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Numero do processo: 17878.000115/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-001.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Paulo Sérgio Celani acompanharam a relatora pelas conclusões.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PROCESSO JUDICIAL EXTINTO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. PRESCRIÇÃO. Apesar de o contribuinte não necessitar de decisão judicial para compensar diferenças pagas a maior em decorrência de tributo sabidamente inconstitucional, deve este requerer a restituição/compensação antes de esgotado o respectivo prazo prescricional que, antes da edição da LC nº 118/2005, era condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 4º do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Paulo Sérgio Celani acompanharam a relatora pelas conclusões. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 01 15 /2 00 7- 62 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O contribuinte acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em 12/12/2007, a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da Delegacia de Receita Federal em Volta Redonda encaminhou Representação Fiscal (fl.01) em nome da contribuinte, para a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (Sacat) da mesma delegacia, com o fito de apreciar o direito creditório calçado na ação judicial nº 94.00225555, transitada em julgado em 18/01/2002, conforme apontado pela interessada nas declarações de compensação eletrônicas juntadas aos autos (fls. 02/33). Consignou a Sacat, que a contribuinte buscou socorro judicial para ser autorizada a efetuar as compensações de créditos de Finsocial, oriundos da inconstitucionalidade das majorações na alíquota desta contribuição, com prestações vencidas e vincendas de Finsocial, COFINS, PIS, CSLL, e Contribuição sobre a folha de salários. Após análise dos provimentos judiciais juntados aos autos, a Sacat exarou despacho de folhas 68/69, concluindo que a interessada não obteve êxito na pretensão de utilizar os créditos de Finsocial, tendo em vista que o feito judicial fora para ela extinto, na forma do artigo 267, IV, do CPC. Consignou a autoridade da SACAT que os débitos indicados nas DCOMP, portanto, não foram extintos pela compensação, tendo devolvido à Saort para prosseguimento. Por sua vez, a Saort exarou o Despacho Decisório de folhas (78/80) não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações, fundamentando que o direito reconhecido no bojo da ação judicial nº 94.00225555 não alcançou a contribuinte, pois o feito tinha sido extinto para esta contribuinte, tendo deixado de ser parte da citada ação. Inconformada com o teor do Despacho Decisório, a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade, de folhas (101/105) argumentando Sucede que, ao contrário do alegado pela autoridade administrativa, o crédito objeto das PER/DCOMP não advém de decisão judicial, mas sim, da legislação aplicável á espécie. (...) De fato, a própria Administração, através do disposto no artigo 1º, inciso III da Instrução Normativa SRF nº 31/97, dispõe ser indevido o pagamento da majoração de alíquota imposta ao FINSOCIAL (...) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 17878.000115/200762 Acórdão n.º 3201001.172 S3C2T1 Fl. 174 3 Notese que a mesma Administração, através da Instrução Normativa SRF nº 32/97, em seu artigo 2º, convalidou a compensação entre o indébito do FINSOCIAL e os débitos de COFINS, independentemente de título judicial; (...) Com efeito, a falta de título judicial não obsta a compensação de que trata o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Isto posto, cabalmente demonstrada a legalidade da compensação, requer seja a decisão proferida reformada e, de conseguinte, seja homologada a compensação havida pela INTERESSADA, na forma de DIREITO.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão nº 1333.941 de 24/03/2011, proferido pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 18/01/2002 ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de suposto crédito de Finsocial pleiteado pelo contribuinte em epígrafe com base em decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação judicial nº 94.00225555 (em 18/01/2002). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Inicialmente, cumpre salientar que, a princípio, concordo com os argumentos do contribuinte no sentido de que a decisão proferida naquele processo judicial não pode ser utilizada como base para negarlhe o direito pleiteado. Isso porque, consoante se verifica à fl. 59, o feito foi extinto, em relação ao contribuinte, com fulcro no art. 267, IV, do CPC, ou seja, SEM julgamento do mérito: Art. 267 Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Alterado pela L 011.2322005) (...) IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; Não obstante, também não posso me furtar de admitir que o contribuinte apresentou declarações de compensação (fls. 03, 07, 11, 15, 19, 23, 27 e 31), as quais indicam que o crédito pleiteado advém da citada ação judicial nº 94.00225555. Assim sendo, devo concordar com a decisão de primeira instância, segundo a qual: Como as informações de crédito e débito são elementos essenciais para que a compensação possa se efetivar, a legislação não permite que a contribuinte indique um crédito na declaração de compensação, e em momento posterior, passe a alegar outro crédito, ao sabor de sua própria vontade. Pudesse a contribuinte mudar a origem do direito creditório, este não se prestaria para ser utilizado em instituto que possui caráter definitivo, como é o caso da compensação, hipótese de extinção do crédito tributário. O contribuinte, portanto, deveria ter alterado as declarações de compensação para poder argumentar que faria jus à restituição, independente de qualquer decisão judicial. No entanto, a observar, também, o prazo prescricional. Contudo, esse não foi o procedimento adotado, até porque, consoante se verifica pelas citadas declarações de compensação, o crédito pleiteado pelo contribuinte se refere a fatos geradores ocorridos entre 1989 e 1992 (período inicial 13/10/89 a período final 20/04/92), sendo que as datas de transmissão somente principiaram em (23 de setembro de) 2003, ou seja, após o transcurso do prazo prescricional de 10 anos, adotado pela jurisprudência da época. Relembrar que a forma indicada a ser compensada, foi segundo o teor da decisão judicial referida. Complementando pelo amor ao debate, em análise sobre prazo. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 17878.000115/200762 Acórdão n.º 3201001.172 S3C2T1 Fl. 175 5 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Diante do exposto, observase também, a prescrição de prazo, se houvesse o pedido administrativo sem indicação de decisão judicial. Pois, a transmissão deuse em 23/09/2003 para período inicial 13/10/89 a período final 20/04/92. Em outras palavras, o contribuinte, s.m.j., pretendeu se valer da decisão proferida nos autos do processo nº 94.00225555 para fugir do prazo prescricional do seu pedido administrativo e, com isso, se aproveitar de um direito que não lhe foi garantido pelo Poder Judiciário. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10530.722844/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
CONTRATO DE COMPRA E VENDA. MERCADORIA. PREÇO DETERMINÁVEL. PREÇO FINAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA OPERACIONAL.
Nos contratos de compra e venda de mercadorias com o preço determinável, a ser fixado pela fórmula ajustada previamente em contrato, a diferença de preço apurada, ainda que baseada em cotação de moeda estrangeira, é receita operacional e, tendo sofrido a incidência do PIS a este título, não se constitui em receita financeira ou receita de variação cambial.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. MERCADORIA. PREÇO DETERMINÁVEL. PREÇO FINAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA OPERACIONAL. Nos contratos de compra e venda de mercadorias com o preço determinável, a ser fixado pela fórmula ajustada previamente em contrato, a diferença de preço apurada, ainda que baseada em cotação de moeda estrangeira, é receita operacional e, tendo sofrido a incidência do PIS a este título, não se constitui em receita financeira ou receita de variação cambial. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. MERCADORIA. PREÇO DETERMINÁVEL. PREÇO FINAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA OPERACIONAL. Nos contratos de compra e venda de mercadorias com o preço determinável, a ser fixado pela fórmula ajustada previamente em contrato, a diferença de preço apurada, ainda que baseada em cotação de moeda estrangeira, é receita operacional e, tendo sofrido a incidência do PIS a este título, não se constitui em receita financeira ou receita de variação cambial. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 28 44 /2 00 9- 17 Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.722844/200917 Acórdão n.º 3302001.925 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos de 2006 e 2007, tendo em vista que a Fiscalização constatou diferença na base de cálculo da exação e diferença entre os valores declarados em DCTF e os apurados na contabilidade, inclusive os valores provisionados. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1529.336, de 22/12/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. AUTOS DE INFRAÇÃO. JUNTADA. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. Descabe a juntada de autos de infração de tributos diversos em um único processo administrativo fiscal, quando não se encontram presentes os pressupostos processuais que a justifique. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA E DE CAIXA. Insustentável o lançamento realizado tendo como base de cálculo o saldo da contribuição a pagar apurada pelo confronto, apenas, entre os valores do tributo devido extraído da conta de obrigação a pagar e aquele objeto de confissão de dívida, via “DCTF”, uma vez que não foi demonstrado o correspondente fato gerador, nem a matéria tributável, ademais se os registros contábeis espelham o regime de competência, enquanto a opção de tributação regularmente adotada pela contribuinte foi com base no lucro presumido pelo regime de caixa. FORNECIMENTO DE “COMMODITIES”. COTAÇÃO. MOEDA ESTRANGEIRA. Nos casos de operações que envolvam o fornecimento de “commodities” (mercadorias), cuja cotação no mercado Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.722844/200917 Acórdão n.º 3302001.925 S3C3T2 Fl. 4 3 nacional e internacional é estabelecida em moeda estrangeira, é legítima a adoção de tal cotação na definição do preço da mercadoria objeto do contrato de compra e venda celebrado entre as partes. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. MERCADORIAS. PREÇO DETERMINÁVEL. COTAÇÃO EM BOLSA. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA OPERACIONAL. Em se tratando de contrato de compra e venda de mercadorias com o preço determinável a ser fixado pela cotação da mercadoria prevista em bolsa e com execução diferida ao longo do tempo, cuja saída se deu com base em preço e quantidade estimadas, ambos em caráter provisório, verificase incabível qualificar, a título de variação cambial, os valores relativos aos ajustes de preços previstos contratualmente e registrados na contabilidade que foram realizados para fins de se determinar o preço definitivo da mercadoria vendida, uma vez que tais ajustes, por serem parte do preço de venda da mercadoria, se constituem em receita operacional. RECEITAS FINANCEIRAS. Incabível o lançamento realizado tendo como base de cálculo receitas financeiras, cuja incidência da contribuição foi afastada por força de sentença judicial prolatada pelo Supremo Tribunal Federal, já transitada em julgado. LANÇAMENTO. ERRO. CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO A PAGAR. Cabível o lançamento relativo aos valores decorrentes de erro no cálculo da contribuição a pagar, apurado em procedimento de ofício. Desta decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício a este CARF. Ciente desta decisão em 5/3/2012 (AR de fl. 1.261), a interessada não se manifestou. O processo veio a este CARF para o julgamento do recurso de ofício e, na forma regimental, foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso de ofício atende às disposições legais. Dele se conhece. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.722844/200917 Acórdão n.º 3302001.925 S3C3T2 Fl. 5 4 Trata o presente processo de auto de infração de PIS lavrado em razão de apuração de diferenças da exação nos anos de 2006 e 2007, pelas razões resumidas no relatório do acórdão recorrido. Impugnado o lançamento, a Turma de Julgamento da DRJ de Salvador julgou procedente, em parte, o auto de infração. O voto condutor do acórdão recorrido concluiu a decisão nos seguintes termos: 78. Assim, diante das constatações apuradas no presente voto, se faz necessário recalcular a Contribuição ao PIS dos meses relativos aos anoscalendário de 2006 e de 2007, com os seguintes ajustes nas correspondentes bases tributáveis, como segue: a) em todos os meses dos anoscalendário de 2006 e de 2007, devem ser expurgados os efeitos dos valores adicionados pela Fiscalização a título de variação LME; b) nos meses de setembro e outubro do anocalendário de 2007, devem ser considerados os efeitos da matéria não impugnada pela Impugnante, nos valores de R$ 16.037.914,71 e de R$ 28.992.126,73, correspondentes às receitas operacionais não declaradas relativas aos referidos meses, respectivamente; c) da mesma forma deve ser tratada como matéria não impugnada, os valores recolhidos, totalizando R$ 45.919,17, a título de PIS, objeto do primeiro lançamento realizado em 27/12/2008, e, “incorporado” pela Fiscalização ao lançamento ora em lide; e, d) incluir na base tributável informada pela Impugnante, relativamente ao mês de novembro de 2006, o valor de R$ 352.683,73, relativo à “01.Receita da Venda de Produtos de Fabricação Própria” e o valor de R$ 70.210,07 (itens 75 a 77, precedentes). Portanto, o que está submetido a julgamento são as exclusões do lançamento decido pela Turma de Julgamento, a que se refere a alínea “a”, acima transcrita. Nos anos objeto do lançamento (2006 e 2007), a recorrente tributou o PIS pelo regime cumulativo. Em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, as receitas financeiras não integram a base de cálculo do PIS. Ainda sobre as receitas financeiras, a recorrente possui decisão judicial exonerandoa do pagamento do PIS incidente sobre as receitas acrescidas à base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei nº 9.718/98. Com relação à Receita de Variação Cambial decorrente de diferença de preço de mercadoria vendida, entendo que o tratamento dado pela decisão recorrida a esta matéria não merece reparo. A uma porque a diferença de preço é receita de venda, foi contabilizada como tal e sofreu a incidência do PIS; a duas porque não é receita de variação cambial (receita financeira); e a três porque mesmo que fosse receita financeira, não integraria a base de cálculo do PIS por força da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.722844/200917 Acórdão n.º 3302001.925 S3C3T2 Fl. 6 5 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator . 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720781/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração e ACOLHER a preliminar de diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Fizeram sustentação oral os Drs. Clélio Chiesa, OAB 5.660/MS e Plínio Antonio Aranha Júnior, OAB 12.548/MS.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Eivanice Canario da Silva, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do Auto de Infração e ACOLHER a preliminar de diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fizeram sustentação oral os Drs. Clélio Chiesa, OAB 5.660/MS e Plínio Antonio Aranha Júnior, OAB 12.548/MS. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Eivanice Canario da Silva, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad (VicePresidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 0343.610 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 78 1/ 20 11 -8 4 Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.153 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. Não é caso de nulidade de lançamento a existência de enquadramento legal genérico ou parcialmente inconsistente, quando os demais elementos e demonstrativos permitem a compreensão da exigência formulada. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do imposto devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de IRRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício na forma prevista na legislação. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefese o pedido de diligência, quando tal solicitação versar sobre demanda de caráter genérico apresentada com o propósito de deslocar para a Fazenda Pública a responsabilidade pela produção de conjunto probatório cujo encargo compete ao próprio requerente. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.154 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório da DRJ é extremamente detalhado, razão pela qual o adotaremos em parte. O presente processo versa sobre o auto de infração (fls. 3 a 22) lavrado contra o contribuinte identificado no preâmbulo, atinente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo aos fatos geradores dos anoscalendário de 2006 a 2009, exercícios de 2007 a 2010, por meio do qual foi formalizado o lançamento de ofício de crédito tributário no valor de R$ 12.202.989,60, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados, calculados até 28/02/2011. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração, em 11/11/2008, iniciouse a ação fiscal na empresa ATP Tecnologia e Produtos S/A, para exame da regularidade das obrigações tributárias relativas ao anocalendário de 2006, bem como a verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos administrados pela RFB, nos últimos cinco anos contados da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e no período de execução do procedimento fiscal em curso. Foram objeto de exame pela Fiscalização os arquivos magnéticos com a escrita contábil de todo o período fiscalizado. Os livros Razão da empresa, relativos a 2006, foram examinados em diligência, pois estavam em poder do Ministério Público do Distrito Federal e Território – MPDFT. No tocante ao Livro Diário e ao LALUR de 2006, embora o contribuinte tenha alegado que também estivessem em poder do MPDFT, estes não foram localizados pelos AuditoresFiscais da RFB. Contudo, foram objeto de análise pela fiscalização tão somente os livros Razão, uma vez que não foram localizados no MPDFT os Livros Diário e LALUR do ano de 2006. Quanto aos Livros Diário, o requerente informou que impetrou ação judicial (processo 2010.1592846/10), solicitando ao Judiciário que determinasse à Junta Comercial o registro dos livros, vez que: “Os Livros Diários relativos ao exercício de 2006, encontravamse sob a guarda da Junta Comercial do Distrito Federal para registro quando, em 14 de junho de 2007, foram apreendidos pela Polícia Civil do Distrito Federal, em cumprimento a ordem judicial emitida a pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios."; QUE "No entanto, a Junta Comercial do Distrito Federal cumpriu a ordem judicial, entregando os referidos livros à Polícia Civil do Distrito Federal, sem o devido registro e, desde então, se recusa a registrar os livros Diários dos exercícios seguintes, ou seja 2007, 2008 e 2009."; QUE "A Junta Comercial do Distrito Federal alega que o registro não pode ser realizado em função do salto de numeração dos livros, porém insiste em ignorar o fato de que esta situação foi provocada pela própria Junta Comercial quando não realizou o registro dos livros Diários de 2006 antas de entregalos à Policia Civil do Distrito Federal. Do cotejo entre a escrituração contábil e as declarações apresentadas (DIPJ, DIRF, DACON e DCTF), a Fiscalização constatou divergências, as quais foram cientificadas ao contribuinte em 13/09/2010. Após a dilação de prazo para 40 (quarenta) dias úteis para Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.155 4 atendimento integral do Termo de Constatação, a empresa encaminhou 4 (quatro) planilhas com as explicações quanto às divergências apontadas. Tal fato, segundo a Fiscalização, configurou convalidação quanto aos valores extraídos da escrituração e das declarações apresentadas, verbis: Em 22.10.2010, anexo ao expediente, encaminha anexas 04 (quatro) planilhas com as explicações quanto as divergências apontadas em relação às contas contábeis de obrigações dos tributos IRPJ/SCLL, PIS/COFINS, CSRF e IRRF, no periodo de janeiro de 2006 a dezembro de 2009, sem questionar quanto aos valores apurados e informados nos anexos ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, convalidando as informações apresentadas ao fisco na escrita contábil em meio magnético e as extraídas das DIPJ, DIRF, DACON e DCTF, ressalvando que os valores contidos em DCTF são excluidos quando do procedimento do lançamento de oficio. Tendo em vista que as explicações estavam desacompanhadas de provas, em 08/12/2010 a empresa foi novamente intimada a especificar de forma detalhada os rendimentos dos trabalhos assalariados, serviços prestados por autônomos e serviços prestados por Pessoa Jurídicas, respectivamente, que não teriam sido pagos: Em 08.12.2010, intimada a ATP pelo Termo n° 003, para no prazo de 03 três dias úteis, a contar da data de ciência do presente termo, a informar, para fins da verificação obrigatória da correspondência entre os valores das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela RFB, nos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, respectivamente, discriminando por Nome, CPF ou CNPJ, valor, mês e ano das ocorrências, tendo em vista que as informações prestadas anteriormente foram incompletas e desprovidas de provas. Requerendose em relação às observações da PLANILHA "D"IRRF, anexa a sua resposta, de 22.10.2010, ao Termo de Constatação n° 001, de 13.09.2010, ao Imposto de Renda Retidos na Fonte a recolher, nos códigos 0561, 0588 e 1708, especificar de forma detalhada os rendimentos dos trabalhos assalariados, serviços prestados por autônomos e serviços prestados por Pessoa Jurídicas, respectivamente, que não teriam sido pagos.(g.n.o) Entretanto, as justificativas apresentadas para a divergência constatada não foram aceitas pela Fiscalização, tendo sido, portanto, realizada a autuação com fundamento nos seguintes fatos: Diante do exposto: 1) considerando o levantamento nas verificações obrigatórias do Imposto de Renda Retido na FonteIRRF a recolher, a partir dos registros contábeis fornecido divergem dos informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, no periodo de janeiro de 2006 a dezembro de 2009; 2)considerando cientificada a ATP das diferenças a recolher IRFF no Anexo "C" ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 13.09.2010; 3)considerando a PLANILHA "D" IRRF anexa ao expediente resposta, de 22.10.2010, que convalida as diferenças apuradas entre os valores de IRRF a recolher para os valores informados em DCTF; 4) considerando que a Contribuinte ao optar pelo parcelamento previsto na Lei n° Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.156 5 11.941/2009, no âmbito da RFB, indicou a inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 003/2010, sem contudo informar em DCTF as diferenças de IRRF a recolher e apuradas nesta Ação Fiscal; 5) considerando a escrita disponibilizada em meio magnético, conforme a Instrução Normativa da Receita Federal, n° 86 de 22/11/2001, e Ato Declaratorio Executivo Cofis n° 15, de 23/10/2001; 6) considerando o prazo de recolhimento do IRRF ser até o terceiro dia útil da semana subsequente a de ocorrência dos fatos geradores, conforme estabelecido no inciso II, do art. 865,do Decreto n° 3.000 (RIR/99); e 7) considerando o previsto na legistação e citado item 6 anterior, não procedem as justificativas apresentadas "de Provisão de IRRF" para a postergação para data indefinida dos recolhimentos do Imposto de Renda Retido na FonteIRRF, quando intimada, em 08.12.2010, sua resposta não atendeu ao requerido. Dessa forma, no âmbito das verificações obrigatórias, efetuamos o lançamento das diferenças apuradas entre o IRFF a recolher escriturados para os informados nas DCTF, dos anoscalendário de 2006 a 2009, (...).(g.n.o) Cientificado das exigências pessoalmente em 22/03/2011, conforme ciência constante do auto de infração, o contribuinte apresentou em 25/04/2011 a petição impugnativa de fls. 216 a 297. Como provas, acostou aos autos, às fls. seguintes, cópias das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, informando os débitos do mês; os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, comprovando os pagamento dos débitos informados em DCTF; conciliações, que visam demonstrar resumidamente as transações contábeis do mês e o saldo final (Diário); Razão Contábil, com as transações contábeis relativas à conta de IRRF a Recolher; e Relatórios de Apuração, que consistem em relatórios internos com identificação de impostos retidos dos fornecedores. Apoiada nos documentos acostados aos autos, a peça de defesa, em suma, discorre sobre os pontos a seguir expostos. Da Preliminar. Afirma o interessado que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o auto de infração teria como base enquadramento legal genérico e impreciso, o que impossibilita o pleno exercício de defesa da impugnante e viola o Princípio da Estrita Legalidade. Nesse sentido, consigna que o AuditorFiscal não teria definido o fato gerador e a alíquota aplicável e os critérios de definição da sujeição passiva da obrigação tributária, e que, ao contrário, teria apenas mencionado, de forma desconexa, artigos dispostos de forma aleatória e supostamente descumpridos, dando a entender que o enquadramento legal é definido "a critério do usuário", sem indicar especificamente quais recolhimentos de quais retenções estariam sendo exigidos. O enquadramento legal constante do auto de infração é: O EMBASAMENTO LEGAL ESPECÍFICO DO IRRF SERÁ DEFINIDO A CRITÉRIO DO USUÁRIO, SENDO NECESSÁRIO INCLUIR: Art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66, art. 889 do RIR/94 e art. 841 do RIR/99. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.157 6 Do Mérito. Inconsistência do Levantamento Fiscal Realizado. Alega o impugnante que a autoridade fiscal partiu de premissas incoerentes, visto que, ao comparar o resultado final apontado no Livro Diário com as DCTF, teria considerado provisionamento de numerário como pagamentos efetivamente ocorridos, verbis: A metodologia adotada pela Autoridade Fiscal confronta uma informação disposta de forma cumulativa, no Livro Diário, que carrega saldos remanescentes de competências anteriores e contempla, no mesmo mês, tanto os valores provisionados para pagamento futuro (inclusive para recolhimento de tributos), com as informações declaradas na DCTF, que apenas informa quais tributos federais foram quitados do mês de competência, sendo que numa determinada competência, no caso do IRRF, sempre foram quitadas as retenções no prazo legal, após a efetivação dos pagamentos sujeitos à retenção. Assim, na sua perspectiva, a incidência do IRRF, da forma como exigida, deuse sobre pagamentos não realizados, sobre meras expectativas de pagamentos, assim identificadas: a) tributos já efetivamente pagos; b) incidência sobre pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR apenas provisionados e não pagos: O pagamento a título de Participação Nos Lucros e Resultados PLR da empresa decorre da confirmação da execução de determinadas metas a serem atingidas pelos empregados, para que façam jus ao recebimento do mesmo. (...) Como quando do efetivo pagamento da PLR, após se verificar que determinadas metas não foram atingidas, a remuneração a ser paga é menor que a prevista, no entanto os valores referentes às retenções já foram provisionados pelo valor máximo que poderia ser recolhido, fato que não mais se realizará. c) incidência sobre pagamentos a terceiros (autônomos) e a título de PróLabore ainda não pagos; d) acertos contábeis: Outro aspecto não menos relevante, é o de que o Fiscal desprezou todos os acertos contábeis realizados, tributando valores estornados, pagamentos devolvidos, entre outros. Multa. Alega o impugnante que não cometeu qualquer infração e, portanto, não está passível de sofrer uma sanção. Acrescenta, ainda, que somente seria possível instituir multa de forma isolada caso o Fisco demonstrasse que fora efetivamente descumprida uma obrigação tributária ou um dever instrumental, o que não é o caso dos autos. Produção de novas provas, diligência e perícia. Protesta o requerente, ainda, pela coleta de outras provas, entre elas a documental e a pericial, no caso de os documentos acostados aos autos não serem suficientes para demonstrar todas as alegações apresentadas. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.158 7 Para tanto, nomeou perito e apresentou os quesitos, em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Por fim, pugna o interessado que seja decretada a nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, caso os documentos juntados não sejam suficientes para tal, que seja determinada a realização de perícia ou convertido o processo em diligência. Conforme já salientado a DRJ julgou improcedente a impugnação, razão pela qual a Recorrente interpôs o recurso voluntário reafirmando os argumentos da impugnação. Cabe salientar que na sessão de maio os autos foram retirados de pauta a pedido da recorrente que requereu ainda a juntada de aproximadamente duas mil páginas de novos documentos que afirma referiremse apenas a um único mês de apuração. É o relatório do necessário VOTO Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo preenchendo os demais critério de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, não vejo nulidade do auto de infração, em que pese o fato inequívoco do enquadramento legal estar incompleto. Conforme se verifica no auto de Infração enquadramento legal constante do auto de infração é: O EMBASAMENTO LEGAL ESPECÍFICO DO IRRF SERÁ DEFINIDO A CRITÉRIO DO USUÁRIO, SENDO NECESSÁRIO INCLUIR: Art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66, art. 889 do RIR/94 e art. 841 do RIR/99. Pareceme assustador que tal equivoco possa acontecer, muito embora não tenha causado prejuízo à defesa da Contribuinte, que demonstrou conhecer precisamente a acusação fiscal. Assim, rejeito esta preliminar. Contudo, entendo que é o caso de ser baixado o feito em diligência. Os livros empresariais, desde que apresentados conforme estabelece a legislação, ou seja, escriturados em forma mercantil, seguida pela ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco e sem emendas ou rasuras e autenticado pelo Registro Público de Empresas Mercantis, nos termos do art. 1.183 do CC, poderão ser utilizados como prova em juízo. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.159 8 Determina o art. 378 do CPC que os livros comerciais provam contra o seu autor, sendo lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. (Marcelo Bertoldi, In, Curso avançado de Direito Comercial, pg 84.) Nº Recurso 907112 Número do Processo 10665.000571/200921 Órgão Julgador Segunda Câmara/Segunda Seção de Julgamento Contribuinte JAMIR DE SOUZA MACHADO Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR UNANIMIDADE Data da Sessão 25/10/2011 Relator(a) NELSON MALLMANN Nº Acórdão 2202001.438 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia e as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 02 do Auto de Infração (Acréscimo Patrimonial a Descoberto), bem como desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. 0 auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que the foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura .o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTANCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou pericias compete a autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de oficio ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligencia quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.160 9 técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elernenios incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM OS RECURSOS DECLARADOS. FORMA DE APURAÇÃO. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ONUS DA PROVA. Quando a autoridade lançadora promove o fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto) este deve ser apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos de recursos (entradas) e todos os dispêndios (saídas) no tries. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto A. instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 10 de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos A. tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ONUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informação ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de contas bancárias movimentadas no Brasil e/ou no exterior, rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, em montante elevado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 10 do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. 0 fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poder dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.161 10 insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de oficio, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de oficio é devida em face da infração As regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. Pedido de perícia rejeitado. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Contudo, a quantidade de documentos apresentados, bem como o fato de parte da documentação necessária ao perfeito deslinde da matéria controvertida estar à época da defesa em pose de terceiro, não tendo sido disponibilizada nem para a Autoridade administrativa responsável pela acusação fiscal, justifica ao meu ver a diligência. Conforme consta dos autos a fiscalização não confrontou os comprovantes de pagamento efetivo com a escrituração fiscal, utilizando apenas como base de autuação os livros empresariais e as declarações prestadas. É sabido que os livros fazem prova contra o comerciante, contudo tal prova é relativa, como ensina Marcelo Bertoldi, in verbis: Os livros empresariais, desde que apresentados conforme estabelece a legislação, ou seja, escriturados em forma mercantil, seguida pela ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco e sem emendas ou rasuras e autenticado pelo Registro Público de Empresas Mercantis, nos termos do art. 1.183 do CC, poderão ser utilizados como prova em juízo. Determina o art. 378 do CPC que os livros comerciais provam contra o seu autor, sendo lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. (Marcelo Bertoldi, In, Curso avançado de Direito Comercial, pg 84.) Do cotejo dos autos verifico a verossimilhança da argumentação da Recorrente, uma vez que está demonstrada a sistemática adotada. Diante do exposto e de tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de baixar os autos em diligência para que a autoridade preparadora: intime o contribuinte para, no prazo de 60 dais, apresentar demonstrativo detalhado que contenha, para cada lançamento no contas a pagar que deu origem à autuação: (a) data do lançamento no contas a pagar; b) natureza do pagamento; c) data do vencimento da obrigação; d) data do efetivo pagamento; e) inclusão em DCTF, inclusive com especificação de data; e f) recolhimento do imposto. As informações acima deverão ser documentalmente comprovadas pelo contribuinte. Apresentar relatório sobre a demonstração produzida pelo contribuinte nos termos do item (i), manifestandose conclusivamente sobre a correção ou não da exigência fiscal; e, Intimar o contribuinte para, se desejar, manifestarse sobre o relatório referido no item (ii) no prazo de 30 dias. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10166.720781/201184 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.066 S2C2T1 Fl. 3.162 11 Após as providências acima os autos deverão retornar a este Colegiado para continuação do julgamento. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.004359/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS LIMITADOS A ATÉ DUAS PARCELAS ANUAIS.
Por força do dispositivo do art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção.
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS LIMITADOS A ATÉ DUAS PARCELAS ANUAIS. Por força do dispositivo do art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PREV PLR Recorrente ACUMENT SISTEMAS DE FIXAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS LIMITADOS A ATÉ DUAS PARCELAS ANUAIS. Por força do dispositivo do art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 59 /2 01 0- 64 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 156 2 Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que deu provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 157 3 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.308.8833, lavrado em 06/12/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte dos segurados e contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações recebidas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) em desacordo com a legislação vigente, no período de 01/2006 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 134.960,28, fls. 01. O lançamento trata, segundo o Relatório Fiscal, de: “Auto de Infração relativo as obrigações principais de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social , correspondentes à quota patronal sobre valores pagos a: A)segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa, que receberam o beneficio do PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação vigente ;B) autônomos identificados nominalmente, conforme RPARecibo de Pagamento a Autônomo e lançamentos contábeis na conta sintética 331301: Alfredo Gunther Fuchs, Renato Alencar Dias e Caleb Latkstigal Angelo, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa , bem como não constam declarações do banco de dados da Receita Federal do BrasilRFB.” Ainda segundo o Relatório Fiscal: “A rubrica pagamento de PLR foi considerada pela fiscalização como base de cálculo do Salário de Contribuição, tendo em vista a inobservância de determinações contidas no artigo 3º, parágrafo 2° da Lei 10.101 de 19/12/2000 que legisla sobre o assunto e aqui reproduzido: "É vedado o Pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil"( grifos nossos) Convém informar, que empresa efetuou o pagamento em meses seqüenciais ou em intervalos menores do que um semestre civil, tais sejam: a) CNPJ final 0001: 01/2006, 02/2006, 03/2006, 07/2006, 08/2006 e 12/2006; b) CNPJ final 0004:01/2006, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 158 4 02/2006, 03/2006, 05/2006, 07/2006 e 12/2006 e c)CNPJ final 0008: 01/2006 e 05/2006. Após tomar ciência pessoal da autuação em 10/12/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 36/55, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Não houve impugnação quanto aos contribuintes individuais, tendo a empresa juntado comprovantes de pagamentos relacionados a tais fatos geradores. A 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 73/94, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/02/2012, fls. 103. O recurso voluntário, apresentado em 27/02/2012, fls. 104/127, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Com relação à existência de mais de dois pagamentos no ano relativamente à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), aponta que para um mesmo empregado somente foram feitos dois pagamentos e que existiram pagamentos a outros empregados em períodos diversos, o que levou à fiscalização a concluir, equivocadamente que foram feitos mais de dois pagamentos para o mesmo grupo de empregados. Passa a defender a natureza não salarial da PLR e a autoaplicabilidade do art. 7º inciso XI da Constituição Federal (CF). Colaciona jurisprudência para defender o argumento de que mesmo a periodicidade pode ser objeto de negociação coletiva sem se amoldar completamente ao texto legal. Entende que a periodicidade não é relevante, devendo apenas ser analisado o intuito fraudulento de pagar salário mascarado de PLR. O art. 3º, §4º da Lei 10.101/2000 permitiria a alteração da periodicidade. No Tribunal Superior do Trabalho (TST) o assunto estaria pacificado no sentido de não ver na periodicidade um requisito par a natureza não salarial da PLR. Reclama da multa aplicada, argumentando que a fiscalização não aplicou a lei mais benéfica. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. É de ser observado que a parte referente aos contribuintes individuais não foi objeto de impugnação e, portanto, não está em discussão no Recurso Voluntário. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 160 6 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 161 7 imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 162 8 Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 163 9 proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 164 10 afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 165 11 empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Limitação à periodicidade do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) A lei 10.101/2000 expressamente instituiu um requisito para os pagamentos a título de PLR no art. 3º, parágrafos 2º e 4º, in verbis: Art . 3º A participação de que trata o art . 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civ il, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em f unção de eventuais impactos nas receitas tributárias. A limitação imposta pela lei, conforme o dispositivo acima transcrito, tem a clara finalidade de impedir que parcela salarial seja revestida de PLR na medida em que houver o pagamento em mais de duas parcelas anuais. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 166 12 Por não concordarmos com os respectivos fundamentos jurídicos, não seguimos as conclusões da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que é freqüentemente citada para sustentar o argumento de que a periodicidade não afasta a natureza não salarial. Ademais a questão tem fundo constitucional que poderá ser interpretada em definitivo não pelo TST mas sim pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, os pagamentos a título de PLR que foram posteriores à segunda parcela anual devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, tendo em vista que não obedecem ao requisito legal para desfrutar da mencionada isenção. No caso em tela, observamos que, como muito bem argumentou a recorrente, existem vários empregados que receberam apenas dois pagamentos anuais a título de PLR, conforme consta em fls. 42/79. Tais pagamentos devem, portanto, serem excluídos do lançamento. Devem também ser excluídos do lançamento os dos primeiros pagamentos de todos os empregados que receberam mais de duas parcelas anuais. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 167 13 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 168 14 recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP, tendo em conta que não houve nos autos a adequada apuração do cometimento das condutas exigidas pelo caput do art. 135 do CTN. Esse raciocínio vale para os levantamentos não relacionados com os contribuintes individuais no presente caso. Porém, com relação ao lançamento relacionado com os contribuintes individuais, mantenho a responsabilização dos sócios, dada a existência de apropriação indébita. Obviamente que se ficar comprovado que essa parte foi completamente extinta pela pagamento não haverá mais crédito tributário a ser cobrado dos sócios. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 169 15 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 170 16 hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 171 17 Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 172 18 casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 173 19 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 174 20 No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar do lançamento os pagamentos a título de PLR referentes a empregados que receberam somente até duas parcelas anuais; (b) afastar do lançamento as duas primeiras parcelas pagas a título de PLR para aqueles empregados que receberam mais de duas parcelas; (c) manter a multa de mora limitada a 20%; (d) afastar a responsabilidade dos sócios listados no anexo CORESP por ausência nos autos de provas dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 175 21 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes: 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio a respeito das matérias constantes nestes autos que foram objeto de controvérsia entre os nobres conselheiros, e dou parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos que se seguem. DO NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR 2. Peço vênia ao relator para trazer o meu posicionamento diverso ao seu quanto aos valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa – PLR. Isso porque verifiquei que tais importâncias foram pagas em notória observância aos requisitos mínimos estabelecidos pela Lei 10.101/2000, não constituindo, portanto, em fato gerador de obrigação tributária acessória, uma vez que não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, ainda que pagas parceladamente. 3. A PLR visa à disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros ou resultados aos funcionários se atingidas metas, sejam elas de rentabilidade a ser alcançada (para percepção dos lucros) ou de desempenho individual dos funcionários (para percepção dos resultados). O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporcionando a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. 4. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, art. 7º, XI, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 5. A esse respeito, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, j, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 176 22 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 6. Desse modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do aludido benefício, é necessário o preenchimento de alguns requisitos mínimos, dispostos no artigo 2°, da Lei 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 7. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 8. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei 10.101/2000, como se demonstrou anteriormente. 9. Logo, em se constatando que a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos, esses serão excluídos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 177 23 10. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 178 24 estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). 11. Na decisão exarada pelo Augusto Superior Tribunal de Justiça, acima transcrita, merece especial destaque o posicionamento adotado pelo relator, o Ministro Luiz Fux, que defendeu, com a mestria que lhe é peculiar, o não atendimento a todas as exigências disposta na Lei nº 10.101/2000, uma vez não afetando a natureza dos pagamentos, não é por si só motivos para a tributação sobre a PLR. Assim, mais uma vez peço vênia para trazer parte do voto do eminente Ministro: “Destarte, a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. Não obstante, conforme bem destacou a Corte de Origem, a intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. Vale dizer, o registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na forma acordada. O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 179 25 Com efeito, atendidos os demais requisitos da legislação que tornem possível a caracterização dos pagamentos como participação nos resultados, a ausência de intervenção do sindicato nas negociações e a falta de registro do acordo apenas afastam a vinculação dos empregados aos termos do acordo, podendo rediscutilos novamente. Deveras, mencionadas irregularidades não afetam a natureza dos pagamentos, que continuam sendo participação nos resultados: podem interferir, tãosomente, na forma de participação e no montante a ser distribuído, fatos irrelevantes para a tributação sobre a folha de salários. In casu, o Tribunal a quo firmou entendimento no sentido de que a natureza dos pagamentos aos empregados restou preservada e caracterizada como participação nos resultados, que não integra a remuneração e, por isso, não incide contribuição previdenciária.” 12. Dessa feita, sendo preenchidos os requisitos mínimos dispostos na lei, o fato de o contribuinte ter optado pelo parcelamento da PLR é uma questão de administração e gerenciamento empresarial diante do acordo ou da convenção coletiva, permanecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores. 13. Diante desses elementos, dou provimento ao recurso para invalidar a exação lançada sobre a distribuição dos lucros ou resultados para os empregados da recorrente. CORRESP 14. Quanto à responsabilidade de a pessoa física não poder decorrer da simples falta de pagamento de tributo, acompanho o posicionamento do douto relator. Ora, é inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte, porém se refuta a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. 15. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. 16. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. O que o sistema tributário prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. 17. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 180 26 18. De maneira que, sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciona o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). 19. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. Nesse sentido, uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361). 20. Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), ante a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos, devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas, no que dou provimento ao recurso voluntário nesta parte. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. 21. No tocante à multa adotada pelo nobre relator, acompanho o seu posicionamento por considerar que o Fisco deve perscrutar a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea c. 22. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 23. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, consoante a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim dispondo: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004359/201064 Acórdão n.º 2301003.154 S2C3T1 Fl. 181 27 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 24. Por sua vez, o art. 61 da Lei 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 25. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 26. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, aplicase a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se mais benéfica para o contribuinte. 27. Quanto às demais alegações da recorrente, acompanho o voto relator e nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO 28. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: a) afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados – PLR; b) afastar a responsabilidade dos sócios e administradores pelo não recolhimento tributário devido; c) aplicar multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei 11.941/2009, até 11/2008, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 35166.001820/2005-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 18 20 /2 00 5- 23 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 71 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0123.802 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 35.886.4852, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.101,75. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.886.485 2, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois sendo construtora e tendo obra executada sobre a sua responsabilidade deixou de apresentar folhasdepagamento por estabelecimento, em desacordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, no período de 01/1999a 06/2005. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 13.12.2005, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é de 01/1999 a 06/2005. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, onde alega, conforme o relatório da decisão de primeira instância: 1 Elaborou as suas folhas de pagamento em completa conformidade com a legislação em vigor; 2 Não possui, momentaneamente, elementos suficientes para impugnar detalhadamente os fundamentos do presente Auto de Infração, pois a documentação (folhas de pagamento) em que este se baseou foi apreendida pela Polícia Federal e encontrase à disposição do Juízo da 3 a Vara Criminal da Justiça Federal, desde fevereiro de 2005; 3 Requer o acatamento de futuro aditamento à presente defesa, que será apresentado com as impugnações de mérito, no prazo legal, tão logo o Juízo da 3a Vara Criminal da Justiça Federal) devolva a documentação apreendida, o que provavelmente se dará logo após o recesso Judiciário, em face de pedido formulado pela Requerente (cópia anexa); Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Houve Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 31 a 32 e fls. 37 a 38, com respostas às fls. 35 e fls. 41 a 42, na qual, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Em 02/05/2006, a Seção do Contencioso Administrativo, da Secretaria da Receita Previdenciária em Belém, emitiu o Despacho de n° 12.401.4/0057/2006, de fls. 31/32, solicitando a manifestação da Autoridade Fiscal autuante quanto (i) à veracidade das alegações da impugnante, (ii) se a documentação de fato estava apreendida durante o prazo de defesa e/ou se já foi liberada pela Justiça Federal e (iii) se a empresa não obteve acesso à documentação apreendida durante a ação fiscal Em resposta à solicitação acima, a Autoridade Fiscal autuante emitiu a Informação Fiscal de fl. 35, datada 23/06/2006, informando, em síntese, que: (a) a Polícia Federal apreendeu vários documentos da empresa, mas não todos; (b) os documentos solicitados via TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos não foram apreendidos pela Polícia Federal; (c) dos documentos solicitados, a empresa deixou de apresentar os documentos listados no Auto de Infração DEBCAD 35.886.4860; e (d) a empresa apresentou as folhas de pagamento solicitadas no TIAD e estas lhe foram devolvidas ao término da Fiscalização. Em 28/09/2006, a Seção do Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária emitiu o Despacho de n° 12.401.4/0355/2006, de fls. .37/38, encaminhando o presente à Seção de Fiscalização Previdenciária para que fosse juntado aos autos cópia do Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos, ou documento similar, onde consta a lista dos documentos apreendidos pela Polícia Federal. Em resposta ao solicitado, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém emitiu o Despacho de fls. 41/42, datado 31/10/2011, informando em síntese que a documentação apreendida foi devolvida à empresa pela Polícia Federal em 24/08/2007 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0123.802 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005 DEBCAD 35.886.4852 (CFL 30) DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social (art. 32,1, da Lei n° 8.212/91). PROVA. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 72 5 As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 4 a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em questão, nos termos do Relatório e Voto que integram este Julgado. Intimese para pagamento do crédito, ressaltandose o direito de a interessada interpor recurso voluntário, no mesmo prazo, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da legislação de regência. Sala de Sessão, em 13 de dezembro de 2011. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: (i) Da não apresentação das Folhas de Pagamento (ii) Do cerceamento de defesa – nulidade do Acórdão – Ausência de exigibilidade e liquidez do crédito Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (iii) Da decadência. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 67. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 67. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do AIOA. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.886.485 2, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois sendo construtora e tendo obra executada sobre a sua responsabilidade deixou de apresentar folhasdepagamento por estabelecimento, em desacordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, no período de 01/1999a 06/2005. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 35.886.4852 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 74 9 O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 75 11 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (iii) Da decadência. Analisemos. Cumpre resgatar que o Recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 13.12.2005, às fls. 01 e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/1999 a 06/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 30, o valor da multa é único, com base na Portaria MPS n° 822, de 11.05.2005, aos valores da época, R$1.101,75 sendo que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 13.12.2005, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/1999 a 06/2005, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 06/2005, não decadente por Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 76 13 quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a possibilidade de decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO. (i) Da não apresentação das Folhas de Pagamento Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 35.886.485 2, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois sendo construtora e tendo obra executada sobre a sua responsabilidade deixou de apresentar folhasdepagamento por estabelecimento, em desacordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS, no período de 01/1999a 06/2005. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Ainda, houve Solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 31 a 32 e fls. 37 a 38, com respostas às fls. 35 e fls. 41 a 42, na qual, conforme o relatório da decisão de primeira instância: Em 02/05/2006, a Seção do Contencioso Administrativo, da Secretaria da Receita Previdenciária em Belém, emitiu o Despacho de n° 12.401.4/0057/2006, de fls. 31/32, solicitando a manifestação da Autoridade Fiscal autuante quanto (i) à veracidade das alegações da impugnante, (ii) se a documentação de fato estava apreendida durante o prazo de defesa e/ou se já foi liberada pela Justiça Federal e (iii) se a empresa não obteve acesso à documentação apreendida durante a ação fiscal Em resposta à solicitação acima, a Autoridade Fiscal autuante emitiu a Informação Fiscal de fl. 35, datada 23/06/2006, informando, em síntese, que: (a) a Polícia Federal apreendeu vários documentos da empresa, mas não todos; (b) os Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 documentos solicitados via TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos não foram apreendidos pela Polícia Federal; (c) dos documentos solicitados, a empresa deixou de apresentar os documentos listados no Auto de Infração DEBCAD 35.886.4860; e (d) a empresa apresentou as folhas de pagamento solicitadas no TIAD e estas lhe foram devolvidas ao término da Fiscalização. Em 28/09/2006, a Seção do Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária emitiu o Despacho de n° 12.401.4/0355/2006, de fls. .37/38, encaminhando o presente à Seção de Fiscalização Previdenciária para que fosse juntado aos autos cópia do Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos, ou documento similar, onde consta a lista dos documentos apreendidos pela Polícia Federal. Em resposta ao solicitado, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém emitiu o Despacho de fls. 41/42, datado 31/10/2011, informando em síntese que a documentação apreendida foi devolvida à empresa pela Polícia Federal em 24/08/2007 Desta forma, restou comprovado nos autos que a Recorrente sendo construtora e tendo obra executada sobre a sua responsabilidade deixou de apresentar folhas depagamento por estabelecimento, em desacordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Ademais, esta matéria de prova acerca das Folhas de Pagamento não ficou prejudicada pela realização de busca e apreensão efetuada pela Polícia Federal, conforme a resposta da Diligência Fiscal: Em 02/05/2006, a Seção do Contencioso Administrativo, da Secretaria da Receita Previdenciária em Belém, emitiu o Despacho de n° 12.401.4/0057/2006, de fls. 31/32, solicitando a manifestação da Autoridade Fiscal autuante quanto (i) à veracidade das alegações da impugnante, (ii) se a documentação de fato estava apreendida durante o prazo de defesa e/ou se já foi liberada pela Justiça Federal e (iii) se a empresa não obteve acesso à documentação apreendida durante a ação fiscal Em resposta à solicitação acima, a Autoridade Fiscal autuante emitiu a Informação Fiscal de fl. 35, datada 23/06/2006, informando, em síntese, que: (a) a Polícia Federal apreendeu vários documentos da empresa, mas não todos; (b) os documentos solicitados via TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos não foram apreendidos pela Polícia Federal; (c) dos documentos solicitados, a empresa deixou de apresentar os documentos listados no Auto de Infração DEBCAD 35.886.4860; e (d) a empresa apresentou as folhas de pagamento solicitadas no TIAD e estas lhe foram devolvidas ao término da Fiscalização. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 35166.001820/200523 Acórdão n.º 2403001.528 S2C4T3 Fl. 77 15 (ii) Do cerceamento de defesa – nulidade do Acórdão – Ausência de exigibilidade e liquidez do crédito Analisemos. Este tópico foi analisado no item (A), afastando as alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18088.000563/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
IRRF. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. DIRF. DARF.
É devido pela fonte pagadora o imposto de renda informado em DIRF que não tenha sido recolhido, mormente quando não se logra demonstrar eventual erro no preenchimento das declarações.
Numero da decisão: 2202-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
do relator.
(assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. IRRF. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. DIRF. DARF. É devido pela fonte pagadora o imposto de renda informado em DIRF que não tenha sido recolhido, mormente quando não se logra demonstrar eventual erro no preenchimento das declarações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 63 /2 01 0- 21 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18088.000563/201021 Acórdão n.º 2202001.968 S2C2T2 Fl. 81 3 Relatório Em procedimento de revisão interna (malha Dirf x Darf) tendente a apurar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi constatada, no anocalendário de 2008, falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre o trabalho assalariado. Foi lavrado o auto de infração de fls. 16 a 28, exigindo o IRRF no valor de R$ 3.890,42, juros de mora de R$ 760,45 e multa proporcional de R$ 2.917,77, com fundamento no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arte. 620, 621, 624 a 626, 636 a 638, 641 a 646, combinado com Lei n° 9.887, de 1999, art. Io. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, pelo fato de a conduta do sujeito passivo caracterizar crime contra a ordem tributária, conforme disposto na Lei n° 8.137, de 1990, arts. 1° o e 2°o. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 32 a 39, alegando: Preliminarmente, o lançamento é nulo, pois não observou o princípio do contraditório e ampla defesa, assegurado pelo art. 5o , LV, da Constituição Federal (CF). O termo de intimação fiscal que foi encaminhado à empresa retornou com a mensagem "destinatário ausente" e, sem qualquer embasamento legal, o Fisco efetuou o lançamento; O Fisco glosou as despesas sem apresentar, ao contribuinte, qualquer documento que comprovasse a ilicitude dos mesmos, apenas mencionando que o sujeito passivo foi devidamente intimado a prestar esclarecimentos acerca de tais diferenças e apresentar cópia do recibo de entrega de PER/Dcomp, no caso de compensação, sem fornecer o cálculo que resultou na diferença apurada. Está claro o cerceamento do direito de defesa; ocorreu. No mérito, não há no processo comprovação de que a retenção realmente ocorreu. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, DRJ/RPO ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto Retido na Fonte Data do fato gerador: 02/01/2008, 01/02/2008, 03/03/2008, 01/04/2008,02/05/2008, 02/06/2008, 01/07/2008, 01/08/2008, 01/09/2008, 01/10/2008,03/11/2008,01/12/2008 IRRF. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. DIRF. DARF. É devido pela fonte pagadora o imposto de renda informado em DIRF que não tenha sido recolhido, mormente quando não se logra demonstrar eventual erro no preenchimento das declarações. Asssunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Data do fato gerador: 02/01/2008, 01/02/2008, 03/03/2008, 01/04/2008,02/05/2008, 02/06/2008, 01/07/2008, 01/08/2008, 01/09/2008, 01/10/2008, 03/11/2008,01/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. Uma vez assegurados os direitos constitucionais do contraditório e ampla defesa, exercidos por meio de peça reclamatória, no bojo do devido processo legal instaurado a partir do lançamento do crédito tributário, rejeitase arguição de nulidade Devidamente cientificada dessa decisão, a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18088.000563/201021 Acórdão n.º 2202001.968 S2C2T2 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve se conhecido. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, argüidas pelo Recorrente, esta preliminar deve ser rejeitada pelos motivo que se seguem. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Com a devida vênia, a Recorrente foi devidamente intimada de todos os atos atinentes a fiscalização, e foi dado oportunidade de poder esclarecer todos os fatos relativos ao lançamento. Os valores estão individualizados nos Demonstrativos e Relatórios de Fiscalização, que são partes integrantes do Auto de Infração o, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal de Fiscalização, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18088.000563/201021 Acórdão n.º 2202001.968 S2C2T2 Fl. 83 7 Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Desta forma, verificase totalmente incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, haja vista que o lançamento foi perfeitamente assimilado pelo litigante, não se constatando em seu recurso qualquer dificuldade para o exercício do seu direito de defesa, pois demonstrou pleno conhecimento da infração apontada, até porque a movimentação bancária foi por ele realizada, além de já ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos e documentos durante a fase preparatória do lançamento. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Desta forma, não acolho a preliminar de ilicitude de prova e nulidade do auto de infração alegada pela Recorrente. No que diz respeito ao mérito alega o Recorrente que não há nos autos qualquer prova de que houve a retenção por parte do mesmo do imposto objeto do lançamento. Ocorre todavia, que conforme devidamente apontado na decisão da DRJ, o próprio Recorrente, informou tais valores através de DIRF entregue a Receita Federal, o que demonstra que suas alegações não procedem. Não conseguiu fazer nenhuma prova de que houve erro ou que a DIRF não foi entregue por ele. Desta forma, não merece reparos a decisão da DRJ, neste sentido conheço do recurso afasto a preliminar suscitada e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10183.005952/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007
CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE.
Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime não-cumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes.
IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO.
A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Bruno Batista Bezerra de Menezes, OAB/PE nº 21545.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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VINCULAÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CONTRIBUINTE. EFEITOS. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O processo de consulta é um procedimento administrativo que pretende esclarecer os contribuintes acerca da interpretação das leis e que gera consequência para ambas as partes, Fisco e contribuinte. No que se refere à administração pública, indiscutível o caráter vinculante da resposta à consulta formulada pelo contribuinte, uma vez que nesta oportunidade a autoridade administrativa esclarece ao administrado exatamente qual é seu entendimento sobre aquela determinada norma. Por sua vez, esclarecida a dúvida de interpretação, o contribuinte não poderá mais utilizar em seu favor a boafé da interpretação divergente e, menos ainda, suscitar a aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN para se eximir do pagamento de penalidades no caso de ser autuado agindo de forma diversa daquela indicada na resposta à consulta. Registrase, contudo, que se for autuado, o contribuinte poderá se defender da infração que lhe foi impingida, sendolhe garantido o acesso ao rito do processo administrativo fiscal, em obediência ao Decretolei nº 70.235/76 e aos princípios da ampla defesa, contraditório e direito de petição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 59 52 /2 00 9- 19 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 493 3 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco, relator, e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Bruno Batista Bezerra de Menezes, OAB/PE nº 21545. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 424 a 437) apresentado em 15 de abril de 2010 contra o Acórdão no 0419.503, de 28 de janeiro de 2010, da 2ª Turma da DRJ/CGE (fls. 401 a 407), cientificado em 18 de março de 2010, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de agosto de 2004 a dezembro de 2007, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CONTRATO ANTERIORES A 31/10/2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. COFINS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. REAJUSTE. CUSTO DE PRODUÇÃO. Permanecem sujeitas à incidência da COFINS cumulativa as receitas oriundas de contratos anteriores a 31/10/2003, que tenham por objeto o fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, criando obrigações de trato sucessivo. Adotar seá a apuração nãocumulativa a partir do reajuste de preços em percentual superior ao da variação dos custos de produção, ou quando, na fórmula do reajuste, seja considerado o aumento da carga tributária decorrente da adoção da nova sistemática. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CONTRATO ANTERIORES A 31/10/2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. PIS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. REAJUSTE. CUSTO DE PRODUÇÃO. Permanecem sujeitas à incidência do PIS cumulativo as receitas oriundas de contratos anteriores a 31/10/2003, que tenham por objeto o fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, criando obrigações de trato sucessivo. Adotar seá a apuração nãocumulativa a partir do reajuste de preços em percentual superior ao da variação dos custos de produção, ou quando, na fórmula do reajuste, seja considerado o aumento da carga tributária decorrente da adoção da nova sistemática. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 28 de julho de 2009 e, de acordo com o termo de fls. 5, 6, 21 e 22, “A ação fiscal foi motivada devido a contribuinte ter migrado do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, proporcionando com isso, recolhimento a menor da Cofins (fls. n. 036).” A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de impugnação apresentada contra lançamentos nos quais a Fiscalização, entendendo ter a contribuinte apurado e recolhido incorretamente o PIS e a COFINS na sistemática cumulativa, formalizou a exigência de crédito tributário referente a ambas as contribuições, no montante de R$ 21.233.862,79, compreendendo tributo, multa e juros, tendo por fundamento legal os arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833/2003 e demais dispositivos mencionados nos autos de infração de fls. 03 a 18 e 19 a 34. Não resignada, a contribuinte impugnou os lançamentos. Afirmou que tem por atividade a geração, comercialização e transmissão de energia hidroelétrica no Estado do Mato Grosso, sendo toda a produção destinada a Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. – CEMAT, a qual se comprometera a adquirir a energia pelo preço de R$ 106,49 por MW/h e a pagar R$ 14,16 pelo respectivo transporte, tendo por medida também o MW/h. Os preços estariam sujeitos a simples atualização monetária. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 494 5 Disse que a Superintendência da Receita Federal, na 1ª Região Fiscal, em resposta a consulta, decidiu que as receitas oriundas do contrato acima referido, a partir do primeiro reajuste ocorrido em fevereiro de 2004, estariam sujeitas ao regime não cumulativo de apuração de PIS e COFINS. Entendeu aquele órgão que o reajuste, ao se basear no IGPM (índice geral de preços de mercado), descaracterizou o conceito de preço predeterminado, essencial para que as empresas que forneciam bens e serviços, em razão de contratos de longo prazo, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, permanecessem sob o regime de apuração cumulativa daquelas contribuições. Malgrado o entendimento da Superintendência da 1ª Região Fiscal, a impugnante, seguiu a orientação da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, e permaneceu apurando as contribuições no regime cumulativo. Sustentou que, frente às condições contratuais a que está submetida, obrigase a adotar, no tocante à COFINS e ao PIS incidentes sobre as receitas oriundas do contrato firmado com a CEMAT, o regime cumulativo. Isso porque o contrato foi assinado antes de 31 de outubro de 2003, é por prazo superior a um ano e tem por objeto o fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado. Acrescentou que a previsão de reajuste vinculado ao IGPM assegura apenas a recomposição monetária e, por isso, não afasta o conceito de preço predeterminado. Alegou ainda que não há lei que estabeleça que o uso do IGPM descaracterize o conceito de preço predeterminado para fins de apuração cumulativa do PIS e da COFINS, ressaltando que, nesse contexto, preço predeterminado não se confunde com preço fixo. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência do auto de infração. No recurso, a Interessada esclareceu, inicialmente, que “A certeza da Recorrente quanto à correção do seu procedimento encontra fundamento na posição majoritária dos nossos Tribunais, nos termos da IN SRF 658/2006 e na orientação divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel, autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia, que, por intermédio da Nota Técnica n. 224/2006 SSF/ANEEL, deixa claro que a utilização do IGPM como índice de reajuste não descaracteriza o caráter de preço predeterminado dos contratos de longo prazo.” Esclareceu haver apresentado consulta e, posteriormente, divergência, da qual não se tomou conhecimento, e que, “Discordando desse equivocado entendimento, e diante da clareza da IN SRF 658, da Nota Técnica n. 224/2006 SSF/ANEEL e do entendimento dos nossos Tribunais, a Recorrente permaneceu adotando o regime cumulativo, dispondose, por conseqüência, a rediscutir a matéria em um novo foro, o que se faz presente neste processo contencioso fiscal.” A seguir, contestou a posição adotada pela DRJ, que, segundo alegou, “buscando inverter o ônus da prova de uma questão que sequer foi ventilada na autuação, defendeu que a Recorrente deveria ter comprovado, "mediante a exibição de planilhas de custos e da escrituração contábil, que os reajustes dos preços da energia elétrica e da respectiva transmissão ficaram aquém dos custos”. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 Acrescentou que, embora estivesse demonstrado tal fato por meio de parecer (documento 6), a questão sequer foi cogitada à época da autuação e que, pelo fato de ter se mantido no regime cumulativo, não poderia repassar as alterações de sua carga tributária aos preços. A seguir, analisou a IN SRF n. 658, de 2006, e citou ementas de acórdãos dos Tribunais Regionais Federais das 1ª, 3ª e 4ª Regiões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Dispõe o art. 10, XI, da Lei n. 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; [...] A Instrução Normativa SRF n. 658, de 2006, dispôs o seguinte sobre o “preço predeterminado”: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 495 7 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A respeito da interpretação das referidas disposições, a Interessada formulou consulta à SRRF da 1ª RF, cujos fundamentos mais relevantes são a seguir reproduzidos, com os devidos destaques: 9.2 A segunda modalidade de exclusão, esta de caráter objetivo, mantém determinadas receitas sujeitas ao regime não cumulativo (art. 8°, incisos VII, VIII e XI, da Lei n° 10.637/2002 e art. 10, incisos VII a XXVI, da Lei n° 10.833/2003). A exclusão do regime nãocumulativo não é da pessoa jurídica em si, mas apenas das receitas decorrentes das atividades listadas na lei. Nesse diapasão, reconhecese que a pessoa jurídica poderá ter receitas decorrentes de atividades sujeitas ao regime não cumulativo (receitas não operacionais e receitas operacionais não relacionadas na lei) e outras decorrentes de atividades sujeitas ao regime cumulativo. [...] 16. Na forma do §2° do art. 3° [IN SRF n. 658, de 2006], acima reproduzido, a existência de cláusula contratual de reajuste periódico afasta, ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço. Melhor dizendo, o caráter predeterminado somente subsiste até o primeiro reajuste. A partir daí, aplicase o regime da nãocumulatividade na tributação das receitas decorrentes do contrato em questão. A primeira discordância da Interessada diz respeito exatamente a tal interpretação, pois entende não descaracterizar o preço predeterminado a previsão de reajuste de preço por índice de correção monetária. Notese que, com a Lei n. 11.196, de 2005, art. 109, a interpretação constante da mencionada IN passou a integrar o arcabouço legal (com os devidos destaques): Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Tal norma é expressamente interpretativa, à vista do disposto no seu parágrafo único. Vejase que não há como afastar a interpretação de preço predeterminado efetuado pela IN, uma vez que, sem ela, a disposição do art. 109 acima reproduzido simplesmente não faria sentido. Nesse contexto, aplicase ao caso o disposto no Regimento Interno do Carf, anexo II da Portaria MF n. 256, de 2009, art. 62, caput: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, não pode ser afastada a interpretação autêntica no âmbito do presente recurso voluntário, pois qualquer tentativa de impedir a caracterização da lei como interpretativa passaria, necessariamente, pela inconstitucionalidade de sua aplicação retroativa. Mas, voltando à interpretação encontrada na solução de consulta, temse que a simples adoção do índice de reajuste previsto no art. 2º da IN não descaracteriza o preço predeterminado, uma vez que, literalmente, é admitida a exceção do § 3º, que corresponde exatamente ao art. 109 da Lei n. 11.196, de 2005. Entretanto, a referida disposição apenas admite como exceção a adoção específica dos índices a que se refere o art. 27, § 1º, II, da Lei n. 9.069, de 1995, que dispõe o seguinte (com os devidos destaques): Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: [...] II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; [...] Vejase que, ao contrário do que a Interessada alega a respeito da ressalva efetuada no acórdão de primeira instância, que implicaria uma inversão do ônus de prova, a exceção é a adoção de um índice que reflita o reajuste de custos e não da hipótese específica de o efetivo reajuste de custos ser igual ou superior ao índice adotado no contrato. Portanto, há duas possibilidades: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 496 9 A nota Aneel citada pela Interessada diz que o IGPM classificase como o índice conceituado no art. 27 da Lei n. 9.069, de 1995. Entretanto, como já demonstrado, o índice a que se referem o art. 109 da Lei n. 11.196, de 2005, e a IN SRF n. 658, de 2006, é o do inciso II do § 1º do art. 27 e não o do caput. O fato é que, inexistindo, ao que tudo indica, o índice setorial, não autoriza a adoção do IGPM, especialmente por que o próprio inciso II especifica uma alternativa (a variação de custo de produção). Adotando o IGPM, que não mede, nem indiretamente, os custos de produção do setor, não há como saber se os custos serão maiores ou menores. Dessa forma, tanto a solução de consulta (item 20, fl. 45 dos autos) como o acórdão de primeira instância analisaram corretamente a questão sob o ponto de vista legal, pois o IGPM não é o índice previsto nas disposições citadas da Lei n. 9.069, de 1995. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos objeto da discussão em tela. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado para o fim de constituir valores de PIS e Cofins, apurados pela sistemática não cumulativa, em virtude do entendimento de não aplicação, à Recorrente, da exceção prevista na alínea ‘b’, do inciso XI, do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, verbis: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...)” – destaquei. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Neste sentido, o relatório: “O auto de infração foi lavrado em 28 de julho de 2009 e, de acordo com o termo de fls. 5, 6, 21 e 22, ‘A ação fiscal foi motivada devido a contribuinte ter migrado do regime nãocumulativo para o regime cumulativo, proporcionando com isso, recolhimento a menor da Cofins (fls. n. 036).’” De fato, a Recorrente exerce a atividade de geração, comercialização e transporte de energia hidroelétrica no Estado do Mato Grosso; possuindo para tanto contrato de prestação de serviços celebrado em 25 de novembro de 1991, aditado e consolidado em 23 de maio de 2003, com vigência prevista até 14 de fevereiro de 2.022. Isto é, a Recorrente possui contrato de prestação de serviço com prazo superior a um ano, este fato é indiscutível. O debate cingese ao último requisito necessário para que a receita deste contrato permaneça sujeita à alíquota de 3%, prevista para o regime cumulativo do PIS e Cofins (Lei nº 9.718/98), qual seja, do contrato ser a preço predeterminado. A questão é que a cláusula 11 do contrato de prestação de serviços firmado pelas partes prevê a correção monetária do preço do serviço por intermédio da aplicação do IGPM, a saber: “Fls. 337/339 – Vol. II: TÍTULO VI DOS PREÇOS, DO FATURAMENTO, DO PAGAMENTO E DA GARANTIA CLÁUSULA 10. DOS PREÇOS DO SUPRIMENTO DE ENERGIA , E DO TRANSPORTE. A CEMAT pagará à ITAMARATI pela ENERGIA por esta entregue, e/ou pela ENERGIA por esta disponibilizada e deixada de receber pela CEMAT (nas hipóteses estabelecidas nos Parágrafos Primeiro e Terceiro da Cláusula 5ª, supra, observado o disposto nos itens (a), (b), (c) e (d) do Parágrafo Quarto da Cláusula 5ª, supra), os preços de suprimento e transporte de ENERGIA fixados nos Parágrafos desta Cláusula. PARÁGRAFO PRIMEIRO: O preço justo e acordado entre as partes para o suprimento da INERGIA é de R$ 106,33 (cento e seis reais e trinta e três centavos) por megawatt.hora na data base de 01 de abril de 2003, para o VOLUME ESTIPULADO. PARÁGRAFO SEGUNDO: O preço justo e acordado entre as parte para o transporte da ENERGIA, efetuado através do SISTEMA DE TRANSMISSÃO, a ser pago pela CEMAT à ITAMARATI é de R$ 14,16 (quatorze reais e dezesseis centavos) por megawatt.hora na data base de 01 de abril de 2003, para o VOLUME ESTIPULADO. PARÁGRAFO TERCEIRO: A revisão do preço de suprimento de ENERGIA, quando previsto neste Contrato, acarretará concomitantemente a revisão no preço de transporte de ENERGIA, adotandose o mesmo critério, percentuais e datas de revisão para os preços de suprimento e transporte. CLÁUSULA 11. DO REAJUSTE DOS PREÇOS DE SUPRIMENTO E TRANSPORTE DA ENERGIA. Os preços do suprimento e transporte de ENERGIA, mencionados respectivamente nos Parágrafos Primeiro e Segundo da Cláusula 10 supra, serão atualizados, automaticamente, a cada doze meses, no dia 01 de abril de cada ano, a partir de 01 de abril de 2004, inclusive, pela variação acumulada do índice Geral de Preços de Mercado — IGPM, apurado e divulgado pela Fundação Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 497 11 Getúlio Vargas, correspondente aos doze meses (1° de abril a 31 de março, inclusive) anteriores a cada atualização. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Ocorrendo extinção ou falta de divulgação do IGPM, as partes adotarão o índice que venha a substituílo, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Na hipótese de a Fundação Getúlio Vargas não divulgar índice substitutivo do IGPM, será adotado índice divulgado por instituição de renome, que reflita a real inflação e a perda do poder aquisitivo da moeda nacional, no período considerado. PARÁGRAFO SEGUNDO: Caso seja permitida por LEI a periodicidade de reajustes de preços inferior a 01 (um) ano, as partes acordam que terá aplicação ao Contrato a menor periodicidade de reajuste permitida em LEI, desde que tal reajuste seja efetivamente repassado pela CEMAT às suas tarifas de fornecimento, o qual, no entanto, nunca será inferior à periodicidade mensal de reajuste.” No entender da fiscalização que aplica a Instrução Normativa SRF nº 658/06, o fato de o contrato prever a correção monetária com base no índice do IGPM descaracteriza a característica de prédeterminado do contrato. O ilustre Conselheiro Relator acompanha o entendimento da fiscalização, interpretando, ainda, que esta conclusão tem fundamento no art. 109 da Lei nº 11.196/05 analisado conjuntamente com o § 1º, II, art. 27 da Lei n. 9.069/95. Após analisar os autos constato que para o deslinde da questão, devem ser analisados os seguintes pontos: (i) preliminarmente a existência de consulta negativa em nome da Recorrente; (ii) no mérito a aplicação do IGPM como índice de atualização. (i) Da existência de Consulta em nome da Recorrente Dos termos dos autos constatei que a Recorrente possui resposta negativa a uma consulta que formulou acerca do enquadramento da receita em referência no sistema cumulativo do PIS e Cofins. É fato que esta questão não foi mencionada nos autos como razão de decidir, assim como também não foi utilizada qualquer argumentação no sentido deste procedimento vincular os atos da contribuinte, todavia, para não restar qualquer tipo de dúvida sobre meu entendimento acerca da questão, passo a analisar sucintamente esta situação peculiar. O processo de consulta é um procedimento administrativo que pretende esclarecer os contribuintes acerca da interpretação das leis. Neste sentido, na hipótese de o contribuinte estar em dúvida em relação à aplicação de determinado dispositivo legal, lhe é permitido questionar referida dúvida à fiscalização, a qual, por sua vez, expedirá um “parecer” sobre a dúvida suscitada. O procedimento de consulta gera consequência para ambas as partes, Fisco e contribuinte. No que se refere à administração pública, indiscutível o caráter vinculante da resposta à consulta formulada pelo contribuinte, uma vez que nesta oportunidade a autoridade administrativa está esclarecendo ao administrado exatamente qual é seu entendimento sobre aquela determinada norma. Por sua vez, esclarecida a dúvida de interpretação, o contribuinte não poderá mais utilizar em seu favor a boafé na interpretação divergente e, menos ainda, suscitar a Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 12 aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN – para se eximir do pagamento de penalidades no caso de ser autuado agindo de forma diversa daquela indicada na resposta à consulta. Ao contrário, dependendo da hipótese poderá, inclusive, sujeitarse à majoração da multa por máfé. Claro está, portanto, que a solução de consulta vincula o Fisco1, mas não o contribuinte que inclusive pode sempre divergir do entendimento que lhe foi apresentado, apesar de a “desobediência” da resposta conferida lhe trazer consequências indiscutíveis. Sobre as consequências do procedimento de consulta, tomo emprestadas as brilhantes palavras de outro julgador desta casa, o Conselheiro Alexandre Gomes que, ao meu sentir, ao analisar caso similar tornou inconteste a vinculação da resposta de consulta apenas para a administração pública, verbis: “Ocorre que, antes mesmo de adentrar no mérito da discussão, mister analisar se o fato de a consulta respondida ao contribuinte não ter sido questionada mediante recurso especial possui, efetivamente, o condão de impedir que o mérito seja analisado por este órgão colegiado, tal como decidido pela decisão recorrida. Acreditase que não. Isto porque o princípio da legalidade tributária inserto no artigo 150, inciso I da Constituição Federal, ao qual estão vinculados todos os órgãos da administração – inclusive os julgadores deste Conselho impede a exigência de quaisquer valores em razão de fatos não alcançados por normas tributárias. 1 “RESPOSTA A CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A consulta, que deve ser solucionada por autoridade definida por lei, não consiste apenas em um ponto de vista da autoridade fiscal, mas obriga a Administração Tributária, como orientação oficial sobre o caso consultado, até que venha de ser alterada.” (Terceiro Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, Processo nº 13771.000094/2001 27, Recurso 134.669, acórdão 30239.928 – destaquei) “LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Restando comprovado que alguns débitos constantes do lançamento já estão sendo cobrados em processos outros, é de se retirar da autuação tais valores a fim de que se evite cobrança em duplicidade. CONSULTA VINCULAÇÃO. As soluções de consultas protocolizadas pelo próprio contribuinte vinculam a Administração Tributária para fins de lançamento e julgamento de créditos tributários pretensamente inadimplidos (art. 7º da Port. MF nº 258/2001 c/c art. 2º da Port. SRF nº 001/2001). Observados valores cobrados em desacordo com a solução dada à consulta formulada, é de se refazer a exigência para adequála ao posicionamento expresso pela Administração Tributária.” (Segundo Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, Turma Ordinária, Acórdão nº 202.18226, Processo nº 10735001930/200309 – destaquei) “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. MULTA. Filmes, tiras, sacos e embalagens de polietileno ou polipropileno destinados ao acondicionamento de produtos alimentares, mesmo com dizeres impressos, classificamse na posição 3923.21.0100. Incorreção na classificação fiscal de mercadorias que implique em diferença de imposto enseja a cobrança do tributo devido, sem prejuízo das penalidades cabíveis. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA IPI. ESSENCIALIDADE. A interpretação sistemática das normas que regem a classificação fiscal não permite inferir que embalagens para alimentos tenham o mesmo grau de essencialidade que alimentos. SOLUÇÃO CONSULTA. A vinculação aos resultados da consulta perdura enquanto não modificado o entendimento pela Administração Tributária, tornado público, na forma da lei. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Terceira Turma, Acórdão nº 40304954 do Processo 10480028797/9930 – destaquei) Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 498 13 Em síntese, se não ocorrer no mundo fático à hipótese de incidência previamente descrita em lei, não terá ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, nem será lícita à manutenção de qualquer tipo de exigência fiscal, ainda que decorrente de confissão de dívida ou lançamento de ofício não impugnado. Por este motivo a administração tributária está proibida de exigir dos contribuintes valores que sabe ou deveria saber indevidos, de modo que o resultado de uma consulta anterior não impede, agora, seja novamente analisada a incidência da norma tributária diante do caso concreto. Referida proibição adquire tal modo e força que a conduta do agente que não a observar é considerada ilícita (Código Penal, artigo 326). Então se a lei, em tese, não define o nascimento da obrigação tributária nas operações realizadas pela recorrente, não pode a administração se furtar de analisar seus argumentos sob o pretexto de existir prévia consulta desfavorável. A eficácia normativa conferida às respostas das consultas não permite a manutenção de exigência tributária contrária à lei. Não possui o condão de vincular o entendimento da Fazenda a ponto de impedir a revisão deste posicionamento em sede de impugnação ao lançamento tributário, dos critérios legais necessários à manutenção de exação tributária. Foge até mesmo à proporcionalidade exigir que a administração tributária mantenha determinada exigência fiscal ao arrepio da lei. Acreditase que, qualquer que tenha sido o resultado da consulta, a administração deverá analisar a defesa do contribuinte, sob pena de incorrer em cerceamento de defesa e de excesso de exação. Em verdade, as respostas dadas nas soluções de consulta não vinculam o contribuinte, apenas a administração. A consulta é um instrumento posto à disposição dos administrados para evitar a imposição dos acréscimos legais nos casos que suscitam dúvidas a respeito do alcance da legislação tributária. Quando as respostas convergem no sentido do nascimento da obrigação tributária, o contribuinte deverá obedecer aos comandos legais para promover ao recolhimento das quantias, acrescidas de correção monetária. Quando decidem pela não incidência, isenção ou qualquer tipo de regra que não implique no nascimento da obrigação de recolher tributo, o contribuinte estará liberado, ao menos num primeiro momento, daquela obrigação. Entretanto, em qualquer das situações, se houver uma mudança na interpretação e aplicação da legislação objeto da consulta, tal posicionamento não poderá ser ignorado pelo contribuinte ou pela administração. Tanto é verdade que o resultado da consulta impede apenas “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, na forma do artigo 100, parágrafo único do CTN, porquanto o principal não poderá ser dispensado. Então não há impedimento de que a impugnação do recorrente seja analisada por este Conselho.” (Segundo Conselho de Contribuintes, Processo 13984.001576/200794, Recurso 153.627 – destaquei) Realmente, penso que não resta qualquer dúvida de que a resposta à consulta não é lei e, portanto, não pode ser imposta ao contribuinte como se lei fosse. Neste diapasão, Fl. 504DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 14 impedir que o contribuinte, se autuado, apresente recurso administrativo; ou seja, violar seu direito constitucional ao contraditório, ampla defesa e ao devido processo legal com base apenas na existência de resposta à consulta, que nada mais é do que ato administrativo que esclarece a interpretação da fiscalização, é negar aplicação ao próprio Decreto 70.235/76, o que é defeso aos Conselheiros desta Casa. Desta forma, traço estas linhas preliminares para esclarecer a razão pela qual adentro ao mérito do recurso independentemente da existência de resposta desfavorável à consulta formulada pelo contribuinte. (ii) Da aplicação do IGPM O mérito debatido nos presentes autos referese apenas à condição do contrato travado entre as partes, especificamente a sua condição de preço prédeterminado. O ilustre relator aplica a Instrução Normativa SRF nº 658/06, por compreendêla nos termos do art. 109 da Lei nº 11.196/05, c/c o § 1º, II, art. 27 da Lei n. 9.069/95. Por este raciocínio, a legislação excluiria a aplicação do IGPM nos contratos com preço prédeterminado. Data máxima vênia, ouso divergir do Nobre Colega. Não apenas porque (a) não coaduno com o entendimento desenvolvido, (b) mas porque a meu sentir a correção monetária não implica aumento de preço, somente manutenção do poder da moeda (c) e porque a legislação (Lei nº 10.833/03) pretendeu, exatamente, garantir o equilíbrio financeiro dos contratos estabelecidos antes de sua vigência. (ii.a.) Do Impeditivo Legal Conforme se depreende do voto do ilustre Conselheiro Relator2, em seu entender, o IGPM não pode ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. O nobre julgador aceitou a interpretação do conceito de “prédeterminado” nos termos da Instrução Normativa nº 658/06 (que é o dispositivo utilizado para a desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003.” 2 Trecho final do voto do Conselheiro Relator: “Vejase que não há como afastar a interpretação de preço predeterminado efetuado pela IN, uma vez que, sem ela, a disposição do art. 109 acima reproduzido simplesmente não faria sentido. (...) Dessa forma, tanto a solução de consulta como o acórdão de primeira instância analisaram corretamente a questão sob o ponto de vista legal, pois o IGPM não é o índice previsto nas disposições citadas da Lei n. 9.069, de 1995.” Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 499 15 E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (...)” Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 16 variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d. Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica3, mas apenas a manutenção do poder de moeda4. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “prédeterminado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. Esta questão foi julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.089.998 – RJ, tendo o Colendo Tribunal concluído que 3 Vale registrar que a jurisprudência deste Egrégio Tribunal Administrativo corrobora este entendimento, a saber: “IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA ANTES DA LEI n° 8.383/91 CABIMENTO. Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. Tratase de restituir integralmente aquilo que foi recolhido a maior, porquanto a sua falta caracterizaria em restituição incompleta. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É apenas recomposição do crédito corroído pela inflação.” (Processo nº 1980.00962619475; Recurso 112.682, Acórdão 10318.715 – destaquei) “SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA APURADO EM DIRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEFERIMENTO. Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. Tratase de restituir integralmente aquilo que foi recolhido a maior, porquanto a sua falta caracterizaria em restituição incompleta. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. E apenas recomposição do crédito corroído pela inflação". Precedentes. No pedido de restituição de saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é devida a correção monetária, ainda que o contribuinte não tenha contabilizado o acréscimo.” (Processo nº 13811.000236/9811, Recurso nº 148061, acórdão:10708.595 destaquei) 4 Neste sentido também os Tribunais Superiores: "(...) 3. União Federal. Pagamento de expurgos inflacionários. Admissibilidade. A correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação. Agravo regimental desprovido." (Supremo Tribunal Federal, Pleno, ACO nº 404 ExecuçãoAgR/SP, Rel. Min. Maurício Correa, DJU 02/04/2004) "Tributário Parcelamento Transação Correção Monetária Sibrevindo nova ordem econômica no país, não ofende direito do devedor a atualização de parcelas vincendas da OTNs, até porque a atualização não constitui um plus mas simples critério de atualização na moeda em regime inflacionário. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, Primeira Turma, REsp nº 12.006/RS, Rel. Min. Garcia Vieira, DJU 09/09/91). Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 500 17 a cláusula de correção monetária não altera o valor prédeterminado no contrato e que a Instrução Normativa em comento (IN 468/2004) extrapolou seu poder normativo, ocasionando o aumento da carga tributária sem ser por meio de lei, a saber: “TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços "e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (grifo meu) Friso que, conforme registrado no item 5 da ementa citada, o Ministério Público Federal opinou justamente pela impossibilidade da cláusula de correção monetária ser entendida como indeterminação do preço. Nesta linha, cito voto vista do Eminente Ministro Castro Meira, proferido no julgamento do mesmo Recurso Especial, que por sua vez cita o entendimento do SubProcurador Geral da República, verbis: “Em abono ao meu convencimento, trago a seguinte passagem do judicioso pronunciamento do SubprocuradorGeral da República Dr. Fernando H. O. de Macedo: Com efeito, parecenos que a tese defendida pela Parte ora Recorrente é que mais se coaduna com os princípios da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da inalterabilidade dos atos jurídicos perfeitos, estampados nos arts. 150, inciso III e 5º, XXXVI, da Constituição Federal ora Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 18 vigente, motivo esse pelo qual optamos por encampar a idéia ali expressa, e nos firmarmos no entendimento de que a Instrução Normativa SFR nº 468 de 2004 pode ter vindo, de fato, a restringir o alcance dado pela regra de exceção prevista na da Lei nº 10.833, já que a regra ali exposta excluiu da incidência daquela norma excepcional, receitas elencadas pela própria Lei, e isto mediante o entendimento de desconfiguração do caráter de predeterminação do preço, em face de mera aplicação de cláusula de reajuste prevista no contrato. Ora, a lei tributária deve ser anterior ao conjunto de fatos que constituem o pressuposto da incidência de seus efeitos (ainda que de tais fatos decorram atos de trato sucessivo no tempo), para que se possa, a partir daí, estabelecer os encargos decorrentes da intervenção do Estado na esfera econômica do Particular, sob pena, de resto, de ofensa às exigências da segurança jurídica e ao inafastável direito subjetivo ao conhecimento prévio das regras fiscais aplicáveis. Daí porque se entender que as receitas relativas a contratos de fornecimentos de bens ou serviços, a preço determinado, com prazo superior a 1 ano, firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003, não devem se sujeitar às alterações promovidas pela nova sistemática de cálculo e apuração das contribuições ao PIS e COFINS, pois que celebrados levandose em consideração o sistema normativo à época aplicável e os respectivos impactos na operacionalização do negócio, de forma que, não se contemplando hipótese de efetiva alteração do preço e das condições pactuadas no contrato ou de qualquer forma de recomposição de custos (ressaltando que a correção monetária do preço ajustado nada mais é do que mera preservação do valor real da moeda frente aos efeitos do desgaste inflacionário ao longo do tempo, nada alterando quanto ao caráter predeterminado do preço originariamente idealizado pelas partes), não há que se cogitar da repercussão econômica da majoração da alíquota associada à implantação da nãoacumulatividade do novo regime de tributação, e tudo, de resto, tanto por força do disposto na alínea 'b' do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, como da inafastável obediência ao princípio da irretroatividade da lei tributária. (eSTJ fl. 337)” Mesmo raciocínio se verifica na abalizada doutrina dos tributaristas Fabio Brun Goldschmidt e Marcelo Knopfelmacher5: “...parece claro que a aplicação de índice de reajuste/correção monetária seria incapaz de desfigurar o requisito de preço predeterminado. Os índices de correção monetária, em que pese intrinsecamente variáveis, destinamse exclusivamente à reposição do poder de compra da moeda. A correção monetária não se constitui em acréscimo, senão que mera reposição do valor da moeda em virtude dos efeitos inflacionários. Objetiva ela, portanto, única e exclusivamente reconstituir o poder aquisitivo do dinheiro quando, pela passagem do tempo, este se encontrar deteriorado. Por isso mesmo 5 IN artigo entitulado "A Cofins, o PIS e a Questão dos Contratos com Prazo Superior a 1 (um) ano de Fornecimento de Bens ou Serviços Comentários sobre a Exclusão das suas Receitas do Regime da Não Cumulatividade", parte do livro "PIS e Cofins Questões Atuais e Polêmicas", Quartier Latin, 2005 fls. 313 e segs. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 501 19 ela será sempre devida quando se tratar do pagamento/ressarcimento de dívidas de qualquer natureza, pois não decorre de convenção ou ajuste, mas do próprio princípio da vedação ao enriquecimento ilícito. Não é por outra razão que a jurisprudência vem decidindo outorgar correção monetária mesmo quando não pedida expressamente, sob o entendimento de que esta estará, sempre, implícita. 6” Pareceme claro que por uma razão ou por outra, não há meios de admitirse a interpretação pretendida pela fiscalização, consubstanciada na Instrução Normativa nº 658/067, no sentido de que a existência e aplicação da cláusula de reajuste contratual descaracteriza o contrato como sendo de preço prédeterminado8. (ii.b.) Da Comprovação da Correção Abaixo do Custo Outra questão trazida pela Recorrente referese à fundamentação do acórdão recorrido. Alega a Recorrente que a decisão foi além do discutido nos autos ao concluir que a contribuinte deixou de comprovar que utilizou percentuais de correção inferiores ao custo de produção ou custo dos insumos. Diz a decisão recorrida, verbis: “Trecho do Acórdão proferido pela DRJ Fls. 405/406 – Vol. III Como se pode perceber, não é o simples reajuste dos preços e tampouco a utilização desse ou daquele índice 6 nota dos autores: "Neste sentido,a jurisprudência do STF é pacífica, valendo destacar a seguinte passagem do voto do Min. Moreira Alves, nos autos do RE nº 93.415/RS: 'Com efeito, se a reparação do inadimplemento contratual deve ser a mais ampla possível, há que se considerar implícita no pedido desta a correção monetária, que nada mais é do que a atualização do valor monetário em que se traduz o dano sofrido, o que é indispensável para que haja a completa recomposição do valor lesado.' " 7 A Instrução Normativa SRF n. 658, de 2006, dispôs o seguinte sobre o “preço predeterminado”: "Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado." 8 Cito neste sentido entendimento da própria Receita Federal, que já externou este posicionamento, conforme esclarecido em artigo publicado no livro “Pis Cofins – Questões Atuais e Polêmicas, da Quartier Latin, artigo de Igor Mauler Santiago e Valter Lobato, fls. 586/587”, a saber: “Mais liberal, porém, tem sido o entendimento da SRF, como se pode ver na Solução de Consulta nº 38, de 28.05.2004, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 4ª Região Fiscal, onde se afirma que ‘as receitas a contratos para fornecimento de energia elétrica, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, entre empresa pública federal e produtora independente de energia, permanecem sujeitas’ ao PIS /PASEP e à COFINS cumulativos ‘desde que o preço do serviço tenha sido predeterminado, ainda que o respectivo contrato preveja seu reajustamento.” Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 20 que descaracteriza a figura do preço predeterminado. A descaracterização ocorre se o reajuste se der em percentuais superiores ao aumento do custo de produção ou do custo dos insumos, no período. Diante desse quadro normativo, cabia à impugnante demonstrar, mediante a exibição de planilhas de custos e da escrituração contábil, que os reajustes dos preços da energia elétrica e da respectiva transmissão ficaram aquém dos custos. Entretanto, assim não procedeu. Esse fato, por si só, já seria suficiente para negar provimento à impugnação. Mas a ele se soma uma outra circunstância, até mais contundente, que se refere à fórmula adotada para o reajuste. A impugnante, por sua própria iniciativa, trouxe aos autos a Nota Técnica n° 224/2006SFF, expedida pela ANEEL (fls. 226 a 253), na qual fica demonstrada a fórmula a ser adotada, quando do reajuste dos preços pactuados nos contratos de compra e venda de energia elétrica. Pelo exame da fórmula adotada no cálculo do reajuste, constatase que as alterações na carga tributária são efetivamente consideradas quando da fixação do novo valor. (...) Observese que o índice de correção, o IGPM (IP) é aplicado sobre a receita total do período anterior (RA), dela excluídos os tributos (VPB.). Apurado o valor reajustado, a ele se acrescentam os tributos (VPA1), segundo a legislação vigente à época do reajuste, consideradas obviamente todas as alterações na legislação tributária, tais como modificação de alíquotas, bases de cálculo, incentivos fiscais etc. Sendo assim, é fácil concluir que, por ocasião do primeiro reajuste após 31 de outubro de 2003, o aumento do PIS e da COFINS decorrente da sistemática de incidência não cumulativa já fora (ou poderia ter sido) considerado, o que descaracteriza a figura do preço predeterminado e, mais do que isso, faz desaparecer o fato que motivou a lei a dispensar o tratamento tributário excepcional e transitório previsto no art. 10, inciso XI, alínea "b", da Lei n° 10.833. A impugnante, por essas razões, passou a sujeitarse à COFINS e ao PIS nãocumulativos.” (destaquei) Em resumo, a autoridade administrativa de primeira instância administrativa manteve o auto de infração não porque o índice previsto para atualização era o IGPM, mas porque constatou, ao analisar a fórmula de reajuste trazida pela Recorrente, que está incluído na fórmula a possibilidade de atualizar o valor do preço com possíveis alterações tributárias que venham a ocorrer. Em seu entender, esta determinação seria suficiente para descaracterizar o preço prédeterminado. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão n.º 3302001.659 S3C3T2 Fl. 502 21 A questão é de grande relevância, e devo afirmar que, se este tivesse sido o objeto/motivação da lavratura do auto de infração, ou se houvesse sido comprovado que a Recorrente atualizou o preço do serviço com o aumento da carga tributária, com certeza não haveria qualquer dúvida quanto ao fato de a receita decorrente do contrato estar fora do regime cumulativo. O fato é que a decisão está confundindo a cláusula de reajuste, prevista na Cláusula 119 do contrato, com a cláusula de revisão, consubstanciada na Cláusula 12 do contrato, verbis: “CLÁUSULA 12. DOS TRIBUTOS. Cada PARTE arcará com os respectivos tributos a ela atribuídos pela LEI. Caso sobre o preço e/ou receita do suprimento e/ou transporte de ENERGIA (i) venham a incidir novos tributos e/ou (ii) venham a ocorrer aumentos ou reduções de tributos vigentes ou dos que venham a ser criados a partir dessa data incidentes sobre referido preço e/ou receita, e (iii) o repasse do valor dos referidos novos tributos, ou do valor dos aumentos e reduções dos tributos incidentes mencionados em (i) e (ii) acima às tarifas da CEIVIAT seja permitido pela ANEEL (ou órgão que vier a substituíla na função de regulação do setor elétrico), as partes negociarão de boafé, objetivando avaliar a viabilidade de (a) a ITAMARATI realizar o efetivo repasse, no todo ou em parte, do valor dos referidos tributos, aumentos ou reduções aos preços de suprimento e transporte de ENERGIA objeto deste Contrato e (b) a CEMAT realizar o efetivo repasse, no todo ou em parte, do valor dos referidos tributos, aumentos ou reduções às suas tarifas de fornecimento de energia. Em havendo controvérsia, será observado o procedimento arbitral previsto na Cláusula 26 e seus Parágrafos deste Contrato. A CEMAT observará minimamente em relação à ITAMARATI os mesmos critérios e procedimentos adotados nas relações comerciais com suas demais supridoras de energia no que tange a esta matéria, observadas as disposições legais aplicáveis. (destaquei) Existe uma diferença entre Clausula de revisão e de reajuste. “No direito administrativo brasileiro, o reajuste contratual consiste em uma forma de indexar os preços 9 "CLÁUSULA 11. DO REAJUSTE DOS PREÇOS DE SUPRIMENTO E TRANSPORTE DA ENERGIA. Os preços do suprimento e transporte de ENERGIA, mencionados respectivamente nos Parágrafos Primeiro e Segundo da Cláusula 10 supra, serão atualizados, automaticamente, a cada doze meses, no dia 01 de abril de cada ano, a partir de 01 de abril de 2004, inclusive, pela variação acumulada do índice Geral de Preços de Mercado — IGPM, apurado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, correspondente aos doze meses (1° de abril a 31 de março, inclusive) anteriores a cada atualização. PARÁGRAFO PRIMEIRO: Ocorrendo extinção ou falta de divulgação do IGPM, as partes adotarão o índice que venha a substituílo, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Na hipótese de a Fundação Getúlio Vargas não divulgar índice substitutivo do IGPM, será adotado índice divulgado por instituição de renome, que reflita a real inflação e a perda do poder aquisitivo da moeda nacional, no período considerado. PARÁGRAFO SEGUNDO: Caso seja permitida por LEI a periodicidade de reajustes de preços inferior a 01 (um) ano, as partes acordam que terá aplicação ao Contrato a menor periodicidade de reajuste permitida em LEI, desde que tal reajuste seja efetivamente repassado pela CEMAT às suas tarifas de fornecimento, o qual, no entanto, nunca será inferior à periodicidade mensal de reajuste.” Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 22 contratuais para manter o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Há uma diferença entre reajuste e revisão. No primeiro há apenas recomposição do preço em virtude de perdas inflacionárias, e tem periodicidade anual. Já a Revisão diz respeito a uma redefinição da equação econômica prevista no contrato: no caso de contrato de concessão ocorre a cada cinco anos; no caso dos outros contratos com a Administração Pública, ocorre em situações extraordinárias onde se verifique a necessidade de rever preços como forma de estipular uma nova equação econômica. 10” O reajuste, resultante na simples aplicação do índice do IGPM, conforme a Cláusula 11, não representa alteração do preço prédeterminado do contrato. Já a revisão, que normalmente pretende restabelecer o equilíbrio contratual por consta de uma situação extraordinária e imprevisível (tal como a alteração da situação tributária), altera o valor anteriormente pactuado. Registrase que a previsão da revisão e do reajuste é procedimento normal e praticamente obrigatório dos contratos, principalmente os contratos de longo prazo e esta possibilidade está, inclusive, prevista nos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93 (lei que trata da licitação). É a aplicação dos princípios da moralidade administrativa, segurança jurídica, proteção do ato jurídico perfeito. Do que se conclui que a simples previsão da possibilidade de revisão do preço não é suficiente para macular a característica prédeterminada do contrato, seria necessário se comprovar que houve a utilização efetiva da cláusula de revisão e, para que isso fosse feito, seria preciso que este fosse o objeto do auto de infração. Todavia, a matéria em discussão objeto do auto de infração em análise refere se à Cláusula 11, ao reajuste do preço e não à Cláusula 12, referente à possibilidade de revisão, do que se depreende que está com razão a Recorrente. Ante o exposto, ouso divergir do ilustre Relator, com as vênias costumeiras, para o fim de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela Recorrente. É como penso. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas 10 Revista Dialética de Direito Tributário RDDT nº 120, in "PIS/Cofins art. 10, XI, b, da Lei 10.833/03 a Questão do Preço Predeterminado" fl.134 Autores: João Dácio Rolim e Marciano Seabra de Godoi grifo meu. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/09/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 05/09/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 35464.003464/2004-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/01/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Quando inexistem recolhimentos, aplica-se a regra do inciso I do artigo 173 do CTN.
DIRIGENTES
A relação de co-responsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.775
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto a decadência. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da fiscalização prévia do prestador. Pelo voto de qualidade, em negar provimento para a exclusão dos corresponsáveis. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão dos corresponsáveis.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Quando inexistem recolhimentos, aplicase a regra do inciso I do artigo 173 do CTN. DIRIGENTES A relação de coresponsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 64 /2 00 4- 37 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto a decadência. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da fiscalização prévia do prestador. Pelo voto de qualidade, em negar provimento para a exclusão dos corresponsáveis. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão dos corresponsáveis. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carolina Wanderley Landim. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 2403001.775 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1635.773 da 12ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relçatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito tributário previdenciário lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.744.7468, emitida em 15/10/2004, relativo a contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte da empresa, dos segurados empregados e aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, nas competências 12/1998 a 01/1999, incidentes sobre o valor pago na contratação pela empresa acima identificada de trabalhadores por cessão de mão de obra, no montante de R$43.941,19 (Quarenta e três mil, novecentos e quarenta e um reais e dezenove centavos), consolidado em 15/10/2004. O Relatório Fiscal de fls. 13/14, acompanhado de planilha de fls. 15, informa ainda que: • As contribuições destinadas a outras entidades e fundos não foram levantadas, de acordo com o Parecer MPAS/CJ nº 1.710/99. • O Levantamento “SOT” foi lançado através do exame das contas do Razão, Notas Fiscais, Faturas e Contrato. A empresa não apresentou à fiscalização cópia de Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento – GRPS específicas dos segurados que prestaram os serviços, ensejando a lavratura do Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados durante a ação fiscal. • No exame dos registros contábeis da empresa, verificouse que esta contratou, no período mencionado, serviço de trabalhadores da empresa OTM Serviços Logística Internacional Ltda., CNPJ nº 01.554.212/000507, com endereço à Rua Rui Barbosa, 2930, s/03 – Joinville/Santa Catarina, CEP 892103900, para o seu estabelecimento. • Foi lançado o presente débito tributário em razão de não terem sido apresentadas pela empresa contratante as cópias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e respectivas folhas de pagamento específicas conforme disposto no artigo 31 e parágrafos da Lei nº 8.212/91 e OS/INSS/DAF nº 176 de 05.12.1997, alteradas pela Lei nº 9.711 de 20.12.1998. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • Os valores foram apurados de acordo com os dados lançados no Razão e em Notas Fiscais e faturas disponibilizadas pelo contribuinte. A conta do Razão examinada foi a de número 300.329 – Serviços de Terceiros • O salário de contribuição relativo à mão de obra foi determinado pela aplicação do percentual de 40% sobre o valor total do serviço, conforme o item 11, “b” da OS/INSS/DAF nº 176 de 05/12/1997, sendo o débito lavrado em nome do contratante por solidariedade com o executor dos serviços prestados, conforme estabelece o art. 31, da Lei nº 8.212 de 24.07.1991 e alterações posteriores. Inconformada com a decisão, a Whirlpool apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Decadência. · Existência de recolhimentos. · Não houve fiscalização prévia no prestador de serviço. · Ausência de responsabilidade dos administradores. · SELIC. É o relatório Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 2403001.775 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento referese às competência 12/1998 a 01/1999 A ciência da Whirlpool ocorreu em 21/10/2004. A ciência da OTM ocorreu em 14/12/2004. As guias de recolhimento apresentadas são das empresas Ethicompany e RHBrasil. Não encontrei no processo relação inequívoca entre as guias apresentadas e os fatos geradores em questão. Não reconheço as guias apresentadas como recolhimentos parciais. Pela falta de recolhimentos entendo que aplicase a regra do artigo 173 do CTN, do que resulta que o lançamento não foi atingido pela decadência. SOLIDARIEDADE A Lei 8.212/91 previa a solidariedade entre o contratante e o prestador de serviço executado mediante cessão de mão de obra. Para elisão da solidariedade, o cedente da mãodeobra deveria elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Pela não apresentação das folhas de pagamento e guias de recolhimento, entendo procedente o lançamento na tomadora, independente de fiscalização prévia na prestadora. CORESPONSÁVEIS A relação de coresponsáveis é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores Quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 2403001.775 S2C4T3 Fl. 5 7 A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão para a exclusão destes Relatórios CORESP e VÍNCULOS dos autos. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16537.000874/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2004
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS AOS COFRES PÚBLICOS. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES CONSTANTES EM GFIP. A informação em GFIP dos descontos de remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais constitui confissão de dívida previdenciária, a teor do disposto no art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social - RPS. Em não havendo nos autos a comprovação sequer de que a recorrente formalizou parcelamento dos valores lançados, não há que se falar em duplicidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2000 a 31/01/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS AOS COFRES PÚBLICOS. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES CONSTANTES EM GFIP. A informação em GFIP dos descontos de remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais constitui confissão de dívida previdenciária, a teor do disposto no art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social - RPS. Em não havendo nos autos a comprovação sequer de que a recorrente formalizou parcelamento dos valores lançados, não há que se falar em duplicidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS AOS COFRES PÚBLICOS. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM INFORMAÇÕES CONSTANTES EM GFIP. A informação em GFIP dos descontos de remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais constitui confissão de dívida previdenciária, a teor do disposto no art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social RPS. Em não havendo nos autos a comprovação sequer de que a recorrente formalizou parcelamento dos valores lançados, não há que se falar em duplicidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 08 74 /2 00 9- 95 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16537.000874/200995 Acórdão n.º 2401002.595 S2C4T1 Fl. 187 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SÃO LÁZARO INDÚSTRIA DE FUNDIÇÃO LTDA em face da DecisãoNotificação de fls. 89/91 que manteve o Auto de Infração nº 35.544.3503 lavrado para a cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, parte do empregado, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados e contribuintes individuais e não repassadas aos cofres públicos. Consta do relatório fiscal que a recorrente promoveu o pagamento das remunerações aos segurados empregados e contribuintes individuais com descontos, os quais restam verificados em folhas de pagamentos e foram declarados em GFIP. O período apurado compreende a competência 09/2000 a 13/2000 e 09/2002 a 01/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/07/2004 (fls. 01) Em seu recurso, o recorrente sustenta a desnecessidade do recolhimento de deposito administrativo no importe de 30% (trinta por cento). Quanto à autuação, a recorrente defende ter sido autuada em duplicidade, tendo em vista que os débitos objeto do presente lançamento foram incluídos no PAES até a competênciad e 01/2003. Completa o recorrente afirmando que a prova maior de que a presente autuação foi prova incontestável de “excesso de desejo de destruir a Empresa” pela réplica do Sr. Chefe na DecisãoNotificação o qual declarou que o recorrente não questionou os valores lançados pela fiscalização, não demonstrou se houve recolhimento, nem mesmo se o credito já havia sido constituído anteriormente, o que o impediria que confessar os valores já confessados no PAES. Por fim, requer não prosperem “abusos de autoridade e excesso de zelo” e seja declarada a nulidade de todo o auto de infração objeto do DEBCAD 35.544.3503 combinado com Decisão Notificação 20.424.4/0254/2004. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO De fato o recorrente deixou de impugnar expressamente o lançamento, resumindose a aduzir ter feito a opção pelo PAES, programa no qual incluis os débitos lançados até 01/2003. Referidas alegações são repetições daquelas constantes em sua impugnação, que assim foram rechaçadas pelo v. acórdão recorrido: A opção de uma empresa por uma modalidade de parcelamento não implica na inclusão de todos os créditos que ela possua nesse parcelamento. É necessário que os créditos sejam constituídos por lançamento de ofício ou por confissão da empresa. Além disso, é necessário que a empresa optante pelo parcelamento aponte quais créditos constituídos devem ser nele incluídos. A impugnante simplesmente alega que optou pelo programa PAES e que esse programa inclui os créditos até 01/2003. Como já dito, para que um programa de parcelamento inclua algum crédito é necessário que ele esteja constituído. Juntei às fls. 87 e 88 cópia de todos os créditos constituídos contra a impugnante, seja por lançamento de ofício (NFLD ou Al), seja por confissão espontânea (LDC). Verifico que os créditos constituídos contra a impugnante são exatamente aqueles lavrados pela fiscalização em sua ação fiscal, conforme TEAF de fls. 27. Assim, a impugnante não possui qualquer outro crédito previdenciário constituído além daqueles resultantes da presente ação fiscal. Dessa forma, não há qualquer duplicidade de lançamentos, nem houve a inclusão de qualquer outro crédito previdenciário em qualquer modalidade de parcelamento. Os esclarecimentos são suficientes para manter o lançamento, que digase de passagem, decorreu de informações constates em GFIP’s apresentadas pela própria recorrente, o que caracteriza a confissão de dívida, a teor das disposições do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS. Em momento algum a recorrente sequer trouxe aos autos o pedido de formalização do parcelamento. Ao contrário, no entando, o v. acórdão, ao consultar os sistemas Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16537.000874/200995 Acórdão n.º 2401002.595 S2C4T1 Fl. 188 5 informatizados da Receita Federal do Brasil verificou inexistir qualquer pedido da recorrente neste sentido. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002794/98-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1994
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:21/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1994 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005). No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Recurso Extraordinário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1994 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1994 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 27 94 /9 8- 11 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:21/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.002794/9811 Acórdão n.º 9900000.574 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 03.158, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 06/05/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N.º 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder o direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810). Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que a divergência jurisprudencial reside no fato da decisão recorrida acolher a tese de que, em hipóteses como a presente, de recolhimento realizado com base em norma declarada inconstitucional pelo STF, o termo a quo do prazo prescricional de 5 anos para o pleito de restituição é a data da publicação de Resolução, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte. Por outro lado, afirma que o acórdão paradigma acima colacionado suscita a tese de que tributos pagos indevidamente, ainda que o motivo do indébito tenha por fundamento, a inconstitucionalidade, podem ser objeto de pedidos de restituição, desde que não esgotado o prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento antecipado. No mérito, afirma que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, capta e inciso I, 165, inciso 1, e 156, inciso I, do CTN. Diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.292, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o art. 156, VII do CTN dispõe que a extinção do crédito tributário apenas ocorre depois de decorridos o prazo de cinco anos deferidos ao Fisco para a homologação do lançamento efetivado, começando a partir dai a contagem de mais cinco anos disposto no art. 168, I do CTN. Ao final, requer que o recurso extraordinário da Fazenda Nacional não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.002794/9811 Acórdão n.º 9900000.574 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.002794/9811 Acórdão n.º 9900000.574 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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