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Numero do processo: 11686.000076/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 07 6/ 20 08 -5 5 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas de exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo Fl. 362DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 4 3 lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de PIS NãoCumulativo Exportação, referente ao 1º,2º, 3ºo e 4º trimestres de 2007. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: ““ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 6 5 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. ”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 9 8 deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000076/200855 Resolução nº 3302000.318 S3C3T2 Fl. 10 9 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 12269.002121/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos ou tickets, mesmo que não esteja inscrita no PAT.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos ou tickets, mesmo que não esteja inscrita no PAT. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 21 /2 01 0- 12 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de Acórdão proferido pela DRJ/CPS que manteve crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração DEBCAD 37.290.8144, no importe de R$ 49.940,00 (quarenta e nove mil, novecentos e quarenta reais). A autuação se deu por ter, segundo a fiscalização, fls. 20/24 da numeração digital, deixado a empresa de recolher contribuições administradas e arrecadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e destinadas à Seguridade Social referentes àquelas devidas pelos segurados empregados, observado o limite máximo do salário de contribuição, apurados com base nos valores da alimentação fornecida pela empresa aos segurados empregados. Os fatos e fundamentos para apuração do crédito previdenciário foram especificados pelo auditor autuante que os descreveu da seguinte maneira: Estes levantamentos se referem às contribuições que deveriam ser descontada dos segurados empregados, não declaradas em GFIP, incidentes sobre a alimentação fornecida aos mesmos. A parcela “in natura” recebida pelo empregado, sob a forma de alimentação pronta, cesta de alimentos ou tickets, integra o salariodecontribuição quando não existe adesão ao PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador), instituído pela Lei n. 6.321 de 1976. A empresa não possui adesão ao Programa de Alimentacao ao Trabalhador (PAT). Através do Termo de Intimação Fiscal n. 1, a empresa foi intimada a apresentar as notas fiscais referente à aquisição dos vales refeição/alimentação, bem como a esclarecer o motivo pelo qual não está lançado na contabilidade da empresa. Informou que, as notas fiscais de alimentação são fornecidas em nome da empresa Golden Mix Concreto Ltda, CNPJ 04.781.512/000193, para a qual a mesma presta serviços. Assim sendo, os valores da alimentação foram aferidos indiretamente, através da aplicação do percentual de 20% sobre o salário de contribuição da folha de pagamento, conforme demonstrado na “G”, da Planilha 5, constante no Anexo I, do Auto de Infração DEBCAD N. 37.290.8128. Nos levantamentos F1 e F2 a multa é de 75% e no levantamento F é a multa de mora de 24%, face à aplicação de multa mais benéfica, conforme demonstrado no item anterior. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 38/41. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – 7ª Turma DRJ/POA, prolatou Acórdão de fls. 61/64, julgando procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 2403001.752 S2C4T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 OBRIGADO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO EMPREGADO. A empresa, ao remunerar segurados empregados tem o dever de descontar e recolher as contribuições sociais por eles devidas, independentemente do fato de ser ou não optante pelo regime simplificado de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EFEITO SUSPENSIVO. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 MULTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa, conforme legislação aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 67/71, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: A autuação é inexigível uma vez que a empresa era tributada pelo SIMPLES, portanto não haveria de se falar em pagamento das contribuições previdenciárias; É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 74, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Uma das razões recursais do contribuinte é o fato de que era tributada na forma do SIMPLES. A alegação é objeto de análise no Processo n. 12269.002119/201035 onde a discussão é pertinente ao mérito da questão. DA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura (cesta de alimentos ou tickets, fl. 22), sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento justificando que: O lançamento ora contestado trata, somente, das contribuições previdenciárias dos segurados empregados. A obrigação de arrecadar a contribuição do segurado empregado, descontandoa da respectiva remuneração e efetuar o recolhimento desta contribuição é da empresa, conforme determinado no art. 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei n. 8.212/91, e no artigo 216, inciso I, alíneas a e b, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/99, na redação dada pelo Decreto n. 4.729. de 09/06/03. Tratandose de obrigação principal descumprida pelo sujeito passivo e afeta a todas as empresas, independentemente de serem elas optantes ou não pelos sistemas simplificados de tributação, são irrelevantes para o deslinde da controvérsia os argumentos relativos à adesão ou exclusão do regime simplificado de tributação. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílioalimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 2403001.752 S2C4T3 Fl. 4 5 não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Com relação ao fato de a autuação se referir a tickets de alimentação e isso não configurar alimentação in natura, cumpre esclarecer que esse entendimento não deve prevalecer. Mesmo nas hipóteses em que o auxílio é pago em dinheiro o caráter não salarial não se desnatura. Dessa forma já decidiu o Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp 1185685/SP, abaixo colacionado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o valetransporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel.Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) Também, importante observar que este foi o entendimento desta turma, no julgamento do processo 15586.001087/201056, Acórdão 2403001.620, na sessão realizada em 19 de setembro de 2012, quando entendeuse que, se os tickets são utilizados apenas para alimentação devem ser considerados como alimento in natura. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 12/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10380.722424/2009-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA.
Com a publicação do Ato Declaratório nº 03/2011, que aprovou o parecer da PGFN nº 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu devida a aplicação da jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores, sem inscrição no PAT, a seus empregados.
PAGAMENTOS A SÓCIO. MÚTUO ENTRE SÓCIO E PESSOA JURÍDICA. AUTUAÇÃO COM BASE NA ESCRITA CONTÁBIL REGULAR. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.
Deve ser afastada a exigência fiscal quando comprovada de forma satisfatória a origem do crédito e caracterizado o mútuo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Maurício Monteiro Pinheiro votou pelas conclusões.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com a publicação do Ato Declaratório nº 03/2011, que aprovou o parecer da PGFN nº 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu devida a aplicação da jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores, sem inscrição no PAT, a seus empregados. PAGAMENTOS A SÓCIO. MÚTUO ENTRE SÓCIO E PESSOA JURÍDICA. AUTUAÇÃO COM BASE NA ESCRITA CONTÁBIL REGULAR. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Deve ser afastada a exigência fiscal quando comprovada de forma satisfatória a origem do crédito e caracterizado o mútuo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 24 24 /2 00 9- 00 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Maurício Monteiro Pinheiro votou pelas conclusões. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 267 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.229.7773, por meio do qual estão sendo exigidas contribuições previdenciárias referentes ao período de 01/2005 a 12/2005, cuja ciência foi obtida pela ora Recorrente em 26/10/2009. Da análise do Auto de Infração e do seu respectivo Relatório Fiscal, fls. 19/31, inferese que o crédito combatido tem por objeto a cobrança de valores das contribuições sociais a cargo da empresa calculadas à alíquota de 20% incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como a parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT – à alíquota de 3%, devidas e não recolhidas em época própria, referentes ao período de 01/2005 a 12/2005, decorrentes dos seguintes fatos geradores: I. Valores contabilizados como despesas de alimentação sem registro no PAT: ª “VCA – VR CONTABILIZADOS COM ALIMENTAÇÃO SEM REGISTRO NO PAT” b. “Z1 – VR CONTABILIZADOS COM ALIMENTAÇÃO SEM REGISTRO NO PAT” II. Valores contabilizados como “Retiradas” de sócio em contrapartida a pagamentos realizados pelo mesmo de despesas da Empresa: ª “VRS – VALORES DE RETIRADAS DO SÓCIO” b. “Z2 – VALORES DE RETIRADAS DO SÓCIO” Transcrevemos aqui trechos do Relatório Fiscal de fls. 20/22, no tocante ao PAT, e, em seguida, as informações sobre as “Retiradas” pelo sócio: 5.1. A empresa não apresentou comprovante de inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT no ano de 2005. Foi confirmado através de consulta no site do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE (www.mte.gov.br) que a empresa não possui inscrição no PAT para o referido período. A inscrição no PAT é condição prevista em lei para que os valores despendidos com valesalimentação, valesrefeição, cestas básicas e refeições não sejam considerados como remuneração e, por conseguinte, não façam parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. 5.2. Considerando que a empresa não possui inscrição no PAT no período de 01/2005, essa fiscalização, observando a legislação vigente, considera que os valores despendidos a título de refeições constituem parcela da remuneração dos segurados Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 empregados e, por conseguinte, fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. *** 5.8. Através da análise dos livros contábeis da empresa, mais especificamente dos lançamentos efetuados na conta do passivo 2.2.3.01.002 – ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO, verificamos a existência de pagamento de duplicatas e de outras despesas da empresa por parte do sócio Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo. Pela operação citada, o Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo tornase credor da empresa, caracterizando uma espécie de “empréstimo” entre sócio e empresa, e, para abatimento do saldo que possui com esta, efetua retiradas de valores para crédito pessoal e “integralização de capital” da própria empresa. 5.9. Para apuração dos fatos, o contribuinte foi intimado, através de TIF específicos de nº 4, 5 e 7, a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem e efetiva entrega pelos sócios ou por terceiros dos valores recebidos pela empresa para pagamento de duplicatas e outras despesas, conforme valores lançados na conta 2.2.3.01.002 ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO. 5.10. Salientamos que, apesar de intimada, a empresa não comprovou que os valores utilizados para pagamento de despesas da empresa que transitaram na conta 2.2.3.01.002 tiveram origem no patrimônio do sócio. Assim sendo, as retiradas efetuadas pelo sócio, como forma de abatimento do “empréstimo”, foram consideradas pela fiscalização como retiradas de valores da própria empresa, devendo, desta forma, ser consideradas prólabores recebidos pelo sócio. 5.11. Com base no exposto, concluise que devem incidir sobre tais valores as devidas contribuições previdenciárias, restando ao contribuinte o ônus de provar que os fatos demonstrados pela fiscalização não correspondem à verdade, conforme a Lei 8.212/91, art. 33, §§ 3º e 6º. (...) 5.12. Os lançamentos efetuados na conta 2.2.3.01.002 ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO e os valores considerados pela fiscalização como prólabore para o sócio, por competência, foram discriminados nas planilhas “ANEXO II – Lançamentos Contábeis Conta: 2.2.3.01.002 ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO” e “ANEXO III – Lançamentos Contábeis Conta: 2.2.3.01.002 ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO – sem Comprovação da Origem dos Valores – os Valores Retirados Foram Considerados como PróLabore pela Fiscalização”. Há ainda no relatório fiscal, informações acerca da inclusão no pólo passivo da presente autuação das pessoas jurídicas INDUSTRIAL DE COMERCIAL JANDAIA LTDA (CNPJ/MF 04.928.885/000144), JANDAIA INDÚSTRIA LTDA (CNPJ/MF 73.461.717/000104) e CAJU DO BRASIL S/A AGROINDÚSTRIA CAJUBRAZ (CNPJ/MF 07.695.174/000165), na qualidade de Responsáveis Solidários do crédito tributário, por ter sido constatado, no decurso da fiscalização, a existência de “Grupo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 268 5 Econômico de Fato” entre essas empresas e SUCOS DO BRASIL S/A (CNPJ/MF 05.919.420/000190). Cientificados da presente autuação (fls. 114/121), somente SUCOS DO BRASIL S/A apresentou impugnação (fls. 122/130), alegando, em breve síntese: 1. que os pagamentos efetuados pela impugnante ao sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo referemse ao adimplemento de parcelas de empréstimos tomados pela empresa Sucos do Brasil S/A junto ao mesmo, juntando documentação comprobatória de tais fatos (cópia do livro razão, com registros contábeis das operações realizados de janeiro a dezembro/2005 e cópia da DIRPF 2005/2006 do sócio Antônio Cláudio Gomes); 2. que os valores contabilizados como despesas de alimentação não devem ser considerados como salário contribuição, face ao seu caráter não remuneratório, ainda mais por ser fornecida a alimentação nas próprias instalações da empresa, sob pena de ofensa a comandos constitucionais, e que justamente por isso, o simples fato do impugnante não estar inserido no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, não possui o condão de transformar tais despesas em salário contribuição. 3. e, por fim, pugnou pela improcedência do auto de infração em sua íntegra. Instada a se manifestar sobre a defesa apresentada, a 5ª Turma DRJ/FOR proferiu o acórdão 0821.748, fls. 200/206, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS À CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas aos contribuintes individuais. RETIRADAS DOS SÓCIOS. PAGAMENTO DE EMPRÉSTIMO REALIZADO À EMPRESA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. PRO LABORE. Depende de comprovação satisfatória a descaracterização da natureza remuneratória, a título de pro labore, das retiradas realizadas pelos sócios de pessoa jurídica. Comprovação de empréstimo depende da existência e apresentação de contratos, registros de transferências e demonstração da origem dos recursos. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO PAGA AOS EMPREGADOS. FALTA DE INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A falta de inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador faz com que as importâncias despendidas com o fornecimento de alimentação aos seus empregados passem a se revestir de natureza remuneratória, independentemente da forma através da qual se deu o fornecimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Houve intimação de todos os contribuintes constantes no pólo passivo acerca do resultado do julgamento (fls. 209 e 212/216). Irresignado com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, tão somente o interessado SUCOS DO BRASIL S/A interpôs Recurso Voluntário em 20.01.2012, alegando em síntese: 1. que os pagamentos efetuados pela impugnante ao sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo referemse ao adimplemento de parcelas de empréstimos tomados pela empresa Sucos do Brasil S/A junto ao mesmo, juntando em sede de recurso o contrato de mútuo celebrado, bem como os respectivos recibos mensais, justificando a sua juntada somente em sede recursal sob a alegação de que eram documentos pessoais do sócio, que estava acometido por grave doença conforme documentos e despesas médicas também apresentadas, requerendo ainda análise dos mesmos em nome do Princípio da Verdade Material; 2. que o juízo a quo sequer se pronunciou em relação aos argumentos trazidos em relação às contribuições exigidas em razão do não registro no PAT, limitandose somente a reproduzir os comandos legais da autuação, o que implicaria em nulidade da decisão. Assim, reiterou suas fundamentações da impugnação para o afastamento desta cobrança; 3. por fim, requereu: · anulação da decisão a quo referente à parte da decisão do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; e, subsidiariamente, · o recebimento e análise dos documentos acostados em sede recursal, para, ao final, serem acolhidas as alegações no sentido da total improcedência do auto de infração. À fl. 260, foi realizado o encaminhamento dos autos para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 269 7 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, entendo não caber o pedido de nulidade do acórdão de primeira instância (Acórdão 0821.748 DRJ/FOR) no tocante ao PAT, tendo em vista que o mesmo encontrase fundamentado, inclusive com precedente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Portanto, passo a analisar as razões de mérito. DAS DESPESAS DE ALIMENTAÇÃO SEM REGISTRO NO PAT Parte do recurso gira em torno da obrigatoriedade da inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, dos valores de “despesas de alimentação” contidos nos lançamentos contábeis da empresa sob esta rubrica (“LANCHES E REFEIÇÕES” e “ALIMENTAÇÃO”). O art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991 determina expressamente quais os valores que podem ser excluídos da base de cálculo do salário contribuição. Dentre tais valores, consta aquele referente às despesas com a alimentação dos empregados, que pode ser excluído desde que a alimentação seja fornecida (i) in natura e (ii) de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Exigiase, portanto, a presença destes dois requisitos para que as despesas com alimentação dos trabalhadores fossem excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ocorre que, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional proferiu o Ato Declaratório nº 03/2011, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, por meio do qual aprovou o Parecer nº 2117/2011, através do qual foram dispensados de recursos os processos que versem sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílioalimentação. Vejamos o que diz o referido Ato Declaratório: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Segundo o Parecer nº 2117/2011, aprovado através do Ato supra transcrito, verificase que não deve ser constituído crédito tributário com fundamento em auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que a empresa não tenha inscrição no PAT, bem como devem ser revistos, de ofício, os lançamentos já efetuados com base neste fundamento. Resta consignado também nesse parecer, baseado na jurisprudência pacífica do STJ, que o auxílioalimentação somente assume feição salarial e, portanto, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, quando “for pago em espécie ou creditado em conta corrente, em caráter habitual”. Como se sabe, a observância aos atos declaratórios, proferidos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nos moldes dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002, é obrigatório por parte deste Conselho, nos termos do art. 62, inciso II, alínea “a”, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 20091. Diante de tais premissas, passo à análise do caso concreto. Segundo o relatório fiscal, os valores de despesas de alimentação contidos nos lançamentos contábeis da empresa sob esta rubrica (“LANCHES E REFEIÇÕES” e “ALIMENTAÇÃO”) deveriam compor a base de cálculo para fins de contribuição previdenciária, uma vez que o contribuinte não se encontrava inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, no período fiscalizado, entre 01/2005 a 12/2005. Assim, o fiscal realizou a autuação tão somente pelo fato de o contribuinte não estar inscrito, à época, no referido programa, apurando os supostos valores de contribuição previdenciária por aferição indireta sobre os valores contábeis dos gastos com alimentação em geral. Ou seja, sequer entrou no mérito se houve pagamento direto aos segurados de tal verba em caráter habitual, ou, ainda, verificou a forma sob a qual era fornecida esta alimentação. Contra argumentando a atuação, o contribuinte esclarece que tais gastos registrados na contabilidade se deram em razão do fornecimento da alimentação in natura aos empregados nas próprias instalações da empresa, tendo em vista principalmente a sua localização afastada do centro urbano. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e19 da Lei n° 10.522, de19 de julho de2002; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 270 9 Como visto em linhas acima, através do Ato Declaratório nº 03/2011, a PGFN reconheceu que não há incidência de contribuição previdenciária quando fornecida alimentação in natura, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Além disso, restou consignado que as despesas com alimentação dos trabalhadores assume a feição de salário unicamente quando pago em espécie ou creditado em contacorrente, e de forma habitual. Deste modo, tendo em vista que a fiscalização somente autuou a empresa com base na ausência de cadastro no Programa, e tendo a Recorrente fornecido alimentação in natura para os seus empregados em suas próprias instalações (fato este que não foi contestado pela fiscalização), tais valores não fazem parte do salário contribuição, e, consequentemente, não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, assiste razão à Recorrente neste ponto. DOS PAGAMENTOS REALIZADOS AO SÓCIO Analisemos agora a parte da autuação que considerou as “Retiradas” pelo sócio, Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo, como pro labore. Conforme descrito no relatório fiscal anexo ao Auto de Infração, observase que esta autuação foi baseada nos lançamentos contábeis realizados na conta do Passivo nº 2.2.3.01.002 – ANTÔNIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO. Nesta conta contábil existem lançamentos a crédito, que aumentam o seu saldo (como se sabe, as contas de passivo tem natureza credora, de acordo com as práticas contábeis), e lançamentos a débito, que, ao contrário, diminuem o seu saldo. Conforme concluído pela própria fiscalização, os lançamentos a crédito realizados nesta conta correspondiam a pagamento de duplicatas e de outras despesas da empresa por parte do sócio Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo. Ou seja, o Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo pagava diretamente gastos da Recorrente, sendo os respectivos valores lançados a crédito na conta do Passivo nº 2.2.3.01.002. Assim, a cada duplicata/fatura que o sócio quitava em nome da empresa, este se subrogava nos direitos do credor originário (por exemplo, um fornecedor de frutas), e a empresa Sucos do Brasil S/A passava a ser sua devedora. Ao amortizar a dívida do sócio, a Recorrente efetuou lançamentos a débito nesta conta contábil, cujas contrapartidas destes lançamentos foram registradas em contas de caixa/bancos do ativo circulante (quando o sócio efetuou retiradas de valores para crédito pessoal) e, em alguns momentos, em contas de capital social (quando o sócio optou por capitalizar o seu crédito, aumentando a sua participação no capital social). Tais fatos se inferem do próprio relatório fiscal que amparou esta autuação, bem como dos livros diário e razão da empresa, que estão copiados (especificamente em relação à conta do passivo 2.2.3.01.002) nas fls. 145/166, anexadas na impugnação e previamente analisadas durante a fiscalização. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Visando verificar a idoneidade da operação, a fiscalização intimou a Recorrente para “comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem e efetiva entrega pelos sócios ou por terceiros dos valores recebidos pela empresa para pagamento de duplicatas/faturas e suprimento de caixa, lançados na contabilidade da empresa na conta 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO” (TIF nº 05, fl. 49). Tendo encerrado a fiscalização entendendo que a Recorrente não havia comprovado “que os valores utilizados para pagamento de despesas da empresa que transitaram na conta 2.2.3.01.002 tiveram origem no patrimônio do sócio”, o Fiscal autuante lavrou o Auto de Infração aqui analisado, com fundamento no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei 8.212/1991, que assim dispõem: Art. 33. (omissis): (...) § 3oOcorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Feitas tais considerações acerca dos contornos da autuação, passemos então a analisar a sua procedência. Inicialmente cumpre ressaltar que em nenhum momento a fiscalização contestou a lisura dos lançamentos contábeis realizados pela Recorrente. Muito pelo contrário, seu lançamento foi todo pautado em tais registros contábeis, mais precisamente nos lançamentos a débito realizados na conta do passivo 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO. Deste modo, já se observa, com certa clareza, a impropriedade incorrida pelo Auditor Fiscal autuante ao ter fundamentado sua autuação fiscal no § 6º, do art. 33, da Lei nº 8.212/1991. De fato, em momento algum a fiscalização constatou que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, e, muito menos, apurou, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas. O lançamento fiscal foi realizado com base na própria movimentação da contabilidade da empresa e as contribuições previdenciárias exigidas diretamente sobre os valores que foram registrados a débito da comentada conta do passivo. Com isso, não merece ser acatada a premissa adotada pela fiscalização, com base na citada previsão legal, de que caberia ao contribuinte o ônus de provar que os fatos demonstrados pela fiscalização não correspondem à verdade. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 271 11 Por outro lado, a fiscalização também reconheceu expressamente que os lançamentos a crédito na citada conta do passivo foram originadas da quitação de duplicatas/faturas da empresa, como se pode observar do item 5.8. do Relatório Fiscal: “verificamos a existência de pagamento de duplicatas e de outras despesas da empresa por parte do sócio Sr. Antônio Cláudio Gomes Figueiredo”. Portanto, a baixa de tais gastos na contabilidade da Recorrente não teve contrapartida em contas do ativo da empresa, mas sim, com base na constatação levantada pela própria fiscalização, na citada conta de passivo, o que torna evidente que os recursos utilizados para quitar esses dispêndios não saíram do caixa da Recorrente. Então, pelos lançamentos contábeis da empresa, que, ressaltese, não foram descaracterizados pela fiscalização, fica claro que os lançamentos a crédito na conta do passivo 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO, não tiveram origem no caixa da Recorrente. Mas é certo que por alguém foram pagos! E por tais lançamentos contábeis, quem arcou com esses valores foi o sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo. Pelo que se verifica, é suficiente para a comprovação da efetivação do empréstimo a demonstração de que o passivo da Recorrente perante terceiros (fornecedores, credores, etc) foi devidamente baixado – o que em momento algum foi contestado. Não tendo sido pago com recursos da empresa, foi constituído em contrapartida um novo passivo contra aquele que efetuou tais pagamentos – no caso, o sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo. A comprovação documental de que o seu sócio efetuou o pagamento desses títulos mediante transferência bancária, emissão de cheque, dinheiro em espécie ou até mediante novo empréstimo junto a terceiros, é exigência desnecessária e irrelevante para a caracterização do mútuo. Assim, ao entender que tais valores lançados a crédito na referida conta não tiveram origem no patrimônio do sócio, o Fiscal autuante deveria desqualificar todos os lançamentos contábeis realizados nesta conta contábil. No entanto, não foi isso que ocorreu! Embora tenha desprezado os lançamentos a crédito na referida conta, utilizou, de forma contraditória, lançamentos a débito desta mesma conta para respaldar sua autuação. Observase que o levantamento fiscal que respaldou esta autuação (ANEXO III – LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CONTA 2.2.3.01.002 – ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO – SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES – OS VALORES RETIDOS FORAM CONSIDERADOS COMO PROLABORE PELA FISCALIZAÇÃO) levanta justamente os valores lançados a débito na referida conta, sendo que o somatório destes constitui a base de cálculo das contribuições previdenciárias exigidas no item ora analisado do Auto de Infração. Ora, como a fiscalização pode afirmar que o dinheiro que entrou na empresa através dessa conta contábil não foi desembolsado pelo sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo, e, ao mesmo tempo, apontar que o dinheiro que saiu da empresa por meio dessa mesma conta foi dirigido para este mesmo sócio? Há uma nítida contradição nesta autuação! Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Portanto, o fato de não ter sido comprovado que os valores utilizados para pagamento de despesas da empresa que transitaram na conta 2.2.3.01.002 tiveram origem no patrimônio do sócio, não autorizava à Fiscalização simplesmente presumir que os lançamentos a débito na citada conta constituem “retiradas de valores da própria empresa, devendo, desta forma, ser consideradas prólabores recebidos pelo sócio”. Assim, para realizar a exigência em tela, o Fiscal deveria desqualificar os registros contábeis realizados pela empresa e apurar, nem que fosse por aferição indireta, as contribuições previdenciárias efetivamente devidas. Mas, não foi essa a postura que foi adotada, uma vez que o Fiscal autuante simplesmente presumiu que os lançamentos a débito realizados na mencionada contacontábil são valores “retirados” pelos sócios a título de pró labore. Mas não é só! Existem documentos nos autos que apontam a lisura dos lançamentos contábeis na conta do passivo 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO. A ora Recorrente juntou em sua impugnação (fls. 167/176) cópia da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda – Pessoa Física, ano base 2005, exercício 2006, do sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo, na qual se encontra declarado “CRÉDITO JUNTO A EMPRESA SUCOS DO BRASIL S/A no valor de R$ 2.078.324,46”, o que de fato corrobora com os documentos contábeis já analisados. Inclusive, o saldo da conta do passivo 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO no final do anocalendário de 2005 (R$ 2.079.565.36), coincide quase que exatamente com o valor declarado na referida DIRPF, conforme se observa do Razão desta conta constante à fl. 166, e do Livro Diário à fl. 86 dos presentes autos. Ressaltese que esta é uma comprovação bastante contundente, pois além demonstrar que o Fisco Federal possui conhecimento do mútuo, há declaração de que o sócio possuía lastro patrimonial para realização destes empréstimos. Eventuais inconsistências em tais declarações causariam grandes impactos na pessoa física, não na pessoa jurídica mutuaria. Além disso, a Recorrente colaciona, ao Recurso Voluntário ora analisado, contrato de mútuo e respectivos recibos (fls. 242/258), que corroboram com os fatos já narrados. Em respeito ao Princípio da Verdade Material, amplamente consagrado no âmbito do processo administrativo fiscal, acato tais documentos, os quais apenas reafirmam que os lançamentos contábeis realizados na multicitada conta do passivo da Recorrente tem origem no patrimônio do sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo. Ora, ao proceder com os pagamentos em nome da empresa, o sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo veio a realizar o que no Direito Civil temos com o nome de “Pagamento com Subrogação pessoal”, que, segundo Antunes Varela, consiste na “substituição do credor, como titular do crédito, pelo terceiro que paga (cumpre) a prestação em lugar do devedor ou que financia, em certos termos, o pagamento”2. Carlos Roberto Gonçalves assim analisa tal instituto3: “O instituto em estudo constitui uma exceção à regra de que o pagamento extingue a obrigação. A subrogação é uma figura jurídica anômala, pois o pagamento promove apenas uma alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor. A extinção obrigacional ocorre 2 VARELA, J. M. Antunes. Direito das Obrigações. V. II. Rio de Janeiro: Forense, 1978. Págs. 335336. 3 GONÇALVES, Carlos Alberto. Direito Civil Brasileiro. V. 2 Teoria Geral das Obrigações. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001. Pág. 306. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.722424/200900 Acórdão n.º 2403002.001 S2C4T3 Fl. 272 13 somente em relação ao credor originário, que nada mais poderá reclamar depois de haver recebido do terceiro o seu crédito. Nada se altera, porém, para o devedor, visto que o terceiro, que paga, toma o lugar do credor satisfeito e passa a ter o direito de cobrar a dívida”. Sendo assim, as “retiradas” efetuadas pelo sócio são na verdade o adimplemento, pela empresa (devedora), da obrigação de pagar suas dívidas perante o sócio (novo credor). Tributar tais valores equivale, em última análise, a exigir o pagamento de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados para aquisição de fornecedores de bens, o que seria inaceitável. Deste modo, além de entender inconsistente o lançamento aqui analisado pelo fato de a fiscalização ter realizado uma presunção equivocada para concluir que os valores retirados pelo sócio Antônio Cláudio Gomes Figueiredo constituem pro labore, posicionome no sentido de que a documentação acostada pela Recorrente aos presentes autos demonstra de forma satisfatória que os recursos lançados a crédito na conta do passivo 2.2.3.01.002 ANTONIO CLÁUDIO GOMES FIGUEIREDO tiveram origem no patrimônio pessoal do referido sócio. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar totalmente IMPROCEDENTE o Auto de Infração DEBCAD nº 37.229.7773. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 05/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000057/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2005
MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE
ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE
OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir
concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada concomitante com a multa de
ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira
Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada concomitante com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10972.000057/200911 Acórdão n.º 140200.947 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SERRARIA DO TRIANGULO INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 02 a 38, lavrados em 15/06/2009, relativos às exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e ainda exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ, constituindo o crédito tributário abaixo discriminado: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ (Imposto + Multa de Ofício de 75% + juros) 185.043,85 Multa Isolada IRPJ (Multa de Ofício de 50%) 34.404,53 PIS/Pasep (Contribuição + Multa de Ofício de 75% + juros) 16.366,44 CSLL (Contribuição + Multa de Ofício de 75% + juros) 50.155,32 COFINS (Contribuição + Multa de Ofício de 75% + juros) 75.385,55 TOTAL 361.355,19 De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração de IRPJ às fls. 02 a 16, as infrações foram assim contextualizadas: 001 – OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo, o qual é parte integrante indissociável deste Auto de Infração. [...] 002 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento e de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme Relatório da Ação Fiscal em anexo, o qual é parte integrante indissociável deste Auto de Infração. [...] 003 – MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA . Multa apurada em decorrência da falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10972.000057/200911 Acórdão n.º 140200.947 S1C4T2 Fl. 0 3 receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Relatório da Ação Fiscal em anexo, o qual é parte integrante indissociável deste Auto de Infração. [...] Em decorrência da autuação relativa ao IRPJ, foi apurada insuficiência da determinação da base de cálculo do PIS, da COFINS e da CSLL. Nas descrições dos fatos e enquadramentos legais constantes dos Autos de Infração do PIS (fls. 17 a 24), da COFINS (fls. 25 a 32), e da CSLL (fls. 33 a 38), foram apontadas as seguintes infrações: [...] O contribuinte apresentou Impugnação às fls. 145 e 146, com juntada de documentos às fls. 147 a 162, na qual alega, em síntese, que: A Empresa não se opõem, em momento algum, em cumprir com as obrigações ora impostas, exceto ao valor da MULTA ISOLADA PELA FALTA DE ESTIMATIVA DE IRPJ E CSLL, e para tanto vem mencionar a seguinte redação (contida no Processo n° 13609.000059/200785 Recurso n° 160.477 Voluntário Matéria IRPJ e OUTRO EX: 2003 Acórdão n° 10196.699 Sessão de 17 de Abril de 2008): "MULTA ISOLADA NÃO CUMULATlVIDADE COM A MULTA DE OFÍCIO Se aplicada a multa de ofício ao tributo apurado em lançamento de ofício, a ausência de anterior recolhimento mensal, por estimativa, do IRPJ ou CSLL não deve ocasionar a aplicação cumulativa de multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência.” Tendo em vista a Impugnação parcial, foi efetuado o Termo de Transferência de Crédito Tributário (fls. 163 e 164) relativo à parte do crédito tributário não impugnada. A decisão recorrida está assim ementada: CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. A multa de ofício aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa que deixou de ser recolhido no curso do anocalendário é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento para exclusão da multa de oficio isolada. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10972.000057/200911 Acórdão n.º 140200.947 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, resta em litígio a exigência da multa de oficio isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;”(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10972.000057/200911 Acórdão n.º 140200.947 S1C4T2 Fl. 0 5 “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Conclusão Diante do exposto, voto do sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tão somente para excluir a multa de oficio isolada concomitante com a multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.906289/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do presente recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Charles Pereira Nunes (Suplente), Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 62 89 /2 00 9- 88 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de pedido de compensação que foi nãohomologado conforme despacho decisório de fls. sob o argumento de inexistência de crédito. Inconformada com a nãohomologação a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade alegando em síntese que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS e COFINS, conforme disposição da Lei n° 9.718, de 1998, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento (utilizouse de base de cálculo errônea) e documentos que teriam sido apresentados no decorrer do presente processo. Em suma, recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela Lei referida e afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, tendo por fundamento o disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Discorre longamente acerca da inconstitucionalidade da contribuição, e alega também que as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas devem ser excluídas nos termos do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração:01/07/2001 a 31/07/2001 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual aponta como fundamentos para que a compensação seja homologada que: (i) que a Recorrente não concorda com o procedimento de prévia habilitação dos créditos judiciais por entendêlo completamente contrário às normas legais norteadoras da compensação administrativa; (ii) que a Recorrente carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação portanto fez a compensação sponte propria; e, (iii) que “tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2.445 e 2.449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.906289/200988 Acórdão n.º 3801002.000 S3TE01 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Conforme apontado no relatório supra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso Voluntário são distintos. Enquanto na peça vestibular a contribuinte alega que seu direito creditório advém de pagamento feito a maior decorrente da ampliação da base de cálculo da COFINS decorrente do disposto do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, no presente recurso alega que o seu crédito decorre do valor recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 2.445/1988 e 2449/1988. Em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais o interessado inova, e agora apresente novo argumento para substanciar seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Conforme disse o Presidente americano Abraham Lincoln “nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”. Sendo matérias distintas, a da primeira e da presente instância, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11176.000081/2007-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO
OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO - DESCONSIDERAÇÃO
DE VÍNCULO - SEGURADO EMPREGADO.
Quando a Auditoria-Fiscal
constatar que a contratação de trabalhadores por
intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra
denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas
na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto
enquadramento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS
LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO
DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram
distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A,
para disciplinar a multa de
ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei
quando, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se
o cálculo da multa com
base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la
com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora
mais benéfica.
Ressalva-se
a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.
5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A,
Lei
8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.190
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no Mérito, por unanimidade de
votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de
acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009
(art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votou pelas
conclusões o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO - DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO - SEGURADO EMPREGADO. Quando a Auditoria-Fiscal constatar que a contratação de trabalhadores por intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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MEDICOS E HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO EMPREGADO. Quando a AuditoriaFiscal constatar que a contratação de trabalhadores por intermédio de empresas de prestação de serviços, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votou pelas conclusões o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Cid Marconi Gurgel de Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva. Ausente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0614.463 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 35.815.1023, com ciência da Recorrente em 11.11.2005, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 225.971,63. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e as destinadas a terceiros conveniados ( Salário Educação, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre o pagamento de mãodeobra mediante terceirização desconsiderada, no período de 02/2002 a 04/2005. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, o fato gerador tem por base a constatação pela Auditoria Fiscal Previdenciária de que a empresa, atuante na área de comércio de artigos médicos e hospitalares, sem qualquer empregado registrado, realiza suas vendas de produtos por meio de empresas de representação comercial: A empresa notificada, atuante na área de comércio de artigos médicos e hospitalares, não possui empregados registrados ,apesar de tratarse de uma empresa cujo objeto social é a venda de produtos médicohospitalares e de possuir movimentação de vendas de mercadorias registrada em sua contabilidade. Durante a ação fiscal foi constatado que as vendas são realizadas por meio de empresas de representação comercial, e a presente notificação tem o objetivo de caracterizar o vínculo empregatício com a notificada dos funcionários que prestam serviços através destas empresas . No item 3 —Descrição dos Fatos estão expostos os fatos que levam à constatação da pessoalidade, o caráter nãoeventual e a subordinação dos empregados das empresas contratadas em relação à notificada. De acordo com o estabelecido no artigo 12, inciso I, alínea "a" da Lei n.8212/91: "São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas": como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;". Desta forma, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento de salário aos vendedores que prestam serviços através de empresas de representação comercial, cuja atuação é primordial para a consecução do objeto da empresa autuada. Ainda, o Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, aponta na descrição dos fatos: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 3. DESCRIÇÃO DOS FATOS: No decorrer da fiscalização foram verificados os fatos listados abaixo e que levaram a concluir que os serviços prestados pelos funcionários das empresas de representação comercial caracterizam o vinculo empregatício direto com a empresa notificada. a) Em visita ao endereço constante nos registros da empresa,verificouse • que no local existe apenas um antigo depósito desativado. Os sócios da empresa Alcides Furman e Edivaldo da Silva são ex funcionários da empresa Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos Ltda. Em recente fiscalização à esta empresa,verificouse que os representantes comerciais que prestam serviço à notificada são na quase totalidade os mesmos que prestam serviços à Joãomed, notandose inclusive que na contabilidade das duas empresas ocorre a coincidência da numeração das contas dos lançamentos contábeis destas empresas de representação. Percebese ainda que,cotejandose a listagem das notas de serviços emitidas pelas duas empresas a seqüência da numeração das notas para ambas as empresas complementamse. b) A inexistência de vendedores registrados como empregados na empresa notificada. De fato, a notificada não possui nenhum empregado registrado, mesmo tratandose de uma empresa cujo objeto social é o comércio de matérias hospitalares e de ter registro de movimentação de vendas.A empresa não tem empregados registrados,apesar da movimentação comercial e do volume alto de vendas verificados na contabilidade. c) Em grande parte do período apurado, podemos observar pela análise dos totais mensais das notas de serviços (planilha anexa) que há uma equivalência nos valores pagos às prestadoras de serviços, o que leva a concluir que o quadro de vendedores e os valores pagos a eles se mantêm constantes, caracterizando a não eventualidade da prestação de serviços e da remuneração. d) Os serviços prestados são de caráter não eventual, pois tratamse de serviços ligados a atividades meio e fim da empresa notificada,tais como vendas de materiais médicos e hospitalares. O enquadramento dos prestadores de serviço terceirizados, para fins de aplicação da legislação previdenciária, foi realizado com base no art. 12, inciso I, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, segundo o qual as pessoas que prestam serviços à empresa, independentemente do "nomen júris” que se lhes dê ao contratá las, enquadramse na categoria de segurado empregado quando exercem suas atividades em caráter nãoeventual, sob subordinação e mediante remuneração. É, portanto, de se considerar segurados empregados, junto à notificada, os trabalhadores que prestam serviços de forma nãoeventual, porquanto o trabalho por eles desenvolvido está diretamente ligado às atividades meio e fim da notificada, com pessoalidade , sob subordinação e mediante remuneração. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 244 5 O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09233115, foi emitido, às fls. 21. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 12, é de 02/2002 a 04/2005. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 11.05.2005, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, de fls. 41 a 46, com Anexo às fls. 47 a 139, onde apresenta, dentre outros, cópias não autenticadas, de Contratos de Representação Comercial e Contratos Sociais das Empresas, argumentando em síntese (conforme o Relatório da decisão de primeira instância às fls. 200 a 208): 4.1. A fiscalização baseiase em presunções para extrair de notas fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços suposto saláriodecontribuição. A notificação tem por objetivo caracterizar o vinculo de emprego da notificada com os funcionários que prestam serviços através das empresas prestadoras de serviços. Porém, a fiscalização não diz quem seriam tais funcionários, impedindo a caracterização da relação de emprego. 4.2. Além disso, nem todas as empresas que prestam serviços têm por objeto a representação comercial. Muitas delas adquirem produtos para revenda, o que não é normal para um empregado. Ademais, outras empresas têm outros objetivos sociais além de atividades de comércio e representação de produtos. Todas as empresas que prestaram ou ainda prestam serviços à autuada possuem atos constitutivos devidamente arquivados, bem como estão regularmente inscritas no Ministério da Fazenda. 4.3. Portanto, estamos diante de verdadeiras empresas, as quais, como pessoas jurídicas, não podem integrar a relação jurídica de emprego. Há, em verdade, representação comercial, nos termos da Lei n° 4.886/65. Assim, as pessoas físicas, representantes dessas empresas, inclusive das individuais, não podem ser consideradas empregados da autuada, pois mesmo atuando a frente delas, desenvolvem a atividade de forma autônoma. 4.4. Os sócios das empresas de representação comercial (muitas das quais possuem outros objetos) não podem ser considerados empregados simplesmente pela continuidade da prestação de serviços, até porque nem todos têm atuação direta na prestação de serviços, inexistindo, pois a pessoalidade. A não eventualidade também é característica da representação comercial. 4.5. Não corresponde a realidade a alegação de que no endereço constante dos registros da empresa existiria apenas um depósito desativado. Tratase do seu estabelecimento, que serve como depósito de mercadorias e ainda abriga dependências administrativas (escritórios), nada significando o fato de ter sido Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 encontrado fechado, uma vez que a empresa se dedica essencialmente a participação em licitações, para qual atividade os dois sócios — não raras vezes — necessitam estar fora. 4.6. Não tem relevância o fato dos sócios terem trabalhado na Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos Lida e que ambas se utilizem do serviços de determinadas empresas de representação comercial, sendo perfeitamente possível que a seqüência da numeração das notas fiscais de prestação de serviços se complementarem entre as listagens emitidas pela autuada e pela concorrente Joãomed. Além disso, algumas das prestadoras representam produtos de empresas concorrentes. A coincidência da numeração das contas dos lançamentos contábeis da autuada e da Joãomed encontrase no fato de ambas utilizaremse do mesmo escritório de contabilidade. 4.7. De nenhuma relevância ainda o fato da autuada se dedicar ao ramo de comércio de materiais de uso médicohospitalar e não possuir empregados registrados, pois a empresa se dedica essencialmente a participação de licitações, para qual conta com a atividade dos sócios e das empresas de representação comercial, tomando dispensável a contratação de empregados. 4.8. A lei não impede a contratação de representantes comerciais. A notificada está instalada nesta capital e não possui filiais, estando a maioria das empresas que lhe prestam serviços sediadas em outras localidades, o que demonstra a impossibilidade de controle hierárquico e de subordinação. 4.9. Não há dependência econômica, mesmo das firmas individuais, pois há prestação de serviços para terceiros, inclusive concorrentes da notificadas. 4.10. A numeração seqüencial das notas fiscais não determina subordinação, haja vista que exclusividade na prestação de serviços não é requisito do vínculo de emprego. Nem a constância dos 'valores pagos, pois isto pode ocorrer na representação comercial, o qual não se desnatura pela prestação de serviços se dar em atividade meio e fim 4.11. A subordinação, além de exigir pessoalidade, não pode ser presumida a partir de circunstâncias de somenos importância. 4.12. Por fim, a notificada requer a improcedência do lançamento e o cancelamento do débito. A unidade julgadora de primeira instância fez Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 143, nos seguintes termos: 3. Em análise preliminar do processo, verificamos que: (1) a fiscalização afirma a caracterização de vinculo empregatício pela desconsideração das empresas de prestação de serviços de representação comercial; (2) a notificada sustenta, em síntese; (2.1.) que as empresas de representação comercial são empresas verdadeiras; (2.2) que a representação comercial, em especial a exercida por pessoas jurídicas, não se confunde com o contrato Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 245 7 de trabalho; (2.3) que as pessoas físicas representantes das empresas de representação comercial, inclusive individuais, não podem ser consideradas empregados da autuada, pois desenvolvem as atividades de forma autônoma; (2.4) a inexistência de pessoalidade; (2.5) ser irrelevante o fato dos sócios terem trabalhado na concorrente Jõaomed e de ambas se utilizarem dos mesmos representantes comerciais; (2.6) ser irrelevante o fato de não possuir empregados; (2.7) que a subordinação depende da verificação de fatos objetivos, não podendo ser presumida 4. Em face do principio da verdade material, impõese a determinação de diligência para que o Auditorfiscal notificante: (1) informe, por competência, em relação a quais trabalhadores foi configurado vínculo de emprego; (2) informe detalhadamente qual o objeto social da notificada, no período do débito, e esclareça de que forma os serviços prestados via representação comercial são "atividades meio e fim"; (3) revele como constatou a existência de subordinação hierárquica da mãodeobra; e (4) revele como constatou a existência de pessoalidade. A AuditoriaFiscal, em resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, assim se manifestou, às fls. 144 a 145: No item 4.(1) solicitase que sejam informados para quais trabalhadores foi configurado o vínculo empregatício. Com relação a esta demanda esclareço que a descaracterização do vínculo de pessoa jurídica deuse com relação às empresas que prestaram serviços de vendas à notificada, e cujos valores de pagamento foram obtidos a partir das notas fiscais de serviços lançadas em seus registros contábeis, ou seja, 'retirados do Livro Diário contas de prestação de serviços e comissões, e que em nenhum documento verificado na fiscalização constam os nomes dos trabalhadores vinculados a estas prestadoras. Com relação ao item 4(2), informo que conforme consta no contrato social da notificada anexado ao processo (fls 48) o objeto social da empresa é o ramo de comércio atacadista inclusive importação e exportação de produtos médicos, hospitalares, laboratoriais, limpeza e equipamentos eletro médicos e eletrohospitalares cosméticos, produtos veterinários ,equipamentos de proteção individual e segurança do trabalho.. Isto posto, fica evidente que sendo uma empresa comercial, atuante no ramo de vendas de produtos médicohospitalares a Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 autuada necessita de um quadro de vendedores atuando sob sua subordinação para executar seu objetivo . No relatório fiscal estão claramente descritos os fatos verificados na fiscalização. Observese com relação ao item 4.(3) que o Art.12 da Lei 8.212/91 classifica como empregado a pessoa física que presta serviço à empresa em caráter não eventual, sob a sua subordinação e mediante remuneração ,não mencionando que a subordinação se dê em caráter hierárquico. Assim sendo, fica claro que as empresas que prestaram serviços de vendas à autuada estão sob a sua subordinação no que tange ao fornecimento de produtos, à exclusividade na prestação dos serviços como verificado na fiscalização pela seqüência numérica de emissão das notas fiscais. Item 4.(4) . Apesar do termo "pessoalidade" ter sido citado no relatório fiscal fls 26), tal característica não consta no art 12 da Lei 8.212/91 quanto à caracterização de empregado pessoa física. Por outro lado é evidente que a prestação de serviços de vendas tem caráter pessoal. Não obstante a Informação Fiscal, às fls. 144 a 145, a unidade julgadora de primeira instância fez nova Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 147 a 149, solicitando a emissão de Relatório Fiscal Complementar a conter minimamente novos elementos delimitadores: 6. Portanto, o Relatório Fiscal Complementar deverá delimitar, pelo menos: (1) se a caracterização como segurado empregado operouse em face dos empregados das empresas de representação comercial e/ou dos empresários individuais (representantes comerciais) e/ou dos empresários sócios das pessoas jurídicas cuja personalidade foi desconsiderada (1.1) se, em relação aos representantes comerciais pessoas físicas, também houve "desconsideração" da empresa para se atingir (caracterizar como segurado empregado) os empregados da empresa e/ou o próprio empresário; e (2) o que significa a adoção da expressão "desconsideração da pessoa jurídica" e a correlação com a caracterização dos trabalhadores como segurados empregados da notificada; (3) se, de fato, houve aferição indireta da base de cálculo a partir de pagamentos a pessoas jurídicas e a pessoas físicas, (4) os atos normativos que lastreiam a aferição indireta, se houve, de fato, aferição indireta. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 246 9 A AuditoriaFiscal, em resposta à nova Solicitação de Diligência Fiscal, emitiu Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152: 2. VINCULO EMPREGATÍCIO A consideração do vinculo e emprego direto entre os trabalhadores segurados das empresas de representação comercial e a notificada, deuse com base na notas de prestação de serviços emitidas por tais "empresas" e contabilizadas na conta "pagamentos a pessoas jurídicas", ao invés de "pagamentos a pessoas físicas", como constou no relatório da Notificação, item 5, tendo sido o Livro Diário, único elemento disponibilizado, pelo quê a empresa foi autuada pela não apresentação de outros elementos solicitados, como os contratos de prestação de serviços entre as empresas terceirizadas e a notificada. Com isso restou impossibilitada a distinção se os serviços foram prestados por sócios ou empregados, posto que a expressão, "pagamentos efetuados a representantes comerciais", não explicita um ou outro, mas sim é abrangente a quem efetivamente prestou os ditos serviços. 2. AFERIÇÃO INDIRETA O débito foi lavrado por aferição, tendo por base as notas fiscais contabilizadas, conforme acima mencionado, de acordo com o art. 33, parágrafo 6°, da lei 8212/91 com a redação dada no Art 235 do Decreto 3.048/99. Tratase de serviços de comercialização de produtos médicos, hospitalares,..., sendo esta a atividade fim da empresa, conforme mostra o contrato social juntado às fls. 48 do processo, pela qual deveria se valer necessariamente de trabalhadores de seu quadro na consecução deste desiderato. 3. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA A expressão "desconsideração de pessoa jurídica", significa que foi considerado vinculo empregatício, o existente entre os trabalhadores que prestaram serviços por meio das empresas de "representação comercial" e a notificada, vide item 3 do relatório da NFLD. A não apresentação de elementos solicitados pela fiscalização determinou a lavratura de débito na forma como o foi, visto que, não foi possível identificar o quantum era devido à Previdência Social, de modo normal (folha de pagamento) e regular, cabendo ao ente tributário o lançamento por arbitramento, em face da insuficiência de elementos de convicção solicitados, indicando base de cálculo e a fundamentação legal, fazendose inclusive referência ao Auto de Infração lançado em face da não apresentação de elementos solicitados no TIAD. 4. SUBORDINAÇÃO E PESSOALIDADE Posto que, no presente caso, houve intermediação de mãode obra, ligada a atividade fim da empresa, que deve ser obtida pela via comum, que é o contrato de emprego, pois não se pode Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 admitir o aluguel de mãodeobra. A atividade de vendas é inerente ao processo empresarial da notificada, necessitando para sua execução do concurso de mãodeobra própria permanente e subordinada, não podendo se cogitar da realização sem a participação de vendedores empregados, sob pena de ofensa ao que preceitua o art. 9° da CLT e enunciado 331, inciso Ido TST. A contratação de representação comercial, embora não provada perante a fiscalização, objetivou desvirtuar a aplicação de normas trabalhistas e previdenciárias levando à caracterização de relação de emprego. Nesta situação fática houve tentativa da reclamada em disfarçála, sendo inconteste a presença do trabalho pessoal, subordinado, habitual e oneroso, conduzindo ao flagrante desrespeito aos termos do art. 12, inciso I da Lei 8.212/91, razão determinante do lançamento arbitrado com base nos valores contábeis. O Contribuinte, após regularmente intimado em 18.01.2007, às fls. 190, atravessou nos autos aditamento à Impugnação, em 31.01.2007 às fls. 192 a 194, acompanhado de procuração regular com as cláusulas “ad judicia” e “et extra”, às fls. 195, e da oitava alteração do contrato social, às fls. 196 a 198, alegando, em síntese (conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 200 a 208): 7.1. Não há razão jurídica para se caracterizar vinculo de emprego com base em simples notas fiscais de prestação de serviços. Não foram identificados os trabalhadores caracterizados como empregados. O pagamento foi efetuado para pessoas jurídicas, logo o lançamento contábil foi efetuado na conta "pagamento a pessoas jurídicas", sendo as prestadoras de serviço empresas regularmente constituídas, nunca pessoas físicas. Sendo corretos, os lançamentos do Livro Diário não podem ser desconsiderados, ainda que a notificada não tivesse apresentado nenhum contrato de prestação de serviços. Sejam os serviços prestados por sócios ou por empregados das empresas prestadoras de serviços, inexiste vínculo de emprego com a notificada. 7.2. O que interessa é saber se os serviços foram prestados de modo pessoal e subordinado, não se dando a caracterização da relação de emprego simplesmente pela ausência de contrato escrito de representação comercial, sendo que a lei não exige forma especial. 7.3. A fiscalização solicitou apenas os contratos de representação comercial e dispensou o exame de outros documentos e registros que compõem a contabilidade, notadamente os relatórios de vendas e comissões pagas às empresas prestadoras que não deixam dúvidas quanto a regularidade dos lançamentos do Livro Caixa. Com efeito, os pagamentos não se confundem com pagamentos a empregados. Logo, não cabe falar em aferição indireta através das notas de prestação de serviços, mesmo porque seus valores não compreendem somente o preço dos serviços, compreendendo valores que não sofrem incidência de contribuição previdenciária. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 247 11 7.4. Não é relevante se os serviços de comercialização de produtos médicos e hospitalares, desenvolvidos pelas empresas de representação comercial, estão ligados à atividade fim da notificada. Por inexistir trabalho pessoal e subordinado de qualquer indivíduo em prol da empresa, não cabe falar em relação de emprego Além disso, a localização das empresas contratadas impede a fiscalização. 7.5. A fiscalização confunde desconsideração de pessoa jurídica com caracterização de relação de emprego. Para a caracterização do vinculo de emprego, o fiscal deveria indicar quais trabalhadores prestaram serviços de modo pessoal e demonstrar a subordinação. Sem estes elementos não cabe falar em relação de emprego ou intermediação e locação de mãode obra. Somente o fato da atividade de vendas ser inerente ao processo empresarial não autoriza a conclusão pelo trabalho subordinado de pessoas físicas. Para a consecução dos seus fins a empresa não necessita absolutamente de mãodeobra própria, permanente e subordinada. Se assim não fosse, de que prestaria a atividade de representação comercial. 7.6. Portanto, o relatório complementar nada apresenta para a validade do lançamento, que ainda se mostra sem consistência jurídica. O exercício de representação comercial é legal e regular, não exigindo a prova escrita da contratação, podendo ser provada por diversos outros elementos, presentes no caso, e que o distinguem perfeitamente da relação de emprego. Requer diligência para se determinar quais pessoas efetivamente prestaram trabalho pessoal e subordinado em prol da empresa. Do exposto, reitera o pedido de improcedência da notificação, para o cancelamento da exigência. Após análise dos autos, houve a emissão do Acórdão nº 0614.463 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, fls. 200 a 208, julgando procedente a autuação, conforme Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. INTERMEDIAÇÃO ILEGAL DE MÃODEOBRA. TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADEFIM. A contratação de empresas de prestação de serviços para o exercício de atividadefim afronta o ordenamento jurídico trabalhista e previdenciário e atrai a incidência do art. 9° da CLT e da Súmula nº 331, III, do Tribunal Superior do Trabalho e da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei n°8.212/91. • Lançamento Procedente Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no valor de RS 225.971,63, consolidado em 06/05/2005, sobre o qual incidirão os acréscimos legais. Encaminhese ao DRF/CTA/Secat — Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, para ciência da interessada e demais providências, ressaltandolhe o direito de interpor recurso voluntário no prazo de 30 dias da ciência (Decreto n°6.103/07, art. 1 0; e Decreto n°70.235/72, art. 33, copia), conforme facultado pelo art. 126 da Lei n" 8.213/91 combinado com o art. 305 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Sala de Sessões, em 27 de junho de 2007. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 214 a 219, atacando a decisão de primeira instância e ratificando os pontos da defesa apresentados em sede de Impugnação, em síntese: (i) Na própria decisão ora impugnada se reconhece que a fiscalização foi instada a informar a quais trabalhadores estaria configurado o vinculo de emprego. Todavia, o fiscal se limitou dizer que não foi possível fazer tal identificação, a despeito da notificada haver apresentado junto com a peça de defesa vários contratos sociais de empresas de representação comercial e que identificam o respectivo quadro societário. (ii) Necessário dizer que nenhuma conduta da notificada impediu a fiscalização de relacionar quais as pessoas que se enquadrariam como segurados empregados. A relação de emprego se caracteriza como um contrato realidade. O que significa dizer que nenhum documento escrito se mostra suficiente para afastar o seu reconhecimento, quando presentes os requisitos do art. 3° da CLT. De modo que nada justifica o Fiscal deixar de apontar as pessoas que, no caso, supostamente seriam participes desse tipo de relação jurídica. (iii) Nesse prisma, o fato da empresa não possuir empregados na sua atividadefim não autoriza — em absoluto — reconhecer a existência de intermediação ilegal de mãodeobra nos contratos de representação comercial firmados com empresas que se dedicam a esse ramo de atividade. Embora a notificada se dedique ao ramo de comércio, não existe atendimento de clientes de forma pessoal em seu estabelecimento. Realiza vendas por atacado e todos os contatos são realizados via telefônica ou por meio eletrônico. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 248 13 (iv) Enfim, não existe interrnedição de mãodeobra, muitos menos de remia ilegal. O caso não atrai a incidência da Súmula 331 do Tribunal Superior de Trabalho, pois, no conceito de mão deobra se inserem somente pessoas físicas que desempenham trabalho pessoal e subordinado. O que, evidentemente, não é hipótese. (v) As empresas de representação comercial não fornecem mão deobra, ou seja, não colocam pessoas à disposição da notificada para, de forma direta, ou seja, sob sua fiscalização, executarem serviços de seu interesse. Também não mantém contratos com pessoas físicas, mas com pessoas jurídicas, ou seja, com empresas regularmente estabelecidas, registradas nos órgãos próprios e com personalidade própria, algumas inclusive constituídas sob a forma de sociedade. E obviamente que nada existe na lei a impedir que unia empresa do ramo de comércio atacadista de utilizar os serviços de empresas de representação comercial para a consecução de seus fins, ou seja, a realização de vendas. Lembremos, ainda, que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial. Não constituem requisitos exclusivos da relação de emprego. (vi) De salientar, ainda, que todas empresas listadas pela fiscalização sequer exercem atividadefim inerente ao processo empresarial da notificada, pois todas são prestadoras de serviços, e não só na representação comercial, como ocorre, por exemplo, com a Vital Clin Profissionais Associados Ltda., sediada na cidade de Toledo/Pr, que ainda se dedica à área de assistência médica, enfermagem, análises clínicas e treinamento em serviços hospitalares, conforme documento apresentado com a impugnação, mas que não mereceu a menor atenção no julgamento. (vii) De qualquer modo, eventual entendimento de haver exercício da atividadefim pelas prestadoras de serviço não se mostra suficiente para caracterizar vínculo de emprego, mesmo com as pessoas físicas que integram estas (empresas de representação comercial). Há que estar presente a necessária subordinação hierárquica. Situação que nem de longe se configura na hipótese. (viii) A fiscalização ainda desconhece que o contrato de representação comercial é contrato não solene, ou seja, não tem Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 forma especial, não se exigindo documento escrito para sua comprovação. E por isso mesmo, a não apresentação pela notificada de instrumento de um e outro contrato de representação comercial não tem o condão de caracterizar vínculo de emprego com o prestador de serviços, até porque esse tipo de atividade é comprovado por outros meios eficazes. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 241. É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 249 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 241. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 250 17 informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD 35.815.1023, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO. (i) Na própria decisão ora impugnada se reconhece que a fiscalização foi instada a informar a quais trabalhadores estaria configurado o vinculo de emprego. Todavia, o fiscal se limitou dizer que não foi possível fazer tal identificação, a despeito da notificada haver apresentado junto com a peça de defesa vários contratos sociais de empresas de representação comercial e que identificam o respectivo quadro societário. (ii) Necessário dizer que nenhuma conduta da notificada impediu a fiscalização de relacionar quais as pessoas que se enquadrariam como segurados empregados. A relação de emprego se caracteriza como um contrato realidade. O que significa dizer que nenhum documento escrito se mostra suficiente para afastar o seu reconhecimento, quando presentes os requisitos do art. 3° da CLT. De modo que nada justifica o Fiscal deixar de apontar as pessoas que, no caso, supostamente seriam participes desse tipo de relação jurídica. Analisemos os itens (i) e (ii) conjuntamente. A Recorrente aduz que a não identificação dos trabalhadores que configurariam a relação de emprego inviabiliza a caracterização dos elementos fáticos da Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 251 19 relação de emprego. Inclusive aponta que apresentou os contratos sociais das empresas que atuam como representantes comerciais, onde consta o quadro societário. Anotase que a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial. Ora, à época da lavratura da NFLD, o contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social regerseia segundo as normas contidas na Portaria MPS nº 520/2004, que no art. 9º, § 7º disciplinava que, em sede de Impugnação, as provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Desta forma, em função dos documentos acostados aos autos em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, terem sido apresentados em cópias não autenticadas, os alegados contratos de Representação Comercial bem como os contratos Sociais das empresas não fazem prova a favor da Recorrente. Portanto, a alegação da Recorrente de que a AuditoriaFiscal poderia ter evidenciado a relação de empregados das empresas contratadas a partir das cópias não autenticadas dos contratos sociais apresentados não prospera em função de não fazerem prova a favor da Recorrente, com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (iii) Nesse prisma, o fato da empresa não possuir empregados na sua atividadefim não autoriza — em absoluto — reconhecer a existência de intermediação ilegal de mãodeobra nos contratos de representação comercial firmados com empresas que se dedicam a esse ramo de atividade. Embora a notificada se dedique ao ramo de comércio, não existe atendimento de clientes de forma pessoal em seu estabelecimento. Realiza vendas por atacado e todos os contatos são realizados via telefônica ou por meio eletrônico. (iv) Enfim, não existe interrnedição de mãodeobra, muitos menos de remia ilegal. O caso não atrai a incidência da Súmula 331 do Tribunal Superior de Trabalho, pois, no conceito de mão deobra se inserem somente pessoas físicas que desempenham trabalho pessoal e subordinado. O que, evidentemente, não é hipótese. (vi) De salientar, ainda, que todas empresas listadas pela fiscalização sequer exercem atividadefim inerente ao processo empresarial da notificada, pois todas são prestadoras de serviços, e não só na representação comercial, como ocorre, por exemplo, com a Vital Clin Profissionais Associados Ltda., sediada na cidade de Toledo/Pr, que ainda se dedica à área de assistência médica, enfermagem, análises clínicas e treinamento em serviços hospitalares, conforme documento apresentado com Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 252 21 a impugnação, mas que não mereceu a menor atenção no julgamento. (vii) De qualquer modo, eventual entendimento de haver exercício da atividadefim pelas prestadoras de serviço não se mostra suficiente para caracterizar vínculo de emprego, mesmo com as pessoas físicas que integram estas (empresas de representação comercial). Há que estar presente a necessária subordinação hierárquica. Situação que nem de longe se configura na hipótese. Analisemos os itens (iii), (iv), (vi) e (vii) conjuntamente. A Recorrente alega que não possuir empregados na atividadefim não é relevante, pois não precisaria de mãodeobra própria, permanente e subordinada, uma vez que terceiriza integralmente a atividadefim de vendas através da contratação de empresas de representação comercial idôneas. A questão de fundo então é determinar se a Recorrente, que não possui qualquer empregado registrado, poderia terceirizar integralmente a sua atividadefim. Neste ínterim, a Súmula 331, I e III, TST dispõe que a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974), ou ainda não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta: Súmula nº 331do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974) .II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. O seja, a intermediação de mãodeobra só é admitida no caso de trabalho temporário, nos termos da Lei n° 6.019/74, e no caso de serviços especializados ligados a atividademeio do tomador. Não obstante a argumentação da Recorrente de que não precisa ter quaisquer empregados para o funcionamento de suas atividades, a mesma não restou comprovado materialmente tal ilação com provas da sua rotina organizacional, operacional, comercial e financeira. Ou seja, diante da situação fática encontrada pela AuditoriaFiscal, conforme o demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 25 a 29, bem como na resposta à Diligência Fiscal às fls. 147 a 149 e também no Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152, restou evidenciado que a Recorrente teria que ter trabalhadores à sua disposição para a consecução das atividades inseridas no seu objeto social. Na presente hipótese, claramente o serviço de vendas não pode ser considerado como atividade especializada ligada à atividademeio da Recorrente e tampouco pode ser considerada como trabalho temporário, posto que o objeto social da Recorrente é o ramo de comércio atacadista, inclusive importação e exportação de produtos, conforme o Relatório Fiscal Complementar, às fls. 151 a 152. Desta forma, a AuditoriaFiscal considerou que os serviços realizados pelos trabalhadores à disposição das empresas contratadas, pela Recorrente, a título de representação comercial, se relacionam à atividadefim da Recorrente caracterizandose então a relação de emprego desses trabalhadores para com a Recorrente. Ainda, a AuditoriaFiscal não teve condições relacionar, por competência, quais trabalhadores enquadramse como segurados empregados em função da dissimulação dos contratos de trabalho através dos contratos de representação comercial. Por outro lado, a CLT disciplina que é empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 253 23 Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação.Não obstante a argumentação da Recorrente, Ora, nos termos do art. 3º, CLT, a presença da onerosidade e da não eventualidade da prestação de serviços se evidencia nos autos, sem que a Recorrente conteste tais atributos, caracterizadores tento do contrato de representação comercial como o contrato de emprego. Já os atributos de subordinação e de pessoalidade são faticamente inerentes à atividadefim da Recorrente que, ademais, não possui nenhum empregado registrado. Ademais, restou a caracterização de segurado obrigatório da Previdência Social como empregado, nos termos do art. 12, I, a, lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Neste sentido de caracterização do segurado empregado quando presentes as premissas da relação de emprego, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aponta nesta direção: Segundo Conselho de Contribuintes . 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20600979 do Processo 37299000092200552 Data 05/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/06/2004 CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA –SEGURADOEMPREGADO CARACTERIZAÇÃO. É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregado da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Recurso Voluntário Negado. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 240300068 do Processo 10552000525200737 Data 08/07/2010 Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIASPERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2002 A Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 30/11/2006CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE PATRONAL E TERCEIROSCARACTERIZAÇÃODE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.SEGURADOEMPREGADO. ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.A EMPRESA É OBRIGADA A ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES A SEU CARGO E AS DESTINADAS AOS TERCEIROS E RECOLHER O PRODUTO ARRECADADO DENTRO DO PRAZO ESTIPULADO PELA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.SE O AUDITOR FISCAL CONSTATAR QUE OSEGURADO, QUALQUER QUE SEJA A DENOMINAÇÃO QUE LHE FOR DADA, PREENCHE AS CONDIÇÕES QUE CONFIGURAM A RELAÇÃO DE EMPREGO (PESSOA FÍSICA, PESSOALIDADE, ONEROSIDADE, SUBORDINAÇÃO E NÃO EVENTUALIDADE), DEVERÁ DESCONSIDERAR O VINCULO PACTUADO E EFETUAR O ENQUADRAMENTO COMOSEGURADOEMPREGADO.SÃOSEGURADOSCONTRIBUINTES INDIVIDUAIS EMPRESÁRIOS OS ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 4ª CÂMARA / 3ª TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NAS PRELIMINARES POR UNANIMIDADE DE VOTOS EM REJEITAR A DECADÊNCIA. NO MÉRITO POR MAIORIA DOS VOTOS EM DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO E DETERMINAR O RECALCULO DA MULTA DE MORA COM BASE ART. 32A DA LEI 8.212/91 NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.941/2009 E PREVALÊNCIA DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. VENCIDOS OS CONSELHEIROS RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA E CLEUSA VIEIRA DE SOUZA (CONVOCADOS) QUE VOTARAM POR NEGAR PROVIMENTO. Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 20601581 do Processo 35582002142200777 Data 06/11/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOEMPREGADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO. Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Recurso Voluntário Negado. Devemos observar a posição do CARF (conforme se observa de vários julgados) no sentido de que pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 254 25 última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ou seja, houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores nos relatórios que compõem a NFLD, possibilitando o pleno conhecimento pela Recorrente. A contratação de trabalhadores por meio de pessoas jurídicas, sem que se demonstre o cumprimento aos preceitos legais e que a realidade fática diverge dos documentos apresentados, acaba por descaracterizar a contratação nessa modalidade, provocando o enquadramento como segurados empregados perante a Previdência Social. Diante das provas fáticas e materiais fartamente colacionadas pela Auditoria Fiscal nos autos, tanto em sede de Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Complementar, quanto em sede de resposta à Solicitação de Diligência Fiscal, afasto as argumentações da Recorrente e concluo que está presente a relação de emprego com características de pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade, subordinação, e continuidade, nos termos dos arts. 2° e 3º da CLT. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) As empresas de representação comercial não fornecem mão deobra, ou seja, não colocam pessoas à disposição da notificada para, de forma direta, ou seja, sob sua fiscalização, executarem serviços de seu interesse. (...) Também não mantém contratos com pessoas físicas, mas com pessoas jurídicas, ou seja, com empresas regularmente estabelecidas, registradas nos órgãos próprios e com personalidade própria, algumas inclusive constituídas sob a forma de sociedade. E obviamente que nada existe na lei a impedir que unia empresa do ramo de comércio atacadista de utilizar os serviços de empresas de representação comercial para a consecução de seus fins, ou seja, a realização de vendas. (...) Lembremos, ainda, que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial. Não constituem requisitos exclusivos da relação de emprego. Analisemos. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 A Recorrente argumenta que as empresas de representação comercial não fornecem mãodeobra para ela, bem como mantém contrato de representação comercial com pessoas jurídicas. Conforme já analisado nos tópicos (i) e (ii) acima a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial, que não fazem prova a favor da Recorrente com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Portanto, a argumentação central acerca das empresas de representação comercial com fulcro na apresentação de cópias não autenticadas dos contratos sociais bem como dos contratos de representação comercial não possui lastro probatório a favor da Recorrente. Ainda, a questão da que a não eventualidade e a onerosidade, e até a pessoalidade (no caso de pessoa física exercente da atividade de vendas) também são pressupostos da representação comercial já foi analisada nos tópicos (iii), (iv), (vi) e (vii) acima. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) A fiscalização ainda desconhece que o contrato de representação comercial é contrato não solene, ou seja, não tem forma especial, não se exigindo documento escrito para sua comprovação. E por isso mesmo, a não apresentação pela notificada de instrumento de um e outro contrato de representação comercial não tem o condão de caracterizar vínculo de emprego com o prestador de serviços, até porque esse tipo de atividade é comprovado por outros meios eficazes. Analisemos. Em tese, o contrato de representação comercial deve ter como característica a atuação do representante comercial com total independência, com a representada não tendo qualquer ingerência na atuação profissional do representante e tampouco subordinação jurídica típica do empregado. Conforme já analisado nos tópicos (i) e (ii) acima a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 47 a 139, cópias, não autenticadas, de contratos sociais e também cópias, não autenticadas, de contratos de representação comercial, que não fazem prova a favor da Recorrente com fundamento no art. 9º, § 7º da Portaria MPS nº 520/2004. Então, na presente hipótese, a Recorrente não fez prova documental que os contratos de representação comercial pactuados pela Recorrente caracterizam o representante comercial como autônomo, possuindo independência técnica, econômica e jurídica. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 240301.190 S2C4T3 Fl. 255 27 RECÁLCULO DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Portanto, devese recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10073.720141/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso provido
Numero da decisão: 2202-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Antonio Lopo Martinez e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 41 /2 00 7- 27 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório ANTONIO LUIS DE MELLO E SOUZA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 80) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/05 para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, referente ao exercícios de 2003, no valor de R$ 6.456,45, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 15.285,63. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de área de utilização limitada. Segundo o relatório fiscal, o Contriubinte, regularmente intimado, não comprovou a isenção da áread declarada a título de utilização limitada no imóvel rural, de 136,4 hectares. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que somente em 27/12/2007 tomou conhecimento da intimação do órgão fiscalizador, referente ao ITR/2003, devido a mudança de endereço de seu domiscílio tributário;que o imóvel rural, encontrase hoje na condição de Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, estando entre as dez maiores do estado, e com planos de ampliação; que estaria dispensado da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, por força do art 10, § 7° da lei 9.393/96, devido ao conhecimento prévio das autoridades do meio ambiente (IBAMA) em relação à condição de seu imóvel rural; que os registros e averbações de reserva legal, conforme documentação anexada, atestam a condição legal requerida pela Autoridade Fiscal. A DRJBRASÍLIA/DF julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ observou que, quanto à mudança do domiscílio fiscal do Contribuinte, estra somente foi alterada bno cadastro em 08/05/2008, e que as intimações foram enviadas para o domiscílio fiscal constante do castrastro do Contribuinte na SRF à época; que em decorrência da devolução das intimações, o Contribuinte foi intimado por edital, não tendo respondido; que a intimação por meio de edital tem previsão legal; que, com o conhecimento da autuação, o Contribuinte teve a possibilidade de apresetnar defesa. Quanto ao mérito, a DRJ observou que a apresentação do ADA para fins de exclusão de áreas ambientais na apuração do ITR é obrigatória; que, no caso, embora o Contribuinte tenha apresentado ADA em 12/09/1998, esta tem área ambiental diferente da declarada em 2003; que, portanto, seria obrigatória a apresentação de novo ADA, conforme Instruções Normativas SRF nº 256/2002 e 344/2003 (artigo 13, I); que o Contribuinte apresentou novos ADAs em 28/09/2007 e 14/01/2008, mas estes, além de intempestivos, também informavam áreas ambientais diferentes da declarada em 2003. Por fim, a DRJ observou, rebatendo a alegação da defesa, que a dispensa de prévia comprovação das áreas ambientais não alcança as exigências legais para comprovação das áreas ambientais previstas na lei ambiental. Daí, conclui a DRJ: “embora a requerente tenha trazido aos autos documentação comprobatória do reconhecimento pelo orgão ambiental competente, da existência de 144,0 hectares de área considerada Reserva Particular do Patrimônio Natural desde 2001, às fls. 37, cabe ressaltar que não se discute nos autos a existência ou não da referida área ambiental, mas sim o fato de não ter sido providenciada a protocolização, em tempo hábil, de novo ADA (retificador) junto ao IBAMA. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 3 3 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 30/11/2009 (fls. 104) e, em 16/12/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 91/103, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e acrescenta manifestação contrária à incidência dos juros calculados com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, tratase de glosa de área declarada como Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN. Não se discute a existência da área ambiental, a qual foi devidamente reconhecida pela Portaria nº 70, de 23 de maio de 2001 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (fls. 42) e foi averbada à margem da matrícula do imópvel (fls. 38/39). O que se discute é tãosomente a necessidade da apresentação do ADA como condição para a isenção da referida área. Ora, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 4 5 determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo Poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite tal interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não seria um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Mas, neste caso, tratase de Reserva Particular do Patrimônio Nacional – RPPN. Ocorre que a referida área, como ressaltado acima, foi devidamente reconhecida por ato específico do órgão ambiental e encontrase averbada à margem da matrícula do imóvel. E são Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10073.720141/200727 Acórdão n.º 2202002.360 S2C2T2 Fl. 5 7 precisamente estas as exigências legais para a caracterização da área ambiental, conforme artigo 13 do RITR, a saber: Art. 13. Consideramse de reserva particular do patrimônio natural as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21). É inadmissível, quando sequer há disposição legal expressa que condicione a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração do ITR à apresentação do ADA, que, para o exercício do direito à isenção de RPPN seja necessária a apresentação de tal declaração perante o mesmo órgão que reconheceu a existência da área ambiental. Portanto, também quanto a esta área, nas condições deste processo, não se aplica a exigência do ADA. Quanto à exigência da taxa Selic, embora a questão reste prejudicada em face do provimento ao recurso por outro motivo, registro, em razaõ da eventual revisão desta decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a matéria encontrase solucionada por meio da súmula nº 04 deste Conselheo, de aplicação obrigatória, e que traz o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão ANTE O EXPOSTO, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10875.908194/2009-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 94 /2 00 9- 02 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 02/02/2007, a Declaração de Compensação DComp nº 11568.17711.020207.1.3.040795, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/02/2002 a 28/02/2002, no valor de R$ 30.392,32. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680600 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05036.149, de 7 de dezembro de 2011, fls. 62 a 67 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 105 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 72 a 79, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 72 a 79 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05036.149, de 7 de dezembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 106 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 107 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908194/200902 Acórdão n.º 3403002.159 S3C4T3 Fl. 108 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10425.000908/98-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
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METALÚRGICA SILVANA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 09 08 /9 8- 18 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão, contradição e obscuridade no Acórdão nº 140100.524, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: IRPJ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A lei pode nas condições que estipular autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, não se admitindo, portanto, o desrespeito ao princípio da competência positivado na legislação de regência do imposto de renda que garante que as retenções inclusas no cálculo do saldo negativo do IRPJ devam se referir a receitas auferidas no próprio ano calendário correspondente às retenções. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Transcrevo parte dos Embargos naquilo que é essencial, onde a Embargante aponta duas premissas equivocadas da qual partiu o Acórdão embargado, em que na última se cometeria um erro de fato: (...) 22. Aliás, tal ocorrência está presente no Acórdão, pois o seu voto conduto partiu das seguintes premissas: Fl. 426DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10425.000908/9818 Acórdão n.º 1401000.973 S1C4T1 Fl. 426 3 a) O incentivo fiscal de 100% do IRPJ e CSLL concedido pela SUDENE, que originou o direito de crédito da Embargante, se restringe a determinado produto fabricado pela Embargante e, portanto, demandaria complicada auditoria para aferição do valor do crédito; b) De acordo com as alterações legislativas promovidas pela MP n° 66/2002, não caberia pedido de compensação, mas de declaração de compensação acompanhada de pedido de restituição. Porém, tais premissas estão totalmente divergentes com a realidade fática, assim como as provas carreadas nos autos, o que justifica, desde já, o cabimento do presente recurso. Em relação ao primeiro aspecto, assim desenvolve a matéria: . Ora Doutos Julgadores, não estamos diante de isenção referente a uma parcela da receita bruta da Embargante, mas de toda sua receita bruta. Aliás, no próprio cadastro da empresa perante a Receita Federal do Brasil, consta a informação de que a atividade desenvolvida pela Embargante foi a mesma que foi TOTALMENTE incentivada pela SUDENE: (...) Ou seja, não há o que se falar em necessidade de complexo cálculo para a comprovação do crédito pleiteado pela Embargante, já que basta simplesmente comparar os valores recolhidos por estimativa a título de IRPJ e a receita auferida no anocalendario, a qual foi totalmente beneficiada pela isenção de 100% sobre o imposto a pagar no período. Em relação ao segundo aspecto, alega cometido de erro de fato: O Acórdão embargado clama pela necessidade da feitura de dcomps, com a nova sistemática de compensação inaugurada pela MP n. 66/2002 que passou a viger a partir de outubro de 2002: (...) 36. Contudo, com todas as vénias, mais uma a vez o acórdão incorre em vício, visto que os pedidos de compensação objeto da presente lide foram formulados antes da vigência da Medida Provisória n° 66/2002 que alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96. 37. Compulsando os autos, especificamente na folha 141, verificase que o último pedido de compensação foi formulado em 07.02.2002, isto é, antes da vigência da citada norma: É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. A embargante assim maneja esse recurso de escopo bastante restrito, que são os embargos declaratórios: 22. Aliás, tal ocorrência está presente no Acórdão, pois o seu voto conduto partiu das seguintes premissas: a) O incentivo fiscal de 100% do IRPJ e CSLL concedido pela SUDENE, que originou o direito de crédito da Embargante, se restringe a determinado produto fabricado pela Embargante e, portanto, demandaria complicada auditoria para aferição do valor do crédito; b) De acordo com as alterações legislativas promovidas pela MP n° 66/2002, não caberia pedido de compensação, mas de declaração de compensação acompanhada de pedido de restituição. Porém, tais premissas estão totalmente divergentes com a realidade fática, assim como as provas carreadas nos autos, o que justifica, desde já, o cabimento do presente recurso. E daí prossegue aprofundandose no porquë tais premissas seriam equivocadas. Ora,. de plano se vê que se maneja os embargos com outra finalidade diferente de suprir omissão, contradição ou obscuridade. É patente que o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão impugnado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto, uma vez que partira de premissas equivocadas. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. E nem poderia haver omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão de forma substanciosa, deixando bem claro os motivos para o indeferimento do pleito.. Nesse aspecto cabe salientar que as premissas questionadas pela Recorrente não passaram de argumentos subsidiários a outros argumentos mais importantes. Isso quer dizer que mesmo que tais premissas fossem consideradas aqui equivocadas e se dessem efeitos infringentes a essa retificação, o destino final do Acórdão embargado ainda assim não iria mudar, uma vez que a premissa principal relativa à inovação no pleito, e não atacada em sede de embargos ainda permaneceria incólume. Vejamos os termos em que isso ficou assentado no Acórdão embargado: Dessa forma, corroboro com a decisão de piso em todos os seus termos, pois além de não terem sido solicitados formalmente os referidos créditos que viriam a complementar o seu pedido, há flagrante inovação no pedido e a competência de se analisar tal pleito é da DRF e não das instâncias julgadoras: Art. 174. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais (...) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10425.000908/9818 Acórdão n.º 1401000.973 S1C4T1 Fl. 427 5 III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições, (ênfase acrescida) (....) Art. 175. As turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a Ilido artigo anterior. (...) Art.238 Aos Delegados~da~Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbe, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) VI decidir sobre a concessão de regimes aduaneiros especiais e pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos; (....) A seu turno, referida inovação não pode ser apreciada em grau de recurso, seja porque não há litígio tomando com base o parecer da DRF, seja porque importaria em supressão de instância. Por outro lado, trago ainda à baila outros argumentos que se somam aos já colocados pela DRJ no sentido de obstaculizar ainda mais o referido pleito. Por fim, nem se pode dizer também que os argumentos subsidiários atacados estariam de fato equivocados, uma vez que o relator o relator demonstrou minuciosamente que o referido crédito tomado a partir do recálculo do lucro da exploração nem mesmo foi demonstrado nos autos, e isso é fato. Em relação, ao segundo argumento auxiliar a Recorrente também tem razão, o Acórdão embargado fez menção também à necessidade de se ter feito Dcomps, uma vez que o seu pleito se referia a créditos até 2004, o que necessariamente deveria requerer acompanhando o pleito as respectivas Dcomps, sistemática nova adotada a partir de outubro de 2002. Por todo o exposto, rejeito os embargas. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 429DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908210/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 110 1 109 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908210/200959 Recurso nº 12 Voluntário Acórdão nº 3403002.167 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 82 10 /2 00 9- 59 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 16107/2008, a Declaração de Compensação DComp nº 40365.63768.160708.1.3.044026, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/08/2003 a 31/08/2003, no valor de R$ 194.242,21. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680763 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05035.964, de 23 de novembro de 2011, fls. 65 a 69 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 111 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 74 a 81, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 74 a 81 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05035.964, de 23 de novembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 112 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 113 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908210/200959 Acórdão n.º 3403002.167 S3C4T3 Fl. 114 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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