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Numero do processo: 12466.722554/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.293
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 22 55 4/ 20 14 -8 7 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 12466.722554/201487 Resolução nº 3301000.293 S3C3T1 Fl. 686 2 Relatório O presente auto de infração trata de procedimento de fiscalização que concluiu pela prática de interposição fraudulenta na importação. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, fls. 4 e seguintes, a fiscalização aponta que a importadora PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior. Especificamente neste auto de infração foi analisada a declaração de importação DI n° 11/01745969 de 28/01/2011, fl. 422. Foram efetuadas intimações e diligências fiscais tanto na empresa PORTES BR como em sua associada HMG LTDA, CNPJ n° 05.007.004/000115. Com base nesse conjunto probatório, a fiscalização aplicou às autuadas a pena de perdimento pela presunção da interposição fraudulenta na importação prevista no art. 23, V, §2° do Decretolei nº 1.455/76, bem como pela utilização de documento falso nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro – Decreto n° 6.759/09. As empresas HMG LTDA e a encomendante GLOBAL POWER SYSTEMS COMERCIO DE PRODUTOS NAUTICOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (anterior FICHER PANDA DO BRASIL COMERCIO DE GERADORES LTDA) foram autuadas como responsáveis solidárias através dos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA de fls. 82 e 83, respectivamente. A autuação totalizou o valor de R$ 687.090,89. Considerando que as mercadorias já foram consumidas, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos termos do §3º do mesmo art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins de Inaptidão do CNPJ da empresa PORTES BR através do processo administrativo n° 12466.722442/201473, apenso a este processo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais contra as empresas autuadas e seus sócios através do processo administrativo n° 12466.722563/201478, apenso a este processo. Intimadas do Auto de Infração, as empresas PORTES BR e HMG LTDA não apresentaram impugnação, sendo lavrados os respectivos Termos de Revelia nas fls. 609 e 610 deste processo. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 12466.722554/201487 Resolução nº 3301000.293 S3C3T1 Fl. 687 3 Intimada do Auto de Infração em 25/02/2015, (fl. 491), a autuada GLOBAL POWER SYSTEMS COMERCIO DE PRODUTOS NAUTICOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou impugnação e documentos em 25/03/2015, juntados às fls. 500 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a existência de processo judicial de cobrança com pedido de nulidade e inexigibilidade de título e rescisão contratual contra a empresa PORTES BR. Alega a instauração de inquérito policial na área criminal com a impugnante como vítima e a importara PORTES BR como averiguada. Alega que ambos os procedimentos visam apurar a falta de pagamento ao exterior de valor relativo a câmbio de importação por parte da PORTES BR. 2. Apresenta documentação relativa às três importações e respectivos registros contábeis. 3. Requer, por fim, que seja anulada a condição de sujeito passivo solidário sobre a impugnante. A DRJ/São Paulo/SP considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 28/01/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A responsável solidária apresentou recurso voluntário onde repete as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 12466.722554/201487 Resolução nº 3301000.293 S3C3T1 Fl. 688 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. A responsável solidária GLOBAL POWER SYSTEMS apresentou recurso voluntário tempestivo e dele conheço. No processo em análise não há controvérsia acerca da existência ou não de interposição fraudulenta de terceiros na importação. Em nenhum momento houve impugnação ou recurso voluntário da importadora PORTES BR LTDA ou da empresa HMG LTDA, considerada pela fiscalização como a grande financiadora das operações da empresa PORTES BR LTDA. Já a responsável solidária GLOBAL POWER SYSTEMS alega que em nenhum momento participou ou teve conhecimento da interposição fraudulenta de terceiros perpetrada por PORTES BR, tendo inclusive um processo criminal contra a importadora, não podendo ser elevada à condição de responsável solidária. Entretanto, é fato que a habilitação para importação por encomenda depende necessariamente da anuência da empresa encomendante, nos termos da IN SRF n° 634 de 2006. Assim dispõem os artigos 2° e 3° do referido diploma legal: “Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda.” Constatase na declaração de importação em tela, que a empresa GLOBAL POWER SYSTEMS consta como encomendante. O sistema SISCOMEX não permite que tal Fl. 688DF CARF MF Processo nº 12466.722554/201487 Resolução nº 3301000.293 S3C3T1 Fl. 689 5 condição ocorra sem a prévia habilitação da empresa encomendante e sua vinculação na condição de encomendante ao CNPJ da empresa importadora, no caso, a PORTES BR. É fato que a responsabilidade solidária da encomendante decorre de sua participação direta na operação de importação nos termos do art. 95, I do Decretolei n° 37/66. Foi a recorrente que selecionou a mercadoria a ser importada, efetuou cadastramento no SISCOMEX, elegeu a importadora para a realização da operação e forneceu documentos. Entretanto, analisando todas as provas e fatos do processo, há dúvida se o ambiente em que atuou a empresa, aqui solidária, GLOBAL POWER SYSTEMS é o mesmo em que ocorria a interposição fraudulenta perpetrada por PORTES BR e HMG. É possível que a responsável solidária não tenha a participação direta e nem o interesse comum exigido por lei para que se caracterize a responsabilidade solidária. Portanto, voto pela conversão do julgamento do processo em diligência para que a unidade de origem: a) Anexe ao processo o requerimento da encomendante, onde esta indica o nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado, tudo isso, para fins de caracterização da vinculação necessária entre GLOBAL POWER SYSTEMS e PORTES BR na operação em análise. Que a recorrente seja cientificada dessa decisão e do relatório final resultante da diligência e possa, apresentar sua manifestação. Ao final, seja o processo encaminhado para julgamento no CARF. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 689DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.724019/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO PSICOTERÁPICO. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE A AFASTAR A GLOSA EFETUADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes.
O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a glosa efetuada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário., mantendo-se a exigência fiscal.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO PSICOTERÁPICO. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE A AFASTAR A GLOSA EFETUADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a glosa efetuada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário., mantendo-se a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha.
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DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO PSICOTERÁPICO. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE A AFASTAR A GLOSA EFETUADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a glosa efetuada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário., mantendose a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 40 19 /2 01 1- 81 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PASCHOAL MILANI NETO, contra o acórdão de julgamento n.º 1642.884, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (20ª Turma da DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado, referente à glosa de R$6.000,00 (seis mil reais). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 07/11 (numeração digital),referente ao exercício 2009, ano calendário 2008, na qual lhe reduz o saldo de imposto a restituir conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto a Restituir declarado 6.101,46 Imposto a restituir ajustado no lançamento 4.451,46 Imposto já restituído 0,00 Saldo de Imposto a Restituir 4.451,46 Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/09),a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: Despesas Médicas: Glosados R$ 6.000,00 indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, pela não comprovação das despesas, embora intimada para tanto. Enquadramento legal: art. 8º, inciso II, alínea “a”, e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da IN SRF nº 15/2001; arts. 73, 80 e 83, do RIR/99. 2. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 03, juntamente com o documento de fls.04, alegando que não houve dedução indevidas por falta de comprovação do efetivo desembolso, porque a comprovação está em cada recibo emitido pelo profissional que efetivamente prestou o serviço (serviço de atendimento psicológico, com as datas das sessões informadas, dia a dia, mês a mês, inclusive com declaração da profissional). Sendo os recibos emitidos de acordo com os requisitos exigidos pela legislação, comprovam os valores deduzidos e não há prova de infração cometida. Requer prioridade no julgamento, com base no Estatuto do Idoso". O acórdão de impugnação não aceitou o conjunto de provas trazido ao processo administrativo, por entender que não satisfazem os requisitos legais para afastar a glosa lançada, e que não houve esclarecimentos sobre a prestação de serviços psicoterápicos feitos por Eleney Bulnemer, CRP n.º , julgandoa improcedente , onde transcrevo parte da decisão: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 66 3 Nenhum documento comprobatório do efetivo pagamento das despesas glosadas foi trazido na impugnação, que trouxe apenas os mesmo recibos já apresentados e declaração da profissional prestadora de serviços relacionados na DIRPF do contribuinte. Quando formalmente intimado, é ônus do contribuinte provar que as despesas (fatos econômicos) ocorreram, não sendo bastante apresentar apenas os recibos, restringido sua prova à existência de fatos jurídicos, como já exposto. No caso em pauta, o procedimento fiscal explicou ao contribuinte, com detalhes, vários dos possíveis meios de prova da efetividade dos tratamentos e do pagamento das despesas glosadas (Termo de Intimação Malha Fiscal PF, fls.35), não tendo o contribuinte comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas cujas glosas foram mantidas. Desta forma, para que o interessado pudesse usufruir da dedução permitida em lei, deveria provar o pagamento e a efetividade dos serviços prestados. Tal seria possível mediante a apresentação, de um lado, de cópias de cheques, extratos bancários demonstrando saques em datas próximas/coincidentes com as datas das consultas/tratamentos e, de outro, de laudos técnicos atestando o serviço prestado, entre outros documentos, o que, entretanto, não ocorreu. Na busca da verdade material, princípio este vinculado ao processo administrativo fiscal, forma o julgador seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Concluindo, tendo em vista que não houve a comprovação, por parte do contribuinte, da efetiva prestação dos serviços, há que se manter a glosa da dedução pleiteada. Neste sentido é fundamental salientar que simples declaração do mesmo profissional que emitiu o recibo nada acrescenta em termos de prova da prestação dos serviços. (...) Desta forma, em face de todo o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o saldo de imposto a restituir apurado no lançamento. O recorrente, insatisfeito com a decisão proferida, apresenta recurso voluntário (fls. 56/57), e que de forma resumida, alega o seguinte: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 67 4 É o relatório. Voto Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 68 5 Conselheiro Wesley Rocha Relator A intimação do acórdão impugnação ocorreu em 28.01.2013 e o recurso voluntário foi interposto em 27/02/2013. Portanto, o referido instrumento cumpre o requisito formal de tempestividade, devendo ser conhecido. Sendo assim, passo a analisar o mérito. O acórdão proferido pela DRJ de origem não acolheu a impugnação apresentada, em razão da não existir de documentos idôneos que pudessem comprovar os efetivos pagamentos quando da realização de serviços psicoterápicos, realizados por Elney Bulemer, inscrita no CRP n.º 3552, conforme declaração juntada na fl. 04 do processo administrativo. O recorrente em sede de recurso informa três pontos que supostamente estariam provados no processo, quais sejam: i) todos os recibos de cada pagamento efetuado; ii) declaração da psicóloga confirmando que o recorrente é paciente desde 1995; e, iii) alega que indicou todos os dias e horários que ocorreram os atendimentos e consultas. Porém, de forma diversa do alegado, não se constata as afirmações citadas na demanda administrativa instaurada, a não ser a declaração da profissional já citada na fl. 04. O recorrente não juntou durante todo o processo provas de suas alegações. Cumpre esclarecer que os recibos juntados nas fls. 28/30 dizem respeito a tratamentos odontológicos, diverso da solicitação do que foi solicitado pela autoridade fiscal. Constatase, portanto, que o contribuinte, ora recorrente, não juntou recibos, cheques, transações bancárias ou qualquer que seja o meio idôneo que comprovassem os pagamentos do tratamento psicoterápico. Os documentos juntados são recibos de outras despesas médicas, havidas pelo recorrente. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art.8º, da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim transcrito: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 69 6 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Cumpre ressaltar que, o recorrente teve a oportunidade de comprovar as despesas depreendidas por pelo menos por três vezes no processo administrativo fiscal: i) no momento da notificação de lançamento (fls. 07/08) , do qual consta exatamente na descrição dos fatos, na notificação do fisco em relação à declaração de imposto de renda; ii) na intimação para prestar esclarecimentos na fl. 17, com cópia da resposta na fl. 41; iii) no recurso interposto, sendo que o contribuinte informa que possui os comprovantes de pagamentos, mas não os junta ao processo, e que por três oportunidades, devidamente intimado não o fez. Nesse sentido, o artigo 73 e § I o do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No que diz respeito aos comprovantes de pagamento, cito a Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97 dispõe o seguinte: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 70 7 II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; III data de sua emissão; e IV assinatura do prestador do serviço. Nesse sentido, o recibo juntado na fl. 28 pelo recorrente, não consta o endereço da profissional, nem seu CRP, sendo precário os documentos trazidos aos autos para satisfação de comprovação sobre o pagamento realizado. Apesar do recorrente mencionar sobre a não necessidade de apresentação de cheque nominativo, este não apresentou outra forma mencionada em seu recurso, o que inviabiliza a aceitação de suas alegações, pelas razões já expostas, durante todo o processo administrativo fiscal. Assim, concluo que não foram atendidos os requisitos legais para a concessão do benefício da dedução do imposto de renda por despesas médicas. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.724019/201181 Acórdão n.º 2301005.095 S2C3T1 Fl. 71 8 Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13606.000060/95-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 07 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.818
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Luiza Helena Galante de Moraes
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Numero do processo: 16327.902403/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 02 40 3/ 20 10 -2 2 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 407 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 10ª Turma da DRJ/SP1, em sessão de 30 de janeiro de 2014 (fls. 247/251)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, não reconhecendo o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 39364.190808.1.3.028200 (fls. 4768), em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. SALDO NEGATIVO. IRRF. O saldo negativo de IRPJ composto pela dedução do imposto de renda retido na fonte deverá estar devidamente comprovado com os informes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras, mormente nos casos em que os sistemas da RFB não registram a retenção. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção. A utilização do IRRF num PER/DCOMP impede a dupla utilização em outro PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls. 248/249): “Tratase do PER/DCOMP 39364.190808.1.3.028200 (fls. 4768) de compensação de débitos com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007. Mediante Despacho Decisório, Nº de rastreamento 863122427, datado de 19/05/2010 (fl. 42), a Deinf/SP decidiu por homologar parcialmente a compensação declarada, nos seguintes termos: Analisadas as informações (...) e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 7.213.002,90 Valor na DIPJ: R$ 7.213.002,90 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 7.213.002,90 IRPJ devido: R$ 0,00 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 408 3 Valor do saldo negativo disponível=(Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 6.541.886,77 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. O contribuinte foi cientificado da decisão em 25/05/2010 (fl.80) e apresentou, em 24/06/2010, a manifestação de inconformidade de fls.0305, com as alegações a seguir: Afirma ter sofrido diversas retenções de IRRF: prestação de serviços, demais rendimentos e rendimentos de JCP, reconhecendoas em sua contabilidade, visando beneficiarse da dedução no cálculo do imposto de renda. Aduz o interessado que, em virtude de cruzamentos sistêmicos apontados no Despacho Decisório, entre as informações sobre a origem do crédito no PER/DCOMP e DIPJ, frente às DIRFs das fontes pagadoras, não foi confirmado o IRRF no valor de R$720.644,50. O manifestante informa que, face às declarações acessórias apresentadas e uma vez que, até o momento, não logrou êxito na localização dos Informes de Rendimentos ou de outros documentos que respaldariam o procedimento da empresa, juntará posteriormente tais documentos com suas conciliações para comprovar e restaurar o crédito não homologado. Solicita o deferimento do direito creditório e a homologação da compensação dos débitos. Observase que consta dos autos cópia das fls. 34 a 192 do processo administrativo nº 16327.000385/201042, com Informação Fiscal referente à diligência realizada no PER/DCOMP 39364.190808.1.3.028200 (fls. 82244)”. Irresignado, o contribuinte apresentou MI não acolhida pela Turma a quo, na forma dos argumentos abaixo reproduzidos. “Conforme relatado, a autoridade administrativa concluiu que o saldo negativo de IRPJ reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação, o contribuinte alega basicamente não ter localizado os Informes de Rendimentos que respaldariam o procedimento da empresa. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 409 4 De acordo com a Análise de Crédito feita no Despacho Decisório (fls.6976), verificase que as justificativas apresentadas para a não confirmação ou confirmação parcial do IRRF, foram, em sua maioria: “Retenção na fonte não comprovada”, conforme quadro denominado “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não confirmadas” (fls. 7576). Para estes casos, de fato, fazse necessária a apresentação dos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, uma vez que o sistema Dirf não confirmou as retenções informadas pelo contribuinte. Embora o manifestante tenha alegado que faria a apresentação posterior destes informes de rendimentos, nada foi apresentado. Contudo, observase também, a existência de outras justificativas para a não confirmação ou confirmação parcial da retenções (fls. 75 76): Ressaltese que a análise do Despacho Decisório é resultado da diligência fiscal, MPF 08.1.66.002009005050, que examinou as compensações do contribuinte, incluindo o presente PER/DCOMP 39364.190808.1.3.028200, na Informação Fiscal de fls. (fls.8288). Verificase que, para as retenções no código de receita 6188, de imposto retido na fonte por órgãos públicos (art. 34 da Lei 10.833/2003), cujos valores foram confirmados parcialmente em razão da justificativa A, a autoridade fiscal diligenciante esclareceu a glosa nos seguintes termos (fl.84): para a receita de código 6188 (serviços prestados a órgão público, art. 34 da Lei nº 10.833/2003), a IN SRF nº 23/2001 dispõe a aplicação de uma retenção total de 7,05% para este tipo de pagamento, sendo 2,40% relativos ao IRRF. Desta forma, o IRRF é calculado por proporcionalidade a partir da retenção total em DIRF (retenção total x 2,40 / 7,05); Em relação à justificativa B:“Retenção na fonte comprovada por documentos apresentados pelo contribuinte”, apresentada para a confirmação parcial da retenção no código 5706, constatase que já houve a apresentação dos documentos pelo próprio contribuinte. Quanto à justificativa C:“Retenção utilizada em Declaração de Compensação de Juros sobre o Capital Próprio”, observase que a autoridade fiscal diligenciante concluiu, no item 2.1.2 (fl. 85), que o Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 410 5 contribuinte utilizou esta retenção em duplicidade por ter informado este crédito em outro PER/DCOMP (39364.05552.190808.1.3.02 8200), motivo pelo qual foi glosada a utilização no presente PER/DCOMP, nos seguintes termos: O sistema SIEFPER/DCOMP aponta a existência do PER/DCOMP n° 00139.64570.040108.1.3.069370 com indicação de crédito relativo a IRRF de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) pagos por outra pessoa jurídica, referente ao anocalendário 2007 (Anexo 5). Foram verificadas utilizações de IRRF de Juros sobre Capital Próprio (código 5706) da fonte pagadora de CNPJ n° 62.173.620/000180 nos créditos dos PER/DCOMPs n°s 00139.64570.040108.1.3.069370 e 39364.05552.190808.1.3.02 8200, conforme resumo da Tabela 3. Como somente o valor de R$ 40.336,14 foi encontrado em DIRF, o contribuinte foi intimado a comprovar o valor total destas retenções. Em resposta ao termo de intimação fiscal lavrado em 19/11/2009 (Anexo 2), o contribuinte apresentou comprovantes de pagamentos de JCP do ano calendário 2005 no montante de R$ 7.757,79 — que não podem ser aceitos por se referirem a outro período de apuração. Ao mesmo tempo, o valor de R$ 40.336,14 comprovado em DIRF fica comprometido com o PER/DCOMP n° 00139.64570.040108.1.3.069370, configurandose então duplicidade na utilização deste crédito, que deverá ser glosado no PER/DCOMP n° 39364.05552.190808.1.3.028200. Portanto, concluise que, para estes casos, não há que se falar em apresentação de Informes de Rendimentos para respaldar o procedimento da empresa, como alega o contribuinte, uma vez que o motivo da glosa não foi este. Registrese que a análise detalhada do crédito do presente PER/DCOMP foi realizada na diligência fiscal e a documentação completa, inclusive a apresentação de Informes de Rendimentos já examinados, encontramse às fls. 82244 dos autos. Em face do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do R. decisum em 19/02/2014 (fls. 253), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/03/2014 (fls. 255/279), no qual, além de repisar o que fora aduzido na MI, acrescentou novas argumentações de mérito, abaixo sintetizadas: Fl. 410DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 411 6 Mais ainda: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 412 7 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 413 8 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 414 9 E concluir, subsidiariamente, requerendo a “conversão do julgamento em diligência para que seja apurada a integralidade dos créditos verificados em favor do Recorrente constante do extrato (doc. nº 3), de modo a reconhecer os créditos de retenção na fonte não identificados pela I. Fiscalização”. (RV fls. 279). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 415 10 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, e a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 280/291), pelo que o recebo e dele conheço. Embora haja nos autos uma gama variada de informações, incluindo a manifestação de fiscal exarada em 23/02/2010 (fls. 82/88) e a planilha do Anexo 6 (fls. 239/242) que mostram o tratamento manual dado ao PER/DCOMP objeto deste processo (PER/DCOMP nº 39364.190808.1.3.028200 fls. 4768), é evidente, à luz das argumentações trazidas pelo recorrente em sede de RV, que existem aspectos relevantes a serem elucidados de forma a permitir seja prolatada a decisão. Dizendo mais claramente, as arguições do recorrente de que as retenções sob o código 8045 possuem tratamento especial, podendo figurar a própria beneficiária como fonte pagadora dos rendimentos, por força das orientações das IN nº 153/1987, 107/1991 e 177/87 e, desta forma, tais retenções deveriam ser levadas em conta na composição do saldo negativo apurado, merecem maiores esclarecimentos, só possível de ser feito pela unidade de origem, posto não ser permitido a este Relator o acesso a sistemas da RFB que tragam tais comandos. Do mesmo modo, o aventado “equívoco” em relação à glosa dos valores retidos pela fonte pagadora CNPJ nº 04.423.567/000121 – MPX Energia S/A – declarados com o código 1708 quando seria o correto 8045 exigem igual esclarecimento, não apenas para ratificar ou não o engano, mas para se constatar se o montante referido (R$ 104.529,72) já não teria sido utilizado em outro pedido de compensação. Para melhor fixação, reproduzse o valor citado, expresso na análise de crédito do DD (fls. 71): Na mesma linha, devem ser esclarecidos outros questionamentos do recorrente, especificamente os dados presentes no “extrato” a que faz referência a parte interessada e que identificou como “doc. 3”. Com estas considerações, e submisso ao princípio que norteia o processo administrativo fiscal de sempre buscar a verdade material dos fatos, VOTO por converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidos os pontos atrás referidos, especificamente: 1) se o código de retenção 8045 permite que fonte pagadora e beneficiário dos rendimentos se confundam em uma mesma pessoa jurídica; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 416 11 2) sendo isso possível, se os rendimentos e valores retidos presentes nos autos permitem concluir que a fonte pagadora e o beneficiário sejam o próprio recorrente; 3) ainda se possível tal confusão entre fonte pagadora e beneficiário, se os valores constantes do processo sob tal código já não teriam sido objeto de outro PER/DCOMP; 4) se o rendimento oriundo da fonte pagadora CNPJ nº 04.423.567/0001 21 – MPX Energia S/A – declarados com o código 1708 quando seria o correto 8045, permitiria, mesmo com tal engano de codificação, o aproveitamento como crédito nestes autos dos valores retidos ou se já teriam sido utilizados em outro pedido semelhante; 5) se procedem as alegações feitas pelo recorrente em relação aos demais itens questionados e presentes no que nominou de “extrato” (doc. nº 3); 6) a seguir, elaborar relatório circunstanciado detalhando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios; 7) do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item 6 (anterior), deverá ser cientificado o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 25 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.902403/201022 Resolução nº 1402000.441 S1C4T2 Fl. 417 12 Fl. 417DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900003/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 00 03 /2 01 4- 01 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.528, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900003/201401 Acórdão n.º 3201002.887 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001473/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. RESP Nº 973.733/SC . SÚMULA CARF Nº 99.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil/1973, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Numero da decisão: 2202-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência do lançamento nos períodos 01/2004 a 11/2004, inclusive; conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. RESP Nº 973.733/SC . SÚMULA CARF Nº 99. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil/1973, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência do lançamento nos períodos 01/2004 a 11/2004, inclusive; conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 73 /2 00 9- 28 Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.489 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi submetido à análise desta Turma de Julgamento, por ocasião da Resolução nº 2202000.643, de 16 de fevereiro de 2016, quando foi decidido converter o julgamento em diligência. Daquele relatório (fl. 580), colho o seguinte: Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1625.89811ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.265.7133 (parte empresa). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, incidentes sobre pagamentos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados — PLR, e Vale Transporte, em desacordo com a legislação específica, nas competências 01/2004 a 12/2004. Em seu voto, esclareceu o Relator, ainda, que: O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 31.12.2009, às fls. 01. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1625.898 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.490 3 Observase que a decisão de primeira instância adotou o critério decadencial do art. 173, I, CTN, de forma a que não houve o reconhecimento de decadência. Ainda, a Recorrente atravessou petição nos autos, anexando cópias de Guias de Recolhimentos GPS de janeiro a dezembro de 2004, às fls. 363 a 426, requerendo a aplicação decadencial do art. 150, § 4º, CTN, bem como da Súmula CARF 99 e do entendimento do STJ no REsp 973.733. Conforme o protocolo do CARF de 09.12.2015, às fls. 548, o contribuinte atravessa Petição nos autos, informando que os débitos relativos à competência 12/2004 foram quitados e requerendo desistência parcial do Recurso Voluntário apenas para a competência 12/2004, permanecendo a discussão administrativa em relação à decadência das demais competências. O contribuinte anexou, às fls. 559, a cópia da GPS, competência 12/2004: (...) Entendeuse, porém, pela necessidade de confirmação dos recolhimentos, nos seguintes termos: ... a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte verifique e informe conclusivamente a este E. Conselho, observandose a abertura de prazo de 30 dias para Manifestação do contribuinte, com vistas ao contraditório e à ampla defesa: (i) se nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, em quais competências, entre 01/2004 a 12/2004, há o registro de recolhimentos relativos à contribuição social previdenciária feitos pela Recorrente. (ii) se, em relação ao recolhimento feito na competência 12/2004, com cópia da GPS às fls. 559, este recolhimento é suficiente para afastar a tributação incidente na competência 12/2004. (iii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. A diligência foi cumprida, anexandose nas fls. 1438 e seguintes a Informação Fiscal DICAT/DEINF, de 13 de maio de 2016. Regularmente intimado, o contribuinte manifestouse nas fls. 1450 e seguintes. É o relatório. Voto Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.491 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente no processo digital, após a transformação em arquivo magnético (eprocesso). Conforme destacado no relatório, tratamos aqui de duas infrações: I pagamento de PLR em desacordo com as determinações legais e II pagamento de Vale Transporte em pecúnia. Os períodos onde foram apuradas as infrações encontramse discriminados no demonstrativo de débito de fl. 06 e ss. e estendemse de 01 a 12/2004. Considerando que a ciência do Auto de Infração deuse em 31/12/2009 (fl.02), o contribuinte vem, desde a impugnação, requerendo que seja reconhecida a decadência do lançamento. DECADÊNCIA. Em matéria de decadência, este CARF vem aplicando o entendimento do REsp 973.733/SC, da seguinte forma, explicitada em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão 9202005.380, de 25 de abril de 2017. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.492 5 competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendose a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. (destaquei) No Relatório Fiscal que consta das folhas 15 e seguintes, nada se caracteriza quanto à ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a conversão do julgamento em diligência, atestou a Unidade de origem em sua Informação (fl. 1444) que: Acusamos porém a existência de recolhimentos de bases de cálculo diferente das citadas acima através da consulta ao contacorrente do estabelecimento, visualizadas através das telas CCOR do sistema AGUIA juntadas sob fls. 1312 a 1342, do processo 16327.001473/200928, em todo o período compreendido entre JAN/2004 e DEZ/2004, as quais apresentam detalhadamente a quantidade de documentos recolhidos e discriminando o valor e a data de pagamento de cada documento por competência. Desta feita, inocorrendo dolo, fraude ou simulação e havendo pagamento antecipado para todo o período lançado, ainda que em rubricas distintas, é de ser aplicado o artigo 150, § 4º do CTN, para a contagem do prazo decadencial, conforme REsp 973.733/SC (STJ) e Súmula CARF nº 99. Tendo em conta que a ciência do lançamento deuse somente em 31/12/2009, estariam alcançados pela decadência todos os períodos até 11/2004, inclusive. MÉRITO Restando a ser analisada, então, somente a competência 12/2004, temos que o contribuinte desistiu parcialmente do recurso em relação à infração que diz respeito ao pagamento de PLR (fl. 567), nos seguintes termos, conforme registrado na Informação Fiscal supracitada: Foram confirmados os recolhimentos efetuados no valor de R$ 2.790,16 ( AIOP nº 37.265.7133 – 16327.001473/200928), R$ 1.256,08 (AIOP nº 37.265.8938 – 16327.001474/200972) e R$ 320,57 ( AIOP nº 37.265.8946 – 16327.001475/200917) todos efetuados em 30/10/2015 para a competência DEZ/2004, mas somente para os lançamentos decorrentes da base de cálculo “Participação nos Lucros e Resultados – PLR” como informado pelo contribuinte, através das telas do sistema AGUIA de fls. 1348 a 1351 do processo 16327.001473/200928 ( AIOP nº 37.265.713 3 – 16327.001473/200928), fls. 1359 e 1360, do processo 16327.001473/200928 (AIOP nº 37.265.8938 – 16327.001474/200972) e fls. 1361 e 1362, do processo 16327.001473/200928 (AIOP nº 37.265.8946 – 16327.001475/200917). Informamos que estes pagamentos forma alterados para que pudessem ser apropriados aos respectivos DEBCAD, após a Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.493 6 verificação por meio de planilhas de cálculo anexas da correta atualização dos valores lançados para a data do pagamento, isto é, dia 30/10/2015. Através das telas do sistema SICOB constatamos que os pagamentos foram suficiente para quitar apenas os lançamentos decorrentes da base de cálculo “Participação nos Lucros e Resultados – PLR” da competência DEZ/2004, permanecendo ativos os lançamentos decorrentes da base de cálculo “ValeTransporte” da competência DEZ/2004 nos três débitos citados, portanto não sendo suficientes para afastar a tributação incidente na competência DEZ/2004. (destaquei) Sobra, portanto, a questão da infração relativa ao pagamento de Vale Transporte em pecúnia, para a competência não alcançada pela decadência (12/2004). Citese, então, a Súmula CARF nº 89: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Anoto, por fim, que em relação ao terceiro item da diligência, sobre a existência de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, não se teve notícia e o contribuinte disse, em sua resposta, que de fato não há. Não consta notícia de qualquer tipo de ação judicial impetrada pelo contribuinte com o mesmo objeto dos processos administrativos AIOP nº 37.265.7133 – 16327.001473/200928; AIOP nº 37.265.8938 – 16327.001474/200972; AIOP nº 37.265.8946 – 16327.001475/200917; AI nº 37.265.8954 – 16327.001476/200961; AI nº 37.265.8962 – 16327.001477/200914; AI nº 37.265.8970 – 16327.001478/200951; e AI nº 37.265.7125 – 16327.001479/200903, (...) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento nos períodos 01/2004 a 11/2004, inclusive. Em relação à infração atinente ao pagamento de participação nos lucros e resultados (PLR), houve desistência parcial do recurso e pagamento relativo à competência 12/2004. Em relação à infração atinente ao pagamento de vale transporte, relativa à competência 12/2004, não incide contribuição previdenciária, nos termos da Súmula CARF nº 89. Assim, no mérito, VOTO por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16327.001473/200928 Acórdão n.º 2202004.035 S2C2T2 Fl. 1.494 7 Fl. 1494DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720492/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Art. 186 § 1º da Lei 6.404/1976. São ajustes de exercícios (períodos) anteriores os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. A regularização, como ajustes de exercícios anteriores, não afeta o lucro líquido do período de apuração. Não sendo de competência do período da escrituração em que ocorrer a regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido desse período de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 1401-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar total provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Art. 186 § 1º da Lei 6.404/1976. São ajustes de exercícios (períodos) anteriores os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. A regularização, como ajustes de exercícios anteriores, não afeta o lucro líquido do período de apuração. Não sendo de competência do período da escrituração em que ocorrer a regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido desse período de apuração. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar total provimento. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 92 /2 00 8- 43 Fl. 346DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em junho de 2008 para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 2004, acrescidos de multa de ofício de 75%, multa isolada de 75% e juros Selic. O auto de infração do IRPJ assim descreve a imputação (fl. 8): O auto de infração da CSLL possui o mesmo conteúdo, indicando como bases legais o art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 1o da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/02. As bases de cálculo da multa isolada foram R$ 397.605,07 para o IRPJ e R$ 871.786,95 para a CSLL. Intimada da autuação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando: (i) preliminarmente, a nulidade do lançamento por se constatar erros na descrição dos fatos e violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. O erro na Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10283.720492/200843 Acórdão n.º 1401001.920 S1C4T1 Fl. 347 3 descrição dos fatos está em que, no Plano de Contas da empresa, a conta 4302.001.001 representa o "Resultado Líquido do Exercício" (e não Provisão para o IR como descreveu o auto de infração). Além disso a conta referese a "débito" e não "crédito". (ii) no mérito, destaca que não há critério contábil ou legal que embase o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal ao desconsiderar os ajustes contábeis efetuados pela empresa. Divide então a sua impugnação em 4 itens. No item "iii.1.1 Ajuste de períodos de apuração anteriores", ressalta que os ajustes ora impugnados foram originários de mudança de critério contábil e/ou também de erro imputável, qual seja: o procedimento específico de oferecer à tributação valores absolutamente indevidos, pois à época dos lançamentos não havia exação capaz de contabilizar efeitos fiscais desses procedimentos específicos, consoante mencionados no quadro anexo como Doc. 4 da Impugnação obs: o doc. 4 da impugnação referese à 10a alteração contratual e à procuração; o documento provavelmente é a tabela de fls. 172. Observa que sua conduta esteve baseada no item Perguntas e Repostas IRPJ2006 da Receita Federal. Assim prescreve a resposta à Pergunta n° 279: "Desde que não ocorra postergação do pagamento do imposto para período posterior ao que seria devido, ou redução indevida do lucro real em qualquer período apuração, será admitida a retificação, complementação ou simples lançamento, cujo valor, se dedutível ou tributável, afetará a determinação do lucro real no período em que justifique a regularização. Neste caso, contabilmente, será dado tratamento de ajustes exercícios (períodos) anteriores". Da mesma forma, observa que na resposta à Pergunta 281, a Receita Federal esclarece como a pessoa jurídica deverá proceder, no período em que foi efetuado o ajuste, com relação à dedutibilidade ou tributação das parcelas regularizadas decorrentes da inobservância do regime de competência, quando a legislação comercial determinar que a retificação seja considerada ajustes de exercícios (períodos) anteriores, nos seguintes termos: "A regularização como ajustes de exercícios (períodos) anteriores não provoca qualquer reflexo no resultado do período em que for efetuada sua escrituração, (...) Se, em decorrência imputação a período de apuração anterior resultar a apuração de saldo de imposto pagar, ou inexistindo diferença de saldo de impostos a pagar, seus efeitos já terão considerados na apuração do lucro real daqueles períodos e, conseqüentemente, poderão influenciar a apuração no exercício em que forem efetuados os lançamentos contábeis de regularização". (...) "Entretanto, no caso em que não ocorra postergação de pagamento de imposto para período posterior ao que seria devido, ou redução indevida do lucro em qualquer período de apuração e o contribuinte optar por efetuar a sua regularização em período posterior, contabilmente deve ser dado tratamento de ajuste de exercícios anteriores". (...) "No aspecto fiscal, caso se trate de parcela correspondente a despesa dedutível ou receita tributável, para produzir efeito determinação do lucro real ela pode ser excluída (grifouse) ou deve ser adicionada lucro líquido do período de apuração respectivo, ou seja, a que efetivamente se refere receita ou a despesa." E continua: "A tese largamente aceita na doutrina e na jurisprudência, não observada pelo Sr. AuditorFiscal da SRFB, está muito bem explicitada pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil em resposta à Pergunta n° 282, a saber: "Porque não sendo de competência do período da Fl. 348DF CARF MF 4 escrituração em que ocorra a regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido do período apuração", (grifouse)". No item " iii.1.2 Da reserva de subvenção do ICMS", observa que por meio da 3a Alteração ao seu contrato social, registrada na Junta Comercial do Estado do Amazonas JUCEA/AM, em 09.10.2003, aumentou seu capital social em R$ 649.000,00 (seiscentos e quarenta e nove mil reais), utilizandose do saldo da conta reservas de subvenção do ICMS, posição em 31.08.2003. Em 08.06.2004, a empresa procedeu à redução desse mesmo capital social, em igual montante, o que foi veiculado pela 4a Alteração ao seu contrato social, registrado na JUCEA/AM, em 08.06.2004. Todavia, em 30.06.2004 os balancetes ainda consignavam, por engano, o valor do capital social em R$ 1.649.000,00, quando o correto seria R$ 1.000.000,00. Para correção da escrita contábil, de modo a fielmente espelhar o conteúdo do contrato social, a empresa registrou a transferência da conta "Capital Social" para a conta "Ajustes", o que, ressalta, não altera sua natureza jurídica, mormente por não ter esse lançamento o condão de transformar subvenção em receita. Dito de outro modo, sua escrita contábil relativa ao primeiro semestre de 2004, para que refletisse esta mudança (redução do capital) sofreu as necessárias adaptações ao excluir do resultado as subvenções do ICMS, insuscetíveis de tributação pelo IRPJ e CSLL. No item "iii.1.3 Das contribuições estaduais (FTI, UEA, FMPE) & reservas de subvenção do ICMS", observa que diferentemente da subvenção advinda do incentivo fiscal concedido ao ICMS, as contribuições ao FTI, UEA e FMPE, também instituídas no âmbito da legislação do Estado do Amazonas, não comportam em sua definição legal qualquer favor tributário ao contribuinte para quitação destas exações, incidentes nas operações vendas (Receitas), o que as exclui por completo da idéia de subvenção. Em tal caso, recomenda as melhores práticas contábeis que sejam as ditas contribuições lançadas no Grupo Tributos e Contribuições sobre Vendas. Entretanto, por um lapso de interpretação, este grupo de contribuições estaduais foi indevidamente lançado à débito na conta 2.4.02.004.001 Reserva de Subvenção do ICMS, no montante de R$ 465.910,83, segundo mostra o livro razão da conta de reservas PL (Doc. 07), do período de 01.01.04 à 30.06.04, e o balancete do 2o trimestre (Doc. 08), página 4. A mera correção desse lançamento, com a transferência do mencionado valor para o resultado redundaria em equivalente redução do lucro e, conseqüente, diminuição da base de cálculo do IRPJ e CSLL. No item " iii.1.4 Lucro da Exploração: ausência de reconstituição por parte do fisco federal" defende que caberia à autoridade autuante fazer a reconstituição do cálculo do lucro da exploração e da correspondente Ficha 10 da DIPJ. Defende, ainda, a inexigibilidade da multa isolada de 75% e a impossibilidade de aplicação conjunta desta com a multa de ofício. Por fim, salienta a necessidade de realização de perícia técnicacontábil, já que "A questão central do mérito, no presente lançamento de ofício, repousa na constatação de que as exclusões efetuadas pela Impugnante se encontravam, ou não, autorizadas pela legislação concernente ao anocalendário 2004, ao mesmo tempo, em se saber se a contabilidade apresentada pela Impugnante comporta um erro escusável, conquanto sanável." Designa perito, indicando os seguintes quesitos: 1) A legislação vigente à época permitia o ajuste de exercícios (períodos) anteriores, nos moldes efetuados pela Impugnante? Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10283.720492/200843 Acórdão n.º 1401001.920 S1C4T1 Fl. 348 5 2) A reserva de subvenção do ICMS, utilizada para aumentar e reduzir o capital social da Impugnante, integra o lucro do exercício em questão? Está sujeita à tributação, de alguma forma, pelo IRPJ e CSLL? 3) Está correto o lançamento das contribuições estaduais (FTI, FMPES, UE A Lei 2.826/03) n a conta 2.4.02.004.001 Reserva de Subvenção de ICMS? É possível a correção destes lançamentos contábeis? Dita correção reduzirá o resultado do exercício? 4) Pela documentação presente nos autos, é possível determinar a opção da Impugnante pela forma de apuração do lucro real, referente ao anocalendário 2004? Enquadravase a Impugnante no regime de recolhimento trimestral? Em 28 de novembro de 2011, a DRJ em Belém julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para reduzir a multa isolada para 50%, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a parte que alega. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. REDUÇÃO DE PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DO RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. Com a edição da Medida Provisória n° 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a exigência da multa de ofício, incidente sobre a insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL, foi reduzido do patamar de 75% para 50%. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, inciso II, alínea “a”, do Código Tributário Nacional. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 350DF CARF MF 6 Embora não esclarecido na ementa, nos aspectos relativos ao mérito o inteiro teor do acórdão considera o seguinte: (i) Quanto aos ajustes de períodos anteriores, o acórdão analisa a tabela de fl. 172 "ajustes de períodos anteriores" reproduzindoa na Tabela 1 (fl. 284285) e observa que o saldo da conta de "ajustes Ativo" teria sido decorrente de ajustes, do próprio período, das contas do ativo da recorrente, cujo valor (do saldo) foi adicionado ao Lucro Operacional do período, a título de Outras Receitas Não Operacionais, para compor o Resultado do Período de Apuração (Ver lançamento na Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral da DIPJ 2005, à fl. 37). Todavia, ressalta que não há provas nos autos que permitam inferir que os lançamentos citados na Tabela 1, são os que de fato compuseram o saldo da conta Ajustes de Períodos Anteriores. Em outras palavras não está comprovado nos autos que as receitas não operacionais, que compuseram o lucro líquido, e que depois foram excluídas do lucro real, são compostas de ajustes do ativo da Recorrente. Para tanto, deveria a recorrente ter trazido aos autos cópia dos livros diário e razão que registraram cada um desses ajustes. Assim, na ausência de comprovação da natureza das receitas não operacionais (que foram excluídas da apuração do lucro real pela recorrente), o acórdão mantém a glosa efetuada pela fiscalização vez que esta espécie de receita é tributável para fins de IRPJ e CSLL, salvo as expressas disposições legais, que, por sua vez, não puderam ser aplicadas ao caso em comento. (ii) Sobre a reserva de subvenção do ICMS e às contribuições estaduais (FTI, UEA, FMPE), o acórdão observa que não está comprovado que a glosa efetuada pela fiscalização era composta por tais valores. Intimada em 14 de março de 2012, a empresa apresentou recurso voluntário em 13 de abril de 2012, sustentando, em síntese: (i) questiona em qual dispositivo legal está fundada a autuação. Ademais, questiona o fato de que, tendo o fiscal livre acesso ao livro Diário n. 6, por que não cotejou cada uma das receitas da referida conta contábil com o fito de identificar se todas, ou só algumas, não teriam autorização legal para repercutir na definição do lucro real? Questiona ainda como pode apresentar defesa se não foram ofertados os critérios de glosa para cada um dos lançamentos sob a rubrica de receita não operacional. Reitera o pedido de perícia. (ii) passando ao mérito, reitera os argumentos da impugnação quanto ao item "ajustes de exercícios anteriores". No item "reserva de subvenção de ICMS", afirma que o julgador parece não ter compreendido a tese da Recorrente, afirmando que "Diferentemente do que afirma o julgador, não está a dizer que as exclusões glosadas derivam unicamente de ajustes do ativo e, menos ainda, de que tenha origem apenas na reversão da integralização do capital social parcialmente composto por subvenção do ICMS. É que além das exclusões glosadas, houve a necessidade de ajustes contábeis com reflexos também na determinação do lucro real, a exemplo da subvenção de ICMS". Observa, ademais, que as contribuições ao FTI, UEA e FMPE foram lançadas por erro a débito da conta 2.4.02.004.001 Reserva de Subvenção do ICMS, quando o correto seria lançálas no grupo Tributos e Contribuições sobre venda, transferido o valor para resultado do exercício e, consequentemente, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL. Por questão de coerência, a Recorrente admite o erro e pugna pela realocação do montante para resultado. Já no item relativo ao Lucro da Exploração, menciona julgados deste Tribunal administrativo admitindo a recomposição do lucro da exploração mesmo por ocasião do lançamento de ofício. (iii) defende a inaplicabilidade da multa isolada. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10283.720492/200843 Acórdão n.º 1401001.920 S1C4T1 Fl. 349 7 Em 5 de dezembro de 2012, por meio da Resolução nº 1401000.197, esta Turma resolveu converter o julgamento e diligência a fim de que se verificasse: i. Se as receitas não operacionais, que compuseram o lucro líquido, e que depois foram excluídas do lucro real, são compostas de ajustes do ativo da Recorrente. ii. Se a reserva de subvenção do ICMS, utilizada para aumentar e reduzir o capital social da Recorrente integra o lucro do exercício em questão. iii. A correção do lançamento das contribuições estaduais (FTI, FMPES, UE A Lei 2.826/03) na conta 2.4.02.004.001 – demonstrase Reserva de Subvenção de ICMS. Em 8 de novembro de 2014, por meio do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de documentos, a empresa foi notificada a apresentar: Em resposta, a empresa consignou o quanto segue: Em conclusão, o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 327 observou: Fl. 352DF CARF MF 8 Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a empresa consignou: (i) Quanto ao item i: a fiscalização deixou novamente de analisar os lançamentos escriturados no livro Diário n. 6, que se referem a ajustes de exercícios anteriores, e assim permitir a impugnação individualizada de cada lançamento glosado, o que representa cerceamento de defesa. (ii) Quanto ao item ii: a diligência fiscal não explica em qual documento ou prova embasou sua conclusão, limitandose a concluir contrariamente à prova documental dos autos, entendendo pela não influência da reserva de subvenção do ICMS. (iii) Quanto ao item iii: repete o quanto alegado na impugnação, de que o valor das contribuições estaduais foi por erro registrado como reserva de subvenção de ICMS (PL) quando deveria ter sido contabilizado como impostos e contribuições sobre vendas. Observa que isso gerou uma diminuição do PL e aumento indevido da lucratividade, e conclui "Ora, se o aumento artificial da lucratividade, decorrente do citado erro, tem repercussão direta no lucro do exercício, resulta improvável a conclusão do fisco em sentido contrário". Recebi o processo em distribuição realizada em 22 de março de 2017. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano. O recurso voluntário é tempestivo. Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência para que se verificassem pontos específicos dos tópicos de defesa da contribuinte. O resultado da diligência confirmou o quanto decidido pela DRJ com relação aos itens ii e iii, qual seja, que os valores da reserva de subvenção do ICMS e das contribuições estaduais (FTI, UEA, FMPE) não Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10283.720492/200843 Acórdão n.º 1401001.920 S1C4T1 Fl. 350 9 integraram o lucro do exercício em questão e não estão incluídos no valor da glosa objeto da autuação. Diante disso, impossível sequer conhecer dos argumentos tecidos pela contribuinte em sua impugnação e inadvertidamente reiterados em sede recursal, eis que não foram objeto de questionamento por parte do fisco e, por consequência, sequer fazem parte do contraditório em questão. Quanto ao item i, relativo aos ajustes de exercícios anteriores, a decisão recorrida havia negado provimento a este item por entender que não havia provas nos autos que permitissem inferir que as receitas não operacionais, que compuseram o lucro líquido, e que depois foram excluídas do lucro real (valor total de R$3.591.606,88), são compostas de ajustes do ativo da Recorrente. Por sua vez, a diligência concluiu que a exclusão glosada corresponde a ajustes de contas do ativo. Reproduzo abaixo a Tabela 1 (fl. 284285) elaborada pela decisão recorrida a partir dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente (fl. 172), a qual foi confirmada na diligência posteriormente efetuada: Fl. 354DF CARF MF 10 Sobre os ajustes de exercícios anteriores, a Lei 6.404/1976 prevê que estes devem ser contabilizados em contas de patrimônio líquido e os conceitua no art. 186: "§ 1º Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10283.720492/200843 Acórdão n.º 1401001.920 S1C4T1 Fl. 351 11 Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.". A Receita Federal esclarece o tratamento tributário dos ajustes de exercícios anteriores na Seção "Perguntas e Respostas", afirmando que "A regularização, como ajustes de exercícios (períodos) anteriores, não provoca qualquer reflexo no resultado do período em que for efetuada sua escrituração (não afeta o lucro líquido do período de apuração)." (...) "Porque não sendo de competência do período da escrituração em que ocorrer a regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido desse período de apuração." Assim, se havia algum questionamento quanto ao procedimento adotado pela ora Recorrente, este não se restringia à glosa dos valores lançados a título de ajustes de exercícios anteriores, que são neutros para fins tributários conforme reconhece a própria Receita Federal. Do exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, dou integral provimento, para cancelar o auto de infração ora combatido. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903130/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 30 /2 01 2- 17 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.666, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903130/201217 Acórdão n.º 3402004.403 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.735705/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO.TEMPESTIVIDADE.
Termo de ciência eletrônico, que se exterioriza como ato administrativo e presunção de veracidade. Segurança jurídica ao contribuinte com a demonstração de possuir o prazo consignado e confiança legítima do administrado. Recurso conhecido.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA.
Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte.
INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO
Não se conhece das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias. Exceção àquelas matérias de ordem pública.
PROVAS JUNTADAS POSTERIORMENTE À DEFESA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA. PRECLUSÃO. FATOS INCONTROVERSOS.
Provas juntadas posteriormente, sem qualquer justificativa indicada no artigo 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não cabe a afirmação que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72. Necessidade de aplicação do regime de preclusões relativas à apresentação de provas documentais.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA NATUREZA MERCANTIL
Incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa.
Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO.
Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO EM GFIP.
Devida a contribuição previdenciária (obrigação principal), é obrigação da empresa declará-la em GFIP (obrigação acessória).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA
A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria.
Numero da decisão: 2201-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos, quanto ao conhecimento, os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores de EX (Bolsas de Extensão). Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento parcial em maior extensão.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
assinado digitalmente
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redator designado.
EDITADO EM: 06/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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CONHECIMENTO.TEMPESTIVIDADE. Termo de ciência eletrônico, que se exterioriza como ato administrativo e presunção de veracidade. Segurança jurídica ao contribuinte com a demonstração de possuir o prazo consignado e confiança legítima do administrado. Recurso conhecido. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA. Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EXCEÇÃO Não se conhece das matérias em sede recursal, fundamentadas em teses totalmente distintas daquelas apresentadas na defesa em vista da flagrante violação ao princípio da dialeticidade e supressão de instância, restando inviável o conhecimento dessas matérias. Exceção àquelas matérias de ordem pública. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 57 05 /2 01 2- 67 Fl. 3306DF CARF MF 2 PROVAS JUNTADAS POSTERIORMENTE À DEFESA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA. PRECLUSÃO. FATOS INCONTROVERSOS. Provas juntadas posteriormente, sem qualquer justificativa indicada no artigo 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não cabe a afirmação que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72. Necessidade de aplicação do regime de preclusões relativas à apresentação de provas documentais. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA NATUREZA MERCANTIL Incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa. Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO EM GFIP. Devida a contribuição previdenciária (obrigação principal), é obrigação da empresa declarála em GFIP (obrigação acessória). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria. Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.807 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos, quanto ao conhecimento, os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Marcelo Milton da Silva Risso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores de EX (Bolsas de Extensão). Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento parcial em maior extensão. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Redator designado. EDITADO EM: 06/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.132/1.177) interposto contra decisão da DRJPorto Alegre (fls. 1.101/1.116) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.035.6915 (fls. 03/10) no valor de R$ 6.634.910,30, sendo R$ 3.202.187,66 de principal, R$ 2.401.640,76 de multa de ofício e R$ 1.031.081,88 de juros; e DEBCAD nº 51.035.6923 (fls. 11) – no valor de R$ 27.620,00 lavrados em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros da Recorrente, precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.10.100.2012.00403, Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 25/26) e Termos de Fl. 3308DF CARF MF 4 Intimação Fiscal nº 01 a 03 (fls. 27/41) – relativos às Contribuições devidas à Previdência Social, da seguinte forma: a. DEBCAD 51.035.6915 (fls. 03/10): Deixar de considerar como base de cálculo da Contribuição Social destinada à Seguridade Social, correspondente à contribuição da empresa (patronal), os valores pagos aos contribuintes individuais a título de “bolsa de extensão” e “bolsa de pesquisa”, no período de 01/2009 a 12/2009; b. DEBCAD 51.035.6923 (fls. 11): Apresentar GFIP com dados incorretos (omissão de fatos geradores) relativos ao valor dos salários de contribuição e das contribuições decorrentes, no período de 01/2008 a 09/2008 e 11/2008. 2 A fiscalização constatou pagamentos a título de “bolsa de extensão” e “bolsa de pesquisa” efetuados pela Recorrente aos segurados contribuintes individuais médicos professores e médicos pesquisadores, que são seus membros e, ao mesmo tempo, servidores federais do corpo docente da UFRGS, que não foram informados em GFIP como componentes do salário de contribuição dos referidos segurados, haja vista os valores lhes terem sido creditados em desacordo com os requisitos legais exigidos pela Lei nº 8.958/94 e Decreto nº 5.205/04, pois os valores relativos às bolsas de pesquisa, em verdade, referemse a remuneração por contraprestação de serviços prestados por eles a laboratórios, enquanto os valores vinculados às bolsas de extensão consistiram em honorários médicos por contraprestação de serviços junto ao hospital, no atendimento da finalidade institucional deste, e serviços de ensino. 3 Cientificada do lançamento em 18/12/2012, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva em 16/01/2013 (fls. 791/825), cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do acórdão proferido pela DRJPorto Alegre, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.808 5 “A empresa teve ciência do lançamento em 18/12/2012 e apresentou impugnação tempestiva em 16/01/2013, com breve síntese dos fatos, afirmando que “os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil examinaram superficialmente, alguns documentos representativos da atividade da Fundação Médica e de seus membros (professores)”, contratos e convênios concernentes a pesquisas com empresas produtoras de drogas e medicamentos e convênios de cooperação firmados com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e entenderam que os valores repassados aos professores, “pela Fundação Médica, a título de Bolsa de Extensão ou Pesquisa, não possuem essa qualificação, por não atender aos requisitos legais e regulamentares decorrentes dessa legislação específica.” Expõe que tal entendimento não pode prosperar, “por ser inaplicável o enquadramento legal pretendido pelos Auditores da Receita Federal do Brasil, porquanto a autuada não estava obrigada, na forma da legislação vigente, a proceder os recolhimentos de contribuições previdenciárias sobre bolsas de pesquisa e extensão”. Tece considerações sobre o estatuto da Fundação Médica do Rio Grande do Sul; salienta que “obteve, em Ação Ordinária, junto à Justiça Federal, pelo Processo nº 2002.71.00.0460139, a declaração do gozo da IMUNIDADE tributária sobre impostos de competência da União Federal, em conformidade com o que prevê o artigo 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88.”; traz da previsão, no estatuto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; e que faz parte da estrutura da UFRGS o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que não é entidade componente da universidade, mas empresa pública de direito privado, criada pela Lei nº 5.604/1970. Explana da atuação da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, e expõe que com “o advento da Lei nº 8.958/94, que criou o modelo de operacionalidade para o relacionamento das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul providenciou sua adaptação estatutária à regra então Fl. 3310DF CARF MF 6 criada, justamente para adequarse ao modelo legal de FUNDAÇÃO DE APOIO, credenciandose perante o Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia nos termos desta lei.” Informa que, com a Lei nº 8.958/1994, as “especificidades das atividades de apoio à pesquisa, à extensão e ao ensino realizadas pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, junto ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA são disciplinadas em Convênios Operacionais”. Afirma que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul cumpre importante papel educacional e social, “colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica”. Salienta que as Fundações passam por rigoroso acompanhamento da administração pública, para atestar sua regularidade. Que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, ligada aos médicos e residentes a quem presta apoio (ressalta não estar tratando de vínculo empregatício), através de convênios firmados com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, participa no desenvolvimento de projetos afetos a diversas áreas médicas. Para a realização dos convênios e seus programas atuam os membros da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, “que são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez que, como funcionários públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, e que outro vínculo de ordem trabalhista não podem manter. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei nº 8.958/94, especialmente no seu artigo 4º e parágrafos, que define a inexistência de vínculo empregatício de qualquer natureza, ... ‘podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão’.” Afirma que o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizada como contraprestação de serviços, por tratarse de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequado “às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico.” Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.809 7 Entende que o “auferimento de Bolsa de Extensão/Pesquisa, deste modo, não consubstancia, de maneira alguma, remuneração tributável, como entendeu a fiscalização da RFB, ou seja, não há de se falar em exigência de considerála base de cálculo para efeitos de incidência da Previdência Social”, existindo norma “isencional específica”, não havendo relação empregatícia entre a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e seus “integrantes e apoiados”. “Durante o ato de ensinar, há ato médico, porém sem contraprestação de serviços executados em benefício da instituição apoiadora (HCPA), ocorrendo treinamento de Médicos Residentes do HCPA no exercício prático. Portanto tratase de uma atividade de ensino extramuros. Atividade essa reconhecida como atividade de extensão pela UFRGS.” Os professores estão envolvidos na atividade de ensino ligada à assistência, mas esta não faz parte da cadeia de assistência permanente do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, inexistindo a alegada contraprestação por seu serviço. É o corpo médico do hospital, médicos contratados (não docentes), que presta o atendimento assistencial cotidiano. Afirma que não pode restar “dúvida de que a Fundação Médica do Rio Grande do Sul possa estar enquadrada no conceito (formal e legal) de FUNDAÇÃO DE APOIO (artigo 2º, inciso III, da Lei nº 8.958/1994) devidamente credenciada pelo Ministério da Educação, e Ministério, Ciência, Tecnologia e Inovação, na forma da Portaria Interministerial nº 475, de 14/04/2008.” Assim, como disposto no artigo 4º da Lei nº 8.958/1994, não existe vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo haver a concessão de bolsas de ensino, pesquisa e de extensão. Cita o Decreto nº 5.205/2004 para afirmar que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão constituem doação civil aos professores. Declara enquadrarse na isenção prevista na legislação (lei e decreto), “posto que as bolsas de pesquisa e extensão não possuem natureza remuneratória, são consideradas doações realizadas pela Fundação, Fl. 3312DF CARF MF 8 conformandose aos exatos termos do art. 538 do Código Civil: ‘Considera se doação o contrato em que uma pessoa, por liberdade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para outra." Afirma, ainda, que “a concessão das bolsas não representa benefício para o doador, a Fundação, vez que esta está apenas repassando, de um lado, verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação específica e integral, para realização dos programas de extensão universitária e, de outro lado, apenas repassando aos professores a ela vinculados á realização de projetos de pesquisa, as verbas próprias que advêm das pessoas jurídicas interessadas nessas pesquisas científicas. A contraprestação de serviço não está presente, no conceito aplicado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil, pois que o beneficiário da bolsa constituise em mera peça de uma grande engrenagem, inserido no sistema de gerenciamento e realização dos projetos de educação e extensão, vinculados à residência médica, refletindo o interesse do Governo Federal (Comissão Nacional de Residência Médica Resolução nº 02/2006, de 17 de maio de 2006), do HCPA, mas com a participação permanente e indispensável da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, como Fundação de Apoio que gerencia a consecução dos programas de extensão da Universidade.” Cita decisão judicial, Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 95.00166828 e Apelação Cível nº 1999.71.00.0266656/RS, onde foram considerados nulos lançamentos onde o INSS pretendia estabelecer relação trabalhista entre professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuais membros da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (caso que entende idêntico ao que aqui impugna). Alega que “Como se pode notar, o assunto é recorrente. Primeiramente, esse órgão fiscalizador buscou a caracterização do vínculo empregatício, ou de relação trabalhista/previdenciária, entre os professores da UFRGS e o HCPA, Empresa Pública, não tendo logrado êxito. Agora, busca de outro prisma rever a mesma relação, de modo a firmar conceitos de relação jurídico/tributária que obrigue a autora, Fundação Médica, a rever todos os seus conceitos sobre a estrutura funcional, a manutenção e renovação Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.810 9 de convênios, eis que a obrigatoriedade de considerar remuneração não isenta de tributos as BOLSAS DE PESQUISA E EXTENSÃO representará uma revolução onerosa, definitivamente marcante, que influenciará negativamente a realização dos objetivos sociais e estatutários das entidades (HCPA,FMRS e UFRGS).” Ressalta que os repasses de verbas, feitos pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em decorrência dos convênios firmados com a Fundação Médica do Rio Grande do Sul sempre foram devidamente demonstrados e registrados em documentação contábil na forma da lei e dos costumes contábeis e que as bolsas recebidas pelos professores têm natureza diversa de uma contraprestação de serviço, não gerando benefício para o doador, como pretende a Fiscalização. Apresenta cópia de Parecer conclusivo do Tribunal de Contas da União – TCU. Alega que a “interpretação que advém, ademais, da jurisprudência pátria, a respeito de Bolsas de Estudo, Bolsas de Extensão e Bolsas de Pesquisa, acerca da isenção frente ao Imposto de Renda, aplicase ao conceito extensivo de tributo, qual seja o das contribuições previdenciárias, dada a natureza congênere. Assim, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) possui julgados que se enquadram perfeitamente ao presente caso.” Afirma que a nãoincidência, ou isenção, de contribuição previdenciária sobre “BOLSAS” em geral é matéria tratada em legislação avulsa que introduziu modificações na Lei nº 8.212/1991. Cita as Leis nº 6.494/1977, complementação educacional de estagiário, nº 9.394/1996 e nº 9.528/1997, educação básica de empregados e seus dependentes e nº 12.761/2012, vale cultura. Reafirma inconteste a constatação que as atividades de extensão desenvolvidas pelos membros da Fundação Médica do Rio Grande Sul, atuando como professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, junto ao Hospital de Clinicas de Porto Alegre, seja nos convênios relativos Fl. 3314DF CARF MF 10 à preceptoria dos médicos residentes, seja nos contratos de pesquisa, não representam contraprestação de serviços. Alega deturpado o entendimento da Auditoria Fiscal de que os professores da Fundação Médica do Rio Grande do Sul sejam “os propulsores de toda a atividade assistencial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (...) eis que a verdadeira força de trabalho desse Hospital Escola, vinculado à UFRGS, com patrocínio quase que exclusivo da União Federal, é representada por seus empregados, em quadro representativo de cerca de 1.189 (um mil cento e oitante e nove) profissionais, entre médicos e enfermeiros, sendo mais representativa a quantidade de profissionais médicos e enfermeiros”, tendo os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul o objetivo de qualificação, de formação, de extensão universitária, traduzidos nos convênios ou contratos celebrados com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre “ou com organizações de direito público interessadas em pesquisas voltadas, unicamente, para a saúde pública.” Registra “que a celebração de CONTRATOS (pesquisa), mesmo quando privadas, não resultam tão somente vantagens para os patrocinadores dessas pesquisas, pois, não menos verdade é o fato de que o resultado de tais investimentos (quando surgem e se concretizam), representam substrato científico e acadêmico de que decorrerá, infalivelmente, geração de novos conhecimentos, aprendizagem, sem falar na melhoria das condições de trabalho para a comunidade científica, na melhoria de condutas específicas para os novos profissionais da área da saúde que ali, no HCPA complementam sua formação.” Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 51.035.6923, alega que em não havendo incidência de contribuição, deixa de ser exigível qualquer penalidade pelo descumprimento da norma do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, que determina a declaração em GFIP de fato gerador. Frisa que “o procedimento adotado, de informar aos seus associados, professores da UFRGS representativos da Fundação Médica, que o ‘rendimento’ é isento, por se tratar de BOLSA, somente foi adotado a partir da regulamentação, em 2005, quando a norma isentiva passou a ser compreendida na sua integralidade.” Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.811 11 Entende inusitada a referência, no Relatório Fiscal, à existência de ilícito penal, pois “esta Fundação, que é entidade sem fins lucrativos, devidamente reconhecida até mesmo pelo Poder Judiciário, portanto não podendo ser nomeada como ‘empresa’ pela fiscalização, como o fez, há que se pronunciar, nesta Impugnação, sobre o verdadeiro disparate representado nesta manifestação oficial, qual seja o de encaminhamento de representação para fins penais.” Expõe que os “administradores da Fundação Médica, que exercem mandato eletivo de duração de 02 (dois) anos, são membros da Fundação que assumem, como administradores, unicamente a responsabilidade, o ônus, sem ‘bônus’, pois que continuam exercendo, na integralidade, as suas funções de preceptoria, de orientação, de pesquisadores, de acordo com o CONVÊNIO/CONTRATO em que estão inseridos, nada recebendo de remuneração pelo exercício de direção da instituição.” Que, de “outra parte, como já acima restou configurado e amplamente acentuado, a administração da ora impugnante possui o respaldo da legislação própria, assim como de Parecer do Tribunal de Contas da União (transcrito retro), que corrobora a lisura de suas decisões. Nesse contexto, ainda que haja espaço para se discutir e divergir sobre a interpretação da norma específica, não se pode colher, da situação assim posta, qualquer conotação de dolo, de má fé, de cometimento de ilicitude que possa dar origem a qualquer tipo de ação penal. Por isso é que, de antemão, a Impugnante rechaça a intenção da autoridade arrecadadora/fiscalizadora, representada na ação de seus agentes. Afigurase, no caso concreto, no entender desta instituição, verdadeiro abuso de autoridade.” Requer seja declarado nulo ou insubsistente o Auto de Infração, tendo em vista que “a doação de BOLSAS DE PESQUISA E EXTENSÃO, pela fundação Médica, a seus membros, profissionais vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na realização de programas específicos, derivados da preceptoria de médicos residentes, não se enquadra na hipótese legal de rendimento tributável, em face ao que preconiza o art. 6º Fl. 3316DF CARF MF 12 da Lei nº 8.958/94, bem assim o Decreto que a regulamenta, de nº 5.205/2004.” Alternativamente, requer seja julgado insubsistente o Auto de Infração, com a declaração de inexigibilidade da multa isolada, face a alteração da Lei nº 11.488/2007, que suprimiu a eficácia do artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, suprimindo a hipótese de incidência de multa isolada para o caso em tela. Por último, ainda alternativamente, se devida a multa cobrada, “não poderia sêlo no montante calculado pelo AFRFB autuante, pois é indevido o reajuste da base de cálculo, vez que esta hipótese só se aplicaria na cobrança do imposto, diretamente, da fonte pagadora do rendimento, que assumiria o ônus do tributo. Não sendo o caso, a base de cálculo não pode sofrer reajuste, pelo quanto deve ser reduzida a penalidade.” 4 A DRJPorto Alegre julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita (fls. 1.101/1.116): “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA E EXTENSÃO. CARACTERIZAÇÃO DE VANTAGENS PARA O DOADOR. CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa. Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de ensino, pesquisa e extensão se os resultados reverterem economicamente para o doador ou pessoa interposta, ou se caracterizarem contraprestação de serviços. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 3317DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.812 13 Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO EM GFIP. Devida a contribuição previdenciária (obrigação principal), é obrigação da empresa declarála em GFIP (obrigação acessória). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5 Cientificada da decisão de primeira instância em 11/04/2013 (fls. 1.126), a Recorrente interpôs em 16/05/2013 o Recurso Voluntário de (fls. 1.132/1.177), nos seguintes termos: a. Conforme seu estatuto social, a Recorrente é uma fundação, criada nos termos do artigo 1° da Lei n° 8.958/941, com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino, extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio de seu HospitalEscola (Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA). Em razão disso, a legislação federal Lei n° 8.958/94, Art. 4°, § 1º lhe autoriza a conceder bolsas (doações civis não sujeitas à contribuição previdenciária patronal) aos seus membros (professores e pesquisadores da área médica), pela participação destes em projetos; b. Em relação aos projetos de extensão, a Recorrente recebe recursos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e os repassa para os seus membros pela participação dos mesmos no respectivo projeto (supervisão dos alunos em residência nas dependências Fl. 3318DF CARF MF 14 do Hospital de Clínicas). Essa sistemática de funcionamento possui regulamentação normativa e é expressamente chancelada pelo Tribunal de Contas da União, órgão responsável pela auditoria da Recorrente (fls. 806 – 815); c. Os projetos de pesquisa possuem funcionamento semelhante. Neles, a Recorrente recebe os recursos de diversas instituições e os repassa aos seus membros, pesquisadores responsáveis pela coordenação desses projetos; d. As atividades acima descritas são realizadas há muitos anos e foram objeto de fiscalização em 1998. Nessa ocasião entendeuse que as bolsas pagas para execução dos projetos de pesquisa e extensão constituíam remuneração por serviços prestados, com vínculo empregatício, pelos docentes (professores da área médica) ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Em razão disso, àquela época, foi constituído crédito tributário contra o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, consubstanciado na NFLD no 32.722.3111, para cobrança de suposta Contribuição Previdenciária, que teve como fundamento a existência de relação de emprego entre os professores e o Hospital. O Hospital de Clínicas contestou o lançamento fiscal, através de Ação Anulatória de Débito no 1999.71.00.0266656, obtendo a desconstituição do referido crédito tributário. Segundo a decisão judicial, a qualificação jurídica empregada (prestação de serviços com vínculo empregatício pelos professores ao Hospital), não seria inaplicável, conforme a ementa da decisão em comento: FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATO DE TRABALHO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. AUTUAÇÃO.CONVÊNIO. UNIVERSIDADE FEDERAL (UFRGS) E HOSPITAL DE CLÍNICAS (HCPA). INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. A autoridade administrativa tem competência para reconhecer o vínculo trabalhista, mas tãosomente para o fim de constatar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. 2. Formalmente, o trabalho desempenhado não se deu mediante vínculo direto, pelo que é necessária a análise in concreto da existência ou não de vínculo empregatício diretamente entre o hospital e os trabalhadores, considerando os requisitos da continuidade, da onerosidade, da pessoalidade, da não eventualidade e da subordinação. 3. Não há relação de emprego entre docentes universitários e Hospital se a prestação dos serviços se dá mediante convênio, não se verificando os requisitos prescritos em lei. (TRF4, AC 1999.71.000266656, Segunda Turma, Relator Márcio Antônio Rocha, DJ: 20/10/2004); Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.813 15 e. Para sua perplexidade, os Autos de Infração ora combatidos se referem à mesma situação jurídica analisada na NFLD nº 32.722.3111 lavrada conta o Hospital, conforme acima informado, sendo que a Fiscalização, ao invés de alterar o fundamento do auto anterior (vínculo empregatício para prestação de serviço sem vínculo empregatício), optou por elencar outro sujeito passivo – no caso, a Recorrente dentro do mesmo contexto fático; f. A decisão recorrida contém os seguintes vícios: 1. Ilegitimidade passiva da Recorrente que, como expressamente atestado no próprio termo de verificação fiscal, não é beneficiada com qualquer das atividades desenvolvidas pelos professores pesquisadores; 2. Ausência de comprovação fática e documental pela fiscalização acerca da efetiva contraprestação de serviço e vantagem econômica para a Recorrente, motivo utilizado para efetuar o lançamento; 3. Ilegalidade do arbitramento por amostragem, posto que incongruente com a situação retratada (conforme vasta documentação existente e referida pela própria peça fiscal), materializando afronta aos artigos 142 e 148 do CTN; 4. Desconsideração injustificada do regime jurídico tributário expressamente previsto para a Recorrente, estampado no artigo 4° da Lei n° 8.958/94 e artigo 7º do Decreto n° 5.205/04; 5. Impossibilidade de cumulação de multa de ofício e multa por descumprimento de obrigação acessória sobre o mesmo suporte fático, por constituir bis in idem; 6. Inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, conforme jurisprudência do CARF. a. Ilegitimidade da Recorrente: Em nenhum momento a Recorrente foi elencada como beneficiária do serviço, destinatária do seu resultado econômico, ou, sequer, titular da disponibilidade utilizada para seu financiamento (não efetua pagamento, mas sim repassa os valores como doação); Fl. 3320DF CARF MF 16 b. Houve erro crasso incorrido pela Fiscalização ao indicar a Recorrente como sujeito passivo do presente lançamento, pois o serviço apontado pelo lançamento foi prestado ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre e a Laboratórios, e não à Recorrente, além do que o pagamento foi realizado pelos Laboratórios e pelo Hospital de Clínicas, sendo a Recorrente mera repassadora desses valores; c. A Recorrente não é a tomadora, nem beneficiária, dos serviços prestados pelos médicos professores, cujos destinatários são os laboratórios (nos projetos de pesquisa) e o Hospital de Clínicas (nos projetos de ensino e extensão). Conforme dito acima, os recursos utilizados no financiamento dos projetos de pesquisa e extensão não saem do seu patrimônio, logo, não pode figurar no polo passivo da obrigação tributária que tem como materialidade "pagar remuneração por serviço que lhe seja prestado; d. A sistemática do ocorrido é a seguinte: i) Bolsas de Extensão: O Hospital paga a Recorrente, que repassa o valor aos Docentes, que prestam serviço ao Hospital; ii) Bolsas de Pesquisa: Os Laboratórios pagam a Recorrente, que repassa o valor aos Pesquisadores, que prestam serviço aos Laboratórios; e. O procedimento utilizado pela fiscalização com vistas a apurar o crédito tributário é ilegal, pois foi realizado via arbitramento, com erros na aplicação da presunção, em afronta ao artigo 148 do CTN, ao considerar que todas as bolsas pagas a título de projeto de pesquisa decorreram de contratos firmados com laboratórios farmacêuticos; e que os projetos de pesquisa envolvem interesses comerciais, materializada nas cláusulas de confidencialidade e titularidade da propriedade intelectual advinda da pesquisa; f. Diversos projetos relacionados às bolsas de pesquisa não estão revestidos com as características relatadas pela Autoridade Fiscal como base para a imposição tributária, como são exemplos os projetos nº 599 e 661, identificados nas tabelas da fiscalização como "Homofobia", patrocinado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes "UNODC", e "Banco de Dados PGE" – financiado pela Ford Foundation, respectivamente; g. A amostragem considerada pela fiscalização englobou na mesma rubrica ("Bolsas de Pesquisa") pagamentos decorrentes de contratos com natureza completamente diferente; Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.814 17 h. A fiscalização não comprovou a efetiva prestação de serviço, sequer a vantagem econômica obtida pela Recorrente, em razão do erro na indicação do sujeito passivo; i. O auto de infração deve ser anulado pois a fiscalização não comprovou ter a Recorrente obtido vantagens econômicas ou contra prestacionais de serviço, uma vez que é imprescindível para a legalidade do ato administrativo do lançamento que a Administração Pública comprove cabalmente os fatos que alega. Meras suspeitas ou indícios não são hábeis a fundamentar o lançamento tributário contra o contribuinte, tendo em vista que compete à Fiscalização a demonstração e comprovação de todos os fatos suficientes à materialidade normativa por ela defendida, conforme determina o artigo 142, do CTN; j. A natureza jurídica dos repasses feitos pela Recorrente aos médicos professores e médicos pesquisadores, a título de “bolsas”, é de “doação civil”, sobre as quais não incide a contribuição previdenciária, em razão do não aferimento de vantagem econômica, sequer de contraprestação por serviço prestado à Recorrente; k. Os convênios celebrados entre o Hospital e a Recorrente já são criados com previsão orçamentária para a concessão das bolsas de apoio, havendo previsão dos valores repassados à Recorrente para que gerencie os projetos, que utiliza o orçamento recebido para cobrir as despesas destes, as quais incluem custos administrativos, bolsas de extensão, eventuais serviços adicionais contratados. Os valores dos convênios são fixos e variáveis; l. Por si só, esse fundamento é suficiente para comprovar a ausência de obtenção de vantagem da Recorrente em relação às atividades desenvolvidas pelos seus membros. Nesse sentido, cumpre observar que a Recorrente não se beneficia em nada da doação, figurando apenas como apoiadora para viabilizar os projetos. Recebe, assim, uma pequena porcentagem das bolsas concedidas (5%), que serve à cobertura de custos administrativos da própria instituição; m. Em ações judiciais que estão sendo propostas pelos docentes visando resguardarem se quanto à eventual cobrança do imposto de renda sobre as doações recebidas, estão sendo concedidas decisões judiciais favoráveis, reconhecendo a inexistência de vantagem para a recorrente, tampouco a existência de prestação de serviço; Fl. 3322DF CARF MF 18 n. Ao examinar os convênios firmados entre a Recorrente, a UFRGS e o Hospital de Clínica, a fiscalização confundiu, claramente, os encargos e responsabilidades atribuídas aos membros da Recorrente com a "prestação de serviço médico" realizada pelos médicos residentes empregados do Hospital de Clínicas. Os membros da Recorrente não prestam serviço, mas possuem encargos, atribuições e responsabilidades por conduzir os projetos de pesquisa e extensão previstos nos convênios firmados; o. Transcreveu trecho do Parecer da PGFN/CAJE/N°593/90, que assim dispõe: “Assim, a doação de valores, em pecúnia ou em bens, com encargo ou remuneração imputada ao donatário, somente manterá íntegra sua natureza civil, se o encargo ou remuneração não representar vantagem para o doador, sob pena de caracterizarse a relação de emprego contra salário. (...)” p. O fato de os professores da Recorrente exercerem a supervisão do médico residente nas dependências do HCPA não torna essa atividade um “serviço médico” para fins de tributação. Ou seja, a atividadefim da Recorrente é a produção do conhecimento, que traz a reboque o aprendizado dos médicos residentes e o tratamento dos pacientes diretamente tratados pelos residentes. Resumindo: A atividade dos professores restringese a coordenar e supervisionar o projeto de extensão como um todo (atividademeio); q. A entidade patrocinadora firma um contrato com a Recorrente para o desenvolvimento de pesquisa científica e tecnológica nas dependências do HCPA, lhe transferindo valores por conta disso, que são repassados diretamente ao seu membro escolhido, a título de bolsa, ou seja, como doação para a execução das pesquisas, sendo que a Recorrente não aufere vantagem econômica alguma das pesquisas realizadas pelos professores/pesquisadores, pois atua como mera gestora dos valores recebidos. Porém, alguns contratos pagam os valores diretamente aos pesquisadores; r. A Recorrente é fundação de direito privado sem fins lucrativos, o que demonstra a ausência de finalidade econômica nas suas atividades, impossibilitando, assim, que obtenha qualquer vantagem econômica nos contratos firmados para execução de pesquisas científicas e tecnológicas. Ou seja, sua finalidade não é econômica, pois não visa ao enriquecimento de seus sócios, mas, sim, à reaplicação dos resultados na consecução das suas atividades estatutárias; Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.815 19 s. Todos os demais requisitos administrativos relacionados ao tema foram cumpridos pela Recorrente, tendo este fato sido respaldado por auditoria do Tribunal de Contas da União; t. Não deve subsistir a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória motivada pela apresentação de declaração inexata, pois já foi constituído crédito tributário decorrente de obrigação principal, sob pena de dupla penalização sobre o mesmo suporte fático; u. Se as bolsas pagas não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária, não há que se falar em incluir tais repasses na GFIP; v. Não deve prosperar a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, pois isso somente ocorre quando a multa é lançada isoladamente, nos termos do artigo 43 do CTN e de alguns julgados do CARF, sendo que a legislação ordinária não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; w. Ao final, requer provimento ao recurso para que seja determinado o cancelamento dos autos de infração, julgando improcedente o lançamento, com desconstituição da multa por descumprimento de obrigação acessória e exclusão da cobrança de juros sobre a multa de ofício. 6 Às fls. 1.392/1.401 a C. 2ª Turma da 3ª Câmara dessa E. Seção converteu o julgamento em diligência no seguinte sentido: “Questões Preliminares ao Mérito O levantamento do crédito previdenciário cingese a considerar os valores pagos aos contribuintes individuais a título de bolsas de pesquisa e bolsas de extensão como integrantes do salário de contribuição, porque, de acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, não se subsumiram ao disposto pela Lei nº 8.958/1994 e seu Decreto regulamentador n.º 5.205/2004. Fl. 3324DF CARF MF 20 Compulsando os autos, é de se ver que o lançamento não se deu por aferição indireta, ou seja, o crédito foi lançado com base nos registros contábeis da recorrente que se mostraram confiáveis ao Fisco servindo, assim, de base para o lançamento dos valores pagos a título de Bolsas de Pesquisa e Bolsas de Extensão. As planilhas juntadas pela Fiscalização às fls.521/605, trazem todos os pagamentos efetuados a título de Bolsas de Pesquisa e às fls. 606/700, as Bolsas de Extensão. Quanto às Bolsas de Pesquisa, o motivo do lançamento se fundamentou na prestação de serviços médicos, com a consequente remuneração a título de “Bolsa”, mas relativos a contratos com laboratórios e residências médicas, propriamente ditas. Porém, examinando as planilhas, se vê valores relativos a outros projetos que não se coadunam com o motivo do lançamento. A recorrente arguiu esta matéria em sede recursal, juntando documentos e afirmando que o Projeto n.º 599 “Homofobia” Financiado pela UNODC, fls. 1221/1227; Projeto n.º 661 “Banco de Dados PGE” Financiado pela Fundação FORD, fls. 1229/1240 e o Projeto ELSA, fls. 1242/1255, Financiado pelo FINEP, entre outros listados na planilha de fls. 521/605, não se enquadram nos pressupostos do lançamento, porque se referem a temas distintos como os efeitos da “judicialização” do direito à saúde no Estado do Rio Grande do Sul, ou destinamse a formentar o desenvolvimento científico e cultural no país. Com efeito, do exame dos documentos juntados é de se ver que tais projetos não se enquadram nos motivos expostos pelo Fisco ao promover o lançamento efetuado. Por este motivo, muito embora a recorrente somente tenha argüido tal tópico em sede recursal, entendo que por se tratar de matéria de fato, pela constituição do crédito ter se dado de forma direta, com base em documentos da empresa analisados pelo Fisco e priorizando a busca da verdade material, os autos devem baixar em diligência para que o Fisco esclareça se os valores pagos a título de bolsas de pesquisa constantes da Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.816 21 relação de fls. 521/605, relativamente aos Projetos “Banco de Dados PGE” “Elsa” e “Homofobia”, dentre outros similares, por ventura existentes, também se enquadram nas premissas dos contratos havidos com laboratórios e residências médicas, que ensejaram a lavratura do auto de infração, por restar caracterizada a prestação de serviços por contribuintes individuais. O Fisco deve elaborar discriminativo identificando a natureza de cada projeto que ensejou o lançamento. Pelo exposto, Voto pela conversão do julgamento em diligência. Do resultado da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, com abertura de prazo para manifestação;” 7 Manifestação e documentos do contribuinte às fls. 1.635/2.64. Às fls 2.645/2.673 manifestação quanto à diligência por parte da autoridade lançadora e às fls. 2.686/2.794 manifestação do contribuinte quanto à mesma. 8 É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Da tempestividade do recurso Fl. 3326DF CARF MF 22 9 – Após decisão da DRJ de fls. 1.101/1.116, houve a juntada aos autos de procuração e solicitação de cópias dos autos (fls. 1.122/1.125) pela contribuinte no dia 03/04/2013 por Diego Borges Braga pessoa que se encontra na procuração da recorrente juntada para o respectivo ato atestado pelos servidores da unidade preparadora. Com efeito, as cópias foram retiradas no dia 04/04/2013. 10 – Ato contínuo, às fls. 1.126 encontrase termo de abertura de documento eletrônico em que há a confirmação de que cópia do acórdão e o resultado do julgamento foi aberto pelo contribuinte tomando ciência do respectivo acórdão: 11 – Às fls. 1.127 termo de ciência por decurso de prazo com a informação da RFB que os documentos acima estavam na caixa de email do ECAC do contribuinte desde o dia 02/04/2013 e o decurso de prazo de 15 (quinze) dias em 17/04/2013. 12 – A recorrente protocolizou seu recurso no dia 16/05/2013 (fls. 1.132). Ocorre que, por mais que na época dos fatos a legislação do decreto 70.235/72 considerasse a contagem do prazo recursal via intimação eletrônica após 15 (quinze) dias da disponibilização dos documentos na caixa postal do contribuinte, a meu ver o recorrente tinha sido intimado muito antes. 13 – Como dito, a meu ver o recorrente tomou ciência do resultado do julgamento em ato bem anterior às fls. 1.122/1.1225, ou seja, dia 03/04/2013, em que inclusive solicitou cópia do processo para fins de elaboração de suas razões recursais. 14 – A legislação de regência diz: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.817 23 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. 15 – Se o contribuinte teve o trabalho de ir até a repartição tributária federal e juntar procuração e solicitar cópia do processo logicamente se trata de um ato inequívoco de vontade em tomar ciência da respectiva solução/resultado do processo a fim de proceder da forma como lhe aprouvesse. 16 – Ocorre que, o fato de ter sido encaminhada a ciência também via eletrônica para o DTE (Domicílio Tributário Eletrônico) do contribuinte a meu ver em nada afasta os efeitos dos termos do § 3º do art. 23 do Decreto 70.235/72, pois não há ordem de preferência para a intimação, vale dizer, tem validade a que ocorrer primeiro. 17 – Logo, ao contrário do quanto alegado pela recorrente, a meu ver a data da ciência pelo contribuinte da decisão de piso de acordo com os termos da legislação acima foi em 03/04/2013 e com início do prazo recursal a partir do dia 04/04/2013 e término no dia 03/05/2013, e, portanto intempestiva a peça recursal protocolizada no dia 16/05/2013. Fl. 3328DF CARF MF 24 18 – Portanto, voto no sentido de não conhecimento do recurso do contribuinte na forma da fundamentação, ressalvado apenas deva ser analisada por este E. Colegiado, por se tratar matéria de ordem pública conhecível ex officio pelos julgadores – nenhuma outra alegação preliminar ou de mérito merece conhecimento a matéria de ordem pública quanto a ilegitimidade passiva alegada somente nesse momento recursal pela contribuinte e que passo a expor. Da Ilegitimidade passiva 19 – Caso conhecido o presente recurso passo a análise das preliminares e do mérito, passo ao ponto indicado pela recorrente nos itens 9 a 34 de seu recurso. 20 – Para melhor análise da matéria entendo importante indicar os pontos da impugnação que são esclarecedores nesse caso quanto a atividade da recorrente, fls. 793/794 e 795: Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.818 25 21 – Alega a recorrente às fls. 1.137 que: Fl. 3330DF CARF MF 26 22 – Ao contrário do alegado pela contribuinte somente nesse momento em sua peça recursal, entendo que a mesma é sujeita passiva da relação tributária uma vez que na peça de impugnação não houve qualquer questionamento nesse sentido, sendo fato incontroverso quanto aos termos do relatório fiscal quanto a esse ponto, não havendo que se falar em “busca pela verdade material” na medida em que estamos tratando de matérias de preclusão temporal nos processos a teor do artigo 374 do CPC: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: III – admitidos no processo como incontroversos; 23 – A meu ver o relatório fiscal é claro no sentido de que está efetuando o lançamento sobre os valores repassados pela contribuinte a seus membros a título de doação na forma de bolsas de extensão e pesquisa, sendo certo que a autoridade fiscal está retirando o caráter de doação e isenção indicado na lei de regência para consideralos como remuneração. Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.819 27 24 – Segue o fundamento do relatório fiscal: 25 – Portanto, a meu ver estão caracterizados os termos da sujeição passiva tributária de acordo com art. 22, III da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; 26 – No estatuto social da contribuinte às fls. 46 em seu artigo 3º encontrase elencado seus objetivos como entidade: Fl. 3332DF CARF MF 28 27 – Logo, verificase que para a consecução de seu objeto social e demais atividades da entidade são provenientes da prestação de serviço de seus membros, não sendo crível entender, na forma como sustentada pela recorrente, que tais membros estivessem prestando serviço de forma unilateral e direta sem qualquer vínculo fundacional com a entidade. Isso é incontroverso e há confissão na impugnação: 28 – O entendimento esposado pela recorrente teria êxito apenas a meu ver, nos casos em que os referidos membros fossem remunerados e prestando serviço diretamente a Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.820 29 terceiros (laboratórios, Universidades e Hospitais) sem qualquer atuação ou convênio da Fundação. Com certeza não seria interessante aos membros da Fundação esse modelo de prestação de serviço a terceiros, pois os valores recebidos diretamente desses terceiros seriam tributados, ao contrário dos repassados a título de bolsa pela Fundação. Aliás isso a contribuinte deixou claro em sua impugnação: 29 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário no que tange à matéria da ilegitimidade passiva, e quanto aos demais itens não conhecêlos. MÉRITO DEBCAD Nº 51.035.6915 30 O simples cotejo entre a impugnação (fls. 791/825) e o recurso voluntário (1132/1177) revela que determinados aspectos da autuação não foram contestados quando da impugnação, mas na peça recursal houve total inovação da defesa com matérias anteriormente não levantadas, tais como a ilegitimidade passiva itens 934, ilegalidade do levantamento por arbitramento itens 42 a 67, da impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multa por descumprimento de obrigação acessória itens 115119 e a incidência de juros sobre a multa de ofício itens 120126. Fl. 3334DF CARF MF 30 31 Além disso, afirma a recorrente não ter sido comprovado pela fiscalização itens 60/67, e por isso pede a nulidade do lançamento, a prestação de serviço ou vantagem econômica da contribuinte. 32 – Ocorre que, tais argumentos indicados acima são completamente novos em relação à vertida quando da impugnação, como a mera leitura dessa peça revela, e, a par disso, tratase de matéria que envolve reexame de matéria fática que não fora julgada pela DRJ e não posta ao princípio do contraditório a fim da Fazenda se manifestar, por mais que tenha ocorrido a conversão do julgamento em diligência outrora pela anterior Conselheira Relatora. 33 Tampouco foi ventilado, àquela primeira oportunidade, qualquer óbice vinculado a pretenso arbitramento realizado, quando na realidade a fiscalização se deu por amostragem e não arbitramento. 34 Isso apenas demonstra que o contribuinte não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando não há razão para só agora aduzir os questionamentos referidos. 35 – Cumpre, destarte, não conhecer dessas razões recursais, as quais restam preclusas, por força de expressa disposição legal e nem as provas acostadas em sua peça recursal e posteriores de fls. 1.209/1.287, fls. 1.305/1.306, fls. 1.329/1.372, fls. 1.466/1.468, fls. 1.635/2.645, fls. 2.737/2.777, fls. 2.809/2.815 e fls. 2.851/3.298 aos autos não devem ser consideradas para fins de análise do caso, em razão de comando expresso do art.16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72: “Art. 16 (omissis) Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.821 31 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” 36 Além de não apresentar as provas no momento da impugnação, a Recorrente entendeu por bem junta las no seu "Recurso Voluntário" sem, todavia, justificar de qualquer maneira a razão da juntada posterior, nos termos do §4º do art.16 do Dec. 70.235/72. 37 E não cabe, também, afirmar que há de se observar o princípio da verdade material, pois este nada tem a ver com a preclusão temporal aplicada ao caso, com fulcro no art.16 do Decreto 70.235/72, sendo que eventual óbice a superar com suporte em tal princípio não é de natureza probatória, mas sim procedimental, qual seja, o regime de preclusões relativas à apresentação de provas documentais, mais especificamente a chamada regra da concentração ou da eventualidade, essencial a um processo em contraditório que pretenda avançar em busca de uma solução. 38 – Em decorrência disso, a matéria ventilada em recurso deve limitarse àquela abordada pelo Recorrente em sua Impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, por violação ao princípio do Fl. 3336DF CARF MF 32 contraditório e da ampla defesa, supressão de instância, bem como ao da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador, conforme estabelece a legislação que rege a matéria. 39 – Portanto, vou me ater aos documentos juntados na autuação e na impugnação, para análise da matéria abordada no recurso nos itens 74 115 pois encontrase próxima da matéria ventilada em impugnação. Quanto aos pontos abordados em relação ao lançamento das bolsas de pesquisa – PE entendo que deve ser mantido o lançamento nesses pontos, explico. 40 – Nesse levantamento, entendo que deve ser mantida a autuação, uma vez que em sua impugnação em vários tópicos a defesa foi genérica e não contestando diversos pontos abordados no relatório fiscal em relação aos contratos de pesquisa e também pela própria interpretação das cláusulas dos contratos juntados pela autoridade fiscal. 41 Fica claro que tais bolsas foram distribuídas em detrimento dos termos do art. 6º § 4º do Decreto 5.205/04 tendo natureza mercantil. Art. 6º (omissis) § 4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. 42 – Nesse tópico, indico como minhas as razões de decidir da DRJ como fundamento desse voto: Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.822 33 “As circunstâncias dos contratos entre empresas privadas e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, comprovadas pela autoridade lançadora, descaracterizam o pagamento da bolsa como doação, haja vista o tipo de cláusulas contratuais formalizadas entre as partes, que demonstram, na verdade, interesses comerciais, cercados de normas de segurança atinentes, por exemplo, à quebra de sigilo e direito autoral. Nos termos apresentados, nos contratos, existe a vantagem para o patrocinador da pesquisa pois, ao final, o resultado é de sua propriedade. Os contratos firmados entre a Fundação Médica do Rio Grande do Sul e os Patrocinadores estão revestidos de características de contratos de prestação de serviço, apresentando cláusulas em que a fundação, como ‘BENEFICIÁRIO designado está autorizado a receber todos os pagamentos pelos serviços prestados nos termos deste CONTRATO.” (Grifouse) Ainda, “Todos os tributos e encargos incidentes ou relativos à prestação de serviços objeto do presente acordo de patrocínio para condução de estudo clínico correrão por conta da parte que a este estiver obrigada, sendo retidos na forma da legislação vigente.” (Grifouse) Consta, também, do Relatório do Procedimento Fiscal, a constatação de que os contratos dispõem que os resultados do estudo e quaisquer informações, dados e registros relativo ao estudo serão propriedade exclusiva do Patrocinador: Anexo A Termos e Condições, item 2) Informações Confidenciais e de Propriedade Exclusiva. Todas as informações (incluindo, entre outros, documentos, descrições, dados, Fichas Clínicas "CCRFs"), fotografías, vídeos e instruções) e materiais (incluindo, entre outros, o Produto em investigação e produtos comparadores), fornecidos para o CENTRO DE PESQUISA pela QUINTILES, Fl. 3338DF CARF MF 34 PATROCINADOR ou seus representantes (oralmente, por escrito ou forma eletrônica), e todos os dados, relatórios e informações relativas ao ESTUDO ou seu andamento (doravante denominadas "Informações Confidenciais") serão de propriedade do PATROCINADOR. (...) O PATROCINADOR terá a propriedade exclusiva de quaisquer invenções ou descobertas decorrentes total ou parcialmente das Informações Confidenciais ou decorrentes como resultado do ESTUDO. (...).’ Desse modo, patente a violação ao artigo 6° do Decreto n 5.205/2004, já que os resultados das pesquisas revertem economicamente para o “doador” e o pagamento das bolsas importa contraprestação de serviços. O pesquisador submetese à fiscalização pela contratante do andamento da pesquisa, à sugestão de adoção de procedimentos técnicos, operacionais, e à prestação de contas. Pelo exposto não procede o argumento de que os profissionais que receberam as bolsas de pesquisa não podem ser considerados como contribuintes individuais por receber valores como doação, posto que, no caso em tela, caracterizada a remuneração por serviços prestados.” 43 – Portanto, a meu ver, correto o lançamento fiscal quanto as bolsas de pesquisa e nego provimento ao recurso nesse tópico. 44 – Quanto ao lançamento das bolsas de extensão o único motivo para desconsiderar tais valores como doação de acordo com a decisão da DRJ foi o seguinte: “Conforme informado pelo Auditor Fiscal no Relatório do Procedimento Fiscal, subitem 9.5.4, não há, no convênio firmado entre à Fundação Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.823 35 Médica e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência à bolsa de extensão e coordenação do Programa de Docência em Residência Médica e Assistência à Saúde; e os valores relativos às bolsas não são determinados nos convênios, pois que fixados mensalmente pela Diretoria da Fundação, infringindo as disposições do parágrafo 4° do artigo 6° do Decreto nº 5.205/2004. Consta, também, do Relatório do Procedimento Fiscal, que parte integrante das atividades dos professores médicos vinculados a Fundação Médica do Rio Grande do Sul é a prestação de serviços médicos à população usuária do Sistema Único de Saúde conforme demonstram os Relatórios de Ação de Extensão. A condição para que os valores sejam enquadrados como bolsas é não ser contraprestação a serviços executados pelos beneficiários, conforme previsto no artigo 6° do Decreto nº 5.205/2004.” 45 – A meu ver nesse tópico quanto ao lançamento das bolsas de extensão entendo que merece retoques a r. decisão de piso, quanto a valoração e interpretação da prova quanto a esses convênios. 46 – Os convênios e demais documentos entre a contribuinte e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre foram juntados pela fiscalização e estão às fls. 330/520 dos autos. 47 – Ao contrário do quanto decidido e pela análise desses documentos entendo que os preceitos da Lei 8.958/94 e o Decreto regulamentador 5.202/04, não foram infringidos. Fl. 3340DF CARF MF 36 48 – A meu ver não houve contraprestação de serviço propriamente dita para o SUS, mas a prática da docência pelos membros da contribuinte em um hospital de clínicas ministrando aulas aos médicos residentes. 49 – Mesmo que tenha ocorrido eventual prestação de serviço, nesse caso o ônus seria da fiscalização que a meu ver não se desincumbiu em proválo, efetuando o lançamento apenas por amostragem com análise superficial em alguns contratos e relatórios de docentes. 50 – O caput do art. 1º da Lei 8.958/94 em vigor na época da autuação previa que: “As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes.” Os termos desse artigo devem ser interpretados em conjunto com o artigo 6º do Decreto, pois senão, haveria sobreposição do decreto regulamentador sobre a Lei o que de fato não pode ocorrer. 51 – Entendo que mesmo que tenha ocorrido a referida contraprestação, tenho que é do escopo do contrato entre a instituição federal e a contribuinte, pois encontrase dentro do escopo do “desenvolvimento institucional” e de interesse das instituições federais contratantes de acordo com o que se encontra na Lei de regência na época. Ora, se o HCPA é voltado para o atendimento à população, não vejo nenhum óbice criado pela Lei ou limitação em qualquer sentido nesse caso e portando afasto essa parte da fundamentação do relatório fiscal e da DRJ. 52 – Pela análise dos contratos percebese que houve a definição de um valor fixo para fazer frente às bolsas de extensão durante o ano de 2009 e um valor a título de Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.824 37 encargos administrativos, muito bem definidos e estipulados os valores que mês a mês seriam disponibilizados para a contribuinte para seu mister de acordo com os termos da Lei 8.958/94. 53 – Ao contrário do quanto indicado na decisão de piso entendo que os valores das bolsas de extensão encontramse definidos propriamente dito nos contratos/convênios contendo verba específica e vinculada exclusiva para essa finalidade institucional da recorrente e o simples fato de eventuais valores serem fixados pela Diretoria em nada modifica a natureza já destacada no convênio, de acordo com a inteligência do art. 6º § 4ºdo Decreto 5.205/04 que diz: Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. 54 – Não tenho dúvidas que pela análise dos convênios que nada mais são que a formalização dos projetos entre a instituição federal e a contribuinte, no caso, ficou bem caracterizado todos esses itens indicados na lei e decreto regulamentador e portanto, dou provimento ao recurso para afastar o lançamento relacionado as Bolsas de Extensão. Do DEBCAD nº 51.035.6923 55 – Esse ponto está sendo conhecido posto que indicado em defesa e em sede recursal e portanto passo à análise. 56 Quanto à alegação de que não é possível a aplicação da multa isolada com a multa de ofício, resta prejudicada, pois este lançamento decorre da aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória e não há aplicação da multa de ofício que foi aplicado sobre o principal. Fl. 3342DF CARF MF 38 57 – Portanto, rejeito o argumento, não havendo que se falar em sobreposição de multas uma vez que ambas tem suporte fático diverso, devendo nesse ponto ser apenas revista pela autoridade preparadora os valores em decorrência do afastamento dos lançamentos sobre EX (Bolsas de extensão) 58 – Nesse ponto, apenas provido em parte para a autoridade preparadora providenciar o recálculo dos valores em vista da exclusão do lançamento EX (Bolsas de Extensão). Conclusão 59 Diante de todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso e na parte conhecida em afastar as preliminares levantadas e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir do lançamento os valores de EX (Bolsas de Extensão) e quanto à multa para a autoridade preparadora efetuar o recálculo com base nas exclusões indicadas no lançamento. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Voto Vencedor Ana Cecília Lustosa da Cruz – Redatora Designada Não obstante o bem fundamentado voto do Relator, foi instaurada divergência relativa à tempestividade do recurso. Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.825 39 O histórico fático foi assim descrito pelo Relator: 9 – Após decisão da DRJ de fls. 1.101/1.116, houve a juntada aos autos de procuração e solicitação de cópias dos autos (fls. 1.122/1.125) pela contribuinte no dia 03/04/2013 por Diego Borges Braga pessoa que se encontra na procuração da recorrente juntada para o respectivo ato atestado pelos servidores da unidade preparadora. Com efeito, as cópias foram retiradas no dia 04/04/2013. 10 – Ato contínuo, às fls. 1.126 encontrase termo de abertura de documento eletrônico em que há a confirmação de que cópia do acórdão e o resultado do julgamento foi aberto pelo contribuinte tomando ciência do respectivo acórdão: 11 – Às fls. 1.127 termo de ciência por decurso de prazo com a informação da RFB que os documentos acima estavam na caixa de email do ECAC do contribuinte desde o dia 02/04/2013 e o decurso de prazo de 15 (quinze) dias em 17/04/2013. 12 – A recorrente protocolizou seu recurso no dia 16/05/2013 (fls. 1.132). Ocorre que, por mais que na época dos fatos a legislação do decreto 70.235/72 considerasse a contagem do prazo recursal via intimação eletrônica após 15 (quinze) dias da disponibilização dos documentos na caixa postal do contribuinte, a meu ver o recorrente tinha sido intimado muito antes. 13 – Como dito, a meu ver o recorrente tomou ciência do resultado do julgamento em ato bem anterior às fls. 1.122/1.1225, ou seja, dia Fl. 3344DF CARF MF 40 03/04/2013, em que inclusive solicitou cópia do processo para fins de elaboração de suas razões recursais. (…). 16 – Ocorre que, o fato de ter sido encaminhada a ciência também via eletrônica para o DTE (Domicílio Tributário Eletrônico) do contribuinte a meu ver em nada afasta os efeitos dos termos do § 3º do art. 23 do Decreto 70.235/72, pois não há ordem de preferência para a intimação, vale dizer, tem validade a que ocorrer primeiro. 17 – Logo, ao contrário do quanto alegado pela recorrente, a meu ver a data da ciência pelo contribuinte da decisão de piso de acordo com os termos da legislação acima foi em 03/04/2013 e com início do prazo recursal a partir do dia 04/04/2013 e término no dia 03/05/2013, e, portanto intempestiva a peça recursal protocolizada no dia 16/05/2013. Apesar do exposto, observase que, nos autos, consta Termo de Ciência por Decurso de Prazo emitido pela Receita Federal, no qual dispõe sobre a data de ciência do contribuinte, em 17/04/2013, e, sendo o recurso apresentado no prazo legal de 30 dias, em 16/05/2013, encontrase tempestivo. Cabe ressaltar que o mencionado Termo, que se exterioriza como ato administrativo caracterizado pela presunção de veracidade, repercute no contribuinte com a demonstração da segurança de possuir o prazo ali consignado, de modo a preservar a confiança legítima do administrado. Destituir do Termo a sua capacidade probante também, no presente caso, seria permitir o "venire contra factum proprium", que significa vedação do comportamento contraditório, baseandose na regra da pacta sunt servanda. Segundo o prof. Nelson Nery, citando Menezes Cordero, venire contra factum proprium' postula dois comportamentos da mesma pessoa, lícitos em si e diferidos no tempo, ou seja, a administração assegura, por meio de um documento o prazo recursal, e, posteriormente, aduz a intempestividade contrariamente a seu próprio documento, o que não atende a segurança jurídica, bem como fere o contraditório e a ampla defesa. Diante desse contexto, conheço do recurso, pois presentes todos os requisitos de admissibilidade. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz – Redatora Designada Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 11080.735705/201267 Acórdão n.º 2201003.720 S2C2T1 Fl. 2.826 41 Fl. 3346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906665/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.508
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 66 65 /2 01 1- 57 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.413. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.906665/201157 Acórdão n.º 3302004.508 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 51DF CARF MF
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