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Numero do processo: 15983.001141/2008-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
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RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 14 1/ 20 08 -6 6 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, autarquia vinculada ao Ministério da Educação, no período de 12/2002 a 06/2004, referente ao custeio do Salário Educação, na forma da Lei 9.766/1998, e incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, conforme Relatório Fiscal de fls.31 a 36 e anexos de fls. 37 a 123. Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls 529, a 10 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP II, em 04 de março de 2009, exarou o Acórdão n° 1730.311 mantendo procedente o Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 544, onde combatendo o decisium reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Resumidamente, a Autoridade Fiscal procedeu à constituição do crédito em comento em razão da ocorrência dos fatos geradores acima descritos bem como do Ato Cancelatório registrado conforme o Relatório Fiscal fls.31, itens 07 e 15 : “ Do Cancelamento da Isenção Previdenciária 7. Através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2008, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos em 03.03.2008, a instituição teve cancelado, com efeitos a partir de 01/01/1993, o direito que usufruía de isenção das contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, pelo descumprimento dos requisitos previstos para essa finalidade nos incisos I, 1V e V do art. 55 e, mesma Lei. (..) 15. Ora, como vimos o reconhecimento da isenção previdenciária da Fundação Lusíada, cuja manutenção depende da observância dos requisitos contidos no art. 55 da Lei 8.212/91 sendo que possuir o Certificado CEAS é apenas um deles , foi cancelado pela Receita Federal, em 03.03.2008, conforme mencionado no item 9 acima. O próprio CEAS relativo ao período de vigência de 01/2001 a 12/2006, conforme também mencionado no item 10, encontrase também cancelado por decisão administrativa respaldada por decisão judicial transitada em julgado em , 02.07.2008. Teve a autuada portanto a oportunidade de, aproveitando a espontaneidade existente antes de iniciada a ação fiscal, recolher as importâncias devidas e corrigir o descompasso existente entre as suas declarações em GFIP e os fatos geradores de contribuições previdenciárias.” Fl. 580DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 4 3 DO VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Cumpre destacar que o Relatório Fiscal não faz alusão ao recurso interposto pela Recorrente recebido pela RFB conforme carimbo de protocolo às fls. 410, datado de 16/04/2008, destaquese, anterior ao início da ação fiscal cujo Termo de Início ocorreu em 17/06/2008, fls.17, que se infere na oportunidade tramitava no então Conselho de Contribuintes. Aduz que na forma do registro de fls. 01, a empresa foi notificada do Crédito em 16/10/2008. Em sede de impugnação , às fls. 768, o item 7.4 do Relatório “ ad quod ”, revela que a Recorrente já exortara o Recurso Voluntário interposto contra a decisão do Ato Cancelatório que sofrera : “ 7.4. O interposto Recurso Voluntário contra o Ato Cancelatório possui efeito suspensivo, nos moldes do art. 151, III do CTN e do art. 206, IV do Decreto 3.048/99, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Na condução do voto, a instância “ad quod ” se referindo a esta alegação grifando que a exigibilidade ficaria suspensa se manifestou na forma dos itens 10.3 de fls. 534 abaixo transcrito: “ 10.3. Em relação à emissão do Auto de Infração, uma vez emitido o Ato Cancelatório, sem interposição de recurso, a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo que terá tramitação normal. Em caso de interposição de recurso contra o Ato Cancelatório a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo, cuja exigibilidade ficará suspensa até o julgamento final do processo de cancelamento da isenção pelo 2° Conselho de Contribuintes.” Nos itens 10.4 a 10.6 seguintes, o texto sugere mas não deixa claro se o decisium” considerou que a autuação teria ocorrido tãosomente para ilidir hipótese decadencial. No que se refere a isto, também o Relatório Fiscal é silente: “ Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo .a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito Fl. 581DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 5 4 tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprovaque a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840). 10.6. O que a suspensão da exigibilidade impede é que sejam executados pelo sujeito ativo os atos executórios (de cobrança) do crédito enquanto suspensa a sua exigibilidade. Entendamse como atos executórios (de cobrança) os consubstanciados na inscrição em Dívida Ativa e propositura da ação de execução fiscal.” Em Recurso Voluntário, a Recorrente aludiu o item 10.3 acima referido exortando que se deva observar a SUSPENSÃO e ainda a conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal : “ Importante destacar que como o Recurso Voluntário interposto contra o ato cancelatório esta sujeito ao efeito suspensivo, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Enfrentando a matéria, entendo que neste sentido, assiste parcial razão à Recorrente quando alude à suspensão, entretanto descabe provimento quanto a questionar o poder de a administração efetuar o lançamento e mantêlo sobrestado até o trânsito em julgado. Esta questão potestativa foi bem esclarecida na condução do voto “ ad quod ” , no item 10. 5, quando o I. Julgador exorta lição do Mestre Aliomar Baleeiro que corrobora que o direito de crédito da Fazenda não se extingue : “ 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprova que a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840).” DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Nos autos, a Recorrente discutiu apenas matéria de direito não exercendo o direito de impugnar faticamente os motivos relatados pela Autoridade Fiscal para a Fl. 582DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 6 5 constituição do crédito ora em apreço. Isto posto, inferese desde já ocorridos os fatos geradores. DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM FACE DO ATO CANCELATÓRIO. A Recorrente informa que o Cancelamento do Ato foi objeto de Recurso Voluntário n° 03909/2008. Na forma do abaixo transcrito, busca no sitio deste Conselho revelou que para o sobredito Recurso Voluntário datado de 16/04/2008, em face do Ato Cancelatório n° 01/2008(Decisão Notificação n° 21.433.4/006812007 e 21.433.4/0069/2007), não se verifica registro. Número do Processo Número do Recurso 35569.003489/200624 265874 15983.001140/200811 507543 15983.001137/200806 507550 15983.001139/200897 507553 15983.001143/200855 507555 15983.001141/200866 507559 15983.001142/200819 507562 15983.001138/200842 507563 15983.001135/200817 873795 15983.001136/200853 873796 CONCLUSÃO Dado que o Acórdão de primeira instância, aparentemente, considerou a existência do Recurso supra, é fundamental que se esclareça se naquele julgamento houve entendimento que a autuação ocorreu para ilidir hipótese decadencial visando sobrestar o lançamento até o trânsito em julgado. Resta esclarecer , também, qual o número do processo que Recurso supra obteve por ocasião do cadastro neste Conselho e a fase em que se encontra. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos sejam encaminhados à DRJ de origem para as providências supraelencadas. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10530.721448/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.303
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.052 1 1.051 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.721448/201197 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.303 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de julho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente JUAZEIRO PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 21 44 8/ 20 11 -9 7 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.053 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD 37.186.8882), cuja ciência ao sujeito passivo ocorreu em 01/04/2011, por meio do qual são exigidas obrigações principais decorrentes de glosas de créditos utilizados na compensação de Contribuições Sociais Previdenciárias efetuadas pelo Ente Municipal, referentes ao período de 01/2009 a 10/2010. Da leitura do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD 37.186.8882) e do seu respectivo Relatório Fiscal, fls.11/20, extraise que, segundo a autoridade fiscal, o Ente Municipal, com base em “teses jurídicas” por ele construídas, efetuou compensações indevidas com contribuições declaradas em GFIP nos meses de: jan/2009; mar/2009 a mai/2009; out/2009 a dez/2009; 13º/2009; jan/2010 a abr/2010 e jun/2010 a out/2010, conforme consta do “Discriminativo de débito” de fls. 5 e 6. Passamos então a descrever as compensações indevidas segundo os itens 4, 5, 6 e 7 do Relatório de Infração. Compensações com créditos de PASEP No item 4 do Relatório Fiscal (fl. 12), consta a informação que o Ente Municipal inicialmente formulou pedido de Restituição de Contribuições para o PASEP, através do Processo Administrativo nº 10530.721390/201009. Tal pleito foi indeferido através do Despacho Decisório DRF/FSA 3.358 de 03.12.2010 sob a seguinte fundamentação: 24. De fato, observase que, em 26/03/2010, data do protocolo de restituição, já transcorrera o prazo decadencial para pleitear a restituição dos recolhimentos do PIS/PASEP efetuados em 1995. Diga se, que caberia à interessada pleitear administrativamente o direito à restituição de eventual crédito até cinco anos contados da data do pagamento (...). 34. Desta forma, configurase improcedente o requerimento da contribuinte, visto que o direito à restituição de eventual saldo credor apurado em favor da interessada, no presente processo, tornase inviável, pois fulminado pela decadência. 35. Ante o exposto, considerando o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para o exercício do direito à restituição de pagamentos relativos ao PIS/PASEP, efetuados em 1995, CONCLUO pelo indeferimento do Pedido de Restituição à fl. 02. Intimado desta decisão, o Ente Municipal apresentou em 13.01.2011 (fls. 102/113) Manifestação de Inconformidade. Entretanto, conforme descrito no Relatório Fiscal, antecipandose aos fatos, efetuou compensação do valor ainda em discussão com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP nos meses de jan/2009, mar/2009 a mai/2009, out/2009 a dez/2009, 13º/2009, jan/2010, abr/2010 a mai/2010, desrespeitando a decisão administrativa fundamentada na legislação de regência. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.054 3 O Fiscal Autuante alega, ademais, que a compensação de créditos de PASEP com débitos de contribuições previdenciárias encontra óbice no art. 26, da Lei n. 11.457/2007, e art. 34, da IN RFB nº 900/2008. Compensação com créditos decorrentes de NFLDs que tem por objeto a cobrança de quantias já decaídas No item 5 do relatório (fl. 13), informa o Fiscal autuante que o Ente Municipal também compensou Contribuição Social Previdenciária declarada na GFIP do mês de fevereiro/2010, com crédito da referida contribuição, apurado nos documentos de créditos constituídos e/ou confessados, abaixo mencionados, cuja situação de cada um (crédito) era a seguinte, conforme consulta feita pelo Auditor Fiscal à base de dados do Sistema de Cobrança Administrativa – SICOB em 21/03/2011: Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 37.053.4298, de 26/12/2006, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 30.903.8227, de 20/03/1986, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8258, de 16/04/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 08.455.5629, de 1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 08.615.7728, de 1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8258, de 16/04/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8266, de 06/09/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria” Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4860, de 29/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4878, de 29/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4886, de 31/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Entende o Ente Municipal que os créditos acima mencionados estariam alcançados pela Súmula Vinculante n. 8/2002. Ou seja, foram constituídos quando já havia decaído o direito de lançar. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.055 4 No Relatório Fiscal, o Autuante assevera que “débitos em cobrança” é completamente diferente de “recolhidos indevidamente”. Assevera, ademais, que “ainda que valores decorrentes desses créditos Notificados/Parcelados tivessem sido liquidados só seria possível compensar aqueles cuja data de pagamento tivesse ocorrido após 11/06/2008, data do Acórdão do RE 560.6261/RS que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que motivou, portanto, a edição da Súmula Vinculante nº 8 retromencionada, pois, o efeito a ser aplicado à referida decisão é ex nunc, conforme determinação expressa pelo próprio Supremo Tribunal Federal”. Compensação indevida com créditos de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a agentes políticos no período de janeiro/2001 a setembro/2004 No item 6 do seu relatório, prossegue o fiscal afirmando que o Ente Municipal compensou Contribuição Social Previdenciária declarada na GFIP de março/2010, por conta de supostas contribuições que diz incidentes sobre as remunerações pagas a agentes políticos no período de janeiro/2001 a setembro/2004, as quais teriam sido recolhidas com amparo em legislação decretada inconstitucional (alínea ‘h’ do inciso I, art. 12, da lei n. 8.212/1991), mas, mais uma vez, pleiteou restituição desrespeitando o prazo (fls. 15/16) que, com o advento da Lei n. 118/2005, passou a ser quinquenal: Portanto a partir da data de eficácia (09062005) da Lei Complementar número 118/2005, o prazo para postular repetição de indébito ou compensação de tributo e contribuição social inclusive previdenciária é de cinco anos contados da data do seu efetivo pagamento. Citese que com o advento da Súmula Vinculante nº 8/2008, não há que se falar mais na chamada tese dos cinco mais cinco. Admitir referida tese para restituir ou compensar qualquer espécie de exação é admitir também, período decadencial ou prescricional de 10 anos para constituir crédito de tributo ou contribuição lançado por homologação, questão fulminada pela Egrégia Corte da Justiça Brasileira. (...) O auditor fiscal, em seu Relatório, ressalta que o Ente Municipal informou que as contribuições cobradas por força do dispositivo julgado inconstitucional, relativas ao ano de 1999, integram a NFLD 35.073.3481, incluída em parcelamento da Lei n. 11.941/2009, formalizado em 240 parcelas. Assim, não havendo comprovação de pagamento, os valores não recolhidos e lançados não podem ser objeto de compensação: O Ente informa também, que as aludidas contribuições dos agentes políticos, ora em discussão, cobradas por força do dispositivo legal julgado inconstitucional relativas ao ano de 1999, fazem parte da NFLD Debcad 35.073.3481 e que em decorrência elevou o prazo de início da prescrição para pleitear a repetição do indébito dessas contribuições. Na verdade tratase de um Lançamento de Débito Confessado – LDC Debcad 35.073.3481 e não de NFLD. Referida informação reforça mais ainda, o fato de o Ente Municipal estar compensando valor de Contribuição Social Previdenciária sem o devido recolhimento infringindo a lei. Os valores das parcelas Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.056 5 vencidas e quitadas dentro do prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento, em relação à data do pleito (para compensar) são passíveis de compensação. Ocorre que o crédito supramencionado foi incluído em parcelamento especial com base na lei nº 11.960/2009 (Processo nº 13527001194/200910) liquidável, em princípio, em 240 parcelas mensais (20 anos), situação em que o valor de cada parcela, na maioria das vezes sequer quita os juros. Por este motivo, vale afirmar, não há que se falar em compensação e sim em solicitação de expurgo do valor dessas contribuições do processo de parcelamento. Reforçase mais uma vez que valores sem comprovação de pagamento não podem ser objeto de compensação, independentemente de estarem ou não prescritos. Compensação com créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas indenizatórias Por fim, no item 7 do relatório, o Fiscal Autuante esclarece estar exigindo também as contribuições previdenciárias indevidamente compensadas nas GFIPs de junho/2010 a outubro/2010, por entender indevido o crédito que, conforme explicitado pelo Ente Municipal, decorre do indevido recolhimento das contribuições previdenciárias sobres as remunerações dos segurados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, sobre parcelas indenizatórias, não sujeitas à incidência da contribuição: 7. O Ente Municipal compensou ainda, Contribuições Sociais Previdenciárias declaradas na GFIP dos meses de junho/2010, julho/2010, agosto/2010, setembro/2010 e outubro/2010, que alega indevidas (...) composta pelas rubricas: Gratificações referentes ao período de janeiro/2001 a março/2010; Diferenças Cargo Comissão referentes ao período de novembro/2000 a março/2010; Horas Extras referentes ao período de novembro/2000 a março/2010; Função Gratificada referente ao período de novembro/2000 a julho/2004 (período totalmente alcançado pela prescrição); Terço de Férias referente ao período de novembro/2000 a julho/2007. (...) Como pode ser analisado (...) todas as rubricas retromencionadas e indevidamente questionadas são pagas em retribuição ao serviço prestado pelo segurado do RGPS e farão parte de toda sua vida laboral que decerto constará do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS com reflexo direto no benefício previdenciário quando de sua concessão decorrente de aposentadoria ou de fortuito. Exceção feita apenas para a rubrica Terço de Férias, cuja contribuição incidente decorre da necessidade de manter o equilíbrio Explicitando o procedimento aplicado para apuração dos valores que compõem o crédito previdenciário (GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA), consta no mencionado Relatório Fiscal do Auto de Infração que os valores foram aferidos a partir das GFIPs apresentadas nos meses compreendidos no período de jan/2009; mar/2009 a mai/2009; out/2009 a dez/2009; 13º/2009; jan/2010 a out/2010. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.057 6 Cientificado da presente autuação em 01.04.2011 (fl. 27), o contribuinte apresentou impugnação (fls.193/243), alegando, em breve síntese, que os créditos compensados em GFIP no período que se estende de 01/2009 a 10/2010 se respaldam nas seguintes teses: Recuperação de créditos de PASEP em decorrência da Resolução n° 10, de 2005, do Senado Federal, suspendendo parte do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212, de 28/11/1995, no período que se inicia com o advento da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, incluindo também as bases de cálculo nos últimos 5 (cinco) anos (competências: 01/09, 03/09, 04/09, 05/09, 10/09, 11/09, 12/09, 13/09, 01/10, 04/10 e 05/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, desde que atingidos por decadência ou prescrição, de acordo com o enunciado da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal (competência 02/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, que tivessem por fundamento a remuneração creditada em favor dos agentes políticos, sob a égide da Lei n° 9.506, de 1997, que acrescentou a alínea "h" ao art.12, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, dispositivo declarado inconstitucional pelo STF no RE n° 351.717/PR, Rel. Min. Carlos Velloso (DJ 21.11.2003), o que culminou com a edição da Resolução n° 26/2005, do Senado Federal (competência: 03/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, desde que decorrentes de verbas indenizatórias consideradas na base de cálculo e que não fazem parte da regramatriz constitucional de incidência do tributo (competências: 06/10, 07/10, 08/10, 09/10, e 10/10). Em relação à primeira tese, o Autuado/Recorrente se reporta a um Pedido de Restituição de PASEP efetuado em 26.03.2010 (Processo nº 10530.721390/201009) relativo aos recolhimentos indevidamente realizados no período de setembro/1995 a novembro/1999, o qual, segundo alega, foi equivocadamente indeferido pelo Fisco sob a justificativa de restar configurada a decadência do direito à restituição. Defende que o prazo decadencial é decenal, pois os recolhimentos antecedem a LC 118/2005. Salienta, ademais, que o termo inicial do prazo para repetição é a publicação da Resolução nº 10/2005 do Senado Federal, responsável pela suspensão da aplicação do art. 15 da MP 1.212/1995; ou seja, 07.06.2005. Assim, tendo a restituição sido pleiteada em 26.03.2010, não há que se falar em decadência. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.058 7 Prossegue o Autuado alegando que a partir da unificação da Receita Previdenciária e da Receita Federal, criandose a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não há óbice à compensação de valores de quaisquer tributos e/ou contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil com débitos de contribuições previdenciárias. Por fim, quanto ao direito à restituição dos créditos de PASEP, assevera que “todas as medidas provisórias anteriores à promulgação da Lei n. 9.715/98, de 26/11/98 perderam a validade e a eficácia, em razão de que a própria Lei referida foi publicada fora de prazo (um dia após a perda de validade da MP 1.67638/98) e, ainda, que tal norma só produziu efeito noventa dias após a sua publicação, em conformidade com o prazo de anterioridade prescrito no art. 195, § 6º da Constituição Federal. A consequência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato de que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à vigência da lei n 9.715/98 e quem a recolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir e/ou compensar.” Em relação à segunda tese, “Compensação de Créditos Caducos, conforme Súmula Vinculante nº 08 do STF”, realizada em GFIP de 02/2010, afirma o contribuinte que, diferentemente do que conclui o fiscal autuante, a situação “em cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional”, traduz parcelamento de crédito que já havia sido encaminhado à Procuradoria para ajuizamento de execução fiscal. Segue afirmando que apenas compensou os valores que efetivamente tiveram apropriação em razão dos pagamentos das parcelas do parcelamento, deixando de lado os que não se encontravam nessa situação, os quais foram objeto de pedido de exclusão de parcelamento. Concluiu pela impossibilidade de se alegar prescrição ou qualquer outra causa impeditiva da compensação, posto que o parcelamento remeteu para a atualidade o início do prazo para promover a compensação administrativa. Já em relação à terceira tese, “Créditos decorrentes da remuneração creditada em favor dos Agentes Políticos, sob a égide da lei nº 9.506, de 1997, que acrescentou a alínea "h" ao art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991”, compensado em GFIP no mês de 03/2010, o Autuado/Recorrente afirma que os pagamentos declarados inconstitucionais se referem a competências anteriores à edição da Lei Complementar nº 118/ 2005, pelo que não poderia esta retroagir, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de 10 anos (tese dos “cinco mais cinco”) para eventual compensação/pedido de restituição do contribuinte. Ressalta que as competências do ano de 1999 foram objeto da NFLD n. 35.073.3481, incluída em parcelamento e que os recolhimentos referentes às competências 01/2001 a 09/2004 ocorreram em menos de um decênio a contar da data da compensação – 03/2010. Assevera, por fim, que em relação aos débitos objeto da NFLD n. 35.073.3481, apenas procedeu à compensação dos valores liquidados no parcelamento. Por fim, tece suas considerações em relação à quarta tese: “Créditos decorrentes de verbas indenizatórias consideradas na base de cálculo e que não fazem parte da Regra matriz constitucional de incidência do tributo”, compensados em GFIP nos meses de 06/2010 a 10/2010. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.059 8 Ressalta que os Tribunais Superiores já decidiram pela impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre parcelas indenizatórias e que procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as seguintes verbas, pagas aos seus funcionários nos últimos dez anos (devendo ser aplicada a tese dos “cinco mais cinco”, posto que os recolhimentos antecedem a LC n. 118/2005): abono de férias, indenização de férias, abono de férias indenizadas, terço de férias, gratificações (parcelas pagas de forma transitória, sob diversas nomenclaturas, em razão do exercício de cargos em comissão), diferença de cargo em comissão, Funções Gratificadas e horasextras. Solicitou ainda o contribuinte a realização das seguintes diligências: Anexação ao processo do procedimento fiscalizatório que gerou a presente autuação, tendo em vista que houve um prévio esclarecimento ao auditor fiscal de toda a fundamentação e documentos que respaldaram as compensações; E, considerando a omissão do auditor fiscal em apurar as apropriações das parcelas dos parcelamentos administrativos que deram origem ao crédito compensado, solicitou a emissão de extrato no intuito de confirmar as parcelas pagas, que satisfariam o requisito de “recolhimento” questionado no relatório da fiscalização, referentes aos seguintes documentos: NFLD – DEBCAD nº 37.053.4298; NFLD – DEBCAD nº 30.903.8227; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258; NFLD – DEBCAD nº 08.455.5629; NFLD – DEBCAD nº 08.615.7728; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258 CDF – DEBCAD nº 31.159.8266 NFLD – DEBCAD nº 31.143.4860; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4878; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4886; LDC – DEBCAD nº 35.073.3481. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador proferiu o Acórdão1528.726, fls. 967/978, abaixo ementado, do qual o contribuinte foi cientificado em 17.11.2011 (fl. 981): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO. PRAZO. O direito de compensação do indébito tributário prescreve após 5 (cinco) anos contados da data do pagamento. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.060 9 COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA INDEVIDA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Compensação administrativa é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação da Receita Federal do Brasil para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16.12.2011, alegando, preliminarmente, a nulidade do acórdão, em razão de o mesmo ter sido completamente omisso em relação às argumentações apresentadas acerca da inexistência de prescrição, precipuamente nos casos relacionados à compensação de créditos caducos por força da Súmula Vinculante nº 08 (segunda tese), e na parte da remuneração dos agentes políticos (terceira tese), e ainda pugnando a nulidade em razão do indeferimento do pedido de diligência. No mérito, reiterou toda a longa argumentação aduzida na impugnação. Requereu, por fim, o acolhimento do recurso para anular ou reformar o acórdão recorrido. À fl. 1.046, foi realizado o encaminhamento dos autos para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.061 10 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Assiste razão à Recorrente no que tange à necessidade de realização de diligência com vistas à verificação da regularidade da compensação formalizada na GFIP de 02/2010. Sustenta o Recorrente que os débitos apurados naquela GFIP foram compensados com créditos que, quando da sua constituição – via lançamento ou confissão de dívida, já estavam extintos em razão da decadência, como veio a ser posteriormente reconhecido com a edição da Súmula Vinculante nº 08/2008 do Supremo Tribunal Federal, que determinou a aplicação do prazo quinquenal, previsto no Código Tributário Nacional, para constituição de créditos previdenciários, afastando o prazo decenal, previsto em lei ordinária. Assim, o Recorrente alega que verificou os valores incluídos em parcelamento que já haviam sido liquidados em decorrência da apropriação das parcelas, passando a compensar tais valores. Quanto aos valores ainda não liquidados, esclarece que não os compensou, tendo promovido pedido administrativo de exclusão destes débitos do parcelamento. A tese defendida pelo Recorrente encontra respaldo na jurisprudência do STJ, tendo sido enfrentada recentemente (em 12.06.2013), sob a sistemática prevista no art. 543C, do CPC. Transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. (...) 3. A decadência, consoante a letra do art. 156, V, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP, etc.). 4. No caso concreto o documento de confissão de dívida para ingresso do Parcelamento Especial (Paes Lei n. 10.684∕2003) foi firmado em 22.07.2003, não havendo notícia nos autos de que tenham sido constituídos os créditos tributários em momento anterior. Desse modo, restam decaídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e anteriores, consoante a aplicação do art. 173, I, do CTN. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.062 11 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8∕2008. (REsp 1355947/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe 21/06/2013) Nos termos da decisão do STJ, quaisquer confissões de débitos lançados em inobservância aos termos da Súmula Vinculante n. 08/2008 para fins de sua inclusão em parcelamento, ou mesmo confissões de débitos que não tenham sido objeto de lançamento prévio e que datem de mais de cinco anos dos fatos geradores, não tem o condão de reavivá los. Neste cenário, para análise do Recurso por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é necessário confirmar se, como afirma o Recorrente, os valores utilizados na compensação formalizada na GFIP de 02/2010 correspondem a parcelas pagas relativas a parcelamento de créditos que foram constituídos em prazo superior a cinco anos contados dos seus fatos geradores; ou seja, em inobservância à Súmula Vinculante n. 08/2008. Lembro aqui que a autoridade fiscal afirmou que o contribuinte não teria efetuado nenhum recolhimento da lista de NFLDs e LDCs constante do item 5 do Relatório Fiscal, todas “em cobrança pela Procuradoria”. Por outro lado, o contribuinte traz os seguintes esclarecimentos, quando da fiscalização, em resposta ao TIF 01: Partindo da análise jurídica descrita [Súmula Vinculante nº 08 do STF], o Município analisou, através de auditoria específica todos os débitos constituídos pelo Fisco Previdenciário em seu favor, merecendo registro que a pesquisa foi realizada pelo próprio sistema de processamento de dados da RFB, por meio de solicitação do relatório denominado “CCREDEST”. Tal análise decorre da circunstância de que a RFB, para dar cumprimento à Súmula Vinculante, apenas se predispõe, administrativamente, a cancelar as autuações inconstitucionais, não realizando análise das autuações indevidas (segundo a ótica da Súmula) que foram objeto de baixa por liquidação, ou que eventualmente se encontram parceladas, com apropriação de algumas parcelas pagas para a sua liquidação. E o município fez exatamente isso, agindo de maneira complementar ao que, de ofício, a RFB se predispôs a fazer. Em suas atividades, identificou créditos passíveis de recuperação, via compensação administrativa, no montante de R$ 1.379.747,56, tendo utilizado R$ 875.747,56 para compensação com obrigações correntes da competência 02/2010. Tais créditos foram apurados mediante análise das NFLD’s DEBCAD nº 37.053.4298; 30.903.8227; CDF nº 30.159.8258 (08.455.562 9/08.615.7728); e CFF nº 30.159.8266 (30.159.8258; 31.143.4860; 31.143.4878; 31.143.4886), que foram incluídos em sucessivos parcelamentos, sendo que o último ainda está em vigor, e, por meio da apropriação dos valores pagos, baixados por liquidação. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.063 12 (...) É necessário ainda verificar se o pagamento das parcelas foi realizado no prazo máximo de cinco anos contados da data da compensação formalizada na GFIP da competência 02/2010. Isto porque o STF, ao analisar o Recurso Extraordinário com repercussão geral n. 566621, cujo acórdão foi publicado em 11.10.2011, se posicionou no sentido de que o prazo de cinco anos para repetição de créditos tributários de que trata a Lei Complementar n. 118/2005 deve ser aplicado a todas as ações ajuizadas/pedidos de restituição apresentados após o decurso da vacatio legis de 120 dias a contar da publicação da citada lei; ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. O STJ também se posicionou desta forma, em sede de recurso representativo de controvérsia, RESP n. 1269570/MG, cujo acórdão foi publicado em 04.06.2012. Desta forma, determino a conversão do feito em diligência, cujo escopo será o seguinte: 1. Verificar se os documentos abaixo listados tem por objeto (total ou parcialmente) créditos tributários que, quando da sua constituição – via lançamento de ofício ou confissão, já estavam decaídos, nos termos da orientação constante na Súmula Vinculante n. 08/2008: NFLD – DEBCAD nº 37.053.4298; NFLD – DEBCAD nº 30.903.8227; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258; NFLD – DEBCAD nº 08.455.5629; NFLD – DEBCAD nº 08.615.7728; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258 CDF – DEBCAD nº 31.159.8266 NFLD – DEBCAD nº 31.143.4860; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4878; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4886; LDC – DEBCAD nº 35.073.3481. Para tanto, a autoridade diligente deverá elaborar quadro demonstrativo discriminando os créditos tributários incluídos em cada um dos documentos acima indicados, a data da sua lavratura ou formalização de parcelamento ou equivalente, as quantias pagas ou amortizadas de cada débito, com as indicações das datas de cada evento. 2. Em caso positivo: 2.1. Verificar se tais créditos foram pagos/liquidados em parcelamentos; Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.064 13 2.2. Quantificar os valores pagos nos últimos cincos anos a contar da compensação informada na GFIP de 02/2010, atualizandose tais valores até a data da compensação. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.728650/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.320
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 50 /2 00 9- 30 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 271 3 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte Módulo Administração Baiana de Cursos Ltda, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado, cuja ementa abaixo transcrevo: BOLSA DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos empregados e dirigentes da empresa, ainda que trabalhem em instituição de ensino, integram o salário de contribuição. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O recurso apresentado tenta demonstrar a ilegalidade do Auto de Infração referente, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 56/67, às contribuições previdenciárias parte da empresa e às correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em virtude dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 3. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo a dependentes de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de dependentes de empregados da empresa. 4. O sujeito passivo foi regularmente cientificado e apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: a) os valores lançados não representam ganho financeiro para os empregados; b) a bolsa de estudos é adotada para o auxílio da concretização dos direitos sociais do cidadão; c) os ganhos indiretos não dispõem do requisito da habitualidade; d) a CLT dispõe expressamente que a bolsa de estudos não deve ser considerada como salário; e) a isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91 abarca as bolsas de estudos concedidas a dependentes. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador houve por bem em não acolher a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado em sua totalidade. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 272 5 6. Irresignada, a recorrente apresentou o presente recurso voluntário, reiterando as alegações lançadas em sua impugnação, pleiteando a exoneração do crédito tributário, entendendo que sua conduta foi pautada na legislação de regência. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. BOLSA DE ESTUDOS PARA DEPENDENTES 2. No tocante ás contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos funcionários sob o título de bolsa de estudo aos dependentes o auditor fiscal justificou que esse benefício não estaria elencado no parágrafo 9º, artigo 28, da Lei 8212/9, que exclui do Salário de Contribuição as parcelas nele especificadas. Assim, não se afasta a tributação em comento, ainda que prevista a natureza não salarial na cláusula 13 das Convenções Coletivas 2004/2005 e 2005/2006, assinadas entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. 3. Todavia, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados ou dependentes não geram a incidência da contribuição em comento. No caso, a ajuda escolar ofertada aos dependentes é, notoriamente, desvinculada do seu salário. 4. Inclusive, a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 458, §2º, inciso II, afastou a natureza salarial do benefício de educação, facultando à empresa a oferta de cursos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Não há exceção que pudesse permitir a composição do salário. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” [grifo nosso] Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 273 7 5. Vale lembrar que a Mensagem 1.115/00, do Poder Executivo, quando encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei 10.243/2001, justificou o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular os benefícios do salário, como se constata: 4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário. (o negrito é nosso) 6. Logo, não convém que a legislação trabalhista exclua da composição do salário determinado benefício e a legislação previdenciária considereo para efeitos de incidência de sua respectiva contribuição. Nessa situação, não se trata de dar razão ao princípio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança jurídica, a saber, na sua concretude enquanto confiança na estabilidade da norma. 7. Afinal, a segurança jurídica nada mais é que a efetivação do princípio do Estado de Direito, sendo integrante de um sistema constituído de ordem normativa, hierarquicamente superior ao da especificidade por sua natureza de sobreprincípio, uma vez que em si estão ligados outros princípios exaltadores de sua concretização, como asseverou o ilustre doutrinador Paulo de Barros. 8. E, segundo Nuno Sá Gomes, em Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes, a segurança jurídica, sendo referida como certeza do direito, visando à respectiva cognoscibilidade e previsibilidade, supõe não só o conhecimento dos princípios e normas aplicáveis em termos gerais e abstratos, mas ainda o conhecimento dos previsíveis efeitos da respectiva aplicação da norma. 9. Assim, quando a empresa recorrente concedeu aos seus funcionários a ajuda escolar para cada dependente, agiu em boafé por confiar na estrutura normativa que lhe conferiu a possibilidade dessa concessão sem que sobreviesse a exigência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Esta é a segurança jurídica a ser preservada. 10. Em sendo, seria inapropriado admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista. O próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 11. Transcrevo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho." Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 12. Seguindo esta linha de raciocínio, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ – é pacífica quanto à natureza não salarial da verba em apreciação, não sendo possível o recolhimento previdenciário. Eis as ementas de alguns acórdãos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIO ESCOLAR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 642.591/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/2006, DJ 16/11/2006, p. 219) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO) NÃOINCIDÊNCIA NATUREZA NÃO SALARIAL ALÍNEA "T" DO § 9º DO ART. 28 DA LEI N. 8.212/91, ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97 PRECEDENTES. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 274 9 O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram o saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido. (REsp 371088/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 25/08/2006 p. 318) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃOINCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007 p. 234) [grifo nosso] 13. Do exposto, resta clara a não incidência de tributação previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos aos dependentes. 14. Em sendo, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos dependentes, pois não têm natureza salarial e não podem compor o saláriodecontribuição, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista. CONCLUSÃO 15. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, com o desiderato de exonerar o crédito tributário em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 275 11 § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 276 13 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Fitas tais considerações jurídicas gerais sobre o tema, passamos a analisar o caso concreto. Como apontamos, os valores dispendidos a título de bolsa de estudo oferecida aos dependentes dos empregados não desfrutam da isenção, portanto não há como acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. Votamos pelo não provimento do Recurso quanto a esse aspecto. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 277 15 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 278 17 casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 279 19 GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10166.721628/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE GFIP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. MULTA. LEGALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de entregar GFIP informando todos os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS.
MULTA. AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA SANÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise da constitucionalidade da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Ana Maria Bandeira Presidente Substituta
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira Presidente Substituta Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares.
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AUSÊNCIA DE ENTREGA DE GFIP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. MULTA. LEGALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de entregar GFIP informando todos os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. MULTA. AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA SANÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise da constitucionalidade da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 28 /2 00 9- 50 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA – SESI DEPARTAMENTO REGIONAL DO DF em face do acórdão fls. 169/173 que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.225.4365, lavrado para a cobrança de multa por não ter a recorrente entregue em tempo hábil a GFIP da competência 13/2006. O período apurado compreende a competência de 13/2006 tendo sido o contribuinte cientificado em 31/08/2009 (fls. 01) Consta do relatório fiscal que a GFIP referente à competência 13/2006 foi entregue somente após o início da ação fiscal, em 03/06/2009. Na fase de “Verificações Preliminares Previdenciárias” não foi analisada a folha de pagamento deste período, apenas a regularidade de entrega de GFIP. Informa a autoridade fiscalizadora que “houve recolhimento por meio de GPS – Guia da Previdência Social das contribuições previdenciárias à competência em questão, antes do início da presente ação fiscal.” Ante o exposto, o agente fiscal caracterizou o fato como, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A do Código Penal, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais. A multa aplicada tem valor de R$ 65.129,82, nos termos do art. 32, inciso IV, §§ 4º e 7º e art. 102, ambos da Lei n.º 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, vigente à época, combinados com o artigo 284, I, e §§ 1º e 2º, e no art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social – RPS., aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em seu recurso, o recorrente sustenta que a multa não deve prevalecer, pois fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Ressalta que de acordo com o próprio relatório fiscal ficou demonstrado que a irregularidade é obrigação acessória, sendo que a obrigação principal foi recolhida, o que destaca o fato de não ter havido sonegação, apenas uma infração formal. Caso esta penalidade seja mantida, o recorrente aduz a necessidade de ser reduzido o seu valor , tendo em vista que tão logo constatada a irregularidade, foi procedida a devida correção. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, o recorrente defendese alegando que não há necessidade da mesma, por não ter configurado nenhum crime de sonegação, baseouse no relatório fiscal que demonstrou que houve o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à competência, apenas não houve a entrega da GFIP. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Conforme já relatado, de fato a infração é incontroversa, tendo sido, inclusive, confessada pelo próprio recorrente. Este sustenta ter corrigido a totalidade da falta mediante a entrega da GFIP da competência de 13/2006 logo após o início da ação fiscal, quando intimado para tanto, antes mesmo de apresentada a impugnação e recolhido as contribuições previdenciárias nela informadas, situação que não poderia ensejar o lançamento da multa. Todavia, tal argumento não merece prosperar. A legislação é clara em determinar a obrigatoriedade da prestação de informações mediante entrega da GFIP, conforme se depreende dos dispositivos legais a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV. informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. DECRETO 3.048/1999 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Assim, uma vez que a fiscalização verificou o descumprimento de obrigação acessória a cargo do contribuinte, laborou de forma correta ao lavrar o Auto de Infração, em obediência ao que determina a legislação acerca da aplicação da respectiva multa. Ressaltese que na aplicação da multa a fiscalização já levou a efeito a comparação da legislação mais benéfica que deveria ser aplicada ao presente caso, aplicando a multa com base no artigo 32 da Lei 8.212/91, eis que mais benéfica em relação à nova multa preconizada pelo art. 32A também da Lei 8.212/91. A forma de cálculo da multa obedeceu os parâmetros fixados em Lei, já tendo sido aplicada em seu patamar mínimo, de sorte que nada há que se prover sobre este tópico. Ademais, também merece ser afastada a alegação da máinterpretação do art. 113 do CTN pelo v. acórdão de primeira instância, pois referido artigo, a seguir transcrito, é plenamente aplicável ao presente caso e demonstra que o recolhimento da obrigação principal em momento algum desobriga o contribuinte em cumprir com suas obrigações acessórias. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Tenho, ainda, que também devem ser afastadas as alegações de desproporcionalidade de ausência de razoabilidade na aplicação da multa, uma vez que somente fora levado a efeito aquilo o que determinado pela legislação previdenciária sobre o assunto. E mesmo que assim não o fosse, notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, quanto a representação fiscal para fins penais, este conselho não detém competência para analisar a questão, conforme enunciado da Súmula. 28 do CARF, a seguir: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 103 7 Súmula CARF 28 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins Penais Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.908557/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/12/1999
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO
É cabível a exigência da multa moratória e juros, quando verificado que o sujeito passivo recolheu o tributo após o prazo de vencimento, ainda mais diante da verificação de que a declaração do tributo em DCTF, fora feita previamente ao seu pagamento.
Numero da decisão: 3803-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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NÃO CABIMENTO É cabível a exigência da multa moratória e juros, quando verificado que o sujeito passivo recolheu o tributo após o prazo de vencimento, ainda mais diante da verificação de que a declaração do tributo em DCTF, fora feita previamente ao seu pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 85 57 /2 00 8- 13 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 54 2 Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de Curitiba, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida com a finalidade de compensar débitos de COFINS com crédito proveniente do recolhimento a maior de COFINS. O despacho decisório está anexo à fl. 02, sendo que neste a RFB exige saldo devedor acrescido de multa e juros. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 11/21 reclamando basicamente o reconhecimento dos efeitos da denúncia espontânea. A fim de melhor compreender as razões que levaram a DRJ decidir pelo indeferimento do pleito, anexo às fls. 32/36 a ementa que possui o seguinte teor: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 10/12/1999 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS FEITOS EM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, como se pode perceber, os julgadores de piso negaram o pedido de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea em razão de que o recolhimento do tributo foi efetuado após a data de seu vencimento e por este motivo é devida a multa moratória, com fundamento no art. 84 da Lei n.º 8.981/95, bem como no art. 61da Lei n.º 9.430/96. Ademais, quero crer que a Fazenda Nacional parte do pressuposto de que a multa exigida não tem o caráter sancionatório e sim indenizatório, logo não deve ser afastada por meio da denúncia espontânea. A decisão sustentase ainda na redação da Súmula n.º 360 do STJ, cuja redação é a seguinte: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Já no recurso voluntário, anexo às fls. 43/51, o contribuinte argumenta que realizou o recolhimento do tributo, declarado em DCTF, acrescido de juros de mora e deste modo aplicase perfeitamente o art.138 do CTN na medida em que este dispõe que a responsabilidade é excluída quando ocorre o pagamento do tributo e dos juros de mora, antes de iniciado o procedimento de fiscalização. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 55 3 Comenta ainda que da redação do art. 138 não é possível interpretar que somente a multa sancionatória não pode ser afastada por meio da denúncia espontânea, visto que não há qualquer distinção neste artigo. Cita em sua defesa, decisão do STJ no Resp n.º 774.058/PR e outros julgados no sentido de que este tribunal manifestou entendimento de que tanto a multa moratório, quanto a multa indenizatória são excluídas pela denúncia espontânea e por fim tece criticas contra a Sumula n.º 360 do STJ, visto que esta privilegia aquele contribuinte que não declara o tributo ao Fisco e prejudica o que cumpre a obrigação imposta pela lei. O contribuinte arremata solicitando a reforma da decisão em foco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a questão de fundo referese a aplicação ou não da denúncia espontânea diante da verificação da declaração do tributo em DCTF, porém pago após o vencimento do prazo de recolhimento. Em relação a este assunto já de início é preciso lembrar que consta importante decisão exarada pelo STJ no Resp n.º 1149022 / SP, julgado em 09/06/2010: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.[grifo aqui] 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 56 4 REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008).[grifo aqui] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. RESP 1149022, Min. Luiz Fux Do item “1” ementa, acima, destaco que a denúncia espontânea somente “resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário[...]”. Dessa posição apreendese que antes de regularmente transmitida a DCTF não há que se falar em denúncia espontânea. Simples assim. Com efeito, a matéria já foi apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça nos moldes do art. 543C do Código de Processo Civil, tendo como recurso representativo de controvérsia o REsp nº 1.149.022, acima transcrito, logo há necessidade de destacar o seguinte trecho do voto: Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Além do que, o contribuinte afirmou em seu recurso voluntário que recolheu o tributo após a declaração do débito em DCTF. Conseqüentemente, a interpretação do referido tribunal em relação aos efeitos da denúncia espontânea precisa ser produzida pelo CARF, conforme exige o art. 62A do regimento interno do colegiado. Deste modo, por considerar correta a orientação dada pela Súmula n.º 360 do STJ em relação à matéria e também principalmente em razão da percepção de que a declaração do tributo em DCTF configura constituição do crédito tributário, por força de lei, “data vênia”, entendimento contrário, não vejo como se possa afastar a incidência de multa e juros no presente caso. Assim, se houve a constituição do crédito tributário, sujeito ao lançamento por homologação, não há que se falar em espontaneidade do sujeito passivo e por isso o pleito deve ser indeferido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.908557/200813 Acórdão n.º 3803004.574 S3TE03 Fl. 57 5 Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900238/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Recurso voluntário negado.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 02 38 /2 01 0- 12 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº0346.756, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP transmitida com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$ 132.240,24 (cento e trinta e dois mil, duzentos e quarenta reais e vinte e quatro centavos) decorrente de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em novembro de 2002. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.900238/201012 Acórdão n.º 3802001.530 S3TE02 Fl. 112 3 Foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que a DCOMP foi transmitida quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal: Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.900238/201012 Acórdão n.º 3802001.530 S3TE02 Fl. 113 5 II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de novembro de 2002 – ou seja, posteriormente à revogação Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915202/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/10/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. DIREITO DE COMPENSAÇÃO.
A multa recolhida referente a tributo federal em que o contribuinte tenha feito a denúncia espontânea de acordo com a previsão no art. 138 do CTN é indevida e, portanto, pode ser compensada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/10/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. A multa recolhida referente a tributo federal em que o contribuinte tenha feito a denúncia espontânea de acordo com a previsão no art. 138 do CTN é indevida e, portanto, pode ser compensada pelo contribuinte.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. A multa recolhida referente a tributo federal em que o contribuinte tenha feito a denúncia espontânea de acordo com a previsão no art. 138 do CTN é indevida e, portanto, pode ser compensada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 52 02 /2 00 9- 90 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, não reconhecendo o direito creditório constante da Declaração de Compensação n° 05572.54725.270706.1.3.040339 (fl. 01). Essa declaração almeja compensar débitos de IRPJ com crédito oriundo de pagamento indevido de multa moratória em razão da ocorrência do instituto da denúncia espontânea. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 27/07/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil (RFB) que emitiu o Despacho Decisório de fl. 02, com o seguinte teor: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 195.382,21. Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final da período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Assim o despacho negou a homologação do crédito tributário por considerar que o pagamento indicado, referese a estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformado, o contribuinte impugnou o despacho decisório através de manifestação de inconformidade (fls. 06 a 16), na qual alega, em síntese: a) que o pagamento utilizado na DCOMP em comento foi pago após o vencimento por meio de dois DARF’s: o primeiro de R$ 976.911,09 no dia 29/10/2004, acrescido de juros e da multa de mora no valor de R$ 195.382,21 e o segundo no valor de R$ 162.688,35 acrescido de juros e multa no dia 29/07/2005; b) que após o recolhimento a Requerente se deu conta que tal exação, embora recolhida após o vencimento legal, ocorreu antes de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 38 3 Assim o referido recolhimento está abrangido pelo instituto da denúncia espontânea, a qual isenta a Requerente da multa de mora; c) que a compensação em tela está alicerçada no artigo 138 do CTN. d) por fim esclarece que em decorrência do equivoco cometido na aplicação da taxa Selic na valoração do crédito apurou um saldo de débito a pagar de IRPJ no valor original de R$ 5.062,76 que foi pago com os benefícios de redução da multa e dos juros previstos na Lei n° 11.941/2009, conforme comprova pelo DARF (fl. 75). A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 29/10/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Ciente da decisão em 27/06/2011 a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2011, onde em apartada síntese alega que a argumentação da DRJ não encontra suporte material, tendo em vista que a DCTF apresentada pela contribuinte com o tributo declarado se deu após o recolhimento espontâneo dos DARF’s. No mais reafirma os argumentos constantes da manifestação de inconformidade. Este é o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente, por meio de despacho eletrônico, a DRF indeferiu a Declaração de Compensação n° 05572.54725.270706.1.3.040339 (fl. 01), com a seguinte argumentação: “Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a improcedência do crédito Informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final da período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Esse argumento está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ocorre que o disposto acima, repetido também na IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 40 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 41 6 IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Assim o fundamento para o indeferimento do PER/DCOMP pela DRF, por si só, não encontra amparo na norma legal que rege a matéria. Em seguida, com a Manifestação de Inconformidade e os fundamentos e provas lá apresentados, a DRJ manteve o indeferimento da DRF, contudo teve respaldo em dois alicerces: a) primeiramente no argumento que ao processar a compensação, comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF apresentada pelo contribuinte, e constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informados na DCTF; b) que a multa de mora recolhida pela Recorrente não podia ser compensada, eis que o pagamento efetuado pela Recorrente não gozava de espontaniedade. Esses dois argumantos se traduziram na seguinte ementa que vale a pena ser novamente lida: “DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF.” A alocação dos débitos e créditos não está em discussão, eis que, como demonstrado no processo e na análise da DRJ o crédito em questão cingese a possibilidade de aproveitamento ou não dos valores pagos pela Recorrente a título de multa. Assim, passamos a analisar a ocorrência ou não da denúncia espontânea no pagamento efetuado pela Recorrente. Vale então lembrar que o instituto da denúncia espontânea tem como principal objetivo o afastamento da aplicação de multa seja qual for a natureza que se lhe atribua (moratória ou punitiva), quando o contribuinte antecipase à fiscalização e paga seus débitos espontaneamente. Esse conceito está expresso no art. 138 do Código Tributário Nacional, in verbis: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do. pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início.de qualquer procedimento Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 42 7 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Desse modo, a denúncia espontânea é a antecipação do sujeito passivo em confessar a infração tributária cometida antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, assumindo e pagando a quantia até então não recolhida e não declarada aos cofres públicos, obtendo como contrapartida, o benefício da exclusão da responsabilidade pelo ilícito, além da exoneração da multa punitiva correspondente. Ilustrando com os ensinamentos do Prof. Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Saraiva, 8ª edição. 1996, p. 352/353, onde a denúncia espontânea é consagrada como: "Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração (art; 138, CTN). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Relacionada a fato ilícito sob pena de perder seu teor da espontaneidade, (art. 148, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação da multa de natureza' punitiva, porém não afasta os juros de mora (...)" Em relação a jurisprudência a Câmara Superior deste Conselho já se posicionou: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA A teor da regra do art. 138 do Código Tributário Nacional, não incide a multa de mora ao pagamento espontâneo antes da ação fiscal mediante denúncia da infração. Recurso especial provido Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso". (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0105.341 em 05.12.2005)” Outro não é o entendimento dos Tribunais Judiciais, em especial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), também em recente decisão: "PROCESSO CIVILE TRIBUTÁRIO ERRO MATERIAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL – DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZAÇÃO POSSIBILIDADE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 43 8 1. Esta Corte consagrou o entendimento de que o tributo declarado e pago, antes do vencimento, faz jus ao benefício da denúncia espontânea. 2. Hipótese em que a empresa fez retificação da sua declaração por via da DCTF e pagou de imediato, afastando a mora e as consequências da inadimplência. Precedentes. 3. Erro material que se corrige, para acolher os embargos, com efeitos infringentes. 4. Embargos de declaração acolhidos para dar provimento ao recurso especial. (EDcl no REsp 1176793 / RS, Rei. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, publicação 26/04/2011).” Por fim o Ato Declaratório da PGFN: “ATO DECLARATÓRIO Nº 08 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010” Isto posto vamos a situação do presente processo: a) em 13/08/2004 a Recorrente apresentou a DCTF original referente ao 2º trimestre de 2004. Nessa declaração foram confessados os seguintes débitos, conforme recibo de entrega (fls. 57): Débitos Apurados Saldo a Pagar Saldo a pagar em Quotas Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 44 9 IRPJ 0,00 0,00 0,00 IRRF 914.040,74 0,00 IPI 0,00 0,00 IOF 0,00 0,00 CSLL 50,39 0,00 0,00 PIS/PASEP 218.728,23 0,00 COFINS 585.587,68 0,00 CPMF 0,00 0,00 CIDE 0,00 0,00 b) em 30/11/2009 a Recorrente apresentou DCTF retificadora do mesmo período (fl. 59), com os seguintes dados: Débitos Apurados Saldo a Pagar Saldo a pagar em Quotas IRPJ 3.212.624,86 0,00 0,00 IRRF 914.040,74 0,00 IPI 0,00 0,00 IOF 0,00 0,00 CSLL 1.205.917,66 0,00 0,00 PIS/PASEP 167.225,21 0,00 COFINS 348.361,60 0,00 CPMF 0,00 0,00 CIDE 0,00 0,00 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.915202/200990 Acórdão n.º 1802001.874 S1TE02 Fl. 45 10 c) Notase pelo extrato de processamento da DCTF (fls. 72) que as informações dos ítens “a” e “b” estão avalizadas pelo documento, sendo certo que nenhuma outra declaração referente a esse período foi transmitida. d) os DARF’s o primeiro de R$ 976.911,09, acrescido de multa no valor de R$ 195.382,21 e o segundo no valor de R$ 162.688,35, acrescido de multa no valor de R$ 32.537,67, foram recolhidos respectivamentenos dias 29/10/2004 e 29/07/2005 (fls. 51 / 52). Pelas informações acima notase que a DRJ São Paulo (SP) cometeu um equívoco em seu julgamento, devendo o mesmo ser reformado. Em consonância com a legislação ora em vigor, respaldada pelo entendimento da doutrina e jurisprudência quanto a aplicabilidade da denúncia espontânea, resta inteira razão a Recorrente, ante a todas as provas acostadas no processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, homologando o direito creditório objeto da PER/DCOMP n° 05572.54725.270706.1.3.040339, no valor de R$ 195.382,21. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 124DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18471.000635/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000635/200620 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.175 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 9 de abril de 2013 Assunto Auto de infração IRPJ Recorrente LOJAS AMERICANAS SA E FAZENDA NACIONAL Recorrida LOJAS AMERICANAS SA E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 63 5/ 20 06 -2 0 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de auto de infração de IRPJ, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, lavrado em razão da verificação de prejuízo fiscal compensado sem observância do limite de 30% do lucro real, excedente no montante de R$ 87.888.488,80, em 2003 e no valor de R$ 35.568.951,84, em 2004, em vista da compensação pelo valor integral (100%). O crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa, em razão de tutela antecipada, confirmada por sentença na ação ordinária n° 96.00240329 (fls. 169/176), garantindo ao contribuinte o direito de compensar integralmente os prejuízos fiscais apurados, sem os limites impostos pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.989/95. Foram citados como enquadramento legal da autuação os arts. 247; 250, III, parágrafo único; e 510 do RIR/1999. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que o autuante, ao constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004 se equivocou e lançou como base tributável o valor de R$ 35.568.951,84, em vez de R$ 32.568.951,84, gerando uma diferença de R$ 3.000.000,00. Ainda, que o autuante também lavrou outros dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, cuja decisão terá reflexos diretos nas bases de cálculos da presente autuação, pelo que pede o apensamento dos processos para julgamento em conjunto. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – I, acatando a declaração de IRPJ retificadora, julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado para considerar devido o IRPJ, no valor de R$ 28.913.280,17, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios, nos termos da seguinte ementa: ERRO DE CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de erro de cálculo na constituição do lançamento. Em razão do montante exonerado, a turma julgadora recorreu de ofício ao CARF. Regularmente cientificado da decisão em 22/06/2007 (cfe. AR), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 16/07/2007 (fls.310319), em que contesta a decisão recorrida pelos argumentos a seguir sintetizados. Alega que o crédito tributário lançado neste processo foi constituído com base nos valores apurados pela própria recorrente e informados nas DIPJs relativas aos anos calendário de 2003 e 2004 e que do valor total da base de cálculo de CSLL relativa ao ano calendário de 2003, R$ 103.537.624,16 são relativos a lucros auferidos no exterior por Klanil. Sustenta que, no auto de infração conexo, a autoridade fiscal formalizou a exigência da seguinte forma: (a) anocalendário de 2001 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação do lucro real, os lucros auferidos no exterior Fl. 405DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 4 3 por Cheyney, de 1998 ao 1° semestre de 2001, no valor de R$ 128.784.934,08; (b) anocalendário de 2002 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação do lucro real, os lucros auferidos no exterior por Klanil do 2° semestre de 2001 a 2002, no valor de R$ 56.552.857,78; (c) anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 desconsiderou as exclusões procedidas pela RECORRENTE, para fins de apuração do lucro real, relativas aos resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil, nos montantes de R$ 194.391.601,51, R$ 32.474.411,44 e R$ 12.468.448,54, respectivamente. (grifos no original) Sustenta que, naquele processo, as autoridades fiscais: (a) desconsideraram os R$ 56.552.857,78 oferecidos à tributação pela RECORRENTE no anocalendário de 2003, conforme demonstrado em 3.3., acima, e os adicionaram ao lucro liquido do anocalendário de 2002 para fins de constituição do crédito tributário, conforme demonstrado em 3.6.(a), acima; e (b) desconsideraram os R$ 46.984.766,38 relativos aos lucros auferidos por Klanil no anocalendário de 2003 e oferecidos nesse mesmo ano à tributação pela RECORRENTE, conforme demonstrado em 3.3., acima, e adicionaram ao lucro liquido do próprio ano calendário de 2003 os resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil no montante de R$ 32.474.411,44 (a diferença é decorrente de variação cambial negativa dos investimentos da RECORRENTE em Klanil). Assim, segundo ele, se prevalecer a tributação em 2002 dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44, não caberia têlos oferecido à tributação em 2003, como o fez espontaneamente, e os valores deverão ser excluídos, ajustandose os prejuízos fiscais apurados neste processo. Pede o apensamento do processo administrativo nº 18471.000626/200639 (referente aos lucros do exterior), ante a conexão entre eles, para que quaisquer modificações nas bases de cálculo do IRPJ, dos anoscalendário de 2003 e 2004, sejam refletidas na apuração do crédito tributário deste processo. Aponta, ainda, que a autoridade fiscal, nos autos referentes aos lucros do exterior, não compensou o lucro real com o saldo de prejuízos fiscais nos anos calendário de 2003 e 2004, por entender que o valor compensado pela recorrente, sem a trava dos 30%, teria superado o valor passível de compensação naqueles autos. Caso os autos referentes aos lucros do exterior sejam julgados procedentes em definitivo, pede que os lucros reais originalmente apurados relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004 sejam ajustados para refletirem os novos lucros reais, considerando os valores tributados conforme aquela autuação e passíveis de compensação. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 5 4 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. A recorrente insurgese contra a parte da decisão da DRJ que julgou o lançamento de IRPJ procedente em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, por considerar que “as compensações de prejuízos devem ser procedidas nos limites da legislação vigente, em função de cada autuação”. O lançamento em litígio, de acordo com a autoridade fiscal, decorre da verificação de prejuízo fiscal compensado sem observância do limite de 30% do lucro real. A recorrente, por sua vez, aponta que os dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, têm reflexos diretos nas bases de cálculo da presente autuação. Segundo a recorrente, caso prevaleça, naquele processo, a autuação em 2002, os prejuízos fiscais apurados neste processo deverão ser ajustados, considerandose a exclusão dos mesmos valores oferecidos espontaneamente em 2003, referentes a tributação dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44. Sobre a compensação de prejuízos fiscais, a Lei nº 8.981/95 determina: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. E a Lei nº 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Conforme a legislação acima, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda é a base para a verificação do limite de compensação do prejuízo fiscal. De fato, no presente caso, há que se considerar o reflexo da autuação objeto do processo nº 18471.000626/200639, referente aos anoscalendário de 2001 a 2004, em especial no ano calendário de 2003, como aponta a recorrente, visto que, a perdurarem ambas as autuações, o mesmo lucro estaria sendo tributado duplamente. Com isso, a análise do presente litígio depende diretamente do resultado do julgamento daquele processo, por se tratar este de processo decorrente. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 6 5 O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 18471.000626/200639, assim como o crédito tributário decorrente da verificação de compensação a maior do saldo de prejuízos fiscais, em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151, inciso III, do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. Assim, não há que se falar em efetiva extrapolação do limite de 30% do saldo de prejuízos fiscais, enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado que afetará a apuração do lucro líquido no anocalendário de 2003. Até esta instância de julgamento, a análise dos recursos seguiu os trâmites processuais normais, sem qualquer prejuízo à defesa. Contudo, o julgamento proferido por esta instância recursal poderá encerrar definitivamente o litígio, visto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não é terceira instância de julgamento, pois não se trata de uma instância revisora. Tratase de órgão uniformizador de jurisprudência, a teor do que dispõe o Decreto nº 70.235/72: SEÇÃO VII Do Julgamento em Segunda Instância Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado pelo Decreto nº 83.304, de 1979) § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (VETADO)(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Eventual interposição de recurso especial dependerá do atendimento aos requisitos constantes do art. 67 e §§ do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suas alterações, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Fl. 408DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 7 6 Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (destacouse) Assim, o recurso especial de decisão que julgou o recurso voluntário, para ser admitido a um novo julgamento, deve preencher alguns requisitos, sendo o mais importante deles a demonstração de existência de divergência em relação ao julgamento da mesma matéria realizado por outra turma. Para ser admitido, o recurso especial eventualmente apresentado neste processo teria que trazer a prova da divergência da tese, o que não se faz possível ou, quando muito, repetiria a comprovação adotada no processo principal, e dependeria do critério de admissibilidade adotado pelo destinatário do recurso. Explicase. Tecnicamente, neste processo não se trata de rediscutir a questão de mérito, mas de mero ajuste das bases de cálculo respectivas. A questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende da acusação fiscal e das razões recursais, corresponde ao reflexo das adições ao lucro líquido de períodos anteriores, para fins de Fl. 409DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000635/200620 Resolução nº 1202000.175 S1C2T2 Fl. 8 7 determinação do lucro real, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo (18471.000626/200639). O que se discute aqui não se confunde com o que se discute nos autos referentes à tributação dos lucros no exterior, tendo esta autuação, sob esse ponto de vista, natureza meramente instrumental em relação ao processo principal. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame de mérito. Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, considerandose que a decisão neste processo, por sua natureza instrumental, depende da decisão no processo principal, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Diante do exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos a esta relatora, para prosseguimento no julgamento dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 410DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907545/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 48 1 47 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.907545/200917 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.320 – 3ª Turma Especial Data 27 de junho de 2013 Assunto COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente RENAR MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem intime a contribuinte a apresentar planilha e registros contábeis, apure o crédito da Recorrente e diga se é suficiente para a extinção do crédito tributário compensado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 26182.40143.180907.1.7.04–8084 em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 07 54 5/ 20 09 -1 7 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 49 2 Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7 a Interessada esclareceu que extinguira o débito de Cofins, conforme declarado em DCTF, através do Darf informado no PER/DCOMP, e alegou que, por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1°, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado no PER/DCOMP em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluído a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 25/28, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Contribuinte tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando a Contribuinte ter cometido algum erro de declaração, cabia lhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 50 3 Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28 de novembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 33/45, em 15 de novembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 51 4 o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585.235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) ... §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 52 5 Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A ausência da intimação naqueles termos contribuiu para que a Contribuinte não cuidasse, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. À data da sua decisão, 10 de agosto de 2011, a DRJ/Florianópolis já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado que tal decisão não tinha efeito erga omnes. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificável pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que cerceia uma adequada defesa em algumas situações. Dessarte, o órgão julgador ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907545/200917 Resolução nº 3803000.320 S3TE03 Fl. 53 6 Interessada uma vez mais não teve como se ver instada a aparelhar o recurso voluntário com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes (as receitas financeiras). Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de junho 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10980.726373/2011-32
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 73 /2 01 1- 32 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.008, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726373/201132 Acórdão n.º 1803001.855 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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