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Numero do processo: 13652.000151/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.125
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligencia. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13652.000151/200710 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.125 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS NABI MIGUEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligencia. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 52 .0 00 15 1/ 20 07 -1 0 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº35.791.471 6, através da qual está sendo exigido da Recorrente débitos de contribuições previdenciárias relativo ao período de 02/99 a 07/03, conforme consta no “RELATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO” constante às fls. 77/80. De acordo com o Relatório Fiscal, este lançamento foi realizado em decorrência: “I.Contribuições sobre a Folha de Pagamento. FGS SUPLEMENTA. BC/CONTRIB.FL/NORM. Batimento Folha de Pagamento, Recibos de Salário, Recibos de Férias, Rescisões de Contrato de Trabalho e PróLabore com os valores das Guias de Recolhimentos do FGTS e Informação à Previdência Social GFIP que constam no Sistema de controle do INSS. As diferenças apuradas, a maior, declaradas pela empresa, foram consideradas diferenças de Base de Cálculo, como aponta o Relatório de Lançamentos RL, que integra a presente NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.” Intimada da aludida NFLD, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em resumo, conforme sintetizado pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO JUIZ DE FORA (MG): “Preliminarmente, argumenta que está sendo imputada à empresa duplicidade de débitos, uma vez que o período lançado na presente notificação é fevereiro de 1999 a julho de 2003, período este incluído também na NFLD n° 35.791.4694, lavrada na mesma ação fiscal. Alega que a notificação fiscal não deve prosperar, porquanto as infrações relatadas não ocorrerem e a empresa sempre cumpriu as normas contidas na legislação previdenciária. Acrescenta que prestou todas as informações requeridas pelo Auditor Fiscal e que as divergências apuradas foram regularizadas. Afirma que os documentos e planilhas que acompanham a impugnação demonstram a regularidade dos recolhimentos e a improcedência das diferenças apresentadas pelo AuditorFiscal. As diferenças apuradas, a maior, declaradas pela empresa, foram consideradas diferenças de base de cálculo, como aponta o Relatório de Lançamentos RL, que integra aNFLD.” Em vista da impugnação apresentada, a UARFB PREVIDENCIÁRIA DE GUAXUPÉ emitiu o Ofício 11.080.02.0/MPS/UARP nº 433/05 (fls. 221/222), intimando a Recorrente para apresentar os documentos e planilhas mencionados na peça impugnatória, mas tal intimação não foi atendida pelo sujeito passivo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 4 3 Tendo o processo sido encaminhado para a Seção de Contencioso da Delegacia da Receita Previdenciária em Varginha, foi determinado, através do despacho de fls. 217/218, retornasse ao Auditor Fiscal notificante para que fossem prestados alguns esclarecimentos acerca do levantamento fiscal, tendo sido esclarecido o seguinte, conforme bem resumido pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO JUIZ DE FORA (MG): “ os valores objeto do levantamento constituem diferenças a maior apuradas, em comparação com folha de pagamento, recibos, rescisões etc; no relatório fiscal o levantamento está indevidamente identificado como FGSSUPLEMENTA BC/CONTRIB/FL/NORM, quando o correto é como consta nos anexos da NFLD, ou seja, FGSSUPLEMENTA BC/CONTRIB/FL/GFIP; que o levantamento não contempla a redução de multa de mora por declaração das contribuições em GFIP.” Além disso, em razão das alegações expendidas por ocasião da impugnação, foi esclarecido pelo AuditorFiscal notificante que a NFLD 35.791.4694 restringiuse à exigência de contribuições descontadas dos segurados empregados, não repassadas à Seguridade Social, enquanto a NFLD n° 35.791.4716, ora analisada, cuidou da exigência das contribuições patronais. Com isso, o processo foi encaminhado para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA, que, ao apreciar a impugnação, entendeu por julgar procedente a exigência fiscal, sob os seguintes fundamentos, em síntese: · Com relação à preliminar suscitada, já havia sido esclarecido que as NFLD 35.791.4694 e 35.791.4716 não possuem o mesmo objeto, pois na primeira foi exigido as contribuições descontadas dos segurados empregados e não repassadas à seguridade social, enquanto na segunda foram exigidas contribuições patronais. · Não foram comprovadas documentalmente as alegações aduzidas na defesa; e · a NFLD em apreço foi lavrada em estrita observância das determinações legais vigentes. Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 238/273), ora analisado, alegando, em síntese, os argumentos e fundamentos expostos a seguir: · se operou a decadência, em razão do lançamento somente ter sido efetuado em 07/07/2005, embora se refira ao período de 01/95 a 03/2005.Para tanto, alegou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8212/91, devendose aplicar ao caso o disposto no art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 5 4 · o débito não pode ser exigido, pois o lançamento foi feito de forma genérica na NFLD em apreço, cerceando, assim, o seu direito de defesa. Sendo assim, o Fisco deveria para fins tributários, ao mínimo, identificar todos os funcionários em que está recaindo a tributação. · as contribuições referentes ao campo terceiros são indevidas, quais sejam: Salário educação, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE; · a contribuição do SAT é indevida por ser distinta da contribuição destinada ao universo da seguridade social; e · os juros são devidos à razão de 1 % (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do CTN. Ao final do Recurso Voluntário apresentado, às fls. 273, o Recorrente pugnou pela juntada posterior de instrumento de mandato, conferindo poderes ao signatário da peça, no prazo de quinze dias. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13652.000151/200710 Resolução nº 2403000.125 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim – Relatora DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme descrito nos fatos acima, a Recorrente pugnou em seu Recurso Voluntário pela juntada posterior, no prazo de quinze dias, de instrumento de mandato conferindo poderes aos patronos que assinaram referido recurso. Ocorre, todavia, que não consta do processo a juntada posterior do referido instrumento de mandato. Sendo certo que a apresentação de tal documento é essencial para comprovação da regularidade da representação processual e conseqüente análise do recurso apresentado, necessário se faz a conversão do presente processo em diligência, a fim de que a empresa recorrente apresente aos autos a comprovação de que o advogado signatário do seu recurso possui poderes de representação, o que deve ser feito através da apresentação do competente instrumento de mandato, juntamente com os atos societários que conferem poderes ao seu signatário. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte intime a Recorrente a apresentar o instrumento de mandato que conferiu poderes aos advogados que assinaram o Recurso Voluntário de fls. 238 a 273. Tal procuração deve vir acompanhada dos atos societários que conferiram poderes ao seu signatário, tais como a alteração contratual ou ata em separado que comprove a eleição dos representantes legais, etc. Após diligência, o processo deve retornar para julgamento. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 04/06 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13002.100004/2009-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO.
Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN.
Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.895
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 181 1 180 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13002.100004/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.895 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Centro Clínico Canoas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. Direito prescrito, uma vez que o pagamento aduzido como a maior ocorreu em 16/09/1999 e o pedido de compensação só foi formalizado posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 10 00 04 /2 00 9- 65 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 139/143), a qual, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório argüido e não homologou a compensação formalizada pela suplicante, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO PRAZOS REQUISITOS. O prazo para solicitar a restituição ou compensar valores recolhidos indevidamente ou a maior é de cinco anos da extinção do crédito tributário, nos termos do Ato Declaratório nº 96, 26 de novembro de 1999, sendo corroborado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, nos termos da jurisprudência do STF e STJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, transcrevo, abaixo, o relatório da decisão recorrida: A contribuinte supracitada apresentou, em formulário papel, em 21/08/2009, DCOMP´s de fls.02/04 (fls.01/03 no processo em papel), para fins de compensação de débitos de PIS e COFINS apurados em julho de 2009, com supostos indébitos de COFINS, do período de apuração de agosto de 1999. A DRF de origem apreciou a questão no Despacho Decisório DRF/NHO/Seort. de fls.33/36, cuja decisão: Diante de todo o exposto, com base no artigo 280, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009, publicada no DOU de 06 de março de 2009, e na Competência Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100004/200965 Acórdão n.º 3802001.895 S3TE02 Fl. 182 3 Delegada pela Portaria DRF/NHO n° 50, de 09 de março de 2009, publicada no DOU de 10 de março de 2009: Considero NÃO DECLARADAS as compensações pretendidas pelo contribuinte no presente processo, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 ,e determino a imediata cobrança dos débitos confessados cm Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls 18 e 19). Em havendo reclamação quanto à legalidade ou mérito da presente decisão, fica ressalvado o direito de o interessado interpor recurso, no prazo de 10 (dez) dias contados do recebimento desta, nos termos da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Inconformada, a contribuinte apresenta contestação que denominou manifestação de inconformidade, de fls.43/54, solicitando a aceitação da compensação efetuada. Tal documento foi recepcionado pela DRF de origem , sob o rito da Lei 9.784/1999, conforme ato de fls.80/82. Contestando a decisão administrativa da DRF de origem na esfera judicial, a contribuinte obteve sentença favorável, determinando que a autoridade coatora se abstenha de considerar as compensações efetuadas pela impetrante em formulário de papel como não declaradas, e, conseqüentemente, receba, com efeito suspensivo, as manifestações de inconformidade apresentadas, conforme decisão de fls.86/89. Diante destes fatos, a DRF de origem substituiu o Despacho Decisório DRF/NHO/Seort, de fls.33/36 , por um novo Despacho Decisório, de fls.90/93, no qual não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, devido a incidência do instituto da decadência. Novamente irresignada, a contribuinte apresenta nova manifestação de inconformidade, de fls. 95/102. Nesta, solicita que o prazo para a decadência seja de 10 anos, permitindo a realização da compensação, conforme doutrina e jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão da exigibilidade dos débitos, forte no artigo 151 do Código Tributário Nacional e no art.74,§ 11º da Lei 9.430/1996. Após a contestação, foram juntados aos autos informação que decisão judicial anterior, favorável à contribuinte, transitou em julgado (fls.129/137). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 23/04/2012 (fls. 148). Inconformada, a interessada apresentou, em 16/05/2012, o recurso voluntário de fls. 150/163, onde reitera seu entendimento em defesa da inocorrência de decadência, já que a extinção do crédito tributário inerente à COFINS, tributo sujeito a lançamento por homologação, somente ocorreria [...] após o ato (omissivo ou comissivo) da autoridade homologatório do lançamento efetuado pelo contribuinte, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Assim, somente após o ato administrativo da homologação do lançamento efetuado pelo Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 contribuinte, seja de forma expressa ou tácita, é que inicia a contagem do prazo prescricional estampado no art. 168, I do CTN, perfazendo um lapso temporal de DEZ anos. Ressalta, ainda, serem inaplicáveis ao caso as alterações trazidas pela LC n º 118/2005 em seu artigo 3º, haja vista o recente posicionamento adotado pelo STJ que analisou a questão de direito intertemporal relativa aos indébitos nascidos antes da vigência da LC nº 118/2005. Requer, por fim, seja dado provimento ao seu recurso, com a conseqüente homologação da compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS – o qual substituiu o RE nº 561.908 como paradigma na repercussão geral –, assentou ser inconstitucional o artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) tãosomente para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Referido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR NO 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 184DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100004/200965 Acórdão n.º 3802001.895 S3TE02 Fl. 183 5 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, segundo o acórdão do STF, o “novo prazo de 5 anos” deverá ser adotado unicamente para os processos formalizados depois de 9 de junho de 2005, como no caso presente, em que o pedido de compensação da interessada só foi formalizado em 21/08/2009 (ver fls. 01 – fls. 02 do processo eletrônico). E a adoção do entendimento determinado pela LC 118/05 demonstra já estar prescrito o direito postulatório inerente aos alegados créditos aos quais se refere a interessada. Com efeito, prescreve o artigo 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição decorrente, dentre outras hipóteses, do pagamento indevido ou a maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN, conforme artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, abaixo reproduzido: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. No caso concreto, o pagamento objeto do pedido ocorreu em 16/09/1999. Por sua vez, o pedido foi protocolizado em 21/08/2009, portanto, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Assim, por restar caracterizada a extinção do direito de ação da recorrente pela prescrição, posto que o pedido foi protocolizado depois do transcurso do prazo quinquenal contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 25 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10875.003407/2002-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converte o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Leonardo Mussi. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1435.896 da 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento e consequentemente a compensação. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Relatório A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 03 40 7/ 20 02 -2 3 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 3 2 Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no que concerne ao período em epígrafe, no importe de R$192.037,64. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, SP, com base em informação fiscal, indeferiu o pleito e não homologou as compensações vinculadas, porque não houve esgotamento do saldo credor existente na escrita fiscal em 31/12/1998, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 5º, § 3º; por outro lado, fabricante de produtos não tributados (NT), a contribuinte deixou, quanto ao trimestre em tela, de efetuar os estorno das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos NT, conforme a IN SRF nº 33, de 1999, art.2º, § 3º. Na informação fiscal é relatado, pela autoridade incumbida das averiguações, que, intimada a apresentar um demonstrativo de esgotamento do saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, entre outras coisas (justificativa de aproveitamento de créditos sob a rubrica “Outros Créditos”, com CFOP 4.99), a empresa deixou de apresentar os elementos solicitados e de prestar os esclarecimentos indispensáveis. Insatisfeita com a decisão administrativa, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, instruída com cópias do livro Registro de Apuração do IPI e de documentos comprobatórios de compensação, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. O pedido de ressarcimento diz respeito apenas a créditos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos com alíquota zero; 2. Os créditos referentes ao saldo credor do IPI existente em 31/12/1998 foram objeto de pedido de ressarcimento e compensação já liquidado pelo órgão fazendário competente, com o devido estorno no livro Registro de Apuração do IPI, conforma cópias anexadas à manifestação; 3. Que a “sobra” relativa ao saldo credor de foi estornada conforme cópia juntada do livro; 4. Os valores irrisórios de créditos referentes a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados à industrialização de produtos NT são segregados do saldo credor do imposto e posteriormente estornados, não sendo utilizados os créditos na escrita fiscal ou incluídos em pedidos de ressarcimento; 5. A matéria constante do pleito é regida pela Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, que inovou o assunto (possibilidade de do crédito de IPI nas compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 4 3 tributados com alíquota zero, sendo possível a compensação), e não pelo RIPI/98; Por fim, é requerido o acolhimento da manifestação de inconformidade para a reforma do Despacho Decisório, com o conseqüente deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações. É o relatório . Após analisar a manifestação de inconformidade em razão da não homologação da declaração de compensação e ser observada a informação fiscal, decidiu a DRJ/CTA, pelo provimento parcial da manifestação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR EXISTENTE EM 31/12/1998. ESGOTAMENTO. ESTORNO. O saldo credor da escrita fiscal existente em 31/12/1998 deveria ser escriturado à parte e esgotado com a compensação de débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos que deram origem aos créditos, sendo alternativa para o esgotamento o estorno do saldo credor residual; é possível, então, a habilitação ao ressarcimento de créditos do IPI somente após a data do esgotamento ou do estorno do referido saldo credor. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) devido à duvida acerca da liquidez do direito creditório, requer que seja deferido o pedido de diligência para exibição de documentos e complementação de dados a fim de confirmar a legitimidade do crédito no período de apuração em liça; b) realizou o controle a margem da escrita fiscal o crédito remanescente de IPI relativo ao exercício de 1998, conforme Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003407/200223 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3102000.229 S3C1T2 Fl. 5 4 demonstra por um quadro de controle realizado, da mesma forma que teria estornado referido crédito; c) a Instrução Normativa nº 33/99, que vetou a compensação ou ressarcimento dos créditos acumulados até 31 de dezembro de 1998, não pode prosperar visto que não poderia limitar o alcance de norma jurídica imposta por lei, a exemplo das disposições da Lei nº 9.430/96, que cuida da compensação relativa ao crédito de IPI em virtude da aquisição de produtos tributados. Ademais, sustenta o desrespeito da aludida instrução à nãocumulatividade e para com o princípio da isonomia; d) a Recorrente teria observado “as prescrições normativas que se aplicam a matéria, garantindolhe o pleno direito de ter deferido o pedido objeto da discussão presente”; e) os produtos industrializados contidos como NT na TIPI não seriam, em verdade, produtos não industrializados constantes da mesma TIPI como NT, mas sim produtos isentos do IPI, visto que seria caso de incidência do imposto. É o relatório. Como demonstrado no relato acima, a discussão travada é sobre a existência de crédito de IPI, assim em atenção as questões postas, decidese a conversão do julgamento em Diligência para determinar que os autos retornem a unidade origem, autorizando a recorrente a realizar uma nova escrituração nos termos da IN nº 33/1999, apurando o crédito objeto do ressarcimento, identificando os produtos não tributados. Em seguida, após ser emitido parecer da fiscalização, o contribuinte de ser intimado para manifestação no prazo de 30(trinta) dias, em seguida os autos devem retornar ao CARF e ser cientificada Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala de sessões 24 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 25/07/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13888.002407/2006-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS LOCALIZADOS NO BRASIL POR RESIDENTE NO EXTERIOR. PERÍODO ANTERIOR VIGÊNCIA MP N° 135/2003 E LEI N° 10.833/2003. ILEGITIDADE PASSIVA DO ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE.
Na esteira da jurisprudência firmada neste Colegiado, a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil, no interstício entre a Lei n° 9.249/1995 e a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, recaia sobre o alienante ou seu procurador, o que rechaça a legitimidade passiva do adquirente por absoluta inexistência de previsão legal específica lhe imputando tal responsabilidade, impondo seja decretada a improcedência do presente lançamento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS LOCALIZADOS NO BRASIL POR RESIDENTE NO EXTERIOR. PERÍODO ANTERIOR VIGÊNCIA MP N° 135/2003 E LEI N° 10.833/2003. ILEGITIDADE PASSIVA DO ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE. Na esteira da jurisprudência firmada neste Colegiado, a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil, no interstício entre a Lei n° 9.249/1995 e a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, recaia sobre o alienante ou seu procurador, o que rechaça a legitimidade passiva do adquirente por absoluta inexistência de previsão legal específica lhe imputando tal responsabilidade, impondo seja decretada a improcedência do presente lançamento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 07 /2 00 6- 89 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório COSAN S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/09/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior, em relação ao anocalendário 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 277/279, e demais documentos que instruem o processo. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 265/274, a presente autuação fora lavrada a partir da constatação da ausência de retenção e recolhimento pela empresa Participações Celisa S/A (incorporada pela Cosan SA) do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior. Com mais especificidade, objetivando melhor delimitar a matéria contemplada nos autos, transcrevese abaixo excerto da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “ [...] Houve constituição de três empresas no Brasil, em 14/06/2002, com as ações de acionistas que detinham o controle da Usina da Barra S/A: PON Participações S/A; Nova Primavera S/A e RSO S/A, doravante denominadas PON, Nova Primavera e RSO, respectivamente (fls.13/54). Em 20 e 21 de agosto de 2002, houve celebração de dois contratos de mútuo entre Cosan S/A Indústria e Comércio e Participações (doravante denominada Cosan) e a Celisa, no valor de R$ 57.400.000,00 cada, totalizando R$ 114.800.000,00 (cópias às fls. 55/58). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 17 3 Três empresas foram constituídas pela Celisa nas Bahamas, paraíso fiscal, em 21/08/2002, com capitais que totalizam US$ 106.777.732, o equivalente a R$ 332.331.029,46. Desse valor, R$ 111.852.912,00 foram integralizados à vista, com recursos emprestados da Cosan mediante o contrato de mútuo. O montante para integralização do capital foi remetido ao exterior por intermédio do Banco Safra S/A, sendo a diferença de R$ 220.478.117,06, com emissão de notas promissórias (fls. 59/171). As empresas constituídas são as seguintes: Shelton Internacional Limited (Shelton), Presbury Holdings Limited (Presbury) e Tempus Holdings Limited (Tempus). Foram constituídas em paraíso fiscal, na Comunidade das Bahamas, com ações da PON, Nova Primavera e RSO, em 22/08/2002 e 23/08/2002 (fls.172/183) as empresas Kado Limited, Artefact Limited e Tainui Limeted, cujas ações equivalem ao total de R$ 4.226,00. Em 23/08/2002 foram realizadas permutas de participação societária entre a Celisa e as empresas Kado, Artefact e Tainui, da seguinte forma: as empresas Kado, Artefact e Tainui, sediadas na Comunidade das Bahamas, transferiram para a Celisa, as 4.990 ações que cada uma detinha das empresas PON, Nova Primavera e RSO, no montante de R$ 4.226,00. A Celisa transferiu para essas empresas as quotas de capital que detinha, das empresas Shelton, Presbury e Tempus, no valor total de R$ 332.331.803,06 (fls. 184/ 98 demonstrativo fl. 267). Em 31/08/2002 a Cosan adquiriu da Celisa as Ações da PON, Nova Primavera e RSO, nas seguintes condições: pelo preço total de R$ 332.331.029,06, sendo que R$ 111.852.912,00, já haviam sido pagos em 21/08/2002 e 22/08/2002, tendo em vista que Celisa recebera um aporte da Cosan, no valor de R$ 112.376.000,00, por conta do referido contrato de mútuo que a Celisa enviara para as Bahamas para constituir as empresas Shelton Presbury e Tempus. A Cosan assumiu a dívida de R$ 220.478.117,06, que a Celisa ainda tinha em função das notas promissórias relativas ao capital a integralizar dessas três empresas. Em 15/04/2005 a Celisa foi incorporada pela Cosan. Nesse contexto, considerando que as empresas Kado, Artefact e Tainui, sediadas no exterior, obtiveram ganho de capital na transação efetuada com a Celisa, sediada no Brasil, o Fisco constatou a obrigatoriedade de a fonte pagadora reter e recolher o IRRF incidente sobre a parcela de R$ 331.326.803,00, e que deveria ser reajustada a base de cálculo, com base o art. 725 do RIR, de 1999, para R$ 390.972.708,48, pois, não retido o imposto pela contribuinte ela teria assumido o ônus do imposto. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração que exigiu crédito tributário no montante de R$ 143.764.574,99, sendo IRRF de R$ 58.645.906,42, juros de mora (calculados até Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 31/08/2006) no valor de R$ 41.134.238,76 e multa de oficio de R$ 43.984.429,81. Conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 15/04/20 5, a Cosan incorporou a Celisa (fls. 220/235), portanto foi lavrado contra a Cosan S/A Indústria e Comércio. [...]” Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, consubstanciada no Acórdão nº 1415.405/2007, às fls. 387/399, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 12/09/2008, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 102 49.294, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/08/2002 GANHO DE CAPITAL. PERMUTAS. Aplicamse às permutas as disposições referentes à compra e venda, logo os dispositivos legais da legislação do Imposto de Renda aplicáveis à compra e venda de bens e direitos, aplicam se às permutas. Quando os bens permutados têm valores desiguais, os permutantes experimentam acréscimos ou decréscimos patrimoniais, conforme o caso. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. Recurso negado.” Inconformada, a contribuinte opôs Embargos de Declaração, às fls. 471/475, suscitando omissão no voto vencedor condutor do Acórdão recorrido, notadamente quanto à ilegitimidade passiva da autuada, tendo a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, em 13/04/2011, por maioria de votos, conhecido dos Embargos, somente para sanear a omissão apontada, rerratificando, no mérito, o decisum embargado, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, consoante se positiva do Acórdão n° 2102 01.217, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONHECIMENTO. Apesar de apenas debatida a questão da ilegitimidade passiva do autuado no voto vencido, ficou claro que houve uma discussão sobre sujeição passiva no colegiado, sendo que o voto vencedor nada discorreu sobre isso, ou seja, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 18 5 houve uma clara omissão no Acórdão embargado (voto vencedor), devendo conhecerse dos aclaratórios, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF, pois necessariamente o voto vencedor deveria ter apresentado os motivos que levaram ao não acatamento da tese de ilegitimidade passiva deduzida no voto vencido, o que não ocorreu no caso vertente. Assim, conhecidos os embargos de declaração, impossível não apreciar todos os pressupostos do desenvolvimento regular do processo administrativo fiscal, como a legitimidade da parte, que é pressuposto processual (art. 267, VI, do CPC) e matéria de ordem pública, não podendo deixar de ser conhecida em qualquer grau de jurisdição. Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos, para apreciar a legitimidade do pólo passivo da autuação. GANHO DE CAPITAL APURADO POR RESIDENTE NO EXTERIOR. RETENÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE. O adquirente é responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior, sendo certo que tal legislação já se encontrava em vigor desde a publicação do Decretolei n° 5.844, de 1943. Recurso Voluntário Negado.” Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 573/584, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas. De início, quanto ao acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna, defende ter malferido entendimento consagrado pelos Acórdãos nºs 10616.964 e 2101 01.366, ora adotados como paradigmas, os quais admitiram que no caso de permuta sem torna simplesmente ocorre a substituição de uma posição patrimonial por outra que se equivale, não havendo que se falar em acréscimo patrimonial. Em defesa de sua pretensão, infere que o ganho de capital se caracteriza pela aquisição da disponibilidade jurídica da renda, o que não se vislumbra nos casos de permuta sem torna. Pugna pela aplicabilidade à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis, razão pela qual inexistindo torna, não se pode cogitar na tributação sob análise. Contrapõese ao entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, notadamente ao não acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva da autuada, ou melhor, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, na alienação de bens situados no Brasil, por entender ter contrariado a jurisprudência administrativa traduzida nos Acórdãos n°s 10422.281 e 10615.151, ora adotados como paradigmas. Assevera que os dispositivos legais utilizados como esteio à pretensão fiscal, quais sejam, artigos 682, inciso I, e 685, inciso I, alínea “b”, do RIR/1999, com matrizes legais nos artigos 97, alínea “a”, 100 e 101, do Decretolei n° 5.844/43, se caracterizam como normas legais genéricas, editadas desde 1943. Sustenta que a tributação de ganho de capital auferido pelos residentes ou domiciliados no exterior fora devidamente/especificamente contemplada pelo artigo 18 da Lei n° 9.249/1995, a qual deverá prevalecer em detrimento à norma geral, em observância ao princípio da especialidade das leis. Explicita as formas de tributação do ganho de capital auferido pelas pessoas físicas e jurídicas residentes/domiciliadas no Brasil, concluindo que o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.249/1995 estendeu também às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior o regime de tributação do ganho de capital auferido por pessoa física residente no Brasil. Ressalta que no presente Auto de Infração consta como legislação aplicável ao caso os artigos 26 e 27 da Instrução Normativa n° 208/2002, concernente à tributação de pessoa física, que atribuem o dever de recolher o imposto ao alienante do bem ou seu procurador, razão pela qual à época da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado não competia ao adquirente no Brasil efetuar o pagamento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. Opõese à pretensão fiscal, corroborada pelo Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que somente com a edição da Lei n° 10.833/2003, mais precisamente no seu artigo 26, fruto da conversão da MP n° 135/2003, após a ocorrência do fato gerador sob análise, o adquirente passou a ser o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, decorrente da alienação de bens situados no Brasil. Argumenta que o item 21 da Exposição dos Motivos da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833/03, menciona expressamente que o dispositivo (art. 24, convertido no art. 26 da Lei) vinha alterar o regime que então vigorava, o qual atribuía ao alienante a apuração e recolhimento do tributo. Melhor elucidando, infere que à época da ocorrência do fato gerador o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte brasileira, estava sujeito ao pagamento do imposto de renda no Brasil em conformidade com o regramento das pessoas físicas, cuja tributação ocorre separadamente à alíquota de 15%, sendo de responsabilidade do alienante ou seu procurador o pagamento do imposto devido, não existindo, portanto, previsão legal naquele período de referida responsabilização por parte do adquirente, impondo seja reconhecida a ilegitimidade passiva da autuada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 19 7 decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° S/N, datado de 29/10/2012, às fls. 622/625. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 626/630, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, notadamente do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 265/274, a Participações Celisa S/A., empresa sediada no Brasil, entregou quotas de capital da Presbury, Shelton e Tempus, no valor de R$ 332.331.029,06, e recebeu em troca, da Kado, Artefact e Tainui (empresas sediadas nas Bahamas) ações da PON, da Nova Primavera e da RSO (empresas sediadas no Brasil) no valor de R$ 4.226,00. Em resumo, Participações Celisa entregou títulos (quotas) no valor de R$ 332.331.029,06 a empresas sediadas no exterior (Kado, Artefact e Tainui) e recebeu ações no valor de R$ 4.226,00. Essa transação resultou num ganho de capital para as empresas sediadas no exterior, no valor de R$ 332.326.803,06 (importância considerada liquida, conforme art. 725 do RIR199), cujo Imposto de Renda, à alíquota de 15%, deveria ter sido retido e recolhido pela Participações Celisa S/A. (incorporada pela Cosan SA, ora recorrente), em consonância com matrizes legais dos artigos 682, I, e 685, I, "b", e 725, do RIR/99, c/c artigos 18 e 28 da Lei n° 9.249/1995, que assim prescrevem: “RIR/1999 Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 100, Lei n º 3.470, de 1958, art. 77, Lei n º 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n º 9.779, de 1999, arts. 7 º e 8 º ): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições. Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n º 4.154, de 1962, art. 5 º , e Lei n º 8.981, de 1995, art. 63, § 2 º ). Lei n° 9.249/95 Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Art. 28. A alíquota do imposto de renda de que tratam o art. 77 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958 e o art. 100 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, com as modificações posteriormente introduzidas, passa, a partir de 1º de janeiro de 1996, a ser de quinze por cento.” Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida, pelo voto de qualidade, entendeu por bem rechaçar a pretensão da contribuinte, sobretudo quanto a sua ilegitimidade passiva, mantendo incólume o lançamento fiscal nos termos do Acórdão n° 2102 01.217, o qual rerratificou o Acórdão n° 10249.294. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão guerreado contrariaram a jurisprudência administrativa, mormente em relação a duas matérias: a) Acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna, adotando como paradigmas os Acórdãos n°s 10616.964 e 2101 01.366; b) Responsabilidade da autuada pelo pagamento do imposto lançado – ilegitimidade passiva, escorando seu pleito nos Acórdãos paradigmas n°s 10422.281 e 106 15.151. Antes mesmo de adentrar as razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte em seu Recurso Especial, impende registrar que contemplaremos primeiramente a matéria pertinente à responsabilidade da autuada pelo pagamento do imposto incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, decorrente de alienação de bens e direitos situados no Brasil. Isto porque, uma vez acolhido o pleito da contribuinte relativamente a sua pretensa ilegitimidade passiva, restará prejudicada a discussão quanto ao acréscimo patrimonial tributável nas permutas sem torna. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA CONTRIBUINTE Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sob o argumento de que os dispositivos legais utilizados como esteio à pretensão fiscal, quais sejam, artigos 682, inciso I, e 685, inciso I, alínea “b”, do RIR/1999, com matrizes legais nos artigos 97, alínea “a”, 100 e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 20 9 101, do Decretolei n° 5.844/43, se caracterizam como normas legais genéricas, editadas desde 1943. Sustenta que a tributação do ganho de capital auferido pelos residentes ou domiciliados no exterior fora devidamente/especificamente contemplada pelo artigo 18 da Lei n° 9.249/1995, a qual deverá prevalecer em detrimento à norma geral, em observância ao princípio da especialidade das leis. Explicita as formas de tributação do ganhos de capital auferido pelas pessoas físicas e jurídicas residentes/domiciliadas no Brasil, concluindo que o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.249/1995 estendeu também às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior o regime de tributação do ganho de capital auferido por pessoa física residente no Brasil. Ressalta que no presente Auto de Infração consta como legislação aplicável ao caso os artigos 26 e 27 da Instrução Normativa n° 208/2002, concernente à tributação de pessoa física, que atribuem o dever de recolher o imposto ao alienante do bem ou seu procurador, razão pela qual à época da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado não competia ao adquirente no Brasil efetuar o pagamento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que somente com a edição da Lei n° 10.833/2003, mais precisamente no seu artigo 26, fruto da conversão da Medida Provisória n° 135/2003, após a ocorrência do fato gerador sob análise, o adquirente passou a ser o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior, decorrente da alienação de bens situados no Brasil, constando, inclusive, da Exposição dos Motivos de referida MP que o dispositivo retro vinha alterar o regime que então vigorava, o qual atribuía ao alienante a apuração e recolhimento do tributo. Com mais especificidade, infere que à época da ocorrência do fato gerador o ganho de capital auferido por pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte brasileira, estava sujeito ao pagamento do imposto de renda no Brasil em conformidade com o regramento das pessoas físicas, cuja tributação ocorre separadamente à alíquota de 15%, sendo de responsabilidade do alienante ou seu procurador o pagamento do imposto devido, não existindo, portanto, previsão legal naquele período de aludida responsabilização por parte do adquirente, impondo seja reconhecida a ilegitimidade passiva da autuada. Por seu turno, o voto condutor do Acórdão recorrido corroborou o lançamento fiscal, sob o fundamento de que a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital apurado por residente no exterior encontrase prescrita na legislação de regência desde a publicação do Decretolei n° 5.844, de 1943, o que afasta a tese da contribuinte de que à época da ocorrência do fato gerador inexistia norma legal que a obrigasse a recolher o imposto de renda devido na transação em comento. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão da legitimidade passiva, ou melhor, da responsabilidade da contribuinte pela retenção e recolhimento do tributo lançado, sobretudo em face da legislação específica vigente à época da ocorrência do fato gerador. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Consoante se infere dos autos, não obstante os substanciosos fundamentos do voto condutor do Acórdão recorrido, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, encontrando guarida na legislação de regência e, bem assim, na própria jurisprudência administrativa, notadamente desta Egrégia 2a Turma da CSRF, como passaremos a demonstrar. De início, mormente após a sustentação oral da nobre Procuradoria, impende registrar que em momento algum nos presentes autos se cogitou em conduta simulada da contribuinte ou mesmo hipótese de planejamento tributário. Em outras palavras, o presente lançamento contempla puro e simples ganho de capital, conforme Termo de Verificação, Constatação e Esclarecimentos, às fls. 265/274, sem que a fiscalização tenha lançado qualquer assertiva a propósito de pretenso planejamento tributário ou simulação por parte da contribuinte, o que, de plano, já rechaça a pretensão da Procuradoria neste sentido, por absoluta impertinência em relação às razões da autuação fiscal, sob pena, inclusive, de inovação no lançamento. Mais a mais, ainda que tivesse havido menção por parte da autoridade lançadora de simulação ou planejamento tributário, o que se admite apenas por amor ao debate, tal questão somente poderia ser contemplada para análise do mérito da demanda, não surtindo qualquer efeito nesta prejudicial de ilegitimidade passiva, que passaremos a analisar. Destarte, afora toda questão fática que envolve a demanda, sobretudo quanto às operações realizadas entre as empresas elencadas nos autos, notadamente a incorporação da Participações Celisa SA pela Cosan SA, ora recorrente, o deslinde da controvérsia repousa em determinar se à época da ocorrência do fato gerador do imposto exigido, a autuada se enquadrava como sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido, inicialmente mister ponderar que o DecretoLei n° 5.844/1943, mais precisamente em seus artigos 97 e 100, utilizados como esteios do Acórdão recorrido, contemplava a questão de maneira genérica, ou seja, uma obrigação geral de retenção pela fonte pagadora, do imposto de renda nas hipóteses de remessa, pagamento ou entrega de rendimentos a residente no exterior, senão vejamos: “ Art. 97. Sofrerão o desconto do impôsto à razão de 15% os rendimentos percebidos. (Redação dada pela Lei nº 154, de 1947) a) pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no estrangeiro; (Vide Lei nº 154, de 1947) [...] Art. 100. A retenção do imposto, de que tratam os arts. 97 e 98, compete à fonte, quando pagar, creditar; empregar, remeter ou entregar o rendimento. (Vide Lei nº 9.249, de 1995) Parágrafo único. Excetuamse os seguintes casos, em que competirá ao procurador a retenção: a) quando se tratar de aluguéis de imóveis; b) quando o procurador não der conhecimento à fonte de que o proprietário do rendimento reside ou é domiciliado no estrangeiro. [...]” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 21 11 Em que pese à discussão a propósito da aplicabilidade de aludidos dispositivos legais ao caso vertente, matrizes legais dos artigos 682 e 685 do RIR/1999, na forma que pretende fazer crer o Acórdão recorrido, o certo é que após a edição da Lei n° 9.249/1995, especialmente em seu artigo 18, o ganho de capital dos residentes no exterior passou a ser equiparado ao dos residentes no Brasil, como segue: “Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País.” Nessa toada, a partir da edição da Lei n° 9.249/95, de forma específica, os rendimentos decorrentes de ganho de capital de residente ou domiciliado no exterior, na alienação de bens situados no Brasil, devem observância ao regramento aplicável aos residentes neste País, não se cogitando, portanto, na responsabilidade do adquirente, na condição de fonte pagadora, de efetuar a retenção do imposto de renda em comento, uma vez não vir contemplado na norma legal retro aludida obrigação. Melhor elucidando, a norma legal que passou a regular a matéria não trouxe em seu bojo a obrigação de retenção na fonte, rechaçando, portanto, a responsabilidade da recorrente inscrita no Auto de Infração sob análise. Por sua vez, confirmando a inexistência de dispositivo legal específico contemplando a obrigação de retenção do imposto de renda na fonte nas hipóteses de ganho de capital de não residentes no País, na condição de adquirente, em 30/10/2003, fora publicada Medida Provisória n° 135, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que em seu artigo 26 estabelece o seguinte: “Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil.” A corroborar a pretensão da contribuinte, registrase que a própria exposição de motivos da Medida Provisória n° 135/2003 é por demais enfática no sentido de que referida norma representaria uma alteração no regime jurídico quanto ao tema, destacando que “atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo”, consoante se positiva do excerto abaixo citado: “21. O art. 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território nacional. [...]” A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, nos autos do processo n° 16327.003072/200236, reforça a tese aventada pelo contribuinte, Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 conforme se extrai do voto condutor do Acórdão n° 10422.281, ora adotado como paradigma, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto, in verbis: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO — Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido. [...] Voto [...] De início, cumpre deixar assentado que a situação fática que enfrentamos neste processo é a de alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior (Fortblanc Serviços S/A), para adquirente residente no Brasil (Banco ABN AMRO REAL). A autoridade lançadora indicou o adquirente como sujeito passivo, na condição de responsável, com fundamento precisamente no fato de o alienante ser residente no exterior. [...] Dito isso, passo ao exame da alegação preliminar de erro na identificação do sujeito passivo com base na alegação de que à época dos fatos o adquirente não era responsável pela retenção e pagamento do imposto. Sustenta a Recorrente, em síntese, que não há dispositivo de lei que atribua ao adquirente a responsabilidade pela retenção na fonte do imposto de renda sobre o ganho de capital no caso de o alienante ser residente no exterior. A autuação e a decisão de primeira instância, por sua vez, fundamentam a exigência no art. 685 do RIR/99, a seguir reproduzido: [...] Tanto a autoridade lançadora quanto a decisão de primeira instância anotam que o § 2°, ao mencionar o inciso II, quer se referir, na verdade, ao inciso I, "b", posto ser essa a única hipótese que daria sentido ao dispositivo; que, portanto, haveria um erro na redação do referido artigo, o qual, todavia, argumentam, não retiraria sua eficácia. A Recorrente, por sua vez, rejeita esse argumento e insiste em que não há base legal para a autuação, posto que não existia Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 22 13 à época dos fatos, lei que previsse a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto. Feitas essas considerações iniciais, e sem prejuízo da discussão sobre a ocorrência, ou não, do referido erro na redação do § 2° do art. 685 do RIR/99, examinaremos em seguida o cerne do argumento da defesa no que se refere à alegação de ilegitimidade passiva por ausência de lei que estabeleça a responsabilidade do adquirente. É cediço, que a sujeição passiva tributária, ou mais especificamente, como neste caso, a responsabilidade tributária, deve ser expressamente prevista em lei. É o núcleo do principio da legalidade e é norma expressamente prevista no art. 121 do CTN, a saber: [...] Também é evidente e dispensa maiores comentários, que o Regulamento do Imposto de Renda, como norma complementar que é, destinada apenas a consolidar e sistematizar a legislação, não pode inovar o ordenamento jurídico tributário e, muito menos, criar obrigação, devendo observar a moldura da lei. Vale ressaltar que até a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia dispositivo de lei, em sentido estrito, que atribuísse, expressamente, a responsabilidade do adquirente pela retenção do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior ou em qualquer outra situação. Nenhum dos dispositivos de lei referidos na fundamentação legal tem tal previsão. O que havia era a atribuição genérica da responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do Imposto de Renda no caso de remessa, pagamento, entrega, etc, de rendimentos a residente no exterior. Essa previsão está na legislação do Imposto de Renda no Brasil desde o Decreto n° 5.844, de 1943, saber: [...] Parece claro que é essa previsão genérica, aliás, mencionada expressamente com matriz legal dos artigos 682 e 685 do RIR/99, que dava fundamentos ao dispositivo do Regulamento que atribuía responsabilidade ao adquirente, na qualidade de fonte pagadora. Ocorre que o art. 18 da Lei n°9.249, de 1995, igualou o tratamento tributário do ganho de capital dos residentes no exterior ao dos residentes no Brasil, e que não prevê a hipótese de retenção na fonte, a saber: [...] Logo, a partir da Lei n° 9.249, de 1995, não mais havia a responsabilidade do adquirente, como fonte pagadora, de proceder à retenção do imposto na fonte sobre o ganho de Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 capital auferido por residentes no exterior, pela simples razão de que não mais havia a previsão de incidência do imposto na fonte nesses casos. Somente com a edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, é que se passou a ter previsão legal especifica de retenção do imposto na fonte, no caso de ganho de capital de não residentes, com responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do Imposto. É o que se extrai do art. 26 da referida Lei: É esse, pelo menos, o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal, manifestado por meio dos seus atos normativos. Com efeito, a partir da edição da Lei n° 9.249, de 1995 e antes da Lei n° 10.833, de 2003, em nenhuma das Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal havia a previsão da responsabilidade do adquirente na hipótese sob exame, diferentemente do que veiculado nas Instruções Normativas editadas antes da lei n° 9.249, de 1995 e depois da Lei n° 10.833, de 2003. Vejamos as Instruções Normativas n° 31/1996 (art. 41), n° 48/1998 (art. 26) , 73/1998 (art. 27), 84/2001 (art. 84) e 208/2002 (art. 27): [...] Por outro lado, como já mencionado, antes da vigência da Lei n° 9.249, de 1995 a Instrução Normativa SRF n° 39, de 1993 previa que a fonte pagadora, no caso, o adquirente, seria o responsável pela retenção e recolhimento do imposto sobre o ganho de capital, no caso de alienante residente no exterior, a saber: [...] Da mesma forma, após a edição da Lei n° 10.833, de 2003, como não poderia deixar de ser, os atos normativos da Secretaria da Receita Federal passaram a prever a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto. É o que e vê da Instrução Normativa SRF n° 407, de 2004, no seu art. 1°, verbis: [...] De todo o exposto, é forçoso concluir que, em relação ao período objeto do lançamento, o ano de 1999, não pesava sobre o adquirente, por absoluta falta de previsão legal, específica ou genérica, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, na hipótese de alienante residente no exterior ou qualquer outra situação. [...]” No mesmo sentido, a 2a Turma da DRJ em Brasília, ao analisar o processo n° 14041.000424/200434, idêntico ao presente, afastou a legitimidade passiva do contribuinte, adotando como fundamento à sua empreitada os argumentos sintetizados na seguinte ementa: “Legitimidade passiva De acordo com os art. 26 e 27 da Instrução Normativa SRF n° 73/98 a alienação de bens e direitos situados no Brasil realizada por residente no exterior está sujeita à tributação definitiva sob Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13888.002407/200689 Acórdão n.º 9202002.703 CSRFT2 Fl. 23 15 a forma de ganho de capital. O recolhimento do imposto sobre o ganho de capital deverá ser efetuado na data da alienação, sendo responsável o alienante ou o seu procurador.” Em face de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, a então 6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes entendeu por bem manter a decisão encimada, nos termos do Acórdão n° 10615.151, assim ementado: “IRRF. SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO O ganho de capital apurado pelo residente e domiciliado no exterior está sujeito à tributação definitiva e o responsável pelo recolhimento do imposto é o alienante ou o seu procurador.” Na esteira desse mesmo entendimento, esta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão de 21/03/2012, por unanimidade de votos, afastou a legitimidade passiva, ou seja, a responsabilidade do adquirente pelo recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, firmando a tese que o sujeito passivo seria o alienante ou seu procurador, consoante se positiva do Acórdão n° 920202.052, da lavra do nobre Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, exarado nos autos do processo n° 10980.004358/200753, com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002 GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Recurso especial provido.” Partindo dessas premissas, em razão da absoluta falta de previsão legal específica para a responsabilização do adquirente residente no exterior pelo recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre o ganho de capital na alienação de bens situados no Brasil, impõese reconhecer a ilegitimidade passiva da recorrente e, por conseguinte, a improcedência do feito, na linha da jurisprudência firmada nesta instância administrativa. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, afastando a sua legitimidade passiva, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.979333/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/08/2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 33 /2 00 9- 03 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente proCesso de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$ 19,02, ocorrido em 30/08/2002, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 27354.60733.141105.1.2.041485, relativo ao período de apuração mar/2002. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 1.584,60, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.377, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:30/08/2002 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 28815.42372.241105.1.3.049118 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 29,94, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 19,02, código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2002; Data de Arrecadação: 30/08/2002. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de março/2002 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 1.584,60. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2002, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de mar/2002, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2003 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de março/2002. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979333/200903 Acórdão n.º 1802001.712 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14120.720002/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES.
A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações.
Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77.
Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos.
MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constituise ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 72 00 02 /2 01 1- 28 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Paulo Cortez. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0427.818 da 2ª Turma da DRJ/CGE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 724 3 O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, a contribuinte aduz as seguintes razões defesa: a) que a modificação societária, como foi devidamente provada e em nenhum momento questionada formalmente, adveio de permuta de participações, que será mais bem esmiuçada adiante, mas de logo se adiante que tal permuta não gerou nenhuma falta de recolhimento de tributo; b) que foram levadas a bom termo negociações com outro grupo econômico (Odebrecht S.A., via ETH Participações S.A. e Nova Boipeba Participações S.A.), que oferecia, em troca de Eldorado, a possibilidade de controlar outra empresa, pronta e com projetos para tocar novos negócios, a Mucuri; c) que os acionistas da contribuinte peremptoriamente descartaram vender sua controlada Eldorado, pois, se vendessem esse negócio, seria um retrocesso, pois o custo de, a seguir, adquirir ou implementar novos empreendimentos traria, com inflada precificação, o momento de ebulição no desenvolvimento econômico do Brasil; d) que, se fosse para, em troca, já receber uma participação com projetos para serem deslanchados, não haveria sobressalto na marcha de diversificação dos seus negócios, visando atuar em novas áreas empresariais; e) que a causa é o propósito negocial que subjaz à permuta havida, atributo essencial de um negócio jurídico; f) que forte no desejo de entregar uma participação, mas só, e somente só, se recebesse outra participação, a contribuinte e a Odebrecht celebraram um "Contrato de Permuta e Outras Avenças" (fls. 84), pelo qual houve a seguinte permuta: a contribuinte entregou sua participação em Eldorado e a Odebrecht /ETH entregou sua participação em Mucuri. g) tendo sido trazidos, como supostas provas, elementos coletados de terceiros, estranhos à ora autuada, sem que fosse esclarecido como eles passaram a fazer parte Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 documental e probatória neste processo, pois, no mínimo, tal fato configura violação do sigilo fiscal de terceiro estranho à contribuinte, do contraditório e da legalidade da ora recorrente; h) em momento algum a contribuinte ou seus acionistas receberam direta ou indiretamente qualquer pagamento; i) que a Mucuri foi recebida, e continua até hoje, como um investimento produtivo da contribuinte; j) que não ocorreu um contrato de compra e venda, que tem contorno legal diverso; k) que ante a aproximação dos institutos, fica o pagamento em dinheiro como traço distintivo da permuta para a compra e venda, como é lição vetusta na nossa doutrina, aqui se valendo das lições do grande mestre Pontes de Miranda (in Tratado de Direito Privado, tomo 39, § 4338): “Pela troca permutase coisa por coisa, ou posse por posse. Tudo que é suscetível de venda é permutável, tudo que é suscetível de propriedade ou posse também o é, exceto o dinheiro. A moeda corrente é que, funcionando, como funciona, no tráfico, é medida comum de valor e constitui preço, o que conceitualmente torna de compra e venda o contrato. (...) Se uma das prestações é dinheiro, há compra e venda, e não troca. (...)”; l) que a referência feita no contrato de permuta, sobre os valores patrimoniais das participações Eldorado e Mucuri se cingiram a obrigação negocial de fornecer dados das demonstrações contábeis, sem qualquer traço de preço; m) que a operação nunca foi desfeita, já que a Mucuri permanece até hoje sob controle da Contribuinte, em plena atividade, realizando o seu objetivo social e, também, nunca o dinheiro ou o patrimônio, que constava na empresa adquirida por permuta, foi repassado ou ingressou no patrimônio dos acionistas da controladora; n) que a autuação oscilou na sua fundamentação, ora parecendo respeitar o contrato de permuta, ora acusando de ter havido uma compra e venda; o) que ou a autuação considerou que foi irreal o contrato de permuta, dizendo ter ocorrido, na verdade, um contrato de compra e venda portanto simulação, ou a autuação considerou formalmente correto, pleno e indiscutível o contrato de permuta; p) que a autuação expôs uma ambiguidade já a revelar violação do contraditório e da ampla defesa, o que, por si só, seria suficiente para inquinar de nulidade a autuação; q) que pese não ter havido a acusação formal de simulação ou questionada a existência do contrato e negócio de permuta; ficando tudo no campo da insinuação; r) que, como visto e provado e na verdade não afastado formalmente pela autoridade fiscal, não houve operação de compra e venda, mas uma legítima permuta de participações societárias, sem pagamento de dinheiro, mas recebimento de participação em outra sociedade, que continua ativa; s) que, se a autuação considera que houve uma compra e venda, e por isso buscou aquilatar um inexistente ganho de capital no pagamento em dinheiro, fácil de ver que a autuação não tem lastro em provas; Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 725 5 t) que a decisão recorrida não enfrentou a maioria dos pontos tratados na peça Impugnatória, o que, desde já, configura cerceamento no direito de defesa da recorrente; u) que a decisão recorrida também incorreu em outros vícios como: a) erro na apreciação dos elementos constante nos autos; b) alteração dos critérios jurídicos do lançamento, conforme serão detalhados em tópico específico; v) que em momento algum a autoridade fiscal considerou a existência de fraude ou simulação, o que, inclusive, levou a lavratura do auto de infração com multa de ofício de 75%, mas ao apreciar a questão a r. decisão promoveu verdadeira alteração no critério jurídico utilizado no lançamento, inserindo, equivocadamente, um novo motivo ao lançamento tributário e, com isso, inovando o lançamento; w) que a decisão recorrida adotou um novo enquadramento legal relativo à simulação do Direito Civil que, em nenhum momento foi utilizado pela autoridade fiscal; x) que enquanto o auto de infração foi motivado na ocorrência de ganho de capital decorrente de contrato de permuta de participação societária, a DRJ atribuiu consequência jurídica diversa à operação ao requalificála como compra e venda e, com isso, desconsiderar o contrato de permuta, quando não foi isso que a autoridade fiscal fez na autuação, portanto a decisão recorrida padece de vício insanável, pois, ao tentar salvar o lançamento, promoveu uma verdadeira alteração dos critérios jurídicos; y) que o Parecer PGFN nº 970/1991 sustenta que: “8. Por outro lado, o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de uma renda ou de proventos de qualquer natureza, segundo preceitua o art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25.10.66). Como o conceito de renda é um conceito econômico e até hoje sem nítidos contornos, temos que o referido imposto incide sobre a percepção de urna renda, segundo critério jurídico. Isto significa que só são considerados renda ou proventos os que a lei define como tais, coincidam ou não com o conceito econômico. 9. Ora, como demonstramos, os particulares e o Estado participam de uma operação de troca (permuta), pois os participantes do leilão também buscam trocar títulos públicos por participações acionárias das estatais, e, dessa forma, afastarseia a preocupação dos reflexos na licitação (leilão), pois o objetivo final dele não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos. (...) 15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e a própria base de cálculo. (...) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 16. É evidente que o momento não seria aquele da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão, existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em consequ ência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” z) que tal entendimento da PGFN veio depois a ser normatizado pela IN nº 92/91; aa) que o momento futuro, de eventual alienação do bem permutado, é que poderia ser o marco para aquilatar ganho; ab) que a contabilização da aquisição de Mucuri, na contribuinte, foi feita erroneamente, afinal, sendo Mucuri controlada, deve esse investimento seguir os ditames do MEP; ac) que o registro deveria ter sido o seguinte: valor PL Mucuri: R$ 232.540.000,00; e deságio na aquisição R$ 159.142.989,77; ad) que houve assim a errônea tributação do deságio; ae) que o erro contábil não pode gerar uma tributação indevida; af) que é indevida a cumulação de multa de ofício com multa isolada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais alega sucintamente que: a) análise detida do Termo de Verificação Fiscal demonstra que simplesmente não existe a ambiguidade apontada pela recorrente, pois a fiscalização jamais cogitou que a recorrente tivesse celebrado um típico negócio jurídico de permuta, daqueles legalmente aptos a afastar a tributação pelo Imposto de Renda; b) que, diante de uma situação concreta de alienação de participação societária, o que a Fiscalização fez foi deixar de lado a denominação dada pelas partes ao contrato (permuta) para analisar o conteúdo efetivamente avençado; c) que uma vez afastada a caracterização do negócio como uma permuta apta a afastar a tributação, só restava ao AFRFB o dever de lavrar o competente Auto de Infração para lançamento do IRPJ incidente sobre o ganho de capital auferido; d) que o auto de infração é muito claro em afirmar que os únicos negócios permutativos capazes de afastarem a tributação sobre o ganho de capital seriam aqueles consignados no art. 121, II e 134 do RIR/99, não se enquadrando o caso dos autos em nenhuma dessas hipóteses; Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 726 7 e) se, como visto, (i) o negócio jurídico realizado não é típica operação de permuta, pois existente transferência de dinheiro, e (ii) apenas as permutas de unidades imobiliárias sem torna e as permutas de títulos da dívida pública por ações do Programa Nacional de Desestatização estão afastadas da tributação pelo ganho de capital, não sendo este o caso dos autos, (iii) não pode haver outra conclusão senão a de que o negócio não pode ter o tratamento tributário reservado para os negócios permutativos; f) que exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresentou longo e detalhado arrazoado no que concerne a todos os aspectos abordados no lançamento fiscal, de modo a demonstrar que tinha pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas no AI; g) que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; h) que, no que diz respeito ao cerceamento do direito de defesa, cumpre registrar que a decisão da DRJ/CGE analisou todos os pontos que se faziam necessários para a solução da controvérsia, não estando o julgador obrigado a abordar todas as questões apontadas pelas partes, desde que fundamente de forma suficiente o seu entendimento, tal como no caso dos autos, conforme pacífico entendimento do STF; i) que a DRJ jamais afirmou que o capital da Nova Mucuri no momento da “permuta” era de R$ 1.000,00. Como se vê do próprio trecho transcrito pela recorrente, a DRJ apenas narra que a Nova Mucuri foi constituída com capital social de R$ 1.000,00. No momento da suposta permuta, a DRJ deixa claro que o capital social era de R$ 232.540.000,00, oriundo da subscrição de novas ações, logo, não há, portanto, que se falar em erro na apreciação de fatos. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, há que se afastar a alegação de violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa por suposta dubiedade na fundamentação do auto de infração, pois os fatos estão bem descritos, como também a posição adotada pelos autuantes, segundo a qual o nomen iuris utilizado pela recorrente no contrato celebrado com a Odebrecht/ETH não é relevante, por ser a permuta espécie do gênero alienação, sofrendo assim os efeitos tributários Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 que qualquer alienação sofreria, sendo que essa posição ficou bem clara para a recorrente, conforme podese depreender da simples leitura da sua peça recursal. A recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa, pois sustenta que a decisão recorrida não enfrentou todos os pontos da sua impugnação, mas não aponta qualquer ponto que tenha deixado de ser respondido. Ademais, tem razão a Fazenda Nacional quando sustenta, respaldada em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Por essas razões também afasto a alegação de cerceamento do direito de defesa da recorrente. Quanto às alegações de que a decisão recorrida incorreu em erro na apreciação dos elementos dos autos e alterou critério jurídico, caso sejam procedentes, estará comprometida a fundamentação daquela decisão e, consequentemente, merecerá reforma por parte deste Colegiado, sem contudo, significar que, neste Colegiado, as conclusões acerca da autuação em tela, obrigatoriamente, venham a ser diferentes, já que, não estando vinculado às fundamentações da instância julgadora primária, poderá, por outras razões, chegar ao mesmo dispositivo do acórdão recorrido. Com relação ao mérito, a questão a ser dirimida, por este Colegiado, é muito simples, pois consiste em responder se se aplica o disposto na Instrução Normativa nº 107/88 em caso de permuta de ações sem torna. Qual a base legal da Instrução Normativa nº 107/88 para afastar o ganho de capital em caso de permuta sem torna? Não há. Como também carece de base legal o inciso II do art. 121 do RIR/99, pois o ali disposto só encontra eco na IN 107/88. Todavia, são esses os dispositivos que levaram a contribuinte a concluir que não havia ganho de capital a ser apurado na permuta que realizou. Assim, esquivome de fazer qualquer juízo de legalidade sobre tão vetustos dispositivos e passo apenas a verificar se eles se aplicariam ao caso sub examine. Da simples leitura da IN 107/88, verificase instantaneamente que ela só se aplica em caso de permuta de unidade imobiliárias (casa, terrenos, apartamentos), se não vejamos como dispõe o seguinte dispositivo: “1.1 – Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada ‘torna’.”. Como se vê, restringiuse o conceito próprio de permuta, para fins da IN 107/88, apenas para aquelas cujos objetos fossem unidades imobiliárias. Ademais, estamos diante de permuta realizada entre pessoas jurídicas, logo, há que se analisar o item 2 da Seção II da IN 107/88, o qual está intitulado como “Permuta entre Pessoas Jurídicas”. Do item 2, reforçase ainda mais a conclusão de que ela só se aplica em caso de permuta de unidades imobiliárias, se não vejamos como dispõe alguns dos seus dispositivos: “2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas: Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 727 9 2.1 – Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem...”. Notese que todas as demais disposições acerca de permuta entre pessoas jurídicas são subitens do item 2.1, ou seja, todas as disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos). Logo, inaplicável a IN 107/88 em caso de permuta de ações entre pessoas jurídicas. Da mesma forma, inaplicável, em caso de permuta de ações, o art. 121, II, do RIR/99, in verbis: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): (...) II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.” A contribuinte cita, então, o Parecer PGFN nº 970, de 23/09/91, e diz que, posteriormente, o entendimento ali exarado viria a ser normatizado na IN 92/91. Tratase de mais um equívoco da contribuinte, pois o referido parecer carecia tanto de suporte legal que se fez necessário editar o art. 65 na Lei nº 8.383, de 30/12/91, o qual assim versa: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.” Como se vê, tratase de norma específica aplicável apenas aos casos abrangidos pelo Programa Nacional de Desestatização, razão pela qual seria absurdo transformar uma norma específica em norma geral de tributação. Todas essas normas que dispensam a tributação do ganho de capital em caso de permuta sem torna são normas excepcionais, pois a regra é a tributação sempre que houver Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. Ora, a melhor exegese nos diz que normas excepcionais são interpretadas estritamente, razão pela qual não há que se falar em interpretação extensiva de tais normas para fazêlas alcançar a situação em tela – permuta entre PJs de direito privado de ações de emissão de outras PJs de direito privado. Outro ponto que deixa ainda mais claro a inaplicabilidade de tais normas ao caso em tela, reside na impossibilidade de a recorrente cumprir com a exigência prevista no item 2.2.1 da IN 107/88, a mesma exigência prevista no § 1º do art. 65 da Lei 8.383/91. Ou seja, nestas hipóteses de permuta sem torna de unidade imobiliária, o contribuinte deverá contabilizar o bem recebido pelo mesmo valor do bem dado em permuta (postergarse a tributação do ganho de capital para eventual momento futuro de alienação do bem recebido). Ocorre que a contribuinte até tentou contabilizar as ações recebidas da Mucuri pelo valor que estavam registradas, na sua contabilidade, as ações da Eldorado (R$ 73.397.010,23), mas, já reconheceu, na sua peça recursal, que isso não era correto. No caso em tela, o registro das ações da Mucuri pelo valor que estavam contabilizadas as ações da Eldorado significa uma ofensa à Lei nº 6.404/76 e ao DL nº 1.598/77, o que, por si só, já seria o bastante para demonstrar a inaplicabilidade das normas de permuta de unidade imobiliárias em caso de permuta de ações de investimentos avaliados pelo MEP. Qual então a norma aplicável ao caso? O art. 418 do RIR/99, conforme citado pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal, peça integrante ao auto de infração. A base legal de tal dispositivo regulamentar é o art. 31 do DecretoLei nº 1.598/77, o qual assim dispõe: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) § 3º O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real.”. Uma vez afastado o tratamento da permuta estabelecido na IN 107/88 ao presente caso, temos que observar a operação de alienação das ações da Eldorado como qualquer outra alienação. Conforme se observa do dispositivo acima, o custo será o valor contabilizado das ações da Eldorado (R$ 73.397.010,23), logo, tendo a recorrente recebido em dação em pagamento as ações da Mucuri, as quais estavam contabilizadas na adquirente por R$ 232.540.000,00, resultou em um ganho de capital no montante de R$ 159.142.989,77. Notese que o valor da Nova Mucuri correspondia exatamente ao valor que fora depositado em sua conta bancária no Banco Real pelo grupo ETH, por meio da Nova Boipeba Participações, no montante de R$ 232.540.000,00. Esse era o único ativo da Nova Mucuri. Assim, não há falar em deságio na aquisição da Nova Mucuri, como tentou sustentar a recorrente, quando o único ativo que tal empresa possuía era uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00. Ademais, onde está o laudo que avaliou as ações da Nova Mucuri abaixo do seu valor patrimonial em R$ 159.142.989,77? Qual o fundamento desse deságio? Não existe nada nos autos, mesmo porque seria absurdo dizer que uma empresa cujo único ativo é uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 tenha sido alienada por R$ R$ 73.397.010,23. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 728 11 Por sua vez, o laudo que existe nos autos é o da adquirente das ações da Eldorado, ou seja, o Laudo encomendado pela ETH (doc. a fls. 134 e segs.), no qual as ações da Usina Eldorado S/A foram avaliadas em R$ 377.473.000,00 (vide doc. a fls. 139), o qual está assim composto: Valor do fluxo de caixa futuros.............R$ 221.140.000,00 Valor da perpuitadade............................R$ 156.333.000,00 Valor do Empreendimento.....................R$ 377.473.000,00 Notese que o valor pago à recorrente, pelas ações da Usina Eldorado S/A, R$ 232.540.000,00, é bem próximo do valor apurado pelo laudo de avaliação com base no fluxo de caixa futuros. Como então pode a recorrente negar que houve ganho de capital na operação? Alienação é gênero do qual compra e venda, permuta, desapropriação, etc. são espécies, razão pela qual concluo perfeita a conclusão do autuante de que houve, in casu, um ganho de capital no montante de R$ 159.142.989,77, o qual deveria ter sido oferecido à tributação pela recorrente. Notese que este ganho de capital da recorrente na alienação da Eldorado é tão óbvio quanto o registro do ágio na aquisição da Eldorado pela ETH Bioenergia S/A. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte no tocante aos lançamentos do IRPJ e CSLL. Passo a analisar o lançamento da multa isolada por falta de pagamento dos tributos sobre as bases estimadas, quando também lançada multa de ofício sobre o IRPJ apurado sobre o lucro real e a CSLL sobre a base ajustada. Inicialmente, friso que este Colegiado tem firmado diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) há quem sustente que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) há quem sustente que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) há quem sustente que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) há quem sustente que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instituto do Direito Penal da “consunção”. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 729 13 Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2o e 44, § 1o , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14120.720002/201128 Acórdão n.º 1302001.080 S1C3T2 Fl. 730 15 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13657.001235/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2101-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 05, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005 – Ano Calendário 2004, para lançar infrações de irregularidades na declaração de ajuste anual, por meio da qual foi exigido crédito tributário – Suplementar , no valor de R$ 3.017,80, mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, onde alegou, em síntese, que: 1º. Está em plena vigência a obrigação do pagamento da pensão a sua exesposa, conforme se pode confirmar pelo processo 860/953/92, de 10/11/19922a Vara Cível em Pouso Alegre/MG e pelos comprovantes de pagamentos, cujas cópias ora anexa; 2º. Como pagou de diversas formas a pensão, inclusive em cheque e dinheiro, além de crédito bancário, envia também a cópia da declaração do imposto de renda de sua ex esposa para confirmação do recebido; 3º. A diferença de pagamento realizada pela Prefeitura realmente ocorreu, visto que somou os valores dos recibos por não ter a declaração anual da Prefeitura em mãos. Por fim, requer seja acolhida a impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 58 a 62): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/200721 Acórdão n.º 2101001.490 S2C1T1 Fl. 2 3 qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 . DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas são dedutíveis a titulo de pensão alimentícia as importâncias comprovadamente pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O julgador de 1a instância, manteve a glosa da dedução a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 14.300,00. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 18/06/2010 (fl. 64v), o Recorrente apresentou, em 15/07/2010, o recurso de fls. 67, onde reafirma que: a) Houve equivoco por parte do representante da Receita Federal, já que fora juntada cópias da SENTENÇA JUDICIAL, HOMOLOGACAO JUDICIAL DE ACORDO INFORMAL ENTRE O CONTRIBUINTE E PENSIONISTA, COMO TAMBÉM, TODOS COMPROVANTES REFERENTES AO PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL JÁ REFERIDA. b) Nos autos, constam todos os documentos possíveis e necessários que comprovam o pagamento e recebimento da referida pensão entre os contribuintes em questão. c) Pode ter havido equivoco no entendimento do pagamento e recebimento da Pensão Alimentícia em questão. Por fim requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 75, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2005 – Ano Calendário 2004, com irregularidades, e foi autuado em decorrência de omissão de rendimentos e glosa de dedução a título de pensão alimentícia judicial. O julgador a quo manteve a glosa relativa à referida pensão. O acórdão recorrido fundamentou o indeferimento dessa dedução em razão da não apresentação de certidão atualizada pelo Juízo de Direito da Comarca de Pouso Alegre/MG e, ainda, a não identificação de quem efetuou os pagamentos e a não coincidência dos valores declarados com o valor que teria sido pago pelo impugnante. Ressaltese que foi apresentado pelo recorrente o acordo homologado judicialmente que fixou os alimentos, fls.09/11, bem como recibos de depósitos referentes à alimentada, fls. 17/28 e, ainda, a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da exesposa, fls.29, Nídia Maria de Oliveira. Da análise da documentação acostada nos autos, entendo que há no presente processo um conjunto comprobatório robusto que permite concluir que o contribuinte teve despesas com alimentos judiciais durante o anocalendário 2004, já que conforme fl. 29, acostou aos autos cópia da DIRPF da benefíciária, sua exesposa, reportando rendimentos de R$ 13.200,00, mesmo nao tendo apresentado a certidão judicial confirmando o valor mensal da pensão. Após a análise dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, fica comprovado que realmente o recorrente teve despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPF no montante de R$ 14.400,00 como alimentos judiciais em favor de Nídia Maria de Oliveira durante o anocalendário 2004. Em casos análogos, este Conselho assim tem decidido, nas ementas: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004 GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas glosadas de pensão alimentícia quando foram realizadas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102000.988 Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento). Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL E DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 2102000.783 Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13657.001235/200721 Acórdão n.º 2101001.490 S2C1T1 Fl. 3 5 Ante ao exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja restabelecida a dedução de pensão judicial alimentícia no valor de R$ 14.400,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004241/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/12/2006
EX-TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.
O enquadramento de mercadoria importada em Ex-tarifário reclama estejam presentes todas as características previstas na regra excepcional de classificação.
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.
A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/12/2006 EX-TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria importada em Ex-tarifário reclama estejam presentes todas as características previstas na regra excepcional de classificação. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/12/2006 EXTARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria importada em Extarifário reclama estejam presentes todas as características previstas na regra excepcional de classificação. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico, nem tampouco constitui violação ao princípio do direito adquirido. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 42 41 /2 00 9- 83 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto sobre a Importação e do IPI vinculado, no valor de R$ 1.148.149, 62, incluídos juros e multa de ofício, face ao não reconhecimento do enquadramento da mercadoria importada em Extarifário. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 165/179) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 1.148.149,62, relativo às diferenças do Imposto de Importação e do IPIImportação, acrescidos dos juros e da multa de ofício, em virtude do não reconhecimento do benefício da redução de impostos com base em Extarifário pleiteado pela interessada com relação à mercadoria importada através da Declaração de Importação (DI) n° 06/15787481, registrada em 28/12/2006, equipamento FAX SUPERSTAR, classificado, inicialmente, de Sistema Integrado Automático (SI 308), constituído pelos componentes descritos no artigo 2° da Resolução CAMEX N° 26, DE 05/10/2004, para fabricação de fraldas descartáveis, tipo multipeças, com aplicação de gel absorvente (poliacrilato de sílica) e difusor de urina, com capacidade de produção máxima maior ou igual a 650 fraldas por minuto, cujos componentes são classificáveis em diversos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 183/195), a auditoria informa que a mercadoria, conforme laudo técnico, não se enquadra no Extarifário, porque não satisfaz a condição de produção de 650 fraldas ou mais peças por minuto. Além disto, não se trata do modelo que, conforme dados técnicos extraídos da página do fabricante "www.fameccanica.com/en/sezioni_prodotti.htm", satisfaz as condições necessárias ao beneficio fiscal do "Ex". Regularmente cientificada (fl. 196), a interessada apresentou impugnações tempestivas, às fls. 199/209 e 241/251, nas quais, em síntese: Alega que, conforme o laudo pericial, a máquina pode atingir um volume de 675 peças por minuto, dependendo do comprimento do produto e da velocidade de trabalho imposta, e corresponde ao padrão definido no Extarifário. Afirma que a vistoria para o laudo complementar não chegou sequer a verificar efetivamente o volume de peças produzidas Fl. 911DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10730.004241/200983 Acórdão n.º 3202000.811 S3C2T2 Fl. 911 3 pela máquina em funcionamento. Mas que, de qualquer forma, não constatou a insatisfação quanto ao número e que a questão da qualidade, além de não ser um expert no assunto, refletese nos preços praticados ao alcance de uma determinada camada social Esclarece que a velocidade máxima da máquina de fraldas é obtida dividindose a velocidade de trabalho em metros/minutos pelo comprimento da menor peça fabricada, que no caso é 370 mm (0,37 m), resultando, portanto, para o caso do sistema integrado FAX Superstar que a velocidade máxima é de 675 fraldas/minuto. E que a divergência da perícia resulta do fato de que foi observado e filmado pelo perito a velocidade de produção corrente e não a velocidade máxima, obtida apenas em fraldas menores. Aduz que a velocidade de produção depende do produto, da matériaprima, das condições ambientais e da performance dos operadores, mas que a máquina satisfaz as condições do Ex tarifário se colocada para produzir na maior celeridade possível. Mas que, após observar a máquina em funcionamento, a vistoria concluiu que foram produzidas 650 fraldas, além de um percentual de peças semiprejudicadas. Alega que a abusiva autuação fere vários princípios constitucionais, tais como o do direito adquirido, da motivação, da primazia dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, da prioridade do desenvolvimento nacional, do não confisco e da propriedade privada, pois a máquina já estava nacionalizada e o processo de conferência encerrado. Daí resulta a impropriedade de modificar a classificação retirandoa do Extarifário e lançar complemento fiscal, sem justificativa concreta e de forma imotivada, indiferente às consequências sociais e aos graves reflexos que poderão advir ao complexo industrial que emprega mais de 900 empregados, tendo em vista a função social da empresa, e agindo contra os interesses nacionais, o desenvolvimento econômico e o progresso social. Requer o cancelamento da presente autuação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BSA n.º 07 29.789, de 24/08/2009 (fls. 862 e ss), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/12/2006 EXTARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um Extarifário, é necessário que suas características essenciais estejam perfeitamente adequadas às especificações estabelecidas no referido “Ex”. Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no “Ex” pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 873/882, com fundamento nas seguintes razões de defesa, aqui relatadas no que interessa ao deslinde do litígio: Fez a aquisição da máquina justamente por estar enquadrada no Extarifário. A descrição da mercadoria importada informada na Declaração de Importação – DI, confirmada em laudo pericial, indica que a máquina pode atingir até 675 peças, a depender do comprimento do produto e da velocidade de trabalho imposta. O laudo resultante da vistoria concluiu pela inadequação ao Extarifário, porém não chegou sequer a verificar o volume de peças produzidas pela máquina, declarando a dificuldade de fazêlo em razão do elevado volume que dela saía, inclusive pelo atolamento causado pelo desprendimento de fraldas do transportador do stacker e o prosseguimento de fraldas desordenadas. A divergência da perícia realizada por ocasião da vistoria resulta do fato de que o que foi observado pelo perito foi a velocidade corrente e não a velocidade máxima, que é obtida apenas com fraldas menores. A velocidade varia em função do produto, das matérias primas, das condições de umidade e temperatura, da performance dos operadores etc. Afora o fato de o procedimento reclassificatório violar um direito adquirido, “vale ressaltar que a vistoria conclui por ela após observar a máquina em funcionamento e o produto dele resultante, que saiu na quantidade prevista no Extarifário (650 fraldas) com um percentual de peças semi prejudicadas o que é comum, o que implica na sua distribuição entre os 1.000 (mil) funcionários da empresa”. A fiscalização esteve no parque industrial e observou a máquina funcionando, testando o seu volume de produção, que atinge o volume previsto para enquadramento no Ex tarifário, independentemente do produto final, desde que a máquina seja colocada para produzir na maior celeridade possível. A Recorrente ressalta princípios constitucionais, uma vez que a máquina já estava nacionalizada e o processo de conferência encerrado. Turvouse o seu direito de propriedade. Fabrica produtos de vários tipos e padrões, com o fito de atender a todas as camadas sociais, pelo que o acórdão recorrido desconsiderou interesses comunitários, uma forma de atacar o desenvolvimento social. A exigência acarreta sério dano financeiro à Recorrente. A decisão recorrida manteve o lançamento sem motivação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10730.004241/200983 Acórdão n.º 3202000.811 S3C2T2 Fl. 912 5 O cerne da questão diz com o enquadramento ou não de mercadoria importada pela Recorrente em “Extarifário”. O equipamento importado é o FAX SUPERSTAR, identificado como Sistema Integrado Automático (SI 308) e constituído por componentes descritos no art. 2° da Resolução CAMEX N° 26, de 05/10/2004. Destinase à fabricação de fraldas descartáveis, tipo multipeças, com aplicação de gel absorvente (poliacrilato de sílica) e difusor de urina, características técnicas que aqui não se discutem. A divergência se restringe apenas a sua capacidade de produção: se igual ou superior a 650 fraldas por minuto, no entender da Recorrente, ou se inferior a este volume, no entendimento da fiscalização, definição que ensejaria ou não a aplicação da regra excepcional de classificação em Extarifário. Segundo ressai dos autos, foram os seguintes os exames realizados no equipamento importado: 1º EXAME: durante o despacho aduaneiro, a Recorrente apresentou laudo técnico, subscrito pelo assistente técnico Sérgio Lima Maya, concluindo, com fundamento em cálculos matemáticos (divisão da velocidade de trabalho pelo comprimento da fralda), pelo enquadramento da mercadoria no Extarifário, uma vez que capacidade de produção seria de 657 peças por minuto (ressalva de próprio punho ao final do documento). Cumpre destacar, como já o fez a DRJ, que dados técnicos disponibilizados pelo fabricante do equipamento foram desconsiderados pelo assistente técnico, especificamente a escala de eficiência variável entre 85 a 95% a depender da velocidade do equipamento. Assim, quanto maior a velocidade, menor eficiência na produção; 2º EXAME: perícia técnica realizada pelo perito credenciado Elcino Del Penho Júnior, em 5/12/2008, no equipamento importado já em pleno funcionamento no próprio estabelecimento industrial da Recorrente, havendose concluído que a sua produção era de 456 fraldas por minuto, próxima a indicada pelo próprio fabricante (a FAMECCANICA divulga que a capacidade produtiva da máquina importada pela Recorrente é de até 500 peças por minuto); 3º EXAME: uma segunda vistoria na máquina, realizada, em 2/4/2009, pelo mesmo perito credenciado, apontou, em laudo complementar, que o equipamento importado apresentara uma capacidade de produção de 608 fraldas por minuto – ainda inferior ao necessário para o enquadramento no Extarifário. De ressaltar, no entanto, que, para atingir essa produção, o equipamento foi submetido a condições excepcionais de velocidade, em ritmo de produção que seus próprios operadores não estavam familiarizados, tanto que fraldas caíram da máquina, não foram dobradas adequadamente, não foram conduzidas corretamente ao empacotamento ou apresentavam algum outro problema relativo a defeito de fabricação. Nesse cenário, tudo está a comprovar, permitame o truísmo, que o laudo apresentado pelo assistente técnico está, no mínimo, equivocado, porque, além de ter desconsiderado dados técnicos importantes fornecidos pelo próprio fabricante, não foi realizado em equipamento em plena operação, ao contrário do que se verificou nas duas perícias técnicas seguintes, que, ademais, foram realizadas com base em dados divulgados pelo próprio fabricante. De conseguinte, entendo assistir razão à fiscalização. Ademais, além de não ter conseguido desacreditar os exames realizados pelo perito credenciado, a Recorrente apenas traz, como matéria de defesa, considerações que se podem qualificar como metajurídicas, insuficientes, por sua própria natureza, para invalidar o Fl. 914DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 lançamento, o qual, em contradição com o que se alega, traz todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. Com respeito à alegação de violação a princípios constitucionais, entre os quais o direito adquirido, e ao direito de propriedade, cabe assentar que a revisão aduaneira é procedimento absolutamente legal (art. 54 do Decretolei n.º 37, de 1996, e art. 8º do Decreto lei n.º 1.578, de 1977), destinado a permitir ao Fisco apurar, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade da importação ou da exportação e exigir, em sendo o caso, os tributos porventura não recolhidos. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 915DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10380.006547/2004-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep.
PIS NÃO-CUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS.
O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda.
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE.
As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II - Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III - Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
(assinado digitalmente)
Jose Luiz Bordignon- Redator Designado
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDAS. O creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. As embalagens que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens de transporte) não geram direito a creditamento em relação a suas aquisições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Por unanimidade de votos negar provimento quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação. II Pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de embalagens. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. III Por maioria de votos negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 65 47 /2 00 4- 87 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 relação às despesas com fretes. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Sidney Eduardo Stahl. Designado o Conselheiro José Luiz Bordignon para elaborar o voto vencedor. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora (assinado digitalmente) Jose Luiz Bordignon Redator Designado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 236 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Fortaleza/CE, abaixo transcrito: "Tratase de processo contendo Pedido de Ressarcimento de crédito correspondente ao Pis/Pasep – Exportação, apurado sob a sistemática do regime de incidência nãocumulativa, referente ao 2º Trimestre de 2003, totalizando R$ 128.137,87, formalizado mediante a transmissão do PER/DCOMP de número 24427.14199.290906.1.3.085228, fls. 17/27. Tendo por substrato Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização local, fls. 105/107, a DRF Fortaleza, por meio de Despacho Decisório datado de 29/10/2010, fls. 154/157, reconheceu crédito no valor de 95.182,81 e homologou parcialmente as compensações. O não reconhecimento integral decorreu de glosas efetuadas em determinados créditos considerados pela pessoa jurídica, mais especificadamente concernentes a fretes, despesas com depreciação e com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte. Quanto às glosas com fretes e despesas com depreciação, consubstanciadas nos demonstrativos de fls. 76/103, nos valores respectivos de 15.465,43 e 9.009,44, foram efetuados pelos fundamentos a seguir delineados. Segundo registrado na Informação Fiscal, quanto aos descontos com os fretes, foi afirmado que “Somente a partir de fevereiro de 2004 é que passou a ser admitido, para fins de apuração de crédito de PIS, as despesas com frete, conforme Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art. 3º, inciso IX do caput, c/c art. 15, inciso II e art. 93”." Em relação às despesas com depreciação, a glosa efetivouse porque “não houve a apresentação das notas fiscais que comprovam a despesa que deu origem à depreciação”. No que diz respeito à glosa correspondente ao item pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados em embalagem destinada ao transporte, teve como lastro o demonstrativo de fl. 104, no valor de 8.480,19, tendo sido afirmado que de acordo com esclarecimentos e fotos apresentados pela empresa, “os pallets e as cantoneiras são utilizados no processo como embalagem, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 Ante a situação explanada, com base no disposto pelo inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, afirmou a autoridade fiscal que “somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito do PIS”. No Despacho Decisório, a Autoridade Local reiterou o posicionamento versado na Informação Fiscal e deliberou pelo reconhecimento parcial do crédito, no valor de 95.182,81. A ciência deuse em 08/11/2010, fl. 154/157. Não satisfeita com o que foi decidido, em 30/11/2010 a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade, 166/177, argumentando tratarse de empresa “produtora de variados tipos de frutas in natura destinada à exportação, de modo que para garantir a qualidade e conservação de seus produtos é INDISPENSÁVEL a utilização de determinados materiais para a embalagem”. Segundo consta na Informação Fiscal, “somente as embalagens que acondicionam os produtos de forma individual e autônoma poderiam gerar crédito de PIS. Assim, as demais embalagens utilizadas, em especial àquelas adquiridas para a proteção das frutas frescas durante seu transporte ao exterior, não gerariam direito ao crédito”. Todavia, no entender da impugnante, “os pallets, cantoneiras e demais produtos são considerados embalagens de acondicionamento”, posto que a tipificação adotada pela autoridade fiscal teria se apoiado, dentre outros, no art. 6º do Decreto nº 4.544, de 2002, o Regulamento do IPI, enquanto no caso presente a matéria em discussão diz respeito a apuração da Contribuição para o Pis/Pasep de forma nãocumulativa, regime que não se confunde com a nãocumulatividade encontrada no IPI. Afirmou a peticionante que “estamos tratando de créditos de PIS, o qual tem como fato gerador as receitas provenientes da PRODUÇÃO da empresa. Registrese, por oportuno, no vertente caso o contribuinte não é uma indústria, mas uma produtora de frutas frescas, sem qualquer beneficiamento”, que a distinção entre a embalagem de apresentação e embalagem de transporte fora definida para fins de incidência do IPI (RIPI), não sendo considerada no caso de ressarcimento do PIS, que possuem um fato gerador mais amplo”. Ao seu ver, “Na legislação, tanto do PIS, quanto da COFINS, os créditos de embalagem utilizadas na produção são expressamente autorizadas, conforme veremos ao longo desta manifestação”. Discorreu ainda que os “pallets (ou estrados), as cantoneiras, e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (fruta fresca e natural) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários”, que Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 237 5 “sem tais materiais seria impossível a comercialização de frutas in natura para o exterior!” face o que não poderia haver qualquer dúvida quanto ao direito a referido crédito. Objetivando fundamentar sua argumentação, trouxe à colação doutrina do insigne constitucionalista Roque Antônio Carrazza, ementas de Soluções de Consulta prolatadas nas Divisões de Tributação (Disit) da 6ª e da 10ª Regiões Fiscais e das Soluções de Consultas Internas nº 102 e nº 118, ambas de 2008. De acordo com a hermenêutica da peticionante, seria possível se depreender dessas duas últimas ementas que “Não configurando ativo imobilizado, surge a possibilidade de ressarcimento de crédito no caso em apreço, e; Se até nos casos que não há a suspensão do tributo torna possível o ressarcimento dos créditos, quanto mais no caso em tablado”, arrematando no sentido de que “os pallets (ou estrados) e as cantoneiras, e os demais produtos objeto de glosa, são, unicamente, materiais de embalagem, não retornando a empresa exportadora, e por isso, gerando créditos por não pertencerem ao ativo imobilizado”. No que tange à glosa correspondente às despesas com frete, decorrente da possibilidade do creditamento somente a partir de fevereiro/2004, face o determinado pelo art. 3º, inc. IX e art. 15, inc. II, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, manifestouse no sentido de que referida legislação não teria trazido qualquer inovação quanto ao aproveitamento de crédito do Pis, referente a despesas com fretes, posto que a Lei nº 10.637, de 2002, já permitiria a utilização de crédito dessa natureza. Segundo o contribuinte, a glosa em questão teria se apoiado em lei estritamente elucidativa, que unicamente esclareceu possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637, de 2002. Ao final de suas considerações postulou o deferimento integral do crédito e a homologação das compensações em sua totalidade, como também que fosse oportunizada a sustentação oral por parte do signatário da peça em apreciação, quando da inclusão do presente processo em pauta de julgamento. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade, foram apresentadas cópias de Instrumento Público de Procuração e da 53ª Alteração Contratual. A Unidade Local efetuou os cadastramentos necessários nos sistemas de controle interno e encaminhou o processo à esta DRJ para conhecimento e deliberação. É o que se tem a relatar.” Analisando o litígio, a DRJ Fortaleza/CE entendeu por bem manter a decisão que homologou parcialmente a compensação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 6 O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PALLETS, CANTONEIRAS E DEMAIS PRODUTOS UTILIZADOS EM EMBALAGEM DESTINADA AO TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante a fase de produção, mas apenas ao final desse ciclo, destinamse tão somente ao transporte não gerando, por conseguinte, direito ao crédito. DESPESA COM FRETE. CRÉDITO. DESCONTO DO VALOR APURADO. A dedução no valor apurado da contribuição do PIS/PASEP pelo crédito gerado com as despesas com fretes, nos casos dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, quando o ônus for suportado pelo vendedor, tornouse possível somente a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme estabelecido pelo art. 93, inc. I do citado diploma legal. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: · As despesas com serviços de expedição de produtos enquadramse no conceito de insumos, uma vez que são necessárias e indispensáveis para o funcionamento da cadeia produtiva. Isto é, as despesas relativas às embalagens destinadas ao transporte dos produtos geram crédito de PIS; · Não houve omissão no que se refere às glosas relativas à depreciação, uma vez que o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade fez referência à totalidade do valor requerido no Pedido de Ressarcimento; · O direito ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com fretes já estaria albergado pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº. 10.637/2002. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 238 7 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em síntese, o que será analisado no presente processo administrativo é se a Recorrente faz jus a créditos de PIS decorrentes de despesas com depreciação, com fretes e com materiais de embalagem destinados ao transporte dos produtos ao destinatário final. Pois bem. Por meio do despacho decisório proferido nos autos, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE houve por bem negar homologação ao Pedido de Ressarcimento decorrente das despesas de depreciação, com relação às quais não houve a apresentação de notas fiscais comprobatórias de sua origem. A referida decisão foi mantida pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Fortaleza/CE, ao argumento de que a Recorrente teria se mantido omissa quanto às glosas decorrentes dos encargos de depreciação, tratandose de matéria não impugnada. Embora o pedido aduzido na Manifestação de Inconformidade faça referência à totalidade do valor requerido no presente Pedido de Ressarcimento, é certo que a Recorrente não trouxe, em nenhum momento que lhe fora oportunizado o direito de defesa, qualquer elemento ou fundamento capaz de infirmar o entendimento da Delegacia de origem, no sentido de que inexiste a comprovação da origem das despesas de depreciação glosadas. Por esta razão, voto pelo conhecimento e desprovimento do Recurso Voluntário neste ponto. No entanto, o inconformismo da Recorrente no que diz respeito às despesas com materiais de embalagem e com fretes merece prosperar. Não se discute que o regime de créditos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS é mais amplo que aquele utilizado no âmbito da nãocumulatividade do IPI. Nesse sentido é o magistério de Marco Aurélio Greco, confirase: "Notese, inicialmente, que as Leis de PIS/COFINS não fazem expressa remissão à legislação do IPI. Vale dizer, não há um dispositivo que, categoricamente, determine que "insumo" deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto. Ademais, o regime de créditos existe atrelado à técnica da não cumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS, não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. Realmente, no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 53, §3º, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores, o que obviamente só pode ter ocorrido em relação a algo que seja "produto industrializado", de modo que a palavra "insumo" só pode evocar sentidos que sejam Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 8 necessariamente compatíveis com essa idéia (= algo fisicamente apreensível). Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a nãocumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas juridíconormativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de uma razão, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI”. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, juL/ago. 2008) Observese, portanto, que a análise do regime de créditos atinentes à não cumulatividade do PIS e da COFINS deve levar em consideração todas as atividades envolvidas no processo de formação da receita ou faturamento de determinada pessoa jurídica. Aplicandose tais ensinamentos ao caso concreto, não há dúvidas de que a exportação das mercadorias integra o processo de formação da receita da Recorrente. Deste modo, as despesas incorridas com o material de embalagem necessário ao transporte dos Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 239 9 produtos da Recorrente (e, em última análise, à sua distribuição e comercialização), deve gerar direito ao aproveitamento do crédito de PIS e COFINS. Somase ao exposto acima que a Instrução Normativa nº. 404/2004, ao dispor sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833/2003, não distingue, no conceito de insumo, qualquer espécie de material de embalagem para fins de desconto de créditos, vejase: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (...)”. Sobre o tema, inclusive, já se pronunciou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O COFINS incidente nas aquisições de bens e serviços utilizados no processo produtivo, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, gera direito a crédito. Recurso Voluntário Provido”. ( Processo nº 13931.000340/200756, Recurso nº 511.759 Voluntário, Acórdão nº 330200.766, Sessão de 10 de dezembro de 2010) Extraise do inteiro teor do voto condutor do referido julgado: “Quanto aos paletes, estrados, ripas e etiquetas, o acórdão recorrido nega o creditamento aduzindo que a contribuinte os utiliza para embalar e proteger seus produtos até o seu destino final, se destinando inequivocamente apenas para movimentação, armazenagem e transporte de produtos, sem que haja a incorporação desses bens durante o processo de industrialização. Mas apenas com a sua utilização depois de concluído o processo produtivo, não pode gerar direito ao crédito da contribuição. Ao contrário do que afirma o decisum, entendo que esses produtos são incorporados ao produto final, pois sem eles não podem ser comercializados, quer por exigência da legislação, Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 10 quer por propiciar o manuseio/transporte. O seu enquadramento como insumo está previsto na alínea “a”, inc. I, do § 4º, do art. 8º, da INSRF 404/04, ipsis verbis: § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Conveniente lembrar a regra de hermenêutica insculpida no aforismo de que ao intérprete não cabe distinguir quando a norma não distingue, restando inconcebível interpretação restritiva, assim como o estabelecimento de óbices não expressamente previstos na lei. No caso em comento, a norma contempla “material de embalagem”, sem qualquer especificação, portanto abrange todo tipo de embalagem aplicado no processo produtivo, independentemente de sua finalidade, vez que a norma não faz distinção. Portanto, os créditos decorrentes da aquisição de paletes, estrados, ripas e etiquetas, utilizados para embalar, armazenar, proteger e identificar seus produtos, podem ser deduzidos”. Finalmente, o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente também deve ser provido no que se refere às despesas com fretes. De fato, a possibilidade de desconto de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda sempre esteve albergada pelo inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, que assim determina: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”. É o que verifica na hipótese. A “PLANILHA I GLOSAS EFETUADAS EM DESPESAS COM FRETES” que instrui os autos faz menção à nota fiscal de entrada, emitida pelos fornecedores ali listados, donde se presume que o valor do frete corresponde a serviço utilizado pela Recorrente em seu processo produtivo. Ora, a própria legislação de regência, como visto, admite que serviços sejam utilizados como insumo na produção de bens. Inferese, aí, que o legislador tributário adotou Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 240 11 um sentido amplo para o termo, fazendo com que seu alcance chegasse a uma utilidade fruída pelo produtor para viabilizar a venda de seu produto – no caso, o serviço de transporte. Importante ressaltar que o PIS é contribuição cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento. Por essa razão, sua nãocumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita/faturamento. O processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos relevantes para sua obtenção. Daí se conclui serem considerados como "utilizados como insumo" para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições. Assim, entendo que a alegada inovação promovida pela Lei nº. 10.833/2003, que teria trazido ao mundo jurídico a possibilidade de aproveitamento de créditos na contratação de fretes, veio apenas convalidar o que, na prática, já estava autorizado, em termos amplos, pelo artigo 3º., inciso II, da Lei no. 10.637/2002. Neste sentido, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo o direito de desconto de créditos decorrentes de despesas com fretes e materiais de embalagem. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 12 Voto Vencedor Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado Não obstante as respeitáveis razões exaradas no voto da ilustre Relatora, discordo do seu entendimento quanto a possibilidade de creditamento de despesas com fretes e de materiais de embalagem, e o faço pelos motivos abaixo explicitados. 1. Das Despesas com Fretes A Recorrente se insurge contra as glosas de suas despesas com fretes. Sustenta o direito aos referidos créditos em razão de: “O Ilustre Auditor glosou a importância de R$ 16.897,89 (dezesseis mil, oitocentos e noventa e sete reais e nove centavos) referente as despesas com frete. O Agente Fiscal afirma que somente a partir de fevereiro de 2004 o aproveitamento de crédito de PIS, a título de despesa de frete, passou a ser permitido, justificando assim a glosa no artigo 3º, IX; artigo 15, II e artigo 93 da Lei nº 10.833/2003. Todavia, cumprenos elucidar que a referida legislação não trouxe qualquer inovação sobre a matéria de aproveitamento de crédito de PIS, referente a despesas com frete, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 já permitia a utilização dos créditos referente a despesas com frete. [...] Ora, a glosa efetuada pelo Agente Fiscal teve fundamento legal em uma lei estritamente elucidativa, ou seja, uma lei que não inovou ou gerou direitos, mas unicamente esclareceu uma possibilidade já abrangida pela Lei nº 10.637/2002. Desse modo, tornase indevida a glosa efetuada pelo Agente Fiscal, pelos motivos acima, posto ter o contribuinte agido dentro dos limites permissivos da legislação”. Importante se faz, para bem analisar a questão aqui discutida, trazer a lume a legislação de que trata o direito ao crédito das despesas com fretes, nas operações de vendas, arcado pela pessoa jurídica, relacionadas à apuração das Contribuições nãocumulativas para o Pis/Pasep e Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, instituidora do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, fixou em seu art. 3º quais os custos/despesas passíveis de integrar a base de cálculo como crédito a ser descontado, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10380.006547/200487 Acórdão n.º 3801001.366 S3TE01 Fl. 241 13 A partir da Lei no 10.833, de 2003, o regime de apuração nãocumulativa passou a ser adotado também para a Cofins, sendo admitido, a partir de então, o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Por sua vez, o art. 15 da Lei no 10.833/2003 estendeu o permissivo previsto no inciso IX às pessoas jurídicas incluídas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004. Da análise da evolução legislativa acima exposta, permitese concluir que o creditamento de gastos com fretes, desde que contratados com pessoas jurídicas domiciliado no País, somente poderá ser usado se estiver relacionado à uma operação de venda. É questão de prova. No entanto, a Recorrente não trouxe, seja na impugnação, seja nessa instância recursal, qualquer elemento que demonstrasse a vinculação da referida despesa com as operações de venda. Portanto, no caso em tela, os gastos relativos ao frete de que trata a planilha I, fls. 74/87, no valor de R$ 15.465,43, não são passíveis de creditamento para fins de apuração do valor devido das contribuições nãocumulativas. 2. Pallets, Cantoneiras e Demais Produtos Utilizados em Embalagem. Com relação as glosas das despesas com embalagens, a Recorrente assim defendeu seu direito: “As embalagens desconsideradas são essenciais para garantir eficiência na exportação, permitindo a conservação dos produtos no final até sua chegada no porto de destino, atendendo assim a sua qualidade. Os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos utilizados no processo produtivo, têm como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação de uma mercadoria extremamente frágil (FRUTA FRESCA E NATURAL) nas empilhadeiras e carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os locais destinatários, conforme documentos anexos. Ademais, os pallets, as cantoneiras e demais produtos utilizados para a embalagem não compõem o ativo imobilizado da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 14 empresa, uma vez que tais mercadorias não retornam a empresa exportadora, sendo colocadas nos containers e entregues aos seus clientes, pois sem estes produtos não seria possível o seu transporte e comercialização. As referidas embalagens viabilizam a operação de uma fruta produzida no Ceará e consumida ainda fresca na Europa. Sem elas, as operações não poderiam se realizar”. Em apertada síntese, pretende a Recorrente ter assegurado o direito creditório relativo a contribuição para o PIS no que tange a despesas de embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas à exportação. Defende a tese de que os gastos com embalagens, sejam elas de acondicionamento ou transporte, estariam enquadrados no conceito de insumos. Nesse aspecto, é meu pensar que a Recorrente não tem razão. O alargamento do sentido do termo “insumos” que se quer imprimir não pode prosperar. No caso vertente, as despesas com embalagens não se relacionam com o processo produtivo da empresa, mas em etapa posterior à produção do bem, isto é, ao transporte inerente à fase de comercialização do produto. Assim sendo, uma vez que a lei se refere expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação e os aqui referidos não se relacionam diretamente com o processo fabril da empresa, por ausência de permissivo legal, os dispêndios agregados em momento posterior à conclusão do processo produtivo (embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias), não podem ser descontados como créditos na apuração das contribuições nãocumulativas. Destarte, também improcedente a argumentação da Recorrente nesse tópico. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 04/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 11065.000105/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
MULTA
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) MULTA A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 01 05 /2 01 1- 91 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/201191 Acórdão n.º 2302002.403 S2C3T2 Fl. 558 3 Relatório O presente processo contém a três Autos de Infração de Obrigação Principal, todos consolidados em 28/02/2011 e cientificados ao sujeito passivo acima identificado, em 01/03/2011, relativos às contribuições previdenciárias patronais – AI DEBCAD 37.303.4210, às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados – AI DEBCAD 37.303.4229 e às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades – AI DEBCAD 37.303.4237, todos abrangendo o período de 01/2009 a 07/2010. As contribuições previdenciárias são incidentes sobre a remuneração dos segurados vinculados a outra pessoa jurídica, URÂNIA MARKETING E COMÉRCIO DE MODA LTDA., mas entendidos pela fiscalização como prestadores de serviço à notificada . O relatório fiscal de fls, 57/65 demonstra de forma cabal a relação entre as duas empresas, onde a empresa URÂNIA MARKETING E COMÉRCIO DE MODA LTDA.optante pelo SIMPLES, arca com toda a mão de obra necessária para que a recorrente atinja seus objetivos sociais, com a visível redução de tributos a serem recolhidos aos cofres previdenciários. Após a impugnação, Acórdão de fls. 456/475, julgou o lançamento procedente em parte para o DEBCAD 37.303.4229, referente às contribuições dos segurads empregados para excluir os lançamentos até a competência 06/2010 e retificar a competência 07/2010, porque a empresa interposta URÂNIA MARKETING E COMÉRCIO DE MODA LTDA. Já tinha efetuado o recolhimento das contribuições relativas ao segurado. Os demais DEBCAD foram mantidos na sua integralidade. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova pericial, testemunhal e realização de vistoria; b) que era imprescindível provar que as atividades não são simuladas, o que somente seria feito através da perícia; c) que inexistiu simulação, que o objeto social descrito no relatório fiscal não condiz com a realidade, que os objetivos sociais são mais extensos do que os ali pinçados; d) que o objeto social constante do relatório fiscal sequer é desenvolvido pela URÂNIA, que não possui inscrição estadual para exercer o comércio; e) que a fiscal não checou as reais atividades desempenhadas pelas empresas; Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que a decisão inovou ao dizer que as atividades exercidas eram complementares; g) que contratou os serviços da URÂNIA porque necessários a sua atividade; h) que a terceirização de serviços não é prova de simulação; i) que atualmente estão localizadas em prédios vizinhos por estrita conveniência dos serviços, mas originalmente estavam localizadas em prédios distantes; j) os prédios tem entradas separadas, layout próprio; k) que apenas terceirizou serviços de cobrança à URÂNIA; l) que os sócios das empresas investigadas serem parentes por si só não indica simulação; m) que mesmo possuindo sócios da mesma família as pessoas jurídicas são independentes e autônomas; n) que as atividades das empresas são distintas e por isso existe a discrepância na mão de obra; o) que mesmo antes da contratação da URÂNIA a mão de obra da recorrente era baixa, em torno de 22%; p) que a recorrente é administrada por um de seus sócios, enquanto a URÂNIA possui profissionais beneficiários de salários mais elevados e por isso gasta mais em mão de obra; q) que o crédito foi constituído pelo seu valor integral sem considerar os recolhimentos efetuados pela URÂNIA como optante do SIMPLES, acarretando o bis in idem; r) que não foi demonstrado o ânimo de fraude para aplicar a multa agravada. Discorre sobre o assunto. Requer o provimento do recurso para a desconstituição da decisão de primeira instância, determinando a realização das provas solicitadas ou, subsidiariamente que seja reformada a decisão para descaracterizar a infração dada a inocorrência de simulação, anulandose o lançamento, ou considerar os recolhimentos efetuados no SIMPLES e que seja a afastada a penalidade qualificada. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/201191 Acórdão n.º 2302002.403 S2C3T2 Fl. 559 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requsito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que os Autos de Infração, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados, tanto que foi possível à notificada contestar totalmente o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.57/65, expressa claramente que porque a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nesta notificação, foi retirada das folhas de pagamento de empresa interposta na relação que deveria se dar entrea a recorrente e os empregados. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado como podemos observar do que ensina Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso às autuações lavradas. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A decisão de primeira instância indeferiu o pedido de perícia apresentado e também não vislumbro motivos para o seu deferimento. Em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte entendo prescindível a perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10875, 16 de agosto de 2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 7º. O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do autuado e pelo constante no relatório fiscal, entendo que a eventual prova pericial para mostrar que as empresas não trabalham em prédios interligados, ou que o objetivo social da empresa interposta é mais extenso do que relatado pela fiscalização, não vai alterar a razã do lançamento Do Mérito O levantamento referese à remuneração dos segurados registrados na empresa, URÂNIA MARKETING E COMÉRCIO DE MODA LTDA, apuradas através dos valores declarados em GFIP’s e nas folhas de pagamento da mesma, mas considerados pela fiscalização como de responsabilidade da recorrente. Os elementos de convencimento apurados na auditoria estão detalhadamente descritos no relatório fiscal (fls. 57/65). O fisco provou a existência do fato gerador da contribuição previdenciária ao demonstrar com propriedade, que a recorrente se valeu de empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de pequeno Porte – SIMPLES para fracionar nela a mão de obra necessária à consecução de seus objetivos sociais. Ou seja, a recorrente utilizou outra empresa que lhe prestava serviços exclusivos, demonstrado pela sequencia de notas fiscais mensais, cujo faturamento advinha apenas da prestação de serviço à autuada e se destinava tão somente ao pagamento dos funcionários e encargos sociais, ficando dentro do limite legal de opção ao SIMPLES, enquanto a recorrente por apresentar faturamento superior ao parâmetro legal para a opção, arcava com uma pequena parcela de mão de obra, sobre a qual recolhia os encargos previdenciários. O relatório fiscal traz diversos elementos de convicção, como o fato das empresas estarem situadas em prédios contíguos e interligados, com cartazes fixados para treinamento que são comuns às empresas, inclusive com o logotipo de ambas em cartaz Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/201191 Acórdão n.º 2302002.403 S2C3T2 Fl. 560 7 intitulado “Agenda Sala de Treinamentos”. O responsável contábil das empresas também é o mesmo.Os sócios administradores das duas empresas pertencem a mesma família e uma das sócias exerce concomitantemente a direção das firmas. A receita da URÂNIA advém somente da prestação de serviço para a USE FASHION. A relação de mão de obra versus faturamento demonstra que a recorrente possui faturamento maior e ínfimos gastos com a mão de obra, ao contrário da URÂNIA onde apesar de faturar bem menos que a recorrente, tem comprometido por volta de mais de 70% de seu faturamento com mão de obra. As alegações da recorrente quanto a este tópico não merecem acolhida, pois se limitam a dizer que na recorrente os serviços de administração são exercidos pelos sócios, enquanto na URÂNIA os administradores são contratados e por isso o gasto é maior. Como se vê a assertiva é frágil, não justificando os fatos elencados pelo fisco. A fiscalização analisou dados e documentos das empresas e concluiu que a mão de obra foi distribuída na empresa optante do SIMPLES, sem recolhimento dos encargos previdenciários patronais, enquanto a recorrente possuía um alto faturamento e em contrapartida um reduzido quadro de funcionários. Ainda, às fls. 62, temos um quadro comparativo de receitas e total gasto com remuneração, onde se percebe que a empresa URÂNIA pelo faturamento obtido, não tinha condições de arcar com o custo da mão de obra para realizar suas atividades e cumprir com seus objetivos sociais. Por tudo que foi exposto, e da análise dos documentos trazidos aos autos, é possível afirmar que os empregados registrados na empresa URÂNIA MARKETING E COMÈRCIO DE MODA LTDA., optante pelo SIMPLES, prestara serviço para a recorrente através da empresa interposta, sendo impossível negar a existência de "prejuízo" para a seguridade social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feito, já que proporcionou o não recolhimento de contribuições previdenciárias patronais. Saliento, por fim, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através da empresa interposta para com a recorrente. Os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da notificada, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. A desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal pode desconsiderar o contrato pactuado, quando presentes as condições que denotem uma relação de emprego: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescrevem os artigos legais citados em parágrafos anteriores e compete à fiscalização da Receita Federal do Brasil solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Quanto aos argumentos da recorrente de que não houve ânimo de fraude, me reporto integralmente ao relatório fiscal de fls.57/65, que muito bem sustentou a autuação procedida, permitindo que da sua leitura se vislumbrasse a situação encontrada pelo fisco, trazendo elementos de prova e convencimento, mostrando que houve prejuízo para a Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/201191 Acórdão n.º 2302002.403 S2C3T2 Fl. 561 9 seguridade social que deixou de receber as contribuições previdenciárias patronais sobre a mão de obra utilizada pela recorrente. Quanto à multa aplicada a MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.000105/201191 Acórdão n.º 2302002.403 S2C3T2 Fl. 562 11 tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Faço referência a parte do voto proferido na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2002.71.07.0136957/RS, TRF 4 Região, Desembargador Vilson Darós, DOU de 13/06/2007, que trata de assunto similar: Na presente situação, as empresas terceirizadas estão vinculadas ao SIMPLES, submetendose a regime tributário diferenciado. Como elas assumem atividades que deveriam, originalmente, pertencer à contratante, empresa de grande porte, acabam avocando desta seus encargos fiscais, mas, em contrapartida, submetidas ao regime especial. Tal fato, além de fraudar a atividade fiscal, compromete a finalidade do sistema tributário, já que o SIMPLES foi instituído como forma de estimular o crescimento de pequenas empresas, e não de aliviar as despesas de grandes empreendimentos. Estes devem arcar com os valores que lhes são compatíveis, sendolhes vedada a utilização do serviço terceirizado como forma de amenizar os encargos tributários. Com isso, não se está dizendo que uma terceirização legítima poderia ser desconsiderada para abrir espaço à ação arrecadadora do Fisco. O que se afirma, no caso, é que o serviço terceirizado perde sua legitimidade quando atinge o processo principal da empresa, adentrando em suas atividades essenciais, caracterizando fraude trabalhista e, inclusive, fiscal. Os recolhimentos relativos à cota dos segurados empregados efetuados pela empresa optante do SIMPLES já foram aproveitados e os respectivos valores excluídos do lançamento DEBCAD 37.303.4229, pela primeira instância administrativa. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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