPJ receitas financeiras no montante de R$ 4.238.453,77. Entretanto, na própria DIPJ, Ficha 43 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte) está indicado o recebimento de R$ 1.499.715,60; do HSBC – aplicações financeiras de renda fixa e R$ 4.435.592,25, da SCGAS mútuo totalizando R$ 5.935.307,85. Assim, pelo simples exame da DIPJ constatase a apropriação a menor de receita financeira no montante de R$ 1.696.854,08 (R$ 5.935.307,85 – R$ 4.238.453,77). De acordo com extratos da DIRF, não há diferença significativa com a Ficha 43 da DIPJ em relação aos rendimentos pagos pelo HSBC (R$ 1.498.126,48). Entretanto constatouse uma grande divergência no que se refere à SCGAS pois essa fonte pagadora informou na DIRF o pagamento à interessada no montante de R$ 8.095.536,92 Na manifestação de inconformidade, a interessada suscita equívoco cometido pela fonte pagadora (SCGAS) nas informações prestadas na DIRF, que apropriou como receita não apenas a remuneração (juros) mas também a amortização do principal. Apresenta correspondência emitida pela SCGAS em papel timbrado através da qual a fonte pagadora admite o erro e informa que o valor correto da receita a ser apropriado seria R$ 4.435.592,21 (R$ 3.595.536,92 + R$ 462.113,71 + R$ 377.941,58), compatível com aquele indicado na Ficha 43 da DIPJ. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Nesse caso, estaria confirmada a apropriação a menor da receita no valor de R$ 1.696.854,08; conforme mencionado acima. Na peça recursal a interessada argumenta que as inconsistências suscitadas pela autoridade fiscal teriam origem no fato a retenção na fonte sobre os valores pagos pela SCGAS é feita no momento do pagamento (regime de caixa) enquanto a contabilização na recorrente segue o regime de competência. Com base nesse argumento apresenta tabela com base na qual afirma que o valor correto das receitas de juros correspondentes ao mútuo com a SCGAS seria de R$ 2.666.356,06. que somado aos rendimentos pagos pelo HSBC (R$ 1.495.986,08 – diferente daquele informado na DIPJ) e às variações monetárias (R$ 76.111,90) atingiria o montante de R$ 4.238.354,04, compatível com o valor das receitas financeiras oferecidas à tributação (R$ 4.238.453,77). Aceitandose a ocorrência de equívoco pela fonte pagadora, eis que por ela admitido, os juros pagos à interessada no período sob exame corresponderiam a R$ 4.435.592,21. Se, conforme suscitado na peça recursal, por diferenças no regime de apropriação o valor correto a ser computado no anocalendário de 2001 seria de R$ 2.666.356,06; caberia ao sujeito passivo demonstrar que a diferença (R$ 1.769.236,15) foi oferecida à tributação em outros períodos. Na ausência de elementos de prova nesse sentido, deve ser aceito apenas o efetivamente demonstrado, qual seja, o valor de R$ 4.435.592,21, como receita de juros sobre o mútuo que, somado ao valor pago pelo HSBC representa o total de receitas financeiras a ser considerado (R$ 5.935.307,85). A diferença em relação ao valor oferecido à tributação (R$ 1.696.854,08 = R$ 5.935.307,85 – R$ 4.238.453,77) deve ser acrescida ao resultado para efeito de verificar a procedência do crédito. Como foi apurado resultado negativo do período ( não confundir com saldo negativo) no valor de R$ 2.792.279,76; o acréscimo de R$ 1.696.854,08 não teria qualquer impacto no saldo negativo decorrente , motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso e reconhecer o direito ao crédito pleiteado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10930.003372/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRRF. TERCEIRO. RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE DE PROVAR A RETENÇÃO.
A fonte pagadora, pessoa física ou jurídica, deve fornecer à pessoa física beneficiária, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente àquele a que se referirem os rendimentos ou por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, se esta ocorrer antes da referida data, documentos comprobatórios, em uma via, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário de 2013, conforme modelo oficial.
No caso de retenção na fonte e não fornecimento do comprovante, o contribuinte deve comunicar o fato à unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal (RFB) do Brasil de sua jurisdição, para as medidas legais cabíveis.
Ocorrendo inexatidão nas informações, tais como salários que não foram pagos nem creditados no ano-calendário ou rendimentos tributáveis e isentos computados em conjunto, o interessado deve solicitar à fonte pagadora outro comprovante preenchido corretamente.
Numero da decisão: 2102-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
(Assinado digitalmente)
Carlos André Rodrigues Pereira Lima - Designado para redigir voto vencedor
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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TERCEIRO. RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE DE PROVAR A RETENÇÃO. A fonte pagadora, pessoa física ou jurídica, deve fornecer à pessoa física beneficiária, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente àquele a que se referirem os rendimentos ou por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, se esta ocorrer antes da referida data, documentos comprobatórios, em uma via, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário de 2013, conforme modelo oficial. No caso de retenção na fonte e não fornecimento do comprovante, o contribuinte deve comunicar o fato à unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal (RFB) do Brasil de sua jurisdição, para as medidas legais cabíveis. 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(Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 33 72 /2 00 8- 14 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Carlos André Rodrigues Pereira Lima Designado para redigir voto vencedor Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2004/609450773274086, lavrada em 26/05/2008 (fls. 12/15), contra o contribuinte acima qualificado, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA, relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, que reduz o saldo de Imposto de Renda a restituir de R$ 2.400,46 para R$ 1.448,54, em virtude de glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Cientificado da exigência tributária na data de 13/06/2008, por via postal (fl. 25), e inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o autuado apresentou impugnação em 15/07/2008, instruída com os documentos de fls. 16/24, alegando, em síntese que: 1) se a fonte pagadora efetuou a retenção do Imposto de Renda e não fez o recolhimento devido é a mesma que deve ser responsabilizada e não o autuado, ora Impugnante; 2) a autoridade administrativa, com vistas a instruir seu auto de infração, utilizou apenas meros indícios que não possuem a natureza de provas indiretas capazes de preencher os requisitos necessários à construção da presunção legal.; 3) todos os recibos e documentos acostados ao processo administrativo gozam de presunção de validade, já que preenchem todos os requisitos legais de validade. 4) requer o Impugnante seja declarada a improcedência da presente autuação. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendose o crédito tributário exigido, conforme se depreende do acórdão nº 0630.835, da 6ª Turma da DRJ/CTA (fls. 28/29), excertos transcritos abaixo: “[...] 11. Em sua defesa o Impugnante alega ter sofrido a retenção na fonte e traz à baila o recibo de fl. 17, supostamente emitido pela Prefeitura Municipal de Bandeirantes, na qual é informada a retenção de Imposto de Renda no valor de R$ 951,92, referente a serviços prestado ao Município. Contudo, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.003372/200814 Acórdão n.º 2102002.842 S2C1T2 Fl. 346 3 além desse recibo estar representado apenas por cópia não autenticada, o que fragiliza o seu poder probatório, não apresenta o nome do funcionário da Prefeitura que teria emitido esse documento e nem qualquer assinatura, tratandose, pois, de um recibo apócrifo, ou seja, sem autenticidade. 12. Quanto à alegação de que a fiscalização teria se utilizado de indícios incapazes de preencher os requisitos necessários à construção da presunção legal, esclarecemos que as alteração efetuadas na DAA, em questão, não resultaram de presunção legal, mas sim de constatações fáticas, pois não há nos sistemas da RFB qualquer informação de que o Impugnante teria sofrido a retenção na fonte glosada pela fiscalização, restando, pois, em consonância com o princípio da verdade material o procedimento ora questionado. 13. Por fim, quanto à alegação de que a responsabilidade pelo recolhimento é da fonte pagadora e não do contribuinte, esclarecemos que, independente da fonte pagadora ter ou não recolhido o IRRF, se o contribuinte comprovar que sofreu essa retenção poderá informála em sua DAA, o que não aconteceu no presente caso. [...]” O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/04/2011 (fl. 34). Sobreveio Recurso Voluntário em 20/05/2011 (fls. 32/45), desacompanhado de documentos, que, em suma, o contribuinte alegou as razões que seguem transcritas abaixo: a) a presente cobrança está fundamentada apenas em meros indícios, sendo que estes não dão a plena certeza para a referida cobrança. Tais indícios não podem ser considerados como prova, tendo em vista que dão apenas presunções de veracidade, não uma exata certeza para a cobrança de uma dívida. b) que, em nenhum momento foi apresentada prova alguma que comprovasse o lançamento. A única alegação foi a de que não constam no sistema da RFB as informações sobre as referidas retenções. c) o relator apenas presumiu serem os recibos inidôneos, sendo que em nenhum momento ofereceu qualquer prova do alegado. d) urge destacar o princípio consagrado em Direito Tributário, em especial no Processo Administrativo Fiscal, de que só podem ser utilizadas as presunções se estas forem favoráveis ao contribuinte. A única presunção que poderia ser considerada no caso em tela seria a presunção de validade dos recibos juntados, uma vez que não existe prova de sua inidoneidade. e) com a apresentação dos recibos, o contribuinte prova, sobremaneira, que reteve o imposto de renda na fonte, se Fl. 60DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 desincumbindo do crédito tributário, cabendo a partir de então à fonte pagadora efetuar o devido recolhimento. f) tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do imposto, cabe a ela proceder ao devido recolhimento, sendo de sua inteira responsabilidade o crédito tributário, uma vez que o contribuinte já se desobrigou de tal encargo. g) não se pode admitir a aplicação da multa pretendida pela Recorrida, mesmo porque não procede a alegação de existência de crédito tributário como já apresentado, bem como configura valor absurdo e desarrazoado, além de apresentar contorno nitidamente confiscatório, ofensivo, portanto, ao princípio da capacidade contributiva. h) não pode a Administraçãorecorrida aplicar uma multa punitiva absurda 150%, como a do presente caso, havendo a necessidade de se clamar para que a mesma seja anulada diante dos fundamentos já apresentados e na pior das hipóteses ser reduzida a patamar razoável e proporcional. i) requer se digne este nobre Conselho em acatar o presente Recurso, tornando sem efeito o auto de infração em epígrafe, por ser nulo de pleno direito, sendo totalmente infundado o lançamento do crédito tributário, consoante restou amplamente demonstrado pelas retro citadas razões; em assim não se entendendo, requer, sucessivamente, seja reduzida a multa aplicada, bem como os juros incidentes sobre o débito levantado, a patamares legais. É o relatório Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário, ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O art. 87 do Decreto 3000, de 1999, inciso IV, § 2° Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, dispõe que: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n° 9.250, de 1995, art. 12): [...]; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; § 2° O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir Fl. 61DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.003372/200814 Acórdão n.º 2102002.842 S2C1T2 Fl. 347 5 comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7°, §§ 1° e 2°, e 8°, § 1° (Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). (grifei) Do exame dos elementos que integram os presentes autos, constatase a existência de comprovante emitido pela fonte pagadora, qual seja, Prefeitura Municipal de Bandeirantes, PR, (fl. 18), indicando o valor que constou da retenção, deduzido da base de cálculo do imposto apurado na declaração de rendimentos examinada pelo Fisco. O valor retido confere com a tabela vigente a época, ou seja, o valor de R$ 951,92 representa o valor que devia ter sido retido em relação ao pagamento efetuado pela prefeitura de R$ 5.000,00, vejamos: 2002 e 2003 Base de Cálculo Alíquota Parcela a Deduzir Até R$ 1.058,00 Isento De R$ 1.058,01 até R$ 2.115,00 15,0% R$ 158,70 Acima de R$ 2.115,00 27,5% R$ 423,08 Inclusive, os recibos de fls. 17 e 18, comprovam que a Prefeitura Municipal de Bandeirantes efetivamente reteve o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, estando os originais, obrigatoriamente, em poder da Prefeitura, tendo em vista que o prestador do serviço, neste caso o contribuinte, fica somente com a cópia do referido documento, assim, os documentos acostados fazem prova da retenção do IRRF, em decorrência dos honorários recebidos pelo Recorrente. Ademais, a Prefeitura Municipal de Bandeirantes, PR, não pode efetuar pagamento à pessoa física sem fazer a retenção do imposto de renda como obriga a legislação do respectivo tributo, nos termos do art. 128 do CTN. A jurisprudência dos nossos tribunais sobre a matéria segue o seguinte posicionamento: “STJ RECURSO ESPECIAL REsp 898925 SP 2006/02404974 (STJ) Data de publicação: 27/06/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IMPOSTO DE RENDA – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – RETENÇÃO COMPROVADA PELO CONTRIBUINTE – RESPONSABILIDADE QUANTO AOS VÍCIOS FORMAIS DA CERTIDÃO DE RETENÇÃO NÃO IMPUGNADOS PELA FAZENDA NACIONAL. 1. A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não isenta o contribuinte do seu pagamento. 2. Entretanto, se a fonte pagadora responsável pela retenção do imposto de renda na fonte retém o tributo e deixa de repassálo à FAZENDA NACIONAL, atrai para si a responsabilidade tributária e afasta a do contribuinte de direito (sujeito passivo da obrigação tributária). Precedentes da Primeira Seção do STJ. 3. Hipótese em que não restou impugnado o entendimento firmado pela Corte de origem no sentido de que a irregularidade formal do comprovante de retenção não poderia ser imputada ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 impetrante, ficando, desta forma, abstraído que o contribuinte de direito eximiuse da sua obrigação de demonstrar que houve a retenção do imposto pela fonte pagadora. 4. Recurso especial não provido.” “TRF5 EDAC Embargos de Declaração na Apelação Civel EDAC 20088400003453901 (TRF5) Data de publicação: 18/07/2013 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA RETIDO NA FONTE. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO DOS VALORES PELA FONTE PAGADORA. PROVA DA EFETIVA RETENÇÃO. DESCABIMENTO DA COBRANÇA PERANTE O CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. EFEITOS MODIFICATIVOS. INCONFORMISMO COM A DECISÃO PROFERIDA. 1. A eg. Turma enfrentou a matéria trazida a deslinde, concluindo que: a) as fartas provas carreadas aos autos demonstram a efetiva prestação do serviço pelo demandante e a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora; b) não se há de imputar ao demandante a responsabilidade pelo recolhimento dos valores de imposto de renda que lhe foram retidos pela fonte pagadora e porventura não repassados ao Fisco; c) o fato de as Prefeituras terem descumprido a obrigação de informar os valores retidos quando do pagamento pela prestação do serviço não impõe ao contribuinte a responsabilidade de efetuar novamente o recolhimento do tributo e d) equivocase a Fazenda Nacional quando sustenta a aplicação do art. 121 , parágrafo único , I , do CTN , porquanto só se haveria de invocar aquela norma acaso o juízo tivesse reconhecido a ausência de retenção do tributo na fonte, o que atrairia a responsabilidade do embargante pelo recolhimento do imposto, o que não ocorreu no caso presente, tendo em vista que as fontes pagadoras efetivamente fizeram a retenção do valor do tributo, deixando, no entanto, de prestar a devida informação ao Fisco. 2. Não devem prosperar embargos declaratórios opostos com a finalidade de emprestar efeitos modificativos ao julgado, quando neste inexiste omissão, contradição ou obscuridade e o embargante se limita a demonstrar seu inconformismo com o que foi decidido. 3. O tão só propósito de prequestionar, sem a existência, no caso concreto, de quaisquer dos pressupostos elencados no art. 535 do Código de Processo Civil , não constitui razão suficiente para a oposição dos embargos declaratórios, consoante prega a pacífica jurisprudência do STJ e deste Tribunal. Embargos de declaração desprovidos....” Ainda, dá análise da Declaração de Ajuste Anual de 2004, em fl. 21, verifica se no item “1. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS PELO TITULAR” que o Contribuinte declarou que recebeu o valor de R$ 5.000,00, constante no recibo de fl. 17, e informou o valor de R$ 951,92 retido na fonte, portanto o contribuinte comprovou que sofreu a retenção, e esta, bem como o respectivo rendimento, foram informados em sua DAA. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.003372/200814 Acórdão n.º 2102002.842 S2C1T2 Fl. 348 7 Assim, comprovada a retenção pela fonte pagadora, que é terceiro na relação tributária, não pode ser obstada a correspondente compensação, isto porque, após a retenção, a responsabilidade não mais é do beneficiário. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Como relatório, adoto o mesmo constante no voto proferido pela Conselheira Relatora, por considerálo completo. A questão em debate cingese à aceitação (ou não) de recibo de retenção na fonte de IRPF, supostamente emitido pela Prefeitura Municipal de Bandeirantes. A Delegacia de Julgamento de origem, ao analisar a questão, negou provimento à impgunação com lastro nas razões de fato e argumentos de direito adiante transcritos: “[...] 11. Em sua defesa o Impugnante alega ter sofrido a retenção na fonte e traz à baila o recibo de fl. 17, supostamente emitido pela Prefeitura Municipal de Bandeirantes, na qual é informada a retenção de Imposto de Renda no valor de R$ 951,92, referente a serviços prestado ao Município. Contudo, além desse recibo estar representado apenas por cópia não autenticada, o que fragiliza o seu poder probatório, não apresenta o nome do funcionário da Prefeitura que teria emitido esse documento e nem qualquer assinatura, tratandose, pois, de um recibo apócrifo, ou seja, sem autenticidade. 12. Quanto à alegação de que a fiscalização teria se utilizado de indícios incapazes de preencher os requisitos necessários à construção da presunção legal, esclarecemos que as alteração efetuadas na DAA, em questão, não resultaram de presunção legal, mas sim de constatações fáticas, pois não há nos sistemas da RFB qualquer informação de que o Impugnante teria sofrido a retenção na fonte glosada pela fiscalização, restando, pois, em consonância com o princípio da verdade material o procedimento ora questionado. 13. Por fim, quanto à alegação de que a responsabilidade pelo recolhimento é da fonte pagadora e não do contribuinte, esclarecemos que, independente da fonte pagadora ter ou não recolhido o IRRF, se o contribuinte comprovar que sofreu essa retenção poderá informála em sua DAA, o que não aconteceu no presente caso. [...]” Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 No contexto desses autos, não há como considerar que houve a retenção apenas através de documento, sem assinatura, supostamente emitido pela citada fonte pagadora. Se a retenção beneficiaria o RECORRENTE, a ele cabia provar, cabalmente, que sofreu a retenção, através de documento que preenchesse as formalidades legais, tal como o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte (modelo oficial). A Receita Federal do Brasil, em seu site na internet, orienta o contribuinte sobre o que fazer quando do não fornecimento voluntário do citado comprovante pela fonte pagadora (fundamento legal: Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 698, de 20 de dezembro de 2006, arts. 1º e 2º, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.235, de 11 de janeiro de 2012; e Instrução Normativa RFB nº 1.215, de 15 de dezembro de 2011, arts. 2º a 4º): Comprovantes de Rendimentos 051 Qual é o procedimento a ser adotado pela pessoa física quando a fonte pagadora não lhe fornecer o comprovante de rendimentos ou fornecêlo com inexatidão? A fonte pagadora, pessoa física ou jurídica, deve fornecer à pessoa física beneficiária, até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subsequente àquele a que se referirem os rendimentos ou por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, se esta ocorrer antes da referida data, documentos comprobatórios, em uma via, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário de 2013, conforme modelo oficial. No caso de retenção na fonte e não fornecimento do comprovante, o contribuinte deve comunicar o fato à unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal (RFB) do Brasil de sua jurisdição, para as medidas legais cabíveis. Ocorrendo inexatidão nas informações, tais como salários que não foram pagos nem creditados no anocalendário ou rendimentos tributáveis e isentos computados em conjunto, o interessado deve solicitar à fonte pagadora outro comprovante preenchido corretamente. Na impossibilidade de correção, por motivo de força maior, o contribuinte pode utilizar os comprovantes de pagamentos mensais, ficando sujeito à comprovação de suas alegações, a critério da autoridade lançadora. É permitida a disponibilização, por meio da Internet, do comprovante para a pessoa física que possua endereço eletrônico e, neste caso, fica dispensado o fornecimento da via impressa. (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 16; Instrução Normativa SRF nº 698, de 20 de dezembro de 2006, arts. 1º e 2º, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.235, de 11 de janeiro de 2012; e Instrução Normativa RFB nº 1.215, de 15 de dezembro de 2011, arts. 2º a 4º) Não provada a retenção, nos moldes oficiais, não há como prosperar o recurso do contribuinte. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.003372/200814 Acórdão n.º 2102002.842 S2C1T2 Fl. 349 9 Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente o lançamento. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.002105/2008-77
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF .
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF . Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Foi lavrada contra o contribuinte acima identificado, notificação de lançamento do exercício de 2004 de imposto de renda da pessoa física, no valor total de R$ 41.780,85 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 a 09. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de rendimentos identificada através de ação trabalhista em que o contribuinte considerou parte dos rendimentos como rendimentos isentos quando seriam tributáveis e falta de comprovação do imposto de renda retido na fonte declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 48 .0 02 10 5/ 20 08 -7 7 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.002105/200877 Resolução nº 2801000.207 S2TE01 Fl. 95 2 O contribuinte apresentou sua impugnação requerendo um prazo de 60 dias para que pudesse obter documentos existentes na ação trabalhista e que a exempregadora mudouse e não sabe do seu paradeiro para que pudesse obter documentos que se encontram em seu poder.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 68/71, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INCLUÍDOS INDEVIDAMENTE COMO RENDIMENTOS ISENTOS. A inclusão de rendimentos isentos na DIRPF deve ter essa condição comprovada junto à autoridade fiscal quando intimada para tanto, bem como o imposto de renda retido na fonte declarado. Regularmente cientificado daquele Acórdão, o interessado, representado por seu advogado, interpôs o recurso de fls. 83/91, tempestivamente, conforme despacho de fl. 93. Em sua defesa, alega, em preliminar, que o indeferimento de prorrogação de prazo pela decisão recorrida caracteriza cerceamento do direito de defesa. No mérito, pretende seja cancelado o presente lançamento, tendo em vista as informações constantes das Atas Audiência da 60ª Vara do Trabalho acostadas ao presente recurso. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.002105/200877 Resolução nº 2801000.207 S2TE01 Fl. 96 3 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13748.002105/200877 Resolução nº 2801000.207 S2TE01 Fl. 97 4 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000756/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não constatada a contradição no acórdão embargado, não cabe reparo à decisão.
DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. O ato de exclusão não pode retroagir para alcançar períodos de apuração nos quais os recolhimentos simplificados já estão homologados tacitamente.
Numero da decisão: 1101-001.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, foram ACOLHIDOS PARCIALMENTE os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não constatada a contradição no acórdão embargado, não cabe reparo à decisão. DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. O ato de exclusão não pode retroagir para alcançar períodos de apuração nos quais os recolhimentos simplificados já estão homologados tacitamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, foram ACOLHIDOS PARCIALMENTE os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre.
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INEXISTÊNCIA. Não constatada a contradição no acórdão embargado, não cabe reparo à decisão. DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. O ato de exclusão não pode retroagir para alcançar períodos de apuração nos quais os recolhimentos simplificados já estão homologados tacitamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, foram ACOLHIDOS PARCIALMENTE os embargos de declaração, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 07 56 /2 00 7- 45 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Inicialmente, houve Representação Administrativa do INSS Instituto Nacional da Seguridade Social (fls. 01/02), instruída com originais e/ou cópias de documentos de folhas 03/79, pela constatação de que a empresa teria prestado "serviços de locação de mãodeobra", o que estaria comprovado pelas cópias das notas fiscais que anexou. A autoridade fiscal instruiu os autos com originais e/ou cópias de documentos (fl. 80). A empresa, então, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE ExtraSIVEX n° 010, de 13.04.2007 (fl. 81), com efeitos a partir de 01.03.2001, por força do exercício suposto de atividades de “locação de mãodeobra”, vedadas à opção pelo Simples. A interessada tomou ciência da exclusão, em 25.04.2007, conforme Aviso de Recebimento AR que consta à fl. 85. Apresentou sua manifestação de inconformidade, em 24.05.2007, posta às fs. 90/94. Cientificada do aresto que negou provimento à Manifestação de Inconformidade, em 21.01.2010 (fl. 108), a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 112/120), em 22.02.2010, sem trazer à baila considerações substancialmente diferentes daquelas já externadas em primeira instância. Este colegiado houve por bem manter a decisão de primeira instância, proferindo decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade e de ilegalidade de leis ou atos, bem como de afronta a princípios constitucionais, na forma da Súmula CARF nº 02. SIMPLES FEDERAL. ATIVIDADES VEDADAS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, VIGILÂNCIA E CONSERVAÇÃO. A prestação de serviços de vigilância (portaria e zeladoria) e de limpeza e conservação é defesa aos contribuintes insertos no regime do Simples Federal. Irresignada, a Contribiunte opôs os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, em que se alega CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 1101000.728, proferido Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11060.000756/200745 Acórdão n.º 1101001.072 S1C1T1 Fl. 3 3 por esta 1ª Turma da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, naquilo que tange ao corpo de fundamentação do acórdão. Alega a Contribuinte que não haveria a perfeita submissão dos fatos à norma que enseja a exclusão do SIMPLES; e que a parcial submissão equivaleria à atipicidade normativa, uma vez que, em Direito Tributário, prevalece o princípio da tipicidade cerrada. Alega ainda que houve erro na declaração de produção de efeitos da exclusão, porque alcançaria períodos albergados pela decadência. É o relatório. Voto BENEDCITO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Os Embargos são tempestivos; deles tomo conhecimento. A contribuinte desenvolve atividade de “locação de mãodeobra” fato não mais controverso. A quem exerce tal atividade é vedada a opção pelo regime do SIMPLES, como se depreende da leitura da norma infratranscrita: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãode obra;” (grifamos) O voto que dá fundamento ao acórdão embargado utilizou a expressão “parcialmente” ao se referir à subsunção do aporte fático à hipótese normativa, o que motivou a argumentação da contribuinte no sentido de que, em Direito Tributário, ou se observa a tipicidade plena da norma ou não há tipicidade alguma. Essa é a exegese do princípio da tipicidade cerrada, que, acertadamente, deve nortear o Direito Tributário. Leiase o trecho que ensejou a discussão presente: “Ora, parece incontroverso que a empresa desenvolvida pela interessada se subsume, sim, parcialmente, à hipótese do citado artigo 9º, inciso XII, alínea “f”, da Lei nº 9.317/96, reproduzido pelo artigo 20, inciso XI, alínea “e”, da Instrução Normativa SRF nº 608/06.” Porém, o dispositivo normativo ora em comento apresenta um rol de atividades vedadas. A mesma alínea lista quatro hipóteses de vedação ao regime do SIMPLES, sendo cada uma, individualmente, uma atividade que não comporta a opção pelo regime. Quando o acórdão utilizou a expressão “parcialmente”, não fazia ele alusão a uma tipicidade incompleta, porque, como salientamos acima, frente ao princípio da tipicidade cerrada, uma subsunção parcial à norma equivaleria a subsunção alguma. O que se expressou é que a contribuinte realizava uma das quatro atividades elencadas pelo dispositvo. A subsunção Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 é perfeita e completa: a contribuinte realizava locação de mãodebra, atividade vedada ao SIMPLES. A “parcialidade” se referia apenas ao fato de atividade vedada ser uma das hipóteses elencadas pelo dispositivo. Por essa razão, entendo não caber dúvida de que a adequação típica restou caracterizada em perfeição. Não cabe, portanto, reparo à decisão anterior. Em relação ao segundo ponto em litígio, entendo que assiste razão à Embargante. A decisão tomada por esta turma confirmou a decisão da DRJ, que deslocou o termo a quo do prazo para a manifestação de efeitos decorrentes da exclusão para 01°.01.2002, porque essa era a dicção da norma contida no art. 24§ 1º, inciso II, da Instrução Normartiva SRF nº 608/2006. Eis o que a respeito consta do acórdão embargado: Apresentada manifestação de inconformidade, o colegiado a quo bem andou ao modificar o átimo de início dos efeitos da extrusão, deslocandoo para 01.01.2002, consoante o ditame do artigo 24, § 1º, inciso II, da Instrução Normartiva SRF nº 608/2006 – prescritor de tratamento especial, mais benéfico do que aquele estatuído pelo artigo 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96. Apesar de não fazer remissão à Súmula CARF n. 56, o entendimento proferido naquela oportunidade dá vazão ao conteúdo da súmula, que estabelece o seguinte: Súmula CARF nº 56: No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Ocorre que à Contibuinte foi dada ciência do Ato de Exclusão em 25/04/2007, de maneira que já haviam sido tacitamente homologadas as obrigações tributárias espontaneamente constituídas pelo sujeito passivo anteriores a 5 (cinco) anos do primeiro fato gerador considerado (30/04/2002). Por sua vez, a exclusão a partir de 01°/04/2002 é possível porque mesmo transcorridos mais de 5 (cinco) anos da indevida opção pelo Simples Federal, ela continua a projetar efeitos sobre obrigações tributárias ainda não homologadas tacitamente. Deste modo, enquanto não transcorrido o prazo legal, o Fisco pode negar a homologação dos recolhimentos promovidos pelo sujeito passivo, e exigir o crédito tributário ainda não definitivamente extinto. E, como procedimento preliminar, deve promover, como exige a lei, a exclusão do sujeito passivo do Simples Federal, apenas com que efeitos a partir do período ainda não alcançado pela homologação tácita prevista no art. 150, §4o do CTN. Esta turma já teve a oportunidade de pronunciarse sobre os efeitos da exclusão e da decadência. A decisão foi proferida, por unanimidade de votos, no acórdão n. 1101000.954, de 12 de setembro de 2013, cuja relatoria coube à eminente conselheira Edeli Pereira Bessa, a quem peço licença para transcrever a ementa do acórdão: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11060.000756/200745 Acórdão n.º 1101001.072 S1C1T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PESSOA JURÍDICA RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO. É vedada a opção no SIMPLES Federal por pessoas jurídicas resultantes de qualquer forma de desmembramento que enseje a transferência de atividades operacionais de outra pessoa jurídica, mormente tendo em conta que as pessoas jurídicas apresentamse ao público consumidor como se uma única empresa fossem. ALTERAÇÃO DA VEDAÇÃO NO ÂMBITO DO SIMPLES NACIONAL. É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples (Súmula CARF nº 81). EFEITOS DA EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF nº 56). DECADÊNCIA. O ato de exclusão não pode retroagir para alcançar períodos de apuração nos quais os recolhimentos simplificados já estão homologados tacitamente. (Acórdão n. 1101000.954, de 12 de setembro de 2013). Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, para estabelecer os efeitos da exclusão a partir de 01°/04/2002. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13832.000057/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/11/1995 a 31/12/1996
PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. DIREITO INTERTEMPORAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005.
O prazo decadencial para o contribuinte requerer a restituição de indébito, relativamente a recolhimento indevido ou a maior de PIS, por conta da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445 e 2.449/88, é de cinco anos contados da extinção definitiva do crédito tributário, que tem início com a homologação tácita, conforme jurisprudência pacificada no âmbito do STJ, pela aplicação combinada dos arts. 150 , § 4º , 156 , VII , e 168 , I , do CTN, para os pedidos ingressados até 08/06/2005. Conforme interpretação dada pelo STF (RE 566.621), os pedidos de restituição protocolizados a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar nº 118/2005, tem prazo decadencial de cinco anos a partir do pagamento (art. 62-A do RICARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência de parte dos fatos geradores objeto do pedido.
Luiz Roberto Domingo - Relator,Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. DIREITO INTERTEMPORAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. O prazo decadencial para o contribuinte requerer a restituição de indébito, relativamente a recolhimento indevido ou a maior de PIS, por conta da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88, é de cinco anos contados da extinção definitiva do crédito tributário, que tem início com a homologação tácita, conforme jurisprudência pacificada no âmbito do STJ, pela aplicação combinada dos arts. 150 , § 4º , 156 , VII , e 168 , I , do CTN, para os pedidos ingressados até 08/06/2005. Conforme interpretação dada pelo STF (RE 566.621), os pedidos de restituição protocolizados a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar nº 118/2005, tem prazo decadencial de cinco anos a partir do pagamento (art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência de parte dos fatos geradores objeto do pedido. Luiz Roberto Domingo Relator,VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 57 /2 00 3- 19 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13832.000057/200319 Acórdão n.º 3101001.645 S3C1T1 Fl. 158 2 Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ Ribeirão Preto (fls. 113/121) que manteve o indeferimento do pedido de restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de PISSemestralidade, durante o período de 30/11/1995 a 31/12/1996, por entender ter ocorrido decadência, conforme relatório que transcrevo abaixo: “O contribuinte apresentou Darf´s relativos aos recolhimentos efetuados entre 08/12/1995 e 10/01/1997. Apresentou ainda a planilha de fls. 910. A DRF/Marília proferiu o despacho decisório nº 2011/483, de 02/09/2011, fls. 7177, para indeferir o pleito por decorrência do prazo decadencial, pois o pedido de restituição teria sido protocolizado em 11/04/2003, e, portanto, após mais de cinco anos dos pagamentos (efetuados entre 08/12/1995 e 10/01/1997). Ponderou ainda que tanto a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 1.4170/DF, quanto o RE nº 232.8963/PA e a Resolução Senado Federal nº 10/2005 afastaram os efeitos da Medida Provisória nº 1.212/95, e de suas reedições apenas para o período compreendido entre 01/10/1995 e 29/02/1996. Durante tal período, aplicarseia a Lei Complementar nº 07/70. Apesar de considerar que teria ocorrido decadência, a DRF Marília realizou os cálculos de apuração do PIS devido entre 11/1995 e 02/1996, de acordo com a Lei Complementar nº 07/70, com aplicação da semestralidade. Ao final, não reconheceu o direito creditório e indeferiu o pleito porque afetado por decadência. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para alegar que (fls. 80109): a) O PIS seria indevido desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas sucessivas reedições, até 02/1999, quando entrou em vigor a Lei nº 9.715/98. Durante tal período, a Lei Complementar nº 7/70 já teria perdido sua vigência; b) Não teria ocorrido prescrição, pois nos casos de tributos lançados por homologação, o prazo prescricional seria de dez anos: cinco para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento, acrescidos de mais cinco para o contribuinte reaver o tributo pago indevidamente ou a maior; c) Teria direito à compensação do PIS pago indevidamente, nos termos das Leis nº 8.383/91 e do Decreto nº 2.138/97. A decisão da primeira instância (fls. 113/121) manteve o indeferimento com base nos seguintes fundamentos cons: 1) a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 já resta superada, inclusive com a edição da Resolução do Senado Federal nº 49/95 e a Súmula nº 15 do CARF, cuja observância é obrigatória; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13832.000057/200319 Acórdão n.º 3101001.645 S3C1T1 Fl. 159 3 2) contudo, não pode a recorrente pleitear seus direitos creditórios, uma vez que houve a ocorrência de decadência, ante o decurso do prazo de cinco anos, nos termos dos arts. 168, I e 165, I a III, uma vez que o PIS é um tributo sujeito ao lançamento por homologação e que, nos termos do art. 150, §1º, a extinção do crédito seria a data do pagamento antecipado; 3) a condição resolutória inerente a esta modalidade de lançamento, expresso na possibilidade de homologação ou não do pagamento efetuado no prazo de cinco anos não tem o condão de alterar a data de extinção do crédito; 4) corroborando tal entendimento, a Lei Complementar 118/2005 assim dispôs expressamente em seu art. 3º, sendo certo que o E. STF se posicionou no sentido de que, para pedidos de compensação/restituição anteriores à vigência desta norma seria de dez anos, a contar do pagamento indevido, citandose o julgadoparadigma; 5) apesar disto, afirma que a atividade da autoridade administrativa julgadora de primeira instância está subordinada aos entendimentos da RFB proferidos por meio de instruções normativas, sendo isto um óbice à sua livre convicção e, neste sentido, em razão do Parecer PGFN/CRJ nº 1.528/2012, somente aos contribuintes que formularam requerimento ao poder judiciário seria aproveitada a referida decisão do STF e, com base nisto, não poderia reconhecer tal direito à Recorrente, posto que esta somente formulou seu pleito administrativamente; 6) conclui afirmando que, tanto para o requerimento de compensação quanto para restituição, o direito se encontrava decaído à época da formulação do pedido (11/04/2003). Intimada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/08/2013 (fls. 216/235), requerendo seja afastada a decadência e reconhecido seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do presente recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. A questão da decadência do direito para pedir a restituição do quanto pago a maior ou indevidamente, sofreu variações interpretativas no passar dos anos, mas é certo que com a publicação da Lei Complementar nº 118/2005, houve a necessidade de o Poder Judiciário solucionar a questão do caráter interpretativo da norma contida na referida lei, bem como, a questão intertemporal. Assim foi que o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 566.621, definiu que a chamada tese prazo decadencial “cinco mais cinco” aplicada de forma unânime do Superior Tribunal de Justiça teria validade apenas para os casos iniciados após a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, permanecendo no regime interpretativo anterior os pedidos ingressados antes dessa data: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13832.000057/200319 Acórdão n.º 3101001.645 S3C1T1 Fl. 160 4 DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 /2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118 /05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 , § 4º , 156 , VII , e 168 , I , do CTN . A LC 118 /05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Leisupostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação deindébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil , pois, não havendo lacuna na LC 118 /08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º , segunda parte, da LC 118 /05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B , § 3º , do CPC aos recursos sobrestados.(RE 566621/RS, Rel. Min. ELLEN GRACIE, 04/08/2011, Dje 10102011) Conforme o julgamento colacionado, o dialimite para aplicação do prazo decadencial de “cinco mais cinco anos”, consoante a tese dominante até então, ceifada com o advento da Lei Complementar 118/2005 que inovou na ordem jurídica a partir de 09/06/2005. Considerando que o pedido de restituição foi apresentado pela Recorrente, em 11/04/2003, entendo que não se encontram decaídos os créditos decorrentes dos pagamentos a maior ou indevidos relativos aos períodos de apuração ocorridos até 11/04/1993. Ao contrário da DRJ, os membros deste E. Conselho não estão submetidos aos posicionamentos da administração proclamados em atos normativos, tendo o DeverPoder Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13832.000057/200319 Acórdão n.º 3101001.645 S3C1T1 Fl. 161 5 de se valer do sistema jurídico e de suas normas como um todo para formular seu convencimento neste ou naquele sentido, desde que, a toda evidência, sejam observados os limites inerentes ao julgador administrativo. Ademais, ao contrário do que entendeu a DRJ de origem, temse como indiferente se o pleito foi formulado pela via administrativa ou judiciária para este fim. Isto porque a finalidade do instituto da decadência é, por um lado, garantir estabilidade às relação jurídicas e sociais, conferindo a elas um mínimo de previsibilidade e evitando que os conflitos e pretensões se perpetuem ao longo do tempo e, por outro, desprestigiar aqueles que não se valem de meios eficázes para pleitear seus direitos (dormientibus non succurrit jus). Assim, sob esta ótica, a formulação de um pleito à Administração, requerendo um direito ao qual entende fazer jus, nada mas é do que o efetivo exercício, por um meio juridicamente eficaz e amplamente assegurado pela Constituição Federal. Neste sentido, não se pode punir o contribuinte que faz uso regular de direitos conferidos pelo próprio Estado. Aplicase aqui o que dispõe o art. 62A do RICARF, que dispõe que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. De modo que, definido o critério para contagem dos prazos decadenciais, deve a administração cumpri los indistintamente. Desta forma, considerando que o fato gerador dos créditos em debate ocorreram entre 11/1995 e 12/1996 e o pedido administrativo fora formulado em 11/04/2003, não se observa o transcurso do prazo de dez anos em relação aos créditos advindos dos pagamentos cujos fatos geradores tenham se dado a partir de decênio anterior à data de protocolo, ou seja, 11/04/1993. Superada a questão prejudicial de mérito e a fim de evitar a supressão de instâncias, deve o julgador ordinário se pronunciar novamente sobre o direito creditório remanescentes. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a decadência dos créditos cujos fatos geradores tenham ocorridos a partir de 11/04/1993 e determinar o retorno dos autos para apreciação dos demais elementos do pedido. Luiz Roberto Domingo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13832.000057/200319 Acórdão n.º 3101001.645 S3C1T1 Fl. 162 6 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10283.720688/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
ANTECIPAÇÕES OBRIGATÓRIAS. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Não tendo sido trazidos aos autos elementos capazes de comprovar que determinadas antecipações obrigatórias, não obstante equívocos no preenchimento da DCTF e da ausência de Declaração de Compensação, foram efetivadas extintas por meio da utilização de saldo negativo de período anterior, há de se recompor o resultado fiscal final para, excluindo os montantes não recolhidos (ou compensados), exigir a diferença de imposto resultante da referida recomposição.
IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Numero da decisão: 1301-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Renato Vieira do Nascimento, OAB/RJ nº 144134.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Não tendo sido trazidos aos autos elementos capazes de comprovar que determinadas antecipações obrigatórias, não obstante equívocos no preenchimento da DCTF e da ausência de Declaração de Compensação, foram efetivadas extintas por meio da utilização de saldo negativo de período anterior, há de se recompor o resultado fiscal final para, excluindo os montantes não recolhidos (ou compensados), exigir a diferença de imposto resultante da referida recomposição. IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 88 /2 00 7- 57 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.181 2 Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Renato Vieira do Nascimento, OAB/RJ nº 144134. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório EL PASO AMAZONAS ENERGIA LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, que julgou improcedente a impugnação apresentada, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2002, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento do imposto e das antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 65/81) por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que restaria clara a incongruência na tipificação, atribuída pela Fiscalização, ao interpretar o lançamento contábil efetuado ao final do exercício como a configuração da compensação dos créditos tributários utilizados à época; que o lançamento contábil em questão seguiria a lógica de que os pagamentos mensais efetuados, seja o recolhimento via DARF ou compensações diretas (ou com Per/Dcomp), são registrados em conta de antecipação e deveriam ser revertidos para a conta de Provisão de IRPJ somente ao final do período, tendo em vista que a apuração do Imposto de Renda se dá definitivamente em 31 de dezembro; que, conforme cópia dos razões das contas "Antecipação de IRPJ" (anexo 04), bem como dos controles extras contábeis (anexo 06), verificarseia que ela efetuou corretamente as compensações de saldo negativo de IRPJ com débitos apurados por estimativa; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.182 3 que, entretanto, não informou na DCTF 2002 o valor dos débitos e compensações efetuadas nos meses de julho, agosto e setembro; que somente teria ocorrido um equívoco no preenchimento da DCTF; que, uma vez aplicada a multa isolada, a Autoridade Fiscal não poderia determinar a aplicação da multa de oficio, já que ambas são calculadas sobre a mesma base de cálculo. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 01 13.074, de 19 de fevereiro de 2009, por não conhecer a impugnação. O referido julgado foi assim ementado: CAPACIDADE POSTULATÓRIA. IMPUGNAÇÃO. Deve ser considerada não formulada a impugnação sem identificação da pessoa que a assina, quando devidamente intimado a regularizar a situação, o sujeito passivo se mantém inerte. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 140/154, argumentando, relativamente ao decidido em primeira instância, o seguinte: que a decisão foi exarada com o simples cunho formalista sob o fundamento absurdo de que não restou demonstrada a capacidade postulatória dos representantes que assinam a Impugnação, devendo esta ser considerada como se não tivesse sido apresentada; que não mereceria prosperar a referida decisão, considerando que ela não poderia ter sua defesa prejudicada, em flagrante ofensa ao Principio da Informalidade do Processo Administrativo e da Verdade Material; que de acordo com o artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, não há obrigatoriedade de se apresentar a cópia do RG dos signatários, restando violados, assim, os Princípios da Informalidade e da Legalidade, uma vez que não há previsão legal para a apresentação de cópia do RG dos representantes; que o art. 13 do Código de Processo Civil não é aplicável à matéria, pois não está em questionamento a veracidade ou os requisitos necessários à formalização da procuração, mas, sim, a não apresentação de cópia dos documentos de identidade dos representantes; que tratase, portanto, de documentos que não interferem na apreciação do mérito, nem tampouco na formação de provas para os argumentos apresentados na Impugnação; que o próprio Código de Processo Civil, em seu art. 38, dispõe que a procuração geral para o foro habilita o advogado para praticar todos os atos do processo, não fazendo menção a necessidade de juntada da cópia de documento de Registro dos signatários. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.183 4 A Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, em sessão realizada em 03 de agosto de 2011, decidiu anular a decisão de primeira instância por meio do acórdão nº 130200.654, que assim foi ementado: IMPUGNAÇÃO. CAPACIDADE POSTULATÓRIA. APRECIAÇÃO. A simples ausência de apresentação de cópia de documento que possibilite ao órgão julgador confirmar que os signatários da peça impugnatória são os indicados em instrumento de mandato, não pode servir de fundamento para impedir o exercício do contraditório por parte do contribuinte, mormente na situação em que a capacidade postulatória objeto de questionamento resta comprovada no curso do mesmo processo administrativo. Em virtude de tal pronunciamento, nova decisão foi prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, conhecendo a impugnação, mas julgandoa improcedente. O acórdão produzido pela referida 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. APURAÇÃO DO PERÍODO. Comprovado que o sujeito passivo não efetuou regularmente a compensação da estimativa mensal com o saldo negativo de exercícios anteriores, mister a desconsideração dessa compensação na apuração do imposto devido ao final do período. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas.Portanto, cabível o lançamento concomitante destas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária autoriza o procedimento. Contrariada, a contribuinte interpôs novo recurso voluntário (fls. 349/368), sustentando: que o saldo negativo de IRPJ utilizado em suas compensações era líquido e certo, extinguindo, portanto, todos os créditos tributários nelas envolvidos; que as operações de compensação foram realizadas antes da vigência da Lei nº 10.637/2002 e, em razão disso, se revela irrazoável a exigência por parte do Fisco de eventual apresentação de PER/DCOMP para que sejam consideradas tais operações; que as penalidades imputadas esbarram em determinações legais, jurisprudenciais e doutrinárias inequívocas, motivo pelo qual não podem subsistir; que é completamente equivocada a alegação de que só operacionalizou as compensações ao final do anocalendário de 2002 (em 31/12/2002), vez que as autoridades fiscais dispunham de documentos contábeis que comprovam que as referidas compensações ocorreram de junho a setembro de 2002; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.184 5 que, de fato, cometeu equívocos por ocasião do preenchimento da DCTF/2002 (não registrou as compensações realizadas), mas o Razão das contas ANTECIPAÇÃO DE IRPJ e IMPOSTO DE RENDA A PAGAR foi elaborado em total observância às normas legais, pelo que faz prova a seu favor da existência e da realização das compensações antes da vigência da Lei nº 10.637/2002; que, em conjunto com as DIPJ/2002 e DIPJ/2003, a escrituração comprova a origem dos créditos tributários e os saldos negativos utilizados para as compensações declaradas. Adiante, a contribuinte traz considerações acerca da evolução da legislação concernente ao instituto da COMPENSAÇÃO; do (incorreto) preenchimento da DCTF e da penalidade aplicada em decorrência dos eventuais equívocos cometidos; dos registros contábeis comprobatórios das compensações realizadas; do princípio da verdade material e da garantia legal; e da impossibilidade de coexistência da multa de ofício e da multa isolada. É o Relatório. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.185 6 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Multa Isolada, relativa ao anocalendário de 2002, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento do imposto e das antecipações obrigatórias (estimativas). Em conformidade com a descrição dos fatos contida no auto de infração (fls. 55), restou apurado: i) que a contribuinte não “observou as normas estabelecidas pela legislação tributária, quando da compensação do saldo credor de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 731.704,11, com os débitos de IRPJ apurados por estimativa, referentes aos meses de junho, julho, agosto e setembro, nos valores de R$ 125.994,50, R$ 325.009,46, R$ 20.116,04 e R$ 337.192,18, respectivamente”; e ii) que, em conformidade com a escrituração contábil, a contribuinte procedeu a compensação das estimativas de IRPJ de uma única vez, em dezembro de 2002, no total de R$ 808.312,18, sem que fosse apresentada a Declaração de Compensação; e iii) a partir do confronto DIPJ X DCTF, foram detectadas insuficiências de registro em DCTF e de recolhimento das estimativas de IRPJ relativas aos meses de julho, agosto e setembro de 2002. A partir da decretação da nulidade da primeira decisão por parte deste Colegiado, nova decisão de primeiro grau foi prolatada julgando improcedente a impugnação interposta. O referido julgado foi fundamentado nas seguintes razões: a) diferentemente do alegado pela contribuinte, não restou verificado qualquer lançamento a débito da conta de ativo ANTECIPAÇÃO DO IRPJ com valor correspondente às compensações supostamente realizadas, ou mesmo lançamentos efetuados à data de vencimento das obrigações, cuja soma perfizesse o valor do débito que a contribuinte alegou que foi compensado; b) não foi constatado, também, qualquer lançamento que tivesse por histórico a compensação das estimativas questionadas pela Fiscalização; c) a contribuinte, ao invés de efetuar as compensações das estimativas mensais de IRPJ no período próprio, optou por apurar o saldo de seus créditos tributários ao final do período (31/12/2002) para compensálo, de uma só vez, sem processo, com o saldo de Imposto de Renda a Pagar; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.186 7 d) em 31/12/2002 já vigoravam as disposições da IN SRF nº 210/2002, que exigiam, para efetividade da compensação, a apresentação da “Declaração da Compensação”, documento este que não foi entregue pela contribuinte; e e) nenhum lançamento a débito dos créditos tributários à conta Antecipação do IRPJ teve contrapartida correspondente à conta Imposto de Renda a Pagar, diferentemente do que ocorreu com os recolhimentos das estimativas – via DARF – em que os débitos à conta Antecipação do IRPJ tiveram sua contrapartida à conta Imposto de Renda a Pagar. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumenta que “é completamente equivocada a alegação de que o contribuinte somente operacionalizou as compensações ao final do AnoCalendário 2002, em 31/12/2002, tendo em vista que as autoridades fiscais estavam de posse de todos os documentos contábeis que comprovam que as referidas compensações ocorreram de junho à (sic) setembro de 2002”. No mais, a contribuinte tece considerações acerca da legalidade do procedimento adotado por ela; da legislação concernente ao instituto da COMPENSAÇÃO; do (incorreto) preenchimento da DCTF e da penalidade aplicada em decorrência dos eventuais equívocos cometidos; dos registros contábeis comprobatórios das compensações realizadas; do princípio da verdade material e da garantia legal; e da impossibilidade de coexistência da multa de ofício e da multa isolada. Primeiramente, para que se possa encaminhar adequadamente a apreciação da controvérsia, releva a analisar as considerações e os elementos de comprovação apresentados pela Recorrente com o intuito de demonstrar que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, efetivamente compensou as estimativas questionadas, independentemente da apresentação da correspondente declaração e de eventuais equívocos no preenchimento da DCTF. No âmbito das considerações, a Recorrente, salvo melhor juízo, incorre em equívocos conceituais, eis que faz referência à contabilização “a débito em conta de despesa no Resultado (conta contábil “Antecipação de IRPJ), com contrapartida a crédito de provisão no Passivo (“Imposto de Renda a Pagar”)”, quando é cediço que a conta ANTECIPAÇÃO DE IRPJ, comumente utilizada para registro das antecipações obrigatórias, representa conta de ATIVO, eis que as estimativas representam direito que a contribuinte detém para, ao final do período de apuração, deduzir do imposto a pagar. Não obstante, em redação extremamente confusa, em que faz alusão inclusive à observância de Norma de Procedimentos Contábeis, alega, contraditoriamente, que “o procedimento contábil adequado é a contabilização da provisão de IRPJ, consoante o critério contábil adotado pelo contribuinte, isto é, registro da provisão mensal acumulada de IRPJ diretamente no resultado do período de apuração e registro das antecipações em conta de Ativo “Antecipação de IRPJ”. De qualquer forma, aqui, o importante é verificar se a Recorrente aportou ao processo documentos contábeis que efetivamente comprovem que ela promoveu as compensações das estimativas questionadas pela Fiscalização. Para tanto, ainda que se admita a liberdade dos seus “processos de contabilização”, devem ser identificados registros que apontem para a constituição da obrigação, nos respectivos meses de competência, e sua extinção, que, de acordo com Fl. 419DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.187 8 informações contidas nos autos, foi promovida por meio da utilização de saldo negativo do anocalendário de 2001. À impugnação, a contribuinte juntou documentos que, como já asseverado pela autoridade julgadora de primeiro grau, não comprovam nem a constituição da obrigação, nem a sua extinção. Ao recurso, a contribuinte juntou cópia de folhas do Razão da conta contábil ANTECIPAÇÃO IRPJ, em que são assinalados registros cujos históricos são os seguintes: VLR COMP LUCRO EXPLORAÇÃO CONFORME DECL IR 2002/2001; VLR CREDITO TRIBUTÁRIO SELIC 01/2002 A 072002; VLR CREDITO TRIBUTÁRIO SELIC 08/2002; e VLR CREDITO TRIBUTÁRIO IRPJ 09/2002. Foram referenciados, também, cópia de folhas do Razão da conta contábil RECEITAS FINANCEIRAS. Com o devido respeito, na linha do sustentado pela autoridade administrativa julgadora precedente, nada há nos autos que comprove que efetivamente a contribuinte apurou e extinguiu por compensação as antecipações obrigatórias relativas aos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2002, motivo pelo qual a imputação feita pela Fiscalização deve ser mantida. No que diz respeito à MULTA ISOLADA, a alegação da Recorrente é de que a multa de ofício exigida com base no imposto não recolhido, ou recolhido de forma insuficiente, não pode coexistir com a multa isolada incidente sobre as antecipações obrigatórias não recolhidas. Embora ciente de que essa questão é objeto de controvérsias no âmbito deste Colegiado, filiome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto em virtude de dedução indevida na apuração do saldo a pagar; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). A meu ver, a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Tenho que o fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada na base de cálculo do imposto devido. Fica claro que, nessa circunstância, o imposto será lançado com a multa de ofício Fl. 420DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.188 9 correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2014 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 421DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.189 10 Voto Vencedor Valmir Sandri, Redator Designado. Tendo acompanhado o Ilustre Relator pela manutenção da exigência relativa ao IRPJ, peço vênia para discordar quanto ao entendimento por ele esposado para manter a Multa de Ofício aplicada Isoladamente, eis que, entendo, após o encerramento do ano calendário, inexiste base de cálculo para a incidência da referida multa, bem como, a impossibilidade da coexistência de duas penalidades sobre um mesmo tributo que deixou de ser recolhido. Explico o porque: Os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o ano calendário em curso, pelo fato de que, com a apuração do tributo efetivamente devido ao final do anocalendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Assim, a despeito da contribuinte não ter antecipado ou ter antecipado a menor o suposto tributo que poderia ser devido ao final do anocalendário, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o término do ano calendário, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação. Não fossem os argumentos acima, que no meu entendimento são suficientes para afastar a presente exigência, é de se verificar que se exige também nos presentes autos, em concomitância, a multa de ofício, não devendo também por esse motivo prosperar a exigência ora guerreada. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.190 11 Isto porque, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico tributo, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. De se registrar que está matéria já se encontra pacificada na Câmara Superior, conforme se constata dos julgados a seguir transcritos por suas ementas: Acórdão 91010.375, de 01/10/2009: IRPJ. MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento do tributo apurado no balanço Acórdão 910100.430, de 03/11/2009, de idêntico teor aos Acórdãos nºs, 910100.500 de 25/01/2010; 910100.501 de 25/01/2010; 910100.502 de 25/01/2010; 9101 01.193, de 17/10/2011; 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 9101 01.455 de 15 de agosto de 2012: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. 9101 000.844, de 22/02/2011 (de idêntico teor: Acórdãos 910101.237, de 21/11/2011; 910101.246, de 22/11/ 2011). FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Portanto, ante a jurisprudência acima citada, e por me filiar ao entendimento por ela firmado, DOU provimento ao recurso do contribuinte para excluir tal penalidade. É como voto. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10283.720688/200757 Acórdão n.º 1301001.506 S1C3T1 Fl. 1.191 12 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16327.720346/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, para SOBRESTAR o presente feito até o completo trânsito em julgado dos Processos nº 16327.001080/2005-91 e nº 16327.001716/2010-61.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, para SOBRESTAR o presente feito até o completo trânsito em julgado dos Processos nº 16327.001080/2005-91 e nº 16327.001716/2010-61. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, para SOBRESTAR o presente feito até o completo trânsito em julgado dos Processos nº 16327.001080/200591 e nº 16327.001716/201061. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 34 6/ 20 11 -4 6 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 439 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1632.296, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) N° 3 de fls. 139144, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, referente ao ano calendário de 2006, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir: IRPJ Compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores saldo insuficiente O Banco Bradesco, CNPJ n° 60.746.948/000112, apurou, em sua DIPJ do anocalendário de 2006, Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos no valor de R$3.695.756.896,95 (linha 34 da ficha 09B da DIPJ, fls.127), tendo compensado prejuízos fiscais no montante de R$38.448.794,29, apurando então Lucro Real de R$3.657.308.102,66. A contribuinte apresentou planilha às fls.38 na qual demonstra a apuração de prejuízo fiscal, nos anos de 1997, 1999 e no exercício findo em 30/03/2000 (cisão parcial), no montante total de R$147.828.028,12. Nos anos de 1998, 2004 e 2005 a contribuinte efetuou compensações de prejuízo, restando um saldo de R$38.448.784,05 em 31/12/2005, que, consoante o exposto, foi integralmente compensado na DIPJ do anocalendário de 2006 (fls.128), conforme demonstrativo a seguir transcrito: Demonstrativo da compensação de prejuízo apresentado pela contribuinte (R$) Prejuízo fiscal Compensação Saldo Descrição apurado de prejuízos a compensar ANO 1997 58.553.673,64 58.553.673,64 ANO 1998 0,00 5.295.394,91 53.258.278,73 ANO 1999 75.127.195,77 128.385.474,50 PERIODO FINDO 30/03/2000 14.147.158,71 142.532.633,21 ANO 2001 0,00 142.532.633,21 ANO 2002 0,00 142.532.633,21 ANO 2003 0,00 142.532.633,21 ANO 2004 0,00 3.275.399,70 139.257.233,51 ANO 2005 0,00 100.808.449,46 38.448.784,05 ANO 2006 0,00 38.448.784,05 0,00 TOTAL 147.828.028,12 (147.828.028,12) Entretanto, o saldo de prejuízo fiscal em 31/12/2005, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais SAPLI, era de R$7.859.525,40, conforme demonstrativo a seguir, e não de R$ 38.448.784,05, como informado pela contribuinte. Saldo de prejuízos a compensar (R$) SALDO DE PREJUÍZOS Prejuízo fiscal SALDO A COMPENSAR ANTES apurado Fl. 439DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 440 3 DAS INFRAÇÕES APURADAS Saldo de Prejuízo Fiscal dos períodosbase de 1991 a 1996 93.081,30 EM 31.12.1997 58.553.683,84 58.646.765,14 EM 31.12.1998 0,00 5.295.394,91 53.351.370,23 EM 31.12.1999 75.127.195,77 128.478.566,00 EM 31.03.2000 (*) 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2000 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2001 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2002 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2003 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2004 0,00 3.275.399,70 108.667.974,86 EM 31.12.2005 0,00 100.808.449,46 7.859.525,50 (*) No anocalendário de 2000 houve a Cisão Parcial (87,13% do patrimônio remanescente), sendo lavrado Al no processo 16327.001.080/200591 A divergência no saldo de prejuízo apurado pela contribuinte decorre de dois fatos: a contribuinte não retificou o saldo de prejuízo fiscal no período de 01/01/2000 a 30/03/2000 conforme o processo 16327.001.080/200591, que alterou o prejuízo de R$20.873.607,27 declarado na DIPJ para lucro real de R$34.959.454,87, em função da infração de R$ 55.833.062,14 lançada naquele processo. por ocasião da cisão em 30/03/2000, a contribuinte não aplicou o percentual remanescente de 87,13% em função da cisão parcial, sobre o saldo de prejuízo fiscal em 30.03.2000. Portanto, a compensação de prejuízo fiscal efetuada pela contribuinte no anocalendário 2006 foi indevida, eis que a contribuinte não retificou o saldo de prejuízo fiscal decorrente do auto de infração 16327.001.080/200591 e não aplicou o percentual remanescente de 87,13% em função da cisão parcial em 30/03/2000. Posteriormente, em 15/10/2010 foi lavrado auto de infração no processo 16327.001385/201060, no qual apurouse infração no valor de R$572.935,77, resultando numa compensação de ofício de 30%, no valor de R$171.880,71 do prejuízo fiscal no anocalendário de 2.005. Em 23/12/2010 efetuouse a compensação de ofício do saldo remanescente de R$7.687.644,69 de prejuízo fiscal, por meio da lavratura do auto de infração no anocalendário 2005, no processo 16327.001716/201061. Em decorrência das infrações apuradas no anocalendário de 2005 e a falta de retificação do saldo de prejuízo fiscal no período de 01/01/2000 a 30/03/2000, constatouse saldo insuficiente de prejuízo fiscal no anocalendário de 2006 no montante de R$38.448.794,69, conforme demonstrado a seguir: Saldo de prejuízos a compensar antes das infrações apuradas (R$) Em 31/12/2005 (saldo após compensações realizadas no processo 16327.001.080/200591) 7.859.525,40 Prejuízo fiscal compensado no processo 16327.001385/201060 171.880,71 Prejuízo fiscal compensado no processo 16327.001716/201061 7.687.644,69 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 441 4 Saldo após autos de infração anocalendário 2005 0,00 Prejuízo fiscal compensado pela contribuinte na DIPJ anocalendário 2006 38.448.794,29 SALDO INSUFICIENTE DE PREJUÍZO FISCAL em 31/12/06 38.448.794,29 Ressaltese que a contribuinte discute, desde 1997, o direito de computar, para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos, o valor das perdas efetivas e definitivas sofrida no recebimento de seus créditos, independentemente do atendimento das condições e prazos previstos nos artigos 9o a 14 da Lei n° 9.430/96. Os saldos de prejuízos fiscais tratados no presente Termo de Verificação n° 03 consideram a legislação vigente, sem considerar os prejuízos decorrentes das perdas em operações de crédito lançadas pelo contribuinte sob o amparo de Mandados de Segurança da matéria relativa a perdas em operações de crédito. Da matéria tributável Em decorrência das infrações apuradas, foi recomposta a base de cálculo do IRPJ para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006, restando uma compensação indevida de prejuízos fiscais de R$38.448.794,29, conforme demonstrativo a seguir: Cálculo do IRPJ devido IRPJ ANOCALENDARIO 2006 RS Lucro Líquido antes do IRPJ 3.784.996.707,28 Adições 8.708.432.954,24 Exclusões 8.797.672.764,57 LUCRO REAL antes da Comp. Prejuízos Fiscais 3.695.756.896,95 Compensação de Prejuízo efetuada pelo contribuinte 38.448.794,29 Prejuízo Fiscal compensável (saldo) 0,00 Glosa de Prejuízo Fiscal compensado acima do limite 38.448.794,29 Sobre o tema, dispõe o art. 15 da Lei n° 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Com relação ao evento de cisão parcial ocorrido em 30/03/2000, aplica se o disposto no artigo 514 do RIR/99: Incorporação, Fusão e Cisão Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei n° 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Efetuouse lançamento de ofício do IRPJ incidente sobre a compensação indevida de prejuízos fiscais apurados tendo em vista a reversão do prejuízo após o lançamento das infrações constatadas no anocalendário 2005, por meio dos autos de infração lavrados nos processos 16327.001385/201060 e 16327.001716/201061, e os saldos insuficientes de prejuízos. Ao valor Fl. 441DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 442 5 lançado será acrescida multa de 75% e juros de mora exigidos de acordo com a legislação. Em função do exposto, foi lavrado o auto de infração de fls. 145150, fundamentado nos seguintes dispositivos legais: Demonstrativo do IRPJ RIBUTÁRIO ENQUADRAMENTO LEGAL Imposto Artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509, 510 e 514, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); art.15 e parágrafo único da Lei n° 9.065/95. 9.612.198,56 Juros de Mora (até 28/02/2011) Art. 6°, §2°, da Lei n° 9.430/96. 4.090.951,70 Multa de Ofício Art.44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. 7.209.148,92 TOTAL 20.912.299,18 Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 157176, acompanhada dos documentos de fls. 177308, em síntese alegando: Dos fatos O auto de infração foi lavrado por insuficiência de prejuízos fiscais compensados em 31/12/2006, no valor de R$38.448.794,29, decorrente de: redução de prejuízos do período de 01/01/2000 a 30/03/2000 no valor de R$14.147.158,71, em virtude de glosa de despesas de CSLL na base de cálculo do IRPJ no processo 16327.001080/200591, no valor de R$55.833.062,14, apropriada por força de liminar concedida no Mandado de Segurança (MS) n° 97.00073408; não aplicação da redução correspondente ao percentual de patrimônio remanescente (87,13%), em virtude de cisão parcial, ao saldo de prejuízos em 30/03/2000, o que redundou em compensação a maior de R$16.442.099,94; redução do saldo de prejuízo a compensar em R$171.880,71, por força de compensação de ofício efetuada no processo 16327.001385/201060; 4)redução do saldo de prejuízo em R$7.687.644,69 por força decompensação de ofício efetuada no processo 16327.001716/201061, ao qual foi apresentadadefesa parcial quanto aos itens I, II e III relativo ao IRPJ ali exigido, sendo a parte impugnadade R$1.977.788,04, e a parte paga, R$5.709.856,65. A impugnante está efetuando o recolhimento das exigências correspondentes aos itens 2 e 3, e à parte paga do item 4. Em relação às exigências do item 1 e da parte impugnada do item 4, o lançamento não poderia ser efetuado com cobrança definitiva pois essas exigências dependem das decisões que vierem a ser proferidas no MS n° 97.00073408 e no processo administrativo 16327.001716/201061. Da prejudicialidade: necessidade de sobrestamento do feito No presente lançamento o fiscal concluiu pela insuficiência do saldo de prejuízos no ano calendário de 2006 pois considerou definitivos os lançamentos dos processos 16327.001080/200591 e 16327.001716/201061. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 443 6 Contudo, o lançamento do processo 16327.001080/200591 foi lavrado com exigibilidade suspensa em razão de liminar no MS 97.00073408, confirmada por sentença favorável à impugnante, autorizandoa a excluir da base de cálculo do IRPJ as despesas de CSLL no montante de R$55.833.062,14. Posteriormente, a impugnante efetuou depósito da importância exigida em razão de acórdão que deu provimento à remessa oficial, encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito (fls. 212260). Caso a impugnante venha a ser vitoriosa naquele processo judicial, ficará restabelecido o prejuízo fiscal no montante de R$14.147.158,71 glosado pela fiscalização. Quanto ao processo 16327.001716/201061, a impugnante apresentou defesa parcial que, se julgada favoravelmente à contribuinte, restabelecerá o valor de R$1.977.788,04 dos prejuízos glosados (fls.261308). A cobrança da exigência impugnada seria a execução definitiva da decisão provisória proferida no MS 97.00073408, ou a cobrança de crédito não definitivamente constituído na esfera administrativa, em razão da defesa apresentada no processo 16327.001716/201061, o que não pode ser admitido. Em razão do exposto, os créditos tributários lançados nesses processos e as respectivas compensações de prejuízos e de base de cálculo negativa estão com a exigibilidade suspensa conforme art.151, incisos II e III, do CTN. Assim, os valores objeto desta impugnação somente podem ser exigidos se favoráveis ao Fisco as decisões finais no MS 97.00073408 (processo 16327.001080/200591) e no processo 146327.001716/201061, face à prejudicialidade entre os processos, nos termos do art.265, IV, "a", do Código de Processo Civil. Deve, então, ser sobrestado o presente feito, ou suspensa a exigibilidade da parte impugnada até o julgamento final daqueles processos. Da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício Não podem ser exigidos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal. O art. 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas. A penalidade que se converte em obrigação principal é aquela decorrente da inobservância da obrigação acessória, conforme artigos 113 e 139 do CTN, de modo que o art.61 da Lei n° 9.430/96 não autoriza a incidência de juros sobre a multa de ofício. A redação do art.161 do CTN confirma a não inclusão da multa de ofício no "crédito". O art.43 da Lei n° 9.430/96 também evidencia que a cobrança de juros ocorre apenas sobre o valor de tributos e contribuições. Da taxa Selic Os juros não podem ser exigidos pela taxa Selic, pois esta é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo, além de ser composta de correção monetária, juros e valores da remuneração de serviços das instituições financeiras, e extrapolar o limite de 1% previsto no art.161 do CTN. Relação de documentos apresentados pela impugnante Procuração, substabelecimento e documentos societários (fls. 178198) Auto de infração e Termo de Verificação Fiscal N° 3 (fls. 199211) Peças judiciais referentes ao MS 97.00073408 (fls.212249) Auto de infração do processo 16327.001080/200591 (fls.250260) Fl. 443DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 444 7 Documentos referentes ao processo 16327.001716/201061(fls.261 308) Em 29/04/2011, a contribuinte informou ter efetuado pagamento dos valores lançados neste auto de infração e não impugnados, juntando cópias dos Darf às fls.309 313. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. DEDUÇÕES NÃO AUTORIZADAS PELA LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A impugnante não pode compensar alegados prejuízos fiscais gerados por deduções efetuadas na apuração do lucro real sem o amparo da legislação pertinente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho (fls. 386/413). É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 445 8 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de compensação indevida de prejuízos fiscais em decorrência da recomposição da base de cálculo do IRPJ para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006 provocada por outras infrações ocorridas em anos anteriores e que ainda estão em trâmite seja administrativo, seja judicial. O demonstrativo abaixo bem espelha o ocorrido: Demonstrativo da compensação de prejuízo apresentado pela contribuinte (R$) Prejuízo fiscal Compensação Saldo Descrição apurado de prejuízos a compensar ANO 1997 58.553.673,64 58.553.673,64 ANO 1998 0,00 5.295.394,91 53.258.278,73 ANO 1999 75.127.195,77 128.385.474,50 PERIODO FINDO 30/03/2000 14.147.158,71 142.532.633,21 ANO 2001 0,00 142.532.633,21 ANO 2002 0,00 142.532.633,21 ANO 2003 0,00 142.532.633,21 ANO 2004 0,00 3.275.399,70 139.257.233,51 ANO 2005 0,00 100.808.449,46 38.448.784,05 ANO 2006 0,00 38.448.784,05 0,00 TOTAL 147.828.028,12 (147.828.028,12) . Entretanto, segundo a fiscalização, o saldo de prejuízo fiscal em 31/12/2005, de acordo com o Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais SAPLI, era de R$7.859.525,40, conforme demonstrativo a seguir, e não de R$ 38.448.784,05, como informado pela contribuinte. Saldo de prejuízos a compensar (R$) SALDO DE PREJUÍZOS Prejuízo fiscal SALDO A COMPENSAR ANTES apurado DAS INFRAÇÕES APURADAS Saldo de Prejuízo Fiscal dos períodosbase de 1991 a 1996 93.081,30 EM 31.12.1997 58.553.683,84 58.646.765,14 EM 31.12.1998 0,00 5.295.394,91 53.351.370,23 EM 31.12.1999 75.127.195,77 128.478.566,00 EM 31.03.2000 (*) 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2000 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2001 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2002 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2003 0,00 111.943.374,56 EM 31.12.2004 0,00 3.275.399,70 108.667.974,86 EM 31.12.2005 0,00 100.808.449,46 7.859.525,50 Posteriormente, em 15/10/2010 foi lavrado auto de infração no processo 16327.001385/201060, no qual apurouse infração no valor de R$572.935,77, resultando Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 446 9 numa compensação de ofício de 30%, no valor de R$171.880,71 do prejuízo fiscal no ano calendário de 2.005. Em 23/12/2010 efetuouse a compensação de ofício do saldo remanescente de R$7.687.644,69 de prejuízo fiscal, por meio da lavratura do auto de infração no anocalendário 2005, no processo 16327.001716/201061. Em decorrência das infrações apuradas no anocalendário de 2005 e a falta de retificação do saldo de prejuízo fiscal no período de 01/01/2000 a 30/03/2000, constatouse saldo insuficiente de prejuízo fiscal no anocalendário de 2006 no montante de R$38.448.794,69, conforme demonstrado a seguir: Saldo de prejuízos a compensar antes das infrações apuradas (R$) Em 31/12/2005 (saldo após compensações realizadas no processo 16327.001.080/200591) 7.859.525,40 Prejuízo fiscal compensado no processo 16327.001385/201060 171.880,71 Prejuízo fiscal compensado no processo 16327.001716/201061 7.687.644,69 Saldo após autos de infração anocalendário 2005 0,00 Cálculo do IRPJ devido IRPJ ANOCALENDARIO 2006 RS Lucro Líquido antes do IRPJ 3.784.996.707,28 Adições 8.708.432.954,24 Exclusões 8.797.672.764,57 LUCRO REAL antes da Comp. Prejuízos Fiscais 3.695.756.896,95 Compensação de Prejuízo efetuada pelo contribuinte 38.448.794,29 Prejuízo Fiscal compensável (saldo) 0,00 Glosa de Prejuízo Fiscal compensado acima do limite 38.448.794,29 Em resumo, o auto de infração foi lavrado por insuficiência de prejuízos fiscais compensados em 31/12/2006, no valor de R$38.448.794,29, decorrente de: 1)redução de prejuízos do período de 01/01/2000 a 30/03/2000 no valor de R$14.147.158,71, em virtude de glosa de despesas de CSLL na base de cálculo do IRPJ no processo 16327.001080/200591, no valor de R$55.833.062,14, apropriada por força de liminar concedida no Mandado de Segurança (MS) n° 97.00073408; 2)não aplicação da redução correspondente ao percentual de patrimônio remanescente (87,13%), em virtude de cisão parcial, ao saldo de prejuízos em 30/03/2000, o que redundou em compensação a maior de R$16.442.099,94; 3)redução do saldo de prejuízo a compensar em R$171.880,71, por força de compensação de ofício efetuada no processo 16327.001385/201060; 4)redução do saldo de prejuízo em R$7.687.644,69 por força de compensação de ofício efetuada no processo 16327.001716/201061, ao qual foi apresentada defesa parcial quanto aos itens I, II e III relativo ao IRPJ ali exigido, sendo a parte impugnada de R$1.977.788,04, e a parte paga, R$5.709.856,65. Porém, consta de sua defesa que a Recorrente abre mão dos itens 2 e 3 e parte da 4, na medida em que estaria efetuando os recolhimentos das exigências correspondentes e consequentemente ratificando as compensações procedidas de ofício que diminuíram o seu saldo de prejuízo fiscal. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720346/201146 Resolução nº 1401000.304 S1C4T1 Fl. 447 10 Remanesceria então a lide em torno do reflexo das exigências do item 1(16327.001080/200591 – ação judicial) e da parte contestada do item 4 (PAF nº 16327.001716/201061).. No presente lançamento, o fiscal concluiu pela insuficiência do saldo de prejuízos no anocalendário de 2006, pois considerou definitivos os lançamentos dos processos 16327.001080/200591 e 16327.001716/201061. Porém, como bem colocou a Recorrente: Contudo, o lançamento do processo 16327.001080/200591 foi lavrado com exigibilidade suspensa em razão de liminar no MS 97.00073408, confirmada por sentença favorável à impugnante, autorizandoa a excluir da base de cálculo do IRPJ as despesas de CSLL no montante de R$55.833.062,14. Posteriormente, a impugnante efetuou depósito da importância exigida em razão de acórdão que deu provimento à remessa oficial, encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito (fls. 212260). Caso a impugnante venha a ser vitoriosa naquele processo judicial, ficará restabelecido o prejuízo fiscal no montante de R$14.147.158,71 glosado pela fiscalização. Quanto ao processo 16327.001716/201061, a Recorrente apresentou defesa parcial que, se julgada favoravelmente à contribuinte, restabelecerá o valor de R$1.977.788,04 dos prejuízos glosados (fls.261308). Fica claro, portanto, que o deslinde final em relação aos processos 16327.001080/200591 (Ação Judicial) e 16327.001716/201061 (PAF) tem também fundamental importância no deslinde da presente questão. Isso porque existe uma íntima relação de causa e efeito existente entre o presente autos de infração que questiona o saldo de prejuízo fiscal em determinado ano e o deslinde daqueles processos que também interferem no quantitativo desse saldo. Entretanto, o feito final dessa conexão não pode ainda ser reconhecido neste Voto uma vez que o Processo n. 16327.001716/201061 ainda está em trâmite administrativo no CARF e o processo 16327.001080/200591 ainda não transitou em julgado na esfera judicial. Do exposto, proponho o sobrestamento do presente feito até o completo trânsito em julgado do Processo nº. 16327.001080/200591 (Ação Judicial) e do processo nº16327.001716/201061 (PAF) , sendo que após a decisão definitiva nos respectivos processos, deverá se promover a anexação daquele a este, com posterior reencaminhamento à apreciação do CARF. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10875.003189/2001-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1992
Ementa:
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA CONHECIMENTO PRESSUPOSTOS No caso de Recurso Especial de Divergência, o conhecimento do apelo requer o atendimento a todos os pressupostos processuais, inclusive a demonstração de dissídio jurisprudencial, caracterizado pela adoção de soluções diversas, em face de situações idênticas.
Numero da decisão: 9101-001.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso não conhecido.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado L.M. Serviços de Construções Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1992 Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — CONHECIMENTO — PRESSUPOSTOS — No caso de Recurso Especial de Divergência, o conhecimento do apelo requer o atendimento a todos os pressupostos processuais, inclusive a demonstração de dissídio jurisprudencial, caracterizado pela adoção de soluções diversas, em face de situações idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso não conhecido. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 31 89 /2 00 1- 46 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003189/200146 Acórdão n.º 9101001.901 CSRFT1 Fl. 3 2 Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório O presente processo cuida de pedido de restituição, apresentado em 29/09/2001, de IRRF sobre o Lucro Líquido (“ILL”) recolhido em 31/05/2003 (DARF.fl. 13), bem como pedidos de compensação mediante utilização do crédito correspondente. O pedido foi indeferido pela DRF em Guarulhos, sob a alegação de extinção do direito de pleitear a restituição, e a manifestação de inconformidade com a decisão também foi indeferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, São Paulo, ensejando recurso ao Conselho de Contribuintes. Observo que o Despacho Decisório da DRF Guarulhos (fl. 65) registra que o ILL é relativo ao período de apuração de 1992, mas o DARF anexado às fls. 10 (fl. 13 do processo digitalizado) aponta tratarse de ILL do anocalendário de 1991. Em sessão plenária de 28 de fevereiro de 2007, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acordou “AFASTAR a decadência e determinar o retorno dos autos à 5a Turma da DRJ/CAMPlNAS/SP para exame de mérito. ...”, conforme Acórdão 10248.253, assim ementado: ILL SOCIEDADE LIMITADA RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido, pago por sociedades limitadas, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63. Decadência afastada. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando que o Colegiado deu à matéria interpretação divergente da que lhe fora atribuída pela Quinta Câmara, no Acórdão 1053800, e pela Oitava Câmara, no Acórdão 10807132, bem como que o julgado contrariou as disposições contidas nos artigos 168, I c/c 165, I, ambos do Código Tributário Nacional, defendendo que o CTN fixa o prazo prescricional nos termos do citado art. 165. Juntou cópia das ementas dos paradigmas indicados, que estão assim redigidas: Ac. 10513.800 Imposto de Renda Retido na Fonte ILL PRESCRIÇÃO DIREITO À RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO INDEVIDAMENTE RECOLHIDO O prazo prescricional para a interposição de pedido de restituição de tributo indevidamente recolhido é de cinco anos contados da extinção dó crédito tributário. Recurso voluntário a que se nega provimento. Ac. 10807.132 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003189/200146 Acórdão n.º 9101001.901 CSRFT1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO ILL O prazo para pleitear a restituição de recolhimentos de ILL, ao tempo que a Lei 7.713/88 não mais vigia, é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, haja vista que o direito à restituição prescindia de qualquer declaração de inconstitucionalidade posterior. Recurso negado. A presidente da Segunda Câmara deu seguimento ao recurso. Em contrarrazões, a interessada (sucessora de LM) suscita a preliminar de inadmissibilidade do recurso, por descumprimento do requisito regimental de demonstração da divergência invocada. Alega que a recorrente limitouse a indicar os arestos paradigmas, não demonstrando analiticamente as circunstâncias em que acórdão recorrido se assemelha ao caso confrontado. Invoca julgados da CSRF que não conheceram o recurso especcial nessas circunstâncias (Acórdão CSRF/0400.957 e Acórdão CSRF/0202.237. Aduz não haver semelhança fática entre os julgados paradigmas e o acórdão recorrido, e ainda, que os paradigmas são antigos, e após eles a jurisprudência do Conselho consolidouse no sentido do recorrido. Na sequência, desenvolve razões de mérito para manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. De acordo com o art. 67 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, cabe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Disposição de igual teor tratava do recurso especial de divergência no Regimento vigente à época do interposição do presente recurso. A questão diz respeito à extinção do direito de pleitear a restituição de crédito tributário indevidamente pago. O acórdão recorrido, em conformidade com anterior decisão da CSRF, expressa a interpretação de que, no caso de tributo julgado inconstitucional pelo STF, o termo inicial para fluência do prazo é (a) a data da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; (b) na data da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; (c) a data da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Assim, no caso concreto, por se tratar de sociedade limitada, entendeu que o marco inicial é a data da publicação da Instrução Normativa nº 63, de 24/07/2007 (DOU 25/07/2007). Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003189/200146 Acórdão n.º 9101001.901 CSRFT1 Fl. 5 4 A tão só confrontação das ementas dos paradigmas, juntadas pela PFN, não permitem vislumbrar divergência de interpretação. Embora ambas tratem de restituição de ILL, nenhuma delas faz referência à situação específica que orientou a decisão recorrida, que foi a edição da Instrução Normativa SRF nº 63, publicada no DOU de 25 de julho de 2007. Pesquisando, no sítio do CARF, o inteiro teor dos acórdãos cujas ementas foram indicadas pela PFN, verificase o seguinte: O primeiro paradigma (Ac. 10513.800, de 23/05/2002) é anterior à publicação da Instrução Normativa 63, não podendo, pois, considerála. Assim, não se pode afirmar que sua interpretação seja divergente, especialmente considerando que seguinte trecho da motivação do voto condutor: “Entre as correntes doutrinárias, prefiro me filiar àquela que elege, para fins de contagem do prazo prescricional, a extinção do crédito tributário pelo pagamento, salvo quando referese a matéria posteriormente julgada, inconstitucional e objeto de Resolução do Senado suspendendo a aplicação da norma, que não é o caso do presente processo.” O segundo paradigma (Ac. 10807.132, de 19/09/2002) também não apreciou a particularidade que orientou o recorrido, tendo sido decisivo, para a Câmara, o fato de o recolhimento ter se dado quando em vigor o art. 75 da Lei nº 8.383, de 1991, que eliminou a incidência do imposto de renda na fone sobre o lucro líquido, introduzida pelo art. 35 da Lei nº 7.713. É o que se constata dos excertos conforme se constata dos excertos a seguir transcritos: Relatório: Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a titulo de Imposto sobre o Lucro Líquido — ILL, em 06/04/1993, 16/06/1993 e 26/07/1993. Destacou a ora recorrente, como motivo do pedido, o fato de que a Lei 7.713/88, só vigorou, neste particular, até 31/12/92. (...) Voto (...) Vem se confirmando, neste Colegiado, a tese de que em casos de declaração de inconstitucionalidade, o "dies a quo" para contagem do prazo prescricional é: a) o da data de publicação da Resolução do Senado Federal, se a declaração se der por controle difuso; ou b) o da data da publicação de decisão em Ação Direta de Inconstitucionalidade, se no controle concentrado. Isto porque a "actio nata" surge tão somente quando o contribuinte que cumpriu uma obrigação ex lege, passa a poder combatêla, pois a lei teria perdido a presunção de constitucionalidade. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10875.003189/200146 Acórdão n.º 9101001.901 CSRFT1 Fl. 6 5 Não obstante, o caso em apreço não se amolda a nenhuma dessas hipóteses. Bem ao contrário, o recolhimento se deu em data em que a lei não mais vigia, sendo que o seu direito á restituição sempre existiu, independentemente da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma. Assim sendo, na hipótese dos autos o prazo de cinco anos para repetir contase do pagamento indevido, já se tendo esgotado. Ex positis, nego provimento ao recurso. Pelo exposto, tenho que não só a Recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar analiticamente a divergência de interpretação, mas ainda, que os paradigmas indicados a isso não se prestam. Não conheço do recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 20 de março de 2014. Valmir Sandri Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por VALMIR SANDRI
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