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Numero do processo: 10580.728625/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA.
O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2007. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 25 /2 00 9- 56 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/200956 Acórdão n.º 2801003.083 S2TE01 Fl. 55 2 Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 124,62, incluídos multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 29 deste processo digital, que houve a glosa do valor de R$ 1.800,00, pleiteado indevidamente a título de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/SDR, por intermédio de acórdão de fls. 37/38. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/03/2011 (Termo de Intimação à fl. 42), o Interessado interpôs, em 04/04/2011, o recurso de fl. 43/44. Na peça recursal alega, em síntese, que: Deixou de incluir, na sua primeira declaração, o valor recolhido de R$ 1.800,00, a título de carnêleão, o que resultou em imposto a pagar de R$ 1.891,55, recolhido em 22.04.2008 com o código de receita 0211 (cópia em anexo). No dia 29.03.2009 apresentou a primeira declaração retificadora, o que resultou em imposto a pagar no valor de R$ 91,12. Em 14.04.2009 apresentou a segunda declaração retificadora, incluindo o valor de R$ 1.800,00 (cópias dos DARF em anexo), que resultou em imposto a restituir da ordem de R$ 1.708,88. Reanalisando a segunda declaração retificadora, percebeu, mais uma vez, que o valor da restituição estava a menor, pois o correto seria R$ 1.800,43 (R$ 1.891,55 – R$ 91,12). Contudo, não enviou a terceira retificadora em razão do recebimento da presente Notificação de Lançamento. Ao final, pugna pela juntada do conta corrente de seu CPF onde constarão os valores pagos, bem como seja convidado a prestar explicações verbais para eliminar o impasse. Pleiteia, outrossim, que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. O motivo do lançamento foi a compensação indevida de imposto complementar (código de receita 0246), no valor de R$ 1.800,00. No recurso, o Interessado colaciona aos autos cópias de DARF que totalizam o mesmo valor (fls. 48/51), recolhidos a título de carnêleão durante o anocalendário de 2007 (código de receita 0190). Anexa, também, comprovante de pagamento do DARF de fl. 52, no valor de R$ 1.891,55, recolhido em 22.04.2008, com código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de ajuste anual). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/200956 Acórdão n.º 2801003.083 S2TE01 Fl. 56 3 A declaração retificadora apresentada em 14.04.2009, que originou a presente Notificação de Lançamento, evidencia que o Recorrente lançou, na ficha “Rendimentos recebidos de Pessoas Físicas” (fl. 20), o valor de R$ 1.800,00, recolhidos no anocalendário de 2007 a título de carnêleão (DARF às fls. 48/51, código de recolhimento 0190), além do valor de R$ 1.800,00 na ficha “Demais Rendimentos” (fl. 21), a título de imposto complementar. O que se percebe, pela linha argumentativa do Recorrente, é que ele, por não ter lançado os valores recolhidos a título de carnêleão na declaração primeva e ter recolhido o valor de R$ 1.891,55 no código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de ajuste anual, recolhido em 22.04.2008), tentou recuperar R$ 1.800,00 (R$ 1.800,43 = R$ 1.891,55 R$ 91,12) por via transversa, lançandoo, na segunda retificadora, como se fosse “imposto complementar”, o que não é permitido pela legislação do imposto de renda, haja vista que os recolhimentos a esse título devem ser feitos no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro. Noutro giro verbal: o recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2007. Assim, correta a glosa do valor de R$ 1.800,00 pleiteado indevidamente a título de “imposto complementar”, porquanto não houve recolhimento a esse título no ano calendário de 2007. Observo, por oportuno, que é totalmente desnecessária a juntada do conta corrente do Interessado, que, se tivesse recolhido algum valor a título de imposto complementar, tal como lançado na segunda retificadora, teria colacionado aos autos os comprovantes de recolhimento, assim como fez com os valores pagos a título de carnêleão. Registro, por derradeiro, que se o Recorrente tem interesse em prestar explicações verbais para eliminar o impasse, poderia têlo feito neste Plenário, mediante sustentação oral, mas não por convite da Administração Tributária. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001757/2004-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais.
2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 57 /2 00 4- 65 Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 2.454/2.455) complementar, no valor de R$ 815.963,47, ao crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 4.493.909,26, anteriormente reconhecido por meio do Despacho Decisório de fls. 2.386/2.399, que se tornou definitivo na esfera administrativa, em face da ausência de contestação. Em cumprimento à determinação judicial, exarada na Sentença de fls. 2.542/2.521, o titular da Unidade da Receita Federal de origem proferiu o Despacho Decisório de fls. 2.722/2.730, em que reconheceu, parcialmente, o crédito complementar pleiteado, no valor de R$ 19.639,21, acrescido da taxa Selic a partir de 25/6/2009, com base nas razões apresentadas nos itens 19 a 31 (fls. 2.725/2.728). A glosa parcial do crédito, no valor de R$ 796.324,26, foi motivada pelos fatos explicitados nos itens 19 a 30, a seguir transcritos: CFOP 2.151 (Matriz) 19. De acordo com os esclarecimentos prestados pela interessada nas fls. 2592/2594, é com a dedução dos valores relativos ao Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 2.151 (transferências para industrialização da filial para a matriz) da soma dos demais CFOP's listados no quadro acima que se explica as diferenças entre os valores apontados na linha 12 do DCP original (ajustado pela RFB) e do DCP retificador. 20. Assim, a interessada reconhece que tais valores (2.151), que integraram o cálculo original do crédito presumido, não deveriam ter integrado esse cálculo. 21. De fato, essas operações de transferências da filial para a matriz não se referem a aquisições (ainda que delas decorrentes), portanto, não deveriam ter integrado o cálculo original, ainda mais agora, que se pretende incluir as aquisições feitas pela filial no novo cálculo. Por isso, a análise dos documentos relativos aos demais CFOP's listados no quadro acima implica a exclusão dos valores relativos ao CFOP 2.151 do cálculo original. CFOP 2.116 (Matriz) 22. Na análise dos documentos do CFOP 2.116, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. 23. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas, conforme demonstrado no Anexo I (fls. 2659/2661), verificou se que: Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 11 3 a) Os documentos foram localizados nos arquivos digitais (fiscais), mas não constam da contabilidade, fato que não caracteriza uma aquisição regular de mercadorias, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS" as mercadorias adquiridas, portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e b) Tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5°, §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. 24. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas jurídicas, conforme demonstrado no Anexo II (fls. 2662/2670), verificouse que: a) Alguns documentos foram localizados nos arquivos digitais (fiscais), mas não constam da contabilidade, fato que impossibilita caracterizar a operação como regular, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS" as mercadorias adquiridas, portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e b) Os demais documentos, emitidos por DAL PAI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO CNPJ 76.490.887/000458 e INDÚSTRIAS PEDRO N. PIZZATO LTDA CNPJ 76.501.394/000476, não foram localizados nos arquivos digitais, fato que impossibilita a identificação e o enquadramento das mercadorias adquiridas. Somado a isso, também não foram localizados na contabilidade, fato que impossibilita caracterizar a operação como regular, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. PESSOAS FÍSICAS (Matriz) 25. Verificouse inicialmente que o total das operações de compra de mercadorias de pessoas físicas no trimestre coincide com o valor total que não foi considerado no cálculo inicial do crédito presumido (nem pela interessada no DCP, nem pelo Fisco). Por isso, o valor total do período, para o efeito de cálculo do crédito presumido, foi computado uma única vez, pois, com certeza, não se referem (ou não deveriam se referir) a operações diversas. De qualquer modo, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 26. Procedida à análise do demonstrativo apresentado pela interessada, conforme demonstrado no Anexo III (fls. 2671/2676), verificouse que: a) A quase totalidade dos documentos (aqueles que constaram dos arquivos digitais) aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; b) Alguns dos documentos relacionados são, na verdade, da Filial 0002, portanto, lançados indevidamente na matriz (em duplicidade); c) Outros documentos se referem a aquisições de produtos para recebimento futuro (simples faturamento CFOP 2.922), cuja inclusão no cálculo do crédito presumido somente é permitida a partir do momento da sua efetiva entrada no estabelecimento adquirente (art. 17 da IN SRF no 315/2003 já citada na la decisão); d) Outros documentos foram omitidos nos arquivos digitais, fato que impede identificar e enquadrar as mercadorias adquiridas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e e) Por fim, tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5 0 , §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. CFOP 1.101 (Filial 0002) 27. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais apresentados, parte dos documentos do Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 1.101 encontrase devidamente lançado na escrita fiscal (livros fiscais) e também na contabilidade, fato que denota, em face do registro contábil do pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta nesses arquivos digitais (campo "descrição da mercadoria" / "descrição complementar da mercadoria" do arquivo 4.3.4 do ADE COFIS n° 55/2009) tratarse de aquisição de mercadorias enquadradas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Mostrase, assim, procedente a inclusão de parte desses valores no recálculo do crédito. Já em relação ao restante dos documentos, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. 28. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 2677/2679), verificou se que: a) A totalidade dos documentos aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 12 5 b) Além disso, tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5°, §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. 29. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas jurídicas, conforme demonstrado no Anexo V (fls. 2680/2681), verificouse que a totalidade dos documentos aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. CFOP 2.101 (Filial 0002) 30. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais apresentados, parte dos documentos do Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 2.101 encontrase devidamente lançado na escrita fiscal (livros fiscais) e também na contabilidade, fato que denota, em face do registro contábil do pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta nesses arquivos digitais (campo "descrição da mercadoria" / "descrição complementar da mercadoria" do arquivo 4.3.4 do ADE COFIS n° 55/2009) tratarse de aquisição de mercadorias enquadradas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Mostrase, assim, procedente a inclusão de parte desses valores no recalculo do crédito. Já em relação ao restante (anexo VI fl. 2682), verificouse que o documento aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. (grifos não originais) Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 2.754/2.758), a recorrente contestou apenas a glosa da parcela dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, com base na alegação de que todas as aquisições de insumos, independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deviam ser computadas na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2.773/2.779), em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que as compras de insumos de pessoas físicas não podiam ser utilizadas para efeito de determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Em 30/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 30/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 2.785/2.794, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o regime do recurso repetitivo, no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993.164/MG, reconhecera a ilegalidade das normas que excluíra da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das matériasprimas e dos insumos adquiridos de pessoas físicas. Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase apenas a glosa dos créditos relativos às compras de pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, descritas nos Anexos I (fls. 2.684/2.686), III (fls. 2.696/2.701) e IV (fls. 2.702/2.704) do Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI do 4º Trimestre de 2003. Conforme delineado no relatório precedente, as razões da glosa dos créditos provenientes das aquisições de pessoas jurídicas quanto dos créditos decorrentes das compras das pessoas físicas foram fundamentadas praticamente nos mesmos fatos. Porém, a recorrente não contestou à glosa dos créditos relativos às aquisições das pessoas jurídicas. Com efeito, a inconformidade da recorrente limitouse apenas as glosas dos créditos decorrentes das compras das pessoas físicas, porém, limitada à questão jurídica, ou seja, a existência de restrição normativa ao direito de apropriação do crédito presumido do IPI relativo às aquisições de pessoas físicas. Entretanto, conforme explicitado nos itens 23, 26 e 28 do contestado Despacho Decisório, além do óbice de natureza jurídica, foram relatadas questões de natureza fática que motivaram a glosa dos referidos créditos. Tais fatos, em suma, foram os seguintes: a) uma parte dos documentos não foi localizada nos arquivos digitais; b) outra parte dos documentos foi lançada em duplicidade; e c) a parte restante dos documentos, embora localizada nos arquivos digitais, apresentava as seguintes irregularidades: c.1) uma parte dos documentos não foi registrada na contabilidade; c.2) outra parte dos documentos se referem a aquisições de produtos para recebimento futuro, cuja inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI somente é permitida a partir do momento da sua efetiva entrada no estabelecimento adquirente; e c.3) os produtos foram descritos como “DIVERSOS”, o que impossibilitava o enquadramento das respectivas aquisições como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Conforme mencionado, no recurso em apreço, assim como na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou apenas que as aquisições de pessoas físicas integravam a base de cálculo do crédito presumido do IPI, com suporte no entendimento esposado na jurisprudência administrativa e judicial transcrita na peça defensiva, porém não apresentou qualquer contestação em relação às relevantes irregularidades apontadas pela fiscalização, tampouco apresentou qualquer elemento probatório que infirmasse os motivos fáticos da glosa dos créditos decorrentes das compras de pessoas físicas. No âmbito deste Conselho, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, a questão jurídica, atinente à falta de amparo legal para apropriação dos Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 13 7 créditos provenientes das aquisições de insumos de pessoas físicas, ficou superada a partir da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), prolatado no julgamento do REsp nº 993.164/MG, processado sob regime do art. 543C do CPC, que reconheceu o direito de o contribuinte apropriarse do crédito presumido do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens adquiridos de pessoas físicas. O enunciado da ementa do referido acórdão tem o seguinte teor, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 14 9 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Entretanto, conforme já mencionado, além da questão jurídica, a fiscalização apontou diversas irregularidades nos elementos probatórios apresentados pela recorrente que impossibilitam o reconhecimento do alegado direito creditório. Ademais, a recorrente não contestou nem apresentou qualquer explicação sobre tais irregularidades, o que torna a matéria fáticoprobatória incontroversa. Dessa forma, na ausência de comprovação da regularidade da aquisição dos insumos de pessoas físicas, bem como de parte dos registros contábeis e fiscais das respectivas operações, fica impossibilitado o reconhecimento do respectivo direito creditório. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 11060.003122/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Relatório
Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir:
Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal.
Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas.
Nulidade do Lançamento
A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa.
Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais.
Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção.
Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa.
Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento.
A glosa de valores estranhos à obra
Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações.
Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior.
A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção
Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14.
De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005.
Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009.
Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que:
- no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72;
- no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72;
- no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94.
Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar.
A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005
O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador.
Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004.
Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005.
Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003.
De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento.
A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais
Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira.
Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio).
Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid.
Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR.
Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial.
Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento.
A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro
A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide.
Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas.
De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar').
De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos).
A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias
Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos).
A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem.
A fase (período cronológico) da edificação da obra
O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos).
Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos.
Para ter certeza, basta ver:
- as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos;
- nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação.
Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros.
| Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador.
A fase (momento cronológico) da alienação da obra
O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda".
A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos).
Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos.
Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco.
A inexistência de prejuízo aos demais parceiros
Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros".
No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar.
O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu.
A inexistência de prejuízo ao Fisco
Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco.
Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro).
Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa.
Outro erro de raciocínio da fiscalização
Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'.
Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es).
Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém.
Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas.
A improcedência da glosa das "demais despesas".
A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis.
Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento.
Os pedidos
Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento.
No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO.
Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea.
Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo:
ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO
- A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa.
- A glosa de valores estranhos à obra.
- A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção.
Neste ponto, o Recorrente observa que:
- A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
- A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação.
- Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente.
A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA.
- A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais.
- A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro.
- A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias.
- A inexistência de prejuízo aos demais parceiros.
- A inexistência de prejuízo ao Fisco.
- Erro de raciocínio da fiscalização.
Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que:
ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA
O desconhecimento dos fatos de outro processo
- A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte.
- A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado.
- Considerando que a decisão recorrida está embasada em prova emprestada inexistente, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica.
A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora
- O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente".
- No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento".
A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa
- Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa.
- Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal.
O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS)
- No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83.
- Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos.
- Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam).
- O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso.
- Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'.
- Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' inclusas as edificações submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual.
- Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente.
A improcedência da glosa das "outras despesas".
- Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados.
Pedidos
Ao fim, requer o Recorrente:
- preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância;
- no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal.
Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em prova emprestada inexistente, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' inclusas as edificações submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 03 12 2/ 20 09 -1 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 153 2 Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentarse na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizandoas, verificase que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: no anocalendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; no anocalendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; no anocalendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 154 3 Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao anocalendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõese o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao anocalendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verificase que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verificase que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filhovarão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verificase que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceirooutorgante e parceiros arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 155 4 familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnicofinanceiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terranua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terranua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, tornase evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 156 5 nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poderseia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verificase que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verificase que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 157 6 Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verificase que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjugemeeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoiase no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 158 7 Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. A glosa de valores estranhos à obra. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 159 8 A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. A inexistência de prejuízo ao Fisco. Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõese concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestarse, o processo administrativofiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. Não tendo assim acontecido, criouse a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/201060), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 160 9 Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terranua e das benfeitoras/equipamentos. Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verificase que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terranua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terranua), submetese à tributação na modalidade 'ganho de capital'. Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetemse ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. Deduzindose que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terranua e das benfeitoras/equipamentos, impõese concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 161 ___________ Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Da simples leitura do “Relatório de Fiscalização”, acostado aos autos em fls. 80/84 deste processo digital, verificase que o mesmo está incompleto, impossibilitando a exata compreensão da materialidade da infração imputada ao contribuinte. Descrevo, para comprovar o afirmado, duas situações em que se pode constatar, de pronto, que o referido “Relatório” está mutilado: a) o início da fl. 81 deste processo digital (fl. 47 do processo físico) está em letra minúscula e desconectado da parte final da fl. 80 (fl. 46 do processo físico), que termina com um parágrafo integral, finalizado por ponto final; e b) o impugnante descreve, em sua peça de defesa, excertos do “Relatório de Fiscalização”, às fls. 93/95 do processo digital (fls. 59/61 do processo físico), que não constam da peça fiscal adunada aos autos pela Autoridade preparadora. Observo, por oportuno, que a segunda situação mencionada evidencia que o contribuinte recebeu o “Relatório de Fiscalização” em sua inteireza, o que, apenas em juízo de delibação, não me induz, neste momento, à decretação de nulidade do lançamento. A instrução deficitária do Auto de Infração, principalmente da peça que descreve os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação, impede, a meu ver, que este Colegiado afira a (i) regularidade do lançamento. A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que a Autoridade lançadora demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese de incidência abstratamente descrita, sendo temerário, em meu entendimento, concluir o julgamento com os autos instruídos de forma precária. A descrição dos fatos é elemento fundamental à formação da livre convicção do julgador, posto que uma minudente descrição pode, a meu ver, até mesmo suprir eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no Auto de Infração. Nesse contexto, a fim de se evitar prejuízos a quaisquer das partes e prestigiar a segurança jurídica, sou pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem: a) junte aos autos o “Relatório de Fiscalização” em sua integralidade; b) intime o Recorrente para, caso queira, se manifestar sobre os pontos abordados nesta Resolução. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10715.000820/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006
EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.
O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE.
Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 20 /2 01 0- 89 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração (fls. 01/ss) para a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 140.000,00, por registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107, inc. IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O presente processo trata da exigência do valor de R$ 140.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as autoridades lançadoras, ao verificar o cumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, constataram que a contribuinte acima identificada deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes ao transporte internacional realizados no mês de maio de 2006, iniciado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "Auto de Infração n° 0717700/00047/10", parte integrante do respectivo auto de infração, uma vez que de acordo registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. A contribuinte apresentou, às fls. 16 a 20, impugnação administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada. Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o auto de infração em apreço foi lavrado "com total carência de informações que possam relacionar as Declarações de Exportações (DEs) nele referidas, com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs)", o que impõe sua nulidade, "uma vez que dificulta, ou impede completamente, a defesa da Impugnante". No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora da espécie, posto que a locução "deve prestar", contida no artigo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 116 3 37 do Decretolei 37/1966, modificado pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, constitui mera recomendação ao transportador, não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que se referem às diversas declarações de exportação objeto da apuração realizada; (iii) jamais deixou de prestar as informações pertinentes aos embarques às autoridades aduaneiras, pois de outra forma não teria ocorrido o desembaraço, muito menos o embarque das referidas mercadorias; (iv) em atendimento à recomendação legal, imediatamente disponibilizou às autoridades aduaneiras dossiê contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais documentos pertinentes à carga, o que causa estranheza à firmação contida na peça acusatória; (v) a rigor não há fato gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração, pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata da nulidade do lançamento por vício formal. (fls. 46 a 49). Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a fim de ver cancelada a multa exigida. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0722.666 de 17 de dezembro de 2010 (folhas 51/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DE FATO E DE DIREITO. INOCORRÊNCIA É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata que todos os fatos e bases legais indispensáveis à compreensão do feito fiscal e à sua validação estão presentes no auto de infração e no demonstrativo que o acompanha. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento da obrigação de prestar à Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas é punível por embarque no veículo transportador, cuja data a ser Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo, no caso de transporte aéreo internacional. NÚMERO DA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONHECIMENTO DE CARGA. TRANSPORTADOR. É defeso ao transportador aéreo alegar desconhecer o número atribuído à declaração para despacho de exportação uma vez que referida informação deve obrigatoriamente constar em todos os documentos que instruem o despacho, em especial no conhecimento e no manifesto de carga. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui natureza objetiva, cuja sanção objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte dos transportadores e seus representantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 24/01/2011 (folhas 59/61) interpôs Recurso Voluntário em 11/02/2011 (fls. 62/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, além de argumentar sobre “fato novo” a justificar a exclusão das multas aplicadas, trazidas pela IN SRF nº 1.096/2010, que ampliou para sete dias o prazo constante da IN SRF nº 28/1994 para o registro dos dados pertinentes aos embarques das empresas aéreas no Siscomex. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 117 5 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).” (grifei) Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a aplicação da retroatividade benigna a situações como a que se apresenta nesse litígio, estou alterando entendimento anterior já adotado nessa Turma (quando acompanhei a i. relatora no Acórdão nº 3202000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender que a situação fática posta nesses autos amoldase perfeitamente à hipótese de retroatividade benigna. Senão vejamos. A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Nesse diapasão, o CTN consagrou no artigo 106, inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. O professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª edição, p. 95) afirma que “as duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 118 7 Muito embora concorde que a ponderação do jurista é extremamente pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amoldase melhor à situação fática. Isto porque a legislação nova (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de tratar o ato praticado não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias (previstos na IN SRF n° 28/94 alterada IN SRF n° 510/05) – como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão (alínea “b”), uma vez que a nova norma prescreve, agora, o prazo de 7 dias. Em outras palavras, o ato de não registrar os dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova norma. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para aqueles casos em que o registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex tenham ocorrido em até 7 dias nos termos do que dispõe a IN SRF n° 1.096, norma que atualmente regula a matéria. Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou na Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à retroatividade benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex: “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (Grifei) Portanto, aplicandose a retroatividade benigna devem ser excluídas da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 dias. Restam, então, apenas três embarque cujos dados foram informados após o prazo de 7 dias, para os quais deverão ser mantidas as multas aplicadas, conforme tabela abaixo elaborada a partir dos dados informados pela fiscalização às folhas 9/10: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 DDE: Data de embarque: Data da informação no sistema: Voo: Dias de atraso: Total de voos no dia: 20605265674 07/05/06 17/05/06 AA904 10 20605274738 07/05/06 17/05/06 AA904 10 1 2060551988 15/05/06 12/07/06 AA905 27 1 20605489491 15/05/06 03/08/06 AA904 49 1 Na contagem dos prazos foi considerada a forma prescrita pelo caput do artigo 210 da Lei 5.172/66 CTN que determina os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Quanto ao critério utilizado para aplicação da multa entendemos estar correta a forma adotada pela fiscalização, ao considerar que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque/voo e não em relação a cada despacho de exportação constante desse embarque. Este, inclusive, é a orientação trazida pela Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, acima transcrita. Destarte, comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema restou perfeitamente tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00 por embarque. Passemos a análise dos demais pontos arguidos pela Recorrente. Não procede a alegação de que a autuação não esclareceu quais foram os conhecimentos aéreos (AWBs) a que se referem as diversas DEs objetos da apuração realizada, o que teria como consequência a nulidade da autuação fiscal. Como muito bem destacado pela decisão de primeira instância, a autuação fiscal informa claramente que a empresa foi penalizada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória referida no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, na medida em que deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes realizados no decorrer do mês de maio de 2006, iniciados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, relativamente às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's discriminadas no auto de Infração, tendo em vista que segundo o comando do inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994 considerase extemporâneo o registro dos dados de embarque relativos aos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias (à época, prazo este alterado posteriormente para 7 dias). As autoridades fiscais juntaram às fls. 9 a 11 demonstrativo onde estão explicitados os embarques/voos que deram fundamento à autuação, Não há, portanto, como acatar a alegação de cerceamento ao direito da Recorrente de se defender em razão da não possibilidade de conhecimento dos fundamentos de fato e de direito da autuação. Abaixo transcrevese trechos do voto condutor do Acórdão da DRJ Florianópolis com os quais concordo plenamente e adoto também como fundamento deste voto, verbis: Não assiste razão à impugnante, pois o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, estatui que "o transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos". Portanto, se evidencia da norma que o transportador, independentemente do modal que opere, tem Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 119 9 participação ativa no processo de exportação, na medida em que tem a obrigação de informar no Siscomex os dados de embarque de determinada carga, que, por sua vez, é identificada no referido sistema pelo número da declaração de exportação (ME). Logo, é desarrazoado que a autuada, na qualidade de transportadora aérea, afirme desconhecer o fundamento da autuação pelo fato de o auto de infração não mencionar a correlação existente entre os conhecimentos aéreos e as declarações de exportação listadas às fls. 06/07, uma vez que referida informação é pré requisito para que tenha condições para efetuar o embarque das cargas sob sua responsabilidade. Corroborando a assertiva acima, o parágrafo 3º do artigo 16 da referida IN/SRF 28/1994, prevê textualmente que o número do despacho de exportação (DDE) deve obrigatoriamente constar do próprio conhecimento de embarque. Quanto à afirmação da Recorrente no sentido de que “não há fato gerador válido para a imposição daquela indevida multa, eis que a própria norma legal invocada — qual seja, o Artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2811994 — não envolve jus cogens, mas mera recomendação para fornecer tais informações, ...”, a meu sentir, é totalmente improcedente. No caso em tela a conduta praticada pela interessada, ao deixar de prestar informações sobre veículo ou carga transportada no Siscomex, no forma e prazo previstos pela RFB, subsomese perfeitamente a hipótese normativa prescrita pelo artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo a multa no valor de R$ 15.000,00 em relação apenas aos três embarques para os quais os dados foram informados após o prazo de 7 dias no Siscomex. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000022/99-30
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995
Restituição de Tributos Indiretos -Requisitos.
No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito.
Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte.
IPI - Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621.
Numero da decisão: 9303-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou-se a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Valmar Fonseca de Menezes Presidente substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora.
Henrique Pinheiro Torres Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou-se a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Valmar Fonseca de Menezes Presidente substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora. Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Análise de prova pela CSRF. Possibilidade. Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à evidência das provas, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou se dentro dos ditames legais. No Regimento Interno do CARF ou em qualquer parte da legislação processual, não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado a evidência das provas dos autos. Uniformização de Jurisprudência. Tribunais Superiores. (Art. 543B e 543C do CPC). Necessidade de Reprodução das Decisões pelo CARF (Art. 62A do RICARF). IPI Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 00 22 /9 9- 30 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastouse a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto Maria Teresa Martínez López Relatora. Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Na sessão plenária de 23 de fevereiro de 2005, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 124.672 e decidiu, por maioria de votos, darlhe provimento. A decisão foi formalizada no Acórdão n° 20310.010, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.645 3 "IPI. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. O prazo para se pleitear a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de IPI começa a contar a partir da publicação da Instrução Normativa 67/98. COMPROVAÇÃO. Resta expressamente autorizada a compensação dos valores pelos clientes da Recorrente, nos termos do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Recurso provido." Ciente do referido acórdão, a Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n. 55, de 16/03/98, interpôs o Recurso Especial de fls. 1.547/1.550, onde: afirmou que a interessada não podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu o ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repetilo por quem o assumiu, nos termos do art. 166 do CTN; e protestou pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos a contar do pagamento indevido para a restituição do indébito de IPI. Alegouse no recurso especial, em síntese, afronta à prova dos autos e violação ao princípio do ônus da prova, previsto no artigo 333 do Código de Processo Civil. A interessada, produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra", entrou com pedido de restituição/compensação em 01/02/199, referente ao imposto de IPI recolhido indevidamente referente ao período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995. O pleito fundouse na Instrução Normativa SRF nº 67, de 14/07/98, cujo teor é o seguinte: Art. 1º Os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ou com indicação do imposto tendo em vista decisão judicial, e que não tenham promovido seu recolhimento, deverão oferecer à tributação e recolher ao Tesouro Nacional, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação desta Instrução Normativa, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, quando cabíveis, e as Contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), respeitados os períodos de apuração do imposto e de cada contribuição. Art. 2º Os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e que tenham Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 promovido seu recolhimento, poderão solicitar a restituição dos valores pagos na forma da legislação vigente. Parágrafo único. O valor a restituir será utilizado para quitar, mediante compensação, qualquer débito existente, inclusive o decorrente do oferecimento à tributação do valor da restituição, nos termos do art. 1º, ficando a restituição restrita ao saldo resultante dessas compensações, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, e 73, de 15 de setembro de 1997. Art. 3º Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI. Art. 4º Para fins de identificação do tipo de açúcar saído dos estabelecimentos industriais deverão ser adotadas as especificações técnicas contidas na Resolução IAA nº 2.190, de 30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários tipos de açúcares de produção direta das usinas e refinarias autônomas do País. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (grifos e destaques nossos) Em suma, a contribuinte asseverou que recolheu o IPI incidente sobre a saída de açúcares de cana à alíquota de 18%, enquanto que a IN SRF nº 67/98 reconheceu o indébito e autorizou a sua restituição e compensação. Por meio do Despacho n. 203019, de fls.1555, sob o entendimento de estarem presentes as condições legais, o recurso foi admitido. A interessada apresentou contrarrazões onde em apertada síntese pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López Duas questões foram colocadas a discussão. A Primeira diz respeito ao prazo decadencial/prescricional para solicitar a restituição/compensação do imposto pago indevidamente, e a segunda diz respeito à prova, no entendimento de que a interessada não podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu o Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.646 5 ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repetilo por quem o assumiu, nos termos do art. 166 do CTN. Conheço parcialmente do recurso, apenas quanto ao primeiro tema: decadencial/prescricional para solicitar a restituição/compensação i) Decadência/prescrição: A interessada, produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra", entrou com pedido de restituição/compensação em 01/02/199, referente ao imposto recolhido indevidamente referente ao período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, sempre ressalvei a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2. Posteriormente a jurisprudência se consolidou nesse sentido. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 A decisão do STF, confirmou o entendimento do STJ, no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio Grande do Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.647 7 O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621/RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da lei complementar n° 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Pois bem, tendo em vista que o pedido de restituição foi efetuado em 01/02/1999, e se refere aos recolhimentos de valores a título de IPI sobre açucares no período de fev/92 a ag/95, nenhum período encontrase decaído. ii) Da suposta contrariedade à lei ou evidência de provas Defende a Fazenda Nacional que: No presente caso, o requerente não provou nem que assumiu os encargos do tributo, nem que não os transferiu a terceiros. Bastava provar que os adquirentes dos produtos eram comerciantes finais, ou revendedores que não os utilizam em processos de industrialização. Mas tal prova não foi produzida. Logo, para a segurança do Erário, que poderá ser desfalcado por conta da duplicidade do aproveitamento desse IPI, é preciso reformar o acórdão. Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 entre eles, a verificação de se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à sua apreciação: Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável à recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso interposto pela Procuradoria. O litígio diz respeito basicamente ao reexame da prova acostada nos autos. Da mesma forma manifestada nos precedentes, de interesse da ora interessada, anteriormente citados não cabe a CSRF reanalisar a prova, apreciada pela então AC. 20310.010. O Acórdão recorrido entendeu, pelas provas juntadas, assistir direito à contribuinte. O conceito de reexame de prova deve ser atrelado ao de convicção, pois o que não se deseja permitir, quando se fala em impossibilidade de reexame de prova, é a formação de nova convicção sobre os fatos já analisados pela Câmara recorrida. Não me parece razoável, em outras palavras, que a CSRF venha a viabilizar um juízo que resulte da análise dos fatos a partir das provas. Em outras palavras, não me parece razoável a análise de ter ocorrido pela Câmara apreciação inadequada das provas e consequentemente formar uma nova convicção sobre os fatos. O julgador, antes de valorar as provas, deve estar certo de que a prova é idônea para formar o seu convencimento. Nesse sentido cito outro precedentes da CSRF. Acórdão nº: CSRF/0105.292 RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL INEXISTÊNCIA Não se conhece do apelo que não demonstra a existência de decisão paradigmática em face da vergastada, especialmente quando esta repousa no exame da prova. A Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por intuito dirimir conflitos de teses e não é instância apropriada para reexame da prova. Recurso especial não conhecido. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente No mais, entendo inexistir contrariedade à lei. Em primeiro porque não demonstrada. Em segundo, porque se trata de interpretação do artigo 166 do CTN. Caso esta Conselheira seja vencida, na preliminar de conhecimento do recurso especial interposto pela D. Procuradoria, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Retornando aos fatos, temse que, a interessada, é produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra" (assim classificado de acordo com o grau de polarização sacarose mínima de 99,5%, 99,7% e 99,8%, respectivamente, segundo o critério determinado pela Resolução n° 2.190/86 do Instituto de Açúcar e Álcool) e de álcool carburante, tendo recolhido, por conta disso, no período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995, o IPI sob a aliquota de 18% (dezoito por cento), conforme Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.648 9 lhe era exigido através da legislação de vigência (artigo 2° da Lei n° 8.383/91 c/c Decreto n° 420/92). Todavia, reconhecida a ilegalidade e a inconstitucionalidade da exigência do IPI incidente à alíquota de 18%, o próprio Secretário da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 67/98 com eficácia restabelecida através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 28/2001, autorizando os contribuintes que recolheram o IPI sob a aliquota de 18% a pleitearem a sua restituição. Inicialmente, por meio de despacho decisório SAORT n° 2002/76, proferido pelo Delegado da Receita Federal em Marília, foi indeferido o pedido da Recorrente à compensação dos valores de IPI indevidamente recolhidos a maior, sob o fundamento de que, primeiramente, teria ocorrido decadência do direito de pleitear a restituição/compensação de parte dos valores controversos (5 anos da extinção do pagamento), bem como por não ter aquela feito prova do estorno dos créditos de IPI promovidos pelos adquirentes de seus produtos, ensejando a apresentação de Manifestação de Inconformidade por parte da mesma, que restou indeferida pela Colenda Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto com a prolação de v. acórdão. Já o então Conselho de Contribuintes (Acórdão recorrido) deu provimento ao recurso. Afastou a decadência ao considerar que o prazo dos 5 anos, tem início com a data da publicação da IN 67/98. No mérito entendeu que: (...) 0 artigo 166 do Código Tributário Nacional estabelece as exigências para a obtenção de restituição de tributos cujo ônus tenha sido transferido a terceiros. Exige o dispositivo prova da assunção do encargo ou a expressa autorização dos adquirentes dos produtos para quem foi transferido dito encargo, ficando expressamente autorizado a recebêlo, sendo vejamos: Verbis Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê la. Nesse passo, da análise dos documentos trazidos á. colação, elejo o de fl. 103, como exemplo, e vislumbro que os clientes da ora recorrente autorizam expressamente a restituição/compensação dos valores do IPI, destacados e recolhidos, efetuados a partir de 1992, tanto para açúcar amorfo, quanto para açúcares superior, especial e especial extra. Ainda mais, declaram os adquirentes que não foram tomados quaisquer créditos de IPI em relação aos açúcares acima identificados, adquiridos para comercialização. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Portanto, entendo serem cabíveis as compensações/restituições nos moldes das autorizações dadas pelas adquirentes dos açúcares da Recorrente. Depreendese, do texto legal retro citado pelo relator do acórdão recorrido, que a única exigência contida no artigo 166 do Código Tributário Nacional relativamente a. restituição de tributos cujo ônus foi transferido a terceiros é o fato de estar expressamente autorizado por estes a pleiteála. No mais analisou a documentação juntada para ao final entender serem cabíveis as compensações/restituições solicitadas. Por amor ao debate, compulsando os autos do presente processo administrativo, verificase que a interessada cumpriu integralmente tal exigência legal, tendo colacionado ao processo autorizações relativas as empresas adquirentes do seu (dela) açúcar, mesmo naquelas hipóteses em que aquela farseia desnecessária, como por exemplo nos casos dos adquirentes impossibilitados, por sua própria natureza, de se creditarem do valor relativo IPI. Com efeito, o artigo 166 do CTN é claro ao dispor que a restituição somente será deferida a. vista da expressa autorização dos terceiros que suportaram o "ônus do recolhimento do tributo, em nenhum momento ficando implícito o requisito do estorno do crédito, ou de outra qualquer condição. Muito embora, não seja da competência desta Eg. Câmara o reexame de prova, a sentir desta conselheira, restou provado pela contribuinte, nos termos em que estabelecido pelo artigo 166 do Código Tributário Nacional, que estava autorizada pelos adquirentes de seu (dela) açúcar a pleitear administrativamente a restituição do montante indevidamente recolhido, sendo que nenhuma outra comprovação pode ser exigida daquela, sob pena de restar, tal exigência, totalmente ilegal por não estar prevista em lei, quer expressamente, quer de forma "implícita". 3 Portanto, entendo assistir o direito da Recorrente à restituição/compensação pleiteada, face aos elementos documentais apresentados, suficientes para o deferimento do pleito ora questionado, conforme acórdão ora recorrido, não sujeito à reexame por este Colegiado. O assunto de fundo de interesse do mesmo contribuinte, já foi objeto de discussão por duas vezes, segundo a memória registrada, nesta Eg. CSRF. A primeira, de minha autoria: Processo n° 13826.000067/9978 Recurso n°: 202119.630 Especial do Procurador Acórdão n° 930300.146 — 3' Turma Sessão de 11 de agosto de 2009 3 Os documentos colacionados pela interessada não se restringiram a autorizar o pleito de restituição por parte desta, tendo restado ali consignado ainda, de forma clara e inequívoca, que os referidos adquirentes não tomaram credito do tributo, não havendo porque se exigir outras comprovações de seus clientes (fato este que sequer pode ser considerado normal numa relação negocial, uma vez não possuir a ora interessada o poder fiscalizatório que compõe os atributos indelegáveis das autoridades fiscais. Vejase que alguns dos adquirentes do açúcar produzido pela Recorrente são estabelecimentos comerciais (não só supermercados, mas também cooperativas de consumo, por exemplo), que sequer são contribuintes do IPI, tendo em vista a própria natureza da atividade comercial por eles realizadas. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.649 11 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA NOVA AMÉRICA S/A Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1994, 1995, 1996 IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N° 67/98. AÇÚCAR AMORFO E CRISTAL. IPI. ANÁLISE DA PROVA. INADMISSIBILIDADE. A admissibilidade de recurso especial em que se fundamenta no reexame da prova, para que possa ser decidido o mérito direito à restituição, deve se ater às instâncias inferiores. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. O segundo julgamento, do ilustre relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, nos autos do processo n.13826.000076/9969 – Acórdão n. 930301.181, de 20/10/2010, seguiu o mesmo resultado, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/11/1994 a 31/07/1996 IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N° 67/98. AÇÚCAR AMORFO E CRISTAL. REEXAME DO CONTEÚDO FÁTICOPROBATÓRIO. INSTÂNCIA ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se conhece de recurso especial em que se busca o reexame do conteúdo fáticoprobatório, que não se afigura cabível em instância especial, através da interposição de recurso especial. A análise ampla dos fatos e das provas é limitada às instâncias ordinárias. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. Não se apontando contrariedade à evidência de qualquer prova, o recurso especial não merece ser provido. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Sendo apresentados com o pedido de compensação diversos documentos, o contribuinte se desincumbe do seu ônus probatório, sendo que, na presente hipótese, em razão de diligência determinada pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, foram ainda colacionados aos autos outros documentos, que acabaram por corroborar o pleito formulado pelo contribuinte. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido CONCLUSÃO. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso interposto pela Fazenda Nacional e na parte conhecida NEGAR provimento ao recurso, pelo afastamento da decadência/prescrição. Maria Teresa Martínez López Relatora Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado No que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir no tocante ao conhecimento e ao mérito do recurso, pelas razões seguintes: O recurso é tempestivo e, a meu sentir, preenche os demais critérios de admissibilidade, senão vejamos: Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. Esclareçase, por oportuno, que o requisito de admissibilidade pertinente à contrariedade do acórdão recorrido à lei ou à prova dos autos é, meramente, formal, pois, a demonstração inequívoca dessa contrariedade é a matéria do mérito recursal, que só poderá ser examinada pelo Colegiado após o conhecimento do recurso. Observese que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional detalhar, minudentemente, a contrariedade, basta que seja alegada e corroborada nas razões apresentada no Especial. O que é o caso em questão. De outro lado, ao contrário do entendimento da Insigne Relatora, deve ser esclarecido que não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado prova dos autos. Ora, não faz qualquer sentido a legislação processual prever a admissibilidade de um recurso por contrariedade à prova dos autos e o órgão responsável pelo julgamento desse recurso não poder analisar a alegada contrariedade. De que adiantaria tal recurso se as provas alegadamente contrariadas não forem examinadas pelo Colegiado ad quem? A prevalecer esse entendimento de que a instância especial, em casos como o dos autos, não pode examinar provas, chegarse ia à conclusão de que a previsão regimental para esse tipo de recurso seria totalmente inócua ou, pior ainda, de que o Colegiado deveria decidir a questão sem conhecimento do que estava decidindo, o que, em qualquer dos casos, seria conclusão, totalmente, desarrazoada. No caso sob exame, como consta do relatório e, também, do voto vencido, a recorrente apontou em seu recurso qual prova teria sido contrariada pelo acórdão recorrido. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.650 13 Assim, a meu sentir, dúvida não há que o apelo Fazendário atendeu a todos os requisitos de admissibilidade, devendo, por isso ser conhecido. No mérito, divirjo apenas parcialmente do posicionamento adotado pela Relatora, e o faço pelas razões a seguir expostas. O Código Tributário Nacional, exige que, no caso de 4restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. No caso sob exame, é incontroverso que houve a transferência do encargo, visto que o imposto fora destacado nas notas de vendas. Assim, resta a segunda opção qual seja, a demonstração de que a requerente estava expressamente autorizada pelos adquirentes dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito. Dos autos constam que parte dos adquirentes do açúcar deram a autorização expressa, mas em relação à outra parte, não há prova de que isso ocorreu. Por conseguinte, somente em relação a uma parcela da restituição pretendida é que a contribuinte demonstrou atender às condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito. Assim, a solução é por demais simples, na parte em que houve o atendimento das condições retromencionada, devese restituir o imposto pago a maior ou indevidamente, e, na parte em que tais condições não foram atendidas, não há como deferir a repetição pretendida pelo sujeito passivo. Registrese, por oportuno, que a Lei exige que o postulante à restituição demonstre estar autorizado pelo terceiro que suportou o encargo tributário, mas não impõe que este ( o terceiro) comprove que não se utilizou do crédito do imposto destacado nas notas. Ora se a lei não exigiu, não cabe ao intérprete fazêlo. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento parcial para deferir apenas a restituição que o sujeito passiva tenha feito prova, nos autos, do atendimento das condições estabelecidas no art. 166 do CTN. Henrique Pinheiro Torres 4 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.013032/2007-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Feb 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.130
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 03 2/ 20 07 -0 0 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 616 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0224.640 – 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.044.4965, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.4965, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. O Relatório Fiscal da Infração: A empresa informou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003, tendo infringido o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 6o da Lei 8.212/91. A empresa esta enquadrada na faixa de 500 a 1000 segurados no período para o estabelecimento do limite previsto na tabela do art.32, parágrafo 4o da Lei 8.212/91.Em nenhuma competência o limite foi atingido. Não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99 e nem atenuantes previstas no art. 291 do mesmo Regulamento. Desta forma, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. A capitulação da multa aplicada é Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa informa que: A empresa informou 53 campos com dados incorretos ou omissos. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 617 3 A multa cabível por cada campo informado incorretamente corresponde a 5% do valor mínimo previsto no art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, equivalente a R$1.195,13 (PT_MPS 142 de 11/04/07), conforme dispõe o art. 284, inciso III do RPS e art. 32, parágrafo 6o da Lei 8212/91. 0 valor da multa para cada campo informado incorretamente é de R$59,76. A empresa informo 53 campos com dados incorretos ou omissos, portanto, o valor da multa é de R$3.167,28. O Relatório Fiscal do correlato processo principal nº 10680.013031/200757, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.044.4957, às fls. 376 a 378, com Anexo às fls. 379 a 400, observa que a constituição do crédito previdenciário ocorreu com o fato da Empresa utilizar alíquota de 2% (dois por cento) para a parte da gráfica (FPAS 507) e para os demais setores (FPAS 566) a aliquota de 1% (um por cento). Ademais, a fiscalização acrescenta, ainda, que a atividade fim da empresa é a edição de jornais e que os outros setores são atividades meio para o alcance da atividadefim, sendo assim, só se pode ter um único enquadramento. O Anexo do Relatório Fiscal, do correlato processo principal nº 10680.013031/200757 às fls. 379 a 400, apresenta uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA; CNPJ O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09332538F00, além do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, foi de 01/1996 a 08/2006. O período objeto do AI, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1997 a 05/2003. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 72 a 75, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressaltese que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 618 4 A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta: 1 Não houve correção das faltas. 2 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Quanto ao 2º parágrafo do despacho de fls 74 referente ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, já foi objeto de apreciação no processo DEBCAD n° 37.044.4957, o qual pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado em conjunto com o Auto de Infração em referência. O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou, em síntese: (i) Quo não pode alterar a alíquota de 1% para 2% pois estaria confessando e aceitando a aliquota que entende incorreta. (ii) Apesar do período de 07/1997 a 04/2002, ter sido excluído do débito , em face da decadência, ainda há períodos a serem decotados da exigência fiscal. Como a apuração fiscal é datada de junho de 2007, só poderia ela alcançar créditos posteriores à competência de junho de 2002. Assim, requer a exclusão das competências anteriores a julho de 2002, ou seja, 05/2002 a 06/2002; (iii) A atividade da autuada é de risco mínimo, ou seja, 1%, excetuando o parque gráfico que é risco 2 — que foi recolhido corretamente conforme constatou a própria fiscalização; (iv) Transcreve doutrina e decisões judiciais, sobre o principio da material, e conclui que cabe a Administração Pública pesquisar, diligenciar, averiguar para buscar a verdade material dos fatos; Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, emitiu o Acórdão nº 0224.040, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração a legislação previdenciária, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA A decadência devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, ern decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 619 5 Não é necessário a realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada um dos estabelecimentos da empresa, para efeito do enquadramento no grau de risco, visto que nos termos da legislação previdenciária, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada a que ocupa, na empresa, o maior número de segurados e trabalhadores avulsos e não de cada estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei vigente. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o valor o crédito tributário exigido no AI n° 37.044.4965, passando o valor de R$3.167,28 para R$1.015,92 (um mil e quinze reais e noventa e dois centavos),, nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Não cabe recurso de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pois o valor exonerado encontrase abaixo do limite estabelecido na Portaria n° 03, de 03 de janeiro de 2008 publicada no DOU de 07 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. ik Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências, observando o requerido na defesa, fls.47148, para que sejam cientificados os procuradores da impugnante, domiciliados nesta capital, na Rua São Paulo, 1.781, 9° andar, Bairro Lourdes, CEP 30.170.132 Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, decidiu: pela aplicação da decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; Contra o contribuinte foram lançados os seguintes créditos previdenciários, na mesma ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 620 6 NFLD n° 37.044.4957, de obrigação principal, relativa diferença de RAT. Auto de Infração n° 37.044.4922 (processo n° 10680.13033/2007 46), relativo à infringência do artigo 32, IV, § 5 0, Lei n° 8.212 de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997,. descumprimento de obrigação acessória — omissão de fato gerador em GFIP. Auto de Infração n° 37.044.4965 (processo n° 10680.013032/2007 00),relativo à infringência do artigo 32, inciso IV, §6. 3, da Lei n.° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, descumprimento de obrigação acessória — informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP; LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.044.4949; Auto de Infração n° 37.044.4930 confeccionar folhasde pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, na qual alega em síntese que: (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (ii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (v) Que a aliquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. Insta esclarecer que a impressão de jornais é efetuada no parque gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos dedicamse a atividade de REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA, escritórios de contatos e serviços administrativos. Ora, sabese que a edição de jornais enquadrase na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, na (Decreto 6.042/07): CNAE 58123/00 Edição de jornais = 1% CNAE 58221/00 Edição integrada à impressão de jornais = 1% Repetindo as atividades Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 621 7 exercidas no principal estabelecimento da autuada MATRIZ é a REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA. O único estabelecimento que tinha o risco 2 é o parque gráfico gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos do grau de risco é 1. (Com a edição do Decreto 6.042/07 o parque gráfico ficou com grau de risco 1). (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 622 8 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 169. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0224.640 – 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.044.4965, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.4965, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 72 a 75, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressaltese que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 623 9 os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta: 1 Não houve correção das faltas. 2 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Quanto ao 2º parágrafo do despacho de fls 74 referente ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, já foi objeto de apreciação no processo DEBCAD n° 37.044.4957, o qual pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado em conjunto com o Auto de Infração em referência. Ademais, a Informação Fiscal no correlato processo principal nº 10680.013031/200757, às fls. 470 a 472, assim se apresenta: 1 Atendendo despacho de lis 456, estamos anexando planilha demonstrativa com a quantidade de empregados de cada estabelecimento e em cada competência, às folhas 459 a 469. Anexamos, também, a planilha 2, folhas 470 a 472 referente a última competência auditada, 08/2006, com demonstrativo de todas as funções exercidas e quantitativo de empregados em todos os estabelecimentos da empresa, para uma visão detalhada das atividades exercidas. Esclarecemos que em todas as outras competências as funções são praticamente as mesmas com poucas alterações. 2 0 período de 07/1997 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Na análise da planilha 2, podemos constatar que quase todas as atividades exercidas são em função de edição e impressão de jornais com os serviços administrativos necessários ao desenvolvimento e alcance do objetivo social da empresa. Esclarecemos que o setor da gráfica não consta das planilhas, devido estar utilizando a aliquota correta. 4 Ressaltamos que o objeto social da empresa, conforme o artigo 2° do Estatuto Social, às pág. 428, é a exploração de atividades gráfico industriais, edição de livros, revistas e jornais. 5 As atividades acima enquadram a empresa no CNAE — Classificação Nacional de Atividade Econômica no grau de risco 2. Tanto na edição, quanto na impressão o grau de risco é o mesmo, conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo V do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, cujos códigos discriminamos abaixo : Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 624 10 CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais 2 22.128 — Edição; edição e impressão de revistas 2 22.136— Edição; edição e impressão de livros 2 22.195 — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 22.217 — Impressão de jornais, revistas e livros 6 A vista do exposto, conclui se, portanto, que não há previsão de grau de risco 1 para nenhuma das atividades incluídas no Estatuto Social, assim como as exercidas pela empresa no período do levantamento. O Anexo da Informação Fiscal prestada pela Auditoria no correlato processo principal nº 10680.013031/200757, às fls. 459 a 462, a 469, apresenta: uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA;SEGURADOS; CNPJ uma planilha, em relação à competência 08/2006, contendo os campos: SEÇÃO; CNPJ; FUNÇÃO; QTDE FUNCIONÁRIOS. Outrossim, em que pese a Informação Fiscal no correlato processo principal nº 10680.013031/200757 emitida ter mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência então observada, bem como a decisão de primeira instância ter mantido também o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 05/2002 inclusive, ainda restam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. Estes pontos assim se apresentam, entre as competências 06/2002 até 08/2006: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 625 11 Portanto, diante do exposto, para que se possa efetuar o julgamento da presente Auto de Infração – AI nº 37.044.4965 se faz necessário o seu saneamento pela autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI, trazendose aos autos a discriminação da atividade preponderante da Empresa em cada competência. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídicoprocedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.725211/2010-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO.
Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicá-las precisamente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos ano-calendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão. IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 52 11 /2 01 0- 65 Fl. 4700DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicálas precisamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos anocalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2006 a 2008, anocalendário 2005 a 2007, decorrente de apuração de omissão de rendimentos percebidos de pessoas jurídicas a título de remuneração indireta, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/99. O procedimento de fiscalização foi desencadeado a partir de investigação da Polícia Federal e requisição da Justiça Federal no que foi denominado “Operação Luxo” que teve como objetivo combater sonegação, descaminho e evasão de divisas por pessoas jurídicas, nas quais o contribuinte participava do capital ou atuava como administrador. Os documentos que embasaram a auditoria fiscal foram apreendidos pela Polícia Federal e compartilhado com a Receita Federal com autorização do Juízo da 1ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária do Ceará. Fl. 4701DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.701 3 Em resumo, no procedimento de fiscalização: a) a autoridade fiscal constatou que o contribuinte possuía 11 cartões de créditos cujas faturas eram pagas pelas pessoas Jurídicas Indústria Naval do Ceará S/A Inace, Marina de Iracema Park S/A, Inace Iates Ltda, Inventus Organizadora de Eventos Ltda e Inace Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda; b) baseada nos extratos dos cartões e documentos relativos às compras (notas fiscais, cupons fiscais e recibos), a autoridade fiscal segregou as comprar destinadas às necessidades da pessoa jurídica, identificou o pagamento da fatura e a pessoa jurídica pagante e indicou o seguinte: b.1 ) parte das despesas foram de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas de brinquedos (Planeta Brinquedo, Ri Happy, Star Baby, JB Brinquedos), compras feitas em perfumarias cabelereiro e farmácias (Gypsophila , Boticário, American News, Studio Capelli , Farmácia Dose Certa, Avenida, Tele Juca, Pague Menos, Polifarma...), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club, Marieta lanches, Pizza Vignole, Geppos, Santa Grelha, Kingio Restaurante, Coco Bambu, Spettus Família Giuliano, Pizza Hut Fortaleza, Sputnik, Sushi Bar, Plaza Pães e doces, Pão de Açúcar, Super Família, Hiper Planalto, Extra, Padaria Ideal...), compras em lojas de material de construção (Normatel, Acal, Paroma...), compras em lojas de departamento, eletrônicos, informática, sapatos, roupas e artigos diversos (San Michel Magazine, Lojas Americanas, Casas Feitas, Aba Film, Blockbuster, Nagem, HP Fortaleza, CD Max Store, Lela Calçdos, Sapathus, Dili Bili, Gérbera, Lápis de Cor, Kids & teens, Cantão, Zarkha, Stalker...) compras de combustíveis, passagens aéreas (TAM, GOL, TAP AIR Portugal, Posto Auto Silcar, Posto Marina...) despesas no exterior (Apple Store, Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros. b.2)outra parte foram aquisições para as empresas Marina de Iracema Park S/A, Indústria Naval do Ceará S/A, Inace Iates Ltda, Inventos Org. Eventos e Inace Serviço de Manutenção, conforme cópias das notas fiscais e recibos das referidas compras, apresentados pelo contribuinte fiscalizado. c) do total das compras subtraiu o valor das compras reconhecidas como das pessoas jurídicas (item “b.2” acima) e, considerando o vínculo do contribuinte com as pessoas jurídicas – participação no capital social, dirigente e/ou gerente de compras – atribuiu à diferença apurada a natureza de remuneração indireta; e d) imputou a multa qualificada “tendo em vista o contribuinte ter subtraído e omitido do conhecimento da autoridade tributária a existência de recursos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, ocultando o fato gerador da obrigação e ocasionando a ausência de recolhimento do imposto de renda, causando danos à Fazenda, prevista no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96” (fls. 20). Ao impugnar o lançamento, em síntese, o contribuinte alegou que na fase de fiscalização não houve tempo suficiente para reunir toda a documentação necessária a comprovar que as despesas não eram de caráter pessoal e sim das pessoas jurídicas, ressaltou que foram diversas intimações para diversas empresas e se tratava de vasta documentação, argumentou que a qualificação da multa decorreu de subjetivismo, descreveu razões pelas quais as despesas seriam empresariais, sustentou que a documentação apresentada com a impugnação e a discriminação efetuadas permitm comprovar que não foram despesas pessoais, argumentou, ainda, que os rendimentos declarados não foram considerados. Fl. 4702DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A impugnação foi indeferida sob fundamento de que a autoridade julgadora, amparada no princípio do livre convencimento, não adotava o mesmo método da autoridade lançadora para classificar as despesas entre pessoais e das pessoas jurídicas, considerou que as despesas das empresas devem ser pagas com cartões da empresa, de forma que as despesas referentes a produtos ou serviços de natureza pessoal com cartões de crédito de uso pessoal (e intransferíveis) do contribuinte são despesas pessoais, ainda que haja notas fiscais, cupons, recibos e outros documentos referente às pessoas jurídicas, pois esses documentos servem tão só às pessoas jurídicas para justificar a saída de recursos. O voto condutor consignou que: a) “todas as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito demonstram, claramente, características de utilidade para a pessoa ou utilidade de uso doméstico; b) o contribuinte, no procedimento de fiscalização e na impugnação, não ofereceu prova suficiente que pudesse obrigar um procedimento de análise individual de cada compra, com a finalidade de identificar compras de caráter exclusivamente de pessoa jurídica”; c) os valores representam remuneração indireta e, portanto, são tributáveis; d) o lançamento computou os valores declarados pelo contribuinte, porém os valores omitidos não se confundem com o pró labore declarado; e) relativamente à pessoa jurídica, mesmo acobertada por nota fiscal e recibo uma despesa pode ser desconsiderada, se for incompatível com a atividade da pessoa jurídica, citou, como exemplo, compra de bilhetes aéreos em nome do sócioadministrador sem comprovação de que a viagem foi feita por necessidade do serviço e compras de uso pessoal do sócioadministrador. Quanto à multa qualificada, o voto condutor assinalou que receber remuneração indireta e não informar na Declaração de Ajuste Anual caracteriza evidente intuito de fraude, ressaltou que foi a conduta reiterada nos 3 anocalendário da autuação, pois permitir que a fatura de seus cartões fossem pagas pelo caixa da pessoa jurídica, significa que o contribuinte tinha consciência de estar percebendo remuneração indireta, que poderia estar fora do alcance da autoridade fazendária para fins de tributação, sendo cabível a qualificação da multa, mormente se a ação fiscal decorreu de exame de material obtido em investigação policial realizada pelo Departamento de Polícia Federal, em operação de combate ao crime de sonegação contra pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. A ciência do acórdão ocorreu em 17/08/2011 e a interposição de recurso voluntário, em 14/09/2011. A Unidade preparadora emitiu Termo de Perempção e Aviso de Cobrança, porém, em seguida, reconheceu que havia sido interposto recurso voluntário, tornou sem efeito a cobrança e movimentou o processo para julgamento do recurso. A peça recursal, em resumo, reitera integralmente a impugnação, bem como contém as seguintes alegações: 1. preliminarmente, o processo deve retornar à 1ª instância para assegurar o duplo grau de jurisdição, pois o acórdão recorrido baseouse em informações e documentação que sequer foram mencionados no auto de infração, e portanto, não são do conhecimento do recorrente e não foram objeto da defesa, o que representa violação aos princípios Fl. 4703DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.702 5 constitucionais do contraditório e da ampla defesa; elenca os seguintes elementos para comprovar a referida alegação: 1.1. na ementa – “omissão de rendimentos apurada com base em documentos colhidos em investigação da Polícia Federal”; 1.2. na pág. 2 do acórdão – material colhido pela Polícia Federal ... operação com objetivo, entre outros de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas; 1.3. página 3 do acórdão – documentos e mídias apreendidos; 1.4. página 16 do voto – “... o voto não seguirá o raciocínio do autor do procedimento de fiscalização adotado no exame de cartão de crédito, com a finalidade de apurar remuneração indireta; e 1.5. é feito novo enquadramento legal do que seria “sonegação e evidente intuito de fraude” 2. a glosa da maioria das despesas ocorreu porque os documentos não foram encontrados naquela ocasião; 3. conforme relação encaminhada pela empresa Casa Blanca Turismo Ltda, as passagens aéreas foram pagas por meio dos cartões de créditos do recorrente, no valor de R$119.191,67 (durante os três anocalendário), referente a deslocamentos de ida e volta FortalezaRio de Janeiro a marítimos, engenheiros e dirigentes da empresa INACE Serviços de Apoio Marítimo Ltda, em virtude da existência de contrato de arrendamento de embarcações com a firma El Paso Óleo e Gas do Brasil Ltda, especializada em prospecção e perfuração de poços de petróleo, cuja totalidade das embarcações envolvidas tinha base naval na cidade do Rio de Janeiro; anexa contratos, fichas de registro de empregados e documentos alusivos às embarcações produzidas por Inace e Inace Iates Ltda; e 4. a qualificação da multa viola a Súmula CARF nº 25 (A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.) com efeito vinculante estabelecido pela Portaria MF nº38/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 4704DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das preliminares É alegado que o acórdão recorrido baseouse em elementos estranhos ao auto de infração e que não eram de conhecimento do contribuinte, razão pela qual não foi objeto da defesa. Essas informações e documentos, supostamente trazidos somente com a decisão ora guerreada, dizem respeito à utilização de informações colhidas em investigação da Polícia Federal com objetivo, entre outros, de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas. Essa preliminar deve ser rejeitada por duas razões: (a) tais fatos foram mencionados no acórdão recorrido com base nos elementos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/99), que integra o auto de infração, como expressamente mencionado às fls. 5/6; (b) no recurso voluntário o recorrente não faz qualquer contraponto às referidas informações, não aponta objetivamente sequer um documento, o que evidencia não ter havido qualquer prejuízo à defesa. A alegação de modificação do enquadramento legal da multa qualificada não será apreciada como preliminar, pois se confunde com o mérito, além de, a depender da solução do litígio, poder vir a ser prejudicada. Ainda como preliminar, é alegado que o entendimento consignado na página 16 do voto – “... o voto não seguirá o raciocínio do autor do procedimento de fiscalização adotado no exame de cartão de crédito, com a finalidade de apurar remuneração indireta...” viola o contraditório e a ampla defesa, o que justificaria o retorno à primeira instância. Embora o entendimento do acórdão recorrido não seja adequado ao caso concreto, não se trata de nulidade pelas razões adiante explanadas. O lançamento teve por fundamento o recebimento de remuneração indireta não declarada pelo contribuinte. Mediante análise da documentação apresentada pelo contribuinte, a autoridade fiscal considerou que parte das despesas pagas com cartão de crédito do contribuinte são despesas das pessoas jurídicas na qual o autuado é sóciodirigente ou mantém outra espécie de vínculo. Ao agir desta forma, decidiu que essas despesas não são remuneração indireta. Este critério jurídico adotado no lançamento não pode ser modificado em relação ao mesmo contribuinte para fatos geradores já consumados, do contrário terseá por violado o comando estatuído no art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.703 7 O acórdão recorrido deu interpretação demasiadamente elástica ao princípio do livre convencimento do julgador na análise da prova, pois o fez com a modificação do supramencionado critério jurídico adotado no lançamento. Embora livre para convencerse ou não dos fatos alegados pelo recorrente, o julgador deve aferir a legalidade do lançamento com o mesmo critério jurídico da autoridade lançadora, o que exige que se analise as provas tomando como premissa que não deve ser computado como remuneração indireta os valores que o recorrente lograr comprovar terem sido despesas das pessoas jurídicas. Aqui reside uma impropriedade do acórdão recorrido. Não obstante, o aresto combatido também teve como fundamento que “todas as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito demonstram, claramente, características de utilidade para a pessoa ou utilidade de uso doméstico”, esta conclusão do órgão julgador de primeira instância decorreu da livre apreciação das provas e constituiu motivo suficiente para manter hígido o acórdão e a autuação, ainda que mantido o mesmo critério jurídico da autoridade lançadora. Desta forma, não há uma nulidade do acórdão que justifique sua anulação, há uma impropriedade que no máximo justifica sua reforma em segunda instância. Preliminares rejeitadas. A solução de mérito exige que sejam analisadas as provas apresentadas pelo recorrente no intuito de identificar se foi comprovado ou não que as despesas sejam das empresas e não gastos pessoais do recorrente. Registrase que a exigüidade de prazo para atendimento às intimações não é suficiente para que se impute vício à autuação, pois (a) a fase contenciosa é instaurada somente com a impugnação; e (b) durante o procedimento de fiscalização a autoridade fiscal concedeu prorrogação total ou parcial de prazo, quando solicitado pelo contribuinte, sendo que a partir da intimação em que foram solicitados os documentos alusivos aos cartões de crédito não há nos autos solicitação de prorrogação de prazo não atendida, ao menos parcialmente, ou manifestação do fiscalizado no sentido de que o prazo estipulado era insuficiente. Não se pode ignorar que o cartão de crédito dos sócios e administradores não se presta a pagamento de despesas das empresas, tais despesas são por natureza pessoais dos titulares dos cartões, outrossim, a prática de pagar despesas de pessoas jurídicas com o cartão de crédito pessoal do sócio/diretor/administrador é inusual e exige esforço probatório por parte do recorrente que deve objetivamente indicar cada despesa e respectivas documentação e justificativa, sobretudo quando se verifica uma série de despesas de caráter eminentemente pessoal, tal como resumido pela autoridade lançadora. Em parte de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas de brinquedos (Planeta Brinquedo, Ri Happy, Star Baby, JB Brinquedos), compras feitas em perfumarias cabelereiro e farmácias (Gypsophila , Boticário, American News, Studio Capelli , Farmácia Dose Certa, Avenida, Tele Juca, Pague Menos, Polifarma...), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club, Marieta lanches, Pizza Vignole, Geppos, Santa Grelha, Kingio Restaurante, Coco Bambu, Spettus Família Giuliano, Pizza Hut Fortaleza, Sputnik, Sushi Bar, Plaza Pães e doces, Pão de Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Açúcar, Super Família, Hiper Planalto, Extra, Padaria Ideal...), compras em lojas de material de construção (Normatel, Acal, Paroma...), compras em lojas de departamento, eletrônicos, informática, sapatos, roupas e artigos diversos (San Michel Magazine, Lojas Americanas, Casas Feitas, Aba Film, Blockbuster, Nagem, HP Fortaleza, CD Max Store, Lela Calçdos, Sapathus, Dili Bili, Gérbera, Lápis de Cor, Kids & teens, Cantão, Zarkha, Stalker...) compras de combustíveis, passagens aéreas (TAM, GOL, TAP AIR Portugal, Posto Auto Silcar, Posto Marina...) despesas no exterior (Apple Store, Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros. (fls. 16) É incontroverso que os gastos foram pagos por pessoas jurídicas com as quais o recorrente mantinha vínculo como sócio/administrador/representante/gerente, de forma que a falta de contestação específica implica em reconhecer tais gastos pagos pelas pessoas jurídicas como remuneração indireta, portanto tributáveis tal como considerou a autoridade lançadora. A autoridade fiscal demonstrou a totalidade das compras e discriminou aquelas que entendeu comprovadas como despesas empresarias, além de consolidar por ano calendário os respectivos valores (2005, fls. 44/45; 2006, fl. 68/69 e 200, fls. 98/99), cabe ao recorrente listar as demais e apontar a comprovação do que alega. O recorrente alega que somente na fase de impugnação consegui reunir a documentação, anexada como “Doc II (Volume 2 – anos 2005 e 2006) e (Volume 3 Ano 2007), em ordem cronológica. Entretanto, o que se verifica é a juntada de planilhas e documentos, com a seguinte características: Ano 2006 – fls. 2806/3175, 3176/3561; Ano 2007 3562/4002; e Dez2006 e 2007 – 4003/4499. não há documentos de 2005 no denominado ‘Doc II”. Antes de demonstrar o resultado da análise documental, algumas anotações gerais. Na fase recursal são apresentados documentos em língua estrangeira sem tradução juramentada, o que os torna ineficazes (art. 157 da Lei 5.869, de1973). Às fls. 4605/4616, consta documento emitido por Casablanca Turismo dando conta de pagamentos de passagens de empregados, diretores ou prestadores de serviço em cartões do recorrente em benefício de empresas clientes (Inace Naval, Sindfrio, Inace Serviços), sendo R$78.856,06 de tarifas e 5.957,54 de taxas em 2007, R$10.091,13 de tarifas e 1.429,90 de taxas em 2006 e R$17.813,93 de tarifas e R$683,29 de taxas em 2005. Como os pagamentos em 2004 (fls. 2339/2440 e 4616) constituem matéria estranha à autuação, é ônus do recorrente vincular compras em 2004 com pagamentos nos ano calendário da autuação, não se desincumbindo desse ônus, referidos documentos são ineficazes à defesa. A autoridade fiscal indicou às fls. 22, 47 e 71 não só o total das compras em cada anocalendário como também a numeração dos cartões. Não basta apresentar extrato do cartão e alegar vinculação a empresas, é ônus do recorrente indicar objetivamente a prova nos autos. Em razão do grande número de documentos, de cartões de crédito, da apuração em três exercícios, pagamentos parcelados e menção ao nome de fantasia ao invés da denominação social grafada no documento fiscal, caso algum documento tenha sido apresentado pela defesa fora da ordem cronológica referente à Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.704 9 comprovação da despesas, o recorrente não terá se desincumbido do ônus de provar adequadamente nos autos as suas alegações. Quanto às muitas despesas parceladas, ainda que não mencionado expressamente neste voto, as razões que levam a decidir pela comprovação ou rejeição da 1ª parcela da despesa é a fundamentação em relação às parcelas subseqüentes. Também não se desincumbe do ônus da prova apenas alegando consignando “doc fiscalização” ou qualquer outra denominação. Neste voto, o uso da expressão comprovado significa o quanto foi comprovado nesta fase recursal em adição ao que a autoridade fiscal já acatou. E ainda que não haja menção expressa ao motivo de não ter sido acatada alguma despesa, a razão foi a falta de documentação que comprove que a despesa tenha sido exclusivamente da pessoa jurídica pagante. A análise das provas baseiase em um conjunto de dados que permitiram o convencimento ou não da natureza empresarial. Assim, por amostragem, exemplificase a) Não se admite comprovação de gastos na conservação e reparo de veículos sem a identificação do veículo, vinculação ao patrimônio da pessoa jurídica e atividade empresarial. A prova do recorrente nesse ponto é fraca: o recorrente adquire Veículo Fusion em 06/2006 (fls. 106), em novembro do mesmo ano é pago, mediante cartão pessoal do recorrente, o desempeno de roda de um veículo Fusion, cujo recibo é emitido em nome da empresa Inace (fls. 3442). b) Outro exemplo de que a existência de nota fiscal em nome da pessoa jurídica não é suficiente para descaracterizar a remuneração indireta é a nota fiscal de compra de porcelanato (fls. 3473) em que o fornecedor indica o lugar de entrega da mercadoria coincidente não com o endereço da empresa e sim da residência do contribuinte. c) por outro lado, não se pode considerar como despesas pessoais a título de remuneração indireta uma série de compras em Supermercados, cuja quantidade e natureza dos itens não tem característica de uso doméstico e sim atividade de hotel e/ou restaurante, e outros documentos reforçam esse entendimento. Devese verificar se a comprovação intentada pelo recorrente referese aos mesmos cartões de crédito e se os valores foram ou não os mesmos que a autoridade lançadora já considerou comprovados. A fim de justificar as despesas com passagens aéreas e terrestres, hotéis, restaurantes, combustíveis, aluguéis, remédios, compras em lojas de material de construção e despesas no exterior, o recorrente alega que há necessidade de deslocamento de engenheiros e técnicos especializados para os locais em diversos Estado do Brasil e no exterior, principalmente Miami onde se encontram atracadas as embarcações que precisam ser atendidas pela empresas Indústria Naval do Ceará S.A., Inace Iates Ltda e Inace Serviços de manutenção de Embarcações Ltda, como também é necessário que os dirigentes façam viagens para o exterior com vistas a tentar fechar acordos negociais. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Embora possa ser razoável que administradores e colaboradores das pessoas jurídicas realizem viagens, o ônus do recorrente é comprovar a cada viagem o interesse empresarial. No denominado “Doc IV (Volume 1)”, o recorrente apresenta as supostas provas das despesas com passagens aéreas, cujas fichas de Registro de Empregados prestamse a demonstrar que tais despesas referemse às pessoas jurídicas ali mencionadas. O recorrente alega que as demais despesas, de menor vulto, estão compatíveis com a renda declarada, mas este argumento é irrelevante para o caso concreto, uma vez que o lançamento não se fundamenta em gastos incompatíveis com a renda declarada, e sim recebimento de remuneração indireta caracterizada por pagamentos de despesas pessoais pelas pessoas jurídicas sem a respectiva declaração desse rendimento na Declaração de Ajuste Anual. Em síntese, embora admissível considerar como despesas empresariais parte das despesas nos cartões de crédito pessoais do contribuinte, não é a mera existência de recibos ou notas fiscais ou documentos internos de almoxarifado das pessoas jurídicas o que assegura essa natureza, o recorrente precisa demonstrar a pertinência da despesa com as atividades das pessoas jurídicas, além de apontar objetivamente o documento e onde localizálo no processo. Da análise documental 1 Análise do anocalendário 2005 A argumentação do recorrente aliada aos documentos apresentados, com destaque para a relação da empresa de turismo Casablanca, são hábeis a demonstrar a existência de um novo grupo de despesas que não são remuneração indireta, posto que despesas necessárias à atividade das pessoas jurídicas. Entretanto, a planilha de fls. 2441 contém despesas com o cartão Amex final 017 (R$768,00 mais 11,55), porém esse cartão não consta entre os que foram base para a autuação (relação de fls. 22), não sendo prova que favoreça o recorrente. Outrossim, essa planilha contém valores que já foram tidos pela autoridade fiscal como comprovados, referentes ao cartão Visa Unicard, referente a compras realizadas em 10/02/2005 na TAM, de forma que esses valores já foram aproveitados em favor do recorrente: R$702,00, R$11,55, R$702,00, R$11,55, R$548,00 e R$ 11,55 (total de R$1.986,55) A guisa de esclarecimento, o valor indicado pela autoridade fiscal referese aos pagamentos de cada parcela (incluindo taxas e tarifas), enquanto o do contribuinte indica os valores integrais; o valor que deve ser excluído da autuação é R$17.939,17 (resultante da soma dos registro de fls. 2441, diminuído dos valores indicados nos dois parágrafos anteriores), como demonstrado abaixo. Tarifa Taxa 747,75 9,15 367 8,25 548 9,15 1096 21,96 Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.705 11 543 23,1 543 23,1 215 11,55 215 11,55 1944,58 342,58 548 9,15 54,8 0 837 9,15 837 9,15 436 9,15 891 11,55 399 11,55 846 11,55 547,75 8,25 547,75 9,15 367 11,55 367 11,55 378 11,55 378 11,55 378 11,55 378 11,55 471 11,55 399 11,55 730 11,55 1265 11,55 subtotal 17274,63 664,54 total 17.939,17 O valor que deve ser excluído da base de cálculo no anocalendário 2006 é de R$17.939,17. 2. Análise do anocalendário 2006 fls. 2806/3175, 3176/3561 e ss. A análise será realizada por confronto entre as planilhas (fls. 3094 em diante) que reúnem as despesas por cartão de crédito e os documentos que comprovem o que o recorrente alega e a planilha da fiscalização contida no Termo de Verificação Fiscal. a) Planilha fls. 2806 e ss. – cartão 4047 Os meses de janeiro, fevereiro e abril contêm as mesmas informações já computadas pela fiscalização. No mês de março foram acrescentados dois lançamentos (Jangadeiro e Posto Baratão) sem indicar onde a documentação está nos autos, indicou somente “doc. FISClização”, carecendo de comprovação para que sejam excluídos da relação de remuneração indireta. Em maio foram acrescentados 4 lançamentos TAM, 1 Cia do Terno, 1 Superfamília e 1 nova expressão (compras a partir de 08/04/06), as despesas comprovadas referemse a Turqueza Tecidos (ao invés de Cia do Terno) e Bastos Distribuidora (ao invés de Nova Expressão). Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Em ordem cronológica, não foram encontrados documentos alusivos as despesas com a TAM nem com “Super Família”. Em relação à despesa TAM, a relação fornecida pela empresa Casablanca Turismo consta a discriminação de uma despesa nesse cartão (tarifa mais taxa = 421,24) paga em seis parcelas, o que autoriza seu aproveitamento neste cartão/mês de R$70,24. As demais despesas TAM teriam sido feitas no Cartão final 4040, conforme informado pela empresa de Turismo (fls. 4614). Aceitas despesas de R$310,34 (70,24 mais 88,90 mais 151,20). Em junho o recorrente acrescentou a parcela subseqüente das despesas TAM e Cia do Terno. Pelas razões supraindicadas têmse como comprovado, exclusivamente, R$70,24 da TAM e R$88,90 da Cia do Terno, o que soma R$159,14. Em julho, são acrescidos diversos lançamentos (os cinco primeiros indicados pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização). Aceitos: TAM 70,20 Superfamília 1.364,12 Superfamília 497,87 Superfamília 26,90 Superfamília 196,08 Superfamília 18,90 Rolimão 203,00 BomPreço 149,51 Sv Comercial 270,00 Casa Freitas 120,03 Cia do Terno 88,90 Total 3.005,51 Não aceitas: TAM 3/6 Pelas razões expostas em relação a maio Van Diesel Não identifica o veículo Eletrônica Apolo Não identifica o veículo O Fausto Não identifica o veículo Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.706 13 Van Diesel Não identifica o veículo Em agosto são acrescidos diversos lançamentos (os três primeiros indicados pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização). Aceitos: TAM 70,20 Rolimão 203,00 Casa Freitas 120,03 Total 393,23 Não aceitas: TAM 4/6 Pelas razões expostas em relação a maio TAM 1/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. De setembro a dezembro todos os gastos foram tidos pela fiscalização como remuneração indireta. Aceitos: Setembro 70,20; e 26,00 96,20 Outubro TAM 70,20 Novembro 530,98; 100,08; 438,50 e 1.243,75 2.313,31 Dezembro 530,98; e 438,50 969,48 Total 3.449,19 Não aceitas: Setembro TAM 5/6 Pelas razões expostas em relação a maio Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 TAM 2/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Outubro TAM 6/6 Pelas razões expostas em relação a maio TAM 3/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Novembro TAM 4/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Rolimão 1/3 Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada. Dezembro TAM 5/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. TAM 1/6 e 2/6 Em ordem cronológica, não localizada a relação mencionada. Também não localizada na relação da empresa Casablanca. Rolimão 2/3 Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada. O total comprovado neste cartão é de R$7.317,41. b) Análise do Cartão Varig Unicard Visa finais 4056/4031 –fls. 2881 e ss. Janeiro Já acatados Os oito primeiros registros. Rejeitados Demais: não foram juntados comprovantes referentes às empresas aéreas TAM e Varig, nem a relação da empresa Casablanca faz qualquer menção a estes números de cartões. Comprovados Supercarnes, Extra, Bom Preço, Freitas e Kauany. 4.529,09 Fevereiro Já acatados Do quarto ao 14ª registro. Rejeitados Os três primeiros referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.707 15 Comprovados Os demais (De Rabelo a Freitas). 6.175,08. Março Já acatados Do terceiro ao nono. Rejeitados Os dois primeiros registros referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. Comprovados Os demais (de Superfamília a Freitas 3/3). 3.443,86 Abril Já acatados O primeiro e do quarto ao 14º registro. Rejeitados O 2º e o 3º referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. O 17º (Barateiro) carece de identificação do veículo. Comprovados demais 3.578,69 Maio Já acatados Do 3º ao 18º. Rejeitados O 1º e o 2º referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação.Não se admite como comprovada as despesas relativa a Posto Marina uma vez que o campo do recibo (fls. 2990/2993) destinado a indicar o pagante está em branco e não há identificação do veículo abastecido. Comprovados As despesas com Freitas 2/3 (NF 1478), Superfamília 1/1 e Freitas 2/3 (NF 1482). 3.133,94. Junho Já acatados Demais Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Rejeitados Varig 11/12, não comprovada por falta de documentação. Comprovados Freitas 3/3 (NF 1478), Freitas 3/3 (NF 1482) 2.634,02 Julho Já acatados Todos Agosto Já acatados Os sete primeiros registros. Rejeitados TAM 1/6 e Eldorado 1/2 , o primeiro porque não há comprovação da pertinência da viagem do recorrente no Reveillon foi a serviço da empresa, a segunda porque a nota fiscal indicada não foi juntada. Comprovados Demais 5.083,63 Setembro Já acatados demais Rejeitados TAM 2/6 e Eldorado 2/2, ora rejeitados pelas razões acima Outubro, Novembro e dezembro Rejeitados Os únicos valores não admitidos pela autoridade fiscal foram TAM 3/6, TAM 4/6 e TAM 5/6 ora rejeitados pelas razões já expostas. Total do cartão 25.134,45 c) Análise do Cartão Petrobrás final 4110 –fls. 30281 e ss. Junho A fiscalização aceitou o primeiro registro, os outros dois não podem ser aceitos porque o recorrente não apresentou documentação. Julho Todos já aceitos pela fiscalização. Agosto O primeiro registro não pode ser aceito porque tratase de recibo pessoal em nome do recorrente referente a abastecimento de veículo não identificado. Os outros dois a fiscalização já acatou. Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.708 17 Outubro e Novembro Nenhum valor admitido pela fiscalização. A falta de apresentação de documentação impede a comprovação pretendida pelo recorrente. d) Análise do Cartão Mastercard 2014 –fls. 3056 e ss. Junho e Agosto – todos os valores já admitidos pela fiscalização. Setembro Os dois primeiros já admitidos pela autoridade lançadora, a eles se referiu a documentação juntada. A falta de documentos em relação aos demais impede a comprovação. A planilha do contribuinte não relaciona valores nos demais meses. e) Análise do Cartão Credicard 2296 –fls. 3094 e ss. Maio Sem documentação. Junho A falta de documentação impede a comprovação do registro referente a Posto Marina, valor das demais despesas comprovadas: R$1.444,80. Julho Comprovado R$61,47. A documentação apresentada é insuficiente para comprovar que a passagem TAM SalvadorFortalezaSalvador (Reveillon) referese a viagem a serviço da empresa. Agosto Apenas o registro de R$460,00 havia sido acatado pela autoridade fiscal. TAM 2/6 rejeitado pela razão supraindicada. Demais ora comprovados: R$317,16. Setembro TAM 3/6 rejeitado pela razão supraindicada. Outubro Apenas o registro de R$333,35 já não fora acatado pela autoridade fiscal, porém referese a TAM 4/6 que deve ser rejeitado pela razão supraindicada. Novembro Os registros não acatados pela autoridade fiscal foram o de R$333,35 e R$129,85, o primeiro é relativo a TAM 5/6 que deve ser rejeitado pela razão supra indicada, o segundo é TAM SÃO 1/6 rejeitado por razão idêntica. Dezembro TAM Fortaleza 6/6 e TAM São 2/6 rejeitados pela razão supra indicada. Total comprovado deste cartão no ano: R$1.823,43. f) Análise do Cartão Mastercard 2217 –fls. 3151 e ss. Janeiro A fiscalização já admitiu o registro referente a Supercarnes. O registro de TAM SAM 12/12 é rejeitado por falta de documentação comprobatória de que a passagem referese a viagem a serviço da empresa. Março Falta documentação. Abril Comprovado: R$501,39 Junho Comprovado: R$1.398,14 Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Agosto, setembro e outubro – todos os registros já acatados na fase de fiscalização. Dezembro O registro referente a Giusepe Pneus não é admitido por faltar comprovação de ser despesas com veículo da empresa. Os demais a fiscalização já acatou. Total comprovado deste cartão no ano: R$1.899,53. g) Análise do Cartão Visa Platinum 3018 –fls. 3212 e ss. Setembro Os cinco primeiros registros a fiscalização já acatou. A documentação não comprova que o registro “O Borrachão” referese a despesas empresariais, pois não é adequado o emprego da mercadoria “Santatonio” como de uso exclusivamente empresarial. Valor comprovado: R$32,60 Outubro “O Borrachão” 2/4 rejeitado pela razão acima; Comprovados os dois registros “Superfamília” que totalizam R$833,50. Os cinco primeiros registros já considerados pela fiscalização. Demais, carente de documentação comprobatória. Novembro Os sete primeiros registros já foram acatados na fase de fiscalização. “O Borrachão” 3/4 rejeitado pela razão acima. e “Química Livraria 2/3 tal como a parcela 1/3 por falta de documentação. Farmácia 1/2 e seguinte estão carentes de documentação comprobatória. Valor comprovado (187,01 + 649,49 + 49,13): R$882,63 Dezembro Os seis primeiros registros já acatados pela fiscalização. Parcelas de O Borração e Química Livraria rejeitadas pelas razões anteriormente expostas. Com a ressalva de que o registro de R$2.889,54 referese a Fort Line Turismo alusivo a passagem de Fernando Medeiros que conforme fls. 4634 é empregado da INACE, foram comprovados R$ 2.938,64 (49,10 + 2.889,54). Total comprovado deste cartão no ano: R$4.687,37. h) Análise do cartão Hipercard 8202 76 – fls. 3277 e ss. Janeiro O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. O registro de R$600,00 não foi comprovado, pois a diferença de valores não permite vincular a nota fiscal apresentada à despesa no cartão de crédito. Demais registros sem documentação. Fevereiro, Março e abril 1º Registro já acatado pela autoridade lançadora, segundo rejeitado por ser parcela subseqüente de compra rejeitada pela razão acima. Maio O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Os demais foram comprovados agora: R$188,98. Junho Valor comprovado: R$35,00 Julho, outubro, novembro e dezembro – todos os registros já foram computados na fase de fiscalização. Agosto: O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Demais comprovados: R$682,90. Setembro O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Demais comprovados: R$56,55 Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.709 19 Total comprovado deste cartão no ano: R$963,43. i) Análise do cartão Amex 2459762002 – fls. 3312 e ss. De janeiro a julho, a fiscalização já acatou os dois primeiros registros (116,33 e 85,45), vejamos os demais. Janeiro – não há outros registros. Fevereiro, Março e abril – carentes de documentação Maio Comprovado: R$276,67 (136,67 + 140 ). Quanto ao registro Tam, o bilhete é insuficiente para a comprovação pretendida, pois é necessário vinculação objetiva entre registro no cartão e documento que comprove a despesa inerente à atividade empresarial. A documentação de Metal Comércio não é eficaz porque não consta esse registro na relação do mês de maio ou de junho (fls. 3313). Demais registros desacompanhados de documentação. Junho Comprovado: R$928,37 (791,70 + 136,67). Julho Comprovado: R$136,67 Agosto Os três primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$136,67 Setembro Os quatro primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$2.266,19 Outubro Os três primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$136,67 Novembro Os seis primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Os demais comprovados: R$927,14 Dezembro A documentação não comprova que o registro “Gerardo Bastos” é um gasto com veículo da frota da empresa. Falta documentação referente ao registro de Posto Marina “115,26) e os dois últimos de Super Família (171,85 e 853,82). Comprovado: R$3.728,36. Total comprovado deste cartão no ano: R$8.536,74. j) Análise do cartão GM Card – Visa 6017 – fls. 3433 e ss. Janeiro Os registros no valor de 123,90, 60,83 e 71,46 já foram acatados pela Fiscalização. Os demais não podem ser admitidos porque não estão acompanhados de documentação. Ressaltese que na relação da agência de turismo Casablanca (fls. 4605 e ss) não conta registro relativo a este cartão. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 Fevereiro Valor comprovado: R$ 132,32 (60,83 mais 71,49), referente a parcelas de compra já comprovada. Demais sem documentação. Março e maio – já acatado pela Fiscalização. Abril A Fiscalização já acatou os registros de 75,00, 60,83 e 71,46. Registro comprovado: R$710,31. Demais sem comprovação. Junho Registros já acatados: 75,00; 87,62; 68,50; 22,98; 557,68. Sem documentação: 392,63; 40,49. Valor comprovado: R$2.097,52 Julho Registros já acatados:87,62; 75,00; 22,98; 557,68. Sem documentação: 392,63; 40,49; 650,00. A despesa TAM carece de comprovação de que a passagem (Reveillon) fora efetuada a serviço da empresa. Valor comprovado:R$2.309,12 Agosto Registros já acatados:87,61; 22,96; 557,66. Rejeitados: TAM 2/6 (motivo acima); 42,75 e 316,63 (lançados em duplicidade); 121,00 (combustíveis sem identificação de veículo da empresa). Comprovado: R$2.691,81. Setembro Registros comprovados: R$718,81 (190,06, 396,00 e 132,75). Rejeitado: TAM 3/6 (motivo acima). Os demais a Fiscalização já acatou. Outubro Rejeitado: TAM 4/6 (motivo acima). Registros comprovados: R$322,81 (190,06 e 132,75). Os demais a Fiscalização já acatou. Novembro Rejeitados: TAM 5/6 (motivo acima); 51,18 e 156,09 (duplicidade) 545,51 (sem documentação). Os demais a Fiscalização já acatou. Dezembro Rejeitados: TAM 6/6 e 545,51(motivo acima); 203,95 sem comprovação. Demais já acatados pela fiscalização. Total comprovado deste cartão no ano: R$8.982,87. Destarte, o valor comprovado que deve ser excluído da base de cálculo adotada no lançamento, para o anocalendário 2006, é de R$59.525,23. 3. Análise do anocalendário 2007 Anocalendário 2007 Cartão Mastercard Gold final 4047 Janeiro Já acatados 248,00 Rejeitados 516,70; 500,00 e 1.038,66 Sem documentação Comprovados 227,33 227,33 Fevereiro Já acatados 218,62 Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.710 21 Rejeitados 1.038,66 (sem comprovação); 260,70 (documentação insuficiente); 336,00 (sem especificar adequadamente material/uso); 47,00 e 135,00 (não vincula a despesas da empresa); 132,00 (sem especificar adequadamente material/uso); 105,00 e 70,00 (não comprova ser bem veículo da empresa); Comprovados 81,00; 53,80; 1.342,96; 167,20; 321,46; 72,13; 400,49; 63,00; 327,17; 178,20 e 160,00 Total: R$3.168,41 Março Já acatados 98,00; 35,00; 25,00; 444,06 Rejeitados 1.038,66; 260,70; 336,00, 135 ,00; 105,00 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 849,17 (não comprovado que se refere a veículo da empresa); 142,89 (sem documentação) e 94,93 (não apresentou a nota fiscal mencionada) Comprovados 1.342,95; 167,30; 321,45; 400,49; 63,00; 328,16; 178,20; 585,17; 486,02; 352,85; 738,24 R$4.963,83 Abril Já acatados 444,06 Rejeitados 1.038,66; 849,14; 142,87; 94,93; 260,70; 135,00; 105,00 – parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada) Comprovados 486,02; 352,84; 738,24; R$2.162,26 Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 585,16 Maio Já acatados Nenhum Rejeitados 849,14; 142,87; 260,70 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 25,79 e 8,95 (não demonstrou vinculação com a empresa) Comprovados 30,10; 58,25; 64,14 R$152,49 Junho Já acatados 30,10; 58,25; 110,55; 22,00 Rejeitados 849,14; 142,87; 260,70 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); Comprovados 397,85; 64,14 R$461,99 Julho Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 142,87 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 69,60 (sem documentação) Comprovados 397,85 R$397,85 Agosto Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 142,87 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); Comprovados Nenhum Setembro Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 305,78 (sem documentação) Comprovados Nenhum Outubro Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.711 23 Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 621,88 (divergência de valores , a nota fiscal 28202 já comprova o registro anterior duas parcelas de 1.751,30); 305,74 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada) Comprovados 1.751,30 R$1.751,30 Novembro Já acatados 58,25; 22,00 Rejeitados 621,88; 305,74 (idem ao mês anterior) Comprovados 1.751,30 R$1.751,30 Dezembro Já acatados 58,25; 22,00 Rejeitados 305,74 (idem ao mês anterior); os demais (por falta de comprovação) Comprovados nenhum Total comprovado deste cartão: R$15.036,76. Anocalendário 2007 Cartão Unicard Visa final 4056/4031 – fls.3696 e ss. Janeiro Já acatados 192,25 Rejeitados 583,35 (sem documentação) Comprovados Nenhum Anocalendário 2007 Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 24 Cartão Mastercard Gold final 2014 – fls. 3698 e ss. Janeiro Rejeitados 34,00 (não comprovado que se trata de veículo da empresa) Comprovados 1.117,9 e 178,82 1.296,72 Fevereiro Comprovados 178,82 178,82 Março Comprovados nenhum Abril Comprovados Todos 1.362,11 Maio Comprovados 615,76 615,76 Junho Comprovados Nenhum Julho Comprovados Nenhum Agosto Já acatados 386,05 e 71,47 Comprovados Nenhum Setembro Já acatados 386,03 e 71,43 Rejeitados 117,52; 189,50 – recibo 96589899; 117,72 – recibo 96589899; 76,47 e 81,22 (falta de documentação ou por não haver vinculação entre a documentação e valor ou número de recibo/reserva) Comprovados 174,42; 178,62; 178,62; 189,50; 1.208,00 Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.712 25 179,62; 189,50; 117,72 Outubro Já acatados 386,03 e 71,43 Rejeitados 76,43; 189,50 recibo 96589901; 61,58; 97,17 e 54,94 – idem acima Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50, 179,62; 123,17; 39,24 1.252,69 Novembro Já acatados 386,03; 71,43 e 189,50 Rejeitados 76,43; 64,58; 54,92; 123,16 – idem acima Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50; 179,62; 97,17; 123,17 e 39,28 1.349,90 Dezembro Já acatados 386,03; 71,43 e 189,50 Rejeitados 76,43; 61,58; 54,92; 123,16; 311,83 Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50;179,62; 97,17; 123,17 1.310,62 Total comprovado deste cartão: R$8.574,62. Anocalendário 2007 Cartão Credicard final 2296 fls. 3797 e ss. Janeiro Fl. 4724DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 26 Rejeitados 129,53; 100,00 – falta de documentação Comprovados 500,00; 58,85 558,85 Fevereiro Já acatados 216,44 Rejeitados 129,63; 100,00; 151,70; 25,89; 24,58; 133,33 – falta de documentação Comprovados 500,00; 58,85 558,85 Março Já acatados 216,44 Rejeitados Todos os demais – falta de documentação Abril Já acatados 216,44; 20,60; 99,99; 23,16 Rejeitados Demais rejeitados por falta de comprovação ou porque comprovado em favor de pessoas físicas Comprovados 95,00 95,44 Maio Já acatados 216,44; 19,47 Rejeitados Demais rejeitados por falta de comprovação ou porque comprovado em favor de pessoas físicas Junho Já acatados 216,44; 37,42; 445,95; 63,32 Rejeitados 133,33; 159,93; 58,12; 36,12 falta de documentação ou divergência de valor Comprovados 53,12 e 77,63 130,75 Julho Fl. 4725DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.713 27 Já acatados 216,44; 37,42; 63,33 Rejeitados 58,10; 133,53 falta de comprovação Comprovados 77,64; 76,50; 53,10 207,24 Agosto Já acatados Os demais registros nas mencionados abaixo. Rejeitados 58,10; 133,33 falta de comprovação Comprovados 76,50; 53,10; 88,34 e 189,50 407,44 Setembro Já acatados 216,44: 37,44; 149,50; 109,66; 86,60 e 178,62 Rejeitados 58,10; 189,50 (bilhete 96589908); 117,72 falta de comprovação Comprovados 53,10; 88,33; 189,50 ; 75,43; 105,38; 61,60; 19,62; 79,77 e 24,10 696,83 Outubro Já acatados 216,48; 149,50; 109,66; 86,60 e 178,62 Rejeitados 189,50 (bilhete 96589908); 58,10 Comprovados demais 601,76 Novembro Já acatados 149,5; 86,60; 178,62 Rejeitados 189,5 (bilhete 96589908);; 58,10; 194,31; 259,08; 66,72 Comprovados Demais 513,43 Dezembro Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 28 Já acatados 149,50; 86,60 e 178,62 Rejeitados 189,50 (bilhete 96589908); 194,31; 259,08; 116,70; 148,62 e 39,24 Comprovados 61,58; 79,77; 24,13; 189,50 354,98 Total comprovado deste cartão: R$4.125,57. Anocalendário 2007 Cartão Caixa Mastercard final 2217 – fls. 3900 e ss. Janeiro Já acatados 66,50 Rejeitados 139,00 – falta documentação Fevereiro Já acatados 66,50; 81,01 Rejeitados 139,01 – falta documentação Comprovados Demais 707,35 Março Já acatados 66,50; 81,01 Comprovados 343,35 343,35 Abril Já acatados todos Maio Já acatados 66,50 Rejeitados 11,40 (cupom indica pagamento em dinheiro, fls. 3426); 125,96 (não comprovado uso em bem da empresa); 7,18 e 124,54 – falta documentação Comprovados 86,85; 184,47 271,32 Junho Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.714 29 Já acatados 66,50; 49,76; 18,90 Rejeitados 124,54; 86,85; 184,47; 18,90 Comprovados 118,62; 49,76 168,38 Julho Já acatados 66,50; 35; 134,42 Rejeitados 124,54 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Agosto Já acatados 66,50; 134,42 Rejeitados 948,91; 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Setembro Já acatados 134,42; 121,60; 73,08; 66,50 Rejeitados 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Outubro Já acatados 134,42; 121,62; 73,08 Rejeitados 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Novembro Já acatados todos Dezembro Já acatados todos Total comprovado deste cartão: R$1.964,88 Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 30 Anocalendário 2007 Cartão Visa Platinum final 3018 fls. 3972 e ss. Janeiro Já acatados 181,93 e 321,18 Rejeitados 1.500,10 – falta comprovação Comprovados demais 2.167,25 Fevereiro Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 1.500,10 e 1.694,20 (não comprovada relação do passageiro com a empresa) Comprovados demais 3.446,19 Março Já acatados 259,08; 181093; 21,18; 237,00 e 665,80 Rejeitados 1.500,10 – falta comprovação; 11.350,00 e 217,22 (notas fiscais emitidas para pessoa física). Comprovados demais 1.740,34 Abril Já acatados 181,93; 21,18 Rejeitados 217,21 e 1.500,10 (idem acima) Comprovados Demais 627,37 Maio Já acatados demais Rejeitados 217,21 (idem acima); 37,11 (sem comprovação); 1.517,56 (não comprovado o vínculo da viagem da família Juan com atividade da empresa; e divergência de valores) Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.715 31 Comprovados 163,20 e 126,24 289,44 Junho Já acatados demais Rejeitados 37,10 (valor divergente); 1.517,55 (idem acima) Comprovados 163,20; 126,20 e 99,54 388,94 Julho Já acatados Os 14 primeiros registros. Rejeitados 1.517,55 (idem acima) Comprovados 99,54; 126,20 e 163,2 388,94 Agosto Já acatados Os quatro primeiros registros. Rejeitados 1.517,55 (idem acima); 84,88; 229,31; 254,56; 64,77 (documentação insuficiente); 116,38 (sem comprovação) Comprovados Demais 1.446,62 Setembro Já acatados 349,90 Rejeitados 84,87; 229,31; 254,56 e 64,77 (idem acima); 116,37 e 229,56 (sem documentação) Comprovados Demais 1.288,54 Outubro Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 64,77; 84,87; 116,37; 229,31; 254,56; 229,56 (idem acima e falta de documentação) Comprovados Demais 1.288,54 Novembro Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 32 Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 229,31; 254,56 e 64,77; 116,37 e 229,56 (idem acima) Comprovados Demais 865,68 Dezembro Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 254,56; 64,77; 116,37; 229,56; 739,24 Comprovados Demais 766,14 Total comprovado deste cartão: R$14.703,99. Anocalendário 2007 Cartão Amex – final 62002 – fls. 4167 e ss. As fls. 4171 a 4173 contêm dados duplicados. Para corrigir esse erro os dados da fatura com vencimento 25/12/2007 contidos na fl. 4171 e 4173 e os da fatura com vencimento em 25/11/2007 contido às fl. 4172 foram ignorados. Janeiro Rejeitados 74,28 – sem documentação Comprovados 402,75 e 480,00 882,72 Fevereiro Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 1.211,25; 247,11; 58,00; 171,85; 853,83; 95,80 e 255,33 – falta documentação. Comprovados Demais 2.437,39 Março Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 255,33; 229,20 e 98,89 – falta documentação Comprovados Demais 2.042,31 Abril Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.716 33 Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 229,20 e 255,33 falta documentação Comprovados 64,31 e 62,21 126,52 Maio Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 255,35 falta documentação Comprovados 64,31 e 62,21 126,52 Junho Já acatados Os três primeiros registros. Rejeitados 255,33 falta documentação Julho Já acatados Todos Agosto Já acatados 108,25 e 255,43 Rejeitados 527,85 – não foi comprovada a natureza da despesas e há discrepância de valores na documentação apresentada. Comprovados 178,62; 418,24; 174,42 e 418,24 1.189,52 Setembro Já acatados 108,25 e 255,43; 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,66 – falta documentação. Comprovados demais 3.702,98 Outubro Já acatados 108,25 e 255,43; 226,54 e 174,42 Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 34 Rejeitados 174,65 – falta documentação. Comprovados demais 3.702,98 Novembro Já acatados 108,25; 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,65; 474,62; 239,31; 492,82; 246,41; 79,10 falta de documentação e/ou a relação Casablanca contém discrepância de valor ou número de cartão. Comprovados Demais 3.198,58 Dezembro Já acatados 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,67; 79,10; 474,62; 239,31; 492,82; e 246,41 Comprovados Demais 1.498,44 Total comprovado deste cartão: R$18.907,96. Anocalendário 2007 Cartão Hipercard final 8202 76 fls. 4268 e ss. Janeiro Já acatados todos Fevereiro Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Março Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Abril Já acatados Demais Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.717 35 Comprovados 48,00 48,00 Maio Já acatados 254,80 Comprovados Demais 408,36 Junho Já acatados Demais Comprovados 48,00; 340,36 388,36 Julho Já acatados Demais Comprovados 48,00; 340,36 388,36 Agosto Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Setembro Já acatados demais Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Outubro Já acatados demais Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Novembro Já acatados 88,33 Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Dezembro Rejeitado 269,74 – falta documentação Comprovados 93,33 93,33 Total comprovado deste cartão: R$1.894,40. Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 36 Anocalendário 2007 Cartão GM Card Itaú Card Visa final 6017 – fls. 4302 e ss. Janeiro Já acatados 730,55 Rejeitados 545,51 e 203,95 – sem documentação. Comprovados Demais 1.940,53 Fevereiro Já acatados 730,55 e 59,34 Rejeitados 545,49 (sem documentação); 67,50 e 250,00 (venda a pessoa física) Comprovados demais 1.940,53 Março Rejeitados Todos – idem motivo acima Abril Já acatados 145,19; 150,09 Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 900,00 e 80,20 980,20 Maio Já acatados Os dois primeiros e do 5º ao 16º registro. Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 86,28 86,28 Junho Já acatados Os sete primeiros registros. Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.718 37 Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 86,25 e 60,10 146,35 Julho Já acatados Os oito primeiros registros. Rejeitados demais Comprovados 86,25; 60,05 e 53,71 200,01 Agosto Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 290,85 Comprovados demais 1.484,30 Setembro Já acatados Os nove primeiros registros. Rejeitados 290,69 Comprovados demais 497,30 Outubro Já acatados Os seis primeiros registros. Comprovados Demais 2.247,30 Novembro Já acatados Os quatro primeiros registros. Rejeitados 616,05 (não comprovado vínculo dos passageiros com a empresa0); 518,07 (sem documentação) Comprovados Demais 2.193,59 Dezembro Já acatados 279,12 e 324,42 Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 38 Rejeitados 616,03 e 518,97 – sem comprovação Comprovados demais 2.834,16 Total comprovado deste cartão: R$14.550,55. Na análise do Cartão Mastercard Platinum final 5533 verificouse que todos os registros (fls. 4450 e ss.) já foram acatados pela fiscalização (fls. 97 e ss.). No cartão Visa Platinum final 7795 nada foi acatado pela Fiscalização, as despesas (fls. 4468 e ss.) foram comprovadas, salvo a denominada “Gol Tran” em três parcelas (1ª de 94,88, demais de 94,87) por faltar documentação. Desta forma, nesse cartão o valor comprovado é de R$979,28. No cartão Amex final 1832007 (fls. 4489 e ss.), as despesas de setembro já foram acatadas pela Fiscalização e a despesa de dezembro não pode ser comprovada porque a documentação é insuficiente para comprovar ser uma despesa da empresa, notadamente pela falta de comprovação do vínculo dos passageiros com a pessoa jurídica. Neste cartão não há valor a ser admitido. Conseqüentemente, o valor a ser excluído da base de cálculo adotada no lançamento, no anocalendário 2007, é de R$80.918,01. Da multa de ofício qualificada. O recorrente, subsidiariamente, alega que o auto de infração sequer indicou em qual dos dispositivos da Lei 4.502/64 enquadrouse a conduta do contribuinte (71, 72 ou 73?). Partindo do pressuposto de que a boafé se presume e que dolo se comprova, verificase que a autoridade fiscal não comprovou que o recorrente tenha agido com evidente intuito de fraudar a fiscalização fazendária. De outro giro, a fundamentação adotada no acórdão recorrido para a qualificação constitui inovação na acusação, além de não ser possível presumir o dolo com base exclusivamente no fato de a fiscalização ter sido iniciada em razão de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas, quando este não foi o fundamento adotado pela autoridade lançadora. A existência de indícios de crimes é ponto de início do trabalho de fiscalização mas não uma conclusão acabada, por maiores que sejam os indícios, para fins de qualificar a multa, a fiscalização não esta dispensada de comprovar o dolo. Dessa forma, devese afastar a qualificação da multa. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.719 39 novecentos de dezoito reais e um centavo), nos anocalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10830.003186/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004
Ementa:
BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO.
É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria.
BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS.
As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES
As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998.
NÃO- CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES.
A apuração de créditos na sistemática não-cumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento.
Numero da decisão: 3402-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente aos juros de mora sobre a multa de ofício, em virtude da preclusão. Na parte conhecida, em negar provimento, pelo voto de qualidade, em relação ao tráfico mútuo e a locação de mão de obra. Vencidos JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR e FRANCISCO MAURICIO RABELO de ALBUQUERQUE SILVA que davam provimento e FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em relação ao tráfego mútuo dava provimento e em relação à locação de mão de obra considerava que tais valores não integram o faturamento nos termos da Lei n º 9718/98. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar a tributação sobre as receitas provenientes das subconcessões no período da vigência da lei nº 9718/98. Vencidos GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA que negavam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer o direito ao crédito de arrendamento de bens e equipamentos. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à espontaneidade. Designada conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA pra redigir o voto vencedor quanto à matéria de subconcessões.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Redatora Designada
EDITADO EM: 01/08/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004 Ementa: BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998. NÃO- CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática não-cumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento.
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Recorrida DRJ CAMPINAS (SP) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004 Ementa: BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes da da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998. NÃO CUMULATIVIDADE.. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 31 86 /2 00 7- 14 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 205 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente aos juros de mora sobre a multa de ofício, em virtude da preclusão. Na parte conhecida, em negar provimento, pelo voto de qualidade, em relação ao tráfico mútuo e a locação de mão de obra. Vencidos JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR e FRANCISCO MAURICIO RABELO de ALBUQUERQUE SILVA que davam provimento e FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em relação ao tráfego mútuo dava provimento e em relação à locação de mão de obra considerava que tais valores não integram o faturamento nos termos da Lei n º 9718/98. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar a tributação sobre as receitas provenientes das subconcessões no período da vigência da lei nº 9718/98. Vencidos GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA que negavam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento para reconhecer o direito ao crédito de arrendamento de bens e equipamentos. Por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à espontaneidade. Designada conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA pra redigir o voto vencedor quanto à matéria de subconcessões. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto (assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Redatora Designada EDITADO EM: 01/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS,. fls. 798/860, que Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 206 3 constituíram o crédito tributário total de R$ 44.381.626,80, somados o principal, multa de oficio agravada e juros de mora calculados até 30/04/2007. Após relatar o andamento do procedimento de auditoria, a autoridade fiscal assim descreve as infrações imputadas à contribuinte: 001 — Cofins — Exclusões Indevidas da Base de Cálculo — Despesas com tráfego mútuo 58. A origem da presente infração tem como fundamento interpretação equivocada da fiscalizada em relação a legislação que versa sobre a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), na prestação desses serviços quando necessária a utilização de linhas férreas de terceiros para concretizar o transporte de cargas da origem até o destino contratado. 59. A fiscalizada expõe que de acordo com o disposto no art. 6° do Decreto 1.832/96, que Regulamenta o Transporte Ferroviário: "As Administrações Ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo ou, no caso de sua impossibilidade, permitir o direito de passagem a outras operadoras". 60. A Resolução n° 44, da Agência Nacional de Transportes Terrestres — ANTT assim define o termo "tráfego mútuo": "é a modalidade de operação que se dá em decorrência de contrato firmado entre as concessionárias, para permitir o transporte ferroviário que ultrapasse os limites geográficos de uma malha". 61. O modelo de funcionamento das ferrovias no Brasil impõe a existência de tráfego mútuo, determinando, através do ajuste SINIEF n° 19/89 (Legislação do ICMS) a emissão de um único despacho de Cargas quer para o tráfego próprio (em linhas férreas de propriedade da concedente) quer para o tráfego mútuo. 62. É emitida, em decorrência do transporte de cargas, uma única Nota Fiscal (refletindo o faturamento) pela empresa responsável pela contratação do transporte da carga de sua origem até o seu destino, a qual é regularmente fornecida ao contratante dos serviços. 63. Cabe acrescentar, que esse faturamento comporá as receitas da empresa de transporte contratada, que poderá estar na origem, nos trechos intermediários pelo qual a carga transitará ou mesmo no trecho final, no qual ela será entregue. 64. Podese dizer que a prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas pressupõe a existência do tráfego mútuo, considerando a necessidade de otimizar a infraestrutura existente, visando a permitir o amplo trânsito de cargas entre as diversas malhas férreas. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 207 4 65. Decorrente disso, no caso concreto da fiscalizada, a prestação de serviços de transporte de cargas contratadas por outras empresas: FSA (ALL), MRS Logística, Ferrovia Novoeste, Ferrovia Centro Atlântica (FCA), CVRD e CFN (Nordeste) transitam pelas malhas férreas concedidas à fiscalizada sob a modalidade "tráfego mútuo" e este trânsito gera receitas operacionais de exploração desses trechos para a fiscalizada. 66. Por outro lado, cargas de responsabilidade da fiscalizada também transitam pelas malhas férreas de outras concessionárias, fazendo com que a fiscalizada tenha que arcar com custos a titulo de "trafego mútuo" para concretizar os serviços contratados por seus clientes. 67. Assim sendo, embora o contratante do transporte de cargas pague um único preço pelo serviço, muitas vezes a fiscalizada é obrigada a arcar com custos adicionais pela passagem dessas cargas pelas malhas férreas de responsabilidade de outras concessionárias, com a finalidade de completar o serviço contratado, levando a carga da origem a seu destino. 68. A exclusão dos valores abaixo das bases de cálculo da Cofins na modalidade cumulativa, para o período de 01/2003 a 01/2004 (inclusive), fere o regime de tributação dessa contribuição que define que a receita é tributada nas empresas de maneira cumulativa, não podendo ser utilizado o valor pago em uma prestação de serviços para abater o devido nas fases subseqüentes. 69. O fundamento legal para o lançamento da presente infração cingese a identificação do alcance do conceito de receita de serviços para fins de incidência da Cofins. A base de cálculo das contribuições para a Cofins, durante o período citado, não se restringe a receita decorrente de remuneração pela participação direta da fiscalizada na prestação do serviço de transporte de cargas, mas vai além, açambarcando toda a receita decorrente do faturamento pela venda do serviço de transporte de cargas de sua origem até seu destino, além de outras receitas operacionais, por ventura, auferidas pela fiscalizada. 70. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para a Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2° e 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (...) [segue a transcrição da legislação citada] 72. Como se vê, o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de transporte de cargas por malhas ferroviárias a outras congêneres a titulo de "trafego mútuo", não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 208 5 deduções da base de cálculo da Cofins a alíquota de 3% (três por cento). 73. Sobre esse tema, vale lembrar que o conteúdo, sentido e alcance dos termos "receita" e "faturamento" já foram objeto de exaustivos debates tanto na doutrina como na jurisprudência. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, desde antes da Emenda 20/98, já vinha adotando, para efeitos fiscais, o conceito de faturamento como idêntico ao da receita bruta (cf a titulo ilustrativo o Acórdão do RE 150.7551 e da ADC 1). 74. A Corte Constitucional, ao interpretar o texto do art. 195, I, da Carta Política, entende faturamento ou receita bruta como o conjunto de todas as receitas da empresa, englobando as operacionais e as não operacionais. Assim, a receita bruta é entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 75. Esse posicionamento, aplicado a questão objeto da infração, implica inclusão dos valores faturados pela fiscalizada, mesmo que as cargas tenham transitado por malhas ferroviárias de empresa congênere durante prestação dos serviços. 76. Haverá incidência das contribuições por ocasião do faturamento da concessionária ao cliente, neste incluído o "trafego mútuo" devido a outra empresa que tenha participado do trânsito da carga. 77. A possibilidade de exclusão de receitas de serviços já faturadas está sob reserva da lei formal. Com efeito, qualquer redução de base de calculo deve observar os limites impostos pelo art. 150, § 6°, da Constituição Federal (..). 78. Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução da base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastandose a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de calculo não expressamente autorizados por lei. 79. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chegase ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para a Cofins, os valores pagos a outras concessionárias, pela "coparticipação" na prestação dos serviços. 80. Desta forma, concluise que o legislador entendeu que os valores pagos pela "coprestação de serviços", nada mais são que despesas/custos das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a fiscalizada teria que possuir instalações próprias, Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 209 6 equipamentos, empregados, etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. () 82. Diante do exposto, temse que os valores abaixo, pagos pela fiscalizada, concessionária de serviço de transporte de cargas por malhas ferroviárias, a outras congêneres, a titulo de "tráfego mútuo", por serem considerados despesas/custos, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de calculo da contribuição Cofins. 002 — Cofins — Outras Receitas Operacionais Não Computadas na Base de Cálculo, Decorrentes de Cessão de Empregados Próprios para Terceiros 83. A fiscalizada forneceu o serviço de empregados registrados a terceiros (empresas ALL e FCA) tendo reconhecido por essa cessão valores a titulo de "ressarcimento", os quais embora representem ingressos de receitas, foram registrados indevidamente em sua contabilidade como sendo redutores de suas despesas/custos. 84. Esse fornecimento de mãodeobra foi embasado em contratos particulares denominados "Acordos de Operação", segundo os quais a fiscalizada entregou as empresas ALL e FCA o direito de exploração de parte da Malha Ferroviária Paulista obtida através da licitação de que trata o Edital PND 02/98/RFFSA. Esses Acordos também estabeleciam em seu bojo a cessão onerosa de pessoal especializado para operar as referidas malhas cedidas. 85. Considerandose a definição de faturamento/receita bruta dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, procedemos aos ajustes das bases de cálculo da fiscalizada, adicionando os valores abaixo, registrados como "ressarcimentos", sobre os quais deveria ter sido recolhida a Cofins e o PIS. 003 — Cofins — Outras Receitas Operacionais Não Computadas na Base de Cálculo — Receitas Decorrentes de "Sub concessões" e "SubArrendamentos de Trechos Ferroviários a ALL e a FCA 86. Tendo se sagrado vencedora da licitação pública para a concessão de exploração e desenvolvimento do serviço público de transporte ferroviário de carga na Malha Paulista, nos termos do Edital n° PND/02/98/RFFSA, no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, regido pela Lei n° 9.491/98, a Ferroban celebrou com a União Federal, por meio do Ministério dos Transportes, "Contrato de Concessão", firmado em 30 de dezembro de 1998. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 210 7 87. A Ferroban tornouse, assim, titular do direito de exploração e desenvolvimento desse serviço público na malha ferroviária paulista. 88. A FCA e a ALL são, respectivamente, concessionárias do serviço de Transporte ferroviário de carga na Malha Centro Leste e Sul, áreas contíguas aquelas operadas pela Ferroban. 89. A Ferroban e a Ferrovia Sul Atlântico S.A., antecessora da ALL, celebraram um Acordo Operacional por meio do qual foi transferida a operação da Malha Paulista nos trechos compreendidos entre (i) Pinhalzinho (SP) e Iperó (SP) e (ii) Presidente Epitacio (SP) e Rubido Júnior (SP). 90. Com relação à Ferroban e FCA, firmouse um Acordo de Operação por meio do qual esta ficou responsável por prestar com exclusividade os serviços de operação ferroviária no trecho entre Araguari e Vale Fértil, posteriormente estendido a Boa Vista (Nova). 91. Assim, sendo, a Ferroban, ao lograr êxito em vencer a licitação para operação da malha ferroviária paulista, por interesse próprio e de suas parceiras ALL e FCA, celebrou contrato de "subconcessão" com as mesmas, através do qual a primeira cedia às duas outras a operação de trecho ferroviários, ficando a ALL e a FCA obrigadas ao pagamento regular de taxas denominadas de concessão e arrendamento por esses trechos. 92. A fiscalizada deixou de computar nas bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores abaixo decorrentes de arrendamento e concessão, cobrados pela fiscalizada das empresas ALL (FSA) e FCA pela "subconcessão" de trechos ferroviários a ela atribuídos pela União Federal através de Contrato de Concessão (...). 93. Esses montantes, apontados em suas respostas datadas de 26/04/2006, 10/08/2006, 01/12/2006 e 04/04/2007 representaram ingressos de receitas para a fiscalizada e devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS na forma da sua legislação de regência. 004 — COFINS — Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago. 94. Durante o procedimento de verificações obrigatórias por amostragem foram efetuadas as conferências dos valores declarados pelo próprio contribuinte como decorrentes de seu faturamento e os valores constantes em seus livros e documentos contábeis e fiscais. 95. Foram constatadas divergências entre os montantes calculados com base nos faturamentos declarados pela empresa fiscalizada em suas respostas formais (...) e os valores efetivamente declarados por esta em DCTF e pagos mediante DARF. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 211 8 96. No caso da apuração NÃO CUMULATIVA do PIS e da COFINS, foram concedidos à fiscalizada a totalidade dos créditos por esta pleiteados em DACON — Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (anoscalendário 2003 a 2005) e em sua resposta formal datada de 04/04/2007( ano calendário 2006). 97. Após a consideração das insuficiências geradas pelas infrações praticadas pelo contribuinte (vide Anexo VIII), restou constatado que houve também falta de recolhimento dos valores abaixo arrolados, decorrentes de insuficiência de declaração ou recolhimento da COFINS e do PIS incidentes sobre o faturamento regularmente declarado, conforme demonstrado nos Anexos VII e VIII. O lançamento referente à contribuição para o Programa de Integração SocialPIS tem os mesmos fundamentos do itens 02, 03 e 04 transcritos acima. Cientificado do lançamento em 04/06/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação em 03/07/2007, fls. 910/943, alegando, em síntese: a) é inconstitucional o § 1°, do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998. Assim, em relação à COFINS cumulativa permanece vigente o artigo 2º da Lei Complementar n° 70/91, o qual estabelece que faturamento é 'a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza'. O critério material do PIS e da COFINS, no regime da não cumulatividade, é auferir faturamento, o qual corresponde à receita bruta. É o que estabelecem respectivamente, os artigos 1° da Lei n° 10.637/2002 e 1° da Lei n° 10.833/2003; b) Receita é uma das espécies do gênero entradas ou ingressos de dinheiro, valores ou bens em determinado patrimônio. Disso resulta que a receita 'pressupõe a ocorrência de um ato ou fato jurídico de alteração do patrimônio liquido ou uma entrada que se incorpora ao patrimônio daquele que a aufere, como elemento novo, ao passo que o ingresso reflete apenas um fluxo neutro de recursos financeiros'; c) No âmbito das ferrovias é corriqueira a situação em que o transporte de carga utiliza a malha de mais de uma concessionária. Tal situação é disciplinada pelo Regulamento dos Transportes Ferroviários, aprovado pelo Decreto n° 1.832/96. Nas hipóteses de tráfego mútuo, cada concessionária presta o serviço de transporte no trecho que integra a sua concessão, utilizando equipamentos e pessoal próprio. Em outras palavras, no tráfego mútuo o transporte é realizado por diferentes prestadores. A ferrovia na qual tem inicio o transporte, por força de imposição regulamentar, emite um único documento, designado de Despacho de Cargas de Lotação — DCL, o qual ampara todo o transporte. Na seqüência, são emitidos (a) relação despachos e (b) a Nota Fiscal de Prestação de Serviços de Transporte — NFPST, modelo 7, na qual consta o valor total do frete. No caso de tráfego mútuo, o valor total do Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 212 9 frete, que consta da NFPST, engloba a remuneração de mais de uma concessionária. O valor total do frete é pago a concessionária que emitiu a NFPST, sendo que parte do referido valor é repassado as demais concessionárias que também prestaram o serviço. Na autuação, o agente fiscal, valendose de jurisprudência superada, entendeu que faturamento corresponde ao conjunto de todas as receitas (operacionais e não operacionais). Além disso, equivocouse o agente fiscal quando entendeu que constituem faturamento da FERROBAN os valores relativos ao tráfego mútuo devidos às outras concessionárias que participaram do transporte de carga. Conforme acima se viu, somente constitui receita e, portanto, faturamento o ingresso em dinheiro ou bens capazes de ocasionar uma alteração positiva no patrimônio liquido, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Ora, o próprio fiscal reconhece (item 76., fls. 814) que parte do frete recebido nos casos de tráfego mútuo destinase a remunerar as concessionárias responsáveis pela prestação do serviço nos trechos subseqüentes. Disso resulta que o referido valor não modifica positivamente o patrimônio liquido da impugnante, haja vista a existência de uma correspondência no passivo (repasse para as outras concessionárias), com o que não configura receita. Tratase, na verdade, de mero ingresso financeiro que apenas transita na contabilidade da FERROBAN por conta da imposição regulamentar de emissão de um único documento fiscal. Tais valores são cobrados por conta e em favor de terceiros — as concessionárias que operam os trechos subseqüentes — e, portanto, são receita destes, o que é expressamente reconhecido pela Norma de Procedimento Contábil (NPC) nº 14 emitida pelo Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (IBRACON). Tal fato também foi reconhecido pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL no Ato Declaratório n° 07/2000, que dispõe sobre procedimento semelhante ao tráfego mútuo nos serviços públicos de transporte urbano de passageiros. A exigência de COFINS da FERROBAN, utilizando como base de cálculo a remuneração dos serviços prestados pelas concessionárias que operam os trechos/subseqüentes importa em bis in idem, pois o mesmo serviço está sendo tributado duas vezes: a) pela FERROBAN que, em virtude da emissão do documento fiscal, recebeu e repassou os valores relativos ao tráfego mútuo; e b) pelas concessionárias que efetivamente prestaram o serviço nos trechos subseqüentes; d) DA CESSÃO DE EMPREGADOS. A impugnante não prestou nenhum serviço à ALL e à FCA. A ALL e a FCA exploram, respectivamente, as malhas ferroviárias Sul e CentroLeste, as quais são contíguas malha da FERROBAN. Por tal razão cedeu a elas a operação de certos trechos e ainda, equipamentos e pessoal. Cumpre ressaltar que tais acordos foram celebrados tendo por escopo posterior transferência definitiva de parte da concessão. Assim, em 13.01.2000 as concessionárias solicitaram ao órgão competente autorização para promover a cisão parcial da FERROBAN (fls. 140/154), a fim de que os referidos trechos Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 213 10 passem a integrar as malhas da ALL e da FCA. Após a autorização dos órgãos competentes, a FERROBAN transferiu os empregados inicialmente cedidos. Em relação a ALL tal providência ocorreu em 01.06.2001 e em relação à FCA em 01.12.2005, dados que podem ser verificados nos respectivos CAGED's — Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados. Portanto, no período abrangido pelo presente Auto de Infração não havia cessão de empregados para a ALL. No que diz respeito aos funcionários cedidos para a FCA, esta era responsável pelo pagamento dos salários e dos encargos sociais. Todavia, considerando que os contratos de trabalho foram firmados, previamente, pela FERROBAN (na data de assinatura dos Contratos de Concessão e Arrendamento entre FERROBAN e RFFSA — Rede Ferroviária Federal S.A.) e aguardavam autorização expressa da ANTT para a sua respectiva transferência para a FCA, o pagamento de tais empregados e seus encargos trabalhistas, até 30.11.2005, eram efetuados pela FERROBAN, a qual era reembolsada pela FCA. Com isso, ocorria tão somente um reembolso das despesas de responsabilidade da FCA e que, por falta de autorização prévia da ANTT, ainda estavam registrados na folha de pagamentos da FERROBAN. Tão logo foi obtida a referida autorização a FERROBAN e a FCA assinaram um Protocolo de Justificação da Operação de Cisão Parcial da FERROBAN (..) sendo que no Anexo 5, há a relação de empregados inicialmente alocados na FERROBAN e que prestavam serviços à FCA. A cessão de empregados não gera nenhuma receita para a Impugnante. Tanto é verdade que os valores relativos aos salários e encargos, os quais eram reembolsados pela FCA, não eram registrados como despesas. Tais valores foram contabilizados no Ativo como um direito a receber, sendo que por ocasião do reembolso promoviase a baixa do crédito e os recursos voltavam para o caixa. Ou seja, tratavase de fato permutativo, o qual não afetou o patrimônio. Disso resulta que os valores objeto de reembolso não são aptos a alterar positivamente o patrimônio liquido da impugnante, na medida em que há uma correspondência no passivo (pagamento de salários e encargos). Tratase, na verdade, de ingressos financeiros, os quais não integram a base de cálculo (receita) do PIS e da COFINS. Além disso, a jurisprudência pacificou o entendimento de que na intermediação de mãodeobra os valores destinados ao pagamento dos salários e encargos não integra o preço do serviço e, consequentemente, não constitui receita; e) DAS PARCELAS TRIMESTRAIS DEVIDAS A UNIÃO E A RFFSA (CONCESSÃO E ARRENDAMENTO) Novamente equivocouse a autoridade fiscal. Após vencer a licitação, a FERROBAN celebrou contrato de concessão (fls. 94/117), no qual foi ajustado o pagamento de parcelas trimestrais para o Poder Concedente. Também foi celebrado contrato de arrendamento de bens vinculados à prestação do serviço público (fls. 749/761), no qual foram previstos pagamentos trimestrais para a Rede Ferroviária Federal S/A — RFFSA. A FERROBAN cedeu a operação de parte da malha para a ALL e para a FCA Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 214 11 tendo por objetivo ulterior transferência definitiva de tais trechos, mediante cisão parcial. Tanto nos acordos de operação, como nos instrumentos de cisão, a ALL e a FCA assumiram a responsabilidade pelo pagamento de parcela dos valores devidos à União (pela concessão) e a RFFSA (pelo arrendamento). Conforme acima se disse, encontrase em trâmite na ANTT processo para alteração dos contratos de concessão e arrendamento. Enquanto o referido processo não for finalizado, a FERROBAN é obrigada, por força das regras contábeis, a registrar em seus livros os valores referentes ao percentual das parcelas trimestrais devidas pela ALL e pela FCA. A cessão dos trechos (..), da mesma forma que a cessão de funcionários, não gera nenhuma receita para a impugnante. O percentual das parcelas trimestrais devidas à União e à RFFSA pela ALL e pela FCA não é contabilizado com despesa pela impugnante. Tais valores são registrados no Ativo como direito a receber. Quando a ALL e a FCA promovem o pagamento diretamente à União e à RFFSA, ou repassam os valores para que a FERROBAN efetue tal pagamento, promovese a baixa do crédito (fato permutativo, o qual não afeta o patrimônio); f) Todavia, se esse não for o entendimento desta Delegacia de Julgamento, com o que desde já não se concorda, ainda assim a exação não merece prosperar. Os artigos 3º da Lei n° 10.637/2002 e 3º da Lei n° 10.833/2003 asseguram â impugnante o direito de deduzir do PIS e da COFINS não cumulativos as importâncias pagas à União e RFFSA. Considerando a cessão ocorrida, a FERROBAN contabilizou como despesa somente a parte (50,45%) das parcelas trimestrais por ela efetivamente paga. Assim, apenas o referido montante (50,45%) foi deduzido do PIS e da COFINS, conforme se verifica na DIPJ e na DACON (cópias nos anexos I e II). Ora, a partir do momento em que o fiscal entendeu que os valores pagos e/ou repassados pela ALL e pela FCA constituem receita da impugnante, a integralidade dos pagamentos efetuados à União e à RFFSA (e não apenas o percentual de 50,45%) passam a constituir despesa da FERROBAN e, consequentemente, devem ser deduzidos do PIS e da COFINS. Dessa forma, impõese a revisão do lançamento para efeito de ser deduzido do PIS (em todas as competências) e da COF1NS (a partir de fevereiro/2004), o valor total das parcelas trimestrais pagas à União e à RFFSA; g) quanto às insuficiências de recolhimento, verificadas da comparação entre DIPJ, DCTF e DACON equivocouse o agente fiscal. Na DCTF (fls. 16, 17, 18, 67, 68 e 69 do anexo I) foram informados os valores que a impugnante deveria recolher, já deduzidas as importâncias retidas na fonte informadas na DIPJ (fls. 163, 164, 165, 186, 187 e 188 do anexo I). Cofins devida (DIPJ) R$ 384.039,81 Retenção Fonte (DIPJ) R$ 39.826,10 Cofins a recolher (DIPJ) R$ 344.213,71 Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 215 12 Cofins a recolher (DCTF) R$ 344.213,71 Disso resulta que o agente fiscal desconsiderou as importâncias retidas na fonte, sendo os valores supostamente recolhidos a menor em 2004 na verdade correspondem às referidas retenções, com que improcedente o Auto de Infração. Já no que diz respeito ao ano calendário de 2006, a impugnante recolheu as diferenças apontadas no Auto de Infração, conforme comprovam os documentos ora anexados. Evidente que a impugnante recolheu espontaneamente o PIS e a COFINS devidos no exercício de 2006, razão pela qual faz jus aos benefícios previstos no artigo 138 do Código Tributário Nacional, com o que improcedente o Auto de Infração; h) O agente fiscal agravou a multa de oficio de 75% para 112,5%, sob o fundamento de que a impugnante deixou de prestar esclarecimentos. Conforme se verifica nos anexos I, IV, V, VI e VII, o Auto de Infração foi lavrado com base nos dados apresentados pela Impugnante. Disso resulta que a impugnante prestou as informações e entregou os documentos solicitados pela fiscalização, com o que não houve nenhum prejuízo à lavratura do Auto de Infração. Assim, a multa não pode ser agravada. Examinados os autos e confrontados os fundamentos do lançamento e os argumentos da impugnante nesta Delegacia de Julgamento, foi o julgamento transformado em diligência por meio da Resolução n° 1.850, da Primeira Turma de Julgamento, fls. 1.429/1.431. Diz o relator: O que se conclui da análise dos autos é que o auditor fiscal teria utilizado dois critérios diferentes quanto aos créditos de PIS e Cofins não cumulativos referentes à concessão. Primeiro, aceitou os valores informados pela impugnante na Dacon e na resposta datada de 04/04/2007, o que incluiria os créditos relativos a parcela de 50,45% do valor da concessão, paga por ela própria à União. Depois, tendo considerado como receita da autuada os valores pagos pelas 'subconcessionárias', não teria deduzido na apuração das contribuições devidas os créditos relativos a parcela de 49,55% da concessão, a qual, então, deve ser considerada como tendo sido paga também pela própria impugnante. Observese que o auditor fiscal não se referiu expressamente a essa questão na Descrição dos feitos, embora na resposta datada de 04/04/2007 (fls. 698/707) a contribuinte já houvesse se reportado a ela nos seguintes termos ( fls. 706): Se o valor que a ALL e a FCA pagaram em nome da Ferroban, fosse contabilizado em conta de receita, seria base de cálculo na Apuração do PIS x Cofins, como também seria base a conta de despesa, na composição dos créditos, pelo item Aluguel — Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 216 13 Arrendamento, previsto no Inciso IV, art. 3°, da lei 10.637, anularia assim o mesmo valor. Em face do exposto, proponho o retorno do presente processo a DRF de origem para que o auditor fiscal esclareça o procedimento adotado no que tange aos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos relativos a parcela paga referente a 49,55% da concessão e para que apure o total desses créditos não considerados e sua repercussão no lançamento de oficio. A autoridade responsável levou a efeito os procedimentos de diligência e relatou os resultados na Informação Fiscal n° 129/2009/043, 1.571/1.584, e assim concluiu: Não foram encontrados na legislação de regência fundamentos legais embasadores para conceder a empresa diligenciada créditos ainda não concedidos na autuação relacionados ao PIS e a COFINS não cumulativos. Para fundamentar suas conclusões, expõe a autoridade: A FERROBAN tornouse, assim, titular intransferível do direito de exploração e desenvolvimento desse serviço público na malha ferroviária paulista. (...) (...) a FERROBAN (...), por interesse próprio e de suas parceiras ALL e FCA, celebrou contrato com as mesmas, através do qual a primeira cedia às duas outras a operação de trechos ferroviárias, ficando a ALL e a FCA obrigadas ao pagamento regular de taxas de arrendamento por esses trechos. (...) (...) considerandose como prova a escrituração contábil do contribuinte, ao efetuar a quantificação das bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, foram tomados os valores reconhecidos segundo o Principio da Competência, de acordo com seu registro contábil nas contas ativas de direitos e não o Regime de Caixa, que refletiria o recebimento dos valores de terceiros no momento em que foram recebidos. Os seguintes fatos, relacionados às taxas pagas pela concessão (..) foram considerados na autuação e devem ser sopesados na atribuição de novos créditos relativos ao PIS e a COFINS não cumulativos a autuada. O poder concedente de operação do transporte ferroviário é a União Federal, portanto, os valores a ela direcionados não geram direito a créditos com relação ao PIS e à COFINS apurados na forma da não cumulatividade devido à imunidade constitucional concedida ao beneficiário dessas verbas (inciso II do §2º do art. 3° da Lei 10.833, de 30/12/2003); Somente a União Federal pode efetuar a concessão do direito de operação do transporte ferroviário (..). Ou seja, à FERROBAN Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 217 14 não existe a possibilidade legal de subconceder o direito que a ela foi incumbido. Os valores cobrados pela FERROBAN da ALL e da FCA a título de concessão, em verdade caracterizamse como receitas de arrendamento e por isso devem integrar suas receitas. O arrendatário dos bens cedidos a FERROBAN para a consecução de suas atividades foi a Rede Ferroviária Federal S/A, empresa pública de economia mista extinta através do Art. 1° da Lei 11.483, de 31/05/2007. (...) Esse valor de arrendamento também foi cobrado pela FERROBAN da ALL e da FCA. Essa cobrança teve como fundamento a utilização de bens de responsabilidade da FERROBAN que estavam disponíveis à ALL e à FCA nos trechos que lhe foram cedidos e por isso integram as receitas de subarrendamento apurados para fins de lançamento; O conceito legal, entre aqueles previstos em lei para serem beneficiados com o crédito da Contribuição para o PIS e COFINS não cumulativos, que mais se aproxima da situação jurídica do arrendamento seria o de locação, definido no Art. 565 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. No entanto, analisandose o Contrato de Arrendamento encartado nas folhas 749 a 761 (..), fica claro que o negócio jurídico que possibilitou à diligenciada utilizar todos os bens e direitos que eram de propriedade da RFFSA e anteriormente da FEPASA, representa muito mais que uma simples locação. Uma análise mais detida dos contratos de concessão e de arrendamento revela que foi transferida para a exploração da FERROBAN uma coisa infungível, pois única em existência (.). Levandose em consideração esses fatos arrolados acima, temos que a concessão de créditos do PIS e da COFINS não cumulativos relativamente ao arrendamento de bens do ativo operacional da empresa e dos elementos subjetivos intrínsecos a ele não se encontra expressamente previsto em lei. Conforme informado na confecção do Auto de Infração (folhas 880 e 884...), os critérios adotados (...) quanto à concessão de créditos relacionados ao PIS e à COFINS não cumulativos foram os seguintes: os valores de créditos (...) não foram objeto de auditoriafiscal, tendo sido concedidos plenamente os valores pleiteados pelo próprio contribuinte (...). A FERROBAN celebrou contrato de arrendamento com a Rede Ferroviária Federal S/A. Como se tratava de pagamento a ser feito pela FERROBAN a pessoa jurídica sujeita ao pagamento da Contribuição para o PIS e da COFI1VS, temse que a Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 218 15 FERROBAN teria direito ao crédito (...) proveniente de despesas decorrentes (...) Ressaltaremos a seguir alguns pontos que impedem a utilização dos créditos calculados sobre essas despesas pleiteadas por parte da empresa autuada. O cálculo de créditos (....) que levariam em conta as despesas de arrendamento obrigatórias pela vitória do Edital de Concessão não foram previstas na legislação de regência das referidas contribuições (...) com relação a despesas com arrendamento de bens e direitos operacionais da empresa não utilizados por estar em seus objetivos sociais. (...) através do Art. 8° da Lei n°11.483/2007, a partir de 22 de janeiro de 2007 os bens que geraram as despesas de arrendamento que deveriam ter sido pagas pela FERROBAN foram transferidos à União Federal, passando a integrar o patrimônio do Departamento Nacional de InfraEstrutura de Transportes — DNIT. Assim sendo, a sucessora para todos os efeitos da lei (...) é a União Federal, a qual não está sujeita ao recolhimento (...) conforme imunidade prevista constitucionalmente. As despesas pleiteadas pelo contribuinte foram depositadas judicialmente em atraso (...). Esse atraso gerou pesadas multas moratórias que não dão direito ao crédito (...), mas que foram incluídas para efeito de cálculos nos pleitos da empresa, principalmente no que concerne aos créditos gerados pelas despesas de arrendamentos derivadas da operação do próprio trecho ferroviário operado diretamente pela diligenciada. Vide documentos de folhas 762 a 779. Facultada à contribuinte a apresentação de novas razões acerca dos resultados da diligência, este o fez por meio do documento de fls. 1.592/1.606. Diz lá o sujeito passivo: a) celebrou contratos de concessão e de arrendamento, com a União e com a RFFSA, respectivamente, e a doutrina equipara arrendamento a locação. Disso, concluise que os pagamentos feitos a titulo de locação de bens constituem aluguéis, os quais geram créditos a serem deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme inciso IV do artigo 3° das leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; b) os contratos de concessão e arrendamento são negócios jurídicos distintos. A concessão abrange a transferência de tecnologia de operação, dos projetos de engenharia, do plantel de clientes e da relação de fornecedores. O contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Cumpre ressaltar que os aluguéis que geraram os créditos ora pleiteados decorrem de trechos que integram o objeto social da impugnante, sendo que tais trechos foram operados por sua conta e responsabilidade. E tais aluguéis, por força do previsto Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 219 16 no contrato de arrendamento, também são de responsabilidade da impugnante; c) não está questionando o valor das parcelas do arrendamento, muito menos alega que estas não são devidas. Apenas e tão somente consignou os valores em juízo, haja vista a existência de uma série de reclamatórias trabalhistas ajuizadas contra a RFFSA; d) a extinção da RFFSA em 22.01.2007 não tem o condão de alterar a titularidade dos créditos de arrendamento que venceram até 31.12.2006; e) dos créditos apurados pela fiscalização no procedimento de diligência, concorda com uma parte e entende que outra deva ser desconsiderada por já ter sido incluída na determinação do crédito lançado no Auto de Infração. Assim encerra: Ante o exposto, reitera a impugnação de fls. 910 e seguintes, bem como requer que os créditos decorrentes do valor total das parcelas de arrendamento dos anos de 2003 a 2006 sejam deduzidos do PIS e da COFINS, nos termos do restou decidido por esta Colenda DRJ (Resolução n° 1850). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação nos termos do Acórdão nº 0527888, cuja ementa abaixo reproduzo verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÃO. SUB ARRENDAMENTO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes de subconcessão ou subarrendamento de direitos e obrigações por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros. CONTRIBUIÇÃO. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada à expressa permissão legal e nos Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 220 17 seus estritos termos. O pagamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente gera créditos se os bens e equipamentos estiverem relacionadas diretamente às atividades da empresa. CONTRIBUIÇÃO. DIFERENÇAS EM DECLARAÇÕES. JUSTIFICAÇÃO. Demonstrado nos autos que as diferenças apuradas pela fiscalização decorreram de desconsideração de valores retidos na fonte e consignados em declarações entregues à Administração Tributária, afastase a infração imputada. MULTA. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. A dilação no atendimento das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos não serve de fundamento fático para o agravamento da multa por falta de atendimento, mormente nos casos em que a fiscalização concedeu várias prorrogações de prazo no curso da auditoria. O contribuinte não atendeu prontamente às intimações, mas o fez em momento posterior. Aplicase, pois, a multa de oficio nos patamares normais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÃO. SUB ARRENDAMENTO. CESSÃO DE EMPREGADOS. As receitas decorrentes de subconcessão ou subarrendamento de direitos e obrigações por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros. CONTRIBUIÇÃO. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada à expressa permissão legal e nos seus estritos termos. O pagamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente gera créditos se os bens e equipamentos estiverem relacionadas diretamente às atividades da empresa. CONTRIBUIÇÃO. DIFERENÇAS EM DECLARAÇÕES. JUSTIFICAÇÃO. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 221 18 Demonstrado nos autos que as diferenças apuradas pela fiscalização decorreram de desconsideração de valores retidos na fonte e consignados em declarações entregues à Administração Tributária, afastase a infração imputada. MULTA. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. A dilação no atendimento das intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos não serve de fundamento fático para o agravamento da multa por falta de atendimento, mormente nos casos em que a fiscalização concedeu várias prorrogações de prazo no curso da auditoria. O contribuinte não atendeu prontamente às intimações, mas o fez em momento posterior. Aplicase, pois, a multa de oficio nos patamares normais.. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os argumentos utilizados na impugnação de que os valores relativos ao tráfego mútuo, ao reembolso dos salários e encargos dos funcionários cedidos e às parcelas trimestrais (concessão e arrendamento) repassadas pela ALL e pela FCA não constituem receitas, mas apenas ingressos financeiros. Sua petição recursal inova quanto as seguintes matérias: a) A insuficiência de recolhimentos do anocalendário de 2006: Alega que efetuou recolhimentos em 09/04/2007 quando já havia transcorrido mais de 60 dias da intimação feita em 14/11/2006, razão pela qual fica caracterizada hipótese de espontaneidade, em que não é possível a exigência de multa, nos termo do art. 138 do CTN. b) Impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício: Alega a ilegalidade e impossibilidade da multa de ofício ser atualizada pela taxa Selic. c) Créditos relativos ao arrendamento: Alega que além do contrato de concessão firmado com a União Federal, também celebrou contrato de arrendamento com a Rede Ferroviária Federal S/A (fls. 749/759), no qual foi ajustado (cláusula terceira) o pagamento de R$ 230.160.300,83 (duzentos e trinta milhões, cento e sessenta mil, trezentos reais e oitenta e três centavos). O contrato firmado com a RFFSA trata da locação de bens pelo prazo de 30 anos. Dessa forma, os pagamentos efetuados pela recorrente em decorrência de tal contrato constituem aluguéis, os quais geram créditos a serem deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativa, a teor do que estabelecem os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Alega que o agente fiscal equivocouse ao tratar os contratos de concessão e de arrendamento como se fossem um único instrumento. Pelo contrato de concessão, firmado com a União Federal, foi outorgada, de maneira onerosa, a exploração do serviço público de transporte ferroviário de carga. Já o contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Nada mais. Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 222 19 Termina seu recurso voluntário requerendo o integral provimento, para fins de exonerar o contribuinte do pagamento dos tributos lançados. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, argumentando, em síntese, que: a) Os valores referentes ao tráfego mútuo, ao reembolso dos salários e encargos dos funcionários cedidos e às parcelas trimestrais (concessão e arrendamento) repassadas pela ALL e pela FCA não poderiam ser excluídos pelo contribuinte uma vez que se enquadram no conceito legal de receita conforme definição apresentada pelo próprio Recorrente uma vez que alteram de forma positiva o patrimônio da empresa; b) Em nenhum momento o procedimento de fiscalização quedouse inerte, motivo pelo qual não há que se falar em reaquisição de espontaneidade como pretende a recorrente; e c) Por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. A turma da DRJ recorreu de ofício ao CARF em virtude de ter diminuído o percentual da multa de 112,5% para 75%, por não vislumbrar a presença do tipo permissivo para o agravamento previsto no § 2º, I, do art.44 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício apresenta todos os requisitos de admissibilidade, sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A matéria devolvida pela delegacia de Julgamento a este Colegiado trata exclusivamente da aplicação do agravamento previsto no § 2º, I, do art.44 da Lei n° 9.430/96. Entendo que o tipo previsto na dicção acima mencionada caracterizase como um ilícito de mera conduta, sem a necessidade de um resultado naturalístico. Explico: nestes casos o legislador só descreve o comportamento a ser observado pelo indivíduo, no caso, prestar esclarecimentos ao fisco sempre que provocado, uma vez descumprida a regra, cabe o agravamento, independentemente de dano ao erário público. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 223 20 No caso dos autos, segundo voto da primeira instância, a autoridade fiscal não aponta que algo do conjunto solicitado não tenha sido entregue, ainda que após dilações de prazo. Ora, se o agravamento só é permitido para os casos em que o contribuinte não presta esclarecimentos quando provocado pelo fisco e o próprio fisco afirma que todas as intimações foram respondidas, mesmo que extemporaneamente, não cabe o agravamento proposto pela Autoridade Fiscal. Diante dessas circunstâncias, nego provimento ao recurso de ofício para manter a multa no percentual de 75%. RECURSO VOLUNTÁRIO A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade passo a analisar. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO O recorrente requer o afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, sob o fundamento de falta de previsão legal. Sabemos que é na impugnação que surge a lide. Também não é surpresa que, pelo principio da congruência, é neste momento que se delimita a matéria a ser discutida, a famosa pretensão resistida. Para passarmos a análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foi observado os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 224 21 extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Retornando aos autos, identifico que o recorrente traz essa matéria apenas nesta fase processual. Na impugnação, momento que inaugura o litígio e delimita as matérias que serão debatidas nas instâncias administrativas, o recorrente não trouxe a baila este ponto. Logo, não houve apreciação pela primeira instância e, por consequência, não houve sucumbência por parte do sujeito passivo, condição imprescindível para a existência do interesse recursal. Posta assim a questão, como não há uma única menção sobre a impossibilidade de aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, sintome obrigado a não conhecer desta matéria em vista da falta de interesse recursal. Quanto às demais matérias, identifico os pressupostos de admissibilidade de forma que tomo conhecimento e passo à análise. RECEITA O recorrente colima excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento, sob o pretexto de se caracterizam como ingressos financeiros e não como receitas. Esse tema já foi enfrentado pela antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, cujo brilhante voto foi ratificado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 930301714, de 07 de novembro de 2011, tendo como recorrente a própria Ferroban. Por essas razões, peço vênia ao Conselheiro Julio César Alves Ramos para reproduzir suas razões de decidir e utilizálas para fundamentar meu voto, verbis: RECEITA de TRÁFEGO MÚTUO Das disposições estatutárias da autuada vêse que ela realiza a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas em trechos da malha paulista mediante concessão do poder público e utilizando o material rodante e as estradas de ferro de propriedade da RFFSA que lhe foram arrendadas. Essa prestação, que implica levar uma determinada carga entre dois pontos A e C, desdobrase por sua vez, em pelo menos três atividades normalmente realizadas em conjunto pela própria concessionária, mas que podem ser desmembradas. A primeira consiste nas operações de carga, descarga e transbordo, que podem ser terceirizadas. A segunda, que constitui o núcleo mesmo do serviço é a operação efetiva da composição — locomotiva e vagões — com a carga entregue pelo cliente, e o terceiro, associado ao anterior, é a utilização das estradas de ferro que ligam A a C. A obrigação da prestadora envolve todo o trajeto contratado, pelo que ela é remunerada de forma única e em montante que cubra as três operações nele implicadas, ainda que em sua Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 225 22 execução conte com a interveniência de terceiros por ela contratados. E assim ocorre na figura aqui discutida. De fato, não possuindo a operadora determinados trechos de estrada de ferro entre os pontos A e C contratados vêse obrigada a contratar a outra operadora a passagem de suas composições por aquelas estradas de ferro. Obviamente, tem de remunerar a outra concessionária por isso. Em contrapartida, vêse também obrigada a permitir que composições de outras concessionárias façam o mesmo pelas suas, o que gera pagamentos e recebimentos. Entende a concessionária que somente é receita sua a parcela do preço do serviço que remunera a passagem pelos seus trilhos e o valor que recebe de outras concessionárias a esse título. A parcela "transferida" a outras concessionárias, que apenas "transita" pelo caixa da empresa não seria receita, nos termos das lições dos celebrados Aliomar Baleeiro e Ayres Barreto. Quando muito, se receita fossem, caberia a aplicação do comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98, como é hoje admitido em outras hipóteses de "transferência" de receitas. Não concordo com esse entendimento, como já tive oportunidade de expor em outras ocasiões. É que à hipótese não tem aplicação a lição dos eminentes professores citados. É que ambos, ao discutirem a diferença entre ingressos e receitas, enfatizam a necessidade de os valores ingressados serem da plena propriedade da entidade que os recebe. Costumase apegar à idéia de definitividade mencionada pelo primeiro como se apenas valores que nunca mais viessem a sair do patrimônio pudessem configurar receitas. Ora, se assim fosse nada seria, pois a toda receita corresponde um custo para sua obtenção. O que se agrega de forma definitiva ao patrimônio é o resultado líquido — receita menos custos e despesas — de cada operação. Portanto, o que os doutrinadores estão a dizer é que não se pode considerar receita tudo aquilo que ingressa no caixa da empresa. Pois aí também ingressam valores que são de terceiros. E exatamente por serem deles, por eles podem ser e serão exigidos. Estes, que constituem os passivos da entidade, vinculamse, sempre, à obrigação de devolução, mais ou menos remota, a quem os disponibilizou à entidade ou os pôs sob sua guarda. Não se incluem ai quaisquer parcelas que integrem o preço cobrado para a prestação do serviço, mesmo que, desde o inicio, a prestadora já saiba que deverá "repassar" a terceiro. E mesmo que seja um tributo, como é o ICMS. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 226 23 Logo se vê que é esse o caso da receita em discussão. O valor integral recebido pela empresa em virtude do contrato firmado com o cliente remuneraa pela prestação contratada. Por outro lado, para prestálo tem de assumir custos, entre os quais a contratação de pessoal para carga e descarga, maquinistas para operação das composições e o direito de passagem dos seus trens pelas estradas de ferro de terceiros. A natureza configuradora do custo está na contratação feita entre a empresa prestadora do serviço e a possuidora da linha. Não há qualquer vínculo entre o cliente da contratante e a outra concessionária. Por isso, a analogia adequada não é com o caso abaixo, mas sim com os valores pagos, a título de pedágio e semelhantes, pelas transportadoras por rodovia: embora elas incluam no seu preço o que sabem terão de pagar às concessionárias das estradas ou balsas etc, não deixa de ser esse valor receita sua e o repasse custo seu. Por isso mesmo, sendo, como são, custos, não se pode sequer cogitar de dar aplicação ao comando do inciso III do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98 que cuida de "receitas transferidas", ainda que se considerasse o aplicável mesmo sem a regulação que ele próprio previu. Como já disse em outras oportunidades', não existe na ciência contábil o conceito de "transferência de receitas", mas da experiência prática podese tentar inferir que o legislador tenha querido se referir às hipóteses em que dada entidade seja obrigada a arrecadar determinada receita para repassála a quem nenhum serviço lhe prestou. Exemplo disso é o caso do transporte coletivo municipal em que se prevê um "fundo de compensação tarifária" para ressarcir empresas obrigadas a operar a preço inferior ao devido. Nesses casos, para equalizar a tarifa, as empresas que recebem mais do que deveriam, são obrigadas a repassar a diferença — legalmente definida — para as que operam abaixo do "custo". Nesses casos, obviamente, nenhum vínculo prestacional se estabelece entre a repassante e a recebedora. A primeira, por disposição legal, recebe mais do que o seu "preço", excesso que é obrigada, por disposição do ente concedente, a repassar às deficitárias. Nesse último sentido, não socorre a autuada o fato de o "tráfego mútuo" ser uma obrigação legal. A regulamentação do setor ferroviário apenas impede que uma concessionária bloqueie a passagem por suas linhas férreas de trens de outras concessionárias. O que essa obrigação quer evitar, portanto, é o abuso do poder econômico oriundo do monopólio natural que é obtido com a construção da estrada. Evita, assim, que dado serviço não possa ser executado na forma que o cliente quer contratar. Mas não estabelece nenhuma obrigação de "repasse" àquele por algo que ele não prestou. A analogia ficaria perfeita se a empresa contratada de fato somente realizasse o transporte até o ponto em que detém concessão, digamos um ponto B entre A e C. Daí, e até C, o transporte (as três operações acima indicadas) seriam realizadas pela outra concessionária. E, repitase, somente se Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 227 24 poderia excluir essa receita se admitisse desnecessária a regulamentação do dispositivo legal já mencionado. Sua necessidade, porém, decorre exatamente da falta de definição legal do que seja a transferência. O que está exposto acima é mera opinião quanto a um critério que poderia ser adotado numa eventual regulamentação. Mas nem de longe é isso o que ocorre. Há sim uma prestação de serviço por parte da segunda concessionária à primeira. Vale aduzir, porém, que ele não é um novo serviço de "transporte": envolve apenas a terceira das operações que o constituem. E por configurar receita da segunda concessionária deve também ser incluído na sua própria base de cálculo da contribuição. Em conseqüência, na primeira, também é receita o que ela recebe a título de tráfego mútuo. Em suma, o mesmo valor é tributado em duas empresas distintas. Isso, porém, longe de configurar bitributação, nada mais é do que a conseqüência da tributação cumulativa a que estiveram sujeitas as contribuições até o advento das Leis nº 10.637 e 10.833. Ela bem enfatiza o caráter injusto dessa forma de tributação, mas nada há a fazer se ela decorre da lei. Com essas considerações, acompanho integralmente o voto do acórdão recorrido quanto a essa matéria e voto por negar provimento ao recurso nesse ponto. DAS DEMAIS RECEITAS Os outros três pontos da autuação resumemse à definição de receitas. Socorrese, novamente, a empresa nas já contestadas afirmações de que seriam meros ingressos. Assim, porém, não penso e pelos mesmos motivos já acima apontados. Com efeito, celebrou com outras empresas contratos por meio dos quais repassoulhes o direito concedido pelo Poder Público. Por esse repasse recebe daquelas mensalmente valores que coincidem exatamente com os que ela por sua vez tem de repassar ao Poder concedente. Ora, a mera coincidência dos valores nada afeta sua natureza econômica e jurídica. Os recebidos são receitas porque acrescem o patrimônio da autuada, pois sobre eles não há nenhuma obrigação de devolução. Os que paga são parte dos seus custos de operação, decorrente da concessão obtida. Sobre os valores que as subconcessionárias lhe pagam, têm a natureza econômica de renda de monopólio, que decorre da concessão original a favor da autuada. Portanto, sem alongarme mais, reitero as argumentações já aqui aduzidas para afastar a doutrina citada pela recorrente e faço minhas as palavras do acórdão recorrido para votar pelo não provimento do recurso no que tange as receita de sub concessões. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 228 25 E igual sorte hão de ter as "recuperações de despesas" originadas do repasse da mãodeobra operadora dos serviços repassados. E que há de se distinguir esse repasse do anterior, visto que a operação dos trechos transferidos não requeria a transferência também dos funcionários; poderia se dar por mão deobra das próprias subconcessionárias. No entanto, acordaram que continuaria a ser pelo quadro de pessoal da recorrente. Ora, nessa operação, o que há é uma cessão onerosa de mãodeobra, atividade que é própria de empresas de locação de mãodeobra. Também aqui o que se pretende é descaracterizar a natureza de receita dos valores pagos pelas "subconcessionárias" porque eles serão integralmente "repassados" aos empregados, ou seja, só constituiriam receitas valores que eventualmente superassem aqueles, e que no caso inexistem. Sobre isso já me manifestei em autuação sobre empresa de locação de mãodeobra temporária (EPT). Reproduzo pequeno trecho, tãosomente acrescendo que o fato de a cedente da mão deobra aqui não ter nisso sua principal atividade nada muda na coisa: “No período coberto pela autuação a COFINS era devida sobre a receita da prestação de serviços de pessoas jurídicas. O cerne da discussão é qual a receita de prestação de serviços da EPT. Para facilitar o entendimento, talvez seja útil especular o que fará a contratante com o trabalho que lhe foi disponibilizado. Admitamos, para começar, que ela o utilize para produzir alguma mercadoria de cuja venda obtenha uma receita. Esta será integralmente tributada pela COFINS, independentemente de quem pague os custos da mãodeobra, que não serão deduzidos em qualquer hipótese. Se, ao invés destes custos, ela recorrer a uma EPT, a esta caberão tais custos, e àquela os custos pelo serviço de seleção, treinamento e colocação prestado pela EPT. Certamente que estes últimos serão maiores, pois deverão incluir uma parcela de lucro da EPT. A contratação da EPT por conseguinte, transfere os custos da mãodeobra, necessários em qualquer caso, para outra empresa que não a tomadora do serviço. A contratante, por seu turno, arcará com o custo decorrente da contratação da EPT; custo para aquela, receita para esta. É certo que incluílos também na tributação da EPT constitui uma "tributação cumulativa", na medida em que já estarão embutidos no preço cobrado pela tomadora pelos seus bens. Não é menos certo, todavia, que é isto exatamente que constitui a natureza mesma da COFINS até o advento da sistemática da nãocumulatividade. E não se alegue que não são custos da EPT porque os trabalhadores estão cedidos, não prestando a ela os serviços. O contrato celebrado com os trabalhadores dá à EPT o direito de servirse do seu trabalho como melhor lhe aprouver: aprouve lhe cedêlos onerosamente a terceiros. Assim, a possibilidade de Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 229 26 apropriação dos resultados econômicos do trabalho, que caracteriza a natureza do trabalho assalariado nas economias capitalistas, consumase, para a EPT, com a cessão dele, da qual extrai a receita que a remunera. A natureza de custos resulta da obrigatoriedade de registrar os trabalhadores em seu nome, assumindo, ademais, todas as obrigações trabalhistas disto decorrentes, consoante expressa disposição da Lei (arts. 4°e 11 da Lei 6.019/74 e 8°e 17 a 20 do Decreto 73.891). É ela que terá de pagar aos trabalhadores, e é por causa dessa obrigação assumida que adquire o direito de cedêlos e cobrar por isso. A conclusão não muda se o trabalho temporário contratado for aplicado "improdutivamente", isto é, em alguma função não geradora de mercadoria. Neste caso, não haveria receita dele diretamente decorrente para tributar na contratante; com muito mais razão ainda, deva ser ela tributada na EPT. E para finalizar, repito que a denominação de "recuperação de despesas" nada muda, seja porque a própria Lei n° 9.718 já dispôs que a classificação contábil adotada para a receita não interfere na sua inclusão ou não na base de cálculo das contribuições — para isso bastando que sejam de fato receitas — seja porque a Lei n° 4.506/64 já considerava tais "recuperações"como integrantes da Receita Operacional Bruta das entidades, conforme seu art. 44 abaixo transcrito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Com isso, voto por negar provimento ao recurso também quanto aos dois itens restantes da autuação. Agora digo eu. Como já mencionado, até janeiro de 2004 a recorrente recolheu a Cofins com base na Lei nº 9.718/98. Alega que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 9 346.084/PR, declarou a inconstitucionalidade do art. § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, assim em relação a esses períodos de apuração aplicável é a Lei Complementar nº 70/91. Concordo com o recorrente, devemos aplicar o conceito de receita como sendo produto da venda de mercadorias ou prestação de serviço. Contudo, na linha do entendimento acima exposto, os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento são Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 230 27 oriundo da prestação de serviço da recorrente, devendo fazer parte da base de cálculo da Cofins. Ao entender que os valores acima descritos constituem receitas para a Lei Complementar nº 70/91, que restringe ao máximo o seu conceito, com mais certeza afirmo que todos os valores discutidos neste recurso estão enquadrados no conceito de receita previsto nos arts. 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, senão vejamos: Pela LC nº 70/91, o valor da Cofins incidirá sobre o faturamento, considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já para os artigos que introduziram a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, as exações tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Portanto, resta claro e evidente que sendo faturamento nos termos da LC nº 70/91, muito mais obvio que será para o regime nãocumulativo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para afirmar que tanto no regime cumulativo como no regime nãocumulativo, os valores referentes às receitas com tráfego mútuo, com a cessão de empregados próprios para terceiros e com as subconcessões e subarrrendamento devem fazer parte da base de cálculo do PIS e da Cofins. CRÉDITOS PELO REGIME NÃOCUMULATIVO O recorrente alega que o agente fiscal equivocouse ao tratar os contratos de concessão e de arrendamento como se fossem um único instrumento. Pelo contrato de concessão, firmado com a União Federal, foi outorgada, de maneira onerosa, a exploração do serviço público de transporte ferroviário de carga. Já o contrato de arrendamento tem por objeto única e exclusivamente a locação dos bens necessários para a prestação do serviço público. Ou seja, afirma que não foram levados em conta os créditos referentes ao arrendamento dos bens utilizados para prestação de serviço. A matéria a ser enfrentada referese à interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 231 28 “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini , a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 232 29 Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 233 30 “Destarte, aplicada à legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 234 31 Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 235 32 Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 236 33 estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 237 34 necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 238 35 este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Feita essas considerações, retornando aos autos, identifico que a autoridade fiscal admitiu todos os créditos declarados pelo sujeito passivo e que o processo baixou em diligência para apurar a base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS no regime da não cumulatividade. Da análise contábil, constatouse que os créditos de arrendamento pleiteados pelo recorrente não poderiam ser deduzidos, pois não foi ele quem operou o "trecho ferroviário ao qual estão vinculadas as despesas de arrendamento sobre as quais está pleiteando créditos”. Quem operou foram as parceiras ALL e FCA que tinham contratos de subconcessão”. Contudo, como as receitas pelas subconcessões e subarrendamentos fazem parte da receita tributável pelo PIS e pela Cofins, nada mais razoável que aceitar o creditamento dos valores referentes às despesas de arrendamento de bens e equipamentos umbilicalmente ligados a essas receitas, pois mesmo não sendo utilizados pela recorrente, caracterizase insumos nos termos das linhas acima traçadas. Portanto, uma vez que os créditos discutidos neste recurso perfazem o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins nãocumulativos, dou provimento parcial para que sejam aproveitados os valores referentes ao arrendamento de bens e equipamentos por ele pleiteados. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Segundo a recorrente, a autoridade fiscal, após comparar as informações constantes da DCTF, da DIPJ e da DACON, apontou insuficiência no recolhimento do PIS e da COFINS nos anos calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006. O Acórdão recorrido afastou a exigência do PIS e da COFINS do ano calendário de 2004. Já no que diz respeito ao ano calendário de 2006 a DRJ entendeu que o sujeito passivo já não dispõe do benefício da denúncia espontânea. Conforme reconheceu a DRJ, a intimação da recorrente relativa às contribuições do ano calendário de 2006 ocorreu em 14.11.2006. Tal intimação, nos termos do § 2º do supracitado artigo, afasta os benefícios da denúncia espontânea pelo prazo de 60 dias. A recorrente efetuou os pagamentos em 09.04.2007, quando já havia transcorrido mais de 60 dias da intimação de 14.11.2006, razão pela qual resta caracterizada hipótese de espontaneidade, em que não é possível a exigência de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Mais uma vez a recorrente se equivocou ao interpretar a legislação tributária, senão vejamos: O art. 138 do Código Tributário Nacional prevê o instituto da denúncia espontânea, verbis: Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 239 36 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nos termos do professor Aliomar Baleeiro, o recurso à denuncia espontânea libera o contribuinte da situação de infrator, uma vez que o leva a abrir mão do “proveito da infração” Eximindose da condição de infrator, o sujeito passivo não mais se sujeita ao pagamento de multa de ofício. Contudo, para fazer jus ao instituto, o beneficiário deve se movimentar antes de qualquer procedimento administrativo relacionado à infração que será por ele denunciada. O art. 7º do Decreto nº 70.235/72 disciplina o instituto da denuncia espontânea: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O caput do artigo supra e seus incisos identificam os atos que configuram o inicio do procedimento fiscal. O parágrafo 1º define que o inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. O parágrafo 2º apresenta o prazo de validade da exclusão da espontaneidade e como ele se prorroga. Pela simples leitura do parágrafo segundo, concluise que qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos fiscais prorroga a exclusão da espontaneidade. Retornando aos autos, consta que foram expedidos diversos “termos de intimação” entre o termo de início de fiscalização, em 14/11/2006, e a data em que a recorrente afirma ter efetuado o recolhimento das diferenças, em 09/04/2007. Destaco apenas os termos nº 031/2006, ciência em 04/12/2006, nº 032/2006 com ciência em 26/01/2007 e o termo nº Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 240 37 036/2007 com ciência em 08/03/2007. Fazendo uma simples conta matemática, observamos que em nenhum momento o contribuinte se encontrava espontâneo, após o início da fiscalização, de sorte que mantenho a multa aplicada de 75%, afastando o benefício previsto no art. 138 do CTN. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao desconto de créditos sobre os pagamentos feitos pela recorrente a título de arrendamento de bens e equipamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 26/06/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Redatoradesignada Divirjo do Conselheiro Relator quanto à incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre os ingressos decorrentes das subconcessões de direitos, no período em que a cobrança de tais contribuições foi regida pela Lei n° 9.718, de 1998, e passo a expor as razões condutoras dessa divergência. Inicialmente, esclareçase que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da precitada lei, nos autos do Recurso Extraordinário nº 390.840MG, cujo Acórdão transitou em julgado em 5 de setembro de 2006, o PIS e a Cofins, na vigência da Lei n° 9.718, de 1998, devem incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Em face disso, é necessário perquirir sobre a natureza das receitas provenientes das subconcessões feitas pela recorrente a terceiros para operação de trechos da malha ferroviária de que detém a concessão, obtida em processo licitatório, para exploração e desenvolvimento do serviço de transporte ferroviário de carga. Ora, a recorrente, ao firmar o contrato de concessão, tornouse titular do direito de explorar e desenvolver a malha ferroviária objeto desse contrato, com acesso à infraestrutura para prover o serviço de transporte ferroviário de cargas em nome do poder concedente, nos termos contratados. Destarte, sendo titular de um direito, observadas as disposições legais e contratuais do processo licitatório, poderá transferilo a terceiros, por meio de subconcessões, a título oneroso e os pagamentos recebidos por essas subconcessões não advém da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, mas, sim, da transferência de um direito. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 3402001.797 S3C4T2 Fl. 241 38 Por outras palavras, o contrato de concessão não está caracterizado como um contrato de execução de serviço específico, mas espelha a aquisição do direito de explorar e desenvolver, por prazo determinado, o objeto da concessão. Dessa forma, as suboncessões desse direito configuram, a meu ver, transferências de ativo intangível e os recurso recebidos como pagamento por essas transferências não podem ser alcançados pela incidência do PIS e da Cofins, no período em que regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3°, § 1°, declarada pelo Pleno do STF. Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso para, além do parcial provimento dado pelo Relator destes autos, excluir também da incidência dos PIS e da Cofins as receitas provenientes das subconcessões. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENB URG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900329/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.
Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 29 /2 00 8- 19 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Por bem explicitar os fatos e atos processuais ocorridos até o presente momento, adotase o relatório elaborada pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe: “Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins do período de apuração 05/2003, no montante de R$ 6.817,26 (DARF recolhido em 13/06/2003, no montante de R$ 73.951,54). A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando (n° de rastreamento 757865900 fl. 20): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 6.817,26 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 30/04/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 02/06/2008, referenciando os Despachos Decisórios n° 757865913, 757865944, 757865900, 757865935, 757864958, 757865927, 757895961, alegando: DOS FATOS A requerente recebeu despacho decisório pelo motivo de não localização de créditos informados em PER/DCOMP nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais referentes ao Io e 2o trimestres de 2003. DA PRELIMINAR Informamos que diante destas notificações efetuamos as devidas retificações das DCTF's em 26/05/2008 sob recibos de entrega n° 3144095668 e 3354076946, respectivamente. DO MÉRITO. Segue anexo, cópia do Processo e Petição devidamente protocolada, onde fica esclarecido que tais retificações foram efetuadas e que de fato os créditos utilizados são verídicos. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900329/200819 Acórdão n.º 3802001.467 S3TE02 Fl. 6 3 A CONCLUSÃO A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelándose o débito fiscal reclamado e a não inscrição em Dívida Ativa da União para cobrança executiva. Na fl. 01 a DRF de origem informa que a referida manifestação de inconformidade foi formalizada originalmente nos autos de n° 10830.005175/200850 indevidamente, pois que a interessada deveria ter efetuado protocolos auxiliares aos processos que controlam cada DCOMP, apontado no Despacho Decisório. Diante disso, procedeu aquela unidade à instrução com originais e cópias da manifestação original aos processos, e ao arquivamento do de n° 10830.005175/200850.” A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Campinas/SP, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis para tanto, tal como o é a escrituração contábil, ou os documentos que a subsidiam. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que a manifestação de inconformidade apresentou sim a prova suficiente para comprovar a materialidade do crédito, bem como que, caso a DRJ entendesse que a prova não era suficiente, caberia a ela “determinar maiores esclarecimentos”. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. O contribuinte, em suma, busca comprovar a materialidade de seu crédito mediante apresentação de DCTF retificadora, bem como junta à sua manifestação de inconformidade cópias do “livro razão parcial”. No seu entender, referida documentação é suficiente para demonstrar a existência do seu crédito. A simples transmissão da DCTF retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Assim, ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo venha para ilidir a detecção, em sede de despacho decisório, que o crédito pleiteado já houvera sido integralmente utilizado para extinção anterior de débito confessado pelo contribuinte, sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Nesse sentido, destaco o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão da DRJ, que precisamente dispôs: “As cópias simples "Razão Parcial, período 01/04/2003 a 31/07/2003" (cópias extraídas do processo n° 10830.900337/200865, juntadas a estes autos às fls. 28/46), nada comprovam em favor da interessada. Como ela não explicita em sua manifestação de inconformidade de que forma esse documento evidenciaria seu suposto direito ao crédito, a análise limitouse à leitura do documento de forma a identificar se constavam claramente escriturados os valores apurados e pagos para o período, bem como o registro do indébito. Contudo, aquelas cópias apenas demonstram os valores registrados nas contas "IRRF a recolher", "PIS a recolher" e "Cofins a recolher", e nelas a interessada assinala os registros que supostamente (já que não está claro que o seja) se referem ao pagamento dos Darfs. Observese que, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, venha a se ter a nãohomologação das compensações efetuadas.” De fato, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. As cópias do “livro razão parcial” não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, devendo ser acompanhadas de outros documentos que confirmem as informações ali aduzidas – documentos fiscais, cópia do Dacon, DARF contendo o valor indicado na DCTF retificadora etc. Sem essa documentação, resta precária a comprovação da materialidade do crédito. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10830.900329/200819 Acórdão n.º 3802001.467 S3TE02 Fl. 7 5 Assim sendo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679892/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/03/2007
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/03/2007 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 92 /2 00 9- 16 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 182 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de junho de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 24.055,01, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 183 3 Arguiu o julgador de piso que o despacho decisório se encontrava em conformidade com os dados declarados em DCTF e com a guia de recolhimento do tributo e que a alegação de erro não se fez acompanhar dos elementos probantes de sua efetiva ocorrência. Ainda segundo o julgador, a DCTF retificadora entregue após a emissão do despacho decisório não poderia ser acolhida como argumento de defesa, em razão da ausência de indicação dos alegados erros cometidos na análise do crédito pleiteado, assim como da falta de apresentação da escrituração contábilfiscal comprobatória do direito reclamado. Ressaltou, também, que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), não seria cabível a formulação de pedido genérico de futura juntada de documentos, sem a indicação da hipótese legal que o fundamente, pois, nos termos do art. 16, III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outra oportunidade. Por fim, considerou desnecessária a realização de diligência, considerando que, no presente caso, estarseia diante de documentos que se encontravam sob a guarda da pessoa jurídica interessada em sua apreciação. Cientificado do acórdão da DRJ São Paulo I/SP em 28 de janeiro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 1º de março de 2011, e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado o que se segue: a) o seu direito de defesa fora violado de duas formas distintas: a primeira, em razão da não exposição das razões da negativa do crédito pleiteado, o que lhe teria impedido a sustentação plena de seu direito; e a segunda, em decorrência do fato de que a Delegacia de Julgamento teria ultrapassado a nulidade arguida “sem qualquer análise digna das atribuições da d. Autoridade Fiscal”, acarretando indevida supressão de instância, por trazer o caso de forma prematura e despreparada para a análise deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) se lhe tivesse sido dada a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia o precioso tempo deste Conselho com cobranças infundadas como a presente, uma vez que qualquer agente fiscal da Receita Federal do Brasil que analisasse com a mínima cautela a situação exposta na Manifestação de Inconformidade teria notado que houvera tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justificaria a glosa ora em comento; c) “é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte.” d) os erros de preenchimento da DCTF seriam equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, uma vez que ele teria livre acesso a toda a escrituração fiscal do Recorrente. Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos aos autos cópias de documentos societários, do acórdão da Delegacia de Julgamento, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 184 4 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange ao pedido de suspensão de quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP, até ulterior decisão definitiva em contrário, temse que, nos termos do contido no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de pedido da parte nesse sentido. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. A DCTF retificadora, conforme apontou o julgador de piso, somente veio a ser entregue pelo interessado após a ciência do despacho decisório, não se podendo, por conseguinte, impingir a este o vício da nulidade, pois que exarado em conformidade com os dados então disponíveis. No Recurso Voluntário, o contribuinte alega que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 5/3/2009, data essa anterior à da emissão do despacho decisório. Contudo, para comprovar tal afirmativa, ele traz aos autos cópia da DCTF retificadora mensal, na versão 1.7 (fls. 83 a 85), enquanto que a ficha contendo os dados do processamento da declaração, em que se informa a data de 5/3/2009, se refere à DCTF Mensal, versão 1.6, constatação essa que denota tratarse de duas declarações distintas, o que não comprova a alegação do Recorrente de prévia retificação da DCTF. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 185 5 Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Foilhe assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. Quanto à alegada violação dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade, da proporcionalidade e da legalidade estrita, há que se ressaltar que a decisão combatida fora exarada em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado em especial pelo Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos esses válidos e vigentes, de observância obrigatória por parte dos agentes administrativos, sob pena de responsabilidade funcional. Teria havido, sim, violação de tais princípios se tivessem sido ignorados pela Administração tributária eventuais documentos comprobatórios do direito alegado, como a escrituração contábilfiscal, que porventura tivessem sido trazidos aos autos pelo Recorrente e desconsiderados pelos agentes fiscais competentes – documentos esses aptos à apuração da contribuição devida no período –, mas não foi isso que ocorreu neste processo. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 186 6 II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco por falta de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 187 7 Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679892/200916 Acórdão n.º 3803004.420 S3TE03 Fl. 188 8 prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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