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Numero do processo: 11030.001769/2009-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIAS. ANÁLISE CONJUNTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIAS. ANÁLISE CONJUNTA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 69 /2 00 9- 51 Fl. 383DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.225.7593, com base no art. 212, §5°, da CF/88, c/c art. 34, caput, do ADCT, nos incisos I, II e III, do art. 35, da Lei n° 8.212/91, e outras aplicáveis à espécie, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 22/11/2009, no valor de R$ 8.664.174,87, sendo: a) contribuição devida a terceiros salário educação, R$ 5.249.220,77 (cinco milhões, duzentos e quarenta e nove mil, duzentos e vinte reais, setenta e sete centavos); b) juros, R$ 2.155.141,15 (dois milhões, cento e cinquenta e cinco mil, cento e quarenta e um reais, quinze centavos); e, c) multa, passível de redução, R$ 1.259.812,95 (um milhão, duzentos e cinquenta e nove mil, oitocentos e doze reais, noventa e cinco centavos), em decorrência de suposto pagamento de cooperados, pelo fisco caracterizados como empregados no período de 01/2004 a 11/2008, não declarado em GFIP e pagamento a pessoas físicas, não declarado em GFIP, no período de 01/2000 a 07/2005. Insta ressaltar que o auto de infração é relacionado apenas à contribuição de terceiros e salário família, sendo que os fatos e fundamentos jurídicos que embasam o presente auto de infração são objeto do Auto de Infração de n° 37.225.7631, no qual foi constituído o crédito referente às contribuições previdenciárias supostamente devidas pela impugnante e que gerou a aplicação da contribuição de terceiros e salário objeto deste auto de infração. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Importante salientar que a DRJ Santa Maria/RS proferiu acórdão conjunto de parcial procedência para os processos nºs 11030.001768/200914 (DEBCAD nº 37.225.7631 – processo principal), 11030.001769/2009 51 (DEBCAD nº 37.225.7593 – processo apensado) e 11030.001770200985 (DEBCAD nº 37.225.7615 – processo apensado). Assim, quando do julgamento do processo principal nº 11030.001768/2009 14 no CARF, restou o acórdão 2403000.453, prolatado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara em 16/03/2011. Houve dúvida se o mesmo também referiase aos outros dois processos apensados, como havia procedido a DRJ Santa Maria/RS. Em Despacho de nº 2403.056, de 02/09/2013 (fl.253), o relator do processo principal informou que tal acórdão referiase exclusivamente ao processo principal de nº 11030.001768/200914. Assim, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário referente a esse processo especificamente, sendo os autos encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 11/09/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.742, com o seguinte resultado: "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11030.001769/200951 Acórdão n.º 9202005.727 CSRFT2 Fl. 3 3 voluntário, para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/12/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 05/01/2015, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400008, da 4ª Câmara, de 19/03/2015. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.742, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 16/07/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões, nem Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido. Fl. 385DF CARF MF 4 É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11030.001769/200951 Acórdão n.º 9202005.727 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 319/323. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 387DF CARF MF 6 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11030.001769/200951 Acórdão n.º 9202005.727 CSRFT2 Fl. 5 7 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 389DF CARF MF 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11030.001769/200951 Acórdão n.º 9202005.727 CSRFT2 Fl. 6 9 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 391DF CARF MF 10 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11030.001769/200951 Acórdão n.º 9202005.727 CSRFT2 Fl. 7 11 Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como já realizado no próprio lançamento fiscal, já que efetuado sob o égide da nova lei. Por fim, apenas para esclarecimento à Unidade Preparadora, o lançamento em questão NÃO se refere a contribuição de 15% pela contratação de cooperativas de trabalho, o que foi alvo de declaração de inconstitucionalidade por parte do Supremo Tribunal Federal STF analisando o recurso extraordinário (re) 595838, com repercussão geral reconhecida, mas sim contribuições destinadas a terceiros sobre fatos geradores devidos pela cooperativa de trabalho em relação a contratações diretas, o que a coloca na situação de equiparada a "empresa". Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005217/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 52 17 /2 00 4- 18 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11065.005217/200418 Acórdão n.º 9303005.358 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.438. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11065.005217/200418 Acórdão n.º 9303005.358 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11065.005217/200418 Acórdão n.º 9303005.358 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11065.005217/200418 Acórdão n.º 9303005.358 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000443/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado.
FATOS GERADORES ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE.
As leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei Complementar 105/2001, por envergar essa natureza, legitima a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores.
LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula CARF nº 35).
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE INFORMAR INFRAÇÃO E PAGAR A DIFERENÇA DE TRIBUTO ACRESCIDA DE MULTA DE MORA ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72.
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-004.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário 2000 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada os valores lançados referentes aos créditos das contas correntes conjuntas, relativos ao ano-calendário 2001, assim como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir os juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. FATOS GERADORES ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. As leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei Complementar 105/2001, por envergar essa natureza, legitima a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula CARF nº 35). TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE INFORMAR INFRAÇÃO E PAGAR A DIFERENÇA DE TRIBUTO ACRESCIDA DE MULTA DE MORA ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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INOCORRÊNCIA. Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. FATOS GERADORES ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. As leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei Complementar 105/2001, por envergar essa natureza, legitima a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 43 /2 00 6- 22 Fl. 1980DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.981 2 LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Súmula CARF nº 35). TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.982 3 Somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE INFORMAR INFRAÇÃO E PAGAR A DIFERENÇA DE TRIBUTO ACRESCIDA DE MULTA DE MORA ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 2000 e rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada os valores lançados referentes aos créditos das contas correntes conjuntas, relativos ao anocalendário 2001, assim como excluir da exigência a multa isolada do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício; vencidos os Conselheiros Martin da Fl. 1982DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.983 4 Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir os juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte, identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 1458/1475, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, no valor de R$ 1.158.722,21, incluídos multa de oficio e juros de mora. As infrações apuradas pela Fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 1470/1475, foram omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física a titulo de carnêleão, tudo conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 1440/1457. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados as fls. 1468 e 1472/1473 e 1475. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 24/03/2006, fls. 1480, o contribuinte apresentou impugnação, em 25/04/2006, fls. 1486/1516, com as alegações a seguir resumidas: Preliminares. 1) cerceamento do direito de defesa: obstrução às vistas do processo. O contribuinte argúi que teve seu direito de defesa cerceado, uma vez que recebeu o Auto de Infração no dia 24/03/2006 e ao se dirigir à repartição para ter vista do processo somente a conseguiu no dia 20/04/2006 após inúmeras idas e vindas à repartição a partir do dia 28/03/2006. Informa que até solicitou a lavratura de um Boletim de Ocorrência (BO n° 2.296/2006) para resguardar seus direitos. Aduz que tendo em vista a demora do órgão público em fornecer a cópia do processo, ficou com apenas cinco dias antes da data limite para elaborar sua Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.984 5 impugnação. Assim, solicita devolução do prazo para que possa utilizar efetivamente o seu direito de vista ao processo e direito de preparar sua defesa durante o tempo que lhe é garantido pelas normas do processo administrativo. 2) inobservância das determinações do MPF. A defesa alega que o lançamento é nulo, pois o auditorfiscal, após iniciado o procedimento fiscal, sugeriu "trocar o foco da operação de "rendimentos recebidos de pessoa física" para "a movimentação financeira", sendo a sugestão acatada pela chefia. Argumenta, ainda, que: (i) o feito contraria as características especificas do MPF que não podem ser alteradas no curso da ação fiscal pela autoridade autuante sob pena de nulidade, pois referidas autoridades não possuem competência para empreender ação de programação; (ii) a Portaria SRF 3007, de 2001, é norma procedimental e em seu texto não existe previsão legal para mudança de objeto de fiscalização; e (iii) só tomou conhecimento da modificação do objeto do MPF ao ler o Relatório de Ação Fiscal, que conseguiu a partir da cópia do processo, cuja ciência desse documento não lhe foi dada, consistindo uma informação nova e relevante por ter alterado a perspectiva dos procedimentos fiscais. Assim, devido à modificação do objeto do MPF sem o preparo do órgão competente, sem o encerramento do MPF original e sem a abertura, com ciência, do MPF Complementar ou de novo MPF, o lançamento é nulo. 3) decadência do anocalendário 2000. O contribuinte defende que o imposto de renda pessoa física é um imposto que tem seu fato gerador apurado mensalmente, devendo o prazo decadencial desse imposto ser contado mensalmente. Assim, após janeiro de 2006, a autoridade lançadora não mais poderia lançar o imposto de renda pessoa física referente aos períodos de janeiro a dezembro do ano calendário de 2000. Como a ciência do lançamento se deu em 24/03/2006, o mesmo encontrase já alcançado pelo instituto da decadência. Mérito. 1) depósito bancário não se identifica com o conceito de renda. O contribuinte trouxe as seguintes alegações: a) a autoridade fiscal adotou como premissa o conceito de que os depósitos bancários são, por si sós, receitas tributáveis do contribuinte; b) a legislação não obriga aos contribuintes pessoas físicas manterem escrituração de seus rendimentos e despesas. Dessa forma não se encontra obrigado a identificar os lançamentos ocorridos nas contas mantidas junto a instituições financeiras; Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.985 6 c) os valores creditados em contas bancárias não se identificam necessariamente com o conceito de renda, pois podem não ser causa de acréscimo patrimonial ou não caracterizar consumo relacionados ao contribuinte titular da contacorrente, sendo preciso que fique demonstrado que os créditos representem rendimentos que ainda não tenham sido tributados; d) constatado o indicio de que os valores creditados poderiam ser juridicamente presumidos como omissão de receita, caberia à fiscalização aprofundarse no exame da prova, a fim de obter elementos identificadores e confirmadores da omissão no âmbito do patrimônio do contribuinte (sinais exteriores de riqueza) ou no âmbito dos gastos (renda consumida). A autoridade fiscal pautou somente na presunção relativa, deixando de proceder qualquer outra atividade fiscal tendente a obter a verdade material dos indícios presumidos; e) a autoridade fiscal não observou o que determina o § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que não intimou o contribuinte a esclarecer, individualizadamente, os depósitos bancários. O auditor faz mera referencia, vaga e não individualizada, aos lançamentos que intimou o contribuinte para justificar. As intimações foram genéricas e em nenhum dos termos a autoridade fiscal não apontou individualizadamente os depósitos e ingressos bancários de cuja origem se pretendia comprovar. 2) desconsideração do valor recebido pela venda de imóvel. A prova da alienação de um imóvel é o registro da transação no Registro de Imóveis. A defesa alega que o contribuinte apresentou ao Fisco certidão que demonstra a alienação do bem em questão, pelo valor de R$ 400.000,00, em 28/05/2001. Assim, tal valor deve ser computado como ingresso hábil para justificar e integrar os saldes da movimentação financeira do ano de 2001. Argumenta que comprovada a origem do valor recebido, pode efetuar depósitos em valores parciais a partir de 28/05/2001, data em que a transação com o imóvel foi realizada. Portanto, o valor de R$ 400.000,00 deve ser computado como recurso na movimentação financeira a partir do dia 28/05/2001. 3) erro na apuração mensal dos valores considerados na infração Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. No Termo de Verificação Fiscal consta os critérios de apuração e os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para determinação do valor do imposto devido pelo contribuinte. Ocorre que a informação do Fisco quanto aos depósitos no Banco ABN Amro Real S/A está equivocada, porquanto a página indicada no Termo de Verificação Fiscal — fls. 1271 — não é a correta, uma vez que os depósitos encontramse relacionados na página 1272, o que gerou uma diferença no valor de R$ 1.533,66. Assim, impugnase os valores constantes do documento 085/2006, tomado como base para, após as deduções Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.986 7 consideradas, redundar na tabela "doc. 097/2006", efetivamente utilizada no lançamento de oficio para quantificar a infração Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. 4) consideração indevida de créditos relativos a "operação de Desconto" (empréstimo). No documento identificado como doc. 082/2006 (fls. 1353/1357) consta em diversos lançamentos a rubrica "operação de desconto", que, no jargão bancário, significa a operação pela qual o banco empresta valores ao correntista. Em razão do exíguo prazo para uma defesa eficaz, impugnamse valores computados como "operação de desconto", pelo fato de que os mesmos referemse a empréstimos bancários do qual o contribuinte lançou mão durante os anos fiscalizados. Pedido. O contribuinte, ao final, requer que: 1) seja reconhecido o cerceamento do direito de defesa e, por conseguinte, seja anulado o Auto de Infração, ou, ao menos, que seja devolvido integralmente o prazo subtraído ao contribuinte, tendo em vista que a cópia do auto só alcançou o contribuinte no dia 20/04/2006, exatamente cinco dias antes do término do prazo de manifestação do contribuinte; 2) seja declarada a ilegitimidade do ato que alterou o objeto da fiscalização sem a ciência do contribuinte, o que suscitará o reconhecimento da nulidade do lançamento; 3) seja reconhecida e declarada a decadência integral dos períodos de apuração mensais do ano de 2000, declarandose a nulidade da constituição do crédito tributário; Caso não sejam acolhidas as preliminares acima, requer ainda o contribuinte: 1) seja declarado como improcedente o lançamento de oficio decorrentes da infração Depósito Bancário de Origem não Comprovada, uma vez que créditos bancários, não podem sem outros suportes probatórios, serem conceituados como receita tributável; 2) seja computado como recurso legitimo, a ser computado na movimentação financeira do contribuinte, a partir de 28/05/2001, o valor de R$ 400.000,00, auferido com a venda de imóvel; 3) seja desconsiderada a tabela doc. 097/2006, a qual tem por fonte a tabela 085/2006, pleiteandose que seja considerada como matriz a tabela doc. 083/2006, a qual ajustada pelas deduções da tabela 085/2006, chegase aos valores que, em tese, seriam indicativos de eventuais depósitos com origem a comprovar; Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.987 8 4) seja desconsiderado nos valores computados na tabela doc. 082/2006 todos os lançamentos que contenham a rubrica "operação de desconto". Cumpre, ainda, observar que, em reforço às suas alegações, o contribuinte citou em sua impugnação decisões administrativas. Em razão de o contribuinte, em sua impugnação, solicitar devolução do prazo para se utilizar do seu direito de vistas ao processo, uma vez que somente conseguiu ter em mãos o processo para vistas cinco dias antes da data limite para entregar tempestivamente seu arrazoado, o presente processo retornou em diligência A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo para que fosse reaberto o prazo de trinta dias, a contar da ciência de intimação ao contribuinte, para o mesmo apresentar, se achasse conveniente, suas contrarazões ao lançamento (fls. 1.551/1.554). O contribuinte tomou ciência da intimação em 13/08/2010, AR às fls. 1.557 e, em 13/09/2010, apresentou aditamento à sua impugnação, fls. 1.567/1653, a seguir parcialmente transcrito: I DOS FATOS (o contribuinte descreveu minuciosamente os fatos) II— PRELIMINARES DE NULIDADE II.1 — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O auto de infração em tela foi lavrado em Mandado de Procedimento Fiscal ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Os atos administrativos hão que ser praticados por pessoa investida da competência para praticálos, sob pena de nulidade e, em conseqüência, de não produzirem efeitos entre as partes. (...) (...), para que o auto de infração seja válido, é condição inafastável que tenha sido lavrado por agente fiscal que esteja, naquele momento, investido de poder para tanto. A Portaria SRF n° 3007, de 26112001, (...), e estabeleceu normas para a execução dos procedimentos de fiscalização, dispondo, em seu artigo 2°, que (...)O MPF é, pois, prérequisito para a instauração de qualquer procedimento fiscal (com as exceções especificadas no artigo 11 da Portaria SRF no 3007/2001), constituindo o instrumento pelo qual o Auditor Fiscal é investido da competência administrativa para realizar uma ação fiscal concreta, relativa a um determinado sujeito passivo. A referida Portaria SRF n°3007/2001 estabelece ainda: (...) Ora, no caso em epígrafe, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) de no 08.1.90.002004004751 tinha o prazo de validade até 14072004; foram realizadas 11 prorrogações Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.988 9 cujas datas de vencimento foram, respectivamente, (...). As mencionadas prorrogações: a) não foram comunicadas ao impugnante que, portanto, não tomou ciência, tampouco recebeu o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação dos respectivos Mandados de Procedimentos Fiscais — MPF; b) foram efetuadas após a data de vencimento dos MPF anteriores. Posteriormente, em 24 de março de 2006 (data da ciência do auto de infração), o impugnante foi surpreendido com a lavratura do presente auto de infração fiscal. O auto de infração, lavrado foi assinado pelo mesmo AFRF indicado para a execução dos trabalhos iniciais de fiscalização, ou seja, Aristides Borges Carvalho. Como a autoridade fiscal deixou de atender ao disposto no artigo 13, § 2° da Portaria SRF n° 3007, de 2001 e, estando o MPF extinto pelo decurso de prazo, o Mandado originalmente emitido não mais surtia efeitos, e a competência administrativa especifica por ele atribuida ao Auditor Fiscal também não mais prevalecia. Não se diga que a competência do Auditor Fiscal é exclusivamente aquela que lhe é dada pela lei. A lei atribui, é verdade, a competência genérica para constituição do crédito tributário e, portanto lavratura de auto de infração, ao servidor ocupante do cargo de AFRF. E competência estabelecida no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Todavia, existe a competência especifica, esta consubstanciada no MPF regularmente emitido pela autoridade responsável, pela qual a determinado Auditor Fiscal é atribuída a competência para efetuar determinados procedimentos em relação a um determinado sujeito passivo. O auto de infração lavrado, na ausência de MPF válido, é ato praticado por Auditor Fiscal que não detinha a competência administrativa especifica para fazêlo. Sendo este o caso concreto, uma vez que o MPF se extinguira pelo decurso de seu prazo de validade, o auto de infração lavrado contra o Recorrente é nulo de pleno direito, h. vista do disposto no artigo n° 59 do Decreto n° 70.235/72. II. 2 — REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Estando extinto o MPF pelo transcurso do prazo estabelecido no inciso II do artigo 15 da Portaria n° 3.007, de 2001 (...) e, conseqüentemente, o procedimento de fiscalização aplicado ao contribuinte, somente sera possível novo exame mediante ordem escrita, conforme previsão contida no artigo n° 906, do RIR/99 (...), adiante transcrito: Portanto, extinto o MPFF, sem a ciência do contribuinte, e pela não substituição do AFRF responsável, extinta está a verificação Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.989 10 fiscal iniciada sem novo MPF e, conseqüentemente a fiscalização reputase definitivamente encerrada. Seria admissível a continuidade se a administração emitisse novo MPFF e com novos AFRFB, fato não ocorrido assim, não cabe uma refiscalização, pois esta deve respeitar o que determina o artigo n° 906 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3000/99. Dessa forma, protesta o impugnante pela nulidade da ação fiscal, por desrespeito as determinações estabelecidas pelos Decretos n° 70.235 de 1972 (PAF) e 3.000/99 (RIR/99), e da Portaria SRF n° 3.007, de 2001 (atualmente Portaria SRFB n°11.371, de 2007). É farta a jurisprudência administrativa a respeito do tema em tela, a saber: (...) II.3 — VÍCIO FORMAL (...) Em seu Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal autuante relata: (...) comuniquese a DIPAC deste DEFIC sobre despesas que não foram analisadas nesta fiscalização (...) Assim procedendo a autoridade fiscal autuante incorreu em erro de fato, ou erro material na quantificação da base de calculo dos tributos por desconsiderar deduções que influenciariam na redução da base de cálculo e, conseqüentemente, do montante devido, bem como, pela imputação de penalidade indevida, ou seja, aplicação de multa isolada em conjunto com multa de oficio (multa proporcional), incidentes sobre a mesma base de calculo. Estes erros não podem se transformar em fato gerador de obrigações tributárias, como deseja a mencionada autoridade. (...) (...) Os fatos mencionados neste subitem caracterizam erro de fato na elaboração do auto de infração no que e refere à determinação do quantum debateur (base de cálculo) e, conseqüentemente, do montante dos tributos lançados. Às fls. 1446 de seu Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal autuante relata: "(...) Já que as informações trazidas pela DIRPF's retificadoras são aceitas, também são consideradas as despesas lançadas, fls. 1369, 1378 e 1386, porém destaquese que esses valores não foram objeto de análise, uma vez que não são o foco principal da operação movimentação financeira incompatível (...)"No item n° 4.7.10.4 e seus subitens a autoridade fiscal autuante analisa o depósito no valor de R$ 400.000,00, relativo à alienação de um apartamento do contribuinte. Após afirmar que na escritura podese confirmar a operação e o valor da transação, declara: Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.990 11 "Contudo não é possível encontrar nenhum depósito no montante de R$ 400.000,00 ou valor aproximado, (...). Destarte, (...) o produto da venda não foi percebido pelas contas do contribuinte, assim não é possível reduzir esse montante de sua movimentação financeira". Por sua vez, o artigo 845, § 1° do RIR199 (...) dispõe: (...) Computado o valor da transação imobiliária como depósito sem origem, houve dupla tributação sobre a mencionada importância a primeira como ganho de capital na transação e a segunda como suposto depósito de origem não comprovada. Como o contribuinte prestou os esclarecimentos e apresentou a prova da alienação, a autoridade fiscal deveria investigar em detalhes a operação e não simplesmente desconsiderála. E farta a jurisprudência administrativa relativa à matéria, a saber: (. ..) A autoridade fiscal autuante relatou, ainda, em seu termo de Verificação Fiscal que o contribuinte poderia deduzir no livro caixa, a remuneração paga a terceiros, bem como, os encargos trabalhistas e previdenciários e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A dedução em tela está prevista no artigo 75 do RIR199, porém, a autoridade fiscal resolveu inovar ao relatar no mencionado Termo: "(...); então encerrase essa auditoria sem análise das despesas alegadas. (...)". Eis, mais uma série de erros que, sem dúvida alguma, comprovam vicio de forma na apuração da base de cálculo do tributo. Cabe destacar, por pertinente, que erros na apuração da base de calculo do tributo não tem o condão de se transformar em fato gerador de tributos como deseja a autoridade fiscal autuante. (...) II.4 — DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Outro fato não levado em consideração pela autoridade fiscal autuante referese ao prazo decadencial para o lançamento por homologação previsto no artigo 150 da Lei n°5.172, de 2510 1996 (Código Tributário Nacional), pois as supostas movimentações financeiras que originaram o auto de infração fiscal foram realizadas no decorrer dos anoscalendário 2000 a 2002, assim, em obediência ao § 4° do artigo 150 do CTN o lançamento tributário somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos a partir de 24032001. II.4.1 — IRPF — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (. ..) Fl. 1990DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.991 12 II.4.2 — PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO II.4.3 — JURISPRUDÊNCIA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (...) é entendimento pacifico no âmbito do Conselho de Contribuintes que o IRPF é um tributo cujo lançamento se faz por homologação, e que seu prazo decadencial corresponde a 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. (...) II.4.4 — CONCLUSÕES SOBRE A DECADÊNCIA Com relação ao anteriormente exposto, podese concluir, sem sombra de dúvidas, que: 1°) Em relação ao imposto de renda das pessoas físicas, o pagamento é feito pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, inclusive o valor do saldo de imposto a pagar apurado na declaração de ajuste a que se refere o artigo n° 85 do RIR/99; 2°) por essa razão, o IRPF não se enquadra na modalidade de lançamento por declaração, como era antigamente, mas sim de lançamento por homologação. Essa posição é defendida, também por grandes juristas brasileiros, especialistas em Direito Tributário, tais como LUCIANO DA SILVA AMARO e outros, citados na presente impugnação; 3°) por ser imposto cujo lançamento é por homologação, não se aplica ao IRPF o prazo decadencial previsto no artigo n° 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; 4° o prazo decadencial para impostos cujo lançamento se faz por homologação é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o artigo n° 150, § 40, do Código Tributário Nacional; 5°) como o auto de infração foi lavrado em 17032006 (ciência ao contribuinte em 24032006), o direito de lançar crédito tributário já estaria caduco para o anocalendário de 2000, bem como, para os três primeiros meses do anocalendário de 2001. Argúi, portanto, o recorrente, preliminarmente, a decadência do direito de constituição do crédito tributário em relação ao período supra mencionado. II.5 — IRRETROATIVIDADE DAS LEIS O procedimento adotado pela autoridade fiscal, impondo ao contribuinte um auto de infração com base na sua movimentação bancária informada à Secretaria da Receita Federal por instituições financeiras, com fundamento no art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24101996, que teve sua redação modificada pela Lei n° 10.174, de 09.01.2001 — está eivado de ilegalidades e deve, por essa razão, ser anulado. (...) Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.992 13 (...). O que causa espécie, entretanto, é a Receita Federal querer utilizar essa permissão para constituir créditos tributários em períodos anteriores A entrada em vigor desses dispositivos legais, quando vigia a anterior redação do mesmo, que vedava taxativamente esse procedimento. Tratase aí de um caso de retroatividade da lei tributária, que é expressamente vedado pelo art. 5°, inciso XXXVI, e também pelo artigo 150, inciso III, alínea a, da Constituição Federal de 1988. (...) Destarte, o procedimento adotado pela Receita Federal não encontra suporte no arcabouço jurídico de nosso pais, já que aqui há vedação constitucional à irretroatividade das leis. (...) Incorreu em erro, portanto, a autoridade fiscal ao se estribar em procedimentos que seriam válidos para aplicação, somente, a fatos geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 2002, com a finalidade de constituir pretenso crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 e 2001. Para dar segurança jurídica ao contribuinte é que existe o principio da irretroatividade da lei tributária, conforme sobejamente demonstrado. Afigurase, portanto, A impugnante que o presente auto de infração está viciado em suas origens, já que fruto de um dispositivo legal aplicado irregularmente de forma retroativa, devendo, por essa razão, ser anulado, por incompatível com o ordenamento jurídico nacional. (...) II.6 — PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO O procedimento do Fisco Federal, ao se valer do cruzamento da CPMF para imaginar disponibilidade econômica incompatível com a renda declarada ou por intermédio dos extratos bancários do contribuinte obtidos junto As instituições financeiras, e dai concluir pela omissão de receita, caracteriza a produção da prova ilícita, que o Direito abomina. Deveras. A jurisprudência considera contaminadas todas as demais provas que tenham como ponto de partida prova ilícita ou prova obtida por meios inidôneos. (...) (...) Na hipótese vertente, guardada as devidas proporções, a questão é similar: a autoridade impetrada adota procedimento de intimar a instituição financeira a fornecer a movimentação bancária do impugnante violando a Constituição Federal e ignorando rígidos princípios que norteiam o sistema jurídico nacional. Logo sendo a prova ilícita, tudo o mais que dela se origina, ou decorra sera de todo imprestável (...) (...) Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.993 14 A quebra do sigilo bancário somente poderia ocorrer por ordem judicial (a chamada reserva de jurisdição) devidamente fundamentada, e para fins de investigação criminal ou instrução em processo penal, mas desde que existam indícios suficientes, adrede comprovados, para autorizar o sacrifício de tão relevante garantia constitucional. (...). A Secretaria da Receita Federal do Brasil havia disponibilizado ao seu servidor toda a movimentação bancária do contribuinte. O impugnante foi intimado a justificar os depósitos constantes em relação fornecida pela SRFB à autoridade fiscal; assim, a intimação da autoridade fiscal para que o contribuinte fornecesse seus extratos teria o condão de procurar evitar a nulidade da autuação fiscal e possibilitar a elaboração do Termo de Embaraço, objetivando manter autuação fiscal decaída pelo prazo estabelecido no artigo 150, § 4° do CTN. Assim, entendemos ser inaceitável, injustificada e nula de pleno direito a quebra do sigilo bancário do impetrante por simples procedimento de requisição junto aos estabelecimentos bancários, quando não comprovada a existência de qualquer tipo de crime, ainda que o contribuinte tenha fornecido A. autoridade fiscal os extratos de suas contas bancárias. Cabe destacar, ainda, por ser pertinente à matéria que o artigo 6° da LC n°105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto n°3.724, de 2001 e, posteriormente, o Decreto n° 4.489, de 28 112002. Esses Decretos regulam o fornecimento das informações periódicas a que se refere o artigo 5° da mencionada Lei Complementar; não obstante essa legislação e sua correspondente regulamentação, a matéria em exame não se sustenta, pois ofende aos incisos X e XII, do artigo 5° da Constituição Federal de 1988 que trata da garantia da intimidade e do sigilo de dados. (...) II.7 — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O auto de infração fiscal referese a procedimento de fiscalização do IRPF, relativo aos anoscalendário de 2000 a 2002, exercícios de 2001 a 2003, destinado inicialmente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte. (...) A 1ª Turma da DRJ/FORTALEZA/CE após a análise do questionamento sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como, sobre trecho de impugnação que trata do assunto, através da Intimação n°1672/2010, declara: "É facultado apresentar "contra razões ao lançamento", nos termos da Diligência em anexo, (...). Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.994 15 Na diligência anexa à Intimação n° 1672/2010, a autoridade fiscal relata, ainda: "(...). Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o auto de Infração. (...)". Estes fatos, por si só, configuram cerceamento de direito de defesa e, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal da 1ª Turma da DRJ/FOR, os fatos ocorreram após a lavratura do auto de infração fiscal e durante uma préimpugnação já que o contribuinte não dispunha de meios para realizála de maneira adequada. Tanto é verdade que através da ciência da Diligência n° 1.940 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, foi devolvido o prazo para tomar vistas no processo e apresentar as "contra razões ao lançamento" no prazo de 30 dias, contados do recebimento da Intimação n° 1672/2010 da DERAT/SP (DICAT/EQCOB). Já na parte final da análise da préimpugnação do contribuinte (Fls. 1554) a autoridade fiscal da DRJ relata: " ... solicito que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo — Derat — realize diligência, no sentido de reabrir o prazo de trinta dias, a contar da ciência de intimação ao contribuinte, para o mesmo apresentar, se achar conveniente, suas contrarazões ao lançamento". Por que reabrir o prazo para apresentar contrarrazões se não houve cerceamento do direito de defesa? 11.8 — INTERPRETAÇÃO BENIGNA Lembramos, por derradeiro, que a dúvida não pode beneficiar o fisco. Se não há resposta segura para inevitáveis indagações que surgem da análise das operações praticadas pelo contribuinte, é de se aplicar à norma inserida no artigo 112 do Código Tributário Nacional, assim redigido: (...) III — DO MÉRITO Embora seja certo que a eminente autoridade julgadora declarará nulo o presente auto de infração pelas razões de fato e de direito anteriormente expostas, ad argumentandum tantum, serão examinadas as que mostram a inexistência de qualquer fato gerador do tributo, cabível de imposição tributária pela autoridade fiscal. III. I — DEPÓSITOS BANCÁRIOS Cabe à fiscalização a efetiva prova de omissão de receitas, não sendo elemento bastante e suficiente para a configuração do ilícito o simples cotejo de declaração e/ou informações prestadas pelo contribuinte. Como é sabido a exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, porque estes por si só não constituem, na realidade, fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 da Lei n°5.172, de 1966 (...). Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.995 16 Assim, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. É farta a jurisprudência administrativa e judicial a respeito da matéria em tela (...) Assim, de acordo com a jurisprudência citada, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. Em conseqüência, a própria administração tributária federal se viu obrigada a editar ato legal anulando processos e autuações tributárias baseadas exclusivamente em depósitos bancários, determinando inclusive o arquivamento de autos e execuções fiscais assim constituídas (Art. 9°, inciso VII do Decretolei n°2.471, de 1988). É verdade que, posteriormente, o Poder Executivo prolatou outro dispositivo legal sobre depósitos, o artigo 42 da lei n° 9.430, de 1996. Entretanto, o impugnante não vê motivos para que processos com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 venham a ter melhor sorte no Egrégio Conselho de Contribuintes que os processos instaurados com base no art. 6° da Lei n° 8.021 de 1990. Deveras, o Fisco continua não demonstrando, nos processos atuais, o nexo causal entre os depósitos e a renda omitida pelo contribuinte autuado, que foi o motivo determinante da anulação, pela própria administração federal, dos processos baseados no artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990, em virtude da forte oposição demonstrada pelo Conselho de Contribuintes. Tem certeza, portanto, a recorrente que o Egrégio Conselho, dada a solidez do seu entendimento formado em torno do art. 6° da Lei n° 8.021/90, adotará idêntica postura em relação ao atual art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que as razões que motivaram a rejeição ao primeiro diploma legal subsistem para que o segundo tenha igual tratamento. São dispositivos que encorajam a preguiça da autoridade fiscal, que se julga dispensada de qualquer trabalho visando provar a correlação entre o depósito e a renda omitida pelo contribuinte. No presente processo, a autoridade fiscal em nenhum momento conseguiu provar indubitavelmente a relação entre a movimentação financeira do contribuinte e renda por este percebida, que, conforme sobejamente demonstrado, é condição necessária para que prevaleça o crédito tributário por ela constituído. Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.996 17 III.2 — JUSTIFICATIVAS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS O contribuinte apresentou diversas razões para a sua movimentação bancária, porém, todas foram ignoradas pela autoridade fiscal, pois, não interessavam ao foco principal da operação. Estranho essa afirmação, contudo ela vem corroborada em diversas partes do texto do Termo de Verificação Fiscal a saber: "4.6.13. Já que as informações trazidas pela DIRPF's retificadoras são aceitas, também são consideradas as despesas lançadas, fls. 1369, 1378 e 1386, porém destaquese esses valores não foram objeto de análise, uma vez que não são o foco principal da operação movimentação financeira incompatível, no entanto, sugerese comunicar a DIPAC desta DEF1C sobre as despesas que não foram analisadas nesta fiscalização para que avalie o interesse e oportunidade de se determinar nova fiscalização especificamente sobre as despesas não comprovadas". No item n°4.7.10.4 e seus subitens a autoridade fiscal autuante analisa o depósito no valor de R$ 400.000,00 ou valor aproximado, nem em data próxima, nem em qualquer outra sob o período fiscalizado. Destarte, sem depósito equivalente à venda, fica irrefragável que o produto da venda não foi percebido pelas contas do contribuinte, assim não é possível reduzir esse montante de sua movimentação financeira". Ora, se o contribuinte recebe de seus clientes valores relativos às despesas com próteses dentárias, dentaduras, implantes e tantos outros gastos cujos valores representam receitas de terceiros é evidente que tais valores transitam por suas contas bancárias, porém, como a análise de tais fatos não interessava a autoridade fiscal ela simplesmente abandonou as justificativas por entender não serem o foco de seu trabalho. Estranho, muito estranho! III.3 — MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE (...) A aplicação de multa isolada em conjunto com a multa de oficio ou multa proporcional, não pode prosperar, pois, nessa hipótese, cumulada com a multa de oficio incidente sobre a falta ou insuficiência no recolhimento do tributo mensal (carnêleão), pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas, ou seja, as duas possuem a mesma base de cálculo, o que provoca erro na quantificação do valor devido e, conseqüentemente, vicio de forma na aplicação concomitante das referidas multas assim, a imputabilidade da multa genérica exclui as multas isoladas, sob pena de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato gerador, não admitida pelo ordenamento jurídico nacional. (...) III.4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA (...) A denúncia espontânea ficou configurada na própria autuação fiscal, pois, a autoridade tributária relatou em diversos itens de Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.997 18 seu Termo de Verificação Fiscal que aceitou os valores apurados e declarados pelo impetrante nas DIRPF dos exercícios de 2001 a 2003. (...) IV DOS JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC Não bastasse a impropriedade das exações impostas, sobre o tributo lançado foi acrescida à cobrança de exorbitantes juros, calculados pela taxa denominada SELIC. O artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados A taxa de 1% "se a lei não dispuser de modo diverso". Para esse fim, não se prestam os juros denominados SELIC. Primeiro, por inexistência de legislação que defina essa taxa. (...) Segundo, porque a taxa dita SEL1C é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora. (...) Por conseqüência, ainda que julgada pertinente a absurda exigência fiscal, o que se admite apenas para argumentar, os juros cobrados não poderiam superar o percentual de 1% ao mês. V ANEXOS (...) VI— REQUERIMENTO O recorrente, à vista de todo o exposto, com a devida vênia, solicita à eminente autoridade julgadora que declare a nulidade do presente auto de infração, em razão de todas as argumentações declinadas no presente recurso administrativo. Caso, entretanto, por absurdo, a decisão de V.Sas., seja pela validade do mesmo, o impugnante requer sejam feitas todas as correções apontadas no item III DO MÉRITO E IV TAXA SELIC da presente impugnação administrativa. O contribuinte, novamente, em reforço as alegações apresentadas no aditamento à impugnação, citou em sua impugnação doutrina de renomados juristas e decisões administrativas. É o relatório. A Primeira Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, reduzindo a multa exigida isoladamente de 75% para 50%, cujo acórdão (fls. 1.797 a 1.836) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.998 19 legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A partir da edição da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso página da SRF na "Internet", com a utilização do código de acesso do procedimento fiscal, ou quando da pratica de algum ato de oficio pela autoridade fiscal, oportunidade na qual é fornecido o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001, E LEI N° 10.174, DE 2001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar n° 105 e Decreto n° 3.724, ambos de 2001. DECADÊNCIA. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de oficio o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratandose de tributação de fatos geradores que se completam em trinta e um de dezembro do anocalendário, coin apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, incabível cogitar em prazo decadencial contado do fato gerador mensal. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 1.999 20 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de oficio prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Nada obsta que se aplique a multa de oficio e a multa isolada por se referirem a diferentes infrações cometidas. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do principio da retroatividade benigna da lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal e cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.000 21 Cientificado pessoalmente da decisão de primeira instância em 21 de junho de 2011 (fl. 1.853), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 15 de julho de 2011 (fls. 1.859 a 1.913), no qual reitera os argumentos da impugnação e acrescenta os seguintes: ao tomar ciência do acórdão da DRJ, constatou nos DARFs anexos a cobrança de juros sobre as multas (isolada e de ofício). Porém, tal exigência é ilícita e ilegal, pois não existe lei que a estabeleça; solicita a apresentação posterior de provas que se fizerem necessárias, pois depende do fornecimento de terceiros (instituições bancárias, justiça, contador e outros) e não foi possível coletar os documentos no exíguo prazo de 30 dias; requer a comunicação da data do julgamento para providenciar a sustentação oral junto à Câmara de julgamento. Na sessão de 08/12/2015, essa Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal tomasse as seguintes providências: 1) Informe as contascorrentes que são conjuntas; 2) anexe ao processo a prova de que os cotitulares das contas conjuntas foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação; 3) elabore uma planilha com os totais mensais dos depósitos/créditos, os quais foram objeto deste lançamento, referentes às contas conjuntas em que porventura não tenha ocorrido a regular intimação dos cotitulares; 4) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1971/1972, acompanhado dos documentos de fls. 1973/1975. O Contribuinte foi intimado do resultado da diligência em 19/01/2017 (A.R de fl. 1976), tendo se manifestado em 09/02/2017 (fls. 1968/1969). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte as infrações de omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas e de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada. Desde a impugnação a defesa não trouxe razões de mérito referentes à infração de omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas. Quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, o lançamento foi efetuado em relação aos anoscalendário 2000 Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.001 22 e 2001 (fls. 1585/1586), o qual se constitui o objeto desta lide, juntamente com a multa isolada e os juros de mora sobre a multa de ofício. PRELIMINARES Cerceamento do direito de defesa Requer o Contribuinte a nulidade do lançamento, arguindo que os próprios julgadores de primeira instância comprovaram o cerceamento de defesa, pois lhe concederam um prazo adicional para aditamento da impugnação. Não lhe assiste razão, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias.” Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.002 23 conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. A DRJ concedeulhe um prazo adicional para vista do processo, por meio de diligência, o qual foi utilizado por ele para aditar as razões de impugnação. Assim, ele apresentou impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72 (PAF), tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito. Portanto, não ocorreu o alegado cerceamento de defesa. Mandado de Procedimento Fiscal MPF Alega o Recorrente que a não substituição do AuditorFiscal (AFRF) quando da emissão de novo MPF torna nulo de pleno direito a autuação fiscal, pois lhe falta competência administrativa para constituílo. Não lhe cabe razão, pois a jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202 002.310 e CSRF/0106.028. Reexame de período fiscalizado Defende o Contribuinte que estando extinto o MPF pelo transcurso do prazo estabelecido na Portaria RFB nº 3.007, de 2001, somente seria possível novo exame mediante ordem escrita, conforme art. 906 do RIR/99. Alega que a sua falta vicia o lançamento, tornandoo nulo. O art. 906 do RIR/99 assim dispõe: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Esse dispositivo somente se aplica quando se encerra um procedimento fiscal e se reinicia um outro. No presente caso não foi isso que ocorreu, conforme já constatou a DRJ em sua decisão. A Fiscalização não se encerrara, daí por que não há que se falar em um segundo exame. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. Nesse sentido as seguintes decisões: REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.003 24 O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art.906 do RIR/99. (Acórdão nº 2202002.782, de 09/09/2014). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. (Acórdão nº 1301002.111, de 10/08/2016). REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. FATO NOVO OU NÃO CONHECIDO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do art. 149 do CTN e art. 906 do RIR/1999, quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento inicial, desde que mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. (Acórdão nº 1301001.978, de 05/04/2016). Dessa forma, não tem razão o Contribuinte nesse ponto. Vício formal Sustenta o Recorrente que ocorreu um vício de forma pois a autoridade autuante elaborou auto de infração incorreto, indevido e com erros em sua base de cálculo, o que acarreta a nulidade do lançamento. Não se verifica nenhuma irregularidade formal no lançamento de ofício efetuado. Consoante já demonstrado acima, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura. Quanto às alegações sobre a autoridade fiscal não ter considerado o recebimento da venda de um imóvel de R$ 400.000,00, bem como as operações de empréstimo bancário, essas são questões de mérito e serão devidamente apreciadas adiante. Irretroatividade da legislação tributária O Recorrente alega que a Lei nº 10.174/2001 e a Lei Complementar nº 105/2001 não poderiam retroagir para alcançar fatos geradores anteriores. Entretanto, não lhe cabe razão. A LC 105/2001 assim dispõe, em seu artigo 6º: Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.004 25 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O artigo 144 do CTN dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Enquanto o caput do artigo referido impõe regra de direito material, regulando o ato administrativo do lançamento em seu caráter substancial, o § 1º referese aos procedimentos, ou seja, aos aspectos formais do lançamento. Desse modo, a LC 105/2001 deve ser aplicada imediatamente ao tempo do lançamento, pois apenas ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. Esse é o entendimento manifestado no RESP 1.134.665/SP, relator Ministro Luiz Fux, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C) do CPC. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.005 26 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.006 27 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurá la. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. [...] Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.007 28 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP, relator: MINISTRO LUIZ FUX, Dje de 15/10/2009). (os grifos não são do original). Outrossim, a Súmula CARF n° 35 assim dispõe: "O art. 11, § 3°, da Lei 9.311/96 com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros, aplicase retroativamente". Prova ilícita e quebra de sigilo bancário Sobre as alegações de ilicitude na obtenção dos dados da movimentação bancária do contribuinte, também não lhe assiste razão. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelo CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, Rel. Rafael Pandolfo, Redator designado Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.008 29 Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964. Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia ). As alegações de inconstitucionalidade não poderão ser apreciadas, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Decadência Pugna o Recorrente pela aplicação do art. 150, § 4º, CTN, suscitando que o prazo decadencial seria de cinco anos contados a partir do fato gerador mensal, o que acarreta na decadência dos lançamentos dos fatos geradores de 2000, bem como dos três primeiros meses de 2001. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula nº 38 do CARF: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Assim o fato gerador relativo à omissão de rendimentos do anocalendário 2000 somente ocorreu no dia 31/12/2000 e o do anocalendário 2001 em 31/12/2001. No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.009 30 pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 SC, cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.010 31 No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, como o fato gerador do anocalendário 2000 ocorreu em 31/12/2000, o prazo decadencial findou em 31/12/2005, pois houve pagamento antecipado, conforme se verifica pelo Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração (fls. 1571 e 1574) e relatório do SINAL (Consulta pagamento) de fls. 1482/1485, devendo assim ser aplicada a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 24/03/2006 (fl. 1594), o lançamento relativo ao anocalendário 2000 foi alcançado pela decadência. Quanto ao anocalendário 2001, não ocorreu a decadência pois o prazo findou em 31/12/2006 pela regra do art. 150, § 4º, e a ciência do lançamento deuse em 24/03/2006. Denúncia espontânea Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o Contribuinte apresentou em 06/05/2004 declarações retificadoras para os exercícios 2001, 2002 e 2003. Nos termos da legislação que rege a matéria, quando da entrega das declarações ele já se encontrava sob procedimento fiscal, uma vez que recebeu o Termo de Inicio de Ação Fiscal em 16/04/2004 (AR de fl. 63). Portanto, o contribuinte já não gozava de espontaneidade no momento da entrega das declarações retificadoras. Decisões administrativas Conforme bem decidiu a DRJ, as decisões administrativas citadas pelo Recorrente não se constituem em normas complementares contidas no at. 100 do CTN, não vinculando, portanto, as decisões das instâncias julgadoras. As decisões administrativas restringemse às partes litigantes naquele processo que resultou na decisão. Assim, descabe razão ao Contribuinte nesse ponto. Falta de intimação dos cotitulares das contas correntes conjuntas Sobre a intimação dos cotitulares das contas correntes conjuntas, em atendimento à diligência solicitada por esta turma julgadora, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1971/1972, no qual afirma que nas contas abaixo relacionadas existe uma cotitular Virginia Bizerril Gargiulo (Virginia Puglisi), CPF 102.959.20807 , não constando nos autos provas de que tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários. Contas Correntes Conjuntas: n° 2.70098956 do Banco Real; Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.011 32 n° 4515765 do Citibank; n° 1540150831/001 do Banco Bandeirantes; n° 09.1363.05 do BankBoston; n° 6820027142008 do Banco Sudameris; e n° 03280498173 do HSBC Bank Brasil. Dessa forma, a falta de intimação da cotitular das contas bancárias conjuntas contraria o entendimento já consolidado na Súmula CARF nº 29, de caráter vinculante. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada os valores lançados referentes aos créditos das contas correntes conjuntas, relativos ao anocalendário 2001, considerando que o anocalendário 2000 foi alcançado pela decadência. MÉRITO Presunção de renda Alega o Recorrente que os valores creditados em contas bancárias não se identificam necessariamente com o conceito de renda, pois podem não ser causa de acréscimo patrimonial ou não caracterizar consumo relacionados ao contribuinte titular da contacorrente. Argumenta ainda que o auto de infração e a decisão que julgar a impugnação não podem se basear em presunções e a dúvida não pode beneficiar o Fisco. Requer, assim, a aplicação da interpretação benigna, prevista no art. 112 do CTN. Não lhe assiste razão, pois a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.012 33 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Essa argumentação do Recorrente não se sustenta desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Quanto à alegação de que a autoridade fiscal não o intimou a comprovar os depósitos bancários individualizadamente, não lhe cabe razão, visto que a autoridade fiscal intimou o Contribuinte a comprovar de forma individual os depósitos bancários, mediante o Termo de Intimação Movimentação Bancária n° 272/2005, datado de 16/09/2005 (fls. 1345/1360), o qual foi recebido em 05/10/2005 (AR de fl. 1361), tendo o Contribuinte respondido à intimação, conforme documentos de fls. 1363/1421, prestando os esclarecimentos que entendeu necessários. Comprovação da origem dos depósitos bancários Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.013 34 O Contribuinte afirma que apresentou ao Fisco certidão que demonstra a alienação de um bem imóvel pelo valor de R$ 400.000,00, em 28/05/2001. Assim, tal valor deve ser computado como ingresso hábil para justificar e integrar os saldos da movimentação financeira do ano de 2001. Argumenta que comprovada a origem do valor recebido, pode efetuar depósitos em valores parciais a partir de 28/05/2001, data em que a transação com o imóvel foi realizada. Defende ainda que os valores relativos a "operação de desconto" devem ser excluídos do lançamento, pois se referem a empréstimos efetuados junto aos bancos. De acordo com a previsão legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário que a comprovação da origem dos depósitos bancários seja feita individualizadamente, depósito por depósito. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Nesse caso, caberia ao Contribuinte indicar quais depósitos efetuados correspondiam aos valores recebidos pela venda do citado imóvel, apresentando documentos que vinculassem os créditos com a operação de venda. Concordo com a decisão da DRJ nesse ponto, quando diz que: Quanto ao item "h" — desconsideração do valor de R$ 400.000,00, referente A venda de imóvel, para justificar a origem de depósitos bancários — temse que, conforme já minuciosamente explicado no Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte apresentou Escritura de Venda e Compra de um imóvel, onde consta que o bem foi alienado em 28/05/2001, pelo valor de R$ 400.000,00, o qual foi recebido em moeda corrente no ato da venda. Ocorre que nas contas bancárias do contribuinte não se vê o depósito de tal quantia, nem tampouco o contribuinte apresentou à fiscalização ou trouxe aos autos quaisquer documentos que demonstrassem que tal valor foi depositado parceladamente. Assim, o que se entende é que os R$ 400.000,00 não foram depositados nas contas bancárias do contribuinte e, por conseguinte, não servem para demonstrar a origem de depósitos bancários, estando correto o procedimento fiscal. Quanto aos valores relativos a "operação de desconto", observase pela planilha de fls. 1440/1446 que todos os créditos efetuados a esse título são referentes à conta corrente nº 6820027142008 do Banco Sudameris, a qual já foi excluída da base de cálculo por ser conta conjunta, conforme já tratado em item acima. Desse modo, não existem mais créditos a ser excluídos no tocante a esse título. MULTA DE OFÍCIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE Como se trata de infração relativa aos anoscalendário 2000 e 2001, devese aplicar o entendimento firmado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.014 35 multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 NORMAS GERAIS. IRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICO DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão n° 9202003.536, sessão de 27/01/2015). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão 9202003.552, sessão de 28/01/2015) Portanto, deve ser excluída da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. JUROS SELIC Quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.015 36 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.016 37 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (grifei) (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). Desse modo, deve subsistir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Requer o Recorrente a apresentação posterior de provas pois depende do fornecimento de informações de terceiros e o prazo de recurso é exíguo. O Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.017 38 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo "Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal" esclarecem: iv) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.018 39 v) O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente. (LÓPEZ, Maria Tereza Martinez; BIANCHINI, Marcela Cheffer. A Prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 50). Nos ensinamentos de Grinover e outros: O instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar ao seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual [...] Politicamente justificase a preclusão em virtude do princípio pelo qual a passagem de um ato processual para outro supõe o encerramento do anterior, de tal forma que os atos já praticados permaneçam firmes e inatacáveis. Quanto mais rígido o procedimento como é o brasileiro, por desenvolverse através de fases claramente destinadas pela lei maior se torna a importância da preclusão. (GRINOVER, Ada Pellegrini e Outros. Teoria geral do processo.16ª ed. Malheiros: São Paulo, 2000, p. 327328. (grifos do original). Os argumentos do Contribuinte não são suficientes para justificar a apresentação posterior de provas, ainda mais se tratando de fiscalização de depósitos bancários de origem não comprovada, quando a comprovação deveria ter ocorrido durante o procedimento fiscal, tendo sido oferecidas diversas oportunidades para fazêlo. Dessa forma, não há como acatar esse pedido. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL Por fim, cabe analisar o pedido do Recorrente para intimação dos patronos para sustentação oral na sessão de julgamento. Não há como acatar esse pedido, pois não há previsão legal para tal, porém o § 1º do art. 55 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 2000, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 19515.000443/200622 Acórdão n.º 2202004.088 S2C2T2 Fl. 2.019 40 recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada os valores lançados referentes aos créditos das contas correntes conjuntas, relativos ao anocalendário 2001, assim como excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. Fl. 2019DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.900333/2009-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DE SERV. LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 03 33 /2 00 9- 68 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900333/200968 Acórdão n.º 9101002.771 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.766, de 06/04/2017, proferido no julgamento do processo 10245.900267/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.766): Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900333/200968 Acórdão n.º 9101002.771 CSRFT1 Fl. 4 3 O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900333/200968 Acórdão n.º 9101002.771 CSRFT1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.724626/2011-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 46 26 /2 01 1- 22 Fl. 143DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 13/08/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802003.046 (fls. 71 a 84), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso provido." Na origem tratase de Auto de Infração (fl. 04 e ss.) proveniente de revisão de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício do ano de 2010, que apurou suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em virtude de decisão judicial, pela Contribuinte. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10469.724626/201122 Acórdão n.º 9202005.638 CSRFT2 Fl. 143 3 A Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fl. 02), sustentando trataremse de rendimentos isentos por constituírem rendimentos recebidos acumuladamente relativos à participação de seu falecido esposo em operações bélicas da II Grande Guerra e por ostentar a mesma mais de 70 anos de idade, solicitando ainda que os rendimentos recebam o tratamento adequado a sua natureza de terem sido recebidos acumuladamente. Apreciada a impugnação pela 1ª Turma da DRJ/REC, fls.44, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por considerar os seguinte fundamentos: Que a legislação tributária discrimina os benefícios de ex combatentes que fazem jus a isenção do IR, dependendo do fundamento legal em razão do qual foram deferidos, não havendo nos autos nenhum elemento que permita aferir o fundamento legal da pensão paga à contribuinte, cuja complementação a mesma veio a receber em razão de ação judicial e que é objeto do presente lançamento; Que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era regida, na época do fato gerador objeto da presente lide, o ano calendário de 2009, pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988, que determinava a tributação segundo a alíquota vigente no momento do efetivo recebimento dos rendimentos pelo contribuinte; Que somente a partir do ano de 2010 passou a viger nova disciplina, não aplicável ao caso presente, instituída pela Lei nº 12.350/2010, que resultou da conversão da Medida Provisória nº 497/2010, inserindo na Lei nº 7.713/1988 o art. 12A; Que apesar de a contribuinte argumentar ter apresentado sua declaração nos termos de orientação recebida da Receita Federal, em visita a uma de suas repartições e juntar aos autos documento não assinado contendo orientações sobre o tratamento a ser dados a rendimentos recebidos acumuladamente, tal documento faz referência ao Parecer PGFN nº 287/2009 e o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27/03/2009, de acordo com os quais, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global; que, no entanto, o referido ato teve seus efeitos suspensos por meio do Parecer PGFN/CRJ/nº. 2331 de 27 de outubro de 2010; que a contribuinte apenas perdeu a espontaneidade e, portanto, a possibilidade de retificar sua declaração em data posterior, qual seja, em 08/04/2011, embora a mesma não o tenha feito. Intimada da supramencionada decisão, conforme fls.57, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 61 e ss.), aos seguintes fundamentos: que parte do valor recebido judicialmente foi devolvido à União por GRU já constante dos autos, o que implicaria em Fl. 145DF CARF MF 4 modificação do valor total recebido, conforme discrimina em seu recurso; que a pensão que recebe enquadra –se nas hipóteses legais de isenção, pois seu marido foi excombatente e é falecido, juntando certidão de óbito. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido, para pleitear manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Notificado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10469.724626/201122 Acórdão n.º 9202005.638 CSRFT2 Fl. 144 5 O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: Fl. 147DF CARF MF 6 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examida. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10469.724626/201122 Acórdão n.º 9202005.638 CSRFT2 Fl. 145 7 com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação dabase de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Fl. 149DF CARF MF 8 Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10469.724626/201122 Acórdão n.º 9202005.638 CSRFT2 Fl. 146 9 INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. Fl. 151DF CARF MF 10 A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao nãoexame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720077/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS. DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS. RESULTADOS JÁ SABIDAMENTE ALCANÇADOS.
O pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, descaracteriza a parcela recebida pelo trabalhador, que passa a ter natureza remuneratória, compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. A fixação do valor da participação devida ao segurado empregado em acordo coletivo quando já sabidamente alcançados as metas, os índices e os resultados desnatura os pagamentos efetuados pelo empregador, uma vez que é pressuposto o estabelecimento de regras claras e objetivas quanto ao recebimento da participação em momento prévio ao alcance dos parâmetros estipulados para a Participação nos Lucros ou Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SINDICATO DA CATEGORIA. BASE TERRITORIAL. ESTABELECIMENTOS NÃO ABRANGIDOS.
A Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, via convenção ou acordo coletivo, depende, sempre, da participação do sindicato representativo da categoria na negociação e elaboração do respectivo instrumento. A participação do sindicato estabelecida na Lei nº 10.101, de 2000, não é despedida de congruência com a legislação trabalhista, que regula a organização sindical brasileira, e a própria Constituição da República de 1988, na parte correspondente. Os pagamentos a trabalhadores que prestam serviços em estabelecimentos da empresa não abrangidos pela base territorial do sindicato que assinou o instrumento de negociação coletiva integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.
GILRAT. GRAU DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO DA EMPRESA.
O percentual básico da contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é apurado com base na atividade preponderante desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, identificado pela inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2401-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para que seja utilizado o percentual final da GILRAT igual a 1,68% relativamente aos fatos geradores das filiais de Belo Horizonte e São Paulo, apurados nos AIs nº 51.017.233-4 e nº 51.043.569-6. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o lançamento efetuado na competência 05/10 e os juros sobre a multa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PAGAMENTOS. DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS. RESULTADOS JÁ SABIDAMENTE ALCANÇADOS. O pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, descaracteriza a parcela recebida pelo trabalhador, que passa a ter natureza remuneratória, compondo a base de cálculo da contribuição previdenciária. A fixação do valor da participação devida ao segurado empregado em acordo coletivo quando já sabidamente alcançados as metas, os índices e os resultados desnatura os pagamentos efetuados pelo empregador, uma vez que é pressuposto o estabelecimento de regras claras e objetivas quanto ao recebimento da participação em momento prévio ao alcance dos parâmetros estipulados para a Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SINDICATO DA CATEGORIA. BASE TERRITORIAL. ESTABELECIMENTOS NÃO ABRANGIDOS. A Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, via convenção ou acordo coletivo, depende, sempre, da participação do sindicato representativo da categoria na negociação e elaboração do respectivo instrumento. A participação do sindicato estabelecida na Lei nº 10.101, de 2000, não é despedida de congruência com a legislação trabalhista, que regula a organização sindical brasileira, e a própria Constituição da República de 1988, na parte correspondente. Os pagamentos a trabalhadores que prestam serviços em estabelecimentos da empresa não abrangidos pela base territorial do sindicato que assinou o instrumento de negociação coletiva integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 77 /2 01 4- 70 Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 791 2 GILRAT. GRAU DE RISCO DE ACIDENTES DE TRABALHO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. AFERIÇÃO POR ESTABELECIMENTO DA EMPRESA. O percentual básico da contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é apurado com base na atividade preponderante desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, identificado pela inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para que seja utilizado o percentual final da GILRAT igual a 1,68% relativamente aos fatos geradores das filiais de Belo Horizonte e São Paulo, apurados nos AIs nº 51.017.2334 e nº 51.043.5696. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o lançamento efetuado na competência 05/10 e os juros sobre a multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 792 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0958.520 (fls. 608/629): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/12/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente, com a conseqüente renúncia ao contencioso administrativo fiscal e consolidação administrativa dos respectivos créditos tributários apurados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. BASE TERRITORIAL. O pagamento da PLR em desacordo ao que prevê a lei 10.101/00 descaracteriza a verba, que passa a ter natureza salarial, atraindo encargos tipicamente incidentes sobre a remuneração dos empregados. A empregadora que explora sua atividade empresarial em mais de um município e pretende entabular acordo coletivo abrangendo todos os seus empregados, deverá firmálo com todos os sindicatos que tenham base territorial nos municípios de sua atuação, não sendo possível estender a eficácia do acordo coletivo para trabalhadores que prestaram serviços em município que ultrapassa os limites territoriais de representação da entidade sindical que participou da negociação coletiva. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurando se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Não comprovadas quaisquer das hipóteses para concessão de novo prazo para apresentação de documentos, descabe fazêla em momento diferente da impugnação. INTIMAÇÃO. PROCURADOR. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 793 4 As notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele e não ao endereço indicado pelo procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 66/82, que, na origem, este processo administrativo é composto por 10 (dez) Autos de Infração (AI), compreendendo as competências maio/2010, novembro/2010 e dezembro/2010, a saber: (i) AI nº 51.017.2300: contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a título de patrocínio à entidade desportiva (fls. 3/8); (ii) AI nº 51.017.2318: contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados a diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais (fls. 9/14); (iii) AI´s nº 51.017.2326, 51.043.5700 e 51.043.5726: contribuições previdenciárias parte da empresa, destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e a cargo dos segurados empregados, além das contribuições devidas a terceiros, respectivamente, incidentes sobre valores pagos a título de Participação Complementar nos Lucros ou Resultados aos segurados empregados do estabelecimento matriz da empresa (fls. 15/20, 33/38 e 45 e 50); (iv) AI´s nº 51.017.2334 e 51.043.5734: contribuições previdenciárias parte da empresa e aquela destinada ao GILRAT, além das contribuições devidas a terceiros, respectivamente, incidentes sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados empregados do estabelecimento filial da empresa localizado em Belo Horizonte (fls. 21/26 e 51 e 56); e (v) AI´s nº 51.043.5696, 51.043.5718 e 51.043.5742: contribuições previdenciárias parte da empresa, destinada ao GILRAT e a cargo dos segurados, além das contribuições devidas a terceiros, respectivamente, incidentes sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados aos segurados empregados do estabelecimento filial da empresa localizado em São Paulo (fls. 27/32, 39/44 e 57 e 62). 3. Especificamente no que tange à Participação nos Lucros ou Resultados, a acusação fiscal identificou pagamentos pela empresa em desacordo com a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, nos termos a seguir resumidos: Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 794 5 (i) participação complementar paga no mês de novembro/2010 aos segurados empregados lotados na matriz, com base no Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011 Acordo de Participação Complementar, de 04/11/2010, às fls. 251/255, cujo instrumento de negociação coletiva não estabeleceu metas, critérios ou condições a serem cumpridas, apenas convencionou, tendo em vista os resultados alcançados e da consecução dos objetivos da empresa, o pagamento de um complemento à participação nos resultados do ano de 2010, em parcela única, o que assume feição salarial (itens 3.31 a 3.46 do Relatório Fiscal, às fls. 75/78). O valor da participação complementar é composto de uma parcela fixa (3,5 salários nominais) e outra variável, denominada de "adicional sobre o lucro do ano", a qual, por sua vez, é dividida em duas partes, correspondente, a primeira, a 0,6% dos dividendos efetivamente pagos aos acionistas no exercício do pagamento do pagamento da participação e, a segunda, a uma parcela extraordinária atribuída, em circunstâncias específicas, pelo reconhecimento de trabalho ou desempenho excepcional do beneficiário. Todos os segurados receberam a parcela fixa, ao passo que o valor "adicional sobre o lucro do ano" foi destinado apenas a determinados trabalhadores, alguns agraciados com as duas partes do adicional (percentual sobre os dividendos efetivamente pagos aos acionistas + parcela extraordinária, outros tão somente receberam o valor relacionado à parcela extraordinária. A relação nominal dos segurados empregados e valores da participação complementar recebida na competência novembro/2010 está detalhada pela autoridade lançadora na Planilha de fls. 315/348; e (ii) participação paga nos meses de maio/2010 e novembro/2010 aos segurados empregados das filiais de Belo Horizonte e São Paulo, com base, respectivamente, no Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2010 Acordo de Participação, de 12/05/2010, às fls. 248/250, e no Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011 Acordo de Participação Complementar, de 04/11/2010, às fls. 251/255, os quais têm abrangência territorial restrita ao Município de Araxá, Estado de Minas Gerais, pois celebrados com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Araxá. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 795 6 Por força do princípio constitucional da unidade sindical, os acordos coletivos não se aplicam aos trabalhadores lotados nas filiais de Belo Horizonte e de São Paulo. A relação nominal dos segurados empregados, assim como os valores da participação nas filiais de Belo Horizonte (CNPJ 33.131.541/00299) e São Paulo (33.131.541/000370) recebidos nas competências maio/2010 e novembro/2010, estão detalhados pela autoridade fiscal na Planilha de fls. 349/351. 4. Cientificado da autuação por via postal, em 04/12/2014, às fls. 3, 9, 15, 21, 27, 33, 39, 45, 51 e 57, o contribuinte impugnou parcialmente a exigência fiscal (fls. 359/393). 4.1 Segundo consta dos autos, não restou instaurado o litígio porque o contribuinte deixou de impugnar as seguintes matérias: (i) patrocínio pago à entidade desportiva Araxá Esporte Clube; (ii) valores pagos a título de participação aos diretores não empregados; e (iii) parcela extraordinária componente do pagamento a título de participação complementar aos segurados empregados (matriz e filiais). 5. Intimada via postal da decisão de piso em 06/11/12015, de acordo com as fls. 630/634, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 07/12/2015 (fls. 646/688). 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) o Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011, assinado em novembro/2010, não constitui uma acordo autônomo, dissociado daquele instrumento de negociação coletiva do mês de maio/2010, e que teria estabelecido novas regras para o pagamento da Participação nos Resultados. O acordo coletivo regula, na verdade, o pagamento da segunda parcela a título de participação do ano 2010, o qual foi realizado com base nas mesmas regras do Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2010, firmado em maio/2010, que não foi questionado pela autoridade lançadora; (ii) o Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011, assinado em novembro/2010, é dotado de critérios de cálculo e apuração objetiva dos pagamentos realizados, em conformidade com a Lei nº 10.101, de 2000; (iii) a incidência da tributação sobre os pagamentos recebidos pelos segurados empregados das filiais de Belo Horizonte e São Paulo, que representam apenas 3% do universo dos trabalhadores da empresa, demonstra demasiadamente apegada a formalidades, extrapolando os objetivos propostos na Lei nº 10.101, de 2000, e afronta o direito adquirido dos beneficiários. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 796 7 O procedimento adotado pela empresa, mediante acordo com um único sindicato, visou contemplar a totalidade dos colaboradores com regras e critérios homogêneos para o recebimento da Participação nos Resultados, evitando o tratamento desigual; (iv) de modo subsidiário, na hipótese de manutenção do lançamento tributário sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, é necessária a retificação do percentual da contribuição destinada ao GILRAT, na medida em que o agente fiscal considerou, no caso do cálculo das filiais, o mesmo grau de risco da atividade econômica desenvolvida na matriz; e (v) é inaplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 797 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Participação Complementar paga aos segurados empregados da matriz 7. Segundo a recorrente, o acordo firmado em maio/2010 é o instrumento que direciona todo o plano de participação nos lucros e resultado da empresa. Em consequência, o acordo celebrado em novembro/2010 representa mera execução do acordo de maio/2010, regulando o pagamento da segunda parcela a título de Participação nos Resultados referente ao ano de 2010. 8. Pois bem. A cópia do Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2010, firmado em maio/2010, está juntada às fls. 248/250, enquanto o Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011, assinado em novembro/2010, consta das fls. 251/255. 9. Após avaliar os acordos coletivos, verifico que a tese defendida pela recorrente da análise conjunta dos instrumentos de negociação, em que o segundo complementa o primeiro, não é suficientemente convincente de que os pagamentos realizados em novembro/2010 atendem aos pressupostos normativos para a desoneração tributária. 10. Conforme frisou o agente lançador, o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, estipulou requisitos a serem observados nos acordos para pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, a fim de que os instrumentos de negociação produzam os efeitos tributários que a lei estabelece: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 798 9 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 11. Inicialmente, um breve exame do acordo coletivo assinado em maio/2010, datado de 12/05/2010, que contém claúsula de vigência no período de 1º/05/2010 a 1º11/2010 (Cláusula Primeira). 11.1 Ao fazer alusão ao ano de 2010, o acordo estabeleceu o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados em função de metas, aferidas pelos critérios de produção, de produtividade e da taxa de frequência de acidentes, atribuindolhes pontos conforme o resultado obtido em uma escala de valores crescentes (Cláusula Terceira, Artigo 1º). Eis um exemplo: Artigo 1º (...) § 1º. Critérios de Produção Quantidade de Ferro Nióbio produzida no ano de 2010 Este critério terá valor total de trinta pontos e a pontuação será distribuída conforme tabela abaixo: Meta Número de Pontos Acima de 25.000 toneladas 30 de 21.000 a 24.999 ton 20 de 19.000 a 20.999 ton 15 de 16.000 a 18.999 ton 10 abaixo de 16.000 0 11.2. Na sequência do instrumento, o acordo estipula o valor da Participação nos Lucros ou Resultados com pagamento integral, em parcela única, no mês de maio/2010, nesses termos: Artigo 2º Fica estipulado que os valores brutos a serem pagos, em parcela única, será o equivalente a no mínimo 2,5 (dois e meio) salários nominais para cada empregado, observandose um piso de R$ 3.600,00. (...) 12. Com a devida vênia à autoridade lançadora, a formatação do plano de participação da empresa é claramente inadequada em face da Lei nº 10.101, de 2000, na medida em que os critérios e condições de recebimento dos valores não são passíveis de aferição, resultando em possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 799 10 12.1 Não há indicação da correlação entre pontuação e valores devidos a título da Participação nos Lucros ou Resultados. O instrumento coletivo prevê tão somente um pagamento mínimo, equivalente a 2,5 salários nominais de cada empregado, observado o piso de R$ 3.600,00. Contudo, qual a meta a ser atingida para o recebimento do valor mínimo estipulado? E na hipótese de atingimento da meta, em um ou mais critérios, em parâmetros intermediários, qual o valor da participação devida ao trabalhador? E se as metas relativas aos três critérios de avaliação fossem superadas, qual o valor da participação? 12.2 Sob qualquer ótica, a Participação nos Lucros ou Resultados fixada no instrumento coletivo não está vinculada a regras claras e objetivas, contrariando o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000. 13. De todo modo, a despeito do entendimento pessoal, o fato é que autoridade fiscal reconheceu a regularidade dos pagamentos efetuados no mês de maio/2010 aos segurados empregados da matriz, discordando, ao final, apenas em relação aos pagamentos embasados no acordo coletivo de novembro/2010. 13.1 Ao que parece, o raciocínio do agente fiscal foi que, uma vez cumpridas as metas estabelecidas, os critérios e condições pactuadas estavam satisfeitos, o que justificava o pagamento mínimo acordado de 2,5 salários nominais para cada segurado empregado, como efetuado no mês de maio/2010 (item 3.33, às fls. 75/76). 13.2. Naturalmente, a aceitação do pagamento de maio/2010, considerado como desvinculado da remuneração do trabalho, não significa que a fiscalização legitimou o programa de Participação nos Lucros ou Resultados implementado no âmbito da sociedade empresarial. 14. Expõe a recorrente que o programa de Participação nos Lucros ou Resultados estipula metas anuais, de maneira que o pagamento da parcela de maio/2010 representou a mera antecipação do valor total devido para o anocalendário de 2010, complementado em novembro/2010. 15. Há dificuldades na aceitação da explicação defendida pela recorrente. Primeiro, porque no Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2010 não contém qualquer previsão de pagamento de uma segunda parcela, posteriormente a maio/2010. 15.1 Segundo, pois também não há no Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011, assinado em novembro/2010, menção a pagamento de parcela antecipada aos trabalhadores, compensada ou não. Por sinal, o acordo está datado de 04/11/2010, com vigência entre 12/11/2010 e 13/05/2011, o que extrapola o exercício de 2010. 15.2 Além do que, há um vácuo perturbador de regulamentação entre o fim da vigência do acordo de maio/2010 e o início de produção de efeitos para o acordo de novembro/2010, acarretando problemas de harmonização com o período de aferição de metas que compreende o anocalendário de 2010. 16. De acordo com o instrumento de negociação coletiva, o valor pago no mês de novembro/2010 corresponde a um complemento à Participação nos Resultados do ano de 2010, nesses termos: Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 800 11 Artigo 1º As partes concordam que, tendo em vista os resultados alcançados, índices de produção obtidos, as baixas taxas de afastamento por acidente, bem como ter atingido os objetivos da empresa, será concedido um complemento à Participação em resultado do ano de 2010. Artigo 2º Fica estipulado que os valores a serem pagos, a título de complemento, em parcela única, serão determinados pela empresa de comum acordo com Sindicato da Categoria, utilizandose a tabela anexa (tabela 1), observandose, todavia, o piso para cada empregado de no mínimo 3,5 salários nominais, tendo como parâmetro o salário da data do efetivo pagamento da PLR complementar. (...) 16.1 Como se observa, o pagamento decorre de fatos passados relacionados ao atingimento de objetivos da empresa, tendo em conta os resultados alcançados, índices de produção obtidos e as taxas de afastamento por acidente. Em outras palavras, o motivo da retribuição pecuniária não está atrelado a incentivar à produtividade, e sim a recompensar por algo sabidamente atingido. 17. A ideia que a parcela paga em novembro/2010 equivale à simples execução do acordo firmado em maio/2010 não se coaduna com os próprios critérios estabelecidos para o seu pagamento. 17.1 Com efeito, o Artigo 2º, acima copiado, dispõe que os valores serão determinados mediante entendimento entre empresa e sindicato da categoria, utilizandose da tabela anexa ao referido acordo (Tabela 1), observado o piso mínimo de 3,5 salários nominais para cada empregado. 17.2 Ao esclarecer tais critérios, inicialmente à fiscalização e, posteriormente, no âmbito do contencioso administrativo, a recorrente informou que os pagamentos associados ao instrumento coletivo firmado em novembro/2010 estavam estruturados do seguinte modo (fls. 669): (a) valor adicional mínimo de 3,5 salários nominais devidos a todos os empregados; (b) 0,6% do montante total de dividendos distribuídos a serem pagos aos diretores gerais, diretores, superintendentes e gerentes da sociedade; e (c) parcela extraordinária devida a alguns funcionários pelo reconhecimento de um trabalho ou desempenho excepcional 17.3 A pergunta é singela: onde tal disciplina de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está definida no texto do acordo celebrado no mês de maio/2010? Não foi estipulada. É uma inovação, que destoa do acordo de maio/2010, inclusive com a distribuição de valores diferenciados para alguns segurados específicos ou grupo de trabalhadores. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 801 12 17.4 Além disso, foi incluída cláusula que estabelece a possibilidade de redução dos valores da Participação nos Lucros ou Resultados, tendo em vista a performance de segurança do trabalho: Artigo 2º (...) § 1º Tendo em vista a performance de segurança do trabalho, analisada em cada unidade autônoma da empresa, os valores da Participação em Resultados objeto deste Acordo poderão sofrer reduções, dependendo do resultado obtido, levandose em conta a tabela anexa (tabela 2). 18. O valor adicional mínimo foi estabelecido em 3,5 salários nominais, porém poderia ter sido definido, por exemplo, como 4, 5, ou 6 salários nominais do trabalhador à época do pagamento, dada a completa ausência de fixação de parâmetros previamente ao atingimento das metas ou resultados. 18.1 O que se falar, então, da importância decorrente do "adicional sobre o lucro do ano", correspondente a 0,6% dos dividendos pagos aos acionistas e a parcela extraordinária devida a alguns segurados empregados, como forma de reconhecimento pelo trabalho prestado à empresa, neste último caso, inclusive, nem sendo objeto de contestação pela recorrente. Tais parâmetros também representam novidades nos instrumentos, introduzidos no acordo de novembro/2010. 19. A distribuição de valores do mês de novembro/2010 não se deu a partir de critérios claros e objetivos definidos pelas partes previamente ao alcance das metas e resultados, por meio do acordo datado de maio/2010, configurando, em verdade, uma parcela de natureza salarial, concedida a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. 20. É inviável concordar com a linha defendida pela recorrente de que os dois instrumentos de negociação coletiva devem ser considerados como um acordo único firmado para a participação dos empregados no anocalendário de 2010, porquanto estipulariam o recebimento de, no mínimo, 6 salários nominais (2,5, em maio/20101 + 3,5, em novembro/2010) a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 21. Convém enfatizar ainda que os pagamentos no mês de novembro/2010 decorreram, conforme corroborado pela peça recursal, de metas que foram superadas de forma extraordinária naquele ano, o que teria motivado a retribuição financeira adicional aos colaboradores (fls. 660). 21.1 No entanto, em nenhuma parte do acordo firmado em maio/2010 estão definidos os parâmetros de recebimento da participação para tal nível de atingimento de metas e resultados. 22. À vista disso, é de considerar correto, em meu ponto de vista, o viés acusatório no sentido de que o acordo assinado em novembro/2010 deixou de prever metas, critérios ou condições a serem cumpridas para o pagamento, em desacordo com o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 802 13 23. Acrescento que a recorrente declara que a mesma política de pagamento da participação aos empregados tem se repetido ao longo dos anos, notadamente desde o ano calendário de 2005, embasada nos critérios de produção, produtividade e taxa de frequência de acidentes, o que torna as metas, termos e condições de pagamento da participação de conhecimento prévio dos segurados empregados, integrantes de sua expectativa (fls. 758/780). 23.1 No caso sob exame, a existência de similitude com os acordos coletivos firmados em exercícios anteriores não possui a importância que pretende dar a recorrente para o fim de que os pagamentos efetuados aos segurados empregados escapem à incidência tributária. 23.2 Pelo contrário, tal fato atesta, na visão deste julgador, que há comprovação de um reiterado descompasso na formulação e execução do programa de Participação nos Lucros ou Resultados no âmbito da companhia, em face dos preceitos básicos da Lei nº 10.101, de 2000. 24. Destarte, não carece de reforma a decisão de piso, nesse ponto do recurso voluntário. b) Participação paga aos empregados das filiais de Belo Horizonte e de São Paulo 25. De acordo com o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, a participação nos lucros ou resultados deverá decorrer de negociação coletiva entre o empregador e os seus empregados, nesses termos: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) 26. Independentemente da via de negociação adotada, é obrigatória a participação do sindicato representativo da categoria. Há uma expressa, literal e inequívoca determinação do legislador ordinário nesse sentido. Mesmo a comissão paritária escolhida pela empresa e pelos trabalhadores para tratar do programa de pagamento adicional como incentivo à produtividade, deverá contar com a participação de um representante do sindicato. 27. A previsão de intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade assegurar os interesses dos trabalhadores e contribuir para um melhor equilíbrio de forças com vistas à elaboração do documento que conterá os direitos substantivos e regras adjetivas da Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 803 14 participação. Com o arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical, além de comprovar os termos celebrados, possibilita exigir da empresa o cumprimento das regras estipuladas. 28. Nesse contexto normativo, é evidente que a participação do sindicato estabelecida na Lei nº 10.101, de 2000, não é despedida de congruência com a legislação trabalhista, que regula a organização sindical brasileira, e a própria Constituição da República de 1988, na parte correspondente. 28.1 Significa dizer, como já realçou a decisão de piso, inclusive com transcrição de jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, que a legitimação para a celebração de negociação coletiva encontra limite, considerando o princípio da unidade sindical, na base territorial de representação da entidade sindical signatária do acordo ou convenção coletiva. 29. Os acordos coletivos de trabalho de maio/2010 e novembro/2010, com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Araxá, Estado de Minas Gerais, não foram produzidos alheios à respectiva disciplina da base territorial aplicável à norma coletiva convencional. Nesse sentido, reproduzo a Cláusula Segunda: Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2010 (fls. 248) CLÁUSULA SEGUNDA ABRANGÊNCIA O presente Acordo Coletivo de Trabalho, aplicável no âmbito da(s) empresa(s) acordante(s), abrangerá a(s) categoria(s) dos trabalhadores nas indústrias metalúrgica, mecânicas e de material elétrico de araxá, com abrangência territorial em Araxá/MG. Acordo Coletivo de Trabalho 2010/2011 (fls. 251) CLÁUSULA SEGUNDA ABRANGÊNCIA O presente Acordo Coletivo de Trabalho, aplicável no âmbito da(s) empresa(s) acordante(s), abrangerá a(s) categoria(s) dos trabalhadores nas indústrias metalúrgica, mecânicas e de material elétrico de araxá, com abrangência territorial em Araxá/MG. 30. Pela próprias regras dos acordos coletivos chancelados pela entidade sindical, percebese que a Participação nos Lucros ou Resultados não foi estendida aos segurados empregados lotados nas filiais de Belo Horizonte e de São Paulo, tendo como pretensão a recorrente, por intermédio de via transversa, legitimar a extrapolação dos efeitos jurídicos decorrentes dos instrumentos de negociação. 31. Alega a recorrente, por sua vez, que a acusação fiscal está apoiada em excessivo apelo a formalidades, prestigiando, portanto, o formalismo, em detrimento da "essência" do acordo. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 804 15 31.1 Diversamente do que defende a recorrente, os elementos formais previstos na Lei nº 10.101, de 2000, dentre eles a participação do sindicato representativo da categoria, não são simplesmente dispensáveis pelo interesse das partes. No caso concreto, sua indispensabilidade é ainda mais evidente, porque os acordos coletivos de trabalho de maio/2010 e novembro/2010 expressamente declaram a limitação territorial do ajuste aos colaboradores da unidade empresarial de Araxá. 32. Argumenta também a empresa fiscalizada que a assinatura de um único acordo coletivo, aplicável a todos os seus empregados, teve como propósito principal evitar o estabelecimento de Participações nos Lucros ou Resultados distintas dentro da mesma organização. 32.1 De fato, é bastante louvável a pretensão da empresa de definir metas e critérios comuns a todos os funcionários, de modo que todos participem, em conjunto, do atingimento dos resultados, ainda que os valores em retribuição ao esforço individual sejam calculados em patamares diferentes. 32.2 Contudo, o discurso da recorrente está apoiado somente em elementos de cunho teórico, não havendo indícios concretos que os acordos submetidos a sindicatos distintos resultariam também em diferentes metas, a ponto de implicar alguma distorção odiosa do programa de remuneração variável da companhia. 32.3 Ademais, o aumento de trabalho, burocracia e custos pela atuação frente a diferentes sindicatos é inerente à sua condição de empresa com estabelecimentos e trabalhadores em distintas localidades no país, não podendo servir de fundamento para se eximir de cumprir a legislação. 33. Por fim, refutando mais um argumento exposto pela recorrente, eventual direito adquirido às verbas pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultado, em relação aos empregados que prestam serviço nas filiais de Belo Horizonte e São Paulo, não vinculados territorialmente ao Sindicato de Araxá, produziria efeitos jurídicos circunscritos à esfera patrimonial do adquirente, não irradiando consequências para o campo tributário, sob responsabilidade do empregador. 34. Logo, mais uma vez, sem razão a recorrente. c) Cálculo do GILRAT para as filiais de Belo Horizonte e São Paulo 35. A contribuição básica para o GILRAT, nos percentuais de 1% (um), 2% (dois) ou 3% (três) por cento, equivalente à sua aplicação em função da atividade preponderante da empresa, entendida como aquela atividade econômica que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, vem disciplinada na legislação (art. 202, § 3º, do Regulamento da Previdência Social RPS, veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999): Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 805 16 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (...) (GRIFOUSE) 35.1 Em que pese a menção ao enquadramento em um grau de risco único, considerando a atividade preponderante da empresa como um todo, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixou o entendimento no sentido do enquadramento por estabelecimento, individualizado pela inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). A visão jurisprudencial restou expressa no verbete da Súmula nº 351: Súmula nº 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. 35.2 Inclusive, com a finalidade de reduzir os litígios, a Administração Tributária acatou, não faz muito tempo, a posição pacífica sobre o tema proferida pelo Poder Judiciário (Parecer PGFN/CRJ nº 2120/2011 e art. 72, § 1º, inciso II, da Instrução Normativa (IN) RFB nº 971, de 13 de novembro de 1991, com a redação dada pela IN RFB nº 1.453, de 24 de fevereiro de 2014). 36. É verdade que a atividade econômica principal de um estabelecimento da empresa, individualizado pelo CNPJ, não define, necessariamente, a sua atividade preponderante para fins de se determinar o grau de risco aplicável à contribuição destinada ao GILRAT. 37. Por outro lado, mostrase inadequado o procedimento fiscal de reproduzir, sem qualquer justificativa, o mesmo grau de risco para todos os estabelecimento da empresa, no caso o risco com percentual mais severo, igual a 3% (três por cento), quando os riscos de acidente de trabalho, em princípio, são distintos nos estabelecimentos, tendo em conta as atividades neles desenvolvidas. É a situação dos autos. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 806 17 37.1 Com efeito, o Relatório Fiscal explica que a matriz tem como atividade econômica principal a produção de ferroligas, enquanto ambas as filiais concentram suas atividades em serviços combinados de escritório e apoio administrativo (item 3.11, às fls. 70). 37.2 A atividade principal desenvolvida pelas duas filiais é confirmada pelos dados do cartão de CNPJ, identificada pelo Código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) nº 82113/00 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo (fls. 538/539). 37.3 De acordo com a tabela do Anexo V do RPS, na redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009, o percentual do GILRAT para o CNAE nº 82113/00, a partir da competência janeiro/2010, é igual a 2% (dois por cento). 38. Desse modo, e tendo em vista a multiplicação pelo índice do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), cabe reduzir o percentual da contribuição destinada ao GILRAT (GILRAT padrão x FAP), relativamente ao crédito tributário identificado nos estabelecimentos filiais em Belo Horizonte e São Paulo, nos AI´s nº 51.017.2334 e nº 51.043.5696, compatibilizandoo com a legislação aplicável aos fatos geradores do ano de 2010, nos seguintes termos: Estabelecimentos filiais: CNPJ 33.131.541/000299 (Belo Horizonte) e CNPJ 33.131.541/000370 (São Paulo) De: 2,52 % (3 % x 0,84) Para: 1,68% (2 % x 0,84) d) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício 39. Ressalvo a posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. 40. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. 41. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 807 18 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) 42. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 42.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 42.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 42.3 Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 43. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 808 19 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) 43.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 44. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. 44.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 44.2 Tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 44.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 45. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10972.720077/201470 Acórdão n.º 2401004.916 S2C4T1 Fl. 809 20 e) Terceiros 46. Em relação às contribuições apuradas pela fiscalização e devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, decorrentes do lançamento reflexo, a procedência ou não do crédito tributário acompanha a solução do litígio administrativo dada às contribuições previdenciárias patronais, haja vista tratarse da mesma base de incidência da tributação, calculada sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja utilizado o percentual final da contribuição ao GILRAT igual a 1,68% (um inteiro, sessenta e oito centésimos) relativamente aos fatos geradores das filiais de Belo Horizonte e São Paulo, apurados nos AI´s nº 51.017.2334 e nº 51.043.5696. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000836/98-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE DIVIDENDOS.
O valor do imposto retido sobre dividendos recebidos pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real que não puder ser compensado com o imposto de renda retido sobre lucros ou dividendos por ela distribuídos, pode ser compensado com o imposto com o imposto incidente sobre o lucro real da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1402-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à inclusão na composição do saldo negativo do IRPJ no ano-calendário de 1995, do crédito referente ao IRRF sobre dividendos no valor de R$ 117.704,65; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IRRF SOBRE DIVIDENDOS. O valor do imposto retido sobre dividendos recebidos pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real que não puder ser compensado com o imposto de renda retido sobre lucros ou dividendos por ela distribuídos, pode ser compensado com o imposto com o imposto incidente sobre o lucro real da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à inclusão na composição do saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1995, do crédito referente ao IRRF sobre dividendos no valor de R$ 117.704,65; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 08 36 /9 8- 17 Fl. 932DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos diversos com suposto crédito referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ referente ao anocalendário de 1995 no valor de R$ 353.896,12. Na composição desse valor foi computado o IRRF de R$ 371.381,95; aí incluídos o valor correspondente à incidência sobre rendimentos de aplicação financeira (R$ 235.207,67) e a parte referente ao IRRF sobre dividendos recebidos da Cia. Ferroligas de Minas Gerais (R$ 135.320,11) A Unidade Local prolatou Despacho Decisório (26/05/2003) rejeitando a inclusão do IRRRF sobre dividendos (R$ 135.320,11) na apuração. Quanto ao valor incidente sobre aplicações financeiras (RS 235.207,67), de acordo com o Despacho foi demonstrado o montante de R$ 218.015,13; sendo também corrigido o valor das estimativas. Assim, foi reconhecido o saldo negativo no valor de R$ 201.404,41. Foi apurada utilização parcial do crédito e o valor remanescente corresponderia a R$ 182.744,41. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (26/12/2003) onde suscita que a autoridade administrativa deixou de considerar retenções efetuadas pelo Unibanco, Banco do Brasil e Banco Pontual. Com relação à retenção sobre dividendos, afirma que agiu em função da impossibilidade de compensar o valor retido com a retenção sobre os dividendos que pagou, conforme previsto no texto legal, em função do advento da Lei nº 9.249/95 que estabeleceu a não incidência do IRRF nessas operações. Ressaltou que procedeu sob o amparo de Solução de Consulta prolatada pela Receita Federal. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG prolatou a Resolução 511/2005 (03/03/2005) convertendo o julgamento em diligência para que fosse examinado novo pedido de reconhecimento de direito creditório no anocalendário de 1995, referente ao Unibanco. Como resultado dessa diligência foi prolatado o Despacho Decisório 89/2006 (16/02/2006) reconhecendo o crédito adicional de R$ 34.973,83 decorrente de retenções sobre rendimentos de aplicações financeiras efetuadas pelo Unibanco. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG prolatou o Acórdão 0212.125 (19/10/2006) ratificando o Despacho Decisório 89/2006 quanto ao reconhecimento do crédito adicional de R$ 34.973,83 e rejeitando a Manifestação de Inconformidade quanto ao demais valores em discussão. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário ao então Conselho de Contribuintes (09/01/2007), ratificando as razões expostas na Manifestação de Inconformidade. A 2ª TO da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF prolatou o Acórdão 1402 00.070 (10/12/2009) acolhendo parcialmente o recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 2.650,78 correspondente aos valores questionados na Manifestação de Inconformidade relativos à retenções efetuadas pelo Banco do Brasil e pelo Banco Pontual. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 13603.000836/9817 Acórdão n.º 1402002.695 S1C4T2 Fl. 933 3 Quanto à retenção sobre dividendos, a decisão manifestouse pela prescrição do direito de requerer restituição do valor supostamente recolhido a maior, eis que o pedido teria sido formalizado após o decurso do prazo quinquenal contado do pagamento indevido. Cientificada da decisão, a interessada apresentou recurso especial (15/09/2010) dirigido especificamente ao não acolhimento da parcela do crédito correspondente à retenção sobre dividendos (R$ 135.320,11). Manifestase pela não ocorrência e reitera as razões proferidas nas peças de defesa anteriores quanto à existência do crédito pleiteado. O recurso foi admitido. A 1ª Turma da CSRF prolatou o Acórdão 9101001.522 (21/11/2012) manifestandose pela inocorrência da prescrição e o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, para apreciação do mérito. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG prolatou Despacho (21/10/2015) afirmando que já teria apreciado o mérito da lide através do Acórdão 0212.125. O Despacho foi recebido na CSRF como embargos inominados e admitidos por despacho regimental do Sr. Presidente do CARF (25/11/2015), com o reconhecimento de que caberia à segunda instância julgadora a apreciação da questão de mérito não apreciada em função da prescrição posteriormente afastada. Novo acórdão da 1ª turma da CSRF (9101002.273 em 05/04/2016) determinou o encaminhamento a este colegiado para apreciação da questão de mérito referente à parcela do crédito correspondente à retenção sobre dividendos (R$ 135.320,11). É o relatório. Fl. 934DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Retornaram os autos a este colegiado para apreciação exclusivamente da possibilidade de cômputo, no saldo negativo do IRPJ, do valor de IRRF sobre dividendos recebidos e que não foi compensado com o imposto que deveria ser retido quando do pagamento de dividendos pela interessada, tendo em vista a mudança legislativa que excluiu do mundo jurídico a previsão dessa última retenção. Em relação às decisões proferidas anteriormente neste processo, a última delas em que houve apreciação de mérito na matéria sob exame foi o Acórdão 0212.125 proferido pela DRJ. Aquela decisão manifestouse no sentido de que não haveria indébito pois o valor em questão teria sido regularmente retido no anocalendário de 1995. A meu ver, o fato da retenção ter sido correta questão sobre a qual não há controvérsia não implica necessariamente em tornála definitiva. Cabe à lei e respectivos atos normativos a definição quanto a uma retenção do IRRF ter caráter definitivo ou de antecipação compensável. Nos termos do art. 2º, da Lei nº 9.049/94; o IRRF sobre dividendos recebidos pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real serão considerados como antecipação compensável com o imposto de renda que a beneficiária tiver que recolher relativo à distribuição de dividendos, bonificações em dinheiro, lucro e outros interesses. O intuito do dispositivo foi deixar claro que o ônus do IRRF sobre dividendos não deveria ser a pessoa jurídica tributada pelo lucro real mas os sócios pessoas físicas ou jurídicas não tributadas por esse regime. Claro está, portanto, que a retenção sofrida pela interessada teria caráter de antecipação compensável e não de tributação definitiva. A decisão proferida no processo de consulta 13603.000255/9711 confirma: [...] Verificase, pela leitura do dispositivo legal acima mencionado, que a sistemática adotada, a partir da Lei n° 9.064/95, para retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre os dividendos recebidos visa alcançar, cm última instância, os sócios pessoas físicas, ou pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real. . São estes, afinal, os contribuintes a serem alcançados pela tributação dos lucros distribuídos, e não as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Quanto à pessoa jurídica tributada pelo lucro real, cabelhe o papel de intermediária, ao sofrer a retenção sobre os dividendos recebidos, compensando o valor do imposto com o que lhe caiba reter, na distribuição de dividendos aos beneficiários, ou seja, os sócios pessoas físicas ou pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13603.000836/9817 Acórdão n.º 1402002.695 S1C4T2 Fl. 934 5 [...] Portanto, não é a pessoa jurídica tributada pelo lucro real o contribuinte do imposto de renda retido na fonte sobre os dividendos recebidos pela mesma, mas sim, em última instância, os sócios pessoas físicas ou pessoas jurídicas nay tributadas pelo lucro real. [...] Entretanto, por não ter lucro passível de distribuição em 1995 e pelo fato de lucros apurados a partir de 01/01/96 não mais se sujeitarem à tributação, essa compensação foi impossível. Sendo assim, o valor em questão constituise em crédito para a recorrente e entendo correto o procedimento por ela adotado. A decisão no processo de consulta foi na mesma linha: [...] Em síntese, estamos diante da seguinte situação: a) a legislação, ao determinar que o imposto de fonte incidente sobre rendimentos recebidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real seja compensado com o imposto retido sobre a redistribuição de rendimentos, indica que o ônus do imposto deve ser suportado pelo beneficiário final, ou seja, o sócio pessoa física ou pessoa jurídica não tributada pelo lucro real; b) a não incidência do imposto sobre lucros e dividendos distribuídos, a partir de 01/01/96, introduzida pela Lei no 9.249/95, impossibilita, à pessoa jurídica tributada pelo lucro real que não possui mais lucros distribuíveis sujeitos á tributação, a compensação do imposto de fonte sobre dividendos recebidos; todavia, no caso em exame, tal pessoa jurídica é que arcou com o encargo financeiro deste pagamento; c) os dividendos recebidos não são tributáveis pelo imposto de renda, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real; portanto, o imposto de renda respectivo não é ônus tributário de responsabilidade desta pessoa jurídica; d) em situação análoga, a IN SRF 139/89 determinou que, ocorrendo a impossibilidade de compensação do imposto de renda retido sobre dividendos recebidos , o valor do imposto remanescente poderá ser compensado com o imposto de renda incidente sobre o lucro real da pessoa jurídica; [...] Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito adicional correspondente ao IRRF sobre dividendos no valor original de R$ 123.514,10 em maio/1995; atualizado até 31/12/1995 para R$ 135.320,11. Deve ser levado a indicação feita no Acórdão 140200.070 quanto à utilização parcial desse montante: Fl. 936DF CARF MF 6 [...] Verifico pelo demonstrativo de fls. 4 do processo 13603.000157/200187, anexo ao presente, que a contribuinte baixou em abril de 98 o valor original de R$ 10.335,67 (16.001,68 com juros) e em maio de 98, o valor de R$ 7.279,79 (11.395,05 com juros), restando em 31.12.2000, o valor de R$ 117.704,65 (sem o acréscimo da selic). [...] Sendo assim, o valor do crédito remanescente é R$ 117.704,65. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900275/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.699
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T17:47:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T17:47:07Z; Last-Modified: 2017-08-11T17:47:07Z; dcterms:modified: 2017-08-11T17:47:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T17:47:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T17:47:07Z; meta:save-date: 2017-08-11T17:47:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T17:47:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T17:47:07Z; created: 2017-08-11T17:47:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T17:47:07Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T17:47:07Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900275/201359 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.699 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 75 /2 01 3- 59 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.733, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10830.900275/201359 Acórdão n.º 3301003.699 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000100/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
CIDE-ROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA.
A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza técnica, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE.
CIDE-REMESSA. BASE DE CÁLCULO.. VALOR DA REMESSA AO EXTERIOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCLUSÃO DE OUTROS TRIBUTOS
A base de cálculo da contribuição deve entendida como o valor utilizado nos contratos de câmbio que possibilitaram o adimplemento da obrigação contratual pela fonte pagadora, sem a inclusão de quaisquer tributos por ausência de previsão legal. O artigo 725, do RIR/99, não se aplica à contribuição em comento, eis que não há aplicação subsidiária entre as normas atinentes aos dois tributos.
Numero da decisão: 3401-003.800
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, quanto à base de cálculo, e o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, quanto à incidência e à base de cálculo da contribuição.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 CIDEROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA. A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza técnica, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE. CIDEREMESSA. BASE DE CÁLCULO.. VALOR DA REMESSA AO EXTERIOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCLUSÃO DE OUTROS TRIBUTOS A base de cálculo da contribuição deve entendida como o valor utilizado nos contratos de câmbio que possibilitaram o adimplemento da obrigação contratual pela fonte pagadora, sem a inclusão de quaisquer tributos por ausência de previsão legal. O artigo 725, do RIR/99, não se aplica à contribuição em comento, eis que não há aplicação subsidiária entre as normas atinentes aos dois tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, quanto à base de cálculo, e o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, quanto à incidência e à base de cálculo da contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 00 /2 01 0- 91 Fl. 441DF CARF MF 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por Portugal Telecom Inovação Brasil Ltda (fls 374 e seguintes), contra decisão da 2ª Turma, da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Juiz de Fora (MG), que considerou improcedente, as razões da Recorrente, sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRJ/SPO, em 31/05/2010, referente aos valores não declarados e não recolhidos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Remessas ao Exterior ("CIDERoyalties"), referente a fatos geradores ocorridos no período de Julho/2005 a Dezembro/2006. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 239 e seguintes) de R$ 1.180.005,14 (um milhão, cento e oitenta mil, cinco reais e quatorze centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 2.614.785,76 (dois milhões, seiscentos e quatorze mil, setecentos e oitenta e cinco reais e setenta e seis centavos) Em síntese, destacamos abaixo as razões que levaram ao lançamento de ofício (fls 219 e seguintes): Conforme atestam os documentos de fls. 18 a 22, a Portugal Telecom Inovação Brasil Ltda (convenente) e Portugal Telecom Inovação S.A (conveniada) celebraram, em 31 de agosto de 2004, um Convênio de Cooperação Técnica, tendo como objetivo "o fornecimento de cooperação técnica especializada de Telefonia Móvel Celular, objetivando a orientação, capacitação e adequação do pessoal técnico da convenente através de técnicos da conveniada, que resultem em maior eficiência na prestação de serviços de telecomunicações e na obtenção de vantagens competitivas para os clientes que venham a adquirir os serviços desenvolvidos pela convenente, adequando novas tecnologias e adaptando as melhores práticas mundiais desta área ainda pouco desenvolvida no Brasil"; Para os serviços objeto do referido Convênio (Serviços Técnicos Especializados) obtevese, junto à Diretoria de Contratos de Tecnologia e Outros Registros do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) , os certificados de Averbação n° 041018/01, 041018/02 e 060444/01, tendo como cedente dos serviços a Portugal Telecom Inovação S/A e como cessionária a Portugal Telecom Inovação Brasil Ltda.; Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 426 3 A Lei 10.332, de 19 de dezembro de 2001, alterou o artigo 2° e parágrafos da Lei 10.168/00, incluindo como passíveis de retenção da CIDE, a partir de 10 de janeiro de 2002, os serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior; A Lei 10.168/00, após as alterações introduzidas pela Lei 10.332/01, se calou a respeito da necessidade de averbação no INPI do contrato que versa sobre o serviço técnico. Extraise desta alteração que pretendeu o legislador incluir dentro dos pagamentos sujeitos à incidência da CIDE todas as remunerações de serviços técnicos, inclusive aquelas onde não ocorre a transferência de tecnologia; Portanto, ainda que não obtivesse o Certificado de Averbação perante o INPI, a CIDE incidiria sobre os pagamentos relativos aos serviços relacionados ao Convênio de Cooperação Técnica entre Portugal Telecom Inovação Brasil, Ltda e Portugal Telecom Inovação, S.A; Durante o período fiscalizado, a Portugal Telecom Inovação Brasil, Ltda remeteu ao exterior, a titulo de pagamento de serviços técnicos/assistência técnica, os valores evidenciado na tabela abaixo (...); Embora o contribuinte tenha demonstrado o recolhimento do IRRF à aliquota de 15%, exceto na remessa de 06/04/2005 para a qual utilizou a aliquota de 25%, o correto enquadramento das operações enseja o recolhimento, além do IRRF à aliquota de 15%, da CIDE Remessas à aliquota de 10%, razão pela qual procedemos aos respectivos lançamentos, que estão demonstrados no quadro a seguir (...) Neste sentido, a Fiscalização constatou o seguinte: Durante o período fiscalizado, a Portugal Telecom Inovação Brasil, Ltda remeteu ao exterior, a titulo de pagamento de serviços técnicos/assistência técnica, os valores evidenciados na tabela abaixo: Considerações referentes à tabela acima: Fl. 443DF CARF MF 4 A. A operação de 06/04/2005 referese ao contrato de câmbio n° 05/027549 (fls. 28 a 30), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação relativa à natureza da operação cambial, conforme o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), foi a 457115009590 (serviços diversos exportação/importação de serviços outros serviços técnicos profissionais). B. A operação de 28/06/2005 referese ao contrato de câmbio n° 05/053550 (fls. 32 a 34), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação utilizada quanto à natureza da operação cambial foi a 4571150 09590 (serviços • diversos exportação/importação de serviços outros serviços técnicos profissionais). 1110 Relacionase às Propostas de Fornecimento n° 7050024139 e 7081030002 (fls. 76 a 97) e ao pagamento das faturas n° 1200009316 e 1200010462 (fls. 57/58), no escopo do Convênio de Cooperação Técnica entre a fiscalizada e a Portugal Telecom Inovação, S.A. C. A operação de 10/08/2005 referese ao contrato de câmbio n° 05/066322 (fls. 36/37), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação utilizada quanto à natureza da operação cambial foi a 4564950095 90 (serviços diversos exportação/importação de serviços serviços de assistência técnica). Relacionase à Propostas de Fornecimento n° 701040656 (fls. 72 a 75) e ao pagamento da fatura n° 1200012846 (fls. 101), no escopo do Convênio de Cooperação Técnica entre a fiscalizada e a Portugal Telecom Inovação, S.A. D. A operação de 27/12/2005 referese ao contrato de câmbio n° 05/105993 (fls. 39 a 41), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação utilizada quanto à natureza da operação cambial foi a 4564950 09590 (serviços diversos exportação/importação de serviços serviços de assistência técnica). Relacionase, também, à Propostas de Fornecimento n° 701040656 (fls. 72 a 75) e ao pagamento da fatura n° 1200012846 (fls. 66), no escopo do Convênio de Cooperação Técnica entre a fiscalizada e a Portugal Telecom Inovação, S.A. E. A operação de 27/07/2006 referese ao contrato de câmbio n° 06/059569 (fls. 107/108), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação utilizada quanto à natureza da operação cambial foi a 4564950 09590 (serviços diversos exportação/importação de serviços serviços de assistência técnica). Relacionase à Proposta de Fornecimento n° 701050650 (fls. 118 a 125) e ao pagamento da fatura n° 5150001315 (fls. 45), no escopo do Convênio de Cooperação Técnica entre a fiscalizada e a Portugal Telecom Inovação, S.A. F. A operação de 27/07/2006 referese ao contrato de câmbio n° 06/087804 (fls.143 a 145), que tem como recebedor no exterior a Portugal Telecom Inovação, S/A. A codificação utilizada quanto à natureza da operação cambial foi a 4564950 09590 (serviços diversos exportação/importação de serviços serviços de assistência técnica). Relacionase, também, à Proposta de Fornecimento n° 701050650 (fls. 118 a 125) e ao pagamento da fatura n° 5150001315 (fls. 45), no escopo do Convênio de Cooperação Técnica entre a fiscalizada e a Portugal Telecom Inovação, S.A. Embora o contribuinte tenha demonstrado o recolhimento do IRRF à aliquota de 15%, exceto na remessa de 06/04/2005 para a qual utilizou a aliquota de 25%, o correto enquadramento das operações enseja o recolhimento, além do IRRF à aliquota de 15%, da CIDE Remessas à aliquota de 10%, razão pela qual procedemos aos respectivos lançamentos, que estão demonstrados no quadro a seguir: Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 427 5 Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 04.06.2010, e interpôs impugnação, em 05.07.2010 (fls.240 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: 1. Apesar dos documentos apresentados pela Impugnante, a Autoridade Autuante deixou de efetuar uma análise aprofundada dos contratos celebrados entre a Impugnante e a empresa Portugal Telecom Inovação S/A, razão pela qual lavrou a autuação fiscal sem qualquer comprovação sobre a efetiva ocorrência de transferência de tecnologia, requerendo, pois, sua nulidade; 2. Que a Autoridade Autuante constituiu o crédito tributário impugnado sem analisar em profundidade os documentos fornecidos, o que configura mera presunção e não atendimento ao principio da verdade material; 3. Ressalta que os contratos celebrados com a empresa Portugal Telecom Inovação S/A demonstram que as remessas de valores para o exterior foram realizadas à titulo de aquisição de software importados, não havendo que se falar na incidência da CIDE; 4. Que no caput do art. 2°, da Lei n° 10.168/2000, instituidora da Contribuição de Intervenção de Domínio, esta claro que a CIDE somente será devida pela pessoa jurídica que detiver licença de uso, adquirir conhecimento tecnológico e ser signatária de contrato que implique transferência de tecnologia; 5. Já a partir de janeiro de 2002, em razão da alteração advinda na Lei n° 10.168/2000 em razão da Lei n° 10.332/01, a CIDE passou a ser devida também sobre serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, bem como royalties a qualquer titulo (art. 2°, § 2°), mas sempre consideradas a partir das hipóteses acima prescritas. Vejamos: § 2o A partir de 10 de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput o passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) Sendo assim, o referido parágrafo 2° não possibilita a tributação sobre remunerações a residentes ou domiciliados no exterior que não tenham referência à tecnologia. Com a alteração realizada pela Lei n° 10.332/01, a CIDE onera sim as remunerações a residentes no exterior em razão de serviços técnicos, assistência administrativa e semelhantes e "royalties" a qualquer titulo, mas apenas guando envolvam a transferência ou aquisição de tecnologia. Sem que tal ocorra, não há incidência do tributo. 6. Faz menção a Lei Complementar n° 95/98, que trata da elaboração e redação das normas. Neste sentido, destaca que o art 11, Inc III, “c”, do mencionado Fl. 445DF CARF MF 6 dispositivo legal, determina a função de um parágrafo, qual seja: expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida. Assim, não teria um parágrafo o escopo de criar uma outra regra de mesma estatura que o "caput", estabelecendo, p. ex., uma nova hipótese de incidência, mas apenas complementar o que está no "caput" e trazer exceções a ele; 7. Com isso, não só contratos de licença de uso ou aquisição de tecnologia, de exploração de patentes e de prestação de assistência técnica, mas também contratos de serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes e "royalties" a qualquer titulo, desde que impliquem transferência ou aquisição de tecnologia, estarão submetidos à CIDE. Ainda, cumpre destacar que o § 1º do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000 acrescenta o que se considera contrato de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica, in verbis (...) 8. A esse respeito, forçosa é a conclusão no sentido de que as remessas ao exterior que poderão ser tributadas pela CIDE são somente aquelas relativas as previsões legais de sua incidência, quais sejam: (i) deter licença de uso; (ii) adquirir conhecimentos tecnológicos; e, por fim, (iii) ser signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia; 9. Por fim, de forma a evidenciar quais são as hipóteses de incidência da CIDE, foi editado o Decreto n°4.195, de 11 de abril de 2002, que, em consonância com a Lei n° 10.168/00, assim regulamenta a incidência em questão (...) 10. Defende que, diante dos contratos apresentados pela Impugnante, as remessas de valores ao exterior, objetos do Auto de Infração, ocorreram em razão do pagamento pela aquisição de software, e que não se enquadram em nenhuma das hipóteses de incidência da CIDE, uma vez o software é um bem, como qualquer outro, e a importação de bens não gera a incidência da CIDE; a. Que houve equívoco na fixação da base de cálculo da CIDE, uma vez que sua base de cálculo não é o valor do crédito a que tem direito o residente ou domiciliado no exterior, ou seja, o valor da sua receita ou remuneração, constante do contrato, mas sim o montante efetivamente recebido por ele, por uma das hipóteses contidas no parágrafo 30 do artigo 2° da Lei n° 10.168/00; b. Que na situação objeto do Auto de Infração, a lmpugnante efetuou remessas ao exterior, razão pela qual deveria, então, ter sido verificado qual o valor efetivamente remetido ao residente ou domiciliado no exterior. Neste sentido, os valores remetidos ao exterior não incluem o IR retido na fonte, pois esse é recolhido ao Erário. Assim, a base de cálculo da CIDE não é a mesma do IRRF, como entenderam erroneamente a Fiscalização, mas sim o valor liquido desse imposto, pois esse montante é que foi remetido ao exterior; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 428 7 11. Assim, verificandose a indevida apuração da base de cálculo da CIDE incidente sobre as remessas efetuadas pela Impugnante, não pode prosperar a base de cálculo eleita pela Fiscalização, já que em flagrante divergência da base de cálculo determinada pela lei (art. 2°, § 3°, da Lei n° 10.168/00); 12. Pede seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente, tendo em vista a nulidade da referida autuação pelos motivos acima demonstrados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0957.316, exarado pela 2ª Turma, da DRJ/JFA, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 FATO GERADOR O fato gerador da CIDE não depende da transferência de tecnologia, quando proveniente de importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto a prestação de assistência técnica ou de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes. INCIDÊNCIA. PROVAS Os registros de operações de câmbio do SISBACEN, o contrato, as faturas, as propostas de fornecimento no escopo do convênio celebrado pelas empresas, entre outros documentos acostados ao processo pela Fiscalização, mostramse suficientes para enquadramento em hipótese de incidência da CIDEremessas. BASE DE CÁLCULO O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE remessas), ainda que a fonte pagadora tenha assumido o ônus do imposto. Destaquese que, no caso analisado não houve a assunção do ônus do imposto pela fonte pagadora brasileira que agiu como contribuinte substituto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade do auto de infração. Fl. 447DF CARF MF 8 Impugnação Improcedente Dessa decisão, importante destacar os seguintes trechos (fls. 349 e seguintes). Quanto à nulidade do Auto de Infração, restou decidido que: "Verificase que o Auto de Infração em questão foi lavrado por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, portanto, norteado dentro do Princípio da Legalidade. Constatase que a descrição dos fatos, o Termo de Verificação Fiscal e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa da autuação e a sistemática aplicável à constituição do crédito. (...) Entre o relato da autuante e os argumentos de defesa existem três pontos cruciais que devem ser respondidos para solução da lide: " 1) Há necessidade de transferência de tecnologia para ocorrer a incidência da CIDE? (...)Em que pese o discurso da contribuinte, para sustentar que um parágrafo, não tem por escopo criar uma outra regra de mesma estatura que o caput e que o parágrafo sempre se reportar ao caput, percebese na alteração do § 2º e inclusão do § 3º, efetivada pela Lei 10.332/2001, acima reproduzidos, é a amplificação da abrangência da incidência da CIDE inserida inicialmente no caput do art. 2º da Lei 10.168/2000. No § 2º, está clara referida amplificação no trecho “... a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também ...” , ou seja, além das hipóteses de incidência do caput passam a coexistir as outras que foram inseridas no referido parágrafo e nessas outras não há a obrigatoriedade de transferência de tecnologia. Já o § 3º, ratifica está amplificação ao determinar que “a contribuição incidirá (...) decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo”. Existe aqui clara distinção entre as obrigações decorrentes do caput e aquelas decorrentes do § 2º, ou seja; não há dependência entre as hipóteses de incidência constantes do caput e do § 2º. Para elucidar a questão, regulamentando o disposto nas Leis 10.168/2000 e Lei 10.332/2001, foi editado o Decreto nº 4.195/2002, que assim dispõe: Art.10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; IIprestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; IIIserviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IVcessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Observese que, no artigo 10 do Decreto acima reproduzido, somente o inciso I se reporta ao fornecimento de tecnologia, nos demais incisos não há qualquer menção à necessidade de transferência de tecnologia para incidência da CIDE, ratificando tudo que até aqui foi exposto. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 429 9 Portanto, nas hipóteses do § 2º do artigo 2º da Lei 10.168/2000 com alteração produzida pela Lei 10.332/2001, não há necessidade de transferência de tecnologia para que ocorra a incidência da CIDE. 2) A compra de software não é alcançada pela CIDE? (...) 3) A base de cálculo da CIDE é o valor bruto ou o valor líquido da operação? Sobre a matéria, transcrevo o entendimento da RFB, expresso na solução de divergência abaixo transcrita, que vincula este colegiado de 1ª instância administrativa. SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 17, DE 29/06/11(DOU de 05/07/2011) ASSUNTO: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE EMENTA: BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF (...)Portanto, segundo a solução de divergência, o valor do IRRF, ainda que assumido pela fonte pagadora brasileira, deve compor a base de cálculo da CIDE remessas. Destaquese que, no caso em questão, não houve a assunção do ônus do imposto pela pagadora brasileira que efetivou o recolhimento como contribuinte substituto.(...) Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 12.02.2016, que veio a repetir os argumentos apresentados na Impugnação e apresentar, ainda, o abaixo destacado (fls 375 e seguintes): Fl. 449DF CARF MF 10 1. Deveria ser nulo do Auto de Infração em razão da não comprovação da efetiva ocorrência dos Fatos Geradores da CIDE, vez que não houve, por parte da autoridade lançadora a efetiva comprovação da realização das operações de importação das mercadorias, sem transferência de tecnologia; 2. A leitura que se deve ter do artigo 2º, da Lei Federal 10.168/200, atualizada pela Lei Federal 10.332/2001, é de que para fins da incidência da contribuição, a previsão e efetiva transferência de tecnologia nas operações elencada na norma é condição sine qua non; 3. Aduz que a base de cálculo da CIDERoyalties deve ser o efetivo montante recebido pelo beneficiário no exterior, não havendo espaço normativo para a inclusão do IRRF. Cita jurisprudência desse colegiado, conforme abaixo: BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO O Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária. (CARF 3ª Seção Acórdão 3401002.539. 4ºCâmara. 1ª Turma. Rel. Cons. Fernando Marques Cleto Duarte. Sessão de 26.03.2014) Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 430 11 Voto Conselheiro Relator Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de modo que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide em duas partes distintas: 1. A amplitude do fato gerador da contribuição de intervenção no domínio econômico 2. A metodologia de cálculo mais adequada a ser utilizada para apuração da base imponível Assim, passarei a examinálas individualmente a seguir. I. Sobre a amplitude da incidência da CIDERoyalties A Contribuição Social de Intervenção de Domínio econômico para custear o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (CIDE Royalties) foi criada pela Lei Federal 10.168/2000, posteriormente alterada pela Lei Federal 10.332/2001. Nos termos do artigo 2º1 da Lei, a incidência da dita contribuição recai sobre as seguintes remessas ao exterior referentes às seguintes transações: 1 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Fl. 451DF CARF MF 12 (a) Contratos de licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput); (b) Contratos que: i. Impliquem transferência de tecnologia (art. 2º, caput), entendidos como tais aqueles contratos relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica (art. 2º, § 1º); ou ii. Tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa prestados por residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º); (c) Contratos que impliquem pagamento de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º) Na regulamentação do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação e da incidência da respectiva contribuição de custeio, assim ficaram definidas as hipóteses de incidência: Art.10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Conforme se nota, há diferenças entre o texto da Lei e o texto do Decreto, contudo entendo que não há conflito semântico entre as duas normas. Isto porque, o parágrafo segundo do artigo 2º, da Lei Federal 10.1168/2000, foi introduzido pela Lei Federal 10.332/2001 para acrescentar novos fatos geradores da contribuição interventiva: § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2odeste artigo (...) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 431 13 1. Remuneração por serviços técnicos; 2. Remuneração por serviços de assistência administrativa e semelhantes; 3. Royalties, a qualquer título. Tais novos fatos geradores não se apresentam submetidos às condições previstos no caput, são autônomos em sua própria definição não guardando dependência do fato gerador previsto originalmente no caput. Em sentido oposto é a tese da Recorrente a respeito da necessidade de haver transferência de tecnologia em tais rubricas para que seja passível de incidência da contribuição. Para tanto, menciona a Lei Complementar nº 95/1998 – que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis – especialmente seu artigo 11, III2, para dizer que as normas inseridas nos parágrafos, por serem complementares ou exceções, devem se submeter às condições previstas no caput. Todavia, com todo respeito a tal compreensão, minha intepretação sobre o aludido artigo 11 é diferente. O fato de aos parágrafos ser permitido, em relação ao caput de referência, haver de complementariedade e exceção, já demonstra que seria absolutamente possível admitir que um parágrafo, principalmente quando não faz parte do texto original da norma, venha a acrescer um novo fato gerador dissociável do objeto previsto no caput desde que obedecendo à uniformidade temática a que se refere a norma. Um bom exemplo disso, na própria norma impugnada, é o parágrafo 1A, do mesmo artigo 2º da Lei Federal 10.168/2000, que foi introduzido somente em 2007 pela Lei Federal 11.452/2007: §1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. O artigo foi introduzido justamente para criar uma exceção à regra prevista no parágrafo 2º, ora em análise, de modo a restringir a incidência da CIDERoyalties aos casos de pagamento pela licença de software com transferência de tecnologia. 2 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Fl. 453DF CARF MF 14 Se adotássemos o entendimento exposto pela Recorrente, a introdução de tal parágrafo seria absolutamente irrelevante, o que não é o caso. Diante disso, a concomitância entre fatos geradores com ou sem transferência de tecnologia revelase aderente à literalidade do texto. Se, consoante a leitura do Decreto presidencial que regulamentou a matéria veremos que, mediante interpretação literal e sistemática, esse apenas confirma que existe a hipótese, plenamente prevista, de que a remuneração pelos serviços técnicos é fato gerador da CIDERoyalties independentemente de haver transferência de tecnologia. Como consequência, acaba por estar também prejudicado o argumento da Recorrente – por irrelevante, diante da conclusão acima – de que o lançamento deveria ser anulado dado que a fiscalização não teria comprovado a transferência de tecnologia nos contratos em lide. Diante disso, não assiste razão ao contribuinte em relação à inexistência de fato gerador sobre as remessas objeto do lançamento de ofício. II. Da base de cálculo da CIDERoyalties Aproveitando ainda a Lei Complementar nº 95/1998, referente ao mesmo artigo citado, notase que a ordem e disposição de artigos e parágrafos em um texto legal devem observar regras objetivas de forma a nortear a atividade do intérprete. De fato, os artigos são núcleos dispositivos de maneira que não é permitido tratar de dois assuntos em um único; ao passo que cabem aos parágrafos trazer complementaridade e regras de exceção ao previsto no caput do mesmo artigo. Pois bem. Tais premissas permitem inferir que a inclusão do parágrafo único ao caput do artigo 3º, da Lei Federal 10.168/2002 teve o objetivo de complementar a afirmação do caput sobre a responsabilidade da RFB na administração e fiscalização do tributo – diferentemente do que acontecia com outras CIDE´s como AFRMM – apenas quer deixar claro que a contribuição social estará sujeita às mesmas regras e ritos atinentes ao processo administrativo fiscal como também sujeitarseá aos acréscimos previstos na legislação do Imposto de Renda3, como a aplicação da Taxa SELIC e às multas de ofício previstas na Lei Federal 9.430/1996. Do contrário, estaríamos admitindo que um artigo, que trata da administração tributária no caput, trata no seu parágrafo único, de base de cálculo do tributo. Seria uma irracionalidade admitir que o legislador pretendesse, a despeito de norma orientadora sobre redação legislativa, afastarse tanto dos seus ditames e da própria sintaxe. Em suma, não há aplicação subsidiária plena da legislação do IRPJ em relação à CIDERoyalties, mas tãosomente no que tange à matéria prevista no caput do artigo 3º, qual seja, a administração e fiscalização do tributo. Superada essa questão, e sendo certo que o parágrafo único, do artigo 3º, da Lei Federal 10.168/2000, não trata do fato gerador da CIDERoyalties, mas somente da 3 Até mesmo porque, em uma análise mais detida, verificase o cuidado do legislador ordinário, até então, de, a cada tributo federal, deixar claro o fator de ajuste moratório do crédito tributário recolhido a destempo. É o que se denota, por exemplo, do Regulamento do IPI de 1998, que se preocupou em deixar clara a atualização pela SELIC, no seu artigo 444. Mesma observação quanto às multas de ofício, que, criadas pela Lei Federal 9.430/1996, Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16643.000100/201091 Acórdão n.º 3401003.800 S3C4T1 Fl. 432 15 administração do tributo, a utilização dos ditames do artigo 725 do RIR/99 para fins de apuração da base de cálculo da contribuição é uso indevido de analogia pela autoridade que lançou o tributo. Ressaltese que a base a base de cálculo de tributo é, notadamente, tratada como o aspecto quantitativo do fato gerador, portanto dele se integra. Sendo lhe parte integrante, aplicase restrição expressa ao uso da analogia de que trata o parágrafo 1º, do artigo 108, do CTN. Dito isso, repilo a aplicação da legislação do imposto de renda para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, devendome ater meramente à análise dos marcos normativos da CIDERoyalties quanto à base imponível. A Lei Federal 10.168/2000 previu que: Art. 2º (...) §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo Não deveria haver muitas dúvidas sobre o que significam os verbos “pagar”, “creditar”, “entregar”, “empregar” ou “remeter”. Todos eles se encontram em um único núcleo semânticojurídico: uma obrigação de dar. Porém, a incidência se constituirá por qual valor? (i) O valor dispendido pelo contribuinte para viabilizar o pagamento; ou (ii) o valor recebido pelo beneficiário no exterior? Creio que seja a segunda alternativa. A legislação, ao consolidar no mesmo campo semântico “valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos”, reconheceu que o valor a ser usado como base da contribuição deve ser aquele atinente ao fim do processo do adimplemento da obrigação de dar, ou seja, o valor adimplido é aquele que foi “entregue” ou “remetido” ao beneficiário. Daí não assistir razão à tese de que o “valor bruto da remessa”, com a inclusão de IRRF ou quaisquer outros valores, deve ser utilizado para apuração do tributo. Por quê? Porque, não bastasse à sinonímia dada aos termos pago/entregue/remetido, em nenhum momento, a legislação foi expressa ou ao menos permitiu essa interpretação. Se essa fosse a vontade do legislador, que exprimisse tal dispositivo de forma clara e inequívoca. Como visto antes, a única forma de se atingir tal entendimento foi através da aplicação subsidiária, ora reputada, e análoga e, por isso, vedada , do artigo 725, do RIR/1999. Diante disso, entendo que a base de cálculo da CIDERoyalties a ser consideradas nas operações em análise deve ser aquela representada pelos contratos de câmbio Fl. 455DF CARF MF 16 utilizados para viabilizar a efetiva entrega, remessa, pagamento aos beneficiários domiciliados no exterior. Relator Tiago Guerra Machado Relator III. CONCLUSÕES Em síntese, conheceuse do Recurso Voluntário e, por maioria de votos, deu se parcial provimento, apenas para afastar da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida, quanto à base de cálculo, e o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, quanto à incidência e à base de cálculo da contribuição. Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900738/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 38 /2 01 3- 90 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10805.900738/201390 Acórdão n.º 3201003.114 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.977, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10805.900738/201390 Acórdão n.º 3201003.114 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10805.900738/201390 Acórdão n.º 3201003.114 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
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